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Sunday, 12 August 2012

Faleceu Kok Nam






(Lembro-me bem dele - acho que uma vez me fotografou - Paz a Sua Alma)

Forwarded from MediaCoop, Maputo
Av. Amílcar Cabral, 1049 * C.P. 73

...
KOK NAM
1939-2012

O nosso amigo e colega Kok Nam, foto-jornalista e também Director do semanário SAVANA, deixou-nos esta madrugada, 11 de Agosto, depois de uma vida repleta de realizações pessoais e profissionais.
Kok Nam, fundou com outros 12 jornalistas o primeiro grupo independente de comunicação social do pós independência de Moçambique em 1992, tendo sido eleito director do semanário SAVANA em 1994, posição que manteve até à data da sua partida.
Nascido na então Lourenço Marques (hoje Maputo), filho de camponeses emigrados da região de Cantão na China, iniciou as suas lides fotográficas aos 17 anos como impressor fotográfico, passando no início da década de 60 para os quadros do Diário de Moçambique e da Voz Africana, publicações progressistas do Episcopado católico da Beira, liderado por D. Sebastião Soares de Resende. Passou também pelo "Notícias da Tarde" e pelo "Notícias", antes de se juntar em 1970 ao núcleo de jornalistas que criou a revista "Tempo", uma publicação inconformista e rebelde, tentando furar as malhas da censura colonial e do Estado Novo português.
Durante o período revolucionário permaneceu na "Tempo", aderindo aos vários movimentos internos de luta contra o controle partidário da informação produzida depois da independência de Moçambique, em 1975. O manuscrito inicial do documento "O Direito do Povo à Informação", exigindo a liberdade de imprensa como um direito constitucional, foi elaborado em sua casa, em Fevereiro de 1990. Um ano depois, rompe com o "status quo" de então e com os seus colegas Naita Ussene, Fernando Manuel e António Elias (já falecido), junta-se ao projecto mediacoop, inicialmente uma cooperativa de jornalistas.
De trato fácil, incrivelmente jovial, cultivando sempre a modéstia e a humildade, os seus colegas e amigos guardam dele um grande sentido de profissionalismo e rigor, a defesa tenaz da integridade e dos princípios. O seu acervo fotográfico, espalhado pelos quatro continentes, é um dos mais importantes bancos de imagem disponíveis sobre Moçambique.
A mediacoop, os seus colegas e amigos estão a programar para segunda-feira, 13 de Agosto, a cerimónia de homenagem póstuma e a cremação do corpo, tendo sido colocado à disposição do público um livro de condolências, na sede da empresa sita na Av. Amílcar Cabral no. 1049, em Maputo.
Kok Nam deixa dois filhos, a Ana Michelle e o Nuno Miguel a quem, neste momento, expressamos os nossos mais profundos sentimentos de afecto e solidariedade.

Maputo, 11 de Agosto de 2012






(Lembro-me bem dele - acho que uma vez me fotografou - Paz a Sua Alma)

