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Wednesday, 7 November 2012

THIS DAY 4 YEARS AGO...

IT'S BEEN A LONG TIME COMING...
BUT CHANGE DID COME!...


How this happened


Wednesday, 5 November, 2008 6:18 AM
From:
"Barack Obama"
To:
"Ana Santana"

Ana --

I'm about to head to Grant Park to talk to everyone gathered there, but I wanted to write to you first.

We just made history.

And I don't want you to forget how we did it.

You made history every single day during this campaign -- every day you knocked on doors, made a donation, or talked to your family, friends, and neighbors about why you believe it's time for change.

I want to thank all of you who gave your time, talent, and passion to this campaign.

We have a lot of work to do to get our country back on track, and I'll be in touch soon about what comes next.

But I want to be very clear about one thing...

All of this happened because of you.

Thank you,

Barack

Watch/read here his victory speech, where he says, as if singing with Otis:


(*) First posted 05/11/08

IT'S BEEN A LONG TIME COMING...
BUT CHANGE DID COME!...


How this happened


Wednesday, 5 November, 2008 6:18 AM
From:
"Barack Obama"
To:
"Ana Santana"

Ana --

I'm about to head to Grant Park to talk to everyone gathered there, but I wanted to write to you first.

We just made history.

And I don't want you to forget how we did it.

You made history every single day during this campaign -- every day you knocked on doors, made a donation, or talked to your family, friends, and neighbors about why you believe it's time for change.

I want to thank all of you who gave your time, talent, and passion to this campaign.

We have a lot of work to do to get our country back on track, and I'll be in touch soon about what comes next.

But I want to be very clear about one thing...

All of this happened because of you.

Thank you,

Barack

Watch/read here his victory speech, where he says, as if singing with Otis:


(*) First posted 05/11/08

Monday, 5 November 2012

THIS DAY 4 YEARS AGO...


PREPARING FOR TOMORROW...
[First posted 03/11/2008]




Barring an extraordinary shock, Barack Obama will win more than 270 electoral votes on Tuesday, giving him the White House. Hours before voting starts, John McCain has no clear path to reaching that goal. In fact, interviews with political strategists in both parties and election analysts and advisers to both presidential campaigns — including a detailed look at public and private polling data — indicate that an Obama victory with well over 300 electoral votes is a more likely outcome than a McCain victory.
[Keep reading here]



In the two years since Sen. Barack Obama announced his bid for the presidency, black Americans have been on an emotional roller coaster. Only recently have many of us allowed ourselves to envision what once seemed impossible: A U.S. president who is a person of color. With Obama leading in national pre-election polls, the suspense has become nearly unbearable.
Even deeper at the center of our current anxiety are at least two questions that carry all the complexity of black Americans' history in this country: What will it mean personally to us if he wins? And how will it affect the future of African Americans?
Win or lose, how will we cope?
[Keep reading here]
My thanks to BRE for calling my attention to these.


A Change Is Gonna Come - Otis Redding

PREPARING FOR TOMORROW...
[First posted 03/11/2008]




Barring an extraordinary shock, Barack Obama will win more than 270 electoral votes on Tuesday, giving him the White House. Hours before voting starts, John McCain has no clear path to reaching that goal. In fact, interviews with political strategists in both parties and election analysts and advisers to both presidential campaigns — including a detailed look at public and private polling data — indicate that an Obama victory with well over 300 electoral votes is a more likely outcome than a McCain victory.
[Keep reading here]



In the two years since Sen. Barack Obama announced his bid for the presidency, black Americans have been on an emotional roller coaster. Only recently have many of us allowed ourselves to envision what once seemed impossible: A U.S. president who is a person of color. With Obama leading in national pre-election polls, the suspense has become nearly unbearable.
Even deeper at the center of our current anxiety are at least two questions that carry all the complexity of black Americans' history in this country: What will it mean personally to us if he wins? And how will it affect the future of African Americans?
Win or lose, how will we cope?
[Keep reading here]
My thanks to BRE for calling my attention to these.


A Change Is Gonna Come - Otis Redding

Tuesday, 14 August 2012

Tipico de "Comuna"!...



VOLTANDO A ESTA CITACAO DE SARAMAGO


(que postei inicialmente no Facebook no passado Sabado)

Devo, em abono da verdade, dizer o seguinte:

Embora nao retire o “tipico de comuna” que lhe apliquei, nao posso deixar de admitir que, para mim, “ha’ comunas e… comunas”!

Ou seja, ha’ aqueles que, como Saramago e em geral os da sua geracao, vieram de ‘backgrounds’ verdadeiramente humildes (geralmente categorizados no jargao comunista como o “proletariado”) que a...

doptaram os principios da ideologia comunista com a integridade, honestidade e humildade proprias do seu ‘background’, particularmente no que a certos principios etico-morais diz respeito.

Ha’ outros, no entanto, geralmente de geracoes mais novas que a do Saramago, provindos das chamadas, no mesmo jargao comunista, pequena, media e alta burguesias (sobretudo nas ex-colonias como Angola) de quem ja’ nem sempre se pode dizer o mesmo – geralmente por terem proclamado ter feito o “suicidio de classe” para fazerem parte da “vanguarda revolucionaria”, mas logo em seguida, ou passado nao muito tempo, “ressuscitado”, pautando por isso a sua conduta com toda a sorte de incongruencias, inconsistencias e contradicoes, geralmente categorizadas, ainda no mesmo jargao, como “desonestidade intelectual”. Sendo que a gravidade dos seus desvios comportamentais torna-se tanto mais danosa quanto, estando geralmente mais distanciados que as geracoes anteriores das doutrinas religiosas que obrigam ao “penitenciamento” pelos pecados cometidos, estao igualmente longe de praticar a “critica e auto-critica” que a sua ideologia lhes prescreve…

Sao estes ultimos que “arrancam” de mim o tipo de comentarios “dirigidos” que fiz a esse post no Sabado passado!... Dos quais… NAO ME PENITENCIO!
[...]

SARAMAGO
(RECIDIVUS)

Nao que eu nao deseje Paz a Alma de Saramago, mas... ainda nao e' desta que deixo em paz essa sua citacao - com ou sem o beneficio da duvida...

Em sociedades fundadas na Religiao Catolica Apostolica Romana, como a Portuguesa e a Angolana, todas as formas de sexualidade nao sancionadas pela Igreja (i.e. nao “santificadas” pelo casamento) sao consideradas “pecaminosas” e, consequentemente, “proscritas” e quem nelas incorra, voluntaria ou involuntariamente, e’ culpabilizado. Por isso uma das suas caracteristicas mais marcantes e' a "sexualidade reprimida" que leva a que os seus "fieis" tendam a ver o sexo - ainda que sob as suas formas mais puras e saudaveis - como uma coisa "suja", sobre a qual se tem que exercer "censura" ou passar um "rolo de papel higienico" e a incorrer em varias formas de "perversao sexual", nomeadamente os ataques pornograficos, a violacao sexual, ou a pedofilia!...

Dai a estigmatizacao e exclusao social da “mae solteira” – n.b. nao do “pai solteiro”, nem do “pai casado” do/s filho/s da “mae solteira”!... Dai tambem a diabolizacao das vitimas da pornografia e de outros crimes sexuais ou sexualmente motivados – n.b.: nao dos seus perpetradores, praticantes e/ou observadores!...

Por isso a mae solteira e’ votada ao ostracismo e ao silenciamento: com ela nao se fala, a ela nao se da’ espaco nem voz; com ela so’ se “comunica” publicamente por “sinais codificados” e “mensagens cifradas”, emitidos por detras de “mascaras” e “cortinas de fumo e de ferro”… e caso ela se “atreva” a tentar quebrar esse silencio, arrancar essas mascaras e romper essas cortinas, esta’ sujeita a todos os tipos de violencia por parte de homens e mulheres com o “direito” ‘a existencia normal em sociedade, i.e. “casados” (oficialmente ou nao e mesmo que com varias mulheres) e de “boas familias”!...

Por isso tambem a pornografia e’ praticada na “clandestinidade” e igualmente por detras de mascaras, biombos e cortinas… Se ela fosse tao “bela”, “pura”, “saudavel”, “magnificiente” e “magnanime”, porque que os seus adeptos nao a assumem e praticam abertamente?! Porque tanto a pornografia como a sexualidade fora do casamento estao associadas ‘a culpa que lhes e’ atribuida pela religiao.

Esperar-se-ia que uma ideologia “libertadora” como a comunista viesse “desculpabiliza-las” – assim parece ter pretendido fazer Saramago, ou, dando-lhe o beneficio da duvida, quem quer que tenha escrito essa citacao… Porem, o que se observa na pratica?

Pelo menos na minha experiencia, sao precisamente os “comunas”, ou apenas os ditos “intelectuais de esquerda”, a que me referi nos anteriores comentarios a esta citacao, que mais “sentimentos de culpa” associam quer ‘a pornografia, quer ‘a sexualidade fora do casamento – algo sobre o que aqui (http://koluki.blogspot.co.uk/2010/08/mocambique-reler-samora-pelo-pincel-de.html) me debrucei.

E quando a mae solteira coincide ser vitima de ataques pornograficos por ela publicamente denunciados e ainda por cima negra e nao pertencente ‘as “grandes familias”, o que a espera ?!... “Convem sabermos sempre o que nos espera!...”: o silenciamento, o linchamento publico, a proscricao e a exclusao social, economica e politica em nome de “valores e principios”, enquanto os seus algozes sao “agraciados”, “premiados” e “glorificados”, tanto pelos media, como pelo(s) p(h)oder(es) politico(s) - n.b.: incluindo umas certas "maitresses" ditas "vanguardistas", "feministas", "elevadas", "escritoras", "intelectuais", "etnologas", "antropologas", etc. etc. etc. -, quanto pela Santa Madre Igreja!...




VOLTANDO A ESTA CITACAO DE SARAMAGO


(que postei inicialmente no Facebook no passado Sabado)

Devo, em abono da verdade, dizer o seguinte:

Embora nao retire o “tipico de comuna” que lhe apliquei, nao posso deixar de admitir que, para mim, “ha’ comunas e… comunas”!

Ou seja, ha’ aqueles que, como Saramago e em geral os da sua geracao, vieram de ‘backgrounds’ verdadeiramente humildes (geralmente categorizados no jargao comunista como o “proletariado”) que a...

doptaram os principios da ideologia comunista com a integridade, honestidade e humildade proprias do seu ‘background’, particularmente no que a certos principios etico-morais diz respeito.

Ha’ outros, no entanto, geralmente de geracoes mais novas que a do Saramago, provindos das chamadas, no mesmo jargao comunista, pequena, media e alta burguesias (sobretudo nas ex-colonias como Angola) de quem ja’ nem sempre se pode dizer o mesmo – geralmente por terem proclamado ter feito o “suicidio de classe” para fazerem parte da “vanguarda revolucionaria”, mas logo em seguida, ou passado nao muito tempo, “ressuscitado”, pautando por isso a sua conduta com toda a sorte de incongruencias, inconsistencias e contradicoes, geralmente categorizadas, ainda no mesmo jargao, como “desonestidade intelectual”. Sendo que a gravidade dos seus desvios comportamentais torna-se tanto mais danosa quanto, estando geralmente mais distanciados que as geracoes anteriores das doutrinas religiosas que obrigam ao “penitenciamento” pelos pecados cometidos, estao igualmente longe de praticar a “critica e auto-critica” que a sua ideologia lhes prescreve…

Sao estes ultimos que “arrancam” de mim o tipo de comentarios “dirigidos” que fiz a esse post no Sabado passado!... Dos quais… NAO ME PENITENCIO!
[...]

