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Wednesday, 23 March 2011

OLHARES DIVERSOS (XXVI)


Paula Simmons


Março é um mês dedicado à mulher angolana. Que balanço se pode fazer da luta pela igualdade?

Angola tem, do ponto de vista institucional, dos mais modernos e avançados mecanismos, nomeadamente ao nível da legislação, para a protecção dos direitos da mulher e do reconhecimento desses direitos de forma a assegurar a igualdade entre o género na sociedade.

No entanto, Angola tem, do ponto de vista social e cultural o percurso que, na história da Humanidade, levou às situações de desigualdade.

Creio que já tivemos momentos mais progressistas na luta pelos direitos de igualdade. Este parece-me ser um momento mais conservador em relação a essa luta. O caminho será muito longo, é preciso nunca desistir de o percorrer.

Qual seria o conceito de emancipação numa sociedade como a nossa?

A emancipação não tem conceitos diferentes. Nem a igualdade. O direito à igualdade entre os membros de uma sociedade é universal.

E esses direitos à igualdade entre cidadãos não são datados, são intemporais. O que me parece é que este é um momento em que a sociedade se vira para a necessidade de reforço dos valores de estabilidade assentes na família como no núcleo da sociedade e que se coloca a responsabilidade dessa estabilidade na mulher. Essa responsabilidade tem que ser partilhada.

O esforço pela união familiar e de tolerância em nome dessa união, deve ser responsabilidade assumida a dois, pelo homem e pela mulher que juntos decidem formar e assumir uma família.

Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher angolana, se é que há?

O nível de desenvolvimento e de formação dos povos e dos países é sempre determinante para a liberdade dos seus intervenientes. Quanto maior for o desenvolvimento, a estabilidade, o bem-estar, quanto mais justa for uma sociedade, maior será a liberdade da mulher. Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte, disse alguém. Concorda? (risos) concordo sim. E creio que o inverso seria também verdadeiro num caso em que a mulher fosse juíz e parte...

O presente envolve o passado e no passado toda a História foi feita pelos homens. Ainda se pode evocar a História para se justificar o estatuto actual da mulher?

Sim. Sem dúvida. Os processos sociais não são intermitentes. Há sempre um antes determinante para o agora que faz passagem para o depois. A História é determinante para a compreensão de todos os processos actuais e é determinante também para a compreensão dos processos de desigualdade e descriminação, sejam eles de que natureza for.

Para o homem o termo "macho" soa a elogio. Para mulher o termo "fêmea" é pejorativo. Porquê?

Talvez porque quem determina o que deve parecer ou soar pejorativo seja o conjuntos das inter-relações sociais. As palavras, em si, não são pejorativas. O que as torna mais ou menos depreciativas e ofensivas é o contexto e o conteúdo que é dado a cada palavra em cada momento determinado. Não acho pejorativo o termo “fêmea”, ele é usado de forma pejorativa, Assim como me parece muito pejorativa a forma como se usa a palavra macho para referir alguns HOMENS.

Acha que a condição financeira contribuiu para a emancipação da mulher?

Evidentemente. E de forma determinante. Uma mulher economicamente capaz de se proteger, a si e aos seus filhos, é menos vulnerável. Qualquer ser humano é tanto mais independente quanto maior for a sua autonomia financeira.

Não se nasce mulher, torna-se. Diz Simone de Beauvoir. Como é que a Paula interpreta essa frase?

As frases têm um contexto. Vista assim, a frase não faz sentido. Biologicamente nascemos mulheres e isso é determinante. Homens e mulheres não são iguais. São muito diferentes e isso não é mau. Mau é os seres humanos acharem que as diferenças tornam uns superiores e outros inferiores.

Se conheço Simone de Beauvoir, o conceito “ser mulher” neste caso, deve remeter-nos para uma análise daquilo que a sociedade acaba por nos “tornar” em função do género, ou seja, dos papéis a que a sociedade nos remete em função de sermos homens ou mulheres.

As mulheres só ganham o que os homens querem conceder? Ou seja, as mulheres só se afirmam socialmente quando os homens permitem?

Acho que as sociedades são ainda muito machistas. A nossa e não só. E que realmente as mulheres têm de trabalhar o dobro para se afirmarem. Aos descriminados são sempre exigidas mais provas das suas capacidades e a discriminação da mulher ainda é uma realidade que precisamos transformar.

Os homens queixam-se que a mulher quando tem mais posses financeiras maltrata o homem. É a maneira de se afirmar perante os homens?

Não me parece que seja verdadeira a afirmação. Que dizer de todos os homens que, com poder económico, maltratam as mulheres? A questão do poder financeiro é mais um preconceito social a minar o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres que devem ser parceiros nos processos todos.

Alguma vez sentiu complexo de competir com homens para uma vaga?

Não, nunca senti. Assumo os meus processos profissionais apenas com base no profissionalismo.

Que futuro perspectiva para a mulher angolana?

Um caminho longo, muito longo de árduas jornadas de trabalho e de luta. Um caminho que temos que seguir.

O gosto por muitos filhos das mulheres, sejam elas angolanas ou não, é uma questão de educação cultural ou falta de formação?

É muitas vezes até uma questão pessoal...hoje em dia, se as mulheres podem escolher e se lhes é dada essa oportunidade, é cada vez mais uma questão de opção para a família que se forma. Há casos de pessoas com muita formação académica que optam por ter muitos filhos...


[Aqui]


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Olhares Diversos VII

Olhares Diversos VIII

and

Olhares Diversos (I)
{...which brings this series to a 'full circle'...}


Paula Simmons


Março é um mês dedicado à mulher angolana. Que balanço se pode fazer da luta pela igualdade?

Angola tem, do ponto de vista institucional, dos mais modernos e avançados mecanismos, nomeadamente ao nível da legislação, para a protecção dos direitos da mulher e do reconhecimento desses direitos de forma a assegurar a igualdade entre o género na sociedade.

No entanto, Angola tem, do ponto de vista social e cultural o percurso que, na história da Humanidade, levou às situações de desigualdade.

Creio que já tivemos momentos mais progressistas na luta pelos direitos de igualdade. Este parece-me ser um momento mais conservador em relação a essa luta. O caminho será muito longo, é preciso nunca desistir de o percorrer.

Qual seria o conceito de emancipação numa sociedade como a nossa?

A emancipação não tem conceitos diferentes. Nem a igualdade. O direito à igualdade entre os membros de uma sociedade é universal.

E esses direitos à igualdade entre cidadãos não são datados, são intemporais. O que me parece é que este é um momento em que a sociedade se vira para a necessidade de reforço dos valores de estabilidade assentes na família como no núcleo da sociedade e que se coloca a responsabilidade dessa estabilidade na mulher. Essa responsabilidade tem que ser partilhada.

O esforço pela união familiar e de tolerância em nome dessa união, deve ser responsabilidade assumida a dois, pelo homem e pela mulher que juntos decidem formar e assumir uma família.

Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher angolana, se é que há?

O nível de desenvolvimento e de formação dos povos e dos países é sempre determinante para a liberdade dos seus intervenientes. Quanto maior for o desenvolvimento, a estabilidade, o bem-estar, quanto mais justa for uma sociedade, maior será a liberdade da mulher. Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte, disse alguém. Concorda? (risos) concordo sim. E creio que o inverso seria também verdadeiro num caso em que a mulher fosse juíz e parte...

O presente envolve o passado e no passado toda a História foi feita pelos homens. Ainda se pode evocar a História para se justificar o estatuto actual da mulher?

Sim. Sem dúvida. Os processos sociais não são intermitentes. Há sempre um antes determinante para o agora que faz passagem para o depois. A História é determinante para a compreensão de todos os processos actuais e é determinante também para a compreensão dos processos de desigualdade e descriminação, sejam eles de que natureza for.

Para o homem o termo "macho" soa a elogio. Para mulher o termo "fêmea" é pejorativo. Porquê?

Talvez porque quem determina o que deve parecer ou soar pejorativo seja o conjuntos das inter-relações sociais. As palavras, em si, não são pejorativas. O que as torna mais ou menos depreciativas e ofensivas é o contexto e o conteúdo que é dado a cada palavra em cada momento determinado. Não acho pejorativo o termo “fêmea”, ele é usado de forma pejorativa, Assim como me parece muito pejorativa a forma como se usa a palavra macho para referir alguns HOMENS.

Acha que a condição financeira contribuiu para a emancipação da mulher?

Evidentemente. E de forma determinante. Uma mulher economicamente capaz de se proteger, a si e aos seus filhos, é menos vulnerável. Qualquer ser humano é tanto mais independente quanto maior for a sua autonomia financeira.

Não se nasce mulher, torna-se. Diz Simone de Beauvoir. Como é que a Paula interpreta essa frase?

As frases têm um contexto. Vista assim, a frase não faz sentido. Biologicamente nascemos mulheres e isso é determinante. Homens e mulheres não são iguais. São muito diferentes e isso não é mau. Mau é os seres humanos acharem que as diferenças tornam uns superiores e outros inferiores.

Se conheço Simone de Beauvoir, o conceito “ser mulher” neste caso, deve remeter-nos para uma análise daquilo que a sociedade acaba por nos “tornar” em função do género, ou seja, dos papéis a que a sociedade nos remete em função de sermos homens ou mulheres.

As mulheres só ganham o que os homens querem conceder? Ou seja, as mulheres só se afirmam socialmente quando os homens permitem?

Acho que as sociedades são ainda muito machistas. A nossa e não só. E que realmente as mulheres têm de trabalhar o dobro para se afirmarem. Aos descriminados são sempre exigidas mais provas das suas capacidades e a discriminação da mulher ainda é uma realidade que precisamos transformar.

Os homens queixam-se que a mulher quando tem mais posses financeiras maltrata o homem. É a maneira de se afirmar perante os homens?

Não me parece que seja verdadeira a afirmação. Que dizer de todos os homens que, com poder económico, maltratam as mulheres? A questão do poder financeiro é mais um preconceito social a minar o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres que devem ser parceiros nos processos todos.

Alguma vez sentiu complexo de competir com homens para uma vaga?

Não, nunca senti. Assumo os meus processos profissionais apenas com base no profissionalismo.

Que futuro perspectiva para a mulher angolana?

Um caminho longo, muito longo de árduas jornadas de trabalho e de luta. Um caminho que temos que seguir.

O gosto por muitos filhos das mulheres, sejam elas angolanas ou não, é uma questão de educação cultural ou falta de formação?

É muitas vezes até uma questão pessoal...hoje em dia, se as mulheres podem escolher e se lhes é dada essa oportunidade, é cada vez mais uma questão de opção para a família que se forma. Há casos de pessoas com muita formação académica que optam por ter muitos filhos...


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and

Olhares Diversos (I)
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Wednesday, 9 February 2011

Olhares Diversos (XXIV)



Somos um povo deprimido, frustrado & violentado pelo regime vigente

[Fernando Vumby]




Aliás, nem sei como andam as pesquisas a respeito desta doença que afecta uma larga porção de angolanos, e que já levou á morte uma grande quantidade de gente.

Parecemos um povo cuspido por uma saliva ácida, que nos vem corroendo o corpo por dentro, apartir das entranhas e da mente, ao ponto de perdermos todo o poder humano de reacção.

Até parece que deixamos de ouvir, ver, sentir, e nos tornamos no povo mais difícil de perceber, permitindo cada vez mais de tudo, inclusive abrir os olhos, para nos enfiarem o dedo nele. Para quem nunca teve essa experiência amarga, que vive o povo angolano desde, que se diz independente, descrevê-la se torna um tanto inglório. Parecemos ter perdido tudo aquilo, que Deus, projectou originalmente á todo ser humano. Ou será que, estaremos á sucumbir aos poucos, e a vida para nós angolanos, se tornou apenas num simples fardo?

A depressão e frustração são tanta, que só o facto de saberem que vão acordar no dia seguinte, o sono até já se tornou para a maioria dos angolanos, em algo muito ruim. Não estou aqui neste texto, querer abarrotar ainda mais, carga aos ombros daqueles que já sentem o pesa da depressão e frustração em Angola.

Como geralmente fazem os culpados por essa depressão, com desculpas esfarradas para disfarçarem a sua indiferença, com um manto de falsa santidade. Se tivesse que aconselhar, algumas pessoas que acreditam em Deus, só lhes pediria para lerem mais a Bíblia, enquanto ainda não caíram para a depressão demoníaca pura e simplesmente.

Mas o que muitos religiosos não sabem é que hoje, até a própria igreja é também, factor gerador de muitos casos de depressão e frustração, entre os angolanos?


[Continue lendo aqui]



Somos um povo deprimido, frustrado & violentado pelo regime vigente

[Fernando Vumby]




Aliás, nem sei como andam as pesquisas a respeito desta doença que afecta uma larga porção de angolanos, e que já levou á morte uma grande quantidade de gente.

Parecemos um povo cuspido por uma saliva ácida, que nos vem corroendo o corpo por dentro, apartir das entranhas e da mente, ao ponto de perdermos todo o poder humano de reacção.

Até parece que deixamos de ouvir, ver, sentir, e nos tornamos no povo mais difícil de perceber, permitindo cada vez mais de tudo, inclusive abrir os olhos, para nos enfiarem o dedo nele. Para quem nunca teve essa experiência amarga, que vive o povo angolano desde, que se diz independente, descrevê-la se torna um tanto inglório. Parecemos ter perdido tudo aquilo, que Deus, projectou originalmente á todo ser humano. Ou será que, estaremos á sucumbir aos poucos, e a vida para nós angolanos, se tornou apenas num simples fardo?

A depressão e frustração são tanta, que só o facto de saberem que vão acordar no dia seguinte, o sono até já se tornou para a maioria dos angolanos, em algo muito ruim. Não estou aqui neste texto, querer abarrotar ainda mais, carga aos ombros daqueles que já sentem o pesa da depressão e frustração em Angola.

Como geralmente fazem os culpados por essa depressão, com desculpas esfarradas para disfarçarem a sua indiferença, com um manto de falsa santidade. Se tivesse que aconselhar, algumas pessoas que acreditam em Deus, só lhes pediria para lerem mais a Bíblia, enquanto ainda não caíram para a depressão demoníaca pura e simplesmente.

Mas o que muitos religiosos não sabem é que hoje, até a própria igreja é também, factor gerador de muitos casos de depressão e frustração, entre os angolanos?


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Saturday, 15 January 2011

Olhares Diversos (XXIII)




Sobre a Cultura Nacional

Angola: "Um só povo, uma só nação"?

O dia Nacional da Cultura é festejado, oficialmente, no Dundo, Lunda-Norte,[*] com diversas actividades culturais. No entanto, a alegria e o ânimo gerados com as festividades não se reflectem no debate quando se discute o que é a cultura angolana, unidade cultural ou até mesmo a identidade cultural angolana.

As controvérsias acontecem porque Angola é um país dividido, separado e diferente nas suas linhas culturais. E essas assimetrias expressam a sua multiplicidade étnica, racial e linguística.

São cerca de 16 milhões de habitantes que se comunicam em português (como língua nacional), e regionalmente em sete línguas diferentes, mais de 20 dialectos, e sete grupos etnolinguísticos. Todos eles diferentes nos hábitos e costumes, mas unidos pela história, pelo território e pelo pais que a todos se liga.

O padre Muanamossi Matumona é um jornalista e sociólogo que muitas vezes escreveu sobre cultura angolana. Um dos mais controversos que publicou foi sobre Unidade Cultural Angolana no ano de 1993. Um ano difícil para o país que continuava a lutar de armas na mão, depois de eleições problematicas. Uma guerra que para muitos era fruto até da intolerância cultural que se atribuía a umbundus (representados pela UNITA) e quimbundus ( do lado governamental, principalmente o MPLA.

Mas o filósofo Almerindo Jaka Jamba chama atenção a ideia que se tenta transmitir com o slogan “um povo e uma só nação”. O estudioso e professor universitário vai mais longe dizendo mesmo que apesar da independência politica e económica, o angolano precisa ainda de se encontrar como africano e a isso, diz o académico, corresponde uma dimensão estratégica.


[Continue lendo aqui]



* No entanto, de acordo com esta noticia, entre varias outras, o acto central teve lugar no Uige



Posts relacionados:

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe"

Festival Mondial des Arts Negres

E por falar em "Representacoes"




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As controvérsias acontecem porque Angola é um país dividido, separado e diferente nas suas linhas culturais. E essas assimetrias expressam a sua multiplicidade étnica, racial e linguística.

São cerca de 16 milhões de habitantes que se comunicam em português (como língua nacional), e regionalmente em sete línguas diferentes, mais de 20 dialectos, e sete grupos etnolinguísticos. Todos eles diferentes nos hábitos e costumes, mas unidos pela história, pelo território e pelo pais que a todos se liga.

O padre Muanamossi Matumona é um jornalista e sociólogo que muitas vezes escreveu sobre cultura angolana. Um dos mais controversos que publicou foi sobre Unidade Cultural Angolana no ano de 1993. Um ano difícil para o país que continuava a lutar de armas na mão, depois de eleições problematicas. Uma guerra que para muitos era fruto até da intolerância cultural que se atribuía a umbundus (representados pela UNITA) e quimbundus ( do lado governamental, principalmente o MPLA.

Mas o filósofo Almerindo Jaka Jamba chama atenção a ideia que se tenta transmitir com o slogan “um povo e uma só nação”. O estudioso e professor universitário vai mais longe dizendo mesmo que apesar da independência politica e económica, o angolano precisa ainda de se encontrar como africano e a isso, diz o académico, corresponde uma dimensão estratégica.


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* No entanto, de acordo com esta noticia, entre varias outras, o acto central teve lugar no Uige



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Sunday, 19 December 2010

Olhares Diversos XXII



Carlinhos Zassala: «Mais de 90 por cento dos angolanos são doentes»


(…) Muitos pensam que quando se fala de saúde trata-se da ausência de sintomas de doença. Mas a Organização Mundial da Saúde definiu o conceito de saúde como o bem-estar físico, mental e social.

