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Thursday, 12 April 2012

Angola 2002-2012: Os Dividendos da Paz



A Chatham House acaba de lancar um relatorio entitulado “The Peace Dividend: Analysis of a Decade of Angolan Indicators, 2002-12”, da autoria de Markus Weimer contendo dados estatisticos sobre a evolucao da economia angolana nos 10 anos decorridos desde a assinatura do Acordo de Paz de 2002.

Eis alguns de tais indicadores:


• Indice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Apesar de uma evolucao positiva durante o periodo, Angola continua a apresentar um relativamente baixo IDH em Africa e no Mundo.



• O custo de comecar um negocio declinou dramaticamente no periodo em analise, vindo-se aproximando da media continental e da de alguns paises como a China e a Russia...


... No entanto, a frequencia e os custos da "gazoza" para as empresas aumentaram consideravelmente em varios sectores

• O custo da electricidade era o maior obstaculo para a actividade empresarial em 2006...

... tendo no entanto sido ultrapassado pelo da "corrupcao" em 2010...



... e assim foi (ou parece ter sido) a economia angolana na ultima decada - aos altos e baixos, mas com a corrupcao "sempre a subir"!


Post (mais ou menos) Relacionado:

Familia, familia - Para que te quero?



A
Chatham House acaba de lancar um relatorio entitulado “The Peace Dividend: Analysis of a Decade of Angolan Indicators, 2002-12”, da autoria de Markus Weimer contendo dados estatisticos sobre a evolucao da economia angolana nos 10 anos decorridos desde a assinatura do Acordo de Paz de 2002.

Eis alguns de tais indicadores:


• Indice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Apesar de uma evolucao positiva durante o periodo, Angola continua a apresentar um relativamente baixo IDH em Africa e no Mundo.



• O custo de comecar um negocio declinou dramaticamente no periodo em analise, vindo-se aproximando da media continental e da de alguns paises como a China e a Russia...


... No entanto, a frequencia e os custos da "gazoza" para as empresas aumentaram consideravelmente em varios sectores

• O custo da electricidade era o maior obstaculo para a actividade empresarial em 2006...

... tendo no entanto sido ultrapassado pelo da "corrupcao" em 2010...



... e assim foi (ou parece ter sido) a economia angolana na ultima decada - aos altos e baixos, mas com a corrupcao "sempre a subir"!


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Friday, 23 March 2012

"Segundo um Novo Relatorio do Banco Mundial"...



Nao e’ por nada (... certamente nao pela minha alegada “mania do sabetudismo”!...), mas...



Este novo relatorio do Banco Mundial lancado ontem – “De-fragmentando o Comercio Africano”: Aprofundando a Integracao Regional do Comercio de Bens e Servicos – levou-me de volta a esta “revisitacao da SADC”, porque diz fundamentalmente o seguinte (minha traducao livre):

“Os paises Africanos teem vindo a perder bilioes de dolares por ano em potenciais ganhos do comercio devido as elevadas barreiras comerciais com os paises vizinhos, sendo-lhes mais facil comerciar com o resto do mundo do que entre si.

A existente fragmentacao regional priva o continente de novas fontes de crescimento economico, novos empregos e diminuicao acentuada da pobreza – factores que acompanharam a significativa integracao do comercio na Asia Oriental e outras regioes. As redes de producao trans-fronteirica que activaram o dinamismo economico noutras regioes, especialmente na Asia Oriental, ainda teem que se materializar em Africa.”


- Capitulos de especial interesse para a regiao da SADC:

6. Facilitating Cross-border Mobile Banking in Southern Africa

7. Why Trade Facilitation Is Important for Africa

8. Deepening Regional Integration to Eliminate the Fragmented
Goods Market in Southern Africa

11. The Business Environment in Southern Africa: Issues in Trade
and Market Integration

12. Africa’s Trade in Services and the Opportunities and Risks of Economic
Partnership Agreements

13. Developing Professional Services in Africa

[Relatorio integral aqui]


QUESTAO: sera’ que ainda “vamos” a tempo de recuperar o tempo perdido, dada a ‘deadline’ de 2017 para a criacao de uma Area de Comercio Livre no continente estabelecida pela Uniao Africana, para fomentar o comercio intra e inter-regional?


POSTS RELACIONADOS:

SADC: Trade Facilitation Issues

SADC: Protocol & Policy Implementation Issues

The EU-ACP Economic Partnership Agreements

The East-Asian Tigers Model in Africa?



Nao e’ por nada (... certamente nao pela minha alegada
“mania do sabetudismo”!...), mas...



Este novo relatorio do Banco Mundial lancado ontem – “De-fragmentando o Comercio Africano”: Aprofundando a Integracao Regional do Comercio de Bens e Servicos – levou-me de volta a esta “revisitacao da SADC”, porque diz fundamentalmente o seguinte (minha traducao livre):

“Os paises Africanos teem vindo a perder bilioes de dolares por ano em potenciais ganhos do comercio devido as elevadas barreiras comerciais com os paises vizinhos, sendo-lhes mais facil comerciar com o resto do mundo do que entre si.

A existente fragmentacao regional priva o continente de novas fontes de crescimento economico, novos empregos e diminuicao acentuada da pobreza – factores que acompanharam a significativa integracao do comercio na Asia Oriental e outras regioes. As redes de producao trans-fronteirica que activaram o dinamismo economico noutras regioes, especialmente na Asia Oriental, ainda teem que se materializar em Africa.”


- Capitulos de especial interesse para a regiao da SADC:

6. Facilitating Cross-border Mobile Banking in Southern Africa

7. Why Trade Facilitation Is Important for Africa

8. Deepening Regional Integration to Eliminate the Fragmented
Goods Market in Southern Africa

11. The Business Environment in Southern Africa: Issues in Trade
and Market Integration

12. Africa’s Trade in Services and the Opportunities and Risks of Economic
Partnership Agreements

13. Developing Professional Services in Africa

[Relatorio integral aqui]


QUESTAO: sera’ que ainda “vamos” a tempo de recuperar o tempo perdido, dada a ‘deadline’ de 2017 para a criacao de uma Area de Comercio Livre no continente estabelecida pela Uniao Africana, para fomentar o comercio intra e inter-regional?


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Tuesday, 25 October 2011

“E se os estados Brasileiros fossem paises?”





Numa altura em que Angola e o Brasil ainda vivem sob o elan da recente visita da Presidente Dilma Rousseff ao 'nosso pais', achei interessante este exercicio feito pelo The Economist aqui ha’ algumas semanas: “E se os estados Brasileiros fossem paises?” – comparando o PIB, o PIB per capita e a populacao de cada estado brasileiro com paises apresentando valores equivalentes para essas variaveis. A intencao foi avaliar (como uma ‘proxy’) em que medida o Brasil esta’ realmente na vanguarda dos paises emergentes a caminho do super-poder economico. Algumas curiosidades constatadas:

- O estado de Alagoas, actualmente mais conhecido pelas suas taxas de homicidio do que pelas suas sublimes praias, tem o mesmo PIB per capita que a China
- A Baia tem um PIB proximo do da Croacia
- O Rio Grande do Sul tem um PIB proximo do do Gabao, a Rondonia do de Mocambique, a Roraima do da Swazilandia, o Mato Grosso do Sul do da Guine’ Equatorial
- Alguns dos estados comparativamente mais ricos do sul do Brasil ainda estao a alguma distancia de poderem ser comparados com alguns lugares afluentes no hemisferio norte...

