Friday, 9 March 2007

ANGOLA, PETROLEO E ECONOMIA POS-CONFLITO: QUE FAZER?

Prometi aqui ha tempos publicar aqui o artigo "Angola, Petroleo e Economia Pos-Conflito: Que Fazer", que escrevi em meados do ano passado e que foi inicialmente publicado no Semanario Angolense, tendo posteriormente sido reproduzido na revista Figuras e Negocios e re-publicado, numa nova versao, na Antologia de 2007 do Conselho Noruegues para Africa.
Um recente comentario, bastante bem elaborado devo dizer, de um visitante Anonimo deste blog sugeriu-me que talvez seja esta a altura mais oportuna para cumprir o prometido. O comentario, inicialmente feito aqui, e' o que se segue:


"Anonymous said...

Bato, Koluki: Obrigada pelos comentarios positivos.

E estimulante trocar este tipo de ideais, ver a vossa motivacao, os bonitos exemplos dados. No fundo quem sabe o desejo de mudanca esteja tambem a flor da pele de pessoas com que nao contamos. Os do poder?!

Como disse a mudanca para melhor e trabalho de todos e manter as coisas melhoradas sera tambem trabalho de todos, e sera um trabalho permanente.

Mudanca da Noite para o Dia. Como consegui-la?
Existe um individuo em Angola com o poder para fazer o seguinte:

1) Contractar um grupo de conselheiros e elaborar e executar um plano de desenvolvimento economico para a capital e as provincias. Incluindo construcao de hospitais, escolas, universidades, centros tecnicos e de investigacao, habitacoes, criar um sistema de financiamento e treino para pequenos investidores Angolanos, construcao e manutencao de museus, centros de recriacao, construcao de estradas e de auto-estradas, criar centros agro-pecuarios, construcao e manutencao de barragens para abastecimento electrico etc, etc.

2) Estabelecer tabelas salariais que permitam aos Angolanos viverem dos seus salarios com dignidade (incluindo todos desde o varredor de rua ao primeiro ministro).

3) Dar preferencia a profissionais e aos trabalhadores Angolanos e em areas em que nao tivermos peritos, procura-los no mercado internacional pagando apenas o necessario/o que o mercado oferece (ate certo ponto o pagamento de balurdios a certos co-operantes estrangeiros preferencialmente aos de raca branca e reflexo de um certo complexo de inferioridade que muitos lideres ainda possuem), treinarmos e incentivarmos Angolanos para obterem conhecimentos nas areas em que carecermos de peritos.

4) Criar e executar um plano para o regresso de Angolanos no exterior em condicoes de dignidade.

5) Promover progamas de educacao social com os objectivos de nos ajudar a superar o trauma do colonialismo, esclarecer a importancia da estabilidade familiar, combate ao alcolismo, prostituicao, sida, etc, etc.Acredito que Angola possua recursos naturais e humanos suficientes para terminar com o ciclo vicioso e comecar o ciclo virtuoso! E existe uma pessoa com poder de iniciar um processo desta natureza tudo o que necessitaria como caracteristicas pessoais seriam a. vontade, b. visao, c. lideranca. Se essa pessoa acordasse um dia com a vontade para o fazer (so precisa de contratar as pessoas certas e de as despedir se depois de lhes ter posto a disposicao os recursos necessarios e ter dado um periodo de tempo razoavel, os resultados nao fossem atingidos).

E claro que a reconstrucao de Angola ira levar anos, mas a beleza a qual eu chamo mudanca DA NOITE PARA O DIA esta exactamente no processo, em si. Koluki, imagine so se voce acordasse amanha e recebesse um convite para fazer parte da equipa de conselheiros economicos. E claro, o trabalho nao seria concluido num dia. Mas a mudanca ocurreria no momento em que comecasse a trabalhar com um objectivo de ajudar a criar uma Nacao digna!

Imaginem acordar pela manha e ouvir na radio em Luanda que o ministerio da construcao com a participacao ira implementar um plano de construcao de habitacoes na areas perifericas de Luanda em que cada familia que enlistasse como aprendizes de pedreiros por um ano cinco jovens por exemplo, tivesse o direito de comprar uma casa a precos acessiveis/com financiamento subsidiado se necessario. Nao so os jovens estariam ocupados a aprender algo de util mas tambem de forma pratica a ajudar a resolver problemas de habitacao.

