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Monday, 25 June 2012

"ASSUMINDO"…






“É tempo de quem está no poder perceber também que o Bloco Democrático é uma “Banda Desenhada”, como lhe chamam depreciativamente os seus opositores, que faz falta à nossa democracia. Não vale a pena ter medo do seu discurso.
Não vale a pena fugir dos seus adjectivos. É uma Banda intelectual necessária à nossa política que tendo todo o direito de criticar o que está a ser mal gerido – e há muita coisa a ser mal gerida em vários domínios - é tempo dela perceber também que há coisas – nem tudo é claro – bem feitas pelo Executivo e reconhecer isso não a diminui, nem desvaloriza a oposição.
Pensar assim, é pensar pequeno e a Banda não pode ser pequena. Porque quem gosta da democracia não quer, seguramente, ver a Banda desfazer-se e daqui há quatro anos mudar de sigla novamente….”


[Gustavo Costa, in “Fraka gente e fraku nivel…” - Novo Jornal # 231, 22/06/2012]




Assumindo-me como “madrinha de baptismo” do BD – Banda Desenhada nao posso deixar de manifestar o meu protesto por me ver classificada, num artigo cujo autor (…velada... mas abertamente…) assume que (afinale?!) le o meu blog (…nao que eu “suspeitasse”..), como “opositora” do BD – Bloco Democratico!...

O “meu afilhado” BD ficou a dever o seu cognome apenas e tao so’ ao facto de o comportamento de duas das suas mais fanaticas militantes relativamente a mim e a materias publicadas neste blog assim o ter sugerido!… Nada, portanto, a ver com o BD enquanto partido!...


Quanto ao resto, parece-me oportuno transcrever uma troca de opinioes que tive recentemente com o Luiz Araujo na sua pagina no FB:



Ana Koluki Caro Luiz Araújo: tenho acompanhado os seus pensamentos sobre essas questoes e, na generalidade, tenho concordado com os seus pontos de vista no sentido de se criar uma plataforma civica comum que possa servir de forca impulsionadora para a instauracao e manutencao de uma verdadeira democracia em Angola. No entanto, o que me parece faltar acima de tudo entre os "protagonistas" (... e, embora sendo "pintada" como tal eu nao me incluo entre eles!...) e' vontade e, em alguns casos, capacidade de comunicacao. Nao pode haver um "entendimento comum" sobre o que e' a "verdadeira democracia" e qual o "melhor metodo ou via" para se a obter dadas as circunstancias concretas e reais quer do "poder", quer da "oposicao", sem dialogo, troca de ideias, concertacao de opinioes diversas e, acima de tudo RESPEITO PELO OUTRO! Sim, estou por exigir DIGNIDADE COM DIGNIDADE nao apenas do poder politico, mas tambem, e sobretudo, dos meus concidadaos a quem nunca considerei inferiores a mim - antes pelo contrario, sempre tratei como irmaos!...


Luiz Araújo Ana Koluki, antes de mais agradeço a atenção que deste a este post e aos anteriores com que venho insistindo na necessidade da gestação duma agenda comum de resistência contra a ditadura. Concordo que a primeira e uma das mais graves carências que vimos constatando é de vontade para se dialogar. Comunicamos bastante mas principalmente de nós para os outros, feitos receptores do que consideramos como as coisas devem ser feitas, e muito pouco como emissores que também são receptores do que os outros nos endereçam abertos ao seu tratamento e acolhimento nos moldes que resultem na reflexão dialogada e na cooperacção para o alcance duma meta comum. A verdade dos factos demonstra-nos que, em geral, as formações da oposição, organizações cívicas e quase todas e todos nós temos pela frente o desafio comum de vencermos a ditadura para a tirarmos da nossas vidas mas não nos juntamos para isso, (é facto não um juizo) e cada um continua a agir como franco atirador como se a pudesse vencer sozinho, também o facto. Temos recursos que até nos permitem realizar o dialogo, temos computadores com que participamos aqui no Facebook e que podemos usar para conferências (via skype ex) em que realizemos o dialogo. Dialogo mesmo, não o comando dos outros. Suponho que a maioria de nós sabe pelo menos minimamente o que será uma verdadeira democracia e um Estado de direito que tenho e a maioria de nós diz também ser a sua meta. Podemos e devemos aprofundar esse conhecimento como forma de promovermos um projecto de sociedade livre. Mas o desafio que nos é colocado pelas circunstancias de opressão e dominação que a ditadura impõe á sociedade, portanto o desafio nº 1 é agir para que a ditadura tenha fim, depois disso o desafio nº 2 será a realização do projecto de sociedade livre. Para enfrentarmos o desafio nº 1 é que tenho apelado a gestação duma ampla frente/movimento ou rede, como se queira, em que deixemos de ser uma miríade de franco atiradores dispersos e passemos a agir em cooperação até á realização da meta correspondente ao desafio nº1. Respeito pelo outro, para terminar, suponho que não seja o que me falte e não tenho aos meus concidadãos como inferiores em termos de direitos e liberdades, de cidadania. Agora na política como em todos os domínios do ser humano alguns têm mais qualidades do que outros, porque as adquiriram e exercitara, desenvolveram capacidades etc. Por ex eu serei inferior a um atleta campeão de futebol ou dos 100 metros livres porque não tenho as qualidades que ele tem para correr e ou jogar futebol. Mas nalguns domínios da actividade intelectual ex alguns de nós desenvolvem mais capacidades e não se tornando superiores aos outros em termos de direitos temos que reconhecer que se tornam mais capazes nesse domínios, não será. Abraço.

Luiz Araújo Posso desenvolver mais o foco sobre alguns aspectos e referir outros mas depois


Ana Koluki Luiz Araújo, obrigada pela detalhada resposta. Creio que nao ha' aqui grandes divergencias de substancia entre os nossos pontos de vista. Talvez haja alguma dissonancia em termos de "estrategia", mas espero pelo desenvolvimento que prometeu fazer depois para voltar a essa questao. Quanto a questao das qualidades/capacidades e associadas "superioridades/inferioridades", o que tenho aprendido ao longo da minha vida e' que, em principio, nenhum ser humano e' "superior" a outro/a. O que ha' serao niveis diferentes de conhecimento e/ou experiencia num determinado dominio, seja ele intelectual, profissional ou outro. E, obviamente, concordo que essas diferencas devem ser respeitadas e, quanto a mim isso faz parte do principio de RESPEITO PELO OUTRO e pela DIVERSIDADE entre a HUMANIDADE que todos constituimos - e', alias, nesse principio que se fundamenta a filosofia dos DIREITOS HUMANOS. E para que todos possam ser igualmente respeitados, dentro da especificidade do que cada um tem para oferecer a sociedade como cidadao de PLENO DIREITO e' preciso que cada um saiba reconhecer as suas competencias/incompetencias e pontos fortes e pontos fracos em cada dominio, para que cada um possa contribuir com o que de melhor tem a dar, naquilo em que e' mais capaz do que outros. De outro modo, continuarao a vingar as estrategias destrutivas baseadas no egocentrismo sem limites e no total desrespeito pelo outro!... Abraco de volta.






“É tempo de quem está no poder perceber também que o Bloco Democrático é uma “Banda Desenhada”, como lhe chamam depreciativamente os seus opositores, que faz falta à nossa democracia. Não vale a pena ter medo do seu discurso.
Não vale a pena fugir dos seus adjectivos. É uma Banda intelectual necessária à nossa política que tendo todo o direito de criticar o que está a ser mal gerido – e há muita coisa a ser mal gerida em vários domínios - é tempo dela perceber também que há coisas – nem tudo é claro – bem feitas pelo Executivo e reconhecer isso não a diminui, nem desvaloriza a oposição.
Pensar assim, é pensar pequeno e a Banda não pode ser pequena. Porque quem gosta da democracia não quer, seguramente, ver a Banda desfazer-se e daqui há quatro anos mudar de sigla novamente….”


[Gustavo Costa, in “Fraka gente e fraku nivel…” - Novo Jornal # 231, 22/06/2012]




Assumindo-me como “madrinha de baptismo” do BD – Banda Desenhada nao posso deixar de manifestar o meu protesto por me ver classificada, num artigo cujo autor (…velada... mas abertamente…) assume que (afinale?!) le o meu blog (…nao que eu “suspeitasse”..), como “opositora” do BD – Bloco Democratico!...

O “meu afilhado” BD ficou a dever o seu cognome apenas e tao so’ ao facto de o comportamento de duas das suas mais fanaticas militantes relativamente a mim e a materias publicadas neste blog assim o ter sugerido!… Nada, portanto, a ver com o BD enquanto partido!...


Quanto ao resto, parece-me oportuno transcrever uma troca de opinioes que tive recentemente com o Luiz Araujo na sua pagina no FB:



Ana Koluki Caro Luiz Araújo: tenho acompanhado os seus pensamentos sobre essas questoes e, na generalidade, tenho concordado com os seus pontos de vista no sentido de se criar uma plataforma civica comum que possa servir de forca impulsionadora para a instauracao e manutencao de uma verdadeira democracia em Angola. No entanto, o que me parece faltar acima de tudo entre os "protagonistas" (... e, embora sendo "pintada" como tal eu nao me incluo entre eles!...) e' vontade e, em alguns casos, capacidade de comunicacao. Nao pode haver um "entendimento comum" sobre o que e' a "verdadeira democracia" e qual o "melhor metodo ou via" para se a obter dadas as circunstancias concretas e reais quer do "poder", quer da "oposicao", sem dialogo, troca de ideias, concertacao de opinioes diversas e, acima de tudo RESPEITO PELO OUTRO! Sim, estou por exigir DIGNIDADE COM DIGNIDADE nao apenas do poder politico, mas tambem, e sobretudo, dos meus concidadaos a quem nunca considerei inferiores a mim - antes pelo contrario, sempre tratei como irmaos!...


Luiz Araújo Ana Koluki, antes de mais agradeço a atenção que deste a este post e aos anteriores com que venho insistindo na necessidade da gestação duma agenda comum de resistência contra a ditadura. Concordo que a primeira e uma das mais graves carências que vimos constatando é de vontade para se dialogar. Comunicamos bastante mas principalmente de nós para os outros, feitos receptores do que consideramos como as coisas devem ser feitas, e muito pouco como emissores que também são receptores do que os outros nos endereçam abertos ao seu tratamento e acolhimento nos moldes que resultem na reflexão dialogada e na cooperacção para o alcance duma meta comum. A verdade dos factos demonstra-nos que, em geral, as formações da oposição, organizações cívicas e quase todas e todos nós temos pela frente o desafio comum de vencermos a ditadura para a tirarmos da nossas vidas mas não nos juntamos para isso, (é facto não um juizo) e cada um continua a agir como franco atirador como se a pudesse vencer sozinho, também o facto. Temos recursos que até nos permitem realizar o dialogo, temos computadores com que participamos aqui no Facebook e que podemos usar para conferências (via skype ex) em que realizemos o dialogo. Dialogo mesmo, não o comando dos outros. Suponho que a maioria de nós sabe pelo menos minimamente o que será uma verdadeira democracia e um Estado de direito que tenho e a maioria de nós diz também ser a sua meta. Podemos e devemos aprofundar esse conhecimento como forma de promovermos um projecto de sociedade livre. Mas o desafio que nos é colocado pelas circunstancias de opressão e dominação que a ditadura impõe á sociedade, portanto o desafio nº 1 é agir para que a ditadura tenha fim, depois disso o desafio nº 2 será a realização do projecto de sociedade livre. Para enfrentarmos o desafio nº 1 é que tenho apelado a gestação duma ampla frente/movimento ou rede, como se queira, em que deixemos de ser uma miríade de franco atiradores dispersos e passemos a agir em cooperação até á realização da meta correspondente ao desafio nº1. Respeito pelo outro, para terminar, suponho que não seja o que me falte e não tenho aos meus concidadãos como inferiores em termos de direitos e liberdades, de cidadania. Agora na política como em todos os domínios do ser humano alguns têm mais qualidades do que outros, porque as adquiriram e exercitara, desenvolveram capacidades etc. Por ex eu serei inferior a um atleta campeão de futebol ou dos 100 metros livres porque não tenho as qualidades que ele tem para correr e ou jogar futebol. Mas nalguns domínios da actividade intelectual ex alguns de nós desenvolvem mais capacidades e não se tornando superiores aos outros em termos de direitos temos que reconhecer que se tornam mais capazes nesse domínios, não será. Abraço.