Exercicios similares foram feitos para os EUA, China e India.


[Aqui]





Numa altura em que Angola e o Brasil ainda vivem sob o elan da recente visita da Presidente Dilma Rousseff ao 'nosso pais', achei interessante este exercicio feito pelo The Economist aqui ha’ algumas semanas: “E se os estados Brasileiros fossem paises?” – comparando o PIB, o PIB per capita e a populacao de cada estado brasileiro com paises apresentando valores equivalentes para essas variaveis. A intencao foi avaliar (como uma ‘proxy’) em que medida o Brasil esta’ realmente na vanguarda dos paises emergentes a caminho do super-poder economico. Algumas curiosidades constatadas:

- O estado de Alagoas, actualmente mais conhecido pelas suas taxas de homicidio do que pelas suas sublimes praias, tem o mesmo PIB per capita que a China
- A Baia tem um PIB proximo do da Croacia
- O Rio Grande do Sul tem um PIB proximo do do Gabao, a Rondonia do de Mocambique, a Roraima do da Swazilandia, o Mato Grosso do Sul do da Guine’ Equatorial
- Alguns dos estados comparativamente mais ricos do sul do Brasil ainda estao a alguma distancia de poderem ser comparados com alguns lugares afluentes no hemisferio norte...

Exercicios similares foram feitos para os EUA, China e India.


[Aqui]

Wednesday, 28 September 2011

..."para quem sabe ler relatorios"...




"O quadro geral em Angola continua a melhorar. Afirmar isto não é bajular."


- De facto, ha' cinco anos, comecei por afirmar neste meu artigo que "seria necessária alguma dose de má fé para se não reconhecer e creditar devidamente os méritos do governo na obtenção do que se convencionou chamar “estabilização macroecónomica”." E afirmar isso tambem "nao e' bajular"...

- E... afirmar que "a economia angolana ainda tem um longo caminho a percorrer ate' se tornar minimamente competitiva, tanto a nivel regional como global", como o fiz naquele mesmo artigo e "reafirmei" ha' alguns dias aqui, tambem nao e' "cometer nenhum crime de lesa-patria"!


"Vejam os últimos relatórios sobre o crescimento e a competitividade das economias no mundo divulgados pelo Fórum Económico Mundial..."





"Vejam os sectores em que Angola era fraca e agora é forte. Não se olhe apenas para o “ranking”, onde o universo de países pode ser maior ou menor, o que altera a posição de cada um. Veja-se o “score”, o valor do aumento ou diminuição da avaliação."


- Colocando temporariamente de parte a "evidencia" de o "ranking" ser directamente determinado pelo "score" e de este ser determinado por todos os "pillars" considerados na avaliacao e indexacao, torna-se muito dificil, para nao dizer impossivel, fazer tal exercicio com alguma credibilidade, uma vez que Angola so' comeca a aparecer com alguma consistencia nesses relatorios nos ultimos dois anos. Assim, proponho um exercicio alternativo, muito simples e talvez mais revelador:

- Angola, o pais que, ao longo da ultima decada, tem batido todos os 'records' de Investimento Directo Estrangeiro em Africa e em boa parte do mundo, de 2010-2011 para 2011-2012, sobe apenas dois lugares na tabela, superando o Burundi apenas por um centesimo no 'score' e "ajudada" pela entrada no 'ranking' do Haiti - o pais mais pobre e mais devastado do mundo nos ultimos tempos...

- Angola, o pais que proclama, e por isso tem sido aclamado internacionalmente, ter "o quadro macroeconomico mais estavel e mais forte" da regiao e do continente nos ultimos anos, de um relatorio para o outro continua atras do Zimbabwe (o pais mais instavel a todos os niveis na regiao e no continente durante a ultima decada e por isso internacionalmente condenado e sancionado), o qual, entretanto, no mesmo periodo, consegue subir quatro lugares no 'rank', situando-se 7 posicoes acima da de Angola...

- Quando consideradas as variacoes na avaliacao, a posicao de Angola tambem nao compara favoravelmente: vejam-se, por exemplo, essas variacoes para pequenas economias como a Swazilandia (-8) ou o Lesotho (-7), ja' para nao falar em economias maiores como a Namibia (-9) ou a Tanzania (-7), as quais no entanto permanecem varias posicoes acima da de Angola (-1)...





"Mesmo em termos de “ranking”, para quem sabe ler relatórios, em relação à competitividade há claramente áreas em que Angola estava na cauda da tabela há alguns anos e agora está a meio, ultrapassando muitos países."


- O ultimo "ranking" inclui 142 paises, encontrando-se Angola na posicao 139 - ou seja, em termos de "ranking", ceteris paribus, Angola "ate' desceu" um lugar na tabela desde o ultimo relatorio onde se encontrava na posicao 138, como alias a variacao de -1 o indica... se isso e' estar "a meio da tabela", entao, definitivamente "nao sei ler relatorios" e tenho mesmo (!) "a mania do sabetudismo"!


"O estágio de desenvolvimento em que Angola está agora colocada pelo Fórum Económico Mundial é diferente do passado."


- O estabelecimento do "estagio de desenvolvimento" pelo FEM e' baseado primeiramente no nivel do PIB per capita o que nada diz sobre o "nivel de desenvolvimento" dos paises quando considerados criterios mais abrangentes, estruturais e estruturantes como a distribuicao desse mesmo PIB ou os seus indices de desenvolvimento humano, por exemplo.

- O segundo criterio adoptado pelo FEM e' baseado na composicao do PIB e na medida em que os paises sao 'factor driven', usando a percentagem de produtos mineiros no total das exportacoes. Assim, o "estagio de desenvolvimento" de Angola e' considerado como "de transicao do estagio 1 ('factor driven') para o estagio 2 ('efficiency driven')" ou, 'lido' de outro modo, Angola ainda nao e' uma economia "eficiente" - e nisso "nao sendo diferente do passado", ou seja, nao tendo mudado de estagio de um relatorio para o outro.


"O gráfico que compara a média de crescimento angolano à média dos países da África Subsaariana entre 2002 e 2010 é revelador do potencial conseguido."


- Para quem "saiba entender" de "crescimento economico", um fundamental e basico "facto estilizado" revela que economias que recebam um "boost" de investimento a partir de um nivel do PIB relativamente baixo (caso da Angola do pos-guerra - como aqui, entre outros lugares, o discuto) tendem a crescer a taxas relativamente mais elevadas do que economias com PIBs mais altos, ou que nao recebam tal "boost": tem a ver com algo designado "rendimentos decrescentes do capital" -
ja' Marx explicava!...

[...e eu, como nao passo de uma muito esforcada, mas modesta professora primaria, fico-me por aqui!...]

Portanto...

"Não vale (mesmo!) a pena esticar a corda"!


