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Sunday, 16 October 2011

Just Poetry xlvi



Allegro

I play Haydn after a black day
and feel a simple warmth in my hands.
The keys are willing. Soft hammers strike.
The resonance green, lively and calm.
The music says freedom exists
and someone doesn't pay the emperor tax.
I push down my hands in my Haydnpockets
and imitate a person looking on the world calmly.
I hoist the Haydnflag - it signifies:
"We don't give in. But want peace.'

The music is a glass-house on the slope
where the stones fly, the stones roll.
And the stones roll right through
but each pane stays whole.


The Half-Finished Heaven

Despondency breaks off its course.
Anguish breaks off its course.
The vulture breaks off its flight.
The eager light streams out,
even the ghosts take a draught.
And our paintings see daylight,
our red beasts of the ice-age studios.
Everything begins to look around.
We walk in the sun in hundreds.
Each man is a half-open door
leading to a room for everyone.
The endless ground under us.
The water is shining among the trees.
The lake is a window into the earth.


The Nightingale in Badelunda

In the green midnight at the nightingale's northern limit. Heavy leaves hang in trance, the deaf cars race towards the neon-line. The nightingale's voice rises without wavering to the side, it is as penetrating as a cock-crow, but beautiful and free of vanity. I was in prison and it visited me. I was sick and it visited me. I didn't notice it then, but I do now. Time streams down from the sun and the moon and into all the tick-tock-thankful clocks. But right here there is no time. Only the nightingale's voice, the raw resonant notes that whet the night sky's gleaming scythe.


[Poetry by Tomas Tranströmer - Nobel Prize for Literature 2011]



Allegro

I play Haydn after a black day
and feel a simple warmth in my hands.
The keys are willing. Soft hammers strike.
The resonance green, lively and calm.
The music says freedom exists
and someone doesn't pay the emperor tax.
I push down my hands in my Haydnpockets
and imitate a person looking on the world calmly.
I hoist the Haydnflag - it signifies:
"We don't give in. But want peace.'

The music is a glass-house on the slope
where the stones fly, the stones roll.
And the stones roll right through
but each pane stays whole.


The Half-Finished Heaven

Despondency breaks off its course.
Anguish breaks off its course.
The vulture breaks off its flight.
The eager light streams out,
even the ghosts take a draught.
And our paintings see daylight,
our red beasts of the ice-age studios.
Everything begins to look around.
We walk in the sun in hundreds.
Each man is a half-open door
leading to a room for everyone.
The endless ground under us.
The water is shining among the trees.
The lake is a window into the earth.


The Nightingale in Badelunda

In the green midnight at the nightingale's northern limit. Heavy leaves hang in trance, the deaf cars race towards the neon-line. The nightingale's voice rises without wavering to the side, it is as penetrating as a cock-crow, but beautiful and free of vanity. I was in prison and it visited me. I was sick and it visited me. I didn't notice it then, but I do now. Time streams down from the sun and the moon and into all the tick-tock-thankful clocks. But right here there is no time. Only the nightingale's voice, the raw resonant notes that whet the night sky's gleaming scythe.


[Poetry by
Tomas Tranströmer - Nobel Prize for Literature 2011]

Monday, 10 October 2011

NOBEL 2011: Macroeconomic Policy & Expectations



How are GDP and inflation affected by a temporary increase in the interest rate or a tax cut? What happens if a central bank makes a permanent change in its inflation target or a government modifies its objective for budgetary balance? This year's Laureates in economic sciences have developed methods for answering these and many of other questions regarding the causal relationship between economic policy and different macroeconomic variables such as GDP, inflation, employment and investments.

The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2011 was awarded jointly to Thomas J. Sargent and Christopher A. Sims "for their empirical research on cause and effect in the macroeconomy."





Ora aqui esta’ um Premio Nobel da Economia que, tal como este e este, e ao contrario deste, por exemplo, me desperta particular interesse por incidir sobre uma area da ciencia economica especialmente relevante para a actual crise economica mundial e tambem para os meus proprios interesses academico-profissionais: “causas e efeitos em macroeconomia”, em particular “a complexa interrelacao entre o estado e a politica do banco central e as expectativas dos cidadaos e dos agentes economicos e, mais incisivamente, sobre como essas expectativas influenciam a formulacao de politicas e os possiveis impactos da sua implementacao.”

De acordo com a Academia Nobel, "One of the main tasks of macroeconomic research is to comprehend how both shocks and systematic policy shifts affect macroeconomic variables in the short and long run". "Sargent's and Sims's awarded research contributions have been indispensable to this work."

Lembro-me que foi nao sem algum desconforto, para dizer o minimo, que, no auge de uma certa ja’ tristemente celebre e estafada 'campanha' contra a minha pessoa, me vi confrontada com ‘insinuacoes’ e ate' mesmo ‘acusacoes’ de que, ao ‘demonstrar alguma relutancia em falar sobre economia neste blog’ eu estaria a consubstanciar “suspeitas de que tinha diplomas falsos”, o que para alem do mais “era corroborado por eu nao ter sido capaz de ‘antever’ esta crise”!...

Na altura limitei-me a “responder” a tais verdadeiros insultos e calunias de baixo coturno com a mui modesta (como convem a uma "professora primaria") mini-serie “Desembrulhando a Crise” , em cuja primeira parte remetia os leitores ao meu mui esforcado artigo “Politica, Futebol e Algumas Consideracoes sobre a Actual Conjuntura Economica Angolana”, recentemente respigado aqui a proposito dos ultimos relatorios do Forum Economico Mundial, com isso pretendendo indicar basicamente que os fundamentals da analise macroeconomica, em que me referia explicitamente ao papel das expectativas [*], que tinha feito naquele artigo, salvaguardadas as devidas proporcoes e distancias e considerados os diferentes contextos, mantinham-se validos para os factores explicativos da ‘crise financeira’ que de la’ a esta parte se transformou em ‘crise economica’ global.[**]

