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Tuesday, 4 May 2010

BONGA: Cancoes da Diaspora Angolana [R]*






{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]





{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]

Wednesday, 23 September 2009

MAQOMA WITH BEAUTIFUL ME IN LUANDA (Recidivus)*




Beautiful Me is Maqoma’s ongoing investigation of HIS OWN IDENTITY in relationship to history, humanity and nature (see some of his work here). He begins with movement, text and music contributed by three master choreographers who have had a great influence on him – Akram Khan’s contemporary Kathak, Faustin Linyekula’s visual dance- theatre and Vincent Mantsoe’s Afro- fusion.

[More details here and here]


[Posts relacionados AQUI]


*First posted on 31/08/09





Beautiful Me is Maqoma’s ongoing investigation of HIS OWN IDENTITY in relationship to history, humanity and nature (see some of his work here). He begins with movement, text and music contributed by three master choreographers who have had a great influence on him – Akram Khan’s contemporary Kathak, Faustin Linyekula’s visual dance- theatre and Vincent Mantsoe’s Afro- fusion.

[More details here and here]


[Posts relacionados AQUI]


*First posted on 31/08/09


Thursday, 9 July 2009

PERSONAGENS (II)



O "ARTISTA"

Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
[Declaracao Universal dos Direitos Humanos - Artigo 12°]



COITADO...


Oferta Rejeitada
[Imagem daqui]


{auto-censurado}

Thursday, 14 August 2008

KINAXIXE (R.I.P.)


Desde a minha ultima morada em Luanda, no Largo do Kinaxixi, tenho vivido, entre outros lugares, naquela que pode, seguramente, ser considerada a cidade mais conservadora do mundo: Londres. Uma das manifestacoes desse conservadorismo e’ a forma como o planeamento, a edificacao, a arquitectura e o ambiente construido ('the built environment’ e’ uma disciplina que aqui tem uma faculdade inteira de pelo menos uma universidade a ela dedicada) sao levados muito a serio. Esta e’ uma cidade tradicionalmente construida extensiva e horizontalmente (por oposicao a intensiva e verticalmente) e onde as normas de construcao, manutencao e reconstrucao dos edificios sao para ser respeitadas a risca, desde os materiais usados (por norma o tijolo de tons entre o ocre, o castanho e o vermelho), a altura (basicamente, pode dizer-se que qualquer proposta de construcao de um edificio mais alto que o Big Ben e’ severamente escrutinizada e muitissimo raramente aprovada), sob pena de os edificios infractores poderem vir a ser demolidos, por mais dispendiosos, vistosos ou funcionais que se apresentem e por mais famosos e conceituados que sejam os arquitectos ou engenheiros neles envolvidos. As excepcoes mais notorias a essas regras sao as torres de habitacao social construidas nas decadas de 60 e 70 do seculo XX, em varias areas da cidade, para suprir as necessidades habitacionais criadas pelo crescimento populacional provocado pelo baby boom do post-Segunda Guerra Mundial, muitas das quais, entretanto, ja’ foram demolidas ou estao em vias disso.

No entanto, e precisamente por ser levada tao a serio, a implementacao das politicas de manutencao da arquitectura tradicional da cidade nao e’ deixada simplesmente ao sabor dos ventos, mares e calemas, ou aos caprichos, interesses, fantasias e preconceitos politico-ideologicos dos que podem gritar mais alto. Pelo contrario, existem organismos centrais e locais especificamente encarregues de velar pelo respeito dessas politicas, as quais sao definidas por leis e regulamentos, entre os quais se destaca um sistema de listagem e graduacao de acordo com estritos criterios de localizacao, significacao historica e valencia cultural, que impede que determinados edificios sejam construidos em determinados locais ou que outros possam ser estruturalmente alterados ou demolidos. Mas, em ultima instancia, o sucesso da implementacao dessas politicas depende, como em qualquer outro caso, da presenca, ou ausencia, de determinados factores, quer de ordem endogena (e.g. a nao degradacao dos edificios para la’ de qualquer possibilidade de reabilitacao), quer de ordem exogena (e.g. a ausencia de catastrofes, sejam elas naturais, ou provocadas, como guerras).

A existencia e a defesa de tais politicas de conservacao nao impede, todavia, que a arquitectura da cidade se adapte a novas necessidades economicas, tendencias arquitectonicas e/ou realidades socio-culturais, pelo que projectos ineditos e inovadores sao ocasionalmente aprovados. Assim, embora dificilmente se venha a ver algo tao dramatico como a piramide de vidro adjacente ao Louvre, em Paris, ser construido nas imediacoes, digamos, do Buckingham Palace, ha’ alguns edificios, embora se possam contar praticamente pelos dedos de uma mao, que ao longo das ultimas decadas teem conseguido, com sucesso, quebrar os moldes do landscape londrino e impor-se como landmarks na skyline da cidade, e.g. o Centre Point (este embora, nos ultimos tempos, marcado para demolicao por ter deixado de se coadunar com os principios e valencias socio-culturais que inicialmente garantiram a sua edificacao), o Gherkhin, a BT Tower, ou o conjunto do Canary Wharf.

Mas, voltando ao Kinaxixe (refiro-me aqui ao edificio demolido nos ultimos dias e nao ao espaco geografico do Kinaxixi que historica e culturalmente lhe antecede), em texto que escrevi por altura do anuncio, ha’ cerca de quatro anos, dos planos da sua transformacao (texto esse de que ainda ando a procura e que o facto de ate’ agora nao o ter encontrado me sugere que talvez o tenha publicado como comentario num sitio como o Angonoticias, ou numa das networks ou foruns de discussao em que na altura ocasionalmente participava), manifestei duas preocupacoes fundamentais: uma com o futuro da/os vendedora/es que nele ganhavam a sua vida e outra com o destino que se lhe pretendia dar, ou seja, a sua transformacao num shopping centre. Em relacao a primeira, sugeria que, caso a/os vendedora/es tivessem mesmo que ser evacuados do mercado, que os compensassem devidamente, quer com locais alternativos para a continuacao dos seus negocios, quer financeiramente, para que pudessem, caso assim o decidissem, recorrer a outras formas de ganhar a sua vida. Em relacao a segunda, sugeria que o Kinaxixe fosse transformado num mercado como o Covent Garden de Londres.

O Covent Garden e’ um mercado tradicional londrino que, durante grande parte da sua historia de pelo menos 3 seculos, era exclusivamente um mercado de flores, frutas e vegetais mas, com a crescente tercializacao da economia, a transformacao do local em que se encontra numa zona menos residencial e mais de servicos e de lazer e a gradual satisfacao das necessidades alimentares dos residentes locais por super-mercados, restaurantes e lojas de conveniencia (onde, by the way, o bife de atum e’ consideravelmente mais caro e melhor apreciado do que o ‘outro bife’), foi-se diversificando para o comercio de outros produtos e a integracao de algumas das lojas de marca tipicas das principais high streets da cidade, isto e’, foi-se transformando organicamente num shopping center, sem contudo perder a sua traca arquitectonica original, nem a sua atmosfera de mercado tradicional. Para alem do mais, tal como o Covent Garden, que esta’ rodeado de museus e outros edificios historicos no centro de Londres, o Kinaxixe tambem esta’(va) rodeado de outros edificios historicos e museus no centro de Luanda… E essa, propunha eu, seria uma das alternativas de transformacao do Kinaxixe, sem a criacao de desnecessarios custos humanos, ambientais ou patrimoniais.

A outra alternativa, que parece ser a defendida por alguns, seria o status quo, ou seja, mante-lo como era e como estava. Ora, e deixando de lado a 'brilhante ideia' segundo a qual "Africa nao deve ter shopping centers" (...), ha’ aqui varias questoes a considerar. Em primeiro lugar, que politicas, leis e regulamentos existem para a garantia da manutencao de tal status quo? Nao tenho conhecimento de nenhuns, mas caso existam, que mecanismos institucionais e sociais existem para a garantia da sua implementacao? A julgar pelas vozes que, como a minha, desde o inicio se manifestaram contra as intencoes do grupo privado que se decidiu pela transformacao daquele mercado e, finalmente, pela sua demolicao, nenhuns. Evidentemente, ha’ que salvaguardar aqui o que parece ser um facto, do qual apenas tive conhecimento muito recentemente: a impossibilidade de recuperacao das estruturas do edificio, de acordo com os responsaveis pela obra.

Mas, independentemente desse facto aparentemente incontestavel e para alem das vozes e do tom ou intensidade com que porventura se tenham ou nao manifestado ao longo desse tempo, urge colocar algumas questoes mais criticas sobre esse evento: e.g. nos quatro anos (lembremo-nos que, em condicoes normais, esse e’ o tempo de duracao de uma legislatura), que mediaram o anuncio da decisao e o acto final a que se assistiu nos ultimos dias, tera’ algum partido da oposicao com assento parlamentar interpelado o governo sobre os planos em questao? Tera’ algum deputado, de qualquer partido, agindo independentemente ou em associacao com outros, tomado tal iniciativa? Tera’ alguma organizacao da sociedade civil activa e sistematicamente advogado essa causa e/ou agido no sentido de impedir o que acabou por acontecer? Tera’ algum cidadao, agindo individualmente ou em grupo, tomado qualquer iniciativa seria naquele sentido? Terao quaisquer representantes de grupos de interesses economicos, culturais (em especial os 'premios nacionais de cultura' e dentre estes muito particularmente alguem que nao perde uma oportunidade para se auto-proclamar "mais angolana que a Angolanidade!"...), politicos, ideologicos ou outros, considerados afectados, directa ou indirectamente, por aquela medida, submetido alguma peticao, ou pressionado de outro modo, as autoridades competentes para evitar a consumacao daquele acto?

Nao tenho noticia de que qualquer dessas perguntas possa ser respondida positiva e satisfatoriamente. Ou seja, ao contrario do que se passa no pais do Covent Garden, ha’ um vacuo institucional no nosso sistema de tomada, implementacao e contestacao de decisoes que, nao dando lugar a accoes concretas e construtivas no sentido de se impedir que tais decisoes produzam resultados socialmente adversos e insatisfatorios aos mais diversos niveis, acaba por ser preenchido por toda a sorte de irracionalidades, improperios, histerias, racismos, oportunismos, sensacionalismos e ataques pessoais depois dos factos consumados…

Dito tudo isso, devo dizer tambem que a minha oposicao inicial ao projecto de transformacao (na altura nem sequer se falava ainda em demolicao) do Kinaxixe, para alem de uma preocupacao objectiva de ordem etica e humanitaria em relacao aos futuros modos de sobrevivencia da/os vendedora/es e suas familias, se devia menos a factores objectivos do que afectivos, em resultado do meu sentimento de ‘pertenca’ ao local e ao habito de, desde a infancia, quando estudava na Escola 8, que fica ali muito perto, ver ali o mercado, ou de ocasionalmente ir la’ as compras com as mais velhas, ou, na altura do boicote aos exames no Sao Jose’ de Cluny, em 74/75, para la’ fugir dos tiros (para o ar...) da tropa portuguesa e, alguns anos mais tarde, de o ter mesmo ao lado do meu local de trabalho, na Angop… De outro modo, durante os varios anos que ali morei no Largo do Kinaxixi, depois da independencia, em termos objectivos, aquele mercado, ao contrario dos outros mercados existentes na cidade, ja’ nao satisfazia qualquer necessidade economica, cultural, ou social dos residentes locais ou do resto da cidade: praticamente nao se vendiam la’ ja’ quaisquer produtos alimentares e as lojas e outros espacos ainda com alguma serventia nao se dedicavam exactamente ao comercio de bens ou servicos indispensaveis a sobrevivencia dos seus utentes.

Diga-se tambem que, ao contrario do que tem sido veiculado por alguns sectores de opiniao, o Kinaxixe nunca foi um mercado verdadeiramente popular ou tradicional – populares e tradicionais eram e sao mercados como o Sao Paulo, os Kongolenses, ou o (antigo) Xamavu e, mais recentemente, o Roque Santeiro e tenho poucas duvidas de que, a excepcao deste ultimo, a demolicao de qualquer deles teria um impacto economico e socio-cultural na cidade bastante mais dramatico do que a do Kinaxixe. E’ do Sao Paulo, por exemplo, que trago referencias mais marcantes e consistentes ao longo da minha vida, desde ir la' apanhar ingredientes para cozinhar nas ‘brincadeiras de casa’ da minha infancia na Rua de Benguela, ao fascinio pelas colas, gengibres, missangas, pembas, takulas, xas de kaxinde e outros produtos da cultura tradicional Africana que la’ sempre se venderam e que eu saiba, 'por qualquer razao', nunca o foram no Kinaxixe, a cruzar-me com a Joana Maluka a caminho do mercado ou da igreja… E’ com o dos Kongolenses, por outro exemplo, que tenho as maiores afinidades culturais e afectivas: desde as cores dos panos do Kongo e dos cachos de dendem, ao cheiro dos micates a serem fritos, da banana a ser assada, do bagre fumado e da fuba de bombo branquinha, ao sabor da kikwanga, da kizaka ou da mwamba de ginguba acabadas de fazer... E tenho a certeza que esse tipo de relacao afectiva, cultural, historica e funcional com os mercados verdadeiramente populares, tradicionais e culturais de Luanda marca o imaginario e a vida quotidiana de bastantes mais cidadaos Angolanos do que aqueles agora objectiva ou subjectivamente afectados pela demolicao do Kinaxixe.

Em suma, o Kinaxixe – que sempre foi destinado a classe media-alta do centro da cidade, que nas ultimas decadas tambem passou a satisfazer as suas necessidades alimentares basicas naqueles mercados populares ou, mais recentemente, nas lojas de elite da baixa de Luanda, classe essa a qual tambem se destina o projectado novo shopping centre, pelo que nao ha’ conflitos socio-culturais fundamentais entre o status quo e a proposta alternativa (excepto, talvez, que a composicao dessa classe se tera’ alterado significativamente em tempos mais recentes…) – tornou-se ao longo das decadas desde a independencia, em grande medida, um edificio morto para todos os efeitos praticos, utilitarios e socio-culturais, preenchendo apenas um lugar no imaginario de uma parte dos Kaluandas (e, provavelmente, de outros que, por nunca terem realmente vivido a maior parte, ou sequer alguma parte significativa, das suas vidas em Luanda e, em qualquer caso, certamente nao no Kinaxixi, dele apenas teem imagens livrescas e confabuladas, memorias emprestadas e deturpadas e ate' mesmo completamente inventadas, para ja’ nao falar nos que nunca foram dados a frequentar quaisquer mercados porque sempre tiveram empregada/os que o fizessem por eles). Ora, acontece que o imaginario, e por isso mesmo ele tem esse nome, quando nao impedido disso por empecilhos como o racismo, a ideologia, a hipocrisia ou a esquizofrenia, tem as suas formas de criar, re-criar, adaptar-se e afeicoar-se a novas imagens: como essa do novo proposto edificio, contra o qual nao tenho objeccoes inconciliaveis, assumindo que os tecnicos que o projectaram saibam bem o que estao a fazer com tanta vidraca e que de facto o facam tao ‘verde’ quanto as imagens do prototipo sugerem.

