Wednesday, 30 December 2009

O KE NOSOTROS ANDAMOS PR'AKI A PERDER... (19)






[Raça Negra - Yuri da Cunha, ft. Raça Negra (2009)]










[Raça Negra - Yuri da Cunha, ft. Raça Negra (2009)]





Ricardo Lemvo

KESTAO DO ANO: Ser Ou Nao Ser...

...kaTchokwe'!

(mesmo sem termos como 'akwakwiza' pelo meio...)




- Parece que a resposta (simples e concreta, a essa igualmente simples e concreta questao!) passa algures por "diplomas falsos", "mestrados em imitacao" e "infiltracoes em reunioes de peritos", entre outros invios caminhos e tortuosos e sinuosos becos, vielas e pantanais...


Tuesday, 29 December 2009

JUST POETRY (X)

Musica Mirabilis


Talvez a ternura
crepite no pulso,
talvez o vento
súbito se levante,
talvez a palavra
atinja o seu cume,
talvez um segredo
chegue ainda a tempo


- e desperte o lume.


Eugénio de Andrade

Wednesday, 23 December 2009

A Very Special 'Happy Holidays' Message...


{Please click on the image}

{Please click on the image}

Tuesday, 22 December 2009

OLHARES DIVERSOS (XVII)

Ainda sobre a atribuicao do PNCA deste ano, na categoria de Literatura, apenas ontem me chegaram as maos duas das pecas fundamentais da polemica que em seu torno se gerou: os depoimentos de Amelia da Lomba e de Joao Melo. Com a devida venia ao Novo Jornal, transcrevo-os aqui:

“Quisemos premiar a beleza da sua poesia e perpetuar a sua memória”.

Amélia da Lomba foi um dos membros do Júri do Prémio Nacional da Cultura, na disciplina de literatura. A sua decisão foi por Viriato da Cruz. Mas o veredicto do júri não foi respeitado e o Prémio foi atribuído a João Melo. Em entrevista ao NJ, Amélia da Lomba explica o que se passou.

Entrevista EMANUEL JOÃO
Fotos AMPE ROGÉRIO

Como foi este ano o trabalho do jurado?

Foi a primeira vez que pertenci ao jurado do PNCA e tivemos um trabalho intenso, mas foi bom. Visitámos vários pontos de expressão cultural ao nível das províncias e, por isso, fomos ao Bengo, Benguela, Huíla, Cabinda, às Lundas e ficámos com um retrato mais aturado do que é a realidade cultural. Estas visitas tiveram mais um fim didáctico e encontrámos províncias onde os artistas nem sequer conheciam a existência do Prémio. Trabalhámos bastante com os governos provinciais e, de alguma forma, alguns puderam perceber a importância do prémio. Houve grande interacção.

Mas ao nível da dança, por exemplo, o Prémio foi entregue a um grupo da Lunda?

Também, porque em termos de dança foi muito bom termos lá ido, particularmente a províncias como Cabinda, a Huíla e a própria Lunda onde encontrámos um grupo que existe desde 1948. Este grupo tem um trabalho de transmissão oral notável. Sabemos que há mais ofertas, até temos alguns grupos de referência internacional que poderiam muito bem ganhar o prémio, mas vêm outras marés e os marinheiros devem aguardar pelas próximas vezes.

Que argumentos justificam a retirada do Prémio a Viriato da Cruz?

Eu, sinceramente, não sei porquê. Qualquer um dos argumentos avançados para justificar essa decisão não me convenceram, sinceramente…

Que argumentos, afinal?

Que poderia não ter sido o momento, aspectos fantasmagóricos que até prefiro esquecer, mas entretanto o que é certo é que eu não participei na reunião que decidiu retirar o prémio ao Viriato da Cruz para premiar outro grande poeta que todos nós respeitamos, de uma geração muito mais jovem, com muito valor também e que não merecia estar nesta situação.

Isso acaba por ser uma violação ao regulamento do prémio?

É sim e porque eu sou da disciplina lamento não ter sido convocada para participar desta reunião. Eu simplesmente não tive conhecimento que ela seria realizada. Alguns membros também não foram convocados e, surpreendentemente, foi-me informado por telefone que haviam tomado esta decisão e que tinham marcado a conferência de imprensa para o dia seguinte. Não tendo sido convocada e sendo membro do júri na disciplina significa que fui posta de parte, devo continuar de parte, como até aqui.

Quando se alega que este não é o momento estão-se a invocar razões políticas?

Sim, é provável. Mas em nenhum momento isso nos moveu. Sinceramente em nenhum momento nos foi informado que estaríamos dependentes de qualquer contingência partidária, política para tomar atitudes sectárias. Se tivesse sido informada eu não teria feito parte porque a minha consciência já não me permite determinadas situações. Nós estamos em paz. Eu pertenço a uma geração muito sofrida. Vivemos a guerra, cresci na guerra e já me cansei dela. Não me chamo “Teresa Baptista Cansada de Guerra”, mas eu já estou muito cansada de saber que até ao nível das artes, da poesia, da música estamos assim...

O que motivou a escolha de Viriato da Cruz?

Nós debatemos isso e entendemos que deveríamos premiar a memória de Viriato da Cruz. Esta memória não tem sido, de jeito nenhum, trazida até nós. As nossas referências são quase nenhumas. Por exemplo, eu quando comecei a escrever, conheci Mário António através do Manuel Dionísio que me ofereceu um livro. Eu não tinha nenhum livro dele na minha biblioteca, não tinha referências nem nas livrarias. Nós debruçámo- nos sobre a beleza da sua poesia, pelo momento, e achámos que dos quatro poetas ilustres que Angola possui, que estiveram ligados à política em determinado momento, nomeadamente Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, António Jacinto e Viriato da Cruz, ele era o único poeta que não tinha nenhuma referência, não era homenageado, não tinha prémios. Há um livro que saiu dos doutores Francisco Soares e Edmundo Rocha que nos chamou atenção para a necessidade de se fazer esta referência.
Os poetas mais novos têm muito tempo pela frente e nós temos um Viriato que nos deu as belezas de uma poesia antropológica que descreve a vida social dos angolanos naquele tempo, quer do musseque, quer do asfalto e como a nossa vida se circunscrevia àquelas festas de quintal, em que o Benjamim rasgou a sala e num passo maluco o pessoal gritava “Benjamim”. Como a avó Ximinha vendia makezu e já naquela altura a juventude passava e não ouvia o pregão. Do mesmo modo, na poesia de Neto temos o retrato daquelas noites coloniais e o sofrimento do nosso povo.

Acha que o facto de Neto não ter recebido antes condiciona a atribuição a Viriato da Cruz?
Nós não olhamos para esta questão política, mas Neto tem o Sagrada Esperança, há uma estátua do Neto poeta. E nós pensamos nesta perspectiva de memória para homenagear de maneira muito maior outras figuras e em nenhum momento nos ocorreu que deveríamos dar primeiro a Neto do que a Viriato.

Qual é o vosso posicionamento em face ao facto da vossa decisão não ter sido respeitada enquanto júris da disciplina?

Lamentamos, profundamente. Não tivemos nenhuma motivação política como pretendem e até ouvi versões estapafúrdias de que ao atribuirmos o prémio a Viriato estaríamos a ofuscar Neto. Não nos ocorreu isso. Todos estes poetas têm os seus nomes homenageados na toponomia das cidades e até em nome de universidades. Eu tenho a certeza que qualquer um deles, lá no além onde estão, estariam felizes por ter havido esta preocupação, independentemente de tudo o que se passou entre si.

Para vocês, Viriato é de leitura obrigatória para os angolanos e o ícone máximo da nossa poesia?

Não, para nós Viriato é um poeta de uma geração anterior à nossa, portanto é um poeta que tem andado esquecido e nós precisamos de reaprender e homenagear o que é nosso e o que é verdadeiramente bom. Não pensamos em ícones porque não tenho formação para fazer leitura a estas afirmações. Quisemos brindar a memória. Neste prémio, Viriato veio logo a lume por causa do livro «Viriato - O Homem e o Mito». Ele é dos poetas que em termos de quantidade fez pouca poesia, mas está quase toda ela musicada e em várias partes do mundo, como Neto também. Eu não sou apologista desta ideia que a poesia de intervenção não tem valor, que a poesia dos políticos, por serem poemas que empolam a liberdade, não têm valor. A beleza destes poemas é imensa. Coincidentemente eu sou uma das pessoas que mais declama poemas de Agostinho Neto. E paradoxalmente já sofri várias críticas por causa disso, inclusivamente já houve uma crítica que dizia que eu declamava poemas de Neto porque não estava de acordo com o líder actual. Eu gosto dos poemas de Neto, dos poemas do Jacinto, dos poemas do Cardoso. Gosto dos poemas do Viriato e de todos os poetas que com as armas que tinham conseguiram despertar a nossa consciência de liberdade e é por isso que estamos aqui.
Em nenhum momento colocamos questões políticas. O Abreu Paxe virá e fará de viva voz, mas qualquer situação que venha a suceder eu sou responsável por este desaire que é produto da minha ingenuidade.

Porquê ingenuidade?

Porque houve muitos indícios que nos levaram a ter uma postura completamente pura. Ele teve honras de Estado quando os seus ossos foram depositados aqui e o mesmo se passou com Chipenda, com Gentil Viana, com Joaquim Pinto de Andrade, que é uma figura espectacularmente sã e fazia a sua luta por amor à terra com a convicção de que não iria disparar um tiro. Não pensámos que isso iria dar tantos problemas assim. Lamentamos e inclusivamente colocou-se a hipótese de que se o júri não recuasse na sua posição iria prejudicar entidades ligadas à cultura, coisas que não vejo razão de ser e não percebo esta diabolização que pretendem impor. Fomos votar a memória. O poeta João Melo, de quem tenho muito respeito e carinho, tinha uma proposta da Associação Chá de Caxinde, à luz dos regulamentos, mas nós tivemos a nossa preferência por razões objectivas e não para ofuscar Neto e nem para humilharem e desautorizarem o corpo de júri e isolarem-me desta forma. Fizeram este isolamento e hoje eu já não tenho medo da morte. É verdade que estamos em África e algumas pessoas dizem que estou com uma sentença de morte a prazo, mas não tenho medo. Estou riscada da lista. Tenho estado a rever e ler jornais e não vejo nomes. Mas as acções até do Presidente da República levaram-me a crer que estas pessoas estavam reabilitadas.

