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Thursday, 8 March 2012

ON INTERNATIONAL WOMEN'S DAY [*]



Poesia no Dia Internacional da Mulher



PRESENÇA AFRICANA (Alda Lara)
&
MEU AMOR DA RUA ONZE (Aires de Almeida Santos)

(Leia Aqui)



RESPECT (Aretha Franklin)


*[Postado inicialmente a 08/03/07]

Friday, 2 March 2012

NO "DIA DA MULHER ANGOLANA"... [R]*




Pela estrada desce a noite...
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvilias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...

Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo Mãe-Negra!

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta, bem calada.

É tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada

Alda Lara


( ... Ha' quem continue a "saber tudo" e quem continue a "nao saber nada"... a questao e': "quem e' quem e quem sabe o que sobre o que"...)


Ngongo ya Biluka (Lourdes Van Dunem)


(NB: a cancao da saudosa Lourdes Van Dunem que eu queria realmente colocar aqui era o Monami. Mas, como nao a tenho, podera' ouvi-la no Kurikutela)


(Foto daqui)




*[Postado inicialmente a 02/03/2007]

Post Relacionado:

Ainda Sobre o Dia da Mulher Angolana




Pela estrada desce a noite...
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvilias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...

Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo Mãe-Negra!

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta, bem calada.

É tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada

Alda Lara


( ... Ha' quem continue a "saber tudo" e quem continue a "nao saber nada"... a questao e': "quem e' quem e quem sabe o que sobre o que"...)


Ngongo ya Biluka (Lourdes Van Dunem)


(NB: a cancao da saudosa Lourdes Van Dunem que eu queria realmente colocar aqui era o Monami. Mas, como nao a tenho, podera' ouvi-la no Kurikutela)


(Foto daqui)




*[Postado inicialmente a 02/03/2007]

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Ainda Sobre o Dia da Mulher Angolana

Friday, 4 March 2011

CARNAVAL [R]



Despir o nú
e agasalhar o mal vestido,
como quem quer a coisa
e nunca se espanta,
senão à despedida.




Resta um canto suave
e um prazer imedido
na exorcisão das teias
do armário

qualquer ovo que se machuca
entre os dedos
e se espalha lentamente
pelo corpo, auspiciosamente,
entre a calma do ócio
e o desprezo da revolta,
um sorriso e
talvez um aperto de mãos.
De costas. Para dar mais prazer.




E um vento que sopra
rasteiro, sibilino
uma tempestade
que nunca desabará
e o choque. Carnaval.


[A.S. in S.O.S.]




[Postado inicialmente a 19/02/07]



Despir o nú
e agasalhar o mal vestido,
como quem quer a coisa
e nunca se espanta,
senão à despedida.




Resta um canto suave
e um prazer imedido
na exorcisão das teias
do armário

qualquer ovo que se machuca
entre os dedos
e se espalha lentamente
pelo corpo, auspiciosamente,
entre a calma do ócio
e o desprezo da revolta,
um sorriso e
talvez um aperto de mãos.
De costas. Para dar mais prazer.




E um vento que sopra
rasteiro, sibilino
uma tempestade
que nunca desabará
e o choque. Carnaval.


[A.S. in S.O.S.]




[Postado inicialmente a 19/02/07]

Tuesday, 11 January 2011

Sobre a Inveja e o Ódio (R)*



A INVEJA E O ÓDIO SEGUNDO SÃO TOMÁS DE AQUINO
A inveja (junto com a avareza) é um dos vícios capitais mais detestáveis. A inveja, in-vidia, invidentia, é não-ver, não querer ver o bem do outro.


AS METÁFORAS DA INVEJA

A inveja é podridão

1. A propósito de Prov 14, 30: "A inveja é a podridão dos ossos", comenta Gregório (Mor. 6, 7): "Pelo vício da inveja, desfazem-se aos olhos de Deus os bons atos das virtudes". (Malo, 10, 2 sc 1) "Sed contra. Est quod Gregorius dicit exponens id quod habetur Prov. XIV, 30: putredo ossium invidia. Per livoris (inquit) vitium ante dei oculos pereunt bene acta virtutum."

Roer-se de inveja

2. A inveja é comparada à traça, que rói ocultamente as vestes, pois dilacera o amor e, por isso, desfaz a unidade. (Cat. Aur. in Matt 6, 14) "Allegorice autem... tinea, quae vestes latenter rodit, invidia est, quae bonum studium lacerat, et per hoc compactionem unitatis dissipat."
3. Roído pela inveja (Super Ev Mt cp 6 lc 5) "Per invidiam corroduntur."

A inveja é tortuosa, como a cobra. A inveja é sombria e tenebrosa

4. Distorcer é entortar o que era reto. Daí que por cobra tortuosa se entendam aquelas criaturas cuja beleza se obscureceu pelo pecado e distorceram sua retidão, principalmente o diabo, por quem a inveja entrou no mundo. De sua tenebrosidade fala Jó : "Dorme em sombras; esconde-se entre as canas". (In II Sent.) "Distortum enim est quod rectitudine obliquatur. Et ideo per hunc colubrum tortuosum creaturae illae intelligi possunt quarum pulchritudo est per peccatum obscurata et rectitudo obliquata, et praecipue diabolum, cujus invidia mors intravit in orbem terrarum, Sap. 3, et de umbrositate ejus dicitur Job 40, 16: sub umbra dormit in secreto."

O fedor da inveja

5. Mas para outros é na verdade odor da morte que leva à morte, isto é, da inveja e maldade que ocasionalmente os conduzem (os invejosos) à morte eterna... "Sed aliis quidem est odor mortis in mortem, id est, invidiae et malitiae occasionaliter ducentis eos in mortem aeternam, illis scilicet qui invidebant... "


O espinho da inveja

6. Outros, porém, espicaçados pelo espinho da inveja... (Catena Aurea in Lucam cp 11 lc 4) "Alii vero paribus stimulati livoris aculeis."
7. Movidos pelo espinho da inveja. (Catena Aurea in Lc cp 7 lc 3) "Invidia stimulante... "


A inveja morde

8. Alguns estavam mordidos de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 20 lc 1) "Hoc ut ostendat aliquos esse invidia morsos..."


A inveja é cega

9. Atingidos pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 1) "Sed invidia caecatos scribas et pharisaeos..."

10. Porque estavam completamente dominados pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 27 lc 4) "Quia eos omnino invidia excaecaverat"


A inveja queima

11. Torturados de inveja, queimados de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 4) "...Invidia torquebantur. itaque non sufferentes in pectore suo invidiae stimulantis ardorem..."
12. A febre da inveja. (Super Ev Mt cp 8 lc 3) "Haec febricitabat, scilicet synagoga, febre scilicet invidiae."


A inveja envenena

13. O veneno da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 22 lc 5) "Ex hoc autem intelligimus venena invidiae superari posse, sed difficile quiescere."

O arroto da inveja

14. O arroto da inveja. (Sermones 2, ps 3) "Difficile est quod cor plenum invidia non eructet quandoque aliquid ex illo, quia ex abundantia cordis os loquitur."

A inveja avinagra

15. A inveja é representada pelo vinagre. (Super Ev. Io. cp 19, lc 5) "Mystice autem per haec tria signantur tria mala quae in iudaeis erant: scilicet invidia per acetum etc."

A inveja dói

16. Há certos pecados que são dores, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 1, 5)"Sed quaedam peccata sunt dolores, sicut invidia et accidia."

Outros aspectos da inveja

17. Vejo, mas não invejo... (Catena Aurea in Io. cp9 lc 4) "Video, sed non invideo." (trocadilho de Santo Agostinho)

18. Não há nada mais vil do que a inveja. (Catena Aurea in Io. cp 4 lc 9) "Nihil enim livore et invidia deterius."

19. Freqüentemente os soberbos julgam os outros superiores em muitas coisas, sem no entanto deixarem de se considerar mais dignos delas, por causa dos bens em que os outros parecem superá-los, da própria soberba nasce um zelo de inveja. (In II Sent. d 21 q 2 a 1 r 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant, qui tamen multa sibi magis digna esse cogitant, propter alia bona in quibus alios excedere videntur: et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur."

20. (O ódio pode surgir também...) quando alguém por semelhança impede a fruição da realidade amada por alguém que a ama. E isto se dá em todas as coisas que não podem ser simultaneamente possuídas por vários, como é o caso das coisas materiais. Daí que quem ama o proveito ou o prazer de algo, impeça a fruição desse algo por outro que, tal como ele, quer se apropriar daquilo. Daí o ciúme, que não suporta participação no amado, e a inveja, que pensa que o bem do outro é obstáculo para seu próprio bem. (In II Sent. d 27, q 1, a 1, ad 3) "Secundo quando aliquis ex ipsa similitudine impedit amantem ab amati fruitione; et hoc invenitur in omnibus rebus quae non possunt simul a multis haberi, sicut sunt res temporales; unde qui amat lucrum de aliqua re, vel delectationem, impeditur a fruitione sui amati per alium, qui sibi vult similiter illud appropriare; et hinc oritur zelotypia, quae non patitur consortium in amato; et invidia, inquantum bonum alterius aestimatur impeditivum boni proprii."

21. Há certos pecados que se cometem por tristeza, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 2, 1) "Sed quaedam peccata per tristitiam committuntur, sicut acidia et invidia."

22. (Nos condenados do inferno) Agiganta-se o ódio e a inveja, porque preferem ser mais torturados com muitos do que menos torturados sozinhos. (In IV Sent. d 50, q 2, a 1, ad3) " (...) Superexcrescet odium et invidia, quod eligerent torqueri magis cum multis quam minus soli."

23. Só a soberba e a inveja são pecados puramente espirituais, portanto do âmbito possível dos demônios. (I, 63, 2 ad 2) "Sola superbia et invidia sunt pure spiritualia peccata, quae daemonibus competere possunt."

24. Como a inveja se sente da glória de outrem enquanto ela diminui a glória desejada, apenas sentimos inveja daqueles a quem pretendemos igualar-nos ou a quem, em glória, nos preferimos; o que não se verifica quanto aos que estão de nós muito distantes. Com efeito, ninguém a não ser um louco, se empenha em se igualar ou superar em glória os que são muito maiores: não só o rei não inveja o plebeu; também o plebeu não inveja o rei. E, assim, um homem não inveja os que estão muito longe por lugar, tempo ou prestígio; mas os que estão perto - esses são os que incomodam - e aos quais ele quer se igualar ou superar. (II-II, 36, 1, ad 2) "Quia invidia est de gloria alterius inquantum diminuit gloriam quam quis appetit, consequens est ut ad illos tantum invidia habeatur quibus homo vult se aequare vel praeferre in gloria. Hoc autem non est respectu multum a se distantium, nullus enim, nisi insanus, studet se aequare vel praeferre in gloria his qui sunt multo eo maiores, puta plebeius homo regi; vel etiam rex plebeio, quem multum excedit. Et ideo his qui multum distant vel loco vel tempore vel statu homo non invidet, sed his qui sunt propinqui, quibus se nititur aequare vel praeferre."

25. Ninguém inveja o que é possuído comumente por muitos: ninguém inveja, por exemplo, que outro possa conhecer a verdade, o que é possível para todos, mas talvez a excelência desse conhecimento. (I-II, 28, 4 ad 2) "Non autem proprie ex his quae integre possunt a multis possideri, nullus enim invidet alteri de cognitione veritatis, quae a multis integre cognosci potest; sed forte de excellentia circa cognitionem huius."