SARAMAGO
(RECIDIVUS)

Nao que eu nao deseje Paz a Alma de Saramago, mas... ainda nao e' desta que deixo em paz essa sua citacao - com ou sem o beneficio da duvida...

Em sociedades fundadas na Religiao Catolica Apostolica Romana, como a Portuguesa e a Angolana, todas as formas de sexualidade nao sancionadas pela Igreja (i.e. nao “santificadas” pelo casamento) sao consideradas “pecaminosas” e, consequentemente, “proscritas” e quem nelas incorra, voluntaria ou involuntariamente, e’ culpabilizado. Por isso uma das suas caracteristicas mais marcantes e' a "sexualidade reprimida" que leva a que os seus "fieis" tendam a ver o sexo - ainda que sob as suas formas mais puras e saudaveis - como uma coisa "suja", sobre a qual se tem que exercer "censura" ou passar um "rolo de papel higienico" e a incorrer em varias formas de "perversao sexual", nomeadamente os ataques pornograficos, a violacao sexual, ou a pedofilia!...

Dai a estigmatizacao e exclusao social da “mae solteira” – n.b. nao do “pai solteiro”, nem do “pai casado” do/s filho/s da “mae solteira”!... Dai tambem a diabolizacao das vitimas da pornografia e de outros crimes sexuais ou sexualmente motivados – n.b.: nao dos seus perpetradores, praticantes e/ou observadores!...

Por isso a mae solteira e’ votada ao ostracismo e ao silenciamento: com ela nao se fala, a ela nao se da’ espaco nem voz; com ela so’ se “comunica” publicamente por “sinais codificados” e “mensagens cifradas”, emitidos por detras de “mascaras” e “cortinas de fumo e de ferro”… e caso ela se “atreva” a tentar quebrar esse silencio, arrancar essas mascaras e romper essas cortinas, esta’ sujeita a todos os tipos de violencia por parte de homens e mulheres com o “direito” ‘a existencia normal em sociedade, i.e. “casados” (oficialmente ou nao e mesmo que com varias mulheres) e de “boas familias”!...

Por isso tambem a pornografia e’ praticada na “clandestinidade” e igualmente por detras de mascaras, biombos e cortinas… Se ela fosse tao “bela”, “pura”, “saudavel”, “magnificiente” e “magnanime”, porque que os seus adeptos nao a assumem e praticam abertamente?! Porque tanto a pornografia como a sexualidade fora do casamento estao associadas ‘a culpa que lhes e’ atribuida pela religiao.

Esperar-se-ia que uma ideologia “libertadora” como a comunista viesse “desculpabiliza-las” – assim parece ter pretendido fazer Saramago, ou, dando-lhe o beneficio da duvida, quem quer que tenha escrito essa citacao… Porem, o que se observa na pratica?

Pelo menos na minha experiencia, sao precisamente os “comunas”, ou apenas os ditos “intelectuais de esquerda”, a que me referi nos anteriores comentarios a esta citacao, que mais “sentimentos de culpa” associam quer ‘a pornografia, quer ‘a sexualidade fora do casamento – algo sobre o que aqui (http://koluki.blogspot.co.uk/2010/08/mocambique-reler-samora-pelo-pincel-de.html) me debrucei.

E quando a mae solteira coincide ser vitima de ataques pornograficos por ela publicamente denunciados e ainda por cima negra e nao pertencente ‘as “grandes familias”, o que a espera ?!... “Convem sabermos sempre o que nos espera!...”: o silenciamento, o linchamento publico, a proscricao e a exclusao social, economica e politica em nome de “valores e principios”, enquanto os seus algozes sao “agraciados”, “premiados” e “glorificados”, tanto pelos media, como pelo(s) p(h)oder(es) politico(s) - n.b.: incluindo umas certas "maitresses" ditas "vanguardistas", "feministas", "elevadas", "escritoras", "intelectuais", "etnologas", "antropologas", etc. etc. etc. -, quanto pela Santa Madre Igreja!...



Saturday, 28 July 2012

MALCOLM X, “WHITE LIBERALS” e "TOKEN NEGROES"...




A dimensao da figura de Malcolm X como um icon que continua a inspirar varias geracoes pode ser medida pela frequencia com que a sua imagem e citacoes das suas frases circulam no Facebook.

Um icon, indeed! E nisso, em certa medida, chega a se-lo mais que o seu “rival” Martin Luther King….

Porem, nao sei se estarei muito enganada em supor que a forma como e as razoes pelas quais Malcolm X inspira os seus seguidores e admiradores tende a seguir a mesma trajectoria que a que me levou a admira-lo mais numa determinada fase da minha vida do que noutra. Essa trajectoria pode ser, grosso modo, caracterizada por duas fases distintas, que tambem coincidem com o percurso da propria vida de Malcolm X e do seu pensamento ideologico e posicionamentos politicos e religiosos: uma e’ a fase “pre - Nacao do Islao”, outra a fase “pos - Peregrinacao a Meca”. Pelo meio fica um periodo marcado pelos conflitos e contradicoes proprios desse tipo de transicoes e evolucoes.

E’ desse periodo que data o seu mais famoso e controverso discurso, conhecido como “The Chikens Come Home to Roost”, e tambem aquele que, a prazo, lhe iria, tragicamente, custar a propria vida….

Desse discurso, ha’ uma passagem em particular que, para mim, apesar da evolucao posterior do seu proprio pensamento ideologico, como acima aludi, e da minha discordancia com outras partes do mesmo discurso e, no fundo, com as suas motivacoes (algo que assinalei de passagem aqui), continua a ter um impacto que “still rings true” em varias situacoes actuais, mesmo se salvaguardadas as devidas distancias historicas, geograficas, temporais e contextuais.

De facto, reflectindo bem, o discurso continua tao "powerful", mesmo que eu e muitos outros discordem dele, em partes ou no todo, que esteve na base do mais dramatico evento da campanha presidencial de Obama em 2008: o episodio do Reverend Wright, que no seu "outburst" contra Obama recorreu precisamente ao "chickens come home to roost!...



Mas, "mais perto de casa", veja-se, por exemplo, um debate recente por ai que, pelo menos aparentemente e certamente nao para mim, acabou por ficar “reduzido” a uma disputa entre dois discursos: um dito “democratico-revolucionario e angolano-africano” e outro taxado de “colonial-fascista e racista-revanchista”. Ou, em termos mais simples, um de "esquerda" e outro de "direita".

Nao pude deixar de associar essas classificacoes “maniqueistas” ao que Malcolm X designava “white liberals” por um lado e “white conservatives” por outro, sendo que as similaridades nao terminam por ai…

In this deceitful American game of power politics, the Negroes (i.e., the race problem, the integration and civil rights issues) are nothing but tools, used by one group of whites called Liberals against another group of whites called Conservatives, either to get into power or to remain in power. Among whites here in America, the political teams are no longer divided into Democrats and Republicans. The whites who are now struggling for control of the American political throne are divided into "liberal" and "conservative" camps. The white liberals from both parties cross party lines to work together toward the same goal, and white conservatives from both parties do likewise.
The white liberal differs from the white conservative only in one way: the liberal is more deceitful than the conservative. The liberal is more hypocritical than the conservative. Both want power, but the white liberal is the one who has perfected the art of posing as the Negro's friend and benefactor; and by winning the friendship, allegiance, and support of the Negro, the white liberal is able to use the Negro as a pawn or tool in this political "football game" that is constantly raging between the white liberals and white conservatives.
Politically the American Negro is nothing but a football and the white liberals control this mentally dead ball through tricks of tokenism: false promises of integration and civil rights. In this profitable game of deceiving and exploiting the political politician of the American Negro, those white liberals have the willing cooperation of the Negro civil rights leaders. These "leaders" sell out our people for just a few crumbs of token recognition and token gains. These "leaders" are satisfied with token victories and token progress because they themselves are nothing but token leaders.”

[Malcolm X]


E POR FALAR EM MALCOLM X...


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A dimensao da figura de Malcolm X como um icon que continua a inspirar varias geracoes pode ser medida pela frequencia com que a sua imagem e citacoes das suas frases circulam no Facebook.

Um icon, indeed! E nisso, em certa medida, chega a se-lo mais que o seu “rival” Martin Luther King….

Porem, nao sei se estarei muito enganada em supor que a forma como e as razoes pelas quais Malcolm X inspira os seus seguidores e admiradores tende a seguir a mesma trajectoria que a que me levou a admira-lo mais numa determinada fase da minha vida do que noutra. Essa trajectoria pode ser, grosso modo, caracterizada por duas fases distintas, que tambem coincidem com o percurso da propria vida de Malcolm X e do seu pensamento ideologico e posicionamentos politicos e religiosos: uma e’ a fase “pre - Nacao do Islao”, outra a fase “pos - Peregrinacao a Meca”. Pelo meio fica um periodo marcado pelos conflitos e contradicoes proprios desse tipo de transicoes e evolucoes.

E’ desse periodo que data o seu mais famoso e controverso discurso, conhecido como “The Chikens Come Home to Roost”, e tambem aquele que, a prazo, lhe iria, tragicamente, custar a propria vida….

Desse discurso, ha’ uma passagem em particular que, para mim, apesar da evolucao posterior do seu proprio pensamento ideologico, como acima aludi, e da minha discordancia com outras partes do mesmo discurso e, no fundo, com as suas motivacoes (algo que assinalei de passagem aqui), continua a ter um impacto que “still rings true” em varias situacoes actuais, mesmo se salvaguardadas as devidas distancias historicas, geograficas, temporais e contextuais.

De facto, reflectindo bem, o discurso continua tao "powerful", mesmo que eu e muitos outros discordem dele, em partes ou no todo, que esteve na base do mais dramatico evento da campanha presidencial de Obama em 2008: o episodio do Reverend Wright, que no seu "outburst" contra Obama recorreu precisamente ao "chickens come home to roost!...



Mas, "mais perto de casa", veja-se, por exemplo, um debate recente por ai que, pelo menos aparentemente e certamente nao para mim, acabou por ficar “reduzido” a uma disputa entre dois discursos: um dito “democratico-revolucionario e angolano-africano” e outro taxado de “colonial-fascista e racista-revanchista”. Ou, em termos mais simples, um de "esquerda" e outro de "direita".

Nao pude deixar de associar essas classificacoes “maniqueistas” ao que Malcolm X designava “white liberals” por um lado e “white conservatives” por outro, sendo que as similaridades nao terminam por ai…

In this deceitful American game of power politics, the Negroes (i.e., the race problem, the integration and civil rights issues) are nothing but tools, used by one group of whites called Liberals against another group of whites called Conservatives, either to get into power or to remain in power. Among whites here in America, the political teams are no longer divided into Democrats and Republicans. The whites who are now struggling for control of the American political throne are divided into "liberal" and "conservative" camps. The white liberals from both parties cross party lines to work together toward the same goal, and white conservatives from both parties do likewise.
The white liberal differs from the white conservative only in one way: the liberal is more deceitful than the conservative. The liberal is more hypocritical than the conservative. Both want power, but the white liberal is the one who has perfected the art of posing as the Negro's friend and benefactor; and by winning the friendship, allegiance, and support of the Negro, the white liberal is able to use the Negro as a pawn or tool in this political "football game" that is constantly raging between the white liberals and white conservatives.
Politically the American Negro is nothing but a football and the white liberals control this mentally dead ball through tricks of tokenism: false promises of integration and civil rights. In this profitable game of deceiving and exploiting the political politician of the American Negro, those white liberals have the willing cooperation of the Negro civil rights leaders. These "leaders" sell out our people for just a few crumbs of token recognition and token gains. These "leaders" are satisfied with token victories and token progress because they themselves are nothing but token leaders.”

