PERSONAGENS X (Actualizado)


"The white man is very clever. He came quietly and peaceably with his religion. We were amused at his foolishness and allowed him to stay. Now he has won our brothers, and our clan can no longer act like one. He has put a knife on the things that held us together and we have fallen apart."

(Chinua Achebe, in Things Fall Apart)


“... que alguem lhes conte uma historia, umazinha so’…”


Pois, noblesse et sagesse oblige, conto:


“A Minha Amiga”


Ou... "Da 'Neofita' Ideologia dos (pretensos) Afectos Pos-Coloniais"...

... Ou, Os Dividendos de um "Projecto de Sociedade"

... Ou, de como "Eles Comem Tudo e Nao Deixam Nada"!...


1982 – Estive ‘alojada’ no seu apartamento durante quatro meses, no conturbado periodo que se seguiu a minha separacao do "incrivel svengali", com quem vivera durante seis meses, tendo por isso perdido o meu anterior apartamento.
Embora ja’ nos conhecessemos antes, a nossa relacao nao se poderia dizer exactamente “afectuosa”, mas, dadas as circunstancias, la’ nos fomos mutuamente acomodando e aproximando….

Separada, com uma filha, secretaria de profissao e sem formacao superior (que obteria apenas nos ultimos anos na ‘famosa’ Universidade Lusiada e imediatamente apos a qual comecou a dar aulas numa outra recem-criada universidade privada local), durante todo o (curto) periodo em que vivi em sua casa e ate’ muito tempo depois disso, a “minha amiga” nao trabalhava. Eu, em contrapartida, na altura trabalhava na delegacao da ONU e tinha acesso a loja diplomatica – por isso, tal como se passara em casa do 'svengali' (... que enquanto vivi com ele tambem nao trabalhava... e aqui abstenho-me de mencionar o dinheiro provindo do 'passe' do meu anterior apartamento que totalmente investi, sem qualquer retorno (!), no apartamento dele, ou os moveis provenientes da casa da minha mae que por la' deixei quando fugi dele sem nunca mais olhar para tras!...), tudo o que la’ comi, bebi e contribui foi inteiramente a minha custa – e isto vem apenas a proposito dos supostos “pratos em que debiquei” trazidos para as parangonas dos novos jornais, pasquins e blogs da banda por alguns dos ‘neofitos afectos e amizades’ da “minha amiga” que nunca conheci, nem eles me conhecem, de parte nenhuma!…

Ao fim dos tais 4 meses, consegui finalmente obter, atraves da delegacao da ONU em Luanda, o meu proprio novo apartamento num predio, por acaso, ali perto. Mas, apesar dos varios convites que lhe fiz, a “minha amiga” nunca me visitou no meu novo kubiko, excepto uma vez para um jantar que tinha como convidado especial o adido cultural da embaixada de Portugal em Angola, em retribuicao ao jantar aqui mencionado para o qual ele me convidara, entre outras pessoas, em sua casa.

1983-85: Durante esse periodo, eu e a “minha amiga” praticamente nao convivemos, embora nao estivessemos de relacoes cortadas – o que, alias, ao longo de uns bons 30 anos, malgre’ tout, nunca acontecera ate’ muito recentemente!... O que me remete para umas certas "centrais que corroem a sociedade"!... que talvez o tenham feito 'propositadamente' para verificarem o dito popular "zangam-se as comadres descobrem-se as verdades" - parabens por o terem conseguido, so' que... esse e' um metodo de "descoberta da verdade" que fere profundamente a etica jornalistica!

Aquele foi, a todos os titulos, o pior periodo da minha vida em Luanda, durante o qual tinha comigo o meu filho, que tinha estado nos meses anteriores, por razoes de saude, ao cuidado da minha mae em Portugal (... filho esse para o qual, by the way, a “minha amiga” nunca tivera um gesto ou palavra de "afecto", ou sequer alguma vez se lhe dirigira pelo nome, tratando-o sempre seca e indirectamente como “o teu filho”…) e, ja’ nao estando a trabalhar para a ONU, deixara de ter acesso a qualquer loja especial. No entanto, em finais de 1984, consegui um novo emprego no CICR, atraves do qual pude ter novamente acesso a uma loja especial, o que me permitiu aliviar minimamente as carencias alimentares e materiais com que eu e o meu filho entao nos defrontavamos.

1985-86: Com o lancamento do meu primeiro livro e a minha entrada para a UEA, iniciou-se um novo ciclo de vida para mim, incluindo uma "repentina mudanca de atitude" da "minha amiga" para comigo – embora, by the way, dos meus poemas, durante o periodo em que vivi em casa dela, apenas ouvira “zombarias e depreciacoes”… - e um melhor relacionamento entre nos, ao ponto de ela entao me ter convidado a ser madrinha de uma das suas filhas, embora, tanto quanto me consigo lembrar, tal acto nunca tenha sido oficializado.


1985-95: Durante esse periodo encontrei-me a estudar em Portugal. De notar que, como a “minha amiga” continuava desempregada, antes de partir de Luanda, deixei-lhe uma recomendacao no CICR, gracas a qual ela la’ conseguiu um emprego, que anos mais tarde me disse muito a ajudou a fazer face as suas crescentes dificuldades, com os 3 filhos que entretanto tivera… Eu, entretanto, em face das minhas proprias crescentes dificuldades financeiras em Portugal, tive que recorrer algumas vezes a ela para emprestimos de dinheiro, porque ela estava agora em condicoes de os prestar – os quais, entretanto, lhe repaguei escrupulosa e integralmente tao logo quanto pude.

Finais da decada de 90 – Candidato-me e presto provas, em Londres, para um emprego na BP-Angola. Nao sou seleccionada, apesar de ter mais do que as qualificacoes academicas, tecnicas e profissionais requeridas para o posto para a qual fui avaliada e de me ter sido dito pelos seleccionadores que “para um Angolano, eu ate’ tinha tido os melhores resultados entre os candidatos.” Seguindo as praticas estabelecidas por lei no mercado de trabalho Britanico, peco entao uma explicacao para aquela (nao) decisao, mas nenhuma me e’ dada. Pessoa proxima a “minha amiga” (com quem alguns anos mais tarde viria a trocar ESTA correspondencia) pede-me que ponha o assunto por escrito para tentar obter esclarecimentos junto de alguem capaz de o fazer, mas… nada!


Entretanto, a “minha amiga” volta e meia, out of the blue, vai insistindo em perguntar-me se eu “tinha mesmo acabado aquele curso em Portugal” (…”ditadura da licenciatura”?!...), ao que sempre lhe respondi curtamente com a frase com que inicio este memo – note-se, en passant, que, sabendo bem das razoes e do estado (embora ela nunca tenha conversado comigo sobre os seus detalhes) em que fui evacuada de Lisboa para Londres, o primeiro telefonema que ela me fez depois de eu me encontrar nesta cidade ainda em recuperacao, foi a perguntar-me em tom de galhofa: “entao, fugiste ou que?!”…


Algum tempo depois, soube que a filha mais velha da “minha amiga”, quase da idade do meu filho e com quem eu andara ao colo, que nunca antes tinha trabalhado na vida, com qualificacoes apenas ao nivel do bacharelato e que vivera a maior parte da sua vida no exterior do pais ate' aos ultimos anos (... e, dados os "mimos" com que tenho sido brindada nessa campanha especialmente pelo pai dela, nao sera' de todo despropositado mencionar que se trata de uma 'lolita' mae solteira a quem num curto espaco de tempo ja' conheci pelo menos tres 'companheiros' diferentes...), tinha entrado como “adviser” para a BP-Angola, de cujo PCA o pai dela, a.k.a. ‘o minion’, entretanto regressado a Angola depois de mais de 10 anos fora (durante os quais, ao contrario de mim, ele nunca voltou a ir a Angola), era amigo…

2000/2001 – O meu filho comecou a manifestar uma ha’ muito acumulada intensa “urge” de ir a Angola visitar o pai dele. Eu encontrava-me entao a trabalhar no Botswana e comecei, por entre os meus proprios planos de regresso definitivo a Angola depois de terminado aquele contrato no final de 2001, a fazer os preparativos para aquele tao ansiado reencontro do meu filho com o seu pai. Mas, depois de ultimados tais preparativos, somos confrontados com a informacao, por parte de "fonte segura" proxima da “minha amiga” e por ela confirmada (embora apenas depois de eu ter apelado aos seus sentimentos de mae!...), de que mal ele pusesse os pes no aeroporto 4 de Fevereiro seria imediatamente recrutado, enlistado no exercito e enviado para a frente de combate!...

Portanto… por essa razao, ele, que na altura se encontrava a estudar numa Universidade em Londres, acabou por nao ir, tendo eu ido sozinha (era Dezembro 2001/Janeiro 2002) e podido assitir, com o coracao apertado, um no' na garganta e lagrimas reprimidas nos olhos, os "meus amigos" levarem os seus filhos, tambem em idade militar (... e provindos das suas residencias estudantis em suas propriedades privadas no estrangeiro, ou da mui select(iv)a local Escola Portuguesa, para umas ferias de Natal recheadas da luxuosa fartura de multiplos cabazes e baus de valor incalculavel oferecidos por varios 'doadores', que nem a familia real Britanica recebe por essa altura do ano!...), nos seus yates a fazer ski aquatico no Mussulo!... Aparentemente, tudo apenas porque cerca de 10 anos antes eu tinha tido o "atrevimento" de me manifestar pela paz !...

E… seis meses depois, o pai do meu filho morre, sem que eles se pudessem voltar a ver depois de muitos anos e sem que o seu nome sequer constasse da publicada lista de filhos (…filhas…) que ele deixou neste mundo... apesar de ele ter sido o unico dentre ela(e)s a ir ao funeral! Filhas essas, para uma das quais cheguei a fornecer, quando tinha acesso a loja diplomatica, prendas e comes e bebes, inteiramente a minha custa, para a festa de um seu aniversario, a pedido do mesmo pai que nunca contribuira com um alfinete ou um tostao furado para o que ele designava "meu unico filho de homem"!... Mesmo porque, excepto num curto periodo em que trabalhou para as Secretarias de estado da Habitacao e da Cultura antes do miudo nascer, ele nunca teve qualquer fonte de rendimento, excepto nos ultimos anos antes de morrer em que tera' feito algum dinheiro com o comercio de arte na Humbihumbi - dinheiro do qual, de qualquer maneira, certamente nem eu, nem o meu filho alguma vez beneficiamos!

Naquele periodo estive em Luanda em duas ocasioes, durante as quais, depois de ter feito boa parte deste percurso e de ter passado por experiencias como a que aqui relato, confiei a “minha amiga” algumas cartas acompanhadas do meu CV e Certificados profissionais e academicos, dirigidas a pessoas que eu conhecia pessoalmente, mas com quem tinha dificuldade em contactar directamente na altura, pedindo ajuda para a minha reinsercao profissional em Angola. Mas… so’ muito recentemente soube que tais cartas nunca foram entregues aos seus destinatarios!…

Numa daquelas ocasioes encontrei-me com o ‘minion’, tendo-me ele entregue o seu “cartao de negocios” (...#ah pruk'impresario... ouve estoria!!!#...), dizendo-me que “era agora empresario e que se eu precisasse de alguma coisa…” (... nao, na altura nao puxou os seus galoes de "antigo combatente"!...), ao que eu tambem lhe entreguei, muito naturalmente, o meu "cartao de consultora" dizendo-lhe “se precisares de alguma coisa”… So’ que, claramente, ele tomou aquilo como uma “afronta” da minha parte, tendo-se essa constituido, para alem da sua "cronica" fixacao e sordidas fantasias em relacao a mim e do facto de ser um "jornalista" e "escritor" frustrado e um pobre de espirito mentiroso, cobarde e invejoso (veja-se por exemplo aqui como se tentava fazer passar, qual gato escondido com o rabo de fora, como "vitima do 27 de Maio"!...), numa das fontes da sua “raiva mal contida”!...


... Especialmente quando se sabe que ele nunca pos os pes numa universidade, nem nunca trabalhou nem estudou durante o periodo que esteve a viver fora de Angola, em Franca e em Portugal - onde sempre sobreviveu gracas ao "debicar no prato" de uma Francesa, no qual "cuspiu"!... -, sendo que deste ultimo pais teve que “fugir” por ter desviado em proveito proprio fundos da UE destinados ao financiamento de uma empresa (que obtivera atraves de um amigo que eu conhecia no Instituto de Apoio as Pequenas e Medias Empresas Industriais - IAPMEI) que ele acabou por afundar!… O que, ha' que sublinhar, so' lhe foi possivel fazer porque, ao contrario de mim que apenas tinha o Passaporte Angolano "valido para todos os paises do mundo excepto a Africa do Sul", ele tinha NACIONALIDADE PORTUGUESA!... Pelo que apenas me deu vontade de "rir ou adormecer" ao ler o que ele por aqui escreveu!!!

2002 – Do falecimento do pai dele tive a segunda noticia (a primeira foi em minha casa em Londres atraves de membros da minha familia), num curto espaco de tempo nas horas que se seguiram ao acontecimento, por um telefonema de Luanda da “minha amiga”, que a primeira coisa a que se referiu foi aos meus supostamente “devidos sentimentos de culpa”!... E isso num momento em que ainda nao se sabia qual tinha sido a causa da morte, que ficou mais tarde oficialmente estabelecida como tendo sido por malaria... E sabendo ela perfeitissimamente bem que das duas ultimas vezes que eu tinha estado em Luanda seis meses antes, tendo ficado hospedada em casa dela em ambas as ocasioes, eu nao estive com ele, nao falei com ele e nem sequer o vi... O facto e' que a ultima vez que estive com ele antes de ele morrer tinha sido cerca de 10 anos atras quando ele esteve hospedado em minha casa em Lisboa e nao voltei a ter qualquer contacto com ele!...

