Poesia no Dia Internacional da Mulher

PRESENÇA AFRICANA (Alda Lara)
&
MEU AMOR DA RUA ONZE (Aires de Almeida Santos)
(Leia Aqui)
RESPECT (Aretha Franklin)
*[Postado inicialmente a 08/03/07]







[The Old Guitarist by Pablo Picasso]
[The Blue Guitar by Edward Reep]
[Guitar, Woman, Snake by Bill Lewis]
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[The Blue Guitar by Edward Reep]
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[Mais detalhes aqui]
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Bocas Intelectualoides
A Irresponsabilidade do Vazio


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"(...) Age was respected among his people, but achievement was revered. As the elders said, if a child washed his hands he could eat with kings. Okonkwo had clearly washed his hands and so he ate with kings and elders."
Biyi Bandele [in Introduction to Chinua Achebe's Things Fall Apart - Penguim, 2001 edition]
N.B.: Chinua Achebe started writing Things Fall Apart, his magnum opus published three years later, in 1958, which has earned him the title of 'The Grandfather of African Literature', at the age of 25.
Olhamos para os cantos
Buscando um espaço
Anunciado tempo de sonho
Em espiral
No percurso das veias
Já corroídas pelo vazio, raiz da loucura
Se não preenchido a tempo.
[Extracto de Canto dos Olhos – A.S. in S.O.S.]
Juro por Deus [e desde ja’ Lhe peco perdao por invocar assim o Seu nome em vao – e’ que, cada vez mais, vou dando por mim regressando ‘a minha fe’ em Deus (ou, mais precisamente, em Jesus, meu xara’), dos meus tempos de infancia e adolescencia: quanto menos vou acreditando nos homens (e mulheres) deste mundo, mais necessidade vou sentindo de ter Alguem em quem acreditar!... Embora continue a detestar homilias!...] que tinha decidido ha’ ja’ bastante tempo nao voltar a deixar-me arrastar em discussoes inocuas com “surdos-mudos”, especialmente os do tipo arrogante ignorante e/ou intelectualmente desonesto. De facto, comecei a implementar essa decisao de forma efectiva no inicio deste ano com este "Thought for the Year" e, em seguida, ao longo das ultimas semanas, com a retirada progressiva de todos os posts real ou potencialmente polemicos que neste blog publiquei, em particular os relacionados com uma certa tristemente celebre campanha…
Neles se incluiam os que escrevi, ainda nos primordios deste blog, sob o titulo generico “Makas na Sanzala”, sobre algumas das “homilias” de Mia Couto (MC). Nao e’, portanto, sem alguma relutancia que me sinto compelida a voltar a escrever a proposito de mais uma delas – o que, muito a contragosto, me levou a ter que ‘repostar’ alguns dos posts relacionados que ja’ havia retirado. Ja’ ha’ muito nao recebia, por email, tais “homilias” – mais precisamente desde a que ficou mais conhecida pelo “sejamos claros” –, pelo que me desgostou sobremaneira voltar agora a receber mais uma dessas missivas em forma de “arma de arremesso” (transcrita no final deste texto)…
E’ entitulada “O Peso do Vazio” (o que me recorda uma outra, de Pepetela, entitulada “O Horror do Vazio” – e’, o vazio parece estar na moda!… Ja' agora, um outro 'tipo de vazio', o do bolso, pode ser encontrado aqui) e, de tao aparentemente aimless, soou-me, recorrendo ao rico vocabulario do seu mui distinto e consagrado autor, oca, bacoca, vazia e… irresponsavel!
[Continua aqui]
Posts relacionados:
Vultures
Falando do Homem Novo
Falando de Intelectualismo(s)
African Intellectuals in the Belly of the Beast
*Aparentemente, esta foi a "resposta" de Mia Couto a este post: "Os Falsaportes" - o qual, por sua vez, podera' ser lido em referencia a este.
"(...) Age was respected among his people, but achievement was revered. As the elders said, if a child washed his hands he could eat with kings. Okonkwo had clearly washed his hands and so he ate with kings and elders."
Biyi Bandele [in Introduction to Chinua Achebe's Things Fall Apart - Penguim, 2001 edition]
N.B.: Chinua Achebe started writing Things Fall Apart, his magnum opus published three years later, in 1958, which has earned him the title of 'The Grandfather of African Literature', at the age of 25.
Olhamos para os cantos
Buscando um espaço
Anunciado tempo de sonho
Em espiral
No percurso das veias
Já corroídas pelo vazio, raiz da loucura
Se não preenchido a tempo.
[Extracto de Canto dos Olhos – A.S. in S.O.S.]
