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Thursday, 1 December 2011

Familia, familia... Para que te quero?! (actualizado)



"Os Ceita, uma família em ascenção"



"Com a nomeação de mais um Ceita, desta feita para PCA do BCI, esta família já é, claramente, o novo caso de ascenção/sucesso na vida público-institucional angolana. Depois da EPAL (águas), ENANA (aeroportos) e Instituto Nacional de Estatística (INE), a mais recente nomeação chamou a nossa atenção e deu origem a este apontamento mais "intimo". Afinal de contas a família é a base de qualquer sociedade."
[aqui]

OU

"Camarao que dorme a onda leva!"...

"As trapalhadas que atormentam a gestão da EPAL, uma empresa deficitária, levaram, finalmente, a ministra da Energia e Águas,Emanuela Vieira Lopes, a tomar pela primeira vez uma decisão acertada: mandou repôr os salários dos administradores daquela empresa depois do seu Presidente ter decidido atribuir para si um ordenado na ordem dos 30 mil dólares mensais! Depois de sucessivas denúncias da comissão sindical sobre a fraudulência da sua gestão, que passa pela inclusão de familiares na folha de salários, não há dúvida de que, desta forma, não poderá haver “água para todos”. Um caso para o Tribunal de Contas averiguar."
[in Novo Jornal, edicao no. 201]

... A propostio destas duas versoes desta historia de fulgurante "sucesso familiar" numa sociedade tipo 'Nova Angola' em que, cada vez mais, o nepotismo, o amiguismo, o favoritismo, o cabritismo, o clientelismo, o trafico de influencias e a patronagem ditam as regras da "ascensao social", ocorreu-me revisitar o ultimo relatorio do Forum Economico Mundial aqui recentemente abordado, relativamente a competitividade da economia angolana.

Dele elaborei o grafico abaixo, que revela que Angola regista as piores classificacoes (a excepcao da "confianca do publico nas instituicoes", em que se situa ligeiramente acima do Zimbabwe e da Africa do Sul) comparativamente a outros paises da regiao (aqui usei como sample para a comparacao o Botswana, Mocambique, Africa do Sul e Zimbabwe, mas resultados similares se poderiam obter se se usasem outros paises) para indicadores como:

- Etica e corrupcao
- Desvio de fundos publicos
- Confianca do publico nas instituicoes
- Pagamentos irregulares e "gazoza"
- Favoritismo nas decisoes de oficiais governamentais
- Etica Corporativa
- Responsabilizacao



Enfim ... Um caso para "quem" averiguar?...




ADENDA



Bom... com o anuncio hoje (02/12/11) da exoneracao pelo Presidente da Republica da Ministra da Energia e Aguas, Emanuela Vieira Lopes, tudo leva a crer que “alguem” deve ter “investigado alguma coisa” (… uma vez que os gritos de “bradar aos ceus” contra a ma’ prestacao dos sectores de agua e electricidade sob a tutela do seu ministerio por parte do povo – incluindo, ao que julgo saber por alguns ‘ecos da imprensa angolana’, entre viagens em primeira classe, tournees por Luanda em carros top de gama com 'sapadores' a abrir caminho e conto(a)s de dinheiro a rodos, por pelo menos um membro da familia Ceita… – ha’ muito se fazem ouvir, mas nao pareciam conduzir a nenhuma “luz no fundo do tunel”…) e a sua “primeira decisao acertada” tera’ chegado tarde demais!...

Enfim, triste “fim” para a “historia de sucesso” de uma ministra que no inicio do seu mandato ficou notoria por afirmar algo como “se nao fosse o Presidente da Republica nos nao teriamos a capacidade energetica que temos hoje”!...

[Novo logo da EDEL - "Empresa de Distribuição de Escuridão de Luanda"]


Triste tambem para a politica de “quotas” na luta pela paridade do genero nos orgaos de decisao… E, a este proposito, volto a esta historia e ao meu ja’ “antigo” comentario sobre essa questao, colocado aqui, do qual destaco a seguinte passagem:

"A questao da discriminacao positiva e’ precisamente uma daquelas em que frequentemente “a porca torce o rabo”. Num mundo ideal, isto e’, onde ha leis e politicas nao discriminatorias directa ou indirectamente contra as mulheres e onde elas sao efectivamente implementadas, a discriminacao positiva pode ser ate’ detrimental para a causa das mulheres, porque muitas vezes apenas para se cumprirem ‘quotas de participacao’ no mercado de trabalho ou na vida politica, da-se preferencia a mulheres apenas pela sua condicao feminina e nao pelas suas competencias ou potencialidades, em detrimento de homens mais qualificados e capazes. Quando isso acontece e a mulher escolhida depois ‘nao da conta do recado’ no exercicio das suas funcoes, cria-se nao so animosidade por parte dos homens e da sociedade (onde se destacam muitas vezes as outras mulheres…) mas prejudica-se tambem o proprio principio da discriminacao positiva, o que pode levar a que futuramente mulheres efectivamente mais competentes em determinadas areas e funcoes sejam preteridas em favor de homens tao ou menos competentes. Mas como o mundo nao e’ ideal, o trabalho de advocacia do genero e’ importante no sentido de se criar um quadro juridico-institucional efectivo e eficiente que torne a discriminacao positiva desnecessaria e que garanta que a seleccao seja sempre feita apenas com base na competencia e nao no sexo de cada individuo."