Mas, ainda assim, tudo fiz para que o meu filho fosse ao funeral do seu pai. E ele la’ foi, tendo sido acolhido e acompanhado ao funeral precisamente pelas mesmas “fontes” que seis meses antes o “ameacavam” de o mandar para a frente de combate tao logo ele la’ aterrasse (de notar que a "minha amiga" nao foi ao funeral)!... Nao deixo, todavia, de lhes agradecer pelo acolhimento que lhe concederam naquele momento doloroso - embora nao possa deixar de notar que ele foi com uma recomendacao minha de ficar em casa do meu tio/padrinho Pepe, que a "minha amiga" fez questao de "ignorar", razao pela qual me zanguei seriamente com ela na altura!

[De notar que, varios anos antes, quando ainda me encontrava a estudar em Portugal, eu mandei o meu filho a Luanda de ferias, especialmente para estar com o pai dele. Ficou em casa da minha tia, a qual o levou um dia a galeria Humbihumbi para se encontrar com o pai. Este, ao ve-los, mal prestou atencao ao miudo e saiu imediatamente dizendo que "um dia destes o ia visitar a casa da minha tia" - porem... nunca o fez! Tia essa que, curiosamente, durante o ano em que eu e ele namoramos antes de eu engravidar do nosso filho, o tinha recebido calorosamente em sua casa em Paris... so' que, em Luanda, as circunstancias da vida dela tinham, infelizmente, agora mudado radicalmente!... E o miudo acabou por regressar a Lisboa sem ter estado com o pai!...

Humbihumbi aquela a que, naquele periodo duro de 83-85, uma vez tomei a iniciativa de levar o meu filho para uma actividade criativa para criancas organizada pelo pai dele, mas da qual tinha tido noticia apenas atraves da radio. Pois o miudo participou entusiasticamente, sem que no fim, o pai - tido como grande 'promotor' de arte infantil e 'amigo das criancas' -, "fingindo" durante todo o tempo que "nao nos conhecia", sequer lhe dirigisse uma palavra, ou um qualquer reparo/incentivo a 'obra' que ele tinha criado!... Entao, antes de nos irmos embora, o miudo aproximou-se dele e deu-lhe um pontape'... Ao que o dito cujo pai diz: "ja' viram este miudo? Olha que eu sou o pai dele!"... Mas foi preciso aquele pontape'!...

Todavia, apesar do total abandono a que o pai o votou, foi sempre uma crianca que, com o meu apoio e incentivo, nunca deixou de, sem descurar o estudo e a leitura, exercitar e desenvolver os seus talentos criativos naturais, e.g.: desde muito cedo (3-5 anos) inventava brincadeiras, jogos e estorias; comecou a escrever poemas por volta dos 10 anos, enquanto pela mesma altura criava personagens e estorias de banda desenhada, comecava a estudar Ingles sozinho e desde a adolescencia ate' hoje continua a praticar e a auto-superar-se na musica (piano e, sobretudo, guitarra acustica), nao deixando ao mesmo tempo de praticar desporto - entre outros, o futebol - tendo ganho inumeros premios e galardoes na sua actividade desportiva!...

Lembro-me ainda de uma vez em Lisboa, em conversa com a Paula Tavares, ela ter-me dito, inicialmente em tom divertido: "...sabes como e' o Tirso, ne'?"... Ao que lhe respondi: "sim, sei bem como e' o Tirso e dele nao espero, nem nunca esperei nada, a nao ser talvez, por exemplo nesta altura do ano (era por altura do Natal) umas linhas a perguntar: "Oi, 'seus merdas', como e' que voces estao?"... Tendo ela entao mudado para um tom apologetico, dizendo: "ah, sim, quando estao envolvidas criancas"...


Mas... nunca deixei de celebrar o Natal com o meu filho, para o qual convidava sempre alguns estudantes angolanos em Portugal - das ditas "classes mais baixas" - um desses Natais, em Lisboa, na minha casa em Belem, depois da Missa do Galo nos Jeronimos, e' ilustrado por estas imagens...



... e outros, anos mais tarde na nossa casa em Londres...


... por estas imagens



E foi apenas depois daquela conversa, embora nao necessariamente em resultado dela, que recebi a primeira e unica dele em todos os anos em que estive fora do pais!...


E porque nessa missiva ele falava em "telegramas", lembro-me de um outro episodio, ainda nos primeiros anos da nossa residencia em Portugal, quando o meu filho fez um traumatismo craniano num ginasio que frequentava depois da escola, tendo tido que ser internado numa clinica. Aflita, enviei um telegrama ao pai dele em Luanda... ele respondeu-me com outro telegrama: "lamento nao poder fazer nada, espero que ele melhore"...


E depois disso nao voltou a escrever, a telegrafar ou a telefonar a perguntar como e' que o filho estava!...

E esse episodio faz-me lembrar de um outro, ainda em Luanda, por volta de 83/84, quando, tendo a minha avo, a minha tia e filhos alojados no meu kubiko do Kinaxixi, um dia tive que ir directamente do meu servico para o apartamento do pai do meu filho para falar com ele sobre a "nossa situacao". Conversamos e depois fomos juntos, numa boleia de um amigo dele para o meu kubiko. La' chegados, encontramos o nosso filho com queimaduras graves, cujas cicatrizes ele transporta ate' hoje, que, segundo me disseram, "tinham sido causadas por o meu primo ter entornado acidentalmente uma cafeteira de agua a ferver nas pernas dele"!...

Bom, na mesma boleia com o pai dele e o amigo, levamos de imediato o miudo para o hospital Americo Boavida, onde, por feliz acaso, estava de servico um medico amigo, na altura ainda estagiario (desculpa, mas esqueco-me agora do teu nome) que, tal como o Matadi, frequentava o meu kubiko onde "falavamos de tudo ou de nada, ou jogavamos xadrez". Mas... tao logo la' chegamos, o pai do filho meteu-se no carro com o amigo dizendo-me que "nao tinha estomago para aguentar aquilo: tu e' que tens coragem para enfrentar estas coisas"... E que iam para a minha casa fazer um compasso de espera e depois iam-nos la' buscar!... E assim foi: voltaram para o meu kubiko, onde beberam todas as cervejas que la' havia da minha loja especial!... Entretanto, depois do tratamento do miudo, fiquei ainda, com ele todo enfaixado ao colo, fora do hospital a espera que eles nos fossem buscar durante bem mais do que uma hora!... Any follow up needed?!

Numa outra ocasiao, quando ja' nos encontravamos a viver em Londres, ele veio a esta cidade, onde esteve com pessoas conhecidas da minha familia, mas nunca tentou contactar o filho!...]

No entanto, como se o momento e o acontecimento ja’ nao fossem suficientemente dolorosos, dificeis e traumaticos (... ou, como diz o outro, "nesta terra nada esta' tao mal que nao possa ficar ainda pior em materia de violencias para todos os gostos e feitios!...), durante aquele periodo, a “minha amiga”, por entre outras "enormidades" como "ela e' que teria pago os meus estudos em Portugal" e que "eu nunca tinha tido casa propria em Luanda", conseguiu de alguma maneira, por 'portas travessas' e por razoes que nunca saberei compreender e muito menos explicar (... ou que talvez sejam muito simplesmente explicaveis pelo facto de a mae, branca, de uma das 'potenciais herdeiras' do pai do meu filho ter passado a fazer parte das suas 'neofitas amizades'...), forjar e fazer passar a ideia pela "sua sociedade circundante" - incluindo familiares do falecido que ela nunca antes sequer conhecera (... sendo que nem ao falecido ela alguma vez conhecera bem, excepto do periodo de 4 meses em que estive em casa dela, durante os quais ele, apesar de viver com uma "brazuca", ia la' dormir comigo todos os dias...) e com os quais eu a pusera em contacto, mais uma vez ingenuamente confiando nela de boa fe', para intermediar o contacto entre eu e eles, uma vez que eu nao pude la' ir na altura - de que "o meu filho so’ tinha ido ao funeral do pai para 'se apoderar' da sua heranca", que, tanto quanto eu saiba, consistia basicamente no apartamento que ele deixara e que eu, muito legitimamente (!), pedi que lhe fosse facultado, uma vez que tinha sido por culpa dele que, alguns anos antes, nos ficaramos sem o nosso proprio apartamento em Luanda – para a recuperacao do qual recorri a varias instancias e pedi a ajuda da “minha amiga”, porem sem qualquer resultado!... Apartamento aquele onde ainda existiam pecas de mobiliario idas da minha casa e coisas como uma aparelhagem comprada no Brasil com o meu dinheiro!...

Ideia essa que, enquanto me defrontava com este tipo de questoes, foi expressa aqui, nestes termos: "(...) referiu a necessidade de se olhar de forma aturada para a questão da união de facto, procurando a sua simplificação, porque a realidade tem mostrado que as pessoas só se lembram desse instituto em caso de morte ou ruptura."

Todavia, no meio de tudo isso, a “minha amiga” nunca tentou ter qualquer conversa comigo sobre a minha vida mais intima, seja com o meu filho, seja com o pai dele, seja com o 'svengali', seja com a minha familia – a mais proxima da qual, durante os anos em que convivemos, se encontrava a viver em Portugal ou noutros paises e alguns membros da qual ela apenas conheceu (mal) nos ultimos anos -, seja sobre o percurso da minha vida anterior, ou posterior, aos quatro meses em que estive alojada em sua casa!

O que, interestingly and sadly enough, tambem se aplica a todos os membros da minha familia, certamente por se sentirem mais confortaveis nas suas comfort zones, com as suas proprias versoes, especulacoes e confabulacoes sobre aquilo que desconhecem totalmente (num auto-convencimento, auto-justificacao e auto-satisfacao matrizes de todo o tipo de mitos e dogmas e arrogancias ignorantes) e assim poderem mascarar a sua incapacidade, ou falta de vontade, de comunicacao e compreensao humana sobre questoes de natureza mais complexa e profunda, para la' do basico, do imediato, do superfluo, do superficial, do vulgar, do material, do banal, do trivial, do facil - como dizia Bessie Head: "Their little bit of truth is enough. Their life stops on their doorstep..."!

E aqui impoe-se-me referir que, enquanto em Portugal, escrevi a "minha amiga" algumas cartas desabafando sobre alguns aspectos da minha relacao com a minha mae e irmas, as quais ela nunca me respondeu ou se referiu directamente comigo... ate' que, a dada altura, me apercebi de que ela estava a usar e a manipular as confidencias que lhe tinha feito naquelas cartas contra mim e para forjar intrigas entre mim e a minha mae e irmas (... sera' inteiramente por mero acaso que o seu 'neofito' amigo, 'mandante desta historia', fale no seu artigo em "processos de autofagia familiar"?! ... Quando lhe seria muito mais facil e util olhar para o seu proprio "circulo restrito" onde se registam casos de autofagia familiar do tipo irmaos disputando, partilhando e fazendo filhos 'as mulheres uns dos outros?!)... Assim, quando estive em casa dela em 2001/02 pedi-lhe, casualmente, as tais cartas e queimei-as no seu quintal... tal como um dia havia queimado todos os exemplares que tinha do meu livro num meu quintal em Belem, quando me apercebi de como os meus poemas estavam a ser intencional e maliciosamente (des)interpretados!...

Portanto, all in all, se alguma vez a “minha amiga” me “conheceu bem”, foi apenas durante aqueles ja' longinquos quatro meses. Depois disso, foram apenas encontros e telefonemas esporadicos e alguma correspondencia pelo meio ao longo dos anos em que tenho estado a viver fora - anos durante os quais, de todas as vezes que fui a Angola, apenas fiquei hospedada na sua (nova) “mansao” de 5(!) empregados e outros tantos carros em duas ocasioes, por ja’ nao ter casa propria em Luanda… Sendo que da ultima vez que la' estive, apenas fiquei la' hospedada porque me foi feito um convite especial pelo dono da casa, apesar de, por ir em servico, a universidade para a qual entao trabalhava na Africa do Sul me ter feito uma reserva num hotel local. E, por isso, no fim fiz questao de lhes pagar o equivalente as minhas ajudas de custo pela acomodacao e o transporte que me facultaram durante os dias em que la' estive.

Et pourtant… e’ essa “minha amiga” que e’ agora “tida e achada” como “ponto de referencia”, “fonte proxima” e “autoridade maxima” sobre mim, o meu caracter e personalidade e “toda a minha vida” por uma “sociedade” para quem “no seu prato eu debiquei e depois cuspi”!...

2002-12: E’ o que (nao tudo) se sabe… Excepto que tudo isso (... e muito mais!...) me levou a identificar-me profunda e amargamente com a "Ignorancia" do Kundera e a tecer consideracoes como as que se seguem...

"Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"!"
[aqui]

Ou...

"(...) manipulam, usam e abusam da confianca de pessoas que dizem "ajudar", de preferencia negras para posarem perante a sociedade como "santas nao racistas" e depois, mesmo que na realidade devam mais a tais pessoas do que estas a elas e na verdade facam pouco mais do que denegri-las, difama-las, injuria-las e sabotar-lhes a vida by all means necessary (!), chantageam-nas e vao propalar aos quatro ventos que essas pessoas "debicaram no seu prato" e que, por isso, lhes devem "eterna gratidao e total subserviencia" para o resto da vida"...
[aqui]

Ou ainda...