Imagine comerciais televisivos feitos com as misses Angola de varias idades a anunciarem como e bom e saudavel ser bonita e como pode ser humilhante destruidor do amor proprio servir de objecto sexual(especialmente de homens velhos e feios!). Mostrar comerciais com varios homens com aparencias de elite a morrer de sida. Algo de bem chocante com a dor o estigma, sofrimento que o sida produz. E no final perguntar e isso que voce quer para si?Programas televisivos com estorias de preferencia reais de familias felizes demonstrando como os valores morais lhes ajudam a manter essa felicidade.

Por a Bato como membro do grupo de planeamento dos programas ocupacionais para os jovens.

Acredito, sim que Angola podera mudar Da NOITE PARA O DIA, mas infelizmente nao com o lider que temos a. nao tem a vontade, b. nao tem a visao, c. nao tem a capacidade de lideranca necessaria, para tal!

Tenham um bom dia."

Proponho entao aos meus queridos amigos e amigas que por aqui passam, todos os dias ou so' de vez em quando, que considerem estas propostas em conjunto com o artigo em anexo e digam de sua justica o que acham poderiam ser as melhores, ou apenas possiveis, solucoes para os prubulemas que estamos cum eles...

Os meus agradecimentos antecipados pelos vossos comentarios.
Prometi aqui ha tempos publicar aqui o artigo "Angola, Petroleo e Economia Pos-Conflito: Que Fazer", que escrevi em meados do ano passado e que foi inicialmente publicado no Semanario Angolense, tendo posteriormente sido reproduzido na revista Figuras e Negocios e re-publicado, numa nova versao, na Antologia de 2007 do Conselho Noruegues para Africa.
Um recente comentario, bastante bem elaborado devo dizer, de um visitante Anonimo deste blog sugeriu-me que talvez seja esta a altura mais oportuna para cumprir o prometido. O comentario, inicialmente feito aqui, e' o que se segue:


"Anonymous said...

Bato, Koluki: Obrigada pelos comentarios positivos.

E estimulante trocar este tipo de ideais, ver a vossa motivacao, os bonitos exemplos dados. No fundo quem sabe o desejo de mudanca esteja tambem a flor da pele de pessoas com que nao contamos. Os do poder?!

Como disse a mudanca para melhor e trabalho de todos e manter as coisas melhoradas sera tambem trabalho de todos, e sera um trabalho permanente.

Mudanca da Noite para o Dia. Como consegui-la?
Existe um individuo em Angola com o poder para fazer o seguinte:

1) Contractar um grupo de conselheiros e elaborar e executar um plano de desenvolvimento economico para a capital e as provincias. Incluindo construcao de hospitais, escolas, universidades, centros tecnicos e de investigacao, habitacoes, criar um sistema de financiamento e treino para pequenos investidores Angolanos, construcao e manutencao de museus, centros de recriacao, construcao de estradas e de auto-estradas, criar centros agro-pecuarios, construcao e manutencao de barragens para abastecimento electrico etc, etc.

2) Estabelecer tabelas salariais que permitam aos Angolanos viverem dos seus salarios com dignidade (incluindo todos desde o varredor de rua ao primeiro ministro).

3) Dar preferencia a profissionais e aos trabalhadores Angolanos e em areas em que nao tivermos peritos, procura-los no mercado internacional pagando apenas o necessario/o que o mercado oferece (ate certo ponto o pagamento de balurdios a certos co-operantes estrangeiros preferencialmente aos de raca branca e reflexo de um certo complexo de inferioridade que muitos lideres ainda possuem), treinarmos e incentivarmos Angolanos para obterem conhecimentos nas areas em que carecermos de peritos.

4) Criar e executar um plano para o regresso de Angolanos no exterior em condicoes de dignidade.

5) Promover progamas de educacao social com os objectivos de nos ajudar a superar o trauma do colonialismo, esclarecer a importancia da estabilidade familiar, combate ao alcolismo, prostituicao, sida, etc, etc.Acredito que Angola possua recursos naturais e humanos suficientes para terminar com o ciclo vicioso e comecar o ciclo virtuoso! E existe uma pessoa com poder de iniciar um processo desta natureza tudo o que necessitaria como caracteristicas pessoais seriam a. vontade, b. visao, c. lideranca. Se essa pessoa acordasse um dia com a vontade para o fazer (so precisa de contratar as pessoas certas e de as despedir se depois de lhes ter posto a disposicao os recursos necessarios e ter dado um periodo de tempo razoavel, os resultados nao fossem atingidos).

