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Monday, 10 January 2011

De "assassinos a sangue frio"...



... "conflitos de personalidade", "esquizofrenias"...



Tenho, verdadeiramente, saudades do David Mestre, cujo nome verdadeiro era
Filipe Mota Veiga* e cuja vida tinha começado muito mal: aos cinco anos viu o pai
matar a mãe.
(...)
O David Mestre era um excesivo em muitos capítulos da
sua vida e ligava pouco à sua própria saúde.
(...)
Tinha feito um
bypass, mas, a seguir continuou com a mesma vida de excessos.


... e... "anjos bons"


A imagem mostra a Terezinha por detrás do David - sempre a
tomar conta dele



[Extractos e imagem daqui]


* O nome completo era Luis Filipe Guimaraes da Motta Veiga


N.B.: ... et pourtant, eu e' que "o matei"!





ADENDA


E ja' agora...





E este? Quem foi que "o matou"? Tambem fui eu???!!!!


Posts (nao) relacionados:


O (IN)CRIVEL SVENGALI

"Parafraseando"

Um Filme de Terror

Uma Estorieta Infantil




... "conflitos de personalidade", "esquizofrenias"...



Tenho, verdadeiramente, saudades do David Mestre, cujo nome verdadeiro era
Filipe Mota Veiga* e cuja vida tinha começado muito mal: aos cinco anos viu o pai
matar a mãe.
(...)
O David Mestre era um excesivo em muitos capítulos da
sua vida e ligava pouco à sua própria saúde.
(...)
Tinha feito um
bypass, mas, a seguir continuou com a mesma vida de excessos.


... e... "anjos bons"


A imagem mostra a Terezinha por detrás do David - sempre a
tomar conta dele



[Extractos e imagem daqui]


* O nome completo era Luis Filipe Guimaraes da Motta Veiga


N.B.: ... et pourtant, eu e' que "o matei"!





ADENDA


E ja' agora...





E este? Quem foi que "o matou"? Tambem fui eu???!!!!


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O (IN)CRIVEL SVENGALI

"Parafraseando"

Um Filme de Terror

Uma Estorieta Infantil


Wednesday, 5 January 2011

Malangatana (R.I.P.)





O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]




O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]

Thursday, 2 December 2010

Memoria de (um) "nosso Pravda"



Houve (ha') "outros" - antes e depois. Este era dirigido pelo David Mestre.
Da foto apenas reconheco, para alem do David, o Leston Bandeira, o Graca Campos, o Adelino de Almeida e o Victor Silva...


[imagem daqui]



Post (vagamente) relacionado:

'Memoria de um Trumunu Literario'



Houve (ha') "outros" - antes e depois. Este era dirigido pelo David Mestre.
Da foto apenas reconheco, para alem do David, o Leston Bandeira, o Graca Campos, o Adelino de Almeida e o Victor Silva...


[imagem daqui]



Post (vagamente) relacionado:

'Memoria de um Trumunu Literario'

Just Poetry (XXXIII)

Portugal Colonial

Nada te devo
nem o sítio
onde nasci

nem a morte
que depois comi
nem a vida

repartida
p'los cães
nem a notícia

curta
a dizer-te
que morri

nada te devo
Portugal
colonial

cicatriz
doutra pele
apertada



O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente



Amêndoa de Mombaça

Por ti
colhi o luar
na cabaça

comi o retrato
na vidraça
feri

o gargalo
na taça
bebi

onde bebe
a caça
por ti

por tua
amêndoa de
Mombaça



Blues

Tua voz desliza como um pássaro aberto na lâmina do dia
ilha que se levanta e voa a partir do Sol
lamento gritado da floresta por sua gazela perdida
choro grande do vento nas montanhas
ao nascimento de um escravo mais na história do vale

Tua voz vem de dentro da cidade
de todas as ruas bairros e leitos da cidade onde houver
um calor de pernas
contar o silêncio das horas guardadas a soco no sarilho
dos ventres
com um jazzman a assobiar na escuridão dos pares
a memória ácida do chicote
nos porões do Mundo



Nas Barbas Do Bando

E quem
nesta roda
riscou no peito
a ave
inviolável?

Qual de vós
apostou a morte
e perdeu?
Qual de vos
inegáveis patifes

navalhas encantadas
traçou no areal
a mais bela aventura
nas barbas
do bando?



Dedicatória

Teus dedos
vadios
colhendo flores
na renda
dos meus

recordarei de
pois quando
noutros dedos
tocava
os teus



Que outro nome

Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce e corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada. Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada. Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve. Liberdade.


