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Thursday, 25 August 2011

SADC: Poverty Reduction & Shared Watercourses Management




[Postado a proposito desta materia; e tambem relacionado com esta materia publicada posteriormente]



[Postado a proposito
desta materia; e tambem relacionado com esta materia publicada posteriormente]

Friday, 19 August 2011

Revisitando a SADC (Parte II)




[Yinka Shonibare - La Meduse]


[Continuacao daqui]


Mas, porque volto entao a este tema quando ele se tem demonstrado de tao dificil abordagem?

Fundamentalmente porque, apesar de formalmente afastada profissionalmente dessa area, continuo a sentir algo como um certo “sentido de dever” de sobre ela emitir a minha opiniao sempre que tal se me afigure relevante.

Nao me proponho, no entanto, debrucar-me sobre as questoes de fundo que a problematica do engajamento de Angola no comercio intra e inter-regional suscitam – tal requereria uma abordagem eminentemente tecnica que, manifestamente, nao cabe no espirito informal deste blog (por vezes permito-me quebrar esse espirito, como aqui, ou aqui, mas apenas quando se trate de artigos ja’ escritos num contexto academico e/ou profissional). Limitar-me-ei, portanto, a alinhavar aqui algumas notas que gostaria de sugerir para a reflexao de quem, porventura, possa nelas estar interessado:

Geografia e Historia

- ‘As afirmacoes do Prof. Mourao ocorre-me apenas reafirmar algo que ja’ aqui, entre outros lugares referi: a mais antiga Uniao Aduaneira (UA) do mundo, a SACU (Southern Africa Customs Union, integrada por Botswana, Lesotho, Namibia, South Africa, e Swazilandia), foi criada na Africa Austral, em 1910 - tendo, portanto, celebrado o seu primeiro centenario no ano passado. Avaliar, criticar e ate’ mesmo condenar (!) a sua estrutura, economia politica e modus operandi desde a sua criacao ate’ aos dias de hoje e’ um exercicio a que tambem ja’ me dediquei extensivamente em outras ocasioes e que aqui me escusarei de repetir.

O que aqui importara’, sobretudo, notar e’ que nao so’ a criacao de uma UA na Africa Austral e’ possivel e tem precedentes historicos originais (dos quais a regiao pode colher importantes licoes, tanto no sentido positivo como no negativo), como tambem a criacao de uma UA mais ampla no quadro do Protocolo de Comercio da SADC esta’ definida nesse mesmo Protocolo, no Tratado da organizacao, na sua Agenda Comum e, entre outros dos seus instrumentos de politica, no seu Plano Indicativo Estrategico Regional, nao como “um objectivo imediato”, mas como uma meta a atingir-se gradualmente no quadro de uma estrategia de integracao regional com base no principio da "geometria assimetrica" (cuja aplicacao pratica no ambito das metas de convergencia macroeconomica da regiao podera' ser encontrada aqui) que contempla os diferentes estagios de desenvolvimento dos paises membros.

Apenas acrescentaria algo que nao pode deixar de ser referido neste contexto e que tambem ja’ referi noutras ocasioes: o comercio internacional de Angola (‘a parte a exportacao de petroleo e diamantes) e’ dominado por tres paises: Portugal, Brasil e China. Nao pretendendo aqui acusar o Prof. Mourao de estar a “tentar puxar a brasa para a sua sardinha (Brasil)”, pergunto-me se sera’ “politica e diplomaticamente sensivel” (ainda que, porventura, “culturalmente defensavel” - embora este argumento cada vez mais se venha desvanescendo perante a contemporanea "invasao chinesa"...) pretender-se escamotear o facto de os fluxos comerciais de Angola estarem historica e estruturalmente “voltados de frente para o Atlantico” (e, mais recentemente, para a Asia) e “de costas” para o hinterland Africano – facto que, admitidamente, estara’ na base de uma certa relutancia (generalisada?) em relacao a ideia de um maior envolvimento do pais nos esforcos de intensificacao do comercio intra-regional?

E, nao sera’ esse, tambem, um problema historico e estrutural com que virtualmente todas as economias africanas estao confrontadas, em resultado da heranca de relacoes de dependencia criadas pela colonizacao e que a OUA/UA, atraves de varias iniciativas regionais e continentais (das quais se destaca mais recentemente a NEPAD - Nova Parceria para o Desenvolvimento de Africa) ao longo das decadas desde as independencias, cujo jubileu se celebrou no ano passado, tem tentado reverter a favor do desenvolvimento endogeno, sustentado e sustentavel do continente?

Comercio e Desenvolvimento

- Uma outra nota que se me afigura premente, apesar de aparentemente obvia, e’ que se vem notando alguma dificuldade por parte dos sectores de opiniao a que me referia na primeira parte deste artigo em conciliar o(s) conceito(s) de ‘comercio’ e ‘desenvolvimento’. Foi, alias, essa dificuldade que esteve na base da controversia que se instalou entre mim e um dos membros do painel de que fiz parte neste evento...

No entanto, o facto incontornavel e’ que o comercio (internacional) nao e’ a antitese do desenvolvimento (economico). O objectivo da SADC, tal como o de organizacoes internacionais como a Conferencia das Nacoes Unidas para o Comercio e o Desenvolvimento (CNUCED/ UNCTAD), e’ precisamente colocar o comercio como alavanca ao servico do desenvolvimento economico nacional, regional e internacional - ou seja, o objectivo e' promover o comercio para o desenvolvimento.