E claro que a reconstrucao de Angola ira levar anos, mas a beleza a qual eu chamo mudanca DA NOITE PARA O DIA esta exactamente no processo, em si. Koluki, imagine so se voce acordasse amanha e recebesse um convite para fazer parte da equipa de conselheiros economicos. E claro, o trabalho nao seria concluido num dia. Mas a mudanca ocurreria no momento em que comecasse a trabalhar com um objectivo de ajudar a criar uma Nacao digna!

Imaginem acordar pela manha e ouvir na radio em Luanda que o ministerio da construcao com a participacao ira implementar um plano de construcao de habitacoes na areas perifericas de Luanda em que cada familia que enlistasse como aprendizes de pedreiros por um ano cinco jovens por exemplo, tivesse o direito de comprar uma casa a precos acessiveis/com financiamento subsidiado se necessario. Nao so os jovens estariam ocupados a aprender algo de util mas tambem de forma pratica a ajudar a resolver problemas de habitacao.

Imagine comerciais televisivos feitos com as misses Angola de varias idades a anunciarem como e bom e saudavel ser bonita e como pode ser humilhante destruidor do amor proprio servir de objecto sexual(especialmente de homens velhos e feios!). Mostrar comerciais com varios homens com aparencias de elite a morrer de sida. Algo de bem chocante com a dor o estigma, sofrimento que o sida produz. E no final perguntar e isso que voce quer para si?Programas televisivos com estorias de preferencia reais de familias felizes demonstrando como os valores morais lhes ajudam a manter essa felicidade.

Por a Bato como membro do grupo de planeamento dos programas ocupacionais para os jovens.

Acredito, sim que Angola podera mudar Da NOITE PARA O DIA, mas infelizmente nao com o lider que temos a. nao tem a vontade, b. nao tem a visao, c. nao tem a capacidade de lideranca necessaria, para tal!

Tenham um bom dia."

Proponho entao aos meus queridos amigos e amigas que por aqui passam, todos os dias ou so' de vez em quando, que considerem estas propostas em conjunto com o artigo em anexo e digam de sua justica o que acham poderiam ser as melhores, ou apenas possiveis, solucoes para os prubulemas que estamos cum eles...

Os meus agradecimentos antecipados pelos vossos comentarios.

12 comments:

m.silvera said...

Minha cara amiga,
Permita-me dizer-lhe que já me tornei seu fã. Este blog é visita obrigatória sempre qe venho à intenete.
Antes de mais deixo-lhe os meus parabéns pelo dia 8 de Março, embora atrasados.
Sobre este comentário que aqui colocou, de facto, ao l~e-lo pensei para comigo que podia ter sido eu a escreve-lo.
Angola parece-me hoje um país a saque onde há uma população imensa a sofrer e sempre a sofrer. Se antes era a guerra, agora é outra vez a guerra. mas outras guerras: a guerra do petróleo, dos diamantes e do poder.
O chefe de estado, parece-me a mim, conseguiu algumas conquistas, mesmo para o país. Quer-me parecer que Angola é hoje um país que dá cartas na exploração e comercialização do petróleo. É um país respeitado na região e é uma potência militar em África. É um país em paz e unificado.
No entanto, para tal tem-se vindo a sacrificar todo um povo que morre de fome e sem casas, que continua analfabeto porque o sistema de ensino que o estado oferece é deficitário, à semelhança do que acontece com o sistema de saúde.
O´s próprios lucros do petróleo são mal geridos e as grandes percentagens que caem nos bolsos decertos senhores quantas escolas, centros de acolhimento, hospitais e postos médicos dariam?
E é aí que toda esta riqueza se torna aparente e violenta para os verdadeiros filhos desse país. Eles nada recebem, nem em obras sociais. Para quem são os grandes prédios que estão a construir em Luanda? Pelas fotografias que recebi, não me parecem cosntruções populares. Bem pelo contrário, é o luxo de vidro!
Embora não seja angolano, e por isso pense que nem devia dizer estas coisas, é como tenho dito: vivi em Angola muitos anos, vi a independencia e depois fiz a minha opção. Mas não deixei de amar aquela terra como se fosse minha e tudo isto me parte o coração.
Cara amiga Koluki, sería pedir-lhe muito que me disponibilizasse esse seu artigo? Tería muito gosto em lê-lo, pois aprecio bastante as suas intervenções neste espaço e acredito que o mesmo deverá ser de grande interesse.
Muito obrigado e receba um abraço.

