Wednesday, 16 July 2008

ALBERTO TETA LANDO (R.I.P.)


Aconteceu o que, com consternacao, ha’ dias aqui se antecipava.





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Mumpiozzo Ame

A esperanca de que, tambem desta vez, a noticia viesse a revelar-se infundada fez protelar esta singela homenagem por tempo suficiente para que a familia enlutada recuperasse minimamente da fatalidade com que ha’ algum tempo se vinha confrontando e que, justificadamente, preferiria ver desmentida ou, pelo menos, adiada.





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Reunir (Funge de Domingo)

A tristeza e’ tao grande quanto a proximidade familiar e afectiva que o fazia tratar-me por sobrinha.





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Angolano Segue em Frente

A perda prematura para a musica e a cultura Angolana e’ irreparavel.

[Mais Informacao Aqui e Aqui]


Aconteceu o que, com consternacao, ha’ dias aqui se antecipava.





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Mumpiozzo Ame

A esperanca de que, tambem desta vez, a noticia viesse a revelar-se infundada fez protelar esta singela homenagem por tempo suficiente para que a familia enlutada recuperasse minimamente da fatalidade com que ha’ algum tempo se vinha confrontando e que, justificadamente, preferiria ver desmentida ou, pelo menos, adiada.





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Reunir (Funge de Domingo)

A tristeza e’ tao grande quanto a proximidade familiar e afectiva que o fazia tratar-me por sobrinha.





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Angolano Segue em Frente

A perda prematura para a musica e a cultura Angolana e’ irreparavel.

[Mais Informacao Aqui e Aqui]

Tuesday, 15 July 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (17)

Nesta edicao, oportunidade para repescar alguns artigos e entrevistas que ficaram ‘na gaveta’ durante as ultimas semanas.

Comecando pelas entrevistas:

Filipe Mukenga ao Novo Jornal (NJ)

Ao completar 45 anos de vida artística e 30 anos de parceria com Filipe Zau, Filipe Mukenga prepara o quarto e, talvez, último disco da sua carreira. Em entrevista ao Novo Jornal, o autor de "Angola no Coração" mostra-se desiludido com a falta de reconhecimento do seu trabalho pelos angolanos e aponta caminhos para o desenvolvimento da música nacional: mais formação, mais acesso a instrumentos e maior união entre os artistas.
(...)
Faço harmonias complicadas e opto por um conteúdo poético rico. Criei então o rótulo NMA (Nova Música de Angola), que sintetiza a minha filosofia enquanto músico.
(...)
O que podemos esperar do disco "Nós Somos Nós", que lançará em Setembro?
São 14 canções, muitas delas compostas por mim em parceria com o Filipe Zau. Com elas quero, acima de tudo, homenagear o nosso povo pela paz que conseguiu alcançar. Em termos musicais, pretendo mostrar a ligação entre o semba e o samba que são, de facto, ritmos irmãos. É um disco a pensar também no enorme mercado brasileiro.
[Aqui]

Rui Mangueira ao Semanario Angolense (SA)
Não se sabe quanto o Estado angolano arrecada de impostos do animado movimento de mercadorias entre o Dubai (capital económica dos Emirados Árabes Unidos) e Angola. Trata-se de um movimento que poderá crescer nos próximos meses, com a abertura, no passado dia 12, da rota comercial da TAAG, que vem encurtar a viagem que se fazia passando por Joanesburgo (África do Sul) e, mais recentemente, por Addis Abeba (Etiópia). (…) Desta conversa com Rui Mangueira, recentemente nomeado embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, pode perceber-se a importância que aquele país vai tendo nas trocas comerciais dos angolanos e as oportunidades que existem para o empresariado angolano, se este se organizar e sonhar com conquistar outros mercados.

Mari Alkatiri ao Cruzeiro do Sul

Governei o país durante quatro anos, com um orçamento anual inferior a 84 milhões de dólares. Este governo está a governar com um orçamento de 400 milhões por ano, e está já a propor um orçamento rectificativo de mais de 200 milhões de dólares.
Eles não têm programa, não têm plano, governam com bilhetinhos. O Xanana manda
bilhetinho para os ministros: faça isso, faça aquilo... (risos). Governa com bilhetinhos. Importa que Xanana Gusmão tenha a coragem de assumir que foi ele quem dividiu o país em leste e Oeste. Divisão esta que teve as consequências desastrosas: violência generalizada, implosão da Policia nacional de Timor-Leste…
[Aqui]

Passando aos artigos:

No SA exaltou-se a “coragem da China”
Quando Mao desencadeou a «longa marcha» que é já uma mitologia viva da revolução chinesa e até do século vinte, a China era um país pobre onde mesmo assim os pobres eram obrigados a pagar uma renda aos ricos em cereais, prática essa - a do pátio das rendas- que se imortaliza nas artes plásticas chinesas. Agora, imaginemos que Mao estaria a ver a China de hoje, a economia, as cidades, a cultura, a quase ausência de fome, a indústria, a construção civil, em suma, a grande marcha que transformou a China grande numa grande China como um sismo de progresso, que discute os mercados palmo a palmo com as grandes potências mundiais. Não muitas vezes a midia ocidental mostra as conquistas dos chineses, os novos edifícios e cidades, os estabelecimentos de ensino, os hospitais e o crescente empenho na cultura. Foi preciso vir a maka da chama olímpica e do Lama e, agora, a desgraça do sismo e suas réplicas, para vermos a China em tudo que é ecrã.
[Aqui]

O NJ destacou os investimentos de Stanley Ho nos bio-combustiveis

A Geocapital, do magnata chinês Stanley Ho, prepara-se para entrar no mercado dos bio combustíveis, surgindo Angola entre os países incluídos na lista de um investimento que vai trazer para África cerca de 30 mil milhões de US dólares num prazo de 10 anos. A empresa, criada em 2005 em Macau para desenvolver projectos nos países lusófonos, tem mantido uma grande proximidade e afinidade com a Sonangol, como ficou demonstrado pela conjugação de esforços na recente crise no BCP (as duas empresas formam, em conjunto, o maior bloco accionista do maior banco privado português). A produção de bio combustíveis, além de Angola, vai também acontecer em Moçambique e na Guiné-Bissau, deverá iniciar-se até 2010 e atingir, a partir de 2020, uma produção de 14 milhões de toneladas/ano, cerca de 10 por cento da produção mundial.
[Aqui]

O A Capital deu-nos noticia do projecto de reconstrucao do Teatro Avenida

O velho Teatro Avenida dará lugar a um novo projecto arquitectónico que proporcionará melhores condições de trabalho aos artistas e maior comodidade aos cidadãos. Foi neste sentido, apontando os benefícios do projecto, que o escritor angolano Jacques Arlindo dos Santos apresentou o projecto. O Novo Teatro Avenida é uma iniciativa da empresa privada Dry Dock, em parceria com o GPL e o apoio institucional do Ministério da Cultura.
[Aqui]



O Angolense noticiou que a Sonangol esta’ em condicoes de ‘tomar conta’ da refinacao de petroleo no pais e que o novo edificio sede da empresa esta' concluido

Economistas perspectivam o aumento da capacidade interna de refinação do crude, nos próximos tempos, em Angola. Tal leitura é-lhes oferecida pelo novo cenário, criado na Fina Petróleos de Angola, com a cedência da participação do Estado à Sonangol. O cenário coloca a Sociedade Nacional de Combustíveis numa posição confortável, para gerir a refinaria com um Conselho de Administração único, o que facilitará a tomada de decisões, por representar interesses comuns.
(…)
A nova torre sede da Sonangol está concluída. O complexo edifício, obra da mais fina arquitectura moderna é presentemente o edifício mais notável da capital angolana e empresta beleza e uma nova imagem à baixa de Luanda. Com 23 andares, durou cerca de três anos e meio a ser construído e deu emprego a mais de duas mil pessoas.
[Aqui]

E para que tudo nao sejam apenas ‘aguas passadas’, um artigo de Luis Kandjimbo na corrente edicao do SA:

No texto publicado no passado dia 28 de Junho apresentámos em breves linhas, e entre outras, a proposta de periodização de Grégoire Biyogo cujas ideias continuaremos a analisar. Chamo por isso a atenção do leitor para as propostas de classificação das correntes filosóficas que presentemente dominam o pensamento africano, Segundo o filósofo gabonês. Autor de uma obra consagrada à História da Filosofi a Africana em quatro volumes, publicada em França com a chancela da editora L’Harmattan, Grégoire Biyogo é um dos filósofos da geração que se revela na década de 80, o período da afirmação da chamada filosofia moderna e contemporânea. Com uma formação eclética obtida na Universidade da Sorbonne (Paris I e Paris IV),tem desenvolvido a sua pesquisa nas áreas da egiptologia, da epistemologia e da teoria da literatura. Professor da Universidade Omar Bongo do Gabão, onde lecciona epistemologia da investigação, dirige igualmente seminários de doutoramento na Universidade de Paris XII, tendo sido fundador do Instituto Cheikh Anta Diop de Libreville.
[Aqui]
Nesta edicao, oportunidade para repescar alguns artigos e entrevistas que ficaram ‘na gaveta’ durante as ultimas semanas.

Comecando pelas entrevistas:

Filipe Mukenga ao Novo Jornal (NJ)

Ao completar 45 anos de vida artística e 30 anos de parceria com Filipe Zau, Filipe Mukenga prepara o quarto e, talvez, último disco da sua carreira. Em entrevista ao Novo Jornal, o autor de "Angola no Coração" mostra-se desiludido com a falta de reconhecimento do seu trabalho pelos angolanos e aponta caminhos para o desenvolvimento da música nacional: mais formação, mais acesso a instrumentos e maior união entre os artistas.
(...)
Faço harmonias complicadas e opto por um conteúdo poético rico. Criei então o rótulo NMA (Nova Música de Angola), que sintetiza a minha filosofia enquanto músico.
(...)
O que podemos esperar do disco "Nós Somos Nós", que lançará em Setembro?
São 14 canções, muitas delas compostas por mim em parceria com o Filipe Zau. Com elas quero, acima de tudo, homenagear o nosso povo pela paz que conseguiu alcançar. Em termos musicais, pretendo mostrar a ligação entre o semba e o samba que são, de facto, ritmos irmãos. É um disco a pensar também no enorme mercado brasileiro.
[Aqui]

Rui Mangueira ao Semanario Angolense (SA)
Não se sabe quanto o Estado angolano arrecada de impostos do animado movimento de mercadorias entre o Dubai (capital económica dos Emirados Árabes Unidos) e Angola. Trata-se de um movimento que poderá crescer nos próximos meses, com a abertura, no passado dia 12, da rota comercial da TAAG, que vem encurtar a viagem que se fazia passando por Joanesburgo (África do Sul) e, mais recentemente, por Addis Abeba (Etiópia). (…) Desta conversa com Rui Mangueira, recentemente nomeado embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, pode perceber-se a importância que aquele país vai tendo nas trocas comerciais dos angolanos e as oportunidades que existem para o empresariado angolano, se este se organizar e sonhar com conquistar outros mercados.

