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Thursday, 2 May 2019

Mandela, Mobutu & Me


In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]


Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]


Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]

In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]


Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]


Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]

Sunday, 16 September 2012

Mukanda as “Nossas Familias” [Actualizado]





Confesso que, ocasionalmente, tenho que dar razao a quem se sinta “justificado” para questionar a “minha inteligencia”…
E’ que, por vezes, perante coisas que parecem tornar-se imediatamente obvias para ‘todo o mundo’, eu sou de compreensao muiiiiito lennnnnnta!...
E’ o caso das varias vertentes da tristemente celebre campanha mediatica de que tenho sido alvo ha’ ja’ varios anos e especialmente desde que criei este blog.
Sao, efectivamente, varias essas vertentes, indo da pura inveja e odio irracionais por parte de gente que nunca me conheceu pessoalmente, ou do despeito de pessoas que se julgam mais merecedoras das coisas por que lutei e conquistei ate’ agora na vida, ou pelos ressaibos de quem um dia fantasiou, ou continua a fantasiar, ter um lugar na minha vida que nunca pode ou podera’ ter, indo ate’ as tacticas mais baixas de um jogo politico-partidario do qual nunca fiz, nem nunca quis fazer parte – o meu jogo, caso ainda seja necessario repeti-lo, e’ tao simples quanto isto: Paz, Democracia, Cidadania e Direitos Humanos para TODOS E TODAS – um jogo, portanto, que nao tem necessariamente que passar pelo campo politico-partidario e, muito menos, pelos seus mais baixos e sujos golpes; um jogo, portanto, em que “nao vale tudo”: nele vale acima de tudo a JUSTICA!

Assim, equacionar racional e congruentemente todas essas vertentes para compreender essa campanha, nao e’ tarefa facil, especialmente quando tudo se passa como num baile de mascaras com personagens cegos, surdos e mudos, escondidos por detras de cortinas de fumo e/ou de ferro… Por isso, perdoem-me os “questionadores da minha inteligencia” pela minha “comprensao lenta” sobre tudo isso!

Vem isto a proposito de apenas nos ultimos tempos (… alias, tal como me levou tempo demasiado para fazer a (radio) (bio) logi(c)a de “uma outra kampanha”…) se ter vindo a clarificar na minha mente uma dessas vertentes, que para outros ha’ muito se tera’ revelado obvia: chamemos-lhe “a questao das familias”… E essa clarificacao, devo-a a nas ultimas semanas ter sido levada a revisitar algumas vezes esta alocucao, da qual consta o seguinte paragrafo:

(…) 
"Essa reelaboracao possibilitaria, no interior do pais, o exercicio de uma pratica politica quotidianamente democratica, que concederia aos cidadaos o controlo de todo o sistema de actividades que constituem a nossa base civilizacional e facilitaria o tao ansiado regresso a Patria de tantos de nos que pugnamos por uma organizacao social eficiente e por um relacionamento entre os individuos onde o comportamento social digno e honesto ou o respeito pela liberdade, individualidade e direito a diferenca do outro, sao valores a cumprir escrupulosamente, e temos dificuldade em adaptarmo-nos a uma ordem social onde, ao interesse do cidadao nacional se sobrepoe amiude o poder economico ou o prestigio social que, quantas vezes injustificada e injustamente, sao concedidos ao cidadao estrangeiro; onde aos direitos do individuo se sobrepoe o poder discricionario de um estado cujas instituicoes raramente funcionam sem que tambem funcionem os esquemas da corrupcao mais ou menos generalizada; onde ‘a dignidade dos grandes valores, se sobrepoe, voluntaria ou involuntariamente, a “nomenclatura” das “grandes familias”."

Esta ultima frase, percebo-o agora, ter-me-ha’ colocado “em maus lencois”, ou “em rota de colisao” com as “nossas grandes familias”… E porque me levou tanto tempo a percebe-lo? Porque eu nao mencionei nomes e precedi-a das palavras “voluntaria ou involuntariamente”… Ou, dito de outro modo – e usando as palavras de Eleanor Roosevelt: “Great minds discuss ideas, average minds discuss events, small minds discuss people” –, nao tendo pretendido “discutir pessoas” (isso fazem o/as kuribotas), nem eventos (isso e’ suposto ser feito pelos “jornalistas”), eu tentei apenas “discutir ideias”, nao por me auto-considerar uma "great mind", mas sobretudo pelo respeito que me mereciam as pessoas (e familias) a quem dirigi aquela alocucao.

Mas, perante observacoes como esta, terei eu incorrido em alguma inverdade?

Qualquer que seja a resposta, devo aqui reiterar que nao pretendi visar nenhuma familia em particular, mas apenas o sistema de “nomenclatura” a que todos os angolanos teem estado sujeitos (incluindo, portanto, membros das tais “grandes familias”) desde a independencia.

[Publicado inicialmente a 17/06/2012]


CONTINUACAO


Tinha prometido continuar esta ‘mukanda’, mas entretanto outras prioridades se me impuseram.
A continuacao foi escrita ao mesmo tempo que a primeira parte que postei ha’ ja’ alguns meses e consistia basicamente em algumas ‘up-close and personal’ mensagens mais ou menos codificadas a alguns membros das nossas ‘grandes familias’ que conheci de mais ou menos perto, em alturas da vida do nosso pais Angola em que a bajulacao ainda nao era a moeda corrente em que se tornou hoje e em que alguns dos membros de tais familias ainda nao se tinham deixado ‘enclausurar’, voluntaria ou involuntariamente, nas “redomas de vidro” em que parecem viver em tempos mais recentes.

Em varios momentos desde que a escrevi cheguei a decidir nao a publicar precisamente por isso: para que se a nao confundisse com a bajulacao (ou ‘name dropping’) que ja’ nos vai enjoando (quando nao enojando) um pouco a todos, especialmente nestes tempos de Facebook e de "vale-tudismos" e "lambe-botismos" na luta pela "ascensao social" a qualquer preco.

E nao mudei de ideias, nao a vou publicar na sua versao original. Limitar-me-ei a mencionar alguns nomes que saberao, sem que eu as tenha que explicitar, as razoes porque os menciono neste contexto.  Nao o contexto de crispacao, animosidade e ate’ confrontacao que tem marcado um pouco os varios discursos – incluindo o meu, especialmente em situacoes que marcaram de forma problematica o curso da minha vida –, sobre o ‘lugar social’ dessas familias, em particular na Angola do pos-independencia, mas um contexto de tentativa de ‘racionalizacao’ de alguns conflitos, mais ou menos pessoais, que, se existem, nao teem sempre forcosamente que ser generalizados, nem a todas as familias envolvidas, nem a todas as situacoes e circunstancias a que se referem. E menos ainda, como cada vez mais se tem vindo a verificar, que ser oportunistica e manipulativamente usados por terceiros para criar conflitos pessoais ou inter-familiares onde eles nao teem qualquer cabimento.

E faco-o hoje especialmente porque a minha recente referencia ao Joao Vandunem (aqui) e ao Nazareth Vandunem (aqui) e os extractos que ontem postei (aqui) do ultimo “Hor@ga” do Gustavo Costa me levaram de volta a essa ja' quase esquecida ‘mukanda’.

Assim, sem mais delongas, para alem dos ja’ citados Joao e Nazareth, aqui ficam alguns outros nomes por quem tenho razoes para ter algum, maior ou menor, apreco – eles (excepto os que ja’ nao se encontram entre nos, ou talvez mesmo estes, onde quer que estejam…) saberao porque:

Zeca Vandunem, Quelinha Vandunem, Alda Vandunem, Francisca Vandunem, alguns dos irmaos Espirito Santo, Rui e Andre’ Mingas, Vicente e Justino Pinto de Andrade (… apesar dos ultimos pesares…) e seu falecido tio Mario, seu sobrinho homonimo ainda vivo, sua sobrinha Emilinha, a quem nao posso deixar de associar a Velha Guinhas, que foi um pouco Mae de todos eles e que tratou o meu filho, ainda bebe’, de “bucho virado”… e desculpem-me se a minha memoria nao me ajuda de momento a mencionar alguns outros que talvez devesse aqui rememorar. E falo apenas por mim, porque sei que alguns membros das geracoes mais velhas da minha familia terao as suas proprias razoes, provavelmente mais ponderosas, para se referirem sem azedume a alguns, os mesmos ou outros, membros dessas familias.

E pronto, ja’ nao podem dizer que “nunca vos fiz Boa Muxima”…

Tenham todos um bom Domingo em Familia!


