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Wednesday, 18 July 2018

AFINALE?!







[AQUI]


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&

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That Land




N.B.:

Dizer, nesta altura do campeonato – depois de ter passado por tudo isto e especialmente por isto – que se me esgotaram totalmente o tempo e a paciencia para este tipo de propaganda tribalista, genocidario-racista, colonial-fascista e de extrema direita neo-nazi seria, no minimo, uma redundancia: expressei-o terminantemente aqui e os posts indicados acima, entre varios outros neste blog, explicam-no a saciedade! E, apenas para fazer um “ponto de ordem” (...de honra!...), acrescento-lhes A Negacao e Afirmacao de Agostinho Neto.

Mas, uma vez que, de todas as pecas delirantes que “me foram dedicadas” ate’ agora, esta e’ a mais ridiculamente doentia e esquizofrenica (ou, simplesmente, disgusting!), porque totalmente desprovida de qualquer base material e factual de sustentacao argumentativa, logo totalmente falaciosa - onde e’ que eu ja’ falei de ‘argumentos non sequitur’? - e em aberta contravencao a todas as disposicoes nacionais, regionais e internacionais sobre os Direitos Humanos e os Direitos dos Povos [para quem ainda nao era nascido na altura, ou passou completamente ao largo do 27 de Maio de 1977, ou, "mais perto de casa", da Sexta Feira Sangrenta, este (juntamente com outros recentes e continuos vomitos de odio propalados pelo ‘Novo Jornal’ em que se fala, por exemplo, de “monstros raciais e taras tribais” e de “encarcerar os tribalistas”; ou, ja’ agora, tambem pelo ‘O Pais’, em que se fala de “baratas” a boa maneira genocidaria Rwandesa…) era precisamente o tipo de ‘perola propagandistica’ para a diabolizacao das suas vitimas e intoxicacao e manipulacao da opiniao publica com que se “batia no ferro quente” imediatamente antes e depois daquela(s) data(s) fatidica(s)!], dou-me ao trabalho de deixar aqui sobre ela apenas as seguintes “notas tecnicas”:

(…) O Reino do Kongo, cuja sede era em Mbanza Kongo, totalmente dentro das actuais fronteiras de Angola, estendia-se, na era pre-colonial, por uma regiao que, a Sul, ia ate’ a Ilha de Luanda e, a Norte, compreendia os actuais (ou partes significativas destes) Kongo Brazzaville, Gabao e Kongo Kinshasa, sendo que deste, actual RDC, areas houve que pouca ou nenhuma relacao directa, ou historicamente relevante, tiveram com o Reino do Kongo. E’ o caso do seu extremo Norte, de onde era originario Mobutu que, note-se, nao era baKongo, mas sim NgBandi (o mesmo se passa no caso da regiao Leste/Grandes Lagos da RDC, de onde sao provenientes os Kabila, que pertencem a etnia Luba e nao baKongo). Portanto, nem a actual RDC na sua totalidade, nem Mobutu, podem com propriedade ser considerados “sucessores” (certamente nao unicos) do Reino do Kongo – quanto mais nao seja porque Mobutu, como aqui se regista, assumiu o poder pela forca contra os legitimos titulares do primeiro governo independente daquele pais, Lumumba e Kasavubu, este sim, um baKongo;

(…) A “authenticite” nao foi uma 'doutrina politico-ideologica': foi, quanto muito, uma 'directriz de afirmacao identitaria nacional', que tanto nao foi culturalmente totalizante, nem na RDC, nem nos outros “paises sucessores do Reino do Kongo”, que conviveu com, por exemplo, La Sapologie e os movimentos musicais multiculturais e multi-etnicos locais, regionais e trans-continentais de que aqui se fala um pouco;

(...) Assumir a identidade e valorizar e divulgar a cultura de origem nao significa tribalismo. Tribalismo, tal como racismo, e' usar a identidade (tribal ou racica) para hostilizar, denegrir, diabolizar, humilhar, achincalhar e tentar aniquilar (simbolica ou realmente) os que nao pertencem a essa mesma tribo ou raca e respectivas culturas. E, assim sendo, aquilo que faz o autor do artigo aqui em questao, tal como os seus correlegionarios, e' precisamente, e para dizer o minimo, tribalismo e racismo! E, por isso, eles sim, deveriam ser nada mais, nada menos do que encarcerados!

(…) Seria de todo o interesse do ponto de vista do conhecimento historico-cientifico que se explicassem, demonstrassem e provassem cabalmente, por um lado, a ‘implicacao’ do Reino do Kongo no alegado “exterminio dos Khoisan” e, por outro, as suas alegadas “ligacoes e afinidades”, doutrinarias ou outras, com os Boers - talvez devam pedir a Mandela, como descendente dos Khoisan e ex-prisioneiro dos Boers, os seus insights sobre o assunto;

(…) Se algum “autoctone”, em algum momento, advogou, promoveu e praticou a “descolonizacao completa” de Angola (e de Mocambique), ele nao foi “descendente do Reino do Kongo”: a Historia tem em registo quem e como assumiu totalmente o poder pos-independencia nesse(s) pais(es); sendo que, no caso de Angola, muito gracas ao apoio de um dos “sucessores do Reino do Kongo”, o Kongo Brazaville, em oposicao directa ao Kongo de Mobutu... E, nao fossem reconhecimentos desse facto como este, dir-se-ia que ha' em todo esse irresponsavel delirio racista, xenofobo, tribalista e anti-Bakongo muito do que, com toda a propriedade, se pode e deve chamar "cuspir no prato em que se debicou"!

(…) Tanto quanto “retornar ao patamar tecno-juridico-administrativo” que Angola teve antes da independencia significa, ou pode significar, “recolonizacao” ou “neo-colonialismo”, seria de toda a conveniencia explicar-se, de preferencia “tecnica, juridica e administrativamente”, como e porque que essa e’ a unica via possivel e desejavel para que se atinja tal patamar. Um possivel ponto de partida para essa discussao pode ser encontrado, por exemplo, aqui;

(…) Finalmente, no que pessoalmente me possa tocar directamente em relacao a todas essas e, possivelmente, outras questoes relativas, tenho apenas a parafrasear aquele que, agora caminhando para o fim dos seus dias, para garantir o seu “lugar no reino dos ceus” comeca a render-se a Verdade Historica, Fidel Castro: A Historia Me Absolvera’!

[P.S.: Curiosamente, dois dias depois de isto escrito, Joseph Kabila efectua uma 'visita relampago' ao seu homologo Angolano para reafirmar os lacos entre os dois paises]




Ainda outro take sobre a mesma leitura:

O argumento basico dos apostolos da 'recolonizacao' e’ o de que todos os males de que a Africa pos-colonial enferma teem na sua origem a independencia e a saida dos colonos: "os negros sao congenitamente incapazes de se auto-governar e de criar prosperidade economico-social (sao predadores, bebados ou bufos, vida deles e’ so’ fazere bwe’ de kilapie’, roubar e matarem-se uns aos outros, e mesmo depois de terem passado pela universidade teem que tirar os sapatos para poderem contar ate' doze! E, na verdade, nao fossem os europeus, especialmente os etnologos e antropologos, nem as suas proprias culturas eles conheceriam!)"!

E os numeros e imagens das guerras, da pobreza e do subdesenvolvimento, especialmente se em comparacao com alguns paises de outras regioes do mundo (e.g. Asia e America Latina) que partiram do mesmo nivel de desenvolvimento (ou pelo menos de PIBpc) aquando das independencias africanas nos anos 60, estao ai para o demonstrar a saciedade: "o problema de Africa nao e’ outro senao os Africanos"!
Mas, mais do que isso, "se alguma vez a Africa ostentou algum progresso, foi durante o periodo colonial, logo, sem os Europeus e/ou os seus descendentes directos a Africa esta’ condenada a pobreza, subdesenvolvimento e fracasso total e eterno… logo, a unica saida possivel desse ciclo vicioso e’ a 'recolonizacao'"!

E' isto, alias, que une alguns negros e brancos, esquerdistas e direitistas, nessa canoa furada (ou, mais uma vez, de como os extremos se tocam...): i.e. aqueles que professam e sempre professaram a "supremacia euro-caucasiana" (e seus lacaios) e alguns dos que honestamente sao criticos do poder pos-independencia em Africa [com o Zimbabwe de Mugabe como grande ponto de convergencia entre esses dois afluentes - vejam-se, no entanto as posicoes (conflituosas?) de Graca Machel sobre essa questao: aqui e aqui]... Sendo que, pelo meio, ha' alguns que, como eu, nao estando seguramente do lado dos primeiros e nao necessariamente sempre do lado dos segundos, apenas tentam separar as aguas entre esses dois rios... [por isso reagi deste modo as recomendacoes do Prof. Paul Collier sobre a economia angolana - retomadas aqui e aqui - o qual, por coincidencia, foi tambem professor da Dambisa Moyo, que no seu Dead Aid advoga, nada mais nada menos, que o remedio para todos os problemas actuais de Africa esta' no fim imediato (dentro de 5 anos) da Ajuda ao Desenvolvimento (ou, como dizia a outra "experta" em patetices, "for God's sakes stop aid!") e o recurso dos estados africanos aos mercados financeiros internacionais (... nao, nada vagamente parecido com a criacao das bases para um desenvolvimento, nao apenas economico-financeiro, mas tambem e sobretudo socio-cultural, endogeno e sustentavel...), tendo-o feito num momento em que aqueles se encontra(va)m em profunda crise e num contexto em que a esmagadora maioria das economias africanas nao tem credit ratings que lhes garantam qualquer acesso significativo a tais mercados - veja-se a esse respeito o que no ultimo paragrafo deste artigo se diz sobre a economia Mocambicana... - e sendo que, tambem por coincidencia, para esses mercados ela trabalha...], e por isso acabam(os) sendo vitimas de tentativas de afogamento por ambos os lados!

Ha' ainda um terceiro afluente que e' alimentado pelos proprios circulos do poder de estado de alguns paises africanos e de algumas organizacoes regionais no continente que se tornaram aid dependent, tanto em termos tecnicos como financeiros - para estes, os contingentes de estrangeiros [ex-colonos ou nao; embora isto nao deixe de me trazer a lembranca um alto dirigente da nomenkatura angolana que, nao ha' muito tempo, foi a Portugal declarar que "nos precisamos do homem portugues"... nada contra, se isso nao soasse claramente a "nos precisamos do ex-colono (porque nao estamos a dar conta do recado)"... e menos ainda contra se ele tivesse sido mais especifico e declarasse algo como "nos precisamos prioritariamente de tecnicos qualificados" e acrescentasse, ainda que apenas implicitamente, "porque e' imperioso que invistamos em capital humano e nos precisamos mais ainda do homem angolano, quanto mais nao seja porque foi ele que nos colocou e nos mantem no poder e perante ele temos o dever e a obrigacao de lhe prover e aos seus filhos a formacao adequada para que os angolanos possam competir em pe' de igualdade com qualquer estrangeiro num mundo cada vez mais globalizado!") funcionam como um "buffer" entre os governos/aparelhos de estado e os respectivos povos, que lhes assegura a manutencao do poder e a perpetuacao de determinados individuos em certos cargos, bem como os seus hefty revenue streams e a possibilidade de "brilharem" sozinhos sem quaisquer entraves - era, em parte, a este fenomeno e as suas consequencias socio-culturais a que aqui me referia...

O unico contra-argumento plausivel a essa “inevitabilidade historica” seria se se pudessem encontrar na Africa pre-colonial exemplos de sistemas culturais capazes de gerar, pelo menos potencialmente, estabilidade politica e desenvolvimento economico-social. Aparentemente sim: “(…) o antigo Reino do Congo, notabilizado por ser, então e aparentemente, o único reino organizado na África sub-saariana. (...) Esse palmarés de primeiro entre os reinos sub-saarianos a ter contacto com a Europa e a ter relações diplomáticas com a Santa Sé foi - e continua a ser. .. – motivo de orgulho para os súbditos do rei do Congo e seus actuais descendentes.” Mas… esse mesmo Reino emblematico e paradigmatico “teve como successor o maior emblema e paradigma de fracasso em todas as frentes na Africa pos-colonial: o Congo de Mobutu”!

E, pior do que isso, os seus “actuais descendentes” e “apostolos de Mobutu e da neo-authenticite’”, mesmo quando se apresentam com creditos e meritos profissionais e academicos reconhecidos, sao “monstros racistas e tarados tribais a encarcerar” e “baratas” a eliminar da face da terra: “(…) eles sao, como os boers (e ao contrario de Agostinho Neto - casado civilizadamente com uma mulher branca e que declarou "nao havera' perdao (!) para os 'apostolos da neo-authenticite' do 27 de Maio"...; ou de Mandela - que se divorciou pessoal e politicamente da sua "profeta da neo-authenticite' primeira esposa" e que "so' nao fez o impossivel para nao 'desagradar' os brancos sul-africanos, boers incluidos"...), declaradamente neo-nazis e praticam o primado do dinheiro sobre o direito; o suborno e a falsificação de documentos; a instilação dum racismo e tribalismo como nunca existira na vida económico-social; a distorção de factos históricos e sociais; a intriga e a subserviência; o nepotismo; e, com todas estas armas, a sabotagem subreptícia dos esforços para pôr Angola a funcionar no patamar técno-jurídico-administrativo que já tivera antes da independência.”!

"Logo, 'recolonizacao' e’ o unico caminho a seguir e quem se atreva a 'levantar um dedo ou a bater uma tecla em contrario'... convem saber sempre o que lhe espera!"

Portanto:

QUE VIVA A RECOLONIZACAO!!!
RECOLONIZATION OYE’!!!



