Tuesday, 15 May 2012
“KUDURO, PATRIMÓNIO ANGOLANO PARA A ÁFRICA E O MUNDO”
Thursday, 3 November 2011
Gostei de Ler... (1)
[...embora nao concorde necessariamente com todos os pontos do artigo, pelo que aqui transcrevo apenas alguns extractos em relacao aos quais nao tenho muitas reservas]
(...)
Como não podia deixar de ser, há uma série de elementos positivos no discurso do Chefe de Estado. Os dados apresentados demonstram que os governantes angolanos começam já a olhar para as estatísticas e para a evolução dos números, o que é francamente positivo. Começou-se tarde, mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Agora, é preciso ir mais longe, fazendo duas coisas com os números. Em primeiro lugar, é preciso contratar consultores independentes para analisar a evolução desses números. Não nos podemos basear apenas nos elementos facultados pelos Ministérios e, menos ainda, cingir-nos somente à análise que é feita nessas instituições. Sabe-se que os funcionários públicos (em todo o mundo) têm o mau costume de ler os dados somente em função da sua própria conveniência e da sua manutenção nos postos que ocupam.
Em segundo lugar, é preciso começar a estabelecer metas em relação a cada sector de actividade. Por exemplo, se por um lado é preciso que os cidadãos saibam quanto já foi gasto desde 1992 no sector da energia eléctrica (que é dos maiores quebra-cabeças para o governo angolano), por outro lado é preciso a partir de agora definir etapas e quantificar o espaço geográfico que vai beneficiar de energia eléctrica em cada uma dessas etapas. Isso facilita a alocação de recursos, mas possibilita também o controlo sobre o cumprimento dos programas. Pois isso deve ocorrer em relação a cada sector de actividade e a cada unidade administrativa (província, município, comuna). De outro modo, continuaremos sem saber a quantas andamos e permitimos que continuemos a ser enganados.
(…)
Ou será que se deve dizer que vivemos em ditadura, por haver jornais que publicam mentiras por encomenda e ninguém os processa?
(…)
Enquanto o governo não apostar na melhoria da qualidade de ensino, os melhores empregos vão continuar a ser facultados maioritariamente aos angolanos que se formam fora de Angola e a estrangeiros. O caminho para o desenvolvimento passa inevitavelmente por uma grande preocupação com a qualidade de ensino (mais do que com a quantidade).
(…)
Temos de saber ouvir os jovens, ouvir os mais velhos, ouvir a camada feminina e ouvir também os adolescentes, que têm preocupações que, se não atendidas, poderão mais tarde causar transtornos sociais de monta.
(…)
Finalmente, gostei de ouvir o Presidente dizer que devem ser os angolanos a controlar a economia do nosso país. Gostei sim. Mas temos de ter consciência que isso só será possível quando os profissionais angolanos forem formados sem esquemas, sem favorecimentos, sem «partilha de suores», sem pautas que passem por baixo das carteiras e sem perseguição àqueles docentes que não alinham nesses esquemas. Só quando os diplomas das universidades angolanas valerem alguma coisa poderemos caminhar rumo à independência e ao progresso.
(…)
Reina a incompetência, combate-se a competência e promove-se a mediocridade. Esta é a regra nos serviços públicos. Enquanto este mal não for cortado, haverá reivindicações e mais reivindicações, podemos estar seguros. Enquanto entrarmos num ministério e depararmos invariavelmente com gente ociosa em reuniões de fofoca e intriga, vamos manter-nos na dependência lá de fora. E enquanto tivermos em ministérios gente (por mais licenciaturas e doutoramentos que exibam) que, ao invés de traçar e executar políticas públicas, programa e realiza workshops e conferências, então continuaremos a caminhar a meio gás.
Deixei para o fim um outro assunto demasiado sério, que entre nós já existe desde a segunda metade da década de 1970. Refiro-me à perseguição que se faz a quem trabalha segundo as regras. Não é assunto novo, tanto que oiço falar dele desde os meus tempos de juventude, ainda quando andava pelas bandas do Bairro Operário e do Valódia.
(…)
Gostei de ter ouvido o Presidente dizer que «o país precisa da contribuição de todos». É preciso, pois, que aqueles que cumprem as regras sejam acarinhados e motivados – não mais perseguidos, como vem sendo comum acontecer. E quem prefere a ausência de regras tem de começar a ser enviado para a gestão dos próprios negócios.
(*) Sociólogo
[in SA, #439]
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J'Accuse!
Bêó
[...embora nao concorde necessariamente com todos os pontos do artigo, pelo que aqui transcrevo apenas alguns extractos em relacao aos quais nao tenho muitas reservas]
(...)
Como não podia deixar de ser, há uma série de elementos positivos no discurso do Chefe de Estado. Os dados apresentados demonstram que os governantes angolanos começam já a olhar para as estatísticas e para a evolução dos números, o que é francamente positivo. Começou-se tarde, mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Agora, é preciso ir mais longe, fazendo duas coisas com os números. Em primeiro lugar, é preciso contratar consultores independentes para analisar a evolução desses números. Não nos podemos basear apenas nos elementos facultados pelos Ministérios e, menos ainda, cingir-nos somente à análise que é feita nessas instituições. Sabe-se que os funcionários públicos (em todo o mundo) têm o mau costume de ler os dados somente em função da sua própria conveniência e da sua manutenção nos postos que ocupam.
Em segundo lugar, é preciso começar a estabelecer metas em relação a cada sector de actividade. Por exemplo, se por um lado é preciso que os cidadãos saibam quanto já foi gasto desde 1992 no sector da energia eléctrica (que é dos maiores quebra-cabeças para o governo angolano), por outro lado é preciso a partir de agora definir etapas e quantificar o espaço geográfico que vai beneficiar de energia eléctrica em cada uma dessas etapas. Isso facilita a alocação de recursos, mas possibilita também o controlo sobre o cumprimento dos programas. Pois isso deve ocorrer em relação a cada sector de actividade e a cada unidade administrativa (província, município, comuna). De outro modo, continuaremos sem saber a quantas andamos e permitimos que continuemos a ser enganados.
(…)
Ou será que se deve dizer que vivemos em ditadura, por haver jornais que publicam mentiras por encomenda e ninguém os processa?
(…)
Enquanto o governo não apostar na melhoria da qualidade de ensino, os melhores empregos vão continuar a ser facultados maioritariamente aos angolanos que se formam fora de Angola e a estrangeiros. O caminho para o desenvolvimento passa inevitavelmente por uma grande preocupação com a qualidade de ensino (mais do que com a quantidade).
(…)
Temos de saber ouvir os jovens, ouvir os mais velhos, ouvir a camada feminina e ouvir também os adolescentes, que têm preocupações que, se não atendidas, poderão mais tarde causar transtornos sociais de monta.
(…)
Finalmente, gostei de ouvir o Presidente dizer que devem ser os angolanos a controlar a economia do nosso país. Gostei sim. Mas temos de ter consciência que isso só será possível quando os profissionais angolanos forem formados sem esquemas, sem favorecimentos, sem «partilha de suores», sem pautas que passem por baixo das carteiras e sem perseguição àqueles docentes que não alinham nesses esquemas. Só quando os diplomas das universidades angolanas valerem alguma coisa poderemos caminhar rumo à independência e ao progresso.
(…)
Reina a incompetência, combate-se a competência e promove-se a mediocridade. Esta é a regra nos serviços públicos. Enquanto este mal não for cortado, haverá reivindicações e mais reivindicações, podemos estar seguros. Enquanto entrarmos num ministério e depararmos invariavelmente com gente ociosa em reuniões de fofoca e intriga, vamos manter-nos na dependência lá de fora. E enquanto tivermos em ministérios gente (por mais licenciaturas e doutoramentos que exibam) que, ao invés de traçar e executar políticas públicas, programa e realiza workshops e conferências, então continuaremos a caminhar a meio gás.
Deixei para o fim um outro assunto demasiado sério, que entre nós já existe desde a segunda metade da década de 1970. Refiro-me à perseguição que se faz a quem trabalha segundo as regras. Não é assunto novo, tanto que oiço falar dele desde os meus tempos de juventude, ainda quando andava pelas bandas do Bairro Operário e do Valódia.
(…)
Gostei de ter ouvido o Presidente dizer que «o país precisa da contribuição de todos». É preciso, pois, que aqueles que cumprem as regras sejam acarinhados e motivados – não mais perseguidos, como vem sendo comum acontecer. E quem prefere a ausência de regras tem de começar a ser enviado para a gestão dos próprios negócios.
(*) Sociólogo
[in SA, #439]
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Saturday, 17 September 2011
“Bantuismos na construção poética de Agostinho Neto”
O discurso poético de António Agostinho Neto foi largamente influenciado por uma série de “bantuísmos” como forma propositada de marcar a identidade bantu na poesia, numa sociedade colonial em que tal civilização era rejeitada.
A afirmação pertence ao historiador Simão Souinduila, consultor do Centro Internacional das Civilizações Bantu, quando comentava hoje, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, sobre o tema “Bantuismos na construção poética de Agostinho Neto”.
Souindoula, que é igualmente perito do Fundo da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), considerou “muito influenciada, a poesia de Neto, no idioma materno (Kimbundo), o que levou que pouco depois da independência nacional, tomasse como algumas das suas principais decisões de cunho cultural a adopção do acordo sobre o estudo e valorização das línguas nacionais e a criação da UEA e consecutiva eleição dos corpos gerentes.
Disse que o “bantuismo” de Agostinho Neto reflectido de diversas formas, em língua materna kimbundo, representa um conjunto de vocábulos com sistema de concordância com línguas de países da África Central.
No caso específico de Angola, disse que o poeta Neto inculcava nas obras termos como “Kitanda”, “Kalunga”, “Mussunda”, “Kinaxixi”, “Ingombota” e “Kitandeira”, “cubata”, “Musekes”, entre vários outros.
Apontou como um dos exemplos de “pura influência bantu” a palavra Kitanda que, em Umbundo recebe um prefixo, chamando-se “Otchitanda”.
“Neto não estava preocupado a escrever para os timorenses e cabo-verdianos (não são bantu). A sua intenção era dar ênfase à sua civilização, por meio da poesia”, defendeu o perito da UNESCO, para quem, “se quisesse, Agostinho Neto teria feito poesia em linguagem clássica”.
Referiu ainda a introdução do “K” e “W” na escrita da moeda nacional, o Kwanza, ao contrário de “Cuanza”, como uma decisão histórico-cultural, que terá contribuído para introdução no alfabeto da língua de Camões (português), das consoantes “k”, “y” e “w”.
“Agostinho Neto deixa uma poesia platónica, de leitura legível (não obriga ao leitor recorrer ao dicionário para perceber o lê), uma obra que serviu de balizas e orientação para o nacionalismo angolano”, frisou Simão Souindoula, que reconhece a dimensão cultural e social da sua poesia como sendo provocatória para o regime da época.
[Aqui]
Post Relacionado:
No Dia do Heroi Nacional
O discurso poético de António Agostinho Neto foi largamente influenciado por uma série de “bantuísmos” como forma propositada de marcar a identidade bantu na poesia, numa sociedade colonial em que tal civilização era rejeitada.
A afirmação pertence ao historiador Simão Souinduila, consultor do Centro Internacional das Civilizações Bantu, quando comentava hoje, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, sobre o tema “Bantuismos na construção poética de Agostinho Neto”.
Souindoula, que é igualmente perito do Fundo da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), considerou “muito influenciada, a poesia de Neto, no idioma materno (Kimbundo), o que levou que pouco depois da independência nacional, tomasse como algumas das suas principais decisões de cunho cultural a adopção do acordo sobre o estudo e valorização das línguas nacionais e a criação da UEA e consecutiva eleição dos corpos gerentes.
Disse que o “bantuismo” de Agostinho Neto reflectido de diversas formas, em língua materna kimbundo, representa um conjunto de vocábulos com sistema de concordância com línguas de países da África Central.
No caso específico de Angola, disse que o poeta Neto inculcava nas obras termos como “Kitanda”, “Kalunga”, “Mussunda”, “Kinaxixi”, “Ingombota” e “Kitandeira”, “cubata”, “Musekes”, entre vários outros.
Apontou como um dos exemplos de “pura influência bantu” a palavra Kitanda que, em Umbundo recebe um prefixo, chamando-se “Otchitanda”.
“Neto não estava preocupado a escrever para os timorenses e cabo-verdianos (não são bantu). A sua intenção era dar ênfase à sua civilização, por meio da poesia”, defendeu o perito da UNESCO, para quem, “se quisesse, Agostinho Neto teria feito poesia em linguagem clássica”.
Referiu ainda a introdução do “K” e “W” na escrita da moeda nacional, o Kwanza, ao contrário de “Cuanza”, como uma decisão histórico-cultural, que terá contribuído para introdução no alfabeto da língua de Camões (português), das consoantes “k”, “y” e “w”.
“Agostinho Neto deixa uma poesia platónica, de leitura legível (não obriga ao leitor recorrer ao dicionário para perceber o lê), uma obra que serviu de balizas e orientação para o nacionalismo angolano”, frisou Simão Souindoula, que reconhece a dimensão cultural e social da sua poesia como sendo provocatória para o regime da época.
[Aqui]
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Sunday, 27 March 2011
Ao Nosso Carnaval… Voltemos Pois!
À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar
À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar
[Agostinho Neto - Havemos de Voltar]
Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?
Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.
E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...

Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar , ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!
E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginal novinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?

E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!
Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecos que me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.
Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!
Entretanto...
Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aqui expressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!
[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]
Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!
So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aqui se pode verificar... Ja' viram?!

Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia , "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."
Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...
Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.
Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:
Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!

A 'Tradicao'
“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias
Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.
[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]
Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.
[Amanha Vamos a Procura da Chave
- Uniao Mundo da Ilha]
A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.
[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]
[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]

Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.

Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aqui e aqui.
Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.
Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".
Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].
E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.
Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.
À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar
À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar
[Agostinho Neto - Havemos de Voltar]
Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?
Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.
E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...

Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar , ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!
E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginal novinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?

E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!
Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecos que me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.
Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!
Entretanto...
Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aqui expressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!
[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]
Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!
So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aqui se pode verificar... Ja' viram?!

Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia , "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."
Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...
Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.
Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:
Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!

A 'Tradicao'
“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias
Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.
[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]
Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.
[Amanha Vamos a Procura da Chave
- Uniao Mundo da Ilha]
A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.
[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]
[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]

Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.

Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aqui e aqui.
Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.
Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".
Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].
E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.
Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.
Thursday, 9 December 2010
Festival Mondial des Arts Negres [Updated]
Acaba de chegar a minha redaccao, de fonte (ainda) (in)segura, a seguinte informacao:O musico Angolano Bonga sera’ uma das figuras de maior destaque no Festival Mundial de Artes Negras, a realizar-se no Senegal de 10 a 31 de Dezembro de 2010. Tal como o fez recentemente na Expo Mundial de Xangai (verificar aqui e aqui), Bonga representar-se-ha’ exclusivamente por merito proprio e a Angola unicamente por direito incontestavel.[*]
A mesma fonte acrescenta que, embora tenha sido anunciada por fontes (ainda nao)identificadas a presenca de alguns ballerinos negros comandados por uma prima donna classica europeia branca, mais conhecida em certos circulos "afectuosos" por vulta racista psicopata, provenientes de Angola, a sua prestacao, embora alegadamente "na qualidade de convidada especial", (ainda) nao consta do programa oficial do festival.
Mais acrescenta a fonte que nao lhe foi possivel obter junto dos organizadores do festival uma explicacao para o facto de, sendo Angola, alegadamente, "o pais que deu a luz a danca contemporanea em Africa", este nao se faca (ainda) representar nos Masterclasses e Workshops do festival dedicados a essa arte - e neste ponto, a fonte chama particularmente a atencao para as Masterclasses sobre o Hip Hop, genero que ja' aqui foi bastante discutido. Foi-lhe igualmente impossivel apurar por que razao da lista de personalidades ligadas a danca e coreografos convidados para o festival, abaixo transcrita, nao consta (ainda) nenhum nome relacionado com Angola...
Les personnalités et chorégraphes invités:
Rui Moreira (Brésil), Desmond Richardson (USA), Germaine Acogny (Sénégal), Willa Jo Zollar (USA), Werewere Linking (Côte d’Ivoire), Serge Aimé Coulibaly (Burkina Faso), Damien Zambo (Cameroun), Adafrez Bezuneh (Ethiopie), Sanjeev Bhargava (Inde), Armilinda Gomes Cabral Semedo (Cap Vert), Riyad Fghani (Algérie), Lilou (Algérie), Azdine Ben Youcef (Algérie), Efrén Marcos Suarez Torres (Cuba), Adrian Augier (St Lucie), Steven Faleni, Vusi Mdoyi, Buru Mohlabane (Afrique du Sud), Prince M. F. Lamba (Zambie).
[image d'ici]
[Plus d'informations: ici, ici, ici, ici, ici , ici, ici et ici]
Other Views: Art History in (South) Africa and The Global South
[*] Outra presenca assinalavel no festival e' a de Simao Souindoula, como aqui se noticia.
UPDATE A nossa fonte voltou hoje a contactar-nos para nos informar que uma dita Cie d'Angola, presumivelmente a troupe de mademoiselle acima mencionada, actuara' num certo dia do festival, porem a sua margem.
Mais acrescenta a fonte que este update do programa oficial do festival foi feito apenas na vespera do seu inicio, o que evidencia o facto de que a dita Cie d'Angola se faz representar "a pato" no festival (ou, para usar uma expressao mais familiar ao bando, "infiltraram-se num festival de peritos"...) - certamente gracas aos seus links com o p(h)oder -, porque se fosse representar oficialmente Angola, e ainda por cima como alegada "convidada especial", teria, tal como o Bonga, sido convidada com a devida antecedencia e incluida no programa com o devido destaque, como mandam as normas protocolares neste tipo de eventos.
Alias, so' o facto de ela dizer "pomposamente" que a sua companhia vai "representar Angola" em Xangai (sendo que, supostamente, todo o mundo se deveria por isso "roer de inveja" ou sentir "dor de cotovelo"...) e no Senegal, como "convidada especial" (como se uma "convidada especial" fosse apenas mencionada no programa oficial a ultima hora e relegada a uma apresentacao conjunta com outros grupos fora do centro das actividades do festival...), sem nunca mencionar os outros Angolanos que la' foram representar Angola - nao que fosse de esperar que ela sequer mencionasse o Kota Bonga, de quem apenas diz os piores "cobras e lagartos", mas pelo menos os outros que ate' sao da sua "geracao" (etaria, psicologica, emocional, cultural, social, etc.) - nao so' evidencia flagrantemente o quanto e' intelectualmente desonesta (leia-se tambem o quanto e' capaz de mentir descaradamente!), como ja' diz o quanto ela luta com unhas e dentes, a viva forca, para ser "unica" e "invejada"!!...
[Imagem d'aki]
ADENDA
[imagem daqui]
Qual a diferenca qual e' ela entre o trabalho de Maqoma (sobre cuja performance em Angola a nossa 'vamp' se manteve estranhamente silenciosa!...), bem como o de outros artistas Africanos, e o da demoiselle a que aqui nos vimos referindo?