Claro que me ocorrem possibilidades arquitectonicas mais consentaneas com a historia, arte e cultura locais, mas para isso, a falta de exemplos nacionais, teria que fazer uma outra digressao, nao ja' por Londres, mas por algumas das principais cidades Sul-Africanas e de outros paises da Africa Austral. E tais possibilidades ainda se podem vir a concretizar no vasto espaco geografico e populacional circundante ao centro da cidade, caso em que depois sera’ uma questao de competicao por gostos e preferencias esteticas, funcionalidades socio-economicas e valencias culturais entre tais possiveis novos espacos e propostas arquitectonicas e o que agora nos e’ apresentado em substituicao do Kinaxixe, competicao em resultado da qual este podera’ vir a ter a mesma sorte agora destinada ao Centre Point de Londres…

Terminada esta longa digressao pelos escombros do Kinaxixe, onde e’ que entram aqui argumentos de ‘nacionalismos racicos’ nao e’ exactamente uma questao que me escape… Mas essa e’ uma ‘peixeirada’ de um ‘mercado’ em que nao pretendo ir apanhar, nem comprar nada e nem sequer entrar, ate’ porque os seus participantes, vociferando histrionicamente contra o desaparecimento de um certo Quinachiche encimado por uma certa Maria da Fonte e de tudo quanto seja reminiscente do ‘tempo da outra senhora’, sao muito dados a ‘ameacas de morte’ e sao gente para se levar muito a serio nessas coisas: afinal eles estiveram envolvidos, directa ou indirectamente, na maior matanca a que a Historia contemporanea Angolana ja’ assistiu… E, mesmo sabendo e tendo experimentado os efeitos do seu “braco comprido”, continuo na minha: “estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura”!

O Kinaxixe morreu! Longa Vida ao Kinaxixi!!!

Desde a minha ultima morada em Luanda, no Largo do Kinaxixi, tenho vivido, entre outros lugares, naquela que pode, seguramente, ser considerada a cidade mais conservadora do mundo: Londres. Uma das manifestacoes desse conservadorismo e’ a forma como o planeamento, a edificacao, a arquitectura e o ambiente construido ('the built environment’ e’ uma disciplina que aqui tem uma faculdade inteira de pelo menos uma universidade a ela dedicada) sao levados muito a serio. Esta e’ uma cidade tradicionalmente construida extensiva e horizontalmente (por oposicao a intensiva e verticalmente) e onde as normas de construcao, manutencao e reconstrucao dos edificios sao para ser respeitadas a risca, desde os materiais usados (por norma o tijolo de tons entre o ocre, o castanho e o vermelho), a altura (basicamente, pode dizer-se que qualquer proposta de construcao de um edificio mais alto que o Big Ben e’ severamente escrutinizada e muitissimo raramente aprovada), sob pena de os edificios infractores poderem vir a ser demolidos, por mais dispendiosos, vistosos ou funcionais que se apresentem e por mais famosos e conceituados que sejam os arquitectos ou engenheiros neles envolvidos. As excepcoes mais notorias a essas regras sao as torres de habitacao social construidas nas decadas de 60 e 70 do seculo XX, em varias areas da cidade, para suprir as necessidades habitacionais criadas pelo crescimento populacional provocado pelo baby boom do post-Segunda Guerra Mundial, muitas das quais, entretanto, ja’ foram demolidas ou estao em vias disso.

No entanto, e precisamente por ser levada tao a serio, a implementacao das politicas de manutencao da arquitectura tradicional da cidade nao e’ deixada simplesmente ao sabor dos ventos, mares e calemas, ou aos caprichos, interesses, fantasias e preconceitos politico-ideologicos dos que podem gritar mais alto. Pelo contrario, existem organismos centrais e locais especificamente encarregues de velar pelo respeito dessas politicas, as quais sao definidas por leis e regulamentos, entre os quais se destaca um sistema de listagem e graduacao de acordo com estritos criterios de localizacao, significacao historica e valencia cultural, que impede que determinados edificios sejam construidos em determinados locais ou que outros possam ser estruturalmente alterados ou demolidos. Mas, em ultima instancia, o sucesso da implementacao dessas politicas depende, como em qualquer outro caso, da presenca, ou ausencia, de determinados factores, quer de ordem endogena (e.g. a nao degradacao dos edificios para la’ de qualquer possibilidade de reabilitacao), quer de ordem exogena (e.g. a ausencia de catastrofes, sejam elas naturais, ou provocadas, como guerras).

A existencia e a defesa de tais politicas de conservacao nao impede, todavia, que a arquitectura da cidade se adapte a novas necessidades economicas, tendencias arquitectonicas e/ou realidades socio-culturais, pelo que projectos ineditos e inovadores sao ocasionalmente aprovados. Assim, embora dificilmente se venha a ver algo tao dramatico como a piramide de vidro adjacente ao Louvre, em Paris, ser construido nas imediacoes, digamos, do Buckingham Palace, ha’ alguns edificios, embora se possam contar praticamente pelos dedos de uma mao, que ao longo das ultimas decadas teem conseguido, com sucesso, quebrar os moldes do landscape londrino e impor-se como landmarks na skyline da cidade, e.g. o Centre Point (este embora, nos ultimos tempos, marcado para demolicao por ter deixado de se coadunar com os principios e valencias socio-culturais que inicialmente garantiram a sua edificacao), o Gherkhin, a BT Tower, ou o conjunto do Canary Wharf.

Mas, voltando ao Kinaxixe (refiro-me aqui ao edificio demolido nos ultimos dias e nao ao espaco geografico do Kinaxixi que historica e culturalmente lhe antecede), em texto que escrevi por altura do anuncio, ha’ cerca de quatro anos, dos planos da sua transformacao (texto esse de que ainda ando a procura e que o facto de ate’ agora nao o ter encontrado me sugere que talvez o tenha publicado como comentario num sitio como o Angonoticias, ou numa das networks ou foruns de discussao em que na altura ocasionalmente participava), manifestei duas preocupacoes fundamentais: uma com o futuro da/os vendedora/es que nele ganhavam a sua vida e outra com o destino que se lhe pretendia dar, ou seja, a sua transformacao num shopping centre. Em relacao a primeira, sugeria que, caso a/os vendedora/es tivessem mesmo que ser evacuados do mercado, que os compensassem devidamente, quer com locais alternativos para a continuacao dos seus negocios, quer financeiramente, para que pudessem, caso assim o decidissem, recorrer a outras formas de ganhar a sua vida. Em relacao a segunda, sugeria que o Kinaxixe fosse transformado num mercado como o Covent Garden de Londres.

O Covent Garden e’ um mercado tradicional londrino que, durante grande parte da sua historia de pelo menos 3 seculos, era exclusivamente um mercado de flores, frutas e vegetais mas, com a crescente tercializacao da economia, a transformacao do local em que se encontra numa zona menos residencial e mais de servicos e de lazer e a gradual satisfacao das necessidades alimentares dos residentes locais por super-mercados, restaurantes e lojas de conveniencia (onde, by the way, o bife de atum e’ consideravelmente mais caro e melhor apreciado do que o ‘outro bife’), foi-se diversificando para o comercio de outros produtos e a integracao de algumas das lojas de marca tipicas das principais high streets da cidade, isto e’, foi-se transformando organicamente num shopping center, sem contudo perder a sua traca arquitectonica original, nem a sua atmosfera de mercado tradicional. Para alem do mais, tal como o Covent Garden, que esta’ rodeado de museus e outros edificios historicos no centro de Londres, o Kinaxixe tambem esta’(va) rodeado de outros edificios historicos e museus no centro de Luanda… E essa, propunha eu, seria uma das alternativas de transformacao do Kinaxixe, sem a criacao de desnecessarios custos humanos, ambientais ou patrimoniais.

A outra alternativa, que parece ser a defendida por alguns, seria o status quo, ou seja, mante-lo como era e como estava. Ora, e deixando de lado a 'brilhante ideia' segundo a qual "Africa nao deve ter shopping centers" (...), ha’ aqui varias questoes a considerar. Em primeiro lugar, que politicas, leis e regulamentos existem para a garantia da manutencao de tal status quo? Nao tenho conhecimento de nenhuns, mas caso existam, que mecanismos institucionais e sociais existem para a garantia da sua implementacao? A julgar pelas vozes que, como a minha, desde o inicio se manifestaram contra as intencoes do grupo privado que se decidiu pela transformacao daquele mercado e, finalmente, pela sua demolicao, nenhuns. Evidentemente, ha’ que salvaguardar aqui o que parece ser um facto, do qual apenas tive conhecimento muito recentemente: a impossibilidade de recuperacao das estruturas do edificio, de acordo com os responsaveis pela obra.

Mas, independentemente desse facto aparentemente incontestavel e para alem das vozes e do tom ou intensidade com que porventura se tenham ou nao manifestado ao longo desse tempo, urge colocar algumas questoes mais criticas sobre esse evento: e.g. nos quatro anos (lembremo-nos que, em condicoes normais, esse e’ o tempo de duracao de uma legislatura), que mediaram o anuncio da decisao e o acto final a que se assistiu nos ultimos dias, tera’ algum partido da oposicao com assento parlamentar interpelado o governo sobre os planos em questao? Tera’ algum deputado, de qualquer partido, agindo independentemente ou em associacao com outros, tomado tal iniciativa? Tera’ alguma organizacao da sociedade civil activa e sistematicamente advogado essa causa e/ou agido no sentido de impedir o que acabou por acontecer? Tera’ algum cidadao, agindo individualmente ou em grupo, tomado qualquer iniciativa seria naquele sentido? Terao quaisquer representantes de grupos de interesses economicos, culturais (em especial os 'premios nacionais de cultura' e dentre estes muito particularmente alguem que nao perde uma oportunidade para se auto-proclamar "mais angolana que a Angolanidade!"...), politicos, ideologicos ou outros, considerados afectados, directa ou indirectamente, por aquela medida, submetido alguma peticao, ou pressionado de outro modo, as autoridades competentes para evitar a consumacao daquele acto?

Nao tenho noticia de que qualquer dessas perguntas possa ser respondida positiva e satisfatoriamente. Ou seja, ao contrario do que se passa no pais do Covent Garden, ha’ um vacuo institucional no nosso sistema de tomada, implementacao e contestacao de decisoes que, nao dando lugar a accoes concretas e construtivas no sentido de se impedir que tais decisoes produzam resultados socialmente adversos e insatisfatorios aos mais diversos niveis, acaba por ser preenchido por toda a sorte de irracionalidades, improperios, histerias, racismos, oportunismos, sensacionalismos e ataques pessoais depois dos factos consumados…

Dito tudo isso, devo dizer tambem que a minha oposicao inicial ao projecto de transformacao (na altura nem sequer se falava ainda em demolicao) do Kinaxixe, para alem de uma preocupacao objectiva de ordem etica e humanitaria em relacao aos futuros modos de sobrevivencia da/os vendedora/es e suas familias, se devia menos a factores objectivos do que afectivos, em resultado do meu sentimento de ‘pertenca’ ao local e ao habito de, desde a infancia, quando estudava na Escola 8, que fica ali muito perto, ver ali o mercado, ou de ocasionalmente ir la’ as compras com as mais velhas, ou, na altura do boicote aos exames no Sao Jose’ de Cluny, em 74/75, para la’ fugir dos tiros (para o ar...) da tropa portuguesa e, alguns anos mais tarde, de o ter mesmo ao lado do meu local de trabalho, na Angop… De outro modo, durante os varios anos que ali morei no Largo do Kinaxixi, depois da independencia, em termos objectivos, aquele mercado, ao contrario dos outros mercados existentes na cidade, ja’ nao satisfazia qualquer necessidade economica, cultural, ou social dos residentes locais ou do resto da cidade: praticamente nao se vendiam la’ ja’ quaisquer produtos alimentares e as lojas e outros espacos ainda com alguma serventia nao se dedicavam exactamente ao comercio de bens ou servicos indispensaveis a sobrevivencia dos seus utentes.

Diga-se tambem que, ao contrario do que tem sido veiculado por alguns sectores de opiniao, o Kinaxixe nunca foi um mercado verdadeiramente popular ou tradicional – populares e tradicionais eram e sao mercados como o Sao Paulo, os Kongolenses, ou o (antigo) Xamavu e, mais recentemente, o Roque Santeiro e tenho poucas duvidas de que, a excepcao deste ultimo, a demolicao de qualquer deles teria um impacto economico e socio-cultural na cidade bastante mais dramatico do que a do Kinaxixe. E’ do Sao Paulo, por exemplo, que trago referencias mais marcantes e consistentes ao longo da minha vida, desde ir la' apanhar ingredientes para cozinhar nas ‘brincadeiras de casa’ da minha infancia na Rua de Benguela, ao fascinio pelas colas, gengibres, missangas, pembas, takulas, xas de kaxinde e outros produtos da cultura tradicional Africana que la’ sempre se venderam e que eu saiba, 'por qualquer razao', nunca o foram no Kinaxixe, a cruzar-me com a Joana Maluka a caminho do mercado ou da igreja… E’ com o dos Kongolenses, por outro exemplo, que tenho as maiores afinidades culturais e afectivas: desde as cores dos panos do Kongo e dos cachos de dendem, ao cheiro dos micates a serem fritos, da banana a ser assada, do bagre fumado e da fuba de bombo branquinha, ao sabor da kikwanga, da kizaka ou da mwamba de ginguba acabadas de fazer... E tenho a certeza que esse tipo de relacao afectiva, cultural, historica e funcional com os mercados verdadeiramente populares, tradicionais e culturais de Luanda marca o imaginario e a vida quotidiana de bastantes mais cidadaos Angolanos do que aqueles agora objectiva ou subjectivamente afectados pela demolicao do Kinaxixe.

Em suma, o Kinaxixe – que sempre foi destinado a classe media-alta do centro da cidade, que nas ultimas decadas tambem passou a satisfazer as suas necessidades alimentares basicas naqueles mercados populares ou, mais recentemente, nas lojas de elite da baixa de Luanda, classe essa a qual tambem se destina o projectado novo shopping centre, pelo que nao ha’ conflitos socio-culturais fundamentais entre o status quo e a proposta alternativa (excepto, talvez, que a composicao dessa classe se tera’ alterado significativamente em tempos mais recentes…) – tornou-se ao longo das decadas desde a independencia, em grande medida, um edificio morto para todos os efeitos praticos, utilitarios e socio-culturais, preenchendo apenas um lugar no imaginario de uma parte dos Kaluandas (e, provavelmente, de outros que, por nunca terem realmente vivido a maior parte, ou sequer alguma parte significativa, das suas vidas em Luanda e, em qualquer caso, certamente nao no Kinaxixi, dele apenas teem imagens livrescas e confabuladas, memorias emprestadas e deturpadas e ate' mesmo completamente inventadas, para ja’ nao falar nos que nunca foram dados a frequentar quaisquer mercados porque sempre tiveram empregada/os que o fizessem por eles). Ora, acontece que o imaginario, e por isso mesmo ele tem esse nome, quando nao impedido disso por empecilhos como o racismo, a ideologia, a hipocrisia ou a esquizofrenia, tem as suas formas de criar, re-criar, adaptar-se e afeicoar-se a novas imagens: como essa do novo proposto edificio, contra o qual nao tenho objeccoes inconciliaveis, assumindo que os tecnicos que o projectaram saibam bem o que estao a fazer com tanta vidraca e que de facto o facam tao ‘verde’ quanto as imagens do prototipo sugerem.