Koluki said...

P.S. - Apenas para fazer uma nota de rodape' a este post:

Nao respondi directamente ao comentario aqui postado, porque as minhas posicoes, ideias e propostas sobre a questao de "o que e como fazer" (ou, posto de forma diferente, "vamos fazer entao mais cumu...?") estao expressas no artigo que aqui anexei.

Nao pretendo responder aqui cabalmente a todos os pontos e propostas feitas pelo "Anonymous", mas apenas notar o seguinte:

1. A questao da lideranca implica pensar nas alternativas disponiveis;

2. Qualquer mudanca de lideranca nao e' garantia automatica de mudanca de status quo (basta olharmos para a historia pos-independencia de grande parte dos paises africanos...);

3. Para que quaisquer planos formulados por quaisquer conselheiros, nacionais ou estrangeiros, produzam efectivamente mudanca, e' preciso que se crie um quadro institucional que garanta a efectiva implementacao desses planos, e isto independentemente de quem estiver na lideranca, sendo certo, bem entendido, que tal quadro so' podera' ser criado e efectivamente implementado se houver a necessaria vontade politica por parte da lideranca. Note-se, a este proposito, que algumas das propostas feitas pelo "Anonymous", particularmente as incluidas em 1), ja' foram iniciadas no pais, estando algumas delas a ser implementadas, com maior ou menor sucesso;

4. Decidi alinhar aqui estas breves notas porque ja' fui "conselheira tecnica", embora nao em Angola, e sei bem das limitacoes dessa posicao, particularmente quando se e' mulher... portanto, devo dizer que nao me entusiasma absolutamente nada a ideia de "poder acordar amanha" com um convite nesse sentido! Tambem nao tenho quaisquer ambicoes politicas, pelo que gostava desde ja' de deixar claro que o que me motiva aqui e' apenas, dentro das minhas possibilidades, contribuir para o debate e a procura de alternativas ao actual estado das coisas no nosso pais, particularmente nos dominios economico, social e cultural.

Finalmente, amigo "Anonymous", gostaria mais uma vez de corroborar a sua afirmacao de que "ninguem ainda tomou a mudanca para melhor como a sua causa pessoal" e sugerir-lhe que talvez um bom comeco para que isso aconteca seja abandonarmos o anonimato e assumirmos total responsabilidade pelas nossas posicoes e afirmacoes publicas...

Um grande abraco!

Koluki said...

Amigo Silvera,

Estava a escrever a minha 'nota de rodape' quando fez o seu comentario... portanto, de-me so' um tempinho para o ler e voltar a ele.

Koluki said...

Caro amigo Silvera,

Muito obrigada pela atencao e venha sempre, que a casa e' sua!
Tambem ja' estive no Morro das Acacias e gostei dos poemas que la' tem, em particular o da Alda Lara que tao bem se casa com o "Meu Amor da Rua Onze" do Aires de Almeida Santos. E' pena nao ter continuado com o blog...
Obrigada tambem pelos parabens pelo 8 de Marco, que sao devidos a todas as mulheres do mundo. Nao venhem atrasados, porque acho que este tipo de "dias" deviam ser todos os dias...
Quanto ao seu “comentario ao comentario”, que muito lhe agradeco, concordo em geral com o que diz e como tambem referi na "minha nota de rodape'" parece-me que a questao nao se resume a lideranca...
Quanto ao artigo, ele esta' disponivel atraves do link que coloquei no post. Click em "artigo em anexo" que esta' em bold.

Um abraco e bom fim de semana!

Anonymous said...

Koluki,

Primeiro queira desculpar-me por nao me ter apresentado.

Segundo quero agradecer a honra que me deu por ter destacado o meu comentario no seu blogg e tambem agradecer o comentario do senhor M. Silveira.