POST RELACIONADO:

Rousseau +300




Confesso que, ocasionalmente, tenho que dar razao a quem se sinta “justificado” para questionar a “minha inteligencia”…
E’ que, por vezes, perante coisas que parecem tornar-se imediatamente obvias para ‘todo o mundo’, eu sou de compreensao muiiiiito lennnnnnta!...
E’ o caso das varias vertentes da tristemente celebre campanha mediatica de que tenho sido alvo ha’ ja’ varios anos e especialmente desde que criei este blog.
Sao, efectivamente, varias essas vertentes, indo da pura inveja e odio irracionais por parte de gente que nunca me conheceu pessoalmente, ou do despeito de pessoas que se julgam mais merecedoras das coisas por que lutei e conquistei ate’ agora na vida, ou pelos ressaibos de quem um dia fantasiou, ou continua a fantasiar, ter um lugar na minha vida que nunca pode ou podera’ ter, indo ate’ as tacticas mais baixas de um jogo politico-partidario do qual nunca fiz, nem nunca quis fazer parte – o meu jogo, caso ainda seja necessario repeti-lo, e’ tao simples quanto isto: Paz, Democracia, Cidadania e Direitos Humanos para TODOS E TODAS – um jogo, portanto, que nao tem necessariamente que passar pelo campo politico-partidario e, muito menos, pelos seus mais baixos e sujos golpes; um jogo, portanto, em que “nao vale tudo”: nele vale acima de tudo a JUSTICA!

Assim, equacionar racional e congruentemente todas essas vertentes para compreender essa campanha, nao e’ tarefa facil, especialmente quando tudo se passa como num baile de mascaras com personagens cegos, surdos e mudos, escondidos por detras de cortinas de fumo e/ou de ferro… Por isso, perdoem-me os “questionadores da minha inteligencia” pela minha “comprensao lenta” sobre tudo isso!

Vem isto a proposito de apenas nos ultimos tempos (… alias, tal como me levou tempo demasiado para fazer a (radio) (bio) logi(c)a de “uma outra kampanha”…) se ter vindo a clarificar na minha mente uma dessas vertentes, que para outros ha’ muito se tera’ revelado obvia: chamemos-lhe “a questao das familias”… E essa clarificacao, devo-a a nas ultimas semanas ter sido levada a revisitar algumas vezes esta alocucao, da qual consta o seguinte paragrafo:

(…) 
"Essa reelaboracao possibilitaria, no interior do pais, o exercicio de uma pratica politica quotidianamente democratica, que concederia aos cidadaos o controlo de todo o sistema de actividades que constituem a nossa base civilizacional e facilitaria o tao ansiado regresso a Patria de tantos de nos que pugnamos por uma organizacao social eficiente e por um relacionamento entre os individuos onde o comportamento social digno e honesto ou o respeito pela liberdade, individualidade e direito a diferenca do outro, sao valores a cumprir escrupulosamente, e temos dificuldade em adaptarmo-nos a uma ordem social onde, ao interesse do cidadao nacional se sobrepoe amiude o poder economico ou o prestigio social que, quantas vezes injustificada e injustamente, sao concedidos ao cidadao estrangeiro; onde aos direitos do individuo se sobrepoe o poder discricionario de um estado cujas instituicoes raramente funcionam sem que tambem funcionem os esquemas da corrupcao mais ou menos generalizada; onde ‘a dignidade dos grandes valores, se sobrepoe, voluntaria ou involuntariamente, a “nomenclatura” das “grandes familias”."

Esta ultima frase, percebo-o agora, ter-me-ha’ colocado “em maus lencois”, ou “em rota de colisao” com as “nossas grandes familias”… E porque me levou tanto tempo a percebe-lo? Porque eu nao mencionei nomes e precedi-a das palavras “voluntaria ou involuntariamente”… Ou, dito de outro modo – e usando as palavras de Eleanor Roosevelt: “Great minds discuss ideas, average minds discuss events, small minds discuss people” –, nao tendo pretendido “discutir pessoas” (isso fazem o/as kuribotas), nem eventos (isso e’ suposto ser feito pelos “jornalistas”), eu tentei apenas “discutir ideias”, nao por me auto-considerar uma "great mind", mas sobretudo pelo respeito que me mereciam as pessoas (e familias) a quem dirigi aquela alocucao.

Mas, perante observacoes como esta, terei eu incorrido em alguma inverdade?

Qualquer que seja a resposta, devo aqui reiterar que nao pretendi visar nenhuma familia em particular, mas apenas o sistema de “nomenclatura” a que todos os angolanos teem estado sujeitos (incluindo, portanto, membros das tais “grandes familias”) desde a independencia.

[Publicado inicialmente a 17/06/2012]


CONTINUACAO


Tinha prometido continuar esta ‘mukanda’, mas entretanto outras prioridades se me impuseram.
A continuacao foi escrita ao mesmo tempo que a primeira parte que postei ha’ ja’ alguns meses e consistia basicamente em algumas ‘up-close and personal’ mensagens mais ou menos codificadas a alguns membros das nossas ‘grandes familias’ que conheci de mais ou menos perto, em alturas da vida do nosso pais Angola em que a bajulacao ainda nao era a moeda corrente em que se tornou hoje e em que alguns dos membros de tais familias ainda nao se tinham deixado ‘enclausurar’, voluntaria ou involuntariamente, nas “redomas de vidro” em que parecem viver em tempos mais recentes.

Em varios momentos desde que a escrevi cheguei a decidir nao a publicar precisamente por isso: para que se a nao confundisse com a bajulacao (ou ‘name dropping’) que ja’ nos vai enjoando (quando nao enojando) um pouco a todos, especialmente nestes tempos de Facebook e de "vale-tudismos" e "lambe-botismos" na luta pela "ascensao social" a qualquer preco.

E nao mudei de ideias, nao a vou publicar na sua versao original. Limitar-me-ei a mencionar alguns nomes que saberao, sem que eu as tenha que explicitar, as razoes porque os menciono neste contexto.  Nao o contexto de crispacao, animosidade e ate’ confrontacao que tem marcado um pouco os varios discursos – incluindo o meu, especialmente em situacoes que marcaram de forma problematica o curso da minha vida –, sobre o ‘lugar social’ dessas familias, em particular na Angola do pos-independencia, mas um contexto de tentativa de ‘racionalizacao’ de alguns conflitos, mais ou menos pessoais, que, se existem, nao teem sempre forcosamente que ser generalizados, nem a todas as familias envolvidas, nem a todas as situacoes e circunstancias a que se referem. E menos ainda, como cada vez mais se tem vindo a verificar, que ser oportunistica e manipulativamente usados por terceiros para criar conflitos pessoais ou inter-familiares onde eles nao teem qualquer cabimento.

E faco-o hoje especialmente porque a minha recente referencia ao Joao Vandunem (aqui) e ao Nazareth Vandunem (aqui) e os extractos que ontem postei (aqui) do ultimo “Hor@ga” do Gustavo Costa me levaram de volta a essa ja' quase esquecida ‘mukanda’.

Assim, sem mais delongas, para alem dos ja’ citados Joao e Nazareth, aqui ficam alguns outros nomes por quem tenho razoes para ter algum, maior ou menor, apreco – eles (excepto os que ja’ nao se encontram entre nos, ou talvez mesmo estes, onde quer que estejam…) saberao porque:

Zeca Vandunem, Quelinha Vandunem, Alda Vandunem, Francisca Vandunem, alguns dos irmaos Espirito Santo, Rui e Andre’ Mingas, Vicente e Justino Pinto de Andrade (… apesar dos ultimos pesares…) e seu falecido tio Mario, seu sobrinho homonimo ainda vivo, sua sobrinha Emilinha, a quem nao posso deixar de associar a Velha Guinhas, que foi um pouco Mae de todos eles e que tratou o meu filho, ainda bebe’, de “bucho virado”… e desculpem-me se a minha memoria nao me ajuda de momento a mencionar alguns outros que talvez devesse aqui rememorar. E falo apenas por mim, porque sei que alguns membros das geracoes mais velhas da minha familia terao as suas proprias razoes, provavelmente mais ponderosas, para se referirem sem azedume a alguns, os mesmos ou outros, membros dessas familias.

E pronto, ja’ nao podem dizer que “nunca vos fiz Boa Muxima”…

Tenham todos um bom Domingo em Familia!


POST RELACIONADO:

Rousseau +300

Tuesday, 10 July 2012

WHO IS THIS GUY?!

