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Wednesday, 5 January 2011

Malangatana (R.I.P.)





O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]




O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]

Friday, 27 August 2010

Mocambique: Relendo Samora pelo pincel de Naguib (I)

Num fim de tarde dedicado ao lazer, entre as tensas sessoes de trabalho das 'Reunioes Internacionais sobre Recursos Hidricos Partilhados', que tiveram lugar em Maputo em Novembro de 2003 (algumas imagens das quais podem ser vistas no slideshow deste post), o meu colega e amigo mocambicano Luis de Almeida levou-me a visitar uma exposicao de Naguib, no seu Espaco Artistico (Academia de Arte) - Galeria Joe Braganca.

Trata-se de um espaco de fazer inveja a qualquer artista, em qualquer parte do mundo - tanto pela sua localizacao, junto a Marginal da cidade, como pela concepcao espacial e arquitectonica - que logo me fez pensar, e disse-o na altura ao Luis, do quanto "o meu artista" da Humbi-Humbi em Luanda gostaria de o ter... [E isto transporta-me a uma certa tarde de domingo em Luanda, em que, com um certo poeta errante que ja' por aqui me vi compelida a designar "O Incrivel Svengali", nos dirigiamos, de maos dadas, a uma exposicao do Mestre Malangatana* na galeria da UNAP. Ao aproximarmo-nos do local, o Malangatana, que estava parado no largo em frente, ao ver-nos comecou a dirigir-se a nos e, falando para o poeta mas olhando para mim, disse sorridente: "estas muito bonito hoje!"]

Bom, regressando a Maputo e ao Espaco Artistico, eu e o Luis encontramos la' o Naguib, tambem em momento de lazer com a familia, que nos pediu que estivessemos a vontade apesar de, aquela hora, o espaco ja' estar encerrado ao publico. De la' trouxe o catalogo da sua exposicao patente na altura, "Samora Machel: Pensamento, Enxada e Sacrificio - Frases de Samora pelo pincel de Naguib", que contem tambem uma reportagem fotografica da visita de Samora a primeira exposicao individual de Naguib, em 1986, entitulada "Grito de Paz".

Nao me sendo possivel de momento, por razoes tecnicas, reproduzir aqui as imagens do catalogo, recorro a outras (representativas da obra de Naguib nos anos que se seguiram aquela exposicao de 2003) que, com a devida venia, fui tomar de emprestimo ao blog de Ricardo Riso, com quem ja' tivemos antes algum intercambio (aqui e aqui). Mas as frases de Samora que aqui reproduzo sao retiradas do catalogo.



Australírica numa variação de nyau, 2004


Promover a emancipacao da mulher, recuperar a sua dignidade, uma das fontes principais da batalha para uma autentica libertacao do nosso povo.


Exaltação lírica nas margens do Zambeze I, 2005


A emancipacao da mulher nao e' um acto de caridade, nao resulta duma posicao humanitaria ou de compaixao. No seio da sociedade, ela aparece como o ser mais oprimido, mais humilhado, mais explorado. Ela e' explorada ate' pelo explorado, batida pelo homem rasgado pela palmatoria, humilhada pelo homem esmagado pela bota do patrao e do colono.


Exaltação lírica nas margens do Zambeze II, 2005


O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Nao facam da tarefa recebida um privilegio ou veiculo de acumular bens ou distribuir favores.


Efabulírica com todas as claves, 2004


O ignorante e' incompetente. O incompetente julga saber tudo.


Reinventário de manhã para amar sem medo III, 2005


Dominar a tecnica e a ciencia e' estudar e nao imitar.


Exaltação lírica nas margens do Zambeze III, 2005


A luta contra o subdesenvolvimento e' uma batalha cultural.