Mari Alkatiri ao Cruzeiro do Sul

Governei o país durante quatro anos, com um orçamento anual inferior a 84 milhões de dólares. Este governo está a governar com um orçamento de 400 milhões por ano, e está já a propor um orçamento rectificativo de mais de 200 milhões de dólares.
Eles não têm programa, não têm plano, governam com bilhetinhos. O Xanana manda
bilhetinho para os ministros: faça isso, faça aquilo... (risos). Governa com bilhetinhos. Importa que Xanana Gusmão tenha a coragem de assumir que foi ele quem dividiu o país em leste e Oeste. Divisão esta que teve as consequências desastrosas: violência generalizada, implosão da Policia nacional de Timor-Leste…
[Aqui]

Passando aos artigos:

No SA exaltou-se a “coragem da China”
Quando Mao desencadeou a «longa marcha» que é já uma mitologia viva da revolução chinesa e até do século vinte, a China era um país pobre onde mesmo assim os pobres eram obrigados a pagar uma renda aos ricos em cereais, prática essa - a do pátio das rendas- que se imortaliza nas artes plásticas chinesas. Agora, imaginemos que Mao estaria a ver a China de hoje, a economia, as cidades, a cultura, a quase ausência de fome, a indústria, a construção civil, em suma, a grande marcha que transformou a China grande numa grande China como um sismo de progresso, que discute os mercados palmo a palmo com as grandes potências mundiais. Não muitas vezes a midia ocidental mostra as conquistas dos chineses, os novos edifícios e cidades, os estabelecimentos de ensino, os hospitais e o crescente empenho na cultura. Foi preciso vir a maka da chama olímpica e do Lama e, agora, a desgraça do sismo e suas réplicas, para vermos a China em tudo que é ecrã.
[Aqui]

O NJ destacou os investimentos de Stanley Ho nos bio-combustiveis

A Geocapital, do magnata chinês Stanley Ho, prepara-se para entrar no mercado dos bio combustíveis, surgindo Angola entre os países incluídos na lista de um investimento que vai trazer para África cerca de 30 mil milhões de US dólares num prazo de 10 anos. A empresa, criada em 2005 em Macau para desenvolver projectos nos países lusófonos, tem mantido uma grande proximidade e afinidade com a Sonangol, como ficou demonstrado pela conjugação de esforços na recente crise no BCP (as duas empresas formam, em conjunto, o maior bloco accionista do maior banco privado português). A produção de bio combustíveis, além de Angola, vai também acontecer em Moçambique e na Guiné-Bissau, deverá iniciar-se até 2010 e atingir, a partir de 2020, uma produção de 14 milhões de toneladas/ano, cerca de 10 por cento da produção mundial.
[Aqui]

O A Capital deu-nos noticia do projecto de reconstrucao do Teatro Avenida

O velho Teatro Avenida dará lugar a um novo projecto arquitectónico que proporcionará melhores condições de trabalho aos artistas e maior comodidade aos cidadãos. Foi neste sentido, apontando os benefícios do projecto, que o escritor angolano Jacques Arlindo dos Santos apresentou o projecto. O Novo Teatro Avenida é uma iniciativa da empresa privada Dry Dock, em parceria com o GPL e o apoio institucional do Ministério da Cultura.
[Aqui]



O Angolense noticiou que a Sonangol esta’ em condicoes de ‘tomar conta’ da refinacao de petroleo no pais e que o novo edificio sede da empresa esta' concluido

Economistas perspectivam o aumento da capacidade interna de refinação do crude, nos próximos tempos, em Angola. Tal leitura é-lhes oferecida pelo novo cenário, criado na Fina Petróleos de Angola, com a cedência da participação do Estado à Sonangol. O cenário coloca a Sociedade Nacional de Combustíveis numa posição confortável, para gerir a refinaria com um Conselho de Administração único, o que facilitará a tomada de decisões, por representar interesses comuns.
(…)
A nova torre sede da Sonangol está concluída. O complexo edifício, obra da mais fina arquitectura moderna é presentemente o edifício mais notável da capital angolana e empresta beleza e uma nova imagem à baixa de Luanda. Com 23 andares, durou cerca de três anos e meio a ser construído e deu emprego a mais de duas mil pessoas.
[Aqui]

E para que tudo nao sejam apenas ‘aguas passadas’, um artigo de Luis Kandjimbo na corrente edicao do SA:

No texto publicado no passado dia 28 de Junho apresentámos em breves linhas, e entre outras, a proposta de periodização de Grégoire Biyogo cujas ideias continuaremos a analisar. Chamo por isso a atenção do leitor para as propostas de classificação das correntes filosóficas que presentemente dominam o pensamento africano, Segundo o filósofo gabonês. Autor de uma obra consagrada à História da Filosofi a Africana em quatro volumes, publicada em França com a chancela da editora L’Harmattan, Grégoire Biyogo é um dos filósofos da geração que se revela na década de 80, o período da afirmação da chamada filosofia moderna e contemporânea. Com uma formação eclética obtida na Universidade da Sorbonne (Paris I e Paris IV),tem desenvolvido a sua pesquisa nas áreas da egiptologia, da epistemologia e da teoria da literatura. Professor da Universidade Omar Bongo do Gabão, onde lecciona epistemologia da investigação, dirige igualmente seminários de doutoramento na Universidade de Paris XII, tendo sido fundador do Instituto Cheikh Anta Diop de Libreville.
[Aqui]

Saturday, 12 July 2008

BE MY GUEST! (I - VERONICA BENESI)

Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.
Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.

Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,

Veronica

Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.


*****

ÁFRICA

(Aos manos Africanos)

África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

*****
Veronica blogs @ COM TODAS AS LETRAS





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Veronica - Virginia Rodrigues

[Read about the song Veronica, here]
Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.
Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.

Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,

Veronica

Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.


*****

ÁFRICA

(Aos manos Africanos)

África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

*****
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[Read about the song Veronica, here]

INTRODUCING THE “BE MY GUEST!” SERIES

Today is a special day – for me, for this blog and, hopefully, for you!
Some of this blog’s good friends and I have come, over the last few days, to a meeting of minds to launch a “Guest Blogger Series @ Koluki”, where my guests will talk about ‘life, the universe and everything’, i.e. expound on their views about the most varied subjects, or just talk about themselves, their experiences in the blogosphere and/or their particular interests in life.
Those of you who have been ‘following events’ in this blog might have noticed that, from time to time, I decide to come up with a series of one sort or another – it’s just my way of changing tack on issues, of approaching subjects from different angles. But this one is, for all intents and purposes, different and… special!
It’s about giving space to and highlighting others’ tack on issues, others’ approaches to subjects – it’s about trying to fulfil one of my primary aims in the blogosphere: without nonsensical rivalries, to build bridges and establish links between people with the same, or disparate interests, but all moved by the common objective of materialising the potential, which the blogosphere so generously offers us, of dialogue, exchange, sharing, understanding, peace and that all common of human sentiments: friendship!
So, without further ado, I introduce you my first guest:
Veronica Benesi!

She is a Brazilian from Belo Horizonte, who is post-graduating in the Portuguese Language and has a keen interest in African Cultures, which she takes as a basic foundation of her own culture, despite never having had so far the opportunity to step on African soil – I sincerely hope that she can do so sooner rather than later!
On that basis, she offers us a beautiful poem about Africans' history and cultural legacy in Brazil, as well as her perceptions and hopes about Africa and her African brothers and sisters.
I trust that you will love it as much as I did!


Hoje e’ um dia especial – para mim, para este blog e, pelo menos assim o espero, para si!
Eu e alguns dos bons amigos deste blog decidimos, nos ultimos dias, inciar uma “Serie de ‘Bloggers’ Convidados @ Koluki” onde os meus convidados irao falar sobre ‘a vida, o universo e tudo o resto’, i.e. expor os seus pontos de vista sobre os assuntos mais variados, ou apenas falar sobre si proprios, as suas experiencias na blogosfera e/ou os seus interesses particulares na vida.
Aqueles dentre vos que venhem ‘seguindo os acontecimentos’ neste blog terao notado que, de vez em quando, decido fazer uma serie de um tipo ou de outro – e’ apenas a minha forma de variar como lido com questoes, de abordar assuntos a partir de diferentes angulos. Mas esta e’, para todos os efeitos, diferente e… especial!
E’ sobre dar espaco e destaque a forma como outros lidam com questoes, como abordam assuntos – e’ sobre tentar realizar um dos meus objectivos primarios na blogosfera: sem rivalidades desprovidas de qualquer sentido, construir pontes e estabelecer lacos entre pessoas com os mesmos, ou dispares, interesses mas todos movidos pelo objectivo comum de materializar o potencial, que a blogosfera tao generosamente nos oferece, do dialogo, da troca, da partilha, do entendimento, da paz e daquele mais comum de todos os sentimentos humanos: a amizade!
Portanto, sem mais delongas, aprensento-vos a minha primeira convidada:
Veronica Benesi!
Ela e’ uma Brasileira de Belo Horizonte, que esta’ e fazer uma pos-graduacao em Lingua Portuguesa e tem um grande interesse pelas Culturas Africanas, as quais ela toma como fundacoes da sua propria cultura, apesar de nunca ter ainda visitado Africa - espero que ela o possa fazer mais cedo do que tarde!
Nessa base, ela oferece-nos um belo poema sobre a historia e o legado cultural dos Africanos no Brasil, assim como as suas percepcoes e esperancas para Africa e os seus irmaos e irmas Africanos.
Espero que tenham tanto prazer em le-lo como eu tive!

*****

N.B.:

You can use the online automatic translators to read this series' posts in either English or Portuguese.

*
Podera’ usar os tradutores automaticos ‘online’ para ler os ‘posts’ desta serie em Portugues ou Ingles.

Today is a special day – for me, for this blog and, hopefully, for you!
Some of this blog’s good friends and I have come, over the last few days, to a meeting of minds to launch a “Guest Blogger Series @ Koluki”, where my guests will talk about ‘life, the universe and everything’, i.e. expound on their views about the most varied subjects, or just talk about themselves, their experiences in the blogosphere and/or their particular interests in life.
Those of you who have been ‘following events’ in this blog might have noticed that, from time to time, I decide to come up with a series of one sort or another – it’s just my way of changing tack on issues, of approaching subjects from different angles. But this one is, for all intents and purposes, different and… special!
It’s about giving space to and highlighting others’ tack on issues, others’ approaches to subjects – it’s about trying to fulfil one of my primary aims in the blogosphere: without nonsensical rivalries, to build bridges and establish links between people with the same, or disparate interests, but all moved by the common objective of materialising the potential, which the blogosphere so generously offers us, of dialogue, exchange, sharing, understanding, peace and that all common of human sentiments: friendship!
So, without further ado, I introduce you my first guest:
Veronica Benesi!
She is a Brazilian from Belo Horizonte, who is post-graduating in the Portuguese Language and has a keen interest in African Cultures, which she takes as a basic foundation of her own culture, despite never having had so far the opportunity to step on African soil – I sincerely hope that she can do so sooner rather than later!
On that basis, she offers us a beautiful poem about Africans' history and cultural legacy in Brazil, as well as her perceptions and hopes about Africa and her African brothers and sisters.
I trust that you will love it as much as I did!


Hoje e’ um dia especial – para mim, para este blog e, pelo menos assim o espero, para si!
Eu e alguns dos bons amigos deste blog decidimos, nos ultimos dias, inciar uma “Serie de ‘Bloggers’ Convidados @ Koluki” onde os meus convidados irao falar sobre ‘a vida, o universo e tudo o resto’, i.e. expor os seus pontos de vista sobre os assuntos mais variados, ou apenas falar sobre si proprios, as suas experiencias na blogosfera e/ou os seus interesses particulares na vida.
Aqueles dentre vos que venhem ‘seguindo os acontecimentos’ neste blog terao notado que, de vez em quando, decido fazer uma serie de um tipo ou de outro – e’ apenas a minha forma de variar como lido com questoes, de abordar assuntos a partir de diferentes angulos. Mas esta e’, para todos os efeitos, diferente e… especial!
E’ sobre dar espaco e destaque a forma como outros lidam com questoes, como abordam assuntos – e’ sobre tentar realizar um dos meus objectivos primarios na blogosfera: sem rivalidades desprovidas de qualquer sentido, construir pontes e estabelecer lacos entre pessoas com os mesmos, ou dispares, interesses mas todos movidos pelo objectivo comum de materializar o potencial, que a blogosfera tao generosamente nos oferece, do dialogo, da troca, da partilha, do entendimento, da paz e daquele mais comum de todos os sentimentos humanos: a amizade!
Portanto, sem mais delongas, aprensento-vos a minha primeira convidada:
Veronica Benesi!
Ela e’ uma Brasileira de Belo Horizonte, que esta’ e fazer uma pos-graduacao em Lingua Portuguesa e tem um grande interesse pelas Culturas Africanas, as quais ela toma como fundacoes da sua propria cultura, apesar de nunca ter ainda visitado Africa - espero que ela o possa fazer mais cedo do que tarde!
Nessa base, ela oferece-nos um belo poema sobre a historia e o legado cultural dos Africanos no Brasil, assim como as suas percepcoes e esperancas para Africa e os seus irmaos e irmas Africanos.
Espero que tenham tanto prazer em le-lo como eu tive!

*****

N.B.:

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*
Podera’ usar os tradutores automaticos ‘online’ para ler os ‘posts’ desta serie em Portugues ou Ingles.

