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Tuesday, 6 May 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (9)

Em entrevista ao Novo Jornal, Pepetela fala do seu novo livro, de Luanda, de Angola e do (quase fim do) Mundo:

"(…) Diria que alguns escritores africanos mais sortudos têm sido divulgados (em Portugal). Mas são ainda muito poucos se pensarmos no muito que se produz. Quanto a ressentimentos pós-coloniais, eles continuam a existir dos dois lados.
(…)
Contrariamente a muitos, não penso que o escritor, como tal, seja obrigado a ter um papel relevante na sociedade. Cada um sabe de si, mas é claro que em países onde tudo está por fazer, os escritores, se por acaso tiverem meios de serem ouvidos, podem participar, sobretudo fazendo perguntas, apresentando problemas e questões. As respostas já não serão para eles, mas para os administradores, políticos, etc. Em suma: "Dar a César o que é de César..."
(…)
Cada vez há mais Luandas, com inovações recentes, como a "Luanda dos condomínios de classe média". A Luanda dos musseques, por outro lado, tem cada vez mais dificuldades em sobreviver. Aliás, a parte central de Luanda está a mussequizar-se com as torres novas que se constroem, porque musseque deve ser compreendido na sua acepção social, de exclusão. E esta é uma cidade de exclusões como talvez não haja outra.

(…)
As pessoas continuam a vir cá para fazer negócios e já não só os que se relacionam com o petróleo. Aliás, não é o petróleo que atrai mais pessoas a Angola. São os negócios sujos com os diamantes, as lavagens de dinheiro, as empresas fantasmas, etc. Vêm aqui vender tudo, raramente comprar. Os aviões estão sempre cheios e basta olhar para os olhos de quem vem: brilham a sonhar com a árvore das patacas. É a nossa triste sina que fazer?Angola tem apresentado números importantes a nível da macroeconomia e há esse corre-corre. Mas o que é que ganhou o povo até agora com isso? Cava-se o fosso entre os muito ricos e os muito pobres. Se não começar a ser melhor repartido isso que se diz ser o 'fabuloso' crescimento de Angola, preparemo-nos para ver o circo pegar fogo."

[Aqui]

Pensavam que a "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis" ja' acabou? Pois desenganem-se: Joao Pinto diz, no JA, que
'Comparar Neto com Senghor e' perfeita ignorancia':

“Senghor era um poeta profissional, pretendendo uma luta intelectual, literária sem o uso de armas, procurando manifestar a eterna doçura que o colonizado devia apresentar como assimilado dócil, cristão ou servil, buscando um parentesco remoto e humilhante com uma pretensa paternidade biológica ou cultural, segundo Senghor (1975) aquando da apresentação da sua dissertação "Lusitanidade e Negritude" na Academia de Ciências de Lisboa, no dia 20 de Maio de 1975;
(...)
Neto escreveu num período curto (1947/60), foi um poeta sofrido, angustiado, sem tréguas, sofreu a luta ideológica interna com as convicções políticas socialistas inerentes às suas alianças conjunturais, lutou para unificar a nação, teve resistência e dissidência dentro do seu Governo, depois de proclamar a Independência, aliou-se aos russos e cubanos para combater o racismo, tribalismo e o regionalismo, Apartheid tendo sido por isso, um poeta que nunca teve sossego, escreveu atendendo as suas circunstâncias, pois, os homens são seres influenciados pelo tempo, espaço e espirito, escreveu atendendo os seus valores, as suas aspirações. A "negritude sengoriana é uma máquina de guerra onde o destinatário é o servilismo definitivo intelectual do negro" segundo Mongo Beti & Odile Tobner, ob. Cit. Respondemos à título pessoal.”

[Aqui]

Na sua Kuluna semanal, Wilson Dada, da-nos conta:

i. de como a (des)informacao e' feita na TPA

"Na TPA são os editores de serviço (e não os factos) quem, afinal de contas, faz a informação acontecer, de acordo com as suas preferências, orientações e outros critérios que, definitivamente, não constam de nenhum manual da especialidade nem são discutidos em nenhum seminário sobre desempenho profissional. A isto, com todas as letras, chama-se CENSURA!"

ii) de como o inusitado assalto a '50-cent' em pleno palco se inscreve no quadro de alta criminalidade que se vive em Luanda

"No meio do debate político que a criminalidade, inevitavelmente, alimenta, destaca-se a policia como sendo a única instituição que nesta altura está efectivamente a fazer alguma coisa de concreto para evitar o pior, com todas as falhas que se lhe possam apontar e que são mais do que muitas."

iii) da quarta edicao do almoco evocativo do 27 de Maio de 1977

"Está já em marcha este projecto de confraternização entre os sobreviventes, familiares e amigos e de homenagem à memória de todos quantos foram forçados a partir antes do tempo, se mantenha de pé. O almoço vai acontecer na segunda-feira dia 26 de Maio algures na baixa luandense. O apelo de sempre dirigido a todos quantos entendem que este encontro faz sentido, mas que por razões diversas, incluindo as politico-partidárias, não poderão estar presentes."

[Aqui]

Finalmente, em varios orgaos de imprensa podem-se encontrar ecos do Festival Internacional de Teatro e Artes a decorrer de 8 a 30 deste mes, em Luanda, para assinalar o vigesimo aniversario do grupo Elinga-Teatro:

"O grupo Elinga Teatro (do umbundo elinga significa acção, iniciativa, exercício) foi criado a 21 de Maio de 1988, sob a direccao de José Mena Abrantes. A sua existência inscreve-se, no entanto, numa linha de continuidade iniciada em 1975/76, com o grupo Tcinganje e continuidade em 1977/80 com o grupo Xilenga Teatro e em 1984/87, com o grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda."

[JA; ANGOP; Angolense]
Em entrevista ao Novo Jornal, Pepetela fala do seu novo livro, de Luanda, de Angola e do (quase fim do) Mundo:

"(…) Diria que alguns escritores africanos mais sortudos têm sido divulgados (em Portugal). Mas são ainda muito poucos se pensarmos no muito que se produz. Quanto a ressentimentos pós-coloniais, eles continuam a existir dos dois lados.
(…)
Contrariamente a muitos, não penso que o escritor, como tal, seja obrigado a ter um papel relevante na sociedade. Cada um sabe de si, mas é claro que em países onde tudo está por fazer, os escritores, se por acaso tiverem meios de serem ouvidos, podem participar, sobretudo fazendo perguntas, apresentando problemas e questões. As respostas já não serão para eles, mas para os administradores, políticos, etc. Em suma: "Dar a César o que é de César..."
(…)
Cada vez há mais Luandas, com inovações recentes, como a "Luanda dos condomínios de classe média". A Luanda dos musseques, por outro lado, tem cada vez mais dificuldades em sobreviver. Aliás, a parte central de Luanda está a mussequizar-se com as torres novas que se constroem, porque musseque deve ser compreendido na sua acepção social, de exclusão. E esta é uma cidade de exclusões como talvez não haja outra.

(…)
As pessoas continuam a vir cá para fazer negócios e já não só os que se relacionam com o petróleo. Aliás, não é o petróleo que atrai mais pessoas a Angola. São os negócios sujos com os diamantes, as lavagens de dinheiro, as empresas fantasmas, etc. Vêm aqui vender tudo, raramente comprar. Os aviões estão sempre cheios e basta olhar para os olhos de quem vem: brilham a sonhar com a árvore das patacas. É a nossa triste sina que fazer?Angola tem apresentado números importantes a nível da macroeconomia e há esse corre-corre. Mas o que é que ganhou o povo até agora com isso? Cava-se o fosso entre os muito ricos e os muito pobres. Se não começar a ser melhor repartido isso que se diz ser o 'fabuloso' crescimento de Angola, preparemo-nos para ver o circo pegar fogo."

[Aqui]

Pensavam que a "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis" ja' acabou? Pois desenganem-se: Joao Pinto diz, no JA, que
'Comparar Neto com Senghor e' perfeita ignorancia':

“Senghor era um poeta profissional, pretendendo uma luta intelectual, literária sem o uso de armas, procurando manifestar a eterna doçura que o colonizado devia apresentar como assimilado dócil, cristão ou servil, buscando um parentesco remoto e humilhante com uma pretensa paternidade biológica ou cultural, segundo Senghor (1975) aquando da apresentação da sua dissertação "Lusitanidade e Negritude" na Academia de Ciências de Lisboa, no dia 20 de Maio de 1975;
(...)
Neto escreveu num período curto (1947/60), foi um poeta sofrido, angustiado, sem tréguas, sofreu a luta ideológica interna com as convicções políticas socialistas inerentes às suas alianças conjunturais, lutou para unificar a nação, teve resistência e dissidência dentro do seu Governo, depois de proclamar a Independência, aliou-se aos russos e cubanos para combater o racismo, tribalismo e o regionalismo, Apartheid tendo sido por isso, um poeta que nunca teve sossego, escreveu atendendo as suas circunstâncias, pois, os homens são seres influenciados pelo tempo, espaço e espirito, escreveu atendendo os seus valores, as suas aspirações. A "negritude sengoriana é uma máquina de guerra onde o destinatário é o servilismo definitivo intelectual do negro" segundo Mongo Beti & Odile Tobner, ob. Cit. Respondemos à título pessoal.”

