Tuesday, 30 September 2008

THIS MONTH LAST YEAR (9)


Assim comeca uma cancao de que gosto muito.
Tanto quanto nao gosto nada do tipo de coisas e criaturas que provocaram o grito de “Victoria!!!!!!....” com que se iniciou aqui o mes de Setembro do ano passado, marcando o fim (?) de um pesadelo que, como tantos outros que teem atormentado este blog, nada me garante que nao se volte a repetir… e’ que ele ha’ gente “determinada”! Tanto assim que, na sua sequencia, o mes tambem assinalou o termino da minha colaboracao com o GVO…
Anyway, seguiu-se um momento mais elevado, mas triste, com o passamento de Pavarotti, o qual tera’ sido compensado pela alegria de um tributo que sempre me merecera’ o Botswana. Depois do registo de mais algumas publicacoes Luso-Africanas, assinalou-se outro passamento: o da admiravel Anita Roddick. Ainda sob a influencia da memoria da sua ‘Body Shop’, houve tempo para rememorar alguns momentos de ‘pleasure’ durante a minha ultima estada na Africa do Sul. Menos pessoais e mais reflectivos, os posts que se seguiram poderao ser agrupados mais ou menos assim:

- Questoes culturais encontraram espaco em “Sunday Telly”, no primeiro ‘take’ da serie “An Introduction to Capoeira Angola” e num apontamento sobre “Virginia Rodrigues”;
- Abordando o sempre presente tema do racismo, “Eu racista me confesso”, “Sunday Family” e “Solidariedade com os irmaos Bahianos”;
- Discutindo questoes do passado escravista/colonial e o presente que se pretende ‘post-colonial’, “Critique of Anthropology”, “A Comment on Reparations for Slavery”, o lancamento do livro “Purga em Angola” e os artigos “Pilhagem das Colonias”, “Lusofonia: Cultura ou Ideologia?” e “Marcelo Caetano Rebelo de Sousa Ferreira e Sarkozy”;
- As minhas opinioes sobre a evolucao da Economia Angolana foram registadas em “Angola: Um Futuro Brilhante?” e “Politica, Futebol e Algumas Consideracoes sobre a Actual Conjuntura Economica Angolana”.

A fechar o mes com chave de ouro, um momento unico: o meu inesquecivel ‘rendez-vous’ no Jazz Café’ com Cassandra Wilson, a sua voz e os seus musicos!

Highlights: of course, “Cassandra Wilson” e “Victoria!!!!!!!!!!!!!!!!”


Assim comeca uma cancao de que gosto muito.
Tanto quanto nao gosto nada do tipo de coisas e criaturas que provocaram o grito de “Victoria!!!!!!....” com que se iniciou aqui o mes de Setembro do ano passado, marcando o fim (?) de um pesadelo que, como tantos outros que teem atormentado este blog, nada me garante que nao se volte a repetir… e’ que ele ha’ gente “determinada”! Tanto assim que, na sua sequencia, o mes tambem assinalou o termino da minha colaboracao com o GVO…
Anyway, seguiu-se um momento mais elevado, mas triste, com o passamento de Pavarotti, o qual tera’ sido compensado pela alegria de um tributo que sempre me merecera’ o Botswana. Depois do registo de mais algumas publicacoes Luso-Africanas, assinalou-se outro passamento: o da admiravel Anita Roddick. Ainda sob a influencia da memoria da sua ‘Body Shop’, houve tempo para rememorar alguns momentos de ‘pleasure’ durante a minha ultima estada na Africa do Sul. Menos pessoais e mais reflectivos, os posts que se seguiram poderao ser agrupados mais ou menos assim:

- Questoes culturais encontraram espaco em “Sunday Telly”, no primeiro ‘take’ da serie “An Introduction to Capoeira Angola” e num apontamento sobre “Virginia Rodrigues”;
- Abordando o sempre presente tema do racismo, “Eu racista me confesso”, “Sunday Family” e “Solidariedade com os irmaos Bahianos”;
- Discutindo questoes do passado escravista/colonial e o presente que se pretende ‘post-colonial’, “Critique of Anthropology”, “A Comment on Reparations for Slavery”, o lancamento do livro “Purga em Angola” e os artigos “Pilhagem das Colonias”, “Lusofonia: Cultura ou Ideologia?” e “Marcelo Caetano Rebelo de Sousa Ferreira e Sarkozy”;
- As minhas opinioes sobre a evolucao da Economia Angolana foram registadas em “Angola: Um Futuro Brilhante?” e “Politica, Futebol e Algumas Consideracoes sobre a Actual Conjuntura Economica Angolana”.

A fechar o mes com chave de ouro, um momento unico: o meu inesquecivel ‘rendez-vous’ no Jazz Café’ com Cassandra Wilson, a sua voz e os seus musicos!

Highlights: of course, “Cassandra Wilson” e “Victoria!!!!!!!!!!!!!!!!”

Monday, 29 September 2008

APELO AO BOM SENSO...

...Caso tal seja possivel!

Alguem me chamou a atencao para a reaccao destes sujeitos a este meu post...
Poder-se-ia pretender que nao se tratou de nada disso, mas de qualquer outra coisa, ou que uma coisa nada tem a ver com outra...
Mas, quem tenha minimamente dois dedos de testa e venha acompanhando o comportamento desses sujeitos em relacao a este blog, sabera certamente do que se trata...
Tenho por principio nao responder a provocacoes, nem dar corda a tao doentias manifestacoes de mesquinhice, inveja e baixeza de caracter, as quais sinceramente nem sei como compreender.
No entanto, porque tais manifestacoes por parte dessas e doutras criaturas na blogosfera ja' ha' muito ultrapassaram os limites do ridiculo e apenas ja' so denotam um estado de doenca incuravel, com a qual nao pretendo ser contagiada e muito menos continuar a ser por ela vitimizada (na verdade so' falta darem-me um tiro na primeira oportunidade...), sem que os tenha minimamente alguma vez provocado, faco aqui este apelo ao bom senso, sabendo embora de antemao que ele sera' inutil...
Mas faco-o de qualquer modo, porque:

- NAO ENTREI PARA A BLOGOSFERA, NEM NELA TENHO PERMANECIDO, PARA COMPETIR COM QUEM QUER QUE SEJA, SEJA EM QUE AREA OU ASPECTO FOR;

- ATRAVES DA MINHA INICIAL COLABORACAO COM O GVO TUDO O QUE PRETENDI FOI CONTRIBUIR PARA APROXIMAR A LUSOSFERA E EXPO-LA AO MUNDO GLOBAL. FORAM, CONTUDO, ESSAS MESMAS CRIATURAS QUE, A ESTREBUCHAR DE ODIO E INVEJA, RECORRERAM AOS MAIS BAIXOS EXPEDIENTES POSSIVEIS PARA SABOTAREM AQUELA INICIATIVA, VINDO EM SEGUIDA A BENEFICIAR DESMESURADAMENTE DELA, ENQUANTO O MEU BLOG ERA E CONTINUA A SER BANIDO DAS PAGINAS DO GVO EM PORTUGUES PELA TURMA BRASILEIRA QUE POR LA' ANDA... O QUE, NA SEQUENCIA DE VARIAS OUTRAS SABOTAGENS DE QUE ESTE BLOG TEM SIDO VITIMA, SE VEM TRADUZINDO NOS DIFERENCIAIS DE NUMERO DE VISITANTES COM QUE AS MESMAS CRIATURAS AGORA SE PAVONEIAM...
SO' HA' UM PEQUENO PORMENOR A NAO ESQUECER NESSA ESTORIA: E' QUE, QUALQUER QUE TENHA SIDO A EXPOSICAO DESTE BLOG POR AQUELA VIA, ELA FOI MINIMA COMPARATIVAMENTE AQUELA DE QUE ELES VIERAM POSTERIORMENTE A USUFRUIR E BASEOU-SE EXCLUSIVAMENTE NO MEU TRABALHO! NAO TENHO, NO ENTANTO, CONHECIMENTO DE QUALQUER TRABALHO DIGNO DESSE NOME EM FAVOR DA 'LUSOSFERA', A NAO SER EM SEU BENEFICIO PROPRIO OU PARA DESTRUIR O DOS OUTROS E MUITO ESPECIALMENTE O MEU, POR PARTE DESSES SENHORES...

- FICA-LHES MUITO MAL, CRIATURAS, TANTA INVEJA, TANTO ODIO E TANTA VONTADE DE DESTRUIR O QUE DE BOM ACONTECE NESTE BLOG E QUE TEM MERECIDO OS TAIS ELOGIOS QUE TANTO OS INCOMODAM...

- FICA MAL A QUALQUER 'HOMEM' DIGNO DESSE NOME, TENTAR COBARDEMENTE DESTRUIR O TRABALHO HONESTO DE UMA MULHER, PARTICULARMENTE QUANDO TAL 'HOMEM' SE ASSOCIA A OUTROS NESSA OBCESSAO CANALHA E DOENTIA... SE ISSO DEMONSTRA ALGUMA COISA, E PONDO DE PARTE O SEU JA' LEGENDARIO E INCURAVEL RACISMO, POR MUITO QUE O TENTEM ESCONDER DAS FORMAS MAIS RIDICULAS POSSIVEIS, SERA' PRECISAMENTE APENAS FALTA DE 'ESTOFO' E, ACIMA DE TUDO, FALTA DE CARACTER, DE HOMBRIDADE E DO MAIS INFIMO GRAU DE INTELIGENCIA, JA' PARA NAO FALAR DE IDEIAS DIGNAS DE SEREM ESCRITAS, QUANTO MAIS LIDAS - MESMO PORQUE AS TAIS 'IDEAIS' NEM SEQUER CONSEGUIRAM ENTRAR NAS URNAS DE VOTO E, QUANTO MUITO, APENAS TERAO PREJUDICADO QUEM, EM CERTOS PARTIDOS, TENHA TIDO A DESFACATEZ DE LHES DAR QUALQUER CREDITO!

QUEIRAM, PORTANTO, SENHORES (E TRATA-LOS DESTA FORMA E' UMA CONCESSAO QUE FACO APENAS AO MEU PROPRIO BOM SENSO, PARA EVITAR USAR OS APELATIVOS QUE DE FACTO MERECEM...), COIBIR-SE DE CONTINUAREM A DESCER TAO BAIXO PARA... PARA QUE?! SEMPRE GOSTAVA DE SABER...
CUSTA ASSIM TANTO DAREM-SE CONTA DA FIGURA ABSOLUTAMENTE INQUALIFICAVEL E NOJENTA QUE ESTAO A FAZER A VISTA DE TODO O MUNDO? QUEIRAM, POR FAVOR, TER VERGONHA, QUANTO MAIS NAO SEJA PELOS VOSSOS FILHOS... E, SOBRETUDO, PROCUREM CONSOLO NAS VOSSAS MULHERES QUE DAQUI NAO LEVAM NADA!

DEIXEM-ME, PORTANTO, A MIM E A ESTE BLOG, EM PAZ DE UMA VEZ POR TODAS!!!

Free Web Counter

...Caso tal seja possivel!

Alguem me chamou a atencao para a reaccao
destes sujeitos a este meu post...
Poder-se-ia pretender que nao se tratou de nada disso, mas de qualquer outra coisa, ou que uma coisa nada tem a ver com outra...
Mas, quem tenha minimamente dois dedos de testa e venha acompanhando o comportamento desses sujeitos em relacao a este blog, sabera certamente do que se trata...
Tenho por principio nao responder a provocacoes, nem dar corda a tao doentias manifestacoes de mesquinhice, inveja e baixeza de caracter, as quais sinceramente nem sei como compreender.
No entanto, porque tais manifestacoes por parte dessas e doutras criaturas na blogosfera ja' ha' muito ultrapassaram os limites do ridiculo e apenas ja' so denotam um estado de doenca incuravel, com a qual nao pretendo ser contagiada e muito menos continuar a ser por ela vitimizada (na verdade so' falta darem-me um tiro na primeira oportunidade...), sem que os tenha minimamente alguma vez provocado, faco aqui este apelo ao bom senso, sabendo embora de antemao que ele sera' inutil...
Mas faco-o de qualquer modo, porque:

- NAO ENTREI PARA A BLOGOSFERA, NEM NELA TENHO PERMANECIDO, PARA COMPETIR COM QUEM QUER QUE SEJA, SEJA EM QUE AREA OU ASPECTO FOR;

- ATRAVES DA MINHA INICIAL COLABORACAO COM O GVO TUDO O QUE PRETENDI FOI CONTRIBUIR PARA APROXIMAR A LUSOSFERA E EXPO-LA AO MUNDO GLOBAL. FORAM, CONTUDO, ESSAS MESMAS CRIATURAS QUE, A ESTREBUCHAR DE ODIO E INVEJA, RECORRERAM AOS MAIS BAIXOS EXPEDIENTES POSSIVEIS PARA SABOTAREM AQUELA INICIATIVA, VINDO EM SEGUIDA A BENEFICIAR DESMESURADAMENTE DELA, ENQUANTO O MEU BLOG ERA E CONTINUA A SER BANIDO DAS PAGINAS DO GVO EM PORTUGUES PELA TURMA BRASILEIRA QUE POR LA' ANDA... O QUE, NA SEQUENCIA DE VARIAS OUTRAS SABOTAGENS DE QUE ESTE BLOG TEM SIDO VITIMA, SE VEM TRADUZINDO NOS DIFERENCIAIS DE NUMERO DE VISITANTES COM QUE AS MESMAS CRIATURAS AGORA SE PAVONEIAM...
SO' HA' UM PEQUENO PORMENOR A NAO ESQUECER NESSA ESTORIA: E' QUE, QUALQUER QUE TENHA SIDO A EXPOSICAO DESTE BLOG POR AQUELA VIA, ELA FOI MINIMA COMPARATIVAMENTE AQUELA DE QUE ELES VIERAM POSTERIORMENTE A USUFRUIR E BASEOU-SE EXCLUSIVAMENTE NO MEU TRABALHO! NAO TENHO, NO ENTANTO, CONHECIMENTO DE QUALQUER TRABALHO DIGNO DESSE NOME EM FAVOR DA 'LUSOSFERA', A NAO SER EM SEU BENEFICIO PROPRIO OU PARA DESTRUIR O DOS OUTROS E MUITO ESPECIALMENTE O MEU, POR PARTE DESSES SENHORES...

- FICA-LHES MUITO MAL, CRIATURAS, TANTA INVEJA, TANTO ODIO E TANTA VONTADE DE DESTRUIR O QUE DE BOM ACONTECE NESTE BLOG E QUE TEM MERECIDO OS TAIS ELOGIOS QUE TANTO OS INCOMODAM...

- FICA MAL A QUALQUER 'HOMEM' DIGNO DESSE NOME, TENTAR COBARDEMENTE DESTRUIR O TRABALHO HONESTO DE UMA MULHER, PARTICULARMENTE QUANDO TAL 'HOMEM' SE ASSOCIA A OUTROS NESSA OBCESSAO CANALHA E DOENTIA... SE ISSO DEMONSTRA ALGUMA COISA, E PONDO DE PARTE O SEU JA' LEGENDARIO E INCURAVEL RACISMO, POR MUITO QUE O TENTEM ESCONDER DAS FORMAS MAIS RIDICULAS POSSIVEIS, SERA' PRECISAMENTE APENAS FALTA DE 'ESTOFO' E, ACIMA DE TUDO, FALTA DE CARACTER, DE HOMBRIDADE E DO MAIS INFIMO GRAU DE INTELIGENCIA, JA' PARA NAO FALAR DE IDEIAS DIGNAS DE SEREM ESCRITAS, QUANTO MAIS LIDAS - MESMO PORQUE AS TAIS 'IDEAIS' NEM SEQUER CONSEGUIRAM ENTRAR NAS URNAS DE VOTO E, QUANTO MUITO, APENAS TERAO PREJUDICADO QUEM, EM CERTOS PARTIDOS, TENHA TIDO A DESFACATEZ DE LHES DAR QUALQUER CREDITO!

QUEIRAM, PORTANTO, SENHORES (E TRATA-LOS DESTA FORMA E' UMA CONCESSAO QUE FACO APENAS AO MEU PROPRIO BOM SENSO, PARA EVITAR USAR OS APELATIVOS QUE DE FACTO MERECEM...), COIBIR-SE DE CONTINUAREM A DESCER TAO BAIXO PARA... PARA QUE?! SEMPRE GOSTAVA DE SABER...
CUSTA ASSIM TANTO DAREM-SE CONTA DA FIGURA ABSOLUTAMENTE INQUALIFICAVEL E NOJENTA QUE ESTAO A FAZER A VISTA DE TODO O MUNDO? QUEIRAM, POR FAVOR, TER VERGONHA, QUANTO MAIS NAO SEJA PELOS VOSSOS FILHOS... E, SOBRETUDO, PROCUREM CONSOLO NAS VOSSAS MULHERES QUE DAQUI NAO LEVAM NADA!

DEIXEM-ME, PORTANTO, A MIM E A ESTE BLOG, EM PAZ DE UMA VEZ POR TODAS!!!

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Sunday, 28 September 2008

PAUL NEWMAN (R.I.P.)


One of my all-time favourite actors.


One of my all-time favourite actors.

Saturday, 27 September 2008

OBAMA ON THE FIRST PRESIDENTIAL DEBATE

Ana --

I just finished my first debate with John McCain.

Millions of Americans finally got a chance to see us take on the fundamental choice in this election -- the change we need or more of the same.

I will provide tax cuts for the middle class, affordable health care, and a new energy economy that creates millions of jobs. John McCain wants to keep giving huge tax cuts to corporations, and he offered no solutions for the challenges Americans are facing in their daily lives.

I will end the war in Iraq responsibly, focus on defeating al Qaeda and the Taliban, and restore America's standing in the world after eight years of disastrous policies. John McCain wants an unending commitment in Iraq and fails to recognize the resurgent threat in Afghanistan.

Let's be clear: John McCain is offering nothing but more of the same failed Bush policies at home and abroad that he has supported more than 90% of the time in the Senate.

Americans need change now, and I need your help to get the word out about this movement.

Now's the time to make your voice heard.

Thank you for all that you're doing,

Barack

Ana --

I just finished my first debate with John McCain.

