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Thursday, 2 May 2019

Mandela, Mobutu & Me


In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]


Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]


Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]

In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]


Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]


Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]

Tuesday, 8 November 2011

Etu Mudietu...



Julgo que a ultima vez que estive com Luandino Vieira tera' sido durante umas longinquas ferias minhas em Luanda a que aqui me referia.
Depois disso, enquanto estive em Portugal, apenas a ocasional correspondencia, directa ou por terceiros e, desde que ‘me mudei’ para a Inglaterra, apenas a distancia e o silencio (excepto pela dedicatoria deste livro, que tambem me chegou as maos por terceiros).

Agora, ha’ umas semanas, o amigo Zetho Goncalves teve a amabilidade de me enviar, por email, o rio sem margem com o qual acabou por me (re)abrir o livro dos rios do Luandino Vieira, que (me) levou a dele receber por snailmail uma prenda antecipada de Natal: o conjunto dos livros ate’ agora publicados pela sua nova ‘micro-editora’
“Nos Somos”.

Tenho assim a oportunidade (rara) de poder ler nos proximos tempos, para alem do excelente livro do Zetho, do qual faco uma breve apresentacao abaixo, os seguintes titulos recentes de autores angolanos:

MOMENTOS (1958-2011)
Arnaldo Santos

POESIA (1961-1976)
António Jacinto

NÃO SAIAS SEM MIM À RUA ESTA MANHÃ
José Luís Mendonça

AFRICALEMA
José Luís Mendonça

MARCAS DA GUERRA PERCEPÇÃO ÍNTIMA & OUTROS FONEMAS DOUTRINÁRIOS
J.A.S. Lopito Feijóo K.




Retribuir em poema a poesia que subjaz à literatura angolana da tradição oral já recolhida e trasladada para a língua portuguesa – alguma, pouquíssima dela, aqui convocada e exposta -, é a razão primacial e o fim a que se propõe e destina este
Rio sem Margem.
(da Nota do Autor)


A ÁGUA

[Tradição oral Umbundu, Angola]

Não se deixa amarrar
com um cordel,
nem se deixa apertar
com um cinto

- a água.

Dorme caminhando,
e mesmo parada, ela anda

- a água.


O SONHO

[Tradição oral Kwanyana, Angola]

Parece verdadeiro,
o sonho que sonhaste.

Branco e luzidio
como um chifre de boi

- o sonho que sonhaste.


MOTIVOS DE CONVERSA

[Tradição oral Kikongo, Angola]

O veado
sem pele
e sem cornos

- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?

- Quando chove,
rebentam os troncos,
cresce o capim.

No pássaro
de cabeça decepada,
mil pombas se alimentam.

O veado
sem pele
e sem cornos

- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?


“Em todas as formas escritas da poesia”, escreve Octavio Paz em A outra voz, “o signo gráfico está sempre em função do oral.” Ora, sendo este um livro de poemas e não um tratado académico – que utiliza na sua fractura o alfabeto latino e se destina primeiramente a um público de língua portuguesa -, entendeu-se ser mais correcto grafar como se grafou o vocábulo “Tchokwé’”, e não “Cokwé”, posto ninguém ler os vocábulos “Cutato”, “Cabinda” ou “coqueiro”, por exemplo, como “Tchutato”, “Tchabinda” ou “tchóqueiro”, respectivamente.
(da Nota Final - este extracto e' particularmente relevante para as discussoes travadas aqui e aqui ha' ja' uns anitos...)



Julgo que a ultima vez que estive com Luandino Vieira tera' sido durante umas longinquas ferias minhas em Luanda a que
aqui me referia.
Depois disso, enquanto estive em Portugal, apenas a ocasional correspondencia, directa ou por terceiros e, desde que ‘me mudei’ para a Inglaterra, apenas a distancia e o silencio (excepto pela dedicatoria deste livro, que tambem me chegou as maos por terceiros).

Agora, ha’ umas semanas, o amigo Zetho Goncalves teve a amabilidade de me enviar, por email, o rio sem margem com o qual acabou por me (re)abrir o livro dos rios do Luandino Vieira, que (me) levou a dele receber por snailmail uma prenda antecipada de Natal: o conjunto dos livros ate’ agora publicados pela sua nova ‘micro-editora’
“Nos Somos”.

Tenho assim a oportunidade (rara) de poder ler nos proximos tempos, para alem do excelente livro do Zetho, do qual faco uma breve apresentacao abaixo, os seguintes titulos recentes de autores angolanos:

MOMENTOS (1958-2011)
Arnaldo Santos

POESIA (1961-1976)
António Jacinto

NÃO SAIAS SEM MIM À RUA ESTA MANHÃ
José Luís Mendonça

AFRICALEMA
José Luís Mendonça

MARCAS DA GUERRA PERCEPÇÃO ÍNTIMA & OUTROS FONEMAS DOUTRINÁRIOS
J.A.S. Lopito Feijóo K.




Retribuir em poema a poesia que subjaz à literatura angolana da tradição oral já recolhida e trasladada para a língua portuguesa – alguma, pouquíssima dela, aqui convocada e exposta -, é a razão primacial e o fim a que se propõe e destina este
Rio sem Margem.
(da Nota do Autor)


A ÁGUA

[Tradição oral Umbundu, Angola]

Não se deixa amarrar
com um cordel,
nem se deixa apertar
com um cinto

- a água.

Dorme caminhando,
e mesmo parada, ela anda

- a água.


O SONHO

[Tradição oral Kwanyana, Angola]

Parece verdadeiro,
o sonho que sonhaste.

Branco e luzidio
como um chifre de boi

- o sonho que sonhaste.


MOTIVOS DE CONVERSA

[Tradição oral Kikongo, Angola]

O veado
sem pele
e sem cornos

- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?

- Quando chove,
rebentam os troncos,
cresce o capim.

No pássaro
de cabeça decepada,
mil pombas se alimentam.

O veado
sem pele
e sem cornos

- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?


“Em todas as formas escritas da poesia”, escreve Octavio Paz em A outra voz, “o signo gráfico está sempre em função do oral.” Ora, sendo este um livro de poemas e não um tratado académico – que utiliza na sua fractura o alfabeto latino e se destina primeiramente a um público de língua portuguesa -, entendeu-se ser mais correcto grafar como se grafou o vocábulo “Tchokwé’”, e não “Cokwé”, posto ninguém ler os vocábulos “Cutato”, “Cabinda” ou “coqueiro”, por exemplo, como “Tchutato”, “Tchabinda” ou “tchóqueiro”, respectivamente.
(da Nota Final - este extracto e' particularmente relevante para as discussoes travadas aqui e aqui ha' ja' uns anitos...)

Wednesday, 30 March 2011

AS GUELEDÉS - A FESTA DAS MÁSCARAS



Prepare-se: nesse livro você vai embarcar em uma aventura para desvendar um grande mistério e conhecerá mulheres que se transformam em ratos, pássaros e até mesmo em morcegos!

Tudo é magia na transformação de pessoas em animais. São histórias de um tempo longínquo sobre o poder de luta da mulher africana presente até os nossos dias nas mulheres afrodescendentes. Conheça essas grandes mães africanas representadas nas máscaras e descubra como elas podem ser notadas no nosso dia a dia.

Essa presença está nas palavras que usamos para conversar, na música que escutamos e cantamos, na dança, nas religiões que nos cercam, no artesanato que admiramos e, especialmente, na comida que comemos. Depois de se divertir nessa viagem, você poderá ler mais sobre o país e a nação de origem das Senhoras da Noite, sobre suas tradições, sua cultura e sua sociedade.


[Aqui]


Post Relacionado:

Feminismo Negro Brasileiro



Prepare-se: nesse livro você vai embarcar em uma aventura para desvendar um grande mistério e conhecerá mulheres que se transformam em ratos, pássaros e até mesmo em morcegos!

Tudo é magia na transformação de pessoas em animais. São histórias de um tempo longínquo sobre o poder de luta da mulher africana presente até os nossos dias nas mulheres afrodescendentes. Conheça essas grandes mães africanas representadas nas máscaras e descubra como elas podem ser notadas no nosso dia a dia.

Essa presença está nas palavras que usamos para conversar, na música que escutamos e cantamos, na dança, nas religiões que nos cercam, no artesanato que admiramos e, especialmente, na comida que comemos. Depois de se divertir nessa viagem, você poderá ler mais sobre o país e a nação de origem das Senhoras da Noite, sobre suas tradições, sua cultura e sua sociedade.


[Aqui]


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Friday, 18 February 2011

Angola: The Fall of a Creole Elite?



Abstract: The main purpose of this essay is to investigate different interpretations of the concept of creoleness that may be applied to late nineteenth-century Angola in order to understand whether the definition of a "creole elite" is pertinent when used to refer to the group of filhos da terra, filhos do país or filhos de Angola engaged in conversations about rights and citizenship with one another, with the wider literate population in Angola, with the colonial authorities, and with the literate population in the metropolis.

Sumário: O objetivo deste artigo é de reflectir sobre o sentido da palavra "crioulo," discutir a pertinência do uso deste adjectivo para a definição do segmento social analisado e aprofundar a investigação de um ponto de vista cultural, biológico e linguístico. Depois de comparar as diferenças entre a realidade angolana e outros espaços crioulos presentes no mundo de língua portuguesa (Cabo Verde e São Tomé), a investigação procura examinar as características marcantes das "ilhas crioulas" angolanas, tentando superar os limites ideológicos impostos ao longo do século XX pela crítica contemporânea portuguesa, inspirados respectivamente por apologistas e detractores do esforço colonial. Neste artigo o termo "crioulo" quer definir uma categoria sócio-cultural que abrange um leque variado de elementos heterogéneos: os descendentes de europeus nascidos em Angola–tanto brancos como mestiços–e africanos destribalizados mais ou menos adaptados à cultura europeia que formavam um grupo intermediário entre os europeus da metrópole e a população indígena das áreas rurais.


Jacopo Corrado
The Fall of a Creole Elite?: Angola at the Turn of the Twentieth Century: The Decline of the Euro-African Urban Community
Luso-Brazilian Review - Volume 47, Number 2, 2010, pp. 100-119

(University of Wisconsin Press)



Abstract: The main purpose of this essay is to investigate different interpretations of the concept of creoleness that may be applied to late nineteenth-century Angola in order to understand whether the definition of a "creole elite" is pertinent when used to refer to the group of filhos da terra, filhos do país or filhos de Angola engaged in conversations about rights and citizenship with one another, with the wider literate population in Angola, with the colonial authorities, and with the literate population in the metropolis.

Sumário: O objetivo deste artigo é de reflectir sobre o sentido da palavra "crioulo," discutir a pertinência do uso deste adjectivo para a definição do segmento social analisado e aprofundar a investigação de um ponto de vista cultural, biológico e linguístico. Depois de comparar as diferenças entre a realidade angolana e outros espaços crioulos presentes no mundo de língua portuguesa (Cabo Verde e São Tomé), a investigação procura examinar as características marcantes das "ilhas crioulas" angolanas, tentando superar os limites ideológicos impostos ao longo do século XX pela crítica contemporânea portuguesa, inspirados respectivamente por apologistas e detractores do esforço colonial. Neste artigo o termo "crioulo" quer definir uma categoria sócio-cultural que abrange um leque variado de elementos heterogéneos: os descendentes de europeus nascidos em Angola–tanto brancos como mestiços–e africanos destribalizados mais ou menos adaptados à cultura europeia que formavam um grupo intermediário entre os europeus da metrópole e a população indígena das áreas rurais.


