Showing posts with label PERSONAGENS. Show all posts
Showing posts with label PERSONAGENS. Show all posts

Saturday, 10 September 2011

PERSONAGENS (IV) - R*




(...)
Nós mesmos
Os contratados
A queimar vida nos cafezais
Os homens negros ignorantes
Que devem respeitar o branco
E temer o rico

Somos os teus filhos
Dos bairros de pretos
Com fome e com sede
Com vergonha de te chamarmos mãe
(...)



Extracto de “Adeus à Hora da Largada”
Agostinho Neto


O EXECRAVEL PUTO PE'-DESCALÇO

Execravel... um puto? Ideia insuportavel!
Mas sim, era um puto. E sim, era execravel.
Nao um desses surpreendentemente imaginativos, empaticos e geralmente de bom fundo, “meninos de rua”, filhos da inclusiva exclusao pos-dipanda.
Tinha sido um puto pre'-dipanda.
[Pe'-descalço. Recalcado. Complexado.]

Alimentado a acre de kikwanga e aspereza de mfumbwa.
Sem a suavidade do funge e a amenidade da kizaka.
Sem a doçura do mikate e a convivialidade do safu.
Crescera boçal e pobre de espirito.
Sem inocencia. Sem meninice.
Sem a magia encantatoria das estorias de adormecer Bantu.
So' pesadelos: de mulheres negras violadas e monas mundele esquartejados a catanada em roças de cafe'.
Que especie de mulheres e monas podiam ser aqueles, senao insuportaveis?! Sussuravam-lhe os seus kazumbis – os unicos que lhe visitavam os sonhos.
[Pesadelos.]

Sim, cresceu dizendo-se 'so' podiam ser umas insuportaveis putas; seus monas nao mereciam outro destino senao a rejeiçao, o apagamento'.

Definitivamente, nao havia outro remedio senao acabar de vez com "aquela mulataria", como dizia um seu companheiro de infancia traumatizada - esse outro, conterraneo de contratados do sul nas roças de cafe' do norte do pais, que mais tarde, porem quando ainda lhe faltava "a coragem de ser angolano", haveria de tentar exorcisar os seus kazumbis, kalundus, traumas e complexos junto de uma inglesa que lhe lia Shakespeare para adormecer sem musica de fundo, acabando, depois de ela lhe ter passado um falso diploma de "cura" (que, aparentemente, tambem o creditava como economista especialista em crises financeiras internacionais e perito em transparencia nas industrias extractivas, entre outras curiosidades e enfermidades afins, tais como "life-long entitlement to ghost writers"...), por produzir, sob o olhar silencioso de Freud, uma copiosa prole negra para mostrar ao mundo (e sobretudo as negras que ao longo da sua ainda curta, mas aventurosa vida o tinham rejeitado, ou com as quais apenas delirara nos breves intervalos dos seus pesadelos - sendo que pelo menos a uma delas tera' "approached" com uma proposta bem a "capitalist nigger": "olha, os mais velhos estao a nos dizer que devemos namorar com as nossas 'manas' e gastar o nosso dinheiro com elas - assim, at the end of the day, o dinheiro fica dentro da nossa comunidade... e sabes uma coisa? Uma das minhas irmas esta' a guarda de diamantes no valor de milhoes, muitos milhoes mesmo!"... Seguindo-se que a dita "approached", sem um comentario, fechou-lhe a porta na cara, ainda que apenas 'figurativamente', e nunca mais o quis ver!) a sua "imensa masculinidade africana"...

Com tanto negro como eu por ai?! - auto-flagelava-se a cada passo dos seus execravelmente descalços pes na vertiginosa descida aos nauseabundos esgotos da sua triste memoria. Mesmo, e sobretudo, depois de ter deixado a pobre aldeia de Tomasse privada do seu idiota de estimacao, ido para a capital dar mau nome aos Bakongo, sido adoptado como filho da exclusiva inclusao pos-dipanda e calçado os devidos sapatos de ouro do poder de estado da "naçao crioula"; quando passou a transportar os seus pesadelos de execravel puto pe'-descalço, que nunca deixaria de ser, para a pagina impressa - escolhendo ritualmente para o efeito as datas de nascimento dos monas visados.
[Esgoto. Barata. Genocida.]

Impossibilitado de acender fogueiras para os queimar nos putridos esgotos que habitava, ou de os enterrar vivos no seu ja' completamente fundo tugurio, continuou, aí, a esquartejar a tinta vermelha de sangue mulheres negras, especialmente se “nao casadas”, mais seus monas (enquanto, com medo de perder o emprego, idolatrava e lambia os pes calçados de botas dos seus, novos-ex-roceiros de cafe', patroes) mundele.
[Boçal. Lacaio. Subserviente. Verme.]

Convenceu-se de que podia escrever algo como a "Memoria de Minhas Putas Tristes" de Garcia Marquez (cuja mae sabia ler, certamente contar-lhe encantatorias estorias de adormecer e ensinar-lhe a respeitar as mulheres - "putas" que fossem!...) e alcançar a eternidade dos Nobeis.

Nunca conseguiria mais do que alcançar a eternidade dos ratos e baratas de esgoto.
[Execravelmente Pe'-Descalço!]

*(First posted 27/11/09 - repostado a 25/01/10 e hoje, 10/09/11,
a proposito desta materia - que me fez lembrar da estoria dos "100 MIL CONTOS DO ABRIGADA"!!!)


Posts relacionados:


Black Masculinit(ies)y and Domestic Violence

"O Crime de Lesa-Patria!"

Sabes?

Confissao a Sant'Ana da Muxima

Certo ou Errado?

Falando de Etica Jornalistica

Media Freedom(s) Quo Vadis?

Sim Senhora Ministra?

Terra Queimada

"A Mesa Redonda"

A Proposito dos Monologos da Vagina







ADENDA

Prémio Maboque de Jornalismo é um embuste?

O Prémio Maboque de jornalismo, criado por essa empresa para agraciar profissionais da Comunicação Social que se destaquem no período de Janeiro a Setembro de cada ano, continua a revelar que o seu propósito é agradecer jornalistas dos órgãos públicos e os pró-regime, pela vassalagem e propaganda que prestaram e/ou têm prestado ao sistema governante.
O vencedor da última edição, Luís Fernando, antigo director do Jornal de Angola e actualmente d’O País, que sempre foi (é) um propagandista ao serviço do sistema político, é bem a prova do que acabámos de afirmar, pois, ao longo dos oito meses, não fez por merecer.
Não é justo que, por três reportagens, duas no exterior do país e uma em Angola, se lhe entregue o prémio de mão beijada, quando há colegas que ao longo desse tempo elaboraram mais e melhores trabalhos, particularmente de órgãos privados, o Semanário Angolense incluído, modéstia à parte. Foi uma injustiça dar o prémio a Luís Fernando, em detrimento de colegas que fizeram trabalhos com mais regularidade, ao longo destes nove meses.
Fonte digna de fé revelou-nos que, à última hora, o prémio foi retirado ao programa Debate Informativo, da Rádio Ecclesia, para ser oferecido a Luís Fernando, por uma ordem «vinda de cima». Portanto, o Prémio Maboque é um embuste, uma charada.
A nossa suspeita é ainda reforçada pelo facto de, ao longo das 19 edições, apenas dois jornalistas, do mesmo órgão privado (Semanário Angolense), conquistaram, meritoriamente, o galardão. Trata-se, nomeadamente, de Severino Carlos e Silva Candembo, que deixaram o corpo de jurados sem hipótese. Essa atribuição também visou dar a imagem de que o Prémio Maboque não está comprometido com o partido no poder.
Aliás, o seu suposto proprietário, Armindo César, foi um destacado dirigente da organização juvenil do MPLA, a JMPLA, membro dessa formação política, não devendo premiar jornalistas de órgãos que criticam o governo e o partido que o suporta.
Ao jornalista António Freitas, então director adjunto do semanário Agora, apesar de reconhecermos a sua capacidade técnica e profissional, só foi entregue o prémio por ter feito uma entrevista a Arkadi Gaidamak, parceiro do Governo na compra de armas durante a guerra, em que também esteve envolvido o francês Pierre Falcone.
A maior parte das edições foi oferecida a trabalhadores da Televisão Pública de Angola, Rádio Nacional de Angola e ao Jornal de Angola e da LAC, criada em 1992, pelo MPLA.
Se, na verdade, o Prémio Maboque de Jornalismo tivesse sido criado para premiar qualquer profissional que o merecesse, sem se olhar para a linha editorial do órgão para o qual trabalha e o facto de criticar as autoridades governamentais, o partido no poder e outros órgãos afins, jor¬nalistas como […] entre muitos outros já o teriam vencido.
Caso esses jornalistas trabalhassem nos órgãos públicos, não haja dúvida de que já teriam ganho o Prémio Maboque. Apraz perguntar, o que João Melo, Maria Luísa Fançony, Luís Fernando e outros propagandistas do regime terão feito mais e melhor do que aqueles escribas, alguns dos quais foram os pioneiros do jornalismo angolano e o revolucionaram. Inspiraram muitos dos jornalistas que surgiram posteriormente. Julgamos, por isso, que o Prémio Maboque devia destinar-se apenas aos jornalistas dos órgãos de comunicação estatais. A discriminação é deveras óbvia e gritante.
Não poderíamos terminar sem nos reportarmos à Angop, agência noticiosa pela qual passaram muitos dos jornalistas que agora exercem noutros órgãos. Uma grande escola, a Angop. Só para citar alguns, são os casos Graça Campos, Aguiar dos Santos, Silva Candembo, Salas Neto, Severino Carlos, Pascoal Mukuna, Cristóvão Neto, Francisco Alexandre, José Caetano, Siona Casimiro, Nhuca Júnior, entre centenas de outros.
Este parêntese sobre a agência serve para protestar contra a exclusão a que os seus jornalistas têm sido submetidos pelo Prémio Maboque. Não concordamos! Em próximas edições, esses profissionais deviam também ter direito a concorrer, pois eles são tão jornalistas quanto os outros.

Presidente do júri

A presidente do júri, Maria Ramos, que não tem formação jornalística, devia ter a humildade e a honestidade de recusar o convite para ocupar tal cargo, por não estar à altura de avaliar o trabalho dos jornalistas. Aliás, os próprios organizadores do prémio deviam ser mais exigentes neste aspecto. Maria Ramos desconhece o que é um lead, uma reportagem, uma crónica, um editorial e outros géneros jornalísticos.
Ela está lá como mera figura decorativa, pois o presidente do júri de qualquer concurso deve dar uma opinião abalizada sobre as matérias que concorrem, sob pena de fazer papel ridículo por não entender patavina. Aconselhamos, por isso, a Maboque a que futuramente a constitua um corpo de jurado só de jornalistas.
Apesar de que, de uma forma geral, os jornalistas têm uma sólida cultura geral, não seria produtivo, por exemplo, que integrassem um júri para um prémio de direito, economia, finanças, construção civil e outras respeitáveis profissões. Infelizmente, muita gente acha que se pode imiscuir nos domínios do jornalismo, banalizando-o.
Portanto, cada macaco no seu galho! ■
PM
[in Semanario Angolense, Luanda, edicao #434 de 17/09/11]




(...)
Nós mesmos
Os contratados
A queimar vida nos cafezais
Os homens negros ignorantes
Que devem respeitar o branco
E temer o rico

Somos os teus filhos
Dos bairros de pretos
Com fome e com sede
Com vergonha de te chamarmos mãe
(...)