Se soubesse desta reviravolta não entregariam o Prémio a Viriato da Cruz?

Não é isso que se coloca. Nós deveríamos ter sabido das regras. É mais honesto que nos tivessem dado uma lista das «personas non gratas» e eu teria dito que não estava em condições de fazer parte do júri. O Viriato e outras figuras têm de ser respeitadas. Em que períodos temos de dizer que estes devem ou não cantar. Pensava que isso estava ultrapassado. Já me cansei disso. Acreditei na paz. As pessoas falam no colectivo, não há uma figura explícita, é tudo por boatos e não gosto de prejudicar ninguém.


SOU CONTRA A PARTIDARIZAÇÃO DE PRÉMIOS DO ESTADO

Apanhado no meio da controvérsia, João Melo assume algum incómodo por ter sido premiado em circunstâncias polémicas, o que o levou a ponderar bem se devia aceitar ou não o prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de literatura. “Pesei todos os aspectos em jogo e resolvi aceitar”, respondeu o autor de «Filhos da Pátria» sublinhando que não tem “nenhuma responsabilidade” na alegada polémica de que teve conhecimento pelo Novo Jornal.

Sublinhando que não lhe cabe dar esclarecimentos sobre a controvérsia – “Isso tem de ser perguntado ao júri e à entidade promotora do prémio” – João Melo manifesta total oposição a interferências que nada têm a ver com a literatura. “Sou radicalmente contra qualquer politização de qualquer prémio cultural. Um prémio cultural é um prémio cultural. Também sou contra qualquer tentação de partidarização de prémios do Estado”, sublinhou o escritor e deputado do MPLA, notando que essas confusões existem até em democracias consolidadas.

João Melo exemplificou com o veto do governo português ao «Evangelho Segundo Jesus Cristo», de José Saramago como candidato a um prémio europeu Melo não deixa de referir-se à intenção do júri em atribuir o prémio a Viriato da Cruz, dizendo que seria uma decisão justa: “Não conheço o regulamento, nem em que condições se atribui um prémio a título póstumo, mas, dependendo disso, considero que seria da mais absoluta justiça”.

O autor de «Limites & Redundâncias» recorda que a primeira homenagem que Viriato da Cruz recebeu como poeta, nos anos 90, em Angola foi promovida pela União dos Escritores quando ele era o secretário-geral. “Pessoalmente considero-o um nome definitivo da literatura angolana, um dos fundadores da literatura angolana moderna, e um dos autores que me mostrou qual devia ser o caminho da minha própria poesia. Já o escrevi”. I.C.B.
Ainda sobre a atribuicao do PNCA deste ano, na categoria de Literatura, apenas ontem me chegaram as maos duas das pecas fundamentais da polemica que em seu torno se gerou: os depoimentos de Amelia da Lomba e de Joao Melo. Com a devida venia ao Novo Jornal, transcrevo-os aqui:

“Quisemos premiar a beleza da sua poesia e perpetuar a sua memória”.

Amélia da Lomba foi um dos membros do Júri do Prémio Nacional da Cultura, na disciplina de literatura. A sua decisão foi por Viriato da Cruz. Mas o veredicto do júri não foi respeitado e o Prémio foi atribuído a João Melo. Em entrevista ao NJ, Amélia da Lomba explica o que se passou.

Entrevista EMANUEL JOÃO
Fotos AMPE ROGÉRIO

Como foi este ano o trabalho do jurado?

Foi a primeira vez que pertenci ao jurado do PNCA e tivemos um trabalho intenso, mas foi bom. Visitámos vários pontos de expressão cultural ao nível das províncias e, por isso, fomos ao Bengo, Benguela, Huíla, Cabinda, às Lundas e ficámos com um retrato mais aturado do que é a realidade cultural. Estas visitas tiveram mais um fim didáctico e encontrámos províncias onde os artistas nem sequer conheciam a existência do Prémio. Trabalhámos bastante com os governos provinciais e, de alguma forma, alguns puderam perceber a importância do prémio. Houve grande interacção.

Mas ao nível da dança, por exemplo, o Prémio foi entregue a um grupo da Lunda?

Também, porque em termos de dança foi muito bom termos lá ido, particularmente a províncias como Cabinda, a Huíla e a própria Lunda onde encontrámos um grupo que existe desde 1948. Este grupo tem um trabalho de transmissão oral notável. Sabemos que há mais ofertas, até temos alguns grupos de referência internacional que poderiam muito bem ganhar o prémio, mas vêm outras marés e os marinheiros devem aguardar pelas próximas vezes.

Que argumentos justificam a retirada do Prémio a Viriato da Cruz?

Eu, sinceramente, não sei porquê. Qualquer um dos argumentos avançados para justificar essa decisão não me convenceram, sinceramente…

Que argumentos, afinal?

Que poderia não ter sido o momento, aspectos fantasmagóricos que até prefiro esquecer, mas entretanto o que é certo é que eu não participei na reunião que decidiu retirar o prémio ao Viriato da Cruz para premiar outro grande poeta que todos nós respeitamos, de uma geração muito mais jovem, com muito valor também e que não merecia estar nesta situação.

Isso acaba por ser uma violação ao regulamento do prémio?

É sim e porque eu sou da disciplina lamento não ter sido convocada para participar desta reunião. Eu simplesmente não tive conhecimento que ela seria realizada. Alguns membros também não foram convocados e, surpreendentemente, foi-me informado por telefone que haviam tomado esta decisão e que tinham marcado a conferência de imprensa para o dia seguinte. Não tendo sido convocada e sendo membro do júri na disciplina significa que fui posta de parte, devo continuar de parte, como até aqui.

Quando se alega que este não é o momento estão-se a invocar razões políticas?

Sim, é provável. Mas em nenhum momento isso nos moveu. Sinceramente em nenhum momento nos foi informado que estaríamos dependentes de qualquer contingência partidária, política para tomar atitudes sectárias. Se tivesse sido informada eu não teria feito parte porque a minha consciência já não me permite determinadas situações. Nós estamos em paz. Eu pertenço a uma geração muito sofrida. Vivemos a guerra, cresci na guerra e já me cansei dela. Não me chamo “Teresa Baptista Cansada de Guerra”, mas eu já estou muito cansada de saber que até ao nível das artes, da poesia, da música estamos assim...

O que motivou a escolha de Viriato da Cruz?

Nós debatemos isso e entendemos que deveríamos premiar a memória de Viriato da Cruz. Esta memória não tem sido, de jeito nenhum, trazida até nós. As nossas referências são quase nenhumas. Por exemplo, eu quando comecei a escrever, conheci Mário António através do Manuel Dionísio que me ofereceu um livro. Eu não tinha nenhum livro dele na minha biblioteca, não tinha referências nem nas livrarias. Nós debruçámo- nos sobre a beleza da sua poesia, pelo momento, e achámos que dos quatro poetas ilustres que Angola possui, que estiveram ligados à política em determinado momento, nomeadamente Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, António Jacinto e Viriato da Cruz, ele era o único poeta que não tinha nenhuma referência, não era homenageado, não tinha prémios. Há um livro que saiu dos doutores Francisco Soares e Edmundo Rocha que nos chamou atenção para a necessidade de se fazer esta referência.
Os poetas mais novos têm muito tempo pela frente e nós temos um Viriato que nos deu as belezas de uma poesia antropológica que descreve a vida social dos angolanos naquele tempo, quer do musseque, quer do asfalto e como a nossa vida se circunscrevia àquelas festas de quintal, em que o Benjamim rasgou a sala e num passo maluco o pessoal gritava “Benjamim”. Como a avó Ximinha vendia makezu e já naquela altura a juventude passava e não ouvia o pregão. Do mesmo modo, na poesia de Neto temos o retrato daquelas noites coloniais e o sofrimento do nosso povo.

Acha que o facto de Neto não ter recebido antes condiciona a atribuição a Viriato da Cruz?
Nós não olhamos para esta questão política, mas Neto tem o Sagrada Esperança, há uma estátua do Neto poeta. E nós pensamos nesta perspectiva de memória para homenagear de maneira muito maior outras figuras e em nenhum momento nos ocorreu que deveríamos dar primeiro a Neto do que a Viriato.

Qual é o vosso posicionamento em face ao facto da vossa decisão não ter sido respeitada enquanto júris da disciplina?

Lamentamos, profundamente. Não tivemos nenhuma motivação política como pretendem e até ouvi versões estapafúrdias de que ao atribuirmos o prémio a Viriato estaríamos a ofuscar Neto. Não nos ocorreu isso. Todos estes poetas têm os seus nomes homenageados na toponomia das cidades e até em nome de universidades. Eu tenho a certeza que qualquer um deles, lá no além onde estão, estariam felizes por ter havido esta preocupação, independentemente de tudo o que se passou entre si.

Para vocês, Viriato é de leitura obrigatória para os angolanos e o ícone máximo da nossa poesia?

