Monday, 21 December 2009

2009 – Annus Horribilis



Infelizmente, apesar de algumas coisas bastante interessantes e positivas durante ele me terem acontecido, assim ficara’ marcado este ano no calendario da minha vida.
Nao sera’ o primeiro – uma vez que ha’ muito venho observando esta curiosa regularidade de os anos impares serem-me invariavelmente mais desfavoraveis do que os pares – mas tera’, sob varios pontos de vista, sido o pior ate’ agora.

E o que teve de pior foi o que nele houve de absolutamente perturbador: o facto de tudo quanto de mau me aconteceu durante este ano se ter devido a este blog. Nao que ele nao tivesse convocado, desde o inicio, atitudes hostis e ocorrencias desagradaveis durante os tres anos da sua existencia, como os seus arquivos vastamente documentam. O que tornou 2009 particularmente mau para mim foi esta extraordinariamente desagradavel experiencia - que na essencia se manifestou como um ataque virulento, massivo e concertado 'as minhas liberdades de pensamento, opiniao e expressao e a minha propria dignidade pessoal, bom nome e competencia academico-profissional, chegando mesmo ao sinistro cumulo de incluir ameacas, tanto veladas como abertas, a minha integridade fisica e/ou psicologica - de ter, senao “toda uma sociedade”, pelo menos significativos (ainda que diminutos) sectores dela – dentre os quais se destacaram certos “pesos pesados” da imprensa escrita e de uma "certa lusosfera" angolana, que dir-se-ia terem entrado em competicao sobre quem seria capaz de descer mais baixo ou desferir o golpe mais fundo (… e tera’ sido “ilusao optica” da minha parte devido a minha “falta de oculos”, embora tambem os use quando necessario, ou tambem me pareceu “ver” titulares de cargos publicos metidos nesse pretenso “debate historico”?) – em “pe’ de guerra aberta”, apesar de “nao declarada”, contra este blog e a sua autora!

Porque? Evidentemente, no que dessa “guerra” houve de ciume, despeito, ressaibos, racismo, raiva, inveja, odio, revanchismos, frustracoes e complexos varios – sentimentos por definicao irracionais, particularmente quando nao ha' na sua base qualquer relacionamento pessoal entre as partes, como e' o caso entre mim e os participantes desta "saga" – ha’ muito que nao consigo racionalizar. Mas, no que se me apresentou como minimamente objectivo e compreensivel, posso aduzir algumas razoes de certos temas por mim aqui abordados, de forma digamos que “desconcertantemente inovadora” para muitos, ao longo da existencia deste blog e que, nao tendo sido especial ou especificamente dirigidos a quaisquer particulares pessoas ou grupos (e nos casos em que o foram, tornei-o sempre perfeitamente explicito), claramente tocaram fundo em algumas pessoas ou na “consciencia colectiva” de alguns grupos da “sociedade angolana” (e la' diz o velho ditado, "quem se ofendeu carapuca lhe serviu"...) que, por isso, numa patetica e desastradamente mal-amanhada tentativa de "auto-justificacao", optaram cobardemente por me mover essa formidavelmente sordida e soez “guerra sem quartel”.

Tais temas incidiram particularmente sobre questoes como o genero e o "poder no feminino"; certo tipo de “masculinidade (misoginia?) africana” e algumas das suas peculiares formas de expressao nas ex-colonias portuguesas e especialmente em Angola; a “questao racial”; as vertentes filosoficas, ideologico-doutrinarias e politicas que pontuam os “exercicios do poder e do contra-poder” e as questoes geracionais atinentes e decorrentes desses mesmos exercicios; as questoes culturais subjacentes a certas opcoes e manifestacoes literarias e artisticas a luz da historia e, mais amplamente, aos “modelos de sociedade e de desenvolvimento economico” expressos de forma ainda largamente incipiente naquele que ainda nao passou do esboco de um possivel debate intelectual serio e construtivo sobre as opcoes de futuro que se nos apresentam – tanto a nivel nacional, como regional, continental e global; e finalmente, mas nao menos importante, a questao da “recolonizacao”.

Tudo isso nao descontando, obviamente, o 'sal e pimenta', ou o 'gindungo cahombo' se se preferir, de um certo sentido de auto-estima pessoal com que nasci, cresci e tenho vivido e contra o qual, perdoar-me-ao, nada posso ou sei fazer!