[Malcolm X]


E POR FALAR EM MALCOLM X...


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Saturday, 21 April 2012

Günter Grass e a Poesia Angolana Contemporanea…


O que teem em comum?
Aparentemente, nada.
Mas…  

"Um dos nobres objectivos da Bienal Internacional de Poesia é o de legitimar, no sentido pedagógico, a história da poesia angolana, consubstanciada na produção dos seus mais dignos poetas, invertendo a tendência de um certo tipo de criação, de pendor subversivo, que desrespeita o bom nome das instituições angolanas."

Essa declaracao do “manifesto oficial” dos organizadores da primeira Bienal Internacional de Poesia que hoje termina em Luanda parece ter algo “a ver” com esta polemica gerada a volta de um poema recentemente publicado pelo Nobel da Literatura Alemao Günter Grass, tambem autor do livro em que se baseou um ‘tremendo’ filme que vi em Luanda naqueles tempos que aqui recordava: O Tambor.

O poema, entitulado “O que tem que ser dito”, constitui uma critica contundente ao estado de Israel, com particular enfase na sua politica nuclear. Tal “atrevimento” valeu-lhe uma onda de criticas por entre algumas salvas e a sua declaracao pelo Estado de Israel como “persona non grata” no seu territorio por, alegadamente, o poema ser algo como “de pendor subversivo e desrespeitador do bom nome das instituicoes israelitas”

Isso do ponto de vista politico. Do ponto de vista estritamente literario, houve quem o declarasse “indigno” da sua obra anterior, tendo um proeminente critico literario afirmado “nao ter a certeza de se um texto sem rima nem ritmo pode ser considerado um poema”…

Enfim, materia para alguma reflexao…
Ou talvez apenas para algumas piadas de mau gosto, por entre umas boas 'pomadas' de alem-mar, ao som e vista de algumas escutas e vigias, enquanto se conjuram mais algumas "medidas de caracter profilatico" (pedagogico?), depois do funge de domingo...


[Poema que "nao tem nada a ver": Terra Queimada]

Post (nao) Relacionado:

Gostei de Ler (?) ... [3] 

O que teem em comum?
Aparentemente, nada.
Mas…  

"Um dos nobres objectivos da Bienal Internacional de Poesia é o de legitimar, no sentido pedagógico, a história da poesia angolana, consubstanciada na produção dos seus mais dignos poetas, invertendo a tendência de um certo tipo de criação, de pendor subversivo, que desrespeita o bom nome das instituições angolanas."

Essa declaracao do “manifesto oficial” dos organizadores da primeira Bienal Internacional de Poesia que hoje termina em Luanda parece ter algo “a ver” com esta polemica gerada a volta de um poema recentemente publicado pelo Nobel da Literatura Alemao Günter Grass, tambem autor do livro em que se baseou um ‘tremendo’ filme que vi em Luanda naqueles tempos que aqui recordava: O Tambor.

O poema, entitulado “O que tem que ser dito”, constitui uma critica contundente ao estado de Israel, com particular enfase na sua politica nuclear. Tal “atrevimento” valeu-lhe uma onda de criticas por entre algumas salvas e a sua declaracao pelo Estado de Israel como “persona non grata” no seu territorio por, alegadamente, o poema ser algo como “de pendor subversivo e desrespeitador do bom nome das instituicoes israelitas”

Isso do ponto de vista politico. Do ponto de vista estritamente literario, houve quem o declarasse “indigno” da sua obra anterior, tendo um proeminente critico literario afirmado “nao ter a certeza de se um texto sem rima nem ritmo pode ser considerado um poema”…

Enfim, materia para alguma reflexao…
Ou talvez apenas para algumas piadas de mau gosto, por entre umas boas 'pomadas' de alem-mar, ao som e vista de algumas escutas e vigias, enquanto se conjuram mais algumas "medidas de caracter profilatico" (pedagogico?), depois do funge de domingo...


[Poema que "nao tem nada a ver": Terra Queimada]

Post (nao) Relacionado:

Gostei de Ler (?) ... [3] 

Wednesday, 11 April 2012

Gostei de Ler [6]*




O filósofo Friedrich Hegel diz que ‘a Justiça não é um dom gratuito da Natureza Humana, ela precisa ser conquistada sempre porque é uma eterna procura’. Concorda com este pensamento? Qual é para si a evolução mais importante para que se atinjam patamares, cada vez mais, elevados de Justiça nos diferentes domínios da sociedade?

A justiça é de facto uma eterna procura. A busca da perfeição, do equilíbrio, a demanda da felicidade. O reconhecimento da dignidade da pessoa humana, independentemente da sua condição, de sexo, de origem social, racial, económica ou outra, constituiu o mais importante marco histórico e é ainda a pedra de toque entre as sociedades justas e injustas.

À soberania do Homem sobre si mesmo chama-se liberdade. Ela é o cume e a igualdade é a base. Em que alicerces devem assentar as noções do novo ‘contrato social’ moderno face à relação entre a Sociedade e o Estado de Direito?

O contrato social moderno parte ainda necessariamente do pressuposto da liberdade e implica o reconhecimento da igualdade de todos perante o Estado e os seus sistemas de proteção (nos quais se integra o sistema de justiça) e no acesso a condições de vida dignas e de progresso social.

Afirmou a seguinte frase: ‘Cumpra-se, a vitória é certa!’ O que simboliza esta expressão e que sentimentos lhe desperta? Fazendo uma espécie de viagem ao passado recente, como analisa a evolução do país, sobretudo na última década pós Acordo de Paz?

A frase não é minha. É de um instrutor militar que tive, em 1975, quando a guerra às portas de Luanda nos mobilizou a todos para defender a cidade. Correspondia a uma lógica de obediência cega, obediência castrense, que é explicável num contexto militar e que obviamente rejeitava.
Entretanto, o país cresceu muito e cresce todos os dias. Sentem-se obviamente muitas diferenças, mas será preciso atualmente um olhar sobre o vetor desenvolvimento, já que os dois conceitos (crescimento e desenvolvimento) não são sinónimos.
Justifica-se um esforço no sentido da recuperação dos indicadores de 1974 em domínios como o saneamento básico, a educação ou a saúde.

Em 2007, é nomeada Procuradora-Geral Distrital de Lisboa. Considera esta ascensão professional natural ou resultado de muito esforço e trabalho? Desde então como tem evoluído o seu trabalho?

Penso que a minha nomeação para o cargo de Procuradora-Geral Distrital de Lisboa correspondeu ao reconhecimento de um trabalho coerente e consistente que vinha desenvolvendo como magistrada. Sem falsa modéstia, penso que continuo, na Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, a fazer umtrabalho de grande diferenciação, com resultados visíveis. Mas é preciso trabalhar, trabalhar sempre. Com disciplina, com constância, com rigor.

Há, cada vez mais, um domínio das mulheres na Justiça. Acredita que este fenómeno tem influência a nível sociológico e no desenvolvimento das decisões judiciárias, ou seja, uma justiça no feminino é diferente?

O facto de haver cada vez mais mulheres no mundo judiciário, mais mulheres na justiça, permite, pelo menos, incorporar melhor a visão de mais de metade da humanidade. Afinal, as mulheres são a metade do céu!

Descrevem-na como uma mulher resiliente e reservada, que participou na luta pela independência do seu país, mas que nunca se exalta e é contra a exposição. É dessa forma que se vê?

Não. Não é assim que me vejo. Considero- me uma pessoa bem-educada, formada com elevados padrões éticos e de exigência pessoal - e a aparência de reserva tem apenas a ver com isso – que, por essa razão, convive mal com a sobre-exposição instrumental da promoção pessoal. Julgo ter uma relação equilibrada com os media.


Qual é a influência que esta memória coletiva e pessoal teve no seu percurso e como a mudou enquanto mulher e profissional?

Dizer que participei na luta pela independência seria uma injúria a quantos nela efetivamente participaram, sacrificando projetos pessoais e, em muitos casos, dando a sua vida pelo ideal de restauração da dignidade da Nação Angolana. Tenho um enorme respeito por essas pessoas. Ainda hoje olho com estupefação para muitas outras que no período colonial assumiram a comodidade de uma vida sem sobressaltos ou até mesmo de compromisso expresso com o poder colonial e que, após a independência, ou no período que imediatamente a precedeu, apareceram como arautos da liberdade. É preciso sermos rigorosos. Não podemos ceder à tentação de reescrever a história.

2012 é um ano complicado para a Europa, mas muito importante para Angola. Quais são os seus votos pessoais no que concerne às eleições que vão decorrer no país? Em que ponto este ato vai ser determinante para uma projeção internacional mais forte e de que forma influencia uma atividade tão importante como a Justiça?

Relativamente às eleições previstas para 2012, espero que decorram pacificamente – que não se gerem fatores de retrocesso no processo de paz - e que haja condições para o pleno exercício dos direitos políticos consagrados na Constituição: eleger e ser eleito, com tudo o que isso pressupõe em matéria de garantias do processo eleitoral. O modo como as eleições decorrerem será mais um teste à consolidação dos valores e das instituições democráticas em Angola e seguramente influenciará a imagem do país no contexto internacional. A justiça eleitoral é um segmento crítico, muito posto à prova nestes contextos e pode constituir o ponto nevrálgico das democracias em contextos de mudança.

Tenciona um dia regressar definitivamente à sua terra natal? Que mensagem gostaria de deixar aos seus compatriotas?

Todos os filhos tencionam regressar à imagem de amor das mães. A principal riqueza dos países é humana. São as suas mulheres e os seus homens. Os países podem ter toda a riqueza do mundo. Se não tiverem homens e mulheres à altura de a administrar com justiça e equidade ficarão diminuídos para sempre. Angola é um grande país.
Precisamos todos de estar à altura do país que somos. Do legado dos nossos antepassados. A capacitação técnica é indispensável, assim como é indispensável a participação cívica. É preciso educar para a cidadania, educar para a paz, educar para a justiça. A educação é, para mim, a chave de tudo. Ela gerará a competência, a autosuficiência e a harmonia.

Qual é para si o principal papel a desempenhar pelo cidadão comum na edificação da Nova Angola e quais os domínios mais importantes para que esse plano de desenvolvimento tenha sucesso?

Infelizmente, parece estar a gerar-se em alguns setores da sociedade angolana uma espécie de novo riquismo ostensivo e disparatado que exacerba tensões e engendra mau estar. Em muitos casos é fruto de níveis educacionais e culturais muito baixos e de referências modelares associadas ao individualismo, à ganância e à indiferença social. É preciso fazer atenção a este fenómeno pelo que ele tem de potencial desestruturação da coesão social e de fomentador da divisão e do ódio. Se a isto for associada a dificuldade de resolução de problemas sociais, pode estar a criar-se aqui uma mistura explosiva. Precisamos de dar mais de nós próprios. Do que somos e não do que temos. O ter pode ser episódico. Só o ser perdura. Não adianta termos muito e não termos condições para realizar a felicidade no nosso lugar.
Termos de morar fora, de buscar a saúde fora, de ter os filhos a estudar fora, de ter a família dividida, de nos refugiarmos do olhar cobiçoso dos que não entendem porquê que a fortuna lhes não chegou... E precisamos de dar mais atenção ao lado. Ao vizinho. Ao que não é amigo, mas existe. Como eu, como ser portador de tanta esperança e de tanto desejo de felicidade como eu. Os grandes países fazem-se de gente generosa. Gente capaz de dádiva e ávida de realização de promessas. E a nossa promessa coletiva é tornarmonos um grande país. Um grande país para todos. Não foi esse o grande projeto da independência?


