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Wednesday, 18 July 2018

AFINALE?!







[AQUI]


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&

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That Land




N.B.:

Dizer, nesta altura do campeonato – depois de ter passado por tudo isto e especialmente por isto – que se me esgotaram totalmente o tempo e a paciencia para este tipo de propaganda tribalista, genocidario-racista, colonial-fascista e de extrema direita neo-nazi seria, no minimo, uma redundancia: expressei-o terminantemente aqui e os posts indicados acima, entre varios outros neste blog, explicam-no a saciedade! E, apenas para fazer um “ponto de ordem” (...de honra!...), acrescento-lhes A Negacao e Afirmacao de Agostinho Neto.

Mas, uma vez que, de todas as pecas delirantes que “me foram dedicadas” ate’ agora, esta e’ a mais ridiculamente doentia e esquizofrenica (ou, simplesmente, disgusting!), porque totalmente desprovida de qualquer base material e factual de sustentacao argumentativa, logo totalmente falaciosa - onde e’ que eu ja’ falei de ‘argumentos non sequitur’? - e em aberta contravencao a todas as disposicoes nacionais, regionais e internacionais sobre os Direitos Humanos e os Direitos dos Povos [para quem ainda nao era nascido na altura, ou passou completamente ao largo do 27 de Maio de 1977, ou, "mais perto de casa", da Sexta Feira Sangrenta, este (juntamente com outros recentes e continuos vomitos de odio propalados pelo ‘Novo Jornal’ em que se fala, por exemplo, de “monstros raciais e taras tribais” e de “encarcerar os tribalistas”; ou, ja’ agora, tambem pelo ‘O Pais’, em que se fala de “baratas” a boa maneira genocidaria Rwandesa…) era precisamente o tipo de ‘perola propagandistica’ para a diabolizacao das suas vitimas e intoxicacao e manipulacao da opiniao publica com que se “batia no ferro quente” imediatamente antes e depois daquela(s) data(s) fatidica(s)!], dou-me ao trabalho de deixar aqui sobre ela apenas as seguintes “notas tecnicas”:

(…) O Reino do Kongo, cuja sede era em Mbanza Kongo, totalmente dentro das actuais fronteiras de Angola, estendia-se, na era pre-colonial, por uma regiao que, a Sul, ia ate’ a Ilha de Luanda e, a Norte, compreendia os actuais (ou partes significativas destes) Kongo Brazzaville, Gabao e Kongo Kinshasa, sendo que deste, actual RDC, areas houve que pouca ou nenhuma relacao directa, ou historicamente relevante, tiveram com o Reino do Kongo. E’ o caso do seu extremo Norte, de onde era originario Mobutu que, note-se, nao era baKongo, mas sim NgBandi (o mesmo se passa no caso da regiao Leste/Grandes Lagos da RDC, de onde sao provenientes os Kabila, que pertencem a etnia Luba e nao baKongo). Portanto, nem a actual RDC na sua totalidade, nem Mobutu, podem com propriedade ser considerados “sucessores” (certamente nao unicos) do Reino do Kongo – quanto mais nao seja porque Mobutu, como aqui se regista, assumiu o poder pela forca contra os legitimos titulares do primeiro governo independente daquele pais, Lumumba e Kasavubu, este sim, um baKongo;

(…) A “authenticite” nao foi uma 'doutrina politico-ideologica': foi, quanto muito, uma 'directriz de afirmacao identitaria nacional', que tanto nao foi culturalmente totalizante, nem na RDC, nem nos outros “paises sucessores do Reino do Kongo”, que conviveu com, por exemplo, La Sapologie e os movimentos musicais multiculturais e multi-etnicos locais, regionais e trans-continentais de que aqui se fala um pouco;

(...) Assumir a identidade e valorizar e divulgar a cultura de origem nao significa tribalismo. Tribalismo, tal como racismo, e' usar a identidade (tribal ou racica) para hostilizar, denegrir, diabolizar, humilhar, achincalhar e tentar aniquilar (simbolica ou realmente) os que nao pertencem a essa mesma tribo ou raca e respectivas culturas. E, assim sendo, aquilo que faz o autor do artigo aqui em questao, tal como os seus correlegionarios, e' precisamente, e para dizer o minimo, tribalismo e racismo! E, por isso, eles sim, deveriam ser nada mais, nada menos do que encarcerados!

(…) Seria de todo o interesse do ponto de vista do conhecimento historico-cientifico que se explicassem, demonstrassem e provassem cabalmente, por um lado, a ‘implicacao’ do Reino do Kongo no alegado “exterminio dos Khoisan” e, por outro, as suas alegadas “ligacoes e afinidades”, doutrinarias ou outras, com os Boers - talvez devam pedir a Mandela, como descendente dos Khoisan e ex-prisioneiro dos Boers, os seus insights sobre o assunto;

(…) Se algum “autoctone”, em algum momento, advogou, promoveu e praticou a “descolonizacao completa” de Angola (e de Mocambique), ele nao foi “descendente do Reino do Kongo”: a Historia tem em registo quem e como assumiu totalmente o poder pos-independencia nesse(s) pais(es); sendo que, no caso de Angola, muito gracas ao apoio de um dos “sucessores do Reino do Kongo”, o Kongo Brazaville, em oposicao directa ao Kongo de Mobutu... E, nao fossem reconhecimentos desse facto como este, dir-se-ia que ha' em todo esse irresponsavel delirio racista, xenofobo, tribalista e anti-Bakongo muito do que, com toda a propriedade, se pode e deve chamar "cuspir no prato em que se debicou"!

(…) Tanto quanto “retornar ao patamar tecno-juridico-administrativo” que Angola teve antes da independencia significa, ou pode significar, “recolonizacao” ou “neo-colonialismo”, seria de toda a conveniencia explicar-se, de preferencia “tecnica, juridica e administrativamente”, como e porque que essa e’ a unica via possivel e desejavel para que se atinja tal patamar. Um possivel ponto de partida para essa discussao pode ser encontrado, por exemplo, aqui;

(…) Finalmente, no que pessoalmente me possa tocar directamente em relacao a todas essas e, possivelmente, outras questoes relativas, tenho apenas a parafrasear aquele que, agora caminhando para o fim dos seus dias, para garantir o seu “lugar no reino dos ceus” comeca a render-se a Verdade Historica, Fidel Castro: A Historia Me Absolvera’!

[P.S.: Curiosamente, dois dias depois de isto escrito, Joseph Kabila efectua uma 'visita relampago' ao seu homologo Angolano para reafirmar os lacos entre os dois paises]




Ainda outro take sobre a mesma leitura:

O argumento basico dos apostolos da 'recolonizacao' e’ o de que todos os males de que a Africa pos-colonial enferma teem na sua origem a independencia e a saida dos colonos: "os negros sao congenitamente incapazes de se auto-governar e de criar prosperidade economico-social (sao predadores, bebados ou bufos, vida deles e’ so’ fazere bwe’ de kilapie’, roubar e matarem-se uns aos outros, e mesmo depois de terem passado pela universidade teem que tirar os sapatos para poderem contar ate' doze! E, na verdade, nao fossem os europeus, especialmente os etnologos e antropologos, nem as suas proprias culturas eles conheceriam!)"!

E os numeros e imagens das guerras, da pobreza e do subdesenvolvimento, especialmente se em comparacao com alguns paises de outras regioes do mundo (e.g. Asia e America Latina) que partiram do mesmo nivel de desenvolvimento (ou pelo menos de PIBpc) aquando das independencias africanas nos anos 60, estao ai para o demonstrar a saciedade: "o problema de Africa nao e’ outro senao os Africanos"!
Mas, mais do que isso, "se alguma vez a Africa ostentou algum progresso, foi durante o periodo colonial, logo, sem os Europeus e/ou os seus descendentes directos a Africa esta’ condenada a pobreza, subdesenvolvimento e fracasso total e eterno… logo, a unica saida possivel desse ciclo vicioso e’ a 'recolonizacao'"!

E' isto, alias, que une alguns negros e brancos, esquerdistas e direitistas, nessa canoa furada (ou, mais uma vez, de como os extremos se tocam...): i.e. aqueles que professam e sempre professaram a "supremacia euro-caucasiana" (e seus lacaios) e alguns dos que honestamente sao criticos do poder pos-independencia em Africa [com o Zimbabwe de Mugabe como grande ponto de convergencia entre esses dois afluentes - vejam-se, no entanto as posicoes (conflituosas?) de Graca Machel sobre essa questao: aqui e aqui]... Sendo que, pelo meio, ha' alguns que, como eu, nao estando seguramente do lado dos primeiros e nao necessariamente sempre do lado dos segundos, apenas tentam separar as aguas entre esses dois rios... [por isso reagi deste modo as recomendacoes do Prof. Paul Collier sobre a economia angolana - retomadas aqui e aqui - o qual, por coincidencia, foi tambem professor da Dambisa Moyo, que no seu Dead Aid advoga, nada mais nada menos, que o remedio para todos os problemas actuais de Africa esta' no fim imediato (dentro de 5 anos) da Ajuda ao Desenvolvimento (ou, como dizia a outra "experta" em patetices, "for God's sakes stop aid!") e o recurso dos estados africanos aos mercados financeiros internacionais (... nao, nada vagamente parecido com a criacao das bases para um desenvolvimento, nao apenas economico-financeiro, mas tambem e sobretudo socio-cultural, endogeno e sustentavel...), tendo-o feito num momento em que aqueles se encontra(va)m em profunda crise e num contexto em que a esmagadora maioria das economias africanas nao tem credit ratings que lhes garantam qualquer acesso significativo a tais mercados - veja-se a esse respeito o que no ultimo paragrafo deste artigo se diz sobre a economia Mocambicana... - e sendo que, tambem por coincidencia, para esses mercados ela trabalha...], e por isso acabam(os) sendo vitimas de tentativas de afogamento por ambos os lados!

Ha' ainda um terceiro afluente que e' alimentado pelos proprios circulos do poder de estado de alguns paises africanos e de algumas organizacoes regionais no continente que se tornaram aid dependent, tanto em termos tecnicos como financeiros - para estes, os contingentes de estrangeiros [ex-colonos ou nao; embora isto nao deixe de me trazer a lembranca um alto dirigente da nomenkatura angolana que, nao ha' muito tempo, foi a Portugal declarar que "nos precisamos do homem portugues"... nada contra, se isso nao soasse claramente a "nos precisamos do ex-colono (porque nao estamos a dar conta do recado)"... e menos ainda contra se ele tivesse sido mais especifico e declarasse algo como "nos precisamos prioritariamente de tecnicos qualificados" e acrescentasse, ainda que apenas implicitamente, "porque e' imperioso que invistamos em capital humano e nos precisamos mais ainda do homem angolano, quanto mais nao seja porque foi ele que nos colocou e nos mantem no poder e perante ele temos o dever e a obrigacao de lhe prover e aos seus filhos a formacao adequada para que os angolanos possam competir em pe' de igualdade com qualquer estrangeiro num mundo cada vez mais globalizado!") funcionam como um "buffer" entre os governos/aparelhos de estado e os respectivos povos, que lhes assegura a manutencao do poder e a perpetuacao de determinados individuos em certos cargos, bem como os seus hefty revenue streams e a possibilidade de "brilharem" sozinhos sem quaisquer entraves - era, em parte, a este fenomeno e as suas consequencias socio-culturais a que aqui me referia...

O unico contra-argumento plausivel a essa “inevitabilidade historica” seria se se pudessem encontrar na Africa pre-colonial exemplos de sistemas culturais capazes de gerar, pelo menos potencialmente, estabilidade politica e desenvolvimento economico-social. Aparentemente sim: “(…) o antigo Reino do Congo, notabilizado por ser, então e aparentemente, o único reino organizado na África sub-saariana. (...) Esse palmarés de primeiro entre os reinos sub-saarianos a ter contacto com a Europa e a ter relações diplomáticas com a Santa Sé foi - e continua a ser. .. – motivo de orgulho para os súbditos do rei do Congo e seus actuais descendentes.” Mas… esse mesmo Reino emblematico e paradigmatico “teve como successor o maior emblema e paradigma de fracasso em todas as frentes na Africa pos-colonial: o Congo de Mobutu”!

E, pior do que isso, os seus “actuais descendentes” e “apostolos de Mobutu e da neo-authenticite’”, mesmo quando se apresentam com creditos e meritos profissionais e academicos reconhecidos, sao “monstros racistas e tarados tribais a encarcerar” e “baratas” a eliminar da face da terra: “(…) eles sao, como os boers (e ao contrario de Agostinho Neto - casado civilizadamente com uma mulher branca e que declarou "nao havera' perdao (!) para os 'apostolos da neo-authenticite' do 27 de Maio"...; ou de Mandela - que se divorciou pessoal e politicamente da sua "profeta da neo-authenticite' primeira esposa" e que "so' nao fez o impossivel para nao 'desagradar' os brancos sul-africanos, boers incluidos"...), declaradamente neo-nazis e praticam o primado do dinheiro sobre o direito; o suborno e a falsificação de documentos; a instilação dum racismo e tribalismo como nunca existira na vida económico-social; a distorção de factos históricos e sociais; a intriga e a subserviência; o nepotismo; e, com todas estas armas, a sabotagem subreptícia dos esforços para pôr Angola a funcionar no patamar técno-jurídico-administrativo que já tivera antes da independência.”!

"Logo, 'recolonizacao' e’ o unico caminho a seguir e quem se atreva a 'levantar um dedo ou a bater uma tecla em contrario'... convem saber sempre o que lhe espera!"

Portanto:

QUE VIVA A RECOLONIZACAO!!!
RECOLONIZATION OYE’!!!