Luiz Araújo Posso desenvolver mais o foco sobre alguns aspectos e referir outros mas depois


Ana Koluki Luiz Araújo, obrigada pela detalhada resposta. Creio que nao ha' aqui grandes divergencias de substancia entre os nossos pontos de vista. Talvez haja alguma dissonancia em termos de "estrategia", mas espero pelo desenvolvimento que prometeu fazer depois para voltar a essa questao. Quanto a questao das qualidades/capacidades e associadas "superioridades/inferioridades", o que tenho aprendido ao longo da minha vida e' que, em principio, nenhum ser humano e' "superior" a outro/a. O que ha' serao niveis diferentes de conhecimento e/ou experiencia num determinado dominio, seja ele intelectual, profissional ou outro. E, obviamente, concordo que essas diferencas devem ser respeitadas e, quanto a mim isso faz parte do principio de RESPEITO PELO OUTRO e pela DIVERSIDADE entre a HUMANIDADE que todos constituimos - e', alias, nesse principio que se fundamenta a filosofia dos DIREITOS HUMANOS. E para que todos possam ser igualmente respeitados, dentro da especificidade do que cada um tem para oferecer a sociedade como cidadao de PLENO DIREITO e' preciso que cada um saiba reconhecer as suas competencias/incompetencias e pontos fortes e pontos fracos em cada dominio, para que cada um possa contribuir com o que de melhor tem a dar, naquilo em que e' mais capaz do que outros. De outro modo, continuarao a vingar as estrategias destrutivas baseadas no egocentrismo sem limites e no total desrespeito pelo outro!... Abraco de volta.

Thursday, 3 November 2011

Gostei de Ler... (1)



[...embora nao concorde necessariamente com todos os pontos do artigo, pelo que aqui transcrevo apenas alguns extractos em relacao aos quais nao tenho muitas reservas]




(...)
Como não podia deixar de ser, há uma série de elementos positivos no discurso do Chefe de Estado. Os dados apresentados demonstram que os governantes angolanos começam já a olhar para as estatísticas e para a evolução dos números, o que é francamente positivo. Começou-se tarde, mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Agora, é preciso ir mais longe, fazendo duas coisas com os números. Em primeiro lugar, é preciso contratar consultores independentes para analisar a evolução desses números. Não nos podemos basear apenas nos elementos facultados pelos Ministérios e, menos ainda, cingir-nos somente à análise que é feita nessas instituições. Sabe-se que os funcionários públicos (em todo o mundo) têm o mau costume de ler os dados somente em função da sua própria conveniência e da sua manutenção nos postos que ocupam.
Em segundo lugar, é preciso começar a estabelecer metas em relação a cada sector de actividade. Por exemplo, se por um lado é preciso que os cidadãos saibam quanto já foi gasto desde 1992 no sector da energia eléctrica (que é dos maiores quebra-cabeças para o governo angolano), por outro lado é preciso a partir de agora definir etapas e quantificar o espaço geográfico que vai beneficiar de energia eléctrica em cada uma dessas etapas. Isso facilita a alocação de recursos, mas possibilita também o controlo sobre o cumprimento dos programas. Pois isso deve ocorrer em relação a cada sector de actividade e a cada unidade administrativa (província, município, comuna). De outro modo, continuaremos sem saber a quantas andamos e permitimos que continuemos a ser enganados.
(…)
Ou será que se deve dizer que vivemos em ditadura, por haver jornais que publicam mentiras por encomenda e ninguém os processa?
(…)
Enquanto o governo não apostar na melhoria da qualidade de ensino, os melhores empregos vão continuar a ser facultados maioritariamente aos angolanos que se formam fora de Angola e a estrangeiros. O caminho para o desenvolvimento passa inevitavelmente por uma grande preocupação com a qualidade de ensino (mais do que com a quantidade).
(…)
Temos de saber ouvir os jovens, ouvir os mais velhos, ouvir a camada feminina e ouvir também os adolescentes, que têm preocupações que, se não atendidas, poderão mais tarde causar transtornos sociais de monta.
(…)
Finalmente, gostei de ouvir o Presidente dizer que devem ser os angolanos a controlar a economia do nosso país. Gostei sim. Mas temos de ter consciência que isso só será possível quando os profissionais angolanos forem formados sem esquemas, sem favorecimentos, sem «partilha de suores», sem pautas que passem por baixo das carteiras e sem perseguição àqueles docentes que não alinham nesses esquemas. Só quando os diplomas das universidades angolanas valerem alguma coisa poderemos caminhar rumo à independência e ao progresso.
(…)
Reina a incompetência, combate-se a competência e promove-se a mediocridade. Esta é a regra nos serviços públicos. Enquanto este mal não for cortado, haverá reivindicações e mais reivindicações, podemos estar seguros. Enquanto entrarmos num ministério e depararmos invariavelmente com gente ociosa em reuniões de fofoca e intriga, vamos manter-nos na dependência lá de fora. E enquanto tivermos em ministérios gente (por mais licenciaturas e doutoramentos que exibam) que, ao invés de traçar e executar políticas públicas, programa e realiza workshops e conferências, então continuaremos a caminhar a meio gás.
Deixei para o fim um outro assunto demasiado sério, que entre nós já existe desde a segunda metade da década de 1970. Refiro-me à perseguição que se faz a quem trabalha segundo as regras. Não é assunto novo, tanto que oiço falar dele desde os meus tempos de juventude, ainda quando andava pelas bandas do Bairro Operário e do Valódia.
(…)
Gostei de ter ouvido o Presidente dizer que «o país precisa da contribuição de todos». É preciso, pois, que aqueles que cumprem as regras sejam acarinhados e motivados – não mais perseguidos, como vem sendo comum acontecer. E quem prefere a ausência de regras tem de começar a ser enviado para a gestão dos próprios negócios.

(*) Sociólogo


[in SA, #439]


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Revisitando a SADC

A Minha Secretaria

SADC Protocol & Policy Implementation Issues

Memorandum de (des)Entendimento II

The Professional

Olhares Diversos VII

J'Accuse!

Bêó



[...embora nao concorde necessariamente com todos os pontos do artigo, pelo que aqui transcrevo apenas alguns extractos em relacao aos quais nao tenho muitas reservas]




(...)
Como não podia deixar de ser, há uma série de elementos positivos no discurso do Chefe de Estado. Os dados apresentados demonstram que os governantes angolanos começam já a olhar para as estatísticas e para a evolução dos números, o que é francamente positivo. Começou-se tarde, mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Agora, é preciso ir mais longe, fazendo duas coisas com os números. Em primeiro lugar, é preciso contratar consultores independentes para analisar a evolução desses números. Não nos podemos basear apenas nos elementos facultados pelos Ministérios e, menos ainda, cingir-nos somente à análise que é feita nessas instituições. Sabe-se que os funcionários públicos (em todo o mundo) têm o mau costume de ler os dados somente em função da sua própria conveniência e da sua manutenção nos postos que ocupam.
Em segundo lugar, é preciso começar a estabelecer metas em relação a cada sector de actividade. Por exemplo, se por um lado é preciso que os cidadãos saibam quanto já foi gasto desde 1992 no sector da energia eléctrica (que é dos maiores quebra-cabeças para o governo angolano), por outro lado é preciso a partir de agora definir etapas e quantificar o espaço geográfico que vai beneficiar de energia eléctrica em cada uma dessas etapas. Isso facilita a alocação de recursos, mas possibilita também o controlo sobre o cumprimento dos programas. Pois isso deve ocorrer em relação a cada sector de actividade e a cada unidade administrativa (província, município, comuna). De outro modo, continuaremos sem saber a quantas andamos e permitimos que continuemos a ser enganados.
(…)
Ou será que se deve dizer que vivemos em ditadura, por haver jornais que publicam mentiras por encomenda e ninguém os processa?
(…)
Enquanto o governo não apostar na melhoria da qualidade de ensino, os melhores empregos vão continuar a ser facultados maioritariamente aos angolanos que se formam fora de Angola e a estrangeiros. O caminho para o desenvolvimento passa inevitavelmente por uma grande preocupação com a qualidade de ensino (mais do que com a quantidade).
(…)
Temos de saber ouvir os jovens, ouvir os mais velhos, ouvir a camada feminina e ouvir também os adolescentes, que têm preocupações que, se não atendidas, poderão mais tarde causar transtornos sociais de monta.
(…)
Finalmente, gostei de ouvir o Presidente dizer que devem ser os angolanos a controlar a economia do nosso país. Gostei sim. Mas temos de ter consciência que isso só será possível quando os profissionais angolanos forem formados sem esquemas, sem favorecimentos, sem «partilha de suores», sem pautas que passem por baixo das carteiras e sem perseguição àqueles docentes que não alinham nesses esquemas. Só quando os diplomas das universidades angolanas valerem alguma coisa poderemos caminhar rumo à independência e ao progresso.
(…)
Reina a incompetência, combate-se a competência e promove-se a mediocridade. Esta é a regra nos serviços públicos. Enquanto este mal não for cortado, haverá reivindicações e mais reivindicações, podemos estar seguros. Enquanto entrarmos num ministério e depararmos invariavelmente com gente ociosa em reuniões de fofoca e intriga, vamos manter-nos na dependência lá de fora. E enquanto tivermos em ministérios gente (por mais licenciaturas e doutoramentos que exibam) que, ao invés de traçar e executar políticas públicas, programa e realiza workshops e conferências, então continuaremos a caminhar a meio gás.
Deixei para o fim um outro assunto demasiado sério, que entre nós já existe desde a segunda metade da década de 1970. Refiro-me à perseguição que se faz a quem trabalha segundo as regras. Não é assunto novo, tanto que oiço falar dele desde os meus tempos de juventude, ainda quando andava pelas bandas do Bairro Operário e do Valódia.
(…)
Gostei de ter ouvido o Presidente dizer que «o país precisa da contribuição de todos». É preciso, pois, que aqueles que cumprem as regras sejam acarinhados e motivados – não mais perseguidos, como vem sendo comum acontecer. E quem prefere a ausência de regras tem de começar a ser enviado para a gestão dos próprios negócios.

(*) Sociólogo


[in SA, #439]


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J'Accuse!

Bêó

Monday, 17 October 2011

De Volta 'a Muxima…





Tem sido deveras interessante – por vezes perturbador, por vezes revoltante, por vezes amargo, por vezes divertido, mas sempre interessante – esta coisa de observar algumas das minhas ideias, em alguns casos “apropriadas” por outros “autores”, noutros “confirmadas” e “reiteradas” por outras fontes e, noutros casos ainda, “aplicadas” ou “desenvolvidas” noutros contextos.

Do primeiro tipo de casos referiria como exemplo apenas este, dentre varios outros, do segundo este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, ou este , e do terceiro poderia referir outra serie deles, mas assinalarei aqui apenas o que me faz regressar hoje a Muxima depois de de la’ ainda mal ter regressado…


[... Eh um facto que existe uma aparente falta de amor, respeito mutuo e sentido de auto-preservacao como raca entre as comunidades negras – os Caucasianos, Indianos, Chineses, Japoneses, etc., para o bem ou para o mal, raramente permitem que a miscigenacao racial corroa os pilares das suas etnias e culturas, isto eh, as suas familias. Dai, em grande medida, a base solida de estabilidade social e economica dos seus paises e continentes… Por contraste, um grande numero de negros, quer em Africa, quer noutros continentes, devido ao baixo estatuto social e humilhacoes sub-humanas a que foram submetidos desde a escravatura, parece terem perdido para sempre a sua auto-estima e respeito pelas suas maes e ancestrais...]


