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Monday, 25 June 2012

"ASSUMINDO"…






“É tempo de quem está no poder perceber também que o Bloco Democrático é uma “Banda Desenhada”, como lhe chamam depreciativamente os seus opositores, que faz falta à nossa democracia. Não vale a pena ter medo do seu discurso.
Não vale a pena fugir dos seus adjectivos. É uma Banda intelectual necessária à nossa política que tendo todo o direito de criticar o que está a ser mal gerido – e há muita coisa a ser mal gerida em vários domínios - é tempo dela perceber também que há coisas – nem tudo é claro – bem feitas pelo Executivo e reconhecer isso não a diminui, nem desvaloriza a oposição.
Pensar assim, é pensar pequeno e a Banda não pode ser pequena. Porque quem gosta da democracia não quer, seguramente, ver a Banda desfazer-se e daqui há quatro anos mudar de sigla novamente….”


[Gustavo Costa, in “Fraka gente e fraku nivel…” - Novo Jornal # 231, 22/06/2012]




Assumindo-me como “madrinha de baptismo” do BD – Banda Desenhada nao posso deixar de manifestar o meu protesto por me ver classificada, num artigo cujo autor (…velada... mas abertamente…) assume que (afinale?!) le o meu blog (…nao que eu “suspeitasse”..), como “opositora” do BD – Bloco Democratico!...

O “meu afilhado” BD ficou a dever o seu cognome apenas e tao so’ ao facto de o comportamento de duas das suas mais fanaticas militantes relativamente a mim e a materias publicadas neste blog assim o ter sugerido!… Nada, portanto, a ver com o BD enquanto partido!...


Quanto ao resto, parece-me oportuno transcrever uma troca de opinioes que tive recentemente com o Luiz Araujo na sua pagina no FB:



Ana Koluki Caro Luiz Araújo: tenho acompanhado os seus pensamentos sobre essas questoes e, na generalidade, tenho concordado com os seus pontos de vista no sentido de se criar uma plataforma civica comum que possa servir de forca impulsionadora para a instauracao e manutencao de uma verdadeira democracia em Angola. No entanto, o que me parece faltar acima de tudo entre os "protagonistas" (... e, embora sendo "pintada" como tal eu nao me incluo entre eles!...) e' vontade e, em alguns casos, capacidade de comunicacao. Nao pode haver um "entendimento comum" sobre o que e' a "verdadeira democracia" e qual o "melhor metodo ou via" para se a obter dadas as circunstancias concretas e reais quer do "poder", quer da "oposicao", sem dialogo, troca de ideias, concertacao de opinioes diversas e, acima de tudo RESPEITO PELO OUTRO! Sim, estou por exigir DIGNIDADE COM DIGNIDADE nao apenas do poder politico, mas tambem, e sobretudo, dos meus concidadaos a quem nunca considerei inferiores a mim - antes pelo contrario, sempre tratei como irmaos!...


Luiz Araújo Ana Koluki, antes de mais agradeço a atenção que deste a este post e aos anteriores com que venho insistindo na necessidade da gestação duma agenda comum de resistência contra a ditadura. Concordo que a primeira e uma das mais graves carências que vimos constatando é de vontade para se dialogar. Comunicamos bastante mas principalmente de nós para os outros, feitos receptores do que consideramos como as coisas devem ser feitas, e muito pouco como emissores que também são receptores do que os outros nos endereçam abertos ao seu tratamento e acolhimento nos moldes que resultem na reflexão dialogada e na cooperacção para o alcance duma meta comum. A verdade dos factos demonstra-nos que, em geral, as formações da oposição, organizações cívicas e quase todas e todos nós temos pela frente o desafio comum de vencermos a ditadura para a tirarmos da nossas vidas mas não nos juntamos para isso, (é facto não um juizo) e cada um continua a agir como franco atirador como se a pudesse vencer sozinho, também o facto. Temos recursos que até nos permitem realizar o dialogo, temos computadores com que participamos aqui no Facebook e que podemos usar para conferências (via skype ex) em que realizemos o dialogo. Dialogo mesmo, não o comando dos outros. Suponho que a maioria de nós sabe pelo menos minimamente o que será uma verdadeira democracia e um Estado de direito que tenho e a maioria de nós diz também ser a sua meta. Podemos e devemos aprofundar esse conhecimento como forma de promovermos um projecto de sociedade livre. Mas o desafio que nos é colocado pelas circunstancias de opressão e dominação que a ditadura impõe á sociedade, portanto o desafio nº 1 é agir para que a ditadura tenha fim, depois disso o desafio nº 2 será a realização do projecto de sociedade livre. Para enfrentarmos o desafio nº 1 é que tenho apelado a gestação duma ampla frente/movimento ou rede, como se queira, em que deixemos de ser uma miríade de franco atiradores dispersos e passemos a agir em cooperação até á realização da meta correspondente ao desafio nº1. Respeito pelo outro, para terminar, suponho que não seja o que me falte e não tenho aos meus concidadãos como inferiores em termos de direitos e liberdades, de cidadania. Agora na política como em todos os domínios do ser humano alguns têm mais qualidades do que outros, porque as adquiriram e exercitara, desenvolveram capacidades etc. Por ex eu serei inferior a um atleta campeão de futebol ou dos 100 metros livres porque não tenho as qualidades que ele tem para correr e ou jogar futebol. Mas nalguns domínios da actividade intelectual ex alguns de nós desenvolvem mais capacidades e não se tornando superiores aos outros em termos de direitos temos que reconhecer que se tornam mais capazes nesse domínios, não será. Abraço.

Luiz Araújo Posso desenvolver mais o foco sobre alguns aspectos e referir outros mas depois


Ana Koluki Luiz Araújo, obrigada pela detalhada resposta. Creio que nao ha' aqui grandes divergencias de substancia entre os nossos pontos de vista. Talvez haja alguma dissonancia em termos de "estrategia", mas espero pelo desenvolvimento que prometeu fazer depois para voltar a essa questao. Quanto a questao das qualidades/capacidades e associadas "superioridades/inferioridades", o que tenho aprendido ao longo da minha vida e' que, em principio, nenhum ser humano e' "superior" a outro/a. O que ha' serao niveis diferentes de conhecimento e/ou experiencia num determinado dominio, seja ele intelectual, profissional ou outro. E, obviamente, concordo que essas diferencas devem ser respeitadas e, quanto a mim isso faz parte do principio de RESPEITO PELO OUTRO e pela DIVERSIDADE entre a HUMANIDADE que todos constituimos - e', alias, nesse principio que se fundamenta a filosofia dos DIREITOS HUMANOS. E para que todos possam ser igualmente respeitados, dentro da especificidade do que cada um tem para oferecer a sociedade como cidadao de PLENO DIREITO e' preciso que cada um saiba reconhecer as suas competencias/incompetencias e pontos fortes e pontos fracos em cada dominio, para que cada um possa contribuir com o que de melhor tem a dar, naquilo em que e' mais capaz do que outros. De outro modo, continuarao a vingar as estrategias destrutivas baseadas no egocentrismo sem limites e no total desrespeito pelo outro!... Abraco de volta.






“É tempo de quem está no poder perceber também que o Bloco Democrático é uma “Banda Desenhada”, como lhe chamam depreciativamente os seus opositores, que faz falta à nossa democracia. Não vale a pena ter medo do seu discurso.
Não vale a pena fugir dos seus adjectivos. É uma Banda intelectual necessária à nossa política que tendo todo o direito de criticar o que está a ser mal gerido – e há muita coisa a ser mal gerida em vários domínios - é tempo dela perceber também que há coisas – nem tudo é claro – bem feitas pelo Executivo e reconhecer isso não a diminui, nem desvaloriza a oposição.
Pensar assim, é pensar pequeno e a Banda não pode ser pequena. Porque quem gosta da democracia não quer, seguramente, ver a Banda desfazer-se e daqui há quatro anos mudar de sigla novamente….”


[Gustavo Costa, in “Fraka gente e fraku nivel…” - Novo Jornal # 231, 22/06/2012]




Assumindo-me como “madrinha de baptismo” do BD – Banda Desenhada nao posso deixar de manifestar o meu protesto por me ver classificada, num artigo cujo autor (…velada... mas abertamente…) assume que (afinale?!) le o meu blog (…nao que eu “suspeitasse”..), como “opositora” do BD – Bloco Democratico!...

O “meu afilhado” BD ficou a dever o seu cognome apenas e tao so’ ao facto de o comportamento de duas das suas mais fanaticas militantes relativamente a mim e a materias publicadas neste blog assim o ter sugerido!… Nada, portanto, a ver com o BD enquanto partido!...


Quanto ao resto, parece-me oportuno transcrever uma troca de opinioes que tive recentemente com o Luiz Araujo na sua pagina no FB:



Ana Koluki Caro Luiz Araújo: tenho acompanhado os seus pensamentos sobre essas questoes e, na generalidade, tenho concordado com os seus pontos de vista no sentido de se criar uma plataforma civica comum que possa servir de forca impulsionadora para a instauracao e manutencao de uma verdadeira democracia em Angola. No entanto, o que me parece faltar acima de tudo entre os "protagonistas" (... e, embora sendo "pintada" como tal eu nao me incluo entre eles!...) e' vontade e, em alguns casos, capacidade de comunicacao. Nao pode haver um "entendimento comum" sobre o que e' a "verdadeira democracia" e qual o "melhor metodo ou via" para se a obter dadas as circunstancias concretas e reais quer do "poder", quer da "oposicao", sem dialogo, troca de ideias, concertacao de opinioes diversas e, acima de tudo RESPEITO PELO OUTRO! Sim, estou por exigir DIGNIDADE COM DIGNIDADE nao apenas do poder politico, mas tambem, e sobretudo, dos meus concidadaos a quem nunca considerei inferiores a mim - antes pelo contrario, sempre tratei como irmaos!...


Luiz Araújo Ana Koluki, antes de mais agradeço a atenção que deste a este post e aos anteriores com que venho insistindo na necessidade da gestação duma agenda comum de resistência contra a ditadura. Concordo que a primeira e uma das mais graves carências que vimos constatando é de vontade para se dialogar. Comunicamos bastante mas principalmente de nós para os outros, feitos receptores do que consideramos como as coisas devem ser feitas, e muito pouco como emissores que também são receptores do que os outros nos endereçam abertos ao seu tratamento e acolhimento nos moldes que resultem na reflexão dialogada e na cooperacção para o alcance duma meta comum. A verdade dos factos demonstra-nos que, em geral, as formações da oposição, organizações cívicas e quase todas e todos nós temos pela frente o desafio comum de vencermos a ditadura para a tirarmos da nossas vidas mas não nos juntamos para isso, (é facto não um juizo) e cada um continua a agir como franco atirador como se a pudesse vencer sozinho, também o facto. Temos recursos que até nos permitem realizar o dialogo, temos computadores com que participamos aqui no Facebook e que podemos usar para conferências (via skype ex) em que realizemos o dialogo. Dialogo mesmo, não o comando dos outros. Suponho que a maioria de nós sabe pelo menos minimamente o que será uma verdadeira democracia e um Estado de direito que tenho e a maioria de nós diz também ser a sua meta. Podemos e devemos aprofundar esse conhecimento como forma de promovermos um projecto de sociedade livre. Mas o desafio que nos é colocado pelas circunstancias de opressão e dominação que a ditadura impõe á sociedade, portanto o desafio nº 1 é agir para que a ditadura tenha fim, depois disso o desafio nº 2 será a realização do projecto de sociedade livre. Para enfrentarmos o desafio nº 1 é que tenho apelado a gestação duma ampla frente/movimento ou rede, como se queira, em que deixemos de ser uma miríade de franco atiradores dispersos e passemos a agir em cooperação até á realização da meta correspondente ao desafio nº1. Respeito pelo outro, para terminar, suponho que não seja o que me falte e não tenho aos meus concidadãos como inferiores em termos de direitos e liberdades, de cidadania. Agora na política como em todos os domínios do ser humano alguns têm mais qualidades do que outros, porque as adquiriram e exercitara, desenvolveram capacidades etc. Por ex eu serei inferior a um atleta campeão de futebol ou dos 100 metros livres porque não tenho as qualidades que ele tem para correr e ou jogar futebol. Mas nalguns domínios da actividade intelectual ex alguns de nós desenvolvem mais capacidades e não se tornando superiores aos outros em termos de direitos temos que reconhecer que se tornam mais capazes nesse domínios, não será. Abraço.

Luiz Araújo Posso desenvolver mais o foco sobre alguns aspectos e referir outros mas depois


Ana Koluki Luiz Araújo, obrigada pela detalhada resposta. Creio que nao ha' aqui grandes divergencias de substancia entre os nossos pontos de vista. Talvez haja alguma dissonancia em termos de "estrategia", mas espero pelo desenvolvimento que prometeu fazer depois para voltar a essa questao. Quanto a questao das qualidades/capacidades e associadas "superioridades/inferioridades", o que tenho aprendido ao longo da minha vida e' que, em principio, nenhum ser humano e' "superior" a outro/a. O que ha' serao niveis diferentes de conhecimento e/ou experiencia num determinado dominio, seja ele intelectual, profissional ou outro. E, obviamente, concordo que essas diferencas devem ser respeitadas e, quanto a mim isso faz parte do principio de RESPEITO PELO OUTRO e pela DIVERSIDADE entre a HUMANIDADE que todos constituimos - e', alias, nesse principio que se fundamenta a filosofia dos DIREITOS HUMANOS. E para que todos possam ser igualmente respeitados, dentro da especificidade do que cada um tem para oferecer a sociedade como cidadao de PLENO DIREITO e' preciso que cada um saiba reconhecer as suas competencias/incompetencias e pontos fortes e pontos fracos em cada dominio, para que cada um possa contribuir com o que de melhor tem a dar, naquilo em que e' mais capaz do que outros. De outro modo, continuarao a vingar as estrategias destrutivas baseadas no egocentrismo sem limites e no total desrespeito pelo outro!... Abraco de volta.