[Aqui]

Na sua Kuluna semanal, Wilson Dada, da-nos conta:

i. de como a (des)informacao e' feita na TPA

"Na TPA são os editores de serviço (e não os factos) quem, afinal de contas, faz a informação acontecer, de acordo com as suas preferências, orientações e outros critérios que, definitivamente, não constam de nenhum manual da especialidade nem são discutidos em nenhum seminário sobre desempenho profissional. A isto, com todas as letras, chama-se CENSURA!"

ii) de como o inusitado assalto a '50-cent' em pleno palco se inscreve no quadro de alta criminalidade que se vive em Luanda

"No meio do debate político que a criminalidade, inevitavelmente, alimenta, destaca-se a policia como sendo a única instituição que nesta altura está efectivamente a fazer alguma coisa de concreto para evitar o pior, com todas as falhas que se lhe possam apontar e que são mais do que muitas."

iii) da quarta edicao do almoco evocativo do 27 de Maio de 1977

"Está já em marcha este projecto de confraternização entre os sobreviventes, familiares e amigos e de homenagem à memória de todos quantos foram forçados a partir antes do tempo, se mantenha de pé. O almoço vai acontecer na segunda-feira dia 26 de Maio algures na baixa luandense. O apelo de sempre dirigido a todos quantos entendem que este encontro faz sentido, mas que por razões diversas, incluindo as politico-partidárias, não poderão estar presentes."

[Aqui]

Finalmente, em varios orgaos de imprensa podem-se encontrar ecos do Festival Internacional de Teatro e Artes a decorrer de 8 a 30 deste mes, em Luanda, para assinalar o vigesimo aniversario do grupo Elinga-Teatro:

"O grupo Elinga Teatro (do umbundo elinga significa acção, iniciativa, exercício) foi criado a 21 de Maio de 1988, sob a direccao de José Mena Abrantes. A sua existência inscreve-se, no entanto, numa linha de continuidade iniciada em 1975/76, com o grupo Tcinganje e continuidade em 1977/80 com o grupo Xilenga Teatro e em 1984/87, com o grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda."

[JA; ANGOP; Angolense]

Friday, 2 May 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (8)

Chegou-me hoje, pelo correio, de Luanda, o numero de Fevereiro deste ano da revista Figuras & Negocios (F&N). A figura em manchete e’ a nova governadora provincial de Luanda, sobre quem se pode ler o seguinte:

“Aconteca o que acontecer, uma coisa e’ certa, Francisca Espirito Santo e’ a primeira mulher em Angola a ser nomeada pelo Presidente da Republica para dirigir os destinos de uma Provincia. No inicio de Fevereiro, ela foi nomeada governadora interina de Luanda, em substituicao de Job Capapinha.
Ate’ entao vice-governadora de Luanda, Francisca Espirito Santo ascende tambem pela primeira vez ao patamar alto da governacao, apos ter sido ja’ vice-Ministra da Educacao. De trato afavel e comunicativa, Francisca Espirito Santo nao esconde o peso da empreitada colocada agora sobre os seus ombros, sobretudo quando se tem em conta que Luanda e’ das provincias que mais sofre pressao, cuja governacao acusa a influencia de estar aqui instalado o poder central, onde a falta de clarificacao das regras de jogo permite atropelos de competencias. So’ assim se compreende, alias, que ate’ ao momento, em pouco mais de trinta anos de independencia, a Provincia de Luanda ja’ tenha visto passar pela cadeira do poder 15 governadores, numa media de 2 anos para cada um. Francisca Espirito Santo engorda com Luanda o seu curriculum, almofadado do ponto de vista politico com o facto de ser membro do Comite’ Central do MPLA, o Partido no poder.”

Ainda na F&N, este eco do Brasil:


Nos jornais, para nao variar, continua-se a fazer eco da "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis"...

Pires Laranjeira, em “Agostinho Neto nao e’ um poeta mediocre”, no Jornal de Angola:

José Eduardo Agualusa (n. em Angola, Huambo, em 1960) considerou, como se sabe, numa entrevista ao Semanário Angolense, que Agostinho Neto (n. em Angola, Icolo-e-Bengo, em 1922; m. em Moscovo, em 1979) é um “poeta medíocre”. Ele ainda associou dois outros poetas angolanos da Geração da Mensagem e Cultura (II )(anos 50), salvando, por exclusão de partes, o poeta Viriato da Cruz, do qual é um admirador confesso: “uma pessoa que acha que Agostinho Neto foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia, (…) foi um poeta medíocre (…) o mesmo se pode dizer de António Cardoso ou António Jacinto”. Para perceber esta afirmação, é necessário ter em conta que apenas são conhecidos 12 poemas de Viriato, incomensuravelmente menos do que os de António Cardoso e António Jacinto, tendo este último escrito também uma meia dúzia tão importante, consagrada e conseguida quanto a meia dúzia daquele (em Portugal, para quem não saiba ou não se recorde, o grupo Trovante e Sérgio Godinho tiveram grande êxito, nos anos 80, cantando um poema de Viriato, “Namoro”, que a maior parte do público pensava ser um texto português). A minha opinião é que, para Agualusa, os dois Antónios são “medíocres”, não por que o sejam, mas por terem continuado no MPLA, até falecerem, sempre ao lado de Agostinho Neto, enquanto Viriato foi um adversário politicamente derrotado no interior do movimento, no início da década de 60. Agualusa, de facto, não consegue desligar a qualidade literária do percurso político das pessoas.

[Aqui]

Continuando com os literatos, mas mudando de assunto e voltando a governacao de Luanda, um artigo de Pepetela, “Horror do Vazio”, cujo local de publicacao ainda nao me foi possivel apurar: “Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. (…) Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”

[Aqui]

Finalmente, no SA, tres artigos dignos de nota:


Ismael Mateus escreve em defesa de David Borges, a proposito de uma materia aqui discutida:

Escrevo ao Semanário Angolense com o fim de partilhar com os leitores deste jornal o conhecimento pessoal que tenho de David Borges. Nas últimas duas edições, sobretudo na de há quinze dias, foram feitas considerações sobre a pessoa e sobre as motivações do jornalista angolano David Borges que não me deixaram descansado com a minha consciência. Por gratidão pessoal ao homem e ao profissional mas também por dever para com a verdade, sinto-me na obrigação de dizer publicamente que não concordo, não são justas as insinuações sobre uma colagem de David Borges a um conjunto de luso-descendentes que agora descobriram o nosso país e oferecem a sua pena para serem «mais papistas que o Papa». Se o autor tivesse tido a possibilidade de trabalhar, durante mais de cinco anos, com o David Borges (como eu tive), se tivesse tido contacto com a sua seriedade e o rigor profissional e honestidade, jamais teria incluído este filho do Cunene no rol destes mercenários dos negócios que agora se abatem sobre várias áreas da nossa sociedade, entre as quais a comunicação social. Quero assegurar-te, amigo Graça Campos e aos leitores deste semanário, que o DB não é destes.

[Aqui]

Um relato de (quase) tudo quanto pode acontecer quando musica e literatura se confundem com politica no Parlamento: “O debate no Parlamento já tinha atingido o rubro. Ao agendado debate sobre o desarmamento dos civis, o Mpla acrescentou um ponto relativo ao respeito pelos símbolos nacionais, inspirado numa música de autor desconhecido e atentatória à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos. Deputados da oposição disseram que não se opunham à discussão do tema se antes pudessem ouvir a dita música. «Temos que ouvir a música para analisar a sua gravidade», disse Lindo Bernardo Tito, do Prs. Um corte de luz pôs fim à discussão quando começava a tornar-se um embaraço para a bancada do Mpla. (…) Ultrapassada então o que para alguns deputados do próprio Mpla tinha sido um completo despropósito, veio a questão que deixou uma parte da bancada da «grande família», particularmente a sua liderança, politicamente irada. Benjamin da Silva, deputado da Fnla, propôs a observação de um minuto de silêncio em honra de Aime Cesaire, poeta e político de Martinica, criador do conceito de negritude e inspirador de muitas gerações de políticos africanos. Aime Cesaire faleceu há uma semana, na sua terra natal, aos 94 anos. Tudo parecia bem até que o proponente associou Aime Cesaire a várias personalidades africanas, entre as quais Holden Roberto. Bornito de Sousa, chefe da bancada do Mpla, não gostou da colagem. Disse que o Mpla anuía à proposta, porém os seus deputados manter-se-iam sentados pois que a associação entre Holden Roberto e Aime Cesaire, feita por Benjamin da Silva, era uma provocação que visava dividendos políticos e com a qual não podiam pactuar.”

[Aqui]

E... '50-cent' assaltado em pleno palco!