Seja como for, votos de boa sorte ao novo incumbente!


E, ja' agora, mais esta "achega":


in Novo Jornal, edicao #203





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Angola: When Increasing Wealth Doesn't Trickle Down

Sobre o Estado da Nacao

Comentando

SADC: Integrating the Poverty Reduction Dimension in Shared Watercourses Management

"...O Que Ficou por Dizer..."

"Preconceitos"

Falando de Geracoes



"Os Ceita, uma família em ascenção"



"Com a nomeação de mais um Ceita, desta feita para PCA do BCI, esta família já é, claramente, o novo caso de ascenção/sucesso na vida público-institucional angolana. Depois da EPAL (águas), ENANA (aeroportos) e Instituto Nacional de Estatística (INE), a mais recente nomeação chamou a nossa atenção e deu origem a este apontamento mais "intimo". Afinal de contas a família é a base de qualquer sociedade."
[aqui]

OU

"Camarao que dorme a onda leva!"...

"As trapalhadas que atormentam a gestão da EPAL, uma empresa deficitária, levaram, finalmente, a ministra da Energia e Águas,Emanuela Vieira Lopes, a tomar pela primeira vez uma decisão acertada: mandou repôr os salários dos administradores daquela empresa depois do seu Presidente ter decidido atribuir para si um ordenado na ordem dos 30 mil dólares mensais! Depois de sucessivas denúncias da comissão sindical sobre a fraudulência da sua gestão, que passa pela inclusão de familiares na folha de salários, não há dúvida de que, desta forma, não poderá haver “água para todos”. Um caso para o Tribunal de Contas averiguar."
[in Novo Jornal, edicao no. 201]

... A propostio destas duas versoes desta historia de fulgurante "sucesso familiar" numa sociedade tipo 'Nova Angola' em que, cada vez mais, o nepotismo, o amiguismo, o favoritismo, o cabritismo, o clientelismo, o trafico de influencias e a patronagem ditam as regras da "ascensao social", ocorreu-me revisitar o ultimo relatorio do Forum Economico Mundial aqui recentemente abordado, relativamente a competitividade da economia angolana.

Dele elaborei o grafico abaixo, que revela que Angola regista as piores classificacoes (a excepcao da "confianca do publico nas instituicoes", em que se situa ligeiramente acima do Zimbabwe e da Africa do Sul) comparativamente a outros paises da regiao (aqui usei como sample para a comparacao o Botswana, Mocambique, Africa do Sul e Zimbabwe, mas resultados similares se poderiam obter se se usasem outros paises) para indicadores como:

- Etica e corrupcao
- Desvio de fundos publicos
- Confianca do publico nas instituicoes
- Pagamentos irregulares e "gazoza"
- Favoritismo nas decisoes de oficiais governamentais
- Etica Corporativa
- Responsabilizacao



Enfim ... Um caso para "quem" averiguar?...




ADENDA



Bom... com o anuncio hoje (02/12/11) da exoneracao pelo Presidente da Republica da Ministra da Energia e Aguas, Emanuela Vieira Lopes, tudo leva a crer que “alguem” deve ter “investigado alguma coisa” (… uma vez que os gritos de “bradar aos ceus” contra a ma’ prestacao dos sectores de agua e electricidade sob a tutela do seu ministerio por parte do povo – incluindo, ao que julgo saber por alguns ‘ecos da imprensa angolana’, entre viagens em primeira classe, tournees por Luanda em carros top de gama com 'sapadores' a abrir caminho e conto(a)s de dinheiro a rodos, por pelo menos um membro da familia Ceita… – ha’ muito se fazem ouvir, mas nao pareciam conduzir a nenhuma “luz no fundo do tunel”…) e a sua “primeira decisao acertada” tera’ chegado tarde demais!...

Enfim, triste “fim” para a “historia de sucesso” de uma ministra que no inicio do seu mandato ficou notoria por afirmar algo como “se nao fosse o Presidente da Republica nos nao teriamos a capacidade energetica que temos hoje”!...

[Novo logo da EDEL - "Empresa de Distribuição de Escuridão de Luanda"]


Triste tambem para a politica de “quotas” na luta pela paridade do genero nos orgaos de decisao… E, a este proposito, volto a esta historia e ao meu ja’ “antigo” comentario sobre essa questao, colocado aqui, do qual destaco a seguinte passagem:

"A questao da discriminacao positiva e’ precisamente uma daquelas em que frequentemente “a porca torce o rabo”. Num mundo ideal, isto e’, onde ha leis e politicas nao discriminatorias directa ou indirectamente contra as mulheres e onde elas sao efectivamente implementadas, a discriminacao positiva pode ser ate’ detrimental para a causa das mulheres, porque muitas vezes apenas para se cumprirem ‘quotas de participacao’ no mercado de trabalho ou na vida politica, da-se preferencia a mulheres apenas pela sua condicao feminina e nao pelas suas competencias ou potencialidades, em detrimento de homens mais qualificados e capazes. Quando isso acontece e a mulher escolhida depois ‘nao da conta do recado’ no exercicio das suas funcoes, cria-se nao so animosidade por parte dos homens e da sociedade (onde se destacam muitas vezes as outras mulheres…) mas prejudica-se tambem o proprio principio da discriminacao positiva, o que pode levar a que futuramente mulheres efectivamente mais competentes em determinadas areas e funcoes sejam preteridas em favor de homens tao ou menos competentes. Mas como o mundo nao e’ ideal, o trabalho de advocacia do genero e’ importante no sentido de se criar um quadro juridico-institucional efectivo e eficiente que torne a discriminacao positiva desnecessaria e que garanta que a seleccao seja sempre feita apenas com base na competencia e nao no sexo de cada individuo."

