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Saturday, 2 June 2012

Il Technocratti...






... Falam com tanto "conhecimento de causa"!...


Na conferência de imprensa de ontem JES disse a verdade em relação ao que interessa realmente ao seu Governo no âmbito da integração regional no quadro da SADC, ao estabelecer o ano de 2050 como sendo agora a novo horizonte. O anterior horizonte era 2017, salvo erro.
O que eu não percebi muito bem é se este horizonte é ou não especifico para Angola, que é um dos países da SADC que mais tem bloqueado o surgimento de um mercado comum (livre comércio) na região com as mais diferentes alegações.

Primeiro foi a guerra, depois foram as consequências da guerra. Dez anos depois das armas se terem calado, gostaria de saber quais foram os novos/velhos argumentos de JES para sustentar a sua estratégia derrogatória do quero mas não quero...



Materia (nao) Relacionada:


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Il Illuminati








... Falam com tanto "conhecimento de causa"!...


Na conferência de imprensa de ontem JES disse a verdade em relação ao que interessa realmente ao seu Governo no âmbito da integração regional no quadro da SADC, ao estabelecer o ano de 2050 como sendo agora a novo horizonte. O anterior horizonte era 2017, salvo erro.
O que eu não percebi muito bem é se este horizonte é ou não especifico para Angola, que é um dos países da SADC que mais tem bloqueado o surgimento de um mercado comum (livre comércio) na região com as mais diferentes alegações.

Primeiro foi a guerra, depois foram as consequências da guerra. Dez anos depois das armas se terem calado, gostaria de saber quais foram os novos/velhos argumentos de JES para sustentar a sua estratégia derrogatória do quero mas não quero...



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Friday, 23 March 2012

"Segundo um Novo Relatorio do Banco Mundial"...



Nao e’ por nada (... certamente nao pela minha alegada “mania do sabetudismo”!...), mas...



Este novo relatorio do Banco Mundial lancado ontem – “De-fragmentando o Comercio Africano”: Aprofundando a Integracao Regional do Comercio de Bens e Servicos – levou-me de volta a esta “revisitacao da SADC”, porque diz fundamentalmente o seguinte (minha traducao livre):

“Os paises Africanos teem vindo a perder bilioes de dolares por ano em potenciais ganhos do comercio devido as elevadas barreiras comerciais com os paises vizinhos, sendo-lhes mais facil comerciar com o resto do mundo do que entre si.

A existente fragmentacao regional priva o continente de novas fontes de crescimento economico, novos empregos e diminuicao acentuada da pobreza – factores que acompanharam a significativa integracao do comercio na Asia Oriental e outras regioes. As redes de producao trans-fronteirica que activaram o dinamismo economico noutras regioes, especialmente na Asia Oriental, ainda teem que se materializar em Africa.”


- Capitulos de especial interesse para a regiao da SADC:

6. Facilitating Cross-border Mobile Banking in Southern Africa

7. Why Trade Facilitation Is Important for Africa

8. Deepening Regional Integration to Eliminate the Fragmented
Goods Market in Southern Africa

11. The Business Environment in Southern Africa: Issues in Trade
and Market Integration

12. Africa’s Trade in Services and the Opportunities and Risks of Economic
Partnership Agreements

13. Developing Professional Services in Africa

[Relatorio integral aqui]


QUESTAO: sera’ que ainda “vamos” a tempo de recuperar o tempo perdido, dada a ‘deadline’ de 2017 para a criacao de uma Area de Comercio Livre no continente estabelecida pela Uniao Africana, para fomentar o comercio intra e inter-regional?


POSTS RELACIONADOS:

SADC: Trade Facilitation Issues

SADC: Protocol & Policy Implementation Issues

The EU-ACP Economic Partnership Agreements

The East-Asian Tigers Model in Africa?



Nao e’ por nada (... certamente nao pela minha alegada
“mania do sabetudismo”!...), mas...



Este novo relatorio do Banco Mundial lancado ontem – “De-fragmentando o Comercio Africano”: Aprofundando a Integracao Regional do Comercio de Bens e Servicos – levou-me de volta a esta “revisitacao da SADC”, porque diz fundamentalmente o seguinte (minha traducao livre):

“Os paises Africanos teem vindo a perder bilioes de dolares por ano em potenciais ganhos do comercio devido as elevadas barreiras comerciais com os paises vizinhos, sendo-lhes mais facil comerciar com o resto do mundo do que entre si.

A existente fragmentacao regional priva o continente de novas fontes de crescimento economico, novos empregos e diminuicao acentuada da pobreza – factores que acompanharam a significativa integracao do comercio na Asia Oriental e outras regioes. As redes de producao trans-fronteirica que activaram o dinamismo economico noutras regioes, especialmente na Asia Oriental, ainda teem que se materializar em Africa.”


- Capitulos de especial interesse para a regiao da SADC:

6. Facilitating Cross-border Mobile Banking in Southern Africa

7. Why Trade Facilitation Is Important for Africa

8. Deepening Regional Integration to Eliminate the Fragmented
Goods Market in Southern Africa

11. The Business Environment in Southern Africa: Issues in Trade
and Market Integration

12. Africa’s Trade in Services and the Opportunities and Risks of Economic
Partnership Agreements

13. Developing Professional Services in Africa

[Relatorio integral aqui]


QUESTAO: sera’ que ainda “vamos” a tempo de recuperar o tempo perdido, dada a ‘deadline’ de 2017 para a criacao de uma Area de Comercio Livre no continente estabelecida pela Uniao Africana, para fomentar o comercio intra e inter-regional?


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Thursday, 22 September 2011

Revisitando a SADC (Conclusao)





[Continuacao daqui]

Detenhamos-nos um pouco sobre a CNUCED. Esta organizacao, mais do que a OMC, ao contrario do que parece ser o entendimento de muitos, tem sido a maior promotora de iniciativas de desenvolvimento economico atraves do comercio regional e internacional, por intermedio do apoio tecnico e institucional que concede aos governos e organizacoes inter-governamentais que, como a SADC, perseguem esse objectivo. “Mais do que a OMC”, disse justamente: porque, tal como o FMI e o Banco Mundial o sao da economia monetaria e financeira internacional, a OMC e’ uma organizacao reguladora do comercio internacional, o que nao e’ estritamente a vocacao da CNUCED.

Detenhamo-nos tambem um pouco sobre a OMC. Esta organizacao, se entregue aos seus own devices pode, efectivamente, em certas circunstancias e contextos bem determinados e, especialmente naqueles em que os Paises Menos Desenvolvidos (PMD) se demonstram mais vulneraveis, agir como um “bicho papao”... e e’ precisamente por isso que varios projectos de apoio tecnico e de criacao e desenvolvimento de capacidade (capacity building) institucional, organizativa e de negociacao, em alguns dos quais estive envolvida, como aqui referi, se teem criado e se venhem tentando implementar na Africa Austral e noutras regioes do continente Africano e do chamado Global South (formerly better known as “Terceiro Mundo”).

Servem tais projectos, entre outros objectivos, justamente para fazerem os estudos de viabilidade tecnica, em particular das infrastructuras [*] existentes, ou a (re)construir e desenvolver, a par dos estudos de identificacao das vantagens absolutas e comparativas reais e potenciais, que sirvam de suporte a adopcao de politicas comerciais e industriais por parte dos paises abrangidos, que sejam adequadas nao apenas aos objectivos de desenvolvimento regional, mas tambem aos objectivos politico-economicos nacionais - como aqui o ilustro.

Mais servem esses projectos (... ou pelo menos aqueles em que estive envolvida...) para empreenderem o estudo dos quadros e instrumentos institucionais, legais, normativos e reguladores no dominio do comercio e da industria dos paises alvo e advogarem as necessarias medidas para o seu fortalecimento e adequacao as regulacoes da OMC la' onde elas sejam incontornaveis e ate' desejaveis para todos (caso dos standards sanitarios e fitosanitarios e de higiene alimentar, por exemplo, incidindo sobre os produtos de origem agricola, piscicola e pecuaria que constituem o grosso da producao e do comercio dos paises Africanos) e, tanto quanto possivel, submetendo-as aos seus proprios interesses nacionais, nos casos em que tais regulacoes se demonstrem apenas do interesse dos paises mais desenvolvidos - como aqui o ilustro.

E tais projectos destinam-se precisamente a criar um ambiente de proteccao desses paises e das suas politicas comerciais, industriais e economicas em geral das estrategias dos “bichos papoes” que dominam a OMC e que, tanto a nivel regional, como continental e internacional, tendem a constrangi-los e a submete-los aos seus ditames!

Seus ditames? Sim! Eles ditam, dominam e manipulam as "regras do jogo" do comercio internacional – nao e’ segredo nenhum para ninguem, dir-se-ha’ porventura... Mas, o que recolho das 'atoardas' com que nao raro me vejo bombardeada, e’ o que parece ser ainda desconhecido de muitos: nomeadamente, que todos os membros da ONU sao, ou podem ser, membros da OMC, tal como o sao, ou podem ser, do BM e do FMI e que o seu bargaining power nessas instituicoes, e na OMC mais do que nas outras, depende crucialmente das aliancas e coligacoes que entre si sejam capazes de forjar.

E essas aliancas, que se teem que fundar institucionalmente, em primeiro lugar, nas organizacoes regionais como a SADC, passam pela criacao de pelo menos tres pre-requisitos fundamentais: 1. vontade e determinacao politica; 2. capacidade tecnica; 3. capacidade negocial. E, sendo certo que a existencia de tais organizacoes e de instrumentos de politica como o Protocolo de Comercio da SADC de per se parecem indiciar a existencia do primeiro pre-requisito, ja’ os outros dois sao virtualmente inexistentes.




Por essa razao, varios grupos e sub-grupos de paises se teem organizado no seio da OMC e venhem forjando aliancas politico-reivindicativas cujo maior achievement ate’ ao momento foi a inclusao na agenda de Doha do objectivo “capacity building” para a obtencao do apoio por parte da propria OMC ao preenchimento dos pre-requisitos 2. e 3., sem o que o chamado Global South se reserva o direito de oferecer resistencia 'a implementacao das suas politicas e regulamentos, particularmente no sector dos servicos.

E apenas para ilustrar a importancia vital, premencia e urgencia do objectivo capacity building, referirei apenas este facto: na regiao da Africa Austral, no periodo, nao assim tao recuado, em que estive envolvida nesse tipo de projectos no terreno, contavam-se apenas, se tanto, cerca de meia duzia de profissionais nacionais dos paises membros da SADC [**] com alguma familiaridade quer com a teoria e a pratica da Economia e Comercio Internacional e da Integracao Economica Regional, quer com o funcionamento e estrategias negociais no quadro da OMC, sendo eu dentre eles - ... e, malgre' todas as maliciosas “reticencias” a minha nacionalidade com que la’ me vi confrontada por parte de alguns “representantes” do “meu pais” (como AQUI se pode constatar...), e nisso o meu amigo Angelo Mondlane , entao Chefe Economista da SADC e pessoa que muito estimo, que uma vez me disse "tu es a pessoa melhor qualificada que nos temos aqui", nao me deixara' mentir!... - [***] a unica com formacao academica especifica nessas areas, acrescida de especializacao na Historia Economica da regiao, obtida neste Departamento da LSE , no qual fui apenas a terceira Africana a ser admitida desde a sua fundacao! Os outros dois eram Eritreus. E fi-lo suportando os seus altos custos financeiros inteiramente por minha conta propria!...

Todos os outros eram nacionais de paises ocidentais, ou seja, dos tais "bichos papoes" da OMC! (... era um pouco sobre essa realidade que aqui trocava algumas ideias com alguns Africanos que "sabem do que falam") ... E por isso, em pelo menos duas ocasioes memoraveis me encontrei em rota de colisao e mesmo de ruptura com alguns deles directamente e, indirectamente, com as suas respectivas agencias de desenvolvimento - era dessas, entre outras situacoes, que se referia aqui alguem quando dizia "(...) She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear" ... e era tambem disso que eu falava aqui, quando dizia que "e… por isso tenho pago (muito!) alto o preco!"...

E se essa e' a realidade na Africa Austral que, realisticamente falando, pode ser considerada "a mais desenvolvida" em termos de diversificacao economica e de fluxos/influxos comerciais e de recursos humanos e financeiros na Africa Sub-Sahariana, o que dizer das outras sub-regioes do continente?! ... E, a este respeito, nao sera' de todo inoportuno relembrar, nao sem uma certa amarga ironia, como, ainda muito recentemente, aqui se dizia que "... podemos importar, com facilidade, o “know-how” de África que nos falta"!...

Terminaria, portanto, com este 'statement' sobre o qual cada vez tenho menos duvidas: so' me parecem haver duas alternativas 'a OMC:

i) a sua extincao e o regresso ao 'unilateralismo' no comercio internacional, como aqui propunha o candidato (derrotado) a Presidencia dos EUA, Dennis Kucinich. Esta nao me parece, no entanto, ser uma opcao viavel, credivel nem recomendavel, por varias razoes, dentre as quais destacaria o inevitavel regresso ao 'mercantilismo puro e duro' ou, no limite, simplesmente a 'autarcia', pelo menos em alguns casos, sendo certo que estes se verificariam maioritariamente no Global South;

ii) um maior engajamento e compromisso dos paises do Global South nos processos de integracao economica regional, no fomento do comercio intra e inter-regional e na criacao e desenvolvimento das suas capacidades tecnicas e negociais a todos os niveis, por forma a servir-se efectivamente o objectivo ultimo de colocar o comercio internacional ao servico do desenvolvimento economico, social e humano, tanto em Africa como no resto do Global South e do mundo em geral.




[*] Sendo que as infrastruturas em questao no dominio do comercio internacional nao sao apenas as fisicas (estradas, pontes, linhas ferreas, portos, redes de telecomunicacoes, etc.), mas tambem, e sobretudo, as tecnicas. Isto porque e' consensual que as barreiras mais detrimentais a entrada nos mercados internacionais para os PMD sao as chamadas barreiras nao quantitativas, ou barreiras tecnicas ao comercio, que os paises mais fortes na OMC teem sido capazes de adoptar e implementar em seu favor atraves de instrumentos como as regras de origem, cumulacao, valor acrescentado e clausulas de salvaguarda, ou da estruturacao das pautas aduaneiras, apenas para citar as mais comuns.

Portanto, nao pretendendo de modo nenhum subestimar a importancia crucial das infrastruturas fisicas, o facto e' que por melhores que estas sejam, nao ha' comercio internacional que resista a tais barreiras tecnicas.

E e' este o principio fundamental que rege a criacao das Areas de Comercio Livre (FTAs), como propugna o Protocolo de Comercio da SADC, com vista a facilitacao do comercio e a livre circulacao de pessoas e bens entre paises, pois elas permitem a eliminacao de grande parte, senao de todas, essas barreiras tecnicas.


[**] Colocando-se aqui a Africa do Sul numa league of her own com o seu Trade Law Centre for Southern Africa (tralac), sediado em Stellenbosch e dirigido pela minha amiga Trudi Hartzenberg, que se tem vindo a afirmar nos ultimos anos como um importante viveiro de quadros regionais nessa area, sendo no entanto ainda bastante circunscrito 'as politicas comerciais da Africa do Sul e, por extensao, da SACU.


