Elias Dia Kimuezo e’ ha’ varias decadas um dos mais importantes interpretes da musica Angolana.
Nos anos 50, acompanhado pelas percussoes do Sambizanga, canta musicas Kimbundu – kabetulas, kazukutas, sembas e lamentos. Recria o estilo das mulheres bessanganas, expressando de forma impar a emocao dos sentimentos e da poesia Kimbundu.
Ressurreicao e’ um lamento: Elias chora a perda de um amigo e, de maneira velada, a triste situacao social. Rui Mingas e Teta Lando nas violas contribuem com harmonias e sonoridades inusitadas na epoca. Bonga esta’ nas percussoes.
[In Angola 60's - Buda Musique 1999]
Ressurreicao - Elias Dia Kimuezo
(*) Celebra-se hoje o Domingo de Pascoa (celebracao religiosa da "Ressurreicao de Jesus Cristo") e o Dia da Paz em Angola (celebracao do fim oficial do ultimo ciclo de guerra no pais a 4 de Abril de 2002).
[Postado inicialmente a 04/04/10]
Elias Dia Kimuezo e’ ha’ varias decadas um dos mais importantes interpretes da musica Angolana.
Nos anos 50, acompanhado pelas percussoes do Sambizanga, canta musicas Kimbundu – kabetulas, kazukutas, sembas e lamentos. Recria o estilo das mulheres bessanganas, expressando de forma impar a emocao dos sentimentos e da poesia Kimbundu.
Ressurreicao e’ um lamento: Elias chora a perda de um amigo e, de maneira velada, a triste situacao social. Rui Mingas e Teta Lando nas violas contribuem com harmonias e sonoridades inusitadas na epoca. Bonga esta’ nas percussoes.
[In Angola 60's - Buda Musique 1999]
Ressurreicao - Elias Dia Kimuezo
(*) Celebra-se hoje o Domingo de Pascoa (celebracao religiosa da "Ressurreicao de Jesus Cristo") e o Dia da Paz em Angola (celebracao do fim oficial do ultimo ciclo de guerra no pais a 4 de Abril de 2002).
“Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do Carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas.” Assim reza uma historia a qual voltarei mais tarde neste post.
Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?
Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.
E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...
Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar, ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!
E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginalnovinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?
E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!
Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecosque me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.
Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!
Entretanto...
Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aquiexpressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!
[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]
Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!
So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aquise pode verificar... Ja' viram?!
Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia, "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."
Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...
Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.
Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:
Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!
A 'Tradicao'
“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias
Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.
[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]
Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.
[Amanha Vamos a Procura da Chave - Uniao Mundo da Ilha]
A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.
[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]
[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]
Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.
Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aquie aqui.
Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.
Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".
Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].
E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.
Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.
“Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do Carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas.” Assim reza uma historia a qual voltarei mais tarde neste post.
Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?
Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.
E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...
Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar, ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!
E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginalnovinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?
E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!
Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecosque me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.
Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!
Entretanto...
Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aquiexpressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!
[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]
Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!
So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aquise pode verificar... Ja' viram?!
Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia, "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."
Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...
Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.
Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:
Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!
A 'Tradicao'
“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias
Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.
[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]
Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.
[Amanha Vamos a Procura da Chave - Uniao Mundo da Ilha]
A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.
[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]
[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]
Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.
Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aquie aqui.
Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.
Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".
Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].
E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.
Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.
Acaba de chegar a minha redaccao, de fonte (ainda) (in)segura, a seguinte informacao:
O musico Angolano Bongasera’ uma das figuras de maior destaque no Festival Mundial de Artes Negras, a realizar-se no Senegal de 10 a 31 de Dezembro de 2010. Tal como o fez recentemente na Expo Mundial de Xangai (verificar aquie aqui), Bonga representar-se-ha’ exclusivamente por merito proprio e a Angola unicamente por direito incontestavel.[*]
A mesma fonte acrescenta que, embora tenha sido anunciada por fontes (ainda nao)identificadas a presenca de alguns ballerinos negros comandados por uma prima donna classica europeia branca, mais conhecida em certos circulos "afectuosos" por vulta racista psicopata, provenientes de Angola, a sua prestacao, embora alegadamente "na qualidade de convidada especial", (ainda) nao consta do programa oficial do festival.
Mais acrescenta a fonte que nao lhe foi possivel obter junto dos organizadores do festival uma explicacao para o facto de, sendo Angola, alegadamente, "o pais que deu a luz a danca contemporanea em Africa", este nao se faca (ainda) representar nos Masterclasses e Workshops do festival dedicados a essa arte - e neste ponto, a fonte chama particularmente a atencao para as Masterclasses sobre o Hip Hop, genero que ja' aquifoi bastante discutido. Foi-lhe igualmente impossivel apurar por que razao da lista de personalidades ligadas a danca e coreografos convidados para o festival, abaixo transcrita, nao consta (ainda) nenhum nome relacionado com Angola...
Les personnalités et chorégraphes invités:
Rui Moreira (Brésil), Desmond Richardson (USA), Germaine Acogny (Sénégal), Willa Jo Zollar (USA), Werewere Linking (Côte d’Ivoire), Serge Aimé Coulibaly (Burkina Faso), Damien Zambo (Cameroun), Adafrez Bezuneh (Ethiopie), Sanjeev Bhargava (Inde), Armilinda Gomes Cabral Semedo (Cap Vert), Riyad Fghani (Algérie), Lilou (Algérie), Azdine Ben Youcef (Algérie), Efrén Marcos Suarez Torres (Cuba), Adrian Augier (St Lucie), Steven Faleni, Vusi Mdoyi, Buru Mohlabane (Afrique du Sud), Prince M. F. Lamba (Zambie).
[*] Outra presenca assinalavel no festival e' a de Simao Souindoula, como aquise noticia.
UPDATE
A nossa fonte voltou hoje a contactar-nos para nos informar que uma dita Cie d'Angola, presumivelmente a troupe de mademoiselleacima mencionada, actuara' num certo dia do festival, porem a sua margem.
Mais acrescenta a fonte que este update do programa oficial do festival foi feito apenas na vespera do seu inicio, o que evidencia o facto de que a dita Cie d'Angola se faz representar "a pato" no festival (ou, para usar uma expressao mais familiar ao bando, "infiltraram-se num festival de peritos"...) - certamente gracas aos seus links com o p(h)oder -, porque se fosse representar oficialmente Angola, e ainda por cima como alegada "convidada especial", teria, tal como o Bonga, sido convidada com a devida antecedencia e incluida no programa com o devido destaque, como mandam as normas protocolares neste tipo de eventos.
Alias, so' o facto de ela dizer "pomposamente" que a sua companhia vai "representar Angola" em Xangai (sendo que, supostamente, todo o mundo se deveria por isso "roer de inveja" ou sentir "dor de cotovelo"...) e no Senegal, como "convidada especial" (como se uma "convidada especial" fosse apenas mencionada no programa oficial a ultima hora e relegada a uma apresentacao conjunta com outros grupos fora do centro das actividades do festival...), sem nunca mencionar os outros Angolanos que la' foram representar Angola - nao que fosse de esperar que ela sequer mencionasse o Kota Bonga, de quem apenas diz os piores "cobras e lagartos", mas pelo menos os outros que ate' sao da sua "geracao" (etaria, psicologica, emocional, cultural, social, etc.) - nao so' evidencia flagrantemente o quanto e' intelectualmente desonesta (leia-se tambem o quanto e' capaz de mentir descaradamente!), como ja' diz o quanto ela luta com unhas e dentes, a viva forca, para ser "unica" e "invejada"!!...
Qual a diferenca qual e' elaentre o trabalho de Maqoma (sobre cuja performance em Angola a nossa 'vamp' se manteve estranhamente silenciosa!...), bem como o de outros artistas Africanos, e o da demoiselle a que aqui nos vimos referindo?
A diferenca e' muito mais simples do que a mera imagem/composicao estetica de violinos e violoncelos (ou outros instrumentos musicais de origem europeia) "abrilhantando", ou "civilizando", dancas africanas, mas e', porem, igualmente muito mais profunda e fundamental: Maqoma investiga HONESTAMENTE a sua propria IDENTIDADE (repare-se no logo deste festival...) em relacao com a Historia, a Humanidade e a Natureza... enquanto a demoiselle em questao, nao so' demonstrou a saciedade ignorar, como abominar aberta e arrogantemente o proprio conceito de IDENTIDADE (tendo por isso dito que eu, por o defender, "deveria cometer um suicidio em grande estilo" ou ser "esquartejada a catanada"!!!) e tem advogado CINICAMENTE, juntamente com os seus acolitos (alguns dos quais ditos negros, mas que tambem dizem "nao se identificar com Africanos"...), o "white-washing" da Historia de Africa! Isto para nao mencionar o celebre abaixo-assinado que lhe foi dirigido por pratica de RACISMO CONTRA NEGROS na escola de danca que dirigia...
Put simply: ACGM e' declarada e incorrigivelmente RACISTA DE EXTREMA DIREITA E SUPREMACISTA BRANCA!!!
Maqoma NAO!
Mais: Maqoma, pelo seu natural respeito pela Humanidade e a Natureza, de acordo com a sua cultura ancestral Africana, certamente jamais se referiria, e ainda por cima em publico (!), a outro ser humano - o sagradoNtu da cultura baNtu - muito menos um colega de profissao (... e por nenhuma outra razao aparente que nao este ter tido o atrevimento de obter destaque num jornal que o considerava "o verdadeiro icone"... ou seja, por ter tido o atrevimento de fazer sombra a prima donna!), por sinal negro, como um "item que merece ser abortado" (... o que e', alias, reminiscente de um certo "lixo de Angola" - mera coincidencia?...) e a si proprio como unico "conhecedor" da danca no seu pais - sendo certo que qualquer que seja o nivel de conhecimento academico que ele tenha das suas dancas tradicionais, ele nasceu com e no meio delas: nao teve que os ir vulturar a Culturas Africanas que nao sao originariamente as suas e que antes tivera abominado e que continua a ridicularizar apenas para fabricar "plasticamente" uma 'Companhia de Danca Contemporanea' privada a partir de uma 'Academia de Ballet Classico Europeu' estatal falida! Dito de outro modo, Maqoma chega a 'danca contemporanea' a partir das suas proprias raizes culturais ancestrais intuitiva e organicamente, nao por inseminacao artificial como e' o caso de ACGM...
Numa palavra: Maqoma, tal como Pina Bausch, tem ALMA! ... ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO!!!
Mais ainda: Maqoma nao danca ballet classico europeu desde os 8 anos de idade... e apenas o ridiculariza!
E to top it all up, ou, dito de outro modo, para por "o preto no branco", e certamente FACTO nao negligenciavel para um Festival Mundial de ARTES NEGRAS, Maqoma e' NEGRO! ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO (... seja racica, etnica, tribal, identitaria, cultural, social, politica, ou ideologicamente... e por muito que cubra o corpo semi-nu, ou nu, de chocolate preto)!!!
[E... antes que comecem as mais do que habituais " ameacas e chantagens emocionais" da praxe...: Com isto pretendendo significar apenas que se o que a sua companhia apresenta, "inspirado" numa cultura africana negra (ou, ja' agora, copiado deste blog) e protagonizado por bailarinos negros, pode passar por "artes negras", isso nao a torna ipso facto negra, nem pertencente a cultura em que se "inspirou" apenas atraves de algumas "visitas de trabalho" - e este particular pode aplicar-se igualmente aos seus bailarinos (veja-se, a este proposito, a diferenca entre tais "visitas medicas" e os longos periodos de residencia e interaccao de uma investigadora seria como Marie Louise Bastin). E este "veredicto" e' baseado nao em qualquer tipo de "preconceito ou discriminacao racial", mas tao so' nas suas atitudes e posicionamentos amplamente registados neste blog! ]
EM SUMA:
ACGM deveria ter VERGONHA de sequer contemplar a possibilidade de por os pes num Festival de Artes Negras!!!
