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Sunday, 16 September 2012

Mukanda as “Nossas Familias” [Actualizado]





Confesso que, ocasionalmente, tenho que dar razao a quem se sinta “justificado” para questionar a “minha inteligencia”…
E’ que, por vezes, perante coisas que parecem tornar-se imediatamente obvias para ‘todo o mundo’, eu sou de compreensao muiiiiito lennnnnnta!...
E’ o caso das varias vertentes da tristemente celebre campanha mediatica de que tenho sido alvo ha’ ja’ varios anos e especialmente desde que criei este blog.
Sao, efectivamente, varias essas vertentes, indo da pura inveja e odio irracionais por parte de gente que nunca me conheceu pessoalmente, ou do despeito de pessoas que se julgam mais merecedoras das coisas por que lutei e conquistei ate’ agora na vida, ou pelos ressaibos de quem um dia fantasiou, ou continua a fantasiar, ter um lugar na minha vida que nunca pode ou podera’ ter, indo ate’ as tacticas mais baixas de um jogo politico-partidario do qual nunca fiz, nem nunca quis fazer parte – o meu jogo, caso ainda seja necessario repeti-lo, e’ tao simples quanto isto: Paz, Democracia, Cidadania e Direitos Humanos para TODOS E TODAS – um jogo, portanto, que nao tem necessariamente que passar pelo campo politico-partidario e, muito menos, pelos seus mais baixos e sujos golpes; um jogo, portanto, em que “nao vale tudo”: nele vale acima de tudo a JUSTICA!

Assim, equacionar racional e congruentemente todas essas vertentes para compreender essa campanha, nao e’ tarefa facil, especialmente quando tudo se passa como num baile de mascaras com personagens cegos, surdos e mudos, escondidos por detras de cortinas de fumo e/ou de ferro… Por isso, perdoem-me os “questionadores da minha inteligencia” pela minha “comprensao lenta” sobre tudo isso!

Vem isto a proposito de apenas nos ultimos tempos (… alias, tal como me levou tempo demasiado para fazer a (radio) (bio) logi(c)a de “uma outra kampanha”…) se ter vindo a clarificar na minha mente uma dessas vertentes, que para outros ha’ muito se tera’ revelado obvia: chamemos-lhe “a questao das familias”… E essa clarificacao, devo-a a nas ultimas semanas ter sido levada a revisitar algumas vezes esta alocucao, da qual consta o seguinte paragrafo:

(…) 
"Essa reelaboracao possibilitaria, no interior do pais, o exercicio de uma pratica politica quotidianamente democratica, que concederia aos cidadaos o controlo de todo o sistema de actividades que constituem a nossa base civilizacional e facilitaria o tao ansiado regresso a Patria de tantos de nos que pugnamos por uma organizacao social eficiente e por um relacionamento entre os individuos onde o comportamento social digno e honesto ou o respeito pela liberdade, individualidade e direito a diferenca do outro, sao valores a cumprir escrupulosamente, e temos dificuldade em adaptarmo-nos a uma ordem social onde, ao interesse do cidadao nacional se sobrepoe amiude o poder economico ou o prestigio social que, quantas vezes injustificada e injustamente, sao concedidos ao cidadao estrangeiro; onde aos direitos do individuo se sobrepoe o poder discricionario de um estado cujas instituicoes raramente funcionam sem que tambem funcionem os esquemas da corrupcao mais ou menos generalizada; onde ‘a dignidade dos grandes valores, se sobrepoe, voluntaria ou involuntariamente, a “nomenclatura” das “grandes familias”."

Esta ultima frase, percebo-o agora, ter-me-ha’ colocado “em maus lencois”, ou “em rota de colisao” com as “nossas grandes familias”… E porque me levou tanto tempo a percebe-lo? Porque eu nao mencionei nomes e precedi-a das palavras “voluntaria ou involuntariamente”… Ou, dito de outro modo – e usando as palavras de Eleanor Roosevelt: “Great minds discuss ideas, average minds discuss events, small minds discuss people” –, nao tendo pretendido “discutir pessoas” (isso fazem o/as kuribotas), nem eventos (isso e’ suposto ser feito pelos “jornalistas”), eu tentei apenas “discutir ideias”, nao por me auto-considerar uma "great mind", mas sobretudo pelo respeito que me mereciam as pessoas (e familias) a quem dirigi aquela alocucao.

Mas, perante observacoes como esta, terei eu incorrido em alguma inverdade?

Qualquer que seja a resposta, devo aqui reiterar que nao pretendi visar nenhuma familia em particular, mas apenas o sistema de “nomenclatura” a que todos os angolanos teem estado sujeitos (incluindo, portanto, membros das tais “grandes familias”) desde a independencia.

[Publicado inicialmente a 17/06/2012]


CONTINUACAO


Tinha prometido continuar esta ‘mukanda’, mas entretanto outras prioridades se me impuseram.
A continuacao foi escrita ao mesmo tempo que a primeira parte que postei ha’ ja’ alguns meses e consistia basicamente em algumas ‘up-close and personal’ mensagens mais ou menos codificadas a alguns membros das nossas ‘grandes familias’ que conheci de mais ou menos perto, em alturas da vida do nosso pais Angola em que a bajulacao ainda nao era a moeda corrente em que se tornou hoje e em que alguns dos membros de tais familias ainda nao se tinham deixado ‘enclausurar’, voluntaria ou involuntariamente, nas “redomas de vidro” em que parecem viver em tempos mais recentes.

Em varios momentos desde que a escrevi cheguei a decidir nao a publicar precisamente por isso: para que se a nao confundisse com a bajulacao (ou ‘name dropping’) que ja’ nos vai enjoando (quando nao enojando) um pouco a todos, especialmente nestes tempos de Facebook e de "vale-tudismos" e "lambe-botismos" na luta pela "ascensao social" a qualquer preco.

E nao mudei de ideias, nao a vou publicar na sua versao original. Limitar-me-ei a mencionar alguns nomes que saberao, sem que eu as tenha que explicitar, as razoes porque os menciono neste contexto.  Nao o contexto de crispacao, animosidade e ate’ confrontacao que tem marcado um pouco os varios discursos – incluindo o meu, especialmente em situacoes que marcaram de forma problematica o curso da minha vida –, sobre o ‘lugar social’ dessas familias, em particular na Angola do pos-independencia, mas um contexto de tentativa de ‘racionalizacao’ de alguns conflitos, mais ou menos pessoais, que, se existem, nao teem sempre forcosamente que ser generalizados, nem a todas as familias envolvidas, nem a todas as situacoes e circunstancias a que se referem. E menos ainda, como cada vez mais se tem vindo a verificar, que ser oportunistica e manipulativamente usados por terceiros para criar conflitos pessoais ou inter-familiares onde eles nao teem qualquer cabimento.

E faco-o hoje especialmente porque a minha recente referencia ao Joao Vandunem (aqui) e ao Nazareth Vandunem (aqui) e os extractos que ontem postei (aqui) do ultimo “Hor@ga” do Gustavo Costa me levaram de volta a essa ja' quase esquecida ‘mukanda’.

Assim, sem mais delongas, para alem dos ja’ citados Joao e Nazareth, aqui ficam alguns outros nomes por quem tenho razoes para ter algum, maior ou menor, apreco – eles (excepto os que ja’ nao se encontram entre nos, ou talvez mesmo estes, onde quer que estejam…) saberao porque:

Zeca Vandunem, Quelinha Vandunem, Alda Vandunem, Francisca Vandunem, alguns dos irmaos Espirito Santo, Rui e Andre’ Mingas, Vicente e Justino Pinto de Andrade (… apesar dos ultimos pesares…) e seu falecido tio Mario, seu sobrinho homonimo ainda vivo, sua sobrinha Emilinha, a quem nao posso deixar de associar a Velha Guinhas, que foi um pouco Mae de todos eles e que tratou o meu filho, ainda bebe’, de “bucho virado”… e desculpem-me se a minha memoria nao me ajuda de momento a mencionar alguns outros que talvez devesse aqui rememorar. E falo apenas por mim, porque sei que alguns membros das geracoes mais velhas da minha familia terao as suas proprias razoes, provavelmente mais ponderosas, para se referirem sem azedume a alguns, os mesmos ou outros, membros dessas familias.

E pronto, ja’ nao podem dizer que “nunca vos fiz Boa Muxima”…

Tenham todos um bom Domingo em Familia!


