Showing posts with label IDENTIDADES e ETNICIDADES. Show all posts
Showing posts with label IDENTIDADES e ETNICIDADES. Show all posts

Tuesday, 4 October 2011

Yinka Shonibare's 'Odile and Odette'



The film, with choreography by Kim Brandstrup features two ballerinas, one black one white, who explore the Swan Lake roles of Odile and Odette through a baroque mirror emphasizing the interplay between reality and reflection, conscious and unconscious. With the dancers wearing classical tutus made of African textiles Shonibare's film challenges assumptions about representation by playfully blurring the boundaries between stereotypically Western ideas about 'high' art and traditional categorisations of 'African art.'
[here]

We see each dancer emulating the other’s movements and expressions, although the emphasis here is on the African dancer who is enacting a careful and studied imitation of the highly valued, and European-produced, ballet art form.
[here]

Shonibare's interpretation extends the theme of blackness and whiteness in his juxtaposition of the two dancers and calls into question the Western binary opposition in which negative or "dark" forces are polarized against positive, "light" ones.
Odile and Odette, Shonibare's second film work to date, was commissioned by London's Royal Opera and Ballet. The artist has noted, with some irony, that his film features one ballerina drawn from the Royal Ballet (the white dancer) and an independent dancer sourced by the company because it did not have a black ballerina in its corps.

[here]



[Full lenght film: 14 minutes, 28 seconds]


Speaking of the work at a recent lecture at Goldsmiths College Shonibare explained the ballerina represents “the epitome of ‘civilized sensibilities’.” Accompanying the film was a sculpture of a ballerina of ambivalent race perched atop a black cloud: “a ballerina balanced on a black mushroom cloud of war and destruction.” Irony, again, is writ large. Civilization creates beautiful things, beautiful art in particular, but at what cost?
[here]




Gostaria de dedicar, com amizade, este post ‘a Marinela.
A Marinela foi minha colega no Liceu e era (ainda e’?) a unica bailarina classica negra Angolana que conheco. Foi ela que, na primeira metade da decada de 90, em Lisboa, me levou 'a companhia de danca que aqui mencionava, onde pratiquei o que entao se chamava “danca jazz” (ainda se chama?). As aulas que frequentei eram para amadores, mas o “warm-up”, baseado em exercicios 'tailor-made' para bailarinos classicos, era feito em conjunto com os profissionais da companhia, entre os quais a Marinela se incluia. Eramos entao, eu e ela, as unicas negras no grupo.

A companhia era dirigida por uma coreografa Franco-Argelina coadjuvada por um ex-bailarino classico Russo, que tinha tido o desaire de ter fracturado um joelho e assim ficado incapacitado de dancar profissionalmente. Ela tinha sempre um ar muito frio e distante e a unica vez que se dirigiu a mim foi para dizer, como se estivesse a dirigir-se a outra pessoa: "vejo ai muita emocao e sensualidade, mas muito pouca tecnica!" ...como se eu nao fosse, assumidamente, apenas uma amadora... Ja' ele, muito mais relaxado e divertido, estava sempre muito atento a minha “postura” (nao apenas fisica) nas aulas e explicava porque ao resto do grupo: “ela ri-se de si propria em frente ao espelho, mostrando-se consciente das suas falhas, mas depois de se rir fica muito seria e corrige a sua postura e os seus passos”…

Mas, era da Marinela que me apetecia falar… que e’ feito de ti Marinela?


[Post (nao) relacionado: Sobras]


Related Post:

Maqoma's Beautiful Me


Materia (nao) Relacionada



The film, with choreography by Kim Brandstrup features two ballerinas, one black one white, who explore the Swan Lake roles of Odile and Odette through a baroque mirror emphasizing the interplay between reality and reflection, conscious and unconscious. With the dancers wearing classical tutus made of African textiles Shonibare's film challenges assumptions about representation by playfully blurring the boundaries between stereotypically Western ideas about 'high' art and traditional categorisations of 'African art.'
[
here]

We see each dancer emulating the other’s movements and expressions, although the emphasis here is on the African dancer who is enacting a careful and studied imitation of the highly valued, and European-produced, ballet art form.
[here]

Shonibare's interpretation extends the theme of blackness and whiteness in his juxtaposition of the two dancers and calls into question the Western binary opposition in which negative or "dark" forces are polarized against positive, "light" ones.
Odile and Odette, Shonibare's second film work to date, was commissioned by London's Royal Opera and Ballet. The artist has noted, with some irony, that his film features one ballerina drawn from the Royal Ballet (the white dancer) and an independent dancer sourced by the company because it did not have a black ballerina in its corps.

[here]



[Full lenght film: 14 minutes, 28 seconds]


Speaking of the work at a recent lecture at Goldsmiths College Shonibare explained the ballerina represents “the epitome of ‘civilized sensibilities’.” Accompanying the film was a sculpture of a ballerina of ambivalent race perched atop a black cloud: “a ballerina balanced on a black mushroom cloud of war and destruction.” Irony, again, is writ large. Civilization creates beautiful things, beautiful art in particular, but at what cost?
[here]




Gostaria de dedicar, com amizade, este post ‘a Marinela.
A Marinela foi minha colega no Liceu e era (ainda e’?) a unica bailarina classica negra Angolana que conheco. Foi ela que, na primeira metade da decada de 90, em Lisboa, me levou 'a companhia de danca que aqui mencionava, onde pratiquei o que entao se chamava “danca jazz” (ainda se chama?). As aulas que frequentei eram para amadores, mas o “warm-up”, baseado em exercicios 'tailor-made' para bailarinos classicos, era feito em conjunto com os profissionais da companhia, entre os quais a Marinela se incluia. Eramos entao, eu e ela, as unicas negras no grupo.

A companhia era dirigida por uma coreografa Franco-Argelina coadjuvada por um ex-bailarino classico Russo, que tinha tido o desaire de ter fracturado um joelho e assim ficado incapacitado de dancar profissionalmente. Ela tinha sempre um ar muito frio e distante e a unica vez que se dirigiu a mim foi para dizer, como se estivesse a dirigir-se a outra pessoa: "vejo ai muita emocao e sensualidade, mas muito pouca tecnica!" ...como se eu nao fosse, assumidamente, apenas uma amadora... Ja' ele, muito mais relaxado e divertido, estava sempre muito atento a minha “postura” (nao apenas fisica) nas aulas e explicava porque ao resto do grupo: “ela ri-se de si propria em frente ao espelho, mostrando-se consciente das suas falhas, mas depois de se rir fica muito seria e corrige a sua postura e os seus passos”…

Mas, era da Marinela que me apetecia falar… que e’ feito de ti Marinela?


[Post (nao) relacionado: Sobras]


Related Post:

Maqoma's Beautiful Me


Materia (nao) Relacionada

Saturday, 17 September 2011

“Bantuismos na construção poética de Agostinho Neto”





O discurso poético de António Agostinho Neto foi largamente influenciado por uma série de “bantuísmos” como forma propositada de marcar a identidade bantu na poesia, numa sociedade colonial em que tal civilização era rejeitada.

A afirmação pertence ao historiador Simão Souinduila, consultor do Centro Internacional das Civilizações Bantu, quando comentava hoje, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, sobre o tema “Bantuismos na construção poética de Agostinho Neto”.

Souindoula, que é igualmente perito do Fundo da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), considerou “muito influenciada, a poesia de Neto, no idioma materno (Kimbundo), o que levou que pouco depois da independência nacional, tomasse como algumas das suas principais decisões de cunho cultural a adopção do acordo sobre o estudo e valorização das línguas nacionais e a criação da UEA e consecutiva eleição dos corpos gerentes.

Disse que o “bantuismo” de Agostinho Neto reflectido de diversas formas, em língua materna kimbundo, representa um conjunto de vocábulos com sistema de concordância com línguas de países da África Central.

No caso específico de Angola, disse que o poeta Neto inculcava nas obras termos como “Kitanda”, “Kalunga”, “Mussunda”, “Kinaxixi”, “Ingombota” e “Kitandeira”, “cubata”, “Musekes”, entre vários outros.

Apontou como um dos exemplos de “pura influência bantu” a palavra Kitanda que, em Umbundo recebe um prefixo, chamando-se “Otchitanda”.

“Neto não estava preocupado a escrever para os timorenses e cabo-verdianos (não são bantu). A sua intenção era dar ênfase à sua civilização, por meio da poesia”, defendeu o perito da UNESCO, para quem, “se quisesse, Agostinho Neto teria feito poesia em linguagem clássica”.

Referiu ainda a introdução do “K” e “W” na escrita da moeda nacional, o Kwanza, ao contrário de “Cuanza”, como uma decisão histórico-cultural, que terá contribuído para introdução no alfabeto da língua de Camões (português), das consoantes “k”, “y” e “w”.

“Agostinho Neto deixa uma poesia platónica, de leitura legível (não obriga ao leitor recorrer ao dicionário para perceber o lê), uma obra que serviu de balizas e orientação para o nacionalismo angolano”, frisou Simão Souindoula, que reconhece a dimensão cultural e social da sua poesia como sendo provocatória para o regime da época.


[Aqui]


Post Relacionado:

No Dia do Heroi Nacional





O discurso poético de António Agostinho Neto foi largamente influenciado por uma série de “bantuísmos” como forma propositada de marcar a identidade bantu na poesia, numa sociedade colonial em que tal civilização era rejeitada.

A afirmação pertence ao historiador Simão Souinduila, consultor do Centro Internacional das Civilizações Bantu, quando comentava hoje, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, sobre o tema “Bantuismos na construção poética de Agostinho Neto”.

Souindoula, que é igualmente perito do Fundo da Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), considerou “muito influenciada, a poesia de Neto, no idioma materno (Kimbundo), o que levou que pouco depois da independência nacional, tomasse como algumas das suas principais decisões de cunho cultural a adopção do acordo sobre o estudo e valorização das línguas nacionais e a criação da UEA e consecutiva eleição dos corpos gerentes.

Disse que o “bantuismo” de Agostinho Neto reflectido de diversas formas, em língua materna kimbundo, representa um conjunto de vocábulos com sistema de concordância com línguas de países da África Central.

No caso específico de Angola, disse que o poeta Neto inculcava nas obras termos como “Kitanda”, “Kalunga”, “Mussunda”, “Kinaxixi”, “Ingombota” e “Kitandeira”, “cubata”, “Musekes”, entre vários outros.

Apontou como um dos exemplos de “pura influência bantu” a palavra Kitanda que, em Umbundo recebe um prefixo, chamando-se “Otchitanda”.

“Neto não estava preocupado a escrever para os timorenses e cabo-verdianos (não são bantu). A sua intenção era dar ênfase à sua civilização, por meio da poesia”, defendeu o perito da UNESCO, para quem, “se quisesse, Agostinho Neto teria feito poesia em linguagem clássica”.

Referiu ainda a introdução do “K” e “W” na escrita da moeda nacional, o Kwanza, ao contrário de “Cuanza”, como uma decisão histórico-cultural, que terá contribuído para introdução no alfabeto da língua de Camões (português), das consoantes “k”, “y” e “w”.

“Agostinho Neto deixa uma poesia platónica, de leitura legível (não obriga ao leitor recorrer ao dicionário para perceber o lê), uma obra que serviu de balizas e orientação para o nacionalismo angolano”, frisou Simão Souindoula, que reconhece a dimensão cultural e social da sua poesia como sendo provocatória para o regime da época.


[Aqui]


Post Relacionado:

No Dia do Heroi Nacional

Friday, 18 February 2011

Angola: The Fall of a Creole Elite?



Abstract: The main purpose of this essay is to investigate different interpretations of the concept of creoleness that may be applied to late nineteenth-century Angola in order to understand whether the definition of a "creole elite" is pertinent when used to refer to the group of filhos da terra, filhos do país or filhos de Angola engaged in conversations about rights and citizenship with one another, with the wider literate population in Angola, with the colonial authorities, and with the literate population in the metropolis.

Sumário: O objetivo deste artigo é de reflectir sobre o sentido da palavra "crioulo," discutir a pertinência do uso deste adjectivo para a definição do segmento social analisado e aprofundar a investigação de um ponto de vista cultural, biológico e linguístico. Depois de comparar as diferenças entre a realidade angolana e outros espaços crioulos presentes no mundo de língua portuguesa (Cabo Verde e São Tomé), a investigação procura examinar as características marcantes das "ilhas crioulas" angolanas, tentando superar os limites ideológicos impostos ao longo do século XX pela crítica contemporânea portuguesa, inspirados respectivamente por apologistas e detractores do esforço colonial. Neste artigo o termo "crioulo" quer definir uma categoria sócio-cultural que abrange um leque variado de elementos heterogéneos: os descendentes de europeus nascidos em Angola–tanto brancos como mestiços–e africanos destribalizados mais ou menos adaptados à cultura europeia que formavam um grupo intermediário entre os europeus da metrópole e a população indígena das áreas rurais.