[Alias, e recorrendo aqui a uma expressao que marcou de forma especial este blog durante este ano, o "sejamos claros": nao fosse essa tal auto-estima (que nada tem a ver com arrogancia, petulancia, complexos de superioridade, sobranceria ou o que quer que seja parecido com isso) eu provavelmente, em vez de ter passado noites em branco a queimar pestanas durante anos a fio, lendo, escrevendo, estudando e trabalhando para assegurar uma vida digna para mim e para o meu filho, tivesse ido a todas as festas, bebedeiras, ngwendas, kanvwanzas, farras, bodas e bacanais em que passa(va)m a vida, teria sido "mais simpatica" para com - ou, por outras palavras, nao fosse "uma preta cheia de manias" e tivesse "dado mais confianca" a - alguns dos 'jornalistas' com que me cruzei quando passei pela profissao e talvez as agruras a que venho agora sendo submetida me tivessem sido poupadas... Admitamos entao que tudo isso era perfeitamente previsivel, mas que so' (e muito!) me espanta constatar que certas pessoas, apesar de Alices latonas que pelos vistos nao lhes fizeram "grandes maravilhas", parecam nao ter conseguido crescer um milimetro que fosse, em qualquer das suas dimensoes, em cerca de 30 anos!

E, a este proposito, e porque a brincadeira de mau gosto e o abuso de confianca (!) ja' foram longe de mais, deixo aqui, mais uma vez, que espero bem que seja a ultima (!), um recado para um certo rapazito complexado, novo-jornaleiro kuribota, cretino, ordinario, canalha, arrogante ignorante, kabungado, tarado monstruoso, maniaco incendiario, lambe-botas nojento, lacrau venenoso, lacaio subserviente, racista invertido e misogino pervertido, a.k.a. Uncle Tom (mesmo sabendo que chances are esta mukanda apenas o vai 'elevar' ao Premio Maboque de Jornalismo...): ouve so' sub-rapaz, ve se te poes no teu devido lugar (!) e muda de uma vez por todas de obcessao, pelo menos para alguem que tu conhecas, seja da tua confianca e do teu baixo nivel e se disponha a descer pelo teu pantanal abaixo, porque senao, mijao, rafeiro, tinhoso e invertebrado que ja' es e a espumar da boca como ja' andas e de tanto te mostrares com o coiso alheio, vais so' morrer como um cao raivoso e sarnento e acabar enterrado no saco!!!

E so' mais uma coisinha: sera' que nao ha' assuntos mais importantes (ou "criaturas mais ricas e significantes") nesse pais para ocuparem o "brilhante cerebro" de um "sub-director de novo jornal de grande dimensao"?!?
Que tal ir dancar o Can-Can ou o Baile de Mascaras (com a Branca de Neve)???
Ou ir tomar banho de lixivia???]

Todos eles temas, se nao estritamente tabu, certamente nao pacificos, seguramente desconfortaveis para a maioria, mas que sempre me pareceram longe de se revelar tao explosivos como evidentemente o foram! E expresso-me aqui no “passado”, nao porque eles estejam resolvidos (longe disso, mesmo porque a dita "guerra" foi precisamente caracterizada pela preferencia por ataques pessoais em detrimento do "debate de ideias"!), mas porque me e’ absolutamente impossivel – material, emocional, psicologica e espiritualmente – quanto mais nao seja devido a desproporcionalidade de meios, tanto humanos como materiais e institucionais, entre "o meu lado" e o "dos outros" (e nao sera' demais repeti-lo: este e' apenas "um meio de comunicacao e opiniao pessoal e informal"!) continuar engajada no seu “debate” nos termos em que alguns dos “meus opositores” resolveram escolher seguir. A esse respeito direi apenas algo como: “nao sei para onde vou, nao sei por onde vou, mas sei que nao vou por ai”!