Extracto de “Adeus à Hora da Largada”
Agostinho Neto


O EXECRAVEL PUTO PE'-DESCALÇO

Execravel... um puto? Ideia insuportavel!
Mas sim, era um puto. E sim, era execravel.
Nao um desses surpreendentemente imaginativos, empaticos e geralmente de bom fundo, “meninos de rua”, filhos da inclusiva exclusao pos-dipanda.
Tinha sido um puto pre'-dipanda.
[Pe'-descalço. Recalcado. Complexado.]

Alimentado a acre de kikwanga e aspereza de mfumbwa.
Sem a suavidade do funge e a amenidade da kizaka.
Sem a doçura do mikate e a convivialidade do safu.
Crescera boçal e pobre de espirito.
Sem inocencia. Sem meninice.
Sem a magia encantatoria das estorias de adormecer Bantu.
So' pesadelos: de mulheres negras violadas e monas mundele esquartejados a catanada em roças de cafe'.
Que especie de mulheres e monas podiam ser aqueles, senao insuportaveis?! Sussuravam-lhe os seus kazumbis – os unicos que lhe visitavam os sonhos.
[Pesadelos.]

Sim, cresceu dizendo-se 'so' podiam ser umas insuportaveis putas; seus monas nao mereciam outro destino senao a rejeiçao, o apagamento'.

Definitivamente, nao havia outro remedio senao acabar de vez com "aquela mulataria", como dizia um seu companheiro de infancia traumatizada - esse outro, conterraneo de contratados do sul nas roças de cafe' do norte do pais, que mais tarde, porem quando ainda lhe faltava "a coragem de ser angolano", haveria de tentar exorcisar os seus kazumbis, kalundus, traumas e complexos junto de uma inglesa que lhe lia Shakespeare para adormecer sem musica de fundo, acabando, depois de ela lhe ter passado um falso diploma de "cura" (que, aparentemente, tambem o creditava como economista especialista em crises financeiras internacionais e perito em transparencia nas industrias extractivas, entre outras curiosidades e enfermidades afins, tais como "life-long entitlement to ghost writers"...), por produzir, sob o olhar silencioso de Freud, uma copiosa prole negra para mostrar ao mundo (e sobretudo as negras que ao longo da sua ainda curta, mas aventurosa vida o tinham rejeitado, ou com as quais apenas delirara nos breves intervalos dos seus pesadelos - sendo que pelo menos a uma delas tera' "approached" com uma proposta bem a "capitalist nigger": "olha, os mais velhos estao a nos dizer que devemos namorar com as nossas 'manas' e gastar o nosso dinheiro com elas - assim, at the end of the day, o dinheiro fica dentro da nossa comunidade... e sabes uma coisa? Uma das minhas irmas esta' a guarda de diamantes no valor de milhoes, muitos milhoes mesmo!"... Seguindo-se que a dita "approached", sem um comentario, fechou-lhe a porta na cara, ainda que apenas 'figurativamente', e nunca mais o quis ver!) a sua "imensa masculinidade africana"...

Com tanto negro como eu por ai?! - auto-flagelava-se a cada passo dos seus execravelmente descalços pes na vertiginosa descida aos nauseabundos esgotos da sua triste memoria. Mesmo, e sobretudo, depois de ter deixado a pobre aldeia de Tomasse privada do seu idiota de estimacao, ido para a capital dar mau nome aos Bakongo, sido adoptado como filho da exclusiva inclusao pos-dipanda e calçado os devidos sapatos de ouro do poder de estado da "naçao crioula"; quando passou a transportar os seus pesadelos de execravel puto pe'-descalço, que nunca deixaria de ser, para a pagina impressa - escolhendo ritualmente para o efeito as datas de nascimento dos monas visados.
[Esgoto. Barata. Genocida.]

Impossibilitado de acender fogueiras para os queimar nos putridos esgotos que habitava, ou de os enterrar vivos no seu ja' completamente fundo tugurio, continuou, aí, a esquartejar a tinta vermelha de sangue mulheres negras, especialmente se “nao casadas”, mais seus monas (enquanto, com medo de perder o emprego, idolatrava e lambia os pes calçados de botas dos seus, novos-ex-roceiros de cafe', patroes) mundele.
[Boçal. Lacaio. Subserviente. Verme.]

Convenceu-se de que podia escrever algo como a "Memoria de Minhas Putas Tristes" de Garcia Marquez (cuja mae sabia ler, certamente contar-lhe encantatorias estorias de adormecer e ensinar-lhe a respeitar as mulheres - "putas" que fossem!...) e alcançar a eternidade dos Nobeis.

Nunca conseguiria mais do que alcançar a eternidade dos ratos e baratas de esgoto.
[Execravelmente Pe'-Descalço!]

*(First posted 27/11/09 - repostado a 25/01/10 e hoje, 10/09/11,
a proposito desta materia - que me fez lembrar da estoria dos "100 MIL CONTOS DO ABRIGADA"!!!)


Posts relacionados:


Black Masculinit(ies)y and Domestic Violence

"O Crime de Lesa-Patria!"

Sabes?

Confissao a Sant'Ana da Muxima

Certo ou Errado?

Falando de Etica Jornalistica

Media Freedom(s) Quo Vadis?

Sim Senhora Ministra?

Terra Queimada

"A Mesa Redonda"

A Proposito dos Monologos da Vagina







ADENDA

Prémio Maboque de Jornalismo é um embuste?

O Prémio Maboque de jornalismo, criado por essa empresa para agraciar profissionais da Comunicação Social que se destaquem no período de Janeiro a Setembro de cada ano, continua a revelar que o seu propósito é agradecer jornalistas dos órgãos públicos e os pró-regime, pela vassalagem e propaganda que prestaram e/ou têm prestado ao sistema governante.
O vencedor da última edição, Luís Fernando, antigo director do Jornal de Angola e actualmente d’O País, que sempre foi (é) um propagandista ao serviço do sistema político, é bem a prova do que acabámos de afirmar, pois, ao longo dos oito meses, não fez por merecer.
Não é justo que, por três reportagens, duas no exterior do país e uma em Angola, se lhe entregue o prémio de mão beijada, quando há colegas que ao longo desse tempo elaboraram mais e melhores trabalhos, particularmente de órgãos privados, o Semanário Angolense incluído, modéstia à parte. Foi uma injustiça dar o prémio a Luís Fernando, em detrimento de colegas que fizeram trabalhos com mais regularidade, ao longo destes nove meses.
Fonte digna de fé revelou-nos que, à última hora, o prémio foi retirado ao programa Debate Informativo, da Rádio Ecclesia, para ser oferecido a Luís Fernando, por uma ordem «vinda de cima». Portanto, o Prémio Maboque é um embuste, uma charada.
A nossa suspeita é ainda reforçada pelo facto de, ao longo das 19 edições, apenas dois jornalistas, do mesmo órgão privado (Semanário Angolense), conquistaram, meritoriamente, o galardão. Trata-se, nomeadamente, de Severino Carlos e Silva Candembo, que deixaram o corpo de jurados sem hipótese. Essa atribuição também visou dar a imagem de que o Prémio Maboque não está comprometido com o partido no poder.
Aliás, o seu suposto proprietário, Armindo César, foi um destacado dirigente da organização juvenil do MPLA, a JMPLA, membro dessa formação política, não devendo premiar jornalistas de órgãos que criticam o governo e o partido que o suporta.
Ao jornalista António Freitas, então director adjunto do semanário Agora, apesar de reconhecermos a sua capacidade técnica e profissional, só foi entregue o prémio por ter feito uma entrevista a Arkadi Gaidamak, parceiro do Governo na compra de armas durante a guerra, em que também esteve envolvido o francês Pierre Falcone.
A maior parte das edições foi oferecida a trabalhadores da Televisão Pública de Angola, Rádio Nacional de Angola e ao Jornal de Angola e da LAC, criada em 1992, pelo MPLA.
Se, na verdade, o Prémio Maboque de Jornalismo tivesse sido criado para premiar qualquer profissional que o merecesse, sem se olhar para a linha editorial do órgão para o qual trabalha e o facto de criticar as autoridades governamentais, o partido no poder e outros órgãos afins, jor¬nalistas como […] entre muitos outros já o teriam vencido.
Caso esses jornalistas trabalhassem nos órgãos públicos, não haja dúvida de que já teriam ganho o Prémio Maboque. Apraz perguntar, o que João Melo, Maria Luísa Fançony, Luís Fernando e outros propagandistas do regime terão feito mais e melhor do que aqueles escribas, alguns dos quais foram os pioneiros do jornalismo angolano e o revolucionaram. Inspiraram muitos dos jornalistas que surgiram posteriormente. Julgamos, por isso, que o Prémio Maboque devia destinar-se apenas aos jornalistas dos órgãos de comunicação estatais. A discriminação é deveras óbvia e gritante.
Não poderíamos terminar sem nos reportarmos à Angop, agência noticiosa pela qual passaram muitos dos jornalistas que agora exercem noutros órgãos. Uma grande escola, a Angop. Só para citar alguns, são os casos Graça Campos, Aguiar dos Santos, Silva Candembo, Salas Neto, Severino Carlos, Pascoal Mukuna, Cristóvão Neto, Francisco Alexandre, José Caetano, Siona Casimiro, Nhuca Júnior, entre centenas de outros.
Este parêntese sobre a agência serve para protestar contra a exclusão a que os seus jornalistas têm sido submetidos pelo Prémio Maboque. Não concordamos! Em próximas edições, esses profissionais deviam também ter direito a concorrer, pois eles são tão jornalistas quanto os outros.