Não, para nós Viriato é um poeta de uma geração anterior à nossa, portanto é um poeta que tem andado esquecido e nós precisamos de reaprender e homenagear o que é nosso e o que é verdadeiramente bom. Não pensamos em ícones porque não tenho formação para fazer leitura a estas afirmações. Quisemos brindar a memória. Neste prémio, Viriato veio logo a lume por causa do livro «Viriato - O Homem e o Mito». Ele é dos poetas que em termos de quantidade fez pouca poesia, mas está quase toda ela musicada e em várias partes do mundo, como Neto também. Eu não sou apologista desta ideia que a poesia de intervenção não tem valor, que a poesia dos políticos, por serem poemas que empolam a liberdade, não têm valor. A beleza destes poemas é imensa. Coincidentemente eu sou uma das pessoas que mais declama poemas de Agostinho Neto. E paradoxalmente já sofri várias críticas por causa disso, inclusivamente já houve uma crítica que dizia que eu declamava poemas de Neto porque não estava de acordo com o líder actual. Eu gosto dos poemas de Neto, dos poemas do Jacinto, dos poemas do Cardoso. Gosto dos poemas do Viriato e de todos os poetas que com as armas que tinham conseguiram despertar a nossa consciência de liberdade e é por isso que estamos aqui.
Em nenhum momento colocamos questões políticas. O Abreu Paxe virá e fará de viva voz, mas qualquer situação que venha a suceder eu sou responsável por este desaire que é produto da minha ingenuidade.

Porquê ingenuidade?

Porque houve muitos indícios que nos levaram a ter uma postura completamente pura. Ele teve honras de Estado quando os seus ossos foram depositados aqui e o mesmo se passou com Chipenda, com Gentil Viana, com Joaquim Pinto de Andrade, que é uma figura espectacularmente sã e fazia a sua luta por amor à terra com a convicção de que não iria disparar um tiro. Não pensámos que isso iria dar tantos problemas assim. Lamentamos e inclusivamente colocou-se a hipótese de que se o júri não recuasse na sua posição iria prejudicar entidades ligadas à cultura, coisas que não vejo razão de ser e não percebo esta diabolização que pretendem impor. Fomos votar a memória. O poeta João Melo, de quem tenho muito respeito e carinho, tinha uma proposta da Associação Chá de Caxinde, à luz dos regulamentos, mas nós tivemos a nossa preferência por razões objectivas e não para ofuscar Neto e nem para humilharem e desautorizarem o corpo de júri e isolarem-me desta forma. Fizeram este isolamento e hoje eu já não tenho medo da morte. É verdade que estamos em África e algumas pessoas dizem que estou com uma sentença de morte a prazo, mas não tenho medo. Estou riscada da lista. Tenho estado a rever e ler jornais e não vejo nomes. Mas as acções até do Presidente da República levaram-me a crer que estas pessoas estavam reabilitadas.

Se soubesse desta reviravolta não entregariam o Prémio a Viriato da Cruz?

Não é isso que se coloca. Nós deveríamos ter sabido das regras. É mais honesto que nos tivessem dado uma lista das «personas non gratas» e eu teria dito que não estava em condições de fazer parte do júri. O Viriato e outras figuras têm de ser respeitadas. Em que períodos temos de dizer que estes devem ou não cantar. Pensava que isso estava ultrapassado. Já me cansei disso. Acreditei na paz. As pessoas falam no colectivo, não há uma figura explícita, é tudo por boatos e não gosto de prejudicar ninguém.


SOU CONTRA A PARTIDARIZAÇÃO DE PRÉMIOS DO ESTADO

Apanhado no meio da controvérsia, João Melo assume algum incómodo por ter sido premiado em circunstâncias polémicas, o que o levou a ponderar bem se devia aceitar ou não o prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de literatura. “Pesei todos os aspectos em jogo e resolvi aceitar”, respondeu o autor de «Filhos da Pátria» sublinhando que não tem “nenhuma responsabilidade” na alegada polémica de que teve conhecimento pelo Novo Jornal.

Sublinhando que não lhe cabe dar esclarecimentos sobre a controvérsia – “Isso tem de ser perguntado ao júri e à entidade promotora do prémio” – João Melo manifesta total oposição a interferências que nada têm a ver com a literatura. “Sou radicalmente contra qualquer politização de qualquer prémio cultural. Um prémio cultural é um prémio cultural. Também sou contra qualquer tentação de partidarização de prémios do Estado”, sublinhou o escritor e deputado do MPLA, notando que essas confusões existem até em democracias consolidadas.

João Melo exemplificou com o veto do governo português ao «Evangelho Segundo Jesus Cristo», de José Saramago como candidato a um prémio europeu Melo não deixa de referir-se à intenção do júri em atribuir o prémio a Viriato da Cruz, dizendo que seria uma decisão justa: “Não conheço o regulamento, nem em que condições se atribui um prémio a título póstumo, mas, dependendo disso, considero que seria da mais absoluta justiça”.

O autor de «Limites & Redundâncias» recorda que a primeira homenagem que Viriato da Cruz recebeu como poeta, nos anos 90, em Angola foi promovida pela União dos Escritores quando ele era o secretário-geral. “Pessoalmente considero-o um nome definitivo da literatura angolana, um dos fundadores da literatura angolana moderna, e um dos autores que me mostrou qual devia ser o caminho da minha própria poesia. Já o escrevi”. I.C.B.

Monday, 21 December 2009

JUST POETRY (IX)

Cântico Negro


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio
Cântico Negro


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio

2009 – Annus Horribilis



Infelizmente, apesar de algumas coisas bastante interessantes e positivas durante ele me terem acontecido, assim ficara’ marcado este ano no calendario da minha vida.
Nao sera’ o primeiro – uma vez que ha’ muito venho observando esta curiosa regularidade de os anos impares serem-me invariavelmente mais desfavoraveis do que os pares – mas tera’, sob varios pontos de vista, sido o pior ate’ agora.

E o que teve de pior foi o que nele houve de absolutamente perturbador: o facto de tudo quanto de mau me aconteceu durante este ano se ter devido a este blog. Nao que ele nao tivesse convocado, desde o inicio, atitudes hostis e ocorrencias desagradaveis durante os tres anos da sua existencia, como os seus arquivos vastamente documentam. O que tornou 2009 particularmente mau para mim foi esta extraordinariamente desagradavel experiencia - que na essencia se manifestou como um ataque virulento, massivo e concertado 'as minhas liberdades de pensamento, opiniao e expressao e a minha propria dignidade pessoal, bom nome e competencia academico-profissional, chegando mesmo ao sinistro cumulo de incluir ameacas, tanto veladas como abertas, a minha integridade fisica e/ou psicologica - de ter, senao “toda uma sociedade”, pelo menos significativos (ainda que diminutos) sectores dela – dentre os quais se destacaram certos “pesos pesados” da imprensa escrita e de uma "certa lusosfera" angolana, que dir-se-ia terem entrado em competicao sobre quem seria capaz de descer mais baixo ou desferir o golpe mais fundo (… e tera’ sido “ilusao optica” da minha parte devido a minha “falta de oculos”, embora tambem os use quando necessario, ou tambem me pareceu “ver” titulares de cargos publicos metidos nesse pretenso “debate historico”?) – em “pe’ de guerra aberta”, apesar de “nao declarada”, contra este blog e a sua autora!

Porque? Evidentemente, no que dessa “guerra” houve de ciume, despeito, ressaibos, racismo, raiva, inveja, odio, revanchismos, frustracoes e complexos varios – sentimentos por definicao irracionais, particularmente quando nao ha' na sua base qualquer relacionamento pessoal entre as partes, como e' o caso entre mim e os participantes desta "saga" – ha’ muito que nao consigo racionalizar. Mas, no que se me apresentou como minimamente objectivo e compreensivel, posso aduzir algumas razoes de certos temas por mim aqui abordados, de forma digamos que “desconcertantemente inovadora” para muitos, ao longo da existencia deste blog e que, nao tendo sido especial ou especificamente dirigidos a quaisquer particulares pessoas ou grupos (e nos casos em que o foram, tornei-o sempre perfeitamente explicito), claramente tocaram fundo em algumas pessoas ou na “consciencia colectiva” de alguns grupos da “sociedade angolana” (e la' diz o velho ditado, "quem se ofendeu carapuca lhe serviu"...) que, por isso, numa patetica e desastradamente mal-amanhada tentativa de "auto-justificacao", optaram cobardemente por me mover essa formidavelmente sordida e soez “guerra sem quartel”.

Tais temas incidiram particularmente sobre questoes como o genero e o "poder no feminino"; certo tipo de “masculinidade (misoginia?) africana” e algumas das suas peculiares formas de expressao nas ex-colonias portuguesas e especialmente em Angola; a “questao racial”; as vertentes filosoficas, ideologico-doutrinarias e politicas que pontuam os “exercicios do poder e do contra-poder” e as questoes geracionais atinentes e decorrentes desses mesmos exercicios; as questoes culturais subjacentes a certas opcoes e manifestacoes literarias e artisticas a luz da historia e, mais amplamente, aos “modelos de sociedade e de desenvolvimento economico” expressos de forma ainda largamente incipiente naquele que ainda nao passou do esboco de um possivel debate intelectual serio e construtivo sobre as opcoes de futuro que se nos apresentam – tanto a nivel nacional, como regional, continental e global; e finalmente, mas nao menos importante, a questao da “recolonizacao”.

Tudo isso nao descontando, obviamente, o 'sal e pimenta', ou o 'gindungo cahombo' se se preferir, de um certo sentido de auto-estima pessoal com que nasci, cresci e tenho vivido e contra o qual, perdoar-me-ao, nada posso ou sei fazer!

[Alias, e recorrendo aqui a uma expressao que marcou de forma especial este blog durante este ano, o "sejamos claros": nao fosse essa tal auto-estima (que nada tem a ver com arrogancia, petulancia, complexos de superioridade, sobranceria ou o que quer que seja parecido com isso) eu provavelmente, em vez de ter passado noites em branco a queimar pestanas durante anos a fio, lendo, escrevendo, estudando e trabalhando para assegurar uma vida digna para mim e para o meu filho, tivesse ido a todas as festas, bebedeiras, ngwendas, kanvwanzas, farras, bodas e bacanais em que passa(va)m a vida, teria sido "mais simpatica" para com - ou, por outras palavras, nao fosse "uma preta cheia de manias" e tivesse "dado mais confianca" a - alguns dos 'jornalistas' com que me cruzei quando passei pela profissao e talvez as agruras a que venho agora sendo submetida me tivessem sido poupadas... Admitamos entao que tudo isso era perfeitamente previsivel, mas que so' (e muito!) me espanta constatar que certas pessoas, apesar de Alices latonas que pelos vistos nao lhes fizeram "grandes maravilhas", parecam nao ter conseguido crescer um milimetro que fosse, em qualquer das suas dimensoes, em cerca de 30 anos!