26. É freqüente que homens que exercem o mesmo ofício se comportem insidiosa e invejosamente entre si. É como diz o provérbio: "oleiro inveja oleiro" e não carpinteiro. (Super Ev. Io cp 3, lc 4) "Nam communiter videmus hic, homines eiusdem artis insidiose et invide se habere ad invicem. Figulus figulo invidet, non autem fabro."

27. Como os soberbos freqüentemente julgam os outros superiores a si em muitas coisas (...) da própria soberba nasce a inveja (In II Sent. d 21, q 2, a 1, ad 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant (...) et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur. "

28. Pois diz Gregório: "Quando a podridão da inveja corrompe o coração já vencido, os próprios sinais exteriores indicam quão gravemente o desvario instiga o ânimo: o rosto empalidece, os olhos se abatem, a mente se inflama, os membros esfriam, a imaginação se enraivece e os dentes rangem". (II-II, 36 , 2, 4) "Dicit enim Gregorius, V Moral., cum devictum cor livoris putredo corruperit, ipsa quoque exteriora indicant quam graviter animum vesania instigat, color quippe pallore afficitur, oculi deprimuntur, mens accenditur, membra frigescunt, fit in cogitatione rabies, in dentibus stridor."

29. Há pecados que se cometem não para ganhar algo, mas só para destruir, como é o caso do homicídio, da inveja e outros que tais (In II Sent. d 35, q. 1, a5 ex). "Aliquod enim peccatum est quod est ad corrumpendum, et non ad aliquid acquirendum, ut patet in homicidio et invidia, et hujusmodi. "

30. Da inveja nasce o ódio (II-II, 34, 6, c) "Ex invidia oritur odium."

31. A ira pode ser boa ou má; ao contrário da inveja, que basta nomeá-la, e já soa como algo mau. (II-II, 158, 1 , c) "Et ideo invidia, mox nominata, sonat aliquid mali, ut Philosophus dicit, in II Ethic.. hoc autem non convenit irae, quae est appetitus vindictae, potest enim vindicta et bene et male appeti."

32. A inveja, em geral, procede da soberba. Com efeito, a tristeza pelo bem alheio dá-se no homem porque aparece como obstáculo à própria excelência. (De Malo 8, 1, ad 5) "Invidia, ut in pluribus, ex superbia oritur; propter hoc enim homo maxime tristatur de bono alterius, quia est propriae excellentiae impeditivum."

33. Os pusilânimes são propensos à inveja pois, como se diz no livro de Jó, a inveja mata os pequenos. E isto com razão, pois o medíocre acha que a prosperidade de outro impede a sua: o que é próprio de almas pequenas. (In Iob cp 5) "Quidam vero sunt pusillanimes et hi proni sunt ad invidiam, unde subdit et parvulum occidit invidia, et hoc rationabiliter dicitur: invidia enim nihil aliud est quam tristitia de prosperitate alicuius inquantum prosperitas illius aestimatur propriae prosperitatis impeditiva; hoc autem ad parvitatem animi pertinet."

34. Fugir dos olhos do invejoso, evitar que seu olhar caia sobre nossas acções. (Super Ev. Io. cp 5, lc 2) "Ut declinemus et fugiamus oculos invidorum ab omnibus operibus nostris."

35. A inveja como espírito de competição. (Super I Ad Cor. cp14 lc 1) "Et ex hoc consurgit aemulatio, quae est invidia."

36. Quem odeia, olha com olhos maus e invejosos a quem odeia (Catena Aurea in Mc cp 7 lc 2) "Nam qui odit, oculum malum et invidum habet ad eum quem odit."



*(First posted February 2007)


A INVEJA E O ÓDIO SEGUNDO SÃO TOMÁS DE AQUINO
A inveja (junto com a avareza) é um dos vícios capitais mais detestáveis. A inveja, in-vidia, invidentia, é não-ver, não querer ver o bem do outro.


AS METÁFORAS DA INVEJA

A inveja é podridão

1. A propósito de Prov 14, 30: "A inveja é a podridão dos ossos", comenta Gregório (Mor. 6, 7): "Pelo vício da inveja, desfazem-se aos olhos de Deus os bons atos das virtudes". (Malo, 10, 2 sc 1) "Sed contra. Est quod Gregorius dicit exponens id quod habetur Prov. XIV, 30: putredo ossium invidia. Per livoris (inquit) vitium ante dei oculos pereunt bene acta virtutum."

Roer-se de inveja

2. A inveja é comparada à traça, que rói ocultamente as vestes, pois dilacera o amor e, por isso, desfaz a unidade. (Cat. Aur. in Matt 6, 14) "Allegorice autem... tinea, quae vestes latenter rodit, invidia est, quae bonum studium lacerat, et per hoc compactionem unitatis dissipat."
3. Roído pela inveja (Super Ev Mt cp 6 lc 5) "Per invidiam corroduntur."

A inveja é tortuosa, como a cobra. A inveja é sombria e tenebrosa

4. Distorcer é entortar o que era reto. Daí que por cobra tortuosa se entendam aquelas criaturas cuja beleza se obscureceu pelo pecado e distorceram sua retidão, principalmente o diabo, por quem a inveja entrou no mundo. De sua tenebrosidade fala Jó : "Dorme em sombras; esconde-se entre as canas". (In II Sent.) "Distortum enim est quod rectitudine obliquatur. Et ideo per hunc colubrum tortuosum creaturae illae intelligi possunt quarum pulchritudo est per peccatum obscurata et rectitudo obliquata, et praecipue diabolum, cujus invidia mors intravit in orbem terrarum, Sap. 3, et de umbrositate ejus dicitur Job 40, 16: sub umbra dormit in secreto."

O fedor da inveja

5. Mas para outros é na verdade odor da morte que leva à morte, isto é, da inveja e maldade que ocasionalmente os conduzem (os invejosos) à morte eterna... "Sed aliis quidem est odor mortis in mortem, id est, invidiae et malitiae occasionaliter ducentis eos in mortem aeternam, illis scilicet qui invidebant... "


O espinho da inveja

6. Outros, porém, espicaçados pelo espinho da inveja... (Catena Aurea in Lucam cp 11 lc 4) "Alii vero paribus stimulati livoris aculeis."
7. Movidos pelo espinho da inveja. (Catena Aurea in Lc cp 7 lc 3) "Invidia stimulante... "


A inveja morde

8. Alguns estavam mordidos de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 20 lc 1) "Hoc ut ostendat aliquos esse invidia morsos..."


A inveja é cega

9. Atingidos pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 1) "Sed invidia caecatos scribas et pharisaeos..."

10. Porque estavam completamente dominados pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 27 lc 4) "Quia eos omnino invidia excaecaverat"


A inveja queima

11. Torturados de inveja, queimados de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 4) "...Invidia torquebantur. itaque non sufferentes in pectore suo invidiae stimulantis ardorem..."
12. A febre da inveja. (Super Ev Mt cp 8 lc 3) "Haec febricitabat, scilicet synagoga, febre scilicet invidiae."


A inveja envenena

13. O veneno da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 22 lc 5) "Ex hoc autem intelligimus venena invidiae superari posse, sed difficile quiescere."

O arroto da inveja

14. O arroto da inveja. (Sermones 2, ps 3) "Difficile est quod cor plenum invidia non eructet quandoque aliquid ex illo, quia ex abundantia cordis os loquitur."

A inveja avinagra

15. A inveja é representada pelo vinagre. (Super Ev. Io. cp 19, lc 5) "Mystice autem per haec tria signantur tria mala quae in iudaeis erant: scilicet invidia per acetum etc."

A inveja dói

16. Há certos pecados que são dores, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 1, 5)"Sed quaedam peccata sunt dolores, sicut invidia et accidia."

Outros aspectos da inveja

17. Vejo, mas não invejo... (Catena Aurea in Io. cp9 lc 4) "Video, sed non invideo." (trocadilho de Santo Agostinho)

18. Não há nada mais vil do que a inveja. (Catena Aurea in Io. cp 4 lc 9) "Nihil enim livore et invidia deterius."

19. Freqüentemente os soberbos julgam os outros superiores em muitas coisas, sem no entanto deixarem de se considerar mais dignos delas, por causa dos bens em que os outros parecem superá-los, da própria soberba nasce um zelo de inveja. (In II Sent. d 21 q 2 a 1 r 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant, qui tamen multa sibi magis digna esse cogitant, propter alia bona in quibus alios excedere videntur: et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur."

20. (O ódio pode surgir também...) quando alguém por semelhança impede a fruição da realidade amada por alguém que a ama. E isto se dá em todas as coisas que não podem ser simultaneamente possuídas por vários, como é o caso das coisas materiais. Daí que quem ama o proveito ou o prazer de algo, impeça a fruição desse algo por outro que, tal como ele, quer se apropriar daquilo. Daí o ciúme, que não suporta participação no amado, e a inveja, que pensa que o bem do outro é obstáculo para seu próprio bem. (In II Sent. d 27, q 1, a 1, ad 3) "Secundo quando aliquis ex ipsa similitudine impedit amantem ab amati fruitione; et hoc invenitur in omnibus rebus quae non possunt simul a multis haberi, sicut sunt res temporales; unde qui amat lucrum de aliqua re, vel delectationem, impeditur a fruitione sui amati per alium, qui sibi vult similiter illud appropriare; et hinc oritur zelotypia, quae non patitur consortium in amato; et invidia, inquantum bonum alterius aestimatur impeditivum boni proprii."

21. Há certos pecados que se cometem por tristeza, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 2, 1) "Sed quaedam peccata per tristitiam committuntur, sicut acidia et invidia."

22. (Nos condenados do inferno) Agiganta-se o ódio e a inveja, porque preferem ser mais torturados com muitos do que menos torturados sozinhos. (In IV Sent. d 50, q 2, a 1, ad3) " (...) Superexcrescet odium et invidia, quod eligerent torqueri magis cum multis quam minus soli."

23. Só a soberba e a inveja são pecados puramente espirituais, portanto do âmbito possível dos demônios. (I, 63, 2 ad 2) "Sola superbia et invidia sunt pure spiritualia peccata, quae daemonibus competere possunt."

24. Como a inveja se sente da glória de outrem enquanto ela diminui a glória desejada, apenas sentimos inveja daqueles a quem pretendemos igualar-nos ou a quem, em glória, nos preferimos; o que não se verifica quanto aos que estão de nós muito distantes. Com efeito, ninguém a não ser um louco, se empenha em se igualar ou superar em glória os que são muito maiores: não só o rei não inveja o plebeu; também o plebeu não inveja o rei. E, assim, um homem não inveja os que estão muito longe por lugar, tempo ou prestígio; mas os que estão perto - esses são os que incomodam - e aos quais ele quer se igualar ou superar. (II-II, 36, 1, ad 2) "Quia invidia est de gloria alterius inquantum diminuit gloriam quam quis appetit, consequens est ut ad illos tantum invidia habeatur quibus homo vult se aequare vel praeferre in gloria. Hoc autem non est respectu multum a se distantium, nullus enim, nisi insanus, studet se aequare vel praeferre in gloria his qui sunt multo eo maiores, puta plebeius homo regi; vel etiam rex plebeio, quem multum excedit. Et ideo his qui multum distant vel loco vel tempore vel statu homo non invidet, sed his qui sunt propinqui, quibus se nititur aequare vel praeferre."