(...) Mas, na verdade, nao fosse a gravidade das questoes acima referidas, poderiamos ter poupado o ja' pouco tempo e paciencia que nos restam para todo esse nonsense a mistura com pure evil (!): e' que tudo isso parece claramente nao passar de uma "questao de inteligencia" ou, dito de outro modo, de "competicao pela paridade (ou supremacia?) da etnia, da raca e do genero no dominio intelectual" (poderia dize-lo ainda de outro modo, mas voltar a falar em inveja, ciumes, odio e afins, seria tambem mais do que uma redundancia neste blog... onde e' que por aqui ja' se falou em "inveja dos brains"?)... Senao vejamos (citando da mesma edicao do NJ acima referida):

(...) Os seus “apóstolos” não esmoreceram, nem quando encontraram situações imprevistas como mulatos com os pais, os quatro avós, os oito bisavós e os dezasseis trisavós nados, vividos, mortos e enterrados em Angola; angolanos negros tão ou mais inteligentes que eles e se não deixaram enganar; outros africanos subsaarianos nascidos em Angola (e, não raro de segunda ou até terceira geração) que não abdicam da sua actual nacionalidade e não alinham nos “cantos de sereia” dos apóstolos da neooauthenticité.

(...) O que devemos fazer pela Pátria? Provar à sociedade que o talento assusta os medíocres’ como tão bem descreveu José Alberto Gueiros há mais de 25 anos no extinto Jornal da Bahia - “assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas, boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher no seu círculo de convivência por medo de perder os seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar” O que devemos, perante este cenário, continuar a fazer pela Pátria? Demonstrar à opinião pública que os medíocres, que não aprendem nada com nada, são obstinados na conquista de lugares de destaque. O que devemos continuar a fazer pela Pátria? Pôr em evidência que os medíocres entrincheirados em posições de chefia denotam um medo indisfarçável da inteligência. O que devemos incessantemente continuar a fazer pela Pátria? Desenterrar a famosa trova de Ruy Barbosa: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”…

(...) Como diria o meu amigo Rainer (aprendeu nos Acores): Eta Corisco!...
Bem...! Que tal um 'cruzamento de referencias' com a minha confissao... ou com este "caso"... ou com os meus Boers... ou com os meus Khoisan...?!

(...) E... creio que Ruy Barbosa subscreveria esta: "ha' tanto kabungado tarado e monstruoso com bigodinho a Hitler e a espumar da boca com a lingua de serpente de fora, auto-convencido que e' super-inteligente e talentoizo (...e' que... Deus e' poderoizo!...) por ai a solta, que as vezes fico pensando que a kabunguice e' uma ciencia"!

(...) E, ja' agora, alguem reparou em como o obus dos "monstros raciais e taras tribais" foi lancado para o meu kintal em retaliacao directa e imediata ao comentario a este post e a este ?!... O que nos remete para "outras questoes", nomeadamente "quem e' quem, quem e' amigo de quem, quem se senta a mesa de quem e quem 'debica no prato' de quem"! Mas essas ja' aqui foram, pelo menos parcialmente, abordadas...

(...) Talvez nao seja de todo despiciendo relembrar aqui o meu "celebre debate" com o Negro Ugandes ('tao ou mais inteligente do que eu') Dennis Matanda no (agora infelizmente "desaparecido em combate") Africanpath, sobre a "recolonizacao". Como quem o seguiu de perto (e entenda bem Ingles) tera' anotado, eu comecei por responder ao seu primeiro "Call for Recolonization" com um comentario em que me declarava "un-comfortably numb" ("de-construcao" minha do titulo dos Pink Floyd que, mais recentemente, por aqui passei a volta deste post ), ao que se seguiu o meu primeiro artigo naquele site, como guest blogger, sobre a questao ("Are We All Losing The Plot?"). O Dennis respondeu imediatamente num outro artigo ("We Africans Have Lost The Plot a Long Time Ago") em que reiterava as suas posicoes iniciais, ao que eu voltei a carga tambem com um segundo artigo ("Are We All Losing The Plot? - Part II"), tendo dele obtido a seguinte resposta:

Recovering from an Intellectual Blow

Koluki, I finally got round to reading this article - and I can tell you that I have been blown away - completely. Having said that, you have made a case for the shifting of blame from the leaders of present day African countries to the history of their different nations. But is that not the problem? How can a people who have been showed these examples not react to them? How can we not look into history and 'force' our present leaders to do their good deeds? Lastly, how can we not blame our current leaders yet they, like our historical leaders, are not attempting to be students of history or leadership? That is the core of my argument. If we had leaders in the past, why do we have presidents today?
Again, your article is excellent - and I am bowled over.

Dennis Matanda


Bem, se "recovering from an intellectual blow" e "your article is excellent - and I am bowled over - completely" nao e' "cair no canto da sereia", o que quer que isso signifique...

[E abro aqui um parentesis para notar o seguinte: Este debate e, em particular, esta resposta do Dennis Matanda (e tambem estes artigos de dois jovens Sul-Africanos, ou este debate na blogosfera Mocambicana), e' bem emblematico da diferenca cultural estrutural e estruturante em relacao aquilo que (nao) e' o nivel do "debate" entre os angolanos (ou apenas alguns? ... ou apenas alguns "jornalistas"?... ou apenas alguns "intelectuais"?...): ali debateram-se seriamente ideias e conviccoes fortes e profundas sobre questoes extremamente sensiveis, tendo havido por parte do "derrotado" a hombridade, decencia, educacao, civilidade e elegancia de reconhecer a sua "derrota" e os meritos dos argumentos do adversario - mesmo sendo estes protagonizados por uma mulher (e, acrescente-se, negra!)... O que teriamos (temos tido) nos "pretensos debates" com angolanos? Nada mais do que os ataques ad hominem (... "ad mulher ", incluindo a sua vida intima e privada, ao seu corpo e a sua suposta sexualidade!...), o abuso e insulto mais baixo e soez, a tentativa de humilhacao, degradacao moral e espiritual, objectificacao sexual e destruicao fisica, psicologica e profissional (!) sem quaisquer escrupulos... E' essa a "mentalidade" da generalidade dos (ou de apenas alguns?... ou de apenas alguns "jornalistas"?... ou de apenas alguns "intelectuais"?...) angolanos!]

(...) E... quem diz, pateticamente, "resistir" (em vao) a este 'canto da sereia' e'... psicopata (ruim da cabeca) e... kabungadu (ou doente do pe')!

(...lol...)



ADENDA

"MANDELA, MOBUTU & ME"



In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]



Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]



Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]








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N.B.:

Dizer, nesta altura do campeonato – depois de ter passado por tudo isto e especialmente por isto – que se me esgotaram totalmente o tempo e a paciencia para este tipo de propaganda tribalista, genocidario-racista, colonial-fascista e de extrema direita neo-nazi seria, no minimo, uma redundancia: expressei-o terminantemente aqui e os posts indicados acima, entre varios outros neste blog, explicam-no a saciedade! E, apenas para fazer um “ponto de ordem” (...de honra!...), acrescento-lhes A Negacao e Afirmacao de Agostinho Neto.

Mas, uma vez que, de todas as pecas delirantes que “me foram dedicadas” ate’ agora, esta e’ a mais ridiculamente doentia e esquizofrenica (ou, simplesmente, disgusting!), porque totalmente desprovida de qualquer base material e factual de sustentacao argumentativa, logo totalmente falaciosa - onde e’ que eu ja’ falei de ‘argumentos non sequitur’? - e em aberta contravencao a todas as disposicoes nacionais, regionais e internacionais sobre os Direitos Humanos e os Direitos dos Povos [para quem ainda nao era nascido na altura, ou passou completamente ao largo do 27 de Maio de 1977, ou, "mais perto de casa", da Sexta Feira Sangrenta, este (juntamente com outros recentes e continuos vomitos de odio propalados pelo ‘Novo Jornal’ em que se fala, por exemplo, de “monstros raciais e taras tribais” e de “encarcerar os tribalistas”; ou, ja’ agora, tambem pelo ‘O Pais’, em que se fala de “baratas” a boa maneira genocidaria Rwandesa…) era precisamente o tipo de ‘perola propagandistica’ para a diabolizacao das suas vitimas e intoxicacao e manipulacao da opiniao publica com que se “batia no ferro quente” imediatamente antes e depois daquela(s) data(s) fatidica(s)!], dou-me ao trabalho de deixar aqui sobre ela apenas as seguintes “notas tecnicas”:

(…) O Reino do Kongo, cuja sede era em Mbanza Kongo, totalmente dentro das actuais fronteiras de Angola, estendia-se, na era pre-colonial, por uma regiao que, a Sul, ia ate’ a Ilha de Luanda e, a Norte, compreendia os actuais (ou partes significativas destes) Kongo Brazzaville, Gabao e Kongo Kinshasa, sendo que deste, actual RDC, areas houve que pouca ou nenhuma relacao directa, ou historicamente relevante, tiveram com o Reino do Kongo. E’ o caso do seu extremo Norte, de onde era originario Mobutu que, note-se, nao era baKongo, mas sim NgBandi (o mesmo se passa no caso da regiao Leste/Grandes Lagos da RDC, de onde sao provenientes os Kabila, que pertencem a etnia Luba e nao baKongo). Portanto, nem a actual RDC na sua totalidade, nem Mobutu, podem com propriedade ser considerados “sucessores” (certamente nao unicos) do Reino do Kongo – quanto mais nao seja porque Mobutu, como aqui se regista, assumiu o poder pela forca contra os legitimos titulares do primeiro governo independente daquele pais, Lumumba e Kasavubu, este sim, um baKongo;

(…) A “authenticite” nao foi uma 'doutrina politico-ideologica': foi, quanto muito, uma 'directriz de afirmacao identitaria nacional', que tanto nao foi culturalmente totalizante, nem na RDC, nem nos outros “paises sucessores do Reino do Kongo”, que conviveu com, por exemplo, La Sapologie e os movimentos musicais multiculturais e multi-etnicos locais, regionais e trans-continentais de que aqui se fala um pouco;

(...) Assumir a identidade e valorizar e divulgar a cultura de origem nao significa tribalismo. Tribalismo, tal como racismo, e' usar a identidade (tribal ou racica) para hostilizar, denegrir, diabolizar, humilhar, achincalhar e tentar aniquilar (simbolica ou realmente) os que nao pertencem a essa mesma tribo ou raca e respectivas culturas. E, assim sendo, aquilo que faz o autor do artigo aqui em questao, tal como os seus correlegionarios, e' precisamente, e para dizer o minimo, tribalismo e racismo! E, por isso, eles sim, deveriam ser nada mais, nada menos do que encarcerados!

(…) Seria de todo o interesse do ponto de vista do conhecimento historico-cientifico que se explicassem, demonstrassem e provassem cabalmente, por um lado, a ‘implicacao’ do Reino do Kongo no alegado “exterminio dos Khoisan” e, por outro, as suas alegadas “ligacoes e afinidades”, doutrinarias ou outras, com os Boers - talvez devam pedir a Mandela, como descendente dos Khoisan e ex-prisioneiro dos Boers, os seus insights sobre o assunto;

(…) Se algum “autoctone”, em algum momento, advogou, promoveu e praticou a “descolonizacao completa” de Angola (e de Mocambique), ele nao foi “descendente do Reino do Kongo”: a Historia tem em registo quem e como assumiu totalmente o poder pos-independencia nesse(s) pais(es); sendo que, no caso de Angola, muito gracas ao apoio de um dos “sucessores do Reino do Kongo”, o Kongo Brazaville, em oposicao directa ao Kongo de Mobutu... E, nao fossem reconhecimentos desse facto como este, dir-se-ia que ha' em todo esse irresponsavel delirio racista, xenofobo, tribalista e anti-Bakongo muito do que, com toda a propriedade, se pode e deve chamar "cuspir no prato em que se debicou"!

(…) Tanto quanto “retornar ao patamar tecno-juridico-administrativo” que Angola teve antes da independencia significa, ou pode significar, “recolonizacao” ou “neo-colonialismo”, seria de toda a conveniencia explicar-se, de preferencia “tecnica, juridica e administrativamente”, como e porque que essa e’ a unica via possivel e desejavel para que se atinja tal patamar. Um possivel ponto de partida para essa discussao pode ser encontrado, por exemplo, aqui;

(…) Finalmente, no que pessoalmente me possa tocar directamente em relacao a todas essas e, possivelmente, outras questoes relativas, tenho apenas a parafrasear aquele que, agora caminhando para o fim dos seus dias, para garantir o seu “lugar no reino dos ceus” comeca a render-se a Verdade Historica, Fidel Castro: A Historia Me Absolvera’!

[P.S.: Curiosamente, dois dias depois de isto escrito, Joseph Kabila efectua uma 'visita relampago' ao seu homologo Angolano para reafirmar os lacos entre os dois paises]




Ainda outro take sobre a mesma leitura:

O argumento basico dos apostolos da 'recolonizacao' e’ o de que todos os males de que a Africa pos-colonial enferma teem na sua origem a independencia e a saida dos colonos: "os negros sao congenitamente incapazes de se auto-governar e de criar prosperidade economico-social (sao predadores, bebados ou bufos, vida deles e’ so’ fazere bwe’ de kilapie’, roubar e matarem-se uns aos outros, e mesmo depois de terem passado pela universidade teem que tirar os sapatos para poderem contar ate' doze! E, na verdade, nao fossem os europeus, especialmente os etnologos e antropologos, nem as suas proprias culturas eles conheceriam!)"!

E os numeros e imagens das guerras, da pobreza e do subdesenvolvimento, especialmente se em comparacao com alguns paises de outras regioes do mundo (e.g. Asia e America Latina) que partiram do mesmo nivel de desenvolvimento (ou pelo menos de PIBpc) aquando das independencias africanas nos anos 60, estao ai para o demonstrar a saciedade: "o problema de Africa nao e’ outro senao os Africanos"!
Mas, mais do que isso, "se alguma vez a Africa ostentou algum progresso, foi durante o periodo colonial, logo, sem os Europeus e/ou os seus descendentes directos a Africa esta’ condenada a pobreza, subdesenvolvimento e fracasso total e eterno… logo, a unica saida possivel desse ciclo vicioso e’ a 'recolonizacao'"!