Na realidade angolana, nós não temos aquele espírito de prevenir. Nos países onde o sistema de saúde funciona de forma normal, quase no início do ano as pessoas recorrem para tratar da saúde física aos centros médicos ou hospitais para poderem fazer um check-up, para ver como está o nível de colesterol, de açúcar e como está a bater o coração. Porque são doenças que às vezes temos mas não estamos a sentir. É assim que muitas vezes somos surpreendidos que a pessoa que esteve connosco no dia anterior morreu repentinamente, é porque ela tinha uma doença não manifestada. No campo da saúde mental, as pessoas também fazem um check-up no sentido de saber se o indivíduo não tem, por exemplo, um nível de depressão profunda, porque quando assim acontece esta pessoa pode facilmente cometer suicídio ou auto-suicídio, que significa matar ou matar-se. É bom sempre saber qual é o nosso nível de ansiedade e de frustração. Não se pode falar da saúde se não tivermos estas três vertentes, saúde física, mental e social. É por isso que, mesmo como dizia o grande psicanalista Freud, nenhum ser humano é a 100 por cento saudável, todos nós estamos sempre doentes. Mesmo quando a pessoa não se sente bem também é um estado patológico.

Quando a pessoa sente que tem um nariz grande e procura um cirurgião plástico para mudar, também não goza de boa saúde. Quando se irrita com facilidade, que é um estímulo menor, porque temos ouvido muitos casos de filhos que são queimados por causa de cinco kwanzas, mulher que é morta por mil kwanzas, esses são comportamentos patológicos. Por isso, volto a afirmar que mais de 90 por cento da população angolana é doente.

(…) Neste momento, de acordo com algumas pesquisas existentes, a maior patologia que o angolano sofre é o stress, devido ao nível de vida que levamos, principalmente nas grandes cidades. Ora, o stress é uma doença muito perigosa porque quando atinge o ser humano, primeiramente esse ser humano já não valoriza o outro e já não tem um bom desempenho na vida profissional. E o stress diminui o nível de defesa do nosso corpo contra as doenças. É assim que muitas vezes ficamos doentes por causa do stress, porque destrói os anticorpos que temos.

A segunda doença é a frustração devido a muitos impedimentos que o angolano encontra quando pretende satisfazer as suas necessidades, principalmente as necessidades básicas, que são a alimentação, o sono (para dormir bem tem que ter uma casa), a saúde e a segurança. A maioria dos angolanos praticamente não consegue encontrar a satisfação das suas necessidades básicas.

Vem depois a depressão. É esse estado que leva as pessoas a suicidarem-se, é que nos leva a explicar o que acontece nas maternidades, porque as mulheres gestantes sofrem sempre de um estado de depressão nos períodos pré-parto e pós-parto. E o estado de depressão para aqueles que têm muitos problemas e estão no estado de desespero, são problemas de decepção amorosa, doença crónica.

Estes problemas devem ser diagnosticados antecipadamente e tratados para evitarmos o pior. Temos também a ansiedade que é uma das patologias frequentes, assim como o stress pós-traumático causado pela longa guerra que o país conheceu. Muitos indivíduos que viveram de forma directa ou indirecta os traumatismos da guerra sofrem ainda as consequências, como a insónia, pesadelo, sono perturbado, dores de cabeça, entre outras patologias como a falta de apetite. Se tivéssemos já serviços de atendimento psicológico para poder atender estes casos, evitaríamos muitos comportamentos não desejados.

(…) Os problemas que mencionei existem em Angola em grande escala. O problema da guerra causou muitos traumatismos, há pessoas que não gostam que se diga isso, mas o 27 de Maio também causou muitos traumatismos nas pessoas.

(…) Neste caso temos de trabalhar em cooperação com o Governo, no sentido de termos o centro de atendimento psicológico em todas as províncias, a fim de fazermos face a todos os problemas que se fazem sentir na sociedade angolana, como tantos casos de suicídios, delinquência juvenil, problemas de feitiçaria e algumas seitas religiosas, que praticam algumas acções até criminosas quando começam a indicar este ou aquele é feiticeiro, incentivando ódios e divisão no seio da população.

Luanda não é um meio saudável do ponto de vista mental, porque os latinos diziam que quando uma cidade destruída e o campo protegido ou salvaguardado, significa que o país não se destruiu, porque é o campo que abastece a cidade. Mas quando se destrói o campo, o interior, o país está em ruínas, é este o problema que estamos a viver em Angola. As pessoas não estão a ligar. O êxodo rural é um problema muito preocupante, porque hoje não sentimos isso porque temos muito petróleo que o país está a produzir. É assim que vivemos de importações e o petróleo quando terminar, quem vai abastecer as cidades? Será o campo.

(…) Aliás, em termos de longevidade, a esperança de vida dos angolanos é apenas de 43 anos para os homens e 46 para as mulheres, significa que não vivemos bastante devido às más condições de vida.

(…) Muitas vezes foquei este aspecto, mas gostaria de dizer que o álcool é uma droga lícita que é permitada, mas é igual às outras drogas como a liamba, haxixe, cocaína e marijuana. Cria dependência e depois destrói a resistência do nosso corpo e também estraga o nosso relacionamento com os outros.

Então o álcool consumido moderadamente e por pessoas que já têm maturidade psicológica, biológica e social, às vezes é recomendável. Não faz mal à saúde. Mas quando é consumido de forma exagerada como está a acontecer no nosso país, que até menores de idade o consomem, existem estudos em psicologia que demonstram que o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos adolescentes e crianças atrofiam o desenvolvimento cognitivo. Significa que diminui o nosso nível de inteligência; hoje em dia se você perguntar a um professor sério, temos um problema preocupante no país, os nossos alunos praticamente têm dificuldade para poderem assimilar matérias e estudar.Pode também ser fruto não só do álcool como também dos traumatismos de guerra a que muitos foram submetidos.

(…) Estamos numa sociedade onde há muita perversão. O grande problema é que todos aqueles que são legisladores dizem que Angola tem muitas leis em termos teóricos, mas a prática é a grande questão. Nós os mais velhos temos de dar exemplos, como conhecedores da realidade profunda, temos que discutir sobre o tipo de educação que queremos no nosso país.


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Na realidade angolana, nós não temos aquele espírito de prevenir. Nos países onde o sistema de saúde funciona de forma normal, quase no início do ano as pessoas recorrem para tratar da saúde física aos centros médicos ou hospitais para poderem fazer um check-up, para ver como está o nível de colesterol, de açúcar e como está a bater o coração. Porque são doenças que às vezes temos mas não estamos a sentir. É assim que muitas vezes somos surpreendidos que a pessoa que esteve connosco no dia anterior morreu repentinamente, é porque ela tinha uma doença não manifestada. No campo da saúde mental, as pessoas também fazem um check-up no sentido de saber se o indivíduo não tem, por exemplo, um nível de depressão profunda, porque quando assim acontece esta pessoa pode facilmente cometer suicídio ou auto-suicídio, que significa matar ou matar-se. É bom sempre saber qual é o nosso nível de ansiedade e de frustração. Não se pode falar da saúde se não tivermos estas três vertentes, saúde física, mental e social. É por isso que, mesmo como dizia o grande psicanalista Freud, nenhum ser humano é a 100 por cento saudável, todos nós estamos sempre doentes. Mesmo quando a pessoa não se sente bem também é um estado patológico.

Quando a pessoa sente que tem um nariz grande e procura um cirurgião plástico para mudar, também não goza de boa saúde. Quando se irrita com facilidade, que é um estímulo menor, porque temos ouvido muitos casos de filhos que são queimados por causa de cinco kwanzas, mulher que é morta por mil kwanzas, esses são comportamentos patológicos. Por isso, volto a afirmar que mais de 90 por cento da população angolana é doente.

(…) Neste momento, de acordo com algumas pesquisas existentes, a maior patologia que o angolano sofre é o stress, devido ao nível de vida que levamos, principalmente nas grandes cidades. Ora, o stress é uma doença muito perigosa porque quando atinge o ser humano, primeiramente esse ser humano já não valoriza o outro e já não tem um bom desempenho na vida profissional. E o stress diminui o nível de defesa do nosso corpo contra as doenças. É assim que muitas vezes ficamos doentes por causa do stress, porque destrói os anticorpos que temos.

A segunda doença é a frustração devido a muitos impedimentos que o angolano encontra quando pretende satisfazer as suas necessidades, principalmente as necessidades básicas, que são a alimentação, o sono (para dormir bem tem que ter uma casa), a saúde e a segurança. A maioria dos angolanos praticamente não consegue encontrar a satisfação das suas necessidades básicas.

Vem depois a depressão. É esse estado que leva as pessoas a suicidarem-se, é que nos leva a explicar o que acontece nas maternidades, porque as mulheres gestantes sofrem sempre de um estado de depressão nos períodos pré-parto e pós-parto. E o estado de depressão para aqueles que têm muitos problemas e estão no estado de desespero, são problemas de decepção amorosa, doença crónica.

Estes problemas devem ser diagnosticados antecipadamente e tratados para evitarmos o pior. Temos também a ansiedade que é uma das patologias frequentes, assim como o stress pós-traumático causado pela longa guerra que o país conheceu. Muitos indivíduos que viveram de forma directa ou indirecta os traumatismos da guerra sofrem ainda as consequências, como a insónia, pesadelo, sono perturbado, dores de cabeça, entre outras patologias como a falta de apetite. Se tivéssemos já serviços de atendimento psicológico para poder atender estes casos, evitaríamos muitos comportamentos não desejados.

(…) Os problemas que mencionei existem em Angola em grande escala. O problema da guerra causou muitos traumatismos, há pessoas que não gostam que se diga isso, mas o 27 de Maio também causou muitos traumatismos nas pessoas.

(…) Neste caso temos de trabalhar em cooperação com o Governo, no sentido de termos o centro de atendimento psicológico em todas as províncias, a fim de fazermos face a todos os problemas que se fazem sentir na sociedade angolana, como tantos casos de suicídios, delinquência juvenil, problemas de feitiçaria e algumas seitas religiosas, que praticam algumas acções até criminosas quando começam a indicar este ou aquele é feiticeiro, incentivando ódios e divisão no seio da população.

Luanda não é um meio saudável do ponto de vista mental, porque os latinos diziam que quando uma cidade destruída e o campo protegido ou salvaguardado, significa que o país não se destruiu, porque é o campo que abastece a cidade. Mas quando se destrói o campo, o interior, o país está em ruínas, é este o problema que estamos a viver em Angola. As pessoas não estão a ligar. O êxodo rural é um problema muito preocupante, porque hoje não sentimos isso porque temos muito petróleo que o país está a produzir. É assim que vivemos de importações e o petróleo quando terminar, quem vai abastecer as cidades? Será o campo.

(…) Aliás, em termos de longevidade, a esperança de vida dos angolanos é apenas de 43 anos para os homens e 46 para as mulheres, significa que não vivemos bastante devido às más condições de vida.

(…) Muitas vezes foquei este aspecto, mas gostaria de dizer que o álcool é uma droga lícita que é permitada, mas é igual às outras drogas como a liamba, haxixe, cocaína e marijuana. Cria dependência e depois destrói a resistência do nosso corpo e também estraga o nosso relacionamento com os outros.

Então o álcool consumido moderadamente e por pessoas que já têm maturidade psicológica, biológica e social, às vezes é recomendável. Não faz mal à saúde. Mas quando é consumido de forma exagerada como está a acontecer no nosso país, que até menores de idade o consomem, existem estudos em psicologia que demonstram que o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos adolescentes e crianças atrofiam o desenvolvimento cognitivo. Significa que diminui o nosso nível de inteligência; hoje em dia se você perguntar a um professor sério, temos um problema preocupante no país, os nossos alunos praticamente têm dificuldade para poderem assimilar matérias e estudar.Pode também ser fruto não só do álcool como também dos traumatismos de guerra a que muitos foram submetidos.

(…) Estamos numa sociedade onde há muita perversão. O grande problema é que todos aqueles que são legisladores dizem que Angola tem muitas leis em termos teóricos, mas a prática é a grande questão. Nós os mais velhos temos de dar exemplos, como conhecedores da realidade profunda, temos que discutir sobre o tipo de educação que queremos no nosso país.


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Um 'rebuke' a Wikileaks...

Estamos em plena época natalícia. E a paz continua a ser a maior prenda que podemos dar a nós próprios. Enquanto soubermos preservar esta existência
pacífica que tanto custou a alcançar, o Natal dos angolanos é sempre feliz.
Ainda que o mundo à nossa volta continue a ser um pouco perigoso e violento.

As relações humanas estão a ser contaminadas por muita falsidade e muita
hipocrisia. O próximo é olhado como um inimigo potencial e não como um irmão.
O mundo vive de pé atrás desde que na Internet circulam mensagens que nunca
deviam ter sido pensadas, quanto mais escritas. Para tornar o nosso mundo ainda
pior, há já quem defenda a morte dos mensageiros como forma de preservar a fonte
das mensagens. E parte-se do princípio errado de que somos todos capazes de
fingir amizade e de ter duas caras.

O nosso país esteve exposto demasiados anos a este ambiente apodrecido e foi vítima destas relações espúrias. Sabemos agora como funcionam as fábricas da mentira e as produções da calúnia. Ficámos a saber como se produzem factos a partir de meras fantasias. Passamos a conhecer os fabricantes, os produtores e os vendedores.
Não é um sucesso que seja motivo de orgulho, porque ficámos a saber que as relações
internacionais estão piores do que imaginávamos. Mas é sempre bom saber até onde
podem ir os principais actores das campanhas da difamação e da calúnia.

Angola está evidentemente fora desse mundo que faz do absurdo uma rotina, da falsidade um valor inquestionável, da traição um modo de vida. Nenhum site do mundo pode publicar mensagens dos nossos diplomatas ou dos nossos governantes injuriando, caluniando ou traindo os seus pares, os povos irmãos, os países amigos ou mesmo os jurados inimigos. Temos outros princípios e fomos educados noutros valores. Aprendemos que sem amigos a vida não faz sentido e onde prospera a infâmia e a traição não há lugar para a grandeza de sentimentos que suporta a natureza humana, em todas as circunstâncias, da mais retumbante vitória à mais pesada derrota.

Aprendemos a ter boas relações com todos os países do mundo e sobretudo aprendemos a perdoar a afronta, a agressão, a imoralidade. A paz e a cordialidade merecem todos os sacrifícios pessoais, nem que esses sacrifícios passem pelo perdão sincero. Esse é o caminho e ele não tem segredos. Não há nada de secreto nas nossas relações e é transparente a relação que existe entre eleitos e eleitores, governantes e governados. Em Angola todos temos um compromisso com a paz, com o respeito mútuo, com o desenvolvimento, com a felicidade. E queremos que esses valores estejam no espírito de todos os povos do mundo e sejam as únicas marcas ostentadas pelas sociedades modernas.

(...)

Em Angola em vez de urânio enriquecido, estamos empenhados em criar riqueza para destruirmos a pobreza e a fome. Em Angola não temos armas nucleares.

(...)

Quando desejamos um feliz Natal a todos, estamos a ser sinceros. Não dizemos
belas palavras pela frente e depois disparamos pelas costas. Somos assim mesmo,
leais, sinceros e solidários. Acreditamos no Homem e temos a certeza de que a
paz e a concórdia são possíveis.


[Jose' Ribeiro Aqui]




... Ou, apenas, mais uma "Voz Silenciosa"?...


Pelo sim, pelo nao...

Wikileaks: Angolano diz que general queria vender uranio

Estamos em plena época natalícia. E a paz continua a ser a maior prenda que podemos dar a nós próprios. Enquanto soubermos preservar esta existência
pacífica que tanto custou a alcançar, o Natal dos angolanos é sempre feliz.
Ainda que o mundo à nossa volta continue a ser um pouco perigoso e violento.

As relações humanas estão a ser contaminadas por muita falsidade e muita
hipocrisia. O próximo é olhado como um inimigo potencial e não como um irmão.
O mundo vive de pé atrás desde que na Internet circulam mensagens que nunca
deviam ter sido pensadas, quanto mais escritas. Para tornar o nosso mundo ainda
pior, há já quem defenda a morte dos mensageiros como forma de preservar a fonte
das mensagens. E parte-se do princípio errado de que somos todos capazes de
fingir amizade e de ter duas caras.

O nosso país esteve exposto demasiados anos a este ambiente apodrecido e foi vítima destas relações espúrias. Sabemos agora como funcionam as fábricas da mentira e as produções da calúnia. Ficámos a saber como se produzem factos a partir de meras fantasias. Passamos a conhecer os fabricantes, os produtores e os vendedores.
Não é um sucesso que seja motivo de orgulho, porque ficámos a saber que as relações
internacionais estão piores do que imaginávamos. Mas é sempre bom saber até onde
podem ir os principais actores das campanhas da difamação e da calúnia.

Angola está evidentemente fora desse mundo que faz do absurdo uma rotina, da falsidade um valor inquestionável, da traição um modo de vida. Nenhum site do mundo pode publicar mensagens dos nossos diplomatas ou dos nossos governantes injuriando, caluniando ou traindo os seus pares, os povos irmãos, os países amigos ou mesmo os jurados inimigos. Temos outros princípios e fomos educados noutros valores. Aprendemos que sem amigos a vida não faz sentido e onde prospera a infâmia e a traição não há lugar para a grandeza de sentimentos que suporta a natureza humana, em todas as circunstâncias, da mais retumbante vitória à mais pesada derrota.