Friday, 16 September 2011

Angola em "Estado de Coma"?



"(...) oportunidade aproveitada para considerar como delicada e inspiradora de cuidados especiais a situação reinante em Angola (...)"


Um plano "B", que consiste numa insurreição de nível nacional, semelhante as ocorridas na Líbia, Egipto e Tunísia e que culminou com o derrube dos respectivos presidentes e partidos governantes, está a ser orquestrado por uma coligação de partidos da oposição, liderada pela Unita.


A denúncia foi feita ontem (quinta-feira) pelo primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento (Na Foto), durante um encontro alargado com as direcções de comités de acção e de especialidades do partido, da JMPLA e da OMA, oportunidade aproveitada para considerar como delicada e inspiradora de cuidados especiais a situação reinante em Angola.

A coligação, que integra o Bloco Democrático, PP e alguns partidos ligados aos POC, e que tem como executivos mais dinâmicos o secretário-geral da Unita, Kamalata Numa, o secretário-geral da Jura, MFuka Fuakaka Muzamba, o advogado David Mendes e Justino Pinto de Andrade, pretende criar o caos social, impossibilitar a governação do MPLA e do Presidente.

Afirmou que a oposição decidiu enveredar por manifestações violentas e hostis, provocando vítimas e inventando outras vítimas, incentivando a desobediência civil, greves e tumultos, bem como provocações aos agentes e patrulhas da polícia, fazendo recurso a objectos contudentes, com pedras, garrafas, paus, entre outros.

Em face de qualquer reacção da polícia, alertou Bento Bento, a estratégia é utilizar "a arma dos direitos humanos" de modo a legitimar uma intervenção militar estrangeira em Angola, semelhante a realizada na Líbia.


[Extractos daqui]


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"(...) oportunidade aproveitada para considerar como delicada e inspiradora de cuidados especiais a situação reinante em Angola (...)"


Um plano "B", que consiste numa insurreição de nível nacional, semelhante as ocorridas na Líbia, Egipto e Tunísia e que culminou com o derrube dos respectivos presidentes e partidos governantes, está a ser orquestrado por uma coligação de partidos da oposição, liderada pela Unita.


A denúncia foi feita ontem (quinta-feira) pelo primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento (Na Foto), durante um encontro alargado com as direcções de comités de acção e de especialidades do partido, da JMPLA e da OMA, oportunidade aproveitada para considerar como delicada e inspiradora de cuidados especiais a situação reinante em Angola.

A coligação, que integra o Bloco Democrático, PP e alguns partidos ligados aos POC, e que tem como executivos mais dinâmicos o secretário-geral da Unita, Kamalata Numa, o secretário-geral da Jura, MFuka Fuakaka Muzamba, o advogado David Mendes e Justino Pinto de Andrade, pretende criar o caos social, impossibilitar a governação do MPLA e do Presidente.

Afirmou que a oposição decidiu enveredar por manifestações violentas e hostis, provocando vítimas e inventando outras vítimas, incentivando a desobediência civil, greves e tumultos, bem como provocações aos agentes e patrulhas da polícia, fazendo recurso a objectos contudentes, com pedras, garrafas, paus, entre outros.

Em face de qualquer reacção da polícia, alertou Bento Bento, a estratégia é utilizar "a arma dos direitos humanos" de modo a legitimar uma intervenção militar estrangeira em Angola, semelhante a realizada na Líbia.


[Extractos daqui]


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Wednesday, 24 August 2011

Goodbye Brother Gaddafi!





It is a shame that it should be in this way…
It is even more shameful that your demise could be associated with a deep blow on the ideals of Panafricanism – which you have so forcefully tried to personify, especially in as far as they relate to a genuine alliance between Northern and Sub-Saharan Africa, which you have championed…



However, the Panafricanist ideals can only be incorporated by the peoples of Africa. They cannot be hijacked by one leader, or even a group of leaders under our African Union banner. They cannot be dispensed through a top-down prescription. They can only be achieved if lived from a truly bottom-up experience:



- when free movement of people across borders becomes a reality;

- when the peoples of the continent can really know, respect, enjoy and appreciate their common ancestry and each other’s cultures and identities so as to avoid our recurrent inter-ethnic conflicts;

- when the immense riches of our motherland are effectively and fairly distributed and shared among all its sons and daughters so that our chronic poverty and human underdevelopment records can be definitively overcome…

And all that cannot be achieved under dictatorial and/or corrupt regimes and life-long rulers!



So, it is indeed regrettable that it had to be in this way – especially to the extent that you gave foreign powers a “good excuse” to intervene and interfere in what should/could have been a normal, peaceful and democratic process!

But…



Brother Gaddafi is down – Long live the Brotherhood (and the Sisterhood) of Panafricanism and the African Union of and for the peoples of the Continent and its Diaspora!


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It is a shame that it should be in this way…
It is even more shameful that your demise could be associated with a deep blow on the ideals of Panafricanism – which you have so forcefully tried to personify, especially in as far as they relate to a genuine alliance between Northern and Sub-Saharan Africa, which you have championed…



However, the Panafricanist ideals can only be incorporated by the peoples of Africa. They cannot be hijacked by one leader, or even a group of leaders under our African Union banner. They cannot be dispensed through a top-down prescription. They can only be achieved if lived from a truly bottom-up experience:



- when free movement of people across borders becomes a reality;

- when the peoples of the continent can really know, respect, enjoy and appreciate their common ancestry and each other’s cultures and identities so as to avoid our recurrent inter-ethnic conflicts;

- when the immense riches of our motherland are effectively and fairly distributed and shared among all its sons and daughters so that our chronic poverty and human underdevelopment records can be definitively overcome…

And all that cannot be achieved under dictatorial and/or corrupt regimes and life-long rulers!



So, it is indeed regrettable that it had to be in this way – especially to the extent that you gave foreign powers a “good excuse” to intervene and interfere in what should/could have been a normal, peaceful and democratic process!

But…



Brother Gaddafi is down – Long live the Brotherhood (and the Sisterhood) of Panafricanism and the African Union of and for the peoples of the Continent and its Diaspora!


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Thursday, 7 July 2011

Noticias do meu Pais...*



David Mendes Pode Ser Candidato às Presidenciais de 2012


O presidente do partido popular, David Mendes, afirmou durante o programa "Discurso Directo" da Rádio Ecclésia que pode ser candidato as presidenciais em Angola no próximo ano.

O presidente do Partido Popular lança à si mesmo o desafio de assumir uma possível candidatura à governação do País. David Mendes, que preferiu remeter esta decisão ao seu partido, disse categoricamente que tem capacidade e maturidade suficientes para gerir Angola, depois de 2012.

Durante o programa, o Jurista, aproveitou a ocasião para apresentar uma fórmula de governação eficiente, caso lhe fosse entregue por sufrágio, a cadeira principal da nação.

[Aqui]


*... Boas, no que 'as mais do que desejaveis Democracia Pluralista e Alternancia Politica diz respeito. Mas sera' que poderiamos saber um pouco mais sobre David Mendes, o Partido Popular e a sua "formula de governacao eficiente"?


Post Relacionado:

A Tarefa de Substituir JES



David Mendes Pode Ser Candidato às Presidenciais de 2012


O presidente do partido popular, David Mendes, afirmou durante o programa "Discurso Directo" da Rádio Ecclésia que pode ser candidato as presidenciais em Angola no próximo ano.

O presidente do Partido Popular lança à si mesmo o desafio de assumir uma possível candidatura à governação do País. David Mendes, que preferiu remeter esta decisão ao seu partido, disse categoricamente que tem capacidade e maturidade suficientes para gerir Angola, depois de 2012.

Durante o programa, o Jurista, aproveitou a ocasião para apresentar uma fórmula de governação eficiente, caso lhe fosse entregue por sufrágio, a cadeira principal da nação.

[Aqui]


*... Boas, no que 'as mais do que desejaveis Democracia Pluralista e Alternancia Politica diz respeito. Mas sera' que poderiamos saber um pouco mais sobre David Mendes, o Partido Popular e a sua "formula de governacao eficiente"?


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A Tarefa de Substituir JES

Tuesday, 12 April 2011

Gbagbo's Arrest: "When Dictatorship Falls From Grace"












"Stripped of Dignity, Stripped of Power"

[Details Here]


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Friday, 18 March 2011

Africa and The (digital) Democratic Revolution


❝DEMOCRACY IN AFRICA❞ Program installation:

❞ EGYPT: ███ 100% Complete...
❞ LYBIA: Downloading...
❞ ALGERIA: Downloading...
❞ IVORY COAST: ██░ 60% [Alert: Virus-Gbagbo detected_Trojan Horse-Ouattarra in Quarantine]
❞ CONGO: Connection lost since 1997
❞ Nigeria: Starting Connection
❞ ZIMBABWE: 404 Error - Server not found

Update:

❞ ANGOLA: ░ 0,05% Rosa de Porcelana software downloaded by 2 dozen kamikazes lead by a foul-mouthed rapper; Full downloading clogged by an hardware army of 4 million Trojan Horses in white masks. [For progress reports click here, here and here]

Thursday, 20 January 2011

A Tarefa de Substituir JES (I) [R]**





** [Postado inicialmente a 18/01/10; "repostado" a 28/08/10 e "re-repostado" hoje a proposito da materia a que podera' aceder clickando na imagem acima]


Por entre as euforias e desapontamentos do CAN, o ‘calcanhar de Aquiles’ de Cabinda, ou a tensao com os dois Congos, a (inevitavel, embora talvez insustentavel para alguns) tarefa nacional de substituir o Presidente Jose' Eduardo dos Santos parece estar na mente de muitos (senao todos) angolanos.

E nao e’ tarefa facil.

Desde logo porque o corrente embroglio politico-constitucional (aparentemente de sua inteira criacao) a torna mais complexa do que ja’ o seria por natureza. Mas, qualquer que seja o seu desfecho – aparentemente previsivel segundo as linhas da ja’ famigerada (consagrada?) 'proposta C' [*] – a tarefa apresenta-se incontornavel: JES nao pode, nem deve, perpectuar-se na Presidencia do pais Angola. Nao pode, simplesmente porque, tanto as leis da vida, quanto a ingente democratizacao da sociedade a todos os niveis, assim o exigem. Nao deve, claramente porque a preservacao do que havera’ de defensavel no seu longo mandato de tres decadas assim o reclama.

Tomemos, entao, “substituir JES” como uma tarefa a colocar na agenda nacional (tanto quanto possivel de consenso) para execucao num horizonte temporal curto, medio ou longo, mas previsivel e inevitavel. Tal agendamento passara’ necessariamente por pelo menos tres passos:

A. Uma tao rigorosa quanto possivel escrutinizacao do seu exercicio;
B. A consideracao das possiveis alternativas;
C. A avaliacao de tais alternativas contra o pano de fundo do pulsar politico, economico, social e cultural do pais real.

Porque, manifestamente, nao e’ tarefa facil, restringir-me-ei nesta abordagem inicial ao enunciado primeiro passo.

A. O Bom, o Mau e o Feio

Escrutinizar o mandato de JES, mesmo porque ele encompassa tres decadas marcadas por profundas mudancas no tecido socio-economico e politico do pais e no seu posicionamento estrategico internacional, nao pode ser, assim o exige um minimo de rigor analitico, um exercicio unidimensional.

Havera’, por conseguinte, que colocar na balanca os varios vectores da sua prestacao que, para facilidade de equacionamento e exposicao, sintetizaria nas populares (e reconheco que algo redutoras e caricaturizantes, sem contudo deixarem de ser uteis) categorias de “bom, mau e feio” (em Ingles, "the good, the bad and the ugly").

'O Bom'

Tenho para mim que, no balanco final, JES emergira’ na historia angolana do pos-independencia como um bom gestor de conflitos macro-sociais e, consequentemente, politicos.
Efectivamente, e apenas para mencionar o exemplo mais eloquoente, dificilmente se lhe retirara’ o merito de ter conseguido manter sob contencao e ate’ de o ter distendido quase ao ponto de esvaziamento, o barril de polvora socio-politico e racial herdado do 27 de Maio de 1977.
Igual merito lhe cabera’ na integracao politico-institucional e na acomodacao etnico-tribal do pos-guerra, bem como na gestao dos processos de pacificacao e de transicao democratica do pais.
Meritos, obviamente nao exclusivos nem totais (e alguns dos excluidos e rejeitados desses processos - certamente por nao terem qualquer vocacao para lamber botas de quem quer que seja... - aqui estao para o confirmar !), mas meritos de qualquer modo.