Como atingir-se tal objectivo e’ a grande questao com que essas organizacoes, em associacao com o mundo academico e profissional especializado, se veem debatendo na teoria e na pratica, pelo menos desde as teorias das vantagens absolutas e comparativas de Smith e Ricardo, respectivamente.

[Continua]




[Yinka Shonibare - La Meduse]


[Continuacao daqui]


Mas, porque volto entao a este tema quando ele se tem demonstrado de tao dificil abordagem?

Fundamentalmente porque, apesar de formalmente afastada profissionalmente dessa area, continuo a sentir algo como um certo “sentido de dever” de sobre ela emitir a minha opiniao sempre que tal se me afigure relevante.

Nao me proponho, no entanto, debrucar-me sobre as questoes de fundo que a problematica do engajamento de Angola no comercio intra e inter-regional suscitam – tal requereria uma abordagem eminentemente tecnica que, manifestamente, nao cabe no espirito informal deste blog (por vezes permito-me quebrar esse espirito, como aqui, ou aqui, mas apenas quando se trate de artigos ja’ escritos num contexto academico e/ou profissional). Limitar-me-ei, portanto, a alinhavar aqui algumas notas que gostaria de sugerir para a reflexao de quem, porventura, possa nelas estar interessado:

Geografia e Historia

- ‘As afirmacoes do Prof. Mourao ocorre-me apenas reafirmar algo que ja’ aqui, entre outros lugares referi: a mais antiga Uniao Aduaneira (UA) do mundo, a SACU (Southern Africa Customs Union, integrada por Botswana, Lesotho, Namibia, South Africa, e Swazilandia), foi criada na Africa Austral, em 1910 - tendo, portanto, celebrado o seu primeiro centenario no ano passado. Avaliar, criticar e ate’ mesmo condenar (!) a sua estrutura, economia politica e modus operandi desde a sua criacao ate’ aos dias de hoje e’ um exercicio a que tambem ja’ me dediquei extensivamente em outras ocasioes e que aqui me escusarei de repetir.

O que aqui importara’, sobretudo, notar e’ que nao so’ a criacao de uma UA na Africa Austral e’ possivel e tem precedentes historicos originais (dos quais a regiao pode colher importantes licoes, tanto no sentido positivo como no negativo), como tambem a criacao de uma UA mais ampla no quadro do Protocolo de Comercio da SADC esta’ definida nesse mesmo Protocolo, no Tratado da organizacao, na sua Agenda Comum e, entre outros dos seus instrumentos de politica, no seu Plano Indicativo Estrategico Regional, nao como “um objectivo imediato”, mas como uma meta a atingir-se gradualmente no quadro de uma estrategia de integracao regional com base no principio da "geometria assimetrica" (cuja aplicacao pratica no ambito das metas de convergencia macroeconomica da regiao podera' ser encontrada aqui) que contempla os diferentes estagios de desenvolvimento dos paises membros.

Apenas acrescentaria algo que nao pode deixar de ser referido neste contexto e que tambem ja’ referi noutras ocasioes: o comercio internacional de Angola (‘a parte a exportacao de petroleo e diamantes) e’ dominado por tres paises: Portugal, Brasil e China. Nao pretendendo aqui acusar o Prof. Mourao de estar a “tentar puxar a brasa para a sua sardinha (Brasil)”, pergunto-me se sera’ “politica e diplomaticamente sensivel” (ainda que, porventura, “culturalmente defensavel” - embora este argumento cada vez mais se venha desvanescendo perante a contemporanea "invasao chinesa"...) pretender-se escamotear o facto de os fluxos comerciais de Angola estarem historica e estruturalmente “voltados de frente para o Atlantico” (e, mais recentemente, para a Asia) e “de costas” para o hinterland Africano – facto que, admitidamente, estara’ na base de uma certa relutancia (generalisada?) em relacao a ideia de um maior envolvimento do pais nos esforcos de intensificacao do comercio intra-regional?

E, nao sera’ esse, tambem, um problema historico e estrutural com que virtualmente todas as economias africanas estao confrontadas, em resultado da heranca de relacoes de dependencia criadas pela colonizacao e que a OUA/UA, atraves de varias iniciativas regionais e continentais (das quais se destaca mais recentemente a NEPAD - Nova Parceria para o Desenvolvimento de Africa) ao longo das decadas desde as independencias, cujo jubileu se celebrou no ano passado, tem tentado reverter a favor do desenvolvimento endogeno, sustentado e sustentavel do continente?

Comercio e Desenvolvimento

- Uma outra nota que se me afigura premente, apesar de aparentemente obvia, e’ que se vem notando alguma dificuldade por parte dos sectores de opiniao a que me referia na primeira parte deste artigo em conciliar o(s) conceito(s) de ‘comercio’ e ‘desenvolvimento’. Foi, alias, essa dificuldade que esteve na base da controversia que se instalou entre mim e um dos membros do painel de que fiz parte neste evento...

No entanto, o facto incontornavel e’ que o comercio (internacional) nao e’ a antitese do desenvolvimento (economico). O objectivo da SADC, tal como o de organizacoes internacionais como a Conferencia das Nacoes Unidas para o Comercio e o Desenvolvimento (CNUCED/ UNCTAD), e’ precisamente colocar o comercio como alavanca ao servico do desenvolvimento economico nacional, regional e internacional - ou seja, o objectivo e' promover o comercio para o desenvolvimento.

Como atingir-se tal objectivo e’ a grande questao com que essas organizacoes, em associacao com o mundo academico e profissional especializado, se veem debatendo na teoria e na pratica, pelo menos desde as teorias das vantagens absolutas e comparativas de Smith e Ricardo, respectivamente.

