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Tuesday, 11 October 2011

Muxima…



Ou “O insustentavel peso da liberdade de expressao em Angola”…


[imagem daqui]


2005 – apos 20 anos de residencia fora do “meu pais”, com apenas algumas esporadicas visitas pelo meio e contactos ocasionais com alguns “amigos” e “familiares” entre “os que ficaram”, encontro o “Angonoticias”…

Daqueles 20 anos, metade se haviam passado com um total distanciamento em relacao a “lusofonia” espacial, temporal, linguistica e cultural. Encontrar, entao, um espaco como o “Ango”, foi como encontrar um oasis apos uma longa peregrinacao pelos desertos da vida. Foi tambem como encontrar um rio cheio de agua fresca para matar tanta sede de noticias da terra e tanta vontade de falar de tudo e de mais alguma coisa e reencontrar pessoas, ainda que sob anonimato ou pseudonimo, de quem ha’ muito nada sabiamos, ou de quem ja’ nos esqueceramos, ou de quem nao sabiamos sequer da existencia…

Enfim, o reencontro com o “nosso pais”... “tao solidario”, “tao lindo”, “tao sensivel”, “tao amoroso”, “tao simpatico” e... “tao acolhedor”!

Nao me perdoaria, alias nao o conseguiria, se tivesse resistido a nele participar da unica forma que sei: cortando rente, com abertura, franqueza e frontalidade, com a razao e o coracao (muxima), tentando de algum modo fazer jus e dar substancia aquilo que sempre fora para mim uma causa cara – a liberdade de imprensa, de opiniao e de expressao. Tinha aprendido o seu preco no dia em que fui forcada a abandonar “a agencia”. Achei que valia a pena paga-lo mais uma vez, se nao ja’ como “jornalista”, certamente como “cidada”…

Escrevi entao varios comentarios no “Ango”, sob pseudonimo (e.g. Kimpa Vita, Kalu Pura, Tia Indignada e mais um ou dois), entre os quais ESTE, mas… mal sabia eu entao “o que me esperava” ate’ que, com a criacao deste blog, mais uma vez decidi devotar-me 'a causa da liberdade de imprensa, expressao e opiniao como direitos humanos fundamentais e... me vi confrontada com esta, a todos os titulos criminosa, campanha, em que se destacaram “mulheres”, ditas “africanas”, algumas supostamente “intelectuais”, “feministas”, “letradas” e ate’ auto-proclamadas “lideres”!


Resta-me entao apenas reagendar o meu regresso e a minha peregrinacao para um futuro ainda por descortinar e renovar a minha "oracao a Muxima"...



Ou “O insustentavel peso da liberdade de expressao em Angola”…


[imagem daqui]


2005 – apos 20 anos de residencia fora do “meu pais”, com apenas algumas esporadicas visitas pelo meio e contactos ocasionais com alguns “amigos” e “familiares” entre “os que ficaram”, encontro o “Angonoticias”…

Daqueles 20 anos, metade se haviam passado com um total distanciamento em relacao a “lusofonia” espacial, temporal, linguistica e cultural. Encontrar, entao, um espaco como o “Ango”, foi como encontrar um oasis apos uma longa peregrinacao pelos desertos da vida. Foi tambem como encontrar um rio cheio de agua fresca para matar tanta sede de noticias da terra e tanta vontade de falar de tudo e de mais alguma coisa e reencontrar pessoas, ainda que sob anonimato ou pseudonimo, de quem ha’ muito nada sabiamos, ou de quem ja’ nos esqueceramos, ou de quem nao sabiamos sequer da existencia…

Enfim, o reencontro com o “nosso pais”... “tao solidario”, “tao lindo”, “tao sensivel”, “tao amoroso”, “tao simpatico” e... “tao acolhedor”!

Nao me perdoaria, alias nao o conseguiria, se tivesse resistido a nele participar da unica forma que sei: cortando rente, com abertura, franqueza e frontalidade, com a razao e o coracao (muxima), tentando de algum modo fazer jus e dar substancia aquilo que sempre fora para mim uma causa cara – a liberdade de imprensa, de opiniao e de expressao. Tinha aprendido o seu preco no dia em que fui forcada a abandonar “a agencia”. Achei que valia a pena paga-lo mais uma vez, se nao ja’ como “jornalista”, certamente como “cidada”…

Escrevi entao varios comentarios no “Ango”, sob pseudonimo (e.g. Kimpa Vita, Kalu Pura, Tia Indignada e mais um ou dois), entre os quais ESTE, mas… mal sabia eu entao “o que me esperava” ate’ que, com a criacao deste blog, mais uma vez decidi devotar-me 'a causa da liberdade de imprensa, expressao e opiniao como direitos humanos fundamentais e... me vi confrontada com esta, a todos os titulos criminosa, campanha, em que se destacaram “mulheres”, ditas “africanas”, algumas supostamente “intelectuais”, “feministas”, “letradas” e ate’ auto-proclamadas “lideres”!


Resta-me entao apenas reagendar o meu regresso e a minha peregrinacao para um futuro ainda por descortinar e renovar a minha "oracao a Muxima"...

Tuesday, 4 May 2010

BONGA: Cancoes da Diaspora Angolana [R]*






{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]





{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]

Saturday, 24 October 2009

MORRO DO SEMBA (II)



As Malambas dos Mwangoles

Depois de algumas malambas das mulheres mwangoles (ou pelo menos de algumas dentre elas) trazidas aqui pela Patricia Faria, especialmente com o seu “Cama e Mesa (Pacheco)”, parece-me apropriado dar conta tambem de algumas das malambas que alguns mwangoles veem pondo em musica nestes ultimos tempos. Faco-o com algumas cancoes de Matias Damasio (“Vitoria” e “Amor e Festa na Lixeira”).

A primeira (“A Outra”) nao sera’ tanto uma malamba de homens (ou sera’?), mas de algumas mulheres. Decidi inclui-la neste lote porque se “as outras” comecarem a pensar como quem fez (e bem!) o comentario que se segue a esta materia no Angonoticias, esta passara’, a prazo – curto ou longo, mas previsivel –, a ser mais uma malamba para os brothers…

==Reflexão - Salt Lake city==

Pelo menos uma voz se fez ouvir. Eu não sei o que será do nosso país. Assistimos a uma perda de valores nos campos cruciais para o desenvolvimento sadio de uma sociedade! O que se dizer quando a poligamia contínua a crecer de forma indescriminada sem que ninguém ponha cobro a situação. A mulher tem perdido o seu respeito e também muitos homens. Que pincípios (valores), estamos a passar as futuras gerações? A sida tem avassalado a nossa Angola e paralelamente quase que se generaliza a poligamia (ter 2 ou 3 esposas) é aceitável na nossa sociedade! VALORES, isto existe na sociedade angolana, desculpem-me! porque sinceramente é algo que se existe está quase em extinção. É preciso uma reflexão muito séria. Temos ministérios da mulher, a família da criança, O que eles fazem exactamente para a promoção destes valores na sociedade? A família é a base da sociedade. Porque ali se formam os indíviduos que um dia conduzirão os destinos deste país. Nos paises desenvolvidos não se aceitam filhos com de pais incógnitos. São imediatamente encaminhados para o tribunal de menores e chamados a justiça. A nossa Angola, temos que aceitar e esperar por dias melhores... Mas um recado para a mulher angolana: DÊem-se o devido respeito. Não se deixem tratar como simples objectos. Vocês são lindas, batalhadoras, sacrificadas. Exigem mais: Exigem casamento! Não se contentem em ser "A OUTRA". A dignidade não tem preço!!!

As outras dispensam comentarios - just enjoy!

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A OUTRA


DIKINDO - feat. Dina Santos


M’BOA GI


SAUDADES


M’BOA ANA




As Malambas dos Mwangoles

Depois de algumas malambas das mulheres mwangoles (ou pelo menos de algumas dentre elas) trazidas aqui pela Patricia Faria, especialmente com o seu “Cama e Mesa (Pacheco)”, parece-me apropriado dar conta tambem de algumas das malambas que alguns mwangoles veem pondo em musica nestes ultimos tempos. Faco-o com algumas cancoes de Matias Damasio (“Vitoria” e “Amor e Festa na Lixeira”).

A primeira (“A Outra”) nao sera’ tanto uma malamba de homens (ou sera’?), mas de algumas mulheres. Decidi inclui-la neste lote porque se “as outras” comecarem a pensar como quem fez (e bem!) o comentario que se segue a esta materia no Angonoticias, esta passara’, a prazo – curto ou longo, mas previsivel –, a ser mais uma malamba para os brothers…

==Reflexão - Salt Lake city==

Pelo menos uma voz se fez ouvir. Eu não sei o que será do nosso país. Assistimos a uma perda de valores nos campos cruciais para o desenvolvimento sadio de uma sociedade! O que se dizer quando a poligamia contínua a crecer de forma indescriminada sem que ninguém ponha cobro a situação. A mulher tem perdido o seu respeito e também muitos homens. Que pincípios (valores), estamos a passar as futuras gerações? A sida tem avassalado a nossa Angola e paralelamente quase que se generaliza a poligamia (ter 2 ou 3 esposas) é aceitável na nossa sociedade! VALORES, isto existe na sociedade angolana, desculpem-me! porque sinceramente é algo que se existe está quase em extinção. É preciso uma reflexão muito séria. Temos ministérios da mulher, a família da criança, O que eles fazem exactamente para a promoção destes valores na sociedade? A família é a base da sociedade. Porque ali se formam os indíviduos que um dia conduzirão os destinos deste país. Nos paises desenvolvidos não se aceitam filhos com de pais incógnitos. São imediatamente encaminhados para o tribunal de menores e chamados a justiça. A nossa Angola, temos que aceitar e esperar por dias melhores... Mas um recado para a mulher angolana: DÊem-se o devido respeito. Não se deixem tratar como simples objectos. Vocês são lindas, batalhadoras, sacrificadas. Exigem mais: Exigem casamento! Não se contentem em ser "A OUTRA". A dignidade não tem preço!!!

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Tuesday, 18 August 2009

FALANDO DE GERACOES…

Ja’ houve uma altura na minha vida, curiosamente nao assim tao longinqua, em que me via vagamente como parte de uma geracao que alguem designou, em termos estritamente literarios, “a geracao das incertezas” e que eu, em termos mais amplamente vivenciais e filosoficos, sempre preferi designar “a geracao de todos os desenganos”. Em anos mais recentes, no entanto, ou talvez por isso mesmo, vejo-me indubitavel e desenganadamente como parte da “geracao R”, ou a “geracao dos rejeitados”.

Esta minha “geracao R”, porem, nao e’ estritamente Angolana: existe dispersa um pouco por todo o globo e parte dela, entre a qual me incluo, e’, declaradamente ou nao, stateless, porquanto, para a maior parte dos, quando nao para todos os, efeitos legais, nao temos estado – muito menos partido!

Esta condicao faz com que, por exemplo, nos seja negada a renovacao do nosso passaporte nacional pelo “nosso pais” de origem ou, como ainda muito recentemente aconteceu a me, myself and I (e nao pela primeira vez…), nos seja negado um visto de entrada nesse mesmo pais, ao mesmo tempo que aos nossos colegas de trabalho ‘estrangeiros’ tal visto e’ prontamente concedido – situacao que, neste caso concreto, so’ pode ser ultrapassada gracas a benemerita intervencao de um embaixador de um terceiro pais – o que imediatamente nos coloca sob suspeicao perante os nossos empregadores, actuais ou prospectivos (como, alias, ja’ nos aconteceu no passado..), de sermos persona non grata naquele que dizemos, sentimos e sempre soubemos ser “o nosso pais”, impedindo-nos assim, mais frequentemente do que nao, de trabalhar em qualquer funcao ou projecto, mesmo que apenas estritamente academico, que exija algum contacto com Angola…

Esta minha “geracao R”, em consequencia do seu estado de statelessness, nao se pode dar ao luxo de deixar-se adormecer, seja sobre louros ou espinhos, tendo que lutar incessante e incansavelmente para se sustentar a si propria condignamente e para manter em todas as circunstancias a sua mente lucida e a sua cabeca erguida, sob pena de acabar literalmente por "nao ter onde cair morta", sujeitando-se entretanto a ser "debicada" por vultos e abutres famintos de todas as latitudes enquanto ainda viva…

Condicao que, em principio, nos deveria aproximar uns dos outros, mas que a propria situacao de global statelessness nos impede de o fazer: sabemos apenas que existimos por ai algures e tendemos a identificar-nos individualmente como me, myself and I – sendo esta uma exigencia de sobrevivencia fisica e espiritual, porquanto a partir do momento em que perdemos o sentido de nos proprios e da nossa identidade (mesmo se ligeiramente e apenas para nos permitirmos coisas tais como priorizarmos a nossa "elegancia fisica" sobre a nossa "elegancia mental, psicologica e moral", ou darmo-nos a "indulgencias literarias e artisticas"…), podemos correr o risco de perder por completo “todos os sentidos”, senao a propria vida… Enfim, a minha geracao, a “geracao R”, e’, literalmente falando, a geracao dos “excluidos dos excluidos”, a geracao dos condenados da terra – num sentido em que nem Fanon tera’ suspeitado pudesse alguma vez existir em lugar algum!

Tomo agora nota da existencia no “nosso pais” de uma designada “geracao X” que, pela descricao (que pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao), se parece assemelhar muito as geracoes yuppies que, desde os anos 80 do seculo passado (ou seja, desde os tempos da “geracao das incertezas” em Angola), vem aparecendo um pouco por todos os paises, em determinadas fases bem identificadas da sua historia economica.

Mas, alegadamente, esta “geracao X” de Angola tem uma particularidade exclusiva: “faz parte, ou tenta colar-se, ao partido da situacao”. Por sinal, um partido por onde me, myself and I entramos e saimos muito antes do florescimento da dita “geracao das incertezas”, ou seja, num tempo em que nao havia nada a ganhar por dele se fazer parte: em muitos casos, como no de me, myself and I, muito antes pelo contrario! E dele, me, myself and I saimos de livre e espontanea vontade e for good: para nao mais voltar! Para esse, ou para qualquer outro partido politico. Quanto muito, tentamos lutar agora, tanto quanto nos e’ possivel, pelo fim do nosso involuntario estado de statelessness, o qual apenas podemos supor nos esteja a ser forcado por umas quaisquer “forcas ocultas nao identificadas”, devido aos nossos varios “atrevimentos”, desconfortaveis para a “situacao” (e, tudo indica, tambem para alguma “oposicao”) do “nosso pais”, ao longo dos anos …

Mas sei que ha’ no “nosso pais”, para alem da dita “geracao X”, outras geracoes: nomeadamente a “geracao A” e a “geracao Y”. A “geracao A” e’ a que vem antes de tudo e de todos: e’ a “geracao dos possidentes” de tudo quanto e’ supostamente devido a 'parte' daqueles que podem reclamar-se de terem “estado em todas” e terem conseguido manter-se “ilesos” ate’ agora – alguns desde a(s) luta(s) de libertacao, dum ou doutro(s) lado(s), outros ha’ menos tempo, mas, em qualquer dos casos, todos politica, social e economicamente “intocaveis”, embora uns mais do que outros. Constituem, portanto, o establishment ou, se se preferir, a “situacao”.

Ja’ a “geracao Y” (que tambem pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao) e’ um pouco mais “complexa(da?)”: apesar de, geralmente, social, profissional e economicamente “bem de vida”, no “nosso pais” ou fora dele, nao sera’ exactamente politicamente “intocavel”, mas o seu nucleo central cada vez mais comeca a dar mostras de pretender se-lo.

E, nao fazendo necessariamente parte funcional da “situacao” politica, faz certamente parte estrutural do establishment social e/ou cultural e parte dela fez durante muito tempo, ou ainda faz parte, ainda que marginalmente em alguns casos, do partido da “situacao” e sobrevive manifestamente gracas a “pactos de regime”, ou “de elites”, que lhes sao propiciados, tanto pela “situacao” do “nosso pais” (quanto mais nao seja porque fazem muita questao de se dizerem, ou fazerem, todos “primos” uns dos outros, ou membros dos mesmos “circulos restritos”, assim constituindo a famosa "grande familia"…), como, em alguns casos, pelos seus “parceiros estrangeiros”, o que lhes permite escapar ao estado de statelessness em que vive a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”.

