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Monday, 29 December 2008

THIS MONTH TWO YEARS AGO

Dezembro de 2006 foi o primeiro mes de existencia deste blog. Ainda marcado pelo entusiasmo inocente dos primeiros tempos… Na verdade, tal entusiasmo haveria de perdurar por mais algum tempo… Na verdade, em certa medida ainda existe… mas menos despreocupado, mais guardado… lest this entire blogging experience turn out a total nightmare!

Bom, o primeiro post substantivo foi sobre uma viagem a Tunisia ao som do Dizzie Gillespie e ao sabor de the’ a la menthe. Pelo meio, dois posts 'avulsos', um deles sobre a experiencia politica da Africa do Sul, que continuo a achar merecer alguma reflexao em Angola. Seguiu-se a primeira “Maka na Sanzala” deste blog, com uma serie sobre uma das “homilias” do Mia Couto. Tinha na altura pensado em “recozinhar” uma a uma as “receitas” nela contidas, mas acabei por ficar-me apenas por algumas questoes a volta dos generos musicais rap e hipop. Creio, todavia, ter tocado um pouco nas outras ao longo da existencia do blog. Ha’, porem, uma coisa que talvez nao tenha ficado suficientemente clara na altura: a minha “embirracao” nao e’ exactamente com o Mia Couto ou com os seus escritos, embora nao negue que detesto “homilias”, particularmente se fora da igreja e, pior ainda, se sao pushed down my throat...

Na verdade, talvez nao lhes tivesse dado tanta importancia se nao me tivesse apercebido a partir de determinada altura da forma como elas estavam a ser usadas por certas pessoas como “armas de arremesso” a nivel pessoal. Em particular, a que me marcou especialmente e me motivou a comecar a prestar-lhes mais atencao, foi uma entitulada “os sete sapatos sujos”… Conto brevemente: ela foi-me enviada pela primeira vez por um ‘miudo’ angolano que tinha entrado, sem ter passado por nenhum concurso ou por qualquer outro processo selectivo competitivo, como estagiario (embora reclamasse o titulo de, e se comportasse como, ‘funcionario efectivo’…) para uma organizacao em que eu me encontrava a trabalhar depois de ter passado por um concurso internacional… Ora, a forma como o fez, deixou-me sem qualquer duvida de que o fazia com intencoes abertamente agressivas contra mim. Porque? Inicialmente nao percebi muito bem (ainda estava numa altura da minha vida e da minha relacao com angolanos em que facilmente passava por cima de muita coisa que julgava sem quaisquer consequencias, ate’ que fui levada a perceber inequivocamente e de uma vez por todas que assim nao o era exactamente… e’ que, so’ muito recentemente me dei conta de que a inveja e o odio existem mesmo e os portadores de tais maleitas quando nao matam, mordem!), ate’ porque nao conhecia o tal 'miudo' de nenhum outro lado e tao pouco ele me conhecia a mim…

Mas o que fiquei a saber, sem muita margem para duvidas, a partir daquele episodio, foi que a(s) nossa(s) sociedade(s) parece(m) ter deixado de ter capacidade de introspeccao, auto-critica e auto-avaliacao (elas que tanto se prezavam dos seus metodos dialecticos de critica e auto-critica marxista…), ao ponto de ter produzido, sobretudo nas ultimas decadas, a todos os niveis, muito pessoal que, pura e simplesmente, nao se enxerga… e.g., naquela mesma organizacao, tomei contacto pela primeira vez com pessoas que achavam ser desprestigiante alguem ter que se candidatar formalmente a um emprego e ter que ser submetida a entrevistas e testes para tal, gabando-se pelo meio de como tinham obtido todos os empregos que tiveram na vida exclusivamente atraves das suas bem posicionadas amizades… ou com alegados PhDs, supostamente feitos em universidades cujos nomes se escusavam sempre a revelar, que para tal organizacao tambem entraram atraves de cunhas sem que ninguem alguma vez se tivesse preocupado em verificar os respectivos certificados academicos ou relevantes referencias profissionais, o que nao os coibia, no entanto, ou talvez por isso mesmo, de constantemente tentarem atacar as credenciais academicas e profissionais de quem efectivamente as possuia e que as evidenciava atraves do seu trabalho, o qual tentavam sabotar das formas mais soezes… passando por outros que, depois de algumas semanas de la’ estarem, diziam que pela primeira vez se tinham 'sentido gente' por terem acabado de mandar vir do Dubai um BMW em terceira ou quarta mao e, talvez com base nesse recem-adquirido 'estatuto de gente', passadas outras poucas semanas, se sentiam 'homens o suficiente' para se lancarem ao mais despudorado assedio moral e sexual e a dirigirem ataques pornograficos a quem lhes parecia "demasiado impoluta, academica e profissional" para o que estavam habituados e, talvez tambem, "demasiado acima deles", pelo que se sentiam compelidos a agir como quem pergunta "quem e' que ela pensa que e'?!!!"... Sendo que o facto de eu ter a minha consciencia tranquila, reputacao limpa e cabeca levantada perante qualquer tipo de calunia e difamacao, apenas contribuia para lhes aumentar a raiva!

Em suma, a(s) nossa(s) sociedade(s) parece(m) ter produzido uma inversao de valores tal (se e' que ainda se pode falar na existencia de valores de qualquer especie naquelas sociedades...), que a total falta de padroes etico-morais, o sistema da cunha para a obtencao de empregos e ascensao profissional, o trafico de influencias generalizado e a falta generalizada de mecanismos de avaliacao, supervisao e punicao de certos comportamentos no local de trabalho, em suma, a total cultura da irresponsabilidade, da imoralidade e da impunidade, por entre um clima generalizado de intriga, calunia e difamacao, levou aquele 'miudo' a pensar que eu e’ que tinha "os sapatos sujos" e nao ele… De todo o modo, o que tambem acabou por ficar claro, atraves de outras associacoes e evidencias, foi que aquela “arremessada”, usando a “homilia” do Mia Couto como arma, nao tinha exactamente a ver comigo, como pessoa ou como profissional mas, entre outras coisas, com alguns dos meus escritos, nomeadamente algumas das minhas cronicas no SA, que tudo indica me criaram a fama em certos circulos de ter complexos de colonizada e de culpar o colono por tudo e mais alguma coisa… e tambem com a circulacao que na altura la' fiz de artigos como este de David Sogge, que quanto a mim retrata perfeitamente aquela organizacao...

Mas, nem a realizacao desse facto me teria provocado grande mossa se ao menos eu tivesse vislumbrado, quer naquele miudo, quer noutras pessoas que das mais diversas formas e atraves dos mais diversos meios teem manifestado o mesmo tipo de reaccao agressiva a alguns dos meus escritos, algum interesse, disponibilidade, ou mesmo capacidade (desculpem-me a aparente presuncao, mas e' mesmo isso...), para discutir as ideias que tanta mossa lhes parecem ter causado. Pelo menos eu tento discutir de forma logica e directa as ideias ou questoes com as quais nao concordo, mesmo que tal discussao venha a demonstrar que eu estava completamente equivocada. Foi isso que me propus fazer aqui, naquele ja’ longinquo mes de Dezembro, com a ultima das “homilias” do Mia Couto com que tinha na altura sido recentemente brindada

E sobre ela tenho apenas a acrescentar que nao tenho nada contra a musica classica – na verdade, tive ao longo da minha vida, e continuo a ter, uma significativa exposicao a ela, quer em termos de audicao, quer de treino formal, mas sobre isso talvez fale noutra altura –, o que tenho, isso sim, e’ um grande desconforto perante discursos que evidenciam uma certa ideia redutora de cultura, tornando os seus autores completamente incapazes de sequer ouvir, e muito menos avaliar, outras formas de expressao musical, ou cultural de forma geral. E tal desconforto pode transformar-se em ira quando tais discursos sao usados aleatoria, gratuita e agressivamente como armas de arremesso por gente que, por sinal, ate’ pouco ou nada sabe sobre musica classica, quando nao a detesta pura e simplesmente, ou que, tal como nos casos que acima descrevi, evidencia no seu quotidiano exactamente o tipo de comportamentos que as tais “homilias” aparentemente visam denunciar! Preferiria continuar a nao ter que menciona-los publicamente, ainda que apenas da forma muito breve e parcial com que aqui o fiz, nao tivessem outros casos similares, particularmente nas ultimas semanas, me sugerido que o meu silencio sobre eles parece estar a ser interpretado por alguns, entre outras coisas, no minimo, como “quem cala consente!”…

Moving on, ficaram registados naquele mes ainda alguns outros temas para reflexao, e.g. Mahmood Mamdani sobre o estado da educacao superior em Africa e David Sogge sobre “as miragens da ajuda internacional” e alguns eventos do mes, como o falecimento de James Brown, o documentario “Oxala’ Crescam Pitangas”, a atribuicao do Grande Premio de Escultura Ensarte ao artista Mayembe, a execucao de Saddam Hussein e, a finalizar, a reabertura do Museu do Zaire.

Highlights: os dois primeiros (timidos…) posts deste blog e os dois dedicados a Tunisia (A Night in Tunisia e Tunisia Blues), mais o, que acabou por lhes ficar associado, sobre o livro Pieds Blancs de Houda Rouane.



P.S.: E ja' agora, para que nao fique como o "odd one out", mencao especialissima ao verdadeiro primeiro post deste blog, no ultimo dia de Novembro daquele ano, aqui.
Dezembro de 2006 foi o primeiro mes de existencia deste blog. Ainda marcado pelo entusiasmo inocente dos primeiros tempos… Na verdade, tal entusiasmo haveria de perdurar por mais algum tempo… Na verdade, em certa medida ainda existe… mas menos despreocupado, mais guardado… lest this entire blogging experience turn out a total nightmare!

Bom, o primeiro post substantivo foi sobre uma viagem a Tunisia ao som do Dizzie Gillespie e ao sabor de the’ a la menthe. Pelo meio, dois posts 'avulsos', um deles sobre a experiencia politica da Africa do Sul, que continuo a achar merecer alguma reflexao em Angola. Seguiu-se a primeira “Maka na Sanzala” deste blog, com uma serie sobre uma das “homilias” do Mia Couto. Tinha na altura pensado em “recozinhar” uma a uma as “receitas” nela contidas, mas acabei por ficar-me apenas por algumas questoes a volta dos generos musicais rap e hipop. Creio, todavia, ter tocado um pouco nas outras ao longo da existencia do blog. Ha’, porem, uma coisa que talvez nao tenha ficado suficientemente clara na altura: a minha “embirracao” nao e’ exactamente com o Mia Couto ou com os seus escritos, embora nao negue que detesto “homilias”, particularmente se fora da igreja e, pior ainda, se sao pushed down my throat...

Na verdade, talvez nao lhes tivesse dado tanta importancia se nao me tivesse apercebido a partir de determinada altura da forma como elas estavam a ser usadas por certas pessoas como “armas de arremesso” a nivel pessoal. Em particular, a que me marcou especialmente e me motivou a comecar a prestar-lhes mais atencao, foi uma entitulada “os sete sapatos sujos”… Conto brevemente: ela foi-me enviada pela primeira vez por um ‘miudo’ angolano que tinha entrado, sem ter passado por nenhum concurso ou por qualquer outro processo selectivo competitivo, como estagiario (embora reclamasse o titulo de, e se comportasse como, ‘funcionario efectivo’…) para uma organizacao em que eu me encontrava a trabalhar depois de ter passado por um concurso internacional… Ora, a forma como o fez, deixou-me sem qualquer duvida de que o fazia com intencoes abertamente agressivas contra mim. Porque? Inicialmente nao percebi muito bem (ainda estava numa altura da minha vida e da minha relacao com angolanos em que facilmente passava por cima de muita coisa que julgava sem quaisquer consequencias, ate’ que fui levada a perceber inequivocamente e de uma vez por todas que assim nao o era exactamente… e’ que, so’ muito recentemente me dei conta de que a inveja e o odio existem mesmo e os portadores de tais maleitas quando nao matam, mordem!), ate’ porque nao conhecia o tal 'miudo' de nenhum outro lado e tao pouco ele me conhecia a mim…

Mas o que fiquei a saber, sem muita margem para duvidas, a partir daquele episodio, foi que a(s) nossa(s) sociedade(s) parece(m) ter deixado de ter capacidade de introspeccao, auto-critica e auto-avaliacao (elas que tanto se prezavam dos seus metodos dialecticos de critica e auto-critica marxista…), ao ponto de ter produzido, sobretudo nas ultimas decadas, a todos os niveis, muito pessoal que, pura e simplesmente, nao se enxerga… e.g., naquela mesma organizacao, tomei contacto pela primeira vez com pessoas que achavam ser desprestigiante alguem ter que se candidatar formalmente a um emprego e ter que ser submetida a entrevistas e testes para tal, gabando-se pelo meio de como tinham obtido todos os empregos que tiveram na vida exclusivamente atraves das suas bem posicionadas amizades… ou com alegados PhDs, supostamente feitos em universidades cujos nomes se escusavam sempre a revelar, que para tal organizacao tambem entraram atraves de cunhas sem que ninguem alguma vez se tivesse preocupado em verificar os respectivos certificados academicos ou relevantes referencias profissionais, o que nao os coibia, no entanto, ou talvez por isso mesmo, de constantemente tentarem atacar as credenciais academicas e profissionais de quem efectivamente as possuia e que as evidenciava atraves do seu trabalho, o qual tentavam sabotar das formas mais soezes… passando por outros que, depois de algumas semanas de la’ estarem, diziam que pela primeira vez se tinham 'sentido gente' por terem acabado de mandar vir do Dubai um BMW em terceira ou quarta mao e, talvez com base nesse recem-adquirido 'estatuto de gente', passadas outras poucas semanas, se sentiam 'homens o suficiente' para se lancarem ao mais despudorado assedio moral e sexual e a dirigirem ataques pornograficos a quem lhes parecia "demasiado impoluta, academica e profissional" para o que estavam habituados e, talvez tambem, "demasiado acima deles", pelo que se sentiam compelidos a agir como quem pergunta "quem e' que ela pensa que e'?!!!"... Sendo que o facto de eu ter a minha consciencia tranquila, reputacao limpa e cabeca levantada perante qualquer tipo de calunia e difamacao, apenas contribuia para lhes aumentar a raiva!

Em suma, a(s) nossa(s) sociedade(s) parece(m) ter produzido uma inversao de valores tal (se e' que ainda se pode falar na existencia de valores de qualquer especie naquelas sociedades...), que a total falta de padroes etico-morais, o sistema da cunha para a obtencao de empregos e ascensao profissional, o trafico de influencias generalizado e a falta generalizada de mecanismos de avaliacao, supervisao e punicao de certos comportamentos no local de trabalho, em suma, a total cultura da irresponsabilidade, da imoralidade e da impunidade, por entre um clima generalizado de intriga, calunia e difamacao, levou aquele 'miudo' a pensar que eu e’ que tinha "os sapatos sujos" e nao ele… De todo o modo, o que tambem acabou por ficar claro, atraves de outras associacoes e evidencias, foi que aquela “arremessada”, usando a “homilia” do Mia Couto como arma, nao tinha exactamente a ver comigo, como pessoa ou como profissional mas, entre outras coisas, com alguns dos meus escritos, nomeadamente algumas das minhas cronicas no SA, que tudo indica me criaram a fama em certos circulos de ter complexos de colonizada e de culpar o colono por tudo e mais alguma coisa… e tambem com a circulacao que na altura la' fiz de artigos como este de David Sogge, que quanto a mim retrata perfeitamente aquela organizacao...

Mas, nem a realizacao desse facto me teria provocado grande mossa se ao menos eu tivesse vislumbrado, quer naquele miudo, quer noutras pessoas que das mais diversas formas e atraves dos mais diversos meios teem manifestado o mesmo tipo de reaccao agressiva a alguns dos meus escritos, algum interesse, disponibilidade, ou mesmo capacidade (desculpem-me a aparente presuncao, mas e' mesmo isso...), para discutir as ideias que tanta mossa lhes parecem ter causado. Pelo menos eu tento discutir de forma logica e directa as ideias ou questoes com as quais nao concordo, mesmo que tal discussao venha a demonstrar que eu estava completamente equivocada. Foi isso que me propus fazer aqui, naquele ja’ longinquo mes de Dezembro, com a ultima das “homilias” do Mia Couto com que tinha na altura sido recentemente brindada

E sobre ela tenho apenas a acrescentar que nao tenho nada contra a musica classica – na verdade, tive ao longo da minha vida, e continuo a ter, uma significativa exposicao a ela, quer em termos de audicao, quer de treino formal, mas sobre isso talvez fale noutra altura –, o que tenho, isso sim, e’ um grande desconforto perante discursos que evidenciam uma certa ideia redutora de cultura, tornando os seus autores completamente incapazes de sequer ouvir, e muito menos avaliar, outras formas de expressao musical, ou cultural de forma geral. E tal desconforto pode transformar-se em ira quando tais discursos sao usados aleatoria, gratuita e agressivamente como armas de arremesso por gente que, por sinal, ate’ pouco ou nada sabe sobre musica classica, quando nao a detesta pura e simplesmente, ou que, tal como nos casos que acima descrevi, evidencia no seu quotidiano exactamente o tipo de comportamentos que as tais “homilias” aparentemente visam denunciar! Preferiria continuar a nao ter que menciona-los publicamente, ainda que apenas da forma muito breve e parcial com que aqui o fiz, nao tivessem outros casos similares, particularmente nas ultimas semanas, me sugerido que o meu silencio sobre eles parece estar a ser interpretado por alguns, entre outras coisas, no minimo, como “quem cala consente!”…

Moving on, ficaram registados naquele mes ainda alguns outros temas para reflexao, e.g. Mahmood Mamdani sobre o estado da educacao superior em Africa e David Sogge sobre “as miragens da ajuda internacional” e alguns eventos do mes, como o falecimento de James Brown, o documentario “Oxala’ Crescam Pitangas”, a atribuicao do Grande Premio de Escultura Ensarte ao artista Mayembe, a execucao de Saddam Hussein e, a finalizar, a reabertura do Museu do Zaire.