Aprendemos a ter boas relações com todos os países do mundo e sobretudo aprendemos a perdoar a afronta, a agressão, a imoralidade. A paz e a cordialidade merecem todos os sacrifícios pessoais, nem que esses sacrifícios passem pelo perdão sincero. Esse é o caminho e ele não tem segredos. Não há nada de secreto nas nossas relações e é transparente a relação que existe entre eleitos e eleitores, governantes e governados. Em Angola todos temos um compromisso com a paz, com o respeito mútuo, com o desenvolvimento, com a felicidade. E queremos que esses valores estejam no espírito de todos os povos do mundo e sejam as únicas marcas ostentadas pelas sociedades modernas.

(...)

Em Angola em vez de urânio enriquecido, estamos empenhados em criar riqueza para destruirmos a pobreza e a fome. Em Angola não temos armas nucleares.

(...)

Quando desejamos um feliz Natal a todos, estamos a ser sinceros. Não dizemos
belas palavras pela frente e depois disparamos pelas costas. Somos assim mesmo,
leais, sinceros e solidários. Acreditamos no Homem e temos a certeza de que a
paz e a concórdia são possíveis.


[Jose' Ribeiro Aqui]




... Ou, apenas, mais uma "Voz Silenciosa"?...


Pelo sim, pelo nao...

Wikileaks: Angolano diz que general queria vender uranio

Tuesday, 12 October 2010

Olhares Diversos (XXI)



Ana Dias Lourenço




Nesta serie, que se vai tornando cada vez mais esparsa (estara' o meu olhar menos atento a diversidade, ou estarao a diminuir 'a olhos vistos' os olhares diversos sobre Angola?), tenho tentado espelhar, reflectir, olhares da/sobre a sociedade angolana que se demonstrem de algum modo (em geral no sentido positivo mas, num ou noutro caso, tambem no negativo) diversos da mainstream - e com mainstream nao pretendo necessariamente significar 'poder' e/ou as suas 'margens', mas, sobretudo, olhares que se desviem, ou que desviem o nosso proprio olhar, daquilo a que a mainstream (no poder ou na oposicao) nos vem habituando.

'A primeira vista, este e' um olhar mainstream... mais do que isso: e' um olhar institucional. O que o torna, entao, diverso? O facto de nos ser dado por uma mulher. Mais do que isso: uma mulher economista. Mais do que isso: o membro mais estavel, ao longo dos anos (desde 1997), do executivo angolano (tive a oportunidade de lhe dar os meus sinceros parabens por esse feito, quando, no ano passado, amavel e profissionalmente me concedeu uma entrevista no seu gabinete em Luanda, para este meu trabalho).

Mais do que isso: uma mulher inteligente e dedicada as suas responsabilidades - obviamente que, neste contexto (tal como, alias, o tenho feito em todos os casos ao longo desta serie - excepto neste, a que me vi forcada a voltar a olhar mais tarde...), me abstenho, por um lado, de discutir o conteudo das suas declaracoes e, por outro, de colocar as minhas naturais reticencias a "raison d'etre" de um Ministerio do Planeamento numa, pelo menos na sua evolucao ao longo dos anos em que tem desempenhado as suas funcoes ministeriais, economia de mercado; e tais reticencias nao significam tambem necessariamente um 'atestado de invalidez' a relevancia do planeamento em qualquer economia... mas essas sao questoes para outros olhares.

Mas, mais ainda do que tudo isso, numa sociedade que, como este blog infelizmente vem registando, tao frequentemente me tem dado razoes para criticas a algumas mulheres (mesmo que construtivas na intencao, declarada ou nao...), e' um olhar de uma mulher de substancia que, ao longo dos anos, desde os nossos tempos do Liceu Feminino ou, dito mais simplesmente, desde os tempos da nossa Any Afonso, apenas me tem dado razoes para a ter em grande estima pessoal: como mulher, como ser humano, como colega e como profissional, enfim, como Mulher!

Aqui fica, pois, o seu olhar sobre o desempenho actual da economia angolana:



A intervenção do Governo perante o cenário da crise financeira e económica mundial teve os efeitos esperados, aguardando-se que este ano a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se situe em redor dos 4,5 por cento, segundo a ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço.
Embora uma subida modesta, a governante, que falava ontem, em Luanda, no acto de apresentação da quinta edição do estudo “Banca em Análise” elaborado pela Deloitte, considerou-a acima do crescimento natural da população.
Na base deste aumento estão medidas de reacção à crise mundial tomadas pelo Governo, com realce para o domínio financeiro, monetário e cambial, que visaram assegurar a consistência da implementação das políticas na gestão macroeconómica, além de um maior rigor na programação financeira do tesouro.
O estabelecimento de regras claras no uso de instrumentos de política monetária e o ajustamento da taxa de reservas obrigatórias do Banco Central, bem como a emissão de títulos do tesouro de curto prazo para o ajustamento da liquidez e a redefinição da política de subsídios directos aos consumidores, são outras das medidas adoptadas pelo Governo para fazer frente à crise.
Ainda no rol de medidas, destaque para a abordagem da implementação de um quadro de despesas de médio prazo, de regulamentação de depósitos e transacções em moeda estrangeira e a definição de limites de exposição cambial e de acautelamento do efeito da livre circulação do dólar.
Como resposta dada pelo Governo angolano, prosseguiu a ministra do Planeamento, na revisão do OGE, em meados de 2009, foi elaborado um programa específico de medidas macroeconómicas para limitar os defeitos e efeitos perniciosos da redução de valores dos importantes agregados monetários e financeiros.
Lembrou que no ajustamento orçamental de Junho de 2009, as despesas correntes sem juros da dívida pública foram diminuídas em cerca de seis por cento, tendo-se registado também uma redução no sector das despesas de investimento público, em mais de 26 por cento.
No entanto, referiu que as receitas petrolíferas fiscais passaram de 40,8 por cento do PIB, em 2008, para 23, 4 por cento, em 2009, enquanto o Rendimento Nacional Bruto por habitante sofreu uma quebra de 17, 2 por cento, um abrandamento que teve consequências sobre as condições de vida da população. Esta ficou agravada pela taxa de inflação, que em 2009 se situou em cerca de 14 por cento, mais alta que a de 2008, também influenciada pelo registo negativo das receitas de exportação e no stock das reservas internacionais.
Relativamente aos investimentos privados e embora não se tenha ainda a contabilidade final referente ao ano de 2009, estima-se que os de proveniência externa, dirigidos para os sectores extractivos, petróleos e diamantes tenham diminuído
Num breve recurso à teoria de crescimento económico, com realce para as determinantes deste crescimento, Ana Dias Lourenço destacou o papel da intermediação financeira, já que garante maior eficiência na alocação de recursos financeiros, favorecendo também uma maior captação de poupança e maiores recursos para emprestar. “O sistema financeiro está condicionado às imperfeições do mercado”, reconheceu, tendo considerado as falhas no canal de transmissão de informação entre os agentes económicos, que por sua vez podem tornar as transacções mais onerosas e até inviabilizáveis, como exemplo disso.
Em face disto, referiu que este constrangimento é susceptível de ser resolvido por via da intermediação financeira, cujo papel é desenvolvido pelos bancos.
Falando do estudo, a ministra disse que no caso do país, este permite remover as assimetrias de informação e aumentar a racionalidade das decisões dos investidores e do público em geral, na medida em que contribui para a minimização dos conflitos de interesse que tendem a ocorrer quando a informação sobre actividade bancária escasseia.
“Os resultados anunciados permitem aos decisores de política macroeconómica confirmarem a eficácia e actualidade das políticas implementadas durante o ano 2009”, concluiu.

[Informacao daqui]


Ana Dias Lourenço




Nesta serie, que se vai tornando cada vez mais esparsa (estara' o meu olhar menos atento a diversidade, ou estarao a diminuir 'a olhos vistos' os olhares diversos sobre Angola?), tenho tentado espelhar, reflectir, olhares da/sobre a sociedade angolana que se demonstrem de algum modo (em geral no sentido positivo mas, num ou noutro caso, tambem no negativo) diversos da mainstream - e com mainstream nao pretendo necessariamente significar 'poder' e/ou as suas 'margens', mas, sobretudo, olhares que se desviem, ou que desviem o nosso proprio olhar, daquilo a que a mainstream (no poder ou na oposicao) nos vem habituando.

'A primeira vista, este e' um olhar mainstream... mais do que isso: e' um olhar institucional. O que o torna, entao, diverso? O facto de nos ser dado por uma mulher. Mais do que isso: uma mulher economista. Mais do que isso: o membro mais estavel, ao longo dos anos (desde 1997), do executivo angolano (tive a oportunidade de lhe dar os meus sinceros parabens por esse feito, quando, no ano passado, amavel e profissionalmente me concedeu uma entrevista no seu gabinete em Luanda, para este meu trabalho).

Mais do que isso: uma mulher inteligente e dedicada as suas responsabilidades - obviamente que, neste contexto (tal como, alias, o tenho feito em todos os casos ao longo desta serie - excepto neste, a que me vi forcada a voltar a olhar mais tarde...), me abstenho, por um lado, de discutir o conteudo das suas declaracoes e, por outro, de colocar as minhas naturais reticencias a "raison d'etre" de um Ministerio do Planeamento numa, pelo menos na sua evolucao ao longo dos anos em que tem desempenhado as suas funcoes ministeriais, economia de mercado; e tais reticencias nao significam tambem necessariamente um 'atestado de invalidez' a relevancia do planeamento em qualquer economia... mas essas sao questoes para outros olhares.

Mas, mais ainda do que tudo isso, numa sociedade que, como este blog infelizmente vem registando, tao frequentemente me tem dado razoes para criticas a algumas mulheres (mesmo que construtivas na intencao, declarada ou nao...), e' um olhar de uma mulher de substancia que, ao longo dos anos, desde os nossos tempos do Liceu Feminino ou, dito mais simplesmente, desde os tempos da nossa Any Afonso, apenas me tem dado razoes para a ter em grande estima pessoal: como mulher, como ser humano, como colega e como profissional, enfim, como Mulher!

Aqui fica, pois, o seu olhar sobre o desempenho actual da economia angolana:



A intervenção do Governo perante o cenário da crise financeira e económica mundial teve os efeitos esperados, aguardando-se que este ano a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se situe em redor dos 4,5 por cento, segundo a ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço.
Embora uma subida modesta, a governante, que falava ontem, em Luanda, no acto de apresentação da quinta edição do estudo “Banca em Análise” elaborado pela Deloitte, considerou-a acima do crescimento natural da população.
Na base deste aumento estão medidas de reacção à crise mundial tomadas pelo Governo, com realce para o domínio financeiro, monetário e cambial, que visaram assegurar a consistência da implementação das políticas na gestão macroeconómica, além de um maior rigor na programação financeira do tesouro.
O estabelecimento de regras claras no uso de instrumentos de política monetária e o ajustamento da taxa de reservas obrigatórias do Banco Central, bem como a emissão de títulos do tesouro de curto prazo para o ajustamento da liquidez e a redefinição da política de subsídios directos aos consumidores, são outras das medidas adoptadas pelo Governo para fazer frente à crise.
Ainda no rol de medidas, destaque para a abordagem da implementação de um quadro de despesas de médio prazo, de regulamentação de depósitos e transacções em moeda estrangeira e a definição de limites de exposição cambial e de acautelamento do efeito da livre circulação do dólar.
Como resposta dada pelo Governo angolano, prosseguiu a ministra do Planeamento, na revisão do OGE, em meados de 2009, foi elaborado um programa específico de medidas macroeconómicas para limitar os defeitos e efeitos perniciosos da redução de valores dos importantes agregados monetários e financeiros.
Lembrou que no ajustamento orçamental de Junho de 2009, as despesas correntes sem juros da dívida pública foram diminuídas em cerca de seis por cento, tendo-se registado também uma redução no sector das despesas de investimento público, em mais de 26 por cento.
No entanto, referiu que as receitas petrolíferas fiscais passaram de 40,8 por cento do PIB, em 2008, para 23, 4 por cento, em 2009, enquanto o Rendimento Nacional Bruto por habitante sofreu uma quebra de 17, 2 por cento, um abrandamento que teve consequências sobre as condições de vida da população. Esta ficou agravada pela taxa de inflação, que em 2009 se situou em cerca de 14 por cento, mais alta que a de 2008, também influenciada pelo registo negativo das receitas de exportação e no stock das reservas internacionais.
Relativamente aos investimentos privados e embora não se tenha ainda a contabilidade final referente ao ano de 2009, estima-se que os de proveniência externa, dirigidos para os sectores extractivos, petróleos e diamantes tenham diminuído
Num breve recurso à teoria de crescimento económico, com realce para as determinantes deste crescimento, Ana Dias Lourenço destacou o papel da intermediação financeira, já que garante maior eficiência na alocação de recursos financeiros, favorecendo também uma maior captação de poupança e maiores recursos para emprestar. “O sistema financeiro está condicionado às imperfeições do mercado”, reconheceu, tendo considerado as falhas no canal de transmissão de informação entre os agentes económicos, que por sua vez podem tornar as transacções mais onerosas e até inviabilizáveis, como exemplo disso.
Em face disto, referiu que este constrangimento é susceptível de ser resolvido por via da intermediação financeira, cujo papel é desenvolvido pelos bancos.
Falando do estudo, a ministra disse que no caso do país, este permite remover as assimetrias de informação e aumentar a racionalidade das decisões dos investidores e do público em geral, na medida em que contribui para a minimização dos conflitos de interesse que tendem a ocorrer quando a informação sobre actividade bancária escasseia.
“Os resultados anunciados permitem aos decisores de política macroeconómica confirmarem a eficácia e actualidade das políticas implementadas durante o ano 2009”, concluiu.

[Informacao daqui]

Tuesday, 24 August 2010

OLHARES DIVERSOS (VII) [R]* (Actualizado)




"O grande inimigo da verdade, muitas vezes não é a mentira - deliberada, compulsiva e desonesta - , mas o mito - persistente, persuasivo e irrealista. Acreditar em mitos dá o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento."
John F. Kennedy


"We cannot trample upon the humanity of others without devaluing our own. The Igbo, always practical, put it concretely in their proverb Onye ji onye n'ani ji onwe ya: "He who will hold another down in the mud must stay in the mud to keep him down."

[Chinua Achebe]

Ou, alternativamente, em Portugues: Yanick Ngombo, a.k.a. Afroman, membro da etnia Bakongo (tal como os Igbo, igualmente com um sentido bastante pratico das coisas mundanas, para que lhes sobre tempo suficiente para as coisas do espirito, como a metafisica ou a filosofia), diz numa das suas cancoes algo como isto: "... e' como o porco que arrasta o javali para uma luta na lama: os dois vao se sujar, mas o porco gosta porque assim ganha fama!







Regresso a este post, motivada por esta noticia e por ter lido aqui que na mesa redonda em questao nao houve debate. Poderia re-entitula-lo "Mais, mais uma vez... Revisitando Questoes de Genero", ou algo assim parecido. Mas nao o faco porque prefiro mante-lo tal como o postei pela primeira vez e porque... ele nao trata de "questoes de genero"!

Trata, isso sim, de PRECONCEITOS, de olhares aprioristicos, ou melhor, de um olhar (cego?), sobre a sociedade, ou sobre algumas pessoas na sociedade (ou seria ate', como tudo parece indicar, apenas sobre uma pessoa?!...) e do que me soa ate' hoje como uma INTROMISSAO GROSSEIRA na vida intima de pessoas privadas e de um JULGAMENTO SUMARIO em praca publica de SUPOSTOS comportamentos privados de pessoas privadas, com base em VEREDICTOS informados apenas pelo ponto de vista INQUISITORIAL de quem julga a distancia aquilo e quem NUNCA VIU, NEM DE PERTO NEM DE LONGE e NAO CONHECE, nem NUNCA CONHECEU, minimamente que seja... E, nessa medida, ate' porque se trata de um discurso cheio de ARGUMENTOS NON SEQUITUR, parece-me francamente faltar-lhe a ANALISE SOCIOLOGICA, para dizer o minimo!


Este e' precisamente um exemplo tipico daquilo a que Malveaux se referia ao dizer que "demasiados analistas sao apanhados na teia de Sexo, Mentiras e Estereotipos forjada pelos media para fazer politica publica"! E, neste caso, com a agravante de nao serem so' analistas, mas tambem politico(a)s, cuja filiacao partidaria 'garante' que as possiveis politicas publicas (assepticas?) adoptadas ou a adoptar neste dominio especifico venham a ser 'informadas' pelos seus preconceitos baseados em tais estereotipos...

Peco imensas desculpas, nao pretendo ofender ninguem, mas se se pretende realmente "resgatar valores", "mudar mentalidades" e/ou RECONCILIAR PESSOAS E FAMILIAS e, em ultima analise, a SOCIEDADE ANGOLANA, ha' que se deixar de ESTIGMATIZAR, AGREDIR, INSULTAR e OFENDER gratuita, indiscriminada e aleatoriamente pessoas cujas vozes JAMAIS SAO OUVIDAS, seja nos espacos (publicos ou privados) onde tais entrevistas sao concedidas, seja nas tais mesas redondas ou bicudas onde, de resto, tais questoes nao sao sequer debatidas... Enfim, ha' que saber-se OUVIR primeiro as PESSOAS visadas, para se conhecer a REALIDADE e para que se a possa analisar com propriedade, acuidade e o devido respeito pelos SERES HUMANOS, incluindo CRIANCAS INOCENTES, que se pretende julgar SEM QUALQUER FUNDAMENTO, assim apenas SOMANDO INSULTO A INJURIA!...