Decididamente, esta “geracao Y” nao e’, nem nunca foi, “rejeitada” ou “excluida”, mesmo no caso de alguns dos seus membros que, tendo episodicamente sofrido a “mao pesada” do estado, a ela conseguiram sobreviver: e’ apenas aquela geracao que sempre teve e continua a ter tudo, excepto o poder politico (e parece nao olhar a meios para o obter...), ou seja, so’ lhe falta um escalao para atingir o status de “geracao Z”: o zenite a partir do qual destronara' triunfalmente a “geracao A” e co-optara', ou eclipsara', a actual “geracao X”, muito provavelmente substituindo-a pelos seus proprios filhos, nos casos em que estes ainda nao fazem parte dela…

Mas, enquanto la’ nao chegam, vao falando em nome dos “excluidos” e, enquanto de “barriga cheia” e "nariz empinado", muito self-righteously, vivem de punho erguido e dedo em riste contra tudo e todos que lhes parecam constituir uma ameaca aquele seu desiderato, ou que, simplesmente, nao lhes demonstrem “o devido respeito”... Atitude, alias, pela qual alguns deles sao sobejamente conhecidos desde os longinquos, famigerados e malfadados tempos de todos os “PRECs”, apenas evidenciando que indeed, old habits die hard and old dogs can’t learn new tricks! Mas, ainda assim, desejo-lhes a todos boa sorte nessa sua gloriosa escalada em direccao a “sua (exclusiva) situacao”...

No entanto, o que essas geracoes teem de comum entre si, e que as diferencia marcadamente da minha “geracao R”, e’ que todas elas vivem, ou viveram a maior parte das suas vidas, sob a sombra do estado (ou de um dos pelo menos dois "partidos-estado") do “nosso pais”, isto e’, nunca foram obrigados a ser stateless, nem fazem a minima ideia do que isso significa em termos vivenciais e filosoficos, salvo talvez alguns dos que, porventura, tenham vivido involuntariamente exilados no periodo colonial-fascista (ou, como num caso concreto que tenho em mente, o de MPA, infelizmente ja' nao entre nos, o viveu tanto naquele periodo como no pos-independencia).

Nao sao, portanto, capazes de perceber que haja gente por esse mundo fora, incluindo de origem Angolana que, no periodo pos-independencia, nunca contou, ou nao contou durante grande parte das suas vidas, com o estado (e, portanto, com o partido da "situacao") a que eles, salvo rarissimas excepcoes, devem praticamente tudo o que sao e teem em Angola e no mundo. E muito menos que gente da minha “geracao R”, como me, myself and I (que, apesar de “menor”, “insignificante” e “rejeitada”, se orgulha de nunca ter "lambido botas" de ninguem e muito menos de alguma vez ter “debicado” em pratos de quem quer que seja e de, quanto muito, ter visto “muito boa gente” debicar no seu prato e depois ingrata, descarada, arrogante e despudoradamete cuspir nele “de cima”…), possa “pensar pela sua propria cabeca” e ter a dignidade de expressar imparcialmente opinioes, ou posicionar-se politica e culturalmente, segundo logicas absolutamente nao partidarias ou estatais e que, quando fala em "democracia", “sociedade civil”, “direitos humanos” ou “cidadania”, e’ exactamente disso, e apenas disso, que esta’ a falar!

Pois enquanto tentam todos e, sobretudo, todas, se o quiserem e/ou puderem fazer, perceber isso, a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”, continuara’ a existir… excluida e rejeitada. Mas, pelo menos no que depender de me, myself and I, sem que nos constituamos necessariamente em “oposicao” politica formal, continuaremos a lutar pelo nosso direito a cidadania plena na terra que nos viu nascer, a nos e a todos os nossos ancestrais (!), e para a qual demos, dentro e fora dela, os nossos contributos, mais ou menos modestos, e nunca deixaremos de nos expressar livre e descomprometidamente sobre as praticas sociais e politicas de todas as “geracoes” e “elites” ou “nao elites”, “novas” ou “velhas”, por mais vetustas, fajutas, enfatuadas ou despidas e agressivas ou armadas que se nos apresentem, em particular quando se atrevam a por em causa, directa ou indirectamente, aberta ou veladamente, esse nosso direito inalienavel.

Portanto, de geracoes… creio estarmos falados!

[Echoed here]
Ja’ houve uma altura na minha vida, curiosamente nao assim tao longinqua, em que me via vagamente como parte de uma geracao que alguem designou, em termos estritamente literarios, “a geracao das incertezas” e que eu, em termos mais amplamente vivenciais e filosoficos, sempre preferi designar “a geracao de todos os desenganos”. Em anos mais recentes, no entanto, ou talvez por isso mesmo, vejo-me indubitavel e desenganadamente como parte da “geracao R”, ou a “geracao dos rejeitados”.

Esta minha “geracao R”, porem, nao e’ estritamente Angolana: existe dispersa um pouco por todo o globo e parte dela, entre a qual me incluo, e’, declaradamente ou nao,
stateless, porquanto, para a maior parte dos, quando nao para todos os, efeitos legais, nao temos estado – muito menos partido!

Esta condicao faz com que, por exemplo, nos seja negada a renovacao do nosso passaporte nacional pelo “nosso pais” de origem ou, como ainda muito recentemente aconteceu a me, myself and I (e nao pela primeira vez…), nos seja negado um visto de entrada nesse mesmo pais, ao mesmo tempo que aos nossos colegas de trabalho ‘estrangeiros’ tal visto e’ prontamente concedido – situacao que, neste caso concreto, so’ pode ser ultrapassada gracas a benemerita intervencao de um embaixador de um terceiro pais – o que imediatamente nos coloca sob suspeicao perante os nossos empregadores, actuais ou prospectivos (como, alias, ja’ nos aconteceu no passado..), de sermos persona non grata naquele que dizemos, sentimos e sempre soubemos ser “o nosso pais”, impedindo-nos assim, mais frequentemente do que nao, de trabalhar em qualquer funcao ou projecto, mesmo que apenas estritamente academico, que exija algum contacto com Angola…

Esta minha “geracao R”, em consequencia do seu estado de statelessness, nao se pode dar ao luxo de deixar-se adormecer, seja sobre louros ou espinhos, tendo que lutar incessante e incansavelmente para se sustentar a si propria condignamente e para manter em todas as circunstancias a sua mente lucida e a sua cabeca erguida, sob pena de acabar literalmente por "nao ter onde cair morta", sujeitando-se entretanto a ser "debicada" por vultos e abutres famintos de todas as latitudes enquanto ainda viva…

Condicao que, em principio, nos deveria aproximar uns dos outros, mas que a propria situacao de global statelessness nos impede de o fazer: sabemos apenas que existimos por ai algures e tendemos a identificar-nos individualmente como me, myself and I – sendo esta uma exigencia de sobrevivencia fisica e espiritual, porquanto a partir do momento em que perdemos o sentido de nos proprios e da nossa identidade (mesmo se ligeiramente e apenas para nos permitirmos coisas tais como priorizarmos a nossa "elegancia fisica" sobre a nossa "elegancia mental, psicologica e moral", ou darmo-nos a "indulgencias literarias e artisticas"…), podemos correr o risco de perder por completo “todos os sentidos”, senao a propria vida… Enfim, a minha geracao, a “geracao R”, e’, literalmente falando, a geracao dos “excluidos dos excluidos”, a geracao dos condenados da terra – num sentido em que nem Fanon tera’ suspeitado pudesse alguma vez existir em lugar algum!

Tomo agora nota da existencia no “nosso pais” de uma designada “geracao X” que, pela descricao (que pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao), se parece assemelhar muito as geracoes yuppies que, desde os anos 80 do seculo passado (ou seja, desde os tempos da “geracao das incertezas” em Angola), vem aparecendo um pouco por todos os paises, em determinadas fases bem identificadas da sua historia economica.

Mas, alegadamente, esta “geracao X” de Angola tem uma particularidade exclusiva: “faz parte, ou tenta colar-se, ao partido da situacao”. Por sinal, um partido por onde me, myself and I entramos e saimos muito antes do florescimento da dita “geracao das incertezas”, ou seja, num tempo em que nao havia nada a ganhar por dele se fazer parte: em muitos casos, como no de me, myself and I, muito antes pelo contrario! E dele, me, myself and I saimos de livre e espontanea vontade e for good: para nao mais voltar! Para esse, ou para qualquer outro partido politico. Quanto muito, tentamos lutar agora, tanto quanto nos e’ possivel, pelo fim do nosso involuntario estado de statelessness, o qual apenas podemos supor nos esteja a ser forcado por umas quaisquer “forcas ocultas nao identificadas”, devido aos nossos varios “atrevimentos”, desconfortaveis para a “situacao” (e, tudo indica, tambem para alguma “oposicao”) do “nosso pais”, ao longo dos anos …

Mas sei que ha’ no “nosso pais”, para alem da dita “geracao X”, outras geracoes: nomeadamente a “geracao A” e a “geracao Y”. A “geracao A” e’ a que vem antes de tudo e de todos: e’ a “geracao dos possidentes” de tudo quanto e’ supostamente devido a 'parte' daqueles que podem reclamar-se de terem “estado em todas” e terem conseguido manter-se “ilesos” ate’ agora – alguns desde a(s) luta(s) de libertacao, dum ou doutro(s) lado(s), outros ha’ menos tempo, mas, em qualquer dos casos, todos politica, social e economicamente “intocaveis”, embora uns mais do que outros. Constituem, portanto, o establishment ou, se se preferir, a “situacao”.

Ja’ a “geracao Y” (que tambem pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao) e’ um pouco mais “complexa(da?)”: apesar de, geralmente, social, profissional e economicamente “bem de vida”, no “nosso pais” ou fora dele, nao sera’ exactamente politicamente “intocavel”, mas o seu nucleo central cada vez mais comeca a dar mostras de pretender se-lo.

E, nao fazendo necessariamente parte funcional da “situacao” politica, faz certamente parte estrutural do establishment social e/ou cultural e parte dela fez durante muito tempo, ou ainda faz parte, ainda que marginalmente em alguns casos, do partido da “situacao” e sobrevive manifestamente gracas a “pactos de regime”, ou “de elites”, que lhes sao propiciados, tanto pela “situacao” do “nosso pais” (quanto mais nao seja porque fazem muita questao de se dizerem, ou fazerem, todos “primos” uns dos outros, ou membros dos mesmos “circulos restritos”, assim constituindo a famosa "grande familia"…), como, em alguns casos, pelos seus “parceiros estrangeiros”, o que lhes permite escapar ao estado de statelessness em que vive a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”.

Decididamente, esta “geracao Y” nao e’, nem nunca foi, “rejeitada” ou “excluida”, mesmo no caso de alguns dos seus membros que, tendo episodicamente sofrido a “mao pesada” do estado, a ela conseguiram sobreviver: e’ apenas aquela geracao que sempre teve e continua a ter tudo, excepto o poder politico (e parece nao olhar a meios para o obter...), ou seja, so’ lhe falta um escalao para atingir o status de “geracao Z”: o zenite a partir do qual destronara' triunfalmente a “geracao A” e co-optara', ou eclipsara', a actual “geracao X”, muito provavelmente substituindo-a pelos seus proprios filhos, nos casos em que estes ainda nao fazem parte dela…

Mas, enquanto la’ nao chegam, vao falando em nome dos “excluidos” e, enquanto de “barriga cheia” e "nariz empinado", muito self-righteously, vivem de punho erguido e dedo em riste contra tudo e todos que lhes parecam constituir uma ameaca aquele seu desiderato, ou que, simplesmente, nao lhes demonstrem “o devido respeito”... Atitude, alias, pela qual alguns deles sao sobejamente conhecidos desde os longinquos, famigerados e malfadados tempos de todos os “PRECs”, apenas evidenciando que indeed, old habits die hard and old dogs can’t learn new tricks! Mas, ainda assim, desejo-lhes a todos boa sorte nessa sua gloriosa escalada em direccao a “sua (exclusiva) situacao”...

No entanto, o que essas geracoes teem de comum entre si, e que as diferencia marcadamente da minha “geracao R”, e’ que todas elas vivem, ou viveram a maior parte das suas vidas, sob a sombra do estado (ou de um dos pelo menos dois "partidos-estado") do “nosso pais”, isto e’, nunca foram obrigados a ser stateless, nem fazem a minima ideia do que isso significa em termos vivenciais e filosoficos, salvo talvez alguns dos que, porventura, tenham vivido involuntariamente exilados no periodo colonial-fascista (ou, como num caso concreto que tenho em mente, o de MPA, infelizmente ja' nao entre nos, o viveu tanto naquele periodo como no pos-independencia).

Nao sao, portanto, capazes de perceber que haja gente por esse mundo fora, incluindo de origem Angolana que, no periodo pos-independencia, nunca contou, ou nao contou durante grande parte das suas vidas, com o estado (e, portanto, com o partido da "situacao") a que eles, salvo rarissimas excepcoes, devem praticamente tudo o que sao e teem em Angola e no mundo. E muito menos que gente da minha “geracao R”, como me, myself and I (que, apesar de “menor”, “insignificante” e “rejeitada”, se orgulha de nunca ter "lambido botas" de ninguem e muito menos de alguma vez ter “debicado” em pratos de quem quer que seja e de, quanto muito, ter visto “muito boa gente” debicar no seu prato e depois ingrata, descarada, arrogante e despudoradamete cuspir nele “de cima”…), possa “pensar pela sua propria cabeca” e ter a dignidade de expressar imparcialmente opinioes, ou posicionar-se politica e culturalmente, segundo logicas absolutamente nao partidarias ou estatais e que, quando fala em "democracia", “sociedade civil”, “direitos humanos” ou “cidadania”, e’ exactamente disso, e apenas disso, que esta’ a falar!

Pois enquanto tentam todos e, sobretudo, todas, se o quiserem e/ou puderem fazer, perceber isso, a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”, continuara’ a existir… excluida e rejeitada. Mas, pelo menos no que depender de me, myself and I, sem que nos constituamos necessariamente em “oposicao” politica formal, continuaremos a lutar pelo nosso direito a cidadania plena na terra que nos viu nascer, a nos e a todos os nossos ancestrais (!), e para a qual demos, dentro e fora dela, os nossos contributos, mais ou menos modestos, e nunca deixaremos de nos expressar livre e descomprometidamente sobre as praticas sociais e politicas de todas as “geracoes” e “elites” ou “nao elites”, “novas” ou “velhas”, por mais vetustas, fajutas, enfatuadas ou despidas e agressivas ou armadas que se nos apresentem, em particular quando se atrevam a por em causa, directa ou indirectamente, aberta ou veladamente, esse nosso direito inalienavel.

Portanto, de geracoes… creio estarmos falados!

[Echoed here]

Tuesday, 10 February 2009

KENYA YETU: HAKUNA MATATA? (II)

I have to do this:

Requiem for Good Old Lady Burberry’s

The good old lady is a genuine Burberry’s suitcase that has been faultlessly and efficiently helping me through my travels for almost a decade now. Yet, difficult as it is to separate one from the other, it’s not the label that I mourn, but the quality: she has gone through countless air miles and some of the roughest airports in the world, mostly in Africa, in various airlines and through it all never let me down. I guess that on that account she should have earned by now all the special treatments afforded to ‘frequent flyers’ by any airline in the world. Except perhaps by Kenya Airways (KA)…
Interestingly enough, while on the check-in line for the first of the three flights that took me from Cape Town (CT) to Mombasa, via Johannesburg and Nairobi, having noticed some clued-up passengers having their luggage all wrapped up, I commented something like “there’s something I should but never do”…

I traveled on South African Airways (SA) to Nairobi, where I had to check-in again on a KA flight to Mombasa (my first time on the airline and the country). But before I could do that, I went through the most exhausting ordeal, during about two hours of back and forth through long corridors, just to get 50 dollars from the various bureaux d’exchange located inside the airport to pay for my entry visa in the country – only citizen residents of the East African Community get any special treatment in that respect in Kenya, something that I wasn’t previously aware of, and they will only accept dollars for visas.