Forwarded from MediaCoop, Maputo
Av. Amílcar Cabral, 1049 * C.P. 73

...
KOK NAM
1939-2012

O nosso amigo e colega Kok Nam, foto-jornalista e também Director do semanário SAVANA, deixou-nos esta madrugada, 11 de Agosto, depois de uma vida repleta de realizações pessoais e profissionais.
Kok Nam, fundou com outros 12 jornalistas o primeiro grupo independente de comunicação social do pós independência de Moçambique em 1992, tendo sido eleito director do semanário SAVANA em 1994, posição que manteve até à data da sua partida.
Nascido na então Lourenço Marques (hoje Maputo), filho de camponeses emigrados da região de Cantão na China, iniciou as suas lides fotográficas aos 17 anos como impressor fotográfico, passando no início da década de 60 para os quadros do Diário de Moçambique e da Voz Africana, publicações progressistas do Episcopado católico da Beira, liderado por D. Sebastião Soares de Resende. Passou também pelo "Notícias da Tarde" e pelo "Notícias", antes de se juntar em 1970 ao núcleo de jornalistas que criou a revista "Tempo", uma publicação inconformista e rebelde, tentando furar as malhas da censura colonial e do Estado Novo português.
Durante o período revolucionário permaneceu na "Tempo", aderindo aos vários movimentos internos de luta contra o controle partidário da informação produzida depois da independência de Moçambique, em 1975. O manuscrito inicial do documento "O Direito do Povo à Informação", exigindo a liberdade de imprensa como um direito constitucional, foi elaborado em sua casa, em Fevereiro de 1990. Um ano depois, rompe com o "status quo" de então e com os seus colegas Naita Ussene, Fernando Manuel e António Elias (já falecido), junta-se ao projecto mediacoop, inicialmente uma cooperativa de jornalistas.
De trato fácil, incrivelmente jovial, cultivando sempre a modéstia e a humildade, os seus colegas e amigos guardam dele um grande sentido de profissionalismo e rigor, a defesa tenaz da integridade e dos princípios. O seu acervo fotográfico, espalhado pelos quatro continentes, é um dos mais importantes bancos de imagem disponíveis sobre Moçambique.
A mediacoop, os seus colegas e amigos estão a programar para segunda-feira, 13 de Agosto, a cerimónia de homenagem póstuma e a cremação do corpo, tendo sido colocado à disposição do público um livro de condolências, na sede da empresa sita na Av. Amílcar Cabral no. 1049, em Maputo.
Kok Nam deixa dois filhos, a Ana Michelle e o Nuno Miguel a quem, neste momento, expressamos os nossos mais profundos sentimentos de afecto e solidariedade.

Maputo, 11 de Agosto de 2012

Monday, 27 February 2012

Diogenes Boavida (R.I.P.)




'A Maria Helena e ao Buca
ao Buchy e 'a restante familia a expressao do meu profundo pesar.




'A Maria Helena e ao Buca
ao Buchy e 'a restante familia a expressao do meu profundo pesar.

Wednesday, 12 October 2011

Andre' Mingas (R.I.P.)




Antes da musica, conheci-lhe a danca… aqueles momentos que, tal como na musica jazz, nao se voltam a repetir mas que, por qualquer razao aparentemente inexplicavel, ficam para sempre plasmados na memoria. Foi numa pequena festa de amigos em casa de familia, tinha eu 14/15 anos. Chamou-me a atencao a forma como dancava: chamo-lhe agora “danca jazz”, mas na altura pareceu-me apenas “diferente”, “solto”, “inconvencional”, “inventivo”… dancando, a partir de dentro, “no topo das notas”, “surfando a tonalidade da musica”... como um passaro... com alma!
E sempre sorrindo.
E era ("apenas") semba o que dancavamos ("intuitivamente") em roda.
Gostei, e os meus olhos devem te-lo dito, porque era assim que eu gostava de dancar.
Nunca mais o vi, mas ouvi-lhe, anos mais tarde, a musica.
Tambem gostei porque era assim que o meu pai gostava de cantar.

Sim, inspirando emocoes


[Obituario aqui e aqui]




Coisas da Vida (1991)


Esperança

Vejo-te ainda bem aqui
teu riso solto no espaço.
teu corpo alegre livre dança
e eu vou no rumo leve dos teus braços

O mar ninava o amor
as rosas davam-lhe o cheiro
e tu eras o ar que hoje busco em desespero

Mas agora de tudo o que era luz
ficou a sombra
de tudo o que era vida
só a lembrança
no horizonte o meu olhar buscando o teu

Sigo o caminho
alma vazia
meu corpo cansado
no coração brilha a centelha
que o amor deixou
e a esperança de um dia
ver tudo começado.