Jacopo Corrado
The Fall of a Creole Elite?: Angola at the Turn of the Twentieth Century: The Decline of the Euro-African Urban Community
Luso-Brazilian Review - Volume 47, Number 2, 2010, pp. 100-119

(University of Wisconsin Press)

Wednesday, 15 December 2010

General History of Africa Collection in Portuguese





História Geral da África em Português

Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.


[Detalhes Aqui]

General History of Africa Collection in Portuguese

Published in eight volumes, the General History of Africa is now issued in Portuguese. Its complete edition is also available in Arabic, English and French, and its abridged edition is available in English, French and in several other languages including Hausa, Peul and Swahili. One of UNESCO's most important publishing projects in the last thirty years, the General History of Africa marks a major breakthrough in the recognition of Africa's cultural heritage for it allows the understanding of a historical development of the African people and its relationship with other civilizations from a broad, diachronic, and objective perspective obtained from the inside of theof the continent. The collection has been produced by more than 350 specialists of various areas under the coordination of the International Scientific Committee composed by 39 intellectuals, of which two thirds were African.

[Details Here]


Post relacionado:

A Quand L'Afrique: Joseph Ki-Zerbo





História Geral da África em Português

Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.


[Detalhes Aqui]

General History of Africa Collection in Portuguese

Published in eight volumes, the General History of Africa is now issued in Portuguese. Its complete edition is also available in Arabic, English and French, and its abridged edition is available in English, French and in several other languages including Hausa, Peul and Swahili. One of UNESCO's most important publishing projects in the last thirty years, the General History of Africa marks a major breakthrough in the recognition of Africa's cultural heritage for it allows the understanding of a historical development of the African people and its relationship with other civilizations from a broad, diachronic, and objective perspective obtained from the inside of theof the continent. The collection has been produced by more than 350 specialists of various areas under the coordination of the International Scientific Committee composed by 39 intellectuals, of which two thirds were African.

[Details Here]


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A Quand L'Afrique: Joseph Ki-Zerbo

Monday, 6 December 2010

Como veias finas na terra [Updated]




Novo livro de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referentes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.


Assim publicitam os seus editores este novo livro de Ana Paula Tavares, a ser lancado amanha em Lisboa.

Trata-se de mais uma obra de uma Mulher serena, culta e madura, com personalidade e identidade proprias bem vincadas, que, recentemente, depois de longos anos sem nos vermos e sem termos tido qualquer contacto, por razoes alheias a vontade de ambas, muito profunda e agradavelmente me surpreendeu com uma mensagem por e-mail, a que se seguiu (como aqui ha' tempos referi de passagem) o retomar de uma Amizade que, malgre' tout, nunca se perdeu pelas vias finas na terra.

Aqui deixo, em sua homenagem e com a devida venia, um registo de algumas das palavras que me dirigiu nessa correspondencia:




Querida Ana,
Há muito que queria escrever-te, lembrar uma amizade antiga e
saudar-te pelo magnifico blog. Bem hajas por tão apurado trabalho e um abraço da
Ana paula tavares.
(...)
Vida de muitas voltas que terás que escrever
para os nossos filhos e para memória futura. a nossa terra tem uma tal
vitalidade que as coisas do Antigamente na vida tendem a esquecer-se depressa.
(...)
Mas acho que não andas longe da história e a tua formação será
contributo de primeira água.
(...)
Quanto a ti uma economista que gosta
e sabe a história é mais importante que o historiador preso nos seus papéis.
Acredita. Quanto à escrita entendo as tuas preocupações e sei que vai chegar o
momento. Ser contra a corrente é ser escritor a sério, é saber quando se fala e
quando se reune no silêncio a ciência certa da escrita. Um abraço da Ana paula



Enfim, como diria o Mais Velho Raul David, e eu subscreveria, "uma Mulher muito educada e que sabe estar"!


Bem Hajas, Ana Paula Tavares, porque, a seres "unica", es de facto a unica Mulher que respeito o suficiente para nao deixar de estimar e desejar todo o sucesso do mundo, mesmo quando, ocasionalmente, a natural divergencia de opinioes sobre questoes pontuais entre duas pessoas naturalmente diferentes e com trajectorias diferentes, mas com um "chao comum", nos parecem distanciar...
Ou quando quem nunca connosco partilhou esse "chao comum", por longinquo que agora possa parecer, nos tenta a todo o custo distanciar e "enclausurar-te" em seus, ainda que apenas psicopaticamente imaginarios, "circulos restritos", como aconteceu quando (... numa "estorieta infantil" que hoje, infelizmente, mais uma vez se repete...) me vi compelida a tecer este comentario (que sei que sabes bem que, em circunstancias normais, nao faria - certamente nao da forma, ou no local, em que o fiz...), muito anterior a correspondencia que hoje aqui decidi "ecoar" a bem, como referes, de uma memoria futura para os nossos filhos que seja, acima de tudo e de todos, verdadeira e saudavel.


Um abraco (sempre) amigo da (outra) Ana Paula.


[Mais detalhes sobre o lancamento do livro aqui]




ADENDA


No seguimento da minha resposta ao "Poeta Amigo", abaixo, decidi tecer aqui as seguintes observacoes adicionais:


Devo dizer que sempre aceitei TODO o tipo de criticas razoaveis ao meu trabalho, embora em alguns casos mais "duvidosos", como dizem os ingleses, “with a pinch of salt”... Isso porque, em primeiro lugar, nunca fui “auto-convencida” em relacao a minha poesia ao ponto de ignorar, ou mesmo deixar de solicitar, a opiniao de outros sobre ela e, em segundo lugar, porque, pelo menos ate’ muito recentemente, sempre me permiti ser “ingenua” o suficiente para acreditar que alguem que se de ao trabalho de ditar “sentencas lapidares” sobre algo sempre tao pessoal e delicado como a poesia, teria sensibilidade e sagacidade suficientes para nao se deixar cair no flagrante delito do ataque pessoal!

Mas a verdade e’ que, se a minha entrada na blogosfera teve algum merito, ele foi o de me abrir completa e definitivamente os olhos para o quao baixo certas pessoas sao capazes de descer, frequentemente movidas apenas pelo despeito e o ressaibo, ou pela inveja, o ciume e o odio, quando nao apenas pelo racismo puro e duro!... Ou, tao so’, para se “vingarem e ressarcirem” da sua incapacidade de defenderem coerente, congruente, racional e inteligentemente as 'suas ideias e posicionamentos' em debates abertos comigo sobre outras questoes (o tal de "convem sabermos sempre o que nos espera"!) ... E so’ tenho pena que muito desse “trash” acabe por passar por “critica construtiva e honesta”... Muita pena mesmo!

Mas, chegada a este estagio da minha vida, ja’ nao e’ por mim, nem pela minha poesia, que sinto pena, mas apenas por quem produz tal “trash” e por quem eventualmente o consuma... Ja’ para nao mencionar as outras poetas angolanas (...continuo a preferir “ignorar” aqui, em nome do conceito de “genero”, o masculino/feminino que continua a ter outra/os a tratar as mulheres que escrevem poesia como “poetisas”...) aparentemente “esquecidas” no meio de tudo isso.

Diria apenas que, quaisquer que sejam as “driving forces” por detras dos nossos respectivos processos criativos e por diversos que sejam os nossos “outputs” literarios, tanto qualitativa como quantitativamente, e quaisquer que tenham sido as motivacoes de quem decidiu publicar os nossos primeiros livros simultaneamente [*], creio ser certo e seguro que nem eu, nem a Paula Tavares, decidimos comecar (ou continuar, ou nao) a escrever para emular (certamente nao para “hostilizar” ou “eclipsar”) a outra e muito menos para que a nossa poesia fosse usada como "arma de arremesso" por outra(o)s em guerras intestinas, quentes ou frias, com motivacoes racicas que nada teem a ver com poesia (algo que, de resto, deixei aqui bem claro!) ... e mesmo que eu tambem tivesse publicado tanto quanto, ou mesmo mais do que ela, haveria sempre “gostos e desgostos para todos os gostos” em relacao a poesia de uma e de outra... e isto pressupondo um ambiente literario, cultural, social e politico circundante “sadio, calmo e tranquilo” e nao aquele que constitui o nosso “chao comum”, como aqui se pode constatar!

Anyway, creio nao valer a pena dizer muito mais sobre tudo isso, excepto talvez uma breve nota sobre a “credibilidade da critica literaria”: nos extractos que acima tomei a liberdade de transcrever, a Paula Tavares fala em “ciencia certa da escrita” – um conceito certamente nao pacifico (!), mas que aceito provisoriamente.

Pois bem, em toda a ciencia, o criterio de validacao de qualquer “veredicto” e’ estabelecido pela objectividade e racionalidade dos seus fundamentos, os quais nao podem, em nenhuma circunstancia, ser baseados apenas em criterios de subjectividade pessoal (como a afectividade ou a amizade - e, a este proposito, recordo uma conhecida doutorada em letras/ critica literaria (?) que, numa cronica publicada no SA, se declarou abertamente suspeita por, juntamente com outra proeminente sua congenere brasileira, ser "amiga da Paula Tavares"...), preferencias esteticas individuais (como a cor da pele), ou conviccoes politico-ideologicas ou religiosas e muito menos em comparacoes e ilacoes aleatorias e arbitrarias completamente abstraidas do contexto especifico e das condicoes concretas em que a "ciencia" (neste caso a "escrita") se produz, condicoes essas em que se incluem factores historicos, sociais, culturais, psicologicos e etico-morais, entre outros (como os, mais obvios, "marcadores (etno)linguisticos e/ou geograficos") ...

Assim, o estabelecimento de qualquer veredicto sobre o que, ou quem, e’ “unico”, pressupoe a existencia, ou o estabelecimento, de um padrao, ou canone, igualmente “unico”, extremamente dificil (senao impossivel!) de estabelecer “cientificamente” em literatura e muito mais ainda em poesia... - uma questao, alias, amplamente evidenciada por este kibeto.

Mas, talvez mais determinante dalguns desses "veredictos" (e aqui refiro-me apenas aqueles que podem com propriedade reclamar alguma “objectividade e isencao” e, consequentemente, alguma "credibilidade"...) e’ que, como aqui recentemente observei, o “mundo lusofono” e’, sempre foi desde Camoes, um “mundo de poetas” (veja-se, por exemplo, o sucesso que fazem os blogs de poesia na lusosfera...), em que a ciencia sempre foi “subalternizada” relativamente a literatura, e em particular a poesia, e a pratica simultanea de ambas vista como "antagonica" (...mas, veja-se a este proposito o caso de Fernando Pessoa...), sendo, em particular, disciplinas/profissoes como a economia vistas geralmente como "frias e calculistas" ou "insensiveis e a-sociais" (algo reflectido de algum modo, embora nao explicitamente, aqui e aqui) ... Mas, sobre isso, lembro-me de, ha’ ja’ varios anos, ainda em Lisboa, ter concedido uma entrevista a uma jornalista/escritora brasileira em que lhe dizia algo como isto: “Os poetas (ou pelo menos alguns) teem o sonho de mudar o mundo para melhor, os economistas (ou pelo menos alguns) tambem (e o espirito do velho Marx por ai ainda paira para o provar) ... apenas com uma diferenca: estes podem faze-lo por outros (quica mais eficazes...) meios e metodos!”

E isso sem qualquer demerito para os poetas em geral, e menos ainda para a regularidade, a proficuidade e a qualidade da producao poetica da Paula Tavares – sobre a qual, devo aqui enfatizar, nunca teci qualquer comentario menos abonatorio: a referencia a “divergencias de opiniao” que faco acima prende-se a algumas questoes pontuais emanentes de algumas das suas cronicas - duas para ser mais precisa - sobre as quais comentei noutros posts aqui neste blog. O unico comentario um tanto “mais problematico” que fiz, e foi apenas a um dos seus poemas e, acrescente-se, “forcadamente”, foi ao seu uso da “sua mascara da Pwo”, mas o contexto em que o fiz revela claramente que nao o fiz por razoes estritamente poeticas, mas por razoes mais amplamente historicas e socio-culturais - as quais podem ser identificadas aqui...