E' isto, alias, que une alguns negros e brancos, esquerdistas e direitistas, nessa canoa furada (ou, mais uma vez, de como os extremos se tocam...): i.e. aqueles que professam e sempre professaram a "supremacia euro-caucasiana" (e seus lacaios) e alguns dos que honestamente sao criticos do poder pos-independencia em Africa [com o Zimbabwe de Mugabe como grande ponto de convergencia entre esses dois afluentes - vejam-se, no entanto as posicoes (conflituosas?) de Graca Machel sobre essa questao: aqui e aqui]... Sendo que, pelo meio, ha' alguns que, como eu, nao estando seguramente do lado dos primeiros e nao necessariamente sempre do lado dos segundos, apenas tentam separar as aguas entre esses dois rios... [por isso reagi deste modo as recomendacoes do Prof. Paul Collier sobre a economia angolana - retomadas aqui e aqui - o qual, por coincidencia, foi tambem professor da Dambisa Moyo, que no seu Dead Aid advoga, nada mais nada menos, que o remedio para todos os problemas actuais de Africa esta' no fim imediato (dentro de 5 anos) da Ajuda ao Desenvolvimento (ou, como dizia a outra "experta" em patetices, "for God's sakes stop aid!") e o recurso dos estados africanos aos mercados financeiros internacionais (... nao, nada vagamente parecido com a criacao das bases para um desenvolvimento, nao apenas economico-financeiro, mas tambem e sobretudo socio-cultural, endogeno e sustentavel...), tendo-o feito num momento em que aqueles se encontra(va)m em profunda crise e num contexto em que a esmagadora maioria das economias africanas nao tem credit ratings que lhes garantam qualquer acesso significativo a tais mercados - veja-se a esse respeito o que no ultimo paragrafo deste artigo se diz sobre a economia Mocambicana... - e sendo que, tambem por coincidencia, para esses mercados ela trabalha...], e por isso acabam(os) sendo vitimas de tentativas de afogamento por ambos os lados!

Ha' ainda um terceiro afluente que e' alimentado pelos proprios circulos do poder de estado de alguns paises africanos e de algumas organizacoes regionais no continente que se tornaram aid dependent, tanto em termos tecnicos como financeiros - para estes, os contingentes de estrangeiros [ex-colonos ou nao; embora isto nao deixe de me trazer a lembranca um alto dirigente da nomenkatura angolana que, nao ha' muito tempo, foi a Portugal declarar que "nos precisamos do homem portugues"... nada contra, se isso nao soasse claramente a "nos precisamos do ex-colono (porque nao estamos a dar conta do recado)"... e menos ainda contra se ele tivesse sido mais especifico e declarasse algo como "nos precisamos prioritariamente de tecnicos qualificados" e acrescentasse, ainda que apenas implicitamente, "porque e' imperioso que invistamos em capital humano e nos precisamos mais ainda do homem angolano, quanto mais nao seja porque foi ele que nos colocou e nos mantem no poder e perante ele temos o dever e a obrigacao de lhe prover e aos seus filhos a formacao adequada para que os angolanos possam competir em pe' de igualdade com qualquer estrangeiro num mundo cada vez mais globalizado!") funcionam como um "buffer" entre os governos/aparelhos de estado e os respectivos povos, que lhes assegura a manutencao do poder e a perpetuacao de determinados individuos em certos cargos, bem como os seus hefty revenue streams e a possibilidade de "brilharem" sozinhos sem quaisquer entraves - era, em parte, a este fenomeno e as suas consequencias socio-culturais a que aqui me referia...

O unico contra-argumento plausivel a essa “inevitabilidade historica” seria se se pudessem encontrar na Africa pre-colonial exemplos de sistemas culturais capazes de gerar, pelo menos potencialmente, estabilidade politica e desenvolvimento economico-social. Aparentemente sim: “(…) o antigo Reino do Congo, notabilizado por ser, então e aparentemente, o único reino organizado na África sub-saariana. (...) Esse palmarés de primeiro entre os reinos sub-saarianos a ter contacto com a Europa e a ter relações diplomáticas com a Santa Sé foi - e continua a ser. .. – motivo de orgulho para os súbditos do rei do Congo e seus actuais descendentes.” Mas… esse mesmo Reino emblematico e paradigmatico “teve como successor o maior emblema e paradigma de fracasso em todas as frentes na Africa pos-colonial: o Congo de Mobutu”!

E, pior do que isso, os seus “actuais descendentes” e “apostolos de Mobutu e da neo-authenticite’”, mesmo quando se apresentam com creditos e meritos profissionais e academicos reconhecidos, sao “monstros racistas e tarados tribais a encarcerar” e “baratas” a eliminar da face da terra: “(…) eles sao, como os boers (e ao contrario de Agostinho Neto - casado civilizadamente com uma mulher branca e que declarou "nao havera' perdao (!) para os 'apostolos da neo-authenticite' do 27 de Maio"...; ou de Mandela - que se divorciou pessoal e politicamente da sua "profeta da neo-authenticite' primeira esposa" e que "so' nao fez o impossivel para nao 'desagradar' os brancos sul-africanos, boers incluidos"...), declaradamente neo-nazis e praticam o primado do dinheiro sobre o direito; o suborno e a falsificação de documentos; a instilação dum racismo e tribalismo como nunca existira na vida económico-social; a distorção de factos históricos e sociais; a intriga e a subserviência; o nepotismo; e, com todas estas armas, a sabotagem subreptícia dos esforços para pôr Angola a funcionar no patamar técno-jurídico-administrativo que já tivera antes da independência.”!

"Logo, 'recolonizacao' e’ o unico caminho a seguir e quem se atreva a 'levantar um dedo ou a bater uma tecla em contrario'... convem saber sempre o que lhe espera!"

Portanto:

QUE VIVA A RECOLONIZACAO!!!
RECOLONIZATION OYE’!!!



(...) Mas, na verdade, nao fosse a gravidade das questoes acima referidas, poderiamos ter poupado o ja' pouco tempo e paciencia que nos restam para todo esse nonsense a mistura com pure evil (!): e' que tudo isso parece claramente nao passar de uma "questao de inteligencia" ou, dito de outro modo, de "competicao pela paridade (ou supremacia?) da etnia, da raca e do genero no dominio intelectual" (poderia dize-lo ainda de outro modo, mas voltar a falar em inveja, ciumes, odio e afins, seria tambem mais do que uma redundancia neste blog... onde e' que por aqui ja' se falou em "inveja dos brains"?)... Senao vejamos (citando da mesma edicao do NJ acima referida):

(...) Os seus “apóstolos” não esmoreceram, nem quando encontraram situações imprevistas como mulatos com os pais, os quatro avós, os oito bisavós e os dezasseis trisavós nados, vividos, mortos e enterrados em Angola; angolanos negros tão ou mais inteligentes que eles e se não deixaram enganar; outros africanos subsaarianos nascidos em Angola (e, não raro de segunda ou até terceira geração) que não abdicam da sua actual nacionalidade e não alinham nos “cantos de sereia” dos apóstolos da neooauthenticité.

(...) O que devemos fazer pela Pátria? Provar à sociedade que o talento assusta os medíocres’ como tão bem descreveu José Alberto Gueiros há mais de 25 anos no extinto Jornal da Bahia - “assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas, boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher no seu círculo de convivência por medo de perder os seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar” O que devemos, perante este cenário, continuar a fazer pela Pátria? Demonstrar à opinião pública que os medíocres, que não aprendem nada com nada, são obstinados na conquista de lugares de destaque. O que devemos continuar a fazer pela Pátria? Pôr em evidência que os medíocres entrincheirados em posições de chefia denotam um medo indisfarçável da inteligência. O que devemos incessantemente continuar a fazer pela Pátria? Desenterrar a famosa trova de Ruy Barbosa: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”…

(...) Como diria o meu amigo Rainer (aprendeu nos Acores): Eta Corisco!...
Bem...! Que tal um 'cruzamento de referencias' com a minha confissao... ou com este "caso"... ou com os meus Boers... ou com os meus Khoisan...?!

(...) E... creio que Ruy Barbosa subscreveria esta: "ha' tanto kabungado tarado e monstruoso com bigodinho a Hitler e a espumar da boca com a lingua de serpente de fora, auto-convencido que e' super-inteligente e talentoizo (...e' que... Deus e' poderoizo!...) por ai a solta, que as vezes fico pensando que a kabunguice e' uma ciencia"!

(...) E, ja' agora, alguem reparou em como o obus dos "monstros raciais e taras tribais" foi lancado para o meu kintal em retaliacao directa e imediata ao comentario a este post e a este ?!... O que nos remete para "outras questoes", nomeadamente "quem e' quem, quem e' amigo de quem, quem se senta a mesa de quem e quem 'debica no prato' de quem"! Mas essas ja' aqui foram, pelo menos parcialmente, abordadas...

(...) Talvez nao seja de todo despiciendo relembrar aqui o meu "celebre debate" com o Negro Ugandes ('tao ou mais inteligente do que eu') Dennis Matanda no (agora infelizmente "desaparecido em combate") Africanpath, sobre a "recolonizacao". Como quem o seguiu de perto (e entenda bem Ingles) tera' anotado, eu comecei por responder ao seu primeiro "Call for Recolonization" com um comentario em que me declarava "un-comfortably numb" ("de-construcao" minha do titulo dos Pink Floyd que, mais recentemente, por aqui passei a volta deste post ), ao que se seguiu o meu primeiro artigo naquele site, como guest blogger, sobre a questao ("Are We All Losing The Plot?"). O Dennis respondeu imediatamente num outro artigo ("We Africans Have Lost The Plot a Long Time Ago") em que reiterava as suas posicoes iniciais, ao que eu voltei a carga tambem com um segundo artigo ("Are We All Losing The Plot? - Part II"), tendo dele obtido a seguinte resposta:

Recovering from an Intellectual Blow

Koluki, I finally got round to reading this article - and I can tell you that I have been blown away - completely. Having said that, you have made a case for the shifting of blame from the leaders of present day African countries to the history of their different nations. But is that not the problem? How can a people who have been showed these examples not react to them? How can we not look into history and 'force' our present leaders to do their good deeds? Lastly, how can we not blame our current leaders yet they, like our historical leaders, are not attempting to be students of history or leadership? That is the core of my argument. If we had leaders in the past, why do we have presidents today?
Again, your article is excellent - and I am bowled over.

Dennis Matanda


Bem, se "recovering from an intellectual blow" e "your article is excellent - and I am bowled over - completely" nao e' "cair no canto da sereia", o que quer que isso signifique...

[E abro aqui um parentesis para notar o seguinte: Este debate e, em particular, esta resposta do Dennis Matanda (e tambem estes artigos de dois jovens Sul-Africanos, ou este debate na blogosfera Mocambicana), e' bem emblematico da diferenca cultural estrutural e estruturante em relacao aquilo que (nao) e' o nivel do "debate" entre os angolanos (ou apenas alguns? ... ou apenas alguns "jornalistas"?... ou apenas alguns "intelectuais"?...): ali debateram-se seriamente ideias e conviccoes fortes e profundas sobre questoes extremamente sensiveis, tendo havido por parte do "derrotado" a hombridade, decencia, educacao, civilidade e elegancia de reconhecer a sua "derrota" e os meritos dos argumentos do adversario - mesmo sendo estes protagonizados por uma mulher (e, acrescente-se, negra!)... O que teriamos (temos tido) nos "pretensos debates" com angolanos? Nada mais do que os ataques ad hominem (... "ad mulher ", incluindo a sua vida intima e privada, ao seu corpo e a sua suposta sexualidade!...), o abuso e insulto mais baixo e soez, a tentativa de humilhacao, degradacao moral e espiritual, objectificacao sexual e destruicao fisica, psicologica e profissional (!) sem quaisquer escrupulos... E' essa a "mentalidade" da generalidade dos (ou de apenas alguns?... ou de apenas alguns "jornalistas"?... ou de apenas alguns "intelectuais"?...) angolanos!]

(...) E... quem diz, pateticamente, "resistir" (em vao) a este 'canto da sereia' e'... psicopata (ruim da cabeca) e... kabungadu (ou doente do pe')!

(...lol...)



ADENDA

"MANDELA, MOBUTU & ME"



In this stunning memoir, veteran Washington Post correspondent Lynne Duke takes readers on a wrenching but riveting journey through Africa during the pivotal 1990s and brilliantly illuminates a continent where hope and humanity thrive amid unimaginable depredation and horrors.

For four years as her newspaper's Johannesburg bureau chief, Lynne Duke cut a rare figure as a black American woman foreign correspondent as she raced from story to story in numerous countries of central and southern Africa. From the battle zones of Congo-Zaire to the quest for truth and reconciliation in South Africa; from the teeming displaced person’s camps of Angola and the killing field of the Rwanda genocide to the calming Indian Ocean shores of Mozambique.

She interviewed heads of state, captains of industry, activists, tribal leaders, medicine men and women, mercenaries, rebels, refugees, and ordinary, hardworking people. And it is they, the ordinary people of Africa, who fueled the hope and affection that drove Duke’s reporting. The nobility of the ordinary African struggles, so often absent from accounts of the continent, is at the heart of Duke’s searing story.

[from the hardcover edition]



Duke covered southern Africa as Johannesburg bureau chief for The Washington Post from 1995 to 1999. Her engaging memoir provides a close-up look at the fall of Mobutu Sese Seko in the former Zaire, the ascendance of Nelson Mandela in South Africa, dramatic high points of South Africa's Truth and Reconciliation Commission, and many poignant vignettes of everyday African life from Cape Town to Kigali. "Armed with attitude and ready for anything," she finds that being black and female is sometimes, but not always, an occupational asset. Knowing that her dispatches will help shape American perceptions of a region she cares deeply about, she works hard to balance her anger at the brutality and venality of "ugly Africa" against her admiration for Mandela and for the fortitude and ingenuity of ordinary Africans. Equally deft at presenting vivid eyewitness descriptions and concise evaluations of failed policies, whether African or American, Duke has given us a glimpse of what first-rate reporting on Africa can be.

[from Foreign Affairs]



Pictures: Mandela's 1997 mediation efforts between Mobutu and Laurent Kabila
[That's Afrika and That's Madiba For You!]


