Saturday, 17 March 2012

KUDURO kum XIDI & Outras Mixturas na BBC Radio 3





Numa estacao de radio dedicada 'a musica classica na ordem dos 99% em relacao a qualquer outro tipo de musica, ouvir Kuduro... e'... Obra!

E ouvir kuduro duas vezes no espaco de uma semana... e'... Xidi!!!

Bom, foi o que aconteceu ontem e na sexta feira passada na BBC Radio 3, com o "Tirei o Chapeu" do DJ Mpula, em que se pode ouvir uma 'mixtura' de kuduro e musica urbana angolana 'vintage', que, em dois programas diferentes, passou 'mixturado' com musicos como a Americana Esperanza Spalding, o Cubano Roberto Fonseca e o Franco-Americano de origem Chinesa Yo-Yo Ma!...

E nao...num fui eu ki rekomendei, ue'!!!...

Portanto... Xe', num me batem so'!!!...

... Nem me matem so', ue'?!!!


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Kuduro no FT





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E ouvir kuduro duas vezes no espaco de uma semana... e'... Xidi!!!

Bom, foi o que aconteceu ontem e na sexta feira passada na BBC Radio 3, com o "Tirei o Chapeu" do DJ Mpula, em que se pode ouvir uma 'mixtura' de kuduro e musica urbana angolana 'vintage', que, em dois programas diferentes, passou 'mixturado' com musicos como a Americana Esperanza Spalding, o Cubano Roberto Fonseca e o Franco-Americano de origem Chinesa Yo-Yo Ma!...

E nao...num fui eu ki rekomendei, ue'!!!...

Portanto... Xe', num me batem so'!!!...

... Nem me matem so', ue'?!!!


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Thursday, 15 March 2012

Noticias do Meu Pais...[*]






"Eu, Abel Chivukuvuku, estou disponível. Estou pronto!", proclamou perante dezenas de pessoas que encheram uma sala de um hotel na capital angolana, sublinhando a necessidade de os eleitores "abrirem em 2012 uma nova página" da história de Angola.

Sozinho, à frente de um cartaz em que se lia "Servir Angola, Servir os Angolanos", Abel Chivukuvuku leu uma declaração política, sem direito a perguntas, em que explicou por que razão abandona a UNITA, onde militou ao longo de 38 anos e propõe a CASA, que denominou como "casa comum para todos os angolanos".

"Neste ano de 2012 é preciso mudar (...) Para aqueles angolanos, que apesar de descontentes com a realidade atual do nosso país, vivem a angústia de terem que se submeter às lealdades partidárias, mesmo quando não concordam, nós propomos a terceira via. Quem não encontra espaço de realização nos extremos que se junte a nós no espaço patriótico que representa o centro", apelou.

Ao longo de cerca de 30 minutos, com citações de Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Abraham Lincoln, Abel Chivukuvuku declarou sair da UNITA porque não pode "negar à pátria e ao povo angolano" a sua prestação "para o potenciamento de uma oportunidade, a criação de uma vida melhor, uma nova esperança, uma nova luz, para a realização do nosso sonho angolano".

[Aqui]


[*] ... Boas!

Quanto mais nao seja pelo nome, CASA, que se espera seja suficientemente ampla para acomodar este tipo de Ka(u)sas...


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"Eu, Abel Chivukuvuku, estou disponível. Estou pronto!", proclamou perante dezenas de pessoas que encheram uma sala de um hotel na capital angolana, sublinhando a necessidade de os eleitores "abrirem em 2012 uma nova página" da história de Angola.

Sozinho, à frente de um cartaz em que se lia "Servir Angola, Servir os Angolanos", Abel Chivukuvuku leu uma declaração política, sem direito a perguntas, em que explicou por que razão abandona a UNITA, onde militou ao longo de 38 anos e propõe a CASA, que denominou como "casa comum para todos os angolanos".

"Neste ano de 2012 é preciso mudar (...) Para aqueles angolanos, que apesar de descontentes com a realidade atual do nosso país, vivem a angústia de terem que se submeter às lealdades partidárias, mesmo quando não concordam, nós propomos a terceira via. Quem não encontra espaço de realização nos extremos que se junte a nós no espaço patriótico que representa o centro", apelou.

Ao longo de cerca de 30 minutos, com citações de Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Abraham Lincoln, Abel Chivukuvuku declarou sair da UNITA porque não pode "negar à pátria e ao povo angolano" a sua prestação "para o potenciamento de uma oportunidade, a criação de uma vida melhor, uma nova esperança, uma nova luz, para a realização do nosso sonho angolano".

[
Aqui]


[*] ... Boas!

Quanto mais nao seja pelo nome, CASA, que se espera seja suficientemente ampla para acomodar este tipo de Ka(u)sas...