[Poemas Seleccionados de David Mestre]
Portugal Colonial

Nada te devo
nem o sítio
onde nasci

nem a morte
que depois comi
nem a vida

repartida
p'los cães
nem a notícia

curta
a dizer-te
que morri

nada te devo
Portugal
colonial

cicatriz
doutra pele
apertada



O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente



Amêndoa de Mombaça

Por ti
colhi o luar
na cabaça

comi o retrato
na vidraça
feri

o gargalo
na taça
bebi

onde bebe
a caça
por ti

por tua
amêndoa de
Mombaça



Blues

Tua voz desliza como um pássaro aberto na lâmina do dia
ilha que se levanta e voa a partir do Sol
lamento gritado da floresta por sua gazela perdida
choro grande do vento nas montanhas
ao nascimento de um escravo mais na história do vale

Tua voz vem de dentro da cidade
de todas as ruas bairros e leitos da cidade onde houver
um calor de pernas
contar o silêncio das horas guardadas a soco no sarilho
dos ventres
com um jazzman a assobiar na escuridão dos pares
a memória ácida do chicote
nos porões do Mundo



Nas Barbas Do Bando

E quem
nesta roda
riscou no peito
a ave
inviolável?

Qual de vós
apostou a morte
e perdeu?
Qual de vos
inegáveis patifes

navalhas encantadas
traçou no areal
a mais bela aventura
nas barbas
do bando?



Dedicatória

Teus dedos
vadios
colhendo flores
na renda
dos meus

recordarei de
pois quando
noutros dedos
tocava
os teus



Que outro nome

Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce e corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada. Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada. Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve. Liberdade.


[Poemas Seleccionados de David Mestre]

Thursday, 10 December 2009

PERSONAGENS (V)



O (IN)CRIVEL SVENGALI


Era um predador.

Apanhou uma gazela desprevenida, perdida em sonhos, a caminho da Xicala.
Roubou-lhe a casa, os haveres e o dinheiro.

Vulto que era, desejava apoderar-se tambem dos seus amor-proprio, auto-estima, dignidade, identidade, alma e poesia – tal como havia feito o pai dele a sua mae, levando-o a renunciar ao seu verdadeiro nome de familia e, feito paranoico-esquizofrenico, a mergulhar de cabeca por toda a sua diletante vida em todos os vicios tipicos do bas fond, por entre generosas doses de alcool, liamba e heroina, dia sim, dia tambem...

Mas a gazela, ingénua e desprotegida, que nunca sequer disso suspeitara inicialmente, deixou-se por ele raptar para o que acabariam por ser 6 meses (seis!) de puro terror no seu tugurio. Conseguiu, no entanto, mas nao sem grandes lutas (!), manter-se ilesa dos vicios do predador, com cuja contaminacao ele frequentemente a ameacava...

Nunca comeram funge juntos porque, enquanto ela trabalhava, era geralmente ele que cozinhava e ‘a sua mesa nao se serviam “comidas do musseke”... nunca ouviram musica juntos porque nao era coisa que ele apreciasse (e la' dizia/cantava alguem: "nao se ama quem nao ouve a mesma cancao"...), nunca dancaram juntos porque nao era coisa que ele soubesse...

Ate’ que a gazela conseguiu fugir do seu cativeiro (ao fim de 6 meses - seis!), em estado de choque profundo, deixando-lhe em vomito tudo o que havia "debicado do prato dele" e comprado com o dinheiro dela na sua exclusiva loja diplomatica, levando consigo apenas e so’ tudo quanto aprendera com ele: a ter mais cuidado a caminho da Xicala!

Para todo o sempre despeitado com a fuga da sua presa de estimacao (a quem ele tratava, supostamente carinhosamente, por "bicho") e para selar as suas competencias de "pacheco", o predador haveria de usar de todo o tipo de golpes baixos e sujos para lhe colar lama ao nome (mas, especialmente, para escarnecer sobre a sua poesia - escrita ao longo de varios anos, antes e depois, mas nunca durante os tais fatidicos 6 meses (!), em que, diga-se de passagem ela nunca lera qualquer poema dele... - sobre a qual, aquando da sua publicacao cerca de 5 anos depois, embora perante ela se dissesse "agradavelmente surpreendido", a outros dizia ser "da autoria dele"...), usando para o efeito os servicos de um pequeno, mas eficiente, regimento de mestrandos seus e outros tantos dickheads, low lifes e sycophants (traduzido para mwangole': "aqueles que so' teem uma coisa na cabeca e vida deles e' so' fazere bwe' de kilapie', kuribotar e lamber botas") de vocacao e profissao, incluindo jornalistas/kuribotas frustrados; antigos combatentes de ocasiao eternamente encalacrados entre 'mulembeiras' e 'mafumeiras' ou entre Tomaz Vieira da Cruz e Mario Antonio de Oliveira; secretas "paiados"; "brigadistas" enraivecidos e cegos de inveja que nunca perdoariam a gazela ter entrado para o templo dos escribas primeiro do que eles, acompanhados de suas madrinhas com perguntas como "porque promover uns e nao outros?!"; “epigonos” muito dados ao uso e abuso de chavoes e palavroes como “poemario” e geralmente envelhecidas e deselegantes (em alguns casos tambem desgrenhadas e desdentadas), enciumadas, ressabiadas, recalcadas, frustradas e pseudo-intelectuais belles de jour locais... Essa foi a sua "heranca intelectual" - nao deixando de ser relevante aqui notar que quando ele a raptara, ja' a gazela tinha educacao de nivel universitario, enquanto ele nunca completara o ensino secundario!...