[Continua]

Friday, 7 May 2010

Memorandum [de (des)Entendimento] … II



Ja’ ouvi de um angolano na SADC isto: “Nos colocamos-te aqui”!

Pois, para que fique bem entendido: ninguem “me colocou na SADC”; eu coloquei-me na SADC!
A SADC e’ uma organizacao inter-governamental regional com estatuto juridico internacional, da qual Angola e’ um dos paises fundadores e onde tem um consideravel peso politico-militar e estrategico, mas da qual nao e’ o unico pais membro ou contribuinte.

Como, entao, “me coloquei” na SADC?

O primeiro contrato de consultoria que tive na regiao da SADC, como Economist - Consultant on Trade Policy, foi-me oferecido por uma Consultoria Economica Internacional Americana (Chemonics International) logo a seguir ao completar do meu Mestrado em 2000. Aquela oportunidade foi-me indicada pelo meu supervisor na LSE, concorri, prestei provas e foi-me oferecido o contrato. Para tal contribuiu de forma decisiva a minha tese (que incidiu especificamente sobre os processos de integracao regional na Africa Austral numa perspectiva historico-cultural e de mudanca economica numa perspectiva politico-institucional – note-se aqui que tais processos precedem em muitas decadas a formacao da SADCC/SADC, bastando para tanto notar que a mais antiga Uniao Aduaneira do mundo, SACU, foi criada em 1910 na Africa Austral...) e a minha especializacao em Economia Internacional e Integracao Economica Regional, que ja’ vinha do meu terceiro ano do ISEG em Lisboa, datando daquela altura o inicio da minha participacao em seminarios e conferencias da especialidade e os meus primeiros trabalhos de investigacao sobre a Africa Austral/SADCC no quadro da cooperacao UEE/ACP. Portanto, assim que terminei aquele estagio da minha formacao em Londres, regressei ao meu continente, para servir a minha regiao e, por essa via, o meu pais.

Aquele primeiro projecto da Chemonics International – "Regional Activity to Promote Integration Through Dialogue and Policy Implementation" (RAPID), que viria a dar origem a actual Southern Africa Global Competitiveness Hub – pioneiro na regiao e no continente, visava fundamentalmente apoiar tecnicamente a criacao e o desenvolvimento das estruturas institucionais, organizacionais e funcionais para a implementacao do Protocolo de Comercio da SADC, abrangendo apenas os paises que haviam a altura ratificado aquele protocolo e, por isso, excluindo Angola. Outra particularidade daquele projecto e' que ele nao tinha qualquer relacao directa com o Secretariado da SADC, centrando-se no trabalho de campo com os varios stakeholders a todos os niveis nos paises abrangidos.

Foi a experiencia adquirida naquele projecto (by the way, a melhor e mais gratificante experiencia profissional, vivencial e humana que ate' agora ja' tive!) que me deu a “comparative advantage” e a ”cutting edge” sobre os outros candidatos quando concorri para um outro projecto, desta feita da Comissao Europeia (CE) – “Regional Integration and Capacity Building Programme” (RICB) – como Technical Adviser - Protocol & Policy Implementation para o Secretariado da SADC. Tomei conhecimento do respectivo concurso internacional em Londres, atraves de um anuncio no The Economist. Concorri, fui chamada a entrevistas em Gaborone (as quais foram conduzidas por um painel constituido por 2 representantes da CE e por representantes de 5 paises membros da SADC, nenhum dos quais era Angola) e foi-me oferecido o contrato.

Foi apenas mera coincidencia que aquele projecto tenha tido inicio num ano em que Angola assumiu a presidencia rotativa da SADC, pois que os respectivos anuncio e processos de seleccao e contratacao haviam sido iniciados pelo menos um ano antes. Ademais, sendo certo que o RICB era um projecto conjunto entre a SADC e a CE, o contrato que me foi oferecido nao era com a SADC, mas sim com a CE, sob os regulamentos e estatutos da qual fiquei submetida e por quem fui paga.

Serve este memo para deixar perfeitamente claro que, ao ter decidido abandonar o projecto [recorde-se: em resultado de um “ataque pornografico” - que, nao por acaso, teve lugar logo a seguir ao 'major workshop' mencionado neste post... - por um angolano, num quadro de assedio sexual no local de trabalho e uma serie de outros ataques de varia ordem, tambem conhecidos por bullying ou trungunguismo, motivados (como AQUI se pode constatar) fundamentalmente por ciumes pessoais e invejas profissionais, em particular por parte de angolano/as e mocambicanos, alguns dos quais, esses sim envolvidos no tipo de relacoes de p(h)oder com que agora pretendem manchar a minha reputacao pessoal, social e profissional(!)], fi-lo com a repugnacao que tais ataques sao susceptiveis de provocar em quaisquer circunstancias, no caso agravada pela impotencia de nao poder obter a devida justica, uma vez que eles nao tiveram lugar no espaco juridico da CE, entidade contratante.

Mas, ainda assim, levei o caso a um advogado local que, embora tenha feito o seu melhor para me defender, nao pode ultrapassar a sua circunscricao, uma vez que os dispositivos legais de que dispunha nao tinham qualquer jurisdicao sobre um contrato com uma entidade supra-nacional. De outro modo, eu teria tido direito a uma indemnizacao por danos morais e materiais, que perduram ate' hoje, incluindo a perda de rendimentos, que no espaco da UE remontariam a uma “pequena fortuna”!