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Wednesday, 14 March 2012

About the 'Kony 2012' Phenomenon [Updated]*





As I was musing about the issue of “child soldiers” in the Angolan context – first here some weeks ago and here in the last few days – I was totally unaware of the global phenomenon the video below by charity Invisible Children (IC) on Joseph Kony and the Lord's Resistance Army (LRA) in Uganda has recently become, first on the social media and then on mainstream media, rising up the the American Congress and the Internacional Criminal Court.

I heard about it for the first time yesterday on this programme at BBC Radio 3, where a Ugandan journalist made a number of critical points to dispel the prevailing notion that this is a one-dimensional problem and urged the IC campaigners to dig deeper in their research and place the blame where it really belongs (if not entirely, at least shared with Joseph Kony and the LRA): on Yoweri Museveni and the Ugandan Army.

He also brought to the fore the ethnic dimensions of the problem, e.g. how the North of the country, where the LRA has its stronghold, has been historically ‘segregated’ from the rest of the country. That ‘segregationism’, he argued, takes such forms as naming a so far unexplained disease that has been ravaging the country “the Northern disease” for no other reason than that there is no known cure for it. Which led me to draw a parallel to the ‘stigma’ attached to the North of Angola over the past decade for a number of outbreaks of strange or unexplained diseases in that part of the country and also to the ethnic dimension of the Angolan war – something strongly dismissed by the official line, as recently stressed by President Jose’ Eduardo dos Santos and an Angolan journalist, both quoted here .

But the controversy sparked by the IC video and ongoing campaign doesn’t stop there and I am just catching up with it – a particularly interesting article on the issue can be found here .

Also of not are Mahmood Mamdani's views on the issue:

"The 70 million plus who have watched the Invisible Children video need to realise that the LRA – both the leaders and the children pressed into their service – are not an alien force but sons and daughters of the soil. The solution is not to eliminate them physically, but to find ways of integrating them into (Ugandan) society.
Those in the Ugandan and the US governments – and now apparently the owners of Invisible Children – must bear responsibility for regionalising the problem as the LRA and, in its tow, the Ugandan army and US advisors criss-cross the region, from Uganda to DRC to CAR. Yet, at its core the LRA remains a Ugandan problem calling for a Ugandan political solution."
[Here]


KONY 2012 from INVISIBLE CHILDREN on Vimeo.






*Update - 17/03/2012


After catching up with the full story, pondering all the arguments and balancing out the pros and cons, I decided to support the 'Kony 2012' campaign. It became, over and above its political dimensions, a matter of conscience for me.





As I was musing about the issue of “child soldiers” in the Angolan context – first here some weeks ago and here in the last few days – I was totally unaware of the global phenomenon the video below by charity Invisible Children (IC) on Joseph Kony and the Lord's Resistance Army (LRA) in Uganda has recently become, first on the social media and then on mainstream media, rising up the the American Congress and the Internacional Criminal Court.

I heard about it for the first time yesterday on this programme at BBC Radio 3, where a Ugandan journalist made a number of critical points to dispel the prevailing notion that this is a one-dimensional problem and urged the IC campaigners to dig deeper in their research and place the blame where it really belongs (if not entirely, at least shared with Joseph Kony and the LRA): on Yoweri Museveni and the Ugandan Army.

He also brought to the fore the ethnic dimensions of the problem, e.g. how the North of the country, where the LRA has its stronghold, has been historically ‘segregated’ from the rest of the country. That ‘segregationism’, he argued, takes such forms as naming a so far unexplained disease that has been ravaging the country “the Northern disease” for no other reason than that there is no known cure for it. Which led me to draw a parallel to the ‘stigma’ attached to the North of Angola over the past decade for a number of outbreaks of strange or unexplained diseases in that part of the country and also to the ethnic dimension of the Angolan war – something strongly dismissed by the official line, as recently stressed by President Jose’ Eduardo dos Santos and an Angolan journalist, both quoted here .

But the controversy sparked by the IC video and ongoing campaign doesn’t stop there and I am just catching up with it – a particularly interesting article on the issue can be found here .

Also of not are Mahmood Mamdani's views on the issue:

"The 70 million plus who have watched the Invisible Children video need to realise that the LRA – both the leaders and the children pressed into their service – are not an alien force but sons and daughters of the soil. The solution is not to eliminate them physically, but to find ways of integrating them into (Ugandan) society.
Those in the Ugandan and the US governments – and now apparently the owners of Invisible Children – must bear responsibility for regionalising the problem as the LRA and, in its tow, the Ugandan army and US advisors criss-cross the region, from Uganda to DRC to CAR. Yet, at its core the LRA remains a Ugandan problem calling for a Ugandan political solution."
[Here]


KONY 2012 from INVISIBLE CHILDREN on Vimeo.






*Update - 17/03/2012


After catching up with the full story, pondering all the arguments and balancing out the pros and cons, I decided to support the 'Kony 2012' campaign. It became, over and above its political dimensions, a matter of conscience for me.

