Thursday, 31 March 2011

Maria de Lourdes Bravo



Deixar passar completamente este Marco Mulher, num ano em que, por forca de si proprios ou por ‘imposicao’ de terceiros, me tenho visto compelida a fazer alguns balancos de vida, especialmente dos meus anos de Portugal, sem mencionar a Maria de Lourdes Bravo seria, no minimo, uma imperdoavel grosseria da minha parte. E digo apenas ‘mencionar’ porque nao creio que saberia como lhe prestar a ‘devida homenagem’…


E’ que a Lourdes e’ mesmo aquela Mulher na minha vida a quem dificilmente regatearia o direito de dizer que “aprendi muito com ela” ou que “lhe devo muito”, embora a saiba muito acima desse tipo de “cobrancas” e mais ainda de linguagem que inclua mencoes a “pratos em que se debicou”! ... E, mesmo que assim nao fosse, nao teria como lhe pagar porque nada do que sinto dever-lhe e' material.

Conheci-a, em Luanda, nos meus tenros-maduros 16 anos, mas foi anos mais tarde em Lisboa que viria a confirmar nela aquela pessoa que qualquer mulher gostaria de ter como amiga (especialmente se mais nova do que ela): alguem com quem partilhar tanto alegrias e cumplicidades, como duvidas, inquietacoes, frustracoes, enfim, os altos e baixos da vida e ter sempre a seguranca de que ela “nao nos deixara’ cair”… E, para alem de tudo o mais, ela e’ tambem minha comadre, madrinha do meu filho e… economista!


Nao nos vemos desde que sai de Lisboa ha’ ja’ quase 16 anos, mas temos mantido o contacto ao longo desse periodo de distanciamento.

Nao me sendo possivel de momento (algo que tentarei colmatar tao logo possa) ilustrar esta mukanda com uma foto dela, faco-o com essas fotos minhas, tiradas por ela em sua casa, numa daquelas tardes em que, por qualquer razao, entrava la’ toda jururu de coracao e mente pesados e saia com toda a joie-de-vivre recomposta por uma das sua sessoes de beauty theraphy and spirit uplifting sentindo a alma leve como uma andorinha… Enfim, eramos nos a fazermos e a vivermos a poesia da vida.


Sarava - amiga, colega, comadre, irma!



Deixar passar completamente este Marco Mulher, num ano em que, por forca de si proprios ou por ‘imposicao’ de terceiros, me tenho visto compelida a fazer alguns balancos de vida, especialmente dos
meus anos de Portugal, sem mencionar a Maria de Lourdes Bravo seria, no minimo, uma imperdoavel grosseria da minha parte. E digo apenas ‘mencionar’ porque nao creio que saberia como lhe prestar a ‘devida homenagem’…


E’ que a Lourdes e’ mesmo aquela Mulher na minha vida a quem dificilmente regatearia o direito de dizer que “aprendi muito com ela” ou que “lhe devo muito”, embora a saiba muito acima desse tipo de “cobrancas” e mais ainda de linguagem que inclua mencoes a “pratos em que se debicou”! ... E, mesmo que assim nao fosse, nao teria como lhe pagar porque nada do que sinto dever-lhe e' material.

Conheci-a, em Luanda, nos meus tenros-maduros 16 anos, mas foi anos mais tarde em Lisboa que viria a confirmar nela aquela pessoa que qualquer mulher gostaria de ter como amiga (especialmente se mais nova do que ela): alguem com quem partilhar tanto alegrias e cumplicidades, como duvidas, inquietacoes, frustracoes, enfim, os altos e baixos da vida e ter sempre a seguranca de que ela “nao nos deixara’ cair”… E, para alem de tudo o mais, ela e’ tambem minha comadre, madrinha do meu filho e… economista!


Nao nos vemos desde que sai de Lisboa ha’ ja’ quase 16 anos, mas temos mantido o contacto ao longo desse periodo de distanciamento.

Nao me sendo possivel de momento (algo que tentarei colmatar tao logo possa) ilustrar esta mukanda com uma foto dela, faco-o com essas fotos minhas, tiradas por ela em sua casa, numa daquelas tardes em que, por qualquer razao, entrava la’ toda jururu de coracao e mente pesados e saia com toda a joie-de-vivre recomposta por uma das sua sessoes de beauty theraphy and spirit uplifting sentindo a alma leve como uma andorinha… Enfim, eramos nos a fazermos e a vivermos a poesia da vida.


Sarava - amiga, colega, comadre, irma!

'A Footprint for Inspiration'



To mark the end of this Women’s Month, I thought of bringing here something that, if nothing else, will always make me feel that this blog was somehow worthwhile. It is the first post on the blogosphere by a sista, Kentke, who credited me with having inspired her to start her own blog back on September 2007.

Regrettably, on the third birthday of her blog, she decided to stop it – I which she had meant “suspend” it for just a while… So, hoping that this may help her reverse that decision, here is what, using the metaphor of the picture illustrating this post which I’ve taken from this post of hers, I would call a footprint, at least as far as both of us are concerned, for friendship and mutual inspiration between black female bloggers:


My Goodness~

Thank you Koluki for such an honor to appear on your blog, as my introduction to the Blogging world. Your blog and our communication has been a fruitful inspiration, as yesterday (9/16/07), I launched my own blog (smile).
My first post includes the blog on your page, but it is preceeded by a call to celebrate today September 17th, the birth date of Agostinho Neto. It's entitled 'Celebrating the Life of one of Africa's greatest Leaders.'
I hope you and your readers will check the "Knewz from Meroe West", and share from the Heart. So many of Angola's children are now called (African-)Americans....it's only natural and perfect that we talk, ....get reacquainted...and ultimately, see what we come up with. Dr. Neto would be quite pleased.

[Comment posted here]


Back to something more interesting......the African Bloggers.
Here's a sister, from Angola that I recently discovered: Koluki
Great music, graphics and art, some of it is in Portugues, but alot in English. Check her out.
I wrote and shared a story of my ancestors, and she encouraged me to tell the story in her blog as a comment on reparations. Well friends....I've made an effort to do so. I'm going to add here what I shared so that you can comment on it too.

[Note posted here]


My Sister, WELCOME TO THE BLOGOSPHERE!
I'm so happy that you decided to create your own blog! I will definitely visit as if it were my 'kimbo' and will link it on my blogroll. To celebrate I leave here this poem: [Agostinho Neto by Chinua Achebe, recently remembered here]

[Comment posted here]



To mark the end of this Women’s Month, I thought of bringing here something that, if nothing else, will always make me feel that this blog was somehow worthwhile. It is the first post on the blogosphere by a sista, Kentke, who credited me with having inspired her to start her own blog back on September 2007.

Regrettably, on the third birthday of her blog, she decided to stop it – I which she had meant “suspend” it for just a while… So, hoping that this may help her reverse that decision, here is what, using the metaphor of the picture illustrating this post which I’ve taken from this post of hers, I would call a footprint, at least as far as both of us are concerned, for friendship and mutual inspiration between black female bloggers:


My Goodness~

Thank you Koluki for such an honor to appear on your blog, as my introduction to the Blogging world. Your blog and our communication has been a fruitful inspiration, as yesterday (9/16/07), I launched my own blog (smile).
My first post includes the blog on your page, but it is preceeded by a call to celebrate today September 17th, the birth date of Agostinho Neto. It's entitled 'Celebrating the Life of one of Africa's greatest Leaders.'
I hope you and your readers will check the "Knewz from Meroe West", and share from the Heart. So many of Angola's children are now called (African-)Americans....it's only natural and perfect that we talk, ....get reacquainted...and ultimately, see what we come up with. Dr. Neto would be quite pleased.

[Comment posted here]


Back to something more interesting......the African Bloggers.
Here's a sister, from Angola that I recently discovered: Koluki
Great music, graphics and art, some of it is in Portugues, but alot in English. Check her out.
I wrote and shared a story of my ancestors, and she encouraged me to tell the story in her blog as a comment on reparations. Well friends....I've made an effort to do so. I'm going to add here what I shared so that you can comment on it too.

[Note posted here]


My Sister, WELCOME TO THE BLOGOSPHERE!
I'm so happy that you decided to create your own blog! I will definitely visit as if it were my 'kimbo' and will link it on my blogroll. To celebrate I leave here this poem: [Agostinho Neto by Chinua Achebe, recently remembered here]

[Comment posted here]

Wednesday, 30 March 2011

AS GUELEDÉS - A FESTA DAS MÁSCARAS



Prepare-se: nesse livro você vai embarcar em uma aventura para desvendar um grande mistério e conhecerá mulheres que se transformam em ratos, pássaros e até mesmo em morcegos!

Tudo é magia na transformação de pessoas em animais. São histórias de um tempo longínquo sobre o poder de luta da mulher africana presente até os nossos dias nas mulheres afrodescendentes. Conheça essas grandes mães africanas representadas nas máscaras e descubra como elas podem ser notadas no nosso dia a dia.

Essa presença está nas palavras que usamos para conversar, na música que escutamos e cantamos, na dança, nas religiões que nos cercam, no artesanato que admiramos e, especialmente, na comida que comemos. Depois de se divertir nessa viagem, você poderá ler mais sobre o país e a nação de origem das Senhoras da Noite, sobre suas tradições, sua cultura e sua sociedade.


[Aqui]


Post Relacionado:

Feminismo Negro Brasileiro



Prepare-se: nesse livro você vai embarcar em uma aventura para desvendar um grande mistério e conhecerá mulheres que se transformam em ratos, pássaros e até mesmo em morcegos!

Tudo é magia na transformação de pessoas em animais. São histórias de um tempo longínquo sobre o poder de luta da mulher africana presente até os nossos dias nas mulheres afrodescendentes. Conheça essas grandes mães africanas representadas nas máscaras e descubra como elas podem ser notadas no nosso dia a dia.

Essa presença está nas palavras que usamos para conversar, na música que escutamos e cantamos, na dança, nas religiões que nos cercam, no artesanato que admiramos e, especialmente, na comida que comemos. Depois de se divertir nessa viagem, você poderá ler mais sobre o país e a nação de origem das Senhoras da Noite, sobre suas tradições, sua cultura e sua sociedade.


[Aqui]


Post Relacionado:

Feminismo Negro Brasileiro

70th Anniversary of Virginia Woolf's Death*





"Imaginative work... is like a spider's web, attached ever so lightly perhaps, but still attached to life at all four corners.... But when the web is pulled askew, hooked up at the edge, torn in the middle, one remembers that these webs are not spun in midair by incorporeal creatures, but are the work of suffering, human beings, and are attached to the grossly material things, like health and money and the houses we live in."
[in A Room of One's Own]




"What is the meaning of life?... a simple question; one that tended to close in on one with years. The great revelation had never come. The great revelation perhaps never did come. Instead there were little daily miracles, illuminations, matches struck unexpectedly in the dark."
[in To the Lighthouse]


*[It was two days ago (a few days after the passing of Liz Taylor who famously played "Who's Afraid of Virginia Woolf?" on screen), but it's still Women's Month...]





"Imaginative work... is like a spider's web, attached ever so lightly perhaps, but still attached to life at all four corners.... But when the web is pulled askew, hooked up at the edge, torn in the middle, one remembers that these webs are not spun in midair by incorporeal creatures, but are the work of suffering, human beings, and are attached to the grossly material things, like health and money and the houses we live in."
[in A Room of One's Own]




"What is the meaning of life?... a simple question; one that tended to close in on one with years. The great revelation had never come. The great revelation perhaps never did come. Instead there were little daily miracles, illuminations, matches struck unexpectedly in the dark."
[in To the Lighthouse]


*[It was two days ago (a few days after the passing of Liz Taylor who famously played "Who's Afraid of Virginia Woolf?" on screen), but it's still Women's Month...]