Claro que me ocorrem possibilidades arquitectonicas mais consentaneas com a historia, arte e cultura locais, mas para isso, a falta de exemplos nacionais, teria que fazer uma outra digressao, nao ja' por Londres, mas por algumas das principais cidades Sul-Africanas e de outros paises da Africa Austral. E tais possibilidades ainda se podem vir a concretizar no vasto espaco geografico e populacional circundante ao centro da cidade, caso em que depois sera’ uma questao de competicao por gostos e preferencias esteticas, funcionalidades socio-economicas e valencias culturais entre tais possiveis novos espacos e propostas arquitectonicas e o que agora nos e’ apresentado em substituicao do Kinaxixe, competicao em resultado da qual este podera’ vir a ter a mesma sorte agora destinada ao Centre Point de Londres…

Terminada esta longa digressao pelos escombros do Kinaxixe, onde e’ que entram aqui argumentos de ‘nacionalismos racicos’ nao e’ exactamente uma questao que me escape… Mas essa e’ uma ‘peixeirada’ de um ‘mercado’ em que nao pretendo ir apanhar, nem comprar nada e nem sequer entrar, ate’ porque os seus participantes, vociferando histrionicamente contra o desaparecimento de um certo Quinachiche encimado por uma certa Maria da Fonte e de tudo quanto seja reminiscente do ‘tempo da outra senhora’, sao muito dados a ‘ameacas de morte’ e sao gente para se levar muito a serio nessas coisas: afinal eles estiveram envolvidos, directa ou indirectamente, na maior matanca a que a Historia contemporanea Angolana ja’ assistiu… E, mesmo sabendo e tendo experimentado os efeitos do seu “braco comprido”, continuo na minha: “estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura”!

O Kinaxixe morreu! Longa Vida ao Kinaxixi!!!

Sunday, 10 August 2008

OH XENTE!

O Kinaxixe…

Vai virar Quinaxixe!

Mas nao se xateiem muito nao (pelo menos nao mais do ke eu ja’ me xatiei desde ke esses planos foram anunciados ha’ varios anos – xaticia essa ke manifestei em eskrito publikado algures…) porke:

… assim ke dizem ke as novas torres a beira-mar plantadas, komo essa ai da Baia, vao ruir porke o mar gosta de reklamar o ke e’ seu, akela Kianda do Kinaxixi ke nunka ke ainda fez ruir nenhum predio ali no largo – nem o ‘meu’ ke fika mesmo ao lado da kacimba dela e onde ke ainda tem la’ mo kubiku ke me kassumbularam kum ele nuns tuga bue' malaikes e buerere' karrulas ainda por cima e ke agora dizem ke tem la’ uns xinokas (ja’ viram so’ o mo azar? Esses anos todos se eles me pagassem so' mbora mo kumbu essa hora eu ja’ ke podia subir tambem na torre da Baia, ne’? Pelo menos ate' ela ruir...); nem akele eskeleto ke lhe plantaram mesmo em cima da kacimba dela e ke por isso mesmo ela nunka ke deixou ke lhe kompletassem – num sei se ela vai deixar esse novo Quinaxixe dai vingar (ou sera’ Quinachiche?)… num sei nao!

Mas se kalhar essa e' uma maka pra Kianda e a Mma Nzinga resolverem la' no Kinaxixi delas, ne'?

[Mais dikas aki e aki]
O Kinaxixe…

Vai virar Quinaxixe!

Mas nao se xateiem muito nao (pelo menos nao mais do ke eu ja’ me xatiei desde ke esses planos foram anunciados ha’ varios anos – xaticia essa ke manifestei em eskrito publikado algures…) porke:

… assim ke dizem ke as novas torres a beira-mar plantadas, komo essa ai da Baia, vao ruir porke o mar gosta de reklamar o ke e’ seu, akela Kianda do Kinaxixi ke nunka ke ainda fez ruir nenhum predio ali no largo – nem o ‘meu’ ke fika mesmo ao lado da kacimba dela e onde ke ainda tem la’ mo kubiku ke me kassumbularam kum ele nuns tuga bue' malaikes e buerere' karrulas ainda por cima e ke agora dizem ke tem la’ uns xinokas (ja’ viram so’ o mo azar? Esses anos todos se eles me pagassem so' mbora mo kumbu essa hora eu ja’ ke podia subir tambem na torre da Baia, ne’? Pelo menos ate' ela ruir...); nem akele eskeleto ke lhe plantaram mesmo em cima da kacimba dela e ke por isso mesmo ela nunka ke deixou ke lhe kompletassem – num sei se ela vai deixar esse novo Quinaxixe dai vingar (ou sera’ Quinachiche?)… num sei nao!

Mas se kalhar essa e' uma maka pra Kianda e a Mma Nzinga resolverem la' no Kinaxixi delas, ne'?

[Mais dikas aki e aki]

Tuesday, 15 April 2008

OS PRUBULEMA KE'STAMOS KU ELES...

Este post destina-se primordialmente a parabenizar o Salucombo Jr. pelo seu terceiro aniversario na blogosfera. Parabens Attelier dos Mangueirinhas!
E' tambem, para mim, uma oportunidade para zuelar um pouco sobre a questao da preservacao da arquitectura urbana em Luanda e em Angola em geral, que tantos debates tem gerado, na blogosfera e nao so'. As consideracoes que se seguem constituem uma versao editada de um comentario meu no Attelier dos Mangueirinhas, em resposta ao Salucombo Jr., no contexto deste post dele, de onde as fotografias aqui expostas tambem foram tomadas de emprestimo.

1. Todas as ex-potencias coloniais se envolvem, de uma forma ou de outra, na defesa dos seus patrimonios culturais no mundo e especialmente nas suas ex-colonias e isso passa normalmente pelo investimento em projectos de reconstrucao e manutencao, particularmente se essas ex-colonias tiverem passado por longos periodos de guerra. No caso de Angola, tal investimento (incluindo nao so’ financiamento, mas tambem ‘educacao cultural’ sobre esse patrimonio) seria ainda mais justificado pelo facto de a ex-potencia colonial nao ter sido alheia as razoes da guerra – bastaria, por exemplo, ter promovido e garantido um processo de descolonizacao mais atempado, responsavel e assumido e, consequentemente, menos catastrofico…

2. Nos casos em que tal se verifica, tais projectos de investimento sao, via de regra, feitos em parceria com o pais alvo e sob acordos inter-governamentais: nao teem, portanto, necessariamente a ver com “neocolonizacao”. E, afinal, o que e’ mais passivel de ser considerado “neocolonizacao”? A manutencao de um patrimonio cultural, ou o dominio de praticamente todo o sector bancario (e seus respectivos recursos humanos) e outros sectores importantes da economia de um pais? E, ja’ agora, quantas dessas novas torres de vidro nao se destinarao, porventura, directa ou indirectamente, a bancos ou outros interesses economicos portugueses? Mas, independementemente de quem tem ou nao o ‘dever e obrigacao’, ou de quem tem ‘mais ou menos dinheiro’ (ja’ agora dir-te-ei que alguns projectos desse tipo sao patrocinados e financiados por instituicoes supra-nacionais, como a UE ou a UNESCO - veja-se, por favor, o caso de Mbanza Kongo, sem duvida o mais flagrante exemplo de destruicao de um patrimonio historico-cultural, nao so' de Angola, como da humanidade!), eu falei em Portugal “assumir a lideranca” e isso pode resumir-se apenas a apresentar propostas/projectos concretos ao governo Angolano nesse sentido. Toma, por exemplo, o caso da escola portuguesa que foi instalada, por Portugal, ha’ varios anos em Luanda: qual foi o seu objectivo? Certamente nao outro que a manutencao da lingua e da cultura portuguesa – porque nao pensar-se no mesmo tipo de investimento em relacao ao patrimonio arquitectonico portugues?

3. Agora, passemos aquele que e’ talvez o aspecto mais importante dessa questao: em qualquer economia bem gerida (excepto em paises socialistas/comunistas, que Angola, malgre’ tout, nunca foi… quando muito, Angola foi ate’ ha’ 6 anos atras uma economia de guerra) ha’ uma clara delimitacao do papel do estado na economia, mediante a qual os investimentos publicos devem ser reservados aos bens publicos. E a definicao de bens publicos pode ser mais ou menos lata, mas e’ clara o suficiente: em termos gerais, e’considerado “bem publico” aquele que pode ser usufruido por qualquer membro do publico. Aqui poder-se-ha defender que a traca arquitetonica portuguesa (tal como outros bens do patrimonio historico de Angola) e’ um “bem publico” na medida em que qualquer membro do publico ao apenas poder olhar para ela estara’ a usufruir de um “bem cultural”. Ate’ ai muito bem. Mas poe-se entao a questao de saber, em termos mais estritos, se um determinado bem considerado “cultural” e’ propriedade publica ou privada? Isto e’, esta' nas maos do estado ou de um particular? E aqui as aguas do orcamento do estado teem que ser rigorosamente separadas: se e’ publica, cabe ao estado nele investir, se e’ privada, isso cabe ao particular que a possui. O papel do estado ai deve limitar-se a legislar e regulamentar os criterios da sua planificacao e manutencao;

4. Do ponto anterior segue-se que: em qualquer pais, mas mais fundamentalmente num pais com os niveis de pobreza que Angola apresenta, quais devem ser as prioridades dos gastos publicos? Nao me parece haver muito lugar para duvidas que elas devem ser direccionadas para os “bens indubitavelmente publicos”, isto e’, aqueles sem os quais nao havera membros do publico suficientes para usufruirem de “bens culturais”, sejam eles portugueses ou nao e por melhor mantidos que sejam. Falamos aqui de Saude, Alimentacao, Educacao, Sanidade e Saneamento, Transportes e Emprego, so’ para citar os mais vitais. E e’ para essas areas que as reivindicacoes do “publico em geral” sao geralmente e devem ser direccionadas, nao so’ em Angola e nao so’ em paises subdesenvolvidos, como em todo o mundo. E e’ tambem por essa razao fundamental que os governos interessados na manutencao do seu patrimonio cultural no mundo, com ou sem o apoio de instituicoes financeiras ou culturais internacionais, teem interesse em investir nesse patrimonio – porque esse investimento nao cabe estritamente ao governo do “pais herdeiro”. Ora, tais governos interessados poderao tambem ter consideraveis restricoes aos seus orcamentos publicos disponiveis para esse efeito e nesses casos recorrem as suas instituicoes privadas, sejam elas bancos ou fundacoes culturais especificamente criadas para tal. E aqui o papel dos bancos privados, por isso falei nos bancos portugueses em Angola, na aquisicao desses bens e/ou na concessao de financiamento para a sua manutencao.

Portanto, em resumo, a mensagem que te pretendia transmitir e’ que, como “nativos” que todos somos, nao nos ficaria nada mal um pouco de humildade em relacao as nossas proprias limitacoes de todo o tipo. E, tambem, que precisamos, principalmente voces da geracao mais jovem, de ter uma atitude mais proactiva/positiva, e menos reactiva/negativa, mais racional e menos emotiva, mas sobretudo mais pragmatica e menos dogmatica, em relacao a reconstrucao do nosso pais em todos os dominios – ate’ porque ja’ deviamos andar todos cansados de guerras por causa de ideologias que pouco ou nada teem a ver connosco...
Nao pretendo com isto dar uma de ‘patriota’, e muito menos ‘patrioteira’, ate’ porque tambem tenho as minhas criticas em relacao ao modelo de crescimento, incluindo a essas torres de vidro, que esta’ a ser seguido em Angola – criticas essas que fiz publicar nacional e internacionalmente.

***

P.S. - (28/04/09) - Acabo de encontrar esta noticia no Jornal Angolense:

O património histórico-cultural de Angola e a problemática da sua conservação e restauração foi o tema da comunicação apresentada quinta-feira, pelo Embaixador-delegado permanente de Angola junto da UNESCO, Almerindo Jaka Jamba, num debate organizado pela Fundação Luso-Africana para a Cultura (FLAC).

[Ler mais aqui]

Este post destina-se primordialmente a parabenizar o Salucombo Jr. pelo seu terceiro aniversario na blogosfera. Parabens Attelier dos Mangueirinhas!
E' tambem, para mim, uma oportunidade para zuelar um pouco sobre a questao da preservacao da arquitectura urbana em Luanda e em Angola em geral, que tantos debates tem gerado, na blogosfera e nao so'. As consideracoes que se seguem constituem uma versao editada de um comentario meu no Attelier dos Mangueirinhas, em resposta ao Salucombo Jr., no contexto deste post dele, de onde as fotografias aqui expostas tambem foram tomadas de emprestimo.

1. Todas as ex-potencias coloniais se envolvem, de uma forma ou de outra, na defesa dos seus patrimonios culturais no mundo e especialmente nas suas ex-colonias e isso passa normalmente pelo investimento em projectos de reconstrucao e manutencao, particularmente se essas ex-colonias tiverem passado por longos periodos de guerra. No caso de Angola, tal investimento (incluindo nao so’ financiamento, mas tambem ‘educacao cultural’ sobre esse patrimonio) seria ainda mais justificado pelo facto de a ex-potencia colonial nao ter sido alheia as razoes da guerra – bastaria, por exemplo, ter promovido e garantido um processo de descolonizacao mais atempado, responsavel e assumido e, consequentemente, menos catastrofico…

2. Nos casos em que tal se verifica, tais projectos de investimento sao, via de regra, feitos em parceria com o pais alvo e sob acordos inter-governamentais: nao teem, portanto, necessariamente a ver com “neocolonizacao”. E, afinal, o que e’ mais passivel de ser considerado “neocolonizacao”? A manutencao de um patrimonio cultural, ou o dominio de praticamente todo o sector bancario (e seus respectivos recursos humanos) e outros sectores importantes da economia de um pais? E, ja’ agora, quantas dessas novas torres de vidro nao se destinarao, porventura, directa ou indirectamente, a bancos ou outros interesses economicos portugueses? Mas, independementemente de quem tem ou nao o ‘dever e obrigacao’, ou de quem tem ‘mais ou menos dinheiro’ (ja’ agora dir-te-ei que alguns projectos desse tipo sao patrocinados e financiados por instituicoes supra-nacionais, como a UE ou a UNESCO - veja-se, por favor, o caso de Mbanza Kongo, sem duvida o mais flagrante exemplo de destruicao de um patrimonio historico-cultural, nao so' de Angola, como da humanidade!), eu falei em Portugal “assumir a lideranca” e isso pode resumir-se apenas a apresentar propostas/projectos concretos ao governo Angolano nesse sentido. Toma, por exemplo, o caso da escola portuguesa que foi instalada, por Portugal, ha’ varios anos em Luanda: qual foi o seu objectivo? Certamente nao outro que a manutencao da lingua e da cultura portuguesa – porque nao pensar-se no mesmo tipo de investimento em relacao ao patrimonio arquitectonico portugues?