Tendo dito tudo isso, resta-me apenas pedir, mais uma vez, desculpas a Ana Paula Tavares por ter assim “violado a nossa correspondencia”, que preferiria ter mantido, como deveria, privada – mas... como soi dizer-se, “para grandes males, grandes remedios!”





[*] Torna-se meu dever registar aqui que ouvi diversas vezes, por diversas pessoas e de diversas formas, que "eu so' fui 'promovida' para a UEA (... o tal "porque promover uns e nao outros?"...) e o meu livro publicado simultaneamente, numa especie de "accao afirmativa", para 'cobrir' o lancamento da Paula Tavares pela mesma UEA e 'precaver' as previsiveis acusacoes de racismo com que na altura aquela instituicao vivia cercada... Certo ou errado, o facto e' que, infelizmente, madames como esta e, mais recentemente, esta e estas, apenas teem corroborado essa versao... Mas, tambem sera' de notar que a mensagem de um dos postais, incluido aqui, que recebi de quem foi responsavel por tal lancamento simultaneo, Luandino Vieira, talvez possa sugerir algo diferente...


Uma outra nota digna de registo e' a seguinte: havia uma pessoa amiga a quem eu por vezes dava a ler os meus poemas e a reaccao dela era, quase sempre, zombar deles... ate' que no dia em que o Luandino me deu a ler os pareceres do painel que ele tinha consultado para avaliacao eu lhe contei do que tinha escrito Ndunduma ("... depois de Alda Lara, eis que surge Ana Santana...") e a reaccao imediata daquela pessoa foi: "nao... depois de Alda Lara e' a Paula Tavares"! E isso sem que ela conhecesse bem pessoalmente a Paula Tavares ou a sua poesia e muito antes de os nossos livros terem sido publicados...





ADENDA 2

Veem certamente a proposito as seguintes palavras de Paula Tavares, de que apenas tive conhecimento depois da publicacao deste post:

P- É normalmente apontada como a referência da poesia contemporânea angolana no feminino. O que significa isso, na verdade?

R - Não, não é verdade. Isso seria de uma injustiça extrema para com Ana de Santana, Liza Castel e Maria Alexandre Dáskalos, para só citar três nomes de criadoras intensas, originais no universo da poesia angolana. O número de títulos publicados não invalida outras contribuições de grande qualidade. Procuro um lugar no universo da poesia angolana, porque é de Angola a minha fala. Não sou muito dada a concursos, lugares cimeiros, comendas.

[Aqui]







Novo livro de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referentes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.


Assim publicitam os seus editores este novo livro de Ana Paula Tavares, a ser lancado amanha em Lisboa.

Trata-se de mais uma obra de uma Mulher serena, culta e madura, com personalidade e identidade proprias bem vincadas, que, recentemente, depois de longos anos sem nos vermos e sem termos tido qualquer contacto, por razoes alheias a vontade de ambas, muito profunda e agradavelmente me surpreendeu com uma mensagem por e-mail, a que se seguiu (como aqui ha' tempos referi de passagem) o retomar de uma Amizade que, malgre' tout, nunca se perdeu pelas vias finas na terra.

Aqui deixo, em sua homenagem e com a devida venia, um registo de algumas das palavras que me dirigiu nessa correspondencia:




Querida Ana,
Há muito que queria escrever-te, lembrar uma amizade antiga e
saudar-te pelo magnifico blog. Bem hajas por tão apurado trabalho e um abraço da
Ana paula tavares.
(...)
Vida de muitas voltas que terás que escrever
para os nossos filhos e para memória futura. a nossa terra tem uma tal
vitalidade que as coisas do Antigamente na vida tendem a esquecer-se depressa.
(...)
Mas acho que não andas longe da história e a tua formação será
contributo de primeira água.
(...)
Quanto a ti uma economista que gosta
e sabe a história é mais importante que o historiador preso nos seus papéis.
Acredita. Quanto à escrita entendo as tuas preocupações e sei que vai chegar o
momento. Ser contra a corrente é ser escritor a sério, é saber quando se fala e
quando se reune no silêncio a ciência certa da escrita. Um abraço da Ana paula



Enfim, como diria o Mais Velho Raul David, e eu subscreveria, "uma Mulher muito educada e que sabe estar"!


Bem Hajas, Ana Paula Tavares, porque, a seres "unica", es de facto a unica Mulher que respeito o suficiente para nao deixar de estimar e desejar todo o sucesso do mundo, mesmo quando, ocasionalmente, a natural divergencia de opinioes sobre questoes pontuais entre duas pessoas naturalmente diferentes e com trajectorias diferentes, mas com um "chao comum", nos parecem distanciar...
Ou quando quem nunca connosco partilhou esse "chao comum", por longinquo que agora possa parecer, nos tenta a todo o custo distanciar e "enclausurar-te" em seus, ainda que apenas psicopaticamente imaginarios, "circulos restritos", como aconteceu quando (... numa "estorieta infantil" que hoje, infelizmente, mais uma vez se repete...) me vi compelida a tecer este comentario (que sei que sabes bem que, em circunstancias normais, nao faria - certamente nao da forma, ou no local, em que o fiz...), muito anterior a correspondencia que hoje aqui decidi "ecoar" a bem, como referes, de uma memoria futura para os nossos filhos que seja, acima de tudo e de todos, verdadeira e saudavel.


Um abraco (sempre) amigo da (outra) Ana Paula.


[Mais detalhes sobre o lancamento do livro aqui]




ADENDA


No seguimento da minha resposta ao "Poeta Amigo", abaixo, decidi tecer aqui as seguintes observacoes adicionais:


Devo dizer que sempre aceitei TODO o tipo de criticas razoaveis ao meu trabalho, embora em alguns casos mais "duvidosos", como dizem os ingleses, “with a pinch of salt”... Isso porque, em primeiro lugar, nunca fui “auto-convencida” em relacao a minha poesia ao ponto de ignorar, ou mesmo deixar de solicitar, a opiniao de outros sobre ela e, em segundo lugar, porque, pelo menos ate’ muito recentemente, sempre me permiti ser “ingenua” o suficiente para acreditar que alguem que se de ao trabalho de ditar “sentencas lapidares” sobre algo sempre tao pessoal e delicado como a poesia, teria sensibilidade e sagacidade suficientes para nao se deixar cair no flagrante delito do ataque pessoal!

Mas a verdade e’ que, se a minha entrada na blogosfera teve algum merito, ele foi o de me abrir completa e definitivamente os olhos para o quao baixo certas pessoas sao capazes de descer, frequentemente movidas apenas pelo despeito e o ressaibo, ou pela inveja, o ciume e o odio, quando nao apenas pelo racismo puro e duro!... Ou, tao so’, para se “vingarem e ressarcirem” da sua incapacidade de defenderem coerente, congruente, racional e inteligentemente as 'suas ideias e posicionamentos' em debates abertos comigo sobre outras questoes (o tal de "convem sabermos sempre o que nos espera"!) ... E so’ tenho pena que muito desse “trash” acabe por passar por “critica construtiva e honesta”... Muita pena mesmo!

Mas, chegada a este estagio da minha vida, ja’ nao e’ por mim, nem pela minha poesia, que sinto pena, mas apenas por quem produz tal “trash” e por quem eventualmente o consuma... Ja’ para nao mencionar as outras poetas angolanas (...continuo a preferir “ignorar” aqui, em nome do conceito de “genero”, o masculino/feminino que continua a ter outra/os a tratar as mulheres que escrevem poesia como “poetisas”...) aparentemente “esquecidas” no meio de tudo isso.

Diria apenas que, quaisquer que sejam as “driving forces” por detras dos nossos respectivos processos criativos e por diversos que sejam os nossos “outputs” literarios, tanto qualitativa como quantitativamente, e quaisquer que tenham sido as motivacoes de quem decidiu publicar os nossos primeiros livros simultaneamente [*], creio ser certo e seguro que nem eu, nem a Paula Tavares, decidimos comecar (ou continuar, ou nao) a escrever para emular (certamente nao para “hostilizar” ou “eclipsar”) a outra e muito menos para que a nossa poesia fosse usada como "arma de arremesso" por outra(o)s em guerras intestinas, quentes ou frias, com motivacoes racicas que nada teem a ver com poesia (algo que, de resto, deixei aqui bem claro!) ... e mesmo que eu tambem tivesse publicado tanto quanto, ou mesmo mais do que ela, haveria sempre “gostos e desgostos para todos os gostos” em relacao a poesia de uma e de outra... e isto pressupondo um ambiente literario, cultural, social e politico circundante “sadio, calmo e tranquilo” e nao aquele que constitui o nosso “chao comum”, como aqui se pode constatar!

Anyway, creio nao valer a pena dizer muito mais sobre tudo isso, excepto talvez uma breve nota sobre a “credibilidade da critica literaria”: nos extractos que acima tomei a liberdade de transcrever, a Paula Tavares fala em “ciencia certa da escrita” – um conceito certamente nao pacifico (!), mas que aceito provisoriamente.

Pois bem, em toda a ciencia, o criterio de validacao de qualquer “veredicto” e’ estabelecido pela objectividade e racionalidade dos seus fundamentos, os quais nao podem, em nenhuma circunstancia, ser baseados apenas em criterios de subjectividade pessoal (como a afectividade ou a amizade - e, a este proposito, recordo uma conhecida doutorada em letras/ critica literaria (?) que, numa cronica publicada no SA, se declarou abertamente suspeita por, juntamente com outra proeminente sua congenere brasileira, ser "amiga da Paula Tavares"...), preferencias esteticas individuais (como a cor da pele), ou conviccoes politico-ideologicas ou religiosas e muito menos em comparacoes e ilacoes aleatorias e arbitrarias completamente abstraidas do contexto especifico e das condicoes concretas em que a "ciencia" (neste caso a "escrita") se produz, condicoes essas em que se incluem factores historicos, sociais, culturais, psicologicos e etico-morais, entre outros (como os, mais obvios, "marcadores (etno)linguisticos e/ou geograficos") ...

Assim, o estabelecimento de qualquer veredicto sobre o que, ou quem, e’ “unico”, pressupoe a existencia, ou o estabelecimento, de um padrao, ou canone, igualmente “unico”, extremamente dificil (senao impossivel!) de estabelecer “cientificamente” em literatura e muito mais ainda em poesia... - uma questao, alias, amplamente evidenciada por este kibeto.

Mas, talvez mais determinante dalguns desses "veredictos" (e aqui refiro-me apenas aqueles que podem com propriedade reclamar alguma “objectividade e isencao” e, consequentemente, alguma "credibilidade"...) e’ que, como aqui recentemente observei, o “mundo lusofono” e’, sempre foi desde Camoes, um “mundo de poetas” (veja-se, por exemplo, o sucesso que fazem os blogs de poesia na lusosfera...), em que a ciencia sempre foi “subalternizada” relativamente a literatura, e em particular a poesia, e a pratica simultanea de ambas vista como "antagonica" (...mas, veja-se a este proposito o caso de Fernando Pessoa...), sendo, em particular, disciplinas/profissoes como a economia vistas geralmente como "frias e calculistas" ou "insensiveis e a-sociais" (algo reflectido de algum modo, embora nao explicitamente, aqui e aqui) ... Mas, sobre isso, lembro-me de, ha’ ja’ varios anos, ainda em Lisboa, ter concedido uma entrevista a uma jornalista/escritora brasileira em que lhe dizia algo como isto: “Os poetas (ou pelo menos alguns) teem o sonho de mudar o mundo para melhor, os economistas (ou pelo menos alguns) tambem (e o espirito do velho Marx por ai ainda paira para o provar) ... apenas com uma diferenca: estes podem faze-lo por outros (quica mais eficazes...) meios e metodos!”