'O Mau'

Tendo sido, aparentemente, um bom gestor de conflitos ao nivel “macro”, JES tera’ sido, talvez em igual medida, um mau gestor de conflitos ao nivel “micro”. Nesta categoria inserem-se os conflitos de caracter particular e pessoal gerados pela sua gestao, como “chefe incontestavel”, de virtualmente todos os orgaos de decisao politico-institucional, do aparelho governativo e dos seus servidores e da regulacao do partido maioritario que dirige. E’ esta vertente do exercicio do seu poder que tende a atrair as cada vez mais insistentes e generalizadas acusacoes de “lambebotismo” e outros “ismos” menos abonatorios para a sua imagem. Mas, por entre tais acusacoes, talvez nao seja completamente despropositado colocar as seguintes questoes:

i) Seria de esperar outro comportamento numa sociedade ainda em transicao para uma democracia plena (tanto em termos representativos quanto participativos) e gerida durante quase todo o seu pos-independencia (antecedido, nunca sera’ demais lembra-lo, de um regime colonial-fascista de longa duracao) sob um sistema mono-partidario? E, nisso, por um partido unico gerido por um “centralismo democratico” que se consubstanciou num mecanismo de tomada de decisoes por um restrito “comite’ central” e um ainda mais restrito “bureau politico” sob o estrito comando do “chefe”, cabendo aos militantes intermedios e de base apenas a prerrogativa de votarem com a mao no ar (ou, mais recentemente, por “voto discreto”) nos seus espacados conclaves aos mais diversos niveis?

ii) Seria de esperar outro comportamento por entre um substracto ideologico balizado por “lideres imortais, intocaveis e incontestaveis”, nao apenas a nivel nacional, como a todos os outros niveis, sectores e instituicoes, incluindo o governo e os partidos politicos, passando pelos mundos empresarial, dos midia, das artes e das letras e pela propria academia?

iii) Seria de esperar outro comportamento no seio de uma cultura politica e de uma praxis social que ainda “nao se dao muito bem”, para dizer o minimo, com conceitos como "competicao honesta", “meritocracia” e “cultura do debate”?

Serao as possiveis respostas logicas a essas questoes ilibadoras da ma’ prestacao de JES nesse dominio? Nao necessariamente. Mas creio que poderao contribuir para uma melhor contextualizacao dessa mesma prestacao no espaco e tempo historico-politicos em que se desempenhou e para uma mais ampla, objectiva, realista e criteriosa avaliacao das alternativas possiveis.

'O Feio'

Nepotismo.
Enriquecimento ilicito.
Falta de transparencia governativa e de responsabilizacao e punicao dos (maus) gestores publicos.
Delapidacao praticamente generalizada do erario publico.
Hostilizacao, depauperamento, marginalizacao economica e exclusao social da maioria da populacao.

Assim se resumira’ essa vertente mais danosa do exercicio de JES, para a qual se poderao igualmente encontrar raizes culturais e sistemicas - mesmo que nao lhe possam ser inteira ou exclusivamente imputadas - mas que, inexoravelmente, tende a eclipsar completamente os seus lados mais defensaveis. E e’ essa vertente que exige que ele abandone o poder mais cedo do que tarde – iniciativas de ”tolerancia zero” [**], pecando por tardias para travar tal inevitabilidade, nao obstante.

=====

[*] Aparentemente, dois dias depois de isto escrito, o dito embroglio tera' sido assim resolvido.


[**] Dias depois, no seu acto de posse como Presidente da Terceira Republica resultante da "resolucao do embroglio constitucional", JES viria a 'acrescentar alguma carne ao esqueleto' da sua "tolerancia zero".




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** [Postado inicialmente a 18/01/10; "repostado" a 28/08/10 e "re-repostado" hoje a proposito da materia a que podera' aceder clickando na imagem acima]


Por entre as euforias e desapontamentos do CAN, o ‘calcanhar de Aquiles’ de Cabinda, ou a tensao com os dois Congos, a (inevitavel, embora talvez insustentavel para alguns) tarefa nacional de substituir o Presidente Jose' Eduardo dos Santos parece estar na mente de muitos (senao todos) angolanos.

E nao e’ tarefa facil.

Desde logo porque o corrente embroglio politico-constitucional (aparentemente de sua inteira criacao) a torna mais complexa do que ja’ o seria por natureza. Mas, qualquer que seja o seu desfecho – aparentemente previsivel segundo as linhas da ja’ famigerada (consagrada?) 'proposta C' [*] – a tarefa apresenta-se incontornavel: JES nao pode, nem deve, perpectuar-se na Presidencia do pais Angola. Nao pode, simplesmente porque, tanto as leis da vida, quanto a ingente democratizacao da sociedade a todos os niveis, assim o exigem. Nao deve, claramente porque a preservacao do que havera’ de defensavel no seu longo mandato de tres decadas assim o reclama.

Tomemos, entao, “substituir JES” como uma tarefa a colocar na agenda nacional (tanto quanto possivel de consenso) para execucao num horizonte temporal curto, medio ou longo, mas previsivel e inevitavel. Tal agendamento passara’ necessariamente por pelo menos tres passos:

A. Uma tao rigorosa quanto possivel escrutinizacao do seu exercicio;
B. A consideracao das possiveis alternativas;
C. A avaliacao de tais alternativas contra o pano de fundo do pulsar politico, economico, social e cultural do pais real.

Porque, manifestamente, nao e’ tarefa facil, restringir-me-ei nesta abordagem inicial ao enunciado primeiro passo.

A. O Bom, o Mau e o Feio

Escrutinizar o mandato de JES, mesmo porque ele encompassa tres decadas marcadas por profundas mudancas no tecido socio-economico e politico do pais e no seu posicionamento estrategico internacional, nao pode ser, assim o exige um minimo de rigor analitico, um exercicio unidimensional.

Havera’, por conseguinte, que colocar na balanca os varios vectores da sua prestacao que, para facilidade de equacionamento e exposicao, sintetizaria nas populares (e reconheco que algo redutoras e caricaturizantes, sem contudo deixarem de ser uteis) categorias de “bom, mau e feio” (em Ingles, "the good, the bad and the ugly").

'O Bom'

Tenho para mim que, no balanco final, JES emergira’ na historia angolana do pos-independencia como um bom gestor de conflitos macro-sociais e, consequentemente, politicos.
Efectivamente, e apenas para mencionar o exemplo mais eloquoente, dificilmente se lhe retirara’ o merito de ter conseguido manter sob contencao e ate’ de o ter distendido quase ao ponto de esvaziamento, o barril de polvora socio-politico e racial herdado do 27 de Maio de 1977.
Igual merito lhe cabera’ na integracao politico-institucional e na acomodacao etnico-tribal do pos-guerra, bem como na gestao dos processos de pacificacao e de transicao democratica do pais.
Meritos, obviamente nao exclusivos nem totais (e alguns dos excluidos e rejeitados desses processos - certamente por nao terem qualquer vocacao para lamber botas de quem quer que seja... - aqui estao para o confirmar !), mas meritos de qualquer modo.

'O Mau'

Tendo sido, aparentemente, um bom gestor de conflitos ao nivel “macro”, JES tera’ sido, talvez em igual medida, um mau gestor de conflitos ao nivel “micro”. Nesta categoria inserem-se os conflitos de caracter particular e pessoal gerados pela sua gestao, como “chefe incontestavel”, de virtualmente todos os orgaos de decisao politico-institucional, do aparelho governativo e dos seus servidores e da regulacao do partido maioritario que dirige. E’ esta vertente do exercicio do seu poder que tende a atrair as cada vez mais insistentes e generalizadas acusacoes de “lambebotismo” e outros “ismos” menos abonatorios para a sua imagem. Mas, por entre tais acusacoes, talvez nao seja completamente despropositado colocar as seguintes questoes:

i) Seria de esperar outro comportamento numa sociedade ainda em transicao para uma democracia plena (tanto em termos representativos quanto participativos) e gerida durante quase todo o seu pos-independencia (antecedido, nunca sera’ demais lembra-lo, de um regime colonial-fascista de longa duracao) sob um sistema mono-partidario? E, nisso, por um partido unico gerido por um “centralismo democratico” que se consubstanciou num mecanismo de tomada de decisoes por um restrito “comite’ central” e um ainda mais restrito “bureau politico” sob o estrito comando do “chefe”, cabendo aos militantes intermedios e de base apenas a prerrogativa de votarem com a mao no ar (ou, mais recentemente, por “voto discreto”) nos seus espacados conclaves aos mais diversos niveis?

ii) Seria de esperar outro comportamento por entre um substracto ideologico balizado por “lideres imortais, intocaveis e incontestaveis”, nao apenas a nivel nacional, como a todos os outros niveis, sectores e instituicoes, incluindo o governo e os partidos politicos, passando pelos mundos empresarial, dos midia, das artes e das letras e pela propria academia?

iii) Seria de esperar outro comportamento no seio de uma cultura politica e de uma praxis social que ainda “nao se dao muito bem”, para dizer o minimo, com conceitos como "competicao honesta", “meritocracia” e “cultura do debate”?

Serao as possiveis respostas logicas a essas questoes ilibadoras da ma’ prestacao de JES nesse dominio? Nao necessariamente. Mas creio que poderao contribuir para uma melhor contextualizacao dessa mesma prestacao no espaco e tempo historico-politicos em que se desempenhou e para uma mais ampla, objectiva, realista e criteriosa avaliacao das alternativas possiveis.

'O Feio'

Nepotismo.
Enriquecimento ilicito.
Falta de transparencia governativa e de responsabilizacao e punicao dos (maus) gestores publicos.
Delapidacao praticamente generalizada do erario publico.
Hostilizacao, depauperamento, marginalizacao economica e exclusao social da maioria da populacao.

Assim se resumira’ essa vertente mais danosa do exercicio de JES, para a qual se poderao igualmente encontrar raizes culturais e sistemicas - mesmo que nao lhe possam ser inteira ou exclusivamente imputadas - mas que, inexoravelmente, tende a eclipsar completamente os seus lados mais defensaveis. E e’ essa vertente que exige que ele abandone o poder mais cedo do que tarde – iniciativas de ”tolerancia zero” [**], pecando por tardias para travar tal inevitabilidade, nao obstante.

=====

[*] Aparentemente, dois dias depois de isto escrito, o dito embroglio tera' sido assim resolvido.


[**] Dias depois, no seu acto de posse como Presidente da Terceira Republica resultante da "resolucao do embroglio constitucional", JES viria a 'acrescentar alguma carne ao esqueleto' da sua "tolerancia zero".




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Wednesday, 5 May 2010

UK: The return of Socialism?


Tomorrow is general election day here in the UK.
At the national level, although things are said to be still unpredictable, it looks like the Tories are about to reclaim power from Labour after more than a decade in opposition.
At the local level, I was pleased the other day to receive a visit by one of the local Councillors, the young Matt Sanders, whose first introduction to me was through the letter I commented on this post. We had a brief talk during which I assured him that “I quite like your team”…
Well, his team, the local Lib Dems, is headed by one Jo Shaw who is set against Frank Dobson (currently London’s longest-serving Labour MP and one of the “two prominent MPs” I referred to in the above-mentioned post) to represent this area in Westminster. I also quite like Frank Dobson, so I wish them both the best – which, unfortunately, in this case can only occur if both lose to some other candidate…
Then, there are the oddities. Like one John Chapman (could he be that other candidate?…) – Independent, 33 years a Whitehall civil servant and diplomat, 13 years a double award winning financial journalist – who has been campaigning “For a National Recovery and Redistribution Plan”!
It goes like this:

His diagnostic of the UK economy:

The financial crisis has given us the biggest budget deficit in the West. Our government let in the culprits, notable the hedge funds, to boost the City. Disgracefully, the UK is now blocking an EU directive to regulate them.

The huge earnings of US speculators have led the City into bloated bonuses. Earnings of chief executives of our top 100 companies have risen to 81 times the average wage, from 47 times in 2000 (CBI).

The Thatcher years made us a most unequal society. In the USA incomes of the top fifth of people are 8.5 times those of the bottom fifth. In the UK, the ratio is 7.2, France 5.6, Germany 5.2, Sweden 3.8 and Japan 3.4 (UN). Social costs, from feelings of inadequacy to violent crime, rise with inequality.

Manufacturing’s share of our economy has fallen from 26% in 1979 to 12%. Companies are crippled by short-termism – City preference for dividends over investment. Our research & development as a proportion of GDP is now 30% below Germany, 40% below USA, and 50% below Japan (Batelle).

The NHS is under-funded. UK spend on health is 8.4% of GDP, below the 9.7% average of 15 West European countries. We have 2.5 doctors per 1000 people, the West European average is 50% higher at 3.7 per 1000 (OECD).

The pupil/teacher ratio of our state secondary schools is 15, the West European average is 11. Our private schools have a ratio of only 7 (OECD).

Our state pension is the lowest in Europe (Aon). But our military spend is higher than Russia. We invaded Iraq “largely for oil” (Alan Greenspan).

His Plan:

A huge Budget deficit. A discredited City. Weekened manufacturing. Under-resourced health, education and pensions. Doubtful wars. Alarming inequality.

The “efficient markets” model no longer works – because of unregulated financiers, and because “Across the world, the free market is being overtaken by state capitalism” (US Council on Foreign Relations), from China, Russia, the Middle East, and South American countries like Brazil and Venezuela.

We need a government of all parties to tackle our crisis, bolstered by industrialists, businessmen, union leaders, consultants and the professions.

We need a 5 year National Plan to rescue Britain and make it fairer. Indicative plans for each sector should be made coherent by a National Planning Department, replacing the failed Treasury. Merited taxes should also avoid savage expenditure cuts that shed jobs and reduce services.

Reforming the City A tax on banks, and a tax on the privileged hedge funds. A tax on dividends where companies have R&D below international levels.

Reducing Inequality A wealth tax of 2%, as in France and Switzerland. An excessive earnings tax, with earnings over £1m at 60%, over £2m at 75%. Inheritance tax at 60% for estates over £5m, and 75% for estates over £10m.

New state/private British companies to compete with state capitalism
State equity companies to strengthen private companies to help medium-seized companies grow into world players, to develop green technologies, to boost employment and the work ethic, and to revive the “Made in Britain” label.

Public expenditure and public services
More hospitals, more doctors and more teachers to match international levels. A levy on private schools for their disproportionate use of teaching resources. Higher state pensions for lowly paid to avoid means testing of their savings. Less military expenditure. Support nuclear cut-backs by no to Trident. Leave Afghanistan. More control over North Sea oil instead of further wars for oil.