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Rousseau +300




Confesso que, ocasionalmente, tenho que dar razao a quem se sinta “justificado” para questionar a “minha inteligencia”…
E’ que, por vezes, perante coisas que parecem tornar-se imediatamente obvias para ‘todo o mundo’, eu sou de compreensao muiiiiito lennnnnnta!...
E’ o caso das varias vertentes da tristemente celebre campanha mediatica de que tenho sido alvo ha’ ja’ varios anos e especialmente desde que criei este blog.
Sao, efectivamente, varias essas vertentes, indo da pura inveja e odio irracionais por parte de gente que nunca me conheceu pessoalmente, ou do despeito de pessoas que se julgam mais merecedoras das coisas por que lutei e conquistei ate’ agora na vida, ou pelos ressaibos de quem um dia fantasiou, ou continua a fantasiar, ter um lugar na minha vida que nunca pode ou podera’ ter, indo ate’ as tacticas mais baixas de um jogo politico-partidario do qual nunca fiz, nem nunca quis fazer parte – o meu jogo, caso ainda seja necessario repeti-lo, e’ tao simples quanto isto: Paz, Democracia, Cidadania e Direitos Humanos para TODOS E TODAS – um jogo, portanto, que nao tem necessariamente que passar pelo campo politico-partidario e, muito menos, pelos seus mais baixos e sujos golpes; um jogo, portanto, em que “nao vale tudo”: nele vale acima de tudo a JUSTICA!

Assim, equacionar racional e congruentemente todas essas vertentes para compreender essa campanha, nao e’ tarefa facil, especialmente quando tudo se passa como num baile de mascaras com personagens cegos, surdos e mudos, escondidos por detras de cortinas de fumo e/ou de ferro… Por isso, perdoem-me os “questionadores da minha inteligencia” pela minha “comprensao lenta” sobre tudo isso!

Vem isto a proposito de apenas nos ultimos tempos (… alias, tal como me levou tempo demasiado para fazer a (radio) (bio) logi(c)a de “uma outra kampanha”…) se ter vindo a clarificar na minha mente uma dessas vertentes, que para outros ha’ muito se tera’ revelado obvia: chamemos-lhe “a questao das familias”… E essa clarificacao, devo-a a nas ultimas semanas ter sido levada a revisitar algumas vezes esta alocucao, da qual consta o seguinte paragrafo:

(…) 
"Essa reelaboracao possibilitaria, no interior do pais, o exercicio de uma pratica politica quotidianamente democratica, que concederia aos cidadaos o controlo de todo o sistema de actividades que constituem a nossa base civilizacional e facilitaria o tao ansiado regresso a Patria de tantos de nos que pugnamos por uma organizacao social eficiente e por um relacionamento entre os individuos onde o comportamento social digno e honesto ou o respeito pela liberdade, individualidade e direito a diferenca do outro, sao valores a cumprir escrupulosamente, e temos dificuldade em adaptarmo-nos a uma ordem social onde, ao interesse do cidadao nacional se sobrepoe amiude o poder economico ou o prestigio social que, quantas vezes injustificada e injustamente, sao concedidos ao cidadao estrangeiro; onde aos direitos do individuo se sobrepoe o poder discricionario de um estado cujas instituicoes raramente funcionam sem que tambem funcionem os esquemas da corrupcao mais ou menos generalizada; onde ‘a dignidade dos grandes valores, se sobrepoe, voluntaria ou involuntariamente, a “nomenclatura” das “grandes familias”."

Esta ultima frase, percebo-o agora, ter-me-ha’ colocado “em maus lencois”, ou “em rota de colisao” com as “nossas grandes familias”… E porque me levou tanto tempo a percebe-lo? Porque eu nao mencionei nomes e precedi-a das palavras “voluntaria ou involuntariamente”… Ou, dito de outro modo – e usando as palavras de Eleanor Roosevelt: “Great minds discuss ideas, average minds discuss events, small minds discuss people” –, nao tendo pretendido “discutir pessoas” (isso fazem o/as kuribotas), nem eventos (isso e’ suposto ser feito pelos “jornalistas”), eu tentei apenas “discutir ideias”, nao por me auto-considerar uma "great mind", mas sobretudo pelo respeito que me mereciam as pessoas (e familias) a quem dirigi aquela alocucao.

Mas, perante observacoes como esta, terei eu incorrido em alguma inverdade?

Qualquer que seja a resposta, devo aqui reiterar que nao pretendi visar nenhuma familia em particular, mas apenas o sistema de “nomenclatura” a que todos os angolanos teem estado sujeitos (incluindo, portanto, membros das tais “grandes familias”) desde a independencia.

[Publicado inicialmente a 17/06/2012]


CONTINUACAO


Tinha prometido continuar esta ‘mukanda’, mas entretanto outras prioridades se me impuseram.
A continuacao foi escrita ao mesmo tempo que a primeira parte que postei ha’ ja’ alguns meses e consistia basicamente em algumas ‘up-close and personal’ mensagens mais ou menos codificadas a alguns membros das nossas ‘grandes familias’ que conheci de mais ou menos perto, em alturas da vida do nosso pais Angola em que a bajulacao ainda nao era a moeda corrente em que se tornou hoje e em que alguns dos membros de tais familias ainda nao se tinham deixado ‘enclausurar’, voluntaria ou involuntariamente, nas “redomas de vidro” em que parecem viver em tempos mais recentes.

Em varios momentos desde que a escrevi cheguei a decidir nao a publicar precisamente por isso: para que se a nao confundisse com a bajulacao (ou ‘name dropping’) que ja’ nos vai enjoando (quando nao enojando) um pouco a todos, especialmente nestes tempos de Facebook e de "vale-tudismos" e "lambe-botismos" na luta pela "ascensao social" a qualquer preco.

E nao mudei de ideias, nao a vou publicar na sua versao original. Limitar-me-ei a mencionar alguns nomes que saberao, sem que eu as tenha que explicitar, as razoes porque os menciono neste contexto.  Nao o contexto de crispacao, animosidade e ate’ confrontacao que tem marcado um pouco os varios discursos – incluindo o meu, especialmente em situacoes que marcaram de forma problematica o curso da minha vida –, sobre o ‘lugar social’ dessas familias, em particular na Angola do pos-independencia, mas um contexto de tentativa de ‘racionalizacao’ de alguns conflitos, mais ou menos pessoais, que, se existem, nao teem sempre forcosamente que ser generalizados, nem a todas as familias envolvidas, nem a todas as situacoes e circunstancias a que se referem. E menos ainda, como cada vez mais se tem vindo a verificar, que ser oportunistica e manipulativamente usados por terceiros para criar conflitos pessoais ou inter-familiares onde eles nao teem qualquer cabimento.

E faco-o hoje especialmente porque a minha recente referencia ao Joao Vandunem (aqui) e ao Nazareth Vandunem (aqui) e os extractos que ontem postei (aqui) do ultimo “Hor@ga” do Gustavo Costa me levaram de volta a essa ja' quase esquecida ‘mukanda’.

Assim, sem mais delongas, para alem dos ja’ citados Joao e Nazareth, aqui ficam alguns outros nomes por quem tenho razoes para ter algum, maior ou menor, apreco – eles (excepto os que ja’ nao se encontram entre nos, ou talvez mesmo estes, onde quer que estejam…) saberao porque:

Zeca Vandunem, Quelinha Vandunem, Alda Vandunem, Francisca Vandunem, alguns dos irmaos Espirito Santo, Rui e Andre’ Mingas, Vicente e Justino Pinto de Andrade (… apesar dos ultimos pesares…) e seu falecido tio Mario, seu sobrinho homonimo ainda vivo, sua sobrinha Emilinha, a quem nao posso deixar de associar a Velha Guinhas, que foi um pouco Mae de todos eles e que tratou o meu filho, ainda bebe’, de “bucho virado”… e desculpem-me se a minha memoria nao me ajuda de momento a mencionar alguns outros que talvez devesse aqui rememorar. E falo apenas por mim, porque sei que alguns membros das geracoes mais velhas da minha familia terao as suas proprias razoes, provavelmente mais ponderosas, para se referirem sem azedume a alguns, os mesmos ou outros, membros dessas familias.

E pronto, ja’ nao podem dizer que “nunca vos fiz Boa Muxima”…

Tenham todos um bom Domingo em Familia!


POST RELACIONADO:

Rousseau +300

Wednesday, 29 February 2012

BIRTHDAY MOM [R]*



Sobre as tres senhoras*: a do meio e’ a mae da minha mae; do seu lado direito, de vestido as flores e cinto, uma irma do meu pai; do seu lado esquerdo, de vestido as riscas, a minha mae.
Sobre os outros ‘figurantes’: com a minha tia paterna, uma prima; em frente a minha mae, de vestido branco, a sua unica irma; o senhor agachado, um amigo da familia.

Sobre a minha mae: ela faz hoje… 18 anos!
Indeed, sou mais velha que a minha mae!
*By the way, in case you’re wondering: os cabelos sao todos completamente naturais!

{That’s what happens to you when your mother only has a birthday every four years… }

Cheers!


*[First posted 29/02/08]





Sobre as tres senhoras*: a do meio e’ a mae da minha mae; do seu lado direito, de vestido as flores e cinto, uma irma do meu pai; do seu lado esquerdo, de vestido as riscas, a minha mae.
Sobre os outros ‘figurantes’: com a minha tia paterna, uma prima; em frente a minha mae, de vestido branco, a sua unica irma; o senhor agachado, um amigo da familia.