Presidente do júri

A presidente do júri, Maria Ramos, que não tem formação jornalística, devia ter a humildade e a honestidade de recusar o convite para ocupar tal cargo, por não estar à altura de avaliar o trabalho dos jornalistas. Aliás, os próprios organizadores do prémio deviam ser mais exigentes neste aspecto. Maria Ramos desconhece o que é um lead, uma reportagem, uma crónica, um editorial e outros géneros jornalísticos.
Ela está lá como mera figura decorativa, pois o presidente do júri de qualquer concurso deve dar uma opinião abalizada sobre as matérias que concorrem, sob pena de fazer papel ridículo por não entender patavina. Aconselhamos, por isso, a Maboque a que futuramente a constitua um corpo de jurado só de jornalistas.
Apesar de que, de uma forma geral, os jornalistas têm uma sólida cultura geral, não seria produtivo, por exemplo, que integrassem um júri para um prémio de direito, economia, finanças, construção civil e outras respeitáveis profissões. Infelizmente, muita gente acha que se pode imiscuir nos domínios do jornalismo, banalizando-o.
Portanto, cada macaco no seu galho! ■
PM
[in Semanario Angolense, Luanda, edicao #434 de 17/09/11]

Tuesday, 12 July 2011

PERSONAGENS (VIII) [R]*



'A Senhora Professora'


Havia firmado seus creditos no tempo colonial como professora liceal de Ingles. No pos-independencia acabou por saldar tais creditos como “professora de jornalismo”, nao se sabe muito bem com que qualificacoes, teoricas ou praticas, especificas.

Entre os dois periodos houve uma transicao durante a qual ela fora levemente “beliscada”, juntamente com um lendario poeta, por um dos movimentos de libertacao. Alguns estudantes liceais – entre os quais uma certa miuda que nunca fora, nem nunca seria, sua aluna –, que na altura andavam pelas ruas da cidade em pe’ de guerra contra tudo que era debitado aos “fantoches”, foram para a frente da hoje RNA gritar “Nos queremos AC! Nos queremos GA!” (… mas tambem, o que e’ que “nos nao queriamos” naquela altura?). E foi assim que a Sra. Professora ganhou estatuto de “intocavel”…

Longe estavam ainda os tempos em que se iria notabilizar como “guardia do templo” dos escribas e uma sua “peca de mobiliario”: uma especie de “escrivaninha” capaz de fazer e desfazer carreiras literarias a seu belo prazer (… entao, se estava p(h)odendo? Para que lhe servia afinal o estatuto de intocavel?). Foi por esses tempos que aquela miuda, entao ja’ mais crescidinha, lhe foi “imposta” como um novo membro do seu templo…

A Sra. Professora teve ali mesmo um ataque : os seus cabelos desgrenhados ericaram-se em cabos de alta tensao assassinos; os seus parcos e cariados dentes rangeram contra as gengivas quase exangues. Mas os espiritas do templo la’ conseguiram fazer-lhe controlar o seu xinguilamento e convence-la a conter, pelo menos publicamente, a sua “raiva na cara” (… Afinal, das Sras. Professoras esperava-se um minimo de contencao e decoro!) … E, assim, ela la’ (mal) se conteve. Mas jurou para si mesma e para todos quantos a pudessem ouvir, que "enquanto ela fosse viva, no que dependesse dela, aquela miuda nunca iria a lado nenhum" ou, dito de outro modo, "havia de lhe fazer a vida negra"! Promessa que viria a cumprir a risca, das mais diversas formas, mas a sua preferida (e que nem sequer era de todas a pior) era dizer sobre a miuda, tanto verbalmente como em publicacoes: “… mas essa abandonou o pais para estudar e nunca mais voltou”!

E foi nesses propositos em que a miuda, passados varios anos, encontrou a Sra. Professora palestrando sobre “Mulheres e Literatura”, durante uma “Maka a Quarta Feira” no seu templo. Era um 2 ou 8 de Marco e a sala estava – como a miuda nunca tinha visto nos tempos em que era habitue’ das “makas” – a transbordar de uma audiencia constituida maioritariamente por alunas das escolas secundarias circundantes.

A Sra. Professora falou de varias coisas que entendia afectarem a vida das mulheres: das "quatorzinhas" que, segundo ela, "apenas o eram porque as suas maes a isso as obrigavam ou incentivavam"; daqueles “sacanas, racistas e machistas” dos Zimbabweanos que "obrigavam as escritoras do seu pais a ter uma organizacao separada"; dos homens “africanos” que "entregavam a criacao dos filhos exclusivamente as mulheres" – tendo-se ai virado para o Mais-Velho de chapeu e bengala e, sem a menor deferencia, lhe perguntado: “nao e’ verdade?! Voce alguma vez deu banho a um dos seus filhos?!” E o Mais-Velho so’ abanou levemente a cabeca em sinal de desgosto e reprovacao por aquela falta de respeito… Ate’ que chegou a referencia a alguns nomes e obras, sendo de destacar a mencao que fez a uma delas que, afirmava, “escrevia poemas e contos que se passavam em cenarios e ambientes sofisticados, nao os la’ do musseque”, rematando com um “assim e’ que e’”!

O resto era de se adivinhar, sendo que quando chegou o infalivel momento de, sobre a miuda, dizer “mas essa abandonou o pais…”, a miuda levantou o braco de onde estava, pedindo a palavra. A Sra. Professora: “Ai! Estas aqui? Ja’ voltaste?! Olha que eu nao te reconhecia pa’, estas toda gorda!” (sendo que esta ultima observacao visivelmente a enchera de satisfacao!) … A miuda, cujo corpo, por mais “gordo” que estivesse, cabia pelo menos umas tres ou quatro vezes no corpo balofo da Sra. Professora, comecou por dizer que lamentava que, num dia dedicado a Mulher, a referencia mais “perspicaz” que lhe ocorria fazer depois de tantos anos sem se verem era a mencao (negativa) ao seu corpo, acrescentando as suas congratulacoes a Sra. Professora porque, de cabelos e dentes arranjados, achava-a muito mais bonita! Depois, disse um pouco de si e do que tinha feito e estava a fazer durante o seu "abandono do pais". Quando terminou a sua intervencao, o Mais-Velho levantou-se para sair e, parando brevemente junto da miuda, que conhecia desde realmente miuda, deu-lhe dois beijinhos e, beliscando-lhe a bochecha disse-lhe afectuosamente: “tu sais mesmo ao teu pai”!

Bom, a “maka” terminou com o primeiro e unico “popular mobbing” que a miuda teve na vida: toda aquela miudagem de raparigas e alguns rapazes se acotovelou a volta dela com beijinhos, pedidos de autografos, perguntas e as mais diversas manifestacoes de entusiasmo… Assim, por tudo o que nao escreveu e nao disse ao longo dos anos, aquele momento de espontaneo e genuino calor humano – mesmo nao o tendo particularmente desejado por nao se julgar dele merecedora – disse tudo quanto ela alguma vez “precisara de ouvir” sobre a sua, modestamente assumida, pequena obra e longa ausencia. E, muito mais do que sobre ela ou a sua escrita, disse bastante quanto ao que a palavra "esperanca" pode significar em Angola...

E da Sra. Professora ela nunca mais ouvira, excepto que falecera algum tempo depois e que deixara algumas herdeiras , por entre 'donas negras' e 'ninfas brancas', determinadas a prosseguir o seu legado de inveja, odio e 'senseless bullying' contra a miuda… [Paz a Sua(s) Alma(s)]





[*] Postado inicialmente a 31/03/10

Repostado a proposito disto...

E... onde e' que por aqui ja' se falou em Sadismos e Masoquismos? ... E de onde e quando "o sexo comanda a vida"? ... E de "masculinidades equivocadas e distorcidas"? ... E de "rapazes", "sub-rapazes" e "rapazitos"? ... E de "complexos de colonizado"? ... E de "lavagens ao cerebro"? ... E do "homem novo"? ... E de jornalismo no "pais real"?... E de "sociedade doente"?


Post Relacionado:

Maria Luisa Dolbeth e Costa...



'A Senhora Professora'


Havia firmado seus creditos no tempo colonial como professora liceal de Ingles. No pos-independencia acabou por saldar tais creditos como “professora de jornalismo”, nao se sabe muito bem com que qualificacoes, teoricas ou praticas, especificas.

Entre os dois periodos houve uma transicao durante a qual ela fora levemente “beliscada”, juntamente com um lendario poeta, por um dos movimentos de libertacao. Alguns estudantes liceais – entre os quais uma certa miuda que nunca fora, nem nunca seria, sua aluna –, que na altura andavam pelas ruas da cidade em pe’ de guerra contra tudo que era debitado aos “fantoches”, foram para a frente da hoje RNA gritar “Nos queremos AC! Nos queremos GA!” (… mas tambem, o que e’ que “nos nao queriamos” naquela altura?). E foi assim que a Sra. Professora ganhou estatuto de “intocavel”…

Longe estavam ainda os tempos em que se iria notabilizar como “guardia do templo” dos escribas e uma sua “peca de mobiliario”: uma especie de “escrivaninha” capaz de fazer e desfazer carreiras literarias a seu belo prazer (… entao, se estava p(h)odendo? Para que lhe servia afinal o estatuto de intocavel?). Foi por esses tempos que aquela miuda, entao ja’ mais crescidinha, lhe foi “imposta” como um novo membro do seu templo…

A Sra. Professora teve ali mesmo um ataque : os seus cabelos desgrenhados ericaram-se em cabos de alta tensao assassinos; os seus parcos e cariados dentes rangeram contra as gengivas quase exangues. Mas os espiritas do templo la’ conseguiram fazer-lhe controlar o seu xinguilamento e convence-la a conter, pelo menos publicamente, a sua “raiva na cara” (… Afinal, das Sras. Professoras esperava-se um minimo de contencao e decoro!) … E, assim, ela la’ (mal) se conteve. Mas jurou para si mesma e para todos quantos a pudessem ouvir, que "enquanto ela fosse viva, no que dependesse dela, aquela miuda nunca iria a lado nenhum" ou, dito de outro modo, "havia de lhe fazer a vida negra"! Promessa que viria a cumprir a risca, das mais diversas formas, mas a sua preferida (e que nem sequer era de todas a pior) era dizer sobre a miuda, tanto verbalmente como em publicacoes: “… mas essa abandonou o pais para estudar e nunca mais voltou”!

E foi nesses propositos em que a miuda, passados varios anos, encontrou a Sra. Professora palestrando sobre “Mulheres e Literatura”, durante uma “Maka a Quarta Feira” no seu templo. Era um 2 ou 8 de Marco e a sala estava – como a miuda nunca tinha visto nos tempos em que era habitue’ das “makas” – a transbordar de uma audiencia constituida maioritariamente por alunas das escolas secundarias circundantes.