Resumindo e concluindo: “Angola nao me colocou na SADC – um angolano tirou-me da SADC”! Pois se isso faz alguem feliz e orgulhoso, parabens! Mas que se tome bem nota: eu nao sou, nem nunca fui, “propriedade particular ou privada” de nenhum angolano e nem sequer do Estado Angolano! Quanto mais nao seja porque no tal Secretariado da SADC, pelo menos 2 "representantes do establishment angolano" sempre fizeram muita questao de dizer: ESSA SENHORA NAO E' ANGOLANA!!!


... apenas algumas das funcoes que desempenhei com "diplomas falsos"...



Ja’ ouvi de um angolano na SADC isto: “Nos colocamos-te aqui”!

Pois, para que fique bem entendido: ninguem “me colocou na SADC”; eu coloquei-me na SADC!
A
SADC e’ uma organizacao inter-governamental regional com estatuto juridico internacional, da qual Angola e’ um dos paises fundadores e onde tem um consideravel peso politico-militar e estrategico, mas da qual nao e’ o unico pais membro ou contribuinte.

Como, entao, “me coloquei” na SADC?

O primeiro contrato de consultoria que tive na regiao da SADC, como Economist - Consultant on Trade Policy, foi-me oferecido por uma Consultoria Economica Internacional Americana (Chemonics International) logo a seguir ao completar do meu Mestrado em 2000. Aquela oportunidade foi-me indicada pelo meu supervisor na LSE, concorri, prestei provas e foi-me oferecido o contrato. Para tal contribuiu de forma decisiva a minha tese (que incidiu especificamente sobre os processos de integracao regional na Africa Austral numa perspectiva historico-cultural e de mudanca economica numa perspectiva politico-institucional – note-se aqui que tais processos precedem em muitas decadas a formacao da SADCC/SADC, bastando para tanto notar que a mais antiga Uniao Aduaneira do mundo, SACU, foi criada em 1910 na Africa Austral...) e a minha especializacao em Economia Internacional e Integracao Economica Regional, que ja’ vinha do meu terceiro ano do ISEG em Lisboa, datando daquela altura o inicio da minha participacao em seminarios e conferencias da especialidade e os meus primeiros trabalhos de investigacao sobre a Africa Austral/SADCC no quadro da cooperacao UEE/ACP. Portanto, assim que terminei aquele estagio da minha formacao em Londres, regressei ao meu continente, para servir a minha regiao e, por essa via, o meu pais.

Aquele primeiro projecto da Chemonics International – "Regional Activity to Promote Integration Through Dialogue and Policy Implementation" (RAPID), que viria a dar origem a actual Southern Africa Global Competitiveness Hub – pioneiro na regiao e no continente, visava fundamentalmente apoiar tecnicamente a criacao e o desenvolvimento das estruturas institucionais, organizacionais e funcionais para a implementacao do Protocolo de Comercio da SADC, abrangendo apenas os paises que haviam a altura ratificado aquele protocolo e, por isso, excluindo Angola. Outra particularidade daquele projecto e' que ele nao tinha qualquer relacao directa com o Secretariado da SADC, centrando-se no trabalho de campo com os varios stakeholders a todos os niveis nos paises abrangidos.

Foi a experiencia adquirida naquele projecto (by the way, a melhor e mais gratificante experiencia profissional, vivencial e humana que ate' agora ja' tive!) que me deu a “comparative advantage” e a ”cutting edge” sobre os outros candidatos quando concorri para um outro projecto, desta feita da Comissao Europeia (CE) – “Regional Integration and Capacity Building Programme” (RICB) – como Technical Adviser - Protocol & Policy Implementation para o Secretariado da SADC. Tomei conhecimento do respectivo concurso internacional em Londres, atraves de um anuncio no The Economist. Concorri, fui chamada a entrevistas em Gaborone (as quais foram conduzidas por um painel constituido por 2 representantes da CE e por representantes de 5 paises membros da SADC, nenhum dos quais era Angola) e foi-me oferecido o contrato.

Foi apenas mera coincidencia que aquele projecto tenha tido inicio num ano em que Angola assumiu a presidencia rotativa da SADC, pois que os respectivos anuncio e processos de seleccao e contratacao haviam sido iniciados pelo menos um ano antes. Ademais, sendo certo que o RICB era um projecto conjunto entre a SADC e a CE, o contrato que me foi oferecido nao era com a SADC, mas sim com a CE, sob os regulamentos e estatutos da qual fiquei submetida e por quem fui paga.

Serve este memo para deixar perfeitamente claro que, ao ter decidido abandonar o projecto [recorde-se: em resultado de um “ataque pornografico” - que, nao por acaso, teve lugar logo a seguir ao 'major workshop' mencionado neste post... - por um angolano, num quadro de assedio sexual no local de trabalho e uma serie de outros ataques de varia ordem, tambem conhecidos por bullying ou trungunguismo, motivados (como AQUI se pode constatar) fundamentalmente por ciumes pessoais e invejas profissionais, em particular por parte de angolano/as e mocambicanos, alguns dos quais, esses sim envolvidos no tipo de relacoes de p(h)oder com que agora pretendem manchar a minha reputacao pessoal, social e profissional(!)], fi-lo com a repugnacao que tais ataques sao susceptiveis de provocar em quaisquer circunstancias, no caso agravada pela impotencia de nao poder obter a devida justica, uma vez que eles nao tiveram lugar no espaco juridico da CE, entidade contratante.