E, a este proposito, e porque a brincadeira de mau gosto e o abuso de confianca (!) ja' foram longe de mais, deixo aqui, mais uma vez, que espero bem que seja a ultima (!), um recado para um certo rapazito complexado, novo-jornaleiro kuribota, cretino, ordinario, canalha, arrogante ignorante, kabungado, tarado monstruoso, maniaco incendiario, lambe-botas nojento, lacrau venenoso, lacaio subserviente, racista invertido e misogino pervertido, a.k.a. Uncle Tom (mesmo sabendo que chances are esta mukanda apenas o vai 'elevar' ao Premio Maboque de Jornalismo...): ouve so' sub-rapaz, ve se te poes no teu devido lugar (!) e muda de uma vez por todas de obcessao, pelo menos para alguem que tu conhecas, seja da tua confianca e do teu baixo nivel e se disponha a descer pelo teu pantanal abaixo, porque senao, mijao, rafeiro, tinhoso e invertebrado que ja' es e a espumar da boca como ja' andas e de tanto te mostrares com o coiso alheio, vais so' morrer como um cao raivoso e sarnento e acabar enterrado no saco!!!

E so' mais uma coisinha: sera' que nao ha' assuntos mais importantes (ou "criaturas mais ricas e significantes") nesse pais para ocuparem o "brilhante cerebro" de um "sub-director de novo jornal de grande dimensao"?!?
Que tal ir dancar o Can-Can ou o Baile de Mascaras (com a Branca de Neve)???
Ou ir tomar banho de lixivia???]

Todos eles temas, se nao estritamente tabu, certamente nao pacificos, seguramente desconfortaveis para a maioria, mas que sempre me pareceram longe de se revelar tao explosivos como evidentemente o foram! E expresso-me aqui no “passado”, nao porque eles estejam resolvidos (longe disso, mesmo porque a dita "guerra" foi precisamente caracterizada pela preferencia por ataques pessoais em detrimento do "debate de ideias"!), mas porque me e’ absolutamente impossivel – material, emocional, psicologica e espiritualmente – quanto mais nao seja devido a desproporcionalidade de meios, tanto humanos como materiais e institucionais, entre "o meu lado" e o "dos outros" (e nao sera' demais repeti-lo: este e' apenas "um meio de comunicacao e opiniao pessoal e informal"!) continuar engajada no seu “debate” nos termos em que alguns dos “meus opositores” resolveram escolher seguir. A esse respeito direi apenas algo como: “nao sei para onde vou, nao sei por onde vou, mas sei que nao vou por ai”!

E, assim, deixo para tras este meu “2009 – Annus Horribilis”, que ora caminha para os seus ultimos suspiros. Em boa verdade, este seria um tipo de reflexao mais apropriado ao ultimo dia do ano, mas faco-a aqui e agora porque pretendo tornar esta sua ponta final o mais compensadora e agradavel possivel, tanto para mim e os que me sao mais proximos, como para este blog, para o qual ainda tenho em mente dois ou tres posts antes do Ano Novo. Em boa verdade tambem, se este foi para mim um ano horrivel, ele nao deixou de me ser instrutivo a varios titulos e em muitos aspectos – proeminentemente entre estes, por um lado, uma mais clara nocao do quanto as caracteristicas estruturais e estruturantes tipicas do relativo subdesenvolvimento, atraso e dependencia a todos os niveis que marcam a experiencia historica africana estao ainda profundamente enraizadas de forma sistemica na sociedade angolana, incluindo em alguns dos seus sectores supostamente “mais progressistas” e, por outro lado, esse imperativo de saber, senao sempre, seguramente melhor, “o que me espera”… aprendi imenso sobre isso. Obrigada.

Resta-me a consolacao de que vem ai um ano par e, acima de tudo, o que e' suposto ser o "meu ano": o ano em que se comemoram 50 anos desde 1960 - "O Ano de Africa"!

Oxala' ele marque, de facto e de jure, o inicio de uma boa e prospera nova decada para o nosso continente. E se, against all odds, nao o for para mim, espero que o seja para todos os visitantes e muito especialmente os amigos, comentaristas, seguidores e companheiros de jornada, mais ou menos silenciosos, deste blog.

Feliz quadra festiva e um Bom Ano de 2010 para todos sao os meus mais sinceros votos!


Posts Relacionados:

Just Poetry IX

Ignorancia ou a Insustentavel Leveza do Regresso

Woman To Woman


P.S.: Talvez a seguinte passagem deste post possa ajudar a perceber muito do que me aconteceu neste ano de 2009:


E quem sao os Angolanos? Em tracos gerais, nunca e’ demais nota-lo, sao um povo que foi colonizado pelo pais menos desenvolvido da Europa Ocidental durante boa parte dos ultimos 5 seculos, que lutou (ou pelo menos parte dele) pela obtencao da sua independencia politica durante boa parte dos ultimos 50 anos, que se viu envolvido numa guerra fratricida, alimentada parcialmente por potencias estrangeiras, e em particular pelos protagonistas da Guerra Fria, durante boa parte dos ultimos 30 anos e que foi agora pela primeira vez as urnas 16 anos depois de umas eleicoes inconclusivas e com resultados desastrosos. Em suma, para la’ da exuberancia e do ‘bravado’ que os nossos brilharetes evidenciam – nos campos de futebol e de basquetebol, nas pistas de danca e, mais recentemente, nas exibicoes novo-riquistas dos novos edificios e aquisicoes materiais e nas estatisticas resultantes do output dos nossos pocos de petroleo –, um povo brutalizado e traumatizado por toda a sorte de violencias e adversidades, as quais tiveram profundos impactos materiais, psicologicos e espirituais nas suas vidas quotidianas e na forma como tendem a perspectivar o seu futuro. Impactos esses que, embora se pretendam disfarcar por tras do tal ‘bravado’ e exuberancia, se revelam amiude na inseguranca, frequentemente mascarada de arrogancia (que, a par de uma doentia subserviencia a tudo quanto seja estrangeiro, particularmente se europeu ou brasileiro, quantas vezes se traduz na mais flagrante falta de solidariedade, cortesia e respeito mutuo entre compatriotas e em varios graus de complexos de inferioridade e/ou de superioridade que invariavelmente conduzem a accoes destrutivas ‘do outro’, particularmente se tal 'outro' nao detem uma posicao qualquer de poder na sociedade local ou, seja por que razao for, seja parte da Diaspora, espelhando ainda uma certa psicose de guerra fratricida permanente…), com que os Angolanos em geral, desde as chamadas “massas populares” as chamadas "elites", de esquerda ou de direita, se comportam na sua vida social aos mais diversos niveis e exercem as suas escolhas, desde as mais triviais, as mais importantes e decisivas como, neste caso, as eleicoes.




Infelizmente, apesar de algumas coisas bastante interessantes e positivas durante ele me terem acontecido, assim ficara’ marcado este ano no calendario da minha vida.
Nao sera’ o primeiro – uma vez que ha’ muito venho observando esta curiosa regularidade de os anos impares serem-me invariavelmente mais desfavoraveis do que os pares – mas tera’, sob varios pontos de vista, sido o pior ate’ agora.

E o que teve de pior foi o que nele houve de absolutamente perturbador: o facto de tudo quanto de mau me aconteceu durante este ano se ter devido a este blog. Nao que ele nao tivesse convocado, desde o inicio, atitudes hostis e ocorrencias desagradaveis durante os tres anos da sua existencia, como os seus arquivos vastamente documentam. O que tornou 2009 particularmente mau para mim foi esta extraordinariamente desagradavel experiencia - que na essencia se manifestou como um ataque virulento, massivo e concertado 'as minhas liberdades de pensamento, opiniao e expressao e a minha propria dignidade pessoal, bom nome e competencia academico-profissional, chegando mesmo ao sinistro cumulo de incluir ameacas, tanto veladas como abertas, a minha integridade fisica e/ou psicologica - de ter, senao “toda uma sociedade”, pelo menos significativos (ainda que diminutos) sectores dela – dentre os quais se destacaram certos “pesos pesados” da imprensa escrita e de uma "certa lusosfera" angolana, que dir-se-ia terem entrado em competicao sobre quem seria capaz de descer mais baixo ou desferir o golpe mais fundo (… e tera’ sido “ilusao optica” da minha parte devido a minha “falta de oculos”, embora tambem os use quando necessario, ou tambem me pareceu “ver” titulares de cargos publicos metidos nesse pretenso “debate historico”?) – em “pe’ de guerra aberta”, apesar de “nao declarada”, contra este blog e a sua autora!

Porque? Evidentemente, no que dessa “guerra” houve de ciume, despeito, ressaibos, racismo, raiva, inveja, odio, revanchismos, frustracoes e complexos varios – sentimentos por definicao irracionais, particularmente quando nao ha' na sua base qualquer relacionamento pessoal entre as partes, como e' o caso entre mim e os participantes desta "saga" – ha’ muito que nao consigo racionalizar. Mas, no que se me apresentou como minimamente objectivo e compreensivel, posso aduzir algumas razoes de certos temas por mim aqui abordados, de forma digamos que “desconcertantemente inovadora” para muitos, ao longo da existencia deste blog e que, nao tendo sido especial ou especificamente dirigidos a quaisquer particulares pessoas ou grupos (e nos casos em que o foram, tornei-o sempre perfeitamente explicito), claramente tocaram fundo em algumas pessoas ou na “consciencia colectiva” de alguns grupos da “sociedade angolana” (e la' diz o velho ditado, "quem se ofendeu carapuca lhe serviu"...) que, por isso, numa patetica e desastradamente mal-amanhada tentativa de "auto-justificacao", optaram cobardemente por me mover essa formidavelmente sordida e soez “guerra sem quartel”.