Tuesday, 29 March 2011

On 'Dirty Dancing'



[image from here]


One permanent focus of attention, and controversy, in Women’s History has always been their body. Most prominently their body shapes and sizes, but also other issues surrounding it, such as their control over it and the perceived notions of its femininity and fecundity, or lack thereof. Underlying these issues (some of them recently raised here) is, alongside those of 'elegance' and 'respectability', the always present notion of ‘decency’ and the moral values upon which it is set and conceived, which may (or not) vary from one society to the other.

Therein lies the crux of the matter of what can, or not, be considered acceptable, i.e. ‘decent’, public (or, indeed, private – as in “private dancer”) display of the female body. Dance being, par excellence, the main 'artistic' vehicle through which all these themes, issues, notions and questions come to public consciousness and discussion, it is all too common to find it at the centre of 'moral judgments' about a woman’s ‘character’, or lack thereof…

I bring this subject a propos of some highly controversial music and dance fads apparently springing ‘out of the blue’ within some segments of Angolan society, especially in the capital, Luanda. Kuduro – at its best (as in here) dubbed “the darling of some European DJs” and, at its worst, as something akin to “the music/dance of the devil” (as in here) – might be the most widely spread and generally known outside the country, but there are others, especially in dance form, succeeding each other in recent years and, apparently, each one ‘worse’ than the previous.

They come with sexually-suggestive names like “kambwa” (something dog-related), "tchuku", "windeck", "xupa-la’", etc., and are generally thought of, and perhaps rightly so (I can’t really join in any “judging bandwagon” as I haven’t seen any of them yet - in fact, I'd rather do as Toni Morrison on the face of it: hum...), as ‘obscene’, ‘indecent’, ‘immoral’, ‘pornographic’, etc., by some commentators in the Angolan media – in a society, it must be said, which cannot exactly pride itself in having much of a solid moral values system, after the degradation and erosion of traditional values and customs wrought in by centuries of colonialism and assimilacionist policies under the colonial and the post-colonial regimes, followed by decades of a fratricidal war and destruction of the country’s already damaged and fragile social fabric amidst, up until recently, the all but total prohibition of religious beliefs and practices under a Marxist regime in the three decades since independence…

Is there any wonder then that such a rather permissive , superficial, materialistic, physically, psychologically and sexually violent (Luanda, the capital, is reported to register at least 8 cases of rape daily!), yet highly hypocritical, society - where sex became the main, if not the only, 'driving force' behind all sorts of social, including professional, relationships (as discussed here) would somehow produce "loose women"?!

[This being said boldly here by a black woman who comes from a strong Christian background and has been struggling to overcome the moral, psychological, professional and material damage inflicted upon her in various ways, including relentless sexual harrassment and pornographic attacks and attempts at tarnishing her public reputation, for no other reason than having had the ‘audacity’ of denouncing such attacks, by "respectable" members of that same society, especially some in the media – and, prominently among them, a white blond sex kitten, who also happens to be a blogger and dancer (profiled in the text on this post) that, in a bid to protect her own turf, hypocritically pretends to be 'outraged' and 'disgusted' by these new ‘dance trends’ (performed predominantly by young black females), while (after allowing herself practices such as desecrating the deepest intimacy of a group of older traditional African dancers - a practice that I strongly condenmed here only to get from her as a response the most sordid, demeaning, anti-personal campaign) appearing half-naked in one of her so-called contemporary dance shows (she actually happens to think that her blood was made bold by classical ballet and coronets and piano keys... yes, she claims that kind of power!), which, interestingly enough, she only managed to put together after a decade of idleness thanks to unashamedly aping the "mermaid pose" of a black artist, Cassandra Wilson, in the cover of her album New Moon Daughter, and appropriating herself of that image only to totally decontextualise and denigrate it, as denounced here…]

Having said all that, perhaps it should not strike us as surprising that what seems to be generally lacking in most 'judgements' of these trends coming to light recently from Angola - which do not go beyond blaming and criminalising the young women who practise them - is something that, for instance, Toni Morrison , skilfully, sensibly and maturely does in the opening of her novel Love [*]: while decrying it, the factoring in, even if only briefly, of the emotional, psychological, sociological, historical and even political dimensions of such phenomena. She does so in relation to some observed trends of ‘female body exposure’ in American society up to the 1990s – and since then, based on the echoes I get from time to time through the media, I surmise that they may have evolved to even ‘worse’ forms. Nevertheless, I never got news of a ‘total breakdown or collapse’ of the moral and spiritual backbone of America’s mainstream values system (or, for that matter, of that of any other society where such phenomena may occur), because of those fads - which is not meant, of course, to condone them.

So, without further ado, here are some extracts from the introductory pages of Morrison’s said novel:


The women's legs are spread wide open, so I hum. Men grow irritable, but they know it's all for them. They relax. Standing by, unable to do anything but watch, is a trial, but I don't say a word. My nature is a quite one, anyway. As a child I was considered respectful; as a young woman I was called discreet. Later on I was thought to have the wisdom maturity brings. Nowadays silence is looked on as odd and most of my race has forgotten the beauty of meaning much by saying little. Now tongues work all by themselves with no help from the mind. Still, I used to be able to have normal conversations, and when the need arose, I could make a point strong enough to stop a womb - or a knife. Not anymore, because back in the seventies, when women began to straddle chairs and dance crotch out on television, when all the magazines started featuring behinds and inner thighs as though that's all there is to a woman, well, I shut up altogether. Before women agreed to spread in public, there used to be secrets - some to hold, some to tell. Now? No. Barefaced being the order of the day, I hum. The words dance in my head to the music in my mouth.

(...)

What's the deep in you? It's way down below, and has nothing to do with blood made bold by coronets and piano keys, does it? Of course, I don't claim that kind of power. My hum is mostly below range, private; suitable for an old woman embarrassed by the world; her way of objecting to how the century is turning out. Where all is known and nothing understood. Maybe it was always so, but it didn't strike me until some thirty years ago that prostitutes, looked up for their honesty, have always set the style. Well, maybe it wasn't their honesty; maybe it was their success. Still, straddling a chair or dancing half naked on TV, these nineties women are not all that different from the respectable women who live around here. This is coast country, humid and God-fearing, where female recklessness runs too deep for short shorts or thongs or cameras. But then or now, decent underwear or none, wild women never could hide their innocence - a kind of pity-kitty hopefulness that their prince was on his way. Especially the tough ones with their box cutters and dirty language, or the glossy ones with two-seated cars and a pocket-book full of dope. Even the ones who wear scars like presidential medals and stockings rolled at their ankles can't hide the sugar-child, the winsome baby girl curled up somewhere inside, between the ribs, say, or under the heart. Naturally all of them have a sad story: too much notice, not enough, or the worst kind. Some tale about dragon daddies and false-hearted men, or mean mamas and friends who did them wrong. Each story has a monster in it who made them tough instead of brave, so they open their legs rather than their hearts where that folded child is tucked. Sometimes the cut is so deep no woe-is-me tale is enough. Then the only thing that does the trick, that explains the craziness heaping up, holding down, and making women hate one another and ruin their children is an outside evil.



*[Thus presented by its publishers (Chatto & Windus, 2003): "This audacious vision of the nature of love - its appetite, its sublime possession, its dread - is rich in characters and dramatic event, and in its profound understanding of how alive the past can be. Compelling, sensual, elegiac, unforgettable, a major new work by the Nobel Prize-winning novelist, its narrative reflects the different facets of love, shifting from desire through lust, obsession, yearning, and ultimately comes full circle to that indelible, overwhelming first love that marks us forever."]


ADENDA


"The Sex Lives of African Girls"




[By Tayie Selasi]



[image from here]


One permanent focus of attention, and controversy, in Women’s History has always been their body. Most prominently their body shapes and sizes, but also other issues surrounding it, such as their control over it and the perceived notions of its femininity and fecundity, or lack thereof. Underlying these issues (some of them recently raised here) is, alongside those of 'elegance' and 'respectability', the always present notion of ‘decency’ and the moral values upon which it is set and conceived, which may (or not) vary from one society to the other.

Therein lies the crux of the matter of what can, or not, be considered acceptable, i.e. ‘decent’, public (or, indeed, private – as in “private dancer”) display of the female body. Dance being, par excellence, the main 'artistic' vehicle through which all these themes, issues, notions and questions come to public consciousness and discussion, it is all too common to find it at the centre of 'moral judgments' about a woman’s ‘character’, or lack thereof…

I bring this subject a propos of some highly controversial music and dance fads apparently springing ‘out of the blue’ within some segments of Angolan society, especially in the capital, Luanda. Kuduro – at its best (as in here) dubbed “the darling of some European DJs” and, at its worst, as something akin to “the music/dance of the devil” (as in here) – might be the most widely spread and generally known outside the country, but there are others, especially in dance form, succeeding each other in recent years and, apparently, each one ‘worse’ than the previous.

They come with sexually-suggestive names like “kambwa” (something dog-related), "tchuku", "windeck", "xupa-la’", etc., and are generally thought of, and perhaps rightly so (I can’t really join in any “judging bandwagon” as I haven’t seen any of them yet - in fact, I'd rather do as Toni Morrison on the face of it: hum...), as ‘obscene’, ‘indecent’, ‘immoral’, ‘pornographic’, etc., by some commentators in the Angolan media – in a society, it must be said, which cannot exactly pride itself in having much of a solid moral values system, after the degradation and erosion of traditional values and customs wrought in by centuries of colonialism and assimilacionist policies under the colonial and the post-colonial regimes, followed by decades of a fratricidal war and destruction of the country’s already damaged and fragile social fabric amidst, up until recently, the all but total prohibition of religious beliefs and practices under a Marxist regime in the three decades since independence…

Is there any wonder then that such a rather permissive , superficial, materialistic, physically, psychologically and sexually violent (Luanda, the capital, is reported to register at least 8 cases of rape daily!), yet highly hypocritical, society - where sex became the main, if not the only, 'driving force' behind all sorts of social, including professional, relationships (as discussed here) would somehow produce "loose women"?!

[This being said boldly here by a black woman who comes from a strong Christian background and has been struggling to overcome the moral, psychological, professional and material damage inflicted upon her in various ways, including relentless sexual harrassment and pornographic attacks and attempts at tarnishing her public reputation, for no other reason than having had the ‘audacity’ of denouncing such attacks, by "respectable" members of that same society, especially some in the media – and, prominently among them, a white blond sex kitten, who also happens to be a blogger and dancer (profiled in the text on this post) that, in a bid to protect her own turf, hypocritically pretends to be 'outraged' and 'disgusted' by these new ‘dance trends’ (performed predominantly by young black females), while (after allowing herself practices such as desecrating the deepest intimacy of a group of older traditional African dancers - a practice that I strongly condenmed here only to get from her as a response the most sordid, demeaning, anti-personal campaign) appearing half-naked in one of her so-called contemporary dance shows (she actually happens to think that her blood was made bold by classical ballet and coronets and piano keys... yes, she claims that kind of power!), which, interestingly enough, she only managed to put together after a decade of idleness thanks to unashamedly aping the "mermaid pose" of a black artist, Cassandra Wilson, in the cover of her album New Moon Daughter, and appropriating herself of that image only to totally decontextualise and denigrate it, as denounced here…]

Having said all that, perhaps it should not strike us as surprising that what seems to be generally lacking in most 'judgements' of these trends coming to light recently from Angola - which do not go beyond blaming and criminalising the young women who practise them - is something that, for instance, Toni Morrison , skilfully, sensibly and maturely does in the opening of her novel Love [*]: while decrying it, the factoring in, even if only briefly, of the emotional, psychological, sociological, historical and even political dimensions of such phenomena. She does so in relation to some observed trends of ‘female body exposure’ in American society up to the 1990s – and since then, based on the echoes I get from time to time through the media, I surmise that they may have evolved to even ‘worse’ forms. Nevertheless, I never got news of a ‘total breakdown or collapse’ of the moral and spiritual backbone of America’s mainstream values system (or, for that matter, of that of any other society where such phenomena may occur), because of those fads - which is not meant, of course, to condone them.