E isso sem qualquer demerito para os poetas em geral, e menos ainda para a regularidade, a proficuidade e a qualidade da producao poetica da Paula Tavares – sobre a qual, devo aqui enfatizar, nunca teci qualquer comentario menos abonatorio: a referencia a “divergencias de opiniao” que faco acima prende-se a algumas questoes pontuais emanentes de algumas das suas cronicas - duas para ser mais precisa - sobre as quais comentei noutros posts aqui neste blog. O unico comentario um tanto “mais problematico” que fiz, e foi apenas a um dos seus poemas e, acrescente-se, “forcadamente”, foi ao seu uso da “sua mascara da Pwo”, mas o contexto em que o fiz revela claramente que nao o fiz por razoes estritamente poeticas, mas por razoes mais amplamente historicas e socio-culturais - as quais podem ser identificadas aqui...

Tendo dito tudo isso, resta-me apenas pedir, mais uma vez, desculpas a Ana Paula Tavares por ter assim “violado a nossa correspondencia”, que preferiria ter mantido, como deveria, privada – mas... como soi dizer-se, “para grandes males, grandes remedios!”





[*] Torna-se meu dever registar aqui que ouvi diversas vezes, por diversas pessoas e de diversas formas, que "eu so' fui 'promovida' para a UEA (... o tal "porque promover uns e nao outros?"...) e o meu livro publicado simultaneamente, numa especie de "accao afirmativa", para 'cobrir' o lancamento da Paula Tavares pela mesma UEA e 'precaver' as previsiveis acusacoes de racismo com que na altura aquela instituicao vivia cercada... Certo ou errado, o facto e' que, infelizmente, madames como esta e, mais recentemente, esta e estas, apenas teem corroborado essa versao... Mas, tambem sera' de notar que a mensagem de um dos postais, incluido aqui, que recebi de quem foi responsavel por tal lancamento simultaneo, Luandino Vieira, talvez possa sugerir algo diferente...


Uma outra nota digna de registo e' a seguinte: havia uma pessoa amiga a quem eu por vezes dava a ler os meus poemas e a reaccao dela era, quase sempre, zombar deles... ate' que no dia em que o Luandino me deu a ler os pareceres do painel que ele tinha consultado para avaliacao eu lhe contei do que tinha escrito Ndunduma ("... depois de Alda Lara, eis que surge Ana Santana...") e a reaccao imediata daquela pessoa foi: "nao... depois de Alda Lara e' a Paula Tavares"! E isso sem que ela conhecesse bem pessoalmente a Paula Tavares ou a sua poesia e muito antes de os nossos livros terem sido publicados...





ADENDA 2

Veem certamente a proposito as seguintes palavras de Paula Tavares, de que apenas tive conhecimento depois da publicacao deste post:

P- É normalmente apontada como a referência da poesia contemporânea angolana no feminino. O que significa isso, na verdade?

R - Não, não é verdade. Isso seria de uma injustiça extrema para com Ana de Santana, Liza Castel e Maria Alexandre Dáskalos, para só citar três nomes de criadoras intensas, originais no universo da poesia angolana. O número de títulos publicados não invalida outras contribuições de grande qualidade. Procuro um lugar no universo da poesia angolana, porque é de Angola a minha fala. Não sou muito dada a concursos, lugares cimeiros, comendas.

[Aqui]




Tuesday, 23 November 2010

1960-2010: "The Year of Afrika" 50 Years on (XXII) *


Acaba de ser enviado para o prelo e esta’ previsto para breve o lancamento do primeiro Compendio da prestigiada editora academica Oxford University Press (OUP) dedicado as economias africanas, entitulado “The Oxford Companion to the Economics of Africa”, para o qual fui convidada pelos seus editores e contratada pela OUP para contribuir com uma entrada, que entitulei "Angola: China-Led Reconstruction".

Este Compendio, projectado para coincidir com as comemoracoes do “African Jubilee” que teem marcado este ano de 2010, integra-se na ja’ estabelecida serie “The Oxford Companion” e e’ apenas o segundo dedicado exclusivamente a economia de uma regiao geografica do mundo, depois do que foi dedicado a economia da India em 2007.

Dentre alguns dos nomes “mais familiares” aos leitores deste blog que para ele contribuem destacam-se os de Ngozi Okonjo-Iweala (The World Bank), Paul Collier (University of Oxford), Robert H. Bates (Harvard University) e Joseph E. Stiglitz (Columbia University).

Como um appetiser, aqui fica o registo do prefacio pelos seus editores:
This compendium of entries, together with an overview, provides thematic and country perspectives by more than 100 leading economic analysts of Africa. The contributors include: the best of young African researchers based in Africa; renowned academics from the top Universities in Africa, Europe and North America; present and past Chief Economists of the African Development Bank,; present and past Chief Economists for Africa of the World Bank; present and past Chief Economists of the World Bank; African Central Bank governors and Finance Ministers; and four Nobel Laureates in Economics. Other than the requirement that the entry be analytical and not polemical, the contributors were given freedom to put forward their particular perspective on a topic. The entries are not therefore surveys of the literature. Rather, they constitute a picture of the concerns of modern economics as it is applied to African problems, as seen by the leading economists working on Africa. We hope that this Companion will contribute to economic analysis and policy in Africa and thus to African development.
Ernest Aryeetey
Shantayanan Devarajan
Ravi Kanbur
Louis Kasekende

*[Update: Ja' saiu - AQUI]


Acaba de ser enviado para o prelo e esta’ previsto para breve o lancamento do primeiro Compendio da prestigiada editora academica Oxford University Press (OUP) dedicado as economias africanas, entitulado “The Oxford Companion to the Economics of Africa”, para o qual fui convidada pelos seus editores e contratada pela OUP para contribuir com uma entrada, que entitulei "Angola: China-Led Reconstruction".

Este Compendio, projectado para coincidir com as comemoracoes do “African Jubilee” que teem marcado este ano de 2010, integra-se na ja’ estabelecida serie “The Oxford Companion” e e’ apenas o segundo dedicado exclusivamente a economia de uma regiao geografica do mundo, depois do que foi dedicado a economia da India em 2007.

Dentre alguns dos nomes “mais familiares” aos leitores deste blog que para ele contribuem destacam-se os de Ngozi Okonjo-Iweala (The World Bank), Paul Collier (University of Oxford), Robert H. Bates (Harvard University) e Joseph E. Stiglitz (Columbia University).

Como um appetiser, aqui fica o registo do prefacio pelos seus editores:
This compendium of entries, together with an overview, provides thematic and country perspectives by more than 100 leading economic analysts of Africa. The contributors include: the best of young African researchers based in Africa; renowned academics from the top Universities in Africa, Europe and North America; present and past Chief Economists of the African Development Bank,; present and past Chief Economists for Africa of the World Bank; present and past Chief Economists of the World Bank; African Central Bank governors and Finance Ministers; and four Nobel Laureates in Economics. Other than the requirement that the entry be analytical and not polemical, the contributors were given freedom to put forward their particular perspective on a topic. The entries are not therefore surveys of the literature. Rather, they constitute a picture of the concerns of modern economics as it is applied to African problems, as seen by the leading economists working on Africa. We hope that this Companion will contribute to economic analysis and policy in Africa and thus to African development.
Ernest Aryeetey
Shantayanan Devarajan
Ravi Kanbur
Louis Kasekende

*[Update: Ja' saiu - AQUI]

Thursday, 16 September 2010

Historias da Ilha do Principe


Novo livro de Augusto Nascimento lancado hoje em Lisboa.

Novo livro de Augusto Nascimento lancado hoje em Lisboa.

Sunday, 11 July 2010

CICLOS


Estou no meu ciclo menstrual.
Mas este e’, a todos os titulos, um statement out of order (!) num espaco como este (e ainda por cima num post supostamente dedicado ao futebol... mas, supostamente tambem, os homens hoje so' teem tempo e olhos para a final do Mundial e caso alguem leia isto hoje, chances are: e' mulher). Sim, ha’ espacos em que ‘as mulheres nao e’ permitido (ou pelo menos a algumas delas - pois noutras, geralmente bem identificadas, em particular pela cor da pele, isso e' considerado sinal de "maturidade"...) falar do seu corpo ou expressar de algum modo a sua sexualidade, e muito menos falar dela – e’ taboo e ponto final.

Se quiser preservar a sua sanidade mental e nao abrir qualquer espaco a avancos ou ataques sexuais de todas as ordens e direccoes, uma mulher nao pode existir na sua plenitude, mesmo que o faca com a maior das decencias e recatos (na verdade, na minha experiencia, as vezes ate’ da’ a impressao de que nem e’ preciso tanto para atrair tais ataques: basta ousar existir)!

Porque, aparentemente, isso desperta as sexualidades reprimidas de outro/as e "castra" a sua capacidade de comunicacao normal como seres humanos: seres com corpo, coracao, alma e cerebro – nao apenas corpo. Parece intimida-los e "castra-los" ao ponto de os tornar "animais irracionais", i.e. capazes de "comunicar" apenas atraves da "(i)logica do sexo" (mormente atraves da pornografia) e como, nas circunstancias, tal (i)logica apenas pode levar a frustracao... da frustracao a agressao, ao odio, a calunia e a difamacao nao vai sequer um ciclo!) - ou seja, torna-los incapazes de comunicar. Ponto final.

Mas, meu Deus, tanta conversa a proposito de um statement que se pretendia apenas isso: um statement introdutorio ao tema ciclos! E' verdade... mas sempre farei mais este statement: a minha sexualidade e' tao naturalmente liberta, quanto conscientemente controlada - mas por mim e por mim apenas; o meu corpo (gordo ou nao!) e' tao sexualmente funcional, quanto e' meu e meu apenas. Nao autorizo, nunca autorizei, ninguem (e muito menos aos pares, bandos ou magotes!!!) a sobre eles tomar quaisquer liberdades indevidas. E agora sim, e' ponto final.

Passemos entao aos ciclos de que realmente queria hoje falar:

Onze Contos de Futebol
Sex, Lies & Stereotypes - Perspectives of a Mad Economist

Dois titulos, dois ciclos.

Com Camilo Jose' Cela e os seus Onze Contos de Futebol (da coleccao Pequenos Prazeres das Edicoes ASA, 1994), fechei o meu "ciclo lusofono" ha' precisamente 15 anos e dois dias (Cela - Galego nascido em 1916, Nobel da Literatura em 1989 e falecido no principio do ano de "todas as minhas mortes", 2002 - gostaria desse preciosismo...). Fecheio-o em convulsao, ao fim de varios ciclos de silencios, surdezes prenhes de interrogacoes, falas mudas, olhares cegos, fechamentos e descomunicacoes: um subito perder de sentidos - na mesma lingua.*

Com Sex, Lies & Stereotypes - Perspectives of a Mad Economist (editado pela primeira vez igualmente no ano de 1994) iniciei, pouco tempo depois, o meu ciclo anglofono. Iniciei-o em gestacao: de varios ciclos de descobertas, vozes, dialogos, aberturas e comunicacoes: um lento recobrar de sentidos - em outra lingua.

