A proposito de dois diferentes encontros academicos, duas abordagens da questao da "identidade":
O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África(CODESRIA) lança um apelo a comunicações por ocasião do colóquio sobre o tema «Mestiçagens socioculturais e procura de identidade na África contemporânea: o caso dos países africanos lusófonos», que pretende organizar nos dias 15 e 16 de Setembro de 2008 na Cidade da Praia (CaboVerde) no âmbito da Iniciativa África Lusófona do CODESRIA. (...) Na África, independentemente das formas que adoptaram, a realidade e os interesses coloniais fizeram com que a problemática do encontro entre sociedades humanas com representações e valores diferentes suscitasse as análises e os juízos mais controversos. Os estudos realizados pelos colonizadores interessavam-se na problemática da mestiçagem unicamente pela necessidade de compreender melhor estas sociedades, de consolidar melhor a sua política discriminatória, de geri-las melhor e, em última instância, de as dominar. Este procedimento tornou-se mais urgente ainda no período entreas duas guerras mundiais, quando os colonizadores começaram a instalar-se de maneira mais permanente criando aglomerados de povoamento europeus mais estáveis nos centros urbanos africanos, ainda que a proporção de europeus e assimilados permanecesse fraca em relação à população total do continente. O aumento da presença europeia nos territórios colonizados e as consequências daí decorrentes contribuíram assim para o desenvolvimento de uma antropologia que só visava fins utilitaristas, e pouco preocupada com uma explicação científica dos fenómenos sociais. (...) Durante as lutas pela independência e a época que se seguiu, o tema da mestiçagem regressou com força à agenda de muitos dos pensadores engajados na batalha de desconstrução dos preconceitos coloniais. Aimé Césaire e Léopold Sédar Senghor articularam assim o tema da mestiçagem com o da negritude. No centro das suas preocupações estava a questão das trocas culturais e da contribuição dos negros "africanos" para os valores"universais". Nesta perspectiva, Senghor chegará mesmo a dizer que "toda grande civilização é mestiçagem cultural".
DIMENSÃO PROTO-BANTU E IDENTIDADE CULTURAL Simão Souindoula
Após uma evolução pós-independência trintenária, é , historicamente, justo de interrogar-se, mais uma vez, sobre a substância que constitui a identidade cultural nacional do nosso país. Este conjunto de particularidades que permite uma estampilhagem cultural distinta da nação angolana, em plena edificação, tem vertentes de carácter antropólogico, histórico mas também linguístico. E, esta última dimensão é justamente o objecto do presente encontro.
(...)
Neste quadro e tendo em conta o facto de que o actual território de Angola é povoado, maioritariamente, de populações falando línguas, que são classificadas como bantu, tentaremos, portanto, pôr em relevo, em primeiro lugar, um dos pontos de parentesco genético desses falares, que é o proto-bantu. Este realce nos permitirá apreciar, em segundo e última instância, as vias, podendo desenvolver a referida identidade e garantir, concomitantemente, uma coexistência social pacífica e uma coesão nacional aceitável.
(...)
Uma análise cruzada do conjunto dos dados arqueológicos, linguísticos e antropólogicos postos em evidência, nesses últimos anos, atesta que, pouco antes da nossa era, algumas regiões do actual território de Angola eram já povoadas de comunidades metalurgistas e ceramistas, e portanto, este facto, provavelmente,na sua maioria, locutores de línguas bantu. Essas populações engajarão, até o século XIX, um longo processo de sedentarização e de ocupação de territórios que dará ao país a sua configuração etno-linguìstica actual.
(...)
A classificação, hoje, geralmente aceite, dos falares bantu em Angola, permite distinguir uma dezena de unidades-línguas. Recordar-se-á , assim: - no nordoeste, o kikongo e o kimbundu- no nordeste, o cokwé- no Planalto central, o umbundu- no sudeste, o tchingangela - nos Planaltos a Huíla, o olunyaneka- e, enfim, no sul, o tchikwanyama, o tchielelo e o tchindonga.
For the last ten days the word has been violence spurred by xenophobia. Nothing can justify the levels it has reached, but it certainly begs explanation, understanding and rational, long-term, solutions. A common definition of ‘xenophobia’ will hold it as “a strong feeling of dislike or fear of people from other countries.” Is this really what explains the appalling scenes from Johannesburg’s shacklands being shown in the media all over the world? I do not believe that South Africans in general fundamentally ‘dislike’ people from other countries, but there is certainly some degree of ‘fear’ behind the shameful attacks against foreigners of the last few days. So, perhaps ‘xenophobia’ only explains part of the issue - more precisely, the part arising from fear. But fear of what exactly?
I think it is safe to posit that it might be fear of being engulfed, overtaken, swamped by massive inflows of economic migrants from all over the continent. Fear of losing out on a totally uncontrolled competition for access to all of their already meagre sources of survival: jobs (or just the increasingly fewer employment opportunities available), housing (or just the decreasing space for their own shacks or more solid and larger houses for their families), marketplace (or just their shrinking share of the local informal markets), food (just bound to become even more expensive and of limited availability as the current food crisis spreads around the globe), health (compounded by the AIDS pandemic in the region) and education (whatever little of it they may access in a financially restricted educational system).