So, without further ado, here are some extracts from the introductory pages of Morrison’s said novel:


The women's legs are spread wide open, so I hum. Men grow irritable, but they know it's all for them. They relax. Standing by, unable to do anything but watch, is a trial, but I don't say a word. My nature is a quite one, anyway. As a child I was considered respectful; as a young woman I was called discreet. Later on I was thought to have the wisdom maturity brings. Nowadays silence is looked on as odd and most of my race has forgotten the beauty of meaning much by saying little. Now tongues work all by themselves with no help from the mind. Still, I used to be able to have normal conversations, and when the need arose, I could make a point strong enough to stop a womb - or a knife. Not anymore, because back in the seventies, when women began to straddle chairs and dance crotch out on television, when all the magazines started featuring behinds and inner thighs as though that's all there is to a woman, well, I shut up altogether. Before women agreed to spread in public, there used to be secrets - some to hold, some to tell. Now? No. Barefaced being the order of the day, I hum. The words dance in my head to the music in my mouth.

(...)

What's the deep in you? It's way down below, and has nothing to do with blood made bold by coronets and piano keys, does it? Of course, I don't claim that kind of power. My hum is mostly below range, private; suitable for an old woman embarrassed by the world; her way of objecting to how the century is turning out. Where all is known and nothing understood. Maybe it was always so, but it didn't strike me until some thirty years ago that prostitutes, looked up for their honesty, have always set the style. Well, maybe it wasn't their honesty; maybe it was their success. Still, straddling a chair or dancing half naked on TV, these nineties women are not all that different from the respectable women who live around here. This is coast country, humid and God-fearing, where female recklessness runs too deep for short shorts or thongs or cameras. But then or now, decent underwear or none, wild women never could hide their innocence - a kind of pity-kitty hopefulness that their prince was on his way. Especially the tough ones with their box cutters and dirty language, or the glossy ones with two-seated cars and a pocket-book full of dope. Even the ones who wear scars like presidential medals and stockings rolled at their ankles can't hide the sugar-child, the winsome baby girl curled up somewhere inside, between the ribs, say, or under the heart. Naturally all of them have a sad story: too much notice, not enough, or the worst kind. Some tale about dragon daddies and false-hearted men, or mean mamas and friends who did them wrong. Each story has a monster in it who made them tough instead of brave, so they open their legs rather than their hearts where that folded child is tucked. Sometimes the cut is so deep no woe-is-me tale is enough. Then the only thing that does the trick, that explains the craziness heaping up, holding down, and making women hate one another and ruin their children is an outside evil.



*[Thus presented by its publishers (Chatto & Windus, 2003): "This audacious vision of the nature of love - its appetite, its sublime possession, its dread - is rich in characters and dramatic event, and in its profound understanding of how alive the past can be. Compelling, sensual, elegiac, unforgettable, a major new work by the Nobel Prize-winning novelist, its narrative reflects the different facets of love, shifting from desire through lust, obsession, yearning, and ultimately comes full circle to that indelible, overwhelming first love that marks us forever."]


ADENDA


"The Sex Lives of African Girls"




[By Tayie Selasi]

Sunday, 27 March 2011

Ao Nosso Carnaval… Voltemos Pois!



À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar

À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar


[Agostinho Neto - Havemos de Voltar]



“Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do Carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas.” Assim reza uma historia a qual voltarei mais tarde neste post.

Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?

Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.

E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...



Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar , ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!

E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginal novinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?



E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!



Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecos que me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.

Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!



Entretanto...



Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aqui expressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!



[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]


Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!

So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aqui se pode verificar... Ja' viram?!







Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia , "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."

Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...

Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.

Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:

Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!




A 'Tradicao'


“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias




Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.


[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]




Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.


[Amanha Vamos a Procura da Chave
- Uniao Mundo da Ilha]



A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.


[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]


[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]





Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.




Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aqui e aqui.

Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.

Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".

Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].

E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.

Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.



“Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do Carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas.” Assim reza uma historia a qual voltarei mais tarde neste post.

Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?

Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.

E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...



Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar , ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!

E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginal novinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?



E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!



Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecos que me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.

Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!



Entretanto...



Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aqui expressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!



[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]


Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!

So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aqui se pode verificar... Ja' viram?!







Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia , "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."

Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...

Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.

Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:

Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!




A 'Tradicao'


“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias




Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.


[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]




Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.


[Amanha Vamos a Procura da Chave
- Uniao Mundo da Ilha]



A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.


[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]


[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]





Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.




Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aqui e aqui.

Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.

Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".

Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].

E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.

Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.

Saturday, 26 March 2011

The Obscene Moon



Exactly a week ago, on Saturday the 19th March 2011, coming from a stroll in the Regents Park, I was heading home through one of the main pathways of the Primrose Hill. I had just dispelled the idea of climbing up the hill to get that magnificent sight of central London from there: it had been a dry and sunny day but now the sun had downed and we tend to be “undercoated” for the cold that comes back to hunt us in the evenings of such early spring days. So, I thought, I’d better head straight home.



That’s when I spotted it through some trees: rising from whatever hiding place, a huge, humongous, startling moon! I didn’t think twice before changing my mind and my pathway and starting the climbing up the hill while not losing sight of that obscene moon – that’s how I immediately called it through my teeth: obscene!




Got up there and just marvelled at the spectacle of its wondrous rising, as more and more people, transfixed by it, came to the spot and its surroundings. Most had cameras, some of them potent, professional ones. I didn’t have any with me though.


SuperMoon Over Primrose Hill


But in the last two days I managed to borrow these pictures from someone who got them from a couple of people who where there, at that same Primrose Hill spot, and saw exactly what I saw last Saturday: That Obscene Moon!


Moon Over London


Exactly a week ago, on Saturday the 19th March 2011, coming from a stroll in the Regents Park, I was heading home through one of the main pathways of the Primrose Hill. I had just dispelled the idea of climbing up the hill to get that magnificent sight of central London from there: it had been a dry and sunny day but now the sun had downed and we tend to be “undercoated” for the cold that comes back to hunt us in the evenings of such early spring days. So, I thought, I’d better head straight home.



That’s when I spotted it through some trees: rising from whatever hiding place, a huge, humongous, startling moon! I didn’t think twice before changing my mind and my pathway and starting the climbing up the hill while not losing sight of that obscene moon – that’s how I immediately called it through my teeth: obscene!




Got up there and just marvelled at the spectacle of its wondrous rising, as more and more people, transfixed by it, came to the spot and its surroundings. Most had cameras, some of them potent, professional ones. I didn’t have any with me though.


SuperMoon Over Primrose Hill


But in the last two days I managed to borrow these pictures from someone who got them from a couple of people who where there, at that same Primrose Hill spot, and saw exactly what I saw last Saturday: That Obscene Moon!


Moon Over London

Friday, 25 March 2011

Women Are Evil




"Women are evil":
Personhood, Gender and Illness in Mozambique
Luiz Henrique Passador

Taking a case of illness and death attributed to sorcery, the article examines the connections between personhood, gender and disease in Southern Mozambique, where women are traditionally feared and accused of producing evil through spells.

[picture from here]


“As mulheres são más”:
Pessoa, Gênero e Doença no Sul de Moçambique
Luiz Henrique Passador

Partindo de um caso de doença e morte atribuídas à feitiçaria, o artigo analisa as articulações entre pessoa, gênero e doença que operam no Sul de Moçambique, onde as mulheres são tradicionalmente temidas e acusadas de produzirem malefícios através de feitiços.

[Article here]





"Women are evil":
Personhood, Gender and Illness in Mozambique
Luiz Henrique Passador

Taking a case of illness and death attributed to sorcery, the article examines the connections between personhood, gender and disease in Southern Mozambique, where women are traditionally feared and accused of producing evil through spells.

[picture from here]


“As mulheres são más”:
Pessoa, Gênero e Doença no Sul de Moçambique
Luiz Henrique Passador

Partindo de um caso de doença e morte atribuídas à feitiçaria, o artigo analisa as articulações entre pessoa, gênero e doença que operam no Sul de Moçambique, onde as mulheres são tradicionalmente temidas e acusadas de produzirem malefícios através de feitiços.

[Article here]


Thursday, 24 March 2011

Elizabeth Taylor (R.I.P.)

The Gender Debate: Reality Bites From The Youth* [R]





RECONCILE:


THE GENDER DEBATE


By Siphiwe Mpye




A female friend remembers with much disdain a column that appeared in this magazine aeons ago. It was an Off Ramp about the virtues of the independent black woman. The acerbic tone of the piece – which in parts ridiculed gold-diggers and gung-ho feminists – was unintended and in no way represented what I feel about all women. I only intended to highlight stereotypes that we perpetuate and the existence of a minority of women with ill intentions.

For example, there are men out there who still believe that women are out to get their money; that they have no place in serious business environments and are better suited to “lighter” pursuits such as public relations and so on. By the same token there are women who believe that the measure of success is showing off a R70 000 engagement extravagance from her “tycoon” fiancé and driving around in a BMW X5 paid for by the said banker, consortium chairman or newly moneyed cat with buddies in the government. I used these and other examples but my explanation was nonetheless lost on my friend who felt I had insulted women and was not sure if I was the man she has always known me to be. Whenever this pops up in conversation I maintain my stance and attempt to elaborate further in the hope of one day being understood. The importance of my resilience in this pursuit cannot be underplayed because there is a war going on out there and it is icier than the White House and the Kremlin in the days of the war that never was. It is the war between black men and black women.

(...)

I’m a journalist, my middle name is cynical – but some sort of platform for dialogue between black men and black women is urgently required if we are to unite to uplift a nation that was built on sacrifices by both sexes.

We need to start talking about our differences, and I speak not of the usual directionless, rowdy debates that end up creating more of a rift than effecting change. Both sides of the debate offer valid points but also present plenty of hogwash born from lack of understanding. Such a debate would strip down the clutter and hone in on the appropriate areas.


[***]




love not hate.


peace not war.

sister not slave.





“Who doesn’t want to be validated and respected by other human beings? Some men think the answer to that is: ‘WOMEN, OF COURSE’.


By Yazeed Kamaldien


I’m starting to wonder why men hate women so much. You see, the more I read newspapers and monitor what’s happening in our country, the more I feel that men must have something against women. If they don’t then why are they constantly abusing, raping or dehumanising women? Of course it’s not every man who behaves like this. But statistics are scary enough to make one wonder…

The government-funded Medical Research Council (MRC) released research findings earlier this year indicating that at least one South African woman is killed by her intimate partner every six hours. It also found that coloured women have twice the risk of being killed than other racial groups in our land with its brilliant and much hyped about constitution. Now that’s scary. Last year the MRC also found that women in abusive relationships with intimate sexual partners are more likely to get HIV from these men who deny them the right to be happy by instead making them their physical and emotional punch bags. This research study was done in Johannesburg’s biggest township, Soweto. The MRC found that half of 1 395 women interviewed experienced physical violence from their partners while 20 percent also experienced sexual abuse. A third of these women were HIV-positive and reported sexual violence more than others interviewed.

Okay, numbers aside, the bottom-line is that women are getting a double blow from men. Not only are they being abused but they’re also being infected with the incurable HIV-virus. Something seems rather unfair about all of this, don’t you think? It seems we are burying women alive in South Africa. It’s like we have no issues simply shoving them around. Sure, there are some shining examples of women who have made it in a seemingly man’s world. But that’s not the face of the majority of women, who live normal lives outside the bright lights, and who don’t have much.

