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NEWS & VIEWS
CARPE DIEM
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August 16, 2008

NOTA EN PASSANT

Acabo de descobrir, nao exactamente por acaso, mas quase, que o livro de Paula Tavares "A Cabeca de Salome'", (do qual pouco mais tive ate' agora oportunidade de ler do que este texto que aqui publiquei quando o recebi, juntamente com o "Manual Para Amantes Desesperados", com simpaticas dedicatorias da autora, no ano passado) e' composto por um conjunto de cronicas por ela publicadas no Publico entre 1999 e 2002... Ou seja, pelo menos durante os ultimos seis meses desse periodo, houve, sem que eu o soubesse ate' agora, a coincidencia de eu tambem ter publicado uma serie de cronicas no Semanario Angolense... Agora comeco a perceber (melhor?) algumas coisas... e a ter uma maior nocao do quanto de facto tenho estado afastada do mundo lusofono...
Mas, este e' apenas um apontamento para notar um acontecimento digno de nota.

July 26, 2008

BE MY GUEST! (III - AUGUSTO NASCIMENTO)

Desta vez o meu convidado nao e’ um blogger, pelo menos por enquanto, mas um frequentador da blogosfera. O seu nome nao sera’ completamente estranho a alguns dos visitantes deste blog, uma vez que ja’ aqui publiquei um texto seu.

Trata-se de um autor, Augusto Nascimento, que graciosamente se prestou a fazer uma apresentacao do seu ultimo livro especialmente para este blog.
E’, portanto, uma honra inclui-lo nesta serie como meu convidado especial!

Vidas de S. Tomé segundo vozes de Soncente

Por Augusto Nascimento

1. Este livro reconstitui uma história de cabo-verdianos no arquipélago de São Tomé e Príncipe nos derradeiros decénios do colonialismo, uma das questões mais politizadas no processo de consciencialização de uma identidade cabo-verdiana.
Vidas de S. Tomé segundo vozes de Soncente baseia-se numa recolha de testemunhos daqueles que, mais ou menos forçados a passar pela experiência da pior migração, não se escusaram a partilhar as suas memórias sobre a sua parte na aventura do povo cabo-verdiano.

2. No capítulo I, tece-se uma visão da vida na cidade do Mindelo e das circunstâncias económicas, sociais e administrativas que empurraram muitos cabo-verdianos para a pior migração. Referem-se, concretamente, as memórias da partida dos primeiros grupos, o seu impacto na vida da cidade e, ainda, o processo de lenta consciencialização política favorecida por essa migração.
No capítulo II, focam-se as circunstâncias vividas pelos cabo-verdianos enquanto contratados – condição pela qual muitos pretextaram terem optado livremente ainda que para safar a vida – a começar pelos constrangimentos da viagem. Foca-se, em especial, a memória do impacto da chegada a São Tomé e à dura rotina das roças. A pior migração revelar-se-ia aviltante para a auto-imagem dos cabo-verdianos.
No capítulo III, aprofundam-se as condições de vida nas roças. De igual modo, presta-se atenção aos processos de inserção social de cabo-verdianos, alguns dos quais foram oscilando entre o ir ficando e o regresso. Alguns lograram sair da tutela das roças e procurar uma vida mais independente no exíguo mundo urbano de São Tomé. Uns chegaram a ensaiar a criação de núcleos de associativismo cabo-verdiano.
No capítulo IV, seguimos um percurso individual significativo da procura de pequenos ganhos e de saídas possíveis no mundo fechado das roças onde, supostamente, não havia espaço para escolhas pessoais. Este percurso é explicado em função quer de uma arrogada idiossincrasia cabo-verdiana, quer de um contexto político propício a alguma distensão social nas roças, logicamente mais favorável aos serviçais.
A migração para o arquipélago foi usada enquanto motivo de agravo contra o colonialismo. Sem embargo da politização deste trecho da história dos cabo-verdianos, essa pior migração tende a ser esquecida por quantos se viram nela envolvidos, tal o processo explanado no capítulo V.
O cotejo desta obra com outros estudos, designadamente os fundados nas memórias de cabo-verdianos que permaneceram por São Tomé e Príncipe, permitirá perceber o conteúdo situacional e relacional, não apenas das memórias, quanto também das avaliações políticas e históricas da trajectória de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.

3. Nos anos recentes, a situação dos cabo-verdianos que se quedaram por São Tomé e Príncipe tem despertado atenção em Cabo Verde. A partir da noção de Cabo Verde como uma nação diaspórica, as autoridades cabo-verdianas vêm tentando envolver toda a comunidade cabo-verdiana num movimento de solidariedade para com os concidadãos – designadamente os mais idosos, com décadas de permanência em São Tomé e Príncipe – que vivem em circunstâncias difíceis neste arquipélago.
Neste livro, recuperam-se memórias que poderão ajudar ao estabelecimento de elos entre cabo-verdianos de diferentes partes do mundo, assim como entre cabo-verdianos, são-tomenses e, ainda, portugueses.