(Extractos de uma entrevista de Francisca Van Dunem 'a Revista Angola'In - Marco 2012)


Post Relacionado:

Jurista Angolana Eleita Procuradora Distrital de Lisboa


*[Nao me passaram despercebidos alguns aparentes double entendres, mas... recorrendo a giria popular, "o que nao me atinge passa por baixo"... gostei de ler quand meme.]




O filósofo Friedrich Hegel diz que ‘a Justiça não é um dom gratuito da Natureza Humana, ela precisa ser conquistada sempre porque é uma eterna procura’. Concorda com este pensamento? Qual é para si a evolução mais importante para que se atinjam patamares, cada vez mais, elevados de Justiça nos diferentes domínios da sociedade?

A justiça é de facto uma eterna procura. A busca da perfeição, do equilíbrio, a demanda da felicidade. O reconhecimento da dignidade da pessoa humana, independentemente da sua condição, de sexo, de origem social, racial, económica ou outra, constituiu o mais importante marco histórico e é ainda a pedra de toque entre as sociedades justas e injustas.

À soberania do Homem sobre si mesmo chama-se liberdade. Ela é o cume e a igualdade é a base. Em que alicerces devem assentar as noções do novo ‘contrato social’ moderno face à relação entre a Sociedade e o Estado de Direito?

O contrato social moderno parte ainda necessariamente do pressuposto da liberdade e implica o reconhecimento da igualdade de todos perante o Estado e os seus sistemas de proteção (nos quais se integra o sistema de justiça) e no acesso a condições de vida dignas e de progresso social.

Afirmou a seguinte frase: ‘Cumpra-se, a vitória é certa!’ O que simboliza esta expressão e que sentimentos lhe desperta? Fazendo uma espécie de viagem ao passado recente, como analisa a evolução do país, sobretudo na última década pós Acordo de Paz?

A frase não é minha. É de um instrutor militar que tive, em 1975, quando a guerra às portas de Luanda nos mobilizou a todos para defender a cidade. Correspondia a uma lógica de obediência cega, obediência castrense, que é explicável num contexto militar e que obviamente rejeitava.
Entretanto, o país cresceu muito e cresce todos os dias. Sentem-se obviamente muitas diferenças, mas será preciso atualmente um olhar sobre o vetor desenvolvimento, já que os dois conceitos (crescimento e desenvolvimento) não são sinónimos.
Justifica-se um esforço no sentido da recuperação dos indicadores de 1974 em domínios como o saneamento básico, a educação ou a saúde.

Em 2007, é nomeada Procuradora-Geral Distrital de Lisboa. Considera esta ascensão professional natural ou resultado de muito esforço e trabalho? Desde então como tem evoluído o seu trabalho?

Penso que a minha nomeação para o cargo de Procuradora-Geral Distrital de Lisboa correspondeu ao reconhecimento de um trabalho coerente e consistente que vinha desenvolvendo como magistrada. Sem falsa modéstia, penso que continuo, na Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, a fazer umtrabalho de grande diferenciação, com resultados visíveis. Mas é preciso trabalhar, trabalhar sempre. Com disciplina, com constância, com rigor.

Há, cada vez mais, um domínio das mulheres na Justiça. Acredita que este fenómeno tem influência a nível sociológico e no desenvolvimento das decisões judiciárias, ou seja, uma justiça no feminino é diferente?

O facto de haver cada vez mais mulheres no mundo judiciário, mais mulheres na justiça, permite, pelo menos, incorporar melhor a visão de mais de metade da humanidade. Afinal, as mulheres são a metade do céu!

Descrevem-na como uma mulher resiliente e reservada, que participou na luta pela independência do seu país, mas que nunca se exalta e é contra a exposição. É dessa forma que se vê?

Não. Não é assim que me vejo. Considero- me uma pessoa bem-educada, formada com elevados padrões éticos e de exigência pessoal - e a aparência de reserva tem apenas a ver com isso – que, por essa razão, convive mal com a sobre-exposição instrumental da promoção pessoal. Julgo ter uma relação equilibrada com os media.


Qual é a influência que esta memória coletiva e pessoal teve no seu percurso e como a mudou enquanto mulher e profissional?

Dizer que participei na luta pela independência seria uma injúria a quantos nela efetivamente participaram, sacrificando projetos pessoais e, em muitos casos, dando a sua vida pelo ideal de restauração da dignidade da Nação Angolana. Tenho um enorme respeito por essas pessoas. Ainda hoje olho com estupefação para muitas outras que no período colonial assumiram a comodidade de uma vida sem sobressaltos ou até mesmo de compromisso expresso com o poder colonial e que, após a independência, ou no período que imediatamente a precedeu, apareceram como arautos da liberdade. É preciso sermos rigorosos. Não podemos ceder à tentação de reescrever a história.

2012 é um ano complicado para a Europa, mas muito importante para Angola. Quais são os seus votos pessoais no que concerne às eleições que vão decorrer no país? Em que ponto este ato vai ser determinante para uma projeção internacional mais forte e de que forma influencia uma atividade tão importante como a Justiça?

Relativamente às eleições previstas para 2012, espero que decorram pacificamente – que não se gerem fatores de retrocesso no processo de paz - e que haja condições para o pleno exercício dos direitos políticos consagrados na Constituição: eleger e ser eleito, com tudo o que isso pressupõe em matéria de garantias do processo eleitoral. O modo como as eleições decorrerem será mais um teste à consolidação dos valores e das instituições democráticas em Angola e seguramente influenciará a imagem do país no contexto internacional. A justiça eleitoral é um segmento crítico, muito posto à prova nestes contextos e pode constituir o ponto nevrálgico das democracias em contextos de mudança.

Tenciona um dia regressar definitivamente à sua terra natal? Que mensagem gostaria de deixar aos seus compatriotas?

Todos os filhos tencionam regressar à imagem de amor das mães. A principal riqueza dos países é humana. São as suas mulheres e os seus homens. Os países podem ter toda a riqueza do mundo. Se não tiverem homens e mulheres à altura de a administrar com justiça e equidade ficarão diminuídos para sempre. Angola é um grande país.
Precisamos todos de estar à altura do país que somos. Do legado dos nossos antepassados. A capacitação técnica é indispensável, assim como é indispensável a participação cívica. É preciso educar para a cidadania, educar para a paz, educar para a justiça. A educação é, para mim, a chave de tudo. Ela gerará a competência, a autosuficiência e a harmonia.

Qual é para si o principal papel a desempenhar pelo cidadão comum na edificação da Nova Angola e quais os domínios mais importantes para que esse plano de desenvolvimento tenha sucesso?

Infelizmente, parece estar a gerar-se em alguns setores da sociedade angolana uma espécie de novo riquismo ostensivo e disparatado que exacerba tensões e engendra mau estar. Em muitos casos é fruto de níveis educacionais e culturais muito baixos e de referências modelares associadas ao individualismo, à ganância e à indiferença social. É preciso fazer atenção a este fenómeno pelo que ele tem de potencial desestruturação da coesão social e de fomentador da divisão e do ódio. Se a isto for associada a dificuldade de resolução de problemas sociais, pode estar a criar-se aqui uma mistura explosiva. Precisamos de dar mais de nós próprios. Do que somos e não do que temos. O ter pode ser episódico. Só o ser perdura. Não adianta termos muito e não termos condições para realizar a felicidade no nosso lugar.
Termos de morar fora, de buscar a saúde fora, de ter os filhos a estudar fora, de ter a família dividida, de nos refugiarmos do olhar cobiçoso dos que não entendem porquê que a fortuna lhes não chegou... E precisamos de dar mais atenção ao lado. Ao vizinho. Ao que não é amigo, mas existe. Como eu, como ser portador de tanta esperança e de tanto desejo de felicidade como eu. Os grandes países fazem-se de gente generosa. Gente capaz de dádiva e ávida de realização de promessas. E a nossa promessa coletiva é tornarmonos um grande país. Um grande país para todos. Não foi esse o grande projeto da independência?


(Extractos de uma entrevista de Francisca Van Dunem 'a Revista Angola'In - Marco 2012)


Post Relacionado:

Jurista Angolana Eleita Procuradora Distrital de Lisboa


*[Nao me passaram despercebidos alguns aparentes double entendres, mas... recorrendo a giria popular, "o que nao me atinge passa por baixo"... gostei de ler quand meme.]

Thursday, 5 April 2012

Dia da Paz: Um Discurso - Dois "Registos"





JES Dixit...

"Os direitos de todos e de cada um devem ser respeitados e tidos sempre em consideração.

Não devemos introduzir no nosso jogo político e democrático o princípio do "vale tudo".

Na política não vale tudo, nem todos os actos e factos são admitidos, sobretudo quando lesam a reputação, o bom nome e a integridade moral e física de outras pessoas. A difamação, a calúnia e a ameaça de morte são crimes e não devem de modo algum ser usados como meios de disputa ou luta política.

Exorto, por isso, a todos os cidadãos, partidos políticos, organizações da Sociedade Civil e instituições do Estado a adoptarem uma postura responsável e construtiva no exercício da diversidade e liberdade de opinião, que são pressupostos básicos da vida em democracia."

[AQUI]



... SE A FALTA DE VERGONHA NA CARA MATASSE!!!...



"(...) Na política não se podem agredir os adversários nem com difamações e muito menos com barras de ferro. Na política não se pode insultar a mãe e a mulher do outro, nem se podem partir braços e amolgar cabeças. Na política as ameaças de morte tão em voga entre nós, não podem continuar a ser usadas como tem acontecido até agora por conhecidos agentes da nossa praça, que de facto têm alguma capacidade de executarem tais propósitos. Sinceramente não acredito que alguém fique com medo de mim se por acaso ouvir da minha boca uma tal ameaça, porque sabe que eu não tenho qualquer poder. As ameaças que realmente atemorizam e intimidam são aquelas que são pronunciadas por pessoas que têm poder ou estão perto dele. Se hoje alguém da oposição me ameaçar de morte ainda sou capaz de me rir e de o mandar dar uma volta ao bilhar grande, mas se a mesma ameaça for feita por alguém ligado ao partido no poder de certeza que não acharei tanta piada e sou capaz de passar a noite a pensar no assunto..."

[Reginaldo Silva na Internet]


KURIBOTA

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Tanto falaste de mim
tantos ditos e malditos
quizeste vender minha alma
em troca do dinheiro
quizeste vender minha vida
em troca do teu bem estar

Kuribota!

Falas mal de uma mulher
sem lhe conheceres sequer
falas mal de um bom amigo
ja' nao sabes sequer
quem bem te quer

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Waldemar Bastos


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REGINALDO SILVA: UM KRIMINOSO MUITO ESPECIAL

QUEIXA CRIME CONTRA REGINALDO SILVA

Reality Bites...

BULLIES!!!...





JES Dixit...

"Os direitos de todos e de cada um devem ser respeitados e tidos sempre em consideração.

Não devemos introduzir no nosso jogo político e democrático o princípio do "vale tudo".