[Mas... vergonha na cara (!), e' certamente algo que nem ela, nem os seus noirs - VULTOS, arrivistas e oportunistas, em suma CARAS DE PAU, como sempre foram - teem ou alguma vez terao. Certamente nao enquanto continuarem a ser apoiados cegamente pelo governo de Angola, em nome de uma nocao de "progresso" que nem eles proprios sao capazes de explicar coerentemente e sistematicamente em detrimento de outros grupos de danca nacionais ('tradicionais', 'patrimoniais', 'modernos', 'contemporaneos', ou 'futuristas'...) de igual, ou maior, merito no pais (quanto mais nao seja porque nao partiram de um background tao previligiado, nem contam com o apoio incondicional e continuado do poder!), evidentemente apenas porque e' branca, vem do ballet classico europeu (... "porque so' assim progrediremos"!...) desde os oito anos de idade, fruto da sua condicao de filha da previligiada (ex) burguesia colonial (condicao que, de resto, e ao contrario de outros - como este ou este-, ela nunca abdicou, repudiou, ou renegou, bien au contraire: faz muita gala e questao disso!) e... porque trabalha no Ministerio da Cultura ha' 33 anos (... e como ela faz muita questao de 'arrotar' enquanto se sente no direito de pisar tudo e todos que, como eu (a quem, a nao esquecer, ela chegou a dirigir ameacas de morte - abertas e veladas!...) , tenham "o atrevimento" sequer de se lhe dirigir com "questoes inoportunas", com o seu "mais alto galardao do estado angolano": "tenho as costas largas"!...), muito embora a companhia com que diz "representar oficialmente Angola na qualidade de convidada especial" seja sua propriedade privada! E o certo e' que, a partir de agora, nao so' continuara' a auto-proclamar-se "Mais Angolana do que a Angolanidade" e "Mais Africana do que a Africanidade", como tambem... "MAIS NEGRA DO QUE A NEGRITUDE" e... "MAIS AUTENTICA DO QUE A AUTHENTICITE'"!!!]
Mas ha' uma outra questao - e essa e' mais do foro politico-ideologico do que do artistico-cultural: porque que ACGM e' tratada como "vaca sagrada" pelo Ministerio da Cultura e pelo Governo de Angola? Apenas porque "trabalha para eles ha' 33 anos" e por isso pode ser considerada "prata da casa"? Talvez tambem, mas nao apenas.
Como aqui observei a proposito do conceito de "homem novo", o MPLA sempre prosseguiu a politica "assimilacionista" herdada do regime colonial - se nao de forma declarada nos seus programas, declaracoes, discursos e resolucoes, seguramente de forma implicita na sua praxis: a "proteccao" dos nao-negros, em particular os que o integraram na luta anti-colonial, e a "premiacao" daqueles que, com ou sem participacao na luta anti-colonial, ficaram no pais depois da independencia, com a sua integracao nas estruturas do poder de estado (e, no caso dos ultimos, especialmente durante o "movimento de rectificacao" que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, a sua integracao no partido como "militantes"), ou com outras "recompensas", era condicao sine qua non para a sua qualificacao como "progressista" e factor decisivo de "diferenciacao" em relacao aos outros movimentos de libertacao, agora partidos politicos da oposicao.
Mas o que nunca esteve previsto, nem implicita, nem explicitamente - e aqui permito-me o atrevimento de falar como alguem que sempre esteve proxima do MPLA e que ate' militou nas suas estruturas (... como frequentemente se diz/ia a proposito deste tipo de questoes: ... "nao foi nada disso que a gente combinou!"...) - era que tal "proteccao" e "premiacao" viessem a significar, na pratica, que os nao-negros em causa, passassem a ser "intocaveis" como ACGM claramente e'... e se nao e', declaradamente e sem quaisquer rebucos, comporta-se como tal - e', alias, (tambem, mas nao apenas) naquela velha tradicao Mplista que o actual lider do BD aparece em publico a "defender" a sua "educacao e elegancia", como aquifiz notar...! Sendo que, ademais, nao se lhe conhece qualquer vinculo particularmente significativo, organico ou outro, ao MPLA - a nao ser para colher os seus "beneficios", "premios" e "patrocinios"!
Mas, mais importante ainda do que isso, e' que a politica "assimilacionista" e', tambem sem quaisquer rebucos, uma politica "integracionista eurocentrica". Neste contexto, "progresso" e "progressista" significam, nada mais nada menos, do que a adopcao das normas, padroes, canones, praticas, costumes, linguas e culturas europeias - leia-se aqui portuguesas... Assim, o que ACGM vai fazer as Lundas ou ao Moxico, nao e' tentar "integrar-se" na cultura Tchokwe' (ou Cokwe, como preferirem) e adoptar as suas normas e padroes na sua praxis quotidiana de vida (... como nosotrosfomos obrigados a fazer sob a politica assimilacionista colonial em relacao a cultura portuguesa!... e, como alguns europeus o fizeram em relacao a algumas das nossas culturas, como aquise pode constatar), mas apenas ir buscar e trazer, qual kamanguista, alguns elementos daquela cultura, em particular os ligados a danca e, muito especialmente, a sexualidade das suas mulheres, para a "civilizacao" da cidade capital, despudoradamente apropriar-se deles e mescla-los com a sua cultura de origem e de matriz, a europeia/portuguesa, chamar-lhes "cultura, ou danca, contemporanea africana" e dar as suas "pecas" titulos do genero "fantastico-psicadelico-intelectualoide"... Mais nada! E se isso pode ser considerado "legitimo" artisticamente, o que ja' nao e' legitimo e' que ela se comporte como "criadora" da cultura Tchokwe' (Cokwe) ou sua "legitima representante" ou, mais ainda, kaTchokwe': a isso eu chamo, tambem sem quaisquer rebucos, "vulturismo cultural"! E muito menos entitular, como ela o faz, o que ela chama "danca contemporanea africana", como "unico" sinonimo de "qualidade" e "progresso"... porque nao e'! Ou melhor dito: nao e' necessaria nem unicamente!
Porque? Talvez a praxis de outros paises africanos, e em particular da Africa do Sul, o explique melhor: nesses paises, a "danca contemporanea africana" (um conceito que, de resto, nao e' pacifico, como este livro claramente o indica...) coexiste pacificamente com (... nao e' considerada "superior"! Embora, em termos opinativos e meramente subjectivos, qualquer um tenha o direito de o considerar, certa ou erradamente, como tal...) as outras formas de danca ou de expressao cultural.
Assim, um Maqoma na Africa do Sul (onde, convem notar-se, o ballet e a musica classica continuam a ter o seu devido lugar reservado) nao e' considerado "unico representante" da danca, das artes ou da cultura do seu pais, e a sua companhia de danca tem o mesmo status cultural que qualquer outro grupo de danca, desde que demonstrem niveis aceitaveis de qualidade e integridade dentro dos seus respectivos estilos e generos, ou de qualquer outra expressao artistica de qualquer outro grupo etno-linguistico componente do seu vasto e diverso mosaico nacional - como, alias, a sua designacao oficial, especialmente em termos de Politica Cultural, como The Rainbow Nation claramente o indica - dando significado e cor a palavra DIVERSIDADE.
Agora, imagine-se um Maqoma angolano: ficaria eternamente subalternizado a uma ACGM por nao ser herdeiro da burguesia branca do tempo do apartheid, nao andar no ballet classico europeu desde os 8 anos de idade e nao ter uma "parceria publico-privada" com o Ministerio da Cultura!
Mais: nesses paises, o uso de um violino (ou de qualquer outro instrumento musical de origem europeia), ou de um movimento de ballet classico, ou a presenca no grupo de, ou a sua direccao por, uma pessoa nao-negra, nao significa "univocamente" sinal de "qualidade e/ou progresso" - o que no caso da Angola "comandada" por ACGM significa que se esta' no "caminho certo"... para onde? Para o "padrao europeu", e' a resposta! Ou, no quadro da "neofita ideologia dos pretensos afectos" e do "movimento da recolonizacao", para a "Nacao Crioula"! E isso e' mau? - perguntar-me-ao. E eu responderei: nao necessariamente, desde que nao se advogue que esse e' o "unico caminho" valido culturalmente num pais tao diverso racial, social e etno-linguisticamente como Angola.
Os Angolanos (e a Humanidade!) ja' viram guerras e genocidios suficientes por essas razoes para nao continuarem a cometer o mesmo erro!
Tenho dito.
Acaba de chegar a minha redaccao, de fonte (ainda) (in)segura, a seguinte informacao:
O musico Angolano Bongasera’ uma das figuras de maior destaque no Festival Mundial de Artes Negras, a realizar-se no Senegal de 10 a 31 de Dezembro de 2010. Tal como o fez recentemente na Expo Mundial de Xangai (verificar aquie aqui), Bonga representar-se-ha’ exclusivamente por merito proprio e a Angola unicamente por direito incontestavel.[*]
A mesma fonte acrescenta que, embora tenha sido anunciada por fontes (ainda nao)identificadas a presenca de alguns ballerinos negros comandados por uma prima donna classica europeia branca, mais conhecida em certos circulos "afectuosos" por vulta racista psicopata, provenientes de Angola, a sua prestacao, embora alegadamente "na qualidade de convidada especial", (ainda) nao consta do programa oficial do festival.
Mais acrescenta a fonte que nao lhe foi possivel obter junto dos organizadores do festival uma explicacao para o facto de, sendo Angola, alegadamente, "o pais que deu a luz a danca contemporanea em Africa", este nao se faca (ainda) representar nos Masterclasses e Workshops do festival dedicados a essa arte - e neste ponto, a fonte chama particularmente a atencao para as Masterclasses sobre o Hip Hop, genero que ja' aquifoi bastante discutido. Foi-lhe igualmente impossivel apurar por que razao da lista de personalidades ligadas a danca e coreografos convidados para o festival, abaixo transcrita, nao consta (ainda) nenhum nome relacionado com Angola...
Les personnalités et chorégraphes invités:
Rui Moreira (Brésil), Desmond Richardson (USA), Germaine Acogny (Sénégal), Willa Jo Zollar (USA), Werewere Linking (Côte d’Ivoire), Serge Aimé Coulibaly (Burkina Faso), Damien Zambo (Cameroun), Adafrez Bezuneh (Ethiopie), Sanjeev Bhargava (Inde), Armilinda Gomes Cabral Semedo (Cap Vert), Riyad Fghani (Algérie), Lilou (Algérie), Azdine Ben Youcef (Algérie), Efrén Marcos Suarez Torres (Cuba), Adrian Augier (St Lucie), Steven Faleni, Vusi Mdoyi, Buru Mohlabane (Afrique du Sud), Prince M. F. Lamba (Zambie).
[*] Outra presenca assinalavel no festival e' a de Simao Souindoula, como aquise noticia.
UPDATE
A nossa fonte voltou hoje a contactar-nos para nos informar que uma dita Cie d'Angola, presumivelmente a troupe de mademoiselleacima mencionada, actuara' num certo dia do festival, porem a sua margem.
Mais acrescenta a fonte que este update do programa oficial do festival foi feito apenas na vespera do seu inicio, o que evidencia o facto de que a dita Cie d'Angola se faz representar "a pato" no festival (ou, para usar uma expressao mais familiar ao bando, "infiltraram-se num festival de peritos"...) - certamente gracas aos seus links com o p(h)oder -, porque se fosse representar oficialmente Angola, e ainda por cima como alegada "convidada especial", teria, tal como o Bonga, sido convidada com a devida antecedencia e incluida no programa com o devido destaque, como mandam as normas protocolares neste tipo de eventos.
Alias, so' o facto de ela dizer "pomposamente" que a sua companhia vai "representar Angola" em Xangai (sendo que, supostamente, todo o mundo se deveria por isso "roer de inveja" ou sentir "dor de cotovelo"...) e no Senegal, como "convidada especial" (como se uma "convidada especial" fosse apenas mencionada no programa oficial a ultima hora e relegada a uma apresentacao conjunta com outros grupos fora do centro das actividades do festival...), sem nunca mencionar os outros Angolanos que la' foram representar Angola - nao que fosse de esperar que ela sequer mencionasse o Kota Bonga, de quem apenas diz os piores "cobras e lagartos", mas pelo menos os outros que ate' sao da sua "geracao" (etaria, psicologica, emocional, cultural, social, etc.) - nao so' evidencia flagrantemente o quanto e' intelectualmente desonesta (leia-se tambem o quanto e' capaz de mentir descaradamente!), como ja' diz o quanto ela luta com unhas e dentes, a viva forca, para ser "unica" e "invejada"!!...
Qual a diferenca qual e' elaentre o trabalho de Maqoma (sobre cuja performance em Angola a nossa 'vamp' se manteve estranhamente silenciosa!...), bem como o de outros artistas Africanos, e o da demoiselle a que aqui nos vimos referindo?