Esses dois titulos aparecem aqui hoje, creio que para assinalar o inicio de um novo ciclo, que ainda nao se me apresentou muito bem, mas que, seguramente, envolve uma ruptura - a algum nivel e de alguma ordem - com a reabertura do meu "ciclo lusofono", encetada com a criacao deste blog ha' 3 anos e cerca de 7 meses: de novo por silencios, surdezes prenhes de interrogacoes, falas mudas, olhares cegos, fechamentos e descomunicacoes - na mesma lingua (Cela epigrafa o conto que - no Calhamaco Terceiro dos Onze Contos, entitulado O Potro - se segue a Alta Escola, o Holocausto, com esta citacao que ele atribui a Voltaire: Sou muito amante da verdade, mas em caso nenhum do martirio. E eu li hoje algures alguem conhecido dizer que "cair duas vezes no mesmo buraco e' sinal de burrice e eu juro-vos que nao sou burro." Pois eu tambem nao!...).

Mas enquanto o novo ciclo nao se me apresenta como deve, reabro, ao fim de 15 anos e dois dias, os pequenos prazeres de Cela, para trazer aqui um pouco daquele dos onze contos (Alta Escola - que, quanto a mim, e' uma obra prima do nonsense ) que mais prazer me deu ler e dar a ler antes de perder os sentidos em Lisboa. Gostaria de o dar a ler hoje a todas as equipas Africanas participantes no Mundial de Futebol 2010, cujo ciclo hoje encerra na Africa do Sul. Embora estejam todas de parabens por pelo menos se terem qualificado para participar - e aqui uma mencao muito especial aos Black Stars do Ghana por terem conseguido chegar tao longe no campeonato - julgo que teriam muito a aprender com Gainsborough XXI...

[Aqui]


*[E abro aqui um (longo) parentesis para notar, porque nao e' demais faze-lo dadas as proporcoes e ramificacoes que ela atingiu, que toda esta campanha me foi (ou tem sido) movida por um pequeno grupo de "jornalistas", dos quais apenas um (este) pode dizer que alguma vez "me conheceu" e comigo "comunicou" - embora, diga-se de passagem, muito parcial e superficialmente, porque afinal so' tinha "uma coisa na cabeca" em relacao a mim...! -, sendo que os outros, uns "cruzaram-se" comigo na agencia ha' cerca de 30 anos, mas eram tao "timidos" que nunca sequer tentaram "comunicar" comigo, e outros nem sequer podem dizer que alguma vez me tenham conhecido, ainda que superficialmente... Resultado, dou-me conta agora, atraves dessa tal campanha, de que afinal andaram todos esses anos a remoer recalcamentos e a acumular "curiosidades", fantasias, ciumes e frustracoes em relacao a mim (sendo que a maior de todas elas parece ter sido o facto de eu ter conseguido dar a minha vida um rumo muito distinto do da vida deles, que agora sao taxados por algu(ma)ns de "bebados ou bufos"...), que finalmente conseguiram agora "libertar" (e espero bem que definitivamente! e espero melhor ainda que as suas "elegantes" mulheres velem melhor por isso...) atraves da (cobardemente encapotada!) agressao, sob a forma de insultos, difamacoes e inuendos de natureza sexual e sexista, entre outras irracionalidades e virulencias machistas!...]
E QUE VIVA A ESPAÑA!



Estou no meu ciclo menstrual.
Mas este e’, a todos os titulos, um statement out of order (!) num espaco como este (e ainda por cima num post supostamente dedicado ao futebol... mas, supostamente tambem, os homens hoje so' teem tempo e olhos para a final do Mundial e caso alguem leia isto hoje, chances are: e' mulher). Sim, ha’ espacos em que ‘as mulheres nao e’ permitido (ou pelo menos a algumas delas - pois noutras, geralmente bem identificadas, em particular pela cor da pele, isso e' considerado sinal de "maturidade"...) falar do seu corpo ou expressar de algum modo a sua sexualidade, e muito menos falar dela – e’ taboo e ponto final.

Se quiser preservar a sua sanidade mental e nao abrir qualquer espaco a avancos ou ataques sexuais de todas as ordens e direccoes, uma mulher nao pode existir na sua plenitude, mesmo que o faca com a maior das decencias e recatos (na verdade, na minha experiencia, as vezes ate’ da’ a impressao de que nem e’ preciso tanto para atrair tais ataques: basta ousar existir)!

Porque, aparentemente, isso desperta as sexualidades reprimidas de outro/as e "castra" a sua capacidade de comunicacao normal como seres humanos: seres com corpo, coracao, alma e cerebro – nao apenas corpo. Parece intimida-los e "castra-los" ao ponto de os tornar "animais irracionais", i.e. capazes de "comunicar" apenas atraves da "(i)logica do sexo" (mormente atraves da pornografia) e como, nas circunstancias, tal (i)logica apenas pode levar a frustracao... da frustracao a agressao, ao odio, a calunia e a difamacao nao vai sequer um ciclo!) - ou seja, torna-los incapazes de comunicar. Ponto final.

Mas, meu Deus, tanta conversa a proposito de um statement que se pretendia apenas isso: um statement introdutorio ao tema ciclos! E' verdade... mas sempre farei mais este statement: a minha sexualidade e' tao naturalmente liberta, quanto conscientemente controlada - mas por mim e por mim apenas; o meu corpo (gordo ou nao!) e' tao sexualmente funcional, quanto e' meu e meu apenas. Nao autorizo, nunca autorizei, ninguem (e muito menos aos pares, bandos ou magotes!!!) a sobre eles tomar quaisquer liberdades indevidas. E agora sim, e' ponto final.

Passemos entao aos ciclos de que realmente queria hoje falar:

Onze Contos de Futebol
Sex, Lies & Stereotypes - Perspectives of a Mad Economist

Dois titulos, dois ciclos.

Com Camilo Jose' Cela e os seus Onze Contos de Futebol (da coleccao Pequenos Prazeres das Edicoes ASA, 1994), fechei o meu "ciclo lusofono" ha' precisamente 15 anos e dois dias (Cela - Galego nascido em 1916, Nobel da Literatura em 1989 e falecido no principio do ano de "todas as minhas mortes", 2002 - gostaria desse preciosismo...). Fecheio-o em convulsao, ao fim de varios ciclos de silencios, surdezes prenhes de interrogacoes, falas mudas, olhares cegos, fechamentos e descomunicacoes: um subito perder de sentidos - na mesma lingua.*

Com Sex, Lies & Stereotypes - Perspectives of a Mad Economist (editado pela primeira vez igualmente no ano de 1994) iniciei, pouco tempo depois, o meu ciclo anglofono. Iniciei-o em gestacao: de varios ciclos de descobertas, vozes, dialogos, aberturas e comunicacoes: um lento recobrar de sentidos - em outra lingua.

Esses dois titulos aparecem aqui hoje, creio que para assinalar o inicio de um novo ciclo, que ainda nao se me apresentou muito bem, mas que, seguramente, envolve uma ruptura - a algum nivel e de alguma ordem - com a reabertura do meu "ciclo lusofono", encetada com a criacao deste blog ha' 3 anos e cerca de 7 meses: de novo por silencios, surdezes prenhes de interrogacoes, falas mudas, olhares cegos, fechamentos e descomunicacoes - na mesma lingua (Cela epigrafa o conto que - no Calhamaco Terceiro dos Onze Contos, entitulado O Potro - se segue a Alta Escola, o Holocausto, com esta citacao que ele atribui a Voltaire: Sou muito amante da verdade, mas em caso nenhum do martirio. E eu li hoje algures alguem conhecido dizer que "cair duas vezes no mesmo buraco e' sinal de burrice e eu juro-vos que nao sou burro." Pois eu tambem nao!...).

Mas enquanto o novo ciclo nao se me apresenta como deve, reabro, ao fim de 15 anos e dois dias, os pequenos prazeres de Cela, para trazer aqui um pouco daquele dos onze contos (Alta Escola - que, quanto a mim, e' uma obra prima do nonsense ) que mais prazer me deu ler e dar a ler antes de perder os sentidos em Lisboa. Gostaria de o dar a ler hoje a todas as equipas Africanas participantes no Mundial de Futebol 2010, cujo ciclo hoje encerra na Africa do Sul. Embora estejam todas de parabens por pelo menos se terem qualificado para participar - e aqui uma mencao muito especial aos Black Stars do Ghana por terem conseguido chegar tao longe no campeonato - julgo que teriam muito a aprender com Gainsborough XXI...

[Aqui]


*[E abro aqui um (longo) parentesis para notar, porque nao e' demais faze-lo dadas as proporcoes e ramificacoes que ela atingiu, que toda esta campanha me foi (ou tem sido) movida por um pequeno grupo de "jornalistas", dos quais apenas um (este) pode dizer que alguma vez "me conheceu" e comigo "comunicou" - embora, diga-se de passagem, muito parcial e superficialmente, porque afinal so' tinha "uma coisa na cabeca" em relacao a mim...! -, sendo que os outros, uns "cruzaram-se" comigo na agencia ha' cerca de 30 anos, mas eram tao "timidos" que nunca sequer tentaram "comunicar" comigo, e outros nem sequer podem dizer que alguma vez me tenham conhecido, ainda que superficialmente... Resultado, dou-me conta agora, atraves dessa tal campanha, de que afinal andaram todos esses anos a remoer recalcamentos e a acumular "curiosidades", fantasias, ciumes e frustracoes em relacao a mim (sendo que a maior de todas elas parece ter sido o facto de eu ter conseguido dar a minha vida um rumo muito distinto do da vida deles, que agora sao taxados por algu(ma)ns de "bebados ou bufos"...), que finalmente conseguiram agora "libertar" (e espero bem que definitivamente! e espero melhor ainda que as suas "elegantes" mulheres velem melhor por isso...) atraves da (cobardemente encapotada!) agressao, sob a forma de insultos, difamacoes e inuendos de natureza sexual e sexista, entre outras irracionalidades e virulencias machistas!...]
E QUE VIVA A ESPAÑA!


Sunday, 4 July 2010

Sex, Lies & Stereotypes: Perspectives of a Mad Economist

"Malveaux is the most progressive critic of contemporary American life"--Cornel West.

"Sex, Lies & Stereotypes: Perspectives of a Mad Economist" (1994), is a collection of Julianne Malveaux's award winning & most popular columns on American culture, politics, economics, sexism & racism. As an economist, educator & writer, Malveaux is best known for her "tell-it-like-it-is" weekly syndicated column, her regular contributions to MS. & USA Today, & in her frequent commentaries on CNN & PBS. Malveaux transmits a steady current of outrage at injustice, inequality & foul play. Her words are heart-felt cries for justice, railing against the powers that have become indifferent to layoffs, biased law enforcement, AIDS gender & racial bias--they project a profound conviction that "the real deal is economics, about who has, who doesn't, who will & who won't" with issues of race always "lurking in the background." Malveaux also speaks for those voices we don't often hear--"home alone parents," "disposable kids" & anyone whose color, economic status or gender keeps them powerless.

Julianne Malveaux is an "angry and proud" African-American woman. She has a Ph.D. from the Massachusetts Institute of Technology (MIT), she has this new (1994) anthology of essays, and she is articulate on a full range of progressive social and economic issues. Her column is syndicated by King Features, she writes for USA Today, Ms., Essence, Emerge, and other newspapers and journals, and she is soon to be a regular commentator for the Pacifica radio network.

Woe unto those who get their exercise leaping to conclusions about where Malveaux will come down on an issue, including those who assert that her voice is more "African-American" than "feminist." She might view the National Organization for Women as a "white middle-class" outfit, but she is equally stern in her rebuke of middle-class blacks for the quality of their support of African-American political candidates. ("If had a nickel," she writes (1994), "for every sequin a sister wore to a fund-raiser, I could probably finance the campaign of the next President.")