Na política não vale tudo, nem todos os actos e factos são admitidos, sobretudo quando lesam a reputação, o bom nome e a integridade moral e física de outras pessoas. A difamação, a calúnia e a ameaça de morte são crimes e não devem de modo algum ser usados como meios de disputa ou luta política.

Exorto, por isso, a todos os cidadãos, partidos políticos, organizações da Sociedade Civil e instituições do Estado a adoptarem uma postura responsável e construtiva no exercício da diversidade e liberdade de opinião, que são pressupostos básicos da vida em democracia."

[AQUI]



... SE A FALTA DE VERGONHA NA CARA MATASSE!!!...



"(...) Na política não se podem agredir os adversários nem com difamações e muito menos com barras de ferro. Na política não se pode insultar a mãe e a mulher do outro, nem se podem partir braços e amolgar cabeças. Na política as ameaças de morte tão em voga entre nós, não podem continuar a ser usadas como tem acontecido até agora por conhecidos agentes da nossa praça, que de facto têm alguma capacidade de executarem tais propósitos. Sinceramente não acredito que alguém fique com medo de mim se por acaso ouvir da minha boca uma tal ameaça, porque sabe que eu não tenho qualquer poder. As ameaças que realmente atemorizam e intimidam são aquelas que são pronunciadas por pessoas que têm poder ou estão perto dele. Se hoje alguém da oposição me ameaçar de morte ainda sou capaz de me rir e de o mandar dar uma volta ao bilhar grande, mas se a mesma ameaça for feita por alguém ligado ao partido no poder de certeza que não acharei tanta piada e sou capaz de passar a noite a pensar no assunto..."

[Reginaldo Silva na Internet]


KURIBOTA

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Tanto falaste de mim
tantos ditos e malditos
quizeste vender minha alma
em troca do dinheiro
quizeste vender minha vida
em troca do teu bem estar

Kuribota!

Falas mal de uma mulher
sem lhe conheceres sequer
falas mal de um bom amigo
ja' nao sabes sequer
quem bem te quer

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
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kuribota, kuribota
finjido!

Waldemar Bastos


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Wednesday, 4 April 2012

"MANIFESTO PELO DIREITO A VIDA" [R]* - CORRIGIDO





I had initially written this as a comment to this post but, on good advice, decided to post it separately. Because it is never enough to stress the importance, relevance and accuracy of messages like Malavoloneke’s here, I must do just that: stress it!
But, let’s not make any mistakes: I am also a good friend of Fernando’s.
With him I shared the anguishes that led many Angolan students in Portugal to bring about a “Manifesto for the Right to Live”, for which we went door to door to collect thousands of signatures from the Angolan community and friends of Angola in Portugal and held a well attended vigil in one of Lisbon’s main squares, which counted with such references of our national culture as Raul Indipwo, his own father, Jorge Macedo, and others, calling for a halt to the hostilities that followed the 1992 elections and for a lasting peace and true democracy in our country.
Supporting him I was, a few months later, in the hunger strike he and other Angolan students held in front of the Angolan Embassy in Lisbon to protest at the victimisation students were being subjected to as a result of the intolerance and political violence that marked those times in our national life. With him I traveled, some time later, to Brussels, to spread our message and express our desire for peace at the headquarters of the European Union. To him I suggested, a few years later in Luanda, when he asked my opinion about it, that it would be better for him to go to pursue his studies and leave the political/civic struggles aside for a while – this particular episode happened when he was working in the same office as Rafael Marques, under the auspices of the Open Society, and it would be particularly interesting to observe the evolution Marques’ relationship with that organisation had in more recent years...
For him I was happy when he let me know some time later that he was in Boston post-graduating in Law. To him go my praises for all the courage and strength he shows in fighting for Justice, Peace and Democracy in our country!
However… however, in this occasion, I subscribe to Malavoloneke’s message to him. And deep down in my heart I believe that Fernando also subscribes to it, at least for this once. For this peace we so longed for. For that right to live that we called for so earthly sixteen years ago! And that message was and is very simple:

GIVE PEACE A CHANCE!



2. While I was living those moments with Fernando, I was also sharing (or had shared) momentous experiences with such ‘Mais Velhos’ from our country’s political history as Mario Pinto de Andrade, Manuel Lima and Daniel Chipenda (it was straight from this late Angolan nationalist's family home that I left, totally exhausted spiritually and psychologically, more than a decade ago, Lisbon to London, where I’ve been based ever since to rebuild, literally piece by piece, my then totally shattered life and from where I’ve been trying to give whatever contribution I can to our country and to our continent, until I can finally return home without fears of seeing my life shattered all over again for whatever reason – it is thus to protect my ‘right to live’ that I am forced, again, to stay abroad for a while longer. You see, unlike others, no matter what passport we may be using, we cannot disguise or conceal our identity: it is imprinted in our skin, our mind, our memory, our soul, our diction, our culture).

With them and others, I learned many of the lessons they had accumulated along about half a century of struggles for liberation, peace and development in Africa. Through them I’ve learned something essential about ourselves: for all the differences in their individual trajectories and standings in the nationalist movement, there was one commonality – our future can only be dictated by our own past, culture and history.
It was from them, among others, and from my own life experiences prior and after meeting them, that I got this sense of just how right Malavoloneke is in saying: “Therefore, I would like you to understand that we all need ways out. Ways out that have also to be ways of hope. Ways of hope that do not need to be necessarily perfect, they just need to be necessarily ours. Created by us with the limitations that we have, created in our own context with our own specificities and created for our land with the adaptations that they might require, but not imposed by a theoretical script from any western country.”
It was what I learned from them (and, to be perfectly accurate, before them, with my father and grandparents) that helped me make sense, particularly looking at my own life, not just of the letters from Unita and Mpla militants that I’ve reproduced here but, above all, of the passages from Douglass North’s Economics Nobel Prize Lecture, which I placed in the comment’s space to this post.




*[Postado inicialmente a 01/09/08 - repostado a proposito do "DIA DA PAZ EM ANGOLA"]


POST RELACIONADO:

Ecos de Uma Guerra que (ainda?!) nao Acabou...


CORRECCAO:

Eis uma correccao que (antes tarde do que nunca…) se me impoe:

No texto acima menciono o Fernando Macedo como tendo participado no movimento dos estudantes ‘a volta daquele manifesto – que obteve mais de 5 mil assinaturas de Angolanos e Amigos de Angola em Portugal e o apoio de muitos compatriotas nossos no interior do pais e na diaspora e culminou numa vigilia com musica cantada na Praca da Figueira em Lisboa.

Devo, no entanto, sem com isto pretender de modo nenhum menosprezar o activismo estudantil do Fernando Macedo naquela altura, corrigir esse lapso: o Fernando Macedo, tanto quanto me lembro, nao esteve envolvido, pelo menos directamente, naquele movimento. O “Manifesto” foi escrito em minha casa, por mim com a contribuicao de outros estudantes que la’ comigo se reuniam. Nao tenho memoria de o Fernando alguma vez ter estado em minha casa em Lisboa, nem de ter participado nas nossas reunioes – talvez apenas porque ele se encontrava a estudar em Braga, se bem me recordo.

O pai dele, o falecido Jorge Macedo, esse sim, numa fase posterior, quando nos os estudantes ja’ tinhamos praticamente tudo feito, juntou-se a algumas das nossas reunioes, tal como alguns outros mais-velhos, como o Raul Indipwo – que tambem cantou na Praca da Figueira no dia da vigilia.

As minhas desculpas ao Fernando, mas o meu lapso ficou a dever-se ao facto de a minha memoria sobre os meus ultimos anos em Portugal apenas agora se estar gradualmente a reconstruir.

APS

P.S.: Ja’ agora, agradeco a quem porventura tenha uma copia do “Manifesto” que me a envie por email. Agradecimentos antecipados.




I had initially written this as a comment to this post but, on good advice, decided to post it separately. Because it is never enough to stress the importance, relevance and accuracy of messages like Malavoloneke’s here, I must do just that: stress it!
But, let’s not make any mistakes: I am also a good friend of Fernando’s.
With him I shared the anguishes that led many Angolan students in Portugal to bring about a “Manifesto for the Right to Live”, for which we went door to door to collect thousands of signatures from the Angolan community and friends of Angola in Portugal and held a well attended vigil in one of Lisbon’s main squares, which counted with such references of our national culture as Raul Indipwo, his own father, Jorge Macedo, and others, calling for a halt to the hostilities that followed the 1992 elections and for a lasting peace and true democracy in our country.
Supporting him I was, a few months later, in the hunger strike he and other Angolan students held in front of the Angolan Embassy in Lisbon to protest at the victimisation students were being subjected to as a result of the intolerance and political violence that marked those times in our national life. With him I traveled, some time later, to Brussels, to spread our message and express our desire for peace at the headquarters of the European Union. To him I suggested, a few years later in Luanda, when he asked my opinion about it, that it would be better for him to go to pursue his studies and leave the political/civic struggles aside for a while – this particular episode happened when he was working in the same office as Rafael Marques, under the auspices of the Open Society, and it would be particularly interesting to observe the evolution Marques’ relationship with that organisation had in more recent years...
For him I was happy when he let me know some time later that he was in Boston post-graduating in Law. To him go my praises for all the courage and strength he shows in fighting for Justice, Peace and Democracy in our country!
However… however, in this occasion, I subscribe to Malavoloneke’s message to him. And deep down in my heart I believe that Fernando also subscribes to it, at least for this once. For this peace we so longed for. For that right to live that we called for so earthly sixteen years ago! And that message was and is very simple:

GIVE PEACE A CHANCE!



2. While I was living those moments with Fernando, I was also sharing (or had shared) momentous experiences with such ‘Mais Velhos’ from our country’s political history as Mario Pinto de Andrade, Manuel Lima and Daniel Chipenda (it was straight from this late Angolan nationalist's family home that I left, totally exhausted spiritually and psychologically, more than a decade ago, Lisbon to London, where I’ve been based ever since to rebuild, literally piece by piece, my then totally shattered life and from where I’ve been trying to give whatever contribution I can to our country and to our continent, until I can finally return home without fears of seeing my life shattered all over again for whatever reason – it is thus to protect my ‘right to live’ that I am forced, again, to stay abroad for a while longer. You see, unlike others, no matter what passport we may be using, we cannot disguise or conceal our identity: it is imprinted in our skin, our mind, our memory, our soul, our diction, our culture).

With them and others, I learned many of the lessons they had accumulated along about half a century of struggles for liberation, peace and development in Africa. Through them I’ve learned something essential about ourselves: for all the differences in their individual trajectories and standings in the nationalist movement, there was one commonality – our future can only be dictated by our own past, culture and history.
It was from them, among others, and from my own life experiences prior and after meeting them, that I got this sense of just how right Malavoloneke is in saying: “Therefore, I would like you to understand that we all need ways out. Ways out that have also to be ways of hope. Ways of hope that do not need to be necessarily perfect, they just need to be necessarily ours. Created by us with the limitations that we have, created in our own context with our own specificities and created for our land with the adaptations that they might require, but not imposed by a theoretical script from any western country.”
It was what I learned from them (and, to be perfectly accurate, before them, with my father and grandparents) that helped me make sense, particularly looking at my own life, not just of the letters from Unita and Mpla militants that I’ve reproduced here but, above all, of the passages from Douglass North’s Economics Nobel Prize Lecture, which I placed in the comment’s space to this post.




*[Postado inicialmente a 01/09/08 - repostado a proposito do "DIA DA PAZ EM ANGOLA"]


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Ecos de Uma Guerra que (ainda?!) nao Acabou...