{Comentarios a esta materia}


P.S.: Apenas uma breve referencia ao Premio Nobel da Economia deste ano, anunciado depois da publicacao deste post, e ao que escrevi no artigo em questao sobre o papel das expectativas dos agentes economicos:

"(...) É neste contexto que, no quadro da teoria das expectativas racionais, se diz que, atravéz da ilusão monetária (ou do “fetichismo da moeda”, na versão marxista) e do desfasamento temporal entre as medidas de estabilização macroeconómica, “pode-se enganar alguns agentes económicos por algum tempo, mas não todos ao mesmo tempo, nem o tempo todo”… Na verdade, os factores que mais têm contribuido para uma melhoria das expectativas dos investidores estrangeiros e as condições mais favoráveis das linhas de crédito concedidas a Angola (para além, obviamente, das esperadas altas taxas de retorno do investimento nos sectores extractivo e terciário) são a paz, que parece consolidada, e as expectativas de estabilidade política e normalidade institucional que se esperam obter com a realização das eleições; não necessáriamente a “estabilidade macroeconómica” num país que, infelizmente, ainda se conta entre os mais corruptos do mundo e com um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano, numa economia em que nem a própria classe dirigente parece ter confiança, a julgar pelos seus investimentos imobiliários e outros no estrangeiro e pela expatriação de capitais obtidos de forma pouco transparente para os mais famosos paraísos fiscais do mundo. (...)"



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SADC Macroeconomic Convergence and Stability Policy

Afinale...

"A Economia do Bolso Vazio"

Do que as Mulheres Africanas Realmente Precisam

Ainda Sobre Aquele Meu Curso em Portugal





ADENDA


"Aproveitando a deixa", e porque estamos em "mare' de SADC", decidi compilar o 'ranking' dos paises membros da SADC incluidos no ultimo relatorio do FEM [*]:















[*] O que podera' tambem servir de 'quadro ilustrativo' para o aquilatamento das pretensoes e expectativas sobre o papel de Angola na SADC no curto/medio prazo, em particular vis-a-vis a Africa do Sul, como aqui, entre outros lugares, se expressa.




"O quadro geral em Angola continua a melhorar. Afirmar isto não é bajular."


- De facto, ha' cinco anos, comecei por afirmar
neste meu artigo que "seria necessária alguma dose de má fé para se não reconhecer e creditar devidamente os méritos do governo na obtenção do que se convencionou chamar “estabilização macroecónomica”." E afirmar isso tambem "nao e' bajular"...

- E... afirmar que "a economia angolana ainda tem um longo caminho a percorrer ate' se tornar minimamente competitiva, tanto a nivel regional como global", como o fiz naquele mesmo artigo e "reafirmei" ha' alguns dias aqui, tambem nao e' "cometer nenhum crime de lesa-patria"!


"Vejam os últimos relatórios sobre o crescimento e a competitividade das economias no mundo divulgados pelo Fórum Económico Mundial..."





"Vejam os sectores em que Angola era fraca e agora é forte. Não se olhe apenas para o “ranking”, onde o universo de países pode ser maior ou menor, o que altera a posição de cada um. Veja-se o “score”, o valor do aumento ou diminuição da avaliação."


- Colocando temporariamente de parte a "evidencia" de o "ranking" ser directamente determinado pelo "score" e de este ser determinado por todos os "pillars" considerados na avaliacao e indexacao, torna-se muito dificil, para nao dizer impossivel, fazer tal exercicio com alguma credibilidade, uma vez que Angola so' comeca a aparecer com alguma consistencia nesses relatorios nos ultimos dois anos. Assim, proponho um exercicio alternativo, muito simples e talvez mais revelador:

- Angola, o pais que, ao longo da ultima decada, tem batido todos os 'records' de Investimento Directo Estrangeiro em Africa e em boa parte do mundo, de 2010-2011 para 2011-2012, sobe apenas dois lugares na tabela, superando o Burundi apenas por um centesimo no 'score' e "ajudada" pela entrada no 'ranking' do Haiti - o pais mais pobre e mais devastado do mundo nos ultimos tempos...

- Angola, o pais que proclama, e por isso tem sido aclamado internacionalmente, ter "o quadro macroeconomico mais estavel e mais forte" da regiao e do continente nos ultimos anos, de um relatorio para o outro continua atras do Zimbabwe (o pais mais instavel a todos os niveis na regiao e no continente durante a ultima decada e por isso internacionalmente condenado e sancionado), o qual, entretanto, no mesmo periodo, consegue subir quatro lugares no 'rank', situando-se 7 posicoes acima da de Angola...

- Quando consideradas as variacoes na avaliacao, a posicao de Angola tambem nao compara favoravelmente: vejam-se, por exemplo, essas variacoes para pequenas economias como a Swazilandia (-8) ou o Lesotho (-7), ja' para nao falar em economias maiores como a Namibia (-9) ou a Tanzania (-7), as quais no entanto permanecem varias posicoes acima da de Angola (-1)...





"Mesmo em termos de “ranking”, para quem sabe ler relatórios, em relação à competitividade há claramente áreas em que Angola estava na cauda da tabela há alguns anos e agora está a meio, ultrapassando muitos países."


- O ultimo "ranking" inclui 142 paises, encontrando-se Angola na posicao 139 - ou seja, em termos de "ranking", ceteris paribus, Angola "ate' desceu" um lugar na tabela desde o ultimo relatorio onde se encontrava na posicao 138, como alias a variacao de -1 o indica... se isso e' estar "a meio da tabela", entao, definitivamente "nao sei ler relatorios" e tenho mesmo (!) "a mania do sabetudismo"!


"O estágio de desenvolvimento em que Angola está agora colocada pelo Fórum Económico Mundial é diferente do passado."


- O estabelecimento do "estagio de desenvolvimento" pelo FEM e' baseado primeiramente no nivel do PIB per capita o que nada diz sobre o "nivel de desenvolvimento" dos paises quando considerados criterios mais abrangentes, estruturais e estruturantes como a distribuicao desse mesmo PIB ou os seus indices de desenvolvimento humano, por exemplo.

- O segundo criterio adoptado pelo FEM e' baseado na composicao do PIB e na medida em que os paises sao 'factor driven', usando a percentagem de produtos mineiros no total das exportacoes. Assim, o "estagio de desenvolvimento" de Angola e' considerado como "de transicao do estagio 1 ('factor driven') para o estagio 2 ('efficiency driven')" ou, 'lido' de outro modo, Angola ainda nao e' uma economia "eficiente" - e nisso "nao sendo diferente do passado", ou seja, nao tendo mudado de estagio de um relatorio para o outro.


"O gráfico que compara a média de crescimento angolano à média dos países da África Subsaariana entre 2002 e 2010 é revelador do potencial conseguido."


- Para quem "saiba entender" de "crescimento economico", um fundamental e basico "facto estilizado" revela que economias que recebam um "boost" de investimento a partir de um nivel do PIB relativamente baixo (caso da Angola do pos-guerra - como aqui, entre outros lugares, o discuto) tendem a crescer a taxas relativamente mais elevadas do que economias com PIBs mais altos, ou que nao recebam tal "boost": tem a ver com algo designado "rendimentos decrescentes do capital" -
ja' Marx explicava!...

[...e eu, como nao passo de uma muito esforcada, mas modesta professora primaria, fico-me por aqui!...]

Portanto...

"Não vale (mesmo!) a pena esticar a corda"!