In short, fear of losing out on an open competition for scarce resources and extremely limited opportunities. Hardly anything new elsewhere in the world or in South Africa itself. In effect, Black South Africans have seen the chances of improvement in their living standards undercut by labour competition from the region and the wider continent for more than a century, particularly in the backbone of the country’s economy: the mining industry.
A brief look at the economic history of the Johannesburg region (also known as the ‘Witwatersrand’, or simply the ‘Rand’) tells us that monopsonic control (i.e. control of the labour market by a single employer that sets all rules and wages) of recruiting for the mining industry was vital for the ‘Randlords’. The mining industry was faced with diminishing returns and rising costs of operation, which could not be passed on to the consumer due to the fixed price of gold. Therefore, it vitally depended on the institutionalisation of oscillant migrant labour: only an infinitely elastic supply of labour at rates lower than its marginal product could guarantee profitability.
Monopsonistic organisation of employers, especially in its ability to generate economies of scale by reducing the costs of recruiting, transportation and accommodation of migrants from outside South Africa, prevented competition for labour from pushing wages up. This required an immobilised, disorganised and dependent labour force, the maintenance of which was guaranteed by an array of segregationist policies restricting access of Africans to skilled jobs and their permanent urbanisation, thus hindering their ability to acquire and develop bargaining skills.
In 1893, the South African Chamber of Mines established a ‘Native Labour Department’ with the explicit objective of taking “active steps for the gradual reduction of native wages to a reasonable level.” This was followed, in 1896, by the creation of the ‘Rand Native Labour Association’ which, a year later, claimed to have promoted an increase in employment by over 500% above its level in 1890 “without any appreciable rise in wages.” By the end of the century, the organisation of recruiting had managed to increase the level of African employment by 600% at a wage rate below what it had been at the beginning of the mining industry.[1]
Yet, in spite of that achievement, competition for regional labour still prevailed in the industry and, in 1900, employers created the ‘Witwatersrand Native Labour Association’ (WNLA), which was the only body allowed to recruit in Mozambique, the main source of labour supply. The WNLA was to structurally define the regional labour market, for the rest of the last century to this day, as one of dependency for migrant workers and permanent low wages for Black South Africans – certainly lower than what they could have been if not for the institutionalised influxes of foreign migrant labour.
It is against this historical background that the growing tensions, conflicts and, ultimately, extreme violence of the last few days ought to be analysed. Of course, since the end of Apartheid, a mere 14 years ago, substantial changes have occurred in the nature of institutional relations within South Africa and between the countries in the region and in the structure of the regional labour market, translating into a relatively stronger bargaining power for the South African labour force. Along the last century, there was also a significant diversification of the South African economy away from the mining industry.
However, and in spite of the prevailing status of South Africa as the regional powerhouse, poverty and social exclusion levels in the country have not decreased sufficiently as to offset the potentially distortionary effects on the local economy of a permanent influx of economic migrants from all over the continent, as far afield as Nigeria and, for the best part of the last decade, particularly from Zimbabwe. Although official figures show only around 120,000 people applying for asylum in South Africa in the last decade, at least another million Africans - and some estimates say two million - have moved there (figures from 2005). And this time without any regulator, such as the WNLA, to somehow control it. To quote Mamphela Ramphele, Co- Chair of the Global Commission on International Migration, “South Africa is finding it difficult to absorb the flows of immigrants, which have increased faster than the South African economy. We are like a little Europe, without her resources.”
This is a reality that the South African government, the Southern African Development Community (SADC) and the African Union (AU) have to tackle with unwavering determination. In particular, SADC and the AU have, more than ever before, the duty, under their existing general legal and institutional frameworks and specific sectoral protocols, to regulate economic migration fluxes within the continent in such a way as to guarantee that both migrants and host country residents have their economic, social and human rights protected.
Moreover, all countries in the continent (and here I am particularly thinking about my own country of origin, Angola, which has also been attracting significant levels of migrants from all over the continent and the rest of the world since the end of the war) must understand the current events as a desperate cry from the poor and socially excluded for their governments to put their houses in order, i.e. to improve their economic and governance performances, and in particular their income redistribution policies and social support systems, in order to, if not totally stem, at least make the current levels and specific directions of intra-continental migration controllable overall. Only such an integrated approach to the problem can turn migration into a productive, culturally and humanly enriching experience to the benefit of the entire continent.