Trata-se da “aplicacao” e “desenvolvimento” das questoes que levantei neste meu comentario de ha' 6 anos aos/nos contextos americano e britanico, para so’ citar os que me sao mais proximos. Depois da polemica suscitada ha' 3 anos pelas declaracoes de Obama aqui comentadas, desta vez as mesmas questoes sao levantadas a volta da recente publicacao deste livro, por Ralph Richard Banks (na foto abaixo com a sua familia), professor da prestigiada Universidade de Stanford, que advoga que “dada a falta de homens negros elegiveis no ‘mercado de casamento’ para a maioria das mulheres negras, e especialmente as mais bem sucedidas academica e/ou profissionalmente, estas devem tentar casar-se e constituir familia com homens de outras racas” (questao que tambem abordei em algum detalhe aqui). Banks vem dando 'conselhos' as mulheres negras como estes: “Don't marry down. Marry out”… “Black women shouldn’t continue to be held hostage to the failings of black men”... “Stop settling for less than you deserve. Forget race loyalty.” --- “Nao se casem abaixo (do vosso nivel). Casem-se fora (da nossa comunidade)”… “As mulheres negras nao devem continuar refens das falhas do homem negro”… “Deixem de se contentar com menos do que voces merecem. Esquecam a lealdade racial.”


[E, dizia eu: "...Eh preciso que lhes saibamos demonstrar que talvez os homens sejam escassos sim, mas se nao nos dedicam, casadas ou solteiras, o amor e respeito que merecemos, nao sao nenhum “bem” nas nossas vidas!"...]




Trata-se de um debate que, sobretudo nas ultimas duas decadas, se vem tornando perene e ate’, em certa medida, ja’ “institucionalizado”, no mundo anglofono (vindo aqui a proposito mencionar tambem o caso sul-africano)[*]. E embora tambem aqui ele seja alvo de algumas tentativas de “abafamento” ou de o “varrer para debaixo do tapete”, nao tenho noticia de que alguma mulher negra que nele se tenha envolvido, ou que o tenha protagonizado (como, por exemplo, a autora da materia de que aqui fiz eco ha’ algum tempo e que acabou merecendo ampla difusao e entusiastico debate atraves da CNN...) tenha sido alvo de quaisquer campanhas de linchamento publico como as que tenho sido sujeita no mundo lusofono a partir do “meu pais” e nao so'! [**]

[Auto-Censurado]

E' que, como dizia o outro "gindungo no olho do angolano e' refresco, ne'?! Bem feito!"... Sarava'!...

E porque o essencial esta’ dito, deixo aqui apenas o convite: queiram por favor ler este artigo no The Economist... Obrigada!

[... Ah! Talvez reste dizer que toda essa estoria nao ficara' totalmente bem contada enquanto nao se fizer o link entre a comodificacao e objectificacao sexual de que as mulheres negras teem sido vitimas ao longo dos seculos desde a escravatura e o colonialismo - como exposto, entre outros posts neste blog, aqui e aqui - e a sua sub-representacao e estigmatizacao social - como exposto, tambem entre varios outros posts neste blog, aqui e aqui...]




[... Em Angola o problema torna-se mais grave porquanto o tecido da nossa sociedade e a demografia do pais foram severamente danificados pelos muitos anos de guerra (durante os quais foram as mulheres que aguentaram todas ‘as barras’ na retaguarda e ate nas frentes de combate) e ha de facto uma grande escassez de homens disponiveis. Mas, minhas irmas, tambem nao caiam na armadilha de pensar que com mais estudos ou um bom emprego vai ser mais facil… Esta demonstrado em todo o mundo que as possibilidades de casamento e um lar feliz para uma mulher, diminuem na razao directa do seu sucesso academico e/ou professional… Isto porque encontrar um homem que nao se sinta intimidado por uma mulher realizada e que por isso nao tente humilha-la, sabota-la e diminui-la de varias maneiras, eh como achar uma agulha no palheiro! Vejam, por exemplo, os casos da Ophra Winfrey, a mulher mais rica da America e talvez do mundo, a parte a Rainha da Inglaterra… ou da Condoleeza Rice que eh, independentemente de questoes politico-ideologicas, a mulher mais bem sucedida profissionalmente no mundo: a primeira vive “amancebada” ha anos com um homem que nao se resolve a casar com ela; a segunda nunca casou nem se lhe conhece qualquer relacionamento amoroso estavel… Enquanto que outras, como a Whoopi Goldberg e um numero cada vez maior de negras realizadas academica e/ou profissionalmente no ocidente, simplesmente decidiram “juntar os seus trapinhos”, de papel passado ou nao, com brancos que muito as querem, amam, respeitam e valorizam...]


[*] No caso britanico em particular, lembro-me de ainda recentemente, durante o obito desta minha prima, ter assistido a um acalorado debate entre um homem negro angolano que falava do livro que esta(va) a escrever sobre “os direitos naturais dos homens” e um grupo de mulheres negras angolanas, interessantemente todas de geracoes mais novas do que a minha, que, com argumentos ousados e bem sustentados, pouco menos que o “deitaram por terra”… o que nao deixou de me provocar alguma surpresa perante a apatia, conformismo ou resignacao, quando nao hostilidade, com que geralmente me deparo por parte das mulheres angolanas, sobretudo as da minha propria geracao ou de geracoes mais velhas, sobre este tipo de questoes - o que, mais uma vez, me remete para o que aqui me referia "quanto ao que a palavra esperanca pode significar em Angola"...

Pois os argumentos do nosso brother baseavam-se essencialmente na sua conviccao de que existe uma “ordem natural das coisas” que concede aos homens, e especialmente aos africanos, uma serie de direitos que nao assitem 'a mulher, como por exemplo o “direito a poligamia”… Bom, falou-se um pouco de tudo o que 'a "natureza da sexualidade" de homens e mulheres, africanos ou nao, diz respeito, incluindo as questoes do patriarcado vs. matriarcado ou poligamia vs. poliandria, como aqui e aqui a elas ha' algum tempo me referi.

De minha parte, contei-lhes a estoria de uma mesa redonda a que assisti ha’ mais de 10 anos numa enorme sala a abarrotar de gente, no Africa Centre de Londres, moderada, entre outros 'role models' da comunidade negra no UK, por Dotun Adebayo, especialmente dedicada ao relacionamento entre homens e mulheres negros, em que a questao central era “o que se passa na nossa comunidade negra que nos impede de termos relacionamentos saos e duradouros, incluindo o casamento?”

Uma das explicacoes dadas por um dos presentes foi que “as jovens da nossa comunidade negra fazem filhos muito cedo e ficam maes solteiras e por isso nos preferimos casar e formar os nossos lares com as brancas daqui que nao teem filhos tao cedo.” Em resposta a essa ideia peregrina de que uma mulher jovem mae solteira “fica estragada para sempre” (ou, para usar a terminologia ordinaria de... quem mais?, “poluta”), que esta' na base da sua estigmatizacao social, levantou-se uma das presentes dizendo: “I am not married and have two kids but I am not damaged goods!”

Depois de lhes ter contado isso, uma das participantes no nosso mais pequeno debate, por sinal uma das minhas irmas mais novas, a Wanda, rematou: “pois, e nunca se lembram de questionar os rapazes com quem essas raparigas fazem os filhos!”

E o debate prosseguiu noite fora e pelos dias que se seguiram, enquanto durou o obito…




[**] Ocorre-me aqui apenas o caso de Alice Walker, que, com o seu livro adaptado para o cinema, A Cor Purpura, tera’ sido a primeira a provocar reaccoes hostis por parte de alguns segmentos da comunidade negra americana por alegadamente nele ter “deturpado” a imagem do homem negro!...

E embora tenha perfeita nocao de que no meu caso os ataques concertados de que tenho sido alvo se devem a uma serie de factores interligados motivados por alguns dos meus posicionamentos e opinioes, e muito particularmente as afirmacoes que fiz nos comentarios aqui (... em que falo de um certo tipo de 'bandeirantes' mwangoles que posteriormente decidiram vingar-se tentando imputar-me todo o tipo de "bandeiras" sujas de lama!...) e aqui, o facto e’ que no caso dela nao tenho noticia de que esse tipo de reaccoes tenha degenerado em tentativas de assassinio de caracter, desumanizacao e destruicao da sua reputacao pessoal, familiar, academica, literaria, intelectual e profissional, ou a sua desestruturacao psicologica, emocional, moral e espiritual, e menos ainda em ameacas de violacao sexual e de morte, abertas ou veladas!...


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Tem sido deveras interessante – por vezes perturbador, por vezes revoltante, por vezes amargo, por vezes divertido, mas sempre interessante – esta coisa de observar algumas das minhas ideias, em alguns casos “apropriadas” por outros “autores”, noutros “confirmadas” e “reiteradas” por outras fontes e, noutros casos ainda, “aplicadas” ou “desenvolvidas” noutros contextos.

Do primeiro tipo de casos referiria como exemplo apenas este, dentre varios outros, do segundo este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, ou este , e do terceiro poderia referir outra serie deles, mas assinalarei aqui apenas o que me faz regressar hoje a Muxima depois de de la’ ainda mal ter regressado…


[... Eh um facto que existe uma aparente falta de amor, respeito mutuo e sentido de auto-preservacao como raca entre as comunidades negras – os Caucasianos, Indianos, Chineses, Japoneses, etc., para o bem ou para o mal, raramente permitem que a miscigenacao racial corroa os pilares das suas etnias e culturas, isto eh, as suas familias. Dai, em grande medida, a base solida de estabilidade social e economica dos seus paises e continentes… Por contraste, um grande numero de negros, quer em Africa, quer noutros continentes, devido ao baixo estatuto social e humilhacoes sub-humanas a que foram submetidos desde a escravatura, parece terem perdido para sempre a sua auto-estima e respeito pelas suas maes e ancestrais...]


Trata-se da “aplicacao” e “desenvolvimento” das questoes que levantei neste meu comentario de ha' 6 anos aos/nos contextos americano e britanico, para so’ citar os que me sao mais proximos. Depois da polemica suscitada ha' 3 anos pelas declaracoes de Obama aqui comentadas, desta vez as mesmas questoes sao levantadas a volta da recente publicacao deste livro, por Ralph Richard Banks (na foto abaixo com a sua familia), professor da prestigiada Universidade de Stanford, que advoga que “dada a falta de homens negros elegiveis no ‘mercado de casamento’ para a maioria das mulheres negras, e especialmente as mais bem sucedidas academica e/ou profissionalmente, estas devem tentar casar-se e constituir familia com homens de outras racas” (questao que tambem abordei em algum detalhe aqui). Banks vem dando 'conselhos' as mulheres negras como estes: “Don't marry down. Marry out”… “Black women shouldn’t continue to be held hostage to the failings of black men”... “Stop settling for less than you deserve. Forget race loyalty.” --- “Nao se casem abaixo (do vosso nivel). Casem-se fora (da nossa comunidade)”… “As mulheres negras nao devem continuar refens das falhas do homem negro”… “Deixem de se contentar com menos do que voces merecem. Esquecam a lealdade racial.”


[E, dizia eu: "...Eh preciso que lhes saibamos demonstrar que talvez os homens sejam escassos sim, mas se nao nos dedicam, casadas ou solteiras, o amor e respeito que merecemos, nao sao nenhum “bem” nas nossas vidas!"...]




Trata-se de um debate que, sobretudo nas ultimas duas decadas, se vem tornando perene e ate’, em certa medida, ja’ “institucionalizado”, no mundo anglofono (vindo aqui a proposito mencionar tambem o caso sul-africano)[*]. E embora tambem aqui ele seja alvo de algumas tentativas de “abafamento” ou de o “varrer para debaixo do tapete”, nao tenho noticia de que alguma mulher negra que nele se tenha envolvido, ou que o tenha protagonizado (como, por exemplo, a autora da materia de que aqui fiz eco ha’ algum tempo e que acabou merecendo ampla difusao e entusiastico debate atraves da CNN...) tenha sido alvo de quaisquer campanhas de linchamento publico como as que tenho sido sujeita no mundo lusofono a partir do “meu pais” e nao so'! [**]

[Auto-Censurado]

E' que, como dizia o outro "gindungo no olho do angolano e' refresco, ne'?! Bem feito!"... Sarava'!...

E porque o essencial esta’ dito, deixo aqui apenas o convite: queiram por favor ler este artigo no The Economist... Obrigada!