Thursday, 29 March 2012

ON PORNOGRAPHY AS ‘VIOLENCE AGAINST WOMEN’ (Revised and Updated)





On my previous post, I presented extracts from a recent interview by one of Angola’s most prominent writers, Pepetela, including one that made the local headlines where he states that “there is pornographic wealth in Angola.”

For anyone who knows the Angola of the past two or three decades, or reads articles like this one in the international media, that statement doesn’t require much of an explanation. However, the use of the word ‘pornographic’ outside a strictly sexual context may raise in some minds the question of its very definition: “what is pornography?”

For someone instinctively averse to pornography of any kind (as I noted here on the early days of this blog), the answer is straightforward: “pornography is something, anything, which intently seeks to pervert, corrupt and degrade – visually, verbally, graphically, physically, psychologically, or by any other means – the object or subject-matter to which it is inflicted upon, be it love, affection, sex, privacy, identity, or one’s own humanity... And it becomes criminal when is perpetrated against the will, without the consent and under the protest of its victim!
For others, the answers may vary according to their own philosophies of life, or just their degrees of exposure to different kinds of pornography.

Personally, although I had been pornographically attacked before on two occasions, I had never been exposed to pornography, whatever its definition, so persistently and viciously as since I started this blog … It’s a long and painful story that can be traced back to this post, reached a high with this one, then evolved to this one and this one, and this one... until exploding on this one!...

And behind it all was a white woman at the forefront (and the first post I mentioned above, preceded by this one, had on the background my questioning of her gratuitous, obscene, voyeuristic, indecent - in short: pornographic! - exposure on her blog of the most intimate sexuality of a group of Angolan female rural traditional dancers... having done so while revealing that the women in question had expressly said to her that in their culture no men should see or be informed of what they had exceptionally allowed her to see!...), with some men and women of different races and ages on the sidelines and the background - the most 'machista', misogynist, male chauvinist pig, inverted and reverted racist, obnoxious, arrogant ignorant, venal, bullish, bigot and criminal of whom eventually leading me to open this page on Facebook!

So, what do all of them have in common? The simple answer is: being from Angola or Portugal, or just from the Lusophone world in general, where the concept of ‘Black Feminism’ (and, within it, 'Post-Colonial Feminism' in particular) is virtually unheard of, except perhaps for Brazil…



And it is at this juncture – Black Feminism/Post-Colonial Feminism – that the issue of “pornography as violence against women” connects with the wider issues of sex, sexuality, sexism, race, ethnicity, gender, class and identity in social interactions.

Again: being instinctively averse to pornography, I cannot tell of the extreme violence the ordeal I have been subject to by that horrendously pervert, despicable white sorry excuse for a woman has constituted to my personal and professional life over the past 5 years!... Not the least because it came on the sequence of another pornographic attack by a black male in the work place which led me to leave a organization I worked for, as I mentioned here; not the least because, with a sordid combination of white supremacy and sexism and amidst the display of disturbing images of Nito Alves before being executed and of Jonas Savimbi dead (two political figures branded by some sectors in Angolan society as "extreme black racists"...) she obsessively targeted her vicious pornographic attacks and vitriol at what I have of most precious: my creative work, my poetry!... Which, by the way, had been from the onset of its publication, back in 1985, subject to "pornographic treatment" of all sorts, as I recalled here... So, she knew exactly what she was doing!... So much so that had no qualms about making it patently clear on her blog:

"E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre. Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti: a tua alma pura e frágil!..."
[recorded here]



Worse than that, I cannot put into words what seeing black men and women alike siding with her, particularly when knowing that, some years ago, she had been served with a public letter subscribed by a number of prominent Angolan citizens accusing her of racist practices at the local classical ballet dance school then under her direction!... And worst of all, I’m afraid I will never come past the fact that her arrogance and blatant racism have been fuelled by state-sponsorship (to use her own words, "tenho as costas largas"!...) - not the least because she is one of the recipients of an Angolan "National Prize for Culture and the Arts"!...

And state-sponsorship led to other sponsorship - that of the corporate kind: corporate finance, corporate politics and corporate media alike all went out of their way to roll up their sleeves and get up in arms as a 'multitute of seven dwarfs' in defense and support of the “innocent Snow White in the Jungle” supposedly “molested” by a “deranged, ignorant and predatory Black Woman”!...
And to add insult to injury, through a barrage of insults, I was silenced down, humiliated, demonised, denigrated, tormented, vilified, injured, dehumanised and even received death threats, while my blog was sabotaged, my email hacked, my privacy violated and all my life invaded!
In short: I was publicly lynched in a most unbelievable orgy of hatred - all of which throwing me into a deep depression and forced exile more than ever before!...

Well, as I said, that’s a long story!...



Let’s then go back to the short story: “pornography as violence against women”…
As this year’s March – internationally devoted to Woman in all her dimensions – draws to the end, this issue takes me back to the beginning of the month, when I attended the first event the British Academy dedicated to International Women’s Day, and started an exploration of Nancy Spero’s work. In my account of that event, I briefly mentioned the issue of race: including me, there were only three black women in there and, incidentally, none of us was in the panel. And (need to say?) there were no black men to be seen...

What I didn’t mention then was that during the drinks reception following the formal talks, while the three of us were getting to know each other, one of the panellists, Lisa Tickner, who had presented Nancy Spero, approached our group and one of the other two of us, a writer, questioned her over the legitimacy, or lack thereof, of white women to represent all women, to which I said something to the effect that “maybe that is just because we, black women, are generally under-represented in the academy (noting, in passing, that when I did my MSc at the Economic History Department at the LSE I had been only the third black person, and the first black woman, to have been admitted to that department since its creation), rather than necessarily a result of a conscious unwillingness on the part of the members of the panel, or the British Academy for that matter, to be sensitive to black women’s views and accounts of their own lives, experiences and histories”.

Well, I was left under the impression that my views didn’t sink well with my sista, but I felt somehow justified when I came across this interview by Nancy Spero with Sue Williams. Through it you will be able to relate to all the questions around the issue of “pornography as violence against women” I have raised so far. You will also be able to better understand what “Black Feminism” is all about – particularly if you pay attention to what they say on Lorna Simpson’s art work.

And, hopefully, you will also understand why is it that, at least in my experience, it is from the Lusophone countries, with Portugal and Angola at the forefront, that most resistance to contemporary notions of Black Feminism (and I say this while not considering myself a “feminist tout court”, as once I’ve noted here and, as much as I sympathise with the concept, not even a "womanist" as Alice Walker would have it, but quite simply a "humanist"), or Post-Colonial Feminism, comes from: post-colonial Angola is just an offspring of the brand of absolutist and totalitarian communist amoral/immoral left, which, from Portugal, has hold sway over our shores since 1974/75 (and then 'implemented' over the years by Cuba), and now with a renewed impetus under the novel winds of “recolonisation”:

Proud of its 'lusotropicalist and assimilationist ancestry', amidst confused/confusing notions and practices of "white negritude" and the replacement of "humanist ethics" by "ideological ethics" and of the Human and Social Sciences with ideologically inspired fictional literature and poetry and vulturistic art, not to mention the 'traditional' practice established by the founding father of the nation of 'educated' black men predominantly marrying white or light-skinned women, it very simplistically and insensitively, yet totally self-righteously (as Carlos Moore put it: "with Tarzan complex"), made ‘tabua rasa’ [or to use Sue William's words on her painting, After the Revolution, at the top of this post: "After the Revolution (the 'homage to women's groups') is Viva no Differencia and the Fascists are Left"!...] of all issues that composed the various dimensions of the colonial experience (e.g., while keeping pretty much a conservative view towards women's sexuality and reproductive rights - as in here and here - it wiped off gender issues from its discourse, except to 'proclaim' that men and women "ought to be equal" from the war fields, political prison cells and "re-education camps" to the literary production... it swept all race and ethnic-related issues under the rug of "monstros raciais e taras tribais", or "complexos de colonizado"!...), even though these issues have manifestly underpinned the long protracted post-independence conflict in the country, except for the “class struggle” - and not even that it was able to "manage" to its "ultimate consequences": the old top-down class stratification has never ceased to dictate all sorts of social relations in Angola in the post-colonial period, as the existing 'pornographic wealth' mentioned at the start of this post clearly states, or indeed the entire posture of 'that white evil sorry excuse for a woman', who has allways been privileged both in the colonial and the post-colonial periods, towards me leaves no room for doubt, or as it can be gathered from this story about a "friend" that I used to have, written "at the request" of this 'new' friend of hers!...
In fact, all the MPLA history is drenched in that same old race-based class stratification of the "O Mundo Que o Portugues Criou" and has always been determined by it. Hence my questioning of the Marxist theory's empirical basis as it relates to African History, Cultures and Societies, as I have expressed a while back here.

[As Mozambican sociologist Elísio Macamo argues in a recent article, Social Criticism and Contestation: Reflections on the Politics of Anger and Outrage: "If one looks at the context of politics in these two countries (Angola and Mozambique) in terms of the descriptive framework suggested here, one aspect comes immediately to light. At no point in their political history did they really manage to create the conditions for moral debate to take place. While they fought the wars of independence in the name of citizenship, their post-independence policies failed to define the citizenry in ways which would have given them a stake in moral argument. The commitment to building socialist societies meant in effect that the moral obligations of individuals were defined by those wielding political power. Angolans and Mozambicans remained subjects, not citizens, of a system of domination that took the burden of moral responsibility away from the individual and invested it on a vanguard party of cadres who were held to be in a position to interpret the will of the people.]

Thus, it just has this to say to us, Black Women: “on the face of racial, ethnic, sexual, gender or any other kind of abuse and attacks on your personality, integrity, dignity, identity and humanity, be calm, cool and collected, otherwise you’ll be branded a ‘ignorant, racist, extremist, terrorist, predatory and deranged black woman’!...
And we will brand the spectra of Nito Alves and Jonas Savimbi all over you and then invoke Simone de Beauvoir to deny your 'womanhood from the birth', Gilberto Freyre to strip you of your identity and  Nelson Mandela to put you to rest once and for all!... As for your attackers, abusers and persecutors they can just get away with murder and end of story!...”

That's, after all, all they had to say along the centuries of colonial rule to all the Black Mothers of their "beloved" skin-deep, fair and straight long-haired "Creole Nation"!...

So… I’ll just shut up and leave you with extracts from that enlightening conversation (and this is not to mean that I totally subscribe to all their views) between Nancy Spero (NS) and Sue Williams (SW):



(NS) I express anger, dissatisfaction, in my art work. I also show women enjoying their own sexual pleasure. But let’s say in conversation I will not be as confidential or expose myself to the degree that I do in my art. So, with that in mind, I’ll ask you a few questions that could refer to both of us.

(SW) People think that I’m like my paintings, liberated and aggressive. When they meet me, they find that I’m shy and not too in control of my life. The work helps me to evolve.

(…)

(NS) Your work is critical of abuse of women, is it a call for action, getting out on the streets?

(SW) It’s different than wanting to do real things. They’re my babies, those paintings, so they’re not strictly teaching tools. They’re things that I create, and I like to. Somebody had told me that women thought my show was negative, which I had never heard before, since most people only want to say nice things to your face. And I thought, negative? I had always thought it was kind of happy.

(…)

(NS) Canadian law has taken over Catherine McKinnon’s definition of pornography as, “Material that subordinates or degrades women.”

We cannot ignore the threat to equality, resulting in exposure to all audiences of certain types of violent and degrading material. Material portraying women as a class, as objects for sexual exploitation and abuse, and the negative impact on the individual’s sense of self-worth and acceptance. (from The Nation)

When you depict a baseball bat shoved up a woman’s butt, that could be vicious porn. Let’s say you are showing in a Toronto gallery—Canada is the first place in the world that says what is legally obscene and what harms women. How do they know that your piece harms women?

(SW) They lay out little doilies. (laughter)

(NS) There’s a slogan: “Pornography is violence against women.” It doesn’t say that it causes violence. If it depicts it, is that in itself, violence against women?

(SW) You can say that men cause violence to women, so they should be banned, not just the photos. The photos aren’t the violence.

(…)

(NS) In the early ‘70s that was true too, but it was more conceptual. And now, the body in art has returned. During the ‘80s, I was attacked for using images of women. This has to do with one feminist theory that women artists should avoid creating a woman’s image for men.

(SW) Right, that’s the party line.

(NS) I could not abide more limits and regulations — you and other women like Kiki Smith, Lorna Simpson, Clarisa Sligh are all involved in the images of the female body in very different ways. Shifting times and interests.

(SW) I never thought of that, not being able to use the body, but your work is conceptual. You take from what’s already out there, don’t really alter it a lot—you’re not messing with it. The work becomes a whole new language; it’s not male art.

(NS) It’s a tool to investigate, to attack, to celebrate. In The Second Sex, Simone de Beauvoir discusses women and their smiles, smiles to please, to accommodate. A woman has to be ready with a smile to ward off potential aggressors, not to give signals of fear.

(…)

(NS) I’m married to Leon Golub, and we have three grown sons. I would imagine that some women who don’t know me but have seen my art work wonder how I have been associated with a male artist all these years. Or male artists, or men in general wonder how he could be associated with me. It may seem illogical to them, but that’s not the point. We respect the straight forwardness of each other.

We were discussing how, in the ‘80s, a few feminists condemned the visual depiction of the female body because the woman’s image had been so subsumed under the “mastery” of the male artists’ gaze. An interesting point, but not necessarily to turn it on ourselves, once more limiting emotionally what “good girl” artists are supposed to represent. But I wanted to investigate women’s conditions from the extreme repression and torture of political prisoners to that of women as protagonist, activators freed of male control. I am trying to set things in motion, to re-inscribe women in history. We’ve always been there but we’ve been written out.

(…)

(NS) … Do you think that your work would be less appreciated by some women of color? Would there be a resentment towards your experience as a white woman? You might even still, in this terrible situation, be more privileged.