All that to and fro, carrying along my handbag plus a heavy trolley containing laptop, books and some working documents, proved unsuccessful, forcing me to leave the airport, with the permission of a customs officer who felt like helping, to withdraw local money from an ATM located outside and exchange it for dollars at another exchange bureau, also past the airport border, after which I started to see light at the end of the tunnel…

Only to be denied entry to the airport again, until – after dragging myself and my bags through various entrances around the airport, all at considerable distance from each other, without being allowed to get in through any of them – a sympathetic airport employee, seeing my state of absolute despair, took me through the back doors to a customs office, from where I was taken back again to the customs counter inside the airport and finally got the visa. I could then freely pass the border and finally go to the carousel to collect my luggage. Good old lady Burberry’s was awaiting me nearby in the same condition I had checked her in at CT airport.

I finally arrived in Mombasa past mid-night, at which point I had been traveling since 5:30 a.m. the previous day… When good old lady Burberry’s showed up in the carousel, she was no longer as I last saw her in Nairobi: the zip ends had been cut off and the padlock was missing. I just (re)started crying… Well, to cut a long story short, I spent the next more than two hours trying to get someone, among airport security, police, customs and KA officers, to acknowledge the damage done to my bags (there was another one, but no damage had been done to it, perhaps because it wasn’t of such a recognisable label, apart from also missing the padlock).

They wouldn’t. All I got from all of them was total collusion, mockery and complete disregard for whatever I said… If anything, when they said something was only to anger me with the most pathetic attempts to deny the obvious and defend the indefensable! Until someone, perhaps on taking notice of my mention to the practice by any serious, competent and professional national flagship airline to register complaints about damaged luggage in a special form to that effect, got one such form to be filled in. I was then able to leave the airport to the hotel, more than 20km away, where I arrived as good as dead meat at past 3:00 a.m. (almost 24 hours since I left CT) facing the prospect of having to deliver a few hours later in that morning the first scheduled presentation at the workshop for which I had traveled all that way to Mombasa…

The following day I started corridors again to get KA to do something about the state they left good old lady Burberry’s in, i.e. unusable, as she was, for my return journey, even though, apparently nothing had been taken from her contents. After being put, for the next four successive days, through different people in different offices, they finally decided, on the eve of my departure, to collect the suitcase from the hotel and see what they would do about it promising to return it repaired or adequately replaced on that same day. Again to cut a long story short, they didn’t return the suitcase, un-repaired and un-replaced, until the next day and five minutes before I was supposed to leave the hotel to get my flight out of Mombasa… needless to say, I lost that flight and was only lucky enough to get on the next, just in time to catch the connecting flight to Johannesburg, where I arrived at around 12:00 a.m. and had to spend the night to get the final flight back to CT the following morning.

Only that this time I made sure at the Mombasa airport that good old lady Burberry’s was all wrapped-up, as if finally dead for good… and KA still hasn’t fully acknowledged responsibility for the damage, or liability for its reparation. Ah! And throughout this entire saga I never heard from anyone at KA words such as “our apologies”, or “we are sorry”, or “can we be of any assistance to you”, which, just as the words “please” or “thank you”, seem to be in short supply in the Kenyan English dictionary – just as the simple, congenial, African smile doesn’t seem to go well with the faces of staff in charge of whatever thing in Kenya Yetu, not even with the faces of KA’s flight assistants, particularly if they are facing other Africans, sorry to say…

And to cap it all up, when I arrived in CT, good old lady Burberry’s didn’t show up in the carousel… But by then I was so exhausted that I didn’t even have enough physical or emotional energy left in me to despair. So, I just filled in the missing-luggage forms that were promptly availed to me and other passengers in a similar predicament by the SA customer office and went home with only on thing in mind: get some good old sleep! Which I couldn’t, because it was ‘Jool’s Day’ – the Stellenbosh University’s students Carnaval, whose main parade happens exactly along my street…

Anyway, about three to four hours later, I received a call from SA saying that my old lady had just arrived from where she had been left behind in Jo’burg for whatever reason and a courier would be sent straight away to deliver it to me. And so it was. In the brief chat we had, I mentioned just how happy I was to be reunited with her given all that we had been through in Kenya which had forced me to have her all wrapped up, to which the courier, a white Afrikaans guy, said: “you know, you should always do that when you travel to African countries, because black people, sorry to say but that’s what happens, like to cut and scratch the luggage and steal the contents!”… I said nothing back, but thought to myself, “if only all those KA and Mombasa airport’s staff realised how many people gave their lives not to ever hear anything like that again in our lifetimes”!

Yet, they call themselves “the pride of Africa” and sport a slogan according to which “with KA African pride is flying high”!
Is it?!

As a proud African, I was made by KA not to be proud of such ‘African Airline’…
Sorry to say!
I have to do this:

Requiem for Good Old Lady Burberry’s

The good old lady is a genuine Burberry’s suitcase that has been faultlessly and efficiently helping me through my travels for almost a decade now. Yet, difficult as it is to separate one from the other, it’s not the label that I mourn, but the quality: she has gone through countless air miles and some of the roughest airports in the world, mostly in Africa, in various airlines and through it all never let me down. I guess that on that account she should have earned by now all the special treatments afforded to ‘frequent flyers’ by any airline in the world. Except perhaps by Kenya Airways (KA)…
Interestingly enough, while on the check-in line for the first of the three flights that took me from Cape Town (CT) to Mombasa, via Johannesburg and Nairobi, having noticed some clued-up passengers having their luggage all wrapped up, I commented something like “there’s something I should but never do”…

I traveled on South African Airways (SA) to Nairobi, where I had to check-in again on a KA flight to Mombasa (my first time on the airline and the country). But before I could do that, I went through the most exhausting ordeal, during about two hours of back and forth through long corridors, just to get 50 dollars from the various bureaux d’exchange located inside the airport to pay for my entry visa in the country – only citizen residents of the East African Community get any special treatment in that respect in Kenya, something that I wasn’t previously aware of, and they will only accept dollars for visas.

All that to and fro, carrying along my handbag plus a heavy trolley containing laptop, books and some working documents, proved unsuccessful, forcing me to leave the airport, with the permission of a customs officer who felt like helping, to withdraw local money from an ATM located outside and exchange it for dollars at another exchange bureau, also past the airport border, after which I started to see light at the end of the tunnel…

Only to be denied entry to the airport again, until – after dragging myself and my bags through various entrances around the airport, all at considerable distance from each other, without being allowed to get in through any of them – a sympathetic airport employee, seeing my state of absolute despair, took me through the back doors to a customs office, from where I was taken back again to the customs counter inside the airport and finally got the visa. I could then freely pass the border and finally go to the carousel to collect my luggage. Good old lady Burberry’s was awaiting me nearby in the same condition I had checked her in at CT airport.

I finally arrived in Mombasa past mid-night, at which point I had been traveling since 5:30 a.m. the previous day… When good old lady Burberry’s showed up in the carousel, she was no longer as I last saw her in Nairobi: the zip ends had been cut off and the padlock was missing. I just (re)started crying… Well, to cut a long story short, I spent the next more than two hours trying to get someone, among airport security, police, customs and KA officers, to acknowledge the damage done to my bags (there was another one, but no damage had been done to it, perhaps because it wasn’t of such a recognisable label, apart from also missing the padlock).

They wouldn’t. All I got from all of them was total collusion, mockery and complete disregard for whatever I said… If anything, when they said something was only to anger me with the most pathetic attempts to deny the obvious and defend the indefensable! Until someone, perhaps on taking notice of my mention to the practice by any serious, competent and professional national flagship airline to register complaints about damaged luggage in a special form to that effect, got one such form to be filled in. I was then able to leave the airport to the hotel, more than 20km away, where I arrived as good as dead meat at past 3:00 a.m. (almost 24 hours since I left CT) facing the prospect of having to deliver a few hours later in that morning the first scheduled presentation at the workshop for which I had traveled all that way to Mombasa…

The following day I started corridors again to get KA to do something about the state they left good old lady Burberry’s in, i.e. unusable, as she was, for my return journey, even though, apparently nothing had been taken from her contents. After being put, for the next four successive days, through different people in different offices, they finally decided, on the eve of my departure, to collect the suitcase from the hotel and see what they would do about it promising to return it repaired or adequately replaced on that same day. Again to cut a long story short, they didn’t return the suitcase, un-repaired and un-replaced, until the next day and five minutes before I was supposed to leave the hotel to get my flight out of Mombasa… needless to say, I lost that flight and was only lucky enough to get on the next, just in time to catch the connecting flight to Johannesburg, where I arrived at around 12:00 a.m. and had to spend the night to get the final flight back to CT the following morning.

Only that this time I made sure at the Mombasa airport that good old lady Burberry’s was all wrapped-up, as if finally dead for good… and KA still hasn’t fully acknowledged responsibility for the damage, or liability for its reparation. Ah! And throughout this entire saga I never heard from anyone at KA words such as “our apologies”, or “we are sorry”, or “can we be of any assistance to you”, which, just as the words “please” or “thank you”, seem to be in short supply in the Kenyan English dictionary – just as the simple, congenial, African smile doesn’t seem to go well with the faces of staff in charge of whatever thing in Kenya Yetu, not even with the faces of KA’s flight assistants, particularly if they are facing other Africans, sorry to say…

And to cap it all up, when I arrived in CT, good old lady Burberry’s didn’t show up in the carousel… But by then I was so exhausted that I didn’t even have enough physical or emotional energy left in me to despair. So, I just filled in the missing-luggage forms that were promptly availed to me and other passengers in a similar predicament by the SA customer office and went home with only on thing in mind: get some good old sleep! Which I couldn’t, because it was ‘Jool’s Day’ – the Stellenbosh University’s students Carnaval, whose main parade happens exactly along my street…

Anyway, about three to four hours later, I received a call from SA saying that my old lady had just arrived from where she had been left behind in Jo’burg for whatever reason and a courier would be sent straight away to deliver it to me. And so it was. In the brief chat we had, I mentioned just how happy I was to be reunited with her given all that we had been through in Kenya which had forced me to have her all wrapped up, to which the courier, a white Afrikaans guy, said: “you know, you should always do that when you travel to African countries, because black people, sorry to say but that’s what happens, like to cut and scratch the luggage and steal the contents!”… I said nothing back, but thought to myself, “if only all those KA and Mombasa airport’s staff realised how many people gave their lives not to ever hear anything like that again in our lifetimes”!

Yet, they call themselves “the pride of Africa” and sport a slogan according to which “with KA African pride is flying high”!
Is it?!

As a proud African, I was made by KA not to be proud of such ‘African Airline’…
Sorry to say!

Wednesday, 14 January 2009

MAMBORRO': A SAGA DE UM PIONEIRO ANGOLANO




Ou "Recordando Pio"...




Mamborró foi um dos principais nomes na década de 80 e 90 em Angola
. Por essa razão, transcrever a sua trajectória é um desafio de grandes obstáculos. “Vi a minha vida próximo do fim, mas graças ao apoio da sociedade civil angolana, consegui salvar-me. Muito obrigado aos angolanos de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste!”. Estas foram as primeiras palavras expressas por Mamborró, no início da nossa conversa.*

José Machado Jorge sofre de diabetes por isso está proibido de beber, fumar e perder noites. Chá e a água são as companheiras inseparáveis de agora.
É filho de Felismina José da Costa e de José Manuel Machado Jorge, é o terceiro de seis irmãos. Nasceu a 7 de Agosto de 1970, na Rua C, na vila da Gabela, província do Kwanza-Sul. Tinha tudo para seguir a carreira de desportista, de empresário ou mesmo de piloto de aeronaves. Mas aos nove anos, sentiu que tinha verdadeiramente queda para a música. Mesmo assim, por causa da timidez, fugia quando era convidado a cantar em actos públicos. Foi a partir do primo Nando Borró, que já cantava no agrupamento Sagrada Esperança, que ele descobriu a forma de enfrentar a multidão. Nando Borró sempre foi um empreendedor, com valioso faro artístico. Decidiu introduzir o primo, como bailarino, num grupo de dança e música de grande sucesso, na Gabela.
Mas Mamborró queria mesmo chegar ao topo da música. Daí que durante um festival infantil, onde os membros do júri eram provenientes de Luanda, Nando Borró inscreveu o primo como um dos concorrentes do festival infantil. Mamborró conquistou o segundo lugar entre dezenas de candidatos.
Pela voz segura e pela sua maneira de dançar, Dionísio Rocha, um dos integrantes do júri, decidiu deixar-lhe o endereço e um convite. “Quando fores a Luanda, aparece”.

À procura do Dionísio

Depois do concurso, durante meses, Mamborró passou a ser uma estrela musical da Gabela. O sucesso levou-o a recordar o convite de Dionísio Rocha. Contra a vontade dos pais, partiu para Luanda, onde já se encontrava a morar uma irmã mais velha. Mas o objectivo era localizar Dionísio Rocha, para se tornar num músico de verdade.
Mamborró chegou a Luanda e minutos depois de pousar as malas, procurou imediatamente o endereço de Dionísio Rocha. Não foi difícil localizá-lo. Dionísio Rocha ensinou-lhe o caminho da RNA, onde encontraria as pessoas indicadas. Mamborró perdeu-se e não conseguiu localizar as instalações da rádio. Desgostoso com o sucedido, decidiu fazer uma segunda tentativa.
Na sua convivência com os novos amigos no Bairro Prenda, conheceu o músico infantil Maranax que lhe deu as instruções precisas para chegar à RNA. Desta vez teve êxito. Pela mão de Artur Arriscado foi fazer um teste de voz em companhia de vários concorrentes como Joséca, Ângelo Ramos, hoje Boss, entre outros nomes da música em Angola. Com a canção “Quando Passo pelas Ruas”, Mamborró deixou toda a gente de boca aberta e foi aceite.
Alguns meses depois passou a ser uma figura emblemática da música infanto-juvenil do país, o que o levou a ganhar o apelido de Mamborró. Partiu para uma carreira notável que o levou, em 1987, a conquistar o Top dos Mais Queridos e o título do melhor cantor do Top dos Cinco. Depois de um ano de glórias, sucessos e inúmeros espectáculos, José Manuel Machado Jorge foi chamado para o serviço militar obrigatório.

Músico na recruta

Aos 18 anos, Mamborró era visto como um dos pilares da música em Angola. Mas nem com isso ficou isento do cumprimento do serviço militar obrigatório. Em 1988 foi para Menongue. As dramáticas notícias vindas do campo de batalha levaram-no a pensar no pior. Mas por força do amor à pátria desprezou o medo e enfrentou os dissabores da recruta na Escola Primeiro-tenente Marcolino.
“Justamente por ser o famoso Mamborró, fui chamado para a tropa. Fiz a minha parte como patriota”. E, logo no ano seguinte, depois do juramento da bandeira fui transferido para a direcção política em Luanda.

Brasil e regresso dramático

A necessidade de se aperfeiçoar cada vez mais no domínio da música, levou Mamborró a estabelecer contactos para ­conseguir uma bolsa de estudo. Solicitou ajuda ao então comandante da direcção política. O pedido foi aceite e partiu para o Brasil, onde estudou durante três anos violão e canto. Mas nem tudo foi bom para Mamborró. Os atrasos no pagamento da bolsa levaram-no a desistir do curso. O pouco apoio para a sua sobrevivência vinha do jornalista João Melo, que na época trabalhava no Brasil. “Esta pessoa esteve presente na minha formação”. Em Agosto de 1993, por causa das dívidas, decidiu abandonar o Brasil e regressar.
Já em Angola, as mudanças políticas que se operaram no país, levaram à desvalorização da música angolana. Mamborró deixou de ser o ídolo e o nome esfumou-se no meio dos enormes problemas sociais que o país vivia na época. Passou a viver autênticas odisseias em cada acção do seu dia a dia.