[***] Lembro-me, a este proposito, do sentimento, diria que de "humilhacao", com que vi, num dos workshops dos Customs Advisory Working Groups (CAWGs) a que aqui me refiro, ha' 10 anos, em Johannesburg, o "meu pais" representado por um cidadao Britanico, que assim se apresentou ao grupo: "I'm (so and so) and you can address any questions about Angola to me"...

Mas, a "representar" Angola estava tambem um cidadao Angolano, antigo funcionario das alfandegas - que certamente sabia muito mais sobre o funcionamento destas no pais e sobre Angola em geral do que o Britanico, mas... nao sabia Ingles! Nem o Britanico sabia Portugues! Nao vi qualquer interaccao ou dialogo entre eles durante ou depois das sessoes de trabalho. De facto, como varias vezes o tive que fazer em situacoes identicas, por moto proprio e "solidariedade nacional" (e pessoas como, por exemplo, o economista Alves da Rocha - que tive o prazer de conhecer em Johannesburg num workshop regional para a consolidacao e primeira apresentacao oficial do corrente Plano Indicativo Estrategico Regional da SADC e a quem daqui envio um cordial abraco -, sao disso testemunhas), fui eu que acabei por servir de tradutora/interprete para o Angolano... o "eterno" (inultrapassavel?) problema da lingua, pois sim. Mas o facto e' que os organizadores do workshop poderiam ter providenciado servicos de traducao/interpretacao ao(s) representante(s) de Angola se tal lhes tivesse sido solicitado com a devida antecedencia. So' que... quem 'mandava' (ainda 'manda'?) nas alfandegas de Angola era uma firma Britanica!...
E, entretanto, todos os outros paises da regiao estavam devidamente representados exclusivamente por cidadaos nacionais seus...

Mas nao se tratou ali apenas de uma questao 'emotiva' de "orgulho nacional ferido"; tratou-se, sobretudo, de uma questao com profundas e perversas implicacoes estruturais: aquela era uma plataforma para a obtencao de informacao e conhecimentos tecnicos e de interaccao entre os profissionais da regiao para a adopcao e implementacao de instrumentos comuns com vista a facilitacao do comercio entre os seus paises. Mas quem obteve e "acumulou" tal experiencia no caso de Angola?
O cidadao Britanico, a sua firma e o seu pais - ou seja, um dos "bichos papoes" da OMC?!


[images by Yinka Shonibare: 'HMS Victory in a bottle' and two versions of 'The Wonderer']





ADENDA


Apenas algumas linhas adicionais para "transportar" para o contexto regional (Rest of SADC vs. South Africa) as consideracoes feitas acima em relacao ao contexto global (SADC vs. Rest of the World):

Tal como a OMC, se entregue aos seus own devices, se pode comportar como um "bicho papao" em relacao aos PMD, no contexto regional esse "bicho papao" pode bem ser a Africa do Sul (AS) em relacao aos outros paises membros da SADC... se entregue aos seus own devices!

Vejamos: a AS e', indubitavelmente, o gigante continental (veja-se, por exemplo a sua posicao no Global Competitiveness Index aqui discutido em relacao aos outros paises da regiao e do continente - apenas seguida de perto pelas Mauricias; veja-se tambem a forma como cada vez mais a nivel global se vai aproximando do grupo dos BRIC - Brasil, Russia, India e China) e domina o comercio regional na Africa Austral.

Em resultado disso, como o demonstra amplamente a experiencia centenaria da SACU, a AS pode agir na regiao como a OMC age no mundo... but, again, apenas se entregue aos seus own devices!

A implicacao desse facto e' que ele torna o Protocolo de Comercio da SADC num instrumento crucial para a "subordinacao" das politicas comerciais e industriais tendencialmente hegemonicas da SA as disposicoes desse protocolo, que contempla o principio da geometria assimetrica no estabelecimento de uma FTA e, mais tarde de uma UA na regiao, e atraves do qual os outros paises membros da SADC podem exercer de forma concertada as accoes necessarias a salvaguarda dos seus interesses economicos nacionais, tal como o Global South o vem, slowly but surely, fazendo na OMC.





[Continuacao daqui]

Detenhamos-nos um pouco sobre a CNUCED. Esta organizacao, mais do que a OMC, ao contrario do que parece ser o entendimento de muitos, tem sido a maior promotora de iniciativas de desenvolvimento economico atraves do comercio regional e internacional, por intermedio do apoio tecnico e institucional que concede aos governos e organizacoes inter-governamentais que, como a SADC, perseguem esse objectivo. “Mais do que a OMC”, disse justamente: porque, tal como o FMI e o Banco Mundial o sao da economia monetaria e financeira internacional, a OMC e’ uma organizacao reguladora do comercio internacional, o que nao e’ estritamente a vocacao da CNUCED.

Detenhamo-nos tambem um pouco sobre a OMC. Esta organizacao, se entregue aos seus own devices pode, efectivamente, em certas circunstancias e contextos bem determinados e, especialmente naqueles em que os Paises Menos Desenvolvidos (PMD) se demonstram mais vulneraveis, agir como um “bicho papao”... e e’ precisamente por isso que varios projectos de apoio tecnico e de criacao e desenvolvimento de capacidade (capacity building) institucional, organizativa e de negociacao, em alguns dos quais estive envolvida, como aqui referi, se teem criado e se venhem tentando implementar na Africa Austral e noutras regioes do continente Africano e do chamado Global South (formerly better known as “Terceiro Mundo”).

Servem tais projectos, entre outros objectivos, justamente para fazerem os estudos de viabilidade tecnica, em particular das infrastructuras [*] existentes, ou a (re)construir e desenvolver, a par dos estudos de identificacao das vantagens absolutas e comparativas reais e potenciais, que sirvam de suporte a adopcao de politicas comerciais e industriais por parte dos paises abrangidos, que sejam adequadas nao apenas aos objectivos de desenvolvimento regional, mas tambem aos objectivos politico-economicos nacionais - como aqui o ilustro.

Mais servem esses projectos (... ou pelo menos aqueles em que estive envolvida...) para empreenderem o estudo dos quadros e instrumentos institucionais, legais, normativos e reguladores no dominio do comercio e da industria dos paises alvo e advogarem as necessarias medidas para o seu fortalecimento e adequacao as regulacoes da OMC la' onde elas sejam incontornaveis e ate' desejaveis para todos (caso dos standards sanitarios e fitosanitarios e de higiene alimentar, por exemplo, incidindo sobre os produtos de origem agricola, piscicola e pecuaria que constituem o grosso da producao e do comercio dos paises Africanos) e, tanto quanto possivel, submetendo-as aos seus proprios interesses nacionais, nos casos em que tais regulacoes se demonstrem apenas do interesse dos paises mais desenvolvidos - como aqui o ilustro.

E tais projectos destinam-se precisamente a criar um ambiente de proteccao desses paises e das suas politicas comerciais, industriais e economicas em geral das estrategias dos “bichos papoes” que dominam a OMC e que, tanto a nivel regional, como continental e internacional, tendem a constrangi-los e a submete-los aos seus ditames!

Seus ditames? Sim! Eles ditam, dominam e manipulam as "regras do jogo" do comercio internacional – nao e’ segredo nenhum para ninguem, dir-se-ha’ porventura... Mas, o que recolho das 'atoardas' com que nao raro me vejo bombardeada, e’ o que parece ser ainda desconhecido de muitos: nomeadamente, que todos os membros da ONU sao, ou podem ser, membros da OMC, tal como o sao, ou podem ser, do BM e do FMI e que o seu bargaining power nessas instituicoes, e na OMC mais do que nas outras, depende crucialmente das aliancas e coligacoes que entre si sejam capazes de forjar.

E essas aliancas, que se teem que fundar institucionalmente, em primeiro lugar, nas organizacoes regionais como a SADC, passam pela criacao de pelo menos tres pre-requisitos fundamentais: 1. vontade e determinacao politica; 2. capacidade tecnica; 3. capacidade negocial. E, sendo certo que a existencia de tais organizacoes e de instrumentos de politica como o Protocolo de Comercio da SADC de per se parecem indiciar a existencia do primeiro pre-requisito, ja’ os outros dois sao virtualmente inexistentes.




Por essa razao, varios grupos e sub-grupos de paises se teem organizado no seio da OMC e venhem forjando aliancas politico-reivindicativas cujo maior achievement ate’ ao momento foi a inclusao na agenda de Doha do objectivo “capacity building” para a obtencao do apoio por parte da propria OMC ao preenchimento dos pre-requisitos 2. e 3., sem o que o chamado Global South se reserva o direito de oferecer resistencia 'a implementacao das suas politicas e regulamentos, particularmente no sector dos servicos.

E apenas para ilustrar a importancia vital, premencia e urgencia do objectivo capacity building, referirei apenas este facto: na regiao da Africa Austral, no periodo, nao assim tao recuado, em que estive envolvida nesse tipo de projectos no terreno, contavam-se apenas, se tanto, cerca de meia duzia de profissionais nacionais dos paises membros da SADC [**] com alguma familiaridade quer com a teoria e a pratica da Economia e Comercio Internacional e da Integracao Economica Regional, quer com o funcionamento e estrategias negociais no quadro da OMC, sendo eu dentre eles - ... e, malgre' todas as maliciosas “reticencias” a minha nacionalidade com que la’ me vi confrontada por parte de alguns “representantes” do “meu pais” (como AQUI se pode constatar...), e nisso o meu amigo Angelo Mondlane , entao Chefe Economista da SADC e pessoa que muito estimo, que uma vez me disse "tu es a pessoa melhor qualificada que nos temos aqui", nao me deixara' mentir!... - [***] a unica com formacao academica especifica nessas areas, acrescida de especializacao na Historia Economica da regiao, obtida neste Departamento da LSE , no qual fui apenas a terceira Africana a ser admitida desde a sua fundacao! Os outros dois eram Eritreus. E fi-lo suportando os seus altos custos financeiros inteiramente por minha conta propria!...

Todos os outros eram nacionais de paises ocidentais, ou seja, dos tais "bichos papoes" da OMC! (... era um pouco sobre essa realidade que aqui trocava algumas ideias com alguns Africanos que "sabem do que falam") ... E por isso, em pelo menos duas ocasioes memoraveis me encontrei em rota de colisao e mesmo de ruptura com alguns deles directamente e, indirectamente, com as suas respectivas agencias de desenvolvimento - era dessas, entre outras situacoes, que se referia aqui alguem quando dizia "(...) She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear" ... e era tambem disso que eu falava aqui, quando dizia que "e… por isso tenho pago (muito!) alto o preco!"...

E se essa e' a realidade na Africa Austral que, realisticamente falando, pode ser considerada "a mais desenvolvida" em termos de diversificacao economica e de fluxos/influxos comerciais e de recursos humanos e financeiros na Africa Sub-Sahariana, o que dizer das outras sub-regioes do continente?! ... E, a este respeito, nao sera' de todo inoportuno relembrar, nao sem uma certa amarga ironia, como, ainda muito recentemente, aqui se dizia que "... podemos importar, com facilidade, o “know-how” de África que nos falta"!...

Terminaria, portanto, com este 'statement' sobre o qual cada vez tenho menos duvidas: so' me parecem haver duas alternativas 'a OMC:

i) a sua extincao e o regresso ao 'unilateralismo' no comercio internacional, como aqui propunha o candidato (derrotado) a Presidencia dos EUA, Dennis Kucinich. Esta nao me parece, no entanto, ser uma opcao viavel, credivel nem recomendavel, por varias razoes, dentre as quais destacaria o inevitavel regresso ao 'mercantilismo puro e duro' ou, no limite, simplesmente a 'autarcia', pelo menos em alguns casos, sendo certo que estes se verificariam maioritariamente no Global South;

ii) um maior engajamento e compromisso dos paises do Global South nos processos de integracao economica regional, no fomento do comercio intra e inter-regional e na criacao e desenvolvimento das suas capacidades tecnicas e negociais a todos os niveis, por forma a servir-se efectivamente o objectivo ultimo de colocar o comercio internacional ao servico do desenvolvimento economico, social e humano, tanto em Africa como no resto do Global South e do mundo em geral.




[*] Sendo que as infrastruturas em questao no dominio do comercio internacional nao sao apenas as fisicas (estradas, pontes, linhas ferreas, portos, redes de telecomunicacoes, etc.), mas tambem, e sobretudo, as tecnicas. Isto porque e' consensual que as barreiras mais detrimentais a entrada nos mercados internacionais para os PMD sao as chamadas barreiras nao quantitativas, ou barreiras tecnicas ao comercio, que os paises mais fortes na OMC teem sido capazes de adoptar e implementar em seu favor atraves de instrumentos como as regras de origem, cumulacao, valor acrescentado e clausulas de salvaguarda, ou da estruturacao das pautas aduaneiras, apenas para citar as mais comuns.

Portanto, nao pretendendo de modo nenhum subestimar a importancia crucial das infrastruturas fisicas, o facto e' que por melhores que estas sejam, nao ha' comercio internacional que resista a tais barreiras tecnicas.

E e' este o principio fundamental que rege a criacao das Areas de Comercio Livre (FTAs), como propugna o Protocolo de Comercio da SADC, com vista a facilitacao do comercio e a livre circulacao de pessoas e bens entre paises, pois elas permitem a eliminacao de grande parte, senao de todas, essas barreiras tecnicas.


[**] Colocando-se aqui a Africa do Sul numa league of her own com o seu Trade Law Centre for Southern Africa (tralac), sediado em Stellenbosch e dirigido pela minha amiga Trudi Hartzenberg, que se tem vindo a afirmar nos ultimos anos como um importante viveiro de quadros regionais nessa area, sendo no entanto ainda bastante circunscrito 'as politicas comerciais da Africa do Sul e, por extensao, da SACU.


[***] Lembro-me, a este proposito, do sentimento, diria que de "humilhacao", com que vi, num dos workshops dos Customs Advisory Working Groups (CAWGs) a que aqui me refiro, ha' 10 anos, em Johannesburg, o "meu pais" representado por um cidadao Britanico, que assim se apresentou ao grupo: "I'm (so and so) and you can address any questions about Angola to me"...

Mas, a "representar" Angola estava tambem um cidadao Angolano, antigo funcionario das alfandegas - que certamente sabia muito mais sobre o funcionamento destas no pais e sobre Angola em geral do que o Britanico, mas... nao sabia Ingles! Nem o Britanico sabia Portugues! Nao vi qualquer interaccao ou dialogo entre eles durante ou depois das sessoes de trabalho. De facto, como varias vezes o tive que fazer em situacoes identicas, por moto proprio e "solidariedade nacional" (e pessoas como, por exemplo, o economista Alves da Rocha - que tive o prazer de conhecer em Johannesburg num workshop regional para a consolidacao e primeira apresentacao oficial do corrente Plano Indicativo Estrategico Regional da SADC e a quem daqui envio um cordial abraco -, sao disso testemunhas), fui eu que acabei por servir de tradutora/interprete para o Angolano... o "eterno" (inultrapassavel?) problema da lingua, pois sim. Mas o facto e' que os organizadores do workshop poderiam ter providenciado servicos de traducao/interpretacao ao(s) representante(s) de Angola se tal lhes tivesse sido solicitado com a devida antecedencia. So' que... quem 'mandava' (ainda 'manda'?) nas alfandegas de Angola era uma firma Britanica!...
E, entretanto, todos os outros paises da regiao estavam devidamente representados exclusivamente por cidadaos nacionais seus...