(SW) Yeah, I probably am more privileged in some ways, but then again, the system is the system. A busload of predominantly black women from Atlanta who had been abused came in to the show and wrote some comments. That’s quite a compliment for them to come and see my work, for them to see what an artist is saying about them. That made me feel really proud. At the same time, I saw Lorna Simpson’s show. It was really heavy work and it made me mad because it was true, and I don’t want to feel privileged. Maybe they had resentments because the lady was white.

(NS) Allegiances are mixed, many black women feel white women have not treated them equitably. All these differences of class, race, ethnicity, age, culture.

(SW) Males see my show and they don’t like it, they almost don’t believe it. I had the same reaction when I saw Lorna’s (Simpson) show. She was saying things as a black woman that I don’t know about. Each little thing was representative of her culture.

(…) I wanted to ask you, do you feel like you have a voice and you can speak?

(NS) It took decades but now I get my message out. I’d been working as an artist for 30 years without much response. Then around ‘83 the situation changed, or partially changed. The work reverberated, the same stuff hidden all those years. I infiltrate and subvert and celebrate, as I wish. Earlier in my career, I was excluded, ignored. I was angry and frustrated in my attempts to get some sort of dialogue going. I used fragmented writings of Antonin Artaud collaged with painted images as a means to express my rage at being silenced as an artist [1969-72, the Artaud Paintings and Codex Artaud]. Artaud’s tirades and screams of rage and anguish, his extreme introspection of physical and mental states resonated for me. If his hysterical and insane ravings would have been written by a woman, they would not have survived nor gained this recognition. Women artists are in the world too and will not be silenced.

(SW) I had no world. I could not function in the world I was in.

(NS) It’s tough entering the art world, becoming a participant. It’s a small elitist enclave—a special world, but then one may find a place.

(SW) It’s such a relief. I almost feel like a human being. I still have a prejudice against women. I mean why would I want to look at the past of women; it’s boring. They are not the ones who really did anything.

(NS) It’s a matter of learning the histories of other women—how women have been written out of history. How the struggle for equality has to be fought and won, over and over. It’s as if we always have to start from zero.

(SW) That’s what happened to all our energy. It’s gone somewhere else, not into the world.


“As far as I knew white women were never lonely, except in books. White men adored them, Black men desired them, and Black women worked for them” - Maya Angelou


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BULLIES!!!...





On my previous post, I presented extracts from a recent interview by one of Angola’s most prominent writers, Pepetela, including one that made the local headlines where he states that “there is pornographic wealth in Angola.”

For anyone who knows the Angola of the past two or three decades, or reads articles like this one in the international media, that statement doesn’t require much of an explanation. However, the use of the word ‘pornographic’ outside a strictly sexual context may raise in some minds the question of its very definition: “what is pornography?”

For someone instinctively averse to pornography of any kind (as I noted here on the early days of this blog), the answer is straightforward: “pornography is something, anything, which intently seeks to pervert, corrupt and degrade – visually, verbally, graphically, physically, psychologically, or by any other means – the object or subject-matter to which it is inflicted upon, be it love, affection, sex, privacy, identity, or one’s own humanity... And it becomes criminal when is perpetrated against the will, without the consent and under the protest of its victim!
For others, the answers may vary according to their own philosophies of life, or just their degrees of exposure to different kinds of pornography.

Personally, although I had been pornographically attacked before on two occasions, I had never been exposed to pornography, whatever its definition, so persistently and viciously as since I started this blog … It’s a long and painful story that can be traced back to this post, reached a high with this one, then evolved to this one and this one, and this one... until exploding on this one!...

And behind it all was a white woman at the forefront (and the first post I mentioned above, preceded by this one, had on the background my questioning of her gratuitous, obscene, voyeuristic, indecent - in short: pornographic! - exposure on her blog of the most intimate sexuality of a group of Angolan female rural traditional dancers... having done so while revealing that the women in question had expressly said to her that in their culture no men should see or be informed of what they had exceptionally allowed her to see!...), with some men and women of different races and ages on the sidelines and the background - the most 'machista', misogynist, male chauvinist pig, inverted and reverted racist, obnoxious, arrogant ignorant, venal, bullish, bigot and criminal of whom eventually leading me to open this page on Facebook!

So, what do all of them have in common? The simple answer is: being from Angola or Portugal, or just from the Lusophone world in general, where the concept of ‘Black Feminism’ (and, within it, 'Post-Colonial Feminism' in particular) is virtually unheard of, except perhaps for Brazil…



And it is at this juncture – Black Feminism/Post-Colonial Feminism – that the issue of “pornography as violence against women” connects with the wider issues of sex, sexuality, sexism, race, ethnicity, gender, class and identity in social interactions.

Again: being instinctively averse to pornography, I cannot tell of the extreme violence the ordeal I have been subject to by that horrendously pervert, despicable white sorry excuse for a woman has constituted to my personal and professional life over the past 5 years!... Not the least because it came on the sequence of another pornographic attack by a black male in the work place which led me to leave a organization I worked for, as I mentioned here; not the least because, with a sordid combination of white supremacy and sexism and amidst the display of disturbing images of Nito Alves before being executed and of Jonas Savimbi dead (two political figures branded by some sectors in Angolan society as "extreme black racists"...) she obsessively targeted her vicious pornographic attacks and vitriol at what I have of most precious: my creative work, my poetry!... Which, by the way, had been from the onset of its publication, back in 1985, subject to "pornographic treatment" of all sorts, as I recalled here... So, she knew exactly what she was doing!... So much so that had no qualms about making it patently clear on her blog:

"E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre. Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti: a tua alma pura e frágil!..."
[recorded here]



Worse than that, I cannot put into words what seeing black men and women alike siding with her, particularly when knowing that, some years ago, she had been served with a public letter subscribed by a number of prominent Angolan citizens accusing her of racist practices at the local classical ballet dance school then under her direction!... And worst of all, I’m afraid I will never come past the fact that her arrogance and blatant racism have been fuelled by state-sponsorship (to use her own words, "tenho as costas largas"!...) - not the least because she is one of the recipients of an Angolan "National Prize for Culture and the Arts"!...

And state-sponsorship led to other sponsorship - that of the corporate kind: corporate finance, corporate politics and corporate media alike all went out of their way to roll up their sleeves and get up in arms as a 'multitute of seven dwarfs' in defense and support of the “innocent Snow White in the Jungle” supposedly “molested” by a “deranged, ignorant and predatory Black Woman”!...
And to add insult to injury, through a barrage of insults, I was silenced down, humiliated, demonised, denigrated, tormented, vilified, injured, dehumanised and even received death threats, while my blog was sabotaged, my email hacked, my privacy violated and all my life invaded!
In short: I was publicly lynched in a most unbelievable orgy of hatred - all of which throwing me into a deep depression and forced exile more than ever before!...

Well, as I said, that’s a long story!...



Let’s then go back to the short story: “pornography as violence against women”…
As this year’s March – internationally devoted to Woman in all her dimensions – draws to the end, this issue takes me back to the beginning of the month, when I attended the first event the British Academy dedicated to International Women’s Day, and started an exploration of Nancy Spero’s work. In my account of that event, I briefly mentioned the issue of race: including me, there were only three black women in there and, incidentally, none of us was in the panel. And (need to say?) there were no black men to be seen...

What I didn’t mention then was that during the drinks reception following the formal talks, while the three of us were getting to know each other, one of the panellists, Lisa Tickner, who had presented Nancy Spero, approached our group and one of the other two of us, a writer, questioned her over the legitimacy, or lack thereof, of white women to represent all women, to which I said something to the effect that “maybe that is just because we, black women, are generally under-represented in the academy (noting, in passing, that when I did my MSc at the Economic History Department at the LSE I had been only the third black person, and the first black woman, to have been admitted to that department since its creation), rather than necessarily a result of a conscious unwillingness on the part of the members of the panel, or the British Academy for that matter, to be sensitive to black women’s views and accounts of their own lives, experiences and histories”.

Well, I was left under the impression that my views didn’t sink well with my sista, but I felt somehow justified when I came across this interview by Nancy Spero with Sue Williams. Through it you will be able to relate to all the questions around the issue of “pornography as violence against women” I have raised so far. You will also be able to better understand what “Black Feminism” is all about – particularly if you pay attention to what they say on Lorna Simpson’s art work.

And, hopefully, you will also understand why is it that, at least in my experience, it is from the Lusophone countries, with Portugal and Angola at the forefront, that most resistance to contemporary notions of Black Feminism (and I say this while not considering myself a “feminist tout court”, as once I’ve noted here and, as much as I sympathise with the concept, not even a "womanist" as Alice Walker would have it, but quite simply a "humanist"), or Post-Colonial Feminism, comes from: post-colonial Angola is just an offspring of the brand of absolutist and totalitarian communist amoral/immoral left, which, from Portugal, has hold sway over our shores since 1974/75 (and then 'implemented' over the years by Cuba), and now with a renewed impetus under the novel winds of “recolonisation”:

Proud of its 'lusotropicalist and assimilationist ancestry', amidst confused/confusing notions and practices of "white negritude" and the replacement of "humanist ethics" by "ideological ethics" and of the Human and Social Sciences with ideologically inspired fictional literature and poetry and vulturistic art, not to mention the 'traditional' practice established by the founding father of the nation of 'educated' black men predominantly marrying white or light-skinned women, it very simplistically and insensitively, yet totally self-righteously (as Carlos Moore put it: "with Tarzan complex"), made ‘tabua rasa’ [or to use Sue William's words on her painting, After the Revolution, at the top of this post: "After the Revolution (the 'homage to women's groups') is Viva no Differencia and the Fascists are Left"!...] of all issues that composed the various dimensions of the colonial experience (e.g., while keeping pretty much a conservative view towards women's sexuality and reproductive rights - as in here and here - it wiped off gender issues from its discourse, except to 'proclaim' that men and women "ought to be equal" from the war fields, political prison cells and "re-education camps" to the literary production... it swept all race and ethnic-related issues under the rug of "monstros raciais e taras tribais", or "complexos de colonizado"!...), even though these issues have manifestly underpinned the long protracted post-independence conflict in the country, except for the “class struggle” - and not even that it was able to "manage" to its "ultimate consequences": the old top-down class stratification has never ceased to dictate all sorts of social relations in Angola in the post-colonial period, as the existing 'pornographic wealth' mentioned at the start of this post clearly states, or indeed the entire posture of 'that white evil sorry excuse for a woman', who has allways been privileged both in the colonial and the post-colonial periods, towards me leaves no room for doubt, or as it can be gathered from this story about a "friend" that I used to have, written "at the request" of this 'new' friend of hers!...
In fact, all the MPLA history is drenched in that same old race-based class stratification of the "O Mundo Que o Portugues Criou" and has always been determined by it. Hence my questioning of the Marxist theory's empirical basis as it relates to African History, Cultures and Societies, as I have expressed a while back here.

[As Mozambican sociologist Elísio Macamo argues in a recent article, Social Criticism and Contestation: Reflections on the Politics of Anger and Outrage: "If one looks at the context of politics in these two countries (Angola and Mozambique) in terms of the descriptive framework suggested here, one aspect comes immediately to light. At no point in their political history did they really manage to create the conditions for moral debate to take place. While they fought the wars of independence in the name of citizenship, their post-independence policies failed to define the citizenry in ways which would have given them a stake in moral argument. The commitment to building socialist societies meant in effect that the moral obligations of individuals were defined by those wielding political power. Angolans and Mozambicans remained subjects, not citizens, of a system of domination that took the burden of moral responsibility away from the individual and invested it on a vanguard party of cadres who were held to be in a position to interpret the will of the people.]

Thus, it just has this to say to us, Black Women: “on the face of racial, ethnic, sexual, gender or any other kind of abuse and attacks on your personality, integrity, dignity, identity and humanity, be calm, cool and collected, otherwise you’ll be branded a ‘ignorant, racist, extremist, terrorist, predatory and deranged black woman’!...
And we will brand the spectra of Nito Alves and Jonas Savimbi all over you and then invoke Simone de Beauvoir to deny your 'womanhood from the birth', Gilberto Freyre to strip you of your identity and  Nelson Mandela to put you to rest once and for all!... As for your attackers, abusers and persecutors they can just get away with murder and end of story!...”

That's, after all, all they had to say along the centuries of colonial rule to all the Black Mothers of their "beloved" skin-deep, fair and straight long-haired "Creole Nation"!...

So… I’ll just shut up and leave you with extracts from that enlightening conversation (and this is not to mean that I totally subscribe to all their views) between Nancy Spero (NS) and Sue Williams (SW):



(NS) I express anger, dissatisfaction, in my art work. I also show women enjoying their own sexual pleasure. But let’s say in conversation I will not be as confidential or expose myself to the degree that I do in my art. So, with that in mind, I’ll ask you a few questions that could refer to both of us.

(SW) People think that I’m like my paintings, liberated and aggressive. When they meet me, they find that I’m shy and not too in control of my life. The work helps me to evolve.

(…)

(NS) Your work is critical of abuse of women, is it a call for action, getting out on the streets?

(SW) It’s different than wanting to do real things. They’re my babies, those paintings, so they’re not strictly teaching tools. They’re things that I create, and I like to. Somebody had told me that women thought my show was negative, which I had never heard before, since most people only want to say nice things to your face. And I thought, negative? I had always thought it was kind of happy.

(…)

(NS) Canadian law has taken over Catherine McKinnon’s definition of pornography as, “Material that subordinates or degrades women.”

We cannot ignore the threat to equality, resulting in exposure to all audiences of certain types of violent and degrading material. Material portraying women as a class, as objects for sexual exploitation and abuse, and the negative impact on the individual’s sense of self-worth and acceptance. (from The Nation)

When you depict a baseball bat shoved up a woman’s butt, that could be vicious porn. Let’s say you are showing in a Toronto gallery—Canada is the first place in the world that says what is legally obscene and what harms women. How do they know that your piece harms women?

(SW) They lay out little doilies. (laughter)

(NS) There’s a slogan: “Pornography is violence against women.” It doesn’t say that it causes violence. If it depicts it, is that in itself, violence against women?