Mas, ainda assim, levei o caso a um advogado local que, embora tenha feito o seu melhor para me defender, nao pode ultrapassar a sua circunscricao, uma vez que os dispositivos legais de que dispunha nao tinham qualquer jurisdicao sobre um contrato com uma entidade supra-nacional. De outro modo, eu teria tido direito a uma indemnizacao por danos morais e materiais, que perduram ate' hoje, incluindo a perda de rendimentos, que no espaco da UE remontariam a uma “pequena fortuna”!

Resumindo e concluindo: “Angola nao me colocou na SADC – um angolano tirou-me da SADC”! Pois se isso faz alguem feliz e orgulhoso, parabens! Mas que se tome bem nota: eu nao sou, nem nunca fui, “propriedade particular ou privada” de nenhum angolano e nem sequer do Estado Angolano! Quanto mais nao seja porque no tal Secretariado da SADC, pelo menos 2 "representantes do establishment angolano" sempre fizeram muita questao de dizer: ESSA SENHORA NAO E' ANGOLANA!!!


... apenas algumas das funcoes que desempenhei com "diplomas falsos"...

Friday, 30 April 2010

Memorandum [de (des)Entendimento] … I


Nao, nao acabei “aquele” curso em Portugal; deixei 2 ou 3 cadeiras por completar...

Mas acontece que “aquele” meu curso era de 5 anos, prefazendo um total de mais de 25 cadeiras, sendo que nos anos seguintes ao meu “abandono” passou a ser de 4 anos e apenas cerca de 20 cadeiras. Portanto, sai dali com mais cadeiras feitas do que os licenciados posteriores. E das que fiz sai com media de 13/14 valores, tendo-as feito nos cinco anos de duracao normal do curso: i.e., tendo-o comecado em 85/86, em 90/91 eu era finalista – tanto assim que foi por se-lo que fui convidada por uma Universidade Alema para uma visita de estudo com finalistas seus aos EUA e me foi facultada a possibilidade de fazer o estagio que menciono no comentario a este post ...

Sera’ igualmente de notar, en passant, que nenhum dos estudantes angolanos do meu tempo acabou “aquele” curso, sendo que uns desistiram no segundo ou terceiro anos, tendo alguns mudado para cursos “mais faceis”...


Porem:

- nao me tivessem obrigado a ficar na direccao da uniao de estudantes assim que la’ cheguei – ao servico da qual perdi noites e fins de semana sem conta, apenas em troca de uma serie de aborrecimentos, contratempos e os mais diversos ataques pessoais (incluindo ameacas de morte!), apenas por defender principios e praticas que entendia serem correctos e fazerem sentido, nomeadamente a independencia da uniao de estudantes em relacao as estruturas juvenis do partido...

- nao me tivessem obrigado a participar noutras actividades da embaixada, sem qualquer compensacao, incluindo acompanhar o adido comercial a conferencias para lhe escrever os relatorios...

- nao me tivessem comecado a perseguir das mais diversas formas quando decidi dedicar-me exclusivamente aos meus estudos e ao meu filho...

- nao me tivessem abruptamente feito sair, sem justa causa (muito antes pelo contrario!), de uma “certa casa” em pleno inverno, deixando-me a mim e ao meu filho sem um teto durante meses, numa cidade em que era virtualmente impossivel alugar-se uma casa quando se era mulher, negra, estudante bolseira e mae solteira...

- tivessem-me alguma vez dado os balurdios, cartoes de credito e outras facilidades e mordomias que davam aos “filhos e filhas legitimos da patria”...

- nao me tivessem a partir de certa altura praticamente cortado a misera bolsa, obrigando-me a ter que recorrer a emprestimos e a trabalhar e estudar ao mesmo tempo (... talvez me devesse entao ter dedicado a prostituicao e assim ficava com “a fama e o proveito”!...) e, ocasionalmente, a alugar um dos quartos da minha casa, incluindo a um certo pos-graduando angolano para quem tambem batia a maquina e corrigia os seus trabalhos de curso, nos quais ele me pedia para incluir paginas inteiras de livros sem qualquer referencia a fonte – i.e., por forca das circunstancias, ate’ cumplice de plagios me obrigaram a ser...

- nao tivessem intensificado a perseguicao desde que fui aos EUA e depois que me meti em varias actividades civicas pela paz e a democracia em Angola, tendo inclusive a partir de certa altura me sido impedida a entrada na “nossa” embaixada em Portugal...

... E certamente me teriam facultado as necessarias paz de espirito, seguranca e estabilidade material, emocional e psicologica e poupado uma serie de situacoes de desespero e periodos de depressao que me impediam de me concentrar devidamente nos estudos – periodos que, acumulados, acabaram por culminar no completo esgotamento com que fui transportada de emergencia para Londres.... – e eu teria acabado “aquele” curso e, muito provavelmente, com uma media superior aos ditos 13/14 valores... E, em vez de ter que reciclar toda a formacao que tinha feito em Portugal, teria ocupado aquele tempo e recursos financeiros pessoais para fazer um PhD na Inglaterra.


De qualquer modo, na Inglaterra, voltei a fazer de novo, totalmente a minha custa (!), um outro curso de Economia (uma vez que nao me foi dada equivalencia as cadeiras que tinha feito em Portugal...) e um mestrado, o que tudo somado (mesmo descontando os 3 anos que fiz na UAN e os varios cursos tecnicos e estagios profissionais que fiz em Angola, Portugal, UK, Botswana e Africa do Sul – isto sem mencionar a experiencia profissional que acumulei em todos esses e outros paises) mais do que me habilita como Economista!