Jacopo Corrado
The Fall of a Creole Elite?: Angola at the Turn of the Twentieth Century: The Decline of the Euro-African Urban Community
Luso-Brazilian Review - Volume 47, Number 2, 2010, pp. 100-119

(University of Wisconsin Press)



Abstract: The main purpose of this essay is to investigate different interpretations of the concept of creoleness that may be applied to late nineteenth-century Angola in order to understand whether the definition of a "creole elite" is pertinent when used to refer to the group of filhos da terra, filhos do país or filhos de Angola engaged in conversations about rights and citizenship with one another, with the wider literate population in Angola, with the colonial authorities, and with the literate population in the metropolis.

Sumário: O objetivo deste artigo é de reflectir sobre o sentido da palavra "crioulo," discutir a pertinência do uso deste adjectivo para a definição do segmento social analisado e aprofundar a investigação de um ponto de vista cultural, biológico e linguístico. Depois de comparar as diferenças entre a realidade angolana e outros espaços crioulos presentes no mundo de língua portuguesa (Cabo Verde e São Tomé), a investigação procura examinar as características marcantes das "ilhas crioulas" angolanas, tentando superar os limites ideológicos impostos ao longo do século XX pela crítica contemporânea portuguesa, inspirados respectivamente por apologistas e detractores do esforço colonial. Neste artigo o termo "crioulo" quer definir uma categoria sócio-cultural que abrange um leque variado de elementos heterogéneos: os descendentes de europeus nascidos em Angola–tanto brancos como mestiços–e africanos destribalizados mais ou menos adaptados à cultura europeia que formavam um grupo intermediário entre os europeus da metrópole e a população indígena das áreas rurais.


Jacopo Corrado
The Fall of a Creole Elite?: Angola at the Turn of the Twentieth Century: The Decline of the Euro-African Urban Community
Luso-Brazilian Review - Volume 47, Number 2, 2010, pp. 100-119

(University of Wisconsin Press)

Saturday, 15 January 2011

Olhares Diversos (XXIII)




Sobre a Cultura Nacional

Angola: "Um só povo, uma só nação"?

O dia Nacional da Cultura é festejado, oficialmente, no Dundo, Lunda-Norte,[*] com diversas actividades culturais. No entanto, a alegria e o ânimo gerados com as festividades não se reflectem no debate quando se discute o que é a cultura angolana, unidade cultural ou até mesmo a identidade cultural angolana.

As controvérsias acontecem porque Angola é um país dividido, separado e diferente nas suas linhas culturais. E essas assimetrias expressam a sua multiplicidade étnica, racial e linguística.

São cerca de 16 milhões de habitantes que se comunicam em português (como língua nacional), e regionalmente em sete línguas diferentes, mais de 20 dialectos, e sete grupos etnolinguísticos. Todos eles diferentes nos hábitos e costumes, mas unidos pela história, pelo território e pelo pais que a todos se liga.

O padre Muanamossi Matumona é um jornalista e sociólogo que muitas vezes escreveu sobre cultura angolana. Um dos mais controversos que publicou foi sobre Unidade Cultural Angolana no ano de 1993. Um ano difícil para o país que continuava a lutar de armas na mão, depois de eleições problematicas. Uma guerra que para muitos era fruto até da intolerância cultural que se atribuía a umbundus (representados pela UNITA) e quimbundus ( do lado governamental, principalmente o MPLA.

Mas o filósofo Almerindo Jaka Jamba chama atenção a ideia que se tenta transmitir com o slogan “um povo e uma só nação”. O estudioso e professor universitário vai mais longe dizendo mesmo que apesar da independência politica e económica, o angolano precisa ainda de se encontrar como africano e a isso, diz o académico, corresponde uma dimensão estratégica.


[Continue lendo aqui]



* No entanto, de acordo com esta noticia, entre varias outras, o acto central teve lugar no Uige



Posts relacionados:

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe"

Festival Mondial des Arts Negres

E por falar em "Representacoes"




Sobre a Cultura Nacional

Angola: "Um só povo, uma só nação"?

O dia Nacional da Cultura é festejado, oficialmente, no Dundo, Lunda-Norte,[*] com diversas actividades culturais. No entanto, a alegria e o ânimo gerados com as festividades não se reflectem no debate quando se discute o que é a cultura angolana, unidade cultural ou até mesmo a identidade cultural angolana.

As controvérsias acontecem porque Angola é um país dividido, separado e diferente nas suas linhas culturais. E essas assimetrias expressam a sua multiplicidade étnica, racial e linguística.

São cerca de 16 milhões de habitantes que se comunicam em português (como língua nacional), e regionalmente em sete línguas diferentes, mais de 20 dialectos, e sete grupos etnolinguísticos. Todos eles diferentes nos hábitos e costumes, mas unidos pela história, pelo território e pelo pais que a todos se liga.

O padre Muanamossi Matumona é um jornalista e sociólogo que muitas vezes escreveu sobre cultura angolana. Um dos mais controversos que publicou foi sobre Unidade Cultural Angolana no ano de 1993. Um ano difícil para o país que continuava a lutar de armas na mão, depois de eleições problematicas. Uma guerra que para muitos era fruto até da intolerância cultural que se atribuía a umbundus (representados pela UNITA) e quimbundus ( do lado governamental, principalmente o MPLA.

Mas o filósofo Almerindo Jaka Jamba chama atenção a ideia que se tenta transmitir com o slogan “um povo e uma só nação”. O estudioso e professor universitário vai mais longe dizendo mesmo que apesar da independência politica e económica, o angolano precisa ainda de se encontrar como africano e a isso, diz o académico, corresponde uma dimensão estratégica.


[Continue lendo aqui]



* No entanto, de acordo com esta noticia, entre varias outras, o acto central teve lugar no Uige



Posts relacionados:

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe"

Festival Mondial des Arts Negres

E por falar em "Representacoes"

Thursday, 16 December 2010

Uma estorieta infantil [actualizado]



It is not Where you live but How you live that matters most
Maya Angelou


Era uma vez...

Corriam os anos “de todas as certezas”, entre finais da decada de 60 e principios da de 70.

Era Luanda e moravamos entao nas, na altura brand new, urbanizacoes da Cuca – na verdade, aquilo era mais Precol do que Cuca, uma vez que a separar-nos havia apenas a linha ferrea. Tratava-se, para a epoca e para aquela zona da cidade, de um moderno complexo habitacional, construido por uma das entao maiores cooperativas habitacionais do pais, com casas suficientemente amenas e condignas, todas de dois andares e varios quartos, jardim com varanda a frente e quintal atras (... invocando um pouco a imagem da “batata no cu, batata na boca” dos casorios de entao...).

Os jardins eram o espaco de todas as competicoes entre os vizinhos (to 'keep up with the joneses', como dizem os ingleses): 'quem mantinha melhor a relva', 'quem tinha as plantas mais bonitas'... Mas o meu espaco de ser, estar e crescer era o quintal, onde cultivavamos uma horta e o meu pai exercia um dos seus maiores especialismos: fertilizar mamoeiros machos!




Outros dos seus especialismos eram ouvir religiosamente o Angola Combatente num radio antigo muito parecido com o da imagem, ler bastante (foi nos livros dele que bebi as minhas primeiras “leituras serias”), fumar cachimbo (para alem dos imprescindiveis ACs) e... escrever poesia!






Um dos seus poemas que ficou mais celebre na familia, escrito em elaborada caligrafia gotica, era dedicado a sua primeira filha, a quem tinha dado o nome Elinar (embora a tenham baptizado Elisa Bernarda, nomes, respectivamente das minhas avos materna e paterna - Elinar era a combinacao dos dois) de onde lhe vem o diminutivo Nanay com que e’ geralmente conhecida ate’ hoje. Poema esse que sempre associo a balada Fur Elise de Beethoven...


E havia os vizinhos: familias negras, brancas, mesticas, cabo-verdianas (estas, geralmente, apenas se distinguiam pelo seu crioulo - que entao se referia apenas a linguagem em que comunicavam entre si...), suponho que quase todos vivendo pela primeira vez a experiencia de partilhar as mesmas ruas e ruelas, becos e vielas, maximbombos e boleias, lojas e cantinas. Enfim, andavamos todos ali a negociar as nossas respectivas identidades e a ver se (... em portugues...) nos entendiamos...

Mas os desentendimentos eram frequentes entre “nos” e os “outros”... Os “nos”, no meu caso particular, eram todo/as com quem eu me entendia e que nao me faziam chorar, ou “perder a paciencia”! Os “outros” eram... os outros! Em particular uns miudos cabo-verdianos muito mais escuros do que nos, mas que quando perdiam em algum jogo ou se saiam mal em alguma brincadeira na rua, iam a correr para casa gritando: “mama, bim ka bie’ ke esta’ faze pretito”! ... Os “pretitos” eramos nos, alguns dos quais mais claros do que eles...

“Outros” eram tambem as miudas brancas da vizinhanca. Um grupinho delas, um belo dia, por entre chorrilhos de insultos racistas, comecou a atirar-nos pedras (... nao, nada parecido com “brincando na serra enquanto o lobo nao vem”...)! Mas nos nao batemos em retirada, nem lhes devolvemos os insultos (... nao sabiamos como – eramos um tanto "gentias", “matumbas” e "bantus" nesse aspecto ...), mas devolvemos-lhes as pedradas... ate’ que eu lhes atirei com uma que acertou em cheio no olho de uma delas!

Bom... a miuda viu estrelas, ficou sem saber de que terra era e... ia perdendo a vista! Por outras palavras, ia ficando aveugle que nem uma cegueta!

Mas o meu pai quando chegou a casa naquele dia e ouviu o relato dos “acontecimentos”, saiu calmamente com a sua caixa de enfermagem, foi pedir desculpas aos pais dela e, durante semanas, como bom enfermeiro que (tambem) era, tratou profissionalmente do olho da miuda ate’ recupera-lo completamente.[*]

Porem, educador firme que (tambem) era, mas tambem sempre cumplice com a minha “paciencia curta” para com racismos e injusticas outras, o meu pai em nenhum momento durante todo aquele episodio, ou depois dele, me dirigiu uma palavra de repreensao... [**]

[Aqueles eram (tambem) os tempos do Milhorro’...]

Mas pergunto, agora “afectuosamente”: o que sera’ feito de ti, oh miuda?...






For many are the pleasant forms which exist in
numerous sins,
and incontinencies,
and disgraceful passions
and fleeting pleasures,

which (men) embrace until they become
sober
and go up to their resting place

And they will find me there,
and they will live
and they will not die again.
 [Toni Morrison, introduction to Paradise]
 
***



Pai,

Aparentemente, eu matei o mulato (santo) deles.
Aparentemente, eu matei o branco (alheio) deles.
Aparentemente, so’ nao te matei a ti, pai.
Nem matei Cristo.
Mas, aparentemente, Cristo pode ressuscitar e pedir:
pai afasta de mim esse calice de vinho tinto de sangue.
Tu nao podes ressuscitar, pai.
Nao podes afastar de mim essas pedras com que me lapidam em Madalena,
nem essa lama com que tentam sujar o bom nome que me deste.
Tu nao podes pai, nunca pudeste.
Por isso nao tenho arrependimentos de Madalena,
nem sentimentos de culpa,
nem complexos de colonizado, pai…
So’ revolta e uma vontade grande de ter respostas!

P.




[*] E isto lembra-me de uma vez, muitos anos depois, em que o artista fez uma feia contusao no dedo grande do pe’ e comecou a ser tratado por uma medica amiga que era vizinha dele, mas passada mais de uma semana nao se notavam nenhumas melhoras, ate’ que eu comecei a trata-lo e... em cerca de 3 dias as melhoras eram notaveis, ate’ que o dedo sarou completamente. Ele veio depois dizer-me que a medica tinha mandado perguntar qual tinha sido o “meu segredo”... Eu na altura "fiz caixinha" so' por gozo, mas revelo-o agora: anos a fio a ver o meu pai trabalhar!


[**] O que me traz a memoria um outro episodio alguns anos antes, quando ainda moravamos na Rua de Benguela [que era separada em duas pela Rua de S. Paulo: para quem viesse da Igreja do mesmo nome - onde fui baptizada e fiz a primeira comunhao e o crisma -, a nossa Rua de Benguela ficava do lado esquerdo, ou seja, no Bairro Operario, vulgo B.O. (ou seja, o SOWETO - South West Township - Luandense), e era a ultima antes da Antonio Enes que separava o B.O. do Miramar]. O meu pai trabalhava, na altura, como enfermeiro da, tambem na altura brand new, fabrica de texteis Textang num turno das 7 da manha as 3 da tarde. Entao o almoco dele era separado e colocado na mesa a sua espera. Num certo dia, o almoco era cozido de bacalhau e eu, por fome ou apenas gulodice ou vontade de comer, fui destapar o prato dele, de onde retirei apenas o ovo, comi-o e voltei a tapar o prato.