{Comentarios a esta materia}


P.S.: Apenas uma breve referencia ao Premio Nobel da Economia deste ano, anunciado depois da publicacao deste post, e ao que escrevi no artigo em questao sobre o papel das expectativas dos agentes economicos:

"(...) É neste contexto que, no quadro da teoria das expectativas racionais, se diz que, atravéz da ilusão monetária (ou do “fetichismo da moeda”, na versão marxista) e do desfasamento temporal entre as medidas de estabilização macroeconómica, “pode-se enganar alguns agentes económicos por algum tempo, mas não todos ao mesmo tempo, nem o tempo todo”… Na verdade, os factores que mais têm contribuido para uma melhoria das expectativas dos investidores estrangeiros e as condições mais favoráveis das linhas de crédito concedidas a Angola (para além, obviamente, das esperadas altas taxas de retorno do investimento nos sectores extractivo e terciário) são a paz, que parece consolidada, e as expectativas de estabilidade política e normalidade institucional que se esperam obter com a realização das eleições; não necessáriamente a “estabilidade macroeconómica” num país que, infelizmente, ainda se conta entre os mais corruptos do mundo e com um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano, numa economia em que nem a própria classe dirigente parece ter confiança, a julgar pelos seus investimentos imobiliários e outros no estrangeiro e pela expatriação de capitais obtidos de forma pouco transparente para os mais famosos paraísos fiscais do mundo. (...)"



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ADENDA


"Aproveitando a deixa", e porque estamos em "mare' de SADC", decidi compilar o 'ranking' dos paises membros da SADC incluidos no ultimo relatorio do FEM [*]:















[*] O que podera' tambem servir de 'quadro ilustrativo' para o aquilatamento das pretensoes e expectativas sobre o papel de Angola na SADC no curto/medio prazo, em particular vis-a-vis a Africa do Sul, como aqui, entre outros lugares, se expressa.

Thursday, 22 September 2011

Revisitando a SADC (Conclusao)





[Continuacao daqui]

Detenhamos-nos um pouco sobre a CNUCED. Esta organizacao, mais do que a OMC, ao contrario do que parece ser o entendimento de muitos, tem sido a maior promotora de iniciativas de desenvolvimento economico atraves do comercio regional e internacional, por intermedio do apoio tecnico e institucional que concede aos governos e organizacoes inter-governamentais que, como a SADC, perseguem esse objectivo. “Mais do que a OMC”, disse justamente: porque, tal como o FMI e o Banco Mundial o sao da economia monetaria e financeira internacional, a OMC e’ uma organizacao reguladora do comercio internacional, o que nao e’ estritamente a vocacao da CNUCED.

Detenhamo-nos tambem um pouco sobre a OMC. Esta organizacao, se entregue aos seus own devices pode, efectivamente, em certas circunstancias e contextos bem determinados e, especialmente naqueles em que os Paises Menos Desenvolvidos (PMD) se demonstram mais vulneraveis, agir como um “bicho papao”... e e’ precisamente por isso que varios projectos de apoio tecnico e de criacao e desenvolvimento de capacidade (capacity building) institucional, organizativa e de negociacao, em alguns dos quais estive envolvida, como aqui referi, se teem criado e se venhem tentando implementar na Africa Austral e noutras regioes do continente Africano e do chamado Global South (formerly better known as “Terceiro Mundo”).

Servem tais projectos, entre outros objectivos, justamente para fazerem os estudos de viabilidade tecnica, em particular das infrastructuras [*] existentes, ou a (re)construir e desenvolver, a par dos estudos de identificacao das vantagens absolutas e comparativas reais e potenciais, que sirvam de suporte a adopcao de politicas comerciais e industriais por parte dos paises abrangidos, que sejam adequadas nao apenas aos objectivos de desenvolvimento regional, mas tambem aos objectivos politico-economicos nacionais - como aqui o ilustro.

Mais servem esses projectos (... ou pelo menos aqueles em que estive envolvida...) para empreenderem o estudo dos quadros e instrumentos institucionais, legais, normativos e reguladores no dominio do comercio e da industria dos paises alvo e advogarem as necessarias medidas para o seu fortalecimento e adequacao as regulacoes da OMC la' onde elas sejam incontornaveis e ate' desejaveis para todos (caso dos standards sanitarios e fitosanitarios e de higiene alimentar, por exemplo, incidindo sobre os produtos de origem agricola, piscicola e pecuaria que constituem o grosso da producao e do comercio dos paises Africanos) e, tanto quanto possivel, submetendo-as aos seus proprios interesses nacionais, nos casos em que tais regulacoes se demonstrem apenas do interesse dos paises mais desenvolvidos - como aqui o ilustro.

E tais projectos destinam-se precisamente a criar um ambiente de proteccao desses paises e das suas politicas comerciais, industriais e economicas em geral das estrategias dos “bichos papoes” que dominam a OMC e que, tanto a nivel regional, como continental e internacional, tendem a constrangi-los e a submete-los aos seus ditames!

Seus ditames? Sim! Eles ditam, dominam e manipulam as "regras do jogo" do comercio internacional – nao e’ segredo nenhum para ninguem, dir-se-ha’ porventura... Mas, o que recolho das 'atoardas' com que nao raro me vejo bombardeada, e’ o que parece ser ainda desconhecido de muitos: nomeadamente, que todos os membros da ONU sao, ou podem ser, membros da OMC, tal como o sao, ou podem ser, do BM e do FMI e que o seu bargaining power nessas instituicoes, e na OMC mais do que nas outras, depende crucialmente das aliancas e coligacoes que entre si sejam capazes de forjar.

E essas aliancas, que se teem que fundar institucionalmente, em primeiro lugar, nas organizacoes regionais como a SADC, passam pela criacao de pelo menos tres pre-requisitos fundamentais: 1. vontade e determinacao politica; 2. capacidade tecnica; 3. capacidade negocial. E, sendo certo que a existencia de tais organizacoes e de instrumentos de politica como o Protocolo de Comercio da SADC de per se parecem indiciar a existencia do primeiro pre-requisito, ja’ os outros dois sao virtualmente inexistentes.




Por essa razao, varios grupos e sub-grupos de paises se teem organizado no seio da OMC e venhem forjando aliancas politico-reivindicativas cujo maior achievement ate’ ao momento foi a inclusao na agenda de Doha do objectivo “capacity building” para a obtencao do apoio por parte da propria OMC ao preenchimento dos pre-requisitos 2. e 3., sem o que o chamado Global South se reserva o direito de oferecer resistencia 'a implementacao das suas politicas e regulamentos, particularmente no sector dos servicos.

E apenas para ilustrar a importancia vital, premencia e urgencia do objectivo capacity building, referirei apenas este facto: na regiao da Africa Austral, no periodo, nao assim tao recuado, em que estive envolvida nesse tipo de projectos no terreno, contavam-se apenas, se tanto, cerca de meia duzia de profissionais nacionais dos paises membros da SADC [**] com alguma familiaridade quer com a teoria e a pratica da Economia e Comercio Internacional e da Integracao Economica Regional, quer com o funcionamento e estrategias negociais no quadro da OMC, sendo eu dentre eles - ... e, malgre' todas as maliciosas “reticencias” a minha nacionalidade com que la’ me vi confrontada por parte de alguns “representantes” do “meu pais” (como AQUI se pode constatar...), e nisso o meu amigo Angelo Mondlane , entao Chefe Economista da SADC e pessoa que muito estimo, que uma vez me disse "tu es a pessoa melhor qualificada que nos temos aqui", nao me deixara' mentir!... - [***] a unica com formacao academica especifica nessas areas, acrescida de especializacao na Historia Economica da regiao, obtida neste Departamento da LSE , no qual fui apenas a terceira Africana a ser admitida desde a sua fundacao! Os outros dois eram Eritreus. E fi-lo suportando os seus altos custos financeiros inteiramente por minha conta propria!...