[Esperanca]


[Coisas do Amor]


[O Que Eu Quero]


[Hino ao Amor]


[Jiminina]


[Nzambi]


[Tchipalepa]


Post Relacionado:

Morro do Semba (III)




Antes da musica, conheci-lhe a danca… aqueles momentos que, tal como na musica jazz, nao se voltam a repetir mas que, por qualquer razao aparentemente inexplicavel, ficam para sempre plasmados na memoria. Foi numa pequena festa de amigos em casa de familia, tinha eu 14/15 anos. Chamou-me a atencao a forma como dancava: chamo-lhe agora “danca jazz”, mas na altura pareceu-me apenas “diferente”, “solto”, “inconvencional”, “inventivo”… dancando, a partir de dentro, “no topo das notas”, “surfando a tonalidade da musica”... como um passaro... com alma!
E sempre sorrindo.
E era ("apenas") semba o que dancavamos ("intuitivamente") em roda.
Gostei, e os meus olhos devem te-lo dito, porque era assim que eu gostava de dancar.
Nunca mais o vi, mas ouvi-lhe, anos mais tarde, a musica.
Tambem gostei porque era assim que o meu pai gostava de cantar.

Sim, inspirando emocoes


[Obituario aqui e aqui]




Coisas da Vida (1991)


Esperança

Vejo-te ainda bem aqui
teu riso solto no espaço.
teu corpo alegre livre dança
e eu vou no rumo leve dos teus braços

O mar ninava o amor
as rosas davam-lhe o cheiro
e tu eras o ar que hoje busco em desespero

Mas agora de tudo o que era luz
ficou a sombra
de tudo o que era vida
só a lembrança
no horizonte o meu olhar buscando o teu

Sigo o caminho
alma vazia
meu corpo cansado
no coração brilha a centelha
que o amor deixou
e a esperança de um dia
ver tudo começado.



[Esperanca]


[Coisas do Amor]


[O Que Eu Quero]


[Hino ao Amor]


[Jiminina]


[Nzambi]


[Tchipalepa]


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Morro do Semba (III)

Monday, 3 October 2011

Memoria de Morabezza (II)





Regresso brevemente a esta memoria para marcar o recente passamento fisico de Aristides Pereira, primeiro Presidente de Cabo Verde.
Lembro-me de naquele simposio me ter sido dada a honra de fazer a primeira alocucao pelos participantes a seguir 'a cerimonia solene de abertura e de, depois da emocional saudacao que recebi de Mario Pinto de Andrade, Aristides Pereira, perto de quem estava sentada, tambem me ter dirigido algumas palavras de morabezza.



Nao se tratando este apontamento estritamente de um obituario, essa memoria traz consigo a de um outro protagonista da luta anti-colonial, tambem falecido ha’ relativamente pouco tempo: Luis Cabral – irmao de Amilcar Cabral e primeiro presidente da Guine’ Bissau. Conheci-o, e a sua familia, num ambiente mais informal, atravez da Lourdes e do seu marido Carlos Rubio, de quem era amigo e vizinho em Lisboa.
Aos dois ex-estadistas, ambos co-fundadores do PAIGC com Amilcar Cabral, ligava o laco fraternal que, durante algum tempo, uniu a Guine’ Bissau e Cabo Verde sob a mesma bandeira.

Paz 'as suas Almas.



[Mindjeres di Pano Preto - Jose' Carlos Swarts]





Regresso brevemente a esta memoria para marcar o recente passamento fisico de Aristides Pereira, primeiro Presidente de Cabo Verde.
Lembro-me de naquele simposio me ter sido dada a honra de fazer a primeira alocucao pelos participantes a seguir 'a cerimonia solene de abertura e de, depois da emocional saudacao que recebi de Mario Pinto de Andrade, Aristides Pereira, perto de quem estava sentada, tambem me ter dirigido algumas palavras de morabezza.