By now we have to be asking ourselves some serious questions. Why are we allowing young girls and women to be raped in this country every day? Why are we allowing men to continue abusing women? What is it that we need to do to ensure women break free from oppressive men and stand on an equal footing as male counterparts?

(...)

And yes, you’ve already heard that old saying that respect is a two way street. Men demand respect and a platform and recognition and support not because they are men, but because they are human beings. And they get what they want because, unlike women, they automatically feel entitled to privileges – a right that society seems to bestow upon them from day one. But who doesn’t want to be validated by other human beings? Who doesn’t want to be respected? Who doesn’t want to feel that they are worthy of life? Some men clearly believe the answer to that is, ‘WOMEN, OF COURSE’.

And clearly it’s time we change the way some men think. So roll up those sleeves. We have work to do.


[***]



*These articles by two young South Africans were widely publicised in the local press during the first part of this decade. Revisiting them now (as South Africa prepares for the yearly August Women's Day celebrations) revealed to me just how much they are still factual and relevant not only to South African society but also to other countries in Africa (e.g. Angola!...) and elsewhere in the world.


[Full articles here]



First posted 28/07/10




RECONCILE:


THE GENDER DEBATE


By Siphiwe Mpye




A female friend remembers with much disdain a column that appeared in this magazine aeons ago. It was an Off Ramp about the virtues of the independent black woman. The acerbic tone of the piece – which in parts ridiculed gold-diggers and gung-ho feminists – was unintended and in no way represented what I feel about all women. I only intended to highlight stereotypes that we perpetuate and the existence of a minority of women with ill intentions.

For example, there are men out there who still believe that women are out to get their money; that they have no place in serious business environments and are better suited to “lighter” pursuits such as public relations and so on. By the same token there are women who believe that the measure of success is showing off a R70 000 engagement extravagance from her “tycoon” fiancé and driving around in a BMW X5 paid for by the said banker, consortium chairman or newly moneyed cat with buddies in the government. I used these and other examples but my explanation was nonetheless lost on my friend who felt I had insulted women and was not sure if I was the man she has always known me to be. Whenever this pops up in conversation I maintain my stance and attempt to elaborate further in the hope of one day being understood. The importance of my resilience in this pursuit cannot be underplayed because there is a war going on out there and it is icier than the White House and the Kremlin in the days of the war that never was. It is the war between black men and black women.

(...)

I’m a journalist, my middle name is cynical – but some sort of platform for dialogue between black men and black women is urgently required if we are to unite to uplift a nation that was built on sacrifices by both sexes.

We need to start talking about our differences, and I speak not of the usual directionless, rowdy debates that end up creating more of a rift than effecting change. Both sides of the debate offer valid points but also present plenty of hogwash born from lack of understanding. Such a debate would strip down the clutter and hone in on the appropriate areas.


[***]




love not hate.


peace not war.

sister not slave.





“Who doesn’t want to be validated and respected by other human beings? Some men think the answer to that is: ‘WOMEN, OF COURSE’.


By Yazeed Kamaldien


I’m starting to wonder why men hate women so much. You see, the more I read newspapers and monitor what’s happening in our country, the more I feel that men must have something against women. If they don’t then why are they constantly abusing, raping or dehumanising women? Of course it’s not every man who behaves like this. But statistics are scary enough to make one wonder…

The government-funded Medical Research Council (MRC) released research findings earlier this year indicating that at least one South African woman is killed by her intimate partner every six hours. It also found that coloured women have twice the risk of being killed than other racial groups in our land with its brilliant and much hyped about constitution. Now that’s scary. Last year the MRC also found that women in abusive relationships with intimate sexual partners are more likely to get HIV from these men who deny them the right to be happy by instead making them their physical and emotional punch bags. This research study was done in Johannesburg’s biggest township, Soweto. The MRC found that half of 1 395 women interviewed experienced physical violence from their partners while 20 percent also experienced sexual abuse. A third of these women were HIV-positive and reported sexual violence more than others interviewed.

Okay, numbers aside, the bottom-line is that women are getting a double blow from men. Not only are they being abused but they’re also being infected with the incurable HIV-virus. Something seems rather unfair about all of this, don’t you think? It seems we are burying women alive in South Africa. It’s like we have no issues simply shoving them around. Sure, there are some shining examples of women who have made it in a seemingly man’s world. But that’s not the face of the majority of women, who live normal lives outside the bright lights, and who don’t have much.

By now we have to be asking ourselves some serious questions. Why are we allowing young girls and women to be raped in this country every day? Why are we allowing men to continue abusing women? What is it that we need to do to ensure women break free from oppressive men and stand on an equal footing as male counterparts?

(...)

And yes, you’ve already heard that old saying that respect is a two way street. Men demand respect and a platform and recognition and support not because they are men, but because they are human beings. And they get what they want because, unlike women, they automatically feel entitled to privileges – a right that society seems to bestow upon them from day one. But who doesn’t want to be validated by other human beings? Who doesn’t want to be respected? Who doesn’t want to feel that they are worthy of life? Some men clearly believe the answer to that is, ‘WOMEN, OF COURSE’.

And clearly it’s time we change the way some men think. So roll up those sleeves. We have work to do.


[***]



*These articles by two young South Africans were widely publicised in the local press during the first part of this decade. Revisiting them now (as South Africa prepares for the yearly August Women's Day celebrations) revealed to me just how much they are still factual and relevant not only to South African society but also to other countries in Africa (e.g. Angola!...) and elsewhere in the world.


[Full articles here]



First posted 28/07/10

Wednesday, 23 March 2011

OLHARES DIVERSOS (XXVI)


Paula Simmons


Março é um mês dedicado à mulher angolana. Que balanço se pode fazer da luta pela igualdade?

Angola tem, do ponto de vista institucional, dos mais modernos e avançados mecanismos, nomeadamente ao nível da legislação, para a protecção dos direitos da mulher e do reconhecimento desses direitos de forma a assegurar a igualdade entre o género na sociedade.

No entanto, Angola tem, do ponto de vista social e cultural o percurso que, na história da Humanidade, levou às situações de desigualdade.

Creio que já tivemos momentos mais progressistas na luta pelos direitos de igualdade. Este parece-me ser um momento mais conservador em relação a essa luta. O caminho será muito longo, é preciso nunca desistir de o percorrer.

Qual seria o conceito de emancipação numa sociedade como a nossa?

A emancipação não tem conceitos diferentes. Nem a igualdade. O direito à igualdade entre os membros de uma sociedade é universal.

E esses direitos à igualdade entre cidadãos não são datados, são intemporais. O que me parece é que este é um momento em que a sociedade se vira para a necessidade de reforço dos valores de estabilidade assentes na família como no núcleo da sociedade e que se coloca a responsabilidade dessa estabilidade na mulher. Essa responsabilidade tem que ser partilhada.

O esforço pela união familiar e de tolerância em nome dessa união, deve ser responsabilidade assumida a dois, pelo homem e pela mulher que juntos decidem formar e assumir uma família.

Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher angolana, se é que há?

O nível de desenvolvimento e de formação dos povos e dos países é sempre determinante para a liberdade dos seus intervenientes. Quanto maior for o desenvolvimento, a estabilidade, o bem-estar, quanto mais justa for uma sociedade, maior será a liberdade da mulher. Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte, disse alguém. Concorda? (risos) concordo sim. E creio que o inverso seria também verdadeiro num caso em que a mulher fosse juíz e parte...

O presente envolve o passado e no passado toda a História foi feita pelos homens. Ainda se pode evocar a História para se justificar o estatuto actual da mulher?

Sim. Sem dúvida. Os processos sociais não são intermitentes. Há sempre um antes determinante para o agora que faz passagem para o depois. A História é determinante para a compreensão de todos os processos actuais e é determinante também para a compreensão dos processos de desigualdade e descriminação, sejam eles de que natureza for.

Para o homem o termo "macho" soa a elogio. Para mulher o termo "fêmea" é pejorativo. Porquê?

Talvez porque quem determina o que deve parecer ou soar pejorativo seja o conjuntos das inter-relações sociais. As palavras, em si, não são pejorativas. O que as torna mais ou menos depreciativas e ofensivas é o contexto e o conteúdo que é dado a cada palavra em cada momento determinado. Não acho pejorativo o termo “fêmea”, ele é usado de forma pejorativa, Assim como me parece muito pejorativa a forma como se usa a palavra macho para referir alguns HOMENS.

Acha que a condição financeira contribuiu para a emancipação da mulher?

Evidentemente. E de forma determinante. Uma mulher economicamente capaz de se proteger, a si e aos seus filhos, é menos vulnerável. Qualquer ser humano é tanto mais independente quanto maior for a sua autonomia financeira.

Não se nasce mulher, torna-se. Diz Simone de Beauvoir. Como é que a Paula interpreta essa frase?

As frases têm um contexto. Vista assim, a frase não faz sentido. Biologicamente nascemos mulheres e isso é determinante. Homens e mulheres não são iguais. São muito diferentes e isso não é mau. Mau é os seres humanos acharem que as diferenças tornam uns superiores e outros inferiores.

Se conheço Simone de Beauvoir, o conceito “ser mulher” neste caso, deve remeter-nos para uma análise daquilo que a sociedade acaba por nos “tornar” em função do género, ou seja, dos papéis a que a sociedade nos remete em função de sermos homens ou mulheres.

As mulheres só ganham o que os homens querem conceder? Ou seja, as mulheres só se afirmam socialmente quando os homens permitem?

Acho que as sociedades são ainda muito machistas. A nossa e não só. E que realmente as mulheres têm de trabalhar o dobro para se afirmarem. Aos descriminados são sempre exigidas mais provas das suas capacidades e a discriminação da mulher ainda é uma realidade que precisamos transformar.

Os homens queixam-se que a mulher quando tem mais posses financeiras maltrata o homem. É a maneira de se afirmar perante os homens?

Não me parece que seja verdadeira a afirmação. Que dizer de todos os homens que, com poder económico, maltratam as mulheres? A questão do poder financeiro é mais um preconceito social a minar o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres que devem ser parceiros nos processos todos.

Alguma vez sentiu complexo de competir com homens para uma vaga?

Não, nunca senti. Assumo os meus processos profissionais apenas com base no profissionalismo.

Que futuro perspectiva para a mulher angolana?

Um caminho longo, muito longo de árduas jornadas de trabalho e de luta. Um caminho que temos que seguir.

O gosto por muitos filhos das mulheres, sejam elas angolanas ou não, é uma questão de educação cultural ou falta de formação?

É muitas vezes até uma questão pessoal...hoje em dia, se as mulheres podem escolher e se lhes é dada essa oportunidade, é cada vez mais uma questão de opção para a família que se forma. Há casos de pessoas com muita formação académica que optam por ter muitos filhos...


[Aqui]


Posts Relacionados:


A Menina Que Nasceu Em Cima Da Arvore

Simone de Beauvoir in Africa

Lusofonia e Antropologia

Relendo Samora pelo Pincel de Naguib

Imperial Leather: Sexo, Genero, Raca e Poder

Feminismo Negro Brasileiro

Olhares Diversos VII

Olhares Diversos VIII

and

Olhares Diversos (I)
{...which brings this series to a 'full circle'...}


Paula Simmons


Março é um mês dedicado à mulher angolana. Que balanço se pode fazer da luta pela igualdade?

Angola tem, do ponto de vista institucional, dos mais modernos e avançados mecanismos, nomeadamente ao nível da legislação, para a protecção dos direitos da mulher e do reconhecimento desses direitos de forma a assegurar a igualdade entre o género na sociedade.