*[No inicio do catalogo, e' reproduzida uma carta de Naguib a Luis (Carlos Patraquim), entitulada "A Minha Sincera Opiniao", relativa a sua obra ate' entao, onde se podem ler os seguintes extractos: "(...) Foi uma investigacao literaria e nao vivida; tentei nao confundir-me com o Malangatana fazendo corpos inteiros, num emaranhado de espacos subdivididos por cores. Nao me agradou e como consequencia deixo os vazios 'as escuras, como estava a minha mente no momento." (sobre "Pranto de Mae Africa"); "(...) Gostaria de dar a cada obra mais profundidade tecnica que nao a encontro ca', nem no Malangatana. Onde ir beber isso ainda nao sei. E, e' claro, sem me esquecer da Luz que a meu ver ainda e' fraca." (sobre "Grito de Paz"); "(...) Portanto, recebi muitos louvores e felicitacoes, mas acabo de assumir uma carga bem pesada. Em suma, para nao te roubar mais tempo, tenho a dizer-te que so' me resta um caminho: trabalhar dez vezes mais. Percebes? Um abraco. Naguib - Maputo, 24 Abril/86."
Num fim de tarde dedicado ao lazer, entre as tensas sessoes de trabalho das 'Reunioes Internacionais sobre Recursos Hidricos Partilhados', que tiveram lugar em Maputo em Novembro de 2003 (algumas imagens das quais podem ser vistas no slideshow deste post), o meu colega e amigo mocambicano Luis de Almeida levou-me a visitar uma exposicao de Naguib, no seu Espaco Artistico (Academia de Arte) - Galeria Joe Braganca.

Trata-se de um espaco de fazer inveja a qualquer artista, em qualquer parte do mundo - tanto pela sua localizacao, junto a Marginal da cidade, como pela concepcao espacial e arquitectonica - que logo me fez pensar, e disse-o na altura ao Luis, do quanto "o meu artista" da Humbi-Humbi em Luanda gostaria de o ter... [E isto transporta-me a uma certa tarde de domingo em Luanda, em que, com um certo poeta errante que ja' por aqui me vi compelida a designar "O Incrivel Svengali", nos dirigiamos, de maos dadas, a uma exposicao do Mestre Malangatana* na galeria da UNAP. Ao aproximarmo-nos do local, o Malangatana, que estava parado no largo em frente, ao ver-nos comecou a dirigir-se a nos e, falando para o poeta mas olhando para mim, disse sorridente: "estas muito bonito hoje!"]

Bom, regressando a Maputo e ao Espaco Artistico, eu e o Luis encontramos la' o Naguib, tambem em momento de lazer com a familia, que nos pediu que estivessemos a vontade apesar de, aquela hora, o espaco ja' estar encerrado ao publico. De la' trouxe o catalogo da sua exposicao patente na altura, "Samora Machel: Pensamento, Enxada e Sacrificio - Frases de Samora pelo pincel de Naguib", que contem tambem uma reportagem fotografica da visita de Samora a primeira exposicao individual de Naguib, em 1986, entitulada "Grito de Paz".

Nao me sendo possivel de momento, por razoes tecnicas, reproduzir aqui as imagens do catalogo, recorro a outras (representativas da obra de Naguib nos anos que se seguiram aquela exposicao de 2003) que, com a devida venia, fui tomar de emprestimo ao blog de Ricardo Riso, com quem ja' tivemos antes algum intercambio (aqui e aqui). Mas as frases de Samora que aqui reproduzo sao retiradas do catalogo.



Australírica numa variação de nyau, 2004


Promover a emancipacao da mulher, recuperar a sua dignidade, uma das fontes principais da batalha para uma autentica libertacao do nosso povo.


Exaltação lírica nas margens do Zambeze I, 2005


A emancipacao da mulher nao e' um acto de caridade, nao resulta duma posicao humanitaria ou de compaixao. No seio da sociedade, ela aparece como o ser mais oprimido, mais humilhado, mais explorado. Ela e' explorada ate' pelo explorado, batida pelo homem rasgado pela palmatoria, humilhada pelo homem esmagado pela bota do patrao e do colono.


Exaltação lírica nas margens do Zambeze II, 2005


O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Nao facam da tarefa recebida um privilegio ou veiculo de acumular bens ou distribuir favores.


Efabulírica com todas as claves, 2004


O ignorante e' incompetente. O incompetente julga saber tudo.


Reinventário de manhã para amar sem medo III, 2005


Dominar a tecnica e a ciencia e' estudar e nao imitar.


Exaltação lírica nas margens do Zambeze III, 2005


A luta contra o subdesenvolvimento e' uma batalha cultural.