A diferenca e' muito mais simples do que a mera imagem/composicao estetica de violinos e violoncelos (ou outros instrumentos musicais de origem europeia) "abrilhantando", ou "civilizando", dancas africanas, mas e', porem, igualmente muito mais profunda e fundamental: Maqoma investiga HONESTAMENTE a sua propria IDENTIDADE (repare-se no logo deste festival...) em relacao com a Historia, a Humanidade e a Natureza... enquanto a demoiselle em questao, nao so' demonstrou a saciedade ignorar, como abominar aberta e arrogantemente o proprio conceito de IDENTIDADE (tendo por isso dito que eu, por o defender, "deveria cometer um suicidio em grande estilo" ou ser "esquartejada a catanada"!!!) e tem advogado CINICAMENTE, juntamente com os seus acolitos (alguns dos quais ditos negros, mas que tambem dizem "nao se identificar com Africanos"...), o "white-washing" da Historia de Africa! Isto para nao mencionar o celebre abaixo-assinado que lhe foi dirigido por pratica de RACISMO CONTRA NEGROS na escola de danca que dirigia...
Put simply: ACGM e' declarada e incorrigivelmente RACISTA DE EXTREMA DIREITA E SUPREMACISTA BRANCA!!!
Maqoma NAO!
Mais: Maqoma, pelo seu natural respeito pela Humanidade e a Natureza, de acordo com a sua cultura ancestral Africana, certamente jamais se referiria, e ainda por cima em publico (!), a outro ser humano - o sagradoNtu da cultura baNtu - muito menos um colega de profissao (... e por nenhuma outra razao aparente que nao este ter tido o atrevimento de obter destaque num jornal que o considerava "o verdadeiro icone"... ou seja, por ter tido o atrevimento de fazer sombra a prima donna!), por sinal negro, como um "item que merece ser abortado" (... o que e', alias, reminiscente de um certo "lixo de Angola" - mera coincidencia?...) e a si proprio como unico "conhecedor" da danca no seu pais - sendo certo que qualquer que seja o nivel de conhecimento academico que ele tenha das suas dancas tradicionais, ele nasceu com e no meio delas: nao teve que os ir vulturar a Culturas Africanas que nao sao originariamente as suas e que antes tivera abominado e que continua a ridicularizar apenas para fabricar "plasticamente" uma 'Companhia de Danca Contemporanea' privada a partir de uma 'Academia de Ballet Classico Europeu' estatal falida! Dito de outro modo, Maqoma chega a 'danca contemporanea' a partir das suas proprias raizes culturais ancestrais intuitiva e organicamente, nao por inseminacao artificial como e' o caso de ACGM...
Numa palavra: Maqoma, tal como Pina Bausch, tem ALMA! ... ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO!!!
Mais ainda: Maqoma nao danca ballet classico europeu desde os 8 anos de idade... e apenas o ridiculariza!
E to top it all up, ou, dito de outro modo, para por "o preto no branco", e certamente FACTO nao negligenciavel para um Festival Mundial de ARTES NEGRAS, Maqoma e' NEGRO! ACGM... DEFINITIVAMENTE NAO (... seja racica, etnica, tribal, identitaria, cultural, social, politica, ou ideologicamente... e por muito que cubra o corpo semi-nu, ou nu, de chocolate preto)!!!
[E... antes que comecem as mais do que habituais " ameacas e chantagens emocionais" da praxe...: Com isto pretendendo significar apenas que se o que a sua companhia apresenta, "inspirado" numa cultura africana negra (ou, ja' agora, copiado deste blog) e protagonizado por bailarinos negros, pode passar por "artes negras", isso nao a torna ipso facto negra, nem pertencente a cultura em que se "inspirou" apenas atraves de algumas "visitas de trabalho" - e este particular pode aplicar-se igualmente aos seus bailarinos (veja-se, a este proposito, a diferenca entre tais "visitas medicas" e os longos periodos de residencia e interaccao de uma investigadora seria como Marie Louise Bastin). E este "veredicto" e' baseado nao em qualquer tipo de "preconceito ou discriminacao racial", mas tao so' nas suas atitudes e posicionamentos amplamente registados neste blog! ]
EM SUMA:
ACGM deveria ter VERGONHA de sequer contemplar a possibilidade de por os pes num Festival de Artes Negras!!!
[Mas... vergonha na cara (!), e' certamente algo que nem ela, nem os seus noirs - VULTOS, arrivistas e oportunistas, em suma CARAS DE PAU, como sempre foram - teem ou alguma vez terao. Certamente nao enquanto continuarem a ser apoiados cegamente pelo governo de Angola, em nome de uma nocao de "progresso" que nem eles proprios sao capazes de explicar coerentemente e sistematicamente em detrimento de outros grupos de danca nacionais ('tradicionais', 'patrimoniais', 'modernos', 'contemporaneos', ou 'futuristas'...) de igual, ou maior, merito no pais (quanto mais nao seja porque nao partiram de um background tao previligiado, nem contam com o apoio incondicional e continuado do poder!), evidentemente apenas porque e' branca, vem do ballet classico europeu (... "porque so' assim progrediremos"!...) desde os oito anos de idade, fruto da sua condicao de filha da previligiada (ex) burguesia colonial (condicao que, de resto, e ao contrario de outros - como este ou este-, ela nunca abdicou, repudiou, ou renegou, bien au contraire: faz muita gala e questao disso!) e... porque trabalha no Ministerio da Cultura ha' 33 anos (... e como ela faz muita questao de 'arrotar' enquanto se sente no direito de pisar tudo e todos que, como eu (a quem, a nao esquecer, ela chegou a dirigir ameacas de morte - abertas e veladas!...) , tenham "o atrevimento" sequer de se lhe dirigir com "questoes inoportunas", com o seu "mais alto galardao do estado angolano": "tenho as costas largas"!...), muito embora a companhia com que diz "representar oficialmente Angola na qualidade de convidada especial" seja sua propriedade privada! E o certo e' que, a partir de agora, nao so' continuara' a auto-proclamar-se "Mais Angolana do que a Angolanidade" e "Mais Africana do que a Africanidade", como tambem... "MAIS NEGRA DO QUE A NEGRITUDE" e... "MAIS AUTENTICA DO QUE A AUTHENTICITE'"!!!]
Mas ha' uma outra questao - e essa e' mais do foro politico-ideologico do que do artistico-cultural: porque que ACGM e' tratada como "vaca sagrada" pelo Ministerio da Cultura e pelo Governo de Angola? Apenas porque "trabalha para eles ha' 33 anos" e por isso pode ser considerada "prata da casa"? Talvez tambem, mas nao apenas.
Como aqui observei a proposito do conceito de "homem novo", o MPLA sempre prosseguiu a politica "assimilacionista" herdada do regime colonial - se nao de forma declarada nos seus programas, declaracoes, discursos e resolucoes, seguramente de forma implicita na sua praxis: a "proteccao" dos nao-negros, em particular os que o integraram na luta anti-colonial, e a "premiacao" daqueles que, com ou sem participacao na luta anti-colonial, ficaram no pais depois da independencia, com a sua integracao nas estruturas do poder de estado (e, no caso dos ultimos, especialmente durante o "movimento de rectificacao" que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, a sua integracao no partido como "militantes"), ou com outras "recompensas", era condicao sine qua non para a sua qualificacao como "progressista" e factor decisivo de "diferenciacao" em relacao aos outros movimentos de libertacao, agora partidos politicos da oposicao.
Mas o que nunca esteve previsto, nem implicita, nem explicitamente - e aqui permito-me o atrevimento de falar como alguem que sempre esteve proxima do MPLA e que ate' militou nas suas estruturas (... como frequentemente se diz/ia a proposito deste tipo de questoes: ... "nao foi nada disso que a gente combinou!"...) - era que tal "proteccao" e "premiacao" viessem a significar, na pratica, que os nao-negros em causa, passassem a ser "intocaveis" como ACGM claramente e'... e se nao e', declaradamente e sem quaisquer rebucos, comporta-se como tal - e', alias, (tambem, mas nao apenas) naquela velha tradicao Mplista que o actual lider do BD aparece em publico a "defender" a sua "educacao e elegancia", como aquifiz notar...! Sendo que, ademais, nao se lhe conhece qualquer vinculo particularmente significativo, organico ou outro, ao MPLA - a nao ser para colher os seus "beneficios", "premios" e "patrocinios"!
Mas, mais importante ainda do que isso, e' que a politica "assimilacionista" e', tambem sem quaisquer rebucos, uma politica "integracionista eurocentrica". Neste contexto, "progresso" e "progressista" significam, nada mais nada menos, do que a adopcao das normas, padroes, canones, praticas, costumes, linguas e culturas europeias - leia-se aqui portuguesas... Assim, o que ACGM vai fazer as Lundas ou ao Moxico, nao e' tentar "integrar-se" na cultura Tchokwe' (ou Cokwe, como preferirem) e adoptar as suas normas e padroes na sua praxis quotidiana de vida (... como nosotrosfomos obrigados a fazer sob a politica assimilacionista colonial em relacao a cultura portuguesa!... e, como alguns europeus o fizeram em relacao a algumas das nossas culturas, como aquise pode constatar), mas apenas ir buscar e trazer, qual kamanguista, alguns elementos daquela cultura, em particular os ligados a danca e, muito especialmente, a sexualidade das suas mulheres, para a "civilizacao" da cidade capital, despudoradamente apropriar-se deles e mescla-los com a sua cultura de origem e de matriz, a europeia/portuguesa, chamar-lhes "cultura, ou danca, contemporanea africana" e dar as suas "pecas" titulos do genero "fantastico-psicadelico-intelectualoide"... Mais nada! E se isso pode ser considerado "legitimo" artisticamente, o que ja' nao e' legitimo e' que ela se comporte como "criadora" da cultura Tchokwe' (Cokwe) ou sua "legitima representante" ou, mais ainda, kaTchokwe': a isso eu chamo, tambem sem quaisquer rebucos, "vulturismo cultural"! E muito menos entitular, como ela o faz, o que ela chama "danca contemporanea africana", como "unico" sinonimo de "qualidade" e "progresso"... porque nao e'! Ou melhor dito: nao e' necessaria nem unicamente!
Porque? Talvez a praxis de outros paises africanos, e em particular da Africa do Sul, o explique melhor: nesses paises, a "danca contemporanea africana" (um conceito que, de resto, nao e' pacifico, como este livro claramente o indica...) coexiste pacificamente com (... nao e' considerada "superior"! Embora, em termos opinativos e meramente subjectivos, qualquer um tenha o direito de o considerar, certa ou erradamente, como tal...) as outras formas de danca ou de expressao cultural.
Assim, um Maqoma na Africa do Sul (onde, convem notar-se, o ballet e a musica classica continuam a ter o seu devido lugar reservado) nao e' considerado "unico representante" da danca, das artes ou da cultura do seu pais, e a sua companhia de danca tem o mesmo status cultural que qualquer outro grupo de danca, desde que demonstrem niveis aceitaveis de qualidade e integridade dentro dos seus respectivos estilos e generos, ou de qualquer outra expressao artistica de qualquer outro grupo etno-linguistico componente do seu vasto e diverso mosaico nacional - como, alias, a sua designacao oficial, especialmente em termos de Politica Cultural, como The Rainbow Nation claramente o indica - dando significado e cor a palavra DIVERSIDADE.
Agora, imagine-se um Maqoma angolano: ficaria eternamente subalternizado a uma ACGM por nao ser herdeiro da burguesia branca do tempo do apartheid, nao andar no ballet classico europeu desde os 8 anos de idade e nao ter uma "parceria publico-privada" com o Ministerio da Cultura!
Mais: nesses paises, o uso de um violino (ou de qualquer outro instrumento musical de origem europeia), ou de um movimento de ballet classico, ou a presenca no grupo de, ou a sua direccao por, uma pessoa nao-negra, nao significa "univocamente" sinal de "qualidade e/ou progresso" - o que no caso da Angola "comandada" por ACGM significa que se esta' no "caminho certo"... para onde? Para o "padrao europeu", e' a resposta! Ou, no quadro da "neofita ideologia dos pretensos afectos" e do "movimento da recolonizacao", para a "Nacao Crioula"! E isso e' mau? - perguntar-me-ao. E eu responderei: nao necessariamente, desde que nao se advogue que esse e' o "unico caminho" valido culturalmente num pais tao diverso racial, social e etno-linguisticamente como Angola.
Os Angolanos (e a Humanidade!) ja' viram guerras e genocidios suficientes por essas razoes para nao continuarem a cometer o mesmo erro!