TAKE 1


Just a bad boy, son of a b….., I mean, filho de um alcoolatra tresloucado e de uma nao se sabe bem quem, estudante sofrivel (senao mediocre) que um dia se viu encarcerado, nem ele sabe bem porque, durante cerca de um ano e pico, numa cadeia de onde saiu - 'a medida, imagem e semelhanca de seu pai -, feito Bebado, Bufo e Big Brother (BBBB) e “Eminencia Parda do Regime”…

Depois de liberto, o rapaz deu em “constituir familia” ate’ que se fartou da “forca tarefa” a que se cometera, tendo pelo meio dado uma de “jornalista” por entre muito copo, bofia e mujimbo press…


I mean, the guy nao tinha nada a perder: nunca teve que lutar por obter ou construir uma casa (herdou-a do pai), nunca teve que concorrer para obter ou manter um emprego (obteve-os sempre dados de mao beijada pelos seus "avilos" das "grandes familias"), nunca teve que passar 5 anos ou mais a queimar pestanas (... e, ao mesmo tempo, a trabalhar e a criar filhos sozinho...)* para poder “reivindicar” algum grau de profundidade em qualquer area do conhecimento, das artes ou das ciencias (... diz que tentou uma universidade mas "desconseguiu"...), por isso pode permitir-se “apunhalar” impunemente toda e qualquer obra de pensamento ou de criacao de que se sinta totalmente incapaz!…

Ate’ que um dia (re)descobriu uma “preta” que ha’ muito tinha sob mira, escuta e vigia e a quem decidiu fazer seu “brinquedo de estimacao”, no que foi histericamente apoiado por “milhares de amigos” no FB, os quais eram mais que as maes, ou seja, mais do que ele alguma vez sonhara poder ter como audiencia e base de apoio para a sua incontrolavel homicida “ego spree”!...

So, he just rided it!


* E aqui urge acrescentar algo fundamental nesta historia toda: “(…) nunca teve que passar 5 anos ou mais a queimar pestanas (... e, ao mesmo tempo, a trabalhar e a criar filhos sozinho...), nem “amigos” como um tal de Jose’ Eduardo Agualusa que foi o maior factor desestabilizador da minha vida psiquica e emocional quando eu estava na recta final do meu curso no ISEG, no periodo 89-91, ao ponto de ter-me levado a convida-lo (…to put it mildly!...) a sair da minha casa!...

Por isso tentou depois “compensar-me” (e, juntando o util ao agradavel, "auto-promover-se" junto de alguns circulos luandenses que ate' entao nao o conheciam de parte nenhuma...) com a tal tristemente celebre dedicatoria a minha revelia – mas ja’ era tarde demais!...

E, ja’ agora, convido-o a vir a publico dizer (… e se para tal a sua “fraca e curta” memoria nao o ajudar, sugiro-lhe que peca ajuda a uma certa “menina branca” alema de nome Elke, que conheci “intimamente” – os dois sabem bem onde e quando – enquanto eu escrevia um ensaio sobre John Maynard Keynes!... E, ja’ agora, outra pessoa que tambem podera’ dar-lhe uma ajudinha chama-se Francisca Van-dunem… ) que o que acabo de afirmar e’ tao “fantasioso” quanto isto:

"Edna Naluyeo @Amelia Dalomba. Como poetisa deve saber do tedioso processo de criação. A Ana é uma poetisa que, na procura pela a verdade, descarrilou-se. Basta só ver o seu blogue, cheio de fantasias aonde ela inventa, ate, ter sido amante do escritor José Eduardo Agualusa. Esta chamada de atenção para si é um grito de quem precisa ser ajudada. Ela deveria ser ajudada a ir para uma psiquiatria e depois, com a ajuda de amigos e parentes, as suas outras necessidades iriam ser resolvidas."
14 November 2011 at 19:51
(extraido daqui)

TAKE 2


QUEM E' ESTA ALIMARIA?!



"O macho, dinâmico e de barba dura"?!

Talvez para alguma sexagenaria menopausica tentando auto-convencer-se de que nunca passou dos seus "sweet sixteen" - ou melhor, que nunca sequer la' chegou: nunca passou de 14zinha" - orgasmando-se no maior "thrill" que uma mulher branca pode ter na vida: achar-se em competicao (e supostamente a "vencer"!...) no "mercado sentimental e sexual" com uma mulher negra (muito!...) mais nova do que ela!...

Porem, nao para mim, para quem ele nao passa de um

ABSOLUTAMENTE REPUGNANTE CRIMINOSO, RACISTA, PSICOPATA, DEMENTE RECORRENDO AOS METODOS MAIS SUJOS E HEDIONDOS PARA TENTAR RECUPERAR A SUA MASCULINIDADE PERDIDA ALGURES NO CIBERESPACO, OU, QUICA, NO SEU "LEITO MATRIMONIAL" DE "MUITOS ANOS"!...



TAKE 3
“O MUNDO PERFEITO”

5,062 ‘avilos’ e 980 ‘seguidores’ no Facebook!... Uma (na verdade, varias, mas…) mulher (branca…) incondicional(e histerica)mente derretida a seus pes em desbragadas sessoes publicas de sado-masoquismo!... Uma outra em casa fielmente ao seu servico, que lhe bate “o melhor funge que se come na cidade”!... Colunas de opiniao em varios jornais e tempo de antena em varias radios e televisoes!... Uma casa, um SUV, filhos e netos!... Amigos “da pesada” entre as “grandes familias” e em todos os sectores da vida politica, economica, social e cultural!... Controlo das ondas curtas, medias e longas do ciberespaco, onde “reina absolutamente”!... Chamado de Dr. sem nunca ter feito (ou se sentado numa) cadeira universitaria!...
Assim e’ o mundo do “nosso” BBBB!...
Do que precisa mais Sua Excia. para se considerar “o homem mais feliz do mundo” para alem de “nunca ter andado de candongueiro”?!

Q: PORQUE SERA’ QUE NAO PARA DE ME PERSEGUIR?!?!

TAKE 1


Just a bad boy, son of a b….., I mean, filho de um alcoolatra tresloucado e de uma nao se sabe bem quem, estudante sofrivel (senao mediocre) que um dia se viu encarcerado, nem ele sabe bem porque, durante cerca de um ano e pico, numa cadeia de onde saiu - 'a medida, imagem e semelhanca de seu pai -, feito Bebado, Bufo e Big Brother (BBBB) e “Eminencia Parda do Regime”…

Depois de liberto, o rapaz deu em “constituir familia” ate’ que se fartou da “forca tarefa” a que se cometera, tendo pelo meio dado uma de “jornalista” por entre muito copo, bofia e mujimbo press…


I mean, the guy nao tinha nada a perder: nunca teve que lutar por obter ou construir uma casa (herdou-a do pai), nunca teve que concorrer para obter ou manter um emprego (obteve-os sempre dados de mao beijada pelos seus "avilos" das "grandes familias"), nunca teve que passar 5 anos ou mais a queimar pestanas (... e, ao mesmo tempo, a trabalhar e a criar filhos sozinho...)* para poder “reivindicar” algum grau de profundidade em qualquer area do conhecimento, das artes ou das ciencias (... diz que tentou uma universidade mas "desconseguiu"...), por isso pode permitir-se “apunhalar” impunemente toda e qualquer obra de pensamento ou de criacao de que se sinta totalmente incapaz!…

Ate’ que um dia (re)descobriu uma “preta” que ha’ muito tinha sob mira, escuta e vigia e a quem decidiu fazer seu “brinquedo de estimacao”, no que foi histericamente apoiado por “milhares de amigos” no FB, os quais eram mais que as maes, ou seja, mais do que ele alguma vez sonhara poder ter como audiencia e base de apoio para a sua incontrolavel homicida “ego spree”!...

So, he just rided it!


* E aqui urge acrescentar algo fundamental nesta historia toda: “(…) nunca teve que passar 5 anos ou mais a queimar pestanas (... e, ao mesmo tempo, a trabalhar e a criar filhos sozinho...), nem “amigos” como um tal de Jose’ Eduardo Agualusa que foi o maior factor desestabilizador da minha vida psiquica e emocional quando eu estava na recta final do meu curso no ISEG, no periodo 89-91, ao ponto de ter-me levado a convida-lo (…to put it mildly!...) a sair da minha casa!...

Por isso tentou depois “compensar-me” (e, juntando o util ao agradavel, "auto-promover-se" junto de alguns circulos luandenses que ate' entao nao o conheciam de parte nenhuma...) com a tal tristemente celebre dedicatoria a minha revelia – mas ja’ era tarde demais!...