"(...) confundiram-me com uma das suas "pretitas manipulaveis, servicais e lavadeiras dos seus quintais" e ao meu filho como um dos seus "regeitados items que merecem ser abortados", ou os "filhos bastardos" dele/as ou dos pais dele/as que escondem da "sociedade" ... POIS, KAMBADA DE COMPLEXADOS, ENGANARAM-SE REDONDAMENTE! ... SORRY ABOUT THAT!!!"
[aqui]


E, ja' agora, acrescento: e' que, em parte pelas razoes por mim aqui escalpelizadas e com as consequencias a que aqui aludo, a generalidade dos angolanos (e, muito particularmente, aqueles que, por qualquer razao, se consideram "importantes"...) ainda nao sao capazes de comunicar efectiva, saudavel e civilizadamente entre si, excepto nas suas 'comfort zones' - e.g. as paginas dos seus jornais, ou os seus quintais e cervejarias de eleicao, agora, pelo menos parcialmente, transpostos para o Facebook: veja-se a experiencia que tenho tido a esse respeito com este blog!...

E, pior do que isso, ficam com raiva de quem o faz ou tente fazer - o velho "nao sei, nao quero saber e tenho raiva de quem sabe"!... E, muito pior ainda, odeiam quem seja capaz de o fazer com alguem que seja 'humilde' o suficiente para aceitar comunicar com base no respeito mutuo, mas que nao pertenca ao seu suposto "espaco geopolitico" - e.g. as "minhas tias de Cascais" (leia-se, antes, verdadeiras amigas) como esta!...

E, mais sordida e tenebrosamente ainda, hostilizam, insultam, atacam com pornografia e com todas as armas e golpes baixos ao seu alcance, incluindo a violencia fisica e/ou psicologica e ameacas de morte, quem tenham como "sua propriedade" e que ouse relacionar-se, apenas profissionalmente que seja, com quem eles considerem "o inimigo"!... E tudo isso, enquanto exibem comportamentos como os aqui descritos!...

Enfin bref... trata-se, afinal, da sociedade doente de que aqui e aqui se fala!...

And finally


Dois jovens estudantes amigos celebrando uma passagem de ano em Londres na primeira parte da decada passada… Concluidos os seus estudos no final daquele ano, tendo sido colegas na mesma universidade em Londres, um, nado e criado em Portugal e que nunca antes tinha estado em Angola, vai para la' e imediatamente consegue um emprego na empresa em que a “minha amiga” e’ uma “manda-chuva”
Outro, o meu filho, tenta essa mesma empresa e varias outras em Angola, mas, apesar de ja' trabalhar desde os seus 15/16 anos e de la’ ter estado a estagiar com o Banco Mundial - um estagio que ele obtivera por iniciativa propria a partir de Londres atraves de uma instituicao academica Britanica -, nao consegue qualquer emprego, ate’ que… acaba por (mal) se “contentar” com um (bom) emprego num dos maiores Bancos Britanicos em Londres!...
E, ja' agora, nao posso deixar de recordar en passant, como enviei fotos da cerimonia de graduacao do meu filho a varias pessoas que considerava "proximas", incluindo a "minha amiga", mas dela nao recebi sequer um seco "parabens"!... Certamente porque ela ainda nao tinha terminado o mesmo curso em que o meu filho se graduara: Relacoes Internacionais...


Enfin bref... c'est ça la vie au village!


Porque conto agora esta historia em particular? Por varias razoes, dentre as quais:

• Porque, como aqui afirmava ha’ tempos, “ha’ certas experiencias da minha vida sobre as quais nunca confidenciei sequer com os meus familiares e amigos mais proximos e que muito menos alguma vez me ocorreu abordar num espaco como este, ainda que a titulo informal e privado, como e’ o caso. Mas o certo e’ que, e esta e’ tambem uma das ‘descobertas’ que me veem sendo reveladas pela experiencia adquirida com este blog, eu tenho sido frequentemente vitima do meu proprio silencio sobre certas questoes”...

• Porque, directa ou indirectamente, a “minha amiga” - quanto mais nao seja porque ela esta’ agora numa posicao que lhe permite "abrir e fechar" algumas portas em Angola (... falemos de "ascensao social", falemos!...) e isso, agora mais do que nunca, "vale ouro", especialmente para um certo tipo de “jornalistas” (e aqui poderia igualmente mencionar a sua irma mais nova, que tem sido uma verdadeira 'peca instrumental' em todo esse jogo sujo, o que so' nao faco por um certo 'dever de caridade'...) – e o “minion”, um dos seus ex- maridos (... ou, seguindo a "regra em vigor" da "alianca no dedo e papel passado", talvez devesse dizer "seu unico marido"!...), teem estado, desde o inicio, no centro, ainda que "aparentemente" apenas nos bastidores, desta campanha

Basta ver que, tanto quanto me pude aperceber, foi ele que, com artigos como este, publicado por altura do "kibeto", lhe deu o “pontape’ de saida” no NJ, “alcandorado” na ja’ longa “corrida de fundo” do seu director adjunto, no que foi pronta e mimeticamente seguido por outros, como este (... atente-se na "coincidencia" do uso, aparentemente "despropositado", em ambos, do "codigo especial" das reticencias entre parentesis "(...)" que muito tenho usado neste blog, inicialmente apenas na transcricao parcial de textos, como mandam as regras do bom rigor academico, mas, mais recentemente, tambem como uma mockery dos meus atacantes!...), ou ainda como o que lidera a carga de odio dos comentarios aqui transcritos a um "obus no meu quintal" lancado pelo famigerado RS – que interessara’ comparar com um outro comentario aqui feito pelo mesmo individuo numa altura em que ainda nao tinha assegurado o “tacho” de que agora bastamente se serve no dito NJ, enquanto vai propagandeando, by all means necessary, os seus "mingocios de cama e mesa" em Portugal!...

• E tambem porque muito se tem falado ultimamente na imprensa angolana - interestingly enough, numa "investida" hilariantemente protagonizada, num dos mais "premiaveis sub-editoriais" de um certo "jornalismo kamaleao invertebrado" da "nova imprensa angolana", por nao outro que um certo... "quem mais?!"... o mesmo que, pelas mesmas razoes, me "diagnosticou" uma "doenca contagiosa de pantanal" que ele "descobriu" (... o que 'certamente' lhe vai valer um Premio Nobel da Medicina para juntar ao seu "Premio Nacional de Jornalismo" !...) e que baptizou "complexo de colonizado" com "pos de perlimpimpim" de "monstros raciais e taras tribais", devido a qual "aconselhava" os "meus amigos" a "nao mais permitirem que me sentasse a sua mesa"!... -, da "velha questao" da “angolanizacao dos quadros” (por mim ha' ja' alguns anos abordada aqui, nas minhas 'penas' tanto de Koluki, como de Kimpa Vita) e da (re)insercao profissional dos angolanos no exterior do pais, por entre denuncias de discriminacoes de todo o tipo dos nacionais no acesso as fontes de rendimento em Angola…

• E… tambem porque, durante todos os anos em que com eles convivi, nunca vi qualquer dos protagonistas dessa historia, ou os seus filhos, ler qualquer livro (... ou melhor, ao 'minion' ate' vi, quando ele esteve hospedado em minha casa em Lisboa, uma vez ler um unico livro: o "Lolita"!... e ja' que tanto insistem, por falar em livros: em toda a minha vida, desde que aprendi a ler - e fi-lo muito cedo - nunca me conheci afastada dos livros e da leitura: comia a ler um livro, nao dormia sem ler um livro, estava na praia, nos jardins ou parques publicos a ler um livro, nos transportes publicos ia a ler um livro, um jornal ou uma revista; na minha juventude, numa altura em que a escassez de livros em Angola era um 'dado adquirido', como aqui observo, a partir do Lubango tomei a iniciativa de pegar num catalogo a que tive acesso de uma editora portuguesa, de que infelizmente ja' nao me lembro o nome, encomendar livros deles que recebi naquela cidade; em Luanda, no inicio dos anos 80, nao havia novas edicoes, fossem de livros ou de revistas, nacionais ou estrangeiros, que me escapassem, tendo para isso que enfrentar muitas vezes as bichas daquele tempo, como aqui ha' algum tempo registava - lembro-me em particular de uma coleccao de pequenos contos de autores brasileiros que muito influenciaram a minha escrita; em Lisboa, gastei muito mais dinheiro com livros, academicos e outros, do que com qualquer outra coisa, sendo que nos ultimos anos em que la' vivi, quando me voltei a interessar pela investigacao historica, gastei verdadeiras fortunas, certamente se considerados os meus parcos recursos financeiros, em alguns alfarrabistas e livrarias como a Buchholz; e o mesmo se tem passado em Londres, em Gaborone, em Cape Town, Stellenbosch, Johannesburg, etc. - portanto, sou capaz de apostar que ao longo da minha vida, entre livros academicos, literarios e outros, li mais livros do que todos eles juntos!... E do meu filho poderia dizer tanto ou mais ainda, relativamente aos filhos deles!...), ou a participar activa e consistentemente em qualquer actividade cultural, artistica ou recreativa, e.g. xadrez, yoga, danca, cinema, etc.!... E, interestingly enough, nem o proprio 'svengali'!...

Antes pelo contrario: pude testemunhar, entre outras "cenas" similares, a "minha amiga", mui aguerridamente, impedir o seu entao companheiro (... e, mais uma vez, dados os "mimos" com que tenho sido brindada na sordida campanha de que tenho sido vitima, talvez nao seja de todo despropositado mencionar que com ele a "minha amiga", para usar as palavras de uma outra pessoa proxima dela que me falou disso, "pos copiosamente os cornos" ao seu actual companheiro enquanto este andava nas frentes de combate!... e, tambem ja' agora, ha' quem diga "a boca cheia" que a minha querida afilhada nao e' filha do pai que a perfilhou, mas sim de um seu certo "padrinho" timorense... sorry about that!...) de ir as aulas de guitarra classica no CCU/ Casa das Beiras de Luanda, de cuja preservacao ela agora, tambem nas hostes do BD, se pretende a maior "paladina"!....

Nem, ja’ agora, a frequenter alguns dos lugares de retiro, contemplacao e reflexao, como a Xicala, o Mussulo, ou outros menos conhecidos, ao longo da costa ou do interior de Luanda e noutros pontos do pais, como eu o fazia regularmente, e frequentemente sozinha, ou com o meu filho, numa altura em que eles ainda nao eram os conspurcados, poluidos e degradados lugares previligiados de “peregrinacoes” para “exibicoes de status social” em que se transformaram nas ultimas duas decadas…

E tudo isso para nao mencionar que nunca lhes conheci qualquer engajamento civico e ou politico/social activo...

De resto, alguns membros do “circulo (mais) restrito” da “minha amiga”, que me conhecem pior ainda, aparentemente (ou, pelo menos, segundo o ‘minion’…), sempre me viram como “aquela miuda preta que veio do musseque para o seu meio em busca de ascensao social”…

[E aqui abro um parentesis para uma outra memoria: um outro 'protagonista', por sinal branco, 'jornalista economico' e actualmente tambem colunista do NJ, uma vez, em conversa comigo enquanto estudava em Lisboa, referindo-se a uma economista dita "especialista em macroeconomia a prova de balas", disse-me, sem que eu conseguisse descortinar qualquer razao para tal, ate' porque mal nos conheciamos, isto: "... mas essa e' mesmo uma economista a serio, nao e' como 'nos' que viemos do musseque!"... Estaria ele a incluir-se naquele seu 'nos'?... No lo creo... Tal como no creo que um certo kabungado se inclua em veredictos seus como "somos uns idiotas inuteis", recentemente desferido num dos seus sub-editoriais!...]

[Ultima casa da minha mae em Luanda - e nao, nao foi "recuperada" de nenhum "colono bazante" no pos-independencia... o "colono" em questao e a sua esposa, amigos de longa data da nossa familia, e' que fizeram questao, por escrito, que fosse a minha mae a ficar com a casa quando decidiram deixar o pais com a sua familia, muito antes da independencia!...]

Mas nao deixa de ser profundamente ironico notar que, nao tendo exactamente vindo directamente do musseque (...e mesmo que tivesse vindo?...), muito antes de os conhecer (ou, ja' agora, de conhecer pessoalmente o “svengali”), eu ja’ frequentava algumas das mais animadas tertulias sociais e culturais de Luanda, como uma que se reunia num apartamento na mesma Marginal em que eles moram (... e apetece perguntar: sera' que sempre la' moraram desde "o tempo do colono"?!), que havia sido deixado por um grande amigo da minha familia desde o tempo colonial, o arquitecto Eduardo de quem aqui incluo um postal...

[Apartamento do Eduardo na Marginal]

... Ou outra, tambem na Marginal, em casa do meu chefe no PAM e da sua familia, que era o maestro do grupo coral da ONU em Luanda, de que eu era membro e no qual tambem participavam outros casais e membros individuais da comunidade diplomatica em Luanda, entre os quais o meu amigo Ekart Kuntz, Encarregado de Negocios da Embaixada da Alemanha em Angola, em cuja recepcao de despedida, em sua casa, se deu uma “tristemente celebre peleja” entre o “coitado” e o “svengali”, o qual, tal como a este meu outro amigo Alemao, eles conheceram atraves de mim!...

E, interessantemente, tendo eu recebido um convite individual formal para aquela recepcao, nem a “minha amiga”, em casa de quem na altura me encontrava alojada, nem nenhum dos membros do seu “circulo (mais) restrito” tiveram sido para ela convidados… Ja' para nao mencionar que nenhum dos intelectuais, entre escritores, academicos, musicos e artistas que conheci, incluindo o 'svengali', os conheci atraves deles... E tudo isso muito antes de eu ter entrado para a UEA!... Basta ver-se onde e como tudo comecou no que a publicacao do meu livro diz respeito...