Serve este memorandum apenas para esclarecer algumas “duvidas” que parecem pulular algures e que por vezes me sao confidenciadas por um certo vento que passa... de quem, de resto, nao tenho quaisquer licoes a receber, e muito menos de Economia!

... o dia em que "me mestrei em imitacao"

e entrei para a "academia em que se passam falsos diplomas"...




Nao, nao acabei “aquele” curso em Portugal; deixei 2 ou 3 cadeiras por completar...

Mas acontece que “aquele” meu curso era de 5 anos, prefazendo um total de mais de 25 cadeiras, sendo que nos anos seguintes ao meu “abandono” passou a ser de 4 anos e apenas cerca de 20 cadeiras. Portanto, sai dali com mais cadeiras feitas do que os licenciados posteriores. E das que fiz sai com media de 13/14 valores, tendo-as feito nos cinco anos de duracao normal do curso: i.e., tendo-o comecado em 85/86, em 90/91 eu era finalista – tanto assim que foi por se-lo que fui convidada por uma Universidade Alema para uma visita de estudo com finalistas seus aos EUA e me foi facultada a possibilidade de fazer o estagio que menciono no comentario a
este post ...

Sera’ igualmente de notar, en passant, que nenhum dos estudantes angolanos do meu tempo acabou “aquele” curso, sendo que uns desistiram no segundo ou terceiro anos, tendo alguns mudado para cursos “mais faceis”...


Porem:

- nao me tivessem obrigado a ficar na direccao da uniao de estudantes assim que la’ cheguei – ao servico da qual perdi noites e fins de semana sem conta, apenas em troca de uma serie de aborrecimentos, contratempos e os mais diversos ataques pessoais (incluindo ameacas de morte!), apenas por defender principios e praticas que entendia serem correctos e fazerem sentido, nomeadamente a independencia da uniao de estudantes em relacao as estruturas juvenis do partido...

- nao me tivessem obrigado a participar noutras actividades da embaixada, sem qualquer compensacao, incluindo acompanhar o adido comercial a conferencias para lhe escrever os relatorios...

- nao me tivessem comecado a perseguir das mais diversas formas quando decidi dedicar-me exclusivamente aos meus estudos e ao meu filho...

- nao me tivessem abruptamente feito sair, sem justa causa (muito antes pelo contrario!), de uma “certa casa” em pleno inverno, deixando-me a mim e ao meu filho sem um teto durante meses, numa cidade em que era virtualmente impossivel alugar-se uma casa quando se era mulher, negra, estudante bolseira e mae solteira...

- tivessem-me alguma vez dado os balurdios, cartoes de credito e outras facilidades e mordomias que davam aos “filhos e filhas legitimos da patria”...

- nao me tivessem a partir de certa altura praticamente cortado a misera bolsa, obrigando-me a ter que recorrer a emprestimos e a trabalhar e estudar ao mesmo tempo (... talvez me devesse entao ter dedicado a prostituicao e assim ficava com “a fama e o proveito”!...) e, ocasionalmente, a alugar um dos quartos da minha casa, incluindo a um certo pos-graduando angolano para quem tambem batia a maquina e corrigia os seus trabalhos de curso, nos quais ele me pedia para incluir paginas inteiras de livros sem qualquer referencia a fonte – i.e., por forca das circunstancias, ate’ cumplice de plagios me obrigaram a ser...

- nao tivessem intensificado a perseguicao desde que fui aos EUA e depois que me meti em varias actividades civicas pela paz e a democracia em Angola, tendo inclusive a partir de certa altura me sido impedida a entrada na “nossa” embaixada em Portugal...

... E certamente me teriam facultado as necessarias paz de espirito, seguranca e estabilidade material, emocional e psicologica e poupado uma serie de situacoes de desespero e periodos de depressao que me impediam de me concentrar devidamente nos estudos – periodos que, acumulados, acabaram por culminar no completo esgotamento com que fui transportada de emergencia para Londres.... – e eu teria acabado “aquele” curso e, muito provavelmente, com uma media superior aos ditos 13/14 valores... E, em vez de ter que reciclar toda a formacao que tinha feito em Portugal, teria ocupado aquele tempo e recursos financeiros pessoais para fazer um PhD na Inglaterra.


De qualquer modo, na Inglaterra, voltei a fazer de novo, totalmente a minha custa (!), um outro curso de Economia (uma vez que nao me foi dada equivalencia as cadeiras que tinha feito em Portugal...) e um mestrado, o que tudo somado (mesmo descontando os 3 anos que fiz na UAN e os varios cursos tecnicos e estagios profissionais que fiz em Angola, Portugal, UK, Botswana e Africa do Sul – isto sem mencionar a experiencia profissional que acumulei em todos esses e outros paises) mais do que me habilita como Economista!

Serve este memorandum apenas para esclarecer algumas “duvidas” que parecem pulular algures e que por vezes me sao confidenciadas por um certo vento que passa... de quem, de resto, nao tenho quaisquer licoes a receber, e muito menos de Economia!

... o dia em que "me mestrei em imitacao"

e entrei para a "academia em que se passam falsos diplomas"...



Wednesday, 31 March 2010

"The Professional"...

Ja' varias vezes mencionei neste blog este proverbio Africano, segundo o qual "nao e' o que me chamam, mas aquilo a que respondo que mais importa". Pois bem (...camaradas, compatriotas, companheiros de luta e amigos, senhoras e senhores...), pessoal e profissionalmente, nao e' a isto, nem a isto, e muito menos a isto, que respondo, mas sim a isto [*]:


A encerrar este Marco Mulher, trago para aqui um testemunho (editado, por razoes compreensiveis) de uma Mulher (e devo acrescentar, Motswana) com quem tive o prazer e o privilegio de trabalhar. Faco-o apenas com o fito de ilustrar como, "malgre tout", sao possiveis relacoes pessoais e de trabalho baseadas em profissionalismo e respeito mutuo entre mulheres. Por isso (tambem) o muito que devo ao Botswana, embora continue at odds com algumas "burocratas do genero"!