Tais temas incidiram particularmente sobre questoes como o genero e o "poder no feminino"; certo tipo de “masculinidade (misoginia?) africana” e algumas das suas peculiares formas de expressao nas ex-colonias portuguesas e especialmente em Angola; a “questao racial”; as vertentes filosoficas, ideologico-doutrinarias e politicas que pontuam os “exercicios do poder e do contra-poder” e as questoes geracionais atinentes e decorrentes desses mesmos exercicios; as questoes culturais subjacentes a certas opcoes e manifestacoes literarias e artisticas a luz da historia e, mais amplamente, aos “modelos de sociedade e de desenvolvimento economico” expressos de forma ainda largamente incipiente naquele que ainda nao passou do esboco de um possivel debate intelectual serio e construtivo sobre as opcoes de futuro que se nos apresentam – tanto a nivel nacional, como regional, continental e global; e finalmente, mas nao menos importante, a questao da “recolonizacao”.

Tudo isso nao descontando, obviamente, o 'sal e pimenta', ou o 'gindungo cahombo' se se preferir, de um certo sentido de auto-estima pessoal com que nasci, cresci e tenho vivido e contra o qual, perdoar-me-ao, nada posso ou sei fazer!

[Alias, e recorrendo aqui a uma expressao que marcou de forma especial este blog durante este ano, o "sejamos claros": nao fosse essa tal auto-estima (que nada tem a ver com arrogancia, petulancia, complexos de superioridade, sobranceria ou o que quer que seja parecido com isso) eu provavelmente, em vez de ter passado noites em branco a queimar pestanas durante anos a fio, lendo, escrevendo, estudando e trabalhando para assegurar uma vida digna para mim e para o meu filho, tivesse ido a todas as festas, bebedeiras, ngwendas, kanvwanzas, farras, bodas e bacanais em que passa(va)m a vida, teria sido "mais simpatica" para com - ou, por outras palavras, nao fosse "uma preta cheia de manias" e tivesse "dado mais confianca" a - alguns dos 'jornalistas' com que me cruzei quando passei pela profissao e talvez as agruras a que venho agora sendo submetida me tivessem sido poupadas... Admitamos entao que tudo isso era perfeitamente previsivel, mas que so' (e muito!) me espanta constatar que certas pessoas, apesar de Alices latonas que pelos vistos nao lhes fizeram "grandes maravilhas", parecam nao ter conseguido crescer um milimetro que fosse, em qualquer das suas dimensoes, em cerca de 30 anos!

E, a este proposito, e porque a brincadeira de mau gosto e o abuso de confianca (!) ja' foram longe de mais, deixo aqui, mais uma vez, que espero bem que seja a ultima (!), um recado para um
certo rapazito complexado, novo-jornaleiro kuribota, cretino, ordinario, canalha, arrogante ignorante, kabungado, tarado monstruoso, maniaco incendiario, lambe-botas nojento, lacrau venenoso, lacaio subserviente, racista invertido e misogino pervertido, a.k.a. Uncle Tom (mesmo sabendo que chances are esta mukanda apenas o vai 'elevar' ao Premio Maboque de Jornalismo...): ouve so' sub-rapaz, ve se te poes no teu devido lugar (!) e muda de uma vez por todas de obcessao, pelo menos para alguem que tu conhecas, seja da tua confianca e do teu baixo nivel e se disponha a descer pelo teu pantanal abaixo, porque senao, mijao, rafeiro, tinhoso e invertebrado que ja' es e a espumar da boca como ja' andas e de tanto te mostrares com o coiso alheio, vais so' morrer como um cao raivoso e sarnento e acabar enterrado no saco!!!

E so' mais uma coisinha: sera' que nao ha' assuntos mais importantes (ou "criaturas mais ricas e significantes") nesse pais para ocuparem o "brilhante cerebro" de um "sub-director de novo jornal de grande dimensao"?!?
Que tal ir dancar o Can-Can ou o Baile de Mascaras (com a Branca de Neve)???
Ou ir tomar banho de lixivia???]

Todos eles temas, se nao estritamente tabu, certamente nao pacificos, seguramente desconfortaveis para a maioria, mas que sempre me pareceram longe de se revelar tao explosivos como evidentemente o foram! E expresso-me aqui no “passado”, nao porque eles estejam resolvidos (longe disso, mesmo porque a dita "guerra" foi precisamente caracterizada pela preferencia por ataques pessoais em detrimento do "debate de ideias"!), mas porque me e’ absolutamente impossivel – material, emocional, psicologica e espiritualmente – quanto mais nao seja devido a desproporcionalidade de meios, tanto humanos como materiais e institucionais, entre "o meu lado" e o "dos outros" (e nao sera' demais repeti-lo: este e' apenas "um meio de comunicacao e opiniao pessoal e informal"!) continuar engajada no seu “debate” nos termos em que alguns dos “meus opositores” resolveram escolher seguir. A esse respeito direi apenas algo como: “nao sei para onde vou, nao sei por onde vou, mas sei que nao vou por ai”!

E, assim, deixo para tras este meu “2009 – Annus Horribilis”, que ora caminha para os seus ultimos suspiros. Em boa verdade, este seria um tipo de reflexao mais apropriado ao ultimo dia do ano, mas faco-a aqui e agora porque pretendo tornar esta sua ponta final o mais compensadora e agradavel possivel, tanto para mim e os que me sao mais proximos, como para este blog, para o qual ainda tenho em mente dois ou tres posts antes do Ano Novo. Em boa verdade tambem, se este foi para mim um ano horrivel, ele nao deixou de me ser instrutivo a varios titulos e em muitos aspectos – proeminentemente entre estes, por um lado, uma mais clara nocao do quanto as caracteristicas estruturais e estruturantes tipicas do relativo subdesenvolvimento, atraso e dependencia a todos os niveis que marcam a experiencia historica africana estao ainda profundamente enraizadas de forma sistemica na sociedade angolana, incluindo em alguns dos seus sectores supostamente “mais progressistas” e, por outro lado, esse imperativo de saber, senao sempre, seguramente melhor, “o que me espera”… aprendi imenso sobre isso. Obrigada.

Resta-me a consolacao de que vem ai um ano par e, acima de tudo, o que e' suposto ser o "meu ano": o ano em que se comemoram 50 anos desde 1960 - "O Ano de Africa"!

Oxala' ele marque, de facto e de jure, o inicio de uma boa e prospera nova decada para o nosso continente. E se, against all odds, nao o for para mim, espero que o seja para todos os visitantes e muito especialmente os amigos, comentaristas, seguidores e companheiros de jornada, mais ou menos silenciosos, deste blog.

Feliz quadra festiva e um Bom Ano de 2010 para todos sao os meus mais sinceros votos!


Posts Relacionados:

Just Poetry IX

Ignorancia ou a Insustentavel Leveza do Regresso

Woman To Woman


P.S.: Talvez a seguinte passagem deste post possa ajudar a perceber muito do que me aconteceu neste ano de 2009:


E quem sao os Angolanos? Em tracos gerais, nunca e’ demais nota-lo, sao um povo que foi colonizado pelo pais menos desenvolvido da Europa Ocidental durante boa parte dos ultimos 5 seculos, que lutou (ou pelo menos parte dele) pela obtencao da sua independencia politica durante boa parte dos ultimos 50 anos, que se viu envolvido numa guerra fratricida, alimentada parcialmente por potencias estrangeiras, e em particular pelos protagonistas da Guerra Fria, durante boa parte dos ultimos 30 anos e que foi agora pela primeira vez as urnas 16 anos depois de umas eleicoes inconclusivas e com resultados desastrosos. Em suma, para la’ da exuberancia e do ‘bravado’ que os nossos brilharetes evidenciam – nos campos de futebol e de basquetebol, nas pistas de danca e, mais recentemente, nas exibicoes novo-riquistas dos novos edificios e aquisicoes materiais e nas estatisticas resultantes do output dos nossos pocos de petroleo –, um povo brutalizado e traumatizado por toda a sorte de violencias e adversidades, as quais tiveram profundos impactos materiais, psicologicos e espirituais nas suas vidas quotidianas e na forma como tendem a perspectivar o seu futuro. Impactos esses que, embora se pretendam disfarcar por tras do tal ‘bravado’ e exuberancia, se revelam amiude na inseguranca, frequentemente mascarada de arrogancia (que, a par de uma doentia subserviencia a tudo quanto seja estrangeiro, particularmente se europeu ou brasileiro, quantas vezes se traduz na mais flagrante falta de solidariedade, cortesia e respeito mutuo entre compatriotas e em varios graus de complexos de inferioridade e/ou de superioridade que invariavelmente conduzem a accoes destrutivas ‘do outro’, particularmente se tal 'outro' nao detem uma posicao qualquer de poder na sociedade local ou, seja por que razao for, seja parte da Diaspora, espelhando ainda uma certa psicose de guerra fratricida permanente…), com que os Angolanos em geral, desde as chamadas “massas populares” as chamadas "elites", de esquerda ou de direita, se comportam na sua vida social aos mais diversos niveis e exercem as suas escolhas, desde as mais triviais, as mais importantes e decisivas como, neste caso, as eleicoes.


Friday, 18 December 2009

Thursday, 17 December 2009

FALANDO DE INTELECTUALISMO(S) (IV)



Dada a exiguidade de tempo no run-up para a quadra festiva e porque nao a quero transportar para o proximo ano, dou aqui por finda esta refeicao de forma diferente da que havia inicialmente planeado - com uma sucessao de pelo menos mais dois pratos principais, sobremesa, cafe', digestivo e talvez um cigarro ou um charuto.