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Nha Cancera Ka Tem Medida - Cesaria Evora

May 11, 2008

TONI MORRISON: ON LIFE, WRITING & OBAMA

Here’s where I stand with Toni Morrison: she has my utmost respect and admiration as the first, and so far only, black woman to win the Nobel Prize for Literature. However, I must confess that I have some difficulty in naming her as my ‘preferred writer’, for the simple (difficult) reason that her books, generally, don’t make easy reading for me. Her fictional writing is so complex that in the end I’m never quite sure that I really understood what she meant to convey to the reader. Of course I can always rely solely on my own presumed understanding of it, on my own take – and isn’t this all we can claim to get at the end of any reading, anyway? But I wish I could make more sense of it all.

I mean, I enjoyed reading Song of Solomon, Sula, Beloved and The Bluest Eye, but always came out of the last page of any of them with that sense of ‘unfulfilled promise’, of ‘unscathed bewilderment’... Then, a strange phenomenon, which only happened to me once before (that was with Memoires d’Hadrien by Marguerite Yourcenar – another writer with a special place in literary history, as the first woman to be elected to the French Academy), happened with Paradise: for the last 10 years I’ve been trying really hard to read this book, without ever managing to get too far into it; I close and set it aside for a while, then restart it again only to get stuck somewhere all over again… Needless to say, to this day I’m still ‘bewitched, bothered and bewildered’ by both Memoires d’Hadrien and Paradise

But what really made me bring Toni Morrison here today was a recent interview she gave to Time readers, from which I’ve extracted the following passages:

(…)
Different books arrive in different ways and require different strategies. Most of the books that I have written have been questions that I can't answer. In order to actually put down the first word—I don't really have a plan—I sometimes have a character, but I can't do anything with it until the language arrives.
(…)
I thought about voting for Hillary at the beginning. I don’t care that she is a woman. I need more than that. Neither his race, his gender, her race or her gender was enough. I needed something else, and the something else was his (Obama’s) wisdom.
(…)
I have two (dreams yet to fulfill). Well, three, really. Two involve novels that I'm going to write and haven't written. The third is immortality. [Laughs.] I don't mean my work. I mean me.

[Read more here]

March 11, 2008

MARTIN AMIS: "A WRITER FOR OBAMA"

Well, I’m sure Martin Amis is far from being the only “writer for Obama” around the world. However, what makes his support for Obama peculiar to me is the fact that he has been dogged by accusations of racism over his stances on Islam and multiculturalism in the post-9/11 world…
You can watch the full BBC show where, last Thursday, he expressed his views on the American presidential race here, but I will just summarise some of the things he said:


"We all have visceral reactions to both Hillary and Obama. (...) It is partly because of identity politics staring one in the face as it hasn't in many years. (...) Of the three remaining candidates only Barack Obama has an aura of freshness and regeneration and the chance to redeem, restore and repositioning America's image in the world. (...) He is the 'Pope of Hope' who speaks to a need both of America and of the World."

“One has to remind everybody that women are not a minority even though there have never been one in the White House. (…) I think that part of the problem is that when a woman candidate gets near power, or embraces power, they become more masculine than men, they’re toxic with testosterone just to get there, they have to show that they’re tougher than anyone. (…) By the way, Hillary Clinton terrifies me with her egoism – I mean, you feel her ambition from here! And if she fails, I’ll tell you one thing that’s gonna happen: she’s going to divorce Bill Clinton!”


February 18, 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (1)

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”


Manuel Alegre



Inicio esta nova serie com tres artigos do penultimo numero (#251), do Semanario Angolense (SA), que seleccionei nao so’ pelo seu interesse intrinseco, mas tambem por nos permitirem fazer ‘updates’ de questoes e eventos anteriormente abordados neste blog.
***
Vida e morte de Diniz Kanhanga, o «Menino da Bandeira»

Neste artigo, Salas Neto reflecte sobre as deploraveis condicoes de vida e o recente falecimento de Diniz Kanhanga, de cujo preocupante estado de saude ele nos tinha dado conta num artigo de que aqui fiz eco no ultimo 11 de Novembro:

Era conhecido como o «Menino da Bandeira», porque acabaria por fazer história, ao auxiliar o também já falecido comandante Imperial Santana, herói da luta de libertação contra o colonialismo português, a içar a bandeira da República Popular de Angola, nos primeiros momentos do dia 11 de Novembro, na cerimónia de proclamação da «dipanda» do país celebrada no antigo largo 1.º de Maio.

Entretanto, na sua ultima edicao (#252), o SA publica o seguinte comentario:

“Há informações de que dois jornalistas do Jornal de Angola deverão ser penalizados por um deles ter produzido e o outro ter editado uma notícia sobre a morte de Diniz Kanhanga, em que se dizia que o «Menino da Bandeira» tinha morrido na indigência quase absoluta. O repórter contou que, no quarto do então menino que ajudou a içar a bandeira da RPA a 11 de Novembro de 1975, sendo por isso um ícone que devia merecer melhor tratamento, encontrou como espólio meia dúzia de livros, alguns jornais e pouco mais. Embora fosse verdade, a direcção do diário considerou que os dois (repórter e editor) feriram a linha editorial da publicação, devendo por isso ser penalizados. A ser assim, tudo indica que a «liberdade de imprensa» é coisa para esquecer. Aos eventuais castigados, pede-se apenas coragem e paciência, porque hão-de surgir, tarde ou cedo, dias melhores nestes particulares.”