No entanto, Angola tem, do ponto de vista social e cultural o percurso que, na história da Humanidade, levou às situações de desigualdade.

Creio que já tivemos momentos mais progressistas na luta pelos direitos de igualdade. Este parece-me ser um momento mais conservador em relação a essa luta. O caminho será muito longo, é preciso nunca desistir de o percorrer.

Qual seria o conceito de emancipação numa sociedade como a nossa?

A emancipação não tem conceitos diferentes. Nem a igualdade. O direito à igualdade entre os membros de uma sociedade é universal.

E esses direitos à igualdade entre cidadãos não são datados, são intemporais. O que me parece é que este é um momento em que a sociedade se vira para a necessidade de reforço dos valores de estabilidade assentes na família como no núcleo da sociedade e que se coloca a responsabilidade dessa estabilidade na mulher. Essa responsabilidade tem que ser partilhada.

O esforço pela união familiar e de tolerância em nome dessa união, deve ser responsabilidade assumida a dois, pelo homem e pela mulher que juntos decidem formar e assumir uma família.

Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher angolana, se é que há?

O nível de desenvolvimento e de formação dos povos e dos países é sempre determinante para a liberdade dos seus intervenientes. Quanto maior for o desenvolvimento, a estabilidade, o bem-estar, quanto mais justa for uma sociedade, maior será a liberdade da mulher. Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte, disse alguém. Concorda? (risos) concordo sim. E creio que o inverso seria também verdadeiro num caso em que a mulher fosse juíz e parte...

O presente envolve o passado e no passado toda a História foi feita pelos homens. Ainda se pode evocar a História para se justificar o estatuto actual da mulher?

Sim. Sem dúvida. Os processos sociais não são intermitentes. Há sempre um antes determinante para o agora que faz passagem para o depois. A História é determinante para a compreensão de todos os processos actuais e é determinante também para a compreensão dos processos de desigualdade e descriminação, sejam eles de que natureza for.

Para o homem o termo "macho" soa a elogio. Para mulher o termo "fêmea" é pejorativo. Porquê?

Talvez porque quem determina o que deve parecer ou soar pejorativo seja o conjuntos das inter-relações sociais. As palavras, em si, não são pejorativas. O que as torna mais ou menos depreciativas e ofensivas é o contexto e o conteúdo que é dado a cada palavra em cada momento determinado. Não acho pejorativo o termo “fêmea”, ele é usado de forma pejorativa, Assim como me parece muito pejorativa a forma como se usa a palavra macho para referir alguns HOMENS.

Acha que a condição financeira contribuiu para a emancipação da mulher?

Evidentemente. E de forma determinante. Uma mulher economicamente capaz de se proteger, a si e aos seus filhos, é menos vulnerável. Qualquer ser humano é tanto mais independente quanto maior for a sua autonomia financeira.

Não se nasce mulher, torna-se. Diz Simone de Beauvoir. Como é que a Paula interpreta essa frase?

As frases têm um contexto. Vista assim, a frase não faz sentido. Biologicamente nascemos mulheres e isso é determinante. Homens e mulheres não são iguais. São muito diferentes e isso não é mau. Mau é os seres humanos acharem que as diferenças tornam uns superiores e outros inferiores.

Se conheço Simone de Beauvoir, o conceito “ser mulher” neste caso, deve remeter-nos para uma análise daquilo que a sociedade acaba por nos “tornar” em função do género, ou seja, dos papéis a que a sociedade nos remete em função de sermos homens ou mulheres.

As mulheres só ganham o que os homens querem conceder? Ou seja, as mulheres só se afirmam socialmente quando os homens permitem?

Acho que as sociedades são ainda muito machistas. A nossa e não só. E que realmente as mulheres têm de trabalhar o dobro para se afirmarem. Aos descriminados são sempre exigidas mais provas das suas capacidades e a discriminação da mulher ainda é uma realidade que precisamos transformar.

Os homens queixam-se que a mulher quando tem mais posses financeiras maltrata o homem. É a maneira de se afirmar perante os homens?

Não me parece que seja verdadeira a afirmação. Que dizer de todos os homens que, com poder económico, maltratam as mulheres? A questão do poder financeiro é mais um preconceito social a minar o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres que devem ser parceiros nos processos todos.

Alguma vez sentiu complexo de competir com homens para uma vaga?

Não, nunca senti. Assumo os meus processos profissionais apenas com base no profissionalismo.

Que futuro perspectiva para a mulher angolana?

Um caminho longo, muito longo de árduas jornadas de trabalho e de luta. Um caminho que temos que seguir.

O gosto por muitos filhos das mulheres, sejam elas angolanas ou não, é uma questão de educação cultural ou falta de formação?

É muitas vezes até uma questão pessoal...hoje em dia, se as mulheres podem escolher e se lhes é dada essa oportunidade, é cada vez mais uma questão de opção para a família que se forma. Há casos de pessoas com muita formação académica que optam por ter muitos filhos...


[Aqui]


Posts Relacionados:


A Menina Que Nasceu Em Cima Da Arvore

Simone de Beauvoir in Africa

Lusofonia e Antropologia

Relendo Samora pelo Pincel de Naguib

Imperial Leather: Sexo, Genero, Raca e Poder

Feminismo Negro Brasileiro

Olhares Diversos VII

Olhares Diversos VIII

and

Olhares Diversos (I)
{...which brings this series to a 'full circle'...}

Tuesday, 22 March 2011

Amizade, Amizade... Para que te quero? [R]*





Ou de como a Loanda Kontemporanea vem fazendo neofitas amizades
(... dos "ancestrais", aos "compadres e amigos", passando pela "propria outra"... nao tarda muito e, a boa maneira Kalu, passamos a ser "todos familia do mesmo sangue" - nao obrigada!... too late for that, sorry! - Vultos eh?!... eheheheheh!!! )

... Ou de como a ocasiao faz o/a "..." oportunista!

Ou apenas ... (mais) uma peca de tragicomedia!


{... In any case, keep enjoying yourselves because
you're just showing your true colours ...}


Posts relacionados:




[Maria Cristina - Eliades Ochoa & Compay Segundo]

*[Postado inicialmente a 28/06/10 - Repostado hoje a proposito de... Marco Mulher]







Ou de como a Loanda Kontemporanea vem fazendo neofitas amizades
(... dos "ancestrais", aos "compadres e amigos", passando pela "propria outra"... nao tarda muito e, a boa maneira Kalu, passamos a ser "todos familia do mesmo sangue" - nao obrigada!... too late for that, sorry! - Vultos eh?!... eheheheheh!!! )

... Ou de como a ocasiao faz o/a "..." oportunista!

Ou apenas ... (mais) uma peca de tragicomedia!


{... In any case, keep enjoying yourselves because
you're just showing your true colours ...}


Posts relacionados:




[Maria Cristina - Eliades Ochoa & Compay Segundo]

*[Postado inicialmente a 28/06/10 - Repostado hoje a proposito de... Marco Mulher]



Monday, 21 March 2011

Ainda Sobre “Aquele Meu Curso em Portugal”… [actualizado]






Creio ja’ aqui ter dito o essencial sobre ele.


Mas outros registos, e esses seguramente mais memoraveis e significativos para mim, aconteceram durante aquele curso. Como por exemplo:

- Os meus colegas que faziam sempre muita questao de que eu fizesse parte dos seus grupos de trabalho e que, invariavelmente, me incumbiam a tarefa de escrever e/ou apresentar a versao final de tais trabalhos, para os quais frequentemente eu acabava por contribuir com muito mais do que a minha quota-parte, quando nao, em alguns casos, com a quase totalidade do esforco que era suposto ser colectivo…

- Os colegas que, mesmo tendo estado na mesma aula que eu e tirado os seus proprios apontamentos, no fim vinham pedir-me os meus apontamentos para os fotocopiarem e estudarem por eles…

- Os colegas que, uma vez, na ante-camara de um exame de Economia Internacional vieram pedir-me para lhes tirar algumas duvidas – assim o fiz, teorica e tecnicamente, tendo um deles dito enquanto me agradecia: “isso e’ que e’ saber, nao e’ apenas conversa de café’!”…

- Os professores de Economia do Desenvolvimento e Macro e Micro-Economia que me tinham como, quando nao a melhor, entre os seus dois ou tres melhores alunos - sendo os outros homens…

- Aquela prova oral, ja’ nao me lembro em que cadeira, em que, por me parecer que os examinadores nao estavam muito convencidos de que eu realmente “sabia do que estava a falar”, pedi para ir ao quadro descrever e desenvolver as formulas da “teoria dos dois deficits”, ao que um deles, o regente da cadeira, disse: “quem fala assim nao e’ gago!”… Acabei por ser a unica aluna da minha turma a passar aquele exame…

- O dia em que, no fim da apresentacao de um dos meus trabalhos na cadeira de Integracao Economica Regional (no caso, sobre a UE), o professor se levantou e disse: “isso tem que ser imediatamente publicado, o nosso Ministro das Financas nao sabe isso”!...

- Aquele dia em que entrei, acompanhada por uma das minhas amigas e colegas mais proximas, uma mestica caboverdiana, na sala do Quelhas em que o hoje Professor Doutor Ennes Ferreira (... e nao, ele nunca foi meu professor...) apresentava a sua tese de Mestrado, com um sorriso porque tinha acabado de saber que passara a cadeira de Integracao Economica Regional com 17 valores!...

- O dia em que uma outra das minhas colegas e amigas mais proximas, branca portuguesa nascida em Angola, me disse: “tu tens aquele brilho no olho de quem vai longe”!...


Todos esses momentos aconteceram, todos esses professores e colegas existem (embora ao longo dos anos, e sobretudo com a minha subita e dramatica “fuga” para Londres, tenha perdido completamente o contacto com eles) e poderao, caso o possam e queiram, testemunhar sobre tudo isso… e, em alguns casos, tambem, por exemplo, sobre quando tive que pedir a alguma das minhas colegas que fosse buscar o meu filho a escola e ficasse a tomar conta dele no corredor da sala em que eu prestava uma prova!

E e’ bem verdade que alguns dos mesmos professores e colegas tambem testemunharam alguns momentos menos “laudatorios” dos meus estudos, particularmente em periodos em que me via mais afectada emocional e psicologicamente por circunstancias da minha vida pessoal (parcialmente aqui descritas e acontecidas numa altura, impoe-se-me nota-lo, em que nao tinha, como de resto nunca tive, qualquer "falsaporte": tinha apenas e tao so' o Passaporte Angolano "valido para todos os paises do mundo excepto a Africa do Sul"!), como por exemplo quando “patinava” em algumas cadeiras como Estatistica e Econometria – sendo que, em relacao a esta ultima em particular, acabei por desenvolver naquele periodo um inexplicavel “bloqueio psicologico”, uma vez que conseguia dominar razoavelmente bem a sua teoria, mas era muito sofrivel no que toca a sua aplicacao pratica... Mas… surprise, surprise, anos mais tarde, consegui ultrapassar o tal bloqueio e acabei sendo a melhor aluna de Estatistica e Econometria no meu curso na LSE!...

Nao tenho (nunca terei!), portanto, palavras para descrever o que significou para mim, depois de todos aqueles achievements (a somarem-se, entre outros, a estes e a estes), na primeira e unica vez que estive numa sala da embaixada de Angola em Portugal, numa reuniao convocada e presidida por Rui Mingas, ouvi-lo, de olhar e dedo acusatorio na minha direccao, falar de estudantes em Portugal que “depois de longos anos nao tinham obtido um unico credito nos seus cursos”!... E isso numa altura em que eu era finalista e ate' ja' tinha feito o estagio aqui referido!