(...) Mas, na verdade, nao fosse a gravidade das questoes acima referidas, poderiamos ter poupado o ja' pouco tempo e paciencia que nos restam para todo esse nonsense a mistura com pure evil (!): e' que tudo isso parece claramente nao passar de uma "questao de inteligencia" ou, dito de outro modo, de "competicao pela paridade (ou supremacia?) da etnia, da raca e do genero no dominio intelectual" (poderia dize-lo ainda de outro modo, mas voltar a falar em inveja, ciumes, odio e afins, seria tambem mais do que uma redundancia neste blog... onde e' que por aqui ja' se falou em "inveja dos brains"?)... Senao vejamos (citando da mesma edicao do NJ acima referida):

(...) Os seus “apóstolos” não esmoreceram, nem quando encontraram situações imprevistas como mulatos com os pais, os quatro avós, os oito bisavós e os dezasseis trisavós nados, vividos, mortos e enterrados em Angola; angolanos negros tão ou mais inteligentes que eles e se não deixaram enganar; outros africanos subsaarianos nascidos em Angola (e, não raro de segunda ou até terceira geração) que não abdicam da sua actual nacionalidade e não alinham nos “cantos de sereia” dos apóstolos da neooauthenticité.

(...) O que devemos fazer pela Pátria? Provar à sociedade que o talento assusta os medíocres’ como tão bem descreveu José Alberto Gueiros há mais de 25 anos no extinto Jornal da Bahia - “assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas, boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher no seu círculo de convivência por medo de perder os seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar” O que devemos, perante este cenário, continuar a fazer pela Pátria? Demonstrar à opinião pública que os medíocres, que não aprendem nada com nada, são obstinados na conquista de lugares de destaque. O que devemos continuar a fazer pela Pátria? Pôr em evidência que os medíocres entrincheirados em posições de chefia denotam um medo indisfarçável da inteligência. O que devemos incessantemente continuar a fazer pela Pátria? Desenterrar a famosa trova de Ruy Barbosa: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”

(...) Como diria o meu amigo Rainer (aprendeu nos Acores): Eta Corisco!...
Bem...! Que tal um 'cruzamento de referencias' com a minha confissao... ou com este "caso"... ou com os meus Boers... ou com os meus Khoisan...?!

(...) E... creio que Ruy Barbosa subscreveria esta: "ha' tanto kabungado tarado e monstruoso com bigodinho a Hitler e a espumar da boca com a lingua de serpente de fora, auto-convencido que e' super-inteligente e talentoizo (...e' que... Deus e' poderoizo!...) por ai a solta, que as vezes fico pensando que a kabunguice e' uma ciencia"!

(...) E, ja' agora, alguem reparou em como o obus dos "monstros raciais e taras tribais" foi lancado para o meu kintal em retaliacao directa e imediata ao comentario a este post e a este ?!... O que nos remete para "outras questoes", nomeadamente "quem e' quem, quem e' amigo de quem, quem se senta a mesa de quem e quem 'debica no prato' de quem"! Mas essas ja' aqui foram, pelo menos parcialmente, abordadas...

(...) Talvez nao seja de todo despiciendo relembrar aqui o meu "celebre debate" com o Negro Ugandes ('tao ou mais inteligente do que eu') Dennis Matanda no (agora infelizmente "desaparecido em combate") Africanpath, sobre a "recolonizacao". Como quem o seguiu de perto (e entenda bem Ingles) tera' anotado, eu comecei por responder ao seu primeiro "Call for Recolonization" com um comentario em que me declarava "un-comfortably numb" ("de-construcao" minha do titulo dos Pink Floyd que, mais recentemente, por aqui passei a volta deste post ), ao que se seguiu o meu primeiro artigo naquele site, como guest blogger, sobre a questao ("Are We All Losing The Plot?"). O Dennis respondeu imediatamente num outro artigo ("We Africans Have Lost The Plot a Long Time Ago") em que reiterava as suas posicoes iniciais, ao que eu voltei a carga tambem com um segundo artigo ("Are We All Losing The Plot? - Part II"), tendo dele obtido a seguinte resposta:

Recovering from an Intellectual Blow

Koluki, I finally got round to reading this article - and I can tell you that I have been blown away - completely. Having said that, you have made a case for the shifting of blame from the leaders of present day African countries to the history of their different nations. But is that not the problem? How can a people who have been showed these examples not react to them? How can we not look into history and 'force' our present leaders to do their good deeds? Lastly, how can we not blame our current leaders yet they, like our historical leaders, are not attempting to be students of history or leadership? That is the core of my argument. If we had leaders in the past, why do we have presidents today?
Again, your article is excellent - and I am bowled over.

Dennis Matanda


Bem, se "recovering from an intellectual blow" e "your article is excellent - and I am bowled over - completely" nao e' "cair no canto da sereia", o que quer que isso signifique...

[E abro aqui um parentesis para notar o seguinte: Este debate e, em particular, esta resposta do Dennis Matanda (e tambem estes artigos de dois jovens Sul-Africanos, ou este debate na blogosfera Mocambicana), e' bem emblematico da diferenca cultural estrutural e estruturante em relacao aquilo que (nao) e' o nivel do "debate" entre os angolanos (ou apenas alguns? ... ou apenas alguns "jornalistas"?... ou apenas alguns "intelectuais"?...): ali debateram-se seriamente ideias e conviccoes fortes e profundas sobre questoes extremamente sensiveis, tendo havido por parte do "derrotado" a hombridade, decencia, educacao, civilidade e elegancia de reconhecer a sua "derrota" e os meritos dos argumentos do adversario - mesmo sendo estes protagonizados por uma mulher (e, acrescente-se, negra!)... O que teriamos (temos tido) nos "pretensos debates" com angolanos? Nada mais do que os ataques ad hominem (... "ad mulher ", incluindo a sua vida intima e privada, ao seu corpo e a sua suposta sexualidade!...), o abuso e insulto mais baixo e soez, a tentativa de humilhacao, degradacao moral e espiritual, objectificacao sexual e destruicao fisica, psicologica e profissional (!) sem quaisquer escrupulos... E' essa a "mentalidade" da generalidade dos (ou de apenas alguns?... ou de apenas alguns "jornalistas"?... ou de apenas alguns "intelectuais"?...) angolanos!]

(...) E... quem diz, pateticamente, "resistir" (em vao) a este 'canto da sereia' e'... psicopata (ruim da cabeca) e... kabungadu (ou doente do pe')!

(...lol...)



ADENDA

"MANDELA, MOBUTU & ME"



In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]



Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]



Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]








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N.B.:

Dizer, nesta altura do campeonato – depois de ter passado por tudo isto e especialmente por isto – que se me esgotaram totalmente o tempo e a paciencia para este tipo de propaganda tribalista, genocidario-racista, colonial-fascista e de extrema direita neo-nazi seria, no minimo, uma redundancia: expressei-o terminantemente aqui e os posts indicados acima, entre varios outros neste blog, explicam-no a saciedade! E, apenas para fazer um “ponto de ordem” (...de honra!...), acrescento-lhes A Negacao e Afirmacao de Agostinho Neto.

Mas, uma vez que, de todas as pecas delirantes que “me foram dedicadas” ate’ agora, esta e’ a mais ridiculamente doentia e esquizofrenica (ou, simplesmente, disgusting!), porque totalmente desprovida de qualquer base material e factual de sustentacao argumentativa, logo totalmente falaciosa - onde e’ que eu ja’ falei de ‘argumentos non sequitur’? - e em aberta contravencao a todas as disposicoes nacionais, regionais e internacionais sobre os Direitos Humanos e os Direitos dos Povos [para quem ainda nao era nascido na altura, ou passou completamente ao largo do 27 de Maio de 1977, ou, "mais perto de casa", da Sexta Feira Sangrenta, este (juntamente com outros recentes e continuos vomitos de odio propalados pelo ‘Novo Jornal’ em que se fala, por exemplo, de “monstros raciais e taras tribais” e de “encarcerar os tribalistas”; ou, ja’ agora, tambem pelo ‘O Pais’, em que se fala de “baratas” a boa maneira genocidaria Rwandesa…) era precisamente o tipo de ‘perola propagandistica’ para a diabolizacao das suas vitimas e intoxicacao e manipulacao da opiniao publica com que se “batia no ferro quente” imediatamente antes e depois daquela(s) data(s) fatidica(s)!], dou-me ao trabalho de deixar aqui sobre ela apenas as seguintes “notas tecnicas”:

(…) O Reino do Kongo, cuja sede era em Mbanza Kongo, totalmente dentro das actuais fronteiras de Angola, estendia-se, na era pre-colonial, por uma regiao que, a Sul, ia ate’ a Ilha de Luanda e, a Norte, compreendia os actuais (ou partes significativas destes) Kongo Brazzaville, Gabao e Kongo Kinshasa, sendo que deste, actual RDC, areas houve que pouca ou nenhuma relacao directa, ou historicamente relevante, tiveram com o Reino do Kongo. E’ o caso do seu extremo Norte, de onde era originario Mobutu que, note-se, nao era baKongo, mas sim NgBandi (o mesmo se passa no caso da regiao Leste/Grandes Lagos da RDC, de onde sao provenientes os Kabila, que pertencem a etnia Luba e nao baKongo). Portanto, nem a actual RDC na sua totalidade, nem Mobutu, podem com propriedade ser considerados “sucessores” (certamente nao unicos) do Reino do Kongo – quanto mais nao seja porque Mobutu, como aqui se regista, assumiu o poder pela forca contra os legitimos titulares do primeiro governo independente daquele pais, Lumumba e Kasavubu, este sim, um baKongo;

(…) A “authenticite” nao foi uma 'doutrina politico-ideologica': foi, quanto muito, uma 'directriz de afirmacao identitaria nacional', que tanto nao foi culturalmente totalizante, nem na RDC, nem nos outros “paises sucessores do Reino do Kongo”, que conviveu com, por exemplo, La Sapologie e os movimentos musicais multiculturais e multi-etnicos locais, regionais e trans-continentais de que aqui se fala um pouco;

(...) Assumir a identidade e valorizar e divulgar a cultura de origem nao significa tribalismo. Tribalismo, tal como racismo, e' usar a identidade (tribal ou racica) para hostilizar, denegrir, diabolizar, humilhar, achincalhar e tentar aniquilar (simbolica ou realmente) os que nao pertencem a essa mesma tribo ou raca e respectivas culturas. E, assim sendo, aquilo que faz o autor do artigo aqui em questao, tal como os seus correlegionarios, e' precisamente, e para dizer o minimo, tribalismo e racismo! E, por isso, eles sim, deveriam ser nada mais, nada menos do que encarcerados!

(…) Seria de todo o interesse do ponto de vista do conhecimento historico-cientifico que se explicassem, demonstrassem e provassem cabalmente, por um lado, a ‘implicacao’ do Reino do Kongo no alegado “exterminio dos Khoisan” e, por outro, as suas alegadas “ligacoes e afinidades”, doutrinarias ou outras, com os Boers - talvez devam pedir a Mandela, como descendente dos Khoisan e ex-prisioneiro dos Boers, os seus insights sobre o assunto;

(…) Se algum “autoctone”, em algum momento, advogou, promoveu e praticou a “descolonizacao completa” de Angola (e de Mocambique), ele nao foi “descendente do Reino do Kongo”: a Historia tem em registo quem e como assumiu totalmente o poder pos-independencia nesse(s) pais(es); sendo que, no caso de Angola, muito gracas ao apoio de um dos “sucessores do Reino do Kongo”, o Kongo Brazaville, em oposicao directa ao Kongo de Mobutu... E, nao fossem reconhecimentos desse facto como este, dir-se-ia que ha' em todo esse irresponsavel delirio racista, xenofobo, tribalista e anti-Bakongo muito do que, com toda a propriedade, se pode e deve chamar "cuspir no prato em que se debicou"!

(…) Tanto quanto “retornar ao patamar tecno-juridico-administrativo” que Angola teve antes da independencia significa, ou pode significar, “recolonizacao” ou “neo-colonialismo”, seria de toda a conveniencia explicar-se, de preferencia “tecnica, juridica e administrativamente”, como e porque que essa e’ a unica via possivel e desejavel para que se atinja tal patamar. Um possivel ponto de partida para essa discussao pode ser encontrado, por exemplo, aqui;

(…) Finalmente, no que pessoalmente me possa tocar directamente em relacao a todas essas e, possivelmente, outras questoes relativas, tenho apenas a parafrasear aquele que, agora caminhando para o fim dos seus dias, para garantir o seu “lugar no reino dos ceus” comeca a render-se a Verdade Historica, Fidel Castro: A Historia Me Absolvera’!

[P.S.: Curiosamente, dois dias depois de isto escrito, Joseph Kabila efectua uma 'visita relampago' ao seu homologo Angolano para reafirmar os lacos entre os dois paises]




Ainda outro take sobre a mesma leitura:

O argumento basico dos apostolos da 'recolonizacao' e’ o de que todos os males de que a Africa pos-colonial enferma teem na sua origem a independencia e a saida dos colonos: "os negros sao congenitamente incapazes de se auto-governar e de criar prosperidade economico-social (sao predadores, bebados ou bufos, vida deles e’ so’ fazere bwe’ de kilapie’, roubar e matarem-se uns aos outros, e mesmo depois de terem passado pela universidade teem que tirar os sapatos para poderem contar ate' doze! E, na verdade, nao fossem os europeus, especialmente os etnologos e antropologos, nem as suas proprias culturas eles conheceriam!)"!