Saturday, 10 March 2012

Ecos de uma Guerra que (ainda?!) nao acabou... (Actualizado)




... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" que tiveram o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam" -- de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao, nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes -- para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia"!...




... Ou ainda, da geracao Rejeitada, Perdida e Mordida pela "raiva mal contida" de todos os Dogs of War: dos "Nos os que lutamos!" (mesmo que nao tenham lutado!), aos "Nos os que ficamos!" (mesmo que nao tenham ficado!), passando pelos "Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que nunca o tenham sido!) ...


(…)

Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.

Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.

Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.

Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.

Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."

JES
[aqui]

COMENTARIO: Isto lembra-me do "que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" ... e de "umazinha" estoria que ouvi em casa da "minha amiga" da ultima vez que la' estive sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...
Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para ESTA outra estoria - umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes das armas que FAPLA e FA(P)LA comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas aqui e aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi... et pourtant!...



"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"

(VS in Novo Jornal # 214 - 24/02/12)


"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."

(GC in Novo Jornal # 207 - 06/01/12)


(...)

Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:

1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:

(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra

(…)


2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:

(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha

(…)

- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou, a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...

Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...


Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:

- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de “criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e desenvolvidos ao longo das decadas?

Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.


Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:

- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquele acontecimento fatidico: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota, que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...


- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga, aqui relatado!...

Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?) kruxifikadas pelas "medidas de caracter profilatico" de uma certa "etica ideologica"...


E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da ideologia Nazi, ou da Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...


K.
[aqui]



VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA



I.

Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte



assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.



II.

Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,



não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.



III.

Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste



pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje



e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.


[A.S. in S.O.S.]




[All images by Nancy Spero]


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"Contemplar um crime em silêncio é cometê-lo"
José Martí





... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" que tiveram o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam" -- de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao, nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes -- para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia"!...




... Ou ainda, da geracao Rejeitada, Perdida e Mordida pela "raiva mal contida" de todos os Dogs of War: dos "Nos os que lutamos!" (mesmo que nao tenham lutado!), aos "Nos os que ficamos!" (mesmo que nao tenham ficado!), passando pelos "Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que nunca o tenham sido!) ...


(…)

Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.

Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.

Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.

Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.

Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."

JES
[aqui]

COMENTARIO: Isto lembra-me do "que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" ... e de "umazinha" estoria que ouvi em casa da "minha amiga" da ultima vez que la' estive sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...
Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para ESTA outra estoria - umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes das armas que FAPLA e FA(P)LA comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas aqui e aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi... et pourtant!...



"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"

(VS in Novo Jornal # 214 - 24/02/12)


"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."

(GC in Novo Jornal # 207 - 06/01/12)


(...)

Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:

1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:

(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra

(…)


2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:

(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha

(…)

- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou, a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...

Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...


Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:

- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de “criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e desenvolvidos ao longo das decadas?

Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.


Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:

- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquele acontecimento fatidico: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota, que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...


- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga, aqui relatado!...

Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?) kruxifikadas pelas "medidas de caracter profilatico" de uma certa "etica ideologica"...


E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da ideologia Nazi, ou da Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...


K.
[aqui]



VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA



I.

Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte



assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.



II.

Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,



não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.



III.

Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste



pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje



e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.


[A.S. in S.O.S.]




[All images by Nancy Spero]


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MANIFESTO PELO DIREITO A VIDA


"Contemplar um crime em silêncio é cometê-lo"
José Martí


Friday, 9 March 2012

Celebrating International Women's Day at the British Academy



Yesterday, March 8th, I attended the first ever event held by the British Academy to celebrate International Women’s Day, under the theme "Celebrating Women in The Humanities and Social Sciences".

In a full-packed room, mostly by women with just half a dozen men in between (and since I touched on the issue of 'gender', let me mention 'race' as well: apart from me there were only two other black women in there), we had an opportunity to learn, share and discuss about the fight for women's rights for over a century from a British academic perspective:

Rt Hon Baroness Hale, DBE, FBA, Justice of the Supreme Court, Chancellor, University of Bristol, legal academic, barrister and law reformer made the introduction to the event


• Professor Christine Chinkin FBA of the London School of Economics talked about Chrystal Macmillan (1872-1937), barrister, feminist and pacifist and the first woman to be awarded a science degree


• Professor Uta Frith FBA, FRS, FMedSci, Institute of Cognitive Neuroscience talked about the women who have inspired her – her mother, a teacher and a fairy tale character she admires


• Professor Nicola Lacey FBA, University of Oxford, explored scholarship on women and law


• Professor Anne Phillips FBA, London School of Economics, talked about one of the LSE’s founders and the first woman to be elected a Fellow of the British Academy, Beatrice Webb FBA (1858-1943)


and the writers Dame Rebecca West DBE (1892-1983)


and Germaine Greer


• Professor Pat Thane FBA, King’s College London, talked about sociologist, criminologist and Life Peer, Barbara Wootton (1897-1988)


• Professor Lisa Tickner, FBA, Courtauld Institute of Art, talked about writer Virginia Woolf (1882-1941)


and the artist Nancy Spero (1926-2009)


... Ever imagined words like "merde" and "fuck you" being pronounced at the British Academy? Well, we heard them yesterday in the same sentence as Nancy Spero...