Tomorrow is general election day here in the UK.
At the national level, although things are said to be still unpredictable, it looks like the Tories are about to reclaim power from Labour after more than a decade in opposition.
At the local level, I was pleased the other day to receive a visit by one of the local Councillors, the young Matt Sanders, whose first introduction to me was through the letter I commented on this post. We had a brief talk during which I assured him that “I quite like your team”…
Well, his team, the local Lib Dems, is headed by one Jo Shaw who is set against Frank Dobson (currently London’s longest-serving Labour MP and one of the “two prominent MPs” I referred to in the above-mentioned post) to represent this area in Westminster. I also quite like Frank Dobson, so I wish them both the best – which, unfortunately, in this case can only occur if both lose to some other candidate…
Then, there are the oddities. Like one John Chapman (could he be that other candidate?…) – Independent, 33 years a Whitehall civil servant and diplomat, 13 years a double award winning financial journalist – who has been campaigning “For a National Recovery and Redistribution Plan”!
It goes like this:

His diagnostic of the UK economy:

The financial crisis has given us the biggest budget deficit in the West. Our government let in the culprits, notable the hedge funds, to boost the City. Disgracefully, the UK is now blocking an EU directive to regulate them.

The huge earnings of US speculators have led the City into bloated bonuses. Earnings of chief executives of our top 100 companies have risen to 81 times the average wage, from 47 times in 2000 (CBI).

The Thatcher years made us a most unequal society. In the USA incomes of the top fifth of people are 8.5 times those of the bottom fifth. In the UK, the ratio is 7.2, France 5.6, Germany 5.2, Sweden 3.8 and Japan 3.4 (UN). Social costs, from feelings of inadequacy to violent crime, rise with inequality.

Manufacturing’s share of our economy has fallen from 26% in 1979 to 12%. Companies are crippled by short-termism – City preference for dividends over investment. Our research & development as a proportion of GDP is now 30% below Germany, 40% below USA, and 50% below Japan (Batelle).

The NHS is under-funded. UK spend on health is 8.4% of GDP, below the 9.7% average of 15 West European countries. We have 2.5 doctors per 1000 people, the West European average is 50% higher at 3.7 per 1000 (OECD).

The pupil/teacher ratio of our state secondary schools is 15, the West European average is 11. Our private schools have a ratio of only 7 (OECD).

Our state pension is the lowest in Europe (Aon). But our military spend is higher than Russia. We invaded Iraq “largely for oil” (Alan Greenspan).

His Plan:

A huge Budget deficit. A discredited City. Weekened manufacturing. Under-resourced health, education and pensions. Doubtful wars. Alarming inequality.

The “efficient markets” model no longer works – because of unregulated financiers, and because “Across the world, the free market is being overtaken by state capitalism” (US Council on Foreign Relations), from China, Russia, the Middle East, and South American countries like Brazil and Venezuela.

We need a government of all parties to tackle our crisis, bolstered by industrialists, businessmen, union leaders, consultants and the professions.

We need a 5 year National Plan to rescue Britain and make it fairer. Indicative plans for each sector should be made coherent by a National Planning Department, replacing the failed Treasury. Merited taxes should also avoid savage expenditure cuts that shed jobs and reduce services.

Reforming the City A tax on banks, and a tax on the privileged hedge funds. A tax on dividends where companies have R&D below international levels.

Reducing Inequality A wealth tax of 2%, as in France and Switzerland. An excessive earnings tax, with earnings over £1m at 60%, over £2m at 75%. Inheritance tax at 60% for estates over £5m, and 75% for estates over £10m.

New state/private British companies to compete with state capitalism
State equity companies to strengthen private companies to help medium-seized companies grow into world players, to develop green technologies, to boost employment and the work ethic, and to revive the “Made in Britain” label.

Public expenditure and public services
More hospitals, more doctors and more teachers to match international levels. A levy on private schools for their disproportionate use of teaching resources. Higher state pensions for lowly paid to avoid means testing of their savings. Less military expenditure. Support nuclear cut-backs by no to Trident. Leave Afghanistan. More control over North Sea oil instead of further wars for oil.

Tuesday, 11 August 2009

Algumas Observacoes Sobre a “CARTA ABERTA A HILLARY CLINTON”

Foi com satisfacao que tomei conhecimento de uma “Carta Aberta a Senhora Hillary Clinton” subscrita por seis (ou seja, literalmente meia duzia de) cidadaos angolanos (aqui). Satisfacao, pelo seu sentido de oportunidade e, sobretudo, por de algum modo sugerir uma reanimacao das vozes criticas organizadas no pais depois dos resultados das eleicoes legislativas de Setembro ultimo.

Todavia, uma vez que a carta e’ subscrita por cidadaos exercendo o seu legitimo direito a livre expressao individual, nada me concederia o direito, ou a legitimidade, de tecer sobre ela quaisquer observacoes criticas, nao fosse o facto de tais cidadaos serem sobejamente conhecidos como personalidades eminentes de sectores da sociedade civil e da oposicao politica em Angola, o que, alias, e’ atestado pelo facto de alguns deles assinarem a mesma na sua qualidade de dirigentes de organizacoes e/ou membros de franjas de opiniao representativas desses sectores. E’, portanto, apenas esse facto que me tras a estas linhas.

Como tive ocasiao de manifestar, no rescaldo das ultimas eleicoes legislativas (aqui e aqui), os resultados – e o processo que a eles conduziu –, daquele pleito eleitoral, deixaram-me duas preocupacoes fundamentais: uma, motivada pelas irregularidades verificadas a varios niveis e que suscitaram a acusacao, sobretudo por parte dos subscritores da carta em apreco, de que tais resultados teriam sido fruto de uma “massiva fraude eleitoral” – acusacao que, nao se tendo demonstrado absolutamente irrefutavel ou generalizavel a todo o processo, nao deixou de ter, contudo, do meu ponto vista, os seus fundamentos e, portanto, de se constituir em motivo de preocupacao para todos os cidadaos angolanos, qualquer que seja a sua filiacao partidaria ou conviccoes politico-ideologicas; outra, motivada por todos os indicios, dificilmente refutaveis, de uma generalizada fraqueza comparativa, em certa medida auto-infligida, da oposicao politica e de uma ainda pouco expressiva e efectivamente actuante sociedade civil em Angola.

Ora, creio que concordaremos todos que nunca sera’ possivel assegurar a construcao de um forte e estavel sistema democratico em qualquer pais sem, por um lado, instituicoes fortes e crediveis e, por outro lado, uma oposicao e uma sociedade civil igualmente fortes e crediveis. E, enquanto cidadaos, tal como devemos condenar todos os actos atentatorios a efectiva construcao do sistema democratico por parte dos detentores do poder politico, devemos tambem criticar, ou pelo menos chamar a atencao, da oposicao partidaria e dos representantes da sociedade civil, para posturas ou praticas que tendam a perpetuar a sua fragilidade politica, social e institucional, nao contribuindo assim efectivamente para a construcao da democracia e do estado de direito fortes a que todos, ou pelo menos a maioria dos Angolanos, aspiram. E’, por conseguinte, neste espirito, que pretendo positivo e construtivo, que passo a fazer as seguintes observacoes a carta em apreco:

1. Parece-me bastante redutor afirmar-se, como se faz na primeira frase da carta, que “o nome de Angola tem-se destacado nos corredores diplomáticos internacionais e no mundo dos negócios, por causa de ter aumentado a sua capacidade de exportação de petróleo.” Sendo esse um facto aparente, ele nao corresponde evidentemente a “toda a verdade”: parece-me, antes, uma realidade indesmentivel que, para alem da sua capacidade de exportacao petrolifera – que sempre se projectou crescente desde o inicio dessa actividade economica no pais e da qual os EUA sempre beneficiaram, mesmo durante a guerra (sendo embora o petroleo um recurso previsivelmente esgotavel, havendo quem preveja o inicio do declinio da sua exploracao em Angola para ja' daqui a 10 anos) –, Angola tem-se destacado nos ultimos anos tambem, e sobretudo, pelo alcance da paz depois de longas 3 decadas de conflito armado, por uma politica economica que propiciou o aumento dos niveis de investimento estrangeiro no pais, por taxas de crescimento do PIB entre as mais elevadas do mundo, pela sua afirmacao como potencia militar regional e pela realizacao das primeiras eleicoes legislativas depois de um interregno de 16 anos. Note-se bem: estou a referir-me aqui a factos, nao a proceder a analise critica desses factos, o que tambem tenho feito frequentemente neste e noutros espacos.

2. No entanto, essa primeira frase da carta talvez nao se demonstrasse tao problematica, do meu ponto de vista, se ela nao fosse enunciadora das conviccoes politico-ideologicas dos seus signatarios relativamente as motivacoes dos EUA na sua relacao com Angola e, em particular, quanto aos objectivos desta visita da Secretaria de Estado Norte-Americana ao pais. Tais conviccoes sugerem que aquelas motivacoes e objectivos se reduzem exclusivamente ao interesse da actual Administracao Americana na exploracao petrolifera, o qual, consequentemente, estaria a ditar toda a politica externa dos EUA e a visita de Hillary Clinton ao nosso pais: “Angola e os Estados Unidos da América serão parceiros independentemente de quem estiver a exercer o poder político, desde que existam interesses de ambos os países. Angola continuará a produzir petróleo nas próximas três décadas e certamente que este facto cimentará as relações comerciais entre os nossos países”, escrevem os signatarios, sugerindo algo como, se me e' permitida a liberdade interpretativa, “uma vez que o vosso interesse e’ apenas o petroleo, nao precisam de se render total e eternamente aos ‘charmes’ deste governo corrupto e anti-democratico, porque o petroleo continuara’ a jorrar e ha’ outras forcas politicas no pais que continuarao a permitir-vos saciar o inesgotavel apetite”...

3. Ora, como notei acima, os signatarios desta carta, enquanto cidadaos individualmente considerados, teem todo o direito de manifestar as suas opinioes sobre esta, ou quaisquer outras questoes que afectem a Nacao Angolana. Mas, a considera-los “representantes” das vozes criticas da oposicao e/ou da sociedade civil onde, obviamente, nem todos os cidadaos comungam das mesmas conviccoes politico-ideologicas, talvez fosse recomendavel que, ao faze-lo, moderassem um pouco as suas posicoes e correspondente discurso, sendo que tal moderacao nao teria necessariamente que ser ditada por quaisquer imperativos “auto-censorios”. Bastaria, para tanto, apelar-se a um pouco de sentido diplomatico – o qual tambem e’ esperado da oposicao ou de quaisquer vozes individuais, organizadas ou nao, ao manifestarem-se publica e formalmente sobre questoes tao sensiveis do ponto de vista estrategico para todos os Angolanos, como e’ a politica externa do pais. E esse sentido diplomatico aconselharia, em primeiro lugar, a que fosse evitado o tom hostil que, comecando na sua primeira linha, permeia toda a carta, quanto mais nao seja por, tratando-se de uma nova Administracao, soar mais perspicaz politicamente manifestar-se-lhe o beneficio da duvida.

4. Tal beneficio da duvida nao teria necessariamente que resultar de uma qualquer “boa vontade forcada” por parte dos signatarios em relacao a visitante e ao pais que representa, mas, objectivamente, de factos concretos tais como: i) a politica energetica defendida por esta nova Administracao, quer durante a campanha que conduziu a sua historica vitoria eleitoral nos EUA, quer em accoes concretas nessa area por ela enunciadas desde a sua tomada de posse; ii) os pronunciamentos especificos sobre o papel da exploracao petrolifera no processo de desenvolvimento feitos ainda recentemente por Barack Obama no Ghana; iii) a diversidade dos sectores abrangidos pelos acordos assinados e pelas manifestacoes de intencao expressas durante esta visita de Hillary Clinton a Angola, entre os quais se destacam a Agricultura e a Saude; iv) os diferentes perfis politicos e economicos dos paises incluidos nesta sua digressao por Africa. Assim, mesmo que estes factos concretos possam ser considerados completamente irrelevantes a luz das conviccoes politico-ideologicas dos signatarios, menciona-los, ou pelo menos te-los implicitamente em conta, conferiria a carta nao so’ o peso de um certo pragmatismo e objectividade analitica, como tambem a possibilidade de vincular a destinataria e o governo que representa as suas proprias posturas, afirmacoes publicas e compromissos oficiais, tanto domestica como internacionalmente, o que seria mais util e produtivo do ponto de vista reivindicativo e da sua possivel responsabilizacao futura, do que apenas as acusacoes implicitas subrepticiamente de que “os EUA nao sao, por natureza ou por vocacao, uma potencia credivel do ponto de vista dos interesses dos povos”…

5. De igual modo, a demonstracao de alguma atencao, implicita ou explicita, para com os pronunciamentos de Barack Obama no Ghana sobre o apoio da sua Administracao a construcao de instituicoes transparentes e processos democraticos crediveis em Africa, bem como para com algumas das declaracoes feitas em Angola pela propria Hillary Clinton nesse sentido, teria o condao de conceder maior forca a todas as denuncias feitas na carta sobre os varios atropelos registados a esse nivel em Angola (apesar de algumas delas, embora criveis, serem assumidamente apenas do dominio da suspeicao e outras possam ser consideradas "risiveis", e.g. o facto de se estimar que "o preço do barril de petróleo se fixe nos 37 dólares, quando na verdade o preço fixar-se-á um pouco mais acima" pode ser legitimamente considerado como uma medida de prudencia fiscal perfeitamente aceitavel, e ate' recomendavel, num ambiente internacional em que os precos do petroleo se manifestam mais volateis do que o habitual num contexto de crise economica global) e, em particular, a afirmacao de que “há factores internos e externos que perpetuam a má governação, não permitindo a maturação de instituições à altura das responsabilidades do Estado, mas sim a impunidade, corrupção e a violação dos direitos humanos em Angola, cujas consequências vêm aprofundando a falta de liberdade dos angolanos e a pobreza absoluta que atinge níveis insustentáveis e inaceitáveis.” Tal atencao teria, ademais, o valor politico-diplomatico de evitar o desnecessario tom de ma’-fe’ explicito nos dois ultimos paragrafos da carta que se seguem a essa afirmacao.