O senario que descrevi e pura e simplesmente hipotetico. Como e certo que irei voltar a comentar sobre este tipo de questoes no seu blogg, com mais tempo irei elaborar sobre outras ideais e possibilidades mais realistas que poderemos explorar para conseguir uma lideranca mais saudavel em Angola.

Entre outras coisas e tambem importante que se mantenha e em certos casos que se ressuscite a esperanca por isso, esta sua iniciativa e extremamente louvavel.

Quanto as dificuldades que lhe foram impostas no conselho tecnico em que participou por causa do seu genero,tenho a comentar o seguinte o seu sexo "muito" infelizmente ainda e definido como sendo o sexo "fraco", e quanto mais senhoras com o seu calibre se deixarem desencorajar pela descriminacao so estarao a confirmar a definicao!

Finalmente, quanto a minha contribuicao pessoal para prosperidade do meu pais, acredite que tenho feito tudo o que esta ao meu poder e que tenciono a continuar faze-lo ate ao ultimo dia da minha vida.

Ate mais logo.

Koluki said...

Anonymous,

Esta' desculpado, mas peco-lhe por favor que adopte um nome qualquer para que nos seja mais facil a todos saber "quem e' quem" aqui no blog, uma vez que pretende continuar a participar, o que desde ja' lhe agradeco imenso.

Ha um proverbio Africano que reza assim: "nao e' aquilo que me chamas, mas aquilo a que eu respondo, que mais importa". Este proverbio aplicado a essa estoria do "sexo fraco" resulta em que, primeiro, so' quem nao quer ver com olhos de ver o verdadeiro papel das mulheres na sociedade a todos os niveis (particularmente em Angola e em Africa em geral) ainda usa essa expressao para se referir a elas; segundo, nao e' o facto de se lhe chamar "sexo fraco" que o transforma nisso... As mulheres respondem, e de que maneira, aos desafios que lhes sao impostos pela vida e, em grande parte dos casos, melhor que os homens... e e' essa resposta que conta!
De resto, ja' nao se trata meramente de "sexo", mas de genero, isto e', dos papeis que sao atribuidos a e assumidos por homens e mulheres na sociedade.
Prefiro nao falar em detalhe aqui da minha experiencia profissional e das licoes que pude recolher nesse aspecto.
Mas, se leu o artigo em anexo, atente bem no caso da Ministra das Financas da Nigeria... Ela era uma funcionaria senior do Banco Mundial ha 20 anos que foi "recambiada" pelo Presidente do seu pais para exercer aquelas funcoes. Teve um sucesso espectacular, que foi internacionalmente reconhecido e que beneficiou imensamente o pais. Mas, em apenas 3 anos, devido a pressoes do sistema politico, acabou por ser obrigada a demitir-se...
Isto ilustra bem o quanto, nao so' a lideranca nao e' tudo (porque o Obasanjo demonstrou e exerceu a vontade politica de a ir buscar e colocar naquela posicao, embora tambem incentivado por um programa de repatriamento de quadros patrocinado e financiado pela ONU), como, por muito "forte" que seja a mulher, ha desafios perante os quais ela nao tem alternativa senao recuar... ou avancar, conforme o ponto de vista, para de onde nunca devia ter saido e de onde podera' continuar a dar uma contribuicao mais efectiva para o mundo!

Um abraco e volte sempre.

Bató said...

Minha querida "Koluki"....( não és afinal quem pensava), mas afinal ainda há mais mulheres de valor inestimável em Angola...
Não podia deixar de espreitar o "meu Koluki", mesmo a altas horas da madrugada........estive on line com uma filha que .....também está em Londres, neste momento.
Bom......a minha ignorância em assuntos da área económica é tão grande quanto a minha avidez de os entender, de aprender sobre....por isso leio...leio sempre e descubro que intuitivamete os seres íntegros, de ideais elevados, pensam em grande, no sentido de que pensam no TODO e em TODOS...e conheço muitíssimas pessoas assim, mas que se demitem de sonhar fazer algo, ou mesmo ter a ambição (saudável!) de sentar n'algum lugar chave e "pegar o touro pelos cornos".
Li o seu artigo e os vários "anexos" assinalados.Gosto mesmo das suas análises.Corre ar nelas......são arejadas, abertas, mas ao mesmo tempo de um raciocínio bem organizado e muito fáceis de entender para leigos, dada a complexidade da área (economia)Dá gosto ler!É um artigo cuja análise é ampla, abrangente e as propostas de mudança e transformação perfeitamente viáveis...aprendi!
Mas depois disto já não é o "Que fazer".....mas "Como??"...."Quem vai fazer??"
Pessoas como a A.Santana têm mesmo de voltar e sentar num lugar em Luanda!É mesmo um dever, sabe....A liderança das mulheres, na sua maioria é extremamente produtiva, muito humanizada, séria e exequível....e a A.Santana sabe disso!
Quanto ao nosso amigo "anonymous", concordo que deveria identificar-se, pelas razões apontadas por Koluki, mas não necessita identificar-se pelo seu real nome, se isso lhe puder trazer algum tipo de problema....mas "baptize-se" com um NOME....seria bom....gostei muito do que escreveu....muito mesmo
Um abraço a todos