Quando o meu pai chegou e alguem lhe disse quem e’ que tinha comido o ovo dele, ele chamou-me, mandou-me sentar a mesa e ordenou-me que comesse todo o resto do prato e que bebesse ao mesmo tempo um litro de agua!

Bem, foi um verdadeiro ordeal para mim que nao tinha estomago para tudo aquilo (especialmente para as batatas enormes!) ... mas que, por entre lagrimas, comi e bebi tudo, la’ isso comi e bebi! E nao vomitei, nem nunca mais me esqueci da licao (sem qualquer outra violencia... alias, nao me lembro de alguma vez o meu pai ter levantado uma mao para me bater!) ou me atrevi a voltar a tocar no prato do pai antes de ele regressar do trabalho.... Era assim que se educavam (algumas) criancas naqueles tempos!




It is not Where you live but How you live that matters most
Maya Angelou


Era uma vez...

Corriam os anos “de todas as certezas”, entre finais da decada de 60 e principios da de 70.

Era Luanda e moravamos entao nas, na altura brand new, urbanizacoes da Cuca – na verdade, aquilo era mais Precol do que Cuca, uma vez que a separar-nos havia apenas a linha ferrea. Tratava-se, para a epoca e para aquela zona da cidade, de um moderno complexo habitacional, construido por uma das entao maiores cooperativas habitacionais do pais, com casas suficientemente amenas e condignas, todas de dois andares e varios quartos, jardim com varanda a frente e quintal atras (... invocando um pouco a imagem da “batata no cu, batata na boca” dos casorios de entao...).

Os jardins eram o espaco de todas as competicoes entre os vizinhos (to 'keep up with the joneses', como dizem os ingleses): 'quem mantinha melhor a relva', 'quem tinha as plantas mais bonitas'... Mas o meu espaco de ser, estar e crescer era o quintal, onde cultivavamos uma horta e o meu pai exercia um dos seus maiores especialismos: fertilizar mamoeiros machos!




Outros dos seus especialismos eram ouvir religiosamente o Angola Combatente num radio antigo muito parecido com o da imagem, ler bastante (foi nos livros dele que bebi as minhas primeiras “leituras serias”), fumar cachimbo (para alem dos imprescindiveis ACs) e... escrever poesia!






Um dos seus poemas que ficou mais celebre na familia, escrito em elaborada caligrafia gotica, era dedicado a sua primeira filha, a quem tinha dado o nome Elinar (embora a tenham baptizado Elisa Bernarda, nomes, respectivamente das minhas avos materna e paterna - Elinar era a combinacao dos dois) de onde lhe vem o diminutivo Nanay com que e’ geralmente conhecida ate’ hoje. Poema esse que sempre associo a balada Fur Elise de Beethoven...


E havia os vizinhos: familias negras, brancas, mesticas, cabo-verdianas (estas, geralmente, apenas se distinguiam pelo seu crioulo - que entao se referia apenas a linguagem em que comunicavam entre si...), suponho que quase todos vivendo pela primeira vez a experiencia de partilhar as mesmas ruas e ruelas, becos e vielas, maximbombos e boleias, lojas e cantinas. Enfim, andavamos todos ali a negociar as nossas respectivas identidades e a ver se (... em portugues...) nos entendiamos...

Mas os desentendimentos eram frequentes entre “nos” e os “outros”... Os “nos”, no meu caso particular, eram todo/as com quem eu me entendia e que nao me faziam chorar, ou “perder a paciencia”! Os “outros” eram... os outros! Em particular uns miudos cabo-verdianos muito mais escuros do que nos, mas que quando perdiam em algum jogo ou se saiam mal em alguma brincadeira na rua, iam a correr para casa gritando: “mama, bim ka bie’ ke esta’ faze pretito”! ... Os “pretitos” eramos nos, alguns dos quais mais claros do que eles...

“Outros” eram tambem as miudas brancas da vizinhanca. Um grupinho delas, um belo dia, por entre chorrilhos de insultos racistas, comecou a atirar-nos pedras (... nao, nada parecido com “brincando na serra enquanto o lobo nao vem”...)! Mas nos nao batemos em retirada, nem lhes devolvemos os insultos (... nao sabiamos como – eramos um tanto "gentias", “matumbas” e "bantus" nesse aspecto ...), mas devolvemos-lhes as pedradas... ate’ que eu lhes atirei com uma que acertou em cheio no olho de uma delas!

Bom... a miuda viu estrelas, ficou sem saber de que terra era e... ia perdendo a vista! Por outras palavras, ia ficando aveugle que nem uma cegueta!

Mas o meu pai quando chegou a casa naquele dia e ouviu o relato dos “acontecimentos”, saiu calmamente com a sua caixa de enfermagem, foi pedir desculpas aos pais dela e, durante semanas, como bom enfermeiro que (tambem) era, tratou profissionalmente do olho da miuda ate’ recupera-lo completamente.[*]

Porem, educador firme que (tambem) era, mas tambem sempre cumplice com a minha “paciencia curta” para com racismos e injusticas outras, o meu pai em nenhum momento durante todo aquele episodio, ou depois dele, me dirigiu uma palavra de repreensao... [**]

[Aqueles eram (tambem) os tempos do Milhorro’...]

Mas pergunto, agora “afectuosamente”: o que sera’ feito de ti, oh miuda?...






For many are the pleasant forms which exist in
numerous sins,
and incontinencies,
and disgraceful passions
and fleeting pleasures,

which (men) embrace until they become
sober
and go up to their resting place

And they will find me there,
and they will live
and they will not die again.
 [Toni Morrison, introduction to Paradise]
 
***



Pai,

Aparentemente, eu matei o mulato (santo) deles.
Aparentemente, eu matei o branco (alheio) deles.
Aparentemente, so’ nao te matei a ti, pai.
Nem matei Cristo.
Mas, aparentemente, Cristo pode ressuscitar e pedir:
pai afasta de mim esse calice de vinho tinto de sangue.
Tu nao podes ressuscitar, pai.
Nao podes afastar de mim essas pedras com que me lapidam em Madalena,
nem essa lama com que tentam sujar o bom nome que me deste.
Tu nao podes pai, nunca pudeste.
Por isso nao tenho arrependimentos de Madalena,
nem sentimentos de culpa,
nem complexos de colonizado, pai…
So’ revolta e uma vontade grande de ter respostas!

P.




[*] E isto lembra-me de uma vez, muitos anos depois, em que o artista fez uma feia contusao no dedo grande do pe’ e comecou a ser tratado por uma medica amiga que era vizinha dele, mas passada mais de uma semana nao se notavam nenhumas melhoras, ate’ que eu comecei a trata-lo e... em cerca de 3 dias as melhoras eram notaveis, ate’ que o dedo sarou completamente. Ele veio depois dizer-me que a medica tinha mandado perguntar qual tinha sido o “meu segredo”... Eu na altura "fiz caixinha" so' por gozo, mas revelo-o agora: anos a fio a ver o meu pai trabalhar!


[**] O que me traz a memoria um outro episodio alguns anos antes, quando ainda moravamos na Rua de Benguela [que era separada em duas pela Rua de S. Paulo: para quem viesse da Igreja do mesmo nome - onde fui baptizada e fiz a primeira comunhao e o crisma -, a nossa Rua de Benguela ficava do lado esquerdo, ou seja, no Bairro Operario, vulgo B.O. (ou seja, o SOWETO - South West Township - Luandense), e era a ultima antes da Antonio Enes que separava o B.O. do Miramar]. O meu pai trabalhava, na altura, como enfermeiro da, tambem na altura brand new, fabrica de texteis Textang num turno das 7 da manha as 3 da tarde. Entao o almoco dele era separado e colocado na mesa a sua espera. Num certo dia, o almoco era cozido de bacalhau e eu, por fome ou apenas gulodice ou vontade de comer, fui destapar o prato dele, de onde retirei apenas o ovo, comi-o e voltei a tapar o prato.

Quando o meu pai chegou e alguem lhe disse quem e’ que tinha comido o ovo dele, ele chamou-me, mandou-me sentar a mesa e ordenou-me que comesse todo o resto do prato e que bebesse ao mesmo tempo um litro de agua!

Bem, foi um verdadeiro ordeal para mim que nao tinha estomago para tudo aquilo (especialmente para as batatas enormes!) ... mas que, por entre lagrimas, comi e bebi tudo, la’ isso comi e bebi! E nao vomitei, nem nunca mais me esqueci da licao (sem qualquer outra violencia... alias, nao me lembro de alguma vez o meu pai ter levantado uma mao para me bater!) ou me atrevi a voltar a tocar no prato do pai antes de ele regressar do trabalho.... Era assim que se educavam (algumas) criancas naqueles tempos!


Tuesday, 14 December 2010

E por falar em "representacoes"...



OTHER VIEWS: ART HISTORY IN (SOUTH) AFRICA AND THE GLOBAL SOUTH



SAVAH, the South African Visual Arts Historians, in association with the International Committee of the History of Art (CIHA), addresses in this colloquium concerns about the unequal distribution of resources around the globe and challenges from postcolonial societies to the older methods and concepts of Western art history. These challenges have relevance in South Africa, Africa and the Global South, which in this context is a cultural construct rather than a geographic term. It refers to communities and artistic production, throughout history and across nations, which, within the dominant narratives of Western art, have been ignored, marginalised, displaced and appropriated. The aim is to shift the centre of discourse and challenge received systems of thought, which are still largely positioned within Western-centred logic. The desired outcome is to complicate the history of art and the relationship between histories in the Global South and the ‘North’ or ‘West’.




The programme includes, among others, the following themes:

How might the history of art in an African context challenge the Western art canon? If so, in what way(s) is art in an African context constituted as both regional and contemporary? What is its relation to global art practice at large?

Reality Exploited: Neo-colonial Problems in Contemporary Art

Who Is Entitled to Tell the Black Artist’s Story?

‘Regardless, the Struggle Continues’: Black Consciousness is a Culture of Resistance

Blackness as a Model: Towards a New Art History

Categories of the ‘Other’

White South African Discourse and the Invention of the Modern African Primitive

Art As an Act of Decolonisation: Perspectives From and On the Global South

‘Art Africanism’, ‘Ethnic Marketing’ and ’Artistic Fakes’ in the Contemporary Arts of Africa and the Diaspora

Africa, Africanness, and Their Representation in the Contemporary Mega Exhibition

Modernist Primitivism and Indigenous Modernisms: Transnational Discourse and Local Art Histories

Memory, Creativity and First Voice: Heritage Domains and Subaltern Discourse

Conflicts in the Making of Global Contemporary Art

Functionality and Social Modernism in the Work of Untrained South African Artists

Modernist Primitivism and Modern Art in Early Post-Independence Senegal

South African Beadwork – Craft, Art, Recycling, Bricolage? Reflections on the Problem of the Conceptual Appropriation of the Art of the Global South

Renegotiating Race and Nationality: Commercial and Press-Photography in Post-Independent Mozambique, 1975-1986

Millennium Base and New Ways of Expressing in the Modern Bantu Art

The Oppression of Blacks in South Africa is to Blame for the Inequalities that Face the Art Discourses Today

Fact and Fantasy – a Life beyond the Fact: Women’s Occupational Dress and the Influence of Identity

International Esteem through Local Significance

A New Generation of Utopia: Young Artists’ Careers in the Context of the Trienal de Luanda

Contesting Imperial Narratives and Display of African Art: A Counter History from Nigeria



[More details here]


POSTS RELACIONADOS:

Festival Mondial des Arts Negres

Representations



OTHER VIEWS: ART HISTORY IN (SOUTH) AFRICA AND THE GLOBAL SOUTH



SAVAH, the South African Visual Arts Historians, in association with the International Committee of the History of Art (CIHA), addresses in this colloquium concerns about the unequal distribution of resources around the globe and challenges from postcolonial societies to the older methods and concepts of Western art history. These challenges have relevance in South Africa, Africa and the Global South, which in this context is a cultural construct rather than a geographic term. It refers to communities and artistic production, throughout history and across nations, which, within the dominant narratives of Western art, have been ignored, marginalised, displaced and appropriated. The aim is to shift the centre of discourse and challenge received systems of thought, which are still largely positioned within Western-centred logic. The desired outcome is to complicate the history of art and the relationship between histories in the Global South and the ‘North’ or ‘West’.




The programme includes, among others, the following themes:

How might the history of art in an African context challenge the Western art canon? If so, in what way(s) is art in an African context constituted as both regional and contemporary? What is its relation to global art practice at large?

Reality Exploited: Neo-colonial Problems in Contemporary Art

Who Is Entitled to Tell the Black Artist’s Story?