I have worked for the (…) since 2001, and I believe AS joined the organization
just shortly after me. Our offices were next door to each other, and though we
worked on separate projects, we occasionally would exchange pleasantries about
our work, in between the pressure of work that is so typical of a organization
such as the one we work for. What we had in common was that we both worked as Technical Advisory staff contracted by separate institutions to enhance the
capacity of the (…).

Like A, I work in an area that is cross-cutting, in my case its gender, and in the case of A, it is policy and protocol implementation. Unlike A, though, I came in to join an already existing Unit that (...), while A had to start up the whole process of reviewing the status of implementation of policies and protocols with a view to establishing likely existing challenges and coming up with recommendations, guidelines and tools to facilitate processes of incorporating these regional legal commitments to domestic law, and monitoring their implementation.

A worked hard and tirelessly on her assignment that could not have been easy, as she only had her terms of reference to refer to, and no precedent to follow from previous work in this area, at least not in the organization. I came in contact with A's work for the first time when she convened an internal working session to share her report, findings and recommendations, and get feedback and input from colleagues to enable her to further refine and finalize the paper with buy-in and ownership of the whole (…).

In my opinion the work presented by A was sterling, and confirmed the impression I had carried observing A working in the office next door to mine. The report was well-researched, drawing from international examples and experiences. It was well-presented, both in written form and in the actual presentation in the working session, proving A's good presentation and facilitation skills. The report and presentation material were both very well written in English, which I believe is A's second official language, Portuguese being the first.

I subsequently participated in the second phase of A's project, which was a regional workshop to develop Guidelines for Policy and Protocol Implementation that was held in Cape Town in May 2005. As Technical Advisor for Gender, protocol and policy implementation is particularly of interest to me, as its implementation would have direct differential impact on men and women, and gender considerations would need to be taken into consideration at the various levels of development and implementation of the tools and guidelines.

Prior to the regional workshop organized and convened by A, I had had opportunity to attend another regional workshop with her convened to review the implementation strategy for the Protocol on Education and Training. At this meeting, held in Johannesburg, I was again struck by A's presentation and communication skills. I believe she also has strong networking skills as well, as I am aware that the Cape Town meeting was co-organized with another organization, entirely as A's effort.

I believe therefore that A has the right skills-mix (…), I also think that she is the kind of person that would carry out her assignment diligently and with absolute commitment. She's a highly qualified person in her area of expertise and (…). The rather exclusionist environment, and professional isolation that might have been a result of the transitional state the (…) has been going through in its restructuring process particularly impacted negatively on both old and new staff.

The state of tension, brought about by a situation such as this affects people in different ways, and causes people to react in various ways. I personally get on very well with A. I believe like all of us, A would particularly thrive in a professional environment that values and respects individuals and the contribution they bring to the process, while at the same time promoting dialogue to address any differences in opinions.










Algumas das "reunioes de peritos em que me infiltrei"...



ADENDA

E porque "as questoes de genero" pendem sempre sobre uma balanca de equilibrios entre os dois sexos, ao testemunho acima decidi juntar os de dois Homens com quem tive igualmente o prazer e o privilegio de trabalhar - um Economista/Secretario Executivo, outro Jurista/Professor Universitario Catedratico.
(E note-se que nenhum deles alguma vez se mostrou exclusivamente interessado no meu corpo ou no meu perfume...)

I confirm that Ms S. worked with me for almost three years. During that period she was involved in research studies and writing of reports as well as advising on protocol implementation. Her work has always been professional and well documented. However, she would always be ready to listen to good advise and make adjustments to her submissions.
(…)
She also facilitated and organised a major workshop on protocol implementation during which she demonstated her ability to interact and network with member states of (…) as well as other institutions. She was one of the key presenters during this workshop and organized it with great care and devotion.
(…)
I have no doubt in my mind that Ms S. will be an asset to (…). She is fluent in both English and Portuguese. She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear.

*****

I have known Ms. Santana for about 2 years while she was employed at the (…). I have worked closely with her on one project (Incorporation of international agreements into national legal systems of member states).
I found her a competent person and a good organizer of the one international workshop in which we cooperated. It was well-organized and the background documentation was of a high standard.
(…) When we worked together she clearly had a full and clear command of rather complex issues; with the ability to identify appropriate responses.
She presented two papers at the workshop referred to above and that went well. She is originally from Angola and if it is taken into account that English is probably her third language, it testifies to her abilities. She has a strong personality and may perhaps have rather strong views on how things should be done. I did not find that a problem.
The documentation prepared by her read well and my impression is that she has good writing and analytical skills.



*[N.B.: As referencias aqui transcritas foram passadas em estrita confidencia a um na altura prospectivo novo empregador, sem o meu conhecimento e sem copia para mim. Seria posteriormente aquele novo empregador quem, perante circunstancias extraordinarias, viria a copia-las para mim, por email, para o meu conhecimento...]