(SW) You can say that men cause violence to women, so they should be banned, not just the photos. The photos aren’t the violence.

(…)

(NS) In the early ‘70s that was true too, but it was more conceptual. And now, the body in art has returned. During the ‘80s, I was attacked for using images of women. This has to do with one feminist theory that women artists should avoid creating a woman’s image for men.

(SW) Right, that’s the party line.

(NS) I could not abide more limits and regulations — you and other women like Kiki Smith, Lorna Simpson, Clarisa Sligh are all involved in the images of the female body in very different ways. Shifting times and interests.

(SW) I never thought of that, not being able to use the body, but your work is conceptual. You take from what’s already out there, don’t really alter it a lot—you’re not messing with it. The work becomes a whole new language; it’s not male art.

(NS) It’s a tool to investigate, to attack, to celebrate. In The Second Sex, Simone de Beauvoir discusses women and their smiles, smiles to please, to accommodate. A woman has to be ready with a smile to ward off potential aggressors, not to give signals of fear.

(…)

(NS) I’m married to Leon Golub, and we have three grown sons. I would imagine that some women who don’t know me but have seen my art work wonder how I have been associated with a male artist all these years. Or male artists, or men in general wonder how he could be associated with me. It may seem illogical to them, but that’s not the point. We respect the straight forwardness of each other.

We were discussing how, in the ‘80s, a few feminists condemned the visual depiction of the female body because the woman’s image had been so subsumed under the “mastery” of the male artists’ gaze. An interesting point, but not necessarily to turn it on ourselves, once more limiting emotionally what “good girl” artists are supposed to represent. But I wanted to investigate women’s conditions from the extreme repression and torture of political prisoners to that of women as protagonist, activators freed of male control. I am trying to set things in motion, to re-inscribe women in history. We’ve always been there but we’ve been written out.

(…)

(NS) … Do you think that your work would be less appreciated by some women of color? Would there be a resentment towards your experience as a white woman? You might even still, in this terrible situation, be more privileged.

(SW) Yeah, I probably am more privileged in some ways, but then again, the system is the system. A busload of predominantly black women from Atlanta who had been abused came in to the show and wrote some comments. That’s quite a compliment for them to come and see my work, for them to see what an artist is saying about them. That made me feel really proud. At the same time, I saw Lorna Simpson’s show. It was really heavy work and it made me mad because it was true, and I don’t want to feel privileged. Maybe they had resentments because the lady was white.

(NS) Allegiances are mixed, many black women feel white women have not treated them equitably. All these differences of class, race, ethnicity, age, culture.

(SW) Males see my show and they don’t like it, they almost don’t believe it. I had the same reaction when I saw Lorna’s (Simpson) show. She was saying things as a black woman that I don’t know about. Each little thing was representative of her culture.

(…) I wanted to ask you, do you feel like you have a voice and you can speak?

(NS) It took decades but now I get my message out. I’d been working as an artist for 30 years without much response. Then around ‘83 the situation changed, or partially changed. The work reverberated, the same stuff hidden all those years. I infiltrate and subvert and celebrate, as I wish. Earlier in my career, I was excluded, ignored. I was angry and frustrated in my attempts to get some sort of dialogue going. I used fragmented writings of Antonin Artaud collaged with painted images as a means to express my rage at being silenced as an artist [1969-72, the Artaud Paintings and Codex Artaud]. Artaud’s tirades and screams of rage and anguish, his extreme introspection of physical and mental states resonated for me. If his hysterical and insane ravings would have been written by a woman, they would not have survived nor gained this recognition. Women artists are in the world too and will not be silenced.

(SW) I had no world. I could not function in the world I was in.

(NS) It’s tough entering the art world, becoming a participant. It’s a small elitist enclave—a special world, but then one may find a place.

(SW) It’s such a relief. I almost feel like a human being. I still have a prejudice against women. I mean why would I want to look at the past of women; it’s boring. They are not the ones who really did anything.

(NS) It’s a matter of learning the histories of other women—how women have been written out of history. How the struggle for equality has to be fought and won, over and over. It’s as if we always have to start from zero.

(SW) That’s what happened to all our energy. It’s gone somewhere else, not into the world.


“As far as I knew white women were never lonely, except in books. White men adored them, Black men desired them, and Black women worked for them” - Maya Angelou


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Friday, 23 March 2012

Reality Bites!...





"E aqui abro um parentesis para notar uma 'observacao empirica' que se vem solidificando com as minhas experiencias a este respeito: o facto de o comportamento obcessivamente persecutorio desse individuo em relacao a mim se ter demonstrado muito similar ao de um outro sujeito na mesma organizacao, um sul-africano tambem casado com uma branca (a qual, por sinal, volta e meia aparecia pelo gabinete do genero da organizacao com um dos bracos em gesso, a queixar-se dos "afectos" que o marido lhe dava em casa...), e de o comportamento de ambos, por sua vez, se assemelhar bastante ao de certos PhDs e Kabungados Novo-Jornaleiros habitues deste blog - aos quais devo acrescentar o de um dos "epigonos ex-brigadistas especialista em poemarios" a quem aqui me refiro e, ja' agora e en passant, certos homo democraticus 'activistas do social' aqui mencionados... - , vem confirmando a minha percepcao de que os negros "mais assanhados" em ataques canalhas, baixos e soezes contra certo tipo de mulheres negras (como as que aqui sao retratadas) sao, geralmente, casados (ou com relacionamentos proximos/intimos) com brancas ou mesticas, ou que a isso sempre aspiraram - como que, com tal comportamento, exteriorizando algo (nomeadamente o seu misto de recalcamentos, insegurancas e complexos de superioridade/inferioridade...) que sempre tentaram dissimular atraves de tais casamentos ou relacionamentos e as frustracoes neles acumuladas, ou apenas buscando uma justificacao para as suas "escolhas mais profundas"... ou, simplesmente, apenas reflectindo o 'racismo aprendido por osmose' com as suas parceiras/amigas ... ou, mais simplesmente ainda, apenas tentando provar beyond any reasonable doubt o seu "inquestionavel amor por elas"... ou, sem mais ques nem porques, apenas porque, para todos os efeitos reais e praticos, com todo o seu racismo invertido, sao "brancos por dentro e negros por fora"... (veja-se, a titulo de exemplo, este caso...) - claro que me refiro aqui apenas aos que ostentam esse tipo de comportamento, porque tambem os ha' casados e/ou envolvidos saudavelmente com mulheres nao negras e que nao demonstram qualquer necessidade de o fazer! E o facto de eu propria ter tido envolvimentos formais com nao negros sem que por isso alguma vez me tenha sentido compelida a hostilizar qualquer negro, apenas me torna mais perceptiva em relacao a esses bizarros e psicopaticos comportamentos... E, ja' agora, um pouco mais de "psicanalise": nao soubesse eu que pelo menos o sul-africano nao leu este meu artigo, diria que os outros estariam (estarao) a reagir a esta afirmacao de Rousseau que nele citei: "(...) E sobretudo, pertence-vos corrigir os defeitos que os nossos jovens vao buscar a outros paises, donde, em vez de tantas coisas uteis de que poderiam aproveitar, com ares ridiculos aprendidos no meio de mulheres estrangeiras, nao trazem senao admiracao de nao sei que pretensas grandezas, frivolas compensacoes da escravidao, que nunca terao o valor da excelsa liberdade." - E la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu!"... Estou certa, ou estou errada?!"

[Aqui]

...OR JUST...



Easy...



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"E aqui abro um parentesis para notar uma 'observacao empirica' que se vem solidificando com as minhas experiencias a este respeito: o facto de o comportamento obcessivamente persecutorio desse individuo em relacao a mim se ter demonstrado muito similar ao de um outro sujeito na mesma organizacao, um sul-africano tambem casado com uma branca (a qual, por sinal, volta e meia aparecia pelo gabinete do genero da organizacao com um dos bracos em gesso, a queixar-se dos "afectos" que o marido lhe dava em casa...), e de o comportamento de ambos, por sua vez, se assemelhar bastante ao de certos PhDs e Kabungados Novo-Jornaleiros habitues deste blog - aos quais devo acrescentar o de um dos "epigonos ex-brigadistas especialista em poemarios" a quem aqui me refiro e, ja' agora e en passant, certos homo democraticus 'activistas do social' aqui mencionados... - , vem confirmando a minha percepcao de que os negros "mais assanhados" em ataques canalhas, baixos e soezes contra certo tipo de mulheres negras (como as que aqui sao retratadas) sao, geralmente, casados (ou com relacionamentos proximos/intimos) com brancas ou mesticas, ou que a isso sempre aspiraram - como que, com tal comportamento, exteriorizando algo (nomeadamente o seu misto de recalcamentos, insegurancas e complexos de superioridade/inferioridade...) que sempre tentaram dissimular atraves de tais casamentos ou relacionamentos e as frustracoes neles acumuladas, ou apenas buscando uma justificacao para as suas "escolhas mais profundas"... ou, simplesmente, apenas reflectindo o 'racismo aprendido por osmose' com as suas parceiras/amigas ... ou, mais simplesmente ainda, apenas tentando provar beyond any reasonable doubt o seu "inquestionavel amor por elas"... ou, sem mais ques nem porques, apenas porque, para todos os efeitos reais e praticos, com todo o seu racismo invertido, sao "brancos por dentro e negros por fora"... (veja-se, a titulo de exemplo, este caso...) - claro que me refiro aqui apenas aos que ostentam esse tipo de comportamento, porque tambem os ha' casados e/ou envolvidos saudavelmente com mulheres nao negras e que nao demonstram qualquer necessidade de o fazer! E o facto de eu propria ter tido envolvimentos formais com nao negros sem que por isso alguma vez me tenha sentido compelida a hostilizar qualquer negro, apenas me torna mais perceptiva em relacao a esses bizarros e psicopaticos comportamentos... E, ja' agora, um pouco mais de "psicanalise": nao soubesse eu que pelo menos o sul-africano nao leu este meu artigo, diria que os outros estariam (estarao) a reagir a esta afirmacao de Rousseau que nele citei: "(...) E sobretudo, pertence-vos corrigir os defeitos que os nossos jovens vao buscar a outros paises, donde, em vez de tantas coisas uteis de que poderiam aproveitar, com ares ridiculos aprendidos no meio de mulheres estrangeiras, nao trazem senao admiracao de nao sei que pretensas grandezas, frivolas compensacoes da escravidao, que nunca terao o valor da excelsa liberdade." - E la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu!"... Estou certa, ou estou errada?!"

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Saturday, 10 March 2012

Ecos de uma Guerra que (ainda?!) nao acabou... (Actualizado)




... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" (... de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao,  nem manifestacoes e greves de fome de estudantes em frente 'as "nossas embaixadas", nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes...) para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia" por terem tido o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam"!...



... Ou ainda, de algumas "medidas de caracter profilatico" para a geracao Rejeitada, Perdida e Mordida pela "raiva mal contida" de todos os Mad Dogs of War: dos "Nos os que lutamos!" (mesmo que nao tenham lutado!), aos "Nos os que ficamos!" (mesmo que nao tenham ficado!), passando pelos "Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que nunca o tenham sido!) ...


(…)

Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.

Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.

Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.

Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.

Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."

JES
[aqui]


COMENTARIO:

Isto lembra-me do recentemente aqui abordado "que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" da autoria de alguem com o "poder real" que a posicao de membro do 'circulo restrito' dos conselheiros de JES lhe confere... e de "umazinha" estoria que ouvi na mansao de cinco empregados e outros tantos carros da "minha amiga" na ultima vez que la' estive, sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...

... O que, penosamente, me invocou a memoria daquele periodo duro em Luanda em que, durante cerca de 3 anos, eu e o meu filho, excepto quando podiamos recorrer a mesa ou a arca frigorifica do Tio Pepe ou do nosso amigo Victor Alexandre, raramente tinhamos outras “iguarias” para comer excepto cabecas de carapau!...

E isso num periodo em que os filhinhos de papai e de mamae, e os eternos betinhos da Vila Alice, que hoje se arrogam a suprema falta de pudor e de caracter de virem a praca publica acusar-me das coisas mais disparatadamente abominaveis e proclamar que "lhes devo tudo o que sou na vida", ou que "me conhecem e 'a minha vida privada melhor do que eu propria(!)", nem sequer se dignavam dirigir-me palavra!... Tendo continuado ao longo dos anos a manter para comigo os comportamentos que descrevo no comentario a este post e agora prosseguem fazendo muita questao de "fingir" que nao leem este blog!...

Mas, naquele periodo, aconteceu uma vez um pequeno “milagre”: um dia pedi boleia com o meu filho a um militar (por sinal mestico) do Kinaxixi para a Xicala. Ele levou-nos e, postos la’, ofereceu-se para nos ir buscar mais tarde e dar-nos de novo boleia para casa, o que aceitei. E assim foi: levou-nos para casa e ficou a saber onde moravamos, embora eu nao o tivesse convidado a entrar. No dia seguinte apareceu-me a porta, fardado como no dia anterior, com uma caixa de mantimentos: arroz, leite, oleo, sabao, etc... Fiquei sem palavras! Ele disse-me que “nao tinha nada que agradecer” e foi-se embora...
Nunca mais o vi, nao me lembro do nome dele e espero apenas que, caso nao tenha morrido ou enlouquecido numa qualquer frente de combate e caso venha a ler isto, saiba que eu nunca me esqueci!...
E como poderia?! Aqueles eram dias em que o guarda do talho do Kinaxixi onde de vez enquando ‘saia’ frangos e ovos, um dia, depois de eu ter aguentado a bicha e os empurroes durante horas, disse-me que “nao me deixava entrar se eu nao fosse para a cama com ele”!!! O mesmo tendo acontecido com o da loja da carne (nem sequer era talho...), onde uma vez por semana ia de madrugada por a minha pedra na bicha, muitas vezes para que outras pessoas passassem a minha frente e no fim acabar por voltar para casa de maos a abanar!...