Todos os outros eram nacionais de paises ocidentais, ou seja, dos tais "bichos papoes" da OMC! (... era um pouco sobre essa realidade que aqui trocava algumas ideias com alguns Africanos que "sabem do que falam") ... E por isso, em pelo menos duas ocasioes memoraveis me encontrei em rota de colisao e mesmo de ruptura com alguns deles directamente e, indirectamente, com as suas respectivas agencias de desenvolvimento - era dessas, entre outras situacoes, que se referia aqui alguem quando dizia "(...) She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear" ... e era tambem disso que eu falava aqui, quando dizia que "e… por isso tenho pago (muito!) alto o preco!"...

E se essa e' a realidade na Africa Austral que, realisticamente falando, pode ser considerada "a mais desenvolvida" em termos de diversificacao economica e de fluxos/influxos comerciais e de recursos humanos e financeiros na Africa Sub-Sahariana, o que dizer das outras sub-regioes do continente?! ... E, a este respeito, nao sera' de todo inoportuno relembrar, nao sem uma certa amarga ironia, como, ainda muito recentemente, aqui se dizia que "... podemos importar, com facilidade, o “know-how” de África que nos falta"!...

Terminaria, portanto, com este 'statement' sobre o qual cada vez tenho menos duvidas: so' me parecem haver duas alternativas 'a OMC:

i) a sua extincao e o regresso ao 'unilateralismo' no comercio internacional, como aqui propunha o candidato (derrotado) a Presidencia dos EUA, Dennis Kucinich. Esta nao me parece, no entanto, ser uma opcao viavel, credivel nem recomendavel, por varias razoes, dentre as quais destacaria o inevitavel regresso ao 'mercantilismo puro e duro' ou, no limite, simplesmente a 'autarcia', pelo menos em alguns casos, sendo certo que estes se verificariam maioritariamente no Global South;

ii) um maior engajamento e compromisso dos paises do Global South nos processos de integracao economica regional, no fomento do comercio intra e inter-regional e na criacao e desenvolvimento das suas capacidades tecnicas e negociais a todos os niveis, por forma a servir-se efectivamente o objectivo ultimo de colocar o comercio internacional ao servico do desenvolvimento economico, social e humano, tanto em Africa como no resto do Global South e do mundo em geral.




[*] Sendo que as infrastruturas em questao no dominio do comercio internacional nao sao apenas as fisicas (estradas, pontes, linhas ferreas, portos, redes de telecomunicacoes, etc.), mas tambem, e sobretudo, as tecnicas. Isto porque e' consensual que as barreiras mais detrimentais a entrada nos mercados internacionais para os PMD sao as chamadas barreiras nao quantitativas, ou barreiras tecnicas ao comercio, que os paises mais fortes na OMC teem sido capazes de adoptar e implementar em seu favor atraves de instrumentos como as regras de origem, cumulacao, valor acrescentado e clausulas de salvaguarda, ou da estruturacao das pautas aduaneiras, apenas para citar as mais comuns.

Portanto, nao pretendendo de modo nenhum subestimar a importancia crucial das infrastruturas fisicas, o facto e' que por melhores que estas sejam, nao ha' comercio internacional que resista a tais barreiras tecnicas.

E e' este o principio fundamental que rege a criacao das Areas de Comercio Livre (FTAs), como propugna o Protocolo de Comercio da SADC, com vista a facilitacao do comercio e a livre circulacao de pessoas e bens entre paises, pois elas permitem a eliminacao de grande parte, senao de todas, essas barreiras tecnicas.


[**] Colocando-se aqui a Africa do Sul numa league of her own com o seu Trade Law Centre for Southern Africa (tralac), sediado em Stellenbosch e dirigido pela minha amiga Trudi Hartzenberg, que se tem vindo a afirmar nos ultimos anos como um importante viveiro de quadros regionais nessa area, sendo no entanto ainda bastante circunscrito 'as politicas comerciais da Africa do Sul e, por extensao, da SACU.


[***] Lembro-me, a este proposito, do sentimento, diria que de "humilhacao", com que vi, num dos workshops dos Customs Advisory Working Groups (CAWGs) a que aqui me refiro, ha' 10 anos, em Johannesburg, o "meu pais" representado por um cidadao Britanico, que assim se apresentou ao grupo: "I'm (so and so) and you can address any questions about Angola to me"...

Mas, a "representar" Angola estava tambem um cidadao Angolano, antigo funcionario das alfandegas - que certamente sabia muito mais sobre o funcionamento destas no pais e sobre Angola em geral do que o Britanico, mas... nao sabia Ingles! Nem o Britanico sabia Portugues! Nao vi qualquer interaccao ou dialogo entre eles durante ou depois das sessoes de trabalho. De facto, como varias vezes o tive que fazer em situacoes identicas, por moto proprio e "solidariedade nacional" (e pessoas como, por exemplo, o economista Alves da Rocha - que tive o prazer de conhecer em Johannesburg num workshop regional para a consolidacao e primeira apresentacao oficial do corrente Plano Indicativo Estrategico Regional da SADC e a quem daqui envio um cordial abraco -, sao disso testemunhas), fui eu que acabei por servir de tradutora/interprete para o Angolano... o "eterno" (inultrapassavel?) problema da lingua, pois sim. Mas o facto e' que os organizadores do workshop poderiam ter providenciado servicos de traducao/interpretacao ao(s) representante(s) de Angola se tal lhes tivesse sido solicitado com a devida antecedencia. So' que... quem 'mandava' (ainda 'manda'?) nas alfandegas de Angola era uma firma Britanica!...
E, entretanto, todos os outros paises da regiao estavam devidamente representados exclusivamente por cidadaos nacionais seus...

Mas nao se tratou ali apenas de uma questao 'emotiva' de "orgulho nacional ferido"; tratou-se, sobretudo, de uma questao com profundas e perversas implicacoes estruturais: aquela era uma plataforma para a obtencao de informacao e conhecimentos tecnicos e de interaccao entre os profissionais da regiao para a adopcao e implementacao de instrumentos comuns com vista a facilitacao do comercio entre os seus paises. Mas quem obteve e "acumulou" tal experiencia no caso de Angola?
O cidadao Britanico, a sua firma e o seu pais - ou seja, um dos "bichos papoes" da OMC?!


[images by Yinka Shonibare: 'HMS Victory in a bottle' and two versions of 'The Wonderer']





ADENDA


Apenas algumas linhas adicionais para "transportar" para o contexto regional (Rest of SADC vs. South Africa) as consideracoes feitas acima em relacao ao contexto global (SADC vs. Rest of the World):

Tal como a OMC, se entregue aos seus own devices, se pode comportar como um "bicho papao" em relacao aos PMD, no contexto regional esse "bicho papao" pode bem ser a Africa do Sul (AS) em relacao aos outros paises membros da SADC... se entregue aos seus own devices!