Juro por Deus [e desde ja’ Lhe peco perdao por invocar assim o Seu nome em vao – e’ que, cada vez mais, vou dando por mim regressando ‘a minha fe’ em Deus (ou, mais precisamente, em Jesus, meu xara’), dos meus tempos de infancia e adolescencia: quanto menos vou acreditando nos homens (e mulheres) deste mundo, mais necessidade vou sentindo de ter Alguem em quem acreditar!... Embora continue a detestar homilias!...] que tinha decidido ha’ ja’ bastante tempo nao voltar a deixar-me arrastar em discussoes inocuas com “surdos-mudos”, especialmente os do tipo arrogante ignorante e/ou intelectualmente desonesto. De facto, comecei a implementar essa decisao de forma efectiva no inicio deste ano com este "Thought for the Year" e, em seguida, ao longo das ultimas semanas, com a retirada progressiva de todos os posts real ou potencialmente polemicos que neste blog publiquei, em particular os relacionados com uma certa tristemente celebre campanha…
Neles se incluiam os que escrevi, ainda nos primordios deste blog, sob o titulo generico “Makas na Sanzala”, sobre algumas das “homilias” de Mia Couto (MC). Nao e’, portanto, sem alguma relutancia que me sinto compelida a voltar a escrever a proposito de mais uma delas – o que, muito a contragosto, me levou a ter que ‘repostar’ alguns dos posts relacionados que ja’ havia retirado. Ja’ ha’ muito nao recebia, por email, tais “homilias” – mais precisamente desde a que ficou mais conhecida pelo “sejamos claros” –, pelo que me desgostou sobremaneira voltar agora a receber mais uma dessas missivas em forma de “arma de arremesso” (transcrita no final deste texto)…
E’ entitulada “O Peso do Vazio” (o que me recorda uma outra, de Pepetela, entitulada “O Horror do Vazio” – e’, o vazio parece estar na moda!… Ja' agora, um outro 'tipo de vazio', o do bolso, pode ser encontrado aqui) e, de tao aparentemente aimless, soou-me, recorrendo ao rico vocabulario do seu mui distinto e consagrado autor, oca, bacoca, vazia e… irresponsavel!
[Continua aqui]
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Falando de Intelectualismo(s)
African Intellectuals in the Belly of the Beast
*Aparentemente, esta foi a "resposta" de Mia Couto a este post: "Os Falsaportes" - o qual, por sua vez, podera' ser lido em referencia a este.


- O que é que ainda estás aqui a fazer? Perguntou S. indignada.
- Mas tu não vês que eu tenho aqui o meu trabalho, o meu apartamento, a minha vida?, I. retorquiu.
- Meu Deus, I.! O que se está a passar no teu país é tão fascinante! Numa situação como aquela tudo se pode resolver!
- Mas S., não são só as questões práticas, o trabalho, o apartamento. Eu tenho estado aqui a viver há 20 anos. A minha vida está aqui!
- Será o teu grande regresso, respondeu S. depois de um grande silêncio. Repetidas, as palavras adquiriram um tal poder que, no fundo de si, I. via-as escritas em letras capitais: Grande Regresso. Abandonou a sua resistência e deixou-se cativar por imagens súbitamente emergindo de livros lidos há muito tempo, de filmes, da sua própria memória e talvez da sua memória ancestral: o lar que todos carregamos dentro de nós; Odysseus vislumbrando a sua ilha depois de anos de vagueação; o regresso, o regresso, a grande magia do regresso.
A palavra grega para regresso é nostos. Algos significa sofrimento. Portanto, nostalgia é o sofrimento causado por um insaciado desejo de regressar. Para expressar essa noção fundamental, a maior parte dos europeus utiliza a palavra derivada do grego (nostalgia) assim como outras palavras com raízes nos seus idiomas nacionais: anoranza, dizem os espanhóis; saudade, dizem os portugueses. Em cada língua estas palavras têm uma diferente nuance semântica. Frequentemente elas significam apenas a tristeza causada pela impossibilidade de regressar ao país a que se pertence: o anseio pela terra, pelo lar. O que em Inglês se chama “homesickness”. Em espanhol anoranza vem do verbo anorar (sentir nostalgia), que vem do catalão enyorar, por sua vez derivado da palavra latina ignorare. Sob essa luz etimológica, nostalgia parece algo assim como a dor da ignorância, do não saber. Tu estás longe e eu não sei o que é feito de ti. O meu país está longe e eu não sei o que por lá se passa.
(…) A alvorada da antiga cultura grega trouxe o nascimento da Odisseia, o épico fundador da nostalgia. Enfatizemos: Odysseus, o maior aventureiro de todos os tempos, é também o maior nostálgico. Ele partira (não muito contente) para a guerra de Tróia e por lá ficara durante 10 anos. Depois tentou regressar à sua Ithaca nativa, mas as intrigas dos deuses prolongaram-lhe a viagem, primeiro durante 3 anos encalacrado no meio dos mais inusitados acontecimentos, depois por mais 7 anos que passou como refém e amante de Calypso, que na sua paixão não o deixava sair da ilha. Muito diferente da vida de pobre emigrada que I. tem levado por já bastante tempo. Odysseus viveu a verdadeira dolce vita lá na terra de Calypso, uma vida fácil, uma vida de delícias. No entanto, entre a dolce vita num lugar estrangeiro e o arriscado regresso a casa, ele escolheu o regresso.
*[First posted 12/01/07]
- O que é que ainda estás aqui a fazer? Perguntou S. indignada.
- Mas tu não vês que eu tenho aqui o meu trabalho, o meu apartamento, a minha vida?, I. retorquiu.
- Meu Deus, I.! O que se está a passar no teu país é tão fascinante! Numa situação como aquela tudo se pode resolver!
- Mas S., não são só as questões práticas, o trabalho, o apartamento. Eu tenho estado aqui a viver há 20 anos. A minha vida está aqui!
- Será o teu grande regresso, respondeu S. depois de um grande silêncio. Repetidas, as palavras adquiriram um tal poder que, no fundo de si, I. via-as escritas em letras capitais: Grande Regresso. Abandonou a sua resistência e deixou-se cativar por imagens súbitamente emergindo de livros lidos há muito tempo, de filmes, da sua própria memória e talvez da sua memória ancestral: o lar que todos carregamos dentro de nós; Odysseus vislumbrando a sua ilha depois de anos de vagueação; o regresso, o regresso, a grande magia do regresso.