Finally, to all brothers and sisters, victims and perpetrators of the unspeakable acts of violence of the last few days in Johannesburg, I would like to dedicate this song, Chileshe, about which Bra Masekela said: "We first recorded this song in 1968 on the 'Promise of A Future' album. People from Jo’burg always thought of themselves as being much more advanced, civilised and hipper than anybody that did not grow up there, especially people from the outlying provinces like Northern Transvaal, Kwa-Zulu Natal, Mozambique, Zambia, Namibia, Lesotho, Botswana, Malawi, Swaziland. I was also thinking about how the whites used to ill-treat us and call us 'Kaffirs' and all kinds of dirty names. The song is a call to those who are denigrated and vilified by these attitudes to stand up proudly and not allow themselves to be called derogatory names like 'Mighirighamba', 'Makirimane', 'Makwankwies', 'Makhafula', etc. With the influx today of peoples from all over the African diaspora into South Africa, the level of xenophobia has risen to disgusting heights. Most paradoxically, the song is even more popular amongst black South Africans today and is deeply loved by the new immigrants which helped the 'Black To The Future' album to platinum heights."
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*The title refers to this poemby Gil Scott-Heron
[1] Figures from Wilson F., Labour in the South African Gold Mines 1911-1969, (Cambridge UP, 1972)
Other references: Katzenellenbogen S., South Africa and Southern Mozambique: Labour, Railways and Trade in the Making of a Relationship, (Manchester, Manchester UP, 1982); Milazi D., The Politics and Economics of Lbour Migration in Southern Africa (1984); Crush J., Jeeves A. & Yudelman D., South Africa’s Labor Empire – A History of Black Migrancy to the Gold Mines, (Oxford, Westview Press, 1991)
It has been a little while since my last takeon this battle and, gosh, what an awful lot has happened since! Here’s some of it:
WHEN THE NAME OF THE GAME BECAME BILLARY…
When I started this series at the outset of this primary’s campaign, I was particularly interested in observing how race and gender would play out among the Democrats’ electorate. A number of episodes since have illustrated just how important these two sociological categories are in the wider Democratic campaign against the Republicans, but none has proven my gut instinct so close to reality on the ground as the one when Bill Clinton entered his wife’s campaign playing the ‘race card’ right, left and center, and race politics threatened to ruin everything for everyone.
Apparently, the ‘Billary’ strategy was to play the race card in such a way as to force Obama into a ‘black corner’ thus prompting the white electorate to vote Hillary as a backlash to any Obama wins in black majority states. The Obama camp aptly rose to the challenge (as evidenced by Barack’s victory speech in South Carolina) and much has been made of it all and related events in the conventional media and the blogosphere. There is, however, an angle of the “double bill” made up by the Clinton couple that makes me ask: what on earth was the husband doing trying to overtake the wife’s campaign? Isn’t she supposed to demonstrate that a woman is capable of winning on her own merits? Anyway, apparently they have since tried to mend their ways and cut their losses, because…
ENTER TED KENNEDY…
On the strength of his win in South Carolina, Barack Obama managed to get Senator Ted Kennedy’s endorsement, adding to the ranks of a number of democratic heavyweights who have been declaring their support for him. However, as cheerful as this is for the Obama camp, it raises some concerns about the extent to which Kennedy’s support might actually work against him. And this is because an important mass of Obama’s supporters is composed of people, especially young people, who are genuinely vying for “a change they can believe in” and don’t particularly favour the continued dominance of political dynasties in the White House, directly or indirectly, be they Republican (Bush) or Democrat (Kennedy). In any event, there are more pressing concerns for the Democrats at the moment.
… AND THE REPUBLICANS
It would be ill-advised for anyone to take anything for granted in this campaign and, obviously, both Hillary and Obama, as front-runners in the Democratic camp, have to measure their strengths against the Republican heavyweights. On that side, John McCain is currently on the lead, having received soon after his (not too comfortable) win in Florida, the important endorsements of Schwarzenegger and Giuliani (just a note on this: as it can be gathered from one of my comments on ‘take 2’of this series, as many other observers, I had placed more weight on Giuliani’s candidacy then it turned out to show. Nevertheless, my gut feeling is telling me that he might again take the frontline alongside McCain, as the Republican candidate for the Vice-Presidency).
… AND THE ECONOMY!
However, I wouldn’t, at least at this stage, completely rule out Mitt Romney’s chances – after all, McCain himself said that his win in Florida was “nothing to brag about”. And this simply because the economy has come creeping into this campaign like ‘its nobody’s business’ and neither camp can afford to ignore it – fears of a depression, brought about mainly by dodgy deals in the sub-prime mortgage market and a too thinly spread federal budget over the wars in Iraq and Afghanistan, have been bringing Keynesian Economics back from the dead, amidst calls by some (apparently including Obama...) for the return of "Reaganomics". This has forced the Bush administration to come up with such drastic measures as ‘stimulus packages’ in the form of tax cuts and transfers and attempts to balance the budget mainly through a clampdown on funding ‘earmarks’, with the FED successively performing the most dramatic cuts in interest rates in more than two decades, while the dollar reaches all time lows against the euro.
In this context, Mitt Romney’s background in economic management may play a role in the outcome of the Republican campaign. After all, he won Michigan – a state which today represents the face of American economic decline – and it could be expected, not just because it's his home state but perhaps also because of it, that ‘if he made it there, he can make it anywhere’, unlike Rudy Giuliani who, through a fatally misguided campaign strategy (by placing all his eggs on the Florida basket), didn’t even manage to give himself the chance to try, let alone make, it at home in New York, or John McCain, whose weight as a war hero rests to be measured against his economic management credentials, which are virtually none.