*[No inicio do catalogo, e' reproduzida uma carta de Naguib a Luis (Carlos Patraquim), entitulada "A Minha Sincera Opiniao", relativa a sua obra ate' entao, onde se podem ler os seguintes extractos: "(...) Foi uma investigacao literaria e nao vivida; tentei nao confundir-me com o Malangatana fazendo corpos inteiros, num emaranhado de espacos subdivididos por cores. Nao me agradou e como consequencia deixo os vazios 'as escuras, como estava a minha mente no momento." (sobre "Pranto de Mae Africa"); "(...) Gostaria de dar a cada obra mais profundidade tecnica que nao a encontro ca', nem no Malangatana. Onde ir beber isso ainda nao sei. E, e' claro, sem me esquecer da Luz que a meu ver ainda e' fraca." (sobre "Grito de Paz"); "(...) Portanto, recebi muitos louvores e felicitacoes, mas acabo de assumir uma carga bem pesada. Em suma, para nao te roubar mais tempo, tenho a dizer-te que so' me resta um caminho: trabalhar dez vezes mais. Percebes? Um abraco. Naguib - Maputo, 24 Abril/86."

Tuesday, 17 August 2010

Ruy Duarte de Carvalho: Antropologia & Arte

Por ocasiao do recente passamento de Ruy Duarte de Carvalho, deixo aqui dois textos sobre a sua obra, respectivamente da poeta Ana Paula Tavares e do antropologo Miguel Vale de Almeida.



Escrever a Nação

[Sobre "A câmara, a escrita e a coisa dita...: fitas, textos e palestras", por Ana Paula Tavares - Maio, 2010]


A criação de um estado (acto jurídico) pressupõe a urdidura de uma nação (processo cultural). -- Ruy Duarte de Carvalho, Ana a Manda os filhos da rede


Vinte anos depois da publicação deste trabalho, inicialmente tese de doutoramento do 3º ciclo defendida na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em 1986 e publicada em Lisboa em 1989, dele retiramos a epígrafe como fio que conduz a uma revisita de algumas das articulações mais complexas e pedagogicamente mais conseguidas de quem “atento desde sempre às falas do lugar”[1] enuncia os princípios da inteligibilidade que podem ajudar a perceber Angola, seus actos fundacionais e a proclamação pública que os acrescenta.

O livro de que nos ocupamos agora reúne ensaios produzidos em e sobre Angola que o autor organiza por ordem cronológica do mais recente (2005) ao mais antigo (1982) dando nova ordem de leitura a textos já publicados anteriormente[2] aos quais acrescenta produção posterior resultante da sua participação em palestras, colóquios e lições.

Importa abrir um lugar ao cinema não para falar de filmes (que são muitos e variados) mas sim de toda a reflexão teórica em torna das relações entre cinema e antropologia e assim resumir o que o autor chamou de “urgências” (p. 389), a primeira: “produzir filmes, cientificamente correctos, socialmente operantes, cinematograficamente válidos e eticamente honestos” (p. 450), labor a que se propôs logo após a independência nacional ao mesmo tempo que recuperarava a jeep e de máquina de filmar nas mãos o território que cabia dentro da nação.

Desde sempre o leitor sente a noção de estranhamento relacionada com a estratégia analítica a permitir formular as razões do cinema e as suas relações com a poesia, a tradição oral, o filmador e o filmado. É a abertura do texto ao mundo circundante, fazendo uso de todo o conhecimento para construir uma gramática das inquietações e elaborar uma obra que reconhecemos impar na maneira original como ainda hoje nos interroga, ausculta e esclarece.

Assumindo desde sempre um ‘eu’ sujeito, a consciência dentro do texto, Ruy Duarte de Carvalho escreve as circunstâncias inquietantes que vê e de que é informado e que o levam a produzir “mais do que honestos relatórios” a seduzir pela escrita os eventuais consumidores dos seus textos.

[Texto integral aqui]


Antropologia e Literatura: A Proposito e por Causa de Ruy Duarte de Carvalho

[Por Miguel Vale de Almeida - Fevereiro, 2008]


(...)

Onde os antropólogos, sobretudo a partir dos anos oitenta, se concentraram, foi antes na questão da relação entre autoria e autoridade. Afinal de contas, o texto etnográfico e/ou antropológico, dá ou não conta da pluralidade de vozes no terreno, dos conflitos entre elas, reproduz ou não estruturas de autoridade e precedência não só do terreno mas também das relações entre o Ocidente e o Resto, entre a Ciência e os seus “objectos”?

Na página 27 do seu livro mais marcadamente antropológico, Ana a Manda – Os Filhos da rede (sua tese de doutoramento, defendida em 1986 e publicada em 1989), Ruy Duarte de Carvalho escreve: «Nós estamos, do ponto de vista de uma ética profissional e intelectual, do lado daqueles para quem, em relação a um trabalho como este, a noção de autor se torna ambígua desde que o texto integre a participação de outrem.»