[... Ah! Talvez reste dizer que toda essa estoria nao ficara' totalmente bem contada enquanto nao se fizer o link entre a comodificacao e objectificacao sexual de que as mulheres negras teem sido vitimas ao longo dos seculos desde a escravatura e o colonialismo - como exposto, entre outros posts neste blog, aqui e aqui - e a sua sub-representacao e estigmatizacao social - como exposto, tambem entre varios outros posts neste blog, aqui e aqui...]




[... Em Angola o problema torna-se mais grave porquanto o tecido da nossa sociedade e a demografia do pais foram severamente danificados pelos muitos anos de guerra (durante os quais foram as mulheres que aguentaram todas ‘as barras’ na retaguarda e ate nas frentes de combate) e ha de facto uma grande escassez de homens disponiveis. Mas, minhas irmas, tambem nao caiam na armadilha de pensar que com mais estudos ou um bom emprego vai ser mais facil… Esta demonstrado em todo o mundo que as possibilidades de casamento e um lar feliz para uma mulher, diminuem na razao directa do seu sucesso academico e/ou professional… Isto porque encontrar um homem que nao se sinta intimidado por uma mulher realizada e que por isso nao tente humilha-la, sabota-la e diminui-la de varias maneiras, eh como achar uma agulha no palheiro! Vejam, por exemplo, os casos da Ophra Winfrey, a mulher mais rica da America e talvez do mundo, a parte a Rainha da Inglaterra… ou da Condoleeza Rice que eh, independentemente de questoes politico-ideologicas, a mulher mais bem sucedida profissionalmente no mundo: a primeira vive “amancebada” ha anos com um homem que nao se resolve a casar com ela; a segunda nunca casou nem se lhe conhece qualquer relacionamento amoroso estavel… Enquanto que outras, como a Whoopi Goldberg e um numero cada vez maior de negras realizadas academica e/ou profissionalmente no ocidente, simplesmente decidiram “juntar os seus trapinhos”, de papel passado ou nao, com brancos que muito as querem, amam, respeitam e valorizam...]


[*] No caso britanico em particular, lembro-me de ainda recentemente, durante o obito desta minha prima, ter assistido a um acalorado debate entre um homem negro angolano que falava do livro que esta(va) a escrever sobre “os direitos naturais dos homens” e um grupo de mulheres negras angolanas, interessantemente todas de geracoes mais novas do que a minha, que, com argumentos ousados e bem sustentados, pouco menos que o “deitaram por terra”… o que nao deixou de me provocar alguma surpresa perante a apatia, conformismo ou resignacao, quando nao hostilidade, com que geralmente me deparo por parte das mulheres angolanas, sobretudo as da minha propria geracao ou de geracoes mais velhas, sobre este tipo de questoes - o que, mais uma vez, me remete para o que aqui me referia "quanto ao que a palavra esperanca pode significar em Angola"...

Pois os argumentos do nosso brother baseavam-se essencialmente na sua conviccao de que existe uma “ordem natural das coisas” que concede aos homens, e especialmente aos africanos, uma serie de direitos que nao assitem 'a mulher, como por exemplo o “direito a poligamia”… Bom, falou-se um pouco de tudo o que 'a "natureza da sexualidade" de homens e mulheres, africanos ou nao, diz respeito, incluindo as questoes do patriarcado vs. matriarcado ou poligamia vs. poliandria, como aqui e aqui a elas ha' algum tempo me referi.

De minha parte, contei-lhes a estoria de uma mesa redonda a que assisti ha’ mais de 10 anos numa enorme sala a abarrotar de gente, no Africa Centre de Londres, moderada, entre outros 'role models' da comunidade negra no UK, por Dotun Adebayo, especialmente dedicada ao relacionamento entre homens e mulheres negros, em que a questao central era “o que se passa na nossa comunidade negra que nos impede de termos relacionamentos saos e duradouros, incluindo o casamento?”

Uma das explicacoes dadas por um dos presentes foi que “as jovens da nossa comunidade negra fazem filhos muito cedo e ficam maes solteiras e por isso nos preferimos casar e formar os nossos lares com as brancas daqui que nao teem filhos tao cedo.” Em resposta a essa ideia peregrina de que uma mulher jovem mae solteira “fica estragada para sempre” (ou, para usar a terminologia ordinaria de... quem mais?, “poluta”), que esta' na base da sua estigmatizacao social, levantou-se uma das presentes dizendo: “I am not married and have two kids but I am not damaged goods!”

Depois de lhes ter contado isso, uma das participantes no nosso mais pequeno debate, por sinal uma das minhas irmas mais novas, a Wanda, rematou: “pois, e nunca se lembram de questionar os rapazes com quem essas raparigas fazem os filhos!”

E o debate prosseguiu noite fora e pelos dias que se seguiram, enquanto durou o obito…




[**] Ocorre-me aqui apenas o caso de Alice Walker, que, com o seu livro adaptado para o cinema, A Cor Purpura, tera’ sido a primeira a provocar reaccoes hostis por parte de alguns segmentos da comunidade negra americana por alegadamente nele ter “deturpado” a imagem do homem negro!...

E embora tenha perfeita nocao de que no meu caso os ataques concertados de que tenho sido alvo se devem a uma serie de factores interligados motivados por alguns dos meus posicionamentos e opinioes, e muito particularmente as afirmacoes que fiz nos comentarios aqui (... em que falo de um certo tipo de 'bandeirantes' mwangoles que posteriormente decidiram vingar-se tentando imputar-me todo o tipo de "bandeiras" sujas de lama!...) e aqui, o facto e’ que no caso dela nao tenho noticia de que esse tipo de reaccoes tenha degenerado em tentativas de assassinio de caracter, desumanizacao e destruicao da sua reputacao pessoal, familiar, academica, literaria, intelectual e profissional, ou a sua desestruturacao psicologica, emocional, moral e espiritual, e menos ainda em ameacas de violacao sexual e de morte, abertas ou veladas!...


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Saturday, 15 October 2011

'New Black Imagination' Festival





The Festival of the New Black Imagination is about inspiration and ideas. It’s a space for innovative and provocative black cultural producers to share their ideas and passion. Most importantly, it is a platform that highlights those who are on the forefront of redefining and expanding notions of black authenticity for the 21st century.

{details here}





The Festival of the New Black Imagination is about inspiration and ideas. It’s a space for innovative and provocative black cultural producers to share their ideas and passion. Most importantly, it is a platform that highlights those who are on the forefront of redefining and expanding notions of black authenticity for the 21st century.

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Friday, 30 September 2011

O Poder da Associação // The Power of Association




[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]


O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.

Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.

"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.




The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.

Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.

"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.



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[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]


O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.

Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.

"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.




The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.

Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.

"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.



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Saturday, 16 July 2011

Burrice e/ou ignorância. Ou seria o contrário?






"A arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia."


Ignora quem desconhece algo; logo, somos ignorantes em relação àquilo que não aprendemos. Por outro lado, a ignorância só pode ser revertida graças ao processo de aprendizagem.

[...]

Não raro a prepotência arrogante é confundida com a ignorância; na verdade a abriga inúmeras vezes. O arrogante, normalmente, tem um comportamento agressivo, por lhe faltar, muitas vezes, o conhecimento, as condições reais de argumentação qualificada exigidas, por exemplo, em uma situação na qual seja necessário o convencimento de terceiros. Esconde, assim, o não-conhecimento. A ignorância, embora possa encastelar-se de maneira razoavelmente confortável na arrogância, com a mesma não se confunde; antes, a última é útil à primeira.

[...]

Contrário da solidariedade, contrário da aprendizagem, a arrogância se subsume a ela própria. Assim, de tal maneira e por isso a arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia.

[...]

A burrice é paralisante, de tal modo que não poucas vezes é confundida com a autonegligência. A pessoa se habitua à sua burrice porque aceitou passivamente o estigma do qual é partícipe. Assim, quem se entende burro, assim se entende por assumir sua passividade, embora, inegavelmente, isso atinja sua auto-estima. Esse incomodo, contudo, ainda não é suficiente para retirá-la da sua zona de conforto e pô-la em processo de aprendizagem, enfim, movê-la em direção a um objetivo pessoal ou social. Toda aprendizagem implica em um movimento, em um vir-a-conhecer, em um desafio que confronta a inação mental e física.

Há, portanto, de distinguir-se esses três eixos, confundidos no cotidiano. Ignorância, burrice e arrogância são três infelicitações que mais não fazem do que interferir negativamente no processo de aprendizagem, no relacionamento social e no acesso aos meios de cultura.

[...]

Talvez por aí possamos compreender melhor o que significa a crise de autoridade que vivenciamos, a carência de líderes e a inconsistência de nossos argumentos. Pensar em tais fatos pode nos levar a concretizar decisões que gravitam em uma densidade e uma tensão da qual queremos, confortavelmente, fugir.

Admitamos: somos todos um pouco burros, um pouco ignorantes, um pouco arrogantes. Mas tem gente que é bem mais. Não nos coformemos, contudo; embora a pós-modernidade pregue em tudo o individualismo, resistamos e banquemos La Passionaria. O mundo, de modo geral, agradece.


[Extractos daqui]


Post Relacionado: Kundera's Ignorance






"A arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia."


Ignora quem desconhece algo; logo, somos ignorantes em relação àquilo que não aprendemos. Por outro lado, a ignorância só pode ser revertida graças ao processo de aprendizagem.

[...]

Não raro a prepotência arrogante é confundida com a ignorância; na verdade a abriga inúmeras vezes. O arrogante, normalmente, tem um comportamento agressivo, por lhe faltar, muitas vezes, o conhecimento, as condições reais de argumentação qualificada exigidas, por exemplo, em uma situação na qual seja necessário o convencimento de terceiros. Esconde, assim, o não-conhecimento. A ignorância, embora possa encastelar-se de maneira razoavelmente confortável na arrogância, com a mesma não se confunde; antes, a última é útil à primeira.

[...]

Contrário da solidariedade, contrário da aprendizagem, a arrogância se subsume a ela própria. Assim, de tal maneira e por isso a arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia.

[...]

A burrice é paralisante, de tal modo que não poucas vezes é confundida com a autonegligência. A pessoa se habitua à sua burrice porque aceitou passivamente o estigma do qual é partícipe. Assim, quem se entende burro, assim se entende por assumir sua passividade, embora, inegavelmente, isso atinja sua auto-estima. Esse incomodo, contudo, ainda não é suficiente para retirá-la da sua zona de conforto e pô-la em processo de aprendizagem, enfim, movê-la em direção a um objetivo pessoal ou social. Toda aprendizagem implica em um movimento, em um vir-a-conhecer, em um desafio que confronta a inação mental e física.

Há, portanto, de distinguir-se esses três eixos, confundidos no cotidiano. Ignorância, burrice e arrogância são três infelicitações que mais não fazem do que interferir negativamente no processo de aprendizagem, no relacionamento social e no acesso aos meios de cultura.

[...]

Talvez por aí possamos compreender melhor o que significa a crise de autoridade que vivenciamos, a carência de líderes e a inconsistência de nossos argumentos. Pensar em tais fatos pode nos levar a concretizar decisões que gravitam em uma densidade e uma tensão da qual queremos, confortavelmente, fugir.

Admitamos: somos todos um pouco burros, um pouco ignorantes, um pouco arrogantes. Mas tem gente que é bem mais. Não nos coformemos, contudo; embora a pós-modernidade pregue em tudo o individualismo, resistamos e banquemos La Passionaria. O mundo, de modo geral, agradece.


[Extractos daqui]


Post Relacionado: Kundera's Ignorance

Sunday, 8 May 2011

Just Poetry XL



BLUE


Best
is for sorting out
in all this mess
of values and principles
which serves best the art
of divination

Linear
is for finding out
in all these formulas
the line of reasoning
that suits the purpose
of ordering life

Unbiased
is for sobering out
all these theories
to put a roof over the head
food in the mouth
and education
on the mind
of a child

Estimator
is for something
in econometrics
that turns out
to be kind
of BLUE


© K.

Friday, 11 March 2011

Rape: A Radical Analysis


From an African-American Perspective
[by Kalamu ya Salaam]

The struggle to eradicate sexism and develop African-American women is, in our opinion, a key and critical aspect of our people's struggle for a better and more beautiful life.

