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Tuesday, 15 May 2012

“KUDURO, PATRIMÓNIO ANGOLANO PARA A ÁFRICA E O MUNDO”



Kuduru International Conference: 23-25 May, Luanda, Angola 

Comunicado de Imprensa 

A Comissão Organizadora da KIC – Kuduru International Conference dá a conhecer aos órgãos de comunicação social, às instituições nacionais e internacionais e ao público em geral, que tem lugar de 23 a 25 de Maio de 2012, no Nacional Cine-Teatro, em Luanda, o primeiro evento que reúne especialistas e investigadores nacionais e internacionais, para um debate científico sobre o Kuduro. Tem como tema: “KUDURO, PATRIMÓNIO ANGOLANO PARA A ÁFRICA E O MUNDO” e como slogan: “Conhecer para valorizar”. 

O objectivo é incentivar o estudo e a prática performativa do Kuduro, debruçando-se sobre a sua génese, criatividade e inovação, e possibilitar aos estudiosos e praticantes a troca de ideias, conhecimento e informação, em torno deste movimento artístico cultural surgido no início da década de 90. Já confirmaram a sua participação investigadores angolanos e da Alemanha, Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Portugal, França, Ghana e Brasil. Esta conferência internacional vai examinar como os avanços da tecnologia, cidadania global, transacções interculturais e empréstimos tiveram impacto sobre a génese e performance do Kuduro, através de soluções engenhosas baseadas na inovação e criatividade, a partir de diferentes vertentes. 

A abordagem académica é interdisciplinar, centrada em ângulos históricos, musicológicos, da ciência da dança, da linguística e da sociologia. Organizado em painéis temáticos, as comunicações abordarão diversas questões, destacandose as seguintes: História da música popular angolana; Origem e formação do Kuduro; O percurso histórico do Kuduro e contextualizações; A Anatomia de kuduro; Os processos sincréticos envolvidos em culturas musicais do kuduro; O kuduro e os discursos em torno de uma produção musical jovem periférica; O conceito de Karga na dança de kuduro; Música, Socialização e reprodução de identidades no kuduro; As estruturas do imaginário e o kuduro como texto cultural; Áreas de incidência semântica da linguagem da música kuduro; Reflexões à volta da grafia; O kuduro como meio de educação profissional; A internacionalização do kuduro; As danças e músicas urbanas dos jovens afro-descendentes na periferia de Lisboa; Autenticidade e Pedagogia do Kuduro; Kuduro e Lusofonia; Papel do “I Love Kuduro” na divulgação mundial do kuduro. 

Solicita-se a participação de todos, devendo os interessados efectuar a sua inscrição, a partir do dia 15 de Maio de 2012, na Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde. O projecto foi concebido e é organizado pelo Jornal Dos Negócios, Grupo-Editora Sons e Letras; pelo Centro de Estudos de Teatro da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e pela investigadora Stefanie Alisch, da Iwalewa-Haus, Museu de Arte Contemporânea e Popular Africana da Universidade de Bayreuth (Alemanha), que assume a responsabilidade da publicação das Actas da Conferência. A produção é da responsabilidade da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e da empresa Da Banda Entertainment S,A. Comissão Organizadora da KIC, em Luanda, aos 14 de Maio de 2012 Contactos: E-mail: conferenciasobrekuduro@hotmail.com / www.conferenciakuduro.blogspot.com Facebook: conferenciasobrekuduro 





Press Release 

Kuduro International Conference in Luanda 23rd-25th May 2012 Luanda

First Kuduro International Conference (KIC) to be held in Luanda 23 - 25 May 2012 at the historic Nacional Cine-Teatro. 

The first international academic gathering exclusively dedicated to the popular music genre kuduro joins Angolan and international protagonists and researchers of the genre for a scholarly debate under the guiding theme "KUDURO - ANGOLAN HERITAGE FOR AFRICA AND THE WORLD – Discover to appreciate“. 

KIC aims to encourage the investigation and practice of kuduro as well as reflections on its genesis and creative methods. The conference enables scholars and practitioners to exchange knowledge and analytical readings of this Angolan cultural movement that emerged in the early 1990s. Researchers from Angola, Australia, Brazil, France, Germany, Ghana, Portugal, the United Kingdom and the United States have confirmed their participation. 

KIC aims to examine how technological development, global citizenship and intercultural transactions have impacted the formation and ramifications of kuduro. Interdisciplinary in its approach, KIC brings together historical and musicological approaches, and perspectives from dance science, linguistics and sociology. The papers are organized into thematic panels and will discuss various issues, including the following: The History of Angolan popular music; The origin of Kuduro and its context; The Anatomy of kuduro; Syncretic processes of kuduro's musical cultures, Kuduro and the discourse around young people's musical production in the perifery; The concept of carga in kuduro dance; Music, socializing and playing identities in kuduro; Imaginary structures and kuduro as cultural text; Semantic implications of kuduro's language; Kuduru or Kuduro? Reflections on spelling; Kuduro as a means of professional education; The internationalization of kuduro; Dances and songs of young afro-descendants in the suburbs of Lisbon; Authenticity and pedagogy in Kuduro; Kuduro and the lusophone world; The role of "I Love Kuduro" in worldwide promotion of kuduro. 

Everyone interested in participating the conference is invited to register from May 15, 2012, in Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde. The project was conceived and organized by the Jornal dos Negócios, Grupo-Editora Sons e Letras; the Centro de Estudos de Teatro da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, and the musicologist Stefanie Alisch of Iwalewa-Haus, Museum of Contemporary African Art (University of Bayreuth, Germany), who will be responsible for the publication of the conference volume. The production is being taken care of by the Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde and the company Da Banda Entertainment S.A. Organizing Committee of KIC, in Luanda, 2012, 14 of May Contactos: E-mail: conferenciasobrekuduro@hotmail.com / www.conferenciakuduro.blogspot.com Facebook: conferenciasobrekuduro 




Kuduru International Conference: 23-25 May, Luanda, Angola 

Comunicado de Imprensa 

A Comissão Organizadora da KIC – Kuduru International Conference dá a conhecer aos órgãos de comunicação social, às instituições nacionais e internacionais e ao público em geral, que tem lugar de 23 a 25 de Maio de 2012, no Nacional Cine-Teatro, em Luanda, o primeiro evento que reúne especialistas e investigadores nacionais e internacionais, para um debate científico sobre o Kuduro. Tem como tema: “KUDURO, PATRIMÓNIO ANGOLANO PARA A ÁFRICA E O MUNDO” e como slogan: “Conhecer para valorizar”. 

O objectivo é incentivar o estudo e a prática performativa do Kuduro, debruçando-se sobre a sua génese, criatividade e inovação, e possibilitar aos estudiosos e praticantes a troca de ideias, conhecimento e informação, em torno deste movimento artístico cultural surgido no início da década de 90. Já confirmaram a sua participação investigadores angolanos e da Alemanha, Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Portugal, França, Ghana e Brasil. Esta conferência internacional vai examinar como os avanços da tecnologia, cidadania global, transacções interculturais e empréstimos tiveram impacto sobre a génese e performance do Kuduro, através de soluções engenhosas baseadas na inovação e criatividade, a partir de diferentes vertentes. 

A abordagem académica é interdisciplinar, centrada em ângulos históricos, musicológicos, da ciência da dança, da linguística e da sociologia. Organizado em painéis temáticos, as comunicações abordarão diversas questões, destacandose as seguintes: História da música popular angolana; Origem e formação do Kuduro; O percurso histórico do Kuduro e contextualizações; A Anatomia de kuduro; Os processos sincréticos envolvidos em culturas musicais do kuduro; O kuduro e os discursos em torno de uma produção musical jovem periférica; O conceito de Karga na dança de kuduro; Música, Socialização e reprodução de identidades no kuduro; As estruturas do imaginário e o kuduro como texto cultural; Áreas de incidência semântica da linguagem da música kuduro; Reflexões à volta da grafia; O kuduro como meio de educação profissional; A internacionalização do kuduro; As danças e músicas urbanas dos jovens afro-descendentes na periferia de Lisboa; Autenticidade e Pedagogia do Kuduro; Kuduro e Lusofonia; Papel do “I Love Kuduro” na divulgação mundial do kuduro. 

Solicita-se a participação de todos, devendo os interessados efectuar a sua inscrição, a partir do dia 15 de Maio de 2012, na Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde. O projecto foi concebido e é organizado pelo Jornal Dos Negócios, Grupo-Editora Sons e Letras; pelo Centro de Estudos de Teatro da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e pela investigadora Stefanie Alisch, da Iwalewa-Haus, Museu de Arte Contemporânea e Popular Africana da Universidade de Bayreuth (Alemanha), que assume a responsabilidade da publicação das Actas da Conferência. A produção é da responsabilidade da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e da empresa Da Banda Entertainment S,A. Comissão Organizadora da KIC, em Luanda, aos 14 de Maio de 2012 Contactos: E-mail: conferenciasobrekuduro@hotmail.com / www.conferenciakuduro.blogspot.com Facebook: conferenciasobrekuduro 





Press Release 

Kuduro International Conference in Luanda 23rd-25th May 2012 Luanda

First Kuduro International Conference (KIC) to be held in Luanda 23 - 25 May 2012 at the historic Nacional Cine-Teatro. 

The first international academic gathering exclusively dedicated to the popular music genre kuduro joins Angolan and international protagonists and researchers of the genre for a scholarly debate under the guiding theme "KUDURO - ANGOLAN HERITAGE FOR AFRICA AND THE WORLD – Discover to appreciate“. 

KIC aims to encourage the investigation and practice of kuduro as well as reflections on its genesis and creative methods. The conference enables scholars and practitioners to exchange knowledge and analytical readings of this Angolan cultural movement that emerged in the early 1990s. Researchers from Angola, Australia, Brazil, France, Germany, Ghana, Portugal, the United Kingdom and the United States have confirmed their participation. 

KIC aims to examine how technological development, global citizenship and intercultural transactions have impacted the formation and ramifications of kuduro. Interdisciplinary in its approach, KIC brings together historical and musicological approaches, and perspectives from dance science, linguistics and sociology. The papers are organized into thematic panels and will discuss various issues, including the following: The History of Angolan popular music; The origin of Kuduro and its context; The Anatomy of kuduro; Syncretic processes of kuduro's musical cultures, Kuduro and the discourse around young people's musical production in the perifery; The concept of carga in kuduro dance; Music, socializing and playing identities in kuduro; Imaginary structures and kuduro as cultural text; Semantic implications of kuduro's language; Kuduru or Kuduro? Reflections on spelling; Kuduro as a means of professional education; The internationalization of kuduro; Dances and songs of young afro-descendants in the suburbs of Lisbon; Authenticity and pedagogy in Kuduro; Kuduro and the lusophone world; The role of "I Love Kuduro" in worldwide promotion of kuduro. 

Everyone interested in participating the conference is invited to register from May 15, 2012, in Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde. The project was conceived and organized by the Jornal dos Negócios, Grupo-Editora Sons e Letras; the Centro de Estudos de Teatro da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, and the musicologist Stefanie Alisch of Iwalewa-Haus, Museum of Contemporary African Art (University of Bayreuth, Germany), who will be responsible for the publication of the conference volume. The production is being taken care of by the Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde and the company Da Banda Entertainment S.A. Organizing Committee of KIC, in Luanda, 2012, 14 of May Contactos: E-mail: conferenciasobrekuduro@hotmail.com / www.conferenciakuduro.blogspot.com Facebook: conferenciasobrekuduro 


Wednesday, 28 March 2012

Gostei de Ler [5]



(...)

Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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Para já eu estou cada vez mais velho, cada mais anarquista, e acredito muito pouco na fórmula partido.
Antes dizia que tinha dúvidas sobre a fórmula partido, hoje digo que acredito cada vez menos nesta fórmula. Não me parece que seja uma fórmula que avance muito. Acaba por ser sempre um aparelho que condiciona tudo o resto, um partido pode ter muitos militantes, mas há um aparelhozinho que condiciona tudo o resto. A Revolução francesa fez-se sem partidos, mas com clubes de pensadores. É claro que também era tudo anárquico, mas eu acho que devia haver possibilidades sem estar amarrado a um partido, mas estamos a tender cada vez mais para a consolidação da fórmula partido.
Eu não sei deste caso que falou do Abel Chivukuvuku, mas será interessante seguir e ver o que vai dar. Se conseguir apanhar pessoas que foram do partido A, B e C será interessante ver isso.

(...)

Hoje as pessoas dentro do MPLA exteriorizam mais facilmente ideias contrárias?

Eu acho que têm mais essa possibilidade. Duvido que o façam, mas ai há outro problema.

Qual?

Começa a tocar em interesses. E as pessoas ficam à espera, na expectativa. Criou-se a obsessão do que só o chefe pensa. E fica a impressão de que cinco milhões de pessoas não pensam, à espera que o chefe pense. É a ideia que dá. E depois o chefe diz uma frase e essa frase vira slogan que aparece em todo o lado. Só não aparece nas paredes porque agora a malta deixou de pintar as paredes.
É um certo seguidismo que se instalou, sem dúvida alguma. Mas depende das épocas. Agora é época de eleições portanto o seguidismo tem de ser muito forte, temos de estar todos unidos. Depois há maior dispersão. Isso nota-se nos comentários de algumas pessoas que mudam o discurso conforme a época política e os interesses pessoais. Sem dúvida, uma coisa que foi discutida há muitos anos no MPLA é o direito das tendências.

(...)