Wednesday, 9 July 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (16)

Especialmente para os que nao visitaram este blog durante o fim de semana que passou (eu disse que ‘aquilo’ nao era todos os dias…), os destaques da semana veem (quase) todos do SA, comecando com uma maka que tem estado a provocar varios xinguilamentos pela banda fora, pelas mais diversas razoes. A saber, a constituicao da lista de candidatos do MPLA a deputados a Assembleia Nacional:

A composição do grupo parlamentar do MPLA vai reflectir a promessa do seu presidente de incluir mais mulheres, mas não vai contar com a primeira-dama de Angola, Ana Paula dos Santos. Fonte autorizada disse ao Semanário Angolense que embora a primeira-dama se tivesse sentido regozijada com o reconhecimento manifestado pela OMA ao incluí-la na lista de candidatos a deputados pelo partido, o seu nome não deverá constar da lista final que o MPLA deverá submeter nas próximas horas ao Tribunal Constitucional.
O Semanário Angolense desconhece se, à semelhança de outras senhoras propostas pela OMA, a primeira-dama de Angola foi ou não previamente consultada. A fonte do Semanário Angolense disse que Ana Paula dos Santos vai continuar a ocupar-se exclusivamente do que tem feito até aqui, isto é, obrigações familiares, protocolares, compromissos inerentes ao Fundo Lwini, onde ocupa a presidência do Conselho Geral, e outras acções de natureza humanitária e social. O parlamento não faz parte dos seus planos. Ana Paula dos Santos já comunicou à direcção do MPLA a sua indisponibilidade para ocupar um lugar na sua bancada parlamentar.
[Aqui]

Destaque tambem para um artigo de Vicente Pinto de Andrade, presumivel candidato a Presidencia da Republica:

O Semanário Angolense convidou-me para falar sobre uma questão que, no fundo, tem a ver com aquilo que tenho designado como o «triângulo constitucional». Esta questão não se levanta só em relação a Angola, mas também em relação a todos os países que adoptaram o sistema de governo semipresidencial. Nunca escondi a minha preferência por esse sistema de governo. É ele que traduz melhor a visão que tenho sobre a relação entre Presidente, Governo e Parlamento. Os mais recentes acontecimentos no nosso continente vieram reforçar a minha preferência. Mas este sistema de governo, na minha opinião, só ganha vitalidade e credibilidade, quando os presidentes da República são «independentes». Isto é, quando não são a expressão da vontade das máquinas partidárias, nem muito menos correias de transmissão dos seus respectivos partidos.
[Aqui]

Sousa Jamba conta-nos a estoria de ‘um casamento, uma porrada de filhos e um funeral’:

Confesso que nunca ouvi um ataque tão cerrado contra um defunto. Enquanto a Srª Rose falava, na igreja observava-se um silêncio quase sepulcral. Os amigos e parentes do poeta fi caram sem palavras. Esgotado o seu «menu», a senhora Rose estendeu a sua fúria a todos os homens guianeses que, na sua opinião, maltratam as mulheres. Terminada a cerimónia, não se falava de outra coisa se não do discurso da senhora Rose e do seu ataque aos homens guianeses. Indispostos, alguns amigos do defunto recusaram-se a tocar na comida guianesa que fora levada à igreja. Os parentes de McAndrew atribuíram a «ousadia» da senhora Rose à sua cor da pele. Segundo essa teoria, se ela fosse negra ater-se-ia às tradições africanas e jamais ousaria dizer cobras e lagartos a respeito de um defunto tão fresco. A cultura africana não autoriza a que se fale mal de um morto.
Dias antes desta cerimónia, li uma entrevista que a dona Maria Eugenia Neto, viúva de Agostinho Neto, concedeu ao jornal português Expresso. Nela, Maria Eugenia Neto fala do seu marido, que também foi poeta, com muita ternura e carinho. Em Umbundu há uma expressão «okutunda olunda» que se aplica à defesa que Maria Eugénia Neto faz do falecido marido. A defesa incondicional que Maria Eugenia faz do seu falecido esposo torna-a uma figura muito cativante.
[Aqui]

Nas paginas culturais encontramos mais uma contribuicao de Aderito Miranda a compreensao das linguas Bantu…

As palavras das línguas bantu estão estruturadas de tal forma que nos fornecem a informação sobre a realidade a que elas se referem: objecto, fenómeno físico, ser espiritual, ideia, etc., tal como acontece em qual quer outra língua. Analisando uma palavra pelos segmentos que as compõem e a forma como esses segmentos estão dispostos na palavra, podemos chegar à informação de que a palavra tem sobre esta realidade. Não é assim que geralmente o homem comum usa as palavras. Nós usamos as palavras geralmente apenas, como um signo linguístico, isto é, ouvimos uma palavra que conhecemos e imediatamente visualizamos mentalmente a realidade (objecto, fenómeno ou ser) a que a palavra se refere. Ouvimos (cão) e imaginamos um cão; ouvimos (árvore) e imaginamos uma árvore; ouvimos (cabrito) imaginamos um cabrito; e assim por diante.
[Aqui]

… e o anuncio de um coloquio sobre ‘Cultura e Identidade Nacional’:


Mas o prato central da ultima edicao do SA foi uma grande entrevista com Manuel Rui Monteiro:

Abeirando-nos de uma nova etapa, com as eleições que aí vêm, o Semanário Angolense foi ao encontro de uma das personagens mais densas deste país. Para nos ajudar a entrever a nova república e a compreender a sociedade que em breve fi cará para trás. Manuel Rui, ele mesmo, é o nosso convidado. Ingenuidade nossa termos pensado que seria um diálogo fácil. Não o foi, nem podia ser de outra maneira. Porque o autor de «Quem me Dera Ser Onda», o ministro que sobraçou a pasta da Informação no Governo de Transição de Angola em 1974, e o jurista que julgou os mercenários num célebre e inédito processo continua o mesmo. Fiel à sua forma de ser e de pensar a vida e o mundo, Manuel Rui jamais aceitou as questões que lhe foram colocadas com a lógica linear. Não. Ele tratou sempre de as «desinvencionar». Tal como constrói e desconstrói as realidades nas colunas que tem assinado para este jornal: «As Novas da Maninha» e «Crónicas Desinvencionadas». Mas foi mesmo assim, a reformular as questões, que ele foi passando, nas entrelinhas, mensagens-chave da sociedade que está a correr cortinas e daquela que, inexoravelmente, nos está a bater a porta. É Manuel Rui, com o seu humor cáustico e verrino, numa entrevista que não é simplesmente para ser lida, mas entendida com os neurónios no lugar, se a quisermos deglutir por inteiro.
[Aqui]

Deixando o SA, encontramos no Novo Jornal o anuncio do proximo aparecimento de um novo jornal:

"O PAÍS" é o título do novo semanário que deverá sair para a rua ainda este mês. Dirigido pelo jornalista Luís Fernando (ex-director do Jornal de Angola), a publicação terá 48 páginas, mais um suplemento de economia de oito, devendo posteriormente evoluir para uma periodicidade diária. O novo semanário é propriedade do grupo Nova Media, empresa de direito angolano, que procede neste momento ao processo de legalização do título. Está também em curso o apetrechamento da redacção, que vai funcionar na zona do Talatona, e a formação dos jornalistas, soube o Novo Jornal junto de fonte que pediu anonimato.
(…)
O novo semanário conta com suporte editorial de "seis experimentados jornalistas portugueses", que têm estado a treinar os jovens candidatos a repórteres e redactores. Vem juntar-se aos nove semanários já existentes e ao único diário. (…) O grupo Nova Media é também detentora de uma gráfica, de um canal de televisão - TV Zimbo - e de uma rádio, que estão também em processo de formação. "As instalações já existem, os quadros estão a ser formados", precisou a mesma fonte. (…) Nos últimos tempos, vários profissionais têm sido convidados para aderir ao "O País", à "TV Zimbo" e à rádio, assistindo-se ainda a movimentações noutros órgãos de comunicação social públicos e privados.

E, finalmente...

Especialmente para os que nao visitaram este blog durante o fim de semana que passou (eu disse que ‘aquilo’ nao era todos os dias…), os destaques da semana veem (quase) todos do SA, comecando com uma maka que tem estado a provocar varios xinguilamentos pela banda fora, pelas mais diversas razoes. A saber, a constituicao da lista de candidatos do MPLA a deputados a Assembleia Nacional:

A composição do grupo parlamentar do MPLA vai reflectir a promessa do seu presidente de incluir mais mulheres, mas não vai contar com a primeira-dama de Angola, Ana Paula dos Santos. Fonte autorizada disse ao Semanário Angolense que embora a primeira-dama se tivesse sentido regozijada com o reconhecimento manifestado pela OMA ao incluí-la na lista de candidatos a deputados pelo partido, o seu nome não deverá constar da lista final que o MPLA deverá submeter nas próximas horas ao Tribunal Constitucional.
O Semanário Angolense desconhece se, à semelhança de outras senhoras propostas pela OMA, a primeira-dama de Angola foi ou não previamente consultada. A fonte do Semanário Angolense disse que Ana Paula dos Santos vai continuar a ocupar-se exclusivamente do que tem feito até aqui, isto é, obrigações familiares, protocolares, compromissos inerentes ao Fundo Lwini, onde ocupa a presidência do Conselho Geral, e outras acções de natureza humanitária e social. O parlamento não faz parte dos seus planos. Ana Paula dos Santos já comunicou à direcção do MPLA a sua indisponibilidade para ocupar um lugar na sua bancada parlamentar.
[Aqui]

Destaque tambem para um artigo de Vicente Pinto de Andrade, presumivel candidato a Presidencia da Republica:

O Semanário Angolense convidou-me para falar sobre uma questão que, no fundo, tem a ver com aquilo que tenho designado como o «triângulo constitucional». Esta questão não se levanta só em relação a Angola, mas também em relação a todos os países que adoptaram o sistema de governo semipresidencial. Nunca escondi a minha preferência por esse sistema de governo. É ele que traduz melhor a visão que tenho sobre a relação entre Presidente, Governo e Parlamento. Os mais recentes acontecimentos no nosso continente vieram reforçar a minha preferência. Mas este sistema de governo, na minha opinião, só ganha vitalidade e credibilidade, quando os presidentes da República são «independentes». Isto é, quando não são a expressão da vontade das máquinas partidárias, nem muito menos correias de transmissão dos seus respectivos partidos.
[Aqui]

Sousa Jamba conta-nos a estoria de ‘um casamento, uma porrada de filhos e um funeral’:

Confesso que nunca ouvi um ataque tão cerrado contra um defunto. Enquanto a Srª Rose falava, na igreja observava-se um silêncio quase sepulcral. Os amigos e parentes do poeta fi caram sem palavras. Esgotado o seu «menu», a senhora Rose estendeu a sua fúria a todos os homens guianeses que, na sua opinião, maltratam as mulheres. Terminada a cerimónia, não se falava de outra coisa se não do discurso da senhora Rose e do seu ataque aos homens guianeses. Indispostos, alguns amigos do defunto recusaram-se a tocar na comida guianesa que fora levada à igreja. Os parentes de McAndrew atribuíram a «ousadia» da senhora Rose à sua cor da pele. Segundo essa teoria, se ela fosse negra ater-se-ia às tradições africanas e jamais ousaria dizer cobras e lagartos a respeito de um defunto tão fresco. A cultura africana não autoriza a que se fale mal de um morto.
Dias antes desta cerimónia, li uma entrevista que a dona Maria Eugenia Neto, viúva de Agostinho Neto, concedeu ao jornal português Expresso. Nela, Maria Eugenia Neto fala do seu marido, que também foi poeta, com muita ternura e carinho. Em Umbundu há uma expressão «okutunda olunda» que se aplica à defesa que Maria Eugénia Neto faz do falecido marido. A defesa incondicional que Maria Eugenia faz do seu falecido esposo torna-a uma figura muito cativante.
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Nas paginas culturais encontramos mais uma contribuicao de Aderito Miranda a compreensao das linguas Bantu…

As palavras das línguas bantu estão estruturadas de tal forma que nos fornecem a informação sobre a realidade a que elas se referem: objecto, fenómeno físico, ser espiritual, ideia, etc., tal como acontece em qual quer outra língua. Analisando uma palavra pelos segmentos que as compõem e a forma como esses segmentos estão dispostos na palavra, podemos chegar à informação de que a palavra tem sobre esta realidade. Não é assim que geralmente o homem comum usa as palavras. Nós usamos as palavras geralmente apenas, como um signo linguístico, isto é, ouvimos uma palavra que conhecemos e imediatamente visualizamos mentalmente a realidade (objecto, fenómeno ou ser) a que a palavra se refere. Ouvimos (cão) e imaginamos um cão; ouvimos (árvore) e imaginamos uma árvore; ouvimos (cabrito) imaginamos um cabrito; e assim por diante.
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… e o anuncio de um coloquio sobre ‘Cultura e Identidade Nacional’:


Mas o prato central da ultima edicao do SA foi uma grande entrevista com Manuel Rui Monteiro:

Abeirando-nos de uma nova etapa, com as eleições que aí vêm, o Semanário Angolense foi ao encontro de uma das personagens mais densas deste país. Para nos ajudar a entrever a nova república e a compreender a sociedade que em breve fi cará para trás. Manuel Rui, ele mesmo, é o nosso convidado. Ingenuidade nossa termos pensado que seria um diálogo fácil. Não o foi, nem podia ser de outra maneira. Porque o autor de «Quem me Dera Ser Onda», o ministro que sobraçou a pasta da Informação no Governo de Transição de Angola em 1974, e o jurista que julgou os mercenários num célebre e inédito processo continua o mesmo. Fiel à sua forma de ser e de pensar a vida e o mundo, Manuel Rui jamais aceitou as questões que lhe foram colocadas com a lógica linear. Não. Ele tratou sempre de as «desinvencionar». Tal como constrói e desconstrói as realidades nas colunas que tem assinado para este jornal: «As Novas da Maninha» e «Crónicas Desinvencionadas». Mas foi mesmo assim, a reformular as questões, que ele foi passando, nas entrelinhas, mensagens-chave da sociedade que está a correr cortinas e daquela que, inexoravelmente, nos está a bater a porta. É Manuel Rui, com o seu humor cáustico e verrino, numa entrevista que não é simplesmente para ser lida, mas entendida com os neurónios no lugar, se a quisermos deglutir por inteiro.
[Aqui]