E e’ tambem um pouco essa a resposta dos laureados de hoje as expectativas que se geraram a volta da sua capacidade de oferecerem previsoes e solucoes para esta crise: "If I had a simple answer to that I would have been spreading it around the world ... It requires a lot of slow work looking at data, unfortunately", respondeu Sims, enquanto Sargent dizia "We're just bookish types that look at numbers and try to figure out what's going on". "We try to experiment in our models before we wreck the world." Mas, para ambos: "The methods that I have used and that Tom has developed are essential to finding our way out of this mess."
{extractos daqui}

Uma outra questao actual abordada nessa entrevista foi a da possivel "derrocada" do Euro: "Panics and crises, ... what's going on in Europe now with the euro, that's all about expectations about what other people are going to do". Sobre essa questao gostaria de sugerir aos leitores esta materia (que tambem pode servir como um exemplo do 'slow work looking at data' a que Sims se referia), em que nao so' me debruco sobre a (tortuosa) evolucao do Euro, como tambem sobre a "implosao" financeira da Argentina pelo menos em parte devido ao mesmo jogo de causas e efeitos macroeconomicos que estiveram na base da crise que estamos com ela.

Em suma, o que os laureados de hoje mui modesta e pacientemente nos ensinam acima de tudo (... para quem saiba ler e ainda precise dessa licao...) e' que there's no such thing as "macroeconomia 'a prova de balas"!...


[*] (...) "É neste contexto que, no quadro da teoria das expectativas racionais, se diz que, atravéz da ilusão monetária (ou do “fetichismo da moeda”, na versão marxista) e do desfasamento temporal entre as medidas de estabilização macroeconómica, “pode-se enganar alguns agentes económicos por algum tempo, mas não todos ao mesmo tempo, nem o tempo todo”… Na verdade, os factores que mais têm contribuido para uma melhoria das expectativas dos investidores estrangeiros e as condições mais favoráveis das linhas de crédito concedidas a Angola (para além, obviamente, das esperadas altas taxas de retorno do investimento nos sectores extractivo e terciário) são a paz, que parece consolidada, e as expectativas de estabilidade política e normalidade institucional que se esperam obter com a realização das eleições; não necessáriamente a “estabilidade macroeconómica” num país que, infelizmente, ainda se conta entre os mais corruptos do mundo e com um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano, numa economia em que nem a própria classe dirigente parece ter confiança, a julgar pelos seus investimentos imobiliários e outros no estrangeiro e pela expatriação de capitais obtidos de forma pouco transparente para os mais famosos paraísos fiscais do mundo.(...)"

[**] "(...) Em suma, estamos perante uma economia ostentando um enorme “gap”, potencialmente suicidário (a menos que o sector secundário comece realmente a reerguer-se em força no mais curto prazo) entre os sectores primário (extractivo e exportador) e o terciário (liderado pela banca), o qual, à semelhança de qualquer dos balões de ar que venhem rebentando episódicamente nos mercados financeiros e de capitais internacionais, poderá estoirar quando menos se esperar ou, na melhor das hipóteses, continuar ainda por muito tempo a fluctuar, qual economia virtual, acima do real alcance do cidadão comum.(...)"



How are GDP and inflation affected by a temporary increase in the interest rate or a tax cut? What happens if a central bank makes a permanent change in its inflation target or a government modifies its objective for budgetary balance? This year's Laureates in economic sciences have developed methods for answering these and many of other questions regarding the causal relationship between economic policy and different macroeconomic variables such as GDP, inflation, employment and investments.

The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2011 was awarded jointly to Thomas J. Sargent and Christopher A. Sims "for their empirical research on cause and effect in the macroeconomy."





Ora aqui esta’ um Premio Nobel da Economia que, tal como este e este, e ao contrario deste, por exemplo, me desperta particular interesse por incidir sobre uma area da ciencia economica especialmente relevante para a actual crise economica mundial e tambem para os meus proprios interesses academico-profissionais: “causas e efeitos em macroeconomia”, em particular “a complexa interrelacao entre o estado e a politica do banco central e as expectativas dos cidadaos e dos agentes economicos e, mais incisivamente, sobre como essas expectativas influenciam a formulacao de politicas e os possiveis impactos da sua implementacao.”

De acordo com a Academia Nobel, "One of the main tasks of macroeconomic research is to comprehend how both shocks and systematic policy shifts affect macroeconomic variables in the short and long run". "Sargent's and Sims's awarded research contributions have been indispensable to this work."

Lembro-me que foi nao sem algum desconforto, para dizer o minimo, que, no auge de uma certa ja’ tristemente celebre e estafada 'campanha' contra a minha pessoa, me vi confrontada com ‘insinuacoes’ e ate' mesmo ‘acusacoes’ de que, ao ‘demonstrar alguma relutancia em falar sobre economia neste blog’ eu estaria a consubstanciar “suspeitas de que tinha diplomas falsos”, o que para alem do mais “era corroborado por eu nao ter sido capaz de ‘antever’ esta crise”!...

Na altura limitei-me a “responder” a tais verdadeiros insultos e calunias de baixo coturno com a mui modesta (como convem a uma "professora primaria") mini-serie “Desembrulhando a Crise” , em cuja primeira parte remetia os leitores ao meu mui esforcado artigo “Politica, Futebol e Algumas Consideracoes sobre a Actual Conjuntura Economica Angolana”, recentemente respigado aqui a proposito dos ultimos relatorios do Forum Economico Mundial, com isso pretendendo indicar basicamente que os fundamentals da analise macroeconomica, em que me referia explicitamente ao papel das expectativas [*], que tinha feito naquele artigo, salvaguardadas as devidas proporcoes e distancias e considerados os diferentes contextos, mantinham-se validos para os factores explicativos da ‘crise financeira’ que de la’ a esta parte se transformou em ‘crise economica’ global.[**]

E e’ tambem um pouco essa a resposta dos laureados de hoje as expectativas que se geraram a volta da sua capacidade de oferecerem previsoes e solucoes para esta crise: "If I had a simple answer to that I would have been spreading it around the world ... It requires a lot of slow work looking at data, unfortunately", respondeu Sims, enquanto Sargent dizia "We're just bookish types that look at numbers and try to figure out what's going on". "We try to experiment in our models before we wreck the world." Mas, para ambos: "The methods that I have used and that Tom has developed are essential to finding our way out of this mess."
{extractos daqui}

Uma outra questao actual abordada nessa entrevista foi a da possivel "derrocada" do Euro: "Panics and crises, ... what's going on in Europe now with the euro, that's all about expectations about what other people are going to do". Sobre essa questao gostaria de sugerir aos leitores esta materia (que tambem pode servir como um exemplo do 'slow work looking at data' a que Sims se referia), em que nao so' me debruco sobre a (tortuosa) evolucao do Euro, como tambem sobre a "implosao" financeira da Argentina pelo menos em parte devido ao mesmo jogo de causas e efeitos macroeconomicos que estiveram na base da crise que estamos com ela.