‘Regardless, the Struggle Continues’: Black Consciousness is a Culture of Resistance

Blackness as a Model: Towards a New Art History

Categories of the ‘Other’

White South African Discourse and the Invention of the Modern African Primitive

Art As an Act of Decolonisation: Perspectives From and On the Global South

‘Art Africanism’, ‘Ethnic Marketing’ and ’Artistic Fakes’ in the Contemporary Arts of Africa and the Diaspora

Africa, Africanness, and Their Representation in the Contemporary Mega Exhibition

Modernist Primitivism and Indigenous Modernisms: Transnational Discourse and Local Art Histories

Memory, Creativity and First Voice: Heritage Domains and Subaltern Discourse

Conflicts in the Making of Global Contemporary Art

Functionality and Social Modernism in the Work of Untrained South African Artists

Modernist Primitivism and Modern Art in Early Post-Independence Senegal

South African Beadwork – Craft, Art, Recycling, Bricolage? Reflections on the Problem of the Conceptual Appropriation of the Art of the Global South

Renegotiating Race and Nationality: Commercial and Press-Photography in Post-Independent Mozambique, 1975-1986

Millennium Base and New Ways of Expressing in the Modern Bantu Art

The Oppression of Blacks in South Africa is to Blame for the Inequalities that Face the Art Discourses Today

Fact and Fantasy – a Life beyond the Fact: Women’s Occupational Dress and the Influence of Identity

International Esteem through Local Significance

A New Generation of Utopia: Young Artists’ Careers in the Context of the Trienal de Luanda

Contesting Imperial Narratives and Display of African Art: A Counter History from Nigeria



[More details here]


POSTS RELACIONADOS:

Festival Mondial des Arts Negres

Representations

Thursday, 9 December 2010

Festival Mondial des Arts Negres [Updated]




Acaba de chegar a minha redaccao, de fonte (ainda) (in)segura, a seguinte informacao:


O musico Angolano Bonga sera’ uma das figuras de maior destaque no Festival Mundial de Artes Negras, a realizar-se no Senegal de 10 a 31 de Dezembro de 2010. Tal como o fez recentemente na Expo Mundial de Xangai (verificar aqui e aqui), Bonga representar-se-ha’ exclusivamente por merito proprio e a Angola unicamente por direito incontestavel.[*]

A mesma fonte acrescenta que, embora tenha sido anunciada por fontes (ainda nao)identificadas a presenca de alguns ballerinos negros comandados por uma prima donna classica europeia branca, mais conhecida em certos circulos "afectuosos" por vulta racista psicopata, provenientes de Angola, a sua prestacao, embora alegadamente "na qualidade de convidada especial", (ainda) nao consta do programa oficial do festival.

Mais acrescenta a fonte que nao lhe foi possivel obter junto dos organizadores do festival uma explicacao para o facto de, sendo Angola, alegadamente, "o pais que deu a luz a danca contemporanea em Africa", este nao se faca (ainda) representar nos Masterclasses e Workshops do festival dedicados a essa arte - e neste ponto, a fonte chama particularmente a atencao para as Masterclasses sobre o Hip Hop, genero que ja' aqui foi bastante discutido. Foi-lhe igualmente impossivel apurar por que razao da lista de personalidades ligadas a danca e coreografos convidados para o festival, abaixo transcrita, nao consta (ainda) nenhum nome relacionado com Angola...



Les personnalités et chorégraphes invités:

Rui Moreira (Brésil), Desmond Richardson (USA), Germaine Acogny (Sénégal), Willa Jo Zollar (USA), Werewere Linking (Côte d’Ivoire), Serge Aimé Coulibaly (Burkina Faso), Damien Zambo (Cameroun), Adafrez Bezuneh (Ethiopie), Sanjeev Bhargava (Inde), Armilinda Gomes Cabral Semedo (Cap Vert), Riyad Fghani (Algérie), Lilou (Algérie), Azdine Ben Youcef (Algérie), Efrén Marcos Suarez Torres (Cuba), Adrian Augier (St Lucie), Steven Faleni, Vusi Mdoyi, Buru Mohlabane (Afrique du Sud), Prince M. F. Lamba (Zambie)
.



[image d'ici]


[Plus d'informations: ici, ici, ici, ici, ici , ici, ici et ici]

RELATED POST:

Other Views: Art History in (South) Africa and The Global South


[*] Outra presenca assinalavel no festival e' a de Simao Souindoula, como aqui se noticia.

UPDATE


A nossa fonte voltou hoje a contactar-nos para nos informar que uma dita Cie d'Angola, presumivelmente a troupe de mademoiselle acima mencionada, actuara' num certo dia do festival, porem a sua margem.

Mais acrescenta a fonte que este update do programa oficial do festival foi feito apenas na vespera do seu inicio, o que evidencia o facto de que a dita Cie d'Angola se faz representar "a pato" no festival (ou, para usar uma expressao mais familiar ao bando, "infiltraram-se num festival de peritos"...) - certamente gracas aos seus links com o p(h)oder -, porque se fosse representar oficialmente Angola, e ainda por cima como alegada "convidada especial", teria, tal como o Bonga, sido convidada com a devida antecedencia e incluida no programa com o devido destaque, como mandam as normas protocolares neste tipo de eventos.

Alias, so' o facto de ela dizer "pomposamente" que a sua companhia vai "representar Angola" em Xangai (sendo que, supostamente, todo o mundo se deveria por isso "roer de inveja" ou sentir "dor de cotovelo"...) e no Senegal, como "convidada especial" (como se uma "convidada especial" fosse apenas mencionada no programa oficial a ultima hora e relegada a uma apresentacao conjunta com outros grupos fora do centro das actividades do festival...), sem nunca mencionar os outros Angolanos que la' foram representar Angola - nao que fosse de esperar que ela sequer mencionasse o Kota Bonga, de quem apenas diz os piores "cobras e lagartos", mas pelo menos os outros que ate' sao da sua "geracao" (etaria, psicologica, emocional, cultural, social, etc.) - nao so' evidencia flagrantemente o quanto e' intelectualmente desonesta (leia-se tambem o quanto e' capaz de mentir descaradamente!), como ja' diz o quanto ela luta com unhas e dentes, a viva forca, para ser "unica" e "invejada"!!...

[Imagem d'aki]





ADENDA

[imagem daqui]


Qual a diferenca qual e' ela entre o trabalho de Maqoma (sobre cuja performance em Angola a nossa 'vamp' se manteve estranhamente silenciosa!...), bem como o de outros artistas Africanos, e o da demoiselle a que aqui nos vimos referindo?

A diferenca e' muito mais simples do que a mera imagem/composicao estetica de violinos e violoncelos (ou outros instrumentos musicais de origem europeia) "abrilhantando", ou "civilizando", dancas africanas, mas e', porem, igualmente muito mais profunda e fundamental: Maqoma investiga HONESTAMENTE a sua propria IDENTIDADE (repare-se no logo deste festival...) em relacao com a Historia, a Humanidade e a Natureza... enquanto a demoiselle em questao, nao so' demonstrou a saciedade ignorar, como abominar aberta e arrogantemente o proprio conceito de IDENTIDADE (tendo por isso dito que eu, por o defender, "deveria cometer um suicidio em grande estilo" ou ser "esquartejada a catanada"!!!) e tem advogado CINICAMENTE, juntamente com os seus acolitos (alguns dos quais ditos negros, mas que tambem dizem "nao se identificar com Africanos"...), o "white-washing" da Historia de Africa! Isto para nao mencionar o celebre abaixo-assinado que lhe foi dirigido por pratica de RACISMO CONTRA NEGROS na escola de danca que dirigia...

Put simply: ACGM e' declarada e incorrigivelmente RACISTA DE EXTREMA DIREITA E SUPREMACISTA BRANCA!!!

Maqoma NAO!

Mais: Maqoma, pelo seu natural respeito pela Humanidade e a Natureza, de acordo com a sua cultura ancestral Africana, certamente jamais se referiria, e ainda por cima em publico (!), a outro ser humano - o sagrado Ntu da cultura baNtu - muito menos um colega de profissao (... e por nenhuma outra razao aparente que nao este ter tido o atrevimento de obter destaque num jornal que o considerava "o verdadeiro icone"... ou seja, por ter tido o atrevimento de fazer sombra a prima donna!), por sinal negro, como um "item que merece ser abortado" (... o que e', alias, reminiscente de um certo "lixo de Angola" - mera coincidencia?...) e a si proprio como unico "conhecedor" da danca no seu pais - sendo certo que qualquer que seja o nivel de conhecimento academico que ele tenha das suas dancas tradicionais, ele nasceu com e no meio delas: nao teve que os ir vulturar a Culturas Africanas que nao sao originariamente as suas e que antes tivera abominado e que continua a ridicularizar apenas para fabricar "plasticamente" uma 'Companhia de Danca Contemporanea' privada a partir de uma 'Academia de Ballet Classico Europeu' estatal falida! Dito de outro modo, Maqoma chega a 'danca contemporanea' a partir das suas proprias raizes culturais ancestrais intuitiva e organicamente, nao por inseminacao artificial como e' o caso de ACGM...

Numa palavra: Maqoma, tal como Pina Bausch, tem ALMA! ... ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO!!!

Mais ainda: Maqoma nao danca ballet classico europeu desde os 8 anos de idade... e apenas o ridiculariza!


[imagem daqui]


E to top it all up, ou, dito de outro modo, para por "o preto no branco", e certamente FACTO nao negligenciavel para um Festival Mundial de ARTES NEGRAS, Maqoma e' NEGRO! ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO (... seja racica, etnica, tribal, identitaria, cultural, social, politica, ou ideologicamente... e por muito que cubra o corpo semi-nu, ou nu, de chocolate preto)!!!

[E... antes que comecem as mais do que habituais " ameacas e chantagens emocionais" da praxe...:
Com isto pretendendo significar apenas que se o que a sua companhia apresenta, "inspirado" numa cultura africana negra (ou, ja' agora, copiado deste blog) e protagonizado por bailarinos negros, pode passar por "artes negras", isso nao a torna ipso facto negra, nem pertencente a cultura em que se "inspirou" apenas atraves de algumas "visitas de trabalho" - e este particular pode aplicar-se igualmente aos seus bailarinos (veja-se, a este proposito, a diferenca entre tais "visitas medicas" e os longos periodos de residencia e interaccao de uma investigadora seria como Marie Louise Bastin). E este "veredicto" e' baseado nao em qualquer tipo de "preconceito ou discriminacao racial", mas tao so' nas suas atitudes e posicionamentos amplamente registados neste blog! ]


EM SUMA:


ACGM deveria ter VERGONHA de sequer contemplar a possibilidade de por os pes num Festival de Artes Negras!!!

[Mas... vergonha na cara (!), e' certamente algo que nem ela, nem os seus noirs - VULTOS, arrivistas e oportunistas, em suma CARAS DE PAU, como sempre foram - teem ou alguma vez terao. Certamente nao enquanto continuarem a ser apoiados cegamente pelo governo de Angola, em nome de uma nocao de "progresso" que nem eles proprios sao capazes de explicar coerentemente e sistematicamente em detrimento de outros grupos de danca nacionais ('tradicionais', 'patrimoniais', 'modernos', 'contemporaneos', ou 'futuristas'...) de igual, ou maior, merito no pais (quanto mais nao seja porque nao partiram de um background tao previligiado, nem contam com o apoio incondicional e continuado do poder!), evidentemente apenas porque e' branca, vem do ballet classico europeu (... "porque so' assim progrediremos"!...) desde os oito anos de idade, fruto da sua condicao de filha da previligiada (ex) burguesia colonial (condicao que, de resto, e ao contrario de outros - como este ou este -, ela nunca abdicou, repudiou, ou renegou, bien au contraire: faz muita gala e questao disso!) e... porque trabalha no Ministerio da Cultura ha' 33 anos (... e como ela faz muita questao de 'arrotar' enquanto se sente no direito de pisar tudo e todos que, como eu (a quem, a nao esquecer, ela chegou a dirigir ameacas de morte - abertas e veladas!...) , tenham "o atrevimento" sequer de se lhe dirigir com "questoes inoportunas", com o seu "mais alto galardao do estado angolano": "tenho as costas largas"!...), muito embora a companhia com que diz "representar oficialmente Angola na qualidade de convidada especial" seja sua propriedade privada!
E o certo e' que, a partir de agora, nao so' continuara' a auto-proclamar-se "Mais Angolana do que a Angolanidade" e "Mais Africana do que a Africanidade", como tambem... "MAIS NEGRA DO QUE A NEGRITUDE" e... "MAIS AUTENTICA DO QUE A AUTHENTICITE'"!!!]




[imagem daqui]

Mas ha' uma outra questao - e essa e' mais do foro politico-ideologico do que do artistico-cultural: porque que ACGM e' tratada como "vaca sagrada" pelo Ministerio da Cultura e pelo Governo de Angola? Apenas porque "trabalha para eles ha' 33 anos" e por isso pode ser considerada "prata da casa"? Talvez tambem, mas nao apenas.