E, ja’ agora, convido-o a vir a publico dizer (… e se para tal a sua “fraca e curta” memoria nao o ajudar, sugiro-lhe que peca ajuda a uma certa “menina branca” alema de nome Elke, que conheci “intimamente” – os dois sabem bem onde e quando – enquanto eu escrevia um ensaio sobre John Maynard Keynes!... E, ja’ agora, outra pessoa que tambem podera’ dar-lhe uma ajudinha chama-se Francisca Van-dunem… ) que o que acabo de afirmar e’ tao “fantasioso” quanto isto:

"Edna Naluyeo @Amelia Dalomba. Como poetisa deve saber do tedioso processo de criação. A Ana é uma poetisa que, na procura pela a verdade, descarrilou-se. Basta só ver o seu blogue, cheio de fantasias aonde ela inventa, ate, ter sido amante do escritor José Eduardo Agualusa. Esta chamada de atenção para si é um grito de quem precisa ser ajudada. Ela deveria ser ajudada a ir para uma psiquiatria e depois, com a ajuda de amigos e parentes, as suas outras necessidades iriam ser resolvidas."
14 November 2011 at 19:51
(extraido daqui)

TAKE 2


QUEM E' ESTA ALIMARIA?!



"O macho, dinâmico e de barba dura"?!

Talvez para alguma sexagenaria menopausica tentando auto-convencer-se de que nunca passou dos seus "sweet sixteen" - ou melhor, que nunca sequer la' chegou: nunca passou de 14zinha" - orgasmando-se no maior "thrill" que uma mulher branca pode ter na vida: achar-se em competicao (e supostamente a "vencer"!...) no "mercado sentimental e sexual" com uma mulher negra (muito!...) mais nova do que ela!...

Porem, nao para mim, para quem ele nao passa de um

ABSOLUTAMENTE REPUGNANTE CRIMINOSO, RACISTA, PSICOPATA, DEMENTE RECORRENDO AOS METODOS MAIS SUJOS E HEDIONDOS PARA TENTAR RECUPERAR A SUA MASCULINIDADE PERDIDA ALGURES NO CIBERESPACO, OU, QUICA, NO SEU "LEITO MATRIMONIAL" DE "MUITOS ANOS"!...



TAKE 3
“O MUNDO PERFEITO”

5,062 ‘avilos’ e 980 ‘seguidores’ no Facebook!... Uma (na verdade, varias, mas…) mulher (branca…) incondicional(e histerica)mente derretida a seus pes em desbragadas sessoes publicas de sado-masoquismo!... Uma outra em casa fielmente ao seu servico, que lhe bate “o melhor funge que se come na cidade”!... Colunas de opiniao em varios jornais e tempo de antena em varias radios e televisoes!... Uma casa, um SUV, filhos e netos!... Amigos “da pesada” entre as “grandes familias” e em todos os sectores da vida politica, economica, social e cultural!... Controlo das ondas curtas, medias e longas do ciberespaco, onde “reina absolutamente”!... Chamado de Dr. sem nunca ter feito (ou se sentado numa) cadeira universitaria!...
Assim e’ o mundo do “nosso” BBBB!...
Do que precisa mais Sua Excia. para se considerar “o homem mais feliz do mundo” para alem de “nunca ter andado de candongueiro”?!

Q: PORQUE SERA’ QUE NAO PARA DE ME PERSEGUIR?!?!

Tuesday, 3 July 2012

ATT.


Quer-me parecer que...

tanto o BD (a.k.a. "Banda Desenhada" )

como o BD (a.k.a. "Bloco Democratico")

andaram a "perder tempo"

com "pessoas basicas"

e "proscritas"

enquanto faziam o jogo do "vale tudo"

e do bullying

e o resultado foi...  ESTE!


HAVERA' ALGUMA "OPERACAO RESTAURO" CAPAZ DE REVERTER ESSE QUADRO?!

P.S.1 - Bem poderao ir agora refugiar-se na CASA, mas nao me parece que a casa de banho dessa CASA tenha ROLOS DE PAPEL HIGIENICO suficientes para limpar tanta MERDA!!!

P.S.2 - Nao que eu "core de prazer" but... THERE YOU HAVE IT!!!

Quer-me parecer que...

tanto o BD (a.k.a.
"Banda Desenhada" )

como o BD (a.k.a. "Bloco Democratico")

andaram a "perder tempo"

com "pessoas basicas"

e "proscritas"

enquanto faziam o jogo do "vale tudo"

e do bullying

e o resultado foi...  ESTE!


HAVERA' ALGUMA "OPERACAO RESTAURO" CAPAZ DE REVERTER ESSE QUADRO?!

P.S.1 - Bem poderao ir agora refugiar-se na CASA, mas nao me parece que a casa de banho dessa CASA tenha ROLOS DE PAPEL HIGIENICO suficientes para limpar tanta MERDA!!!

P.S.2 - Nao que eu "core de prazer" but... THERE YOU HAVE IT!!!

Monday, 25 June 2012

"ASSUMINDO"…






“É tempo de quem está no poder perceber também que o Bloco Democrático é uma “Banda Desenhada”, como lhe chamam depreciativamente os seus opositores, que faz falta à nossa democracia. Não vale a pena ter medo do seu discurso.
Não vale a pena fugir dos seus adjectivos. É uma Banda intelectual necessária à nossa política que tendo todo o direito de criticar o que está a ser mal gerido – e há muita coisa a ser mal gerida em vários domínios - é tempo dela perceber também que há coisas – nem tudo é claro – bem feitas pelo Executivo e reconhecer isso não a diminui, nem desvaloriza a oposição.
Pensar assim, é pensar pequeno e a Banda não pode ser pequena. Porque quem gosta da democracia não quer, seguramente, ver a Banda desfazer-se e daqui há quatro anos mudar de sigla novamente….”


[Gustavo Costa, in “Fraka gente e fraku nivel…” - Novo Jornal # 231, 22/06/2012]




Assumindo-me como “madrinha de baptismo” do BD – Banda Desenhada nao posso deixar de manifestar o meu protesto por me ver classificada, num artigo cujo autor (…velada... mas abertamente…) assume que (afinale?!) le o meu blog (…nao que eu “suspeitasse”..), como “opositora” do BD – Bloco Democratico!...

O “meu afilhado” BD ficou a dever o seu cognome apenas e tao so’ ao facto de o comportamento de duas das suas mais fanaticas militantes relativamente a mim e a materias publicadas neste blog assim o ter sugerido!… Nada, portanto, a ver com o BD enquanto partido!...


Quanto ao resto, parece-me oportuno transcrever uma troca de opinioes que tive recentemente com o Luiz Araujo na sua pagina no FB:



Ana Koluki Caro Luiz Araújo: tenho acompanhado os seus pensamentos sobre essas questoes e, na generalidade, tenho concordado com os seus pontos de vista no sentido de se criar uma plataforma civica comum que possa servir de forca impulsionadora para a instauracao e manutencao de uma verdadeira democracia em Angola. No entanto, o que me parece faltar acima de tudo entre os "protagonistas" (... e, embora sendo "pintada" como tal eu nao me incluo entre eles!...) e' vontade e, em alguns casos, capacidade de comunicacao. Nao pode haver um "entendimento comum" sobre o que e' a "verdadeira democracia" e qual o "melhor metodo ou via" para se a obter dadas as circunstancias concretas e reais quer do "poder", quer da "oposicao", sem dialogo, troca de ideias, concertacao de opinioes diversas e, acima de tudo RESPEITO PELO OUTRO! Sim, estou por exigir DIGNIDADE COM DIGNIDADE nao apenas do poder politico, mas tambem, e sobretudo, dos meus concidadaos a quem nunca considerei inferiores a mim - antes pelo contrario, sempre tratei como irmaos!...


Luiz Araújo Ana Koluki, antes de mais agradeço a atenção que deste a este post e aos anteriores com que venho insistindo na necessidade da gestação duma agenda comum de resistência contra a ditadura. Concordo que a primeira e uma das mais graves carências que vimos constatando é de vontade para se dialogar. Comunicamos bastante mas principalmente de nós para os outros, feitos receptores do que consideramos como as coisas devem ser feitas, e muito pouco como emissores que também são receptores do que os outros nos endereçam abertos ao seu tratamento e acolhimento nos moldes que resultem na reflexão dialogada e na cooperacção para o alcance duma meta comum. A verdade dos factos demonstra-nos que, em geral, as formações da oposição, organizações cívicas e quase todas e todos nós temos pela frente o desafio comum de vencermos a ditadura para a tirarmos da nossas vidas mas não nos juntamos para isso, (é facto não um juizo) e cada um continua a agir como franco atirador como se a pudesse vencer sozinho, também o facto. Temos recursos que até nos permitem realizar o dialogo, temos computadores com que participamos aqui no Facebook e que podemos usar para conferências (via skype ex) em que realizemos o dialogo. Dialogo mesmo, não o comando dos outros. Suponho que a maioria de nós sabe pelo menos minimamente o que será uma verdadeira democracia e um Estado de direito que tenho e a maioria de nós diz também ser a sua meta. Podemos e devemos aprofundar esse conhecimento como forma de promovermos um projecto de sociedade livre. Mas o desafio que nos é colocado pelas circunstancias de opressão e dominação que a ditadura impõe á sociedade, portanto o desafio nº 1 é agir para que a ditadura tenha fim, depois disso o desafio nº 2 será a realização do projecto de sociedade livre. Para enfrentarmos o desafio nº 1 é que tenho apelado a gestação duma ampla frente/movimento ou rede, como se queira, em que deixemos de ser uma miríade de franco atiradores dispersos e passemos a agir em cooperação até á realização da meta correspondente ao desafio nº1. Respeito pelo outro, para terminar, suponho que não seja o que me falte e não tenho aos meus concidadãos como inferiores em termos de direitos e liberdades, de cidadania. Agora na política como em todos os domínios do ser humano alguns têm mais qualidades do que outros, porque as adquiriram e exercitara, desenvolveram capacidades etc. Por ex eu serei inferior a um atleta campeão de futebol ou dos 100 metros livres porque não tenho as qualidades que ele tem para correr e ou jogar futebol. Mas nalguns domínios da actividade intelectual ex alguns de nós desenvolvem mais capacidades e não se tornando superiores aos outros em termos de direitos temos que reconhecer que se tornam mais capazes nesse domínios, não será. Abraço.