25. Ninguém inveja o que é possuído comumente por muitos: ninguém inveja, por exemplo, que outro possa conhecer a verdade, o que é possível para todos, mas talvez a excelência desse conhecimento. (I-II, 28, 4 ad 2) "Non autem proprie ex his quae integre possunt a multis possideri, nullus enim invidet alteri de cognitione veritatis, quae a multis integre cognosci potest; sed forte de excellentia circa cognitionem huius."

26. É freqüente que homens que exercem o mesmo ofício se comportem insidiosa e invejosamente entre si. É como diz o provérbio: "oleiro inveja oleiro" e não carpinteiro. (Super Ev. Io cp 3, lc 4) "Nam communiter videmus hic, homines eiusdem artis insidiose et invide se habere ad invicem. Figulus figulo invidet, non autem fabro."

27. Como os soberbos freqüentemente julgam os outros superiores a si em muitas coisas (...) da própria soberba nasce a inveja (In II Sent. d 21, q 2, a 1, ad 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant (...) et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur. "

28. Pois diz Gregório: "Quando a podridão da inveja corrompe o coração já vencido, os próprios sinais exteriores indicam quão gravemente o desvario instiga o ânimo: o rosto empalidece, os olhos se abatem, a mente se inflama, os membros esfriam, a imaginação se enraivece e os dentes rangem". (II-II, 36 , 2, 4) "Dicit enim Gregorius, V Moral., cum devictum cor livoris putredo corruperit, ipsa quoque exteriora indicant quam graviter animum vesania instigat, color quippe pallore afficitur, oculi deprimuntur, mens accenditur, membra frigescunt, fit in cogitatione rabies, in dentibus stridor."

29. Há pecados que se cometem não para ganhar algo, mas só para destruir, como é o caso do homicídio, da inveja e outros que tais (In II Sent. d 35, q. 1, a5 ex). "Aliquod enim peccatum est quod est ad corrumpendum, et non ad aliquid acquirendum, ut patet in homicidio et invidia, et hujusmodi. "

30. Da inveja nasce o ódio (II-II, 34, 6, c) "Ex invidia oritur odium."

31. A ira pode ser boa ou má; ao contrário da inveja, que basta nomeá-la, e já soa como algo mau. (II-II, 158, 1 , c) "Et ideo invidia, mox nominata, sonat aliquid mali, ut Philosophus dicit, in II Ethic.. hoc autem non convenit irae, quae est appetitus vindictae, potest enim vindicta et bene et male appeti."

32. A inveja, em geral, procede da soberba. Com efeito, a tristeza pelo bem alheio dá-se no homem porque aparece como obstáculo à própria excelência. (De Malo 8, 1, ad 5) "Invidia, ut in pluribus, ex superbia oritur; propter hoc enim homo maxime tristatur de bono alterius, quia est propriae excellentiae impeditivum."

33. Os pusilânimes são propensos à inveja pois, como se diz no livro de Jó, a inveja mata os pequenos. E isto com razão, pois o medíocre acha que a prosperidade de outro impede a sua: o que é próprio de almas pequenas. (In Iob cp 5) "Quidam vero sunt pusillanimes et hi proni sunt ad invidiam, unde subdit et parvulum occidit invidia, et hoc rationabiliter dicitur: invidia enim nihil aliud est quam tristitia de prosperitate alicuius inquantum prosperitas illius aestimatur propriae prosperitatis impeditiva; hoc autem ad parvitatem animi pertinet."

34. Fugir dos olhos do invejoso, evitar que seu olhar caia sobre nossas acções. (Super Ev. Io. cp 5, lc 2) "Ut declinemus et fugiamus oculos invidorum ab omnibus operibus nostris."

35. A inveja como espírito de competição. (Super I Ad Cor. cp14 lc 1) "Et ex hoc consurgit aemulatio, quae est invidia."

36. Quem odeia, olha com olhos maus e invejosos a quem odeia (Catena Aurea in Mc cp 7 lc 2) "Nam qui odit, oculum malum et invidum habet ad eum quem odit."



*(First posted February 2007)

Tuesday, 10 August 2010

Just Poetry (xxiv) [R]*


A IMPLOSÃO DA MENTIRA OU O EPISÓDIO DO RIOCENTRO
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.

(…)

E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
-diária/mente.

(…)

Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.

(…)

Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.

(…)

Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.

E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.

Extractos de um poema apresentado
por Affonso Romano de Sant'anna (Brasil)
durante um Congresso Internacional de Lusitanistas
[versao integral aqui]


*[First posted 27/05/07]
 

A IMPLOSÃO DA MENTIRA OU O EPISÓDIO DO RIOCENTRO
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.

(…)

E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
-diária/mente.

(…)

Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.

(…)

Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.

(…)

Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.

E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.

Extractos de um poema apresentado
por Affonso Romano de Sant'anna (Brasil)
durante um Congresso Internacional de Lusitanistas
[versao integral aqui]


*[First posted 27/05/07]
 

Saturday, 7 August 2010

ARIA by GROVER WASHINGTON, JR [R]*



*[Retomo hoje este post - first published 11/01/07 - por duas razoes: i) me parecer apropriado numa altura em que a musica, nas suas mais diversas vertentes, parece estar na ordem do dia em alguns circulos blogosfericos e jornalisticos (em particular depois da mais recente edicao do Luanda International Jazz Festival); ii) ja' me ser possivel colocar aqui as faixas do album originalmente mencionadas.]



“I started as a classical musician, and this album is something I’ve wanted to make for years. In many ways, I feel I’ve now come full circle in my music.”
- Grover Washington, Jr. -



Este e’ um daqueles albums que, para mim, tem a caracteristica particular de apelar tanto pelo seu conteudo, como pelas circunstancias da sua publicacao em 2000, pouco depois do falecimento subito e precoce de Grover Washington, Jr. em Dezembro de 1999, aos 56 anos de idade. Por isso trago-o aqui ao Spirited Sounds.

Grover, que recebeu a sua primeira licao de saxofone do seu pai, definia a sua musica como “pequenas estorias sem palavras”. Mas, para mim, nunca antes deste Aria tinha tal definicao sido tao bem expressa na sua carreira musical (que contou entre os seus pontos altos com uma celebre ‘jam session’ com o ex-Presidente Bill Clinton e alguns dos maiores nomes do Jazz como Herbie Hancock e Wynton Marsalis).

O album e’ composto totalmente de arias de algumas das mais conhecidas obras do reportorio operatico, mas sem a sua oratoria: precisamente, pequenas estorias sem palavras… Confesso que nunca fui uma particular apreciadora do genero operatico (talvez pelas mesmas razoes porque nunca fui uma particular apreciadora dos consagrados musicais londrinos...) e que foram sempre as arias que funcionaram como o “canto da sereia” para me atrair a qualquer opera – a este proposito, lembro-me de em 1991 ter ido, no que foi a minha primeira e unica ida a opera, ao New York Metropolitan Opera (onde, como se nao bastasse ser praticamente a unica negra, tive o "descaramento" de ir de jeans…) assistir a “La Traviatta”, tendo saido de la' menos entusiasmada do que era suposto …



Pois este album (do qual infelizmente nao posso colocar aqui nenhuma das peças... o que tambem tem o seu lado positivo porque podemos ouvir, em sua substituicao, algumas das arias incluidas no album nas suas versoes cantadas) tem a particularidade de funcionar perfeitamente para mim: abre precisamente com o perfeito canto da sereia, uma das minhas arias preferidas, ‘Je Crois Entendre Encore’, do “Les Pecheurs de Perles” de Bizet. Aprendi a cantar de cor essa aria (uma das duas que sei cantar de cor; a outra e’ a popular ‘Nesum Dorma’ de Puccini) ha varios anos, ouvindo e acompanhando a versao, em Italiano, do Ney Matogrosso no seu album “Pescador de Perolas” (1986) …



[Je Crois Entendre Encore - from Bizet's The Pearlfishers]


Depois, ha' uma em particular que, em qualquer circunstancia, nao posso contornar, just for the sheer pleasure of listening to it, esta:


[E Lucevan Le Stelle - from Puccini's Tosca]


Mas ha outra razao que me faz trazer Aria a este espaco: a relacao, algo polemica, entre o dito “Jazz” e a dita “Musica Classica”. A questao e’ sempre: onde, quando e como se separam as aguas entre os dois, para alem dos evidentes “marcadores” da improvisacao no primeiro e da rigorosa codificacao no segundo? Nao sei se alguem ja conseguiu dar uma resposta convincente a essa questao (vide, por exemplo, o que disse Nina Simone sobre o assunto…), mas, como dizem os Ingleses, “the proof is in the pudding”!


[My Man's Gone Now - from Gershwin's Porgy & Bess]

E o 'pudding' podem ser varias das obras do Miles ou, mais obviamente ainda, muitas das dos manos Wynton e Branford Marsalis… Anyway, oucamos como soam duas das arias da opera 'Porgy and Bess' nas suas versoes "jazzisticas" (a comecar por uma interpretacao do Grover nao incluida em Aria - a que vem incluida e' o My Man's Gone Now. A versao cantada do I Loves You Porgy pela Nina tambem pode ser ouvida atraves do link acima) e depois vejamos o que teem a dizer os experts:


“As Grover Washington, Jr. sees it, the lines between jazz soloist and opera singer are not as clear-cut as one might imagine. Opera is a musical genre that depends on narration, and Grover views his role as soloist -- be it here, or on one of his many celebrated jazz recordings -- as an impassioned narrator. In both cases, Grover says, "You're just trying to tell a story."


[Pourquoi Me Reveiller? - from Massenet's Werther]

Consider the case of Werther, an opera by Massenet, based on a novel by Goethe. Werther is the quintessential Romantic hero, and nowhere in the opera does Massenet come closer to Goethe's Romantic ideal than in "Pourquoi me reveiller?" ("Why do you wake me?"), an aria full of foreboding and sorrow. In Grover's hands, and supported by Robert Freedman's fine and spacious arrangement, the blues within the aria are revealed.


[O Mio Babbino Caro - from Puccini's Gianni Schicchi]

Grover is the ideal narrator for the stories on Aria. Performing here on soprano, alto, tenor and baritone saxophones, Grover draws upon his artistry as a melodist to capture the emotion and spirit of a dozen of opera's most beautiful arias, from Puccini's "O mio babbino caro" (Gianni Schicchi) to Delibes' "Flower Duet" (Lakme), all with a sensibility that is very much of our day.


[Flower Duet - from Delibes' Lakme']

And yet Aria is not simply a crossing over, any more than Miles Davis' and Gil Evans' exploration of Gershwin's Porgy and Bess was simply a cooled-up version of the opera. In Aria, Grover Washington, Jr. takes the rich breadth of feeling inherent in twelve extraordinary tunes, not so much translating them into the jazz idiom as revealing them for what they are -- gorgeous, transcendent melodies that speak as clearly through the bell of a saxophone as through the human voice.” (Jackson Braider)

“Grover's brilliant career had its foundation in the fusion of genres. Along with his inimitable sound and style, his music was most celebrated for its signature synthesis of jazz and rhythm & blues. Aria marked a fusion of another kind for Grover, one both new and natural to him, and one he was eager to share. Sadly, it was the last album he was to make, completed just four months to the day before his untimely death.


