... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" que tiveram o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam" -- de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao, nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes -- para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia"!...

... Ou ainda, da
geracao Rejeitada,
Perdida e
Mordida pela
"raiva mal contida" de todos os
Dogs of War: dos
"Nos os que lutamos!" (mesmo que
nao tenham lutado!), aos
"Nos os que ficamos!" (mesmo que
nao tenham ficado!), passando pelos
"Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que
nunca o tenham sido!) ...

(…)
Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.
Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.
Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.
Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.
Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."
JES
[
aqui]
COMENTARIO: Isto lembra-me do
"que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" ... e de "umazinha" estoria que ouvi em casa da
"minha amiga" da ultima vez que la' estive sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...
Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para
ESTA outra estoria -
umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes das armas que FAPLA e FA(P)LA comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre
este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas
aqui e
aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a
Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi...
et pourtant!...

"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"
(VS in
Novo Jornal # 214 - 24/02/12)

"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."
(GC in
Novo Jornal # 207 - 06/01/12)

(...)
Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:
1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:
(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra(…)

2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:
(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha(…)
- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou,
a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...
Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...

Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:
- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de
“criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da
Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e
desenvolvidos ao longo das decadas?
Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.

Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:
- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquele acontecimento fatidico: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota, que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...

- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga,
aqui relatado!...
Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?)
kruxifikadas pelas "medidas de caracter profilatico" de uma certa "etica ideologica"...

E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da
ideologia Nazi, ou da
Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes
guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...
K.
[
aqui]
VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA

I.
Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte

assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.

II.
Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,

não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.

III.
Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste

pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje

e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.
[A.S. in
S.O.S.]

[All images by
Nancy Spero]
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