(...)

Se a relação entre “Antropologia e Literatura” é como cutucar uma ferida (pessoal até, no caso presente, já que me vejo como amador dos contos e da ficção científica, blogger, cronista político, ensaísta popularizador e, claro, antropólogo), a verdade é que não existe Betadine epistemológico, metodológico, ético ou político que a sare. James Clifford usa como epígrafe de um dos seus textos em The Predicament of Culture versos de William Carlos Williams que aludem a como «os produtos puros enlouqueceram».

É justamente a “impureza” da obra de Ruy Duarte, o seu não privilegiar de uma autoidentificação enquanto antropólogo, a sua fidelidade à autoria literária, que nos permite – a leitores vindos da antropologia como eu – reencontrar a sanidade e assim ver com caleidoscópica clareza a complexidade dos trânsitos culturais em que vivemos. Da obra de Ruy Duarte não transparece a ferida a que aludi. Quem se assume na multiplicidade de géneros e vozes, na hibridez, e no tráfico e trânsito, transcende os próprios termos em que a questão é colocada. A autoria – despida da autoridade da hiperdefinição literária ou antropológica – é, afinal de contas, o que evita a ferida.

[Texto integral aqui]
Por ocasiao do recente passamento de Ruy Duarte de Carvalho, deixo aqui dois textos sobre a sua obra, respectivamente da poeta Ana Paula Tavares e do antropologo Miguel Vale de Almeida.



Escrever a Nação

[Sobre "A câmara, a escrita e a coisa dita...: fitas, textos e palestras", por Ana Paula Tavares - Maio, 2010]


A criação de um estado (acto jurídico) pressupõe a urdidura de uma nação (processo cultural). -- Ruy Duarte de Carvalho, Ana a Manda os filhos da rede


Vinte anos depois da publicação deste trabalho, inicialmente tese de doutoramento do 3º ciclo defendida na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em 1986 e publicada em Lisboa em 1989, dele retiramos a epígrafe como fio que conduz a uma revisita de algumas das articulações mais complexas e pedagogicamente mais conseguidas de quem “atento desde sempre às falas do lugar”[1] enuncia os princípios da inteligibilidade que podem ajudar a perceber Angola, seus actos fundacionais e a proclamação pública que os acrescenta.

O livro de que nos ocupamos agora reúne ensaios produzidos em e sobre Angola que o autor organiza por ordem cronológica do mais recente (2005) ao mais antigo (1982) dando nova ordem de leitura a textos já publicados anteriormente[2] aos quais acrescenta produção posterior resultante da sua participação em palestras, colóquios e lições.

Importa abrir um lugar ao cinema não para falar de filmes (que são muitos e variados) mas sim de toda a reflexão teórica em torna das relações entre cinema e antropologia e assim resumir o que o autor chamou de “urgências” (p. 389), a primeira: “produzir filmes, cientificamente correctos, socialmente operantes, cinematograficamente válidos e eticamente honestos” (p. 450), labor a que se propôs logo após a independência nacional ao mesmo tempo que recuperarava a jeep e de máquina de filmar nas mãos o território que cabia dentro da nação.

Desde sempre o leitor sente a noção de estranhamento relacionada com a estratégia analítica a permitir formular as razões do cinema e as suas relações com a poesia, a tradição oral, o filmador e o filmado. É a abertura do texto ao mundo circundante, fazendo uso de todo o conhecimento para construir uma gramática das inquietações e elaborar uma obra que reconhecemos impar na maneira original como ainda hoje nos interroga, ausculta e esclarece.

Assumindo desde sempre um ‘eu’ sujeito, a consciência dentro do texto, Ruy Duarte de Carvalho escreve as circunstâncias inquietantes que vê e de que é informado e que o levam a produzir “mais do que honestos relatórios” a seduzir pela escrita os eventuais consumidores dos seus textos.

[Texto integral aqui]


Antropologia e Literatura: A Proposito e por Causa de Ruy Duarte de Carvalho

[Por Miguel Vale de Almeida - Fevereiro, 2008]


(...)

Onde os antropólogos, sobretudo a partir dos anos oitenta, se concentraram, foi antes na questão da relação entre autoria e autoridade. Afinal de contas, o texto etnográfico e/ou antropológico, dá ou não conta da pluralidade de vozes no terreno, dos conflitos entre elas, reproduz ou não estruturas de autoridade e precedência não só do terreno mas também das relações entre o Ocidente e o Resto, entre a Ciência e os seus “objectos”?