(Mais aqui)

***
Raças no Bilhete de Identidade

Severino Carlos tenta deitar agua na fervura da polemica questao da mencao da raca nos BI Angolanos, ja’ aqui abordada, por exemplo neste post e tambem nesta entrevista de Eugenia Neto ao Expresso. Para o efeito, o articulista recorre ao Relatorio do PNUD sobre o Desenvolvimento Humano de 2004 – que tenho tido em permanente destaque neste blog desde o seu inicio, atraves do extracto que ilustra este post – 'a luz do qual questiona, visando deita-los por terra, alguns dos mitos que teem sustentado essa polemica.

Exactamente por entender que é assim, e objectivando pôr água na fervura que por aí vai, o Semanário Angolense volta à carga, trazendo o ponto de vista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre a temática das inclusões e exclusões culturais e seus efeitos sobre o desenvolvimento dos países. Abalizados cientistas sociais que trabalham para essa insuspeita agência do Sistema das Nações Unidas, ao elaborarem o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2004, dedicado à problemática da liberdade cultural num mundo diversificado, deitaram por terra os mesmos mitos que suscitam determinadas intranquilidades no nosso país. A fazer fé nesses especialistas, nem as culturas são estanques, nem a assunção de políticas de diversidade cultural resultam, necessariamente, em fragmentação, conflito, fraco desenvolvimento, ou governo autoritário. Para já, cinco mitos caíram. Vamos a eles.

(Aqui)

***
Literatura e identidade

Last, but not least, Inocencia Mata partilha as suas observacoes criticas sobre o coloquio recentemente realizado na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, sob o titulo «Para Além da Mágoa: Novos Diálogos Pós-Coloniais», a que aqui fiz mencao neste post.

Tratou-se, por estes lados, de um encontro interessante, à partida, por pôr em diálogo escritores a trocarem ideias sobre questões teóricas: os intervenientes eram escritores, e não estudiosos. Convenhamos: o pós-colonial é uma questão teórica e não de criação literária. Porém, assim como não é suposto um escritor saber definir uma metáfora, não tem que saber o que é o pós-colonial (se é que é algo definível, mas isto é outra história...). E se havia escritor que achava que esta não é preocupação sua, não aceitasse o convite. Esta deveria ser uma questão de princípio, transversal a qualquer convite, diga-se! Mas, voltando ao que aconteceu, e sobretudo ao que aconteceu no painel sobre «Dos diálogos, e de uma Literatura Luso-Afro-Brasileira Pós-Colonial», moderado pela autora destas linhas…

(Aqui)

January 15, 2008

SOBRE 'A SUAVE PATRIA' DE INOCENCIA MATA

CRÍTICAS DE LONGE…

Por Augusto Nascimento

Este livro é uma colectânea de crónicas e artigos de opinião sobre o presente em São Tomé e Príncipe, difundidas pela RDP (Rádio Difusão Portuguesa) África, estação emissora escutada no arquipélago. Alguns dos textos são especialmente sugestivos. Uns abordam temas políticos, outros versam questões culturais, matéria à qual a autora dedica muita atenção. Noutros, ainda, valoriza-se a diáspora.

Dos vários tópicos referentes à política, destaquem-se a cultura e as práticas políticas num país insular com o petróleo no horizonte, o papel das elites e, ainda, a abertura do espaço político à participação cívica das populações. A autora põe em evidência os atropelos do Estado às liberdades dos cidadãos, distinguindo, como outros académicos, multipartidarismo de democracia, a qual requer um exercício pleno de uma "cidadania civil" (p. 28). Inocência Mata atribui esses atropelos à cultura política prevalecente que, insinua, não pode deixar de estar enviesada pelo facto de os protagonistas de hoje serem os mesmos de um passado autoritário recente. Ou a outras circunstâncias, como, por exemplo, a prevalência em S. Tomé e Príncipe da "ditadura da familiocracia" (p. 50). Mais relevante, a autora foca as causas do desânimo dos são-tomenses, a saber, o rumo da democracia (ou do multipartidarismo) e a prevalência da corrupção.

(…)

A cultura--ou os traços culturais--é a alavanca a partir da qual Mata pensa
o curso da política no seu país. Mas não se detém na vertente política.
Aborda também as outras facetas culturais, entre elas, as línguas, algumas
das quais destinadas a perecer. Como sucede frequentemente nos autores
situados nos espaços diaspóricos, a autora tende a transmitir uma visão da
cultura da terra de origem como uma plataforma de remissão e um repositório
de autenticidade necessária para a regeneração das práticas políticas.

Assim, algumas ideias romantizadas alternam com cruas constatações. Outras
ideias correm apressadas, dir-se-ia, atrás do propósito da denúncia, umas
vezes, desassombrada, outras, contida. Dessa motivação terão resultado
algumas imprecisões: por exemplo, não foi só depois da inflexão neo-liberal
que o Estado se demitiu da promoção da educação, da cultura e da língua.
Trata-se de uma constatação alinhavada a partir da observação da degradação
das políticas culturais comummente associada à mudança política de inícios
dos anos 90. Porém, em bom rigor, essa degradação já era visível no regime
monopartidário.