Mamborró responde

Como foi a sua reintegração em Angola?

Muito difícil. Primeiro fui taxista e depois trabalhei no Terminal Aéreo Militar (TAM), como motorista. O Zecax disse-me que um dia eu abandonaria essa actividade, acabei por abandonar. No TAM passei a oficial de operações. Trabalhei seis anos nessa situação. Mas nunca pensei em desistir da música. Há pessoas que dizem que usei drogas, é mentira. Nunca cheguei a esse ponto. Apenas bebia muito. Hoje, vivo da música e sou relações públicas da empresa do meu promotor Manuel Dias dos Santos (Kito).

Quando é que decidiu regressar à música?

Não tive quem que me ajudasse a gravar um disco. Bati portas, enviei cartas para várias instituições, mas nunca obtive respostas satisfatórias. Talvez por causa dos 16 anos que fiquei inactivo. Num belo dia, caminhava com destino a Ilha de Luanda, encontrei-me com o Kito dos Santos, um companheiro e compadre de longos anos. Reconheceu-me e, depois de vários minutos de conversa, disse que me apoiaria. Tirou-me da fossa. É um pai para mim, atendendo à vida que eu levava: cigarro, bebida e perdas de noites consecutivas. Agora só penso na música e no curso superior de Sociologia. Sei que vou a tempo.

A fama deu para conquistar muitas mulheres?

Não é verdade. Se assim fosse teria muitos filhos, mas veja que só tenho cinco, com três mulheres apenas. Elas é que me moldaram para este mundo, pois que fui sempre uma pessoa tímida. Mas ao longo do sucesso apareceram muitas Belinhas Chuchus, Guidas e Nonôs. Foi uma fase que já passou. Hoje eu é que corro atrás delas. Chamo por elas e já ninguém liga o Mamborró.

Aconteceu comigo

José Manuel Machado Jorge ou Mamborró, como é conhecido nas lides artísticas, aos 38 anos, tem guardado na sua trajectória de vida, vários momentos. Mas o realce recai para a solidariedade e carinho dos velhos tempos, enquanto cantor do programa radiofónico “Piô-piô” e o bom senso que o salvou das vicissitudes que viveu recentemente, depois do seu internamento num dos hospitais na Namíbia. “Muito obrigado Angola”, diz Mamborró.

*Entrevista de Jornal de Angola

[Ouca-o Aqui]



Ou
"Recordando Pio"...




Mamborró foi um dos principais nomes na década de 80 e 90 em Angola
. Por essa razão, transcrever a sua trajectória é um desafio de grandes obstáculos. “Vi a minha vida próximo do fim, mas graças ao apoio da sociedade civil angolana, consegui salvar-me. Muito obrigado aos angolanos de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste!”. Estas foram as primeiras palavras expressas por Mamborró, no início da nossa conversa.*

José Machado Jorge sofre de diabetes por isso está proibido de beber, fumar e perder noites. Chá e a água são as companheiras inseparáveis de agora.
É filho de Felismina José da Costa e de José Manuel Machado Jorge, é o terceiro de seis irmãos. Nasceu a 7 de Agosto de 1970, na Rua C, na vila da Gabela, província do Kwanza-Sul. Tinha tudo para seguir a carreira de desportista, de empresário ou mesmo de piloto de aeronaves. Mas aos nove anos, sentiu que tinha verdadeiramente queda para a música. Mesmo assim, por causa da timidez, fugia quando era convidado a cantar em actos públicos. Foi a partir do primo Nando Borró, que já cantava no agrupamento Sagrada Esperança, que ele descobriu a forma de enfrentar a multidão. Nando Borró sempre foi um empreendedor, com valioso faro artístico. Decidiu introduzir o primo, como bailarino, num grupo de dança e música de grande sucesso, na Gabela.
Mas Mamborró queria mesmo chegar ao topo da música. Daí que durante um festival infantil, onde os membros do júri eram provenientes de Luanda, Nando Borró inscreveu o primo como um dos concorrentes do festival infantil. Mamborró conquistou o segundo lugar entre dezenas de candidatos.
Pela voz segura e pela sua maneira de dançar, Dionísio Rocha, um dos integrantes do júri, decidiu deixar-lhe o endereço e um convite. “Quando fores a Luanda, aparece”.

À procura do Dionísio

Depois do concurso, durante meses, Mamborró passou a ser uma estrela musical da Gabela. O sucesso levou-o a recordar o convite de Dionísio Rocha. Contra a vontade dos pais, partiu para Luanda, onde já se encontrava a morar uma irmã mais velha. Mas o objectivo era localizar Dionísio Rocha, para se tornar num músico de verdade.
Mamborró chegou a Luanda e minutos depois de pousar as malas, procurou imediatamente o endereço de Dionísio Rocha. Não foi difícil localizá-lo. Dionísio Rocha ensinou-lhe o caminho da RNA, onde encontraria as pessoas indicadas. Mamborró perdeu-se e não conseguiu localizar as instalações da rádio. Desgostoso com o sucedido, decidiu fazer uma segunda tentativa.
Na sua convivência com os novos amigos no Bairro Prenda, conheceu o músico infantil Maranax que lhe deu as instruções precisas para chegar à RNA. Desta vez teve êxito. Pela mão de Artur Arriscado foi fazer um teste de voz em companhia de vários concorrentes como Joséca, Ângelo Ramos, hoje Boss, entre outros nomes da música em Angola. Com a canção “Quando Passo pelas Ruas”, Mamborró deixou toda a gente de boca aberta e foi aceite.
Alguns meses depois passou a ser uma figura emblemática da música infanto-juvenil do país, o que o levou a ganhar o apelido de Mamborró. Partiu para uma carreira notável que o levou, em 1987, a conquistar o Top dos Mais Queridos e o título do melhor cantor do Top dos Cinco. Depois de um ano de glórias, sucessos e inúmeros espectáculos, José Manuel Machado Jorge foi chamado para o serviço militar obrigatório.

Músico na recruta

Aos 18 anos, Mamborró era visto como um dos pilares da música em Angola. Mas nem com isso ficou isento do cumprimento do serviço militar obrigatório. Em 1988 foi para Menongue. As dramáticas notícias vindas do campo de batalha levaram-no a pensar no pior. Mas por força do amor à pátria desprezou o medo e enfrentou os dissabores da recruta na Escola Primeiro-tenente Marcolino.
“Justamente por ser o famoso Mamborró, fui chamado para a tropa. Fiz a minha parte como patriota”. E, logo no ano seguinte, depois do juramento da bandeira fui transferido para a direcção política em Luanda.

Brasil e regresso dramático

A necessidade de se aperfeiçoar cada vez mais no domínio da música, levou Mamborró a estabelecer contactos para ­conseguir uma bolsa de estudo. Solicitou ajuda ao então comandante da direcção política. O pedido foi aceite e partiu para o Brasil, onde estudou durante três anos violão e canto. Mas nem tudo foi bom para Mamborró. Os atrasos no pagamento da bolsa levaram-no a desistir do curso. O pouco apoio para a sua sobrevivência vinha do jornalista João Melo, que na época trabalhava no Brasil. “Esta pessoa esteve presente na minha formação”. Em Agosto de 1993, por causa das dívidas, decidiu abandonar o Brasil e regressar.
Já em Angola, as mudanças políticas que se operaram no país, levaram à desvalorização da música angolana. Mamborró deixou de ser o ídolo e o nome esfumou-se no meio dos enormes problemas sociais que o país vivia na época. Passou a viver autênticas odisseias em cada acção do seu dia a dia.

Mamborró responde

Como foi a sua reintegração em Angola?

Muito difícil. Primeiro fui taxista e depois trabalhei no Terminal Aéreo Militar (TAM), como motorista. O Zecax disse-me que um dia eu abandonaria essa actividade, acabei por abandonar. No TAM passei a oficial de operações. Trabalhei seis anos nessa situação. Mas nunca pensei em desistir da música. Há pessoas que dizem que usei drogas, é mentira. Nunca cheguei a esse ponto. Apenas bebia muito. Hoje, vivo da música e sou relações públicas da empresa do meu promotor Manuel Dias dos Santos (Kito).

Quando é que decidiu regressar à música?

Não tive quem que me ajudasse a gravar um disco. Bati portas, enviei cartas para várias instituições, mas nunca obtive respostas satisfatórias. Talvez por causa dos 16 anos que fiquei inactivo. Num belo dia, caminhava com destino a Ilha de Luanda, encontrei-me com o Kito dos Santos, um companheiro e compadre de longos anos. Reconheceu-me e, depois de vários minutos de conversa, disse que me apoiaria. Tirou-me da fossa. É um pai para mim, atendendo à vida que eu levava: cigarro, bebida e perdas de noites consecutivas. Agora só penso na música e no curso superior de Sociologia. Sei que vou a tempo.

A fama deu para conquistar muitas mulheres?

Não é verdade. Se assim fosse teria muitos filhos, mas veja que só tenho cinco, com três mulheres apenas. Elas é que me moldaram para este mundo, pois que fui sempre uma pessoa tímida. Mas ao longo do sucesso apareceram muitas Belinhas Chuchus, Guidas e Nonôs. Foi uma fase que já passou. Hoje eu é que corro atrás delas. Chamo por elas e já ninguém liga o Mamborró.

Aconteceu comigo

José Manuel Machado Jorge ou Mamborró, como é conhecido nas lides artísticas, aos 38 anos, tem guardado na sua trajectória de vida, vários momentos. Mas o realce recai para a solidariedade e carinho dos velhos tempos, enquanto cantor do programa radiofónico “Piô-piô” e o bom senso que o salvou das vicissitudes que viveu recentemente, depois do seu internamento num dos hospitais na Namíbia. “Muito obrigado Angola”, diz Mamborró.

*Entrevista de Jornal de Angola

[Ouca-o Aqui]

Sunday, 10 August 2008

OH XENTE!

O Kinaxixe…

Vai virar Quinaxixe!

Mas nao se xateiem muito nao (pelo menos nao mais do ke eu ja’ me xatiei desde ke esses planos foram anunciados ha’ varios anos – xaticia essa ke manifestei em eskrito publikado algures…) porke:

… assim ke dizem ke as novas torres a beira-mar plantadas, komo essa ai da Baia, vao ruir porke o mar gosta de reklamar o ke e’ seu, akela Kianda do Kinaxixi ke nunka ke ainda fez ruir nenhum predio ali no largo – nem o ‘meu’ ke fika mesmo ao lado da kacimba dela e onde ke ainda tem la’ mo kubiku ke me kassumbularam kum ele nuns tuga bue' malaikes e buerere' karrulas ainda por cima e ke agora dizem ke tem la’ uns xinokas (ja’ viram so’ o mo azar? Esses anos todos se eles me pagassem so' mbora mo kumbu essa hora eu ja’ ke podia subir tambem na torre da Baia, ne’? Pelo menos ate' ela ruir...); nem akele eskeleto ke lhe plantaram mesmo em cima da kacimba dela e ke por isso mesmo ela nunka ke deixou ke lhe kompletassem – num sei se ela vai deixar esse novo Quinaxixe dai vingar (ou sera’ Quinachiche?)… num sei nao!

Mas se kalhar essa e' uma maka pra Kianda e a Mma Nzinga resolverem la' no Kinaxixi delas, ne'?

[Mais dikas aki e aki]
O Kinaxixe…

Vai virar Quinaxixe!

Mas nao se xateiem muito nao (pelo menos nao mais do ke eu ja’ me xatiei desde ke esses planos foram anunciados ha’ varios anos – xaticia essa ke manifestei em eskrito publikado algures…) porke:

… assim ke dizem ke as novas torres a beira-mar plantadas, komo essa ai da Baia, vao ruir porke o mar gosta de reklamar o ke e’ seu, akela Kianda do Kinaxixi ke nunka ke ainda fez ruir nenhum predio ali no largo – nem o ‘meu’ ke fika mesmo ao lado da kacimba dela e onde ke ainda tem la’ mo kubiku ke me kassumbularam kum ele nuns tuga bue' malaikes e buerere' karrulas ainda por cima e ke agora dizem ke tem la’ uns xinokas (ja’ viram so’ o mo azar? Esses anos todos se eles me pagassem so' mbora mo kumbu essa hora eu ja’ ke podia subir tambem na torre da Baia, ne’? Pelo menos ate' ela ruir...); nem akele eskeleto ke lhe plantaram mesmo em cima da kacimba dela e ke por isso mesmo ela nunka ke deixou ke lhe kompletassem – num sei se ela vai deixar esse novo Quinaxixe dai vingar (ou sera’ Quinachiche?)… num sei nao!

Mas se kalhar essa e' uma maka pra Kianda e a Mma Nzinga resolverem la' no Kinaxixi delas, ne'?

[Mais dikas aki e aki]

Sunday, 27 May 2007

ABOUT THE "MAY 27": I. 30 YEARS ON

Today is the 30th anniversary of May 27, 1977, a date which conveys what are arguably the deepest wounds in the Angolan soul. It marks the brutal repression of a “movement”, mainly by high-level militants of the ruling party MPLA, the so-called “fraccionistas”, allegedly intent on overthrowing the then President, A. Neto, and his entourage from power. Neto then pronounced a famous sentence: “Nao Havera’ Perdao” (“There Will Be No Pardon!”).

In the ensuing months and for several years afterwards, thousands of Angolans from all social, racial and cultural backgrounds (although some more targeted and victimised than others) were either eliminated, imprisoned or confined to “Campos de Re-educacao” (“Re-education Camps”), in some cases in the same camps where they, or their fathers and/or other family members, had been imprisoned by the colonialists, without any formal judicial process.

Personally, not having been involved directly or indirectly in either side of the events, I had, nevertheless, as with millions of other Angolans, family members, friends, colleagues and aquaintances eliminated or otherwise victimised by the purge. The total number of dead is estimated at at least 30.000, which is ten times more than the number of Pinochet's victims... Just imagine 1.000 dead each year since that date...
To this day there are parents, wives, offspring, relatives and friends of the disappeared in psychologically suspended grief for not knowing why, when, where and what happened to their loved ones.
Countries such as South Africa have instituted mechanisms like the Truth and Reconciliation Commission to address this sort of issues. Yet, Angola is still hung on its inability to face head-on its darkest traumas, thus unable to rationally heal, or at least try to, its deepest wounds on behalf of its future as a Nation.

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Today is the 30th anniversary of May 27, 1977, a date which conveys what are arguably the deepest wounds in the Angolan soul. It marks the brutal repression of a “movement”, mainly by high-level militants of the ruling party MPLA, the so-called “fraccionistas”, allegedly intent on overthrowing the then President, A. Neto, and his entourage from power. Neto then pronounced a famous sentence: “Nao Havera’ Perdao” (“There Will Be No Pardon!”).

In the ensuing months and for several years afterwards, thousands of Angolans from all social, racial and cultural backgrounds (although some more targeted and victimised than others) were either eliminated, imprisoned or confined to “Campos de Re-educacao” (“Re-education Camps”), in some cases in the same camps where they, or their fathers and/or other family members, had been imprisoned by the colonialists, without any formal judicial process.

Personally, not having been involved directly or indirectly in either side of the events, I had, nevertheless, as with millions of other Angolans, family members, friends, colleagues and aquaintances eliminated or otherwise victimised by the purge. The total number of dead is estimated at at least 30.000, which is ten times more than the number of Pinochet's victims... Just imagine 1.000 dead each year since that date...
To this day there are parents, wives, offspring, relatives and friends of the disappeared in psychologically suspended grief for not knowing why, when, where and what happened to their loved ones.
Countries such as South Africa have instituted mechanisms like the Truth and Reconciliation Commission to address this sort of issues. Yet, Angola is still hung on its inability to face head-on its darkest traumas, thus unable to rationally heal, or at least try to, its deepest wounds on behalf of its future as a Nation.