Highlights: os dois primeiros (timidos…) posts deste blog e os dois dedicados a Tunisia (A Night in Tunisia e Tunisia Blues), mais o, que acabou por lhes ficar associado, sobre o livro Pieds Blancs de Houda Rouane.



P.S.: E ja' agora, para que nao fique como o "odd one out", mencao especialissima ao verdadeiro primeiro post deste blog, no ultimo dia de Novembro daquele ano, aqui.

Sunday, 30 November 2008

THIS MONTH LAST YEAR (11)

Ao contrario do que e’ habitual, a ‘cronica deste mes no ano passado’ comeca pelo fim, pela highlight do mes (e do ano): o primeiro aniversario deste blog!
Este ano nao estou exactamente em party mood, pelo que nao ha’ farra, mas sempre deixo aqui uns resquicios da do ano passado com a versao original da musica (o classico Mario, de Franco) que entao nos fez ‘dancer, dancer, dancer…, boujer, boujer, boujer…, sauter, sauter, sauter…'


Mas se alguem quiser mesmo reviver aqueles momentos ao som dos Wizards, nao faca cerimonia, entre por aqui...

Descendo para o principio do mes, outra highlight: o contributo pessoal de Paulo Lara para a Historia, com as suas memorias de “Che e Angola”, publicadas pela primeira vez em exclusivo neste blog.


O resto do mes foi particularmente marcado pela infeliz entrevista do brasileiro Jo Soares a um pseudo-etnologo, afinal taxista, que entitulei “Etnografia de Curral, ou Bestialidade Culturral” e que foi objecto de uma onda de indignacao que se propagou um pouco por todos os quadrantes onde se fez ecoar, culminando com um abaixo assinado de protesto que atraiu mais de mil assinaturas de varias partes do mundo.

Outros destaques: a libertacao de Graca Campos; o lancamento do livro “Ate’ Voce Ja Nao Es Nada”, de Paulo de Carvalho; uma mencao ao “estado da independencia” de (nossa?) Angola; um artigo meu sobre a atribuicao do Premio Mo Ibrahim a Joaquim Chissano e um ensaio de Francis Njubi sobre as varias questoes e preocupacoes que marcam a experiencia dos intelectuais africanos na diaspora e a sua relacao com os seus paises de origem (do qual destaco esta frase de Paul Zeleza, pela sua relevancia para alguns dos debates suscitados pela recente eleicao de Barack Obama para a Presidencia dos EUA: "Racial discourses and theories are socially constructed ... but repudiating race theory does not make it disappear in politics. Race matters... because it functions as a marker and an anchor to establish and repudiate identity, status and position... Races exist because racism exists", ou, dito de outro modo como o fiz aqui, "(...)a raca, ou a ideia de raca, nao desaparece apenas porque assim o decidimos, ou queremos, particularmente quando ela serviu de base de estruturacao de toda uma sociedade ao longo de seculos… em termos mais especificos, penso que o individuo “racializado” pela sociedade colonial nao se torna, como que por um golpe de magica ou acto de feitico, “desracializado” apenas porque Mia Couto escreveu um belo livro entitulado “Cada Homem E’ Uma Raca”…"); a continuacao das series “Capoeira Angola” e “Sunday Covers & Poetry”, com destaque para a da ja’ saudosa Miriam Makeba, complementada pelo seu "Grazing in Strawberry Fields" com o magistral Hugh Masekela; o aniversario do meu “birthday boy” (que este ano se ofereceu uns dias em Praga como prenda de anos e ainda nao voltou a dar noticias…), entre alguns outros temas e eventos.

E assim, mais coisa menos coisa, se passou mais um mes neste kubiko.
Ao contrario do que e’ habitual, a ‘cronica deste mes no ano passado’ comeca pelo fim, pela highlight do mes (e do ano): o primeiro aniversario deste blog!
Este ano nao estou exactamente em party mood, pelo que nao ha’ farra, mas sempre deixo aqui uns resquicios da do ano passado com a versao original da musica (o classico Mario, de Franco) que entao nos fez ‘dancer, dancer, dancer…, boujer, boujer, boujer…, sauter, sauter, sauter…'


Mas se alguem quiser mesmo reviver aqueles momentos ao som dos Wizards, nao faca cerimonia, entre por aqui...

Descendo para o principio do mes, outra highlight: o contributo pessoal de Paulo Lara para a Historia, com as suas memorias de “Che e Angola”, publicadas pela primeira vez em exclusivo neste blog.


O resto do mes foi particularmente marcado pela infeliz entrevista do brasileiro Jo Soares a um pseudo-etnologo, afinal taxista, que entitulei “Etnografia de Curral, ou Bestialidade Culturral” e que foi objecto de uma onda de indignacao que se propagou um pouco por todos os quadrantes onde se fez ecoar, culminando com um abaixo assinado de protesto que atraiu mais de mil assinaturas de varias partes do mundo.

Outros destaques: a libertacao de Graca Campos; o lancamento do livro “Ate’ Voce Ja Nao Es Nada”, de Paulo de Carvalho; uma mencao ao “estado da independencia” de (nossa?) Angola; um artigo meu sobre a atribuicao do Premio Mo Ibrahim a Joaquim Chissano e um ensaio de Francis Njubi sobre as varias questoes e preocupacoes que marcam a experiencia dos intelectuais africanos na diaspora e a sua relacao com os seus paises de origem (do qual destaco esta frase de Paul Zeleza, pela sua relevancia para alguns dos debates suscitados pela recente eleicao de Barack Obama para a Presidencia dos EUA: "Racial discourses and theories are socially constructed ... but repudiating race theory does not make it disappear in politics. Race matters... because it functions as a marker and an anchor to establish and repudiate identity, status and position... Races exist because racism exists", ou, dito de outro modo como o fiz aqui, "(...)a raca, ou a ideia de raca, nao desaparece apenas porque assim o decidimos, ou queremos, particularmente quando ela serviu de base de estruturacao de toda uma sociedade ao longo de seculos… em termos mais especificos, penso que o individuo “racializado” pela sociedade colonial nao se torna, como que por um golpe de magica ou acto de feitico, “desracializado” apenas porque Mia Couto escreveu um belo livro entitulado “Cada Homem E’ Uma Raca”…"); a continuacao das series “Capoeira Angola” e “Sunday Covers & Poetry”, com destaque para a da ja’ saudosa Miriam Makeba, complementada pelo seu "Grazing in Strawberry Fields" com o magistral Hugh Masekela; o aniversario do meu “birthday boy” (que este ano se ofereceu uns dias em Praga como prenda de anos e ainda nao voltou a dar noticias…), entre alguns outros temas e eventos.

E assim, mais coisa menos coisa, se passou mais um mes neste kubiko.

Friday, 31 October 2008

THIS MONTH LAST YEAR (10)

Outubro de 2007 foi particularmente marcado aqui por questoes relativas a politica e a cidadania em Angola:

- Sobre o 27 de Maio, duas referencias, uma sobre a chamada ‘comissao das lagrimas’ e outra protagonizada por uma entrevista de Jose’ Carrasquinha, a quem apelidei o ‘comissario do riso’;
- A prisao do jornalista Graca Campos foi um tema forte durante o mes, com sete posts, um dos quais repescando o meu artigo de 1993 “O Cidadao em Angola” e outros dois publicados no Africanpath: “A Sentence Without Trial or The Painful Reversal of a Nation-Building Process” e “The Rise of Civil Society”;
- Questoes relativas a cidadania dos membros da Diaspora Angolana foram abordadas sob duas perspectivas, diferentes mas fortemente interligados, num post sobre a eleicao de Ricardo Lumengo para o Parlamento Suico e noutro que entitulei “In a Statelessness State of Mind”.

No campo economico, alguns posts sobre Africa no mundo, vista a partir de angulos diferentes: “The Economic Cost of Conflict”, uma entrevista de Carlos Moore sobre “As Relacoes Brasil-Africa” e um artigo meu sobre a Cimeira de Johannesburg sobre Desenvolvimento Sustentavel, “Ambiente versus Pobreza?”

O mes tambem marcou o inicio da serie “Sunday Covers & Poetry”, usando capas e conteudos de magazines que achei particularmente interessantes e que decidi assim aproveitar antes de dispor completamente deles, e poemas lidos pelos seus autores numa colectanea publicada pela Oxfam, “Life Lines 2 – Poets for Oxfam”, destinada a angariar fundos para o seu trabalho em mais de 60 paises.

Outros temas: a triste e prematura morte do artista Sul-Africano Lucky Dube; uma mencao, a pedido de um leitor, a musica e a trajectoria artistica, com passagens por Angola, Mocambique e Portugal, da cantora, tambem Sul-Africana, Busi Mhlongo; uma ‘memoria induzida’ do “Meu Liceu”; uma mensagem sobre alguns dos desafios a que as Mulheres Negras sao sujeitas um pouco por todo o mundo, em “Representations”; os Premios Nobel do ano, com destaque para Doris Lessing em Literatura; um artigo do New York Times sobre Angola; uma ‘revista’ do musical Chicago na passagem de mais um aniversario de ‘yours truly’ e, finalmente, o anuncio da publicacao de uma nova biografia de Amilcar Cabral.

Highlights: A prisao de Graca Campos e o inicio da serie “Sunday Covers & Poetry”

Outubro de 2007 foi particularmente marcado aqui por questoes relativas a politica e a cidadania em Angola:

- Sobre o 27 de Maio, duas referencias, uma sobre a chamada ‘comissao das lagrimas’ e outra protagonizada por uma entrevista de Jose’ Carrasquinha, a quem apelidei o ‘comissario do riso’;
- A prisao do jornalista Graca Campos foi um tema forte durante o mes, com sete posts, um dos quais repescando o meu artigo de 1993 “O Cidadao em Angola” e outros dois publicados no Africanpath: “A Sentence Without Trial or The Painful Reversal of a Nation-Building Process” e “The Rise of Civil Society”;
- Questoes relativas a cidadania dos membros da Diaspora Angolana foram abordadas sob duas perspectivas, diferentes mas fortemente interligados, num post sobre a eleicao de Ricardo Lumengo para o Parlamento Suico e noutro que entitulei “In a Statelessness State of Mind”.

No campo economico, alguns posts sobre Africa no mundo, vista a partir de angulos diferentes: “The Economic Cost of Conflict”, uma entrevista de Carlos Moore sobre “As Relacoes Brasil-Africa” e um artigo meu sobre a Cimeira de Johannesburg sobre Desenvolvimento Sustentavel, “Ambiente versus Pobreza?”

O mes tambem marcou o inicio da serie “Sunday Covers & Poetry”, usando capas e conteudos de magazines que achei particularmente interessantes e que decidi assim aproveitar antes de dispor completamente deles, e poemas lidos pelos seus autores numa colectanea publicada pela Oxfam, “Life Lines 2 – Poets for Oxfam”, destinada a angariar fundos para o seu trabalho em mais de 60 paises.

Outros temas: a triste e prematura morte do artista Sul-Africano Lucky Dube; uma mencao, a pedido de um leitor, a musica e a trajectoria artistica, com passagens por Angola, Mocambique e Portugal, da cantora, tambem Sul-Africana, Busi Mhlongo; uma ‘memoria induzida’ do “Meu Liceu”; uma mensagem sobre alguns dos desafios a que as Mulheres Negras sao sujeitas um pouco por todo o mundo, em “Representations”; os Premios Nobel do ano, com destaque para Doris Lessing em Literatura; um artigo do New York Times sobre Angola; uma ‘revista’ do musical Chicago na passagem de mais um aniversario de ‘yours truly’ e, finalmente, o anuncio da publicacao de uma nova biografia de Amilcar Cabral.

Highlights: A prisao de Graca Campos e o inicio da serie “Sunday Covers & Poetry”

Tuesday, 30 September 2008

THIS MONTH LAST YEAR (9)


Assim comeca uma cancao de que gosto muito.
Tanto quanto nao gosto nada do tipo de coisas e criaturas que provocaram o grito de “Victoria!!!!!!....” com que se iniciou aqui o mes de Setembro do ano passado, marcando o fim (?) de um pesadelo que, como tantos outros que teem atormentado este blog, nada me garante que nao se volte a repetir… e’ que ele ha’ gente “determinada”! Tanto assim que, na sua sequencia, o mes tambem assinalou o termino da minha colaboracao com o GVO…
Anyway, seguiu-se um momento mais elevado, mas triste, com o passamento de Pavarotti, o qual tera’ sido compensado pela alegria de um tributo que sempre me merecera’ o Botswana. Depois do registo de mais algumas publicacoes Luso-Africanas, assinalou-se outro passamento: o da admiravel Anita Roddick. Ainda sob a influencia da memoria da sua ‘Body Shop’, houve tempo para rememorar alguns momentos de ‘pleasure’ durante a minha ultima estada na Africa do Sul. Menos pessoais e mais reflectivos, os posts que se seguiram poderao ser agrupados mais ou menos assim:

- Questoes culturais encontraram espaco em “Sunday Telly”, no primeiro ‘take’ da serie “An Introduction to Capoeira Angola” e num apontamento sobre “Virginia Rodrigues”;
- Abordando o sempre presente tema do racismo, “Eu racista me confesso”, “Sunday Family” e “Solidariedade com os irmaos Bahianos”;
- Discutindo questoes do passado escravista/colonial e o presente que se pretende ‘post-colonial’, “Critique of Anthropology”, “A Comment on Reparations for Slavery”, o lancamento do livro “Purga em Angola” e os artigos “Pilhagem das Colonias”, “Lusofonia: Cultura ou Ideologia?” e “Marcelo Caetano Rebelo de Sousa Ferreira e Sarkozy”;
- As minhas opinioes sobre a evolucao da Economia Angolana foram registadas em “Angola: Um Futuro Brilhante?” e “Politica, Futebol e Algumas Consideracoes sobre a Actual Conjuntura Economica Angolana”.

A fechar o mes com chave de ouro, um momento unico: o meu inesquecivel ‘rendez-vous’ no Jazz Café’ com Cassandra Wilson, a sua voz e os seus musicos!

Highlights: of course, “Cassandra Wilson” e “Victoria!!!!!!!!!!!!!!!!”


Assim comeca uma cancao de que gosto muito.
Tanto quanto nao gosto nada do tipo de coisas e criaturas que provocaram o grito de “Victoria!!!!!!....” com que se iniciou aqui o mes de Setembro do ano passado, marcando o fim (?) de um pesadelo que, como tantos outros que teem atormentado este blog, nada me garante que nao se volte a repetir… e’ que ele ha’ gente “determinada”! Tanto assim que, na sua sequencia, o mes tambem assinalou o termino da minha colaboracao com o GVO…
Anyway, seguiu-se um momento mais elevado, mas triste, com o passamento de Pavarotti, o qual tera’ sido compensado pela alegria de um tributo que sempre me merecera’ o Botswana. Depois do registo de mais algumas publicacoes Luso-Africanas, assinalou-se outro passamento: o da admiravel Anita Roddick. Ainda sob a influencia da memoria da sua ‘Body Shop’, houve tempo para rememorar alguns momentos de ‘pleasure’ durante a minha ultima estada na Africa do Sul. Menos pessoais e mais reflectivos, os posts que se seguiram poderao ser agrupados mais ou menos assim:

- Questoes culturais encontraram espaco em “Sunday Telly”, no primeiro ‘take’ da serie “An Introduction to Capoeira Angola” e num apontamento sobre “Virginia Rodrigues”;
- Abordando o sempre presente tema do racismo, “Eu racista me confesso”, “Sunday Family” e “Solidariedade com os irmaos Bahianos”;
- Discutindo questoes do passado escravista/colonial e o presente que se pretende ‘post-colonial’, “Critique of Anthropology”, “A Comment on Reparations for Slavery”, o lancamento do livro “Purga em Angola” e os artigos “Pilhagem das Colonias”, “Lusofonia: Cultura ou Ideologia?” e “Marcelo Caetano Rebelo de Sousa Ferreira e Sarkozy”;
- As minhas opinioes sobre a evolucao da Economia Angolana foram registadas em “Angola: Um Futuro Brilhante?” e “Politica, Futebol e Algumas Consideracoes sobre a Actual Conjuntura Economica Angolana”.

A fechar o mes com chave de ouro, um momento unico: o meu inesquecivel ‘rendez-vous’ no Jazz Café’ com Cassandra Wilson, a sua voz e os seus musicos!

Highlights: of course, “Cassandra Wilson” e “Victoria!!!!!!!!!!!!!!!!”

Thursday, 25 September 2008

VIVA ANGOLA!

Nao, nao e' "aquele" Viva Angola!
Este e' "apenas" porque ha' meses venho observando a proximidade do numero de visitantes deste blog a partir do UK e de Angola no NeoPod e tem sido uma verdadeira "guerra", com os numeros ora mais proximos, ora mais afastados, mas nunca muito distantes...
E eis que agora, no momento em que escrevo este apontamento, pela primeira vez Angola (1294) acaba de ultrapassar o UK (1293) por um visitante!
Sei que isto pode nao durar muito, mas a verdade e' que prometi a mim mesma nao desistir deste blog enquanto Angola nao estiver a frente da lista dos visitantes...
Ate' la': VIVA ANGOLA!!!