E tudo, aparentemente, apenas para se ALIVIAREM CONSCIENCIAS PESADAS (?) E TENTAR-SE JUSTIFICAR ESFARRAPADAMENTE O INJUSTIFICAVEL E DEFENDER O INDEFENSAVEL, ou, pior ainda, PARA SE FAZEREM CAMPANHAS DE AUTO-PROMOCAO PESSOAL A CUSTA DA HONRA E DO BOM NOME DE QUEM, CONTRA TODAS AS TENTACOES E 'APELOS' EM CONTRARIO, TEM LEVADO A SUA VIDA SACRIFICADAMENTE COM A MAIOR DAS DIGNIDADES E PROBIDADES (... e sobre isto devo lembrar que A VERDADE VEM SEMPRE AO DE CIMA)!
Ha' que deixar-se de tentar arranjar BODES EXPIATORIOS para todos os males e doencas da sociedade e de POLITIZAR E MANIPULAR TRAGEDIAS HUMANAS INDIVIDUAIS OU FAMILIARES para VENDER JORNAIS, fazer delas COBAIAS EM EXPERIENCIAS/ESPECULACOES PSEUDO-SOCIOLOGICAS OU PSEUDO-PSICANALITICAS e tentar delas retirar DIVIDENDOS POLITICOS!... Ha' que aprender-se a ouvir os VERDADEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL, ou seja, entre outros, daqueles que foram tornados excluidos social, economica e politicamente pela DESTRUICAO DAS FAMILIAS E DO TECIDO ECONOMICO, SOCIAL, MORAL E ESPIRITUAL de que os representantes de quem hoje promove tais mesas redondas estao longe de estar isentos, pois foi com os seus INSENSIVEIS E INSENSATOS KAMARTELOS E METRALHADORAS que os destruiram!... Enfim, ha' que ter-se, no minimo, alguma capacidade de auto-analise e de AUTO-CRITICA!

Ha' que SABER-SE TER MORAL PARA SE SER MORALISTA! Mas, acima de tudo, HA' QUE DEFINIR-SE CLARAMENTE DE QUE PRINCIPIOS E VALORES, E DE QUEM EM CONCRETO, SE ESTA' A FALAR! Em suma, usando as proprias palavras da entrevistada, HA' QUE SABER-SE GERIR OS APELOS a intromissao ABUSIVA, LEVIANA, IRRESPONSAVEL e ate' CRIMINOSA, porque CALUNIOSA E DIFAMATORIA, na VIDA PRIVADA DO CIDADAO (neste caso, mais especificamente, da CIDADA), no que e' um exemplo flagrante de INVERSAO E SUBVERSAO PRECISAMENTE DOS VALORES E PRINCIPIOS que se alega pretender "RESGATAR"!

O que farei em seguida, um pouco tentando cobrir o "debate que nao houve", e' colocar algumas questoes muito simples, directas e incisivas (a vermelho) relativas a algumas passagens dessa entrevista. Nao espero respostas, espero apenas poder contribuir um pouco para a REFLEXAO que se impoe. E espero tambem que as questoes que aqui coloco possam ser recebidas por quem as leia com o mesmo espirito de TOLERANCIA E ABERTURA A DIVERSIDADE CULTURAL, POLITICA E INTELECTUAL com que decidi publicar aqui esta entrevista quando o fiz.

Resta-me dizer que nao conheco pessoalmente a entrevistada, nem nunca antes havia sequer ouvido ou lido o seu nome antes desta entrevista.



FATIMA VIEGAS

AO PAIS

(…)

Temos (mulheres prepotentes). E por vezes a prepotência, o autoritarismo, servem para esconder outras coisas, essas pessoas têm sempre uma fragilidade, incompetência ou outras questões, pode ser algo recalcado, a pessoa pode ter sido violentamente maltratada na sua infância ou na sua juventude e depois, com poder, querem usar o poder com prepotência. Mas acho que se podem gerir as situações, a questão está mesmo na educação … Há a gestão que se deve fazer do poder, mas há também a gestão dos apelos. Já tivemos o cooperante, agora o expatriado, as catorzinhas …

{... Ja' nao teem as catorzinhas, os cooperantes e os expatriados?! Gostava mesmo de saber - mera curiosidade academica - porque nunca estive muito familiarizada com tais especimens e quando tive algum, reagi desta forma... E o que e' que esta sucessao de PEDRADAS (dirigidas, obviamente, nao aos homens que usam e abusam das ditas catorzinhas, nem aos cooperantes ou expatriados...) tem a ver com a questao da "prepotencia das mulheres"?}

(…)

Essas que têm conhecimento da situação do companheiro e que aceitam essa situação são mulheres que não se respeitam a si próprias. Não me venham dizer que é das dificuldades económicas porque qualquer ser humano que se organize pode sobreviver aos desafios. Se ela sabe que o companheiro já tem “n” mulheres nem sequer há uma relação, nem sequer a ligação entre eles é efectivamente vivida. Se ela não se respeitar a ela própria ninguém a respeita, é uma questão de valorizar a dignidade da pessoa humana. Salvo em questões culturais, nas comunidades em que a poligamia ou a poliandria é instituída.
{Sera' inteiramente objectivo, realistico ou justo este julgamento numa sociedade onde a poligamia, independentemente do meio cultural, e' praticamente uma INSTITUICAO com dia nacional consagrado e tudo: a sexta feira?!... E nao e' curioso que julgamento equivalente, ou apenas uma leve mencao, em algum momento seja feita ao HOMEM POLIGAMO?}
(…)

Esse rótulo do “tio Pacheco” deriva efectivamente da falta de educação, de princípios. Se ele foi educado em como era superior à mulher, que tem de estar sempre acima da mulher, quer do ponto de vista do conhecimento, quer do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista da sociedade, ele, efectivamente não aceita esta situação. Mas já vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades. Havendo essa paridade, o essencial é o diálogo e a convivência.
{"Ja' vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades"?! Onde? No MPLA? Em Luanda? Em Angola?... Mas a questao fundamental nao e' sequer essa: e' que, tanto quanto julgo entender da cancao da Patricia Faria, com o Kota Bonga, sobre o tal de "Pacheco", trata-se de alguem que "so' quer cama e mesa... depois de sacar toda a escama, arrasta o meu nome na lama... mama nao se meta so' la', esse homem esta' cheio de astucia, ele nao procura emprego, depois quer somar um bom posto... mas ele so' quer cama e mesa... esta' a pensar que a mulher e' limpeza"!...}
(…)

Infelizmente temos uma sociedade muito mais agarrada aos bens materiais que à parte espiritual, e as pessoas vão-se agarrando mais a determinados subterfúgios para terem uma certa posição. Daí que não se faça questão de mostrar aos filhos questões culturais, um livro, actividades potenciadoras de uma cultura no seu todo, mas apenas o vestido, que muitas vezes nem é condigno, as toilettes, os luxos. São questões que têm um valor educacional, que têm a ver com a dignidade da pessoa humana, da forma como se encara a vida. Se eu encaro a vida com futilidade, eu darei aos meus filhos coisas fúteis, como, por exemplo, a melhor marca, das melhores comidas, e não ter a preocupação de ensinar a convivência em sociedade e a cultura geral. O facto de ir a Londres eu não condeno, condeno é que sirva apenas para futilidades. Nós além da nossa cultura devemos também buscar coisas de outros lados.
{... Mais uma vez, e ja' fazendo um GRANDE ESFORCO para ignorar tudo o resto (e.g. em nenhum momento se fala do pai do tal filho a quem alegadamente "nao se mostram questoes culturais"... ), a que proposito e' que venhem aqui "idas a Londres apenas para futilidades"? E porque Londres e nao qualquer outra cidade do mundo, como por exemplo Lisboa? Quem sao, por exemplo, os angolanos de que se fala, entre muitas outras que teem vindo a publico em Portugal e noutros paises nos ultimos tempos, nesta materia?!}
(…)

Essa cultura do ter passa pela competição de ver quem tem uma conta mais recheada, quem tem carros de marcas cada vez mais caras, ou quem consegue ter mais espaço na sociedade. Preocupa-me porque não é apenas o ter que nos trará felicidade neste país. É o ser e isso passa por termos valores e respeitarmos os outros. Quando diz que há jovens que olham para fora sem olhar cá para dentro, temos de fazer as duas coisas. Temos de valorizar primeiro as coisas de dentro e depois as de fora. Sem conhecer a minha realidade eu não posso saber quem eu sou. É importante este conhecimento de saber de onde venho e para onde vou.
{Sem comentarios, excepto para perguntar: quem e' que incentiva a "cultura do ter" em Angola? Quem e' que TEM, COMO o obteve e PORQUE que o TEM em Angola e, sobretudo, FORA DE ANGOLA?! E sobre essa estoria do TER vs. HAVER a verdade e' que SUAS EXCELENCIAS transformaram Angola num pais onde para se SER tem que se TER!}
(…)

Temos uma sociedade com assimetrias muito fortes, com gente que tem muito e esbanja, e os que nada têm. Temos é de esbater as assimetrias, dando oportunidades de emprego, de formação e dar oportunidades em função dos níveis das famílias. Precisamos de identificar as famílias e ouvi-las dizer o que precisam. Não falo de um Estado assistencialista, mas de um Estado que crie condições para as pessoas se poderem desenvolver. Durante muito tempo tivemos pessoas que apenas aprenderam a estender a mão. Estas pessoas não foram ensinadas como fazer o pão, como organizar as suas vidas. É preciso ensinar a saber fazer.
Mas isso tem de ser acompanhado de oportunidades. Fala-se agora da construção de um milhão de casas mas é preciso estudar como colocar lá as pessoas. Uma população da ilha tem como actividade a pesca, não podemos colocar estas pessoas longe onde se faça agricultura, não é o seu modo de vida. É preciso caracterizar bem as famílias e encaminhá-las como deve ser. Em qualquer sociedade há classes, ricos e pobres, mas é preciso dar aos pobres as condições mínimas para viver em sociedade. É preciso ver bem as coisas, dar o micro crédito, e aqui é preciso acompanhar bem o que se dá às mulheres.
{... "E' preciso acompanhar bem o que se da' as (mendigas?) das mulheres (que nao sabem gerir o seu pouco, ou nenhum, dinheiro, ou recursos domesticos, ou mesmo as suas vidas)"?! Ou aprender com elas quais a suas reais prioridades, problemas e necessidades e ajuda-las a satisfaze-los efectiva e eficazmente, com ou sem micro-credito? Ou evitar criar situacoes, como as demolicoes e desalojamentos de familias inteiras, ou simplesmente ROUBOS de casas a mulheres indefesas?...}
(…)

O que mais temos na nossa sociedade são, infelizmente, famílias monoparentais forçadas e nessas famílias a mulher, geralmente, não tem meios de sustento. Ou ela foi levada emocionalmente pela conversa bonita que o homem lhe cantou e que depois a abandonou. O problema nem é só a questão da paternidade, quando isso acontece, o maior reconhecimento é o amor e o carinho com que ele pode acompanhar o crescimento da criança, ser pai. Isso é que me preocupa. Nós tivemos décadas de destruição de infraestruturas, mas isso se pode reconstruir, o pior é a reconstrução do tecido social que leva muito mais tempo.
{Apenas uma hipotese (sociologica) alternativa: e se tiver sido ela a abandona-lo apesar da "conversa bonita"? Qualquer que seja a resposta, nao deixa de ser interessante que, em nenhum momento, qualquer analise critica substantiva seja feita em relacao ao tal "pai ausente", forcado ou nao!...}
(…)

Estive em Moçambique a trabalhar, a dar aulas e olhe que os alunos na universidade expressavam-se na língua materna, e Moçambique está dentro da globalização. Se dinamizarmos as nossas línguas, as nossas culturas e os valores culturais positivos. Porque eu não vou valorizar nem a poligamia nem a feitiçaria porque sei que acarretam consequências negativas. Mas devemos valorizar o nosso. Não devemos deixar que a globalização nos coma. Mesmo no Ocidente, pela televisão, vemos as suas danças, a sua arquitectura, os seus valores. É isso que tem de ser feito e essa valorização começa na cultura da educação, começa em casa e passa pela escola. Não se deve temer ser conservador, porque ser conservador, em determinados aspectos, pode ser útil.
{Sem comentarios... excepto para chamar atencao para a Lei da Familia em Mocambique, apresentada no espaco de comentarios a outra entrevista indicada no fim deste post}
(...)

Gosto de agarrar-me ao discurso do Presidente da República, José Eduardo do Santos, sobre a família, quando ele diz que a grande preocupação é que o homem angolano hoje tornou-se muito imediatista, egoísta, muito voltado para si mesmo.
{esta e' que fica mesmo SEM COMENTARIOS...}


[Aqui]
*[First posted 05/08/09]



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P.S.1: Tive, ate agora, alguma relutancia, ditada pelos meus valores e principios, em mencionar aqui esta 'pequena estoria', mas uma vez que me “estenderam” em praca publica, “porque sou isto, porque sou aquilo”, decidi-me a regista-la, mesmo porque ela nao e’ apenas do meu conhecimento:

Um dos participantes dessa mesa redonda (a que
aqui me referia quando dizia que “ate’ cumplice de plagios me obrigaram a ser”…) esteve hospedado em minha casa em Lisboa durante algumas semanas, num periodo em que eu ocasionalmente alugava quartos a estudantes – geralmente jovens do sexo feminino que me eram recomendadas pelos meus amigos alemaes que me haviam ajudado a obter o seu contrato de aluguer, mas nesse caso abri uma excepcao porque a pessoa em questao me havia sido recomendada por alguem de confianca e eu tambem ja’ o conhecia dos tempos de militancias e ate’ o tinha em alguma consideracao e amizade.

Acontece que o camarada era casado (por sinal, com uma mulher branca), mas tinha uma outra (por sinal uma mulher negra), que com ele tambem tinha ido para la’ fazer um curso (e que eu tambem ja’ conhecia dos mesmos tempos de militancias), mas que ficara hospedada numa outra casa. Ora, porque eu vivia sozinha na altura, comecei a ser bombardeada com telefonemas tanto da mulher casada, como da mae dela - sogra do camarada, portanto, a “pedirem-me satisfacoes” sobre “o meu relacionamento” com o dito camarada… Ao que lhes respondi apenas com a verdade e nada mais do que a verdade: que ele era apenas, e tao so’, meu inquilino! E apenas temporariamente ate' que ele arranjasse a sua propria acomodacao definitiva - como alias o fez passado pouco tempo, comprando (nao alugando...) uma casa numa zona nobre...

Agora, ele, participante que foi nessa mesa redonda sobre "valores e principios" e a sua “outra” (que, inclusive, uma vez foi la’ a minha casa para eu ajuda-la a vestir-se para uma recepcao do 11 de Novembro na Embaixada – numa altura em que eu, para todos os efeitos, ja’ era persona non grata e nem sequer era mais convidada para o “nosso dia”…), que, por obsequio, venham a mesma praca publica em que me “estenderam” dizer se, apesar de eu viver sozinha na altura, alguma vez teve, ou eu “o aliciei” para, algum relacionamento menos proprio comigo!





P.S.2: E, ja' agora (... ja' que comecei ...), embora estes 'personagens' possam nao ter directamente a ver com essa mesa redonda (... ou talvez ate' tenham, pelo menos indirectamente, uma vez que o individuo aqui em questao foi sogro de um dos participantes nessa mesa redonda...), o ter falado dos tempos em que eu era persona non grata na Embaixada, lembrou-me do facto de que quem 'mais explicitamente' me colocou naquela categoria (e nao me custa nada crer que tal facto tenha tido a ver com a "inconfidencia" que aqui vou fazer - diga-se que com assumida leveza, por ele ja' ser falecido e esperando que a terra lhe seja leve...) foi o individuo (por sinal branco de origem goesa) de quem aqui falava e que, sendo casado [por sinal com uma mulher branca que, por coincidencia (?), na altura tambem trabalhava la' na Embaixada], teve pelo menos uma "outra" (por sinal uma jovem mulher negra) que a dada altura se tornara minha amiga em Luanda (embora ja' nos conhecessemos dos tempos mais remotos da infancia na Vila Alice) e que comigo confidenciara sobre a sua relacao com ele... E sobre esse caso mais nao digo!



Mas… ja’ que comecei… e por falar em “valores e principios” (os meus e os dos outros e das outras), oferece-se-me a oportunidade de acrescentar alguns detalhes ao tristemente celebre, dramatico, traumatico (para mim – tanto pessoal, como profissional, psicologica, material e financeiramente) e escandaloso episodio ocorrido nesta organizacao e ao qual me referia aqui , aqui e aqui:

O protagonista principal de tal episodio (o angolano, por sinal negro e casado, que me fez o ataque pornografico) tinha entrado para a organizacao, onde me encontrou, ha’ muito pouco tempo, tendo-se rapidamente feito “muito amigo” de um mocambicano, por sinal tambem negro, que se dizia PhD e fazia muita questao de ser tratado como tal, embora nunca tivesse revelado em que universidade, ou pais, obtivera tal qualificacao, e cujas credencicais academicas e profissionais eram questionadas pelos seus proprios conterraneos que o conheciam melhor do que eu e que para la’ tinha entrado, to put it mildly, por portas travessas…

[E aqui abro um parentesis para notar uma 'observacao empirica' que se vem solidificando com as minhas experiencias a este respeito: o facto de o comportamento obcessivamente persecutorio desse individuo em relacao a mim se ter demonstrado muito similar ao de um outro sujeito na mesma organizacao, um sul-africano tambem casado com uma branca (a qual, por sinal, volta e meia aparecia pelo gabinete do genero da organizacao com um dos bracos em gesso, a queixar-se dos "afectos" que o marido lhe dava em casa...), e de o comportamento de ambos, por sua vez, se assemelhar bastante ao de certos PhDs e Kabungados Novo-Jornaleiros habitues deste blog - aos quais devo acrescentar o de um dos "epigonos ex-brigadistas especialista em poemarios" a quem
aqui me refiro e, ja' agora e en passant, certos homo democraticus 'activistas do social' aqui mencionados... - , vem confirmando a minha percepcao de que os negros "mais assanhados" em ataques canalhas, baixos e soezes contra certo tipo de mulheres negras (como as que aqui sao retratadas) sao, geralmente, casados (ou com relacionamentos proximos/intimos) com brancas ou mesticas, ou que a isso sempre aspiraram - como que, com tal comportamento, exteriorizando algo (nomeadamente o seu misto de recalcamentos, insegurancas e complexos de superioridade/inferioridade...) que sempre tentaram dissimular atraves de tais casamentos ou relacionamentos e as frustracoes neles acumuladas, ou apenas buscando uma justificacao para as suas "escolhas mais profundas"... ou, simplesmente, apenas reflectindo o 'racismo aprendido por osmose' com as suas parceiras/amigas ... ou, mais simplesmente ainda, apenas tentando provar beyond any reasonable doubt o seu "inquestionavel amor por elas"... ou, sem mais ques nem porques, apenas porque, para todos os efeitos reais e praticos, com todo o seu racismo invertido, sao "brancos por dentro e negros por fora"... (veja-se, a titulo de exemplo, este caso...) - claro que me refiro aqui apenas aos que ostentam esse tipo de comportamento, porque tambem os ha' casados e/ou envolvidos saudavelmente com mulheres nao negras e que nao demonstram qualquer necessidade de o fazer! E o facto de eu propria ter tido envolvimentos formais com nao negros sem que por isso alguma vez me tenha sentido compelida a hostilizar qualquer negro, apenas me torna mais perceptiva em relacao a esses bizarros e psicopaticos comportamentos... E, ja' agora, um pouco mais de "psicanalise": nao soubesse eu que pelo menos o sul-africano nao leu este meu artigo, diria que os outros estariam (estarao) a reagir a esta afirmacao de Rousseau que nele citei: "(...) E sobretudo, pertence-vos corrigir os defeitos que os nossos jovens vao buscar a outros paises, donde, em vez de tantas coisas uteis de que poderiam aproveitar, com ares ridiculos aprendidos no meio de mulheres estrangeiras, nao trazem senao admiracao de nao sei que pretensas grandezas, frivolas compensacoes da escravidao, que nunca terao o valor da excelsa liberdade." - E la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu!"... Estou certa, ou estou errada?!]