Em suma, o que os laureados de hoje mui modesta e pacientemente nos ensinam acima de tudo (... para quem saiba ler e ainda precise dessa licao...) e' que there's no such thing as "macroeconomia 'a prova de balas"!...


[*] (...) "É neste contexto que, no quadro da teoria das expectativas racionais, se diz que, atravéz da ilusão monetária (ou do “fetichismo da moeda”, na versão marxista) e do desfasamento temporal entre as medidas de estabilização macroeconómica, “pode-se enganar alguns agentes económicos por algum tempo, mas não todos ao mesmo tempo, nem o tempo todo”… Na verdade, os factores que mais têm contribuido para uma melhoria das expectativas dos investidores estrangeiros e as condições mais favoráveis das linhas de crédito concedidas a Angola (para além, obviamente, das esperadas altas taxas de retorno do investimento nos sectores extractivo e terciário) são a paz, que parece consolidada, e as expectativas de estabilidade política e normalidade institucional que se esperam obter com a realização das eleições; não necessáriamente a “estabilidade macroeconómica” num país que, infelizmente, ainda se conta entre os mais corruptos do mundo e com um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano, numa economia em que nem a própria classe dirigente parece ter confiança, a julgar pelos seus investimentos imobiliários e outros no estrangeiro e pela expatriação de capitais obtidos de forma pouco transparente para os mais famosos paraísos fiscais do mundo.(...)"

[**] "(...) Em suma, estamos perante uma economia ostentando um enorme “gap”, potencialmente suicidário (a menos que o sector secundário comece realmente a reerguer-se em força no mais curto prazo) entre os sectores primário (extractivo e exportador) e o terciário (liderado pela banca), o qual, à semelhança de qualquer dos balões de ar que venhem rebentando episódicamente nos mercados financeiros e de capitais internacionais, poderá estoirar quando menos se esperar ou, na melhor das hipóteses, continuar ainda por muito tempo a fluctuar, qual economia virtual, acima do real alcance do cidadão comum.(...)"

Friday, 7 October 2011

Nobel 2011: Peace by and for Women





Along the past year or so I’ve been supporting this campaign (em Portugues aqui) petitioning for the 2011 Nobel Peace Prize to be awarded to African Women as a collective. It has been slightly disappointing to learn that it wasn’t to be exactly so, but this year’s prize still comes somehow satisfying in that regard - "for their non-violent struggle for the safety of women and for women’s rights to full participation in peace-building work" it has been awarded jointly to:



Ellen Johnson Sirleaf – President of Liberia


Leymah Gbowee – former campaigner for the end of civil war in Liberia


Tawakkul Karman – Women’s rights activist in Yemen


There is another ‘consolation side’ to this year’s prize: it comes just a few days after the sad passing away of Wangari Maathai, the first ever African Woman Nobel Prize winner.








Along the past year or so I’ve been supporting this campaign (em Portugues aqui) petitioning for the 2011 Nobel Peace Prize to be awarded to African Women as a collective. It has been slightly disappointing to learn that it wasn’t to be exactly so, but this year’s prize still comes somehow satisfying in that regard - "for their non-violent struggle for the safety of women and for women’s rights to full participation in peace-building work" it has been awarded jointly to:



Ellen Johnson Sirleaf – President of Liberia


Leymah Gbowee – former campaigner for the end of civil war in Liberia


Tawakkul Karman – Women’s rights activist in Yemen


There is another ‘consolation side’ to this year’s prize: it comes just a few days after the sad passing away of Wangari Maathai, the first ever African Woman Nobel Prize winner.




Monday, 11 October 2010

Nobel time 2010

Economics


Matching house buyers with those selling houses, or job seekers with the right vacancy, can be an inefficient process. This year's Laureates in Economic Sciences, Peter A. Diamond, Dale T. Mortensen and Christopher A. Pissarides (London School of Economics and Political Science), have created mathematical models which provide the framework for studying how such processes occur in the real world.

[here]


Peace


Among the many people campaigning for human rights in China, Liu Xiaobo, the 2010 Nobel Peace Prize Laureate, has become the most visible symbol of the struggle. A long-term exponent of non-violent protest, he is currently serving an 11-year prison term.

[here]


Literature


Peruvian by birth and a truly international citizen, the 2010 Nobel Laureate in Literature embraces multiple genres (novels, plays, essays), and politics too, in his commitment to social change.

[here]


Medicine


Robert G. Edwards, the 2010 Nobel Laureate in Physiology or Medicine, battled societal and establishment resistance to his development of the in vitro fertilization procedure, which has so far led to the birth of around 4 million people.

[here]
Economics


Matching house buyers with those selling houses, or job seekers with the right vacancy, can be an inefficient process. This year's Laureates in Economic Sciences, Peter A. Diamond, Dale T. Mortensen and Christopher A. Pissarides (London School of Economics and Political Science), have created mathematical models which provide the framework for studying how such processes occur in the real world.

[here]


Peace


Among the many people campaigning for human rights in China, Liu Xiaobo, the 2010 Nobel Peace Prize Laureate, has become the most visible symbol of the struggle. A long-term exponent of non-violent protest, he is currently serving an 11-year prison term.

[here]


Literature


Peruvian by birth and a truly international citizen, the 2010 Nobel Laureate in Literature embraces multiple genres (novels, plays, essays), and politics too, in his commitment to social change.