A palavra grega para regresso é nostos. Algos significa sofrimento. Portanto, nostalgia é o sofrimento causado por um insaciado desejo de regressar. Para expressar essa noção fundamental, a maior parte dos europeus utiliza a palavra derivada do grego (nostalgia) assim como outras palavras com raízes nos seus idiomas nacionais: anoranza, dizem os espanhóis; saudade, dizem os portugueses. Em cada língua estas palavras têm uma diferente nuance semântica. Frequentemente elas significam apenas a tristeza causada pela impossibilidade de regressar ao país a que se pertence: o anseio pela terra, pelo lar. O que em Inglês se chama “homesickness”. Em espanhol anoranza vem do verbo anorar (sentir nostalgia), que vem do catalão enyorar, por sua vez derivado da palavra latina ignorare. Sob essa luz etimológica, nostalgia parece algo assim como a dor da ignorância, do não saber. Tu estás longe e eu não sei o que é feito de ti. O meu país está longe e eu não sei o que por lá se passa.
(…) A alvorada da antiga cultura grega trouxe o nascimento da Odisseia, o épico fundador da nostalgia. Enfatizemos: Odysseus, o maior aventureiro de todos os tempos, é também o maior nostálgico. Ele partira (não muito contente) para a guerra de Tróia e por lá ficara durante 10 anos. Depois tentou regressar à sua Ithaca nativa, mas as intrigas dos deuses prolongaram-lhe a viagem, primeiro durante 3 anos encalacrado no meio dos mais inusitados acontecimentos, depois por mais 7 anos que passou como refém e amante de Calypso, que na sua paixão não o deixava sair da ilha. Muito diferente da vida de pobre emigrada que I. tem levado por já bastante tempo. Odysseus viveu a verdadeira dolce vita lá na terra de Calypso, uma vida fácil, uma vida de delícias. No entanto, entre a dolce vita num lugar estrangeiro e o arriscado regresso a casa, ele escolheu o regresso.
*[First posted 12/01/07]
A União dos Escritores Angolanos (UEA) completou mais um aniversário: 35 anos! Os membros, principalmente o seu secretário-geral, Carmo Neto, não quiseram deixar passar a data em branco. É assim que, na sexta-feira passada, ao fim do dia, no Jango da União erguido recentemente, os escritores se reuniram “numa boa”, e falaram de tudo. Dos projectos da UEA, dos livros a serem editados, dos apoios a dar aos escritores que se encontram no interior. Como 35 anos é uma data para se comemorar com muita alegria, os escritores, como não podia deixar de ser, ergueram a taça de champanhe, cortaram o bolo, declamaram poesia, apreciaram os quitutes da terra e acabaram a festa com um pé de dança. Aos membros da UEA, Gente deseja sucessos nos seus projectos. Parabéns!
A União dos Escritores Angolanos (UEA) completou mais um aniversário: 35 anos! Os membros, principalmente o seu secretário-geral, Carmo Neto, não quiseram deixar passar a data em branco. É assim que, na sexta-feira passada, ao fim do dia, no Jango da União erguido recentemente, os escritores se reuniram “numa boa”, e falaram de tudo. Dos projectos da UEA, dos livros a serem editados, dos apoios a dar aos escritores que se encontram no interior. Como 35 anos é uma data para se comemorar com muita alegria, os escritores, como não podia deixar de ser, ergueram a taça de champanhe, cortaram o bolo, declamaram poesia, apreciaram os quitutes da terra e acabaram a festa com um pé de dança. Aos membros da UEA, Gente deseja sucessos nos seus projectos. Parabéns!
Novo livro de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referentes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.
Querida Ana,
Há muito que queria escrever-te, lembrar uma amizade antiga e
saudar-te pelo magnifico blog. Bem hajas por tão apurado trabalho e um abraço da
Ana paula tavares.
(...)
Vida de muitas voltas que terás que escrever
para os nossos filhos e para memória futura. a nossa terra tem uma tal
vitalidade que as coisas do Antigamente na vida tendem a esquecer-se depressa.
(...)
Mas acho que não andas longe da história e a tua formação será
contributo de primeira água.
(...)
Quanto a ti uma economista que gosta
e sabe a história é mais importante que o historiador preso nos seus papéis.
Acredita. Quanto à escrita entendo as tuas preocupações e sei que vai chegar o
momento. Ser contra a corrente é ser escritor a sério, é saber quando se fala e
quando se reune no silêncio a ciência certa da escrita. Um abraço da Ana paula
ADENDA
No seguimento da minha resposta ao "Poeta Amigo", abaixo, decidi tecer aqui as seguintes observacoes adicionais:
Devo dizer que sempre aceitei TODO o tipo de criticas razoaveis ao meu trabalho, embora em alguns casos mais "duvidosos", como dizem os ingleses, “with a pinch of salt”... Isso porque, em primeiro lugar, nunca fui “auto-convencida” em relacao a minha poesia ao ponto de ignorar, ou mesmo deixar de solicitar, a opiniao de outros sobre ela e, em segundo lugar, porque, pelo menos ate’ muito recentemente, sempre me permiti ser “ingenua” o suficiente para acreditar que alguem que se de ao trabalho de ditar “sentencas lapidares” sobre algo sempre tao pessoal e delicado como a poesia, teria sensibilidade e sagacidade suficientes para nao se deixar cair no flagrante delito do ataque pessoal!