Em certa medida e em relação a uns tantos membros, o MPLA parece clientelista, pois eles se aproveitam do facto de serem militantes para obterem benefícios. Não falo da grande massa de militantes e simpatizantes que pouco ganham com o facto de o serem. Mas a nível de responsáveis, muitos têm negócios que só prosperam por causa da sua posição política. E ostentam as riquezas de forma pornográfica, por isso não há como enganar.

(...)

A oposição parlamentar dá-me a ideia que está apenas pelo dinheiro do Estado. É verdade que também não se dá muito espaço à oposição para dar a conhecer todas as suas ideias. Eles queixam-se muito disso, que a imprensa favorece o partido no poder, mas parece-me que com esta oposição o MPLA está tranquilo: tem mais cem anos. Portanto será interessante vermos esta experiência de um novo partido e ver se agita um bocado as águas.

(...)

O que lhe parece a “ousadia” de Lukoki durante a última reunião do Comité central onde terá levantado a questão da distribuição da riqueza nacional e a da sucessão como pontos para uma próxima reunião do CC, por sinal agendada para esta sexta-feira.

O Ambrósio Lukoki, de quem me orgulho de ser amigo, é um homem vertical, de grande coragem e frontalidade, qualidades essas que lhe têm valido problemas sérios. Ele só teve a ousadia de dizer o que mais de metade da sala pensava mas, como sempre, cala. Fora, batem-lhe nas costas a dizer, falaste bem. Lá dentro, nem o defendem dos mesmos mabecos de sempre, a tentar morder as canelas dos grandes homens.
Como é que se processará a transição de JES para um novo PR?

Esta é outra questão que devia ser pacifica, banal e que se torna um problema quase divino. O mundo acaba quando se pensa na sucessão. Deveria ser uma coisa quase banal porque as pessoas vão, deixam os cargos, vão descansar, é normal essa substituição de geração. E tem havido essa substituição de geração ao nível do MPLA, nas estruturas intermédias e mesmo ao nível do Bureau Político onde hoje há pessoas que são bastante mais novas do que aqueles que fizeram a luta de libertação. Agora, realmente esta é uma questão que acaba por se tornar complicada e quanto mais há segredos a volta disso, mais secretismo mais complicado fica.

E já é hora de se desmistificar essa questão?

Exactamente, abre-se o jogo tranquilamente. O Presidente não é eterno, ninguém é eterno, só Deus para os crentes. Nem o planeta terra é eterno. Acreditamos que tem de haver uma substituição, vamos ver quando, como e falamos sobre isso. Mas é um tabu, é um sacrilégio, mas é claro que toda a gente anda a murmurar nos cantos.

Não será por causa de algumas resistências internas?

Provavelmente haverá várias forcas a querer ganhar mais poder, representadas por pessoas, essa é uma realidade que acontece nos partidos, há lutas. Agora podem ser lutas mais abertas ou mais tranquilas.

E neste caso?

Neste caso é um tabu. E eu acho que as pessoas têm medo que AB ou C estejam a pensar qualquer coisa. Houve umas pessoas que aqui há uns anos atrás admitiam a hipótese de ser candidatos, mas isso é normal, mas as pessoas normalmente criam uma onda de indignação que percorre as fileiras porque alguém ousou dizer que pode substituir o presidente.

(...)

Quando falamos do impacto das manifestações e em face dos novos desenvolvimentos o que lhe pergunto é: Será mesmo que a visão de que os militantes despertaram pelo facto de serem muito mais contra o exíguo número de manifestantes é verdade, quando vemos as imagens da porrada a que foram alvos na sua última manifestação. Ou como explicar isso?

O MPLA de facto aparenta ter mais medo dos jovens que tentam se manifestar que dos partidos da oposição. Estes são aparelhos e como tal podem ser controlados, manobrados, enfraquecidos, etc... Já os manifestantes, mobilizados por meios mais difíceis de controlar, podem aparecer como um perigo muito maior, imprevisível. Parece absurdo um partido que diz ter cinco milhões de membros tremer perante um pequeno grupo de jovens que quer gritar a sua revolta, mas é um facto. Por outro lado, esse pequeno grupo poderá crescer por causa da resposta inadequada das autoridades. Não é aceitável que apareçam pessoas, que se declaram organizadas, atacando os manifestantes, impedindo que eles exerçam um direito constitucional, perante órgãos do Estado, impávidos e serenos. Assim não se aprofunda a democracia, antes pelo contrário, indica uma regressão que acabará por sair muito cara num futuro mais ou menos breve. Quem impede uma manifestação legítima e pacífica tem de ser processado e posto em situação de não voltar a repetir o gesto, seja quem for o seu mandante. Este filme já foi visto, demasiado parecido com os lumpens recrutados por Mussolini e Hitler para atacar os verdadeiros democratas e progressistas. Para que não seja o caso, o Estado tem de ser claro: está do lado da Constituição ou contra ela?

(...)

Como avalia as relações entre Angola e Portugal?

De um modo geral são boas. Foram más e estão melhores. Acho que há equívocos. Bastantes equívocos.

Que equívocos?

Acho que há algumas pessoas na parte angolana. Por um lado, um certo saudosismo e, por outro lado, uma espécie de revanche e em termos económicos há uma vontade de comprar coisas em Portugal fazendo por vezes péssimos negócios. Eu também vi que a Sonangol comprou coisas no Iraque e no Irão que foram um desastre, nem se fala nisso, mas temos de ter atenção porque está-se a meter dinheiro do Estado. Agora, os particulares se querem ter um castelo, isso ai é com eles. Acho que devia haver maior transparência. Que a nação fosse informada que foram compradas quotas ou empresas e que não saibamos disso só quando há uma maka lá fora. E no caso de Portugal há negócios muito escuros e muitos deles serão prejudiciais a Angola e entretanto vemos algumas pessoas que nunca gostaram de nós e que agora abraçam-nos e só não bejam na boca porque parece mal. São relações de conveniência, no discurso oficial são relações de amizade e o passado comum. Mas isso é conversa. O negócio entre os países é feito apenas na base de interesses. E não há aqui sentimentos, sentimentos há entre nós intelectuais, mas os assuntos de Estado são negócios.

(...)

4 anos depois, como avalia o mandato de Barack Obama?

Eu sou um dos que ficou muito entusiasmado por Obama antes dele ser eleito. Eu conheci o Obama em 2004 quando estive uma época nos EUA e em que ele começava a despontar no partido democrata.
Vários amigos meus chamavam-me atenção e quando ele profere aquele discurso magnifico de apresentação do John Terry então diziam que eche homo (ai está o homem!). eu torci por ele. E sempre disse que no dia seguinte à sua eleição estaria contra ele porque a partir do momento em que ele é o Presidente dos Estados Unidos faria uma política da qual não estaria de acordo.
De qualquer modo acho que foi um avanço civilizacional ele ter sido eleito, mas para uma pessoa que recebe o prémio nobel logo no primeiro ano de mandato acho que já fez guerras há mais. E ainda se está a preparar para fazer outra. Gostaria de dizê-lo isso na cara. É verdade que já havia muito prémio nobel mal atribuído, mas para quem não tinha feito nada ainda pela paz e ele recebeu logo é porque o mundo ou o comité nobel, queria que ele fizesse mais. Também é verdade que ele é muito travado nos EUA por preconceitos por uma série de governadores.

Acha que ele tem menos poderes do que Bush?

Tem porque ele está a governar sem maioria.

Mas ele só perdeu a maioria há meio do mandato?

Tinha uma ligeira maioria, mas que perdeu logo.

Será reeleito.

Acho que sim. Porque este ano a economia irá melhorar um bocadinho.

Não será por ter morto Bin Laden, Kadaffi e outros?

Não, isso é importante durante um ou dois meses, mas depois esquecese, perde-se. O que é importante nos EUA é mesmo a economia. O americano só pensa em dólares, só dólares e mais nada. É isso que temos de saber. Se a economia estiver a andar bem como está a acontecer com a diminuição do emprego, ele ganha. Por outro lado, também não tem oposição. Aquela oposição, francamente...

Pior do que a nossa?

(Risos)... Pior do que a nossa... está lá perto, mas parece que o Obama em dois debate rebenta o Romney milionário e se ele adopta aquele discurso populista do eu negro vindo de uma família media que tive de trabalhar muito ao contrário de ti que nasceste já no meio do ouro,
arruma-o...

Acha que a China conseguirá atingir o estatuto de superpotência?

Está a fazer tudo por isso. Até aumentou bastante o seu orçamento militar, que era o que faltava. Portanto, penso que sim.

Neste caso teremos um mundo bipolar?

Depende um bocado da evolução da India que é um outro país que pode fazer frente aos EUA e a China. Eu não conto mais com a União Europeia que está em declínio total. Começa a parecer-se com a União Africana, qualquer dia acaba, porque a União africana já acabou há muito tempo.
E agora, a India é uma outra potencia que está a despontar tal como o Brasil que com a Argentina podem tornar a América Latina uma zona ouvida, uma outra fonte para distribuir melhor o poder no mundo.

Faltaria apenas África.

África ainda está longe. Não há nenhum país no continente que ascenda assim, talvez uma região, o sul do continente, mais ou menos a SADC que poderá vir a ser uma potencia e isso ainda demorará muito tempo. Tem que se estabelecer o Estado nação e depois avançar-se para a integração regional e isso levará uns bons anos.

(...)

O que lhe parece esta reforma educativa?

Para lhe dizer a verdade, conheço mal e não posso entrar, com profundidade em termos técnicos. Agora, eu acho que ela vem muito tarde. Deveria ter sido feita há muito mais tempo. Eu fiz parte da equipa que concebeu o sistema que substitui o sistema colonial e ao fim de quarto anos nós reconhecíamos que havia ali coisas a mudar. Entretanto, a equipa dispersou-se e ninguém pegou no assunto estes últimos anos. Saúdo o facto de se ter feito uma reforma porque o sistema estava desfasado da realidade actual do país.

Esta é a polémica da inexistência de exames em muitas classes?

E mesmo a matéria que é dada. Os programas são demasiado leves. Dá-me a impressão. Agora não sou muito categórico porque não estudei e não sou propriamente um pedagogo. Trabalhei na educação, mas nunca fui pedagogo. Eu espero que funcione e se há coisas há mudar que seja o mais rapidamente possível do que foi anteriormente. Por exemplo, eu tenho algumas dúvidas sobre essa questão de um professor conseguir dar seis classes, que é a grande discussão que tem havido. Parece-me de mais e no sistema anterior o professor acompanhava os alunos em quatro classes e tínhamos problemas de falta de professores. Quer-se prolonger até à sexta classe, mas isso exige professores melhores preparados e, para lhe ser franco, não sei se temos. Do que oiço ultimamente, a matéria que se dá nestas seis classes corresponde ao que se dava nas quatro primeiras anteriores e aí acho que, se isso é verdade, é muito pouca exigência.

Nem condiz com aquilo que é a tendência mundial onde os estudantes ficam cada vez menos tempo no sistema de ensino, ao passo que aqui estamos a prolongar o tempo dos estudantes no sistema, com todas as consequências disso até mesmo em termos de custos?

Se isso continuar assim, duvido que o aluno, ao fim dos 12 ou 13 anos esteja preparado para entrar para a Universidade. É verdade que nunca tivemos, em Angola, em termos gerais, alunos devidamente preparados para estar na Universidade, apesar dos extraordinários. É preciso que se altere rapidamente isso, colocando rigor na base e no topo também. Bons professores devem estar na base desta pirâmide e em cima ao mesmo tempo, mas na base tem de haver rigor.

(...)

Nem sempre Luanda mas utiliza muitas vezes uma cidade que denomina “Calpe”.

Calpe é qualquer coisa que não é nada.

Ou que é Luanda?

Às vezes parece Luanda, outras vezes não. A primeira vez que eu utilizei Calpé foi em Mwana Puó que foi escrita em 1969 e eu só conheci Luanda em 1974. Tinha passado por Luanda quando fui estudar em Portugal, mas não conheci. Mas em “Parábola do Cagado Velho”, Calpe é Luanda na parte má, um tom ameaçador, os vícios, mas em “Quase fim do Mundo” terá alguma coisa, mas não está muito definido. Quando quero fugir um bocado a que se situe ponho Calpe. Não me importa nada que se caracterize do modo diferente.

[Extractos de entrevista de Pepetela ao Novo Jornal # 218 - 23/03/2012]


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Monday, 31 October 2011

Angola: Premio Nacional de Cultura e Artes 2011





Vencedores

Maria Eugénia Neto – Literatura
Ballet Tradicional Kilandukilu – Dança
João Morgado – Música
Investigação em Ciências Humanas – Vladimiro Fortuna, pela obra Angolanos na Formação dos Estados Unidos da América
Mendes Ribeiro (pintor) – Artes Plásticas
Vozes de África (Huambo) – Teatro
Tomás Ferreira (realizador) – Cinema e Audiovisuais




O destaque deste blog vai para o vencedor na categoria de Música, atribuído a João Morgado, a.k.a. Joãozinho dos Tambores, percussionista com uma carreira de mais de meio século.



Destaque igualmente para a categoria de Dança, em que se consagra o Grupo Ballet Tradicional Kilandukilu - um grupo que ja' foi objecto de um post neste blog, que mereceu eco no Global Voices on Line.







Vencedores

Maria Eugénia Neto – Literatura
Ballet Tradicional Kilandukilu – Dança
João Morgado – Música
Investigação em Ciências Humanas – Vladimiro Fortuna, pela obra Angolanos na Formação dos Estados Unidos da América
Mendes Ribeiro (pintor) – Artes Plásticas
Vozes de África (Huambo) – Teatro
Tomás Ferreira (realizador) – Cinema e Audiovisuais




O destaque deste blog vai para o vencedor na categoria de Música, atribuído a João Morgado, a.k.a. Joãozinho dos Tambores, percussionista com uma carreira de mais de meio século.