Nao se tratando este apontamento estritamente de um obituario, essa memoria traz consigo a de um outro protagonista da luta anti-colonial, tambem falecido ha’ relativamente pouco tempo: Luis Cabral – irmao de Amilcar Cabral e primeiro presidente da Guine’ Bissau. Conheci-o, e a sua familia, num ambiente mais informal, atravez da Lourdes e do seu marido Carlos Rubio, de quem era amigo e vizinho em Lisboa.
Aos dois ex-estadistas, ambos co-fundadores do PAIGC com Amilcar Cabral, ligava o laco fraternal que, durante algum tempo, uniu a Guine’ Bissau e Cabo Verde sob a mesma bandeira.

Paz 'as suas Almas.



[Mindjeres di Pano Preto - Jose' Carlos Swarts]

Monday, 26 September 2011

WANGARI MAATHAI (R.I.P.)





"TOO EDUCATED, TOO STRONG,
TOO SUCCESSFUL, TOO STUBBORN
AND TOO HARD TO CONTROL!“

"THEY ARE SO INCOMPETENT THAT EVERY TIME THEY FEEL THE HEAT BECAUSE WOMEN ARE CHALLENGING THEM THEY HAVE TO CHECK THEIR GENITALIA IF ONLY TO REASSURE THEMSELVES… I AM NOT INTERESTED IN THAT PART OF THE ANATOMY, THE ISSUES I AM DEALING WITH REQUIRE THE UTILISATION OF WHAT IS ABOVE THE NECK."

"I REALISED THAT I HAVE HUMAN BRAINS AND NOT WOMAN BRAINS SO I SET OUT TO MAKE USE OF THEM."

"THE STRUGGLE MUST CONTINUE... IT IS IMPORTANT TO NURTURE ANY NEW IDEAS AND INITIATIVES WHICH CAN MAKE A DIFFERENCE FOR AFRICA."



[Extracts from here]


[Obituary]






"TOO EDUCATED, TOO STRONG,
TOO SUCCESSFUL, TOO STUBBORN
AND TOO HARD TO CONTROL!“

"THEY ARE SO INCOMPETENT THAT EVERY TIME THEY FEEL THE HEAT BECAUSE WOMEN ARE CHALLENGING THEM THEY HAVE TO CHECK THEIR GENITALIA IF ONLY TO REASSURE THEMSELVES… I AM NOT INTERESTED IN THAT PART OF THE ANATOMY, THE ISSUES I AM DEALING WITH REQUIRE THE UTILISATION OF WHAT IS ABOVE THE NECK."

"I REALISED THAT I HAVE HUMAN BRAINS AND NOT WOMAN BRAINS SO I SET OUT TO MAKE USE OF THEM."

"THE STRUGGLE MUST CONTINUE... IT IS IMPORTANT TO NURTURE ANY NEW IDEAS AND INITIATIVES WHICH CAN MAKE A DIFFERENCE FOR AFRICA."



[Extracts from here]


[Obituary]


Saturday, 23 July 2011

Amy Winehouse (R.I.P.)




[Image from here - More details here]


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Sunday Cover & Poetry (VIII)




[Image from here - More details here]


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Sunday Cover & Poetry (VIII)

Friday, 17 June 2011

A Kika foi embora... [*]




... Foi juntar-se 'a Tia!

Deixou-me este 'ultimo adeus' ha' pouco mais de uma semana:


From: Maria Emilia Ramos
To: ANA PAULA SANTANA
Sent: Tue, 7 June, 2011 23:27:20
Subject: RE: UM APELO A JUSTICA!

Querida primota!

Eu infelizmente continuo doente, um belo dia acordei com flu ou bronquite e pioram ainda mais o meu problema das dores cronicas que obtive com as crises que tive ao longo dos anos.

[...]

Um forte e grande abraco de tirar o folego e outro beijo pra ti tbem, logo depois d te recuperas do grande e forte abraco.