Ora, esse individuo tornou-se, desde que para la’ entrou, o ring leader de um grupelho cujo nucleo central era constituido por ele proprio, a sua amante e mais alguns poucos (por sinal todos lusofonos) do seu circulo. Acontece que a tal amante (por sinal uma musticia mwangole’) que se tornou “peca de mobiliario da organizacao”, divorciada [embora seja consabido que nao era propriamente conhecida por ter sido fiel no casamento (o que me faz lembrar vagamente de uma keta do antigamente na vida ke dizia assim: #se eu soubesse nao kasava, se eu soubesse nao kasava kom akela mulata enganadora... a mulata me dizia ke era mesmo delikada afinale fui ver e' piore ke uma cebola#...) – tendo embora mantido o sobrenome do ex-marido, por sinal negro, entretanto casado pela segunda vez com uma mulher branca…) e vinha de um recente relacionamento falhado com um outro mocambicano (por sinal musticio-indiano) … Acontece tambem que o tal individuo era casado com uma mulher, por sinal branca, com quem tinha dois filhos ainda pequenos que deixara em Mocambique, sendo que, para alem da amante mwangole’, dizia-se ter outras 'namoradas' na cidade…

Acontece igualmente que, tanto ele como a amante mwangole’ (que desde que o "engatou" comecou a aparecer pelo edificio da organizacao vestida de tal modo que ela propria dizia que "estou a catorzinha"!...) tinham razoes, e expressaram-no a saciedade (!) desde que eu entrara para a organizacao, para terem inveja e ciumes pessoais e profissionais em relacao a mim (por isso eles e outro/as no fim decidiram inventar-me um fantasmagorico relacionamento intimo com o entao Secretario Executivo da organizacao – puras CALUNIA E DIFAMACAO!), com os quais terao contagiado o seu grupelho e, implicitamente, o angolano que acabou por ser o meu algoz na organizacao… A este proposito talvez baste dizer que o primeiro obus que ele disparou sobre o meu quintal foi em retaliacao a um artigo de uma revista americana sobre estudos que demonstravam que as mulheres negras nos EUA tinham em media um nivel academico, profissional e financeiro superior ao da media dos homens negros americanos (uma questao tambem abordada
nesta obra), que eu circulara por e-mail a todo o staff, tal como o fazia regularmente com materias que me pareciam relevantes para a reflexao e/ou a formulacao de algumas politicas. Fi-lo sem qualquer intencao de provocar absolutamente ninguem - nem homem, nem mulher, nem branco, nem negro - mas o individuo tomou aquilo como um "insulto pessoal" e respondeu-me, com copia para todo o staff, como se o artigo, a que eu nao acrescentara qualquer comentario, se referisse ao meu caso pessoal, nestes termos: "Achas mesmo que vales assim tanto?! Olha so' como as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, estao muito bem e muito felizes!"... Claramente, nao so' um ataque pessoal do mais baixo coturno, como ciumes e despeito pela minha posicao e remuneracao e, mais do que tudo isso, a tentativa de acirrar os animos das colegas mulheres contra mim... o que, pelo menos em parte, tera' conseguido...

[E aqui abro um outro parentesis, para registar que ja' antes de eu ter entrado para a organizacao, mas trabalhava tambem la' no Botswana, vi-me forcada a fazer saber a tal 'dona', ou Exma. Sra., musticia mwangole' acima mencionada, da minha indignacao e repugnancia pela 'iniciativa' que ela e uma irma sua decidiram tomar, sem que eu alguma vez lhes tivesse dado azo para tal grosseira ingerencia, atrevimento e abuso de confianca - mesmo porque eu vivia e trabalhava rodeada de homens e pretendentes era o que nao me faltava - de "me arranjarem homem", certamente porque, de acordo com os seus "valores e principios", na cabeca del(e)as nao cabe a ideia de uma mulher "sem homem", tendo para o efeito dado o meu endereco a um fulano que eu nao conhecia de parte nenhuma e com ele marcado um encontro comigo em meu nome, limitando-se depois a comunicar-me por email que o tal fulano "iria visitar-me no dia x"... Bom, felizmente para ele e para elas, eu nao estava na cidade, nem no pais, no tal dia! Mas, mesmo assim, consegui conter-me e fui educada e comedida o suficiente para lhes pedir apenas que nao voltassem a repetir a "brincadeira"... acrescente-se, de muito mau gosto!]

Ha’ outros detalhes dessa historia (alguns dos quais podem ser encontrados AQUI), como por exemplo o envolvimento de uma outra mwangole’ recem-entrada na organizacao e que logo se tornara, again to put it mildly, “amiga especial” do chefe de um dos directorados – um zambiano que ha’ muito 'andava atras de mim' sem qualquer sucesso, quanto mais nao seja por ser casado – o que provocara o ultraje de outros colegas seus do mesmo directorado e, em particular, de uma tanzaniana que se sentira prejudicada pessoal e profissionalmente por tal affair , tendo-o tornado ‘publico’ internamente e com referencias muito pouco abonatorias para a generalidade das mulheres angolanas!

E’ que, para alem de tudo o resto, a leviandade, a superficialidade, a vulgaridade, a venalidade, a permissividade e a falta de escrupulos, profissionalismo, educacao moral e civica, etica, em suma, de valores e principios , gostam de companhia, quanto mais nao seja para “nao se sentirem inferiores” … como o tal "meu algoz" gostava muito de dizer em relacao a mim e todos os que priorizavam o trabalho, a imagem do seu pais e o respeito pela instituicao e nao alinhavam nos seus "apelos" (e' que... sabiam geri-los bem demais!... ) para se juntarem aos seus “devassos, lascivos e promiscuos afectos”, seguramente nao no local de trabalho: “teem a mania de se achar mais do que os outros”!





"O grande inimigo da verdade, muitas vezes não é a mentira - deliberada, compulsiva e desonesta - , mas o mito - persistente, persuasivo e irrealista. Acreditar em mitos dá o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento."
John F. Kennedy


"We cannot trample upon the humanity of others without devaluing our own. The Igbo, always practical, put it concretely in their proverb Onye ji onye n'ani ji onwe ya: "He who will hold another down in the mud must stay in the mud to keep him down."

[Chinua Achebe]

Ou, alternativamente, em Portugues: Yanick Ngombo, a.k.a.
Afroman, membro da etnia Bakongo (tal como os Igbo, igualmente com um sentido bastante pratico das coisas mundanas, para que lhes sobre tempo suficiente para as coisas do espirito, como a metafisica ou a filosofia), diz numa das suas cancoes algo como isto: "... e' como o porco que arrasta o javali para uma luta na lama: os dois vao se sujar, mas o porco gosta porque assim ganha fama!







Regresso a este post, motivada por esta noticia e por ter lido aqui que na mesa redonda em questao nao houve debate. Poderia re-entitula-lo "Mais, mais uma vez... Revisitando Questoes de Genero", ou algo assim parecido. Mas nao o faco porque prefiro mante-lo tal como o postei pela primeira vez e porque... ele nao trata de "questoes de genero"!

Trata, isso sim, de PRECONCEITOS, de olhares aprioristicos, ou melhor, de um olhar (cego?), sobre a sociedade, ou sobre algumas pessoas na sociedade (ou seria ate', como tudo parece indicar, apenas sobre uma pessoa?!...) e do que me soa ate' hoje como uma INTROMISSAO GROSSEIRA na vida intima de pessoas privadas e de um JULGAMENTO SUMARIO em praca publica de SUPOSTOS comportamentos privados de pessoas privadas, com base em VEREDICTOS informados apenas pelo ponto de vista INQUISITORIAL de quem julga a distancia aquilo e quem NUNCA VIU, NEM DE PERTO NEM DE LONGE e NAO CONHECE, nem NUNCA CONHECEU, minimamente que seja... E, nessa medida, ate' porque se trata de um discurso cheio de ARGUMENTOS NON SEQUITUR, parece-me francamente faltar-lhe a ANALISE SOCIOLOGICA, para dizer o minimo!


Este e' precisamente um exemplo tipico daquilo a que Malveaux se referia ao dizer que "demasiados analistas sao apanhados na teia de Sexo, Mentiras e Estereotipos forjada pelos media para fazer politica publica"! E, neste caso, com a agravante de nao serem so' analistas, mas tambem politico(a)s, cuja filiacao partidaria 'garante' que as possiveis politicas publicas (assepticas?) adoptadas ou a adoptar neste dominio especifico venham a ser 'informadas' pelos seus preconceitos baseados em tais estereotipos...

Peco imensas desculpas, nao pretendo ofender ninguem, mas se se pretende realmente "resgatar valores", "mudar mentalidades" e/ou RECONCILIAR PESSOAS E FAMILIAS e, em ultima analise, a SOCIEDADE ANGOLANA, ha' que se deixar de ESTIGMATIZAR, AGREDIR, INSULTAR e OFENDER gratuita, indiscriminada e aleatoriamente pessoas cujas vozes JAMAIS SAO OUVIDAS, seja nos espacos (publicos ou privados) onde tais entrevistas sao concedidas, seja nas tais mesas redondas ou bicudas onde, de resto, tais questoes nao sao sequer debatidas... Enfim, ha' que saber-se OUVIR primeiro as PESSOAS visadas, para se conhecer a REALIDADE e para que se a possa analisar com propriedade, acuidade e o devido respeito pelos SERES HUMANOS, incluindo CRIANCAS INOCENTES, que se pretende julgar SEM QUALQUER FUNDAMENTO, assim apenas SOMANDO INSULTO A INJURIA!...

E tudo, aparentemente, apenas para se ALIVIAREM CONSCIENCIAS PESADAS (?) E TENTAR-SE JUSTIFICAR ESFARRAPADAMENTE O INJUSTIFICAVEL E DEFENDER O INDEFENSAVEL, ou, pior ainda, PARA SE FAZEREM CAMPANHAS DE AUTO-PROMOCAO PESSOAL A CUSTA DA HONRA E DO BOM NOME DE QUEM, CONTRA TODAS AS TENTACOES E 'APELOS' EM CONTRARIO, TEM LEVADO A SUA VIDA SACRIFICADAMENTE COM A MAIOR DAS DIGNIDADES E PROBIDADES (... e sobre isto devo lembrar que A VERDADE VEM SEMPRE AO DE CIMA)!
Ha' que deixar-se de tentar arranjar BODES EXPIATORIOS para todos os males e doencas da sociedade e de POLITIZAR E MANIPULAR TRAGEDIAS HUMANAS INDIVIDUAIS OU FAMILIARES para VENDER JORNAIS, fazer delas COBAIAS EM EXPERIENCIAS/ESPECULACOES PSEUDO-SOCIOLOGICAS OU PSEUDO-PSICANALITICAS e tentar delas retirar DIVIDENDOS POLITICOS!... Ha' que aprender-se a ouvir os VERDADEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL, ou seja, entre outros, daqueles que foram tornados excluidos social, economica e politicamente pela DESTRUICAO DAS FAMILIAS E DO TECIDO ECONOMICO, SOCIAL, MORAL E ESPIRITUAL de que os representantes de quem hoje promove tais mesas redondas estao longe de estar isentos, pois foi com os seus INSENSIVEIS E INSENSATOS KAMARTELOS E METRALHADORAS que os destruiram!... Enfim, ha' que ter-se, no minimo, alguma capacidade de auto-analise e de AUTO-CRITICA!

Ha' que SABER-SE TER MORAL PARA SE SER MORALISTA! Mas, acima de tudo, HA' QUE DEFINIR-SE CLARAMENTE DE QUE PRINCIPIOS E VALORES, E DE QUEM EM CONCRETO, SE ESTA' A FALAR! Em suma, usando as proprias palavras da entrevistada, HA' QUE SABER-SE GERIR OS APELOS a intromissao ABUSIVA, LEVIANA, IRRESPONSAVEL e ate' CRIMINOSA, porque CALUNIOSA E DIFAMATORIA, na VIDA PRIVADA DO CIDADAO (neste caso, mais especificamente, da CIDADA), no que e' um exemplo flagrante de INVERSAO E SUBVERSAO PRECISAMENTE DOS VALORES E PRINCIPIOS que se alega pretender "RESGATAR"!

O que farei em seguida, um pouco tentando cobrir o "debate que nao houve", e' colocar algumas questoes muito simples, directas e incisivas (a vermelho) relativas a algumas passagens dessa entrevista. Nao espero respostas, espero apenas poder contribuir um pouco para a REFLEXAO que se impoe. E espero tambem que as questoes que aqui coloco possam ser recebidas por quem as leia com o mesmo espirito de TOLERANCIA E ABERTURA A DIVERSIDADE CULTURAL, POLITICA E INTELECTUAL com que decidi publicar aqui esta entrevista quando o fiz.

Resta-me dizer que nao conheco pessoalmente a entrevistada, nem nunca antes havia sequer ouvido ou lido o seu nome antes desta entrevista.



FATIMA VIEGAS

AO PAIS

(…)

Temos (mulheres prepotentes). E por vezes a prepotência, o autoritarismo, servem para esconder outras coisas, essas pessoas têm sempre uma fragilidade, incompetência ou outras questões, pode ser algo recalcado, a pessoa pode ter sido violentamente maltratada na sua infância ou na sua juventude e depois, com poder, querem usar o poder com prepotência. Mas acho que se podem gerir as situações, a questão está mesmo na educação … Há a gestão que se deve fazer do poder, mas há também a gestão dos apelos. Já tivemos o cooperante, agora o expatriado, as catorzinhas …

{... Ja' nao teem as catorzinhas, os cooperantes e os expatriados?! Gostava mesmo de saber - mera curiosidade academica - porque nunca estive muito familiarizada com tais especimens e quando tive algum, reagi desta forma... E o que e' que esta sucessao de PEDRADAS (dirigidas, obviamente, nao aos homens que usam e abusam das ditas catorzinhas, nem aos cooperantes ou expatriados...) tem a ver com a questao da "prepotencia das mulheres"?}

(…)

Essas que têm conhecimento da situação do companheiro e que aceitam essa situação são mulheres que não se respeitam a si próprias. Não me venham dizer que é das dificuldades económicas porque qualquer ser humano que se organize pode sobreviver aos desafios. Se ela sabe que o companheiro já tem “n” mulheres nem sequer há uma relação, nem sequer a ligação entre eles é efectivamente vivida. Se ela não se respeitar a ela própria ninguém a respeita, é uma questão de valorizar a dignidade da pessoa humana. Salvo em questões culturais, nas comunidades em que a poligamia ou a poliandria é instituída.
{Sera' inteiramente objectivo, realistico ou justo este julgamento numa sociedade onde a poligamia, independentemente do meio cultural, e' praticamente uma INSTITUICAO com dia nacional consagrado e tudo: a sexta feira?!... E nao e' curioso que julgamento equivalente, ou apenas uma leve mencao, em algum momento seja feita ao HOMEM POLIGAMO?}
(…)

Esse rótulo do “tio Pacheco” deriva efectivamente da falta de educação, de princípios. Se ele foi educado em como era superior à mulher, que tem de estar sempre acima da mulher, quer do ponto de vista do conhecimento, quer do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista da sociedade, ele, efectivamente não aceita esta situação. Mas já vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades. Havendo essa paridade, o essencial é o diálogo e a convivência.
{"Ja' vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades"?! Onde? No MPLA? Em Luanda? Em Angola?... Mas a questao fundamental nao e' sequer essa: e' que, tanto quanto julgo entender da cancao da Patricia Faria, com o Kota Bonga, sobre o tal de "Pacheco", trata-se de alguem que "so' quer cama e mesa... depois de sacar toda a escama, arrasta o meu nome na lama... mama nao se meta so' la', esse homem esta' cheio de astucia, ele nao procura emprego, depois quer somar um bom posto... mas ele so' quer cama e mesa... esta' a pensar que a mulher e' limpeza"!...}
(…)