Mas tambem era um poeta "afectuoso", o (in)crivel Svengali predador. E bom cozinheiro. E de esquerda!

[Por isso conseguiu fazer das suas impunemente nas barbas do bando!]



O (IN)CRIVEL SVENGALI


Era um predador.

Apanhou uma gazela desprevenida, perdida em sonhos, a caminho da Xicala.
Roubou-lhe a casa, os haveres e o dinheiro.

Vulto que era, desejava apoderar-se tambem dos seus amor-proprio, auto-estima, dignidade, identidade, alma e poesia – tal como havia feito
o pai dele a sua mae, levando-o a renunciar ao seu verdadeiro nome de familia e, feito paranoico-esquizofrenico, a mergulhar de cabeca por toda a sua diletante vida em todos os vicios tipicos do bas fond, por entre generosas doses de alcool, liamba e heroina, dia sim, dia tambem...

Mas a gazela, ingénua e desprotegida, que nunca sequer disso suspeitara inicialmente, deixou-se por ele raptar para o que acabariam por ser 6 meses (seis!) de puro terror no seu tugurio. Conseguiu, no entanto, mas nao sem grandes lutas (!), manter-se ilesa dos vicios do predador, com cuja contaminacao ele frequentemente a ameacava...

Nunca comeram funge juntos porque, enquanto ela trabalhava, era geralmente ele que cozinhava e ‘a sua mesa nao se serviam “comidas do musseke”... nunca ouviram musica juntos porque nao era coisa que ele apreciasse (e la' dizia/cantava alguem: "nao se ama quem nao ouve a mesma cancao"...), nunca dancaram juntos porque nao era coisa que ele soubesse...

Ate’ que a gazela conseguiu fugir do seu cativeiro (ao fim de 6 meses - seis!), em estado de choque profundo, deixando-lhe em vomito tudo o que havia "debicado do prato dele" e comprado com o dinheiro dela na sua exclusiva loja diplomatica, levando consigo apenas e so’ tudo quanto aprendera com ele: a ter mais cuidado a caminho da Xicala!

Para todo o sempre despeitado com a fuga da sua presa de estimacao (a quem ele tratava, supostamente carinhosamente, por "bicho") e para selar as suas competencias de "pacheco", o predador haveria de usar de todo o tipo de golpes baixos e sujos para lhe colar lama ao nome (mas, especialmente, para escarnecer sobre a sua poesia - escrita ao longo de varios anos, antes e depois, mas nunca durante os tais fatidicos 6 meses (!), em que, diga-se de passagem ela nunca lera qualquer poema dele... - sobre a qual, aquando da sua publicacao cerca de 5 anos depois, embora perante ela se dissesse "agradavelmente surpreendido", a outros dizia ser "da autoria dele"...), usando para o efeito os servicos de um pequeno, mas eficiente, regimento de mestrandos seus e outros tantos dickheads, low lifes e sycophants (traduzido para mwangole': "aqueles que so' teem uma coisa na cabeca e vida deles e' so' fazere bwe' de kilapie', kuribotar e lamber botas") de vocacao e profissao, incluindo jornalistas/kuribotas frustrados; antigos combatentes de ocasiao eternamente encalacrados entre 'mulembeiras' e 'mafumeiras' ou entre Tomaz Vieira da Cruz e Mario Antonio de Oliveira; secretas "paiados"; "brigadistas" enraivecidos e cegos de inveja que nunca perdoariam a gazela ter entrado para o templo dos escribas primeiro do que eles, acompanhados de suas madrinhas com perguntas como "porque promover uns e nao outros?!"; “epigonos” muito dados ao uso e abuso de chavoes e palavroes como “poemario” e geralmente envelhecidas e deselegantes (em alguns casos tambem desgrenhadas e desdentadas), enciumadas, ressabiadas, recalcadas, frustradas e pseudo-intelectuais belles de jour locais... Essa foi a sua "heranca intelectual" - nao deixando de ser relevante aqui notar que quando ele a raptara, ja' a gazela tinha educacao de nivel universitario, enquanto ele nunca completara o ensino secundario!...

Mas tambem era um poeta "afectuoso", o (in)crivel Svengali predador. E bom cozinheiro. E de esquerda!

[Por isso conseguiu fazer das suas impunemente nas barbas do bando!]