[here]


Medicine


Robert G. Edwards, the 2010 Nobel Laureate in Physiology or Medicine, battled societal and establishment resistance to his development of the in vitro fertilization procedure, which has so far led to the birth of around 4 million people.

[here]

Wednesday, 30 June 2010

PAUL KRUGMAN: ECONOMISTA, ACADEMICO, BLOGGER E NOBEL [R]*



Paul Krugman foi, ha’ alguns dias, laureado com o Premio Nobel de Economia de 2008, pela sua “analise de padroes de comercio e localizacao da actividade economica”.

Ele e’, entre outras coisas (e.g. blogger e articulista do The New York Times), citado entre os notaveis alumni e membros associados do staff da London School of Economics, onde me lembro de ter assistido a uma das suas extra-curricular lectures e a qual tenho como minha alma mater – nao exactamente, ou apenas, por ser uma das escolas de Economia melhor conceituadas do mundo ou, pelo menos, a escola de Economia mais conceituada dentre as que frequentei, mas fundamentalmente porque foi ela que me libertou como ‘ser pensante’, que validou as questoes e inquietacoes com que, de outras latitudes, para ela entrei, que me facultou os instrumentos com que as pensar, repensar e reequacionar.

Nao acidentalmente, o seu nome consta da bibliografia da minha tese de Mestrado naquela escola (Krugman P., Regionalism versus multilateralism: analytical notes’), como um dos autores incluidos numa das obras a que mais recorri enquanto a preparava, New Dimensions in Regional Integration (Cambridge, Cambridge UP, 1993), e tambem das referencias deste meu artigo.*

A atribuicao do Nobel a Krugman acontece num momento em que a administracao Bush, da qual ele se notabilizou como um dos maiores criticos, parece cada vez mais anteceder a aurora de uma possivel administracao Obama (de notar, no entanto, que Krugman nao e’ exactamente um fan de Obama) e, crucialmente, num momento em que alguns intemporais prenunciadores da derrocada do sistema capitalista parecem nao se poupar esforcos para encontrar na actual crise financeira e crediticia global os fundamentos das suas crencas politico-ideologicas de todos os tempos… No que poderao ate’ ter alguma razao, mas conviria que nesse debate se separassem motivacoes ideologicas de fundamentacoes cientificas.

Nao me atreveria, em nenhuma circunstancia, a tentar falar por Krugman em suposta replica a alguns dos seus ‘ocasionais co-optadores’. Diria apenas que convem sempre ter em mente que ha’ alguma diferenca entre economistas e jornalistas e/ou analistas politicos, entre bloggers e academicos e entre criticos da administracao Bush e detractores do capitalismo enquanto sistema economico. Talvez abra uma excepcao para sugerir que o chamado ‘fordismo’ – e sera’ particularmente interessante notar aqui que Krugman e’ ‘Ford International Professor of Economics’ – nao e’, ou foi, pelo menos do meu ponto de vista, exactamente um ‘modelo capitalista’, mas apenas um ‘metodo de producao’ - o das linhas de montagem, da producao massiva e das economias de escala - adoptavel por qualquer sistema economico (que, talvez convenha lembrar, e' composto em qualquer sociedade moderna por pelo menos tres sectores, grosso modo assim definidos: o primario - agricultura e materias primas/industrias extractivas, o secundario - industria transformadora e o terciario - servicos, incluindo os financeiros, sendo as suas respectivas dimensoes determinadas em geral pela dotacao de recursos e factores de cada economia e pelo seu relativo nivel de desenvolvimento), independentemente da ideologia a ele subjacente; 'metodo de producao' esse (originado no sector secundario da economia) que sempre coexistiu com o 'capitalismo flexivel' das bolsas de valores e mercados de capitais em geral (sector terciario), bem como com graus diferentes de regulacao economica e/ou intervencao estatal e, o que e' talvez mais relevante para a crise actual, sobreviveu, tal como o sistema capitalista, a Grande Depressao dos anos 30, que foi, pelo menos ate' agora, bastante pior do que esta e que aconteceu muito antes dos anos 80 do seculo XX...

Mas sobre tudo isso Krugman diz melhor numa entrevista ao Editor-em-Chefe do Nobelprize.org, curiosamente de nome Adam Smith, da qual decidi traduzir para aqui os extractos que se seguem.

[AS] Parabens pelo premio. Que altura para se receber o Premio para as Ciencias Economicas!

[PK] Sim. Estou um pouco, de certo modo sentindo que nao tenho tempo para isto. E' muito bizarro.

[AS] Esta’ neste momento em Washington para reunioes, correcto?

[PK] Sim, estou. Para uma reuniao do Grupo dos Trinta, que e’ um grupo ao qual pertenco, incluindo membros de bancos centrais e por ai fora, associada as reunioes do Banco Mundial/FMI neste momento. E deveremos ouvir de Ben Bernanke e Jean-Claude Trichet (…).

[AS] Um momento critico, portanto. E’ muito bem conhecido, certamente nos EUA, como colunista, blogger e jornalista, mas no entanto o premio foi atribuido ao trabalho que fez em decadas anteriores.

[PK] Sim.

[AS] Gostaria de focar nisso inicialmente e depois falar sobre coisas mais recentes se me for possivel. Portanto, o Comite’ (Nobel) cita a sua ‘nova teoria do comercio’, que desenvolveu nos seus ‘papers’ de 1979 e 1980, essencialmente descrevendo como o comercio funciona num mundo em que paises produzem e usam os mesmos bens. E’ isso correcto?

[PK] Os paises produzem bens similares. Quero dizer, e’ realmente uma estoria sobre paises que nao sao muito diferentes em termos da sua tecnologia, em termos dos seus recursos, mas que apesar disso acabam por especializar-se em bens diferentes que poderao estar relacionados mas nao sao exactamente iguais, e que fazem isso para tirar vantagem das vantagens da producao em grande escala.** Portanto, a questao crucial e’ realmente a similaridade entre esses paises. E’ uma explicacao do porque que os paises comerciam entre si mesmo quando teem o mesmo clima, os mesmos recursos e a mesma tecnologia.***

[AS] E o que e’ que uma base teorica como a que desenvolveu lhe permite fazer?

