Aconselharia a esses senhores uma pequena tentativa de se informarem um pouco melhor sobre a Cultura Bantu e a tradicao oral em Africa. A este proposito devo dizer-lhes, por exemplo, que as primeiras licoes que tive sobre a Historia do Reino do Kongo recebi-as da minha avo materna, que dele descendia. Algumas das estorias que ela me contou, fui-as encontrar mais tarde, com poucas ou nenhumas variacoes, por exmplo nos livros de Pelissier e na Monumenta Missionaria Africana do Padre Antonio Brazio…
Do mesmo modo, algumas das narrativas – algumas delas ainda por escrever – sobre o nacionalismo urbano angolano foram-me contadas pelo meu pai: aquele que espirrava sangue nas masmorras da PIDE quando eu nasci; o mesmo sangue que corria nas veias do homem que icou pela primeira vez a bandeira da RPA…
Nao sei quantos dos participantes daquela conversa poderao dizer que conhecem pelo menos 12 provincias do seu pais… ou pelo menos 14 paises Africanos… Eu posso-o.
Nao sei quantos dos mesmos participantes poderao dizer que viveram, desde que nasceram, imersos na cultura Africana – nao apenas que viveram ou vivem em Africa – isto e’, que foram nados e criados no seio de uma familia Africana, rindo seus risos, chorando suas lagrimas, comendo suas comidas, bebendo suas bebidas, ouvindo, cantando e dancando suas musicas durante toda a sua vida, mesmo quando temporariamente ausentes dos seus paises de origem… Eu vivo-o.
Nao me proponho, portanto, matricular-me em nenhuma ‘academia’ de um qualquer ‘parque jurassico’ para receber licoes de farmaceuticos radicados em Paris e de seus ajudantes de laboratorio radicados onde quer que seja, sobre os elementos mais rudimentares da Cultura e Historia de Africa. Nao precisaria sequer de invocar para tal o meu titulo de Mestre de Ciencia em Historia Economica e Economia do Desenvolvimento, com o grau de Merito, pelo departamento universitario mais credenciado em todo o mundo nessa area…
E porque, apesar de tudo isso, nao me proponho “re-escrever” a Historia de Africa, recomendo-lhes vivamente a leitura da obra de Joseph Ki-zerbo publicada sob a chancela da UNESCO, ficando-me apenas por esta referencia para nao os sobrecarregar com uma completa bibliografia obrigatoria.
Votos de boa leitura!
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COLÓQUIO HISTÓRIA E HISTORIADORES DA ÁFRICA"Estranhamentos e intolerâncias têm sido a tônica nos encontros/confrontos do Velho com o Novo Mundo. Nesse processo, têm ficado à margem memórias, saberes, falares, viveres, códigos de escrita e de comunicação de povos de tradições ancestrais de oralidade – entre os quais contam-se ameríndios, africanos, filhos da diáspora e outros povos e culturas escravizados nas diversas fases da expansão das relações de mercado na modernidade européia.
A partir de resistências culturais limítrofes , visões de mundo, cosmogonias, relações entre cultura e natureza, expressões artísticas, concepções de corpo, estéticas, sensibilidades e religiosidades vêm rompendo barreiras, ainda que tenham sido historicamente ignoradas ou desconsideradas nos índices hierarquizadores de “raças” que pautam os cânones letrados e científicos ocidentais, que se pretenderam iluministas, racionais e progressistas. Vozes, sons, gestos e performances, inicialmente locais e fragmentários como expressões que são de “entre-lugares deslizantes” , não só renovaram e oxigenaram o estoque cultural dominante, como produziram identidades múltiplas, adensando suas reivindicações por autonomia, liberdades e reconhecimento de suas raízes e matrizes culturais, em lutas que reverberam no direito à memória e à história.
Pioneiro no empreendimento vital pelo direito à história dos povos e culturas subjugadas e silenciadas no universo do conhecimento eurocêntrico, Joseph Ki-Zerbo empenhou-se em invocar, demonstrar e lançar bases para a produção continuada e constantemente atualizada de uma História da África Negra."
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*(Publicado inicialmente a 12/10/07)
When I was growing up in the fifties, I could never have imagined that one of Harvard's most respected departments would be a Department of Afro-American Studies and that twenty professors would be teaching here at the turn of the century. Our experience at Harvard is just one instance of a much larger phenomenon. Since the death of Dr. Martin Luther King in 1968, individual African Americans have earned positions higher within white society than any person black or white could have dreamed possible in the segregated 1950s. And this is true in national and local government, in the military and in business, in medicine and education, on TV and in film. Virtually anywhere you look in America today, you'll find black people..jpg)




















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