Para a disciplina de Literatura, o júri atribuiu o prémio, a título póstumo, a Ruy Duarte de Carvalho, pela dimensão antropológica das suas obras, com destaque para o traço pastoril do povo Kuvale.
Na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, o troféu vai para Virgílio Coelho, pela sua obra “Em busca de Kábásá: Estudos e reflexão sobre o reino do Ndongo e os Túmúndógós, os génios da Natureza e o Kilamba”.
No sector das Artes Plásticas, o vencedor foi Mateus José Bartolomeu “Mestre Makiese”, devido ao elevado e genuíno valor artístico das suas peças, apresentadas e preservadas ao longo dos mais de quarenta anos de carreira.
O Núcleo de Artes Pitabel arrebatou o troféu correspondente a modalidade de Teatro, pela encenação da peça “As trilogias de Missosso”, baseado no livro do escritor angolano Óscar Ribas, através da qual se observa a valorização da literatura angolana e a sua adaptação em palco.
Na disciplina de Música o júri atribuiu o prémio a Barceló de Carvalho “Bonga” pelos longos e intensos anos de carreira artística, permanentemente consagrados à defesa, promoção e divulgação da alma rítmica da música nacional, no país e no estrangeiro.
Para a categoria de Dança, o troféu foi conquistado pelo grupo Ntunga Nzola, da província de Cabinda, pelo trabalho desenvolvido em prol da preservação das danças tradicionais locais, transmitindo o seu estilo kintweni “de geração a geração”, contribuindo na conservação do património imaterial das danças tradicionais angolanas.
[Fonte: ANGOP]
Para a disciplina de Literatura, o júri atribuiu o prémio, a título póstumo, a Ruy Duarte de Carvalho, pela dimensão antropológica das suas obras, com destaque para o traço pastoril do povo Kuvale.
Na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, o troféu vai para Virgílio Coelho, pela sua obra “Em busca de Kábásá: Estudos e reflexão sobre o reino do Ndongo e os Túmúndógós, os génios da Natureza e o Kilamba”.
No sector das Artes Plásticas, o vencedor foi Mateus José Bartolomeu “Mestre Makiese”, devido ao elevado e genuíno valor artístico das suas peças, apresentadas e preservadas ao longo dos mais de quarenta anos de carreira.
O Núcleo de Artes Pitabel arrebatou o troféu correspondente a modalidade de Teatro, pela encenação da peça “As trilogias de Missosso”, baseado no livro do escritor angolano Óscar Ribas, através da qual se observa a valorização da literatura angolana e a sua adaptação em palco.
Na disciplina de Música o júri atribuiu o prémio a Barceló de Carvalho “Bonga” pelos longos e intensos anos de carreira artística, permanentemente consagrados à defesa, promoção e divulgação da alma rítmica da música nacional, no país e no estrangeiro.
Para a categoria de Dança, o troféu foi conquistado pelo grupo Ntunga Nzola, da província de Cabinda, pelo trabalho desenvolvido em prol da preservação das danças tradicionais locais, transmitindo o seu estilo kintweni “de geração a geração”, contribuindo na conservação do património imaterial das danças tradicionais angolanas.
"O grande inimigo da verdade, muitas vezes não é a mentira - deliberada, compulsiva e desonesta - , mas o mito - persistente, persuasivo e irrealista. Acreditar em mitos dá o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento." John F. Kennedy
"We cannot trample upon the humanity of others without devaluing our own. The Igbo, always practical, put it concretely in their proverb Onye ji onye n'ani ji onwe ya: "He who will hold another down in the mud must stay in the mud to keep him down."
[Chinua Achebe]
Ou, alternativamente, em Portugues: Yanick Ngombo, a.k.a. Afroman, membro da etnia Bakongo (tal como os Igbo, igualmente com um sentido bastante pratico das coisas mundanas, para que lhes sobre tempo suficiente para as coisas do espirito, como a metafisica ou a filosofia), diz numa das suas cancoes algo como isto: "... e' como o porco que arrasta o javali para uma luta na lama: os dois vao se sujar, mas o porco gosta porque assim ganha fama!
Regresso a este post, motivada por esta noticiae por ter lidoaquique na mesa redonda em questao nao houve debate. Poderia re-entitula-lo "Mais, mais uma vez... Revisitando Questoes de Genero", ou algo assim parecido. Mas nao o faco porque prefiro mante-lo tal como o postei pela primeira vez e porque... ele nao trata de "questoes de genero"!
Trata, isso sim, de PRECONCEITOS, de olhares aprioristicos, ou melhor, de um olhar (cego?), sobre a sociedade, ou sobre algumas pessoas na sociedade (ou seria ate', como tudo parece indicar, apenassobreuma pessoa?!...) e do que me soa ate' hoje como uma INTROMISSAO GROSSEIRA na vida intima de pessoas privadas e de um JULGAMENTO SUMARIO em praca publica de SUPOSTOS comportamentos privados de pessoas privadas, com base em VEREDICTOS informados apenas pelo ponto de vista INQUISITORIAL de quem julga a distancia aquilo e quem NUNCA VIU, NEM DE PERTO NEM DE LONGE e NAO CONHECE, nem NUNCA CONHECEU, minimamente que seja... E, nessa medida, ate' porque se trata de um discurso cheio de ARGUMENTOS NON SEQUITUR, parece-me francamente faltar-lhe a ANALISE SOCIOLOGICA, para dizer o minimo!
Este e' precisamente um exemplo tipico daquilo a que Malveaux se referia ao dizer que "demasiados analistas sao apanhados na teia de Sexo, Mentiras e Estereotipos forjada pelos media para fazer politica publica"! E, neste caso, com a agravante de nao serem so' analistas, mas tambem politico(a)s, cuja filiacao partidaria 'garante' que as possiveis politicas publicas (assepticas?) adoptadas ou a adoptar neste dominio especifico venham a ser 'informadas' pelos seus preconceitos baseados em tais estereotipos...
Peco imensas desculpas, nao pretendo ofender ninguem, mas se se pretende realmente "resgatar valores", "mudar mentalidades" e/ou RECONCILIAR PESSOAS E FAMILIAS e, em ultima analise, a SOCIEDADE ANGOLANA, ha' que se deixar de ESTIGMATIZAR, AGREDIR, INSULTAR e OFENDER gratuita, indiscriminada e aleatoriamente pessoas cujas vozes JAMAIS SAO OUVIDAS, seja nos espacos (publicos ou privados) onde tais entrevistas sao concedidas, seja nas tais mesas redondas ou bicudas onde, de resto, tais questoes nao sao sequer debatidas... Enfim, ha' que saber-se OUVIR primeiro as PESSOAS visadas, para se conhecer a REALIDADE e para que se a possa analisar com propriedade, acuidade e o devido respeito pelos SERES HUMANOS, incluindo CRIANCAS INOCENTES, que se pretende julgar SEM QUALQUER FUNDAMENTO, assim apenas SOMANDO INSULTO A INJURIA!...
E tudo, aparentemente, apenas para se ALIVIAREM CONSCIENCIAS PESADAS (?) E TENTAR-SE JUSTIFICAR ESFARRAPADAMENTE O INJUSTIFICAVEL E DEFENDER O INDEFENSAVEL, ou, pior ainda, PARA SE FAZEREM CAMPANHAS DE AUTO-PROMOCAO PESSOAL A CUSTA DA HONRA E DO BOM NOME DE QUEM, CONTRA TODAS AS TENTACOES E 'APELOS' EM CONTRARIO, TEM LEVADO A SUA VIDA SACRIFICADAMENTE COM A MAIOR DAS DIGNIDADES E PROBIDADES (... e sobre isto devo lembrar que A VERDADE VEM SEMPRE AO DE CIMA)! Ha' que deixar-se de tentar arranjar BODES EXPIATORIOS para todos os males e doencas da sociedade e de POLITIZAR E MANIPULAR TRAGEDIAS HUMANAS INDIVIDUAIS OU FAMILIARES para VENDER JORNAIS, fazer delas COBAIAS EM EXPERIENCIAS/ESPECULACOES PSEUDO-SOCIOLOGICAS OU PSEUDO-PSICANALITICAS e tentar delas retirar DIVIDENDOS POLITICOS!... Ha' que aprender-se a ouvir os VERDADEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL, ou seja, entre outros, daqueles que foram tornados excluidos social, economica e politicamente pela DESTRUICAO DAS FAMILIAS E DO TECIDO ECONOMICO, SOCIAL, MORAL E ESPIRITUAL de que os representantes de quem hoje promove tais mesas redondas estao longe de estar isentos, pois foi com os seus INSENSIVEIS E INSENSATOS KAMARTELOS E METRALHADORASque os destruiram!... Enfim, ha' que ter-se, no minimo, alguma capacidade de auto-analise e de AUTO-CRITICA!
Ha' que SABER-SE TER MORAL PARA SE SER MORALISTA! Mas, acima de tudo, HA' QUE DEFINIR-SE CLARAMENTE DE QUE PRINCIPIOS E VALORES, E DE QUEM EM CONCRETO, SE ESTA' A FALAR! Em suma, usando as proprias palavras da entrevistada, HA' QUE SABER-SE GERIR OS APELOS a intromissao ABUSIVA, LEVIANA, IRRESPONSAVEL e ate' CRIMINOSA, porque CALUNIOSA E DIFAMATORIA, na VIDA PRIVADA DO CIDADAO (neste caso, mais especificamente, da CIDADA), no que e' um exemplo flagrante de INVERSAO E SUBVERSAO PRECISAMENTE DOS VALORES E PRINCIPIOS que se alega pretender "RESGATAR"!
O que farei em seguida, um pouco tentando cobrir o "debate que nao houve", e' colocar algumas questoes muito simples, directas e incisivas (a vermelho) relativas a algumas passagens dessa entrevista. Nao espero respostas, espero apenas poder contribuir um pouco para a REFLEXAO que se impoe. E espero tambem que as questoes que aqui coloco possam ser recebidas por quem as leia com o mesmo espirito de TOLERANCIA E ABERTURA A DIVERSIDADE CULTURAL, POLITICA E INTELECTUAL com que decidi publicar aqui esta entrevista quando o fiz.
Resta-me dizer que nao conheco pessoalmente a entrevistada, nem nunca antes havia sequer ouvido ou lido o seu nome antes desta entrevista.
FATIMA VIEGAS
AO PAIS
(…)
Temos (mulheres prepotentes). E por vezes a prepotência, o autoritarismo, servem para esconder outras coisas, essas pessoas têm sempre uma fragilidade, incompetência ou outras questões, pode ser algo recalcado, a pessoa pode ter sido violentamente maltratada na sua infância ou na sua juventude e depois, com poder, querem usar o poder com prepotência. Mas acho que se podem gerir as situações, a questão está mesmo na educação … Há a gestão que se deve fazer do poder, mas há também a gestão dos apelos. Já tivemos o cooperante, agora o expatriado, as catorzinhas …
{... Ja' nao teem as catorzinhas, os cooperantes e os expatriados?! Gostava mesmo de saber - meracuriosidade academica - porque nunca estive muito familiarizada com tais especimens e quando tive algum, reagi desta forma... E o que e' que esta sucessao de PEDRADAS (dirigidas, obviamente, nao aos homens que usam e abusam das ditas catorzinhas, nem aos cooperantes ou expatriados...) tem a ver com a questao da "prepotencia das mulheres"?}
(…)
Essas que têm conhecimento da situação do companheiro e que aceitam essa situação são mulheres que não se respeitam a si próprias. Não me venham dizer que é das dificuldades económicas porque qualquer ser humano que se organize pode sobreviver aos desafios. Se ela sabe que o companheiro já tem “n” mulheres nem sequer há uma relação, nem sequer a ligação entre eles é efectivamente vivida. Se ela não se respeitar a ela própria ninguém a respeita, é uma questão de valorizar a dignidade da pessoa humana. Salvo em questões culturais, nas comunidades em que a poligamia ou a poliandria é instituída.