Destaque igualmente para a categoria de Dança, em que se consagra o Grupo Ballet Tradicional Kilandukilu - um grupo que ja' foi objecto de um post neste blog, que mereceu eco no Global Voices on Line.



Saturday, 22 October 2011

Sobre o 'Estado da Nacao'



Deixo aqui alguns extractos do ultimo Discurso sobre o Estado da Nacao do Presidente Eduardo dos Santos, sobre os quais pretendo fazer alguns comentarios nos proximos dias - anotados em bold -

[*]





“O Pais tem Rumo”

Vou procurar expor da forma mais clara possível as minhas ideias, constatações e opiniões sobre a realidade nacional actual e as sugestões e propostas do Executivo sobre o nosso trabalho futuro. A minha tarefa está facilitada, porque o país tem rumo.
Esse rumo está claramente definido na nossa Estratégia de Desenvolvimento de Longo Prazo, conhecida por ‘Angola 2025’, que expõe e explica os objectivos que constituem a nossa ambição nacional.


“Legitimidade inquestionavel (?)”

O meu nome figurava em primeiro lugar na lista daqueles que apelaram ao voto e que prometeram aplicar na prática esse Programa, que teve o voto inequívoco de mais de 82 por cento dos eleitores. Esses eleitores depositaram assim a sua confiança em nós para governar Angola até 2012.
Isto aconteceu num processo eleitoral aberto, transparente, livre e competitivo, confirmando que em Angola existe um regime baseado na vontade popular, que se exprime através da liberdade de organização política, da liberdade de expressão e do sufrágio directo e secreto.
Não tem por isso qualquer fundamento a afirmação de que em Angola vigora um regime ditatorial, que não reconhece os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. Não há aqui qualquer ditadura. Pelo contrário, no país existe uma democracia recente, viva, dinâmica e participativa, que se consolida todos os dias.


“Juventude”

A juventude tem a tradição histórica de participação activa em todas as causas nobres em que se envolveu o povo angolano. Esteve presente na luta de Libertação Nacional, tanto na guerrilha como na clandestinidade. Foi a parte mais importante e activa na defesa do país contra as invasões estrangeiras e a desestabilização político-militar e ajudou o povo a construir a paz e a democracia de que nos orgulhamos hoje.
A nossa juventude nunca agiu à margem do povo, é do povo e trabalhou sempre para o povo. É preciso manter essa rica tradição, que vem dos nossos antepassados!
Há hoje algumas incompreensões e mesmo equívocos que é preciso esclarecer. Penso que isso ainda acontece porque o diálogo não é suficiente. O sector competente do Executivo deve aprimorar as vias do diálogo social e ouvir, auscultar e discutir mais para que os assuntos sejam tratados em momentos e lugares certos e sejam encontradas e aplicadas soluções consensuais.
O país precisa da contribuição de todos. Precisa da força, dinamismo, criatividade e disponibilidade da juventude estudantil, operária, camponesa e intelectual e dos jovens empreendedores ou empresários. O país conta com o patriotismo e o civismo que sempre foram apanágio dos jovens angolanos.
A confusão e o desentendimento já causaram situações de violência que provocaram muitas desgraças e sofrimento ao povo angolano no passado recente. No final, quando nos entendermos, compreendemos que é na reconciliação, com paz e juntos que vamos resolver os problemas do povo angolano.


[Apesar de ja' ser (um pouco) mais velha do que o actual Presidente da (ainda) maior potencia mundial, os EUA, e de ter (muito) mais idade do que tinha JES quando foi indigitado Presidente de Angola, ha’ ainda quem no “meu pais”, para o bem ou para o mal, continue a “pensar-me e a tratar-me” como “miuda ou rapariga” (como aqui, ou aqui se pode constatar - de facto, faz-me lembrar aqueles "mais velhos" que no 'tempo do colono' eram tratados por "rapazes" qualquer que fosse a sua idade!)…
E’-me, portanto, um pouco complicado posicionar-me perante essa mensagem do Presidente JES dirigida a “juventude”. Posso, no entanto, tentar “equilibrar-me” entre duas possiveis “leituras” pessoais dessas palavras:

- Numa revejo-me naquela “juventude” que “tem a tradição histórica de participação activa em todas as causas nobres em que se envolveu o povo angolano e ajudou o povo a construir a paz e a democracia de que nos orgulhamos hoje; que nunca agiu à margem do povo, é do povo e trabalhou sempre para o povo… (numa) rica tradição, que vem dos nossos antepassados.”
Efectivamente, no que me diz pessoalmente respeito e sem falsas modestias, de tudo isso dou um pouco conta aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui... e do "seu preco" aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui…

- Noutra, coloco-me ao lado daqueles jovens (mais novos do que eu) que nos ultimos meses se venhem organizando e manifestando contra o poder politico em Angola, corporizado por JES e caracterizado pelos seus (muitos) 32 anos de poder (questao sobre a qual me posicionei ha’ algum tempo aqui). Se, por um lado, a primeira dessas manifestacoes, inspirada directamente na “primavera arabe”, me deixou algumas duvidas quanto 'as suas reais motivacoes mais imediatas e, sobretudo, 'a forma como essas motivacoes foram publicamente expressas pelo seu entao lider, ja’ as mais recentes me provocaram menos reticencias quanto a ‘genuinidade’ das motivacoes e intencoes expressas pelos seus lideres e participantes: um desejo de mudanca, em primeiro lugar da lideranca do pais e do seu sistema governativo (ou pelo menos do seu modus operandi), mas tambem das condicoes de vida da maioria da populacao.

E, nessa medida, enquanto me parece cordato o apelo de JES para um “dialogo” que evite “a confusão e o desentendimento (que) já causaram situações de violência que provocaram muitas desgraças e sofrimento ao povo angolano no passado recente” e concorde com a sua afirmacao de que “há hoje algumas incompreensões e mesmo equívocos que é preciso esclarecer” (exemplos disso podem ser dados por este post e pelos meus comentarios feitos aqui e aqui), parece-me igualmente algo “patronizadora” a sua implicita concepcao do actual movimento contestario juvenil como algo que tenha que ser “diluido” sob o manto de uma “reconciliacao” de posicionamentos, pelo menos aparentemente, a varios titulos inconciliaveis… fundamentalmente porque nem todos os jovens sao da JMPLA e teem como “momentos e lugares certos” as suas actividades e estruturas... porque o facto e’ que “o sector competente do Executivo”, qualquer que ele seja, no que diz respeito aos jovens, e’ “tutelado” pela respectiva estrutura do partido maioritario que, e’ preciso dize-lo, se alguma vez o foi, ha’ muito deixou de “ser o povo” e o povo de “ser o MPLA”…

E’ que, camarada Presidente, com o devido respeito: para o bem ou para o mal, desde que a bem da Nacao, ha’ “rupturas”, incluindo geracionais e politico-partidarias, que sao necessarias e inadiaveis para que a mudanca politica e a evolucao dos processos sociais, e com eles o proprio desenvolvimento economico do pais, possam prosseguir construtivamente em clima de paz, tranquilidade e harmonia e, talvez mais importante, para que o desenvolvimento pessoal do SER HUMANO e da sua CIDADANIA, em especial num pais com a Historia que Angola tem, possa ocorrer saudavelmente e concorra efectivamente para um "futuro brilhante" para todos (como bem sabe, trata-se da dialectica da vida)… E, acima de tudo, o direito a oposicao politica e a sua manifestacao publica, pacifica e autonoma e’ constitucionalmente consagrado para todos os cidadaos angolanos, jovens incluidos. Recorrendo as suas proprias palavras no inicio deste discurso: “Não tem por isso qualquer fundamento a afirmação de que em Angola vigora um regime ditatorial, que não reconhece os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. Não há aqui qualquer ditadura. Pelo contrário, no país existe uma democracia recente, viva, dinâmica e participativa, que se consolida todos os dias.”
Julgo que esses jovens, tal como eu, nas suas vidas quotidianas gostariam de poder sentir na pele, na alma e no espirito que, efectivamente, “em Angola (nao) vigora um regime ditatorial...”.

Tendo dito tudo isso, retenho com atencao as seguintes palavras: “O país precisa da contribuição de todos. Precisa da força, dinamismo, criatividade e disponibilidade da juventude estudantil, operária, camponesa e intelectual e dos jovens empreendedores ou empresários. O país conta com o patriotismo e o civismo que sempre foram apanágio dos jovens angolanos.”

Gostaria apenas de, ao longo de toda a minha vida - aparentemente "eternamente jovem" - e especialmente desde que fui forcada a abandonar a 'agencia' e em certas fases criticas como quando publiquei um certo livro maldito, ou quando fui estudar para Portugal e a dada altura me "barraram" ostensiva e agressivamente a entrada na "nossa embaixada" naquele pais, ou quando liderei o "Movimento pela Paz e pelo Direito a Vida", ou quando fui trabalhar para a SADC, ou ainda quando "me deu" para participar no Angonoticias e, finalmente, desde que decidi criar este blog... ter tido sempre a certeza dessas palavras...]



“Questoes de Genero”

Em 2012, vamos desenvolver uma acção mais vigorosa de apoio à micro e à pequena empresa, priorizando ajuda financeira com créditos-ajuda àquelas pessoas que já estão no terreno a realizar diversas actividades económicas de pequena dimensão. A sua imensa maioria é de mulheres que trabalham com muita dedicação, coragem e sacrifício para conseguirem meios para sustentar e educar os seus filhos e merecem por isso a nossa consideração, respeito e apoio! Estas mulheres, e outras noutros domínios, são um factor importante de estabilização da família e da inclusão e coesão social.
Vamos também continuar a cuidar do equilíbrio no género, pela via da promoção da formação e da ascensão de cada vez mais mulheres para cargos de direcção e chefia e do combate a todas as formas de discriminação e violência.

[Sao de saudar essas intencoes e 'a consideração, respeito e apoio' manifestados pelas Mulheres! Quanto as questoes do 'equilibrio do genero' de uma maneira geral, tenho registado com agrado a implementacao da politica de quotas estabelecida pela SADC (como o notei, por exemplo, aqui), embora continue a manter os meus pontos de vista de principio sobre essas questoes, expressos, entre outros comentarios neste blog, aqui.]




“Educação - 'Mais e melhor(?) do que no tempo do colono?'”

Em 2010, o total de alunos matriculados no sistema de ensino não universitário foi de 668.358 na iniciação e de 4.273.006 no ensino primário
(dez vezes mais do que no último ano do período colonial!).
Entretanto, desde 2008, o Ensino Superior conheceu um crescimento notável, contando actualmente a rede de instituições de formação já expandida por todas as províncias do país com 17 instituições públicas, sendo 7 universidades, 7 institutos superiores e 3 escolas superiores, assim como 22 instituições privadas, sendo 10 universidades e 12 institutos superiores, num total de 39 instituições de ensino superior, frequentadas por cerca de 150 mil estudantes e contando com cerca de dois mil docentes, incluindo nacionais e estrangeiros.
O sector privado tem dado uma importante contribuição a esse processo, na ordem de 5% no ensino primário e secundário e de cerca de 50 % no ensino superior. Este sector necessita ainda de melhorar a sua gestão, de se dotar de infra-estruturas e equipamentos mais adequados, de ministrar mais cursos de natureza técnica e também de rever a sua política de preços, uma vez que ainda cobra valores demasiado altos pelas propinas e pelos diferentes serviços prestados.

[Embora haja aqui um reconhecimento das melhorias ainda por fazer no dominio da educacao, especialmente a provida pelo sector privado, talvez fosse de notar igualmente a preocupacao de praticamente todos os angolanos com a qualidade, equidade, eficiencia e eficacia do ensino no pais. Tal nota poderia ser feita recorrendo as proprias palavras do Presidente JES ha' alguns meses:
"O preço a pagar por um sistema educativo ineficiente será demasiado elevado, pois com isso sofrerão a nossa economia e a sociedade, que não evoluirá e por vezes tenderá mesmo a regredir nos hábitos, nos costumes, na moral e nos valores, e sofrerá também o cidadão porque não conseguirá realizar-se integralmente", afirmou José Eduardo dos Santos, citado pela ANGOP.
Para José Eduardo dos Santos, a ineficiência do ensino afetará, sobretudo, os desfavorecidos, aqueles que não têm recursos para procurar outros sistemas de ensino e que verão amputadas as suas possibilidades de evoluir e de ascender socialmente.
O chefe de Estado angolano lembrou que a economia angolana precisa e precisará sempre de recursos humanos cada vez mais qualificados, para ser competitiva.
"A nossa sociedade será mais coesa e harmoniosa com cidadãos bem preparados e mais educados", vincou o líder do partido no poder.
-
aqui]




“Diversificacao da Economia”


Prevê-se que de 2012 a 2017 o sector da indústria transformadora vá registar um crescimento médio anual na ordem dos 10% e que o número médio anual de postos de trabalho a criar seja de 7.400 directos e 7.580 indirectos, estando o valor dos investimentos a realizar estimado em 8 mil e 500 milhões de dólares, inscritos na carteira dos ministérios da Indústria e da Geologia e Minas.




“Luanda ainda de ‘cara palida’(!)”


