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Friday, 2 March 2012

NO "DIA DA MULHER ANGOLANA"... [R]*




Pela estrada desce a noite...
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvilias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...

Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo Mãe-Negra!

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta, bem calada.

É tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada

Alda Lara


( ... Ha' quem continue a "saber tudo" e quem continue a "nao saber nada"... a questao e': "quem e' quem e quem sabe o que sobre o que"...)


Ngongo ya Biluka (Lourdes Van Dunem)


(NB: a cancao da saudosa Lourdes Van Dunem que eu queria realmente colocar aqui era o Monami. Mas, como nao a tenho, podera' ouvi-la no Kurikutela)


(Foto daqui)




*[Postado inicialmente a 02/03/2007]

Post Relacionado:

Ainda Sobre o Dia da Mulher Angolana




Pela estrada desce a noite...
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvilias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...

Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo Mãe-Negra!

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta, bem calada.

É tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada

Alda Lara


( ... Ha' quem continue a "saber tudo" e quem continue a "nao saber nada"... a questao e': "quem e' quem e quem sabe o que sobre o que"...)


Ngongo ya Biluka (Lourdes Van Dunem)


(NB: a cancao da saudosa Lourdes Van Dunem que eu queria realmente colocar aqui era o Monami. Mas, como nao a tenho, podera' ouvi-la no Kurikutela)


(Foto daqui)




*[Postado inicialmente a 02/03/2007]

Post Relacionado:

Ainda Sobre o Dia da Mulher Angolana

Friday, 16 March 2007

AINDA SOBRE O "DIA DA MULHER ANGOLANA"

Segundo o Semanário Angolense (edição de 10-17/03/07), «a deputada do MPLA Ruth Neto afirmou recentemente em declarações ao programa "Café da Manhã" da estação radiofónica luandense LAC que Deolinda Rodrigues, afinal, não morreu nada a 2 de Março de 1969, como sempre nos foi impingido pelo actual partido no poder. Ruth Neto disse ainda que o próprio MPLA não sabe sequer quando ela e as suas companheiras foram efectivamente mortas, devendo isso ser cobrado aos dirigentes da UPA/FNLA. Estas revelações da deputada, que pecam por tardias, podem levar ao questionamento de outras datas tidas como relevantes para a história daquele antigo movimento de libertação nacional e, por arrasto, dadas as circunstâncias, para a história do país. Mas, como esta não pode ser feita de mentiras, será necessário a coragem doutras "Ruth’s" para o questionamento em busca da verdade verdadeira, antes que ela seja escrita em definitivo.»
Segundo o Semanário Angolense (edição de 10-17/03/07), «a deputada do MPLA Ruth Neto afirmou recentemente em declarações ao programa "Café da Manhã" da estação radiofónica luandense LAC que Deolinda Rodrigues, afinal, não morreu nada a 2 de Março de 1969, como sempre nos foi impingido pelo actual partido no poder. Ruth Neto disse ainda que o próprio MPLA não sabe sequer quando ela e as suas companheiras foram efectivamente mortas, devendo isso ser cobrado aos dirigentes da UPA/FNLA. Estas revelações da deputada, que pecam por tardias, podem levar ao questionamento de outras datas tidas como relevantes para a história daquele antigo movimento de libertação nacional e, por arrasto, dadas as circunstâncias, para a história do país. Mas, como esta não pode ser feita de mentiras, será necessário a coragem doutras "Ruth’s" para o questionamento em busca da verdade verdadeira, antes que ela seja escrita em definitivo.»