3. Agora, passemos aquele que e’ talvez o aspecto mais importante dessa questao: em qualquer economia bem gerida (excepto em paises socialistas/comunistas, que Angola, malgre’ tout, nunca foi… quando muito, Angola foi ate’ ha’ 6 anos atras uma economia de guerra) ha’ uma clara delimitacao do papel do estado na economia, mediante a qual os investimentos publicos devem ser reservados aos bens publicos. E a definicao de bens publicos pode ser mais ou menos lata, mas e’ clara o suficiente: em termos gerais, e’considerado “bem publico” aquele que pode ser usufruido por qualquer membro do publico. Aqui poder-se-ha defender que a traca arquitetonica portuguesa (tal como outros bens do patrimonio historico de Angola) e’ um “bem publico” na medida em que qualquer membro do publico ao apenas poder olhar para ela estara’ a usufruir de um “bem cultural”. Ate’ ai muito bem. Mas poe-se entao a questao de saber, em termos mais estritos, se um determinado bem considerado “cultural” e’ propriedade publica ou privada? Isto e’, esta' nas maos do estado ou de um particular? E aqui as aguas do orcamento do estado teem que ser rigorosamente separadas: se e’ publica, cabe ao estado nele investir, se e’ privada, isso cabe ao particular que a possui. O papel do estado ai deve limitar-se a legislar e regulamentar os criterios da sua planificacao e manutencao;

4. Do ponto anterior segue-se que: em qualquer pais, mas mais fundamentalmente num pais com os niveis de pobreza que Angola apresenta, quais devem ser as prioridades dos gastos publicos? Nao me parece haver muito lugar para duvidas que elas devem ser direccionadas para os “bens indubitavelmente publicos”, isto e’, aqueles sem os quais nao havera membros do publico suficientes para usufruirem de “bens culturais”, sejam eles portugueses ou nao e por melhor mantidos que sejam. Falamos aqui de Saude, Alimentacao, Educacao, Sanidade e Saneamento, Transportes e Emprego, so’ para citar os mais vitais. E e’ para essas areas que as reivindicacoes do “publico em geral” sao geralmente e devem ser direccionadas, nao so’ em Angola e nao so’ em paises subdesenvolvidos, como em todo o mundo. E e’ tambem por essa razao fundamental que os governos interessados na manutencao do seu patrimonio cultural no mundo, com ou sem o apoio de instituicoes financeiras ou culturais internacionais, teem interesse em investir nesse patrimonio – porque esse investimento nao cabe estritamente ao governo do “pais herdeiro”. Ora, tais governos interessados poderao tambem ter consideraveis restricoes aos seus orcamentos publicos disponiveis para esse efeito e nesses casos recorrem as suas instituicoes privadas, sejam elas bancos ou fundacoes culturais especificamente criadas para tal. E aqui o papel dos bancos privados, por isso falei nos bancos portugueses em Angola, na aquisicao desses bens e/ou na concessao de financiamento para a sua manutencao.

Portanto, em resumo, a mensagem que te pretendia transmitir e’ que, como “nativos” que todos somos, nao nos ficaria nada mal um pouco de humildade em relacao as nossas proprias limitacoes de todo o tipo. E, tambem, que precisamos, principalmente voces da geracao mais jovem, de ter uma atitude mais proactiva/positiva, e menos reactiva/negativa, mais racional e menos emotiva, mas sobretudo mais pragmatica e menos dogmatica, em relacao a reconstrucao do nosso pais em todos os dominios – ate’ porque ja’ deviamos andar todos cansados de guerras por causa de ideologias que pouco ou nada teem a ver connosco...
Nao pretendo com isto dar uma de ‘patriota’, e muito menos ‘patrioteira’, ate’ porque tambem tenho as minhas criticas em relacao ao modelo de crescimento, incluindo a essas torres de vidro, que esta’ a ser seguido em Angola – criticas essas que fiz publicar nacional e internacionalmente.

***

P.S. - (28/04/09) - Acabo de encontrar esta noticia no Jornal Angolense:

O património histórico-cultural de Angola e a problemática da sua conservação e restauração foi o tema da comunicação apresentada quinta-feira, pelo Embaixador-delegado permanente de Angola junto da UNESCO, Almerindo Jaka Jamba, num debate organizado pela Fundação Luso-Africana para a Cultura (FLAC).

[Ler mais aqui]

Tuesday, 28 August 2007

"Significancias Lusosfericas" et Luanda's (G)Litterati's Top Fives



"SIGNIFICANCIAS LUSOSFERICAS"


"...Combater a pobreza?! Que mal e' que a pobreza fez a alguem para ser combatida?..." (MRM)

"...Eu e' que devia ser beneficiado pela 'accao afirmativa' porque sou parte da minoria..." (MC)

"...Compram arte africana, o que quer que isso seja..." (JEA)

"...O povo nao sabe o que e' bom..." (ACGM)




LUANDA'S (G)LITTERATI TOP-5 PET HATES

1. Substituicao das estatuas das Marias da Fonte e do Blindado pela da Rainha Nzinga (por esta alegadamente nao ter passado de uma "escravocrata" negra)

2. Transformacao do "Palacio/Casa de Escravos de D. Ana Joaquina" (que efectivamente nao passou de uma escravocrata mestica)

3. Registo da raca nos B.I.

4. Qualquer mencao a palavra "identidade"

5. "Complexos de colonizado" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 MUCH LOVES

1. Portugal (?)

2. Lusofonia (?)

3. Um certo Brasil (que exclui os seus Movimentos Negros reivindicativos)

4. Uma certa Africa do Sul, em particular Cape Town (que nao inclui as suas Townships)

5. "Pretos descomplexados" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INDIFFERENCES

1. Racismo praticado nos Bancos e outras empresas instaladas em Angola

2. Todas as causas da sociedade civil que nao constem dos seus top-5 pet hates

3. Qualquer abordagem do fenomeno corrupcao que nao se limite a ridicularizacao dos "sinais exteriores de riqueza" dos seus alvos criteriosamente seleccionados

4. A Diaspora Angolana pos-independencia em geral

5. Africa e os Africanos em geral

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INCOGNITAS

1. Qualquer abordagem socio-economica da relacao raca/classe social

2. Qualquer conceito de "identidade cultural" (incluindo a que os une a volta das mesmas causas)

3. O mundo pos-Guerra Fria

4. Comunidade Negra Norte-Americana (de facto, todas e quaisquer Comunidades Negras)

5. "Pretas complexa(da)s" - o que quer que isso seja

***

GLITTERING CONCLUSION:

Not All That Glitters Is Gold...



"SIGNIFICANCIAS LUSOSFERICAS"


"...Combater a pobreza?! Que mal e' que a pobreza fez a alguem para ser combatida?..." (MRM)

"...Eu e' que devia ser beneficiado pela 'accao afirmativa' porque sou parte da minoria..." (MC)

"...Compram arte africana, o que quer que isso seja..." (JEA)

"...O povo nao sabe o que e' bom..." (ACGM)




LUANDA'S (G)LITTERATI TOP-5 PET HATES

1. Substituicao das estatuas das Marias da Fonte e do Blindado pela da Rainha Nzinga (por esta alegadamente nao ter passado de uma "escravocrata" negra)

2. Transformacao do "Palacio/Casa de Escravos de D. Ana Joaquina" (que efectivamente nao passou de uma escravocrata mestica)

3. Registo da raca nos B.I.

4. Qualquer mencao a palavra "identidade"

5. "Complexos de colonizado" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 MUCH LOVES

1. Portugal (?)

2. Lusofonia (?)

3. Um certo Brasil (que exclui os seus Movimentos Negros reivindicativos)

4. Uma certa Africa do Sul, em particular Cape Town (que nao inclui as suas Townships)

5. "Pretos descomplexados" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INDIFFERENCES

1. Racismo praticado nos Bancos e outras empresas instaladas em Angola

2. Todas as causas da sociedade civil que nao constem dos seus top-5 pet hates

3. Qualquer abordagem do fenomeno corrupcao que nao se limite a ridicularizacao dos "sinais exteriores de riqueza" dos seus alvos criteriosamente seleccionados

4. A Diaspora Angolana pos-independencia em geral

5. Africa e os Africanos em geral

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INCOGNITAS

1. Qualquer abordagem socio-economica da relacao raca/classe social

2. Qualquer conceito de "identidade cultural" (incluindo a que os une a volta das mesmas causas)

3. O mundo pos-Guerra Fria

4. Comunidade Negra Norte-Americana (de facto, todas e quaisquer Comunidades Negras)

5. "Pretas complexa(da)s" - o que quer que isso seja

***

GLITTERING CONCLUSION:

Not All That Glitters Is Gold...

Wednesday, 15 August 2007

DANCE?

A few years ago, when I was at my last go (so far…) at “structured” or “conventional” dance, a colleague brought to my attention the book “To Dance is Human: A Theory of Nonverbal Communication”*, by Judith Lynne Hanna, which I then bought. Today I feel particularly like transcribing here a chapter from it entitled “Dance?”, highlighting upfront the following excerpts:

There is obviously a need to define or, using Abraham Kaplan’s phrase, to “specify the meaning of” a behavior before exploring its complexities. For the anthropologist who strives to identify, describe and explain phenomena within a cross-cultural perspective, it is essential to adopt a definition which both indicates the sets of features which are referents for a concept and, also, remains flexible about empirical issues.

Of course, our choice of conceptual apparatus, our working distinctions, need constant refinement, and we must be alert to indications that something may be escaping us because our approach has blind spots. A decade ago I began (as observer, participant, and/or field researcher) to examine dance forms ranging from classical theater ballet to popular dance in the West to Latin American, Caribbean, and African social and ritual forms; later I examined a variety of dance forms from other parts of the world. I wondered if these were common characteristics in the kinds of phenomena different people call dance (or what westerners would generally categorize as dance – as a westerner I am obviously influenced by my culture). Examining dance cross-culturally to formulate hypothesis, to establish the range of variation of dance phenomena and their concepts of culture or social organization, I was forced to develop an overarching analytic definition.

Such a definition should, I thought, transcend the participants’ concepts of dance, which undoubtedly, include some criteria that other groups exclude and debar, some they encompass. Further, the definition should include behavior which the appearance of what is generally considered dance, even though, for the participants concerned, it is not dance because they have no such concept. I have observed or read about a number of groups who seemingly have quite different ways of conceptualizing what I think of as dance.

Many societies have multiple words for different dances without having a single generic term. (…) For the Ubakala of Nigeria, drum accompaniment is a necessary part of dance and, thus, the word denoting dance also denotes a drum and a play. Elsewhere in Africa, for example among the Akan, Efik, Azande, and Kanba, dance involves vocal and instrumental music, including the drum. On the other hand, many African groups, such as the Zulu, Matabele, Shi, Ngoni, Tutkana, and Wanyaturu, do not use drums and some even denigrate users of drums. Among the Tiv of Nigeria, the word dance also encompasses activities we exclude from the performing arts: games and gambling.


The following conceptualization of dance is a researcher’s abstraction (an etic concept) partially generated from analyzing native (emic) definitions. This working definition was reached through empirical observation, a survey of literature relevant to dance, consideration of dance movement elements and the human body (the instrument of dance) in motion, and through adhering to a holistic approach. Holism does not mean an attempt to know everything, but it assumes that dance is essentially meaningful in its sociocultural context. It implies functional relations within a system but does not assume total interrelatedness nor relationships of equal importance.


***
*To which I would just add: indeed, to dance is only human – it doesn’t need to be transformed into “rocket science”!
Ou, para colocar a questao de forma mais amena para certas cabeças duras e incultas em terras onde quem tem meio olho e’ rei e quem tenha lido, decorado ou copiado meia duzia de livros se auto-intitula “doutor cientista” e/ou "especialista", ou ainda quem tenha feito uma “visita oficial” guiada de meia hora, com guarda-costas, a uma das verdadeiras fontes de Cultura (… que Dançam desde que a humanidade existe e cujos conceitos precedem de milenios quaisquer “contemporaneas teorias da dança” - para hoje serem apedrejadas com calhaus abusivos e atrevidos tipo "o povo nao sabe o que e' bom"…), se considera “pesquisador”, “antropologo”, “etnologo”, “pensologo”, ou… “dançologo”: Dançar e’ humano, nao tem que ser transformado em “ciencia da pedrada” (e como a autora deste livro o demonstra bem... com a simplicidade e humildade de uma verdadeira autoridade na materia)! Em suma: deixem-se de exclusivismos, elitismos, racismos, vulturismos, imperialismos ocidentais, neo-colonialismos, imposicoes, reducionismos e limitacoes fascistoides, novo-riquismos culturais e pseudo-academismos arrogantes (wa xtranhala!) e dancem so'… se souberem e se puderem! E, acima de tudo, deixem os outros (os verdadeiros "criativos") dançar em paz!

{Please click on the pictures to access sources}


A few years ago, when I was at my last go (so far…) at “structured” or “conventional” dance, a colleague brought to my attention the book “To Dance is Human: A Theory of Nonverbal Communication”*, by Judith Lynne Hanna, which I then bought. Today I feel particularly like transcribing here a chapter from it entitled “Dance?”, highlighting upfront the following excerpts:

There is obviously a need to define or, using Abraham Kaplan’s phrase, to “specify the meaning of” a behavior before exploring its complexities. For the anthropologist who strives to identify, describe and explain phenomena within a cross-cultural perspective, it is essential to adopt a definition which both indicates the sets of features which are referents for a concept and, also, remains flexible about empirical issues.

Of course, our choice of conceptual apparatus, our working distinctions, need constant refinement, and we must be alert to indications that something may be escaping us because our approach has blind spots. A decade ago I began (as observer, participant, and/or field researcher) to examine dance forms ranging from classical theater ballet to popular dance in the West to Latin American, Caribbean, and African social and ritual forms; later I examined a variety of dance forms from other parts of the world. I wondered if these were common characteristics in the kinds of phenomena different people call dance (or what westerners would generally categorize as dance – as a westerner I am obviously influenced by my culture). Examining dance cross-culturally to formulate hypothesis, to establish the range of variation of dance phenomena and their concepts of culture or social organization, I was forced to develop an overarching analytic definition.

Such a definition should, I thought, transcend the participants’ concepts of dance, which undoubtedly, include some criteria that other groups exclude and debar, some they encompass. Further, the definition should include behavior which the appearance of what is generally considered dance, even though, for the participants concerned, it is not dance because they have no such concept. I have observed or read about a number of groups who seemingly have quite different ways of conceptualizing what I think of as dance.

Many societies have multiple words for different dances without having a single generic term. (…) For the Ubakala of Nigeria, drum accompaniment is a necessary part of dance and, thus, the word denoting dance also denotes a drum and a play. Elsewhere in Africa, for example among the Akan, Efik, Azande, and Kanba, dance involves vocal and instrumental music, including the drum. On the other hand, many African groups, such as the Zulu, Matabele, Shi, Ngoni, Tutkana, and Wanyaturu, do not use drums and some even denigrate users of drums. Among the Tiv of Nigeria, the word dance also encompasses activities we exclude from the performing arts: games and gambling.


The following conceptualization of dance is a researcher’s abstraction (an etic concept) partially generated from analyzing native (emic) definitions. This working definition was reached through empirical observation, a survey of literature relevant to dance, consideration of dance movement elements and the human body (the instrument of dance) in motion, and through adhering to a holistic approach. Holism does not mean an attempt to know everything, but it assumes that dance is essentially meaningful in its sociocultural context. It implies functional relations within a system but does not assume total interrelatedness nor relationships of equal importance.