Seja como for, votos de boa sorte ao novo incumbente!


E, ja' agora, mais esta "achega":


in Novo Jornal, edicao #203





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Sobre o Estado da Nacao

Comentando

SADC: Integrating the Poverty Reduction Dimension in Shared Watercourses Management

"...O Que Ficou por Dizer..."

"Preconceitos"

Falando de Geracoes

Wednesday, 7 September 2011

Angola: When Increasing Wealth Doesn't 'Trickle Down' [Anotado]* [R]**



**[Postado inicialmente a 11/07/11]

Repostado a proposito desta materia, que me fez recuar no tempo e revisitar mentalmente alguns "outros" editoriais do "Nosso Pravda" - dos tempos da "ditadura do proletariado", "da justica popular revolucionaria", do "temos que partir os dentes 'a pequena burguesia!" e dos "suicidios de classe", por exemplo...

Pelo caminho, encontrei esta noticia, onde se da' conta de como um dos executores de Che Guevara obteve recentemente o direito legal a uma bilionaria recompensa por ter visto o seu pai suicidar-se a mando de Che, alegadamente "apenas por ser rico", ou seja, por lhe ter negado "o direito a ser rico"...

E, ja' agora, pelo caminho tambem passei por este lugar, onde se conta "uma outra historia" sobre a vida e morte de Che Guevara...

que me desculpen los companeros romanticos mas sensibiles...


Posts relacionados:

De Paulo Lara: Um Testemunho para a Historia

Terra Queimada

Que estara' pasando en el galinero?





Extracts from an article ("Mine, all mine") recently appeared in
The Economist



After three decades in power, José Eduardo dos Santos is presiding over a resource boom. But too few Angolans are seeing the benefits


[…]

Since ending a 27-year civil war in 2002, Angola has become one of sub-Saharan Africa’s richest countries. Angolan mines are the fifth-largest source of diamonds worldwide. Its oil wells already produce 1.9m barrels a day; on present trends, it could overtake Nigeria to become Africa’s largest producer. It has huge agricultural potential. Roads and railways that were destroyed during the fighting have been rebuilt. New schools and hospitals have sprung up.

But Angola is also one of the world’s most unequal countries. (Its Gini coefficient—a measure of income distribution in which zero indicates perfect equality—is 0.55). Most of the benefits of the resource boom have gone to a fairly small elite that lives in an African version of St Tropez, with ritzy beach clubs inside walled enclaves. A crop of skyscrapers encircles a harbour decorated with sleek motorboats and a Ferretti yacht costing $5.5m.

The musseques, as the self-built settlements of the poor are called in Angola, used to start right behind Luanda’s white sandy beaches. Now they have been pushed inland, away from the most desirable spots. Land seizures have become an explosive political issue, as the capital’s hinterland fills up with the displaced. These people are given tin sheets to build shanty towns—but no compensation. Only 9% of Luanda’s population of 5m has running water, a lower share than during the civil war. Across Angola, half the population of 18m has virtually no access to health care. The country has one of the world’s highest rates of infant mortality, and the only known cases of urban polio.

The government says all the right things about the need to improve public services. It promises “water for all” and pledges to build “one million houses” (dubbed by critics “one million dollar houses”, since most of those it does build are unaffordable to all but the rich).

The government’s budget is about $40 billion, bigger than that of some European countries. But aid agencies are still the best hope for ordinary Angolans. In Kilamba Kiaxi, a suburb of Luanda, 1m people got their first taste of running water last year when Unicef set up a few dozen taps. Local officials had told residents they lacked the funds to pump water along existing pipes. In one case Unicef paid a $200,000 fee to the state water company to turn on a tap.

[…]

Critics complain that the government, a prickly but proud bunch of mainly former guerrillas, pays vast sums for white elephants intended to make it look good. It spent more than $1 billion on four stadiums for the Africa Cup of Nations, a football tournament. It also built an imposing stock exchange, though there is no bourse.

[…]

[*] The logic behind the kleptocratic system is complex. Having won the long civil war, members of the ruling People’s Movement for the Liberation of Angola (MPLA) feel they deserve a share of the spoils. José Eduardo dos Santos, the president for the past 31 years, has seemed happy to oblige them to ensure their loyalty. His own family has stakes in several companies. Though publicly in favour of private enterprise and foreign competition, Mr dos Santos is a former Marxist, trained in the Soviet Union, and remains something of a protectionist. He appears to see the many barriers to trade thrown up by his rent-seeking minions as a means of preventing multinationals from taking over. He has a finely honed instinct for preserving his power and a relatively low appetite for outright brutality—Vladimir Putin rather than Joseph Stalin.