Claro que nunca fui para a cama com nenhum deles (... a verdade e’ que nunca fui para a cama com homem nenhum em troca do que quer que seja e o facto e’ que nenhum homem, morto ou vivo, ate’ hoje pode dizer que me deu o que quer que seja – e muito menos dinheiro ou qualquer bem material – em troca do que quer que seja!...) e, em ambos os casos, voltei para casa com nada mais do que um misto de incontidas lagrimas de humilhacao mais "revolta e uma vontade grande ter ter respostas"!...

E, ja’ agora, porque umas memorias levam a outras, deixo aqui o registo daquele amigo que tambem nos deu algumas vezes boleia para a praia e que, no Natal de 83/84 nos convidou, a mim e ao meu filho, a passarmos a consoada em sua casa, num dos predios no cimo da Cabral Moncada, com a mulher e os filhos dele – desculpem ter-me esquecido do vosso nome, mas ao casal (por sinal mestico/branca): mais uma vez muito obrigada!

E porque se fala tanto nos "que foram para fora estudar", deixo aqui este registo sobre a minha ida para Portugal como 'pobre e insignificante' estudante bolseira do INABE, sendo que o 'criatura rejeitada' ate' vem bem a proposito, porque a verdade dos factos e' que:

A minha primeira candidatura a bolsa no ano lectivo 1983/84 foi rejeitada, tendo-me sido dito que "nao tinha sido aprovada pelo Departamento de Quadros do Partido". Encontrava-se entao a frente do INABE Francisca do Espirito Santo (FES).

Perante aquela recusa, no ano lectivo seguinte (1984/85) a minha tia pediu especialmente a Manuel Quarta Punza - que conhecia bem a minha familia e a mim em particular de quando ele tinha sido Comissario Provincial do Uige e eu tinha ficado hospedada em sua casa numa minha ida aquela provincia em missao de servico da JMPLA - ajuda para desbloquear a situacao. Este intercedeu junto de um outro responsavel do INABE (por sinal de origem Bakongo) e so' entao a minha candidatura foi aprovada.

Fui entao a Portugal em meados de 1985 na expectativa de comecar o curso naquele ano, mas posta la' confrontei-me com o facto de que, ao contrario de todos os outros bolseiros para aquele ano, nao havia qualquer 'record' da aprovacao da minha bolsa, nem na Embaixada de Angola, nem na Secretaria de Estado da Cooperacao Portuguesa... Tive entao que regressar novamente a Angola para, junto do INABE, resolver a questao e so' assim, no final daquele ano, pude comecar os meus estudos em Portugal com a tal bolsa de #50 angolares e porrada se refilares# literalmente arrancada a ferros!...

E... depois disso ainda tive que enfrentar isto!... E... agora mais isto:

(...) [*] Essa logica torna-se mais complexa ainda quando o poder politico (que aqui se confunde com o estado, ou nao estivessemos em presenca de um "partido-estado" no poder...) se julga e se comporta como "proprietario", nao so' do pais e de todos os seus recursos e riquezas, como tambem de "todo o mundo" que nasceu, cresceu ou viveu sob 'a sua bandeira' (embora se permita votar ao abandono absoluto o 'pioneiro' que pela primeira vez icou tal bandeira!...) , e muito particularmente dos "estudantes bolseiros" que, implicita e explicitamente, assume que "jamais teriam uma formacao media ou superior" nao fossem as suas (famigeradas porque discricionarias, discriminatorias, mal geridas, desencaminhadas, desviadas e, por entre doses de manipulacao, humilhacao e chantagem politica e emocional q.b., em muitos casos, pouco mais do que, a varios titulos, destrutivas!) "bolsas de estudo"... enquanto "os que ficaram" tudo fazem para os estigmatizar e discriminar relativamente a auto-proclamada e novo-enriquecida "prata da casa"!...

Uma logica que, claramente, nao ve o estado (e o partido politico que o detem/sustenta) como "pessoa de bem" para todos e nao apenas para alguns - os "da sua familia, compadrio, confianca, amizade, militancia e/ou conveniencia" - certamente nao para aquela/es que tiveram a veleidade e o "atrevimento politico" de se expressarem e manifestarem a favor da paz "quando nao deviam"!

Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"! Era desse processo que falava, ha' uns tempos, aqui...

Uma realidade, alias, que, curiosamente, foi tambem assinalada nesse tipo de processos de "construcao social" em Cuba, como aqui se pode constatar: "(...) Ferrer points out that this system was also designed to encourage the subservience, indebtedness and gratitude of former slaves to the rebel leaders. While it certainly had this effect, libertos also seized the revolutionary language of freedom, liberty, and justice to demand a more inclusive role in the anti-colonial struggle."

[Aqui]

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para ESTA outra historia - umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes dos disparos das armas que FAPLA e FA(P)LA "justa e honestamente" comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas aqui e aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi... et pourtant!... Ou ainda, de como, no imediato pos-guerra (... ou mesmo ainda antes disso?...) se estabeleceram estreitas relacoes de cooperacao entre os exercitos Angolano e Sul-Africano, enquanto "pobres e insignificantes criaturas rejeitadas" como eu continuam a ser acusadas de "crimes de lesa-patria" e a ser linchadas em praca publica por terem tido o "atrevimento politico" de ir, contratados e pagos pela UE, trabalhar para a SADC com representantes de "paises inimigos" como as Mauricias e a Africa do Sul "sem autorizacao do governo de Angola"!...

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"!...

Nao chegou a apropriacao dos espolhos da guerra e dos dividendos da paz: a partilha das minas de diamantes e pocos de petroleo, das terras e empresas, dos bancos e comissoes, das quintas e fazendas, das embaixadas e representacoes, dos premios e galardoes, dos conselhos de administracao e ministerios, das contas, accoes e propriedades offshore, dos yates e avioes, dos porches e lamborghinis, das praias e das clinicas, que "justa e honestamente" fizeram e continuam a fazer entre si e dos quais fazem questao de afastar "todo o mundo" que nao pertenca aos "circulos restritos" das suas familias, clas e feudos, para sarar tais "feridas"?!



"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"

(Victor Silva - Editorial do Novo Jornal # 214 - 24/02/12)

COMENTARIO: Embora 'aparentemente' esta carga de artilharia, disparada pelo director de um "projecto editorial demasiado independente", seja dirigida 'exclusivamente' a alguns portugueses em Portugal, entre os quais umas certas 'Anas' sem apelido (... onde e' que eu ja' li algo 'vagamente' parecido com isto?...), por 'qualquer razao obscura' ela reverte-me, qual "obus no meu quintal", a este "statelessness state of mind"...


"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."

(Gustavo Costa, in Novo Jornal # 207 - 06/01/12)

COMENTARIO: Embora eu nao tenha, nem nunca tenha pretendido ter, qualquer "carreira politica", nao deixei por isso de ser "linchada"!...


(...)

Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:

1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:

(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra

(…)


2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:

(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha

(…)

- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou, a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...

Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...


Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:

- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de “criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e desenvolvidos ao longo das decadas?

Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.


Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:

- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquela tragedia: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota (... ou seria da "Mocidade Portuguesa"?...), que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...


- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga, aqui relatado!... Enquanto outros, como este, viriam a ser vitimados por certas "medidas artisticas de caracter profilatico (ou "pornografico"?)"!...

Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?) kruxifikadas pela "violencia revolucionaria" de uma certa "etica ideologica"...


E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da ideologia Nazi, ou da Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...


K.
[aqui]



VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA



I.

Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte



assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.



II.

Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,



não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.



III.

Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste



pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje



e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.


[A.S. in S.O.S.]




[All images by Nancy Spero]


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MANIFESTO PELO DIREITO A VIDA


"Contemplar um crime em silêncio é cometê-lo"
José Martí





... Ou dos "filhos tresmalhados da patria" (... de uma "terra queimada", de uma sociedade doente, onde nunca houve segregacionismo, nem racismo, nem discriminacao social, nem intolerancia etnica e/ou tribal, nem "rixas de bar de beco" ao longo de alinhamentos racicos, nem corrupcao,  nem manifestacoes e greves de fome de estudantes em frente 'as "nossas embaixadas", nem nunca se cometeram abusos da liberdade de imprensa, nem violacoes da etica jornalistica ou dos direitos humanos, nem qualquer outro tipo de crimes...) para os quais "nao havera' perdao", nem compreensao ou consideracao, tao pouco "amnistia" por terem tido o "atrevimento" de se manifestar pela PAZ quando "nao deviam"!...



... Ou ainda, de algumas "medidas de caracter profilatico" para a geracao Rejeitada, Perdida e Mordida pela "raiva mal contida" de todos os Mad Dogs of War: dos "Nos os que lutamos!" (mesmo que nao tenham lutado!), aos "Nos os que ficamos!" (mesmo que nao tenham ficado!), passando pelos "Nos os unicos e verdadeiros intelectuais!" (mesmo que nunca o tenham sido!) ...


(…)

Muitos que são nossos compatriotas, estiveram connosco nalguns momentos ou foram depois para fora estudar ou se instalaram-se lá, hoje vêm com ideias diferentes das nossas, desajustadas do momento que nós estamos a viver.

Os angolanos, nestas tarefas de reconstrução e Desenvolvimento, estão juntos e devem continuar a cimentar a unidade nacional e a compreensão, não se deixando levar por ideias de indivíduos que não conhecem a nossa história, não sabem por onde nós passamos.

Os angolanos passaram por grandes dificuldades, foram agredidos várias vezes por potências ocidentais e pequenas potênciais africanas, que puseram o país de rastos, financiaram agentes subversivos, destruíram, mataram, provocaram atrocidades em várias partes do território nacional.

Diria que o país estava quase a chegar ao fundo do poço. Estamos a reerguermo-nos pelo facto de, por causa da guerra, termos ficado mais pobres e as famílias ficaram desestruturadas.

Não é justo e honesto que algum angolano que se diga digno deste nome venha pensar em nova desestabilização, em novas perturbações para nos travar nesta senda da reconstrução e desenvolvimento."

JES
[aqui]


COMENTARIO:

Isto lembra-me do recentemente aqui abordado "que alguem lhes conte uma historia, umazinha so'" da autoria de alguem com o "poder real" que a posicao de membro do 'circulo restrito' dos conselheiros de JES lhe confere... e de "umazinha" estoria que ouvi na mansao de cinco empregados e outros tantos carros da "minha amiga" na ultima vez que la' estive, sobre uns "tristemente celebres" 3 dias em que Luanda esteve a "ferro e fogo" no re-eclodir do conflito que se seguiu as eleicoes de 1992: segundo a tal estoria, ficaram todos 'embarrados' em suas casas sem poderem sair a rua e o "grande trauma" que aqueles 3 dias de "guerra em Luanda" lhes causou foi terem ficado "sem nada para comer excepto umas cabecas de lagosta que tinham sobrado do ultimo jantar que tinham tido antes daqueles dias"!...

... O que, penosamente, me invocou a memoria daquele periodo duro em Luanda em que, durante cerca de 3 anos, eu e o meu filho, excepto quando podiamos recorrer a mesa ou a arca frigorifica do Tio Pepe ou do nosso amigo Victor Alexandre, raramente tinhamos outras “iguarias” para comer excepto cabecas de carapau!...

E isso num periodo em que os filhinhos de papai e de mamae, e os eternos betinhos da Vila Alice, que hoje se arrogam a suprema falta de pudor e de caracter de virem a praca publica acusar-me das coisas mais disparatadamente abominaveis e proclamar que "lhes devo tudo o que sou na vida", ou que "me conhecem e 'a minha vida privada melhor do que eu propria(!)", nem sequer se dignavam dirigir-me palavra!... Tendo continuado ao longo dos anos a manter para comigo os comportamentos que descrevo no comentario a este post e agora prosseguem fazendo muita questao de "fingir" que nao leem este blog!...

Mas, naquele periodo, aconteceu uma vez um pequeno “milagre”: um dia pedi boleia com o meu filho a um militar (por sinal mestico) do Kinaxixi para a Xicala. Ele levou-nos e, postos la’, ofereceu-se para nos ir buscar mais tarde e dar-nos de novo boleia para casa, o que aceitei. E assim foi: levou-nos para casa e ficou a saber onde moravamos, embora eu nao o tivesse convidado a entrar. No dia seguinte apareceu-me a porta, fardado como no dia anterior, com uma caixa de mantimentos: arroz, leite, oleo, sabao, etc... Fiquei sem palavras! Ele disse-me que “nao tinha nada que agradecer” e foi-se embora...
Nunca mais o vi, nao me lembro do nome dele e espero apenas que, caso nao tenha morrido ou enlouquecido numa qualquer frente de combate e caso venha a ler isto, saiba que eu nunca me esqueci!...
E como poderia?! Aqueles eram dias em que o guarda do talho do Kinaxixi onde de vez enquando ‘saia’ frangos e ovos, um dia, depois de eu ter aguentado a bicha e os empurroes durante horas, disse-me que “nao me deixava entrar se eu nao fosse para a cama com ele”!!! O mesmo tendo acontecido com o da loja da carne (nem sequer era talho...), onde uma vez por semana ia de madrugada por a minha pedra na bicha, muitas vezes para que outras pessoas passassem a minha frente e no fim acabar por voltar para casa de maos a abanar!...

Claro que nunca fui para a cama com nenhum deles (... a verdade e’ que nunca fui para a cama com homem nenhum em troca do que quer que seja e o facto e’ que nenhum homem, morto ou vivo, ate’ hoje pode dizer que me deu o que quer que seja – e muito menos dinheiro ou qualquer bem material – em troca do que quer que seja!...) e, em ambos os casos, voltei para casa com nada mais do que um misto de incontidas lagrimas de humilhacao mais "revolta e uma vontade grande ter ter respostas"!...

E, ja’ agora, porque umas memorias levam a outras, deixo aqui o registo daquele amigo que tambem nos deu algumas vezes boleia para a praia e que, no Natal de 83/84 nos convidou, a mim e ao meu filho, a passarmos a consoada em sua casa, num dos predios no cimo da Cabral Moncada, com a mulher e os filhos dele – desculpem ter-me esquecido do vosso nome, mas ao casal (por sinal mestico/branca): mais uma vez muito obrigada!