[Vissi d'Arte - from Puccini's Tosca]

While the album may strike many listeners as an unexpected departure, it in fact completes a circle which began when Grover first studied music -- classical music -- at Buffalo's Wurlitzer School of Music. Classical music remained his first love. (…) Genres aside, Grover's music was always essentially about one thing -- heart. It was the (un)common denominator that defined his life's work. Puccini's magnificent soprano aria from his opera Tosca begins, "Vissi d'arte, vissi d'amore" ("I lived for art, I lived for love"). Grover Washington, Jr. did just that.” (Laraine Perri)



*[Retomo hoje este post - first published 11/01/07 - por duas razoes: i) me parecer apropriado numa altura em que a musica, nas suas mais diversas vertentes, parece estar na ordem do dia em alguns circulos blogosfericos e jornalisticos (em particular depois da mais recente edicao do Luanda International Jazz Festival); ii) ja' me ser possivel colocar aqui as faixas do album originalmente mencionadas.]



“I started as a classical musician, and this album is something I’ve wanted to make for years. In many ways, I feel I’ve now come full circle in my music.”
- Grover Washington, Jr. -



Este e’ um daqueles albums que, para mim, tem a caracteristica particular de apelar tanto pelo seu conteudo, como pelas circunstancias da sua publicacao em 2000, pouco depois do falecimento subito e precoce de Grover Washington, Jr. em Dezembro de 1999, aos 56 anos de idade. Por isso trago-o aqui ao Spirited Sounds.

Grover, que recebeu a sua primeira licao de saxofone do seu pai, definia a sua musica como “pequenas estorias sem palavras”. Mas, para mim, nunca antes deste Aria tinha tal definicao sido tao bem expressa na sua carreira musical (que contou entre os seus pontos altos com uma celebre ‘jam session’ com o ex-Presidente Bill Clinton e alguns dos maiores nomes do Jazz como Herbie Hancock e Wynton Marsalis).

O album e’ composto totalmente de arias de algumas das mais conhecidas obras do reportorio operatico, mas sem a sua oratoria: precisamente, pequenas estorias sem palavras… Confesso que nunca fui uma particular apreciadora do genero operatico (talvez pelas mesmas razoes porque nunca fui uma particular apreciadora dos consagrados musicais londrinos...) e que foram sempre as arias que funcionaram como o “canto da sereia” para me atrair a qualquer opera – a este proposito, lembro-me de em 1991 ter ido, no que foi a minha primeira e unica ida a opera, ao New York Metropolitan Opera (onde, como se nao bastasse ser praticamente a unica negra, tive o "descaramento" de ir de jeans…) assistir a “La Traviatta”, tendo saido de la' menos entusiasmada do que era suposto …



Pois este album (do qual infelizmente nao posso colocar aqui nenhuma das peças... o que tambem tem o seu lado positivo porque podemos ouvir, em sua substituicao, algumas das arias incluidas no album nas suas versoes cantadas) tem a particularidade de funcionar perfeitamente para mim: abre precisamente com o perfeito canto da sereia, uma das minhas arias preferidas, ‘Je Crois Entendre Encore’, do “Les Pecheurs de Perles” de Bizet. Aprendi a cantar de cor essa aria (uma das duas que sei cantar de cor; a outra e’ a popular ‘Nesum Dorma’ de Puccini) ha varios anos, ouvindo e acompanhando a versao, em Italiano, do Ney Matogrosso no seu album “Pescador de Perolas” (1986) …



[Je Crois Entendre Encore - from Bizet's The Pearlfishers]


Depois, ha' uma em particular que, em qualquer circunstancia, nao posso contornar, just for the sheer pleasure of listening to it, esta:


[E Lucevan Le Stelle - from Puccini's Tosca]


Mas ha outra razao que me faz trazer Aria a este espaco: a relacao, algo polemica, entre o dito “Jazz” e a dita “Musica Classica”. A questao e’ sempre: onde, quando e como se separam as aguas entre os dois, para alem dos evidentes “marcadores” da improvisacao no primeiro e da rigorosa codificacao no segundo? Nao sei se alguem ja conseguiu dar uma resposta convincente a essa questao (vide, por exemplo, o que disse Nina Simone sobre o assunto…), mas, como dizem os Ingleses, “the proof is in the pudding”!


[My Man's Gone Now - from Gershwin's Porgy & Bess]

E o 'pudding' podem ser varias das obras do Miles ou, mais obviamente ainda, muitas das dos manos Wynton e Branford Marsalis… Anyway, oucamos como soam duas das arias da opera 'Porgy and Bess' nas suas versoes "jazzisticas" (a comecar por uma interpretacao do Grover nao incluida em Aria - a que vem incluida e' o My Man's Gone Now. A versao cantada do I Loves You Porgy pela Nina tambem pode ser ouvida atraves do link acima) e depois vejamos o que teem a dizer os experts:


“As Grover Washington, Jr. sees it, the lines between jazz soloist and opera singer are not as clear-cut as one might imagine. Opera is a musical genre that depends on narration, and Grover views his role as soloist -- be it here, or on one of his many celebrated jazz recordings -- as an impassioned narrator. In both cases, Grover says, "You're just trying to tell a story."


[Pourquoi Me Reveiller? - from Massenet's Werther]

Consider the case of Werther, an opera by Massenet, based on a novel by Goethe. Werther is the quintessential Romantic hero, and nowhere in the opera does Massenet come closer to Goethe's Romantic ideal than in "Pourquoi me reveiller?" ("Why do you wake me?"), an aria full of foreboding and sorrow. In Grover's hands, and supported by Robert Freedman's fine and spacious arrangement, the blues within the aria are revealed.


[O Mio Babbino Caro - from Puccini's Gianni Schicchi]

Grover is the ideal narrator for the stories on Aria. Performing here on soprano, alto, tenor and baritone saxophones, Grover draws upon his artistry as a melodist to capture the emotion and spirit of a dozen of opera's most beautiful arias, from Puccini's "O mio babbino caro" (Gianni Schicchi) to Delibes' "Flower Duet" (Lakme), all with a sensibility that is very much of our day.


[Flower Duet - from Delibes' Lakme']

And yet Aria is not simply a crossing over, any more than Miles Davis' and Gil Evans' exploration of Gershwin's Porgy and Bess was simply a cooled-up version of the opera. In Aria, Grover Washington, Jr. takes the rich breadth of feeling inherent in twelve extraordinary tunes, not so much translating them into the jazz idiom as revealing them for what they are -- gorgeous, transcendent melodies that speak as clearly through the bell of a saxophone as through the human voice.” (Jackson Braider)

“Grover's brilliant career had its foundation in the fusion of genres. Along with his inimitable sound and style, his music was most celebrated for its signature synthesis of jazz and rhythm & blues. Aria marked a fusion of another kind for Grover, one both new and natural to him, and one he was eager to share. Sadly, it was the last album he was to make, completed just four months to the day before his untimely death.


[Vissi d'Arte - from Puccini's Tosca]

While the album may strike many listeners as an unexpected departure, it in fact completes a circle which began when Grover first studied music -- classical music -- at Buffalo's Wurlitzer School of Music. Classical music remained his first love. (…) Genres aside, Grover's music was always essentially about one thing -- heart. It was the (un)common denominator that defined his life's work. Puccini's magnificent soprano aria from his opera Tosca begins, "Vissi d'arte, vissi d'amore" ("I lived for art, I lived for love"). Grover Washington, Jr. did just that.” (Laraine Perri)

Saturday, 19 June 2010

Jose' Saramago (R.I.P.)



Pensar, Pensar

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar,
método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência,
que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do
trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.


Jose' Saramago
Outubro, 2008

Tuesday, 4 May 2010

BONGA: Cancoes da Diaspora Angolana [R]*






{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]





{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]

Sunday, 11 April 2010

UNIFICACAO DA ESCRITA DA LINGUA PORTUGUESA [R]*


“A língua portuguesa vai mudar, para que seja (sic) escrito de uma única forma nos oito países que adotam este idioma. (...) Serão cerca de 40 mudanças, entre elas estão o alfabeto com 26 letras (atualmente são 23), com a inserção do “k”, “w” e “y” (…)."

Extracto do mais recente post do Blog das Causas.

{Querera' isto dizer que ja' posso escrever Koluki, Kwanza, Lwei, Kwando, Kubango, Kongo, Yam, ou Afrika 'a vontade?}


Post relacionado:


[Ver tambem comentarios a este post]

* [First Posted 03/05/07]


"Repostado" em referencia a este artigo.

“A língua portuguesa vai mudar, para que seja (sic) escrito de uma única forma nos oito países que adotam este idioma. (...) Serão cerca de 40 mudanças, entre elas estão o alfabeto com 26 letras (atualmente são 23), com a inserção do “k”, “w” e “y” (…)."

Extracto do mais recente post do Blog das Causas.

{Querera' isto dizer que ja' posso escrever Koluki, Kwanza, Lwei, Kwando, Kubango, Kongo, Yam, ou Afrika 'a vontade?}


Post relacionado:


[Ver tambem comentarios a este post]

* [First Posted 03/05/07]


"Repostado" em referencia a este artigo.

Wednesday, 31 March 2010

MARIA LUISA DOLBETH E COSTA E “O PORTUGUES K’ESTAMOS KUM ELE” (R)*

Se ha’ alguem a quem tenho que pedir desculpas pelos meus pontapes na lingua de Camoes, esse alguem e’ a Professora Maria Luisa Dolbeth e Costa. Ela foi minha professora de Portugues, ainda no tempo colonial, no entao Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre, hoje Nzinga Mbandi, em Luanda. Mas nao e’ para falar dela, ou de mim, que aqui trago a entrevista que ela concedeu recentemente ao Jornal de Angola sobre o Acordo Ortografico da Lingua Portuguesa.
Ou melhor, sobre ela nao posso deixar de dizer o seguinte: num liceu de esmagadora maioria de alunas brancas e de professoras todas brancas, ela apareceu-nos naqueles tempos, pelo menos a mim, salvaguardadas as devidas distancias e proporcoes, como uma especie de Barack Obama...

“Eu gosto de grafar maka com k, para distinguir do vocábulo maca com "c", que nos remete para um instrumento hospitalar. Eu diria, então, que esta maka, com "k", neologismo nosso, deveria ser melhor discutida e reflectida no nosso caso, não apenas por razões económicas.”


"Acordo ortográfico, tudo bem, mas para nos unir na diferença"

A pessoa com quem falámos tem um alto nível de competência técnica para falar, como peixe na água, da Língua Portuguesa, num português fluente. Linguista de formação, a angolana Maria Luísa Dolbeth e Costa dá aulas de português há 36 anos. Antiga aluna de Lindley Cintra, co-autora da Nova Gramática do Português Contemporâneo, Maria Luísa Dolbeth e Costa foi procurada pelo Vida Cultural para uma abordagem à volta do polémico, como ela também considerou, Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A entrevistada, pessoa de trato fácil, oferece, ao longo da entrevista, subsídios interessantes sobre o Acordo Ortográfico, sobre o qual afirma, peremptoriamente: "não concordo é com este Acordo nos termos em que ele está feito, porque me permite abrir espaço para dúvidas sobre o grau de subjectividade que terá dominado muitas das suas decisões".