There is, however, an interesting statement by McCain that seems to say quite a lot about what's to come: "I am not running for the American presidency to be someone but to do something!" Well, surely he is not running to be the "first female president", or the "first black president" of the US of A...
It is against this wider background that the battle Obama vs. Clinton has to be measured up in the most immediate future…
So, let’s wait and see what ‘Suppa Duppa Tuesday’ brings.
[P.S.: YOU CAN READ ABOUT "THE ECONOMICS OF BARACK OBAMA" HERE]
No periodo de reflexao que se seguiu ao recente passamento fisico do Lider Historico Angolano, Holden Roberto, aqui assinalado, varios foram os artigos, testemunhos e depoimentos dados a estampa um pouco por todo o mundo.
De alguns dentre os publicados em Portugues vos dou aqui conta - todos extraidos das ultimas duas edicoes do Semanario Angolense.
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A NOSSA PALAVRA HOJE NÃO É UM GRITO DE LIBERTAÇÃO COMO O LANÇADO HÁ QUARENTA E CINCO ANOS, MAS UM APELO AO DESPERTAR DOS MAIS SONOLENTOS, DOS MAIS INDIFERENTES. DIZER-LHES QUE ESTÁ PRÓXIMO O DIA EM QUE NOS SERÁ POSTA NAS MÃOS A ÚNICA ARMA QUE IMPORTA USAR PARA MUDAR O NOSSO PRESENTE E O NOSSO FUTURO: O VOTO.
Holden Roberto
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I. Um Documento Histórico
A Upa e Holden Roberto, Segundo Edmundo Rocha
O presente texto foi extraído do livro «Angola – Contribuição ao Estudo do Nacionalismo Moderno Angolano. Período de 1950-1964-Testemunho e Estudo Documental Volume I», editado pela Kilombelombe e escrito pelo nacionalista e médico angolano Edmundo Vicente de Melo Rocha. A referida obra, com a qual conquistou uma das categorias do Prémio Nacional de Cultura e Artes, se debruça sobre a origem dos movimentos que estiveram ligados ao processo de libertação nacional e as suas actividades, muitas das quais desenvolvidas na clandestinidade. Assim como os outros movimentos nacionalistas, Edmundo Rocha, a residir actualmente em Portugal, não deixou de analisar os meandros da criação da UPA/FNLA, bem como a trajectória do seu líder histórico, Álvaro Holden Roberto. Para constar.
O Núcleo Nacionalista Na Emigração No Congo Belga
Origens – A União das Populações de Angola (Upa) nasceu no meio do grupo étnico Bakongo, o qual ocupa um vasto território tanto no noroeste de Angola como na orla marítima dos dois Congos, Belga e Francês. A capital do reino do Congo era S. Salvador do Congo, em território angolano. Os Bakongos mantinham estruturas tradicionais bastante homogéneas e coesas, mesmo durante a colonização. (…) No entanto, essa homogeneidade e coesão tribal dos Bakongo iria sofrer graves dissenções internas após a morte do Rei do Kongo, D. Pedro VII, católico, em 1955. A corrente católica, apoiada pelas autoridades portuguesas, sustentava, de harmonia com a tradição, que o futuro rei (Ntotele) deveria permanecer católico e fizeram entronizar D. António Ill, o que não agradou aos Bakongo protestantes, que estimavam que o futuro rei deveria ser protestante, instruído e impregnado de princípios modernos. O grupo dos Bakongo protestantes era dirigido pelo secretário do rei D. Pedro VII, Manuel Barros Nekaka, apoiado por Johnny Eduardo Pinnock, e por Francisco Lulendo, e por seu sobrinho Holden Roberto, os quais suscitaram várias manifestações de desagrado diante da casa do novo Ntotele. Muitos desses manifestantes seriam presos e detidos durante meses. As autoridades portuguesas arrastaram este problema dinástico, evitando a reeleição de um novo Ntotele. Decepcionados, os monárquicos Bakongo protestantes orientaram as suas actividades num sentido mais nacionalista e entram em contacto com o cônsul dos Estados Unidos da América em Leopoldville e com o missionário protestante Reverendo George M. Houser, de passagem por Leopoldville em 1955, personalidade destacada do American Committee on África (Acoa), o mais importante organismo anticolonialista americano. Esses contactos foram determinantes para o futuro do movimento nacionalista de origem Bakongo. (… Continue a ler aqui)
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II. Alberto Teta Lando (Presidente da Unac-Uniao Nacional dos Artistas e Compositores) «Conversas com o mais-velho em Paris inspiraram muitas das minhas músicas»
Para mim, o «velho», como eu lhe tratava, era uma referência. Uma pessoa participativa. Tenho nele um exemplo, sobretudo nos últimos vinte anos. A forma como ele aceitou, historicamente, todas as injustiças, todos os problemas e atribulações que teve, a forma como ele enfrentou estes problemas todos, para mim é grandioso. Vivi muito tempo com o «velho», sobretudo aquando do exílio em Paris. Estava com ele quase todos os dias. Por isso conheço um bocado daquilo que foi Holden Roberto. Para mim foi o homem que despoletou realmente a luta que acabou por nos dar a independência, pois que antes de Agostinho Neto, Savimbi e Holden Roberto, outras tentativas houveram. (…) Holden Roberto falava muito no dever que tínhamos de honrar os nossos mortos, aquelas pessoas que morreram a lutar pela liberdade de Angola. Aliás, quando eu cantei «os nossos mortos vão nos aplaudir», era um bocadinho na senda de conversas que eu tinha com Holden. Nós que temos o privilégio de gozar hoje a independência, devemos gozá-la o melhor possível para que os nossos mortos lá de cima possam aplaudir e dizer que valeu a pena terem morrido na luta pela independência. Transformei em poesia um bocadinho daquilo que o velho conversava muitas vezes comigo. O velho Holden era uma pessoa que estava sempre à espera que as coisas melhorassem, e dizia muitas vezes no exílio que a guerra já não tinha razão de ser. (…) Holden Roberto inspirou-me muito, principalmente nas últimas composições que fiz. Por exemplo, «o sonho de um camponês» é inspirado de conversas que tive com o velho.