Already sub-Saharan Africa’s second-longest-serving leader, Mr dos Santos has changed the constitution so that he can stay in office until 2022 without having to face a direct election again. The changes eliminate elections for the presidency; instead, the leader of the largest group in parliament automatically gets the job. But power is still concentrated in the president’s office. It controls all budgets and appoints judges, prosecutors, generals, state governors and election commissioners.

An uprising is unlikely, since memories of the civil war that killed 1.5m people are still fresh. But parliamentary polls in 2012, though probably rigged, will see more competition than last time, when the MPLA won over 80% of the vote. The president is already campaigning, having made his first state-of-the-nation address last October. Barring a vast drop in the oil price, which would threaten the patronage system, he will almost certainly win. Change may have to await the emergence of a post-war generation of leaders, free of old fears and prepared to challenge the man they call o pai grande, the great father.


[Full article here]





[*] Essa logica torna-se mais complexa ainda quando o poder politico (que aqui se confunde com o estado, ou nao estivessemos em presenca de um "partido-estado" no poder...) se julga e se comporta como "proprietario", nao so' do pais e de todos os seus recursos e riquezas, como tambem de "todo o mundo" que nasceu, cresceu ou viveu sob 'a sua bandeira' (embora se permita votar ao abandono absoluto o 'pioneiro' que pela primeira vez icou tal bandeira!...) , e muito particularmente dos "estudantes bolseiros" que, implicita e explicitamente, assume que "jamais teriam uma formacao media ou superior" nao fossem as suas (famigeradas porque discricionarias, discriminatorias, mal geridas, desencaminhadas, desviadas e, por entre doses de manipulacao, humilhacao e chantagem politica e emocional q.b., em muitos casos, pouco mais do que, a varios titulos, destrutivas!) "bolsas de estudo"... enquanto "os que ficaram" tudo fazem para os estigmatizar e discriminar relativamente a auto-proclamada e novo-enriquecida "prata da casa"!...

Uma logica que, claramente, nao ve o estado (e o partido politico que o detem/sustenta) como "pessoa de bem" para todos e nao apenas para alguns - os "da sua familia, compadrio, confianca, amizade, militancia e/ou conveniencia" - certamente nao para aquela/es que tiveram a veleidade e o "atrevimento politico" de se expressarem e manifestarem a favor da paz "quando nao deviam"!

Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"! Era desse processo que falava, ha' uns tempos, aqui...

Uma realidade, alias, que, curiosamente, foi tambem assinalada nesse tipo de processos de "construcao social" em Cuba, como aqui se pode constatar: "(...) Ferrer points out that this system was also designed to encourage the subservience, indebtedness and gratitude of former slaves to the rebel leaders. While it certainly had this effect, libertos also seized the revolutionary language of freedom, liberty, and justice to demand a more inclusive role in the anti-colonial struggle."

E tal logica torna-se ainda mais perversa e corrosiva (...criando assim as raizes e os tentaculos desse verdadeiro cancro que e' a corrupcao generalizada e institucionalizada - endemica, portanto...) quando e' interiorizada, operacionalizada, assumida e externalizada por segmentos da sociedade dos quais isso menos se esperaria, como jornalistas e afins, e ate' membros do clero num estado supostamente laico. Note-se, a este proposito, estas declaracoes do Conego Apolonio Graciano, em recente entrevista ao Semanario Angolense [edicao #424 de 09/07/11]:




«Já recebi sim. Mas, mostre-me alguém que nunca recebeu nada» [**]

SA - É verdade que o MPLA andou a distribuir milhões de dólares pelos bispos angolanos, sendo que alguns até têm exibido sinais de riqueza incomuns? O senhor já apanhou alguma coisa do regime?

CAG - Há muita mentira e calúnias contra os Bispos de Angola. Nunca imaginei que alguns angolanos seriam capazes de tamanha aberração caluniosa. Vê-se que o demónio está «nu» e feroz contra a Igreja Católica.

[...]

SA – Mas, já apanhou algo ou não?

CAG - O senhor jornalista pergunta-me se já apanhei alguma coisa do regime? Com a mesma naturalidade com que me pergunta também lhe respondo: Querendo ou não, todo o angolano, de uma forma directa ou indirecta, já beneficiou de alguma coisa dada pelo regime. Antes mesmo de ser padre, a minha formação secundária, alguns cursos profissionais, os passaportes que hoje exibo em toda parte do mundo como angolano, a viatura que me serve para atender diariamente aos meus fiéis, a casa onde os meus pais vivem e o mínimo que tenho para sobreviver e ter dignidade de homem e cidadão. Por quem havia de esperar para ter algo para sobreviver? Será que os deputados angolanos e os partidos políticos no país, nunca beneficiaram algo do regime? Passados 35 anos de independência por quem havíamos de esperar para ter dignidade de angolanos? Será que devíamos esperar pelo regresso do regime colonial ou de um outro partido? Quem está no poder, para além de exercer a sua vontade política, tem a obrigação de responder as necessidades, anseios e exigências do povo que o elege. Não é crime algum que um partido ofereça do que tem a quem achar conveniente. Conheço casos de pessoas particulares e até mesmo de jornalistas que receberam no passado e ainda recebem algo de partidos e não são nem comungam as ideias de tais partidos. Pergunto se é apenas crime quando se recebe algo do partido no poder e não quando se trata de um outro? Precisamos saber lidar com a vida política do país. A inveja, a intriga e o ódio não ajudam o desenvolvimento da pátria…

[SIC]


[**] Se me e' permitido, aqui esta' alguem que nunca "apanhou" e muito menos "recebeu" nada do regime... muito antes pelo contrario!