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Friday, 6 April 2007

CRONICA DE UMA MAKA ANUNCIADA



"CRONICA DE UMA MAKA ANUNCIADA”



”(...) Quando alguém mostra a visibilidade do mito acha-se ao serviço de pretextos (... qualquer coisa tirada de passagem à Cultura) para, com seu uso, desencadear a explosão mítica. (...) Só não percebe quem vive mergulhado na cultura. Talvez se perceba numa certa África ainda. (...) Estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura.”

Para que fique registado neste blog o que deu lugar a esta maka (e por isso voltei hoje, 11/04/07, a reabrir temporariamente o blog ao publico em geral, mas com os espacos de comentarios a este e ao post anterior encerrados), decidi publicar aqui, no espaco de comentarios a este post, NA INTEGRA, os iniciais comentarios, publicados e nao publicados (digo iniciais porque houve outros posteriormente, 3 ou 4, dos quais apenas 2 foram publicados). Apesar de ja' ter considerado o assunto encerrado, com isto pretendo apenas sugerir aos leitores que, enquanto esta maka se desenrolava "por tras da cortina", foram seguindo os meus pontos de vista, quer aqui no meu blog, quer no blog “A Materia do Tempo” (nao pretendendo com isto de qualquer forma implicar o Denudado ou envolve-lo involuntariamente nesta maka, mas apenas porque as minhas primeiras “manifestacoes” sobre essas questoes foram registadas no blog dele) , sobre alguns dos argumentos da ACGM no seu post entitulado “Vulto Said:”, nomeadamente a volta dos conceitos de “apropriacao cultural”, “partilha” e “racismo”, facam as suas proprias avaliacoes e formulem os seus proprios pontos de vista e/ou juizos de valor.

Sugeriria que o fizessem a luz do meu artigo anexado ao post anterior a este (“Maka de Sanzala!!!” ) entitulado “A Minha Patria nao e’ a Lingua Portuguesa”, com particular referencia a "alguns exímios praticantes do impressivo, mas de questionável honestidade intelectual, ofício do 'vulturismo cultural' (i.e., a apropriação de simbologias e narrativas antropológicas, sociológicas ou rituais Africanas, para seu uso e abuso como instrumentos, máscaras, de legitimação cultural de discursos artístico-literários raramente condicentes com as experiências vivenciais, as convicções político-ideológicas, as preferências estéticas, ou a praxis social, passada ou presente, dos seus autores)."

Pedir-vos-ia tambem que, tanto quanto possivel, tentassem prestar mais atencao ao CONTEUDO e menos a FORMA como os meus comentarios foram feitos, porque, sinceramente, incialmente para mim tratava-se apenas de expressar um ponto de vista e algumas interrogacoes perante quem, apesar de nao conhecer pessoalmente mas sobre quem sabia o suficiente para me expressar como o fiz sem grandes constrangimentos, nao me sentia com qualquer particular obrigacao de enderecar com “alturas e mesuras” e por quem, depois das suas respostas e a luz do que antes sabia dela e da leitura de alguns dos seus posts e comentarios no seu e noutros blogs, perdi todo o respeito…

Finalmente, impoe-se-me notar particularmente que uma das minhas leituras desta "maka" encaixa-se perfeitamente na frase de Herberto Helder acima citada (e por isso a tive destacada neste blog, no fim do 'News & Views', durante aquele periodo...). Isto e':

Eu expus a visibilidade do mito da "Phwo", ao tentar "destapar-lhe a mascara" e, imediatamente me achei ao servico de pretextos (e.g. acusacoes, ou melhor, insultos, de 'racismo', 'cobardia', 'grosseria', 'falta de educacao', 'atrevimento', 'ignorancia', 'incultura', 'patetice', 'estupidez', 'complexo', 'recalcamento', 'constrangimento', 'retrogredismo' ou 'retroaccao', 'rancor', 'ressaibo', 'raiva', 'ressentimento', 'parasitismo', 'insignificancia', 'besta, quadrada ou nao', 'disparatada', 'aquela coisa', 'vomito', 'pecadora capital', 'terrorista', 'instigadora de assassinatos', 'petit rien', etc, etc, etc...) que pudessem justificar que eu "cometesse um suicidio em grande estilo"... ou seria que alguem "cometesse um assassinato em grande estilo" sobre mim?!

Ao mesmo tempo, na sua resposta ao meu comentario (parcialmente) publicado (triplamente censurado) sob o titulo "Vulto said", ela tira "qualquer coisa" (de facto, varias coisas) de passagem a Cultura, particularmente a filologia, a antropologia e a etnologia (em nenhuma das quais ela e' especialista... e, ja' agora, como especialista em economia, devo dizer-lhe que nem nesta disciplina cientifica o conceito de "negociacao" e' equivalente a "negocio"... por isso, mas infelizmente nao so' por isso, a considero arrogante ignorante!) para com seu uso desencadear a explosao mitica (i.e. todos os episodios da "maka" que se seguiu e que explodiram nesta cena final...).

De facto, so' nao percebe quem vive mergulhado na cultura - com minuscula... ACGM da' mostras de viver mergulhada na "cultura" la' "dentro" do seu ministerio, da sua academia, dos livros que teve que ler e das licoes que teve que aprender para fazer um curso universitario... e tradu-los a letra para a sua "realidade"... como se a Vida, como se a Cultura, como se a Poesia, como se a Arte, como se a Danca, como se a Literatura, como se a Ciencia, como se a Partilha, como se a Criacao, como se a Geracao, como se a Gestacao, como se a Mukanda... se pudessem alguma vez reduzir a isso! Como se a Educacao, a Investigacao, o Ensino, a Aprendizagem, o Raciocinio, o Pensamento, a Intelectualidade ou a Inteligencia se pudessem limitar a ver, constatar, descrever, copiar, decorar, recitar, relatar e afirmar dogmaticamente o "obvio" a partir de algumas inconsistentes e superficiais observacoes empiricas aleatorias, dirigidas, enviezadas, exogenas, extemporaneas e esporadicas!

Talvez se perceba numa certa Africa ainda (eu percebi-o na "minha" Afrika, imediatamente...). (com minuscula... sem mais comentarios, porque o obvio dispensa-os...)!

So' para introduzir aqui uma pitadinha de "humor seco": houve uma vez, em Estocolmo, que me senti movida a "escrever" um poema transcrevendo os caracteres e simbolos (e seus significados) que encontrei num livro de Redinha... claro que nao o fiz a serio, porque mesmo quem nao domine os conceitos de "etic e emic", se for suficientemente honesto intelectualmente, reconhecera' que a "mimica" jamais podera' ser levada com seriedade, ou tida como Arte, por quem seja seriamente inteligente e culto!

Tenho ainda uma outra leitura (e com ela nao se esgotam todas as leituras que tenho desta "maka"), que igualmente se encaixa naquela frase, a qual, para mim, descreve perfeitamente o fenomeno "vulturismo cultural" e a esquizofrenia individual e social a ele associada. E por isso a usei no fim do meu artigo acima mencionado, tendo-o feito tambem para ressaltar a forma como a frase de Pessoa "a minha patria e' a lingua portuguesa" e' geralmente usada fora do contexto em que foi escrita, isto e', como "qualquer coisa tirada de passagem a Cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica..." (e.g. o mito do "lusotropicalismo"). Isto, sobretudo, porque me recuso a acreditar que a totalidade das pessoas que, em qualquer parte do mundo, teem a lingua portuguesa como a sua patria, possam igualmente dizer, como Pessoa, "nao tenho nenhum sentimento politico ou social". Eu certamente nao o posso dizer e lamento-o, por varias razoes, mas principalmente porque respeito profundamente a sua poesia e a Lingua Portuguesa!

Vamos a "ela"? 'A leitura, claro!
Nesta segunda leitura, o que os "vultos culturais" fazem, na sua busca de uma "identidade" que os corporize, lhes finque os pes no chao, lhes crie raizes, os valide culturalmente, os valorize intelectualmente e os legitime politicamente numa sociedade em que se sentem "deslocados", "a pairar no ar" (vizualizar aqui), com a qual nao se identificam (ou recusam-se a identificar-se, apesar de terem contribuido activamente para o estado em que ela se encontra actualmente, ou terem assistido passivamente a sua progressiva degradacao, ao longo dos anos desde a independencia) e da qual por isso se auto-marginalizam, e' tirar da Cultura (Africana) qualquer coisa (fenomeno "apropriacao"), como um "nome", um "pseudonimo", um "cognome", um "nick", uma indumentaria, um penteado, ou a mascara Pwo, e usa-la para desencadear a explosao mitica (... que, entre outras coisas, lhes permite auto-convencer-se de que sao mais conhecedores dessa Cultura do que os seus proprios criadores/detentores e ser "mimados" com premios literarios e "nacionais de cultura" por isso; enquanto aqueles com quem aprenderam sobre tal Cultura sao relegados a extincao ou transformados em "atraccao turistica exotica" nesse processo de apropriacao que os usa, abusa e desusa como "objectos de estudo" e nao sujeitos da sua propria cultura e identidade; ao mesmo tempo que fazem muita questao de corrigir o meu "pretogues", nao percebo bem se em nome do Pessoa, do Camoes, ou do Tchibinda Ilunga, como o fez um tal "Diamante"!).

Como se a Cultura Angolana se pudesse confinar a Cultura Tchokwe! Por isso me refiro a ela frequentemente como 'miuda', 'menina' e 'fedelha' atrevida, mal-educada, mimada, inculta e irresponsavel... (mas sera' que dentre os 'mais velhos' do mundo do "nacional-premialismo" da ACGM ninguem ainda lhe explicou de onde partem, regra geral, os "cronicos conflitos etnico-raciais" em Africa?!). Mas da' para perceber, obviamente, que nunca ninguem lhe ensinou, nem ela parece capaz de aprender, apreender, compreender, interiorizar, pensar, raciocinar, interagir e agir por si propria e pela sua propria cabeca e nao apenas pelas dos seus professores, seja em que lingua ou cultura for, de acordo com o significado mais profundo de "it ain't necessarily so"... ou reduzir-se a sua insignificancia e sela-la com o mais simplorio conceito de "shallow mind"!

Eu percebi-o ha' muito na "minha" Afrika, tanto "dentro" como "fora" de Angola! ... Minha Afrika onde nunca confundi "identidade" com "etnicidade", nem alguma vez limitei a "identidade" as "sociedades tradicionais", nem nunca opus qualquer delas aos conceitos de "modernidade", "evolucao", "progresso", ou "desenvolvimento" (que, ja' agora, teem muito pouco a ver com a adopcao de objectos materiais, como televisores, shampoos, gel de banho, ou espelhos por sociedades que antes nao os produziam e que continuaram depois da sua "adopcao" a nao os produzir... vejam-se, por exemplo, os efeitos "desenvolvimentistas" e "progressistas" que esse tipo de "adopcao" teve no Kongo de 500, como vivamente o ilustra a carta que anexei ao meu post "Late Sunday Service"... e, ja' agora tambem, para mim o verdadeiro desenvolvimento economico, social e cultural de uma sociedade, qualquer que ela seja e em que parte do mundo for, tem que ser "endogeno" - para quem saiba o que isso significa...), nem nunca limitei a Cultura a "culturas originais ou fechadas"...

Minha Afrika onde nao so' ja' vi mulheres brancas de panos (nunca fui a Holanda, mas sei que e' la' que sao fabricados "tradicionalmente" os "panos do Congo"... meu Kongo que ja' era uma potencia textil antes de os colonizadores chegarem com as suas "faixas de panos vermelhos" e missangas...), como ja vi ate' mulheres brancas "sangomas" (isto e', para os leigos como ACGM, "feiticeiras" ou curandeiras "tradicionais"...) na Africa do Sul post-apartheid (... praticamente toda a gente, entre brancos, negros e outras racas e/ou etnicidades, as considera, no entanto, absolutamente ridiculas e as "mais dignas e unicas" representantes do vulturismo cultural...)!

Minha Afrika e meu Mundo onde muito antes de eu ter nascido se formularam, conceptualizaram, discutiram, institucionalizaram, desinstitucionalizaram, politicizaram, despoliticizaram, construiram, desconstruiram, bateram, debateram, rebateram, esbateram, reacenderam, ultrapassaram e renovaram continua e ciclicamente os conceitos que ACGM, que nasceu depois de mim, comeca agora apenas a soletrar (e muito mal!), mas sobre os quais se considera com autoridade suficiente para fazer "public lectures" e para "falar de catedra" para quem ela "pensa" que "nao estudou", mas que certamente estudou, aprendeu, apreendeu e compreendeu muito mais e melhor do que ela e, sem qualquer duvida, muito humildemente, viveu, conviveu, viu, experimentou e partilhou a sua identidade cultural, a sua mundivivencia, os seus diversificados conhecimentos literarios e academicos em, e aprendeu, apreendeu e compreendeu com e entre, varias sociedades e comunidades Africanas e nao so', muito mais e melhor do que ela... sem guarda-costas, guias de marcha ou "bolsas de criacao" e certamente desde que nasceu e nao apenas depois da independencia de Angola! Quem e' que, afinal, no meio disto tudo, falou de alguem sem a conhecer? Falei de "arrogancia ignorante"? Falei de "falta de nocao do ridiculo"? Falei de "auto-convencimento"? Falei de "fraude"? Terei dito tudo?!

E so' nao "me aproprio" tambem de uma qualquer mascara na minha poesia, ou na minha vida em geral, porque a minha identidade cultural dispensa tais expedientes... E e' tambem por isso que tenho o maior respeito pelas pessoas de qualquer nacionalidade, que, sem desrespeitarem ou menosprezarem outras culturas, ou as pessoas que as possuem, defendem orgulhosamente a sua propria identidade cultural. Justamente, eles sao "guardioes das suas culturas", nao deixando por isso de ter abertura de espirito suficiente para se abrirem a partilha, interaccao e integracao com outras culturas - em suma, sao educados, cultos e inteligentes.

Acredito neles e com eles me identifico instintiva e intuitivamente, independentemente da sua raca, cor de pele, etnicidade, idioma, orientacao sexual, genero, religiao, classe social, nivel educacional ou academico, ou conviccoes politico-ideologicas, mesmo que eventualmente nao possa ver a sua cara e mesmo que eles tambem usassem mascaras, porque os vejo, me parecem e os sinto humanos, nao "vultos"!

Por isso me sinto capaz de partilhar alguma coisa com essas pessoas genuinas, nao "mascaras"! Por isso me sinto capaz de interagir e integrar nas suas sociedades abertas, nao "circulos restritos" (mais frequentemente do que o contrario, baseados fora do pais de que se acham "absolutos donos" enquanto la' estao - isto e', os que de la' "nunca sairam" porque tambem nunca la' estiveram a viver como o 'ze' povinho' e jamais poderiam sonhar com a vida de mordomias que todos os "sistemas" sempre lhes outorgaram - ou prontos a abandona-lo, como as verdadeiras e inultrapassaveis 'prima donnas' que sempre foram, a primeira "contrariedade"...), viciosos e viciados, ordinarios, marginais, promiscuos, doentios, claustrofobicos, autofagicos, esquizofrenicos, exclusivistas, divisionistas, tribalistas, fechados, censorios, agressivos, destrutivos, anti-sociais, recalcados, complexados, invejosos, mesquinhos, racistas, constrangidos, ameacadores, enfim... INSEGUROS... porque habitados por vultos auto-enclausurados por medo da sua propria sombra! De que teem tanto medo?! I wonder...

Por tudo isso, estou no Mundo... a esquizofrenia fica longe... na cultura!

[DEVIDO AO IMPRECEDENTE ACONTECIMENTO QUE RELATO NO POST ANTERIOR, DECIDI REABRIR TEMPORARIAMENTE O ACESSO A ESTE BLOG AO PUBLICO EM GERAL. NO ENTANTO, E PARA QUE HAJA UM MINIMO DE JUSTA EQUIVALENCIA ENTRE AS PRATICAS EXERCIDAS NESTE BLOG E NO BLOG EM QUESTAO, ACTIVAREI A "MODERACAO DE COMENTARIOS" DURANTE ESTE PERIODO.]