Mas nao se tratou ali apenas de uma questao 'emotiva' de "orgulho nacional ferido"; tratou-se, sobretudo, de uma questao com profundas e perversas implicacoes estruturais: aquela era uma plataforma para a obtencao de informacao e conhecimentos tecnicos e de interaccao entre os profissionais da regiao para a adopcao e implementacao de instrumentos comuns com vista a facilitacao do comercio entre os seus paises. Mas quem obteve e "acumulou" tal experiencia no caso de Angola?
O cidadao Britanico, a sua firma e o seu pais - ou seja, um dos "bichos papoes" da OMC?!


[images by Yinka Shonibare: 'HMS Victory in a bottle' and two versions of 'The Wonderer']





ADENDA


Apenas algumas linhas adicionais para "transportar" para o contexto regional (Rest of SADC vs. South Africa) as consideracoes feitas acima em relacao ao contexto global (SADC vs. Rest of the World):

Tal como a OMC, se entregue aos seus own devices, se pode comportar como um "bicho papao" em relacao aos PMD, no contexto regional esse "bicho papao" pode bem ser a Africa do Sul (AS) em relacao aos outros paises membros da SADC... se entregue aos seus own devices!

Vejamos: a AS e', indubitavelmente, o gigante continental (veja-se, por exemplo a sua posicao no Global Competitiveness Index aqui discutido em relacao aos outros paises da regiao e do continente - apenas seguida de perto pelas Mauricias; veja-se tambem a forma como cada vez mais a nivel global se vai aproximando do grupo dos BRIC - Brasil, Russia, India e China) e domina o comercio regional na Africa Austral.

Em resultado disso, como o demonstra amplamente a experiencia centenaria da SACU, a AS pode agir na regiao como a OMC age no mundo... but, again, apenas se entregue aos seus own devices!

A implicacao desse facto e' que ele torna o Protocolo de Comercio da SADC num instrumento crucial para a "subordinacao" das politicas comerciais e industriais tendencialmente hegemonicas da SA as disposicoes desse protocolo, que contempla o principio da geometria assimetrica no estabelecimento de uma FTA e, mais tarde de uma UA na regiao, e atraves do qual os outros paises membros da SADC podem exercer de forma concertada as accoes necessarias a salvaguarda dos seus interesses economicos nacionais, tal como o Global South o vem, slowly but surely, fazendo na OMC.

Tuesday, 20 September 2011

SADC: Meeting the Millennium Development Goals?



[image from here]


EXECUTIVE SUMMARY

This report is on the Status of and Prospects for achieving the Millennium Development Goals (MDGs) in SADC. The report outlines the progress made by SADC countries in implementing the MDGs five years after they were adopted. The report results from a consultation amongst SADC member States on the status of and prospects for achieving MDGs in preparation to the African Common position on the matters.

Section 2 of the report is an overview of the status of MDGs in SADC, based on statistical data on the different indicators pertaining to the MDGs. The section attempts to give account of the status of the MDGs across the SADC region as well as the total or average situation in SADC.

The third section is on the challenges for achieving the MDGs in the region. It shows that SADC countries face daunting challenges in achieving the MDGs by 2015. The HIV/AIDS scourge is the most severe development challenge to the realization of the MDGs in the region contributing to the deterioration in the human development over the past few years. Apart from the HIV/AIDS pandemic, the other challenges which hinder the achievement of MDGs include high poverty levels and income inequalities, persistent food shortages, environmental degradation, as well as institutional, policy and resource constraints.

The fourth section analyses the prospects for achieving the MDGs in SADC. It concludes that the SADC region faces uneven prospects of achieving the MDGs. Significant policy reforms both at national and international levels are recommended to help accelerate the progress for achieving the MDGs. These include institutional capacity building, domestication of the MGDs into country long-term development strategies, effectiveness and transparency in the management of natural resources through good governance and partnership-building with all the stakeholders. At the international level a fair international trading system, a deep and broad debt relief programme which include the cancellation of external debt of the highly indebted poor SADC countries and finance new commitments through grants, are needed.

Finally the Report concludes that meeting the MDGs will be a daunting task for most of the SADC countries and the donor community. However, the goals are both affordable and achievable.


[Keep reading here]


Postado a proposito, entre outras, destas materias: [A], [B], [C]



[image from here]


EXECUTIVE SUMMARY

This report is on the Status of and Prospects for achieving the Millennium Development Goals (MDGs) in SADC. The report outlines the progress made by SADC countries in implementing the MDGs five years after they were adopted. The report results from a consultation amongst SADC member States on the status of and prospects for achieving MDGs in preparation to the African Common position on the matters.

Section 2 of the report is an overview of the status of MDGs in SADC, based on statistical data on the different indicators pertaining to the MDGs. The section attempts to give account of the status of the MDGs across the SADC region as well as the total or average situation in SADC.

The third section is on the challenges for achieving the MDGs in the region. It shows that SADC countries face daunting challenges in achieving the MDGs by 2015. The HIV/AIDS scourge is the most severe development challenge to the realization of the MDGs in the region contributing to the deterioration in the human development over the past few years. Apart from the HIV/AIDS pandemic, the other challenges which hinder the achievement of MDGs include high poverty levels and income inequalities, persistent food shortages, environmental degradation, as well as institutional, policy and resource constraints.

The fourth section analyses the prospects for achieving the MDGs in SADC. It concludes that the SADC region faces uneven prospects of achieving the MDGs. Significant policy reforms both at national and international levels are recommended to help accelerate the progress for achieving the MDGs. These include institutional capacity building, domestication of the MGDs into country long-term development strategies, effectiveness and transparency in the management of natural resources through good governance and partnership-building with all the stakeholders. At the international level a fair international trading system, a deep and broad debt relief programme which include the cancellation of external debt of the highly indebted poor SADC countries and finance new commitments through grants, are needed.

Finally the Report concludes that meeting the MDGs will be a daunting task for most of the SADC countries and the donor community. However, the goals are both affordable and achievable.


[Keep reading here]


Postado a proposito, entre outras, destas materias: [A], [B], [C]

Thursday, 25 August 2011

SADC: Poverty Reduction & Shared Watercourses Management




[Postado a proposito desta materia; e tambem relacionado com esta materia publicada posteriormente]



[Postado a proposito
desta materia; e tambem relacionado com esta materia publicada posteriormente]

Friday, 19 August 2011

Revisitando a SADC (Parte II)




[Yinka Shonibare - La Meduse]


[Continuacao daqui]


Mas, porque volto entao a este tema quando ele se tem demonstrado de tao dificil abordagem?

Fundamentalmente porque, apesar de formalmente afastada profissionalmente dessa area, continuo a sentir algo como um certo “sentido de dever” de sobre ela emitir a minha opiniao sempre que tal se me afigure relevante.

Nao me proponho, no entanto, debrucar-me sobre as questoes de fundo que a problematica do engajamento de Angola no comercio intra e inter-regional suscitam – tal requereria uma abordagem eminentemente tecnica que, manifestamente, nao cabe no espirito informal deste blog (por vezes permito-me quebrar esse espirito, como aqui, ou aqui, mas apenas quando se trate de artigos ja’ escritos num contexto academico e/ou profissional). Limitar-me-ei, portanto, a alinhavar aqui algumas notas que gostaria de sugerir para a reflexao de quem, porventura, possa nelas estar interessado:

Geografia e Historia

- ‘As afirmacoes do Prof. Mourao ocorre-me apenas reafirmar algo que ja’ aqui, entre outros lugares referi: a mais antiga Uniao Aduaneira (UA) do mundo, a SACU (Southern Africa Customs Union, integrada por Botswana, Lesotho, Namibia, South Africa, e Swazilandia), foi criada na Africa Austral, em 1910 - tendo, portanto, celebrado o seu primeiro centenario no ano passado. Avaliar, criticar e ate’ mesmo condenar (!) a sua estrutura, economia politica e modus operandi desde a sua criacao ate’ aos dias de hoje e’ um exercicio a que tambem ja’ me dediquei extensivamente em outras ocasioes e que aqui me escusarei de repetir.

O que aqui importara’, sobretudo, notar e’ que nao so’ a criacao de uma UA na Africa Austral e’ possivel e tem precedentes historicos originais (dos quais a regiao pode colher importantes licoes, tanto no sentido positivo como no negativo), como tambem a criacao de uma UA mais ampla no quadro do Protocolo de Comercio da SADC esta’ definida nesse mesmo Protocolo, no Tratado da organizacao, na sua Agenda Comum e, entre outros dos seus instrumentos de politica, no seu Plano Indicativo Estrategico Regional, nao como “um objectivo imediato”, mas como uma meta a atingir-se gradualmente no quadro de uma estrategia de integracao regional com base no principio da "geometria assimetrica" (cuja aplicacao pratica no ambito das metas de convergencia macroeconomica da regiao podera' ser encontrada aqui) que contempla os diferentes estagios de desenvolvimento dos paises membros.

Apenas acrescentaria algo que nao pode deixar de ser referido neste contexto e que tambem ja’ referi noutras ocasioes: o comercio internacional de Angola (‘a parte a exportacao de petroleo e diamantes) e’ dominado por tres paises: Portugal, Brasil e China. Nao pretendendo aqui acusar o Prof. Mourao de estar a “tentar puxar a brasa para a sua sardinha (Brasil)”, pergunto-me se sera’ “politica e diplomaticamente sensivel” (ainda que, porventura, “culturalmente defensavel” - embora este argumento cada vez mais se venha desvanescendo perante a contemporanea "invasao chinesa"...) pretender-se escamotear o facto de os fluxos comerciais de Angola estarem historica e estruturalmente “voltados de frente para o Atlantico” (e, mais recentemente, para a Asia) e “de costas” para o hinterland Africano – facto que, admitidamente, estara’ na base de uma certa relutancia (generalisada?) em relacao a ideia de um maior envolvimento do pais nos esforcos de intensificacao do comercio intra-regional?

E, nao sera’ esse, tambem, um problema historico e estrutural com que virtualmente todas as economias africanas estao confrontadas, em resultado da heranca de relacoes de dependencia criadas pela colonizacao e que a OUA/UA, atraves de varias iniciativas regionais e continentais (das quais se destaca mais recentemente a NEPAD - Nova Parceria para o Desenvolvimento de Africa) ao longo das decadas desde as independencias, cujo jubileu se celebrou no ano passado, tem tentado reverter a favor do desenvolvimento endogeno, sustentado e sustentavel do continente?

Comercio e Desenvolvimento

- Uma outra nota que se me afigura premente, apesar de aparentemente obvia, e’ que se vem notando alguma dificuldade por parte dos sectores de opiniao a que me referia na primeira parte deste artigo em conciliar o(s) conceito(s) de ‘comercio’ e ‘desenvolvimento’. Foi, alias, essa dificuldade que esteve na base da controversia que se instalou entre mim e um dos membros do painel de que fiz parte neste evento...

No entanto, o facto incontornavel e’ que o comercio (internacional) nao e’ a antitese do desenvolvimento (economico). O objectivo da SADC, tal como o de organizacoes internacionais como a Conferencia das Nacoes Unidas para o Comercio e o Desenvolvimento (CNUCED/ UNCTAD), e’ precisamente colocar o comercio como alavanca ao servico do desenvolvimento economico nacional, regional e internacional - ou seja, o objectivo e' promover o comercio para o desenvolvimento.

Como atingir-se tal objectivo e’ a grande questao com que essas organizacoes, em associacao com o mundo academico e profissional especializado, se veem debatendo na teoria e na pratica, pelo menos desde as teorias das vantagens absolutas e comparativas de Smith e Ricardo, respectivamente.

[Continua]




[Yinka Shonibare - La Meduse]


[Continuacao daqui]


Mas, porque volto entao a este tema quando ele se tem demonstrado de tao dificil abordagem?

Fundamentalmente porque, apesar de formalmente afastada profissionalmente dessa area, continuo a sentir algo como um certo “sentido de dever” de sobre ela emitir a minha opiniao sempre que tal se me afigure relevante.

Nao me proponho, no entanto, debrucar-me sobre as questoes de fundo que a problematica do engajamento de Angola no comercio intra e inter-regional suscitam – tal requereria uma abordagem eminentemente tecnica que, manifestamente, nao cabe no espirito informal deste blog (por vezes permito-me quebrar esse espirito, como aqui, ou aqui, mas apenas quando se trate de artigos ja’ escritos num contexto academico e/ou profissional). Limitar-me-ei, portanto, a alinhavar aqui algumas notas que gostaria de sugerir para a reflexao de quem, porventura, possa nelas estar interessado:

Geografia e Historia

- ‘As afirmacoes do Prof. Mourao ocorre-me apenas reafirmar algo que ja’ aqui, entre outros lugares referi: a mais antiga Uniao Aduaneira (UA) do mundo, a SACU (Southern Africa Customs Union, integrada por Botswana, Lesotho, Namibia, South Africa, e Swazilandia), foi criada na Africa Austral, em 1910 - tendo, portanto, celebrado o seu primeiro centenario no ano passado. Avaliar, criticar e ate’ mesmo condenar (!) a sua estrutura, economia politica e modus operandi desde a sua criacao ate’ aos dias de hoje e’ um exercicio a que tambem ja’ me dediquei extensivamente em outras ocasioes e que aqui me escusarei de repetir.

O que aqui importara’, sobretudo, notar e’ que nao so’ a criacao de uma UA na Africa Austral e’ possivel e tem precedentes historicos originais (dos quais a regiao pode colher importantes licoes, tanto no sentido positivo como no negativo), como tambem a criacao de uma UA mais ampla no quadro do Protocolo de Comercio da SADC esta’ definida nesse mesmo Protocolo, no Tratado da organizacao, na sua Agenda Comum e, entre outros dos seus instrumentos de politica, no seu Plano Indicativo Estrategico Regional, nao como “um objectivo imediato”, mas como uma meta a atingir-se gradualmente no quadro de uma estrategia de integracao regional com base no principio da "geometria assimetrica" (cuja aplicacao pratica no ambito das metas de convergencia macroeconomica da regiao podera' ser encontrada aqui) que contempla os diferentes estagios de desenvolvimento dos paises membros.

Apenas acrescentaria algo que nao pode deixar de ser referido neste contexto e que tambem ja’ referi noutras ocasioes: o comercio internacional de Angola (‘a parte a exportacao de petroleo e diamantes) e’ dominado por tres paises: Portugal, Brasil e China. Nao pretendendo aqui acusar o Prof. Mourao de estar a “tentar puxar a brasa para a sua sardinha (Brasil)”, pergunto-me se sera’ “politica e diplomaticamente sensivel” (ainda que, porventura, “culturalmente defensavel” - embora este argumento cada vez mais se venha desvanescendo perante a contemporanea "invasao chinesa"...) pretender-se escamotear o facto de os fluxos comerciais de Angola estarem historica e estruturalmente “voltados de frente para o Atlantico” (e, mais recentemente, para a Asia) e “de costas” para o hinterland Africano – facto que, admitidamente, estara’ na base de uma certa relutancia (generalisada?) em relacao a ideia de um maior envolvimento do pais nos esforcos de intensificacao do comercio intra-regional?