**[Postado inicialmente a 11/07/11]

Repostado a proposito
desta materia, que me fez recuar no tempo e revisitar mentalmente alguns "outros" editoriais do "Nosso Pravda" - dos tempos da "ditadura do proletariado", "da justica popular revolucionaria", do "temos que partir os dentes 'a pequena burguesia!" e dos "suicidios de classe", por exemplo...

Pelo caminho, encontrei esta noticia, onde se da' conta de como um dos executores de Che Guevara obteve recentemente o direito legal a uma bilionaria recompensa por ter visto o seu pai suicidar-se a mando de Che, alegadamente "apenas por ser rico", ou seja, por lhe ter negado "o direito a ser rico"...

E, ja' agora, pelo caminho tambem passei por este lugar, onde se conta "uma outra historia" sobre a vida e morte de Che Guevara...

que me desculpen los companeros romanticos mas sensibiles...


Posts relacionados:

De Paulo Lara: Um Testemunho para a Historia

Terra Queimada

Que estara' pasando en el galinero?





Extracts from an article ("Mine, all mine") recently appeared in
The Economist



After three decades in power, José Eduardo dos Santos is presiding over a resource boom. But too few Angolans are seeing the benefits


[…]

Since ending a 27-year civil war in 2002, Angola has become one of sub-Saharan Africa’s richest countries. Angolan mines are the fifth-largest source of diamonds worldwide. Its oil wells already produce 1.9m barrels a day; on present trends, it could overtake Nigeria to become Africa’s largest producer. It has huge agricultural potential. Roads and railways that were destroyed during the fighting have been rebuilt. New schools and hospitals have sprung up.

But Angola is also one of the world’s most unequal countries. (Its Gini coefficient—a measure of income distribution in which zero indicates perfect equality—is 0.55). Most of the benefits of the resource boom have gone to a fairly small elite that lives in an African version of St Tropez, with ritzy beach clubs inside walled enclaves. A crop of skyscrapers encircles a harbour decorated with sleek motorboats and a Ferretti yacht costing $5.5m.

The musseques, as the self-built settlements of the poor are called in Angola, used to start right behind Luanda’s white sandy beaches. Now they have been pushed inland, away from the most desirable spots. Land seizures have become an explosive political issue, as the capital’s hinterland fills up with the displaced. These people are given tin sheets to build shanty towns—but no compensation. Only 9% of Luanda’s population of 5m has running water, a lower share than during the civil war. Across Angola, half the population of 18m has virtually no access to health care. The country has one of the world’s highest rates of infant mortality, and the only known cases of urban polio.

The government says all the right things about the need to improve public services. It promises “water for all” and pledges to build “one million houses” (dubbed by critics “one million dollar houses”, since most of those it does build are unaffordable to all but the rich).

The government’s budget is about $40 billion, bigger than that of some European countries. But aid agencies are still the best hope for ordinary Angolans. In Kilamba Kiaxi, a suburb of Luanda, 1m people got their first taste of running water last year when Unicef set up a few dozen taps. Local officials had told residents they lacked the funds to pump water along existing pipes. In one case Unicef paid a $200,000 fee to the state water company to turn on a tap.

[…]

Critics complain that the government, a prickly but proud bunch of mainly former guerrillas, pays vast sums for white elephants intended to make it look good. It spent more than $1 billion on four stadiums for the Africa Cup of Nations, a football tournament. It also built an imposing stock exchange, though there is no bourse.

[…]

[*] The logic behind the kleptocratic system is complex. Having won the long civil war, members of the ruling People’s Movement for the Liberation of Angola (MPLA) feel they deserve a share of the spoils. José Eduardo dos Santos, the president for the past 31 years, has seemed happy to oblige them to ensure their loyalty. His own family has stakes in several companies. Though publicly in favour of private enterprise and foreign competition, Mr dos Santos is a former Marxist, trained in the Soviet Union, and remains something of a protectionist. He appears to see the many barriers to trade thrown up by his rent-seeking minions as a means of preventing multinationals from taking over. He has a finely honed instinct for preserving his power and a relatively low appetite for outright brutality—Vladimir Putin rather than Joseph Stalin.

Already sub-Saharan Africa’s second-longest-serving leader, Mr dos Santos has changed the constitution so that he can stay in office until 2022 without having to face a direct election again. The changes eliminate elections for the presidency; instead, the leader of the largest group in parliament automatically gets the job. But power is still concentrated in the president’s office. It controls all budgets and appoints judges, prosecutors, generals, state governors and election commissioners.

An uprising is unlikely, since memories of the civil war that killed 1.5m people are still fresh. But parliamentary polls in 2012, though probably rigged, will see more competition than last time, when the MPLA won over 80% of the vote. The president is already campaigning, having made his first state-of-the-nation address last October. Barring a vast drop in the oil price, which would threaten the patronage system, he will almost certainly win. Change may have to await the emergence of a post-war generation of leaders, free of old fears and prepared to challenge the man they call o pai grande, the great father.