[PK] Bom, de facto – primeiro e acima de tudo ela permite-nos pensar claramente. Poderemos descrever – e’ uma coisa um tanto estranha, mas neste momento eu posso explicar em linguagem que soa como simples Ingles os componentes essenciais da teoria. Mas eu nao poderia, de facto faze-lo antes de ter feito os modelos. Isso requereu os calculos matematicos para chegar ao Ingles simples. Portanto, em primeiro lugar, ha’ isso. Ha’ uma enorme clarificacao que tem lugar. Em seguida, este tipo de coisa pode ser, e ja’ foi usada, como base de trabalho empirico. Uma vez que se tenha um claro ‘statement’ de como as varias pecas encaixam umas com as outras, pode-se usa-lo para avaliar o ‘impacto de bem-estar’ de diferentes politicas comerciais, portanto tudo isto e’ necessario. Mas numa fase inicial a questao e’ a de ‘como pensamos sobre esta coisa claramente?’

(…)

[AS] Sim, sim, muito bem colocado. Voltando ao seu jornalismo, ve isso como uma consequencia natural do seu trabalho na academia, essa sua viragem para uma mais, digamos, abordagem publica do que faz?

[PK] Em certa medida foi. Quero dizer, eu acredito que a tarefa de reduzir um problema intelectual a sua essencia, o que e’ muito do que esta’ envolvido em construir modelos, e a tarefa de descobrir como falar sobre um problema bastante complexo numa linguagem bastante simples e natural estao relacionados. Eu sempre senti que o que faco quando tento explicar, digamos a crise financeira em 800 palavras e o que faco quando tento fazer um modelo para a crise financeira em meia duzia de equacoes sao muito o mesmo tipo de esforco.**** Dito isso, eu estava a fazer um bom bocado desse tipo de traducao antes de trabalhar para o The New York Times, e isso continua a ser uma das coisas que eu faco no The Times. Nao tinha previsto que acabaria num ambiente tao politicamente carregado, onde sinto que preciso de fazer mais do que explicar, mas isso pareceu-me natural. Eu passei de escrever pequenos modelos para escrever pequenos artigos. Parece-me uma transicao bastante natural.

[AS] O fisico Ernest Rutherford, acho, sempre disse que voce nao deveria estar a fazer algo que nao pudesse explicar ao seu tabaconista, portanto suponho que seja a mesma ideia.

[PK] Sim, quer dizer, ha’ aquela coisa de Alfred Marshall, ele argumentava que mesmo no trabalho profissional depois de se ter compreendido uma questao devia-se queimar as equacoes, coisa em que nao acredito, mas deve-se ser capaz de explicar o que se passa tanto quanto possivel sem o aparato.

[AS] Sim. Voce esta’ muito envolvido politicamente neste momento, ou pelo menos tem uma posicao politica sobre as questoes. Sera’ isso tambem uma consequencia necessaria de tentar explicar as coisas?

[PK] Nao sei. Em certa medida. Ponhamos as coisas deste modo, eu fui um critico da administracao Bush desde muito cedo porque acreditava que eles estavam a ser desonestos, e a razao que me levou a essa conclusao muito antes de outros foi realmente porque me parecia obvio que eles estavam a mentir sobre aritmetica orcamental. Portanto, num certo sentido, o meu treino em economia jogou ai um papel. Mas, obviamente, eu fui de alguma forma para alem do meu papel como economista na minha coluna, mas, hey, economistas tambem sao pessoas, tambem sao cidadaos, e teem opinioes politicas.
(...)




*Portanto se, por hipotese absurda, eu fiz um "mestrado em imitacao" , posso orgulhar-me de ter tido a possibilidade de "imitar" pelo menos dois Nobeis da Economia, o outro foi Douglass North.

**i.e. do ‘fordismo’, acrescentaria eu numa nota a margem.


***Introduziria aqui uma outra nota para chamar atencao para dois aspectos:
i. a relativa ruptura que esta abordagem significa em relacao as teorias das vantagens absolutas e comparativas de
Adam Smith e David Ricardo respectivamente, ou seja com a “Teoria Classica do Comercio Internacional” e, por extensao, com a “Teoria Economica Neo-Classica” (pontificada, entre outros pelo modelo Heckscher-Ohlin-Samuelson) tao frequentemente ‘mal misturada’ com o que vulgarmente se conhece como ‘neo-liberalismo’;
ii. como esta abordagem pode ser suportada pelas estatisticas do comercio intra-continental Africano que os graficos que inclui
neste artigo demonstram, em qualquer das suas versoes – devo dizer que a actual magnitude desse comercio, apesar de ainda longe da desejavel, foi para mim uma constatacao bastante positiva, mas isso sera’ provavelmente materia para outro artigo.

****Isto foi o que me propus fazer
nesta serie.



*[First posted 24/10/08 - "Repostado" em referencia a recente visita de Krugman a Angola, onde uma das suas afirmacoes mais destacadas tera' sido "Um país com carências na saúde e na educação não pode ser desenvolvido". Esse lembrete fez-me revisitar este artigo, onde uma das respostas que dou a pergunta "que fazer?" e' a atribuicao das maiores fatias do orcamento a Saude e a Educacao.]





Paul Krugman foi, ha’ alguns dias, laureado com o Premio Nobel de Economia de 2008, pela sua “analise de padroes de comercio e localizacao da actividade economica”.

Ele e’, entre outras coisas (e.g. blogger e articulista do The New York Times), citado entre os notaveis alumni e membros associados do staff da London School of Economics, onde me lembro de ter assistido a uma das suas extra-curricular lectures e a qual tenho como minha alma mater – nao exactamente, ou apenas, por ser uma das escolas de Economia melhor conceituadas do mundo ou, pelo menos, a escola de Economia mais conceituada dentre as que frequentei, mas fundamentalmente porque foi ela que me libertou como ‘ser pensante’, que validou as questoes e inquietacoes com que, de outras latitudes, para ela entrei, que me facultou os instrumentos com que as pensar, repensar e reequacionar.