A diferenca e' muito mais simples do que a mera imagem/composicao estetica de violinos e violoncelos (ou outros instrumentos musicais de origem europeia) "abrilhantando", ou "civilizando", dancas africanas, mas e', porem, igualmente muito mais profunda e fundamental: Maqoma investiga HONESTAMENTE a sua propria IDENTIDADE (repare-se no logo deste festival...) em relacao com a Historia, a Humanidade e a Natureza... enquanto a demoiselle em questao, nao so' demonstrou a saciedade ignorar, como abominar aberta e arrogantemente o proprio conceito de IDENTIDADE (tendo por isso dito que eu, por o defender, "deveria cometer um suicidio em grande estilo" ou ser "esquartejada a catanada"!!!) e tem advogado CINICAMENTE, juntamente com os seus acolitos (alguns dos quais ditos negros, mas que tambem dizem "nao se identificar com Africanos"...), o "white-washing" da Historia de Africa! Isto para nao mencionar o celebre abaixo-assinado que lhe foi dirigido por pratica de RACISMO CONTRA NEGROS na escola de danca que dirigia...
Put simply: ACGM e' declarada e incorrigivelmente RACISTA DE EXTREMA DIREITA E SUPREMACISTA BRANCA!!!
Maqoma NAO!
Mais: Maqoma, pelo seu natural respeito pela Humanidade e a Natureza, de acordo com a sua cultura ancestral Africana, certamente jamais se referiria, e ainda por cima em publico (!), a outro ser humano - o sagrado Ntu da cultura baNtu - muito menos um colega de profissao (... e por nenhuma outra razao aparente que nao este ter tido o atrevimento de obter destaque num jornal que o considerava "o verdadeiro icone"... ou seja, por ter tido o atrevimento de fazer sombra a prima donna!), por sinal negro, como um "item que merece ser abortado" (... o que e', alias, reminiscente de um certo "lixo de Angola" - mera coincidencia?...) e a si proprio como unico "conhecedor" da danca no seu pais - sendo certo que qualquer que seja o nivel de conhecimento academico que ele tenha das suas dancas tradicionais, ele nasceu com e no meio delas: nao teve que os ir vulturar a Culturas Africanas que nao sao originariamente as suas e que antes tivera abominado e que continua a ridicularizar apenas para fabricar "plasticamente" uma 'Companhia de Danca Contemporanea' privada a partir de uma 'Academia de Ballet Classico Europeu' estatal falida! Dito de outro modo, Maqoma chega a 'danca contemporanea' a partir das suas proprias raizes culturais ancestrais intuitiva e organicamente, nao por inseminacao artificial como e' o caso de ACGM...
Numa palavra: Maqoma, tal como Pina Bausch, tem ALMA! ... ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO!!!
Mais ainda: Maqoma nao danca ballet classico europeu desde os 8 anos de idade... e apenas o ridiculariza!
[imagem daqui]
E to top it all up, ou, dito de outro modo, para por "o preto no branco", e certamente FACTO nao negligenciavel para um Festival Mundial de ARTES NEGRAS, Maqoma e' NEGRO! ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO (... seja racica, etnica, tribal, identitaria, cultural, social, politica, ou ideologicamente... e por muito que cubra o corpo semi-nu, ou nu, de chocolate preto)!!!
[E... antes que comecem as mais do que habituais " ameacas e chantagens emocionais" da praxe...:
Com isto pretendendo significar apenas que se o que a sua companhia apresenta, "inspirado" numa cultura africana negra (ou, ja' agora, copiado deste blog) e protagonizado por bailarinos negros, pode passar por "artes negras", isso nao a torna ipso facto negra, nem pertencente a cultura em que se "inspirou" apenas atraves de algumas "visitas de trabalho" - e este particular pode aplicar-se igualmente aos seus bailarinos (veja-se, a este proposito, a diferenca entre tais "visitas medicas" e os longos periodos de residencia e interaccao de uma investigadora seria como Marie Louise Bastin). E este "veredicto" e' baseado nao em qualquer tipo de "preconceito ou discriminacao racial", mas tao so' nas suas atitudes e posicionamentos amplamente registados neste blog! ]
EM SUMA:
ACGM deveria ter VERGONHA de sequer contemplar a possibilidade de por os pes num Festival de Artes Negras!!!
[Mas... vergonha na cara (!), e' certamente algo que nem ela, nem os seus noirs - VULTOS, arrivistas e oportunistas, em suma CARAS DE PAU, como sempre foram - teem ou alguma vez terao. Certamente nao enquanto continuarem a ser apoiados cegamente pelo governo de Angola, em nome de uma nocao de "progresso" que nem eles proprios sao capazes de explicar coerentemente e sistematicamente em detrimento de outros grupos de danca nacionais ('tradicionais', 'patrimoniais', 'modernos', 'contemporaneos', ou 'futuristas'...) de igual, ou maior, merito no pais (quanto mais nao seja porque nao partiram de um background tao previligiado, nem contam com o apoio incondicional e continuado do poder!), evidentemente apenas porque e' branca, vem do ballet classico europeu (... "porque so' assim progrediremos"!...) desde os oito anos de idade, fruto da sua condicao de filha da previligiada (ex) burguesia colonial (condicao que, de resto, e ao contrario de outros - como este ou este -, ela nunca abdicou, repudiou, ou renegou, bien au contraire: faz muita gala e questao disso!) e... porque trabalha no Ministerio da Cultura ha' 33 anos (... e como ela faz muita questao de 'arrotar' enquanto se sente no direito de pisar tudo e todos que, como eu (a quem, a nao esquecer, ela chegou a dirigir ameacas de morte - abertas e veladas!...) , tenham "o atrevimento" sequer de se lhe dirigir com "questoes inoportunas", com o seu "mais alto galardao do estado angolano": "tenho as costas largas"!...), muito embora a companhia com que diz "representar oficialmente Angola na qualidade de convidada especial" seja sua propriedade privada!
E o certo e' que, a partir de agora, nao so' continuara' a auto-proclamar-se "Mais Angolana do que a Angolanidade" e "Mais Africana do que a Africanidade", como tambem... "MAIS NEGRA DO QUE A NEGRITUDE" e... "MAIS AUTENTICA DO QUE A AUTHENTICITE'"!!!]
[imagem daqui]
Mas ha' uma outra questao - e essa e' mais do foro politico-ideologico do que do artistico-cultural: porque que ACGM e' tratada como "vaca sagrada" pelo Ministerio da Cultura e pelo Governo de Angola? Apenas porque "trabalha para eles ha' 33 anos" e por isso pode ser considerada "prata da casa"? Talvez tambem, mas nao apenas.
Como aqui observei a proposito do conceito de "homem novo", o MPLA sempre prosseguiu a politica "assimilacionista" herdada do regime colonial - se nao de forma declarada nos seus programas, declaracoes, discursos e resolucoes, seguramente de forma implicita na sua praxis: a "proteccao" dos nao-negros, em particular os que o integraram na luta anti-colonial, e a "premiacao" daqueles que, com ou sem participacao na luta anti-colonial, ficaram no pais depois da independencia, com a sua integracao nas estruturas do poder de estado (e, no caso dos ultimos, especialmente durante o "movimento de rectificacao" que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, a sua integracao no partido como "militantes"), ou com outras "recompensas", era condicao sine qua non para a sua qualificacao como "progressista" e factor decisivo de "diferenciacao" em relacao aos outros movimentos de libertacao, agora partidos politicos da oposicao.
Mas o que nunca esteve previsto, nem implicita, nem explicitamente - e aqui permito-me o atrevimento de falar como alguem que sempre esteve proxima do MPLA e que ate' militou nas suas estruturas (... como frequentemente se diz/ia a proposito deste tipo de questoes: ... "nao foi nada disso que a gente combinou!"...) - era que tal "proteccao" e "premiacao" viessem a significar, na pratica, que os nao-negros em causa, passassem a ser "intocaveis" como ACGM claramente e'... e se nao e', declaradamente e sem quaisquer rebucos, comporta-se como tal - e', alias, (tambem, mas nao apenas) naquela velha tradicao Mplista que o actual lider do BD aparece em publico a "defender" a sua "educacao e elegancia", como aqui fiz notar...! Sendo que, ademais, nao se lhe conhece qualquer vinculo particularmente significativo, organico ou outro, ao MPLA - a nao ser para colher os seus "beneficios", "premios" e "patrocinios"!
Mas, mais importante ainda do que isso, e' que a politica "assimilacionista" e', tambem sem quaisquer rebucos, uma politica "integracionista eurocentrica". Neste contexto, "progresso" e "progressista" significam, nada mais nada menos, do que a adopcao das normas, padroes, canones, praticas, costumes, linguas e culturas europeias - leia-se aqui portuguesas... Assim, o que ACGM vai fazer as Lundas ou ao Moxico, nao e' tentar "integrar-se" na cultura Tchokwe' (ou Cokwe, como preferirem) e adoptar as suas normas e padroes na sua praxis quotidiana de vida (... como nosotros fomos obrigados a fazer sob a politica assimilacionista colonial em relacao a cultura portuguesa!... e, como alguns europeus o fizeram em relacao a algumas das nossas culturas, como aqui se pode constatar), mas apenas ir buscar e trazer, qual kamanguista, alguns elementos daquela cultura, em particular os ligados a danca e, muito especialmente, a sexualidade das suas mulheres, para a "civilizacao" da cidade capital, despudoradamente apropriar-se deles e mescla-los com a sua cultura de origem e de matriz, a europeia/portuguesa, chamar-lhes "cultura, ou danca, contemporanea africana" e dar as suas "pecas" titulos do genero "fantastico-psicadelico-intelectualoide"... Mais nada! E se isso pode ser considerado "legitimo" artisticamente, o que ja' nao e' legitimo e' que ela se comporte como "criadora" da cultura Tchokwe' (Cokwe) ou sua "legitima representante" ou, mais ainda, kaTchokwe': a isso eu chamo, tambem sem quaisquer rebucos, "vulturismo cultural"! E muito menos entitular, como ela o faz, o que ela chama "danca contemporanea africana", como "unico" sinonimo de "qualidade" e "progresso"... porque nao e'! Ou melhor dito: nao e' necessaria nem unicamente!