Ou, antes, durante um jantar para o qual fui levada, por mero acaso, por um amigo comum, em casa de um certo "PhD em Ciencias da Educacao" habitue’ deste blog, na altura adido cultural da mesma embaixada, ouvi-lo dizer, nao sei bem a que proposito (... ou talvez apenas a proposito do "eterno problema da melanina"!...), que “so’ deveriam para aqui vir estudantes de post-graduacao”…

Ou, pior do que tudo isso, vir mais tarde a saber que o mesmo embaixador Rui Mingas (em anos mais recentes, fundador - no contexto de um ensino superior que e' assim descrito - da Universidade Lusiada de Angola (ULA), sobre a qual, nestes termos, aqui se fala…), tinha mandado publicar no “nosso Pravda” uma lista de estudantes em Portugal, com o meu nome incluido, que, alegadamente, “depois de varios anos, nunca tinham conseguido passar do primeiro ano”!...

Mas sempre engoli estoicamente todas essas afrontas, insultos, calunias e difamacoes, convicta de que “a verdade, tal como o azeite, vem sempre ao de cima”!... Talvez pudesse, portanto, continuar calada (ou, dito de outro modo, muda e queda, ou, melhor ainda, surda-muda) ate’ que se propiciasse o “momento da verdade”?! Nao, quando hoje, tantos anos passados, continuo a ver-me sinistramente perseguida COMO UM ANIMAL (!), agora mais persistente, corrosiva, soez, selvatica e caninamente do que nunca - numa campanha que tem como pivots, entre outros kamundongos, os membros do mesmo 'circulo restrito' do "todo poderoso" Sr. Rui Mingas, guiados, na imprensa estatal, pelo dito "PhD" ja' acima referido e, na imprensa dita independente, pelo seu boy coisificado, mad dog de estimacao, e kaxiku armado em karapau de korrida, atraves do seu NJ e na blogosfera pela sua ninfa (nifomaniaca?), lesbica e vulta psicopata assassina, igualmente coisificada de estimacao... -, que parecem obstinados em destruir, ou melhor, aniquilar completamente, a minha reputacao pessoal, academica e profissional (utilizando, entre outros, metodos como este...), senao mesmo a eliminar-me fisicamente na primeira oportunidade!


E, a esse proposito, tenho apenas as seguintes notas a margem a acrescentar:


- Embora para tal nao me faltassem razoes (!), nunca estive envolvida nas manifestacoes de protesto ou greves de fome dos estudantes angolanos em frente a embaixada do Sr. Rui Mingas em Portugal. O meu unico “envolvimento” foi o de, numa noite, durante a greve de fome, ter ido manifestar a minha solidariedade pessoal, para tanto tendo-lhes levado alguns livros de poesia (... la' dizia Natalia Correia, "oh, sub-alimentados do sonho, a poesia e' para se comer!...), para com os grevistas, liderados, entre outros, pelo Fernando Macedo – ironicamente, hoje (tal como um certo meu antigo inquilino aqui mencionado, que dela ja' foi, ou e', reitor), docente da ULA do Sr. Rui Mingas!...


Bruxelas, Maio 1994 - Foto: Fernando Macedo

- Eu tinha 16 anos quando se deu o 27 de Maio. Na altura, era estudante e trabalhava part-time no MPLA, no DOM na Vila Alice e depois no DORGAN no ‘Kremlin’, tendo algum tempo depois partido para esta 'aventura'. Nunca tive, portanto, qualquer “envolvimento”, directo ou indirecto, nos acontecimentos que rodearam aquela data fatidica, antes ou depois dela – certamente nao fui eu quem matou Saidi Mingas - NUNCA MATEI NINGUEM!!!...


E, ja' agora, vem a proposito esta memoria: nunca tive qualquer propensao para ser professora primaria e muito menos teorica do marxismo - mesmo porque isso pode ter o condao de atrair ameacas de morte, quando nao morte mesmo! - mas, no DOM/DORGAN eu fazia parte de um grupo de estudo do Marxismo-Leninismo, em que eu era a mais nova por varios anos em relacao a todos os outros participantes e que era orientado pelo Kota Lara, e como infelizmente a memoria dele ja' nao o pode ajudar nesse sentido, talvez algum dos outros participantes possa confirmar que ocasioes houve em que ele me deixava responder a questoes que lhe eram colocadas e no fim so' concordava, modestamente, com a cabeca em sinal de aprovacao do que eu acabara de explicar... mas nao fui por isso "promovida a teorica do marxismo", nem "perdida em 1977"!... Embora alguns ecos daquelas "aulas" possam, sem muito esforco, ser detectados aqui, aqui, aqui... E, quanto "ao resto", especialmente as feridas ainda por sarar, a minha memoria continua a servir-me suficientemente bem... Gracas a Deus!






Creio ja’ aqui ter dito o essencial sobre ele.


Mas outros registos, e esses seguramente mais memoraveis e significativos para mim, aconteceram durante aquele curso. Como por exemplo:

- Os meus colegas que faziam sempre muita questao de que eu fizesse parte dos seus grupos de trabalho e que, invariavelmente, me incumbiam a tarefa de escrever e/ou apresentar a versao final de tais trabalhos, para os quais frequentemente eu acabava por contribuir com muito mais do que a minha quota-parte, quando nao, em alguns casos, com a quase totalidade do esforco que era suposto ser colectivo…

- Os colegas que, mesmo tendo estado na mesma aula que eu e tirado os seus proprios apontamentos, no fim vinham pedir-me os meus apontamentos para os fotocopiarem e estudarem por eles…

- Os colegas que, uma vez, na ante-camara de um exame de Economia Internacional vieram pedir-me para lhes tirar algumas duvidas – assim o fiz, teorica e tecnicamente, tendo um deles dito enquanto me agradecia: “isso e’ que e’ saber, nao e’ apenas conversa de café’!”…

- Os professores de Economia do Desenvolvimento e Macro e Micro-Economia que me tinham como, quando nao a melhor, entre os seus dois ou tres melhores alunos - sendo os outros homens…

- Aquela prova oral, ja’ nao me lembro em que cadeira, em que, por me parecer que os examinadores nao estavam muito convencidos de que eu realmente “sabia do que estava a falar”, pedi para ir ao quadro descrever e desenvolver as formulas da “teoria dos dois deficits”, ao que um deles, o regente da cadeira, disse: “quem fala assim nao e’ gago!”… Acabei por ser a unica aluna da minha turma a passar aquele exame…

- O dia em que, no fim da apresentacao de um dos meus trabalhos na cadeira de Integracao Economica Regional (no caso, sobre a UE), o professor se levantou e disse: “isso tem que ser imediatamente publicado, o nosso Ministro das Financas nao sabe isso”!...

- Aquele dia em que entrei, acompanhada por uma das minhas amigas e colegas mais proximas, uma mestica caboverdiana, na sala do Quelhas em que o hoje Professor Doutor Ennes Ferreira (... e nao, ele nunca foi meu professor...) apresentava a sua tese de Mestrado, com um sorriso porque tinha acabado de saber que passara a cadeira de Integracao Economica Regional com 17 valores!...

- O dia em que uma outra das minhas colegas e amigas mais proximas, branca portuguesa nascida em Angola, me disse: “tu tens aquele brilho no olho de quem vai longe”!...


Todos esses momentos aconteceram, todos esses professores e colegas existem (embora ao longo dos anos, e sobretudo com a minha subita e dramatica “fuga” para Londres, tenha perdido completamente o contacto com eles) e poderao, caso o possam e queiram, testemunhar sobre tudo isso… e, em alguns casos, tambem, por exemplo, sobre quando tive que pedir a alguma das minhas colegas que fosse buscar o meu filho a escola e ficasse a tomar conta dele no corredor da sala em que eu prestava uma prova!

E e’ bem verdade que alguns dos mesmos professores e colegas tambem testemunharam alguns momentos menos “laudatorios” dos meus estudos, particularmente em periodos em que me via mais afectada emocional e psicologicamente por circunstancias da minha vida pessoal (parcialmente aqui descritas e acontecidas numa altura, impoe-se-me nota-lo, em que nao tinha, como de resto nunca tive, qualquer "falsaporte": tinha apenas e tao so' o Passaporte Angolano "valido para todos os paises do mundo excepto a Africa do Sul"!), como por exemplo quando “patinava” em algumas cadeiras como Estatistica e Econometria – sendo que, em relacao a esta ultima em particular, acabei por desenvolver naquele periodo um inexplicavel “bloqueio psicologico”, uma vez que conseguia dominar razoavelmente bem a sua teoria, mas era muito sofrivel no que toca a sua aplicacao pratica... Mas… surprise, surprise, anos mais tarde, consegui ultrapassar o tal bloqueio e acabei sendo a melhor aluna de Estatistica e Econometria no meu curso na LSE!...

Nao tenho (nunca terei!), portanto, palavras para descrever o que significou para mim, depois de todos aqueles achievements (a somarem-se, entre outros, a estes e a estes), na primeira e unica vez que estive numa sala da embaixada de Angola em Portugal, numa reuniao convocada e presidida por Rui Mingas, ouvi-lo, de olhar e dedo acusatorio na minha direccao, falar de estudantes em Portugal que “depois de longos anos nao tinham obtido um unico credito nos seus cursos”!... E isso numa altura em que eu era finalista e ate' ja' tinha feito o estagio aqui referido!

Ou, antes, durante um jantar para o qual fui levada, por mero acaso, por um amigo comum, em casa de um certo "PhD em Ciencias da Educacao" habitue’ deste blog, na altura adido cultural da mesma embaixada, ouvi-lo dizer, nao sei bem a que proposito (... ou talvez apenas a proposito do "eterno problema da melanina"!...), que “so’ deveriam para aqui vir estudantes de post-graduacao”…

Ou, pior do que tudo isso, vir mais tarde a saber que o mesmo embaixador Rui Mingas (em anos mais recentes, fundador - no contexto de um ensino superior que e' assim descrito - da Universidade Lusiada de Angola (ULA), sobre a qual, nestes termos, aqui se fala…), tinha mandado publicar no “nosso Pravda” uma lista de estudantes em Portugal, com o meu nome incluido, que, alegadamente, “depois de varios anos, nunca tinham conseguido passar do primeiro ano”!...

Mas sempre engoli estoicamente todas essas afrontas, insultos, calunias e difamacoes, convicta de que “a verdade, tal como o azeite, vem sempre ao de cima”!... Talvez pudesse, portanto, continuar calada (ou, dito de outro modo, muda e queda, ou, melhor ainda, surda-muda) ate’ que se propiciasse o “momento da verdade”?! Nao, quando hoje, tantos anos passados, continuo a ver-me sinistramente perseguida COMO UM ANIMAL (!), agora mais persistente, corrosiva, soez, selvatica e caninamente do que nunca - numa campanha que tem como pivots, entre outros kamundongos, os membros do mesmo 'circulo restrito' do "todo poderoso" Sr. Rui Mingas, guiados, na imprensa estatal, pelo dito "PhD" ja' acima referido e, na imprensa dita independente, pelo seu boy coisificado, mad dog de estimacao, e kaxiku armado em karapau de korrida, atraves do seu NJ e na blogosfera pela sua ninfa (nifomaniaca?), lesbica e vulta psicopata assassina, igualmente coisificada de estimacao... -, que parecem obstinados em destruir, ou melhor, aniquilar completamente, a minha reputacao pessoal, academica e profissional (utilizando, entre outros, metodos como este...), senao mesmo a eliminar-me fisicamente na primeira oportunidade!