A Sra. Professora falou de varias coisas que entendia afectarem a vida das mulheres: das "quatorzinhas" que, segundo ela, "apenas o eram porque as suas maes a isso as obrigavam ou incentivavam"; daqueles “sacanas, racistas e machistas” dos Zimbabweanos que "obrigavam as escritoras do seu pais a ter uma organizacao separada"; dos homens “africanos” que "entregavam a criacao dos filhos exclusivamente as mulheres" – tendo-se ai virado para o Mais-Velho de chapeu e bengala e, sem a menor deferencia, lhe perguntado: “nao e’ verdade?! Voce alguma vez deu banho a um dos seus filhos?!” E o Mais-Velho so’ abanou levemente a cabeca em sinal de desgosto e reprovacao por aquela falta de respeito… Ate’ que chegou a referencia a alguns nomes e obras, sendo de destacar a mencao que fez a uma delas que, afirmava, “escrevia poemas e contos que se passavam em cenarios e ambientes sofisticados, nao os la’ do musseque”, rematando com um “assim e’ que e’”!

O resto era de se adivinhar, sendo que quando chegou o infalivel momento de, sobre a miuda, dizer “mas essa abandonou o pais…”, a miuda levantou o braco de onde estava, pedindo a palavra. A Sra. Professora: “Ai! Estas aqui? Ja’ voltaste?! Olha que eu nao te reconhecia pa’, estas toda gorda!” (sendo que esta ultima observacao visivelmente a enchera de satisfacao!) … A miuda, cujo corpo, por mais “gordo” que estivesse, cabia pelo menos umas tres ou quatro vezes no corpo balofo da Sra. Professora, comecou por dizer que lamentava que, num dia dedicado a Mulher, a referencia mais “perspicaz” que lhe ocorria fazer depois de tantos anos sem se verem era a mencao (negativa) ao seu corpo, acrescentando as suas congratulacoes a Sra. Professora porque, de cabelos e dentes arranjados, achava-a muito mais bonita! Depois, disse um pouco de si e do que tinha feito e estava a fazer durante o seu "abandono do pais". Quando terminou a sua intervencao, o Mais-Velho levantou-se para sair e, parando brevemente junto da miuda, que conhecia desde realmente miuda, deu-lhe dois beijinhos e, beliscando-lhe a bochecha disse-lhe afectuosamente: “tu sais mesmo ao teu pai”!

Bom, a “maka” terminou com o primeiro e unico “popular mobbing” que a miuda teve na vida: toda aquela miudagem de raparigas e alguns rapazes se acotovelou a volta dela com beijinhos, pedidos de autografos, perguntas e as mais diversas manifestacoes de entusiasmo… Assim, por tudo o que nao escreveu e nao disse ao longo dos anos, aquele momento de espontaneo e genuino calor humano – mesmo nao o tendo particularmente desejado por nao se julgar dele merecedora – disse tudo quanto ela alguma vez “precisara de ouvir” sobre a sua, modestamente assumida, pequena obra e longa ausencia. E, muito mais do que sobre ela ou a sua escrita, disse bastante quanto ao que a palavra "esperanca" pode significar em Angola...

E da Sra. Professora ela nunca mais ouvira, excepto que falecera algum tempo depois e que deixara algumas herdeiras , por entre
'donas negras' e 'ninfas brancas', determinadas a prosseguir o seu legado de inveja, odio e 'senseless bullying' contra a miuda… [Paz a Sua(s) Alma(s)]





[*] Postado inicialmente a 31/03/10

Repostado a proposito disto...

E... onde e' que por aqui ja' se falou em Sadismos e Masoquismos? ... E de onde e quando "o sexo comanda a vida"? ... E de "masculinidades equivocadas e distorcidas"? ... E de "rapazes", "sub-rapazes" e "rapazitos"? ... E de "complexos de colonizado"? ... E de "lavagens ao cerebro"? ... E do "homem novo"? ... E de jornalismo no "pais real"?... E de "sociedade doente"?


Post Relacionado:

Maria Luisa Dolbeth e Costa...

Wednesday, 1 December 2010

UM FILME DE TERROR



[imagem daqui]


… O plot passa-se na Lua e comeca quando uma madame (por sinal, branca), ja’ de certa idade e com apelido castelhano, tentando por fim aos seus longos meses de solidao na sua alcova decide emitir uma “ordem de recrutamento” para um certo poeta errante, mais conhecido por Incrivel Svengali. Mas este, igualmente determinado a por fim aos seus proprios longos anos de solidao, responde-lhe que nao esta’ disponivel por se encontrar totalmente dedicado a sua recem-conquistada gazela

A madame, inconsolada, requisita entao ao Svengali, atraves de um certo minion, que lhe mande de encomenda urgente o seu mais proximo mestrando: um empregado de seguros que, nas horas vagas, se dedica ao oficio de 'pintor auto-didacta' e drug dealer. E se assim o requisitou, assim o obteve.

Mas, nao satisfeita com a aquisicao de um “second best”, a madame continua a sua caca pelo fruto, por si e por muitas outras intelectualoides e belles de jour locais, mais desejado: o Incrivel Svengali… Vai dai, um belo dia (ou melhor, uma bela noite…), o poeta errante e a gazela vao a caminho de casa vindos de uma festa, em que a gazela, unica negra presente – como sempre o era em todos os circulos que com ele frequentava (excepto quando ela o levava a alguns dos seus proprios circulos, como quando foram comer um funge de domingo a casa do seu tio-padrinho Pepe', a quem o poeta errante chamava tio Fefe'...) –, exalta animos (tanto bons, como perversos e maquiavelicos…) com as suas longas trancas africanas enfeitadas de missangas e a sua veste de cetim preto sobre o seu corpo juvenil… Eis entao que, sem saberem de onde, como, ou porque, sao “barrados”, ja’ bem perto de casa, por um carro conduzido por um certo mundele de apelido “Maluco”, que tras a seu lado a madame e no banco de tras dois outros esbirros

Bom, o que se seguiu foi pura e simplesmente para esquecer (… filme de terror, remember? ...), excepto que o poeta errante e a gazela foram salvos in extremis do 'holocausto' por um (k)night rider numa potente mota (Harley Davidson?) que, por acaso, morava no predio ao lado do deles…

Porem, mais anos passados, a madame ainda mais inconsolada com o desafecto do seu “second best” – que entretanto bazara para as meloias, onde se tornaria porteiro de uma galeria de arte ou coisa parecida – consegue contratar para os seus servicos, mais uma vez atraves do Incrivel Svengali, um outro mestrando deste, dessa vez negro, que se tornaria especialista em poemarios… e o resto… e’ historia!

Mas a gazela… essa, embora completamente refeita de todos os filmes de terror do Incrivel Svengali – para o que contou com o apoio de um certo artista , este entretanto "chamado a razao" perante o terror de perder a sua dama por causa da sua vida airada, vida essa em que era incentivado por essas mesmas madames e belles de jour locais mais alguns de seus esbirros agora metidos a campeoes dos "valores e principios"...–, continua, cerca de tres decadas depois, a tentar reconstituir o plot, porque lhe foram dadas dicas de que ele tera’ comecado verdadeiramente na festa de onde vinham naquela noite e em que tambem pontificava uma outra madame de quem por aqui se fala…

Filme de Terror… She said!



ADENDA



Ha', no entanto, duas palavras a dizer em favor tanto do poeta errante, como do artista:

(Paz as Suas Almas!)

- Varios anos depois desses "filmes" se terem passado, o artista levou a sua dama ao bar 'a esquina da sua galeria, frequentado por alguns literatti da praca, onde encontraram o poeta errante, tendo a dada altura colocado os bracos a volta deste e da dama, dizendo: "vamos la' fazer as pazes, eu gosto muito e tenho respeito por voces os dois..." (note-se que isso foi muito depois de uma certa "peleja publica", numa certa noite em que, by the way, tambem estava presente esta outra madame e durante a qual o poeta errante apenas gritava: "eu sempre respeitei a Paulinha!"...). De notar, apenas de passagem, que tambem la' se encontrava o mais velho escritor Raul David que dirigiu esta fala a dama: "sim senhora, uma mulher muito bem educada e que sabe estar"!

- Anos mais tarde ainda, o poeta errante e a gazela encontraram-se depois de varios anos sem se verem e ele falou-lhe um pouco da sua vida tendo-lhe dito que estava num relacionamento aparentemente duradouro, acrescentando: "olhe (sempre se haviam tratado por voce) consegui encontrar alguem com paciencia para me aturar... como a Paulinha deve imaginar, o merito nao e' meu..."!




Post relacionado:


Uma Licao Sobre Psychos, Minions, Kabungados & Suas Damas



[imagem daqui]


… O plot passa-se na Lua e comeca quando uma madame (por sinal, branca), ja’ de certa idade e com apelido castelhano, tentando por fim aos seus longos meses de solidao na sua alcova decide emitir uma “ordem de recrutamento” para um certo poeta errante, mais conhecido por Incrivel Svengali. Mas este, igualmente determinado a por fim aos seus proprios longos anos de solidao, responde-lhe que nao esta’ disponivel por se encontrar totalmente dedicado a sua recem-conquistada gazela

A madame, inconsolada, requisita entao ao Svengali, atraves de um certo minion, que lhe mande de encomenda urgente o seu mais proximo mestrando: um empregado de seguros que, nas horas vagas, se dedica ao oficio de 'pintor auto-didacta' e drug dealer. E se assim o requisitou, assim o obteve.

Mas, nao satisfeita com a aquisicao de um “second best”, a madame continua a sua caca pelo fruto, por si e por muitas outras intelectualoides e belles de jour locais, mais desejado: o Incrivel Svengali… Vai dai, um belo dia (ou melhor, uma bela noite…), o poeta errante e a gazela vao a caminho de casa vindos de uma festa, em que a gazela, unica negra presente – como sempre o era em todos os circulos que com ele frequentava (excepto quando ela o levava a alguns dos seus proprios circulos, como quando foram comer um funge de domingo a casa do seu tio-padrinho Pepe', a quem o poeta errante chamava tio Fefe'...) –, exalta animos (tanto bons, como perversos e maquiavelicos…) com as suas longas trancas africanas enfeitadas de missangas e a sua veste de cetim preto sobre o seu corpo juvenil… Eis entao que, sem saberem de onde, como, ou porque, sao “barrados”, ja’ bem perto de casa, por um carro conduzido por um certo mundele de apelido “Maluco”, que tras a seu lado a madame e no banco de tras dois outros esbirros

Bom, o que se seguiu foi pura e simplesmente para esquecer (… filme de terror, remember? ...), excepto que o poeta errante e a gazela foram salvos in extremis do 'holocausto' por um (k)night rider numa potente mota (Harley Davidson?) que, por acaso, morava no predio ao lado do deles…

Porem, mais anos passados, a madame ainda mais inconsolada com o desafecto do seu “second best” – que entretanto bazara para as meloias, onde se tornaria porteiro de uma galeria de arte ou coisa parecida – consegue contratar para os seus servicos, mais uma vez atraves do Incrivel Svengali, um outro mestrando deste, dessa vez negro, que se tornaria especialista em poemarios… e o resto… e’ historia!