Finalmente, a cidade de Luanda está a sofrer uma grande transformação, quer no seu antigo casco urbano quer na sua periferia, mas a sua imagem ainda continua muito pálida. Orientei o Senhor Ministro do Urbanismo e Construção para que, em cooperação com o Senhor Governador desta província, apresentem um plano para a renovação completa da imagem da cidade capital do país, que incida na reparação de passeios, na reparação e recelagem das vias rodoviárias, na melhoria da iluminação pública e da sinalização e na conclusão célere dos parques de estacionamento previstos, com vista a melhorar a circulação.
Esse plano envolve igualmente a pintura dos edifícios e deve começar a ser implementado no início de 2012, para que Luanda reflicta o nosso desejo de mudar para melhor!




“Urbanismo e Habitação”


A estruturação e evolução do sistema urbano e do parque habitacional nacional continuam a desenvolver-se de modo gradual, assegurando assim um ambiente estruturante do desenvolvimento do país e de reforço das suas condições de afirmação e coesão territorial.
Neste contexto, o Programa Nacional de Habitação entrou numa fase intensa de realizações, com ênfase para a construção de novas cidades e centralidades e para os projectos de requalificação de largos aglomerados populacionais, que visam satisfazer as necessidades no domínio da habitação social e de média renda.
Nalgumas províncias verificam-se alguns atrasos nas obras devido a situações inerentes à logística, mas estima-se que, uma vez ultrapassados os constrangimentos, os primeiros fogos comecem a ser entregues em 2012.




“Transportes, Infra-estrutura básica e Logística”


Este foi de todos os subprogramas o que registou um crescimento mais assinalável. Foram reabilitados e construídos 6.500 quilómetros de estradas, erguidas centenas de pontes, relançados caminhos-de-ferro, recuperados aeroportos e incrementado o comércio e a logística.
Importa ainda ultrapassar algumas fragilidades do sector e articular e integrar os sistemas de transporte, concretamente os portos com as vias-férreas, os aeroportos com as estradas e as auto-estradas, e todos eles com as infra-estruturas logísticas. Em 2012/13 prevê-se a conclusão de todos os caminhos-de-ferro e do Porto do Lobito.
Já foi entretanto aprovada pelo Executivo a construção do maior porto comercial do país na Barra do Dande, província do Bengo. Será a principal porta de entrada de mercadorias, contribuindo assim para o crescimento económico e para a geração de mais empregos.




“Hotelaria e Turismo”


O Executivo aprovou as orientações para a criação de três novos pólos de desenvolvimento turístico, que irão complementar o Pólo de Desenvolvimento Turístico do Futungo de Belas, concretamente os Pólos de Desenvolvimento Turístico de Calandula, de Cabo Ledo e da Bacia do Okavango.
Neste último caso, Angola é parte de um ambicioso projecto para se criar uma reserva transfronteiriça de conservação ambiental, de fauna selvagem e de turismo ecológico, envolvendo a Zâmbia, o Zimbabwe, o Botswana e a Namíbia, denominado Okavango-Zambeze ou simplesmente KAZA-ATFC.




“Resgate da Dignidade e Identidade”


Acabam de ser apreciadas em Conselho de Ministros e remetidas à Assembleia Nacional duas importantes leis, a Lei do Mecenato e a Lei das Línguas Nacionais, que poderão contribuir de modo decisivo para uma maior sustentação e dinâmica das actividades artísticas e culturais e para resgatar a dignidade e identidade das várias regiões etnolinguísticas do nosso país.
Foi igualmente definido o regime jurídico da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, que permitirá um maior e mais fácil acesso às obras fundamentais para o conhecimento e a formação do homem, e também das Casas de Cultura, que proporcionam um espaço privilegiado para o convívio cultural e para o enriquecimento e partilha de experiências a todos os níveis.
Valorizamos e consideramos dignos de reconhecimento os esforços feitos pelos criadores das várias disciplinas artísticas e de todos os fazedores de cultura para o enriquecimento do património espiritual da nação. O Executivo vai apoiar esse esforço, acelerando igualmente a conclusão dos institutos médio e superior das Artes, com vista a ampliar as capacidades de formação dos quadros e profissionais do sector da Cultura.
 [Merece-me especial destaque esta frase:"resgatar a dignidade e identidade das várias regiões etnolinguísticas do nosso país". Isso porque as questoes da identidade e da diversidade (que passam, naturalmente, pela diversidade etnolinguistica) teem sido uma constante fonte de debates, desenvolvimento de ideias e compilacao de informacao das mais diversas fontes neste blog (servindo este apenas como um exemplo que engloba todas essas vertentes).
Infelizmente, tornaram-se tambem uma fonte permanente de ataques a minha personalidade, identidade e dignidade e ao meu direito a diferenca e a liberdade de expressao (!), tendo descambado em campanhas de calunia e difamacao e culminado em ameacas de morte (como
aqui, entre muitos outros posts neste blog, fica registado)!...
Por essa razao, saudo especialmente a passagem nos ultimos dias pela AN, na generalidade, da proposta de
Lei do Estatuto das Linguas Nacionais de Origem Africana, que faco votos venha a passar igualmente sem grandes dificuldades, na especialidade.]





“Macroeconomia ‘a prova de balas’(?)”


Atento aos riscos decorrentes da grave crise económica e financeira internacional, o Executivo conduziu a partir de 2009 uma Política Macroeconómica apoiada no pilar sólido de uma política fiscal de qualidade, coerente e credível, capaz de garantir um efeito contrário à tendência de estagnação económica que se desenhava em todos os países desenvolvidos e nos países em desenvolvimento e emergentes, e que se acabou por verificar em muitos deles.
A nossa política anti-cíclica orientou-se por uma firme determinação de evitar a recessão, sem recorrer ao crescimento das emissões de dívida e de moeda, para não se comprometerem os fundamentos fiscais e cambiais da estabilidade macroeconómica.


A inflação continua a ser um desafio para Angola. Depois de anos de descida sustentada, a taxa de inflação subiu 6% em 2008, atingindo 13,7%, e cresceu novamente para 14,7% em 2010. Estima-se que em 2011 a inflação fique abaixo dos 12% projectados no Orçamento Geral do Estado, uma vez que a variação acumulada de Janeiro até Agosto deste ano se cifra em apenas 6,86%, contra 8,4% em período igual de 2010.




[Do discurso do ano passado registamos o seguinte:
"No entanto, o Executivo está a terminar um estudo sobre as causas reais da inflação em Angola, de modo a concluir se esta é importada ou se resulta do financiamento do défice causado pela despesa pública. Pois os seus efeitos incidem sobre os altos patamares actuais das taxas de juros em termos de medidas adequadas para estimular o investimento e o crédito.
Está elaborado um estudo objectivo, amplo e minucioso sobre a formação dos preços dos bens e serviços no nosso país, na base do qual serão em breve anunciadas medidas, com destaque para a criação de uma instituição de supervisão dos preços e da concorrência."


Porque, entao, "a inflação continua a ser um desafio para Angola"? Foram mesmo tomadas as medidas anunciadas e criada a "instituição de supervisão dos preços e da concorrência?" Se sim, esta' ela a cumprir efectivamente as suas funcoes?]





Não admira, por todas as razões antes expostas, que a Nação angolana continue a receber da comunidade internacional o reconhecimento da sua crescente solidez macroeconómica, certificada nos relatórios emitidos em 2010 pelo Fundo Monetário Internacional e pelas três principais agências internacionais de classificação do risco de dívidas soberanas.




[Mais uma vez, essas 'accolades' internacionais sao de registar. No entanto, igualmente de registar seria o ultimo relatorio do Forum Economico Mundial aqui recentemente discutido, em que o ranking de competividade da economia angolana continua 'muito periclitante', para dizer o minimo! E esta observacao torna-se particularmente relevante perante o afirmado a esse respeito no discurso do ano passado:
"Todas essas medidas visam a inserção competitiva da economia angolana no contexto internacional, pois a realidade da globalização impõe uma estratégia de crescimento não só apoiada na diversificação, mas também com alguma selectividade sectorial, na qual o Estado deverá assumir um papel de liderança. Por essa razão estão a ser feitos esforços para melhorar a coordenação institucional, principalmente no sector produtivo da distribuição e do comércio, de modo a que os programas e projectos atinjam as metas fixadas."
Ao mesmo respeito, tambem registamos do discurso do ano passado, no capitulo dedicado ao "reforço da inserção competitiva de Angola no contexto internacional", as seguintes afirmacoes:

"Para materializar essas grandes prioridades temos, no entanto, de saber equacionar : com que recursos e fontes de financiamento devemos contar? Que quadros devemos formar em quantidade e qualidade? De que força de trabalho teremos de dispor?
Estas questões também estão a ser equacionadas e tratadas e constituem alguns dos grandes desafios que a Nação angolana tem de vencer nos próximos anos..."

Terao sido efectivamente equacionadas e enderecadas essas "outras grandes questões"?]


“Objectivos de desenvolvimento do Milenio”


Ao analisar os maiores problemas mundiais, a Organização das Nações Unidas definiu em 2000 um conjunto de objectivos a ser atingidos pelos Estados membros até 2015, por forma a reduzir para metade todos os índices apurados.
Como nos foi dado ver nas constatações que apontei anteriormente, ao referir o grau de implementação dos programas do Executivo em vários domínios da vida nacional, Angola tem estado a dar resposta a todas essas preocupações, não só com a organização das condições básicas e a alocação de recursos para acções concretas, mas também com a formação e a mobilização de toda a sociedade para as levar a bom termo.
É importante que os Senhores Deputados possam apreciar esses dados e fiscalizar a acção do Executivo, para que se saiba como o país está a cumprir os compromissos internacionais assumidos neste domínio.




[Como uma possivel baseline para esse exercicio de monitoring, sugeriria aos Senhores Deputados os dados para Angola disponiveis neste relatorio de 2005. Sugeriria igualmente aos investigadores academicos nacionais que, caso ainda nao o tenham feito, facam um relatorio semelhante para Angola ate’ 2010, idealmente com projeccoes ate’ a deadline de 2015.]




“O Projecto de Sociedade”


Ao fazermos uma opção política e ideológica pela democracia pluripartidária e pela economia social de mercado, escolhemos realizar a democracia política, económica, social e cultural, fundada na igualdade e no respeito das liberdades e garantias dos cidadãos. O nosso objectivo é edificar uma economia de mercado que sirva os Angolanos e garanta a melhoria crescente das suas condições de vida.
A economia nacional ainda está em fase de estruturação, mas não há economia de mercado sem empresários e proprietários privados e desejamos que sejam os empresários angolanos, grandes, médios e pequenos, que comecem a controlar desde já a nossa economia produtiva e de prestação de serviços, à medida que o Estado for reduzindo aí a sua presença.




[Ocorre-me perguntar se, em face desta inequivoca mudanca de "projecto de sociedade" (relativamente aquele que discutia aqui) ainda faz sentido a catana e roda dentada representando a "alianca operario-camponesa" e a "ditadura do proletariado" na actual bandeira nacional?]




Vão surgir e estão a surgir pessoas ricas. O Estado não está contra os ricos, mas é bom que se diga que a preocupação maior do Executivo é combater cada vez com mais energia a fome e a pobreza, de modo a reduzi-las progressivamente até à sua completa anulação. O sector privado pode e deve contribuir nesse esforço, fazendo mais investimentos para criar mais empregos bem pagos, pagar impostos e aumentar a riqueza nacional.




[Aqui sugeriria apenas uma reflexao sobre as questoes levantadas a volta deste artigo sobre a natureza do actual processo de acumulacao de riqueza em Angola]




Neste contexto, penso que o país precisa de leis e regulamentos com regras mais claras sobre a participação em negócios de governantes, deputados e outros titulares de cargos públicos e as eventuais incompatibilidades.




[Quer-me parecer que, tal como acontece noutros dominios da vida publica em Angola, a questao fundamental nao e' tanto a existencia de leis e regulamentos, mas a sua IMPLEMENTACAO. Vide, a este proposito, a Lei da Probidade Administrativa ainda muito recentemente aprovada... sera' que nao e' suficientemente clara?]




“Nos e os Outros”


Nós continuaremos a cumprir as nossas obrigações e a assumir as nossas responsabilidades no plano internacional, em especial no que diz respeito a África no seu todo e em particular no quadro dos conjuntos económicos e políticos a que pertencemos, como a SADC e a CEEAC, e também a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).









*[Entretanto, devo deixar aqui registado o facto curioso de o artigo "Angola, Petroleo e Economia Pos-Conflito - Que Fazer?", ter sido o primeiro dos meus 'artigos de fundo' postados neste blog a, desde que ha' algum tempo comecei a monitorar os "most popular posts", conseguir o feito espectacular de, na semana que precedeu este discurso sobre O Estado da Nacao, quase destronar o recordista absoluto "Bundas, Bundinhas e Bundonas" do topo dos posts mais lidos 'nos ultimos 7 dias', tendo-se em seguida instalado num respeitavel terceiro lugar na lista dos mais lidos 'nos ultimos 30 dias' - de onde, entretanto, ja' comecou a descer, mas ainda assim... facto insolito, nao apenas por ter sido o primeiro desse tipo de artigos a entrar nesta ultima lista, mas tambem porque nada do que postei aqui no ultimo mes o faria imediata ou directamente antever, excepto talvez alguma referencia indirecta a partir de posts como este ou este... enfim, coisas e loisas do 'aparentemente inexplicavel'... Que Fazer?]