Sobre a minha mae: ela faz hoje… 18 anos!
Indeed, sou mais velha que a minha mae!
*By the way, in case you’re wondering: os cabelos sao todos completamente naturais!

{That’s what happens to you when your mother only has a birthday every four years… }

Cheers!


*[First posted 29/02/08]



Thursday, 1 December 2011

Familia, familia... Para que te quero?! (actualizado)



"Os Ceita, uma família em ascenção"



"Com a nomeação de mais um Ceita, desta feita para PCA do BCI, esta família já é, claramente, o novo caso de ascenção/sucesso na vida público-institucional angolana. Depois da EPAL (águas), ENANA (aeroportos) e Instituto Nacional de Estatística (INE), a mais recente nomeação chamou a nossa atenção e deu origem a este apontamento mais "intimo". Afinal de contas a família é a base de qualquer sociedade."
[aqui]

OU

"Camarao que dorme a onda leva!"...

"As trapalhadas que atormentam a gestão da EPAL, uma empresa deficitária, levaram, finalmente, a ministra da Energia e Águas,Emanuela Vieira Lopes, a tomar pela primeira vez uma decisão acertada: mandou repôr os salários dos administradores daquela empresa depois do seu Presidente ter decidido atribuir para si um ordenado na ordem dos 30 mil dólares mensais! Depois de sucessivas denúncias da comissão sindical sobre a fraudulência da sua gestão, que passa pela inclusão de familiares na folha de salários, não há dúvida de que, desta forma, não poderá haver “água para todos”. Um caso para o Tribunal de Contas averiguar."
[in Novo Jornal, edicao no. 201]

... A propostio destas duas versoes desta historia de fulgurante "sucesso familiar" numa sociedade tipo 'Nova Angola' em que, cada vez mais, o nepotismo, o amiguismo, o favoritismo, o cabritismo, o clientelismo, o trafico de influencias e a patronagem ditam as regras da "ascensao social", ocorreu-me revisitar o ultimo relatorio do Forum Economico Mundial aqui recentemente abordado, relativamente a competitividade da economia angolana.

Dele elaborei o grafico abaixo, que revela que Angola regista as piores classificacoes (a excepcao da "confianca do publico nas instituicoes", em que se situa ligeiramente acima do Zimbabwe e da Africa do Sul) comparativamente a outros paises da regiao (aqui usei como sample para a comparacao o Botswana, Mocambique, Africa do Sul e Zimbabwe, mas resultados similares se poderiam obter se se usasem outros paises) para indicadores como:

- Etica e corrupcao
- Desvio de fundos publicos
- Confianca do publico nas instituicoes
- Pagamentos irregulares e "gazoza"
- Favoritismo nas decisoes de oficiais governamentais
- Etica Corporativa
- Responsabilizacao



Enfim ... Um caso para "quem" averiguar?...




ADENDA



Bom... com o anuncio hoje (02/12/11) da exoneracao pelo Presidente da Republica da Ministra da Energia e Aguas, Emanuela Vieira Lopes, tudo leva a crer que “alguem” deve ter “investigado alguma coisa” (… uma vez que os gritos de “bradar aos ceus” contra a ma’ prestacao dos sectores de agua e electricidade sob a tutela do seu ministerio por parte do povo – incluindo, ao que julgo saber por alguns ‘ecos da imprensa angolana’, entre viagens em primeira classe, tournees por Luanda em carros top de gama com 'sapadores' a abrir caminho e conto(a)s de dinheiro a rodos, por pelo menos um membro da familia Ceita… – ha’ muito se fazem ouvir, mas nao pareciam conduzir a nenhuma “luz no fundo do tunel”…) e a sua “primeira decisao acertada” tera’ chegado tarde demais!...

Enfim, triste “fim” para a “historia de sucesso” de uma ministra que no inicio do seu mandato ficou notoria por afirmar algo como “se nao fosse o Presidente da Republica nos nao teriamos a capacidade energetica que temos hoje”!...

[Novo logo da EDEL - "Empresa de Distribuição de Escuridão de Luanda"]


Triste tambem para a politica de “quotas” na luta pela paridade do genero nos orgaos de decisao… E, a este proposito, volto a esta historia e ao meu ja’ “antigo” comentario sobre essa questao, colocado aqui, do qual destaco a seguinte passagem:

"A questao da discriminacao positiva e’ precisamente uma daquelas em que frequentemente “a porca torce o rabo”. Num mundo ideal, isto e’, onde ha leis e politicas nao discriminatorias directa ou indirectamente contra as mulheres e onde elas sao efectivamente implementadas, a discriminacao positiva pode ser ate’ detrimental para a causa das mulheres, porque muitas vezes apenas para se cumprirem ‘quotas de participacao’ no mercado de trabalho ou na vida politica, da-se preferencia a mulheres apenas pela sua condicao feminina e nao pelas suas competencias ou potencialidades, em detrimento de homens mais qualificados e capazes. Quando isso acontece e a mulher escolhida depois ‘nao da conta do recado’ no exercicio das suas funcoes, cria-se nao so animosidade por parte dos homens e da sociedade (onde se destacam muitas vezes as outras mulheres…) mas prejudica-se tambem o proprio principio da discriminacao positiva, o que pode levar a que futuramente mulheres efectivamente mais competentes em determinadas areas e funcoes sejam preteridas em favor de homens tao ou menos competentes. Mas como o mundo nao e’ ideal, o trabalho de advocacia do genero e’ importante no sentido de se criar um quadro juridico-institucional efectivo e eficiente que torne a discriminacao positiva desnecessaria e que garanta que a seleccao seja sempre feita apenas com base na competencia e nao no sexo de cada individuo."

Seja como for, votos de boa sorte ao novo incumbente!


E, ja' agora, mais esta "achega":


in Novo Jornal, edicao #203





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"Os Ceita, uma família em ascenção"



"Com a nomeação de mais um Ceita, desta feita para PCA do BCI, esta família já é, claramente, o novo caso de ascenção/sucesso na vida público-institucional angolana. Depois da EPAL (águas), ENANA (aeroportos) e Instituto Nacional de Estatística (INE), a mais recente nomeação chamou a nossa atenção e deu origem a este apontamento mais "intimo". Afinal de contas a família é a base de qualquer sociedade."
[aqui]

OU

"Camarao que dorme a onda leva!"...

"As trapalhadas que atormentam a gestão da EPAL, uma empresa deficitária, levaram, finalmente, a ministra da Energia e Águas,Emanuela Vieira Lopes, a tomar pela primeira vez uma decisão acertada: mandou repôr os salários dos administradores daquela empresa depois do seu Presidente ter decidido atribuir para si um ordenado na ordem dos 30 mil dólares mensais! Depois de sucessivas denúncias da comissão sindical sobre a fraudulência da sua gestão, que passa pela inclusão de familiares na folha de salários, não há dúvida de que, desta forma, não poderá haver “água para todos”. Um caso para o Tribunal de Contas averiguar."
[in Novo Jornal, edicao no. 201]

... A propostio destas duas versoes desta historia de fulgurante "sucesso familiar" numa sociedade tipo 'Nova Angola' em que, cada vez mais, o nepotismo, o amiguismo, o favoritismo, o cabritismo, o clientelismo, o trafico de influencias e a patronagem ditam as regras da "ascensao social", ocorreu-me revisitar o ultimo relatorio do Forum Economico Mundial aqui recentemente abordado, relativamente a competitividade da economia angolana.

Dele elaborei o grafico abaixo, que revela que Angola regista as piores classificacoes (a excepcao da "confianca do publico nas instituicoes", em que se situa ligeiramente acima do Zimbabwe e da Africa do Sul) comparativamente a outros paises da regiao (aqui usei como sample para a comparacao o Botswana, Mocambique, Africa do Sul e Zimbabwe, mas resultados similares se poderiam obter se se usasem outros paises) para indicadores como:

- Etica e corrupcao
- Desvio de fundos publicos
- Confianca do publico nas instituicoes
- Pagamentos irregulares e "gazoza"
- Favoritismo nas decisoes de oficiais governamentais
- Etica Corporativa
- Responsabilizacao



Enfim ... Um caso para "quem" averiguar?...




ADENDA



Bom... com o anuncio hoje (02/12/11) da exoneracao pelo Presidente da Republica da Ministra da Energia e Aguas, Emanuela Vieira Lopes, tudo leva a crer que “alguem” deve ter “investigado alguma coisa” (… uma vez que os gritos de “bradar aos ceus” contra a ma’ prestacao dos sectores de agua e electricidade sob a tutela do seu ministerio por parte do povo – incluindo, ao que julgo saber por alguns ‘ecos da imprensa angolana’, entre viagens em primeira classe, tournees por Luanda em carros top de gama com 'sapadores' a abrir caminho e conto(a)s de dinheiro a rodos, por pelo menos um membro da familia Ceita… – ha’ muito se fazem ouvir, mas nao pareciam conduzir a nenhuma “luz no fundo do tunel”…) e a sua “primeira decisao acertada” tera’ chegado tarde demais!...