{Sera' inteiramente objectivo, realistico ou justo este julgamento numa sociedade onde a poligamia, independentemente do meio cultural, e' praticamente uma INSTITUICAO com dia nacional consagrado e tudo: a sexta feira?!... E nao e' curioso que julgamento equivalente, ou apenas uma leve mencao, em algum momento seja feita ao HOMEM POLIGAMO?}
(…)
Esse rótulo do “tio Pacheco” deriva efectivamente da falta de educação, de princípios. Se ele foi educado em como era superior à mulher, que tem de estar sempre acima da mulher, quer do ponto de vista do conhecimento, quer do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista da sociedade, ele, efectivamente não aceita esta situação. Mas já vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades. Havendo essa paridade, o essencial é o diálogo e a convivência. {"Ja' vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades"?! Onde? No MPLA? Em Luanda? Em Angola?... Mas a questao fundamental nao e' sequer essa: e' que, tanto quanto julgo entender da cancao da Patricia Faria, com o Kota Bonga, sobre o tal de "Pacheco", trata-se de alguem que "so' quer cama e mesa... depois de sacar toda a escama, arrasta o meu nome na lama... mama nao se meta so' la', esse homem esta' cheio de astucia, ele nao procura emprego, depois quer somar um bom posto... mas ele so' quer cama e mesa... esta' a pensar que a mulher e' limpeza"!...}
(…)
Infelizmente temos uma sociedade muito mais agarrada aos bens materiais que à parte espiritual, e as pessoas vão-se agarrando mais a determinados subterfúgios para terem uma certa posição. Daí que não se faça questão de mostrar aos filhos questões culturais, um livro, actividades potenciadoras de uma cultura no seu todo, mas apenas o vestido, que muitas vezes nem é condigno, as toilettes, os luxos. São questões que têm um valor educacional, que têm a ver com a dignidade da pessoa humana, da forma como se encara a vida. Se eu encaro a vida com futilidade, eu darei aos meus filhos coisas fúteis, como, por exemplo, a melhor marca, das melhores comidas, e não ter a preocupação de ensinar a convivência em sociedade e a cultura geral. O facto de ir a Londres eu não condeno, condeno é que sirva apenas para futilidades. Nós além da nossa cultura devemos também buscar coisas de outros lados. {... Mais uma vez, e ja' fazendo um GRANDE ESFORCO para ignorar tudo o resto (e.g. em nenhum momento se fala do pai do tal filho a quem alegadamente "nao se mostram questoes culturais"... ), a que proposito e' que venhem aqui "idas a Londres apenas para futilidades"? E porque Londres e nao qualquer outra cidade do mundo, como por exemplo Lisboa? Quem sao, por exemplo, os angolanos de que se fala, entre muitas outras que teem vindo a publico em Portugal e noutros paises nos ultimos tempos, nesta materia?!}
(…)
Essa cultura do ter passa pela competição de ver quem tem uma conta mais recheada, quem tem carros de marcas cada vez mais caras, ou quem consegue ter mais espaço na sociedade. Preocupa-me porque não é apenas o ter que nos trará felicidade neste país. É o ser e isso passa por termos valores e respeitarmos os outros. Quando diz que há jovens que olham para fora sem olhar cá para dentro, temos de fazer as duas coisas. Temos de valorizar primeiro as coisas de dentro e depois as de fora. Sem conhecer a minha realidade eu não posso saber quem eu sou. É importante este conhecimento de saber de onde venho e para onde vou. {Sem comentarios, excepto para perguntar: quem e' que incentiva a "cultura do ter" em Angola? Quem e' que TEM, COMO o obteve e PORQUE que o TEM em Angola e, sobretudo, FORA DE ANGOLA?! E sobre essa estoria do TER vs. HAVER a verdade e' que SUAS EXCELENCIAS transformaram Angola num pais onde para se SER tem que se TER!}
(…)
Temos uma sociedade com assimetrias muito fortes, com gente que tem muito e esbanja, e os que nada têm. Temos é de esbater as assimetrias, dando oportunidades de emprego, de formação e dar oportunidades em função dos níveis das famílias. Precisamos de identificar as famílias e ouvi-las dizer o que precisam. Não falo de um Estado assistencialista, mas de um Estado que crie condições para as pessoas se poderem desenvolver. Durante muito tempo tivemos pessoas que apenas aprenderam a estender a mão. Estas pessoas não foram ensinadas como fazer o pão, como organizar as suas vidas. É preciso ensinar a saber fazer. Mas isso tem de ser acompanhado de oportunidades. Fala-se agora da construção de um milhão de casas mas é preciso estudar como colocar lá as pessoas. Uma população da ilha tem como actividade a pesca, não podemos colocar estas pessoas longe onde se faça agricultura, não é o seu modo de vida. É preciso caracterizar bem as famílias e encaminhá-las como deve ser. Em qualquer sociedade há classes, ricos e pobres, mas é preciso dar aos pobres as condições mínimas para viver em sociedade. É preciso ver bem as coisas, dar o micro crédito, e aqui é preciso acompanhar bem o que se dá às mulheres. {... "E' preciso acompanhar bem o que se da' as (mendigas?) das mulheres (que nao sabem gerir o seu pouco, ou nenhum, dinheiro, ou recursos domesticos, ou mesmo as suas vidas)"?! Ou aprender com elas quais a suas reais prioridades, problemas e necessidades e ajuda-las a satisfaze-los efectiva e eficazmente, com ou sem micro-credito? Ou evitar criar situacoes, como as demolicoes e desalojamentos de familias inteiras, ou simplesmente ROUBOS de casas a mulheres indefesas?...} (…)
O que mais temos na nossa sociedade são, infelizmente, famílias monoparentais forçadas e nessas famílias a mulher, geralmente, não tem meios de sustento. Ou ela foi levada emocionalmente pela conversa bonita que o homem lhe cantou e que depois a abandonou. O problema nem é só a questão da paternidade, quando isso acontece, o maior reconhecimento é o amor e o carinho com que ele pode acompanhar o crescimento da criança, ser pai. Isso é que me preocupa. Nós tivemos décadas de destruição de infraestruturas, mas isso se pode reconstruir, o pior é a reconstrução do tecido social que leva muito mais tempo. {Apenas uma hipotese (sociologica) alternativa: e se tiver sido ela a abandona-lo apesar da "conversa bonita"? Qualquer que seja a resposta, nao deixa de ser interessante que, em nenhum momento, qualquer analise critica substantiva seja feita em relacao ao tal "pai ausente", forcado ou nao!...}
(…)
Estive em Moçambique a trabalhar, a dar aulas e olhe que os alunos na universidade expressavam-se na língua materna, e Moçambique está dentro da globalização. Se dinamizarmos as nossas línguas, as nossas culturas e os valores culturais positivos. Porque eu não vou valorizar nem a poligamia nem a feitiçaria porque sei que acarretam consequências negativas. Mas devemos valorizar o nosso. Não devemos deixar que a globalização nos coma. Mesmo no Ocidente, pela televisão, vemos as suas danças, a sua arquitectura, os seus valores. É isso que tem de ser feito e essa valorização começa na cultura da educação, começa em casa e passa pela escola. Não se deve temer ser conservador, porque ser conservador, em determinados aspectos, pode ser útil. {Sem comentarios... excepto para chamar atencao para a Lei da Familia em Mocambique, apresentada no espaco de comentarios a outra entrevista indicada no fim deste post}
(...)
Gosto de agarrar-me ao discurso do Presidente da República, José Eduardo do Santos, sobre a família, quando ele diz que a grande preocupação é que o homem angolano hoje tornou-se muito imediatista, egoísta, muito voltado para si mesmo. {esta e' que fica mesmo SEM COMENTARIOS...}
P.S.1: Tive, ate agora, alguma relutancia, ditada pelos meus valores e principios, em mencionar aqui esta 'pequena estoria', mas uma vez que me “estenderam” em praca publica, “porque sou isto, porque sou aquilo”, decidi-me a regista-la, mesmo porque ela nao e’ apenas do meu conhecimento:
Um dos participantes dessa mesa redonda (a que aquime referia quando dizia que “ate’ cumplice de plagios me obrigaram a ser”…) esteve hospedado em minha casa em Lisboa durante algumas semanas, num periodo em que eu ocasionalmente alugava quartos a estudantes – geralmente jovens do sexo feminino que me eram recomendadas pelos meus amigos alemaesque me haviam ajudado a obter o seu contrato de aluguer, mas nesse caso abri uma excepcao porque a pessoa em questao me havia sido recomendada por alguem de confianca e eu tambem ja’ o conhecia dos tempos de militancias e ate’ o tinha em alguma consideracao e amizade.
Acontece que o camarada era casado (por sinal, com uma mulher branca), mas tinha uma outra (por sinal uma mulher negra), que com ele tambem tinha ido para la’ fazer um curso (e que eu tambem ja’ conhecia dos mesmos tempos de militancias), mas que ficara hospedada numa outra casa. Ora, porque eu vivia sozinha na altura, comecei a ser bombardeada com telefonemas tanto da mulher casada, como da mae dela - sogra do camarada, portanto, a “pedirem-me satisfacoes” sobre “o meu relacionamento” com o dito camarada… Ao que lhes respondi apenas com a verdade e nada mais do que a verdade: que ele era apenas, e tao so’, meu inquilino! E apenas temporariamente ate' que ele arranjasse a sua propria acomodacao definitiva - como alias o fez passado pouco tempo, comprando (nao alugando...) uma casa numa zona nobre...
Agora, ele, participante que foi nessa mesa redonda sobre "valores e principios" e a sua “outra” (que, inclusive, uma vez foi la’ a minha casa para eu ajuda-la a vestir-se para uma recepcao do 11 de Novembro na Embaixada – numa altura em que eu, para todos os efeitos, ja’ era persona non grata e nem sequer era mais convidada para o “nosso dia”…), que, por obsequio, venham a mesma praca publica em que me “estenderam” dizer se, apesar de eu viver sozinha na altura, alguma vez teve, ou eu “o aliciei” para, algum relacionamento menos proprio comigo!
P.S.2: E, ja' agora (... ja' que comecei ...), embora estes 'personagens' possam nao ter directamente a ver com essa mesa redonda (... ou talvez ate' tenham, pelo menos indirectamente, uma vez que o individuo aqui em questao foi sogro de um dos participantes nessa mesa redonda...), o ter falado dos tempos em que eu era persona non grata na Embaixada, lembrou-me do facto de que quem 'mais explicitamente' me colocou naquela categoria (e nao me custa nada crer que tal facto tenha tido a ver com a "inconfidencia" que aqui vou fazer - diga-se que com assumida leveza, por ele ja' ser falecido e esperando que a terra lhe seja leve...) foi o individuo (por sinal branco de origem goesa) de quem aquifalava e que, sendo casado [por sinal com uma mulher branca que, por coincidencia (?), na altura tambem trabalhava la' na Embaixada], teve pelo menos uma "outra" (por sinal uma jovem mulher negra) que a dada altura se tornara minha amiga em Luanda (embora ja' nos conhecessemos dos tempos mais remotos da infancia na Vila Alice) e que comigo confidenciara sobre a sua relacao com ele... E sobre esse caso mais nao digo!