[Aqui]
*(First posted 07/09/08)
Se ha’ alguem a quem tenho que pedir desculpas pelos meus pontapes na lingua de Camoes, esse alguem e’ a Professora Maria Luisa Dolbeth e Costa. Ela foi minha professora de Portugues, ainda no tempo colonial, no entao Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre, hoje Nzinga Mbandi, em Luanda. Mas nao e’ para falar dela, ou de mim, que aqui trago a entrevista que ela concedeu recentemente ao Jornal de Angola sobre o Acordo Ortografico da Lingua Portuguesa.
Ou melhor, sobre ela nao posso deixar de dizer o seguinte: num liceu de esmagadora maioria de alunas brancas e de professoras todas brancas, ela apareceu-nos naqueles tempos, pelo menos a mim, salvaguardadas as devidas distancias e proporcoes, como uma especie de Barack Obama...

“Eu gosto de grafar maka com k, para distinguir do vocábulo maca com "c", que nos remete para um instrumento hospitalar. Eu diria, então, que esta maka, com "k", neologismo nosso, deveria ser melhor discutida e reflectida no nosso caso, não apenas por razões económicas.”


"Acordo ortográfico, tudo bem, mas para nos unir na diferença"

A pessoa com quem falámos tem um alto nível de competência técnica para falar, como peixe na água, da Língua Portuguesa, num português fluente. Linguista de formação, a angolana Maria Luísa Dolbeth e Costa dá aulas de português há 36 anos. Antiga aluna de Lindley Cintra, co-autora da Nova Gramática do Português Contemporâneo, Maria Luísa Dolbeth e Costa foi procurada pelo Vida Cultural para uma abordagem à volta do polémico, como ela também considerou, Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A entrevistada, pessoa de trato fácil, oferece, ao longo da entrevista, subsídios interessantes sobre o Acordo Ortográfico, sobre o qual afirma, peremptoriamente: "não concordo é com este Acordo nos termos em que ele está feito, porque me permite abrir espaço para dúvidas sobre o grau de subjectividade que terá dominado muitas das suas decisões".

[Aqui]
*(First posted 07/09/08)

Sunday, 28 March 2010

CUBA! AFRICA! REVOLUTION! [R]*

[Em memoria da Batalha do Kuito Kwanavale]


A segunda parte desta serie foi exibida ontem, como previsto, e concentrou-se exclusivamente no periodo imediatamente anterior ao 11 de Novembro e ao pos-independencia de Angola.

Um dos primeiros intervenientes foi Jorge Valentim, que relatou o ambiente de desconfianca existente durante as negociacoes de Penina em que, citando-o, “no hotel de quatro andares em que as partes foram hospedadas, o r/c era destinado as reunioes plenarias, o primeiro andar a UNITA, o segundo a FNLA, o terceiro ao MPLA e o quarto aos Portugueses”… o que, para alem da ideia de hierarquia, tera’ criado nos hospedados nos primeiro e segundo andares um clima de suspeicao em relacao aos hospedados nos andares de cima ou, para usar a sua expressao, uma constante sensacao de “plotting going on up there”…

Outro interveniente pela UNITA foi Tony da Costa Fernandes, que relatou o encontro entre Savimbi e Reagan alguns anos mais tarde, ao fim do qual Reagan tera’ ordenado aos seus assistentes militares: “o homem quer os Stingers… nos nao os demos nem sequer aos nossos amigos Sul-Koreanos... but, if he wants the Stingers, give him the Stingers”! Outros intervenientes de destaque foram Ngola Kabango pela FNLA, Paulo Jorge, Ndalu e Onambwe pelo MPLA, Chester Crocker pelos Americanos, Jorge Risquet pelos Cubanos e Pik Botha pelos Sul-Africanos.

O episodio foi marcado por uma remarcavel boa disposicao, sobretudo por parte de Onambwe e Ndalu (“o sorriso dos vencedores”?), com anedotas a volta do relato de alguns dos episodios mais criticos do periodo em analise. Por qualquer razao, as anedotas foram quase todas a volta de charutos cubanos… Onambwe conta como Neto, que nunca tinha fumado na vida, uma vez acende um charuto cubano durante uma reuniao e quando da’ conta de que esta’ toda a gente a olhar para ele, levanta o charuto e diz: foi o Fidel que me mandou! ... Ndalu recorda a poluicao provocada nas salas de reunioes das negociacoes a volta da batalha do Kuito Kwanavale pelos charutos de Jorge Risquet, enquanto este explica que o fazia so’ para irritar Americanos e Sul-Africanos…

Uma das poucas anedotas que nao teve a ver com charutos cubanos foi contada por Crocker que recorda como era facil monitorar os movimentos dos cubanos: segundo ele, sempre que aparecia um campo de baseball algures, era sinal de que os cubanos tinham chegado, ou estavam para chegar, aquela localidade; sempre que desaparecia um campo de baseball, era porque os cubanos tinham abandonado a localidade... O que me fez lembrar de um "ditado", tipo nota "precaucionaria" para automobilistas, que se usava (sera' que ainda se usa?) la' na banda: "tal como atras de uma bola vem sempre uma crianca, atras de um porco vem sempre um cubano"!


Os momentos mais serios sao trazidos por Pik Botha que acusa Risquet de, para alem de poluir o ambiente com os seus charutos, ter sido “vicious” logo no inicio das tais reunioes, acusando os Sul-Africanos de serem “racistas, fascistas e de so’ provocarem dissabores onde quer que se envolvessem” (… como se isso fosse alguma mentira!). Entretanto, Ndalu recorda das mesmas reunioes, sempre com o seu sorriso, ter perguntado a Botha, depois de este ter acusado os Cubanos de “adoptarem falsa nacionalidade Angolana e de se casarem com Angolan(a)os para permanecerem em Angola”, “quantos negros estavam encarcerados na Africa do Sul”… ao que Botha tera’ arregacado as mangas e dito: “se eu fosse mais jovem, respondia a essa pergunta com socos! Eu nao tenho medo de ti!... Vamos la' para fora!...”

Mas no fim de tudo, Botha afirma que num dos bares do Cairo, onde teve lugar uma das ultimas sessoes das negociacoes despoletadas pela batalha do Kuito Kwanavale, ele tera’ dito a Risquet: “Ja’ imaginou que poderemos os dois sair vencedores desta disputa? Cuba retira-se e podera’ reclamar ter permitido a independencia da Namibia e eu posso voltar e dizer ao eleitorado branco Sul-Africano que nos livramos dos Cubanos. Isso fara’ de nos ambos vencedores!”… Ao que Risquet se tera’ engasgado na sua bebida e decidido ponderar sobre o assunto, dando lugar ao acordo que finalmente consagrou a total retirada das tropas Cubanas de Angola, a independencia da Namibia e a libertacao de Mandela...

O episodio termina com esta afirmacao de Risquet: “… de 24 de Abril de 1965, quando Che atravessou o Lago Tanganyka e chegou ao Congo, ate’ 25 de Maio de 1991, quando foi assinado o acordo de retirada das tropas Cubanas de Angola, transcorreu a grande epopeia de Cuba em Africa… exactamente um quarto de seculo, um ano, um mes e um dia!”

Entretanto, no computo final, pelo menos 10 mil Cubanos sao contabilizados como mortos em Angola...

E eu tive a oportunidade de ouvir algo de que quase me tinha esquecido: Fidel referir-se a nosotros como “los Angoleños”…

(Ler sobre a primeira parte aqui)


*[First posted 03/05/07]


Post relacionado: Jacob Zuma in Angola
[Em memoria da Batalha do Kuito Kwanavale]


A segunda parte desta serie foi exibida ontem, como previsto, e concentrou-se exclusivamente no periodo imediatamente anterior ao 11 de Novembro e ao pos-independencia de Angola.

Um dos primeiros intervenientes foi Jorge Valentim, que relatou o ambiente de desconfianca existente durante as negociacoes de Penina em que, citando-o, “no hotel de quatro andares em que as partes foram hospedadas, o r/c era destinado as reunioes plenarias, o primeiro andar a UNITA, o segundo a FNLA, o terceiro ao MPLA e o quarto aos Portugueses”… o que, para alem da ideia de hierarquia, tera’ criado nos hospedados nos primeiro e segundo andares um clima de suspeicao em relacao aos hospedados nos andares de cima ou, para usar a sua expressao, uma constante sensacao de “plotting going on up there”…

Outro interveniente pela UNITA foi Tony da Costa Fernandes, que relatou o encontro entre Savimbi e Reagan alguns anos mais tarde, ao fim do qual Reagan tera’ ordenado aos seus assistentes militares: “o homem quer os Stingers… nos nao os demos nem sequer aos nossos amigos Sul-Koreanos... but, if he wants the Stingers, give him the Stingers”! Outros intervenientes de destaque foram Ngola Kabango pela FNLA, Paulo Jorge, Ndalu e Onambwe pelo MPLA, Chester Crocker pelos Americanos, Jorge Risquet pelos Cubanos e Pik Botha pelos Sul-Africanos.

O episodio foi marcado por uma remarcavel boa disposicao, sobretudo por parte de Onambwe e Ndalu (“o sorriso dos vencedores”?), com anedotas a volta do relato de alguns dos episodios mais criticos do periodo em analise. Por qualquer razao, as anedotas foram quase todas a volta de charutos cubanos… Onambwe conta como Neto, que nunca tinha fumado na vida, uma vez acende um charuto cubano durante uma reuniao e quando da’ conta de que esta’ toda a gente a olhar para ele, levanta o charuto e diz: foi o Fidel que me mandou! ... Ndalu recorda a poluicao provocada nas salas de reunioes das negociacoes a volta da batalha do Kuito Kwanavale pelos charutos de Jorge Risquet, enquanto este explica que o fazia so’ para irritar Americanos e Sul-Africanos…

Uma das poucas anedotas que nao teve a ver com charutos cubanos foi contada por Crocker que recorda como era facil monitorar os movimentos dos cubanos: segundo ele, sempre que aparecia um campo de baseball algures, era sinal de que os cubanos tinham chegado, ou estavam para chegar, aquela localidade; sempre que desaparecia um campo de baseball, era porque os cubanos tinham abandonado a localidade... O que me fez lembrar de um "ditado", tipo nota "precaucionaria" para automobilistas, que se usava (sera' que ainda se usa?) la' na banda: "tal como atras de uma bola vem sempre uma crianca, atras de um porco vem sempre um cubano"!


Os momentos mais serios sao trazidos por Pik Botha que acusa Risquet de, para alem de poluir o ambiente com os seus charutos, ter sido “vicious” logo no inicio das tais reunioes, acusando os Sul-Africanos de serem “racistas, fascistas e de so’ provocarem dissabores onde quer que se envolvessem” (… como se isso fosse alguma mentira!). Entretanto, Ndalu recorda das mesmas reunioes, sempre com o seu sorriso, ter perguntado a Botha, depois de este ter acusado os Cubanos de “adoptarem falsa nacionalidade Angolana e de se casarem com Angolan(a)os para permanecerem em Angola”, “quantos negros estavam encarcerados na Africa do Sul”… ao que Botha tera’ arregacado as mangas e dito: “se eu fosse mais jovem, respondia a essa pergunta com socos! Eu nao tenho medo de ti!... Vamos la' para fora!...”