Como aqui observei a proposito do conceito de "homem novo", o MPLA sempre prosseguiu a politica "assimilacionista" herdada do regime colonial - se nao de forma declarada nos seus programas, declaracoes, discursos e resolucoes, seguramente de forma implicita na sua praxis: a "proteccao" dos nao-negros, em particular os que o integraram na luta anti-colonial, e a "premiacao" daqueles que, com ou sem participacao na luta anti-colonial, ficaram no pais depois da independencia, com a sua integracao nas estruturas do poder de estado (e, no caso dos ultimos, especialmente durante o "movimento de rectificacao" que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, a sua integracao no partido como "militantes"), ou com outras "recompensas", era condicao sine qua non para a sua qualificacao como "progressista" e factor decisivo de "diferenciacao" em relacao aos outros movimentos de libertacao, agora partidos politicos da oposicao.

Mas o que nunca esteve previsto, nem implicita, nem explicitamente - e aqui permito-me o atrevimento de falar como alguem que sempre esteve proxima do MPLA e que ate' militou nas suas estruturas (... como frequentemente se diz/ia a proposito deste tipo de questoes: ... "nao foi nada disso que a gente combinou!"...) - era que tal "proteccao" e "premiacao" viessem a significar, na pratica, que os nao-negros em causa, passassem a ser "intocaveis" como ACGM claramente e'... e se nao e', declaradamente e sem quaisquer rebucos, comporta-se como tal - e', alias, (tambem, mas nao apenas) naquela velha tradicao Mplista que o actual lider do BD aparece em publico a "defender" a sua "educacao e elegancia", como aqui fiz notar...! Sendo que, ademais, nao se lhe conhece qualquer vinculo particularmente significativo, organico ou outro, ao MPLA - a nao ser para colher os seus "beneficios", "premios" e "patrocinios"!

Mas, mais importante ainda do que isso, e' que a politica "assimilacionista" e', tambem sem quaisquer rebucos, uma politica "integracionista eurocentrica". Neste contexto, "progresso" e "progressista" significam, nada mais nada menos, do que a adopcao das normas, padroes, canones, praticas, costumes, linguas e culturas europeias - leia-se aqui portuguesas... Assim, o que ACGM vai fazer as Lundas ou ao Moxico, nao e' tentar "integrar-se" na cultura Tchokwe' (ou Cokwe, como preferirem) e adoptar as suas normas e padroes na sua praxis quotidiana de vida (... como nosotros fomos obrigados a fazer sob a politica assimilacionista colonial em relacao a cultura portuguesa!... e, como alguns europeus o fizeram em relacao a algumas das nossas culturas, como aqui se pode constatar), mas apenas ir buscar e trazer, qual kamanguista, alguns elementos daquela cultura, em particular os ligados a danca e, muito especialmente, a sexualidade das suas mulheres, para a "civilizacao" da cidade capital, despudoradamente apropriar-se deles e mescla-los com a sua cultura de origem e de matriz, a europeia/portuguesa, chamar-lhes "cultura, ou danca, contemporanea africana" e dar as suas "pecas" titulos do genero "fantastico-psicadelico-intelectualoide"... Mais nada! E se isso pode ser considerado "legitimo" artisticamente, o que ja' nao e' legitimo e' que ela se comporte como "criadora" da cultura Tchokwe' (Cokwe) ou sua "legitima representante" ou, mais ainda, kaTchokwe': a isso eu chamo, tambem sem quaisquer rebucos, "vulturismo cultural"! E muito menos entitular, como ela o faz, o que ela chama "danca contemporanea africana", como "unico" sinonimo de "qualidade" e "progresso"... porque nao e'! Ou melhor dito: nao e' necessaria nem unicamente!

Porque? Talvez a praxis de outros paises africanos, e em particular da Africa do Sul, o explique melhor: nesses paises, a "danca contemporanea africana" (um conceito que, de resto, nao e' pacifico, como este livro claramente o indica...) coexiste pacificamente com (... nao e' considerada "superior"! Embora, em termos opinativos e meramente subjectivos, qualquer um tenha o direito de o considerar, certa ou erradamente, como tal...) as outras formas de danca ou de expressao cultural.

Assim, um Maqoma na Africa do Sul (onde, convem notar-se, o ballet e a musica classica continuam a ter o seu devido lugar reservado) nao e' considerado "unico representante" da danca, das artes ou da cultura do seu pais, e a sua companhia de danca tem o mesmo status cultural que qualquer outro grupo de danca, desde que demonstrem niveis aceitaveis de qualidade e integridade dentro dos seus respectivos estilos e generos, ou de qualquer outra expressao artistica de qualquer outro grupo etno-linguistico componente do seu vasto e diverso mosaico nacional - como, alias, a sua designacao oficial, especialmente em termos de Politica Cultural, como The Rainbow Nation claramente o indica - dando significado e cor a palavra DIVERSIDADE.

Agora, imagine-se um Maqoma angolano: ficaria eternamente subalternizado a uma ACGM por nao ser herdeiro da burguesia branca do tempo do apartheid, nao andar no ballet classico europeu desde os 8 anos de idade e nao ter uma "parceria publico-privada" com o Ministerio da Cultura!

Mais: nesses paises, o uso de um violino (ou de qualquer outro instrumento musical de origem europeia), ou de um movimento de ballet classico, ou a presenca no grupo de, ou a sua direccao por, uma pessoa nao-negra, nao significa "univocamente" sinal de "qualidade e/ou progresso" - o que no caso da Angola "comandada" por ACGM significa que se esta' no "caminho certo"... para onde? Para o "padrao europeu", e' a resposta! Ou, no quadro da "neofita ideologia dos pretensos afectos" e do "movimento da recolonizacao", para a "Nacao Crioula"! E isso e' mau? - perguntar-me-ao. E eu responderei: nao necessariamente, desde que nao se advogue que esse e' o "unico caminho" valido culturalmente num pais tao diverso racial, social e etno-linguisticamente como Angola.

Os Angolanos (e a Humanidade!) ja' viram guerras e genocidios suficientes por essas razoes para nao continuarem a cometer o mesmo erro!

Tenho dito.




Acaba de chegar a minha redaccao, de fonte (ainda) (in)segura, a seguinte informacao:


O musico Angolano Bonga sera’ uma das figuras de maior destaque no Festival Mundial de Artes Negras, a realizar-se no Senegal de 10 a 31 de Dezembro de 2010. Tal como o fez recentemente na Expo Mundial de Xangai (verificar aqui e aqui), Bonga representar-se-ha’ exclusivamente por merito proprio e a Angola unicamente por direito incontestavel.[*]

A mesma fonte acrescenta que, embora tenha sido anunciada por fontes (ainda nao)identificadas a presenca de alguns ballerinos negros comandados por uma prima donna classica europeia branca, mais conhecida em certos circulos "afectuosos" por vulta racista psicopata, provenientes de Angola, a sua prestacao, embora alegadamente "na qualidade de convidada especial", (ainda) nao consta do programa oficial do festival.

Mais acrescenta a fonte que nao lhe foi possivel obter junto dos organizadores do festival uma explicacao para o facto de, sendo Angola, alegadamente, "o pais que deu a luz a danca contemporanea em Africa", este nao se faca (ainda) representar nos Masterclasses e Workshops do festival dedicados a essa arte - e neste ponto, a fonte chama particularmente a atencao para as Masterclasses sobre o Hip Hop, genero que ja' aqui foi bastante discutido. Foi-lhe igualmente impossivel apurar por que razao da lista de personalidades ligadas a danca e coreografos convidados para o festival, abaixo transcrita, nao consta (ainda) nenhum nome relacionado com Angola...



Les personnalités et chorégraphes invités:

Rui Moreira (Brésil), Desmond Richardson (USA), Germaine Acogny (Sénégal), Willa Jo Zollar (USA), Werewere Linking (Côte d’Ivoire), Serge Aimé Coulibaly (Burkina Faso), Damien Zambo (Cameroun), Adafrez Bezuneh (Ethiopie), Sanjeev Bhargava (Inde), Armilinda Gomes Cabral Semedo (Cap Vert), Riyad Fghani (Algérie), Lilou (Algérie), Azdine Ben Youcef (Algérie), Efrén Marcos Suarez Torres (Cuba), Adrian Augier (St Lucie), Steven Faleni, Vusi Mdoyi, Buru Mohlabane (Afrique du Sud), Prince M. F. Lamba (Zambie)
.



[image d'ici]


[Plus d'informations: ici, ici, ici, ici, ici , ici, ici et ici]

RELATED POST:

Other Views: Art History in (South) Africa and The Global South


[*] Outra presenca assinalavel no festival e' a de Simao Souindoula, como aqui se noticia.

UPDATE


A nossa fonte voltou hoje a contactar-nos para nos informar que uma dita Cie d'Angola, presumivelmente a troupe de mademoiselle acima mencionada, actuara' num certo dia do festival, porem a sua margem.

Mais acrescenta a fonte que este update do programa oficial do festival foi feito apenas na vespera do seu inicio, o que evidencia o facto de que a dita Cie d'Angola se faz representar "a pato" no festival (ou, para usar uma expressao mais familiar ao bando, "infiltraram-se num festival de peritos"...) - certamente gracas aos seus links com o p(h)oder -, porque se fosse representar oficialmente Angola, e ainda por cima como alegada "convidada especial", teria, tal como o Bonga, sido convidada com a devida antecedencia e incluida no programa com o devido destaque, como mandam as normas protocolares neste tipo de eventos.

Alias, so' o facto de ela dizer "pomposamente" que a sua companhia vai "representar Angola" em Xangai (sendo que, supostamente, todo o mundo se deveria por isso "roer de inveja" ou sentir "dor de cotovelo"...) e no Senegal, como "convidada especial" (como se uma "convidada especial" fosse apenas mencionada no programa oficial a ultima hora e relegada a uma apresentacao conjunta com outros grupos fora do centro das actividades do festival...), sem nunca mencionar os outros Angolanos que la' foram representar Angola - nao que fosse de esperar que ela sequer mencionasse o Kota Bonga, de quem apenas diz os piores "cobras e lagartos", mas pelo menos os outros que ate' sao da sua "geracao" (etaria, psicologica, emocional, cultural, social, etc.) - nao so' evidencia flagrantemente o quanto e' intelectualmente desonesta (leia-se tambem o quanto e' capaz de mentir descaradamente!), como ja' diz o quanto ela luta com unhas e dentes, a viva forca, para ser "unica" e "invejada"!!...

[Imagem d'aki]





ADENDA

[imagem daqui]


Qual a diferenca qual e' ela entre o trabalho de Maqoma (sobre cuja performance em Angola a nossa 'vamp' se manteve estranhamente silenciosa!...), bem como o de outros artistas Africanos, e o da demoiselle a que aqui nos vimos referindo?

A diferenca e' muito mais simples do que a mera imagem/composicao estetica de violinos e violoncelos (ou outros instrumentos musicais de origem europeia) "abrilhantando", ou "civilizando", dancas africanas, mas e', porem, igualmente muito mais profunda e fundamental: Maqoma investiga HONESTAMENTE a sua propria IDENTIDADE (repare-se no logo deste festival...) em relacao com a Historia, a Humanidade e a Natureza... enquanto a demoiselle em questao, nao so' demonstrou a saciedade ignorar, como abominar aberta e arrogantemente o proprio conceito de IDENTIDADE (tendo por isso dito que eu, por o defender, "deveria cometer um suicidio em grande estilo" ou ser "esquartejada a catanada"!!!) e tem advogado CINICAMENTE, juntamente com os seus acolitos (alguns dos quais ditos negros, mas que tambem dizem "nao se identificar com Africanos"...), o "white-washing" da Historia de Africa! Isto para nao mencionar o celebre abaixo-assinado que lhe foi dirigido por pratica de RACISMO CONTRA NEGROS na escola de danca que dirigia...

Put simply: ACGM e' declarada e incorrigivelmente RACISTA DE EXTREMA DIREITA E SUPREMACISTA BRANCA!!!

Maqoma NAO!

Mais: Maqoma, pelo seu natural respeito pela Humanidade e a Natureza, de acordo com a sua cultura ancestral Africana, certamente jamais se referiria, e ainda por cima em publico (!), a outro ser humano - o sagrado Ntu da cultura baNtu - muito menos um colega de profissao (... e por nenhuma outra razao aparente que nao este ter tido o atrevimento de obter destaque num jornal que o considerava "o verdadeiro icone"... ou seja, por ter tido o atrevimento de fazer sombra a prima donna!), por sinal negro, como um "item que merece ser abortado" (... o que e', alias, reminiscente de um certo "lixo de Angola" - mera coincidencia?...) e a si proprio como unico "conhecedor" da danca no seu pais - sendo certo que qualquer que seja o nivel de conhecimento academico que ele tenha das suas dancas tradicionais, ele nasceu com e no meio delas: nao teve que os ir vulturar a Culturas Africanas que nao sao originariamente as suas e que antes tivera abominado e que continua a ridicularizar apenas para fabricar "plasticamente" uma 'Companhia de Danca Contemporanea' privada a partir de uma 'Academia de Ballet Classico Europeu' estatal falida! Dito de outro modo, Maqoma chega a 'danca contemporanea' a partir das suas proprias raizes culturais ancestrais intuitiva e organicamente, nao por inseminacao artificial como e' o caso de ACGM...