E porque se fala tanto nos "que foram para fora estudar", deixo aqui este registo sobre a minha ida para Portugal como 'pobre e insignificante' estudante bolseira do INABE, sendo que o 'criatura rejeitada' ate' vem bem a proposito, porque a verdade dos factos e' que:

A minha primeira candidatura a bolsa no ano lectivo 1983/84 foi rejeitada, tendo-me sido dito que "nao tinha sido aprovada pelo Departamento de Quadros do Partido". Encontrava-se entao a frente do INABE Francisca do Espirito Santo (FES).

Perante aquela recusa, no ano lectivo seguinte (1984/85) a minha tia pediu especialmente a Manuel Quarta Punza - que conhecia bem a minha familia e a mim em particular de quando ele tinha sido Comissario Provincial do Uige e eu tinha ficado hospedada em sua casa numa minha ida aquela provincia em missao de servico da JMPLA - ajuda para desbloquear a situacao. Este intercedeu junto de um outro responsavel do INABE (por sinal de origem Bakongo) e so' entao a minha candidatura foi aprovada.

Fui entao a Portugal em meados de 1985 na expectativa de comecar o curso naquele ano, mas posta la' confrontei-me com o facto de que, ao contrario de todos os outros bolseiros para aquele ano, nao havia qualquer 'record' da aprovacao da minha bolsa, nem na Embaixada de Angola, nem na Secretaria de Estado da Cooperacao Portuguesa... Tive entao que regressar novamente a Angola para, junto do INABE, resolver a questao e so' assim, no final daquele ano, pude comecar os meus estudos em Portugal com a tal bolsa de #50 angolares e porrada se refilares# literalmente arrancada a ferros!...

E... depois disso ainda tive que enfrentar isto!... E... agora mais isto:

(...) [*] Essa logica torna-se mais complexa ainda quando o poder politico (que aqui se confunde com o estado, ou nao estivessemos em presenca de um "partido-estado" no poder...) se julga e se comporta como "proprietario", nao so' do pais e de todos os seus recursos e riquezas, como tambem de "todo o mundo" que nasceu, cresceu ou viveu sob 'a sua bandeira' (embora se permita votar ao abandono absoluto o 'pioneiro' que pela primeira vez icou tal bandeira!...) , e muito particularmente dos "estudantes bolseiros" que, implicita e explicitamente, assume que "jamais teriam uma formacao media ou superior" nao fossem as suas (famigeradas porque discricionarias, discriminatorias, mal geridas, desencaminhadas, desviadas e, por entre doses de manipulacao, humilhacao e chantagem politica e emocional q.b., em muitos casos, pouco mais do que, a varios titulos, destrutivas!) "bolsas de estudo"... enquanto "os que ficaram" tudo fazem para os estigmatizar e discriminar relativamente a auto-proclamada e novo-enriquecida "prata da casa"!...

Uma logica que, claramente, nao ve o estado (e o partido politico que o detem/sustenta) como "pessoa de bem" para todos e nao apenas para alguns - os "da sua familia, compadrio, confianca, amizade, militancia e/ou conveniencia" - certamente nao para aquela/es que tiveram a veleidade e o "atrevimento politico" de se expressarem e manifestarem a favor da paz "quando nao deviam"!

Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"! Era desse processo que falava, ha' uns tempos, aqui...

Uma realidade, alias, que, curiosamente, foi tambem assinalada nesse tipo de processos de "construcao social" em Cuba, como aqui se pode constatar: "(...) Ferrer points out that this system was also designed to encourage the subservience, indebtedness and gratitude of former slaves to the rebel leaders. While it certainly had this effect, libertos also seized the revolutionary language of freedom, liberty, and justice to demand a more inclusive role in the anti-colonial struggle."

[Aqui]

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"... (o que me remete para ESTA outra historia - umazinha, umazinha so'), como por exemplo as "feridas" resultantes dos disparos das armas que FAPLA e FA(P)LA "justa e honestamente" comerciavam entre si para alimentarem a guerra, segundo "inconfidencias" vindas recentemente a publico, ou o uso de "mercenarios" de paises ocidentais e sul-africanos do "nosso lado" da guerra, por entre este tipo de denuncias por Cubanos como Carlos Moore, outras versoes da "historia" como as apresentadas aqui e aqui e o papel que nela tiveram 'firmas' como a Executive Outcomes e outros "internacionalistas" que finalmente conseguiram levar ao 'golpe de misericordia' a Jonas Savimbi... et pourtant!... Ou ainda, de como, no imediato pos-guerra (... ou mesmo ainda antes disso?...) se estabeleceram estreitas relacoes de cooperacao entre os exercitos Angolano e Sul-Africano, enquanto "pobres e insignificantes criaturas rejeitadas" como eu continuam a ser acusadas de "crimes de lesa-patria" e a ser linchadas em praca publica por terem tido o "atrevimento politico" de ir, contratados e pagos pela UE, trabalhar para a SADC com representantes de "paises inimigos" como as Mauricias e a Africa do Sul "sem autorizacao do governo de Angola"!...

Et pourtant... "ainda ha' muitas feridas por sarar"!...

Nao chegou a apropriacao dos espolhos da guerra e dos dividendos da paz: a partilha das minas de diamantes e pocos de petroleo, das terras e empresas, dos bancos e comissoes, das quintas e fazendas, das embaixadas e representacoes, dos premios e galardoes, dos conselhos de administracao e ministerios, das contas, accoes e propriedades offshore, dos yates e avioes, dos porches e lamborghinis, das praias e das clinicas, que "justa e honestamente" fizeram e continuam a fazer entre si e dos quais fazem questao de afastar "todo o mundo" que nao pertenca aos "circulos restritos" das suas familias, clas e feudos, para sarar tais "feridas"?!



"(...) Guerra que terminou há precisamente dez anos, com a morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, cujo papel na história continua a ser motivo de discórdia entre os angolanos, embora haja uns quantos “amigos da onça” que, uma década depois, ainda venham com sentimentos paternalistas de virtualidades que só eles conseguem ver, talvez à custa da penosa situação por que passam os sistemas de segurança social dos seus países e que afectam as pensões de reforma que lhes são atribuídas, embora pouco ou nada tenham trabalhado para as justificar.
E das pedras ressurgem, quais fénix, as Marias, Joãos, Anas, Ruis e tantos outros, que apesar de escondidos pelo comprometimento na desgraça nacional, vão, sempre que podem, procurando reenquadrar a sua veia paternalista e sobranceria, como aconteceu esta semana quando tentaram , nova e ridiculamente, reduzir o conflito em Angola a uma questão étnica, pondo em cheque a paz conquistada pelos angolanos e que se tem revelado o bem mais precioso de um país que andou errante durante décadas.
(…)
Mesmo na diversidade de opiniões e na debate democrático gente dessa estirpe não é bem vinda porque só traz ao de cimo recordações que, decididamente, queremos enterrar para construirmos o país com que sonharam os nossos ancestrais, verdadeiramente livre, independente e soberano!"

(Victor Silva - Editorial do Novo Jornal # 214 - 24/02/12)

COMENTARIO: Embora 'aparentemente' esta carga de artilharia, disparada pelo director de um "projecto editorial demasiado independente", seja dirigida 'exclusivamente' a alguns portugueses em Portugal, entre os quais umas certas 'Anas' sem apelido (... onde e' que eu ja' li algo 'vagamente' parecido com isto?...), por 'qualquer razao obscura' ela reverte-me, qual "obus no meu quintal", a este "statelessness state of mind"...


"(…) Com essa expectativa a acentuar-se cada vez mais, à medida que nos formos aproximando da data das eleições, os partidos políticos arremessarão todas as armas ao seu alcance para desferir “golpes mortais” aos seus adversários. Assistiremos, desta forma, a um aumento desbragado do tom da propaganda venenosa de uns contra outros.
A campanha eleitoral será palco de críticas arrasadoras, acusações e contra-acusações. A contra informação terá aqui campo aberto para o “linchamento” de políticos que, perante uma opinião pública desprevenida, poderão ver sentenciado o fim da sua carreira. Viveremos momentos de grande ebulição política, própria das lutas partidárias em tempo de eleições.
Depois de termos participado em duas campanhas eleitorais, nada, desse ponto de vista, nos deve, no entanto, surpreender. Vergamo-nos, há vinte anos, a uma primeira campanha verdadeiramente explosiva, que acabou por descambar num “incêndio político” de proporções catastróficas."

(Gustavo Costa, in Novo Jornal # 207 - 06/01/12)

COMENTARIO: Embora eu nao tenha, nem nunca tenha pretendido ter, qualquer "carreira politica", nao deixei por isso de ser "linchada"!...


(...)

Apenas dois exemplos de “etica ideologica” em accao:

1. Jose’ Agostinho, dirigente da JMPLA e musico dos primordios da Dipanda, cantou uma cancao com esta letra:

(…)
E’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra
E’ bom ver disparar
E disparar tambem
E’ bom ver morrer
E’ bom quase morrer
Para melhor compreender
E perceber
Que e’ preciso fazer a guerra
Para acabar com a guerra

(…)


2. As criancas da OPA (Organizacao dos Pioneiros Angolanos - do MPLA), com idades compreendidas entre os 5/6 e 12/13 anos, no mesmo periodo cantavam um hino que rezava assim:

(…)
Eu vou morrer em Angola
Com armas de guerra na mao
Granada sera’ meu caixao
Enterro sera’ na patrulha

(…)

- Ora, dir-se-ha’ que, em ambos os casos, se tratavam de “normais” cancoes de guerra – nada inedito, extraordinario, nem “eticamente reprovavel”: afinal, todas as guerras acabam por criar os seus proprios “cancioneiros” auto-justificativos. E, dependendo de quem justifica a guerra pos-independencia e com que pressupostos ideologicos o faz, dir-se-ha’ ate’ que a cancao de Jose’ Agostinho acabou, a posteriori, por ser “vindicada” pelo desfecho que aquela guerra teve faz agora 10 anos!...

Portanto, ate’ ai, podera’ dizer-se que, do ponto de vista ideologico, “ta’ tudo bem”!...


Mas, e’ do ponto de vista humanistico que comecam os problemas:

- Sera’, antes de mais, a guerra em si mesma, qualquer guerra, “eticamente justificavel” em todas as circunstancias? E, especialmente, quando entre "irmaos" num pais que se pretend(ia)e "Um So' Povo e Uma So' Nacao"?!
- Em ambos os casos, tratavam-se de cancoes destinadas a “condicionar psicologicamente” as criancas e os jovens para a aceitacao da e a participacao na guerra. E, sendo certo que longe estavam ainda os tempos das actuais campanhas internacionais contra o uso de “criancas soldado” em qualquer guerra, nao era a cancao da OPA contraria aos principios da Declaracao Universal dos Direitos da Crianca ja’ entao internacionalmente consagrados e desenvolvidos ao longo das decadas?

Essas apenas duas das questoes fundamentais que, numa primeira abordagem, apelam ao conceito de “etica humanistica” como moralmente superior ao de “etica ideologica”.


Mas, passada essa primeira abordagem, o terreno escorragadio em que se move a “etica ideologica”, veio a revelar-se ainda mais perturbador em ambos os casos:

- Jose’ Agostinho acabou por ser executado pouco depois da Dipanda, na orgia de “violencia revolucionaria” que se seguiu ao 27 de Maio de 1977… e aqui nao poso deixar de me “espantar”, mais uma vez, com a minha “ingenuidade” em relacao aos acontecimentos e personagens a volta daquela tragedia: so’ muito recentemente me foi confirmado que esse foi efectivamente o seu destino, porque naqueles dias disseram-nos, a alguns de nos entao militantes da Jota (... ou seria da "Mocidade Portuguesa"?...), que ele tinha morrido de “uma indigestao ou alergia causada por uns camaroes improprios para consumo que tinha comido”… e eu sempre acreditei nisso… ate’ muito recentemente!...


- Do “destino” de muitos pioneiros da OPA, e especialmente daqueles que realmente andaram de armas na mao (verdadeiras ou de pau) e muitos dos quais foram servir de "carne para canhao" nas frentes de combate, talvez o caso mais paradigmatico seja o do “menino da bandeira”, Diniz Kanhanga, aqui relatado!... Enquanto outros, como este, viriam a ser vitimados por certas "medidas artisticas de caracter profilatico (ou "pornografico"?)"!...

Enfim, em ambos os casos estamos perante facetas da historia de duas geracoes ("de idiotas"?) kruxifikadas pela "violencia revolucionaria" de uma certa "etica ideologica"...


E isso para falar apenas de dois exemplos da “etica ideologica” aplicada ao “nosso contexto”, porque poderiamos discuti-la mais alargadamente nos contextos da ideologia Nazi, ou da Stalinista, ou ainda da que (qualquer que seja a designacao que se lhe de) subjaz as mais recentes guerras do Iraque e Afeganistao… so’ para citar esses “exemplos maiores”!...


K.
[aqui]



VISÃO SOB AS BOTAS DO MONSTRO DA FRONTEIRA



I.

Através do sorriso, o norte
moldado à sorte no recorte
do instante, à morte
vens do poente,
à merce do cenário, a corte



assim te vejo rompendo
entre nevoeiros de amanhecer
ou quando te vens
em poeiras crepusculares.



II.

Não sabes que dos teus dedos
escorre a bomba do neutrão
chupada nos beiços da multidão
entrincheirada nos currais,



não sabes que os teus olhos
já se raiaram de sangue
sob o capacete,
é que o chão abre-se
sugando o líquido das veias
sob as botas.



III.

Sobre a tua opulência cristalizada
erguem-se os meus punhos
diversos dos que viste abertos
quando aqui chegaste



pelo cimo do teu esgar bilioso
abre-se a linha dos meus lábios
em canção de hoje



e amanhã, quando partires apressado,
lembrar-te-ás das minhas ancas
festejando o amanhecer.


[A.S. in S.O.S.]




[All images by Nancy Spero]


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