E, nao sera’ esse, tambem, um problema historico e estrutural com que virtualmente todas as economias africanas estao confrontadas, em resultado da heranca de relacoes de dependencia criadas pela colonizacao e que a OUA/UA, atraves de varias iniciativas regionais e continentais (das quais se destaca mais recentemente a NEPAD - Nova Parceria para o Desenvolvimento de Africa) ao longo das decadas desde as independencias, cujo jubileu se celebrou no ano passado, tem tentado reverter a favor do desenvolvimento endogeno, sustentado e sustentavel do continente?

Comercio e Desenvolvimento

- Uma outra nota que se me afigura premente, apesar de aparentemente obvia, e’ que se vem notando alguma dificuldade por parte dos sectores de opiniao a que me referia na primeira parte deste artigo em conciliar o(s) conceito(s) de ‘comercio’ e ‘desenvolvimento’. Foi, alias, essa dificuldade que esteve na base da controversia que se instalou entre mim e um dos membros do painel de que fiz parte neste evento...

No entanto, o facto incontornavel e’ que o comercio (internacional) nao e’ a antitese do desenvolvimento (economico). O objectivo da SADC, tal como o de organizacoes internacionais como a Conferencia das Nacoes Unidas para o Comercio e o Desenvolvimento (CNUCED/ UNCTAD), e’ precisamente colocar o comercio como alavanca ao servico do desenvolvimento economico nacional, regional e internacional - ou seja, o objectivo e' promover o comercio para o desenvolvimento.

Como atingir-se tal objectivo e’ a grande questao com que essas organizacoes, em associacao com o mundo academico e profissional especializado, se veem debatendo na teoria e na pratica, pelo menos desde as teorias das vantagens absolutas e comparativas de Smith e Ricardo, respectivamente.

[Continua]

Tuesday, 16 August 2011

A MINHA SECRETARIA [R*]



Ou, mais politicamente-correcto falando, a minha Personal Assistant (PA)…

E’ verdade, ja’ tive uma na vida… Mas, estruturalmente avessa que sou a “mordomias”, excepto aquelas que posso conceder a mim propria, pouco ou nenhum uso fiz dela – claro que sem ter consciencia do “real world” em que me movia: tratava-se de uma organizacao em que, como em muitas outras, as secretarias chegam a ter mais poder que os seus chefes, embora, paradoxalmente, tal poder lhes seja atribuido na exacta proporcao do poder desses mesmos chefes (aparentemente, para reflectir essa realidade, em Angola algumas passaram a ser designadas “Secretarias Executivas”) …

Mais especificamente, naquela organizacao, como em muitas outras, o poder do chefe e, consequentemente, o da sua PA, era aferido pelo numero de viagens ao exterior que faziam (geralmente para ‘workshops’ regionais cuja qualidade e eficiencia ninguem se preocupava em avaliar…) e, com elas, a quantidade de dolares que amealhavam em “ajudas de custo” enquanto permaneciam em hoteis e pensoes de quinta categoria “para poupar” – o que era conhecido no lingo interno da organizacao como “estrategias de aliviamento da pobreza”…

Acontece, porem, que esta chefe tinha um trabalho que envolvia primordialmente a pesquisa academica e que nao propiciava muitas viagens... Resultado: embora geralmente encontrasse trabalho como parte de um pool de PAs “menos ocupadas” que era usado por outros chefes, a coitada da minha PA via-se a bracos para justificar o seu emprego, particularmente quando chegava a altura dos “annual staff appraisals” em que eu me via a bracos para encontrar o que dizer sobre ela, excepto que era “uma adoravel e talentosa jovem, muito dedicada ao trabalho e que devia a todo o custo ser mantida pela organizacao”…

Bom, mas por “menor” que fosse o seu poder em relacao a mim e as outras (mais afortunadas) PAs, a minha PA tinha um poder pessoal que eu nao tinha e nao acredito que alguma vez venha a ter na minha vida... Tomei dele consciencia quando, numa rara ocasiao em que realmente precisava da assistencia dela para a organizacao de um 'workshop', ela me respondeu que nao iria estar disponivel num determinado dia porque esse era “o dia da vida dela”!

Nao, nao se tratava de pedido de noivado, ou casamento: era apenas o dia em que os “oficiais da terra” (land board) do seu pais lhe iriam entregar o seu plot de terra – algo que todos os cidadaos do Botswana teem como um direito inalienavel, mesmo que apenas la’ possam construir um “casebre” (que ninguem lhes vai demolir…) ou que depois o decidam alienar a outros nacionais ou estrangeiros – sendo que, neste caso, terao que submeter o seu proposito a um complicado e desencorajador processo burocratico em que, invariavelmente, acabam por prevalecer os principios inspiradores da lei de terras do pais, a qual garante que pelo menos 75% da terra pertence ao povo!

Confesso que, nesse dia, senti inveja da minha PA – uma inveja que nem sequer o seu “bruto carro” pessoal (muito melhor, ou pelo menos mais “vislumbrante” que o meu carro de servico – o unico de que eu dispunha) me havia alguma vez provocado... E’ que, nao so’ estava, por aqueles dias tal como hoje, a minha nacionalidade sendo questionada pelos “oficiais da minha terra”, como aquele era um direito que os nacionais do meu pais nao tinham como adquirido!

Mas nao me deu para transformar aquela inveja em nenhum acto de odio, ou qualquer outro sentimento negativo, contra a Mphwo – era assim que ela se chamava (ou chama, pois nao creio que tenha ainda morrido, salvo seja!) e era (e') de origem Khoisan – desejei apenas que toda a seguranca, felicidade e bem-estar de que ela usufruia pudessem ser partilhados por todos os cidadaos em todos os paises deste mundo. Por isso (tambem) o muito que devo ao Botswana, mesmo continuando sendo uma “sem terra”…


*[Postado inicialmente a 26/03/10 /// Repostado a proposito desta materia]




Ou, mais politicamente-correcto falando, a minha Personal Assistant (PA)…

E’ verdade, ja’ tive uma na vida… Mas, estruturalmente avessa que sou a “mordomias”, excepto aquelas que posso conceder a mim propria, pouco ou nenhum uso fiz dela – claro que sem ter consciencia do “real world” em que me movia: tratava-se de uma organizacao em que, como em muitas outras, as secretarias chegam a ter mais poder que os seus chefes, embora, paradoxalmente, tal poder lhes seja atribuido na exacta proporcao do poder desses mesmos chefes (aparentemente, para reflectir essa realidade, em Angola algumas passaram a ser designadas “Secretarias Executivas”) …

Mais especificamente, naquela organizacao, como em muitas outras, o poder do chefe e, consequentemente, o da sua PA, era aferido pelo numero de viagens ao exterior que faziam (geralmente para ‘workshops’ regionais cuja qualidade e eficiencia ninguem se preocupava em avaliar…) e, com elas, a quantidade de dolares que amealhavam em “ajudas de custo” enquanto permaneciam em hoteis e pensoes de quinta categoria “para poupar” – o que era conhecido no lingo interno da organizacao como “estrategias de aliviamento da pobreza”…

Acontece, porem, que esta chefe tinha um trabalho que envolvia primordialmente a pesquisa academica e que nao propiciava muitas viagens... Resultado: embora geralmente encontrasse trabalho como parte de um pool de PAs “menos ocupadas” que era usado por outros chefes, a coitada da minha PA via-se a bracos para justificar o seu emprego, particularmente quando chegava a altura dos “annual staff appraisals” em que eu me via a bracos para encontrar o que dizer sobre ela, excepto que era “uma adoravel e talentosa jovem, muito dedicada ao trabalho e que devia a todo o custo ser mantida pela organizacao”…

Bom, mas por “menor” que fosse o seu poder em relacao a mim e as outras (mais afortunadas) PAs, a minha PA tinha um poder pessoal que eu nao tinha e nao acredito que alguma vez venha a ter na minha vida... Tomei dele consciencia quando, numa rara ocasiao em que realmente precisava da assistencia dela para a organizacao de um 'workshop', ela me respondeu que nao iria estar disponivel num determinado dia porque esse era “o dia da vida dela”!

Nao, nao se tratava de pedido de noivado, ou casamento: era apenas o dia em que os “oficiais da terra” (land board) do seu pais lhe iriam entregar o seu plot de terra – algo que todos os cidadaos do Botswana teem como um direito inalienavel, mesmo que apenas la’ possam construir um “casebre” (que ninguem lhes vai demolir…) ou que depois o decidam alienar a outros nacionais ou estrangeiros – sendo que, neste caso, terao que submeter o seu proposito a um complicado e desencorajador processo burocratico em que, invariavelmente, acabam por prevalecer os principios inspiradores da lei de terras do pais, a qual garante que pelo menos 75% da terra pertence ao povo!

Confesso que, nesse dia, senti inveja da minha PA – uma inveja que nem sequer o seu “bruto carro” pessoal (muito melhor, ou pelo menos mais “vislumbrante” que o meu carro de servico – o unico de que eu dispunha) me havia alguma vez provocado... E’ que, nao so’ estava, por aqueles dias tal como hoje, a minha nacionalidade sendo questionada pelos “oficiais da minha terra”, como aquele era um direito que os nacionais do meu pais nao tinham como adquirido!

Mas nao me deu para transformar aquela inveja em nenhum acto de odio, ou qualquer outro sentimento negativo, contra a Mphwo – era assim que ela se chamava (ou chama, pois nao creio que tenha ainda morrido, salvo seja!) e era (e') de origem Khoisan – desejei apenas que toda a seguranca, felicidade e bem-estar de que ela usufruia pudessem ser partilhados por todos os cidadaos em todos os paises deste mundo. Por isso (tambem) o muito que devo ao Botswana, mesmo continuando sendo uma “sem terra”…


*[Postado inicialmente a 26/03/10 /// Repostado a proposito
desta materia]


Wednesday, 25 May 2011

DIA DE AFRICA: Revisitando a SADC



We observe with fraternal interest the progress that our Angolan brothers and sisters are making along a similar path. We do know that the path you tread is not the same one we have travelled, and that some of the obstacles have been even more difficult than those we had to surmount.
(...)
There is a South African saying that, "If you are in one boat, you have to row together." We are indeed in one boat - in one Southern African region. As we navigated the storms of our region's history under colonialism and minority rule, so now we will row together on the calm waters of freedom and peace that lead to development and a better life for our peoples.


[Nelson Mandela - Aqui]



[imagem daqui]


Havia prometido, ja’ ha’ algum tempo, regressar a estas declaracoes do Professor Fernando Mourao, especialmente no que elas se referem ao processo de integracao economica na regiao da SADC.

Desde entao, por varias razoes, tinha praticamente colocado de parte aquela ideia. Mas, num ano em que, mais uma vez, Angola detem a presidencia rotativa daquela organizacao e para marcar o Dia de Africa, decidi voltar hoje a ela.

Trata-se de um tema que (espero que compreensivelmente pelo que aqui relato), nao me e’ facil abordar. Mas nao apenas por razoes pessoais: e’ que, frequentemente, me confronto com a constatacao de que o objectivo estrategico, de longo prazo, nobre e maior, da integracao economica regional, tao caro a luta pelo desenvolvimento do continente Africano, desde os primordios do movimento Pan-Africanista e ate’ mesmo antes dele, parece estar a ser secundarizado, subalternizado ou preterido (senao mesmo, em alguns casos, sabotado) por objectivos tacticos e auto-defensivos de curto-prazo, em face da aparente ausencia de um compromisso mais forte e decidido para com aquele objectivo estrategico.

E nao, nao estou sequer a falar de “proteccionismo”, que tambem pode ser um objectivo “nobre e maior” em certas circunstancias perfeitamente justificaveis tanto do ponto de vista politico-estrategico, como economico. Falo, sim, de uma ideia rasa e peregrina que se pode resumir no seguinte: “so’ pode estar interessado no comercio inter e intra-regional – e, logo, no Protocolo do Comercio da SADC e sua implementacao – quem tenha uma ‘visao mercantilista’ do desenvolvimento economico e, pior do que isso, quem ‘nao respeite’ a historia politico-ideologica e militar na base da qual a SADC evoluiu, desde os tempos dos Paises da Linha da Frente contra o regime do Apartheid na Africa do Sul, passando pela SADCC, ate’ aos dias de hoje e, como tal, so' assim se pode permitir o ‘atrevimento politico’ de "trair Angola e os martires daquela causa" para prestar-se a servir as ‘agendas neo-liberais’ dos paises ocidentais e seus "lacaios regionais"…

E essa ideia tem servido de base a alguns ataques pessoais de que tenho sido alvo, aberta ou veladamente, normalmente de circulos ditos “de esquerda” e alegadamente “anti-globalizacao”, a quem tudo quanto aparentemente “se lhes oferece” perceber e dizer sobre o assunto e’ algo como: “quem anda nessas lides do Comercio, so’ pode estar exclusivamente na mira do dinheiro (ou, mais rasteiramente, "andar atras do prejuizo"), preferencialmente em dolares, e a servir ‘ignorante e iletradamente’ os bichos-papoes da Uniao Europeia (UE), das Instituicoes de Bretton Woods (BM e FMI) e da Organizacao Mundial do Comercio (OMC) – sim, ja’ li e ouvi literalmente isso, entre varias outras fontes, como parte do discurso de umas certas “bocas intelectualoides”!

... Ao que direi apenas: “santa ignorancia (e arrogancia!) e que infinita tristeza e dor de alma”!...


[Continua]



We observe with fraternal interest the progress that our Angolan brothers and sisters are making along a similar path. We do know that the path you tread is not the same one we have travelled, and that some of the obstacles have been even more difficult than those we had to surmount.
(...)
There is a South African saying that, "If you are in one boat, you have to row together." We are indeed in one boat - in one Southern African region. As we navigated the storms of our region's history under colonialism and minority rule, so now we will row together on the calm waters of freedom and peace that lead to development and a better life for our peoples.


[Nelson Mandela -
Aqui]



[imagem daqui]


Havia prometido, ja’ ha’ algum tempo, regressar a estas declaracoes do Professor Fernando Mourao, especialmente no que elas se referem ao processo de integracao economica na regiao da SADC.

Desde entao, por varias razoes, tinha praticamente colocado de parte aquela ideia. Mas, num ano em que, mais uma vez, Angola detem a presidencia rotativa daquela organizacao e para marcar o Dia de Africa, decidi voltar hoje a ela.

Trata-se de um tema que (espero que compreensivelmente pelo que aqui relato), nao me e’ facil abordar. Mas nao apenas por razoes pessoais: e’ que, frequentemente, me confronto com a constatacao de que o objectivo estrategico, de longo prazo, nobre e maior, da integracao economica regional, tao caro a luta pelo desenvolvimento do continente Africano, desde os primordios do movimento Pan-Africanista e ate’ mesmo antes dele, parece estar a ser secundarizado, subalternizado ou preterido (senao mesmo, em alguns casos, sabotado) por objectivos tacticos e auto-defensivos de curto-prazo, em face da aparente ausencia de um compromisso mais forte e decidido para com aquele objectivo estrategico.