Luiz Araújo Posso desenvolver mais o foco sobre alguns aspectos e referir outros mas depois


Ana Koluki Luiz Araújo, obrigada pela detalhada resposta. Creio que nao ha' aqui grandes divergencias de substancia entre os nossos pontos de vista. Talvez haja alguma dissonancia em termos de "estrategia", mas espero pelo desenvolvimento que prometeu fazer depois para voltar a essa questao. Quanto a questao das qualidades/capacidades e associadas "superioridades/inferioridades", o que tenho aprendido ao longo da minha vida e' que, em principio, nenhum ser humano e' "superior" a outro/a. O que ha' serao niveis diferentes de conhecimento e/ou experiencia num determinado dominio, seja ele intelectual, profissional ou outro. E, obviamente, concordo que essas diferencas devem ser respeitadas e, quanto a mim isso faz parte do principio de RESPEITO PELO OUTRO e pela DIVERSIDADE entre a HUMANIDADE que todos constituimos - e', alias, nesse principio que se fundamenta a filosofia dos DIREITOS HUMANOS. E para que todos possam ser igualmente respeitados, dentro da especificidade do que cada um tem para oferecer a sociedade como cidadao de PLENO DIREITO e' preciso que cada um saiba reconhecer as suas competencias/incompetencias e pontos fortes e pontos fracos em cada dominio, para que cada um possa contribuir com o que de melhor tem a dar, naquilo em que e' mais capaz do que outros. De outro modo, continuarao a vingar as estrategias destrutivas baseadas no egocentrismo sem limites e no total desrespeito pelo outro!... Abraco de volta.






“É tempo de quem está no poder perceber também que o Bloco Democrático é uma “Banda Desenhada”, como lhe chamam depreciativamente os seus opositores, que faz falta à nossa democracia. Não vale a pena ter medo do seu discurso.
Não vale a pena fugir dos seus adjectivos. É uma Banda intelectual necessária à nossa política que tendo todo o direito de criticar o que está a ser mal gerido – e há muita coisa a ser mal gerida em vários domínios - é tempo dela perceber também que há coisas – nem tudo é claro – bem feitas pelo Executivo e reconhecer isso não a diminui, nem desvaloriza a oposição.
Pensar assim, é pensar pequeno e a Banda não pode ser pequena. Porque quem gosta da democracia não quer, seguramente, ver a Banda desfazer-se e daqui há quatro anos mudar de sigla novamente….”


[Gustavo Costa, in “Fraka gente e fraku nivel…” - Novo Jornal # 231, 22/06/2012]




Assumindo-me como “madrinha de baptismo” do BD – Banda Desenhada nao posso deixar de manifestar o meu protesto por me ver classificada, num artigo cujo autor (…velada... mas abertamente…) assume que (afinale?!) le o meu blog (…nao que eu “suspeitasse”..), como “opositora” do BD – Bloco Democratico!...

O “meu afilhado” BD ficou a dever o seu cognome apenas e tao so’ ao facto de o comportamento de duas das suas mais fanaticas militantes relativamente a mim e a materias publicadas neste blog assim o ter sugerido!… Nada, portanto, a ver com o BD enquanto partido!...


Quanto ao resto, parece-me oportuno transcrever uma troca de opinioes que tive recentemente com o Luiz Araujo na sua pagina no FB:



Ana Koluki Caro Luiz Araújo: tenho acompanhado os seus pensamentos sobre essas questoes e, na generalidade, tenho concordado com os seus pontos de vista no sentido de se criar uma plataforma civica comum que possa servir de forca impulsionadora para a instauracao e manutencao de uma verdadeira democracia em Angola. No entanto, o que me parece faltar acima de tudo entre os "protagonistas" (... e, embora sendo "pintada" como tal eu nao me incluo entre eles!...) e' vontade e, em alguns casos, capacidade de comunicacao. Nao pode haver um "entendimento comum" sobre o que e' a "verdadeira democracia" e qual o "melhor metodo ou via" para se a obter dadas as circunstancias concretas e reais quer do "poder", quer da "oposicao", sem dialogo, troca de ideias, concertacao de opinioes diversas e, acima de tudo RESPEITO PELO OUTRO! Sim, estou por exigir DIGNIDADE COM DIGNIDADE nao apenas do poder politico, mas tambem, e sobretudo, dos meus concidadaos a quem nunca considerei inferiores a mim - antes pelo contrario, sempre tratei como irmaos!...


Luiz Araújo Ana Koluki, antes de mais agradeço a atenção que deste a este post e aos anteriores com que venho insistindo na necessidade da gestação duma agenda comum de resistência contra a ditadura. Concordo que a primeira e uma das mais graves carências que vimos constatando é de vontade para se dialogar. Comunicamos bastante mas principalmente de nós para os outros, feitos receptores do que consideramos como as coisas devem ser feitas, e muito pouco como emissores que também são receptores do que os outros nos endereçam abertos ao seu tratamento e acolhimento nos moldes que resultem na reflexão dialogada e na cooperacção para o alcance duma meta comum. A verdade dos factos demonstra-nos que, em geral, as formações da oposição, organizações cívicas e quase todas e todos nós temos pela frente o desafio comum de vencermos a ditadura para a tirarmos da nossas vidas mas não nos juntamos para isso, (é facto não um juizo) e cada um continua a agir como franco atirador como se a pudesse vencer sozinho, também o facto. Temos recursos que até nos permitem realizar o dialogo, temos computadores com que participamos aqui no Facebook e que podemos usar para conferências (via skype ex) em que realizemos o dialogo. Dialogo mesmo, não o comando dos outros. Suponho que a maioria de nós sabe pelo menos minimamente o que será uma verdadeira democracia e um Estado de direito que tenho e a maioria de nós diz também ser a sua meta. Podemos e devemos aprofundar esse conhecimento como forma de promovermos um projecto de sociedade livre. Mas o desafio que nos é colocado pelas circunstancias de opressão e dominação que a ditadura impõe á sociedade, portanto o desafio nº 1 é agir para que a ditadura tenha fim, depois disso o desafio nº 2 será a realização do projecto de sociedade livre. Para enfrentarmos o desafio nº 1 é que tenho apelado a gestação duma ampla frente/movimento ou rede, como se queira, em que deixemos de ser uma miríade de franco atiradores dispersos e passemos a agir em cooperação até á realização da meta correspondente ao desafio nº1. Respeito pelo outro, para terminar, suponho que não seja o que me falte e não tenho aos meus concidadãos como inferiores em termos de direitos e liberdades, de cidadania. Agora na política como em todos os domínios do ser humano alguns têm mais qualidades do que outros, porque as adquiriram e exercitara, desenvolveram capacidades etc. Por ex eu serei inferior a um atleta campeão de futebol ou dos 100 metros livres porque não tenho as qualidades que ele tem para correr e ou jogar futebol. Mas nalguns domínios da actividade intelectual ex alguns de nós desenvolvem mais capacidades e não se tornando superiores aos outros em termos de direitos temos que reconhecer que se tornam mais capazes nesse domínios, não será. Abraço.