Sexism is the systematic repression and exploitation of one group of people by another group of people based on the criterion of sex. Sexism, as institutionalized in America today, manifests itself as the social and material male domination of women.

Sexism, like capitalism and racism, is a pervasive evil that must be rooted out and eradicated through conscious, uncompromising and consistent struggle. But smashing sexism will not be easy.

First, we must fight against the myth that sexism is not a major problem in the African-American community. Second, we must deepen our theoretical and analytical understanding of sexism so that we can know precisely how to proceed.

Our purpose in this presentation is to offer an analysis and theory of the phenomenon of rape, one of the most blatant and violent forms of sexual oppression. Hopefully this presentation will inspire women to fight back, will inspire men to be self-critical, and will inspire each reader to reassess their own thoughts and actions with respect to woman/man relationships in general and the sexist practice of rape in particular.


[Keep reading here]


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From an African-American Perspective
[by Kalamu ya Salaam]

The struggle to eradicate sexism and develop African-American women is, in our opinion, a key and critical aspect of our people's struggle for a better and more beautiful life.

Sexism is the systematic repression and exploitation of one group of people by another group of people based on the criterion of sex. Sexism, as institutionalized in America today, manifests itself as the social and material male domination of women.

Sexism, like capitalism and racism, is a pervasive evil that must be rooted out and eradicated through conscious, uncompromising and consistent struggle. But smashing sexism will not be easy.

First, we must fight against the myth that sexism is not a major problem in the African-American community. Second, we must deepen our theoretical and analytical understanding of sexism so that we can know precisely how to proceed.

Our purpose in this presentation is to offer an analysis and theory of the phenomenon of rape, one of the most blatant and violent forms of sexual oppression. Hopefully this presentation will inspire women to fight back, will inspire men to be self-critical, and will inspire each reader to reassess their own thoughts and actions with respect to woman/man relationships in general and the sexist practice of rape in particular.


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Wednesday, 16 February 2011

Global Elites: Do they serve the masses?





There's an interesting live debate on the subject (now about to close) being held by The Economist here.




Some previous Economist Debates with specific interest to Africa:


Egypt


A debate is raging not just in Arab countries but all over the world about whether democracy in Egypt is possible or even desirable. Will Egypt embrace democracy in the next year? Will autocracy prevail? Or will Egypt descend into chaos?

[here]


China's growing involvement in Africa


What is China doing for Africa? The Asian giant is hungry for resources—oil, notably, but minerals and land too—that are abundant on the continent. China also wants strong political ties, for example to build alliances at the United Nations and at global summits. Increasingly, too, Chinese are migrating to Africa. The result is increased trade and investment and a powerful counterweight to Western and former colonial interest in Africa. But there is a downside too. Alliances with China help to protect undemocratic and repressive African governments. China's presence in Zambia, for example, has stirred fierce resentment and accusations of neo-colonial meddling. Lack of concern for human rights or transparency risks bringing just the wrong sort of development to parts of Africa. Chinese imports are helping to smash Africa's putative manufacturing sector to bits. For the average African, might the presence of China be a mixed blessing?

[here]


Cities



Just over half the world's population now call cities home. Soon some 500 cities around the world will have more than 1m people each. Within a couple of decades, says the UN, 5 billion people will live in cities, with the most rapid rise in the number of urban dwellers coming in Asia and Africa. Urbanisation typically comes, in the long term, with great gains to human development: it helps to create wealth, spur innovation, encourage freedom and improve the education of those who make it to town. But the rapid spread of sprawling, ill-planned mega cities, the rise of slums that are home to millions of the poor, the dreadful pollution and congestion common to many fast-growing cities, the rising power of urban gangs and even paramilitary forces in some countries, all suggest that too-rapid growth can harm, as well as improve, the residents' quality of life. So should, and could, the growth of cities be restricted, and by whom? Would restrictions improve the lives of city dwellers—and what of the lives of those left outside the city walls?

[here]


International Trade


Driven in part by a progressive lowering of barriers to trade in both rich and developing countries, global trade expanded faster in the decades leading up to the crisis than the global economy grew. Economists argue that free trade makes everyone better off, allowing more, and more varied, goods, and lower prices, than would otherwise be possible. Some also argue that it leads to faster economic growth and less poverty.

Some critics of free trade argue, however, that its supposed benefits for poor people and developing countries are illusory. Trade, they say, benefits rich countries at the expense of poor ones, increasing inequality between nations. Others say that it hurts rich-country workers, particularly the less skilled, thus increasing economic equality within rich countries. All would rather that the world concentrate its efforts on making trade "fairer" rather than further attempt to reduce trade barriers.

What does the balance of the evidence say? What does it actually mean to make trade fairer? Fairer for whom? Must the two goals be mutually exclusive?

[here]


Language


The idea that language influences thought is a profound, exciting and possibly disturbing one. It has often been used to exoticise other languages: in the 1930s, Benjamin Lee Whorf wrote that Hopi had no words for time (like days and months), and therefore perceived time far differently than European-language speakers do. The belief that language shapes thought also has political implications: in "Nineteen Eighty-Four", George Orwell imagined a dystopia in which government banned subversive words, making the associated thoughts unthinkable. Even in this decade, a group of French activists have proposed making French the sole language of European law, because of its purported great "rigour" and "precision". Does the language we speak shape how we think?

[here]





There's an interesting live debate on the subject (now about to close) being held by The Economist here.




Some previous Economist Debates with specific interest to Africa:


Egypt


A debate is raging not just in Arab countries but all over the world about whether democracy in Egypt is possible or even desirable. Will Egypt embrace democracy in the next year? Will autocracy prevail? Or will Egypt descend into chaos?

[here]


China's growing involvement in Africa


What is China doing for Africa? The Asian giant is hungry for resources—oil, notably, but minerals and land too—that are abundant on the continent. China also wants strong political ties, for example to build alliances at the United Nations and at global summits. Increasingly, too, Chinese are migrating to Africa. The result is increased trade and investment and a powerful counterweight to Western and former colonial interest in Africa. But there is a downside too. Alliances with China help to protect undemocratic and repressive African governments. China's presence in Zambia, for example, has stirred fierce resentment and accusations of neo-colonial meddling. Lack of concern for human rights or transparency risks bringing just the wrong sort of development to parts of Africa. Chinese imports are helping to smash Africa's putative manufacturing sector to bits. For the average African, might the presence of China be a mixed blessing?

[here]


Cities



Just over half the world's population now call cities home. Soon some 500 cities around the world will have more than 1m people each. Within a couple of decades, says the UN, 5 billion people will live in cities, with the most rapid rise in the number of urban dwellers coming in Asia and Africa. Urbanisation typically comes, in the long term, with great gains to human development: it helps to create wealth, spur innovation, encourage freedom and improve the education of those who make it to town. But the rapid spread of sprawling, ill-planned mega cities, the rise of slums that are home to millions of the poor, the dreadful pollution and congestion common to many fast-growing cities, the rising power of urban gangs and even paramilitary forces in some countries, all suggest that too-rapid growth can harm, as well as improve, the residents' quality of life. So should, and could, the growth of cities be restricted, and by whom? Would restrictions improve the lives of city dwellers—and what of the lives of those left outside the city walls?

[here]


International Trade


Driven in part by a progressive lowering of barriers to trade in both rich and developing countries, global trade expanded faster in the decades leading up to the crisis than the global economy grew. Economists argue that free trade makes everyone better off, allowing more, and more varied, goods, and lower prices, than would otherwise be possible. Some also argue that it leads to faster economic growth and less poverty.

Some critics of free trade argue, however, that its supposed benefits for poor people and developing countries are illusory. Trade, they say, benefits rich countries at the expense of poor ones, increasing inequality between nations. Others say that it hurts rich-country workers, particularly the less skilled, thus increasing economic equality within rich countries. All would rather that the world concentrate its efforts on making trade "fairer" rather than further attempt to reduce trade barriers.

What does the balance of the evidence say? What does it actually mean to make trade fairer? Fairer for whom? Must the two goals be mutually exclusive?

[here]


Language


The idea that language influences thought is a profound, exciting and possibly disturbing one. It has often been used to exoticise other languages: in the 1930s, Benjamin Lee Whorf wrote that Hopi had no words for time (like days and months), and therefore perceived time far differently than European-language speakers do. The belief that language shapes thought also has political implications: in "Nineteen Eighty-Four", George Orwell imagined a dystopia in which government banned subversive words, making the associated thoughts unthinkable. Even in this decade, a group of French activists have proposed making French the sole language of European law, because of its purported great "rigour" and "precision". Does the language we speak shape how we think?

[here]

Sunday, 13 February 2011

Olhares Diversos (XXV)



Vacina Contra o Virus do "Amor"

[Aníbal Simões]

Anda por aí a ideia, já arraigada em nós desde tempos milenares, de que a felicidade desta vida reside no amor. Refiro-me ao amor erótico e sexual e não ao amor filial e fraterno. A partir daí foi criado todo um cenário que, por mais incrível que pareça, chega a atingir às raias do paradoxal.

Quando se é jovem, ou mesmo adulto, e não se tem alguém; ou se teve; ou se está em vias de ter, nasce a impressão de se estar a viver numa grande solidão. Tal situação é sintetizada em frases como estas: "sem ti não posso viver", "só tu podes acabar com a minha solidão" "a minha felicidade está nos teus braços", "prefiro morrer a viver sem ti" e outras, já de mais conhecidas por todos nós. Perrault, um exímio escritor francês da literatura infantil, reflecte, a nosso ver, esta situação em Cinderela.

A história é conhecida por todos nós: Cinderela, uma moça desprezada pela mãe e pelas irmãs, acaba, graças à extrema pequenez de seu pé, por fazer com que um príncipe encantador se enamore por ela. O famoso sapatinho da Cinderela assume-se hoje, no imaginário feminino, como a esperança eterna em se encontrar o parceiro ideal, mais comummente designado por alma gémea. Para elas, isso agrava-se porque, como se vê, os homens de facto, começaram a escassear no "mercado".

Assim, uma jovem sem namorado, espera paciente pelo seu Príncipe Encantado; uma mulher casada, desiludida com o marido sonha, entre um abraço repelido e um beijo ácido, em desfazer a relação para encontrar, talvez um dia, o seu Príncipe Encantado. Uma jovem abandonada pelo namorado, carpe a sua dor com a esperança de que o seu Príncipe Encantado, caso apareça, lhe enxugue as lágrimas, fazendo-a esquecer do causador da sua dor.

Com o andar do tempo, vamo-nos apercebendo de que os Príncipes Encantados e as Cinderelas, não existem, a não ser nas nossas cabecinhas de sonhadores. É que, a cada dia que passa, deparamo-nos mais com desencantos que com encantos. Pior ainda num momento em que a sexualidade deixou, para muita gente, de ser um acto de comunicação; de partilha de emoções, de sentimentos, de realização humana e espiritual entre dois seres, passando a resumir-se a simples actos de erecção, ejaculação e orgasmo, o que tem descambado para as piores frustrações e desilusões. Bem, isso para não falarmos dos riscos a que nos expomos com o "mel que mata":o grande flagelo dos nossos tempos (VIH-Sida).

Na verdade, a dificuldade do homem em realizar-se no amor (dados os preconceitos sexuais), é o que o faz viver constantemente insatisfeito consigo próprio, atando e reatando relações aqui e ali, sem se aperceber que um eterno apaixonado é um eterno sofredor. Bem, vendo as coisas por um outro prisma, podemos inferir também que somos, em parte, prisioneiros dos nossos próprios instintos. Por vezes, a falta de uma forte disciplina interior faz com que sejamos servos dos mesmos. No instinto está também implícita a necessidade biológica da sobrevivência da espécie o que, como se pode ver, complica mais a questão.