Kika Maria Emilia Faria Da Silva Ramos





[She was a Real Warrior! A True Marvel of Nature! She 'Kicked Ass'!...
Mbuta Muntu will take good care of her from now on...
]








*Raising Sickle Cell Anaemia Awareness


A Kika sofria de anemia de celulas falciformes. Era dessa doenca genetica (que tambem me afecta, embora de forma menos grave - enquanto a da Kika era do tipo SS, a minha e' apenas do tipo AS) que originava o problema das dores cronicas resultantes das crises que teve ao longo dos anos que ela mencionava na sua mensagem acima.
A principal razao que me leva a considera-la uma verdadeira warrior foi a forma estoica como ela sempre enfrentou a sua condicao de saude ate ao fim.
Ao amor, dedicacao e cuidados dos pais dela - que, tendo perdido o seu primeiro filho rapaz nos primeiros meses de vida devido aquela doenca, foram capazes de literalmente 'correr mundo', para tanto viajando com ela, desde que nasceu (tao pequenina, minuscula mesmo, que o primeiro nome que os pais lhe comecaram a chamar foi "Mosquit(a)o", de onde mais tarde derivaria o diminutivo "Kika"), para varios paises, em busca dos melhores especialistas e tratamentos e, se possivel, da cura definitiva (que, infelizmente, ainda nao existe) - ficou a dever-se em grande medida a sua sobrevivencia por pouco mais de quatro decadas, quando a sua expectativa de vida sempre foi tida como bastante mais reduzida.
Mas, tambem em boa parte gracas ao seu estoicismo, amor a vida e joie de vivre, a Kika conseguiu ate’ sobreviver aos seus infelizmente malogrados pais.




Ela foi-se embora nas vesperas da observacao do Dia Mundial da Anemia Falciforme, 19 de Junho, data escolhida pelas Nacoes Unidas para chamar a atencao (raise awareness) para essa doenca que, em 2008, declarou um problema de Saude Publica prioritario em varios paises, incluindo Angola.

A Kika deixou na parede do seu quarto um poster sobre as actividades do Sickle Cell Awareness Month 2011.



Em nome da familia, e especialmente da falecida Tia Celeste, gostaria de expressar aqui a profunda gratidao e apreco a todos os amigos e profissionais que acompanharam e ajudaram a minorar o sofrimento da Kika (e da sua irma mais nova, Ginga Luia, que lhe sobrevive) em varias fases da sua vida, dentre os quais destacaria, em Angola, o Dr. Bernardino.




... Foi juntar-se 'a Tia!

Deixou-me este 'ultimo adeus' ha' pouco mais de uma semana:


From: Maria Emilia Ramos
To: ANA PAULA SANTANA
Sent: Tue, 7 June, 2011 23:27:20
Subject: RE: UM APELO A JUSTICA!

Querida primota!

Eu infelizmente continuo doente, um belo dia acordei com flu ou bronquite e pioram ainda mais o meu problema das dores cronicas que obtive com as crises que tive ao longo dos anos.

[...]

Um forte e grande abraco de tirar o folego e outro beijo pra ti tbem, logo depois d te recuperas do grande e forte abraco.

Kika Maria Emilia Faria Da Silva Ramos





[She was a Real Warrior! A True Marvel of Nature! She 'Kicked Ass'!...
Mbuta Muntu will take good care of her from now on...
]








*Raising Sickle Cell Anaemia Awareness


A Kika sofria de anemia de celulas falciformes. Era dessa doenca genetica (que tambem me afecta, embora de forma menos grave - enquanto a da Kika era do tipo SS, a minha e' apenas do tipo AS) que originava o problema das dores cronicas resultantes das crises que teve ao longo dos anos que ela mencionava na sua mensagem acima.
A principal razao que me leva a considera-la uma verdadeira warrior foi a forma estoica como ela sempre enfrentou a sua condicao de saude ate ao fim.
Ao amor, dedicacao e cuidados dos pais dela - que, tendo perdido o seu primeiro filho rapaz nos primeiros meses de vida devido aquela doenca, foram capazes de literalmente 'correr mundo', para tanto viajando com ela, desde que nasceu (tao pequenina, minuscula mesmo, que o primeiro nome que os pais lhe comecaram a chamar foi "Mosquit(a)o", de onde mais tarde derivaria o diminutivo "Kika"), para varios paises, em busca dos melhores especialistas e tratamentos e, se possivel, da cura definitiva (que, infelizmente, ainda nao existe) - ficou a dever-se em grande medida a sua sobrevivencia por pouco mais de quatro decadas, quando a sua expectativa de vida sempre foi tida como bastante mais reduzida.
Mas, tambem em boa parte gracas ao seu estoicismo, amor a vida e joie de vivre, a Kika conseguiu ate’ sobreviver aos seus infelizmente malogrados pais.