Porque? Talvez a praxis de outros paises africanos, e em particular da Africa do Sul, o explique melhor: nesses paises, a "danca contemporanea africana" (um conceito que, de resto, nao e' pacifico, como este livro claramente o indica...) coexiste pacificamente com (... nao e' considerada "superior"! Embora, em termos opinativos e meramente subjectivos, qualquer um tenha o direito de o considerar, certa ou erradamente, como tal...) as outras formas de danca ou de expressao cultural.
Assim, um Maqoma na Africa do Sul (onde, convem notar-se, o ballet e a musica classica continuam a ter o seu devido lugar reservado) nao e' considerado "unico representante" da danca, das artes ou da cultura do seu pais, e a sua companhia de danca tem o mesmo status cultural que qualquer outro grupo de danca, desde que demonstrem niveis aceitaveis de qualidade e integridade dentro dos seus respectivos estilos e generos, ou de qualquer outra expressao artistica de qualquer outro grupo etno-linguistico componente do seu vasto e diverso mosaico nacional - como, alias, a sua designacao oficial, especialmente em termos de Politica Cultural, como The Rainbow Nation claramente o indica - dando significado e cor a palavra DIVERSIDADE.
Agora, imagine-se um Maqoma angolano: ficaria eternamente subalternizado a uma ACGM por nao ser herdeiro da burguesia branca do tempo do apartheid, nao andar no ballet classico europeu desde os 8 anos de idade e nao ter uma "parceria publico-privada" com o Ministerio da Cultura!
Mais: nesses paises, o uso de um violino (ou de qualquer outro instrumento musical de origem europeia), ou de um movimento de ballet classico, ou a presenca no grupo de, ou a sua direccao por, uma pessoa nao-negra, nao significa "univocamente" sinal de "qualidade e/ou progresso" - o que no caso da Angola "comandada" por ACGM significa que se esta' no "caminho certo"... para onde? Para o "padrao europeu", e' a resposta! Ou, no quadro da "neofita ideologia dos pretensos afectos" e do "movimento da recolonizacao", para a "Nacao Crioula"! E isso e' mau? - perguntar-me-ao. E eu responderei: nao necessariamente, desde que nao se advogue que esse e' o "unico caminho" valido culturalmente num pais tao diverso racial, social e etno-linguisticamente como Angola.
Os Angolanos (e a Humanidade!) ja' viram guerras e genocidios suficientes por essas razoes para nao continuarem a cometer o mesmo erro!
Tenho dito.
Acaba de chegar a minha redaccao, de fonte (ainda) (in)segura, a seguinte informacao:O musico Angolano Bonga sera’ uma das figuras de maior destaque no Festival Mundial de Artes Negras, a realizar-se no Senegal de 10 a 31 de Dezembro de 2010. Tal como o fez recentemente na Expo Mundial de Xangai (verificar aqui e aqui), Bonga representar-se-ha’ exclusivamente por merito proprio e a Angola unicamente por direito incontestavel.[*]
A mesma fonte acrescenta que, embora tenha sido anunciada por fontes (ainda nao)identificadas a presenca de alguns ballerinos negros comandados por uma prima donna classica europeia branca, mais conhecida em certos circulos "afectuosos" por vulta racista psicopata, provenientes de Angola, a sua prestacao, embora alegadamente "na qualidade de convidada especial", (ainda) nao consta do programa oficial do festival.
Mais acrescenta a fonte que nao lhe foi possivel obter junto dos organizadores do festival uma explicacao para o facto de, sendo Angola, alegadamente, "o pais que deu a luz a danca contemporanea em Africa", este nao se faca (ainda) representar nos Masterclasses e Workshops do festival dedicados a essa arte - e neste ponto, a fonte chama particularmente a atencao para as Masterclasses sobre o Hip Hop, genero que ja' aqui foi bastante discutido. Foi-lhe igualmente impossivel apurar por que razao da lista de personalidades ligadas a danca e coreografos convidados para o festival, abaixo transcrita, nao consta (ainda) nenhum nome relacionado com Angola...
Les personnalités et chorégraphes invités:
Rui Moreira (Brésil), Desmond Richardson (USA), Germaine Acogny (Sénégal), Willa Jo Zollar (USA), Werewere Linking (Côte d’Ivoire), Serge Aimé Coulibaly (Burkina Faso), Damien Zambo (Cameroun), Adafrez Bezuneh (Ethiopie), Sanjeev Bhargava (Inde), Armilinda Gomes Cabral Semedo (Cap Vert), Riyad Fghani (Algérie), Lilou (Algérie), Azdine Ben Youcef (Algérie), Efrén Marcos Suarez Torres (Cuba), Adrian Augier (St Lucie), Steven Faleni, Vusi Mdoyi, Buru Mohlabane (Afrique du Sud), Prince M. F. Lamba (Zambie).
[image d'ici]
[Plus d'informations: ici, ici, ici, ici, ici , ici, ici et ici]
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[*] Outra presenca assinalavel no festival e' a de Simao Souindoula, como aqui se noticia.
UPDATE A nossa fonte voltou hoje a contactar-nos para nos informar que uma dita Cie d'Angola, presumivelmente a troupe de mademoiselle acima mencionada, actuara' num certo dia do festival, porem a sua margem.
Mais acrescenta a fonte que este update do programa oficial do festival foi feito apenas na vespera do seu inicio, o que evidencia o facto de que a dita Cie d'Angola se faz representar "a pato" no festival (ou, para usar uma expressao mais familiar ao bando, "infiltraram-se num festival de peritos"...) - certamente gracas aos seus links com o p(h)oder -, porque se fosse representar oficialmente Angola, e ainda por cima como alegada "convidada especial", teria, tal como o Bonga, sido convidada com a devida antecedencia e incluida no programa com o devido destaque, como mandam as normas protocolares neste tipo de eventos.
Alias, so' o facto de ela dizer "pomposamente" que a sua companhia vai "representar Angola" em Xangai (sendo que, supostamente, todo o mundo se deveria por isso "roer de inveja" ou sentir "dor de cotovelo"...) e no Senegal, como "convidada especial" (como se uma "convidada especial" fosse apenas mencionada no programa oficial a ultima hora e relegada a uma apresentacao conjunta com outros grupos fora do centro das actividades do festival...), sem nunca mencionar os outros Angolanos que la' foram representar Angola - nao que fosse de esperar que ela sequer mencionasse o Kota Bonga, de quem apenas diz os piores "cobras e lagartos", mas pelo menos os outros que ate' sao da sua "geracao" (etaria, psicologica, emocional, cultural, social, etc.) - nao so' evidencia flagrantemente o quanto e' intelectualmente desonesta (leia-se tambem o quanto e' capaz de mentir descaradamente!), como ja' diz o quanto ela luta com unhas e dentes, a viva forca, para ser "unica" e "invejada"!!...
[Imagem d'aki]
ADENDA
[imagem daqui]
Qual a diferenca qual e' ela entre o trabalho de Maqoma (sobre cuja performance em Angola a nossa 'vamp' se manteve estranhamente silenciosa!...), bem como o de outros artistas Africanos, e o da demoiselle a que aqui nos vimos referindo?
A diferenca e' muito mais simples do que a mera imagem/composicao estetica de violinos e violoncelos (ou outros instrumentos musicais de origem europeia) "abrilhantando", ou "civilizando", dancas africanas, mas e', porem, igualmente muito mais profunda e fundamental: Maqoma investiga HONESTAMENTE a sua propria IDENTIDADE (repare-se no logo deste festival...) em relacao com a Historia, a Humanidade e a Natureza... enquanto a demoiselle em questao, nao so' demonstrou a saciedade ignorar, como abominar aberta e arrogantemente o proprio conceito de IDENTIDADE (tendo por isso dito que eu, por o defender, "deveria cometer um suicidio em grande estilo" ou ser "esquartejada a catanada"!!!) e tem advogado CINICAMENTE, juntamente com os seus acolitos (alguns dos quais ditos negros, mas que tambem dizem "nao se identificar com Africanos"...), o "white-washing" da Historia de Africa! Isto para nao mencionar o celebre abaixo-assinado que lhe foi dirigido por pratica de RACISMO CONTRA NEGROS na escola de danca que dirigia...
Put simply: ACGM e' declarada e incorrigivelmente RACISTA DE EXTREMA DIREITA E SUPREMACISTA BRANCA!!!
Maqoma NAO!