***
*To which I would just add: indeed, to dance is only human – it doesn’t need to be transformed into “rocket science”!
Ou, para colocar a questao de forma mais amena para certas cabeças duras e incultas em terras onde quem tem meio olho e’ rei e quem tenha lido, decorado ou copiado meia duzia de livros se auto-intitula “doutor cientista” e/ou "especialista", ou ainda quem tenha feito uma “visita oficial” guiada de meia hora, com guarda-costas, a uma das verdadeiras fontes de Cultura (… que Dançam desde que a humanidade existe e cujos conceitos precedem de milenios quaisquer “contemporaneas teorias da dança” - para hoje serem apedrejadas com calhaus abusivos e atrevidos tipo "o povo nao sabe o que e' bom"…), se considera “pesquisador”, “antropologo”, “etnologo”, “pensologo”, ou… “dançologo”: Dançar e’ humano, nao tem que ser transformado em “ciencia da pedrada” (e como a autora deste livro o demonstra bem... com a simplicidade e humildade de uma verdadeira autoridade na materia)! Em suma: deixem-se de exclusivismos, elitismos, racismos, vulturismos, imperialismos ocidentais, neo-colonialismos, imposicoes, reducionismos e limitacoes fascistoides, novo-riquismos culturais e pseudo-academismos arrogantes (wa xtranhala!) e dancem so'… se souberem e se puderem! E, acima de tudo, deixem os outros (os verdadeiros "criativos") dançar em paz!

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Monday, 28 May 2007

LUANDA E AS SUAS MAKAS!


Foram-se as chuvas, chegou o Cacimbo e parece que a nossa Luanda já se está a refazer da “porrada” que levou durante a época chuvosa. Vamos lá ver, se irão conseguir resolver no Cacimbo todas as makas. Os engarrafamentos continuam, os buracos nas estradas aumentam (somos o único pais no mundo com estradas descartáveis), o lixo não para, a luz bazou e até agora estamos a espera dela. Tem razão o meu kamba Kinito quando diz que a maior oposição ao Governo é a EPAL, EDEL, ELISAL e o INAMET.


Segundo o kamba Kinito a EPAL – Empresa Privadora de Águas aos Luandenses, é um dos mais fortes partidos de oposição ao Governo. Ela consegue “privar” os Kaluandas sempre que possível do precioso liquido. Você está no banho só da conta, a água bazou, quer lavar o botter e nada, água tá onde? Você até quando constrói o cúbico, tem de deixar espaço para o tanque de água, e deixar um buraco para a mangueira da cisterna vir abastecer. Água da torneira não podes beber senão apanhas cólera, és obrigado a fazer esquemas como faz um colega aqui no salu, que aproveita a água de favor que a empresa dá e bebe já de tudo. O muadié até diz que os colegas lhe chamam já Camelo, pois isso de armazenar a água para depois não ter mais sede, quando chegar ao cúbico. Voltando ao kamba Kinito, ontem ligou-me e disse que vai provar por A+B que grande parte das cisternas de água, são pertença dos grandes mangas da EPAL.

Mas esta é … Outra Maka Mais!!!


EDEL – Empresa Destruidora da Energia de Luanda, o kamba Kinito diz mesmo que este é o maior partido da oposição (pelos seus feitos ultrapassou já o do “Galo Negro”). Este partido o que te faz!!! Você tá ouvir noticiário, só assusta luz bazou. Você tá ver jogo e na hora do passe para o golo, te tiram a luz. Você tá a apreciar um bom filme do tipo 9 semanas e meia, na hora mesmo da pura parte, luz baza. O pitéu na arca estraga, se você levar para guardar no vizinho que tem gerador, acontece o seguinte: ou dás um pouco de carne ao vizinho, ou então vão te pitar tudo. A noite calor é calor, as vezes você olha na pura mboa que está a campar ao lado, começas já a pensar em naqueles mambos mas quando imaginas no calor, você desiste. Tudo por culpa da EDEL.


Antigamente era fácil, a culpa era sempre dos bandos errantes do falecido man – mbimbi que deixavam cair os postes de alta tensão lá em Cambambe. Mas agora então é quê mais, a paz já estamos com ela há cinco anos? Agora a desculpa é que 60% dos Kaluandas não pagam as contas de luz??? Cerca de 35% vive dos famosos “gatos”. Então vou pagar um serviço do qual quase não usufruo? Ter gerador que num pais normal deveria ser a excepção, cá entre nós virou regra. O kamba Kinito diz que vai apresentar queixa da EDEL a ONU, a UNESCO e ao Presidente Bush, porque segundo ele, a EDEL é uma empresa de destruição massiva, e que estes constantes cortes de energia vão dar cabo da vida dos Kaluandas. Diz também que os manda-chuvas da EDEL são os donos dos armazéns de venda de velas e geradores.

Esta é … Outra Maka Mais!!!


ELISAL – Empresa Lixadora e Saneadora de Luanda, o Kamba Kinito diz que este partido anda a “lixar” e pretende sanar com todos os Kaluandas. É só muito lixo, lixo, lixo, uma pessoa até pergunta: mas este lixo todo tá vir donde? Bué de empresas de recolha de lixo, mas o lixo sempre anduta, um gajo até já não acredita que este mambo tem solução. Há tempos ouvi dizer que tipo os Japoneses queriam comprar todo lixo da cidade, mas parece que as partes não chegaram a acordo pois o conceito de lixo dos japoneses era bastante abrangente parece que incluía também o “lixo” que governava os Kaluandas.


INAMET – Segundo o Kamba Kinito é INAMENTE, pois estes dão muitas bandeiras quando fazem a previsão do tempo. Quando dizem que no dia seguinte irá fazer sol, você prepara já as imbambas e todos os mambos, mas quando chega lá na praia chuva com força, um gajo até fica malaike. As vezes dão a dica que vai chover muito, e um gajo prepara já aquele mbila de frio, mas assusta bué de calor. Quando os muadiés vão na TPA explicar os mambos, falam já bué de termos técnicos: As fortes cargas pluviométricas que se abatem sobre a cidade de Luanda, para enganar o people, custa só dizer as chuvas que tamos com ele, ou as chuvas que estão a cair na city???

Gostam só de arranjar maka.


O kamba Kinito já identificou os principais opositores ao desenvolvimento dos Kaluandas. E já disse que vai tomar as medidas exactas e já criou mesmo a associação KIBETO – Kaluanda Insatisfeito Busca Explicações Transparentes e Objectivas.
O kamba Kinito anda mesmo inconformado e desolado com estas coisas todas. No seu programa de acção propõe saídas para a actual situação caótica que se vive em Luanda. A primeira seria o Pai lá do céu, fazer o mesmo que fez com Sodoma e Gomorra e acabar com tudo e todos. Assim aqueles que viessem depois, estariam livres de qualquer vício. O kamba Kinito perguntou-me o que achava das suas ideias, disse-lhe o seguinte: - Quanto a opção de Sodoma e Gomorra, disse-lhe que pelo estado das coisas era algo a ter em conta. Que se após isto uma equipa de historiadores, geólogos, antropólogos e tantos outros “ologos” que existem pelo mundo afora, fosse fazer um estudo da extinta espécie “Homo Luandensis” iria ficar perplexa e colocar várias questões.


Iriam ficar admirados como era possível nesta sociedade, 15 a 20 KM de estrada serem percorridos em cinco horas??? Iriam questionar como era possível os seus dirigentes, possuírem carros de cem mil dólares, casas em condomínios no valor de quinhentos mil dólares, casas de ferias na South, na Tuga. E o povo em geral nem água em condições possuía, nem luz tinha. Iriam ficar indignados com o facto de nesta sociedade, para se ascender politica, económica e socialmente era necessário pertencer a determinada organização partidária, ou então ter sobrenome Van- Dúnem, Vieira Dias, Dias dos Santos. Ou para atingir determinado status nas instituições bancárias privadas era preciso ter todas as cores menos ser black, até Kilombo podias ser, mas black só mesmo no caixa, estafeta ou limpeza. A excepção só se fosse possuidor de um dos sobrenomes acima mencionados. Iriam ficar estupefactos, pois nesta sociedade a excepção virou regra e a regra excepção. A dita gasosa foi institucionalizada, onde andam todos gasosados, tava tudo numa blue. Iriam ficar confusos com o facto de que pessoas morriam por falta de uma aspirina, de soro ou por falta de pessoal nos hospitais. Iriam rejeitar o facto de que com os milhares de barris de petróleo produzidos diariamente, a Refinaria de petróleo não tinha capacidade para aguentar a demanda e que cerca de 30% do combustível consumido era importado.

Esta seria … Outra Maka Mais!!!


Domingo quando estava a acabar esta crónica, bate a porta o meu vizinho malaike, lhe atendo já: - Vizinho Armindo, pode arranjar só um litro de óleo de cozinha? - Outra vez vizinho? Vizinho sempre a pedir? Meu, xiça, não vou te dar mesmo. - Epá vizinho Armindo, tó mal, sem kumbú. - Negativo. A dama saiu e trancou a dispensa (lhe menti, faz lembrar os tempos de puto quando a velha trancava a dispensa). - Armindo, me dá lá só. - Mas vizinho você não conhece o nosso super? Lá tem tudo. - Vizinho Armindo, a minha mulher disse que viu a sua dispensa cheia tipo o nosso super. - Olha vizinho eu sou super, mas não sou vosso! Já viram estes vizinhos zongolas, que arranjam só makas para os outros.

E eu que tinha de acabar a minha crónica semanal …

outra maka mais!!!

Bazei.
Mungueno.
Aquele abraço.

“Ilustre”
(Kamba do kamba Kinito)


Foram-se as chuvas, chegou o Cacimbo e parece que a nossa Luanda já se está a refazer da “porrada” que levou durante a época chuvosa. Vamos lá ver, se irão conseguir resolver no Cacimbo todas as makas. Os engarrafamentos continuam, os buracos nas estradas aumentam (somos o único pais no mundo com estradas descartáveis), o lixo não para, a luz bazou e até agora estamos a espera dela. Tem razão o meu kamba Kinito quando diz que a maior oposição ao Governo é a EPAL, EDEL, ELISAL e o INAMET.


Segundo o kamba Kinito a EPAL – Empresa Privadora de Águas aos Luandenses, é um dos mais fortes partidos de oposição ao Governo. Ela consegue “privar” os Kaluandas sempre que possível do precioso liquido. Você está no banho só da conta, a água bazou, quer lavar o botter e nada, água tá onde? Você até quando constrói o cúbico, tem de deixar espaço para o tanque de água, e deixar um buraco para a mangueira da cisterna vir abastecer. Água da torneira não podes beber senão apanhas cólera, és obrigado a fazer esquemas como faz um colega aqui no salu, que aproveita a água de favor que a empresa dá e bebe já de tudo. O muadié até diz que os colegas lhe chamam já Camelo, pois isso de armazenar a água para depois não ter mais sede, quando chegar ao cúbico. Voltando ao kamba Kinito, ontem ligou-me e disse que vai provar por A+B que grande parte das cisternas de água, são pertença dos grandes mangas da EPAL.

Mas esta é … Outra Maka Mais!!!


EDEL – Empresa Destruidora da Energia de Luanda, o kamba Kinito diz mesmo que este é o maior partido da oposição (pelos seus feitos ultrapassou já o do “Galo Negro”). Este partido o que te faz!!! Você tá ouvir noticiário, só assusta luz bazou. Você tá ver jogo e na hora do passe para o golo, te tiram a luz. Você tá a apreciar um bom filme do tipo 9 semanas e meia, na hora mesmo da pura parte, luz baza. O pitéu na arca estraga, se você levar para guardar no vizinho que tem gerador, acontece o seguinte: ou dás um pouco de carne ao vizinho, ou então vão te pitar tudo. A noite calor é calor, as vezes você olha na pura mboa que está a campar ao lado, começas já a pensar em naqueles mambos mas quando imaginas no calor, você desiste. Tudo por culpa da EDEL.


Antigamente era fácil, a culpa era sempre dos bandos errantes do falecido man – mbimbi que deixavam cair os postes de alta tensão lá em Cambambe. Mas agora então é quê mais, a paz já estamos com ela há cinco anos? Agora a desculpa é que 60% dos Kaluandas não pagam as contas de luz??? Cerca de 35% vive dos famosos “gatos”. Então vou pagar um serviço do qual quase não usufruo? Ter gerador que num pais normal deveria ser a excepção, cá entre nós virou regra. O kamba Kinito diz que vai apresentar queixa da EDEL a ONU, a UNESCO e ao Presidente Bush, porque segundo ele, a EDEL é uma empresa de destruição massiva, e que estes constantes cortes de energia vão dar cabo da vida dos Kaluandas. Diz também que os manda-chuvas da EDEL são os donos dos armazéns de venda de velas e geradores.

Esta é … Outra Maka Mais!!!


ELISAL – Empresa Lixadora e Saneadora de Luanda, o Kamba Kinito diz que este partido anda a “lixar” e pretende sanar com todos os Kaluandas. É só muito lixo, lixo, lixo, uma pessoa até pergunta: mas este lixo todo tá vir donde? Bué de empresas de recolha de lixo, mas o lixo sempre anduta, um gajo até já não acredita que este mambo tem solução. Há tempos ouvi dizer que tipo os Japoneses queriam comprar todo lixo da cidade, mas parece que as partes não chegaram a acordo pois o conceito de lixo dos japoneses era bastante abrangente parece que incluía também o “lixo” que governava os Kaluandas.


INAMET – Segundo o Kamba Kinito é INAMENTE, pois estes dão muitas bandeiras quando fazem a previsão do tempo. Quando dizem que no dia seguinte irá fazer sol, você prepara já as imbambas e todos os mambos, mas quando chega lá na praia chuva com força, um gajo até fica malaike. As vezes dão a dica que vai chover muito, e um gajo prepara já aquele mbila de frio, mas assusta bué de calor. Quando os muadiés vão na TPA explicar os mambos, falam já bué de termos técnicos: As fortes cargas pluviométricas que se abatem sobre a cidade de Luanda, para enganar o people, custa só dizer as chuvas que tamos com ele, ou as chuvas que estão a cair na city???

Gostam só de arranjar maka.


O kamba Kinito já identificou os principais opositores ao desenvolvimento dos Kaluandas. E já disse que vai tomar as medidas exactas e já criou mesmo a associação KIBETO – Kaluanda Insatisfeito Busca Explicações Transparentes e Objectivas.
O kamba Kinito anda mesmo inconformado e desolado com estas coisas todas. No seu programa de acção propõe saídas para a actual situação caótica que se vive em Luanda. A primeira seria o Pai lá do céu, fazer o mesmo que fez com Sodoma e Gomorra e acabar com tudo e todos. Assim aqueles que viessem depois, estariam livres de qualquer vício. O kamba Kinito perguntou-me o que achava das suas ideias, disse-lhe o seguinte: - Quanto a opção de Sodoma e Gomorra, disse-lhe que pelo estado das coisas era algo a ter em conta. Que se após isto uma equipa de historiadores, geólogos, antropólogos e tantos outros “ologos” que existem pelo mundo afora, fosse fazer um estudo da extinta espécie “Homo Luandensis” iria ficar perplexa e colocar várias questões.


Iriam ficar admirados como era possível nesta sociedade, 15 a 20 KM de estrada serem percorridos em cinco horas??? Iriam questionar como era possível os seus dirigentes, possuírem carros de cem mil dólares, casas em condomínios no valor de quinhentos mil dólares, casas de ferias na South, na Tuga. E o povo em geral nem água em condições possuía, nem luz tinha. Iriam ficar indignados com o facto de nesta sociedade, para se ascender politica, económica e socialmente era necessário pertencer a determinada organização partidária, ou então ter sobrenome Van- Dúnem, Vieira Dias, Dias dos Santos. Ou para atingir determinado status nas instituições bancárias privadas era preciso ter todas as cores menos ser black, até Kilombo podias ser, mas black só mesmo no caixa, estafeta ou limpeza. A excepção só se fosse possuidor de um dos sobrenomes acima mencionados. Iriam ficar estupefactos, pois nesta sociedade a excepção virou regra e a regra excepção. A dita gasosa foi institucionalizada, onde andam todos gasosados, tava tudo numa blue. Iriam ficar confusos com o facto de que pessoas morriam por falta de uma aspirina, de soro ou por falta de pessoal nos hospitais. Iriam rejeitar o facto de que com os milhares de barris de petróleo produzidos diariamente, a Refinaria de petróleo não tinha capacidade para aguentar a demanda e que cerca de 30% do combustível consumido era importado.