Enfim, triste “fim” para a “historia de sucesso” de uma ministra que no inicio do seu mandato ficou notoria por afirmar algo como “se nao fosse o Presidente da Republica nos nao teriamos a capacidade energetica que temos hoje”!...

[Novo logo da EDEL - "Empresa de Distribuição de Escuridão de Luanda"]


Triste tambem para a politica de “quotas” na luta pela paridade do genero nos orgaos de decisao… E, a este proposito, volto a esta historia e ao meu ja’ “antigo” comentario sobre essa questao, colocado aqui, do qual destaco a seguinte passagem:

"A questao da discriminacao positiva e’ precisamente uma daquelas em que frequentemente “a porca torce o rabo”. Num mundo ideal, isto e’, onde ha leis e politicas nao discriminatorias directa ou indirectamente contra as mulheres e onde elas sao efectivamente implementadas, a discriminacao positiva pode ser ate’ detrimental para a causa das mulheres, porque muitas vezes apenas para se cumprirem ‘quotas de participacao’ no mercado de trabalho ou na vida politica, da-se preferencia a mulheres apenas pela sua condicao feminina e nao pelas suas competencias ou potencialidades, em detrimento de homens mais qualificados e capazes. Quando isso acontece e a mulher escolhida depois ‘nao da conta do recado’ no exercicio das suas funcoes, cria-se nao so animosidade por parte dos homens e da sociedade (onde se destacam muitas vezes as outras mulheres…) mas prejudica-se tambem o proprio principio da discriminacao positiva, o que pode levar a que futuramente mulheres efectivamente mais competentes em determinadas areas e funcoes sejam preteridas em favor de homens tao ou menos competentes. Mas como o mundo nao e’ ideal, o trabalho de advocacia do genero e’ importante no sentido de se criar um quadro juridico-institucional efectivo e eficiente que torne a discriminacao positiva desnecessaria e que garanta que a seleccao seja sempre feita apenas com base na competencia e nao no sexo de cada individuo."

Seja como for, votos de boa sorte ao novo incumbente!


E, ja' agora, mais esta "achega":


in Novo Jornal, edicao #203





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Monday, 17 October 2011

De Volta 'a Muxima…





Tem sido deveras interessante – por vezes perturbador, por vezes revoltante, por vezes amargo, por vezes divertido, mas sempre interessante – esta coisa de observar algumas das minhas ideias, em alguns casos “apropriadas” por outros “autores”, noutros “confirmadas” e “reiteradas” por outras fontes e, noutros casos ainda, “aplicadas” ou “desenvolvidas” noutros contextos.

Do primeiro tipo de casos referiria como exemplo apenas este, dentre varios outros, do segundo este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, ou este , e do terceiro poderia referir outra serie deles, mas assinalarei aqui apenas o que me faz regressar hoje a Muxima depois de de la’ ainda mal ter regressado…


[... Eh um facto que existe uma aparente falta de amor, respeito mutuo e sentido de auto-preservacao como raca entre as comunidades negras – os Caucasianos, Indianos, Chineses, Japoneses, etc., para o bem ou para o mal, raramente permitem que a miscigenacao racial corroa os pilares das suas etnias e culturas, isto eh, as suas familias. Dai, em grande medida, a base solida de estabilidade social e economica dos seus paises e continentes… Por contraste, um grande numero de negros, quer em Africa, quer noutros continentes, devido ao baixo estatuto social e humilhacoes sub-humanas a que foram submetidos desde a escravatura, parece terem perdido para sempre a sua auto-estima e respeito pelas suas maes e ancestrais...]


Trata-se da “aplicacao” e “desenvolvimento” das questoes que levantei neste meu comentario de ha' 6 anos aos/nos contextos americano e britanico, para so’ citar os que me sao mais proximos. Depois da polemica suscitada ha' 3 anos pelas declaracoes de Obama aqui comentadas, desta vez as mesmas questoes sao levantadas a volta da recente publicacao deste livro, por Ralph Richard Banks (na foto abaixo com a sua familia), professor da prestigiada Universidade de Stanford, que advoga que “dada a falta de homens negros elegiveis no ‘mercado de casamento’ para a maioria das mulheres negras, e especialmente as mais bem sucedidas academica e/ou profissionalmente, estas devem tentar casar-se e constituir familia com homens de outras racas” (questao que tambem abordei em algum detalhe aqui). Banks vem dando 'conselhos' as mulheres negras como estes: “Don't marry down. Marry out”… “Black women shouldn’t continue to be held hostage to the failings of black men”... “Stop settling for less than you deserve. Forget race loyalty.” --- “Nao se casem abaixo (do vosso nivel). Casem-se fora (da nossa comunidade)”… “As mulheres negras nao devem continuar refens das falhas do homem negro”… “Deixem de se contentar com menos do que voces merecem. Esquecam a lealdade racial.”


[E, dizia eu: "...Eh preciso que lhes saibamos demonstrar que talvez os homens sejam escassos sim, mas se nao nos dedicam, casadas ou solteiras, o amor e respeito que merecemos, nao sao nenhum “bem” nas nossas vidas!"...]




Trata-se de um debate que, sobretudo nas ultimas duas decadas, se vem tornando perene e ate’, em certa medida, ja’ “institucionalizado”, no mundo anglofono (vindo aqui a proposito mencionar tambem o caso sul-africano)[*]. E embora tambem aqui ele seja alvo de algumas tentativas de “abafamento” ou de o “varrer para debaixo do tapete”, nao tenho noticia de que alguma mulher negra que nele se tenha envolvido, ou que o tenha protagonizado (como, por exemplo, a autora da materia de que aqui fiz eco ha’ algum tempo e que acabou merecendo ampla difusao e entusiastico debate atraves da CNN...) tenha sido alvo de quaisquer campanhas de linchamento publico como as que tenho sido sujeita no mundo lusofono a partir do “meu pais” e nao so'! [**]

[Auto-Censurado]

E' que, como dizia o outro "gindungo no olho do angolano e' refresco, ne'?! Bem feito!"... Sarava'!...

E porque o essencial esta’ dito, deixo aqui apenas o convite: queiram por favor ler este artigo no The Economist... Obrigada!

[... Ah! Talvez reste dizer que toda essa estoria nao ficara' totalmente bem contada enquanto nao se fizer o link entre a comodificacao e objectificacao sexual de que as mulheres negras teem sido vitimas ao longo dos seculos desde a escravatura e o colonialismo - como exposto, entre outros posts neste blog, aqui e aqui - e a sua sub-representacao e estigmatizacao social - como exposto, tambem entre varios outros posts neste blog, aqui e aqui...]




[... Em Angola o problema torna-se mais grave porquanto o tecido da nossa sociedade e a demografia do pais foram severamente danificados pelos muitos anos de guerra (durante os quais foram as mulheres que aguentaram todas ‘as barras’ na retaguarda e ate nas frentes de combate) e ha de facto uma grande escassez de homens disponiveis. Mas, minhas irmas, tambem nao caiam na armadilha de pensar que com mais estudos ou um bom emprego vai ser mais facil… Esta demonstrado em todo o mundo que as possibilidades de casamento e um lar feliz para uma mulher, diminuem na razao directa do seu sucesso academico e/ou professional… Isto porque encontrar um homem que nao se sinta intimidado por uma mulher realizada e que por isso nao tente humilha-la, sabota-la e diminui-la de varias maneiras, eh como achar uma agulha no palheiro! Vejam, por exemplo, os casos da Ophra Winfrey, a mulher mais rica da America e talvez do mundo, a parte a Rainha da Inglaterra… ou da Condoleeza Rice que eh, independentemente de questoes politico-ideologicas, a mulher mais bem sucedida profissionalmente no mundo: a primeira vive “amancebada” ha anos com um homem que nao se resolve a casar com ela; a segunda nunca casou nem se lhe conhece qualquer relacionamento amoroso estavel… Enquanto que outras, como a Whoopi Goldberg e um numero cada vez maior de negras realizadas academica e/ou profissionalmente no ocidente, simplesmente decidiram “juntar os seus trapinhos”, de papel passado ou nao, com brancos que muito as querem, amam, respeitam e valorizam...]


[*] No caso britanico em particular, lembro-me de ainda recentemente, durante o obito desta minha prima, ter assistido a um acalorado debate entre um homem negro angolano que falava do livro que esta(va) a escrever sobre “os direitos naturais dos homens” e um grupo de mulheres negras angolanas, interessantemente todas de geracoes mais novas do que a minha, que, com argumentos ousados e bem sustentados, pouco menos que o “deitaram por terra”… o que nao deixou de me provocar alguma surpresa perante a apatia, conformismo ou resignacao, quando nao hostilidade, com que geralmente me deparo por parte das mulheres angolanas, sobretudo as da minha propria geracao ou de geracoes mais velhas, sobre este tipo de questoes - o que, mais uma vez, me remete para o que aqui me referia "quanto ao que a palavra esperanca pode significar em Angola"...