Mais: Maqoma, pelo seu natural respeito pela Humanidade e a Natureza, de acordo com a sua cultura ancestral Africana, certamente jamais se referiria, e ainda por cima em publico (!), a outro ser humano - o sagrado Ntu da cultura baNtu - muito menos um colega de profissao (... e por nenhuma outra razao aparente que nao este ter tido o atrevimento de obter destaque num jornal que o considerava "o verdadeiro icone"... ou seja, por ter tido o atrevimento de fazer sombra a prima donna!), por sinal negro, como um "item que merece ser abortado" (... o que e', alias, reminiscente de um certo "lixo de Angola" - mera coincidencia?...) e a si proprio como unico "conhecedor" da danca no seu pais - sendo certo que qualquer que seja o nivel de conhecimento academico que ele tenha das suas dancas tradicionais, ele nasceu com e no meio delas: nao teve que os ir vulturar a Culturas Africanas que nao sao originariamente as suas e que antes tivera abominado e que continua a ridicularizar apenas para fabricar "plasticamente" uma 'Companhia de Danca Contemporanea' privada a partir de uma 'Academia de Ballet Classico Europeu' estatal falida! Dito de outro modo, Maqoma chega a 'danca contemporanea' a partir das suas proprias raizes culturais ancestrais intuitiva e organicamente, nao por inseminacao artificial como e' o caso de ACGM...
Numa palavra: Maqoma, tal como Pina Bausch, tem ALMA! ... ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO!!!
Mais ainda: Maqoma nao danca ballet classico europeu desde os 8 anos de idade... e apenas o ridiculariza!
[imagem daqui]
E to top it all up, ou, dito de outro modo, para por "o preto no branco", e certamente FACTO nao negligenciavel para um Festival Mundial de ARTES NEGRAS, Maqoma e' NEGRO! ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO (... seja racica, etnica, tribal, identitaria, cultural, social, politica, ou ideologicamente... e por muito que cubra o corpo semi-nu, ou nu, de chocolate preto)!!!
[E... antes que comecem as mais do que habituais " ameacas e chantagens emocionais" da praxe...:
Com isto pretendendo significar apenas que se o que a sua companhia apresenta, "inspirado" numa cultura africana negra (ou, ja' agora, copiado deste blog) e protagonizado por bailarinos negros, pode passar por "artes negras", isso nao a torna ipso facto negra, nem pertencente a cultura em que se "inspirou" apenas atraves de algumas "visitas de trabalho" - e este particular pode aplicar-se igualmente aos seus bailarinos (veja-se, a este proposito, a diferenca entre tais "visitas medicas" e os longos periodos de residencia e interaccao de uma investigadora seria como Marie Louise Bastin). E este "veredicto" e' baseado nao em qualquer tipo de "preconceito ou discriminacao racial", mas tao so' nas suas atitudes e posicionamentos amplamente registados neste blog! ]
EM SUMA:
ACGM deveria ter VERGONHA de sequer contemplar a possibilidade de por os pes num Festival de Artes Negras!!!
[Mas... vergonha na cara (!), e' certamente algo que nem ela, nem os seus noirs - VULTOS, arrivistas e oportunistas, em suma CARAS DE PAU, como sempre foram - teem ou alguma vez terao. Certamente nao enquanto continuarem a ser apoiados cegamente pelo governo de Angola, em nome de uma nocao de "progresso" que nem eles proprios sao capazes de explicar coerentemente e sistematicamente em detrimento de outros grupos de danca nacionais ('tradicionais', 'patrimoniais', 'modernos', 'contemporaneos', ou 'futuristas'...) de igual, ou maior, merito no pais (quanto mais nao seja porque nao partiram de um background tao previligiado, nem contam com o apoio incondicional e continuado do poder!), evidentemente apenas porque e' branca, vem do ballet classico europeu (... "porque so' assim progrediremos"!...) desde os oito anos de idade, fruto da sua condicao de filha da previligiada (ex) burguesia colonial (condicao que, de resto, e ao contrario de outros - como este ou este -, ela nunca abdicou, repudiou, ou renegou, bien au contraire: faz muita gala e questao disso!) e... porque trabalha no Ministerio da Cultura ha' 33 anos (... e como ela faz muita questao de 'arrotar' enquanto se sente no direito de pisar tudo e todos que, como eu (a quem, a nao esquecer, ela chegou a dirigir ameacas de morte - abertas e veladas!...) , tenham "o atrevimento" sequer de se lhe dirigir com "questoes inoportunas", com o seu "mais alto galardao do estado angolano": "tenho as costas largas"!...), muito embora a companhia com que diz "representar oficialmente Angola na qualidade de convidada especial" seja sua propriedade privada!
E o certo e' que, a partir de agora, nao so' continuara' a auto-proclamar-se "Mais Angolana do que a Angolanidade" e "Mais Africana do que a Africanidade", como tambem... "MAIS NEGRA DO QUE A NEGRITUDE" e... "MAIS AUTENTICA DO QUE A AUTHENTICITE'"!!!]
[imagem daqui]
Mas ha' uma outra questao - e essa e' mais do foro politico-ideologico do que do artistico-cultural: porque que ACGM e' tratada como "vaca sagrada" pelo Ministerio da Cultura e pelo Governo de Angola? Apenas porque "trabalha para eles ha' 33 anos" e por isso pode ser considerada "prata da casa"? Talvez tambem, mas nao apenas.
Como aqui observei a proposito do conceito de "homem novo", o MPLA sempre prosseguiu a politica "assimilacionista" herdada do regime colonial - se nao de forma declarada nos seus programas, declaracoes, discursos e resolucoes, seguramente de forma implicita na sua praxis: a "proteccao" dos nao-negros, em particular os que o integraram na luta anti-colonial, e a "premiacao" daqueles que, com ou sem participacao na luta anti-colonial, ficaram no pais depois da independencia, com a sua integracao nas estruturas do poder de estado (e, no caso dos ultimos, especialmente durante o "movimento de rectificacao" que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, a sua integracao no partido como "militantes"), ou com outras "recompensas", era condicao sine qua non para a sua qualificacao como "progressista" e factor decisivo de "diferenciacao" em relacao aos outros movimentos de libertacao, agora partidos politicos da oposicao.
Mas o que nunca esteve previsto, nem implicita, nem explicitamente - e aqui permito-me o atrevimento de falar como alguem que sempre esteve proxima do MPLA e que ate' militou nas suas estruturas (... como frequentemente se diz/ia a proposito deste tipo de questoes: ... "nao foi nada disso que a gente combinou!"...) - era que tal "proteccao" e "premiacao" viessem a significar, na pratica, que os nao-negros em causa, passassem a ser "intocaveis" como ACGM claramente e'... e se nao e', declaradamente e sem quaisquer rebucos, comporta-se como tal - e', alias, (tambem, mas nao apenas) naquela velha tradicao Mplista que o actual lider do BD aparece em publico a "defender" a sua "educacao e elegancia", como aqui fiz notar...! Sendo que, ademais, nao se lhe conhece qualquer vinculo particularmente significativo, organico ou outro, ao MPLA - a nao ser para colher os seus "beneficios", "premios" e "patrocinios"!
Mas, mais importante ainda do que isso, e' que a politica "assimilacionista" e', tambem sem quaisquer rebucos, uma politica "integracionista eurocentrica". Neste contexto, "progresso" e "progressista" significam, nada mais nada menos, do que a adopcao das normas, padroes, canones, praticas, costumes, linguas e culturas europeias - leia-se aqui portuguesas... Assim, o que ACGM vai fazer as Lundas ou ao Moxico, nao e' tentar "integrar-se" na cultura Tchokwe' (ou Cokwe, como preferirem) e adoptar as suas normas e padroes na sua praxis quotidiana de vida (... como nosotros fomos obrigados a fazer sob a politica assimilacionista colonial em relacao a cultura portuguesa!... e, como alguns europeus o fizeram em relacao a algumas das nossas culturas, como aqui se pode constatar), mas apenas ir buscar e trazer, qual kamanguista, alguns elementos daquela cultura, em particular os ligados a danca e, muito especialmente, a sexualidade das suas mulheres, para a "civilizacao" da cidade capital, despudoradamente apropriar-se deles e mescla-los com a sua cultura de origem e de matriz, a europeia/portuguesa, chamar-lhes "cultura, ou danca, contemporanea africana" e dar as suas "pecas" titulos do genero "fantastico-psicadelico-intelectualoide"... Mais nada! E se isso pode ser considerado "legitimo" artisticamente, o que ja' nao e' legitimo e' que ela se comporte como "criadora" da cultura Tchokwe' (Cokwe) ou sua "legitima representante" ou, mais ainda, kaTchokwe': a isso eu chamo, tambem sem quaisquer rebucos, "vulturismo cultural"! E muito menos entitular, como ela o faz, o que ela chama "danca contemporanea africana", como "unico" sinonimo de "qualidade" e "progresso"... porque nao e'! Ou melhor dito: nao e' necessaria nem unicamente!
Porque? Talvez a praxis de outros paises africanos, e em particular da Africa do Sul, o explique melhor: nesses paises, a "danca contemporanea africana" (um conceito que, de resto, nao e' pacifico, como este livro claramente o indica...) coexiste pacificamente com (... nao e' considerada "superior"! Embora, em termos opinativos e meramente subjectivos, qualquer um tenha o direito de o considerar, certa ou erradamente, como tal...) as outras formas de danca ou de expressao cultural.
