Wednesday, 28 March 2007

NOVO LIVRO DE JOAO MILANDO

Colecção Sociedades Africanas

««Este livro surge na sequência de um outro, do mesmo autor, publica­do em 2005, pela Imprensa de Ciências Sociais, sobre “Cooperação sem Desenvolvimento”, no qual analisa o complexo desenvolvimen­tista e os seus objectivos declarados e não declarados, em África, as­sim como questiona a viabilidade do próprio desenvolvimento, seja em que tipo de sociedade for.

O presente livro analisa o modo como o desenvolvimento institucionalizado, levado a cabo ou apoiado pelas elites políticas angolanas, afecta as representações e práticas sociais de populações rurais de Cabinda. Por um lado, o desenvolvimento surge como uma máquina trituradora/reconstrutora de identidades e de culturas, com grande capacidade de integrar, gerir e perturbar as populações locais, levando a supor que estas estão condenadas a su­cumbir rapidamente diante dos projectos desenvolvimentistas ou a entrar em processos de desagregação, lentos mas irreversíveis.

Por outro, há sinais locais de resiliência social, que parecem exprimir processos de introversão defensiva, de regressão “tradicional” e de ulterior complexificação destas sociedades, configurando dinâmicas sociais que escapam sempre a qualquer análise linear. Assim, o desen­volvimento é analisado não como um choque de culturas, mas como um encontro de diferentes racionalidades culturais, de que resultam situações extremamente complexas e, quase sempre, imprevisíveis.

João Milando é sociólogo, Doutorado em Ciências Sociais (Es­tudos Africanos Interdisciplinares). Faz pesquisas, há vários anos, sobre processos de desenvolvimento em Angola e África em geral. É investigador do Centro de Estudos Africanos do Ins­tituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - Lisboa. »»

Texto: Transcricao da Introducao ao Livro
Colecção Sociedades Africanas

««Este livro surge na sequência de um outro, do mesmo autor, publica­do em 2005, pela Imprensa de Ciências Sociais, sobre “Cooperação sem Desenvolvimento”, no qual analisa o complexo desenvolvimen­tista e os seus objectivos declarados e não declarados, em África, as­sim como questiona a viabilidade do próprio desenvolvimento, seja em que tipo de sociedade for.

O presente livro analisa o modo como o desenvolvimento institucionalizado, levado a cabo ou apoiado pelas elites políticas angolanas, afecta as representações e práticas sociais de populações rurais de Cabinda. Por um lado, o desenvolvimento surge como uma máquina trituradora/reconstrutora de identidades e de culturas, com grande capacidade de integrar, gerir e perturbar as populações locais, levando a supor que estas estão condenadas a su­cumbir rapidamente diante dos projectos desenvolvimentistas ou a entrar em processos de desagregação, lentos mas irreversíveis.

Por outro, há sinais locais de resiliência social, que parecem exprimir processos de introversão defensiva, de regressão “tradicional” e de ulterior complexificação destas sociedades, configurando dinâmicas sociais que escapam sempre a qualquer análise linear. Assim, o desen­volvimento é analisado não como um choque de culturas, mas como um encontro de diferentes racionalidades culturais, de que resultam situações extremamente complexas e, quase sempre, imprevisíveis.

João Milando é sociólogo, Doutorado em Ciências Sociais (Es­tudos Africanos Interdisciplinares). Faz pesquisas, há vários anos, sobre processos de desenvolvimento em Angola e África em geral. É investigador do Centro de Estudos Africanos do Ins­tituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - Lisboa. »»

Texto: Transcricao da Introducao ao Livro

10 comments:

Sailor Girl said...

O tema é muito interessante!...

Koluki said...

Concordo SG. E' bastante interessante e acho que estudos similares deveriam ser feitos noutras partes do pais, talvez mais afectadas pelo que o autor chama "complexo desenvolvimentista". Mas confesso que, como nao li o primeiro livro, estou curiosa com o seu questionamento (o texto nao e' meu, mas sim da editora) da "viabilidade do proprio desenvolvimento, seja em que tipo de sociedade for"... realmente gostava de saber o que o autor define como "desenvolvimento".