E os numeros e imagens das guerras, da pobreza e do subdesenvolvimento, especialmente se em comparacao com alguns paises de outras regioes do mundo (e.g. Asia e America Latina) que partiram do mesmo nivel de desenvolvimento (ou pelo menos de PIBpc) aquando das independencias africanas nos anos 60, estao ai para o demonstrar a saciedade: "o problema de Africa nao e’ outro senao os Africanos"!
Mas, mais do que isso, "se alguma vez a Africa ostentou algum progresso, foi durante o periodo colonial, logo, sem os Europeus e/ou os seus descendentes directos a Africa esta’ condenada a pobreza, subdesenvolvimento e fracasso total e eterno… logo, a unica saida possivel desse ciclo vicioso e’ a 'recolonizacao'"!

E' isto, alias, que une alguns negros e brancos, esquerdistas e direitistas, nessa canoa furada (ou, mais uma vez, de como os extremos se tocam...): i.e. aqueles que professam e sempre professaram a "supremacia euro-caucasiana" (e seus lacaios) e alguns dos que honestamente sao criticos do poder pos-independencia em Africa [com o Zimbabwe de Mugabe como grande ponto de convergencia entre esses dois afluentes - vejam-se, no entanto as posicoes (conflituosas?) de Graca Machel sobre essa questao: aqui e aqui]... Sendo que, pelo meio, ha' alguns que, como eu, nao estando seguramente do lado dos primeiros e nao necessariamente sempre do lado dos segundos, apenas tentam separar as aguas entre esses dois rios... [por isso reagi deste modo as recomendacoes do Prof. Paul Collier sobre a economia angolana - retomadas aqui e aqui - o qual, por coincidencia, foi tambem professor da Dambisa Moyo, que no seu Dead Aid advoga, nada mais nada menos, que o remedio para todos os problemas actuais de Africa esta' no fim imediato (dentro de 5 anos) da Ajuda ao Desenvolvimento (ou, como dizia a outra "experta" em patetices, "for God's sakes stop aid!") e o recurso dos estados africanos aos mercados financeiros internacionais (... nao, nada vagamente parecido com a criacao das bases para um desenvolvimento, nao apenas economico-financeiro, mas tambem e sobretudo socio-cultural, endogeno e sustentavel...), tendo-o feito num momento em que aqueles se encontra(va)m em profunda crise e num contexto em que a esmagadora maioria das economias africanas nao tem credit ratings que lhes garantam qualquer acesso significativo a tais mercados - veja-se a esse respeito o que no ultimo paragrafo deste artigo se diz sobre a economia Mocambicana... - e sendo que, tambem por coincidencia, para esses mercados ela trabalha...], e por isso acabam(os) sendo vitimas de tentativas de afogamento por ambos os lados!

Ha' ainda um terceiro afluente que e' alimentado pelos proprios circulos do poder de estado de alguns paises africanos e de algumas organizacoes regionais no continente que se tornaram aid dependent, tanto em termos tecnicos como financeiros - para estes, os contingentes de estrangeiros [ex-colonos ou nao; embora isto nao deixe de me trazer a lembranca um alto dirigente da nomenkatura angolana que, nao ha' muito tempo, foi a Portugal declarar que "nos precisamos do homem portugues"... nada contra, se isso nao soasse claramente a "nos precisamos do ex-colono (porque nao estamos a dar conta do recado)"... e menos ainda contra se ele tivesse sido mais especifico e declarasse algo como "nos precisamos prioritariamente de tecnicos qualificados" e acrescentasse, ainda que apenas implicitamente, "porque e' imperioso que invistamos em capital humano e nos precisamos mais ainda do homem angolano, quanto mais nao seja porque foi ele que nos colocou e nos mantem no poder e perante ele temos o dever e a obrigacao de lhe prover e aos seus filhos a formacao adequada para que os angolanos possam competir em pe' de igualdade com qualquer estrangeiro num mundo cada vez mais globalizado!") funcionam como um "buffer" entre os governos/aparelhos de estado e os respectivos povos, que lhes assegura a manutencao do poder e a perpetuacao de determinados individuos em certos cargos, bem como os seus hefty revenue streams e a possibilidade de "brilharem" sozinhos sem quaisquer entraves - era, em parte, a este fenomeno e as suas consequencias socio-culturais a que aqui me referia...

O unico contra-argumento plausivel a essa “inevitabilidade historica” seria se se pudessem encontrar na Africa pre-colonial exemplos de sistemas culturais capazes de gerar, pelo menos potencialmente, estabilidade politica e desenvolvimento economico-social. Aparentemente sim: “(…) o antigo Reino do Congo, notabilizado por ser, então e aparentemente, o único reino organizado na África sub-saariana. (...) Esse palmarés de primeiro entre os reinos sub-saarianos a ter contacto com a Europa e a ter relações diplomáticas com a Santa Sé foi - e continua a ser. .. – motivo de orgulho para os súbditos do rei do Congo e seus actuais descendentes.” Mas… esse mesmo Reino emblematico e paradigmatico “teve como successor o maior emblema e paradigma de fracasso em todas as frentes na Africa pos-colonial: o Congo de Mobutu”!

E, pior do que isso, os seus “actuais descendentes” e “apostolos de Mobutu e da neo-authenticite’”, mesmo quando se apresentam com creditos e meritos profissionais e academicos reconhecidos, sao “monstros racistas e tarados tribais a encarcerar” e “baratas” a eliminar da face da terra: “(…) eles sao, como os boers (e ao contrario de Agostinho Neto - casado civilizadamente com uma mulher branca e que declarou "nao havera' perdao (!) para os 'apostolos da neo-authenticite' do 27 de Maio"...; ou de Mandela - que se divorciou pessoal e politicamente da sua "profeta da neo-authenticite' primeira esposa" e que "so' nao fez o impossivel para nao 'desagradar' os brancos sul-africanos, boers incluidos"...), declaradamente neo-nazis e praticam o primado do dinheiro sobre o direito; o suborno e a falsificação de documentos; a instilação dum racismo e tribalismo como nunca existira na vida económico-social; a distorção de factos históricos e sociais; a intriga e a subserviência; o nepotismo; e, com todas estas armas, a sabotagem subreptícia dos esforços para pôr Angola a funcionar no patamar técno-jurídico-administrativo que já tivera antes da independência.”!

"Logo, 'recolonizacao' e’ o unico caminho a seguir e quem se atreva a 'levantar um dedo ou a bater uma tecla em contrario'... convem saber sempre o que lhe espera!"

Portanto:

QUE VIVA A RECOLONIZACAO!!!
RECOLONIZATION OYE’!!!



(...) Mas, na verdade, nao fosse a gravidade das questoes acima referidas, poderiamos ter poupado o ja' pouco tempo e paciencia que nos restam para todo esse nonsense a mistura com pure evil (!): e' que tudo isso parece claramente nao passar de uma "questao de inteligencia" ou, dito de outro modo, de "competicao pela paridade (ou supremacia?) da etnia, da raca e do genero no dominio intelectual" (poderia dize-lo ainda de outro modo, mas voltar a falar em inveja, ciumes, odio e afins, seria tambem mais do que uma redundancia neste blog... onde e' que por aqui ja' se falou em "inveja dos brains"?)... Senao vejamos (citando da mesma edicao do NJ acima referida):

(...) Os seus “apóstolos” não esmoreceram, nem quando encontraram situações imprevistas como mulatos com os pais, os quatro avós, os oito bisavós e os dezasseis trisavós nados, vividos, mortos e enterrados em Angola; angolanos negros tão ou mais inteligentes que eles e se não deixaram enganar; outros africanos subsaarianos nascidos em Angola (e, não raro de segunda ou até terceira geração) que não abdicam da sua actual nacionalidade e não alinham nos “cantos de sereia” dos apóstolos da neooauthenticité.

(...) O que devemos fazer pela Pátria? Provar à sociedade que o talento assusta os medíocres’ como tão bem descreveu José Alberto Gueiros há mais de 25 anos no extinto Jornal da Bahia - “assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas, boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher no seu círculo de convivência por medo de perder os seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar” O que devemos, perante este cenário, continuar a fazer pela Pátria? Demonstrar à opinião pública que os medíocres, que não aprendem nada com nada, são obstinados na conquista de lugares de destaque. O que devemos continuar a fazer pela Pátria? Pôr em evidência que os medíocres entrincheirados em posições de chefia denotam um medo indisfarçável da inteligência. O que devemos incessantemente continuar a fazer pela Pátria? Desenterrar a famosa trova de Ruy Barbosa: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”

(...) Como diria o meu amigo Rainer (aprendeu nos Acores): Eta Corisco!...
Bem...! Que tal um 'cruzamento de referencias' com a minha confissao... ou com este "caso"... ou com os meus Boers... ou com os meus Khoisan...?!

(...) E... creio que Ruy Barbosa subscreveria esta: "ha' tanto kabungado tarado e monstruoso com bigodinho a Hitler e a espumar da boca com a lingua de serpente de fora, auto-convencido que e' super-inteligente e talentoizo (...e' que... Deus e' poderoizo!...) por ai a solta, que as vezes fico pensando que a kabunguice e' uma ciencia"!

(...) E, ja' agora, alguem reparou em como o obus dos "monstros raciais e taras tribais" foi lancado para o meu kintal em retaliacao directa e imediata ao comentario a este post e a este ?!... O que nos remete para "outras questoes", nomeadamente "quem e' quem, quem e' amigo de quem, quem se senta a mesa de quem e quem 'debica no prato' de quem"! Mas essas ja' aqui foram, pelo menos parcialmente, abordadas...

(...) Talvez nao seja de todo despiciendo relembrar aqui o meu "celebre debate" com o Negro Ugandes ('tao ou mais inteligente do que eu') Dennis Matanda no (agora infelizmente "desaparecido em combate") Africanpath, sobre a "recolonizacao". Como quem o seguiu de perto (e entenda bem Ingles) tera' anotado, eu comecei por responder ao seu primeiro "Call for Recolonization" com um comentario em que me declarava "un-comfortably numb" ("de-construcao" minha do titulo dos Pink Floyd que, mais recentemente, por aqui passei a volta deste post ), ao que se seguiu o meu primeiro artigo naquele site, como guest blogger, sobre a questao ("Are We All Losing The Plot?"). O Dennis respondeu imediatamente num outro artigo ("We Africans Have Lost The Plot a Long Time Ago") em que reiterava as suas posicoes iniciais, ao que eu voltei a carga tambem com um segundo artigo ("Are We All Losing The Plot? - Part II"), tendo dele obtido a seguinte resposta:

Recovering from an Intellectual Blow

Koluki, I finally got round to reading this article - and I can tell you that I have been blown away - completely. Having said that, you have made a case for the shifting of blame from the leaders of present day African countries to the history of their different nations. But is that not the problem? How can a people who have been showed these examples not react to them? How can we not look into history and 'force' our present leaders to do their good deeds? Lastly, how can we not blame our current leaders yet they, like our historical leaders, are not attempting to be students of history or leadership? That is the core of my argument. If we had leaders in the past, why do we have presidents today?
Again, your article is excellent - and I am bowled over.

Dennis Matanda


Bem, se "recovering from an intellectual blow" e "your article is excellent - and I am bowled over - completely" nao e' "cair no canto da sereia", o que quer que isso signifique...

[E abro aqui um parentesis para notar o seguinte: Este debate e, em particular, esta resposta do Dennis Matanda (e tambem estes artigos de dois jovens Sul-Africanos, ou este debate na blogosfera Mocambicana), e' bem emblematico da diferenca cultural estrutural e estruturante em relacao aquilo que (nao) e' o nivel do "debate" entre os angolanos (ou apenas alguns? ... ou apenas alguns "jornalistas"?... ou apenas alguns "intelectuais"?...): ali debateram-se seriamente ideias e conviccoes fortes e profundas sobre questoes extremamente sensiveis, tendo havido por parte do "derrotado" a hombridade, decencia, educacao, civilidade e elegancia de reconhecer a sua "derrota" e os meritos dos argumentos do adversario - mesmo sendo estes protagonizados por uma mulher (e, acrescente-se, negra!)... O que teriamos (temos tido) nos "pretensos debates" com angolanos? Nada mais do que os ataques ad hominem (... "ad mulher ", incluindo a sua vida intima e privada, ao seu corpo e a sua suposta sexualidade!...), o abuso e insulto mais baixo e soez, a tentativa de humilhacao, degradacao moral e espiritual, objectificacao sexual e destruicao fisica, psicologica e profissional (!) sem quaisquer escrupulos... E' essa a "mentalidade" da generalidade dos (ou de apenas alguns?... ou de apenas alguns "jornalistas"?... ou de apenas alguns "intelectuais"?...) angolanos!]

(...) E... quem diz, pateticamente, "resistir" (em vao) a este 'canto da sereia' e'... psicopata (ruim da cabeca) e... kabungadu (ou doente do pe')!

(...lol...)



ADENDA

"MANDELA, MOBUTU & ME"



In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]



Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]



Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]


Wednesday, 28 March 2012

Gostei de Ler [5]



(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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Saturday, 22 January 2011

JUST POETRY (V) [R]* [Actualizado]



PARA ANGOLA, RAPIDAMENTE E EM FORÇA

Peço ao vento por graçola
notícias do meu país
e o vento diz: «Vai para Angola».
(É o que o vento me diz.)
«Tem juízo, vai para Angola,
isto aqui está por um triz.»

Vamos todos para Angola
desde o Malanje ao Namibe
aproveitar por esmola
o crescimento do PIB.

Vem tu também, anda, anda,
escolhe uma profissão:
agora os preto é quem manda,
os preto é nosso patrão.

