Trata-se de um espaco de fazer inveja a qualquer artista, em qualquer parte do mundo - tanto pela sua localizacao, junto a Marginal da cidade, como pela concepcao espacial e arquitectonica - que logo me fez pensar, e disse-o na altura ao Luis, do quanto "o meu artista" da Humbi-Humbi em Luanda gostaria de o ter... [E isto transporta-me a uma certa tarde de domingo em Luanda, em que, com um certo poeta errante que ja' por aqui me vi compelida a designar "O Incrivel Svengali", nos dirigiamos, de maos dadas, a uma exposicao do Mestre Malangatana* na galeria da UNAP. Ao aproximarmo-nos do local, o Malangatana, que estava parado no largo em frente, ao ver-nos comecou a dirigir-se a nos e, falando para o poeta mas olhando para mim, disse sorridente: "estas muito bonito hoje!"]
Bom, regressando a Maputo e ao Espaco Artistico, eu e o Luis encontramos la' o Naguib, tambem em momento de lazer com a familia, que nos pediu que estivessemos a vontade apesar de, aquela hora, o espaco ja' estar encerrado ao publico. De la' trouxe o catalogo da sua exposicao patente na altura, "Samora Machel: Pensamento, Enxada e Sacrificio - Frases de Samora pelo pincel de Naguib", que contem tambem uma reportagem fotografica da visita de Samora a primeira exposicao individual de Naguib, em 1986, entitulada "Grito de Paz".
Nao me sendo possivel de momento, por razoes tecnicas, reproduzir aqui as imagens do catalogo, recorro a outras (representativas da obra de Naguib nos anos que se seguiram aquela exposicao de 2003) que, com a devida venia, fui tomar de emprestimo ao blog de Ricardo Riso, com quem ja' tivemos antes algum intercambio (aqui e aqui). Mas as frases de Samora que aqui reproduzo sao retiradas do catalogo.
Promover a emancipacao da mulher, recuperar a sua dignidade, uma das fontes principais da batalha para uma autentica libertacao do nosso povo.
Exaltação lírica nas margens do Zambeze I, 2005
A emancipacao da mulher nao e' um acto de caridade, nao resulta duma posicao humanitaria ou de compaixao. No seio da sociedade, ela aparece como o ser mais oprimido, mais humilhado, mais explorado. Ela e' explorada ate' pelo explorado, batida pelo homem rasgado pela palmatoria, humilhada pelo homem esmagado pela bota do patrao e do colono. Exaltação lírica nas margens do Zambeze II, 2005
O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Nao facam da tarefa recebida um privilegio ou veiculo de acumular bens ou distribuir favores.
Efabulírica com todas as claves, 2004
O ignorante e' incompetente. O incompetente julga saber tudo.
Reinventário de manhã para amar sem medo III, 2005
Dominar a tecnica e a ciencia e' estudar e nao imitar.
Exaltação lírica nas margens do Zambeze III, 2005
A luta contra o subdesenvolvimento e' uma batalha cultural.
*[No inicio do catalogo, e' reproduzida uma carta de Naguib a Luis (Carlos Patraquim), entitulada "A Minha Sincera Opiniao", relativa a sua obra ate' entao, onde se podem ler os seguintes extractos: "(...) Foi uma investigacao literaria e nao vivida; tentei nao confundir-me com o Malangatana fazendo corpos inteiros, num emaranhado de espacos subdivididos por cores. Nao me agradou e como consequencia deixo os vazios 'as escuras, como estava a minha mente no momento." (sobre "Pranto de Mae Africa"); "(...) Gostaria de dar a cada obra mais profundidade tecnica que nao a encontro ca', nem no Malangatana. Onde ir beber isso ainda nao sei. E, e' claro, sem me esquecer da Luz que a meu ver ainda e' fraca." (sobre "Grito de Paz"); "(...) Portanto, recebi muitos louvores e felicitacoes, mas acabo de assumir uma carga bem pesada. Em suma, para nao te roubar mais tempo, tenho a dizer-te que so' me resta um caminho: trabalhar dez vezes mais. Percebes? Um abraco. Naguib - Maputo, 24 Abril/86."