Pois os argumentos do nosso brother baseavam-se essencialmente na sua conviccao de que existe uma “ordem natural das coisas” que concede aos homens, e especialmente aos africanos, uma serie de direitos que nao assitem 'a mulher, como por exemplo o “direito a poligamia”… Bom, falou-se um pouco de tudo o que 'a "natureza da sexualidade" de homens e mulheres, africanos ou nao, diz respeito, incluindo as questoes do patriarcado vs. matriarcado ou poligamia vs. poliandria, como aqui e aqui a elas ha' algum tempo me referi.

De minha parte, contei-lhes a estoria de uma mesa redonda a que assisti ha’ mais de 10 anos numa enorme sala a abarrotar de gente, no Africa Centre de Londres, moderada, entre outros 'role models' da comunidade negra no UK, por Dotun Adebayo, especialmente dedicada ao relacionamento entre homens e mulheres negros, em que a questao central era “o que se passa na nossa comunidade negra que nos impede de termos relacionamentos saos e duradouros, incluindo o casamento?”

Uma das explicacoes dadas por um dos presentes foi que “as jovens da nossa comunidade negra fazem filhos muito cedo e ficam maes solteiras e por isso nos preferimos casar e formar os nossos lares com as brancas daqui que nao teem filhos tao cedo.” Em resposta a essa ideia peregrina de que uma mulher jovem mae solteira “fica estragada para sempre” (ou, para usar a terminologia ordinaria de... quem mais?, “poluta”), que esta' na base da sua estigmatizacao social, levantou-se uma das presentes dizendo: “I am not married and have two kids but I am not damaged goods!”

Depois de lhes ter contado isso, uma das participantes no nosso mais pequeno debate, por sinal uma das minhas irmas mais novas, a Wanda, rematou: “pois, e nunca se lembram de questionar os rapazes com quem essas raparigas fazem os filhos!”

E o debate prosseguiu noite fora e pelos dias que se seguiram, enquanto durou o obito…




[**] Ocorre-me aqui apenas o caso de Alice Walker, que, com o seu livro adaptado para o cinema, A Cor Purpura, tera’ sido a primeira a provocar reaccoes hostis por parte de alguns segmentos da comunidade negra americana por alegadamente nele ter “deturpado” a imagem do homem negro!...

E embora tenha perfeita nocao de que no meu caso os ataques concertados de que tenho sido alvo se devem a uma serie de factores interligados motivados por alguns dos meus posicionamentos e opinioes, e muito particularmente as afirmacoes que fiz nos comentarios aqui (... em que falo de um certo tipo de 'bandeirantes' mwangoles que posteriormente decidiram vingar-se tentando imputar-me todo o tipo de "bandeiras" sujas de lama!...) e aqui, o facto e’ que no caso dela nao tenho noticia de que esse tipo de reaccoes tenha degenerado em tentativas de assassinio de caracter, desumanizacao e destruicao da sua reputacao pessoal, familiar, academica, literaria, intelectual e profissional, ou a sua desestruturacao psicologica, emocional, moral e espiritual, e menos ainda em ameacas de violacao sexual e de morte, abertas ou veladas!...


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Tem sido deveras interessante – por vezes perturbador, por vezes revoltante, por vezes amargo, por vezes divertido, mas sempre interessante – esta coisa de observar algumas das minhas ideias, em alguns casos “apropriadas” por outros “autores”, noutros “confirmadas” e “reiteradas” por outras fontes e, noutros casos ainda, “aplicadas” ou “desenvolvidas” noutros contextos.

Do primeiro tipo de casos referiria como exemplo apenas este, dentre varios outros, do segundo este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, ou este , e do terceiro poderia referir outra serie deles, mas assinalarei aqui apenas o que me faz regressar hoje a Muxima depois de de la’ ainda mal ter regressado…


[... Eh um facto que existe uma aparente falta de amor, respeito mutuo e sentido de auto-preservacao como raca entre as comunidades negras – os Caucasianos, Indianos, Chineses, Japoneses, etc., para o bem ou para o mal, raramente permitem que a miscigenacao racial corroa os pilares das suas etnias e culturas, isto eh, as suas familias. Dai, em grande medida, a base solida de estabilidade social e economica dos seus paises e continentes… Por contraste, um grande numero de negros, quer em Africa, quer noutros continentes, devido ao baixo estatuto social e humilhacoes sub-humanas a que foram submetidos desde a escravatura, parece terem perdido para sempre a sua auto-estima e respeito pelas suas maes e ancestrais...]


Trata-se da “aplicacao” e “desenvolvimento” das questoes que levantei neste meu comentario de ha' 6 anos aos/nos contextos americano e britanico, para so’ citar os que me sao mais proximos. Depois da polemica suscitada ha' 3 anos pelas declaracoes de Obama aqui comentadas, desta vez as mesmas questoes sao levantadas a volta da recente publicacao deste livro, por Ralph Richard Banks (na foto abaixo com a sua familia), professor da prestigiada Universidade de Stanford, que advoga que “dada a falta de homens negros elegiveis no ‘mercado de casamento’ para a maioria das mulheres negras, e especialmente as mais bem sucedidas academica e/ou profissionalmente, estas devem tentar casar-se e constituir familia com homens de outras racas” (questao que tambem abordei em algum detalhe aqui). Banks vem dando 'conselhos' as mulheres negras como estes: “Don't marry down. Marry out”… “Black women shouldn’t continue to be held hostage to the failings of black men”... “Stop settling for less than you deserve. Forget race loyalty.” --- “Nao se casem abaixo (do vosso nivel). Casem-se fora (da nossa comunidade)”… “As mulheres negras nao devem continuar refens das falhas do homem negro”… “Deixem de se contentar com menos do que voces merecem. Esquecam a lealdade racial.”


[E, dizia eu: "...Eh preciso que lhes saibamos demonstrar que talvez os homens sejam escassos sim, mas se nao nos dedicam, casadas ou solteiras, o amor e respeito que merecemos, nao sao nenhum “bem” nas nossas vidas!"...]




Trata-se de um debate que, sobretudo nas ultimas duas decadas, se vem tornando perene e ate’, em certa medida, ja’ “institucionalizado”, no mundo anglofono (vindo aqui a proposito mencionar tambem o caso sul-africano)[*]. E embora tambem aqui ele seja alvo de algumas tentativas de “abafamento” ou de o “varrer para debaixo do tapete”, nao tenho noticia de que alguma mulher negra que nele se tenha envolvido, ou que o tenha protagonizado (como, por exemplo, a autora da materia de que aqui fiz eco ha’ algum tempo e que acabou merecendo ampla difusao e entusiastico debate atraves da CNN...) tenha sido alvo de quaisquer campanhas de linchamento publico como as que tenho sido sujeita no mundo lusofono a partir do “meu pais” e nao so'! [**]

[Auto-Censurado]

E' que, como dizia o outro "gindungo no olho do angolano e' refresco, ne'?! Bem feito!"... Sarava'!...

E porque o essencial esta’ dito, deixo aqui apenas o convite: queiram por favor ler este artigo no The Economist... Obrigada!

[... Ah! Talvez reste dizer que toda essa estoria nao ficara' totalmente bem contada enquanto nao se fizer o link entre a comodificacao e objectificacao sexual de que as mulheres negras teem sido vitimas ao longo dos seculos desde a escravatura e o colonialismo - como exposto, entre outros posts neste blog, aqui e aqui - e a sua sub-representacao e estigmatizacao social - como exposto, tambem entre varios outros posts neste blog, aqui e aqui...]




[... Em Angola o problema torna-se mais grave porquanto o tecido da nossa sociedade e a demografia do pais foram severamente danificados pelos muitos anos de guerra (durante os quais foram as mulheres que aguentaram todas ‘as barras’ na retaguarda e ate nas frentes de combate) e ha de facto uma grande escassez de homens disponiveis. Mas, minhas irmas, tambem nao caiam na armadilha de pensar que com mais estudos ou um bom emprego vai ser mais facil… Esta demonstrado em todo o mundo que as possibilidades de casamento e um lar feliz para uma mulher, diminuem na razao directa do seu sucesso academico e/ou professional… Isto porque encontrar um homem que nao se sinta intimidado por uma mulher realizada e que por isso nao tente humilha-la, sabota-la e diminui-la de varias maneiras, eh como achar uma agulha no palheiro! Vejam, por exemplo, os casos da Ophra Winfrey, a mulher mais rica da America e talvez do mundo, a parte a Rainha da Inglaterra… ou da Condoleeza Rice que eh, independentemente de questoes politico-ideologicas, a mulher mais bem sucedida profissionalmente no mundo: a primeira vive “amancebada” ha anos com um homem que nao se resolve a casar com ela; a segunda nunca casou nem se lhe conhece qualquer relacionamento amoroso estavel… Enquanto que outras, como a Whoopi Goldberg e um numero cada vez maior de negras realizadas academica e/ou profissionalmente no ocidente, simplesmente decidiram “juntar os seus trapinhos”, de papel passado ou nao, com brancos que muito as querem, amam, respeitam e valorizam...]