O «rapper» norte-americano «50-Cent», que se encontrava em Luanda para participar no Festival Internacional da Paz, promovido pela Casablanca, do empresário Henrique Miguel «Riquinho», terá «morrido» do próprio veneno, como sói dizer-se, ao ser vítima de um espectacular assalto em pleno palco, quarta-feira, no pavilhão da cidadela desportiva, durante a actuação que estava fazendo, no quadro do 1.º dia do evento, noticiou a Angop. O assalto aconteceu quando um indivíduo não identificado surgiu da assistência como num passe de mágica, iludindo o sistema de segurança montado pelo organização do espectáculo, conseguiu subir ao palco, acercar-se do «rapper» e, com um esticão, roubar-lhe o valioso colar, que se diz ser de platina e continha vários diamantes incrustados, que portava, avaliado em dois milhões de dólares, muito menos do que valia certamente o seu «cachet». O músico americano, que nas suas músicas tem feito a apologia de comportamentos pouco dignos, sendo por isso vítima do que promove de algum modo, ainda saiu em perseguição do ladrão, mas sem sucesso, por este se ter camuflado entre a numerosa assistência que acorrera ao espectáculo.

[Aqui]

Chegou-me hoje, pelo correio, de Luanda, o numero de Fevereiro deste ano da revista Figuras & Negocios (F&N). A figura em manchete e’ a nova governadora provincial de Luanda, sobre quem se pode ler o seguinte:

“Aconteca o que acontecer, uma coisa e’ certa, Francisca Espirito Santo e’ a primeira mulher em Angola a ser nomeada pelo Presidente da Republica para dirigir os destinos de uma Provincia. No inicio de Fevereiro, ela foi nomeada governadora interina de Luanda, em substituicao de Job Capapinha.
Ate’ entao vice-governadora de Luanda, Francisca Espirito Santo ascende tambem pela primeira vez ao patamar alto da governacao, apos ter sido ja’ vice-Ministra da Educacao. De trato afavel e comunicativa, Francisca Espirito Santo nao esconde o peso da empreitada colocada agora sobre os seus ombros, sobretudo quando se tem em conta que Luanda e’ das provincias que mais sofre pressao, cuja governacao acusa a influencia de estar aqui instalado o poder central, onde a falta de clarificacao das regras de jogo permite atropelos de competencias. So’ assim se compreende, alias, que ate’ ao momento, em pouco mais de trinta anos de independencia, a Provincia de Luanda ja’ tenha visto passar pela cadeira do poder 15 governadores, numa media de 2 anos para cada um. Francisca Espirito Santo engorda com Luanda o seu curriculum, almofadado do ponto de vista politico com o facto de ser membro do Comite’ Central do MPLA, o Partido no poder.”

Ainda na F&N, este eco do Brasil:


Nos jornais, para nao variar, continua-se a fazer eco da "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis"...

Pires Laranjeira, em “Agostinho Neto nao e’ um poeta mediocre”, no Jornal de Angola:

José Eduardo Agualusa (n. em Angola, Huambo, em 1960) considerou, como se sabe, numa entrevista ao Semanário Angolense, que Agostinho Neto (n. em Angola, Icolo-e-Bengo, em 1922; m. em Moscovo, em 1979) é um “poeta medíocre”. Ele ainda associou dois outros poetas angolanos da Geração da Mensagem e Cultura (II )(anos 50), salvando, por exclusão de partes, o poeta Viriato da Cruz, do qual é um admirador confesso: “uma pessoa que acha que Agostinho Neto foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia, (…) foi um poeta medíocre (…) o mesmo se pode dizer de António Cardoso ou António Jacinto”. Para perceber esta afirmação, é necessário ter em conta que apenas são conhecidos 12 poemas de Viriato, incomensuravelmente menos do que os de António Cardoso e António Jacinto, tendo este último escrito também uma meia dúzia tão importante, consagrada e conseguida quanto a meia dúzia daquele (em Portugal, para quem não saiba ou não se recorde, o grupo Trovante e Sérgio Godinho tiveram grande êxito, nos anos 80, cantando um poema de Viriato, “Namoro”, que a maior parte do público pensava ser um texto português). A minha opinião é que, para Agualusa, os dois Antónios são “medíocres”, não por que o sejam, mas por terem continuado no MPLA, até falecerem, sempre ao lado de Agostinho Neto, enquanto Viriato foi um adversário politicamente derrotado no interior do movimento, no início da década de 60. Agualusa, de facto, não consegue desligar a qualidade literária do percurso político das pessoas.

[Aqui]

Continuando com os literatos, mas mudando de assunto e voltando a governacao de Luanda, um artigo de Pepetela, “Horror do Vazio”, cujo local de publicacao ainda nao me foi possivel apurar: “Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. (…) Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”

[Aqui]

Finalmente, no SA, tres artigos dignos de nota:


Ismael Mateus escreve em defesa de David Borges, a proposito de uma materia aqui discutida:

Escrevo ao Semanário Angolense com o fim de partilhar com os leitores deste jornal o conhecimento pessoal que tenho de David Borges. Nas últimas duas edições, sobretudo na de há quinze dias, foram feitas considerações sobre a pessoa e sobre as motivações do jornalista angolano David Borges que não me deixaram descansado com a minha consciência. Por gratidão pessoal ao homem e ao profissional mas também por dever para com a verdade, sinto-me na obrigação de dizer publicamente que não concordo, não são justas as insinuações sobre uma colagem de David Borges a um conjunto de luso-descendentes que agora descobriram o nosso país e oferecem a sua pena para serem «mais papistas que o Papa». Se o autor tivesse tido a possibilidade de trabalhar, durante mais de cinco anos, com o David Borges (como eu tive), se tivesse tido contacto com a sua seriedade e o rigor profissional e honestidade, jamais teria incluído este filho do Cunene no rol destes mercenários dos negócios que agora se abatem sobre várias áreas da nossa sociedade, entre as quais a comunicação social. Quero assegurar-te, amigo Graça Campos e aos leitores deste semanário, que o DB não é destes.

[Aqui]

Um relato de (quase) tudo quanto pode acontecer quando musica e literatura se confundem com politica no Parlamento: “O debate no Parlamento já tinha atingido o rubro. Ao agendado debate sobre o desarmamento dos civis, o Mpla acrescentou um ponto relativo ao respeito pelos símbolos nacionais, inspirado numa música de autor desconhecido e atentatória à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos. Deputados da oposição disseram que não se opunham à discussão do tema se antes pudessem ouvir a dita música. «Temos que ouvir a música para analisar a sua gravidade», disse Lindo Bernardo Tito, do Prs. Um corte de luz pôs fim à discussão quando começava a tornar-se um embaraço para a bancada do Mpla. (…) Ultrapassada então o que para alguns deputados do próprio Mpla tinha sido um completo despropósito, veio a questão que deixou uma parte da bancada da «grande família», particularmente a sua liderança, politicamente irada. Benjamin da Silva, deputado da Fnla, propôs a observação de um minuto de silêncio em honra de Aime Cesaire, poeta e político de Martinica, criador do conceito de negritude e inspirador de muitas gerações de políticos africanos. Aime Cesaire faleceu há uma semana, na sua terra natal, aos 94 anos. Tudo parecia bem até que o proponente associou Aime Cesaire a várias personalidades africanas, entre as quais Holden Roberto. Bornito de Sousa, chefe da bancada do Mpla, não gostou da colagem. Disse que o Mpla anuía à proposta, porém os seus deputados manter-se-iam sentados pois que a associação entre Holden Roberto e Aime Cesaire, feita por Benjamin da Silva, era uma provocação que visava dividendos políticos e com a qual não podiam pactuar.”

[Aqui]

E... '50-cent' assaltado em pleno palco!

O «rapper» norte-americano «50-Cent», que se encontrava em Luanda para participar no Festival Internacional da Paz, promovido pela Casablanca, do empresário Henrique Miguel «Riquinho», terá «morrido» do próprio veneno, como sói dizer-se, ao ser vítima de um espectacular assalto em pleno palco, quarta-feira, no pavilhão da cidadela desportiva, durante a actuação que estava fazendo, no quadro do 1.º dia do evento, noticiou a Angop. O assalto aconteceu quando um indivíduo não identificado surgiu da assistência como num passe de mágica, iludindo o sistema de segurança montado pelo organização do espectáculo, conseguiu subir ao palco, acercar-se do «rapper» e, com um esticão, roubar-lhe o valioso colar, que se diz ser de platina e continha vários diamantes incrustados, que portava, avaliado em dois milhões de dólares, muito menos do que valia certamente o seu «cachet». O músico americano, que nas suas músicas tem feito a apologia de comportamentos pouco dignos, sendo por isso vítima do que promove de algum modo, ainda saiu em perseguição do ladrão, mas sem sucesso, por este se ter camuflado entre a numerosa assistência que acorrera ao espectáculo.

[Aqui]

Friday, 25 April 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (7)


Eu nao disse que o 'kibeto' ia continuar?
Na continuacao da ja' tristemente celebre Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios, este fim de semana poderao encontrar no SA duas replicas 'a ultima replica de Agualusa...