Na página 27 do seu livro mais marcadamente antropológico, Ana a Manda – Os Filhos da rede (sua tese de doutoramento, defendida em 1986 e publicada em 1989), Ruy Duarte de Carvalho escreve: «Nós estamos, do ponto de vista de uma ética profissional e intelectual, do lado daqueles para quem, em relação a um trabalho como este, a noção de autor se torna ambígua desde que o texto integre a participação de outrem.»

(...)

Se a relação entre “Antropologia e Literatura” é como cutucar uma ferida (pessoal até, no caso presente, já que me vejo como amador dos contos e da ficção científica, blogger, cronista político, ensaísta popularizador e, claro, antropólogo), a verdade é que não existe Betadine epistemológico, metodológico, ético ou político que a sare. James Clifford usa como epígrafe de um dos seus textos em The Predicament of Culture versos de William Carlos Williams que aludem a como «os produtos puros enlouqueceram».

É justamente a “impureza” da obra de Ruy Duarte, o seu não privilegiar de uma autoidentificação enquanto antropólogo, a sua fidelidade à autoria literária, que nos permite – a leitores vindos da antropologia como eu – reencontrar a sanidade e assim ver com caleidoscópica clareza a complexidade dos trânsitos culturais em que vivemos. Da obra de Ruy Duarte não transparece a ferida a que aludi. Quem se assume na multiplicidade de géneros e vozes, na hibridez, e no tráfico e trânsito, transcende os próprios termos em que a questão é colocada. A autoria – despida da autoridade da hiperdefinição literária ou antropológica – é, afinal de contas, o que evita a ferida.

[Texto integral aqui]

Sunday, 6 December 2009

MIGUEL PETCHKOVSKY

Uma daquelas pessoas que subitamente perdemos completamente de vista.
De vez em quando perguntamo-nos “que sera’ feito?”, “o que lhe tera’ acontecido?”, “por onde andara’?”…
Ao longo dos anos, por vezes parece-nos reconhecer as suas feicoes no rosto de um qualquer desconhecido, mas acabamos por nos resignar a sua “perca (perda?) de vista”.
Ate’ que um belo dia, por mero acaso, deparamo-nos com o seu nome numa website
Nao tinhamos bem a certeza de como se escrevia exactamente o seu sobrenome, mas 'soa-nos' muito proximo do que nos lembramos, e do nome nao temos duvidas.
Clikamos no link e 'damos de caras' com a foto… Sim, apesar do cabelo grisalho e o ar “mais velho”, reconhecemo-lo.


E’ mesmo ele. Esta’ vivo, esta’ no mundo!

E pelo que lemos e vemos no seu cv e portfolio, tem tido uma brilhante carreira artistica e profissional!

And he gets motivation from Walter Benjamin: "don't build on good old days but the bad new ones"...

Depois de cerca de 25 anos (um quarto de seculo!), ha’ cerca de 3 dias finalmente reencontramo-lo aqui!
Uma daquelas pessoas que subitamente perdemos completamente de vista.
De vez em quando perguntamo-nos “que sera’ feito?”, “o que lhe tera’ acontecido?”, “por onde andara’?”…
Ao longo dos anos, por vezes parece-nos reconhecer as suas feicoes no rosto de um qualquer desconhecido, mas acabamos por nos resignar a sua “perca (perda?) de vista”.
Ate’ que um belo dia, por mero acaso, deparamo-nos com o seu nome numa website
Nao tinhamos bem a certeza de como se escrevia exactamente o seu sobrenome, mas 'soa-nos' muito proximo do que nos lembramos, e do nome nao temos duvidas.
Clikamos no link e 'damos de caras' com a foto… Sim, apesar do cabelo grisalho e o ar “mais velho”, reconhecemo-lo.


E’ mesmo ele. Esta’ vivo, esta’ no mundo!

E pelo que lemos e vemos no seu cv e portfolio, tem tido uma brilhante carreira artistica e profissional!

And he gets motivation from Walter Benjamin: "don't build on good old days but the bad new ones"...

Depois de cerca de 25 anos (um quarto de seculo!), ha’ cerca de 3 dias finalmente reencontramo-lo aqui!