Mas no fim de tudo, Botha afirma que num dos bares do Cairo, onde teve lugar uma das ultimas sessoes das negociacoes despoletadas pela batalha do Kuito Kwanavale, ele tera’ dito a Risquet: “Ja’ imaginou que poderemos os dois sair vencedores desta disputa? Cuba retira-se e podera’ reclamar ter permitido a independencia da Namibia e eu posso voltar e dizer ao eleitorado branco Sul-Africano que nos livramos dos Cubanos. Isso fara’ de nos ambos vencedores!”… Ao que Risquet se tera’ engasgado na sua bebida e decidido ponderar sobre o assunto, dando lugar ao acordo que finalmente consagrou a total retirada das tropas Cubanas de Angola, a independencia da Namibia e a libertacao de Mandela...

O episodio termina com esta afirmacao de Risquet: “… de 24 de Abril de 1965, quando Che atravessou o Lago Tanganyka e chegou ao Congo, ate’ 25 de Maio de 1991, quando foi assinado o acordo de retirada das tropas Cubanas de Angola, transcorreu a grande epopeia de Cuba em Africa… exactamente um quarto de seculo, um ano, um mes e um dia!”

Entretanto, no computo final, pelo menos 10 mil Cubanos sao contabilizados como mortos em Angola...

E eu tive a oportunidade de ouvir algo de que quase me tinha esquecido: Fidel referir-se a nosotros como “los Angoleños”…

(Ler sobre a primeira parte aqui)


*[First posted 03/05/07]


Post relacionado: Jacob Zuma in Angola

Saturday, 28 November 2009

“ RESTITUIÇÕES BANTU, VERSÕES ESCANDINAVAS “ (R)*

A PROPÓSITO DA EXPOSIÇÃO (NA GALERIA CELAMAR - ILHA DE LUANDA) DE "SONA, DESENHOS NA AREIA & ESCULTURA DE KIANA"

Por Simão SOUINDOULA
Historiador e Crítico de Arte Angolano

A presente exposição é organizada na sequência das pesquisas que resultaram na publicação da obra “ Sona, Desenhos na areia “ de Unni Skogen e Sonja Skaug e do concurso de artes plásticas, organizado em 2005, do qual derivou um magnífico calendário para 2006; tendo o conjunto desses programas beneficiado do apoio da empresa petrolífera Norueguesa Hydro, por ocasião da celebração do seu centenário. Ela reagrupa, num duo feminino inesperado, as obras de uma das autoras do livro, a Escandinava Skaug e uma das laureadas do concurso, a Bantu Kiana.

Essas duas mãos hábeis recriam, naturalmente, uma e outra, as tradições Angolanas através da geométrica expressão dos famosos pictogramas do nordeste de Angola e exploram igualmente outros temas ligados a natureza, sob outras escritas plásticas.

Este encontro, ilustração do são diálogo que deve ser estabelecido entre as culturas do mundo, é, portanto, caracterizado por uma dupla complementaridade, temática, mas também, técnica. Com efeito, a artista vinda do norte da Europa propõe os seus desenhos e pinturas sobre porcelana enquanto Kiana apresenta as suas surpreendentes esculturas em cimento branco, usando como única tela de fundo as ricas tradições culturais Angolanas.

Reunidas na ilha das sereias, verdadeiras Deusas protectoras da terra dos Axiluanda, cidade das corajosas “kitandeiras “, das pacientes “ kinguilas “ e das tenazes “ zungueiras “, as obras desses dois talentos, provindos de espaços geográficamente tão distantes, contribuirão, sem dúvida, para uma evolução não marginal e identificável da arte contemporânea Angolana e para o reforço, neste domínio, da promoção do conceito de género.

(Os meus agradecimentos a Simão Souindoula por me ter enviado este texto sobre um exemplo tão eloquente de genuína partilha cultural e uma das últimas edições do 'Tantã Cultural', de onde a fotografia foi retirada)


*[First posted 03/03/07]


Post Relacionado:

"Sona, Desenhos na Areia"

"Claude Levi-Strauss Revisitado"

A PROPÓSITO DA EXPOSIÇÃO (NA GALERIA CELAMAR - ILHA DE LUANDA) DE "SONA, DESENHOS NA AREIA & ESCULTURA DE KIANA"

Por Simão SOUINDOULA
Historiador e Crítico de Arte Angolano

A presente exposição é organizada na sequência das pesquisas que resultaram na publicação da obra “ Sona, Desenhos na areia “ de Unni Skogen e Sonja Skaug e do concurso de artes plásticas, organizado em 2005, do qual derivou um magnífico calendário para 2006; tendo o conjunto desses programas beneficiado do apoio da empresa petrolífera Norueguesa Hydro, por ocasião da celebração do seu centenário. Ela reagrupa, num duo feminino inesperado, as obras de uma das autoras do livro, a Escandinava Skaug e uma das laureadas do concurso, a Bantu Kiana.

Essas duas mãos hábeis recriam, naturalmente, uma e outra, as tradições Angolanas através da geométrica expressão dos famosos pictogramas do nordeste de Angola e exploram igualmente outros temas ligados a natureza, sob outras escritas plásticas.

Este encontro, ilustração do são diálogo que deve ser estabelecido entre as culturas do mundo, é, portanto, caracterizado por uma dupla complementaridade, temática, mas também, técnica. Com efeito, a artista vinda do norte da Europa propõe os seus desenhos e pinturas sobre porcelana enquanto Kiana apresenta as suas surpreendentes esculturas em cimento branco, usando como única tela de fundo as ricas tradições culturais Angolanas.

Reunidas na ilha das sereias, verdadeiras Deusas protectoras da terra dos Axiluanda, cidade das corajosas “kitandeiras “, das pacientes “ kinguilas “ e das tenazes “ zungueiras “, as obras desses dois talentos, provindos de espaços geográficamente tão distantes, contribuirão, sem dúvida, para uma evolução não marginal e identificável da arte contemporânea Angolana e para o reforço, neste domínio, da promoção do conceito de género.

(Os meus agradecimentos a Simão Souindoula por me ter enviado este texto sobre um exemplo tão eloquente de genuína partilha cultural e uma das últimas edições do 'Tantã Cultural', de onde a fotografia foi retirada)


*[First posted 03/03/07]


Post Relacionado:

"Sona, Desenhos na Areia"

"Claude Levi-Strauss Revisitado"

Sunday, 26 August 2007

FUNGE DE DOMINGO (RECIDIVUS)*


FUFU (FUNGE in Angola)

Fufu (Foo-foo, Foufou, Foutou, fu fu) is to Western and Central Africa cooking what mashed potatoes are to traditional European-American cooking. There are Fufu-like staples all over Sub-Saharan Africa: i.e., Eastern Africa's Ugali and Southern Africa's Sadza (which are usually made from ground corn (maize), though West Africans use maize to make Banku and Kenkey, and sometimes use maize to make Fufu. Fufu is a starchy accompaniment for stews or other dishes with sauce. To eat fufu: use your right hand to tear off a bite-sized piece of the fufu, shape it into a ball, make an indentation in it, and use it to scoop up the soup or stew or sauce, or whatever you're eating.

(For more details see the Congo Cookbook)

...

For some food for thought see the attached article, taken from the interesting blog "Cultural Vulturism".

...

Sobre “vulturismo cultural”, ver ainda, no contexto Indio-Americano, sinopse de uma Conferencia (“Meeting of Indian Professors Takes Up Issues of ‘Ethnic Fraud’, Sovereignty and Research Needs”), onde se pode ler o seguinte: “Cultural vulturism has increased in recent years in spite of the efforts of Indian intellectual criticisms. More needs to be done.” NESTA pagina. (... De notar que os tais Professores Indios devem ser uma "kambada de ignorantes, racistas, complexados e constrangidos"... para dizer o minimo!)

...

Ja' agora, ver tambem ESTA DISCUSSAO (... De notar que o autor do argumento aqui reproduzido nao deve passar de um "invejoso, rancoroso, frustrado e muito de mal com a vida e com o mundo, enfim, um petit-rien"... para nao dizer mais!)

...

[Neste "Dia da Terra" tentemos olhar para a nossa bola de funge como uma representacao do planeta em que vivemos e dessa terra sem a qual nao poderemos continuar a plantar e a colher o milho, a mandioca ou o yam com que milhoes de nos nos alimentamos e mantemos vivos ha' milenios... com que milhoes de filhos desta terra reproduziram as suas energias para a construcao de um 'Novo Mundo' dentro e fora de Afrika.

Vamos Reunir... Vamos encontrar a Harmonia...
Vamos falar da Terra... Vamos esquecer a Guerra!]

...





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Reunir (Funge de Domingo) - Teta Lando


*(First published 22/04/07)

FUFU (FUNGE in Angola)

Fufu (Foo-foo, Foufou, Foutou, fu fu) is to Western and Central Africa cooking what mashed potatoes are to traditional European-American cooking. There are Fufu-like staples all over Sub-Saharan Africa: i.e., Eastern Africa's Ugali and Southern Africa's Sadza (which are usually made from ground corn (maize), though West Africans use maize to make Banku and Kenkey, and sometimes use maize to make Fufu. Fufu is a starchy accompaniment for stews or other dishes with sauce. To eat fufu: use your right hand to tear off a bite-sized piece of the fufu, shape it into a ball, make an indentation in it, and use it to scoop up the soup or stew or sauce, or whatever you're eating.

(For more details see the Congo Cookbook)

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For some food for thought see the attached article, taken from the interesting blog "Cultural Vulturism".

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Sobre “vulturismo cultural”, ver ainda, no contexto Indio-Americano, sinopse de uma Conferencia (“Meeting of Indian Professors Takes Up Issues of ‘Ethnic Fraud’, Sovereignty and Research Needs”), onde se pode ler o seguinte: “Cultural vulturism has increased in recent years in spite of the efforts of Indian intellectual criticisms. More needs to be done.” NESTA pagina. (... De notar que os tais Professores Indios devem ser uma "kambada de ignorantes, racistas, complexados e constrangidos"... para dizer o minimo!)

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Ja' agora, ver tambem ESTA DISCUSSAO (... De notar que o autor do argumento aqui reproduzido nao deve passar de um "invejoso, rancoroso, frustrado e muito de mal com a vida e com o mundo, enfim, um petit-rien"... para nao dizer mais!)

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[Neste "Dia da Terra" tentemos olhar para a nossa bola de funge como uma representacao do planeta em que vivemos e dessa terra sem a qual nao poderemos continuar a plantar e a colher o milho, a mandioca ou o yam com que milhoes de nos nos alimentamos e mantemos vivos ha' milenios... com que milhoes de filhos desta terra reproduziram as suas energias para a construcao de um 'Novo Mundo' dentro e fora de Afrika.

Vamos Reunir... Vamos encontrar a Harmonia...
Vamos falar da Terra... Vamos esquecer a Guerra!]

...





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Reunir (Funge de Domingo) - Teta Lando


*(First published 22/04/07)

Tuesday, 24 July 2007

"A ROTA DOS ESCRAVOS"

Decorre neste momento em Londres, na ‘Victoria House’,
no quadro do Bicentenario da Abolicao da Escravatura, uma reuniao internacional dos directores de Museus do Trafico Negreiro, sob patrocinio da Unesco e do Conselho Britanico dos Museus, em que Angola se faz representar por Simao Souindoula, director do Museu Nacional da Escravatura.

(Mais detalhes aqui)

(Fotos daqui)
Decorre neste momento em Londres, na ‘Victoria House’,
no quadro do Bicentenario da Abolicao da Escravatura, uma reuniao internacional dos directores de Museus do Trafico Negreiro, sob patrocinio da Unesco e do Conselho Britanico dos Museus, em que Angola se faz representar por Simao Souindoula, director do Museu Nacional da Escravatura.