All of this is fueled by Malveaux's disdain for "drive-by analysis" by conservatives and "hand-wringing liberals" who "don't understand that the real issue is economics.... Too many analysts are caught in the sex, lies, and stereotypes of the media to make public policy." She is also willing to tackle an opponent who ventures forth without supporting data--whether it's Rush Limbaugh or Shelby Steele. No one gets off lightly. In a category of one, she relegates the Ellen Goodmans and Anna Quindlens of this world to the parlor-liberal powder-puff league.

"Malveaux is the most progressive critic of contemporary American life"--Cornel West.

"Sex, Lies & Stereotypes: Perspectives of a Mad Economist" (1994), is a collection of Julianne Malveaux's award winning & most popular columns on American culture, politics, economics, sexism & racism. As an economist, educator & writer, Malveaux is best known for her "tell-it-like-it-is" weekly syndicated column, her regular contributions to MS. & USA Today, & in her frequent commentaries on CNN & PBS. Malveaux transmits a steady current of outrage at injustice, inequality & foul play. Her words are heart-felt cries for justice, railing against the powers that have become indifferent to layoffs, biased law enforcement, AIDS gender & racial bias--they project a profound conviction that "the real deal is economics, about who has, who doesn't, who will & who won't" with issues of race always "lurking in the background." Malveaux also speaks for those voices we don't often hear--"home alone parents," "disposable kids" & anyone whose color, economic status or gender keeps them powerless.

Julianne Malveaux is an "angry and proud" African-American woman. She has a Ph.D. from the Massachusetts Institute of Technology (MIT), she has this new (1994) anthology of essays, and she is articulate on a full range of progressive social and economic issues. Her column is syndicated by King Features, she writes for USA Today, Ms., Essence, Emerge, and other newspapers and journals, and she is soon to be a regular commentator for the Pacifica radio network.

Woe unto those who get their exercise leaping to conclusions about where Malveaux will come down on an issue, including those who assert that her voice is more "African-American" than "feminist." She might view the National Organization for Women as a "white middle-class" outfit, but she is equally stern in her rebuke of middle-class blacks for the quality of their support of African-American political candidates. ("If had a nickel," she writes (1994), "for every sequin a sister wore to a fund-raiser, I could probably finance the campaign of the next President.")

All of this is fueled by Malveaux's disdain for "drive-by analysis" by conservatives and "hand-wringing liberals" who "don't understand that the real issue is economics.... Too many analysts are caught in the sex, lies, and stereotypes of the media to make public policy." She is also willing to tackle an opponent who ventures forth without supporting data--whether it's Rush Limbaugh or Shelby Steele. No one gets off lightly. In a category of one, she relegates the Ellen Goodmans and Anna Quindlens of this world to the parlor-liberal powder-puff league.

Thursday, 20 May 2010

A Russian View of the Angolan War

A Russian View of the Angolan War

Although this is a Russian account of the Angolan war, it is "Russian" with a difference, because Andreï Makine writes from his exile in Paris, where he has been based since 1987 and where he has written several internationally acclaimed novels about his native land. Writing in French, he won both the prestigious Goncourt Prize and the Medicis Prize for his earlier novel Dreams of My Russian Summers (1997).

Too young for "the God that failed" generation of disillusioned Communists in the 1930s, Makine belongs to the generation that lived through the rise and fall of the Soviet Empire and the disintegration of the Communist dream. Human Love is an important novel, providing both an accurate and a very readable account of the war in Angola and the role of the Soviet Union in that conflict. The diplomatic and Cold War historians who fail to understand that war or appreciate its international significance will have much to learn from this book.

The two main characters are the "hero," Elias Almeida, an MPLA (Popular Movement for the Liberation of Angola) cadre who is sent to Moscow for training, and the narrator, an anonymous Soviet diplomat in Angola who becomes his lifelong friend. Beginning with their meeting in a UNITA (National Union for the Total Independence of Angola) prison camp on the border with Zaire, from which they are soon rescued by Cuban soldiers, the book ends with the gratuitous death of Elias during the Somali civil war some twenty-five years later.


[Full review here]
A Russian View of the Angolan War

Although this is a Russian account of the Angolan war, it is "Russian" with a difference, because Andreï Makine writes from his exile in Paris, where he has been based since 1987 and where he has written several internationally acclaimed novels about his native land. Writing in French, he won both the prestigious Goncourt Prize and the Medicis Prize for his earlier novel Dreams of My Russian Summers (1997).

Too young for "the God that failed" generation of disillusioned Communists in the 1930s, Makine belongs to the generation that lived through the rise and fall of the Soviet Empire and the disintegration of the Communist dream. Human Love is an important novel, providing both an accurate and a very readable account of the war in Angola and the role of the Soviet Union in that conflict. The diplomatic and Cold War historians who fail to understand that war or appreciate its international significance will have much to learn from this book.

The two main characters are the "hero," Elias Almeida, an MPLA (Popular Movement for the Liberation of Angola) cadre who is sent to Moscow for training, and the narrator, an anonymous Soviet diplomat in Angola who becomes his lifelong friend. Beginning with their meeting in a UNITA (National Union for the Total Independence of Angola) prison camp on the border with Zaire, from which they are soon rescued by Cuban soldiers, the book ends with the gratuitous death of Elias during the Somali civil war some twenty-five years later.


[Full review here]

Sunday, 25 April 2010

Angola: The Weight of History

Angola’s Political Developments in Historical and Comparative Perspective

[Book Review]

Since the peace accords in 2002, some major political events have taken place in Angola. In September 2008, parliamentary elections were held, marking a victory for the ruling MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) party. Presidential elections were planned for 2010, although it is as yet unclear whether or not these will actually be held. This volume offering an analysis of Angola’s political economy is a most welcome contribution to understand these crucial political developments in the country. The authors of the various essays frame their interpretation of Angola’s recent past in its historical context. This is rare for Angolan studies: most of the literature takes either a historical perspective or a contemporary focus. Apart from the combination of political history and recent events within Angola itself, some clear attempts are made to arrive at a comparative perspective and frame Angola’s political developments in the wider African context.

[...]

It is a pity, however, that the editors do not discuss the relations between the various chapters and refrain from engaging in an explicit discussion about the historical and the comparative perspective in the volume. This creates a problem of cohesion, as some of the authors (notably Newitt and Messiant) interpret Angola’s political economy within its own specific historical dynamics, while other chapters (by Vidal and especially Chabal) seem to contradict this by stressing that the political events in Angola are better framed within the wider African context. An overall introduction or concluding chapter would have helped to identify and analyze such contradictions and added to the internal cohesion of the volume. The guiding principle, that Angola’s present condition must be put in historical perspective, remains a fruitful one.


[Full review here]
Angola’s Political Developments in Historical and Comparative Perspective

[Book Review]

Since the peace accords in 2002, some major political events have taken place in Angola. In September 2008, parliamentary elections were held, marking a victory for the ruling MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) party. Presidential elections were planned for 2010, although it is as yet unclear whether or not these will actually be held. This volume offering an analysis of Angola’s political economy is a most welcome contribution to understand these crucial political developments in the country. The authors of the various essays frame their interpretation of Angola’s recent past in its historical context. This is rare for Angolan studies: most of the literature takes either a historical perspective or a contemporary focus. Apart from the combination of political history and recent events within Angola itself, some clear attempts are made to arrive at a comparative perspective and frame Angola’s political developments in the wider African context.

[...]

It is a pity, however, that the editors do not discuss the relations between the various chapters and refrain from engaging in an explicit discussion about the historical and the comparative perspective in the volume. This creates a problem of cohesion, as some of the authors (notably Newitt and Messiant) interpret Angola’s political economy within its own specific historical dynamics, while other chapters (by Vidal and especially Chabal) seem to contradict this by stressing that the political events in Angola are better framed within the wider African context. An overall introduction or concluding chapter would have helped to identify and analyze such contradictions and added to the internal cohesion of the volume. The guiding principle, that Angola’s present condition must be put in historical perspective, remains a fruitful one.


[Full review here]

Tuesday, 30 March 2010

The Burden of The Black Woman




{...rio correndo do fundo do utero pelos olhos...}

*


This book examines the historical endeavors to regulate Black female sexuality and reproduction in the United States, through methods of exploitation, control, repression, and coercion. To that end, this book further explores the continued impact of labeling and stereotyping on the development of policies that lead to the construction of national, racial, and gender identities for Black women.


“A well researched, well written, and historically imperative work that adds racial, political, and economic context to the issue of reproductive rights. Black Women’s Burden will likely inform future reproductive rights research in considering the relevance of social rhetoric, and political and economic climates in the examination of women’s experiences.”—Journal of African American Studies

“Black Woman’s Burden is a book that should be read by everyone who believes in human rights. It is that rare book that marries political economy with the reproductive rights of an oppressed class. Once more we see in her brilliant work that the personal experiences have political and historical antecedents. Despite the fact that black women are the most dedicated, educated, and stable members of the black community, they remain the most devalued and stigmatized group among the panorama of sub-groups in the United States. This book explores how a predatory political and economic system operates to deprive her of control over her body, a condition that has existed since her introduction to the new world. This book is worth our reading and, more importantly, needs our action to redress these acts of oppression that remain a fundamental part of her life.”--Robert Staples, Emeritus Professor, Graduate Program in Sociology, University of California, San Francisco

“Nicole Rousseau brings a powerful critical lens to a topic frequently ignored, except as a problem rooted in bad behavior: Black Women’s reproduction. In Black Women’s Burden, Professor Rousseau deploys a cogent historical materialist analysis to Black women’s sexual and reproductive histories. Centrally, her point of departure is political economic, articulating Black women’s historical relations with the capitalist state. Herein is rooted, she argues, the regulation of Black women’s reproduction and resistance to such regulation. Rousseau makes quite a compelling case.”--Rose M. Brewer, Professor of African American & African Studies, University of Minnesota-Twin Cities


[More details here]




{...rio correndo do fundo do utero pelos olhos...}

*


This book examines the historical endeavors to regulate Black female sexuality and reproduction in the United States, through methods of exploitation, control, repression, and coercion. To that end, this book further explores the continued impact of labeling and stereotyping on the development of policies that lead to the construction of national, racial, and gender identities for Black women.


“A well researched, well written, and historically imperative work that adds racial, political, and economic context to the issue of reproductive rights. Black Women’s Burden will likely inform future reproductive rights research in considering the relevance of social rhetoric, and political and economic climates in the examination of women’s experiences.”—Journal of African American Studies

“Black Woman’s Burden is a book that should be read by everyone who believes in human rights. It is that rare book that marries political economy with the reproductive rights of an oppressed class. Once more we see in her brilliant work that the personal experiences have political and historical antecedents. Despite the fact that black women are the most dedicated, educated, and stable members of the black community, they remain the most devalued and stigmatized group among the panorama of sub-groups in the United States. This book explores how a predatory political and economic system operates to deprive her of control over her body, a condition that has existed since her introduction to the new world. This book is worth our reading and, more importantly, needs our action to redress these acts of oppression that remain a fundamental part of her life.”--Robert Staples, Emeritus Professor, Graduate Program in Sociology, University of California, San Francisco

“Nicole Rousseau brings a powerful critical lens to a topic frequently ignored, except as a problem rooted in bad behavior: Black Women’s reproduction. In Black Women’s Burden, Professor Rousseau deploys a cogent historical materialist analysis to Black women’s sexual and reproductive histories. Centrally, her point of departure is political economic, articulating Black women’s historical relations with the capitalist state. Herein is rooted, she argues, the regulation of Black women’s reproduction and resistance to such regulation. Rousseau makes quite a compelling case.”--Rose M. Brewer, Professor of African American & African Studies, University of Minnesota-Twin Cities


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Sunday, 28 March 2010

CUBA! AFRICA! REVOLUTION! [R]*

[Em memoria da Batalha do Kuito Kwanavale]


A segunda parte desta serie foi exibida ontem, como previsto, e concentrou-se exclusivamente no periodo imediatamente anterior ao 11 de Novembro e ao pos-independencia de Angola.