Tuesday, 19 May 2009

BRASIL E ANGOLA UNIDOS PELA ARTE

Reduzir o Oceano Atlântico, que separa o Brasil de Angola, a um pequeno riacho e atravessá-lo de jangada.
Esse é o objetivo de um grupo de estudantes da sétima série da Escola Estadual Carlos Alberto Galhiego, em Campinas, interior de São Paulo, no Brasil. Eles terão como jangada a Internet e como ferramentas a criatividade e a Arte.
Tudo começou quando a professora Adriana Maria Paiola da Silva, que leciona Arte nesta Escola, conheceu e se identificou com os objetivos e a forma de atuação do Movimento Lev´Arte Angola.
“A humanização através da Arte traz grandes benefícios para os jovens e adolescentes, que descobrem um mundo novo, ampliam seus horizontes e melhoram a autoestima. É exatamente o que precisamos em nossa escola”, declara a professora.
Os contatos foram feitos com o coordenador do Lev´Arte Angola, Kardo Bestilo e a ótima receptividade foi essencial para a criação do Lev´Arte Brasil.
“Fomos muito bem recebidos e aceitos, o que deixou todos os alunos com grande motivação e expectativas. Agora vamos fazer acontecer no Brasil”, comemora Adriana Silva.
As atividades começarão oficialmente no dia 25 de maio, em homenagem ao Dia da África, quando serão lidos a mensagem de boas-vindas do Lev´Arte Angola, os poemas dos alunos, apresentação de dança entre outros eventos.
Mesmo marcado para o dia 25 de maio, as atividades do Lev´Arte Brasil começaram no dia 15, com a visita dos alunos a exposição Verso e Reverso, do artista plástico Julio Villani. Para muitos alunos esta visita foi a primeira vez que entrarão em uma galeria de arte.
“O início no Dia da África é muito significativo para todos nós. O Brasil possui muitas semelhanças com o povo africano. E também será nossa forma de homenagear o povo de Angola e de todo o continente africano”, explica a professora.
Depois da abertura oficial, o Lev´Arte Brasil pretende criar eventos semelhantes ao do parceiro em Angola, como A tarde da Poesia e ainda, participar ativamente do blogue Fazemos Acontecer com noticias atualizadas do Brasil e executar projetos em conjunto, como lançamento de livro, transmissão em tempo real do eventos e tudo o mais que for possível.
“A Arte é a grande unificadora desta iniciativa, que pretendemos que seja duradoura e traga bons frutos para os jovens de Campinas e Luanda”, finaliza Adriana Maria Paiola da Silva.

José Carlos da Silva
Campinas - Brasil

Informações adicionais
A Escola Estadual Carlos Alberto Galhiego, de Campinas, está situada no bairro Campo Grande, região Oeste e distante cerca de 20 quilometros do centro da cidade.
Parte dos bairros da Região Oeste, principalmente os localizados na região do Campo Grande e do Itajaí, são conhecidos pela grande autonomia, uma vez que se situam afastados do centro. Nessa região existem famílias de renda média e baixa. Os bairros da Zona Oeste não possuem Centros Culturais, Teatros, Galerias ou Casa de Espetáculos.
Reduzir o Oceano Atlântico, que separa o Brasil de Angola, a um pequeno riacho e atravessá-lo de jangada.
Esse é o objetivo de um grupo de estudantes da sétima série da Escola Estadual Carlos Alberto Galhiego, em Campinas, interior de São Paulo, no Brasil. Eles terão como jangada a Internet e como ferramentas a criatividade e a Arte.
Tudo começou quando a professora Adriana Maria Paiola da Silva, que leciona Arte nesta Escola, conheceu e se identificou com os objetivos e a forma de atuação do Movimento Lev´Arte Angola.
“A humanização através da Arte traz grandes benefícios para os jovens e adolescentes, que descobrem um mundo novo, ampliam seus horizontes e melhoram a autoestima. É exatamente o que precisamos em nossa escola”, declara a professora.
Os contatos foram feitos com o coordenador do Lev´Arte Angola, Kardo Bestilo e a ótima receptividade foi essencial para a criação do Lev´Arte Brasil.
“Fomos muito bem recebidos e aceitos, o que deixou todos os alunos com grande motivação e expectativas. Agora vamos fazer acontecer no Brasil”, comemora Adriana Silva.
As atividades começarão oficialmente no dia 25 de maio, em homenagem ao Dia da África, quando serão lidos a mensagem de boas-vindas do Lev´Arte Angola, os poemas dos alunos, apresentação de dança entre outros eventos.
Mesmo marcado para o dia 25 de maio, as atividades do Lev´Arte Brasil começaram no dia 15, com a visita dos alunos a exposição Verso e Reverso, do artista plástico Julio Villani. Para muitos alunos esta visita foi a primeira vez que entrarão em uma galeria de arte.
“O início no Dia da África é muito significativo para todos nós. O Brasil possui muitas semelhanças com o povo africano. E também será nossa forma de homenagear o povo de Angola e de todo o continente africano”, explica a professora.
Depois da abertura oficial, o Lev´Arte Brasil pretende criar eventos semelhantes ao do parceiro em Angola, como A tarde da Poesia e ainda, participar ativamente do blogue Fazemos Acontecer com noticias atualizadas do Brasil e executar projetos em conjunto, como lançamento de livro, transmissão em tempo real do eventos e tudo o mais que for possível.
“A Arte é a grande unificadora desta iniciativa, que pretendemos que seja duradoura e traga bons frutos para os jovens de Campinas e Luanda”, finaliza Adriana Maria Paiola da Silva.