Sunday, 31 August 2008

THIS MONTH LAST YEAR - 8

Agosto, mes de “gostos e desgostos”, teve muito de ambos aqui, no ano passado.
Comecou com um ‘mini-glossario’ de Mwangole’ a que se seguiu uma abordagem do conceito de racismo e algumas das suas manifestacoes, em particular na blogosfera. Esta questao foi tambem abordada na apresentacao e discussao de um artigo sobre o assedio sexual e outros ataques sexistas a que mulheres bloggers estao sujeitas. De racismo voltou a falar-se em pelo menos duas outras abordagens: uma sobre a evolucao das relacoes socio-economicas entre os varios grupos racicos na Africa do Sul, outra sobre os gostos e desgostos das ‘significancias lusosfericas e dos gliteratti de Luanda’. Ecos de tais gostos e desgostos puderam encontrar-se igualmente em dois posts sobre danca.

Noutros registos, assinalou-se o falecimento de Holden Roberto e as homenagens que lhe foram prestadas na ocasiao, seguidas de um recheado ‘funge de domingo’. Foram tambem marcados o decimo aniversario da morte de Diana, os 200 anos sobre a abolicao da escravatura, a inauguracao da estatua de Mandela em Londres e o lancamento da publicacao “No Easy Victories”, com uma apresentacao pelo proprio Madiba, sobre a relacao de solidariedade entre movimentos de libertacao em Africa e activistas dos EUA.

Por entre os longos (e pesados) posts que marcaram o mes, dois pequenos-grandes momentos, assinalando gostos emergindo de passageiros desgostos, em ‘Sunday Sun’ e ‘Sunday Smile’.

Highlights: “Dance?”, “What is racism?” e, excepcionalmente, pelo debate que gerou, “Aboliton of the Slave Trade: 200 Years On”.

E... lembram-se do "Angola" do Sul-Africano Bheki Mseleku?
Agosto, mes de “gostos e desgostos”, teve muito de ambos aqui, no ano passado.
Comecou com um ‘mini-glossario’ de Mwangole’ a que se seguiu uma abordagem do conceito de racismo e algumas das suas manifestacoes, em particular na blogosfera. Esta questao foi tambem abordada na apresentacao e discussao de um artigo sobre o assedio sexual e outros ataques sexistas a que mulheres bloggers estao sujeitas. De racismo voltou a falar-se em pelo menos duas outras abordagens: uma sobre a evolucao das relacoes socio-economicas entre os varios grupos racicos na Africa do Sul, outra sobre os gostos e desgostos das ‘significancias lusosfericas e dos gliteratti de Luanda’. Ecos de tais gostos e desgostos puderam encontrar-se igualmente em dois posts sobre danca.

Noutros registos, assinalou-se o falecimento de Holden Roberto e as homenagens que lhe foram prestadas na ocasiao, seguidas de um recheado ‘funge de domingo’. Foram tambem marcados o decimo aniversario da morte de Diana, os 200 anos sobre a abolicao da escravatura, a inauguracao da estatua de Mandela em Londres e o lancamento da publicacao “No Easy Victories”, com uma apresentacao pelo proprio Madiba, sobre a relacao de solidariedade entre movimentos de libertacao em Africa e activistas dos EUA.

Por entre os longos (e pesados) posts que marcaram o mes, dois pequenos-grandes momentos, assinalando gostos emergindo de passageiros desgostos, em ‘Sunday Sun’ e ‘Sunday Smile’.

Highlights: “Dance?”, “What is racism?” e, excepcionalmente, pelo debate que gerou, “Aboliton of the Slave Trade: 200 Years On”.

E... lembram-se do "Angola" do Sul-Africano Bheki Mseleku?

Thursday, 31 July 2008

THIS MONTH LAST YEAR - 7

Olhando para os posts de Julho do ano passado, parece que aquele foi o mes em que a ‘emotional roller-coaster ride’ que tem caracterizado este blog mais objectivamente se fez explicitar: tanto quanto houve momentos extremamente desagradaveis (expressos em “A Fuga ou o Insondavel Misterio da Nacionalidade Surripiada”; “Well Actually…”; “Sobre a Inveja e o Odio”), houve momentos de descontracao e alegria (“Beaux Dimanches”; “Free at Last”), permeados por momentos de duvida e reflexao (“Live Earth, Or… What’s This All About?”; “Just for The Record…”; “The Democracy & Humanity Within”).

Mas sempre houve espaco e tempo para as coisas que de facto fazem mover este blog: a informacao (“On How the First African Slaves in the US Were Angolan…”, “A Rota dos Escravos”, “Recent Publications on ‘Lusophone Africa"); a analise e discussao (“Development Aid To Africa: Quo Vadis? (Part I)”, “Zimbabwean Sculpture”) e a amizade e interaccao (“Introducing This Blog’s Polling Station”, “Todos ao Atlantico Azul”).

E quando as coisas acontecem por entre momentos extremados, nao ha’ melhor ‘conduto’ do que a musica. Por isso ela se fez tao presente naquele mes, em nada menos do que quatro posts: “An Introduction to Kind of Blue” (Miles Davies), “Put a Face to Your Somebody” (Stevie Wonder), “Sunday Dreads” (Bob Marley) e “Amazing Grace!” (Soweto Gospel Choir).

Highlights? Ufff… Nunca tive tanta dificuldade em escolher! Por isso, e para celebrar o lancamento da “Polling Station” naquele mes, peco a vossa ajuda para seleccionar duas dentre as quatro escolhas que la’ coloquei a vossa disposicao. Mas se tiver outra preferencia podera' indica-la aqui no espaco de comentarios. Obrigada.



RESULTADO DA VOTACAO:

Bom, digamos que a ajuda nao foi muita, mas sempre houve 7 votos... 2 para cada proposta, excepto uma. Tenho entao que exercer o meu direito de voto de... empate! Coloco-o, portanto, no 'An Introduction to Kind of Blue' e ficam os quatro posts seleccionados como 'highlights'. Pronto.
Olhando para os posts de Julho do ano passado, parece que aquele foi o mes em que a ‘emotional roller-coaster ride’ que tem caracterizado este blog mais objectivamente se fez explicitar: tanto quanto houve momentos extremamente desagradaveis (expressos em “A Fuga ou o Insondavel Misterio da Nacionalidade Surripiada”; “Well Actually…”; “Sobre a Inveja e o Odio”), houve momentos de descontracao e alegria (“Beaux Dimanches”; “Free at Last”), permeados por momentos de duvida e reflexao (“Live Earth, Or… What’s This All About?”; “Just for The Record…”; “The Democracy & Humanity Within”).

Mas sempre houve espaco e tempo para as coisas que de facto fazem mover este blog: a informacao (“On How the First African Slaves in the US Were Angolan…”, “A Rota dos Escravos”, “Recent Publications on ‘Lusophone Africa"); a analise e discussao (“Development Aid To Africa: Quo Vadis? (Part I)”, “Zimbabwean Sculpture”) e a amizade e interaccao (“Introducing This Blog’s Polling Station”, “Todos ao Atlantico Azul”).

E quando as coisas acontecem por entre momentos extremados, nao ha’ melhor ‘conduto’ do que a musica. Por isso ela se fez tao presente naquele mes, em nada menos do que quatro posts: “An Introduction to Kind of Blue” (Miles Davies), “Put a Face to Your Somebody” (Stevie Wonder), “Sunday Dreads” (Bob Marley) e “Amazing Grace!” (Soweto Gospel Choir).

Highlights? Ufff… Nunca tive tanta dificuldade em escolher! Por isso, e para celebrar o lancamento da “Polling Station” naquele mes, peco a vossa ajuda para seleccionar duas dentre as quatro escolhas que la’ coloquei a vossa disposicao. Mas se tiver outra preferencia podera' indica-la aqui no espaco de comentarios. Obrigada.



RESULTADO DA VOTACAO:

Bom, digamos que a ajuda nao foi muita, mas sempre houve 7 votos... 2 para cada proposta, excepto uma. Tenho entao que exercer o meu direito de voto de... empate! Coloco-o, portanto, no 'An Introduction to Kind of Blue' e ficam os quatro posts seleccionados como 'highlights'. Pronto.

Saturday, 12 July 2008

INTRODUCING THE “BE MY GUEST!” SERIES

Today is a special day – for me, for this blog and, hopefully, for you!
Some of this blog’s good friends and I have come, over the last few days, to a meeting of minds to launch a “Guest Blogger Series @ Koluki”, where my guests will talk about ‘life, the universe and everything’, i.e. expound on their views about the most varied subjects, or just talk about themselves, their experiences in the blogosphere and/or their particular interests in life.
Those of you who have been ‘following events’ in this blog might have noticed that, from time to time, I decide to come up with a series of one sort or another – it’s just my way of changing tack on issues, of approaching subjects from different angles. But this one is, for all intents and purposes, different and… special!
It’s about giving space to and highlighting others’ tack on issues, others’ approaches to subjects – it’s about trying to fulfil one of my primary aims in the blogosphere: without nonsensical rivalries, to build bridges and establish links between people with the same, or disparate interests, but all moved by the common objective of materialising the potential, which the blogosphere so generously offers us, of dialogue, exchange, sharing, understanding, peace and that all common of human sentiments: friendship!
So, without further ado, I introduce you my first guest:
Veronica Benesi!

She is a Brazilian from Belo Horizonte, who is post-graduating in the Portuguese Language and has a keen interest in African Cultures, which she takes as a basic foundation of her own culture, despite never having had so far the opportunity to step on African soil – I sincerely hope that she can do so sooner rather than later!
On that basis, she offers us a beautiful poem about Africans' history and cultural legacy in Brazil, as well as her perceptions and hopes about Africa and her African brothers and sisters.
I trust that you will love it as much as I did!


Hoje e’ um dia especial – para mim, para este blog e, pelo menos assim o espero, para si!
Eu e alguns dos bons amigos deste blog decidimos, nos ultimos dias, inciar uma “Serie de ‘Bloggers’ Convidados @ Koluki” onde os meus convidados irao falar sobre ‘a vida, o universo e tudo o resto’, i.e. expor os seus pontos de vista sobre os assuntos mais variados, ou apenas falar sobre si proprios, as suas experiencias na blogosfera e/ou os seus interesses particulares na vida.
Aqueles dentre vos que venhem ‘seguindo os acontecimentos’ neste blog terao notado que, de vez em quando, decido fazer uma serie de um tipo ou de outro – e’ apenas a minha forma de variar como lido com questoes, de abordar assuntos a partir de diferentes angulos. Mas esta e’, para todos os efeitos, diferente e… especial!
E’ sobre dar espaco e destaque a forma como outros lidam com questoes, como abordam assuntos – e’ sobre tentar realizar um dos meus objectivos primarios na blogosfera: sem rivalidades desprovidas de qualquer sentido, construir pontes e estabelecer lacos entre pessoas com os mesmos, ou dispares, interesses mas todos movidos pelo objectivo comum de materializar o potencial, que a blogosfera tao generosamente nos oferece, do dialogo, da troca, da partilha, do entendimento, da paz e daquele mais comum de todos os sentimentos humanos: a amizade!
Portanto, sem mais delongas, aprensento-vos a minha primeira convidada:
Veronica Benesi!
Ela e’ uma Brasileira de Belo Horizonte, que esta’ e fazer uma pos-graduacao em Lingua Portuguesa e tem um grande interesse pelas Culturas Africanas, as quais ela toma como fundacoes da sua propria cultura, apesar de nunca ter ainda visitado Africa - espero que ela o possa fazer mais cedo do que tarde!
Nessa base, ela oferece-nos um belo poema sobre a historia e o legado cultural dos Africanos no Brasil, assim como as suas percepcoes e esperancas para Africa e os seus irmaos e irmas Africanos.
Espero que tenham tanto prazer em le-lo como eu tive!

*****

N.B.:

You can use the online automatic translators to read this series' posts in either English or Portuguese.

*
Podera’ usar os tradutores automaticos ‘online’ para ler os ‘posts’ desta serie em Portugues ou Ingles.

Today is a special day – for me, for this blog and, hopefully, for you!
Some of this blog’s good friends and I have come, over the last few days, to a meeting of minds to launch a “Guest Blogger Series @ Koluki”, where my guests will talk about ‘life, the universe and everything’, i.e. expound on their views about the most varied subjects, or just talk about themselves, their experiences in the blogosphere and/or their particular interests in life.
Those of you who have been ‘following events’ in this blog might have noticed that, from time to time, I decide to come up with a series of one sort or another – it’s just my way of changing tack on issues, of approaching subjects from different angles. But this one is, for all intents and purposes, different and… special!
It’s about giving space to and highlighting others’ tack on issues, others’ approaches to subjects – it’s about trying to fulfil one of my primary aims in the blogosphere: without nonsensical rivalries, to build bridges and establish links between people with the same, or disparate interests, but all moved by the common objective of materialising the potential, which the blogosphere so generously offers us, of dialogue, exchange, sharing, understanding, peace and that all common of human sentiments: friendship!
So, without further ado, I introduce you my first guest:
Veronica Benesi!
She is a Brazilian from Belo Horizonte, who is post-graduating in the Portuguese Language and has a keen interest in African Cultures, which she takes as a basic foundation of her own culture, despite never having had so far the opportunity to step on African soil – I sincerely hope that she can do so sooner rather than later!
On that basis, she offers us a beautiful poem about Africans' history and cultural legacy in Brazil, as well as her perceptions and hopes about Africa and her African brothers and sisters.
I trust that you will love it as much as I did!


Hoje e’ um dia especial – para mim, para este blog e, pelo menos assim o espero, para si!
Eu e alguns dos bons amigos deste blog decidimos, nos ultimos dias, inciar uma “Serie de ‘Bloggers’ Convidados @ Koluki” onde os meus convidados irao falar sobre ‘a vida, o universo e tudo o resto’, i.e. expor os seus pontos de vista sobre os assuntos mais variados, ou apenas falar sobre si proprios, as suas experiencias na blogosfera e/ou os seus interesses particulares na vida.
Aqueles dentre vos que venhem ‘seguindo os acontecimentos’ neste blog terao notado que, de vez em quando, decido fazer uma serie de um tipo ou de outro – e’ apenas a minha forma de variar como lido com questoes, de abordar assuntos a partir de diferentes angulos. Mas esta e’, para todos os efeitos, diferente e… especial!
E’ sobre dar espaco e destaque a forma como outros lidam com questoes, como abordam assuntos – e’ sobre tentar realizar um dos meus objectivos primarios na blogosfera: sem rivalidades desprovidas de qualquer sentido, construir pontes e estabelecer lacos entre pessoas com os mesmos, ou dispares, interesses mas todos movidos pelo objectivo comum de materializar o potencial, que a blogosfera tao generosamente nos oferece, do dialogo, da troca, da partilha, do entendimento, da paz e daquele mais comum de todos os sentimentos humanos: a amizade!
Portanto, sem mais delongas, aprensento-vos a minha primeira convidada:
Veronica Benesi!
Ela e’ uma Brasileira de Belo Horizonte, que esta’ e fazer uma pos-graduacao em Lingua Portuguesa e tem um grande interesse pelas Culturas Africanas, as quais ela toma como fundacoes da sua propria cultura, apesar de nunca ter ainda visitado Africa - espero que ela o possa fazer mais cedo do que tarde!
Nessa base, ela oferece-nos um belo poema sobre a historia e o legado cultural dos Africanos no Brasil, assim como as suas percepcoes e esperancas para Africa e os seus irmaos e irmas Africanos.
Espero que tenham tanto prazer em le-lo como eu tive!

*****

N.B.:

You can use the online automatic translators to read this series' posts in either English or Portuguese.

*
Podera’ usar os tradutores automaticos ‘online’ para ler os ‘posts’ desta serie em Portugues ou Ingles.

Monday, 30 June 2008

THIS MONTH LAST YEAR (6)


O mes que hoje termina comecou neste blog, no ano passado, com um “misterio” que ate’ hoje perdura: o desaparecimento de Madeleine…

Seguiu-se uma serie sobre 'Metodos Quantitativos de origem Africana e Matematica por Africanos', em sobreposicao ao (in)famoso livro de Chika Onyani, “Capitalist Nigger”. Varios outros livros foram notados, e.g. “De escravo a cozinheiro: colonialismo e racismo em Mocambique”, de Valdemir Zamparoni, “A Cabeca de Salome” e “Manual para Amantes Desesperados” de Paula Tavares, “Agora Luanda” de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e o premiado “Half of a Yellow Sun” de Chimamanda Ngozi Adichie, para alem dos listados em “Recent Publications on ‘Lusophone’ Africa”. Ainda no campo literario, houve uma interessante discussao sobre a “Unificacao da Escrita da Lingua Portuguesa”.

A politica internacional marcou presenca com a tomada de posse de Gordon Brown como Primeiro Ministro do UK e o primeiro grande debate entre todos os (entao) candidatos Democratas a Presidencia dos EUA.

Foram feitos apontamentos pontuais sobre ‘estados de alma, vida, morte e natureza’: nas cheias que na altura assolaram o UK e cujos efeitos em muito se assemelharam aos que se verificaram em Luanda e noutras localidades de Angola, como o Soyo; em “The Antithesis of Pornography”, “Muzongue’ de Domingo”, “Tirso Amaral (in Memoriam)” e “Sunday Chill” (n.b. este foi apenas o lado visivel de um ‘tete-a-tete’ virtual com um grande kamba deste blog com quem andava digamos que ‘at odds’, mas la’ nos entendemos, eu ofereci-lhe um gelado de mucua e ele ofereceu-me um ramo de oliveira e… fizemos as pazes).