Um dos primeiros intervenientes foi Jorge Valentim, que relatou o ambiente de desconfianca existente durante as negociacoes de Penina em que, citando-o, “no hotel de quatro andares em que as partes foram hospedadas, o r/c era destinado as reunioes plenarias, o primeiro andar a UNITA, o segundo a FNLA, o terceiro ao MPLA e o quarto aos Portugueses”… o que, para alem da ideia de hierarquia, tera’ criado nos hospedados nos primeiro e segundo andares um clima de suspeicao em relacao aos hospedados nos andares de cima ou, para usar a sua expressao, uma constante sensacao de “plotting going on up there”…

Outro interveniente pela UNITA foi Tony da Costa Fernandes, que relatou o encontro entre Savimbi e Reagan alguns anos mais tarde, ao fim do qual Reagan tera’ ordenado aos seus assistentes militares: “o homem quer os Stingers… nos nao os demos nem sequer aos nossos amigos Sul-Koreanos... but, if he wants the Stingers, give him the Stingers”! Outros intervenientes de destaque foram Ngola Kabango pela FNLA, Paulo Jorge, Ndalu e Onambwe pelo MPLA, Chester Crocker pelos Americanos, Jorge Risquet pelos Cubanos e Pik Botha pelos Sul-Africanos.

O episodio foi marcado por uma remarcavel boa disposicao, sobretudo por parte de Onambwe e Ndalu (“o sorriso dos vencedores”?), com anedotas a volta do relato de alguns dos episodios mais criticos do periodo em analise. Por qualquer razao, as anedotas foram quase todas a volta de charutos cubanos… Onambwe conta como Neto, que nunca tinha fumado na vida, uma vez acende um charuto cubano durante uma reuniao e quando da’ conta de que esta’ toda a gente a olhar para ele, levanta o charuto e diz: foi o Fidel que me mandou! ... Ndalu recorda a poluicao provocada nas salas de reunioes das negociacoes a volta da batalha do Kuito Kwanavale pelos charutos de Jorge Risquet, enquanto este explica que o fazia so’ para irritar Americanos e Sul-Africanos…

Uma das poucas anedotas que nao teve a ver com charutos cubanos foi contada por Crocker que recorda como era facil monitorar os movimentos dos cubanos: segundo ele, sempre que aparecia um campo de baseball algures, era sinal de que os cubanos tinham chegado, ou estavam para chegar, aquela localidade; sempre que desaparecia um campo de baseball, era porque os cubanos tinham abandonado a localidade... O que me fez lembrar de um "ditado", tipo nota "precaucionaria" para automobilistas, que se usava (sera' que ainda se usa?) la' na banda: "tal como atras de uma bola vem sempre uma crianca, atras de um porco vem sempre um cubano"!


Os momentos mais serios sao trazidos por Pik Botha que acusa Risquet de, para alem de poluir o ambiente com os seus charutos, ter sido “vicious” logo no inicio das tais reunioes, acusando os Sul-Africanos de serem “racistas, fascistas e de so’ provocarem dissabores onde quer que se envolvessem” (… como se isso fosse alguma mentira!). Entretanto, Ndalu recorda das mesmas reunioes, sempre com o seu sorriso, ter perguntado a Botha, depois de este ter acusado os Cubanos de “adoptarem falsa nacionalidade Angolana e de se casarem com Angolan(a)os para permanecerem em Angola”, “quantos negros estavam encarcerados na Africa do Sul”… ao que Botha tera’ arregacado as mangas e dito: “se eu fosse mais jovem, respondia a essa pergunta com socos! Eu nao tenho medo de ti!... Vamos la' para fora!...”

Mas no fim de tudo, Botha afirma que num dos bares do Cairo, onde teve lugar uma das ultimas sessoes das negociacoes despoletadas pela batalha do Kuito Kwanavale, ele tera’ dito a Risquet: “Ja’ imaginou que poderemos os dois sair vencedores desta disputa? Cuba retira-se e podera’ reclamar ter permitido a independencia da Namibia e eu posso voltar e dizer ao eleitorado branco Sul-Africano que nos livramos dos Cubanos. Isso fara’ de nos ambos vencedores!”… Ao que Risquet se tera’ engasgado na sua bebida e decidido ponderar sobre o assunto, dando lugar ao acordo que finalmente consagrou a total retirada das tropas Cubanas de Angola, a independencia da Namibia e a libertacao de Mandela...

O episodio termina com esta afirmacao de Risquet: “… de 24 de Abril de 1965, quando Che atravessou o Lago Tanganyka e chegou ao Congo, ate’ 25 de Maio de 1991, quando foi assinado o acordo de retirada das tropas Cubanas de Angola, transcorreu a grande epopeia de Cuba em Africa… exactamente um quarto de seculo, um ano, um mes e um dia!”

Entretanto, no computo final, pelo menos 10 mil Cubanos sao contabilizados como mortos em Angola...

E eu tive a oportunidade de ouvir algo de que quase me tinha esquecido: Fidel referir-se a nosotros como “los Angoleños”…

(Ler sobre a primeira parte aqui)


*[First posted 03/05/07]


Post relacionado: Jacob Zuma in Angola
[Em memoria da Batalha do Kuito Kwanavale]


A segunda parte desta serie foi exibida ontem, como previsto, e concentrou-se exclusivamente no periodo imediatamente anterior ao 11 de Novembro e ao pos-independencia de Angola.

Um dos primeiros intervenientes foi Jorge Valentim, que relatou o ambiente de desconfianca existente durante as negociacoes de Penina em que, citando-o, “no hotel de quatro andares em que as partes foram hospedadas, o r/c era destinado as reunioes plenarias, o primeiro andar a UNITA, o segundo a FNLA, o terceiro ao MPLA e o quarto aos Portugueses”… o que, para alem da ideia de hierarquia, tera’ criado nos hospedados nos primeiro e segundo andares um clima de suspeicao em relacao aos hospedados nos andares de cima ou, para usar a sua expressao, uma constante sensacao de “plotting going on up there”…

Outro interveniente pela UNITA foi Tony da Costa Fernandes, que relatou o encontro entre Savimbi e Reagan alguns anos mais tarde, ao fim do qual Reagan tera’ ordenado aos seus assistentes militares: “o homem quer os Stingers… nos nao os demos nem sequer aos nossos amigos Sul-Koreanos... but, if he wants the Stingers, give him the Stingers”! Outros intervenientes de destaque foram Ngola Kabango pela FNLA, Paulo Jorge, Ndalu e Onambwe pelo MPLA, Chester Crocker pelos Americanos, Jorge Risquet pelos Cubanos e Pik Botha pelos Sul-Africanos.

O episodio foi marcado por uma remarcavel boa disposicao, sobretudo por parte de Onambwe e Ndalu (“o sorriso dos vencedores”?), com anedotas a volta do relato de alguns dos episodios mais criticos do periodo em analise. Por qualquer razao, as anedotas foram quase todas a volta de charutos cubanos… Onambwe conta como Neto, que nunca tinha fumado na vida, uma vez acende um charuto cubano durante uma reuniao e quando da’ conta de que esta’ toda a gente a olhar para ele, levanta o charuto e diz: foi o Fidel que me mandou! ... Ndalu recorda a poluicao provocada nas salas de reunioes das negociacoes a volta da batalha do Kuito Kwanavale pelos charutos de Jorge Risquet, enquanto este explica que o fazia so’ para irritar Americanos e Sul-Africanos…

Uma das poucas anedotas que nao teve a ver com charutos cubanos foi contada por Crocker que recorda como era facil monitorar os movimentos dos cubanos: segundo ele, sempre que aparecia um campo de baseball algures, era sinal de que os cubanos tinham chegado, ou estavam para chegar, aquela localidade; sempre que desaparecia um campo de baseball, era porque os cubanos tinham abandonado a localidade... O que me fez lembrar de um "ditado", tipo nota "precaucionaria" para automobilistas, que se usava (sera' que ainda se usa?) la' na banda: "tal como atras de uma bola vem sempre uma crianca, atras de um porco vem sempre um cubano"!


Os momentos mais serios sao trazidos por Pik Botha que acusa Risquet de, para alem de poluir o ambiente com os seus charutos, ter sido “vicious” logo no inicio das tais reunioes, acusando os Sul-Africanos de serem “racistas, fascistas e de so’ provocarem dissabores onde quer que se envolvessem” (… como se isso fosse alguma mentira!). Entretanto, Ndalu recorda das mesmas reunioes, sempre com o seu sorriso, ter perguntado a Botha, depois de este ter acusado os Cubanos de “adoptarem falsa nacionalidade Angolana e de se casarem com Angolan(a)os para permanecerem em Angola”, “quantos negros estavam encarcerados na Africa do Sul”… ao que Botha tera’ arregacado as mangas e dito: “se eu fosse mais jovem, respondia a essa pergunta com socos! Eu nao tenho medo de ti!... Vamos la' para fora!...”

Mas no fim de tudo, Botha afirma que num dos bares do Cairo, onde teve lugar uma das ultimas sessoes das negociacoes despoletadas pela batalha do Kuito Kwanavale, ele tera’ dito a Risquet: “Ja’ imaginou que poderemos os dois sair vencedores desta disputa? Cuba retira-se e podera’ reclamar ter permitido a independencia da Namibia e eu posso voltar e dizer ao eleitorado branco Sul-Africano que nos livramos dos Cubanos. Isso fara’ de nos ambos vencedores!”… Ao que Risquet se tera’ engasgado na sua bebida e decidido ponderar sobre o assunto, dando lugar ao acordo que finalmente consagrou a total retirada das tropas Cubanas de Angola, a independencia da Namibia e a libertacao de Mandela...

O episodio termina com esta afirmacao de Risquet: “… de 24 de Abril de 1965, quando Che atravessou o Lago Tanganyka e chegou ao Congo, ate’ 25 de Maio de 1991, quando foi assinado o acordo de retirada das tropas Cubanas de Angola, transcorreu a grande epopeia de Cuba em Africa… exactamente um quarto de seculo, um ano, um mes e um dia!”

Entretanto, no computo final, pelo menos 10 mil Cubanos sao contabilizados como mortos em Angola...

E eu tive a oportunidade de ouvir algo de que quase me tinha esquecido: Fidel referir-se a nosotros como “los Angoleños”…

(Ler sobre a primeira parte aqui)


*[First posted 03/05/07]


Post relacionado: Jacob Zuma in Angola

Tuesday, 12 January 2010

Celebrando o Legado de Alioune Diop

SIMPÓSIO INTERNACIONAL
Alioune Diop, o homem e a obra frente aos desafios contemporâneos


A celebração do centenário do nascimento de Alioune Diop, feliz coincidência, é também o quinquagésimo aniversário da independência de muitos países africanos. A Comunidade Africana da Cultura tomou a iniciativa de convidar intelectuais, mulheres e homens da cultura para um simpósio internacional sobre o tema: Alioune Diop, o homem e a obra frente aos desafios contemporâneos.