Millions of Americans finally got a chance to see us take on the fundamental choice in this election -- the change we need or more of the same.

I will provide tax cuts for the middle class, affordable health care, and a new energy economy that creates millions of jobs. John McCain wants to keep giving huge tax cuts to corporations, and he offered no solutions for the challenges Americans are facing in their daily lives.

I will end the war in Iraq responsibly, focus on defeating al Qaeda and the Taliban, and restore America's standing in the world after eight years of disastrous policies. John McCain wants an unending commitment in Iraq and fails to recognize the resurgent threat in Afghanistan.

Let's be clear: John McCain is offering nothing but more of the same failed Bush policies at home and abroad that he has supported more than 90% of the time in the Senate.

Americans need change now, and I need your help to get the word out about this movement.

Now's the time to make your voice heard.

Thank you for all that you're doing,

Barack

Friday, 26 September 2008

OS FILHOS DA AFRICA EM PORTUGAL

A Modernização da Exclusão Social

Por Marzia Grassi

O livro é o resultado da tese de doutoramento de Neusa Gusmão, a antropóloga brasileira, investigadora e professora da faculdade de
educação da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) de São Paulo.
Trata-se de uma pesquisa muito interessante sobre os imigrantes
originários dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) em Portugal e os seus filhos. O contexto escolhido pela autora é a cidade de Lisboa e a discussão teórica explora a possibilidade de existirem, na sociedade portuguesa, mecanismos peculiares na construção identitária, individual e colectiva que explicam a presença negra em Portugal. A autora questiona-se quanto ao significado de ser português ou africano em terras lusas, e, ao longo do seu trabalho, discute as características da identidade portuguesa de imigração, as suas auto-percepções e as suas atribuições, quer nos indivíduos oriundos das ex colónias, quer nos seus filhos, nascidos em Portugal ou saídos das terras africanas na infância. O caso da chamada "segunda geração" de imigrantes, mostra com evidência o sobressair da condição étnica como elemento diferenciador, que a autora explora ao longo de todo o trabalho, como uma condição
privilegiada para a percepção das dinâmicas dos conflitos.

Neusa Gusmão mostra no seu livro como a condição étnica é vivenciada pelos jovens no meio em que estão inseridos, discutindo esta questão em dois lugares de socialização, a escola e o bairro. Utilizando uma metodologia de observação directa dos contextos e de entrevistas aos jovens, protagonistas do estudo, e aos observadores privilegiados, a autora mostra a escola e o bairro como os lugares mais importantes, os contextos onde a socialização dos jovens depende da capacidade de negociação identitária que eles conseguem no contacto com o "outro" português.

[Continue lendo aqui]
A Modernização da Exclusão Social

Por Marzia Grassi

O livro é o resultado da tese de doutoramento de Neusa Gusmão, a antropóloga brasileira, investigadora e professora da faculdade de
educação da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) de São Paulo.
Trata-se de uma pesquisa muito interessante sobre os imigrantes
originários dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) em Portugal e os seus filhos. O contexto escolhido pela autora é a cidade de Lisboa e a discussão teórica explora a possibilidade de existirem, na sociedade portuguesa, mecanismos peculiares na construção identitária, individual e colectiva que explicam a presença negra em Portugal. A autora questiona-se quanto ao significado de ser português ou africano em terras lusas, e, ao longo do seu trabalho, discute as características da identidade portuguesa de imigração, as suas auto-percepções e as suas atribuições, quer nos indivíduos oriundos das ex colónias, quer nos seus filhos, nascidos em Portugal ou saídos das terras africanas na infância. O caso da chamada "segunda geração" de imigrantes, mostra com evidência o sobressair da condição étnica como elemento diferenciador, que a autora explora ao longo de todo o trabalho, como uma condição
privilegiada para a percepção das dinâmicas dos conflitos.

Neusa Gusmão mostra no seu livro como a condição étnica é vivenciada pelos jovens no meio em que estão inseridos, discutindo esta questão em dois lugares de socialização, a escola e o bairro. Utilizando uma metodologia de observação directa dos contextos e de entrevistas aos jovens, protagonistas do estudo, e aos observadores privilegiados, a autora mostra a escola e o bairro como os lugares mais importantes, os contextos onde a socialização dos jovens depende da capacidade de negociação identitária que eles conseguem no contacto com o "outro" português.

[Continue lendo aqui]

UM AMPLO MOVIMENTO


[2 de Outubro, 18H00, Faculdade de Arquitectura da UAN - Luanda]

[2 de Outubro, 18H00, Faculdade de Arquitectura da UAN - Luanda]

POLITIQUE AFRICAINE: L'ANGOLA DANS LA PAIX

L'Angola dans la paix. Autoritarisme et reconversions


Les chemins de la « reconversion autoritaire » en Angola
Didier Péclard

Du Palais aux banques : la reproduction élargie du capital indigène en Angola
Olivier Vallée

L'Unita à la recherche de « son peuple ». Carnets d'une noncampagne
sur le planalto
Justin Pearce

Entre économie rentière et violence politico-militaire : la question
cabindaise et le processus de paix angolais
Jean-Michel Mabeko-Tali

La guerre dans la paix. Ethnicité et angolanité dans l'Église
kimbanguiste de Luanda
Ramon Sarró, Ruy Blanes et Fátima Viegas

Au-delà du pétro-militarisme : la stratégie extérieure angolaise
d'après-guerre
Philippe Le Billon, Alex Vines et Assis Malaquias

Chronique bibliographique. « Angola : plongées dans une mer d'encre», par René Pélissier

[Ici]

L'Angola dans la paix. Autoritarisme et reconversions


Les chemins de la « reconversion autoritaire » en Angola
Didier Péclard

Du Palais aux banques : la reproduction élargie du capital indigène en Angola
Olivier Vallée

L'Unita à la recherche de « son peuple ». Carnets d'une noncampagne
sur le planalto
Justin Pearce

Entre économie rentière et violence politico-militaire : la question
cabindaise et le processus de paix angolais
Jean-Michel Mabeko-Tali

La guerre dans la paix. Ethnicité et angolanité dans l'Église
kimbanguiste de Luanda
Ramon Sarró, Ruy Blanes et Fátima Viegas

Au-delà du pétro-militarisme : la stratégie extérieure angolaise
d'après-guerre
Philippe Le Billon, Alex Vines et Assis Malaquias

Chronique bibliographique. « Angola : plongées dans une mer d'encre», par René Pélissier

[Ici]

Thursday, 25 September 2008

VIVA ANGOLA!

Nao, nao e' "aquele" Viva Angola!
Este e' "apenas" porque ha' meses venho observando a proximidade do numero de visitantes deste blog a partir do UK e de Angola no NeoPod e tem sido uma verdadeira "guerra", com os numeros ora mais proximos, ora mais afastados, mas nunca muito distantes...
E eis que agora, no momento em que escrevo este apontamento, pela primeira vez Angola (1294) acaba de ultrapassar o UK (1293) por um visitante!
Sei que isto pode nao durar muito, mas a verdade e' que prometi a mim mesma nao desistir deste blog enquanto Angola nao estiver a frente da lista dos visitantes...
Ate' la': VIVA ANGOLA!!!

Wednesday, 24 September 2008

OBAMA ON 'GREED AND IRRESPONSIBILITY' IN WALL ST.

Ana --

The era of greed and irresponsibility on Wall Street and in Washington has created a financial crisis as profound as any we have faced since the Great Depression.

Congress and the President are debating a bailout of our financial institutions with a price tag of $700 billion or more in taxpayer dollars. We cannot underestimate our responsibility in taking such an enormous step.

Whatever shape our recovery plan takes, it must be guided by core principles of fairness, balance, and responsibility to one another.

• No Golden Parachutes -- Taxpayer dollars should not be used to reward the irresponsible Wall Street executives who helmed this disaster.

• Main Street, Not Just Wall Street -- Any bailout plan must include a payback strategy for taxpayers who are footing the bill and aid to innocent homeowners who are facing foreclosure.

• Bipartisan Oversight -- The staggering amount of taxpayer money involved demands a bipartisan board to ensure accountability and oversight.

The failed economic policies and the same corrupt culture that led us into this mess will not help get us out of it. We need to get to work immediately on reforming the broken government -- and the broken politics -- that allowed this crisis to happen in the first place.

And we have to understand that a recovery package is just the beginning. We have a plan that will guarantee our long-term prosperity -- including tax cuts for 95 percent of families, an economic stimulus package that creates millions of new jobs and leads us towards energy independence, and health care that is affordable to every American.

It won't be easy. The kind of change we're looking for never is.

But if we work together and stand by these principles, we can get through this crisis and emerge a stronger nation.

Thank you,

Barack

[More details here]
Ana --

The era of greed and irresponsibility on Wall Street and in Washington has created a financial crisis as profound as any we have faced since the Great Depression.

Congress and the President are debating a bailout of our financial institutions with a price tag of $700 billion or more in taxpayer dollars. We cannot underestimate our responsibility in taking such an enormous step.

Whatever shape our recovery plan takes, it must be guided by core principles of fairness, balance, and responsibility to one another.

• No Golden Parachutes -- Taxpayer dollars should not be used to reward the irresponsible Wall Street executives who helmed this disaster.

• Main Street, Not Just Wall Street -- Any bailout plan must include a payback strategy for taxpayers who are footing the bill and aid to innocent homeowners who are facing foreclosure.

• Bipartisan Oversight -- The staggering amount of taxpayer money involved demands a bipartisan board to ensure accountability and oversight.

The failed economic policies and the same corrupt culture that led us into this mess will not help get us out of it. We need to get to work immediately on reforming the broken government -- and the broken politics -- that allowed this crisis to happen in the first place.

And we have to understand that a recovery package is just the beginning. We have a plan that will guarantee our long-term prosperity -- including tax cuts for 95 percent of families, an economic stimulus package that creates millions of new jobs and leads us towards energy independence, and health care that is affordable to every American.

It won't be easy. The kind of change we're looking for never is.

But if we work together and stand by these principles, we can get through this crisis and emerge a stronger nation.

Thank you,

Barack

[More details here]

Monday, 22 September 2008

'LINHA DE PASSE'


Ontem voltamos ao Odeon de Camden para ver esse filme brasileiro que se estreou aqui em Londres este fim de semana. Ja’ la’ nao ia, ou a qualquer outra sala de cinema, desde “The Last King of Scotland”. Mas, ao contrario daquela vez, nao foi necessario comprar os bilhetes com muita antecedencia e os espectadores presentes nao terao ocupado mais do que 1% da capacidade da sala.
Cada vez tenho menos paciencia para a boa meia hora, ou mais, de publicidade e ‘trailers’ antes do inicio do filme propriamente dito, mas ocupamo-la com ‘small talk’ sobre a tempestade que vai pela economia em geral e pelos mercados financeiros em particular, local e globalmente. Nao, o membro da tribo que trabalha na City de Londres, num dos maiores bancos britanicos (ainda) nao perdeu o emprego, apesar dos milhares de despedimentos que se teem verificado nas ultimas semanas no sector bancario e um pouco por toda a economia deste pais. Parece que o sistema financeiro global ainda esta’ a balancar no ‘fio da navalha’, ou na ‘linha de passe’, entre a profunda recessao e aquela coisa que os economistas bem avisados evitam pronunciar, pelo menos publicamente, porque parece ter o dom de se revelar uma ‘self-fulfilling prophecy’: a pura Depressao.
A este proposito, lembro-me que quando a crise se comecou a acentuar no ano passado, lutei aqui com o dilema de falar em “fears of a recession” ou “of a depression”, acabando por optar pela segunda por me parecer retratar melhor a realidade (sendo que na altura a maior parte dos observadores e analistas economicos hesitavam sequer falar em "recessao"). E, desde entao, a economia mundial nao tem feito outra coisa senao passar a linha entre a recessao e a depressao, que apenas nao se revela (ainda) tao profunda quanto a dos anos 30 devido ao desenvolvimento, entretanto, de mecanismos mais sofisticados de ‘salvamento’ dos sistemas financeiros e a actual globalizacao da economia, que permite, por exemplo, que investidores do Japao e do UK se aprestem rapidamente a adquirir partes do Lehman Brothers, que o FED Americano no seu papel actual de 'salva-vidas' nao pode impedir que se afundasse, entre tantos outros naufragos a atender com uma 'boia de salvacao' que avalia em cerca de USD 700 bi que parece nao saber ainda muito bem onde ir buscar... Economia global essa, onde neste momento apenas os maiores exportadores liquidos de petroleo, Angola incluida, parecem andar em bons espiritos...

Mas, entretanto, o filme comecou e... nao acabou. E’, o filme nao teve fim, nao teve ‘the end’, nao teve ‘closure’ dos varios dramas sobre os quais se deteve. Ou melhor, teve-o, mas apenas implicitamente. O que talvez o tenha tornado mais interessante, mas tambem menos satisfatorio, pelo menos do meu ponto de vista, ou apenas da minha francamente ma’ disposicao de ontem (de facto, no regresso a casa acabei por ter que admitir que talvez me esteja a tornar rapidamente uma ‘grumpy old lady’...).
Enfim, pareceu-me mais um longo episodio de telenovela do que um filme propriamente dito, com varios ‘sketches’ a volta do quotidiano de uma familia composta por mae solteira, gravida de crianca de ‘pai desconhecido’, e seus quatro filhos de pais diferentes, nos arredores de Sao Paulo. Em linhas gerais, eu diria que e’ um filme sobre a ‘linha de passagem’ entre a pobreza absoluta e a relativa, entre a necessidade e a moralidade, entre a normalidade e a marginalidade, entre o sagrado e o profano e entre os sonhos possiveis e a realidade impossivel, com o futebol e as suas linhas de passe como ‘campo de fundo’. E sem ‘soundtrack’ (ou eu e’ que nao me dei conta dele?), o que tambem o torna interessante, mas tao cinzento quanto julgo ser Sao Paulo.
E mais nao digo, para nao estragar o apetite a quem ainda nao o viu e o queira ver. Apenas que e’ realizado por Walter Salles (“Estacao Central” e “Motorcycle Diaries”) e que a sua principal protagonista, Sandra Corveloni, ganhou pelo seu papel neste filme o premio de Melhor Actriz Feminina do ultimo festival de Cannes.

Ontem voltamos ao Odeon de Camden para ver esse filme brasileiro que se estreou aqui em Londres este fim de semana. Ja’ la’ nao ia, ou a qualquer outra sala de cinema, desde “
The Last King of Scotland”. Mas, ao contrario daquela vez, nao foi necessario comprar os bilhetes com muita antecedencia e os espectadores presentes nao terao ocupado mais do que 1% da capacidade da sala.
Cada vez tenho menos paciencia para a boa meia hora, ou mais, de publicidade e ‘trailers’ antes do inicio do filme propriamente dito, mas ocupamo-la com ‘small talk’ sobre a tempestade que vai pela economia em geral e pelos mercados financeiros em particular, local e globalmente. Nao, o membro da tribo que trabalha na City de Londres, num dos maiores bancos britanicos (ainda) nao perdeu o emprego, apesar dos milhares de despedimentos que se teem verificado nas ultimas semanas no sector bancario e um pouco por toda a economia deste pais. Parece que o sistema financeiro global ainda esta’ a balancar no ‘fio da navalha’, ou na ‘linha de passe’, entre a profunda recessao e aquela coisa que os economistas bem avisados evitam pronunciar, pelo menos publicamente, porque parece ter o dom de se revelar uma ‘self-fulfilling prophecy’: a pura Depressao.
A este proposito, lembro-me que quando a crise se comecou a acentuar no ano passado, lutei aqui com o dilema de falar em “fears of a recession” ou “of a depression”, acabando por optar pela segunda por me parecer retratar melhor a realidade (sendo que na altura a maior parte dos observadores e analistas economicos hesitavam sequer falar em "recessao"). E, desde entao, a economia mundial nao tem feito outra coisa senao passar a linha entre a recessao e a depressao, que apenas nao se revela (ainda) tao profunda quanto a dos anos 30 devido ao desenvolvimento, entretanto, de mecanismos mais sofisticados de ‘salvamento’ dos sistemas financeiros e a actual globalizacao da economia, que permite, por exemplo, que investidores do Japao e do UK se aprestem rapidamente a adquirir partes do Lehman Brothers, que o FED Americano no seu papel actual de 'salva-vidas' nao pode impedir que se afundasse, entre tantos outros naufragos a atender com uma 'boia de salvacao' que avalia em cerca de USD 700 bi que parece nao saber ainda muito bem onde ir buscar... Economia global essa, onde neste momento apenas os maiores exportadores liquidos de petroleo, Angola incluida, parecem andar em bons espiritos...

Mas, entretanto, o filme comecou e... nao acabou. E’, o filme nao teve fim, nao teve ‘the end’, nao teve ‘closure’ dos varios dramas sobre os quais se deteve. Ou melhor, teve-o, mas apenas implicitamente. O que talvez o tenha tornado mais interessante, mas tambem menos satisfatorio, pelo menos do meu ponto de vista, ou apenas da minha francamente ma’ disposicao de ontem (de facto, no regresso a casa acabei por ter que admitir que talvez me esteja a tornar rapidamente uma ‘grumpy old lady’...).
Enfim, pareceu-me mais um longo episodio de telenovela do que um filme propriamente dito, com varios ‘sketches’ a volta do quotidiano de uma familia composta por mae solteira, gravida de crianca de ‘pai desconhecido’, e seus quatro filhos de pais diferentes, nos arredores de Sao Paulo. Em linhas gerais, eu diria que e’ um filme sobre a ‘linha de passagem’ entre a pobreza absoluta e a relativa, entre a necessidade e a moralidade, entre a normalidade e a marginalidade, entre o sagrado e o profano e entre os sonhos possiveis e a realidade impossivel, com o futebol e as suas linhas de passe como ‘campo de fundo’. E sem ‘soundtrack’ (ou eu e’ que nao me dei conta dele?), o que tambem o torna interessante, mas tao cinzento quanto julgo ser Sao Paulo.
E mais nao digo, para nao estragar o apetite a quem ainda nao o viu e o queira ver. Apenas que e’ realizado por Walter Salles (“Estacao Central” e “Motorcycle Diaries”) e que a sua principal protagonista, Sandra Corveloni, ganhou pelo seu papel neste filme o premio de Melhor Actriz Feminina do ultimo festival de Cannes.