Vejamos: a AS e', indubitavelmente, o gigante continental (veja-se, por exemplo a sua posicao no Global Competitiveness Index aqui discutido em relacao aos outros paises da regiao e do continente - apenas seguida de perto pelas Mauricias; veja-se tambem a forma como cada vez mais a nivel global se vai aproximando do grupo dos BRIC - Brasil, Russia, India e China) e domina o comercio regional na Africa Austral.

Em resultado disso, como o demonstra amplamente a experiencia centenaria da SACU, a AS pode agir na regiao como a OMC age no mundo... but, again, apenas se entregue aos seus own devices!

A implicacao desse facto e' que ele torna o Protocolo de Comercio da SADC num instrumento crucial para a "subordinacao" das politicas comerciais e industriais tendencialmente hegemonicas da SA as disposicoes desse protocolo, que contempla o principio da geometria assimetrica no estabelecimento de uma FTA e, mais tarde de uma UA na regiao, e atraves do qual os outros paises membros da SADC podem exercer de forma concertada as accoes necessarias a salvaguarda dos seus interesses economicos nacionais, tal como o Global South o vem, slowly but surely, fazendo na OMC.





[Continuacao daqui]

Detenhamos-nos um pouco sobre a CNUCED. Esta organizacao, mais do que a OMC, ao contrario do que parece ser o entendimento de muitos, tem sido a maior promotora de iniciativas de desenvolvimento economico atraves do comercio regional e internacional, por intermedio do apoio tecnico e institucional que concede aos governos e organizacoes inter-governamentais que, como a SADC, perseguem esse objectivo. “Mais do que a OMC”, disse justamente: porque, tal como o FMI e o Banco Mundial o sao da economia monetaria e financeira internacional, a OMC e’ uma organizacao reguladora do comercio internacional, o que nao e’ estritamente a vocacao da CNUCED.

Detenhamo-nos tambem um pouco sobre a OMC. Esta organizacao, se entregue aos seus own devices pode, efectivamente, em certas circunstancias e contextos bem determinados e, especialmente naqueles em que os Paises Menos Desenvolvidos (PMD) se demonstram mais vulneraveis, agir como um “bicho papao”... e e’ precisamente por isso que varios projectos de apoio tecnico e de criacao e desenvolvimento de capacidade (capacity building) institucional, organizativa e de negociacao, em alguns dos quais estive envolvida, como aqui referi, se teem criado e se venhem tentando implementar na Africa Austral e noutras regioes do continente Africano e do chamado Global South (formerly better known as “Terceiro Mundo”).

Servem tais projectos, entre outros objectivos, justamente para fazerem os estudos de viabilidade tecnica, em particular das infrastructuras [*] existentes, ou a (re)construir e desenvolver, a par dos estudos de identificacao das vantagens absolutas e comparativas reais e potenciais, que sirvam de suporte a adopcao de politicas comerciais e industriais por parte dos paises abrangidos, que sejam adequadas nao apenas aos objectivos de desenvolvimento regional, mas tambem aos objectivos politico-economicos nacionais - como aqui o ilustro.

Mais servem esses projectos (... ou pelo menos aqueles em que estive envolvida...) para empreenderem o estudo dos quadros e instrumentos institucionais, legais, normativos e reguladores no dominio do comercio e da industria dos paises alvo e advogarem as necessarias medidas para o seu fortalecimento e adequacao as regulacoes da OMC la' onde elas sejam incontornaveis e ate' desejaveis para todos (caso dos standards sanitarios e fitosanitarios e de higiene alimentar, por exemplo, incidindo sobre os produtos de origem agricola, piscicola e pecuaria que constituem o grosso da producao e do comercio dos paises Africanos) e, tanto quanto possivel, submetendo-as aos seus proprios interesses nacionais, nos casos em que tais regulacoes se demonstrem apenas do interesse dos paises mais desenvolvidos - como aqui o ilustro.

E tais projectos destinam-se precisamente a criar um ambiente de proteccao desses paises e das suas politicas comerciais, industriais e economicas em geral das estrategias dos “bichos papoes” que dominam a OMC e que, tanto a nivel regional, como continental e internacional, tendem a constrangi-los e a submete-los aos seus ditames!

Seus ditames? Sim! Eles ditam, dominam e manipulam as "regras do jogo" do comercio internacional – nao e’ segredo nenhum para ninguem, dir-se-ha’ porventura... Mas, o que recolho das 'atoardas' com que nao raro me vejo bombardeada, e’ o que parece ser ainda desconhecido de muitos: nomeadamente, que todos os membros da ONU sao, ou podem ser, membros da OMC, tal como o sao, ou podem ser, do BM e do FMI e que o seu bargaining power nessas instituicoes, e na OMC mais do que nas outras, depende crucialmente das aliancas e coligacoes que entre si sejam capazes de forjar.

E essas aliancas, que se teem que fundar institucionalmente, em primeiro lugar, nas organizacoes regionais como a SADC, passam pela criacao de pelo menos tres pre-requisitos fundamentais: 1. vontade e determinacao politica; 2. capacidade tecnica; 3. capacidade negocial. E, sendo certo que a existencia de tais organizacoes e de instrumentos de politica como o Protocolo de Comercio da SADC de per se parecem indiciar a existencia do primeiro pre-requisito, ja’ os outros dois sao virtualmente inexistentes.




Por essa razao, varios grupos e sub-grupos de paises se teem organizado no seio da OMC e venhem forjando aliancas politico-reivindicativas cujo maior achievement ate’ ao momento foi a inclusao na agenda de Doha do objectivo “capacity building” para a obtencao do apoio por parte da propria OMC ao preenchimento dos pre-requisitos 2. e 3., sem o que o chamado Global South se reserva o direito de oferecer resistencia 'a implementacao das suas politicas e regulamentos, particularmente no sector dos servicos.

E apenas para ilustrar a importancia vital, premencia e urgencia do objectivo capacity building, referirei apenas este facto: na regiao da Africa Austral, no periodo, nao assim tao recuado, em que estive envolvida nesse tipo de projectos no terreno, contavam-se apenas, se tanto, cerca de meia duzia de profissionais nacionais dos paises membros da SADC [**] com alguma familiaridade quer com a teoria e a pratica da Economia e Comercio Internacional e da Integracao Economica Regional, quer com o funcionamento e estrategias negociais no quadro da OMC, sendo eu dentre eles - ... e, malgre' todas as maliciosas “reticencias” a minha nacionalidade com que la’ me vi confrontada por parte de alguns “representantes” do “meu pais” (como AQUI se pode constatar...), e nisso o meu amigo Angelo Mondlane , entao Chefe Economista da SADC e pessoa que muito estimo, que uma vez me disse "tu es a pessoa melhor qualificada que nos temos aqui", nao me deixara' mentir!... - [***] a unica com formacao academica especifica nessas areas, acrescida de especializacao na Historia Economica da regiao, obtida neste Departamento da LSE , no qual fui apenas a terceira Africana a ser admitida desde a sua fundacao! Os outros dois eram Eritreus. E fi-lo suportando os seus altos custos financeiros inteiramente por minha conta propria!...