6. Finalmente, mas de modo nenhum menos importante do que as observacoes anteriores, tratando-se a destinataria de uma mulher que, nao so’ se evidenciou durante a campanha em que se candidatou a presidente dos EUA como uma defensora dos direitos das mulheres no seu pais, como tem demonstrado um serio engajamento a nivel internacional no combate pela igualdade do genero (note-se, a este proposito, o seu papel de destaque como uma das principais impulsionadoras da Declaracao Internacional de Beijing sobre os Direitos das Mulheres) e tratando-se os signatarios de um grupo emanente da sociedade civil Angolana, seria absolutamente, no minimo, de bom tom que pelo menos houvesse entre as assinaturas da carta a de uma mulher – ha’-as, seguramente, entre as varias organizacoes e sectores de opiniao de que fazem parte os signatarios. Mais uma vez, tratar-se-ia aqui nao apenas de um mero “gesto simpatico” para com Hillary Clinton (ou, ja' agora, para com as mulheres angolanas) mas, sobretudo, da demonstracao de um minimo de preocupacao dos signatarios para com a representatividade das mulheres no quadro geral da defesa dos direitos humanos em Angola – um pais em que elas constituem a maioria dos cidadaos e onde nos ultimos tempos se teem registado varias iniciativas por elas desenvolvidas na defesa dos seus direitos, dentre as quais se destacam a campanha levada a cabo ha' algum tempo por mulheres jornalistas e a marcha recentemente realizada em Luanda, com a participacao da sua governadora provincial, contra a violencia domestica.

Estas sao, obviamente, apenas as minhas observacoes. Mas expresso-as, democraticamente, tal como julgo que os signatarios da carta o fizeram ao manifestarem as suas opinioes, como cidada Angolana (embora, forcadamente, temporariamente na diaspora) e, por isso, como parte interessada, tanto nas questoes abordadas na carta em apreco, como no fortalecimento da oposicao politica e da sociedade civil no pais que me viu nascer.

[Echoed here]
Foi com satisfacao que tomei conhecimento de uma “Carta Aberta a Senhora Hillary Clinton” subscrita por seis (ou seja, literalmente meia duzia de) cidadaos angolanos (aqui). Satisfacao, pelo seu sentido de oportunidade e, sobretudo, por de algum modo sugerir uma reanimacao das vozes criticas organizadas no pais depois dos resultados das eleicoes legislativas de Setembro ultimo.

Todavia, uma vez que a carta e’ subscrita por cidadaos exercendo o seu legitimo direito a livre expressao individual, nada me concederia o direito, ou a legitimidade, de tecer sobre ela quaisquer observacoes criticas, nao fosse o facto de tais cidadaos serem sobejamente conhecidos como personalidades eminentes de sectores da sociedade civil e da oposicao politica em Angola, o que, alias, e’ atestado pelo facto de alguns deles assinarem a mesma na sua qualidade de dirigentes de organizacoes e/ou membros de franjas de opiniao representativas desses sectores. E’, portanto, apenas esse facto que me tras a estas linhas.

Como tive ocasiao de manifestar, no rescaldo das ultimas eleicoes legislativas (aqui e aqui), os resultados – e o processo que a eles conduziu –, daquele pleito eleitoral, deixaram-me duas preocupacoes fundamentais: uma, motivada pelas irregularidades verificadas a varios niveis e que suscitaram a acusacao, sobretudo por parte dos subscritores da carta em apreco, de que tais resultados teriam sido fruto de uma “massiva fraude eleitoral” – acusacao que, nao se tendo demonstrado absolutamente irrefutavel ou generalizavel a todo o processo, nao deixou de ter, contudo, do meu ponto vista, os seus fundamentos e, portanto, de se constituir em motivo de preocupacao para todos os cidadaos angolanos, qualquer que seja a sua filiacao partidaria ou conviccoes politico-ideologicas; outra, motivada por todos os indicios, dificilmente refutaveis, de uma generalizada fraqueza comparativa, em certa medida auto-infligida, da oposicao politica e de uma ainda pouco expressiva e efectivamente actuante sociedade civil em Angola.

Ora, creio que concordaremos todos que nunca sera’ possivel assegurar a construcao de um forte e estavel sistema democratico em qualquer pais sem, por um lado, instituicoes fortes e crediveis e, por outro lado, uma oposicao e uma sociedade civil igualmente fortes e crediveis. E, enquanto cidadaos, tal como devemos condenar todos os actos atentatorios a efectiva construcao do sistema democratico por parte dos detentores do poder politico, devemos tambem criticar, ou pelo menos chamar a atencao, da oposicao partidaria e dos representantes da sociedade civil, para posturas ou praticas que tendam a perpetuar a sua fragilidade politica, social e institucional, nao contribuindo assim efectivamente para a construcao da democracia e do estado de direito fortes a que todos, ou pelo menos a maioria dos Angolanos, aspiram. E’, por conseguinte, neste espirito, que pretendo positivo e construtivo, que passo a fazer as seguintes observacoes a carta em apreco:

1. Parece-me bastante redutor afirmar-se, como se faz na primeira frase da carta, que “o nome de Angola tem-se destacado nos corredores diplomáticos internacionais e no mundo dos negócios, por causa de ter aumentado a sua capacidade de exportação de petróleo.” Sendo esse um facto aparente, ele nao corresponde evidentemente a “toda a verdade”: parece-me, antes, uma realidade indesmentivel que, para alem da sua capacidade de exportacao petrolifera – que sempre se projectou crescente desde o inicio dessa actividade economica no pais e da qual os EUA sempre beneficiaram, mesmo durante a guerra (sendo embora o petroleo um recurso previsivelmente esgotavel, havendo quem preveja o inicio do declinio da sua exploracao em Angola para ja' daqui a 10 anos) –, Angola tem-se destacado nos ultimos anos tambem, e sobretudo, pelo alcance da paz depois de longas 3 decadas de conflito armado, por uma politica economica que propiciou o aumento dos niveis de investimento estrangeiro no pais, por taxas de crescimento do PIB entre as mais elevadas do mundo, pela sua afirmacao como potencia militar regional e pela realizacao das primeiras eleicoes legislativas depois de um interregno de 16 anos. Note-se bem: estou a referir-me aqui a factos, nao a proceder a analise critica desses factos, o que tambem tenho feito frequentemente neste e noutros espacos.

2. No entanto, essa primeira frase da carta talvez nao se demonstrasse tao problematica, do meu ponto de vista, se ela nao fosse enunciadora das conviccoes politico-ideologicas dos seus signatarios relativamente as motivacoes dos EUA na sua relacao com Angola e, em particular, quanto aos objectivos desta visita da Secretaria de Estado Norte-Americana ao pais. Tais conviccoes sugerem que aquelas motivacoes e objectivos se reduzem exclusivamente ao interesse da actual Administracao Americana na exploracao petrolifera, o qual, consequentemente, estaria a ditar toda a politica externa dos EUA e a visita de Hillary Clinton ao nosso pais: “Angola e os Estados Unidos da América serão parceiros independentemente de quem estiver a exercer o poder político, desde que existam interesses de ambos os países. Angola continuará a produzir petróleo nas próximas três décadas e certamente que este facto cimentará as relações comerciais entre os nossos países”, escrevem os signatarios, sugerindo algo como, se me e' permitida a liberdade interpretativa, “uma vez que o vosso interesse e’ apenas o petroleo, nao precisam de se render total e eternamente aos ‘charmes’ deste governo corrupto e anti-democratico, porque o petroleo continuara’ a jorrar e ha’ outras forcas politicas no pais que continuarao a permitir-vos saciar o inesgotavel apetite”...

3. Ora, como notei acima, os signatarios desta carta, enquanto cidadaos individualmente considerados, teem todo o direito de manifestar as suas opinioes sobre esta, ou quaisquer outras questoes que afectem a Nacao Angolana. Mas, a considera-los “representantes” das vozes criticas da oposicao e/ou da sociedade civil onde, obviamente, nem todos os cidadaos comungam das mesmas conviccoes politico-ideologicas, talvez fosse recomendavel que, ao faze-lo, moderassem um pouco as suas posicoes e correspondente discurso, sendo que tal moderacao nao teria necessariamente que ser ditada por quaisquer imperativos “auto-censorios”. Bastaria, para tanto, apelar-se a um pouco de sentido diplomatico – o qual tambem e’ esperado da oposicao ou de quaisquer vozes individuais, organizadas ou nao, ao manifestarem-se publica e formalmente sobre questoes tao sensiveis do ponto de vista estrategico para todos os Angolanos, como e’ a politica externa do pais. E esse sentido diplomatico aconselharia, em primeiro lugar, a que fosse evitado o tom hostil que, comecando na sua primeira linha, permeia toda a carta, quanto mais nao seja por, tratando-se de uma nova Administracao, soar mais perspicaz politicamente manifestar-se-lhe o beneficio da duvida.

4. Tal beneficio da duvida nao teria necessariamente que resultar de uma qualquer “boa vontade forcada” por parte dos signatarios em relacao a visitante e ao pais que representa, mas, objectivamente, de factos concretos tais como: i) a politica energetica defendida por esta nova Administracao, quer durante a campanha que conduziu a sua historica vitoria eleitoral nos EUA, quer em accoes concretas nessa area por ela enunciadas desde a sua tomada de posse; ii) os pronunciamentos especificos sobre o papel da exploracao petrolifera no processo de desenvolvimento feitos ainda recentemente por Barack Obama no Ghana; iii) a diversidade dos sectores abrangidos pelos acordos assinados e pelas manifestacoes de intencao expressas durante esta visita de Hillary Clinton a Angola, entre os quais se destacam a Agricultura e a Saude; iv) os diferentes perfis politicos e economicos dos paises incluidos nesta sua digressao por Africa. Assim, mesmo que estes factos concretos possam ser considerados completamente irrelevantes a luz das conviccoes politico-ideologicas dos signatarios, menciona-los, ou pelo menos te-los implicitamente em conta, conferiria a carta nao so’ o peso de um certo pragmatismo e objectividade analitica, como tambem a possibilidade de vincular a destinataria e o governo que representa as suas proprias posturas, afirmacoes publicas e compromissos oficiais, tanto domestica como internacionalmente, o que seria mais util e produtivo do ponto de vista reivindicativo e da sua possivel responsabilizacao futura, do que apenas as acusacoes implicitas subrepticiamente de que “os EUA nao sao, por natureza ou por vocacao, uma potencia credivel do ponto de vista dos interesses dos povos”…

5. De igual modo, a demonstracao de alguma atencao, implicita ou explicita, para com os pronunciamentos de Barack Obama no Ghana sobre o apoio da sua Administracao a construcao de instituicoes transparentes e processos democraticos crediveis em Africa, bem como para com algumas das declaracoes feitas em Angola pela propria Hillary Clinton nesse sentido, teria o condao de conceder maior forca a todas as denuncias feitas na carta sobre os varios atropelos registados a esse nivel em Angola (apesar de algumas delas, embora criveis, serem assumidamente apenas do dominio da suspeicao e outras possam ser consideradas "risiveis", e.g. o facto de se estimar que "o preço do barril de petróleo se fixe nos 37 dólares, quando na verdade o preço fixar-se-á um pouco mais acima" pode ser legitimamente considerado como uma medida de prudencia fiscal perfeitamente aceitavel, e ate' recomendavel, num ambiente internacional em que os precos do petroleo se manifestam mais volateis do que o habitual num contexto de crise economica global) e, em particular, a afirmacao de que “há factores internos e externos que perpetuam a má governação, não permitindo a maturação de instituições à altura das responsabilidades do Estado, mas sim a impunidade, corrupção e a violação dos direitos humanos em Angola, cujas consequências vêm aprofundando a falta de liberdade dos angolanos e a pobreza absoluta que atinge níveis insustentáveis e inaceitáveis.” Tal atencao teria, ademais, o valor politico-diplomatico de evitar o desnecessario tom de ma’-fe’ explicito nos dois ultimos paragrafos da carta que se seguem a essa afirmacao.

6. Finalmente, mas de modo nenhum menos importante do que as observacoes anteriores, tratando-se a destinataria de uma mulher que, nao so’ se evidenciou durante a campanha em que se candidatou a presidente dos EUA como uma defensora dos direitos das mulheres no seu pais, como tem demonstrado um serio engajamento a nivel internacional no combate pela igualdade do genero (note-se, a este proposito, o seu papel de destaque como uma das principais impulsionadoras da Declaracao Internacional de Beijing sobre os Direitos das Mulheres) e tratando-se os signatarios de um grupo emanente da sociedade civil Angolana, seria absolutamente, no minimo, de bom tom que pelo menos houvesse entre as assinaturas da carta a de uma mulher – ha’-as, seguramente, entre as varias organizacoes e sectores de opiniao de que fazem parte os signatarios. Mais uma vez, tratar-se-ia aqui nao apenas de um mero “gesto simpatico” para com Hillary Clinton (ou, ja' agora, para com as mulheres angolanas) mas, sobretudo, da demonstracao de um minimo de preocupacao dos signatarios para com a representatividade das mulheres no quadro geral da defesa dos direitos humanos em Angola – um pais em que elas constituem a maioria dos cidadaos e onde nos ultimos tempos se teem registado varias iniciativas por elas desenvolvidas na defesa dos seus direitos, dentre as quais se destacam a campanha levada a cabo ha' algum tempo por mulheres jornalistas e a marcha recentemente realizada em Luanda, com a participacao da sua governadora provincial, contra a violencia domestica.