Deixo aqui alguns extractos do ultimo Discurso sobre o Estado da Nacao do Presidente Eduardo dos Santos, sobre os quais pretendo fazer alguns comentarios nos proximos dias - anotados em bold -

[*]





“O Pais tem Rumo”

Vou procurar expor da forma mais clara possível as minhas ideias, constatações e opiniões sobre a realidade nacional actual e as sugestões e propostas do Executivo sobre o nosso trabalho futuro. A minha tarefa está facilitada, porque o país tem rumo.
Esse rumo está claramente definido na nossa Estratégia de Desenvolvimento de Longo Prazo, conhecida por ‘Angola 2025’, que expõe e explica os objectivos que constituem a nossa ambição nacional.


“Legitimidade inquestionavel (?)”

O meu nome figurava em primeiro lugar na lista daqueles que apelaram ao voto e que prometeram aplicar na prática esse Programa, que teve o voto inequívoco de mais de 82 por cento dos eleitores. Esses eleitores depositaram assim a sua confiança em nós para governar Angola até 2012.
Isto aconteceu num processo eleitoral aberto, transparente, livre e competitivo, confirmando que em Angola existe um regime baseado na vontade popular, que se exprime através da liberdade de organização política, da liberdade de expressão e do sufrágio directo e secreto.
Não tem por isso qualquer fundamento a afirmação de que em Angola vigora um regime ditatorial, que não reconhece os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. Não há aqui qualquer ditadura. Pelo contrário, no país existe uma democracia recente, viva, dinâmica e participativa, que se consolida todos os dias.


“Juventude”

A juventude tem a tradição histórica de participação activa em todas as causas nobres em que se envolveu o povo angolano. Esteve presente na luta de Libertação Nacional, tanto na guerrilha como na clandestinidade. Foi a parte mais importante e activa na defesa do país contra as invasões estrangeiras e a desestabilização político-militar e ajudou o povo a construir a paz e a democracia de que nos orgulhamos hoje.
A nossa juventude nunca agiu à margem do povo, é do povo e trabalhou sempre para o povo. É preciso manter essa rica tradição, que vem dos nossos antepassados!
Há hoje algumas incompreensões e mesmo equívocos que é preciso esclarecer. Penso que isso ainda acontece porque o diálogo não é suficiente. O sector competente do Executivo deve aprimorar as vias do diálogo social e ouvir, auscultar e discutir mais para que os assuntos sejam tratados em momentos e lugares certos e sejam encontradas e aplicadas soluções consensuais.
O país precisa da contribuição de todos. Precisa da força, dinamismo, criatividade e disponibilidade da juventude estudantil, operária, camponesa e intelectual e dos jovens empreendedores ou empresários. O país conta com o patriotismo e o civismo que sempre foram apanágio dos jovens angolanos.
A confusão e o desentendimento já causaram situações de violência que provocaram muitas desgraças e sofrimento ao povo angolano no passado recente. No final, quando nos entendermos, compreendemos que é na reconciliação, com paz e juntos que vamos resolver os problemas do povo angolano.


[Apesar de ja' ser (um pouco) mais velha do que o actual Presidente da (ainda) maior potencia mundial, os EUA, e de ter (muito) mais idade do que tinha JES quando foi indigitado Presidente de Angola, ha’ ainda quem no “meu pais”, para o bem ou para o mal, continue a “pensar-me e a tratar-me” como “miuda ou rapariga” (como aqui, ou aqui se pode constatar - de facto, faz-me lembrar aqueles "mais velhos" que no 'tempo do colono' eram tratados por "rapazes" qualquer que fosse a sua idade!)…
E’-me, portanto, um pouco complicado posicionar-me perante essa mensagem do Presidente JES dirigida a “juventude”. Posso, no entanto, tentar “equilibrar-me” entre duas possiveis “leituras” pessoais dessas palavras:

- Numa revejo-me naquela “juventude” que “tem a tradição histórica de participação activa em todas as causas nobres em que se envolveu o povo angolano e ajudou o povo a construir a paz e a democracia de que nos orgulhamos hoje; que nunca agiu à margem do povo, é do povo e trabalhou sempre para o povo… (numa) rica tradição, que vem dos nossos antepassados.”
Efectivamente, no que me diz pessoalmente respeito e sem falsas modestias, de tudo isso dou um pouco conta aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui... e do "seu preco" aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui…

- Noutra, coloco-me ao lado daqueles jovens (mais novos do que eu) que nos ultimos meses se venhem organizando e manifestando contra o poder politico em Angola, corporizado por JES e caracterizado pelos seus (muitos) 32 anos de poder (questao sobre a qual me posicionei ha’ algum tempo aqui). Se, por um lado, a primeira dessas manifestacoes, inspirada directamente na “primavera arabe”, me deixou algumas duvidas quanto 'as suas reais motivacoes mais imediatas e, sobretudo, 'a forma como essas motivacoes foram publicamente expressas pelo seu entao lider, ja’ as mais recentes me provocaram menos reticencias quanto a ‘genuinidade’ das motivacoes e intencoes expressas pelos seus lideres e participantes: um desejo de mudanca, em primeiro lugar da lideranca do pais e do seu sistema governativo (ou pelo menos do seu modus operandi), mas tambem das condicoes de vida da maioria da populacao.

E, nessa medida, enquanto me parece cordato o apelo de JES para um “dialogo” que evite “a confusão e o desentendimento (que) já causaram situações de violência que provocaram muitas desgraças e sofrimento ao povo angolano no passado recente” e concorde com a sua afirmacao de que “há hoje algumas incompreensões e mesmo equívocos que é preciso esclarecer” (exemplos disso podem ser dados por este post e pelos meus comentarios feitos aqui e aqui), parece-me igualmente algo “patronizadora” a sua implicita concepcao do actual movimento contestario juvenil como algo que tenha que ser “diluido” sob o manto de uma “reconciliacao” de posicionamentos, pelo menos aparentemente, a varios titulos inconciliaveis… fundamentalmente porque nem todos os jovens sao da JMPLA e teem como “momentos e lugares certos” as suas actividades e estruturas... porque o facto e’ que “o sector competente do Executivo”, qualquer que ele seja, no que diz respeito aos jovens, e’ “tutelado” pela respectiva estrutura do partido maioritario que, e’ preciso dize-lo, se alguma vez o foi, ha’ muito deixou de “ser o povo” e o povo de “ser o MPLA”…

E’ que, camarada Presidente, com o devido respeito: para o bem ou para o mal, desde que a bem da Nacao, ha’ “rupturas”, incluindo geracionais e politico-partidarias, que sao necessarias e inadiaveis para que a mudanca politica e a evolucao dos processos sociais, e com eles o proprio desenvolvimento economico do pais, possam prosseguir construtivamente em clima de paz, tranquilidade e harmonia e, talvez mais importante, para que o desenvolvimento pessoal do SER HUMANO e da sua CIDADANIA, em especial num pais com a Historia que Angola tem, possa ocorrer saudavelmente e concorra efectivamente para um "futuro brilhante" para todos (como bem sabe, trata-se da dialectica da vida)… E, acima de tudo, o direito a oposicao politica e a sua manifestacao publica, pacifica e autonoma e’ constitucionalmente consagrado para todos os cidadaos angolanos, jovens incluidos. Recorrendo as suas proprias palavras no inicio deste discurso: “Não tem por isso qualquer fundamento a afirmação de que em Angola vigora um regime ditatorial, que não reconhece os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos. Não há aqui qualquer ditadura. Pelo contrário, no país existe uma democracia recente, viva, dinâmica e participativa, que se consolida todos os dias.”
Julgo que esses jovens, tal como eu, nas suas vidas quotidianas gostariam de poder sentir na pele, na alma e no espirito que, efectivamente, “em Angola (nao) vigora um regime ditatorial...”.

Tendo dito tudo isso, retenho com atencao as seguintes palavras: “O país precisa da contribuição de todos. Precisa da força, dinamismo, criatividade e disponibilidade da juventude estudantil, operária, camponesa e intelectual e dos jovens empreendedores ou empresários. O país conta com o patriotismo e o civismo que sempre foram apanágio dos jovens angolanos.”

Gostaria apenas de, ao longo de toda a minha vida - aparentemente "eternamente jovem" - e especialmente desde que fui forcada a abandonar a 'agencia' e em certas fases criticas como quando publiquei um certo livro maldito, ou quando fui estudar para Portugal e a dada altura me "barraram" ostensiva e agressivamente a entrada na "nossa embaixada" naquele pais, ou quando liderei o "Movimento pela Paz e pelo Direito a Vida", ou quando fui trabalhar para a SADC, ou ainda quando "me deu" para participar no Angonoticias e, finalmente, desde que decidi criar este blog... ter tido sempre a certeza dessas palavras...]



“Questoes de Genero”

Em 2012, vamos desenvolver uma acção mais vigorosa de apoio à micro e à pequena empresa, priorizando ajuda financeira com créditos-ajuda àquelas pessoas que já estão no terreno a realizar diversas actividades económicas de pequena dimensão. A sua imensa maioria é de mulheres que trabalham com muita dedicação, coragem e sacrifício para conseguirem meios para sustentar e educar os seus filhos e merecem por isso a nossa consideração, respeito e apoio! Estas mulheres, e outras noutros domínios, são um factor importante de estabilização da família e da inclusão e coesão social.
Vamos também continuar a cuidar do equilíbrio no género, pela via da promoção da formação e da ascensão de cada vez mais mulheres para cargos de direcção e chefia e do combate a todas as formas de discriminação e violência.

[Sao de saudar essas intencoes e 'a consideração, respeito e apoio' manifestados pelas Mulheres! Quanto as questoes do 'equilibrio do genero' de uma maneira geral, tenho registado com agrado a implementacao da politica de quotas estabelecida pela SADC (como o notei, por exemplo, aqui), embora continue a manter os meus pontos de vista de principio sobre essas questoes, expressos, entre outros comentarios neste blog, aqui.]




“Educação - 'Mais e melhor(?) do que no tempo do colono?'”

Em 2010, o total de alunos matriculados no sistema de ensino não universitário foi de 668.358 na iniciação e de 4.273.006 no ensino primário
(dez vezes mais do que no último ano do período colonial!).
Entretanto, desde 2008, o Ensino Superior conheceu um crescimento notável, contando actualmente a rede de instituições de formação já expandida por todas as províncias do país com 17 instituições públicas, sendo 7 universidades, 7 institutos superiores e 3 escolas superiores, assim como 22 instituições privadas, sendo 10 universidades e 12 institutos superiores, num total de 39 instituições de ensino superior, frequentadas por cerca de 150 mil estudantes e contando com cerca de dois mil docentes, incluindo nacionais e estrangeiros.
O sector privado tem dado uma importante contribuição a esse processo, na ordem de 5% no ensino primário e secundário e de cerca de 50 % no ensino superior. Este sector necessita ainda de melhorar a sua gestão, de se dotar de infra-estruturas e equipamentos mais adequados, de ministrar mais cursos de natureza técnica e também de rever a sua política de preços, uma vez que ainda cobra valores demasiado altos pelas propinas e pelos diferentes serviços prestados.

[Embora haja aqui um reconhecimento das melhorias ainda por fazer no dominio da educacao, especialmente a provida pelo sector privado, talvez fosse de notar igualmente a preocupacao de praticamente todos os angolanos com a qualidade, equidade, eficiencia e eficacia do ensino no pais. Tal nota poderia ser feita recorrendo as proprias palavras do Presidente JES ha' alguns meses:
"O preço a pagar por um sistema educativo ineficiente será demasiado elevado, pois com isso sofrerão a nossa economia e a sociedade, que não evoluirá e por vezes tenderá mesmo a regredir nos hábitos, nos costumes, na moral e nos valores, e sofrerá também o cidadão porque não conseguirá realizar-se integralmente", afirmou José Eduardo dos Santos, citado pela ANGOP.
Para José Eduardo dos Santos, a ineficiência do ensino afetará, sobretudo, os desfavorecidos, aqueles que não têm recursos para procurar outros sistemas de ensino e que verão amputadas as suas possibilidades de evoluir e de ascender socialmente.
O chefe de Estado angolano lembrou que a economia angolana precisa e precisará sempre de recursos humanos cada vez mais qualificados, para ser competitiva.
"A nossa sociedade será mais coesa e harmoniosa com cidadãos bem preparados e mais educados", vincou o líder do partido no poder.
-
aqui]




“Diversificacao da Economia”


Prevê-se que de 2012 a 2017 o sector da indústria transformadora vá registar um crescimento médio anual na ordem dos 10% e que o número médio anual de postos de trabalho a criar seja de 7.400 directos e 7.580 indirectos, estando o valor dos investimentos a realizar estimado em 8 mil e 500 milhões de dólares, inscritos na carteira dos ministérios da Indústria e da Geologia e Minas.




“Luanda ainda de ‘cara palida’(!)”


Finalmente, a cidade de Luanda está a sofrer uma grande transformação, quer no seu antigo casco urbano quer na sua periferia, mas a sua imagem ainda continua muito pálida. Orientei o Senhor Ministro do Urbanismo e Construção para que, em cooperação com o Senhor Governador desta província, apresentem um plano para a renovação completa da imagem da cidade capital do país, que incida na reparação de passeios, na reparação e recelagem das vias rodoviárias, na melhoria da iluminação pública e da sinalização e na conclusão célere dos parques de estacionamento previstos, com vista a melhorar a circulação.
Esse plano envolve igualmente a pintura dos edifícios e deve começar a ser implementado no início de 2012, para que Luanda reflicta o nosso desejo de mudar para melhor!