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Ja' varias vezes mencionei neste blog este proverbio Africano, segundo o qual "nao e' o que me chamam, mas aquilo a que respondo que mais importa". Pois bem (...camaradas, compatriotas, companheiros de luta e amigos, senhoras e senhores...), pessoal e profissionalmente, nao e' a isto, nem a isto, e muito menos a isto, que respondo, mas sim a isto [*]:


A encerrar este Marco Mulher, trago para aqui um testemunho (editado, por razoes compreensiveis) de uma Mulher (e devo acrescentar, Motswana) com quem tive o prazer e o privilegio de trabalhar. Faco-o apenas com o fito de ilustrar como, "malgre tout", sao possiveis relacoes pessoais e de trabalho baseadas em profissionalismo e respeito mutuo entre mulheres. Por isso (tambem) o muito que devo ao Botswana, embora continue at odds com algumas "burocratas do genero"!

I have worked for the (…) since 2001, and I believe AS joined the organization
just shortly after me. Our offices were next door to each other, and though we
worked on separate projects, we occasionally would exchange pleasantries about
our work, in between the pressure of work that is so typical of a organization
such as the one we work for. What we had in common was that we both worked as Technical Advisory staff contracted by separate institutions to enhance the
capacity of the (…).

Like A, I work in an area that is cross-cutting, in my case its gender, and in the case of A, it is policy and protocol implementation. Unlike A, though, I came in to join an already existing Unit that (...), while A had to start up the whole process of reviewing the status of implementation of policies and protocols with a view to establishing likely existing challenges and coming up with recommendations, guidelines and tools to facilitate processes of incorporating these regional legal commitments to domestic law, and monitoring their implementation.

A worked hard and tirelessly on her assignment that could not have been easy, as she only had her terms of reference to refer to, and no precedent to follow from previous work in this area, at least not in the organization. I came in contact with A's work for the first time when she convened an internal working session to share her report, findings and recommendations, and get feedback and input from colleagues to enable her to further refine and finalize the paper with buy-in and ownership of the whole (…).

In my opinion the work presented by A was sterling, and confirmed the impression I had carried observing A working in the office next door to mine. The report was well-researched, drawing from international examples and experiences. It was well-presented, both in written form and in the actual presentation in the working session, proving A's good presentation and facilitation skills. The report and presentation material were both very well written in English, which I believe is A's second official language, Portuguese being the first.

I subsequently participated in the second phase of A's project, which was a regional workshop to develop Guidelines for Policy and Protocol Implementation that was held in Cape Town in May 2005. As Technical Advisor for Gender, protocol and policy implementation is particularly of interest to me, as its implementation would have direct differential impact on men and women, and gender considerations would need to be taken into consideration at the various levels of development and implementation of the tools and guidelines.

Prior to the regional workshop organized and convened by A, I had had opportunity to attend another regional workshop with her convened to review the implementation strategy for the Protocol on Education and Training. At this meeting, held in Johannesburg, I was again struck by A's presentation and communication skills. I believe she also has strong networking skills as well, as I am aware that the Cape Town meeting was co-organized with another organization, entirely as A's effort.

I believe therefore that A has the right skills-mix (…), I also think that she is the kind of person that would carry out her assignment diligently and with absolute commitment. She's a highly qualified person in her area of expertise and (…). The rather exclusionist environment, and professional isolation that might have been a result of the transitional state the (…) has been going through in its restructuring process particularly impacted negatively on both old and new staff.

The state of tension, brought about by a situation such as this affects people in different ways, and causes people to react in various ways. I personally get on very well with A. I believe like all of us, A would particularly thrive in a professional environment that values and respects individuals and the contribution they bring to the process, while at the same time promoting dialogue to address any differences in opinions.










Algumas das "reunioes de peritos em que me infiltrei"...



ADENDA

E porque "as questoes de genero" pendem sempre sobre uma balanca de equilibrios entre os dois sexos, ao testemunho acima decidi juntar os de dois Homens com quem tive igualmente o prazer e o privilegio de trabalhar - um Economista/Secretario Executivo, outro Jurista/Professor Universitario Catedratico.
(E note-se que nenhum deles alguma vez se mostrou exclusivamente interessado no meu corpo ou no meu perfume...)

I confirm that Ms S. worked with me for almost three years. During that period she was involved in research studies and writing of reports as well as advising on protocol implementation. Her work has always been professional and well documented. However, she would always be ready to listen to good advise and make adjustments to her submissions.
(…)
She also facilitated and organised a major workshop on protocol implementation during which she demonstated her ability to interact and network with member states of (…) as well as other institutions. She was one of the key presenters during this workshop and organized it with great care and devotion.
(…)
I have no doubt in my mind that Ms S. will be an asset to (…). She is fluent in both English and Portuguese. She is also someone who stands firm in her beliefs and will speak her mind without fear.

*****

I have known Ms. Santana for about 2 years while she was employed at the (…). I have worked closely with her on one project (Incorporation of international agreements into national legal systems of member states).
I found her a competent person and a good organizer of the one international workshop in which we cooperated. It was well-organized and the background documentation was of a high standard.
(…) When we worked together she clearly had a full and clear command of rather complex issues; with the ability to identify appropriate responses.
She presented two papers at the workshop referred to above and that went well. She is originally from Angola and if it is taken into account that English is probably her third language, it testifies to her abilities. She has a strong personality and may perhaps have rather strong views on how things should be done. I did not find that a problem.
The documentation prepared by her read well and my impression is that she has good writing and analytical skills.



*[N.B.: As referencias aqui transcritas foram passadas em estrita confidencia a um na altura prospectivo novo empregador, sem o meu conhecimento e sem copia para mim. Seria posteriormente aquele novo empregador quem, perante circunstancias extraordinarias, viria a copia-las para mim, por email, para o meu conhecimento...]


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