Estas sao, obviamente, apenas as minhas observacoes. Mas expresso-as, democraticamente, tal como julgo que os signatarios da carta o fizeram ao manifestarem as suas opinioes, como cidada Angolana (embora, forcadamente, temporariamente na diaspora) e, por isso, como parte interessada, tanto nas questoes abordadas na carta em apreco, como no fortalecimento da oposicao politica e da sociedade civil no pais que me viu nascer.

[Echoed here]

Tuesday, 21 July 2009

OLHARES DIVERSOS (VI)

A CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA

Por João Melo

Tenho afirmado muitas vezes, em diferentes ocasiões, que a cultura autoritária é ainda muita forte em Angola, por razões históricas e objectivas. O caldo autoritário nacional provém de três raízes: a cultura autocrática “tradicional” (ou seja, rural), o colonial-fascismo e o modelo marxista-leninista adoptado nos primeiros 16 anos de independência.

Esse problema não tem partidos: atravessa horizontalmente toda a sociedade; a rigor, começa no interior dos lares.

A construção da democracia angolana tem de ser entendida, pois, como um processo. Afinal, e parafraseando o mais do que manjado aforismo, Roma e Pavia não se fizeram num dia. Uma corrida de obstáculos – eis a imagem que me ocorre para representar esse processo. Precise-se: uma corrida de fundo.

A seguir, procurarei abordar, de maneira aleatória e resumida, seis obstáculos que, na minha opinião, é preciso superar para a edificação de uma genuína e responsável cultura democrática em Angola.

O primeiro é a tendência para a pessoalização. Isso tem dois aspectos: por um lado, toda e qualquer crítica é considerada pelos visados (ou pelos seus próximos) como um ataque pessoal; por outro lado, muitas críticas possuem, realmente, uma motivação pessoal, que roça muitas vezes o preconceito boçal (em regra, quando os seus autores são incapazes de formular argumentos a favor das suas teses).

O segundo é a teoria da conspiração. Há ainda muita gente que vive no clima pré-anos 90 do século passado e vê “inimigos” em todo o lado. Destacam-se, entre nós, certos consultores de comunicação mandados vir do estrangeiro e que, nos seus relatórios semanais, levantam hipóteses estapafúrdias acerca de “conspirações” que só existem na sua cabeça.

O facciosismo é o terceiro obstáculo. De facto, ainda é excessivamente frequente ajuizar e valorizar as opiniões conforme a “cor”, em especial partidária, mas não só (também de grupo, por exemplo), dos seus autores. A opinião dos “nossos” é considerada sempre válida, enquanto a dos “outros” é desqualificada ab limine.

Uma variante do facciosismo é o corporativismo. Esse é o quarto obstáculo a ultrapassar para a construção de uma verdadeira cultura democrática entre nós. Os jornalistas de carteirinha que me desculpem, mas essa classe – que tem um papel crucial na edificação da democracia em qualquer sociedade – é uma das mais afectadas pelo espírito corporativista.

O quinto obstáculo é a dependência dos cidadãos, individualmente ou organizados, das macro-estruturas sociais (Estado, partidos, etc.). Isso merece um estudo sociológico aprofundado, que, como é óbvio, não cabe aqui. Mencionarei apenas, entre as várias causas dessa dependência, a estrutura salarial predominante quer no Estado quer em muitas empresas (salário de base reduzido, compensado com subsídios e regalias), assim como a relação clientelar entre a maioria das empresas e o Estado.

Esses dois factores – sem esquecer, claro, as cumplicidades e jogos de interesses, que, como em qualquer outra sociedade, também existem entre nós – limitam a autonomia e a capacidade crítica dos cidadãos, incluindo a desse importante segmento da sociedade civil, que são os empresários. Por isso, a reacção de alguns deles às recentes medidas económicas do governo pode ser vista como um sinal de que, contrariando os mais cépticos, a construção da democracia em Angola está a avançar.

Enfim, o sexto obstáculo que não posso deixar de referir é o recurso ao anonimato para proferir e defender opiniões. Na maioria dos casos, isso serve apenas para acobertar ataques soezes e mesquinhos, intrigas, insultos, calúnias e difamações, ou seja, verdadeiras agressões que, em nome da democracia, a pervertem completamente ou mesmo impossibilitam.

O principal exemplo dessa tendência são muitos sites e blogues que pululam por aí (não todos, claro). Ao qual se pode também acrescentar o abuso de pseudónimos (ressalvam-se os identificados) a que se assiste no jornalismo angolano.

É sabido que o uso de pseudónimos é uma prática universal e antiga. Mas eu penso que, nesta fase, e tratando-se sobretudo de opiniões políticas ou afins, a estratégia mais construtiva e pedagógica para ajudar a criar uma cultura democrática responsável entre nós é escrever (ou falar) e assinar em baixo (ou, como neste caso, em cima).


[AQUI]
A CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA

Por João Melo

Tenho afirmado muitas vezes, em diferentes ocasiões, que a cultura autoritária é ainda muita forte em Angola, por razões históricas e objectivas. O caldo autoritário nacional provém de três raízes: a cultura autocrática “tradicional” (ou seja, rural), o colonial-fascismo e o modelo marxista-leninista adoptado nos primeiros 16 anos de independência.

Esse problema não tem partidos: atravessa horizontalmente toda a sociedade; a rigor, começa no interior dos lares.

A construção da democracia angolana tem de ser entendida, pois, como um processo. Afinal, e parafraseando o mais do que manjado aforismo, Roma e Pavia não se fizeram num dia. Uma corrida de obstáculos – eis a imagem que me ocorre para representar esse processo. Precise-se: uma corrida de fundo.

A seguir, procurarei abordar, de maneira aleatória e resumida, seis obstáculos que, na minha opinião, é preciso superar para a edificação de uma genuína e responsável cultura democrática em Angola.

O primeiro é a tendência para a pessoalização. Isso tem dois aspectos: por um lado, toda e qualquer crítica é considerada pelos visados (ou pelos seus próximos) como um ataque pessoal; por outro lado, muitas críticas possuem, realmente, uma motivação pessoal, que roça muitas vezes o preconceito boçal (em regra, quando os seus autores são incapazes de formular argumentos a favor das suas teses).

O segundo é a teoria da conspiração. Há ainda muita gente que vive no clima pré-anos 90 do século passado e vê “inimigos” em todo o lado. Destacam-se, entre nós, certos consultores de comunicação mandados vir do estrangeiro e que, nos seus relatórios semanais, levantam hipóteses estapafúrdias acerca de “conspirações” que só existem na sua cabeça.

O facciosismo é o terceiro obstáculo. De facto, ainda é excessivamente frequente ajuizar e valorizar as opiniões conforme a “cor”, em especial partidária, mas não só (também de grupo, por exemplo), dos seus autores. A opinião dos “nossos” é considerada sempre válida, enquanto a dos “outros” é desqualificada ab limine.

Uma variante do facciosismo é o corporativismo. Esse é o quarto obstáculo a ultrapassar para a construção de uma verdadeira cultura democrática entre nós. Os jornalistas de carteirinha que me desculpem, mas essa classe – que tem um papel crucial na edificação da democracia em qualquer sociedade – é uma das mais afectadas pelo espírito corporativista.

O quinto obstáculo é a dependência dos cidadãos, individualmente ou organizados, das macro-estruturas sociais (Estado, partidos, etc.). Isso merece um estudo sociológico aprofundado, que, como é óbvio, não cabe aqui. Mencionarei apenas, entre as várias causas dessa dependência, a estrutura salarial predominante quer no Estado quer em muitas empresas (salário de base reduzido, compensado com subsídios e regalias), assim como a relação clientelar entre a maioria das empresas e o Estado.

Esses dois factores – sem esquecer, claro, as cumplicidades e jogos de interesses, que, como em qualquer outra sociedade, também existem entre nós – limitam a autonomia e a capacidade crítica dos cidadãos, incluindo a desse importante segmento da sociedade civil, que são os empresários. Por isso, a reacção de alguns deles às recentes medidas económicas do governo pode ser vista como um sinal de que, contrariando os mais cépticos, a construção da democracia em Angola está a avançar.

Enfim, o sexto obstáculo que não posso deixar de referir é o recurso ao anonimato para proferir e defender opiniões. Na maioria dos casos, isso serve apenas para acobertar ataques soezes e mesquinhos, intrigas, insultos, calúnias e difamações, ou seja, verdadeiras agressões que, em nome da democracia, a pervertem completamente ou mesmo impossibilitam.

O principal exemplo dessa tendência são muitos sites e blogues que pululam por aí (não todos, claro). Ao qual se pode também acrescentar o abuso de pseudónimos (ressalvam-se os identificados) a que se assiste no jornalismo angolano.

É sabido que o uso de pseudónimos é uma prática universal e antiga. Mas eu penso que, nesta fase, e tratando-se sobretudo de opiniões políticas ou afins, a estratégia mais construtiva e pedagógica para ajudar a criar uma cultura democrática responsável entre nós é escrever (ou falar) e assinar em baixo (ou, como neste caso, em cima).


[AQUI]

Tuesday, 16 September 2008

O POVO E’ RACIONAL…

...E SOBERANO!

1. A medida que vou percorrendo as colunas dos semanarios Luandenses neste rescaldo das eleicoes legislativas, comeca a ser perturbador o numero de vozes, ainda que minoritarias, que atribuem os seus resultados a um “voto emocional” ou a um “eleitorado imaturo para a democracia”… Nao se darao conta, tais vozes, do quanto elas proprias revelam emotividade e imaturidade politico-democratica nos seus pronunciamentos?

2. Sejamos claros: a democracia e’ isso mesmo – a expressao da vontade popular atraves do voto. Se o partido que recebeu maioritariamente tal voto vier a desrespeitar a vontade popular nele expressa, particularmente pelo nao cumprimento das promessas na base das quais o obteve, ou se as instituicoes supra-partidarias responsaveis por implementar a ordem politica e as politicas determinadas pela vontade popular expressa em tal voto nao o fizerem, ai sim, estar-se-ha perante um sistema democratico imaturo e irracional (e isto nao deixa de ser verdade apesar de toda a mitologia que tem os politicos como especialistas em fazer promessas que raramente cumprem). Quanto mais nao seja porque, findos os quatro anos da legislatura instituida por estas eleicoes, tal partido desrespeitador e instituicoes incumpridoras correm o risco de virem a ser penalizados pelo mesmo povo que agora neles votou. Tao simples quanto isso.

3. E esse talvez seja o unico elemento ‘simples’ do processo democratico. Porque tudo o resto, e em particular os julgamentos da capacidade do povo exercer o seu direito de voto e atraves dele expressar a sua vontade de forma lucida, responsavel e racional, e’ deveras complicado e, no limite, pode ate’ revelar-se um exercicio absurdo. Sim, e’ um absurdo considerar-se que a maioria de todo um povo, atraves de mais de 80% dos votos validos expressos, toma decisoes sobre a sua propria vida quotidiana e o seu proprio futuro apenas com base em emocoes. Mais do que isso: revela um profundo desprezo pelo povo e a mais basica falta de sentido democratico.

4. Efectivamente, apenas um certo raciocinio totalitario e’ capaz de concluir facilmente que se a maioria nao vota naquele(s) que se auto-considera(m) o(s) melhor(es) e’ porque e’ “irracional” ou “nao sabe o que e’ bom para si propria”… E quando as vozes que assim se expressam sao afectas a forcas politicas perdedoras nas urnas, entao elas tornam-se particularmente perturbadoras, porque demonstram que tais forcas nao so’ nao mereceram desta vez a maioria dos votos, como muito provavelmente tambem nao a merecerao no futuro, por nao terem sabido respeitar a vontade popular e, acima de tudo, por evidenciarem assim uma preocupante e imatura incapacidade de aprenderem com os seus proprios erros e de os corrigirem. Quando se diz, como numa dessas colunas, que “o povo esta’ cansado de verdades, so’ quer promessas”, quem e’ que se julga detentor de uma qualquer “verdade” em nome do povo? Quem e’ que se considera no direito de julgar o povo pelas promessas em que decide acreditar ou nao?

5. Muito se tem feito das irregularidades verificadas durante a campanha e durante o proprio acto eleitoral. Mas tudo parece indicar, quer pelas avaliacoes dos observadores nacionais e internacionais, quer pela aceitacao pela generalidade da oposicao dos resultados eleitorais, que tais irregularidades nao foram de monta suficiente para invalidarem ou descridibilizarem o processo eleitoral no seu todo. Muito se tem feito tambem da disparidade de meios materiais, financeiros e mediaticos entre o partido no poder e os partidos da oposicao. Eu propria a mencionei aqui como um factor importante na formacao das decisoes de voto. Mas tera’ ela sido determinante dessas decisoes a uma taxa superior a 80%, num pais com uma, embora ainda de circulacao restrita fora da capital, imprensa privada e tendencialmente independente, uma esclarecida e expressiva sociedade civil, uma cada vez maior expansao da internet e de redes televisivas internacionais e, nao menos importante, um fenomeno que em todas as sociedades se revela invariavelmente um poderosissimo formador de opiniao: um numero significativo de artistas populares, com destaque para musicos e poetas, difundindo ao longo dos anos por todo o pais mensagens de contestacao politica e reivindicacao social? Nao me parece.