[*] No caso britanico em particular, lembro-me de ainda recentemente, durante o obito desta minha prima, ter assistido a um acalorado debate entre um homem negro angolano que falava do livro que esta(va) a escrever sobre “os direitos naturais dos homens” e um grupo de mulheres negras angolanas, interessantemente todas de geracoes mais novas do que a minha, que, com argumentos ousados e bem sustentados, pouco menos que o “deitaram por terra”… o que nao deixou de me provocar alguma surpresa perante a apatia, conformismo ou resignacao, quando nao hostilidade, com que geralmente me deparo por parte das mulheres angolanas, sobretudo as da minha propria geracao ou de geracoes mais velhas, sobre este tipo de questoes - o que, mais uma vez, me remete para o que aqui me referia "quanto ao que a palavra esperanca pode significar em Angola"...

Pois os argumentos do nosso brother baseavam-se essencialmente na sua conviccao de que existe uma “ordem natural das coisas” que concede aos homens, e especialmente aos africanos, uma serie de direitos que nao assitem 'a mulher, como por exemplo o “direito a poligamia”… Bom, falou-se um pouco de tudo o que 'a "natureza da sexualidade" de homens e mulheres, africanos ou nao, diz respeito, incluindo as questoes do patriarcado vs. matriarcado ou poligamia vs. poliandria, como aqui e aqui a elas ha' algum tempo me referi.

De minha parte, contei-lhes a estoria de uma mesa redonda a que assisti ha’ mais de 10 anos numa enorme sala a abarrotar de gente, no Africa Centre de Londres, moderada, entre outros 'role models' da comunidade negra no UK, por Dotun Adebayo, especialmente dedicada ao relacionamento entre homens e mulheres negros, em que a questao central era “o que se passa na nossa comunidade negra que nos impede de termos relacionamentos saos e duradouros, incluindo o casamento?”

Uma das explicacoes dadas por um dos presentes foi que “as jovens da nossa comunidade negra fazem filhos muito cedo e ficam maes solteiras e por isso nos preferimos casar e formar os nossos lares com as brancas daqui que nao teem filhos tao cedo.” Em resposta a essa ideia peregrina de que uma mulher jovem mae solteira “fica estragada para sempre” (ou, para usar a terminologia ordinaria de... quem mais?, “poluta”), que esta' na base da sua estigmatizacao social, levantou-se uma das presentes dizendo: “I am not married and have two kids but I am not damaged goods!”

Depois de lhes ter contado isso, uma das participantes no nosso mais pequeno debate, por sinal uma das minhas irmas mais novas, a Wanda, rematou: “pois, e nunca se lembram de questionar os rapazes com quem essas raparigas fazem os filhos!”

E o debate prosseguiu noite fora e pelos dias que se seguiram, enquanto durou o obito…




[**] Ocorre-me aqui apenas o caso de Alice Walker, que, com o seu livro adaptado para o cinema, A Cor Purpura, tera’ sido a primeira a provocar reaccoes hostis por parte de alguns segmentos da comunidade negra americana por alegadamente nele ter “deturpado” a imagem do homem negro!...

E embora tenha perfeita nocao de que no meu caso os ataques concertados de que tenho sido alvo se devem a uma serie de factores interligados motivados por alguns dos meus posicionamentos e opinioes, e muito particularmente as afirmacoes que fiz nos comentarios aqui (... em que falo de um certo tipo de 'bandeirantes' mwangoles que posteriormente decidiram vingar-se tentando imputar-me todo o tipo de "bandeiras" sujas de lama!...) e aqui, o facto e’ que no caso dela nao tenho noticia de que esse tipo de reaccoes tenha degenerado em tentativas de assassinio de caracter, desumanizacao e destruicao da sua reputacao pessoal, familiar, academica, literaria, intelectual e profissional, ou a sua desestruturacao psicologica, emocional, moral e espiritual, e menos ainda em ameacas de violacao sexual e de morte, abertas ou veladas!...


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Friday, 30 September 2011

O Poder da Associação // The Power of Association




[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]


O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.

Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.

"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.




The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.

Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.

"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.



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[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]


O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.

Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.

"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.




The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.

Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.

"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.



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Wednesday, 29 June 2011

'Black Masculinit(ies)y' and Domestic Violence



As the recent passing of a long protracted, groundbreaking Law Against Domestic Violence is widely celebrated in Angola, while R&B artist Chris Brown is on his way to perform in that country, I found particularly fitting an article entitled “Why Black Men Should Become Feminists”, by Symeon Brown, from which I’ve taken the following excerpts:




Benjamin Zephaniah, the poet who famously turned down the Queen's honour to maintain his own, paused when a white audience member at a talk he was giving asked him: 'Why do you never talk about your father?'
For the first time that evening, at the Keats Poetry Festival held against a backdrop of million pound homes in Hampstead, north London, to a largely female audience, the poet's joviality departed. He then shared how he had first been introduced to rhythm and blues through the fists his father used against his mother. In hushed silence, the audience heard how Zephaniah’s second brush with violence was when he picked up a knife to defend her. But, in an ugly twist of irony, he confessed how he went on to reproduce this violent behaviour against women himself.

Zephaniah recalled with honesty: “I noticed I had the same rhythm as my father until one day I thought, ‘what am I doing?’ I stopped and had to unlearn what I had learnt.” The healing he has undergone is clear from his sincere declaration of support for women and his role as a champion of women’s rights.

Zephaniah once stated: “No nation is free of chauvinistic, violent men, and no one should need to run from them. The ‘system’ should deal with them, and if the system can't, change it.”




Days earlier at another event, the great Nigerian playwright and former Nobel Laureate, Wole Soyinka, also called for an end to the global inequality between men and women. With two prominent black male thinkers advocating equality for women, is it a sign that black men are becoming feminists?

The F-word is a scary one to many black men and some black women too. Feminism, fairly or unfairly, is seen as white, middle-class and a set of beliefs that pits men and women against each other. However, feminism is a broad church of ideologies and views.

But the basis of both radical and moderate views is a recognition that relationships between men and women need to change. Relationships between today’s young men and young women certainly need to.




Zephaniah’s public declaration of healing was as powerful as R&B singer Chris Brown’s decline after he was found guilty of assaulting his then girlfriend Rihanna. Both men were victims themselves when, as children, they watched their mothers being beaten and as men both reproduced what they saw as children. But while Zephaniah was able to privately heal through a mixture of introspection and positive self-criticism, Chris Brown’s public exposure led his agents to do what they had to: protect the brand, rather than the man.

In this digital age of Twitter, putting up a front is a luxury celebrities can no longer afford. In March, we saw how Chris Brown flew into a rage, ripping his shirt and trashing his dressing room, after an interviewer pressed him about the incident. You do not need to be a regular Bossip reader to guess that underneath the tattoos, there is a broken boy who has not exorcised his demons.

Chris Brown needs to unlearn his understanding of how men and women relate to each other. It would have been impossible for him to do this when the two contrasting public reactions to his violation - those who began a public witchhunt against him and those that blamed Rihanna – were both wrong. Neither response allows for the road to Damascus moment that Benjamin experienced. The latter marginalised him, and the former excused his accountability.





[Full article here]







[video from here]





[Mama - Hugh Masekela]

I wrote this song in 1995 when my wife had assured me that after five years of her refusing to come back to live in South Africa with me, she was finally leaving New York City, packing up her goods, zipping up her boots and coming home to her roots where I was waiting for her. However she told me otherwise when we met in Paris in July of that year. My addiction to alcohol and drugs was beginning to peak and one night after I returned from France, I got very zonked at the piano, feeling very sorry for myself and this song was sent to me. We recorded it the following year on the "Notes of Life" album when I was beginning to hit rock bottom. A year later, I went to England for recovery and I am so glad I did, because I am now enjoying my third year of sobriety after 44 years of addiction. Needless to say, my wife never came back; we finally said goodbye at the end of 1997. This song is a sad reminder of my most irresponsible years and down time. I will never wish anything like that on anybody, especially myself.

Hugh Masekela





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As the recent passing of a long protracted, groundbreaking
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Benjamin Zephaniah, the poet who famously turned down the Queen's honour to maintain his own, paused when a white audience member at a talk he was giving asked him: 'Why do you never talk about your father?'
For the first time that evening, at the Keats Poetry Festival held against a backdrop of million pound homes in Hampstead, north London, to a largely female audience, the poet's joviality departed. He then shared how he had first been introduced to rhythm and blues through the fists his father used against his mother. In hushed silence, the audience heard how Zephaniah’s second brush with violence was when he picked up a knife to defend her. But, in an ugly twist of irony, he confessed how he went on to reproduce this violent behaviour against women himself.

Zephaniah recalled with honesty: “I noticed I had the same rhythm as my father until one day I thought, ‘what am I doing?’ I stopped and had to unlearn what I had learnt.” The healing he has undergone is clear from his sincere declaration of support for women and his role as a champion of women’s rights.