E, assim, deixo para tras este meu “2009 – Annus Horribilis”, que ora caminha para os seus ultimos suspiros. Em boa verdade, este seria um tipo de reflexao mais apropriado ao ultimo dia do ano, mas faco-a aqui e agora porque pretendo tornar esta sua ponta final o mais compensadora e agradavel possivel, tanto para mim e os que me sao mais proximos, como para este blog, para o qual ainda tenho em mente dois ou tres posts antes do Ano Novo. Em boa verdade tambem, se este foi para mim um ano horrivel, ele nao deixou de me ser instrutivo a varios titulos e em muitos aspectos – proeminentemente entre estes, por um lado, uma mais clara nocao do quanto as caracteristicas estruturais e estruturantes tipicas do relativo subdesenvolvimento, atraso e dependencia a todos os niveis que marcam a experiencia historica africana estao ainda profundamente enraizadas de forma sistemica na sociedade angolana, incluindo em alguns dos seus sectores supostamente “mais progressistas” e, por outro lado, esse imperativo de saber, senao sempre, seguramente melhor, “o que me espera”… aprendi imenso sobre isso. Obrigada.

Resta-me a consolacao de que vem ai um ano par e, acima de tudo, o que e' suposto ser o "meu ano": o ano em que se comemoram 50 anos desde 1960 - "O Ano de Africa"!

Oxala' ele marque, de facto e de jure, o inicio de uma boa e prospera nova decada para o nosso continente. E se, against all odds, nao o for para mim, espero que o seja para todos os visitantes e muito especialmente os amigos, comentaristas, seguidores e companheiros de jornada, mais ou menos silenciosos, deste blog.

Feliz quadra festiva e um Bom Ano de 2010 para todos sao os meus mais sinceros votos!


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Just Poetry IX

Ignorancia ou a Insustentavel Leveza do Regresso

Woman To Woman


P.S.: Talvez a seguinte passagem deste post possa ajudar a perceber muito do que me aconteceu neste ano de 2009:


E quem sao os Angolanos? Em tracos gerais, nunca e’ demais nota-lo, sao um povo que foi colonizado pelo pais menos desenvolvido da Europa Ocidental durante boa parte dos ultimos 5 seculos, que lutou (ou pelo menos parte dele) pela obtencao da sua independencia politica durante boa parte dos ultimos 50 anos, que se viu envolvido numa guerra fratricida, alimentada parcialmente por potencias estrangeiras, e em particular pelos protagonistas da Guerra Fria, durante boa parte dos ultimos 30 anos e que foi agora pela primeira vez as urnas 16 anos depois de umas eleicoes inconclusivas e com resultados desastrosos. Em suma, para la’ da exuberancia e do ‘bravado’ que os nossos brilharetes evidenciam – nos campos de futebol e de basquetebol, nas pistas de danca e, mais recentemente, nas exibicoes novo-riquistas dos novos edificios e aquisicoes materiais e nas estatisticas resultantes do output dos nossos pocos de petroleo –, um povo brutalizado e traumatizado por toda a sorte de violencias e adversidades, as quais tiveram profundos impactos materiais, psicologicos e espirituais nas suas vidas quotidianas e na forma como tendem a perspectivar o seu futuro. Impactos esses que, embora se pretendam disfarcar por tras do tal ‘bravado’ e exuberancia, se revelam amiude na inseguranca, frequentemente mascarada de arrogancia (que, a par de uma doentia subserviencia a tudo quanto seja estrangeiro, particularmente se europeu ou brasileiro, quantas vezes se traduz na mais flagrante falta de solidariedade, cortesia e respeito mutuo entre compatriotas e em varios graus de complexos de inferioridade e/ou de superioridade que invariavelmente conduzem a accoes destrutivas ‘do outro’, particularmente se tal 'outro' nao detem uma posicao qualquer de poder na sociedade local ou, seja por que razao for, seja parte da Diaspora, espelhando ainda uma certa psicose de guerra fratricida permanente…), com que os Angolanos em geral, desde as chamadas “massas populares” as chamadas "elites", de esquerda ou de direita, se comportam na sua vida social aos mais diversos niveis e exercem as suas escolhas, desde as mais triviais, as mais importantes e decisivas como, neste caso, as eleicoes.




Infelizmente, apesar de algumas coisas bastante interessantes e positivas durante ele me terem acontecido, assim ficara’ marcado este ano no calendario da minha vida.
Nao sera’ o primeiro – uma vez que ha’ muito venho observando esta curiosa regularidade de os anos impares serem-me invariavelmente mais desfavoraveis do que os pares – mas tera’, sob varios pontos de vista, sido o pior ate’ agora.