Deixando o SA, encontramos no Novo Jornal o anuncio do proximo aparecimento de um novo jornal:

"O PAÍS" é o título do novo semanário que deverá sair para a rua ainda este mês. Dirigido pelo jornalista Luís Fernando (ex-director do Jornal de Angola), a publicação terá 48 páginas, mais um suplemento de economia de oito, devendo posteriormente evoluir para uma periodicidade diária. O novo semanário é propriedade do grupo Nova Media, empresa de direito angolano, que procede neste momento ao processo de legalização do título. Está também em curso o apetrechamento da redacção, que vai funcionar na zona do Talatona, e a formação dos jornalistas, soube o Novo Jornal junto de fonte que pediu anonimato.
(…)
O novo semanário conta com suporte editorial de "seis experimentados jornalistas portugueses", que têm estado a treinar os jovens candidatos a repórteres e redactores. Vem juntar-se aos nove semanários já existentes e ao único diário. (…) O grupo Nova Media é também detentora de uma gráfica, de um canal de televisão - TV Zimbo - e de uma rádio, que estão também em processo de formação. "As instalações já existem, os quadros estão a ser formados", precisou a mesma fonte. (…) Nos últimos tempos, vários profissionais têm sido convidados para aderir ao "O País", à "TV Zimbo" e à rádio, assistindo-se ainda a movimentações noutros órgãos de comunicação social públicos e privados.

E, finalmente...

Monday, 7 July 2008

ALBERTO TETA LANDO (DESMENTIDO!)

A noticia do suposto falecimento de Alberto Teta Lando chegou-me anteontem (07/07/08) por email e, ainda em choque, postei-a naquele dia aqui no blog. Entretanto, pude encontra-la tambem em alguns orgaos de informacao.

Mas, felizmente, nao passou tudo de um falso alarme, como a familia aqui esclarece.

A todos os que porventura tenham sido induzidos em erro pelo R.I.P. que aqui postei, as minhas sinceras desculpas, mas... eu tambem o fui por outras fontes geralmente tidas como fidedignas!

De qualquer modo, deixo aqui registados os meus votos de breve e total recuperacao ao Teta Lando, que ainda se encontra hospitalizado em Paris.
A noticia do suposto falecimento de Alberto Teta Lando chegou-me anteontem (07/07/08) por email e, ainda em choque, postei-a naquele dia aqui no blog. Entretanto, pude encontra-la tambem em alguns orgaos de informacao.

Mas, felizmente, nao passou tudo de um falso alarme, como a familia
aqui esclarece.

A todos os que porventura tenham sido induzidos em erro pelo R.I.P. que aqui postei, as minhas sinceras desculpas, mas... eu tambem o fui por outras fontes geralmente tidas como fidedignas!

De qualquer modo, deixo aqui registados os meus votos de breve e total recuperacao ao Teta Lando, que ainda se encontra hospitalizado em Paris.

Sunday, 6 July 2008

UNCLE CARLOS!!!




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Friday, 4 July 2008

"O QUE E' ISSO DA IDENTIDADE?"

A proposito de dois diferentes encontros academicos, duas abordagens da questao da "identidade":

O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África(CODESRIA) lança um apelo a comunicações por ocasião do colóquio sobre o tema «Mestiçagens socioculturais e procura de identidade na África contemporânea: o caso dos países africanos lusófonos», que pretende organizar nos dias 15 e 16 de Setembro de 2008 na Cidade da Praia (CaboVerde) no âmbito da Iniciativa África Lusófona do CODESRIA.
(...)
Na África, independentemente das formas que adoptaram, a realidade e os interesses coloniais fizeram com que a problemática do encontro entre sociedades humanas com representações e valores diferentes suscitasse as análises e os juízos mais controversos. Os estudos realizados pelos colonizadores interessavam-se na problemática da mestiçagem unicamente pela necessidade de compreender melhor estas sociedades, de consolidar melhor a sua política discriminatória, de geri-las melhor e, em última instância, de as dominar. Este procedimento tornou-se mais urgente ainda no período entreas duas guerras mundiais, quando os colonizadores começaram a instalar-se de maneira mais permanente criando aglomerados de povoamento europeus mais estáveis nos centros urbanos africanos, ainda que a proporção de europeus e assimilados permanecesse fraca em relação à população total do continente. O aumento da presença europeia nos territórios colonizados e as consequências daí decorrentes contribuíram assim para o desenvolvimento de uma antropologia que só visava fins utilitaristas, e pouco preocupada com uma explicação científica dos fenómenos sociais.
(...)
Durante as lutas pela independência e a época que se seguiu, o tema da mestiçagem regressou com força à agenda de muitos dos pensadores engajados na batalha de desconstrução dos preconceitos coloniais. Aimé Césaire e Léopold Sédar Senghor articularam assim o tema da mestiçagem com o da negritude. No centro das suas preocupações estava a questão das trocas culturais e da contribuição dos negros "africanos" para os valores"universais". Nesta perspectiva, Senghor chegará mesmo a dizer que "toda grande civilização é mestiçagem cultural".


DIMENSÃO PROTO-BANTU E IDENTIDADE CULTURAL
Simão Souindoula

Após uma evolução pós-independência trintenária, é , historicamente, justo de interrogar-se, mais uma vez, sobre a substância que constitui a identidade cultural nacional do nosso país. Este conjunto de particularidades que permite uma estampilhagem cultural distinta da nação angolana, em plena edificação, tem vertentes de carácter antropólogico, histórico mas também linguístico. E, esta última dimensão é justamente o objecto do presente encontro.
(...)
Neste quadro e tendo em conta o facto de que o actual território de Angola é povoado, maioritariamente, de populações falando línguas, que são classificadas como bantu, tentaremos, portanto, pôr em relevo, em primeiro lugar, um dos pontos de parentesco genético desses falares, que é o proto-bantu. Este realce nos permitirá apreciar, em segundo e última instância, as vias, podendo desenvolver a referida identidade e garantir, concomitantemente, uma coexistência social pacífica e uma coesão nacional aceitável.
(...)
Uma análise cruzada do conjunto dos dados arqueológicos, linguísticos e antropólogicos postos em evidência, nesses últimos anos, atesta que, pouco antes da nossa era, algumas regiões do actual território de Angola eram já povoadas de comunidades metalurgistas e ceramistas, e portanto, este facto, provavelmente,na sua maioria, locutores de línguas bantu. Essas populações engajarão, até o século XIX, um longo processo de sedentarização e de ocupação de territórios que dará ao país a sua configuração etno-linguìstica actual.
(...)
A classificação, hoje, geralmente aceite, dos falares bantu em Angola, permite distinguir uma dezena de unidades-línguas. Recordar-se-á , assim: - no nordoeste, o kikongo e o kimbundu- no nordeste, o cokwé- no Planalto central, o umbundu- no sudeste, o tchingangela - nos Planaltos a Huíla, o olunyaneka- e, enfim, no sul, o tchikwanyama, o tchielelo e o tchindonga.

[Fotos daqui]
A proposito de dois diferentes encontros academicos, duas abordagens da questao da "identidade":

O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África(CODESRIA) lança um apelo a comunicações por ocasião do colóquio sobre o tema «Mestiçagens socioculturais e procura de identidade na África contemporânea: o caso dos países africanos lusófonos», que pretende organizar nos dias 15 e 16 de Setembro de 2008 na Cidade da Praia (CaboVerde) no âmbito da Iniciativa África Lusófona do CODESRIA.
(...)
Na África, independentemente das formas que adoptaram, a realidade e os interesses coloniais fizeram com que a problemática do encontro entre sociedades humanas com representações e valores diferentes suscitasse as análises e os juízos mais controversos. Os estudos realizados pelos colonizadores interessavam-se na problemática da mestiçagem unicamente pela necessidade de compreender melhor estas sociedades, de consolidar melhor a sua política discriminatória, de geri-las melhor e, em última instância, de as dominar. Este procedimento tornou-se mais urgente ainda no período entreas duas guerras mundiais, quando os colonizadores começaram a instalar-se de maneira mais permanente criando aglomerados de povoamento europeus mais estáveis nos centros urbanos africanos, ainda que a proporção de europeus e assimilados permanecesse fraca em relação à população total do continente. O aumento da presença europeia nos territórios colonizados e as consequências daí decorrentes contribuíram assim para o desenvolvimento de uma antropologia que só visava fins utilitaristas, e pouco preocupada com uma explicação científica dos fenómenos sociais.
(...)
Durante as lutas pela independência e a época que se seguiu, o tema da mestiçagem regressou com força à agenda de muitos dos pensadores engajados na batalha de desconstrução dos preconceitos coloniais. Aimé Césaire e Léopold Sédar Senghor articularam assim o tema da mestiçagem com o da negritude. No centro das suas preocupações estava a questão das trocas culturais e da contribuição dos negros "africanos" para os valores"universais". Nesta perspectiva, Senghor chegará mesmo a dizer que "toda grande civilização é mestiçagem cultural".


DIMENSÃO PROTO-BANTU E IDENTIDADE CULTURAL
Simão Souindoula

Após uma evolução pós-independência trintenária, é , historicamente, justo de interrogar-se, mais uma vez, sobre a substância que constitui a identidade cultural nacional do nosso país. Este conjunto de particularidades que permite uma estampilhagem cultural distinta da nação angolana, em plena edificação, tem vertentes de carácter antropólogico, histórico mas também linguístico. E, esta última dimensão é justamente o objecto do presente encontro.
(...)
Neste quadro e tendo em conta o facto de que o actual território de Angola é povoado, maioritariamente, de populações falando línguas, que são classificadas como bantu, tentaremos, portanto, pôr em relevo, em primeiro lugar, um dos pontos de parentesco genético desses falares, que é o proto-bantu. Este realce nos permitirá apreciar, em segundo e última instância, as vias, podendo desenvolver a referida identidade e garantir, concomitantemente, uma coexistência social pacífica e uma coesão nacional aceitável.
(...)
Uma análise cruzada do conjunto dos dados arqueológicos, linguísticos e antropólogicos postos em evidência, nesses últimos anos, atesta que, pouco antes da nossa era, algumas regiões do actual território de Angola eram já povoadas de comunidades metalurgistas e ceramistas, e portanto, este facto, provavelmente,na sua maioria, locutores de línguas bantu. Essas populações engajarão, até o século XIX, um longo processo de sedentarização e de ocupação de territórios que dará ao país a sua configuração etno-linguìstica actual.
(...)
A classificação, hoje, geralmente aceite, dos falares bantu em Angola, permite distinguir uma dezena de unidades-línguas. Recordar-se-á , assim: - no nordoeste, o kikongo e o kimbundu- no nordeste, o cokwé- no Planalto central, o umbundu- no sudeste, o tchingangela - nos Planaltos a Huíla, o olunyaneka- e, enfim, no sul, o tchikwanyama, o tchielelo e o tchindonga.

[Fotos daqui]

Thursday, 3 July 2008

NOVA MUKANDA DO "ILUSTRE"

Meu Kamba Kinito;

Já deves estar a me falar mal né? Epá sabes como é a vida aqui está a ficar apertada, e os kumbús cada vez mais coxito. Agora fui mas arranjar uma 2ª dama, uma miúda boa ali do BO e que está a dar cabo da minha cabeça, e do meu bolso (é toda hora dinheiro para pagar Universidade, Escola de Condução, e saldo para o telefone e outros mambos e quê).
Mano a nossa Luanda aqui continua na mesma, só que agora deixou de ser a cidade da Kianda passou a ser “ Noanda” a cidade que não anda! Há umas semanas atrás aqui na zona da Boavista um camião contentorizado avariou e aquilo é que foi um caos, nenhum carro passava, um autêntico engarrafamento. Naquele dia era mesmo “ Angola em Movimento”, uma autêntica maratona todo mundo a apear.