“Urbanismo e Habitação”


A estruturação e evolução do sistema urbano e do parque habitacional nacional continuam a desenvolver-se de modo gradual, assegurando assim um ambiente estruturante do desenvolvimento do país e de reforço das suas condições de afirmação e coesão territorial.
Neste contexto, o Programa Nacional de Habitação entrou numa fase intensa de realizações, com ênfase para a construção de novas cidades e centralidades e para os projectos de requalificação de largos aglomerados populacionais, que visam satisfazer as necessidades no domínio da habitação social e de média renda.
Nalgumas províncias verificam-se alguns atrasos nas obras devido a situações inerentes à logística, mas estima-se que, uma vez ultrapassados os constrangimentos, os primeiros fogos comecem a ser entregues em 2012.




“Transportes, Infra-estrutura básica e Logística”


Este foi de todos os subprogramas o que registou um crescimento mais assinalável. Foram reabilitados e construídos 6.500 quilómetros de estradas, erguidas centenas de pontes, relançados caminhos-de-ferro, recuperados aeroportos e incrementado o comércio e a logística.
Importa ainda ultrapassar algumas fragilidades do sector e articular e integrar os sistemas de transporte, concretamente os portos com as vias-férreas, os aeroportos com as estradas e as auto-estradas, e todos eles com as infra-estruturas logísticas. Em 2012/13 prevê-se a conclusão de todos os caminhos-de-ferro e do Porto do Lobito.
Já foi entretanto aprovada pelo Executivo a construção do maior porto comercial do país na Barra do Dande, província do Bengo. Será a principal porta de entrada de mercadorias, contribuindo assim para o crescimento económico e para a geração de mais empregos.




“Hotelaria e Turismo”


O Executivo aprovou as orientações para a criação de três novos pólos de desenvolvimento turístico, que irão complementar o Pólo de Desenvolvimento Turístico do Futungo de Belas, concretamente os Pólos de Desenvolvimento Turístico de Calandula, de Cabo Ledo e da Bacia do Okavango.
Neste último caso, Angola é parte de um ambicioso projecto para se criar uma reserva transfronteiriça de conservação ambiental, de fauna selvagem e de turismo ecológico, envolvendo a Zâmbia, o Zimbabwe, o Botswana e a Namíbia, denominado Okavango-Zambeze ou simplesmente KAZA-ATFC.




“Resgate da Dignidade e Identidade”


Acabam de ser apreciadas em Conselho de Ministros e remetidas à Assembleia Nacional duas importantes leis, a Lei do Mecenato e a Lei das Línguas Nacionais, que poderão contribuir de modo decisivo para uma maior sustentação e dinâmica das actividades artísticas e culturais e para resgatar a dignidade e identidade das várias regiões etnolinguísticas do nosso país.
Foi igualmente definido o regime jurídico da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, que permitirá um maior e mais fácil acesso às obras fundamentais para o conhecimento e a formação do homem, e também das Casas de Cultura, que proporcionam um espaço privilegiado para o convívio cultural e para o enriquecimento e partilha de experiências a todos os níveis.
Valorizamos e consideramos dignos de reconhecimento os esforços feitos pelos criadores das várias disciplinas artísticas e de todos os fazedores de cultura para o enriquecimento do património espiritual da nação. O Executivo vai apoiar esse esforço, acelerando igualmente a conclusão dos institutos médio e superior das Artes, com vista a ampliar as capacidades de formação dos quadros e profissionais do sector da Cultura.
 [Merece-me especial destaque esta frase:"resgatar a dignidade e identidade das várias regiões etnolinguísticas do nosso país". Isso porque as questoes da identidade e da diversidade (que passam, naturalmente, pela diversidade etnolinguistica) teem sido uma constante fonte de debates, desenvolvimento de ideias e compilacao de informacao das mais diversas fontes neste blog (servindo este apenas como um exemplo que engloba todas essas vertentes).
Infelizmente, tornaram-se tambem uma fonte permanente de ataques a minha personalidade, identidade e dignidade e ao meu direito a diferenca e a liberdade de expressao (!), tendo descambado em campanhas de calunia e difamacao e culminado em ameacas de morte (como
aqui, entre muitos outros posts neste blog, fica registado)!...
Por essa razao, saudo especialmente a passagem nos ultimos dias pela AN, na generalidade, da proposta de
Lei do Estatuto das Linguas Nacionais de Origem Africana, que faco votos venha a passar igualmente sem grandes dificuldades, na especialidade.]





“Macroeconomia ‘a prova de balas’(?)”


Atento aos riscos decorrentes da grave crise económica e financeira internacional, o Executivo conduziu a partir de 2009 uma Política Macroeconómica apoiada no pilar sólido de uma política fiscal de qualidade, coerente e credível, capaz de garantir um efeito contrário à tendência de estagnação económica que se desenhava em todos os países desenvolvidos e nos países em desenvolvimento e emergentes, e que se acabou por verificar em muitos deles.
A nossa política anti-cíclica orientou-se por uma firme determinação de evitar a recessão, sem recorrer ao crescimento das emissões de dívida e de moeda, para não se comprometerem os fundamentos fiscais e cambiais da estabilidade macroeconómica.


A inflação continua a ser um desafio para Angola. Depois de anos de descida sustentada, a taxa de inflação subiu 6% em 2008, atingindo 13,7%, e cresceu novamente para 14,7% em 2010. Estima-se que em 2011 a inflação fique abaixo dos 12% projectados no Orçamento Geral do Estado, uma vez que a variação acumulada de Janeiro até Agosto deste ano se cifra em apenas 6,86%, contra 8,4% em período igual de 2010.




[Do discurso do ano passado registamos o seguinte:
"No entanto, o Executivo está a terminar um estudo sobre as causas reais da inflação em Angola, de modo a concluir se esta é importada ou se resulta do financiamento do défice causado pela despesa pública. Pois os seus efeitos incidem sobre os altos patamares actuais das taxas de juros em termos de medidas adequadas para estimular o investimento e o crédito.
Está elaborado um estudo objectivo, amplo e minucioso sobre a formação dos preços dos bens e serviços no nosso país, na base do qual serão em breve anunciadas medidas, com destaque para a criação de uma instituição de supervisão dos preços e da concorrência."


Porque, entao, "a inflação continua a ser um desafio para Angola"? Foram mesmo tomadas as medidas anunciadas e criada a "instituição de supervisão dos preços e da concorrência?" Se sim, esta' ela a cumprir efectivamente as suas funcoes?]





Não admira, por todas as razões antes expostas, que a Nação angolana continue a receber da comunidade internacional o reconhecimento da sua crescente solidez macroeconómica, certificada nos relatórios emitidos em 2010 pelo Fundo Monetário Internacional e pelas três principais agências internacionais de classificação do risco de dívidas soberanas.




[Mais uma vez, essas 'accolades' internacionais sao de registar. No entanto, igualmente de registar seria o ultimo relatorio do Forum Economico Mundial aqui recentemente discutido, em que o ranking de competividade da economia angolana continua 'muito periclitante', para dizer o minimo! E esta observacao torna-se particularmente relevante perante o afirmado a esse respeito no discurso do ano passado:
"Todas essas medidas visam a inserção competitiva da economia angolana no contexto internacional, pois a realidade da globalização impõe uma estratégia de crescimento não só apoiada na diversificação, mas também com alguma selectividade sectorial, na qual o Estado deverá assumir um papel de liderança. Por essa razão estão a ser feitos esforços para melhorar a coordenação institucional, principalmente no sector produtivo da distribuição e do comércio, de modo a que os programas e projectos atinjam as metas fixadas."
Ao mesmo respeito, tambem registamos do discurso do ano passado, no capitulo dedicado ao "reforço da inserção competitiva de Angola no contexto internacional", as seguintes afirmacoes:

"Para materializar essas grandes prioridades temos, no entanto, de saber equacionar : com que recursos e fontes de financiamento devemos contar? Que quadros devemos formar em quantidade e qualidade? De que força de trabalho teremos de dispor?
Estas questões também estão a ser equacionadas e tratadas e constituem alguns dos grandes desafios que a Nação angolana tem de vencer nos próximos anos..."

Terao sido efectivamente equacionadas e enderecadas essas "outras grandes questões"?]


“Objectivos de desenvolvimento do Milenio”


Ao analisar os maiores problemas mundiais, a Organização das Nações Unidas definiu em 2000 um conjunto de objectivos a ser atingidos pelos Estados membros até 2015, por forma a reduzir para metade todos os índices apurados.
Como nos foi dado ver nas constatações que apontei anteriormente, ao referir o grau de implementação dos programas do Executivo em vários domínios da vida nacional, Angola tem estado a dar resposta a todas essas preocupações, não só com a organização das condições básicas e a alocação de recursos para acções concretas, mas também com a formação e a mobilização de toda a sociedade para as levar a bom termo.
É importante que os Senhores Deputados possam apreciar esses dados e fiscalizar a acção do Executivo, para que se saiba como o país está a cumprir os compromissos internacionais assumidos neste domínio.




[Como uma possivel baseline para esse exercicio de monitoring, sugeriria aos Senhores Deputados os dados para Angola disponiveis neste relatorio de 2005. Sugeriria igualmente aos investigadores academicos nacionais que, caso ainda nao o tenham feito, facam um relatorio semelhante para Angola ate’ 2010, idealmente com projeccoes ate’ a deadline de 2015.]




“O Projecto de Sociedade”


Ao fazermos uma opção política e ideológica pela democracia pluripartidária e pela economia social de mercado, escolhemos realizar a democracia política, económica, social e cultural, fundada na igualdade e no respeito das liberdades e garantias dos cidadãos. O nosso objectivo é edificar uma economia de mercado que sirva os Angolanos e garanta a melhoria crescente das suas condições de vida.
A economia nacional ainda está em fase de estruturação, mas não há economia de mercado sem empresários e proprietários privados e desejamos que sejam os empresários angolanos, grandes, médios e pequenos, que comecem a controlar desde já a nossa economia produtiva e de prestação de serviços, à medida que o Estado for reduzindo aí a sua presença.




[Ocorre-me perguntar se, em face desta inequivoca mudanca de "projecto de sociedade" (relativamente aquele que discutia aqui) ainda faz sentido a catana e roda dentada representando a "alianca operario-camponesa" e a "ditadura do proletariado" na actual bandeira nacional?]




Vão surgir e estão a surgir pessoas ricas. O Estado não está contra os ricos, mas é bom que se diga que a preocupação maior do Executivo é combater cada vez com mais energia a fome e a pobreza, de modo a reduzi-las progressivamente até à sua completa anulação. O sector privado pode e deve contribuir nesse esforço, fazendo mais investimentos para criar mais empregos bem pagos, pagar impostos e aumentar a riqueza nacional.




[Aqui sugeriria apenas uma reflexao sobre as questoes levantadas a volta deste artigo sobre a natureza do actual processo de acumulacao de riqueza em Angola]




Neste contexto, penso que o país precisa de leis e regulamentos com regras mais claras sobre a participação em negócios de governantes, deputados e outros titulares de cargos públicos e as eventuais incompatibilidades.




[Quer-me parecer que, tal como acontece noutros dominios da vida publica em Angola, a questao fundamental nao e' tanto a existencia de leis e regulamentos, mas a sua IMPLEMENTACAO. Vide, a este proposito, a Lei da Probidade Administrativa ainda muito recentemente aprovada... sera' que nao e' suficientemente clara?]




“Nos e os Outros”


Nós continuaremos a cumprir as nossas obrigações e a assumir as nossas responsabilidades no plano internacional, em especial no que diz respeito a África no seu todo e em particular no quadro dos conjuntos económicos e políticos a que pertencemos, como a SADC e a CEEAC, e também a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).









*[Entretanto, devo deixar aqui registado o facto curioso de o artigo "Angola, Petroleo e Economia Pos-Conflito - Que Fazer?", ter sido o primeiro dos meus 'artigos de fundo' postados neste blog a, desde que ha' algum tempo comecei a monitorar os "most popular posts", conseguir o feito espectacular de, na semana que precedeu este discurso sobre O Estado da Nacao, quase destronar o recordista absoluto "Bundas, Bundinhas e Bundonas" do topo dos posts mais lidos 'nos ultimos 7 dias', tendo-se em seguida instalado num respeitavel terceiro lugar na lista dos mais lidos 'nos ultimos 30 dias' - de onde, entretanto, ja' comecou a descer, mas ainda assim... facto insolito, nao apenas por ter sido o primeiro desse tipo de artigos a entrar nesta ultima lista, mas tambem porque nada do que postei aqui no ultimo mes o faria imediata ou directamente antever, excepto talvez alguma referencia indirecta a partir de posts como este ou este... enfim, coisas e loisas do 'aparentemente inexplicavel'... Que Fazer?]


Friday, 30 September 2011

O Poder da Associação // The Power of Association




[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]


O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.

Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.

"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.




The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.

Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.

"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.



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[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]


O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.

Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.

"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.




The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.

Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.

"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.



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Saturday, 10 September 2011

PERSONAGENS (IV) - R*




(...)
Nós mesmos
Os contratados
A queimar vida nos cafezais
Os homens negros ignorantes
Que devem respeitar o branco
E temer o rico

Somos os teus filhos
Dos bairros de pretos
Com fome e com sede
Com vergonha de te chamarmos mãe
(...)



Extracto de “Adeus à Hora da Largada”
Agostinho Neto


O EXECRAVEL PUTO PE'-DESCALÇO

Execravel... um puto? Ideia insuportavel!
Mas sim, era um puto. E sim, era execravel.
Nao um desses surpreendentemente imaginativos, empaticos e geralmente de bom fundo, “meninos de rua”, filhos da inclusiva exclusao pos-dipanda.
Tinha sido um puto pre'-dipanda.
[Pe'-descalço. Recalcado. Complexado.]