Esta seria … Outra Maka Mais!!!


Domingo quando estava a acabar esta crónica, bate a porta o meu vizinho malaike, lhe atendo já: - Vizinho Armindo, pode arranjar só um litro de óleo de cozinha? - Outra vez vizinho? Vizinho sempre a pedir? Meu, xiça, não vou te dar mesmo. - Epá vizinho Armindo, tó mal, sem kumbú. - Negativo. A dama saiu e trancou a dispensa (lhe menti, faz lembrar os tempos de puto quando a velha trancava a dispensa). - Armindo, me dá lá só. - Mas vizinho você não conhece o nosso super? Lá tem tudo. - Vizinho Armindo, a minha mulher disse que viu a sua dispensa cheia tipo o nosso super. - Olha vizinho eu sou super, mas não sou vosso! Já viram estes vizinhos zongolas, que arranjam só makas para os outros.

E eu que tinha de acabar a minha crónica semanal …

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Bazei.
Mungueno.
Aquele abraço.

“Ilustre”
(Kamba do kamba Kinito)

Saturday, 28 April 2007

INTERESTING READINGS FOR THE SOCIAL RESEARCHER...

... OR JUST THE INTERESTED LAY READER



Critique of Anthropology is dedicated to the development of anthropology as a discipline that subjects social reality to critical analysis. The journal challenges received wisdoms inside academic anthropology and in society at large, presenting work that is innovative, challenging, sometimes experimental and often uncomfortable.

For more reading suggestions CLICK HERE.
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Sunday, 15 April 2007

MAKAS NA SANZALA GLOBAL

Durante a semana que hoje termina, de tao absorvida que estive em "makas de sanzala", fui seguindo apenas de soslaio algumas das interessantes makas que se desenrolavam na sanzala global. Um pouco para "acabar de vez com a cultura", isto e', com a maka na sanzala local, deixo aqui este resumo das makas globais da semana.


I. IMUS FURORE


Don Imus, de 67 anos de idade, apresentador de um popular programa de radio da cadeia americana MSNBC, afirmou aos seus microfones que as atletas da equipa feminina de basquetebol do Colegio Rutgers (jovens negras de cerca de 19/20 anos) nao passavam de umas “nappy-headed hos”… intraduzivel, mas altamente ofensivo para as vizadas e nao so’! Porque disse ele isso? Aparentemente, por nenhuma outra razao senao porque lhe apeteceu… E tambem, ao que parece, porque se sentiu justificado pela moda de assim se tratar as jovens mulheres negras no mundo da musica rap e hip-hop (lembram-se da maka Ophra vs. 50 Cent que AQUI relatei nas primeiras semanas deste blog?).

("I got a little 50 cent in my i-pod")
Seguiu-se um furor nacional em que praticamente toda a gente que tem alguma coisa a dizer sobre sexismo e racismo nos EUA apareceu nas networks televisivas a dizer de sua justica, desde Whoopi Goldberg, a varios dirigentes do NAACP, passando pelos Revs. Jesse Jackson e Al Sharpleton. Barack Obama, por exemplo, disse: "He didn't just cross the line, he fed into some of the worst stereotypes." Por seu lado, Snoop Dogg, defendendo a sua “dama” (i.e. o rap e hip-hop), saiu-se com esta: "It's a completely different scenario, first of all, we ain't no old-a— white men that sit up on MSNBC going hard on black girls. We are rappers that have these songs coming from our minds and our souls that are relevant to what we feel. I will not let them mother—s say we in the same league." O que levou alguns analistas a considerarem se pelo menos parte da confusao de “linhas de demarcacao” nao adviria de as ofensas terem sido proferidas fora de um "contexto artistico"…

Resultado: apesar de se ter desculpado perante as ofendidas e o pais, Don Imus foi sumariamente despedido da MSNBC! ... Indeed, outros mundos!!!


II. PRESIDENTE DO BANCO MUNDIAL EM SARILHOS...


O Presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz tem estado envolvido em grandes makas nos ultimos dias por ter sido apanhado em “flagrante delito”… Bom, nao exactamente, mas o que acontece e’ que ele e’ acusado pelo seu board e staff de usar o pior tipo de favoritismo para com uma sua ex(?) namorada, Shaha Riza, funcionaria do BM, facultando-lhe uma imerecida promocao e um aumento de salario que a pos a ganhar cerca de USD 200 mil/ano, o que se diz ser mais do que a remuneracao de Condolezza Rice…

Resultado: Wolfowitz emitiu um pedido publico de desculpas, mas nao parece que as tenha ainda obtido de todos quantos pedem a sua demissao imediata, a excepcao de George Bush que e’ o seu mais firme apoiante… Por isso vai dar hoje uma conferencia de imprensa e talvez durante a proxima semana se saiba o desfecho desta maka.


III. KASPAROV: DO XADREZ A POLITICA... AO XADREZ... AND BACK!


Gary Kasparov emergiu ha poucas horas do que parecia ser uma longa obscuridade, depois de ter feito as headlines mundiais como campeao mundial de xadrez durante varios anos, como um dos mais determinados oponentes do actual presidente Russo. Enquanto escrevia este post, ele estava a ser entrevistado, numa sessao pre-gravada do programa “Hardtalk” da BBC News 24 (... uma especie de combate de boxe entre entrevistador e entrevistado, nao aconselhavel aos de tensao alta ou de espirito enfraquecido por decadas de censura stalinista...), onde explicava como pretende aplicar as suas tacticas e estrategias de xadrez para dar um xeque-mate a Putin e como, possivelmente, ainda voltara' ao top do xadrez mundial… Mas nao foi por isso que ele fez as headlines.

Kasparov foi levado para o xadrez nas ultimas horas de ontem, entre varias dezenas de outros manifestantes que, em Moscovo, protestavam, no que apelidaram a “Marcha da Dissidencia” contra o regime de Putin, na historica Praca Pushkin, nas imediacoes do Kremlin, gritando: “precisamos de uma nova Russia”! Kasparov era um dos lideres da manifestacao, como dirigente do movimento “The Other Russia” (uma coligacao que engloba um vasto espectro de participantes, desde liberais pro-ocidentais a esquerdistas radicais) que acusa Putin de estar a desmantelar a democracia no pais.

A manifestacao aconteceu poucas horas depois de Boris Berezovsky, um bilionario russo que se tem destacado na oposicao a Putin, ter afirmado ontem ao ‘Guardian’ estar a planear uma revolucao a partir do seu exilio em Londres, o que contribuiu para uma ainda maior tensao nas relacoes Londres/Moscovo desde a misteriosa (?) morte por envenenamento ha’ alguns meses de um outro opositor do regime de Putin exilado em Londres, Alexander Litvinenko.

Kasparov foi, entretanto, posto em liberdade.


IV. WILLS & KATE JA' ERAM...


Finalmente, a grande historia que eclodiu nas ultimas horas e que certamente fara’ as headlines por muito tempo ainda: “Prince William and Kate Middleton are no longer an item!” Assim surgiu ontem a noticia como um exclusivo do tabloide londrino “The Sun” que, entretanto, se difundiu por toda a imprensa mundial.
Aparentemente, depois de 4 anos de namoro e alguns meses de quase noivado, o filho de Diana e a sua namorada, apenas um pouco acima da "middle England" no sistema de classes Britanico, decidiram seguir cada um o seu caminho. Do lado dele sugere-se que as razoes terao a haver com a prioridade que decidiu dar a sua carreira militar e, do lado dela, ao intenso escrutinio dos media e a perseguicao dos papparazzi (ring any bells?)…

Durante a semana que hoje termina, de tao absorvida que estive em "makas de sanzala", fui seguindo apenas de soslaio algumas das interessantes makas que se desenrolavam na sanzala global. Um pouco para "acabar de vez com a cultura", isto e', com a maka na sanzala local, deixo aqui este resumo das makas globais da semana.


I. IMUS FURORE


Don Imus, de 67 anos de idade, apresentador de um popular programa de radio da cadeia americana MSNBC, afirmou aos seus microfones que as atletas da equipa feminina de basquetebol do Colegio Rutgers (jovens negras de cerca de 19/20 anos) nao passavam de umas “nappy-headed hos”… intraduzivel, mas altamente ofensivo para as vizadas e nao so’! Porque disse ele isso? Aparentemente, por nenhuma outra razao senao porque lhe apeteceu… E tambem, ao que parece, porque se sentiu justificado pela moda de assim se tratar as jovens mulheres negras no mundo da musica rap e hip-hop (lembram-se da maka Ophra vs. 50 Cent que AQUI relatei nas primeiras semanas deste blog?).

("I got a little 50 cent in my i-pod")
Seguiu-se um furor nacional em que praticamente toda a gente que tem alguma coisa a dizer sobre sexismo e racismo nos EUA apareceu nas networks televisivas a dizer de sua justica, desde Whoopi Goldberg, a varios dirigentes do NAACP, passando pelos Revs. Jesse Jackson e Al Sharpleton. Barack Obama, por exemplo, disse: "He didn't just cross the line, he fed into some of the worst stereotypes." Por seu lado, Snoop Dogg, defendendo a sua “dama” (i.e. o rap e hip-hop), saiu-se com esta: "It's a completely different scenario, first of all, we ain't no old-a— white men that sit up on MSNBC going hard on black girls. We are rappers that have these songs coming from our minds and our souls that are relevant to what we feel. I will not let them mother—s say we in the same league." O que levou alguns analistas a considerarem se pelo menos parte da confusao de “linhas de demarcacao” nao adviria de as ofensas terem sido proferidas fora de um "contexto artistico"…

Resultado: apesar de se ter desculpado perante as ofendidas e o pais, Don Imus foi sumariamente despedido da MSNBC! ... Indeed, outros mundos!!!


II. PRESIDENTE DO BANCO MUNDIAL EM SARILHOS...


O Presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz tem estado envolvido em grandes makas nos ultimos dias por ter sido apanhado em “flagrante delito”… Bom, nao exactamente, mas o que acontece e’ que ele e’ acusado pelo seu board e staff de usar o pior tipo de favoritismo para com uma sua ex(?) namorada, Shaha Riza, funcionaria do BM, facultando-lhe uma imerecida promocao e um aumento de salario que a pos a ganhar cerca de USD 200 mil/ano, o que se diz ser mais do que a remuneracao de Condolezza Rice…

Resultado: Wolfowitz emitiu um pedido publico de desculpas, mas nao parece que as tenha ainda obtido de todos quantos pedem a sua demissao imediata, a excepcao de George Bush que e’ o seu mais firme apoiante… Por isso vai dar hoje uma conferencia de imprensa e talvez durante a proxima semana se saiba o desfecho desta maka.


III. KASPAROV: DO XADREZ A POLITICA... AO XADREZ... AND BACK!


Gary Kasparov emergiu ha poucas horas do que parecia ser uma longa obscuridade, depois de ter feito as headlines mundiais como campeao mundial de xadrez durante varios anos, como um dos mais determinados oponentes do actual presidente Russo. Enquanto escrevia este post, ele estava a ser entrevistado, numa sessao pre-gravada do programa “Hardtalk” da BBC News 24 (... uma especie de combate de boxe entre entrevistador e entrevistado, nao aconselhavel aos de tensao alta ou de espirito enfraquecido por decadas de censura stalinista...), onde explicava como pretende aplicar as suas tacticas e estrategias de xadrez para dar um xeque-mate a Putin e como, possivelmente, ainda voltara' ao top do xadrez mundial… Mas nao foi por isso que ele fez as headlines.

Kasparov foi levado para o xadrez nas ultimas horas de ontem, entre varias dezenas de outros manifestantes que, em Moscovo, protestavam, no que apelidaram a “Marcha da Dissidencia” contra o regime de Putin, na historica Praca Pushkin, nas imediacoes do Kremlin, gritando: “precisamos de uma nova Russia”! Kasparov era um dos lideres da manifestacao, como dirigente do movimento “The Other Russia” (uma coligacao que engloba um vasto espectro de participantes, desde liberais pro-ocidentais a esquerdistas radicais) que acusa Putin de estar a desmantelar a democracia no pais.

A manifestacao aconteceu poucas horas depois de Boris Berezovsky, um bilionario russo que se tem destacado na oposicao a Putin, ter afirmado ontem ao ‘Guardian’ estar a planear uma revolucao a partir do seu exilio em Londres, o que contribuiu para uma ainda maior tensao nas relacoes Londres/Moscovo desde a misteriosa (?) morte por envenenamento ha’ alguns meses de um outro opositor do regime de Putin exilado em Londres, Alexander Litvinenko.

Kasparov foi, entretanto, posto em liberdade.


IV. WILLS & KATE JA' ERAM...


Finalmente, a grande historia que eclodiu nas ultimas horas e que certamente fara’ as headlines por muito tempo ainda: “Prince William and Kate Middleton are no longer an item!” Assim surgiu ontem a noticia como um exclusivo do tabloide londrino “The Sun” que, entretanto, se difundiu por toda a imprensa mundial.
Aparentemente, depois de 4 anos de namoro e alguns meses de quase noivado, o filho de Diana e a sua namorada, apenas um pouco acima da "middle England" no sistema de classes Britanico, decidiram seguir cada um o seu caminho. Do lado dele sugere-se que as razoes terao a haver com a prioridade que decidiu dar a sua carreira militar e, do lado dela, ao intenso escrutinio dos media e a perseguicao dos papparazzi (ring any bells?)…

Friday, 6 April 2007

CRONICA DE UMA MAKA ANUNCIADA



"CRONICA DE UMA MAKA ANUNCIADA”



”(...) Quando alguém mostra a visibilidade do mito acha-se ao serviço de pretextos (... qualquer coisa tirada de passagem à Cultura) para, com seu uso, desencadear a explosão mítica. (...) Só não percebe quem vive mergulhado na cultura. Talvez se perceba numa certa África ainda. (...) Estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura.”

Para que fique registado neste blog o que deu lugar a esta maka (e por isso voltei hoje, 11/04/07, a reabrir temporariamente o blog ao publico em geral, mas com os espacos de comentarios a este e ao post anterior encerrados), decidi publicar aqui, no espaco de comentarios a este post, NA INTEGRA, os iniciais comentarios, publicados e nao publicados (digo iniciais porque houve outros posteriormente, 3 ou 4, dos quais apenas 2 foram publicados). Apesar de ja' ter considerado o assunto encerrado, com isto pretendo apenas sugerir aos leitores que, enquanto esta maka se desenrolava "por tras da cortina", foram seguindo os meus pontos de vista, quer aqui no meu blog, quer no blog “A Materia do Tempo” (nao pretendendo com isto de qualquer forma implicar o Denudado ou envolve-lo involuntariamente nesta maka, mas apenas porque as minhas primeiras “manifestacoes” sobre essas questoes foram registadas no blog dele) , sobre alguns dos argumentos da ACGM no seu post entitulado “Vulto Said:”, nomeadamente a volta dos conceitos de “apropriacao cultural”, “partilha” e “racismo”, facam as suas proprias avaliacoes e formulem os seus proprios pontos de vista e/ou juizos de valor.