Koluki said...

Minha querida Bato', que bom saber que existe! Que bom saber que este blog faz algum sentido e diz alguma coisa a pessoas como a SENHORA! Faz-me sentir que vale a pena continuar, mesmo a altas horas da madrugada, como tantas vezes ele me obriga... Sei que nao poderei manter este ritmo no longo-prazo, mas saber que existem amigos como a Bato' e tantos outros ja me vai fazendo sentir que posso contar com mais bracos para bater o funge neste nosso quintal, mesmo que a um ritmo mais malembe malembe...
Quanto ao artigo, sinto-me obviamente gratificada por ele ter feito boa leitura para si. E' sempre isso que se espera quando se escreve alguma coisa, boa ou ma'. Coloca-lo aqui, em conjunto com o contributo do nosso amigo "Anonymous" para essa nossa causa comum de mudar o nosso pais para melhor - talvez ja' nao tanto para nos, mas para as geracoes dos nossos filhos e netos - foi precisamente para o arejar mais, com outras e mais ideias e propostas. Porque nao tenho, nunca tive e jamais me permitirei ter a pretensao de saber tudo, ou de ter respostas para tudo. Quem as tem?
Mas, minha querida, tenho que lhe dizer que, da minha propria experiencia e de outras que tenho observado, a melhor forma de no nosso pais "enterrar" uma pessoa e as suas ideias e' propor que ela assuma posicoes de destaque, seja a que nivel de responsabilidade for... e' como inadvertidamente empurrarmos alguem para o cadafalso, quando tinhamos a melhor das intencoes de a elevarmos a um qualquer "pedestal do bem"...
Vou-lhe so' falar brevemente de um episodio ocorrido aqui ha uns anos: o Semanario Angolense (jornal tido como maldito e proscrito por alguns sectores "bem pensantes" da nossa sociedade)
teve a ousadia de fazer uma especie de sondagem entre algumas dezenas de pessoas no pais sobre qual deveria ser a constituicao de um hipotetico "governo ideal", ou, como eles tambem lhe chamaram, "the dream team"... acontece que do elenco resultante desse exercicio meramente especulativo constava o meu nome, entre outros que nao fazem parte do actual status quo. Pois nao imagina a "maka de sanzala" que aquilo deu! Comecou-se a falar de uma conjura golpista em curso, no contexto da qual ja se estaria a criar um "governo sombra", etc, etc, etc... E eu que estava muito bem descansadinha e totalmente inocente no meu cantinho acabei por ver renascer o tipo de problemas e agressoes pessoais e profissionais que ha muito julgava afastadas da minha vida!
Foi por acaso o sociologo Paulo de Carvalho, de quem tenho um artigo ai no 'Armario' sobre a "Exclusao Social em Angola", que tentou botar agua na fervura, com um artigo argumentando que com aquela sondagem o SA apenas tinha pretendido fazer "um exercicio de cidadania", mas... ja' era tarde demais! Algumas das pessoas incluidas no tal "dream team", em particular as que se encontram fora do pais como e' o meu caso, ja tinham sido "marcadas"...
Depois dessa experiencia, se eu tivesse juizo, devia talvez ter deixado de escrever este tipo de artigos, porque penso ter sido com base em alguns deles que algumas das pessoas que participaram na sondagem se lembraram do meu nome... Mas, feliz ou infelizmente, este e' um vicio de oficio contra o qual nada posso ou devo fazer. Apenas posso, embora ciente de que para certas pessoas em determinados circulos que se alimentam permanentemente de "teorias da conspiracao" isso de pouco ou nada adiantara', reiterar que NAO TENHO QUAISQUER PRETENSOES POLITICAS!
E' tudo o que se me apraz dizer por agora, querida Bato', quanto ao seu amavel e incentivador comentario.