Junho tambem registou aquela que, para todos os efeitos, foi a primeira tentativa de, de forma sistematica, integrar a “lusosfera Africana” na “blogosfera global” atraves do GVO. Mas, infelizmente, aquela foi para mim a aventura que para todo o sempre “regretarei” (… nao, nao posso dizer como a Piaf “non, rien de rien, non je ne regrette rien”…) nesta minha (ja’ bastante acidentada) vida virtual. E o mais dramatico daquela nefasta experiencia e’ que eu ate’ tinha antecipado os trilhos cheios de espinhos e armadilhas que se me afiguravam, mas nao tive imaginacao suficiente para prever o que de facto vim a ter que confrontar e, muito menos, tao cedo naquela caminhada…

Mas o mais ironico de tudo aquilo foi que eu naquele mes tambem escrevi neste blog “... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet!...” Bom, a internet (ainda) nao conseguiram, mas, como tambem tinha previsto, rapidamente ‘conseguiram arranjar’ quem controlasse por eles a “lusosfera Africana” no GVO e os resultados sao os que se teem vindo a observar ate’ hoje…

Highlights: “Revisiting South Africa (III): Shack Chic” e, inevitavelmente (como nao?), “Bonga: Cancoes da Diaspora Africana”!





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Turmas do Bairro - Bonga

O mes que hoje termina comecou neste blog, no ano passado, com um “misterio” que ate’ hoje perdura: o desaparecimento de Madeleine…

Seguiu-se uma serie sobre 'Metodos Quantitativos de origem Africana e Matematica por Africanos', em sobreposicao ao (in)famoso livro de Chika Onyani, “Capitalist Nigger”. Varios outros livros foram notados, e.g. “De escravo a cozinheiro: colonialismo e racismo em Mocambique”, de Valdemir Zamparoni, “A Cabeca de Salome” e “Manual para Amantes Desesperados” de Paula Tavares, “Agora Luanda” de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e o premiado “Half of a Yellow Sun” de Chimamanda Ngozi Adichie, para alem dos listados em “Recent Publications on ‘Lusophone’ Africa”. Ainda no campo literario, houve uma interessante discussao sobre a “Unificacao da Escrita da Lingua Portuguesa”.

A politica internacional marcou presenca com a tomada de posse de Gordon Brown como Primeiro Ministro do UK e o primeiro grande debate entre todos os (entao) candidatos Democratas a Presidencia dos EUA.

Foram feitos apontamentos pontuais sobre ‘estados de alma, vida, morte e natureza’: nas cheias que na altura assolaram o UK e cujos efeitos em muito se assemelharam aos que se verificaram em Luanda e noutras localidades de Angola, como o Soyo; em “The Antithesis of Pornography”, “Muzongue’ de Domingo”, “Tirso Amaral (in Memoriam)” e “Sunday Chill” (n.b. este foi apenas o lado visivel de um ‘tete-a-tete’ virtual com um grande kamba deste blog com quem andava digamos que ‘at odds’, mas la’ nos entendemos, eu ofereci-lhe um gelado de mucua e ele ofereceu-me um ramo de oliveira e… fizemos as pazes).

Junho tambem registou aquela que, para todos os efeitos, foi a primeira tentativa de, de forma sistematica, integrar a “lusosfera Africana” na “blogosfera global” atraves do GVO. Mas, infelizmente, aquela foi para mim a aventura que para todo o sempre “regretarei” (… nao, nao posso dizer como a Piaf “non, rien de rien, non je ne regrette rien”…) nesta minha (ja’ bastante acidentada) vida virtual. E o mais dramatico daquela nefasta experiencia e’ que eu ate’ tinha antecipado os trilhos cheios de espinhos e armadilhas que se me afiguravam, mas nao tive imaginacao suficiente para prever o que de facto vim a ter que confrontar e, muito menos, tao cedo naquela caminhada…

Mas o mais ironico de tudo aquilo foi que eu naquele mes tambem escrevi neste blog “... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet!...” Bom, a internet (ainda) nao conseguiram, mas, como tambem tinha previsto, rapidamente ‘conseguiram arranjar’ quem controlasse por eles a “lusosfera Africana” no GVO e os resultados sao os que se teem vindo a observar ate’ hoje…

Highlights: “Revisiting South Africa (III): Shack Chic” e, inevitavelmente (como nao?), “Bonga: Cancoes da Diaspora Africana”!





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Turmas do Bairro - Bonga

Saturday, 21 June 2008

AVISO!

Faco uma breve interrupcao das minhas ferias, apenas para avisar este sujeitinho e outros que tenham o mesmo desplante e audacia, em particular os tais “jornalistas de verdade que nunca fugiram de Angola”, como este, que os materiais publicados neste blog estao protegidos por esta licenca, que obriga a que se mencione o blog de onde tais materiais foram retirados!

[N.B.: Porque cada vez mais ha' ladroes fugitivos da justica ha' mais de 30 anos... verdadeiros mercenarios e prostitutos politicos mascarados de "jornalistas" de paroquia... confundindo cartoes partidarios com carteiras profissionais, panfletos propagandisticos com 'textos de autor' e blogs de quinta categoria com jornais de 'alguma categoria'... que apenas dao mau nome aos partidos politicos que os "compram" e aos JORNALISTAS DE VERDADE em geral e muito particularmente aqueles que nunca fugiram de Angola... verdes de inveja daquilo que jamais serao capazes de obter na vida com um minimo de dignidade que, de resto, jamais terao... absolutamente despreziveis e enojantes, sem a menor restea de hombridade, verticalidade, civilidade, merito profissional ou os mais elementares principios de moral ou etica deontologica (veja-se, entre todas as outras, apenas esta pouca vergonha!)* ... quais discos partidos, papagueadores de trocadilhos, frases feitas e chavoes sem qualquer sentido ou substancia, com os quais apenas revelam a sua total vacuidade e incuravel ignorancia, patetica petulancia, abjecto racismo, doentia misoginia e cronica incapacidade de pensar... urge que alguns (certamente aqueles ao nivel de quem tais energumenos jamais chegarao por muito que se ponham em bicos de pes e cuja capacidade de PENSAR dispensa "arautos" de encomenda, e.g. ex-Jornalistas com muita honra, Escritores, Ensaistas, Articulistas, Poliglotas, Economistas, Mestres de Ciencia, Consultores Internacionais de reconhecido merito... que, por isso mesmo, dispensam o 'anonimato' e podem dar-se ao luxo de ocasionalmente e com toda a legitimidade usar 'pseudonimos', sem com isso jamais esconderem a sua verdadeira identidade!) que nao teem nem nunca tiveram de fugir do que quer que seja e muito menos de usar ou esconder-se cobardemente por tras de miudos imberbes, semi-analfabetos, cheios de verdadeiros complexos de colonizado, meros aprendizes de 'radialistas provincianos' mas com arrogancia ignorante suficiente para se armarem em "grandes jornalistas" para DIFAMAREM GRATUITAMENTE e sem qualquer provocacao quem quer que seja (alias, o que lhes doi e' exactamente serem tao insignificantes que passam completamente ignorados por quem esta' ca' em cima...), comecem sem delongas a tratar de levar esses crapulas rastejantes, imbecis e criminosos a JUSTICA!
E' que ao menos os 'macacos' ao pe' desses desgracados teem alguma inteligencia e dignidade: sao criativos e engracados, por isso caem em graca... e nao correm o risco de rebentar a qualquer momento sob quaisquer ridiculamente arrogantes egos super-inflamados!]

*OU MAIS ESTA: descubra as 'semelhancas' aqui...
Faco uma breve interrupcao das minhas ferias, apenas para avisar este sujeitinho e outros que tenham o mesmo desplante e audacia, em particular os tais “jornalistas de verdade que nunca fugiram de Angola”, como este, que os materiais publicados neste blog estao protegidos por esta licenca, que obriga a que se mencione o blog de onde tais materiais foram retirados!

[N.B.: Porque cada vez mais ha' ladroes fugitivos da justica ha' mais de 30 anos... verdadeiros mercenarios e prostitutos politicos mascarados de "jornalistas" de paroquia... confundindo cartoes partidarios com carteiras profissionais, panfletos propagandisticos com 'textos de autor' e blogs de quinta categoria com jornais de 'alguma categoria'... que apenas dao mau nome aos partidos politicos que os "compram" e aos JORNALISTAS DE VERDADE em geral e muito particularmente aqueles que nunca fugiram de Angola... verdes de inveja daquilo que jamais serao capazes de obter na vida com um minimo de dignidade que, de resto, jamais terao... absolutamente despreziveis e enojantes, sem a menor restea de hombridade, verticalidade, civilidade, merito profissional ou os mais elementares principios de moral ou etica deontologica (veja-se, entre todas as outras, apenas esta pouca vergonha!)* ... quais discos partidos, papagueadores de trocadilhos, frases feitas e chavoes sem qualquer sentido ou substancia, com os quais apenas revelam a sua total vacuidade e incuravel ignorancia, patetica petulancia, abjecto racismo, doentia misoginia e cronica incapacidade de pensar... urge que alguns (certamente aqueles ao nivel de quem tais energumenos jamais chegarao por muito que se ponham em bicos de pes e cuja capacidade de PENSAR dispensa "arautos" de encomenda, e.g. ex-Jornalistas com muita honra, Escritores, Ensaistas, Articulistas, Poliglotas, Economistas, Mestres de Ciencia, Consultores Internacionais de reconhecido merito... que, por isso mesmo, dispensam o 'anonimato' e podem dar-se ao luxo de ocasionalmente e com toda a legitimidade usar 'pseudonimos', sem com isso jamais esconderem a sua verdadeira identidade!) que nao teem nem nunca tiveram de fugir do que quer que seja e muito menos de usar ou esconder-se cobardemente por tras de miudos imberbes, semi-analfabetos, cheios de verdadeiros complexos de colonizado, meros aprendizes de 'radialistas provincianos' mas com arrogancia ignorante suficiente para se armarem em "grandes jornalistas" para DIFAMAREM GRATUITAMENTE e sem qualquer provocacao quem quer que seja (alias, o que lhes doi e' exactamente serem tao insignificantes que passam completamente ignorados por quem esta' ca' em cima...), comecem sem delongas a tratar de levar esses crapulas rastejantes, imbecis e criminosos a JUSTICA!
E' que ao menos os 'macacos' ao pe' desses desgracados teem alguma inteligencia e dignidade: sao criativos e engracados, por isso caem em graca... e nao correm o risco de rebentar a qualquer momento sob quaisquer ridiculamente arrogantes egos super-inflamados!]

*OU MAIS ESTA: descubra as 'semelhancas' aqui...

Thursday, 12 June 2008

Saturday, 31 May 2008

THIS MONTH LAST YEAR (5)

Maio.
Foi um mes cheio. De tudo um pouco…


Foi, em primeiro lugar, mes de balanco dos primeiros seis meses deste blog. Um balanco ainda mal equilibrado entre ‘good’ and ‘evil’, ‘ganhos’ e ‘perdas’. Mas um balanco nao de todo negativo (de outro modo eu ja’ teria desistido…).

Lembrou-se o 27 de Maio e as suas vitimas.

Celebrou-se o Dia de Africa e “a menina mais blue do mundo e seu gatinho”.

Falou-se bastante de Africa em geral e do Zimbabwe e do Sudao em particular.

Notou-se a importante Primeira Conferencia dos San de Angola.

Enquanto “Angola e as suas Makas” ocupavam lugar de destaque, tentou-se discutir o conceito de “Angolanidade”, a “Ajuda ao Desenvolvimento em Angola” e o perturbador “Miss Landmine Angola Pageant”.

Houve poesia em “A Implosao da Mentira”, design na descoberta do “Urban Congo”, estupefaccao em “O Cumulo…” e ultraje em “Pedido”.

Fizeram-se relatos de viagem ao Botswana e a Africa do Sul.

Highlights: “The Angola of My Dreams”, de Constance Hilliard, e a segunda parte da serie “Cuba! Africa! Revolution!”

Assim foi Maio do ano passado, aqui.
Maio.
Foi um mes cheio. De tudo um pouco…


Foi, em primeiro lugar, mes de balanco dos primeiros seis meses deste blog. Um balanco ainda mal equilibrado entre ‘good’ and ‘evil’, ‘ganhos’ e ‘perdas’. Mas um balanco nao de todo negativo (de outro modo eu ja’ teria desistido…).

Lembrou-se o 27 de Maio e as suas vitimas.

Celebrou-se o Dia de Africa e “a menina mais blue do mundo e seu gatinho”.

Falou-se bastante de Africa em geral e do Zimbabwe e do Sudao em particular.

Notou-se a importante Primeira Conferencia dos San de Angola.

Enquanto “Angola e as suas Makas” ocupavam lugar de destaque, tentou-se discutir o conceito de “Angolanidade”, a “Ajuda ao Desenvolvimento em Angola” e o perturbador “Miss Landmine Angola Pageant”.

Houve poesia em “A Implosao da Mentira”, design na descoberta do “Urban Congo”, estupefaccao em “O Cumulo…” e ultraje em “Pedido”.

Fizeram-se relatos de viagem ao Botswana e a Africa do Sul.

Highlights: “The Angola of My Dreams”, de Constance Hilliard, e a segunda parte da serie “Cuba! Africa! Revolution!”

Assim foi Maio do ano passado, aqui.

Wednesday, 14 May 2008

“ECHOES FROM THE ANGOLAN PRESS”






A NOTE TO THIS BLOG’S ENGLISH READERS

As you might have noticed, for the last few weeks I have been posting here a series titled “Ecos da Imprensa Angolana.” Since I’ve received a few enquiries about it, let me explain what it is about:

It contains full transcripts of selected articles published in Angolan newspapers, which I have been receiving weekly from Luanda. Most of them are taken from the weekly private/independent papers (there is only one daily paper in Angola – the state-owned Jornal de Angola). Some of them can be found online (e.g. Jornal de Angola, Semanario Angolense and Jornal Angolense – their links are at the bottom of this page), others not. Online access can be free in some cases, restricted in others. Some publish online the full contents of their paper versions, others don’t.

I intended this series primarily to serve those Angolans and other Portuguese-speakers outside the country who might have limited and/or irregular access to the Angolan media. However, I trust that speakers of other languages will be able to resort to the existing online translators, if so interested.

Let me take this opportunity to bring to your attention an update to a story carried in the last two posts of this series, which some of you might have also come across in the international media, namely the alleged mugging on stage of American “rapper” 50 Cent, during a music event in Luanda. The article that follows, which I translated from the original in Portuguese, is published in the current edition of Semanario Angolense:

WHAT REALLY HAPPENED?
50 Cent recovers necklace


The necklace supposedly robbed from 50 Cent on April 30th, during a show in Luanda, has already been returned to his legitimate owner, it can be read in the news section of the MTV channel website (www.mtv.com). Citing a statement by a member of 50 Cent’s band, G-Unit, to another website (www.tmz.com), according to which “the necklace is back on 50 Cent’s neck”, the article does not present any details about how the piece, estimated to be worth around USD 2 million, was recovered.

Still according to that MTV news article, signed by Gil Kaufman, the artist’s spokesperson at Interscope Records said to The New York Times that “50 Cent’s necklace was recovered.” Meanwhile, at the artist’s site (www.thisis50.com) the supposed mugger, named as Bruno Carvalho, is not mentioned as having snatched the diamond encrusted piece. Instead, it is said that security at the event was precarious, which allowed some fans to get too close to the artist, having one of them “tried to grab 50 Cent’s necklace”.








A NOTE TO THIS BLOG’S ENGLISH READERS

As you might have noticed, for the last few weeks I have been posting here a series titled “Ecos da Imprensa Angolana.” Since I’ve received a few enquiries about it, let me explain what it is about:

It contains full transcripts of selected articles published in Angolan newspapers, which I have been receiving weekly from Luanda. Most of them are taken from the weekly private/independent papers (there is only one daily paper in Angola – the state-owned Jornal de Angola). Some of them can be found online (e.g. Jornal de Angola, Semanario Angolense and Jornal Angolense – their links are at the bottom of this page), others not. Online access can be free in some cases, restricted in others. Some publish online the full contents of their paper versions, others don’t.

I intended this series primarily to serve those Angolans and other Portuguese-speakers outside the country who might have limited and/or irregular access to the Angolan media. However, I trust that speakers of other languages will be able to resort to the existing online translators, if so interested.

Let me take this opportunity to bring to your attention an update to a story carried in the last two posts of this series, which some of you might have also come across in the international media, namely the alleged mugging on stage of American “rapper” 50 Cent, during a music event in Luanda. The article that follows, which I translated from the original in Portuguese, is published in the current edition of Semanario Angolense:

WHAT REALLY HAPPENED?
50 Cent recovers necklace


The necklace supposedly robbed from 50 Cent on April 30th, during a show in Luanda, has already been returned to his legitimate owner, it can be read in the news section of the MTV channel website (www.mtv.com). Citing a statement by a member of 50 Cent’s band, G-Unit, to another website (www.tmz.com), according to which “the necklace is back on 50 Cent’s neck”, the article does not present any details about how the piece, estimated to be worth around USD 2 million, was recovered.

Still according to that MTV news article, signed by Gil Kaufman, the artist’s spokesperson at Interscope Records said to The New York Times that “50 Cent’s necklace was recovered.” Meanwhile, at the artist’s site (www.thisis50.com) the supposed mugger, named as Bruno Carvalho, is not mentioned as having snatched the diamond encrusted piece. Instead, it is said that security at the event was precarious, which allowed some fans to get too close to the artist, having one of them “tried to grab 50 Cent’s necklace”.