Kandando.

luis said...

amiga, como ainda tenho q te enviar o tal dvd vou ver se tb te encontro o primeiro livro..continuas a maravilhar-me com o teu blog...nem sempre comento mas acredita que passo por aqui todos os dias....e já começei a ver se consigo que se tire a cabeça da areia...bjos, Luís

Koluki said...

Luis... tu es mesmo um quido amigo! Mesmo quando te da' para o torto...
Ca' fico a espera do 'long-awaited' DVD e, ja' agora, do livro.

Beijos.

Maria Muadié said...

Koluki, fiquei intrigada com este texto que te mandarei agora. Saiu hoje na Folha de São Paulo, escrito por um colunista que é psicanalista. Por causa da sua postagem anterior, estou te mandando pra você ler este ponto de vista. Um beijo.

CONTARDO CALLIGARIS

O "mea-culpa" pela escravatura
As desculpas retroativas pela escravatura parecem ser sinais da volta do racismo

O REINO Unido celebra os 200 anos da abolição do comércio de escravos. Tony Blair expressou seu pesar pelo antigo papel dos britânicos no tráfico.
Como assinala Marco Aurélio Canônico na Folha do dia 24, os aniversários anteriores passaram sem destaque especial. O historiador John Oldfield, citado por Canônico, atribui o interesse atual pelo aniversário às mudanças na sociedade britânica: o "mea-culpa" seria um jeito de agradar às massas de imigrantes das ex-colônias, facilitando sua integração. Quem dera...
O processo da abolição da escravatura é uma longa jornada da consciência ocidental; começou nos primeiros séculos da cristandade, com o sucesso da idéia de que o limite da humanidade não é a tribo, a raça ou a fé, mas é a própria espécie: somos irmãos, simplesmente por sermos humanos. Hoje, por um sentimento espontâneo e imediato, qualquer ser humano é "dos nossos". No passado e em outras culturas, já foi e ainda é banal considerar que nosso semelhante é só quem dorme na toca da gente.
A idéia de uma comunidade da espécie humana é uma invenção, se não exclusiva, no mínimo peculiar da cultura ocidental. E, sem essa idéia, vinga a tentação de usar e possuir o outro (diferente e, portanto, subumano) como um objeto.
Em suma, o aniversário do dia 25 deveria ser uma festa para todos - no caso, todos os cidadãos e residentes do Reino Unido, celebrando juntos sua igualdade de princípio.
Ora, as desculpas pela escravatura sugerem uma divisão: de um lado, há os "descendentes de escravos", do outro, os "descendentes de escravocratas". É curioso, pois, na modernidade ocidental, presume-se que ninguém se defina como "descendente de": se somos todos humanos, indiferentemente, é também porque somos definidos não pelo passado, mas por nossas potencialidades futuras.
Entende-se que os ditos "descendentes de escravos" (cuja cultura de origem pode ser escravocrata) sejam, eventualmente, enredados numa divisão subjetiva dolorosa: aderir à cultura que os acolhe como cidadãos (porque, para ela, só há homens livres) significa renegar sua tradição.
Mais complicado é entender as desculpas dos ditos "descendentes de escravocratas", pois qual é o sentido da desculpa retroativa de quem não se define pelo seu passado?
Versão otimista: hoje, por termos "evoluído", enxergaríamos o horror de um passado que não nos define, que não é o da gente, mas que, afinal, carregava nosso nome.
Tony Blair não tem nada a ver com os ministros dos séculos 17 e 18, salvo a referência comum a um "Reino Unido" que, aliás, não é mais o mesmo país.
Versão realista (a de Oldfield): as desculpas constituem uma homenagem (forçada) aos imigrantes, que são os novos cidadãos do Ocidente.
Minha versão é pessimista. A necessidade de se desculpar pela escravatura não vem do sentimento (improvável) de uma responsabilidade retroativa nem da vontade (duvidosa) de desejar as boas-vindas aos africanos. As desculpas se parecem mais com os desagravos preventivos e hipócritas que são pronunciados quando a gente está à beira de fazer uma besteira: "Desculpe, mas vou ter de lhe dar um soco na cara". Explico.
As diferenças que a Europa deveria integrar hoje não são maiores do que as que povoaram as Américas, por exemplo, no começo do século passado. As Américas tentaram diluir as diferenças transformando todos em puros agentes econômicos: "Esqueça-se de suas origens e pense em fazer fortuna".
A Europa, zelosa de sua história e de suas identidades nacionais, pode dificilmente pedir a seus imigrantes que se esqueçam do passado deles. Com isso, na Europa, as diferenças não se perdem, se agudizam.
As desculpas de hoje, justamente, parecem assinalar uma intolerância crescente. "Desculpe-me por tê-lo escravizado no passado" é um jeito de lembrar que o passado continua valendo, e, nesse passado, você foi escravo, eu não. Ou seja, não somos bem humanos da mesma forma.
Em 1973, um psicanalista francês, Jacques Lacan, previa a subida do racismo. Na época, antes das recentes ondas de imigração do Terceiro Mundo para a Europa, suas palavras pareciam estranhas: afinal, não estávamos no meio do luminoso caminho da tolerância? Hoje, obviamente, elas parecem proféticas. E as pretensas desculpas pelo passado escravagista parecem ser mais uma inquietante confirmação do pressentimento de Lacan.