Mas a verdade e’ que, se a minha entrada na blogosfera teve algum merito, ele foi o de me abrir completa e definitivamente os olhos para o quao baixo certas pessoas sao capazes de descer, frequentemente movidas apenas pelo despeito e o ressaibo, ou pela inveja, o ciume e o odio, quando nao apenas pelo racismo puro e duro!... Ou, tao so’, para se “vingarem e ressarcirem” da sua incapacidade de defenderem coerente, congruente, racional e inteligentemente as 'suas ideias e posicionamentos' em debates abertos comigo sobre outras questoes (o tal de "convem sabermos sempre o que nos espera"!) ... E so’ tenho pena que muito desse “trash” acabe por passar por “critica construtiva e honesta”... Muita pena mesmo!
Mas, chegada a este estagio da minha vida, ja’ nao e’ por mim, nem pela minha poesia, que sinto pena, mas apenas por quem produz tal “trash” e por quem eventualmente o consuma... Ja’ para nao mencionar as outras poetas angolanas (...continuo a preferir “ignorar” aqui, em nome do conceito de “genero”, o masculino/feminino que continua a ter outra/os a tratar as mulheres que escrevem poesia como “poetisas”...) aparentemente “esquecidas” no meio de tudo isso.
Diria apenas que, quaisquer que sejam as “driving forces” por detras dos nossos respectivos processos criativos e por diversos que sejam os nossos “outputs” literarios, tanto qualitativa como quantitativamente, e quaisquer que tenham sido as motivacoes de quem decidiu publicar os nossos primeiros livros simultaneamente [*], creio ser certo e seguro que nem eu, nem a Paula Tavares, decidimos comecar (ou continuar, ou nao) a escrever para emular (certamente nao para “hostilizar” ou “eclipsar”) a outra e muito menos para que a nossa poesia fosse usada como "arma de arremesso" por outra(o)s em guerras intestinas, quentes ou frias, com motivacoes racicas que nada teem a ver com poesia (algo que, de resto, deixei aqui bem claro!) ... e mesmo que eu tambem tivesse publicado tanto quanto, ou mesmo mais do que ela, haveria sempre “gostos e desgostos para todos os gostos” em relacao a poesia de uma e de outra... e isto pressupondo um ambiente literario, cultural, social e politico circundante “sadio, calmo e tranquilo” e nao aquele que constitui o nosso “chao comum”, como aqui se pode constatar!
Anyway, creio nao valer a pena dizer muito mais sobre tudo isso, excepto talvez uma breve nota sobre a “credibilidade da critica literaria”: nos extractos que acima tomei a liberdade de transcrever, a Paula Tavares fala em “ciencia certa da escrita” – um conceito certamente nao pacifico (!), mas que aceito provisoriamente.
Pois bem, em toda a ciencia, o criterio de validacao de qualquer “veredicto” e’ estabelecido pela objectividade e racionalidade dos seus fundamentos, os quais nao podem, em nenhuma circunstancia, ser baseados apenas em criterios de subjectividade pessoal (como a afectividade ou a amizade - e, a este proposito, recordo uma conhecida doutorada em letras/ critica literaria (?) que, numa cronica publicada no SA, se declarou abertamente suspeita por, juntamente com outra proeminente sua congenere brasileira, ser "amiga da Paula Tavares"...), preferencias esteticas individuais (como a cor da pele), ou conviccoes politico-ideologicas ou religiosas e muito menos em comparacoes e ilacoes aleatorias e arbitrarias completamente abstraidas do contexto especifico e das condicoes concretas em que a "ciencia" (neste caso a "escrita") se produz, condicoes essas em que se incluem factores historicos, sociais, culturais, psicologicos e etico-morais, entre outros (como os, mais obvios, "marcadores (etno)linguisticos e/ou geograficos") ...
Assim, o estabelecimento de qualquer veredicto sobre o que, ou quem, e’ “unico”, pressupoe a existencia, ou o estabelecimento, de um padrao, ou canone, igualmente “unico”, extremamente dificil (senao impossivel!) de estabelecer “cientificamente” em literatura e muito mais ainda em poesia... - uma questao, alias, amplamente evidenciada por este kibeto.
Mas, talvez mais determinante dalguns desses "veredictos" (e aqui refiro-me apenas aqueles que podem com propriedade reclamar alguma “objectividade e isencao” e, consequentemente, alguma "credibilidade"...) e’ que, como aqui recentemente observei, o “mundo lusofono” e’, sempre foi desde Camoes, um “mundo de poetas” (veja-se, por exemplo, o sucesso que fazem os blogs de poesia na lusosfera...), em que a ciencia sempre foi “subalternizada” relativamente a literatura, e em particular a poesia, e a pratica simultanea de ambas vista como "antagonica" (...mas, veja-se a este proposito o caso de Fernando Pessoa...), sendo, em particular, disciplinas/profissoes como a economia vistas geralmente como "frias e calculistas" ou "insensiveis e a-sociais" (algo reflectido de algum modo, embora nao explicitamente, aqui e aqui) ... Mas, sobre isso, lembro-me de, ha’ ja’ varios anos, ainda em Lisboa, ter concedido uma entrevista a uma jornalista/escritora brasileira em que lhe dizia algo como isto: “Os poetas (ou pelo menos alguns) teem o sonho de mudar o mundo para melhor, os economistas (ou pelo menos alguns) tambem (e o espirito do velho Marx por ai ainda paira para o provar) ... apenas com uma diferenca: estes podem faze-lo por outros (quica mais eficazes...) meios e metodos!”