Sugeriria que o fizessem a luz do meu artigo anexado ao post anterior a este (“Maka de Sanzala!!!” ) entitulado “A Minha Patria nao e’ a Lingua Portuguesa”, com particular referencia a "alguns exímios praticantes do impressivo, mas de questionável honestidade intelectual, ofício do 'vulturismo cultural' (i.e., a apropriação de simbologias e narrativas antropológicas, sociológicas ou rituais Africanas, para seu uso e abuso como instrumentos, máscaras, de legitimação cultural de discursos artístico-literários raramente condicentes com as experiências vivenciais, as convicções político-ideológicas, as preferências estéticas, ou a praxis social, passada ou presente, dos seus autores)."

Pedir-vos-ia tambem que, tanto quanto possivel, tentassem prestar mais atencao ao CONTEUDO e menos a FORMA como os meus comentarios foram feitos, porque, sinceramente, incialmente para mim tratava-se apenas de expressar um ponto de vista e algumas interrogacoes perante quem, apesar de nao conhecer pessoalmente mas sobre quem sabia o suficiente para me expressar como o fiz sem grandes constrangimentos, nao me sentia com qualquer particular obrigacao de enderecar com “alturas e mesuras” e por quem, depois das suas respostas e a luz do que antes sabia dela e da leitura de alguns dos seus posts e comentarios no seu e noutros blogs, perdi todo o respeito…

Finalmente, impoe-se-me notar particularmente que uma das minhas leituras desta "maka" encaixa-se perfeitamente na frase de Herberto Helder acima citada (e por isso a tive destacada neste blog, no fim do 'News & Views', durante aquele periodo...). Isto e':

Eu expus a visibilidade do mito da "Phwo", ao tentar "destapar-lhe a mascara" e, imediatamente me achei ao servico de pretextos (e.g. acusacoes, ou melhor, insultos, de 'racismo', 'cobardia', 'grosseria', 'falta de educacao', 'atrevimento', 'ignorancia', 'incultura', 'patetice', 'estupidez', 'complexo', 'recalcamento', 'constrangimento', 'retrogredismo' ou 'retroaccao', 'rancor', 'ressaibo', 'raiva', 'ressentimento', 'parasitismo', 'insignificancia', 'besta, quadrada ou nao', 'disparatada', 'aquela coisa', 'vomito', 'pecadora capital', 'terrorista', 'instigadora de assassinatos', 'petit rien', etc, etc, etc...) que pudessem justificar que eu "cometesse um suicidio em grande estilo"... ou seria que alguem "cometesse um assassinato em grande estilo" sobre mim?!

Ao mesmo tempo, na sua resposta ao meu comentario (parcialmente) publicado (triplamente censurado) sob o titulo "Vulto said", ela tira "qualquer coisa" (de facto, varias coisas) de passagem a Cultura, particularmente a filologia, a antropologia e a etnologia (em nenhuma das quais ela e' especialista... e, ja' agora, como especialista em economia, devo dizer-lhe que nem nesta disciplina cientifica o conceito de "negociacao" e' equivalente a "negocio"... por isso, mas infelizmente nao so' por isso, a considero arrogante ignorante!) para com seu uso desencadear a explosao mitica (i.e. todos os episodios da "maka" que se seguiu e que explodiram nesta cena final...).

De facto, so' nao percebe quem vive mergulhado na cultura - com minuscula... ACGM da' mostras de viver mergulhada na "cultura" la' "dentro" do seu ministerio, da sua academia, dos livros que teve que ler e das licoes que teve que aprender para fazer um curso universitario... e tradu-los a letra para a sua "realidade"... como se a Vida, como se a Cultura, como se a Poesia, como se a Arte, como se a Danca, como se a Literatura, como se a Ciencia, como se a Partilha, como se a Criacao, como se a Geracao, como se a Gestacao, como se a Mukanda... se pudessem alguma vez reduzir a isso! Como se a Educacao, a Investigacao, o Ensino, a Aprendizagem, o Raciocinio, o Pensamento, a Intelectualidade ou a Inteligencia se pudessem limitar a ver, constatar, descrever, copiar, decorar, recitar, relatar e afirmar dogmaticamente o "obvio" a partir de algumas inconsistentes e superficiais observacoes empiricas aleatorias, dirigidas, enviezadas, exogenas, extemporaneas e esporadicas!

Talvez se perceba numa certa Africa ainda (eu percebi-o na "minha" Afrika, imediatamente...). (com minuscula... sem mais comentarios, porque o obvio dispensa-os...)!

So' para introduzir aqui uma pitadinha de "humor seco": houve uma vez, em Estocolmo, que me senti movida a "escrever" um poema transcrevendo os caracteres e simbolos (e seus significados) que encontrei num livro de Redinha... claro que nao o fiz a serio, porque mesmo quem nao domine os conceitos de "etic e emic", se for suficientemente honesto intelectualmente, reconhecera' que a "mimica" jamais podera' ser levada com seriedade, ou tida como Arte, por quem seja seriamente inteligente e culto!

Tenho ainda uma outra leitura (e com ela nao se esgotam todas as leituras que tenho desta "maka"), que igualmente se encaixa naquela frase, a qual, para mim, descreve perfeitamente o fenomeno "vulturismo cultural" e a esquizofrenia individual e social a ele associada. E por isso a usei no fim do meu artigo acima mencionado, tendo-o feito tambem para ressaltar a forma como a frase de Pessoa "a minha patria e' a lingua portuguesa" e' geralmente usada fora do contexto em que foi escrita, isto e', como "qualquer coisa tirada de passagem a Cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica..." (e.g. o mito do "lusotropicalismo"). Isto, sobretudo, porque me recuso a acreditar que a totalidade das pessoas que, em qualquer parte do mundo, teem a lingua portuguesa como a sua patria, possam igualmente dizer, como Pessoa, "nao tenho nenhum sentimento politico ou social". Eu certamente nao o posso dizer e lamento-o, por varias razoes, mas principalmente porque respeito profundamente a sua poesia e a Lingua Portuguesa!

Vamos a "ela"? 'A leitura, claro!
Nesta segunda leitura, o que os "vultos culturais" fazem, na sua busca de uma "identidade" que os corporize, lhes finque os pes no chao, lhes crie raizes, os valide culturalmente, os valorize intelectualmente e os legitime politicamente numa sociedade em que se sentem "deslocados", "a pairar no ar" (vizualizar aqui), com a qual nao se identificam (ou recusam-se a identificar-se, apesar de terem contribuido activamente para o estado em que ela se encontra actualmente, ou terem assistido passivamente a sua progressiva degradacao, ao longo dos anos desde a independencia) e da qual por isso se auto-marginalizam, e' tirar da Cultura (Africana) qualquer coisa (fenomeno "apropriacao"), como um "nome", um "pseudonimo", um "cognome", um "nick", uma indumentaria, um penteado, ou a mascara Pwo, e usa-la para desencadear a explosao mitica (... que, entre outras coisas, lhes permite auto-convencer-se de que sao mais conhecedores dessa Cultura do que os seus proprios criadores/detentores e ser "mimados" com premios literarios e "nacionais de cultura" por isso; enquanto aqueles com quem aprenderam sobre tal Cultura sao relegados a extincao ou transformados em "atraccao turistica exotica" nesse processo de apropriacao que os usa, abusa e desusa como "objectos de estudo" e nao sujeitos da sua propria cultura e identidade; ao mesmo tempo que fazem muita questao de corrigir o meu "pretogues", nao percebo bem se em nome do Pessoa, do Camoes, ou do Tchibinda Ilunga, como o fez um tal "Diamante"!).

Como se a Cultura Angolana se pudesse confinar a Cultura Tchokwe! Por isso me refiro a ela frequentemente como 'miuda', 'menina' e 'fedelha' atrevida, mal-educada, mimada, inculta e irresponsavel... (mas sera' que dentre os 'mais velhos' do mundo do "nacional-premialismo" da ACGM ninguem ainda lhe explicou de onde partem, regra geral, os "cronicos conflitos etnico-raciais" em Africa?!). Mas da' para perceber, obviamente, que nunca ninguem lhe ensinou, nem ela parece capaz de aprender, apreender, compreender, interiorizar, pensar, raciocinar, interagir e agir por si propria e pela sua propria cabeca e nao apenas pelas dos seus professores, seja em que lingua ou cultura for, de acordo com o significado mais profundo de "it ain't necessarily so"... ou reduzir-se a sua insignificancia e sela-la com o mais simplorio conceito de "shallow mind"!

Eu percebi-o ha' muito na "minha" Afrika, tanto "dentro" como "fora" de Angola! ... Minha Afrika onde nunca confundi "identidade" com "etnicidade", nem alguma vez limitei a "identidade" as "sociedades tradicionais", nem nunca opus qualquer delas aos conceitos de "modernidade", "evolucao", "progresso", ou "desenvolvimento" (que, ja' agora, teem muito pouco a ver com a adopcao de objectos materiais, como televisores, shampoos, gel de banho, ou espelhos por sociedades que antes nao os produziam e que continuaram depois da sua "adopcao" a nao os produzir... vejam-se, por exemplo, os efeitos "desenvolvimentistas" e "progressistas" que esse tipo de "adopcao" teve no Kongo de 500, como vivamente o ilustra a carta que anexei ao meu post "Late Sunday Service"... e, ja' agora tambem, para mim o verdadeiro desenvolvimento economico, social e cultural de uma sociedade, qualquer que ela seja e em que parte do mundo for, tem que ser "endogeno" - para quem saiba o que isso significa...), nem nunca limitei a Cultura a "culturas originais ou fechadas"...

Minha Afrika onde nao so' ja' vi mulheres brancas de panos (nunca fui a Holanda, mas sei que e' la' que sao fabricados "tradicionalmente" os "panos do Congo"... meu Kongo que ja' era uma potencia textil antes de os colonizadores chegarem com as suas "faixas de panos vermelhos" e missangas...), como ja vi ate' mulheres brancas "sangomas" (isto e', para os leigos como ACGM, "feiticeiras" ou curandeiras "tradicionais"...) na Africa do Sul post-apartheid (... praticamente toda a gente, entre brancos, negros e outras racas e/ou etnicidades, as considera, no entanto, absolutamente ridiculas e as "mais dignas e unicas" representantes do vulturismo cultural...)!

Minha Afrika e meu Mundo onde muito antes de eu ter nascido se formularam, conceptualizaram, discutiram, institucionalizaram, desinstitucionalizaram, politicizaram, despoliticizaram, construiram, desconstruiram, bateram, debateram, rebateram, esbateram, reacenderam, ultrapassaram e renovaram continua e ciclicamente os conceitos que ACGM, que nasceu depois de mim, comeca agora apenas a soletrar (e muito mal!), mas sobre os quais se considera com autoridade suficiente para fazer "public lectures" e para "falar de catedra" para quem ela "pensa" que "nao estudou", mas que certamente estudou, aprendeu, apreendeu e compreendeu muito mais e melhor do que ela e, sem qualquer duvida, muito humildemente, viveu, conviveu, viu, experimentou e partilhou a sua identidade cultural, a sua mundivivencia, os seus diversificados conhecimentos literarios e academicos em, e aprendeu, apreendeu e compreendeu com e entre, varias sociedades e comunidades Africanas e nao so', muito mais e melhor do que ela... sem guarda-costas, guias de marcha ou "bolsas de criacao" e certamente desde que nasceu e nao apenas depois da independencia de Angola! Quem e' que, afinal, no meio disto tudo, falou de alguem sem a conhecer? Falei de "arrogancia ignorante"? Falei de "falta de nocao do ridiculo"? Falei de "auto-convencimento"? Falei de "fraude"? Terei dito tudo?!

E so' nao "me aproprio" tambem de uma qualquer mascara na minha poesia, ou na minha vida em geral, porque a minha identidade cultural dispensa tais expedientes... E e' tambem por isso que tenho o maior respeito pelas pessoas de qualquer nacionalidade, que, sem desrespeitarem ou menosprezarem outras culturas, ou as pessoas que as possuem, defendem orgulhosamente a sua propria identidade cultural. Justamente, eles sao "guardioes das suas culturas", nao deixando por isso de ter abertura de espirito suficiente para se abrirem a partilha, interaccao e integracao com outras culturas - em suma, sao educados, cultos e inteligentes.

Acredito neles e com eles me identifico instintiva e intuitivamente, independentemente da sua raca, cor de pele, etnicidade, idioma, orientacao sexual, genero, religiao, classe social, nivel educacional ou academico, ou conviccoes politico-ideologicas, mesmo que eventualmente nao possa ver a sua cara e mesmo que eles tambem usassem mascaras, porque os vejo, me parecem e os sinto humanos, nao "vultos"!

Por isso me sinto capaz de partilhar alguma coisa com essas pessoas genuinas, nao "mascaras"! Por isso me sinto capaz de interagir e integrar nas suas sociedades abertas, nao "circulos restritos" (mais frequentemente do que o contrario, baseados fora do pais de que se acham "absolutos donos" enquanto la' estao - isto e', os que de la' "nunca sairam" porque tambem nunca la' estiveram a viver como o 'ze' povinho' e jamais poderiam sonhar com a vida de mordomias que todos os "sistemas" sempre lhes outorgaram - ou prontos a abandona-lo, como as verdadeiras e inultrapassaveis 'prima donnas' que sempre foram, a primeira "contrariedade"...), viciosos e viciados, ordinarios, marginais, promiscuos, doentios, claustrofobicos, autofagicos, esquizofrenicos, exclusivistas, divisionistas, tribalistas, fechados, censorios, agressivos, destrutivos, anti-sociais, recalcados, complexados, invejosos, mesquinhos, racistas, constrangidos, ameacadores, enfim... INSEGUROS... porque habitados por vultos auto-enclausurados por medo da sua propria sombra! De que teem tanto medo?! I wonder...

Por tudo isso, estou no Mundo... a esquizofrenia fica longe... na cultura!

[DEVIDO AO IMPRECEDENTE ACONTECIMENTO QUE RELATO NO POST ANTERIOR, DECIDI REABRIR TEMPORARIAMENTE O ACESSO A ESTE BLOG AO PUBLICO EM GERAL. NO ENTANTO, E PARA QUE HAJA UM MINIMO DE JUSTA EQUIVALENCIA ENTRE AS PRATICAS EXERCIDAS NESTE BLOG E NO BLOG EM QUESTAO, ACTIVAREI A "MODERACAO DE COMENTARIOS" DURANTE ESTE PERIODO.]




"CRONICA DE UMA MAKA ANUNCIADA”



”(...) Quando alguém mostra a visibilidade do mito acha-se ao serviço de pretextos (... qualquer coisa tirada de passagem à Cultura) para, com seu uso, desencadear a explosão mítica. (...) Só não percebe quem vive mergulhado na cultura. Talvez se perceba numa certa África ainda. (...) Estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura.”