Zephaniah once stated: “No nation is free of chauvinistic, violent men, and no one should need to run from them. The ‘system’ should deal with them, and if the system can't, change it.”




Days earlier at another event, the great Nigerian playwright and former Nobel Laureate, Wole Soyinka, also called for an end to the global inequality between men and women. With two prominent black male thinkers advocating equality for women, is it a sign that black men are becoming feminists?

The F-word is a scary one to many black men and some black women too. Feminism, fairly or unfairly, is seen as white, middle-class and a set of beliefs that pits men and women against each other. However, feminism is a broad church of ideologies and views.

But the basis of both radical and moderate views is a recognition that relationships between men and women need to change. Relationships between today’s young men and young women certainly need to.




Zephaniah’s public declaration of healing was as powerful as R&B singer Chris Brown’s decline after he was found guilty of assaulting his then girlfriend Rihanna. Both men were victims themselves when, as children, they watched their mothers being beaten and as men both reproduced what they saw as children. But while Zephaniah was able to privately heal through a mixture of introspection and positive self-criticism, Chris Brown’s public exposure led his agents to do what they had to: protect the brand, rather than the man.

In this digital age of Twitter, putting up a front is a luxury celebrities can no longer afford. In March, we saw how Chris Brown flew into a rage, ripping his shirt and trashing his dressing room, after an interviewer pressed him about the incident. You do not need to be a regular Bossip reader to guess that underneath the tattoos, there is a broken boy who has not exorcised his demons.

Chris Brown needs to unlearn his understanding of how men and women relate to each other. It would have been impossible for him to do this when the two contrasting public reactions to his violation - those who began a public witchhunt against him and those that blamed Rihanna – were both wrong. Neither response allows for the road to Damascus moment that Benjamin experienced. The latter marginalised him, and the former excused his accountability.





[Full article here]







[video from here]





[Mama - Hugh Masekela]

I wrote this song in 1995 when my wife had assured me that after five years of her refusing to come back to live in South Africa with me, she was finally leaving New York City, packing up her goods, zipping up her boots and coming home to her roots where I was waiting for her. However she told me otherwise when we met in Paris in July of that year. My addiction to alcohol and drugs was beginning to peak and one night after I returned from France, I got very zonked at the piano, feeling very sorry for myself and this song was sent to me. We recorded it the following year on the "Notes of Life" album when I was beginning to hit rock bottom. A year later, I went to England for recovery and I am so glad I did, because I am now enjoying my third year of sobriety after 44 years of addiction. Needless to say, my wife never came back; we finally said goodbye at the end of 1997. This song is a sad reminder of my most irresponsible years and down time. I will never wish anything like that on anybody, especially myself.

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Desculpe Senhora Ministra, mas... [Actualizado]*







*FINALMENTE... perante isto, OS PARABENS SAO DEVIDOS!






[Perante isto, os parabens ficam adiados... embora com alguma esperanca em face disto.]





Lei contra a violência doméstica foi aprovada

A proposta de lei contra a violência doméstica mereceu, ontem, a primeira
aprovação dos deputados, durante a discussão e aprovação do documento na generalidade.

O projecto de diploma, que se enquadra no programa do Executivo que visa a harmonização das famílias e o combate à violência doméstica, foi aprovado por unanimidade. Os 159 deputados presentes na sala votaram a favor. O documento aguarda, agora, pela discussão e aprovação pelos deputados na especialidade.

Com a proposta, o Ministério da Família e Promoção da Mulher, a quem coube, em nome do Executivo, a iniciativa legislativa, pretende dar maior celeridade processual no tratamento de situações de violência doméstica. O documento, composto por 45 artigos subdivididos em seis capítulos, visa também colmatar a inexistência no Código Penal da punição de crimes específicos como é o da violência doméstica.

Durante a apresentação do projecto de lei, a ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, lembrou que o combate à violência doméstica tem estado nas preocupações do Executivo, particularmente do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, tendo apelado aos parlamentares que aprovassem a lei.

Com este diploma, disse, pretendemos adequar no sistema jurídico, de forma clara e específica, os vários instrumentos nacionais, regionais e internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, a Declaração de Viena e o Programa de Acção da III Conferência Mundial sobre os Direitos Humanos de 1993, a Plataforma de Acção de Pequim da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, de 1995, e a Declaração dos Chefes de Estado ou de Governos da SADC sobre o Género e Desenvolvimento, de 1997.

Acrescenta-se ainda a estes instrumentos jurídicos a Declaração sobre a Prevenção e Erradicação da Violência contra a Mulher e a Criança em aditamento à Declaração sobre Género e Desenvolvimento, de 1998, a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, de 1979, e o Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento de 2008.

[Aqui]


...Depois disto, so' tenho a dar-lhe os PARABENS!

Post Relacionado:

Dividendos dos "Afectos"



ADENDA


DESCULPE SENHOR BISPO...


O Bispo de Menongue diz que, na sua diocese, a Família está doente.
Dom Mário Lukunde lamenta o reduzido número de fiéis que celebram o Matrimónio na Igreja, além de famílias cujos esposos não frequentam a Igreja por estarem separados.
“A nossa família também anda doente. É muito difícil ver na igreja casal ou família: pai, mãe e filho. Praticamente a gente só vê a mãe e os filhos, os maridos não aparecem” – disse.
“Muitos casais estão separados, muitas mulheres foram deixadas com os filhos. Então quando se fala de família é a mulher com as crianças – acrescentou.
O prelado fala também em crise de casamentos na região.
“Também há uma crise de celebração de matrimónio, não existe, sobretudo os jovens. Queremos ver se através de casais activos conseguimos pescar os outros, ajuda-los a levar uma verdadeira vida de casado” – frisou.
A diocese de Menongue tem na implementação do catecumenato em toda a província do Kuando Kubango como principal projecto para 2011.
“Estamos a celebrar o congresso dos catequistas, esta celebração vai ter várias etapas, o que tínhamos para o ano 2000 era a implementação do catecumenato” – referiu ainda.
“Devemos passar pelas comunidades a explicar as fases do catecumenato e as acções que têm que ser realizadas. Vamos atacar isso já no primeiro mês de 2011” – acrescentou.

[Aqui]


MAS...

... Ja' lhe ocorreu que nem todas as familias angolanas sao verdadeiramente catolicas, mesmo depois de terem cumprido o "catecumenato" e de se terem casado oficial e monogamicamente pela Igreja Catolica?

... Que talvez algumas delas estivessem "mais unidas" e "menos doentes" se lhes fosse permitido pela sociedade pontificada pela Igreja Catolica guiar as suas condutas privadas e vidas sociais de acordo com as normas e padroes das suas culturas ancestrais, ou, mui pragmaticamente numa "sociedade doente" como a angolana, segundo as suas proprias opcoes filosoficas e etico-morais individuais e/ou familiares?

... Que o que mais tera' contribuido para a aparentemente completa erosao dos valores e principios que constituiam o cimento da secular uniao familiar foi a ideologia do regime com o qual a Igreja Catolica parece agora tentar (r)estabelecer uma especie de Concordata?

De qualquer modo, votos de Boa Sorte na sua missao de tentar "recolher as suas ovelhas negras de volta ao seu rebanho"!



[First posted 15/12/10]







*FINALMENTE... perante isto, OS PARABENS SAO DEVIDOS!






[Perante isto, os parabens ficam adiados... embora com alguma esperanca em face disto.]





Lei contra a violência doméstica foi aprovada

A proposta de lei contra a violência doméstica mereceu, ontem, a primeira
aprovação dos deputados, durante a discussão e aprovação do documento na generalidade.

O projecto de diploma, que se enquadra no programa do Executivo que visa a harmonização das famílias e o combate à violência doméstica, foi aprovado por unanimidade. Os 159 deputados presentes na sala votaram a favor. O documento aguarda, agora, pela discussão e aprovação pelos deputados na especialidade.

Com a proposta, o Ministério da Família e Promoção da Mulher, a quem coube, em nome do Executivo, a iniciativa legislativa, pretende dar maior celeridade processual no tratamento de situações de violência doméstica. O documento, composto por 45 artigos subdivididos em seis capítulos, visa também colmatar a inexistência no Código Penal da punição de crimes específicos como é o da violência doméstica.

Durante a apresentação do projecto de lei, a ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, lembrou que o combate à violência doméstica tem estado nas preocupações do Executivo, particularmente do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, tendo apelado aos parlamentares que aprovassem a lei.

Com este diploma, disse, pretendemos adequar no sistema jurídico, de forma clara e específica, os vários instrumentos nacionais, regionais e internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, a Declaração de Viena e o Programa de Acção da III Conferência Mundial sobre os Direitos Humanos de 1993, a Plataforma de Acção de Pequim da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, de 1995, e a Declaração dos Chefes de Estado ou de Governos da SADC sobre o Género e Desenvolvimento, de 1997.

Acrescenta-se ainda a estes instrumentos jurídicos a Declaração sobre a Prevenção e Erradicação da Violência contra a Mulher e a Criança em aditamento à Declaração sobre Género e Desenvolvimento, de 1998, a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, de 1979, e o Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento de 2008.