É meu mano a Engarrafobia (horror aos engarrafamentos) uma doença que já esta a tomar conta de Luanda. Longas filas de carros, estradas esburacadas, ruas fechadas tudo mal. S. Tomas que manda nos Transportes no ajuda só uê, kota HC das Obras Públicas deixa ainda um pouco de lado as obras privadas e se preocupa também com as obras públicas, deixa também de rodeios e dos Rodeos e resolve só as makas das estradas meu! Tia Xica de Luanda, você que está com a bola toda, que arrancaste com toda a força (ou é só força do inicio, ou é por causa das eleições), resolve os mambos e pelos menos nos promete: Estradas novas em Setembro.
Por causa destas porcarias dos engarrafamentos, os candengues lá do bairro já chamam o tio Zé Domingos de: “ Man Mbaia”. É porque o kota anda a cortar caminho para fugir os engarrafamentos, por as estradas principais (as chamadas primárias, pois aqui há as secundárias, terciárias e etc.) andam todas congestionadas e ele tem de estar a fugir deles e entrar pelos becos, levando-o a fazer o movimento típico dos taxistas: A Mbaia. Por isso agora nome dele virou Man Mbaia.

Então Kinito até na igreja o engarrafamento é também motivo para te sacar kumbú. Então no outro dia o pastor de uma igreja de nome Universal – Única e Verdadeira Salvação, ou também Unidos Vamos te Enganar e Roubar o teu Salário. Começou já o culto assim (É então angolano mas está a falar tipo é brasileiro, porque lhe disseram que o sotaque brasileiro é melhor quando se trata de enganar o povo):

- «Meu irmão, você que mora ali no Benfica, você que enfrenta engarrafamento todo o dia, você que não tem Jesus na sua vida. Hoje eu tenho uma palavra para você: Jesus vai lhe mostrar o caminho, vai lhe abrir as estradas e acabar com o engarrafamento na sua vida.
Porque esse engarrafamento meu irmão é coisa do Demónio! É o Demónio que não quer que você chegue cedo ao serviço, é o Demónio que provoca o engarrafamento para lhe atrasar a sua vida. Por isso está amarrado o engarrafamento na sua vida! Meu irmão, não pense que o engarrafamento que você enfrenta todo o dia é culpa do Governo, não! Ele é obra do Demónio. Por isso o Pastor Jonas vai impor as mãos, e vocês vão fechar os olhos e depois você vai contribuir com o seu dinheirinho para a campanha de combate ao engarrafamento».

Já viste Kinito, hoje já engarrafamento é coisa do Demónio? Não é mas culpa do Governo, das estradas esburacadas, dos taxistas e etc..? Aqui mesmo ganhar dinheiro é fácil porra pá.

Agora mudando de assunto, me perguntaste como ficou então o inquérito sobre a derrocada da DNIC? Tens razão desde o dia 29 de Março que o prédio desabou e até agora nada né? Já está quase a fazer 90 dias. Olha os candengues aqui da banda até já se anteciparam aos inspectores e apresentaram 3 propostas para o resultado dos inquéritos:

1ª Proposta (apresentada pelo dengue Netinho Kiolho) cujo resultado é: DNIC – Devíamos Necessariamente Incriminar o Cerqueira.
2ª Proposta (apresentada pelo dengue Kito Bebucho) cujo resultado é: DNIC – Dom Ngongo Ignora Cidadãos
3º Proposta (apresentada pela Minga do Tio Manuel) cujo resultado é: DNIC – Deixa o Ngongo Inventar Conversas.

Mas a proposta mesmo que ganhou todos os mambos foi a apresentada pelo Zezito Nguimbola, e que reuniu consenso quanto ao resultado final deste inquérito cujo resultados andaram no segredo dos Deuses:

DNIC – Detectamos Negligência e Incompetência Crónica.

Meu Kamba Kinito;

Já deves estar a me falar mal né? Epá sabes como é a vida aqui está a ficar apertada, e os kumbús cada vez mais coxito. Agora fui mas arranjar uma 2ª dama, uma miúda boa ali do BO e que está a dar cabo da minha cabeça, e do meu bolso (é toda hora dinheiro para pagar Universidade, Escola de Condução, e saldo para o telefone e outros mambos e quê).
Mano a nossa Luanda aqui continua na mesma, só que agora deixou de ser a cidade da Kianda passou a ser “ Noanda” a cidade que não anda! Há umas semanas atrás aqui na zona da Boavista um camião contentorizado avariou e aquilo é que foi um caos, nenhum carro passava, um autêntico engarrafamento. Naquele dia era mesmo “ Angola em Movimento”, uma autêntica maratona todo mundo a apear.

É meu mano a Engarrafobia (horror aos engarrafamentos) uma doença que já esta a tomar conta de Luanda. Longas filas de carros, estradas esburacadas, ruas fechadas tudo mal. S. Tomas que manda nos Transportes no ajuda só uê, kota HC das Obras Públicas deixa ainda um pouco de lado as obras privadas e se preocupa também com as obras públicas, deixa também de rodeios e dos Rodeos e resolve só as makas das estradas meu! Tia Xica de Luanda, você que está com a bola toda, que arrancaste com toda a força (ou é só força do inicio, ou é por causa das eleições), resolve os mambos e pelos menos nos promete: Estradas novas em Setembro.
Por causa destas porcarias dos engarrafamentos, os candengues lá do bairro já chamam o tio Zé Domingos de: “ Man Mbaia”. É porque o kota anda a cortar caminho para fugir os engarrafamentos, por as estradas principais (as chamadas primárias, pois aqui há as secundárias, terciárias e etc.) andam todas congestionadas e ele tem de estar a fugir deles e entrar pelos becos, levando-o a fazer o movimento típico dos taxistas: A Mbaia. Por isso agora nome dele virou Man Mbaia.

Então Kinito até na igreja o engarrafamento é também motivo para te sacar kumbú. Então no outro dia o pastor de uma igreja de nome Universal – Única e Verdadeira Salvação, ou também Unidos Vamos te Enganar e Roubar o teu Salário. Começou já o culto assim (É então angolano mas está a falar tipo é brasileiro, porque lhe disseram que o sotaque brasileiro é melhor quando se trata de enganar o povo):

- «Meu irmão, você que mora ali no Benfica, você que enfrenta engarrafamento todo o dia, você que não tem Jesus na sua vida. Hoje eu tenho uma palavra para você: Jesus vai lhe mostrar o caminho, vai lhe abrir as estradas e acabar com o engarrafamento na sua vida.
Porque esse engarrafamento meu irmão é coisa do Demónio! É o Demónio que não quer que você chegue cedo ao serviço, é o Demónio que provoca o engarrafamento para lhe atrasar a sua vida. Por isso está amarrado o engarrafamento na sua vida! Meu irmão, não pense que o engarrafamento que você enfrenta todo o dia é culpa do Governo, não! Ele é obra do Demónio. Por isso o Pastor Jonas vai impor as mãos, e vocês vão fechar os olhos e depois você vai contribuir com o seu dinheirinho para a campanha de combate ao engarrafamento».

Já viste Kinito, hoje já engarrafamento é coisa do Demónio? Não é mas culpa do Governo, das estradas esburacadas, dos taxistas e etc..? Aqui mesmo ganhar dinheiro é fácil porra pá.

Agora mudando de assunto, me perguntaste como ficou então o inquérito sobre a derrocada da DNIC? Tens razão desde o dia 29 de Março que o prédio desabou e até agora nada né? Já está quase a fazer 90 dias. Olha os candengues aqui da banda até já se anteciparam aos inspectores e apresentaram 3 propostas para o resultado dos inquéritos:

1ª Proposta (apresentada pelo dengue Netinho Kiolho) cujo resultado é: DNIC – Devíamos Necessariamente Incriminar o Cerqueira.
2ª Proposta (apresentada pelo dengue Kito Bebucho) cujo resultado é: DNIC – Dom Ngongo Ignora Cidadãos
3º Proposta (apresentada pela Minga do Tio Manuel) cujo resultado é: DNIC – Deixa o Ngongo Inventar Conversas.

Mas a proposta mesmo que ganhou todos os mambos foi a apresentada pelo Zezito Nguimbola, e que reuniu consenso quanto ao resultado final deste inquérito cujo resultados andaram no segredo dos Deuses:

DNIC – Detectamos Negligência e Incompetência Crónica.

Wednesday, 2 July 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (15)

O Novo Jornal (NJ) traz-nos uma entrevista com Bonga:

O seu mais recente trabalho intitula-se Bairro. Fale-nos dos temas, dos ritmos e do contexto de realização deste disco...

Este é um disco que vem no seguimento dos 35 discos já editados por mim, no qual continuo a cantar semba e continuo a expressar o sentimento nacional e a vivência dos meus ancestrais africanos. Porque quero manter a coerência e a ligação com a minha terra de origem, que é Angola, e quero que a vivência fulgorosa do meu tempo seja um exemplo para a juventude de hoje, neste trabalho eu demonstro que não estou preocupado com as pizzas, com os hambúrgueres ou com as modas Rock & Roll, mas sim com a tradição de que eu sou seguidor: a tradição vivida no interior de Angola.
(…)
Só não se fizeram mais coisas por mim devido aos políticos, porque os políticos pertencem à engrenagem que nos ultrapassa a nós todos, sociedade civil. Para ter uma idéia, eu tive discos proibidos em Angola... No entanto, penso que evoluímos bastante e que hoje em dia contactámos com todo o mundo sem estar a ver, inclusivamente, a cor das pessoas.
[Aqui]

Tambem no NJ, Gustavo Costa ‘disserta’ sobre uma Imitacao de Vida

COM "MESTRADOS" EM IMITAÇÃO, estamos a fazer da nossa vida uma rasura. Rasuramos em tudo!
(… )
Temos candidatos a médicos a fingirem que são formados por instituições privadas que nem laboratórios possuem e que, afinal, no fundo não passam de uma criminosa imitação de universidades. Estamos a ser "nobéis" na imitação de médicos, atentando contra a nossa imitada vida. "Distintos" licenciados em economia, que não são economistas, duvidam da infalibilidade da raiz quadrada e, ignorantes, arrogam-se a sentenciar que esta operação básica de aritmética, nem sempre dá certo... Por fim, exaustos, depois de termos brilhado em artes militares, regozijamo-nos por sermos promovidos a embaixadores, sem nunca termos ouvido falar sequer da Convenção de Genebra, quanto mais lê-la! Assim, nem uma simples imitação de diplomatas conseguimos ser...
Temos de impor a nós próprios outros níveis de exigência. Queremos ser uma potência na região mas não conseguimos sobreviver senão com a lei das importações! Gabamo-nos de sermos ricos mas acabamos por não ser senão endinheirados. Definitivamente temos de deixar de rasurar a vida...
[Mais aqui]


Ainda no NJ, um artigo sobre a transparencia na gestao dos recursos publicos:


ANGOLA é o segundo maior produtor de petróleo na África subsariana e, ao mesmo tempo, o Governo é quase inexistente para a população, a corrupção alastra a toda a sociedade e as decisões públicas não são transparentes, conclui um trabalho integrado no projecto "Corrupção na Gestão de Recursos Naturais", do Centro de Recursos Anti-corrupção U4, a que o Novo Jornal teve acesso. Para os autores, em Angola a não transparência encontra-se lado a lado com a corrupção e a falta de informação torna difícil aos cidadãos combater os responsáveis corruptos. A partir dos poucos indicadores disponíveis, a transparência é baixa em Angola. Do mesmo modo, os orçamentos públicos também não são transparentes.
De acordo com o Projecto de Orçamento Internacional (International Budget Project - IBP), Angola tinha, em 2006, quatro (4) por cento em 100 por cento no índice de Orçamento Aberto. Este índice avalia a quantidade de informação fornecida aos cidadãos em documentos orçamentais chave ao longo da sua execução anual.
O desempenho de Angola nesta matéria indica que o Governo dá aos cidadãos escassa ou nenhuma informação sobre o orçamento e actividades financeiras do Executivo central e que não há muito espaço para melhorar.
Todavia, o orçamento público (de Estado) é provavelmente o instrumento político mais importante que um Governo tem para dirigir um país. Num país rico em recursos, a gestão financeira pública é extremamente importante para a disciplina orçamental e para a qualidade do serviço prestado.

[Podera’ encontrar algo sobre o ramo Africano do IBP aqui]

Na passada sexta-feira, 20, dia em que era nomeado pelo Presidente da República como juiz conselheiro do novel Tribunal Constitucional, o antigo director das Eleições de 1992 aceitou conceder uma grande entrevista ao Cruzeiro do Sul:


Acho que vai ser sempre necessário trazer à memória as eleições de 92, porque as pessoas raciocinam por comparação. Todos nós tomamos as nossas decisões e temos as nossas aspirações sempre em comparação com outras pessoas, com outras situações. Neste momento, por exemplo, está a sofrer também comparação com outros processos eleitorais que vão acontecendo em Africa, nomeadamente no Quénia e no Zimbabué.