Nao acidentalmente, o seu nome consta da bibliografia da minha tese de Mestrado naquela escola (Krugman P., Regionalism versus multilateralism: analytical notes’), como um dos autores incluidos numa das obras a que mais recorri enquanto a preparava, New Dimensions in Regional Integration (Cambridge, Cambridge UP, 1993), e tambem das referencias deste meu artigo.*

A atribuicao do Nobel a Krugman acontece num momento em que a administracao Bush, da qual ele se notabilizou como um dos maiores criticos, parece cada vez mais anteceder a aurora de uma possivel administracao Obama (de notar, no entanto, que Krugman nao e’ exactamente um fan de Obama) e, crucialmente, num momento em que alguns intemporais prenunciadores da derrocada do sistema capitalista parecem nao se poupar esforcos para encontrar na actual crise financeira e crediticia global os fundamentos das suas crencas politico-ideologicas de todos os tempos… No que poderao ate’ ter alguma razao, mas conviria que nesse debate se separassem motivacoes ideologicas de fundamentacoes cientificas.

Nao me atreveria, em nenhuma circunstancia, a tentar falar por Krugman em suposta replica a alguns dos seus ‘ocasionais co-optadores’. Diria apenas que convem sempre ter em mente que ha’ alguma diferenca entre economistas e jornalistas e/ou analistas politicos, entre bloggers e academicos e entre criticos da administracao Bush e detractores do capitalismo enquanto sistema economico. Talvez abra uma excepcao para sugerir que o chamado ‘fordismo’ – e sera’ particularmente interessante notar aqui que Krugman e’ ‘Ford International Professor of Economics’ – nao e’, ou foi, pelo menos do meu ponto de vista, exactamente um ‘modelo capitalista’, mas apenas um ‘metodo de producao’ - o das linhas de montagem, da producao massiva e das economias de escala - adoptavel por qualquer sistema economico (que, talvez convenha lembrar, e' composto em qualquer sociedade moderna por pelo menos tres sectores, grosso modo assim definidos: o primario - agricultura e materias primas/industrias extractivas, o secundario - industria transformadora e o terciario - servicos, incluindo os financeiros, sendo as suas respectivas dimensoes determinadas em geral pela dotacao de recursos e factores de cada economia e pelo seu relativo nivel de desenvolvimento), independentemente da ideologia a ele subjacente; 'metodo de producao' esse (originado no sector secundario da economia) que sempre coexistiu com o 'capitalismo flexivel' das bolsas de valores e mercados de capitais em geral (sector terciario), bem como com graus diferentes de regulacao economica e/ou intervencao estatal e, o que e' talvez mais relevante para a crise actual, sobreviveu, tal como o sistema capitalista, a Grande Depressao dos anos 30, que foi, pelo menos ate' agora, bastante pior do que esta e que aconteceu muito antes dos anos 80 do seculo XX...

Mas sobre tudo isso Krugman diz melhor numa entrevista ao Editor-em-Chefe do Nobelprize.org, curiosamente de nome Adam Smith, da qual decidi traduzir para aqui os extractos que se seguem.

[AS] Parabens pelo premio. Que altura para se receber o Premio para as Ciencias Economicas!

[PK] Sim. Estou um pouco, de certo modo sentindo que nao tenho tempo para isto. E' muito bizarro.

[AS] Esta’ neste momento em Washington para reunioes, correcto?

[PK] Sim, estou. Para uma reuniao do Grupo dos Trinta, que e’ um grupo ao qual pertenco, incluindo membros de bancos centrais e por ai fora, associada as reunioes do Banco Mundial/FMI neste momento. E deveremos ouvir de Ben Bernanke e Jean-Claude Trichet (…).

[AS] Um momento critico, portanto. E’ muito bem conhecido, certamente nos EUA, como colunista, blogger e jornalista, mas no entanto o premio foi atribuido ao trabalho que fez em decadas anteriores.

[PK] Sim.

[AS] Gostaria de focar nisso inicialmente e depois falar sobre coisas mais recentes se me for possivel. Portanto, o Comite’ (Nobel) cita a sua ‘nova teoria do comercio’, que desenvolveu nos seus ‘papers’ de 1979 e 1980, essencialmente descrevendo como o comercio funciona num mundo em que paises produzem e usam os mesmos bens. E’ isso correcto?

[PK] Os paises produzem bens similares. Quero dizer, e’ realmente uma estoria sobre paises que nao sao muito diferentes em termos da sua tecnologia, em termos dos seus recursos, mas que apesar disso acabam por especializar-se em bens diferentes que poderao estar relacionados mas nao sao exactamente iguais, e que fazem isso para tirar vantagem das vantagens da producao em grande escala.** Portanto, a questao crucial e’ realmente a similaridade entre esses paises. E’ uma explicacao do porque que os paises comerciam entre si mesmo quando teem o mesmo clima, os mesmos recursos e a mesma tecnologia.***

[AS] E o que e’ que uma base teorica como a que desenvolveu lhe permite fazer?

[PK] Bom, de facto – primeiro e acima de tudo ela permite-nos pensar claramente. Poderemos descrever – e’ uma coisa um tanto estranha, mas neste momento eu posso explicar em linguagem que soa como simples Ingles os componentes essenciais da teoria. Mas eu nao poderia, de facto faze-lo antes de ter feito os modelos. Isso requereu os calculos matematicos para chegar ao Ingles simples. Portanto, em primeiro lugar, ha’ isso. Ha’ uma enorme clarificacao que tem lugar. Em seguida, este tipo de coisa pode ser, e ja’ foi usada, como base de trabalho empirico. Uma vez que se tenha um claro ‘statement’ de como as varias pecas encaixam umas com as outras, pode-se usa-lo para avaliar o ‘impacto de bem-estar’ de diferentes politicas comerciais, portanto tudo isto e’ necessario. Mas numa fase inicial a questao e’ a de ‘como pensamos sobre esta coisa claramente?’