Para que fique registado neste blog o que deu lugar a esta maka (e por isso voltei hoje, 11/04/07, a reabrir temporariamente o blog ao publico em geral, mas com os espacos de comentarios a este e ao post anterior encerrados), decidi publicar aqui, no espaco de comentarios a este post, NA INTEGRA, os iniciais comentarios, publicados e nao publicados (digo iniciais porque houve outros posteriormente, 3 ou 4, dos quais apenas 2 foram publicados). Apesar de ja' ter considerado o assunto encerrado, com isto pretendo apenas sugerir aos leitores que, enquanto esta maka se desenrolava "por tras da cortina", foram seguindo os meus pontos de vista, quer aqui no meu blog, quer no blog “A Materia do Tempo” (nao pretendendo com isto de qualquer forma implicar o Denudado ou envolve-lo involuntariamente nesta maka, mas apenas porque as minhas primeiras “manifestacoes” sobre essas questoes foram registadas no blog dele) , sobre alguns dos argumentos da ACGM no seu post entitulado “Vulto Said:”, nomeadamente a volta dos conceitos de “apropriacao cultural”, “partilha” e “racismo”, facam as suas proprias avaliacoes e formulem os seus proprios pontos de vista e/ou juizos de valor.

Sugeriria que o fizessem a luz do meu artigo anexado ao post anterior a este (“Maka de Sanzala!!!” ) entitulado “A Minha Patria nao e’ a Lingua Portuguesa”, com particular referencia a "alguns exímios praticantes do impressivo, mas de questionável honestidade intelectual, ofício do 'vulturismo cultural' (i.e., a apropriação de simbologias e narrativas antropológicas, sociológicas ou rituais Africanas, para seu uso e abuso como instrumentos, máscaras, de legitimação cultural de discursos artístico-literários raramente condicentes com as experiências vivenciais, as convicções político-ideológicas, as preferências estéticas, ou a praxis social, passada ou presente, dos seus autores)."

Pedir-vos-ia tambem que, tanto quanto possivel, tentassem prestar mais atencao ao CONTEUDO e menos a FORMA como os meus comentarios foram feitos, porque, sinceramente, incialmente para mim tratava-se apenas de expressar um ponto de vista e algumas interrogacoes perante quem, apesar de nao conhecer pessoalmente mas sobre quem sabia o suficiente para me expressar como o fiz sem grandes constrangimentos, nao me sentia com qualquer particular obrigacao de enderecar com “alturas e mesuras” e por quem, depois das suas respostas e a luz do que antes sabia dela e da leitura de alguns dos seus posts e comentarios no seu e noutros blogs, perdi todo o respeito…

Finalmente, impoe-se-me notar particularmente que uma das minhas leituras desta "maka" encaixa-se perfeitamente na frase de Herberto Helder acima citada (e por isso a tive destacada neste blog, no fim do 'News & Views', durante aquele periodo...). Isto e':

Eu expus a visibilidade do mito da "Phwo", ao tentar "destapar-lhe a mascara" e, imediatamente me achei ao servico de pretextos (e.g. acusacoes, ou melhor, insultos, de 'racismo', 'cobardia', 'grosseria', 'falta de educacao', 'atrevimento', 'ignorancia', 'incultura', 'patetice', 'estupidez', 'complexo', 'recalcamento', 'constrangimento', 'retrogredismo' ou 'retroaccao', 'rancor', 'ressaibo', 'raiva', 'ressentimento', 'parasitismo', 'insignificancia', 'besta, quadrada ou nao', 'disparatada', 'aquela coisa', 'vomito', 'pecadora capital', 'terrorista', 'instigadora de assassinatos', 'petit rien', etc, etc, etc...) que pudessem justificar que eu "cometesse um suicidio em grande estilo"... ou seria que alguem "cometesse um assassinato em grande estilo" sobre mim?!

Ao mesmo tempo, na sua resposta ao meu comentario (parcialmente) publicado (triplamente censurado) sob o titulo "Vulto said", ela tira "qualquer coisa" (de facto, varias coisas) de passagem a Cultura, particularmente a filologia, a antropologia e a etnologia (em nenhuma das quais ela e' especialista... e, ja' agora, como especialista em economia, devo dizer-lhe que nem nesta disciplina cientifica o conceito de "negociacao" e' equivalente a "negocio"... por isso, mas infelizmente nao so' por isso, a considero arrogante ignorante!) para com seu uso desencadear a explosao mitica (i.e. todos os episodios da "maka" que se seguiu e que explodiram nesta cena final...).

De facto, so' nao percebe quem vive mergulhado na cultura - com minuscula... ACGM da' mostras de viver mergulhada na "cultura" la' "dentro" do seu ministerio, da sua academia, dos livros que teve que ler e das licoes que teve que aprender para fazer um curso universitario... e tradu-los a letra para a sua "realidade"... como se a Vida, como se a Cultura, como se a Poesia, como se a Arte, como se a Danca, como se a Literatura, como se a Ciencia, como se a Partilha, como se a Criacao, como se a Geracao, como se a Gestacao, como se a Mukanda... se pudessem alguma vez reduzir a isso! Como se a Educacao, a Investigacao, o Ensino, a Aprendizagem, o Raciocinio, o Pensamento, a Intelectualidade ou a Inteligencia se pudessem limitar a ver, constatar, descrever, copiar, decorar, recitar, relatar e afirmar dogmaticamente o "obvio" a partir de algumas inconsistentes e superficiais observacoes empiricas aleatorias, dirigidas, enviezadas, exogenas, extemporaneas e esporadicas!

Talvez se perceba numa certa Africa ainda (eu percebi-o na "minha" Afrika, imediatamente...). (com minuscula... sem mais comentarios, porque o obvio dispensa-os...)!

So' para introduzir aqui uma pitadinha de "humor seco": houve uma vez, em Estocolmo, que me senti movida a "escrever" um poema transcrevendo os caracteres e simbolos (e seus significados) que encontrei num livro de Redinha... claro que nao o fiz a serio, porque mesmo quem nao domine os conceitos de "etic e emic", se for suficientemente honesto intelectualmente, reconhecera' que a "mimica" jamais podera' ser levada com seriedade, ou tida como Arte, por quem seja seriamente inteligente e culto!

Tenho ainda uma outra leitura (e com ela nao se esgotam todas as leituras que tenho desta "maka"), que igualmente se encaixa naquela frase, a qual, para mim, descreve perfeitamente o fenomeno "vulturismo cultural" e a esquizofrenia individual e social a ele associada. E por isso a usei no fim do meu artigo acima mencionado, tendo-o feito tambem para ressaltar a forma como a frase de Pessoa "a minha patria e' a lingua portuguesa" e' geralmente usada fora do contexto em que foi escrita, isto e', como "qualquer coisa tirada de passagem a Cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica..." (e.g. o mito do "lusotropicalismo"). Isto, sobretudo, porque me recuso a acreditar que a totalidade das pessoas que, em qualquer parte do mundo, teem a lingua portuguesa como a sua patria, possam igualmente dizer, como Pessoa, "nao tenho nenhum sentimento politico ou social". Eu certamente nao o posso dizer e lamento-o, por varias razoes, mas principalmente porque respeito profundamente a sua poesia e a Lingua Portuguesa!

Vamos a "ela"? 'A leitura, claro!
Nesta segunda leitura, o que os "vultos culturais" fazem, na sua busca de uma "identidade" que os corporize, lhes finque os pes no chao, lhes crie raizes, os valide culturalmente, os valorize intelectualmente e os legitime politicamente numa sociedade em que se sentem "deslocados", "a pairar no ar" (vizualizar aqui), com a qual nao se identificam (ou recusam-se a identificar-se, apesar de terem contribuido activamente para o estado em que ela se encontra actualmente, ou terem assistido passivamente a sua progressiva degradacao, ao longo dos anos desde a independencia) e da qual por isso se auto-marginalizam, e' tirar da Cultura (Africana) qualquer coisa (fenomeno "apropriacao"), como um "nome", um "pseudonimo", um "cognome", um "nick", uma indumentaria, um penteado, ou a mascara Pwo, e usa-la para desencadear a explosao mitica (... que, entre outras coisas, lhes permite auto-convencer-se de que sao mais conhecedores dessa Cultura do que os seus proprios criadores/detentores e ser "mimados" com premios literarios e "nacionais de cultura" por isso; enquanto aqueles com quem aprenderam sobre tal Cultura sao relegados a extincao ou transformados em "atraccao turistica exotica" nesse processo de apropriacao que os usa, abusa e desusa como "objectos de estudo" e nao sujeitos da sua propria cultura e identidade; ao mesmo tempo que fazem muita questao de corrigir o meu "pretogues", nao percebo bem se em nome do Pessoa, do Camoes, ou do Tchibinda Ilunga, como o fez um tal "Diamante"!).

Como se a Cultura Angolana se pudesse confinar a Cultura Tchokwe! Por isso me refiro a ela frequentemente como 'miuda', 'menina' e 'fedelha' atrevida, mal-educada, mimada, inculta e irresponsavel... (mas sera' que dentre os 'mais velhos' do mundo do "nacional-premialismo" da ACGM ninguem ainda lhe explicou de onde partem, regra geral, os "cronicos conflitos etnico-raciais" em Africa?!). Mas da' para perceber, obviamente, que nunca ninguem lhe ensinou, nem ela parece capaz de aprender, apreender, compreender, interiorizar, pensar, raciocinar, interagir e agir por si propria e pela sua propria cabeca e nao apenas pelas dos seus professores, seja em que lingua ou cultura for, de acordo com o significado mais profundo de "it ain't necessarily so"... ou reduzir-se a sua insignificancia e sela-la com o mais simplorio conceito de "shallow mind"!

Eu percebi-o ha' muito na "minha" Afrika, tanto "dentro" como "fora" de Angola! ... Minha Afrika onde nunca confundi "identidade" com "etnicidade", nem alguma vez limitei a "identidade" as "sociedades tradicionais", nem nunca opus qualquer delas aos conceitos de "modernidade", "evolucao", "progresso", ou "desenvolvimento" (que, ja' agora, teem muito pouco a ver com a adopcao de objectos materiais, como televisores, shampoos, gel de banho, ou espelhos por sociedades que antes nao os produziam e que continuaram depois da sua "adopcao" a nao os produzir... vejam-se, por exemplo, os efeitos "desenvolvimentistas" e "progressistas" que esse tipo de "adopcao" teve no Kongo de 500, como vivamente o ilustra a carta que anexei ao meu post "Late Sunday Service"... e, ja' agora tambem, para mim o verdadeiro desenvolvimento economico, social e cultural de uma sociedade, qualquer que ela seja e em que parte do mundo for, tem que ser "endogeno" - para quem saiba o que isso significa...), nem nunca limitei a Cultura a "culturas originais ou fechadas"...

Minha Afrika onde nao so' ja' vi mulheres brancas de panos (nunca fui a Holanda, mas sei que e' la' que sao fabricados "tradicionalmente" os "panos do Congo"... meu Kongo que ja' era uma potencia textil antes de os colonizadores chegarem com as suas "faixas de panos vermelhos" e missangas...), como ja vi ate' mulheres brancas "sangomas" (isto e', para os leigos como ACGM, "feiticeiras" ou curandeiras "tradicionais"...) na Africa do Sul post-apartheid (... praticamente toda a gente, entre brancos, negros e outras racas e/ou etnicidades, as considera, no entanto, absolutamente ridiculas e as "mais dignas e unicas" representantes do vulturismo cultural...)!

Minha Afrika e meu Mundo onde muito antes de eu ter nascido se formularam, conceptualizaram, discutiram, institucionalizaram, desinstitucionalizaram, politicizaram, despoliticizaram, construiram, desconstruiram, bateram, debateram, rebateram, esbateram, reacenderam, ultrapassaram e renovaram continua e ciclicamente os conceitos que ACGM, que nasceu depois de mim, comeca agora apenas a soletrar (e muito mal!), mas sobre os quais se considera com autoridade suficiente para fazer "public lectures" e para "falar de catedra" para quem ela "pensa" que "nao estudou", mas que certamente estudou, aprendeu, apreendeu e compreendeu muito mais e melhor do que ela e, sem qualquer duvida, muito humildemente, viveu, conviveu, viu, experimentou e partilhou a sua identidade cultural, a sua mundivivencia, os seus diversificados conhecimentos literarios e academicos em, e aprendeu, apreendeu e compreendeu com e entre, varias sociedades e comunidades Africanas e nao so', muito mais e melhor do que ela... sem guarda-costas, guias de marcha ou "bolsas de criacao" e certamente desde que nasceu e nao apenas depois da independencia de Angola! Quem e' que, afinal, no meio disto tudo, falou de alguem sem a conhecer? Falei de "arrogancia ignorante"? Falei de "falta de nocao do ridiculo"? Falei de "auto-convencimento"? Falei de "fraude"? Terei dito tudo?!

E so' nao "me aproprio" tambem de uma qualquer mascara na minha poesia, ou na minha vida em geral, porque a minha identidade cultural dispensa tais expedientes... E e' tambem por isso que tenho o maior respeito pelas pessoas de qualquer nacionalidade, que, sem desrespeitarem ou menosprezarem outras culturas, ou as pessoas que as possuem, defendem orgulhosamente a sua propria identidade cultural. Justamente, eles sao "guardioes das suas culturas", nao deixando por isso de ter abertura de espirito suficiente para se abrirem a partilha, interaccao e integracao com outras culturas - em suma, sao educados, cultos e inteligentes.

Acredito neles e com eles me identifico instintiva e intuitivamente, independentemente da sua raca, cor de pele, etnicidade, idioma, orientacao sexual, genero, religiao, classe social, nivel educacional ou academico, ou conviccoes politico-ideologicas, mesmo que eventualmente nao possa ver a sua cara e mesmo que eles tambem usassem mascaras, porque os vejo, me parecem e os sinto humanos, nao "vultos"!

Por isso me sinto capaz de partilhar alguma coisa com essas pessoas genuinas, nao "mascaras"! Por isso me sinto capaz de interagir e integrar nas suas sociedades abertas, nao "circulos restritos" (mais frequentemente do que o contrario, baseados fora do pais de que se acham "absolutos donos" enquanto la' estao - isto e', os que de la' "nunca sairam" porque tambem nunca la' estiveram a viver como o 'ze' povinho' e jamais poderiam sonhar com a vida de mordomias que todos os "sistemas" sempre lhes outorgaram - ou prontos a abandona-lo, como as verdadeiras e inultrapassaveis 'prima donnas' que sempre foram, a primeira "contrariedade"...), viciosos e viciados, ordinarios, marginais, promiscuos, doentios, claustrofobicos, autofagicos, esquizofrenicos, exclusivistas, divisionistas, tribalistas, fechados, censorios, agressivos, destrutivos, anti-sociais, recalcados, complexados, invejosos, mesquinhos, racistas, constrangidos, ameacadores, enfim... INSEGUROS... porque habitados por vultos auto-enclausurados por medo da sua propria sombra! De que teem tanto medo?! I wonder...

Por tudo isso, estou no Mundo... a esquizofrenia fica longe... na cultura!

[DEVIDO AO IMPRECEDENTE ACONTECIMENTO QUE RELATO NO POST ANTERIOR, DECIDI REABRIR TEMPORARIAMENTE O ACESSO A ESTE BLOG AO PUBLICO EM GERAL. NO ENTANTO, E PARA QUE HAJA UM MINIMO DE JUSTA EQUIVALENCIA ENTRE AS PRATICAS EXERCIDAS NESTE BLOG E NO BLOG EM QUESTAO, ACTIVAREI A "MODERACAO DE COMENTARIOS" DURANTE ESTE PERIODO.]