ccalligari@uol.com.br

Koluki said...

Querida Martha,

Obrigada por esta contribuicao.
So' e' pena nao a ter colocado no post devido, mas nao faz mal.

Olhe Martha, neste momento acabei de postar um outro artigo no Africanpath e sinceramente nao tenho cabeca para muito mais neste momento.

De qualquer modo, li o artigo e o que tenho a dizer de imediato e' o seguinte:

1. Parece-me no minimo arrogante que um psicanalista do pais que, sob muitos pontos de vista, e' considerado o pais mais racista do mundo e que contem a maior populacao de Africanos descendentes de escravos fora de Africa, se permita fazer uma analise psicanalitica nao apenas de um individuo, mas de toda uma nacao a milhas de distancia e suas motivacoes supostamente "racistas"...

2. O psicanalista em causa, bem como o outro autor que ele repetidamente cita, demonstram desconhecer completamente a historia das comunidades negras no UK e a composicao dessas comunidades. Mas nao sou eu quem vai dar o seu tempo para o elucidar sobre isso, ja' que ele parece estar tao certo das suas conviccoes...

3. Caso ele nao saiba, o UK tambem tem psicanalistas e foi aqui que Freud (por sinal bem perto de onde moro) exerceu a maior parte da sua actividade e nao me parece que algum deles tambem iria perder muito tempo com esse tipo de analises que suponho eles considerariam, no minimo, "far-fetched" e, no maximo, uma defesa consciente, inconsciente ou subconsciente do sistema racial no Brasil e da incapacidade das suas classes dominantes de sequer considerarem uma atitude como a que as instituicoes do UK acabam de assumir... Com que direito se sente ele, por exemplo, de pretender falar em nome de um Tony Blair que se juntou as celebracoes desta efemeride e ao pedido de desculpas?

Bom, minha querida, decididamente, tenho mais preocupacoes com que ocupar o meu tempo, por isso apenas sugeriria que ele tomasse nota das declaracoes dos dignitarios da Igreja Anglicana que sublinhei no post a que elas se referem.

Desculpe-me Martha se pareco um pouco rispida, mas para alem das razoes que ja mencionei, esta nao e' a primeira vez que leio este tipo de discursos por parte de "intelectuais" brasileiros... so' e' pena que eles nao escrevam em Ingles e publiquem esses artigos em revistas cientificas internacionais para terem resposta dos seus homologos nao so' Britanicos como de outras partes do mundo.

De qualquer modo agradeco-lhe a contribuicao porque talvez haja entre os outros leitores quem esteja interessado em se debrucar mais profundamente sobre esse artigo.

Um beijo.

Koluki said...