Na verdade, dado o apriorismo de que as receitas neo-liberais são
necessariamente adversas aos africanos--qual extensão da dominação de
outrora!, pensa-se--parece fácil censurar essa demissão do Estado e
imputá-la ao rumo neo-liberal dos anos 90. Talvez também (por motivação
afectiva, alvitrar-se-ia, e) por razões ideológicas, a autora não vislumbra
a instrumentalização, primeiro, e a demissão, depois, do papel do Estado
monopartidário na dinamização cultural. De resto, em S. Tomé e Príncipe,
como em toda a parte, o âmbito e as modalidades de intervenção dos Estados
nesse domínio são sempre muito discutíveis.

(…)

Em suma, este livro tem que ser lido como parte do movimento de recriação
cultural próprio das diásporas, neste caso, com acentuado pendor crítico
dada a recente história do país e a forte politização dos projectos sociais
associados à independência. O livro contém análises lúcidas. Contudo,
também por espelharem estados de alma, os textos mostram cedências.
Alvitram-se possibilidades e vias futuras, que a análise fria e
afectivamente desapegada não autoriza a inferir como prováveis, antes pelo
contrário. Fala-se de participação cívica, de criação de um debate, de pacificação
social e política, de mobilização da diáspora. A ver vamos.

[Texto integral aqui]

Copyright (c) 2007 by H-Net, all rights reserved.

December 08, 2007

FINALLY, HERE IT IS: THE EU-AFRICA SUMMIT


After seven years of much anticipation and controversy, the second EU-Africa Summit is finally taking place this weekend in Lisbon, Portugal.


And since controversy begets controversy, the Summit starts, among other notorious "inconveniences", under the sour taste inflicted upon the leaders of both continents by a damning letter addressed to them a couple of days ago by a group of African and European writers who accuse them of "political cowardice".


Here's the full text of the letter:

"In a few days heads of state from Africa and Europe will meet in Portugal to discuss issues common to two continents whose histories, for good and bad, have intertwined for centuries. This is a historic opportunity to inaugurate a new era founded on shared values and a genuine friendship where we can support each other and learn from each other.
But that will not be possible while the summit meeting shies away from discussing two of the world's worst humanitarian crises, those in Zimbabwe and Darfur. Despite Europe's and Africa's shared responsibility to address such crises, neither one is on the agenda. No time has been set aside for formal or informal discussion
What can one say of this political cowardice? We expect our leaders to lead, and lead with moral courage. When they fail to do so they leave all of us morally impoverished. Where they funk the difficult issues they make themselves irrelevant. Why should we listen to the mighty when the mighty are deaf to the cries of the afflicted? Millions of Africans and Europeans would expect Zimbabwe and Darfur to be at the very top of the agenda. It is not too late."

Signatories:

Europe: Vaclav Havel, Günter Grass, Roddy Doyle, Tom Stoppard, Jose Gil, Colm Tóibín, Jürgen Habermas, Dario Fo, Franca Rame.
Africa: Professor Wole Soyinka, Mia Couto, Chimamanda Ngozi Adichie, Gillian Slovo, Ben Okri, Nadine Gordimer, JM Coetzee, Goretti Kyomuhendo.

LEIA "A PROPÓSITO DA CIMEIRA E DO MANIFESTO DOS ESCRITORES", por João Craveirinha, AQUI


[Pictures at the EU-Africa Summit in Lisbon, Portugal on Saturday, Dec. 8, 2007: 1 - Muammar Qaddafi, Libya's leader, adjusts his sunglasses; 2 - Umar al-Bashir Sudan's president, left, and Robert Mugabe, Zimbabwe's president, center, talk before a group photo session. Photographer: Suzanne Plunkett/Bloomberg News]

September 08, 2007

INTERESTING READINGS FOR THE SOCIAL RESEARCHER... (RECIDIVUS)*

... OR JUST THE INTERESTED LAY READER



Critique of Anthropology is dedicated to the development of anthropology as a discipline that subjects social reality to critical analysis. The journal challenges received wisdoms inside academic anthropology and in society at large, presenting work that is innovative, challenging, sometimes experimental and often uncomfortable.

For more reading suggestions CLICK HERE.
*(First published 28/04/07)

August 28, 2007

"SIGNIFICANCIAS LUSOSFERICAS" ET LUANDA'S (G)LITTERATI'S TOP FIVES

"SIGNIFICANCIAS LUSOSFERICAS"

"...Combater a pobreza?! Que mal e' que a pobreza fez a alguem para ser combatida?..." (MRM)

"...Eu e' que devia ser beneficiado pela 'accao afirmativa' porque sou parte da minoria..." (MC)

"...Compram arte africana, o que quer que isso seja..." (JEA)

"...O povo nao sabe o que e' bom..." (ACGM)




LUANDA'S (G)LITTERATI TOP-5 PET HATES

1. Substituicao das estatuas das Marias da Fonte e do Blindado pela da Rainha Nzinga (por esta alegadamente nao ter passado de uma "escravocrata" negra)

2. Transformacao do "Palacio/Casa de Escravos de D. Ana Joaquina" (que efectivamente nao passou de uma escravocrata mestica)

3. Registo da raca nos B.I.

4. Qualquer mencao a palavra "identidade"

5. "Complexos de colonizado" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 MUCH LOVES

1. Portugal (?)

2. Lusofonia (?)

3. Um certo Brasil (que exclui os seus Movimentos Negros reivindicativos)

4. Uma certa Africa do Sul, em particular Cape Town (que nao inclui as suas Townships)

5. "Pretos descomplexados" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INDIFFERENCES