Portanto, se alguma vez eu subi as "escadarias" dessa instituicao e la' entrei, nao foi certamente "em busca de ascensao social"!... Muito pelo contrario: apos a minha entrada para a UEA, o meu "status social" - primeiro com as resistencias e hostilidades com que la' me deparei, nomeadamente por parte do 'svengali' e da Sra. Professora, entre outros, e depois com a minha ida para Portugal como 'pobre e insignificante' estudante bolseira do INABE [e aqui o 'criatura rejeitada' vem bem a proposito, porque a verdade dos factos e' que a minha primeira candidatura a bolsa no ano lectivo 1983/84 foi rejeitada, tendo-me sido dito que "nao tinha sido aprovada pelo Departamento de Quadros do Partido". Encontrava-se entao a frente do INABE Francisca do Espirito Santo (FES). Perante aquela recusa, no ano lectivo seguinte (1984/85) a minha tia pediu especialmente a Manuel Quarta Punza - que conhecia bem a minha familia e a mim em particular de quando ele tinha sido Comissario Provincial do Uige e eu tinha ficado hospedada em sua casa numa minha ida aquela provincia em missao de servico da JMPLA - ajuda para desbloquear a situacao. Este intercedeu junto de um outro responsavel do INABE (por sinal de origem Bakongo) e so' entao a minha candidatura foi aprovada. Fui entao a Portugal em meados de 1985 a Portugal na expectativa de comecar o curso naquele ano, mas posta la' confrontei-me com o facto de que, ao contrario de todos os outros bolseiros para aquele ano, nao havia qualquer 'record' da aprovacao da minha bolsa, nem na Embaixada de Angola, nem na Secretaria de estado da Cooperacao Portuguesa... Tive entao que regressar novamente a Angola para, junto do INABE resolver a questao e so' assim, no final daquele ano, pude comecar os meus estudos em Portugal com a tal bolsa de #50 angolares e porrada se refilares# literalmente arrancada a ferros!...] -, prosseguindo uma trend que ja' vinha desde a minha saida da Agencia, apenas "desceu" dramaticamente!

Sendo que, enquanto la' estive e como sempre pautei naturalmente os meus relacionamentos sociais, se alguem pode reclamar ter-se sempre relacionado com as ditas "classes mais baixas" (... mas, ao contrario destes, gente sa, boa, impoluta, humilde, trabalhadora, sacrificada, honesta, honrada e educada, incapaz de chamar "barata", "poluta" ou "insuportavel dama do sapato vermelho" a quem quer que seja!... enfim, gente verdadeiramente do "meu espaco geo-politico"!...) entre os estudantes e outros segmentos da comunidade angolana naquele pais, em vez de me acomodar nas altas esferas da "nossa embaixada", como podia perfeitamente e de certa forma ate' me era "exigido" (... por, supostamente, aos olhos da tal "sociedade" de que aqui se trata, ser "politicamente correcto", "de bom tom", "civilizado" e coisa e tal...) faze-lo, esse alguem sou eu! Que o digam o Cadete, o Garcia, o Daniel, os sobrinhos do Rubio (... que e' feito de voces meus irmaos?!...), ou mesmo o Macedo ou o Kaliengue (... com quem nunca lidei tao de perto, nem por tanto tempo, como com os primeiros e que, talvez por isso, deixei de "reconhecer" desde que, nos ultimos anos, comecaram a "ascender socialmente" em Angola...), entre dezenas de outros que comigo partilharam o queimar de pestanas e neuronios, as agruras e humilhacoes da vida de um estudante bolseiro Angolano e negro (!) em Portugal sem "falsaportes" (!), e a total entrega ao "Movimento Pela Paz e pelo Direito a Vida", num tempo em que as relacoes Portugal/Angola estavam longe de se pautar pelos "reencontros televisivos" de hoje!

A mesma UEA gracas a qual gente que para la' entrou depois de mim "ascendeu" rapidamente a posicoes de destaque aos mais diversos niveis do establishment, enquanto pelo caminho iam projectando os seus nomes e obras dentro e fora do pais!... Sendo que pelo menos alguns de tais 'nomes e obras' terao de algum modo beneficiado dos proventos da venda do meu livro - dos quais, note-se bem, nunca recebi, nem reclamei, um tostao furado! -, uma vez que uma das clausulas do meu contrato de publicacao com a UEA destinava 16% de tais proventos para o beneficio da Brigada Jovem de Literatura (BJL).

E, ja' agora, uma vez que o autor do artigo a que adendo este texto tanto fala em questoes de "bom gosto", lamento ter que notar que, malheureusement, com a "minha amiga" nada aprendi a esse respeito... muito pelo contrario! De facto, enfeitar a casa com flores artificiais empoeiradas, ir a festas de sapatos de salto alto a exibir a etiqueta do preco na sola ou com blusas com as alcas do soutien a mostra, entre varias outras gaffes do genero, nao fazem bem parte da minha ideia de "bom gosto"!... Ou, ja' agora, e porque ate' ameacada de morte ja' fui por causa do "kuduro", guess who introduced me to it and where?... O filho da "minha amiga" em casa dela em Luanda, em 2001/02!...

Mas, malgre tout, para uma certa "soi-disant polite society dita de esquerda" de que o autor faz parte, juntamente com uma certa "sua mana" ACGM, incapacitada de enxergar para la' da cor da pele apesar dos seus muitos e mui graduados oculos, as unicas coisas que nos identificam, definem e/ou diferenciam, nao sao coisas como "integridade moral, honestidade intelectual, educacao e caracter" a que aqui me referia, mas apenas e tao so' o facto de eu ser negra e ela indiana e de ela ser filha de um medico e eu de um enfermeiro!...Embora, tao amarga quanto ironicamente, ambos tenham acabado por morrer em consequencia, directa ou indirecta, do mesmo tipo de maleitas!... Ah!... E o facto de, many, many years ago, um certo 'minion' lhe ter colocado uma alianca (de curto prazo) no dedo, que ela continua a usar ate' hoje!... Sendo que tudo isso me remete para umas certas "diferencas reais e/ou imaginarias"!...

Enfim, so much para a “ascensao social” e os “contactos inter-classistas” que aparentemente lhes devo!

• E, finalmente, porque, tendo afirmado aqui que "(...) quanto muito, tenho e’ muitos sapos engolidos e outros tantos atravessados na minha garganta que apenas a minha educacao e consideracao por algumas pessoas que ainda respeito naquele meio me impedem de deitar ca para fora!", acontece que a minha garganta e o meu estomago deixaram de ter capacidade para continuar a engolir tantos e tao grandes sapos!


P.S.: Como aqui, entre outros lugares, tenho afirmado, desde cedo na vida me habituei a nao me relacionar com quem quer que seja exclusivamente com base na cor da pele. E mal de mim se assim nao fosse, uma vez que, tambem desde cedo na vida, me encontrei a estudar e/ou a trabalhar em ambientes em que, se nao era a unica negra, fazia parte de uma minoria de "nao brancos". Assim, quer na minha relacao com a "minha amiga", quer com o "minion", o "coitado" ou o "svengali" (sendo de notar que, apesar de ser mais nova e de me encontrar numa situacao relativamente vulneravel em relacao a eles, por na altura viver praticamente sozinha numa "terra queimada", quando os conheci eu ja' tinha uma experiencia profissional mais diversificada e um nivel educacional/academico e tecnico/profissional superior ao de qualquer deles - e.g. o 'svengali tinha apenas o ciclo complementar do liceu incompleto, enquanto eu ja' andava no segundo ano de economia!...), o factor "raca", ou, usando a expressao preferida de um certo 'PhD', a "eterna questao da melanina", (ou, ja' agora, "classe"... e menos ainda "dinheiro"!), para mim nunca foi determinante de coisa nenhuma - para o positivo ou para o negativo, para o bem ou para o mal!

[E, a este proposito, impoe-se-me aqui um outro parentesis para notar um facto "interessante": desde que me encontro a viver em Inglaterra, a minha amiga passou a enviar-me com alguma frequencia livros e discos angolanos, mas todos apenas de autores brancos e mesticos - a excepcao do disco do Rui Mingas ('Memoria'), que ela menciona na mensagem que aqui parcialmente postei... mas qual sera' a "identificacao racial" do Rui Mingas, if I may ask? Confesso que nao sei. Sei apenas que durante a unica conversa que tivemos, aqui registada, a primeira coisa que ele me perguntou foi se "eu nao tinha nenhuma miscigenacao racial"? Sem perceber a que proposito ele se saira com aquela, respondi-lhe que nao. E ele: "tem a certeza? Eu nao tenho complexos nenhuns de afirmar que na minha familia ha' todos os tipos de misturas!"... E isso sem que nada no proposito do nosso encontro, ou nos meus posicionamentos sobre esse tipo de questoes, pelo menos ate' entao, o justificasse!...]

De tal forma que mesmo perante as falhas, defeitos, vicios, faltas de caracter e de respeito, insultos e abusos de confianca por parte deles e de todo o mal que me fizeram, e continuam apostados em fazer (!), a mim e ao meu filho, por accoes, omissoes, manipulacoes, invencoes e difamacoes, nunca o atribui exclusivamente a cor da sua pele, nem nunca fui de guardar ressentimentos ou apetites de vinganca e muito menos de me intrometer nas suas vidas privadas, ou alimentar qualquer tipo de intrigas ou maledicencias contra eles - e menos ainda em publico e muito menos atraves de campanhas nos media! - tenho, felizmente, valores e principios etico-morais suficientemente solidos para tal, gracas a Deus!...Basta ver-se como, antes de me ter apercebido da "cabala" que ja' entao se ia formando a volta da "campanha" por eles "urdida" contra mim, a eles me referi aqui como "amigos-como-irmaos"... "santa ingenuidade" a minha!...

Portanto, quaisquer consideracoes racicas que porventura poderao ser aduzidas de algumas das minhas afirmacoes sobre o meu relacionamento com eles nunca me foram "genuinas", mas sim em mim imputadas, "a golpes de (aka)martelo", ou por eles proprios, ou pelos seus (na maior parte dos casos 'neofitos') amigos, sobretudo com o recente advento da "nova imprensa e blogosfera luso-angolana" associados ao crescente "trafico de influencias" caracteristico da "nossa nova-rica Angola que tanto amamos"!...

Mas, infelizmente, no caso da "minha amiga", para alem de um mal dissimulado misto de complexos de inferioridade e de superioridade, devidos, por um lado, a ser a filha mais velha de um medico e, por outro, ao contrario dos seus irmaos, nunca ter frequentado uma universidade ate' muito para la' da sua meia idade (... e, a este proposito, suspeito bem que tera sido o mesmo "misto de complexos" que terao levado o Sr. Rui Mingas - tambem apenas recentemente licenciado - e o seu adido cultural - na altura tambem ainda a formar-se - a hostilizar, perseguir, caluniar e difamar, enfim, a fazer a vida negra aos estudantes Angolanos bolseiros em Portugal, especialmente os tidos como "vindos do musseque" ou "do maqui" e sem "nomes sonantes", como eu... ou, para usar as suas proprias palavras, "o lixo de Angola"!...), ha' no seu background - complicado pelo facto de ela ter tido que "partilhar" o pai dos seus tres filhos mais novos com uma "miuda preta"... e nao, nao fui eu!... - um factor identitario estruturante que eu sempre ignorei na nossa relacao, mas que, cada vez mais se reflecte em muitos dos seus posicionamentos/comportamentos: o facto de ela, por entre a complicada teia de "preconceitos" aqui explicitados, ter na sua familia mais proxima alguns membros que foram expulsos do Uganda por Idi Amin Dada...

E, talvez por isso, ter uma "necessidade patologica" de criar, ou pelo menos aparentar ter, "raizes profundas" em Angola, e especialmente "mais profundas" do que quem, como eu, sempre se tenha sentido (... ou pelo menos ate' muito recentemente...) perfeitamente a vontade com as suas proprias raizes, identidade, nacionalidade e personalidade, sem qualquer necessidade de "forcar barras" de qualquer especie! E, pior do isso, ter a "necessidade patologica" de alimentar a ilusao de que (... parafraseando o seu 'neofito amigo' que "me encomendou" este texto: "mal ultimados os seus contactos inter-racicos, inter-classistas e inter-etnicos e de consolidado o seu 'poder politico' - ou apenas a ilusao deste - apressam-se a 'tornar-se PCAs ou seus amigos', a 'forjar ancestrais angolanos' e a 'pretender representar Angola'"...) e' capaz de, tal como Idi Amin, "retirar a nacionalidade" e "expulsar do pais" Angolanos "genuinos" como eu, para "vingar os seus" que foram expulsos do Uganda!... Note-se aqui a semelhanca desse tipo de "necessidades patologicas" com as destas e destes e com um certo tipo de "confissao", ou de "perseguicao"!...

Obviamente, eu nao tenho culpa nenhuma disso e muito menos quaisquer "medidas de caracter profilatico" para lhe recomendar (mesmo poque ela tem o seu circulo mais restrito, predominantemente pertencente a classe medica, gente mais abalizada do que para o fazer)!... Gostaria apenas que ela se pudesse "elevar" ao nivel deste Africano de origem Indiana que, com os seus pais, passou pelo mesmo - o que nem sequer e' o caso dela!... Quanto mais nao seja, porque, malgre tout, a minha amizade por ela sempre foi sincera, o meu respeito pela sua familia honesto e... o meu afecto pela minha afilhada nunca foi pretenso, mas... genuino!


So' posso lamentar, portanto, mais uma vez, estar a ser
vitima do meu proprio nao racismo!

Resta-me, no entanto, a "consolacao", se alguma, de saber que nao sou a unica nem a primeira pessoa a cortar relacoes com ela pelo mesmo tipo de razoes...


[... E se quizerem mais historias como esta, e' so' "continuarem a pedir"!...]