Todos os outros eram nacionais de paises ocidentais, ou seja, dos tais "bichos papoes" da OMC! (... era um pouco sobre essa realidade que aqui trocava algumas ideias com alguns Africanos que "sabem do que falam") ... E por isso, em pelo menos duas ocasioes memoraveis me encontrei em rota de colisao e mesmo de ruptura com alguns deles directamente e, indirectamente, com as suas respectivas agencias de desenvolvimento - era dessas, entre outras situacoes, que se referia aqui alguem quando dizia "(...) She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear" ... e era tambem disso que eu falava aqui, quando dizia que "e… por isso tenho pago (muito!) alto o preco!"...

E se essa e' a realidade na Africa Austral que, realisticamente falando, pode ser considerada "a mais desenvolvida" em termos de diversificacao economica e de fluxos/influxos comerciais e de recursos humanos e financeiros na Africa Sub-Sahariana, o que dizer das outras sub-regioes do continente?! ... E, a este respeito, nao sera' de todo inoportuno relembrar, nao sem uma certa amarga ironia, como, ainda muito recentemente, aqui se dizia que "... podemos importar, com facilidade, o “know-how” de África que nos falta"!...

Terminaria, portanto, com este 'statement' sobre o qual cada vez tenho menos duvidas: so' me parecem haver duas alternativas 'a OMC:

i) a sua extincao e o regresso ao 'unilateralismo' no comercio internacional, como aqui propunha o candidato (derrotado) a Presidencia dos EUA, Dennis Kucinich. Esta nao me parece, no entanto, ser uma opcao viavel, credivel nem recomendavel, por varias razoes, dentre as quais destacaria o inevitavel regresso ao 'mercantilismo puro e duro' ou, no limite, simplesmente a 'autarcia', pelo menos em alguns casos, sendo certo que estes se verificariam maioritariamente no Global South;

ii) um maior engajamento e compromisso dos paises do Global South nos processos de integracao economica regional, no fomento do comercio intra e inter-regional e na criacao e desenvolvimento das suas capacidades tecnicas e negociais a todos os niveis, por forma a servir-se efectivamente o objectivo ultimo de colocar o comercio internacional ao servico do desenvolvimento economico, social e humano, tanto em Africa como no resto do Global South e do mundo em geral.




[*] Sendo que as infrastruturas em questao no dominio do comercio internacional nao sao apenas as fisicas (estradas, pontes, linhas ferreas, portos, redes de telecomunicacoes, etc.), mas tambem, e sobretudo, as tecnicas. Isto porque e' consensual que as barreiras mais detrimentais a entrada nos mercados internacionais para os PMD sao as chamadas barreiras nao quantitativas, ou barreiras tecnicas ao comercio, que os paises mais fortes na OMC teem sido capazes de adoptar e implementar em seu favor atraves de instrumentos como as regras de origem, cumulacao, valor acrescentado e clausulas de salvaguarda, ou da estruturacao das pautas aduaneiras, apenas para citar as mais comuns.

Portanto, nao pretendendo de modo nenhum subestimar a importancia crucial das infrastruturas fisicas, o facto e' que por melhores que estas sejam, nao ha' comercio internacional que resista a tais barreiras tecnicas.

E e' este o principio fundamental que rege a criacao das Areas de Comercio Livre (FTAs), como propugna o Protocolo de Comercio da SADC, com vista a facilitacao do comercio e a livre circulacao de pessoas e bens entre paises, pois elas permitem a eliminacao de grande parte, senao de todas, essas barreiras tecnicas.


[**] Colocando-se aqui a Africa do Sul numa league of her own com o seu Trade Law Centre for Southern Africa (tralac), sediado em Stellenbosch e dirigido pela minha amiga Trudi Hartzenberg, que se tem vindo a afirmar nos ultimos anos como um importante viveiro de quadros regionais nessa area, sendo no entanto ainda bastante circunscrito 'as politicas comerciais da Africa do Sul e, por extensao, da SACU.


[***] Lembro-me, a este proposito, do sentimento, diria que de "humilhacao", com que vi, num dos workshops dos Customs Advisory Working Groups (CAWGs) a que aqui me refiro, ha' 10 anos, em Johannesburg, o "meu pais" representado por um cidadao Britanico, que assim se apresentou ao grupo: "I'm (so and so) and you can address any questions about Angola to me"...

Mas, a "representar" Angola estava tambem um cidadao Angolano, antigo funcionario das alfandegas - que certamente sabia muito mais sobre o funcionamento destas no pais e sobre Angola em geral do que o Britanico, mas... nao sabia Ingles! Nem o Britanico sabia Portugues! Nao vi qualquer interaccao ou dialogo entre eles durante ou depois das sessoes de trabalho. De facto, como varias vezes o tive que fazer em situacoes identicas, por moto proprio e "solidariedade nacional" (e pessoas como, por exemplo, o economista Alves da Rocha - que tive o prazer de conhecer em Johannesburg num workshop regional para a consolidacao e primeira apresentacao oficial do corrente Plano Indicativo Estrategico Regional da SADC e a quem daqui envio um cordial abraco -, sao disso testemunhas), fui eu que acabei por servir de tradutora/interprete para o Angolano... o "eterno" (inultrapassavel?) problema da lingua, pois sim. Mas o facto e' que os organizadores do workshop poderiam ter providenciado servicos de traducao/interpretacao ao(s) representante(s) de Angola se tal lhes tivesse sido solicitado com a devida antecedencia. So' que... quem 'mandava' (ainda 'manda'?) nas alfandegas de Angola era uma firma Britanica!...
E, entretanto, todos os outros paises da regiao estavam devidamente representados exclusivamente por cidadaos nacionais seus...

Mas nao se tratou ali apenas de uma questao 'emotiva' de "orgulho nacional ferido"; tratou-se, sobretudo, de uma questao com profundas e perversas implicacoes estruturais: aquela era uma plataforma para a obtencao de informacao e conhecimentos tecnicos e de interaccao entre os profissionais da regiao para a adopcao e implementacao de instrumentos comuns com vista a facilitacao do comercio entre os seus paises. Mas quem obteve e "acumulou" tal experiencia no caso de Angola?
O cidadao Britanico, a sua firma e o seu pais - ou seja, um dos "bichos papoes" da OMC?!


[images by Yinka Shonibare: 'HMS Victory in a bottle' and two versions of 'The Wonderer']





ADENDA


Apenas algumas linhas adicionais para "transportar" para o contexto regional (Rest of SADC vs. South Africa) as consideracoes feitas acima em relacao ao contexto global (SADC vs. Rest of the World):

Tal como a OMC, se entregue aos seus own devices, se pode comportar como um "bicho papao" em relacao aos PMD, no contexto regional esse "bicho papao" pode bem ser a Africa do Sul (AS) em relacao aos outros paises membros da SADC... se entregue aos seus own devices!

Vejamos: a AS e', indubitavelmente, o gigante continental (veja-se, por exemplo a sua posicao no Global Competitiveness Index aqui discutido em relacao aos outros paises da regiao e do continente - apenas seguida de perto pelas Mauricias; veja-se tambem a forma como cada vez mais a nivel global se vai aproximando do grupo dos BRIC - Brasil, Russia, India e China) e domina o comercio regional na Africa Austral.

Em resultado disso, como o demonstra amplamente a experiencia centenaria da SACU, a AS pode agir na regiao como a OMC age no mundo... but, again, apenas se entregue aos seus own devices!