1. Racismo praticado nos Bancos e outras empresas instaladas em Angola

2. Todas as causas da sociedade civil que nao constem dos seus top-5 pet hates

3. Qualquer abordagem do fenomeno corrupcao que nao se limite a ridicularizacao dos "sinais exteriores de riqueza" dos seus alvos criteriosamente seleccionados

4. A Diaspora Angolana pos-independencia em geral

5. Africa e os Africanos em geral

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INCOGNITAS

1. Qualquer abordagem socio-economica da relacao raca/classe social

2. Qualquer conceito de "identidade cultural" (incluindo a que os une a volta das mesmas causas)

3. O mundo pos-Guerra Fria

4. Comunidade Negra Norte-Americana (de facto, todas e quaisquer Comunidades Negras)

5. "Pretas complexa(da)s" - o que quer que isso seja

***

GLITTERING CONCLUSION:

Not All That Glitters Is Gold...

July 21, 2007

RECENT PUBLICATIONS ON "LUSOPHONE AFRICA"

M. Anne Pitcher with Aubrey Graham, "Cars are Killing Luanda: Cronyism,
Consumerism and Other Assaults on Angola's Postwar, Capital City" in Martin Murray and Garth Myers, eds., _Cities in Contemporary Africa_, pp. 173-199 (NY: Palgrave, 2006). The chapter uses cars as the "vehicle" through which to analyze Angola's postwar political economy; includes a photographic essay.

Cristina Udelsmann Rodrigues, "From Family Solidarity to Social Classes: Urban Stratification in Angola (Luanda and Ondjiva)," _Journal of Southern African Studies_ 33, 2 (June 2007): 235-250.

Stefan Helgesson, "Shifting Fields: Imagining Literary Renewal in
Itinerário and Drum," Research in African Literatures 38, 2 (Summer 2007).

Linda Ledford-Miller, "'So Few and Yet So Little Known': Historical
Recovery and Reconstruction in the Work of Lilìa Momplé," Africa (Rome) 61(2006): 564-82.

George E. Brooks, "Cabo Verde, Gulag of the South Atlantic: Racism, Fishing Prohibitions, and Famines," _History in Africa_ v. 33 (2006): 101-135.

Darlene Miller, "Changing African Cityscapes: Regional Claims of African Labor at South African-Owned Shopping Malls," in Cities in Contemporary Africa, ed., Martin Murray and Garth Myers (Palgrave, 2006) - this article includes a look at Maputo's Shoprite mall, opened in 1997.

Augusto Nascimento, Entre o mundo e as ilhas. O associativismo são-tomense nos primeiros decénios de Novecentos, S. Tomé, UNEAS, 2005

Augusto Nascimento, O fim do caminhu longi, Mindelo, Ilhéu Editora, 2007

Recent Ph.D. dissertations:

Laudemiro A. Francisco, "The State, Development and the Role of Local Economic Systems in Southern Africa: A Comparative Study of Mozambique and Botswana" (Howard Univ., 2006).

Joao Jose Pinheiro Rosa, "Diglossia in Cape-Verde: Discourses, Class, Race and the Promise of Education" (University of Wisconsin, Madison, 2006).

Isabel Maria da Costa Morais, "Creolised and Colonised: The History and Future of the Macanese and Mozambican Chinese" (U. of Hong Kong, 2003).

Azaria Mbughuni, "Tanzania and the Liberation Struggle in Southern Africa, 1958-1975 (Howard Univ., 2006).

LaShonda Nate Long, "Sacred Bodies, Sacred Memories: The Black Body and Collective Memory in Contemporary Luso-Brazilian and Lusophone African Literature and Film" (UCLA, 2006)

Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)

June 11, 2007

AGORA LUANDA

Chega-me noticia de que o livro Agora Luanda, com fotografias de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e textos de Jose Eduardo Agualusa e Delfim Sardo, recentemente publicado pela editora portuguesa Almedina, serviu de base a um documentario entitulado “Mae Ju” e a uma exposicao fotografica nas instalacoes do Centro Cutural Portugues de Luanda.



“Hoje, misturam-se pelas ruas de Luanda o umbundo oblongo dos ovimbundos. O lingala (língua que nasceu para ser cantada) e o francês arranhado dos regrês. O português afinado dos burgueses. O surdo português dos portugueses. O raro quimbundo das derradeiras bessanganas. A isso junte-se, com os novos tempos, uma pitada do mandarim elíptico dos chineses, um cheiro a especiarias do árabe solar dos libaneses; e ainda alguns vocábulos em hebreu ressuscitado, (...), colhidos sem pressa nas manhãs de domingo, em alguns dos mais sofisticados bares da Ilha. Mais o inglês, em tons sortidos, de ingleses, americanos e sul-africanos. O português feliz dos brasileiros. O espanhol encantado de um outro cubano que ficou para trás. E toda esta gente movendo-se pelos passeios, acotovelando-se nas esquinas, numa espécie de jogo universal da cabra-cega. Moços líricos. Moças tísicas. Empresas de esperança privada”, escreve Jose Eduardo Agualusa neste livro.