MBEKI: 'THANK YOU AND GOODBYE'

Disgraceful antics.
Gracious departure.
A first in Africa.
Good?

(...)
Since the attainment of our freedom in 1994, we have acted consistently to respect and defend the independence of the judiciary. For this reason our successive governments have honoured all judicial decisions, including those that went against the Executive. This did not mean that the Executive did not at times have strong views which we would have publicly pronounced upon. The central approach we adopted has always been to defend the judiciary rather than act in a manner that would have had a negative impact on its work.
Indeed, on the infrequent instances when we have publicly expressed views contrary to those of the judiciary, we have done so mindful of the need to protect its integrity. Consistent with this practice, I would like to restate the position of Cabinet on the inferences made by the Honourable Judge Chris Nicholson that the President and Cabinet have interfered in the work the National Prosecuting Authority (NPA). Again I would like to state this categorically that we have never done this, and therefore never compromised the right of the National Prosecuting Authority to decide whom it wished to prosecute or not to prosecute. This applies equally to the painful matter relating to the court proceedings against the President of the ANC, Comrade Jacob Zuma.
More generally, I would like to assure the nation that our successive governments since 1994 have never acted in any manner intended wilfully to violate the Constitution and the law. We have always sought to respect the solemn Oath of Office each one of us made in front of the Chief Justice and other judges, and have always been conscious of the fact that the legal order that governs our country was achieved through the sacrifices made by countless numbers of our people, which included death.
In this context it is most unfortunate that gratuitous suggestions have been made seeking to impugn the integrity of those of us who have been privileged to serve in our country’s National Executive.
(...)
Disgraceful antics.
Gracious departure.
A first in Africa.
Good?

(...)
Since the attainment of our freedom in 1994, we have acted consistently to respect and defend the independence of the judiciary. For this reason our successive governments have honoured all judicial decisions, including those that went against the Executive. This did not mean that the Executive did not at times have strong views which we would have publicly pronounced upon. The central approach we adopted has always been to defend the judiciary rather than act in a manner that would have had a negative impact on its work.
Indeed, on the infrequent instances when we have publicly expressed views contrary to those of the judiciary, we have done so mindful of the need to protect its integrity. Consistent with this practice, I would like to restate the position of Cabinet on the inferences made by the Honourable Judge Chris Nicholson that the President and Cabinet have interfered in the work the National Prosecuting Authority (NPA). Again I would like to state this categorically that we have never done this, and therefore never compromised the right of the National Prosecuting Authority to decide whom it wished to prosecute or not to prosecute. This applies equally to the painful matter relating to the court proceedings against the President of the ANC, Comrade Jacob Zuma.
More generally, I would like to assure the nation that our successive governments since 1994 have never acted in any manner intended wilfully to violate the Constitution and the law. We have always sought to respect the solemn Oath of Office each one of us made in front of the Chief Justice and other judges, and have always been conscious of the fact that the legal order that governs our country was achieved through the sacrifices made by countless numbers of our people, which included death.
In this context it is most unfortunate that gratuitous suggestions have been made seeking to impugn the integrity of those of us who have been privileged to serve in our country’s National Executive.
(...)

BE MY GUEST! (V. BILL - Part 3)

One African-American, 4 Acres and a Mule

6. How do you think each American Presidential candidate, Barack Obama and John McCain, would impact America's relationship with Africa if elected?

You know, when I first saw this question I thought it would be difficult to answer because I have heard precious little in this campaign from either John McCain or Barack Obama about how they view America’s foreign policy toward Africa. But after taking some time to do a bit of careful research on the subject I’ve come across some very interesting factual information on the subject.

One thing that should be noted is that this U.S. election campaign may be one of the most closely watched political events in human history. As I explained in a previous post about Senator Barack Obama’s July visit to Germany the overseas interest and excitement about this campaign is phenomenal. It is bigger than anything that has come out of American political life for decades and the outcome of this presidential election is important not only for U.S. voters but for citizens around the globe.

It’s hard for Americans living abroad to explain the dirty politics and negative personal attacks that have emerged in this campaign. The level of ‘political attack ads’ are shocking not only for Americans and veteran U.S. political journalists but also for many foreign observers following this election. Darrell M. West of the Brookings Institution describes this aggressive behavior as an all-time low in U.S. political campaign history. If patriotic Americans are truly sincere about improving the country’s standing and image abroad then the Republicans and Democrats need to rein in this toxic behavior at all levels of their respective campaigns. The presidential candidates need to get back to discussing real issues and offering solutions for the mounting problems that we all are facing. The upcoming presidential debate on September 26 would be a good place to start.

The global phenomenon surrounding the Obama campaign for President is a ‘once-in-a-lifetime’ experience and I shall not forget it as long as I live. This man’s candidacy has inspired people from all walks of life and has instilled a special feeling of pride and new hope for a better world in many people of every color, ethnicity, and nationality. It is a pity that the Republican presidential candidate Senator John McCain, an accomplished and distinguished U.S. politician, has not been able to arouse a similar level of excitement and interests in these elections outside of the United States.

I have been approached countless times by people in Germany who want to eagerly discuss the 2008 U.S. election campaign and the historic candidacy of Senator Barack Obama. They want to talk about everything from race relations in the U.S. to how national politics really works in America. This election campaign is especially exciting for my African friends and other people of color in Europe who seem to have adopted Obama’s run for President as if he were the leader of their own respective countries. Obama’s candidacy represents a powerful and symbolic break with these people’s own colonial past and collective dreams for the future. My experiences are something special and I think that we as Americans cannot afford to ignore this important message from so many people from every corner of the world. As reported in several newspapers and TV news networks Europe’s fascination with Senator Obama is unusually high. Germany’s Der Spiegel magazine conducted a reader poll that showed an overwhelming amount of support for Barack Obama over John McCain by a whopping margin of 83%. Newsweek’s new sister publication The Root.com has a related article on Obama’s global appeal titled ‘The World in His Hands’ that is also worth reading as it echoes what we already know here in Europe.

I try to caution people (especially young African men) not to be overly confident about Senator Obama easily winning this election in America but I get the feeling that many people are simply not listening. I enjoy explaining to them how U.S. politics works and the importance of this historical presidential election. Their interest has remained keen over the many months of campaigning and news coverage by CNN and BBC News and our conversations about politics in America and in Africa are lively and informative. My hope is that my young friends and acquaintances will take something from this experience with them back to their own home countries in Africa. That some of these young Africans will become active in the politics of their country and work hard to bring the benefits of a true democracy to their people. I expect to see their names in Africa’s good news headlines someday.

So as far as the presidential candidate Barack Obama impacting the U.S.A.’s relationship with Africa and Africans, he has already done it and he has done it in a very big way. Just the manner in which he has handled himself so far in this very challenging political campaign has inspired many African people for generations to come. If it were left up to the world to choose the next U.S. president, the 2008 race for the White House would already be over. The November polls in the United States would simply be a formality in keeping with our constitution.

I think that good people around the world are desperately trying to send a strong message to Americans, pleading with us to make informed and intelligent decisions about our leaders in the 2008 U.S. presidential election. They are trying to tell us that the person who sits in the Oval Office of the White House come January 21, 2009 is damn important for their lives and future too. These are voices that we must not ignore as American voters, no matter which political party we adhere to, we dare not ignore the pleas and hopes and dreams of our friends and allies around the world. So for the remaining few weeks leading up to the U.S. general election on November 4, 2008 I hope that my fellow Americans behave in a manner that is becoming of a great nation and a great people. It would go a long way in helping to restore the world’s confidence in America and it might help many of us to restore confidence in ourselves.

[Keep reading here]


One African-American, 4 Acres and a Mule

6. How do you think each American Presidential candidate, Barack Obama and John McCain, would impact America's relationship with Africa if elected?

You know, when I first saw this question I thought it would be difficult to answer because I have heard precious little in this campaign from either John McCain or Barack Obama about how they view America’s foreign policy toward Africa. But after taking some time to do a bit of careful research on the subject I’ve come across some very interesting factual information on the subject.

One thing that should be noted is that this U.S. election campaign may be one of the most closely watched political events in human history. As I explained in a previous post about Senator Barack Obama’s July visit to Germany the overseas interest and excitement about this campaign is phenomenal. It is bigger than anything that has come out of American political life for decades and the outcome of this presidential election is important not only for U.S. voters but for citizens around the globe.

It’s hard for Americans living abroad to explain the dirty politics and negative personal attacks that have emerged in this campaign. The level of ‘political attack ads’ are shocking not only for Americans and veteran U.S. political journalists but also for many foreign observers following this election. Darrell M. West of the Brookings Institution describes this aggressive behavior as an all-time low in U.S. political campaign history. If patriotic Americans are truly sincere about improving the country’s standing and image abroad then the Republicans and Democrats need to rein in this toxic behavior at all levels of their respective campaigns. The presidential candidates need to get back to discussing real issues and offering solutions for the mounting problems that we all are facing. The upcoming presidential debate on September 26 would be a good place to start.

The global phenomenon surrounding the Obama campaign for President is a ‘once-in-a-lifetime’ experience and I shall not forget it as long as I live. This man’s candidacy has inspired people from all walks of life and has instilled a special feeling of pride and new hope for a better world in many people of every color, ethnicity, and nationality. It is a pity that the Republican presidential candidate Senator John McCain, an accomplished and distinguished U.S. politician, has not been able to arouse a similar level of excitement and interests in these elections outside of the United States.

I have been approached countless times by people in Germany who want to eagerly discuss the 2008 U.S. election campaign and the historic candidacy of Senator Barack Obama. They want to talk about everything from race relations in the U.S. to how national politics really works in America. This election campaign is especially exciting for my African friends and other people of color in Europe who seem to have adopted Obama’s run for President as if he were the leader of their own respective countries. Obama’s candidacy represents a powerful and symbolic break with these people’s own colonial past and collective dreams for the future. My experiences are something special and I think that we as Americans cannot afford to ignore this important message from so many people from every corner of the world. As reported in several newspapers and TV news networks Europe’s fascination with Senator Obama is unusually high. Germany’s Der Spiegel magazine conducted a reader poll that showed an overwhelming amount of support for Barack Obama over John McCain by a whopping margin of 83%. Newsweek’s new sister publication The Root.com has a related article on Obama’s global appeal titled ‘The World in His Hands’ that is also worth reading as it echoes what we already know here in Europe.

I try to caution people (especially young African men) not to be overly confident about Senator Obama easily winning this election in America but I get the feeling that many people are simply not listening. I enjoy explaining to them how U.S. politics works and the importance of this historical presidential election. Their interest has remained keen over the many months of campaigning and news coverage by CNN and BBC News and our conversations about politics in America and in Africa are lively and informative. My hope is that my young friends and acquaintances will take something from this experience with them back to their own home countries in Africa. That some of these young Africans will become active in the politics of their country and work hard to bring the benefits of a true democracy to their people. I expect to see their names in Africa’s good news headlines someday.

So as far as the presidential candidate Barack Obama impacting the U.S.A.’s relationship with Africa and Africans, he has already done it and he has done it in a very big way. Just the manner in which he has handled himself so far in this very challenging political campaign has inspired many African people for generations to come. If it were left up to the world to choose the next U.S. president, the 2008 race for the White House would already be over. The November polls in the United States would simply be a formality in keeping with our constitution.

I think that good people around the world are desperately trying to send a strong message to Americans, pleading with us to make informed and intelligent decisions about our leaders in the 2008 U.S. presidential election. They are trying to tell us that the person who sits in the Oval Office of the White House come January 21, 2009 is damn important for their lives and future too. These are voices that we must not ignore as American voters, no matter which political party we adhere to, we dare not ignore the pleas and hopes and dreams of our friends and allies around the world. So for the remaining few weeks leading up to the U.S. general election on November 4, 2008 I hope that my fellow Americans behave in a manner that is becoming of a great nation and a great people. It would go a long way in helping to restore the world’s confidence in America and it might help many of us to restore confidence in ourselves.

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Thursday, 18 September 2008

ECHOES FROM THE ANGOLAN PRESS (25)

Today’s Jornal de Angola publishes the final count of the election results, by province, announced yesterday by the National Electoral Commission (CNE), under the headline “MPLA’s qualified majority is a synonym of stability”.

The results, which still need to be confirmed by the Constitutional Court, are being contested, on different grounds, by the political parties UNITA and FpD. They give 81,64% of the votes to the MPLA (191 seats), 10.39% to UNITA (16), 3,17% to the PRS (8), 1,2% to the ND (2) and 1,11% to the FNLA (3). The full results can be checked here.

The Novo Jornal (NJ) published a special dossier on the elections, of which these are some highlights:

 The MPLA issued a declaration of victory in which it assures that will continue to respect the right to the difference and to promote the freedoms of expression and opinion. It also states that will welcome proposals aiming at improving the living conditions of the Angolan people and the launching of the country toward sustainable development, while expecting a constructive and responsible opposition;

 The future of Isaias Samakuva as the leader of UNITA might be discussed at a high level party meeting scheduled for next month;

 The blank votes, taken as “protest votes”, amounted to 3,26% of the total in this election translating into a third place in the overall results, after the votes for MPLA and UNITA;

 Benedito Manuel, campaign director of the PRS claims that “the international observers are conflating the maturity and goodwill of the Angolan people with transparency in the election.” He expressed his party’s concern with the international observers’ almost unanimity in calling the election “fair, free and transparent” because his party has been calling attention to some irregularities since the start of the campaign;

 Quintino de Moreira, the leader of the coalition Nova Democracia (ND), the star of this election by emerging in fourth place as a previously virtually unknown political force, explains the secrets of their success: “We worked with humility and took our electoral manifesto and programme to all Angolan citizens in cities, municipalities, communities and big or small villages, while getting in touch with the traditional authorities and community leaders. All this in conjunction with the good performance of our activists led to this result. (…) The ND is not a coalition of elites but of masses, and while many parties focused their campaign on the media airtime spots, we opted for the direct contact with the electors independently of their party allegiances.”

 The leader of the FNLA, traditionally the third major party in the country, but emerging in fifth place out of this election, attributes his party’s poor results to two main factors: the blockage of the party’s bank account by the government for the last 10 years and the sabotage of voting intentions on the party by Lucas Ngonda, the leader of a splitting faction of the FNLA barred from contesting the election by the Constitutional Court;

 Eight of the fourteen contestants in this election face extinction for not having achieved the minimum 0,5% of votes required by law to continue their activity as political parties, namely: FOFAC - Fórum Fraternal Coligação (0,18%); PPE – Plataforma Política Eleitoral (0,18%); PRD – Partido Renovador Democrático (0,21%); PAJOCA – Partido Aliança da Juventude, Operários e Camponeses de Angola (0.24%), PADEPA – Partido de Apoio Democrático e Progresso de Angola (0,26%); FpD – Frente para a Democracia (0,26%); AD – Angola Democrática – Coligação (0,30%); PLD – Partido Liberal Democrático (0,32%);

 Analia de Victoria Pereira, the only female party leader in the Angolan political spectrum, who run for the country’s Presidency in 1992, says that in spite of her party, the PLD, now facing extinction given its poor results in these legislatives, she still has hopes of running again in next year’s presidential elections;

 Filomeno Vieira Lopes, president of the FpD, another of the parties facing extinction, says that its militants might form a new party, adding that “Angola lost a great opportunity to overhaul the political system and the FpD in parliament would certainly make the difference”.

The paper also features an interview with an interesting figure of the contemporary Angolan political scene, economist Fatima Roque:

Roque could arguably be described as “a coveted war trophy between the MPLA and UNITA”: married to a prominent Portuguese banker and having been Savimbi’s economic adviser, she was expelled from UNITA in 1997 after losing his trust for, as she says, “having insisted on Savimbi taking the position of Angola’s Vice-President offered to him in the aftermath of the 1992 elections.” Then she was away from the political scene and the country until recently when she returned, by MPLA’s invitation, expressly to take a symbolic part in its electoral campaign, having appeared at its closing ceremony dressed in the party colours and wearing its symbols.

As expected, a number of analysts came to the fore to express their opinion on the election results:

Noelma d’Abreu, a psychologist, argues that the election results amount to an “Emotional Democracy”: “I’ve been questioning myself whether we can speak among us of a conscious and rational choice of our parliamentary representatives, or if such choice is still based on emotions or purely affective sentiments. With this, I don’t mean to say that affections are necessarily irrational, but that they generally imply a diminution of the judging capacity through reason and logic. After hearing a lady saying of the campaign “the people is tired of truths,… only wants promises”, adding that this phrase was running widely in the city, I’ve interpreted it as the reflection of a defense mechanism of denial of the reality which often happens in immature human beings or that have experienced great pain or suffering. (…) The election result puts us in face of a situation worth pondering about, (…) we might still be at an embryonic stage of this exercise of choice and because of that we might be voting solely on the basis of primary survival instincts and the concretisation of desires that simply reveal the affectivity of primary needs.”

Guilherme Santos, president of the Association for Rural Development and the Environment (ADRA), asserts that the “Massive vote on the MPLA reflects a lack of democratic maturity by Angolan electors”:

“I think that from the point of view of expectation, aspiration, interest and conscience of the need for Angolans to vote, to exercise their right to vote, yes we’ve grown, (…) but that doesn’t necessarily translate into maturity. If we talk of maturity we might incorporate various dimensions to it, namely the psychological, political or social. I don’t know if there is any people who is politically mature given that politics is a phenomenon in permanent change, but I believe that this widespread notion of maturity is not a reality, it’s a farce, it’s a trap.”

Other features:

In its economy pages, the NJ echoes an interview by Angolan Finance Minister, Jose’ Pedro de Morais, to the Portuguese Jornal de Negocios.

In spite of having been awarded at the beginning of this year the accolade of ‘Africa’s Best Finance Minister’ by the British magazine “The Banker”, Pedro de Morais is widely rumoured to be replaced in the new government to come out of these elections and says that his continuation in the role will depend on the MPLA.

“The programme that the MPLA presented to the elections was to continue the process of national reconstruction through a strong investment in the modernisation of infrastructures in order to leverage the non-oil economy. There is also a strong component, both in qualitative and quantitative terms, of the expenditure in social sectors, specially in health and education. The next four years will be of consolidation of this social policy,” he stated. As far as the economic forecasts are concerned, the minister predicts growth rates “of 20% in the non-oil sector and 12% in the oil sector, with a global growth rate of 16% for this year and of 15% for the next.”