Mas… ja’ que comecei… e por falar em “valores e principios” (os meus e os dos outros e das outras), oferece-se-me a oportunidade de acrescentar alguns detalhes ao tristemente celebre, dramatico, traumatico (para mim – tanto pessoal, como profissional, psicologica, material e financeiramente) e escandaloso episodio ocorrido nesta organizacaoe ao qual me referia aqui, aqui e aqui:
O protagonista principal de tal episodio (o angolano, por sinal negro e casado, que me fez o ataque pornografico) tinha entrado para a organizacao, onde me encontrou, ha’ muito pouco tempo, tendo-se rapidamente feito “muito amigo” de um mocambicano, por sinal tambem negro, que se dizia PhD e fazia muita questao de ser tratado como tal, embora nunca tivesse revelado em que universidade, ou pais, obtivera tal qualificacao, e cujas credencicais academicas e profissionais eram questionadas pelos seus proprios conterraneos que o conheciam melhor do que eu e que para la’ tinha entrado, to put it mildly, por portas travessas…
[E aqui abro um parentesis para notar uma 'observacao empirica' que se vem solidificando com as minhas experiencias a este respeito: o facto de o comportamento obcessivamente persecutorio desse individuo em relacao a mim se ter demonstrado muito similar ao de um outro sujeito na mesma organizacao, um sul-africano tambem casado com uma branca (a qual, por sinal, volta e meia aparecia pelo gabinete do genero da organizacao com um dos bracos em gesso, a queixar-se dos "afectos" que o marido lhe dava em casa...), e de o comportamento de ambos, por sua vez, se assemelhar bastante ao de certos PhDs e Kabungados Novo-Jornaleiroshabitues deste blog - aos quais devo acrescentar o de um dos "epigonos ex-brigadistas especialista em poemarios" a quem aquime refiro e, ja' agora e en passant, certos homo democraticus 'activistas do social' aquimencionados... - , vem confirmando a minha percepcao de que os negros "mais assanhados" em ataques canalhas, baixos e soezes contra certo tipo de mulheres negras (como as que aquisao retratadas) sao, geralmente, casados (ou com relacionamentos proximos/intimos) com brancas ou mesticas, ou que a isso sempre aspiraram - como que, com tal comportamento, exteriorizando algo (nomeadamente o seu misto de recalcamentos, insegurancas e complexos de superioridade/inferioridade...) que sempre tentaram dissimular atraves de tais casamentos ou relacionamentos e as frustracoes neles acumuladas, ou apenas buscando uma justificacao para as suas "escolhas mais profundas"... ou, simplesmente, apenas reflectindo o 'racismo aprendido por osmose' com as suas parceiras/amigas ... ou, mais simplesmente ainda, apenas tentando provar beyond any reasonable doubt o seu "inquestionavel amor por elas"... ou, sem mais ques nem porques, apenas porque, para todos os efeitos reais e praticos, com todo o seu racismo invertido, sao "brancos por dentro e negros por fora"... (veja-se, a titulo de exemplo, este caso...) - claro que me refiro aqui apenas aos que ostentam esse tipo de comportamento, porque tambem os ha' casados e/ou envolvidos saudavelmente com mulheres nao negras e que nao demonstram qualquer necessidade de o fazer! E o facto de eu propria ter tido envolvimentos formais com nao negros sem que por isso alguma vez me tenha sentido compelida a hostilizar qualquer negro, apenas me torna mais perceptiva em relacao a esses bizarros e psicopaticos comportamentos... E, ja' agora, um pouco mais de "psicanalise": nao soubesse eu que pelo menos o sul-africano nao leu estemeu artigo, diria que os outros estariam (estarao) a reagir a esta afirmacao de Rousseau que nele citei: "(...) E sobretudo, pertence-vos corrigir os defeitos que os nossos jovens vao buscar a outros paises, donde, em vez de tantas coisas uteis de que poderiam aproveitar, com ares ridiculos aprendidos no meio de mulheres estrangeiras, nao trazem senao admiracao de nao sei que pretensas grandezas, frivolas compensacoes da escravidao, que nunca terao o valor da excelsa liberdade." - E la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu!"... Estou certa, ou estou errada?!]
Ora, esse individuo tornou-se, desde que para la’ entrou, o ring leader de um grupelho cujo nucleo central era constituido por ele proprio, a sua amante e mais alguns poucos (por sinal todos lusofonos) do seu circulo. Acontece que a tal amante (por sinal uma musticia mwangole’) que se tornou “peca de mobiliario da organizacao”, divorciada [embora seja consabido que nao era propriamente conhecida por ter sido fiel no casamento (o que me faz lembrar vagamente de uma keta do antigamente na vida ke dizia assim: #se eu soubesse nao kasava, se eu soubesse nao kasava kom akela mulata enganadora... a mulata me dizia ke era mesmo delikada afinale fui ver e' piore ke uma cebola#...) – tendo embora mantido o sobrenome do ex-marido, por sinal negro, entretanto casado pela segunda vez com uma mulher branca…) e vinha de um recente relacionamento falhado com um outro mocambicano (por sinal musticio-indiano) … Acontece tambem que o tal individuo era casado com uma mulher, por sinal branca, com quem tinha dois filhos ainda pequenos que deixara em Mocambique, sendo que, para alem da amante mwangole’, dizia-se ter outras 'namoradas' na cidade…
Acontece igualmente que, tanto ele como a amante mwangole’ (que desde que o "engatou" comecou a aparecer pelo edificio da organizacao vestida de tal modo que ela propria dizia que "estou a catorzinha"!...) tinham razoes, e expressaram-no a saciedade (!) desde que eu entrara para a organizacao, para terem inveja e ciumes pessoais e profissionais em relacao a mim (por isso eles e outro/as no fim decidiram inventar-me um fantasmagorico relacionamento intimo com o entao Secretario Executivo da organizacao – puras CALUNIA E DIFAMACAO!), com os quais terao contagiado o seu grupelho e, implicitamente, o angolano que acabou por ser o meu algoz na organizacao… A este proposito talvez baste dizer que o primeiro obus que ele disparou sobre o meu quintal foi em retaliacao a um artigo de uma revista americana sobre estudos que demonstravam que as mulheres negras nos EUA tinham em media um nivel academico, profissional e financeiro superior ao da media dos homens negros americanos (uma questao tambem abordada nesta obra), que eu circulara por e-mail a todo o staff, tal como o fazia regularmente com materias que me pareciam relevantes para a reflexao e/ou a formulacao de algumas politicas. Fi-lo sem qualquer intencao de provocar absolutamente ninguem - nem homem, nem mulher, nem branco, nem negro - mas o individuo tomou aquilo como um "insulto pessoal" e respondeu-me, com copia para todo o staff, como se o artigo, a que eu nao acrescentara qualquer comentario, se referisse ao meu caso pessoal, nestes termos: "Achas mesmo que vales assim tanto?! Olha so' como as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, estao muito bem e muito felizes!"... Claramente, nao so' um ataque pessoal do mais baixo coturno, como ciumes e despeito pela minha posicao e remuneracao e, mais do que tudo isso, a tentativa de acirrar os animos das colegas mulheres contra mim... o que, pelo menos em parte, tera' conseguido...
[E aqui abro um outro parentesis, para registar que ja' antes de eu ter entrado para a organizacao, mas trabalhava tambem la' no Botswana, vi-me forcada a fazer saber a tal 'dona', ou Exma. Sra., musticia mwangole' acima mencionada, da minha indignacao e repugnancia pela 'iniciativa' que ela e uma irma sua decidiram tomar, sem que eu alguma vez lhes tivesse dado azo para tal grosseira ingerencia, atrevimento e abuso de confianca - mesmo porque eu vivia e trabalhava rodeada de homens e pretendentes era o que nao me faltava - de "me arranjarem homem", certamente porque, de acordo com os seus "valores e principios", na cabeca del(e)as nao cabe a ideia de uma mulher "sem homem", tendo para o efeito dado o meu endereco a um fulano que eu nao conhecia de parte nenhuma e com ele marcado um encontro comigo em meu nome, limitando-se depois a comunicar-me por email que o tal fulano "iria visitar-me no dia x"... Bom, felizmente para ele e para elas, eu nao estava na cidade, nem no pais, no tal dia! Mas, mesmo assim, consegui conter-me e fui educada e comedida o suficiente para lhes pedir apenas que nao voltassem a repetir a "brincadeira"... acrescente-se, de muito mau gosto!]
Ha’ outros detalhes dessa historia (alguns dos quais podem ser encontrados AQUI), como por exemplo o envolvimento de uma outra mwangole’ recem-entrada na organizacao e que logo se tornara, again to put it mildly, “amiga especial” do chefe de um dos directorados – um zambiano que ha’ muito 'andava atras de mim' sem qualquer sucesso, quanto mais nao seja por ser casado – o que provocara o ultraje de outros colegas seus do mesmo directorado e, em particular, de uma tanzaniana que se sentira prejudicada pessoal e profissionalmente por tal affair , tendo-o tornado ‘publico’ internamente e com referencias muito pouco abonatorias para a generalidade das mulheres angolanas!
E’ que, para alem de tudo o resto, a leviandade, a superficialidade, a vulgaridade, a venalidade, a permissividade e a falta de escrupulos, profissionalismo, educacao moral e civica, etica, em suma, de valores e principios , gostam de companhia, quanto mais nao seja para “nao se sentirem inferiores” … como o tal "meu algoz" gostava muito de dizer em relacao a mim e todos os que priorizavam o trabalho, a imagem do seu pais e o respeito pela instituicao e nao alinhavam nos seus "apelos" (e' que... sabiam geri-los bem demais!... ) para se juntarem aos seus “devassos, lascivos e promiscuos afectos”, seguramente nao no local de trabalho: “teem a mania de se achar mais do que os outros”!
Ou, alternativamente, em Portugues: Yanick Ngombo, a.k.a. Afroman, membro da etnia Bakongo (tal como os Igbo, igualmente com um sentido bastante pratico das coisas mundanas, para que lhes sobre tempo suficiente para as coisas do espirito, como a metafisica ou a filosofia), diz numa das suas cancoes algo como isto: "... e' como o porco que arrasta o javali para uma luta na lama: os dois vao se sujar, mas o porco gosta porque assim ganha fama!
Regresso a este post, motivada por esta noticiae por ter lidoaquique na mesa redonda em questao nao houve debate. Poderia re-entitula-lo "Mais, mais uma vez... Revisitando Questoes de Genero", ou algo assim parecido. Mas nao o faco porque prefiro mante-lo tal como o postei pela primeira vez e porque... ele nao trata de "questoes de genero"!
Trata, isso sim, de PRECONCEITOS, de olhares aprioristicos, ou melhor, de um olhar (cego?), sobre a sociedade, ou sobre algumas pessoas na sociedade (ou seria ate', como tudo parece indicar, apenassobreuma pessoa?!...) e do que me soa ate' hoje como uma INTROMISSAO GROSSEIRA na vida intima de pessoas privadas e de um JULGAMENTO SUMARIO em praca publica de SUPOSTOS comportamentos privados de pessoas privadas, com base em VEREDICTOS informados apenas pelo ponto de vista INQUISITORIAL de quem julga a distancia aquilo e quem NUNCA VIU, NEM DE PERTO NEM DE LONGE e NAO CONHECE, nem NUNCA CONHECEU, minimamente que seja... E, nessa medida, ate' porque se trata de um discurso cheio de ARGUMENTOS NON SEQUITUR, parece-me francamente faltar-lhe a ANALISE SOCIOLOGICA, para dizer o minimo!
Este e' precisamente um exemplo tipico daquilo a que Malveaux se referia ao dizer que "demasiados analistas sao apanhados na teia de Sexo, Mentiras e Estereotipos forjada pelos media para fazer politica publica"! E, neste caso, com a agravante de nao serem so' analistas, mas tambem politico(a)s, cuja filiacao partidaria 'garante' que as possiveis politicas publicas (assepticas?) adoptadas ou a adoptar neste dominio especifico venham a ser 'informadas' pelos seus preconceitos baseados em tais estereotipos...
Peco imensas desculpas, nao pretendo ofender ninguem, mas se se pretende realmente "resgatar valores", "mudar mentalidades" e/ou RECONCILIAR PESSOAS E FAMILIAS e, em ultima analise, a SOCIEDADE ANGOLANA, ha' que se deixar de ESTIGMATIZAR, AGREDIR, INSULTAR e OFENDER gratuita, indiscriminada e aleatoriamente pessoas cujas vozes JAMAIS SAO OUVIDAS, seja nos espacos (publicos ou privados) onde tais entrevistas sao concedidas, seja nas tais mesas redondas ou bicudas onde, de resto, tais questoes nao sao sequer debatidas... Enfim, ha' que saber-se OUVIR primeiro as PESSOAS visadas, para se conhecer a REALIDADE e para que se a possa analisar com propriedade, acuidade e o devido respeito pelos SERES HUMANOS, incluindo CRIANCAS INOCENTES, que se pretende julgar SEM QUALQUER FUNDAMENTO, assim apenas SOMANDO INSULTO A INJURIA!...
E tudo, aparentemente, apenas para se ALIVIAREM CONSCIENCIAS PESADAS (?) E TENTAR-SE JUSTIFICAR ESFARRAPADAMENTE O INJUSTIFICAVEL E DEFENDER O INDEFENSAVEL, ou, pior ainda, PARA SE FAZEREM CAMPANHAS DE AUTO-PROMOCAO PESSOAL A CUSTA DA HONRA E DO BOM NOME DE QUEM, CONTRA TODAS AS TENTACOES E 'APELOS' EM CONTRARIO, TEM LEVADO A SUA VIDA SACRIFICADAMENTE COM A MAIOR DAS DIGNIDADES E PROBIDADES (... e sobre isto devo lembrar que A VERDADE VEM SEMPRE AO DE CIMA)! Ha' que deixar-se de tentar arranjar BODES EXPIATORIOS para todos os males e doencas da sociedade e de POLITIZAR E MANIPULAR TRAGEDIAS HUMANAS INDIVIDUAIS OU FAMILIARES para VENDER JORNAIS, fazer delas COBAIAS EM EXPERIENCIAS/ESPECULACOES PSEUDO-SOCIOLOGICAS OU PSEUDO-PSICANALITICAS e tentar delas retirar DIVIDENDOS POLITICOS!... Ha' que aprender-se a ouvir os VERDADEIROS REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL, ou seja, entre outros, daqueles que foram tornados excluidos social, economica e politicamente pela DESTRUICAO DAS FAMILIAS E DO TECIDO ECONOMICO, SOCIAL, MORAL E ESPIRITUAL de que os representantes de quem hoje promove tais mesas redondas estao longe de estar isentos, pois foi com os seus INSENSIVEIS E INSENSATOS KAMARTELOS E METRALHADORASque os destruiram!... Enfim, ha' que ter-se, no minimo, alguma capacidade de auto-analise e de AUTO-CRITICA!