E nao, nao estou sequer a falar de “proteccionismo”, que tambem pode ser um objectivo “nobre e maior” em certas circunstancias perfeitamente justificaveis tanto do ponto de vista politico-estrategico, como economico. Falo, sim, de uma ideia rasa e peregrina que se pode resumir no seguinte: “so’ pode estar interessado no comercio inter e intra-regional – e, logo, no Protocolo do Comercio da SADC e sua implementacao – quem tenha uma ‘visao mercantilista’ do desenvolvimento economico e, pior do que isso, quem ‘nao respeite’ a historia politico-ideologica e militar na base da qual a SADC evoluiu, desde os tempos dos Paises da Linha da Frente contra o regime do Apartheid na Africa do Sul, passando pela SADCC, ate’ aos dias de hoje e, como tal, so' assim se pode permitir o ‘atrevimento politico’ de "trair Angola e os martires daquela causa" para prestar-se a servir as ‘agendas neo-liberais’ dos paises ocidentais e seus "lacaios regionais"…

E essa ideia tem servido de base a alguns ataques pessoais de que tenho sido alvo, aberta ou veladamente, normalmente de circulos ditos “de esquerda” e alegadamente “anti-globalizacao”, a quem tudo quanto aparentemente “se lhes oferece” perceber e dizer sobre o assunto e’ algo como: “quem anda nessas lides do Comercio, so’ pode estar exclusivamente na mira do dinheiro (ou, mais rasteiramente, "andar atras do prejuizo"), preferencialmente em dolares, e a servir ‘ignorante e iletradamente’ os bichos-papoes da Uniao Europeia (UE), das Instituicoes de Bretton Woods (BM e FMI) e da Organizacao Mundial do Comercio (OMC) – sim, ja’ li e ouvi literalmente isso, entre varias outras fontes, como parte do discurso de umas certas “bocas intelectualoides”!

... Ao que direi apenas: “santa ignorancia (e arrogancia!) e que infinita tristeza e dor de alma”!...


[Continua]

Thursday, 16 December 2010

Jose' Eduardo dos Santos in South Africa

Angola and South Africa signed five bilateral agreements during Angolan President Jose Eduardo dos Santos's first state visit to South Africa on Tuesday.

"These are the Memoranda of Understanding on Public Works and Infrastructure Development, as well as Telecommunications and Information Technologies, and also a Declaration of Intent on the Utilisation of Financial Facilities," President Jacob Zuma said, according to a statement issued by the presidency.

"In this regard, we have just witnessed the signing of five memoranda of understanding."

Angola is the second largest oil producer on the continent after Nigeria.

"We have also directed our ministers to work towards the finalisation of other outstanding agreements. These include the Arts and Culture Agreement, Agreement on Education, and the Merchant Shipping Agreement." Angola assumes the Chair of the Southern African Development Community (SADC) in 2011. South Africa will take over the Chair of the SADC Organ on Politics, Defence and Security.

"Therefore, our two countries will be entrusted with responsibilities ranging from economic integration to peace, security and stability in the region."

They also discussed the need to reform the United Nations, particularly the Security Council, and the Bretton Woods Institutions, which deal with funding.


[More details here]


Related Post:

Jacob Zuma in Angola

Angola and South Africa signed five bilateral agreements during Angolan President Jose Eduardo dos Santos's first state visit to South Africa on Tuesday.

"These are the Memoranda of Understanding on Public Works and Infrastructure Development, as well as Telecommunications and Information Technologies, and also a Declaration of Intent on the Utilisation of Financial Facilities," President Jacob Zuma said, according to a statement issued by the presidency.

"In this regard, we have just witnessed the signing of five memoranda of understanding."

Angola is the second largest oil producer on the continent after Nigeria.

"We have also directed our ministers to work towards the finalisation of other outstanding agreements. These include the Arts and Culture Agreement, Agreement on Education, and the Merchant Shipping Agreement." Angola assumes the Chair of the Southern African Development Community (SADC) in 2011. South Africa will take over the Chair of the SADC Organ on Politics, Defence and Security.

"Therefore, our two countries will be entrusted with responsibilities ranging from economic integration to peace, security and stability in the region."

They also discussed the need to reform the United Nations, particularly the Security Council, and the Bretton Woods Institutions, which deal with funding.


[More details here]


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Jacob Zuma in Angola

Friday, 16 July 2010

Balancing the World Cup 2010 (II): Guest Blog

As part of this mini-series on “balancing the World Cup 2010”, I am pleased to present the article below, by Gor - one of Myweku’s writers, as a guest post kindly contributed exclusively to this blog by Myweku’s editor Nii Thompson:


Just a Jamboree


Last year India shot a billion dollar rocket into space. Many were dismayed by the priorities of the Indian government. The billions spent on the space program could have been better spent on projects to ease poverty and other socio-economic problems on the sub-continent. This year, the irony of big budget event against a backdrop of urgent social discrepancies in Africa played out not once but twice.

Angola is only just emerging from the negative effects of a 3 decade civil war. 60% of her population lives on less than a dollar a day and she is in dire need of schools, electricity, sanitation, water and public health infrastructure. Despite these pressing socio-economic issues, the country forked out $1billion to host the 27th Africa cup of nations in January this year. Most of the money went towards building stadia and hotels.

In South Africa by the time the world cup kicked off, government and FIFA had spent an estimated $6 billion on ‘requirements’ to host the world’s biggest sporting event- $1 billion on new and upgrading old stadia, $8 million on public transport infrastructure, and $ 2billion on security, branding and marketing.

South Africa is classified by the UN as a middle income country; she has abundant supply of resources, a developed financial, communication, energy and transport infrastructure and a vibrant stock exchange market ranked among the world’s top 20. Nonetheless half of the 50 million South Africans live on less than $1.25 a day. She is globally ranked 129 out of 182 countries on the Human Poverty Index (HPI). South Africa also has one of the highest crime rates in the world earning Jo’burg the unenviable title of ‘murder capital of the world.

(…)

Psychologically, this year’s tournament may reverse stereotypes of the Dark Continent, and Africans get to brag that they delivered a world class event. Even so, this tournament has exposed Africa’s general inferiority complex; it is a colonial mentality to go to such great efforts to pull off a ‘party’ yet the same resources could have been deployed towards uplifting living standards of the average South African. Perhaps a Ghana win would have vindicated such wanton spending on a jamboree.


[Full article here]


Related post: O CAN da "nossa" Globalizacao...
As part of this mini-series on “balancing the World Cup 2010”, I am pleased to present the article below, by Gor - one of Myweku’s writers, as a guest post kindly contributed exclusively to this blog by Myweku’s editor Nii Thompson:


Just a Jamboree


Last year India shot a billion dollar rocket into space. Many were dismayed by the priorities of the Indian government. The billions spent on the space program could have been better spent on projects to ease poverty and other socio-economic problems on the sub-continent. This year, the irony of big budget event against a backdrop of urgent social discrepancies in Africa played out not once but twice.

Angola is only just emerging from the negative effects of a 3 decade civil war. 60% of her population lives on less than a dollar a day and she is in dire need of schools, electricity, sanitation, water and public health infrastructure. Despite these pressing socio-economic issues, the country forked out $1billion to host the 27th Africa cup of nations in January this year. Most of the money went towards building stadia and hotels.

In South Africa by the time the world cup kicked off, government and FIFA had spent an estimated $6 billion on ‘requirements’ to host the world’s biggest sporting event- $1 billion on new and upgrading old stadia, $8 million on public transport infrastructure, and $ 2billion on security, branding and marketing.

South Africa is classified by the UN as a middle income country; she has abundant supply of resources, a developed financial, communication, energy and transport infrastructure and a vibrant stock exchange market ranked among the world’s top 20. Nonetheless half of the 50 million South Africans live on less than $1.25 a day. She is globally ranked 129 out of 182 countries on the Human Poverty Index (HPI). South Africa also has one of the highest crime rates in the world earning Jo’burg the unenviable title of ‘murder capital of the world.

(…)

Psychologically, this year’s tournament may reverse stereotypes of the Dark Continent, and Africans get to brag that they delivered a world class event. Even so, this tournament has exposed Africa’s general inferiority complex; it is a colonial mentality to go to such great efforts to pull off a ‘party’ yet the same resources could have been deployed towards uplifting living standards of the average South African. Perhaps a Ghana win would have vindicated such wanton spending on a jamboree.


[Full article here]


Related post: O CAN da "nossa" Globalizacao...

Balancing the World Cup 2010 (I)

The extracts below are part of an article by Dr. Martyn Davies published as a guest post in the Financial Times' blog on the first day of the just ended Football World Cup in South Africa:


The World Cup is a chance to unite a divided country with big ambitions


The FIFA World Cup being held in South Africa that begins today evokes the international honeymoon that our country enjoyed after the first racially inclusive democratic elections that were held in April 1994.

Could we have leveraged the “honeymoon” better? Perhaps. Whilst South Africa has re-integrated into the global community of nations, it has not integrated domestically. Economic divisions between South Africans have never been starker. Our country grapples with providing opportunity for the majority of its citizens. The term developmental state - so often bandied about in government circles - has yet to become a reality providing for its needy and impatient citizens. But nevertheless, we are a leading emerging market economy.
(...)
Being the powerhouse economy of the region, we project ourselves as the springboard for investors into Africa. The World Cup is not only ours but the region’s. The Southern African Development Community - a grouping of 15 states - has a population of over 250 million people. We are bigger than Brazil, bigger than Indonesia. Some of our neighboring countries probably do not deserve the “FIFA dividend” but regardless, we feel we deserve greater global attention, and the World Cup, at least for a month, is giving it to us.
(...)
The only disappointment will be Nelson Mandela’s absence from the World Cup’s opening ceremony due a family bereavement. But at least the memory of Mandela’s leadership takes us back to a time when we believed in the rainbow nation before successive and divisive politicians destroyed that dream for us South Africans. South Africa will never realize its full potential on the global stage if it remains so internally divided. A plea from a patriotic South African to our politicians - please do not undermine the national and racial cohesion that is being brought about by the World Cup to South Africa. Rather, give us an inclusive vision for the country way beyond 2010. The FIFA World Cup has the potential to serve as the catalyst for the revival of our once hoped-for rainbow nation.


[Full article here]


Related post: Just a Jamboree
The extracts below are part of an article by Dr. Martyn Davies published as a guest post in the Financial Times' blog on the first day of the just ended Football World Cup in South Africa:


The World Cup is a chance to unite a divided country with big ambitions


The FIFA World Cup being held in South Africa that begins today evokes the international honeymoon that our country enjoyed after the first racially inclusive democratic elections that were held in April 1994.

Could we have leveraged the “honeymoon” better? Perhaps. Whilst South Africa has re-integrated into the global community of nations, it has not integrated domestically. Economic divisions between South Africans have never been starker. Our country grapples with providing opportunity for the majority of its citizens. The term developmental state - so often bandied about in government circles - has yet to become a reality providing for its needy and impatient citizens. But nevertheless, we are a leading emerging market economy.
(...)
Being the powerhouse economy of the region, we project ourselves as the springboard for investors into Africa. The World Cup is not only ours but the region’s. The Southern African Development Community - a grouping of 15 states - has a population of over 250 million people. We are bigger than Brazil, bigger than Indonesia. Some of our neighboring countries probably do not deserve the “FIFA dividend” but regardless, we feel we deserve greater global attention, and the World Cup, at least for a month, is giving it to us.
(...)
The only disappointment will be Nelson Mandela’s absence from the World Cup’s opening ceremony due a family bereavement. But at least the memory of Mandela’s leadership takes us back to a time when we believed in the rainbow nation before successive and divisive politicians destroyed that dream for us South Africans. South Africa will never realize its full potential on the global stage if it remains so internally divided. A plea from a patriotic South African to our politicians - please do not undermine the national and racial cohesion that is being brought about by the World Cup to South Africa. Rather, give us an inclusive vision for the country way beyond 2010. The FIFA World Cup has the potential to serve as the catalyst for the revival of our once hoped-for rainbow nation.


[Full article here]


Related post: Just a Jamboree

Friday, 7 May 2010

Memorandum [de (des)Entendimento] … II



Ja’ ouvi de um angolano na SADC isto: “Nos colocamos-te aqui”!

Pois, para que fique bem entendido: ninguem “me colocou na SADC”; eu coloquei-me na SADC!
A SADC e’ uma organizacao inter-governamental regional com estatuto juridico internacional, da qual Angola e’ um dos paises fundadores e onde tem um consideravel peso politico-militar e estrategico, mas da qual nao e’ o unico pais membro ou contribuinte.

Como, entao, “me coloquei” na SADC?

O primeiro contrato de consultoria que tive na regiao da SADC, como Economist - Consultant on Trade Policy, foi-me oferecido por uma Consultoria Economica Internacional Americana (Chemonics International) logo a seguir ao completar do meu Mestrado em 2000. Aquela oportunidade foi-me indicada pelo meu supervisor na LSE, concorri, prestei provas e foi-me oferecido o contrato. Para tal contribuiu de forma decisiva a minha tese (que incidiu especificamente sobre os processos de integracao regional na Africa Austral numa perspectiva historico-cultural e de mudanca economica numa perspectiva politico-institucional – note-se aqui que tais processos precedem em muitas decadas a formacao da SADCC/SADC, bastando para tanto notar que a mais antiga Uniao Aduaneira do mundo, SACU, foi criada em 1910 na Africa Austral...) e a minha especializacao em Economia Internacional e Integracao Economica Regional, que ja’ vinha do meu terceiro ano do ISEG em Lisboa, datando daquela altura o inicio da minha participacao em seminarios e conferencias da especialidade e os meus primeiros trabalhos de investigacao sobre a Africa Austral/SADCC no quadro da cooperacao UEE/ACP. Portanto, assim que terminei aquele estagio da minha formacao em Londres, regressei ao meu continente, para servir a minha regiao e, por essa via, o meu pais.

Aquele primeiro projecto da Chemonics International – "Regional Activity to Promote Integration Through Dialogue and Policy Implementation" (RAPID), que viria a dar origem a actual Southern Africa Global Competitiveness Hub – pioneiro na regiao e no continente, visava fundamentalmente apoiar tecnicamente a criacao e o desenvolvimento das estruturas institucionais, organizacionais e funcionais para a implementacao do Protocolo de Comercio da SADC, abrangendo apenas os paises que haviam a altura ratificado aquele protocolo e, por isso, excluindo Angola. Outra particularidade daquele projecto e' que ele nao tinha qualquer relacao directa com o Secretariado da SADC, centrando-se no trabalho de campo com os varios stakeholders a todos os niveis nos paises abrangidos.