Estamos Juntas!

m.silvera said...

Cara Koluki,
Li com atenção o seu artigo. Está excelente! Vê-se que sabe do que está a falar e agora percebo porque o "anónimo" a proporia para o desempenho de tal cargo em Angola.
Também sei bem o que é estar-se "marcado". Infelizmente muita gente com grande competencia deixou aquele país por essas razões.
A ignorancia é medrosa, sem dúvida.
Contiue.
Um abraço

luis said...

Em vez de perder tempo com essa gentalha pq não voltarmos ao que realmente interessa?
Angola e o futuro que pode ter.
Eu acredito que sem um Estado que funcione nada mudará. O problema é que os Estados não são só feitos de instituições, mas também de pessoas e se quem está lá não quer mudar o país para melhor, naturalmente que os angolanos ficarão a perder. Planos de desenvolvimento são sempre bons mas sem uma liderança que queira realmente implementá-los e pensar a longo prazo tudo poderá ficar na mesma. A minha percepção de "outsider" é de que parece existir uma preocupação por parte do Estado angolano em querer desenvolver o país, ao mesmo tempo que a corrupção continua a ser muita. Ora, e ao contrário do que muitas instituições e experts dizem, nem sempre a corrupção pode ser geradora de pobreza. Quem conhecer bem os casos de sucesso na Ásia - Japão, Taiwan, Coreia e a própria China de que tanto se fala no mundo e em África, Malásia - logo verá que o desenvolvimento (por sinal até com efeitos redistributivos bons, com a excepção dos dois últimos casos) foi feito em conjunto com altos níveis de corrupção. A questão consiste em saber a natureza dessa corrupção....Lmsilva

Koluki said...

OK Luis,

E' isso mesmo, vamos ao que interessa:

1. "Os Estados nao sao feitos so' de instituicoes, mas tambem de pessoas" - claro que as instituicoes nao sao entidades abstractas, sao feitas e movidas por pessoas e que sao as pessoas dentro das instituicoes que podem ou nao fazer com que elas funcionem para o bem ou para o mal... a questao e' que para que as pessoas que fazem as instituicoes as facam funcionar para o bem, elas teem que ter uma cultura institucional que esteja virada para o bem do estado e do pais. E essa cultura cria-se num quadro juridico-legal apropriado para aqueles efeitos que tem que ser criado e rigorosamente implementado pela lideranca... desde que esta tenha vontade politica para tal.

2. "Parece existir uma preocupacao por parte do Estado angolano em querer desenvolver o pais" - a questao e': o que e' o desenvolvimento?... Que via de desenvolvimento esta' a ser seguida em Angola?

3. Eu tambem estive nas "lectures do Nick" (... e apenas menciono isso, porque essa e' a unica fonte que conheco dessa teoria...) em que ele falava do papel da corrupcao no processo de crescimento economico e, se bem me lembro, ele nao falava de corrupcao em termos absolutos e tao pouco como um "bem em si mesmo", ou como uma variavel economica que pudesse ser incluida numa equacao macro ou micro-economica standard, a partir da qual se pudessem determinar econometricamente os seus impactos reais no sistema economico... Do que ele falava, e esta e' a minha leitura, era de "um certo nivel de corrupcao" poder (! sob determinadas condicoes de controlo institucional!), ser benefico para desemperrar os influxos de investimento para um pais... mas apenas nesse sentido, o de servir para "olear o sistema" e atrair investimento estrangeiro. A questao torna-se entao: a partir de que ponto e a que nivel do sistema institucional o oleo deixa de apenas olear a maquina e passa a encharcar todo o sistema ao ponto de torna-lo disfuncional, economicamente ineficiente e absolutamente gerador de pobreza? Esse e' o prubulema que estamos cum ele...

Koluki said...

P.S.: Aos leitores porventura desavisados, convira' informar que os comentarios da "gentalha" a que o Luis se refere e as respostas a eles dirigidos foram posteriormente retirados.