Trata-se de um espaco de fazer inveja a qualquer artista, em qualquer parte do mundo - tanto pela sua localizacao, junto a Marginal da cidade, como pela concepcao espacial e arquitectonica - que logo me fez pensar, e disse-o na altura ao Luis, do quanto "o meu artista" da Humbi-Humbi em Luanda gostaria de o ter... [E isto transporta-me a uma certa tarde de domingo em Luanda, em que, com um certo poeta errante que ja' por aqui me vi compelida a designar "O Incrivel Svengali", nos dirigiamos, de maos dadas, a uma exposicao do Mestre Malangatana* na galeria da UNAP. Ao aproximarmo-nos do local, o Malangatana, que estava parado no largo em frente, ao ver-nos comecou a dirigir-se a nos e, falando para o poeta mas olhando para mim, disse sorridente: "estas muito bonito hoje!"]
Bom, regressando a Maputo e ao Espaco Artistico, eu e o Luis encontramos la' o Naguib, tambem em momento de lazer com a familia, que nos pediu que estivessemos a vontade apesar de, aquela hora, o espaco ja' estar encerrado ao publico. De la' trouxe o catalogo da sua exposicao patente na altura, "Samora Machel: Pensamento, Enxada e Sacrificio - Frases de Samora pelo pincel de Naguib", que contem tambem uma reportagem fotografica da visita de Samora a primeira exposicao individual de Naguib, em 1986, entitulada "Grito de Paz".
Nao me sendo possivel de momento, por razoes tecnicas, reproduzir aqui as imagens do catalogo, recorro a outras (representativas da obra de Naguib nos anos que se seguiram aquela exposicao de 2003) que, com a devida venia, fui tomar de emprestimo ao blog de Ricardo Riso, com quem ja' tivemos antes algum intercambio (aqui e aqui). Mas as frases de Samora que aqui reproduzo sao retiradas do catalogo.
Promover a emancipacao da mulher, recuperar a sua dignidade, uma das fontes principais da batalha para uma autentica libertacao do nosso povo.
Exaltação lírica nas margens do Zambeze I, 2005
A emancipacao da mulher nao e' um acto de caridade, nao resulta duma posicao humanitaria ou de compaixao. No seio da sociedade, ela aparece como o ser mais oprimido, mais humilhado, mais explorado. Ela e' explorada ate' pelo explorado, batida pelo homem rasgado pela palmatoria, humilhada pelo homem esmagado pela bota do patrao e do colono. Exaltação lírica nas margens do Zambeze II, 2005
O poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper facilmente o homem mais firme. Por isso queremos que vivam modestamente e com o povo. Nao facam da tarefa recebida um privilegio ou veiculo de acumular bens ou distribuir favores.
Efabulírica com todas as claves, 2004
O ignorante e' incompetente. O incompetente julga saber tudo.
Reinventário de manhã para amar sem medo III, 2005
Dominar a tecnica e a ciencia e' estudar e nao imitar.
Exaltação lírica nas margens do Zambeze III, 2005
A luta contra o subdesenvolvimento e' uma batalha cultural.
*[No inicio do catalogo, e' reproduzida uma carta de Naguib a Luis (Carlos Patraquim), entitulada "A Minha Sincera Opiniao", relativa a sua obra ate' entao, onde se podem ler os seguintes extractos: "(...) Foi uma investigacao literaria e nao vivida; tentei nao confundir-me com o Malangatana fazendo corpos inteiros, num emaranhado de espacos subdivididos por cores. Nao me agradou e como consequencia deixo os vazios 'as escuras, como estava a minha mente no momento." (sobre "Pranto de Mae Africa"); "(...) Gostaria de dar a cada obra mais profundidade tecnica que nao a encontro ca', nem no Malangatana. Onde ir beber isso ainda nao sei. E, e' claro, sem me esquecer da Luz que a meu ver ainda e' fraca." (sobre "Grito de Paz"); "(...) Portanto, recebi muitos louvores e felicitacoes, mas acabo de assumir uma carga bem pesada. Em suma, para nao te roubar mais tempo, tenho a dizer-te que so' me resta um caminho: trabalhar dez vezes mais. Percebes? Um abraco. Naguib - Maputo, 24 Abril/86."
1 comment:
Tudo uma beleza - belo post, belas imagens, bela Dona.
Obrigado por tudo isso.
Post a Comment