Foi a experiencia adquirida naquele projecto (by the way, a melhor e mais gratificante experiencia profissional, vivencial e humana que ate' agora ja' tive!) que me deu a “comparative advantage” e a ”cutting edge” sobre os outros candidatos quando concorri para um outro projecto, desta feita da Comissao Europeia (CE) – “Regional Integration and Capacity Building Programme” (RICB) – como Technical Adviser - Protocol & Policy Implementation para o Secretariado da SADC. Tomei conhecimento do respectivo concurso internacional em Londres, atraves de um anuncio no The Economist. Concorri, fui chamada a entrevistas em Gaborone (as quais foram conduzidas por um painel constituido por 2 representantes da CE e por representantes de 5 paises membros da SADC, nenhum dos quais era Angola) e foi-me oferecido o contrato.

Foi apenas mera coincidencia que aquele projecto tenha tido inicio num ano em que Angola assumiu a presidencia rotativa da SADC, pois que os respectivos anuncio e processos de seleccao e contratacao haviam sido iniciados pelo menos um ano antes. Ademais, sendo certo que o RICB era um projecto conjunto entre a SADC e a CE, o contrato que me foi oferecido nao era com a SADC, mas sim com a CE, sob os regulamentos e estatutos da qual fiquei submetida e por quem fui paga.

Serve este memo para deixar perfeitamente claro que, ao ter decidido abandonar o projecto [recorde-se: em resultado de um “ataque pornografico” - que, nao por acaso, teve lugar logo a seguir ao 'major workshop' mencionado neste post... - por um angolano, num quadro de assedio sexual no local de trabalho e uma serie de outros ataques de varia ordem, tambem conhecidos por bullying ou trungunguismo, motivados (como AQUI se pode constatar) fundamentalmente por ciumes pessoais e invejas profissionais, em particular por parte de angolano/as e mocambicanos, alguns dos quais, esses sim envolvidos no tipo de relacoes de p(h)oder com que agora pretendem manchar a minha reputacao pessoal, social e profissional(!)], fi-lo com a repugnacao que tais ataques sao susceptiveis de provocar em quaisquer circunstancias, no caso agravada pela impotencia de nao poder obter a devida justica, uma vez que eles nao tiveram lugar no espaco juridico da CE, entidade contratante.

Mas, ainda assim, levei o caso a um advogado local que, embora tenha feito o seu melhor para me defender, nao pode ultrapassar a sua circunscricao, uma vez que os dispositivos legais de que dispunha nao tinham qualquer jurisdicao sobre um contrato com uma entidade supra-nacional. De outro modo, eu teria tido direito a uma indemnizacao por danos morais e materiais, que perduram ate' hoje, incluindo a perda de rendimentos, que no espaco da UE remontariam a uma “pequena fortuna”!

Resumindo e concluindo: “Angola nao me colocou na SADC – um angolano tirou-me da SADC”! Pois se isso faz alguem feliz e orgulhoso, parabens! Mas que se tome bem nota: eu nao sou, nem nunca fui, “propriedade particular ou privada” de nenhum angolano e nem sequer do Estado Angolano! Quanto mais nao seja porque no tal Secretariado da SADC, pelo menos 2 "representantes do establishment angolano" sempre fizeram muita questao de dizer: ESSA SENHORA NAO E' ANGOLANA!!!


... apenas algumas das funcoes que desempenhei com "diplomas falsos"...



Ja’ ouvi de um angolano na SADC isto: “Nos colocamos-te aqui”!

Pois, para que fique bem entendido: ninguem “me colocou na SADC”; eu coloquei-me na SADC!
A
SADC e’ uma organizacao inter-governamental regional com estatuto juridico internacional, da qual Angola e’ um dos paises fundadores e onde tem um consideravel peso politico-militar e estrategico, mas da qual nao e’ o unico pais membro ou contribuinte.

Como, entao, “me coloquei” na SADC?

O primeiro contrato de consultoria que tive na regiao da SADC, como Economist - Consultant on Trade Policy, foi-me oferecido por uma Consultoria Economica Internacional Americana (Chemonics International) logo a seguir ao completar do meu Mestrado em 2000. Aquela oportunidade foi-me indicada pelo meu supervisor na LSE, concorri, prestei provas e foi-me oferecido o contrato. Para tal contribuiu de forma decisiva a minha tese (que incidiu especificamente sobre os processos de integracao regional na Africa Austral numa perspectiva historico-cultural e de mudanca economica numa perspectiva politico-institucional – note-se aqui que tais processos precedem em muitas decadas a formacao da SADCC/SADC, bastando para tanto notar que a mais antiga Uniao Aduaneira do mundo, SACU, foi criada em 1910 na Africa Austral...) e a minha especializacao em Economia Internacional e Integracao Economica Regional, que ja’ vinha do meu terceiro ano do ISEG em Lisboa, datando daquela altura o inicio da minha participacao em seminarios e conferencias da especialidade e os meus primeiros trabalhos de investigacao sobre a Africa Austral/SADCC no quadro da cooperacao UEE/ACP. Portanto, assim que terminei aquele estagio da minha formacao em Londres, regressei ao meu continente, para servir a minha regiao e, por essa via, o meu pais.

Aquele primeiro projecto da Chemonics International – "Regional Activity to Promote Integration Through Dialogue and Policy Implementation" (RAPID), que viria a dar origem a actual Southern Africa Global Competitiveness Hub – pioneiro na regiao e no continente, visava fundamentalmente apoiar tecnicamente a criacao e o desenvolvimento das estruturas institucionais, organizacionais e funcionais para a implementacao do Protocolo de Comercio da SADC, abrangendo apenas os paises que haviam a altura ratificado aquele protocolo e, por isso, excluindo Angola. Outra particularidade daquele projecto e' que ele nao tinha qualquer relacao directa com o Secretariado da SADC, centrando-se no trabalho de campo com os varios stakeholders a todos os niveis nos paises abrangidos.

Foi a experiencia adquirida naquele projecto (by the way, a melhor e mais gratificante experiencia profissional, vivencial e humana que ate' agora ja' tive!) que me deu a “comparative advantage” e a ”cutting edge” sobre os outros candidatos quando concorri para um outro projecto, desta feita da Comissao Europeia (CE) – “Regional Integration and Capacity Building Programme” (RICB) – como Technical Adviser - Protocol & Policy Implementation para o Secretariado da SADC. Tomei conhecimento do respectivo concurso internacional em Londres, atraves de um anuncio no The Economist. Concorri, fui chamada a entrevistas em Gaborone (as quais foram conduzidas por um painel constituido por 2 representantes da CE e por representantes de 5 paises membros da SADC, nenhum dos quais era Angola) e foi-me oferecido o contrato.

Foi apenas mera coincidencia que aquele projecto tenha tido inicio num ano em que Angola assumiu a presidencia rotativa da SADC, pois que os respectivos anuncio e processos de seleccao e contratacao haviam sido iniciados pelo menos um ano antes. Ademais, sendo certo que o RICB era um projecto conjunto entre a SADC e a CE, o contrato que me foi oferecido nao era com a SADC, mas sim com a CE, sob os regulamentos e estatutos da qual fiquei submetida e por quem fui paga.

Serve este memo para deixar perfeitamente claro que, ao ter decidido abandonar o projecto [recorde-se: em resultado de um “ataque pornografico” - que, nao por acaso, teve lugar logo a seguir ao 'major workshop' mencionado neste post... - por um angolano, num quadro de assedio sexual no local de trabalho e uma serie de outros ataques de varia ordem, tambem conhecidos por bullying ou trungunguismo, motivados (como AQUI se pode constatar) fundamentalmente por ciumes pessoais e invejas profissionais, em particular por parte de angolano/as e mocambicanos, alguns dos quais, esses sim envolvidos no tipo de relacoes de p(h)oder com que agora pretendem manchar a minha reputacao pessoal, social e profissional(!)], fi-lo com a repugnacao que tais ataques sao susceptiveis de provocar em quaisquer circunstancias, no caso agravada pela impotencia de nao poder obter a devida justica, uma vez que eles nao tiveram lugar no espaco juridico da CE, entidade contratante.

Mas, ainda assim, levei o caso a um advogado local que, embora tenha feito o seu melhor para me defender, nao pode ultrapassar a sua circunscricao, uma vez que os dispositivos legais de que dispunha nao tinham qualquer jurisdicao sobre um contrato com uma entidade supra-nacional. De outro modo, eu teria tido direito a uma indemnizacao por danos morais e materiais, que perduram ate' hoje, incluindo a perda de rendimentos, que no espaco da UE remontariam a uma “pequena fortuna”!

Resumindo e concluindo: “Angola nao me colocou na SADC – um angolano tirou-me da SADC”! Pois se isso faz alguem feliz e orgulhoso, parabens! Mas que se tome bem nota: eu nao sou, nem nunca fui, “propriedade particular ou privada” de nenhum angolano e nem sequer do Estado Angolano! Quanto mais nao seja porque no tal Secretariado da SADC, pelo menos 2 "representantes do establishment angolano" sempre fizeram muita questao de dizer: ESSA SENHORA NAO E' ANGOLANA!!!


... apenas algumas das funcoes que desempenhei com "diplomas falsos"...

Wednesday, 31 March 2010

"The Professional"...

Ja' varias vezes mencionei neste blog este proverbio Africano, segundo o qual "nao e' o que me chamam, mas aquilo a que respondo que mais importa". Pois bem (...camaradas, compatriotas, companheiros de luta e amigos, senhoras e senhores...), pessoal e profissionalmente, nao e' a isto, nem a isto, e muito menos a isto, que respondo, mas sim a isto [*]:


A encerrar este Marco Mulher, trago para aqui um testemunho (editado, por razoes compreensiveis) de uma Mulher (e devo acrescentar, Motswana) com quem tive o prazer e o privilegio de trabalhar. Faco-o apenas com o fito de ilustrar como, "malgre tout", sao possiveis relacoes pessoais e de trabalho baseadas em profissionalismo e respeito mutuo entre mulheres. Por isso (tambem) o muito que devo ao Botswana, embora continue at odds com algumas "burocratas do genero"!

I have worked for the (…) since 2001, and I believe AS joined the organization
just shortly after me. Our offices were next door to each other, and though we
worked on separate projects, we occasionally would exchange pleasantries about
our work, in between the pressure of work that is so typical of a organization
such as the one we work for. What we had in common was that we both worked as Technical Advisory staff contracted by separate institutions to enhance the
capacity of the (…).

Like A, I work in an area that is cross-cutting, in my case its gender, and in the case of A, it is policy and protocol implementation. Unlike A, though, I came in to join an already existing Unit that (...), while A had to start up the whole process of reviewing the status of implementation of policies and protocols with a view to establishing likely existing challenges and coming up with recommendations, guidelines and tools to facilitate processes of incorporating these regional legal commitments to domestic law, and monitoring their implementation.

A worked hard and tirelessly on her assignment that could not have been easy, as she only had her terms of reference to refer to, and no precedent to follow from previous work in this area, at least not in the organization. I came in contact with A's work for the first time when she convened an internal working session to share her report, findings and recommendations, and get feedback and input from colleagues to enable her to further refine and finalize the paper with buy-in and ownership of the whole (…).

In my opinion the work presented by A was sterling, and confirmed the impression I had carried observing A working in the office next door to mine. The report was well-researched, drawing from international examples and experiences. It was well-presented, both in written form and in the actual presentation in the working session, proving A's good presentation and facilitation skills. The report and presentation material were both very well written in English, which I believe is A's second official language, Portuguese being the first.

I subsequently participated in the second phase of A's project, which was a regional workshop to develop Guidelines for Policy and Protocol Implementation that was held in Cape Town in May 2005. As Technical Advisor for Gender, protocol and policy implementation is particularly of interest to me, as its implementation would have direct differential impact on men and women, and gender considerations would need to be taken into consideration at the various levels of development and implementation of the tools and guidelines.

Prior to the regional workshop organized and convened by A, I had had opportunity to attend another regional workshop with her convened to review the implementation strategy for the Protocol on Education and Training. At this meeting, held in Johannesburg, I was again struck by A's presentation and communication skills. I believe she also has strong networking skills as well, as I am aware that the Cape Town meeting was co-organized with another organization, entirely as A's effort.

I believe therefore that A has the right skills-mix (…), I also think that she is the kind of person that would carry out her assignment diligently and with absolute commitment. She's a highly qualified person in her area of expertise and (…). The rather exclusionist environment, and professional isolation that might have been a result of the transitional state the (…) has been going through in its restructuring process particularly impacted negatively on both old and new staff.

The state of tension, brought about by a situation such as this affects people in different ways, and causes people to react in various ways. I personally get on very well with A. I believe like all of us, A would particularly thrive in a professional environment that values and respects individuals and the contribution they bring to the process, while at the same time promoting dialogue to address any differences in opinions.










Algumas das "reunioes de peritos em que me infiltrei"...



ADENDA

E porque "as questoes de genero" pendem sempre sobre uma balanca de equilibrios entre os dois sexos, ao testemunho acima decidi juntar os de dois Homens com quem tive igualmente o prazer e o privilegio de trabalhar - um Economista/Secretario Executivo, outro Jurista/Professor Universitario Catedratico.
(E note-se que nenhum deles alguma vez se mostrou exclusivamente interessado no meu corpo ou no meu perfume...)

I confirm that Ms S. worked with me for almost three years. During that period she was involved in research studies and writing of reports as well as advising on protocol implementation. Her work has always been professional and well documented. However, she would always be ready to listen to good advise and make adjustments to her submissions.
(…)
She also facilitated and organised a major workshop on protocol implementation during which she demonstated her ability to interact and network with member states of (…) as well as other institutions. She was one of the key presenters during this workshop and organized it with great care and devotion.
(…)
I have no doubt in my mind that Ms S. will be an asset to (…). She is fluent in both English and Portuguese. She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear.

*****

I have known Ms. Santana for about 2 years while she was employed at the (…). I have worked closely with her on one project (Incorporation of international agreements into national legal systems of member states).
I found her a competent person and a good organizer of the one international workshop in which we cooperated. It was well-organized and the background documentation was of a high standard.
(…) When we worked together she clearly had a full and clear command of rather complex issues; with the ability to identify appropriate responses.
She presented two papers at the workshop referred to above and that went well. She is originally from Angola and if it is taken into account that English is probably her third language, it testifies to her abilities. She has a strong personality and may perhaps have rather strong views on how things should be done. I did not find that a problem.
The documentation prepared by her read well and my impression is that she has good writing and analytical skills.



*[N.B.: As referencias aqui transcritas foram passadas em estrita confidencia a um na altura prospectivo novo empregador, sem o meu conhecimento e sem copia para mim. Seria posteriormente aquele novo empregador quem, perante circunstancias extraordinarias, viria a copia-las para mim, por email, para o meu conhecimento...]


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Do Que As Mulheres Africanas Realmente Precisam

A Irresponsabilidade do Vazio
Ja' varias vezes mencionei neste blog este proverbio Africano, segundo o qual "nao e' o que me chamam, mas aquilo a que respondo que mais importa". Pois bem (...camaradas, compatriotas, companheiros de luta e amigos, senhoras e senhores...), pessoal e profissionalmente, nao e' a isto, nem a isto, e muito menos a isto, que respondo, mas sim a isto [*]:


A encerrar este Marco Mulher, trago para aqui um testemunho (editado, por razoes compreensiveis) de uma Mulher (e devo acrescentar, Motswana) com quem tive o prazer e o privilegio de trabalhar. Faco-o apenas com o fito de ilustrar como, "malgre tout", sao possiveis relacoes pessoais e de trabalho baseadas em profissionalismo e respeito mutuo entre mulheres. Por isso (tambem) o muito que devo ao Botswana, embora continue at odds com algumas "burocratas do genero"!