Infelizmente temos uma sociedade muito mais agarrada aos bens materiais que à parte espiritual, e as pessoas vão-se agarrando mais a determinados subterfúgios para terem uma certa posição. Daí que não se faça questão de mostrar aos filhos questões culturais, um livro, actividades potenciadoras de uma cultura no seu todo, mas apenas o vestido, que muitas vezes nem é condigno, as toilettes, os luxos. São questões que têm um valor educacional, que têm a ver com a dignidade da pessoa humana, da forma como se encara a vida. Se eu encaro a vida com futilidade, eu darei aos meus filhos coisas fúteis, como, por exemplo, a melhor marca, das melhores comidas, e não ter a preocupação de ensinar a convivência em sociedade e a cultura geral. O facto de ir a Londres eu não condeno, condeno é que sirva apenas para futilidades. Nós além da nossa cultura devemos também buscar coisas de outros lados.
{... Mais uma vez, e ja' fazendo um GRANDE ESFORCO para ignorar tudo o resto (e.g. em nenhum momento se fala do pai do tal filho a quem alegadamente "nao se mostram questoes culturais"... ), a que proposito e' que venhem aqui "idas a Londres apenas para futilidades"? E porque Londres e nao qualquer outra cidade do mundo, como por exemplo Lisboa? Quem sao, por exemplo, os angolanos de que se fala, entre muitas outras que teem vindo a publico em Portugal e noutros paises nos ultimos tempos, nesta materia?!}
(…)

Essa cultura do ter passa pela competição de ver quem tem uma conta mais recheada, quem tem carros de marcas cada vez mais caras, ou quem consegue ter mais espaço na sociedade. Preocupa-me porque não é apenas o ter que nos trará felicidade neste país. É o ser e isso passa por termos valores e respeitarmos os outros. Quando diz que há jovens que olham para fora sem olhar cá para dentro, temos de fazer as duas coisas. Temos de valorizar primeiro as coisas de dentro e depois as de fora. Sem conhecer a minha realidade eu não posso saber quem eu sou. É importante este conhecimento de saber de onde venho e para onde vou.
{Sem comentarios, excepto para perguntar: quem e' que incentiva a "cultura do ter" em Angola? Quem e' que TEM, COMO o obteve e PORQUE que o TEM em Angola e, sobretudo, FORA DE ANGOLA?! E sobre essa estoria do TER vs. HAVER a verdade e' que SUAS EXCELENCIAS transformaram Angola num pais onde para se SER tem que se TER!}
(…)

Temos uma sociedade com assimetrias muito fortes, com gente que tem muito e esbanja, e os que nada têm. Temos é de esbater as assimetrias, dando oportunidades de emprego, de formação e dar oportunidades em função dos níveis das famílias. Precisamos de identificar as famílias e ouvi-las dizer o que precisam. Não falo de um Estado assistencialista, mas de um Estado que crie condições para as pessoas se poderem desenvolver. Durante muito tempo tivemos pessoas que apenas aprenderam a estender a mão. Estas pessoas não foram ensinadas como fazer o pão, como organizar as suas vidas. É preciso ensinar a saber fazer.
Mas isso tem de ser acompanhado de oportunidades. Fala-se agora da construção de um milhão de casas mas é preciso estudar como colocar lá as pessoas. Uma população da ilha tem como actividade a pesca, não podemos colocar estas pessoas longe onde se faça agricultura, não é o seu modo de vida. É preciso caracterizar bem as famílias e encaminhá-las como deve ser. Em qualquer sociedade há classes, ricos e pobres, mas é preciso dar aos pobres as condições mínimas para viver em sociedade. É preciso ver bem as coisas, dar o micro crédito, e aqui é preciso acompanhar bem o que se dá às mulheres.
{... "E' preciso acompanhar bem o que se da' as (mendigas?) das mulheres (que nao sabem gerir o seu pouco, ou nenhum, dinheiro, ou recursos domesticos, ou mesmo as suas vidas)"?! Ou aprender com elas quais a suas reais prioridades, problemas e necessidades e ajuda-las a satisfaze-los efectiva e eficazmente, com ou sem micro-credito? Ou evitar criar situacoes, como as demolicoes e desalojamentos de familias inteiras, ou simplesmente ROUBOS de casas a mulheres indefesas?...}
(…)

O que mais temos na nossa sociedade são, infelizmente, famílias monoparentais forçadas e nessas famílias a mulher, geralmente, não tem meios de sustento. Ou ela foi levada emocionalmente pela conversa bonita que o homem lhe cantou e que depois a abandonou. O problema nem é só a questão da paternidade, quando isso acontece, o maior reconhecimento é o amor e o carinho com que ele pode acompanhar o crescimento da criança, ser pai. Isso é que me preocupa. Nós tivemos décadas de destruição de infraestruturas, mas isso se pode reconstruir, o pior é a reconstrução do tecido social que leva muito mais tempo.
{Apenas uma hipotese (sociologica) alternativa: e se tiver sido ela a abandona-lo apesar da "conversa bonita"? Qualquer que seja a resposta, nao deixa de ser interessante que, em nenhum momento, qualquer analise critica substantiva seja feita em relacao ao tal "pai ausente", forcado ou nao!...}
(…)

Estive em Moçambique a trabalhar, a dar aulas e olhe que os alunos na universidade expressavam-se na língua materna, e Moçambique está dentro da globalização. Se dinamizarmos as nossas línguas, as nossas culturas e os valores culturais positivos. Porque eu não vou valorizar nem a poligamia nem a feitiçaria porque sei que acarretam consequências negativas. Mas devemos valorizar o nosso. Não devemos deixar que a globalização nos coma. Mesmo no Ocidente, pela televisão, vemos as suas danças, a sua arquitectura, os seus valores. É isso que tem de ser feito e essa valorização começa na cultura da educação, começa em casa e passa pela escola. Não se deve temer ser conservador, porque ser conservador, em determinados aspectos, pode ser útil.
{Sem comentarios... excepto para chamar atencao para a Lei da Familia em Mocambique, apresentada no espaco de comentarios a outra entrevista indicada no fim deste post}
(...)

Gosto de agarrar-me ao discurso do Presidente da República, José Eduardo do Santos, sobre a família, quando ele diz que a grande preocupação é que o homem angolano hoje tornou-se muito imediatista, egoísta, muito voltado para si mesmo.
{esta e' que fica mesmo SEM COMENTARIOS...}


[Aqui]
*[First posted 05/08/09]



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Um dos participantes dessa mesa redonda (a que
aqui me referia quando dizia que “ate’ cumplice de plagios me obrigaram a ser”…) esteve hospedado em minha casa em Lisboa durante algumas semanas, num periodo em que eu ocasionalmente alugava quartos a estudantes – geralmente jovens do sexo feminino que me eram recomendadas pelos meus amigos alemaes que me haviam ajudado a obter o seu contrato de aluguer, mas nesse caso abri uma excepcao porque a pessoa em questao me havia sido recomendada por alguem de confianca e eu tambem ja’ o conhecia dos tempos de militancias e ate’ o tinha em alguma consideracao e amizade.

Acontece que o camarada era casado (por sinal, com uma mulher branca), mas tinha uma outra (por sinal uma mulher negra), que com ele tambem tinha ido para la’ fazer um curso (e que eu tambem ja’ conhecia dos mesmos tempos de militancias), mas que ficara hospedada numa outra casa. Ora, porque eu vivia sozinha na altura, comecei a ser bombardeada com telefonemas tanto da mulher casada, como da mae dela - sogra do camarada, portanto, a “pedirem-me satisfacoes” sobre “o meu relacionamento” com o dito camarada… Ao que lhes respondi apenas com a verdade e nada mais do que a verdade: que ele era apenas, e tao so’, meu inquilino! E apenas temporariamente ate' que ele arranjasse a sua propria acomodacao definitiva - como alias o fez passado pouco tempo, comprando (nao alugando...) uma casa numa zona nobre...

Agora, ele, participante que foi nessa mesa redonda sobre "valores e principios" e a sua “outra” (que, inclusive, uma vez foi la’ a minha casa para eu ajuda-la a vestir-se para uma recepcao do 11 de Novembro na Embaixada – numa altura em que eu, para todos os efeitos, ja’ era persona non grata e nem sequer era mais convidada para o “nosso dia”…), que, por obsequio, venham a mesma praca publica em que me “estenderam” dizer se, apesar de eu viver sozinha na altura, alguma vez teve, ou eu “o aliciei” para, algum relacionamento menos proprio comigo!





P.S.2: E, ja' agora (... ja' que comecei ...), embora estes 'personagens' possam nao ter directamente a ver com essa mesa redonda (... ou talvez ate' tenham, pelo menos indirectamente, uma vez que o individuo aqui em questao foi sogro de um dos participantes nessa mesa redonda...), o ter falado dos tempos em que eu era persona non grata na Embaixada, lembrou-me do facto de que quem 'mais explicitamente' me colocou naquela categoria (e nao me custa nada crer que tal facto tenha tido a ver com a "inconfidencia" que aqui vou fazer - diga-se que com assumida leveza, por ele ja' ser falecido e esperando que a terra lhe seja leve...) foi o individuo (por sinal branco de origem goesa) de quem aqui falava e que, sendo casado [por sinal com uma mulher branca que, por coincidencia (?), na altura tambem trabalhava la' na Embaixada], teve pelo menos uma "outra" (por sinal uma jovem mulher negra) que a dada altura se tornara minha amiga em Luanda (embora ja' nos conhecessemos dos tempos mais remotos da infancia na Vila Alice) e que comigo confidenciara sobre a sua relacao com ele... E sobre esse caso mais nao digo!



Mas… ja’ que comecei… e por falar em “valores e principios” (os meus e os dos outros e das outras), oferece-se-me a oportunidade de acrescentar alguns detalhes ao tristemente celebre, dramatico, traumatico (para mim – tanto pessoal, como profissional, psicologica, material e financeiramente) e escandaloso episodio ocorrido nesta organizacao e ao qual me referia aqui , aqui e aqui:

O protagonista principal de tal episodio (o angolano, por sinal negro e casado, que me fez o ataque pornografico) tinha entrado para a organizacao, onde me encontrou, ha’ muito pouco tempo, tendo-se rapidamente feito “muito amigo” de um mocambicano, por sinal tambem negro, que se dizia PhD e fazia muita questao de ser tratado como tal, embora nunca tivesse revelado em que universidade, ou pais, obtivera tal qualificacao, e cujas credencicais academicas e profissionais eram questionadas pelos seus proprios conterraneos que o conheciam melhor do que eu e que para la’ tinha entrado, to put it mildly, por portas travessas…

[E aqui abro um parentesis para notar uma 'observacao empirica' que se vem solidificando com as minhas experiencias a este respeito: o facto de o comportamento obcessivamente persecutorio desse individuo em relacao a mim se ter demonstrado muito similar ao de um outro sujeito na mesma organizacao, um sul-africano tambem casado com uma branca (a qual, por sinal, volta e meia aparecia pelo gabinete do genero da organizacao com um dos bracos em gesso, a queixar-se dos "afectos" que o marido lhe dava em casa...), e de o comportamento de ambos, por sua vez, se assemelhar bastante ao de certos PhDs e Kabungados Novo-Jornaleiros habitues deste blog - aos quais devo acrescentar o de um dos "epigonos ex-brigadistas especialista em poemarios" a quem
aqui me refiro e, ja' agora e en passant, certos homo democraticus 'activistas do social' aqui mencionados... - , vem confirmando a minha percepcao de que os negros "mais assanhados" em ataques canalhas, baixos e soezes contra certo tipo de mulheres negras (como as que aqui sao retratadas) sao, geralmente, casados (ou com relacionamentos proximos/intimos) com brancas ou mesticas, ou que a isso sempre aspiraram - como que, com tal comportamento, exteriorizando algo (nomeadamente o seu misto de recalcamentos, insegurancas e complexos de superioridade/inferioridade...) que sempre tentaram dissimular atraves de tais casamentos ou relacionamentos e as frustracoes neles acumuladas, ou apenas buscando uma justificacao para as suas "escolhas mais profundas"... ou, simplesmente, apenas reflectindo o 'racismo aprendido por osmose' com as suas parceiras/amigas ... ou, mais simplesmente ainda, apenas tentando provar beyond any reasonable doubt o seu "inquestionavel amor por elas"... ou, sem mais ques nem porques, apenas porque, para todos os efeitos reais e praticos, com todo o seu racismo invertido, sao "brancos por dentro e negros por fora"... (veja-se, a titulo de exemplo, este caso...) - claro que me refiro aqui apenas aos que ostentam esse tipo de comportamento, porque tambem os ha' casados e/ou envolvidos saudavelmente com mulheres nao negras e que nao demonstram qualquer necessidade de o fazer! E o facto de eu propria ter tido envolvimentos formais com nao negros sem que por isso alguma vez me tenha sentido compelida a hostilizar qualquer negro, apenas me torna mais perceptiva em relacao a esses bizarros e psicopaticos comportamentos... E, ja' agora, um pouco mais de "psicanalise": nao soubesse eu que pelo menos o sul-africano nao leu este meu artigo, diria que os outros estariam (estarao) a reagir a esta afirmacao de Rousseau que nele citei: "(...) E sobretudo, pertence-vos corrigir os defeitos que os nossos jovens vao buscar a outros paises, donde, em vez de tantas coisas uteis de que poderiam aproveitar, com ares ridiculos aprendidos no meio de mulheres estrangeiras, nao trazem senao admiracao de nao sei que pretensas grandezas, frivolas compensacoes da escravidao, que nunca terao o valor da excelsa liberdade." - E la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu!"... Estou certa, ou estou errada?!]

Ora, esse individuo tornou-se, desde que para la’ entrou, o ring leader de um grupelho cujo nucleo central era constituido por ele proprio, a sua amante e mais alguns poucos (por sinal todos lusofonos) do seu circulo. Acontece que a tal amante (por sinal uma musticia mwangole’) que se tornou “peca de mobiliario da organizacao”, divorciada [embora seja consabido que nao era propriamente conhecida por ter sido fiel no casamento (o que me faz lembrar vagamente de uma keta do antigamente na vida ke dizia assim: #se eu soubesse nao kasava, se eu soubesse nao kasava kom akela mulata enganadora... a mulata me dizia ke era mesmo delikada afinale fui ver e' piore ke uma cebola#...) – tendo embora mantido o sobrenome do ex-marido, por sinal negro, entretanto casado pela segunda vez com uma mulher branca…) e vinha de um recente relacionamento falhado com um outro mocambicano (por sinal musticio-indiano) … Acontece tambem que o tal individuo era casado com uma mulher, por sinal branca, com quem tinha dois filhos ainda pequenos que deixara em Mocambique, sendo que, para alem da amante mwangole’, dizia-se ter outras 'namoradas' na cidade…

Acontece igualmente que, tanto ele como a amante mwangole’ (que desde que o "engatou" comecou a aparecer pelo edificio da organizacao vestida de tal modo que ela propria dizia que "estou a catorzinha"!...) tinham razoes, e expressaram-no a saciedade (!) desde que eu entrara para a organizacao, para terem inveja e ciumes pessoais e profissionais em relacao a mim (por isso eles e outro/as no fim decidiram inventar-me um fantasmagorico relacionamento intimo com o entao Secretario Executivo da organizacao – puras CALUNIA E DIFAMACAO!), com os quais terao contagiado o seu grupelho e, implicitamente, o angolano que acabou por ser o meu algoz na organizacao… A este proposito talvez baste dizer que o primeiro obus que ele disparou sobre o meu quintal foi em retaliacao a um artigo de uma revista americana sobre estudos que demonstravam que as mulheres negras nos EUA tinham em media um nivel academico, profissional e financeiro superior ao da media dos homens negros americanos (uma questao tambem abordada
nesta obra), que eu circulara por e-mail a todo o staff, tal como o fazia regularmente com materias que me pareciam relevantes para a reflexao e/ou a formulacao de algumas politicas. Fi-lo sem qualquer intencao de provocar absolutamente ninguem - nem homem, nem mulher, nem branco, nem negro - mas o individuo tomou aquilo como um "insulto pessoal" e respondeu-me, com copia para todo o staff, como se o artigo, a que eu nao acrescentara qualquer comentario, se referisse ao meu caso pessoal, nestes termos: "Achas mesmo que vales assim tanto?! Olha so' como as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, estao muito bem e muito felizes!"... Claramente, nao so' um ataque pessoal do mais baixo coturno, como ciumes e despeito pela minha posicao e remuneracao e, mais do que tudo isso, a tentativa de acirrar os animos das colegas mulheres contra mim... o que, pelo menos em parte, tera' conseguido...

[E aqui abro um outro parentesis, para registar que ja' antes de eu ter entrado para a organizacao, mas trabalhava tambem la' no Botswana, vi-me forcada a fazer saber a tal 'dona', ou Exma. Sra., musticia mwangole' acima mencionada, da minha indignacao e repugnancia pela 'iniciativa' que ela e uma irma sua decidiram tomar, sem que eu alguma vez lhes tivesse dado azo para tal grosseira ingerencia, atrevimento e abuso de confianca - mesmo porque eu vivia e trabalhava rodeada de homens e pretendentes era o que nao me faltava - de "me arranjarem homem", certamente porque, de acordo com os seus "valores e principios", na cabeca del(e)as nao cabe a ideia de uma mulher "sem homem", tendo para o efeito dado o meu endereco a um fulano que eu nao conhecia de parte nenhuma e com ele marcado um encontro comigo em meu nome, limitando-se depois a comunicar-me por email que o tal fulano "iria visitar-me no dia x"... Bom, felizmente para ele e para elas, eu nao estava na cidade, nem no pais, no tal dia! Mas, mesmo assim, consegui conter-me e fui educada e comedida o suficiente para lhes pedir apenas que nao voltassem a repetir a "brincadeira"... acrescente-se, de muito mau gosto!]