Entretanto, hoje é por de mais sabido que os filhos nem sempre são fruto do amor. São, isso sim, mais fruto de uma "imposição" social e cultural que propriamente do grau da estima que existe entre os parceiros. Isso para não falar daquela dimensão psicológica, apontada por Kauffman, para quem os filhos são a "finta da vida". A vida fintou-nos, e todos caímos com uma pinta, porque a existência é incompatível com o vazio. Assim, quanto mais lutarmos para o bem-estar dos filhos, mais atenuamos as nossas crises existenciais e, sobretudo, o pavor da ideia de virmos a morrer um dia. Quem lá sabe se a crença (embora ilusória) da nossa "imortalidade" reside também na procriação?

Vistas assim as coisas nada mais nos resta senão a insatisfação constante, o ciúme, as paixões sucessivas, aliadas à espera incessante e improvável de uma Cinderela ou de um Príncipe Encantado. Ou seja, vivemos todos naquilo a que Kundera chamou de "insustentável leveza do ser". E quando me refiro a isso, vem-me à cabeça aquilo a que os filósofos chamam de felicidade negativa; uma espécie de Nirvana que, para o nosso caso, se apresentaria como apagamento total do apelo irresistível à luxúria, à limitação da sobrevalorização do coito heterossexual e, sobretudo, o olhar para reprodução como finalidade única do amor.

E como seriam as coisas assim? Talvez deixaríamos de sonhar, em excesso, com os príncipes encantados e com as Cinderelas; talvez canalizaríamos esta energia para a criação de obras de mérito ao invés de vivermos obcecados com o amor erótico. Daí a necessidade de uma vacina contra esses vírus do "amor". E, quem lá sabe se, assim, sentimentos como o ciúme e a volúpia deixariam pura e simplesmente de existir. Ficaria apenas por responder a questão do que fazer da poderosa indústria sexual.

E se assim fosse talvez teríamos, no mundo, o amor in (the) real sense.


[Aqui]


Vacina Contra o Virus do "Amor"

[Aníbal Simões]

Anda por aí a ideia, já arraigada em nós desde tempos milenares, de que a felicidade desta vida reside no amor. Refiro-me ao amor erótico e sexual e não ao amor filial e fraterno. A partir daí foi criado todo um cenário que, por mais incrível que pareça, chega a atingir às raias do paradoxal.

Quando se é jovem, ou mesmo adulto, e não se tem alguém; ou se teve; ou se está em vias de ter, nasce a impressão de se estar a viver numa grande solidão. Tal situação é sintetizada em frases como estas: "sem ti não posso viver", "só tu podes acabar com a minha solidão" "a minha felicidade está nos teus braços", "prefiro morrer a viver sem ti" e outras, já de mais conhecidas por todos nós. Perrault, um exímio escritor francês da literatura infantil, reflecte, a nosso ver, esta situação em Cinderela.

A história é conhecida por todos nós: Cinderela, uma moça desprezada pela mãe e pelas irmãs, acaba, graças à extrema pequenez de seu pé, por fazer com que um príncipe encantador se enamore por ela. O famoso sapatinho da Cinderela assume-se hoje, no imaginário feminino, como a esperança eterna em se encontrar o parceiro ideal, mais comummente designado por alma gémea. Para elas, isso agrava-se porque, como se vê, os homens de facto, começaram a escassear no "mercado".

Assim, uma jovem sem namorado, espera paciente pelo seu Príncipe Encantado; uma mulher casada, desiludida com o marido sonha, entre um abraço repelido e um beijo ácido, em desfazer a relação para encontrar, talvez um dia, o seu Príncipe Encantado. Uma jovem abandonada pelo namorado, carpe a sua dor com a esperança de que o seu Príncipe Encantado, caso apareça, lhe enxugue as lágrimas, fazendo-a esquecer do causador da sua dor.

Com o andar do tempo, vamo-nos apercebendo de que os Príncipes Encantados e as Cinderelas, não existem, a não ser nas nossas cabecinhas de sonhadores. É que, a cada dia que passa, deparamo-nos mais com desencantos que com encantos. Pior ainda num momento em que a sexualidade deixou, para muita gente, de ser um acto de comunicação; de partilha de emoções, de sentimentos, de realização humana e espiritual entre dois seres, passando a resumir-se a simples actos de erecção, ejaculação e orgasmo, o que tem descambado para as piores frustrações e desilusões. Bem, isso para não falarmos dos riscos a que nos expomos com o "mel que mata":o grande flagelo dos nossos tempos (VIH-Sida).

Na verdade, a dificuldade do homem em realizar-se no amor (dados os preconceitos sexuais), é o que o faz viver constantemente insatisfeito consigo próprio, atando e reatando relações aqui e ali, sem se aperceber que um eterno apaixonado é um eterno sofredor. Bem, vendo as coisas por um outro prisma, podemos inferir também que somos, em parte, prisioneiros dos nossos próprios instintos. Por vezes, a falta de uma forte disciplina interior faz com que sejamos servos dos mesmos. No instinto está também implícita a necessidade biológica da sobrevivência da espécie o que, como se pode ver, complica mais a questão.

Entretanto, hoje é por de mais sabido que os filhos nem sempre são fruto do amor. São, isso sim, mais fruto de uma "imposição" social e cultural que propriamente do grau da estima que existe entre os parceiros. Isso para não falar daquela dimensão psicológica, apontada por Kauffman, para quem os filhos são a "finta da vida". A vida fintou-nos, e todos caímos com uma pinta, porque a existência é incompatível com o vazio. Assim, quanto mais lutarmos para o bem-estar dos filhos, mais atenuamos as nossas crises existenciais e, sobretudo, o pavor da ideia de virmos a morrer um dia. Quem lá sabe se a crença (embora ilusória) da nossa "imortalidade" reside também na procriação?

Vistas assim as coisas nada mais nos resta senão a insatisfação constante, o ciúme, as paixões sucessivas, aliadas à espera incessante e improvável de uma Cinderela ou de um Príncipe Encantado. Ou seja, vivemos todos naquilo a que Kundera chamou de "insustentável leveza do ser". E quando me refiro a isso, vem-me à cabeça aquilo a que os filósofos chamam de felicidade negativa; uma espécie de Nirvana que, para o nosso caso, se apresentaria como apagamento total do apelo irresistível à luxúria, à limitação da sobrevalorização do coito heterossexual e, sobretudo, o olhar para reprodução como finalidade única do amor.

E como seriam as coisas assim? Talvez deixaríamos de sonhar, em excesso, com os príncipes encantados e com as Cinderelas; talvez canalizaríamos esta energia para a criação de obras de mérito ao invés de vivermos obcecados com o amor erótico. Daí a necessidade de uma vacina contra esses vírus do "amor". E, quem lá sabe se, assim, sentimentos como o ciúme e a volúpia deixariam pura e simplesmente de existir. Ficaria apenas por responder a questão do que fazer da poderosa indústria sexual.

E se assim fosse talvez teríamos, no mundo, o amor in (the) real sense.


[Aqui]

Friday, 26 November 2010

Reflectindo...



[Scramble for Afrika, by Yinka Shonibare]

Never act as clever as you are!
Don't be brilliant!
(...if you do nobody will like you...)
Always blend in!


Estas palavras, proferidas denunciatoriamente por uma das intervenientes (e nao, ela nao se parece nada com uma "intelectual" - quanto mais nao seja porque nao usa oculos, nao tem cabelos grizalhos, nem anda no ballet classico desde os oito anos de idade... - e muito menos se auto-entitula como tal: de facto, assemelha-se bastante a qualquer uma das nossas damas do kuduro que aki tentei de algum modo "defender"...) no documentario aqui apresentado, o qual apenas descobri na vespera de aqui o ter postado, conteem a chave de muito do que se tem passado com e neste blog... Veja-se, mais uma vez (... porque nunca sera' demais e porque espero que pelo menos algumas jovens negras angolanas - como as que me transmitiram o calor humano de que aqui falo e aquelas a quem aqui me dirijo - aprendam alguma coisa com isto...) esta campanha, que se sumariza nesta orgia e neste bacanal...

Efectivamente, por outras, mas equivalentes palavras, eu li exactamente o mesmo, mas apologeticamente, no NJ (e.g., entre varias outras, em particular por um certo minion , quaisquer coisas relacionadas com "esquecer a cultura dos ancestrais" - i.e. nao se prestar a ser uma "mulher submissa e subserviente" - e, em resultado disso, "ninguem na sociedade gostar", por entre "falas em ingles cursivo", "levar tanto tempo para fazer um curso", "ter conhecimentos mal adquiridos/digeridos que quando ganham alguma seguranca"... "e' chato para o Popper", para ja' nao mencionar o (in)famoso e sempre (in)conveniente, particularmente quando usado perversamente neste tipo de contexto, "so' sei que nada sei" de Socrates (... mais uma "boca", como dizia Herberto Helder, tirada de passagem a cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica...), como se alguem acreditasse que, tendo dito isso, no que apenas expressava o conceito filosofico de "duvida metodica", Socrates de facto "nao sabia", ou acreditava "nao saber nada"!... etc.,etc.,etc...) [*], no "O Pais" (..."no stars please!"...), no SA (... neste nao vale a pena sequer falar mais... ou talvez valha a pena repescar apenas as tristemente celebres "bocas intelectualoides" e uns certos "tem a mania do sabetudismo!" - este da autoria de um "miudo" nao-economista que, curiosamente, fez seguir essa 'boca' de uma "lecturacao" sobre "desenvolvimento economico"! - e "coloque-se no seu devido lugar!"...) e por ai afora (e.g., "achas mesmo que vales assim tanto? Olha as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, como estao muito bem e muito felizes"...; "tem a mania de se achar mais do que os outros"...)!

... Para que estudar tanto? (num habia nexexidade!)... E ainda por cima coisas que "qualquer mulher angolana sabe sem precisar de tirar cursos superiores"?... E ainda por cima tao longe e 'a revelia da "sacrossanta patria/familia lusofona"?... E ainda por cima para obter apenas "falsos diplomas" seguidos de "infiltracoes em reunioes de peritos"?!... Porque nao simplesmente estender a mao, manter-se "jovem", "elegante", "bem-cheirosa" e "disponivel para o sexo" (aparentemente seja la' com quem for, mesmo sendo certo que se esta' sujeita a logo em seguida ser-se insidiosa e difamatoriamente apelidada de "promiscua", "prostituta", "poluta" e "sem valores nem principios"...)?! [**] ...E mais ainda (veja-se, a este proposito, o que diz o academico Indiano entrevistado no documentario): porque nao colocar uma peruca ou tissagem loura como a Beyonce' e ser apenas "Tosca, mas nao a de Puccini" e conformar-se (invejar!) e submeter-se pura e simplesmente ao 'modelo de beleza' euro-caucasiano (vejam-se tambem as declaracoes do jornalista branco Irlandes (... supostamente uma 'figura' triste/patética a merecer histericos 'lols' a fartazana - e' so' fartar vilanagem!!!) sobre a Beyonce' no mesmo post sobre "shadeism"...) que "comeca na Venus de Milo e acaba na irresistivel Jessica Rabbit"?! [***]
Ou, melhor ainda do que tudo isso, porque nao "cometer um suicidio em grande estilo, antes que se seja esquartejada a catanada"?!

Enfim... para que OUSAR SER?!

... Por essas e por outras, ao longo da minha vida, sempre me vi forcada, tanto fisica, mental, psicologica e espiritualmente (... e o unico periodo em que fui capaz, porque esta sociedade mo tornou possivel, de nao o fazer foram os anos em que vivi em Londres sem qualquer contacto com o "mundo lusofono" - periodo em que, by the way, consegui praticamente deixar de fumar -, mas... de ha' uns anos a esta parte "deu-me" para retomar esse contacto e... os resultados estao a vista!...), a me auto-anular, auto-suprimir, auto-sabotar, auto-censurar, (e quando nao o faco, outros imediatamente se encarregam de obrigar-me a faze-lo, ou fazem-no "por mim"...), para nao parecer, e muito menos ser, "mais do que o(a)s outro(a)s" (o que quer que seja que isso signifique...) e, assim, acabar NAO SENDO NADA!