Através de uma pergunta muito aberta, o simpósio irá analisar as múltiplas dimensões do trabalho de um humanista e universalista original, um homem de diálogo, um homem comprometido e pragmático, um africano amante da liberdade que rejeitava qualquer forma de racismo. Alioune Diop era tudo isso ao mesmo tempo: um homem do seu tempo, que resumiu o significado do seu compromisso na aventura editorial da Présence Africaine: "Todos os artigos serão publicados, desde que respeitem as normas exigidas, que façam referência à África, que não traiam o nosso compromisso anti-racista, anti-colonial, nem a solidariedade com os povos colonizados." Primeiro africano a executar rigorosamente o trabalho de editor, ele gerara a eclosão de talentos que, sem a sua firmeza, teriam sido provavelmente sufocados pela implacável máquina ideológica e repressiva introduzida pelo sistema colonial.


Assim, na África e nas suas diásporas, uma produção literária e científica de qualidade pôde afirmar-se em contextos diversos e variáveis, marcados por desafios múltiplos. É por isso que, após cinquenta anos de independência, é importante reexaminar o trabalho da Presence Africaine para tirar ensinamentos para o futuro.
O centenário do nascimento do fundador da revista Présence Africaine, este instrumento único para a produção dos intelectuais da África e das suas diásporas, forjada por um homem cuja vida foi um modelo de eficiência e generosidade na promoção do seu ideal, dá-nos a oportunidade durável de reflectir sobre a atualidade da sua luta. Trata-se de uma trajectória invulgar para reler o passado, pensar o presente e imaginar um futuro.

[Mais detalhes Aqui]

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Aime' Cesaire

Joseph Ki-Zerbo: A Quand L'Afrique

SIMPÓSIO INTERNACIONAL
Alioune Diop, o homem e a obra frente aos desafios contemporâneos


A celebração do centenário do nascimento de Alioune Diop, feliz coincidência, é também o quinquagésimo aniversário da independência de muitos países africanos. A Comunidade Africana da Cultura tomou a iniciativa de convidar intelectuais, mulheres e homens da cultura para um simpósio internacional sobre o tema: Alioune Diop, o homem e a obra frente aos desafios contemporâneos.

Através de uma pergunta muito aberta, o simpósio irá analisar as múltiplas dimensões do trabalho de um humanista e universalista original, um homem de diálogo, um homem comprometido e pragmático, um africano amante da liberdade que rejeitava qualquer forma de racismo. Alioune Diop era tudo isso ao mesmo tempo: um homem do seu tempo, que resumiu o significado do seu compromisso na aventura editorial da Présence Africaine: "Todos os artigos serão publicados, desde que respeitem as normas exigidas, que façam referência à África, que não traiam o nosso compromisso anti-racista, anti-colonial, nem a solidariedade com os povos colonizados." Primeiro africano a executar rigorosamente o trabalho de editor, ele gerara a eclosão de talentos que, sem a sua firmeza, teriam sido provavelmente sufocados pela implacável máquina ideológica e repressiva introduzida pelo sistema colonial.


Assim, na África e nas suas diásporas, uma produção literária e científica de qualidade pôde afirmar-se em contextos diversos e variáveis, marcados por desafios múltiplos. É por isso que, após cinquenta anos de independência, é importante reexaminar o trabalho da Presence Africaine para tirar ensinamentos para o futuro.
O centenário do nascimento do fundador da revista Présence Africaine, este instrumento único para a produção dos intelectuais da África e das suas diásporas, forjada por um homem cuja vida foi um modelo de eficiência e generosidade na promoção do seu ideal, dá-nos a oportunidade durável de reflectir sobre a atualidade da sua luta. Trata-se de uma trajectória invulgar para reler o passado, pensar o presente e imaginar um futuro.

[Mais detalhes Aqui]

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Tuesday, 8 December 2009

Capitalist Nigger & Dead Aid








Two books some might find interesting reading side by side
(perhaps over the coming holiday period)







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Monday, 2 November 2009

"Para uma historia da danca contemporanea em Africa"...

{ Sorry, it's in English...
mas pode encontrar detalhes aqui}
{ Sorry, it's in English...
mas pode encontrar detalhes aqui}

Monday, 5 October 2009

AFRICA: Altered States, Ordinary Miracles




Chinua Achebe, the grandaddy of African writing, was so impressed by Richard Dowden’s new book on Africa that when the author asked him for a few kind words to put on the jacket, Mr Achebe wrote him a two-page foreword. “One could not ask for a more qualified author to explore Africa’s complexity,” he concluded.
Mr Dowden maintains the reader’s interest by skilfully interweaving his research on the economic effects of AIDS and international aid into stories of myriad encounters with Africans rich and poor. He describes, for example, how he met the Mourides of Senegal, the followers of a 19th-century Islamic mystic and poet, Cheikh Amadu Bamba Mbakke, whose descendants operate an informal, yet highly effective, global trading system based entirely on trust. He goes on to contrast this portrait with the difficulties so many people have starting businesses in Africa or developing local manufacturing. Similarly, a visit to the Niger Delta leads him to ruminate about the curse of having abundant reserves of oil.
(The Economist)

From the dusty Horn of Africa, Dowden takes us on a journey through history and geography through the steamy forests of the Congo River basin, where warring factions replicate like bacteria in a petri dish, and we find the abandoned palaces of that king kleptocrat, Mobutu Sese Seko; the drug-fuelled chaos of war in Sierra Leone and Liberia; the vibrantly corrupt megalopolis of Lagos in Nigeria; the morally topsy-turvy world of Angola's civil war, where US-backed rebels attacked US oil installations protected by Cuban revolutionaries; the growing madness of Robert Mugabe as he truculently turned Zimbabwe from Africa's breadbasket to its basket-case.

The best chapters are those in which Dowden writes from personal experience, where he excels at describing the people and the action around him. Chapters on the civil wars in Angola and Somalia are particularly striking, as is Dowden's harrowing account of the genocide in Rwanda. One unifying theme is the continent's resilience and optimism despite its manifest failures. Of course, Dowden's beat as a journalist has focused on the parts of Africa that have failed in some way, and they tend to be overrepresented in a book that barely mentions peaceful, democratic countries, such as Botswana or Cape Verde. Only in the last chapter does Dowden note that the last decade has actually been reasonably good for the region, with the end of several long-standing conflicts and a period of sustained economic growth.
(Foreign Affairs)

This may come as a surprise to many, given what most outsiders associate with Africa: poverty, disease, war, political oppression and disasters. The image conjured up is almost exclusively bad news - even at a time when, at last, a power-sharing agreement has been reached in Zimbabwe.
The other truth to learn is Africa's deep spirituality. The spiritual streams are ancient, multifarious - and run deep. The place of spirituality in African life is an essential characteristic that defines the society and individuals. The emphasis is always on a holistic view of life. How people interact with each other is as important as their relationship with their Creator. The dichotomy between secular and spiritual dissolves in African spirituality into a sacramental universe. The West should heed this awareness of the spiritual dimension in life, something Alexander Solzhenitsyn pointed to in his address at Harvard in June 1979. The good, liberal, capitalist, democratic audience was shocked to hear him denounce their values almost as much as the Soviet ones. “A plague on both your houses!” Western democracy and Communism had sprung from the same one-sided Enlightenment roots, both elevating man's reason above the spirit, above God.
(The Times)

“The media’s problem is that, by covering only disasters and wars, it gives us only that image of the continent,” Dowden writes — and 90 percent of the Africans reading this are now nodding at that line. “Persistent images of starving children and men with guns have accumulated into our narrative of the continent.” “The aid industry too has an interest in maintaining the image of Africans as hopeless victims of endless wars and persistent famines,” Dowden continues. “However well intentioned their motives may once have been, aid agencies have helped create the single, distressing image of Africa. They and journalists feed off each other.”
In particular, Dowden lets loose at celebrities like Bob Geldof and politicians like Tony Blair with their “messianic mission to save Africa.” As Dowden writes: “That set teeth on edge. It sounded like saving Africa from the Africans.”
(The New York Times)

***

{Mentioned, in passing, here}



Chinua Achebe, the grandaddy of African writing, was so impressed by Richard Dowden’s new book on Africa that when the author asked him for a few kind words to put on the jacket, Mr Achebe wrote him a two-page foreword. “One could not ask for a more qualified author to explore Africa’s complexity,” he concluded.
Mr Dowden maintains the reader’s interest by skilfully interweaving his research on the economic effects of AIDS and international aid into stories of myriad encounters with Africans rich and poor. He describes, for example, how he met the Mourides of Senegal, the followers of a 19th-century Islamic mystic and poet, Cheikh Amadu Bamba Mbakke, whose descendants operate an informal, yet highly effective, global trading system based entirely on trust. He goes on to contrast this portrait with the difficulties so many people have starting businesses in Africa or developing local manufacturing. Similarly, a visit to the Niger Delta leads him to ruminate about the curse of having abundant reserves of oil.
(The Economist)

From the dusty Horn of Africa, Dowden takes us on a journey through history and geography through the steamy forests of the Congo River basin, where warring factions replicate like bacteria in a petri dish, and we find the abandoned palaces of that king kleptocrat, Mobutu Sese Seko; the drug-fuelled chaos of war in Sierra Leone and Liberia; the vibrantly corrupt megalopolis of Lagos in Nigeria; the morally topsy-turvy world of Angola's civil war, where US-backed rebels attacked US oil installations protected by Cuban revolutionaries; the growing madness of Robert Mugabe as he truculently turned Zimbabwe from Africa's breadbasket to its basket-case.

The best chapters are those in which Dowden writes from personal experience, where he excels at describing the people and the action around him. Chapters on the civil wars in Angola and Somalia are particularly striking, as is Dowden's harrowing account of the genocide in Rwanda. One unifying theme is the continent's resilience and optimism despite its manifest failures. Of course, Dowden's beat as a journalist has focused on the parts of Africa that have failed in some way, and they tend to be overrepresented in a book that barely mentions peaceful, democratic countries, such as Botswana or Cape Verde. Only in the last chapter does Dowden note that the last decade has actually been reasonably good for the region, with the end of several long-standing conflicts and a period of sustained economic growth.
(Foreign Affairs)

This may come as a surprise to many, given what most outsiders associate with Africa: poverty, disease, war, political oppression and disasters. The image conjured up is almost exclusively bad news - even at a time when, at last, a power-sharing agreement has been reached in Zimbabwe.
The other truth to learn is Africa's deep spirituality. The spiritual streams are ancient, multifarious - and run deep. The place of spirituality in African life is an essential characteristic that defines the society and individuals. The emphasis is always on a holistic view of life. How people interact with each other is as important as their relationship with their Creator. The dichotomy between secular and spiritual dissolves in African spirituality into a sacramental universe. The West should heed this awareness of the spiritual dimension in life, something Alexander Solzhenitsyn pointed to in his address at Harvard in June 1979. The good, liberal, capitalist, democratic audience was shocked to hear him denounce their values almost as much as the Soviet ones. “A plague on both your houses!” Western democracy and Communism had sprung from the same one-sided Enlightenment roots, both elevating man's reason above the spirit, above God.
(The Times)

“The media’s problem is that, by covering only disasters and wars, it gives us only that image of the continent,” Dowden writes — and 90 percent of the Africans reading this are now nodding at that line. “Persistent images of starving children and men with guns have accumulated into our narrative of the continent.” “The aid industry too has an interest in maintaining the image of Africans as hopeless victims of endless wars and persistent famines,” Dowden continues. “However well intentioned their motives may once have been, aid agencies have helped create the single, distressing image of Africa. They and journalists feed off each other.”
In particular, Dowden lets loose at celebrities like Bob Geldof and politicians like Tony Blair with their “messianic mission to save Africa.” As Dowden writes: “That set teeth on edge. It sounded like saving Africa from the Africans.”
(The New York Times)

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{Mentioned, in passing, here}