*** III.Holden Segundo Onofre Dos Santos
Com as suas tropas a tentarem forçar a entrada em Luanda Holden estava no Ambriz na noite da Independência, assegura Onofre dos Santos, num curiosíssimo diário sobre os primeiros dias de independência vividos do «outro lado da barricada». Em «Os (meus) dias da Independência», um diário escrito por Onofre dos Santos, reportando-se aos primeiros dias de liberdade em Angola, encontramos aquilo que será uma revelação para muitos angolanos que tiveram no paradeiro de Holden Roberto no dia 11 de Novembro de 1975 um autêntico mistério. Quase uma lenda. Uns diziam que estava no Huambo, juntamente com Jonas Savimbi, a proclamar a efémera «República Democrática de Angola», outros que não, que estava em Kinshasa ao lado de Mobutu Sesse Seko, e outros ainda que estaria na «frente de combate» dirigindo directamente a coligação de forças que tentaram a todo o custo, mas debalde, tomar a capital angolana. Daí, aliás, a celebrizada expressão atribuída ao líder histórico da FNLA, que na véspera da Independência teria dito qualquer coisa como isto: «Amanhã almoçaremos em Luanda!». No seu livro, lançado em Julho de 2002, pela Editorial Notícias, Onofre dos Santos assevera que Holden Roberto estava no Ambriz. (…) Depois de longos anos de exílio em França, Holden Roberto regressou à Angola em 1991, pouco depois da assinatura dos Acordos de Paz, em Bicesse. Aí o encontrei na sua suite, no último andar do Hotel Presidente, ao fundo da Avenida Marginal, em Luanda, durante os dias da Conferência Multipartidária que marcou o seu regresso em força à política angolana. (…) Holden Roberto é hoje uma figura histórica notável, cujo percurso desde a sua juventude até aos nossos dias merece ser contada. Ele é certamente um dos grandes líderes das independências em África e, sendo um dos maiores, é talvez daqueles de quem menos se sabe. Dele a memória e o imaginário de todos aqueles que viveram os dramas de 1961 em Angola têm guardado uma imagem que não lhe faz justiça. É uma grande pena que o bom povo angolano não tome a iniciativa de lhe fazer o reconhecimento nacional a que ele tem direito e que os estudiosos e historiadores de Angola, e não só, não reconstituam para as novas gerações a vida por ele consagrada com humildade, perseverança inabalável e muita coragem ao longo de mais de cinquenta anos de luta deste idealista, que, mais do que uma arma, transportou nos braços uma verdadeira cruz.
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IV.Depoimento de Carlinhos Zassala
«Para O Presidente A Política Não Era Um Emprego, Mas Uma Missão»
Membro da direcção da Fnla, o psicólogo Carlinhos Zassala conheceu Holden Roberto no seu tempo de juventude, quando estudava na República Democrática do CongoO presidente Holden Roberto foi uma grande figura, um combatente da liberdade e um grande nacionalista angolano. Comecei por conhecer os seus pais e tios, já em 1956, quando em companhia do meu pai fui estudar para o Matadi, dois anos depois da fundação da União dos Povos do Norte de Angola (Upna). (…) Foi uma figura de dimensão nacional e internacional muito influenciada por nacionalistas africanos como Nkwame Nkruma, Julius Nyerere, Leopold Senghor, entre outras figuras. É a pessoa que em 1958, na conferência de Accra, e nas Nações Unidas, levantou a voz para falar da independência de Angola. (…) É uma pessoa que admiro bastante, porque dizia que «a política não era um emprego, mas sim uma missão». Mais do que isso, muitas vezes ele dizia que nós devemos cumprir com a missão que nos é dada sem nos preocuparmos com os bens materiais. Hoje em dia é raríssimo encontrar um político que tenha morrido nas condições em que morreu o presidente Holden: sem riquezas nenhumas, apenas uma casa no bairro Azul. É uma pessoa que, na minha opinião, a juventude angolana deveria conhecer, principalmente porque em 1985 desmobilizou o seu exército, por não querer entrar na guerra civil. (…) Acompanhei o enterro do presidente em Mbanza Congo e fiquei muito emocionado, porque durante a noite toda não paravam de chegar carros, vindos de diversas partes, das províncias vizinhas, mesmo da Rdc, Baixo Zaire, enfim. Holden Roberto sempre defendeu a liberdade e a terra. Ele dizia muitas vezes que conseguimos a liberdade em 1975 e que «não era possível liberdade sem terra, nem terra sem liberdade». Razão pela qual defendeu sempre que a via para pacificação do país devia ser a do diálogo. Tanto é que esteve por trás de várias negociações que aconteceram entre o Governo e a Unita e que culminariam nos acordos de Bicesse.