Ha' que SABER-SE TER MORAL PARA SE SER MORALISTA! Mas, acima de tudo, HA' QUE DEFINIR-SE CLARAMENTE DE QUE PRINCIPIOS E VALORES, E DE QUEM EM CONCRETO, SE ESTA' A FALAR! Em suma, usando as proprias palavras da entrevistada, HA' QUE SABER-SE GERIR OS APELOS a intromissao ABUSIVA, LEVIANA, IRRESPONSAVEL e ate' CRIMINOSA, porque CALUNIOSA E DIFAMATORIA, na VIDA PRIVADA DO CIDADAO (neste caso, mais especificamente, da CIDADA), no que e' um exemplo flagrante de INVERSAO E SUBVERSAO PRECISAMENTE DOS VALORES E PRINCIPIOS que se alega pretender "RESGATAR"!
O que farei em seguida, um pouco tentando cobrir o "debate que nao houve", e' colocar algumas questoes muito simples, directas e incisivas (a vermelho) relativas a algumas passagens dessa entrevista. Nao espero respostas, espero apenas poder contribuir um pouco para a REFLEXAO que se impoe. E espero tambem que as questoes que aqui coloco possam ser recebidas por quem as leia com o mesmo espirito de TOLERANCIA E ABERTURA A DIVERSIDADE CULTURAL, POLITICA E INTELECTUAL com que decidi publicar aqui esta entrevista quando o fiz.
Resta-me dizer que nao conheco pessoalmente a entrevistada, nem nunca antes havia sequer ouvido ou lido o seu nome antes desta entrevista.
FATIMA VIEGAS
AO PAIS
(…)
Temos (mulheres prepotentes). E por vezes a prepotência, o autoritarismo, servem para esconder outras coisas, essas pessoas têm sempre uma fragilidade, incompetência ou outras questões, pode ser algo recalcado, a pessoa pode ter sido violentamente maltratada na sua infância ou na sua juventude e depois, com poder, querem usar o poder com prepotência. Mas acho que se podem gerir as situações, a questão está mesmo na educação … Há a gestão que se deve fazer do poder, mas há também a gestão dos apelos. Já tivemos o cooperante, agora o expatriado, as catorzinhas …
{... Ja' nao teem as catorzinhas, os cooperantes e os expatriados?! Gostava mesmo de saber - meracuriosidade academica - porque nunca estive muito familiarizada com tais especimens e quando tive algum, reagi desta forma... E o que e' que esta sucessao de PEDRADAS (dirigidas, obviamente, nao aos homens que usam e abusam das ditas catorzinhas, nem aos cooperantes ou expatriados...) tem a ver com a questao da "prepotencia das mulheres"?}
(…)
Essas que têm conhecimento da situação do companheiro e que aceitam essa situação são mulheres que não se respeitam a si próprias. Não me venham dizer que é das dificuldades económicas porque qualquer ser humano que se organize pode sobreviver aos desafios. Se ela sabe que o companheiro já tem “n” mulheres nem sequer há uma relação, nem sequer a ligação entre eles é efectivamente vivida. Se ela não se respeitar a ela própria ninguém a respeita, é uma questão de valorizar a dignidade da pessoa humana. Salvo em questões culturais, nas comunidades em que a poligamia ou a poliandria é instituída.
{Sera' inteiramente objectivo, realistico ou justo este julgamento numa sociedade onde a poligamia, independentemente do meio cultural, e' praticamente uma INSTITUICAO com dia nacional consagrado e tudo: a sexta feira?!... E nao e' curioso que julgamento equivalente, ou apenas uma leve mencao, em algum momento seja feita ao HOMEM POLIGAMO?}
(…)
Esse rótulo do “tio Pacheco” deriva efectivamente da falta de educação, de princípios. Se ele foi educado em como era superior à mulher, que tem de estar sempre acima da mulher, quer do ponto de vista do conhecimento, quer do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista da sociedade, ele, efectivamente não aceita esta situação. Mas já vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades. Havendo essa paridade, o essencial é o diálogo e a convivência. {"Ja' vivemos num mundo de paridade de valores, de trabalho e de oportunidades"?! Onde? No MPLA? Em Luanda? Em Angola?... Mas a questao fundamental nao e' sequer essa: e' que, tanto quanto julgo entender da cancao da Patricia Faria, com o Kota Bonga, sobre o tal de "Pacheco", trata-se de alguem que "so' quer cama e mesa... depois de sacar toda a escama, arrasta o meu nome na lama... mama nao se meta so' la', esse homem esta' cheio de astucia, ele nao procura emprego, depois quer somar um bom posto... mas ele so' quer cama e mesa... esta' a pensar que a mulher e' limpeza"!...}
(…)
Infelizmente temos uma sociedade muito mais agarrada aos bens materiais que à parte espiritual, e as pessoas vão-se agarrando mais a determinados subterfúgios para terem uma certa posição. Daí que não se faça questão de mostrar aos filhos questões culturais, um livro, actividades potenciadoras de uma cultura no seu todo, mas apenas o vestido, que muitas vezes nem é condigno, as toilettes, os luxos. São questões que têm um valor educacional, que têm a ver com a dignidade da pessoa humana, da forma como se encara a vida. Se eu encaro a vida com futilidade, eu darei aos meus filhos coisas fúteis, como, por exemplo, a melhor marca, das melhores comidas, e não ter a preocupação de ensinar a convivência em sociedade e a cultura geral. O facto de ir a Londres eu não condeno, condeno é que sirva apenas para futilidades. Nós além da nossa cultura devemos também buscar coisas de outros lados. {... Mais uma vez, e ja' fazendo um GRANDE ESFORCO para ignorar tudo o resto (e.g. em nenhum momento se fala do pai do tal filho a quem alegadamente "nao se mostram questoes culturais"... ), a que proposito e' que venhem aqui "idas a Londres apenas para futilidades"? E porque Londres e nao qualquer outra cidade do mundo, como por exemplo Lisboa? Quem sao, por exemplo, os angolanos de que se fala, entre muitas outras que teem vindo a publico em Portugal e noutros paises nos ultimos tempos, nesta materia?!}
(…)
Essa cultura do ter passa pela competição de ver quem tem uma conta mais recheada, quem tem carros de marcas cada vez mais caras, ou quem consegue ter mais espaço na sociedade. Preocupa-me porque não é apenas o ter que nos trará felicidade neste país. É o ser e isso passa por termos valores e respeitarmos os outros. Quando diz que há jovens que olham para fora sem olhar cá para dentro, temos de fazer as duas coisas. Temos de valorizar primeiro as coisas de dentro e depois as de fora. Sem conhecer a minha realidade eu não posso saber quem eu sou. É importante este conhecimento de saber de onde venho e para onde vou. {Sem comentarios, excepto para perguntar: quem e' que incentiva a "cultura do ter" em Angola? Quem e' que TEM, COMO o obteve e PORQUE que o TEM em Angola e, sobretudo, FORA DE ANGOLA?! E sobre essa estoria do TER vs. HAVER a verdade e' que SUAS EXCELENCIAS transformaram Angola num pais onde para se SER tem que se TER!}
(…)
Temos uma sociedade com assimetrias muito fortes, com gente que tem muito e esbanja, e os que nada têm. Temos é de esbater as assimetrias, dando oportunidades de emprego, de formação e dar oportunidades em função dos níveis das famílias. Precisamos de identificar as famílias e ouvi-las dizer o que precisam. Não falo de um Estado assistencialista, mas de um Estado que crie condições para as pessoas se poderem desenvolver. Durante muito tempo tivemos pessoas que apenas aprenderam a estender a mão. Estas pessoas não foram ensinadas como fazer o pão, como organizar as suas vidas. É preciso ensinar a saber fazer. Mas isso tem de ser acompanhado de oportunidades. Fala-se agora da construção de um milhão de casas mas é preciso estudar como colocar lá as pessoas. Uma população da ilha tem como actividade a pesca, não podemos colocar estas pessoas longe onde se faça agricultura, não é o seu modo de vida. É preciso caracterizar bem as famílias e encaminhá-las como deve ser. Em qualquer sociedade há classes, ricos e pobres, mas é preciso dar aos pobres as condições mínimas para viver em sociedade. É preciso ver bem as coisas, dar o micro crédito, e aqui é preciso acompanhar bem o que se dá às mulheres. {... "E' preciso acompanhar bem o que se da' as (mendigas?) das mulheres (que nao sabem gerir o seu pouco, ou nenhum, dinheiro, ou recursos domesticos, ou mesmo as suas vidas)"?! Ou aprender com elas quais a suas reais prioridades, problemas e necessidades e ajuda-las a satisfaze-los efectiva e eficazmente, com ou sem micro-credito? Ou evitar criar situacoes, como as demolicoes e desalojamentos de familias inteiras, ou simplesmente ROUBOS de casas a mulheres indefesas?...} (…)
O que mais temos na nossa sociedade são, infelizmente, famílias monoparentais forçadas e nessas famílias a mulher, geralmente, não tem meios de sustento. Ou ela foi levada emocionalmente pela conversa bonita que o homem lhe cantou e que depois a abandonou. O problema nem é só a questão da paternidade, quando isso acontece, o maior reconhecimento é o amor e o carinho com que ele pode acompanhar o crescimento da criança, ser pai. Isso é que me preocupa. Nós tivemos décadas de destruição de infraestruturas, mas isso se pode reconstruir, o pior é a reconstrução do tecido social que leva muito mais tempo. {Apenas uma hipotese (sociologica) alternativa: e se tiver sido ela a abandona-lo apesar da "conversa bonita"? Qualquer que seja a resposta, nao deixa de ser interessante que, em nenhum momento, qualquer analise critica substantiva seja feita em relacao ao tal "pai ausente", forcado ou nao!...}
(…)
Estive em Moçambique a trabalhar, a dar aulas e olhe que os alunos na universidade expressavam-se na língua materna, e Moçambique está dentro da globalização. Se dinamizarmos as nossas línguas, as nossas culturas e os valores culturais positivos. Porque eu não vou valorizar nem a poligamia nem a feitiçaria porque sei que acarretam consequências negativas. Mas devemos valorizar o nosso. Não devemos deixar que a globalização nos coma. Mesmo no Ocidente, pela televisão, vemos as suas danças, a sua arquitectura, os seus valores. É isso que tem de ser feito e essa valorização começa na cultura da educação, começa em casa e passa pela escola. Não se deve temer ser conservador, porque ser conservador, em determinados aspectos, pode ser útil. {Sem comentarios... excepto para chamar atencao para a Lei da Familia em Mocambique, apresentada no espaco de comentarios a outra entrevista indicada no fim deste post}
(...)
Gosto de agarrar-me ao discurso do Presidente da República, José Eduardo do Santos, sobre a família, quando ele diz que a grande preocupação é que o homem angolano hoje tornou-se muito imediatista, egoísta, muito voltado para si mesmo. {esta e' que fica mesmo SEM COMENTARIOS...}
P.S.1: Tive, ate agora, alguma relutancia, ditada pelos meus valores e principios, em mencionar aqui esta 'pequena estoria', mas uma vez que me “estenderam” em praca publica, “porque sou isto, porque sou aquilo”, decidi-me a regista-la, mesmo porque ela nao e’ apenas do meu conhecimento:
Um dos participantes dessa mesa redonda (a que aquime referia quando dizia que “ate’ cumplice de plagios me obrigaram a ser”…) esteve hospedado em minha casa em Lisboa durante algumas semanas, num periodo em que eu ocasionalmente alugava quartos a estudantes – geralmente jovens do sexo feminino que me eram recomendadas pelos meus amigos alemaesque me haviam ajudado a obter o seu contrato de aluguer, mas nesse caso abri uma excepcao porque a pessoa em questao me havia sido recomendada por alguem de confianca e eu tambem ja’ o conhecia dos tempos de militancias e ate’ o tinha em alguma consideracao e amizade.