Ha’ outros detalhes dessa historia (alguns dos quais podem ser encontrados AQUI), como por exemplo o envolvimento de uma outra mwangole’ recem-entrada na organizacao e que logo se tornara, again to put it mildly, “amiga especial” do chefe de um dos directorados – um zambiano que ha’ muito 'andava atras de mim' sem qualquer sucesso, quanto mais nao seja por ser casado – o que provocara o ultraje de outros colegas seus do mesmo directorado e, em particular, de uma tanzaniana que se sentira prejudicada pessoal e profissionalmente por tal affair , tendo-o tornado ‘publico’ internamente e com referencias muito pouco abonatorias para a generalidade das mulheres angolanas!

E’ que, para alem de tudo o resto, a leviandade, a superficialidade, a vulgaridade, a venalidade, a permissividade e a falta de escrupulos, profissionalismo, educacao moral e civica, etica, em suma, de valores e principios , gostam de companhia, quanto mais nao seja para “nao se sentirem inferiores” … como o tal "meu algoz" gostava muito de dizer em relacao a mim e todos os que priorizavam o trabalho, a imagem do seu pais e o respeito pela instituicao e nao alinhavam nos seus "apelos" (e' que... sabiam geri-los bem demais!... ) para se juntarem aos seus “devassos, lascivos e promiscuos afectos”, seguramente nao no local de trabalho: “teem a mania de se achar mais do que os outros”!


Friday, 6 August 2010

Olhares Diversos (XX)

A Probidade e o Erro

Por Jose' Ribeiro


A Lei da Probidade foi saudada por toda a gente, até por aqueles que não têm uma conduta proba e honrada. Alguns sectores da nossa sociedade aplaudiram a medida porque, dizem, vai haver maior controlo dos dinheiros públicos e vão diminuir os casos de corrupção. É tudo verdade, mas apenas uma ínfima parte do que deve ser a dimensão dessa verdade.



A probidade aplica-se a todos os cidadãos, é um pressuposto e, em rigor, se todos fôssemos probos e honrados, a lei não tinha sequer razão de ser. Mas não é apenas desonesto aquele que esbanja fundos públicos ou se serve dos bens do Estado em proveito próprio. Esse é o fim da linha. Pelo meio há gestos e atitudes que marcam a fronteira entre quem é probo e não o é, entre quem vive no interior das fronteiras da honra e da dignidade e quem se coloca deliberadamente fora desse espaço que é o habitat das pessoas bem formadas e com princípios.

Não é probo aquele que se refugia no “errar é humano” para justificar a sua incompetência ou até deslealdade. Porque o erro tem uma escala de valores. Um automobilista estaciona mal a sua viatura e o agente de trânsito pode perfeitamente perdoar-lhe esse erro. Mas se for apanhado em excesso de velocidade, o erro já não merece perdão, porque pode causar graves prejuízos a quem errou e a terceiros que são inocentes. O erro de estacionamento proibido é pago com uma multa. O erro de excesso de velocidade muitas vezes é pago com a vida. Já não há margem para corrigi-lo.

O erro vive de mãos dadas com os jornalistas, por isso é que o rigor é um critério distintivo do jornalismo. Errar no jornalismo pode criar gravíssimos problemas à sociedade ou pode ser apenas um “fait-divers”. Mas, em qualquer caso, exige-se de todos os profissionais o exercício permanente de um grande rigor, para reduzir a zero a margem de erro. Pior estão os que trabalham em situações de alto risco. O mínimo erro pode custar-lhes amputações e até a morte. Esses dificilmente ficam em condições de invocar o “errar é humano”.

Faltar dias seguidos ao trabalho sem qualquer justificação é desonesto. Mais desonesto ainda é depois justificar essas faltas com falsificações. A probidade, nestes casos, é desrespeitada. Há trabalhadores de empresas que só são vistos no dia em que vão ao banco levantar o salário. Não são probos nem trabalhadores. Os que têm responsabilidades que não assumem e estão investidos em cargos que não exercem são desonestos, ainda que as benesses dos cargos dêem fatos e gravatas, carros e moradias, que garantem uma imagem pública de respeitabilidade. Viver à custa do trabalho alheio não é probo, não é honesto e revela uma chocante falta de princípios. Até revela falta de patriotismo, porque nesta fase o nosso país precisa muito de quem trabalhe e não de quem ande a parasitar o Orçamento de Estado.

O nosso país tem em vigor a Lei da Probidade. Espero que todos os angolanos a cumpram e vivam em conformidade e no respeito pelos princípios da honra e da dignidade. Ser mau profissional é pouco ou nada probo. Ser mau cidadão é indecoroso e condenável. Fazer das nossas repartições públicas e das nossas empresas espaços de lazer ou caixas de financiamento de vícios privados, sobretudo de quem nem sequer apresenta públicas virtudes, cai sob a alçada da lei.

A deslealdade para com os nossos colegas, chefes e até para com os nossos governantes, é uma desonestidade. Não é probo aquele que a troco de umas avenças ou de “comissões” atenta contra o seu país, seja em que sector da vida nacional for. E há empresários que o fazem. Existem profissionais – incluindo no jornalismo – que se arrogam de fazer render deslealdades e desonras, a troco de nada. Vender a honra é sempre um mau negócio. Porque quem a compra não pode fazer nada com ela e quem a vende fica irremediavelmente mais pobre, ainda que confortado com um prato de lentilhas que depressa desaparece na voragem dos dias.

Angola precisa de probidade e de honra, a todos os níveis. Ninguém pense que a Lei da Probidade só se aplica aos políticos ou aos titulares dos órgãos de soberania. Nem pensar. Aplica-se a todos, desde o mais humilde funcionário do Estado ao representante da sociedade civil e da Igreja. É altura de todos fazermos um balanço das nossas vidas. Os que concluírem que deram tudo pelo engrandecimento do país e fizeram o que podiam pelo bem comum são probos e nem sequer precisam de pensar na Lei da Probidade. Os que não encontrarem nas suas vidas motivos de que se orgulhem pelo que fizeram pela sociedade e pelo país é melhor começarem a cumprir a lei.

Ainda vamos a tempo de sermos cidadãos de corpo inteiro.


[Aqui]
A Probidade e o Erro

Por Jose' Ribeiro


A Lei da Probidade foi saudada por toda a gente, até por aqueles que não têm uma conduta proba e honrada. Alguns sectores da nossa sociedade aplaudiram a medida porque, dizem, vai haver maior controlo dos dinheiros públicos e vão diminuir os casos de corrupção. É tudo verdade, mas apenas uma ínfima parte do que deve ser a dimensão dessa verdade.



A probidade aplica-se a todos os cidadãos, é um pressuposto e, em rigor, se todos fôssemos probos e honrados, a lei não tinha sequer razão de ser. Mas não é apenas desonesto aquele que esbanja fundos públicos ou se serve dos bens do Estado em proveito próprio. Esse é o fim da linha. Pelo meio há gestos e atitudes que marcam a fronteira entre quem é probo e não o é, entre quem vive no interior das fronteiras da honra e da dignidade e quem se coloca deliberadamente fora desse espaço que é o habitat das pessoas bem formadas e com princípios.

Não é probo aquele que se refugia no “errar é humano” para justificar a sua incompetência ou até deslealdade. Porque o erro tem uma escala de valores. Um automobilista estaciona mal a sua viatura e o agente de trânsito pode perfeitamente perdoar-lhe esse erro. Mas se for apanhado em excesso de velocidade, o erro já não merece perdão, porque pode causar graves prejuízos a quem errou e a terceiros que são inocentes. O erro de estacionamento proibido é pago com uma multa. O erro de excesso de velocidade muitas vezes é pago com a vida. Já não há margem para corrigi-lo.

O erro vive de mãos dadas com os jornalistas, por isso é que o rigor é um critério distintivo do jornalismo. Errar no jornalismo pode criar gravíssimos problemas à sociedade ou pode ser apenas um “fait-divers”. Mas, em qualquer caso, exige-se de todos os profissionais o exercício permanente de um grande rigor, para reduzir a zero a margem de erro. Pior estão os que trabalham em situações de alto risco. O mínimo erro pode custar-lhes amputações e até a morte. Esses dificilmente ficam em condições de invocar o “errar é humano”.

Faltar dias seguidos ao trabalho sem qualquer justificação é desonesto. Mais desonesto ainda é depois justificar essas faltas com falsificações. A probidade, nestes casos, é desrespeitada. Há trabalhadores de empresas que só são vistos no dia em que vão ao banco levantar o salário. Não são probos nem trabalhadores. Os que têm responsabilidades que não assumem e estão investidos em cargos que não exercem são desonestos, ainda que as benesses dos cargos dêem fatos e gravatas, carros e moradias, que garantem uma imagem pública de respeitabilidade. Viver à custa do trabalho alheio não é probo, não é honesto e revela uma chocante falta de princípios. Até revela falta de patriotismo, porque nesta fase o nosso país precisa muito de quem trabalhe e não de quem ande a parasitar o Orçamento de Estado.

O nosso país tem em vigor a Lei da Probidade. Espero que todos os angolanos a cumpram e vivam em conformidade e no respeito pelos princípios da honra e da dignidade. Ser mau profissional é pouco ou nada probo. Ser mau cidadão é indecoroso e condenável. Fazer das nossas repartições públicas e das nossas empresas espaços de lazer ou caixas de financiamento de vícios privados, sobretudo de quem nem sequer apresenta públicas virtudes, cai sob a alçada da lei.

A deslealdade para com os nossos colegas, chefes e até para com os nossos governantes, é uma desonestidade. Não é probo aquele que a troco de umas avenças ou de “comissões” atenta contra o seu país, seja em que sector da vida nacional for. E há empresários que o fazem. Existem profissionais – incluindo no jornalismo – que se arrogam de fazer render deslealdades e desonras, a troco de nada. Vender a honra é sempre um mau negócio. Porque quem a compra não pode fazer nada com ela e quem a vende fica irremediavelmente mais pobre, ainda que confortado com um prato de lentilhas que depressa desaparece na voragem dos dias.

Angola precisa de probidade e de honra, a todos os níveis. Ninguém pense que a Lei da Probidade só se aplica aos políticos ou aos titulares dos órgãos de soberania. Nem pensar. Aplica-se a todos, desde o mais humilde funcionário do Estado ao representante da sociedade civil e da Igreja. É altura de todos fazermos um balanço das nossas vidas. Os que concluírem que deram tudo pelo engrandecimento do país e fizeram o que podiam pelo bem comum são probos e nem sequer precisam de pensar na Lei da Probidade. Os que não encontrarem nas suas vidas motivos de que se orgulhem pelo que fizeram pela sociedade e pelo país é melhor começarem a cumprir a lei.

Ainda vamos a tempo de sermos cidadãos de corpo inteiro.


[Aqui]

Monday, 29 March 2010

"Questoes de Genero"... (II)




… Na Pratica!


Apenas para registar algumas experiencias pessoais que tive ao longo dos anos e que, pelo menos quanto a mim, exemplificam algumas das questoes a volta da “problematica do genero”:

- Uma vez, em Luanda, candidatei-me a um curso de “avaliadores de diamantes” que deveria ter lugar em Londres, oferecido por uma empresa diamantifera nacional. Fui, como todos os outros candidatos, submetida aos mais diversos testes. No fim, fui classificada entre os tres melhores candidatos, sendo que os outros dois eram homens. Mas os decisores, que eram Ingleses, comunicaram-me, “com muita pena”, que eu nao fora seleccionada por ser ainda “uma jovem mulher” e que, portanto, “depois podia casar e/ou engravidar e aquela profissao nao se compadecia com esse tipo de situacoes”…

- Alguns anos depois, participei pela transportadora aerea nacional, de um curso de “programacao de computadores” patrocinado por uma multinacional Americana. No inicio do curso, em que eu era a unica mulher entre 6 ou 7 homens, um dos tecnicos (Angolano) que o dirigia disse-me que “apostava que eu nunca iria conseguir conclui-lo”. Perguntei-lhe porque e ele respondeu-me, sem papas na lingua: “porque tu nao tens peito para isto”! Acontece que quando chegou a hora dos exames finais (conduzidos independentemente pela multinacional Americana) eu fui a unica do grupo que passei, tendo os meus colegas homens tido que cumprir um periodo extra de treino e serem submetidos a um segundo exame…

- De uma outra vez, em Portugal, como parte do processo de seleccao para um determinado emprego, fui submetida a testes psicotecnicos por uma empresa especializada. No fim, os managers da empresa chamaram-me em particular para me comunicarem que estavam espantados com os meus “extraordinarios resultados, dos melhores que eles ja’ tinham visto em muito tempo” e para me aconselharem a candidatar-me a um emprego melhor do que aquele para o qual tinha feito os testes…

- Mais alguns anos depois, em Londres, participei num concurso promovido por uma petrolifera para um emprego em Angola. Foi um longo processo, tanto em termos burocraticos como dos testes e entrevistas envolvidos, mas, to cut a long story short, no final acabei por ser informada de que “apesar de eu ter tido as melhores classificacoes nos testes tecnicos, psicotecnicos e linguisticos e de ter tido uma classificacao geral excelente – muito boa para um Angolano, acrescentaram para meu total desconforto e ate' "ofensa em nome de terceiros"! – eu nao tinha sido seleccionada naquela ocasiao”. Porque? Ao contrario do estipulado nos regulamentos do mercado de trabalho deste pais, nunca me deram qualquer explicacao! Nao sei se alguem chegou mesmo a ser seleccionado, sei apenas que, tambem naquela ocasiao, eu tinha sido a unica mulher participante daquele concurso…

P.S.: E, ja' agora, de registar tambem a experiencia que relato num dos comentarios a este post.


Post Relacionado:




… Na Pratica!


Apenas para registar algumas experiencias pessoais que tive ao longo dos anos e que, pelo menos quanto a mim, exemplificam algumas das questoes a volta da “problematica do genero”:

- Uma vez, em Luanda, candidatei-me a um curso de “avaliadores de diamantes” que deveria ter lugar em Londres, oferecido por uma empresa diamantifera nacional. Fui, como todos os outros candidatos, submetida aos mais diversos testes. No fim, fui classificada entre os tres melhores candidatos, sendo que os outros dois eram homens. Mas os decisores, que eram Ingleses, comunicaram-me, “com muita pena”, que eu nao fora seleccionada por ser ainda “uma jovem mulher” e que, portanto, “depois podia casar e/ou engravidar e aquela profissao nao se compadecia com esse tipo de situacoes”…

- Alguns anos depois, participei pela transportadora aerea nacional, de um curso de “programacao de computadores” patrocinado por uma multinacional Americana. No inicio do curso, em que eu era a unica mulher entre 6 ou 7 homens, um dos tecnicos (Angolano) que o dirigia disse-me que “apostava que eu nunca iria conseguir conclui-lo”. Perguntei-lhe porque e ele respondeu-me, sem papas na lingua: “porque tu nao tens peito para isto”! Acontece que quando chegou a hora dos exames finais (conduzidos independentemente pela multinacional Americana) eu fui a unica do grupo que passei, tendo os meus colegas homens tido que cumprir um periodo extra de treino e serem submetidos a um segundo exame…

- De uma outra vez, em Portugal, como parte do processo de seleccao para um determinado emprego, fui submetida a testes psicotecnicos por uma empresa especializada. No fim, os managers da empresa chamaram-me em particular para me comunicarem que estavam espantados com os meus “extraordinarios resultados, dos melhores que eles ja’ tinham visto em muito tempo” e para me aconselharem a candidatar-me a um emprego melhor do que aquele para o qual tinha feito os testes…

- Mais alguns anos depois, em Londres, participei num concurso promovido por uma petrolifera para um emprego em Angola. Foi um longo processo, tanto em termos burocraticos como dos testes e entrevistas envolvidos, mas, to cut a long story short, no final acabei por ser informada de que “apesar de eu ter tido as melhores classificacoes nos testes tecnicos, psicotecnicos e linguisticos e de ter tido uma classificacao geral excelente – muito boa para um Angolano, acrescentaram para meu total desconforto e ate' "ofensa em nome de terceiros"! – eu nao tinha sido seleccionada naquela ocasiao”. Porque? Ao contrario do estipulado nos regulamentos do mercado de trabalho deste pais, nunca me deram qualquer explicacao! Nao sei se alguem chegou mesmo a ser seleccionado, sei apenas que, tambem naquela ocasiao, eu tinha sido a unica mulher participante daquele concurso…

P.S.: E, ja' agora, de registar tambem a experiencia que relato num dos comentarios a este post.


Post Relacionado:

“Questoes de Genero”… (I)



… Na Pratica!

Era uma vez… uma chefe (Protocol & Policy Adviser – PPA) que, embora pudesse dispensar os servicos de uma PA, a dada altura se viu forcada a contratar um(a) Research Assistant (RA). Entao, obtidos os necessarios consensos e approvals, desencadeou todo o processo de concepcao, advertising, seleccao e entrevistas para o posto. E… em cada uma dessas fases, encontrou entraves.

Na fase de advertising, que havia sido concebida para ter uma abrangencia internacional, embora com requisitos que implicitamente indicavam uma preferencia por candidatos regionais ou continentais, levantaram-se vozes que entendiam que aquela posicao deveria “estatutariamente” ser preenchida por um nacional do pais em que iria ser exercida. A PPA conseguiu ignora-las (mesmo porque elas nao tinham nenhum respaldo “estatutario” ou institucional) ate’ que, um belo dia, ja’ em plena fase de seleccao, viu o seu gabinete literalmente invadido por uma ‘senhora’, com a postura e linguagem mais agressivas que se podem imaginar, que nao se havia conformado com o facto de lhe ter sido comunicado por email que a sua candidatura nao poderia ser considerada por ela a ter submetido depois da deadline…

Nao satisfeita com a inflexibilidade da PPA em relacao a sua pretendida “imposicao”, a ‘senhora’ dirigiu-se entao ao gabinete ao lado – que era ocupado por um individuo branco-europeu que, por esse facto, a ‘senhora’ achava que era quem mandava na PPA – para “apresentar queixa” dela… Tambem nao tendo obtido ali a satisfacao desejada, continuou o seu periplo de queixumes por varios gabinetes, especialmente daqueles seus conterraneos que haviam levantado as suas vozes "proteccionistas" durante a fase de advertising… Tao “poderosas” eram tais vozes que conseguiram fazer com que a chefe fosse chamada a “instancias superiores” para “explicacoes” sobre o caso da ‘senhora’ alegadamente por ela “discriminada”…
Bom, a questao acabou por ser resolvida pela forca da razao e a ‘senhora’ e o ‘seu caso’ acabaram por ser devidamente arquivados.