E isso sem qualquer demerito para os poetas em geral, e menos ainda para a regularidade, a proficuidade e a qualidade da producao poetica da Paula Tavares – sobre a qual, devo aqui enfatizar, nunca teci qualquer comentario menos abonatorio: a referencia a “divergencias de opiniao” que faco acima prende-se a algumas questoes pontuais emanentes de algumas das suas cronicas - duas para ser mais precisa - sobre as quais comentei noutros posts aqui neste blog. O unico comentario um tanto “mais problematico” que fiz, e foi apenas a um dos seus poemas e, acrescente-se, “forcadamente”, foi ao seu uso da “sua mascara da Pwo”, mas o contexto em que o fiz revela claramente que nao o fiz por razoes estritamente poeticas, mas por razoes mais amplamente historicas e socio-culturais - as quais podem ser identificadas aqui...
Tendo dito tudo isso, resta-me apenas pedir, mais uma vez, desculpas a Ana Paula Tavares por ter assim “violado a nossa correspondencia”, que preferiria ter mantido, como deveria, privada – mas... como soi dizer-se, “para grandes males, grandes remedios!”
[*] Torna-se meu dever registar aqui que ouvi diversas vezes, por diversas pessoas e de diversas formas, que "eu so' fui 'promovida' para a UEA (... o tal "porque promover uns e nao outros?"...) e o meu livro publicado simultaneamente, numa especie de "accao afirmativa", para 'cobrir' o lancamento da Paula Tavares pela mesma UEA e 'precaver' as previsiveis acusacoes de racismo com que na altura aquela instituicao vivia cercada... Certo ou errado, o facto e' que, infelizmente, madames como esta e, mais recentemente, esta e estas, apenas teem corroborado essa versao... Mas, tambem sera' de notar que a mensagem de um dos postais, incluido aqui, que recebi de quem foi responsavel por tal lancamento simultaneo, Luandino Vieira, talvez possa sugerir algo diferente...
Uma outra nota digna de registo e' a seguinte: havia uma pessoa amiga a quem eu por vezes dava a ler os meus poemas e a reaccao dela era, quase sempre, zombar deles... ate' que no dia em que o Luandino me deu a ler os pareceres do painel que ele tinha consultado para avaliacao eu lhe contei do que tinha escrito Ndunduma ("... depois de Alda Lara, eis que surge Ana Santana...") e a reaccao imediata daquela pessoa foi: "nao... depois de Alda Lara e' a Paula Tavares"! E isso sem que ela conhecesse bem pessoalmente a Paula Tavares ou a sua poesia e muito antes de os nossos livros terem sido publicados...
ADENDA 2
Veem certamente a proposito as seguintes palavras de Paula Tavares, de que apenas tive conhecimento depois da publicacao deste post:
P- É normalmente apontada como a referência da poesia contemporânea angolana no feminino. O que significa isso, na verdade?
R - Não, não é verdade. Isso seria de uma injustiça extrema para com Ana de Santana, Liza Castel e Maria Alexandre Dáskalos, para só citar três nomes de criadoras intensas, originais no universo da poesia angolana. O número de títulos publicados não invalida outras contribuições de grande qualidade. Procuro um lugar no universo da poesia angolana, porque é de Angola a minha fala. Não sou muito dada a concursos, lugares cimeiros, comendas.
[Aqui]
Novo livro de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referentes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.
Querida Ana,
Há muito que queria escrever-te, lembrar uma amizade antiga e
saudar-te pelo magnifico blog. Bem hajas por tão apurado trabalho e um abraço da
Ana paula tavares.
(...)
Vida de muitas voltas que terás que escrever
para os nossos filhos e para memória futura. a nossa terra tem uma tal
vitalidade que as coisas do Antigamente na vida tendem a esquecer-se depressa.
(...)
Mas acho que não andas longe da história e a tua formação será
contributo de primeira água.
(...)
Quanto a ti uma economista que gosta
e sabe a história é mais importante que o historiador preso nos seus papéis.
Acredita. Quanto à escrita entendo as tuas preocupações e sei que vai chegar o
momento. Ser contra a corrente é ser escritor a sério, é saber quando se fala e
quando se reune no silêncio a ciência certa da escrita. Um abraço da Ana paula
ADENDA
No seguimento da minha resposta ao "Poeta Amigo", abaixo, decidi tecer aqui as seguintes observacoes adicionais:
Devo dizer que sempre aceitei TODO o tipo de criticas razoaveis ao meu trabalho, embora em alguns casos mais "duvidosos", como dizem os ingleses, “with a pinch of salt”... Isso porque, em primeiro lugar, nunca fui “auto-convencida” em relacao a minha poesia ao ponto de ignorar, ou mesmo deixar de solicitar, a opiniao de outros sobre ela e, em segundo lugar, porque, pelo menos ate’ muito recentemente, sempre me permiti ser “ingenua” o suficiente para acreditar que alguem que se de ao trabalho de ditar “sentencas lapidares” sobre algo sempre tao pessoal e delicado como a poesia, teria sensibilidade e sagacidade suficientes para nao se deixar cair no flagrante delito do ataque pessoal!