(Mais detalhes aqui)

(Fotos daqui)

Saturday, 21 July 2007

RECENT PUBLICATIONS ON "LUSOPHONE AFRICA"

M. Anne Pitcher with Aubrey Graham, "Cars are Killing Luanda: Cronyism,
Consumerism and Other Assaults on Angola's Postwar, Capital City" in Martin Murray and Garth Myers, eds., _Cities in Contemporary Africa_, pp. 173-199 (NY: Palgrave, 2006). The chapter uses cars as the "vehicle" through which to analyze Angola's postwar political economy; includes a photographic essay.

Cristina Udelsmann Rodrigues, "From Family Solidarity to Social Classes: Urban Stratification in Angola (Luanda and Ondjiva)," _Journal of Southern African Studies_ 33, 2 (June 2007): 235-250.

Stefan Helgesson, "Shifting Fields: Imagining Literary Renewal in
Itinerário and Drum," Research in African Literatures 38, 2 (Summer 2007).

Linda Ledford-Miller, "'So Few and Yet So Little Known': Historical
Recovery and Reconstruction in the Work of Lilìa Momplé," Africa (Rome) 61(2006): 564-82.

George E. Brooks, "Cabo Verde, Gulag of the South Atlantic: Racism, Fishing Prohibitions, and Famines," _History in Africa_ v. 33 (2006): 101-135.

Darlene Miller, "Changing African Cityscapes: Regional Claims of African Labor at South African-Owned Shopping Malls," in Cities in Contemporary Africa, ed., Martin Murray and Garth Myers (Palgrave, 2006) - this article includes a look at Maputo's Shoprite mall, opened in 1997.

Augusto Nascimento, Entre o mundo e as ilhas. O associativismo são-tomense nos primeiros decénios de Novecentos, S. Tomé, UNEAS, 2005

Augusto Nascimento, O fim do caminhu longi, Mindelo, Ilhéu Editora, 2007

Recent Ph.D. dissertations:

Laudemiro A. Francisco, "The State, Development and the Role of Local Economic Systems in Southern Africa: A Comparative Study of Mozambique and Botswana" (Howard Univ., 2006).

Joao Jose Pinheiro Rosa, "Diglossia in Cape-Verde: Discourses, Class, Race and the Promise of Education" (University of Wisconsin, Madison, 2006).

Isabel Maria da Costa Morais, "Creolised and Colonised: The History and Future of the Macanese and Mozambican Chinese" (U. of Hong Kong, 2003).

Azaria Mbughuni, "Tanzania and the Liberation Struggle in Southern Africa, 1958-1975 (Howard Univ., 2006).

LaShonda Nate Long, "Sacred Bodies, Sacred Memories: The Black Body and Collective Memory in Contemporary Luso-Brazilian and Lusophone African Literature and Film" (UCLA, 2006)

Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)

M. Anne Pitcher with Aubrey Graham, "Cars are Killing Luanda: Cronyism,
Consumerism and Other Assaults on Angola's Postwar, Capital City" in Martin Murray and Garth Myers, eds., _Cities in Contemporary Africa_, pp. 173-199 (NY: Palgrave, 2006). The chapter uses cars as the "vehicle" through which to analyze Angola's postwar political economy; includes a photographic essay.

Cristina Udelsmann Rodrigues, "From Family Solidarity to Social Classes: Urban Stratification in Angola (Luanda and Ondjiva)," _Journal of Southern African Studies_ 33, 2 (June 2007): 235-250.

Stefan Helgesson, "Shifting Fields: Imagining Literary Renewal in
Itinerário and Drum," Research in African Literatures 38, 2 (Summer 2007).

Linda Ledford-Miller, "'So Few and Yet So Little Known': Historical
Recovery and Reconstruction in the Work of Lilìa Momplé," Africa (Rome) 61(2006): 564-82.

George E. Brooks, "Cabo Verde, Gulag of the South Atlantic: Racism, Fishing Prohibitions, and Famines," _History in Africa_ v. 33 (2006): 101-135.

Darlene Miller, "Changing African Cityscapes: Regional Claims of African Labor at South African-Owned Shopping Malls," in Cities in Contemporary Africa, ed., Martin Murray and Garth Myers (Palgrave, 2006) - this article includes a look at Maputo's Shoprite mall, opened in 1997.

Augusto Nascimento, Entre o mundo e as ilhas. O associativismo são-tomense nos primeiros decénios de Novecentos, S. Tomé, UNEAS, 2005

Augusto Nascimento, O fim do caminhu longi, Mindelo, Ilhéu Editora, 2007

Recent Ph.D. dissertations:

Laudemiro A. Francisco, "The State, Development and the Role of Local Economic Systems in Southern Africa: A Comparative Study of Mozambique and Botswana" (Howard Univ., 2006).

Joao Jose Pinheiro Rosa, "Diglossia in Cape-Verde: Discourses, Class, Race and the Promise of Education" (University of Wisconsin, Madison, 2006).

Isabel Maria da Costa Morais, "Creolised and Colonised: The History and Future of the Macanese and Mozambican Chinese" (U. of Hong Kong, 2003).

Azaria Mbughuni, "Tanzania and the Liberation Struggle in Southern Africa, 1958-1975 (Howard Univ., 2006).

LaShonda Nate Long, "Sacred Bodies, Sacred Memories: The Black Body and Collective Memory in Contemporary Luso-Brazilian and Lusophone African Literature and Film" (UCLA, 2006)

Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)

Wednesday, 18 July 2007

TODOS AO ATLANTICO AZUL!

Vão ao Atlântico Azul ver o poster que coloquei ontem sobre a Regata Atlântico Azul de dia 15 de Agosto de 2007! Basta aparecerem na praia do Rosário (na Moita), pelas 07h30 e embarcar! Venham ver as lindas embarcações típicas do Tejo em acção!... E juntem-se a nós na grande Almoçarada de Confraternização oferecida pelo EcoMuseu do Seixal!
(Sailor Girl)

Vão ao Atlântico Azul ver o poster que coloquei ontem sobre a Regata Atlântico Azul de dia 15 de Agosto de 2007! Basta aparecerem na praia do Rosário (na Moita), pelas 07h30 e embarcar! Venham ver as lindas embarcações típicas do Tejo em acção!... E juntem-se a nós na grande Almoçarada de Confraternização oferecida pelo EcoMuseu do Seixal!
(Sailor Girl)

Thursday, 12 July 2007

WELL, ACTUALLY...

...I have been receiving a number of these and throwing them on the bin ever since I've had 'comment moderation' activated. This one, however, as the previous from the same gang, I thought would be worth publishing, which I did (in the post 'The Democracy & The Humanity Within', where you can find the link to the respective blog), but then... more than just publishing it I thought I should give it the "highlight it deserves"...
Maybe it will mean my "death sentence"... and if so, so be it!

So, here it is:


"vice-almirante said...

Olá pázinha. Tás a ver o que acontece a uma menina mal comportadinha.
O que estás a levar no blogue onde deste aquela entrevistazeca que achastes uma grande coisa é para ver se te calas. Não gostámos nada que te metesses com a nossa camba Malonguito. Nós somos mesmo piratas do mar e da net.
E não gostamos nada de ouvir dizer mal dos portugueses! Quem nos dera o Salazar de novo e os brancos a irem para Angola em força! Mas eles estão a ir pra lá e agora com o consentimento dos camaradas que aproveitam umas massas valentes ólecas!! Chama-lhes burros!
Vê mas é se te acalmas ó racista, que a malta não é de brincadeiras.
Também não achamso graça nenhuma a alguns blogues de angolanos s de merda. Mas isso são macas nossas, OK?
Se continuas com essas merdas vais ter pior!!!!!
Até acho piada ás tuas conjecturas intelectuais sobre quem está a fazer isso. Ahaha. Pára lá de tirar hilações que a malta ao menos assume-se.
Sabes que piratear pela net tem disto. E há quem caia nas rasteiras. Através de ti estamos a queimar outra escumalha que não nos agrada. E nesse ponto temos que te agradecer, sua pretinha marota!.....
Fui! Desandei! percebestes? Pirei-me!!!
E vê lá se agora vais enfiar isto tudo no cu da hungara. Previsível como és não me espantava! Ah! Se quizeres traduzir avisa aqui a malta que eu também estou onde se fala inglês. Nos states!!!!

Thursday, July 12, 2007"


{Szavanna and anyone else interested, you can actually use online translators for this one, it should serve it well. Enjoy!}
...I have been receiving a number of these and throwing them on the bin ever since I've had 'comment moderation' activated. This one, however, as the previous from the same gang, I thought would be worth publishing, which I did (in the post 'The Democracy & The Humanity Within', where you can find the link to the respective blog), but then... more than just publishing it I thought I should give it the "highlight it deserves"...
Maybe it will mean my "death sentence"... and if so, so be it!

So, here it is:


"vice-almirante said...

Olá pázinha. Tás a ver o que acontece a uma menina mal comportadinha.
O que estás a levar no blogue onde deste aquela entrevistazeca que achastes uma grande coisa é para ver se te calas. Não gostámos nada que te metesses com a nossa camba Malonguito. Nós somos mesmo piratas do mar e da net.
E não gostamos nada de ouvir dizer mal dos portugueses! Quem nos dera o Salazar de novo e os brancos a irem para Angola em força! Mas eles estão a ir pra lá e agora com o consentimento dos camaradas que aproveitam umas massas valentes ólecas!! Chama-lhes burros!
Vê mas é se te acalmas ó racista, que a malta não é de brincadeiras.
Também não achamso graça nenhuma a alguns blogues de angolanos s de merda. Mas isso são macas nossas, OK?
Se continuas com essas merdas vais ter pior!!!!!
Até acho piada ás tuas conjecturas intelectuais sobre quem está a fazer isso. Ahaha. Pára lá de tirar hilações que a malta ao menos assume-se.
Sabes que piratear pela net tem disto. E há quem caia nas rasteiras. Através de ti estamos a queimar outra escumalha que não nos agrada. E nesse ponto temos que te agradecer, sua pretinha marota!.....
Fui! Desandei! percebestes? Pirei-me!!!
E vê lá se agora vais enfiar isto tudo no cu da hungara. Previsível como és não me espantava! Ah! Se quizeres traduzir avisa aqui a malta que eu também estou onde se fala inglês. Nos states!!!!

Thursday, July 12, 2007"


{Szavanna and anyone else interested, you can actually use online translators for this one, it should serve it well. Enjoy!}

Tuesday, 26 June 2007

LUANDA...?

Nope!

Com pelo menos 3 vidas reclamadas nos ultimos dias, estes sao os efeitos das inundacoes que teem afectado o Reino Unido por estes dias...






(Mais fotos aqui)

Saturday, 16 June 2007

RECEITA PARA ULTRAPASSAR OS DOMINGOS


Como água dormida de véspera, aqui vos deixo esta receita para amanhã:

“Desce manso à cidade, na hora em que a noite indecisa se embrulha do terceiro pano e de joelhos compõe a cabeleira, retira do rosto os restos de luz e se recolhe tensa das horas por resolver. Não te deixes tentar pelas mãos de cacimbo que, de tão frescas, te poderão recolher, de novo, para o sítio dos sonhos onde as rosas de verdade nos podem explodir no peito.