Leva a família na frente,
mulher, filhos, pai e mãe,
e se ainda couber mais gente
traz outro amigo também.

Vamos todos sem demora,
uns à solta, outros à trela,
vamos invadir Angola
do Moxico até Benguela.

Vamos de avião, navio,
canoa, bote ou jangada,
isto aqui está por um fio,
vai ser uma debandada.

Vamos todos para Angola,
destino de emigração,
vamos todos para Angola,
atrás do Diogo Cão.


[Poema daqui /// Ecos do original aqui]



*[Postado inicialmente a 06/05/09 - "repostado" hoje devido aos ultimos comentarios a ele feitos]







Em referencia aos comentarios feitos a este post nos ultimos dias, permitam-me, como “ser humano genuino” – tal como o sao (ou foram) os retratados, brancos e negros, nesta materia –, alinhar aqui algumas breves notas para esta que me parece ser, manifestamente, uma discussao de, entre e sobre portugueses, “genuinos” ou nao.

Tres vectores fundamentais confluem de forma problematica e frequentemente conflituosa para esta questao: a Historia, a Cultura e a Economia:


1. Historia – Portugal colonizou partes do actual territorio de Angola durante cerca de 5 seculos. Foi uma colonizacao, como todas, nao pacificamente aceite pela esmagadora maioria dos seus subditos, mesmo quando todas as aparencias pudessem sugerir o contrario. Por isso houve guerras de resistencia ao longo dos seculos, por isso houve uma guerra anti-colonial durante mais de uma decada, por isso houve a independencia – todos, factos historicos incontestaveis e irreversiveis: nao ficcao cientifica.

Poderia o processo de “descolonizacao” ter sido menos traumatico para ambos os lados? Questao ainda nao resolvida e que, pelo menos nos termos em que o debate (nao) tem vindo a ser conduzido, parece jamais vir a se-lo, pelo que sobre ela limitar-me-ei a sugerir que “o que aconteceu, esta’ acontecido” e “o que nao tem remedio, remediado esta’”, ou ainda, "de nada serve chorar sobre o leite derramado"... sendo certo que, qualquer que seja a evolucao, ou resolucao, dessa questao, a chamada “recolonizacao” nao me parece ser a resposta mais adequada para ela, certamente nao nos termos em que tem vindo a ser advogada.


2. Cultura – Uma parte, diga-se que minoritaria, dos angolanos foi assimilada, voluntaria ou involuntariamente, a cultura e lingua portuguesas. Mas, precisamente por ser minoritaria, embora contemporaneamente “poderosa”, “elitizante” e “socio-economicamente dominante”, ela nao detem de facto os “fios condutores” da totalidade da vida cultural, social e humana do pais Angola. Ha’ outros “fios condutores” no tecido que (con)forma o pais real, enfim outras sensibilidades que, embora tentem (e, de algum modo, consigam em alguns casos) negociar entre si e acomodar-se umas as outras em nome do um “um so' povo, uma so' nacao”, continuam (e, diga-se, legitimamente) a ansiar pela sua “validacao”, ou, dito de outro modo, pela legitimacao das suas respectivas “identidades e etnicidades” proprias como parte de um todo diverso, mas que se pretende harmonioso, depois de uma guerra fratricida de cerca de tres decadas, que teve em grande medida na sua base tais anseios e reivindicacoes (veja-se, por exemplo, o caso das Lundas aqui e aqui, ou o de Cabinda, aqui). Trata-se de facto real, indesmentivel, incontornavel e insofismavel, nao de mito, nem de ficcao literaria!

E sobre isso, ha’ ja’ varios anos, em Portugal, lembro-me de ter escrito e publicado algo em que me detinha sobre a manifesta dificuldade que os portugueses em geral demonstram em compreender cabalmente essa realidade, possivelmente por Portugal ser um pais cerca de 14 vezes menor do que Angola em tamanho e nao se apresentar tao diverso etnica, linguistica e culturalmente como esta. E esse e’ tambem um facto, embora os portugueses na Europa, ou em qualquer outra parte do mundo, se comportem geralmente como extremamente ciosos da sua propria “identidade” ou, se se preferir, da sua “genuinidade”: abrem as suas proprias lojas, bares, cafes e restaurantes com produtos alimentares e musica exclusivamente portugueses e frequentados quase exclusivamente por portugueses, falam exclusivamente portugues entre si, estabelecem as suas proprias igrejas com servicos exclusivamente em portugues, promovem as suas proprias e exclusivas actividades comunitarias e sociais com base na sua cultura nacional, chegam a formar verdadeiros ghetos em algumas zonas das cidades, onde tudo o que se ve, cheira e ouve e' portugues... ou seja, nascem, crescem, vivem, socializam-se, reproduzem-se e morrem como qualquer outro “grupo etnico” nesses paises (algo que, embora de forma “conglomerada” com as comunidades ditas hispanicas ou latinas no Reino Unido, se deixa bem patente aqui ).

Porque entao, tanta dificuldade e resistencia em compreender-se e aceitar-se (como, de resto, resulta evidente quer dos ataques sistematicos de que tenho sido abertamente alvo neste blog - seja directamente aqui por "desconhecidos", seja indirectamente noutros blogs bem identificados na lusosfera -, quer das campanhas que, de forma mais ou menos velada e insidiosa me teem sido dirigidas a partir de Angola, sobretudo, mas nao apenas, atraves de uma “certa imprensa” controlada por grupos financeiros portugueses, ou seus associados...) que os angolanos, ou pelo menos (grandes!) segmentos deles, o facam, ou pretendam fazer, de forma civica e democratica no seu proprio pais?

E, nesse particular, parece-me que eu me encontro neste momento muito mais na posicao dos emigrantes portugueses de ontem e de hoje que se diz serem e terem sido vitimas do chauvinismo, escarnio e oprobrio dos seus compatriotas “que ficaram”, do que na dos ditos “angolanos genuinos” que se diz “entenderem ter recebido Angola como heranca dos seus ancestrais”...


3. Economia – Angola tem vindo, de ha’ uns anos a esta parte, a apresentar niveis “espectaculares” de crescimento economico – facto. Portugal encontra-se neste momento a apresentar niveis, igualmente “espectaculares”, de recessao economica – facto. Sera’ natural que um numero cada vez maior de portugueses busquem oportunidades economicas noutras paragens e, em especial, em Angola, sua antiga “joia da coroa” – facto. O que ja’ nao sera’ tao natural, nem tao factual assim, e’ que se tente transformar tudo isso num caso de “atraccao fatal” entre os dois paises... Desde logo porque nao ha’ nada nos principios fundamentais da economia, seja ela de mercado ou nao - e muito menos nos de uma economia globalizada e competitiva como a que “estamos com ela” quer queiramos e gostemos quer nao -, que o fundamente.

O facto e’ que, qualquer que seja o modelo economico adoptado, “crescimento do PIB” nao significa ipso facto “desenvolvimento economico” e a sistematica marginalizacao, quando nao total exclusao da maioria dos angolanos dos beneficios desse crescimento economico - e ate’ mesmo da sua participacao/contribuicao para ele, em particular por parte de alguns que, como eu, se viram forcados a permanecer no exterior por varias circunstancias adversas originadas no pais (... e provocadas por angolanos!...) e que sao ostensivamente hostilizados por alguns sectores proteccionistas de uma certa auto-designada “prata da casa”... -, devido a um inexistente ou deficiente investimento no stock de capital humano nacional e a sua absorcao e integracao sistematica num processo consistente de desenvolvimento economico-social e cultural endogeno, sustentado e sustentavel, apenas tende a elevar os “muros de resistencia” ao crescente numero de estrangeiros (portugueses ou nao) aportando presentemente as costas angolanas e, em muitos casos, sem qualquer controlo... e isso, no longo prazo, nao e’ bom para ninguem, “genuinos” ou nao – facto.

A realidade e’ que a actual politica de imigracao de Angola e’ explicita e ostensivamente enviezada contra os africanos que tentam entrar pelas suas fronteiras terrestres (como os cartoons, adaptados daqui, com que ilustro este texto o explicitam), nao contra os portugueses: estes, como todas as estatisticas o revelam, nao so’ teem ido para Angola e “em forca” nos ultimos anos sem grandes empecilhos, como e’ em Portugal que os angolanos endinheirados fazem o grosso dos seus gastos de consumo e investimentos publicos e privados.

[E abro aqui um parentesis para sugerir o seguinte: imagine-se que apenas uma infima fraccao dos verdadeiros "balurdios" de dinheiro publico usados pela Sonangol em investimentos em Portugal, fosse aplicada no financiamento de investimentos produtivos trabalho-intensivos que criassem emprego nas regioes fronteiricas, tanto em Angola, como nos paises vizinhos. Nao seriam tais investimentos muito mais recomendaveis, louvaveis e ate' rentaveis sob todos os pontos de vista - desde logo, porque teriam o condao de funcionar como um "travao" aos fluxos migratorios por razoes economicas nessas areas e contribuiriam para o tao propalado "desenvolvimento e independencia economica do continente", para alem de funcionarem como um mecanismo de poupanca dos recursos materiais e financeiros actualmente empregues no patrulhamento das fronteiras e controlo/contencao/repressao dos emigrantes africanos pretendendo entrar em Angola e, em ultima analise, contribuirem de forma substantiva, permanente e duravel para a prosperidade, paz e seguranca regional... - especialmente neste momento em que Angola assume, mais uma vez, a presidencia da SADC?!]

E na base de tudo isso esta’ uma ideia de “desenvolvimento” que tem no periodo colonial o seu “modelo”. Acontece que os niveis de “desenvolvimento” atingidos sob tal “modelo” tinham por base um regime politico-ideologico que nao me parece ser o mais adaptavel, certamente nao o mais adequado, quer 'a Angola, quer ao Portugal, quer ao Mundo de hoje. Modelo esse, alias, que foi de forma magistral e visionaria descrito e denunciado por Viriato da Cruz nos termos em que aqui parcialmente destaquei...

Todas essas questoes, abordei-as, de forma mais ‘academica’, recentemente aqui , e de forma mais ‘prosaica’, ha’ ja’ algum tempo, aqui - onde, note-se, dos posicionamentos de Pepetela, a par dos de outros membros da inteligentzia angolana, ou luso-angolana, que sobre essas questoes se teem pronunciado publicamente nos ultimos tempos, resulta evidente que a corrente onda dominante nao e’ adversa 'a ‘recolonizacao’ de Angola pelos portugueses, como, de resto aqui se pode constatar ad nauseum: bem pelo contrario!

E nao deixa de ser interessante notar a este proposito que essa mesma inteligentzia conta entre as suas fileiras com alguns dos que nao so' dizem ter participado na "luta contra o colonialismo" (e desse estatuto de "antigos combatentes" muita gala fazem e amplos beneficios vitalicios, pessoais e familiares, colhem...), como se destacaram entre os mais radicais no desmantelamento e "transformacao revolucionaria" do tal "patamar tecno-juridico-administrativo que Angola ja' teve", em nome da criacao, desenvolvimento e reproducao do dito "homem novo"... a comecar pelo sistema de ensino! ... E quem naquela altura se lhes opusesse, ainda que passivamente, era apelidado de "contra-revolucionario", "pequeno burgues", "lacaio do colonialismo", "agente do imperialismo", etc. etc. etc. ... Nao deixo, porem, de lhes gabar a "coerencia": foram tao radicais em relacao 'a "descolonizacao" como o sao agora em relacao 'a "recolonizacao" (enfim, em quaisquer circunstancias "iguais a si proprios"!) ... o que talvez nao seja de todo estranho ao facto de certas neofitas formacoes politicas ultra-minoritarias precisarem desesperadamente de alargar a sua base eleitoral de apoio...

E, aqui, convira' distinguir-se claramente "recolonizacao" sem qualquer qualificacao, planificacao ou priorizacao (o que, alias, o poema aqui em questao, revela: "escolhe uma profissao"...), de "cooperacao" (economica, tecnico-cientifica e profissional) - esta existe, e sempre existiu desde a independencia, com Portugal e com outros paises, e se os portugueses podem contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola com a "vantagem comparativa" da sua lingua e cultura devido a historia que liga os dois paises, pois eles sao e sempre foram bem vindos (idos) naquelas areas e sectores onde realmente tal "vantagem comparativa" possa ser transformada em "valor acrescentado" para ambas as partes. Mas que nao se perca de vista, por via da chamada "neofita ideologia dos (pretensos) afectos", que Portugal nao e' o unico pais que pode contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola.

Veja-se, a esse respeito, o caso de Mocambique que, desde a sua independencia, aderiu 'a Commonwealth, adoptou o Ingles praticamente como sua segunda lingua oficial e tem um leque bastante diversificado de parceiros de cooperacao economica internacional, sem que por isso tenha impedido Portugal, ou os portugueses, de la' viverem, regressarem, ou trabalharem...

Enfim, em geito de conclusao, parece-me ser avisado que tanto angolanos (“genuinos” ou nao), como portugueses (tambem “genuinos” ou nao), bem como todos os nacionais de outros paises, ajam neste momento historico particularmente critico da vida de Angola tao racionalmente quanto possivel face aos factos e realidades, nao aos mitos e ficcoes, em presenca.

Tudo o resto nao passara’ de um pernicioso e patetico “display de emoti(c)ons” com mais do que previsiveis consequencias nefastas para todas as partes – a Historia de Angola revela-o a saciedade!

Tenho dito.