"CRONICA DE UMA MAKA ANUNCIADA”



”(...) Quando alguém mostra a visibilidade do mito acha-se ao serviço de pretextos (... qualquer coisa tirada de passagem à Cultura) para, com seu uso, desencadear a explosão mítica. (...) Só não percebe quem vive mergulhado na cultura. Talvez se perceba numa certa África ainda. (...) Estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura.”

Para que fique registado neste blog o que deu lugar a esta maka (e por isso voltei hoje, 11/04/07, a reabrir temporariamente o blog ao publico em geral, mas com os espacos de comentarios a este e ao post anterior encerrados), decidi publicar aqui, no espaco de comentarios a este post, NA INTEGRA, os iniciais comentarios, publicados e nao publicados (digo iniciais porque houve outros posteriormente, 3 ou 4, dos quais apenas 2 foram publicados). Apesar de ja' ter considerado o assunto encerrado, com isto pretendo apenas sugerir aos leitores que, enquanto esta maka se desenrolava "por tras da cortina", foram seguindo os meus pontos de vista, quer aqui no meu blog, quer no blog “A Materia do Tempo” (nao pretendendo com isto de qualquer forma implicar o Denudado ou envolve-lo involuntariamente nesta maka, mas apenas porque as minhas primeiras “manifestacoes” sobre essas questoes foram registadas no blog dele) , sobre alguns dos argumentos da ACGM no seu post entitulado “Vulto Said:”, nomeadamente a volta dos conceitos de “apropriacao cultural”, “partilha” e “racismo”, facam as suas proprias avaliacoes e formulem os seus proprios pontos de vista e/ou juizos de valor.

Sugeriria que o fizessem a luz do meu artigo anexado ao post anterior a este (“Maka de Sanzala!!!” ) entitulado “A Minha Patria nao e’ a Lingua Portuguesa”, com particular referencia a "alguns exímios praticantes do impressivo, mas de questionável honestidade intelectual, ofício do 'vulturismo cultural' (i.e., a apropriação de simbologias e narrativas antropológicas, sociológicas ou rituais Africanas, para seu uso e abuso como instrumentos, máscaras, de legitimação cultural de discursos artístico-literários raramente condicentes com as experiências vivenciais, as convicções político-ideológicas, as preferências estéticas, ou a praxis social, passada ou presente, dos seus autores)."

Pedir-vos-ia tambem que, tanto quanto possivel, tentassem prestar mais atencao ao CONTEUDO e menos a FORMA como os meus comentarios foram feitos, porque, sinceramente, incialmente para mim tratava-se apenas de expressar um ponto de vista e algumas interrogacoes perante quem, apesar de nao conhecer pessoalmente mas sobre quem sabia o suficiente para me expressar como o fiz sem grandes constrangimentos, nao me sentia com qualquer particular obrigacao de enderecar com “alturas e mesuras” e por quem, depois das suas respostas e a luz do que antes sabia dela e da leitura de alguns dos seus posts e comentarios no seu e noutros blogs, perdi todo o respeito…

Finalmente, impoe-se-me notar particularmente que uma das minhas leituras desta "maka" encaixa-se perfeitamente na frase de Herberto Helder acima citada (e por isso a tive destacada neste blog, no fim do 'News & Views', durante aquele periodo...). Isto e':

Eu expus a visibilidade do mito da "Phwo", ao tentar "destapar-lhe a mascara" e, imediatamente me achei ao servico de pretextos (e.g. acusacoes, ou melhor, insultos, de 'racismo', 'cobardia', 'grosseria', 'falta de educacao', 'atrevimento', 'ignorancia', 'incultura', 'patetice', 'estupidez', 'complexo', 'recalcamento', 'constrangimento', 'retrogredismo' ou 'retroaccao', 'rancor', 'ressaibo', 'raiva', 'ressentimento', 'parasitismo', 'insignificancia', 'besta, quadrada ou nao', 'disparatada', 'aquela coisa', 'vomito', 'pecadora capital', 'terrorista', 'instigadora de assassinatos', 'petit rien', etc, etc, etc...) que pudessem justificar que eu "cometesse um suicidio em grande estilo"... ou seria que alguem "cometesse um assassinato em grande estilo" sobre mim?!

Ao mesmo tempo, na sua resposta ao meu comentario (parcialmente) publicado (triplamente censurado) sob o titulo "Vulto said", ela tira "qualquer coisa" (de facto, varias coisas) de passagem a Cultura, particularmente a filologia, a antropologia e a etnologia (em nenhuma das quais ela e' especialista... e, ja' agora, como especialista em economia, devo dizer-lhe que nem nesta disciplina cientifica o conceito de "negociacao" e' equivalente a "negocio"... por isso, mas infelizmente nao so' por isso, a considero arrogante ignorante!) para com seu uso desencadear a explosao mitica (i.e. todos os episodios da "maka" que se seguiu e que explodiram nesta cena final...).

De facto, so' nao percebe quem vive mergulhado na cultura - com minuscula... ACGM da' mostras de viver mergulhada na "cultura" la' "dentro" do seu ministerio, da sua academia, dos livros que teve que ler e das licoes que teve que aprender para fazer um curso universitario... e tradu-los a letra para a sua "realidade"... como se a Vida, como se a Cultura, como se a Poesia, como se a Arte, como se a Danca, como se a Literatura, como se a Ciencia, como se a Partilha, como se a Criacao, como se a Geracao, como se a Gestacao, como se a Mukanda... se pudessem alguma vez reduzir a isso! Como se a Educacao, a Investigacao, o Ensino, a Aprendizagem, o Raciocinio, o Pensamento, a Intelectualidade ou a Inteligencia se pudessem limitar a ver, constatar, descrever, copiar, decorar, recitar, relatar e afirmar dogmaticamente o "obvio" a partir de algumas inconsistentes e superficiais observacoes empiricas aleatorias, dirigidas, enviezadas, exogenas, extemporaneas e esporadicas!

Talvez se perceba numa certa Africa ainda (eu percebi-o na "minha" Afrika, imediatamente...). (com minuscula... sem mais comentarios, porque o obvio dispensa-os...)!

So' para introduzir aqui uma pitadinha de "humor seco": houve uma vez, em Estocolmo, que me senti movida a "escrever" um poema transcrevendo os caracteres e simbolos (e seus significados) que encontrei num livro de Redinha... claro que nao o fiz a serio, porque mesmo quem nao domine os conceitos de "etic e emic", se for suficientemente honesto intelectualmente, reconhecera' que a "mimica" jamais podera' ser levada com seriedade, ou tida como Arte, por quem seja seriamente inteligente e culto!

Tenho ainda uma outra leitura (e com ela nao se esgotam todas as leituras que tenho desta "maka"), que igualmente se encaixa naquela frase, a qual, para mim, descreve perfeitamente o fenomeno "vulturismo cultural" e a esquizofrenia individual e social a ele associada. E por isso a usei no fim do meu artigo acima mencionado, tendo-o feito tambem para ressaltar a forma como a frase de Pessoa "a minha patria e' a lingua portuguesa" e' geralmente usada fora do contexto em que foi escrita, isto e', como "qualquer coisa tirada de passagem a Cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica..." (e.g. o mito do "lusotropicalismo"). Isto, sobretudo, porque me recuso a acreditar que a totalidade das pessoas que, em qualquer parte do mundo, teem a lingua portuguesa como a sua patria, possam igualmente dizer, como Pessoa, "nao tenho nenhum sentimento politico ou social". Eu certamente nao o posso dizer e lamento-o, por varias razoes, mas principalmente porque respeito profundamente a sua poesia e a Lingua Portuguesa!

Vamos a "ela"? 'A leitura, claro!
Nesta segunda leitura, o que os "vultos culturais" fazem, na sua busca de uma "identidade" que os corporize, lhes finque os pes no chao, lhes crie raizes, os valide culturalmente, os valorize intelectualmente e os legitime politicamente numa sociedade em que se sentem "deslocados", "a pairar no ar" (vizualizar aqui), com a qual nao se identificam (ou recusam-se a identificar-se, apesar de terem contribuido activamente para o estado em que ela se encontra actualmente, ou terem assistido passivamente a sua progressiva degradacao, ao longo dos anos desde a independencia) e da qual por isso se auto-marginalizam, e' tirar da Cultura (Africana) qualquer coisa (fenomeno "apropriacao"), como um "nome", um "pseudonimo", um "cognome", um "nick", uma indumentaria, um penteado, ou a mascara Pwo, e usa-la para desencadear a explosao mitica (... que, entre outras coisas, lhes permite auto-convencer-se de que sao mais conhecedores dessa Cultura do que os seus proprios criadores/detentores e ser "mimados" com premios literarios e "nacionais de cultura" por isso; enquanto aqueles com quem aprenderam sobre tal Cultura sao relegados a extincao ou transformados em "atraccao turistica exotica" nesse processo de apropriacao que os usa, abusa e desusa como "objectos de estudo" e nao sujeitos da sua propria cultura e identidade; ao mesmo tempo que fazem muita questao de corrigir o meu "pretogues", nao percebo bem se em nome do Pessoa, do Camoes, ou do Tchibinda Ilunga, como o fez um tal "Diamante"!).

Como se a Cultura Angolana se pudesse confinar a Cultura Tchokwe! Por isso me refiro a ela frequentemente como 'miuda', 'menina' e 'fedelha' atrevida, mal-educada, mimada, inculta e irresponsavel... (mas sera' que dentre os 'mais velhos' do mundo do "nacional-premialismo" da ACGM ninguem ainda lhe explicou de onde partem, regra geral, os "cronicos conflitos etnico-raciais" em Africa?!). Mas da' para perceber, obviamente, que nunca ninguem lhe ensinou, nem ela parece capaz de aprender, apreender, compreender, interiorizar, pensar, raciocinar, interagir e agir por si propria e pela sua propria cabeca e nao apenas pelas dos seus professores, seja em que lingua ou cultura for, de acordo com o significado mais profundo de "it ain't necessarily so"... ou reduzir-se a sua insignificancia e sela-la com o mais simplorio conceito de "shallow mind"!

Eu percebi-o ha' muito na "minha" Afrika, tanto "dentro" como "fora" de Angola! ... Minha Afrika onde nunca confundi "identidade" com "etnicidade", nem alguma vez limitei a "identidade" as "sociedades tradicionais", nem nunca opus qualquer delas aos conceitos de "modernidade", "evolucao", "progresso", ou "desenvolvimento" (que, ja' agora, teem muito pouco a ver com a adopcao de objectos materiais, como televisores, shampoos, gel de banho, ou espelhos por sociedades que antes nao os produziam e que continuaram depois da sua "adopcao" a nao os produzir... vejam-se, por exemplo, os efeitos "desenvolvimentistas" e "progressistas" que esse tipo de "adopcao" teve no Kongo de 500, como vivamente o ilustra a carta que anexei ao meu post "Late Sunday Service"... e, ja' agora tambem, para mim o verdadeiro desenvolvimento economico, social e cultural de uma sociedade, qualquer que ela seja e em que parte do mundo for, tem que ser "endogeno" - para quem saiba o que isso significa...), nem nunca limitei a Cultura a "culturas originais ou fechadas"...

Minha Afrika onde nao so' ja' vi mulheres brancas de panos (nunca fui a Holanda, mas sei que e' la' que sao fabricados "tradicionalmente" os "panos do Congo"... meu Kongo que ja' era uma potencia textil antes de os colonizadores chegarem com as suas "faixas de panos vermelhos" e missangas...), como ja vi ate' mulheres brancas "sangomas" (isto e', para os leigos como ACGM, "feiticeiras" ou curandeiras "tradicionais"...) na Africa do Sul post-apartheid (... praticamente toda a gente, entre brancos, negros e outras racas e/ou etnicidades, as considera, no entanto, absolutamente ridiculas e as "mais dignas e unicas" representantes do vulturismo cultural...)!

Minha Afrika e meu Mundo onde muito antes de eu ter nascido se formularam, conceptualizaram, discutiram, institucionalizaram, desinstitucionalizaram, politicizaram, despoliticizaram, construiram, desconstruiram, bateram, debateram, rebateram, esbateram, reacenderam, ultrapassaram e renovaram continua e ciclicamente os conceitos que ACGM, que nasceu depois de mim, comeca agora apenas a soletrar (e muito mal!), mas sobre os quais se considera com autoridade suficiente para fazer "public lectures" e para "falar de catedra" para quem ela "pensa" que "nao estudou", mas que certamente estudou, aprendeu, apreendeu e compreendeu muito mais e melhor do que ela e, sem qualquer duvida, muito humildemente, viveu, conviveu, viu, experimentou e partilhou a sua identidade cultural, a sua mundivivencia, os seus diversificados conhecimentos literarios e academicos em, e aprendeu, apreendeu e compreendeu com e entre, varias sociedades e comunidades Africanas e nao so', muito mais e melhor do que ela... sem guarda-costas, guias de marcha ou "bolsas de criacao" e certamente desde que nasceu e nao apenas depois da independencia de Angola! Quem e' que, afinal, no meio disto tudo, falou de alguem sem a conhecer? Falei de "arrogancia ignorante"? Falei de "falta de nocao do ridiculo"? Falei de "auto-convencimento"? Falei de "fraude"? Terei dito tudo?!

E so' nao "me aproprio" tambem de uma qualquer mascara na minha poesia, ou na minha vida em geral, porque a minha identidade cultural dispensa tais expedientes... E e' tambem por isso que tenho o maior respeito pelas pessoas de qualquer nacionalidade, que, sem desrespeitarem ou menosprezarem outras culturas, ou as pessoas que as possuem, defendem orgulhosamente a sua propria identidade cultural. Justamente, eles sao "guardioes das suas culturas", nao deixando por isso de ter abertura de espirito suficiente para se abrirem a partilha, interaccao e integracao com outras culturas - em suma, sao educados, cultos e inteligentes.

Acredito neles e com eles me identifico instintiva e intuitivamente, independentemente da sua raca, cor de pele, etnicidade, idioma, orientacao sexual, genero, religiao, classe social, nivel educacional ou academico, ou conviccoes politico-ideologicas, mesmo que eventualmente nao possa ver a sua cara e mesmo que eles tambem usassem mascaras, porque os vejo, me parecem e os sinto humanos, nao "vultos"!

Por isso me sinto capaz de partilhar alguma coisa com essas pessoas genuinas, nao "mascaras"! Por isso me sinto capaz de interagir e integrar nas suas sociedades abertas, nao "circulos restritos" (mais frequentemente do que o contrario, baseados fora do pais de que se acham "absolutos donos" enquanto la' estao - isto e', os que de la' "nunca sairam" porque tambem nunca la' estiveram a viver como o 'ze' povinho' e jamais poderiam sonhar com a vida de mordomias que todos os "sistemas" sempre lhes outorgaram - ou prontos a abandona-lo, como as verdadeiras e inultrapassaveis 'prima donnas' que sempre foram, a primeira "contrariedade"...), viciosos e viciados, ordinarios, marginais, promiscuos, doentios, claustrofobicos, autofagicos, esquizofrenicos, exclusivistas, divisionistas, tribalistas, fechados, censorios, agressivos, destrutivos, anti-sociais, recalcados, complexados, invejosos, mesquinhos, racistas, constrangidos, ameacadores, enfim... INSEGUROS... porque habitados por vultos auto-enclausurados por medo da sua propria sombra! De que teem tanto medo?! I wonder...

Por tudo isso, estou no Mundo... a esquizofrenia fica longe... na cultura!

[DEVIDO AO IMPRECEDENTE ACONTECIMENTO QUE RELATO NO POST ANTERIOR, DECIDI REABRIR TEMPORARIAMENTE O ACESSO A ESTE BLOG AO PUBLICO EM GERAL. NO ENTANTO, E PARA QUE HAJA UM MINIMO DE JUSTA EQUIVALENCIA ENTRE AS PRATICAS EXERCIDAS NESTE BLOG E NO BLOG EM QUESTAO, ACTIVAREI A "MODERACAO DE COMENTARIOS" DURANTE ESTE PERIODO.]