Luis Kandjimbo, em "A TRADIÇÃO LITERÁRIA ANGOLANA E O GRAU ZERO DA MEMÓRIA DE UM ESCRITOR":


Que motivação subjaz à exaltação dos estudos clássicos de Leopold Senghor realizados na Universidade da Sorbonne, quando se esquece que, nas décadas de 40 e 50, Agostinho Neto foi dos primeiros negros angolanos a realizar os seus estudos de Medicina nas Universidades de Coimbra e de Lisboa? Ou será porque a alusão que Senghor faz à origem portuguesa do nome e à gota de sangue português representa uma virtude luso-tropical? Vê-se logo que o suposto juízo estético sobre a poesia de Agostinho Neto resvala para um registo biografista com laivos deterministas sem relevância crítica.
(...)
Afirmar que Agostinho Neto (1922-1979) foi um político que frequentou a poesia e Senghor (1906-2001) um poeta que frequentou a política é, na verdade, um trocadilho que constitui o cúmulo da bazófia. Conhecendo bem as literaturas africanas de língua francesa e inglesa, considero que semelhantes afirmações revelam a mais desbragada irresponsabilidade do acto judicativo e hermenêutico. Por isso, tenho dúvidas que quem assim pensa, conheça verdadeiramente as trajectórias biográficas dos dois escritores mencionados.
(...)
Como compreender que (JE Agualusa) venha emitir juízos estéticos depreciativos acerca de três poetas angolanos importantes, revelando pertencer a uma tradição literária universal? Como se explica que ganhe fortuna crítica em nome da tradição literária angolana cuja existência nega com frequência, tal como fez mais recentemente numa entrevista concedida ao conhecido humorista brasileiro Jô Soares?

[Aqui]


Adriano dos Santos Junior, em "O SEU A SEU DONO":

O que não estamos de acordo é com o fundamento de Agualusa, segundo o qual Leopold Senghor tenha sido um grande poeta por ter ido beber à fonte da Grécia Antiga para além das tradições africanas, ter estudado na Sorbonne, ter tido orgulho pela sua «gota de sangue português», evocada num dos seus grandes poemas transcritos por Agualusa, e ter publicado onze livros, enquanto que Agostinho Neto não poderia ser um grande poeta porque não teria ido beber à bica da Grécia antiga, não passou pela Sorbonne e não publicou assim tantos livros. Para nós Leopold Senghor e Agostinho Neto foram grandes poetas pelas suas obras, independentemente dos santuários do saber que tenha frequentado ou visitado.
Por mais que devamos incentivar os nossos literatos a produzirem muito e terem o máximo apego à Cultura quer seja clássica ou tradicional, não nos podemos esquecer que o Poeta nasce e o Erudito faz-se. Há Poetas analfabetos e Eruditos incapazes de engendrar um poema. Por outro lado, os critérios para a classificação de escritores, poetas, contistas, romancistas, etc., não têm como factor essencial a quantidade de obras publicadas nem o número de versos ou de páginas das mesmas, mas sim a sua qualidade. Existem poetas de um poema só, contistas de um conto só e romancistas de um só romance. Embora possam ser excepções, literaturas relevantes de vários povos e em diversas épocas, registam casos em que autores de uma só obra integram as mesmas galerias que as de outros mais fecundos e com todo o merecimento.
(...)
«…Talvez se justifique aqui acrescentar, para concluir, que gosto muito de escutar os versos de Agostinho Neto musicados por Rui Mingas. Gosto deles, como centenas de milhares de angolanos, devido à arte de Rui Mingas e também porque fazem parte do meu imaginário, e isto independentemente da sua qualidade literária…», revela Agualusa. A nosso ver, a beleza e o sucesso dos versos de Agostinho Neto musicados por Rui Mingas, que o nosso grande escritor adora escutar, não depende apenas da intervenção do genial compositor; Agualusa atribui todo mérito a Rui Mingas porque se recusa a perceber que os poemas de Agostinho Neto, por si sós, têm uma musicalidade intrínseca, «uma melodia silenciosa», como diria o poeta João Maimona referindo-se à poesia de António Jacinto. Interagindo e complementando-se, os talentos do poeta e do cancionista produziram as maravilhas que encantam até os desafectos.

[Aqui]


“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Eu nao disse que o 'kibeto' ia continuar?
Na continuacao da ja' tristemente celebre Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios, este fim de semana poderao encontrar no SA duas replicas 'a ultima replica de Agualusa...


Luis Kandjimbo, em "A TRADIÇÃO LITERÁRIA ANGOLANA E O GRAU ZERO DA MEMÓRIA DE UM ESCRITOR":


Que motivação subjaz à exaltação dos estudos clássicos de Leopold Senghor realizados na Universidade da Sorbonne, quando se esquece que, nas décadas de 40 e 50, Agostinho Neto foi dos primeiros negros angolanos a realizar os seus estudos de Medicina nas Universidades de Coimbra e de Lisboa? Ou será porque a alusão que Senghor faz à origem portuguesa do nome e à gota de sangue português representa uma virtude luso-tropical? Vê-se logo que o suposto juízo estético sobre a poesia de Agostinho Neto resvala para um registo biografista com laivos deterministas sem relevância crítica.
(...)
Afirmar que Agostinho Neto (1922-1979) foi um político que frequentou a poesia e Senghor (1906-2001) um poeta que frequentou a política é, na verdade, um trocadilho que constitui o cúmulo da bazófia. Conhecendo bem as literaturas africanas de língua francesa e inglesa, considero que semelhantes afirmações revelam a mais desbragada irresponsabilidade do acto judicativo e hermenêutico. Por isso, tenho dúvidas que quem assim pensa, conheça verdadeiramente as trajectórias biográficas dos dois escritores mencionados.
(...)
Como compreender que (JE Agualusa) venha emitir juízos estéticos depreciativos acerca de três poetas angolanos importantes, revelando pertencer a uma tradição literária universal? Como se explica que ganhe fortuna crítica em nome da tradição literária angolana cuja existência nega com frequência, tal como fez mais recentemente numa entrevista concedida ao conhecido humorista brasileiro Jô Soares?

[Aqui]


Adriano dos Santos Junior, em "O SEU A SEU DONO":

O que não estamos de acordo é com o fundamento de Agualusa, segundo o qual Leopold Senghor tenha sido um grande poeta por ter ido beber à fonte da Grécia Antiga para além das tradições africanas, ter estudado na Sorbonne, ter tido orgulho pela sua «gota de sangue português», evocada num dos seus grandes poemas transcritos por Agualusa, e ter publicado onze livros, enquanto que Agostinho Neto não poderia ser um grande poeta porque não teria ido beber à bica da Grécia antiga, não passou pela Sorbonne e não publicou assim tantos livros. Para nós Leopold Senghor e Agostinho Neto foram grandes poetas pelas suas obras, independentemente dos santuários do saber que tenha frequentado ou visitado.
Por mais que devamos incentivar os nossos literatos a produzirem muito e terem o máximo apego à Cultura quer seja clássica ou tradicional, não nos podemos esquecer que o Poeta nasce e o Erudito faz-se. Há Poetas analfabetos e Eruditos incapazes de engendrar um poema. Por outro lado, os critérios para a classificação de escritores, poetas, contistas, romancistas, etc., não têm como factor essencial a quantidade de obras publicadas nem o número de versos ou de páginas das mesmas, mas sim a sua qualidade. Existem poetas de um poema só, contistas de um conto só e romancistas de um só romance. Embora possam ser excepções, literaturas relevantes de vários povos e em diversas épocas, registam casos em que autores de uma só obra integram as mesmas galerias que as de outros mais fecundos e com todo o merecimento.
(...)
«…Talvez se justifique aqui acrescentar, para concluir, que gosto muito de escutar os versos de Agostinho Neto musicados por Rui Mingas. Gosto deles, como centenas de milhares de angolanos, devido à arte de Rui Mingas e também porque fazem parte do meu imaginário, e isto independentemente da sua qualidade literária…», revela Agualusa. A nosso ver, a beleza e o sucesso dos versos de Agostinho Neto musicados por Rui Mingas, que o nosso grande escritor adora escutar, não depende apenas da intervenção do genial compositor; Agualusa atribui todo mérito a Rui Mingas porque se recusa a perceber que os poemas de Agostinho Neto, por si sós, têm uma musicalidade intrínseca, «uma melodia silenciosa», como diria o poeta João Maimona referindo-se à poesia de António Jacinto. Interagindo e complementando-se, os talentos do poeta e do cancionista produziram as maravilhas que encantam até os desafectos.