A noite é enorme e hesita sempre na hora de partir. Os nossos fantasmas, lentos como cobras domésticas, gostam de se plantar – exactamente nesse momento – à beira da nossa condição frágil, rindo e à espera. Toda a gente sabe da sua paciência experimentada. Por isso acorda. Sacode a esteira e enrola-a devagarinho.

(…)

Desce, então, à cidade antes de toda a gente, porque esse é o unico momento em que Luanda se entrega à preguiça e te devolve o rosto, sem pintura, calcinado pelo tempo e ainda assim tão belo, na sua pobreza exposta maltratada pelo sol e pela fome, onde o erosinado casario se estende (a essa hora não parece sofrer de séculos de desorientação e amargura), ainda fechado ao dia, mas já desperto pelo choro de medo das canções de mar e de peixe com que as velhas preparam o caldo do pequeno-almoço. Atenção, estas nunca dormem, parecem ter escapado já à sua condição de dormir e acordar. Esperam, debruçadas na noite, envoltas num longo pano de musgo e capim e entregam aos outros (gente descuidada como tu e como eu) os sonhos que já não são capazes de sonhar.

A nossa cidade anda perdida de si mesma e não é só velhice, é antes um esquecimento que se instalou e a trata mal. Deixou de ser o espaço circular e protector de areia vermelha e súbitas lagoas. A propósito, evita, quando desceres, o Kinaxixi. Não se trata de um problema de sereias, esses seres nem machos nem fêmeas que o habitaram outrora. O problema tem a ver com pássaros que fugiram quase todos e foram inventar silêncio para outros cantos do mundo. Os que ficaram estão enredados nos limos do tempo e fabricam ninhos de seiva, na esperança de não morrerem. Não têm tempo para ti.

Por isso desce e procura as palmeiras. (…) Terás assim que visitar a ilha. Procura os antigos caminhos da água onde ainda podes ver barcos a dormir e demoradas redes postas em descanso por cima da areia. Descobre as marcas dos pés da noite e segue pelas rotas de seda para veres aonde te conduzem. Não digo já, para ser surpresa, e porque língua de coração não se escreve: é oral e perfeita.

(…)

Depois, e de alma lavada, podes voltar para casa. Mistura três colheres de sopa de café arábica (se ainda te sobrou algum do Amboim) com uma de robusta (pode ser de São Tomé) e deita na cafeteira da avó, onde deve já estar a ferver uma água dormida de pelo menos um dia. Acende uma vela branca e bebe até ao fim o café perfumado. Usa uma caneca de esmalte.

Talvez consigas então fechar os olhos, e já não digo dormir, mas entregar-te ao descanso. Os anjos, por essa hora, estão longe e deixaram acesas lamparinas de óleo de palma a marcar os caminhos. A sombra da palmeira maior velará por ti, enquanto deixa fermentar os seus pesados frutos.

É a essa hora que a cidade acorda, quando as mulheres inventam a água e um redemoinho de criancas se espalha respirando fundo a seiva da cidade. Todo o domingo passará por ti sem que o pressintas enquanto, na pá de zinco, alecrim, eucalipto, açucar mascavado e as horas se vão consumir suavemente.”

Extractos de “Receita para ultrapassar os domingos”, in A Cabeça de Salomé (2004), de Ana Paula Tavares.

Ler poema seleccionado de 'Manual para Amantes Desesperados' aqui.


Como água dormida de véspera, aqui vos deixo esta receita para amanhã:

“Desce manso à cidade, na hora em que a noite indecisa se embrulha do terceiro pano e de joelhos compõe a cabeleira, retira do rosto os restos de luz e se recolhe tensa das horas por resolver. Não te deixes tentar pelas mãos de cacimbo que, de tão frescas, te poderão recolher, de novo, para o sítio dos sonhos onde as rosas de verdade nos podem explodir no peito.

A noite é enorme e hesita sempre na hora de partir. Os nossos fantasmas, lentos como cobras domésticas, gostam de se plantar – exactamente nesse momento – à beira da nossa condição frágil, rindo e à espera. Toda a gente sabe da sua paciência experimentada. Por isso acorda. Sacode a esteira e enrola-a devagarinho.

(…)

Desce, então, à cidade antes de toda a gente, porque esse é o unico momento em que Luanda se entrega à preguiça e te devolve o rosto, sem pintura, calcinado pelo tempo e ainda assim tão belo, na sua pobreza exposta maltratada pelo sol e pela fome, onde o erosinado casario se estende (a essa hora não parece sofrer de séculos de desorientação e amargura), ainda fechado ao dia, mas já desperto pelo choro de medo das canções de mar e de peixe com que as velhas preparam o caldo do pequeno-almoço. Atenção, estas nunca dormem, parecem ter escapado já à sua condição de dormir e acordar. Esperam, debruçadas na noite, envoltas num longo pano de musgo e capim e entregam aos outros (gente descuidada como tu e como eu) os sonhos que já não são capazes de sonhar.

A nossa cidade anda perdida de si mesma e não é só velhice, é antes um esquecimento que se instalou e a trata mal. Deixou de ser o espaço circular e protector de areia vermelha e súbitas lagoas. A propósito, evita, quando desceres, o Kinaxixi. Não se trata de um problema de sereias, esses seres nem machos nem fêmeas que o habitaram outrora. O problema tem a ver com pássaros que fugiram quase todos e foram inventar silêncio para outros cantos do mundo. Os que ficaram estão enredados nos limos do tempo e fabricam ninhos de seiva, na esperança de não morrerem. Não têm tempo para ti.

Por isso desce e procura as palmeiras. (…) Terás assim que visitar a ilha. Procura os antigos caminhos da água onde ainda podes ver barcos a dormir e demoradas redes postas em descanso por cima da areia. Descobre as marcas dos pés da noite e segue pelas rotas de seda para veres aonde te conduzem. Não digo já, para ser surpresa, e porque língua de coração não se escreve: é oral e perfeita.

(…)

Depois, e de alma lavada, podes voltar para casa. Mistura três colheres de sopa de café arábica (se ainda te sobrou algum do Amboim) com uma de robusta (pode ser de São Tomé) e deita na cafeteira da avó, onde deve já estar a ferver uma água dormida de pelo menos um dia. Acende uma vela branca e bebe até ao fim o café perfumado. Usa uma caneca de esmalte.

Talvez consigas então fechar os olhos, e já não digo dormir, mas entregar-te ao descanso. Os anjos, por essa hora, estão longe e deixaram acesas lamparinas de óleo de palma a marcar os caminhos. A sombra da palmeira maior velará por ti, enquanto deixa fermentar os seus pesados frutos.

É a essa hora que a cidade acorda, quando as mulheres inventam a água e um redemoinho de criancas se espalha respirando fundo a seiva da cidade. Todo o domingo passará por ti sem que o pressintas enquanto, na pá de zinco, alecrim, eucalipto, açucar mascavado e as horas se vão consumir suavemente.”

Extractos de “Receita para ultrapassar os domingos”, in A Cabeça de Salomé (2004), de Ana Paula Tavares.

Ler poema seleccionado de 'Manual para Amantes Desesperados' aqui.

Friday, 8 June 2007

RECENT PUBLICATIONS ON "LUSOPHONE AFRICA"


Christopher J. Colvin, "Civil society and reconciliation in Southern
Africa," Development in Practice, 17, 3 (June 2007): 322-337. (Findings of
the Southern African Reconciliation Project (SARP), a collaborative
research project involving five Southern African NGOs in Malawi,
Mozambique, Namibia, South Africa, and Zimbabwe.

A. D. Harvey, "Counter-Coup in Lourenço Marques: September 1974,"
International Journal of African Historical Studies 39, 3 (2006): 487-98.

Sabine Asselle and Joseph Hanlon, "Tribute to Jose Negrão," Review of
African Political Economy, v.34, issue 111 (2007): 202-203

Julie A. Silva, "Trade and Income Inequality in a Less Developed Country:
The Case of Mozambique," Economic Geography 83, 2 (April 2007) 111-136.

Sandra Roque and Alex Shankland, "Participation, mutation and political
transition: new democratic spaces in peri-urban Angola," in _Spaces for
change?: the politics of citizen participation in new democratic arenas_,
edited by Andrea Cornwall and Vera Schatten P. Coelho (London: Zed Books,
2007).

Todd Howland, "Case study: the United Nations human rights field operation
in Angola," in _The human rights field operation: law, theory and
practice_, edited by Michael O'Flaherty (Aldershot, England: Ashgate, 2007).

Boubacar-Sid Barry [et al.], eds., _Conflict, livelihoods, and poverty in
Guinea-Bissau_ (Washington, D.C.: World Bank, 2007).

Brian Michael King, "Guinea-Bissau: 'pull-and-tug' toward internet
diffusion," in _Negotiating the net in Africa: the politics of internet
diffusion, edited by Ernest J. Wilson III and Kelvin R. Wong (Boulder,
Colo.: Lynne Rienner, 2007).

Maria Emília Madeira Santos e Manuel Lobato, _Política e Territórios
Coloniais..._ A.A. V.V.*,O DOMÍNIO DA DISTÂNCIA. Comunicação e
Cartografia, *coord., Lisboa, 2006, História e Cartografia, Instituto de
Investigação Científica Tropical,192 pp. gravuras e mapas.


Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)

Christopher J. Colvin, "Civil society and reconciliation in Southern
Africa," Development in Practice, 17, 3 (June 2007): 322-337. (Findings of
the Southern African Reconciliation Project (SARP), a collaborative
research project involving five Southern African NGOs in Malawi,
Mozambique, Namibia, South Africa, and Zimbabwe.

A. D. Harvey, "Counter-Coup in Lourenço Marques: September 1974,"
International Journal of African Historical Studies 39, 3 (2006): 487-98.

Sabine Asselle and Joseph Hanlon, "Tribute to Jose Negrão," Review of
African Political Economy, v.34, issue 111 (2007): 202-203

Julie A. Silva, "Trade and Income Inequality in a Less Developed Country:
The Case of Mozambique," Economic Geography 83, 2 (April 2007) 111-136.

Sandra Roque and Alex Shankland, "Participation, mutation and political
transition: new democratic spaces in peri-urban Angola," in _Spaces for
change?: the politics of citizen participation in new democratic arenas_,
edited by Andrea Cornwall and Vera Schatten P. Coelho (London: Zed Books,
2007).

Todd Howland, "Case study: the United Nations human rights field operation
in Angola," in _The human rights field operation: law, theory and
practice_, edited by Michael O'Flaherty (Aldershot, England: Ashgate, 2007).

Boubacar-Sid Barry [et al.], eds., _Conflict, livelihoods, and poverty in
Guinea-Bissau_ (Washington, D.C.: World Bank, 2007).

Brian Michael King, "Guinea-Bissau: 'pull-and-tug' toward internet
diffusion," in _Negotiating the net in Africa: the politics of internet
diffusion, edited by Ernest J. Wilson III and Kelvin R. Wong (Boulder,
Colo.: Lynne Rienner, 2007).

Maria Emília Madeira Santos e Manuel Lobato, _Política e Territórios
Coloniais..._ A.A. V.V.*,O DOMÍNIO DA DISTÂNCIA. Comunicação e
Cartografia, *coord., Lisboa, 2006, História e Cartografia, Instituto de
Investigação Científica Tropical,192 pp. gravuras e mapas.


Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)