Professor Marina Warner, CBE, FBA, Department of Literature, Film and Theatre Studies, University of Essex, moderated the closing debate before a drinks reception.



Yesterday, March 8th, I attended the first ever event held by the British Academy to celebrate
International Women’s Day, under the theme "Celebrating Women in The Humanities and Social Sciences".

In a full-packed room, mostly by women with just half a dozen men in between (and since I touched on the issue of 'gender', let me mention 'race' as well: apart from me there were only two other black women in there), we had an opportunity to learn, share and discuss about the fight for women's rights for over a century from a British academic perspective:

Rt Hon Baroness Hale, DBE, FBA, Justice of the Supreme Court, Chancellor, University of Bristol, legal academic, barrister and law reformer made the introduction to the event


• Professor Christine Chinkin FBA of the London School of Economics talked about Chrystal Macmillan (1872-1937), barrister, feminist and pacifist and the first woman to be awarded a science degree


• Professor Uta Frith FBA, FRS, FMedSci, Institute of Cognitive Neuroscience talked about the women who have inspired her – her mother, a teacher and a fairy tale character she admires


• Professor Nicola Lacey FBA, University of Oxford, explored scholarship on women and law


• Professor Anne Phillips FBA, London School of Economics, talked about one of the LSE’s founders and the first woman to be elected a Fellow of the British Academy, Beatrice Webb FBA (1858-1943)


and the writers Dame Rebecca West DBE (1892-1983)


and Germaine Greer


• Professor Pat Thane FBA, King’s College London, talked about sociologist, criminologist and Life Peer, Barbara Wootton (1897-1988)


• Professor Lisa Tickner, FBA, Courtauld Institute of Art, talked about writer Virginia Woolf (1882-1941)


and the artist Nancy Spero (1926-2009)


... Ever imagined words like "merde" and "fuck you" being pronounced at the British Academy? Well, we heard them yesterday in the same sentence as Nancy Spero...


Professor Marina Warner, CBE, FBA, Department of Literature, Film and Theatre Studies, University of Essex, moderated the closing debate before a drinks reception.

Thursday, 8 March 2012

ON INTERNATIONAL WOMEN'S DAY [*]



Poesia no Dia Internacional da Mulher



PRESENÇA AFRICANA (Alda Lara)
&
MEU AMOR DA RUA ONZE (Aires de Almeida Santos)

(Leia Aqui)



RESPECT (Aretha Franklin)


*[Postado inicialmente a 08/03/07]

ON INTERNATIONAL WOMEN'S DAY [*]



An evening @ Moyo...


... and Healing Sounds From Mother Africa @ Luanda Azul, Luanda Blues




The Healing - Pops Mohammed/Paul Hanmer/Anna Tietie/Khanyo


*[First posted 08/03/09]



... and Healing Sounds From Mother Africa @ Luanda Azul, Luanda Blues




The Healing - Pops Mohammed/Paul Hanmer/Anna Tietie/Khanyo


*[First posted 08/03/09]

Saturday, 3 March 2012

Da "ditadura da idade" e outros mambos enferrujados nao reciclaveis [*] - (actualizado)




Pior do que envelhecer, e' nao saber (ou nao querer, ou nao ser capaz de) envelhecer com dignidade, verticalidade, integridade e graciosidade e ter inteligencia, sensibilidade, responsabilidade e coragem suficientes para tentar deixar um 'legado' , humilde e diminuto que seja, digno desse nome as geracoes seguintes e vindouras, fazendo sempre questao de respeitar - quem quer que seja e qualquer que seja a sua idade e sobretudo em publico (!) - para nao passar pela "humilhacao" de se ser desrespeitada/o...


Enfim, nao ter a minima nocao do que significa ser-se um/a "role model"!...


E isso e' tao valido para as pessoas - homens ou mulheres - como para as ideias, de esquerda ou de direita, ou para as instituicoes, e entre estas especialmente os partidos politicos, da situacao ou da oposicao!...





'A Mesa de um Café Londrino…


… Sentei-me, no sabado antepassado, com a minha amiga Zheena – uma Mulher da Etiopia (pais reputado como sendo produtor de algum do melhor cafe do mundo) nos seus 65-70 anos, mas muito confortavel com a sua idade, o seu corpo e a sua sexualidade.