E o que teve de pior foi o que nele houve de absolutamente perturbador: o facto de tudo quanto de mau me aconteceu durante este ano se ter devido a este blog. Nao que ele nao tivesse convocado, desde o inicio, atitudes hostis e ocorrencias desagradaveis durante os tres anos da sua existencia, como os seus arquivos vastamente documentam. O que tornou 2009 particularmente mau para mim foi esta extraordinariamente desagradavel experiencia - que na essencia se manifestou como um ataque virulento, massivo e concertado 'as minhas liberdades de pensamento, opiniao e expressao e a minha propria dignidade pessoal, bom nome e competencia academico-profissional, chegando mesmo ao sinistro cumulo de incluir ameacas, tanto veladas como abertas, a minha integridade fisica e/ou psicologica - de ter, senao “toda uma sociedade”, pelo menos significativos (ainda que diminutos) sectores dela – dentre os quais se destacaram certos “pesos pesados” da imprensa escrita e de uma "certa lusosfera" angolana, que dir-se-ia terem entrado em competicao sobre quem seria capaz de descer mais baixo ou desferir o golpe mais fundo (… e tera’ sido “ilusao optica” da minha parte devido a minha “falta de oculos”, embora tambem os use quando necessario, ou tambem me pareceu “ver” titulares de cargos publicos metidos nesse pretenso “debate historico”?) – em “pe’ de guerra aberta”, apesar de “nao declarada”, contra este blog e a sua autora!

Porque? Evidentemente, no que dessa “guerra” houve de ciume, despeito, ressaibos, racismo, raiva, inveja, odio, revanchismos, frustracoes e complexos varios – sentimentos por definicao irracionais, particularmente quando nao ha' na sua base qualquer relacionamento pessoal entre as partes, como e' o caso entre mim e os participantes desta "saga" – ha’ muito que nao consigo racionalizar. Mas, no que se me apresentou como minimamente objectivo e compreensivel, posso aduzir algumas razoes de certos temas por mim aqui abordados, de forma digamos que “desconcertantemente inovadora” para muitos, ao longo da existencia deste blog e que, nao tendo sido especial ou especificamente dirigidos a quaisquer particulares pessoas ou grupos (e nos casos em que o foram, tornei-o sempre perfeitamente explicito), claramente tocaram fundo em algumas pessoas ou na “consciencia colectiva” de alguns grupos da “sociedade angolana” (e la' diz o velho ditado, "quem se ofendeu carapuca lhe serviu"...) que, por isso, numa patetica e desastradamente mal-amanhada tentativa de "auto-justificacao", optaram cobardemente por me mover essa formidavelmente sordida e soez “guerra sem quartel”.

Tais temas incidiram particularmente sobre questoes como o genero e o "poder no feminino"; certo tipo de “masculinidade (misoginia?) africana” e algumas das suas peculiares formas de expressao nas ex-colonias portuguesas e especialmente em Angola; a “questao racial”; as vertentes filosoficas, ideologico-doutrinarias e politicas que pontuam os “exercicios do poder e do contra-poder” e as questoes geracionais atinentes e decorrentes desses mesmos exercicios; as questoes culturais subjacentes a certas opcoes e manifestacoes literarias e artisticas a luz da historia e, mais amplamente, aos “modelos de sociedade e de desenvolvimento economico” expressos de forma ainda largamente incipiente naquele que ainda nao passou do esboco de um possivel debate intelectual serio e construtivo sobre as opcoes de futuro que se nos apresentam – tanto a nivel nacional, como regional, continental e global; e finalmente, mas nao menos importante, a questao da “recolonizacao”.

Tudo isso nao descontando, obviamente, o 'sal e pimenta', ou o 'gindungo cahombo' se se preferir, de um certo sentido de auto-estima pessoal com que nasci, cresci e tenho vivido e contra o qual, perdoar-me-ao, nada posso ou sei fazer!