Numa palavra: Maqoma, tal como Pina Bausch, tem ALMA! ... ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO!!!

Mais ainda: Maqoma nao danca ballet classico europeu desde os 8 anos de idade... e apenas o ridiculariza!


[imagem daqui]


E to top it all up, ou, dito de outro modo, para por "o preto no branco", e certamente FACTO nao negligenciavel para um Festival Mundial de ARTES NEGRAS, Maqoma e' NEGRO! ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO (... seja racica, etnica, tribal, identitaria, cultural, social, politica, ou ideologicamente... e por muito que cubra o corpo semi-nu, ou nu, de chocolate preto)!!!

[E... antes que comecem as mais do que habituais " ameacas e chantagens emocionais" da praxe...:
Com isto pretendendo significar apenas que se o que a sua companhia apresenta, "inspirado" numa cultura africana negra (ou, ja' agora, copiado deste blog) e protagonizado por bailarinos negros, pode passar por "artes negras", isso nao a torna ipso facto negra, nem pertencente a cultura em que se "inspirou" apenas atraves de algumas "visitas de trabalho" - e este particular pode aplicar-se igualmente aos seus bailarinos (veja-se, a este proposito, a diferenca entre tais "visitas medicas" e os longos periodos de residencia e interaccao de uma investigadora seria como Marie Louise Bastin). E este "veredicto" e' baseado nao em qualquer tipo de "preconceito ou discriminacao racial", mas tao so' nas suas atitudes e posicionamentos amplamente registados neste blog! ]


EM SUMA:


ACGM deveria ter VERGONHA de sequer contemplar a possibilidade de por os pes num Festival de Artes Negras!!!

[Mas... vergonha na cara (!), e' certamente algo que nem ela, nem os seus noirs - VULTOS, arrivistas e oportunistas, em suma CARAS DE PAU, como sempre foram - teem ou alguma vez terao. Certamente nao enquanto continuarem a ser apoiados cegamente pelo governo de Angola, em nome de uma nocao de "progresso" que nem eles proprios sao capazes de explicar coerentemente e sistematicamente em detrimento de outros grupos de danca nacionais ('tradicionais', 'patrimoniais', 'modernos', 'contemporaneos', ou 'futuristas'...) de igual, ou maior, merito no pais (quanto mais nao seja porque nao partiram de um background tao previligiado, nem contam com o apoio incondicional e continuado do poder!), evidentemente apenas porque e' branca, vem do ballet classico europeu (... "porque so' assim progrediremos"!...) desde os oito anos de idade, fruto da sua condicao de filha da previligiada (ex) burguesia colonial (condicao que, de resto, e ao contrario de outros - como este ou este -, ela nunca abdicou, repudiou, ou renegou, bien au contraire: faz muita gala e questao disso!) e... porque trabalha no Ministerio da Cultura ha' 33 anos (... e como ela faz muita questao de 'arrotar' enquanto se sente no direito de pisar tudo e todos que, como eu (a quem, a nao esquecer, ela chegou a dirigir ameacas de morte - abertas e veladas!...) , tenham "o atrevimento" sequer de se lhe dirigir com "questoes inoportunas", com o seu "mais alto galardao do estado angolano": "tenho as costas largas"!...), muito embora a companhia com que diz "representar oficialmente Angola na qualidade de convidada especial" seja sua propriedade privada!
E o certo e' que, a partir de agora, nao so' continuara' a auto-proclamar-se "Mais Angolana do que a Angolanidade" e "Mais Africana do que a Africanidade", como tambem... "MAIS NEGRA DO QUE A NEGRITUDE" e... "MAIS AUTENTICA DO QUE A AUTHENTICITE'"!!!]




[imagem daqui]

Mas ha' uma outra questao - e essa e' mais do foro politico-ideologico do que do artistico-cultural: porque que ACGM e' tratada como "vaca sagrada" pelo Ministerio da Cultura e pelo Governo de Angola? Apenas porque "trabalha para eles ha' 33 anos" e por isso pode ser considerada "prata da casa"? Talvez tambem, mas nao apenas.

Como aqui observei a proposito do conceito de "homem novo", o MPLA sempre prosseguiu a politica "assimilacionista" herdada do regime colonial - se nao de forma declarada nos seus programas, declaracoes, discursos e resolucoes, seguramente de forma implicita na sua praxis: a "proteccao" dos nao-negros, em particular os que o integraram na luta anti-colonial, e a "premiacao" daqueles que, com ou sem participacao na luta anti-colonial, ficaram no pais depois da independencia, com a sua integracao nas estruturas do poder de estado (e, no caso dos ultimos, especialmente durante o "movimento de rectificacao" que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, a sua integracao no partido como "militantes"), ou com outras "recompensas", era condicao sine qua non para a sua qualificacao como "progressista" e factor decisivo de "diferenciacao" em relacao aos outros movimentos de libertacao, agora partidos politicos da oposicao.

Mas o que nunca esteve previsto, nem implicita, nem explicitamente - e aqui permito-me o atrevimento de falar como alguem que sempre esteve proxima do MPLA e que ate' militou nas suas estruturas (... como frequentemente se diz/ia a proposito deste tipo de questoes: ... "nao foi nada disso que a gente combinou!"...) - era que tal "proteccao" e "premiacao" viessem a significar, na pratica, que os nao-negros em causa, passassem a ser "intocaveis" como ACGM claramente e'... e se nao e', declaradamente e sem quaisquer rebucos, comporta-se como tal - e', alias, (tambem, mas nao apenas) naquela velha tradicao Mplista que o actual lider do BD aparece em publico a "defender" a sua "educacao e elegancia", como aqui fiz notar...! Sendo que, ademais, nao se lhe conhece qualquer vinculo particularmente significativo, organico ou outro, ao MPLA - a nao ser para colher os seus "beneficios", "premios" e "patrocinios"!

Mas, mais importante ainda do que isso, e' que a politica "assimilacionista" e', tambem sem quaisquer rebucos, uma politica "integracionista eurocentrica". Neste contexto, "progresso" e "progressista" significam, nada mais nada menos, do que a adopcao das normas, padroes, canones, praticas, costumes, linguas e culturas europeias - leia-se aqui portuguesas... Assim, o que ACGM vai fazer as Lundas ou ao Moxico, nao e' tentar "integrar-se" na cultura Tchokwe' (ou Cokwe, como preferirem) e adoptar as suas normas e padroes na sua praxis quotidiana de vida (... como nosotros fomos obrigados a fazer sob a politica assimilacionista colonial em relacao a cultura portuguesa!... e, como alguns europeus o fizeram em relacao a algumas das nossas culturas, como aqui se pode constatar), mas apenas ir buscar e trazer, qual kamanguista, alguns elementos daquela cultura, em particular os ligados a danca e, muito especialmente, a sexualidade das suas mulheres, para a "civilizacao" da cidade capital, despudoradamente apropriar-se deles e mescla-los com a sua cultura de origem e de matriz, a europeia/portuguesa, chamar-lhes "cultura, ou danca, contemporanea africana" e dar as suas "pecas" titulos do genero "fantastico-psicadelico-intelectualoide"... Mais nada! E se isso pode ser considerado "legitimo" artisticamente, o que ja' nao e' legitimo e' que ela se comporte como "criadora" da cultura Tchokwe' (Cokwe) ou sua "legitima representante" ou, mais ainda, kaTchokwe': a isso eu chamo, tambem sem quaisquer rebucos, "vulturismo cultural"! E muito menos entitular, como ela o faz, o que ela chama "danca contemporanea africana", como "unico" sinonimo de "qualidade" e "progresso"... porque nao e'! Ou melhor dito: nao e' necessaria nem unicamente!

Porque? Talvez a praxis de outros paises africanos, e em particular da Africa do Sul, o explique melhor: nesses paises, a "danca contemporanea africana" (um conceito que, de resto, nao e' pacifico, como este livro claramente o indica...) coexiste pacificamente com (... nao e' considerada "superior"! Embora, em termos opinativos e meramente subjectivos, qualquer um tenha o direito de o considerar, certa ou erradamente, como tal...) as outras formas de danca ou de expressao cultural.

Assim, um Maqoma na Africa do Sul (onde, convem notar-se, o ballet e a musica classica continuam a ter o seu devido lugar reservado) nao e' considerado "unico representante" da danca, das artes ou da cultura do seu pais, e a sua companhia de danca tem o mesmo status cultural que qualquer outro grupo de danca, desde que demonstrem niveis aceitaveis de qualidade e integridade dentro dos seus respectivos estilos e generos, ou de qualquer outra expressao artistica de qualquer outro grupo etno-linguistico componente do seu vasto e diverso mosaico nacional - como, alias, a sua designacao oficial, especialmente em termos de Politica Cultural, como The Rainbow Nation claramente o indica - dando significado e cor a palavra DIVERSIDADE.

Agora, imagine-se um Maqoma angolano: ficaria eternamente subalternizado a uma ACGM por nao ser herdeiro da burguesia branca do tempo do apartheid, nao andar no ballet classico europeu desde os 8 anos de idade e nao ter uma "parceria publico-privada" com o Ministerio da Cultura!

Mais: nesses paises, o uso de um violino (ou de qualquer outro instrumento musical de origem europeia), ou de um movimento de ballet classico, ou a presenca no grupo de, ou a sua direccao por, uma pessoa nao-negra, nao significa "univocamente" sinal de "qualidade e/ou progresso" - o que no caso da Angola "comandada" por ACGM significa que se esta' no "caminho certo"... para onde? Para o "padrao europeu", e' a resposta! Ou, no quadro da "neofita ideologia dos pretensos afectos" e do "movimento da recolonizacao", para a "Nacao Crioula"! E isso e' mau? - perguntar-me-ao. E eu responderei: nao necessariamente, desde que nao se advogue que esse e' o "unico caminho" valido culturalmente num pais tao diverso racial, social e etno-linguisticamente como Angola.

Os Angolanos (e a Humanidade!) ja' viram guerras e genocidios suficientes por essas razoes para nao continuarem a cometer o mesmo erro!

Tenho dito.

Friday, 26 November 2010

Reflectindo...



[Scramble for Afrika, by Yinka Shonibare]

Never act as clever as you are!
Don't be brilliant!
(...if you do nobody will like you...)
Always blend in!


Estas palavras, proferidas denunciatoriamente por uma das intervenientes (e nao, ela nao se parece nada com uma "intelectual" - quanto mais nao seja porque nao usa oculos, nao tem cabelos grizalhos, nem anda no ballet classico desde os oito anos de idade... - e muito menos se auto-entitula como tal: de facto, assemelha-se bastante a qualquer uma das nossas damas do kuduro que aki tentei de algum modo "defender"...) no documentario aqui apresentado, o qual apenas descobri na vespera de aqui o ter postado, conteem a chave de muito do que se tem passado com e neste blog... Veja-se, mais uma vez (... porque nunca sera' demais e porque espero que pelo menos algumas jovens negras angolanas - como as que me transmitiram o calor humano de que aqui falo e aquelas a quem aqui me dirijo - aprendam alguma coisa com isto...) esta campanha, que se sumariza nesta orgia e neste bacanal...

Efectivamente, por outras, mas equivalentes palavras, eu li exactamente o mesmo, mas apologeticamente, no NJ (e.g., entre varias outras, em particular por um certo minion , quaisquer coisas relacionadas com "esquecer a cultura dos ancestrais" - i.e. nao se prestar a ser uma "mulher submissa e subserviente" - e, em resultado disso, "ninguem na sociedade gostar", por entre "falas em ingles cursivo", "levar tanto tempo para fazer um curso", "ter conhecimentos mal adquiridos/digeridos que quando ganham alguma seguranca"... "e' chato para o Popper", para ja' nao mencionar o (in)famoso e sempre (in)conveniente, particularmente quando usado perversamente neste tipo de contexto, "so' sei que nada sei" de Socrates (... mais uma "boca", como dizia Herberto Helder, tirada de passagem a cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica...), como se alguem acreditasse que, tendo dito isso, no que apenas expressava o conceito filosofico de "duvida metodica", Socrates de facto "nao sabia", ou acreditava "nao saber nada"!... etc.,etc.,etc...) [*], no "O Pais" (..."no stars please!"...), no SA (... neste nao vale a pena sequer falar mais... ou talvez valha a pena repescar apenas as tristemente celebres "bocas intelectualoides" e uns certos "tem a mania do sabetudismo!" - este da autoria de um "miudo" nao-economista que, curiosamente, fez seguir essa 'boca' de uma "lecturacao" sobre "desenvolvimento economico"! - e "coloque-se no seu devido lugar!"...) e por ai afora (e.g., "achas mesmo que vales assim tanto? Olha as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, como estao muito bem e muito felizes"...; "tem a mania de se achar mais do que os outros"...)!