Mas a gazela… essa, embora completamente refeita de todos os filmes de terror do Incrivel Svengali – para o que contou com o apoio de um certo artista , este entretanto "chamado a razao" perante o terror de perder a sua dama por causa da sua vida airada, vida essa em que era incentivado por essas mesmas madames e belles de jour locais mais alguns de seus esbirros agora metidos a campeoes dos "valores e principios"...–, continua, cerca de tres decadas depois, a tentar reconstituir o plot, porque lhe foram dadas dicas de que ele tera’ comecado verdadeiramente na festa de onde vinham naquela noite e em que tambem pontificava uma outra madame de quem por aqui se fala…

Filme de Terror… She said!



ADENDA



Ha', no entanto, duas palavras a dizer em favor tanto do poeta errante, como do artista:

(Paz as Suas Almas!)

- Varios anos depois desses "filmes" se terem passado, o artista levou a sua dama ao bar 'a esquina da sua galeria, frequentado por alguns literatti da praca, onde encontraram o poeta errante, tendo a dada altura colocado os bracos a volta deste e da dama, dizendo: "vamos la' fazer as pazes, eu gosto muito e tenho respeito por voces os dois..." (note-se que isso foi muito depois de uma certa "peleja publica", numa certa noite em que, by the way, tambem estava presente esta outra madame e durante a qual o poeta errante apenas gritava: "eu sempre respeitei a Paulinha!"...). De notar, apenas de passagem, que tambem la' se encontrava o mais velho escritor Raul David que dirigiu esta fala a dama: "sim senhora, uma mulher muito bem educada e que sabe estar"!

- Anos mais tarde ainda, o poeta errante e a gazela encontraram-se depois de varios anos sem se verem e ele falou-lhe um pouco da sua vida tendo-lhe dito que estava num relacionamento aparentemente duradouro, acrescentando: "olhe (sempre se haviam tratado por voce) consegui encontrar alguem com paciencia para me aturar... como a Paulinha deve imaginar, o merito nao e' meu..."!




Post relacionado:


Uma Licao Sobre Psychos, Minions, Kabungados & Suas Damas

Thursday, 15 July 2010

Personagens (IX)

'A Matilha'

ou

"A Quadrilha dos Nos, os bravos do pelotao de herois que ficamos (... tendo embora quase todos, a conta do estado angolano, propriedades, financas e esquemas de saude 'la' fora', ou vivendo nos exilios dourados a sombra das 'nossas embaixadas', enquanto os verdadeiros herois desapareciam ou eram mutilados em combate, ou "sobreviviam" nas ngundas da stateless diaspora...) "


ou

"O Movimento dos Novissimos e Exclusivissimos Donos de Angola e da Angolanidade"

...

Eh pa'!...


[auto-censurado]





LOOK: o meu mundo e' MUITO MAIOR que o piquinininho, mediocre, neo-colonial, xenofobo, esquizofrenico, autofagico, patrioteiro, exclusivista, segregacionista e racista "circulo restrito" que misogina, venal, pornografica, masturbatoria e embriagadamente desenham a volta do vosso umbigo, yah?!

NAO VOS TENHO RESPEITO NENHUM!


"I've learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel."
(Maya Angelou)


'A Matilha'

ou

"A Quadrilha dos Nos, os bravos do pelotao de herois que ficamos (... tendo embora quase todos, a conta do estado angolano, propriedades, financas e esquemas de saude 'la' fora', ou vivendo nos exilios dourados a sombra das 'nossas embaixadas', enquanto os verdadeiros herois desapareciam ou eram mutilados em combate, ou "sobreviviam" nas ngundas da stateless diaspora...) "


ou

"O Movimento dos Novissimos e Exclusivissimos Donos de Angola e da Angolanidade"

...

Eh pa'!...


[auto-censurado]





LOOK: o meu mundo e' MUITO MAIOR que o piquinininho, mediocre, neo-colonial, xenofobo, esquizofrenico, autofagico, patrioteiro, exclusivista, segregacionista e racista "circulo restrito" que misogina, venal, pornografica, masturbatoria e embriagadamente desenham a volta do vosso umbigo, yah?!

NAO VOS TENHO RESPEITO NENHUM!


"I've learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel."
(Maya Angelou)


Sunday, 28 March 2010

PERSONAGENS (VII)



O TIO

Nunca se soube muito bem por que vias afectivas se tornara tio daquelas maninhas.
Nem de onde lhe vinha a kigila que parecia ter com uma delas…
Sabia-se apenas que a conhecia de um tempo de tragedias revolucionarias e de uma idade de inocencias pueris. O tempo era o dele; a idade a dela. Figura paterna, projectava ela; coisa a explorar, vislumbrava ele.
E assim se foram ondulando entre o sul e o norte do tempo e da idade; se foram cidadaniando entre picadeiros e largos; se foram confrontando em tabuleiros de xadrez; se foram contando entre letras de musicas, prosas e versos. Um dia ele disse que queria explorar mais os dela. Ela que nao, que ainda andava em busca de certezas da idade de brigadistas. Ele que sim, qual brigada qual que, ia logo-logo po-los entre os do tempo dele. E assim se lhe impos com sua certeza de figura paterna
Qual figura paterna qual que, olha maze’ pra mim com outros olhos; esses com que devias ver que aquele a quem dedicas todas as suas lagrimas anda por ai com outras – ainda ha’ pouco o vi com uma branca! Sera' que e’ a Kianda que mora aqui por baixo do predio que te tras assim toda fitiçada ou que?! Ralhou.
Mas, agora mudando de assunto, ha’ uns gajos do meu tempo que tambem me andam a fazer chorar, mas garanto-te aqui neste kubico onde a Kianda me pode ouvir, que nao hei-de morrer sem escrever um livro numa lingua nacional, do sul ou do norte nao importa!
E se assim falou o tio, assim o fez, num tempo em que nem ele sabia bem porque (talvez a globalizacao, talvez a democracia, talvez o ela nunca o ter conseguido olhar com outros olhos, talvez a perene falta de alianca no anelar dela…) as palavras que mais o excitavam e inspiravam eram ‘desconhecimento’ e ‘promiscuidade’. Era a idade da razao dela e as lagrimas e os ouvidos da Kianda estavam entao longe de ambos. Talvez por essas vias se encontrem as razoes de todas as kigilas.



O TIO

Nunca se soube muito bem por que vias afectivas se tornara tio daquelas maninhas.
Nem de onde lhe vinha a kigila que parecia ter com uma delas…
Sabia-se apenas que a conhecia de um tempo de tragedias revolucionarias e de uma idade de inocencias pueris. O tempo era o dele; a idade a dela. Figura paterna, projectava ela; coisa a explorar, vislumbrava ele.
E assim se foram ondulando entre o sul e o norte do tempo e da idade; se foram cidadaniando entre picadeiros e largos; se foram confrontando em tabuleiros de xadrez; se foram contando entre letras de musicas, prosas e versos. Um dia ele disse que queria explorar mais os dela. Ela que nao, que ainda andava em busca de certezas da idade de brigadistas. Ele que sim, qual brigada qual que, ia logo-logo po-los entre os do tempo dele. E assim se lhe impos com sua certeza de figura paterna
Qual figura paterna qual que, olha maze’ pra mim com outros olhos; esses com que devias ver que aquele a quem dedicas todas as suas lagrimas anda por ai com outras – ainda ha’ pouco o vi com uma branca! Sera' que e’ a Kianda que mora aqui por baixo do predio que te tras assim toda fitiçada ou que?! Ralhou.
Mas, agora mudando de assunto, ha’ uns gajos do meu tempo que tambem me andam a fazer chorar, mas garanto-te aqui neste kubico onde a Kianda me pode ouvir, que nao hei-de morrer sem escrever um livro numa lingua nacional, do sul ou do norte nao importa!
E se assim falou o tio, assim o fez, num tempo em que nem ele sabia bem porque (talvez a globalizacao, talvez a democracia, talvez o ela nunca o ter conseguido olhar com outros olhos, talvez a perene falta de alianca no anelar dela…) as palavras que mais o excitavam e inspiravam eram ‘desconhecimento’ e ‘promiscuidade’. Era a idade da razao dela e as lagrimas e os ouvidos da Kianda estavam entao longe de ambos. Talvez por essas vias se encontrem as razoes de todas as kigilas.

Thursday, 10 December 2009

PERSONAGENS (V)



O (IN)CRIVEL SVENGALI


Era um predador.

Apanhou uma gazela desprevenida, perdida em sonhos, a caminho da Xicala.
Roubou-lhe a casa, os haveres e o dinheiro.

Vulto que era, desejava apoderar-se tambem dos seus amor-proprio, auto-estima, dignidade, identidade, alma e poesia – tal como havia feito o pai dele a sua mae, levando-o a renunciar ao seu verdadeiro nome de familia e, feito paranoico-esquizofrenico, a mergulhar de cabeca por toda a sua diletante vida em todos os vicios tipicos do bas fond, por entre generosas doses de alcool, liamba e heroina, dia sim, dia tambem...

Mas a gazela, ingénua e desprotegida, que nunca sequer disso suspeitara inicialmente, deixou-se por ele raptar para o que acabariam por ser 6 meses (seis!) de puro terror no seu tugurio. Conseguiu, no entanto, mas nao sem grandes lutas (!), manter-se ilesa dos vicios do predador, com cuja contaminacao ele frequentemente a ameacava...

Nunca comeram funge juntos porque, enquanto ela trabalhava, era geralmente ele que cozinhava e ‘a sua mesa nao se serviam “comidas do musseke”... nunca ouviram musica juntos porque nao era coisa que ele apreciasse (e la' dizia/cantava alguem: "nao se ama quem nao ouve a mesma cancao"...), nunca dancaram juntos porque nao era coisa que ele soubesse...

Ate’ que a gazela conseguiu fugir do seu cativeiro (ao fim de 6 meses - seis!), em estado de choque profundo, deixando-lhe em vomito tudo o que havia "debicado do prato dele" e comprado com o dinheiro dela na sua exclusiva loja diplomatica, levando consigo apenas e so’ tudo quanto aprendera com ele: a ter mais cuidado a caminho da Xicala!