Ela encomendou um pote de cha’ e eu um café macchiato. Olhamos deliciadas para os bolos – nao do tipo bolos de arroz ou pasteis de nata, mas bolos mesmo, feitos em casa, handmade, dos quais se pode pedir uma ou duas fatias – mas decidimos nao indulgir na gulodice… Enquanto esperavamos que nos viessem servir a uma das mesas de real wood (reciclavel), sentadas em cadeiras tradicionalmente estofadas, ‘enjoyamos’ o espaco que nos rodeava: uma exposicao de ceramica artesanal contemporanea nas prateleiras ao lado da nossa mesa, numa das paredes um ‘fresco’ em tamanho gigante retratando algumas das figuras maiores da musica anglosaxonica com destaque para Louis Armstrong e noutras paredes fotos autografadas de artistas que por ali passaram, posters e cartazes de eventos culturais e mais, muito mais!...

Ah, e tudo isso enquanto nos chegavam aos ouvidos acordes vindos de uma outra sala onde um grupo de musicos ensaiava – na noite anterior, disseram-nos, tinha la’ estado a actuar um dos melhores pianistas contemporaneos deste pais… e nao, nao era nenhum upper class café numa qualquer rua ou bairro upmarket de Londres – tratava-se apenas de um cafe'-estudio-galeria numa back street de uma area de Londres nao particularmente trendy: Kentish Town!


Depois de servidas por dois extremamente afaveis empregados, um Eritreu e uma Irlandesa, entre os nossos cha’ e café, a Zheena, sem nunca mencionar a sua idade, falou-me do seu processo de envelhecimento: da mudanca gradual dos seus habitos alimentares e do seu efeito no seu metabolismo; de como precisava de voltar ao gym que ela deixou de frequentar ha’ cerca de um ano, onde depois do exercicio fisico relaxava na spa – e nao, tal como eu, ela nao e’ rica!

Bom, claro que nem todos os cafes de Londres sao assim, mas este e’ apenas um de muitos exemplos do que esta cidade tem para oferecer em materia de cafes, que ja’ vao sendo mais do que os pubs, os quais, tal como varias outras instituicoes tradicionais ("velhas") deste pais, teem vindo gradualmente a fechar, ou a reconverter-se (reciclar-se). E mesmo que nao sejam em tao grande numero como, por exemplo, os de Paris, sei, por experiencia propria, que aquele precioso fim de tarde naquele café de Londres com a Zheena ter-nos-ia custado os olhos da cara em Paris – e isto se nao nos impedissem de la’ entrar, senao ostensivamente (afinal os parisienses sao supostamente peritos em “finesse”…), muito provavelmente, dada a sua igualmente famosa snobbery, pela frieza do tratamento que nos dispensariam!...

E isto apenas para dar a quem “nao conhece muitos mundos fora dos livros”, a ‘dica’ (ou 'bica' se preferir...) de que nao sao so’ os "Europeus" (continentais) que 'enjoyam' a cultura do café (‘o espaco’) e que… no mundo anglofono, para alem de Londres, talvez alguns dos melhores cafes do mundo se situam em cidades Americanas como New York!... Alias, so' com um grande stretch of the imagination se pode considerar a "cultura do cafe'" como uma "marca civilizacional" da Europa tao 'longeva' quanto a Grecia Antiga: isso porque o cafe' (tanto o espaco como o produto) e' pretty much um produto da colonizacao da Africa pela Europa... da qual, diga-se, a Grecia de 500 nao participou - o que tambem podera' ter algo a ver com o desespero em que se encontra neste momento porque, ao contrario de Portugal, por exemplo, nao tem uma "antiga joia da coroa" em Africa a que recorrer!...

E… porque, desde que a conheco, ela tem sabido granjear o meu respeito, eu jamais chamaria ‘a Zheena, nos seus sabios, sadios e confortaveis cerca de 70 anos de idade, “velhota, velhaca e bruaca”… beyond repair!...


"O MIT QUE CONHECO"

Podera' nao ser exactamente "a prova de balas", mas...

... E' um MIT que sabe que nao se pode permitir "envelhecer desgracadamente" sob pena de perder as suas credibilidade e respeitabilidade...

... E' um MIT que sabe que tem que respeitar e integrar o "sangue novo" da "juventude" para que nao falte vida 'as ideias que nele nascem, se desenvolvem e se reproduzem e para que estas nao morram de "morte matada"!...

... E' um MIT que nao tolera a arrogancia ignorante, nem a desonestidade intelectual, ou a cobardia, o plagiarismo e/ou o mimetismo, o oportunismo e menos ainda a total falta de etica e deontologia profissionais!!!...

...E', acima de tudo, um MIT suficientemente forte, robusto, maduro, idoneo, democratico e civilizado, para albergar e acomodar academicos dos mais diversos espectros politico-ideologicos!...