Alimentado a acre de kikwanga e aspereza de mfumbwa.
Sem a suavidade do funge e a amenidade da kizaka.
Sem a doçura do mikate e a convivialidade do safu.
Crescera boçal e pobre de espirito.
Sem inocencia. Sem meninice.
Sem a magia encantatoria das estorias de adormecer Bantu.
So' pesadelos: de mulheres negras violadas e monas mundele esquartejados a catanada em roças de cafe'.
Que especie de mulheres e monas podiam ser aqueles, senao insuportaveis?! Sussuravam-lhe os seus kazumbis – os unicos que lhe visitavam os sonhos.
[Pesadelos.]

Sim, cresceu dizendo-se 'so' podiam ser umas insuportaveis putas; seus monas nao mereciam outro destino senao a rejeiçao, o apagamento'.

Definitivamente, nao havia outro remedio senao acabar de vez com "aquela mulataria", como dizia um seu companheiro de infancia traumatizada - esse outro, conterraneo de contratados do sul nas roças de cafe' do norte do pais, que mais tarde, porem quando ainda lhe faltava "a coragem de ser angolano", haveria de tentar exorcisar os seus kazumbis, kalundus, traumas e complexos junto de uma inglesa que lhe lia Shakespeare para adormecer sem musica de fundo, acabando, depois de ela lhe ter passado um falso diploma de "cura" (que, aparentemente, tambem o creditava como economista especialista em crises financeiras internacionais e perito em transparencia nas industrias extractivas, entre outras curiosidades e enfermidades afins, tais como "life-long entitlement to ghost writers"...), por produzir, sob o olhar silencioso de Freud, uma copiosa prole negra para mostrar ao mundo (e sobretudo as negras que ao longo da sua ainda curta, mas aventurosa vida o tinham rejeitado, ou com as quais apenas delirara nos breves intervalos dos seus pesadelos - sendo que pelo menos a uma delas tera' "approached" com uma proposta bem a "capitalist nigger": "olha, os mais velhos estao a nos dizer que devemos namorar com as nossas 'manas' e gastar o nosso dinheiro com elas - assim, at the end of the day, o dinheiro fica dentro da nossa comunidade... e sabes uma coisa? Uma das minhas irmas esta' a guarda de diamantes no valor de milhoes, muitos milhoes mesmo!"... Seguindo-se que a dita "approached", sem um comentario, fechou-lhe a porta na cara, ainda que apenas 'figurativamente', e nunca mais o quis ver!) a sua "imensa masculinidade africana"...

Com tanto negro como eu por ai?! - auto-flagelava-se a cada passo dos seus execravelmente descalços pes na vertiginosa descida aos nauseabundos esgotos da sua triste memoria. Mesmo, e sobretudo, depois de ter deixado a pobre aldeia de Tomasse privada do seu idiota de estimacao, ido para a capital dar mau nome aos Bakongo, sido adoptado como filho da exclusiva inclusao pos-dipanda e calçado os devidos sapatos de ouro do poder de estado da "naçao crioula"; quando passou a transportar os seus pesadelos de execravel puto pe'-descalço, que nunca deixaria de ser, para a pagina impressa - escolhendo ritualmente para o efeito as datas de nascimento dos monas visados.
[Esgoto. Barata. Genocida.]

Impossibilitado de acender fogueiras para os queimar nos putridos esgotos que habitava, ou de os enterrar vivos no seu ja' completamente fundo tugurio, continuou, aí, a esquartejar a tinta vermelha de sangue mulheres negras, especialmente se “nao casadas”, mais seus monas (enquanto, com medo de perder o emprego, idolatrava e lambia os pes calçados de botas dos seus, novos-ex-roceiros de cafe', patroes) mundele.
[Boçal. Lacaio. Subserviente. Verme.]

Convenceu-se de que podia escrever algo como a "Memoria de Minhas Putas Tristes" de Garcia Marquez (cuja mae sabia ler, certamente contar-lhe encantatorias estorias de adormecer e ensinar-lhe a respeitar as mulheres - "putas" que fossem!...) e alcançar a eternidade dos Nobeis.

Nunca conseguiria mais do que alcançar a eternidade dos ratos e baratas de esgoto.
[Execravelmente Pe'-Descalço!]

*(First posted 27/11/09 - repostado a 25/01/10 e hoje, 10/09/11,
a proposito desta materia - que me fez lembrar da estoria dos "100 MIL CONTOS DO ABRIGADA"!!!)


Posts relacionados:


Black Masculinit(ies)y and Domestic Violence

"O Crime de Lesa-Patria!"

Sabes?

Confissao a Sant'Ana da Muxima

Certo ou Errado?

Falando de Etica Jornalistica

Media Freedom(s) Quo Vadis?

Sim Senhora Ministra?

Terra Queimada

"A Mesa Redonda"

A Proposito dos Monologos da Vagina







ADENDA

Prémio Maboque de Jornalismo é um embuste?

O Prémio Maboque de jornalismo, criado por essa empresa para agraciar profissionais da Comunicação Social que se destaquem no período de Janeiro a Setembro de cada ano, continua a revelar que o seu propósito é agradecer jornalistas dos órgãos públicos e os pró-regime, pela vassalagem e propaganda que prestaram e/ou têm prestado ao sistema governante.
O vencedor da última edição, Luís Fernando, antigo director do Jornal de Angola e actualmente d’O País, que sempre foi (é) um propagandista ao serviço do sistema político, é bem a prova do que acabámos de afirmar, pois, ao longo dos oito meses, não fez por merecer.
Não é justo que, por três reportagens, duas no exterior do país e uma em Angola, se lhe entregue o prémio de mão beijada, quando há colegas que ao longo desse tempo elaboraram mais e melhores trabalhos, particularmente de órgãos privados, o Semanário Angolense incluído, modéstia à parte. Foi uma injustiça dar o prémio a Luís Fernando, em detrimento de colegas que fizeram trabalhos com mais regularidade, ao longo destes nove meses.
Fonte digna de fé revelou-nos que, à última hora, o prémio foi retirado ao programa Debate Informativo, da Rádio Ecclesia, para ser oferecido a Luís Fernando, por uma ordem «vinda de cima». Portanto, o Prémio Maboque é um embuste, uma charada.
A nossa suspeita é ainda reforçada pelo facto de, ao longo das 19 edições, apenas dois jornalistas, do mesmo órgão privado (Semanário Angolense), conquistaram, meritoriamente, o galardão. Trata-se, nomeadamente, de Severino Carlos e Silva Candembo, que deixaram o corpo de jurados sem hipótese. Essa atribuição também visou dar a imagem de que o Prémio Maboque não está comprometido com o partido no poder.
Aliás, o seu suposto proprietário, Armindo César, foi um destacado dirigente da organização juvenil do MPLA, a JMPLA, membro dessa formação política, não devendo premiar jornalistas de órgãos que criticam o governo e o partido que o suporta.
Ao jornalista António Freitas, então director adjunto do semanário Agora, apesar de reconhecermos a sua capacidade técnica e profissional, só foi entregue o prémio por ter feito uma entrevista a Arkadi Gaidamak, parceiro do Governo na compra de armas durante a guerra, em que também esteve envolvido o francês Pierre Falcone.
A maior parte das edições foi oferecida a trabalhadores da Televisão Pública de Angola, Rádio Nacional de Angola e ao Jornal de Angola e da LAC, criada em 1992, pelo MPLA.
Se, na verdade, o Prémio Maboque de Jornalismo tivesse sido criado para premiar qualquer profissional que o merecesse, sem se olhar para a linha editorial do órgão para o qual trabalha e o facto de criticar as autoridades governamentais, o partido no poder e outros órgãos afins, jor¬nalistas como […] entre muitos outros já o teriam vencido.
Caso esses jornalistas trabalhassem nos órgãos públicos, não haja dúvida de que já teriam ganho o Prémio Maboque. Apraz perguntar, o que João Melo, Maria Luísa Fançony, Luís Fernando e outros propagandistas do regime terão feito mais e melhor do que aqueles escribas, alguns dos quais foram os pioneiros do jornalismo angolano e o revolucionaram. Inspiraram muitos dos jornalistas que surgiram posteriormente. Julgamos, por isso, que o Prémio Maboque devia destinar-se apenas aos jornalistas dos órgãos de comunicação estatais. A discriminação é deveras óbvia e gritante.
Não poderíamos terminar sem nos reportarmos à Angop, agência noticiosa pela qual passaram muitos dos jornalistas que agora exercem noutros órgãos. Uma grande escola, a Angop. Só para citar alguns, são os casos Graça Campos, Aguiar dos Santos, Silva Candembo, Salas Neto, Severino Carlos, Pascoal Mukuna, Cristóvão Neto, Francisco Alexandre, José Caetano, Siona Casimiro, Nhuca Júnior, entre centenas de outros.
Este parêntese sobre a agência serve para protestar contra a exclusão a que os seus jornalistas têm sido submetidos pelo Prémio Maboque. Não concordamos! Em próximas edições, esses profissionais deviam também ter direito a concorrer, pois eles são tão jornalistas quanto os outros.

Presidente do júri

A presidente do júri, Maria Ramos, que não tem formação jornalística, devia ter a humildade e a honestidade de recusar o convite para ocupar tal cargo, por não estar à altura de avaliar o trabalho dos jornalistas. Aliás, os próprios organizadores do prémio deviam ser mais exigentes neste aspecto. Maria Ramos desconhece o que é um lead, uma reportagem, uma crónica, um editorial e outros géneros jornalísticos.
Ela está lá como mera figura decorativa, pois o presidente do júri de qualquer concurso deve dar uma opinião abalizada sobre as matérias que concorrem, sob pena de fazer papel ridículo por não entender patavina. Aconselhamos, por isso, a Maboque a que futuramente a constitua um corpo de jurado só de jornalistas.
Apesar de que, de uma forma geral, os jornalistas têm uma sólida cultura geral, não seria produtivo, por exemplo, que integrassem um júri para um prémio de direito, economia, finanças, construção civil e outras respeitáveis profissões. Infelizmente, muita gente acha que se pode imiscuir nos domínios do jornalismo, banalizando-o.
Portanto, cada macaco no seu galho! ■
PM
[in Semanario Angolense, Luanda, edicao #434 de 17/09/11]




(...)
Nós mesmos
Os contratados
A queimar vida nos cafezais
Os homens negros ignorantes
Que devem respeitar o branco
E temer o rico

Somos os teus filhos
Dos bairros de pretos
Com fome e com sede
Com vergonha de te chamarmos mãe
(...)



Extracto de “Adeus à Hora da Largada”
Agostinho Neto


O EXECRAVEL PUTO PE'-DESCALÇO

Execravel... um puto? Ideia insuportavel!
Mas sim, era um puto. E sim, era execravel.
Nao um desses surpreendentemente imaginativos, empaticos e geralmente de bom fundo, “meninos de rua”, filhos da inclusiva exclusao pos-dipanda.
Tinha sido um puto pre'-dipanda.
[Pe'-descalço. Recalcado. Complexado.]

Alimentado a acre de kikwanga e aspereza de mfumbwa.
Sem a suavidade do funge e a amenidade da kizaka.
Sem a doçura do mikate e a convivialidade do safu.
Crescera boçal e pobre de espirito.
Sem inocencia. Sem meninice.
Sem a magia encantatoria das estorias de adormecer Bantu.
So' pesadelos: de mulheres negras violadas e monas mundele esquartejados a catanada em roças de cafe'.
Que especie de mulheres e monas podiam ser aqueles, senao insuportaveis?! Sussuravam-lhe os seus kazumbis – os unicos que lhe visitavam os sonhos.
[Pesadelos.]

Sim, cresceu dizendo-se 'so' podiam ser umas insuportaveis putas; seus monas nao mereciam outro destino senao a rejeiçao, o apagamento'.

Definitivamente, nao havia outro remedio senao acabar de vez com "aquela mulataria", como dizia um seu companheiro de infancia traumatizada - esse outro, conterraneo de contratados do sul nas roças de cafe' do norte do pais, que mais tarde, porem quando ainda lhe faltava "a coragem de ser angolano", haveria de tentar exorcisar os seus kazumbis, kalundus, traumas e complexos junto de uma inglesa que lhe lia Shakespeare para adormecer sem musica de fundo, acabando, depois de ela lhe ter passado um falso diploma de "cura" (que, aparentemente, tambem o creditava como economista especialista em crises financeiras internacionais e perito em transparencia nas industrias extractivas, entre outras curiosidades e enfermidades afins, tais como "life-long entitlement to ghost writers"...), por produzir, sob o olhar silencioso de Freud, uma copiosa prole negra para mostrar ao mundo (e sobretudo as negras que ao longo da sua ainda curta, mas aventurosa vida o tinham rejeitado, ou com as quais apenas delirara nos breves intervalos dos seus pesadelos - sendo que pelo menos a uma delas tera' "approached" com uma proposta bem a "capitalist nigger": "olha, os mais velhos estao a nos dizer que devemos namorar com as nossas 'manas' e gastar o nosso dinheiro com elas - assim, at the end of the day, o dinheiro fica dentro da nossa comunidade... e sabes uma coisa? Uma das minhas irmas esta' a guarda de diamantes no valor de milhoes, muitos milhoes mesmo!"... Seguindo-se que a dita "approached", sem um comentario, fechou-lhe a porta na cara, ainda que apenas 'figurativamente', e nunca mais o quis ver!) a sua "imensa masculinidade africana"...