Para todo o sempre despeitado com a fuga da sua presa de estimacao (a quem ele tratava, supostamente carinhosamente, por "bicho") e para selar as suas competencias de "pacheco", o predador haveria de usar de todo o tipo de golpes baixos e sujos para lhe colar lama ao nome (mas, especialmente, para escarnecer sobre a sua poesia - escrita ao longo de varios anos, antes e depois, mas nunca durante os tais fatidicos 6 meses (!), em que, diga-se de passagem ela nunca lera qualquer poema dele... - sobre a qual, aquando da sua publicacao cerca de 5 anos depois, embora perante ela se dissesse "agradavelmente surpreendido", a outros dizia ser "da autoria dele"...), usando para o efeito os servicos de um pequeno, mas eficiente, regimento de mestrandos seus e outros tantos dickheads, low lifes e sycophants (traduzido para mwangole': "aqueles que so' teem uma coisa na cabeca e vida deles e' so' fazere bwe' de kilapie', kuribotar e lamber botas") de vocacao e profissao, incluindo jornalistas/kuribotas frustrados; antigos combatentes de ocasiao eternamente encalacrados entre 'mulembeiras' e 'mafumeiras' ou entre Tomaz Vieira da Cruz e Mario Antonio de Oliveira; secretas "paiados"; "brigadistas" enraivecidos e cegos de inveja que nunca perdoariam a gazela ter entrado para o templo dos escribas primeiro do que eles, acompanhados de suas madrinhas com perguntas como "porque promover uns e nao outros?!"; “epigonos” muito dados ao uso e abuso de chavoes e palavroes como “poemario” e geralmente envelhecidas e deselegantes (em alguns casos tambem desgrenhadas e desdentadas), enciumadas, ressabiadas, recalcadas, frustradas e pseudo-intelectuais belles de jour locais... Essa foi a sua "heranca intelectual" - nao deixando de ser relevante aqui notar que quando ele a raptara, ja' a gazela tinha educacao de nivel universitario, enquanto ele nunca completara o ensino secundario!...

Mas tambem era um poeta "afectuoso", o (in)crivel Svengali predador. E bom cozinheiro. E de esquerda!

[Por isso conseguiu fazer das suas impunemente nas barbas do bando!]



O (IN)CRIVEL SVENGALI


Era um predador.

Apanhou uma gazela desprevenida, perdida em sonhos, a caminho da Xicala.
Roubou-lhe a casa, os haveres e o dinheiro.

Vulto que era, desejava apoderar-se tambem dos seus amor-proprio, auto-estima, dignidade, identidade, alma e poesia – tal como havia feito
o pai dele a sua mae, levando-o a renunciar ao seu verdadeiro nome de familia e, feito paranoico-esquizofrenico, a mergulhar de cabeca por toda a sua diletante vida em todos os vicios tipicos do bas fond, por entre generosas doses de alcool, liamba e heroina, dia sim, dia tambem...

Mas a gazela, ingénua e desprotegida, que nunca sequer disso suspeitara inicialmente, deixou-se por ele raptar para o que acabariam por ser 6 meses (seis!) de puro terror no seu tugurio. Conseguiu, no entanto, mas nao sem grandes lutas (!), manter-se ilesa dos vicios do predador, com cuja contaminacao ele frequentemente a ameacava...

Nunca comeram funge juntos porque, enquanto ela trabalhava, era geralmente ele que cozinhava e ‘a sua mesa nao se serviam “comidas do musseke”... nunca ouviram musica juntos porque nao era coisa que ele apreciasse (e la' dizia/cantava alguem: "nao se ama quem nao ouve a mesma cancao"...), nunca dancaram juntos porque nao era coisa que ele soubesse...

Ate’ que a gazela conseguiu fugir do seu cativeiro (ao fim de 6 meses - seis!), em estado de choque profundo, deixando-lhe em vomito tudo o que havia "debicado do prato dele" e comprado com o dinheiro dela na sua exclusiva loja diplomatica, levando consigo apenas e so’ tudo quanto aprendera com ele: a ter mais cuidado a caminho da Xicala!

Para todo o sempre despeitado com a fuga da sua presa de estimacao (a quem ele tratava, supostamente carinhosamente, por "bicho") e para selar as suas competencias de "pacheco", o predador haveria de usar de todo o tipo de golpes baixos e sujos para lhe colar lama ao nome (mas, especialmente, para escarnecer sobre a sua poesia - escrita ao longo de varios anos, antes e depois, mas nunca durante os tais fatidicos 6 meses (!), em que, diga-se de passagem ela nunca lera qualquer poema dele... - sobre a qual, aquando da sua publicacao cerca de 5 anos depois, embora perante ela se dissesse "agradavelmente surpreendido", a outros dizia ser "da autoria dele"...), usando para o efeito os servicos de um pequeno, mas eficiente, regimento de mestrandos seus e outros tantos dickheads, low lifes e sycophants (traduzido para mwangole': "aqueles que so' teem uma coisa na cabeca e vida deles e' so' fazere bwe' de kilapie', kuribotar e lamber botas") de vocacao e profissao, incluindo jornalistas/kuribotas frustrados; antigos combatentes de ocasiao eternamente encalacrados entre 'mulembeiras' e 'mafumeiras' ou entre Tomaz Vieira da Cruz e Mario Antonio de Oliveira; secretas "paiados"; "brigadistas" enraivecidos e cegos de inveja que nunca perdoariam a gazela ter entrado para o templo dos escribas primeiro do que eles, acompanhados de suas madrinhas com perguntas como "porque promover uns e nao outros?!"; “epigonos” muito dados ao uso e abuso de chavoes e palavroes como “poemario” e geralmente envelhecidas e deselegantes (em alguns casos tambem desgrenhadas e desdentadas), enciumadas, ressabiadas, recalcadas, frustradas e pseudo-intelectuais belles de jour locais... Essa foi a sua "heranca intelectual" - nao deixando de ser relevante aqui notar que quando ele a raptara, ja' a gazela tinha educacao de nivel universitario, enquanto ele nunca completara o ensino secundario!...

Mas tambem era um poeta "afectuoso", o (in)crivel Svengali predador. E bom cozinheiro. E de esquerda!

[Por isso conseguiu fazer das suas impunemente nas barbas do bando!]

Monday, 16 November 2009

O DIA EM QUE O LEAO (NAO) COMEU PELA PRIMEIRA VEZ A ESTRELA…



Masque (2003) - Amidou Dossou, Benin

Foi o dia em que alguem, algures entre a Maianga e a Cidade Alta, resolveu que a literatura angolana precisava de algo assim como uma “biblioteca asseptica”: “ja’ era preciso um trabalho assim, uma especie de condensado para que as novas geracoes entendam como a personalidade dos povos de Angola se foi afirmando atraves da literatura…” – tera’ (alegadamente) sentenciado o mais elevado dos espiritas.

Gbé hin azin bo aï djrè (2006) - Cyprien Tokoudagdaba, Benin

Ai instalou-se a tragedia…

Mas, infelizmente, invocados os espiritos (maiores e menores; mais ou menos elevados), a razao nao voltou a sala: engalfinharam-se todos, ao longo de alinhamentos racicos, numa guerra aberta, numa rixa de bar de beco onde so’ faltou puxar canivetes e, no melhor dos casos, em trocas de azedos galhardetes com lugar de destaque nas parangonas…
Ate’ que, aparentemente, acabaram por se decidir mansamente por um fugaz pacto de regime, ou de elites, pois so’ assim ficariam todos copiosamente servidos dos espolios da guerra, em plena comunhao: onde e’ promovido, contemplado, nomeado, agraciado, galardoado, premiado, ou tambem achincalhado, alguem de um lado do bilo, alguem do outro lado tambem tem de o ser… e.g., se num ano e' premiada uma cantora lirica negra, no ano seguinte tem de ser uma "ex-balarina classica" branca; se no espaco de uma semana morrem dois 'epigonos', um de cada lado da barricada e nos antipodas um do outro em termos de mundovisao, ha' que conceder-lhes ex-aequo et bono uma "indelevel heranca intelectual"... e por ai fora.

Récade(2004)- Cyprien Tokoudagdaba, Benin

Assim, nesse ambiente de paz podre, como ovo de cobra se pariu a hipocrita neofita “ideologia dos (pretensos) afectos”, cuja vitima mais notoria tem sido a possibilidade (supostamente conquistada no pos-guerra com os novos tempos de construcao democratica) de qualquer debate intelectual minimamente objectivo, racional e construtivo sobre as questoes de fundo subjacentes a tal disputa - espante-se, pois, a multidao, de que a Historia de Angola, e da Africa em geral, seja pouco mais do que uma eterna sucessao de aparentemente "inexplicaveis", ou "exclusivamente incitadas pelo ocidente", guerras fratricidas...

Acontece, porem, que ha’ pelo meio desse campo de batalha umas estranhas (estrangeiras?) criaturas que nunca nele voluntariamente se meteram, nem nunca se propuseram envolver-se em nenhuma guerra com qualquer dos lados da contenda, mesmo porque para tal nunca foram invocadas ou convocadas e, acima de tudo, nao teem nem nunca tiveram qualquer apetencia pelos espolios em questao.

… OU DE COMO OS SONHOS ANDAM EM PARAFUSO
(PARA USO DESUSO E ABUSO) …

Dangbé (2005)- Cyprien Tokoudagdaba, Benin

Mas… como diz a multidao de cobra ao pescoco e presa ao chao: “sai debaixo, porque onde bilam os elefantes, o capim e’ que paga”, ou seja, as tais estranhas criaturas [“pobres e insignificantes”, segundo uma certa ‘onca chorona’ contra quem, em tempos nao assim tao longinquos mas que agora a todos convem varrer para debaixo do tapete, um dos lados chegou a emitir um abaixo-assinado acusando-a de “sistematicas praticas social e racialmente discriminatorias” (o que a levou, num passe de magica, do dia para a noite, a trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara MwanaPwo para assim se afirmar "mais negra e mais angolana” - no que, diga-se de passagem, a sua famosa, exotica e prestimosa bunDONA muito a tem ajudado - do que os seus criticos todos juntos e, mais ainda, do que a propria Angolanidade… ao ponto de agora ate' se permitir deliberar e ordenar sobre quem "merece" ou nao ser Angolano - o que, de resto, ultimamente vem "fazendo genero" entre certas criaturas de nacionalidade e/ou identidade duvidosa... -, e, agora que se diz "mae da danca contemporanea em Africa (...!)", se calhar ate' da propria Africanidade!), numa certa academia de musica e danca classica – onde, incidentalmente, ha’ vinte e tal anos, numa das unicas tres ocasioes em que me lembro de a ter visto na vida (ja' agora, as duas outras foram, respectivamente, em Luanda, nas imediacoes do Liceu Feminino, quando pela primeira vez lhe reparei no traseiro e, em Lisboa, durante um evento da embaixada de Angola com a presenca de JES, em que ela, como dedicada cortesã e servidora do poder, apresentava uma danca especialmente dedicada a S.Excia.), nao pude deixar de reparar nela num dia em que, como por vezes fazia depois da minha aula de piano com o meu professor kaTchokwe que tinha sido treinado por uma mestra Sovietica, quando geralmente ja’ nao se encontrava mais ninguem no edificio, me entregava ao livre exercicio de “jazzin' up” os acordes classicos que com ele tinha praticado, ela apareceu a porta da sala onde o fazia, acompanhada por um ou dois dos seus ‘leoes’, com o ar inquisitorial-nazi de quem pergunta e diz “qu'essa merda?! porra!!!”, mas, perante o meu olhar sereno, acabou por se retirar com os seus acompanhantes sem uma palavra…]!