P.S.: Acrescentaria apenas as seguintes notas a margem:

i. A proposito de "fechamentos sociais e economicos" ou, se se preferir, mecanismos de exclusao social, tradicionais em Angola, esta citacao de David Sogge: "Colonial and post-colonial elites showed no interest in creating an ‘open access order’ based on citizenship for all and competitive markets. A path was laid down around a weak but autocratic colonial state dependent on outside powers. Mediocre institutions and underskilled people were additional legacies. Angolan nationalist movements, their leaders imbued with norms of a ‘limited access order’, and habituated to the use of armed force, had no ready alternatives when they assumed power.";


ii. Em relacao a todas essas questoes, mas em particular a suposta "dificuldade de entendimento e aceitacao" por parte da generalidade dos portugueses da diversidade etnico-linguistica de Angola, seria recomendavel uma exploracao da area da Historia Moderna designada Subaltern Studies;


iii. Sobre os movimentos trans-fronteiricos entre Angola e o Congo (Zaire) em epocas mais recuadas, com a devida venia, esta detalhada descricao por Fernando Ribeiro:

Nos troços de fronteira entre Angola e o Zaire em que não houvesse obstáculos naturais, não existia qualquer vedação ou outra barreira que impedisse a comunicação entre ambos os lados. A fronteira estava apenas assinalada por marcos de pedra em forma de grossos obeliscos, com 2 metros de altura ou pouco mais, que mostravam o escudo da monarquia portuguesa, esculpido em baixo relevo, no lado virado para Angola, o da monarquia belga no lado virado para o Zaire e o ano de 1895 gravado por cima de cada um dos escudos. Os marcos fronteiriços estavam colocados a uma distância de cerca de 40 quilómetros uns dos outros, talvez, e estavam milimetricamente alinhados uns pelos outros, numa linha reta espantosamente rigorosa.

Como, nos troços onde não havia obstáculos naturais, a fronteira estava desimpedida, ela era atravessada por caminhos de pé posto, que todos os dias eram percorridos por pessoas que passavam "a salto" de Angola para o Zaire e vice-versa. O movimento de pessoas ao longo destes carreiros era bastante intenso. Angolanos (refugiados ou não) e zairenses circulavam de um lado para o outro ao longo do dia, em função, sobretudo, das feiras mensais e mercados rurais que de ambos os lados se iam realizando. Levavam os produtos das suas lavras (campos), a fim de os vender onde fossem mais caros, e traziam as mercadorias de que necessitavam, compradas onde elas fossem mais baratas. É evidente que os contrabandistas (havia bastantes) também faziam um uso intensivo destes caminhos transfronteiriços.

Assim que o sol nascia, nas zonas onde houvesse uma sanzala do lado de Angola que ficasse próxima da fronteira e estivesse dotada de uma escola, os caminhos referidos eram percorridos por crianças, vindas do Zaire para Angola, que vinham frequentar as aulas. Estas crianças percorriam a pé vários quilómetros a caminho da escola e eram as primeiras pessoas que atravessavam a fronteira logo pela manhãzinha.

Estas crianças eram filhas de angolanos refugiados no Zaire. Os seus encarregados de educação faziam questão em que elas frequentassem uma escola angolana, porque queriam que elas não se esquecessem das suas raízes, apesar de já terem nascido no exílio, se sentissem orgulhosas de Angola e soubessem falar, ler e escrever em português.



[aqui, onde, ja' agora, tambem se pode ver esta descricao de Kinshasa e ouvir um pouco da musica do magistral Franco]






PARA ANGOLA, RAPIDAMENTE E EM FORÇA

Peço ao vento por graçola
notícias do meu país
e o vento diz: «Vai para Angola».
(É o que o vento me diz.)
«Tem juízo, vai para Angola,
isto aqui está por um triz.»

Vamos todos para Angola
desde o Malanje ao Namibe
aproveitar por esmola
o crescimento do PIB.

Vem tu também, anda, anda,
escolhe uma profissão:
agora os preto é quem manda,
os preto é nosso patrão.

Leva a família na frente,
mulher, filhos, pai e mãe,
e se ainda couber mais gente
traz outro amigo também.

Vamos todos sem demora,
uns à solta, outros à trela,
vamos invadir Angola
do Moxico até Benguela.

Vamos de avião, navio,
canoa, bote ou jangada,
isto aqui está por um fio,
vai ser uma debandada.

Vamos todos para Angola,
destino de emigração,
vamos todos para Angola,
atrás do Diogo Cão.


[Poema daqui /// Ecos do original aqui]



*[Postado inicialmente a 06/05/09 - "repostado" hoje devido aos ultimos comentarios a ele feitos]







Em referencia aos comentarios feitos a este post nos ultimos dias, permitam-me, como “ser humano genuino” – tal como o sao (ou foram) os retratados, brancos e negros, nesta materia –, alinhar aqui algumas breves notas para esta que me parece ser, manifestamente, uma discussao de, entre e sobre portugueses, “genuinos” ou nao.

Tres vectores fundamentais confluem de forma problematica e frequentemente conflituosa para esta questao: a Historia, a Cultura e a Economia:


1. Historia – Portugal colonizou partes do actual territorio de Angola durante cerca de 5 seculos. Foi uma colonizacao, como todas, nao pacificamente aceite pela esmagadora maioria dos seus subditos, mesmo quando todas as aparencias pudessem sugerir o contrario. Por isso houve guerras de resistencia ao longo dos seculos, por isso houve uma guerra anti-colonial durante mais de uma decada, por isso houve a independencia – todos, factos historicos incontestaveis e irreversiveis: nao ficcao cientifica.

Poderia o processo de “descolonizacao” ter sido menos traumatico para ambos os lados? Questao ainda nao resolvida e que, pelo menos nos termos em que o debate (nao) tem vindo a ser conduzido, parece jamais vir a se-lo, pelo que sobre ela limitar-me-ei a sugerir que “o que aconteceu, esta’ acontecido” e “o que nao tem remedio, remediado esta’”, ou ainda, "de nada serve chorar sobre o leite derramado"... sendo certo que, qualquer que seja a evolucao, ou resolucao, dessa questao, a chamada “recolonizacao” nao me parece ser a resposta mais adequada para ela, certamente nao nos termos em que tem vindo a ser advogada.


2. Cultura – Uma parte, diga-se que minoritaria, dos angolanos foi assimilada, voluntaria ou involuntariamente, a cultura e lingua portuguesas. Mas, precisamente por ser minoritaria, embora contemporaneamente “poderosa”, “elitizante” e “socio-economicamente dominante”, ela nao detem de facto os “fios condutores” da totalidade da vida cultural, social e humana do pais Angola. Ha’ outros “fios condutores” no tecido que (con)forma o pais real, enfim outras sensibilidades que, embora tentem (e, de algum modo, consigam em alguns casos) negociar entre si e acomodar-se umas as outras em nome do um “um so' povo, uma so' nacao”, continuam (e, diga-se, legitimamente) a ansiar pela sua “validacao”, ou, dito de outro modo, pela legitimacao das suas respectivas “identidades e etnicidades” proprias como parte de um todo diverso, mas que se pretende harmonioso, depois de uma guerra fratricida de cerca de tres decadas, que teve em grande medida na sua base tais anseios e reivindicacoes (veja-se, por exemplo, o caso das Lundas aqui e aqui, ou o de Cabinda, aqui). Trata-se de facto real, indesmentivel, incontornavel e insofismavel, nao de mito, nem de ficcao literaria!

E sobre isso, ha’ ja’ varios anos, em Portugal, lembro-me de ter escrito e publicado algo em que me detinha sobre a manifesta dificuldade que os portugueses em geral demonstram em compreender cabalmente essa realidade, possivelmente por Portugal ser um pais cerca de 14 vezes menor do que Angola em tamanho e nao se apresentar tao diverso etnica, linguistica e culturalmente como esta. E esse e’ tambem um facto, embora os portugueses na Europa, ou em qualquer outra parte do mundo, se comportem geralmente como extremamente ciosos da sua propria “identidade” ou, se se preferir, da sua “genuinidade”: abrem as suas proprias lojas, bares, cafes e restaurantes com produtos alimentares e musica exclusivamente portugueses e frequentados quase exclusivamente por portugueses, falam exclusivamente portugues entre si, estabelecem as suas proprias igrejas com servicos exclusivamente em portugues, promovem as suas proprias e exclusivas actividades comunitarias e sociais com base na sua cultura nacional, chegam a formar verdadeiros ghetos em algumas zonas das cidades, onde tudo o que se ve, cheira e ouve e' portugues... ou seja, nascem, crescem, vivem, socializam-se, reproduzem-se e morrem como qualquer outro “grupo etnico” nesses paises (algo que, embora de forma “conglomerada” com as comunidades ditas hispanicas ou latinas no Reino Unido, se deixa bem patente aqui ).

Porque entao, tanta dificuldade e resistencia em compreender-se e aceitar-se (como, de resto, resulta evidente quer dos ataques sistematicos de que tenho sido abertamente alvo neste blog - seja directamente aqui por "desconhecidos", seja indirectamente noutros blogs bem identificados na lusosfera -, quer das campanhas que, de forma mais ou menos velada e insidiosa me teem sido dirigidas a partir de Angola, sobretudo, mas nao apenas, atraves de uma “certa imprensa” controlada por grupos financeiros portugueses, ou seus associados...) que os angolanos, ou pelo menos (grandes!) segmentos deles, o facam, ou pretendam fazer, de forma civica e democratica no seu proprio pais?

E, nesse particular, parece-me que eu me encontro neste momento muito mais na posicao dos emigrantes portugueses de ontem e de hoje que se diz serem e terem sido vitimas do chauvinismo, escarnio e oprobrio dos seus compatriotas “que ficaram”, do que na dos ditos “angolanos genuinos” que se diz “entenderem ter recebido Angola como heranca dos seus ancestrais”...


3. Economia – Angola tem vindo, de ha’ uns anos a esta parte, a apresentar niveis “espectaculares” de crescimento economico – facto. Portugal encontra-se neste momento a apresentar niveis, igualmente “espectaculares”, de recessao economica – facto. Sera’ natural que um numero cada vez maior de portugueses busquem oportunidades economicas noutras paragens e, em especial, em Angola, sua antiga “joia da coroa” – facto. O que ja’ nao sera’ tao natural, nem tao factual assim, e’ que se tente transformar tudo isso num caso de “atraccao fatal” entre os dois paises... Desde logo porque nao ha’ nada nos principios fundamentais da economia, seja ela de mercado ou nao - e muito menos nos de uma economia globalizada e competitiva como a que “estamos com ela” quer queiramos e gostemos quer nao -, que o fundamente.

O facto e’ que, qualquer que seja o modelo economico adoptado, “crescimento do PIB” nao significa ipso facto “desenvolvimento economico” e a sistematica marginalizacao, quando nao total exclusao da maioria dos angolanos dos beneficios desse crescimento economico - e ate’ mesmo da sua participacao/contribuicao para ele, em particular por parte de alguns que, como eu, se viram forcados a permanecer no exterior por varias circunstancias adversas originadas no pais (... e provocadas por angolanos!...) e que sao ostensivamente hostilizados por alguns sectores proteccionistas de uma certa auto-designada “prata da casa”... -, devido a um inexistente ou deficiente investimento no stock de capital humano nacional e a sua absorcao e integracao sistematica num processo consistente de desenvolvimento economico-social e cultural endogeno, sustentado e sustentavel, apenas tende a elevar os “muros de resistencia” ao crescente numero de estrangeiros (portugueses ou nao) aportando presentemente as costas angolanas e, em muitos casos, sem qualquer controlo... e isso, no longo prazo, nao e’ bom para ninguem, “genuinos” ou nao – facto.

A realidade e’ que a actual politica de imigracao de Angola e’ explicita e ostensivamente enviezada contra os africanos que tentam entrar pelas suas fronteiras terrestres (como os cartoons, adaptados daqui, com que ilustro este texto o explicitam), nao contra os portugueses: estes, como todas as estatisticas o revelam, nao so’ teem ido para Angola e “em forca” nos ultimos anos sem grandes empecilhos, como e’ em Portugal que os angolanos endinheirados fazem o grosso dos seus gastos de consumo e investimentos publicos e privados.

[E abro aqui um parentesis para sugerir o seguinte: imagine-se que apenas uma infima fraccao dos verdadeiros "balurdios" de dinheiro publico usados pela Sonangol em investimentos em Portugal, fosse aplicada no financiamento de investimentos produtivos trabalho-intensivos que criassem emprego nas regioes fronteiricas, tanto em Angola, como nos paises vizinhos. Nao seriam tais investimentos muito mais recomendaveis, louvaveis e ate' rentaveis sob todos os pontos de vista - desde logo, porque teriam o condao de funcionar como um "travao" aos fluxos migratorios por razoes economicas nessas areas e contribuiriam para o tao propalado "desenvolvimento e independencia economica do continente", para alem de funcionarem como um mecanismo de poupanca dos recursos materiais e financeiros actualmente empregues no patrulhamento das fronteiras e controlo/contencao/repressao dos emigrantes africanos pretendendo entrar em Angola e, em ultima analise, contribuirem de forma substantiva, permanente e duravel para a prosperidade, paz e seguranca regional... - especialmente neste momento em que Angola assume, mais uma vez, a presidencia da SADC?!]

E na base de tudo isso esta’ uma ideia de “desenvolvimento” que tem no periodo colonial o seu “modelo”. Acontece que os niveis de “desenvolvimento” atingidos sob tal “modelo” tinham por base um regime politico-ideologico que nao me parece ser o mais adaptavel, certamente nao o mais adequado, quer 'a Angola, quer ao Portugal, quer ao Mundo de hoje. Modelo esse, alias, que foi de forma magistral e visionaria descrito e denunciado por Viriato da Cruz nos termos em que aqui parcialmente destaquei...