[Aqui]


...Depois disto, so' tenho a dar-lhe os PARABENS!

Post Relacionado:

Dividendos dos "Afectos"



ADENDA


DESCULPE SENHOR BISPO...


O Bispo de Menongue diz que, na sua diocese, a Família está doente.
Dom Mário Lukunde lamenta o reduzido número de fiéis que celebram o Matrimónio na Igreja, além de famílias cujos esposos não frequentam a Igreja por estarem separados.
“A nossa família também anda doente. É muito difícil ver na igreja casal ou família: pai, mãe e filho. Praticamente a gente só vê a mãe e os filhos, os maridos não aparecem” – disse.
“Muitos casais estão separados, muitas mulheres foram deixadas com os filhos. Então quando se fala de família é a mulher com as crianças – acrescentou.
O prelado fala também em crise de casamentos na região.
“Também há uma crise de celebração de matrimónio, não existe, sobretudo os jovens. Queremos ver se através de casais activos conseguimos pescar os outros, ajuda-los a levar uma verdadeira vida de casado” – frisou.
A diocese de Menongue tem na implementação do catecumenato em toda a província do Kuando Kubango como principal projecto para 2011.
“Estamos a celebrar o congresso dos catequistas, esta celebração vai ter várias etapas, o que tínhamos para o ano 2000 era a implementação do catecumenato” – referiu ainda.
“Devemos passar pelas comunidades a explicar as fases do catecumenato e as acções que têm que ser realizadas. Vamos atacar isso já no primeiro mês de 2011” – acrescentou.

[Aqui]


MAS...

... Ja' lhe ocorreu que nem todas as familias angolanas sao verdadeiramente catolicas, mesmo depois de terem cumprido o "catecumenato" e de se terem casado oficial e monogamicamente pela Igreja Catolica?

... Que talvez algumas delas estivessem "mais unidas" e "menos doentes" se lhes fosse permitido pela sociedade pontificada pela Igreja Catolica guiar as suas condutas privadas e vidas sociais de acordo com as normas e padroes das suas culturas ancestrais, ou, mui pragmaticamente numa "sociedade doente" como a angolana, segundo as suas proprias opcoes filosoficas e etico-morais individuais e/ou familiares?

... Que o que mais tera' contribuido para a aparentemente completa erosao dos valores e principios que constituiam o cimento da secular uniao familiar foi a ideologia do regime com o qual a Igreja Catolica parece agora tentar (r)estabelecer uma especie de Concordata?

De qualquer modo, votos de Boa Sorte na sua missao de tentar "recolher as suas ovelhas negras de volta ao seu rebanho"!



[First posted 15/12/10]

Friday, 17 June 2011

A Kika foi embora... [*]




... Foi juntar-se 'a Tia!

Deixou-me este 'ultimo adeus' ha' pouco mais de uma semana:


From: Maria Emilia Ramos
To: ANA PAULA SANTANA
Sent: Tue, 7 June, 2011 23:27:20
Subject: RE: UM APELO A JUSTICA!

Querida primota!

Eu infelizmente continuo doente, um belo dia acordei com flu ou bronquite e pioram ainda mais o meu problema das dores cronicas que obtive com as crises que tive ao longo dos anos.

[...]

Um forte e grande abraco de tirar o folego e outro beijo pra ti tbem, logo depois d te recuperas do grande e forte abraco.

Kika Maria Emilia Faria Da Silva Ramos





[She was a Real Warrior! A True Marvel of Nature! She 'Kicked Ass'!...
Mbuta Muntu will take good care of her from now on...
]








*Raising Sickle Cell Anaemia Awareness


A Kika sofria de anemia de celulas falciformes. Era dessa doenca genetica (que tambem me afecta, embora de forma menos grave - enquanto a da Kika era do tipo SS, a minha e' apenas do tipo AS) que originava o problema das dores cronicas resultantes das crises que teve ao longo dos anos que ela mencionava na sua mensagem acima.
A principal razao que me leva a considera-la uma verdadeira warrior foi a forma estoica como ela sempre enfrentou a sua condicao de saude ate ao fim.
Ao amor, dedicacao e cuidados dos pais dela - que, tendo perdido o seu primeiro filho rapaz nos primeiros meses de vida devido aquela doenca, foram capazes de literalmente 'correr mundo', para tanto viajando com ela, desde que nasceu (tao pequenina, minuscula mesmo, que o primeiro nome que os pais lhe comecaram a chamar foi "Mosquit(a)o", de onde mais tarde derivaria o diminutivo "Kika"), para varios paises, em busca dos melhores especialistas e tratamentos e, se possivel, da cura definitiva (que, infelizmente, ainda nao existe) - ficou a dever-se em grande medida a sua sobrevivencia por pouco mais de quatro decadas, quando a sua expectativa de vida sempre foi tida como bastante mais reduzida.
Mas, tambem em boa parte gracas ao seu estoicismo, amor a vida e joie de vivre, a Kika conseguiu ate’ sobreviver aos seus infelizmente malogrados pais.




Ela foi-se embora nas vesperas da observacao do Dia Mundial da Anemia Falciforme, 19 de Junho, data escolhida pelas Nacoes Unidas para chamar a atencao (raise awareness) para essa doenca que, em 2008, declarou um problema de Saude Publica prioritario em varios paises, incluindo Angola.

A Kika deixou na parede do seu quarto um poster sobre as actividades do Sickle Cell Awareness Month 2011.



Em nome da familia, e especialmente da falecida Tia Celeste, gostaria de expressar aqui a profunda gratidao e apreco a todos os amigos e profissionais que acompanharam e ajudaram a minorar o sofrimento da Kika (e da sua irma mais nova, Ginga Luia, que lhe sobrevive) em varias fases da sua vida, dentre os quais destacaria, em Angola, o Dr. Bernardino.




... Foi juntar-se 'a Tia!

Deixou-me este 'ultimo adeus' ha' pouco mais de uma semana:


From: Maria Emilia Ramos
To: ANA PAULA SANTANA
Sent: Tue, 7 June, 2011 23:27:20
Subject: RE: UM APELO A JUSTICA!

Querida primota!

Eu infelizmente continuo doente, um belo dia acordei com flu ou bronquite e pioram ainda mais o meu problema das dores cronicas que obtive com as crises que tive ao longo dos anos.

[...]

Um forte e grande abraco de tirar o folego e outro beijo pra ti tbem, logo depois d te recuperas do grande e forte abraco.

Kika Maria Emilia Faria Da Silva Ramos





[She was a Real Warrior! A True Marvel of Nature! She 'Kicked Ass'!...
Mbuta Muntu will take good care of her from now on...
]








*Raising Sickle Cell Anaemia Awareness


A Kika sofria de anemia de celulas falciformes. Era dessa doenca genetica (que tambem me afecta, embora de forma menos grave - enquanto a da Kika era do tipo SS, a minha e' apenas do tipo AS) que originava o problema das dores cronicas resultantes das crises que teve ao longo dos anos que ela mencionava na sua mensagem acima.
A principal razao que me leva a considera-la uma verdadeira warrior foi a forma estoica como ela sempre enfrentou a sua condicao de saude ate ao fim.
Ao amor, dedicacao e cuidados dos pais dela - que, tendo perdido o seu primeiro filho rapaz nos primeiros meses de vida devido aquela doenca, foram capazes de literalmente 'correr mundo', para tanto viajando com ela, desde que nasceu (tao pequenina, minuscula mesmo, que o primeiro nome que os pais lhe comecaram a chamar foi "Mosquit(a)o", de onde mais tarde derivaria o diminutivo "Kika"), para varios paises, em busca dos melhores especialistas e tratamentos e, se possivel, da cura definitiva (que, infelizmente, ainda nao existe) - ficou a dever-se em grande medida a sua sobrevivencia por pouco mais de quatro decadas, quando a sua expectativa de vida sempre foi tida como bastante mais reduzida.
Mas, tambem em boa parte gracas ao seu estoicismo, amor a vida e joie de vivre, a Kika conseguiu ate’ sobreviver aos seus infelizmente malogrados pais.




Ela foi-se embora nas vesperas da observacao do Dia Mundial da Anemia Falciforme, 19 de Junho, data escolhida pelas Nacoes Unidas para chamar a atencao (raise awareness) para essa doenca que, em 2008, declarou um problema de Saude Publica prioritario em varios paises, incluindo Angola.

A Kika deixou na parede do seu quarto um poster sobre as actividades do Sickle Cell Awareness Month 2011.



Em nome da familia, e especialmente da falecida Tia Celeste, gostaria de expressar aqui a profunda gratidao e apreco a todos os amigos e profissionais que acompanharam e ajudaram a minorar o sofrimento da Kika (e da sua irma mais nova, Ginga Luia, que lhe sobrevive) em varias fases da sua vida, dentre os quais destacaria, em Angola, o Dr. Bernardino.