Requin (2004) - Cyprien Toukoudagba, Benin

Resulta que a dita “ideologia dos (pretensos) afectos” apenas tem conseguido criar, alimentar e reproduzir “ogros”, ou seja, monstros, vultos e glitterati esquizofrenicos, coadjuvados, quais sombras omnipresentes, omnipotentes e omniscientes, por seus ghost writers, "assistentes de criacao" e "conselheiros tecnicos indigenas" mais suas infaliveis coortes de sycophantas, sedentos de poder absoluto e dominacao exclusiva das parangonas e determinados a destroçar a catanada todos os sonhos que desconseguem usar, abusar e desusar…
E a razao... essa, enquanto o ambiente na sala continua de cortar a catanada, permanece angustiosamente inatingivel num qualquer labirinto entre a lua e a estrela, enquanto a ‘onca chorona’, transmudada na sua outra pele de cobra (Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs), continua, com toda a destreza e leveza que lhe sao conhecidas, dominando as parangonas e debicando dos pratos patrocinadores do
p(h)oder do estado onde tudo lhe e’ servido de bandeja, com ou sem desfalque: o reino e a vontade!

Mas… como tambem dizem os coitados de chupa no pe’: “o p(h)oder corrompe e o
p(h)oder absoluto corrompe absolutamente”, mas… ta’ tudo bem!




[… mas a musica ja’ nos desce mais 'as maos…]


Ilustracoes (excepto a ultima): Gaïa – Art Moderne et Contemporain d’Afrique (2007)

*****

Posts relacionados:





Masque (2003) - Amidou Dossou, Benin

Foi o dia em que alguem, algures entre a Maianga e a Cidade Alta, resolveu que a literatura angolana precisava de algo assim como uma “biblioteca asseptica”: “ja’ era preciso um trabalho assim, uma especie de condensado para que as novas geracoes entendam como a personalidade dos povos de Angola se foi afirmando atraves da literatura…” – tera’ (alegadamente) sentenciado o mais elevado dos espiritas.

Gbé hin azin bo aï djrè (2006) - Cyprien Tokoudagdaba, Benin

Ai instalou-se a tragedia…

Mas, infelizmente, invocados os espiritos (maiores e menores; mais ou menos elevados), a razao nao voltou a sala: engalfinharam-se todos, ao longo de alinhamentos racicos, numa guerra aberta, numa rixa de bar de beco onde so’ faltou puxar canivetes e, no melhor dos casos, em trocas de azedos galhardetes com lugar de destaque nas parangonas…
Ate’ que, aparentemente, acabaram por se decidir mansamente por um fugaz pacto de regime, ou de elites, pois so’ assim ficariam todos copiosamente servidos dos espolios da guerra, em plena comunhao: onde e’ promovido, contemplado, nomeado, agraciado, galardoado, premiado, ou tambem achincalhado, alguem de um lado do bilo, alguem do outro lado tambem tem de o ser… e.g., se num ano e' premiada uma cantora lirica negra, no ano seguinte tem de ser uma "ex-balarina classica" branca; se no espaco de uma semana morrem dois 'epigonos', um de cada lado da barricada e nos antipodas um do outro em termos de mundovisao, ha' que conceder-lhes ex-aequo et bono uma "indelevel heranca intelectual"... e por ai fora.

Récade(2004)- Cyprien Tokoudagdaba, Benin

Assim, nesse ambiente de paz podre, como ovo de cobra se pariu a hipocrita neofita “ideologia dos (pretensos) afectos”, cuja vitima mais notoria tem sido a possibilidade (supostamente conquistada no pos-guerra com os novos tempos de construcao democratica) de qualquer debate intelectual minimamente objectivo, racional e construtivo sobre as questoes de fundo subjacentes a tal disputa - espante-se, pois, a multidao, de que a Historia de Angola, e da Africa em geral, seja pouco mais do que uma eterna sucessao de aparentemente "inexplicaveis", ou "exclusivamente incitadas pelo ocidente", guerras fratricidas...

Acontece, porem, que ha’ pelo meio desse campo de batalha umas estranhas (estrangeiras?) criaturas que nunca nele voluntariamente se meteram, nem nunca se propuseram envolver-se em nenhuma guerra com qualquer dos lados da contenda, mesmo porque para tal nunca foram invocadas ou convocadas e, acima de tudo, nao teem nem nunca tiveram qualquer apetencia pelos espolios em questao.

… OU DE COMO OS SONHOS ANDAM EM PARAFUSO
(PARA USO DESUSO E ABUSO) …

Dangbé (2005)- Cyprien Tokoudagdaba, Benin

Mas… como diz a multidao de cobra ao pescoco e presa ao chao: “sai debaixo, porque onde bilam os elefantes, o capim e’ que paga”, ou seja, as tais estranhas criaturas [“pobres e insignificantes”, segundo uma certa ‘onca chorona’ contra quem, em tempos nao assim tao longinquos mas que agora a todos convem varrer para debaixo do tapete, um dos lados chegou a emitir um abaixo-assinado acusando-a de “sistematicas praticas social e racialmente discriminatorias” (o que a levou, num passe de magica, do dia para a noite, a trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara MwanaPwo para assim se afirmar "mais negra e mais angolana” - no que, diga-se de passagem, a sua famosa, exotica e prestimosa bunDONA muito a tem ajudado - do que os seus criticos todos juntos e, mais ainda, do que a propria Angolanidade… ao ponto de agora ate' se permitir deliberar e ordenar sobre quem "merece" ou nao ser Angolano - o que, de resto, ultimamente vem "fazendo genero" entre certas criaturas de nacionalidade e/ou identidade duvidosa... -, e, agora que se diz "mae da danca contemporanea em Africa (...!)", se calhar ate' da propria Africanidade!), numa certa academia de musica e danca classica – onde, incidentalmente, ha’ vinte e tal anos, numa das unicas tres ocasioes em que me lembro de a ter visto na vida (ja' agora, as duas outras foram, respectivamente, em Luanda, nas imediacoes do Liceu Feminino, quando pela primeira vez lhe reparei no traseiro e, em Lisboa, durante um evento da embaixada de Angola com a presenca de JES, em que ela, como dedicada cortesã e servidora do poder, apresentava uma danca especialmente dedicada a S.Excia.), nao pude deixar de reparar nela num dia em que, como por vezes fazia depois da minha aula de piano com o meu professor kaTchokwe que tinha sido treinado por uma mestra Sovietica, quando geralmente ja’ nao se encontrava mais ninguem no edificio, me entregava ao livre exercicio de “jazzin' up” os acordes classicos que com ele tinha praticado, ela apareceu a porta da sala onde o fazia, acompanhada por um ou dois dos seus ‘leoes’, com o ar inquisitorial-nazi de quem pergunta e diz “qu'essa merda?! porra!!!”, mas, perante o meu olhar sereno, acabou por se retirar com os seus acompanhantes sem uma palavra…]!

Requin (2004) - Cyprien Toukoudagba, Benin

Resulta que a dita “ideologia dos (pretensos) afectos” apenas tem conseguido criar, alimentar e reproduzir “ogros”, ou seja, monstros, vultos e glitterati esquizofrenicos, coadjuvados, quais sombras omnipresentes, omnipotentes e omniscientes, por seus ghost writers, "assistentes de criacao" e "conselheiros tecnicos indigenas" mais suas infaliveis coortes de sycophantas, sedentos de poder absoluto e dominacao exclusiva das parangonas e determinados a destroçar a catanada todos os sonhos que desconseguem usar, abusar e desusar…
E a razao... essa, enquanto o ambiente na sala continua de cortar a catanada, permanece angustiosamente inatingivel num qualquer labirinto entre a lua e a estrela, enquanto a ‘onca chorona’, transmudada na sua outra pele de cobra (Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs), continua, com toda a destreza e leveza que lhe sao conhecidas, dominando as parangonas e debicando dos pratos patrocinadores do
p(h)oder do estado onde tudo lhe e’ servido de bandeja, com ou sem desfalque: o reino e a vontade!

Mas… como tambem dizem os coitados de chupa no pe’: “o p(h)oder corrompe e o
p(h)oder absoluto corrompe absolutamente”, mas… ta’ tudo bem!




[… mas a musica ja’ nos desce mais 'as maos…]


Ilustracoes (excepto a ultima): Gaïa – Art Moderne et Contemporain d’Afrique (2007)

*****

Posts relacionados:



Tuesday, 14 July 2009

PERSONAGENS (III)

O "HOMO DEMOCRATICUS"


Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

Agostinho Neto





IT’S BETTER THAT A MAN SHOULD TYRANNIZE OVER HIS BANK BALANCE THAN OVER HIS FELLOW CITIZENS
John Maynard Keynes


{auto-censurado}



[N.B.: Tem esta postagem o unico proposito de desfazer alguns equivocos que teem sido deliberadamente gerados pela associacao maliciosa, por alguns, de algumas das minhas posicoes sobre a evolucao da situacao socio-economica e da vida politico-partidaria em Angola com as dos que sao indiscriminadamente apelidados por uma certa "oposicao bem pensante" ("ressabiada"?), entre outras designacoes insultuosas, de "filhos tresmalhados da patria" e "servidores do poder"... (ja' viram?!)]

O "HOMO DEMOCRATICUS"


Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

Agostinho Neto





IT’S BETTER THAT A MAN SHOULD TYRANNIZE OVER HIS BANK BALANCE THAN OVER HIS FELLOW CITIZENS
John Maynard Keynes


{auto-censurado}



[N.B.: Tem esta postagem o unico proposito de desfazer alguns equivocos que teem sido deliberadamente gerados pela associacao maliciosa, por alguns, de algumas das minhas posicoes sobre a evolucao da situacao socio-economica e da vida politico-partidaria em Angola com as dos que sao indiscriminadamente apelidados por uma certa "oposicao bem pensante" ("ressabiada"?), entre outras designacoes insultuosas, de "filhos tresmalhados da patria" e "servidores do poder"... (ja' viram?!)]

Thursday, 9 July 2009

PERSONAGENS (II)



O "ARTISTA"

Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
[Declaracao Universal dos Direitos Humanos - Artigo 12°]



COITADO...


Oferta Rejeitada
[Imagem daqui]


{auto-censurado}

Monday, 5 January 2009

PERSONAGENS (I)





O "MINION"


(1)
Estava eu muito bem descansada no meu kubiko do Kinaxixi, quando me batem a porta. Era ele, com a filha. Vinha da casa da estranged wife, ali a dois passos, e dizia que procurava um pouco de paz... Arranjei-lhes um lugar confortavel para dormir na sala, ate’ que ele se sentiu suficientemente “pacificado” para ir a sua vida… Para meu supremo choque, boquiabertismo e asco, com base nesse episodio, ouvi-o uma vez dizer, ja’ nao sei a que proposito: “eu so’ nao fui para a cama contigo porque nao quis!”… Creio que, na altura, fiquei simplesmente sem palavras! Sobretudo porque o conheci como "amigo" deste personagem!...