I have worked for the (…) since 2001, and I believe AS joined the organization
just shortly after me. Our offices were next door to each other, and though we
worked on separate projects, we occasionally would exchange pleasantries about
our work, in between the pressure of work that is so typical of a organization
such as the one we work for. What we had in common was that we both worked as Technical Advisory staff contracted by separate institutions to enhance the
capacity of the (…).

Like A, I work in an area that is cross-cutting, in my case its gender, and in the case of A, it is policy and protocol implementation. Unlike A, though, I came in to join an already existing Unit that (...), while A had to start up the whole process of reviewing the status of implementation of policies and protocols with a view to establishing likely existing challenges and coming up with recommendations, guidelines and tools to facilitate processes of incorporating these regional legal commitments to domestic law, and monitoring their implementation.

A worked hard and tirelessly on her assignment that could not have been easy, as she only had her terms of reference to refer to, and no precedent to follow from previous work in this area, at least not in the organization. I came in contact with A's work for the first time when she convened an internal working session to share her report, findings and recommendations, and get feedback and input from colleagues to enable her to further refine and finalize the paper with buy-in and ownership of the whole (…).

In my opinion the work presented by A was sterling, and confirmed the impression I had carried observing A working in the office next door to mine. The report was well-researched, drawing from international examples and experiences. It was well-presented, both in written form and in the actual presentation in the working session, proving A's good presentation and facilitation skills. The report and presentation material were both very well written in English, which I believe is A's second official language, Portuguese being the first.

I subsequently participated in the second phase of A's project, which was a regional workshop to develop Guidelines for Policy and Protocol Implementation that was held in Cape Town in May 2005. As Technical Advisor for Gender, protocol and policy implementation is particularly of interest to me, as its implementation would have direct differential impact on men and women, and gender considerations would need to be taken into consideration at the various levels of development and implementation of the tools and guidelines.

Prior to the regional workshop organized and convened by A, I had had opportunity to attend another regional workshop with her convened to review the implementation strategy for the Protocol on Education and Training. At this meeting, held in Johannesburg, I was again struck by A's presentation and communication skills. I believe she also has strong networking skills as well, as I am aware that the Cape Town meeting was co-organized with another organization, entirely as A's effort.

I believe therefore that A has the right skills-mix (…), I also think that she is the kind of person that would carry out her assignment diligently and with absolute commitment. She's a highly qualified person in her area of expertise and (…). The rather exclusionist environment, and professional isolation that might have been a result of the transitional state the (…) has been going through in its restructuring process particularly impacted negatively on both old and new staff.

The state of tension, brought about by a situation such as this affects people in different ways, and causes people to react in various ways. I personally get on very well with A. I believe like all of us, A would particularly thrive in a professional environment that values and respects individuals and the contribution they bring to the process, while at the same time promoting dialogue to address any differences in opinions.










Algumas das "reunioes de peritos em que me infiltrei"...



ADENDA

E porque "as questoes de genero" pendem sempre sobre uma balanca de equilibrios entre os dois sexos, ao testemunho acima decidi juntar os de dois Homens com quem tive igualmente o prazer e o privilegio de trabalhar - um Economista/Secretario Executivo, outro Jurista/Professor Universitario Catedratico.
(E note-se que nenhum deles alguma vez se mostrou exclusivamente interessado no meu corpo ou no meu perfume...)

I confirm that Ms S. worked with me for almost three years. During that period she was involved in research studies and writing of reports as well as advising on protocol implementation. Her work has always been professional and well documented. However, she would always be ready to listen to good advise and make adjustments to her submissions.
(…)
She also facilitated and organised a major workshop on protocol implementation during which she demonstated her ability to interact and network with member states of (…) as well as other institutions. She was one of the key presenters during this workshop and organized it with great care and devotion.
(…)
I have no doubt in my mind that Ms S. will be an asset to (…). She is fluent in both English and Portuguese. She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear.

*****

I have known Ms. Santana for about 2 years while she was employed at the (…). I have worked closely with her on one project (Incorporation of international agreements into national legal systems of member states).
I found her a competent person and a good organizer of the one international workshop in which we cooperated. It was well-organized and the background documentation was of a high standard.
(…) When we worked together she clearly had a full and clear command of rather complex issues; with the ability to identify appropriate responses.
She presented two papers at the workshop referred to above and that went well. She is originally from Angola and if it is taken into account that English is probably her third language, it testifies to her abilities. She has a strong personality and may perhaps have rather strong views on how things should be done. I did not find that a problem.
The documentation prepared by her read well and my impression is that she has good writing and analytical skills.



*[N.B.: As referencias aqui transcritas foram passadas em estrita confidencia a um na altura prospectivo novo empregador, sem o meu conhecimento e sem copia para mim. Seria posteriormente aquele novo empregador quem, perante circunstancias extraordinarias, viria a copia-las para mim, por email, para o meu conhecimento...]


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Do Que As Mulheres Africanas Realmente Precisam

A Irresponsabilidade do Vazio

Monday, 29 March 2010

“Questoes de Genero”… (I)



… Na Pratica!

Era uma vez… uma chefe (Protocol & Policy Adviser – PPA) que, embora pudesse dispensar os servicos de uma PA, a dada altura se viu forcada a contratar um(a) Research Assistant (RA). Entao, obtidos os necessarios consensos e approvals, desencadeou todo o processo de concepcao, advertising, seleccao e entrevistas para o posto. E… em cada uma dessas fases, encontrou entraves.

Na fase de advertising, que havia sido concebida para ter uma abrangencia internacional, embora com requisitos que implicitamente indicavam uma preferencia por candidatos regionais ou continentais, levantaram-se vozes que entendiam que aquela posicao deveria “estatutariamente” ser preenchida por um nacional do pais em que iria ser exercida. A PPA conseguiu ignora-las (mesmo porque elas nao tinham nenhum respaldo “estatutario” ou institucional) ate’ que, um belo dia, ja’ em plena fase de seleccao, viu o seu gabinete literalmente invadido por uma ‘senhora’, com a postura e linguagem mais agressivas que se podem imaginar, que nao se havia conformado com o facto de lhe ter sido comunicado por email que a sua candidatura nao poderia ser considerada por ela a ter submetido depois da deadline

Nao satisfeita com a inflexibilidade da PPA em relacao a sua pretendida “imposicao”, a ‘senhora’ dirigiu-se entao ao gabinete ao lado – que era ocupado por um individuo branco-europeu que, por esse facto, a ‘senhora’ achava que era quem mandava na PPA – para “apresentar queixa” dela… Tambem nao tendo obtido ali a satisfacao desejada, continuou o seu periplo de queixumes por varios gabinetes, especialmente daqueles seus conterraneos que haviam levantado as suas vozes "proteccionistas" durante a fase de advertising… Tao “poderosas” eram tais vozes que conseguiram fazer com que a chefe fosse chamada a “instancias superiores” para “explicacoes” sobre o caso da ‘senhora’ alegadamente por ela “discriminada”…
Bom, a questao acabou por ser resolvida pela forca da razao e a ‘senhora’ e o ‘seu caso’ acabaram por ser devidamente arquivados.

Ate’ que chegou o tao ansiado dia das entrevistas, conduzidas por um painel especialmente indicado por 3 paises membros e em que a PPA, embora nele tivesse um papel orientador e de supervisao, nao tinha, por inerencia de funcoes e para evitar conflitos de interesses, poder de decisao. Well, to cut a long story short, a decisao final acabou por pender entre dois candidatos: um homem que, apesar de ser originario da regiao, residia e se havia candidatado a partir dos EUA e que, para alem de um PhD e de alguma experiencia professional na area, apresentava uma postura incontestavelmente profissional, e uma mulher muito menos qualificada, tanto academica como profissionalmente, mas que se havia candidatado a partir da regiao.

A PPA, apesar de nao ter poder de decisao no painel, nao deixou de tornar claras as suas preferencias pelo primeiro (mesmo em face da advertencia do seu colega branco europeu vizinho de gabinete, sugerindo-lhe que aquele, com o seu PhD, lhe poderia disputar o lugar…), enquanto pelo menos dois outros membros do painel se mostravam movidos a favor da segunda. E tal devia-se fundamentalmente a forma insistente como ela havia mencionado durante a entrevista o facto de ser “mae solteira de uma crianca deficiente”… Acontece que a PPA, sendo igualmente “mae solteira” e nao tendo deixado de se sentir comovida pela situacao da candidata, teria preferido que ela tivesse demonstrado um maior empenho em defender as suas qualificacoes academicas e profissionais para a funcao, as quais, mesmo nao se tendo demonstrado as melhores naquelas circunstancias, lhe permitiriam facilmente (embora ela nem sequer estivesse desempregada…) arranjar um emprego similar, ou ate’ melhor, quer naquela, quer noutra organizacao regional.

Ora, tendo a candidata sido informada por um dos membros do painel que lhe eram favoraveis, no caso tambem uma mulher, de que a decisao final poderia nao lhe ser favoravel, dirigiram-se as duas ao "gabinete do genero" para se queixarem de que a PPA nao se estava a demonstrar “suficientemente gender-sensitive”… E… a partir do “gabinete do genero” foram entao desencadeadas, em nome da “politica de quotas”, as “devidas pressoes” para que o lugar fosse oferecido a candidata…

Mas, finalmente, depois de um longo debate entre os membros do painel e a PPA, a decisao final acabou por ser em favor do candidato - decisao que tambem ia de encontro as politicas (pelo menos no plano das intencoes) das organizacoes regionais e continentais no sentido de promoverem o regresso e integracao profissional dos quadros Africanos na diaspora. Mas… as "pressoes em contrario" acumuladas ao longo do processo acabaram por conseguir obstruir a sua contratacao…
E, assim, era uma vez uma chefe que – depois de muito tempo, energia e recursos gastos – acabou por nao conseguir contratar um(a) RA!


… Na Pratica!

Era uma vez… uma chefe (Protocol & Policy Adviser – PPA) que, embora pudesse dispensar os servicos de uma PA, a dada altura se viu forcada a contratar um(a) Research Assistant (RA). Entao, obtidos os necessarios consensos e approvals, desencadeou todo o processo de concepcao, advertising, seleccao e entrevistas para o posto. E… em cada uma dessas fases, encontrou entraves.

Na fase de advertising, que havia sido concebida para ter uma abrangencia internacional, embora com requisitos que implicitamente indicavam uma preferencia por candidatos regionais ou continentais, levantaram-se vozes que entendiam que aquela posicao deveria “estatutariamente” ser preenchida por um nacional do pais em que iria ser exercida. A PPA conseguiu ignora-las (mesmo porque elas nao tinham nenhum respaldo “estatutario” ou institucional) ate’ que, um belo dia, ja’ em plena fase de seleccao, viu o seu gabinete literalmente invadido por uma ‘senhora’, com a postura e linguagem mais agressivas que se podem imaginar, que nao se havia conformado com o facto de lhe ter sido comunicado por email que a sua candidatura nao poderia ser considerada por ela a ter submetido depois da deadline

Nao satisfeita com a inflexibilidade da PPA em relacao a sua pretendida “imposicao”, a ‘senhora’ dirigiu-se entao ao gabinete ao lado – que era ocupado por um individuo branco-europeu que, por esse facto, a ‘senhora’ achava que era quem mandava na PPA – para “apresentar queixa” dela… Tambem nao tendo obtido ali a satisfacao desejada, continuou o seu periplo de queixumes por varios gabinetes, especialmente daqueles seus conterraneos que haviam levantado as suas vozes "proteccionistas" durante a fase de advertising… Tao “poderosas” eram tais vozes que conseguiram fazer com que a chefe fosse chamada a “instancias superiores” para “explicacoes” sobre o caso da ‘senhora’ alegadamente por ela “discriminada”…
Bom, a questao acabou por ser resolvida pela forca da razao e a ‘senhora’ e o ‘seu caso’ acabaram por ser devidamente arquivados.

Ate’ que chegou o tao ansiado dia das entrevistas, conduzidas por um painel especialmente indicado por 3 paises membros e em que a PPA, embora nele tivesse um papel orientador e de supervisao, nao tinha, por inerencia de funcoes e para evitar conflitos de interesses, poder de decisao. Well, to cut a long story short, a decisao final acabou por pender entre dois candidatos: um homem que, apesar de ser originario da regiao, residia e se havia candidatado a partir dos EUA e que, para alem de um PhD e de alguma experiencia professional na area, apresentava uma postura incontestavelmente profissional, e uma mulher muito menos qualificada, tanto academica como profissionalmente, mas que se havia candidatado a partir da regiao.

A PPA, apesar de nao ter poder de decisao no painel, nao deixou de tornar claras as suas preferencias pelo primeiro (mesmo em face da advertencia do seu colega branco europeu vizinho de gabinete, sugerindo-lhe que aquele, com o seu PhD, lhe poderia disputar o lugar…), enquanto pelo menos dois outros membros do painel se mostravam movidos a favor da segunda. E tal devia-se fundamentalmente a forma insistente como ela havia mencionado durante a entrevista o facto de ser “mae solteira de uma crianca deficiente”… Acontece que a PPA, sendo igualmente “mae solteira” e nao tendo deixado de se sentir comovida pela situacao da candidata, teria preferido que ela tivesse demonstrado um maior empenho em defender as suas qualificacoes academicas e profissionais para a funcao, as quais, mesmo nao se tendo demonstrado as melhores naquelas circunstancias, lhe permitiriam facilmente (embora ela nem sequer estivesse desempregada…) arranjar um emprego similar, ou ate’ melhor, quer naquela, quer noutra organizacao regional.

Ora, tendo a candidata sido informada por um dos membros do painel que lhe eram favoraveis, no caso tambem uma mulher, de que a decisao final poderia nao lhe ser favoravel, dirigiram-se as duas ao "gabinete do genero" para se queixarem de que a PPA nao se estava a demonstrar “suficientemente gender-sensitive”… E… a partir do “gabinete do genero” foram entao desencadeadas, em nome da “politica de quotas”, as “devidas pressoes” para que o lugar fosse oferecido a candidata…

Mas, finalmente, depois de um longo debate entre os membros do painel e a PPA, a decisao final acabou por ser em favor do candidato - decisao que tambem ia de encontro as politicas (pelo menos no plano das intencoes) das organizacoes regionais e continentais no sentido de promoverem o regresso e integracao profissional dos quadros Africanos na diaspora. Mas… as "pressoes em contrario" acumuladas ao longo do processo acabaram por conseguir obstruir a sua contratacao…
E, assim, era uma vez uma chefe que – depois de muito tempo, energia e recursos gastos – acabou por nao conseguir contratar um(a) RA!

Friday, 19 March 2010

“Questao Politica” ou “Questao de Genero”?









Ou Ambas?*





Neste mes consagrado as mulheres, nao pode deixar de me merecer algum reparo a “bronca” que culminou na recente “mini-reestruturacao” de um governo ainda mal acomodado aos seus “novos aposentos”...