E porque esse processo (a que os Ingleses muito apta e concisamente apelidam de dumbing down) opera tanto nos fenomenos de racismo, como nos de sexismo e machismo (...ja' para nao falar nos ditos de "crispacao geracional", ou nos de suposta "solidariedade e coesao comunitaria", "politico-ideologica" e "patriotica", ou algo assim parecido...), nao so' e' frequente nele se formarem aliancas, por um lado, entre mulheres nao negras com homens negros e, por outro lado, entre homens negros com homens brancos, contra mulheres negras, como tambem sobre ele escreveram, a seu tempo e a seu modo, tanto Agostinho Neto, como Bessie Head, entre varios outros...


[Dysfunctional Family ,by Yinka Shonibare]


Mas, como tambem se diz logo no inicio do documentario, "tudo comeca na familia"... De facto, nunca me esqueco desta frase (ordem?) que me foi dirigida por alguem da minha familia mais proxima: "tens que deixar os outros existir!" (... nao que eu alguma vez tivesse tido a intencao, a pretensao ou, menos ainda, a capacidade de impedir "os outros de existir"... so, what that means in practice is: "tens que deixar de existir para que eu e a(o)s outra(o)s possamos existir!"...). E eu cresci a ouvir no seio da minha familia tanto strong statements sobre "direitos adquiridos" (e, ja' agora e a titulo de curiosidade, a ser cognominada por um amigo da familia - por sinal um arquitecto portugues de quem incluo um postal aqui e que, by the way, foi quem me ofereceu o meu primeiro disco dos Pink Floyd - desde os meus 15/16 anos como "a intelectual da familia", cognome tambem usado frequentemente pela minha mae... - o que, amarga ironia, se viria a revelar uma afiada espada de dois gumes ao longo da minha vida!...) este dito, aparentemente baseado num proverbio baKongo: "a orelha nunca pode crescer mais do que a cabeca"!

Trouble is... talvez 'a excepcao destes, toda(o)s nascemos com a (e pensamos pela) nossa propria cabeca!

[Em suma: alguem ja' tentou reflectir um pouco mais profundamente sobre de onde veem os famosos e famigerados "complexos de inferioridade" (tambem designados por outros de "complexos de colonizado") dos negros e, muito particularmente, das negras?... Ou das causas estruturais do aparentemente "cronico subdesenvolvimento" de Africa?!... I wonder...]





[*] E, ja' agora, alguem reparou como os ataques do minion no NJ (e.g. "quem disse que eu me estava a referir a ti", "como e' que vieste parar ao meu computador", "olha que eu ja' tenho 60 anos e sou antigo combatente"... para alem dos ja' acima referidos) comecaram (ou pelo menos deles pela primeira vez me apercebi) quando eu me referi a ele no contexto deste kibeto (num comentario ate' digamos que, para usar a palavra da moda, "afectuoso", mas entretanto retirado quando me vi confrontada com tais ataques - eu que nao tenho tido nenhum contacto com ele, nem via computador, e.g. email, nem por nenhuma outra via, desde a ultima vez que o vi em Lisboa ja' la' vao uns bons mais de 20 anos!... - e, ja' agora tambem, repararam como simultaneamente ele se atirou ao alvo do kibeto com "todas as armas disponiveis", por entre estorias de animais no "quintal do seu palacio"? ), tendo antes feito um comentario a este post, em que me referia a um "amigo-como irmao (por sinal branco) que estava connosco a quem pedi que me levasse imediatamente para casa"?

Pois o que eu nao disse na altura [porque continuei, pelo menos ate' agora - e, na verdade, ainda continuo - a resistir deixar-me afundar completamente na enxurrada de lama e pedras que a chusma liderada (telecomandada!) por ele (apenas porque para la' regressou depois de longos anos com 'ares afectados' de Paris...) - tal como ele e outros o foram e, por incrivel que pareca, continuam a ser (!) por um certo Incrivel Svengali (... e ainda se arrogam proclamar que "pensam pela sua propria cabeca"!...) - me tem atirado...) foi que ele acompanhou-me ate' a porta do meu predio onde assim que la' chegamos me comecei a despedir dele, mas ele com um ar muito estranho (por falta de melhor qualificacao) comecou a dizer-me "sinto-me bastante lisonjeado por me teres escolhido para te trazer para casa" e comecou a "avancar para mim"... Ao que eu apenas lhe lancei um ultimo olhar, disse-lhe muito obrigada, despedi-me mais uma vez, virei-lhe as costas, entrei no predio, fechei a porta e deixei-o ali com o seu "ar muito estranho"! Ora, fiquei agora a saber, passados mais de 20 anos, atraves dessas "bocas no NJ" que o individuo afinal nunca se conformou por eu o ter sempre tratado apenas como "amigo-como irmao", porque sempre quis ser "muito mais do que isso"!...

E mais acrescento que apenas o tratava como tal devido ao meu relacionamento com a familia, incluindo a mae, dele e ao conteudo de alguns dos seus postais aqui incluidos!
Mas... o que o poder da imprensa e' capaz de fazer quando sobe 'a cabeca de um minion frustrado e complexado metido a "antigo combatente de ocasiao"! ... Sera' que ele esteve, ou teria alguma motivacao ou razao para estar nesta manifestacao, ou nesta, por exemplo?!




[**] E porque tambem nunca sera' demais (re)lembrar como "tudo isso" comecou, proponho uma reflexao sobre estas minhas afirmacoes, feitas aqui:


(...) E, já agora, “não gravaste nem filmaste porque não querias profanar aquele momento de intimidade tão único”…mas não te coibiste de o reproduzir aqui em detalhe, num espaço aberto ao mundo… será que as “mamãs” que tanta questão faziam que os homens “não vissem” não se importarão agora que qualquer homem no mundo as possa ver através dos teus olhos e comentar sobre o que viu?! Mas tu não tens culpa, és apenas o produto de um sistema político de apropriação cultural, também conhecido como “vulturismo cultural”, muito mal gerido ao longo destes 30 anos do pós-independência por elementos de um grupo social muito bem definido em Angola… e esse fenómeno há muito vem sendo estudado e debatido com muita seriedade, sobretudo fora do mundo lusófono. Mas, cedo ou tarde, esses debates e suas consequências chegarão a Angola…

... E estas, reproduzidas tambem no post em referencia sobre "shadeism":


There is a long history of sexualizing the black body with disastrous consequences - from lynchings in the South to the 'high-tech' lynchings of recent past. Collins looks at the ways African-American women's bodies have always been on display, from Josephine Baker to Destiny's Child, and the contradictory images of black masculinity from Michael Jackson to Michael Jordan.
(...)
In Black Sexual Politics, one of America's most influential writers on race and gender explores how images of Black sexuality have been used to maintain the color line and how they threaten to spread a new brand of racism around the world today. The ideal of pure white womanhood, Collins argues, required the invention of hot-blooded Latinas, exotic Suzy Wongs, and wanton jezebels...
(...)
In a book of sophisticated critical theory that could be used as a tool for antiracist political action, Collins (Charles Phelps Taft Professor of Sociology, Univ. of Cincinnati; Black Feminist Thought) asserts that "racism and sexism are deeply intertwined, and racism can never be solved without seeing and challenging sexism."




E para um pouco mais de leitura/analise comparativa, vejam-se os meus argumentos sobre o "debate dos feminismos" aqui, a luz deste artigo, tambem incluido no post sobre "shadeism"...





[***] E para completar o quadro, veja-se isto, por referencia ao que aqui afirmei (v. "How is it decided that this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?") e a forma como essa questao (representacao de modelos de beleza feminina nos media - veja-se, em particular, a reaccao da Angolana Muginga a capa de uma das revistas consideradas) e' abordada no documentario que tem servido de base a esta refexao - documentario que nao so' ilustra perfeitamente o meu "dialogo com uma sista" com que o 'entrelacei', como tambem confirma o que aqui dizia sobre essas questoes:

(...) Grupo “afro-americano” esse onde, nunca e’ demais repeti-lo, se incluem todos os nao-brancos desde que tenham uma gota de sangue negro. E, se e’ certo que o "one drop rule" foi inicialmente uma criacao do grupo dominante branco nos EUA com motivacoes racistas, nao e’ menos certo que ele foi apropriado, internalizado e socializado historicamente pelos “afro-americanos” que – ao contrario, nunca e’ demais nota-lo, do que se passou e em grande medida ainda se passa nas ex-colonias portuguesas onde se instituiu uma diferenciacao racica hierarquizante de acordo com os varios tons de pele entre negros e brancos – partilharam ao longo de seculos em condicoes de igualdade tanto a discriminacao racial contra si (vide o caso da 'cabrita' Rosa Parks), como as oportunidades sociais, politicas e economicas que souberam conquistar para si (vide o caso da 'negra' Oprah Winfrey) como um unico grupo racico, pesem embora as clivagens e friccoes que tambem existem no seu seio, originadas, directa ou indirectamente, pelos diferentes tons de pele entre si (particularmente entre as mulheres, como quem tenha ouvido atentamente uma celebre conversa entre mulheres “negras” no filme Jungle Fever de Spike Lee tera’ notado."



[Scramble for Afrika, by Yinka Shonibare]

Never act as clever as you are!
Don't be brilliant!
(...if you do nobody will like you...)
Always blend in!


Estas palavras, proferidas denunciatoriamente por uma das intervenientes (e nao, ela nao se parece nada com uma "intelectual" - quanto mais nao seja porque nao usa oculos, nao tem cabelos grizalhos, nem anda no ballet classico desde os oito anos de idade... - e muito menos se auto-entitula como tal: de facto, assemelha-se bastante a qualquer uma das nossas damas do kuduro que aki tentei de algum modo "defender"...) no documentario aqui apresentado, o qual apenas descobri na vespera de aqui o ter postado, conteem a chave de muito do que se tem passado com e neste blog... Veja-se, mais uma vez (... porque nunca sera' demais e porque espero que pelo menos algumas jovens negras angolanas - como as que me transmitiram o calor humano de que aqui falo e aquelas a quem aqui me dirijo - aprendam alguma coisa com isto...) esta campanha, que se sumariza nesta orgia e neste bacanal...

Efectivamente, por outras, mas equivalentes palavras, eu li exactamente o mesmo, mas apologeticamente, no NJ (e.g., entre varias outras, em particular por um certo minion , quaisquer coisas relacionadas com "esquecer a cultura dos ancestrais" - i.e. nao se prestar a ser uma "mulher submissa e subserviente" - e, em resultado disso, "ninguem na sociedade gostar", por entre "falas em ingles cursivo", "levar tanto tempo para fazer um curso", "ter conhecimentos mal adquiridos/digeridos que quando ganham alguma seguranca"... "e' chato para o Popper", para ja' nao mencionar o (in)famoso e sempre (in)conveniente, particularmente quando usado perversamente neste tipo de contexto, "so' sei que nada sei" de Socrates (... mais uma "boca", como dizia Herberto Helder, tirada de passagem a cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica...), como se alguem acreditasse que, tendo dito isso, no que apenas expressava o conceito filosofico de "duvida metodica", Socrates de facto "nao sabia", ou acreditava "nao saber nada"!... etc.,etc.,etc...) [*], no "O Pais" (..."no stars please!"...), no SA (... neste nao vale a pena sequer falar mais... ou talvez valha a pena repescar apenas as tristemente celebres "bocas intelectualoides" e uns certos "tem a mania do sabetudismo!" - este da autoria de um "miudo" nao-economista que, curiosamente, fez seguir essa 'boca' de uma "lecturacao" sobre "desenvolvimento economico"! - e "coloque-se no seu devido lugar!"...) e por ai afora (e.g., "achas mesmo que vales assim tanto? Olha as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, como estao muito bem e muito felizes"...; "tem a mania de se achar mais do que os outros"...)!