Mas a verdade e’ que, se a minha entrada na blogosfera teve algum merito, ele foi o de me abrir completa e definitivamente os olhos para o quao baixo certas pessoas sao capazes de descer, frequentemente movidas apenas pelo despeito e o ressaibo, ou pela inveja, o ciume e o odio, quando nao apenas pelo racismo puro e duro!... Ou, tao so’, para se “vingarem e ressarcirem” da sua incapacidade de defenderem coerente, congruente, racional e inteligentemente as 'suas ideias e posicionamentos' em debates abertos comigo sobre outras questoes (o tal de "convem sabermos sempre o que nos espera"!) ... E so’ tenho pena que muito desse “trash” acabe por passar por “critica construtiva e honesta”... Muita pena mesmo!
Mas, chegada a este estagio da minha vida, ja’ nao e’ por mim, nem pela minha poesia, que sinto pena, mas apenas por quem produz tal “trash” e por quem eventualmente o consuma... Ja’ para nao mencionar as outras poetas angolanas (...continuo a preferir “ignorar” aqui, em nome do conceito de “genero”, o masculino/feminino que continua a ter outra/os a tratar as mulheres que escrevem poesia como “poetisas”...) aparentemente “esquecidas” no meio de tudo isso.
Diria apenas que, quaisquer que sejam as “driving forces” por detras dos nossos respectivos processos criativos e por diversos que sejam os nossos “outputs” literarios, tanto qualitativa como quantitativamente, e quaisquer que tenham sido as motivacoes de quem decidiu publicar os nossos primeiros livros simultaneamente [*], creio ser certo e seguro que nem eu, nem a Paula Tavares, decidimos comecar (ou continuar, ou nao) a escrever para emular (certamente nao para “hostilizar” ou “eclipsar”) a outra e muito menos para que a nossa poesia fosse usada como "arma de arremesso" por outra(o)s em guerras intestinas, quentes ou frias, com motivacoes racicas que nada teem a ver com poesia (algo que, de resto, deixei aqui bem claro!) ... e mesmo que eu tambem tivesse publicado tanto quanto, ou mesmo mais do que ela, haveria sempre “gostos e desgostos para todos os gostos” em relacao a poesia de uma e de outra... e isto pressupondo um ambiente literario, cultural, social e politico circundante “sadio, calmo e tranquilo” e nao aquele que constitui o nosso “chao comum”, como aqui se pode constatar!
Anyway, creio nao valer a pena dizer muito mais sobre tudo isso, excepto talvez uma breve nota sobre a “credibilidade da critica literaria”: nos extractos que acima tomei a liberdade de transcrever, a Paula Tavares fala em “ciencia certa da escrita” – um conceito certamente nao pacifico (!), mas que aceito provisoriamente.
Pois bem, em toda a ciencia, o criterio de validacao de qualquer “veredicto” e’ estabelecido pela objectividade e racionalidade dos seus fundamentos, os quais nao podem, em nenhuma circunstancia, ser baseados apenas em criterios de subjectividade pessoal (como a afectividade ou a amizade - e, a este proposito, recordo uma conhecida doutorada em letras/ critica literaria (?) que, numa cronica publicada no SA, se declarou abertamente suspeita por, juntamente com outra proeminente sua congenere brasileira, ser "amiga da Paula Tavares"...), preferencias esteticas individuais (como a cor da pele), ou conviccoes politico-ideologicas ou religiosas e muito menos em comparacoes e ilacoes aleatorias e arbitrarias completamente abstraidas do contexto especifico e das condicoes concretas em que a "ciencia" (neste caso a "escrita") se produz, condicoes essas em que se incluem factores historicos, sociais, culturais, psicologicos e etico-morais, entre outros (como os, mais obvios, "marcadores (etno)linguisticos e/ou geograficos") ...
Assim, o estabelecimento de qualquer veredicto sobre o que, ou quem, e’ “unico”, pressupoe a existencia, ou o estabelecimento, de um padrao, ou canone, igualmente “unico”, extremamente dificil (senao impossivel!) de estabelecer “cientificamente” em literatura e muito mais ainda em poesia... - uma questao, alias, amplamente evidenciada por este kibeto.
Mas, talvez mais determinante dalguns desses "veredictos" (e aqui refiro-me apenas aqueles que podem com propriedade reclamar alguma “objectividade e isencao” e, consequentemente, alguma "credibilidade"...) e’ que, como aqui recentemente observei, o “mundo lusofono” e’, sempre foi desde Camoes, um “mundo de poetas” (veja-se, por exemplo, o sucesso que fazem os blogs de poesia na lusosfera...), em que a ciencia sempre foi “subalternizada” relativamente a literatura, e em particular a poesia, e a pratica simultanea de ambas vista como "antagonica" (...mas, veja-se a este proposito o caso de Fernando Pessoa...), sendo, em particular, disciplinas/profissoes como a economia vistas geralmente como "frias e calculistas" ou "insensiveis e a-sociais" (algo reflectido de algum modo, embora nao explicitamente, aqui e aqui) ... Mas, sobre isso, lembro-me de, ha’ ja’ varios anos, ainda em Lisboa, ter concedido uma entrevista a uma jornalista/escritora brasileira em que lhe dizia algo como isto: “Os poetas (ou pelo menos alguns) teem o sonho de mudar o mundo para melhor, os economistas (ou pelo menos alguns) tambem (e o espirito do velho Marx por ai ainda paira para o provar) ... apenas com uma diferenca: estes podem faze-lo por outros (quica mais eficazes...) meios e metodos!”