Assim, um Maqoma na Africa do Sul (onde, convem notar-se, o ballet e a musica classica continuam a ter o seu devido lugar reservado) nao e' considerado "unico representante" da danca, das artes ou da cultura do seu pais, e a sua companhia de danca tem o mesmo status cultural que qualquer outro grupo de danca, desde que demonstrem niveis aceitaveis de qualidade e integridade dentro dos seus respectivos estilos e generos, ou de qualquer outra expressao artistica de qualquer outro grupo etno-linguistico componente do seu vasto e diverso mosaico nacional - como, alias, a sua designacao oficial, especialmente em termos de Politica Cultural, como The Rainbow Nation claramente o indica - dando significado e cor a palavra DIVERSIDADE.
Agora, imagine-se um Maqoma angolano: ficaria eternamente subalternizado a uma ACGM por nao ser herdeiro da burguesia branca do tempo do apartheid, nao andar no ballet classico europeu desde os 8 anos de idade e nao ter uma "parceria publico-privada" com o Ministerio da Cultura!
Mais: nesses paises, o uso de um violino (ou de qualquer outro instrumento musical de origem europeia), ou de um movimento de ballet classico, ou a presenca no grupo de, ou a sua direccao por, uma pessoa nao-negra, nao significa "univocamente" sinal de "qualidade e/ou progresso" - o que no caso da Angola "comandada" por ACGM significa que se esta' no "caminho certo"... para onde? Para o "padrao europeu", e' a resposta! Ou, no quadro da "neofita ideologia dos pretensos afectos" e do "movimento da recolonizacao", para a "Nacao Crioula"! E isso e' mau? - perguntar-me-ao. E eu responderei: nao necessariamente, desde que nao se advogue que esse e' o "unico caminho" valido culturalmente num pais tao diverso racial, social e etno-linguisticamente como Angola.
Os Angolanos (e a Humanidade!) ja' viram guerras e genocidios suficientes por essas razoes para nao continuarem a cometer o mesmo erro!
Tenho dito.
Saturday, 26 June 2010
SOBRE A "CULTURA AFRICANA CONTEMPORANEA"
Falo de amigos, bem entendido: de se viver junto a noite da Dipanda no 1ro. de Maio; de se receber cestas de frutas e legumes quando estavamos doentes; de se criar junto os filhos; de se apanhar boleia para os mercados ou a praia; de se aprender junto a diversificar os nossos respectivos habitos e gostos alimentares; de se partilhar a lata de leite, o kilo de arroz, o saco de batata, o frango congelado, ou a barra de sabao que na loja do povo nao saia; de se ir junto trocar roupa por comida fora da cidade; de se fazer guitarradas e cantorias em memoraveis noites de tertulia; de conjugar leituras, paixoes, pulsoes, angustias, sonhos, pesadelos e esperancas...
E, tendo ja' aqui falado algures dos meus amigos Alemaes, o mesmo poderia dizer de alguns dos amigos que fiz em, e com quem conheci, Africa para alem das fronteiras fisicas e culturais de Angola: desde os "leoes brancos africanos" educados em Oxbridge e fluentes em kiSwahili e outras linguas africanas comendo sadza e seswa com as maos, passando pelos "gringos" peritos em comida cajun dos bayous de New Orleans e mais entusiastas do que eu da rumba congolesa e do kwassa-kwassa, ou os "nordicos" gourmets em comida marroquina, xais e masalas orientais, aos "boers" de pes descalcos de Stellenbosch mais seus vinhos e biltongs...
Falo de amigos "de vida", portanto - nao de amigos "de ocasiao", ou, como sao designados em Ingles, fair-weather friends ...
[AQUI]
Falo de amigos, bem entendido: de se viver junto a noite da Dipanda no 1ro. de Maio; de se receber cestas de frutas e legumes quando estavamos doentes; de se criar junto os filhos; de se apanhar boleia para os mercados ou a praia; de se aprender junto a diversificar os nossos respectivos habitos e gostos alimentares; de se partilhar a lata de leite, o kilo de arroz, o saco de batata, o frango congelado, ou a barra de sabao que na loja do povo nao saia; de se ir junto trocar roupa por comida fora da cidade; de se fazer guitarradas e cantorias em memoraveis noites de tertulia; de conjugar leituras, paixoes, pulsoes, angustias, sonhos, pesadelos e esperancas...
E, tendo ja' aqui falado algures dos meus amigos Alemaes, o mesmo poderia dizer de alguns dos amigos que fiz em, e com quem conheci, Africa para alem das fronteiras fisicas e culturais de Angola: desde os "leoes brancos africanos" educados em Oxbridge e fluentes em kiSwahili e outras linguas africanas comendo sadza e seswa com as maos, passando pelos "gringos" peritos em comida cajun dos bayous de New Orleans e mais entusiastas do que eu da rumba congolesa e do kwassa-kwassa, ou os "nordicos" gourmets em comida marroquina, xais e masalas orientais, aos "boers" de pes descalcos de Stellenbosch mais seus vinhos e biltongs...
Falo de amigos "de vida", portanto - nao de amigos "de ocasiao", ou, como sao designados em Ingles, fair-weather friends ...
[AQUI]
Wednesday, 23 June 2010
Identidade(s) & Etnicidade(s): Outras Lutas, Outras Conquistas (II)
En la mañana de hoy la corte de apelaciones de Inglaterra y Gales falló decretando ilegal la decisión de demoler la manzana de Wards Corner donde está el Pueblito Paisa, el mayor centro comercial latino del Reino Unido.
Hace unos 3 años el municipio de Haringey, en el noreste de Londres, fue haciendo una serie de acuerdos con una de las multinacionales de construcción más poderosas del país (Grainger), para otorgarle a ésta dos manzanas estratégicas que se encuentran encima de la muy transitada estación de metro de Seven Sisters (a menos de 10 minutos de la única estación internacional de tren del Reino Unido: Kings Cross).
La mayor manzana es la de Wards Corner, la cual otrora fuera la mayor galería de esta parte de la ciudad, pero que hoy es la sede de más de un centenar de negocios y viviendas. Allí se encuentra localizado el mercado de Seven Sisters llamado ‘Pueblito Paisa’ en honor a una de las principales atracciones turísticas de Medellín (Colombia).
Este centro comercial se encuentra en el corazon del barrio más multiétnico de toda Londres y posiblemente de Europa. La población local decidió movilizarse para evitar tal destrucción pues destruiría la armonía entre las etnias y la cohesión social para transformar a ese barrio tan multicultural en el centro de un complejo de departamentos de lujo para gente que pasase casi todo el tiempo trabajando en la City o en otras partes del resto de la metrópolis.
(...)
La lucha por la defensa del Pueblito Paisa fue uno de los catalizadores que hizo que hace más de 2 años se realizasen las primeras asambleas masivas iberoamericanas con autoridades y que luego dio paso a la creación de la Alianza Iberoamericana y Lusohispana de UK, el intento más serio de unir a la comunidad de habla hispana y portuguesa para ser reconocida, regularizada y respetada.
Lo que se ha conseguido es un ejemplo para todas las comunidades multiétnicas del reino Unido y para todas las comunidades latinas e iberoamericanas del mundo.
[Leia mais aqui]
En la mañana de hoy la corte de apelaciones de Inglaterra y Gales falló decretando ilegal la decisión de demoler la manzana de Wards Corner donde está el Pueblito Paisa, el mayor centro comercial latino del Reino Unido.
Hace unos 3 años el municipio de Haringey, en el noreste de Londres, fue haciendo una serie de acuerdos con una de las multinacionales de construcción más poderosas del país (Grainger), para otorgarle a ésta dos manzanas estratégicas que se encuentran encima de la muy transitada estación de metro de Seven Sisters (a menos de 10 minutos de la única estación internacional de tren del Reino Unido: Kings Cross).
La mayor manzana es la de Wards Corner, la cual otrora fuera la mayor galería de esta parte de la ciudad, pero que hoy es la sede de más de un centenar de negocios y viviendas. Allí se encuentra localizado el mercado de Seven Sisters llamado ‘Pueblito Paisa’ en honor a una de las principales atracciones turísticas de Medellín (Colombia).
Este centro comercial se encuentra en el corazon del barrio más multiétnico de toda Londres y posiblemente de Europa. La población local decidió movilizarse para evitar tal destrucción pues destruiría la armonía entre las etnias y la cohesión social para transformar a ese barrio tan multicultural en el centro de un complejo de departamentos de lujo para gente que pasase casi todo el tiempo trabajando en la City o en otras partes del resto de la metrópolis.
(...)
La lucha por la defensa del Pueblito Paisa fue uno de los catalizadores que hizo que hace más de 2 años se realizasen las primeras asambleas masivas iberoamericanas con autoridades y que luego dio paso a la creación de la Alianza Iberoamericana y Lusohispana de UK, el intento más serio de unir a la comunidad de habla hispana y portuguesa para ser reconocida, regularizada y respetada.
Lo que se ha conseguido es un ejemplo para todas las comunidades multiétnicas del reino Unido y para todas las comunidades latinas e iberoamericanas del mundo.
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Saturday, 8 May 2010
Pepetela perante si proprio...*