Wednesday, 30 April 2008

THIS MONTH LAST YEAR (4)

Bem, nao sei se sera’ pelas suas alegadas “chuvas mil”, ou por qualquer outra estranha razao, mas Abril parece ser um mes bastante fertil em makas… pelo menos neste blog.
Assim, houve aqui a “Cronica de uma Maka Anunciada” e seus desenvolvimentos; o encerramento temporario do blog por causa de outra maka absolutamente revoltante, provocada por alguem manifestamente incapaz de discernir entre o endereco deste blog e o endereco de um qualquer hospital psiquiatrico… e, ainda, o prenuncio de uma ‘maka que nao foi’ porque assim resolvi que deveria ser: tratar afirmacoes como “(…) compram 'arte africana', o que quer que isso seja (…)”, feitas seja por quem for e dirigidas a quem quer que seja, com a ironia que me parecem merecer… E ainda bem que aquela maka ‘nao foi’, porque creio ter assim poupado o seu autor de um ‘kibeto’ similar (embora, quero crer, de menor dimensao) ao que no mes que hoje finda tem estado a provocar…

Mas, nem so’ de makas viveu este blog em Abril do ano passado. Alias, aquele tera’ talvez sido um dos meses tematicamente mais diversificados aqui. Vejamos:

- Falou-se de Historia: em ‘Late Sunday Service’, onde apresento, pela primeira vez em algum lugar, uma foto de familia; num outro post em que, a proposito de um poema de Noemia de Sousa, ‘Magaica’, introduzo algumas breves notas sobre a Historia Economica da Africa Austral, e tambem no 25 de Abril, com a primeira parte de um interessante documentario da BBC sobre a experiencia Cubana em Africa;

- Houve, como sempre, musica, com destaque para Billie Holiday (na sequencia de uma interessante exchange de notas musicais dos Gershwin com a SG) e Mafikizolo;

- Falou-se de politica: no ‘Global Day for Darfur’; em ‘Afrika: What Price a Brain?’ (onde se discutem, nos comentarios, algumas das questoes resurgidas aqui nos ultimos dias a proposito da chamada ‘Recolonizacao’); em ‘Sunday Paper’, a proposito de um artigo sobre as petro-elites; no terceiro episodio da serie “Obama vs. Clinton”, e na campanha de que aqui fiz eco pela libertacao do jornalista Britanico Alan Johnston (com a mesma motivacao que o fiz, mais recentemente, pela libertacao do jornalista Angolano Graca Campos);

- Houve fait-divers: em ‘Oh D(G)ear!’; no show de danca e batuke de George Bush; no ultimo (unico?) sumario de ‘Makas na Sanzala Global’ que aqui fiz (afinal, sempre houve mais makas…), no Pavement Art dedicado aos meus sobrinhos mais entusiastas deste blog e no eminentemente sarcastico ‘Doggy Life’…

- Mostraram-se estados de alma e de natureza, em ‘Angola nao e’ so’ Lu(a)nda’ (onde se podem ver os efeitos das chuvas mil de Abril no Soyo) e em ‘Glory Days’;

Highlights? Dois posts - um sobre danca: “It’s Friday!”, e outro sobre, digamos, ‘arte, vida & cultura’: “Jean-Michel Basquiat… or Those Six Degrees of Separation”, - que, ja’ agora, devo explicitar foram particularmente motivados por duas das makas a que me refiro no inicio deste texto…
Bem, nao sei se sera’ pelas suas alegadas “chuvas mil”, ou por qualquer outra estranha razao, mas Abril parece ser um mes bastante fertil em makas… pelo menos neste blog.
Assim, houve aqui a “Cronica de uma Maka Anunciada” e seus desenvolvimentos; o encerramento temporario do blog por causa de outra maka absolutamente revoltante, provocada por alguem manifestamente incapaz de discernir entre o endereco deste blog e o endereco de um qualquer hospital psiquiatrico… e, ainda, o prenuncio de uma ‘maka que nao foi’ porque assim resolvi que deveria ser: tratar afirmacoes como “(…) compram 'arte africana', o que quer que isso seja (…)”, feitas seja por quem for e dirigidas a quem quer que seja, com a ironia que me parecem merecer… E ainda bem que aquela maka ‘nao foi’, porque creio ter assim poupado o seu autor de um ‘kibeto’ similar (embora, quero crer, de menor dimensao) ao que no mes que hoje finda tem estado a provocar…

Mas, nem so’ de makas viveu este blog em Abril do ano passado. Alias, aquele tera’ talvez sido um dos meses tematicamente mais diversificados aqui. Vejamos:

- Falou-se de Historia: em ‘Late Sunday Service’, onde apresento, pela primeira vez em algum lugar, uma foto de familia; num outro post em que, a proposito de um poema de Noemia de Sousa, ‘Magaica’, introduzo algumas breves notas sobre a Historia Economica da Africa Austral, e tambem no 25 de Abril, com a primeira parte de um interessante documentario da BBC sobre a experiencia Cubana em Africa;

- Houve, como sempre, musica, com destaque para Billie Holiday (na sequencia de uma interessante exchange de notas musicais dos Gershwin com a SG) e Mafikizolo;

- Falou-se de politica: no ‘Global Day for Darfur’; em ‘Afrika: What Price a Brain?’ (onde se discutem, nos comentarios, algumas das questoes resurgidas aqui nos ultimos dias a proposito da chamada ‘Recolonizacao’); em ‘Sunday Paper’, a proposito de um artigo sobre as petro-elites; no terceiro episodio da serie “Obama vs. Clinton”, e na campanha de que aqui fiz eco pela libertacao do jornalista Britanico Alan Johnston (com a mesma motivacao que o fiz, mais recentemente, pela libertacao do jornalista Angolano Graca Campos);

- Houve fait-divers: em ‘Oh D(G)ear!’; no show de danca e batuke de George Bush; no ultimo (unico?) sumario de ‘Makas na Sanzala Global’ que aqui fiz (afinal, sempre houve mais makas…), no Pavement Art dedicado aos meus sobrinhos mais entusiastas deste blog e no eminentemente sarcastico ‘Doggy Life’…

- Mostraram-se estados de alma e de natureza, em ‘Angola nao e’ so’ Lu(a)nda’ (onde se podem ver os efeitos das chuvas mil de Abril no Soyo) e em ‘Glory Days’;

Highlights? Dois posts - um sobre danca: “It’s Friday!”, e outro sobre, digamos, ‘arte, vida & cultura’: “Jean-Michel Basquiat… or Those Six Degrees of Separation”, - que, ja’ agora, devo explicitar foram particularmente motivados por duas das makas a que me refiro no inicio deste texto…

Monday, 31 March 2008

THIS MONTH LAST YEAR - 3

MARCO, foi mesmo ‘Marco Mulher’ por aqui, no ano passado. Para alem da poesia, musica e artigos alusivos, houve tambem um slideshow digno de nota (mas a era dos slideshows neste blog esta’ um tanto ultrapassada, pelo menos por agora).

De efemerides, foi tambem notado o 15 de Marco em Angola e o 50mo. aniversario da independencia do Ghana – a primeira das independencias Africanas, com um artigo sobre Kwame Nkrumah.

Sobre o Zimbabwe, dois posts, talvez de particular interesse a luz dos resultados das eleicoes deste fim de semana.

Sobre a sociedade Angolana actual, dois artigos de destaque, um sobre a indigencia a que sao votados os Mais Velhos em Luanda e outro sobre as falhas do Ministerio da Cultura em relacao a criadores e artistas, com destaque para os Kiezos. Sobre a economia, um post sobre um artigo meu ja’ aqui anteriormente referido, a que recentemente acrescentei um 'podcast' da ex-Ministra das Financas da Nigeria, Ngozi Okonjo-Iweala, a quem faco referencia naquele artigo. Destaque tambem para um artigo sobre a Historia de Angola.

Livros em destaque: “Desenvolvimento e Resiliciencia Social em Africa”, de Joao Milando; “Coracao dos Bosques”, de Jose’ Eduardo Agualusa; “Sona, Desenhos na Areia”, de Unni Skogen e Sonja Skaug, e “Sabores, Odores & Sonho”, de Yours Truly.

Highlights? O inicio das series “Outblogging @ AfricanPath” e “Sunday Posts”.
Et voila! Mais coisa, menos coisa, assim foi Marco do ano passado aqui neste kubiko.
MARCO, foi mesmo ‘Marco Mulher’ por aqui, no ano passado. Para alem da poesia, musica e artigos alusivos, houve tambem um slideshow digno de nota (mas a era dos slideshows neste blog esta’ um tanto ultrapassada, pelo menos por agora).

De efemerides, foi tambem notado o 15 de Marco em Angola e o 50mo. aniversario da independencia do Ghana – a primeira das independencias Africanas, com um artigo sobre Kwame Nkrumah.

Sobre o Zimbabwe, dois posts, talvez de particular interesse a luz dos resultados das eleicoes deste fim de semana.

Sobre a sociedade Angolana actual, dois artigos de destaque, um sobre a indigencia a que sao votados os Mais Velhos em Luanda e outro sobre as falhas do Ministerio da Cultura em relacao a criadores e artistas, com destaque para os Kiezos. Sobre a economia, um post sobre um artigo meu ja’ aqui anteriormente referido, a que recentemente acrescentei um 'podcast' da ex-Ministra das Financas da Nigeria, Ngozi Okonjo-Iweala, a quem faco referencia naquele artigo. Destaque tambem para um artigo sobre a Historia de Angola.

Livros em destaque: “Desenvolvimento e Resiliciencia Social em Africa”, de Joao Milando; “Coracao dos Bosques”, de Jose’ Eduardo Agualusa; “Sona, Desenhos na Areia”, de Unni Skogen e Sonja Skaug, e “Sabores, Odores & Sonho”, de Yours Truly.

Highlights? O inicio das series “Outblogging @ AfricanPath” e “Sunday Posts”.
Et voila! Mais coisa, menos coisa, assim foi Marco do ano passado aqui neste kubiko.

Friday, 29 February 2008

THIS MONTH LAST YEAR – 2

Fevereiro do ano passado foi talvez o mes em que me terei permitido mais indulgencias em “fait divers” neste blog, e.g. a morte de Anna Nicole Smith, os Oscars, a descoberta das raizes africanas de Whoopi Goldberg na Guine’ Bissau, uma receita de Mwamba de galinha a moda do Kongo, ou a descoberta arqueologica, perto da Verona de Romeo e Juliet, dos esqueletos dos protagonistas da que parece ser a mais antiga historia de ‘amor fatal’ da humanidade, ou ainda as estorias de jacarandas de Gaborone e de Lisboa…

O post sobre o graffitti “Bank’s Maid”, em Camden, tambem poderia cair nessa categoria nao fosse a sua relacao com o protagonismo (imerecido?) de Bono nas questoes do combate a pobreza em Africa. Continuando na senda do combate a pobreza, destaque para o artigo de Paulo de Carvalho sobre a exclusao social em Angola. Alargando a questao para as areas da transparencia e responsabilizacao governativa, encontramos o caso da detencao de Sarah Wykes em Cabinda e o meu texto sobre a ITIE a ele associado, assim como a apresentacao da Antologia anual do Conselho Noruegues para a Africa sobre a industria petrolifera, “Oil Game – The Scrumble for Africa’s Black Gold”, que inclui um artigo de minha autoria. Ainda no capitulo de apresentacao de livros, para alem da habitual lista de recentes publicacoes sobre os paises de Lingua Oficial Portuguesa, destaque particular para “Capitalist Nigger” do Nigeriano Chika Onyeani.

Duas mulheres foram ‘tributadas’ naquele mes: Mamphela Ramphele e Adelaide Tambo. Tributo foi tambem prestado a alguns factos historicos: em primeiro lugar, o 4 de Fevereiro, seguindo-se-lhe um artigo sobre as raizes historicas dos conflitos do Baixo Congo, um outro sobre a historia das relacoes etnico-raciais em Angola (que se apresenta particularmente relevante para algumas discussoes actuais sobre o racismo na “lusosfera”) e outro ainda sobre a cidade de Malange na Historia de Angola.

Fevereiro foi tambem marcado particularmente pela poesia: a proposito do Carnaval, um (talvez o unico) dos meus poemas que conseguiu resistir a devassa com que uma certa abutra “se abateu” sobre a minha poesia aqui publicada…; o belo poema “Viver como as Flores”, de autor desconhecido; um breve apontamento de Joao Cabral de Melo Neto, tomado de emprestimo a um dos blogs de um amigo que comecara naquela altura a aparecer (“timidamente”…) por aqui: o Kim, Kimang, Kimangola; uma excelente estoria a volta da “experiencia angolana” de Herberto Helder, pelo veterano Jose’ Alcada, ainda em pleno exercicio das suas funcoes de “meu correspondente oficial em Angola”, a complementar a sua poetica paragem no Cubal e Sangano entre as suas escapadas entre Luanda e Lobito e, de nao menor destaque, o lancamento do ‘ControVerso’ livro de poemas do Kussi, a.k.a. Kardo Bestilo, em Luanda, complementado pelo texto da sua apresentacao pelo Luis Rosa Lopes, que aqui tambem nos brindou com um dos seus poemas sobre Afrika.

Agora… a ‘highlight’ do mes tem que ser partilhada entre o inicio da serie “Obama vs. Clinton: The Mother of All Battles?” e o inicio da ‘passagem’ aqui da minha propria musica, isto e’, da musica dos meus proprios CDs. Ate’ entao vivia de ter que recorrer a sites online para colocar aqui musica, mas desde entao… tem sido o que se (ou)ve, goste-se ou nao de tudo quanto por aqui me da’ para ‘tocar’. Parece-me, portanto, apropriado assinalar a data com um numero dos Kiezos, que aqui inauguraram a “nova era”.







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Memorias de Lamartine (Kiezos)
Fevereiro do ano passado foi talvez o mes em que me terei permitido mais indulgencias em “fait divers” neste blog, e.g. a morte de Anna Nicole Smith, os Oscars, a descoberta das raizes africanas de Whoopi Goldberg na Guine’ Bissau, uma receita de Mwamba de galinha a moda do Kongo, ou a descoberta arqueologica, perto da Verona de Romeo e Juliet, dos esqueletos dos protagonistas da que parece ser a mais antiga historia de ‘amor fatal’ da humanidade, ou ainda as estorias de jacarandas de Gaborone e de Lisboa…

O post sobre o graffitti “Bank’s Maid”, em Camden, tambem poderia cair nessa categoria nao fosse a sua relacao com o protagonismo (imerecido?) de Bono nas questoes do combate a pobreza em Africa. Continuando na senda do combate a pobreza, destaque para o artigo de Paulo de Carvalho sobre a exclusao social em Angola. Alargando a questao para as areas da transparencia e responsabilizacao governativa, encontramos o caso da detencao de Sarah Wykes em Cabinda e o meu texto sobre a ITIE a ele associado, assim como a apresentacao da Antologia anual do Conselho Noruegues para a Africa sobre a industria petrolifera, “Oil Game – The Scrumble for Africa’s Black Gold”, que inclui um artigo de minha autoria. Ainda no capitulo de apresentacao de livros, para alem da habitual lista de recentes publicacoes sobre os paises de Lingua Oficial Portuguesa, destaque particular para “Capitalist Nigger” do Nigeriano Chika Onyeani.

Duas mulheres foram ‘tributadas’ naquele mes: Mamphela Ramphele e Adelaide Tambo. Tributo foi tambem prestado a alguns factos historicos: em primeiro lugar, o 4 de Fevereiro, seguindo-se-lhe um artigo sobre as raizes historicas dos conflitos do Baixo Congo, um outro sobre a historia das relacoes etnico-raciais em Angola (que se apresenta particularmente relevante para algumas discussoes actuais sobre o racismo na “lusosfera”) e outro ainda sobre a cidade de Malange na Historia de Angola.

Fevereiro foi tambem marcado particularmente pela poesia: a proposito do Carnaval, um (talvez o unico) dos meus poemas que conseguiu resistir a devassa com que uma certa abutra “se abateu” sobre a minha poesia aqui publicada…; o belo poema “Viver como as Flores”, de autor desconhecido; um breve apontamento de Joao Cabral de Melo Neto, tomado de emprestimo a um dos blogs de um amigo que comecara naquela altura a aparecer (“timidamente”…) por aqui: o Kim, Kimang, Kimangola; uma excelente estoria a volta da “experiencia angolana” de Herberto Helder, pelo veterano Jose’ Alcada, ainda em pleno exercicio das suas funcoes de “meu correspondente oficial em Angola”, a complementar a sua poetica paragem no Cubal e Sangano entre as suas escapadas entre Luanda e Lobito e, de nao menor destaque, o lancamento do ‘ControVerso’ livro de poemas do Kussi, a.k.a. Kardo Bestilo, em Luanda, complementado pelo texto da sua apresentacao pelo Luis Rosa Lopes, que aqui tambem nos brindou com um dos seus poemas sobre Afrika.

Agora… a ‘highlight’ do mes tem que ser partilhada entre o inicio da serie “Obama vs. Clinton: The Mother of All Battles?” e o inicio da ‘passagem’ aqui da minha propria musica, isto e’, da musica dos meus proprios CDs. Ate’ entao vivia de ter que recorrer a sites online para colocar aqui musica, mas desde entao… tem sido o que se (ou)ve, goste-se ou nao de tudo quanto por aqui me da’ para ‘tocar’. Parece-me, portanto, apropriado assinalar a data com um numero dos Kiezos, que aqui inauguraram a “nova era”.







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Memorias de Lamartine (Kiezos)

Tuesday, 26 February 2008

MULHERES… DE DOMINGO (Recidivus)*





"Como Entender As Mulheres" (Primeiro Volume...)


Domingo e’, a todos os titulos, um dia especial. Tentar justificar essa evidencia e’ praticamente um “no brainer”, ou seja, e’ como tentar-se justificar porque que a chuva molha. Mas, digamos que e’ especial porque nao se trabalha, a excepcao daquelas ocupacoes – formais, como policia e bombeiros, ou informais, como ‘blogging’ – que a isso nos obrigam, ou naquelas sociedades, culturas e religioes que respeitam o “Sabath” literalmente ao Sabado. E’ tambem o dia em que, seja para uma ida a missa, ao mercado, a baixa da cidade, ao centro comercial, ou a uma visita a casa de familiares ou amigos, tentamos sempre apresentar-nos no nosso melhor – em termos de indumentaria ou comportamento. E nao ha’ ninguem melhor do que as mulheres para evidenciarem essa realidade domingueira.