Com tanto negro como eu por ai?! - auto-flagelava-se a cada passo dos seus execravelmente descalços pes na vertiginosa descida aos nauseabundos esgotos da sua triste memoria. Mesmo, e sobretudo, depois de ter deixado a pobre aldeia de Tomasse privada do seu idiota de estimacao, ido para a capital dar mau nome aos Bakongo, sido adoptado como filho da exclusiva inclusao pos-dipanda e calçado os devidos sapatos de ouro do poder de estado da "naçao crioula"; quando passou a transportar os seus pesadelos de execravel puto pe'-descalço, que nunca deixaria de ser, para a pagina impressa - escolhendo ritualmente para o efeito as datas de nascimento dos monas visados.
[Esgoto. Barata. Genocida.]

Impossibilitado de acender fogueiras para os queimar nos putridos esgotos que habitava, ou de os enterrar vivos no seu ja' completamente fundo tugurio, continuou, aí, a esquartejar a tinta vermelha de sangue mulheres negras, especialmente se “nao casadas”, mais seus monas (enquanto, com medo de perder o emprego, idolatrava e lambia os pes calçados de botas dos seus, novos-ex-roceiros de cafe', patroes) mundele.
[Boçal. Lacaio. Subserviente. Verme.]

Convenceu-se de que podia escrever algo como a "Memoria de Minhas Putas Tristes" de Garcia Marquez (cuja mae sabia ler, certamente contar-lhe encantatorias estorias de adormecer e ensinar-lhe a respeitar as mulheres - "putas" que fossem!...) e alcançar a eternidade dos Nobeis.

Nunca conseguiria mais do que alcançar a eternidade dos ratos e baratas de esgoto.
[Execravelmente Pe'-Descalço!]

*(First posted 27/11/09 - repostado a 25/01/10 e hoje, 10/09/11,
a proposito desta materia - que me fez lembrar da estoria dos "100 MIL CONTOS DO ABRIGADA"!!!)


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"O Crime de Lesa-Patria!"

Sabes?

Confissao a Sant'Ana da Muxima

Certo ou Errado?

Falando de Etica Jornalistica

Media Freedom(s) Quo Vadis?

Sim Senhora Ministra?

Terra Queimada

"A Mesa Redonda"

A Proposito dos Monologos da Vagina







ADENDA

Prémio Maboque de Jornalismo é um embuste?

O Prémio Maboque de jornalismo, criado por essa empresa para agraciar profissionais da Comunicação Social que se destaquem no período de Janeiro a Setembro de cada ano, continua a revelar que o seu propósito é agradecer jornalistas dos órgãos públicos e os pró-regime, pela vassalagem e propaganda que prestaram e/ou têm prestado ao sistema governante.
O vencedor da última edição, Luís Fernando, antigo director do Jornal de Angola e actualmente d’O País, que sempre foi (é) um propagandista ao serviço do sistema político, é bem a prova do que acabámos de afirmar, pois, ao longo dos oito meses, não fez por merecer.
Não é justo que, por três reportagens, duas no exterior do país e uma em Angola, se lhe entregue o prémio de mão beijada, quando há colegas que ao longo desse tempo elaboraram mais e melhores trabalhos, particularmente de órgãos privados, o Semanário Angolense incluído, modéstia à parte. Foi uma injustiça dar o prémio a Luís Fernando, em detrimento de colegas que fizeram trabalhos com mais regularidade, ao longo destes nove meses.
Fonte digna de fé revelou-nos que, à última hora, o prémio foi retirado ao programa Debate Informativo, da Rádio Ecclesia, para ser oferecido a Luís Fernando, por uma ordem «vinda de cima». Portanto, o Prémio Maboque é um embuste, uma charada.
A nossa suspeita é ainda reforçada pelo facto de, ao longo das 19 edições, apenas dois jornalistas, do mesmo órgão privado (Semanário Angolense), conquistaram, meritoriamente, o galardão. Trata-se, nomeadamente, de Severino Carlos e Silva Candembo, que deixaram o corpo de jurados sem hipótese. Essa atribuição também visou dar a imagem de que o Prémio Maboque não está comprometido com o partido no poder.
Aliás, o seu suposto proprietário, Armindo César, foi um destacado dirigente da organização juvenil do MPLA, a JMPLA, membro dessa formação política, não devendo premiar jornalistas de órgãos que criticam o governo e o partido que o suporta.
Ao jornalista António Freitas, então director adjunto do semanário Agora, apesar de reconhecermos a sua capacidade técnica e profissional, só foi entregue o prémio por ter feito uma entrevista a Arkadi Gaidamak, parceiro do Governo na compra de armas durante a guerra, em que também esteve envolvido o francês Pierre Falcone.
A maior parte das edições foi oferecida a trabalhadores da Televisão Pública de Angola, Rádio Nacional de Angola e ao Jornal de Angola e da LAC, criada em 1992, pelo MPLA.
Se, na verdade, o Prémio Maboque de Jornalismo tivesse sido criado para premiar qualquer profissional que o merecesse, sem se olhar para a linha editorial do órgão para o qual trabalha e o facto de criticar as autoridades governamentais, o partido no poder e outros órgãos afins, jor¬nalistas como […] entre muitos outros já o teriam vencido.
Caso esses jornalistas trabalhassem nos órgãos públicos, não haja dúvida de que já teriam ganho o Prémio Maboque. Apraz perguntar, o que João Melo, Maria Luísa Fançony, Luís Fernando e outros propagandistas do regime terão feito mais e melhor do que aqueles escribas, alguns dos quais foram os pioneiros do jornalismo angolano e o revolucionaram. Inspiraram muitos dos jornalistas que surgiram posteriormente. Julgamos, por isso, que o Prémio Maboque devia destinar-se apenas aos jornalistas dos órgãos de comunicação estatais. A discriminação é deveras óbvia e gritante.
Não poderíamos terminar sem nos reportarmos à Angop, agência noticiosa pela qual passaram muitos dos jornalistas que agora exercem noutros órgãos. Uma grande escola, a Angop. Só para citar alguns, são os casos Graça Campos, Aguiar dos Santos, Silva Candembo, Salas Neto, Severino Carlos, Pascoal Mukuna, Cristóvão Neto, Francisco Alexandre, José Caetano, Siona Casimiro, Nhuca Júnior, entre centenas de outros.
Este parêntese sobre a agência serve para protestar contra a exclusão a que os seus jornalistas têm sido submetidos pelo Prémio Maboque. Não concordamos! Em próximas edições, esses profissionais deviam também ter direito a concorrer, pois eles são tão jornalistas quanto os outros.

Presidente do júri

A presidente do júri, Maria Ramos, que não tem formação jornalística, devia ter a humildade e a honestidade de recusar o convite para ocupar tal cargo, por não estar à altura de avaliar o trabalho dos jornalistas. Aliás, os próprios organizadores do prémio deviam ser mais exigentes neste aspecto. Maria Ramos desconhece o que é um lead, uma reportagem, uma crónica, um editorial e outros géneros jornalísticos.
Ela está lá como mera figura decorativa, pois o presidente do júri de qualquer concurso deve dar uma opinião abalizada sobre as matérias que concorrem, sob pena de fazer papel ridículo por não entender patavina. Aconselhamos, por isso, a Maboque a que futuramente a constitua um corpo de jurado só de jornalistas.
Apesar de que, de uma forma geral, os jornalistas têm uma sólida cultura geral, não seria produtivo, por exemplo, que integrassem um júri para um prémio de direito, economia, finanças, construção civil e outras respeitáveis profissões. Infelizmente, muita gente acha que se pode imiscuir nos domínios do jornalismo, banalizando-o.
Portanto, cada macaco no seu galho! ■
PM
[in Semanario Angolense, Luanda, edicao #434 de 17/09/11]

Saturday, 16 July 2011

Burrice e/ou ignorância. Ou seria o contrário?






"A arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia."


Ignora quem desconhece algo; logo, somos ignorantes em relação àquilo que não aprendemos. Por outro lado, a ignorância só pode ser revertida graças ao processo de aprendizagem.

[...]

Não raro a prepotência arrogante é confundida com a ignorância; na verdade a abriga inúmeras vezes. O arrogante, normalmente, tem um comportamento agressivo, por lhe faltar, muitas vezes, o conhecimento, as condições reais de argumentação qualificada exigidas, por exemplo, em uma situação na qual seja necessário o convencimento de terceiros. Esconde, assim, o não-conhecimento. A ignorância, embora possa encastelar-se de maneira razoavelmente confortável na arrogância, com a mesma não se confunde; antes, a última é útil à primeira.

[...]

Contrário da solidariedade, contrário da aprendizagem, a arrogância se subsume a ela própria. Assim, de tal maneira e por isso a arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia.

[...]

A burrice é paralisante, de tal modo que não poucas vezes é confundida com a autonegligência. A pessoa se habitua à sua burrice porque aceitou passivamente o estigma do qual é partícipe. Assim, quem se entende burro, assim se entende por assumir sua passividade, embora, inegavelmente, isso atinja sua auto-estima. Esse incomodo, contudo, ainda não é suficiente para retirá-la da sua zona de conforto e pô-la em processo de aprendizagem, enfim, movê-la em direção a um objetivo pessoal ou social. Toda aprendizagem implica em um movimento, em um vir-a-conhecer, em um desafio que confronta a inação mental e física.

Há, portanto, de distinguir-se esses três eixos, confundidos no cotidiano. Ignorância, burrice e arrogância são três infelicitações que mais não fazem do que interferir negativamente no processo de aprendizagem, no relacionamento social e no acesso aos meios de cultura.

[...]

Talvez por aí possamos compreender melhor o que significa a crise de autoridade que vivenciamos, a carência de líderes e a inconsistência de nossos argumentos. Pensar em tais fatos pode nos levar a concretizar decisões que gravitam em uma densidade e uma tensão da qual queremos, confortavelmente, fugir.

Admitamos: somos todos um pouco burros, um pouco ignorantes, um pouco arrogantes. Mas tem gente que é bem mais. Não nos coformemos, contudo; embora a pós-modernidade pregue em tudo o individualismo, resistamos e banquemos La Passionaria. O mundo, de modo geral, agradece.


[Extractos daqui]


Post Relacionado: Kundera's Ignorance






"A arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia."


Ignora quem desconhece algo; logo, somos ignorantes em relação àquilo que não aprendemos. Por outro lado, a ignorância só pode ser revertida graças ao processo de aprendizagem.

[...]

Não raro a prepotência arrogante é confundida com a ignorância; na verdade a abriga inúmeras vezes. O arrogante, normalmente, tem um comportamento agressivo, por lhe faltar, muitas vezes, o conhecimento, as condições reais de argumentação qualificada exigidas, por exemplo, em uma situação na qual seja necessário o convencimento de terceiros. Esconde, assim, o não-conhecimento. A ignorância, embora possa encastelar-se de maneira razoavelmente confortável na arrogância, com a mesma não se confunde; antes, a última é útil à primeira.

[...]

Contrário da solidariedade, contrário da aprendizagem, a arrogância se subsume a ela própria. Assim, de tal maneira e por isso a arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia.

[...]

A burrice é paralisante, de tal modo que não poucas vezes é confundida com a autonegligência. A pessoa se habitua à sua burrice porque aceitou passivamente o estigma do qual é partícipe. Assim, quem se entende burro, assim se entende por assumir sua passividade, embora, inegavelmente, isso atinja sua auto-estima. Esse incomodo, contudo, ainda não é suficiente para retirá-la da sua zona de conforto e pô-la em processo de aprendizagem, enfim, movê-la em direção a um objetivo pessoal ou social. Toda aprendizagem implica em um movimento, em um vir-a-conhecer, em um desafio que confronta a inação mental e física.

Há, portanto, de distinguir-se esses três eixos, confundidos no cotidiano. Ignorância, burrice e arrogância são três infelicitações que mais não fazem do que interferir negativamente no processo de aprendizagem, no relacionamento social e no acesso aos meios de cultura.

[...]

Talvez por aí possamos compreender melhor o que significa a crise de autoridade que vivenciamos, a carência de líderes e a inconsistência de nossos argumentos. Pensar em tais fatos pode nos levar a concretizar decisões que gravitam em uma densidade e uma tensão da qual queremos, confortavelmente, fugir.

Admitamos: somos todos um pouco burros, um pouco ignorantes, um pouco arrogantes. Mas tem gente que é bem mais. Não nos coformemos, contudo; embora a pós-modernidade pregue em tudo o individualismo, resistamos e banquemos La Passionaria. O mundo, de modo geral, agradece.


[Extractos daqui]


Post Relacionado: Kundera's Ignorance

Wednesday, 30 March 2011

AS GUELEDÉS - A FESTA DAS MÁSCARAS



Prepare-se: nesse livro você vai embarcar em uma aventura para desvendar um grande mistério e conhecerá mulheres que se transformam em ratos, pássaros e até mesmo em morcegos!

Tudo é magia na transformação de pessoas em animais. São histórias de um tempo longínquo sobre o poder de luta da mulher africana presente até os nossos dias nas mulheres afrodescendentes. Conheça essas grandes mães africanas representadas nas máscaras e descubra como elas podem ser notadas no nosso dia a dia.

Essa presença está nas palavras que usamos para conversar, na música que escutamos e cantamos, na dança, nas religiões que nos cercam, no artesanato que admiramos e, especialmente, na comida que comemos. Depois de se divertir nessa viagem, você poderá ler mais sobre o país e a nação de origem das Senhoras da Noite, sobre suas tradições, sua cultura e sua sociedade.


[Aqui]


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