Ela foi-se embora nas vesperas da observacao do Dia Mundial da Anemia Falciforme, 19 de Junho, data escolhida pelas Nacoes Unidas para chamar a atencao (raise awareness) para essa doenca que, em 2008, declarou um problema de Saude Publica prioritario em varios paises, incluindo Angola.

A Kika deixou na parede do seu quarto um poster sobre as actividades do Sickle Cell Awareness Month 2011.



Em nome da familia, e especialmente da falecida Tia Celeste, gostaria de expressar aqui a profunda gratidao e apreco a todos os amigos e profissionais que acompanharam e ajudaram a minorar o sofrimento da Kika (e da sua irma mais nova, Ginga Luia, que lhe sobrevive) em varias fases da sua vida, dentre os quais destacaria, em Angola, o Dr. Bernardino.

Thursday, 2 June 2011

GIL SCOTT-HERON [R.I.P.]





[On him and His Revolution: here... here... here... here... here... here]


My Gil Scott-Heron:

HERE and HERE





[On him and His Revolution: here... here... here... here... here... here]


My Gil Scott-Heron:

HERE and HERE

Wednesday, 5 January 2011

Malangatana (R.I.P.)





O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]




O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]

Friday, 13 August 2010

Ruy Duarte de Carvalho (R.I.P.)


Hoje continuo a não conseguir andar muito tempo por fora sem devolver-me ao murmúrio de Luanda à noite que sobe das traseiras da minha casa na Maianga, e sem continuar a dar de vez em quando um salto ao Sul, para visitar pastores.

E julgo, chegado a esta altura da vida, não poder deixar de ter que entender que o mundo, por toda a parte e não só aqui, se urde e se produz recorrendo sempre, ou quase sempre, ao uso e ao abuso da boa-fé dos outros. Temo não conseguir nunca chegar, mesmo velhinho, a conformar-me com isso e a tornar-me no sujeito bem acabado, dissimulado, pirata, adaptável e finalmente adaptado que nunca, durante toda a vida, consegui ser.

Mas acho que também aprendi, entretanto, a rir-me de mim mesmo, das minhas incompetências congénitas e do mau-feitio que neste mundo sou evidentemente o único a ter. E tem uns intervalos em que tudo parece ficar virginalmente vivável, bom e bonito, conforme pensa a onça quando, segundo Guimarães Rosa, não teme nada e vai, guiada só pela alma que tem.

Ruy Duarte de Carvalho (1941-2010)



[Biografia aqui - Homenagem aqui]

Hoje continuo a não conseguir andar muito tempo por fora sem devolver-me ao murmúrio de Luanda à noite que sobe das traseiras da minha casa na Maianga, e sem continuar a dar de vez em quando um salto ao Sul, para visitar pastores.

E julgo, chegado a esta altura da vida, não poder deixar de ter que entender que o mundo, por toda a parte e não só aqui, se urde e se produz recorrendo sempre, ou quase sempre, ao uso e ao abuso da boa-fé dos outros. Temo não conseguir nunca chegar, mesmo velhinho, a conformar-me com isso e a tornar-me no sujeito bem acabado, dissimulado, pirata, adaptável e finalmente adaptado que nunca, durante toda a vida, consegui ser.