He also spoke of the growing investment intentions in Angola by the Portuguese, who he says have a lower risk perception of the country than other European investors, particularly in sectors such as the civil construction and services, including the hospitality industry, where he believes “they will never have competitors from other countries.”

Pedro de Morais also tried to dispel the widespread perceptions of corruption in the country by international investors: “There are various kinds of that type of accusation. There are those which are profoundly imbued of a ideological character, because, some time ago, the MPLA professed a certain ideology and then changed course. Then there is another kind which relates to the lack of transparency in procedures and economic management. There we are perfectly at ease to be confronted with the best practices in the world. For instance, we have transparency rules which have been commended by all oil operators. We have significantly improved our fiscal execution procedures and have been praised by the IMF for that. Today the situation in Angola in terms of economic transparency is much better than it was four or five years ago.”

Still in the economy section, the news that Desiderio Costa, Angola’s Oil Minister, has been named president of the Organisation of Petroleum Exporting Countries (OPEC) for 2009:

Since the start of this year, Angola, currently the biggest Sub-Saharan Africa oil producer, has been subjected by OPEC to a daily production quota of 1,9 million barrels. The Angolan oil production increased by 18% last year to an average 1,61 million barrels a day, according to the International Energy Agency. The country is the source of 5% of US oil imports and during the first quarter of this year was the first supplier to China, having surpassed Saudi Arabia in that position, due to a 55%increase of its exports to that country.

And finally…

[Cartoon: Lito Silva, Semanario Angolense]

Today’s Jornal de Angola publishes the final count of the election results, by province, announced yesterday by the National Electoral Commission (CNE), under the headline “MPLA’s qualified majority is a synonym of stability”.

The results, which still need to be confirmed by the Constitutional Court, are being contested, on different grounds, by the political parties UNITA and FpD. They give 81,64% of the votes to the MPLA (191 seats), 10.39% to UNITA (16), 3,17% to the PRS (8), 1,2% to the ND (2) and 1,11% to the FNLA (3). The full results can be checked here.

The Novo Jornal (NJ) published a special dossier on the elections, of which these are some highlights:

 The MPLA issued a declaration of victory in which it assures that will continue to respect the right to the difference and to promote the freedoms of expression and opinion. It also states that will welcome proposals aiming at improving the living conditions of the Angolan people and the launching of the country toward sustainable development, while expecting a constructive and responsible opposition;

 The future of Isaias Samakuva as the leader of UNITA might be discussed at a high level party meeting scheduled for next month;

 The blank votes, taken as “protest votes”, amounted to 3,26% of the total in this election translating into a third place in the overall results, after the votes for MPLA and UNITA;

 Benedito Manuel, campaign director of the PRS claims that “the international observers are conflating the maturity and goodwill of the Angolan people with transparency in the election.” He expressed his party’s concern with the international observers’ almost unanimity in calling the election “fair, free and transparent” because his party has been calling attention to some irregularities since the start of the campaign;

 Quintino de Moreira, the leader of the coalition Nova Democracia (ND), the star of this election by emerging in fourth place as a previously virtually unknown political force, explains the secrets of their success: “We worked with humility and took our electoral manifesto and programme to all Angolan citizens in cities, municipalities, communities and big or small villages, while getting in touch with the traditional authorities and community leaders. All this in conjunction with the good performance of our activists led to this result. (…) The ND is not a coalition of elites but of masses, and while many parties focused their campaign on the media airtime spots, we opted for the direct contact with the electors independently of their party allegiances.”

 The leader of the FNLA, traditionally the third major party in the country, but emerging in fifth place out of this election, attributes his party’s poor results to two main factors: the blockage of the party’s bank account by the government for the last 10 years and the sabotage of voting intentions on the party by Lucas Ngonda, the leader of a splitting faction of the FNLA barred from contesting the election by the Constitutional Court;

 Eight of the fourteen contestants in this election face extinction for not having achieved the minimum 0,5% of votes required by law to continue their activity as political parties, namely: FOFAC - Fórum Fraternal Coligação (0,18%); PPE – Plataforma Política Eleitoral (0,18%); PRD – Partido Renovador Democrático (0,21%); PAJOCA – Partido Aliança da Juventude, Operários e Camponeses de Angola (0.24%), PADEPA – Partido de Apoio Democrático e Progresso de Angola (0,26%); FpD – Frente para a Democracia (0,26%); AD – Angola Democrática – Coligação (0,30%); PLD – Partido Liberal Democrático (0,32%);

 Analia de Victoria Pereira, the only female party leader in the Angolan political spectrum, who run for the country’s Presidency in 1992, says that in spite of her party, the PLD, now facing extinction given its poor results in these legislatives, she still has hopes of running again in next year’s presidential elections;

 Filomeno Vieira Lopes, president of the FpD, another of the parties facing extinction, says that its militants might form a new party, adding that “Angola lost a great opportunity to overhaul the political system and the FpD in parliament would certainly make the difference”.

The paper also features an interview with an interesting figure of the contemporary Angolan political scene, economist Fatima Roque:

Roque could arguably be described as “a coveted war trophy between the MPLA and UNITA”: married to a prominent Portuguese banker and having been Savimbi’s economic adviser, she was expelled from UNITA in 1997 after losing his trust for, as she says, “having insisted on Savimbi taking the position of Angola’s Vice-President offered to him in the aftermath of the 1992 elections.” Then she was away from the political scene and the country until recently when she returned, by MPLA’s invitation, expressly to take a symbolic part in its electoral campaign, having appeared at its closing ceremony dressed in the party colours and wearing its symbols.

As expected, a number of analysts came to the fore to express their opinion on the election results:

Noelma d’Abreu, a psychologist, argues that the election results amount to an “Emotional Democracy”: “I’ve been questioning myself whether we can speak among us of a conscious and rational choice of our parliamentary representatives, or if such choice is still based on emotions or purely affective sentiments. With this, I don’t mean to say that affections are necessarily irrational, but that they generally imply a diminution of the judging capacity through reason and logic. After hearing a lady saying of the campaign “the people is tired of truths,… only wants promises”, adding that this phrase was running widely in the city, I’ve interpreted it as the reflection of a defense mechanism of denial of the reality which often happens in immature human beings or that have experienced great pain or suffering. (…) The election result puts us in face of a situation worth pondering about, (…) we might still be at an embryonic stage of this exercise of choice and because of that we might be voting solely on the basis of primary survival instincts and the concretisation of desires that simply reveal the affectivity of primary needs.”

Guilherme Santos, president of the Association for Rural Development and the Environment (ADRA), asserts that the “Massive vote on the MPLA reflects a lack of democratic maturity by Angolan electors”:

“I think that from the point of view of expectation, aspiration, interest and conscience of the need for Angolans to vote, to exercise their right to vote, yes we’ve grown, (…) but that doesn’t necessarily translate into maturity. If we talk of maturity we might incorporate various dimensions to it, namely the psychological, political or social. I don’t know if there is any people who is politically mature given that politics is a phenomenon in permanent change, but I believe that this widespread notion of maturity is not a reality, it’s a farce, it’s a trap.”

Other features:

In its economy pages, the NJ echoes an interview by Angolan Finance Minister, Jose’ Pedro de Morais, to the Portuguese Jornal de Negocios.

In spite of having been awarded at the beginning of this year the accolade of ‘Africa’s Best Finance Minister’ by the British magazine “The Banker”, Pedro de Morais is widely rumoured to be replaced in the new government to come out of these elections and says that his continuation in the role will depend on the MPLA.

“The programme that the MPLA presented to the elections was to continue the process of national reconstruction through a strong investment in the modernisation of infrastructures in order to leverage the non-oil economy. There is also a strong component, both in qualitative and quantitative terms, of the expenditure in social sectors, specially in health and education. The next four years will be of consolidation of this social policy,” he stated. As far as the economic forecasts are concerned, the minister predicts growth rates “of 20% in the non-oil sector and 12% in the oil sector, with a global growth rate of 16% for this year and of 15% for the next.”

He also spoke of the growing investment intentions in Angola by the Portuguese, who he says have a lower risk perception of the country than other European investors, particularly in sectors such as the civil construction and services, including the hospitality industry, where he believes “they will never have competitors from other countries.”

Pedro de Morais also tried to dispel the widespread perceptions of corruption in the country by international investors: “There are various kinds of that type of accusation. There are those which are profoundly imbued of a ideological character, because, some time ago, the MPLA professed a certain ideology and then changed course. Then there is another kind which relates to the lack of transparency in procedures and economic management. There we are perfectly at ease to be confronted with the best practices in the world. For instance, we have transparency rules which have been commended by all oil operators. We have significantly improved our fiscal execution procedures and have been praised by the IMF for that. Today the situation in Angola in terms of economic transparency is much better than it was four or five years ago.”

Still in the economy section, the news that Desiderio Costa, Angola’s Oil Minister, has been named president of the Organisation of Petroleum Exporting Countries (OPEC) for 2009:

Since the start of this year, Angola, currently the biggest Sub-Saharan Africa oil producer, has been subjected by OPEC to a daily production quota of 1,9 million barrels. The Angolan oil production increased by 18% last year to an average 1,61 million barrels a day, according to the International Energy Agency. The country is the source of 5% of US oil imports and during the first quarter of this year was the first supplier to China, having surpassed Saudi Arabia in that position, due to a 55%increase of its exports to that country.

And finally…

[Cartoon: Lito Silva, Semanario Angolense]

Wednesday, 17 September 2008

ANGOLA ELECTIONS: A HUMAN RIGHTS WATCH REPORT

Angola: Irregularities Marred Historic Elections

No Independent Oversight, Media Bias

( New York , September 15, 2008) – Angola ’s parliamentary elections on September 5, 2008, reportedly won by the ruling MPLA party, were marred by numerous irregularities, Human Rights Watch said today. Preliminary results indicate that the MPLA won more than 80 percent of the vote, the first held in Angola since 1992.
Key problems identified by Human Rights Watch include obstruction by the National Electoral Commission (CNE) of accreditation for national electoral observers, its failure to respond to media bias in favor of the ruling party, and severe delays by the Angolan government in providing funds to opposition parties. The evidence obtained by Human Rights Watch on these three key issues – observers, media bias, and state funding – suggests the polls did not meet the Southern African Development Community (SADC) Principles and Guidelines Governing Democratic Elections in key areas.
“With presidential elections due in 2009, Angola needs to reform the electoral commission so it isn’t dominated by the ruling party and can respond effectively to election problems,” said Georgette Gagnon , Africa director at Human Rights Watch. “If the electoral commission isn’t reformed, there’s a risk that Angolans and international partners could lose confidence in the country’s fledgling democratic process.”

[Keep reading here]


Angola: Irregularidades Mancham Eleições Históricas

Falta de Monitoria Independente, Parcialidade dos Órgãos de Comunicação Social

(Nova Iorque, 15 de Setembro de 2008) – As eleições legislativas de 5 de Setembro de 2008, cuja vitória é atribuída ao MPLA, partido no poder, foram realizadas sob numerosas irregularidades, disse hoje a Human Rights Watch. Os resultados preliminares indicam que o MPLA venceu as eleições, as primeiras desde 1992, com mais de 80 por cento dos votos.
Os principais problemas identificados pela Human Rights Watch incluem a obstrução, pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), do credenciamento dos observadores nacionais; a sua falta de resposta à parcialidade dos órgãos de informação a favor do partido no poder; e, a longa demora, por parte do governo angolano, em conceder os financiamentos devidos aos partidos políticos da oposição. As provas obtidas pela Human Rights Watch, sobre esses três principais problemas – observadores, parcialidade dos mídia e financiamento por parte do Estado – sugerem que o pleito eleitoral não respeitou, em áreas fundamentais, os Princípios e Directrizes Reguladores de Eleições Democráticas da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).
“Com a realização das eleições presidenciais, previstas para 2009, Angola precisa de reformar a Comissão Nacional Eleitoral, de modo a que esta não seja dominada pelo partido no poder e possa efectivamente responder aos problemas eleitorais”, afirmou a directora para África da Human Rights Watch, Georgette Gagnon . “Caso a CNE não seja reformada, poderá acentuar-se o risco dos angolanos e dos parceiros internacionais perderem a confiança no incipiente processo democrático que o país experimenta”.

[Continue a ler aqui]

*****


As minhas observacoes a este Relatorio:

1. Parece-me, no minimo, estranho que tendo a SADC tido nestas eleicoes a sua propria missao de observadores e emitido a sua propria avaliacao do processo eleitoral (tendo-o considerado "pacifico, credivel e transparente") a HRW venha contradizer publicamente a avaliacao daquela organizacao regional apelando para as suas proprias ‘guidelines’.

2. Os Princípios e Directrizes Reguladores de Eleições Democráticas da SADC (de que aqui publico uma apresentacao por mim feita ha’ ja’ alguns anos) sao isso mesmo: principios e directrizes. Nao teem forca de lei, como teem outros instrumentos legais da SADC, e.g. os Protocolos, ainda que estejam integrados no enquadramento legal de alguns deles.

3. As denuncias e acusacoes, muitas das quais nao ja’ ineditas, feitas neste relatorio, deverao naturalmente ser investigadas e analisadas comparativamente com os relatorios de outros observadores internacionais, nomeadamente os da Uniao Europeia. Sao, em qualquer caso, preocupantes e poem seriamente em causa todo o processo eleitoral. Cabera’, em ultima instancia, as autoridades Angolanas sobre elas se pronunciarem.

4. Devo dizer que, perante este relatorio, mantenho tudo o que afirmei nos meus dois ultimos posts sobre os resultados eleitorais, isto e’, que eles revelam um voto de desconfianca na oposicao, mais do que um voto de confianca na situacao e que o povo e’ racional e soberano nas suas escolhas eleitorais. Faco-o porque tais afirmacoes resultam nao exclusivamente do que se tera’ passado durante o processo eleitoral, mas duma observacao continua ao longo dos ultimos dezasseis anos da prestacao quer do partido no poder, quer da oposicao. A este proposito, nao sera’ inteiramente por acaso que o Parlamento Angolano tem sido popularmente cognominado como “para-lamento”. Elas resultam tambem de varias analises da campanha eleitoral por jornalistas e analistas independentes Angolanos, algumas das quais aqui publiquei na serie “Ecos da Imprensa Angolana”, com destaque para um artigo de Mario Paiva entitulado "Esperancas Idosas ou Mudancas Vulgares" aqui incluido, e de outros relatos e observacoes que fui recebendo antes e durante a campanha de familiares e amigos residentes em Angola, dos quais destaco a frase que tenho neste momento aqui no blog como “quote of the moment”: "Chegamos à triste conclusão que não temos mesmo oposição e que, como se diz aqui “antigamente Partido ùnico, agora… Único partido”!" Esse comentario foi-me enviado bastante antes do dia das eleicoes por alguem de cuja imparcialidade e integridade analitica nao tenho quaisquer razoes para duvidar.

5. Em suma, e’ minha conviccao que os resultados eleitorais nao sao determinados apenas durante a campanha eleitoral ou no dia das eleicoes, eles sao determinados ao longo de anos pelos eleitores que acumulam as experiencias de vida que acabam por ditar as suas decisoes de voto, por muito que, infelizmente, o processo eleitoral nao decorra de forma tao transparente quanto todos desejariamos, a bem dos proprios eleitores, ou seja, do Povo e da Nacao.
Angola: Irregularities Marred Historic Elections

No Independent Oversight, Media Bias

( New York , September 15, 2008) – Angola ’s parliamentary elections on September 5, 2008, reportedly won by the ruling MPLA party, were marred by numerous irregularities, Human Rights Watch said today. Preliminary results indicate that the MPLA won more than 80 percent of the vote, the first held in Angola since 1992.
Key problems identified by Human Rights Watch include obstruction by the National Electoral Commission (CNE) of accreditation for national electoral observers, its failure to respond to media bias in favor of the ruling party, and severe delays by the Angolan government in providing funds to opposition parties. The evidence obtained by Human Rights Watch on these three key issues – observers, media bias, and state funding – suggests the polls did not meet the Southern African Development Community (SADC) Principles and Guidelines Governing Democratic Elections in key areas.
“With presidential elections due in 2009, Angola needs to reform the electoral commission so it isn’t dominated by the ruling party and can respond effectively to election problems,” said Georgette Gagnon , Africa director at Human Rights Watch. “If the electoral commission isn’t reformed, there’s a risk that Angolans and international partners could lose confidence in the country’s fledgling democratic process.”


Angola: Irregularidades Mancham Eleições Históricas

Falta de Monitoria Independente, Parcialidade dos Órgãos de Comunicação Social

(Nova Iorque, 15 de Setembro de 2008) – As eleições legislativas de 5 de Setembro de 2008, cuja vitória é atribuída ao MPLA, partido no poder, foram realizadas sob numerosas irregularidades, disse hoje a Human Rights Watch. Os resultados preliminares indicam que o MPLA venceu as eleições, as primeiras desde 1992, com mais de 80 por cento dos votos.
Os principais problemas identificados pela Human Rights Watch incluem a obstrução, pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), do credenciamento dos observadores nacionais; a sua falta de resposta à parcialidade dos órgãos de informação a favor do partido no poder; e, a longa demora, por parte do governo angolano, em conceder os financiamentos devidos aos partidos políticos da oposição. As provas obtidas pela Human Rights Watch, sobre esses três principais problemas – observadores, parcialidade dos mídia e financiamento por parte do Estado – sugerem que o pleito eleitoral não respeitou, em áreas fundamentais, os Princípios e Directrizes Reguladores de Eleições Democráticas da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).
“Com a realização das eleições presidenciais, previstas para 2009, Angola precisa de reformar a Comissão Nacional Eleitoral, de modo a que esta não seja dominada pelo partido no poder e possa efectivamente responder aos problemas eleitorais”, afirmou a directora para África da Human Rights Watch, Georgette Gagnon . “Caso a CNE não seja reformada, poderá acentuar-se o risco dos angolanos e dos parceiros internacionais perderem a confiança no incipiente processo democrático que o país experimenta”.