Martha,

Ao deambular pelos meus arquivos no computador, tropecei neste apontamento, que me lembro de ter traduzido de um jornal das comunidades hispanicas aqui na Inglaterra. Fiquei curiosa em saber a sua opiniao sobre estes dados:

Segundo o Relatorio de Desenvolvimento Humano 2005 do PNUD: com a segunda maior populacao negra do mundo (44.7 da populacao e’ afrodescendente) estes vivem 5 anos menos que os brancos, sofrem 4 vezes mais homicidios, recebem apenas 26% dos rendimentos nacionais e teem mais do dobro de analfabetos do que aqueles; de 1992 a 2001 o numero total de pobres baixou em 5 milhoes de pessoas, mas os negros nessa categoria aumentaram em 500 mil; entre os 10% mais pobres da populacao, 70% sao negros, enquanto que entre os 10% mais ricos apenas 16% sao negros.

O Brasil ocupou o 73ro lugar no Indice de Desenvolvimento Humano da ONU de 2000, mas se contabilizassem apenas os brancos saltaria ao 44to lugar e se se contassem apenas os negros e mulatos cairia para o 105to, uma diferenca de 65 posicoes.

O documento evidencia tambem o que qualifica de “pobreza politica” no pais, ao privar-se os negros de acesso a cargos de decisao nas varias esferas do poder.

Jose Libanio, do Centro Internacional contra a Pobreza da ONU, afirmou que o estudo “mostra que a desigualdade entre brancos e negros e’ algo que nao se altera na sociedade brasileira, de forma sempre desfavoravel a estes ultimos.”

Diva Moreira, editora do relatorio, vaticinou que “este estudo desfaz de uma vez o mito de que as relacoes raciais no Brasil sao harmoniosas e nao havera solucao para problemas como pobreza e violencia sem que as politicas publicas actuem directamente para diminuir a discriminacao.”

Outro estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Economica Aplicada da ONU e o Fundo de Desenvolvimento da ONU para a Mulher (UNIFEM), indicou que as mulheres negras, as mais afectadas pela discriminacao, recebem em media salarios equivalentes a 30% do que se paga aos homens brancos, enquanto que as trabalhadoras domesticas brancas ganham em media entre 3.3 e 4.7 vezes mais do que as negras, num universo em que 20% da populacao branca e 43% da negra vivem abaixo da linha de pobreza.

A ministra brasileira para a Promocao da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, afirmou aquando da apresentacao destes dados que “sabemos que a populacao negra e’ a mais pobre entre os pobres e que as mulheres negras sao ainda mais pobres que os homens.”

Denise Pacheco, funcionaria superior daquela instituicao acrescentou que “estes dados demonstram o que o periodo colonial deixou para a nossa sociedade. O lugar das mulheres negras, objectivamente, e’ o trabalho domestico. E’ evidente que essa discriminacao e’ de raca, genero e classe.”

Entretanto, o Senado do Brasil aprovou o “Estatuto de Igualdade Racial” que visa enfrentar a discriminacao que afecta os brasileiros afrodescendentes e aborda aspectos da saude, educacao, trabalho, direitos humanos e a propriedade da terra, mas que ainda se encontra pendente na Camara de Deputados.

Maria Muadié said...

Te digo, amiga, que esta é uma questão realmente delicada e complexa. Após séculos, finalmente, estamos começando a nos olhar e a admitir o quanto, infelizmente, o nosso país é racista.
Convivemos no Brasil com uma violência absurda. Violência urbana, muitas mortes no trânsito, a violência da desigualdade social, a falta de atendimento de qualidade de saúde para grande parte da população, falta de moradia, etc....Imagine que ainda é comum mulheres serem assassinadas por seus companheiros nos chamados crimes passionais, mulheres de diferentes classes sociais e de todas as cores de pele.
Compreendo que as políticas afirmativas têm grande importância e são fruto dos movimentos negros organizados e dos desorganizados também. É um momento importante, quando estamos rompendo, espero que definitivamente, com o mito da democracia racial brasileira.
Há vários aspectos que poderia considerar, muitas coisas para abordar, inclusive não posso desconsiderar a nossa mestiçagem, tanto genética como cultural.
Não sei se vc sabe, mas moro em Salvador, na Bahia. Minha cidade é negra. Dados oficiais mostram que em 2005, 78,8% da população se declarou parda(mestiço) e negra.
Me interesso muito por este assunto, e acho que o que será realmente revolucionário será o dia em que, sem deixar de reconhecer que há diferentes cores de peles, pararmos de dividir as pessoas em raças.
Raça é uma só: humana.