Esse e' o MIT do Chomsky (o linguista, filosofo, cognicientista e historiador - aquele que diz que "o papel historico dos intelectuais, se olharmos tao longe quanto pudermos no passado, infelizmente tem sido o de apoiar os sistemas de poder e justificar as suas atrocidades"... - nao necessariamente o 'activista politico-ideologico de esquerda' que, manifestamente, e' o unico que a "nossa catedratica-cientista" conhece!...) - digno, responsavel, respeitavel e perfeitamente reciclavel!



[*] 'Mukanda' a proposito de algumas passagens de um artigo publicado a paginas tantas da edicao do Semanario Angolense da semana passada, da autoria de alguem, certamente pertencente a geracao Y, mas definitivamente nao 'a minha e muito menos ao meu "espaco geo-politico" - este, o meu, pode encontrar-se mais facilmente aqui, do que em qualquer "ideia da Europa"!...

Embora nao possa deixar de notar a "coincidencia" das afirmacoes feitas nesse artigo com alguns dos argumentos mais "profundos" dos "eurocepticos" da direita Britanica que agora, perante o "colapso" da Grecia - e, dizem eles, da propria "ideia da Europa", qualquer que ela seja - proclamam: "nos bem vos avisamos!"...

E mais perturbador ainda do que isso e', para alem da "endogeneizacao" do euro-centrismo no mundo ocidental (e global?... muito proprio de uma "mae da negritude branca pos-colonial"!...), o "greci-centrismo" no mundo europeu patenteado nesse artigo: e' que a Grecia Antiga pode bem ser "o berco da civilizacao europeia", mas a Europa Contemporanea ja' e' "o berco" de cidadaos ("barbaros"?) das mais variadas origens civilizacionais de todo o mundo (... Portugal e'-o de certeza, sempre o foi e continuara' a se-lo, particularmente desde que se viu forcado a recorrer a sua "velha" joia da coroa em Africa, Angola, para se salvar do "destino" que a actual crise tem vindo a ditar a Grecia... pelo que, se alguns politicos Portugueses dizem que "nos nao somos a Grecia!", terao certamente as suas (muitas, boas e novas) razoes!...) - e a assumpcao dessa realidade tambem faz parte de uma "ideia da Europa" inclusiva, multi-cultural, multi-etnica e multi-racial, que nao se ve retratada nas ideias de Steiner copied and pasted para esse artigo!... O que talvez se perceba com um melhor conhecimento da biografia e bibliografia de Steiner (e, em particular, o que Assaf Sagiv designou “George Steiner’s Jewish Problem”) e porque que ele considera a “ideia da Europa” como “um conto de duas cidades: Atenas e Jerusalém”...




Pior do que envelhecer, e' nao saber (ou nao querer, ou nao ser capaz de) envelhecer com dignidade, verticalidade, integridade e graciosidade e ter inteligencia, sensibilidade, responsabilidade e coragem suficientes para tentar deixar um 'legado' , humilde e diminuto que seja, digno desse nome as geracoes seguintes e vindouras, fazendo sempre questao de respeitar - quem quer que seja e qualquer que seja a sua idade e sobretudo em publico (!) - para nao passar pela "humilhacao" de se ser desrespeitada/o...


Enfim, nao ter a minima nocao do que significa ser-se um/a "role model"!...


E isso e' tao valido para as pessoas - homens ou mulheres - como para as ideias, de esquerda ou de direita, ou para as instituicoes, e entre estas especialmente os partidos politicos, da situacao ou da oposicao!...





'A Mesa de um Café Londrino…


… Sentei-me, no sabado antepassado, com a minha amiga Zheena – uma Mulher da Etiopia (pais reputado como sendo produtor de algum do melhor cafe do mundo) nos seus 65-70 anos, mas muito confortavel com a sua idade, o seu corpo e a sua sexualidade.

Ela encomendou um pote de cha’ e eu um café macchiato. Olhamos deliciadas para os bolos – nao do tipo bolos de arroz ou pasteis de nata, mas bolos mesmo, feitos em casa, handmade, dos quais se pode pedir uma ou duas fatias – mas decidimos nao indulgir na gulodice… Enquanto esperavamos que nos viessem servir a uma das mesas de real wood (reciclavel), sentadas em cadeiras tradicionalmente estofadas, ‘enjoyamos’ o espaco que nos rodeava: uma exposicao de ceramica artesanal contemporanea nas prateleiras ao lado da nossa mesa, numa das paredes um ‘fresco’ em tamanho gigante retratando algumas das figuras maiores da musica anglosaxonica com destaque para Louis Armstrong e noutras paredes fotos autografadas de artistas que por ali passaram, posters e cartazes de eventos culturais e mais, muito mais!...