Thor sabia estórias. Até mesmo as passadas bem antes de ter nascido e que permaneciam na memória colectiva do Planalto Central como momentos de grande terror, tais as célebres razias dos incomparáveis cavaleiros kuanhama, vindos muito do sul para confiscar gado e mulheres. E gostava de narrar, hábito adquirido no seu terreiro natal em que toda a vida social se passava ao fim de tarde e parte da noite à volta da fogueira, ouvindo os mais velhos e sábios relatar cenas do presente e do passado. Talvez também adivinhando futuros, quem sabe.
[...]
A acácia rubra merece um parágrafo especial e peço licença para o introduzir. A casa nova, onde então habitávamos, tinha sido construída ao lado do antigo leito do rio Corinje. O meu pai era jovem quando desviaram o leito do rio para sul, servindo assim de limite ao território. É da sua recordação os antílopes irem beber água ao Corinje e os leões e onças aproveitarem a carne tentadora. A lenda contava que ao lado do rio, teve lugar uma luta de morte entre dois heróis: um leão de juba farta e acobreada e um homem armado apenas de um punhal. Foi alguma gazela o fruto da disputa? A lenda não reteve a razão. Apenas que o combate foi demorado e terminou com a morte de ambos os adversários. Diz ainda a lenda que o sangue dos dois heróis correu para a depressão onde uma jovem acácia brotava. Alimentada por esse sangue quase sagrado, a árvore ultrapassou as irmãs em altura e deu sempre flores mais encarnadas.
[...]
Por isso é tão complicado responder à questão do como e do quando se faz um escritor. Outros saberão. Prefiro deixar que búzios sejam atirados e os leitores adivinhem ou imaginem. O importante é a delícia e alívio que se tem quando um personagem nos surpreende, se apodera da narrativa e diz, agora sou eu que comando, tu, reles escritor, remete-te ao simples papel de escriba ou oráculo, enquanto eu, o personagem, passo a ditar a ação. Sim, nesse momento há o êxtase do corredor de fundo que ultrapassa as dores, a suprema fadiga, e entra no breve paraíso em que flutua sobre nuvens adocicadas antes do colapso final. Há sempre um colapso, todos o sabemos, mas o que interessa mesmo é o facto de se correr para lá da exaustão e pressentir como poderia ser o paraíso. Tal como escrever e deixar solta a imaginação, mesmo para a mais absurda das estórias. Por muito absurda que seja, nunca ultrapassará certas realidades.
[Texto integral aqui]
*{... ou de como 'a mulemba (acacia?) continua nao explicando o sopro, o vento, tao pouco a lagrima'...}
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White Negritude