[Alias, e recorrendo aqui a uma expressao que marcou de forma especial este blog durante este ano, o "sejamos claros": nao fosse essa tal auto-estima (que nada tem a ver com arrogancia, petulancia, complexos de superioridade, sobranceria ou o que quer que seja parecido com isso) eu provavelmente, em vez de ter passado noites em branco a queimar pestanas durante anos a fio, lendo, escrevendo, estudando e trabalhando para assegurar uma vida digna para mim e para o meu filho, tivesse ido a todas as festas, bebedeiras, ngwendas, kanvwanzas, farras, bodas e bacanais em que passa(va)m a vida, teria sido "mais simpatica" para com - ou, por outras palavras, nao fosse "uma preta cheia de manias" e tivesse "dado mais confianca" a - alguns dos 'jornalistas' com que me cruzei quando passei pela profissao e talvez as agruras a que venho agora sendo submetida me tivessem sido poupadas... Admitamos entao que tudo isso era perfeitamente previsivel, mas que so' (e muito!) me espanta constatar que certas pessoas, apesar de Alices latonas que pelos vistos nao lhes fizeram "grandes maravilhas", parecam nao ter conseguido crescer um milimetro que fosse, em qualquer das suas dimensoes, em cerca de 30 anos!

E, a este proposito, e porque a brincadeira de mau gosto e o abuso de confianca (!) ja' foram longe de mais, deixo aqui, mais uma vez, que espero bem que seja a ultima (!), um recado para um
certo rapazito complexado, novo-jornaleiro kuribota, cretino, ordinario, canalha, arrogante ignorante, kabungado, tarado monstruoso, maniaco incendiario, lambe-botas nojento, lacrau venenoso, lacaio subserviente, racista invertido e misogino pervertido, a.k.a. Uncle Tom (mesmo sabendo que chances are esta mukanda apenas o vai 'elevar' ao Premio Maboque de Jornalismo...): ouve so' sub-rapaz, ve se te poes no teu devido lugar (!) e muda de uma vez por todas de obcessao, pelo menos para alguem que tu conhecas, seja da tua confianca e do teu baixo nivel e se disponha a descer pelo teu pantanal abaixo, porque senao, mijao, rafeiro, tinhoso e invertebrado que ja' es e a espumar da boca como ja' andas e de tanto te mostrares com o coiso alheio, vais so' morrer como um cao raivoso e sarnento e acabar enterrado no saco!!!

E so' mais uma coisinha: sera' que nao ha' assuntos mais importantes (ou "criaturas mais ricas e significantes") nesse pais para ocuparem o "brilhante cerebro" de um "sub-director de novo jornal de grande dimensao"?!?
Que tal ir dancar o Can-Can ou o Baile de Mascaras (com a Branca de Neve)???
Ou ir tomar banho de lixivia???]

Todos eles temas, se nao estritamente tabu, certamente nao pacificos, seguramente desconfortaveis para a maioria, mas que sempre me pareceram longe de se revelar tao explosivos como evidentemente o foram! E expresso-me aqui no “passado”, nao porque eles estejam resolvidos (longe disso, mesmo porque a dita "guerra" foi precisamente caracterizada pela preferencia por ataques pessoais em detrimento do "debate de ideias"!), mas porque me e’ absolutamente impossivel – material, emocional, psicologica e espiritualmente – quanto mais nao seja devido a desproporcionalidade de meios, tanto humanos como materiais e institucionais, entre "o meu lado" e o "dos outros" (e nao sera' demais repeti-lo: este e' apenas "um meio de comunicacao e opiniao pessoal e informal"!) continuar engajada no seu “debate” nos termos em que alguns dos “meus opositores” resolveram escolher seguir. A esse respeito direi apenas algo como: “nao sei para onde vou, nao sei por onde vou, mas sei que nao vou por ai”!

E, assim, deixo para tras este meu “2009 – Annus Horribilis”, que ora caminha para os seus ultimos suspiros. Em boa verdade, este seria um tipo de reflexao mais apropriado ao ultimo dia do ano, mas faco-a aqui e agora porque pretendo tornar esta sua ponta final o mais compensadora e agradavel possivel, tanto para mim e os que me sao mais proximos, como para este blog, para o qual ainda tenho em mente dois ou tres posts antes do Ano Novo. Em boa verdade tambem, se este foi para mim um ano horrivel, ele nao deixou de me ser instrutivo a varios titulos e em muitos aspectos – proeminentemente entre estes, por um lado, uma mais clara nocao do quanto as caracteristicas estruturais e estruturantes tipicas do relativo subdesenvolvimento, atraso e dependencia a todos os niveis que marcam a experiencia historica africana estao ainda profundamente enraizadas de forma sistemica na sociedade angolana, incluindo em alguns dos seus sectores supostamente “mais progressistas” e, por outro lado, esse imperativo de saber, senao sempre, seguramente melhor, “o que me espera”… aprendi imenso sobre isso. Obrigada.