... Para que estudar tanto? (num habia nexexidade!)... E ainda por cima coisas que "qualquer mulher angolana sabe sem precisar de tirar cursos superiores"?... E ainda por cima tao longe e 'a revelia da "sacrossanta patria/familia lusofona"?... E ainda por cima para obter apenas "falsos diplomas" seguidos de "infiltracoes em reunioes de peritos"?!... Porque nao simplesmente estender a mao, manter-se "jovem", "elegante", "bem-cheirosa" e "disponivel para o sexo" (aparentemente seja la' com quem for, mesmo sendo certo que se esta' sujeita a logo em seguida ser-se insidiosa e difamatoriamente apelidada de "promiscua", "prostituta", "poluta" e "sem valores nem principios"...)?! [**] ...E mais ainda (veja-se, a este proposito, o que diz o academico Indiano entrevistado no documentario): porque nao colocar uma peruca ou tissagem loura como a Beyonce' e ser apenas "Tosca, mas nao a de Puccini" e conformar-se (invejar!) e submeter-se pura e simplesmente ao 'modelo de beleza' euro-caucasiano (vejam-se tambem as declaracoes do jornalista branco Irlandes (... supostamente uma 'figura' triste/patética a merecer histericos 'lols' a fartazana - e' so' fartar vilanagem!!!) sobre a Beyonce' no mesmo post sobre "shadeism"...) que "comeca na Venus de Milo e acaba na irresistivel Jessica Rabbit"?! [***]
Ou, melhor ainda do que tudo isso, porque nao "cometer um suicidio em grande estilo, antes que se seja esquartejada a catanada"?!

Enfim... para que OUSAR SER?!

... Por essas e por outras, ao longo da minha vida, sempre me vi forcada, tanto fisica, mental, psicologica e espiritualmente (... e o unico periodo em que fui capaz, porque esta sociedade mo tornou possivel, de nao o fazer foram os anos em que vivi em Londres sem qualquer contacto com o "mundo lusofono" - periodo em que, by the way, consegui praticamente deixar de fumar -, mas... de ha' uns anos a esta parte "deu-me" para retomar esse contacto e... os resultados estao a vista!...), a me auto-anular, auto-suprimir, auto-sabotar, auto-censurar, (e quando nao o faco, outros imediatamente se encarregam de obrigar-me a faze-lo, ou fazem-no "por mim"...), para nao parecer, e muito menos ser, "mais do que o(a)s outro(a)s" (o que quer que seja que isso signifique...) e, assim, acabar NAO SENDO NADA!

E porque esse processo (a que os Ingleses muito apta e concisamente apelidam de dumbing down) opera tanto nos fenomenos de racismo, como nos de sexismo e machismo (...ja' para nao falar nos ditos de "crispacao geracional", ou nos de suposta "solidariedade e coesao comunitaria", "politico-ideologica" e "patriotica", ou algo assim parecido...), nao so' e' frequente nele se formarem aliancas, por um lado, entre mulheres nao negras com homens negros e, por outro lado, entre homens negros com homens brancos, contra mulheres negras, como tambem sobre ele escreveram, a seu tempo e a seu modo, tanto Agostinho Neto, como Bessie Head, entre varios outros...


[Dysfunctional Family ,by Yinka Shonibare]


Mas, como tambem se diz logo no inicio do documentario, "tudo comeca na familia"... De facto, nunca me esqueco desta frase (ordem?) que me foi dirigida por alguem da minha familia mais proxima: "tens que deixar os outros existir!" (... nao que eu alguma vez tivesse tido a intencao, a pretensao ou, menos ainda, a capacidade de impedir "os outros de existir"... so, what that means in practice is: "tens que deixar de existir para que eu e a(o)s outra(o)s possamos existir!"...). E eu cresci a ouvir no seio da minha familia tanto strong statements sobre "direitos adquiridos" (e, ja' agora e a titulo de curiosidade, a ser cognominada por um amigo da familia - por sinal um arquitecto portugues de quem incluo um postal aqui e que, by the way, foi quem me ofereceu o meu primeiro disco dos Pink Floyd - desde os meus 15/16 anos como "a intelectual da familia", cognome tambem usado frequentemente pela minha mae... - o que, amarga ironia, se viria a revelar uma afiada espada de dois gumes ao longo da minha vida!...) este dito, aparentemente baseado num proverbio baKongo: "a orelha nunca pode crescer mais do que a cabeca"!

Trouble is... talvez 'a excepcao destes, toda(o)s nascemos com a (e pensamos pela) nossa propria cabeca!

[Em suma: alguem ja' tentou reflectir um pouco mais profundamente sobre de onde veem os famosos e famigerados "complexos de inferioridade" (tambem designados por outros de "complexos de colonizado") dos negros e, muito particularmente, das negras?... Ou das causas estruturais do aparentemente "cronico subdesenvolvimento" de Africa?!... I wonder...]





[*] E, ja' agora, alguem reparou como os ataques do minion no NJ (e.g. "quem disse que eu me estava a referir a ti", "como e' que vieste parar ao meu computador", "olha que eu ja' tenho 60 anos e sou antigo combatente"... para alem dos ja' acima referidos) comecaram (ou pelo menos deles pela primeira vez me apercebi) quando eu me referi a ele no contexto deste kibeto (num comentario ate' digamos que, para usar a palavra da moda, "afectuoso", mas entretanto retirado quando me vi confrontada com tais ataques - eu que nao tenho tido nenhum contacto com ele, nem via computador, e.g. email, nem por nenhuma outra via, desde a ultima vez que o vi em Lisboa ja' la' vao uns bons mais de 20 anos!... - e, ja' agora tambem, repararam como simultaneamente ele se atirou ao alvo do kibeto com "todas as armas disponiveis", por entre estorias de animais no "quintal do seu palacio"? ), tendo antes feito um comentario a este post, em que me referia a um "amigo-como irmao (por sinal branco) que estava connosco a quem pedi que me levasse imediatamente para casa"?

Pois o que eu nao disse na altura [porque continuei, pelo menos ate' agora - e, na verdade, ainda continuo - a resistir deixar-me afundar completamente na enxurrada de lama e pedras que a chusma liderada (telecomandada!) por ele (apenas porque para la' regressou depois de longos anos com 'ares afectados' de Paris...) - tal como ele e outros o foram e, por incrivel que pareca, continuam a ser (!) por um certo Incrivel Svengali (... e ainda se arrogam proclamar que "pensam pela sua propria cabeca"!...) - me tem atirado...) foi que ele acompanhou-me ate' a porta do meu predio onde assim que la' chegamos me comecei a despedir dele, mas ele com um ar muito estranho (por falta de melhor qualificacao) comecou a dizer-me "sinto-me bastante lisonjeado por me teres escolhido para te trazer para casa" e comecou a "avancar para mim"... Ao que eu apenas lhe lancei um ultimo olhar, disse-lhe muito obrigada, despedi-me mais uma vez, virei-lhe as costas, entrei no predio, fechei a porta e deixei-o ali com o seu "ar muito estranho"! Ora, fiquei agora a saber, passados mais de 20 anos, atraves dessas "bocas no NJ" que o individuo afinal nunca se conformou por eu o ter sempre tratado apenas como "amigo-como irmao", porque sempre quis ser "muito mais do que isso"!...

E mais acrescento que apenas o tratava como tal devido ao meu relacionamento com a familia, incluindo a mae, dele e ao conteudo de alguns dos seus postais aqui incluidos!
Mas... o que o poder da imprensa e' capaz de fazer quando sobe 'a cabeca de um minion frustrado e complexado metido a "antigo combatente de ocasiao"! ... Sera' que ele esteve, ou teria alguma motivacao ou razao para estar nesta manifestacao, ou nesta, por exemplo?!




[**] E porque tambem nunca sera' demais (re)lembrar como "tudo isso" comecou, proponho uma reflexao sobre estas minhas afirmacoes, feitas aqui:


(...) E, já agora, “não gravaste nem filmaste porque não querias profanar aquele momento de intimidade tão único”…mas não te coibiste de o reproduzir aqui em detalhe, num espaço aberto ao mundo… será que as “mamãs” que tanta questão faziam que os homens “não vissem” não se importarão agora que qualquer homem no mundo as possa ver através dos teus olhos e comentar sobre o que viu?! Mas tu não tens culpa, és apenas o produto de um sistema político de apropriação cultural, também conhecido como “vulturismo cultural”, muito mal gerido ao longo destes 30 anos do pós-independência por elementos de um grupo social muito bem definido em Angola… e esse fenómeno há muito vem sendo estudado e debatido com muita seriedade, sobretudo fora do mundo lusófono. Mas, cedo ou tarde, esses debates e suas consequências chegarão a Angola…

... E estas, reproduzidas tambem no post em referencia sobre "shadeism":


There is a long history of sexualizing the black body with disastrous consequences - from lynchings in the South to the 'high-tech' lynchings of recent past. Collins looks at the ways African-American women's bodies have always been on display, from Josephine Baker to Destiny's Child, and the contradictory images of black masculinity from Michael Jackson to Michael Jordan.
(...)
In Black Sexual Politics, one of America's most influential writers on race and gender explores how images of Black sexuality have been used to maintain the color line and how they threaten to spread a new brand of racism around the world today. The ideal of pure white womanhood, Collins argues, required the invention of hot-blooded Latinas, exotic Suzy Wongs, and wanton jezebels...
(...)
In a book of sophisticated critical theory that could be used as a tool for antiracist political action, Collins (Charles Phelps Taft Professor of Sociology, Univ. of Cincinnati; Black Feminist Thought) asserts that "racism and sexism are deeply intertwined, and racism can never be solved without seeing and challenging sexism."




E para um pouco mais de leitura/analise comparativa, vejam-se os meus argumentos sobre o "debate dos feminismos" aqui, a luz deste artigo, tambem incluido no post sobre "shadeism"...





[***] E para completar o quadro, veja-se isto, por referencia ao que aqui afirmei (v. "How is it decided that this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?") e a forma como essa questao (representacao de modelos de beleza feminina nos media - veja-se, em particular, a reaccao da Angolana Muginga a capa de uma das revistas consideradas) e' abordada no documentario que tem servido de base a esta refexao - documentario que nao so' ilustra perfeitamente o meu "dialogo com uma sista" com que o 'entrelacei', como tambem confirma o que aqui dizia sobre essas questoes:

(...) Grupo “afro-americano” esse onde, nunca e’ demais repeti-lo, se incluem todos os nao-brancos desde que tenham uma gota de sangue negro. E, se e’ certo que o "one drop rule" foi inicialmente uma criacao do grupo dominante branco nos EUA com motivacoes racistas, nao e’ menos certo que ele foi apropriado, internalizado e socializado historicamente pelos “afro-americanos” que – ao contrario, nunca e’ demais nota-lo, do que se passou e em grande medida ainda se passa nas ex-colonias portuguesas onde se instituiu uma diferenciacao racica hierarquizante de acordo com os varios tons de pele entre negros e brancos – partilharam ao longo de seculos em condicoes de igualdade tanto a discriminacao racial contra si (vide o caso da 'cabrita' Rosa Parks), como as oportunidades sociais, politicas e economicas que souberam conquistar para si (vide o caso da 'negra' Oprah Winfrey) como um unico grupo racico, pesem embora as clivagens e friccoes que tambem existem no seu seio, originadas, directa ou indirectamente, pelos diferentes tons de pele entre si (particularmente entre as mulheres, como quem tenha ouvido atentamente uma celebre conversa entre mulheres “negras” no filme Jungle Fever de Spike Lee tera’ notado."



[Scramble for Afrika, by Yinka Shonibare]

Never act as clever as you are!
Don't be brilliant!
(...if you do nobody will like you...)
Always blend in!


Estas palavras, proferidas denunciatoriamente por uma das intervenientes (e nao, ela nao se parece nada com uma "intelectual" - quanto mais nao seja porque nao usa oculos, nao tem cabelos grizalhos, nem anda no ballet classico desde os oito anos de idade... - e muito menos se auto-entitula como tal: de facto, assemelha-se bastante a qualquer uma das nossas damas do kuduro que aki tentei de algum modo "defender"...) no documentario aqui apresentado, o qual apenas descobri na vespera de aqui o ter postado, conteem a chave de muito do que se tem passado com e neste blog... Veja-se, mais uma vez (... porque nunca sera' demais e porque espero que pelo menos algumas jovens negras angolanas - como as que me transmitiram o calor humano de que aqui falo e aquelas a quem aqui me dirijo - aprendam alguma coisa com isto...) esta campanha, que se sumariza nesta orgia e neste bacanal...