June 08, 2007

RECENT PUBLICATIONS ON "LUSOPHONE AFRICA"


Christopher J. Colvin, "Civil society and reconciliation in Southern
Africa," Development in Practice, 17, 3 (June 2007): 322-337. (Findings of
the Southern African Reconciliation Project (SARP), a collaborative
research project involving five Southern African NGOs in Malawi,
Mozambique, Namibia, South Africa, and Zimbabwe.

A. D. Harvey, "Counter-Coup in Lourenço Marques: September 1974,"
International Journal of African Historical Studies 39, 3 (2006): 487-98.

Sabine Asselle and Joseph Hanlon, "Tribute to Jose Negrão," Review of
African Political Economy, v.34, issue 111 (2007): 202-203

Julie A. Silva, "Trade and Income Inequality in a Less Developed Country:
The Case of Mozambique," Economic Geography 83, 2 (April 2007) 111-136.

Sandra Roque and Alex Shankland, "Participation, mutation and political
transition: new democratic spaces in peri-urban Angola," in _Spaces for
change?: the politics of citizen participation in new democratic arenas_,
edited by Andrea Cornwall and Vera Schatten P. Coelho (London: Zed Books,
2007).

Todd Howland, "Case study: the United Nations human rights field operation
in Angola," in _The human rights field operation: law, theory and
practice_, edited by Michael O'Flaherty (Aldershot, England: Ashgate, 2007).

Boubacar-Sid Barry [et al.], eds., _Conflict, livelihoods, and poverty in
Guinea-Bissau_ (Washington, D.C.: World Bank, 2007).

Brian Michael King, "Guinea-Bissau: 'pull-and-tug' toward internet
diffusion," in _Negotiating the net in Africa: the politics of internet
diffusion, edited by Ernest J. Wilson III and Kelvin R. Wong (Boulder,
Colo.: Lynne Rienner, 2007).

Maria Emília Madeira Santos e Manuel Lobato, _Política e Territórios
Coloniais..._ A.A. V.V.*,O DOMÍNIO DA DISTÂNCIA. Comunicação e
Cartografia, *coord., Lisboa, 2006, História e Cartografia, Instituto de
Investigação Científica Tropical,192 pp. gravuras e mapas.


Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)

June 06, 2007

CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE: FIRST AFRICAN ORANGE PRIZE WINNER

The winner of the Orange Broadband Prize for Fiction 2007, one of the most prestigious literary awards in the UK, was just announced: Chimamanda Ngozi Adichie, Nigerian, born in 1977, for her second novel “Half of a Yellow Sun” (Fourth Estate). The 29 year old became the first African and the youngest ever winner of this prize. She won over a shortlist of finalists from five countries, including American Pulitzer winner Anne Tyler, Indian Booker Prize winner Kiran Desai, Chinese Xiaolu Guo and the British Jane Harris and Rachel Cusk.


During the awards ceremony in London, at the ballroom of the newly refurbished Royal Festival Hall, the 2007 Chair of Judges, Muriel Gray, presented the author with the GBP30,000 prize and the 'Bessie', a limited edition bronze figurine, having said: "The judges and I were hugely impressed by the power, ambition and skill of Chimamanda Ngozi Adichie's novel. It's astonishing, not just in the skillful subject matter, but in the brilliance of its accessibility. This is a moving and important book by an incredibly exciting author."


“Half of a Yellow Sun”, set in the 1960s during the Nigeria-Biafra war, is described as a novel about Africa, about moral responsibility, the end of colonialism, ethnic allegiances, class and race and about how love can complicate all these things. Chimamanda’s first novel, Purple Hibiscus, was shortlisted for the Orange Prize for Fiction in 2004 and the John Llewellyn Rhys Prize, longlisted for the Man Booker Prize and won the Hurston/Wright Legacy Award for debut fiction.


In her first interview to the BBC after receiving the prize, Chimamanda expressed her obvious joy for this achievement, saying that she wasn't particularly proud for being the youngest, but for being the first African to win the prize. Asked about her views on the understanding of Africa by the main protagonists of G-8 meetings (currently taking place in Germany), from Bush to Bono, in relation to the subject of her book, she said "I don't see the problem as one of how much Africa is understood, but how Africa is approached... not as a hopeless continent with people only waiting for aid and things to be done for them."


The Orange Broadband Prize for Fiction was set up in 1996 to celebrate and promote fiction written by women throughout the world to the widest range of readers possible. The prize is awarded to the best novel of the year written in English by a woman. Previous winners of this prize are Zadie Smith for On Beauty (2006), Lionel Shriver for We Need to Talk About Kevin (2005), Andrea Levy for Small Island (2004), Valerie Martin for Property (2003), Ann Patchett for Bel Canto (2002), Kate Grenville for The Idea of Perfection (2001), Linda Grant for When I Lived in Modern Times (2000), Suzanne Berne for A Crime in the Neighbourhood (1999), Carol Shields for Larry's Party (1998), Anne Michaels for Fugitive Pieces (1997), and Helen Dunmore for A Spell of Winter (1996).