Transportando essa evidencia para a vida mais quotidiana, encontro que… e’ muito dificil entender as mulheres (… nao estou sozinha nisto, sei-o bem: praticamente todos os homens, secundando Freud, disseram-no e continuam a dize-lo…). E isto muito simplesmente porque, pelo menos na vida social, elas tendem maioritariamente a comportar-se como e a vestir-se com as suas poses e vestimentas “domingueiras” que, a uma observacao mais proxima e/ou cuidada, nos revelam que nao passam disso mesmo: comportamento e vestes domingueiras… nada mais quotidiano, nada mais substantivo, nada mais profundo. Falar (de) assim, quando eu sou mulher e nunca me conheci outro genero ou inclinacao sexual, “soa mal” e e’ “politicamente incorrecto” – eu sei. Mas tambem sei que dificilmente havera’ inimigo pior de uma mulher do que outra mulher… dificilmente havera’, pelo menos em certas profissoes e niveis hierarquicos, pior colega de trabalho de uma mulher do que outra mulher. Sei tambem que nao estou sozinha nisto: ouvi-o de outras mulheres, desde ministras a empregadas domesticas, passando por escritoras, escriturarias e profissionais universitarias.

E sei-o, tambem, por experiencia propria: nao ha’ muito tempo, vi-me forcada a abandonar intempestivamente a que talvez tenha sido a melhor posicao profissional da minha vida por uma questao de principio: nao consegui encontrar espaco, ou instrumento, no meu vasto “arsenal” de defesas contra o sexismo e a discriminacao, para tolerar um ataque pornografico, completamente nao provocado (se e’ que e’ possivel “provocar-se” tal coisa…) e “out of the blue”, por parte de um colega de trabalho (por sinal, angolano)… e enquanto o perpetrador encontrava apoio entre os poderosos chefoes masculinos, eu vi-me completamente “desertada” por todas as colegas femininas, incluindo as igualmente poderosas, bem falantes, articuladas, feministas e activistas “burocratas do genero”… E estas nao eram daquelas “de trazer por casa” nao: eram precisamente das que andam pelas reunioes de alto nivel em plataformas internacionais a falar em nome das mulheres Africanas! (But then, again, in their “more African than thou” postures, I’m not African anyway and, presumably, I should have felt exhilarated, honoured and over the moon for having attracted that sort of unwanted attention… ‘cause, presumably, I should be “liberated enough” to accept pornography as a “pleasurable and normal thing”, even in the workplace, when it causes me nothing but disgust and distress…).

Anyway, antes que isto me leve ‘a tese que sempre quis escrever sobre “mulheres…”, mas que sei que nunca escreverei, porque e’ um assunto demasiado pesado para o meu arcaboico, deixem-me encurtar caminho: ja’ sabia bastante sobre a “verdadeira realidade” da “condicao feminina”, por a ter experimentado, vivido e escrito sobre (o artigo em anexo, escrito e publicado no Semanario Angolense ha’ cinco anos atras, e’ apenas disso uma amostra), mas nenhuma das minhas experiencias anteriores me tinha dito tanto sobre essa realidade como esta experiencia de ‘blogging’ nos ultimos meses… Talvez porque, sobretudo sob o anonimato ou mascaras e bandeiras de qualquer especie ou cor, e’ mais facil revelarem-se verdadeiras indumentarias, comportamentos e… identidades. Assim, este blog trouxe-me, ate’ agora, pelo menos duas experiencias ineditas: ver-me confrontada com, atacada, insultada, embaracada e coisificada publicamente por “mulheres” capazes de desferirem ataques pornograficos e violacoes, senao fisicas (e talvez apenas porque disso nao teem possibilidade…), certamente psicologicas e morais, contra outras mulheres, ‘apenas porque lhes da’ na real gana’, e “conhecer” mulheres com inexcediveis e vertiginosos niveis de arrogancia ignorante, racismo, xenofobia, elitismo, soberba e um misto de complexos de superioridade e de inferioridade, que nao sabia antes sequer possivel existirem! Certamente, tambem pude verificar, ate’ agora, excepcoes ‘a regra: pelo menos duas mulheres, so’ para mencionar as ‘bloggers’ que consistentemente se teem manifestado acima de comportamentos mesquinhos, invejas e ciumeiras irracionais, o teem demonstrado atraves das suas diversas participacoes neste blog. Mas receio bem que sejam pouco mais do que as excepcoes que confirmam a regra…

Essas experiencias ineditas, quanto mais nao seja, teem-me deixado a perguntar-me: onde e’ que andavam certas mulheres, em finais da decada de 70, principios da de 80, quando, em Luanda, tanto quanto eu tinha que marcar lugar na bicha para a carne, marcava lugar na bicha da livraria ‘Mensagem’, para poder comprar um exemplar da revista portuguesa “Mulheres” – onde tive os primeiros serios contactos com as lutas das “tres Marias”, o conceito de “Matria” da Natalia Correia (de quem, mais tarde, tive o prazer de ouvir cantar o “Summertime”, que aqui podemos ouvir tao eloquentemente na “voz” de Charlie Parker, numa casa de fados de Lisboa), ou as poesias de Sophia de Mello Breyner ou Florbela Espanca - essa geracao de Mulheres que rejeitavam liminarmente, entre outros "diminutivos", designacoes como "poetisa"? Ou quando, mesmo depois de ter conseguido assegurar uma subscricao que me poupava da bicha mensal (pelo menos teoricamente, porque meses havia em que chegava la’ e mesmo para os subscritores a revista estava “esgotada”…), me lancei, por minha conta e risco, em busca do entendimento possivel das almas de Sylvia Plath, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Elsa Triolet ou Simone de Beauvoir… Ou ainda, quando, depois de todos os desencantos, descobri Noemia de Sousa, Maya Angelou, Julianne Malveaux, Alice Walker, Toni Morrison, Bessie Head ou Wangari Mathaai?

Onde andavam essas mulheres que nunca apreenderam o sentido de oprobio imbuido na pratica de se “fazerem ‘a vida” atraves de “lutas de galinheiro”, sem qualquer racionalidade a nao ser demonstrarem a sua “superioridade” em disputas pelo que supoeem ser e pretendem fazer passar por “ideias e conceitos”, mas que na verdade nao passam de “preconceitos reorganizados” para lhes servirem como armas de arremesso em competicoes imbecis e irracionais, em espacos virtuais, pela atencao de homens, por nenhuma outra razao objectiva senao obterem notoriedade e tentarem impor-se como “unicos seres pensantes” (normalmente por nenhuma "obvia razao" senao a cor da sua pele, embora tambem haja excepcoes a essa "regra"...) nos circulos em que se movimentam? Onde?! Em que mundo vivem essas mulheres completamente incapazes de se emanciparem dos mais retrogrados e ignorantes preconceitos e praticas que, com as suas vestes e comportamentos domingueiros, impingem, frequentemente atraves de alguns homens suficientemente “desprevenidos” para tal, sobre outras mulheres – via de regra, as mais desprotegidas economica, social e politicamente – fazendo retroceder a luta das mulheres pela igualdade de generos pelo menos um seculo? Onde?!

Nao sei, nem me interessa particularmente saber. Quanto mais nao seja porque todas essas interrogacoes tambem me deixam a perguntar-me: porque que eu nao torno a minha vida "mais facil" comportando-me da mesma maneira? Ja’ ouvi de pelo menos dois amigos meus, sem qualquer relacao entre si, esta afirmacao: “tu pensas muito…”! Nao me lembro de lhes ter dado qualquer resposta porque tal afirmacao apenas me remete a pensar mais ainda: sera’ que a minha “inocencia” em tecnicas e tacticas “tipicamente femininas” se deve ao facto de ter passado tantos anos (...num mundo em que, curiosamente, a maioria das mulheres, e em particular as que se demonstram mais afoitas e talentosas em desferirem ataques cobardes e inescrupulosos contra mulheres como eu, nao se atrevem a entrar...) a resolver complicadas equacoes econometricas, a tentar encontrar “Nash equilibria” para os mais diversos ‘conumdrums’ da historia, da cultura, da sociedade, do desenvolvimento economico ou da politica internacional, a aprimorar o meu jogo de xadrez, ou a cultivar e a desenvolver a capacidade de pensamento estrategico sobre os mais diversos desafios da condicao humana e da vida quotidiana num mundo, mais frequentemente do que nao, hostil? Nao sei. Fico-me com o Bob Marley: “What you gotta… that I don’t know! I’m trying to wonder, wonder… wonder why… wonder, wonder why you act so”!

Mulheres…

PS: No artigo em anexo, faco mencao particular 'as maes solteiras e nisso remeto-me, e aos leitores, ao que tem estado a ocupar o tempo de milhoes de leitores da J.K. Rowling, essa “fab (former) single mom”, autora de “Harry Potter”, neste domingo: o ultimo volume da serie, espectacularmente lancado aqui em Londres ha’ dois dias. Sinto-me proxima do mundo (antigo) dela por razoes muito particulares: somos contemporaneas da “cruzada do Blair contra as maes solteiras”; ela, enquanto mae solteira a viver de “benefits” quando tal “cruzada” se comecou a manifestar, comecou a escrever a serie num café na area onde eu vivo e onde me sentei pela primeira vez num café de Londres… apenas a imensa fortuna que ela acumulou na ultima decada (e a cor da pele?) nos separa.



Post Relacionado:

Woman To Woman


*(First published 22/07/07)




"Como Entender As Mulheres" (Primeiro Volume...)


Domingo e’, a todos os titulos, um dia especial. Tentar justificar essa evidencia e’ praticamente um “no brainer”, ou seja, e’ como tentar-se justificar porque que a chuva molha. Mas, digamos que e’ especial porque nao se trabalha, a excepcao daquelas ocupacoes – formais, como policia e bombeiros, ou informais, como ‘blogging’ – que a isso nos obrigam, ou naquelas sociedades, culturas e religioes que respeitam o “Sabath” literalmente ao Sabado. E’ tambem o dia em que, seja para uma ida a missa, ao mercado, a baixa da cidade, ao centro comercial, ou a uma visita a casa de familiares ou amigos, tentamos sempre apresentar-nos no nosso melhor – em termos de indumentaria ou comportamento. E nao ha’ ninguem melhor do que as mulheres para evidenciarem essa realidade domingueira.

Transportando essa evidencia para a vida mais quotidiana, encontro que… e’ muito dificil entender as mulheres (… nao estou sozinha nisto, sei-o bem: praticamente todos os homens, secundando Freud, disseram-no e continuam a dize-lo…). E isto muito simplesmente porque, pelo menos na vida social, elas tendem maioritariamente a comportar-se como e a vestir-se com as suas poses e vestimentas “domingueiras” que, a uma observacao mais proxima e/ou cuidada, nos revelam que nao passam disso mesmo: comportamento e vestes domingueiras… nada mais quotidiano, nada mais substantivo, nada mais profundo. Falar (de) assim, quando eu sou mulher e nunca me conheci outro genero ou inclinacao sexual, “soa mal” e e’ “politicamente incorrecto” – eu sei. Mas tambem sei que dificilmente havera’ inimigo pior de uma mulher do que outra mulher… dificilmente havera’, pelo menos em certas profissoes e niveis hierarquicos, pior colega de trabalho de uma mulher do que outra mulher. Sei tambem que nao estou sozinha nisto: ouvi-o de outras mulheres, desde ministras a empregadas domesticas, passando por escritoras, escriturarias e profissionais universitarias.

E sei-o, tambem, por experiencia propria: nao ha’ muito tempo, vi-me forcada a abandonar intempestivamente a que talvez tenha sido a melhor posicao profissional da minha vida por uma questao de principio: nao consegui encontrar espaco, ou instrumento, no meu vasto “arsenal” de defesas contra o sexismo e a discriminacao, para tolerar um ataque pornografico, completamente nao provocado (se e’ que e’ possivel “provocar-se” tal coisa…) e “out of the blue”, por parte de um colega de trabalho (por sinal, angolano)… e enquanto o perpetrador encontrava apoio entre os poderosos chefoes masculinos, eu vi-me completamente “desertada” por todas as colegas femininas, incluindo as igualmente poderosas, bem falantes, articuladas, feministas e activistas “burocratas do genero”… E estas nao eram daquelas “de trazer por casa” nao: eram precisamente das que andam pelas reunioes de alto nivel em plataformas internacionais a falar em nome das mulheres Africanas! (But then, again, in their “more African than thou” postures, I’m not African anyway and, presumably, I should have felt exhilarated, honoured and over the moon for having attracted that sort of unwanted attention… ‘cause, presumably, I should be “liberated enough” to accept pornography as a “pleasurable and normal thing”, even in the workplace, when it causes me nothing but disgust and distress…).

Anyway, antes que isto me leve ‘a tese que sempre quis escrever sobre “mulheres…”, mas que sei que nunca escreverei, porque e’ um assunto demasiado pesado para o meu arcaboico, deixem-me encurtar caminho: ja’ sabia bastante sobre a “verdadeira realidade” da “condicao feminina”, por a ter experimentado, vivido e escrito sobre (o artigo em anexo, escrito e publicado no Semanario Angolense ha’ cinco anos atras, e’ apenas disso uma amostra), mas nenhuma das minhas experiencias anteriores me tinha dito tanto sobre essa realidade como esta experiencia de ‘blogging’ nos ultimos meses… Talvez porque, sobretudo sob o anonimato ou mascaras e bandeiras de qualquer especie ou cor, e’ mais facil revelarem-se verdadeiras indumentarias, comportamentos e… identidades. Assim, este blog trouxe-me, ate’ agora, pelo menos duas experiencias ineditas: ver-me confrontada com, atacada, insultada, embaracada e coisificada publicamente por “mulheres” capazes de desferirem ataques pornograficos e violacoes, senao fisicas (e talvez apenas porque disso nao teem possibilidade…), certamente psicologicas e morais, contra outras mulheres, ‘apenas porque lhes da’ na real gana’, e “conhecer” mulheres com inexcediveis e vertiginosos niveis de arrogancia ignorante, racismo, xenofobia, elitismo, soberba e um misto de complexos de superioridade e de inferioridade, que nao sabia antes sequer possivel existirem! Certamente, tambem pude verificar, ate’ agora, excepcoes ‘a regra: pelo menos duas mulheres, so’ para mencionar as ‘bloggers’ que consistentemente se teem manifestado acima de comportamentos mesquinhos, invejas e ciumeiras irracionais, o teem demonstrado atraves das suas diversas participacoes neste blog. Mas receio bem que sejam pouco mais do que as excepcoes que confirmam a regra…

Essas experiencias ineditas, quanto mais nao seja, teem-me deixado a perguntar-me: onde e’ que andavam certas mulheres, em finais da decada de 70, principios da de 80, quando, em Luanda, tanto quanto eu tinha que marcar lugar na bicha para a carne, marcava lugar na bicha da livraria ‘Mensagem’, para poder comprar um exemplar da revista portuguesa “Mulheres” – onde tive os primeiros serios contactos com as lutas das “tres Marias”, o conceito de “Matria” da Natalia Correia (de quem, mais tarde, tive o prazer de ouvir cantar o “Summertime”, que aqui podemos ouvir tao eloquentemente na “voz” de Charlie Parker, numa casa de fados de Lisboa), ou as poesias de Sophia de Mello Breyner ou Florbela Espanca - essa geracao de Mulheres que rejeitavam liminarmente, entre outros "diminutivos", designacoes como "poetisa"? Ou quando, mesmo depois de ter conseguido assegurar uma subscricao que me poupava da bicha mensal (pelo menos teoricamente, porque meses havia em que chegava la’ e mesmo para os subscritores a revista estava “esgotada”…), me lancei, por minha conta e risco, em busca do entendimento possivel das almas de Sylvia Plath, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Elsa Triolet ou Simone de Beauvoir… Ou ainda, quando, depois de todos os desencantos, descobri Noemia de Sousa, Maya Angelou, Julianne Malveaux, Alice Walker, Toni Morrison, Bessie Head ou Wangari Mathaai?

Onde andavam essas mulheres que nunca apreenderam o sentido de oprobio imbuido na pratica de se “fazerem ‘a vida” atraves de “lutas de galinheiro”, sem qualquer racionalidade a nao ser demonstrarem a sua “superioridade” em disputas pelo que supoeem ser e pretendem fazer passar por “ideias e conceitos”, mas que na verdade nao passam de “preconceitos reorganizados” para lhes servirem como armas de arremesso em competicoes imbecis e irracionais, em espacos virtuais, pela atencao de homens, por nenhuma outra razao objectiva senao obterem notoriedade e tentarem impor-se como “unicos seres pensantes” (normalmente por nenhuma "obvia razao" senao a cor da sua pele, embora tambem haja excepcoes a essa "regra"...) nos circulos em que se movimentam? Onde?! Em que mundo vivem essas mulheres completamente incapazes de se emanciparem dos mais retrogrados e ignorantes preconceitos e praticas que, com as suas vestes e comportamentos domingueiros, impingem, frequentemente atraves de alguns homens suficientemente “desprevenidos” para tal, sobre outras mulheres – via de regra, as mais desprotegidas economica, social e politicamente – fazendo retroceder a luta das mulheres pela igualdade de generos pelo menos um seculo? Onde?!