Efectivamente, por outras, mas equivalentes palavras, eu li exactamente o mesmo, mas apologeticamente, no NJ (e.g., entre varias outras, em particular por um certo minion , quaisquer coisas relacionadas com "esquecer a cultura dos ancestrais" - i.e. nao se prestar a ser uma "mulher submissa e subserviente" - e, em resultado disso, "ninguem na sociedade gostar", por entre "falas em ingles cursivo", "levar tanto tempo para fazer um curso", "ter conhecimentos mal adquiridos/digeridos que quando ganham alguma seguranca"... "e' chato para o Popper", para ja' nao mencionar o (in)famoso e sempre (in)conveniente, particularmente quando usado perversamente neste tipo de contexto, "so' sei que nada sei" de Socrates (... mais uma "boca", como dizia Herberto Helder, tirada de passagem a cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica...), como se alguem acreditasse que, tendo dito isso, no que apenas expressava o conceito filosofico de "duvida metodica", Socrates de facto "nao sabia", ou acreditava "nao saber nada"!... etc.,etc.,etc...) [*], no "O Pais" (..."no stars please!"...), no SA (... neste nao vale a pena sequer falar mais... ou talvez valha a pena repescar apenas as tristemente celebres "bocas intelectualoides" e uns certos "tem a mania do sabetudismo!" - este da autoria de um "miudo" nao-economista que, curiosamente, fez seguir essa 'boca' de uma "lecturacao" sobre "desenvolvimento economico"! - e "coloque-se no seu devido lugar!"...) e por ai afora (e.g., "achas mesmo que vales assim tanto? Olha as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, como estao muito bem e muito felizes"...; "tem a mania de se achar mais do que os outros"...)!

... Para que estudar tanto? (num habia nexexidade!)... E ainda por cima coisas que "qualquer mulher angolana sabe sem precisar de tirar cursos superiores"?... E ainda por cima tao longe e 'a revelia da "sacrossanta patria/familia lusofona"?... E ainda por cima para obter apenas "falsos diplomas" seguidos de "infiltracoes em reunioes de peritos"?!... Porque nao simplesmente estender a mao, manter-se "jovem", "elegante", "bem-cheirosa" e "disponivel para o sexo" (aparentemente seja la' com quem for, mesmo sendo certo que se esta' sujeita a logo em seguida ser-se insidiosa e difamatoriamente apelidada de "promiscua", "prostituta", "poluta" e "sem valores nem principios"...)?! [**] ...E mais ainda (veja-se, a este proposito, o que diz o academico Indiano entrevistado no documentario): porque nao colocar uma peruca ou tissagem loura como a Beyonce' e ser apenas "Tosca, mas nao a de Puccini" e conformar-se (invejar!) e submeter-se pura e simplesmente ao 'modelo de beleza' euro-caucasiano (vejam-se tambem as declaracoes do jornalista branco Irlandes (... supostamente uma 'figura' triste/patética a merecer histericos 'lols' a fartazana - e' so' fartar vilanagem!!!) sobre a Beyonce' no mesmo post sobre "shadeism"...) que "comeca na Venus de Milo e acaba na irresistivel Jessica Rabbit"?! [***]
Ou, melhor ainda do que tudo isso, porque nao "cometer um suicidio em grande estilo, antes que se seja esquartejada a catanada"?!

Enfim... para que OUSAR SER?!

... Por essas e por outras, ao longo da minha vida, sempre me vi forcada, tanto fisica, mental, psicologica e espiritualmente (... e o unico periodo em que fui capaz, porque esta sociedade mo tornou possivel, de nao o fazer foram os anos em que vivi em Londres sem qualquer contacto com o "mundo lusofono" - periodo em que, by the way, consegui praticamente deixar de fumar -, mas... de ha' uns anos a esta parte "deu-me" para retomar esse contacto e... os resultados estao a vista!...), a me auto-anular, auto-suprimir, auto-sabotar, auto-censurar, (e quando nao o faco, outros imediatamente se encarregam de obrigar-me a faze-lo, ou fazem-no "por mim"...), para nao parecer, e muito menos ser, "mais do que o(a)s outro(a)s" (o que quer que seja que isso signifique...) e, assim, acabar NAO SENDO NADA!

E porque esse processo (a que os Ingleses muito apta e concisamente apelidam de dumbing down) opera tanto nos fenomenos de racismo, como nos de sexismo e machismo (...ja' para nao falar nos ditos de "crispacao geracional", ou nos de suposta "solidariedade e coesao comunitaria", "politico-ideologica" e "patriotica", ou algo assim parecido...), nao so' e' frequente nele se formarem aliancas, por um lado, entre mulheres nao negras com homens negros e, por outro lado, entre homens negros com homens brancos, contra mulheres negras, como tambem sobre ele escreveram, a seu tempo e a seu modo, tanto Agostinho Neto, como Bessie Head, entre varios outros...


[Dysfunctional Family ,by Yinka Shonibare]


Mas, como tambem se diz logo no inicio do documentario, "tudo comeca na familia"... De facto, nunca me esqueco desta frase (ordem?) que me foi dirigida por alguem da minha familia mais proxima: "tens que deixar os outros existir!" (... nao que eu alguma vez tivesse tido a intencao, a pretensao ou, menos ainda, a capacidade de impedir "os outros de existir"... so, what that means in practice is: "tens que deixar de existir para que eu e a(o)s outra(o)s possamos existir!"...). E eu cresci a ouvir no seio da minha familia tanto strong statements sobre "direitos adquiridos" (e, ja' agora e a titulo de curiosidade, a ser cognominada por um amigo da familia - por sinal um arquitecto portugues de quem incluo um postal aqui e que, by the way, foi quem me ofereceu o meu primeiro disco dos Pink Floyd - desde os meus 15/16 anos como "a intelectual da familia", cognome tambem usado frequentemente pela minha mae... - o que, amarga ironia, se viria a revelar uma afiada espada de dois gumes ao longo da minha vida!...) este dito, aparentemente baseado num proverbio baKongo: "a orelha nunca pode crescer mais do que a cabeca"!

Trouble is... talvez 'a excepcao destes, toda(o)s nascemos com a (e pensamos pela) nossa propria cabeca!

[Em suma: alguem ja' tentou reflectir um pouco mais profundamente sobre de onde veem os famosos e famigerados "complexos de inferioridade" (tambem designados por outros de "complexos de colonizado") dos negros e, muito particularmente, das negras?... Ou das causas estruturais do aparentemente "cronico subdesenvolvimento" de Africa?!... I wonder...]





[*] E, ja' agora, alguem reparou como os ataques do minion no NJ (e.g. "quem disse que eu me estava a referir a ti", "como e' que vieste parar ao meu computador", "olha que eu ja' tenho 60 anos e sou antigo combatente"... para alem dos ja' acima referidos) comecaram (ou pelo menos deles pela primeira vez me apercebi) quando eu me referi a ele no contexto deste kibeto (num comentario ate' digamos que, para usar a palavra da moda, "afectuoso", mas entretanto retirado quando me vi confrontada com tais ataques - eu que nao tenho tido nenhum contacto com ele, nem via computador, e.g. email, nem por nenhuma outra via, desde a ultima vez que o vi em Lisboa ja' la' vao uns bons mais de 20 anos!... - e, ja' agora tambem, repararam como simultaneamente ele se atirou ao alvo do kibeto com "todas as armas disponiveis", por entre estorias de animais no "quintal do seu palacio"? ), tendo antes feito um comentario a este post, em que me referia a um "amigo-como irmao (por sinal branco) que estava connosco a quem pedi que me levasse imediatamente para casa"?

Pois o que eu nao disse na altura [porque continuei, pelo menos ate' agora - e, na verdade, ainda continuo - a resistir deixar-me afundar completamente na enxurrada de lama e pedras que a chusma liderada (telecomandada!) por ele (apenas porque para la' regressou depois de longos anos com 'ares afectados' de Paris...) - tal como ele e outros o foram e, por incrivel que pareca, continuam a ser (!) por um certo Incrivel Svengali (... e ainda se arrogam proclamar que "pensam pela sua propria cabeca"!...) - me tem atirado...) foi que ele acompanhou-me ate' a porta do meu predio onde assim que la' chegamos me comecei a despedir dele, mas ele com um ar muito estranho (por falta de melhor qualificacao) comecou a dizer-me "sinto-me bastante lisonjeado por me teres escolhido para te trazer para casa" e comecou a "avancar para mim"... Ao que eu apenas lhe lancei um ultimo olhar, disse-lhe muito obrigada, despedi-me mais uma vez, virei-lhe as costas, entrei no predio, fechei a porta e deixei-o ali com o seu "ar muito estranho"! Ora, fiquei agora a saber, passados mais de 20 anos, atraves dessas "bocas no NJ" que o individuo afinal nunca se conformou por eu o ter sempre tratado apenas como "amigo-como irmao", porque sempre quis ser "muito mais do que isso"!...

E mais acrescento que apenas o tratava como tal devido ao meu relacionamento com a familia, incluindo a mae, dele e ao conteudo de alguns dos seus postais aqui incluidos!
Mas... o que o poder da imprensa e' capaz de fazer quando sobe 'a cabeca de um minion frustrado e complexado metido a "antigo combatente de ocasiao"! ... Sera' que ele esteve, ou teria alguma motivacao ou razao para estar nesta manifestacao, ou nesta, por exemplo?!




[**] E porque tambem nunca sera' demais (re)lembrar como "tudo isso" comecou, proponho uma reflexao sobre estas minhas afirmacoes, feitas aqui:


(...) E, já agora, “não gravaste nem filmaste porque não querias profanar aquele momento de intimidade tão único”…mas não te coibiste de o reproduzir aqui em detalhe, num espaço aberto ao mundo… será que as “mamãs” que tanta questão faziam que os homens “não vissem” não se importarão agora que qualquer homem no mundo as possa ver através dos teus olhos e comentar sobre o que viu?! Mas tu não tens culpa, és apenas o produto de um sistema político de apropriação cultural, também conhecido como “vulturismo cultural”, muito mal gerido ao longo destes 30 anos do pós-independência por elementos de um grupo social muito bem definido em Angola… e esse fenómeno há muito vem sendo estudado e debatido com muita seriedade, sobretudo fora do mundo lusófono. Mas, cedo ou tarde, esses debates e suas consequências chegarão a Angola…

... E estas, reproduzidas tambem no post em referencia sobre "shadeism":


There is a long history of sexualizing the black body with disastrous consequences - from lynchings in the South to the 'high-tech' lynchings of recent past. Collins looks at the ways African-American women's bodies have always been on display, from Josephine Baker to Destiny's Child, and the contradictory images of black masculinity from Michael Jackson to Michael Jordan.
(...)
In Black Sexual Politics, one of America's most influential writers on race and gender explores how images of Black sexuality have been used to maintain the color line and how they threaten to spread a new brand of racism around the world today. The ideal of pure white womanhood, Collins argues, required the invention of hot-blooded Latinas, exotic Suzy Wongs, and wanton jezebels...
(...)
In a book of sophisticated critical theory that could be used as a tool for antiracist political action, Collins (Charles Phelps Taft Professor of Sociology, Univ. of Cincinnati; Black Feminist Thought) asserts that "racism and sexism are deeply intertwined, and racism can never be solved without seeing and challenging sexism."




E para um pouco mais de leitura/analise comparativa, vejam-se os meus argumentos sobre o "debate dos feminismos" aqui, a luz deste artigo, tambem incluido no post sobre "shadeism"...





[***] E para completar o quadro, veja-se isto, por referencia ao que aqui afirmei (v. "How is it decided that this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?") e a forma como essa questao (representacao de modelos de beleza feminina nos media - veja-se, em particular, a reaccao da Angolana Muginga a capa de uma das revistas consideradas) e' abordada no documentario que tem servido de base a esta refexao - documentario que nao so' ilustra perfeitamente o meu "dialogo com uma sista" com que o 'entrelacei', como tambem confirma o que aqui dizia sobre essas questoes:

(...) Grupo “afro-americano” esse onde, nunca e’ demais repeti-lo, se incluem todos os nao-brancos desde que tenham uma gota de sangue negro. E, se e’ certo que o "one drop rule" foi inicialmente uma criacao do grupo dominante branco nos EUA com motivacoes racistas, nao e’ menos certo que ele foi apropriado, internalizado e socializado historicamente pelos “afro-americanos” que – ao contrario, nunca e’ demais nota-lo, do que se passou e em grande medida ainda se passa nas ex-colonias portuguesas onde se instituiu uma diferenciacao racica hierarquizante de acordo com os varios tons de pele entre negros e brancos – partilharam ao longo de seculos em condicoes de igualdade tanto a discriminacao racial contra si (vide o caso da 'cabrita' Rosa Parks), como as oportunidades sociais, politicas e economicas que souberam conquistar para si (vide o caso da 'negra' Oprah Winfrey) como um unico grupo racico, pesem embora as clivagens e friccoes que tambem existem no seu seio, originadas, directa ou indirectamente, pelos diferentes tons de pele entre si (particularmente entre as mulheres, como quem tenha ouvido atentamente uma celebre conversa entre mulheres “negras” no filme Jungle Fever de Spike Lee tera’ notado."

Tuesday, 9 November 2010

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe" ... [R]*




E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?[K. - aqui]


Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]

... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!



P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:
i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]




Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]

... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!



P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:
i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]