6. E’ um facto inegavel que a educacao civica para o exercicio da democracia ainda e’ bastante precaria no nosso pais. O proprio conceito de democracia e’ ainda uma relativa novidade para a maioria dos cidadaos Angolanos e a sua pratica efectiva uma completa novidade para todo o pais. Mas o que as vozes criticas da capacidade de decisao do povo revelam e’ que nao e’ apenas o povo que ainda carece dessa educacao, mas todo o pais e particularmente os donos de tais vozes. Porque uma coisa e’ admitir-se, como o fiz aqui, que o grau de sofrimento, brutalizacao e traumatizacao a que grande parte do povo Angolano foi sujeito ao longo nao apenas das ultimas decadas, mas de seculos, teve impactos materiais, psicologicos e espirituais consideraveis nas suas vidas e tende a fazer aumentar a sua desconfianca em relacao a forcas politicas ainda nao testadas no exercicio governativo, outra coisa e’ considera-lo por isso incapaz de tomar, particularmente se atraves do voto individual e secreto, decisoes logicas e racionais (note-se que a logica e a razao nao sao atributos exclusivos da erudicao e do bem-estar, objectiva ou subjectivamente considerados).

7. Senao vejamos: e’ emocional e imaturo um povo que vem gerindo a sua vida e garantindo a sua sobrevivencia ao longo de decadas, sem qualquer rede de apoio social por parte do estado? Que produz uma das economias informais mais funcionais e eficientes do mundo? Que cria um mercado que, como o Roque Santeiro, apesar de tambem funcionar como um viveiro de marginalidade e insalubridade, no essencial consegue ser o principal, senao unico para a maioria da populacao da capital e nao so’, determinante dos sistemas de rendimentos e precos, incluindo das taxas de cambio, durante decadas? Que produz resilientes zungueiras, kinguilas, kandongueiros e roboteiros, em vez de simplesmente alimentar as estatisticas do desemprego e engrossar as esquinas e largos da mendicidade? Que tanto quanto ve as suas precarias habitacoes demolidas, se demonstra capaz de as reconstruir, e’ certo que na generalidade dos casos de forma anarquica, mas tambem de forma razoavelmente planificada e organizada? Sera’ crivel que tal povo, tendo obtido, depois de quase duas decadas sem essa possibilidade, a oportunidade de escolher quem julga capaz de lhe conceder e a quem julga dever exigir, sob pena de o penalizar nas urnas daqui a quatro anos, a tal rede social de apoio de que se viu privado ao longo das decadas em que esteve praticamente entregue a si proprio e aos seus proprios recursos para sobreviver, faca tal escolha irracionalmente? Nao creio.

8. E sejamos tambem claros em relacao a um ponto essencial: o que esta’ em jogo em quaisquer eleicoes gerais, em qualquer parte do mundo, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas e com elevada maturidade democratica, sao as necessidades basicas e primarias da maioria da populacao, isto e’, o emprego, a saude, a alimentacao, a habitacao, a educacao e a seguranca social. E’ tanto assim nas actuais eleicoes presidenciais Americanas (no caso destas, apesar da guerra no Iraque constituir um factor de decisao eleitoral de primeira ordem), como o foi nas recentes eleicoes gerais Zimbabweanas (no caso destas, apesar de questoes de ordem historica e racial constituirem tambem factores de decisao eleitoral de primeira ordem). E sao apenas os relativos deficits de satisfacao dessas necessidades basicas, consoante o nivel de desenvolvimento de cada sociedade, que determinam o seu peso relativo em relacao a questoes e necessidades de ordem mais secundaria, ou terciaria, nas decisoes de voto. [*]

9. Assim, quanto maiores forem as necessidades basicas numa determinada sociedade e quanto maiores forem os segmentos populacionais afectados por tais necessidades, maior sera’ a tendencia para uma convergencia das decisoes de voto em direccao a partidos que nao representem apenas, ou primordialmente, interesses e necessidades minoritarios, por mais legitimos que esses sejam. E nao ha’ nada de irracional nisso. Antes pelo contrario, o inverso se-lo-ia: nomeadamente se, em vez de decidir priorizar proactivamente a satisfacao das suas necessidades objectivas mais prementes, a maioria decidisse, como alguns parecem ter esperado, priorizar a penalizacao retroactiva dos detentores do poder pelos seus erros e falhas do passado, mesmo que as forcas politicas alternativas nao lhe oferecam grandes garantias de que nao iriam incorrer nos mesmos erros e falhas ou noutros piores ainda – isso sim, seria uma decisao emocional, imatura e irracional. Mais: nao e’ ao povo que cabe, em detrimento da sua propria vontade e das suas necessidades objectivas, assegurar atraves do voto a diversidade ou a alteridade do sistema politico. Em democracia, e’ aos partidos que cabe essa responsabilidade (ate' porque para isso sao pagos atraves do erario publico, isto e', com o dinheiro do povo) na exacta medida em que se saibam organizar, apresentar e projectar, madura, racional e logicamente, como merecedores do voto popular.

10. Em geito de conclusao, cito de uma das colunas que tenho vindo a comentar: “Depois de ter ouvido uma senhora expressar-se relativamente ao processo de campanha com a seguinte frase: "o povo está cansado de verdades,...só quer promessas". Acrescentando que este trocadilho estava a correr pela cidade, eu reflicto sobre ele aqui porque interpretei-o como um reflexo de um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento. A tendência a negar sensações dolorosas é tão antiga quanto o próprio sentimento de dor. Em psicologia dizemos que a capacidade de negar pares desagradáveis da realidade é a contrapartida da "realização alucinatória dos desejos", neste sentido, as promessas poderão ser interpretadas como sendo os desejos concretizados.”
Nao sera’ mais realista e factual o caso de algumas vozes afectas a partidos perdedores nestas eleicoes estarem agora, com o argumento da “imaturidade e emotividade dos eleitores”, a reflectir um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento? Nao estarao elas precisamente a manifestar uma tendencia a negar sensações dolorosas, nomeadamente a da derrota eleitoral? Nao estarao elas a revelar exactamente uma capacidade de negar pares desagradáveis da realidade, nomeadamente a perspectiva de extincao de alguns desses partidos devido aos seus resultados eleitorais quase nulos, em grande medida por alguns deles se terem sobrevalorizado a si proprios e subestimado outros e a dada altura terem tomado a sua propria auto-avaliacao como sendo os seus desejos concretizados, sendo por isso a sua reaccao a realidade dos resultados eleitorais efectivos a contrapartida da realização alucinatória dos seus desejos?
Sejamos, pois, todos tao maduros e racionais como o povo sempre soube ser: respeite-mo-lo e as suas decisoes, por muito que elas desagradem a uns ou a outros, porque ele e’ o unico soberano em democracia!



[*] P.S.: Veja-se o que afirmou Barack Obama, mais de um ano depois destas consideracoes terem sido aqui tecidas, a este proposito:

In the last several election cycles, there has been a much stronger tendency for women to vote around bread and butter issues. It has to do with the fact that they're the ones balancing the budgets and trying to figure out how to make enough money - keep food on the table. One of the things that Michelle and I always talk about is that I have no idea how to buy clothes for my girls. I don't know what they cost. And that's probably not untypical. So that's something that Michelle has to think about and budget for. What that means, then, is that the issues of the economy are ones that women are going to particularly feel and be concerned about.

[Referencia daqui]

...E SOBERANO!

1. A medida que vou percorrendo as colunas dos semanarios Luandenses neste rescaldo das eleicoes legislativas, comeca a ser perturbador o numero de vozes, ainda que minoritarias, que atribuem os seus resultados a um “voto emocional” ou a um “eleitorado imaturo para a democracia”… Nao se darao conta, tais vozes, do quanto elas proprias revelam emotividade e imaturidade politico-democratica nos seus pronunciamentos?

2. Sejamos claros: a democracia e’ isso mesmo – a expressao da vontade popular atraves do voto. Se o partido que recebeu maioritariamente tal voto vier a desrespeitar a vontade popular nele expressa, particularmente pelo nao cumprimento das promessas na base das quais o obteve, ou se as instituicoes supra-partidarias responsaveis por implementar a ordem politica e as politicas determinadas pela vontade popular expressa em tal voto nao o fizerem, ai sim, estar-se-ha perante um sistema democratico imaturo e irracional (e isto nao deixa de ser verdade apesar de toda a mitologia que tem os politicos como especialistas em fazer promessas que raramente cumprem). Quanto mais nao seja porque, findos os quatro anos da legislatura instituida por estas eleicoes, tal partido desrespeitador e instituicoes incumpridoras correm o risco de virem a ser penalizados pelo mesmo povo que agora neles votou. Tao simples quanto isso.

3. E esse talvez seja o unico elemento ‘simples’ do processo democratico. Porque tudo o resto, e em particular os julgamentos da capacidade do povo exercer o seu direito de voto e atraves dele expressar a sua vontade de forma lucida, responsavel e racional, e’ deveras complicado e, no limite, pode ate’ revelar-se um exercicio absurdo. Sim, e’ um absurdo considerar-se que a maioria de todo um povo, atraves de mais de 80% dos votos validos expressos, toma decisoes sobre a sua propria vida quotidiana e o seu proprio futuro apenas com base em emocoes. Mais do que isso: revela um profundo desprezo pelo povo e a mais basica falta de sentido democratico.

4. Efectivamente, apenas um certo raciocinio totalitario e’ capaz de concluir facilmente que se a maioria nao vota naquele(s) que se auto-considera(m) o(s) melhor(es) e’ porque e’ “irracional” ou “nao sabe o que e’ bom para si propria”… E quando as vozes que assim se expressam sao afectas a forcas politicas perdedoras nas urnas, entao elas tornam-se particularmente perturbadoras, porque demonstram que tais forcas nao so’ nao mereceram desta vez a maioria dos votos, como muito provavelmente tambem nao a merecerao no futuro, por nao terem sabido respeitar a vontade popular e, acima de tudo, por evidenciarem assim uma preocupante e imatura incapacidade de aprenderem com os seus proprios erros e de os corrigirem. Quando se diz, como numa dessas colunas, que “o povo esta’ cansado de verdades, so’ quer promessas”, quem e’ que se julga detentor de uma qualquer “verdade” em nome do povo? Quem e’ que se considera no direito de julgar o povo pelas promessas em que decide acreditar ou nao?

5. Muito se tem feito das irregularidades verificadas durante a campanha e durante o proprio acto eleitoral. Mas tudo parece indicar, quer pelas avaliacoes dos observadores nacionais e internacionais, quer pela aceitacao pela generalidade da oposicao dos resultados eleitorais, que tais irregularidades nao foram de monta suficiente para invalidarem ou descridibilizarem o processo eleitoral no seu todo. Muito se tem feito tambem da disparidade de meios materiais, financeiros e mediaticos entre o partido no poder e os partidos da oposicao. Eu propria a mencionei aqui como um factor importante na formacao das decisoes de voto. Mas tera’ ela sido determinante dessas decisoes a uma taxa superior a 80%, num pais com uma, embora ainda de circulacao restrita fora da capital, imprensa privada e tendencialmente independente, uma esclarecida e expressiva sociedade civil, uma cada vez maior expansao da internet e de redes televisivas internacionais e, nao menos importante, um fenomeno que em todas as sociedades se revela invariavelmente um poderosissimo formador de opiniao: um numero significativo de artistas populares, com destaque para musicos e poetas, difundindo ao longo dos anos por todo o pais mensagens de contestacao politica e reivindicacao social? Nao me parece.

6. E’ um facto inegavel que a educacao civica para o exercicio da democracia ainda e’ bastante precaria no nosso pais. O proprio conceito de democracia e’ ainda uma relativa novidade para a maioria dos cidadaos Angolanos e a sua pratica efectiva uma completa novidade para todo o pais. Mas o que as vozes criticas da capacidade de decisao do povo revelam e’ que nao e’ apenas o povo que ainda carece dessa educacao, mas todo o pais e particularmente os donos de tais vozes. Porque uma coisa e’ admitir-se, como o fiz aqui, que o grau de sofrimento, brutalizacao e traumatizacao a que grande parte do povo Angolano foi sujeito ao longo nao apenas das ultimas decadas, mas de seculos, teve impactos materiais, psicologicos e espirituais consideraveis nas suas vidas e tende a fazer aumentar a sua desconfianca em relacao a forcas politicas ainda nao testadas no exercicio governativo, outra coisa e’ considera-lo por isso incapaz de tomar, particularmente se atraves do voto individual e secreto, decisoes logicas e racionais (note-se que a logica e a razao nao sao atributos exclusivos da erudicao e do bem-estar, objectiva ou subjectivamente considerados).

7. Senao vejamos: e’ emocional e imaturo um povo que vem gerindo a sua vida e garantindo a sua sobrevivencia ao longo de decadas, sem qualquer rede de apoio social por parte do estado? Que produz uma das economias informais mais funcionais e eficientes do mundo? Que cria um mercado que, como o Roque Santeiro, apesar de tambem funcionar como um viveiro de marginalidade e insalubridade, no essencial consegue ser o principal, senao unico para a maioria da populacao da capital e nao so’, determinante dos sistemas de rendimentos e precos, incluindo das taxas de cambio, durante decadas? Que produz resilientes zungueiras, kinguilas, kandongueiros e roboteiros, em vez de simplesmente alimentar as estatisticas do desemprego e engrossar as esquinas e largos da mendicidade? Que tanto quanto ve as suas precarias habitacoes demolidas, se demonstra capaz de as reconstruir, e’ certo que na generalidade dos casos de forma anarquica, mas tambem de forma razoavelmente planificada e organizada? Sera’ crivel que tal povo, tendo obtido, depois de quase duas decadas sem essa possibilidade, a oportunidade de escolher quem julga capaz de lhe conceder e a quem julga dever exigir, sob pena de o penalizar nas urnas daqui a quatro anos, a tal rede social de apoio de que se viu privado ao longo das decadas em que esteve praticamente entregue a si proprio e aos seus proprios recursos para sobreviver, faca tal escolha irracionalmente? Nao creio.