Luiz Araújo Posso desenvolver mais o foco sobre alguns aspectos e referir outros mas depois


Ana Koluki Luiz Araújo, obrigada pela detalhada resposta. Creio que nao ha' aqui grandes divergencias de substancia entre os nossos pontos de vista. Talvez haja alguma dissonancia em termos de "estrategia", mas espero pelo desenvolvimento que prometeu fazer depois para voltar a essa questao. Quanto a questao das qualidades/capacidades e associadas "superioridades/inferioridades", o que tenho aprendido ao longo da minha vida e' que, em principio, nenhum ser humano e' "superior" a outro/a. O que ha' serao niveis diferentes de conhecimento e/ou experiencia num determinado dominio, seja ele intelectual, profissional ou outro. E, obviamente, concordo que essas diferencas devem ser respeitadas e, quanto a mim isso faz parte do principio de RESPEITO PELO OUTRO e pela DIVERSIDADE entre a HUMANIDADE que todos constituimos - e', alias, nesse principio que se fundamenta a filosofia dos DIREITOS HUMANOS. E para que todos possam ser igualmente respeitados, dentro da especificidade do que cada um tem para oferecer a sociedade como cidadao de PLENO DIREITO e' preciso que cada um saiba reconhecer as suas competencias/incompetencias e pontos fortes e pontos fracos em cada dominio, para que cada um possa contribuir com o que de melhor tem a dar, naquilo em que e' mais capaz do que outros. De outro modo, continuarao a vingar as estrategias destrutivas baseadas no egocentrismo sem limites e no total desrespeito pelo outro!... Abraco de volta.

Monday, 21 May 2012

Sonho vs. Demagogia: Como Distinguir?


Sonho e’ o que alguem como Martin Luther King foi capaz de ter, articular e imortalizar…


Demagogia e’ quando alguem capaz distodistodisto… e de muito mais!... e' capaz de ter a falta de vergonha na kara suficiente para 'mandar bokas' destas:

"(...) O Estado Democrático de que falo é o Estado onde o direito de oposição é respeitado, defendido, protegido e acarinhado, onde a liberdade de expressão é um bem maior, onde o direito de manifestação/reunião é estruturante, porque não há outra forma de fazer política, de mobilizar os cidadãos e o eleitorado para os desafios que se repetem no âmbito de um ciclo que queremos que seja virtuoso, premiando os que melhor trabalham, mas promovendo, sempre que necessário, a saudável alternância.(...)"


E, claro, como toda a boa demagogia (... ou TV show ou Facebook page...) que se preze, as “massas” (algumas histericamente) aplaudem efusivamente!

Moral da historia (apenas para os meus brothers!):



Sonho e’ o que alguem como Martin Luther King foi capaz de ter, articular e imortalizar…


Demagogia e’ quando alguem capaz distodistodisto… e de muito mais!... e' capaz de ter a falta de vergonha na kara suficiente para 'mandar bokas' destas:

"(...) O Estado Democrático de que falo é o Estado onde o direito de oposição é respeitado, defendido, protegido e acarinhado, onde a liberdade de expressão é um bem maior, onde o direito de manifestação/reunião é estruturante, porque não há outra forma de fazer política, de mobilizar os cidadãos e o eleitorado para os desafios que se repetem no âmbito de um ciclo que queremos que seja virtuoso, premiando os que melhor trabalham, mas promovendo, sempre que necessário, a saudável alternância.(...)"


E, claro, como toda a boa demagogia (... ou TV show ou Facebook page...) que se preze, as “massas” (algumas histericamente) aplaudem efusivamente!

Moral da historia (apenas para os meus brothers!):


Sunday, 20 May 2012

"KWIZZ..."




Nao... a resposta certa nao da' direito a "parakuka kom kifufutila"!

Aqui vai – 'straight, no chaser!': Trata-se de um INTOCAVEL ke "nunka" teve nada a ver kom politika do p(h)oder ou da oposicao!... Absolutamente nada a ver mesmo! Dos politicos sempre manteve a maior distancia! Portanto, o BD que se kwiiide porke, dada a kamaleonice e falta de vergonha na kara da kriatura em kestao, ainda acaba por fikar sem o seu kabo eleitoral (kaenche!) numero 1 na "imprensa facebukeira"!...
Precisa de "mais detalhes"? Aqui tem:

'A primeira lição do "caso Suzana Inglês"...

Quem não é da política mas se mete com os nossos políticos (do poder) sem pertencer ao "quintal" e sem ter os pés bem assentes na terra, está sempre sujeito aos ventos da conjuntura e normalmente dura pouco e acaba mal.

A história do pós-independência está cheio destes exemplos, mas como as pessoas preferem continuar a ouvir "estórias", vamos ter ainda mais casos destes...

Os políticos, estes, na maior das calmas, vão continuar por aí...

PS- Amigo que sou da Dra. Suzana Inglês custa-me vê-la nesta nova condição de "proscrita".

Só há, contudo, uma forma de se evitarem estas situações, sobretudo para as pessoas que a certa altura da sua vida têm de se relacionar, em nome do interesse público, com a política ou com os políticos.

Distância, meus amigos, muita distância, muito respeito, e sempre em pé de igualdade. Na vertical.

A política é entendida aqui num sentido mais restrito, tendo em conta as características da nossa partidocracia. Do poder ou da oposição.

Dos independentes que estão na política falaremos numa outra altura...'



P.S.1: (...) Alguem disse que falta de vergonha na kara em Angola mata?!
 
P.S.2: E por falar em "quintais":

"Eu di-lo-ia de outro modo: ainda que nao venham do "Roque Santeiro", nem estejam apenas em busca de "ascensao social" [poderao, por exemplo, vir de Viana, da Vila Alice, do Kinaxixe, do Bairro Popular, da Maianga, ou mesmo do Alvalade, da Marginal, do 'Quartier Latin' ou do Bairro Alto, para as escadarias e quintais  da permissiva e promiscua "comuna 'libertinaria' neoliberal" da Cidade Alta em busca de "proximidade ao poder" e do "menos congestionado" trafico de influencias e de "fontes de informacao" para os "novos jornais" da praca, e.g. sobre "partes da historia do MPLA", que esse lugar proporciona, ou, especialmente no caso dos "rapazes" e "raparigas" que nunca tiveram forca suficiente para pegarem numa catana ou numa enxada para sairem do conforto das ruas asfaltadas da capital e irem para o campo contribuir para a "resolucao dos problemas do povo", ou a coragem necessaria para pegarem em armas e irem para uma frente de combate defender os "seus ideais", a ilusao de que (tambem) o fizeram... - o que tambem nao e' mais do que buscar "ascensao social" ...o que quer que isso seja ...], continuarao eternamente, ou pelo menos por muito tempo, sem passar das "escadarias da UEA", mesmo que nela consigam entrar e sentar-se, sob o signo dos seus neofitos '7 egos', 'aquela mesa central com o poema "Criar" de Agostinho Neto no background!... E isto servira' especialmente aos que para la' entram com certo tipo de "declaracoes acintosas" como as aqui mencionadas!..."

[Extracto daqui





Nao... a resposta certa nao da' direito a "parakuka kom kifufutila"!

Aqui vai – 'straight, no chaser!': Trata-se de um INTOCAVEL ke "nunka" teve nada a ver kom politika do p(h)oder ou da oposicao!... Absolutamente nada a ver mesmo! Dos politicos sempre manteve a maior distancia! Portanto, o BD que se kwiiide porke, dada a kamaleonice e falta de vergonha na kara da kriatura em kestao, ainda acaba por fikar sem o seu kabo eleitoral (kaenche!) numero 1 na "imprensa facebukeira"!...
Precisa de "mais detalhes"? Aqui tem:

'A primeira lição do "caso Suzana Inglês"...

Quem não é da política mas se mete com os nossos políticos (do poder) sem pertencer ao "quintal" e sem ter os pés bem assentes na terra, está sempre sujeito aos ventos da conjuntura e normalmente dura pouco e acaba mal.

A história do pós-independência está cheio destes exemplos, mas como as pessoas preferem continuar a ouvir "estórias", vamos ter ainda mais casos destes...

Os políticos, estes, na maior das calmas, vão continuar por aí...

PS- Amigo que sou da Dra. Suzana Inglês custa-me vê-la nesta nova condição de "proscrita".

Só há, contudo, uma forma de se evitarem estas situações, sobretudo para as pessoas que a certa altura da sua vida têm de se relacionar, em nome do interesse público, com a política ou com os políticos.

Distância, meus amigos, muita distância, muito respeito, e sempre em pé de igualdade. Na vertical.

A política é entendida aqui num sentido mais restrito, tendo em conta as características da nossa partidocracia. Do poder ou da oposição.

Dos independentes que estão na política falaremos numa outra altura...'



P.S.1: (...) Alguem disse que falta de vergonha na kara em Angola mata?!
 