José Carlos da Silva
Campinas - Brasil

Informações adicionais
A Escola Estadual Carlos Alberto Galhiego, de Campinas, está situada no bairro Campo Grande, região Oeste e distante cerca de 20 quilometros do centro da cidade.
Parte dos bairros da Região Oeste, principalmente os localizados na região do Campo Grande e do Itajaí, são conhecidos pela grande autonomia, uma vez que se situam afastados do centro. Nessa região existem famílias de renda média e baixa. Os bairros da Zona Oeste não possuem Centros Culturais, Teatros, Galerias ou Casa de Espetáculos.

Thursday, 19 April 2007

READY?... STEADY?... GO!!!


OK, SATURDAY HAS COME, AS MY GOOD FRIEND SAILOR GIRL JUST REMINDED ME!!!

SO...

HERE...

ARE...

THE RESULTS!!!!

1ro PREMIO: "ARTE AFRICANA ("O QUE QUER QUE ISSO SEJA")"

(EX-AEQUO)

***SAILOR GIRL***

***JUCA***

***MARTHA***

*****NO ENTANTO, POR TER SIDO A PRIMEIRA E MAIS ENTUSIASTICA PARTICIPANTE, A SAILOR GIRL LEVA UM PREMIO ESPECIAL DO JURI COM 5 ESTRELAS E SEM O "O QUE QUER QUE ISSO SEJA", POR TER DEMONSTRADO SABER BEM O QUE E' ARTE AFRICANA!*****

2do PREMIO: "GENERALISTA"

**ANONYMOUS**

3ro PREMIO: "ESPECIALISTA"

*NAO ATRIBUIDO - por isso guardo-o para mim!*

PARABENS A TODOS!!!!!!!

PALMAS!!!!!!!!!!!!!!

[N.B.: As pinturas genuinas estiveram aqui expostas num slideshow durante algum tempo. As imitacoes podem ser vistas neste site.]
...

Ver detalhes do Passatempo
AQUI.


OK, SATURDAY HAS COME, AS MY GOOD FRIEND SAILOR GIRL JUST REMINDED ME!!!

SO...

HERE...

ARE...

THE RESULTS!!!!

1ro PREMIO: "ARTE AFRICANA ("O QUE QUER QUE ISSO SEJA")"

(EX-AEQUO)

***SAILOR GIRL***

***JUCA***

***MARTHA***

*****NO ENTANTO, POR TER SIDO A PRIMEIRA E MAIS ENTUSIASTICA PARTICIPANTE, A SAILOR GIRL LEVA UM PREMIO ESPECIAL DO JURI COM 5 ESTRELAS E SEM O "O QUE QUER QUE ISSO SEJA", POR TER DEMONSTRADO SABER BEM O QUE E' ARTE AFRICANA!*****

2do PREMIO: "GENERALISTA"

**ANONYMOUS**

3ro PREMIO: "ESPECIALISTA"

*NAO ATRIBUIDO - por isso guardo-o para mim!*

PARABENS A TODOS!!!!!!!

PALMAS!!!!!!!!!!!!!!

[N.B.: As pinturas genuinas estiveram aqui expostas num slideshow durante algum tempo. As imitacoes podem ser vistas neste site.]
...

Ver detalhes do Passatempo
AQUI.