8. E sejamos tambem claros em relacao a um ponto essencial: o que esta’ em jogo em quaisquer eleicoes gerais, em qualquer parte do mundo, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas e com elevada maturidade democratica, sao as necessidades basicas e primarias da maioria da populacao, isto e’, o emprego, a saude, a alimentacao, a habitacao, a educacao e a seguranca social. E’ tanto assim nas actuais eleicoes presidenciais Americanas (no caso destas, apesar da guerra no Iraque constituir um factor de decisao eleitoral de primeira ordem), como o foi nas recentes eleicoes gerais Zimbabweanas (no caso destas, apesar de questoes de ordem historica e racial constituirem tambem factores de decisao eleitoral de primeira ordem). E sao apenas os relativos deficits de satisfacao dessas necessidades basicas, consoante o nivel de desenvolvimento de cada sociedade, que determinam o seu peso relativo em relacao a questoes e necessidades de ordem mais secundaria, ou terciaria, nas decisoes de voto. [*]

9. Assim, quanto maiores forem as necessidades basicas numa determinada sociedade e quanto maiores forem os segmentos populacionais afectados por tais necessidades, maior sera’ a tendencia para uma convergencia das decisoes de voto em direccao a partidos que nao representem apenas, ou primordialmente, interesses e necessidades minoritarios, por mais legitimos que esses sejam. E nao ha’ nada de irracional nisso. Antes pelo contrario, o inverso se-lo-ia: nomeadamente se, em vez de decidir priorizar proactivamente a satisfacao das suas necessidades objectivas mais prementes, a maioria decidisse, como alguns parecem ter esperado, priorizar a penalizacao retroactiva dos detentores do poder pelos seus erros e falhas do passado, mesmo que as forcas politicas alternativas nao lhe oferecam grandes garantias de que nao iriam incorrer nos mesmos erros e falhas ou noutros piores ainda – isso sim, seria uma decisao emocional, imatura e irracional. Mais: nao e’ ao povo que cabe, em detrimento da sua propria vontade e das suas necessidades objectivas, assegurar atraves do voto a diversidade ou a alteridade do sistema politico. Em democracia, e’ aos partidos que cabe essa responsabilidade (ate' porque para isso sao pagos atraves do erario publico, isto e', com o dinheiro do povo) na exacta medida em que se saibam organizar, apresentar e projectar, madura, racional e logicamente, como merecedores do voto popular.

10. Em geito de conclusao, cito de uma das colunas que tenho vindo a comentar: “Depois de ter ouvido uma senhora expressar-se relativamente ao processo de campanha com a seguinte frase: "o povo está cansado de verdades,...só quer promessas". Acrescentando que este trocadilho estava a correr pela cidade, eu reflicto sobre ele aqui porque interpretei-o como um reflexo de um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento. A tendência a negar sensações dolorosas é tão antiga quanto o próprio sentimento de dor. Em psicologia dizemos que a capacidade de negar pares desagradáveis da realidade é a contrapartida da "realização alucinatória dos desejos", neste sentido, as promessas poderão ser interpretadas como sendo os desejos concretizados.”
Nao sera’ mais realista e factual o caso de algumas vozes afectas a partidos perdedores nestas eleicoes estarem agora, com o argumento da “imaturidade e emotividade dos eleitores”, a reflectir um mecanismo de defesa psicológico de negação da realidade que acontece muitas vezes em seres humanos imaturos ou que tenham experimentado grande dor ou sofrimento? Nao estarao elas precisamente a manifestar uma tendencia a negar sensações dolorosas, nomeadamente a da derrota eleitoral? Nao estarao elas a revelar exactamente uma capacidade de negar pares desagradáveis da realidade, nomeadamente a perspectiva de extincao de alguns desses partidos devido aos seus resultados eleitorais quase nulos, em grande medida por alguns deles se terem sobrevalorizado a si proprios e subestimado outros e a dada altura terem tomado a sua propria auto-avaliacao como sendo os seus desejos concretizados, sendo por isso a sua reaccao a realidade dos resultados eleitorais efectivos a contrapartida da realização alucinatória dos seus desejos?
Sejamos, pois, todos tao maduros e racionais como o povo sempre soube ser: respeite-mo-lo e as suas decisoes, por muito que elas desagradem a uns ou a outros, porque ele e’ o unico soberano em democracia!



[*] P.S.: Veja-se o que afirmou Barack Obama, mais de um ano depois destas consideracoes terem sido aqui tecidas, a este proposito:

In the last several election cycles, there has been a much stronger tendency for women to vote around bread and butter issues. It has to do with the fact that they're the ones balancing the budgets and trying to figure out how to make enough money - keep food on the table. One of the things that Michelle and I always talk about is that I have no idea how to buy clothes for my girls. I don't know what they cost. And that's probably not untypical. So that's something that Michelle has to think about and budget for. What that means, then, is that the issues of the economy are ones that women are going to particularly feel and be concerned about.

[Referencia daqui]

Tuesday, 8 January 2008

OBAMA VS. CLINTON: THE MOTHER OF ALL BATTLES? (Take 5)*

"NOW WE'RE TALKING!"


Iowa... New Hampshire....


IS IT IN THE BAG?

{*See previous 'takes' here}
"NOW WE'RE TALKING!"


Iowa... New Hampshire....


IS IT IN THE BAG?

{*See previous 'takes' here}

Saturday, 5 January 2008

BLOGOSFERA MOCAMBICANA: UM DEBATE INTERESSANTE





Tem estado a decorrer na blogosfera Mocambicana um debate bastante interessante e pertinente, centrado de forma geral na questao do “papel da/o academica/o na sociedade”.


Como todos os debates sobre questoes sensiveis, este tem tido tambem os seus altos e baixos, mas tem sido inegavelmente rico e esclarecedor - nao estivesse ele a ser protagonizado por alguns dos mais destacados cientistas sociais Mocambicanos…
A blogosfera Mocambicana esta’, portanto, de parabens!

Alguns dos 'posts' a partir dos quais se podem juntar “os fios da meada” podem ser encontrados, entre outros, nestes blogs: Diario de Um Sociologo e Olhar Sociologico.




{Ilustracoes daqui}





Tem estado a decorrer na blogosfera Mocambicana um debate bastante interessante e pertinente, centrado de forma geral na questao do “papel da/o academica/o na sociedade”.


Como todos os debates sobre questoes sensiveis, este tem tido tambem os seus altos e baixos, mas tem sido inegavelmente rico e esclarecedor - nao estivesse ele a ser protagonizado por alguns dos mais destacados cientistas sociais Mocambicanos…
A blogosfera Mocambicana esta’, portanto, de parabens!

Alguns dos 'posts' a partir dos quais se podem juntar “os fios da meada” podem ser encontrados, entre outros, nestes blogs: Diario de Um Sociologo e Olhar Sociologico.




{Ilustracoes daqui}

Wednesday, 24 October 2007

FIRST BLACK CITIZEN ELECTED TO SWISS PARLIAMENT IS ANGOLAN

Switzerland has just elected its first Black MP and he happens to be of Angolan origin!
According to TimesOnline, "the first black MP in Switzerland said yesterday he was worried about the direction of his country after an election that was won by a right-wing party with a strident anti-immigration message."
Ricardo Lumengo, who fled Angola as a student activist in 1982 and was elected to parliament in Sunday’s vote, said he feared that other political refugees would be turned away in the current climate of hostility towards foreigners. Mr Lumengo, 45, told The Times that he felt singled out personally by a controversial poster at the heart of the campaign by the Swiss People’s Party, which showed three white sheep kicking a black sheep off the Swiss flag.
The SVP consolidated its position as the biggest party in parliament in the elections, partly at the expense of Mr Lumengo’s Social Democrats, and is planning to press ahead with tougher immigration laws. It maintained that the poster was not racist but illustrated its proposed policy of ejecting foreign criminals.
“We do not like it that people abroad see us as against foreigners. I am proof that not all of Switzerland thinks like that,” said Mr Lumengo, who trained as a lawyer in Switzerland and completed the tests for his Swiss passport in 1997.

He said: “I have had a good experience in Switzerland for 25 years but the situation has changed and I feel I would have difficulties if I came now. There is a tension, a conflict now between foreigners and Swiss. Other politicians are talking irresponsibly by suggesting that foreigners are responsible for all the country’s problems. We, the Socialists, are worried that this is the wrong direction for the country.”
Mr Lumengo said he hoped that his election as an MP would be “a symbol showing many things”, including that Switzerland was not a racist country. “There are people who are building another Switzerland, a Switzerland of tolerance and a Switzerland of dialogue,” he said.


ALL THE BEST TO MR. LUMENGO IN HIS POLITICAL CAREER ARE MY WISHES!
Switzerland has just elected its first Black MP and he happens to be of Angolan origin!
According to TimesOnline, "the first black MP in Switzerland said yesterday he was worried about the direction of his country after an election that was won by a right-wing party with a strident anti-immigration message."
Ricardo Lumengo, who fled Angola as a student activist in 1982 and was elected to parliament in Sunday’s vote, said he feared that other political refugees would be turned away in the current climate of hostility towards foreigners. Mr Lumengo, 45, told The Times that he felt singled out personally by a controversial poster at the heart of the campaign by the Swiss People’s Party, which showed three white sheep kicking a black sheep off the Swiss flag.
The SVP consolidated its position as the biggest party in parliament in the elections, partly at the expense of Mr Lumengo’s Social Democrats, and is planning to press ahead with tougher immigration laws. It maintained that the poster was not racist but illustrated its proposed policy of ejecting foreign criminals.
“We do not like it that people abroad see us as against foreigners. I am proof that not all of Switzerland thinks like that,” said Mr Lumengo, who trained as a lawyer in Switzerland and completed the tests for his Swiss passport in 1997.

He said: “I have had a good experience in Switzerland for 25 years but the situation has changed and I feel I would have difficulties if I came now. There is a tension, a conflict now between foreigners and Swiss. Other politicians are talking irresponsibly by suggesting that foreigners are responsible for all the country’s problems. We, the Socialists, are worried that this is the wrong direction for the country.”
Mr Lumengo said he hoped that his election as an MP would be “a symbol showing many things”, including that Switzerland was not a racist country. “There are people who are building another Switzerland, a Switzerland of tolerance and a Switzerland of dialogue,” he said.


ALL THE BEST TO MR. LUMENGO IN HIS POLITICAL CAREER ARE MY WISHES!

Thursday, 12 July 2007

THE DEMOCRACY & THE HUMANITY WITHIN



With local elections where I live looming large, doorbells and mailboxes got extremely busy in the last few weeks – even exasperatingly so, at times.
But, today, something different from the usual electoral pamphlet came through my door: a hand-written letter from a local councillor asking for votes on her (much younger) supported candidate. Of course the letter was reproduced from the original and serially printed , but still it looked and felt like it was personally handwritten specially to each one of the addressees, just like the envelope was, not least because it ended with the word 'love'…


This got me to an often recurring reflection on the importance of the physical proximity and the personal touch in the relationship politician/electorate, particularly at the local level. Having heard and read so many times, especially from die-hard ‘marxists’ (although most of them have hardly ever read Marx, or practiced Marxism...) from my country of origin, rumblings about how Western democracy is all just about money and lobbying and the protection of the rich – in which they are often right when one looks at the higher echelons of political power in countries such as the US, or at scandals such as the “cash for honours” which has recently tarnished the Blair government – I find, however, something to be said for the “representative democracy” obtained through local elections.

Just to give an example: some time ago, a gross mistake by my local council, while I was working abroad, had catastrophic consequences in my personal and professional life, including the loss of my home… Yet, through the local representation system, I could count with the personal availability, attention and services of two prominent MPs who have helped me to rectify, at least partially so far, the situation.
Just to put this into context: years ago, I lost, totally unlawfully, my house in Luanda. I wrote, cried and begged to everyone with any power or influence whatsoever to help me to recover it… to no avail, let alone a reply. As a result, I ended up staying where I could afford to have a home and my rights over it protected… that is London, at the moment.
These are the sort of “simple things of life" that make me value properly functioning institutions at all levels, accountable elected politicians and government officials, particularly at the local level, and the rule of law over the entire political and social system in any country.


With local elections where I live looming large, doorbells and mailboxes got extremely busy in the last few weeks – even exasperatingly so, at times.
But, today, something different from the usual electoral pamphlet came through my door: a hand-written letter from a local councillor asking for votes on her (much younger) supported candidate. Of course the letter was reproduced from the original and serially printed , but still it looked and felt like it was personally handwritten specially to each one of the addressees, just like the envelope was, not least because it ended with the word 'love'…


This got me to an often recurring reflection on the importance of the physical proximity and the personal touch in the relationship politician/electorate, particularly at the local level. Having heard and read so many times, especially from die-hard ‘marxists’ (although most of them have hardly ever read Marx, or practiced Marxism...) from my country of origin, rumblings about how Western democracy is all just about money and lobbying and the protection of the rich – in which they are often right when one looks at the higher echelons of political power in countries such as the US, or at scandals such as the “cash for honours” which has recently tarnished the Blair government – I find, however, something to be said for the “representative democracy” obtained through local elections.

Just to give an example: some time ago, a gross mistake by my local council, while I was working abroad, had catastrophic consequences in my personal and professional life, including the loss of my home… Yet, through the local representation system, I could count with the personal availability, attention and services of two prominent MPs who have helped me to rectify, at least partially so far, the situation.
Just to put this into context: years ago, I lost, totally unlawfully, my house in Luanda. I wrote, cried and begged to everyone with any power or influence whatsoever to help me to recover it… to no avail, let alone a reply. As a result, I ended up staying where I could afford to have a home and my rights over it protected… that is London, at the moment.
These are the sort of “simple things of life" that make me value properly functioning institutions at all levels, accountable elected politicians and government officials, particularly at the local level, and the rule of law over the entire political and social system in any country.