CORRECCAO:

Eis uma correccao que (antes tarde do que nunca…) se me impoe:

No texto acima menciono o Fernando Macedo como tendo participado no movimento dos estudantes ‘a volta daquele manifesto – que obteve mais de 5 mil assinaturas de Angolanos e Amigos de Angola em Portugal e o apoio de muitos compatriotas nossos no interior do pais e na diaspora e culminou numa vigilia com musica cantada na Praca da Figueira em Lisboa.

Devo, no entanto, sem com isto pretender de modo nenhum menosprezar o activismo estudantil do Fernando Macedo naquela altura, corrigir esse lapso: o Fernando Macedo, tanto quanto me lembro, nao esteve envolvido, pelo menos directamente, naquele movimento. O “Manifesto” foi escrito em minha casa, por mim com a contribuicao de outros estudantes que la’ comigo se reuniam. Nao tenho memoria de o Fernando alguma vez ter estado em minha casa em Lisboa, nem de ter participado nas nossas reunioes – talvez apenas porque ele se encontrava a estudar em Braga, se bem me recordo.

O pai dele, o falecido Jorge Macedo, esse sim, numa fase posterior, quando nos os estudantes ja’ tinhamos praticamente tudo feito, juntou-se a algumas das nossas reunioes, tal como alguns outros mais-velhos, como o Raul Indipwo – que tambem cantou na Praca da Figueira no dia da vigilia.

As minhas desculpas ao Fernando, mas o meu lapso ficou a dever-se ao facto de a minha memoria sobre os meus ultimos anos em Portugal apenas agora se estar gradualmente a reconstruir.

APS

P.S.: Ja’ agora, agradeco a quem porventura tenha uma copia do “Manifesto” que me a envie por email. Agradecimentos antecipados.

Tuesday, 3 April 2012

NOTED...


(...)

DW África: Os recursos naturais que abundam em Angola, como o petróleo e os diamantes, são uma bênção ou uma maldição para o país?

MW: Em África, geralmente é dito que os recursos naturais são uma maldição. Mas também temos exemplos positivos no mundo, tal como a Noruega, que é o caso mais citado. Também na África temos exemplos bons, como o Botsuana, e também alguns dos novos produtores de petróleo e gás. Há uma base boa para que os recursos naturais sejam uma bênção.

Agora, o que todos esses paises têm em comum são instituiões fortes e independentes - em relação às pessoas que estão no poder e a outros interesses privados. Então, para Angola assegurar que os recursos naturais sejam uma bênção, tem que investir nas instituições do Estado de Direito do país para criar um ambiente onde as instituições independentes possam dar o quadro onde os recursos naturais estão a ser extraídos para o bem público e não para os interesses privados.

(...)

[Markus Weimer - Chatham House, aqui]

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"Angola, Petroleo e Economia Post-Conflito: Que Fazer?"

Oil Game: The Scramble for Africa's Black Gold


(...)

DW África: Os recursos naturais que abundam em Angola, como o petróleo e os diamantes, são uma bênção ou uma maldição para o país?

MW: Em África, geralmente é dito que os recursos naturais são uma maldição. Mas também temos exemplos positivos no mundo, tal como a Noruega, que é o caso mais citado. Também na África temos exemplos bons, como o Botsuana, e também alguns dos novos produtores de petróleo e gás. Há uma base boa para que os recursos naturais sejam uma bênção.

Agora, o que todos esses paises têm em comum são instituiões fortes e independentes - em relação às pessoas que estão no poder e a outros interesses privados. Então, para Angola assegurar que os recursos naturais sejam uma bênção, tem que investir nas instituições do Estado de Direito do país para criar um ambiente onde as instituições independentes possam dar o quadro onde os recursos naturais estão a ser extraídos para o bem público e não para os interesses privados.

(...)

[Markus Weimer - Chatham House, aqui]

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Wednesday, 28 March 2012

Gostei de Ler [5]



(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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Bullies!!!...

Sobre o Estado da Nacao

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Angola: When Increasing Wealth Doesn't Trickle Down

Para Angola Rapidamente e em Forca

Ecos da Vitoria de Obama no SA

'It's The Economy, Stupid!'

"Segundo Um Novo Relatorio do Banco Mundial"...

Falando de Intelectualismos [II]

Angola: Pais Xenofobo?

Conferencia Internacional sobre Cultura Tchokwe'

Gostei de Ler (?)... [3]



(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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Gostei de Ler (?)... [3]

Tuesday, 20 March 2012

Thursday, 15 March 2012

Noticias do Meu Pais...[*]






"Eu, Abel Chivukuvuku, estou disponível. Estou pronto!", proclamou perante dezenas de pessoas que encheram uma sala de um hotel na capital angolana, sublinhando a necessidade de os eleitores "abrirem em 2012 uma nova página" da história de Angola.

Sozinho, à frente de um cartaz em que se lia "Servir Angola, Servir os Angolanos", Abel Chivukuvuku leu uma declaração política, sem direito a perguntas, em que explicou por que razão abandona a UNITA, onde militou ao longo de 38 anos e propõe a CASA, que denominou como "casa comum para todos os angolanos".

"Neste ano de 2012 é preciso mudar (...) Para aqueles angolanos, que apesar de descontentes com a realidade atual do nosso país, vivem a angústia de terem que se submeter às lealdades partidárias, mesmo quando não concordam, nós propomos a terceira via. Quem não encontra espaço de realização nos extremos que se junte a nós no espaço patriótico que representa o centro", apelou.

Ao longo de cerca de 30 minutos, com citações de Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Abraham Lincoln, Abel Chivukuvuku declarou sair da UNITA porque não pode "negar à pátria e ao povo angolano" a sua prestação "para o potenciamento de uma oportunidade, a criação de uma vida melhor, uma nova esperança, uma nova luz, para a realização do nosso sonho angolano".

[Aqui]


[*] ... Boas!

Quanto mais nao seja pelo nome, CASA, que se espera seja suficientemente ampla para acomodar este tipo de Ka(u)sas...


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A Tarefa de Substituir JES

Da "ditadura da idade"...






"Eu, Abel Chivukuvuku, estou disponível. Estou pronto!", proclamou perante dezenas de pessoas que encheram uma sala de um hotel na capital angolana, sublinhando a necessidade de os eleitores "abrirem em 2012 uma nova página" da história de Angola.

Sozinho, à frente de um cartaz em que se lia "Servir Angola, Servir os Angolanos", Abel Chivukuvuku leu uma declaração política, sem direito a perguntas, em que explicou por que razão abandona a UNITA, onde militou ao longo de 38 anos e propõe a CASA, que denominou como "casa comum para todos os angolanos".

"Neste ano de 2012 é preciso mudar (...) Para aqueles angolanos, que apesar de descontentes com a realidade atual do nosso país, vivem a angústia de terem que se submeter às lealdades partidárias, mesmo quando não concordam, nós propomos a terceira via. Quem não encontra espaço de realização nos extremos que se junte a nós no espaço patriótico que representa o centro", apelou.

Ao longo de cerca de 30 minutos, com citações de Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Abraham Lincoln, Abel Chivukuvuku declarou sair da UNITA porque não pode "negar à pátria e ao povo angolano" a sua prestação "para o potenciamento de uma oportunidade, a criação de uma vida melhor, uma nova esperança, uma nova luz, para a realização do nosso sonho angolano".

[
Aqui]


[*] ... Boas!

Quanto mais nao seja pelo nome, CASA, que se espera seja suficientemente ampla para acomodar este tipo de Ka(u)sas...


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Wednesday, 14 March 2012

About the 'Kony 2012' Phenomenon [Updated]*





As I was musing about the issue of “child soldiers” in the Angolan context – first here some weeks ago and here in the last few days – I was totally unaware of the global phenomenon the video below by charity Invisible Children (IC) on Joseph Kony and the Lord's Resistance Army (LRA) in Uganda has recently become, first on the social media and then on mainstream media, rising up the the American Congress and the Internacional Criminal Court.

I heard about it for the first time yesterday on this programme at BBC Radio 3, where a Ugandan journalist made a number of critical points to dispel the prevailing notion that this is a one-dimensional problem and urged the IC campaigners to dig deeper in their research and place the blame where it really belongs (if not entirely, at least shared with Joseph Kony and the LRA): on Yoweri Museveni and the Ugandan Army.

He also brought to the fore the ethnic dimensions of the problem, e.g. how the North of the country, where the LRA has its stronghold, has been historically ‘segregated’ from the rest of the country. That ‘segregationism’, he argued, takes such forms as naming a so far unexplained disease that has been ravaging the country “the Northern disease” for no other reason than that there is no known cure for it. Which led me to draw a parallel to the ‘stigma’ attached to the North of Angola over the past decade for a number of outbreaks of strange or unexplained diseases in that part of the country and also to the ethnic dimension of the Angolan war – something strongly dismissed by the official line, as recently stressed by President Jose’ Eduardo dos Santos and an Angolan journalist, both quoted here .

But the controversy sparked by the IC video and ongoing campaign doesn’t stop there and I am just catching up with it – a particularly interesting article on the issue can be found here .

Also of not are Mahmood Mamdani's views on the issue:

"The 70 million plus who have watched the Invisible Children video need to realise that the LRA – both the leaders and the children pressed into their service – are not an alien force but sons and daughters of the soil. The solution is not to eliminate them physically, but to find ways of integrating them into (Ugandan) society.
Those in the Ugandan and the US governments – and now apparently the owners of Invisible Children – must bear responsibility for regionalising the problem as the LRA and, in its tow, the Ugandan army and US advisors criss-cross the region, from Uganda to DRC to CAR. Yet, at its core the LRA remains a Ugandan problem calling for a Ugandan political solution."
[Here]


KONY 2012 from INVISIBLE CHILDREN on Vimeo.






*Update - 17/03/2012


After catching up with the full story, pondering all the arguments and balancing out the pros and cons, I decided to support the 'Kony 2012' campaign. It became, over and above its political dimensions, a matter of conscience for me.





As I was musing about the issue of “child soldiers” in the Angolan context – first here some weeks ago and here in the last few days – I was totally unaware of the global phenomenon the video below by charity Invisible Children (IC) on Joseph Kony and the Lord's Resistance Army (LRA) in Uganda has recently become, first on the social media and then on mainstream media, rising up the the American Congress and the Internacional Criminal Court.

I heard about it for the first time yesterday on this programme at BBC Radio 3, where a Ugandan journalist made a number of critical points to dispel the prevailing notion that this is a one-dimensional problem and urged the IC campaigners to dig deeper in their research and place the blame where it really belongs (if not entirely, at least shared with Joseph Kony and the LRA): on Yoweri Museveni and the Ugandan Army.

He also brought to the fore the ethnic dimensions of the problem, e.g. how the North of the country, where the LRA has its stronghold, has been historically ‘segregated’ from the rest of the country. That ‘segregationism’, he argued, takes such forms as naming a so far unexplained disease that has been ravaging the country “the Northern disease” for no other reason than that there is no known cure for it. Which led me to draw a parallel to the ‘stigma’ attached to the North of Angola over the past decade for a number of outbreaks of strange or unexplained diseases in that part of the country and also to the ethnic dimension of the Angolan war – something strongly dismissed by the official line, as recently stressed by President Jose’ Eduardo dos Santos and an Angolan journalist, both quoted here .

But the controversy sparked by the IC video and ongoing campaign doesn’t stop there and I am just catching up with it – a particularly interesting article on the issue can be found here .