[Full article here]





[*] Essa logica torna-se mais complexa ainda quando o poder politico (que aqui se confunde com o estado, ou nao estivessemos em presenca de um "partido-estado" no poder...) se julga e se comporta como "proprietario", nao so' do pais e de todos os seus recursos e riquezas, como tambem de "todo o mundo" que nasceu, cresceu ou viveu sob 'a sua bandeira' (embora se permita votar ao abandono absoluto o 'pioneiro' que pela primeira vez icou tal bandeira!...) , e muito particularmente dos "estudantes bolseiros" que, implicita e explicitamente, assume que "jamais teriam uma formacao media ou superior" nao fossem as suas (famigeradas porque discricionarias, discriminatorias, mal geridas, desencaminhadas, desviadas e, por entre doses de manipulacao, humilhacao e chantagem politica e emocional q.b., em muitos casos, pouco mais do que, a varios titulos, destrutivas!) "bolsas de estudo"... enquanto "os que ficaram" tudo fazem para os estigmatizar e discriminar relativamente a auto-proclamada e novo-enriquecida "prata da casa"!...

Uma logica que, claramente, nao ve o estado (e o partido politico que o detem/sustenta) como "pessoa de bem" para todos e nao apenas para alguns - os "da sua familia, compadrio, confianca, amizade, militancia e/ou conveniencia" - certamente nao para aquela/es que tiveram a veleidade e o "atrevimento politico" de se expressarem e manifestarem a favor da paz "quando nao deviam"!

Assim, porque o poder politico (repitamo-lo: neste caso, o estado) nao e', nem pode ser, "pai grande" para "todo o mundo", os "minions patrioteiros" que "chupam" abundantemente da sua mesa, sacos azuis, envelopes castanhos, cabazes e pactos de regime passam a criar tambem os seus proprios "sub-sistemas de patronagem", tentando a todo o custo grangear "prestigio pessoal" perante a sociedade forjando "a golpes de (Aka)martelo" relacoes manipulativas de subserviencia e dependencia material, financeira e psicologica com os "filhos ilegitimos da patria", i.e. aqueles que o estado, por razoes politicas e afins, faz questao de marginalizar e penalizar (... chegando para tanto a negar-lhes passaportes nacionais, a cercear-lhes/ sabotar-lhes oportunidades academicas e profissionais por si duramente conquistadas, a arruinar-lhes a reputacao, destruir-lhes a personalidade, assassinar-lhes o caracter e a depriva-los dos seus bens e haveres, nomeadamente casas, e da sua mais elementar dignidade humana, transformando-os assim em autenticos mendigos indigentes, enquanto lhes atiram a cara, ainda que falsamente e mesmo que o contrario seja efectivamente o verdadeiro, que "debicaram no seu prato"!), fazendo-os depois "pagar ad-eternum com juros hiper-inflacionados em mercado aberto na praca publica a hipoteca da amizade e familia manipuladas pelo contexto"! Era desse processo que falava, ha' uns tempos, aqui...

Uma realidade, alias, que, curiosamente, foi tambem assinalada nesse tipo de processos de "construcao social" em Cuba, como aqui se pode constatar: "(...) Ferrer points out that this system was also designed to encourage the subservience, indebtedness and gratitude of former slaves to the rebel leaders. While it certainly had this effect, libertos also seized the revolutionary language of freedom, liberty, and justice to demand a more inclusive role in the anti-colonial struggle."

E tal logica torna-se ainda mais perversa e corrosiva (...criando assim as raizes e os tentaculos desse verdadeiro cancro que e' a corrupcao generalizada e institucionalizada - endemica, portanto...) quando e' interiorizada, operacionalizada, assumida e externalizada por segmentos da sociedade dos quais isso menos se esperaria, como jornalistas e afins, e ate' membros do clero num estado supostamente laico. Note-se, a este proposito, estas declaracoes do Conego Apolonio Graciano, em recente entrevista ao Semanario Angolense [edicao #424 de 09/07/11]:




«Já recebi sim. Mas, mostre-me alguém que nunca recebeu nada» [**]

SA - É verdade que o MPLA andou a distribuir milhões de dólares pelos bispos angolanos, sendo que alguns até têm exibido sinais de riqueza incomuns? O senhor já apanhou alguma coisa do regime?

CAG - Há muita mentira e calúnias contra os Bispos de Angola. Nunca imaginei que alguns angolanos seriam capazes de tamanha aberração caluniosa. Vê-se que o demónio está «nu» e feroz contra a Igreja Católica.

[...]

SA – Mas, já apanhou algo ou não?

CAG - O senhor jornalista pergunta-me se já apanhei alguma coisa do regime? Com a mesma naturalidade com que me pergunta também lhe respondo: Querendo ou não, todo o angolano, de uma forma directa ou indirecta, já beneficiou de alguma coisa dada pelo regime. Antes mesmo de ser padre, a minha formação secundária, alguns cursos profissionais, os passaportes que hoje exibo em toda parte do mundo como angolano, a viatura que me serve para atender diariamente aos meus fiéis, a casa onde os meus pais vivem e o mínimo que tenho para sobreviver e ter dignidade de homem e cidadão. Por quem havia de esperar para ter algo para sobreviver? Será que os deputados angolanos e os partidos políticos no país, nunca beneficiaram algo do regime? Passados 35 anos de independência por quem havíamos de esperar para ter dignidade de angolanos? Será que devíamos esperar pelo regresso do regime colonial ou de um outro partido? Quem está no poder, para além de exercer a sua vontade política, tem a obrigação de responder as necessidades, anseios e exigências do povo que o elege. Não é crime algum que um partido ofereça do que tem a quem achar conveniente. Conheço casos de pessoas particulares e até mesmo de jornalistas que receberam no passado e ainda recebem algo de partidos e não são nem comungam as ideias de tais partidos. Pergunto se é apenas crime quando se recebe algo do partido no poder e não quando se trata de um outro? Precisamos saber lidar com a vida política do país. A inveja, a intriga e o ódio não ajudam o desenvolvimento da pátria…