Wednesday, 21 March 2007

ANGOLA: SOBRE O ESTADO DA CULTURA NACIONAL

“Marito no Fundo do Poço”




Uma boa parte dos fundadores ou dos mais antigos integrantes dos «Kiezos», agrupamento musical que marcou a época de ouro do semba angolano, está a viver miseravelmente, em face das grandes privações por que passa, diante do olhar silencioso dos responsáveis do ministério da Cultura, que tinham a obrigação de os ajudar a reaver a dignidade, pelo contributo inestimável dado ao desenvolvimento do sector.

O Tony do órgão, que agora anda de muletas, está feito um «menino de rua», recolhido numa carcaça de automóvel no Marçal, ao lado da casa do falecido Santo António, o «Diminhê», um boémio da banda, falecido recentemente. O Marito, o maior solista angolano de todos os tempos, está a passar por uma grave crise existencial, andando por aí feito um andrajoso, ainda que limpo. Com algum apoio, se calhar para uma desintoxicação e outras recuperações, ainda podemos tê-lo por aí de cabeça erguida. Ao contrário, não deverá resistir muito tempo. E depois é que virão os reconhecimentos oficiais e os choros hipócritas de puros crocodilos de quem não perde ocasiões destas para aparecer na ribalta. E lá se vão os «Kiezos».

(Fonte: Semanário Angolense)


(Rumba 70 - Kiezos)

"Ministério da Cultura Desrespeita os Criadores"


Marcela Costa, distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, é uma mulher empreendedora que tem surpreendido o mundo cultural angolano com as suas iniciativas arrojadas, apesar das poucas receitas que tem. Proprietária da galeria Celamar, afirmou que a sua casa de cultura não tem merecido o devido reconhecimento das entidades nacionais. "O nosso projecto ainda não é valorizado, pois nunca recebemos algum valor que possibilite levar a cabo um programa anual".

Revelou que recentemente a sua galeria recebeu o equivalente a cinco mil dólares norte americanos para serem geridos em um ano, um montante insuficiente para fazer face aos projectos que tem. Fruto da forma como o seu projecto é tratado e tendo em conta a sua experiência no ramo afirmou que a verba atribuída configura um desrespeito por parte do Ministério da Cultura, sobretudo em relação a sua galeria. A responsável chamou atenção ao Ministério da Cultura, com realce para o sector de Acção Cultural, para que quando o Governo estiver a distribuir as verbas não confundir Marcela Costa com a galeria Celamar.

As bolsas de formação para os criadores não chegam ao seu destino, uma situação que também preocupa a artista, que, entretanto, não dá costas a luta, continuando a manter o intercâmbio com algumas organizações internacionais. A sua postura levou a que conseguisse trazer um grupo de formadores suecos que ministraram um curso aos criadores nacionais. A acção formativa trouxe grande experiência aos meninos que vivem em alguns lares, uma vez que tiveram a singular oportunidade de aprender novas técnicas de trabalho em artes plásticas, assim como com fotografia.

Dentre as suas vitórias consta ainda uma exposição de obras de artes plásticas, de criadoras nacionais e estrangeiras, patente na galeria Celamar, em Luanda, em alusão ao mês de Março, dedicado a mulher e enquadrado no projecto "Arte Mulher". Segundo Marcela Costa o projecto caminha na sua 4ª edição e tem como objectivo unir todas criadoras culturais, num projecto que engloba a pintura e a moda. Das obras realçam-se fotografias tiradas com máquinas feitas a base de latas de leite. As obras falam do quotidiano, de cultura e da problemática ambiental. Dentre os participantes contam-se angolanos, sul-africanos, venezuelanos, noruegueses, britânicos e suecos.

Apesar da ampla participação, Marcela Costa lamenta o facto de não contar com obras de países africanos de expressão portuguesa. "Tratando-se de um evento realizado em África, devia ser dominado por africanos", disse. Ainda assim, a mentora da exposição garante que os seus esforços visam enaltecer o talento feminino, levando em conta trabalhos de artistas consagradas na arte do belo, da poesia e da moda. As jovens e adolescentes da Associação de Apoio à Criança Abandonada (AACA) participam igualmente mostrando a sua criatividade no concernente a dança, batuque e canto, referiu.

(Fonte: Jornal Angolense)

“Marito no Fundo do Poço”




Uma boa parte dos fundadores ou dos mais antigos integrantes dos «Kiezos», agrupamento musical que marcou a época de ouro do semba angolano, está a viver miseravelmente, em face das grandes privações por que passa, diante do olhar silencioso dos responsáveis do ministério da Cultura, que tinham a obrigação de os ajudar a reaver a dignidade, pelo contributo inestimável dado ao desenvolvimento do sector.

O Tony do órgão, que agora anda de muletas, está feito um «menino de rua», recolhido numa carcaça de automóvel no Marçal, ao lado da casa do falecido Santo António, o «Diminhê», um boémio da banda, falecido recentemente. O Marito, o maior solista angolano de todos os tempos, está a passar por uma grave crise existencial, andando por aí feito um andrajoso, ainda que limpo. Com algum apoio, se calhar para uma desintoxicação e outras recuperações, ainda podemos tê-lo por aí de cabeça erguida. Ao contrário, não deverá resistir muito tempo. E depois é que virão os reconhecimentos oficiais e os choros hipócritas de puros crocodilos de quem não perde ocasiões destas para aparecer na ribalta. E lá se vão os «Kiezos».

(Fonte: Semanário Angolense)


(Rumba 70 - Kiezos)

"Ministério da Cultura Desrespeita os Criadores"


Marcela Costa, distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, é uma mulher empreendedora que tem surpreendido o mundo cultural angolano com as suas iniciativas arrojadas, apesar das poucas receitas que tem. Proprietária da galeria Celamar, afirmou que a sua casa de cultura não tem merecido o devido reconhecimento das entidades nacionais. "O nosso projecto ainda não é valorizado, pois nunca recebemos algum valor que possibilite levar a cabo um programa anual".

Revelou que recentemente a sua galeria recebeu o equivalente a cinco mil dólares norte americanos para serem geridos em um ano, um montante insuficiente para fazer face aos projectos que tem. Fruto da forma como o seu projecto é tratado e tendo em conta a sua experiência no ramo afirmou que a verba atribuída configura um desrespeito por parte do Ministério da Cultura, sobretudo em relação a sua galeria. A responsável chamou atenção ao Ministério da Cultura, com realce para o sector de Acção Cultural, para que quando o Governo estiver a distribuir as verbas não confundir Marcela Costa com a galeria Celamar.

As bolsas de formação para os criadores não chegam ao seu destino, uma situação que também preocupa a artista, que, entretanto, não dá costas a luta, continuando a manter o intercâmbio com algumas organizações internacionais. A sua postura levou a que conseguisse trazer um grupo de formadores suecos que ministraram um curso aos criadores nacionais. A acção formativa trouxe grande experiência aos meninos que vivem em alguns lares, uma vez que tiveram a singular oportunidade de aprender novas técnicas de trabalho em artes plásticas, assim como com fotografia.

Dentre as suas vitórias consta ainda uma exposição de obras de artes plásticas, de criadoras nacionais e estrangeiras, patente na galeria Celamar, em Luanda, em alusão ao mês de Março, dedicado a mulher e enquadrado no projecto "Arte Mulher". Segundo Marcela Costa o projecto caminha na sua 4ª edição e tem como objectivo unir todas criadoras culturais, num projecto que engloba a pintura e a moda. Das obras realçam-se fotografias tiradas com máquinas feitas a base de latas de leite. As obras falam do quotidiano, de cultura e da problemática ambiental. Dentre os participantes contam-se angolanos, sul-africanos, venezuelanos, noruegueses, britânicos e suecos.

Apesar da ampla participação, Marcela Costa lamenta o facto de não contar com obras de países africanos de expressão portuguesa. "Tratando-se de um evento realizado em África, devia ser dominado por africanos", disse. Ainda assim, a mentora da exposição garante que os seus esforços visam enaltecer o talento feminino, levando em conta trabalhos de artistas consagradas na arte do belo, da poesia e da moda. As jovens e adolescentes da Associação de Apoio à Criança Abandonada (AACA) participam igualmente mostrando a sua criatividade no concernente a dança, batuque e canto, referiu.

(Fonte: Jornal Angolense)

Tuesday, 13 March 2007

MY DEBUT @ AFRICANPATH'S GUEST BLOGGER SERIES


I've gladly decided to oblige to a kind invitation by Joshua Wanyama, AfricanPath's Editor, to participate in his site as Guest Blogger. So, from now on, once in a while I will be "outblogging" there. My first post went up today and is entitled "Are We All Losing The Plot?". It can be accessed and commented both at AfricanPath and Here.


N.B.: I decided to bring back this post to the front page because it just received a most welcome and thought-provoking comment by Connie Hilliard - Professor of African History at the University of North Texas, USA.


I've gladly decided to oblige to a kind invitation by Joshua Wanyama, AfricanPath's Editor, to participate in his site as Guest Blogger. So, from now on, once in a while I will be "outblogging" there. My first post went up today and is entitled "Are We All Losing The Plot?". It can be accessed and commented both at AfricanPath and Here.


N.B.: I decided to bring back this post to the front page because it just received a most welcome and thought-provoking comment by Connie Hilliard - Professor of African History at the University of North Texas, USA.

Sunday, 4 March 2007

LUANDA: SOBRE AS RAZOES DO ESTADO DAS COISAS

UMA CENA TRISTE

Por José Kaliengue

(Originalmente publicado no Semanário Angolense - Luanda)


Regra geral, a classe média-alta ou alta angolana (há pessoas com dinheiro que as colocaria nesta posição em alguns paí­ses, mas em Angola este não é o único indicador possí­vel para assim classificar estas pessoas parcas em educação, bons hábitos, etc), é tida nos meios africanos que conheço, como uma entidade meio indefinida, em termos culturais. Explico-me:
Os angolanos são africanos quando interessa e desprezam esta condição na maior parte das vezes. Não sei até que ponto este pensamento está coberto de razão, mas há dias vi-me perante uma cena que me fez pensar um pouco sobre o assunto, fundamentalmente nos propalados respeito pelos mais velhos e solidariedade entre as pessoas. Andava eu, num dia de Domingo, entretido a olhar, já com alguma nostalgia, para as fachadas coloniais da zona baixa de Luanda, lá para os lados dos Coqueiros (não me parece que haja vontade de as poupar das máquinas e dos modernos prédios que pretendem fazer nascer do chão), quando dei com uma cena que me deixou profundamente entristecido e revoltado.

Um velhote chorava lágrimas soltas ante a indiferença dos transeuntes e dos muitos guardas das muitas lojas e instituições nas imediações. Ao aproximar-me vi que o velho tinha as calças molhadas. O pobre do velho havia pedido nas poucas lojas e bares abertos para que o deixassem usar as suas casas de banho, mas todos recusaram. O velho aguentou o máximo que pôde, resistiu ao máximo á ideia de encostar-se a uma parede ou a um qualquer carro, em pleno dia, em plena cidade, mas quando ia a ceder, já era tarde. Era Domingo. Eram onze horas e mais alguns minutos. O velho morava longe e estava, naquela zona, muito perto da casa da filha onde pretendia visitar os netos. Entendi as razões de tão amargurado choro. Os guardas explicaram-me que corriam o risco de perder os seus empregos se tivessem aberto as portas ao velhote, aliás, alguns nem sequer tinham as chaves dos estabelecimentos. Se se vissem aflitos também teriam que se desenrascar. No restaurante mais próximo o gerente disse-me que só pode usar o WC quem consome no estabelecimento, e isso quando há água.

De facto, na falta de casas de banho públicas, os estabelecimentos comerciais poderiam prestar esse serviço público, nem que para tal tivessem que negociar uma qualquer contrapartida com o estado. A falta de casas de banho públicas, em Luanda, tem levado a cenas muito pouco dignificantes para a pessoa e para a cidade. Se era frequente, há um ou dois anos, ver pessoas a aliviar-se em plena rua, encostadas aos muros ou entre automóveis estacionados, meio envergonhadas, meio escondidas, agora o descaramento é total. Rapazes e homens fazem chichi virados para a estrada num incompreensí­vel acto de exibição. E isto pode acontecer em qualquer parte da cidade, a qualquer hora e independentemente de estarem a passar senhoras ou crianças. O abandono dos valores mais elementares na sociedade angolana, é um assunto que merece muito mais debate. Não bastam as campanhas para a promoção do civismo nas rádios e na televisão e os esforços das igrejas. É urgente encontrar formas de juntar todos estes esforços e torná-lo numa acção que envolva toda a sociedade, com destaque para as crianças.

A degradação das regras de boa conduta e dos valores morais estão na base de fenômenos como a corrupção e as catorzinhas. Está também na base da atitude ambí­gua que os angolanos assumem em relação ao seu posicionamento cultural; usam roupas das marcas mais caras, alojam-se nos melhores hotéis, compram conhaque e whisky caros e nessas alturas procuram imitar os europeus, mas quando confrontados com a ignorância que sobressai da forma e dos momentos como se devem consumir os tais produtos, a resposta é: “não liga mano, nos somos africanos”. Vale tudo. É esta a regra de quem tem dinheiro em Angola, mas é um vale tudo em que o “poder” deve ser evidenciado e a “pequenez” de quem precisa lembrada. O velhote que encontrei a chorar na rua, com as calças molhadas, tinha acabado de experimentar a sua pequenez perante gerentes e donos de bar a quem importava apenas as pessoas que lhes pudessem colocar mais alguns trocos nos bolsos. Ele não passava de um velho, mesmo aflito. Alguêm explique onde ficam o respeito pelos mais velhos e a solidariedade por quem mais precisa.

(Foto daqui)
UMA CENA TRISTE

Por José Kaliengue

(Originalmente publicado no Semanário Angolense - Luanda)


Regra geral, a classe média-alta ou alta angolana (há pessoas com dinheiro que as colocaria nesta posição em alguns paí­ses, mas em Angola este não é o único indicador possí­vel para assim classificar estas pessoas parcas em educação, bons hábitos, etc), é tida nos meios africanos que conheço, como uma entidade meio indefinida, em termos culturais. Explico-me:
Os angolanos são africanos quando interessa e desprezam esta condição na maior parte das vezes. Não sei até que ponto este pensamento está coberto de razão, mas há dias vi-me perante uma cena que me fez pensar um pouco sobre o assunto, fundamentalmente nos propalados respeito pelos mais velhos e solidariedade entre as pessoas. Andava eu, num dia de Domingo, entretido a olhar, já com alguma nostalgia, para as fachadas coloniais da zona baixa de Luanda, lá para os lados dos Coqueiros (não me parece que haja vontade de as poupar das máquinas e dos modernos prédios que pretendem fazer nascer do chão), quando dei com uma cena que me deixou profundamente entristecido e revoltado.

Um velhote chorava lágrimas soltas ante a indiferença dos transeuntes e dos muitos guardas das muitas lojas e instituições nas imediações. Ao aproximar-me vi que o velho tinha as calças molhadas. O pobre do velho havia pedido nas poucas lojas e bares abertos para que o deixassem usar as suas casas de banho, mas todos recusaram. O velho aguentou o máximo que pôde, resistiu ao máximo á ideia de encostar-se a uma parede ou a um qualquer carro, em pleno dia, em plena cidade, mas quando ia a ceder, já era tarde. Era Domingo. Eram onze horas e mais alguns minutos. O velho morava longe e estava, naquela zona, muito perto da casa da filha onde pretendia visitar os netos. Entendi as razões de tão amargurado choro. Os guardas explicaram-me que corriam o risco de perder os seus empregos se tivessem aberto as portas ao velhote, aliás, alguns nem sequer tinham as chaves dos estabelecimentos. Se se vissem aflitos também teriam que se desenrascar. No restaurante mais próximo o gerente disse-me que só pode usar o WC quem consome no estabelecimento, e isso quando há água.