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As minhas observacoes a este Relatorio:

1. Parece-me, no minimo, estranho que tendo a SADC tido nestas eleicoes a sua propria missao de observadores e emitido a sua propria avaliacao do processo eleitoral (tendo-o considerado "pacifico, credivel e transparente") a HRW venha contradizer publicamente a avaliacao daquela organizacao regional apelando para as suas proprias ‘guidelines’.

2. Os Princípios e Directrizes Reguladores de Eleições Democráticas da SADC (de que aqui publico uma apresentacao por mim feita ha’ ja’ alguns anos) sao isso mesmo: principios e directrizes. Nao teem forca de lei, como teem outros instrumentos legais da SADC, e.g. os Protocolos, ainda que estejam integrados no enquadramento legal de alguns deles.

3. As denuncias e acusacoes, muitas das quais nao ja’ ineditas, feitas neste relatorio, deverao naturalmente ser investigadas e analisadas comparativamente com os relatorios de outros observadores internacionais, nomeadamente os da Uniao Europeia. Sao, em qualquer caso, preocupantes e poem seriamente em causa todo o processo eleitoral. Cabera’, em ultima instancia, as autoridades Angolanas sobre elas se pronunciarem.

4. Devo dizer que, perante este relatorio, mantenho tudo o que afirmei nos meus dois ultimos posts sobre os resultados eleitorais, isto e’, que eles revelam um voto de desconfianca na oposicao, mais do que um voto de confianca na situacao e que o povo e’ racional e soberano nas suas escolhas eleitorais. Faco-o porque tais afirmacoes resultam nao exclusivamente do que se tera’ passado durante o processo eleitoral, mas duma observacao continua ao longo dos ultimos dezasseis anos da prestacao quer do partido no poder, quer da oposicao. A este proposito, nao sera’ inteiramente por acaso que o Parlamento Angolano tem sido popularmente cognominado como “para-lamento”. Elas resultam tambem de varias analises da campanha eleitoral por jornalistas e analistas independentes Angolanos, algumas das quais aqui publiquei na serie “Ecos da Imprensa Angolana”, com destaque para um artigo de Mario Paiva entitulado "Esperancas Idosas ou Mudancas Vulgares" aqui incluido, e de outros relatos e observacoes que fui recebendo antes e durante a campanha de familiares e amigos residentes em Angola, dos quais destaco a frase que tenho neste momento aqui no blog como “quote of the moment”: "Chegamos à triste conclusão que não temos mesmo oposição e que, como se diz aqui “antigamente Partido ùnico, agora… Único partido”!" Esse comentario foi-me enviado bastante antes do dia das eleicoes por alguem de cuja imparcialidade e integridade analitica nao tenho quaisquer razoes para duvidar.

5. Em suma, e’ minha conviccao que os resultados eleitorais nao sao determinados apenas durante a campanha eleitoral ou no dia das eleicoes, eles sao determinados ao longo de anos pelos eleitores que acumulam as experiencias de vida que acabam por ditar as suas decisoes de voto, por muito que, infelizmente, o processo eleitoral nao decorra de forma tao transparente quanto todos desejariamos, a bem dos proprios eleitores, ou seja, do Povo e da Nacao.

Tuesday, 16 September 2008

O POVO E’ RACIONAL…

...E SOBERANO!

1. A medida que vou percorrendo as colunas dos semanarios Luandenses neste rescaldo das eleicoes legislativas, comeca a ser perturbador o numero de vozes, ainda que minoritarias, que atribuem os seus resultados a um “voto emocional” ou a um “eleitorado imaturo para a democracia”… Nao se darao conta, tais vozes, do quanto elas proprias revelam emotividade e imaturidade politico-democratica nos seus pronunciamentos?

2. Sejamos claros: a democracia e’ isso mesmo – a expressao da vontade popular atraves do voto. Se o partido que recebeu maioritariamente tal voto vier a desrespeitar a vontade popular nele expressa, particularmente pelo nao cumprimento das promessas na base das quais o obteve, ou se as instituicoes supra-partidarias responsaveis por implementar a ordem politica e as politicas determinadas pela vontade popular expressa em tal voto nao o fizerem, ai sim, estar-se-ha perante um sistema democratico imaturo e irracional (e isto nao deixa de ser verdade apesar de toda a mitologia que tem os politicos como especialistas em fazer promessas que raramente cumprem). Quanto mais nao seja porque, findos os quatro anos da legislatura instituida por estas eleicoes, tal partido desrespeitador e instituicoes incumpridoras correm o risco de virem a ser penalizados pelo mesmo povo que agora neles votou. Tao simples quanto isso.

3. E esse talvez seja o unico elemento ‘simples’ do processo democratico. Porque tudo o resto, e em particular os julgamentos da capacidade do povo exercer o seu direito de voto e atraves dele expressar a sua vontade de forma lucida, responsavel e racional, e’ deveras complicado e, no limite, pode ate’ revelar-se um exercicio absurdo. Sim, e’ um absurdo considerar-se que a maioria de todo um povo, atraves de mais de 80% dos votos validos expressos, toma decisoes sobre a sua propria vida quotidiana e o seu proprio futuro apenas com base em emocoes. Mais do que isso: revela um profundo desprezo pelo povo e a mais basica falta de sentido democratico.

4. Efectivamente, apenas um certo raciocinio totalitario e’ capaz de concluir facilmente que se a maioria nao vota naquele(s) que se auto-considera(m) o(s) melhor(es) e’ porque e’ “irracional” ou “nao sabe o que e’ bom para si propria”… E quando as vozes que assim se expressam sao afectas a forcas politicas perdedoras nas urnas, entao elas tornam-se particularmente perturbadoras, porque demonstram que tais forcas nao so’ nao mereceram desta vez a maioria dos votos, como muito provavelmente tambem nao a merecerao no futuro, por nao terem sabido respeitar a vontade popular e, acima de tudo, por evidenciarem assim uma preocupante e imatura incapacidade de aprenderem com os seus proprios erros e de os corrigirem. Quando se diz, como numa dessas colunas, que “o povo esta’ cansado de verdades, so’ quer promessas”, quem e’ que se julga detentor de uma qualquer “verdade” em nome do povo? Quem e’ que se considera no direito de julgar o povo pelas promessas em que decide acreditar ou nao?

5. Muito se tem feito das irregularidades verificadas durante a campanha e durante o proprio acto eleitoral. Mas tudo parece indicar, quer pelas avaliacoes dos observadores nacionais e internacionais, quer pela aceitacao pela generalidade da oposicao dos resultados eleitorais, que tais irregularidades nao foram de monta suficiente para invalidarem ou descridibilizarem o processo eleitoral no seu todo. Muito se tem feito tambem da disparidade de meios materiais, financeiros e mediaticos entre o partido no poder e os partidos da oposicao. Eu propria a mencionei aqui como um factor importante na formacao das decisoes de voto. Mas tera’ ela sido determinante dessas decisoes a uma taxa superior a 80%, num pais com uma, embora ainda de circulacao restrita fora da capital, imprensa privada e tendencialmente independente, uma esclarecida e expressiva sociedade civil, uma cada vez maior expansao da internet e de redes televisivas internacionais e, nao menos importante, um fenomeno que em todas as sociedades se revela invariavelmente um poderosissimo formador de opiniao: um numero significativo de artistas populares, com destaque para musicos e poetas, difundindo ao longo dos anos por todo o pais mensagens de contestacao politica e reivindicacao social? Nao me parece.

6. E’ um facto inegavel que a educacao civica para o exercicio da democracia ainda e’ bastante precaria no nosso pais. O proprio conceito de democracia e’ ainda uma relativa novidade para a maioria dos cidadaos Angolanos e a sua pratica efectiva uma completa novidade para todo o pais. Mas o que as vozes criticas da capacidade de decisao do povo revelam e’ que nao e’ apenas o povo que ainda carece dessa educacao, mas todo o pais e particularmente os donos de tais vozes. Porque uma coisa e’ admitir-se, como o fiz aqui, que o grau de sofrimento, brutalizacao e traumatizacao a que grande parte do povo Angolano foi sujeito ao longo nao apenas das ultimas decadas, mas de seculos, teve impactos materiais, psicologicos e espirituais consideraveis nas suas vidas e tende a fazer aumentar a sua desconfianca em relacao a forcas politicas ainda nao testadas no exercicio governativo, outra coisa e’ considera-lo por isso incapaz de tomar, particularmente se atraves do voto individual e secreto, decisoes logicas e racionais (note-se que a logica e a razao nao sao atributos exclusivos da erudicao e do bem-estar, objectiva ou subjectivamente considerados).

7. Senao vejamos: e’ emocional e imaturo um povo que vem gerindo a sua vida e garantindo a sua sobrevivencia ao longo de decadas, sem qualquer rede de apoio social por parte do estado? Que produz uma das economias informais mais funcionais e eficientes do mundo? Que cria um mercado que, como o Roque Santeiro, apesar de tambem funcionar como um viveiro de marginalidade e insalubridade, no essencial consegue ser o principal, senao unico para a maioria da populacao da capital e nao so’, determinante dos sistemas de rendimentos e precos, incluindo das taxas de cambio, durante decadas? Que produz resilientes zungueiras, kinguilas, kandongueiros e roboteiros, em vez de simplesmente alimentar as estatisticas do desemprego e engrossar as esquinas e largos da mendicidade? Que tanto quanto ve as suas precarias habitacoes demolidas, se demonstra capaz de as reconstruir, e’ certo que na generalidade dos casos de forma anarquica, mas tambem de forma razoavelmente planificada e organizada? Sera’ crivel que tal povo, tendo obtido, depois de quase duas decadas sem essa possibilidade, a oportunidade de escolher quem julga capaz de lhe conceder e a quem julga dever exigir, sob pena de o penalizar nas urnas daqui a quatro anos, a tal rede social de apoio de que se viu privado ao longo das decadas em que esteve praticamente entregue a si proprio e aos seus proprios recursos para sobreviver, faca tal escolha irracionalmente? Nao creio.

8. E sejamos tambem claros em relacao a um ponto essencial: o que esta’ em jogo em quaisquer eleicoes gerais, em qualquer parte do mundo, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas e com elevada maturidade democratica, sao as necessidades basicas e primarias da maioria da populacao, isto e’, o emprego, a saude, a alimentacao, a habitacao, a educacao e a seguranca social. E’ tanto assim nas actuais eleicoes presidenciais Americanas (no caso destas, apesar da guerra no Iraque constituir um factor de decisao eleitoral de primeira ordem), como o foi nas recentes eleicoes gerais Zimbabweanas (no caso destas, apesar de questoes de ordem historica e racial constituirem tambem factores de decisao eleitoral de primeira ordem). E sao apenas os relativos deficits de satisfacao dessas necessidades basicas, consoante o nivel de desenvolvimento de cada sociedade, que determinam o seu peso relativo em relacao a questoes e necessidades de ordem mais secundaria, ou terciaria, nas decisoes de voto. [*]

9. Assim, quanto maiores forem as necessidades basicas numa determinada sociedade e quanto maiores forem os segmentos populacionais afectados por tais necessidades, maior sera’ a tendencia para uma convergencia das decisoes de voto em direccao a partidos que nao representem apenas, ou primordialmente, interesses e necessidades minoritarios, por mais legitimos que esses sejam. E nao ha’ nada de irracional nisso. Antes pelo contrario, o inverso se-lo-ia: nomeadamente se, em vez de decidir priorizar proactivamente a satisfacao das suas necessidades objectivas mais prementes, a maioria decidisse, como alguns parecem ter esperado, priorizar a penalizacao retroactiva dos detentores do poder pelos seus erros e falhas do passado, mesmo que as forcas politicas alternativas nao lhe oferecam grandes garantias de que nao iriam incorrer nos mesmos erros e falhas ou noutros piores ainda – isso sim, seria uma decisao emocional, imatura e irracional. Mais: nao e’ ao povo que cabe, em detrimento da sua propria vontade e das suas necessidades objectivas, assegurar atraves do voto a diversidade ou a alteridade do sistema politico. Em democracia, e’ aos partidos que cabe essa responsabilidade (ate' porque para isso sao pagos atraves do erario publico, isto e', com o dinheiro do povo) na exacta medida em que se saibam organizar, apresentar e projectar, madura, racional e logicamente, como merecedores do voto popular.

10. Em geito de conclusao, cito de uma das colunas que tenho vindo a comentar: “Depois de ter ouvido uma senhora expressar-se relativamente ao processo de campanha com a seguinte frase: "o povo está cansado de verdades,...só quer promessas". Acrescentando que este trocadilho estava a correr pela cidade, eu reflicto sobre ele aqui porque interpretei-o como um reflexo de um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento. A tendência a negar sensações dolorosas é tão antiga quanto o próprio sentimento de dor. Em psicologia dizemos que a capacidade de negar pares desagradáveis da realidade é a contrapartida da "realização alucinatória dos desejos", neste sentido, as promessas poderão ser interpretadas como sendo os desejos concretizados.”
Nao sera’ mais realista e factual o caso de algumas vozes afectas a partidos perdedores nestas eleicoes estarem agora, com o argumento da “imaturidade e emotividade dos eleitores”, a reflectir um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento? Nao estarao elas precisamente a manifestar uma tendencia a negar sensações dolorosas, nomeadamente a da derrota eleitoral? Nao estarao elas a revelar exactamente uma capacidade de negar pares desagradáveis da realidade, nomeadamente a perspectiva de extincao de alguns desses partidos devido aos seus resultados eleitorais quase nulos, em grande medida por alguns deles se terem sobrevalorizado a si proprios e subestimado outros e a dada altura terem tomado a sua propria auto-avaliacao como sendo os seus desejos concretizados, sendo por isso a sua reaccao a realidade dos resultados eleitorais efectivos a contrapartida da realização alucinatória dos seus desejos?
Sejamos, pois, todos tao maduros e racionais como o povo sempre soube ser: respeite-mo-lo e as suas decisoes, por muito que elas desagradem a uns ou a outros, porque ele e’ o unico soberano em democracia!



[*] P.S.: Veja-se o que afirmou Barack Obama, mais de um ano depois destas consideracoes terem sido aqui tecidas, a este proposito:

In the last several election cycles, there has been a much stronger tendency for women to vote around bread and butter issues. It has to do with the fact that they're the ones balancing the budgets and trying to figure out how to make enough money - keep food on the table. One of the things that Michelle and I always talk about is that I have no idea how to buy clothes for my girls. I don't know what they cost. And that's probably not untypical. So that's something that Michelle has to think about and budget for. What that means, then, is that the issues of the economy are ones that women are going to particularly feel and be concerned about.

[Referencia daqui]

...E SOBERANO!

1. A medida que vou percorrendo as colunas dos semanarios Luandenses neste rescaldo das eleicoes legislativas, comeca a ser perturbador o numero de vozes, ainda que minoritarias, que atribuem os seus resultados a um “voto emocional” ou a um “eleitorado imaturo para a democracia”… Nao se darao conta, tais vozes, do quanto elas proprias revelam emotividade e imaturidade politico-democratica nos seus pronunciamentos?

2. Sejamos claros: a democracia e’ isso mesmo – a expressao da vontade popular atraves do voto. Se o partido que recebeu maioritariamente tal voto vier a desrespeitar a vontade popular nele expressa, particularmente pelo nao cumprimento das promessas na base das quais o obteve, ou se as instituicoes supra-partidarias responsaveis por implementar a ordem politica e as politicas determinadas pela vontade popular expressa em tal voto nao o fizerem, ai sim, estar-se-ha perante um sistema democratico imaturo e irracional (e isto nao deixa de ser verdade apesar de toda a mitologia que tem os politicos como especialistas em fazer promessas que raramente cumprem). Quanto mais nao seja porque, findos os quatro anos da legislatura instituida por estas eleicoes, tal partido desrespeitador e instituicoes incumpridoras correm o risco de virem a ser penalizados pelo mesmo povo que agora neles votou. Tao simples quanto isso.

3. E esse talvez seja o unico elemento ‘simples’ do processo democratico. Porque tudo o resto, e em particular os julgamentos da capacidade do povo exercer o seu direito de voto e atraves dele expressar a sua vontade de forma lucida, responsavel e racional, e’ deveras complicado e, no limite, pode ate’ revelar-se um exercicio absurdo. Sim, e’ um absurdo considerar-se que a maioria de todo um povo, atraves de mais de 80% dos votos validos expressos, toma decisoes sobre a sua propria vida quotidiana e o seu proprio futuro apenas com base em emocoes. Mais do que isso: revela um profundo desprezo pelo povo e a mais basica falta de sentido democratico.

4. Efectivamente, apenas um certo raciocinio totalitario e’ capaz de concluir facilmente que se a maioria nao vota naquele(s) que se auto-considera(m) o(s) melhor(es) e’ porque e’ “irracional” ou “nao sabe o que e’ bom para si propria”… E quando as vozes que assim se expressam sao afectas a forcas politicas perdedoras nas urnas, entao elas tornam-se particularmente perturbadoras, porque demonstram que tais forcas nao so’ nao mereceram desta vez a maioria dos votos, como muito provavelmente tambem nao a merecerao no futuro, por nao terem sabido respeitar a vontade popular e, acima de tudo, por evidenciarem assim uma preocupante e imatura incapacidade de aprenderem com os seus proprios erros e de os corrigirem. Quando se diz, como numa dessas colunas, que “o povo esta’ cansado de verdades, so’ quer promessas”, quem e’ que se julga detentor de uma qualquer “verdade” em nome do povo? Quem e’ que se considera no direito de julgar o povo pelas promessas em que decide acreditar ou nao?

5. Muito se tem feito das irregularidades verificadas durante a campanha e durante o proprio acto eleitoral. Mas tudo parece indicar, quer pelas avaliacoes dos observadores nacionais e internacionais, quer pela aceitacao pela generalidade da oposicao dos resultados eleitorais, que tais irregularidades nao foram de monta suficiente para invalidarem ou descridibilizarem o processo eleitoral no seu todo. Muito se tem feito tambem da disparidade de meios materiais, financeiros e mediaticos entre o partido no poder e os partidos da oposicao. Eu propria a mencionei aqui como um factor importante na formacao das decisoes de voto. Mas tera’ ela sido determinante dessas decisoes a uma taxa superior a 80%, num pais com uma, embora ainda de circulacao restrita fora da capital, imprensa privada e tendencialmente independente, uma esclarecida e expressiva sociedade civil, uma cada vez maior expansao da internet e de redes televisivas internacionais e, nao menos importante, um fenomeno que em todas as sociedades se revela invariavelmente um poderosissimo formador de opiniao: um numero significativo de artistas populares, com destaque para musicos e poetas, difundindo ao longo dos anos por todo o pais mensagens de contestacao politica e reivindicacao social? Nao me parece.