[SIC]


[**] Se me e' permitido, aqui esta' alguem que nunca "apanhou" e muito menos "recebeu" nada do regime... muito antes pelo contrario!



Friday, 12 March 2010

Caso BNA

Por tras da imponente fachada e por cima dos telhados de vidro, pairam por la' passaros de todas as latitudes fazendo seus ninhos...
Estes, no entanto, sao prob(i)os... e desprotegidos e nao ganham premios The Banker.
Por tras da imponente fachada e por cima dos telhados de vidro, pairam por la' passaros de todas as latitudes fazendo seus ninhos...
Estes, no entanto, sao prob(i)os... e desprotegidos e nao ganham premios The Banker.

Saturday, 13 February 2010

Rabelai, Rabelais, Rabelait...



Pensamento 'absurdo' (?):
Primeiro "peixe trungungueiro graudo"
a cair nas malhas da "tolerancia zero"?



... Ou "o quarto poder" (ou seria "o p(h)oder" no quarto? ou "o quarto de p(h)oder"?) com as tripas de fora!



[Forme a sua propria opiniao aqui , aqui e aqui]


[Votos de boa sorte a nova Ministra da Comunicacao Social, Carolina Cerqueira]


Pensamento 'absurdo' (?):
Primeiro "peixe trungungueiro graudo"
a cair nas malhas da "tolerancia zero"?



... Ou "o quarto poder" (ou seria "o p(h)oder" no quarto? ou "o quarto de p(h)oder"?) com as tripas de fora!



[Forme a sua propria opiniao aqui , aqui e aqui]


[Votos de boa sorte a nova Ministra da Comunicacao Social, Carolina Cerqueira]

Friday, 5 February 2010

Theft By False Accounting

(It's not 'exclusive to Africa'...)



Three Labour MPs and a Tory Peer face charges of false accounting and dishonesty under the Theft Act, in the fallout from the expenses scandal.
Director of public prosecutions Keir Starmer announced prosecutions were being brought against former Environment and Fisheries minister Elliot Morley, David Chaytor, Jim Devine and Lord Hanningfield.
The charges follow the damning report on MPs' expenses by Commons auditor Sir Thomas Legg, who condemned the system of support for MPs requiring a second home in London which he protested was flawed by lack of audit, self certification by "sovereign" MPs and Commons Fees Office officials who frequently felt it was their job to help MPs rather than police the system.
Files on the six were passed first to the police and then to the Crown Prosecution Service and were excluded from the scope of Legg's enquiries.
He revealed the defendants' lawyers had raised issues of parliamentary privilege which he said should be determined by the courts.
All three MPs are barred by Labour for standing for re-election representing the party.
Tory leader David Cameron has ordered the suspension of Hanningfield from his party in the Lords, where he has resigned as Opposition business spokesman.
The peer said he was "extremely disappointed" to have been charged and claimed he had acted in good faith.
A statement issued by the three MPs said they "totally refute" the charges.

[More here]

(... What seems to be exclusive to Africa, though, is the widespread lack of accountability and corresponding punishment - what some call "zero tolerance" - both at party and government levels, for all sorts of thieves of public funds!)

(It's not 'exclusive to Africa'...)



Three Labour MPs and a Tory Peer face charges of false accounting and dishonesty under the Theft Act, in the fallout from the expenses scandal.
Director of public prosecutions Keir Starmer announced prosecutions were being brought against former Environment and Fisheries minister Elliot Morley, David Chaytor, Jim Devine and Lord Hanningfield.
The charges follow the damning report on MPs' expenses by Commons auditor Sir Thomas Legg, who condemned the system of support for MPs requiring a second home in London which he protested was flawed by lack of audit, self certification by "sovereign" MPs and Commons Fees Office officials who frequently felt it was their job to help MPs rather than police the system.
Files on the six were passed first to the police and then to the Crown Prosecution Service and were excluded from the scope of Legg's enquiries.
He revealed the defendants' lawyers had raised issues of parliamentary privilege which he said should be determined by the courts.
All three MPs are barred by Labour for standing for re-election representing the party.
Tory leader David Cameron has ordered the suspension of Hanningfield from his party in the Lords, where he has resigned as Opposition business spokesman.
The peer said he was "extremely disappointed" to have been charged and claimed he had acted in good faith.
A statement issued by the three MPs said they "totally refute" the charges.

[More here]

(... What seems to be exclusive to Africa, though, is the widespread lack of accountability and corresponding punishment - what some call "zero tolerance" - both at party and government levels, for all sorts of thieves of public funds!)