Ah, e tudo isso enquanto nos chegavam aos ouvidos acordes vindos de uma outra sala onde um grupo de musicos ensaiava – na noite anterior, disseram-nos, tinha la’ estado a actuar um dos melhores pianistas contemporaneos deste pais… e nao, nao era nenhum upper class café numa qualquer rua ou bairro upmarket de Londres – tratava-se apenas de um cafe'-estudio-galeria numa back street de uma area de Londres nao particularmente trendy: Kentish Town!


Depois de servidas por dois extremamente afaveis empregados, um Eritreu e uma Irlandesa, entre os nossos cha’ e café, a Zheena, sem nunca mencionar a sua idade, falou-me do seu processo de envelhecimento: da mudanca gradual dos seus habitos alimentares e do seu efeito no seu metabolismo; de como precisava de voltar ao gym que ela deixou de frequentar ha’ cerca de um ano, onde depois do exercicio fisico relaxava na spa – e nao, tal como eu, ela nao e’ rica!

Bom, claro que nem todos os cafes de Londres sao assim, mas este e’ apenas um de muitos exemplos do que esta cidade tem para oferecer em materia de cafes, que ja’ vao sendo mais do que os pubs, os quais, tal como varias outras instituicoes tradicionais ("velhas") deste pais, teem vindo gradualmente a fechar, ou a reconverter-se (reciclar-se). E mesmo que nao sejam em tao grande numero como, por exemplo, os de Paris, sei, por experiencia propria, que aquele precioso fim de tarde naquele café de Londres com a Zheena ter-nos-ia custado os olhos da cara em Paris – e isto se nao nos impedissem de la’ entrar, senao ostensivamente (afinal os parisienses sao supostamente peritos em “finesse”…), muito provavelmente, dada a sua igualmente famosa snobbery, pela frieza do tratamento que nos dispensariam!...

E isto apenas para dar a quem “nao conhece muitos mundos fora dos livros”, a ‘dica’ (ou 'bica' se preferir...) de que nao sao so’ os "Europeus" (continentais) que 'enjoyam' a cultura do café (‘o espaco’) e que… no mundo anglofono, para alem de Londres, talvez alguns dos melhores cafes do mundo se situam em cidades Americanas como New York!... Alias, so' com um grande stretch of the imagination se pode considerar a "cultura do cafe'" como uma "marca civilizacional" da Europa tao 'longeva' quanto a Grecia Antiga: isso porque o cafe' (tanto o espaco como o produto) e' pretty much um produto da colonizacao da Africa pela Europa... da qual, diga-se, a Grecia de 500 nao participou - o que tambem podera' ter algo a ver com o desespero em que se encontra neste momento porque, ao contrario de Portugal, por exemplo, nao tem uma "antiga joia da coroa" em Africa a que recorrer!...

E… porque, desde que a conheco, ela tem sabido granjear o meu respeito, eu jamais chamaria ‘a Zheena, nos seus sabios, sadios e confortaveis cerca de 70 anos de idade, “velhota, velhaca e bruaca”… beyond repair!...


"O MIT QUE CONHECO"

Podera' nao ser exactamente "a prova de balas", mas...

... E' um MIT que sabe que nao se pode permitir "envelhecer desgracadamente" sob pena de perder as suas credibilidade e respeitabilidade...

... E' um MIT que sabe que tem que respeitar e integrar o "sangue novo" da "juventude" para que nao falte vida 'as ideias que nele nascem, se desenvolvem e se reproduzem e para que estas nao morram de "morte matada"!...

... E' um MIT que nao tolera a arrogancia ignorante, nem a desonestidade intelectual, ou a cobardia, o plagiarismo e/ou o mimetismo, o oportunismo e menos ainda a total falta de etica e deontologia profissionais!!!...

...E', acima de tudo, um MIT suficientemente forte, robusto, maduro, idoneo, democratico e civilizado, para albergar e acomodar academicos dos mais diversos espectros politico-ideologicos!...


Esse e' o MIT do Chomsky (o linguista, filosofo, cognicientista e historiador - aquele que diz que "o papel historico dos intelectuais, se olharmos tao longe quanto pudermos no passado, infelizmente tem sido o de apoiar os sistemas de poder e justificar as suas atrocidades"... - nao necessariamente o 'activista politico-ideologico de esquerda' que, manifestamente, e' o unico que a "nossa catedratica-cientista" conhece!...) - digno, responsavel, respeitavel e perfeitamente reciclavel!



[*] 'Mukanda' a proposito de algumas passagens de um artigo publicado a paginas tantas da edicao do Semanario Angolense da semana passada, da autoria de alguem, certamente pertencente a geracao Y, mas definitivamente nao 'a minha e muito menos ao meu "espaco geo-politico" - este, o meu, pode encontrar-se mais facilmente aqui, do que em qualquer "ideia da Europa"!...

Embora nao possa deixar de notar a "coincidencia" das afirmacoes feitas nesse artigo com alguns dos argumentos mais "profundos" dos "eurocepticos" da direita Britanica que agora, perante o "colapso" da Grecia - e, dizem eles, da propria "ideia da Europa", qualquer que ela seja - proclamam: "nos bem vos avisamos!"...