Coloco, em vez disso, a vossa disposicao um bem mais pratico e opcional buffet composto pelos seguintes kitutes que me parecem particularmente merecedores de alguma atencao no contexto que nos trouxe a esta mesa:

Intellectualism

Intellectualism is any of a number of views regarding the use or development of the intellect or the practice of being an intellectual. In non-specialized contexts, the term "intellectualism" is often used to describe an attitude of devotion or high regard for intellectual pursuits. The term is sometimes used to name the view in philosophy that is more often called "rationalism", the view that knowledge largely or wholly is derived from reason or reasoning. The term can carry negative connotations of two kinds: (1) single-mindedness or "too much attention to thinking" and/or (2) emotional coldness or the absence of emotion.

Female Public Intellectuals

There are a number of explanations for the lack of female public intellectuals as compared to their male counterparts. These explanations address issues such as institutionalized discrimination within the academy, the problems which arise from female intellectuals who strongly advocate feminist ideology and theory and the impact of the media and academy in the conceptualization of 'woman as her body'.

Marxism and Intellectuals

(...) Marx's theory of the rise of the proletariat was to rely on the intellectuals of that historical period. (...) In this situation, as with other areas of society, it is the intellectuals, not the proletariat, who are to define the emancipation of the workers. Lenin also maintained that the ideology of socialism was beyond the comprehension of the working classes. The intellectual level which was necessary for the development of such ideologies was, he maintained, out of the reach of the average worker.

Economic Liberal and Classical Liberal Views of Intellectuals

Every intellectual believes in freedom for himself, but he’s opposed to freedom for others... He thinks... there ought to be a central planning board that will establish social priorities.
(Milton Friedman)

Scientific Method

Scientific method refers to a body of techniques for investigating phenomena, acquiring new knowledge, or correcting and integrating previous knowledge. To be termed scientific, a method of inquiry must be based on gathering observable, empirical and measurable evidence subject to specific principles of reasoning.
A scientific method consists of the collection of data through observation and experimentation, and the formulation and testing of hypotheses

Bias

Bias is a term used to describe a tendency or preference towards a particular perspective, ideology or result, when the tendency interferes with the ability to be impartial, unprejudiced, or objective. In other words, bias is generally seen as a 'one-sided' perspective. The term biased refers to a person or group who is judged to exhibit bias. It is used to describe an attitude, judgment, or behavior that is influenced by a prejudice. Bias can be unconscious or conscious in awareness. Having a bias is part of a normal development. Labeling someone as biased in some regard implies they need a greater or more flexible perspective in that area, or that they need to consider more deeply the context.

Public Policy Debate

Like Sartre and Noam Chomsky, many public intellectuals hold knowledge across a vast array of subjects including: the international world order, the political and economic organisation of contemporary society, the institutional and legal frameworks that regulate the lives of ordinary citizens, the educational system, the media networks that control and disseminate information.

The role of a public intellectual may be to connect scholarly research with public policy. This process necessitates a dialogue between those in the academic sphere and the public, meant to bridge the gap which still exists between the more homogeneous world of academia and the diverse public sphere. It has been argued that social scientists who are well aware of the various thresholds crossed in passing from academic to public policy adviser are much more effective.

Ethics

Ethics (also known as moral philosophy) is a branch of philosophy which seeks to address questions about morality; that is, about concepts like good and bad, right and wrong, justice, virtue, etc.

Intellectual Rigour

An attempted short definition of intellectual rigour might be that no suspicion of double standard be allowed: uniform principles should be applied. This is a test of consistency, over cases, and to individuals or institutions (including the speaker, the speaker's country and so on). Consistency can be at odds here with a forgiving attitude, adaptability, and the need to take precedent with a pinch of salt.

Intellectual Honesty

Intellectual honesty is generally a best effort approach to solving problems in academia. This can be characterized by an unbiased, honest attitude, which can be displayed in a number of different ways:

One's personal beliefs do not interfere with the pursuit of truth;
Relevant facts and information are not purposefully omitted even when such things may contradict one's hypothesis;
Facts are presented in an unbiased manner, and not twisted to give misleading impressions or to support one view over another ;
References are acknowledged where possible, and the attribution of another's work to oneself is avoided.

Intellectual Dishonesty

Intellectual dishonesty is dishonesty in performing intellectual activities like thought or communication. Examples are:

the advocacy of a position which the advocate knows or believes to be false or misleading;
the conscious omission of aspects of the truth known or believed to be relevant in the particular context.

Pseudo-Intellectuals

The historic role of intellectuals, if you look, unfortunately, as far back as you go, has been to support power systems and to justify their atrocities. (Noam Chomsky)

Pedants

A pedant is a person who is overly concerned with formalism and precision, or who makes a show of his learning.

*****

E, para terminar, sugiro-lhes um "passeio higienico" por este case study.

Boa Digestao!





Dada a exiguidade de tempo no run-up para a quadra festiva e porque nao a quero transportar para o proximo ano, dou aqui por finda
esta refeicao de forma diferente da que havia inicialmente planeado - com uma sucessao de pelo menos mais dois pratos principais, sobremesa, cafe', digestivo e talvez um cigarro ou um charuto.

Coloco, em vez disso, a vossa disposicao um bem mais pratico e opcional buffet composto pelos seguintes kitutes que me parecem particularmente merecedores de alguma atencao no contexto que nos trouxe a esta mesa:

Intellectualism

Intellectualism is any of a number of views regarding the use or development of the intellect or the practice of being an intellectual. In non-specialized contexts, the term "intellectualism" is often used to describe an attitude of devotion or high regard for intellectual pursuits. The term is sometimes used to name the view in philosophy that is more often called "rationalism", the view that knowledge largely or wholly is derived from reason or reasoning. The term can carry negative connotations of two kinds: (1) single-mindedness or "too much attention to thinking" and/or (2) emotional coldness or the absence of emotion.

Female Public Intellectuals

There are a number of explanations for the lack of female public intellectuals as compared to their male counterparts. These explanations address issues such as institutionalized discrimination within the academy, the problems which arise from female intellectuals who strongly advocate feminist ideology and theory and the impact of the media and academy in the conceptualization of 'woman as her body'.

Marxism and Intellectuals

(...) Marx's theory of the rise of the proletariat was to rely on the intellectuals of that historical period. (...) In this situation, as with other areas of society, it is the intellectuals, not the proletariat, who are to define the emancipation of the workers. Lenin also maintained that the ideology of socialism was beyond the comprehension of the working classes. The intellectual level which was necessary for the development of such ideologies was, he maintained, out of the reach of the average worker.

Economic Liberal and Classical Liberal Views of Intellectuals

Every intellectual believes in freedom for himself, but he’s opposed to freedom for others... He thinks... there ought to be a central planning board that will establish social priorities.
(Milton Friedman)

Scientific Method

Scientific method refers to a body of techniques for investigating phenomena, acquiring new knowledge, or correcting and integrating previous knowledge. To be termed scientific, a method of inquiry must be based on gathering observable, empirical and measurable evidence subject to specific principles of reasoning.
A scientific method consists of the collection of data through observation and experimentation, and the formulation and testing of hypotheses

Bias

Bias is a term used to describe a tendency or preference towards a particular perspective, ideology or result, when the tendency interferes with the ability to be impartial, unprejudiced, or objective. In other words, bias is generally seen as a 'one-sided' perspective. The term biased refers to a person or group who is judged to exhibit bias. It is used to describe an attitude, judgment, or behavior that is influenced by a prejudice. Bias can be unconscious or conscious in awareness. Having a bias is part of a normal development. Labeling someone as biased in some regard implies they need a greater or more flexible perspective in that area, or that they need to consider more deeply the context.

Public Policy Debate

Like Sartre and Noam Chomsky, many public intellectuals hold knowledge across a vast array of subjects including: the international world order, the political and economic organisation of contemporary society, the institutional and legal frameworks that regulate the lives of ordinary citizens, the educational system, the media networks that control and disseminate information.

The role of a public intellectual may be to connect scholarly research with public policy. This process necessitates a dialogue between those in the academic sphere and the public, meant to bridge the gap which still exists between the more homogeneous world of academia and the diverse public sphere. It has been argued that social scientists who are well aware of the various thresholds crossed in passing from academic to public policy adviser are much more effective.

Ethics

Ethics (also known as moral philosophy) is a branch of philosophy which seeks to address questions about morality; that is, about concepts like good and bad, right and wrong, justice, virtue, etc.

Intellectual Rigour

An attempted short definition of intellectual rigour might be that no suspicion of double standard be allowed: uniform principles should be applied. This is a test of consistency, over cases, and to individuals or institutions (including the speaker, the speaker's country and so on). Consistency can be at odds here with a forgiving attitude, adaptability, and the need to take precedent with a pinch of salt.

Intellectual Honesty

Intellectual honesty is generally a best effort approach to solving problems in academia. This can be characterized by an unbiased, honest attitude, which can be displayed in a number of different ways:

One's personal beliefs do not interfere with the pursuit of truth;
Relevant facts and information are not purposefully omitted even when such things may contradict one's hypothesis;
Facts are presented in an unbiased manner, and not twisted to give misleading impressions or to support one view over another ;
References are acknowledged where possible, and the attribution of another's work to oneself is avoided.

Intellectual Dishonesty

Intellectual dishonesty is dishonesty in performing intellectual activities like thought or communication. Examples are:

the advocacy of a position which the advocate knows or believes to be false or misleading;
the conscious omission of aspects of the truth known or believed to be relevant in the particular context.

Pseudo-Intellectuals

The historic role of intellectuals, if you look, unfortunately, as far back as you go, has been to support power systems and to justify their atrocities. (Noam Chomsky)

Pedants

A pedant is a person who is overly concerned with formalism and precision, or who makes a show of his learning.