A implicacao desse facto e' que ele torna o Protocolo de Comercio da SADC num instrumento crucial para a "subordinacao" das politicas comerciais e industriais tendencialmente hegemonicas da SA as disposicoes desse protocolo, que contempla o principio da geometria assimetrica no estabelecimento de uma FTA e, mais tarde de uma UA na regiao, e atraves do qual os outros paises membros da SADC podem exercer de forma concertada as accoes necessarias a salvaguarda dos seus interesses economicos nacionais, tal como o Global South o vem, slowly but surely, fazendo na OMC.

Tuesday, 20 September 2011

SADC: Meeting the Millennium Development Goals?



[image from here]


EXECUTIVE SUMMARY

This report is on the Status of and Prospects for achieving the Millennium Development Goals (MDGs) in SADC. The report outlines the progress made by SADC countries in implementing the MDGs five years after they were adopted. The report results from a consultation amongst SADC member States on the status of and prospects for achieving MDGs in preparation to the African Common position on the matters.

Section 2 of the report is an overview of the status of MDGs in SADC, based on statistical data on the different indicators pertaining to the MDGs. The section attempts to give account of the status of the MDGs across the SADC region as well as the total or average situation in SADC.

The third section is on the challenges for achieving the MDGs in the region. It shows that SADC countries face daunting challenges in achieving the MDGs by 2015. The HIV/AIDS scourge is the most severe development challenge to the realization of the MDGs in the region contributing to the deterioration in the human development over the past few years. Apart from the HIV/AIDS pandemic, the other challenges which hinder the achievement of MDGs include high poverty levels and income inequalities, persistent food shortages, environmental degradation, as well as institutional, policy and resource constraints.

The fourth section analyses the prospects for achieving the MDGs in SADC. It concludes that the SADC region faces uneven prospects of achieving the MDGs. Significant policy reforms both at national and international levels are recommended to help accelerate the progress for achieving the MDGs. These include institutional capacity building, domestication of the MGDs into country long-term development strategies, effectiveness and transparency in the management of natural resources through good governance and partnership-building with all the stakeholders. At the international level a fair international trading system, a deep and broad debt relief programme which include the cancellation of external debt of the highly indebted poor SADC countries and finance new commitments through grants, are needed.

Finally the Report concludes that meeting the MDGs will be a daunting task for most of the SADC countries and the donor community. However, the goals are both affordable and achievable.


[Keep reading here]


Postado a proposito, entre outras, destas materias: [A], [B], [C]



[image from here]


EXECUTIVE SUMMARY

This report is on the Status of and Prospects for achieving the Millennium Development Goals (MDGs) in SADC. The report outlines the progress made by SADC countries in implementing the MDGs five years after they were adopted. The report results from a consultation amongst SADC member States on the status of and prospects for achieving MDGs in preparation to the African Common position on the matters.

Section 2 of the report is an overview of the status of MDGs in SADC, based on statistical data on the different indicators pertaining to the MDGs. The section attempts to give account of the status of the MDGs across the SADC region as well as the total or average situation in SADC.

The third section is on the challenges for achieving the MDGs in the region. It shows that SADC countries face daunting challenges in achieving the MDGs by 2015. The HIV/AIDS scourge is the most severe development challenge to the realization of the MDGs in the region contributing to the deterioration in the human development over the past few years. Apart from the HIV/AIDS pandemic, the other challenges which hinder the achievement of MDGs include high poverty levels and income inequalities, persistent food shortages, environmental degradation, as well as institutional, policy and resource constraints.

The fourth section analyses the prospects for achieving the MDGs in SADC. It concludes that the SADC region faces uneven prospects of achieving the MDGs. Significant policy reforms both at national and international levels are recommended to help accelerate the progress for achieving the MDGs. These include institutional capacity building, domestication of the MGDs into country long-term development strategies, effectiveness and transparency in the management of natural resources through good governance and partnership-building with all the stakeholders. At the international level a fair international trading system, a deep and broad debt relief programme which include the cancellation of external debt of the highly indebted poor SADC countries and finance new commitments through grants, are needed.

Finally the Report concludes that meeting the MDGs will be a daunting task for most of the SADC countries and the donor community. However, the goals are both affordable and achievable.


[Keep reading here]


Postado a proposito, entre outras, destas materias: [A], [B], [C]

Wednesday, 25 May 2011

Do que as Mulheres Africanas Realmente Precisam [re-Revisto]





[A 'Modernidade' de que Africa Mais Precisa]


De "calculadoras da paz" . Talvez nao das do tipo de que se fala aqui , mas como as da imagem (...e sem alardes nem poses para ficar bem na fotografia...): explorando e exercendo, junto das suas comunidades locais, com inteira probidade e sem qualquer "atrevimento politico", o seu potencial e capacidade real a favor da nobre tarefa de "capacity building" para o desenvolvimento sustentado e sustentavel do seu continente, pelo que todas e quaisquer "avencas" que lhes sejam devidas (... que, em qualquer caso, em nenhuma parte do mundo civilizado chegam "tao rapidamente" aos milhoes que dao para isto e muito menos para isto!!!...) sao mais do que merecidas!

De "calculadoras da paz", preferencialmente criadas e desenvolvidas endogenamente a partir de, por e para Africa , nao apenas importadas temporariamente e com o perfil inadequado!

Definitivamente, do que elas nao precisam e' de absolutamente nada disto, ou disto, muito menos disto e menos ainda disto!
Especialmente nao num pais com um dos niveis de Desenvolvimento Humano mais baixos em Africa e no Mundo!

[Eu certamente NAO PRECISO! NAO QUERO! NUNCA O DESEJEI! E NAO O DESEJO A NINGUEM: A NENHUMA MULHER - AFRICANA OU NAO!... NAO FOI PARA ISSO QUE ESTUDEI E TRABALHEI DURANTE TANTOS ANOS, NAO FOI PARA ISSO QUE LUTEI TODA A MINHA VIDA!!!]


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BLUE





[A 'Modernidade' de que Africa Mais Precisa]


De "calculadoras da paz" . Talvez nao das do tipo de que se fala aqui , mas como as da imagem (...e sem alardes nem poses para ficar bem na fotografia...): explorando e exercendo, junto das suas comunidades locais, com inteira probidade e sem qualquer "atrevimento politico", o seu potencial e capacidade real a favor da nobre tarefa de "capacity building" para o desenvolvimento sustentado e sustentavel do seu continente, pelo que todas e quaisquer "avencas" que lhes sejam devidas (... que, em qualquer caso, em nenhuma parte do mundo civilizado chegam "tao rapidamente" aos milhoes que dao para isto e muito menos para isto!!!...) sao mais do que merecidas!

De "calculadoras da paz", preferencialmente criadas e desenvolvidas endogenamente a partir de, por e para Africa , nao apenas importadas temporariamente e com o perfil inadequado!

Definitivamente, do que elas nao precisam e' de absolutamente nada disto, ou disto, muito menos disto e menos ainda disto!
Especialmente nao num pais com um dos niveis de Desenvolvimento Humano mais baixos em Africa e no Mundo!

[Eu certamente NAO PRECISO! NAO QUERO! NUNCA O DESEJEI! E NAO O DESEJO A NINGUEM: A NENHUMA MULHER - AFRICANA OU NAO!... NAO FOI PARA ISSO QUE ESTUDEI E TRABALHEI DURANTE TANTOS ANOS, NAO FOI PARA ISSO QUE LUTEI TODA A MINHA VIDA!!!]


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