Acontece que o camarada era casado (por sinal, com uma mulher branca), mas tinha uma outra (por sinal uma mulher negra), que com ele tambem tinha ido para la’ fazer um curso (e que eu tambem ja’ conhecia dos mesmos tempos de militancias), mas que ficara hospedada numa outra casa. Ora, porque eu vivia sozinha na altura, comecei a ser bombardeada com telefonemas tanto da mulher casada, como da mae dela - sogra do camarada, portanto, a “pedirem-me satisfacoes” sobre “o meu relacionamento” com o dito camarada… Ao que lhes respondi apenas com a verdade e nada mais do que a verdade: que ele era apenas, e tao so’, meu inquilino! E apenas temporariamente ate' que ele arranjasse a sua propria acomodacao definitiva - como alias o fez passado pouco tempo, comprando (nao alugando...) uma casa numa zona nobre...
Agora, ele, participante que foi nessa mesa redonda sobre "valores e principios" e a sua “outra” (que, inclusive, uma vez foi la’ a minha casa para eu ajuda-la a vestir-se para uma recepcao do 11 de Novembro na Embaixada – numa altura em que eu, para todos os efeitos, ja’ era persona non grata e nem sequer era mais convidada para o “nosso dia”…), que, por obsequio, venham a mesma praca publica em que me “estenderam” dizer se, apesar de eu viver sozinha na altura, alguma vez teve, ou eu “o aliciei” para, algum relacionamento menos proprio comigo!
P.S.2: E, ja' agora (... ja' que comecei ...), embora estes 'personagens' possam nao ter directamente a ver com essa mesa redonda (... ou talvez ate' tenham, pelo menos indirectamente, uma vez que o individuo aqui em questao foi sogro de um dos participantes nessa mesa redonda...), o ter falado dos tempos em que eu era persona non grata na Embaixada, lembrou-me do facto de que quem 'mais explicitamente' me colocou naquela categoria (e nao me custa nada crer que tal facto tenha tido a ver com a "inconfidencia" que aqui vou fazer - diga-se que com assumida leveza, por ele ja' ser falecido e esperando que a terra lhe seja leve...) foi o individuo (por sinal branco de origem goesa) de quem aquifalava e que, sendo casado [por sinal com uma mulher branca que, por coincidencia (?), na altura tambem trabalhava la' na Embaixada], teve pelo menos uma "outra" (por sinal uma jovem mulher negra) que a dada altura se tornara minha amiga em Luanda (embora ja' nos conhecessemos dos tempos mais remotos da infancia na Vila Alice) e que comigo confidenciara sobre a sua relacao com ele... E sobre esse caso mais nao digo!
Mas… ja’ que comecei… e por falar em “valores e principios” (os meus e os dos outros e das outras), oferece-se-me a oportunidade de acrescentar alguns detalhes ao tristemente celebre, dramatico, traumatico (para mim – tanto pessoal, como profissional, psicologica, material e financeiramente) e escandaloso episodio ocorrido nesta organizacaoe ao qual me referia aqui, aqui e aqui:
O protagonista principal de tal episodio (o angolano, por sinal negro e casado, que me fez o ataque pornografico) tinha entrado para a organizacao, onde me encontrou, ha’ muito pouco tempo, tendo-se rapidamente feito “muito amigo” de um mocambicano, por sinal tambem negro, que se dizia PhD e fazia muita questao de ser tratado como tal, embora nunca tivesse revelado em que universidade, ou pais, obtivera tal qualificacao, e cujas credencicais academicas e profissionais eram questionadas pelos seus proprios conterraneos que o conheciam melhor do que eu e que para la’ tinha entrado, to put it mildly, por portas travessas…
[E aqui abro um parentesis para notar uma 'observacao empirica' que se vem solidificando com as minhas experiencias a este respeito: o facto de o comportamento obcessivamente persecutorio desse individuo em relacao a mim se ter demonstrado muito similar ao de um outro sujeito na mesma organizacao, um sul-africano tambem casado com uma branca (a qual, por sinal, volta e meia aparecia pelo gabinete do genero da organizacao com um dos bracos em gesso, a queixar-se dos "afectos" que o marido lhe dava em casa...), e de o comportamento de ambos, por sua vez, se assemelhar bastante ao de certos PhDs e Kabungados Novo-Jornaleiroshabitues deste blog - aos quais devo acrescentar o de um dos "epigonos ex-brigadistas especialista em poemarios" a quem aquime refiro e, ja' agora e en passant, certos homo democraticus 'activistas do social' aquimencionados... - , vem confirmando a minha percepcao de que os negros "mais assanhados" em ataques canalhas, baixos e soezes contra certo tipo de mulheres negras (como as que aquisao retratadas) sao, geralmente, casados (ou com relacionamentos proximos/intimos) com brancas ou mesticas, ou que a isso sempre aspiraram - como que, com tal comportamento, exteriorizando algo (nomeadamente o seu misto de recalcamentos, insegurancas e complexos de superioridade/inferioridade...) que sempre tentaram dissimular atraves de tais casamentos ou relacionamentos e as frustracoes neles acumuladas, ou apenas buscando uma justificacao para as suas "escolhas mais profundas"... ou, simplesmente, apenas reflectindo o 'racismo aprendido por osmose' com as suas parceiras/amigas ... ou, mais simplesmente ainda, apenas tentando provar beyond any reasonable doubt o seu "inquestionavel amor por elas"... ou, sem mais ques nem porques, apenas porque, para todos os efeitos reais e praticos, com todo o seu racismo invertido, sao "brancos por dentro e negros por fora"... (veja-se, a titulo de exemplo, este caso...) - claro que me refiro aqui apenas aos que ostentam esse tipo de comportamento, porque tambem os ha' casados e/ou envolvidos saudavelmente com mulheres nao negras e que nao demonstram qualquer necessidade de o fazer! E o facto de eu propria ter tido envolvimentos formais com nao negros sem que por isso alguma vez me tenha sentido compelida a hostilizar qualquer negro, apenas me torna mais perceptiva em relacao a esses bizarros e psicopaticos comportamentos... E, ja' agora, um pouco mais de "psicanalise": nao soubesse eu que pelo menos o sul-africano nao leu estemeu artigo, diria que os outros estariam (estarao) a reagir a esta afirmacao de Rousseau que nele citei: "(...) E sobretudo, pertence-vos corrigir os defeitos que os nossos jovens vao buscar a outros paises, donde, em vez de tantas coisas uteis de que poderiam aproveitar, com ares ridiculos aprendidos no meio de mulheres estrangeiras, nao trazem senao admiracao de nao sei que pretensas grandezas, frivolas compensacoes da escravidao, que nunca terao o valor da excelsa liberdade." - E la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu!"... Estou certa, ou estou errada?!]
Ora, esse individuo tornou-se, desde que para la’ entrou, o ring leader de um grupelho cujo nucleo central era constituido por ele proprio, a sua amante e mais alguns poucos (por sinal todos lusofonos) do seu circulo. Acontece que a tal amante (por sinal uma musticia mwangole’) que se tornou “peca de mobiliario da organizacao”, divorciada [embora seja consabido que nao era propriamente conhecida por ter sido fiel no casamento (o que me faz lembrar vagamente de uma keta do antigamente na vida ke dizia assim: #se eu soubesse nao kasava, se eu soubesse nao kasava kom akela mulata enganadora... a mulata me dizia ke era mesmo delikada afinale fui ver e' piore ke uma cebola#...) – tendo embora mantido o sobrenome do ex-marido, por sinal negro, entretanto casado pela segunda vez com uma mulher branca…) e vinha de um recente relacionamento falhado com um outro mocambicano (por sinal musticio-indiano) … Acontece tambem que o tal individuo era casado com uma mulher, por sinal branca, com quem tinha dois filhos ainda pequenos que deixara em Mocambique, sendo que, para alem da amante mwangole’, dizia-se ter outras 'namoradas' na cidade…
Acontece igualmente que, tanto ele como a amante mwangole’ (que desde que o "engatou" comecou a aparecer pelo edificio da organizacao vestida de tal modo que ela propria dizia que "estou a catorzinha"!...) tinham razoes, e expressaram-no a saciedade (!) desde que eu entrara para a organizacao, para terem inveja e ciumes pessoais e profissionais em relacao a mim (por isso eles e outro/as no fim decidiram inventar-me um fantasmagorico relacionamento intimo com o entao Secretario Executivo da organizacao – puras CALUNIA E DIFAMACAO!), com os quais terao contagiado o seu grupelho e, implicitamente, o angolano que acabou por ser o meu algoz na organizacao… A este proposito talvez baste dizer que o primeiro obus que ele disparou sobre o meu quintal foi em retaliacao a um artigo de uma revista americana sobre estudos que demonstravam que as mulheres negras nos EUA tinham em media um nivel academico, profissional e financeiro superior ao da media dos homens negros americanos (uma questao tambem abordada nesta obra), que eu circulara por e-mail a todo o staff, tal como o fazia regularmente com materias que me pareciam relevantes para a reflexao e/ou a formulacao de algumas politicas. Fi-lo sem qualquer intencao de provocar absolutamente ninguem - nem homem, nem mulher, nem branco, nem negro - mas o individuo tomou aquilo como um "insulto pessoal" e respondeu-me, com copia para todo o staff, como se o artigo, a que eu nao acrescentara qualquer comentario, se referisse ao meu caso pessoal, nestes termos: "Achas mesmo que vales assim tanto?! Olha so' como as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, estao muito bem e muito felizes!"... Claramente, nao so' um ataque pessoal do mais baixo coturno, como ciumes e despeito pela minha posicao e remuneracao e, mais do que tudo isso, a tentativa de acirrar os animos das colegas mulheres contra mim... o que, pelo menos em parte, tera' conseguido...
[E aqui abro um outro parentesis, para registar que ja' antes de eu ter entrado para a organizacao, mas trabalhava tambem la' no Botswana, vi-me forcada a fazer saber a tal 'dona', ou Exma. Sra., musticia mwangole' acima mencionada, da minha indignacao e repugnancia pela 'iniciativa' que ela e uma irma sua decidiram tomar, sem que eu alguma vez lhes tivesse dado azo para tal grosseira ingerencia, atrevimento e abuso de confianca - mesmo porque eu vivia e trabalhava rodeada de homens e pretendentes era o que nao me faltava - de "me arranjarem homem", certamente porque, de acordo com os seus "valores e principios", na cabeca del(e)as nao cabe a ideia de uma mulher "sem homem", tendo para o efeito dado o meu endereco a um fulano que eu nao conhecia de parte nenhuma e com ele marcado um encontro comigo em meu nome, limitando-se depois a comunicar-me por email que o tal fulano "iria visitar-me no dia x"... Bom, felizmente para ele e para elas, eu nao estava na cidade, nem no pais, no tal dia! Mas, mesmo assim, consegui conter-me e fui educada e comedida o suficiente para lhes pedir apenas que nao voltassem a repetir a "brincadeira"... acrescente-se, de muito mau gosto!]
Ha’ outros detalhes dessa historia (alguns dos quais podem ser encontrados AQUI), como por exemplo o envolvimento de uma outra mwangole’ recem-entrada na organizacao e que logo se tornara, again to put it mildly, “amiga especial” do chefe de um dos directorados – um zambiano que ha’ muito 'andava atras de mim' sem qualquer sucesso, quanto mais nao seja por ser casado – o que provocara o ultraje de outros colegas seus do mesmo directorado e, em particular, de uma tanzaniana que se sentira prejudicada pessoal e profissionalmente por tal affair , tendo-o tornado ‘publico’ internamente e com referencias muito pouco abonatorias para a generalidade das mulheres angolanas!
E’ que, para alem de tudo o resto, a leviandade, a superficialidade, a vulgaridade, a venalidade, a permissividade e a falta de escrupulos, profissionalismo, educacao moral e civica, etica, em suma, de valores e principios , gostam de companhia, quanto mais nao seja para “nao se sentirem inferiores” … como o tal "meu algoz" gostava muito de dizer em relacao a mim e todos os que priorizavam o trabalho, a imagem do seu pais e o respeito pela instituicao e nao alinhavam nos seus "apelos" (e' que... sabiam geri-los bem demais!... ) para se juntarem aos seus “devassos, lascivos e promiscuos afectos”, seguramente nao no local de trabalho: “teem a mania de se achar mais do que os outros”!