E isso sem qualquer demerito para os poetas em geral, e menos ainda para a regularidade, a proficuidade e a qualidade da producao poetica da Paula Tavares – sobre a qual, devo aqui enfatizar, nunca teci qualquer comentario menos abonatorio: a referencia a “divergencias de opiniao” que faco acima prende-se a algumas questoes pontuais emanentes de algumas das suas cronicas - duas para ser mais precisa - sobre as quais comentei noutros posts aqui neste blog. O unico comentario um tanto “mais problematico” que fiz, e foi apenas a um dos seus poemas e, acrescente-se, “forcadamente”, foi ao seu uso da “sua mascara da Pwo”, mas o contexto em que o fiz revela claramente que nao o fiz por razoes estritamente poeticas, mas por razoes mais amplamente historicas e socio-culturais - as quais podem ser identificadas aqui...
Tendo dito tudo isso, resta-me apenas pedir, mais uma vez, desculpas a Ana Paula Tavares por ter assim “violado a nossa correspondencia”, que preferiria ter mantido, como deveria, privada – mas... como soi dizer-se, “para grandes males, grandes remedios!”
[*] Torna-se meu dever registar aqui que ouvi diversas vezes, por diversas pessoas e de diversas formas, que "eu so' fui 'promovida' para a UEA (... o tal "porque promover uns e nao outros?"...) e o meu livro publicado simultaneamente, numa especie de "accao afirmativa", para 'cobrir' o lancamento da Paula Tavares pela mesma UEA e 'precaver' as previsiveis acusacoes de racismo com que na altura aquela instituicao vivia cercada... Certo ou errado, o facto e' que, infelizmente, madames como esta e, mais recentemente, esta e estas, apenas teem corroborado essa versao... Mas, tambem sera' de notar que a mensagem de um dos postais, incluido aqui, que recebi de quem foi responsavel por tal lancamento simultaneo, Luandino Vieira, talvez possa sugerir algo diferente...
Uma outra nota digna de registo e' a seguinte: havia uma pessoa amiga a quem eu por vezes dava a ler os meus poemas e a reaccao dela era, quase sempre, zombar deles... ate' que no dia em que o Luandino me deu a ler os pareceres do painel que ele tinha consultado para avaliacao eu lhe contei do que tinha escrito Ndunduma ("... depois de Alda Lara, eis que surge Ana Santana...") e a reaccao imediata daquela pessoa foi: "nao... depois de Alda Lara e' a Paula Tavares"! E isso sem que ela conhecesse bem pessoalmente a Paula Tavares ou a sua poesia e muito antes de os nossos livros terem sido publicados...
ADENDA 2
Veem certamente a proposito as seguintes palavras de Paula Tavares, de que apenas tive conhecimento depois da publicacao deste post:
P- É normalmente apontada como a referência da poesia contemporânea angolana no feminino. O que significa isso, na verdade?
R - Não, não é verdade. Isso seria de uma injustiça extrema para com Ana de Santana, Liza Castel e Maria Alexandre Dáskalos, para só citar três nomes de criadoras intensas, originais no universo da poesia angolana. O número de títulos publicados não invalida outras contribuições de grande qualidade. Procuro um lugar no universo da poesia angolana, porque é de Angola a minha fala. Não sou muito dada a concursos, lugares cimeiros, comendas.
[Aqui]
E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?[K. - aqui]

E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?[K. - aqui]

Da nota dos editores, Gallimard (sobre o seu caracter autobiografico):
"(...) Mais c’est justement ce cote autobiographique qui est precieux aujourd’hui. Camus y rapport, avec mille details inconnus, la naissance dans l’Est sauvage de l’Algerie. L’absence du pere, tue’ des le debut de la Premiere Guerre, de sorte que le fils sera “le premier homme”. (...) Apres avoir lu ces pages, on voit apparaitre les racines de ce qui fera la personalite’ de Camus, sa sensibilite’, la genese de sa pensee, les raisons de son engagement. Pourquoi, toute sa vie, il aura voulu parler au nom de ceux a qui la parole est refuse.”
Das suas proprias ‘Notas e Planos’ para esta obra:
"Affrontes 'a... dans l'histoire la plus vieille du monde nous sommes les premiers hommes - non pas ceux du declin comme on le crie dans [....] journaux mais ceux d'une aurore indecise et differente."
"Ce qu'on appelle le scepticisme des nouvelles generations - mensonge.
Depuis quand l'honnete homme qui refuse de croire le menteur est-il le sceptique?"
“Apprendre la justice et la morale, c’est juger du bien et du mal d’une passion d’apres ses effets.”
“L’amour veritable n’est pas un choix ni une liberte’. Le coeur, le coeur surtout n’est pas libre. Il est l’inevitable et la reconnaissance de l’inevitable. Et lui, vraiment, n’avais jamais aime de tout son coeur que l’inevitable.”
“Amours: il aurait voulu qu’elles fussent toutes vierges de passe’ et d’hommes. Et le seul etre qu’il ait recontre’ et qui le fut en effet, il lui avait voue’ sa vie mais n’avait jamais pu etre lui-meme fidele. Il voulait donc que les femmes fussent ce qu’il n’etait pas lui-meme. Et ce qu-il etait le renvoyait aux femmes qui lui ressemblaient et qu’il aimait et prenait alors avec rage et fureur.”
“J’en ai assez de vivre, d’agir, de sentir pour donner tort a celui-ci et raison a celui-la. J’en ai assez de vivre selon l’image que d’autres me donnent de moi. Je decide l’autonomie, je reclame l’independence dans l’interdependance.”
"Et encore:
On ne peut vivre avec la verite' - "en sachant" -, celui qui le fait se separe des autres hommes, il ne peut plus rien partager de leur illusion. Il est un monstre - et c'est ce que je suis."