Todas essas questoes, abordei-as, de forma mais ‘academica’, recentemente aqui , e de forma mais ‘prosaica’, ha’ ja’ algum tempo, aqui - onde, note-se, dos posicionamentos de Pepetela, a par dos de outros membros da inteligentzia angolana, ou luso-angolana, que sobre essas questoes se teem pronunciado publicamente nos ultimos tempos, resulta evidente que a corrente onda dominante nao e’ adversa 'a ‘recolonizacao’ de Angola pelos portugueses, como, de resto aqui se pode constatar ad nauseum: bem pelo contrario!

E nao deixa de ser interessante notar a este proposito que essa mesma inteligentzia conta entre as suas fileiras com alguns dos que nao so' dizem ter participado na "luta contra o colonialismo" (e desse estatuto de "antigos combatentes" muita gala fazem e amplos beneficios vitalicios, pessoais e familiares, colhem...), como se destacaram entre os mais radicais no desmantelamento e "transformacao revolucionaria" do tal "patamar tecno-juridico-administrativo que Angola ja' teve", em nome da criacao, desenvolvimento e reproducao do dito "homem novo"... a comecar pelo sistema de ensino! ... E quem naquela altura se lhes opusesse, ainda que passivamente, era apelidado de "contra-revolucionario", "pequeno burgues", "lacaio do colonialismo", "agente do imperialismo", etc. etc. etc. ... Nao deixo, porem, de lhes gabar a "coerencia": foram tao radicais em relacao 'a "descolonizacao" como o sao agora em relacao 'a "recolonizacao" (enfim, em quaisquer circunstancias "iguais a si proprios"!) ... o que talvez nao seja de todo estranho ao facto de certas neofitas formacoes politicas ultra-minoritarias precisarem desesperadamente de alargar a sua base eleitoral de apoio...

E, aqui, convira' distinguir-se claramente "recolonizacao" sem qualquer qualificacao, planificacao ou priorizacao (o que, alias, o poema aqui em questao, revela: "escolhe uma profissao"...), de "cooperacao" (economica, tecnico-cientifica e profissional) - esta existe, e sempre existiu desde a independencia, com Portugal e com outros paises, e se os portugueses podem contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola com a "vantagem comparativa" da sua lingua e cultura devido a historia que liga os dois paises, pois eles sao e sempre foram bem vindos (idos) naquelas areas e sectores onde realmente tal "vantagem comparativa" possa ser transformada em "valor acrescentado" para ambas as partes. Mas que nao se perca de vista, por via da chamada "neofita ideologia dos (pretensos) afectos", que Portugal nao e' o unico pais que pode contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola.

Veja-se, a esse respeito, o caso de Mocambique que, desde a sua independencia, aderiu 'a Commonwealth, adoptou o Ingles praticamente como sua segunda lingua oficial e tem um leque bastante diversificado de parceiros de cooperacao economica internacional, sem que por isso tenha impedido Portugal, ou os portugueses, de la' viverem, regressarem, ou trabalharem...

Enfim, em geito de conclusao, parece-me ser avisado que tanto angolanos (“genuinos” ou nao), como portugueses (tambem “genuinos” ou nao), bem como todos os nacionais de outros paises, ajam neste momento historico particularmente critico da vida de Angola tao racionalmente quanto possivel face aos factos e realidades, nao aos mitos e ficcoes, em presenca.

Tudo o resto nao passara’ de um pernicioso e patetico “display de emoti(c)ons” com mais do que previsiveis consequencias nefastas para todas as partes – a Historia de Angola revela-o a saciedade!

Tenho dito.





P.S.: Acrescentaria apenas as seguintes notas a margem:

i. A proposito de "fechamentos sociais e economicos" ou, se se preferir, mecanismos de exclusao social, tradicionais em Angola, esta citacao de David Sogge: "Colonial and post-colonial elites showed no interest in creating an ‘open access order’ based on citizenship for all and competitive markets. A path was laid down around a weak but autocratic colonial state dependent on outside powers. Mediocre institutions and underskilled people were additional legacies. Angolan nationalist movements, their leaders imbued with norms of a ‘limited access order’, and habituated to the use of armed force, had no ready alternatives when they assumed power.";


ii. Em relacao a todas essas questoes, mas em particular a suposta "dificuldade de entendimento e aceitacao" por parte da generalidade dos portugueses da diversidade etnico-linguistica de Angola, seria recomendavel uma exploracao da area da Historia Moderna designada Subaltern Studies;


iii. Sobre os movimentos trans-fronteiricos entre Angola e o Congo (Zaire) em epocas mais recuadas, com a devida venia, esta detalhada descricao por Fernando Ribeiro:

Nos troços de fronteira entre Angola e o Zaire em que não houvesse obstáculos naturais, não existia qualquer vedação ou outra barreira que impedisse a comunicação entre ambos os lados. A fronteira estava apenas assinalada por marcos de pedra em forma de grossos obeliscos, com 2 metros de altura ou pouco mais, que mostravam o escudo da monarquia portuguesa, esculpido em baixo relevo, no lado virado para Angola, o da monarquia belga no lado virado para o Zaire e o ano de 1895 gravado por cima de cada um dos escudos. Os marcos fronteiriços estavam colocados a uma distância de cerca de 40 quilómetros uns dos outros, talvez, e estavam milimetricamente alinhados uns pelos outros, numa linha reta espantosamente rigorosa.

Como, nos troços onde não havia obstáculos naturais, a fronteira estava desimpedida, ela era atravessada por caminhos de pé posto, que todos os dias eram percorridos por pessoas que passavam "a salto" de Angola para o Zaire e vice-versa. O movimento de pessoas ao longo destes carreiros era bastante intenso. Angolanos (refugiados ou não) e zairenses circulavam de um lado para o outro ao longo do dia, em função, sobretudo, das feiras mensais e mercados rurais que de ambos os lados se iam realizando. Levavam os produtos das suas lavras (campos), a fim de os vender onde fossem mais caros, e traziam as mercadorias de que necessitavam, compradas onde elas fossem mais baratas. É evidente que os contrabandistas (havia bastantes) também faziam um uso intensivo destes caminhos transfronteiriços.

Assim que o sol nascia, nas zonas onde houvesse uma sanzala do lado de Angola que ficasse próxima da fronteira e estivesse dotada de uma escola, os caminhos referidos eram percorridos por crianças, vindas do Zaire para Angola, que vinham frequentar as aulas. Estas crianças percorriam a pé vários quilómetros a caminho da escola e eram as primeiras pessoas que atravessavam a fronteira logo pela manhãzinha.

Estas crianças eram filhas de angolanos refugiados no Zaire. Os seus encarregados de educação faziam questão em que elas frequentassem uma escola angolana, porque queriam que elas não se esquecessem das suas raízes, apesar de já terem nascido no exílio, se sentissem orgulhosas de Angola e soubessem falar, ler e escrever em português.



[aqui, onde, ja' agora, tambem se pode ver esta descricao de Kinshasa e ouvir um pouco da musica do magistral Franco]




Thursday, 1 July 2010

On the 50th anniversary of Africa's 1st independent nation: Remembering Kwame Nkrumah [R]*

KWAME NKRUMAH (1909-1972)


Kwame Nkrumah, the leader of the Gold Coast's movement toward independence from Britain during the 1940s and '50s, headed the new nation of Ghana following its independence in 1957 until 1966, when he was overthrown by a coup.

Excerpt from "Commanding Heights" by Daniel Yergin and Joseph Stanislaw, 1998 ed., pp. 83-88. (Simon & Schuster, Inc., N.Y.)



-- In the period of [African colonial independence] the beacon country from Africa was Ghana, first to achieve independence in 1957. The new nation's most influential figure was its prime minister, later president, Kwame Nkrumah. When Nkrumah was born in 1910, Ghana was still the Gold Coast, a British colony known for its plantations and for being the world's largest producer of cocoa. Its frontiers were the result of bargains among the colonial powers - Britain, France, and Germany - that did not correspond to the historical boundaries of the kingdoms that preceded colonization, particularly the once-mighty Ashanti empire.

Nkrumah, who came from a modest, traditional family, received his early education at the hands of Catholic missionaries. He went on to train as a teacher and for a few years taught elementary school in towns along the coast. He was popular and charismatic, and earned a decent living. But exposure to politics and to a few influential figures sparked in him a greater interest - to go to America. He applied to universities in the United States, and with money raised from relatives, he set out on a steamer in 1935. He reached New York almost penniless, and took refuge with fellow West Africans in Harlem. He then presented himself at Lincoln University in Pennsylvania and enrolled; a small scholarship and a campus job helped him make ends meet.

In the United States, Nkrumah saw alternatives to the British tradition of government. He also became suffused with an acute consciousness of the politics of race relations. Unlike many new African leaders, who sought to emulate their European instructors, Nkrumah plunged into America's black communities. Founded before the Civil War, Lincoln University was America's oldest black college, and its special atmosphere inspired and comforted Nkrumah. In the summers, he worked at physically demanding jobs - in shipyards and construction at sea. He studied theology as well as philosophy; he frequented the black churches in New York and Philadelphia and was sometimes asked to preach. He also forged ties with black American intellectuals, for whom Africa was becoming, in this time of political change, an area of extreme interest. Moving to London after World War II, Nkrumah helped organize Pan-African congresses, linking the emergent educated groups of the African colonies with activists, writers, artists, and well-wishers from the industrial countries. It was a time of great intellectual ferment, excitement, and optimism. India's achievement of independence in 1947 stirred dreams of freedom for the other colonies. "If we get self-government," Nkrumah proclaimed, "we'll transform the Gold Coast into a paradise in 10 years."

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*[First posted 17/03/07]
KWAME NKRUMAH (1909-1972)


Kwame Nkrumah, the leader of the Gold Coast's movement toward independence from Britain during the 1940s and '50s, headed the new nation of Ghana following its independence in 1957 until 1966, when he was overthrown by a coup.

Excerpt from "Commanding Heights" by Daniel Yergin and Joseph Stanislaw, 1998 ed., pp. 83-88. (Simon & Schuster, Inc., N.Y.)



-- In the period of [African colonial independence] the beacon country from Africa was Ghana, first to achieve independence in 1957. The new nation's most influential figure was its prime minister, later president, Kwame Nkrumah. When Nkrumah was born in 1910, Ghana was still the Gold Coast, a British colony known for its plantations and for being the world's largest producer of cocoa. Its frontiers were the result of bargains among the colonial powers - Britain, France, and Germany - that did not correspond to the historical boundaries of the kingdoms that preceded colonization, particularly the once-mighty Ashanti empire.

Nkrumah, who came from a modest, traditional family, received his early education at the hands of Catholic missionaries. He went on to train as a teacher and for a few years taught elementary school in towns along the coast. He was popular and charismatic, and earned a decent living. But exposure to politics and to a few influential figures sparked in him a greater interest - to go to America. He applied to universities in the United States, and with money raised from relatives, he set out on a steamer in 1935. He reached New York almost penniless, and took refuge with fellow West Africans in Harlem. He then presented himself at Lincoln University in Pennsylvania and enrolled; a small scholarship and a campus job helped him make ends meet.

In the United States, Nkrumah saw alternatives to the British tradition of government. He also became suffused with an acute consciousness of the politics of race relations. Unlike many new African leaders, who sought to emulate their European instructors, Nkrumah plunged into America's black communities. Founded before the Civil War, Lincoln University was America's oldest black college, and its special atmosphere inspired and comforted Nkrumah. In the summers, he worked at physically demanding jobs - in shipyards and construction at sea. He studied theology as well as philosophy; he frequented the black churches in New York and Philadelphia and was sometimes asked to preach. He also forged ties with black American intellectuals, for whom Africa was becoming, in this time of political change, an area of extreme interest. Moving to London after World War II, Nkrumah helped organize Pan-African congresses, linking the emergent educated groups of the African colonies with activists, writers, artists, and well-wishers from the industrial countries. It was a time of great intellectual ferment, excitement, and optimism. India's achievement of independence in 1947 stirred dreams of freedom for the other colonies. "If we get self-government," Nkrumah proclaimed, "we'll transform the Gold Coast into a paradise in 10 years."

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*[First posted 17/03/07]

Saturday, 26 June 2010

SOBRE A "CULTURA AFRICANA CONTEMPORANEA"

Nao sei se haverao muitas pessoas em Angola (em particular negras) que, como eu (subitamente pintada de "racista" e "complexada" por todos os lados e mais alguns...), possam dizer ter, ou terem tido, tantos amigos, entre homens e mulheres, nao negros... E com "tantos", nao pretendo necessariamente significar "muitos", nem "unicos". Uns, herdados dentre os compadres, amigos, colegas e conhecidos dos pais. Outros, feitos e cultivados individualmente.

Falo de amigos, bem entendido: de se viver junto a noite da Dipanda no 1ro. de Maio; de se receber cestas de frutas e legumes quando estavamos doentes; de se criar junto os filhos; de se apanhar boleia para os mercados ou a praia; de se aprender junto a diversificar os nossos respectivos habitos e gostos alimentares; de se partilhar a lata de leite, o kilo de arroz, o saco de batata, o frango congelado, ou a barra de sabao que na loja do povo nao saia; de se ir junto trocar roupa por comida fora da cidade; de se fazer guitarradas e cantorias em memoraveis noites de tertulia; de conjugar leituras, paixoes, pulsoes, angustias, sonhos, pesadelos e esperancas...