*****

E, para terminar, sugiro-lhes um "passeio higienico" por este case study.

Boa Digestao!



Sunday, 13 December 2009

Copenhagen: The Environment, Deals & Protest


"There is no Planet B"


[Details here , here and here]

"There is no Planet B"


[Details here , here and here]

Thursday, 10 December 2009

"Belle de Jour"




"Call Girl and Scientist"

Por vezes tenho a impressao de que ha’ alguma gente capaz de pagar milhoes para colar um titulo parecido a esse ao meu nome. Mas, mais uma vez, recomendo-lhes que deixem de gastar energia em tal esforco, porque e’ tempo completamente perdido!
E como tempo e’ dinheiro, sugiro-lhes que empatem antes os vossos milhoes a atenderem ao meu apelo aqui feito para patrocinios...

Mas ha’ alguem aqui por terras de sua magestade que tem esse titulo, por merito e por direito. Trata-se da autora de um blog entitulado “Belle de Jour”, que ao longo dos ultimos anos vinha fazendo correr rios de tinta pela imprensa local, e nao so’, devido ao seu tema (a vida sexual como prostituta da sua autora) e a imensa curiosidade e especulacao publica sobre a sua verdadeira identidade. O blog chegou a ser premiado pelo The Guardian como Best Written Blog e deu origem a varios livros e a uma serie televisiva.

Ate’ que, nas ultimas semanas, a identidade da sua autora foi por ela finalmente exposta publicamente: trata-se da Dra. Brooke Magnanti , uma cientista investigadora numa universidade Britanica que se dedica(va?) a prostituicao para financiar o seu doutoramento!

Perfil interessante, mas que nunca me pertenceu, nem se me cola a pele.
O meu, como "pobre e insignificante criatura" que sou, resume-se modestamente a isto.





"Call Girl and Scientist"

Por vezes tenho a impressao de que ha’ alguma gente capaz de pagar milhoes para colar um titulo parecido a esse ao meu nome. Mas, mais uma vez, recomendo-lhes que deixem de gastar energia em tal esforco, porque e’ tempo completamente perdido!
E como tempo e’ dinheiro, sugiro-lhes que empatem antes os vossos milhoes a atenderem ao meu apelo aqui feito para patrocinios...

Mas ha’ alguem aqui por terras de sua magestade que tem esse titulo, por merito e por direito. Trata-se da autora de um blog entitulado “Belle de Jour”, que ao longo dos ultimos anos vinha fazendo correr rios de tinta pela imprensa local, e nao so’, devido ao seu tema (a vida sexual como prostituta da sua autora) e a imensa curiosidade e especulacao publica sobre a sua verdadeira identidade. O blog chegou a ser premiado pelo The Guardian como Best Written Blog e deu origem a varios livros e a uma serie televisiva.

Ate’ que, nas ultimas semanas, a identidade da sua autora foi por ela finalmente exposta publicamente: trata-se da Dra. Brooke Magnanti , uma cientista investigadora numa universidade Britanica que se dedica(va?) a prostituicao para financiar o seu doutoramento!

Perfil interessante, mas que nunca me pertenceu, nem se me cola a pele.
O meu, como "pobre e insignificante criatura" que sou, resume-se modestamente a isto.


PERSONAGENS (V)



O (IN)CRIVEL SVENGALI


Era um predador.

Apanhou uma gazela desprevenida, perdida em sonhos, a caminho da Xicala.
Roubou-lhe a casa, os haveres e o dinheiro.

Vulto que era, desejava apoderar-se tambem dos seus amor-proprio, auto-estima, dignidade, identidade, alma e poesia – tal como havia feito o pai dele a sua mae, levando-o a renunciar ao seu verdadeiro nome de familia e, feito paranoico-esquizofrenico, a mergulhar de cabeca por toda a sua diletante vida em todos os vicios tipicos do bas fond, por entre generosas doses de alcool, liamba e heroina, dia sim, dia tambem...

Mas a gazela, ingénua e desprotegida, que nunca sequer disso suspeitara inicialmente, deixou-se por ele raptar para o que acabariam por ser 6 meses (seis!) de puro terror no seu tugurio. Conseguiu, no entanto, mas nao sem grandes lutas (!), manter-se ilesa dos vicios do predador, com cuja contaminacao ele frequentemente a ameacava...

Nunca comeram funge juntos porque, enquanto ela trabalhava, era geralmente ele que cozinhava e ‘a sua mesa nao se serviam “comidas do musseke”... nunca ouviram musica juntos porque nao era coisa que ele apreciasse (e la' dizia/cantava alguem: "nao se ama quem nao ouve a mesma cancao"...), nunca dancaram juntos porque nao era coisa que ele soubesse...

Ate’ que a gazela conseguiu fugir do seu cativeiro (ao fim de 6 meses - seis!), em estado de choque profundo, deixando-lhe em vomito tudo o que havia "debicado do prato dele" e comprado com o dinheiro dela na sua exclusiva loja diplomatica, levando consigo apenas e so’ tudo quanto aprendera com ele: a ter mais cuidado a caminho da Xicala!

Para todo o sempre despeitado com a fuga da sua presa de estimacao (a quem ele tratava, supostamente carinhosamente, por "bicho") e para selar as suas competencias de "pacheco", o predador haveria de usar de todo o tipo de golpes baixos e sujos para lhe colar lama ao nome (mas, especialmente, para escarnecer sobre a sua poesia - escrita ao longo de varios anos, antes e depois, mas nunca durante os tais fatidicos 6 meses (!), em que, diga-se de passagem ela nunca lera qualquer poema dele... - sobre a qual, aquando da sua publicacao cerca de 5 anos depois, embora perante ela se dissesse "agradavelmente surpreendido", a outros dizia ser "da autoria dele"...), usando para o efeito os servicos de um pequeno, mas eficiente, regimento de mestrandos seus e outros tantos dickheads, low lifes e sycophants (traduzido para mwangole': "aqueles que so' teem uma coisa na cabeca e vida deles e' so' fazere bwe' de kilapie', kuribotar e lamber botas") de vocacao e profissao, incluindo jornalistas/kuribotas frustrados; antigos combatentes de ocasiao eternamente encalacrados entre 'mulembeiras' e 'mafumeiras' ou entre Tomaz Vieira da Cruz e Mario Antonio de Oliveira; secretas "paiados"; "brigadistas" enraivecidos e cegos de inveja que nunca perdoariam a gazela ter entrado para o templo dos escribas primeiro do que eles, acompanhados de suas madrinhas com perguntas como "porque promover uns e nao outros?!"; “epigonos” muito dados ao uso e abuso de chavoes e palavroes como “poemario” e geralmente envelhecidas e deselegantes (em alguns casos tambem desgrenhadas e desdentadas), enciumadas, ressabiadas, recalcadas, frustradas e pseudo-intelectuais belles de jour locais... Essa foi a sua "heranca intelectual" - nao deixando de ser relevante aqui notar que quando ele a raptara, ja' a gazela tinha educacao de nivel universitario, enquanto ele nunca completara o ensino secundario!...

Mas tambem era um poeta "afectuoso", o (in)crivel Svengali predador. E bom cozinheiro. E de esquerda!

[Por isso conseguiu fazer das suas impunemente nas barbas do bando!]



O (IN)CRIVEL SVENGALI


Era um predador.

Apanhou uma gazela desprevenida, perdida em sonhos, a caminho da Xicala.
Roubou-lhe a casa, os haveres e o dinheiro.

Vulto que era, desejava apoderar-se tambem dos seus amor-proprio, auto-estima, dignidade, identidade, alma e poesia – tal como havia feito
o pai dele a sua mae, levando-o a renunciar ao seu verdadeiro nome de familia e, feito paranoico-esquizofrenico, a mergulhar de cabeca por toda a sua diletante vida em todos os vicios tipicos do bas fond, por entre generosas doses de alcool, liamba e heroina, dia sim, dia tambem...

Mas a gazela, ingénua e desprotegida, que nunca sequer disso suspeitara inicialmente, deixou-se por ele raptar para o que acabariam por ser 6 meses (seis!) de puro terror no seu tugurio. Conseguiu, no entanto, mas nao sem grandes lutas (!), manter-se ilesa dos vicios do predador, com cuja contaminacao ele frequentemente a ameacava...

Nunca comeram funge juntos porque, enquanto ela trabalhava, era geralmente ele que cozinhava e ‘a sua mesa nao se serviam “comidas do musseke”... nunca ouviram musica juntos porque nao era coisa que ele apreciasse (e la' dizia/cantava alguem: "nao se ama quem nao ouve a mesma cancao"...), nunca dancaram juntos porque nao era coisa que ele soubesse...

Ate’ que a gazela conseguiu fugir do seu cativeiro (ao fim de 6 meses - seis!), em estado de choque profundo, deixando-lhe em vomito tudo o que havia "debicado do prato dele" e comprado com o dinheiro dela na sua exclusiva loja diplomatica, levando consigo apenas e so’ tudo quanto aprendera com ele: a ter mais cuidado a caminho da Xicala!