POST RELACIONADO:

O PODER DA ASSOCIACAO


"The white man is very clever. He came quietly and peaceably with his religion. We were amused at his foolishness and allowed him to stay. Now he has won our brothers, and our clan can no longer act like one. He has put a knife on the things that held us together and we have fallen apart."

(Chinua Achebe, in Things Fall Apart)


“... que alguem lhes conte uma historia, umazinha so’…”


Pois, noblesse et sagesse oblige, conto:


“A Minha Amiga”


Ou... "Da 'Neofita' Ideologia dos (pretensos) Afectos Pos-Coloniais"...

... Ou, Os Dividendos de um "Projecto de Sociedade"

... Ou, de como "Eles Comem Tudo e Nao Deixam Nada"!...


1982 – Estive ‘alojada’ no seu apartamento durante quatro meses, no conturbado periodo que se seguiu a minha separacao do "incrivel svengali", com quem vivera durante seis meses, tendo por isso perdido o meu anterior apartamento.
Embora ja’ nos conhecessemos antes, a nossa relacao nao se poderia dizer exactamente “afectuosa”, mas, dadas as circunstancias, la’ nos fomos mutuamente acomodando e aproximando….

Separada, com uma filha, secretaria de profissao e sem formacao superior (que obteria apenas nos ultimos anos na ‘famosa’ Universidade Lusiada e imediatamente apos a qual comecou a dar aulas numa outra recem-criada universidade privada local), durante todo o (curto) periodo em que vivi em sua casa e ate’ muito tempo depois disso, a “minha amiga” nao trabalhava. Eu, em contrapartida, na altura trabalhava na delegacao da ONU e tinha acesso a loja diplomatica – por isso, tal como se passara em casa do 'svengali' (... que enquanto vivi com ele tambem nao trabalhava... e aqui abstenho-me de mencionar o dinheiro provindo do 'passe' do meu anterior apartamento que totalmente investi, sem qualquer retorno (!), no apartamento dele, ou os moveis provenientes da casa da minha mae que por la' deixei quando fugi dele sem nunca mais olhar para tras!...), tudo o que la’ comi, bebi e contribui foi inteiramente a minha custa – e isto vem apenas a proposito dos supostos “pratos em que debiquei” trazidos para as parangonas dos novos jornais, pasquins e blogs da banda por alguns dos ‘neofitos afectos e amizades’ da “minha amiga” que nunca conheci, nem eles me conhecem, de parte nenhuma!…

Ao fim dos tais 4 meses, consegui finalmente obter, atraves da delegacao da ONU em Luanda, o meu proprio novo apartamento num predio, por acaso, ali perto. Mas, apesar dos varios convites que lhe fiz, a “minha amiga” nunca me visitou no meu novo kubiko, excepto uma vez para um jantar que tinha como convidado especial o adido cultural da embaixada de Portugal em Angola, em retribuicao ao jantar aqui mencionado para o qual ele me convidara, entre outras pessoas, em sua casa.

1983-85: Durante esse periodo, eu e a “minha amiga” praticamente nao convivemos, embora nao estivessemos de relacoes cortadas – o que, alias, ao longo de uns bons 30 anos, malgre’ tout, nunca acontecera ate’ muito recentemente!... O que me remete para umas certas "centrais que corroem a sociedade"!... que talvez o tenham feito 'propositadamente' para verificarem o dito popular "zangam-se as comadres descobrem-se as verdades" - parabens por o terem conseguido, so' que... esse e' um metodo de "descoberta da verdade" que fere profundamente a etica jornalistica!

Aquele foi, a todos os titulos, o pior periodo da minha vida em Luanda, durante o qual tinha comigo o meu filho, que tinha estado nos meses anteriores, por razoes de saude, ao cuidado da minha mae em Portugal (... filho esse para o qual, by the way, a “minha amiga” nunca tivera um gesto ou palavra de "afecto", ou sequer alguma vez se lhe dirigira pelo nome, tratando-o sempre seca e indirectamente como “o teu filho”…) e, ja’ nao estando a trabalhar para a ONU, deixara de ter acesso a qualquer loja especial. No entanto, em finais de 1984, consegui um novo emprego no CICR, atraves do qual pude ter novamente acesso a uma loja especial, o que me permitiu aliviar minimamente as carencias alimentares e materiais com que eu e o meu filho entao nos defrontavamos.

1985-86: Com o lancamento do meu primeiro livro e a minha entrada para a UEA, iniciou-se um novo ciclo de vida para mim, incluindo uma "repentina mudanca de atitude" da "minha amiga" para comigo – embora, by the way, dos meus poemas, durante o periodo em que vivi em casa dela, apenas ouvira “zombarias e depreciacoes”… - e um melhor relacionamento entre nos, ao ponto de ela entao me ter convidado a ser madrinha de uma das suas filhas, embora, tanto quanto me consigo lembrar, tal acto nunca tenha sido oficializado.


1985-95: Durante esse periodo encontrei-me a estudar em Portugal. De notar que, como a “minha amiga” continuava desempregada, antes de partir de Luanda, deixei-lhe uma recomendacao no CICR, gracas a qual ela la’ conseguiu um emprego, que anos mais tarde me disse muito a ajudou a fazer face as suas crescentes dificuldades, com os 3 filhos que entretanto tivera… Eu, entretanto, em face das minhas proprias crescentes dificuldades financeiras em Portugal, tive que recorrer algumas vezes a ela para emprestimos de dinheiro, porque ela estava agora em condicoes de os prestar – os quais, entretanto, lhe repaguei escrupulosa e integralmente tao logo quanto pude.

Finais da decada de 90 – Candidato-me e presto provas, em Londres, para um emprego na BP-Angola. Nao sou seleccionada, apesar de ter mais do que as qualificacoes academicas, tecnicas e profissionais requeridas para o posto para a qual fui avaliada e de me ter sido dito pelos seleccionadores que “para um Angolano, eu ate’ tinha tido os melhores resultados entre os candidatos.” Seguindo as praticas estabelecidas por lei no mercado de trabalho Britanico, peco entao uma explicacao para aquela (nao) decisao, mas nenhuma me e’ dada. Pessoa proxima a “minha amiga” (com quem alguns anos mais tarde viria a trocar ESTA correspondencia) pede-me que ponha o assunto por escrito para tentar obter esclarecimentos junto de alguem capaz de o fazer, mas… nada!


Entretanto, a “minha amiga” volta e meia, out of the blue, vai insistindo em perguntar-me se eu “tinha mesmo acabado aquele curso em Portugal” (…”ditadura da licenciatura”?!...), ao que sempre lhe respondi curtamente com a frase com que inicio este memo – note-se, en passant, que, sabendo bem das razoes e do estado (embora ela nunca tenha conversado comigo sobre os seus detalhes) em que fui evacuada de Lisboa para Londres, o primeiro telefonema que ela me fez depois de eu me encontrar nesta cidade ainda em recuperacao, foi a perguntar-me em tom de galhofa: “entao, fugiste ou que?!”…


Algum tempo depois, soube que a filha mais velha da “minha amiga”, quase da idade do meu filho e com quem eu andara ao colo, que nunca antes tinha trabalhado na vida, com qualificacoes apenas ao nivel do bacharelato e que vivera a maior parte da sua vida no exterior do pais ate' aos ultimos anos (... e, dados os "mimos" com que tenho sido brindada nessa campanha especialmente pelo pai dela, nao sera' de todo despropositado mencionar que se trata de uma 'lolita' mae solteira a quem num curto espaco de tempo ja' conheci pelo menos tres 'companheiros' diferentes...), tinha entrado como “adviser” para a BP-Angola, de cujo PCA o pai dela, a.k.a. ‘o minion’, entretanto regressado a Angola depois de mais de 10 anos fora (durante os quais, ao contrario de mim, ele nunca voltou a ir a Angola), era amigo…

2000/2001 – O meu filho comecou a manifestar uma ha’ muito acumulada intensa “urge” de ir a Angola visitar o pai dele. Eu encontrava-me entao a trabalhar no Botswana e comecei, por entre os meus proprios planos de regresso definitivo a Angola depois de terminado aquele contrato no final de 2001, a fazer os preparativos para aquele tao ansiado reencontro do meu filho com o seu pai. Mas, depois de ultimados tais preparativos, somos confrontados com a informacao, por parte de "fonte segura" proxima da “minha amiga” e por ela confirmada (embora apenas depois de eu ter apelado aos seus sentimentos de mae!...), de que mal ele pusesse os pes no aeroporto 4 de Fevereiro seria imediatamente recrutado, enlistado no exercito e enviado para a frente de combate!...

Portanto… por essa razao, ele, que na altura se encontrava a estudar numa Universidade em Londres, acabou por nao ir, tendo eu ido sozinha (era Dezembro 2001/Janeiro 2002) e podido assitir, com o coracao apertado, um no' na garganta e lagrimas reprimidas nos olhos, os "meus amigos" levarem os seus filhos, tambem em idade militar (... e provindos das suas residencias estudantis em suas propriedades privadas no estrangeiro, ou da mui select(iv)a local Escola Portuguesa, para umas ferias de Natal recheadas da luxuosa fartura de multiplos cabazes e baus de valor incalculavel oferecidos por varios 'doadores', que nem a familia real Britanica recebe por essa altura do ano!...), nos seus yates a fazer ski aquatico no Mussulo!... Aparentemente, tudo apenas porque cerca de 10 anos antes eu tinha tido o "atrevimento" de me manifestar pela paz !...

E… seis meses depois, o pai do meu filho morre, sem que eles se pudessem voltar a ver depois de muitos anos e sem que o seu nome sequer constasse da publicada lista de filhos (…filhas…) que ele deixou neste mundo... apesar de ele ter sido o unico dentre ela(e)s a ir ao funeral! Filhas essas, para uma das quais cheguei a fornecer, quando tinha acesso a loja diplomatica, prendas e comes e bebes, inteiramente a minha custa, para a festa de um seu aniversario, a pedido do mesmo pai que nunca contribuira com um alfinete ou um tostao furado para o que ele designava "meu unico filho de homem"!... Mesmo porque, excepto num curto periodo em que trabalhou para as Secretarias de estado da Habitacao e da Cultura antes do miudo nascer, ele nunca teve qualquer fonte de rendimento, excepto nos ultimos anos antes de morrer em que tera' feito algum dinheiro com o comercio de arte na Humbihumbi - dinheiro do qual, de qualquer maneira, certamente nem eu, nem o meu filho alguma vez beneficiamos!

Naquele periodo estive em Luanda em duas ocasioes, durante as quais, depois de ter feito boa parte deste percurso e de ter passado por experiencias como a que aqui relato, confiei a “minha amiga” algumas cartas acompanhadas do meu CV e Certificados profissionais e academicos, dirigidas a pessoas que eu conhecia pessoalmente, mas com quem tinha dificuldade em contactar directamente na altura, pedindo ajuda para a minha reinsercao profissional em Angola. Mas… so’ muito recentemente soube que tais cartas nunca foram entregues aos seus destinatarios!…

Numa daquelas ocasioes encontrei-me com o ‘minion’, tendo-me ele entregue o seu “cartao de negocios” (...#ah pruk'impresario... ouve estoria!!!#...), dizendo-me que “era agora empresario e que se eu precisasse de alguma coisa…” (... nao, na altura nao puxou os seus galoes de "antigo combatente"!...), ao que eu tambem lhe entreguei, muito naturalmente, o meu "cartao de consultora" dizendo-lhe “se precisares de alguma coisa”… So’ que, claramente, ele tomou aquilo como uma “afronta” da minha parte, tendo-se essa constituido, para alem da sua "cronica" fixacao e sordidas fantasias em relacao a mim e do facto de ser um "jornalista" e "escritor" frustrado e um pobre de espirito mentiroso, cobarde e invejoso (veja-se por exemplo aqui como se tentava fazer passar, qual gato escondido com o rabo de fora, como "vitima do 27 de Maio"!...), numa das fontes da sua “raiva mal contida”!...


... Especialmente quando se sabe que ele nunca pos os pes numa universidade, nem nunca trabalhou nem estudou durante o periodo que esteve a viver fora de Angola, em Franca e em Portugal - onde sempre sobreviveu gracas ao "debicar no prato" de uma Francesa, no qual "cuspiu"!... -, sendo que deste ultimo pais teve que “fugir” por ter desviado em proveito proprio fundos da UE destinados ao financiamento de uma empresa (que obtivera atraves de um amigo que eu conhecia no Instituto de Apoio as Pequenas e Medias Empresas Industriais - IAPMEI) que ele acabou por afundar!… O que, ha' que sublinhar, so' lhe foi possivel fazer porque, ao contrario de mim que apenas tinha o Passaporte Angolano "valido para todos os paises do mundo excepto a Africa do Sul", ele tinha NACIONALIDADE PORTUGUESA!... Pelo que apenas me deu vontade de "rir ou adormecer" ao ler o que ele por aqui escreveu!!!

2002 – Do falecimento do pai dele tive a segunda noticia (a primeira foi em minha casa em Londres atraves de membros da minha familia), num curto espaco de tempo nas horas que se seguiram ao acontecimento, por um telefonema de Luanda da “minha amiga”, que a primeira coisa a que se referiu foi aos meus supostamente “devidos sentimentos de culpa”!... E isso num momento em que ainda nao se sabia qual tinha sido a causa da morte, que ficou mais tarde oficialmente estabelecida como tendo sido por malaria... E sabendo ela perfeitissimamente bem que das duas ultimas vezes que eu tinha estado em Luanda seis meses antes, tendo ficado hospedada em casa dela em ambas as ocasioes, eu nao estive com ele, nao falei com ele e nem sequer o vi... O facto e' que a ultima vez que estive com ele antes de ele morrer tinha sido cerca de 10 anos atras quando ele esteve hospedado em minha casa em Lisboa e nao voltei a ter qualquer contacto com ele!...