De facto, na falta de casas de banho públicas, os estabelecimentos comerciais poderiam prestar esse serviço público, nem que para tal tivessem que negociar uma qualquer contrapartida com o estado. A falta de casas de banho públicas, em Luanda, tem levado a cenas muito pouco dignificantes para a pessoa e para a cidade. Se era frequente, há um ou dois anos, ver pessoas a aliviar-se em plena rua, encostadas aos muros ou entre automóveis estacionados, meio envergonhadas, meio escondidas, agora o descaramento é total. Rapazes e homens fazem chichi virados para a estrada num incompreensí­vel acto de exibição. E isto pode acontecer em qualquer parte da cidade, a qualquer hora e independentemente de estarem a passar senhoras ou crianças. O abandono dos valores mais elementares na sociedade angolana, é um assunto que merece muito mais debate. Não bastam as campanhas para a promoção do civismo nas rádios e na televisão e os esforços das igrejas. É urgente encontrar formas de juntar todos estes esforços e torná-lo numa acção que envolva toda a sociedade, com destaque para as crianças.

A degradação das regras de boa conduta e dos valores morais estão na base de fenômenos como a corrupção e as catorzinhas. Está também na base da atitude ambí­gua que os angolanos assumem em relação ao seu posicionamento cultural; usam roupas das marcas mais caras, alojam-se nos melhores hotéis, compram conhaque e whisky caros e nessas alturas procuram imitar os europeus, mas quando confrontados com a ignorância que sobressai da forma e dos momentos como se devem consumir os tais produtos, a resposta é: “não liga mano, nos somos africanos”. Vale tudo. É esta a regra de quem tem dinheiro em Angola, mas é um vale tudo em que o “poder” deve ser evidenciado e a “pequenez” de quem precisa lembrada. O velhote que encontrei a chorar na rua, com as calças molhadas, tinha acabado de experimentar a sua pequenez perante gerentes e donos de bar a quem importava apenas as pessoas que lhes pudessem colocar mais alguns trocos nos bolsos. Ele não passava de um velho, mesmo aflito. Alguêm explique onde ficam o respeito pelos mais velhos e a solidariedade por quem mais precisa.

(Foto daqui)

Monday, 12 February 2007

AS RELAÇÕES ÉTNICAS EM ANGOLA: AS MINORIAS BRANCA E MESTIÇA (1961-1992)

Por Prof. Dr. Silvio de Almeida Carvalho Filho

A sociedade angolana às vésperas da independência era pluriétnica e dividida, a grosso modo, nas seguintes camadas: brancos privilegiados, colonos brancos pobres, mestiços, negros assimilados e a maioria de negros não assimilados, os chamados "indígenas". O projeto nacional angolano teria de se defrontar com a questão do racismo, fator desintegrador da coesão social em torno de objetivos nacionais básicos. A própria política de assimilação, pretendendo negar o racismo, ao afirmar que a cultura portuguesa encontrava-se potencialmente aberta a todo africano, na verdade, reafirma-o, já que colocava, a priori, todo branco como "civilizado", utilizando critérios de raça para isso. O nacionalismo angolano, em geral, definiu o racismo em sua terra como um fruto do colonialismo, que estabelecera relações interétnicas assimétricas de dominação e subordinação. Estas foram reforçadas inicialmente para justificar a importância da escravidão e do "contrato" na economia desta colônia e, depois, para explicar a vitória de grande parte dos colonos brancos sobre os negros e mestiços na competição pelo emprego como trabalhadores especializados, comerciantes e funcionários subalternos. Sendo o racismo, para vários colonos, a única forma de manter uma posição social superior, as questões que envolviam a "raça" tornavam-se delicadas: a própria palavra era "perigosa".
(…)
A doutrina do luso-tropicalismo foi constantemente questionada pelos intelectuais angolanos, já que negava as diferenciações que na prática existiam entre os negros e portugueses. Esta doutrina, cujo principal teórico era o sociólogo brasileiro Gilberto Freire, a partir da década de 1950, afirmara que a missão portuguesa na África seria criar a fusão racial e difundir o cristianismo, produzindo uma nova e homogênea civilização como a do Brasil. Os "civilizados" negros e mestiços nas colônias eram a prova de que o colonialismo português pautava-se de acordo com os princípios postulados pelo luso-tropicalismo. Estava a se criar, portanto, uma comunidade panlusitana unificada pela cultura portuguesa e pela ausência de racismo, estando o colonialismo português justificado, já que não implantara a desigualdade racial. Este tipo de doutrinação já era propagandeada pelas autoridades portuguesas no território angolano, mormente na escola, já na década de 1930, antes mesmo da constituição da doutrina luso-tropicalista por Freire. Os escritores angolanos protestavam contra a falsidade da doutrina luso-tropicalista ao desmistificarem a obra civilizadora de Portugal descrevendo a realidade racista, desumana e espoliadora de seu colonialismo neste continente. Afinal, não se poderia esquecer que, apesar das autoridades coloniais afirmarem a igualdade dos povos sob a soberania portuguesa, havia na prática limites racistas impostos aos negros pelos colonos e oficiais portugueses. Esta contestação não se deu apenas indiretamente através do texto literário, mas também através de artigos que, do exterior, condenavam esta doutrina. Entre estes, podemos citar os que Mário Coelho Pinto de Andrade escreveu em França sob o pseudônimo de Buanga Fele.
(…)
Apesar de sentir menores restrições que o negro, o mulato também sofria, por parte do branco, discriminações que aumentavam a sua gradação quanto mais escura fosse a sua pele. O racismo para com o mulato transparecia até no cuidado meticuloso com o qual a sociedade colonial classificava os mestiços, diferenciando, por exemplo, o filho de um mulato e de um branco classificando-o como "cabrito". … As famílias brancas, ainda no início da década de 1960, podiam não ver com muito agrado a presença de um mulato entre os seus, sentindo-se incomodadas por seus filhos casarem com mulatos, mesmo que esses fossem seus afilhados. Portanto, o branco poderia ter atitudes paternalistas em relação aos mulatos, mas não via com bons olhos misturar-se. O nacionalismo angolano vingava-se dos portugueses que afirmavam a sua superioridade pela clareza de sua pele, lembrando a origem mulata do Marquês de Pombal, figura histórica de maior relevo em Portugal. Descendente da negra Marta Fernandes da Guiné Portuguesa, o Marquês, um grande herói lusitano, não era de "raça pura", como muitos portugueses, pois tinha um "pé na África"... A mãe negra tornava-se pai e mãe, porque o branco freqüentemente não apenas a abandonava, como não lhe reconhecia, às vezes, o filho. Este desprezo gerava um ressentimento e uma marginalização destes "mulatos descalços", pobres por abandono paterno.
(…)
Os portugueses alimentaram divergências entre mestiços e negros. A existência de grande número de mulatos na militância e cúpula do MPLA - os "crioulos marxistas" - sempre lhe trouxe problemas junto a determinados grupos de negros. A liderança mulata, no processo da luta de libertação, muitas vezes pareceu sentir dificuldades em chefiar uma maioria negra que a rejeitava, tal como, em meados da década de 1960, quando os quimbundos do norte protestaram contra esta forte presença mestiça no movimento. Também a UNITA opunha-se publicamente ao MPLA, não por sua grande base étnica ambundo, mas pela forte influência sócio-cultural mestiça em sua cúpula. Observe-se aí que a discriminação apresentada, mais que meramente de caráter epitelial, configura-se como cultural. A questão não é ter cor mulata, mas "cultura de mulato"…. O nacionalismo dos literatos não caberia bem dentro da exaltação da raça negra, já que negavam o critério racial excludente como definidor da nova nação. É oportuno lembrar que a maioria dos escritores de renome, no momento, eram brancos ou mulatos... Não lhes interessava, como minoria da população e por sua formação político-social, envergar a bandeira de uma nação organizada a partir de critérios raciais.
(…)
Todavia, com a independência, as questões do racismo persistiram. Seria imputado aos nitistas, em sua revolta de 1977, o combate ao número desproporcional de brancos e mestiços na direção do MPLA e na da administração estatal, contrariando a política de igualdade racial do MPLA. Os nitistas representariam, segundo alguns, o ressentimento dos negros pobres dos musseques luandenses contra o papel dos brancos e mestiços na cúpula governamental. Entretanto, para nós não está claro de que houvesse propriamente uma discriminação racial por parte dos nitistas contra os brancos e mestiços da cúpula governamental. Parece-nos que, por detrás do conteúdo epitelial, haveria uma crítica sobre o aburguesamento desta cúpula, em grande parte branca e mestiça, relacionando-se, assim, elitismo ou aburguesamento com a maior clareza da pele. Enquanto uma certa historiografia sobre o movimento nitista assume a denúncia de seus opositores de que ele era um movimento também de cunho racista, os versos de Alves, seu líder, nunca qualificaram como inatamente racial a exploração.
(…)
Como vemos, por esse nosso breve relato, o racismo, por parte de parcela dos negros angolanos, contra brancos e mulatos, nasce em resposta à opressão colonialista e racista que durante séculos aqueles sofreram, persistindo na história angolana até os dias atuais.

(Ler texto integral aqui.)
Por Prof. Dr. Silvio de Almeida Carvalho Filho

A sociedade angolana às vésperas da independência era pluriétnica e dividida, a grosso modo, nas seguintes camadas: brancos privilegiados, colonos brancos pobres, mestiços, negros assimilados e a maioria de negros não assimilados, os chamados "indígenas". O projeto nacional angolano teria de se defrontar com a questão do racismo, fator desintegrador da coesão social em torno de objetivos nacionais básicos. A própria política de assimilação, pretendendo negar o racismo, ao afirmar que a cultura portuguesa encontrava-se potencialmente aberta a todo africano, na verdade, reafirma-o, já que colocava, a priori, todo branco como "civilizado", utilizando critérios de raça para isso. O nacionalismo angolano, em geral, definiu o racismo em sua terra como um fruto do colonialismo, que estabelecera relações interétnicas assimétricas de dominação e subordinação. Estas foram reforçadas inicialmente para justificar a importância da escravidão e do "contrato" na economia desta colônia e, depois, para explicar a vitória de grande parte dos colonos brancos sobre os negros e mestiços na competição pelo emprego como trabalhadores especializados, comerciantes e funcionários subalternos. Sendo o racismo, para vários colonos, a única forma de manter uma posição social superior, as questões que envolviam a "raça" tornavam-se delicadas: a própria palavra era "perigosa".
(…)
A doutrina do luso-tropicalismo foi constantemente questionada pelos intelectuais angolanos, já que negava as diferenciações que na prática existiam entre os negros e portugueses. Esta doutrina, cujo principal teórico era o sociólogo brasileiro Gilberto Freire, a partir da década de 1950, afirmara que a missão portuguesa na África seria criar a fusão racial e difundir o cristianismo, produzindo uma nova e homogênea civilização como a do Brasil. Os "civilizados" negros e mestiços nas colônias eram a prova de que o colonialismo português pautava-se de acordo com os princípios postulados pelo luso-tropicalismo. Estava a se criar, portanto, uma comunidade panlusitana unificada pela cultura portuguesa e pela ausência de racismo, estando o colonialismo português justificado, já que não implantara a desigualdade racial. Este tipo de doutrinação já era propagandeada pelas autoridades portuguesas no território angolano, mormente na escola, já na década de 1930, antes mesmo da constituição da doutrina luso-tropicalista por Freire. Os escritores angolanos protestavam contra a falsidade da doutrina luso-tropicalista ao desmistificarem a obra civilizadora de Portugal descrevendo a realidade racista, desumana e espoliadora de seu colonialismo neste continente. Afinal, não se poderia esquecer que, apesar das autoridades coloniais afirmarem a igualdade dos povos sob a soberania portuguesa, havia na prática limites racistas impostos aos negros pelos colonos e oficiais portugueses. Esta contestação não se deu apenas indiretamente através do texto literário, mas também através de artigos que, do exterior, condenavam esta doutrina. Entre estes, podemos citar os que Mário Coelho Pinto de Andrade escreveu em França sob o pseudônimo de Buanga Fele.
(…)
Apesar de sentir menores restrições que o negro, o mulato também sofria, por parte do branco, discriminações que aumentavam a sua gradação quanto mais escura fosse a sua pele. O racismo para com o mulato transparecia até no cuidado meticuloso com o qual a sociedade colonial classificava os mestiços, diferenciando, por exemplo, o filho de um mulato e de um branco classificando-o como "cabrito". … As famílias brancas, ainda no início da década de 1960, podiam não ver com muito agrado a presença de um mulato entre os seus, sentindo-se incomodadas por seus filhos casarem com mulatos, mesmo que esses fossem seus afilhados. Portanto, o branco poderia ter atitudes paternalistas em relação aos mulatos, mas não via com bons olhos misturar-se. O nacionalismo angolano vingava-se dos portugueses que afirmavam a sua superioridade pela clareza de sua pele, lembrando a origem mulata do Marquês de Pombal, figura histórica de maior relevo em Portugal. Descendente da negra Marta Fernandes da Guiné Portuguesa, o Marquês, um grande herói lusitano, não era de "raça pura", como muitos portugueses, pois tinha um "pé na África"... A mãe negra tornava-se pai e mãe, porque o branco freqüentemente não apenas a abandonava, como não lhe reconhecia, às vezes, o filho. Este desprezo gerava um ressentimento e uma marginalização destes "mulatos descalços", pobres por abandono paterno.
(…)
Os portugueses alimentaram divergências entre mestiços e negros. A existência de grande número de mulatos na militância e cúpula do MPLA - os "crioulos marxistas" - sempre lhe trouxe problemas junto a determinados grupos de negros. A liderança mulata, no processo da luta de libertação, muitas vezes pareceu sentir dificuldades em chefiar uma maioria negra que a rejeitava, tal como, em meados da década de 1960, quando os quimbundos do norte protestaram contra esta forte presença mestiça no movimento. Também a UNITA opunha-se publicamente ao MPLA, não por sua grande base étnica ambundo, mas pela forte influência sócio-cultural mestiça em sua cúpula. Observe-se aí que a discriminação apresentada, mais que meramente de caráter epitelial, configura-se como cultural. A questão não é ter cor mulata, mas "cultura de mulato"…. O nacionalismo dos literatos não caberia bem dentro da exaltação da raça negra, já que negavam o critério racial excludente como definidor da nova nação. É oportuno lembrar que a maioria dos escritores de renome, no momento, eram brancos ou mulatos... Não lhes interessava, como minoria da população e por sua formação político-social, envergar a bandeira de uma nação organizada a partir de critérios raciais.
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Todavia, com a independência, as questões do racismo persistiram. Seria imputado aos nitistas, em sua revolta de 1977, o combate ao número desproporcional de brancos e mestiços na direção do MPLA e na da administração estatal, contrariando a política de igualdade racial do MPLA. Os nitistas representariam, segundo alguns, o ressentimento dos negros pobres dos musseques luandenses contra o papel dos brancos e mestiços na cúpula governamental. Entretanto, para nós não está claro de que houvesse propriamente uma discriminação racial por parte dos nitistas contra os brancos e mestiços da cúpula governamental. Parece-nos que, por detrás do conteúdo epitelial, haveria uma crítica sobre o aburguesamento desta cúpula, em grande parte branca e mestiça, relacionando-se, assim, elitismo ou aburguesamento com a maior clareza da pele. Enquanto uma certa historiografia sobre o movimento nitista assume a denúncia de seus opositores de que ele era um movimento também de cunho racista, os versos de Alves, seu líder, nunca qualificaram como inatamente racial a exploração.
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Como vemos, por esse nosso breve relato, o racismo, por parte de parcela dos negros angolanos, contra brancos e mulatos, nasce em resposta à opressão colonialista e racista que durante séculos aqueles sofreram, persistindo na história angolana até os dias atuais.

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