Para todo o sempre despeitado com a fuga da sua presa de estimacao (a quem ele tratava, supostamente carinhosamente, por "bicho") e para selar as suas competencias de "pacheco", o predador haveria de usar de todo o tipo de golpes baixos e sujos para lhe colar lama ao nome (mas, especialmente, para escarnecer sobre a sua poesia - escrita ao longo de varios anos, antes e depois, mas nunca durante os tais fatidicos 6 meses (!), em que, diga-se de passagem ela nunca lera qualquer poema dele... - sobre a qual, aquando da sua publicacao cerca de 5 anos depois, embora perante ela se dissesse "agradavelmente surpreendido", a outros dizia ser "da autoria dele"...), usando para o efeito os servicos de um pequeno, mas eficiente, regimento de mestrandos seus e outros tantos dickheads, low lifes e sycophants (traduzido para mwangole': "aqueles que so' teem uma coisa na cabeca e vida deles e' so' fazere bwe' de kilapie', kuribotar e lamber botas") de vocacao e profissao, incluindo jornalistas/kuribotas frustrados; antigos combatentes de ocasiao eternamente encalacrados entre 'mulembeiras' e 'mafumeiras' ou entre Tomaz Vieira da Cruz e Mario Antonio de Oliveira; secretas "paiados"; "brigadistas" enraivecidos e cegos de inveja que nunca perdoariam a gazela ter entrado para o templo dos escribas primeiro do que eles, acompanhados de suas madrinhas com perguntas como "porque promover uns e nao outros?!"; “epigonos” muito dados ao uso e abuso de chavoes e palavroes como “poemario” e geralmente envelhecidas e deselegantes (em alguns casos tambem desgrenhadas e desdentadas), enciumadas, ressabiadas, recalcadas, frustradas e pseudo-intelectuais belles de jour locais... Essa foi a sua "heranca intelectual" - nao deixando de ser relevante aqui notar que quando ele a raptara, ja' a gazela tinha educacao de nivel universitario, enquanto ele nunca completara o ensino secundario!...

Mas tambem era um poeta "afectuoso", o (in)crivel Svengali predador. E bom cozinheiro. E de esquerda!

[Por isso conseguiu fazer das suas impunemente nas barbas do bando!]

Wednesday, 9 December 2009

E por falar em "esquerdas" e "direitas"...

We will not back down

Tuesday, 8 December, 2009 23:33
From:
"President Barack Obama"
To:
"Ana Santana"

Ana --

As we head into the final stretch on health reform, big insurance company lobbyists and their partisan allies hope that their relentless attacks and millions of dollars can intimidate us into accepting the status quo.

So I have a message for them, from all of us: Not this time. We have come too far. We will not turn back. We will not back down.

But do not doubt -- the opponents of reform will not rest.

Let's win this together,

President Barack Obama


*****


We want our money back

Saturday, 16 January, 2010 1:07

From: "Vice President Joe Biden"
To: "Ana Santana"

Ana --

Yesterday, President Obama announced our proposed Financial Crisis Responsibility Fee on the country's largest banks:

"My commitment is to recover every single dime the American people are owed. And my determination to achieve this goal is only heightened when I see reports of massive profits and obscene bonuses at some of the very firms who owe their continued existence to the American people...We want our money back, and we're going to get it."

The fee would recover every penny loaned to Wall Street during the financial crisis and stop the reckless abuses and excesses that nearly caused the collapse of our financial system in the first place.

But the banking industry -- among the most powerful lobbies in Washington -- is already launching attacks to stop Congress from enacting the proposal.

Barack and I aren't backing down. But to win, we'll need the American people to add their voice right away.

The proposal is expected to recoup billions from the big banks, most of it from the ten largest. As the President said, "If these companies are in good enough shape to afford massive bonuses, they are surely in good enough shape to afford paying back every penny to taxpayers."

There is much more work to do to reform the financial system and create a new era of accountability. But the Financial Crisis Responsibility Fee is a crucial step.

Change isn't easy, but it's certainly worth fighting for. I'm glad you're in this fight with us.

Thank you for making it possible,

Vice President Joe Biden
We will not back down

Tuesday, 8 December, 2009 23:33
From:
"President Barack Obama"
To:
"Ana Santana"

Ana --

As we head into the final stretch on health reform, big insurance company lobbyists and their partisan allies hope that their relentless attacks and millions of dollars can intimidate us into accepting the status quo.

So I have a message for them, from all of us: Not this time. We have come too far. We will not turn back. We will not back down.

But do not doubt -- the opponents of reform will not rest.

Let's win this together,

President Barack Obama


*****


We want our money back

Saturday, 16 January, 2010 1:07

From: "Vice President Joe Biden"
To: "Ana Santana"

Ana --

Yesterday, President Obama announced our proposed Financial Crisis Responsibility Fee on the country's largest banks:

"My commitment is to recover every single dime the American people are owed. And my determination to achieve this goal is only heightened when I see reports of massive profits and obscene bonuses at some of the very firms who owe their continued existence to the American people...We want our money back, and we're going to get it."

The fee would recover every penny loaned to Wall Street during the financial crisis and stop the reckless abuses and excesses that nearly caused the collapse of our financial system in the first place.

But the banking industry -- among the most powerful lobbies in Washington -- is already launching attacks to stop Congress from enacting the proposal.

Barack and I aren't backing down. But to win, we'll need the American people to add their voice right away.

The proposal is expected to recoup billions from the big banks, most of it from the ten largest. As the President said, "If these companies are in good enough shape to afford massive bonuses, they are surely in good enough shape to afford paying back every penny to taxpayers."

There is much more work to do to reform the financial system and create a new era of accountability. But the Financial Crisis Responsibility Fee is a crucial step.

Change isn't easy, but it's certainly worth fighting for. I'm glad you're in this fight with us.

Thank you for making it possible,

Vice President Joe Biden

"ESQUERDA DEMOCRATICA"?

Com a devida venia...

Para todos os efeitos teoricos e praticos, e ate' onde e' possivel divisar, em Angola nao ha' "esquerda" (pelo menos coerente e organizada), nem "democracia"!
Dentro ou fora do MPLA!

[Ha' quem tambem chame a isso um oxymoron...]


[imagem daqui]

ADENDA: Entretanto, pela primeira vez na sua historia, o MPLA decidiu abandonar a votacao por "mao no ar" em Congresso, a favor do "voto secreto"... ou, em presenca de um candidato unico a Presidencia do partido e sem a possibilidade de abstencao, talvez fosse mais apropriado falar de algo como "voto discreto"?
Nao deixo, no entanto, de admitir que para quem, como eu, fez parte da organizacao e esteve presente no Primeiro Congresso do MPLA-PT, o tal que decorreu "sob o olhar silencioso de Lenine", este e' sem duvida "um passo em frente" no sentido da democratizacao interna do partido, que esperemos se venha a espelhar na democratizacao do pais. Esperemos tambem que nao se lhe sigam, como dizia o mesmo Lenine, "dois passos a retaguarda"!
Com a devida venia...

Para todos os efeitos teoricos e praticos, e ate' onde e' possivel divisar, em Angola nao ha' "esquerda" (pelo menos coerente e organizada), nem "democracia"!
Dentro ou fora do MPLA!

[Ha' quem tambem chame a isso um oxymoron...]


[imagem daqui]

ADENDA: Entretanto, pela primeira vez na sua historia, o MPLA decidiu abandonar a votacao por "mao no ar" em Congresso, a favor do "voto secreto"... ou, em presenca de um candidato unico a Presidencia do partido e sem a possibilidade de abstencao, talvez fosse mais apropriado falar de algo como "voto discreto"?
Nao deixo, no entanto, de admitir que para quem, como eu, fez parte da organizacao e esteve presente no Primeiro Congresso do MPLA-PT, o tal que decorreu "sob o olhar silencioso de Lenine", este e' sem duvida "um passo em frente" no sentido da democratizacao interna do partido, que esperemos se venha a espelhar na democratizacao do pais. Esperemos tambem que nao se lhe sigam, como dizia o mesmo Lenine, "dois passos a retaguarda"!

Tuesday, 8 December 2009

Capitalist Nigger & Dead Aid








Two books some might find interesting reading side by side
(perhaps over the coming holiday period)







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(perhaps over the coming holiday period)







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Sunday, 6 December 2009

MIGUEL PETCHKOVSKY

Uma daquelas pessoas que subitamente perdemos completamente de vista.
De vez em quando perguntamo-nos “que sera’ feito?”, “o que lhe tera’ acontecido?”, “por onde andara’?”…
Ao longo dos anos, por vezes parece-nos reconhecer as suas feicoes no rosto de um qualquer desconhecido, mas acabamos por nos resignar a sua “perca (perda?) de vista”.
Ate’ que um belo dia, por mero acaso, deparamo-nos com o seu nome numa website
Nao tinhamos bem a certeza de como se escrevia exactamente o seu sobrenome, mas 'soa-nos' muito proximo do que nos lembramos, e do nome nao temos duvidas.
Clikamos no link e 'damos de caras' com a foto… Sim, apesar do cabelo grisalho e o ar “mais velho”, reconhecemo-lo.


E’ mesmo ele. Esta’ vivo, esta’ no mundo!

E pelo que lemos e vemos no seu cv e portfolio, tem tido uma brilhante carreira artistica e profissional!

And he gets motivation from Walter Benjamin: "don't build on good old days but the bad new ones"...

Depois de cerca de 25 anos (um quarto de seculo!), ha’ cerca de 3 dias finalmente reencontramo-lo aqui!
Uma daquelas pessoas que subitamente perdemos completamente de vista.
De vez em quando perguntamo-nos “que sera’ feito?”, “o que lhe tera’ acontecido?”, “por onde andara’?”…
Ao longo dos anos, por vezes parece-nos reconhecer as suas feicoes no rosto de um qualquer desconhecido, mas acabamos por nos resignar a sua “perca (perda?) de vista”.
Ate’ que um belo dia, por mero acaso, deparamo-nos com o seu nome numa website
Nao tinhamos bem a certeza de como se escrevia exactamente o seu sobrenome, mas 'soa-nos' muito proximo do que nos lembramos, e do nome nao temos duvidas.
Clikamos no link e 'damos de caras' com a foto… Sim, apesar do cabelo grisalho e o ar “mais velho”, reconhecemo-lo.


E’ mesmo ele. Esta’ vivo, esta’ no mundo!

E pelo que lemos e vemos no seu cv e portfolio, tem tido uma brilhante carreira artistica e profissional!

And he gets motivation from Walter Benjamin: "don't build on good old days but the bad new ones"...

Depois de cerca de 25 anos (um quarto de seculo!), ha’ cerca de 3 dias finalmente reencontramo-lo aqui!

Thursday, 3 December 2009