(…)

[AS] Sim, sim, muito bem colocado. Voltando ao seu jornalismo, ve isso como uma consequencia natural do seu trabalho na academia, essa sua viragem para uma mais, digamos, abordagem publica do que faz?

[PK] Em certa medida foi. Quero dizer, eu acredito que a tarefa de reduzir um problema intelectual a sua essencia, o que e’ muito do que esta’ envolvido em construir modelos, e a tarefa de descobrir como falar sobre um problema bastante complexo numa linguagem bastante simples e natural estao relacionados. Eu sempre senti que o que faco quando tento explicar, digamos a crise financeira em 800 palavras e o que faco quando tento fazer um modelo para a crise financeira em meia duzia de equacoes sao muito o mesmo tipo de esforco.**** Dito isso, eu estava a fazer um bom bocado desse tipo de traducao antes de trabalhar para o The New York Times, e isso continua a ser uma das coisas que eu faco no The Times. Nao tinha previsto que acabaria num ambiente tao politicamente carregado, onde sinto que preciso de fazer mais do que explicar, mas isso pareceu-me natural. Eu passei de escrever pequenos modelos para escrever pequenos artigos. Parece-me uma transicao bastante natural.

[AS] O fisico Ernest Rutherford, acho, sempre disse que voce nao deveria estar a fazer algo que nao pudesse explicar ao seu tabaconista, portanto suponho que seja a mesma ideia.

[PK] Sim, quer dizer, ha’ aquela coisa de Alfred Marshall, ele argumentava que mesmo no trabalho profissional depois de se ter compreendido uma questao devia-se queimar as equacoes, coisa em que nao acredito, mas deve-se ser capaz de explicar o que se passa tanto quanto possivel sem o aparato.

[AS] Sim. Voce esta’ muito envolvido politicamente neste momento, ou pelo menos tem uma posicao politica sobre as questoes. Sera’ isso tambem uma consequencia necessaria de tentar explicar as coisas?

[PK] Nao sei. Em certa medida. Ponhamos as coisas deste modo, eu fui um critico da administracao Bush desde muito cedo porque acreditava que eles estavam a ser desonestos, e a razao que me levou a essa conclusao muito antes de outros foi realmente porque me parecia obvio que eles estavam a mentir sobre aritmetica orcamental. Portanto, num certo sentido, o meu treino em economia jogou ai um papel. Mas, obviamente, eu fui de alguma forma para alem do meu papel como economista na minha coluna, mas, hey, economistas tambem sao pessoas, tambem sao cidadaos, e teem opinioes politicas.
(...)




*Portanto se, por hipotese absurda, eu fiz um "mestrado em imitacao" , posso orgulhar-me de ter tido a possibilidade de "imitar" pelo menos dois Nobeis da Economia, o outro foi Douglass North.

**i.e. do ‘fordismo’, acrescentaria eu numa nota a margem.


***Introduziria aqui uma outra nota para chamar atencao para dois aspectos:
i. a relativa ruptura que esta abordagem significa em relacao as teorias das vantagens absolutas e comparativas de
Adam Smith e David Ricardo respectivamente, ou seja com a “Teoria Classica do Comercio Internacional” e, por extensao, com a “Teoria Economica Neo-Classica” (pontificada, entre outros pelo modelo Heckscher-Ohlin-Samuelson) tao frequentemente ‘mal misturada’ com o que vulgarmente se conhece como ‘neo-liberalismo’;
ii. como esta abordagem pode ser suportada pelas estatisticas do comercio intra-continental Africano que os graficos que inclui
neste artigo demonstram, em qualquer das suas versoes – devo dizer que a actual magnitude desse comercio, apesar de ainda longe da desejavel, foi para mim uma constatacao bastante positiva, mas isso sera’ provavelmente materia para outro artigo.

****Isto foi o que me propus fazer
nesta serie.



*[First posted 24/10/08 - "Repostado" em referencia a recente visita de Krugman a Angola, onde uma das suas afirmacoes mais destacadas tera' sido "Um país com carências na saúde e na educação não pode ser desenvolvido". Esse lembrete fez-me revisitar este artigo, onde uma das respostas que dou a pergunta "que fazer?" e' a atribuicao das maiores fatias do orcamento a Saude e a Educacao.]



Saturday, 19 June 2010

Jose' Saramago (R.I.P.)



Pensar, Pensar

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar,
método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência,
que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do
trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.


Jose' Saramago
Outubro, 2008

Saturday, 24 October 2009

IT'S NOBEL TIME... (Recidivus)*

Doris Lessing was on the headlines earlier this year for saying, at the Hay Book Festival, such interesting things as (and they sound as if I am hearing myself...):

- "I have not noticed that women, when they get to be prime ministers are particularly peaceful. (…) On the contrary, some of the worst crimes have been committed by women. (…) We like to think we are motherly and kind and that we are not going to go to war, but it's not true, is it?"

- “What use are men? (…) An haphazard species who always have to be looked after and die much too easy."

- "There's something abrasive in me because I have often made people very cross. (…) But as a writer it is important not to care what other people think and the profession must honour that. (…) We are free... I can say what I think. We are lucky, privileged, so why not make use of it?"

Yesterday and today Lessing came back to the headlines as the 2007 winner of the Nobel Prize for Literature. I was particularly drawn to her writing by her novel ‘The Grass is Singing’ about the relationship between the wife of a white farmer with a black servant in colonial Zimbabwe, where she lived her earlier life. The Nobel Academy described Lessing as "that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary power has subjected a divided civilisation to scrutiny".


Former US Vice-President, Al Gore, was on the headlines earlier this week as the subject of an “inconvenient judgment” by a British High Court judge who branded his Oscar and Emmy award-winning film on climate change, ‘An Inconvenient Truth’, something like “not fit for purpose” as didactic material to be used in this country's schools.

The judge stated that the film contains "nine scientific errors, some of which arisen in the context of alarmism and exaggeration” and determined that it must be accompanied by new guidance notes and appropriate scientific caveats to balance what he termed Gore’s “one-sided views”, before it can be shown in UK Schools.

