BE MY GUEST! (I - VERONICA BENESI)
Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.
Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,
Veronica
Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor
África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...
O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)
[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

