E, tendo ja' aqui falado algures dos meus amigos Alemaes, o mesmo poderia dizer de alguns dos amigos que fiz em, e com quem conheci, Africa para alem das fronteiras fisicas e culturais de Angola: desde os "leoes brancos africanos" educados em Oxbridge e fluentes em kiSwahili e outras linguas africanas comendo sadza e seswa com as maos, passando pelos "gringos" peritos em comida cajun dos bayous de New Orleans e mais entusiastas do que eu da rumba congolesa e do kwassa-kwassa, ou os "nordicos" gourmets em comida marroquina, xais e masalas orientais, aos "boers" de pes descalcos de Stellenbosch mais seus vinhos e biltongs...

Falo de amigos "de vida", portanto - nao de amigos "de ocasiao", ou, como sao designados em Ingles, fair-weather friends ...

[AQUI]
Nao sei se haverao muitas pessoas em Angola (em particular negras) que, como eu (subitamente pintada de "racista" e "complexada" por todos os lados e mais alguns...), possam dizer ter, ou terem tido, tantos amigos, entre homens e mulheres, nao negros... E com "tantos", nao pretendo necessariamente significar "muitos", nem "unicos". Uns, herdados dentre os compadres, amigos, colegas e conhecidos dos pais. Outros, feitos e cultivados individualmente.

Falo de amigos, bem entendido: de se viver junto a noite da Dipanda no 1ro. de Maio; de se receber cestas de frutas e legumes quando estavamos doentes; de se criar junto os filhos; de se apanhar boleia para os mercados ou a praia; de se aprender junto a diversificar os nossos respectivos habitos e gostos alimentares; de se partilhar a lata de leite, o kilo de arroz, o saco de batata, o frango congelado, ou a barra de sabao que na loja do povo nao saia; de se ir junto trocar roupa por comida fora da cidade; de se fazer guitarradas e cantorias em memoraveis noites de tertulia; de conjugar leituras, paixoes, pulsoes, angustias, sonhos, pesadelos e esperancas...

E, tendo ja' aqui falado algures dos meus amigos Alemaes, o mesmo poderia dizer de alguns dos amigos que fiz em, e com quem conheci, Africa para alem das fronteiras fisicas e culturais de Angola: desde os "leoes brancos africanos" educados em Oxbridge e fluentes em kiSwahili e outras linguas africanas comendo sadza e seswa com as maos, passando pelos "gringos" peritos em comida cajun dos bayous de New Orleans e mais entusiastas do que eu da rumba congolesa e do kwassa-kwassa, ou os "nordicos" gourmets em comida marroquina, xais e masalas orientais, aos "boers" de pes descalcos de Stellenbosch mais seus vinhos e biltongs...

Falo de amigos "de vida", portanto - nao de amigos "de ocasiao", ou, como sao designados em Ingles, fair-weather friends ...

[
AQUI]

Monday, 21 June 2010

MARCELO CAETANO REBELO DE SOUSA FERREIRA E SARKOZY… (RECIDIVUS)*

…OU OS 4 MOMENTOS DE UM BELO DISCURSO… OU DE COMO «ISTO ANDA TUDO LIGADO»

1. Antonio de Oliveira Salazar tera’ sido recentemente eleito «O Maior Portugues de Sempre». Supostamente Marcelo Caetano nao lhe teria ficado muito longe na votacao...

2. Lourenco do Rosario afirmou aqui que «Marcelo Rebelo de Sousa, esteve recentemente em Moçambique, no âmbito de cooperação académica entre as universidades portuguesas e moçambicanas. Ele escandalizou meio mundo ao, pela primeira vez, assumir a postura muitas vezes pronunciada em surdina de que havia que resgatar o lado bom do colonialismo, fazendo justiça àqueles que, embora servidores do sistema, conseguiram dar-lhe um rosto humano. E chocou, porquê? Na justa medida de que para nós, é um dado adquirido de que o colonialismo é sempre mau para quem o sofreu e é sempre bom para quem dele beneficiou»;

3. Eugenio Ferreira afirmou aqui, parafraseando acidentalmente(?) Salazar, «rapidamente e em forca», que «(…) a escravatura nao foi mais do que um processo geral da humanidade na sua transicao para o capitalismo»...

4. O Presidente Frances, Nicolas Sarkozy, esteve ha’ cerca de 2 meses no Senegal, onde proferiu na Universidade de Dakar este belissimo discurso (que continua ate’ hoje a fazer correr muita tinta), do qual extrai as seguintes perolas:

Il y a eu la traite négrière, il y a eu l'esclavage, les hommes, les femmes, les enfants achetés et vendus comme des marchandises. Et ce crime ne fut pas seulement un crime contre les Africains, ce fut un crime contre l'homme, ce fut un crime contre l'humanité toute entière. Et l'homme noir qui éternellement «entend de la cale monter les malédictions enchaînées, les hoquettements des mourants, le bruit de l'un d'entre eux qu'on jette à la mer». Cet homme noir qui ne peut s'empêcher de se répéter sans fin «Et ce pays cria pendant des siècles que nous sommes des bêtes brutes». Cet homme noir, je veux le dire ici à Dakar, a le visage de tous les hommes du monde.
Cette souffrance de l'homme noir, je ne parle pas de l'homme au sens du sexe, je parle de l'homme au sens de l'être humain et bien sûr de la femme et de l'homme dans son acceptation générale. Cette souffrance de l'homme noir, c'est la souffrance de tous les hommes. Cette blessure ouverte dans l'âme de l'homme noir est une blessure ouverte dans l'âme de tous les hommes. Jeunes d'Afrique, je ne suis pas venu vous parler de repentance. Je suis venu vous dire que je ressens la traite et l'esclavage comme des crimes envers l'humanité. Je suis venu vous dire que votre déchirure et votre souffrance sont les nôtres et sont donc les miennes.
(...)
Mais il est vrai que jadis, les Européens sont venus en Afrique en conquérants. Ils ont pris la terre de vos ancêtres. Ils ont banni les dieux, les langues, les croyances, les coutumes de vos pères. Ils ont dit à vos pères ce qu'ils devaient penser, ce qu'ils devaient croire, ce qu'ils devaient faire. Ils ont coupé vos pères de leur passé, ils leur ont arraché leur âme et leurs racines. Ils ont désenchanté l'Afrique. Ils ont eu tort. Ils n'ont pas vu la profondeur et la richesse de l'âme africaine. Ils ont cru qu'ils étaient supérieurs, qu'ils étaient plus avancés, qu'ils étaient le progrès, qu'ils étaient la civilisation. Ils ont eu tort.
Ils ont voulu convertir l'homme africain, ils ont voulu le façonner à leur image, ils ont cru qu'ils avaient tous les droits, ils ont cru qu'ils étaient tout puissants, plus puissants que les dieux de l'Afrique, plus puissants que l'âme africaine, plus puissants que les liens sacrés que les hommes avaient tissés patiemment pendant des millénaires avec le ciel et la terre d'Afrique, plus puissants que les mystères qui venaient du fond des âges. Ils ont eu tort. Ils ont abîmé un art de vivre. Ils ont abîmé un imaginaire merveilleux. Ils ont abîmé une sagesse ancestrale. Ils ont eu tort.
Ils ont créé une angoisse, un mal de vivre. Ils ont nourri la haine. Ils ont rendu plus difficile l'ouverture aux autres, l'échange, le partage parce que pour s'ouvrir, pour échanger, pour partager, il faut être assuré de son identité, de ses valeurs, de ses convictions. Face au colonisateur, le colonisé avait fini par ne plus avoir confiance en lui, par ne plus savoir qui il était, par se laisser gagner par la peur de l'autre, par la crainte de l'avenir. Le colonisateur est venu, il a pris, il s'est servi, il a exploité, il a pillé des ressources, des richesses qui ne lui appartenaient pas. Il a dépouillé le colonisé de sa personnalité, de sa liberté, de sa terre, du fruit de son travail.
(...)
Je veux vous dire, jeunes d'Afrique, que le drame de l'Afrique n'est pas dans une prétendue infériorité de son art, sa pensée, de sa culture. Car, pour ce qui est de l'art, de la pensée et de la culture, c'est l'Occident qui s'est mis à l'école de l'Afrique. L'art moderne doit presque tout à l'Afrique. L'influence de l'Afrique a contribué à changer non seulement l'idée de la beauté, non seulement le sens du rythme, de la musique, de la danse, mais même dit Senghor, la manière de marcher ou de rire du monde du XXème siècle. Je veux donc dire, à la jeunesse d'Afrique, que le drame de l'Afrique ne vient pas de ce que l'âme africaine serait imperméable à la logique et à la raison. Car l'homme africain est aussi logique et raisonnable que l'homme européen.
C'est en puisant dans l'imaginaire africain que vous ont légué vos ancêtres, c'est en puisant dans les contes, dans les proverbes, dans les mythologies, dans les rites, dans ces formes qui, depuis l'aube des temps, se transmettent et s'enrichissent de génération en génération que vous trouverez l'imagination et la force de vous inventer un avenir qui vous soit propre, un avenir singulier qui ne ressemblera à aucun autre, où vous vous sentirez enfin libres, libres, jeunes d'Afrique d'être vous-mêmes, libres de décider par vous-mêmes.
(...)
Je suis venu vous dire que vous n'avez pas à avoir honte des valeurs de la civilisation africaine, qu'elles ne vous tirent pas vers le bas mais vers le haut, qu'elles sont un antidote au matérialisme et à l'individualisme qui asservissent l'homme moderne, qu'elles sont le plus précieux des héritages face à la déshumanisation et à l'aplatissement du monde. Je suis venu vous dire que l'homme moderne qui éprouve le besoin de se réconcilier avec la nature a beaucoup à apprendre de l'homme africain qui vit en symbiose avec la nature depuis des millénaires. Je suis venu vous dire que cette déchirure entre ces deux parts de vous-mêmes est votre plus grande force, et votre plus grande faiblesse selon que vous vous efforcerez ou non d'en faire la synthèse.
N'écoutez pas jeunes d'Afrique, ceux qui veulent vous déraciner, vous priver de votre identité, faire table rase de tout ce qui est africain, de toute la mystique, la religiosité, la sensibilité, la mentalité africaine, parce que pour échanger il faut avoir quelque chose à donner, parce que pour parler aux autres, il faut avoir quelque chose à leur dire.

(...)

Pergunta: perante tao belo discurso (e digo-o sem qualquer ponta de 'sarkasmo', em face de artigos e pronunciamentos como o de Eugenio Ferreira e outros similares) porque sera’ que varios escritores Africanos, liderados pelo proeminente Historiador do colonialismo Jean-Luc Raharimanana, enderecaram a Sarkozy esta carta aberta (onde se pode ler esta passagem: «Vous avez tort de mettre sur le même pied d’égalité la responsabilité des Africains et les crimes de l’esclavage et de la colonisation, car s’il y avait des complices de notre côté, ils ne sont que les émanations de ces entreprises totalitaires initiées par l’Europe, depuis quand les systèmes totalitaires n’ont-ils pas leurs collaborateurs locaux ? Car oui, l’esclavage et la colonisation sont des systèmes totalitaires, et vous avez tort de tenter de les justifier en évoquant nos responsabilités et ce bon côté de la colonisation.») em tons pouco simpaticos, para dizer o minimo?

Desafio: descubra as 4 semelhancas.


*[First posted 26/09/07]
…OU OS 4 MOMENTOS DE UM BELO DISCURSO… OU DE COMO «ISTO ANDA TUDO LIGADO»

1. Antonio de Oliveira Salazar tera’ sido recentemente eleito «O Maior Portugues de Sempre». Supostamente Marcelo Caetano nao lhe teria ficado muito longe na votacao...

2. Lourenco do Rosario afirmou
aqui que «Marcelo Rebelo de Sousa, esteve recentemente em Moçambique, no âmbito de cooperação académica entre as universidades portuguesas e moçambicanas. Ele escandalizou meio mundo ao, pela primeira vez, assumir a postura muitas vezes pronunciada em surdina de que havia que resgatar o lado bom do colonialismo, fazendo justiça àqueles que, embora servidores do sistema, conseguiram dar-lhe um rosto humano. E chocou, porquê? Na justa medida de que para nós, é um dado adquirido de que o colonialismo é sempre mau para quem o sofreu e é sempre bom para quem dele beneficiou»;

3. Eugenio Ferreira afirmou aqui, parafraseando acidentalmente(?) Salazar, «rapidamente e em forca», que «(…) a escravatura nao foi mais do que um processo geral da humanidade na sua transicao para o capitalismo»...