Thursday, 20 September 2007

PILHAGEM DAS COLONIAS*


Os historiadores habituaram-se a passar ao lado de um argumento que, por parecer razoável, se impôs como um critério de reconstrução da realidade sobre o que foi a acção do império colonial português. Tal argumento, já repetido em várias ocasiões e mais recentemente por Vasco Pulido Valente, sustenta ser grosseiro considerar o colonialismo uma empresa de rapina, porque para haver pilhagem era necessário haver riqueza e esta simplesmente não existiu nas colónias. Como toda a linguagem, este argumento traduz talvez o ponto de vista de uma boa parte dos estudiosos portugueses, mas não o olhar dos
historiadores africanos. Para estes, e para mim em particular, a pilhagem foi uma realidade inquestionável. Ela aconteceu não de forma episódica e sim como um fenómeno sistémico que atravessou todos os períodos do processo colonial.
(...)
A partir de 1820, esta situação descambou de todo. Os governadores mal chegavam ao seu destino caíam adormentados nos braços dos negociantes locais. Tornavam-se acessíveis a todo o tipo de ofertas e até navios aceitavam, contanto que fechassem os olhos a negociatas de vulto. (…) Quer a administração da Alfândega, quer a Fazenda Pública jaziam então no maior aviltamento e desmoralização de costumes, ao arbítrio de um sem-número de infracções. Entre os seus prevaricadores contava-se o próprio governador, bandeado com um grupo de altos funcionários [europeus e nativos], todos venais e integrantes do seu círculo mais reservado.
(...)
Os domínios ultramarinos efectivamente achavam-se desamparados, vergados à “estupidez atrevida” [conforme expressão de Meneses] de quem dirigia o pelouro dos negócios ultramarinos. E outrossim ao arbítrio de “funcionários mesquinhos, ávidos e insaciáveis”. O permanente descontrolo financeiro e administrativo resultante da má-gestão, delapidação de dinheiros e descaminho das receitas do Estado acabou por fazer desperdiçar todas as riquezas por influência da política nefasta de Lisboa, controlada por grupos ineptos e corruptos.
(...)
Inútil. Ninguém lhe deu ouvidos. Era mais fácil esbanjar o Tesouro e logo a seguir recorrer aos empréstimos do Banco Rothschild, de Londres. A cupidez e o “imbecil amolecimento de cérebros”, na luminosa observação de Ramalho Ortigão, marcavam a cadência no Portugal libertino do século XIX.

(Ler artigo completo AQUI)


*Artigo publicado pelo Historiador Angolano Carlos Pacheco no Jornal Publico - Lisboa, 08/01/07
N.B.: Para uma analise comparativa das ideias e factos aqui expressos, conviria ler tambem ESTE outro artigo.

Os historiadores habituaram-se a passar ao lado de um argumento que, por parecer razoável, se impôs como um critério de reconstrução da realidade sobre o que foi a acção do império colonial português. Tal argumento, já repetido em várias ocasiões e mais recentemente por Vasco Pulido Valente, sustenta ser grosseiro considerar o colonialismo uma empresa de rapina, porque para haver pilhagem era necessário haver riqueza e esta simplesmente não existiu nas colónias. Como toda a linguagem, este argumento traduz talvez o ponto de vista de uma boa parte dos estudiosos portugueses, mas não o olhar dos
historiadores africanos. Para estes, e para mim em particular, a pilhagem foi uma realidade inquestionável. Ela aconteceu não de forma episódica e sim como um fenómeno sistémico que atravessou todos os períodos do processo colonial.
(...)
A partir de 1820, esta situação descambou de todo. Os governadores mal chegavam ao seu destino caíam adormentados nos braços dos negociantes locais. Tornavam-se acessíveis a todo o tipo de ofertas e até navios aceitavam, contanto que fechassem os olhos a negociatas de vulto. (…) Quer a administração da Alfândega, quer a Fazenda Pública jaziam então no maior aviltamento e desmoralização de costumes, ao arbítrio de um sem-número de infracções. Entre os seus prevaricadores contava-se o próprio governador, bandeado com um grupo de altos funcionários [europeus e nativos], todos venais e integrantes do seu círculo mais reservado.
(...)
Os domínios ultramarinos efectivamente achavam-se desamparados, vergados à “estupidez atrevida” [conforme expressão de Meneses] de quem dirigia o pelouro dos negócios ultramarinos. E outrossim ao arbítrio de “funcionários mesquinhos, ávidos e insaciáveis”. O permanente descontrolo financeiro e administrativo resultante da má-gestão, delapidação de dinheiros e descaminho das receitas do Estado acabou por fazer desperdiçar todas as riquezas por influência da política nefasta de Lisboa, controlada por grupos ineptos e corruptos.
(...)
Inútil. Ninguém lhe deu ouvidos. Era mais fácil esbanjar o Tesouro e logo a seguir recorrer aos empréstimos do Banco Rothschild, de Londres. A cupidez e o “imbecil amolecimento de cérebros”, na luminosa observação de Ramalho Ortigão, marcavam a cadência no Portugal libertino do século XIX.

(Ler artigo completo
AQUI)


*Artigo publicado pelo Historiador Angolano Carlos Pacheco no Jornal Publico - Lisboa, 08/01/07
N.B.: Para uma analise comparativa das ideias e factos aqui expressos, conviria ler tambem ESTE outro artigo.