Ate’ que chegou o tao ansiado dia das entrevistas, conduzidas por um painel especialmente indicado por 3 paises membros e em que a PPA, embora nele tivesse um papel orientador e de supervisao, nao tinha, por inerencia de funcoes e para evitar conflitos de interesses, poder de decisao. Well, to cut a long story short, a decisao final acabou por pender entre dois candidatos: um homem que, apesar de ser originario da regiao, residia e se havia candidatado a partir dos EUA e que, para alem de um PhD e de alguma experiencia professional na area, apresentava uma postura incontestavelmente profissional, e uma mulher muito menos qualificada, tanto academica como profissionalmente, mas que se havia candidatado a partir da regiao.

A PPA, apesar de nao ter poder de decisao no painel, nao deixou de tornar claras as suas preferencias pelo primeiro (mesmo em face da advertencia do seu colega branco europeu vizinho de gabinete, sugerindo-lhe que aquele, com o seu PhD, lhe poderia disputar o lugar…), enquanto pelo menos dois outros membros do painel se mostravam movidos a favor da segunda. E tal devia-se fundamentalmente a forma insistente como ela havia mencionado durante a entrevista o facto de ser “mae solteira de uma crianca deficiente”… Acontece que a PPA, sendo igualmente “mae solteira” e nao tendo deixado de se sentir comovida pela situacao da candidata, teria preferido que ela tivesse demonstrado um maior empenho em defender as suas qualificacoes academicas e profissionais para a funcao, as quais, mesmo nao se tendo demonstrado as melhores naquelas circunstancias, lhe permitiriam facilmente (embora ela nem sequer estivesse desempregada…) arranjar um emprego similar, ou ate’ melhor, quer naquela, quer noutra organizacao regional.

Ora, tendo a candidata sido informada por um dos membros do painel que lhe eram favoraveis, no caso tambem uma mulher, de que a decisao final poderia nao lhe ser favoravel, dirigiram-se as duas ao "gabinete do genero" para se queixarem de que a PPA nao se estava a demonstrar “suficientemente gender-sensitive”… E… a partir do “gabinete do genero” foram entao desencadeadas, em nome da “politica de quotas”, as “devidas pressoes” para que o lugar fosse oferecido a candidata…

Mas, finalmente, depois de um longo debate entre os membros do painel e a PPA, a decisao final acabou por ser em favor do candidato - decisao que tambem ia de encontro as politicas (pelo menos no plano das intencoes) das organizacoes regionais e continentais no sentido de promoverem o regresso e integracao profissional dos quadros Africanos na diaspora. Mas… as "pressoes em contrario" acumuladas ao longo do processo acabaram por conseguir obstruir a sua contratacao…
E, assim, era uma vez uma chefe que – depois de muito tempo, energia e recursos gastos – acabou por nao conseguir contratar um(a) RA!


… Na Pratica!

Era uma vez… uma chefe (Protocol & Policy Adviser – PPA) que, embora pudesse dispensar os servicos de uma PA, a dada altura se viu forcada a contratar um(a) Research Assistant (RA). Entao, obtidos os necessarios consensos e approvals, desencadeou todo o processo de concepcao, advertising, seleccao e entrevistas para o posto. E… em cada uma dessas fases, encontrou entraves.

Na fase de advertising, que havia sido concebida para ter uma abrangencia internacional, embora com requisitos que implicitamente indicavam uma preferencia por candidatos regionais ou continentais, levantaram-se vozes que entendiam que aquela posicao deveria “estatutariamente” ser preenchida por um nacional do pais em que iria ser exercida. A PPA conseguiu ignora-las (mesmo porque elas nao tinham nenhum respaldo “estatutario” ou institucional) ate’ que, um belo dia, ja’ em plena fase de seleccao, viu o seu gabinete literalmente invadido por uma ‘senhora’, com a postura e linguagem mais agressivas que se podem imaginar, que nao se havia conformado com o facto de lhe ter sido comunicado por email que a sua candidatura nao poderia ser considerada por ela a ter submetido depois da deadline…

Nao satisfeita com a inflexibilidade da PPA em relacao a sua pretendida “imposicao”, a ‘senhora’ dirigiu-se entao ao gabinete ao lado – que era ocupado por um individuo branco-europeu que, por esse facto, a ‘senhora’ achava que era quem mandava na PPA – para “apresentar queixa” dela… Tambem nao tendo obtido ali a satisfacao desejada, continuou o seu periplo de queixumes por varios gabinetes, especialmente daqueles seus conterraneos que haviam levantado as suas vozes "proteccionistas" durante a fase de advertising… Tao “poderosas” eram tais vozes que conseguiram fazer com que a chefe fosse chamada a “instancias superiores” para “explicacoes” sobre o caso da ‘senhora’ alegadamente por ela “discriminada”…
Bom, a questao acabou por ser resolvida pela forca da razao e a ‘senhora’ e o ‘seu caso’ acabaram por ser devidamente arquivados.

Ate’ que chegou o tao ansiado dia das entrevistas, conduzidas por um painel especialmente indicado por 3 paises membros e em que a PPA, embora nele tivesse um papel orientador e de supervisao, nao tinha, por inerencia de funcoes e para evitar conflitos de interesses, poder de decisao. Well, to cut a long story short, a decisao final acabou por pender entre dois candidatos: um homem que, apesar de ser originario da regiao, residia e se havia candidatado a partir dos EUA e que, para alem de um PhD e de alguma experiencia professional na area, apresentava uma postura incontestavelmente profissional, e uma mulher muito menos qualificada, tanto academica como profissionalmente, mas que se havia candidatado a partir da regiao.

A PPA, apesar de nao ter poder de decisao no painel, nao deixou de tornar claras as suas preferencias pelo primeiro (mesmo em face da advertencia do seu colega branco europeu vizinho de gabinete, sugerindo-lhe que aquele, com o seu PhD, lhe poderia disputar o lugar…), enquanto pelo menos dois outros membros do painel se mostravam movidos a favor da segunda. E tal devia-se fundamentalmente a forma insistente como ela havia mencionado durante a entrevista o facto de ser “mae solteira de uma crianca deficiente”… Acontece que a PPA, sendo igualmente “mae solteira” e nao tendo deixado de se sentir comovida pela situacao da candidata, teria preferido que ela tivesse demonstrado um maior empenho em defender as suas qualificacoes academicas e profissionais para a funcao, as quais, mesmo nao se tendo demonstrado as melhores naquelas circunstancias, lhe permitiriam facilmente (embora ela nem sequer estivesse desempregada…) arranjar um emprego similar, ou ate’ melhor, quer naquela, quer noutra organizacao regional.

Ora, tendo a candidata sido informada por um dos membros do painel que lhe eram favoraveis, no caso tambem uma mulher, de que a decisao final poderia nao lhe ser favoravel, dirigiram-se as duas ao "gabinete do genero" para se queixarem de que a PPA nao se estava a demonstrar “suficientemente gender-sensitive”… E… a partir do “gabinete do genero” foram entao desencadeadas, em nome da “politica de quotas”, as “devidas pressoes” para que o lugar fosse oferecido a candidata…

Mas, finalmente, depois de um longo debate entre os membros do painel e a PPA, a decisao final acabou por ser em favor do candidato - decisao que tambem ia de encontro as politicas (pelo menos no plano das intencoes) das organizacoes regionais e continentais no sentido de promoverem o regresso e integracao profissional dos quadros Africanos na diaspora. Mas… as "pressoes em contrario" acumuladas ao longo do processo acabaram por conseguir obstruir a sua contratacao…
E, assim, era uma vez uma chefe que – depois de muito tempo, energia e recursos gastos – acabou por nao conseguir contratar um(a) RA!

Wednesday, 3 February 2010

OLHARES DIVERSOS (XIX)

IMACULADA MELO E O "NÃO"
OU
"A VÃ GLÓRIA DE (NÃO) MANDAR"

A Juíza Conselheira do Tribunal Constitucional, Dra. Imaculada Melo, votou contra o Acórdão do Tribunal Constitucional adoptado por maioria na sequência da avaliação (fiscalização preventiva) feita por esta instância ao texto da nova Constituição aprovado no passado dia 21 de Janeiro pela Assembleia Constituinte. Este voto deu-lhe direito de elaborar e divulgar uma declaração com as motivações da sua recusa. Aqui ficam elas:

"Votei vencida porque entendo que a nova Constituição não respeita inteiramente os limites materiais do artigo 159º, em outros casos, contrariamente ao que dispõe o Acórdão.

São os seguintes, em síntese, os fundamentos da posição:

1- Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos alínea b) do art.º 159º da Lei Constitucional.

Estou de acordo que a nova Constituição apresenta, efectivamente, um avanço na medida em que para além do aumento do leque dos direitos assegura-se a garantia e protecção dos mesmos pelo Estado. No entanto, considero que foi violado este limite na nova Constituição quando se restringe a possibilidade de candidatos independentes à Presidência da República de poder fazê-lo dessa forma, uma vez que apenas se podem candidatar se enquadrados num partido político ou integrados na lista de uma coligação de partidos políticos (artigo 111º, n.º2).

Considero por isso que há uma diminuição das garantias constitucionais e, consequentemente, há a violação dos princípios de igualdade, da proporcionalidade e da segurança jurídica e da protecção da confiança, todos subsumíveis no princípio do estado de direito que “desenvolve toda uma dimensão garantística que para além de protecção da liberdade individual, projecta exigências diferenciadas sobre a actuação do poder que, de alguma forma, possa afectar os particulares”. Nestes termos considero que a nova Constituição viola a alínea b) e c) do artigo 159º.

1.1-Para além disso, considero que as disposições finais e transitórias dão ao actual Presidente da República competência para que assuma a plena titularidade do poder executivo na Constituição aprovada até à realização de novas eleições.
É verdade que com esta norma resolvem-se, desde logo, duas questões constitucionais que são fundamentais, como sejam, a de assegurar a legitimidade constitucional do Presidente da República em funções e a de evitar que exista um vazio de poder.

Ora, do ponto de vista jurídico é questionável a atribuição deste poder ao Presidente da República uma vez que o actual Chefe de Estado está a exercer as suas funções num quadro de anormalidade constitucional surgida da guerra civil de 1992.
A normalização constitucional do país passa necessariamente pelo desempenho das funções dos órgãos de soberania de acordo com o estipulado na lei fundamental em vigor.

Este processo foi efectivado com a eleição da Assembleia Nacional, em Setembro de 2008 e deveria, igualmente, passar pela eleição do Presidente da República, o que estava previsto para 2009. Assim sendo, temos que a não realização da eleição presidencial na data acordada pelos Partidos Políticos, Governo e Presidente da República e a alteração da forma de eleição do Presidente da República na nova Constituição levanta, de imediato, um problema sério de legitimidade constitucional.

Por isso, entendo que o artigo 241º da nova Constituição está eivado de inconstitucionalidade uma vez que põe em causa o princípio democrático do Estado de direito que dispõe que o poder apenas pode ser exercido em conformidade com o princípio da legitimação popular do poder pela via do sufrágio universal, secreto e directo (Violação da alínea c) do artigo 159º). (cont)

[Continue lendo aqui]


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OU
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"Votei vencida porque entendo que a nova Constituição não respeita inteiramente os limites materiais do artigo 159º, em outros casos, contrariamente ao que dispõe o Acórdão.

São os seguintes, em síntese, os fundamentos da posição:

1- Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos alínea b) do art.º 159º da Lei Constitucional.

Estou de acordo que a nova Constituição apresenta, efectivamente, um avanço na medida em que para além do aumento do leque dos direitos assegura-se a garantia e protecção dos mesmos pelo Estado. No entanto, considero que foi violado este limite na nova Constituição quando se restringe a possibilidade de candidatos independentes à Presidência da República de poder fazê-lo dessa forma, uma vez que apenas se podem candidatar se enquadrados num partido político ou integrados na lista de uma coligação de partidos políticos (artigo 111º, n.º2).

Considero por isso que há uma diminuição das garantias constitucionais e, consequentemente, há a violação dos princípios de igualdade, da proporcionalidade e da segurança jurídica e da protecção da confiança, todos subsumíveis no princípio do estado de direito que “desenvolve toda uma dimensão garantística que para além de protecção da liberdade individual, projecta exigências diferenciadas sobre a actuação do poder que, de alguma forma, possa afectar os particulares”. Nestes termos considero que a nova Constituição viola a alínea b) e c) do artigo 159º.

1.1-Para além disso, considero que as disposições finais e transitórias dão ao actual Presidente da República competência para que assuma a plena titularidade do poder executivo na Constituição aprovada até à realização de novas eleições.
É verdade que com esta norma resolvem-se, desde logo, duas questões constitucionais que são fundamentais, como sejam, a de assegurar a legitimidade constitucional do Presidente da República em funções e a de evitar que exista um vazio de poder.

Ora, do ponto de vista jurídico é questionável a atribuição deste poder ao Presidente da República uma vez que o actual Chefe de Estado está a exercer as suas funções num quadro de anormalidade constitucional surgida da guerra civil de 1992.
A normalização constitucional do país passa necessariamente pelo desempenho das funções dos órgãos de soberania de acordo com o estipulado na lei fundamental em vigor.

Este processo foi efectivado com a eleição da Assembleia Nacional, em Setembro de 2008 e deveria, igualmente, passar pela eleição do Presidente da República, o que estava previsto para 2009. Assim sendo, temos que a não realização da eleição presidencial na data acordada pelos Partidos Políticos, Governo e Presidente da República e a alteração da forma de eleição do Presidente da República na nova Constituição levanta, de imediato, um problema sério de legitimidade constitucional.

Por isso, entendo que o artigo 241º da nova Constituição está eivado de inconstitucionalidade uma vez que põe em causa o princípio democrático do Estado de direito que dispõe que o poder apenas pode ser exercido em conformidade com o princípio da legitimação popular do poder pela via do sufrágio universal, secreto e directo (Violação da alínea c) do artigo 159º). (cont)

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A Tarefa de Substituir JES

Thursday, 21 January 2010

OLHARES DIVERSOS (XVIII)

MARCOLINO MOCO AO "PUBLICO"

Só O Tribunal Constitucional Pode Impedir Esta Barbaridade

História da humanidade é prenhe em exemplos de como os maus precedentes podem ser fatais para a vida dos Estados.

A questão das normas constitucionais vigentes que vão ser violadas com este acto da Assembleia Nacional, nas vestes de Assembleia Constituinte, não pode ser tão despicienda como se pretende fazer passar, com o pretexto de que a maioria esmagadora do MPLA o justifica.

Esta não é apenas uma questão de ordem teórica defendida pelos grandes mestres do Direito. É algo que o Direito foi retirar das lições da História. Veja-se o caso do nazismo hitleriano.

Para o caso concreto do constitucionalismo angolano, o artigo 159 surgira, exactamente, para acautelar que uma eventual maioria esmagadora pudesse alterar conquistas específicas no processo da construção de uma democracia pluralista, bem como a preservação dos princípios basilares de um Estado democrático e de direito, entre os quais a questão da separação material e formal dos órgãos nacionais de soberania.

Ora, será justamente a destruição deste mecanismo acautelatório a que vamos assistir, para além da consagração constitucional de outras práticas irregulares a que os angolanos foram submetidos, ao arrepio da lei constitucional em vigor durante o longo consulado do Presidente José Eduardo dos Santos, cuja necessidade de chegar ao fim ele próprio preconizara há cerca de cinco anos.

Eu, pessoalmente, alimento ainda a esperança de que, pela idoneidade dos juízes do Tribunal Constitucional, cuja actuação em relação ao assunto foi anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, "Nandó", e que, na minha óptica, se impõe ex officio, nos termos do artigo 135, número três, da lei constitucional, conjugado com a alínea "O" do artigo 16 da sua lei orgânica, sejamos poupados a assistir à anunciada barbaridade.


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Esta não é apenas uma questão de ordem teórica defendida pelos grandes mestres do Direito. É algo que o Direito foi retirar das lições da História. Veja-se o caso do nazismo hitleriano.

Para o caso concreto do constitucionalismo angolano, o artigo 159 surgira, exactamente, para acautelar que uma eventual maioria esmagadora pudesse alterar conquistas específicas no processo da construção de uma democracia pluralista, bem como a preservação dos princípios basilares de um Estado democrático e de direito, entre os quais a questão da separação material e formal dos órgãos nacionais de soberania.

Ora, será justamente a destruição deste mecanismo acautelatório a que vamos assistir, para além da consagração constitucional de outras práticas irregulares a que os angolanos foram submetidos, ao arrepio da lei constitucional em vigor durante o longo consulado do Presidente José Eduardo dos Santos, cuja necessidade de chegar ao fim ele próprio preconizara há cerca de cinco anos.

Eu, pessoalmente, alimento ainda a esperança de que, pela idoneidade dos juízes do Tribunal Constitucional, cuja actuação em relação ao assunto foi anunciada pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, "Nandó", e que, na minha óptica, se impõe ex officio, nos termos do artigo 135, número três, da lei constitucional, conjugado com a alínea "O" do artigo 16 da sua lei orgânica, sejamos poupados a assistir à anunciada barbaridade.


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