Nao sei, nem me interessa particularmente saber. Quanto mais nao seja porque todas essas interrogacoes tambem me deixam a perguntar-me: porque que eu nao torno a minha vida "mais facil" comportando-me da mesma maneira? Ja’ ouvi de pelo menos dois amigos meus, sem qualquer relacao entre si, esta afirmacao: “tu pensas muito…”! Nao me lembro de lhes ter dado qualquer resposta porque tal afirmacao apenas me remete a pensar mais ainda: sera’ que a minha “inocencia” em tecnicas e tacticas “tipicamente femininas” se deve ao facto de ter passado tantos anos (...num mundo em que, curiosamente, a maioria das mulheres, e em particular as que se demonstram mais afoitas e talentosas em desferirem ataques cobardes e inescrupulosos contra mulheres como eu, nao se atrevem a entrar...) a resolver complicadas equacoes econometricas, a tentar encontrar “Nash equilibria” para os mais diversos ‘conumdrums’ da historia, da cultura, da sociedade, do desenvolvimento economico ou da politica internacional, a aprimorar o meu jogo de xadrez, ou a cultivar e a desenvolver a capacidade de pensamento estrategico sobre os mais diversos desafios da condicao humana e da vida quotidiana num mundo, mais frequentemente do que nao, hostil? Nao sei. Fico-me com o Bob Marley: “What you gotta… that I don’t know! I’m trying to wonder, wonder… wonder why… wonder, wonder why you act so”!

Mulheres…

PS: No artigo em anexo, faco mencao particular 'as maes solteiras e nisso remeto-me, e aos leitores, ao que tem estado a ocupar o tempo de milhoes de leitores da J.K. Rowling, essa “fab (former) single mom”, autora de “Harry Potter”, neste domingo: o ultimo volume da serie, espectacularmente lancado aqui em Londres ha’ dois dias. Sinto-me proxima do mundo (antigo) dela por razoes muito particulares: somos contemporaneas da “cruzada do Blair contra as maes solteiras”; ela, enquanto mae solteira a viver de “benefits” quando tal “cruzada” se comecou a manifestar, comecou a escrever a serie num café na area onde eu vivo e onde me sentei pela primeira vez num café de Londres… apenas a imensa fortuna que ela acumulou na ultima decada (e a cor da pele?) nos separa.



Post Relacionado:

Woman To Woman


*(First published 22/07/07)

Tuesday, 12 February 2008

INTERROGATING THE BLOGOSPHERE (II)

In the previous post, I raised, among others, the following questions:

Firstly, what is exactly the “mainstream media”? Does it include the same type of outlets in New York, Lisbon, Luanda, Boston, Porto, Brazilia, Maputo, London, Praia, Vila Nova de Gaia, Rio, Lubango or Dili? Secondly, to what extent can a blogger based in Portugal, USA, UK or Cabo Verde accurately reflect the voices of communities and individual citizens in N’Dalatando, Quelimane or Principe, whose concerns might not be heard online? Can such a blogger in any case reflect them better than another one based closer to those communities, unless he visits them regularly or has close family, friendship, or professional ties with them? Thirdly, who gets to determine, and under whose criteria, which are “the most interesting conversations and perspectives emerging from citizens’ media around the world”, as per the GVO “Primary Goals”?

Trying to find some answers, I took a close look at the GVO coverage of “Portuguese-speaking African countries” in the last six months*:

The most striking observation from this graph is that OC appears not only, as we have seen before, as the “undisputed champion” of GVO reporting about the “Angolan blogosphere”, but also as the “champion” (only “disputed” by Carlos Serra, one of the bloggers I covered for GVO) of their “Lusophone” Sub-Saharan Africa reporting. A second interesting observation is that less than one third of the bloggers covered are actually based in Sub-Saharan Africa.

Another, not less interesting, observation is that we get, just to give an example, issues and events about Angola or Sao Tome & Principe covered by East-Timorese or Portuguese blogs – which perhaps shouldn’t come as a surprise considering that some of these blogs are, to put it mildly, “highly influenced” (at least judging from the prominence of his picture on them) by none other than OC, who also appears as the presumable overseer of a “blog production line” (Fabrica de Blogues) spreading from Portugal to Timor. It’s also interesting to observe how OC manages to appear in the coverage of an event in Mozambique, which was being thoroughly covered by Mozambican bloggers in situ.

At first sight, one might be tempted to conclude that these trends reflect a lack of diversity of African-based blogs written in Portuguese. However, as it can be gathered from
this list (where, incidentally, my blog doesn’t figure and, by their own admission, is “manipulated” by… exactly, OC), or from this one (where my blog is also not listed) that is not the case.

It is abundantly clear that the GVO “Portuguese-speaking Africa” editorial line is inspired by the concept of “lusofonia”. However, this raises a number of issues, starting with this: just imagine that you are a South African blogger systematically seeing events happening at your doorstep, and that you also blogged about, reported at GVO by British, Nigerian or American bloggers simply because they too are English-speaking and read about it in the conventional mainstream media, or in your own blog? Or that you are a Maurician or Malgache Creole-speaking citizen who finds your local issues covered at GVO by Gabonese, Algerian or Haitian bloggers, in French, just because their countries are also former French colonies? And this kind of examples could go on and on.

But perhaps the most problematic implication of that approach is that the concept of “lusofonia” itself is a highly contentious one and is far from reuniting consensus in all countries involved – not least because, on the one end, the majority of the African populations in those countries are primarily speakers of their own national languages and, on the other, the concept is highly reminiscent of the Portuguese colonial state’s imperial ideology, according to which there was a single “cultural unit” from Minho (extreme North of Portugal) to Timor - as reflected by the spread of the "OC blogging empire"...

The controversy generated by that approach can be gathered, for instance, from this article by a Mozambican professor of African Literatures at a Portuguese University, or from an article by a Brazilian writer and senior government official, whose link can be found on this post, or from another article by the Mozambican author Joao Craveirinha, whose link can be found on this post. However, these ponderous critical perspectives are unceremoniously dismissed as “gritaria” by the Portuguese language editorial team at GVO, which happens to be exclusively integrated by Brazilian citizens.

Now, on the question of who gets to determine, and under whose criteria, which are “the most interesting conversations and perspectives emerging from citizens’ media around the world”, as per the GVO “Primary Goals”?, let’s just look at some examples taken at random:

- How is it decided that
this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?

- How is it decided that
this treatment of the “Miss Landmine Angola Pageant” is “more interesting” than, say, this one?

- How is it decided that
this presentation of an Angolan music/dance genre is “more interesting” than, say, this one (where the main message is that “Angola is good for everybody except for Angolans”), or any of these (where the rising voices and social consciousness of a new generation of Angolan musicians appear loud and clear)?

- How is it decided that
this tribute to Ian Smith is “more interesting”, than, say, something like this?

- How is it decided that this anonymous email message is credible and "more interesting" than any other possible account of the reality on the ground, such as these, or any of these?

- How is it decided that this account of the EU-Africa Summit is "more interesting than, say, this one?

- How is it decided that an event like this “is not interesting”?

Finally, how can GVO’s “loud silence” about
this event be explained? The same GVO whose mission includes things like, “shining light on places and people other media often ignore (…) to make sense of it all, and to highlight things that bloggers are saying which mainstream media may not be reporting (…) to help people speak out in places where powerful forces would prevent them from doing so (…) and to enable more people whose voices and views are not heard to speak out online.”
The same GVO where articles like this, for example, can be read?

*N.B.: To be accurate, in all 6 instances where my blog appears on GVO links during the period under analysis, it was not on the initiative of the Portuguese-language editorial team. So, they shouldn't be included in this graph because, for all intents and purposes, this blog was excluded from their reporting in the last six months.
In the previous post, I raised, among others, the following questions:

Firstly, what is exactly the “mainstream media”? Does it include the same type of outlets in New York, Lisbon, Luanda, Boston, Porto, Brazilia, Maputo, London, Praia, Vila Nova de Gaia, Rio, Lubango or Dili? Secondly, to what extent can a blogger based in Portugal, USA, UK or Cabo Verde accurately reflect the voices of communities and individual citizens in N’Dalatando, Quelimane or Principe, whose concerns might not be heard online? Can such a blogger in any case reflect them better than another one based closer to those communities, unless he visits them regularly or has close family, friendship, or professional ties with them? Thirdly, who gets to determine, and under whose criteria, which are “the most interesting conversations and perspectives emerging from citizens’ media around the world”, as per the GVO “Primary Goals”?

Trying to find some answers, I took a close look at the GVO coverage of “Portuguese-speaking African countries” in the last six months*:

The most striking observation from this graph is that OC appears not only, as we have seen before, as the “undisputed champion” of GVO reporting about the “Angolan blogosphere”, but also as the “champion” (only “disputed” by Carlos Serra, one of the bloggers I covered for GVO) of their “Lusophone” Sub-Saharan Africa reporting. A second interesting observation is that less than one third of the bloggers covered are actually based in Sub-Saharan Africa.

Another, not less interesting, observation is that we get, just to give an example, issues and events about Angola or Sao Tome & Principe covered by East-Timorese or Portuguese blogs – which perhaps shouldn’t come as a surprise considering that some of these blogs are, to put it mildly, “highly influenced” (at least judging from the prominence of his picture on them) by none other than OC, who also appears as the presumable overseer of a “blog production line” (Fabrica de Blogues) spreading from Portugal to Timor. It’s also interesting to observe how OC manages to appear in the coverage of an event in Mozambique, which was being thoroughly covered by Mozambican bloggers in situ.

At first sight, one might be tempted to conclude that these trends reflect a lack of diversity of African-based blogs written in Portuguese. However, as it can be gathered from
this list (where, incidentally, my blog doesn’t figure and, by their own admission, is “manipulated” by… exactly, OC), or from this one (where my blog is also not listed) that is not the case.

It is abundantly clear that the GVO “Portuguese-speaking Africa” editorial line is inspired by the concept of “lusofonia”. However, this raises a number of issues, starting with this: just imagine that you are a South African blogger systematically seeing events happening at your doorstep, and that you also blogged about, reported at GVO by British, Nigerian or American bloggers simply because they too are English-speaking and read about it in the conventional mainstream media, or in your own blog? Or that you are a Maurician or Malgache Creole-speaking citizen who finds your local issues covered at GVO by Gabonese, Algerian or Haitian bloggers, in French, just because their countries are also former French colonies? And this kind of examples could go on and on.

But perhaps the most problematic implication of that approach is that the concept of “lusofonia” itself is a highly contentious one and is far from reuniting consensus in all countries involved – not least because, on the one end, the majority of the African populations in those countries are primarily speakers of their own national languages and, on the other, the concept is highly reminiscent of the Portuguese colonial state’s imperial ideology, according to which there was a single “cultural unit” from Minho (extreme North of Portugal) to Timor - as reflected by the spread of the "OC blogging empire"...

The controversy generated by that approach can be gathered, for instance, from this article by a Mozambican professor of African Literatures at a Portuguese University, or from an article by a Brazilian writer and senior government official, whose link can be found on this post, or from another article by the Mozambican author Joao Craveirinha, whose link can be found on this post. However, these ponderous critical perspectives are unceremoniously dismissed as “gritaria” by the Portuguese language editorial team at GVO, which happens to be exclusively integrated by Brazilian citizens.

Now, on the question of who gets to determine, and under whose criteria, which are “the most interesting conversations and perspectives emerging from citizens’ media around the world”, as per the GVO “Primary Goals”?, let’s just look at some examples taken at random:

- How is it decided that
this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?

- How is it decided that
this treatment of the “Miss Landmine Angola Pageant” is “more interesting” than, say, this one?

- How is it decided that
this presentation of an Angolan music/dance genre is “more interesting” than, say, this one (where the main message is that “Angola is good for everybody except for Angolans”), or any of these (where the rising voices and social consciousness of a new generation of Angolan musicians appear loud and clear)?

- How is it decided that
this tribute to Ian Smith is “more interesting”, than, say, something like this?

- How is it decided that this anonymous email message is credible and "more interesting" than any other possible account of the reality on the ground, such as these, or any of these?

- How is it decided that this account of the EU-Africa Summit is "more interesting than, say, this one?

- How is it decided that an event like this “is not interesting”?

Finally, how can GVO’s “loud silence” about
this event be explained? The same GVO whose mission includes things like, “shining light on places and people other media often ignore (…) to make sense of it all, and to highlight things that bloggers are saying which mainstream media may not be reporting (…) to help people speak out in places where powerful forces would prevent them from doing so (…) and to enable more people whose voices and views are not heard to speak out online.”
The same GVO where articles like this, for example, can be read?

*N.B.: To be accurate, in all 6 instances where my blog appears on GVO links during the period under analysis, it was not on the initiative of the Portuguese-language editorial team. So, they shouldn't be included in this graph because, for all intents and purposes, this blog was excluded from their reporting in the last six months.

Sunday, 10 February 2008

INTERROGATING THE BLOGOSPHERE (I)


Six months have passed since my last post in what turned out to be a very brief voluntary collaboration with GVO. So, I saw it fit to initiate this series of reflections on my life in the blogosphere so far with that experience.

When I started this journey in the blogosphere just over a year ago, I knew virtually nothing about it. I had accidentally come across one or two blogs before and that was it. So, when I was invited by the Sub-Saharan Africa editor of GVO to collaborate with them, covering the "Portuguese-speaking African countries", it took me a while to accept it but I eventually decided to take on the challenge – and how I knew from the beginning how much of a challenge it would be! I took it mainly as an opportunity to, as I gradually got to know the “lusosphere”, report about it, in English, to the global online community. So, to me it was all about “juntar o util ao agradavel”.

I set out without any particular agenda whatsoever, if not just because I didn’t know at all what I was about to find. But I had a very clear idea, guided by the GVO Manifesto and Mission Statement, that my work would be aimed at “shining light on places and people other media often ignore (…) to make sense of it all, and to highlight things that bloggers are saying which mainstream media may not be reporting (…) to help people speak out in places where powerful forces would prevent them from doing so (…) and to enable more people whose voices and views are not heard to speak out online.”

Well, I may have arrived at the blogosphere as naïve as a nun straight out of a convent, but I was (am) all but naïve about the real world. A real world where I have seen so many organisations, projects and people theoretically motivated by some of the most noble of principles, aims and objectives but, given the opportunities created by lack of transparency and accountability, the pursuit of individual agendas, or other factors such as ignorance, short-sightedness, personal insecurities and lack of professionalism, in practice easily turn into arrogant, megalomaniac, insensitive monsters practicing the exact opposite of what they claim to profess.

More to the point: even though, at the start of my “mission” with GVO, I had gone through a very rough path of conflicts with pornographic, racist and extreme-right sectors of the “lusosphere” who seemed not to have any other purpose in life than to attempt by all means necessary to harass me and tarnish my reputation in the blogosphere, both in mine and other blogs, I had no intention of, on my reporting for GVO, sidelining anyone who might have sided with them, by words, deeds or omissions, provided that their blog posts met the GVO principles and objectives – and this much I clearly stated in the introduction to my first post for GVO.

So, I started with a blog based in Portugal through which the global world, using its comprehensive blogroll, could access virtually the entire “lusosphere”. Thereafter, my main concern was to give utmost priority to bloggers based in the countries I was supposed to cover. This led me to follow up my reporting with the first blog I found in the Mozambican blogosphere, and then with one of the few blogs reporting from inside Angola. My reporting took the form of “bloggers profiles” mainly because of the relatively fewer number of blogs in those countries and their geographical and thematic dispersion. In my choices, there were no considerations of race, gender, politico-ideological orientation or any other subjective factors. There was, however, a clear concern with whether the issues they were blogging about were of the kind that may not be reported by the mainstream media, either in the respective countries or abroad.

And this is where things got complicated. Firstly, what is exactly the “mainstream media”? Does it include the same type of outlets in New York, Lisbon, Luanda, Boston, Porto, Brazilia, Maputo, London, Praia, Vila Nova de Gaia, Rio, Lubango or Dili? Secondly, to what extent can a blogger based in Portugal, USA, UK or Cabo Verde accurately reflect the voices of communities and individual citizens in N’Dalatando, Quelimane or Principe, whose concerns might not be heard online? Can such a blogger in any case reflect them better than another one based closer to those communities, unless he visits them regularly or has close family, friendship, or professional ties with them? Thirdly, who gets to determine, and under whose criteria, which are “the most interesting conversations and perspectives emerging from citizens’ media around the world”, as per the GVO “Primary Goals”?

Before attempting to answer any of these questions, let me talk about the reactions to my third, and eventually last, post for GVO. It was attacked, or rather, I was attacked because of it, on that blog by a group of lusophone bloggers led by one certain Orlando Castro (OC) and including the first blogger I had covered for GVO, on the absolutely groundless and personally insulting libel that “unlike the author of that blog, I had fled Angola without thinking!” Well, this is someone I don’t know and doesn’t know me personally apart from the blogosphere (the same applying to all the bloggers I’ve come across so far) and with whom, I must stress, I never had exchanged any comments or dialogues, directly or indirectly (in fact, I only got to properly know his blog after taking that blow on the stomach from him completely out of the blue) and I might even, as I went on with my work, if allowed to, at some point cover his and his group’s blogs.

The origin of that totally unprovoked and absurd libellous attack about my alleged “flight” from Angola, with or without thinking, is well determined in the “lusosphere”, as are the motivations of its author, and I had it thrown at my face before by the people who have been keeping me under siege in the blogosphere and have forced me to temporarily restrict access to my blog and implement comment moderation on it (costing me a considerable number of visitors, commentators, friends and contributors) and also forced me to get an interview I had given to the blog Szavanna about Angolan music withdrawn.
However, to this day I struggle to understand what led OC to come up with it at that particular blog I covered for GVO. “Is it because I is black?”, as Ali G would ask, or was it because, unlike the previous two bloggers I had covered, the owner of that blog happens to be black? Or was it because I am a woman? Was it because that was the first Angolan-based blog I covered? Or did he think that his blog should have been the first to be covered? Or was it something to do with the subject matter of the post covered itself? I honestly don’t know.