"La noblesse du metier d'ecrivain est dans la resistance a l'oppression, donc au consentement a la solitude."
“Confession a la mere pour finir.
Tu ne me comprends pas, et pourtant tu es la seule qui puisse me pardoner. Bien des gens s’offrent a le faire. Beaucoup aussi crient sur tous les tons que je suis coupable, et je ne le suis pas quand ils me le disent. D’autres ont le droit de me le dire et je sais qu’ils ont raison, et que je devrais obtenir leur pardon. Mais on demande pardon a ceux don’t on sait qu’ils peuvent vous pardoner. Simplement cela, pardoner, et non pas vous demander de meriter le pardon, d’attendre. [Mais] simplement leur parler, leur dire tout et recevoir leur pardon. Ceux et celles a qui je pourrais le demander, je sais que quelque part dans leurs coeurs, malgre leur bonne volonte’, ils ne peuvent ni ne savent pardoner. Un seul etre pouvait me pardoner, mais je n’ai jamais ete coupable envers lui et je lui ai donne’ l’entier de mon coeur, et cependant j’aurais pu aller vers lui, je l’ai souvent fait en silence, mais il est mort et je suis seul. Toi seule peux le faire, mais tu ne me comprends pas et ne peux me lire. Aussi je te parle, je t’ecris, a toi, a toi seule, et, quand ce sera fini, je demanderai pardon sans autre explication et tu me souriras...”
[Assim espero que decorra a minha “confissao” a Nossa Senhora de Sant’Ana da Muxima]
Post relacionado:
Sant'Ana da Muxima Com Amor
Da nota dos editores, Gallimard (sobre o seu caracter autobiografico):
"(...) Mais c’est justement ce cote autobiographique qui est precieux aujourd’hui. Camus y rapport, avec mille details inconnus, la naissance dans l’Est sauvage de l’Algerie. L’absence du pere, tue’ des le debut de la Premiere Guerre, de sorte que le fils sera “le premier homme”. (...) Apres avoir lu ces pages, on voit apparaitre les racines de ce qui fera la personalite’ de Camus, sa sensibilite’, la genese de sa pensee, les raisons de son engagement. Pourquoi, toute sa vie, il aura voulu parler au nom de ceux a qui la parole est refuse.”
Das suas proprias ‘Notas e Planos’ para esta obra:
"Affrontes 'a... dans l'histoire la plus vieille du monde nous sommes les premiers hommes - non pas ceux du declin comme on le crie dans [....] journaux mais ceux d'une aurore indecise et differente."
"Ce qu'on appelle le scepticisme des nouvelles generations - mensonge.
Depuis quand l'honnete homme qui refuse de croire le menteur est-il le sceptique?"
“Apprendre la justice et la morale, c’est juger du bien et du mal d’une passion d’apres ses effets.”
“L’amour veritable n’est pas un choix ni une liberte’. Le coeur, le coeur surtout n’est pas libre. Il est l’inevitable et la reconnaissance de l’inevitable. Et lui, vraiment, n’avais jamais aime de tout son coeur que l’inevitable.”
“Amours: il aurait voulu qu’elles fussent toutes vierges de passe’ et d’hommes. Et le seul etre qu’il ait recontre’ et qui le fut en effet, il lui avait voue’ sa vie mais n’avait jamais pu etre lui-meme fidele. Il voulait donc que les femmes fussent ce qu’il n’etait pas lui-meme. Et ce qu-il etait le renvoyait aux femmes qui lui ressemblaient et qu’il aimait et prenait alors avec rage et fureur.”
“J’en ai assez de vivre, d’agir, de sentir pour donner tort a celui-ci et raison a celui-la. J’en ai assez de vivre selon l’image que d’autres me donnent de moi. Je decide l’autonomie, je reclame l’independence dans l’interdependance.”
"Et encore:
On ne peut vivre avec la verite' - "en sachant" -, celui qui le fait se separe des autres hommes, il ne peut plus rien partager de leur illusion. Il est un monstre - et c'est ce que je suis."
"La noblesse du metier d'ecrivain est dans la resistance a l'oppression, donc au consentement a la solitude."
“Confession a la mere pour finir.
Tu ne me comprends pas, et pourtant tu es la seule qui puisse me pardoner. Bien des gens s’offrent a le faire. Beaucoup aussi crient sur tous les tons que je suis coupable, et je ne le suis pas quand ils me le disent. D’autres ont le droit de me le dire et je sais qu’ils ont raison, et que je devrais obtenir leur pardon. Mais on demande pardon a ceux don’t on sait qu’ils peuvent vous pardoner. Simplement cela, pardoner, et non pas vous demander de meriter le pardon, d’attendre. [Mais] simplement leur parler, leur dire tout et recevoir leur pardon. Ceux et celles a qui je pourrais le demander, je sais que quelque part dans leurs coeurs, malgre leur bonne volonte’, ils ne peuvent ni ne savent pardoner. Un seul etre pouvait me pardoner, mais je n’ai jamais ete coupable envers lui et je lui ai donne’ l’entier de mon coeur, et cependant j’aurais pu aller vers lui, je l’ai souvent fait en silence, mais il est mort et je suis seul. Toi seule peux le faire, mais tu ne me comprends pas et ne peux me lire. Aussi je te parle, je t’ecris, a toi, a toi seule, et, quand ce sera fini, je demanderai pardon sans autre explication et tu me souriras...”
[Assim espero que decorra a minha “confissao” a Nossa Senhora de Sant’Ana da Muxima]
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