CS: O que ressalta dessa comparação?
OS: Há muita diferença. Em 92, fizeram-se duas eleições: as legislativas e as presidenciais; estava- se num período em que tinha terminado uma guerra que implicou vários processos complexos como a desmobilização, desarmamento, formação de um exército único, etc. Havia, portanto, vários condicionalismos e várias condições para que as eleições se realizassem. E todos sabemos hoje, quando fazemos um balanço da situação, que as eleições haviam sido avançadas com o grande anel de se conseguirem resultados fantásticos.

CS: Entretanto, o vento levaria tudo...
OS: Porque se esqueceu de que uma casa não se pode fazer sem fundamentos. Quando uma pessoa faz a sua casa na areia, o que acontece é que, ao mínimo vento, vai tudo por água abaixo. E foi o que aconteceu. A gente não construiu na rocha as eleições de 92.

CS: E agora, em 2008, este processo de preparação estará a assentar- se na rocha?
OS: Em 2008, todos nós temos noção de que houve um progresso muito grande, as pessoas tiveram tempo para pensar. Os eleitores também são outros. Haverá alguns ainda do tempo antigo, mas a grande maioria dos eleitores é aquela que, na altura, não podia votar porque não tinha dezoito anos. Poderão lembrar que eram crianças, jovens, mas a verdade é que são pessoas que tiveram acesso a outros meios de informação, a outros meios de educação, a globalização também veio manifestar-se nestes últimos anos. Hoje mesmo o angolano médio conhece todos os factos relacionados com eleições em toda a parte do mundo. Lê jornais, vê televisão, vai à Internet. Portanto, estamos perante uma realidade completamente diferente.

[Podera’ ler mais sobre Onofre dos Santos aqui]

O SA da-nos conta das suas “lides com a justica”…

Os jornalistas do Semanário Angolense Graça Campos e Sousa Neto foram condenados segunda-feira, 23, pela juíza Mariana Caley, da Sexta Secção da Sala de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, a penas respectivas de seis e dois meses de prisão correccional, tendo o segundo visto a sua pena suspensa por um período de dois anos. A sentença proferida contra Graça Campos é cumulativa, sendo referente a três de quatro processos apensados para julgamento em resposta a queixas apresentadas por Ana Maria de Oliveira, Julião António, Paulo Tjipilica e Natália do Espírito Santo.

… Agradece a solidariedade que tem recebido…

Sazonalmente, o Semanário Angolense tem sido alvo de processos judiciais em catadupa, como aconteceu na última leva, em que teve de responder a quatro acções de rajada, provavelmente com o fim último de fazer o jornal atirar a toalha ao tapete, na luta que vem fazendo pela liberdade de imprensa e por uma sociedade em que a corrupção e outras práticas que a enfermam, ao menos, não sejam tão escandalosas. É uma luta dura, com altos e baixos, sendo o actual momento, após as condenações de que foi alvo, que as reputa de injustas, uma prova séria à sua capacidade de resistência.

… E reporta sobre o que se diz sobre a crise Zimbabweana:

Por causa da sua intransigência mas, sobretudo, devido à sua determinação de converter o Zimbabwe num país de faz de conta, em que as liberdades e direitos democráticos estão confiscados, o presidente Robert Mugabe tornou-se uma figura execrável, contra a qual se pronunciam todos os líderes decentes do mundo. O Semanário Angolense faz um breve apanhado do que vai sendo dito pelo mundo fora sobre Mugabe e o seu país.

[Aqui]

Finalmente, na sua Koluna, Wilson Dada anuncia a sua entrada na blogosfera:


BEM VINDO E QUE OUTROS JORNALISTAS DA BANDA O SIGAM!
O Novo Jornal (NJ) traz-nos uma entrevista com Bonga:

O seu mais recente trabalho intitula-se Bairro. Fale-nos dos temas, dos ritmos e do contexto de realização deste disco...

Este é um disco que vem no seguimento dos 35 discos já editados por mim, no qual continuo a cantar semba e continuo a expressar o sentimento nacional e a vivência dos meus ancestrais africanos. Porque quero manter a coerência e a ligação com a minha terra de origem, que é Angola, e quero que a vivência fulgorosa do meu tempo seja um exemplo para a juventude de hoje, neste trabalho eu demonstro que não estou preocupado com as pizzas, com os hambúrgueres ou com as modas Rock & Roll, mas sim com a tradição de que eu sou seguidor: a tradição vivida no interior de Angola.
(…)
Só não se fizeram mais coisas por mim devido aos políticos, porque os políticos pertencem à engrenagem que nos ultrapassa a nós todos, sociedade civil. Para ter uma idéia, eu tive discos proibidos em Angola... No entanto, penso que evoluímos bastante e que hoje em dia contactámos com todo o mundo sem estar a ver, inclusivamente, a cor das pessoas.
[Aqui]

Tambem no NJ, Gustavo Costa ‘disserta’ sobre uma Imitacao de Vida

COM "MESTRADOS" EM IMITAÇÃO, estamos a fazer da nossa vida uma rasura. Rasuramos em tudo!
(… )
Temos candidatos a médicos a fingirem que são formados por instituições privadas que nem laboratórios possuem e que, afinal, no fundo não passam de uma criminosa imitação de universidades. Estamos a ser "nobéis" na imitação de médicos, atentando contra a nossa imitada vida. "Distintos" licenciados em economia, que não são economistas, duvidam da infalibilidade da raiz quadrada e, ignorantes, arrogam-se a sentenciar que esta operação básica de aritmética, nem sempre dá certo... Por fim, exaustos, depois de termos brilhado em artes militares, regozijamo-nos por sermos promovidos a embaixadores, sem nunca termos ouvido falar sequer da Convenção de Genebra, quanto mais lê-la! Assim, nem uma simples imitação de diplomatas conseguimos ser...
Temos de impor a nós próprios outros níveis de exigência. Queremos ser uma potência na região mas não conseguimos sobreviver senão com a lei das importações! Gabamo-nos de sermos ricos mas acabamos por não ser senão endinheirados. Definitivamente temos de deixar de rasurar a vida...
[Mais aqui]


Ainda no NJ, um artigo sobre a transparencia na gestao dos recursos publicos:


ANGOLA é o segundo maior produtor de petróleo na África subsariana e, ao mesmo tempo, o Governo é quase inexistente para a população, a corrupção alastra a toda a sociedade e as decisões públicas não são transparentes, conclui um trabalho integrado no projecto "Corrupção na Gestão de Recursos Naturais", do Centro de Recursos Anti-corrupção U4, a que o Novo Jornal teve acesso. Para os autores, em Angola a não transparência encontra-se lado a lado com a corrupção e a falta de informação torna difícil aos cidadãos combater os responsáveis corruptos. A partir dos poucos indicadores disponíveis, a transparência é baixa em Angola. Do mesmo modo, os orçamentos públicos também não são transparentes.
De acordo com o Projecto de Orçamento Internacional (International Budget Project - IBP), Angola tinha, em 2006, quatro (4) por cento em 100 por cento no índice de Orçamento Aberto. Este índice avalia a quantidade de informação fornecida aos cidadãos em documentos orçamentais chave ao longo da sua execução anual.
O desempenho de Angola nesta matéria indica que o Governo dá aos cidadãos escassa ou nenhuma informação sobre o orçamento e actividades financeiras do Executivo central e que não há muito espaço para melhorar.
Todavia, o orçamento público (de Estado) é provavelmente o instrumento político mais importante que um Governo tem para dirigir um país. Num país rico em recursos, a gestão financeira pública é extremamente importante para a disciplina orçamental e para a qualidade do serviço prestado.

[Podera’ encontrar algo sobre o ramo Africano do IBP aqui]

Na passada sexta-feira, 20, dia em que era nomeado pelo Presidente da República como juiz conselheiro do novel Tribunal Constitucional, o antigo director das Eleições de 1992 aceitou conceder uma grande entrevista ao Cruzeiro do Sul:


Acho que vai ser sempre necessário trazer à memória as eleições de 92, porque as pessoas raciocinam por comparação. Todos nós tomamos as nossas decisões e temos as nossas aspirações sempre em comparação com outras pessoas, com outras situações. Neste momento, por exemplo, está a sofrer também comparação com outros processos eleitorais que vão acontecendo em Africa, nomeadamente no Quénia e no Zimbabué.

CS: O que ressalta dessa comparação?
OS: Há muita diferença. Em 92, fizeram-se duas eleições: as legislativas e as presidenciais; estava- se num período em que tinha terminado uma guerra que implicou vários processos complexos como a desmobilização, desarmamento, formação de um exército único, etc. Havia, portanto, vários condicionalismos e várias condições para que as eleições se realizassem. E todos sabemos hoje, quando fazemos um balanço da situação, que as eleições haviam sido avançadas com o grande anel de se conseguirem resultados fantásticos.

CS: Entretanto, o vento levaria tudo...
OS: Porque se esqueceu de que uma casa não se pode fazer sem fundamentos. Quando uma pessoa faz a sua casa na areia, o que acontece é que, ao mínimo vento, vai tudo por água abaixo. E foi o que aconteceu. A gente não construiu na rocha as eleições de 92.

CS: E agora, em 2008, este processo de preparação estará a assentar- se na rocha?
OS: Em 2008, todos nós temos noção de que houve um progresso muito grande, as pessoas tiveram tempo para pensar. Os eleitores também são outros. Haverá alguns ainda do tempo antigo, mas a grande maioria dos eleitores é aquela que, na altura, não podia votar porque não tinha dezoito anos. Poderão lembrar que eram crianças, jovens, mas a verdade é que são pessoas que tiveram acesso a outros meios de informação, a outros meios de educação, a globalização também veio manifestar-se nestes últimos anos. Hoje mesmo o angolano médio conhece todos os factos relacionados com eleições em toda a parte do mundo. Lê jornais, vê televisão, vai à Internet. Portanto, estamos perante uma realidade completamente diferente.

[Podera’ ler mais sobre Onofre dos Santos aqui]

O SA da-nos conta das suas “lides com a justica”…

Os jornalistas do Semanário Angolense Graça Campos e Sousa Neto foram condenados segunda-feira, 23, pela juíza Mariana Caley, da Sexta Secção da Sala de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, a penas respectivas de seis e dois meses de prisão correccional, tendo o segundo visto a sua pena suspensa por um período de dois anos. A sentença proferida contra Graça Campos é cumulativa, sendo referente a três de quatro processos apensados para julgamento em resposta a queixas apresentadas por Ana Maria de Oliveira, Julião António, Paulo Tjipilica e Natália do Espírito Santo.

… Agradece a solidariedade que tem recebido…

Sazonalmente, o Semanário Angolense tem sido alvo de processos judiciais em catadupa, como aconteceu na última leva, em que teve de responder a quatro acções de rajada, provavelmente com o fim último de fazer o jornal atirar a toalha ao tapete, na luta que vem fazendo pela liberdade de imprensa e por uma sociedade em que a corrupção e outras práticas que a enfermam, ao menos, não sejam tão escandalosas. É uma luta dura, com altos e baixos, sendo o actual momento, após as condenações de que foi alvo, que as reputa de injustas, uma prova séria à sua capacidade de resistência.

… E reporta sobre o que se diz sobre a crise Zimbabweana:

Por causa da sua intransigência mas, sobretudo, devido à sua determinação de converter o Zimbabwe num país de faz de conta, em que as liberdades e direitos democráticos estão confiscados, o presidente Robert Mugabe tornou-se uma figura execrável, contra a qual se pronunciam todos os líderes decentes do mundo. O Semanário Angolense faz um breve apanhado do que vai sendo dito pelo mundo fora sobre Mugabe e o seu país.

[Aqui]

Finalmente, na sua Koluna, Wilson Dada anuncia a sua entrada na blogosfera:


BEM VINDO E QUE OUTROS JORNALISTAS DA BANDA O SIGAM!

Monday, 30 June 2008

THIS MONTH LAST YEAR (6)


O mes que hoje termina comecou neste blog, no ano passado, com um “misterio” que ate’ hoje perdura: o desaparecimento de Madeleine…

Seguiu-se uma serie sobre 'Metodos Quantitativos de origem Africana e Matematica por Africanos', em sobreposicao ao (in)famoso livro de Chika Onyani, “Capitalist Nigger”. Varios outros livros foram notados, e.g. “De escravo a cozinheiro: colonialismo e racismo em Mocambique”, de Valdemir Zamparoni, “A Cabeca de Salome” e “Manual para Amantes Desesperados” de Paula Tavares, “Agora Luanda” de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e o premiado “Half of a Yellow Sun” de Chimamanda Ngozi Adichie, para alem dos listados em “Recent Publications on ‘Lusophone’ Africa”. Ainda no campo literario, houve uma interessante discussao sobre a “Unificacao da Escrita da Lingua Portuguesa”.