Trata-se, obviamente, do reportado “bilo” entre Idalina Valente e Pedro Mutindi a volta da cadeira de Ministro do Comercio, Hotelaria e Turismo, o qual acabou por ser resolvido, pelo PR, com a “abortagem” da pretendida fusao de dois ministerios e a volta a “estaca zero”, ou seja, de Valente para o Ministerio do Comercio e de Mutindi para o da Hotelaria e Turismo.

Mas ter-se-a’, efectivamente, tratado de um “bilo” entre duas partes iguais, ou de um “bullying” (“trungunguismo” sera’ talvez a traducao mais adequada...) de uma das partes, em que imperou a “lei do mais forte”?

Antes de mais, impoem-se-me aqui duas notas previas: i) nao posso ser considerada “suspeita” nesta materia, uma vez que sempre tornei claras as minhas reservas quanto a questao das “quotas” com base no “genero” (o que, alias, me tem custado alguns "desafectos"...), como pode ser constatado num dos meus comentarios a este post; ii) nao conheco pessoalmente nenhuma das partes, nem as suas trajectorias politica ou tecnico-profissional.

Assim, a pergunta com que titulo este apontamento e’-me suscitada principalmente pelo que ate’ agora me foi dado ler na imprensa local, em particular no SA, onde (edicao # 356) se pode ler algo como isto: “Fontes familiares ao caso disseram ao Semanário Angolense que além de não ter «engolido» a despromoção a que foi sujeito, pois passou de ministro a secretário de Estado colocado debaixo da alçada de um ministro, Pedro Mutindi não aceita a ideia de se subordinar a uma mulher. Educado à moda das famílias tradicionais do Cunene, onde, à semelhança de muitos outros pontos de Angola, o homem é a primeira figura, Pedro Mutindi mantém-se irredutível neste ponto.” Antes (edicao # 353), o mesmo SA havia feito o seguinte comentario a inicial constituicao deste executivo: “Nota-se também que o novo executivo se verga à ditadura do género. Em nome do equilíbrio entre homens e mulheres no Governo sacrificou-se a lógica da competência que deve prevalecer na escolha dos titulares de cargos governativos. Sem necessitar de apontar nomes, vê-se a olho nu que há uma insistência em determinadas ministras só para «encher a fotografia» e chegar, forçosamente, à mágica fasquia dos 30% de mulheres no executivo.”

Ora, se admitirmos que, a ser uma “questao cultural”, ela nao sera’ exclusiva das “famílias tradicionais do Cunene” e nem sequer dos Angolanos, ou dos Africanos – de facto, o papel do patriarcado na estruturacao das sociedades ja’ vem, pelo menos em termos teoricos, de “A Origem da Familia, da Propriedade Privada e do Estado”, de Engels (… primeiro “livro serio” que li, tinha eu os meus 15/16 anos, entre “O Amante de Lady Chatterley” e um qualquer livro de, ou sobre, Freud, de que ja’ nao me lembro o titulo e que me valeu uma tremenda reprimenda da minha mae porque esses “eram so’ livros sobre sexo”… esta perdoada, Mae! - e, ja' agora, outro livro inolvidavel que li naqueles tempos foi "A Mae" de Gorki) – resta-nos abrir o leque de hipoteses explicativas as questoes de ordem politica e do "genero", sendo que ambas acabam por se confundir neste caso.

Senao vejamos: na vertente estritamente politica, teriamos que se tratou apenas de um ex-ministro que, justificadamente, nao se teria conformado com a sua subalternizacao a posicao de secretario de estado no “seu proprio ministerio”. Portanto, nada que pudesse, ou devesse, levantar suspeicoes, infimas que fossem, de uns quaisquer “monstro racial e tara tribal” como estando na base do suposto “bilo”… Mas isso leva-nos, inevitavelmente, a questionar a “racionalidade” do apontamento de Idalina Valente para aquela posicao, o que – descartando a hipotese de se ter tratado apenas de parte da (nao propriamente bem-sucedida…) “receita de emagrecimento” do governo, uma vez que para esse efeito havia muito mais e menos “potencialmente explosivas” areas por onde se escolher… (e devo tambem notar aqui, en passant, que, do meu ponto de vista, a haver fusao do Ministerio do Comercio com algum outro, ela deveria ser com o da Industria...) – nos leva a logica das “quotas” com base no “genero”.

E uma vez que aquelas correspondem a uma politica do Estado Angolano (muito embora se tenha que admitir, em abono da verdade, que essa particular politica lhe tera’ sido em grande medida “imposta” pela SADC…), temos tambem que nos questionar ate’ que ponto esse mesmo estado esta’ “cometido” as suas proprias politicas, nao permitindo que elas sejam “varridas para debaixo do tapete” ao primeiro contratempo… E e’ aqui que a “questao politica” e a “questao do genero” se confundem.

Mas, tendo ambas sido resolvidas, aparentemente, a contento de todas as partes, resta-nos a esperanca de que efectivamente nao tenhamos estado perante um mau precedente que venha aumentar a “propensao marginal” de todo e qualquer “misogino embarrado e machista empedernido” (… e isto lembra-me, de repente, um professor de econometria que tive, que se achava muito “funny” e que, no quadro, trocava propositadamente ‘mpc’ por ‘mcp’, virando-se depois para os alunos e, olhando particularmente para os do sexo feminino, dizia: "Voces acham que isto significa ‘male chauvinist pig’, nao e'? No, it’s the ‘marginal propensity to consume’!...") para justificar os seus mais obtusos actos de “bullying” contra a ascencao de mulheres a certas posicoes, dentro ou fora do governo…


*[Sendo que ambas aqui sao consideradas "questoes de poder"]


ADENDA: Acabo de tomar nota desta outra hipotese explicativa na corrente edicao do SA, #359, (talvez por falta de expressao equivalente e/ou mais apropriada em Portugues, eles chamam-lhe ≪out-look≫: sem duvida, "muito bom" Ingles venho eu aprendendo com esse jornal!...).
No entanto, ela nao me parece colher completamente, porque essa seria precisamente a razao que levaria JES, em primeiro lugar, a nem sequer contemplar a possibilidade de "afrontar" Mutindi como o fez com a nomeacao de Valente para aquela posicao... E o mesmo raciocinio se aplica a "democao" de Kundi Paihama do Ministerio da Defesa para o dos Antigos Combatentes - alias, nesta senda, nao estarao a ser encaminhados para esse estatuto os "antigos bravos defensores de JES", que vao sendo progressivamente substituidos por nuestros hermanos?





Ou Ambas?*





Neste mes consagrado as mulheres, nao pode deixar de me merecer algum reparo a “bronca” que culminou na recente “mini-reestruturacao” de um governo ainda mal acomodado aos seus “novos aposentos”...

Trata-se, obviamente, do reportado “bilo” entre Idalina Valente e Pedro Mutindi a volta da cadeira de Ministro do Comercio, Hotelaria e Turismo, o qual acabou por ser resolvido, pelo PR, com a “abortagem” da pretendida fusao de dois ministerios e a volta a “estaca zero”, ou seja, de Valente para o Ministerio do Comercio e de Mutindi para o da Hotelaria e Turismo.

Mas ter-se-a’, efectivamente, tratado de um “bilo” entre duas partes iguais, ou de um “bullying” (“trungunguismo” sera’ talvez a traducao mais adequada...) de uma das partes, em que imperou a “lei do mais forte”?

Antes de mais, impoem-se-me aqui duas notas previas: i) nao posso ser considerada “suspeita” nesta materia, uma vez que sempre tornei claras as minhas reservas quanto a questao das “quotas” com base no “genero” (o que, alias, me tem custado alguns "desafectos"...), como pode ser constatado num dos meus comentarios a este post; ii) nao conheco pessoalmente nenhuma das partes, nem as suas trajectorias politica ou tecnico-profissional.

Assim, a pergunta com que titulo este apontamento e’-me suscitada principalmente pelo que ate’ agora me foi dado ler na imprensa local, em particular no SA, onde (edicao # 356) se pode ler algo como isto: “Fontes familiares ao caso disseram ao Semanário Angolense que além de não ter «engolido» a despromoção a que foi sujeito, pois passou de ministro a secretário de Estado colocado debaixo da alçada de um ministro, Pedro Mutindi não aceita a ideia de se subordinar a uma mulher. Educado à moda das famílias tradicionais do Cunene, onde, à semelhança de muitos outros pontos de Angola, o homem é a primeira figura, Pedro Mutindi mantém-se irredutível neste ponto.” Antes (edicao # 353), o mesmo SA havia feito o seguinte comentario a inicial constituicao deste executivo: “Nota-se também que o novo executivo se verga à ditadura do género. Em nome do equilíbrio entre homens e mulheres no Governo sacrificou-se a lógica da competência que deve prevalecer na escolha dos titulares de cargos governativos. Sem necessitar de apontar nomes, vê-se a olho nu que há uma insistência em determinadas ministras só para «encher a fotografia» e chegar, forçosamente, à mágica fasquia dos 30% de mulheres no executivo.”

Ora, se admitirmos que, a ser uma “questao cultural”, ela nao sera’ exclusiva das “famílias tradicionais do Cunene” e nem sequer dos Angolanos, ou dos Africanos – de facto, o papel do patriarcado na estruturacao das sociedades ja’ vem, pelo menos em termos teoricos, de “A Origem da Familia, da Propriedade Privada e do Estado”, de Engels (… primeiro “livro serio” que li, tinha eu os meus 15/16 anos, entre “O Amante de Lady Chatterley” e um qualquer livro de, ou sobre, Freud, de que ja’ nao me lembro o titulo e que me valeu uma tremenda reprimenda da minha mae porque esses “eram so’ livros sobre sexo”… esta perdoada, Mae! - e, ja' agora, outro livro inolvidavel que li naqueles tempos foi "A Mae" de Gorki) – resta-nos abrir o leque de hipoteses explicativas as questoes de ordem politica e do "genero", sendo que ambas acabam por se confundir neste caso.

Senao vejamos: na vertente estritamente politica, teriamos que se tratou apenas de um ex-ministro que, justificadamente, nao se teria conformado com a sua subalternizacao a posicao de secretario de estado no “seu proprio ministerio”. Portanto, nada que pudesse, ou devesse, levantar suspeicoes, infimas que fossem, de uns quaisquer “monstro racial e tara tribal” como estando na base do suposto “bilo”… Mas isso leva-nos, inevitavelmente, a questionar a “racionalidade” do apontamento de Idalina Valente para aquela posicao, o que – descartando a hipotese de se ter tratado apenas de parte da (nao propriamente bem-sucedida…) “receita de emagrecimento” do governo, uma vez que para esse efeito havia muito mais e menos “potencialmente explosivas” areas por onde se escolher… (e devo tambem notar aqui, en passant, que, do meu ponto de vista, a haver fusao do Ministerio do Comercio com algum outro, ela deveria ser com o da Industria...) – nos leva a logica das “quotas” com base no “genero”.

E uma vez que aquelas correspondem a uma politica do Estado Angolano (muito embora se tenha que admitir, em abono da verdade, que essa particular politica lhe tera’ sido em grande medida “imposta” pela SADC…), temos tambem que nos questionar ate’ que ponto esse mesmo estado esta’ “cometido” as suas proprias politicas, nao permitindo que elas sejam “varridas para debaixo do tapete” ao primeiro contratempo… E e’ aqui que a “questao politica” e a “questao do genero” se confundem.

Mas, tendo ambas sido resolvidas, aparentemente, a contento de todas as partes, resta-nos a esperanca de que efectivamente nao tenhamos estado perante um mau precedente que venha aumentar a “propensao marginal” de todo e qualquer “misogino embarrado e machista empedernido” (… e isto lembra-me, de repente, um professor de econometria que tive, que se achava muito “funny” e que, no quadro, trocava propositadamente ‘mpc’ por ‘mcp’, virando-se depois para os alunos e, olhando particularmente para os do sexo feminino, dizia: "Voces acham que isto significa ‘male chauvinist pig’, nao e'? No, it’s the ‘marginal propensity to consume’!...") para justificar os seus mais obtusos actos de “bullying” contra a ascencao de mulheres a certas posicoes, dentro ou fora do governo…


*[Sendo que ambas aqui sao consideradas "questoes de poder"]


ADENDA: Acabo de tomar nota desta outra hipotese explicativa na corrente edicao do SA, #359, (talvez por falta de expressao equivalente e/ou mais apropriada em Portugues, eles chamam-lhe ≪out-look≫: sem duvida, "muito bom" Ingles venho eu aprendendo com esse jornal!...).
No entanto, ela nao me parece colher completamente, porque essa seria precisamente a razao que levaria JES, em primeiro lugar, a nem sequer contemplar a possibilidade de "afrontar" Mutindi como o fez com a nomeacao de Valente para aquela posicao... E o mesmo raciocinio se aplica a "democao" de Kundi Paihama do Ministerio da Defesa para o dos Antigos Combatentes - alias, nesta senda, nao estarao a ser encaminhados para esse estatuto os "antigos bravos defensores de JES", que vao sendo progressivamente substituidos por nuestros hermanos?

Tuesday, 13 October 2009

SOBRE A TENSAO ANGOLA-RDC

Tenho vindo a seguir com atencao a preocupante situacao que se vive nos ultimos dias entre Angola e a RDC.

Sendo embora animadoras as ultimas noticias dando conta do inicio de conversacoes entre as duas partes e de uma ordem de Kabila no sentido da suspensao da expulsao de Angolanos residentes no seu pais, conviria que de ambos os lados nao se perdessem de vista os efeitos catastroficos (sendo a eclosao de um conflito regional uma possibilidade a nao colocar de todo de parte...) que um agravamento da situacao actual, ou a adopcao de apenas medidas precarias e temporarias, pode ter para a regiao.

Sendo ambos os paises membros da SADC, conviria, em particular, que tivessem em mente nos seus esforcos negociais o Tratado da organizacao e especialmente o articulado dos seus Protocolos sobre a "Facilitacao do Movimento de Pessoas" e sobre "Cooperacao Politica, Defesa e Seguranca" de que sao signatarios.

Continuemos a torcer para que tudo acabe rapidamente e em bem...
Tenho vindo a seguir com atencao a preocupante situacao que se vive nos ultimos dias entre Angola e a RDC.

Sendo embora animadoras as ultimas noticias dando conta do inicio de conversacoes entre as duas partes e de uma ordem de Kabila no sentido da suspensao da expulsao de Angolanos residentes no seu pais, conviria que de ambos os lados nao se perdessem de vista os efeitos catastroficos (sendo a eclosao de um conflito regional uma possibilidade a nao colocar de todo de parte...) que um agravamento da situacao actual, ou a adopcao de apenas medidas precarias e temporarias, pode ter para a regiao.

Sendo ambos os paises membros da SADC, conviria, em particular, que tivessem em mente nos seus esforcos negociais o Tratado da organizacao e especialmente o articulado dos seus Protocolos sobre a "Facilitacao do Movimento de Pessoas" e sobre "Cooperacao Politica, Defesa e Seguranca" de que sao signatarios.

Continuemos a torcer para que tudo acabe rapidamente e em bem...