What I have no doubts about is that OC and his followers descended there like a tonne of bricks upon me mainly to personally profit in one way or another from the exposure that blog would gain as a result of its appearance on GVO – interestingly enough, even before I started volunteering for GVO, I had made a comment on that blog (although only to get back a cold shoulder from its author, which I totally failed to understand at the time) and had at some stage linked it on my blog; however I don’t remember ever seeing there before a comment by OC or his friends, or the blog in question figuring in their blogrolls, or vice-versa.

However, the most disturbing of it all for me was that, as if I were carelessly poking a cobra with a very short stick, the supposed potential beneficiary of my voluntary time, effort and attention in that particular instance, in a fit of irrational hatred that I can only understand as the result of the most explosive mixture of ignorance, bad manners, inferiority and subaltern complexes and inversed racism, sided with OC against me, thus effectively behaving like a “turkey voting for Christmas”. This surely caught the attention of someone, somewhere, at GVO, who found in my attackers “the courage of their convictions”! The result?*

Still had any doubts that crime (in this case, opportunism, racism, bullying, intrigue, slander, defamation and libel) actually does pay? So, who is this “suppa duppa dude”, who, clearly as a reward for acting as a deranged sniper bent on forcing me out of my work with GVO and ultimately drive me offline, for allegedly “having fled my country of origin”, all of a sudden started to appear on GVO (I don’t recall his blog ever being mentioned there before) as the “undisputed champion” of blogging about Angola, while continuing undeterred with his vicious, venomous attacks, open or veiled, against me in association with his allies?

For all I know, he is a “professional journalist” (or at least he displays his Portuguese Journalists’ Union card number on his blog profile) who, together with other two bloggers who form among themselves an “exclusive and closed mutual appreciation society” of sorts, works for the mainstream online media outlet “Noticias Lusofonas”, based in Portugal. So, how likely is it that whatever issues he blogs about might not be reported by mainstream media? He is based in an interior locality of Portugal, Vila Nova de Gaia, not even in the capital, Lisboa, or any of the other major cities in the country, such as Porto, Setubal, Faro or Coimbra, where he could have some exposure to and direct contact with the African communities whose majority is based in those centres. So, how reliable can his blog be to reflect the voices of those citizens and of their families in Africa to the global world?

I also happen to know that OC is part of a group of former Portuguese settlers (colonos) who, in 1974, joined UNITA, because its president, Jonas Savimbi, backed by apartheid South Africa, presented himself to them as “the real and only safeguard of white interests in Angola”, while allegedly saying the exact opposite in his speeches in his mother tongue, Umbundu, which most of the white population couldn’t understand (yes, so much for the ‘lusofonia’…). However, he was not among the few whites who stayed in the country after independence in 1975, either fighting Savimbi’s battles on the ground, or on the other side enduring the effects of the long fratricide war, directly or indirectly, as my family and I did, together with the vast majority of Angolans. He fled the country.

Exactly, with or without thinking, he fled Angola in 1975 and never went back! Along the last 30 years, most of Savimbi’s white supporters, inside or outside the country, abandoned his ranks and some are now amongst his main detractors, having become stern defenders of the idea (right or wrong, that’s not what I’m discussing here) that if white interests were ever safeguarded in Angola by any political force, it was by the ruling party, MPLA, and that only they themselves could have done better. However, through his writings, it becomes apparent that he might go back only when “they themselves are in a position of power to do it, because they do it better!” In the meantime, and unlike even some of the most deeply-rooted UNITA militants, he continues to this day to refer to Savimbi as “My President”! So, that’s OC for you.

Most of his and his closest allies’ blog posts about African issues reflect the mentality of those around the world who attribute all African problems exclusively to the “innate incapability” of Africans – to whom he often refers indiscriminately as “monkeys who keep falling from trees because they have to take off one of their shoes in order to be able to count to 12…” – and pretend to pass themselves as “the voices of the voiceless” with an unmistakable, if hidden, ideological agenda: that of advancing, by hook, by crook, or by fluke, the cause of “recolonisation”. His blogging about Angola is all mainly based on reports by the mainstream media in Angola or Portugal and, as a result of that, his opinions are at best secondary and derivative and at worst little more than fabrications of a “fertile imagination”.

He seldom, if ever, reveals “his sources” on the ground, either for the texts or the pictures, (in fact, at least once he used one of my exclusive pictures but, unlike his closest friend, didn't acknowledge it), he publishes about Angola, most of which are not real illustrations of the “facts” and locations he purports to talk about, but selectively chosen to depict the worst possible images of Africa, all invariably reminiscent of the great draught and famine in the Ethiopia of the ‘80s, widely published by the western mainstream media and continually disseminated throughout certain sectors in the blogosphere as the “trademark” image of all countries in Africa, all the time. So, is “citizen’s media” according to GVO based on facts lived and observed in loco, or on second or third-hand, recycled opinion, and clichés produced at a long and safe geographical, cultural and temporal distance?

Now, before I proceed to attempt to find answers to the questions I have been posing, let me say that I am not fighting my causes, whatever they may be, through this. I’ve been fighting my causes, some worthy, others less so, throughout my life by a variety of legitimate means, and achieving whatever goals I might have set to myself in the blogosphere is not dependent on the ‘good will’ of anyone – certainly not anyone at GVO. So, you might ask why am I then making such a fuss about all this, particularly having said at the time that I would rather not elaborate on the reasons for my decision to end my collaboration with GVO? Isn’t this going to generate even more gratuitous publicity and “popular support” for the villains in this story? Shouldn’t I know better, for my blog and my own’s sake, than “messing with the big guys”?

My answer is very simple: because, my dear friends, this is my blog! This is the space where I’m supposed to freely talk about the things that affect me, my life, my family and friends in Africa and the society(ies), real or virtual, geographically close or distant, that I happen to live in, whenever I feel it necessary and appropriate to do so, without fear of persecution, backlash, personal vendettas or any other kind of retaliation.

Ultimately, I believe that it is my right and my duty to interrogate, and hopefully unveil, some of the processes through which certain “powers that be” actually “come to be” to begin with… before some of us start issuing “calls for recolonisation”! Otherwise, what would the blogosphere be for, or is all about, after all?
And, actually, things have reached a point where I have nothing to lose…


*N.B.: To be accurate, in all 6 instances where my blog appears on GVO links during the period under analysis, it was not on the initiative of the Portuguese-language editorial team. So, they shouldn't be included in this graph because, for all intents and purposes, this blog was excluded from their reporting in the last six months.


Six months have passed since my last post in what turned out to be a very brief voluntary collaboration with GVO. So, I saw it fit to initiate this series of reflections on my life in the blogosphere so far with that experience.

When I started this journey in the blogosphere just over a year ago, I knew virtually nothing about it. I had accidentally come across one or two blogs before and that was it. So, when I was invited by the Sub-Saharan Africa editor of GVO to collaborate with them, covering the "Portuguese-speaking African countries", it took me a while to accept it but I eventually decided to take on the challenge – and how I knew from the beginning how much of a challenge it would be! I took it mainly as an opportunity to, as I gradually got to know the “lusosphere”, report about it, in English, to the global online community. So, to me it was all about “juntar o util ao agradavel”.

I set out without any particular agenda whatsoever, if not just because I didn’t know at all what I was about to find. But I had a very clear idea, guided by the GVO Manifesto and Mission Statement, that my work would be aimed at “shining light on places and people other media often ignore (…) to make sense of it all, and to highlight things that bloggers are saying which mainstream media may not be reporting (…) to help people speak out in places where powerful forces would prevent them from doing so (…) and to enable more people whose voices and views are not heard to speak out online.”

Well, I may have arrived at the blogosphere as naïve as a nun straight out of a convent, but I was (am) all but naïve about the real world. A real world where I have seen so many organisations, projects and people theoretically motivated by some of the most noble of principles, aims and objectives but, given the opportunities created by lack of transparency and accountability, the pursuit of individual agendas, or other factors such as ignorance, short-sightedness, personal insecurities and lack of professionalism, in practice easily turn into arrogant, megalomaniac, insensitive monsters practicing the exact opposite of what they claim to profess.

More to the point: even though, at the start of my “mission” with GVO, I had gone through a very rough path of conflicts with pornographic, racist and extreme-right sectors of the “lusosphere” who seemed not to have any other purpose in life than to attempt by all means necessary to harass me and tarnish my reputation in the blogosphere, both in mine and other blogs, I had no intention of, on my reporting for GVO, sidelining anyone who might have sided with them, by words, deeds or omissions, provided that their blog posts met the GVO principles and objectives – and this much I clearly stated in the introduction to my first post for GVO.

So, I started with a blog based in Portugal through which the global world, using its comprehensive blogroll, could access virtually the entire “lusosphere”. Thereafter, my main concern was to give utmost priority to bloggers based in the countries I was supposed to cover. This led me to follow up my reporting with the first blog I found in the Mozambican blogosphere, and then with one of the few blogs reporting from inside Angola. My reporting took the form of “bloggers profiles” mainly because of the relatively fewer number of blogs in those countries and their geographical and thematic dispersion. In my choices, there were no considerations of race, gender, politico-ideological orientation or any other subjective factors. There was, however, a clear concern with whether the issues they were blogging about were of the kind that may not be reported by the mainstream media, either in the respective countries or abroad.

And this is where things got complicated. Firstly, what is exactly the “mainstream media”? Does it include the same type of outlets in New York, Lisbon, Luanda, Boston, Porto, Brazilia, Maputo, London, Praia, Vila Nova de Gaia, Rio, Lubango or Dili? Secondly, to what extent can a blogger based in Portugal, USA, UK or Cabo Verde accurately reflect the voices of communities and individual citizens in N’Dalatando, Quelimane or Principe, whose concerns might not be heard online? Can such a blogger in any case reflect them better than another one based closer to those communities, unless he visits them regularly or has close family, friendship, or professional ties with them? Thirdly, who gets to determine, and under whose criteria, which are “the most interesting conversations and perspectives emerging from citizens’ media around the world”, as per the GVO “Primary Goals”?

Before attempting to answer any of these questions, let me talk about the reactions to my third, and eventually last, post for GVO. It was attacked, or rather, I was attacked because of it, on that blog by a group of lusophone bloggers led by one certain Orlando Castro (OC) and including the first blogger I had covered for GVO, on the absolutely groundless and personally insulting libel that “unlike the author of that blog, I had fled Angola without thinking!” Well, this is someone I don’t know and doesn’t know me personally apart from the blogosphere (the same applying to all the bloggers I’ve come across so far) and with whom, I must stress, I never had exchanged any comments or dialogues, directly or indirectly (in fact, I only got to properly know his blog after taking that blow on the stomach from him completely out of the blue) and I might even, as I went on with my work, if allowed to, at some point cover his and his group’s blogs.

The origin of that totally unprovoked and absurd libellous attack about my alleged “flight” from Angola, with or without thinking, is well determined in the “lusosphere”, as are the motivations of its author, and I had it thrown at my face before by the people who have been keeping me under siege in the blogosphere and have forced me to temporarily restrict access to my blog and implement comment moderation on it (costing me a considerable number of visitors, commentators, friends and contributors) and also forced me to get an interview I had given to the blog Szavanna about Angolan music withdrawn.
However, to this day I struggle to understand what led OC to come up with it at that particular blog I covered for GVO. “Is it because I is black?”, as Ali G would ask, or was it because, unlike the previous two bloggers I had covered, the owner of that blog happens to be black? Or was it because I am a woman? Was it because that was the first Angolan-based blog I covered? Or did he think that his blog should have been the first to be covered? Or was it something to do with the subject matter of the post covered itself? I honestly don’t know.

What I have no doubts about is that OC and his followers descended there like a tonne of bricks upon me mainly to personally profit in one way or another from the exposure that blog would gain as a result of its appearance on GVO – interestingly enough, even before I started volunteering for GVO, I had made a comment on that blog (although only to get back a cold shoulder from its author, which I totally failed to understand at the time) and had at some stage linked it on my blog; however I don’t remember ever seeing there before a comment by OC or his friends, or the blog in question figuring in their blogrolls, or vice-versa.

However, the most disturbing of it all for me was that, as if I were carelessly poking a cobra with a very short stick, the supposed potential beneficiary of my voluntary time, effort and attention in that particular instance, in a fit of irrational hatred that I can only understand as the result of the most explosive mixture of ignorance, bad manners, inferiority and subaltern complexes and inversed racism, sided with OC against me, thus effectively behaving like a “turkey voting for Christmas”. This surely caught the attention of someone, somewhere, at GVO, who found in my attackers “the courage of their convictions”! The result?*

Still had any doubts that crime (in this case, opportunism, racism, bullying, intrigue, slander, defamation and libel) actually does pay? So, who is this “suppa duppa dude”, who, clearly as a reward for acting as a deranged sniper bent on forcing me out of my work with GVO and ultimately drive me offline, for allegedly “having fled my country of origin”, all of a sudden started to appear on GVO (I don’t recall his blog ever being mentioned there before) as the “undisputed champion” of blogging about Angola, while continuing undeterred with his vicious, venomous attacks, open or veiled, against me in association with his allies?

For all I know, he is a “professional journalist” (or at least he displays his Portuguese Journalists’ Union card number on his blog profile) who, together with other two bloggers who form among themselves an “exclusive and closed mutual appreciation society” of sorts, works for the mainstream online media outlet “Noticias Lusofonas”, based in Portugal. So, how likely is it that whatever issues he blogs about might not be reported by mainstream media? He is based in an interior locality of Portugal, Vila Nova de Gaia, not even in the capital, Lisboa, or any of the other major cities in the country, such as Porto, Setubal, Faro or Coimbra, where he could have some exposure to and direct contact with the African communities whose majority is based in those centres. So, how reliable can his blog be to reflect the voices of those citizens and of their families in Africa to the global world?

I also happen to know that OC is part of a group of former Portuguese settlers (colonos) who, in 1974, joined UNITA, because its president, Jonas Savimbi, backed by apartheid South Africa, presented himself to them as “the real and only safeguard of white interests in Angola”, while allegedly saying the exact opposite in his speeches in his mother tongue, Umbundu, which most of the white population couldn’t understand (yes, so much for the ‘lusofonia’…). However, he was not among the few whites who stayed in the country after independence in 1975, either fighting Savimbi’s battles on the ground, or on the other side enduring the effects of the long fratricide war, directly or indirectly, as my family and I did, together with the vast majority of Angolans. He fled the country.

Exactly, with or without thinking, he fled Angola in 1975 and never went back! Along the last 30 years, most of Savimbi’s white supporters, inside or outside the country, abandoned his ranks and some are now amongst his main detractors, having become stern defenders of the idea (right or wrong, that’s not what I’m discussing here) that if white interests were ever safeguarded in Angola by any political force, it was by the ruling party, MPLA, and that only they themselves could have done better. However, through his writings, it becomes apparent that he might go back only when “they themselves are in a position of power to do it, because they do it better!” In the meantime, and unlike even some of the most deeply-rooted UNITA militants, he continues to this day to refer to Savimbi as “My President”! So, that’s OC for you.

Most of his and his closest allies’ blog posts about African issues reflect the mentality of those around the world who attribute all African problems exclusively to the “innate incapability” of Africans – to whom he often refers indiscriminately as “monkeys who keep falling from trees because they have to take off one of their shoes in order to be able to count to 12…” – and pretend to pass themselves as “the voices of the voiceless” with an unmistakable, if hidden, ideological agenda: that of advancing, by hook, by crook, or by fluke, the cause of “recolonisation”. His blogging about Angola is all mainly based on reports by the mainstream media in Angola or Portugal and, as a result of that, his opinions are at best secondary and derivative and at worst little more than fabrications of a “fertile imagination”.

He seldom, if ever, reveals “his sources” on the ground, either for the texts or the pictures, (in fact, at least once he used one of my exclusive pictures but, unlike his closest friend, didn't acknowledge it), he publishes about Angola, most of which are not real illustrations of the “facts” and locations he purports to talk about, but selectively chosen to depict the worst possible images of Africa, all invariably reminiscent of the great draught and famine in the Ethiopia of the ‘80s, widely published by the western mainstream media and continually disseminated throughout certain sectors in the blogosphere as the “trademark” image of all countries in Africa, all the time. So, is “citizen’s media” according to GVO based on facts lived and observed in loco, or on second or third-hand, recycled opinion, and clichés produced at a long and safe geographical, cultural and temporal distance?

Now, before I proceed to attempt to find answers to the questions I have been posing, let me say that I am not fighting my causes, whatever they may be, through this. I’ve been fighting my causes, some worthy, others less so, throughout my life by a variety of legitimate means, and achieving whatever goals I might have set to myself in the blogosphere is not dependent on the ‘good will’ of anyone – certainly not anyone at GVO. So, you might ask why am I then making such a fuss about all this, particularly having said at the time that I would rather not elaborate on the reasons for my decision to end my collaboration with GVO? Isn’t this going to generate even more gratuitous publicity and “popular support” for the villains in this story? Shouldn’t I know better, for my blog and my own’s sake, than “messing with the big guys”?

My answer is very simple: because, my dear friends, this is my blog! This is the space where I’m supposed to freely talk about the things that affect me, my life, my family and friends in Africa and the society(ies), real or virtual, geographically close or distant, that I happen to live in, whenever I feel it necessary and appropriate to do so, without fear of persecution, backlash, personal vendettas or any other kind of retaliation.

Ultimately, I believe that it is my right and my duty to interrogate, and hopefully unveil, some of the processes through which certain “powers that be” actually “come to be” to begin with… before some of us start issuing “calls for recolonisation”! Otherwise, what would the blogosphere be for, or is all about, after all?
And, actually, things have reached a point where I have nothing to lose…


*N.B.: To be accurate, in all 6 instances where my blog appears on GVO links during the period under analysis, it was not on the initiative of the Portuguese-language editorial team. So, they shouldn't be included in this graph because, for all intents and purposes, this blog was excluded from their reporting in the last six months.