E, a esse proposito, tenho apenas as seguintes notas a margem a acrescentar:


- Embora para tal nao me faltassem razoes (!), nunca estive envolvida nas manifestacoes de protesto ou greves de fome dos estudantes angolanos em frente a embaixada do Sr. Rui Mingas em Portugal. O meu unico “envolvimento” foi o de, numa noite, durante a greve de fome, ter ido manifestar a minha solidariedade pessoal, para tanto tendo-lhes levado alguns livros de poesia (... la' dizia Natalia Correia, "oh, sub-alimentados do sonho, a poesia e' para se comer!...), para com os grevistas, liderados, entre outros, pelo Fernando Macedo – ironicamente, hoje (tal como um certo meu antigo inquilino aqui mencionado, que dela ja' foi, ou e', reitor), docente da ULA do Sr. Rui Mingas!...


Bruxelas, Maio 1994 - Foto: Fernando Macedo

- Eu tinha 16 anos quando se deu o 27 de Maio. Na altura, era estudante e trabalhava part-time no MPLA, no DOM na Vila Alice e depois no DORGAN no ‘Kremlin’, tendo algum tempo depois partido para esta 'aventura'. Nunca tive, portanto, qualquer “envolvimento”, directo ou indirecto, nos acontecimentos que rodearam aquela data fatidica, antes ou depois dela – certamente nao fui eu quem matou Saidi Mingas - NUNCA MATEI NINGUEM!!!...


E, ja' agora, vem a proposito esta memoria: nunca tive qualquer propensao para ser professora primaria e muito menos teorica do marxismo - mesmo porque isso pode ter o condao de atrair ameacas de morte, quando nao morte mesmo! - mas, no DOM/DORGAN eu fazia parte de um grupo de estudo do Marxismo-Leninismo, em que eu era a mais nova por varios anos em relacao a todos os outros participantes e que era orientado pelo Kota Lara, e como infelizmente a memoria dele ja' nao o pode ajudar nesse sentido, talvez algum dos outros participantes possa confirmar que ocasioes houve em que ele me deixava responder a questoes que lhe eram colocadas e no fim so' concordava, modestamente, com a cabeca em sinal de aprovacao do que eu acabara de explicar... mas nao fui por isso "promovida a teorica do marxismo", nem "perdida em 1977"!... Embora alguns ecos daquelas "aulas" possam, sem muito esforco, ser detectados aqui, aqui, aqui... E, quanto "ao resto", especialmente as feridas ainda por sarar, a minha memoria continua a servir-me suficientemente bem... Gracas a Deus!

Just Poetry (xxxviii)














SIMPLES

Sim
Negra sou
Limpa
Não como teu sabão
Pele afora
Sujando
Alma branca
Clara
Como minha visão

Sim
Africana sou
Sólida
Não como tua superfluidade
História adentro
Deslustrando
Longa idade
Eterna
Como minha humanidade

Sim
Angolana sou
Tranquila
Não como tua jactância
Terra afora
Obstando
Perene instância
Óbvia
Como minha substância

Sim
Mulher sou
Simples
Não como teu estupor
Olho adentro
Denegrindo
Alvo esplendor
Áureo
Como minha flor

© K.










{No Dia Mundial da Poesia, 2011}














SIMPLES

Sim
Negra sou
Limpa
Não como teu sabão
Pele afora
Sujando
Alma branca
Clara
Como minha visão

Sim
Africana sou
Sólida
Não como tua superfluidade
História adentro
Deslustrando
Longa idade
Eterna
Como minha humanidade

Sim
Angolana sou
Tranquila
Não como tua jactância
Terra afora
Obstando
Perene instância
Óbvia
Como minha substância

Sim
Mulher sou
Simples
Não como teu estupor
Olho adentro
Denegrindo
Alvo esplendor
Áureo
Como minha flor

© K.










{No Dia Mundial da Poesia, 2011}

No Dia Mundial da Poesia: Sabia que?...



Fernando Pessoa...

... foi Contabilista?



«É a imprescindível função de ajudante de guarda-livros que, surpreendentemente, lhe confere o potencial de escritor moderno, dividido entre o espectáculo dos sonhos que a sua própria alma lhe oferece como um “teatro íntimo” e aquele outro espectáculo, todo exterior, que lhe é dado pelo “colorido variadíssimo de Lisboa…»
“A contabilidade traz o poeta à realidade e não permite que fique numa dimensão apenas transcendental que de exacerbada prática pode conduzir à alienação e loucura; por outro lado a poesia leva o guarda-livros/contabilista a outra dimensão, não normativa, sem códigos ou coimas, espiritual e livre!“

{extracto daqui}



[Mais detalhes aqui]


Posts relacionados:


Como Veias Finas na Terra

Revisitando Questoes de Genero

Bocas Intelectualoides

A Irresponsabilidade do Vazio




Fernando Pessoa...

... foi Contabilista?



«É a imprescindível função de ajudante de guarda-livros que, surpreendentemente, lhe confere o potencial de escritor moderno, dividido entre o espectáculo dos sonhos que a sua própria alma lhe oferece como um “teatro íntimo” e aquele outro espectáculo, todo exterior, que lhe é dado pelo “colorido variadíssimo de Lisboa…»
“A contabilidade traz o poeta à realidade e não permite que fique numa dimensão apenas transcendental que de exacerbada prática pode conduzir à alienação e loucura; por outro lado a poesia leva o guarda-livros/contabilista a outra dimensão, não normativa, sem códigos ou coimas, espiritual e livre!“

{extracto daqui}



[Mais detalhes aqui]


Posts relacionados:


Como Veias Finas na Terra

Revisitando Questoes de Genero

Bocas Intelectualoides

A Irresponsabilidade do Vazio


Friday, 18 March 2011

Africa and The (digital) Democratic Revolution


❝DEMOCRACY IN AFRICA❞ Program installation:

❞ EGYPT: ███ 100% Complete...
❞ LYBIA: Downloading...
❞ ALGERIA: Downloading...
❞ IVORY COAST: ██░ 60% [Alert: Virus-Gbagbo detected_Trojan Horse-Ouattarra in Quarantine]
❞ CONGO: Connection lost since 1997
❞ Nigeria: Starting Connection
❞ ZIMBABWE: 404 Error - Server not found

Update:

❞ ANGOLA: ░ 0,05% Rosa de Porcelana software downloaded by 2 dozen kamikazes lead by a foul-mouthed rapper; Full downloading clogged by an hardware army of 4 million Trojan Horses in white masks. [For progress reports click here, here and here]

Saturday, 12 March 2011

On Women's Month: Dee Dee Sings Lady Day {w/ Adenda}*







[Lady Sings The Blues]

“Young people take note of this woman’s life,
This woman’s bravery, so you too can learn to stand up,
and not be afraid to speak in your own voice.
Children, stand tall and dare to be a Billie Holiday!”

Dee Dee Bridgewater



[Good Morning Heartache]




[Don't Explain]




[Foggy Day]




[Strange Fruit]


{discover more here}






*Adenda


"Someone's got to have the balls to stand up and say, that's enough. That... is... enough." Printed words do not convey the force accompanying this sentiment from a woman who admits to having once thrown a man across a room.
"We're going to try to unite all the female black jazz-singers," she says, "and make a political stand." Woe betide anyone who tries to oppose her. "When I get really angry, I feel my blood boil, I see red, literally, and then I get physical. Don't mess with my babies, my albums. Don't mess with me. I'll turn into an angry, black 'ghettified' sister who will kick your effing ass."


Today (14/03/11), while perusing through some old papers looking for a poem I wrote some years ago dedicated to Lady Day (still couldn't find it), I came across this flyer for the one and only Dee Dee Bridgewater show I went to see (on May 2002, at the Barbican) so far - and what a show! I was totally immersed in the vibrancy of her strong voice and enthralled by the energy of her scatting: it was the first time I experienced live what I had only heard before on some of Ella Fitzgerald's or Sarah Vaughan's recordings - a woman's voice turned into an instrument, mainly the trumpet, but also, incidentally, the piano, or the bass. I still can feel some of that energy now more than 10 years passed...

Then I went to look up the Net for echoes of that show and found the article from which I've taken the extracts bellow. I was totally unaware of that row about Dianna Krall (and, in passing, Norah Jones) at the time ... and now I must rethink my 'singing her praises', though not necessarily repent because I only dit it once, and half-heartedly at that, namely in a comment posted here, and in a context that I suppose was perfectly understandable (and ... I pray that sista Dee Dee, if she ever reads this, doesn't feel like kicking my effing ass for having mentioning her name alongside Krall's...)!

That context being one, it might be worth noting, in which I was (only mildly and respectfully enough...) making some remarks and suggestions to some Angolan national “jazz pundit” for promoting exclusively white Portuguese jazz musicians’ tours to the country, as can be gathered here… and it just so happens that he recently voiced an overt, sinister, death threat (!) to me, apparently because of it and of my ‘tolerance’ (not even unconditional support…) for some new trends in Angolan contemporary music, such as HIPHOP and Kuduro, basing my position on the darker side of Jazz History as exemplified here… All, as he sees it, against the background of the 27 May 1977 - a political tragedy with clear racist overtones on all sides which caused thousands of victims and has left open, unhealed wounds in the fabric of Angolan society to this day - and on which some of my views vis-a-vis the Marxist theory and practice aluded to by him are expressed on this post and on comments to this one...

Ah! And also, directly or indirectly, because of my stance on issues like this, protagonised by some white blond barbie doll who, funnily enough, recently rose overnight from virtually total obscurity in that country’s media - after a forced retreat caused by an open letter by Angolan citizens accusing her of blatant racism! - thanks to unashamedly aping, for her 'rebirth so-called contemporary dance show', Cassandra Wilson’s “(un)vest”, for lack of a better word, on the cover of her New Moon Daughter album pictured here

Now, just briefly, about Norah Jones: in the beginning of 2003, a female friend (and in the Angolan context this can be highly relevant: a mixed-race one) in Luanda asked me what I thought about her and I replied, totally absentmindedly and unaware of Dee Dee’s outburst a few months earlier, something like this: look, to be perfectly honest, I don’t know what the fuss around her is all about; her most celebrated song so far seems to be all around something like “don’t know why I didn’t come”, which apparently invokes (unfulfilled) sex… so, if that’s all there is to her success I can’t really figure out where she stands as a jazz singer, writer, or musician…

Another thing that touched me in Dee Dee's outburst was the way in which she used the word antiseptic - I often use the word asseptic (e.g. here) to describe similar cases and contexts... But, above all, it was warming to know of her sisterly allegiance with Cassandra Wilson and other black jazz singers around it at the time... which, in some ways, takes me to this other sort of 'sisterly allegiance' (albeit circumstancial and distant), where it becomes apparent that some people in Angola, somewhere, somehow, and for whatever racially and/or culturally-based reason(s) have been trying (for far too long!) to, to use Dee Dee's word, exterminate me and my work, humble and unconceited as it is...

So, really, these discoveries today made my DAY! And, inDEEd inDEEd, my WOMEN'S MONTH!



Dee Dee Bridgewater is one of those people who is slow to anger, normally exuding the kind of calm associated with green tea, eucalyptus oil and tinkly-binkly music. At the age of 51, her skin is almost unnaturally smooth, and her conversation is low and beguiling, often sinking to a whisper. Her career has included stints with the Thad Jones-Mel Lewis Jazz Orchestra, stage shows about Ella Fitzgerald and Billie Holiday, and forays into pop; a trio of her earlier recordings has recently been reissued. She is delighted with her latest project, an album of Kurt Weill songs, which she will perform tonight at the Barbican. All would seem very well for Ms Bridgewater.

Yet the contented façade barely contains a volcano of rage that she admits she is struggling to keep the lid on. Bridgewater fears that the big record companies are trying to exterminate her and the tradition she represents, to replace them with insipid Barbie dolls with mass-market, lucrative appeal. The idea that jazz singing should be in a frail state may initially seem odd. Aren't the likes of her Verve label-mate Diana Krall and Norah Jones achieving the elusive position of being genuinely popular jazz artists, with posters on billboards and television ad campaigns, just like, well, pop singers? As Bridgewater points out, that achievement does not come without a cost.