4. O Presidente Frances, Nicolas Sarkozy, esteve ha’ cerca de 2 meses no Senegal, onde proferiu na Universidade de Dakar este belissimo discurso (que continua ate’ hoje a fazer correr muita tinta), do qual extrai as seguintes perolas:

Il y a eu la traite négrière, il y a eu l'esclavage, les hommes, les femmes, les enfants achetés et vendus comme des marchandises. Et ce crime ne fut pas seulement un crime contre les Africains, ce fut un crime contre l'homme, ce fut un crime contre l'humanité toute entière. Et l'homme noir qui éternellement «entend de la cale monter les malédictions enchaînées, les hoquettements des mourants, le bruit de l'un d'entre eux qu'on jette à la mer». Cet homme noir qui ne peut s'empêcher de se répéter sans fin «Et ce pays cria pendant des siècles que nous sommes des bêtes brutes». Cet homme noir, je veux le dire ici à Dakar, a le visage de tous les hommes du monde.
Cette souffrance de l'homme noir, je ne parle pas de l'homme au sens du sexe, je parle de l'homme au sens de l'être humain et bien sûr de la femme et de l'homme dans son acceptation générale. Cette souffrance de l'homme noir, c'est la souffrance de tous les hommes. Cette blessure ouverte dans l'âme de l'homme noir est une blessure ouverte dans l'âme de tous les hommes. Jeunes d'Afrique, je ne suis pas venu vous parler de repentance. Je suis venu vous dire que je ressens la traite et l'esclavage comme des crimes envers l'humanité. Je suis venu vous dire que votre déchirure et votre souffrance sont les nôtres et sont donc les miennes.
(...)
Mais il est vrai que jadis, les Européens sont venus en Afrique en conquérants. Ils ont pris la terre de vos ancêtres. Ils ont banni les dieux, les langues, les croyances, les coutumes de vos pères. Ils ont dit à vos pères ce qu'ils devaient penser, ce qu'ils devaient croire, ce qu'ils devaient faire. Ils ont coupé vos pères de leur passé, ils leur ont arraché leur âme et leurs racines. Ils ont désenchanté l'Afrique. Ils ont eu tort. Ils n'ont pas vu la profondeur et la richesse de l'âme africaine. Ils ont cru qu'ils étaient supérieurs, qu'ils étaient plus avancés, qu'ils étaient le progrès, qu'ils étaient la civilisation. Ils ont eu tort.
Ils ont voulu convertir l'homme africain, ils ont voulu le façonner à leur image, ils ont cru qu'ils avaient tous les droits, ils ont cru qu'ils étaient tout puissants, plus puissants que les dieux de l'Afrique, plus puissants que l'âme africaine, plus puissants que les liens sacrés que les hommes avaient tissés patiemment pendant des millénaires avec le ciel et la terre d'Afrique, plus puissants que les mystères qui venaient du fond des âges. Ils ont eu tort. Ils ont abîmé un art de vivre. Ils ont abîmé un imaginaire merveilleux. Ils ont abîmé une sagesse ancestrale. Ils ont eu tort.
Ils ont créé une angoisse, un mal de vivre. Ils ont nourri la haine. Ils ont rendu plus difficile l'ouverture aux autres, l'échange, le partage parce que pour s'ouvrir, pour échanger, pour partager, il faut être assuré de son identité, de ses valeurs, de ses convictions. Face au colonisateur, le colonisé avait fini par ne plus avoir confiance en lui, par ne plus savoir qui il était, par se laisser gagner par la peur de l'autre, par la crainte de l'avenir. Le colonisateur est venu, il a pris, il s'est servi, il a exploité, il a pillé des ressources, des richesses qui ne lui appartenaient pas. Il a dépouillé le colonisé de sa personnalité, de sa liberté, de sa terre, du fruit de son travail.
(...)
Je veux vous dire, jeunes d'Afrique, que le drame de l'Afrique n'est pas dans une prétendue infériorité de son art, sa pensée, de sa culture. Car, pour ce qui est de l'art, de la pensée et de la culture, c'est l'Occident qui s'est mis à l'école de l'Afrique. L'art moderne doit presque tout à l'Afrique. L'influence de l'Afrique a contribué à changer non seulement l'idée de la beauté, non seulement le sens du rythme, de la musique, de la danse, mais même dit Senghor, la manière de marcher ou de rire du monde du XXème siècle. Je veux donc dire, à la jeunesse d'Afrique, que le drame de l'Afrique ne vient pas de ce que l'âme africaine serait imperméable à la logique et à la raison. Car l'homme africain est aussi logique et raisonnable que l'homme européen.
C'est en puisant dans l'imaginaire africain que vous ont légué vos ancêtres, c'est en puisant dans les contes, dans les proverbes, dans les mythologies, dans les rites, dans ces formes qui, depuis l'aube des temps, se transmettent et s'enrichissent de génération en génération que vous trouverez l'imagination et la force de vous inventer un avenir qui vous soit propre, un avenir singulier qui ne ressemblera à aucun autre, où vous vous sentirez enfin libres, libres, jeunes d'Afrique d'être vous-mêmes, libres de décider par vous-mêmes.
(...)
Je suis venu vous dire que vous n'avez pas à avoir honte des valeurs de la civilisation africaine, qu'elles ne vous tirent pas vers le bas mais vers le haut, qu'elles sont un antidote au matérialisme et à l'individualisme qui asservissent l'homme moderne, qu'elles sont le plus précieux des héritages face à la déshumanisation et à l'aplatissement du monde. Je suis venu vous dire que l'homme moderne qui éprouve le besoin de se réconcilier avec la nature a beaucoup à apprendre de l'homme africain qui vit en symbiose avec la nature depuis des millénaires. Je suis venu vous dire que cette déchirure entre ces deux parts de vous-mêmes est votre plus grande force, et votre plus grande faiblesse selon que vous vous efforcerez ou non d'en faire la synthèse.
N'écoutez pas jeunes d'Afrique, ceux qui veulent vous déraciner, vous priver de votre identité, faire table rase de tout ce qui est africain, de toute la mystique, la religiosité, la sensibilité, la mentalité africaine, parce que pour échanger il faut avoir quelque chose à donner, parce que pour parler aux autres, il faut avoir quelque chose à leur dire.

(...)

Pergunta: perante tao belo discurso (e digo-o sem qualquer ponta de 'sarkasmo', em face de artigos e pronunciamentos como o de Eugenio Ferreira e outros similares) porque sera’ que varios escritores Africanos, liderados pelo proeminente Historiador do colonialismo Jean-Luc Raharimanana, enderecaram a Sarkozy esta carta aberta (onde se pode ler esta passagem: «Vous avez tort de mettre sur le même pied d’égalité la responsabilité des Africains et les crimes de l’esclavage et de la colonisation, car s’il y avait des complices de notre côté, ils ne sont que les émanations de ces entreprises totalitaires initiées par l’Europe, depuis quand les systèmes totalitaires n’ont-ils pas leurs collaborateurs locaux ? Car oui, l’esclavage et la colonisation sont des systèmes totalitaires, et vous avez tort de tenter de les justifier en évoquant nos responsabilités et ce bon côté de la colonisation.») em tons pouco simpaticos, para dizer o minimo?

Desafio: descubra as 4 semelhancas.


*[First posted 26/09/07]

Saturday, 7 November 2009

SOBRE PRATICAS LABORAIS DE EMPRESAS PORTUGUESAS EM ANGOLA

[Como uma especie de “complemento”, em portugues, ao post anterior, esta noticia sobre as praticas laborais de empresas portuguesas em Angola…]


Empresas portuguesas lideram violações aos direitos dos trabalhadores (NJ)

As empresas portuguesas são as que mais desrespeitam os direitos dos trabalhadores em Angola. A constatação saiu do encontro que em Luanda juntou representantes do Sindicato do Ramo da Construção, Materiais de Construção e Habitação de cinco províncias do país. Falando ao Novo Jornal, Albano Calei secretário-geral do sindicato de Benguela referiu que no topo da lista das violações está a desatenção dos empregadores no cumprimento do estipulado na lei geral do trabalho e na lei sindical.

Aquele dirigente sindical refere que as dificuldades criadas pelos líderes das empresas portuguesas presentes em território nacional na constituição das comissão sindicais, relacionam- se única e simplesmente com o pensamento “errado” do empregador em que, após conhecerem a lei, os trabalhadores exigem condições salariais e sociais acima das possibilidades da empresa.

Dizendo ser conhecedor de um elevado número de casos desta natureza, Albano Calei chama a atenção para a atitude prepotente evidenciada por muitos gestores, logo à chegada ao nosso país. “São muitos os responsáveis que entram no mercado nacional da construção, criam empresas e não se preocupam com o cumprimento da lei” esclarece o sindicalista que mais adiante adverte que se eles (empregadores) continuarem a fazer ouvidos de mercador, mais cedo do que esperam chegará a resposta no âmbito da lei.

Os sindicalistas de Benguela, Luanda, Cunene, Cabinda e Namibe, reunidos na capital do país, delinearam estratégias de actuação viradas para a formação dos líderes das comissões sindicais. Afinal, diz ele, também é verdade que não são poucas as vezes que, sem conhecer a situação económica da empresa em que labutam, os representantes sindicais elaboram cadernos reivindicativos em desobediência aos parâmetros estabelecidos na lei. E quando se dão situações deste género, o empregador simplesmente não consegue resolver.

Identificada a dificuldade em grande parte das empresas lusas de construção e algumas de outros países em facilitar a constituição das comissões sindicais, a atenção volta- se para a busca de soluções que facilitem o diálogo entre as partes. Com este propósito, foi aprovada uma curta resolução que os sindicalistas acreditam ser o primeiro passo para a inversão do quadro.

Solicitam e prometem acompanhar de perto a aplicação da Lei Geral do Trabalho e da Lei Sindical, como instrumento jurídico. Com a sua aplicação, acredita o entrevistado, os trabalhadores serão fortemente beneficiados, mas igualmente o empregador poderá, a partir dessa base de conversação, melhorar o entendimento.

(IN) SEGURANÇA NO TRABALHO

Na mira da acção sindical, estão também as empresas chinesas que agem à margem da lei vigente no país. Afirma que um dos grandes problemas difíceis de ser resolvido é a segurança no trabalho, que não é cumprida. Sublinha que muitos pensam que segurança é apenas capacete e fato, quando é muito mais do que isso. Atira que na sua maioria, as empresas de construção olham apenas para os lucros, esquivando- se a cumprir as suas obrigações laborais.

Concentrando-se na província de Benguela, onde as empresas portuguesas são as maiores empregadores no ramo da construção civil, Albano Calei assegura que a estratégia para melhorar o relacionamento entre as partes em causa, está montada. “A situação de Benguela é melhor comparativamente às outras quatro províncias” lembra o entrevistado que apesar da melhor relação entre sindicato e empresas, assume que há um pequeno grupo apostado em criar barreiras. Por essa razão assegura estar a trabalhar na realização de um seminário com diversos sindicatos que vai aprovar caminhos com o objectivo de manter, posteriormente, contactos directos com as empresas e explicar os benefícios do cumprimento da lei em vigor.

[Aqui]
[Como uma especie de “complemento”, em portugues, ao post anterior, esta noticia sobre as praticas laborais de empresas portuguesas em Angola…]


Empresas portuguesas lideram violações aos direitos dos trabalhadores (NJ)

As empresas portuguesas são as que mais desrespeitam os direitos dos trabalhadores em Angola. A constatação saiu do encontro que em Luanda juntou representantes do Sindicato do Ramo da Construção, Materiais de Construção e Habitação de cinco províncias do país. Falando ao Novo Jornal, Albano Calei secretário-geral do sindicato de Benguela referiu que no topo da lista das violações está a desatenção dos empregadores no cumprimento do estipulado na lei geral do trabalho e na lei sindical.

Aquele dirigente sindical refere que as dificuldades criadas pelos líderes das empresas portuguesas presentes em território nacional na constituição das comissão sindicais, relacionam- se única e simplesmente com o pensamento “errado” do empregador em que, após conhecerem a lei, os trabalhadores exigem condições salariais e sociais acima das possibilidades da empresa.

Dizendo ser conhecedor de um elevado número de casos desta natureza, Albano Calei chama a atenção para a atitude prepotente evidenciada por muitos gestores, logo à chegada ao nosso país. “São muitos os responsáveis que entram no mercado nacional da construção, criam empresas e não se preocupam com o cumprimento da lei” esclarece o sindicalista que mais adiante adverte que se eles (empregadores) continuarem a fazer ouvidos de mercador, mais cedo do que esperam chegará a resposta no âmbito da lei.

Os sindicalistas de Benguela, Luanda, Cunene, Cabinda e Namibe, reunidos na capital do país, delinearam estratégias de actuação viradas para a formação dos líderes das comissões sindicais. Afinal, diz ele, também é verdade que não são poucas as vezes que, sem conhecer a situação económica da empresa em que labutam, os representantes sindicais elaboram cadernos reivindicativos em desobediência aos parâmetros estabelecidos na lei. E quando se dão situações deste género, o empregador simplesmente não consegue resolver.

Identificada a dificuldade em grande parte das empresas lusas de construção e algumas de outros países em facilitar a constituição das comissões sindicais, a atenção volta- se para a busca de soluções que facilitem o diálogo entre as partes. Com este propósito, foi aprovada uma curta resolução que os sindicalistas acreditam ser o primeiro passo para a inversão do quadro.

Solicitam e prometem acompanhar de perto a aplicação da Lei Geral do Trabalho e da Lei Sindical, como instrumento jurídico. Com a sua aplicação, acredita o entrevistado, os trabalhadores serão fortemente beneficiados, mas igualmente o empregador poderá, a partir dessa base de conversação, melhorar o entendimento.

(IN) SEGURANÇA NO TRABALHO

Na mira da acção sindical, estão também as empresas chinesas que agem à margem da lei vigente no país. Afirma que um dos grandes problemas difíceis de ser resolvido é a segurança no trabalho, que não é cumprida. Sublinha que muitos pensam que segurança é apenas capacete e fato, quando é muito mais do que isso. Atira que na sua maioria, as empresas de construção olham apenas para os lucros, esquivando- se a cumprir as suas obrigações laborais.

Concentrando-se na província de Benguela, onde as empresas portuguesas são as maiores empregadores no ramo da construção civil, Albano Calei assegura que a estratégia para melhorar o relacionamento entre as partes em causa, está montada. “A situação de Benguela é melhor comparativamente às outras quatro províncias” lembra o entrevistado que apesar da melhor relação entre sindicato e empresas, assume que há um pequeno grupo apostado em criar barreiras. Por essa razão assegura estar a trabalhar na realização de um seminário com diversos sindicatos que vai aprovar caminhos com o objectivo de manter, posteriormente, contactos directos com as empresas e explicar os benefícios do cumprimento da lei em vigor.

[Aqui]