Mas, ainda assim, tudo fiz para que o meu filho fosse ao funeral do seu pai. E ele la’ foi, tendo sido acolhido e acompanhado ao funeral precisamente pelas mesmas “fontes” que seis meses antes o “ameacavam” de o mandar para a frente de combate tao logo ele la’ aterrasse (de notar que a "minha amiga" nao foi ao funeral)!... Nao deixo, todavia, de lhes agradecer pelo acolhimento que lhe concederam naquele momento doloroso - embora nao possa deixar de notar que ele foi com uma recomendacao minha de ficar em casa do meu tio/padrinho Pepe, que a "minha amiga" fez questao de "ignorar", razao pela qual me zanguei seriamente com ela na altura!

[De notar que, varios anos antes, quando ainda me encontrava a estudar em Portugal, eu mandei o meu filho a Luanda de ferias, especialmente para estar com o pai dele. Ficou em casa da minha tia, a qual o levou um dia a galeria Humbihumbi para se encontrar com o pai. Este, ao ve-los, mal prestou atencao ao miudo e saiu imediatamente dizendo que "um dia destes o ia visitar a casa da minha tia" - porem... nunca o fez! Tia essa que, curiosamente, durante o ano em que eu e ele namoramos antes de eu engravidar do nosso filho, o tinha recebido calorosamente em sua casa em Paris... so' que, em Luanda, as circunstancias da vida dela tinham, infelizmente, agora mudado radicalmente!... E o miudo acabou por regressar a Lisboa sem ter estado com o pai!...

Humbihumbi aquela a que, naquele periodo duro de 83-85, uma vez tomei a iniciativa de levar o meu filho para uma actividade criativa para criancas organizada pelo pai dele, mas da qual tinha tido noticia apenas atraves da radio. Pois o miudo participou entusiasticamente, sem que no fim, o pai - tido como grande 'promotor' de arte infantil e 'amigo das criancas' -, "fingindo" durante todo o tempo que "nao nos conhecia", sequer lhe dirigisse uma palavra, ou um qualquer reparo/incentivo a 'obra' que ele tinha criado!... Entao, antes de nos irmos embora, o miudo aproximou-se dele e deu-lhe um pontape'... Ao que o dito cujo pai diz: "ja' viram este miudo? Olha que eu sou o pai dele!"... Mas foi preciso aquele pontape'!...

Todavia, apesar do total abandono a que o pai o votou, foi sempre uma crianca que, com o meu apoio e incentivo, nunca deixou de, sem descurar o estudo e a leitura, exercitar e desenvolver os seus talentos criativos naturais, e.g.: desde muito cedo (3-5 anos) inventava brincadeiras, jogos e estorias; comecou a escrever poemas por volta dos 10 anos, enquanto pela mesma altura criava personagens e estorias de banda desenhada, comecava a estudar Ingles sozinho e desde a adolescencia ate' hoje continua a praticar e a auto-superar-se na musica (piano e, sobretudo, guitarra acustica), nao deixando ao mesmo tempo de praticar desporto - entre outros, o futebol - tendo ganho inumeros premios e galardoes na sua actividade desportiva!...

Lembro-me ainda de uma vez em Lisboa, em conversa com a Paula Tavares, ela ter-me dito, inicialmente em tom divertido: "...sabes como e' o Tirso, ne'?"... Ao que lhe respondi: "sim, sei bem como e' o Tirso e dele nao espero, nem nunca esperei nada, a nao ser talvez, por exemplo nesta altura do ano (era por altura do Natal) umas linhas a perguntar: "Oi, 'seus merdas', como e' que voces estao?"... Tendo ela entao mudado para um tom apologetico, dizendo: "ah, sim, quando estao envolvidas criancas"...


Mas... nunca deixei de celebrar o Natal com o meu filho, para o qual convidava sempre alguns estudantes angolanos em Portugal - das ditas "classes mais baixas" - um desses Natais, em Lisboa, na minha casa em Belem, depois da Missa do Galo nos Jeronimos, e' ilustrado por estas imagens...



... e outros, anos mais tarde na nossa casa em Londres...


... por estas imagens



E foi apenas depois daquela conversa, embora nao necessariamente em resultado dela, que recebi a primeira e unica dele em todos os anos em que estive fora do pais!...


E porque nessa missiva ele falava em "telegramas", lembro-me de um outro episodio, ainda nos primeiros anos da nossa residencia em Portugal, quando o meu filho fez um traumatismo craniano num ginasio que frequentava depois da escola, tendo tido que ser internado numa clinica. Aflita, enviei um telegrama ao pai dele em Luanda... ele respondeu-me com outro telegrama: "lamento nao poder fazer nada, espero que ele melhore"...


E depois disso nao voltou a escrever, a telegrafar ou a telefonar a perguntar como e' que o filho estava!...

E esse episodio faz-me lembrar de um outro, ainda em Luanda, por volta de 83/84, quando, tendo a minha avo, a minha tia e filhos alojados no meu kubiko do Kinaxixi, um dia tive que ir directamente do meu servico para o apartamento do pai do meu filho para falar com ele sobre a "nossa situacao". Conversamos e depois fomos juntos, numa boleia de um amigo dele para o meu kubiko. La' chegados, encontramos o nosso filho com queimaduras graves, cujas cicatrizes ele transporta ate' hoje, que, segundo me disseram, "tinham sido causadas por o meu primo ter entornado acidentalmente uma cafeteira de agua a ferver nas pernas dele"!...

Bom, na mesma boleia com o pai dele e o amigo, levamos de imediato o miudo para o hospital Americo Boavida, onde, por feliz acaso, estava de servico um medico amigo, na altura ainda estagiario (desculpa, mas esqueco-me agora do teu nome) que, tal como o Matadi, frequentava o meu kubiko onde "falavamos de tudo ou de nada, ou jogavamos xadrez". Mas... tao logo la' chegamos, o pai do filho meteu-se no carro com o amigo dizendo-me que "nao tinha estomago para aguentar aquilo: tu e' que tens coragem para enfrentar estas coisas"... E que iam para a minha casa fazer um compasso de espera e depois iam-nos la' buscar!... E assim foi: voltaram para o meu kubiko, onde beberam todas as cervejas que la' havia da minha loja especial!... Entretanto, depois do tratamento do miudo, fiquei ainda, com ele todo enfaixado ao colo, fora do hospital a espera que eles nos fossem buscar durante bem mais do que uma hora!... Any follow up needed?!

Numa outra ocasiao, quando ja' nos encontravamos a viver em Londres, ele veio a esta cidade, onde esteve com pessoas conhecidas da minha familia, mas nunca tentou contactar o filho!...]

No entanto, como se o momento e o acontecimento ja’ nao fossem suficientemente dolorosos, dificeis e traumaticos (... ou, como diz o outro, "nesta terra nada esta' tao mal que nao possa ficar ainda pior em materia de violencias para todos os gostos e feitios!...), durante aquele periodo, a “minha amiga”, por entre outras "enormidades" como "ela e' que teria pago os meus estudos em Portugal" e que "eu nunca tinha tido casa propria em Luanda", conseguiu de alguma maneira, por 'portas travessas' e por razoes que nunca saberei compreender e muito menos explicar (... ou que talvez sejam muito simplesmente explicaveis pelo facto de a mae, branca, de uma das 'potenciais herdeiras' do pai do meu filho ter passado a fazer parte das suas 'neofitas amizades'...), forjar e fazer passar a ideia pela "sua sociedade circundante" - incluindo familiares do falecido que ela nunca antes sequer conhecera (... sendo que nem ao falecido ela alguma vez conhecera bem, excepto do periodo de 4 meses em que estive em casa dela, durante os quais ele, apesar de viver com uma "brazuca", ia la' dormir comigo todos os dias...) e com os quais eu a pusera em contacto, mais uma vez ingenuamente confiando nela de boa fe', para intermediar o contacto entre eu e eles, uma vez que eu nao pude la' ir na altura - de que "o meu filho so’ tinha ido ao funeral do pai para 'se apoderar' da sua heranca", que, tanto quanto eu saiba, consistia basicamente no apartamento que ele deixara e que eu, muito legitimamente (!), pedi que lhe fosse facultado, uma vez que tinha sido por culpa dele que, alguns anos antes, nos ficaramos sem o nosso proprio apartamento em Luanda – para a recuperacao do qual recorri a varias instancias e pedi a ajuda da “minha amiga”, porem sem qualquer resultado!... Apartamento aquele onde ainda existiam pecas de mobiliario idas da minha casa e coisas como uma aparelhagem comprada no Brasil com o meu dinheiro!...

Ideia essa que, enquanto me defrontava com este tipo de questoes, foi expressa aqui, nestes termos: "(...) referiu a necessidade de se olhar de forma aturada para a questão da união de facto, procurando a sua simplificação, porque a realidade tem mostrado que as pessoas só se lembram desse instituto em caso de morte ou ruptura."

Todavia, no meio de tudo isso, a “minha amiga” nunca tentou ter qualquer conversa comigo sobre a minha vida mais intima, seja com o meu filho, seja com o pai dele, seja com o 'svengali', seja com a minha familia – a mais proxima da qual, durante os anos em que convivemos, se encontrava a viver em Portugal ou noutros paises e alguns membros da qual ela apenas conheceu (mal) nos ultimos anos -, seja sobre o percurso da minha vida anterior, ou posterior, aos quatro meses em que estive alojada em sua casa!

O que, interestingly and sadly enough, tambem se aplica a todos os membros da minha familia, certamente por se sentirem mais confortaveis nas suas comfort zones, com as suas proprias versoes, especulacoes e confabulacoes sobre aquilo que desconhecem totalmente (num auto-convencimento, auto-justificacao e auto-satisfacao matrizes de todo o tipo de mitos e dogmas e arrogancias ignorantes) e assim poderem mascarar a sua incapacidade, ou falta de vontade, de comunicacao e compreensao humana sobre questoes de natureza mais complexa e profunda, para la' do basico, do imediato, do superfluo, do superficial, do vulgar, do material, do banal, do trivial, do facil - como dizia Bessie Head: "Their little bit of truth is enough. Their life stops on their doorstep..."!

E aqui impoe-se-me referir que, enquanto em Portugal, escrevi a "minha amiga" algumas cartas desabafando sobre alguns aspectos da minha relacao com a minha mae e irmas, as quais ela nunca me respondeu ou se referiu directamente comigo... ate' que, a dada altura, me apercebi de que ela estava a usar e a manipular as confidencias que lhe tinha feito naquelas cartas contra mim e para forjar intrigas entre mim e a minha mae e irmas (... sera' inteiramente por mero acaso que o seu 'neofito' amigo, 'mandante desta historia', fale no seu artigo em "processos de autofagia familiar"?! ... Quando lhe seria muito mais facil e util olhar para o seu proprio "circulo restrito" onde se registam casos de autofagia familiar do tipo irmaos disputando, partilhando e fazendo filhos 'as mulheres uns dos outros?!)... Assim, quando estive em casa dela em 2001/02 pedi-lhe, casualmente, as tais cartas e queimei-as no seu quintal... tal como um dia havia queimado todos os exemplares que tinha do meu livro num meu quintal em Belem, quando me apercebi de como os meus poemas estavam a ser intencional e maliciosamente (des)interpretados!...

Portanto, all in all, se alguma vez a “minha amiga” me “conheceu bem”, foi apenas durante aqueles ja' longinquos quatro meses. Depois disso, foram apenas encontros e telefonemas esporadicos e alguma correspondencia pelo meio ao longo dos anos em que tenho estado a viver fora - anos durante os quais, de todas as vezes que fui a Angola, apenas fiquei hospedada na sua (nova) “mansao” de 5(!) empregados e outros tantos carros em duas ocasioes, por ja’ nao ter casa propria em Luanda… Sendo que da ultima vez que la' estive, apenas fiquei la' hospedada porque me foi feito um convite especial pelo dono da casa, apesar de, por ir em servico, a universidade para a qual entao trabalhava na Africa do Sul me ter feito uma reserva num hotel local. E, por isso, no fim fiz questao de lhes pagar o equivalente as minhas ajudas de custo pela acomodacao e o transporte que me facultaram durante os dias em que la' estive.

Et pourtant… e’ essa “minha amiga” que e’ agora “tida e achada” como “ponto de referencia”, “fonte proxima” e “autoridade maxima” sobre mim, o meu caracter e personalidade e “toda a minha vida” por uma “sociedade” para quem “no seu prato eu debiquei e depois cuspi”!...

2002-12: E’ o que (nao tudo) se sabe… Excepto que tudo isso (... e muito mais!...) me levou a identificar-me profunda e amargamente com a "Ignorancia" do Kundera e a tecer consideracoes como as que se seguem...

"Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"!"
[aqui]

Ou...

"(...) manipulam, usam e abusam da confianca de pessoas que dizem "ajudar", de preferencia negras para posarem perante a sociedade como "santas nao racistas" e depois, mesmo que na realidade devam mais a tais pessoas do que estas a elas e na verdade facam pouco mais do que denegri-las, difama-las, injuria-las e sabotar-lhes a vida by all means necessary (!), chantageam-nas e vao propalar aos quatro ventos que essas pessoas "debicaram no seu prato" e que, por isso, lhes devem "eterna gratidao e total subserviencia" para o resto da vida"...
[aqui]

Ou ainda...