"The Diana Krall phenomenon is based on material that's 30 or 40 years old," she says. "The treatment is cold, there's no emotion. It's only working because the jazz has been watered down, it's not abrasive – it's antiseptic." Bridgewater herself is a wonderful interpreter of old standards, although there is a world of difference between her punchy, gutsy style and the pale-honey smooth Krall – you could never accuse Dee Dee of being antiseptic. But there is more than just a difference of stylistic opinion here. "This is the era of the white female jazz singer," she says. "Even though jazz singing has traditionally been associated with the black female voice, it has never been at the elimination of the white female singer. Why, all of a sudden, are we supposed to be eliminated because the labels are scrambling to find their own Diana Krall wannabes? It's upsetting and frightening."

There's nothing grey about Dee Dee, or her contemporary Cassandra Wilson, both of whom search for the individual rather than a lower common-denominator. They resist the pressure to make radio-friendly recordings, and as a result, feel their music is not being treated seriously by an industry looking for a fast, sizeable return. "We were both in New York," says Dee Dee, "and Cassandra said, 'I can't get anybody interested in my projects, they keep putting Krall's name in my face. What are we supposed to do? Look at us, we've got our dreadlocks!'"

This is happening not only in America, but also in France, until recently Bridgewater's adopted home. "I've always employed French musicians, I've been burned for taking them to New York. But I can't get any reviews in French jazz papers. They've decided that Diana Krall is the beginning, the end and the in-between. To have the French jazz community turn its back on me because they've got some blonde, blue-eyed chick that can sing halfway decent and can play the piano – I'm livid."

She is determined that her anger will not make her bitter, though. A solution is forming in her mind. "Someone's got to have the balls to stand up and say, that's enough. That... is... enough." Printed words do not convey the force accompanying this sentiment from a woman who admits to having once thrown a man across a room.
"We're going to try to unite all the female black jazz-singers," she says, "and make a political stand." Woe betide anyone who tries to oppose her. "When I get really angry, I feel my blood boil, I see red, literally, and then I get physical. Don't mess with my babies, my albums. Don't mess with me. I'll turn into an angry, black 'ghettified' sister who will kick your effing ass."

"I always felt that I had to scat, to be another musician" – in her case, a trumpeter. "My father was, my first husband was, I had a boyfriend who was. Dizzy, Miles, Clark Terry – all my heroes were trumpeters." Now she is happy to concentrate on the lyric. "I thought, why don't I just sing the whole song, which I haven't done for years because I've been working so hard on getting my scatting to a level where I felt I was really being an instrument."

This is her route now. Bored by standards, which she says she might return to when she's 60 but not before, Weill has opened up a new vista for her; she's even contemplating resuscitating some of his operas. Her record company would do well to realise what a prodigious talent it has in Dee Dee Bridgewater – an artist worth a hundred Diana Kralls. If they don't, she will certainly be off – but not before she's kicked their effing asses.


{extracted from here}





Related posts:

Happy Hour!!!

A Minha Patria Nao E' a Lingua Portuguesa








[Lady Sings The Blues]

“Young people take note of this woman’s life,
This woman’s bravery, so you too can learn to stand up,
and not be afraid to speak in your own voice.
Children, stand tall and dare to be a Billie Holiday!”

Dee Dee Bridgewater



[Good Morning Heartache]




[Don't Explain]




[Foggy Day]




[Strange Fruit]


{discover more here}






*Adenda


"Someone's got to have the balls to stand up and say, that's enough. That... is... enough." Printed words do not convey the force accompanying this sentiment from a woman who admits to having once thrown a man across a room.
"We're going to try to unite all the female black jazz-singers," she says, "and make a political stand." Woe betide anyone who tries to oppose her. "When I get really angry, I feel my blood boil, I see red, literally, and then I get physical. Don't mess with my babies, my albums. Don't mess with me. I'll turn into an angry, black 'ghettified' sister who will kick your effing ass."


Today (14/03/11), while perusing through some old papers looking for a poem I wrote some years ago dedicated to Lady Day (still couldn't find it), I came across this flyer for the one and only Dee Dee Bridgewater show I went to see (on May 2002, at the Barbican) so far - and what a show! I was totally immersed in the vibrancy of her strong voice and enthralled by the energy of her scatting: it was the first time I experienced live what I had only heard before on some of Ella Fitzgerald's or Sarah Vaughan's recordings - a woman's voice turned into an instrument, mainly the trumpet, but also, incidentally, the piano, or the bass. I still can feel some of that energy now more than 10 years passed...

Then I went to look up the Net for echoes of that show and found the article from which I've taken the extracts bellow. I was totally unaware of that row about Dianna Krall (and, in passing, Norah Jones) at the time ... and now I must rethink my 'singing her praises', though not necessarily repent because I only dit it once, and half-heartedly at that, namely in a comment posted here, and in a context that I suppose was perfectly understandable (and ... I pray that sista Dee Dee, if she ever reads this, doesn't feel like kicking my effing ass for having mentioning her name alongside Krall's...)!

That context being one, it might be worth noting, in which I was (only mildly and respectfully enough...) making some remarks and suggestions to some Angolan national “jazz pundit” for promoting exclusively white Portuguese jazz musicians’ tours to the country, as can be gathered here… and it just so happens that he recently voiced an overt, sinister, death threat (!) to me, apparently because of it and of my ‘tolerance’ (not even unconditional support…) for some new trends in Angolan contemporary music, such as HIPHOP and Kuduro, basing my position on the darker side of Jazz History as exemplified here… All, as he sees it, against the background of the 27 May 1977 - a political tragedy with clear racist overtones on all sides which caused thousands of victims and has left open, unhealed wounds in the fabric of Angolan society to this day - and on which some of my views vis-a-vis the Marxist theory and practice aluded to by him are expressed on this post and on comments to this one...

Ah! And also, directly or indirectly, because of my stance on issues like this, protagonised by some white blond barbie doll who, funnily enough, recently rose overnight from virtually total obscurity in that country’s media - after a forced retreat caused by an open letter by Angolan citizens accusing her of blatant racism! - thanks to unashamedly aping, for her 'rebirth so-called contemporary dance show', Cassandra Wilson’s “(un)vest”, for lack of a better word, on the cover of her New Moon Daughter album pictured here

Now, just briefly, about Norah Jones: in the beginning of 2003, a female friend (and in the Angolan context this can be highly relevant: a mixed-race one) in Luanda asked me what I thought about her and I replied, totally absentmindedly and unaware of Dee Dee’s outburst a few months earlier, something like this: look, to be perfectly honest, I don’t know what the fuss around her is all about; her most celebrated song so far seems to be all around something like “don’t know why I didn’t come”, which apparently invokes (unfulfilled) sex… so, if that’s all there is to her success I can’t really figure out where she stands as a jazz singer, writer, or musician…

Another thing that touched me in Dee Dee's outburst was the way in which she used the word antiseptic - I often use the word asseptic (e.g. here) to describe similar cases and contexts... But, above all, it was warming to know of her sisterly allegiance with Cassandra Wilson and other black jazz singers around it at the time... which, in some ways, takes me to this other sort of 'sisterly allegiance' (albeit circumstancial and distant), where it becomes apparent that some people in Angola, somewhere, somehow, and for whatever racially and/or culturally-based reason(s) have been trying (for far too long!) to, to use Dee Dee's word, exterminate me and my work, humble and unconceited as it is...

So, really, these discoveries today made my DAY! And, inDEEd inDEEd, my WOMEN'S MONTH!



Dee Dee Bridgewater is one of those people who is slow to anger, normally exuding the kind of calm associated with green tea, eucalyptus oil and tinkly-binkly music. At the age of 51, her skin is almost unnaturally smooth, and her conversation is low and beguiling, often sinking to a whisper. Her career has included stints with the Thad Jones-Mel Lewis Jazz Orchestra, stage shows about Ella Fitzgerald and Billie Holiday, and forays into pop; a trio of her earlier recordings has recently been reissued. She is delighted with her latest project, an album of Kurt Weill songs, which she will perform tonight at the Barbican. All would seem very well for Ms Bridgewater.

Yet the contented façade barely contains a volcano of rage that she admits she is struggling to keep the lid on. Bridgewater fears that the big record companies are trying to exterminate her and the tradition she represents, to replace them with insipid Barbie dolls with mass-market, lucrative appeal. The idea that jazz singing should be in a frail state may initially seem odd. Aren't the likes of her Verve label-mate Diana Krall and Norah Jones achieving the elusive position of being genuinely popular jazz artists, with posters on billboards and television ad campaigns, just like, well, pop singers? As Bridgewater points out, that achievement does not come without a cost.

"The Diana Krall phenomenon is based on material that's 30 or 40 years old," she says. "The treatment is cold, there's no emotion. It's only working because the jazz has been watered down, it's not abrasive – it's antiseptic." Bridgewater herself is a wonderful interpreter of old standards, although there is a world of difference between her punchy, gutsy style and the pale-honey smooth Krall – you could never accuse Dee Dee of being antiseptic. But there is more than just a difference of stylistic opinion here. "This is the era of the white female jazz singer," she says. "Even though jazz singing has traditionally been associated with the black female voice, it has never been at the elimination of the white female singer. Why, all of a sudden, are we supposed to be eliminated because the labels are scrambling to find their own Diana Krall wannabes? It's upsetting and frightening."

There's nothing grey about Dee Dee, or her contemporary Cassandra Wilson, both of whom search for the individual rather than a lower common-denominator. They resist the pressure to make radio-friendly recordings, and as a result, feel their music is not being treated seriously by an industry looking for a fast, sizeable return. "We were both in New York," says Dee Dee, "and Cassandra said, 'I can't get anybody interested in my projects, they keep putting Krall's name in my face. What are we supposed to do? Look at us, we've got our dreadlocks!'"

This is happening not only in America, but also in France, until recently Bridgewater's adopted home. "I've always employed French musicians, I've been burned for taking them to New York. But I can't get any reviews in French jazz papers. They've decided that Diana Krall is the beginning, the end and the in-between. To have the French jazz community turn its back on me because they've got some blonde, blue-eyed chick that can sing halfway decent and can play the piano – I'm livid."

She is determined that her anger will not make her bitter, though. A solution is forming in her mind. "Someone's got to have the balls to stand up and say, that's enough. That... is... enough." Printed words do not convey the force accompanying this sentiment from a woman who admits to having once thrown a man across a room.
"We're going to try to unite all the female black jazz-singers," she says, "and make a political stand." Woe betide anyone who tries to oppose her. "When I get really angry, I feel my blood boil, I see red, literally, and then I get physical. Don't mess with my babies, my albums. Don't mess with me. I'll turn into an angry, black 'ghettified' sister who will kick your effing ass."

"I always felt that I had to scat, to be another musician" – in her case, a trumpeter. "My father was, my first husband was, I had a boyfriend who was. Dizzy, Miles, Clark Terry – all my heroes were trumpeters." Now she is happy to concentrate on the lyric. "I thought, why don't I just sing the whole song, which I haven't done for years because I've been working so hard on getting my scatting to a level where I felt I was really being an instrument."

This is her route now. Bored by standards, which she says she might return to when she's 60 but not before, Weill has opened up a new vista for her; she's even contemplating resuscitating some of his operas. Her record company would do well to realise what a prodigious talent it has in Dee Dee Bridgewater – an artist worth a hundred Diana Kralls. If they don't, she will certainly be off – but not before she's kicked their effing asses.


{extracted from here}





Related posts:

Happy Hour!!!

A Minha Patria Nao E' a Lingua Portuguesa