E mais perturbador ainda do que isso e', para alem da "endogeneizacao" do euro-centrismo no mundo ocidental (e global?... muito proprio de uma "mae da negritude branca pos-colonial"!...), o "greci-centrismo" no mundo europeu patenteado nesse artigo: e' que a Grecia Antiga pode bem ser "o berco da civilizacao europeia", mas a Europa Contemporanea ja' e' "o berco" de cidadaos ("barbaros"?) das mais variadas origens civilizacionais de todo o mundo (... Portugal e'-o de certeza, sempre o foi e continuara' a se-lo, particularmente desde que se viu forcado a recorrer a sua "velha" joia da coroa em Africa, Angola, para se salvar do "destino" que a actual crise tem vindo a ditar a Grecia... pelo que, se alguns politicos Portugueses dizem que "nos nao somos a Grecia!", terao certamente as suas (muitas, boas e novas) razoes!...) - e a assumpcao dessa realidade tambem faz parte de uma "ideia da Europa" inclusiva, multi-cultural, multi-etnica e multi-racial, que nao se ve retratada nas ideias de Steiner copied and pasted para esse artigo!... O que talvez se perceba com um melhor conhecimento da biografia e bibliografia de Steiner (e, em particular, o que Assaf Sagiv designou “George Steiner’s Jewish Problem”) e porque que ele considera a “ideia da Europa” como “um conto de duas cidades: Atenas e Jerusalém”...

Friday, 2 March 2012

NO "DIA DA MULHER ANGOLANA"... [R]*




Pela estrada desce a noite...
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvilias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...

Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo Mãe-Negra!

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta, bem calada.

É tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada

Alda Lara


( ... Ha' quem continue a "saber tudo" e quem continue a "nao saber nada"... a questao e': "quem e' quem e quem sabe o que sobre o que"...)


Ngongo ya Biluka (Lourdes Van Dunem)


(NB: a cancao da saudosa Lourdes Van Dunem que eu queria realmente colocar aqui era o Monami. Mas, como nao a tenho, podera' ouvi-la no Kurikutela)


(Foto daqui)




*[Postado inicialmente a 02/03/2007]

Post Relacionado:

Ainda Sobre o Dia da Mulher Angolana




Pela estrada desce a noite...
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvilias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...

Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo Mãe-Negra!

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta, bem calada.

É tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada

Alda Lara


( ... Ha' quem continue a "saber tudo" e quem continue a "nao saber nada"... a questao e': "quem e' quem e quem sabe o que sobre o que"...)


Ngongo ya Biluka (Lourdes Van Dunem)


(NB: a cancao da saudosa Lourdes Van Dunem que eu queria realmente colocar aqui era o Monami. Mas, como nao a tenho, podera' ouvi-la no Kurikutela)


(Foto daqui)




*[Postado inicialmente a 02/03/2007]

Post Relacionado:

Ainda Sobre o Dia da Mulher Angolana

Wednesday, 29 February 2012

BIRTHDAY MOM [R]*



Sobre as tres senhoras*: a do meio e’ a mae da minha mae; do seu lado direito, de vestido as flores e cinto, uma irma do meu pai; do seu lado esquerdo, de vestido as riscas, a minha mae.
Sobre os outros ‘figurantes’: com a minha tia paterna, uma prima; em frente a minha mae, de vestido branco, a sua unica irma; o senhor agachado, um amigo da familia.

Sobre a minha mae: ela faz hoje… 18 anos!
Indeed, sou mais velha que a minha mae!
*By the way, in case you’re wondering: os cabelos sao todos completamente naturais!

{That’s what happens to you when your mother only has a birthday every four years… }

Cheers!


*[First posted 29/02/08]





Sobre as tres senhoras*: a do meio e’ a mae da minha mae; do seu lado direito, de vestido as flores e cinto, uma irma do meu pai; do seu lado esquerdo, de vestido as riscas, a minha mae.
Sobre os outros ‘figurantes’: com a minha tia paterna, uma prima; em frente a minha mae, de vestido branco, a sua unica irma; o senhor agachado, um amigo da familia.

Sobre a minha mae: ela faz hoje… 18 anos!
Indeed, sou mais velha que a minha mae!
*By the way, in case you’re wondering: os cabelos sao todos completamente naturais!

{That’s what happens to you when your mother only has a birthday every four years… }

Cheers!


*[First posted 29/02/08]



Monday, 27 February 2012

Diogenes Boavida (R.I.P.)




'A Maria Helena e ao Buca
ao Buchy e 'a restante familia a expressao do meu profundo pesar.




'A Maria Helena e ao Buca
ao Buchy e 'a restante familia a expressao do meu profundo pesar.