"(...) confundiram-me com uma das suas "pretitas manipulaveis, servicais e lavadeiras dos seus quintais" e ao meu filho como um dos seus "regeitados items que merecem ser abortados", ou os "filhos bastardos" dele/as ou dos pais dele/as que escondem da "sociedade" ... POIS, KAMBADA DE COMPLEXADOS, ENGANARAM-SE REDONDAMENTE! ... SORRY ABOUT THAT!!!"
[aqui]


E, ja' agora, acrescento: e' que, em parte pelas razoes por mim aqui escalpelizadas e com as consequencias a que aqui aludo, a generalidade dos angolanos (e, muito particularmente, aqueles que, por qualquer razao, se consideram "importantes"...) ainda nao sao capazes de comunicar efectiva, saudavel e civilizadamente entre si, excepto nas suas 'comfort zones' - e.g. as paginas dos seus jornais, ou os seus quintais e cervejarias de eleicao, agora, pelo menos parcialmente, transpostos para o Facebook: veja-se a experiencia que tenho tido a esse respeito com este blog!...

E, pior do que isso, ficam com raiva de quem o faz ou tente fazer - o velho "nao sei, nao quero saber e tenho raiva de quem sabe"!... E, muito pior ainda, odeiam quem seja capaz de o fazer com alguem que seja 'humilde' o suficiente para aceitar comunicar com base no respeito mutuo, mas que nao pertenca ao seu suposto "espaco geopolitico" - e.g. as "minhas tias de Cascais" (leia-se, antes, verdadeiras amigas) como esta!...

E, mais sordida e tenebrosamente ainda, hostilizam, insultam, atacam com pornografia e com todas as armas e golpes baixos ao seu alcance, incluindo a violencia fisica e/ou psicologica e ameacas de morte, quem tenham como "sua propriedade" e que ouse relacionar-se, apenas profissionalmente que seja, com quem eles considerem "o inimigo"!... E tudo isso, enquanto exibem comportamentos como os aqui descritos!...

Enfin bref... trata-se, afinal, da sociedade doente de que aqui e aqui se fala!...

And finally


Dois jovens estudantes amigos celebrando uma passagem de ano em Londres na primeira parte da decada passada… Concluidos os seus estudos no final daquele ano, tendo sido colegas na mesma universidade em Londres, um, nado e criado em Portugal e que nunca antes tinha estado em Angola, vai para la' e imediatamente consegue um emprego na empresa em que a “minha amiga” e’ uma “manda-chuva”
Outro, o meu filho, tenta essa mesma empresa e varias outras em Angola, mas, apesar de ja' trabalhar desde os seus 15/16 anos e de la’ ter estado a estagiar com o Banco Mundial - um estagio que ele obtivera por iniciativa propria a partir de Londres atraves de uma instituicao academica Britanica -, nao consegue qualquer emprego, ate’ que… acaba por (mal) se “contentar” com um (bom) emprego num dos maiores Bancos Britanicos em Londres!...
E, ja' agora, nao posso deixar de recordar en passant, como enviei fotos da cerimonia de graduacao do meu filho a varias pessoas que considerava "proximas", incluindo a "minha amiga", mas dela nao recebi sequer um seco "parabens"!... Certamente porque ela ainda nao tinha terminado o mesmo curso em que o meu filho se graduara: Relacoes Internacionais...


Enfin bref... c'est ça la vie au village!


Porque conto agora esta historia em particular? Por varias razoes, dentre as quais:

• Porque, como aqui afirmava ha’ tempos, “ha’ certas experiencias da minha vida sobre as quais nunca confidenciei sequer com os meus familiares e amigos mais proximos e que muito menos alguma vez me ocorreu abordar num espaco como este, ainda que a titulo informal e privado, como e’ o caso. Mas o certo e’ que, e esta e’ tambem uma das ‘descobertas’ que me veem sendo reveladas pela experiencia adquirida com este blog, eu tenho sido frequentemente vitima do meu proprio silencio sobre certas questoes”...

• Porque, directa ou indirectamente, a “minha amiga” - quanto mais nao seja porque ela esta’ agora numa posicao que lhe permite "abrir e fechar" algumas portas em Angola (... falemos de "ascensao social", falemos!...) e isso, agora mais do que nunca, "vale ouro", especialmente para um certo tipo de “jornalistas” (e aqui poderia igualmente mencionar a sua irma mais nova, que tem sido uma verdadeira 'peca instrumental' em todo esse jogo sujo, o que so' nao faco por um certo 'dever de caridade'...) – e o “minion”, um dos seus ex- maridos (... ou, seguindo a "regra em vigor" da "alianca no dedo e papel passado", talvez devesse dizer "seu unico marido"!...), teem estado, desde o inicio, no centro, ainda que "aparentemente" apenas nos bastidores, desta campanha

Basta ver que, tanto quanto me pude aperceber, foi ele que, com artigos como este, publicado por altura do "kibeto", lhe deu o “pontape’ de saida” no NJ, “alcandorado” na ja’ longa “corrida de fundo” do seu director adjunto, no que foi pronta e mimeticamente seguido por outros, como este (... atente-se na "coincidencia" do uso, aparentemente "despropositado", em ambos, do "codigo especial" das reticencias entre parentesis "(...)" que muito tenho usado neste blog, inicialmente apenas na transcricao parcial de textos, como mandam as regras do bom rigor academico, mas, mais recentemente, tambem como uma mockery dos meus atacantes!...), ou ainda como o que lidera a carga de odio dos comentarios aqui transcritos a um "obus no meu quintal" lancado pelo famigerado RS – que interessara’ comparar com um outro comentario aqui feito pelo mesmo individuo numa altura em que ainda nao tinha assegurado o “tacho” de que agora bastamente se serve no dito NJ, enquanto vai propagandeando, by all means necessary, os seus "mingocios de cama e mesa" em Portugal!...

• E tambem porque muito se tem falado ultimamente na imprensa angolana - interestingly enough, numa "investida" hilariantemente protagonizada, num dos mais "premiaveis sub-editoriais" de um certo "jornalismo kamaleao invertebrado" da "nova imprensa angolana", por nao outro que um certo... "quem mais?!"... o mesmo que, pelas mesmas razoes, me "diagnosticou" uma "doenca contagiosa de pantanal" que ele "descobriu" (... o que 'certamente' lhe vai valer um Premio Nobel da Medicina para juntar ao seu "Premio Nacional de Jornalismo" !...) e que baptizou "complexo de colonizado" com "pos de perlimpimpim" de "monstros raciais e taras tribais", devido a qual "aconselhava" os "meus amigos" a "nao mais permitirem que me sentasse a sua mesa"!... -, da "velha questao" da “angolanizacao dos quadros” (por mim ha' ja' alguns anos abordada aqui, nas minhas 'penas' tanto de Koluki, como de Kimpa Vita) e da (re)insercao profissional dos angolanos no exterior do pais, por entre denuncias de discriminacoes de todo o tipo dos nacionais no acesso as fontes de rendimento em Angola…

• E… tambem porque, durante todos os anos em que com eles convivi, nunca vi qualquer dos protagonistas dessa historia, ou os seus filhos, ler qualquer livro (... ou melhor, ao 'minion' ate' vi, quando ele esteve hospedado em minha casa em Lisboa, uma vez ler um unico livro: o "Lolita"!... e ja' que tanto insistem, por falar em livros: em toda a minha vida, desde que aprendi a ler - e fi-lo muito cedo - nunca me conheci afastada dos livros e da leitura: comia a ler um livro, nao dormia sem ler um livro, estava na praia, nos jardins ou parques publicos a ler um livro, nos transportes publicos ia a ler um livro, um jornal ou uma revista; na minha juventude, numa altura em que a escassez de livros em Angola era um 'dado adquirido', como aqui observo, a partir do Lubango tomei a iniciativa de pegar num catalogo a que tive acesso de uma editora portuguesa, de que infelizmente ja' nao me lembro o nome, encomendar livros deles que recebi naquela cidade; em Luanda, no inicio dos anos 80, nao havia novas edicoes, fossem de livros ou de revistas, nacionais ou estrangeiros, que me escapassem, tendo para isso que enfrentar muitas vezes as bichas daquele tempo, como aqui ha' algum tempo registava - lembro-me em particular de uma coleccao de pequenos contos de autores brasileiros que muito influenciaram a minha escrita; em Lisboa, gastei muito mais dinheiro com livros, academicos e outros, do que com qualquer outra coisa, sendo que nos ultimos anos em que la' vivi, quando me voltei a interessar pela investigacao historica, gastei verdadeiras fortunas, certamente se considerados os meus parcos recursos financeiros, em alguns alfarrabistas e livrarias como a Buchholz; e o mesmo se tem passado em Londres, em Gaborone, em Cape Town, Stellenbosch, Johannesburg, etc. - portanto, sou capaz de apostar que ao longo da minha vida, entre livros academicos, literarios e outros, li mais livros do que todos eles juntos!... E do meu filho poderia dizer tanto ou mais ainda, relativamente aos filhos deles!...), ou a participar activa e consistentemente em qualquer actividade cultural, artistica ou recreativa, e.g. xadrez, yoga, danca, cinema, etc.!... E, interestingly enough, nem o proprio 'svengali'!...

Antes pelo contrario: pude testemunhar, entre outras "cenas" similares, a "minha amiga", mui aguerridamente, impedir o seu entao companheiro (... e, mais uma vez, dados os "mimos" com que tenho sido brindada na sordida campanha de que tenho sido vitima, talvez nao seja de todo despropositado mencionar que com ele a "minha amiga", para usar as palavras de uma outra pessoa proxima dela que me falou disso, "pos copiosamente os cornos" ao seu actual companheiro enquanto este andava nas frentes de combate!... e, tambem ja' agora, ha' quem diga "a boca cheia" que a minha querida afilhada nao e' filha do pai que a perfilhou, mas sim de um seu certo "padrinho" timorense... sorry about that!...) de ir as aulas de guitarra classica no CCU/ Casa das Beiras de Luanda, de cuja preservacao ela agora, tambem nas hostes do BD, se pretende a maior "paladina"!....

Nem, ja’ agora, a frequenter alguns dos lugares de retiro, contemplacao e reflexao, como a Xicala, o Mussulo, ou outros menos conhecidos, ao longo da costa ou do interior de Luanda e noutros pontos do pais, como eu o fazia regularmente, e frequentemente sozinha, ou com o meu filho, numa altura em que eles ainda nao eram os conspurcados, poluidos e degradados lugares previligiados de “peregrinacoes” para “exibicoes de status social” em que se transformaram nas ultimas duas decadas…

E tudo isso para nao mencionar que nunca lhes conheci qualquer engajamento civico e ou politico/social activo...

De resto, alguns membros do “circulo (mais) restrito” da “minha amiga”, que me conhecem pior ainda, aparentemente (ou, pelo menos, segundo o ‘minion’…), sempre me viram como “aquela miuda preta que veio do musseque para o seu meio em busca de ascensao social”…

[E aqui abro um parentesis para uma outra memoria: um outro 'protagonista', por sinal branco, 'jornalista economico' e actualmente tambem colunista do NJ, uma vez, em conversa comigo enquanto estudava em Lisboa, referindo-se a uma economista dita "especialista em macroeconomia a prova de balas", disse-me, sem que eu conseguisse descortinar qualquer razao para tal, ate' porque mal nos conheciamos, isto: "... mas essa e' mesmo uma economista a serio, nao e' como 'nos' que viemos do musseque!"... Estaria ele a incluir-se naquele seu 'nos'?... No lo creo... Tal como no creo que um certo kabungado se inclua em veredictos seus como "somos uns idiotas inuteis", recentemente desferido num dos seus sub-editoriais!...]

[Ultima casa da minha mae em Luanda - e nao, nao foi "recuperada" de nenhum "colono bazante" no pos-independencia... o "colono" em questao e a sua esposa, amigos de longa data da nossa familia, e' que fizeram questao, por escrito, que fosse a minha mae a ficar com a casa quando decidiram deixar o pais com a sua familia, muito antes da independencia!...]

Mas nao deixa de ser profundamente ironico notar que, nao tendo exactamente vindo directamente do musseque (...e mesmo que tivesse vindo?...), muito antes de os conhecer (ou, ja' agora, de conhecer pessoalmente o “svengali”), eu ja’ frequentava algumas das mais animadas tertulias sociais e culturais de Luanda, como uma que se reunia num apartamento na mesma Marginal em que eles moram (... e apetece perguntar: sera' que sempre la' moraram desde "o tempo do colono"?!), que havia sido deixado por um grande amigo da minha familia desde o tempo colonial, o arquitecto Eduardo de quem aqui incluo um postal...

[Apartamento do Eduardo na Marginal]

... Ou outra, tambem na Marginal, em casa do meu chefe no PAM e da sua familia, que era o maestro do grupo coral da ONU em Luanda, de que eu era membro e no qual tambem participavam outros casais e membros individuais da comunidade diplomatica em Luanda, entre os quais o meu amigo Ekart Kuntz, Encarregado de Negocios da Embaixada da Alemanha em Angola, em cuja recepcao de despedida, em sua casa, se deu uma “tristemente celebre peleja” entre o “coitado” e o “svengali”, o qual, tal como a este meu outro amigo Alemao, eles conheceram atraves de mim!...

E, interessantemente, tendo eu recebido um convite individual formal para aquela recepcao, nem a “minha amiga”, em casa de quem na altura me encontrava alojada, nem nenhum dos membros do seu “circulo (mais) restrito” tiveram sido para ela convidados… Ja' para nao mencionar que nenhum dos intelectuais, entre escritores, academicos, musicos e artistas que conheci, incluindo o 'svengali', os conheci atraves deles... E tudo isso muito antes de eu ter entrado para a UEA!... Basta ver-se onde e como tudo comecou no que a publicacao do meu livro diz respeito...