Koluki said...

Martha,

Fico contente em saber de uma brasileira culta e consciente que finalmente o grande gigante autoconvencido da sua "impar democracia racial" comeca a despertar de um torpor de seculos que o levou a apresentar hoje os indicadores sociais que os estudos do PNUD e da UNIFEM revelam.
Mas temo que enquanto essas realidades nao forem plenamente interiorizadas e assumidas pelos sectores mais importantes da sociedade e cultura brasileira e nao apenas induzidas de fora por organizacoes internacionais, dificilmente se verificarao mudancas significativas. A mudanca tem que partir de dentro...
Digo isto, porque o que me parece ser o maior problema e' o paradigma cultural dominante nao so' no Brasil, como em praticamente todo o mundo lusofono, baseado precisamente no dogma religiosamente interpretado de que "raca e' so' uma, a humana"... o que sera' verdade, tanto quanto o conceito de raca e' tido como um constructo ideologico, datado no tempo historico. Mas, infelizmente, essa mesma constatacao que noutros contextos poderia ter os qualificativos revolucionarios que a Martha correctamente lhe atribui, nos nossos contextos sociais tem servido precisamente como instrumento de "denial", de negacao da realidade social. Assim a propria abordagem do PNUD, da UNIFEM e de outros organismos especializados, e' tida por sectores "muito bem pensantes" das nossas sociedades ela propria como "racista": porque raca e' so' uma, nao faz sentido fazerem-se estudos com base em estratificacao racial... e assim se mantenhem os problemas sociais intactos, as suas razoes profundas enterradas no mito da "democracia racial" e da "inexistencia" do racismo... e assim se mantenhem a pobreza e violencia que afectam a esmagadora maioria da populacao afrodescendente em total desproporcao comparativamente a populacao branca. Uma situacao equiparavel a do Brasil so' se encontrava ate' ha pouco tempo na Africa do Sul, embora o sistema de apartheid estivesse nos antipodas da "democracia racial"...
Temo bem que Angola esteja a caminhar para o mesmo caminho... E o problema maior para mim e' a incapacidade nas nossas sociedades de se atacar de frente e racionalmente esses problemas. E' tudo muito emotivo, muito "romantico"... o povo esta' bem porque trabalha todo o ano apenas para um fim, o carnaval, ja' dizia uma velha cancao. Ignoram-se ainda as metodologias mais eficientes de estudo, analise e formulacao e implementacao de politicas sociais que esbatam as desigualdades sociais resultantes da discriminacao racial. Denunciam-se politicas como a "accao afirmativa" como sendo elas proprias "racistas" e uma mera imitacao dos EUA, cuja realidade se diz nao ter nada a ver com as nossas sociedades... E sao intelectuais como o Mia Couto e outros, dentre os quais pelo menos um brasileiro que li ha pouco tempo, que assim pensam, advogam e admoestam quem se atreva a sugerir o contrario... e assim se perpetua o racismo nas nossas sociedades... do meu ponto de vista muito pior que o que se verifica nos EUA ou no UK!
E assim seguimos enterrando os mortos da pobreza e da violencia ao longo do ano... ate' ao proximo carnaval...
Escrevi muito: espero ter conseguido dizer alguma coisa. Se nao, tentarei melhor numa proxima oportunidade...

Koluki said...

PS: esta nao e' ainda a tal "proxima oportunidade; e' apenas para notar como, numa breve releitura do texto que voce aqui colocou no outro dia, o autor "psicanalista" usa a saciedade e ate' em sentidos contraditorios essa tal nocao de "raca humana" para denunciar como "racista" o pedido de desculpas britanico, defendendo algo como "somos todos humanos, logo nao houve vitimas nem algozes da escravatura", tal como sob o mito da "democracia racial" se defende que "somos todos humanos, logo nao ha vitimas nem perpetradores de racismo"... mas mais curioso ainda e' que ele afirme que "a idéia de uma comunidade da espécie humana é uma invenção, se não exclusiva, no mínimo peculiar da cultura ocidental", denotando desconhecer completamente os fundamentos da cultura Bantu, a comecar pelo proprio significado etimologico dessa palavra.