[Aqui]


“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Tuesday, 22 April 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (6)

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Bom, tudo parece indicar que enquanto os apetites do aparentemente interminavel numero de replicantes as implicancias de Agualusa sobre a poesia de Neto (e de Jacinto, e de Cardoso – mas parece que a maka, chamemos-lhe a “Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios”, tanto por parte do implicante, como dos replicantes, se restringe mesmo a poesia daquele que tera' sido eleito 'por unanimidade e aclamacao', “Poeta Maior da Nacao Angolana”…) nao estiverem completamente saciados, o ‘kibeto’ promete continuar ad-infinitum. Dos ultimos episodios, destaque vai para o que se segue:

Celso Malavoloneke despacha, do seu canto no SA, recados tanto para o implicante como para o mais inflamado dos replicantes:

RECADO I
Ao José Eduardo Agualusa, uma réplica: se por gostar desalmadamente da
poesia de Agostinho Neto não percebo rigorosamente nada de poesia, então
o senhor percebe ainda menos -se é que isso é possível - do papel essencial
da Arte e Literatura na vida dos povos

RECADO II
Ao Artur Queiroz outro recado: a poesia de Agostinho Neto não precisa de
ser defendida com linguagem de carroceiros brigando por uma picha de
cerveja barata numa taberna qualquer

RECADO III
A não ser que vocês os dois decidam fazê-lo algures em terras lusas, onde
essas baixarias parecem confundidas com democracia. Então porquê não
irem para lá e entabernarem-se, que assim deixa de ser problema nosso?
[Aqui]

Por seu lado, o implicante provocador de ‘toda a maka no museke’, para alem de uma primeira reaccao, registada aqui, disse mais de sua justica ao Novo Jornal:

Para me fazer compreender melhor, quanto ao assunto que me traz aqui, talvez seja útil comparar a obra e o trajecto de Agostinho Neto com o de outro grande nome do nacionalismo africano: Leopold Sedar Senghor. Agostinho Neto e Leopold Senghor tiveram percursos aparentemente semelhantes. Senghor foi o primeiro presidente do Senegal. Agostinho Neto foi o primeiro presidente de Angola. Ambos publicaram livros de poesia. Olhando com mais atenção, porém, começam a perceber-se as diferenças. Agostinho Neto foi um político que frequentou a poesia -por razões políticas. Senghor foi um poeta que frequentou a política - por razões poéticas.
(…)
Talvez se justifique aqui acrescentar, para concluir, que gosto muito de escutar os versos de Agostinho Neto musicados por Rui Mingas. Gosto deles, como centenas de milhares de angolanos, devido à arte de Rui Mingas e também porque fazem parte do meu imaginário, e isto independentemente da sua qualidade literária. Quando quero ler grande poesia, então procuro outros autores. E era aqui que eu queria chegar na entrevista ao Semanário Angolense.
[Aqui]

Agora, quem, apesar de tao penosamente elaborada explicacao, continue com o apetite insaciado (eu creio ter percebido tudo, excepto uma coisa, e espero com isto nao dar mais alento a outros eventuais replicantes a espera de vez: porque que o implicante, nas suas replicas aos replicantes, continua repetidamente a referir-se ao Semanario Angolese?), talvez consiga encontrar alguma luz na ‘Teoria Geral dos Xinguilamentos’, cientificamente exposta por Mestre Paulo Mulembo no Agora:

Queremos reportar-nos ao debate que se gerou em torno da entrevista dada pelo escritor Agualusa ao Jornal Angolense, que ao exprimir numa frase a sua opinião sobre a poesia de Agostinho Neto ("Neto é um poeta medíocre"), provocou uma onda de mal estar em certos sectores, a ponto de provocar xinguilamentos ou vontades de xinguilar.
(…)
"Xingar o Kilamba faz Xinguilar", "Kidi Kidi, Kididi Kididi". O professor começa por esta bonita marcação de identidade cultural (linguística) pese embora o sincretismo da primeira expressão, onde a força da rima clássica, portanto exógena, é conseguida através da apropriação gramatical da conjugação portuguesa. Não é pecado. A interface cultural produz estes empréstimos ou apropriações em todo legitimas de ambas as partes, angolana e portuguesa. Mas é exactamente por esta primeira afirmação: Xingar o Kilamba faz Xinguilar que queremos começar, na sincera esperança de poder acalmar o xinguilamento do Professor. Elegemos esta expressão porque achamos que é sobre ela que assenta toda a estrutura profunda da reacção do Professor, objectivada no texto.
(…)
Sabemos que a FRENTE, a FpD, tem uma proposta de código de conduta social, que serviria de pauta reguladora para a coexistência saudável entre nós. Pedimos que aí seja inscrito o princípio seguinte:
"Não vale Xinguilar, quem xinguilar perde a razão".
[Aqui]

Entenderam, oh replicantes de insaciaveis apetites? Assumindo que sim, passemos entao das makas literarias as mais substantivas makas da economia. Ou, mais especificamente, as makas do piteu que esta’ cada vez mais caro a nivel global e cujos efeitos se comecam a fazer sentir de forma dramatica em varias partes do mundo (so’ para citar os casos mais mediatizados, vimos nos ultimos dias violentos confrontos no Haiti e no Egipto por nao outra razao que o aumento vertiginoso dos precos de bens alimentares basicos):

No Novo Jornal, Fernando Pacheco, equaciona a crise alimentar em termos de proposicoes concretas para uma politica agricola mais autonoma e sustentavel em Angola:

Acabada a guerra, aumentou naturalmente o interesse na produção camponesa - que erradamente continua a ser considerada de subsistência, ignorando-se que ela foi responsável pela auto suficiência alimentar de Angola em termos líquidos até 1973 - pelo papel que pode ter na redução do peso do petróleo no Produto Interno Bruto. Como durante mais de trinta anos esta questão esteve longe do centro do debate nacional - excepto quando os preços do petróleo baixaram para níveis considerados inquietantes -, não há hoje ideias claras sobre a forma de lidar com ela.
[Aqui]

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Bom, tudo parece indicar que enquanto os apetites do aparentemente interminavel numero de replicantes as implicancias de Agualusa sobre a poesia de Neto (e de Jacinto, e de Cardoso – mas parece que a maka, chamemos-lhe a “Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios”, tanto por parte do implicante, como dos replicantes, se restringe mesmo a poesia daquele que tera' sido eleito 'por unanimidade e aclamacao', “Poeta Maior da Nacao Angolana”…) nao estiverem completamente saciados, o ‘kibeto’ promete continuar ad-infinitum. Dos ultimos episodios, destaque vai para o que se segue:

Celso Malavoloneke despacha, do seu canto no SA, recados tanto para o implicante como para o mais inflamado dos replicantes:

RECADO I
Ao José Eduardo Agualusa, uma réplica: se por gostar desalmadamente da
poesia de Agostinho Neto não percebo rigorosamente nada de poesia, então
o senhor percebe ainda menos -se é que isso é possível - do papel essencial
da Arte e Literatura na vida dos povos

RECADO II
Ao Artur Queiroz outro recado: a poesia de Agostinho Neto não precisa de
ser defendida com linguagem de carroceiros brigando por uma picha de
cerveja barata numa taberna qualquer

RECADO III
A não ser que vocês os dois decidam fazê-lo algures em terras lusas, onde
essas baixarias parecem confundidas com democracia. Então porquê não
irem para lá e entabernarem-se, que assim deixa de ser problema nosso?
[Aqui]

Por seu lado, o implicante provocador de ‘toda a maka no museke’, para alem de uma primeira reaccao, registada aqui, disse mais de sua justica ao Novo Jornal:

Para me fazer compreender melhor, quanto ao assunto que me traz aqui, talvez seja útil comparar a obra e o trajecto de Agostinho Neto com o de outro grande nome do nacionalismo africano: Leopold Sedar Senghor. Agostinho Neto e Leopold Senghor tiveram percursos aparentemente semelhantes. Senghor foi o primeiro presidente do Senegal. Agostinho Neto foi o primeiro presidente de Angola. Ambos publicaram livros de poesia. Olhando com mais atenção, porém, começam a perceber-se as diferenças. Agostinho Neto foi um político que frequentou a poesia -por razões políticas. Senghor foi um poeta que frequentou a política - por razões poéticas.
(…)
Talvez se justifique aqui acrescentar, para concluir, que gosto muito de escutar os versos de Agostinho Neto musicados por Rui Mingas. Gosto deles, como centenas de milhares de angolanos, devido à arte de Rui Mingas e também porque fazem parte do meu imaginário, e isto independentemente da sua qualidade literária. Quando quero ler grande poesia, então procuro outros autores. E era aqui que eu queria chegar na entrevista ao Semanário Angolense.
[Aqui]

Agora, quem, apesar de tao penosamente elaborada explicacao, continue com o apetite insaciado (eu creio ter percebido tudo, excepto uma coisa, e espero com isto nao dar mais alento a outros eventuais replicantes a espera de vez: porque que o implicante, nas suas replicas aos replicantes, continua repetidamente a referir-se ao Semanario Angolese?), talvez consiga encontrar alguma luz na ‘Teoria Geral dos Xinguilamentos’, cientificamente exposta por Mestre Paulo Mulembo no Agora:

Queremos reportar-nos ao debate que se gerou em torno da entrevista dada pelo escritor Agualusa ao Jornal Angolense, que ao exprimir numa frase a sua opinião sobre a poesia de Agostinho Neto ("Neto é um poeta medíocre"), provocou uma onda de mal estar em certos sectores, a ponto de provocar xinguilamentos ou vontades de xinguilar.
(…)
"Xingar o Kilamba faz Xinguilar", "Kidi Kidi, Kididi Kididi". O professor começa por esta bonita marcação de identidade cultural (linguística) pese embora o sincretismo da primeira expressão, onde a força da rima clássica, portanto exógena, é conseguida através da apropriação gramatical da conjugação portuguesa. Não é pecado. A interface cultural produz estes empréstimos ou apropriações em todo legitimas de ambas as partes, angolana e portuguesa. Mas é exactamente por esta primeira afirmação: Xingar o Kilamba faz Xinguilar que queremos começar, na sincera esperança de poder acalmar o xinguilamento do Professor. Elegemos esta expressão porque achamos que é sobre ela que assenta toda a estrutura profunda da reacção do Professor, objectivada no texto.
(…)
Sabemos que a FRENTE, a FpD, tem uma proposta de código de conduta social, que serviria de pauta reguladora para a coexistência saudável entre nós. Pedimos que aí seja inscrito o princípio seguinte:
"Não vale Xinguilar, quem xinguilar perde a razão".
[Aqui]

Entenderam, oh replicantes de insaciaveis apetites? Assumindo que sim, passemos entao das makas literarias as mais substantivas makas da economia. Ou, mais especificamente, as makas do piteu que esta’ cada vez mais caro a nivel global e cujos efeitos se comecam a fazer sentir de forma dramatica em varias partes do mundo (so’ para citar os casos mais mediatizados, vimos nos ultimos dias violentos confrontos no Haiti e no Egipto por nao outra razao que o aumento vertiginoso dos precos de bens alimentares basicos):

No Novo Jornal, Fernando Pacheco, equaciona a crise alimentar em termos de proposicoes concretas para uma politica agricola mais autonoma e sustentavel em Angola:

Acabada a guerra, aumentou naturalmente o interesse na produção camponesa - que erradamente continua a ser considerada de subsistência, ignorando-se que ela foi responsável pela auto suficiência alimentar de Angola em termos líquidos até 1973 - pelo papel que pode ter na redução do peso do petróleo no Produto Interno Bruto. Como durante mais de trinta anos esta questão esteve longe do centro do debate nacional - excepto quando os preços do petróleo baixaram para níveis considerados inquietantes -, não há hoje ideias claras sobre a forma de lidar com ela.
[Aqui]

Thursday, 17 April 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (5)

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Numa longa entrevista ao jornal A Capital, o director do Semanario Angolense (SA), Graca Campos, disserta sobre a actual panaramica da imprensa privada em Angola:


[Aqui]


No Jornal Angolense, Wilson Dada (Reginaldo Silva), conduz-nos pelos intersticios da pre-campanha eleitoral ja' iniciada:

“Depois do que aconteceu com as passeatas e meetings (comícios/ bebidos/maratonas) organizados pelo MPLA no último fim-desemana um pouco por todo o país, generosamente amplificados e ampliados pela sempre fiel comunicação social estatal, pode-se dizer que oficialmente teve inicio a pré-campanha eleitoral, embora a lei eleitoral não preveja nenhum período com esta designação.”


O kulunista partilha tambem algumas recebidas 'licoes de jornalismo' com os seus leitores:

“O reino da objectividade é a informação, a notícia, a cobertura, a reportagem, a análise, assim como o reino da tomada de posição era a opinião, o comentário, o artigo, o editorial. E fundamental separar e distinguir informação de opinião, indicar as diferenças de conteúdo e forma dos géneros jornalísticos, e apresentar toda a produção jornalística ao leitor/telespectador de forma a que ele perceba imediatamente o que é a exposição da realidade e o que é o juízo de valor". [Aqui]

No SA, o linguista e tradutor Adérito Miranda introduz-nos o “Segmento Mba como música”, na sua serie sobre “Linguística Bantu a partir do Kimbundu”:

"Conhecemos o segmento Mba com dois significados, sendo um no reino animal (pessoas, animais, população), que já foi aqui tratado abundantemente, e outro na música, como se pode ver nos vocábulos acima referenciados. Na música, o Mba representa ou reproduz fonologicamente uma batida no tambor ou em qualquer outro instrumento de percussão. Façamos então uma breve análise sobre aqueles casos." [Aqui]

Ainda no SA, Luis Kandjimbo apresenta uma recensao critica da obra de Arnaldo Santos, detendo-se particularmente no seu romance “A Casa Velha das Margens”:

“O autor do romance em apreço é natural de Luanda, onde nasceu em 1935. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Na década de 50, integrou o chamado «grupo da Cultura». Colaborou em várias publicações periódicas luandenses, entre as quais a revista Cultura, o Jornal de Angola (da década de 60), Abc e Mensagem da Casa dos Estudantes do Império. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (Uea). Passou a infância e a adolescência no bairro do Kinaxixi, topónimo que ocupa um lugar privilegiado na sua produção narrativa. Aos vinte anos de idade, publicou a sua primeira colectânea de contos, intitulada Quinaxixi. Com o livro de crónicas Tempo do Munhungo, arrebatou em 1968 o Prémio Mota Veiga, um dos poucos existentes em Luanda, nas décadas de 60 e 70.

Preciosista na depuração do texto narrativo curto e avaro da economia dos seus elementos, Arnaldo Santos submete a língua portuguesa a um singular tratamento articulando formas de expressão resultantes de modelos de comunicação angolanos a correspondentes formas de conteúdo. No dizer de Jorge Macedo, ele usa «lexias-kimbundo no interior de um português de luzidia correcção». Devido a esse labor oficinal, a sua obra narrativa não conheceu variações até à década de 90, gravitando em torno da forma breve do texto narrativo, entre o conto (Kinaxixi) e a crónica (Tempo do Munhungo). O seu romance que anuncia um outro fôlego, A Boneca de Quilengues, é publicado em 1991. No panorama da ficção narrativa angolana, é uma referência incontornável.” [Aqui]
“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Numa longa entrevista ao jornal A Capital, o director do Semanario Angolense (SA), Graca Campos, disserta sobre a actual panaramica da imprensa privada em Angola:


[Aqui]


No Jornal Angolense, Wilson Dada (Reginaldo Silva), conduz-nos pelos intersticios da pre-campanha eleitoral ja' iniciada:

“Depois do que aconteceu com as passeatas e meetings (comícios/ bebidos/maratonas) organizados pelo MPLA no último fim-desemana um pouco por todo o país, generosamente amplificados e ampliados pela sempre fiel comunicação social estatal, pode-se dizer que oficialmente teve inicio a pré-campanha eleitoral, embora a lei eleitoral não preveja nenhum período com esta designação.”


O kulunista partilha tambem algumas recebidas 'licoes de jornalismo' com os seus leitores:

“O reino da objectividade é a informação, a notícia, a cobertura, a reportagem, a análise, assim como o reino da tomada de posição era a opinião, o comentário, o artigo, o editorial. E fundamental separar e distinguir informação de opinião, indicar as diferenças de conteúdo e forma dos géneros jornalísticos, e apresentar toda a produção jornalística ao leitor/telespectador de forma a que ele perceba imediatamente o que é a exposição da realidade e o que é o juízo de valor". [Aqui]

No SA, o linguista e tradutor Adérito Miranda introduz-nos o “Segmento Mba como música”, na sua serie sobre “Linguística Bantu a partir do Kimbundu”:

"Conhecemos o segmento Mba com dois significados, sendo um no reino animal (pessoas, animais, população), que já foi aqui tratado abundantemente, e outro na música, como se pode ver nos vocábulos acima referenciados. Na música, o Mba representa ou reproduz fonologicamente uma batida no tambor ou em qualquer outro instrumento de percussão. Façamos então uma breve análise sobre aqueles casos." [Aqui]

Ainda no SA, Luis Kandjimbo apresenta uma recensao critica da obra de Arnaldo Santos, detendo-se particularmente no seu romance “A Casa Velha das Margens”:

“O autor do romance em apreço é natural de Luanda, onde nasceu em 1935. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Na década de 50, integrou o chamado «grupo da Cultura». Colaborou em várias publicações periódicas luandenses, entre as quais a revista Cultura, o Jornal de Angola (da década de 60), Abc e Mensagem da Casa dos Estudantes do Império. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (Uea). Passou a infância e a adolescência no bairro do Kinaxixi, topónimo que ocupa um lugar privilegiado na sua produção narrativa. Aos vinte anos de idade, publicou a sua primeira colectânea de contos, intitulada Quinaxixi. Com o livro de crónicas Tempo do Munhungo, arrebatou em 1968 o Prémio Mota Veiga, um dos poucos existentes em Luanda, nas décadas de 60 e 70.