Portanto, se alguma vez eu subi as "escadarias" dessa instituicao e la' entrei, nao foi certamente "em busca de ascensao social"!... Muito pelo contrario: apos a minha entrada para a UEA, o meu "status social" - primeiro com as resistencias e hostilidades com que la' me deparei, nomeadamente por parte do 'svengali' e da Sra. Professora, entre outros, e depois com a minha ida para Portugal como 'pobre e insignificante' estudante bolseira do INABE [e aqui o 'criatura rejeitada' vem bem a proposito, porque a verdade dos factos e' que a minha primeira candidatura a bolsa no ano lectivo 1983/84 foi rejeitada, tendo-me sido dito que "nao tinha sido aprovada pelo Departamento de Quadros do Partido". Encontrava-se entao a frente do INABE Francisca do Espirito Santo (FES). Perante aquela recusa, no ano lectivo seguinte (1984/85) a minha tia pediu especialmente a Manuel Quarta Punza - que conhecia bem a minha familia e a mim em particular de quando ele tinha sido Comissario Provincial do Uige e eu tinha ficado hospedada em sua casa numa minha ida aquela provincia em missao de servico da JMPLA - ajuda para desbloquear a situacao. Este intercedeu junto de um outro responsavel do INABE (por sinal de origem Bakongo) e so' entao a minha candidatura foi aprovada. Fui entao a Portugal em meados de 1985 a Portugal na expectativa de comecar o curso naquele ano, mas posta la' confrontei-me com o facto de que, ao contrario de todos os outros bolseiros para aquele ano, nao havia qualquer 'record' da aprovacao da minha bolsa, nem na Embaixada de Angola, nem na Secretaria de estado da Cooperacao Portuguesa... Tive entao que regressar novamente a Angola para, junto do INABE resolver a questao e so' assim, no final daquele ano, pude comecar os meus estudos em Portugal com a tal bolsa de #50 angolares e porrada se refilares# literalmente arrancada a ferros!...] -, prosseguindo uma trend que ja' vinha desde a minha saida da Agencia, apenas "desceu" dramaticamente!

Sendo que, enquanto la' estive e como sempre pautei naturalmente os meus relacionamentos sociais, se alguem pode reclamar ter-se sempre relacionado com as ditas "classes mais baixas" (... mas, ao contrario destes, gente sa, boa, impoluta, humilde, trabalhadora, sacrificada, honesta, honrada e educada, incapaz de chamar "barata", "poluta" ou "insuportavel dama do sapato vermelho" a quem quer que seja!... enfim, gente verdadeiramente do "meu espaco geo-politico"!...) entre os estudantes e outros segmentos da comunidade angolana naquele pais, em vez de me acomodar nas altas esferas da "nossa embaixada", como podia perfeitamente e de certa forma ate' me era "exigido" (... por, supostamente, aos olhos da tal "sociedade" de que aqui se trata, ser "politicamente correcto", "de bom tom", "civilizado" e coisa e tal...) faze-lo, esse alguem sou eu! Que o digam o Cadete, o Garcia, o Daniel, os sobrinhos do Rubio (... que e' feito de voces meus irmaos?!...), ou mesmo o Macedo ou o Kaliengue (... com quem nunca lidei tao de perto, nem por tanto tempo, como com os primeiros e que, talvez por isso, deixei de "reconhecer" desde que, nos ultimos anos, comecaram a "ascender socialmente" em Angola...), entre dezenas de outros que comigo partilharam o queimar de pestanas e neuronios, as agruras e humilhacoes da vida de um estudante bolseiro Angolano e negro (!) em Portugal sem "falsaportes" (!), e a total entrega ao "Movimento Pela Paz e pelo Direito a Vida", num tempo em que as relacoes Portugal/Angola estavam longe de se pautar pelos "reencontros televisivos" de hoje!

A mesma UEA gracas a qual gente que para la' entrou depois de mim "ascendeu" rapidamente a posicoes de destaque aos mais diversos niveis do establishment, enquanto pelo caminho iam projectando os seus nomes e obras dentro e fora do pais!... Sendo que pelo menos alguns de tais 'nomes e obras' terao de algum modo beneficiado dos proventos da venda do meu livro - dos quais, note-se bem, nunca recebi, nem reclamei, um tostao furado! -, uma vez que uma das clausulas do meu contrato de publicacao com a UEA destinava 16% de tais proventos para o beneficio da Brigada Jovem de Literatura (BJL).

E, ja' agora, uma vez que o autor do artigo a que adendo este texto tanto fala em questoes de "bom gosto", lamento ter que notar que, malheureusement, com a "minha amiga" nada aprendi a esse respeito... muito pelo contrario! De facto, enfeitar a casa com flores artificiais empoeiradas, ir a festas de sapatos de salto alto a exibir a etiqueta do preco na sola ou com blusas com as alcas do soutien a mostra, entre varias outras gaffes do genero, nao fazem bem parte da minha ideia de "bom gosto"!... Ou, ja' agora, e porque ate' ameacada de morte ja' fui por causa do "kuduro", guess who introduced me to it and where?... O filho da "minha amiga" em casa dela em Luanda, em 2001/02!...

Mas, malgre tout, para uma certa "soi-disant polite society dita de esquerda" de que o autor faz parte, juntamente com uma certa "sua mana" ACGM, incapacitada de enxergar para la' da cor da pele apesar dos seus muitos e mui graduados oculos, as unicas coisas que nos identificam, definem e/ou diferenciam, nao sao coisas como "integridade moral, honestidade intelectual, educacao e caracter" a que aqui me referia, mas apenas e tao so' o facto de eu ser negra e ela indiana e de ela ser filha de um medico e eu de um enfermeiro!...Embora, tao amarga quanto ironicamente, ambos tenham acabado por morrer em consequencia, directa ou indirecta, do mesmo tipo de maleitas!... Ah!... E o facto de, many, many years ago, um certo 'minion' lhe ter colocado uma alianca (de curto prazo) no dedo, que ela continua a usar ate' hoje!... Sendo que tudo isso me remete para umas certas "diferencas reais e/ou imaginarias"!...

Enfim, so much para a “ascensao social” e os “contactos inter-classistas” que aparentemente lhes devo!

• E, finalmente, porque, tendo afirmado aqui que "(...) quanto muito, tenho e’ muitos sapos engolidos e outros tantos atravessados na minha garganta que apenas a minha educacao e consideracao por algumas pessoas que ainda respeito naquele meio me impedem de deitar ca para fora!", acontece que a minha garganta e o meu estomago deixaram de ter capacidade para continuar a engolir tantos e tao grandes sapos!


P.S.: Como aqui, entre outros lugares, tenho afirmado, desde cedo na vida me habituei a nao me relacionar com quem quer que seja exclusivamente com base na cor da pele. E mal de mim se assim nao fosse, uma vez que, tambem desde cedo na vida, me encontrei a estudar e/ou a trabalhar em ambientes em que, se nao era a unica negra, fazia parte de uma minoria de "nao brancos". Assim, quer na minha relacao com a "minha amiga", quer com o "minion", o "coitado" ou o "svengali" (sendo de notar que, apesar de ser mais nova e de me encontrar numa situacao relativamente vulneravel em relacao a eles, por na altura viver praticamente sozinha numa "terra queimada", quando os conheci eu ja' tinha uma experiencia profissional mais diversificada e um nivel educacional/academico e tecnico/profissional superior ao de qualquer deles - e.g. o 'svengali tinha apenas o ciclo complementar do liceu incompleto, enquanto eu ja' andava no segundo ano de economia!...), o factor "raca", ou, usando a expressao preferida de um certo 'PhD', a "eterna questao da melanina", (ou, ja' agora, "classe"... e menos ainda "dinheiro"!), para mim nunca foi determinante de coisa nenhuma - para o positivo ou para o negativo, para o bem ou para o mal!

[E, a este proposito, impoe-se-me aqui um outro parentesis para notar um facto "interessante": desde que me encontro a viver em Inglaterra, a minha amiga passou a enviar-me com alguma frequencia livros e discos angolanos, mas todos apenas de autores brancos e mesticos - a excepcao do disco do Rui Mingas ('Memoria'), que ela menciona na mensagem que aqui parcialmente postei... mas qual sera' a "identificacao racial" do Rui Mingas, if I may ask? Confesso que nao sei. Sei apenas que durante a unica conversa que tivemos, aqui registada, a primeira coisa que ele me perguntou foi se "eu nao tinha nenhuma miscigenacao racial"? Sem perceber a que proposito ele se saira com aquela, respondi-lhe que nao. E ele: "tem a certeza? Eu nao tenho complexos nenhuns de afirmar que na minha familia ha' todos os tipos de misturas!"... E isso sem que nada no proposito do nosso encontro, ou nos meus posicionamentos sobre esse tipo de questoes, pelo menos ate' entao, o justificasse!...]

De tal forma que mesmo perante as falhas, defeitos, vicios, faltas de caracter e de respeito, insultos e abusos de confianca por parte deles e de todo o mal que me fizeram, e continuam apostados em fazer (!), a mim e ao meu filho, por accoes, omissoes, manipulacoes, invencoes e difamacoes, nunca o atribui exclusivamente a cor da sua pele, nem nunca fui de guardar ressentimentos ou apetites de vinganca e muito menos de me intrometer nas suas vidas privadas, ou alimentar qualquer tipo de intrigas ou maledicencias contra eles - e menos ainda em publico e muito menos atraves de campanhas nos media! - tenho, felizmente, valores e principios etico-morais suficientemente solidos para tal, gracas a Deus!...Basta ver-se como, antes de me ter apercebido da "cabala" que ja' entao se ia formando a volta da "campanha" por eles "urdida" contra mim, a eles me referi aqui como "amigos-como-irmaos"... "santa ingenuidade" a minha!...

Portanto, quaisquer consideracoes racicas que porventura poderao ser aduzidas de algumas das minhas afirmacoes sobre o meu relacionamento com eles nunca me foram "genuinas", mas sim em mim imputadas, "a golpes de (aka)martelo", ou por eles proprios, ou pelos seus (na maior parte dos casos 'neofitos') amigos, sobretudo com o recente advento da "nova imprensa e blogosfera luso-angolana" associados ao crescente "trafico de influencias" caracteristico da "nossa nova-rica Angola que tanto amamos"!...

Mas, infelizmente, no caso da "minha amiga", para alem de um mal dissimulado misto de complexos de inferioridade e de superioridade, devidos, por um lado, a ser a filha mais velha de um medico e, por outro, ao contrario dos seus irmaos, nunca ter frequentado uma universidade ate' muito para la' da sua meia idade (... e, a este proposito, suspeito bem que tera sido o mesmo "misto de complexos" que terao levado o Sr. Rui Mingas - tambem apenas recentemente licenciado - e o seu adido cultural - na altura tambem ainda a formar-se - a hostilizar, perseguir, caluniar e difamar, enfim, a fazer a vida negra aos estudantes Angolanos bolseiros em Portugal, especialmente os tidos como "vindos do musseque" ou "do maqui" e sem "nomes sonantes", como eu... ou, para usar as suas proprias palavras, "o lixo de Angola"!...), ha' no seu background - complicado pelo facto de ela ter tido que "partilhar" o pai dos seus tres filhos mais novos com uma "miuda preta"... e nao, nao fui eu!... - um factor identitario estruturante que eu sempre ignorei na nossa relacao, mas que, cada vez mais se reflecte em muitos dos seus posicionamentos/comportamentos: o facto de ela, por entre a complicada teia de "preconceitos" aqui explicitados, ter na sua familia mais proxima alguns membros que foram expulsos do Uganda por Idi Amin Dada...

E, talvez por isso, ter uma "necessidade patologica" de criar, ou pelo menos aparentar ter, "raizes profundas" em Angola, e especialmente "mais profundas" do que quem, como eu, sempre se tenha sentido (... ou pelo menos ate' muito recentemente...) perfeitamente a vontade com as suas proprias raizes, identidade, nacionalidade e personalidade, sem qualquer necessidade de "forcar barras" de qualquer especie! E, pior do isso, ter a "necessidade patologica" de alimentar a ilusao de que (... parafraseando o seu 'neofito amigo' que "me encomendou" este texto: "mal ultimados os seus contactos inter-racicos, inter-classistas e inter-etnicos e de consolidado o seu 'poder politico' - ou apenas a ilusao deste - apressam-se a 'tornar-se PCAs ou seus amigos', a 'forjar ancestrais angolanos' e a 'pretender representar Angola'"...) e' capaz de, tal como Idi Amin, "retirar a nacionalidade" e "expulsar do pais" Angolanos "genuinos" como eu, para "vingar os seus" que foram expulsos do Uganda!... Note-se aqui a semelhanca desse tipo de "necessidades patologicas" com as destas e destes e com um certo tipo de "confissao", ou de "perseguicao"!...

Obviamente, eu nao tenho culpa nenhuma disso e muito menos quaisquer "medidas de caracter profilatico" para lhe recomendar (mesmo poque ela tem o seu circulo mais restrito, predominantemente pertencente a classe medica, gente mais abalizada do que para o fazer)!... Gostaria apenas que ela se pudesse "elevar" ao nivel deste Africano de origem Indiana que, com os seus pais, passou pelo mesmo - o que nem sequer e' o caso dela!... Quanto mais nao seja, porque, malgre tout, a minha amizade por ela sempre foi sincera, o meu respeito pela sua familia honesto e... o meu afecto pela minha afilhada nunca foi pretenso, mas... genuino!


So' posso lamentar, portanto, mais uma vez, estar a ser
vitima do meu proprio nao racismo!

Resta-me, no entanto, a "consolacao", se alguma, de saber que nao sou a unica nem a primeira pessoa a cortar relacoes com ela pelo mesmo tipo de razoes...


[... E se quizerem mais historias como esta, e' so' "continuarem a pedir"!...]


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