(2)
Estava eu a preparar-me para o teste de Economia do Desenvolvimento (ED) que teria na semana seguinte (… nao podia simplesmente deixar os meus creditos por maos alheias – afinal eu era a melhor aluna do ano naquela cadeira, a tal onde se estuda(va) "macroeconomia a prova de balas", o que quer que isso seja...), quando ouco tocar a campanhia da minha casa em Lisboa. Vou abrir. Era ele, acompanhado da filha. Deixei-os entrar. Dizia que, “sendo eu a unica pessoa amiga que tinha, vinha pedir-me asilo para os dois porque ja’ nao aguentava aquela francesa…”.

Deixei-os entrar. Depois de o ouvir mais um pouco, disse-lhe terminantemente: “desculpa, mas vou levar-te a casa”. Coloquei a filha a dormir no quarto do meu filho, que tambem ja’ estava a dormir aquela hora avancada da noite, chamei um taxi (que paguei) e fui acompanha-lo ate’ a porta de casa. A francesa ouviu tocar, veio a porta, mas antes de a abrir perguntou quem era, ao que ele respondeu apenas por si. Ela: “tu viens pour me battre?!”. Eu retorqui por mim: “nao, eu estou aqui com ele”… Ela abriu, ele entrou, eu voltei para a minha casa. Mas ja’ nao consegui estudar naquela noite.
A filha foi retornada a casa no dia seguinte.
O teste de ED? Correu bem, gracas a Deus!
(Nao que ele me tivesse perguntado...)



(3)
Anos mais tarde, numa outra casa minha em Lisboa, ela bate-me a porta. Recebo-a com a maior das simpatias e afabilidades – afinal ele tinha-me confidenciado que ela tinha feito de mim os maiores elogios: “que eu era uma das mulheres que ela mais respeitava… que dentre todos os angolanos que tinha recebido em sua casa em Paris eu era a mais autentica”… Mas, a paginas tantas, ela comeca a rodear pela casa e, ao dar-se conta que havia uma outra entrada/saida pelo quintal, diz que “isto e’ optimo para deixar fugir amantes”… Coisa que nunca sequer me passara pela cabeca! Obviamente, tinha vindo apenas a procura do seu amavel mari, que por sinal eu ja’ nao via ha’ muito tempo… e que jamais tinha sido “meu amante”!
Fiquei, tambem dessa vez, sem palavras, mas continuei amavel ate' que ela se despediu e saiu... pela porta do quintal.

(4)
Alguns anos depois, ele aparece-me na mesma casa em Lisboa. Desta vez nao vinha com a filha, que creio ja’ se encontrava de volta a Luanda na altura. Vinha de Paris e dizia que tinha deixado a francesa com esta frase: “vou para casa das mulheres que te fazem mais ciumes: a CM em Paris e a (eu) em Lisboa!”… Nao foi exactamente a frase que me chocou, mas a realizacao de que nem sequer lhe passava pela cabeca (e se passava, ele estava-se pura e simplesmente nas tintas!) o quanto era ofensivo para mim saber-me usada para chantagens emocionais em conflitos domesticos com os quais nada tinha, nem nunca tive, ou quis ter, a haver…



Mas, mais uma vez, faltaram-me as palavras para expressar o ultraje. Nao o deixei, no entanto, ficar muito tempo. E, apesar de, enquanto la’ esteve, as vezes desfilar a minha frente de forma pateticamente provocadora de peito nu, nunca fui para a cama com ele! Nunca me atraiu a esse ponto, nunca foi um dos muito poucos a quem dei esse privilegio durante toda a minha vida… gracas a Deus!

E, ja' agora, aproveito para deixar aqui registado que nessa categoria se encontram todos os individuos a quem aqui me referi, por uma razao ou por outra, em algumas das notas de rodape' a serie "Ecos da Imprensa Angolana" - grande parte das quais decidi retirar para evitar mais mal-entendidos...

(5)
Mais recentemente, regressou a Luanda e, entre outras coisas, virou ‘colunista’ com ares mui afectados de Paris… Em pouco tempo, deu para ver que continua pateticamente hipocrita, machista, ridiculo, piquinininho, mesquinho, complexado, recalcado, intriguista, difamador, fantasista, pervertido, depravado e… a delirar com a ideia de que eu alguma vez possa ter sido uma mulher ao seu alcance. Mas a realidade, obviamente, acaba sempre por bater-lhe a porta e, frustrado com o esvair-se do seu sonho gravido de mentiras, vira cao raivoso que morde a mao que tantas vezes o amparou… seguindo os principios que os meus ancestrais me ensinaram, como mae, por pena da filha dele, de cuja mae era bastante amiga, apenas por isso.

Pois essa mao decidiu agora, ainda que apenas em pequenos e parciais snapshots como estes, enfiar-lhe um pouco da verdade pelos olhos adentro – a ver se eles nunca mais voltam a perde-la de vista!




POST RELACIONADO:

A "Minha Amiga"





O "MINION"


(1)
Estava eu muito bem descansada no meu kubiko do Kinaxixi, quando me batem a porta. Era ele, com a filha. Vinha da casa da estranged wife, ali a dois passos, e dizia que procurava um pouco de paz... Arranjei-lhes um lugar confortavel para dormir na sala, ate’ que ele se sentiu suficientemente “pacificado” para ir a sua vida… Para meu supremo choque, boquiabertismo e asco, com base nesse episodio, ouvi-o uma vez dizer, ja’ nao sei a que proposito: “eu so’ nao fui para a cama contigo porque nao quis!”… Creio que, na altura, fiquei simplesmente sem palavras! Sobretudo porque o conheci como "amigo" deste personagem!...

(2)
Estava eu a preparar-me para o teste de Economia do Desenvolvimento (ED) que teria na semana seguinte (… nao podia simplesmente deixar os meus creditos por maos alheias – afinal eu era a melhor aluna do ano naquela cadeira, a tal onde se estuda(va) "macroeconomia a prova de balas", o que quer que isso seja...), quando ouco tocar a campanhia da minha casa em Lisboa. Vou abrir. Era ele, acompanhado da filha. Deixei-os entrar. Dizia que, “sendo eu a unica pessoa amiga que tinha, vinha pedir-me asilo para os dois porque ja’ nao aguentava aquela francesa…”.

Deixei-os entrar. Depois de o ouvir mais um pouco, disse-lhe terminantemente: “desculpa, mas vou levar-te a casa”. Coloquei a filha a dormir no quarto do meu filho, que tambem ja’ estava a dormir aquela hora avancada da noite, chamei um taxi (que paguei) e fui acompanha-lo ate’ a porta de casa. A francesa ouviu tocar, veio a porta, mas antes de a abrir perguntou quem era, ao que ele respondeu apenas por si. Ela: “tu viens pour me battre?!”. Eu retorqui por mim: “nao, eu estou aqui com ele”… Ela abriu, ele entrou, eu voltei para a minha casa. Mas ja’ nao consegui estudar naquela noite.
A filha foi retornada a casa no dia seguinte.
O teste de ED? Correu bem, gracas a Deus!
(Nao que ele me tivesse perguntado...)



(3)
Anos mais tarde, numa outra casa minha em Lisboa, ela bate-me a porta. Recebo-a com a maior das simpatias e afabilidades – afinal ele tinha-me confidenciado que ela tinha feito de mim os maiores elogios: “que eu era uma das mulheres que ela mais respeitava… que dentre todos os angolanos que tinha recebido em sua casa em Paris eu era a mais autentica”… Mas, a paginas tantas, ela comeca a rodear pela casa e, ao dar-se conta que havia uma outra entrada/saida pelo quintal, diz que “isto e’ optimo para deixar fugir amantes”… Coisa que nunca sequer me passara pela cabeca! Obviamente, tinha vindo apenas a procura do seu amavel mari, que por sinal eu ja’ nao via ha’ muito tempo… e que jamais tinha sido “meu amante”!
Fiquei, tambem dessa vez, sem palavras, mas continuei amavel ate' que ela se despediu e saiu... pela porta do quintal.

(4)
Alguns anos depois, ele aparece-me na mesma casa em Lisboa. Desta vez nao vinha com a filha, que creio ja’ se encontrava de volta a Luanda na altura. Vinha de Paris e dizia que tinha deixado a francesa com esta frase: “vou para casa das mulheres que te fazem mais ciumes: a CM em Paris e a (eu) em Lisboa!”… Nao foi exactamente a frase que me chocou, mas a realizacao de que nem sequer lhe passava pela cabeca (e se passava, ele estava-se pura e simplesmente nas tintas!) o quanto era ofensivo para mim saber-me usada para chantagens emocionais em conflitos domesticos com os quais nada tinha, nem nunca tive, ou quis ter, a haver…



Mas, mais uma vez, faltaram-me as palavras para expressar o ultraje. Nao o deixei, no entanto, ficar muito tempo. E, apesar de, enquanto la’ esteve, as vezes desfilar a minha frente de forma pateticamente provocadora de peito nu, nunca fui para a cama com ele! Nunca me atraiu a esse ponto, nunca foi um dos muito poucos a quem dei esse privilegio durante toda a minha vida… gracas a Deus!

E, ja' agora, aproveito para deixar aqui registado que nessa categoria se encontram todos os individuos a quem aqui me referi, por uma razao ou por outra, em algumas das notas de rodape' a serie "Ecos da Imprensa Angolana" - grande parte das quais decidi retirar para evitar mais mal-entendidos...

(5)
Mais recentemente, regressou a Luanda e, entre outras coisas, virou ‘colunista’ com ares mui afectados de Paris… Em pouco tempo, deu para ver que continua pateticamente hipocrita, machista, ridiculo, piquinininho, mesquinho, complexado, recalcado, intriguista, difamador, fantasista, pervertido, depravado e… a delirar com a ideia de que eu alguma vez possa ter sido uma mulher ao seu alcance. Mas a realidade, obviamente, acaba sempre por bater-lhe a porta e, frustrado com o esvair-se do seu sonho gravido de mentiras, vira cao raivoso que morde a mao que tantas vezes o amparou… seguindo os principios que os meus ancestrais me ensinaram, como mae, por pena da filha dele, de cuja mae era bastante amiga, apenas por isso.

Pois essa mao decidiu agora, ainda que apenas em pequenos e parciais snapshots como estes, enfiar-lhe um pouco da verdade pelos olhos adentro – a ver se eles nunca mais voltam a perde-la de vista!




POST RELACIONADO:

A "Minha Amiga"