Today Gore came back again to the headlines for sharing this year's Nobel Peace Prize with the UN Intergovernmental Panel on Climate Change. According to the Nobel judges, “his strong commitment, reflected in political activity, lectures, films and books, has strengthened the struggle against climate change.”

Gore follows Wangari Maathai (winner in 2004) as the second environmental campaigner to be awarded the Nobel Peace Prize, which is usually reserved for those who bravely oppose war and conflict.

(I can't wait to hear about the Nobel for Economics on Monday...)

*First published 12/10/07
Doris Lessing was on the headlines earlier this year for saying, at the Hay Book Festival, such interesting things as (and they sound as if I am hearing myself...):

- "I have not noticed that women, when they get to be prime ministers are particularly peaceful. (…) On the contrary, some of the worst crimes have been committed by women. (…) We like to think we are motherly and kind and that we are not going to go to war, but it's not true, is it?"

- “What use are men? (…) An haphazard species who always have to be looked after and die much too easy."

- "There's something abrasive in me because I have often made people very cross. (…) But as a writer it is important not to care what other people think and the profession must honour that. (…) We are free... I can say what I think. We are lucky, privileged, so why not make use of it?"

Yesterday and today Lessing came back to the headlines as the 2007 winner of the Nobel Prize for Literature. I was particularly drawn to her writing by her novel ‘The Grass is Singing’ about the relationship between the wife of a white farmer with a black servant in colonial Zimbabwe, where she lived her earlier life. The Nobel Academy described Lessing as "that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary power has subjected a divided civilisation to scrutiny".


Former US Vice-President, Al Gore, was on the headlines earlier this week as the subject of an “inconvenient judgment” by a British High Court judge who branded his Oscar and Emmy award-winning film on climate change, ‘An Inconvenient Truth’, something like “not fit for purpose” as didactic material to be used in this country's schools.

The judge stated that the film contains "nine scientific errors, some of which arisen in the context of alarmism and exaggeration” and determined that it must be accompanied by new guidance notes and appropriate scientific caveats to balance what he termed Gore’s “one-sided views”, before it can be shown in UK Schools.

Today Gore came back again to the headlines for sharing this year's Nobel Peace Prize with the UN Intergovernmental Panel on Climate Change. According to the Nobel judges, “his strong commitment, reflected in political activity, lectures, films and books, has strengthened the struggle against climate change.”

Gore follows Wangari Maathai (winner in 2004) as the second environmental campaigner to be awarded the Nobel Peace Prize, which is usually reserved for those who bravely oppose war and conflict.

(I can't wait to hear about the Nobel for Economics on Monday...)

*First published 12/10/07

Friday, 9 October 2009

BO: NOBEL PEACE PRIZE!


Not the first, but the last

Ana --

This morning, Michelle and I awoke to some surprising and humbling news. At 6 a.m., we received word that I'd been awarded the Nobel Peace Prize for 2009.

To be honest, I do not feel that I deserve to be in the company of so many of the transformative figures who've been honored by this prize -- men and women who've inspired me and inspired the entire world through their courageous pursuit of peace.

But I also know that throughout history the Nobel Peace Prize has not just been used to honor specific achievement; it's also been used as a means to give momentum to a set of causes.

That is why I've said that I will accept this award as a call to action, a call for all nations and all peoples to confront the common challenges of the 21st century. These challenges won't all be met during my presidency, or even my lifetime. But I know these challenges can be met so long as it's recognized that they will not be met by one person or one nation alone.

This award -- and the call to action that comes with it -- does not belong simply to me or my administration; it belongs to all people around the world who have fought for justice and for peace. And most of all, it belongs to you, the men and women of America, who have dared to hope and have worked so hard to make our world a little better.

So today we humbly recommit to the important work that we've begun together. I'm grateful that you've stood with me thus far, and I'm honored to continue our vital work in the years to come.

Thank you,

President Barack Obama


[More details here]


Not the first, but the last

Ana --

This morning, Michelle and I awoke to some surprising and humbling news. At 6 a.m., we received word that I'd been awarded the Nobel Peace Prize for 2009.

To be honest, I do not feel that I deserve to be in the company of so many of the transformative figures who've been honored by this prize -- men and women who've inspired me and inspired the entire world through their courageous pursuit of peace.

But I also know that throughout history the Nobel Peace Prize has not just been used to honor specific achievement; it's also been used as a means to give momentum to a set of causes.

That is why I've said that I will accept this award as a call to action, a call for all nations and all peoples to confront the common challenges of the 21st century. These challenges won't all be met during my presidency, or even my lifetime. But I know these challenges can be met so long as it's recognized that they will not be met by one person or one nation alone.

This award -- and the call to action that comes with it -- does not belong simply to me or my administration; it belongs to all people around the world who have fought for justice and for peace. And most of all, it belongs to you, the men and women of America, who have dared to hope and have worked so hard to make our world a little better.

So today we humbly recommit to the important work that we've begun together. I'm grateful that you've stood with me thus far, and I'm honored to continue our vital work in the years to come.

Thank you,

President Barack Obama


[More details here]

Monday, 15 October 2007

MECHANISM DESIGN








Leonid Hurwicz, Eric Maskin and Roger Myerson of the United States won the 2007 Nobel Economics Prize on Monday for their pioneering work on making markets work more efficiently.
The Nobel jury said the three took the prize for their work on Mechanism Design theory, a sub-field of economics that looks at ways to make imperfect markets -- be they of economic or social exchanges -- work better than they do.



(Well, congratulations! But, let's just say... I prefer Economics to Mechanics and sometimes Design to Economics...)








Leonid Hurwicz, Eric Maskin and Roger Myerson of the United States won the 2007 Nobel Economics Prize on Monday for their pioneering work on making markets work more efficiently.
The Nobel jury said the three took the prize for their work on Mechanism Design theory, a sub-field of economics that looks at ways to make imperfect markets -- be they of economic or social exchanges -- work better than they do.



(Well, congratulations! But, let's just say... I prefer Economics to Mechanics and sometimes Design to Economics...)