Tuesday, 9 November 2010

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe" ... [R]*




E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?
[K. - aqui]



[imagem daqui]


Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]


... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!




P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:

i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]






E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?
[K. -
aqui]



[imagem daqui]


Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]


... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!




P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:

i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]



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