Preciosista na depuração do texto narrativo curto e avaro da economia dos seus elementos, Arnaldo Santos submete a língua portuguesa a um singular tratamento articulando formas de expressão resultantes de modelos de comunicação angolanos a correspondentes formas de conteúdo. No dizer de Jorge Macedo, ele usa «lexias-kimbundo no interior de um português de luzidia correcção». Devido a esse labor oficinal, a sua obra narrativa não conheceu variações até à década de 90, gravitando em torno da forma breve do texto narrativo, entre o conto (Kinaxixi) e a crónica (Tempo do Munhungo). O seu romance que anuncia um outro fôlego, A Boneca de Quilengues, é publicado em 1991. No panorama da ficção narrativa angolana, é uma referência incontornável.” [Aqui]

Monday, 7 April 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (4)

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre


Com algum atraso, mas ainda em tempo util, a resposta de Jose' Eduardo Agualusa as reaccoes as suas afirmacoes, publicada a 28/03/08 no A Capital:

'GOSTO UNICO'

"Não posso dizer que tenha ficado surpreendido com algumas das reacções a uma entrevista que concedi recentemente ao Semanário Angolense. Atravessamos um tempo um pouco estranho, de transição de um regime de pensamento único para aquilo que, espero, venha a ser uma verdadeira democracia. O que diferencia uma ditadura de uma democracia é a pluralidade de ideias e de opiniões sobre qualquer assunto, e a forma como essas ideias são recebidas não apenas pelos governantes, mas pela generalidade da população.Os ditadores esforçam-se por estabelecer primeiro uma determinada ideologia política, mas raramente se detêm aqui – tentam a seguir impor a toda a gente os seus próprios gostos sobre música, literatura, artes plásticas, desporto, sexo, ou mesmo moda."

[Aqui]

***
O post-mortem do desabamento do edificio da DNIC dominou as headlines

no Semanario Angolense:


[Aqui e Aqui]

e no Angolense:


[Aqui]


“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre


Com algum atraso, mas ainda em tempo util, a resposta de Jose' Eduardo Agualusa as reaccoes as suas afirmacoes, publicada a 28/03/08 no A Capital:

'GOSTO UNICO'

"Não posso dizer que tenha ficado surpreendido com algumas das reacções a uma entrevista que concedi recentemente ao Semanário Angolense. Atravessamos um tempo um pouco estranho, de transição de um regime de pensamento único para aquilo que, espero, venha a ser uma verdadeira democracia. O que diferencia uma ditadura de uma democracia é a pluralidade de ideias e de opiniões sobre qualquer assunto, e a forma como essas ideias são recebidas não apenas pelos governantes, mas pela generalidade da população.Os ditadores esforçam-se por estabelecer primeiro uma determinada ideologia política, mas raramente se detêm aqui – tentam a seguir impor a toda a gente os seus próprios gostos sobre música, literatura, artes plásticas, desporto, sexo, ou mesmo moda."

[Aqui]

***
O post-mortem do desabamento do edificio da DNIC dominou as headlines

no Semanario Angolense:


[Aqui e Aqui]

e no Angolense:


[Aqui]


Wednesday, 2 April 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA - 3

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”


Manuel Alegre

***


A polemica sobre os supostamente “poetas mediocres” continuou e dos varios artigos de opiniao que sobre ela recebi, destaco os que se seguem.


Wilson Dada, introdu-la assim na sua Kuluna semanal:

“O ambiente começa a ficar escaldante. O ambiente já é de facto de pré-campanha eleitoral. Cruzam-se as entrevistas. Chocam-se os colunistas. Trocam-se os galhardetes. Ninguém quer levar desaforos para casa, pois todos já temos problemas domésticos mais do que suficientes para acrescentarmos mais um. Estamos no território livre da opinião para todos os gostos e feitios em nome do direito à diferença que é fundamental, que é constitucional. A liberdade de expressão. A liberdade de crítica política, social, cultural, religiosa e desportiva, sem a qual a democracia não faz qualquer sentido. Todas estas liberdades manifestam-se, como sempre, no grande berço da humanidade que é a acolhedora liberdade de imprensa, sem a qual o debate público indispensável ao projecto democrático não seria possível.”

***

Laurindo Vieira expressa a sua opiniao no Jornal de Angola:

“Julgo que a comparação entre Agostinho Neto com outros poetas, feita por Agualusa e retomada por Sousa Jamba é patológica. Patológica porque toda a comparação que visa denegrir uns e valorizar outros não é comparação. A comparação deve resultar de uma perspectiva diferencial, ou seja, compreender o que cada um tem de diferente em relação ao outro e de que forma estas diferenças podem ser construtoras de sentidos epistemológicos ou de outra natureza. Gosto da poesia de Agostinho Neto, de Viriato da Cruz, tal como gosto da poesia de Manuel Alegre. São todas poesias lindas, mas diferentes, porque se os sonhos são diferentes, por que razão Agostinho Neto há-de ser igual a Philipp Larkin, Ted Hughes ou José Craveirinha?”

***

Luis Kandjimbo, no Semanario Angolense (SA), insere o debate num quadro analitico mais alargado:

“O debate sobre o cânone literário em Angola emerge pela primeira vez e ganha visibilidade pública a partir de 1997, por ocasião do Encontro Internacional sobre Literatura Angolana, realizado em Luanda, quando perante os argumentos de Pires Laranjeira, que identificava a coexistência em Angola de duas lutas por um novo cânone, rotulando-me como «fundamentalista negro» devido à minha leitura fundamentada do romance Yaka de Pepetela – no qual o autor esvazia o valor de determinada categoria de personagens referenciais – apresentei uma comunicação denunciando a existência de uma ideologia oculta na «escola de estudos literários africanos em Portugal» que faz a apologia da crioulidade e de um cânone literário de «escritores mestiços» de que dependeria o prestígio da Literatura Angolana.
(…)
No entanto, Angola não se assemelha em nada àquilo a que os luso-tropicalistas consideravam como sendo «o mundo que o português criou» de que resultariam as sobreditas «ilhas crioulas». De resto, estas não existem em Angola. As polémicas desencadeadas em torno da selecção de obras constitutivas de um conjunto a que se deu o nome de «Biblioteca da Literatura Angolana» e acerca da apreciação estética da obra poética de Agostinho Neto, António Jacinto e António Cardoso traduzem bem a existência de conflitualidade de teorias, estéticas e interpretações, revelando uma certa geopolítica do conhecimento, o lugar a partir do qual cada um produz o seu discurso.”


***

O Secretario Geral da UEA, Botelho de Vasconcelos, tambem disse de sua justica em entrevista ao SA:

"Quero deixar claro que não sou apologista de uma certa crítica publicada em certos órgãos que usaram expressões nada polidas e até sugeriam que por causa dessas declarações todos nós, principalmente o João Melo e o Mena Abrantes, o considerássemos como um «homem» sarnento. Mesmo nos actos mais graves da nossa vida social, os laços de amizade devem sempre fazer florir os gestos de solidariedade, porque é nos momentos «infelizes» que devemos contar com os ombros do próximo. Num dos textos deixaram passar respostas que utilizaram a maledicência para atingirem com pedras o confrade. Por essa via viciada, teríamos que usar mais pedras porque alguns confrades gostam desse exercício de escárnio e de falta de rigor e ética quando escrevem ou comentam os títulos dos seus confrades cujas obras sempre concorrerão para o enriquecimento da nossa literatura."

***

Para fechar com chave de ouro, tambem no SA, uma noticia ainda no dominio da cultura/literatura, um tanto agridoce pelo que evoca de saudades do Tio Aires, mas mais bonita que as anteriores, como ele certamente gostaria:

"A anciã Esperança Lima Coelho, a «Panchita», como é chamada por todos, que se diz ter sido a «musa» que, ao seu tempo, inspirou o poeta Aires de Almeida Santos a escrever o seu célebre poema «Meu Amor da Rua 11», faz 80 anos na próxima terça-feira, 25, sendo por isso alvo de uma homenagem da sociedade benguelense, onde é bem-querida, pela comemoração da data."
“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”


Manuel Alegre

***


A polemica sobre os supostamente “poetas mediocres” continuou e dos varios artigos de opiniao que sobre ela recebi, destaco os que se seguem.


Wilson Dada, introdu-la assim na sua Kuluna semanal:

“O ambiente começa a ficar escaldante. O ambiente já é de facto de pré-campanha eleitoral. Cruzam-se as entrevistas. Chocam-se os colunistas. Trocam-se os galhardetes. Ninguém quer levar desaforos para casa, pois todos já temos problemas domésticos mais do que suficientes para acrescentarmos mais um. Estamos no território livre da opinião para todos os gostos e feitios em nome do direito à diferença que é fundamental, que é constitucional. A liberdade de expressão. A liberdade de crítica política, social, cultural, religiosa e desportiva, sem a qual a democracia não faz qualquer sentido. Todas estas liberdades manifestam-se, como sempre, no grande berço da humanidade que é a acolhedora liberdade de imprensa, sem a qual o debate público indispensável ao projecto democrático não seria possível.”