P.S.2: E por falar em "quintais":

"Eu di-lo-ia de outro modo: ainda que nao venham do "Roque Santeiro", nem estejam apenas em busca de "ascensao social" [poderao, por exemplo, vir de Viana, da Vila Alice, do Kinaxixe, do Bairro Popular, da Maianga, ou mesmo do Alvalade, da Marginal, do 'Quartier Latin' ou do Bairro Alto, para as escadarias e quintais  da permissiva e promiscua "comuna 'libertinaria' neoliberal" da Cidade Alta em busca de "proximidade ao poder" e do "menos congestionado" trafico de influencias e de "fontes de informacao" para os "novos jornais" da praca, e.g. sobre "partes da historia do MPLA", que esse lugar proporciona, ou, especialmente no caso dos "rapazes" e "raparigas" que nunca tiveram forca suficiente para pegarem numa catana ou numa enxada para sairem do conforto das ruas asfaltadas da capital e irem para o campo contribuir para a "resolucao dos problemas do povo", ou a coragem necessaria para pegarem em armas e irem para uma frente de combate defender os "seus ideais", a ilusao de que (tambem) o fizeram... - o que tambem nao e' mais do que buscar "ascensao social" ...o que quer que isso seja ...], continuarao eternamente, ou pelo menos por muito tempo, sem passar das "escadarias da UEA", mesmo que nela consigam entrar e sentar-se, sob o signo dos seus neofitos '7 egos', 'aquela mesa central com o poema "Criar" de Agostinho Neto no background!... E isto servira' especialmente aos que para la' entram com certo tipo de "declaracoes acintosas" como as aqui mencionadas!..."

[Extracto daqui


Thursday, 5 April 2012

Dia da Paz: Um Discurso - Dois "Registos"





JES Dixit...

"Os direitos de todos e de cada um devem ser respeitados e tidos sempre em consideração.

Não devemos introduzir no nosso jogo político e democrático o princípio do "vale tudo".

Na política não vale tudo, nem todos os actos e factos são admitidos, sobretudo quando lesam a reputação, o bom nome e a integridade moral e física de outras pessoas. A difamação, a calúnia e a ameaça de morte são crimes e não devem de modo algum ser usados como meios de disputa ou luta política.

Exorto, por isso, a todos os cidadãos, partidos políticos, organizações da Sociedade Civil e instituições do Estado a adoptarem uma postura responsável e construtiva no exercício da diversidade e liberdade de opinião, que são pressupostos básicos da vida em democracia."

[AQUI]



... SE A FALTA DE VERGONHA NA CARA MATASSE!!!...



"(...) Na política não se podem agredir os adversários nem com difamações e muito menos com barras de ferro. Na política não se pode insultar a mãe e a mulher do outro, nem se podem partir braços e amolgar cabeças. Na política as ameaças de morte tão em voga entre nós, não podem continuar a ser usadas como tem acontecido até agora por conhecidos agentes da nossa praça, que de facto têm alguma capacidade de executarem tais propósitos. Sinceramente não acredito que alguém fique com medo de mim se por acaso ouvir da minha boca uma tal ameaça, porque sabe que eu não tenho qualquer poder. As ameaças que realmente atemorizam e intimidam são aquelas que são pronunciadas por pessoas que têm poder ou estão perto dele. Se hoje alguém da oposição me ameaçar de morte ainda sou capaz de me rir e de o mandar dar uma volta ao bilhar grande, mas se a mesma ameaça for feita por alguém ligado ao partido no poder de certeza que não acharei tanta piada e sou capaz de passar a noite a pensar no assunto..."

[Reginaldo Silva na Internet]


KURIBOTA

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Tanto falaste de mim
tantos ditos e malditos
quizeste vender minha alma
em troca do dinheiro
quizeste vender minha vida
em troca do teu bem estar

Kuribota!

Falas mal de uma mulher
sem lhe conheceres sequer
falas mal de um bom amigo
ja' nao sabes sequer
quem bem te quer

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Waldemar Bastos


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QUEIXA CRIME CONTRA REGINALDO SILVA

Reality Bites...

BULLIES!!!...





JES Dixit...

"Os direitos de todos e de cada um devem ser respeitados e tidos sempre em consideração.

Não devemos introduzir no nosso jogo político e democrático o princípio do "vale tudo".

Na política não vale tudo, nem todos os actos e factos são admitidos, sobretudo quando lesam a reputação, o bom nome e a integridade moral e física de outras pessoas. A difamação, a calúnia e a ameaça de morte são crimes e não devem de modo algum ser usados como meios de disputa ou luta política.

Exorto, por isso, a todos os cidadãos, partidos políticos, organizações da Sociedade Civil e instituições do Estado a adoptarem uma postura responsável e construtiva no exercício da diversidade e liberdade de opinião, que são pressupostos básicos da vida em democracia."

[AQUI]



... SE A FALTA DE VERGONHA NA CARA MATASSE!!!...



"(...) Na política não se podem agredir os adversários nem com difamações e muito menos com barras de ferro. Na política não se pode insultar a mãe e a mulher do outro, nem se podem partir braços e amolgar cabeças. Na política as ameaças de morte tão em voga entre nós, não podem continuar a ser usadas como tem acontecido até agora por conhecidos agentes da nossa praça, que de facto têm alguma capacidade de executarem tais propósitos. Sinceramente não acredito que alguém fique com medo de mim se por acaso ouvir da minha boca uma tal ameaça, porque sabe que eu não tenho qualquer poder. As ameaças que realmente atemorizam e intimidam são aquelas que são pronunciadas por pessoas que têm poder ou estão perto dele. Se hoje alguém da oposição me ameaçar de morte ainda sou capaz de me rir e de o mandar dar uma volta ao bilhar grande, mas se a mesma ameaça for feita por alguém ligado ao partido no poder de certeza que não acharei tanta piada e sou capaz de passar a noite a pensar no assunto..."

[Reginaldo Silva na Internet]


KURIBOTA

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Tanto falaste de mim
tantos ditos e malditos
quizeste vender minha alma
em troca do dinheiro
quizeste vender minha vida
em troca do teu bem estar

Kuribota!

Falas mal de uma mulher
sem lhe conheceres sequer
falas mal de um bom amigo
ja' nao sabes sequer
quem bem te quer

Kuribota, kuribota
seu invejoso
kuribota, kuribota
nao tens vergonha
kuribota, kuribota
grande planista
kuribota, kuribota
finjido!

Waldemar Bastos


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Wednesday, 4 April 2012

"MANIFESTO PELO DIREITO A VIDA" [R]* - CORRIGIDO





I had initially written this as a comment to this post but, on good advice, decided to post it separately. Because it is never enough to stress the importance, relevance and accuracy of messages like Malavoloneke’s here, I must do just that: stress it!
But, let’s not make any mistakes: I am also a good friend of Fernando’s.
With him I shared the anguishes that led many Angolan students in Portugal to bring about a “Manifesto for the Right to Live”, for which we went door to door to collect thousands of signatures from the Angolan community and friends of Angola in Portugal and held a well attended vigil in one of Lisbon’s main squares, which counted with such references of our national culture as Raul Indipwo, his own father, Jorge Macedo, and others, calling for a halt to the hostilities that followed the 1992 elections and for a lasting peace and true democracy in our country.
Supporting him I was, a few months later, in the hunger strike he and other Angolan students held in front of the Angolan Embassy in Lisbon to protest at the victimisation students were being subjected to as a result of the intolerance and political violence that marked those times in our national life. With him I traveled, some time later, to Brussels, to spread our message and express our desire for peace at the headquarters of the European Union. To him I suggested, a few years later in Luanda, when he asked my opinion about it, that it would be better for him to go to pursue his studies and leave the political/civic struggles aside for a while – this particular episode happened when he was working in the same office as Rafael Marques, under the auspices of the Open Society, and it would be particularly interesting to observe the evolution Marques’ relationship with that organisation had in more recent years...
For him I was happy when he let me know some time later that he was in Boston post-graduating in Law. To him go my praises for all the courage and strength he shows in fighting for Justice, Peace and Democracy in our country!
However… however, in this occasion, I subscribe to Malavoloneke’s message to him. And deep down in my heart I believe that Fernando also subscribes to it, at least for this once. For this peace we so longed for. For that right to live that we called for so earthly sixteen years ago! And that message was and is very simple:

GIVE PEACE A CHANCE!



2. While I was living those moments with Fernando, I was also sharing (or had shared) momentous experiences with such ‘Mais Velhos’ from our country’s political history as Mario Pinto de Andrade, Manuel Lima and Daniel Chipenda (it was straight from this late Angolan nationalist's family home that I left, totally exhausted spiritually and psychologically, more than a decade ago, Lisbon to London, where I’ve been based ever since to rebuild, literally piece by piece, my then totally shattered life and from where I’ve been trying to give whatever contribution I can to our country and to our continent, until I can finally return home without fears of seeing my life shattered all over again for whatever reason – it is thus to protect my ‘right to live’ that I am forced, again, to stay abroad for a while longer. You see, unlike others, no matter what passport we may be using, we cannot disguise or conceal our identity: it is imprinted in our skin, our mind, our memory, our soul, our diction, our culture).