QUEM VOS DIZ ISTO É ALGUÉM QUE JÁ PASSOU A BARREIRA DOS OITENTA. NÃO SÃO AMBIÇÕES POLÍTICAS QUE ME ANIMAM E ME OBRIGAM A FAZER MAIS ESTA EXORTAÇÃO. DIZ-SE QUE O DIABO NÃO SABE MAIS DO QUE OS OUTROS POR SER DIABO, MAS PORQUE É MUITO VELHO. NÓS EM ÁFRICA E MUITO ESPECIALMENTE AQUI EM ANGOLA RESPEITAMOS PROFUNDAMENTE OS NOSSOS MAIS-VELHOS, PORQUE ELES SÃO PESSOAS DE MUITA EXPERIÊNCIA.
Holden Roberto
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V.Apontamentos Sobre Um Monumento Chamado Holden Roberto
(Por Sousa Jamba)
É natural que, depois da morte de uma personalidade pública, as pessoas estejam altamente curiosas sobre a vida do finado. Queremos sempre uma narrativa concisa e clara, que pode encapsular a vida do defunto. Depois de ter ouvido que Holden Roberto faleceu, como várias pessoas, corri logo à Internet para procurar dados sobre a sua vida. Infelizmente, não havia muita coisa. (…) Outros jornalistas tentaram propagar a alegação de que Holden Roberto foi agente da Cia. Porém, um olhar atento aos factos revela que a alegada ligação entre a Cia e a Fnla, nos anos 60, foi altamente exagerada. E isto é um facto suportado por académicos que não nutriam simpatia nenhuma por Holden Roberto ou mesmo pela Fnla, como o escritor norte-americano Jerry Bender. (…) Mas porque é que Holden Roberto não contestava vigorosamente as tantas inverdades sobre a sua pessoa e o movimento que liderava? Suponho que uma das razões foi a perícia em relações públicas daquele ovimbundu que foi secretário dos Negócios Estrangeiros da União dos Povos de Angola (Upa), Jonas Malheiro Savimbi. Por quase trinta anos, o drama de Angola, passou a ser altamente bipolarizado – de um lado havia os comunistas do Mpla e do outro a Unita, que era pró-ocidental. Jonas Savimbi conseguiu, também, em muitos circuitos africanos, caracterizar o conflito em Angola como sendo, em parte, uma luta entre a identidade africana e várias forças que visavam a sua diluição.
OS ANOS PASSARAM MAS O NOSSO COMBATE CONTINUA O MESMO QUE NASCEU SOB O LEMA DE LIBERDADE E TERRA QUE MARCOU O NOSSO GRITO DE REVOLTA E QUE HOJE EU QUERIA QUE FOSSE UM GRITO DE ALERTA E DE VIGILÂNCIA, MAS QUE TAMBÉM SE CONVERTA NUM GRITO DE ESPERANÇA, PORQUE ANGOLA PODE SER MELHOR DO QUE ESTÁ PARA O POVO ANGOLANO.
Ja’ aqui afirmei, uma ou duas vezes, que tenho para mim que a sociedade Britanica contemporanea e’, do ponto de vista racial, a mais amadurecida, descomplexada, politicamente sofisticada, harmoniosa e saudavel do mundo ocidental. Tenho perfeita consciencia dos “votos contra” tal afirmacao que se terao levantado e continuarao a levantar… Mas o facto e’ que, 'malgre tout', mais uma vez essa realidade se desenrola, e em abundancia, aos olhos de todos quantos a puderem ver por estes dias.
O Reino Unido esta’ em plena comemoracao dos 200 anos sobre a passagem, no Parlamento de Westminster, do Acto de Abolicao da Escravatura, aqui referido como o “Abolition of the Slave Trade Act Bicentenary”, assinalado oficialmente ontem. ‘A conta disso, temos sido servidos nos ultimos dias e continuaremos a se-lo ao longo do resto do ano, por um verdadeiro “banquete” de programas, actividades e debates a volta das questoes da escravatura, do racismo e das relacoes inter-raciais, passadas, presentes e futuras, tanto neste pais, como globalmente. E todos que nele participam, ou apenas observam, parecem estar determinados a comer de tudo um pouco, sem deixarem nenhuma migalha do “buffet” ser varrida para debaixo do tapete… Perante tanta abundancia e variedade e’-me literalmente impossivel dar aqui conta de tudo quanto se tem passado, mas aqui fica o registo, necessariamente breve, de alguns dos eventos que teem marcado esta efemeride.