ADENDA: Meanwhile, Nigerian writer Chinua Achebe won the Man International Booker Prize Award 2007. (Read more about it here)


(Pictures by Getty Images/AFP and Orange)

June 02, 2007

RECENT BOOKS ON AFRICAN MATHS


Drawings from Angola: Living Mathematics

For children from age 8 to 14. By Paulus Gerdes “Drawings from Angola” present an introduction to an African story telling tradition. The tales are illustrated with marvelous drawings made in the sand. The book conveys the stories of the stork and the leopard, the hunter and the dog, the rooster and the fox, and others. It explains how to execute the drawings. The reader is invited to draw tortoises, antelopes, lions, and other animals. The activities proposed throughout the book invite the reader to experiment and to explore the ‘rhythm’ and symmetry of the illustrations. Surprising results will be playfully obtained, such as in arithmetic, a way to calculate quickly the sum of a sequence of odd numbers. Children will live the beautiful mathematics of the Angolan sanddrawings. Answers to the activities are provided. The book can be used both in classrooms and at home.For youngsters from 15 years onwards, Paulus Gerdes wrote the book “Lusona: Geometrical Recreations of Africa” (L’Harmattan, Paris, 1997).Parents and teachers who like to know more about the Cokwe story telling and drawing tradition, may consult his book “Sona Geometry from Angola: Mathematics of an African Tradition” (Polimetrica, Monza, 2007).

(Read more about Sona here)



African Doctorates in Mathematics. A Catalogue

This volume presents a catalogue of over 2000 doctoral theses by Africans in all fields of mathematics, including applied mathematics, mathematics education and history of mathematics. The introduction contains information about distribution by country, institutions, period, and by gender, about mathematical density, and mobility of mathematicians. Several appendices are included (female doctorate holders, doctorates in mathematics education, doctorates awarded by African universities to non-Africans, doctoral theses by non-Africans about mathematics in Africa, activities of African mathematicians at the service of their communities). Paulus Gerdes compiled the information in his capacity of Chairman of the African Mathematical Union Commission for the History of Mathematics in Africa (AMUCHMA). The book contains a preface by Mohamed Hassan, President of the African Academy of Sciences (AAS) and Executive Director of the Academy of Sciences for the Developing World (TWAS).



Mathematics in African History and Cultures: An Annotated Bibliography

This volume constitutes an updated version of the bibliography published in 2004 by the African Mathematical Union. The African Studies Association attributed the original edition a ‘special mention’ in the 2006 Conover-Porter Award competition. The book contains over 1600 bibliographic entries. The appendices contain additional bibliographic information on (1) mathematicians of the Diaspora, (2) publications by Africans on the history of mathematics outside Africa, (3) time-reckoning and astronomy in African history and cultures, (4) string figures in Africa, (5) examples of books published by African mathematicians, (6) board games in Africa, (7) research inspired by geometric aspects of the ‘sona’ tradition. The book concludes with several indices (subject, country, region, author, ethnographic and linguistic, journal, mathematicians). Professor Jan Persens of the University of the Western Cape (South Africa) and president of the African Mathematical Union (2000-2004) wrote the preface.

(More details on these books here)

OUTBLOGGING @ AFRICANPATH (IV): CAPITALIST NIGGER...

... THE MOST RACIST BOOK EVER WRITTEN ABOUT THE BLACK RACE, OR THE MOST UPLIFTING?
Let me state this upfront: I have mixed feelings about this book. And I would be inclined to believe that I have lots of company in this. Yet, when faced with its explosive mixture of provocative statements, I rend myself to what might be more plausible: this is not for the faint-hearted, it doesn’t leave any middle ground to anyone, you are either for or against its tenets, because it’s not everyday you are punched in the face with things like this, written by a Black man: “Nobody owes the Black race anything!”


This is the opening paragraph of my fourth input to AfricanPath's "Guest Blogger Series". (Read article here).


SEE MORE DETAILS ABOUT THIS BOOK HERE.

May 03, 2007

ANGOLAN AUTHOR AWARDED LITERARY PRIZE IN LONDON


"The Book of Chameleons", by Angolan journalist and author Jose Eduardo Agualusa, has won this year's “Independent Foreign Fiction Prize” by the London newspaper The Independent.

The author shares the £10,000 prize money with translator Daniel Hahn.
The prize celebrates a novel that has been translated into English and published in the UK in the past year.

(MAIS DETALHES AQUI)

April 17, 2007

MAGAICA... OU "QUANTO CUSTA UMA NOIVA?"


Foto: Maputo by Ana Santana

MAGAÍÇA

A manhã azul e ouro dos folhetos de propaganda
engoliu o mamparra,
entontecido todo pela algazarra
incompreensível dos brancos da estação
e pelo resfolegar trepidante dos comboios
Tragou seus olhos redondos de pasmo,
seu coração apertado na angústia do desconhecido,
sua trouxa de farrapos
carregando a ânsia enorme, tecida
de sonhos insatisfeitos do mamparra.

E um dia,
o comboio voltou, arfando, arfando...
oh nhanisse, voltou.
e com ele, magaíça,
de sobretudo, cachecol e meia listrada
e um ser deslocado
embrulhado em ridículo.

Ás costas - ah onde te ficou a trouxa de sonhos, magaíça?
trazes as malas cheias do falso brilho
do resto da falsa civilização do compound do Rand.
E na mão,
magaíça atordoado acendeu o candeeiro,
á cata das ilusões perdidas,
da mocidade e da saúde que ficaram soterradas
lá nas minas do Jone...