Resta-me a consolacao de que vem ai um ano par e, acima de tudo, o que e' suposto ser o "meu ano": o ano em que se comemoram 50 anos desde 1960 - "O Ano de Africa"!

Oxala' ele marque, de facto e de jure, o inicio de uma boa e prospera nova decada para o nosso continente. E se, against all odds, nao o for para mim, espero que o seja para todos os visitantes e muito especialmente os amigos, comentaristas, seguidores e companheiros de jornada, mais ou menos silenciosos, deste blog.

Feliz quadra festiva e um Bom Ano de 2010 para todos sao os meus mais sinceros votos!


Posts Relacionados:

Just Poetry IX

Ignorancia ou a Insustentavel Leveza do Regresso

Woman To Woman


P.S.: Talvez a seguinte passagem deste post possa ajudar a perceber muito do que me aconteceu neste ano de 2009:


E quem sao os Angolanos? Em tracos gerais, nunca e’ demais nota-lo, sao um povo que foi colonizado pelo pais menos desenvolvido da Europa Ocidental durante boa parte dos ultimos 5 seculos, que lutou (ou pelo menos parte dele) pela obtencao da sua independencia politica durante boa parte dos ultimos 50 anos, que se viu envolvido numa guerra fratricida, alimentada parcialmente por potencias estrangeiras, e em particular pelos protagonistas da Guerra Fria, durante boa parte dos ultimos 30 anos e que foi agora pela primeira vez as urnas 16 anos depois de umas eleicoes inconclusivas e com resultados desastrosos. Em suma, para la’ da exuberancia e do ‘bravado’ que os nossos brilharetes evidenciam – nos campos de futebol e de basquetebol, nas pistas de danca e, mais recentemente, nas exibicoes novo-riquistas dos novos edificios e aquisicoes materiais e nas estatisticas resultantes do output dos nossos pocos de petroleo –, um povo brutalizado e traumatizado por toda a sorte de violencias e adversidades, as quais tiveram profundos impactos materiais, psicologicos e espirituais nas suas vidas quotidianas e na forma como tendem a perspectivar o seu futuro. Impactos esses que, embora se pretendam disfarcar por tras do tal ‘bravado’ e exuberancia, se revelam amiude na inseguranca, frequentemente mascarada de arrogancia (que, a par de uma doentia subserviencia a tudo quanto seja estrangeiro, particularmente se europeu ou brasileiro, quantas vezes se traduz na mais flagrante falta de solidariedade, cortesia e respeito mutuo entre compatriotas e em varios graus de complexos de inferioridade e/ou de superioridade que invariavelmente conduzem a accoes destrutivas ‘do outro’, particularmente se tal 'outro' nao detem uma posicao qualquer de poder na sociedade local ou, seja por que razao for, seja parte da Diaspora, espelhando ainda uma certa psicose de guerra fratricida permanente…), com que os Angolanos em geral, desde as chamadas “massas populares” as chamadas "elites", de esquerda ou de direita, se comportam na sua vida social aos mais diversos niveis e exercem as suas escolhas, desde as mais triviais, as mais importantes e decisivas como, neste caso, as eleicoes.


5 comments:

Tchinó said...

Tudo de bom para 2010.

Diasporense said...

Corage mana
Em 61 foi pior....
Kandando forte!

Koluki said...

Obrigada aos dois e votos e kandandos retribuidos!

Fernando Ribeiro said...

Já não vou a tempo de lhe desejar um Feliz Natal (peço muita desculpa pela falta), mas ainda estou em condições de lhe desejar que 2010 venha a ser um annus mirabilis (é assim que se diz?).

Fernando Ribeiro ("Denudado")

Koluki said...

Vem sim a tempo, Denudado! O Natal so' acaba... no Ano Novo!
Obrigada pelos votos de 2010 - annus mirabilis (se nao e' assim que se diz/escreve, entao passa a ser...) que inteiramente lhe retribuo !