A politica internacional marcou presenca com a tomada de posse de Gordon Brown como Primeiro Ministro do UK e o primeiro grande debate entre todos os (entao) candidatos Democratas a Presidencia dos EUA.

Foram feitos apontamentos pontuais sobre ‘estados de alma, vida, morte e natureza’: nas cheias que na altura assolaram o UK e cujos efeitos em muito se assemelharam aos que se verificaram em Luanda e noutras localidades de Angola, como o Soyo; em “The Antithesis of Pornography”, “Muzongue’ de Domingo”, “Tirso Amaral (in Memoriam)” e “Sunday Chill” (n.b. este foi apenas o lado visivel de um ‘tete-a-tete’ virtual com um grande kamba deste blog com quem andava digamos que ‘at odds’, mas la’ nos entendemos, eu ofereci-lhe um gelado de mucua e ele ofereceu-me um ramo de oliveira e… fizemos as pazes).

Junho tambem registou aquela que, para todos os efeitos, foi a primeira tentativa de, de forma sistematica, integrar a “lusosfera Africana” na “blogosfera global” atraves do GVO. Mas, infelizmente, aquela foi para mim a aventura que para todo o sempre “regretarei” (… nao, nao posso dizer como a Piaf “non, rien de rien, non je ne regrette rien”…) nesta minha (ja’ bastante acidentada) vida virtual. E o mais dramatico daquela nefasta experiencia e’ que eu ate’ tinha antecipado os trilhos cheios de espinhos e armadilhas que se me afiguravam, mas nao tive imaginacao suficiente para prever o que de facto vim a ter que confrontar e, muito menos, tao cedo naquela caminhada…

Mas o mais ironico de tudo aquilo foi que eu naquele mes tambem escrevi neste blog “... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet!...” Bom, a internet (ainda) nao conseguiram, mas, como tambem tinha previsto, rapidamente ‘conseguiram arranjar’ quem controlasse por eles a “lusosfera Africana” no GVO e os resultados sao os que se teem vindo a observar ate’ hoje…

Highlights: “Revisiting South Africa (III): Shack Chic” e, inevitavelmente (como nao?), “Bonga: Cancoes da Diaspora Africana”!





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Turmas do Bairro - Bonga

O mes que hoje termina comecou neste blog, no ano passado, com um “misterio” que ate’ hoje perdura: o desaparecimento de Madeleine…

Seguiu-se uma serie sobre 'Metodos Quantitativos de origem Africana e Matematica por Africanos', em sobreposicao ao (in)famoso livro de Chika Onyani, “Capitalist Nigger”. Varios outros livros foram notados, e.g. “De escravo a cozinheiro: colonialismo e racismo em Mocambique”, de Valdemir Zamparoni, “A Cabeca de Salome” e “Manual para Amantes Desesperados” de Paula Tavares, “Agora Luanda” de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e o premiado “Half of a Yellow Sun” de Chimamanda Ngozi Adichie, para alem dos listados em “Recent Publications on ‘Lusophone’ Africa”. Ainda no campo literario, houve uma interessante discussao sobre a “Unificacao da Escrita da Lingua Portuguesa”.

A politica internacional marcou presenca com a tomada de posse de Gordon Brown como Primeiro Ministro do UK e o primeiro grande debate entre todos os (entao) candidatos Democratas a Presidencia dos EUA.

Foram feitos apontamentos pontuais sobre ‘estados de alma, vida, morte e natureza’: nas cheias que na altura assolaram o UK e cujos efeitos em muito se assemelharam aos que se verificaram em Luanda e noutras localidades de Angola, como o Soyo; em “The Antithesis of Pornography”, “Muzongue’ de Domingo”, “Tirso Amaral (in Memoriam)” e “Sunday Chill” (n.b. este foi apenas o lado visivel de um ‘tete-a-tete’ virtual com um grande kamba deste blog com quem andava digamos que ‘at odds’, mas la’ nos entendemos, eu ofereci-lhe um gelado de mucua e ele ofereceu-me um ramo de oliveira e… fizemos as pazes).

Junho tambem registou aquela que, para todos os efeitos, foi a primeira tentativa de, de forma sistematica, integrar a “lusosfera Africana” na “blogosfera global” atraves do GVO. Mas, infelizmente, aquela foi para mim a aventura que para todo o sempre “regretarei” (… nao, nao posso dizer como a Piaf “non, rien de rien, non je ne regrette rien”…) nesta minha (ja’ bastante acidentada) vida virtual. E o mais dramatico daquela nefasta experiencia e’ que eu ate’ tinha antecipado os trilhos cheios de espinhos e armadilhas que se me afiguravam, mas nao tive imaginacao suficiente para prever o que de facto vim a ter que confrontar e, muito menos, tao cedo naquela caminhada…

Mas o mais ironico de tudo aquilo foi que eu naquele mes tambem escrevi neste blog “... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet!...” Bom, a internet (ainda) nao conseguiram, mas, como tambem tinha previsto, rapidamente ‘conseguiram arranjar’ quem controlasse por eles a “lusosfera Africana” no GVO e os resultados sao os que se teem vindo a observar ate’ hoje…

Highlights: “Revisiting South Africa (III): Shack Chic” e, inevitavelmente (como nao?), “Bonga: Cancoes da Diaspora Africana”!





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Turmas do Bairro - Bonga

Thursday, 26 June 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (14)

Desde o ultimo numero desta serie acumularam-se uma ‘data’ de artigos publicados na imprensa angolana, dos quais destaco os seguintes:

1. Teresinha Lopes apresenta, no Novo Jornal (NJ), os seus pontos de vista sobre a questao do “genero e as quotas”:

NAO SOU, em regra, "politicamente correcta": sou fumadora inveterada, rio ou choro conforme me apetece, nem sempre sou gentil, não conheço países em desenvolvimento, mas apenas países subdesenvolvidos e não consigo, sinceramente, perceber com clareza, a que é que se refere o "género", expressão tão em voga nos países desenvolvidos (traduzida no "gender") e que, por arrasto, como sempre acontece, nos atingiu já a todos. Fala-se em "igualdade no género", luta-se contra a "violência no género". E eu confesso me perplexa...

2. De Ismael Mateus, no Cruzeiro do Sul, uma analise critica da historia da empresa brasileira Odebrecht em Angola:

Nestes mais de 20 anos, o nosso pareceiro filantrópico galgou por mais de sete províncias do país e entrou por várias áreas de actividade, qualquer delas mais lucrativas que a outra: construção civil, diamantes, sector imobiliário e prestação de serviços. Centenas e centenas de brasileiros fixaram residência em Angola com salários nunca imaginados no seu país ou em empresas brasileiras que prestam serviços à Odebrecht-Angola, melhorando automaticamente os seus lucros. Em Angola, instalou-se a dúvida sobre a qualidade das obras, centenas de postos de trabalhos foram e são ocupados por estrangeiros durante anos a fio; os salários entre uns e outros que fazem o mesmo trabalho são largamente diferenciados; em mais de 20 anos nenhum angolano conseguiu pertencer aos quadros directivos da empresa e até os mais básicos produtos operacionais da empresa ou de consumo do pessoal vem do Brasil. Absolutamente tudo vem (leia-se compra-se) do Brasil como se vê nos chamados malotes aéreos. Os 600 milhões de "investimentos" serão mesmo uma ajuda? Quanto ganha a Odebrecht em Angola? Qual é a percentagem desse lucro gasto em responsabilidade social?

3. O Folha 8 trouxe a estampa mais alguns extractos de “O Auschwitz de Africa”:

Publicamos nesta edição mais alguns extractos da obra literária o Auschwitz de África, um trabalho que está em curso de preparação a propósito dos vários levantamentos no seio do MPIA, cujo expoente maior foi o 27 de Maio de 1977 e a trágica purga assassina que se lhe seguiu. Como se pode avaliar pelos textos aqui apresentados, a tese defendida nesta pesquisa defende o princípio de que o "nitismo", ou se quisermos, "o fraccionismo", tem a sua origem numa curiosa faceta do "líder imortal", Agostinho Neto: a sua tremenda incapacidade de unir as diferentes correntes de opinião que sempre existiram no seio do MPLA.

5. Ainda no NJ, Gustavo Costa assina um artigo, “O Segredo esta na Cabeca”, que nao resisto a confessar me deixou, para dizer o minimo, perplexa:
Da esquerda para a direita, de cima para abaixo, há poder. Muito poder de um lado. Poder político. Poder financeiro. E poder económico. Pouco poder mas algum poder do outro lado. Mas, em ambos os casos, em largas franjas desses poderes, falta capital humano. Falta capital moral. Falta capital espiritual. Falta pensar pela própria cabeça... África e os africanos não lhes dizem nada. Por isso, os nossos «piquininos Vips» não só os menosprezam como se derretem em sabujices perante comerciantes portugueses, libaneses e «monhêses». Não sabem sequer esconder os seus complexos de inferioridade. Confundem o potencial intelectual dos «zairenses» com a venda de micates nas ruas de Luanda; ignoram o valor da imensa massa crítica que jorram as elites da Nigéria; desconhecem o poder económico de Marrocos só com a produção de frutas; não têm noção da dimensão do turismo mauriciano e, complexados e atrasados, recusam aceitar que Angola não faz parte do campeonato da África do Sul.

*****
{Como musica de fundo para este post deixo-vos este link que me foi ontem enviado de Luanda. É só deixar rolar…}


Desde o ultimo numero desta serie acumularam-se uma ‘data’ de artigos publicados na imprensa angolana, dos quais destaco os seguintes:

1. Teresinha Lopes apresenta, no Novo Jornal (NJ), os seus pontos de vista sobre a questao do “genero e as quotas”:

NAO SOU, em regra, "politicamente correcta": sou fumadora inveterada, rio ou choro conforme me apetece, nem sempre sou gentil, não conheço países em desenvolvimento, mas apenas países subdesenvolvidos e não consigo, sinceramente, perceber com clareza, a que é que se refere o "género", expressão tão em voga nos países desenvolvidos (traduzida no "gender") e que, por arrasto, como sempre acontece, nos atingiu já a todos. Fala-se em "igualdade no género", luta-se contra a "violência no género". E eu confesso me perplexa...

2. De Ismael Mateus, no Cruzeiro do Sul, uma analise critica da historia da empresa brasileira Odebrecht em Angola:

Nestes mais de 20 anos, o nosso pareceiro filantrópico galgou por mais de sete províncias do país e entrou por várias áreas de actividade, qualquer delas mais lucrativas que a outra: construção civil, diamantes, sector imobiliário e prestação de serviços. Centenas e centenas de brasileiros fixaram residência em Angola com salários nunca imaginados no seu país ou em empresas brasileiras que prestam serviços à Odebrecht-Angola, melhorando automaticamente os seus lucros. Em Angola, instalou-se a dúvida sobre a qualidade das obras, centenas de postos de trabalhos foram e são ocupados por estrangeiros durante anos a fio; os salários entre uns e outros que fazem o mesmo trabalho são largamente diferenciados; em mais de 20 anos nenhum angolano conseguiu pertencer aos quadros directivos da empresa e até os mais básicos produtos operacionais da empresa ou de consumo do pessoal vem do Brasil. Absolutamente tudo vem (leia-se compra-se) do Brasil como se vê nos chamados malotes aéreos. Os 600 milhões de "investimentos" serão mesmo uma ajuda? Quanto ganha a Odebrecht em Angola? Qual é a percentagem desse lucro gasto em responsabilidade social?

3. O Folha 8 trouxe a estampa mais alguns extractos de “O Auschwitz de Africa”:

Publicamos nesta edição mais alguns extractos da obra literária o Auschwitz de África, um trabalho que está em curso de preparação a propósito dos vários levantamentos no seio do MPIA, cujo expoente maior foi o 27 de Maio de 1977 e a trágica purga assassina que se lhe seguiu. Como se pode avaliar pelos textos aqui apresentados, a tese defendida nesta pesquisa defende o princípio de que o "nitismo", ou se quisermos, "o fraccionismo", tem a sua origem numa curiosa faceta do "líder imortal", Agostinho Neto: a sua tremenda incapacidade de unir as diferentes correntes de opinião que sempre existiram no seio do MPLA.

5. Ainda no NJ, Gustavo Costa assina um artigo, “O Segredo esta na Cabeca”, que nao resisto a confessar me deixou, para dizer o minimo, perplexa:
Da esquerda para a direita, de cima para abaixo, há poder. Muito poder de um lado. Poder político. Poder financeiro. E poder económico. Pouco poder mas algum poder do outro lado. Mas, em ambos os casos, em largas franjas desses poderes, falta capital humano. Falta capital moral. Falta capital espiritual. Falta pensar pela própria cabeça... África e os africanos não lhes dizem nada. Por isso, os nossos «piquininos Vips» não só os menosprezam como se derretem em sabujices perante comerciantes portugueses, libaneses e «monhêses». Não sabem sequer esconder os seus complexos de inferioridade. Confundem o potencial intelectual dos «zairenses» com a venda de micates nas ruas de Luanda; ignoram o valor da imensa massa crítica que jorram as elites da Nigéria; desconhecem o poder económico de Marrocos só com a produção de frutas; não têm noção da dimensão do turismo mauriciano e, complexados e atrasados, recusam aceitar que Angola não faz parte do campeonato da África do Sul.