With them and others, I learned many of the lessons they had accumulated along about half a century of struggles for liberation, peace and development in Africa. Through them I’ve learned something essential about ourselves: for all the differences in their individual trajectories and standings in the nationalist movement, there was one commonality – our future can only be dictated by our own past, culture and history.
It was from them, among others, and from my own life experiences prior and after meeting them, that I got this sense of just how right Malavoloneke is in saying: “Therefore, I would like you to understand that we all need ways out. Ways out that have also to be ways of hope. Ways of hope that do not need to be necessarily perfect, they just need to be necessarily ours. Created by us with the limitations that we have, created in our own context with our own specificities and created for our land with the adaptations that they might require, but not imposed by a theoretical script from any western country.”
It was what I learned from them (and, to be perfectly accurate, before them, with my father and grandparents) that helped me make sense, particularly looking at my own life, not just of the letters from Unita and Mpla militants that I’ve reproduced here but, above all, of the passages from Douglass North’s Economics Nobel Prize Lecture, which I placed in the comment’s space to this post.




*[Postado inicialmente a 01/09/08 - repostado a proposito do "DIA DA PAZ EM ANGOLA"]


POST RELACIONADO:

Ecos de Uma Guerra que (ainda?!) nao Acabou...


CORRECCAO:

Eis uma correccao que (antes tarde do que nunca…) se me impoe:

No texto acima menciono o Fernando Macedo como tendo participado no movimento dos estudantes ‘a volta daquele manifesto – que obteve mais de 5 mil assinaturas de Angolanos e Amigos de Angola em Portugal e o apoio de muitos compatriotas nossos no interior do pais e na diaspora e culminou numa vigilia com musica cantada na Praca da Figueira em Lisboa.

Devo, no entanto, sem com isto pretender de modo nenhum menosprezar o activismo estudantil do Fernando Macedo naquela altura, corrigir esse lapso: o Fernando Macedo, tanto quanto me lembro, nao esteve envolvido, pelo menos directamente, naquele movimento. O “Manifesto” foi escrito em minha casa, por mim com a contribuicao de outros estudantes que la’ comigo se reuniam. Nao tenho memoria de o Fernando alguma vez ter estado em minha casa em Lisboa, nem de ter participado nas nossas reunioes – talvez apenas porque ele se encontrava a estudar em Braga, se bem me recordo.

O pai dele, o falecido Jorge Macedo, esse sim, numa fase posterior, quando nos os estudantes ja’ tinhamos praticamente tudo feito, juntou-se a algumas das nossas reunioes, tal como alguns outros mais-velhos, como o Raul Indipwo – que tambem cantou na Praca da Figueira no dia da vigilia.

As minhas desculpas ao Fernando, mas o meu lapso ficou a dever-se ao facto de a minha memoria sobre os meus ultimos anos em Portugal apenas agora se estar gradualmente a reconstruir.

APS

P.S.: Ja’ agora, agradeco a quem porventura tenha uma copia do “Manifesto” que me a envie por email. Agradecimentos antecipados.




I had initially written this as a comment to this post but, on good advice, decided to post it separately. Because it is never enough to stress the importance, relevance and accuracy of messages like Malavoloneke’s here, I must do just that: stress it!
But, let’s not make any mistakes: I am also a good friend of Fernando’s.
With him I shared the anguishes that led many Angolan students in Portugal to bring about a “Manifesto for the Right to Live”, for which we went door to door to collect thousands of signatures from the Angolan community and friends of Angola in Portugal and held a well attended vigil in one of Lisbon’s main squares, which counted with such references of our national culture as Raul Indipwo, his own father, Jorge Macedo, and others, calling for a halt to the hostilities that followed the 1992 elections and for a lasting peace and true democracy in our country.
Supporting him I was, a few months later, in the hunger strike he and other Angolan students held in front of the Angolan Embassy in Lisbon to protest at the victimisation students were being subjected to as a result of the intolerance and political violence that marked those times in our national life. With him I traveled, some time later, to Brussels, to spread our message and express our desire for peace at the headquarters of the European Union. To him I suggested, a few years later in Luanda, when he asked my opinion about it, that it would be better for him to go to pursue his studies and leave the political/civic struggles aside for a while – this particular episode happened when he was working in the same office as Rafael Marques, under the auspices of the Open Society, and it would be particularly interesting to observe the evolution Marques’ relationship with that organisation had in more recent years...
For him I was happy when he let me know some time later that he was in Boston post-graduating in Law. To him go my praises for all the courage and strength he shows in fighting for Justice, Peace and Democracy in our country!
However… however, in this occasion, I subscribe to Malavoloneke’s message to him. And deep down in my heart I believe that Fernando also subscribes to it, at least for this once. For this peace we so longed for. For that right to live that we called for so earthly sixteen years ago! And that message was and is very simple:

GIVE PEACE A CHANCE!



2. While I was living those moments with Fernando, I was also sharing (or had shared) momentous experiences with such ‘Mais Velhos’ from our country’s political history as Mario Pinto de Andrade, Manuel Lima and Daniel Chipenda (it was straight from this late Angolan nationalist's family home that I left, totally exhausted spiritually and psychologically, more than a decade ago, Lisbon to London, where I’ve been based ever since to rebuild, literally piece by piece, my then totally shattered life and from where I’ve been trying to give whatever contribution I can to our country and to our continent, until I can finally return home without fears of seeing my life shattered all over again for whatever reason – it is thus to protect my ‘right to live’ that I am forced, again, to stay abroad for a while longer. You see, unlike others, no matter what passport we may be using, we cannot disguise or conceal our identity: it is imprinted in our skin, our mind, our memory, our soul, our diction, our culture).

With them and others, I learned many of the lessons they had accumulated along about half a century of struggles for liberation, peace and development in Africa. Through them I’ve learned something essential about ourselves: for all the differences in their individual trajectories and standings in the nationalist movement, there was one commonality – our future can only be dictated by our own past, culture and history.
It was from them, among others, and from my own life experiences prior and after meeting them, that I got this sense of just how right Malavoloneke is in saying: “Therefore, I would like you to understand that we all need ways out. Ways out that have also to be ways of hope. Ways of hope that do not need to be necessarily perfect, they just need to be necessarily ours. Created by us with the limitations that we have, created in our own context with our own specificities and created for our land with the adaptations that they might require, but not imposed by a theoretical script from any western country.”
It was what I learned from them (and, to be perfectly accurate, before them, with my father and grandparents) that helped me make sense, particularly looking at my own life, not just of the letters from Unita and Mpla militants that I’ve reproduced here but, above all, of the passages from Douglass North’s Economics Nobel Prize Lecture, which I placed in the comment’s space to this post.




*[Postado inicialmente a 01/09/08 - repostado a proposito do "DIA DA PAZ EM ANGOLA"]


POST RELACIONADO:

Ecos de Uma Guerra que (ainda?!) nao Acabou...


CORRECCAO:

Eis uma correccao que (antes tarde do que nunca…) se me impoe:

No texto acima menciono o Fernando Macedo como tendo participado no movimento dos estudantes ‘a volta daquele manifesto – que obteve mais de 5 mil assinaturas de Angolanos e Amigos de Angola em Portugal e o apoio de muitos compatriotas nossos no interior do pais e na diaspora e culminou numa vigilia com musica cantada na Praca da Figueira em Lisboa.

Devo, no entanto, sem com isto pretender de modo nenhum menosprezar o activismo estudantil do Fernando Macedo naquela altura, corrigir esse lapso: o Fernando Macedo, tanto quanto me lembro, nao esteve envolvido, pelo menos directamente, naquele movimento. O “Manifesto” foi escrito em minha casa, por mim com a contribuicao de outros estudantes que la’ comigo se reuniam. Nao tenho memoria de o Fernando alguma vez ter estado em minha casa em Lisboa, nem de ter participado nas nossas reunioes – talvez apenas porque ele se encontrava a estudar em Braga, se bem me recordo.

O pai dele, o falecido Jorge Macedo, esse sim, numa fase posterior, quando nos os estudantes ja’ tinhamos praticamente tudo feito, juntou-se a algumas das nossas reunioes, tal como alguns outros mais-velhos, como o Raul Indipwo – que tambem cantou na Praca da Figueira no dia da vigilia.

As minhas desculpas ao Fernando, mas o meu lapso ficou a dever-se ao facto de a minha memoria sobre os meus ultimos anos em Portugal apenas agora se estar gradualmente a reconstruir.

APS

P.S.: Ja’ agora, agradeco a quem porventura tenha uma copia do “Manifesto” que me a envie por email. Agradecimentos antecipados.

Wednesday, 28 March 2012

Gostei de Ler [5]



(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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