6. E’ um facto inegavel que a educacao civica para o exercicio da democracia ainda e’ bastante precaria no nosso pais. O proprio conceito de democracia e’ ainda uma relativa novidade para a maioria dos cidadaos Angolanos e a sua pratica efectiva uma completa novidade para todo o pais. Mas o que as vozes criticas da capacidade de decisao do povo revelam e’ que nao e’ apenas o povo que ainda carece dessa educacao, mas todo o pais e particularmente os donos de tais vozes. Porque uma coisa e’ admitir-se, como o fiz aqui, que o grau de sofrimento, brutalizacao e traumatizacao a que grande parte do povo Angolano foi sujeito ao longo nao apenas das ultimas decadas, mas de seculos, teve impactos materiais, psicologicos e espirituais consideraveis nas suas vidas e tende a fazer aumentar a sua desconfianca em relacao a forcas politicas ainda nao testadas no exercicio governativo, outra coisa e’ considera-lo por isso incapaz de tomar, particularmente se atraves do voto individual e secreto, decisoes logicas e racionais (note-se que a logica e a razao nao sao atributos exclusivos da erudicao e do bem-estar, objectiva ou subjectivamente considerados).

7. Senao vejamos: e’ emocional e imaturo um povo que vem gerindo a sua vida e garantindo a sua sobrevivencia ao longo de decadas, sem qualquer rede de apoio social por parte do estado? Que produz uma das economias informais mais funcionais e eficientes do mundo? Que cria um mercado que, como o Roque Santeiro, apesar de tambem funcionar como um viveiro de marginalidade e insalubridade, no essencial consegue ser o principal, senao unico para a maioria da populacao da capital e nao so’, determinante dos sistemas de rendimentos e precos, incluindo das taxas de cambio, durante decadas? Que produz resilientes zungueiras, kinguilas, kandongueiros e roboteiros, em vez de simplesmente alimentar as estatisticas do desemprego e engrossar as esquinas e largos da mendicidade? Que tanto quanto ve as suas precarias habitacoes demolidas, se demonstra capaz de as reconstruir, e’ certo que na generalidade dos casos de forma anarquica, mas tambem de forma razoavelmente planificada e organizada? Sera’ crivel que tal povo, tendo obtido, depois de quase duas decadas sem essa possibilidade, a oportunidade de escolher quem julga capaz de lhe conceder e a quem julga dever exigir, sob pena de o penalizar nas urnas daqui a quatro anos, a tal rede social de apoio de que se viu privado ao longo das decadas em que esteve praticamente entregue a si proprio e aos seus proprios recursos para sobreviver, faca tal escolha irracionalmente? Nao creio.

8. E sejamos tambem claros em relacao a um ponto essencial: o que esta’ em jogo em quaisquer eleicoes gerais, em qualquer parte do mundo, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas e com elevada maturidade democratica, sao as necessidades basicas e primarias da maioria da populacao, isto e’, o emprego, a saude, a alimentacao, a habitacao, a educacao e a seguranca social. E’ tanto assim nas actuais eleicoes presidenciais Americanas (no caso destas, apesar da guerra no Iraque constituir um factor de decisao eleitoral de primeira ordem), como o foi nas recentes eleicoes gerais Zimbabweanas (no caso destas, apesar de questoes de ordem historica e racial constituirem tambem factores de decisao eleitoral de primeira ordem). E sao apenas os relativos deficits de satisfacao dessas necessidades basicas, consoante o nivel de desenvolvimento de cada sociedade, que determinam o seu peso relativo em relacao a questoes e necessidades de ordem mais secundaria, ou terciaria, nas decisoes de voto. [*]

9. Assim, quanto maiores forem as necessidades basicas numa determinada sociedade e quanto maiores forem os segmentos populacionais afectados por tais necessidades, maior sera’ a tendencia para uma convergencia das decisoes de voto em direccao a partidos que nao representem apenas, ou primordialmente, interesses e necessidades minoritarios, por mais legitimos que esses sejam. E nao ha’ nada de irracional nisso. Antes pelo contrario, o inverso se-lo-ia: nomeadamente se, em vez de decidir priorizar proactivamente a satisfacao das suas necessidades objectivas mais prementes, a maioria decidisse, como alguns parecem ter esperado, priorizar a penalizacao retroactiva dos detentores do poder pelos seus erros e falhas do passado, mesmo que as forcas politicas alternativas nao lhe oferecam grandes garantias de que nao iriam incorrer nos mesmos erros e falhas ou noutros piores ainda – isso sim, seria uma decisao emocional, imatura e irracional. Mais: nao e’ ao povo que cabe, em detrimento da sua propria vontade e das suas necessidades objectivas, assegurar atraves do voto a diversidade ou a alteridade do sistema politico. Em democracia, e’ aos partidos que cabe essa responsabilidade (ate' porque para isso sao pagos atraves do erario publico, isto e', com o dinheiro do povo) na exacta medida em que se saibam organizar, apresentar e projectar, madura, racional e logicamente, como merecedores do voto popular.

10. Em geito de conclusao, cito de uma das colunas que tenho vindo a comentar: “Depois de ter ouvido uma senhora expressar-se relativamente ao processo de campanha com a seguinte frase: "o povo está cansado de verdades,...só quer promessas". Acrescentando que este trocadilho estava a correr pela cidade, eu reflicto sobre ele aqui porque interpretei-o como um reflexo de um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento. A tendência a negar sensações dolorosas é tão antiga quanto o próprio sentimento de dor. Em psicologia dizemos que a capacidade de negar pares desagradáveis da realidade é a contrapartida da "realização alucinatória dos desejos", neste sentido, as promessas poderão ser interpretadas como sendo os desejos concretizados.”
Nao sera’ mais realista e factual o caso de algumas vozes afectas a partidos perdedores nestas eleicoes estarem agora, com o argumento da “imaturidade e emotividade dos eleitores”, a reflectir um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento? Nao estarao elas precisamente a manifestar uma tendencia a negar sensações dolorosas, nomeadamente a da derrota eleitoral? Nao estarao elas a revelar exactamente uma capacidade de negar pares desagradáveis da realidade, nomeadamente a perspectiva de extincao de alguns desses partidos devido aos seus resultados eleitorais quase nulos, em grande medida por alguns deles se terem sobrevalorizado a si proprios e subestimado outros e a dada altura terem tomado a sua propria auto-avaliacao como sendo os seus desejos concretizados, sendo por isso a sua reaccao a realidade dos resultados eleitorais efectivos a contrapartida da realização alucinatória dos seus desejos?
Sejamos, pois, todos tao maduros e racionais como o povo sempre soube ser: respeite-mo-lo e as suas decisoes, por muito que elas desagradem a uns ou a outros, porque ele e’ o unico soberano em democracia!



[*] P.S.: Veja-se o que afirmou Barack Obama, mais de um ano depois destas consideracoes terem sido aqui tecidas, a este proposito:

In the last several election cycles, there has been a much stronger tendency for women to vote around bread and butter issues. It has to do with the fact that they're the ones balancing the budgets and trying to figure out how to make enough money - keep food on the table. One of the things that Michelle and I always talk about is that I have no idea how to buy clothes for my girls. I don't know what they cost. And that's probably not untypical. So that's something that Michelle has to think about and budget for. What that means, then, is that the issues of the economy are ones that women are going to particularly feel and be concerned about.

[Referencia daqui]

Friday, 12 September 2008

BHEKI MSELEKU (R.I.P.)




Acabo de saber, com enorme consternacao, do falecimento do musico Sul-Africano Bheki Mseleku, ontem, aqui em Londres. Os visitantes mais atentos deste blog terao reparado que tenho tido uma das suas obras, que considero magistral, entitulada Angola, a tocar aqui durante as ultimas duas semanas... Nao sei o que isso significa na chamada "ordem geral das coisas", mas espero que o tenha ajudado a partir em paz.

[Mais Detalhes Aqui]


Angola - Bheki Mseleku

Tuesday, 9 September 2008

RESULTADOS DAS LEGISLATIVAS: VOTO DE CONFIANCA NA SITUACAO, OU DE DESCONFIANCA NA OPOSICAO?

1. Antes de mais, tenho que registar aqui o meu profundo suspiro de alivio por estas eleicoes nao terem descambado em violencia descontrolada, nem em interminaveis disputas quanto a sua credibilidade, apesar das admitidas insuficiencias e irregularidades pontuais que se verificaram e a que varios observadores internacionais aludiram (lamentando apenas que tais contratempos, nao tendo posto em causa a validade do processo eleitoral no seu todo, puseram de certo modo em causa a afirmacao do Presidente no discurso de abertura da campanha eleitoral, segundo a qual “Angola pode dar um exemplo ao nosso continente e ao mundo em geral, sobre a forma de realizar eleições democráticas, livres e transparentes”): UUUFFFFFFFFFFFF!!!!!!!!!!

2. Tendo suspirado a contento, deixem-me agora falar do meu descontentamento perante os resultados que se teem vindo a desfraldar nas ultimas horas. Descontentamento porque? Porque, nao sendo militante nem simpatizante de nenhum partido, esperava, e desejava, um maior equilibrio dos resultados, senao exclusivamente entre o MPLA e a UNITA, pelo menos entre o partido da situacao e o total da oposicao. Ora, pelos resultados provisorios, que nada deixa prever se venham a alterar significativamente ate’ que a contagem final seja divulgada e homologada, estes revelam uma esmagadora victoria do partido da situacao e um virtual eclipse da oposicao – um resultado muito pior para esta do que o que tera’ obtido em 1992, particularmente no que a UNITA diz respeito.

3. Varios terao sido os factores determinantes de tais resultados, dos quais alguns se apresentam de imediata identificacao: i) a vantagem comparativa do MPLA em termos de meios materiais e financeiros, controlo da imprensa estatal e dos circulos de influencia a varios niveis do poder e a manipulacao do processo eleitoral que tal vantagem lhe tera’ possibilitado; ii) a falta de coerencia do(s) discurso(s) da oposicao, nao so’ devido a multiplicidade de partidos – a qual apenas foi mitigada a poucas semanas do acto eleitoral, quando o recem-constituido Tribunal Constitucional os passou a pente fino e aprovou apenas 14 dos potenciais concorrentes –, mas tambem, e sobretudo, devido a falta de coerencia interna desses partidos: praticamente todos registaram nos ultimos anos episodios de dissencao e cisao, com especial relevo para os dezasseis “deputados renegados” da UNITA e as fissuras nela criadas pelo (des)posicionamento partidario de lideres como Chivukuvuku ou Valentim; iii) o factor ‘experiencia’ (indisputavel?) por parte dos detentores do poder ha’ mais de 30 anos, aliado ao factor ‘habituacao’ de um eleitorado que tera’ decidido preferir “o diabo que ja’ conhece”.

4. Entre a oposicao, pelo menos um partido tera’ escapado a imagem geral de falta de coesao interna, disputas pela lideranca e (quase?) exclusiva preocupacao com as benesses materiais e financeiras do poder, que caracterizou nao poucos dos seus companheiros da oposicao durante a longa travessia no deserto desde as legislativas de 1992: a Frente para a Democracia (FpD). Mas se essa tera’ sido a sua bendicao, tambem tera’ sido a sua maldicao. Porque? Porque, dadas as expectativas que gerou, em particular entre a elite urbana de Luanda, e a forma como ela propria se projectou nos ultimos tempos como “terceira forca” ou “partido charneira”, a FpD surge como a grande derrotada destas eleicoes, pelo menos a julgar pelos resultados ate’ agora divulgados (em decimo lugar no momento em que escrevo). Ora, esta particular “derrota” da FpD leva-me a tecer algumas consideracoes sobre o que realmente esteve em causa nestas eleicoes.

5. Antes de entrar propriamente em tais consideracoes (que, por imposicoes do timing e da distancia em que as teco, serao necessariamente tao provisorias quanto os resultados das eleicoes divulgados ate’ agora)* importa olhar um pouco mais atentamente para quem votou nestas legislativas. Foram os Angolanos (ou parte deles residentes no pais). E quem sao os Angolanos? Em tracos gerais, nunca e’ demais nota-lo, sao um povo que foi colonizado pelo pais menos desenvolvido da Europa Ocidental durante boa parte dos ultimos 5 seculos, que lutou (ou pelo menos parte dele) pela obtencao da sua independencia politica durante boa parte dos ultimos 50 anos, que se viu envolvido numa guerra fratricida, alimentada parcialmente por potencias estrangeiras, e em particular pelos protagonistas da Guerra Fria, durante boa parte dos ultimos 30 anos e que foi agora pela primeira vez as urnas 16 anos depois de umas eleicoes inconclusivas e com resultados desastrosos. Em suma, para la’ da exuberancia e do ‘bravado’ que os nossos brilharetes evidenciam – nos campos de futebol e de basquetebol, nas pistas de danca e, mais recentemente, nas exibicoes novo-riquistas dos novos edificios e aquisicoes materiais e nas estatisticas resultantes do output dos nossos pocos de petroleo –, um povo brutalizado e traumatizado por toda a sorte de violencias e adversidades, as quais tiveram profundos impactos materiais, psicologicos e espirituais nas suas vidas quotidianas e na forma como tendem a perspectivar o seu futuro. Impactos esses que, embora se pretendam disfarcar por tras do tal ‘bravado’ e exuberancia, se revelam amiude na inseguranca, frequentemente mascarada de arrogancia (que, a par de uma doentia subserviencia a tudo quanto seja estrangeiro, particularmente se europeu ou brasileiro, quantas vezes se traduz na mais flagrante falta de solidariedade, cortesia e respeito mutuo entre compatriotas e em varios graus de complexos de inferioridade e/ou de superioridade que invariavelmente conduzem a accoes destrutivas ‘do outro’, particularmente se tal 'outro' nao detem uma posicao qualquer de poder na sociedade local ou, seja por que razao for, seja parte da Diaspora, espelhando ainda uma certa psicose de guerra fratricida permanente…), com que os Angolanos em geral, desde as chamadas “massas populares” as chamadas "elites", de esquerda ou de direita, se comportam na sua vida social aos mais diversos niveis e exercem as suas escolhas, desde as mais triviais, as mais importantes e decisivas como, neste caso, as eleicoes.

6. Foi, pois, esse povo que produziu os resultados eleitorais que temos observado nas ultimas horas. Foi um povo, qual “Teresa Baptista” de Jorge Amado, cansado de guerra; um povo em busca de seguranca e da concretizacao, de forma observavel, de aspiracoes e necessidades materiais, psicologicas e espirituais imediatas e nao de promessas longinquas e impalpaveis; um povo que, como notei acima, parece ter preferido escolher, entre varios possiveis, “o diabo que ja’ conhece”. Poe-se, entao, uma dupla questao incontornavel: onde e’ que o MPLA foi buscar tanta credibilidade para ser julgado capaz de conceder seguranca, mitigar carencias, concretizar aspiracoes e satisfazer necessidades que, quanto muito, apenas tera’ contribuido para agravar durante a maior parte dos ultimos 30 anos e porque que a oposicao, em face de tais carencias, necessidades e aspiracoes nao foi capaz de as capitalizar em seu favor?

7. Responder cabalmente a tal questao e’ um desafio de alta ordem que, contudo, creio poder ser simplificado ao essencial e reduzido a algumas constatacoes basicas: i) mais do que tudo, a maioria do eleitorado tera’ priorizado, entre as suas expectativas e aspiracoes, a necessidade de estabilidade politica e normalizacao institucional no pais, antes de apostar decididamente na mudanca do status-quo; ii) o partido da situacao tera’ sabido capitalizar a sua experiencia de decadas no poder, reforcando-a em vesperas de eleicoes com uma profusao de inauguracoes de novos empreendimentos imobiliarios e infrastruturais e promessas (crediveis?) de os multiplicar nos proximos anos; iii) a oposicao nao esteve a altura nem das expectativas e aspiracoes da grande maioria do eleitorado, nem do challenge do partido da situacao (e aqui ha’ que notar que, se JES se afirmou e se comportou como um “decimo segundo jogador em campo marcando golos fora de jogo” ou como “um treinador ou arbitro que entra em campo para marcar o penalty decisivo a favor de uma das equipas”, nada faria supor de antemao que a sua entrada em campo viria a revelar-se necessariamente uma vantagem para a sua equipa e… tudo parece indicar que ainda nao apareceu entre os lideres da oposicao um challenger capaz de o por definitivamente fora de campo – mas isso e’ uma conversa mais la’ para o proximo ano).

8. Em particular, a FpD parece nao ter conseguido destrincar, aos olhos de grande parte do eleitorado, aquela fine line que separa um “partido com um numero significativo de intelectuais” de um “partido elitista”. Isto e’, embora se tenha multiplicado em discursos mobilizadores da sociedade civil e em accoes de solidariedade para com alguns dos segmentos populacionais mais vitimizados pelo poder (desde os contestatarios de Cabinda, aos desalojados da Boavista, passando pela Diaspora impedida de votar), tera’ desconseguido engajar completa e decisivamente quer a sociedade civil (muito provavelmente por significativos sectores desta ainda se considerarem membros da “grande familia”), quer “as massas populares” de que tantas vezes se tem manifestado como porta-voz (as quais, muito provavelmente lhes terao agradecido a simpatia e o apoio, mas nao passaram por isso a identificar-se com eles ao ponto de votar neles), quer a generalidade dos "diasporenses" (no caso destes, fundamentalmente, por, para la' de ter tentado obter dividendos politicos dos seus varios descontentamentos, pouco ou nada ter avancado no sentido de propor solucoes viaveis para um dos seus maiores anseios: o regresso a patria, com dignidade). Tera’ tambem, apesar de nao se ter rogado, durante a campanha, a fazer amplo alarde do peso dos seus intelectuais, falhado em desbancar, com argumentos suficientemente crediveis, inteligiveis e incontestaveis, o grande trunfo do partido no poder: o real crescimento do PIB e a alegada “estabilidade macro-economica” observados nos ultimos anos e que “apenas a sua equipa economica supostamente sera’ capaz de continuar a proporcionar ao pais”. Tendo sido tal falha tambem devida, em grande medida, a gritante falta de cultura do debate que caracteriza a sociedade angolana em geral, a qual, por sua vez, tem muito a ver com a inseguranca de que falo acima.