"The body of Christ is not just a body that exists at any one time, it exists across history and we therefore share the shame and the sinfulness of our predecessors and part of what we can do, with them and for them in the body of Christ, is prayer for acknowledgement of the failure that is part of us not just of some distant 'them'." Archbishop of Canterbury Rowan Williams, Church of England
I. Procissao da Igreja Anglicana em demonstracao do seu arrependimento pelo seu papel no e beneficio do esclavagismo, ou o “Walk of Witness”: Dirigida pelos Arcebispos de York e Canterbury, acompanhada pelos seus parceiros ecumenicos e presidida no seu acto central por uma das suas figuras centrais, por sinal uma mulher negra, esta procissao congregou varias caminhadas, incluindo a “Marcha dos Abolicionistas” iniciada na cidade de Hull e composta por caminhantes usando cangas, correntes e t-shirts ostentando a frase "So Sorry", que comecaram desde o inicio do ano em varias partes do pais e culminaram anteontem em Londres. Durante o acto central, em Kennington, municipio de Lambeth, os participantes foram convidados a assinar uma ‘Declaracao Internacional Contra a Escravatura’ apelando por medidas para uma melhor compreensao do comercio transatlantico de escravos, para a compensacao dos seus legados historicos e para o fim de todas as formas de escravatura moderna. O acto foi tambem marcado pela leitura de textos de escritores negros e ‘freedom-fighters’, incluindo Nelson Mandela e Martin Luther King e pela entoacao do Hino “Amazing Grace”.
"We were directly responsible for what happened. In the sense of inheriting our history, we can say we owned slaves, we branded slaves, that is why I believe we must actually recognise our history and offer an apology." Rev Blessant, Church of England
II. Filmes "Amazing Grace" e “The Walk”: sobre a trajectoria de vida de William Wilberforce que, segundo a versao oficial, tera’ levado a passagem, ao final dos debates de que ele foi o principal protagonista, do “Abolition of Slave Trade Act” no Parlamento Britanico.
Nos debates em varias series televisivas e revistas culturais, estes filmes e o papel de Wilberforce teem sido sistematicamente questionados a luz, nao so’ da veracidade e integridade da sua historia oficial, mas tambem e sobretudo do papel, por muitos considerado mais relevante e crucial, do ex-escravo Olaudah Equiano, de origem Nigeriana, que com o seu livro, tornado best-seller na epoca, “The Interesting Narrative of the Life of Olaudah Equiano, or Gustavus Vassa the African (1789)”, tera’ tido uma influencia mais determinante na abolicao da escravatura. (Leia mais sobre esta questao AQUI)
III. Documentario “Rough Crossings” pelo bastante mediatico, mas nem por isso menos conceituado, embora de rigor cientifico algo questionavel, historiador Simon Schama, baseado no seu livro com o mesmo titulo (BBC 2): retraca a historia da fundacao da Serra Leoa por ex-escravos que fugiram das plantacoes e se juntaram aos Britanicos na Guerra de Independencia Americana.
IV. Serie “Racism: A History” (BBC 4): uma verdadeira “gourmet meal”, congregando a mesa de discussao os mais internacionalmente prestigiados e conceituados estudiosos do racismo, de varias nacionalidades, racas e etnias. Alguns dos temas abordados: o papel dos Reinos Africanos no trafico de escravos; o papel do esclavagismo na evolucao e prosperidade da Gra-Bretanha; a Revolucao Haitiana, com a historica vitoria dos seus escravos das plantacoes sobre o jugo esclavagista; a historia do racismo na Religiao e ao longo da evolucao das varias disciplinas cientificas, desde a Geografia, a Biologia e a Filosofia, passando pela Antropologia, a Etnologia e a Psicologia e culminando na Historia; as varias formas de organizacao social do racismo em diferentes contextos geograficos, historicos e economicos, da Africa a Europa e da America do Norte ao Brasil e de como o racismo se torna mais intenso quanto mais baixo o nivel economico, cultural e educacional das pessoas pertencentes as racas julgadas "superiores", grupos sociais e nacoes; “The Colour of Money” (segundo episodio da serie), examinando a forma como o dinheiro afecta a vida das pessoas e ate’ que ponto o racismo e’ um produto da "globalizacao economica" do sec. XVII e as representacoes estereotipadas dos negros ao longo da Historia.
V. Serie “O Seculo XVIII Negro” (BBC 4): Como sobremesa, uma exploracao da experiencia da populacao negra Britanica no seculo 18, usando arte do periodo, incluindo obras por Gainsborough e Hogarth.