Mas acho que também aprendi, entretanto, a rir-me de mim mesmo, das minhas incompetências congénitas e do mau-feitio que neste mundo sou evidentemente o único a ter. E tem uns intervalos em que tudo parece ficar virginalmente vivável, bom e bonito, conforme pensa a onça quando, segundo Guimarães Rosa, não teme nada e vai, guiada só pela alma que tem.

Ruy Duarte de Carvalho (1941-2010)



[Biografia aqui - Homenagem aqui]

Monday, 9 August 2010

Frei Domingos (R.I.P.)



[Imagem e texto daqui - Obituario aqui]


[Imagem e texto daqui - Obituario aqui]

Tuesday, 13 July 2010

Basil Davidson (R.I.P.)


Basil Davidson, who has died aged 95, was a radical journalist in the
great anti-imperial tradition, and became a distinguished
historian of pre-colonial Africa. An energetic and charismatic figure,
he was dropped behind enemy lines during the second world war and
joined that legendary band of British soldiers who fought with the
partisans in Yugoslavia and in Italy. Years later, he was the first
reporter to travel with the guerrillas fighting the Portuguese in
Angola and Guinea-Bissau, and brought their struggle to the world's
attention.
(...)
Later he threw himself into the reporting of the African liberation
wars in the Portuguese colonies, particularly in Angola, Mozambique,
Cape Verde and Guinea-Bissau. Following in the steps of the great
campaigning journalist Henry Nevinson, who had reported from Angola in
1905, he made an epic journey on foot half a century later that took
him into the liberated areas of eastern Angola with the Popular
Movement for the Liberation of Angola. The MPLA became the government
at independence in 1975 and the epicentre of the cold war struggle in
Africa.



ADENDA

Há intelectuais que, apesar de terem deixado o mundo dos vivos, são o âmago
da polémica entre os vivos. Basil Davidson é o exemplo disso. O jornalista e
historiador britânico morreu na última sexta-feira em Londres, mas já entrou no
centro das discussões da cena política angolana.

O britânico escreveu
alguns trabalhos sobre a guerra de libertação nacional, mas as suas obras estão
longe de serem consensuais.

O MPLA e a UNITA, as duas maiores formações
políticas angolanas, estão a trocar “farpas” sobre o papel do estudioso na luta
contra o colonialismo português.

Basil Davidson, who has died aged 95, was a radical journalist in the
great anti-imperial tradition, and became a distinguished
historian of pre-colonial Africa. An energetic and charismatic figure,
he was dropped behind enemy lines during the second world war and
joined that legendary band of British soldiers who fought with the
partisans in Yugoslavia and in Italy. Years later, he was the first
reporter to travel with the guerrillas fighting the Portuguese in
Angola and Guinea-Bissau, and brought their struggle to the world's
attention.
(...)
Later he threw himself into the reporting of the African liberation
wars in the Portuguese colonies, particularly in Angola, Mozambique,
Cape Verde and Guinea-Bissau. Following in the steps of the great
campaigning journalist Henry Nevinson, who had reported from Angola in
1905, he made an epic journey on foot half a century later that took
him into the liberated areas of eastern Angola with the Popular
Movement for the Liberation of Angola. The MPLA became the government
at independence in 1975 and the epicentre of the cold war struggle in
Africa.



ADENDA

Há intelectuais que, apesar de terem deixado o mundo dos vivos, são o âmago
da polémica entre os vivos. Basil Davidson é o exemplo disso. O jornalista e
historiador britânico morreu na última sexta-feira em Londres, mas já entrou no
centro das discussões da cena política angolana.

O britânico escreveu
alguns trabalhos sobre a guerra de libertação nacional, mas as suas obras estão
longe de serem consensuais.

O MPLA e a UNITA, as duas maiores formações
políticas angolanas, estão a trocar “farpas” sobre o papel do estudioso na luta
contra o colonialismo português.

Monday, 28 June 2010