9. Nao menos importante, pelo que pude observar, nao so’ do acompanhamento que tenho feito ao longo dos anos, como dos ecos que me foram chegando do terreno ao longo desta campanha e de alguns dos seus posicionamentos registados na blogosfera, a FpD, tal como alguns dos varios grupos de elite que ao longo da historia do MPLA dele se desafectaram por uma razao ou por outra, evidenciou uma caracteristica que tem marcado geralmente alguns desses grupos: um radicalismo (embora raramente assumido abertamente) dito “de esquerda” em termos politico-ideologicos e de ideais economicos, associado a um conservadorismo marcadamente “de direita” e, no limite, de matizes a rocar o puro reaccionarismo (quando nao o mais despudorado neocolonialismo e racismo - em exacta equivalencia ao dito "endocolonialismo" de que alguns acusam o partido no poder), em termos socio-culturais. So’ para dar um exemplo, um dos claims que fez a saciedade durante a campanha foi a sua “preocupacao com as questoes do genero”. No entanto, nao me dei conta, quer em termos de propostas concretas de politica, quer em termos de demonstracoes praticas, de uma particular sensibilidade desse partido em relacao a tais questoes. Em suma, a FpD, salvaguardados todos os seus indiscutiveis meritos relativos, parece ser um partido ainda em busca de um equilibrio satisfatorio entre o populismo e o programatismo, o dogmatismo e o pragmatismo, a retorica politica e a formulacao de politicas, a teoria e a pratica, enfim, entre o ideal e o real. E essa, quanto a mim, a razao fundamental para a sua “derrota” relativa, enquanto partido oposicionista mais promissor ate’ as vesperas destas eleicoes.

10. Do que vai dito resta-me uma consolacao: se a real expressao politica actual dos varios partidos da oposicao e’ a que os resultados destas legislativas revelam (e nunca e’ demais repeti-lo: apesar de todas as “trafulhas” que o partido da situacao possa ter feito para garantir a sua victoria, nada garantiria ou deixaria prever uma victoria tao retumbante como a que se vem desenhando desde o inicio da contagem dos votos), entao e’ bom que eles se mantenham na oposicao por pelo menos os proximos quatro anos, assumindo que terao a necessaria maturidade como partidos e responsabilidade como Angolanos para desses resultados retirarem as devidas licoes e ilacoes e nao cometerem os mesmos erros na caminhada para as proximas legislativas. Porque restam-me poucas duvidas de que estes resultados, mais do que um voto de confianca na situacao, revelam um voto de desconfianca na oposicao!

*As consideracoes aqui feitas deixaram de ser 'provisorias' quando, no dia 17/09/08, a CNE publicou os resultados definitivos das eleicoes que, como previa, nao revelaram alteracoes significativas relativamente aos conhecidos no momento em que as teci.
1. Antes de mais, tenho que registar aqui o meu profundo suspiro de alivio por estas eleicoes nao terem descambado em violencia descontrolada, nem em interminaveis disputas quanto a sua credibilidade, apesar das admitidas insuficiencias e irregularidades pontuais que se verificaram e a que varios observadores internacionais aludiram (lamentando apenas que tais contratempos, nao tendo posto em causa a validade do processo eleitoral no seu todo, puseram de certo modo em causa a afirmacao do Presidente no discurso de abertura da campanha eleitoral, segundo a qual “Angola pode dar um exemplo ao nosso continente e ao mundo em geral, sobre a forma de realizar eleições democráticas, livres e transparentes”): UUUFFFFFFFFFFFF!!!!!!!!!!

2. Tendo suspirado a contento, deixem-me agora falar do meu descontentamento perante os resultados que se teem vindo a desfraldar nas ultimas horas. Descontentamento porque? Porque, nao sendo militante nem simpatizante de nenhum partido, esperava, e desejava, um maior equilibrio dos resultados, senao exclusivamente entre o MPLA e a UNITA, pelo menos entre o partido da situacao e o total da oposicao. Ora, pelos resultados provisorios, que nada deixa prever se venham a alterar significativamente ate’ que a contagem final seja divulgada e homologada, estes revelam uma esmagadora victoria do partido da situacao e um virtual eclipse da oposicao – um resultado muito pior para esta do que o que tera’ obtido em 1992, particularmente no que a UNITA diz respeito.

3. Varios terao sido os factores determinantes de tais resultados, dos quais alguns se apresentam de imediata identificacao: i) a vantagem comparativa do MPLA em termos de meios materiais e financeiros, controlo da imprensa estatal e dos circulos de influencia a varios niveis do poder e a manipulacao do processo eleitoral que tal vantagem lhe tera’ possibilitado; ii) a falta de coerencia do(s) discurso(s) da oposicao, nao so’ devido a multiplicidade de partidos – a qual apenas foi mitigada a poucas semanas do acto eleitoral, quando o recem-constituido Tribunal Constitucional os passou a pente fino e aprovou apenas 14 dos potenciais concorrentes –, mas tambem, e sobretudo, devido a falta de coerencia interna desses partidos: praticamente todos registaram nos ultimos anos episodios de dissencao e cisao, com especial relevo para os dezasseis “deputados renegados” da UNITA e as fissuras nela criadas pelo (des)posicionamento partidario de lideres como Chivukuvuku ou Valentim; iii) o factor ‘experiencia’ (indisputavel?) por parte dos detentores do poder ha’ mais de 30 anos, aliado ao factor ‘habituacao’ de um eleitorado que tera’ decidido preferir “o diabo que ja’ conhece”.

4. Entre a oposicao, pelo menos um partido tera’ escapado a imagem geral de falta de coesao interna, disputas pela lideranca e (quase?) exclusiva preocupacao com as benesses materiais e financeiras do poder, que caracterizou nao poucos dos seus companheiros da oposicao durante a longa travessia no deserto desde as legislativas de 1992: a Frente para a Democracia (FpD). Mas se essa tera’ sido a sua bendicao, tambem tera’ sido a sua maldicao. Porque? Porque, dadas as expectativas que gerou, em particular entre a elite urbana de Luanda, e a forma como ela propria se projectou nos ultimos tempos como “terceira forca” ou “partido charneira”, a FpD surge como a grande derrotada destas eleicoes, pelo menos a julgar pelos resultados ate’ agora divulgados (em decimo lugar no momento em que escrevo). Ora, esta particular “derrota” da FpD leva-me a tecer algumas consideracoes sobre o que realmente esteve em causa nestas eleicoes.

5. Antes de entrar propriamente em tais consideracoes (que, por imposicoes do timing e da distancia em que as teco, serao necessariamente tao provisorias quanto os resultados das eleicoes divulgados ate’ agora)* importa olhar um pouco mais atentamente para quem votou nestas legislativas. Foram os Angolanos (ou parte deles residentes no pais). E quem sao os Angolanos? Em tracos gerais, nunca e’ demais nota-lo, sao um povo que foi colonizado pelo pais menos desenvolvido da Europa Ocidental durante boa parte dos ultimos 5 seculos, que lutou (ou pelo menos parte dele) pela obtencao da sua independencia politica durante boa parte dos ultimos 50 anos, que se viu envolvido numa guerra fratricida, alimentada parcialmente por potencias estrangeiras, e em particular pelos protagonistas da Guerra Fria, durante boa parte dos ultimos 30 anos e que foi agora pela primeira vez as urnas 16 anos depois de umas eleicoes inconclusivas e com resultados desastrosos. Em suma, para la’ da exuberancia e do ‘bravado’ que os nossos brilharetes evidenciam – nos campos de futebol e de basquetebol, nas pistas de danca e, mais recentemente, nas exibicoes novo-riquistas dos novos edificios e aquisicoes materiais e nas estatisticas resultantes do output dos nossos pocos de petroleo –, um povo brutalizado e traumatizado por toda a sorte de violencias e adversidades, as quais tiveram profundos impactos materiais, psicologicos e espirituais nas suas vidas quotidianas e na forma como tendem a perspectivar o seu futuro. Impactos esses que, embora se pretendam disfarcar por tras do tal ‘bravado’ e exuberancia, se revelam amiude na inseguranca, frequentemente mascarada de arrogancia (que, a par de uma doentia subserviencia a tudo quanto seja estrangeiro, particularmente se europeu ou brasileiro, quantas vezes se traduz na mais flagrante falta de solidariedade, cortesia e respeito mutuo entre compatriotas e em varios graus de complexos de inferioridade e/ou de superioridade que invariavelmente conduzem a accoes destrutivas ‘do outro’, particularmente se tal 'outro' nao detem uma posicao qualquer de poder na sociedade local ou, seja por que razao for, seja parte da Diaspora, espelhando ainda uma certa psicose de guerra fratricida permanente…), com que os Angolanos em geral, desde as chamadas “massas populares” as chamadas "elites", de esquerda ou de direita, se comportam na sua vida social aos mais diversos niveis e exercem as suas escolhas, desde as mais triviais, as mais importantes e decisivas como, neste caso, as eleicoes.

6. Foi, pois, esse povo que produziu os resultados eleitorais que temos observado nas ultimas horas. Foi um povo, qual “Teresa Baptista” de Jorge Amado, cansado de guerra; um povo em busca de seguranca e da concretizacao, de forma observavel, de aspiracoes e necessidades materiais, psicologicas e espirituais imediatas e nao de promessas longinquas e impalpaveis; um povo que, como notei acima, parece ter preferido escolher, entre varios possiveis, “o diabo que ja’ conhece”. Poe-se, entao, uma dupla questao incontornavel: onde e’ que o MPLA foi buscar tanta credibilidade para ser julgado capaz de conceder seguranca, mitigar carencias, concretizar aspiracoes e satisfazer necessidades que, quanto muito, apenas tera’ contribuido para agravar durante a maior parte dos ultimos 30 anos e porque que a oposicao, em face de tais carencias, necessidades e aspiracoes nao foi capaz de as capitalizar em seu favor?

7. Responder cabalmente a tal questao e’ um desafio de alta ordem que, contudo, creio poder ser simplificado ao essencial e reduzido a algumas constatacoes basicas: i) mais do que tudo, a maioria do eleitorado tera’ priorizado, entre as suas expectativas e aspiracoes, a necessidade de estabilidade politica e normalizacao institucional no pais, antes de apostar decididamente na mudanca do status-quo; ii) o partido da situacao tera’ sabido capitalizar a sua experiencia de decadas no poder, reforcando-a em vesperas de eleicoes com uma profusao de inauguracoes de novos empreendimentos imobiliarios e infrastruturais e promessas (crediveis?) de os multiplicar nos proximos anos; iii) a oposicao nao esteve a altura nem das expectativas e aspiracoes da grande maioria do eleitorado, nem do challenge do partido da situacao (e aqui ha’ que notar que, se JES se afirmou e se comportou como um “decimo segundo jogador em campo marcando golos fora de jogo” ou como “um treinador ou arbitro que entra em campo para marcar o penalty decisivo a favor de uma das equipas”, nada faria supor de antemao que a sua entrada em campo viria a revelar-se necessariamente uma vantagem para a sua equipa e… tudo parece indicar que ainda nao apareceu entre os lideres da oposicao um challenger capaz de o por definitivamente fora de campo – mas isso e’ uma conversa mais la’ para o proximo ano).

8. Em particular, a FpD parece nao ter conseguido destrincar, aos olhos de grande parte do eleitorado, aquela fine line que separa um “partido com um numero significativo de intelectuais” de um “partido elitista”. Isto e’, embora se tenha multiplicado em discursos mobilizadores da sociedade civil e em accoes de solidariedade para com alguns dos segmentos populacionais mais vitimizados pelo poder (desde os contestatarios de Cabinda, aos desalojados da Boavista, passando pela Diaspora impedida de votar), tera’ desconseguido engajar completa e decisivamente quer a sociedade civil (muito provavelmente por significativos sectores desta ainda se considerarem membros da “grande familia”), quer “as massas populares” de que tantas vezes se tem manifestado como porta-voz (as quais, muito provavelmente lhes terao agradecido a simpatia e o apoio, mas nao passaram por isso a identificar-se com eles ao ponto de votar neles), quer a generalidade dos "diasporenses" (no caso destes, fundamentalmente, por, para la' de ter tentado obter dividendos politicos dos seus varios descontentamentos, pouco ou nada ter avancado no sentido de propor solucoes viaveis para um dos seus maiores anseios: o regresso a patria, com dignidade). Tera’ tambem, apesar de nao se ter rogado, durante a campanha, a fazer amplo alarde do peso dos seus intelectuais, falhado em desbancar, com argumentos suficientemente crediveis, inteligiveis e incontestaveis, o grande trunfo do partido no poder: o real crescimento do PIB e a alegada “estabilidade macro-economica” observados nos ultimos anos e que “apenas a sua equipa economica supostamente sera’ capaz de continuar a proporcionar ao pais”. Tendo sido tal falha tambem devida, em grande medida, a gritante falta de cultura do debate que caracteriza a sociedade angolana em geral, a qual, por sua vez, tem muito a ver com a inseguranca de que falo acima.

9. Nao menos importante, pelo que pude observar, nao so’ do acompanhamento que tenho feito ao longo dos anos, como dos ecos que me foram chegando do terreno ao longo desta campanha e de alguns dos seus posicionamentos registados na blogosfera, a FpD, tal como alguns dos varios grupos de elite que ao longo da historia do MPLA dele se desafectaram por uma razao ou por outra, evidenciou uma caracteristica que tem marcado geralmente alguns desses grupos: um radicalismo (embora raramente assumido abertamente) dito “de esquerda” em termos politico-ideologicos e de ideais economicos, associado a um conservadorismo marcadamente “de direita” e, no limite, de matizes a rocar o puro reaccionarismo (quando nao o mais despudorado neocolonialismo e racismo - em exacta equivalencia ao dito "endocolonialismo" de que alguns acusam o partido no poder), em termos socio-culturais. So’ para dar um exemplo, um dos claims que fez a saciedade durante a campanha foi a sua “preocupacao com as questoes do genero”. No entanto, nao me dei conta, quer em termos de propostas concretas de politica, quer em termos de demonstracoes praticas, de uma particular sensibilidade desse partido em relacao a tais questoes. Em suma, a FpD, salvaguardados todos os seus indiscutiveis meritos relativos, parece ser um partido ainda em busca de um equilibrio satisfatorio entre o populismo e o programatismo, o dogmatismo e o pragmatismo, a retorica politica e a formulacao de politicas, a teoria e a pratica, enfim, entre o ideal e o real. E essa, quanto a mim, a razao fundamental para a sua “derrota” relativa, enquanto partido oposicionista mais promissor ate’ as vesperas destas eleicoes.

10. Do que vai dito resta-me uma consolacao: se a real expressao politica actual dos varios partidos da oposicao e’ a que os resultados destas legislativas revelam (e nunca e’ demais repeti-lo: apesar de todas as “trafulhas” que o partido da situacao possa ter feito para garantir a sua victoria, nada garantiria ou deixaria prever uma victoria tao retumbante como a que se vem desenhando desde o inicio da contagem dos votos), entao e’ bom que eles se mantenham na oposicao por pelo menos os proximos quatro anos, assumindo que terao a necessaria maturidade como partidos e responsabilidade como Angolanos para desses resultados retirarem as devidas licoes e ilacoes e nao cometerem os mesmos erros na caminhada para as proximas legislativas. Porque restam-me poucas duvidas de que estes resultados, mais do que um voto de confianca na situacao, revelam um voto de desconfianca na oposicao!

*As consideracoes aqui feitas deixaram de ser 'provisorias' quando, no dia 17/09/08, a CNE publicou os resultados definitivos das eleicoes que, como previa, nao revelaram alteracoes significativas relativamente aos conhecidos no momento em que as teci.

Monday, 8 September 2008

ANGOLA ELECTIONS: EU OBSERVERS' PRELIMINARY REPORT

• Voting was conducted in a peaceful atmosphere around the country, although procedures were inconsistently applied, especially with regard to the voters’ lists, thus voiding some of the most important controls provided for in the law, and contravening international standards on election procedures. However, checking voter identity against the voter registration card, and marking voters’ fingers with indelible ink helped to protect against duplicate voting. The lack of control over the number of issued ballots as compared to the number of cast ballots caused difficulties during counting.

• Organizational problems affected the distribution of essential materials, especially in Luanda, causing a significant number of polling stations to open late, or not at all. To allow citizens the opportunity to vote, some affected polling stations in the capital were opened the following day, in accordance with the Election Law.

• Counting was conducted in a peaceful and transparent manner. Procedures were hampered in areas where the voters list had not been marked as polling station staff were unable to reconcile the number of ballots issued against the number of voters who had cast their ballot. However, there were only a few recorded complaints by political parties. The computerised tabulation of results at the central level is not open for monitoring by observers or party agents, although at the lower levels access has been mostly granted.

• The election campaign has been carried out in a calm and orderly manner, with only a few incidents which were addressed by the National Police in a timely and impartial manner. Freedoms of assembly and expression have been widely respected. However, the EU EOM observed imbalances which have served to benefit the ruling party, mainly with regard to access to state resources or active involvement of the provincial administration and traditional authorities in campaign activities.

• The National Election Commission (CNE) has endeavoured to ensure the fairness of the election process and to overcome difficulties in an impartial and practical fashion. However, this has led to flexible interpretations of the law and late decision-making, adding to confusion on Election Day. In addition, late and partial accreditation of observers has affected the transparency of the process.

• The legal framework in place for these elections provides a solid foundation for the conduct of genuine democratic elections in accordance with the Election Law and international standards on elections.

• Over 8.3 million citizens were registered on a highly inclusive voters list. However, many were not registered where they currently reside, and the voters list was distributed too late to be posted in most areas. Although various electronic means were used to inform people where to vote, these were insufficient and contributed to the problems experienced on Election Day. In addition, and contrary to the Election Law, Angolans living abroad were not registered to vote.

• The Constitutional Court led the candidate registration process in a competent and
impartial manner and in accordance with the Election Law.