Also of not are Mahmood Mamdani's views on the issue:

"The 70 million plus who have watched the Invisible Children video need to realise that the LRA – both the leaders and the children pressed into their service – are not an alien force but sons and daughters of the soil. The solution is not to eliminate them physically, but to find ways of integrating them into (Ugandan) society.
Those in the Ugandan and the US governments – and now apparently the owners of Invisible Children – must bear responsibility for regionalising the problem as the LRA and, in its tow, the Ugandan army and US advisors criss-cross the region, from Uganda to DRC to CAR. Yet, at its core the LRA remains a Ugandan problem calling for a Ugandan political solution."
[Here]


KONY 2012 from INVISIBLE CHILDREN on Vimeo.






*Update - 17/03/2012


After catching up with the full story, pondering all the arguments and balancing out the pros and cons, I decided to support the 'Kony 2012' campaign. It became, over and above its political dimensions, a matter of conscience for me.

Saturday, 10 March 2012

Ecos de uma Guerra que (ainda?!) nao acabou... (Actualizado)




... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" (... de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao,  nem manifestacoes e greves de fome de estudantes em frente 'as "nossas embaixadas", nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes...) para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia" por terem tido o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam"!...



... Ou ainda, de algumas "medidas de caracter profilatico" para a geracao Rejeitada, Perdida e Mordida pela "raiva mal contida" de todos os Mad Dogs of War: dos "Nos os que lutamos!" (mesmo que nao tenham lutado!), aos "Nos os que ficamos!" (mesmo que nao tenham ficado!), passando pelos "Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que nunca o tenham sido!) ...


(…)

Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.

Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.

Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.

Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.

Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."

JES
[aqui]


COMENTARIO:

Isto lembra-me do recentemente aqui abordado "que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" da autoria de alguem com o "poder real" que a posicao de membro do 'circulo restrito' dos conselheiros de JES lhe confere... e de "umazinha" estoria que ouvi na mansao de cinco empregados e outros tantos carros da "minha amiga" na ultima vez que la' estive, sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...

... O que, penosamente, me invocou a memoria daquele periodo duro em Luanda em que, durante cerca de 3 anos, eu e o meu filho, excepto quando podiamos recorrer a mesa ou a arca frigorifica do Tio Pepe ou do nosso amigo Victor Alexandre, raramente tinhamos outras “iguarias” para comer excepto cabecas de carapau!...

E isso num periodo em que os filhinhos de papai e de mamae, e os eternos betinhos da Vila Alice, que hoje se arrogam a suprema falta de pudor e de caracter de virem a praca publica acusar-me das coisas mais disparatadamente abominaveis e proclamar que "lhes devo tudo o que sou na vida", ou que "me conhecem e 'a minha vida privada melhor do que eu propria(!)", nem sequer se dignavam dirigir-me palavra!... Tendo continuado ao longo dos anos a manter para comigo os comportamentos que descrevo no comentario a este post e agora prosseguem fazendo muita questao de "fingir" que nao leem este blog!...

Mas, naquele periodo, aconteceu uma vez um pequeno “milagre”: um dia pedi boleia com o meu filho a um militar (por sinal mestico) do Kinaxixi para a Xicala. Ele levou-nos e, postos la’, ofereceu-se para nos ir buscar mais tarde e dar-nos de novo boleia para casa, o que aceitei. E assim foi: levou-nos para casa e ficou a saber onde moravamos, embora eu nao o tivesse convidado a entrar. No dia seguinte apareceu-me a porta, fardado como no dia anterior, com uma caixa de mantimentos: arroz, leite, oleo, sabao, etc... Fiquei sem palavras! Ele disse-me que “nao tinha nada que agradecer” e foi-se embora...
Nunca mais o vi, nao me lembro do nome dele e espero apenas que, caso nao tenha morrido ou enlouquecido numa qualquer frente de combate e caso venha a ler isto, saiba que eu nunca me esqueci!...
E como poderia?! Aqueles eram dias em que o guarda do talho do Kinaxixi onde de vez enquando ‘saia’ frangos e ovos, um dia, depois de eu ter aguentado a bicha e os empurroes durante horas, disse-me que “nao me deixava entrar se eu nao fosse para a cama com ele”!!! O mesmo tendo acontecido com o da loja da carne (nem sequer era talho...), onde uma vez por semana ia de madrugada por a minha pedra na bicha, muitas vezes para que outras pessoas passassem a minha frente e no fim acabar por voltar para casa de maos a abanar!...

Claro que nunca fui para a cama com nenhum deles (... a verdade e’ que nunca fui para a cama com homem nenhum em troca do que quer que seja e o facto e’ que nenhum homem, morto ou vivo, ate’ hoje pode dizer que me deu o que quer que seja – e muito menos dinheiro ou qualquer bem material – em troca do que quer que seja!...) e, em ambos os casos, voltei para casa com nada mais do que um misto de incontidas lagrimas de humilhacao mais "revolta e uma vontade grande ter ter respostas"!...

E, ja’ agora, porque umas memorias levam a outras, deixo aqui o registo daquele amigo que tambem nos deu algumas vezes boleia para a praia e que, no Natal de 83/84 nos convidou, a mim e ao meu filho, a passarmos a consoada em sua casa, num dos predios no cimo da Cabral Moncada, com a mulher e os filhos dele – desculpem ter-me esquecido do vosso nome, mas ao casal (por sinal mestico/branca): mais uma vez muito obrigada!

E porque se fala tanto nos "que foram para fora estudar", deixo aqui este registo sobre a minha ida para Portugal como 'pobre e insignificante' estudante bolseira do INABE, sendo que o 'criatura rejeitada' ate' vem bem a proposito, porque a verdade dos factos e' que:

A minha primeira candidatura a bolsa no ano lectivo 1983/84 foi rejeitada, tendo-me sido dito que "nao tinha sido aprovada pelo Departamento de Quadros do Partido". Encontrava-se entao a frente do INABE Francisca do Espirito Santo (FES).

Perante aquela recusa, no ano lectivo seguinte (1984/85) a minha tia pediu especialmente a Manuel Quarta Punza - que conhecia bem a minha familia e a mim em particular de quando ele tinha sido Comissario Provincial do Uige e eu tinha ficado hospedada em sua casa numa minha ida aquela provincia em missao de servico da JMPLA - ajuda para desbloquear a situacao. Este intercedeu junto de um outro responsavel do INABE (por sinal de origem Bakongo) e so' entao a minha candidatura foi aprovada.

Fui entao a Portugal em meados de 1985 na expectativa de comecar o curso naquele ano, mas posta la' confrontei-me com o facto de que, ao contrario de todos os outros bolseiros para aquele ano, nao havia qualquer 'record' da aprovacao da minha bolsa, nem na Embaixada de Angola, nem na Secretaria de Estado da Cooperacao Portuguesa... Tive entao que regressar novamente a Angola para, junto do INABE, resolver a questao e so' assim, no final daquele ano, pude comecar os meus estudos em Portugal com a tal bolsa de #50 angolares e porrada se refilares# literalmente arrancada a ferros!...

E... depois disso ainda tive que enfrentar isto!... E... agora mais isto:

(...) [*] Essa logica torna-se mais complexa ainda quando o poder politico (que aqui se confunde com o estado, ou nao estivessemos em presenca de um "partido-estado" no poder...) se julga e se comporta como "proprietario", nao so' do pais e de todos os seus recursos e riquezas, como tambem de "todo o mundo" que nasceu, cresceu ou viveu sob 'a sua bandeira' (embora se permita votar ao abandono absoluto o 'pioneiro' que pela primeira vez icou tal bandeira!...) , e muito particularmente dos "estudantes bolseiros" que, implicita e explicitamente, assume que "jamais teriam uma formacao media ou superior" nao fossem as suas (famigeradas porque discricionarias, discriminatorias, mal geridas, desencaminhadas, desviadas e, por entre doses de manipulacao, humilhacao e chantagem politica e emocional q.b., em muitos casos, pouco mais do que, a varios titulos, destrutivas!) "bolsas de estudo"... enquanto "os que ficaram" tudo fazem para os estigmatizar e discriminar relativamente a auto-proclamada e novo-enriquecida "prata da casa"!...

Uma logica que, claramente, nao ve o estado (e o partido politico que o detem/sustenta) como "pessoa de bem" para todos e nao apenas para alguns - os "da sua familia, compadrio, confianca, amizade, militancia e/ou conveniencia" - certamente nao para aquela/es que tiveram a veleidade e o "atrevimento politico" de se expressarem e manifestarem a favor da paz "quando nao deviam"!

Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"! Era desse processo que falava, ha' uns tempos, aqui...

Uma realidade, alias, que, curiosamente, foi tambem assinalada nesse tipo de processos de "construcao social" em Cuba, como aqui se pode constatar: "(...) Ferrer points out that this system was also designed to encourage the subservience, indebtedness and gratitude of former slaves to the rebel leaders. While it certainly had this effect, libertos also seized the revolutionary language of freedom, liberty, and justice to demand a more inclusive role in the anti-colonial struggle."

[Aqui]

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para ESTA outra historia - umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes dos disparos das armas que FAPLA e FA(P)LA "justa e honestamente" comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas aqui e aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi... et pourtant!... Ou ainda, de como, no imediato pos-guerra (... ou mesmo ainda antes disso?...) se estabeleceram estreitas relacoes de cooperacao entre os exercitos Angolano e Sul-Africano, enquanto "pobres e insignificantes criaturas rejeitadas" como eu continuam a ser acusadas de "crimes de lesa-patria" e a ser linchadas em praca publica por terem tido o "atrevimento politico" de ir, contratados e pagos pela UE, trabalhar para a SADC com representantes de "paises inimigos" como as Mauricias e a Africa do Sul "sem autorizacao do governo de Angola"!...

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"!...

Nao chegou a apropriacao dos espolhos da guerra e dos dividendos da paz: a partilha das minas de diamantes e pocos de petroleo, das terras e empresas, dos bancos e comissoes, das quintas e fazendas, das embaixadas e representacoes, dos premios e galardoes, dos conselhos de administracao e ministerios, das contas, accoes e propriedades offshore, dos yates e avioes, dos porches e lamborghinis, das praias e das clinicas, que "justa e honestamente" fizeram e continuam a fazer entre si e dos quais fazem questao de afastar "todo o mundo" que nao pertenca aos "circulos restritos" das suas familias, clas e feudos, para sarar tais "feridas"?!



"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"

(Victor Silva - Editorial do Novo Jornal # 214 - 24/02/12)

COMENTARIO: Embora 'aparentemente' esta carga de artilharia, disparada pelo director de um "projecto editorial demasiado independente", seja dirigida 'exclusivamente' a alguns portugueses em Portugal, entre os quais umas certas 'Anas' sem apelido (... onde e' que eu ja' li algo 'vagamente' parecido com isto?...), por 'qualquer razao obscura' ela reverte-me, qual "obus no meu quintal", a este "statelessness state of mind"...


"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."

(Gustavo Costa, in Novo Jornal # 207 - 06/01/12)

COMENTARIO: Embora eu nao tenha, nem nunca tenha pretendido ter, qualquer "carreira politica", nao deixei por isso de ser "linchada"!...


(...)

Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:

1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:

(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra

(…)


2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:

(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha

(…)

- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou, a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...

Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...


Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:

- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de “criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e desenvolvidos ao longo das decadas?

Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.


Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:

- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquela tragedia: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota (... ou seria da "Mocidade Portuguesa"?...), que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...


- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga, aqui relatado!... Enquanto outros, como este, viriam a ser vitimados por certas "medidas artisticas de caracter profilatico (ou "pornografico"?)"!...

Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?) kruxifikadas pela "violencia revolucionaria" de uma certa "etica ideologica"...


E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da ideologia Nazi, ou da Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...


K.
[aqui]



VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA



I.

Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte



assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.



II.

Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,



não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.



III.

Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste



pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje



e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.


[A.S. in S.O.S.]




[All images by Nancy Spero]


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MANIFESTO PELO DIREITO A VIDA


"Contemplar um crime em silêncio é cometê-lo"
José Martí





... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" (... de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao,  nem manifestacoes e greves de fome de estudantes em frente 'as "nossas embaixadas", nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes...) para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia" por terem tido o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam"!...



... Ou ainda, de algumas "medidas de caracter profilatico" para a geracao Rejeitada, Perdida e Mordida pela "raiva mal contida" de todos os Mad Dogs of War: dos "Nos os que lutamos!" (mesmo que nao tenham lutado!), aos "Nos os que ficamos!" (mesmo que nao tenham ficado!), passando pelos "Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que nunca o tenham sido!) ...


(…)

Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.

Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.

Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.

Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.

Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."

JES
[aqui]


COMENTARIO:

Isto lembra-me do recentemente aqui abordado "que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" da autoria de alguem com o "poder real" que a posicao de membro do 'circulo restrito' dos conselheiros de JES lhe confere... e de "umazinha" estoria que ouvi na mansao de cinco empregados e outros tantos carros da "minha amiga" na ultima vez que la' estive, sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...

... O que, penosamente, me invocou a memoria daquele periodo duro em Luanda em que, durante cerca de 3 anos, eu e o meu filho, excepto quando podiamos recorrer a mesa ou a arca frigorifica do Tio Pepe ou do nosso amigo Victor Alexandre, raramente tinhamos outras “iguarias” para comer excepto cabecas de carapau!...

E isso num periodo em que os filhinhos de papai e de mamae, e os eternos betinhos da Vila Alice, que hoje se arrogam a suprema falta de pudor e de caracter de virem a praca publica acusar-me das coisas mais disparatadamente abominaveis e proclamar que "lhes devo tudo o que sou na vida", ou que "me conhecem e 'a minha vida privada melhor do que eu propria(!)", nem sequer se dignavam dirigir-me palavra!... Tendo continuado ao longo dos anos a manter para comigo os comportamentos que descrevo no comentario a este post e agora prosseguem fazendo muita questao de "fingir" que nao leem este blog!...

Mas, naquele periodo, aconteceu uma vez um pequeno “milagre”: um dia pedi boleia com o meu filho a um militar (por sinal mestico) do Kinaxixi para a Xicala. Ele levou-nos e, postos la’, ofereceu-se para nos ir buscar mais tarde e dar-nos de novo boleia para casa, o que aceitei. E assim foi: levou-nos para casa e ficou a saber onde moravamos, embora eu nao o tivesse convidado a entrar. No dia seguinte apareceu-me a porta, fardado como no dia anterior, com uma caixa de mantimentos: arroz, leite, oleo, sabao, etc... Fiquei sem palavras! Ele disse-me que “nao tinha nada que agradecer” e foi-se embora...
Nunca mais o vi, nao me lembro do nome dele e espero apenas que, caso nao tenha morrido ou enlouquecido numa qualquer frente de combate e caso venha a ler isto, saiba que eu nunca me esqueci!...
E como poderia?! Aqueles eram dias em que o guarda do talho do Kinaxixi onde de vez enquando ‘saia’ frangos e ovos, um dia, depois de eu ter aguentado a bicha e os empurroes durante horas, disse-me que “nao me deixava entrar se eu nao fosse para a cama com ele”!!! O mesmo tendo acontecido com o da loja da carne (nem sequer era talho...), onde uma vez por semana ia de madrugada por a minha pedra na bicha, muitas vezes para que outras pessoas passassem a minha frente e no fim acabar por voltar para casa de maos a abanar!...

Claro que nunca fui para a cama com nenhum deles (... a verdade e’ que nunca fui para a cama com homem nenhum em troca do que quer que seja e o facto e’ que nenhum homem, morto ou vivo, ate’ hoje pode dizer que me deu o que quer que seja – e muito menos dinheiro ou qualquer bem material – em troca do que quer que seja!...) e, em ambos os casos, voltei para casa com nada mais do que um misto de incontidas lagrimas de humilhacao mais "revolta e uma vontade grande ter ter respostas"!...

E, ja’ agora, porque umas memorias levam a outras, deixo aqui o registo daquele amigo que tambem nos deu algumas vezes boleia para a praia e que, no Natal de 83/84 nos convidou, a mim e ao meu filho, a passarmos a consoada em sua casa, num dos predios no cimo da Cabral Moncada, com a mulher e os filhos dele – desculpem ter-me esquecido do vosso nome, mas ao casal (por sinal mestico/branca): mais uma vez muito obrigada!

E porque se fala tanto nos "que foram para fora estudar", deixo aqui este registo sobre a minha ida para Portugal como 'pobre e insignificante' estudante bolseira do INABE, sendo que o 'criatura rejeitada' ate' vem bem a proposito, porque a verdade dos factos e' que:

A minha primeira candidatura a bolsa no ano lectivo 1983/84 foi rejeitada, tendo-me sido dito que "nao tinha sido aprovada pelo Departamento de Quadros do Partido". Encontrava-se entao a frente do INABE Francisca do Espirito Santo (FES).

Perante aquela recusa, no ano lectivo seguinte (1984/85) a minha tia pediu especialmente a Manuel Quarta Punza - que conhecia bem a minha familia e a mim em particular de quando ele tinha sido Comissario Provincial do Uige e eu tinha ficado hospedada em sua casa numa minha ida aquela provincia em missao de servico da JMPLA - ajuda para desbloquear a situacao. Este intercedeu junto de um outro responsavel do INABE (por sinal de origem Bakongo) e so' entao a minha candidatura foi aprovada.

Fui entao a Portugal em meados de 1985 na expectativa de comecar o curso naquele ano, mas posta la' confrontei-me com o facto de que, ao contrario de todos os outros bolseiros para aquele ano, nao havia qualquer 'record' da aprovacao da minha bolsa, nem na Embaixada de Angola, nem na Secretaria de Estado da Cooperacao Portuguesa... Tive entao que regressar novamente a Angola para, junto do INABE, resolver a questao e so' assim, no final daquele ano, pude comecar os meus estudos em Portugal com a tal bolsa de #50 angolares e porrada se refilares# literalmente arrancada a ferros!...

E... depois disso ainda tive que enfrentar isto!... E... agora mais isto:

(...) [*] Essa logica torna-se mais complexa ainda quando o poder politico (que aqui se confunde com o estado, ou nao estivessemos em presenca de um "partido-estado" no poder...) se julga e se comporta como "proprietario", nao so' do pais e de todos os seus recursos e riquezas, como tambem de "todo o mundo" que nasceu, cresceu ou viveu sob 'a sua bandeira' (embora se permita votar ao abandono absoluto o 'pioneiro' que pela primeira vez icou tal bandeira!...) , e muito particularmente dos "estudantes bolseiros" que, implicita e explicitamente, assume que "jamais teriam uma formacao media ou superior" nao fossem as suas (famigeradas porque discricionarias, discriminatorias, mal geridas, desencaminhadas, desviadas e, por entre doses de manipulacao, humilhacao e chantagem politica e emocional q.b., em muitos casos, pouco mais do que, a varios titulos, destrutivas!) "bolsas de estudo"... enquanto "os que ficaram" tudo fazem para os estigmatizar e discriminar relativamente a auto-proclamada e novo-enriquecida "prata da casa"!...

Uma logica que, claramente, nao ve o estado (e o partido politico que o detem/sustenta) como "pessoa de bem" para todos e nao apenas para alguns - os "da sua familia, compadrio, confianca, amizade, militancia e/ou conveniencia" - certamente nao para aquela/es que tiveram a veleidade e o "atrevimento politico" de se expressarem e manifestarem a favor da paz "quando nao deviam"!

Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"! Era desse processo que falava, ha' uns tempos, aqui...

Uma realidade, alias, que, curiosamente, foi tambem assinalada nesse tipo de processos de "construcao social" em Cuba, como aqui se pode constatar: "(...) Ferrer points out that this system was also designed to encourage the subservience, indebtedness and gratitude of former slaves to the rebel leaders. While it certainly had this effect, libertos also seized the revolutionary language of freedom, liberty, and justice to demand a more inclusive role in the anti-colonial struggle."

[Aqui]

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para ESTA outra historia - umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes dos disparos das armas que FAPLA e FA(P)LA "justa e honestamente" comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas aqui e aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi... et pourtant!... Ou ainda, de como, no imediato pos-guerra (... ou mesmo ainda antes disso?...) se estabeleceram estreitas relacoes de cooperacao entre os exercitos Angolano e Sul-Africano, enquanto "pobres e insignificantes criaturas rejeitadas" como eu continuam a ser acusadas de "crimes de lesa-patria" e a ser linchadas em praca publica por terem tido o "atrevimento politico" de ir, contratados e pagos pela UE, trabalhar para a SADC com representantes de "paises inimigos" como as Mauricias e a Africa do Sul "sem autorizacao do governo de Angola"!...

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"!...

Nao chegou a apropriacao dos espolhos da guerra e dos dividendos da paz: a partilha das minas de diamantes e pocos de petroleo, das terras e empresas, dos bancos e comissoes, das quintas e fazendas, das embaixadas e representacoes, dos premios e galardoes, dos conselhos de administracao e ministerios, das contas, accoes e propriedades offshore, dos yates e avioes, dos porches e lamborghinis, das praias e das clinicas, que "justa e honestamente" fizeram e continuam a fazer entre si e dos quais fazem questao de afastar "todo o mundo" que nao pertenca aos "circulos restritos" das suas familias, clas e feudos, para sarar tais "feridas"?!



"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"

(Victor Silva - Editorial do Novo Jornal # 214 - 24/02/12)

COMENTARIO: Embora 'aparentemente' esta carga de artilharia, disparada pelo director de um "projecto editorial demasiado independente", seja dirigida 'exclusivamente' a alguns portugueses em Portugal, entre os quais umas certas 'Anas' sem apelido (... onde e' que eu ja' li algo 'vagamente' parecido com isto?...), por 'qualquer razao obscura' ela reverte-me, qual "obus no meu quintal", a este "statelessness state of mind"...


"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."

(Gustavo Costa, in Novo Jornal # 207 - 06/01/12)

COMENTARIO: Embora eu nao tenha, nem nunca tenha pretendido ter, qualquer "carreira politica", nao deixei por isso de ser "linchada"!...


(...)

Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:

1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:

(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra

(…)


2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:

(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha

(…)

- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou, a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...

Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...


Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:

- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de “criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e desenvolvidos ao longo das decadas?

Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.


Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:

- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquela tragedia: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota (... ou seria da "Mocidade Portuguesa"?...), que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...


- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga, aqui relatado!... Enquanto outros, como este, viriam a ser vitimados por certas "medidas artisticas de caracter profilatico (ou "pornografico"?)"!...

Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?) kruxifikadas pela "violencia revolucionaria" de uma certa "etica ideologica"...


E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da ideologia Nazi, ou da Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...


K.
[aqui]



VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA



I.

Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte



assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.



II.

Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,



não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.



III.

Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste



pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje



e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.


[A.S. in S.O.S.]




[All images by Nancy Spero]


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