Enquanto navegava pela blogosfera Moçambicana, encontrei o “Diário de um Sociólogo”, um blog de Carlos Serra, sociólogo Moçambicano baseado em Maputo e associado à Universidade Eduardo Mondlane, a universidade pública do país. Tem, portanto, o potencial de oferecer uma interessante mistura de observação pessoal e comentário acadêmico, no meio de, como ele o apresenta, “um pouco de tudo: sociologia (em especial uma sociologia de intervenção rápida), filosofia, dia-a-dia, profundidade, superficialidade, ironia, poesia, fragilidade, força, mito, desnudamento de mitos, emoção e razão.”
Das suas actuais ofertas decidi pegar numa análise comparativa entre as posições políticas do recém-eleito Presidente Francês, Nicolas Sarkozy, e do Presidente Moçambicano, Armando Guebuza. Apresentada em quatro partes, a análise começa com esta pergunta, “Existe alguma afinidade política entre os programas políticos do presidente Sarkozy de França e do presidente Guebuza de Moçambique?”, sendo as restantes três partes dedicadas à resposta. Assim vai:
{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}
Venda poro
Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):
Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de assambarcarem a Angolanidade so’ para si?
Makongo
No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:
Falar de assim
(***)
[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]
Kamusekele
[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!
Recordando pio'
[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]
Incaldido
[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]
Escapada
[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]
Nucos da bwala
[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]
Kianje
[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]
Olhos molhados
[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!
Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!
Kanjonja
[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!! Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!
Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]
Samania
[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...
Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]
Ngui tename
[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]
Turmas do bairro
Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).
... THE MOST RACIST BOOK EVER WRITTEN ABOUT THE BLACK RACE, OR THE MOST UPLIFTING?
Let me state this upfront: I have mixed feelings about this book. And I would be inclined to believe that I have lots of company in this. Yet, when faced with its explosive mixture of provocative statements, I rend myself to what might be more plausible: this is not for the faint-hearted, it doesn’t leave any middle ground to anyone, you are either for or against its tenets, because it’s not everyday you are punched in the face with things like this, written by a Black man: “Nobody owes the Black race anything!”
This is the opening paragraph of my fourth input to AfricanPath's "Guest Blogger Series". (Read article here).
Foram-se as chuvas, chegou o Cacimbo e parece que a nossa Luanda já se está a refazer da “porrada” que levou durante a época chuvosa. Vamos lá ver, se irão conseguir resolver no Cacimbo todas as makas. Os engarrafamentos continuam, os buracos nas estradas aumentam (somos o único pais no mundo com estradas descartáveis), o lixo não para, a luz bazou e até agora estamos a espera dela. Tem razão o meu kamba Kinito quando diz que a maior oposição ao Governo é a EPAL, EDEL, ELISAL e o INAMET.
Segundo o kamba Kinito a EPAL – Empresa Privadora de Águas aos Luandenses, é um dos mais fortes partidos de oposição ao Governo. Ela consegue “privar” os Kaluandas sempre que possível do precioso liquido. Você está no banho só da conta, a água bazou, quer lavar o botter e nada, água tá onde? Você até quando constrói o cúbico, tem de deixar espaço para o tanque de água, e deixar um buraco para a mangueira da cisterna vir abastecer. Água da torneira não podes beber senão apanhas cólera, és obrigado a fazer esquemas como faz um colega aqui no salu, que aproveita a água de favor que a empresa dá e bebe já de tudo. O muadié até diz que os colegas lhe chamam já Camelo, pois isso de armazenar a água para depois não ter mais sede, quando chegar ao cúbico. Voltando ao kamba Kinito, ontem ligou-me e disse que vai provar por A+B que grande parte das cisternas de água, são pertença dos grandes mangas da EPAL.
Mas esta é … Outra Maka Mais!!!
EDEL – Empresa Destruidora da Energia de Luanda, o kamba Kinito diz mesmo que este é o maior partido da oposição (pelos seus feitos ultrapassou já o do “Galo Negro”). Este partido o que te faz!!! Você tá ouvir noticiário, só assusta luz bazou. Você tá ver jogo e na hora do passe para o golo, te tiram a luz. Você tá a apreciar um bom filme do tipo 9 semanas e meia, na hora mesmo da pura parte, luz baza. O pitéu na arca estraga, se você levar para guardar no vizinho que tem gerador, acontece o seguinte: ou dás um pouco de carne ao vizinho, ou então vão te pitar tudo. A noite calor é calor, as vezes você olha na pura mboa que está a campar ao lado, começas já a pensar em naqueles mambos mas quando imaginas no calor, você desiste. Tudo por culpa da EDEL.
Antigamente era fácil, a culpa era sempre dos bandos errantes do falecido man – mbimbi que deixavam cair os postes de alta tensão lá em Cambambe. Mas agora então é quê mais, a paz já estamos com ela há cinco anos? Agora a desculpa é que 60% dos Kaluandas não pagam as contas de luz??? Cerca de 35% vive dos famosos “gatos”. Então vou pagar um serviço do qual quase não usufruo? Ter gerador que num pais normal deveria ser a excepção, cá entre nós virou regra. O kamba Kinito diz que vai apresentar queixa da EDEL a ONU, a UNESCO e ao Presidente Bush, porque segundo ele, a EDEL é u