*****
{Como musica de fundo para este post deixo-vos este link que me foi ontem enviado de Luanda. É só deixar rolar…}


Wednesday, 25 June 2008

“GIVE THEM CAKE!”

Ou “Let Them Eat Cake!”

Os Britanicos, em particular os “policy analysts” e/ou “activistas do social”, usam frequentemente essa frase para criticar medidas de politica, ou simples projectos localizados, que se apresentem completamente desajustados ao(s) problema(s) que pretendem resolver ou mitigar e particularmente inocuos (no limite, ofensivos) face a realidade vivida pelos individuos ou grupos visados por tais iniciativas (ver uma analise aplicada dessa questao aqui). Esse tipo de critica chega a provocar a queda de governos (pelo menos em paises como este…) particularmente quando estao envolvidos dinheiros publicos.

A frase e’ atribuida a Rainha Marie Antoinette e uma das versoes da sua historia reza que, estando ela a ser brindada pela sua coorte com um concerto de violino, piano e ballet, foi interrompida pelo clamor de multidoes de “descamisados” em frente ao seu palacio. Tendo ela indagado o que se passava, um dos seus servicais informou-a de que se tratava de “gente absolutamente pobre e miseravel, vivendo em favelas sem agua, luz ou saneamento e com altissimos niveis de criminalidade, gente sem trabalho, terra, acesso a educacao ou a alimentacao condigna… em suma, tao pobres que nem pao tinham para dar aos seus filhos”! Ao que a Rainha retorquiu: “Ah, nao teem pao? Entao deam-lhes bolo!”

A historia tambem reza que essa foi a principal razao pela qual Marie Antoinette foi guilhotinada durante a Revolucao Francesa…

A que proposito vem esta historia? Bem, poderiamos responder como aquela outra Rainha: “(de) nada senhor(es)… sao apenas rosas…”
Ou “Let Them Eat Cake!”

Os Britanicos, em particular os “policy analysts” e/ou “activistas do social”, usam frequentemente essa frase para criticar medidas de politica, ou simples projectos localizados, que se apresentem completamente desajustados ao(s) problema(s) que pretendem resolver ou mitigar e particularmente inocuos (no limite, ofensivos) face a realidade vivida pelos individuos ou grupos visados por tais iniciativas (ver uma analise aplicada dessa questao aqui). Esse tipo de critica chega a provocar a queda de governos (pelo menos em paises como este…) particularmente quando estao envolvidos dinheiros publicos.

A frase e’ atribuida a Rainha Marie Antoinette e uma das versoes da sua historia reza que, estando ela a ser brindada pela sua coorte com um concerto de violino, piano e ballet, foi interrompida pelo clamor de multidoes de “descamisados” em frente ao seu palacio. Tendo ela indagado o que se passava, um dos seus servicais informou-a de que se tratava de “gente absolutamente pobre e miseravel, vivendo em favelas sem agua, luz ou saneamento e com altissimos niveis de criminalidade, gente sem trabalho, terra, acesso a educacao ou a alimentacao condigna… em suma, tao pobres que nem pao tinham para dar aos seus filhos”! Ao que a Rainha retorquiu: “Ah, nao teem pao? Entao deam-lhes bolo!”

A historia tambem reza que essa foi a principal razao pela qual Marie Antoinette foi guilhotinada durante a Revolucao Francesa…

A que proposito vem esta historia? Bem, poderiamos responder como aquela outra Rainha: “(de) nada senhor(es)… sao apenas rosas…”

Saturday, 21 June 2008

AVISO!

Faco uma breve interrupcao das minhas ferias, apenas para avisar este sujeitinho e outros que tenham o mesmo desplante e audacia, em particular os tais “jornalistas de verdade que nunca fugiram de Angola”, como este, que os materiais publicados neste blog estao protegidos por esta licenca, que obriga a que se mencione o blog de onde tais materiais foram retirados!

[N.B.: Porque cada vez mais ha' ladroes fugitivos da justica ha' mais de 30 anos... verdadeiros mercenarios e prostitutos politicos mascarados de "jornalistas" de paroquia... confundindo cartoes partidarios com carteiras profissionais, panfletos propagandisticos com 'textos de autor' e blogs de quinta categoria com jornais de 'alguma categoria'... que apenas dao mau nome aos partidos politicos que os "compram" e aos JORNALISTAS DE VERDADE em geral e muito particularmente aqueles que nunca fugiram de Angola... verdes de inveja daquilo que jamais serao capazes de obter na vida com um minimo de dignidade que, de resto, jamais terao... absolutamente despreziveis e enojantes, sem a menor restea de hombridade, verticalidade, civilidade, merito profissional ou os mais elementares principios de moral ou etica deontologica (veja-se, entre todas as outras, apenas esta pouca vergonha!)* ... quais discos partidos, papagueadores de trocadilhos, frases feitas e chavoes sem qualquer sentido ou substancia, com os quais apenas revelam a sua total vacuidade e incuravel ignorancia, patetica petulancia, abjecto racismo, doentia misoginia e cronica incapacidade de pensar... urge que alguns (certamente aqueles ao nivel de quem tais energumenos jamais chegarao por muito que se ponham em bicos de pes e cuja capacidade de PENSAR dispensa "arautos" de encomenda, e.g. ex-Jornalistas com muita honra, Escritores, Ensaistas, Articulistas, Poliglotas, Economistas, Mestres de Ciencia, Consultores Internacionais de reconhecido merito... que, por isso mesmo, dispensam o 'anonimato' e podem dar-se ao luxo de ocasionalmente e com toda a legitimidade usar 'pseudonimos', sem com isso jamais esconderem a sua verdadeira identidade!) que nao teem nem nunca tiveram de fugir do que quer que seja e muito menos de usar ou esconder-se cobardemente por tras de miudos imberbes, semi-analfabetos, cheios de verdadeiros complexos de colonizado, meros aprendizes de 'radialistas provincianos' mas com arrogancia ignorante suficiente para se armarem em "grandes jornalistas" para DIFAMAREM GRATUITAMENTE e sem qualquer provocacao quem quer que seja (alias, o que lhes doi e' exactamente serem tao insignificantes que passam completamente ignorados por quem esta' ca' em cima...), comecem sem delongas a tratar de levar esses crapulas rastejantes, imbecis e criminosos a JUSTICA!
E' que ao menos os 'macacos' ao pe' desses desgracados teem alguma inteligencia e dignidade: sao criativos e engracados, por isso caem em graca... e nao correm o risco de rebentar a qualquer momento sob quaisquer ridiculamente arrogantes egos super-inflamados!]

*OU MAIS ESTA: descubra as 'semelhancas' aqui...
Faco uma breve interrupcao das minhas ferias, apenas para avisar este sujeitinho e outros que tenham o mesmo desplante e audacia, em particular os tais “jornalistas de verdade que nunca fugiram de Angola”, como este, que os materiais publicados neste blog estao protegidos por esta licenca, que obriga a que se mencione o blog de onde tais materiais foram retirados!

[N.B.: Porque cada vez mais ha' ladroes fugitivos da justica ha' mais de 30 anos... verdadeiros mercenarios e prostitutos politicos mascarados de "jornalistas" de paroquia... confundindo cartoes partidarios com carteiras profissionais, panfletos propagandisticos com 'textos de autor' e blogs de quinta categoria com jornais de 'alguma categoria'... que apenas dao mau nome aos partidos politicos que os "compram" e aos JORNALISTAS DE VERDADE em geral e muito particularmente aqueles que nunca fugiram de Angola... verdes de inveja daquilo que jamais serao capazes de obter na vida com um minimo de dignidade que, de resto, jamais terao... absolutamente despreziveis e enojantes, sem a menor restea de hombridade, verticalidade, civilidade, merito profissional ou os mais elementares principios de moral ou etica deontologica (veja-se, entre todas as outras, apenas esta pouca vergonha!)* ... quais discos partidos, papagueadores de trocadilhos, frases feitas e chavoes sem qualquer sentido ou substancia, com os quais apenas revelam a sua total vacuidade e incuravel ignorancia, patetica petulancia, abjecto racismo, doentia misoginia e cronica incapacidade de pensar... urge que alguns (certamente aqueles ao nivel de quem tais energumenos jamais chegarao por muito que se ponham em bicos de pes e cuja capacidade de PENSAR dispensa "arautos" de encomenda, e.g. ex-Jornalistas com muita honra, Escritores, Ensaistas, Articulistas, Poliglotas, Economistas, Mestres de Ciencia, Consultores Internacionais de reconhecido merito... que, por isso mesmo, dispensam o 'anonimato' e podem dar-se ao luxo de ocasionalmente e com toda a legitimidade usar 'pseudonimos', sem com isso jamais esconderem a sua verdadeira identidade!) que nao teem nem nunca tiveram de fugir do que quer que seja e muito menos de usar ou esconder-se cobardemente por tras de miudos imberbes, semi-analfabetos, cheios de verdadeiros complexos de colonizado, meros aprendizes de 'radialistas provincianos' mas com arrogancia ignorante suficiente para se armarem em "grandes jornalistas" para DIFAMAREM GRATUITAMENTE e sem qualquer provocacao quem quer que seja (alias, o que lhes doi e' exactamente serem tao insignificantes que passam completamente ignorados por quem esta' ca' em cima...), comecem sem delongas a tratar de levar esses crapulas rastejantes, imbecis e criminosos a JUSTICA!
E' que ao menos os 'macacos' ao pe' desses desgracados teem alguma inteligencia e dignidade: sao criativos e engracados, por isso caem em graca... e nao correm o risco de rebentar a qualquer momento sob quaisquer ridiculamente arrogantes egos super-inflamados!]

*OU MAIS ESTA: descubra as 'semelhancas' aqui...

Thursday, 12 June 2008

Wednesday, 11 June 2008

MENSAGENS DE JC!*

{auto-censurado}

JUST POETRY (II)










We deal in too many externals, brother

always afros, handshakes and dashikis

never can a man build a working structure for black capitalism

always does the man read Mao or Fanon

I think I know you would-be black revolutionaries too well

standing on a box on the corner, talking about blowing the white man away

that's not where it's at yet, brother

calling this man an Uncle Tom and telling this woman to get an afro

but you won't speak to her if she looks like hell, now will you brother

some of us been checking your act out kinda close

and by now its looking kinda shaky

the way you been rushin' people with your super black bag

jumping down on some black men with both feet cause they're after their BA

But you're never around when your BA is in danger...I mean your black ass

I think it was a little too easy for you to forget that you were a negro before Malcolm

You drove your white girl through the village every Friday night

while the grassroots stared in envy and drank wine, do you remember?

You need to get your memory banks organized brother.

Show that man you call an Uncle Tom just where he's wrong

Show that woman that you're a sincere black man

All we need to do is see you shut up and be black

Help that woman

Help that man

That's what brothers are for brother.








We deal in too many externals, brother

always afros, handshakes and dashikis

never can a man build a working structure for black capitalism

always does the man read Mao or Fanon

I think I know you would-be black revolutionaries too well

standing on a box on the corner, talking about blowing the white man away

that's not where it's at yet, brother

calling this man an Uncle Tom and telling this woman to get an afro

but you won't speak to her if she looks like hell, now will you brother

some of us been checking your act out kinda close

and by now its looking kinda shaky

the way you been rushin' people with your super black bag

jumping down on some black men with both feet cause they're after their BA

But you're never around when your BA is in danger...I mean your black ass

I think it was a little too easy for you to forget that you were a negro before Malcolm

You drove your white girl through the village every Friday night

while the grassroots stared in envy and drank wine, do you remember?

You need to get your memory banks organized brother.

Show that man you call an Uncle Tom just where he's wrong

Show that woman that you're a sincere black man

All we need to do is see you shut up and be black

Help that woman

Help that man

That's what brothers are for brother.


Saturday, 7 June 2008

A CAUSE WELL WORTH GETTING TO THE STREETS FOR!

Thousands of people, most of whom teenagers, got to the streets of London today to protest against the growing levels of gun and knife crime in this city.
A cause I hold dear and have raised here before.

[READ MORE HERE]
Thousands of people, most of whom teenagers, got to the streets of London today to protest against the growing levels of gun and knife crime in this city.
A cause I hold dear and have raised here before.

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