***

Laurindo Vieira expressa a sua opiniao no Jornal de Angola:

“Julgo que a comparação entre Agostinho Neto com outros poetas, feita por Agualusa e retomada por Sousa Jamba é patológica. Patológica porque toda a comparação que visa denegrir uns e valorizar outros não é comparação. A comparação deve resultar de uma perspectiva diferencial, ou seja, compreender o que cada um tem de diferente em relação ao outro e de que forma estas diferenças podem ser construtoras de sentidos epistemológicos ou de outra natureza. Gosto da poesia de Agostinho Neto, de Viriato da Cruz, tal como gosto da poesia de Manuel Alegre. São todas poesias lindas, mas diferentes, porque se os sonhos são diferentes, por que razão Agostinho Neto há-de ser igual a Philipp Larkin, Ted Hughes ou José Craveirinha?”

***

Luis Kandjimbo, no Semanario Angolense (SA), insere o debate num quadro analitico mais alargado:

“O debate sobre o cânone literário em Angola emerge pela primeira vez e ganha visibilidade pública a partir de 1997, por ocasião do Encontro Internacional sobre Literatura Angolana, realizado em Luanda, quando perante os argumentos de Pires Laranjeira, que identificava a coexistência em Angola de duas lutas por um novo cânone, rotulando-me como «fundamentalista negro» devido à minha leitura fundamentada do romance Yaka de Pepetela – no qual o autor esvazia o valor de determinada categoria de personagens referenciais – apresentei uma comunicação denunciando a existência de uma ideologia oculta na «escola de estudos literários africanos em Portugal» que faz a apologia da crioulidade e de um cânone literário de «escritores mestiços» de que dependeria o prestígio da Literatura Angolana.
(…)
No entanto, Angola não se assemelha em nada àquilo a que os luso-tropicalistas consideravam como sendo «o mundo que o português criou» de que resultariam as sobreditas «ilhas crioulas». De resto, estas não existem em Angola. As polémicas desencadeadas em torno da selecção de obras constitutivas de um conjunto a que se deu o nome de «Biblioteca da Literatura Angolana» e acerca da apreciação estética da obra poética de Agostinho Neto, António Jacinto e António Cardoso traduzem bem a existência de conflitualidade de teorias, estéticas e interpretações, revelando uma certa geopolítica do conhecimento, o lugar a partir do qual cada um produz o seu discurso.”


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O Secretario Geral da UEA, Botelho de Vasconcelos, tambem disse de sua justica em entrevista ao SA:

"Quero deixar claro que não sou apologista de uma certa crítica publicada em certos órgãos que usaram expressões nada polidas e até sugeriam que por causa dessas declarações todos nós, principalmente o João Melo e o Mena Abrantes, o considerássemos como um «homem» sarnento. Mesmo nos actos mais graves da nossa vida social, os laços de amizade devem sempre fazer florir os gestos de solidariedade, porque é nos momentos «infelizes» que devemos contar com os ombros do próximo. Num dos textos deixaram passar respostas que utilizaram a maledicência para atingirem com pedras o confrade. Por essa via viciada, teríamos que usar mais pedras porque alguns confrades gostam desse exercício de escárnio e de falta de rigor e ética quando escrevem ou comentam os títulos dos seus confrades cujas obras sempre concorrerão para o enriquecimento da nossa literatura."

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Para fechar com chave de ouro, tambem no SA, uma noticia ainda no dominio da cultura/literatura, um tanto agridoce pelo que evoca de saudades do Tio Aires, mas mais bonita que as anteriores, como ele certamente gostaria:

"A anciã Esperança Lima Coelho, a «Panchita», como é chamada por todos, que se diz ter sido a «musa» que, ao seu tempo, inspirou o poeta Aires de Almeida Santos a escrever o seu célebre poema «Meu Amor da Rua 11», faz 80 anos na próxima terça-feira, 25, sendo por isso alvo de uma homenagem da sociedade benguelense, onde é bem-querida, pela comemoração da data."

Friday, 21 March 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (2)

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”


Manuel Alegre






in Jornal de Angola, 20/03/08
[Clique na imagem para a ampliar]


OUTRAS REACCOES:


'O Comerciante Desalmado'
Agostinho Neto guiou o seu povo pelo caminho das estrelas. Que outro poeta na História Universal libertou a sua pátria com poemas e fuzis? A grandeza da obra literária de Agostinho Neto foi reconhecida em todo o mundo por académicos, professores, críticos literários e confrades.
Artur Queiroz, in Jornal de Angola, 18/03/08 (aqui)


'O Marketing Tem Dessas'
Escrevi e repito, que Agostinho Neto foi um extraordinário Poeta. Volto a dizê-lo. O Poeta da Libertação, o fundador com alguns de nós, da UEA, que dele não diz. Sou portanto, inapelavelmente, um total e irrecuperável ignorante de poesia...
Ndunduma, in Jornal de Angola, 21/03/08 (aqui)


'Em Defesa do José Eduardo Agualusa'
Um tal jornalista de nome Artur Queiroz atacou o Agualusa no Jornal de Angola de uma forma tão grosseira que reduz o que deveria ser um debate serio sobre a nossa herança cultural Angolana á uma briga entre bêbados num botequim. Eu admiro bastante o José Eduardo Agualusa que, sem duvida, deve ser o escritor mais serio da nossa geração; a sua capacidade de trabalho e determinação em sobreviver como escritor é impressionante. Lamento é o facto de ele não ter ido recentemente a nossa cidade natal do Huambo aonde tem havido muitas mudanças.
Sousa Jamba, in Semanario Angolense, 22/03/08 (aqui)


'Resposta de Artur Queiroz a Sousa Jamba'
Sousa Jamba quer que eu discuta a herança cultural dos angolanos com quem não tem nada a ver com a cultura ou as culturas de Angola. E Agualusa não tem.
Falta-lhe lastro e memória. Vivência. Estudo. Sentimento. Afinal falta-lhe tudo. É muito grave não é? Os colonialistas usaram sempre a arma da memória para imporem os seus valores e apagarem os nossos. Agualusa aprendeu a lição. Para ele, a Literatura Angolana começou no dia em que foi publicado o seu primeiro livro. Quando muito, o primeiro livro de Sousa Jamba. É uma táctica que os nazis adoptaram e dela abusaram. A Alemanha começou no dia em Hitler subiu ao Poder. O salazarismo fez o mesmo. Angola sem os portugueses nunca existiu.
Artur Queiroz, ao Semanario Angolense, 22/03/08 (aqui)
“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”


Manuel Alegre






in Jornal de Angola, 20/03/08
[Clique na imagem para a ampliar]


OUTRAS REACCOES:


'O Comerciante Desalmado'
Agostinho Neto guiou o seu povo pelo caminho das estrelas. Que outro poeta na História Universal libertou a sua pátria com poemas e fuzis? A grandeza da obra literária de Agostinho Neto foi reconhecida em todo o mundo por académicos, professores, críticos literários e confrades.
Artur Queiroz, in Jornal de Angola, 18/03/08 (aqui)


'O Marketing Tem Dessas'
Escrevi e repito, que Agostinho Neto foi um extraordinário Poeta. Volto a dizê-lo. O Poeta da Libertação, o fundador com alguns de nós, da UEA, que dele não diz. Sou portanto, inapelavelmente, um total e irrecuperável ignorante de poesia...
Ndunduma, in Jornal de Angola, 21/03/08 (aqui)


'Em Defesa do José Eduardo Agualusa'
Um tal jornalista de nome Artur Queiroz atacou o Agualusa no Jornal de Angola de uma forma tão grosseira que reduz o que deveria ser um debate serio sobre a nossa herança cultural Angolana á uma briga entre bêbados num botequim. Eu admiro bastante o José Eduardo Agualusa que, sem duvida, deve ser o escritor mais serio da nossa geração; a sua capacidade de trabalho e determinação em sobreviver como escritor é impressionante. Lamento é o facto de ele não ter ido recentemente a nossa cidade natal do Huambo aonde tem havido muitas mudanças.
Sousa Jamba, in Semanario Angolense, 22/03/08 (aqui)


'Resposta de Artur Queiroz a Sousa Jamba'
Sousa Jamba quer que eu discuta a herança cultural dos angolanos com quem não tem nada a ver com a cultura ou as culturas de Angola. E Agualusa não tem.
Falta-lhe lastro e memória. Vivência. Estudo. Sentimento. Afinal falta-lhe tudo. É muito grave não é? Os colonialistas usaram sempre a arma da memória para imporem os seus valores e apagarem os nossos. Agualusa aprendeu a lição. Para ele, a Literatura Angolana começou no dia em que foi publicado o seu primeiro livro. Quando muito, o primeiro livro de Sousa Jamba. É uma táctica que os nazis adoptaram e dela abusaram. A Alemanha começou no dia em Hitler subiu ao Poder. O salazarismo fez o mesmo. Angola sem os portugueses nunca existiu.
Artur Queiroz, ao Semanario Angolense, 22/03/08 (aqui)