A mocidade e a saúde,
as ilusões perdidas
que brilharão como astros no decote de qualquer lady
nas noites deslumbrantes de qualquer City.

(Noemia de Sousa)


A publicacao deste poema, que aqui fiz ha alguns dias, e agora tambem publicado no blog “A Materia do Tempo”, sugeriu-me uma das formas em que a blogosfera pode ser resgatada de uma certa tendencia de se a transformar em lugar de rivalidades, conflitos e “apartheids”.

O facto de o Denudado ter apresentado um breve glossario dos termos usados por Noemia de Sousa neste poema e o ter ilustrado com uma fotografia de “mamparras/magaicas” nas minas da Africa do Sul, sugeriu-me que talvez fosse oportuno ir desengavetar o texto em anexo (aqui), constituido por breves extractos de uma serie, que publiquei no Semanario Angolense (Luanda) em 2002, sobre a Historia Economica da Africa Austral. Nele faco uma breve analise historico-economica dos fluxos de trabalho migrante oscilatorio nas minas da Africa do Sul, de que o “mamparra/magaica” foi e, em grande medida, continua a ser, a figura central.

Com este post pretendo, portanto, contribuir para essa funcao de complementaridade, interaccao e partilha em que a blogosfera pode ser, positiva e produtivamente, usada e, tambem, salientar a funcao de analise e mensagem social que a poesia, quando escrita por poetas atenta(o)s e lucida(o)s, pode ter para o registo, ainda que apenas parcial, pontual e pictorico, da realidade social, economica, cultural e historica em qualquer pais ou regiao do mundo.



Stimela (Hugh Masekela)


“A análise económica, ou mesmo social, do trabalho migrante falhará em revelar o quadro completo dos seus custos em termos de miséria humana. Para apreender essa realidade, temos que ouvir a esposa solitária, a criança insegura... É ao nível familiar que o maior sofrimento é sentido e não nos podemos esquecer que a herança cultural Africana engloba um conceito de família mais abrangente e nobre do que a do Ocidente. A família alargada demonstrou-se uma excelente fonte de segurança para aqueles que, de outro modo, não teriam segurança alguma. O trabalho migrante destrói [esse tecido humano e social], ao retirar por longos períodos, o pai, o irmão, o marido e o amigo... e que ninguém tenha a ilusão de que esses homens podem viver vidas decentes num vacuum sexual.” (Barker: 1970)

“Há muito poucas dúvidas de que se grandes números de mineiros migrantes não especializados e com baixos salários não tivessem sido recrutados em todo o sub-continente, jamais teria havido uma indústria de extracção do ouro na África do Sul. Se depósitos similares aos da África do Sul tivessem sido encontrados na Austrália, no Canada, ou nos EUA, eles teriam certamente ficado por explorar devido à impossibilidade de mobilização da força de trabalho adequada. Ainda hoje, depois dos grandes avanços tecnológicos e da dramática mudança da estrutura de custos da indústria mineira, isso continua a ser verdade.” (Crush et al: 1991)

“De certo modo é até humilhante observar os mineiros a trabalhar... Levanta-se em nós uma momentânea dúvida sobre o nosso próprio status como ‘intelectuais’, ou pessoas superiores em geral. Faz-nos lembrar, pelo menos enquanto olhamos, que é apenas porque esses mineiros transpiram as suas entranhas até à exaustão que as pessoas superiores podem permanecer superiores. Você e eu, o editor do Times Literary Supplement e os poetas, o Arcebispo de Canterbury e o Camarada X, autor de ‘Marxismo para Infantes’ – todos nós devemos realmente a decência comparativa das nossas vidas aos pobres condenados nos subterrâneos... com as suas gargantas cheias de... poeira, erguendo e baixando as suas pás com braços e músculos de ferro” (George Orwell, Down the Mine, 1937)


April 13, 2007

RECENT PUBLICATIONS ON ANGOLA AND MOZAMBIQUE


John K. Thornton, "Elite Women in the Kingdom of Kongo: Historical Perspectives on Women's Political Power," Journal of African History 47, 3 (2006): 437-60

Armando Marques Guedes and Maria José Lopes (eds.), _State and Traditional Law in Angola and Mozambique_ Coimbra: Edições Almedina, 2006 (261 pages)

Linda Ledford-Miller, "'So Few and Yet So Little Known': Historical Recovery and Reconstruction in the Work of Lilia Momplé," in Africa Rivista trimestrale di studi e documentazione dell''Istituto italiano per l'Africa e l'Oriente, 61, 3-4 (Settembre - Dicembre 2006):564-582

Joao Milando, _Desenvolvimento e Resiliencia Social em Africa: Dinamicas Rurais de Cabinda_, Coleccao Sociedades Africanas, Periploi (Instituto de Investigacao Aplicada), 2007

José Soares Tavares, _O campo de concentração do Tarrafal, 1936-1954, a origem e o quotidiano_ (Lisboa : Edições Colibri,2007)


Compiled by Kathleen Sheldon (UCLA/ H-Net)
Picture: "Encyclopedia of Pleasure" (Ghada Amer, Egypt)

ADENDA:
IMPORTANTE ESPÓLIO CULTURAL LUSO-BRASILEIRO
Informacao gentilmente enviada por e-mail pela amiga Bato' (Veja Aqui)