• The state electronic media, including Televisão Pública de Angola (TPA) and Rádio
Nacional de Angola (RNA) abided by the Election Law, allocating equal free airtime (Tempo de Antena) on a daily basis to all electoral contestants, and contributed to encourage civic participation. However, TPA, RNA and state-owned Jornal de Angola provided coverage of the electoral campaign that was generally biased in favour of the ruling party. Unequal distribution of airtime and space to cover campaign activities, and the broadcasting of programs and news about Government inaugurations and development projects left opposition parties at a clear disadvantage vis-à-vis access to public media.

• In a positive step, six of the fourteen contesting parties included over 30% women
candidates in their lists. Gender representation was notably balanced amongst polling
station staff.

• The 2008 legislative elections have been the first in Angola with the presence of domestic observers. This represents an important step for Angolan civil society participation in the consolidation of the democratic process. However, problems in accrediting some domestic observers in Luanda left a gap in observation in the most densely populated area of the country.

• The election process is still ongoing and the EU EOM will continue to follow the tabulation of results and the election complaints and appeals process, including UNITA’s request for the annulment of the elections in Luanda. The EU EOM calls on all political stakeholders to adhere to the existing legal framework and to maintain the peaceful and democratic attitude displayed thus far during the electoral process.

[Full Report Here]
• Voting was conducted in a peaceful atmosphere around the country, although procedures were inconsistently applied, especially with regard to the voters’ lists, thus voiding some of the most important controls provided for in the law, and contravening international standards on election procedures. However, checking voter identity against the voter registration card, and marking voters’ fingers with indelible ink helped to protect against duplicate voting. The lack of control over the number of issued ballots as compared to the number of cast ballots caused difficulties during counting.

• Organizational problems affected the distribution of essential materials, especially in Luanda, causing a significant number of polling stations to open late, or not at all. To allow citizens the opportunity to vote, some affected polling stations in the capital were opened the following day, in accordance with the Election Law.

• Counting was conducted in a peaceful and transparent manner. Procedures were hampered in areas where the voters list had not been marked as polling station staff were unable to reconcile the number of ballots issued against the number of voters who had cast their ballot. However, there were only a few recorded complaints by political parties. The computerised tabulation of results at the central level is not open for monitoring by observers or party agents, although at the lower levels access has been mostly granted.

• The election campaign has been carried out in a calm and orderly manner, with only a few incidents which were addressed by the National Police in a timely and impartial manner. Freedoms of assembly and expression have been widely respected. However, the EU EOM observed imbalances which have served to benefit the ruling party, mainly with regard to access to state resources or active involvement of the provincial administration and traditional authorities in campaign activities.

• The National Election Commission (CNE) has endeavoured to ensure the fairness of the election process and to overcome difficulties in an impartial and practical fashion. However, this has led to flexible interpretations of the law and late decision-making, adding to confusion on Election Day. In addition, late and partial accreditation of observers has affected the transparency of the process.

• The legal framework in place for these elections provides a solid foundation for the conduct of genuine democratic elections in accordance with the Election Law and international standards on elections.

• Over 8.3 million citizens were registered on a highly inclusive voters list. However, many were not registered where they currently reside, and the voters list was distributed too late to be posted in most areas. Although various electronic means were used to inform people where to vote, these were insufficient and contributed to the problems experienced on Election Day. In addition, and contrary to the Election Law, Angolans living abroad were not registered to vote.

• The Constitutional Court led the candidate registration process in a competent and
impartial manner and in accordance with the Election Law.

• The state electronic media, including Televisão Pública de Angola (TPA) and Rádio
Nacional de Angola (RNA) abided by the Election Law, allocating equal free airtime (Tempo de Antena) on a daily basis to all electoral contestants, and contributed to encourage civic participation. However, TPA, RNA and state-owned Jornal de Angola provided coverage of the electoral campaign that was generally biased in favour of the ruling party. Unequal distribution of airtime and space to cover campaign activities, and the broadcasting of programs and news about Government inaugurations and development projects left opposition parties at a clear disadvantage vis-à-vis access to public media.

• In a positive step, six of the fourteen contesting parties included over 30% women
candidates in their lists. Gender representation was notably balanced amongst polling
station staff.

• The 2008 legislative elections have been the first in Angola with the presence of domestic observers. This represents an important step for Angolan civil society participation in the consolidation of the democratic process. However, problems in accrediting some domestic observers in Luanda left a gap in observation in the most densely populated area of the country.

• The election process is still ongoing and the EU EOM will continue to follow the tabulation of results and the election complaints and appeals process, including UNITA’s request for the annulment of the elections in Luanda. The EU EOM calls on all political stakeholders to adhere to the existing legal framework and to maintain the peaceful and democratic attitude displayed thus far during the electoral process.

[Full Report Here]

Sunday, 7 September 2008

ANGOLA: BRIEFS FROM THE ELECTION (3)

• The observing mission of the Pan-African Parliament declared the Angolan elections “generally free and fair” in spite of some observed “insufficiencies”. A similar assessment was made by the observers from the Community of Portuguese Speaking Countries (CPLP) who called the elections “free and transparent”. However, Portuguese observers are divided in their conclusions: while MEP Ana Gomes questions the process pointing to some failings in the electoral registrars and the non-accreditation of some organisations, another Portuguese observer, Jose’ Nobrega Ascenso, stated that “there were failings but they were not enough to question the entire election process.” Such divergences notwithstanding, the Portuguese government praised the “civic and tranquil” way in which the elections took place.

• Meanwhile, the CNE started to release some preliminary results at the national level. At midday Sunday, they looked like this: MPLA - 2.806.027 (81,67%), UNITA - 364.179 (10,60%), PRS - 102.353 (2,98%), ND - 39.122 (1,14%), PLD - 11.130 (0,32%), FNLA - 40.047 (1,17%), PAJOCA - 8.109 (0,24%), PDP-ANA - 17.668 (0,51%), AD Coligação - 9.442 (0,27%), PADEPA - 9.012 (0,26%), FpD - 8.686 (0,25%), PRD - 7.270 (0,21%), PPE - 6.197 (0,18%), FOFAC - 6.607 (0,19%).

• On his side, the leader of the opposition, Isaias Samakuva declared that “it’s not the right time to accept provisional results of these legislatives due to the lack of credibility of the electoral process.”

UPDATE (08 SEP 08)

• The CNE did not give legal provision to UNITA's impugnation submission on the grounds of "lack of elements of proof for its allegations."

• UNITA seems to have accepted CNE's decision, as its leader, Isaias Samakuva, congratulated the MPLA for its victory. Ngola Kabango, the leader of the FNLA (traditionally the third main party, now replaced by the PRS in that position) did the same.

• The head of the EU observers, Luisa Morgantini, declared the elections "transparent" and stated that her mission "will not invalidate the electoral process."

• The observing mission of the Pan-African Parliament declared the Angolan elections “generally free and fair” in spite of some observed “insufficiencies”. A similar assessment was made by the observers from the Community of Portuguese Speaking Countries (CPLP) who called the elections “free and transparent”. However, Portuguese observers are divided in their conclusions: while MEP Ana Gomes questions the process pointing to some failings in the electoral registrars and the non-accreditation of some organisations, another Portuguese observer, Jose’ Nobrega Ascenso, stated that “there were failings but they were not enough to question the entire election process.” Such divergences notwithstanding, the Portuguese government praised the “civic and tranquil” way in which the elections took place.

• Meanwhile, the CNE started to release some preliminary results at the national level. At midday Sunday, they looked like this: MPLA - 2.806.027 (81,67%), UNITA - 364.179 (10,60%), PRS - 102.353 (2,98%), ND - 39.122 (1,14%), PLD - 11.130 (0,32%), FNLA - 40.047 (1,17%), PAJOCA - 8.109 (0,24%), PDP-ANA - 17.668 (0,51%), AD Coligação - 9.442 (0,27%), PADEPA - 9.012 (0,26%), FpD - 8.686 (0,25%), PRD - 7.270 (0,21%), PPE - 6.197 (0,18%), FOFAC - 6.607 (0,19%).

• On his side, the leader of the opposition, Isaias Samakuva declared that “it’s not the right time to accept provisional results of these legislatives due to the lack of credibility of the electoral process.”

UPDATE (08 SEP 08)

• The CNE did not give legal provision to UNITA's impugnation submission on the grounds of "lack of elements of proof for its allegations."

• UNITA seems to have accepted CNE's decision, as its leader, Isaias Samakuva, congratulated the MPLA for its victory. Ngola Kabango, the leader of the FNLA (traditionally the third main party, now replaced by the PRS in that position) did the same.

• The head of the EU observers, Luisa Morgantini, declared the elections "transparent" and stated that her mission "will not invalidate the electoral process."

ONOFRE DOS SANTOS: “DO ESTADO DE ALMA AO ESTADO DE DIREITO”

O Semanário Angolense pede-me que partilhe com os seus leitores a minha experiência pessoal de há 16 anos. A dois dias das eleições, qual era o estado de espírito do Director Geral das Eleições? Como é que o País estava? Quantas assembleias de voto? O Director Geral antevia a hecatombe que depois se seguiu às eleições? Como tinha decorrido a campanha eleitoral? Quantos observadores nacionais e estrangeiros estavam credenciados?
(…)
O longo caminho entretanto percorrido foi adicionando acidentes de percurso ao processo de democratização, as perspectivas foram-se alterando como as pedras coloridas de um pequeno caleidoscópio criado como brinquedo para encantar crianças, mas que nos vai fazendo desejar formas mais ousadas e mais imaginativas de realização. Desde que as eleições de 2008 ficaram marcadas no horizonte político, participei como consultor das entidades que se empenharam desde os inícios de 2005 na efectivação do registo eleitoral que ficou concluído com assinalável êxito em meados de 2007 e actualizado ainda durante o corrente ano.

É certo que as primeiras eleições gerais tiveram um epílogo trágico que todos recordam, mas até esse desfecho foi uma lição de vida. Se temos hoje a Angola que temos muito se deve às lições aprendidas em 1992, com os erros por todos cometidos. Se os seus resultados estiveram na origem do retorno a guerra, foram também esses resultados que até hoje pautaram a vida política do País, conformaram o nosso Parlamento e o nosso Governo, reconhecido e legitimado como o foi no concerto de todas as nações do mundo.
(…)
O sentimento dominante era porém o de que seria impossível o retorno à violência armada, que o machado de guerra estava bem enterrado, todos fumavam o cachimbo da paz e até Deus era angolano e queria ser eleitor. O deslumbramento, o orgulho de ser angolano, a fé de que era agora que todos iriam colher os frutos doces da independência nacional eram, em grandes pinceladas, as cores que dominaram o quadro dessas primeiras eleições, tal como eu as via e ainda hoje recordo.

Hoje, em 2008, os principais partidos anunciaram já a constituição dos seus próprios centros de tabulação dos votos recolhidos e constantes das respectivas actas síntese. É uma boa iniciativa porque ela implica a responsabilidade de apresentação dos seus resultados e respectivos comprovativos, quando sejam diferentes dos que vierem a ser anunciados pela CNE. Em 1992, apesar das actas síntese e de a legislação neste aspecto ser em tudo idêntica, os resultados anunciados pela CNE foram contestados mas nunca foram confrontados com quaisquer resultados tabulados pelos partidos contestantes com base nas actas recolhidas pelos seus delegados de lista.
Em 1992 não se estava, contudo, a eleger apenas os Deputados mas também a eleger o Presidente da República. Este aspecto de as primeiras eleições serem duplas induziu outros factores de risco, elevando a aposta para uma luta eleitoral do tudo ou nada cujos resultados conhecemos. Não previ, porque não tenho dotes divinatórios, a «hecatombe» que se seguiu. Sempre acreditei no bom senso, nas segundas oportunidades.
(…)
Em 2008, o número de eleitores quase duplicou, a grande maioria dos actuais eleitores não votou nas eleições passadas. As circunstâncias que envolvem o actual processo são tão diferentes que não dá sequer para comparar. As grandes expectativas voltam a povoar os espíritos das pessoas e dos partidos. Vou votar no dia 5 como um cidadão que cumpre uma obrigação que se deverá tornar regular, e fá-lo-ei sem os estados de alma que me agitavam há dezasseis anos atrás. Com a sensação de que estaremos todos com esse gesto a contribuir para a consolidação do estado de direito.

[Aqui]
O Semanário Angolense pede-me que partilhe com os seus leitores a minha experiência pessoal de há 16 anos. A dois dias das eleições, qual era o estado de espírito do Director Geral das Eleições? Como é que o País estava? Quantas assembleias de voto? O Director Geral antevia a hecatombe que depois se seguiu às eleições? Como tinha decorrido a campanha eleitoral? Quantos observadores nacionais e estrangeiros estavam credenciados?
(…)
O longo caminho entretanto percorrido foi adicionando acidentes de percurso ao processo de democratização, as perspectivas foram-se alterando como as pedras coloridas de um pequeno caleidoscópio criado como brinquedo para encantar crianças, mas que nos vai fazendo desejar formas mais ousadas e mais imaginativas de realização. Desde que as eleições de 2008 ficaram marcadas no horizonte político, participei como consultor das entidades que se empenharam desde os inícios de 2005 na efectivação do registo eleitoral que ficou concluído com assinalável êxito em meados de 2007 e actualizado ainda durante o corrente ano.

É certo que as primeiras eleições gerais tiveram um epílogo trágico que todos recordam, mas até esse desfecho foi uma lição de vida. Se temos hoje a Angola que temos muito se deve às lições aprendidas em 1992, com os erros por todos cometidos. Se os seus resultados estiveram na origem do retorno a guerra, foram também esses resultados que até hoje pautaram a vida política do País, conformaram o nosso Parlamento e o nosso Governo, reconhecido e legitimado como o foi no concerto de todas as nações do mundo.
(…)
O sentimento dominante era porém o de que seria impossível o retorno à violência armada, que o machado de guerra estava bem enterrado, todos fumavam o cachimbo da paz e até Deus era angolano e queria ser eleitor. O deslumbramento, o orgulho de ser angolano, a fé de que era agora que todos iriam colher os frutos doces da independência nacional eram, em grandes pinceladas, as cores que dominaram o quadro dessas primeiras eleições, tal como eu as via e ainda hoje recordo.

Hoje, em 2008, os principais partidos anunciaram já a constituição dos seus próprios centros de tabulação dos votos recolhidos e constantes das respectivas actas síntese. É uma boa iniciativa porque ela implica a responsabilidade de apresentação dos seus resultados e respectivos comprovativos, quando sejam diferentes dos que vierem a ser anunciados pela CNE. Em 1992, apesar das actas síntese e de a legislação neste aspecto ser em tudo idêntica, os resultados anunciados pela CNE foram contestados mas nunca foram confrontados com quaisquer resultados tabulados pelos partidos contestantes com base nas actas recolhidas pelos seus delegados de lista.
Em 1992 não se estava, contudo, a eleger apenas os Deputados mas também a eleger o Presidente da República. Este aspecto de as primeiras eleições serem duplas induziu outros factores de risco, elevando a aposta para uma luta eleitoral do tudo ou nada cujos resultados conhecemos. Não previ, porque não tenho dotes divinatórios, a «hecatombe» que se seguiu. Sempre acreditei no bom senso, nas segundas oportunidades.
(…)
Em 2008, o número de eleitores quase duplicou, a grande maioria dos actuais eleitores não votou nas eleições passadas. As circunstâncias que envolvem o actual processo são tão diferentes que não dá sequer para comparar. As grandes expectativas voltam a povoar os espíritos das pessoas e dos partidos. Vou votar no dia 5 como um cidadão que cumpre uma obrigação que se deverá tornar regular, e fá-lo-ei sem os estados de alma que me agitavam há dezasseis anos atrás. Com a sensação de que estaremos todos com esse gesto a contribuir para a consolidação do estado de direito.

[Aqui]

Saturday, 6 September 2008

ANGOLA: BRIEFS FROM THE ELECTION (2)


  • Earlier on Saturday, the main opposition party, UNITA, announced its intention to impugnate the election, claiming a “collapse” of the process in the capital, Luanda, and “numerous cases of organisational failures, forceful prevention of some electors from exercising their right to vote, violence and political intolerance” in the 18 provinces, of which they were in the process of collecting evidence to submit to the Constitutional Court. Part of these claims were seconded by the leader of the FNLA, Ngola Kabango, who, short of calling for an impugnation, expressed his party’s disposition to issue a last appeal to the National Electoral Commission (CNE) to rescue the elections in a legal and legitimate manner”.
  • The calls for impugnation by the opposition were rejected by the ruling party, MPLA, stating that “all is being done according to the law”, and, among other personalities, by Cardinal Dom Alexandre do Nascimento, who said: “I have followed the elections in Luanda and Malange and from the information I have, there was enormous civility and we gave a great example to the world and a good show of culture.” He further stated that “there are organs to solve any problems that might occur and there is no reason for some politicians to attempt to totally spoil the process just to serve their interests. All must be done as it has been so far, with culture, understanding and fraternal spirit. (…) The quality expected from a politician is, above all, patriotic sense and the ability to serve the greater good, the nation.”


  • Earlier on Saturday, the main opposition party, UNITA, announced its intention to impugnate the election, claiming a “collapse” of the process in the capital, Luanda, and “numerous cases of organisational failures, forceful prevention of some electors from exercising their right to vote, violence and political intolerance” in the 18 provinces, of which they were in the process of collecting evidence to submit to the Constitutional Court. Part of these claims were seconded by the leader of the FNLA, Ngola Kabango, who, short of calling for an impugnation, expressed his party’s disposition to issue a last appeal to the National Electoral Commission (CNE) to rescue the elections in a legal and legitimate manner”.
  • The calls for impugnation by the opposition were rejected by the ruling party, MPLA, stating that “all is being done according to the law”, and, among other personalities, by Cardinal Dom Alexandre do Nascimento, who said: “I have followed the elections in Luanda and Malange and from the information I have, there was enormous civility and we gave a great example to the world and a good show of culture.” He further stated that “there are organs to solve any problems that might occur and there is no reason for some politicians to attempt to totally spoil the process just to serve their interests. All must be done as it has been so far, with culture, understanding and fraternal spirit. (…) The quality expected from a politician is, above all, patriotic sense and the ability to serve the greater good, the nation.”