Thor sabia estórias. Até mesmo as passadas bem antes de ter nascido e que permaneciam na memória colectiva do Planalto Central como momentos de grande terror, tais as célebres razias dos incomparáveis cavaleiros kuanhama, vindos muito do sul para confiscar gado e mulheres. E gostava de narrar, hábito adquirido no seu terreiro natal em que toda a vida social se passava ao fim de tarde e parte da noite à volta da fogueira, ouvindo os mais velhos e sábios relatar cenas do presente e do passado. Talvez também adivinhando futuros, quem sabe.
[...]
A acácia rubra merece um parágrafo especial e peço licença para o introduzir. A casa nova, onde então habitávamos, tinha sido construída ao lado do antigo leito do rio Corinje. O meu pai era jovem quando desviaram o leito do rio para sul, servindo assim de limite ao território. É da sua recordação os antílopes irem beber água ao Corinje e os leões e onças aproveitarem a carne tentadora. A lenda contava que ao lado do rio, teve lugar uma luta de morte entre dois heróis: um leão de juba farta e acobreada e um homem armado apenas de um punhal. Foi alguma gazela o fruto da disputa? A lenda não reteve a razão. Apenas que o combate foi demorado e terminou com a morte de ambos os adversários. Diz ainda a lenda que o sangue dos dois heróis correu para a depressão onde uma jovem acácia brotava. Alimentada por esse sangue quase sagrado, a árvore ultrapassou as irmãs em altura e deu sempre flores mais encarnadas.
[...]
Por isso é tão complicado responder à questão do como e do quando se faz um escritor. Outros saberão. Prefiro deixar que búzios sejam atirados e os leitores adivinhem ou imaginem. O importante é a delícia e alívio que se tem quando um personagem nos surpreende, se apodera da narrativa e diz, agora sou eu que comando, tu, reles escritor, remete-te ao simples papel de escriba ou oráculo, enquanto eu, o personagem, passo a ditar a ação. Sim, nesse momento há o êxtase do corredor de fundo que ultrapassa as dores, a suprema fadiga, e entra no breve paraíso em que flutua sobre nuvens adocicadas antes do colapso final. Há sempre um colapso, todos o sabemos, mas o que interessa mesmo é o facto de se correr para lá da exaustão e pressentir como poderia ser o paraíso. Tal como escrever e deixar solta a imaginação, mesmo para a mais absurda das estórias. Por muito absurda que seja, nunca ultrapassará certas realidades.
[Texto integral aqui]
*{... ou de como 'a mulemba (acacia?) continua nao explicando o sopro, o vento, tao pouco a lagrima'...}
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White Negritude
Tuesday, 4 May 2010
BONGA: Cancoes da Diaspora Angolana [R]*

{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}
[Venda poro]
Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?
[Makongo]
No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:
[Falar de assim]
(***)
[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]
[Kamusekele]
[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!
[Recordando pio']
[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]
[Incaldido]
[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]
[Escapada]
[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]
[Nucos da bwala]
[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]
[Kianje]
[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]
[Olhos molhados]
[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!
Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!
[Kanjonja]
[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!
Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]
[Samania]
[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...
Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]
[Ngui tename]
[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]
[Turmas do bairro]
Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).
*[First posted 17/06/07]

{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}
[Venda poro]
Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?
[Makongo]
No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:
[Falar de assim]
(***)
[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]
[Kamusekele]
[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!
[Recordando pio']
[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]
[Incaldido]
[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]
[Escapada]
[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]
[Nucos da bwala]
[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]
[Kianje]
[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]
[Olhos molhados]
[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!
Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!
[Kanjonja]
[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!
Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]
[Samania]
[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...
Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]
[Ngui tename]
[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]
[Turmas do bairro]
Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).
*[First posted 17/06/07]