... Para que estudar tanto? (num habia nexexidade!)... E ainda por cima coisas que "qualquer mulher angolana sabe sem precisar de tirar cursos superiores"?... E ainda por cima tao longe e 'a revelia da "sacrossanta patria/familia lusofona"?... E ainda por cima para obter apenas "falsos diplomas" seguidos de "infiltracoes em reunioes de peritos"?!... Porque nao simplesmente estender a mao, manter-se "jovem", "elegante", "bem-cheirosa" e "disponivel para o sexo" (aparentemente seja la' com quem for, mesmo sendo certo que se esta' sujeita a logo em seguida ser-se insidiosa e difamatoriamente apelidada de "promiscua", "prostituta", "poluta" e "sem valores nem principios"...)?! [**] ...E mais ainda (veja-se, a este proposito, o que diz o academico Indiano entrevistado no documentario): porque nao colocar uma peruca ou tissagem loura como a Beyonce' e ser apenas "Tosca, mas nao a de Puccini" e conformar-se (invejar!) e submeter-se pura e simplesmente ao 'modelo de beleza' euro-caucasiano (vejam-se tambem as declaracoes do jornalista branco Irlandes (... supostamente uma 'figura' triste/patética a merecer histericos 'lols' a fartazana - e' so' fartar vilanagem!!!) sobre a Beyonce' no mesmo post sobre "shadeism"...) que "comeca na Venus de Milo e acaba na irresistivel Jessica Rabbit"?! [***]
Ou, melhor ainda do que tudo isso, porque nao "cometer um suicidio em grande estilo, antes que se seja esquartejada a catanada"?!

Enfim... para que OUSAR SER?!

... Por essas e por outras, ao longo da minha vida, sempre me vi forcada, tanto fisica, mental, psicologica e espiritualmente (... e o unico periodo em que fui capaz, porque esta sociedade mo tornou possivel, de nao o fazer foram os anos em que vivi em Londres sem qualquer contacto com o "mundo lusofono" - periodo em que, by the way, consegui praticamente deixar de fumar -, mas... de ha' uns anos a esta parte "deu-me" para retomar esse contacto e... os resultados estao a vista!...), a me auto-anular, auto-suprimir, auto-sabotar, auto-censurar, (e quando nao o faco, outros imediatamente se encarregam de obrigar-me a faze-lo, ou fazem-no "por mim"...), para nao parecer, e muito menos ser, "mais do que o(a)s outro(a)s" (o que quer que seja que isso signifique...) e, assim, acabar NAO SENDO NADA!

E porque esse processo (a que os Ingleses muito apta e concisamente apelidam de dumbing down) opera tanto nos fenomenos de racismo, como nos de sexismo e machismo (...ja' para nao falar nos ditos de "crispacao geracional", ou nos de suposta "solidariedade e coesao comunitaria", "politico-ideologica" e "patriotica", ou algo assim parecido...), nao so' e' frequente nele se formarem aliancas, por um lado, entre mulheres nao negras com homens negros e, por outro lado, entre homens negros com homens brancos, contra mulheres negras, como tambem sobre ele escreveram, a seu tempo e a seu modo, tanto Agostinho Neto, como Bessie Head, entre varios outros...


[Dysfunctional Family ,by Yinka Shonibare]


Mas, como tambem se diz logo no inicio do documentario, "tudo comeca na familia"... De facto, nunca me esqueco desta frase (ordem?) que me foi dirigida por alguem da minha familia mais proxima: "tens que deixar os outros existir!" (... nao que eu alguma vez tivesse tido a intencao, a pretensao ou, menos ainda, a capacidade de impedir "os outros de existir"... so, what that means in practice is: "tens que deixar de existir para que eu e a(o)s outra(o)s possamos existir!"...). E eu cresci a ouvir no seio da minha familia tanto strong statements sobre "direitos adquiridos" (e, ja' agora e a titulo de curiosidade, a ser cognominada por um amigo da familia - por sinal um arquitecto portugues de quem incluo um postal aqui e que, by the way, foi quem me ofereceu o meu primeiro disco dos Pink Floyd - desde os meus 15/16 anos como "a intelectual da familia", cognome tambem usado frequentemente pela minha mae... - o que, amarga ironia, se viria a revelar uma afiada espada de dois gumes ao longo da minha vida!...) este dito, aparentemente baseado num proverbio baKongo: "a orelha nunca pode crescer mais do que a cabeca"!

Trouble is... talvez 'a excepcao destes, toda(o)s nascemos com a (e pensamos pela) nossa propria cabeca!

[Em suma: alguem ja' tentou reflectir um pouco mais profundamente sobre de onde veem os famosos e famigerados "complexos de inferioridade" (tambem designados por outros de "complexos de colonizado") dos negros e, muito particularmente, das negras?... Ou das causas estruturais do aparentemente "cronico subdesenvolvimento" de Africa?!... I wonder...]





[*] E, ja' agora, alguem reparou como os ataques do minion no NJ (e.g. "quem disse que eu me estava a referir a ti", "como e' que vieste parar ao meu computador", "olha que eu ja' tenho 60 anos e sou antigo combatente"... para alem dos ja' acima referidos) comecaram (ou pelo menos deles pela primeira vez me apercebi) quando eu me referi a ele no contexto deste kibeto (num comentario ate' digamos que, para usar a palavra da moda, "afectuoso", mas entretanto retirado quando me vi confrontada com tais ataques - eu que nao tenho tido nenhum contacto com ele, nem via computador, e.g. email, nem por nenhuma outra via, desde a ultima vez que o vi em Lisboa ja' la' vao uns bons mais de 20 anos!... - e, ja' agora tambem, repararam como simultaneamente ele se atirou ao alvo do kibeto com "todas as armas disponiveis", por entre estorias de animais no "quintal do seu palacio"? ), tendo antes feito um comentario a este post, em que me referia a um "amigo-como irmao (por sinal branco) que estava connosco a quem pedi que me levasse imediatamente para casa"?

Pois o que eu nao disse na altura [porque continuei, pelo menos ate' agora - e, na verdade, ainda continuo - a resistir deixar-me afundar completamente na enxurrada de lama e pedras que a chusma liderada (telecomandada!) por ele (apenas porque para la' regressou depois de longos anos com 'ares afectados' de Paris...) - tal como ele e outros o foram e, por incrivel que pareca, continuam a ser (!) por um certo Incrivel Svengali (... e ainda se arrogam proclamar que "pensam pela sua propria cabeca"!...) - me tem atirado...) foi que ele acompanhou-me ate' a porta do meu predio onde assim que la' chegamos me comecei a despedir dele, mas ele com um ar muito estranho (por falta de melhor qualificacao) comecou a dizer-me "sinto-me bastante lisonjeado por me teres escolhido para te trazer para casa" e comecou a "avancar para mim"... Ao que eu apenas lhe lancei um ultimo olhar, disse-lhe muito obrigada, despedi-me mais uma vez, virei-lhe as costas, entrei no predio, fechei a porta e deixei-o ali com o seu "ar muito estranho"! Ora, fiquei agora a saber, passados mais de 20 anos, atraves dessas "bocas no NJ" que o individuo afinal nunca se conformou por eu o ter sempre tratado apenas como "amigo-como irmao", porque sempre quis ser "muito mais do que isso"!...

E mais acrescento que apenas o tratava como tal devido ao meu relacionamento com a familia, incluindo a mae, dele e ao conteudo de alguns dos seus postais aqui incluidos!
Mas... o que o poder da imprensa e' capaz de fazer quando sobe 'a cabeca de um minion frustrado e complexado metido a "antigo combatente de ocasiao"! ... Sera' que ele esteve, ou teria alguma motivacao ou razao para estar nesta manifestacao, ou nesta, por exemplo?!




[**] E porque tambem nunca sera' demais (re)lembrar como "tudo isso" comecou, proponho uma reflexao sobre estas minhas afirmacoes, feitas aqui:


(...) E, já agora, “não gravaste nem filmaste porque não querias profanar aquele momento de intimidade tão único”…mas não te coibiste de o reproduzir aqui em detalhe, num espaço aberto ao mundo… será que as “mamãs” que tanta questão faziam que os homens “não vissem” não se importarão agora que qualquer homem no mundo as possa ver através dos teus olhos e comentar sobre o que viu?! Mas tu não tens culpa, és apenas o produto de um sistema político de apropriação cultural, também conhecido como “vulturismo cultural”, muito mal gerido ao longo destes 30 anos do pós-independência por elementos de um grupo social muito bem definido em Angola… e esse fenómeno há muito vem sendo estudado e debatido com muita seriedade, sobretudo fora do mundo lusófono. Mas, cedo ou tarde, esses debates e suas consequências chegarão a Angola…

... E estas, reproduzidas tambem no post em referencia sobre "shadeism":


There is a long history of sexualizing the black body with disastrous consequences - from lynchings in the South to the 'high-tech' lynchings of recent past. Collins looks at the ways African-American women's bodies have always been on display, from Josephine Baker to Destiny's Child, and the contradictory images of black masculinity from Michael Jackson to Michael Jordan.
(...)
In Black Sexual Politics, one of America's most influential writers on race and gender explores how images of Black sexuality have been used to maintain the color line and how they threaten to spread a new brand of racism around the world today. The ideal of pure white womanhood, Collins argues, required the invention of hot-blooded Latinas, exotic Suzy Wongs, and wanton jezebels...
(...)
In a book of sophisticated critical theory that could be used as a tool for antiracist political action, Collins (Charles Phelps Taft Professor of Sociology, Univ. of Cincinnati; Black Feminist Thought) asserts that "racism and sexism are deeply intertwined, and racism can never be solved without seeing and challenging sexism."




E para um pouco mais de leitura/analise comparativa, vejam-se os meus argumentos sobre o "debate dos feminismos" aqui, a luz deste artigo, tambem incluido no post sobre "shadeism"...





[***] E para completar o quadro, veja-se isto, por referencia ao que aqui afirmei (v. "How is it decided that this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?") e a forma como essa questao (representacao de modelos de beleza feminina nos media - veja-se, em particular, a reaccao da Angolana Muginga a capa de uma das revistas consideradas) e' abordada no documentario que tem servido de base a esta refexao - documentario que nao so' ilustra perfeitamente o meu "dialogo com uma sista" com que o 'entrelacei', como tambem confirma o que aqui dizia sobre essas questoes:

(...) Grupo “afro-americano” esse onde, nunca e’ demais repeti-lo, se incluem todos os nao-brancos desde que tenham uma gota de sangue negro. E, se e’ certo que o "one drop rule" foi inicialmente uma criacao do grupo dominante branco nos EUA com motivacoes racistas, nao e’ menos certo que ele foi apropriado, internalizado e socializado historicamente pelos “afro-americanos” que – ao contrario, nunca e’ demais nota-lo, do que se passou e em grande medida ainda se passa nas ex-colonias portuguesas onde se instituiu uma diferenciacao racica hierarquizante de acordo com os varios tons de pele entre negros e brancos – partilharam ao longo de seculos em condicoes de igualdade tanto a discriminacao racial contra si (vide o caso da 'cabrita' Rosa Parks), como as oportunidades sociais, politicas e economicas que souberam conquistar para si (vide o caso da 'negra' Oprah Winfrey) como um unico grupo racico, pesem embora as clivagens e friccoes que tambem existem no seu seio, originadas, directa ou indirectamente, pelos diferentes tons de pele entre si (particularmente entre as mulheres, como quem tenha ouvido atentamente uma celebre conversa entre mulheres “negras” no filme Jungle Fever de Spike Lee tera’ notado."

Thursday, 2 September 2010

SIMONE DE BEAUVOIR IN AFRICA: ISSUES OF AFRICAN FEMINIST THOUGHT

It is one thing to honour de Beauvoir for her brave and pioneering work in 1949. It is quite another to exalt her as a model thinker and source of inspiration now, fifty years later, when so much has happened in the world and in the field of feminist thought, including the rich influx of non-Western feminist thinking.


In a recent interview, Toril Moi, a distinguished figure in the contemporary re-launching of Simone de Beauvoir, confirms that there are two major ideas in de Beauvoir’s The Second Sex. One idea is that “one is not born, but rather becomes, a woman.’ The other is that “in all known societies, woman has always been looked upon as the other” (Wenche Larsen 2000: 82). This paper sets out to question and investigate the second statement. Is it really so that in all known societies woman is and has always been looked upon as the other, the second sex? Looked upon – by whom? Does it have to be so forever? That “woman = the second sex” is a firmly grounded idea in the Western world is not up for discussion. But what about other parts of the world? What about Africa?

The point of the discussion is not empirical.[*] The point is not to show whether places do exist where this a priori othering of women does not occur. The point is to open the mind to different ways of thinking about gender, and for different ways of analyzing gender relations. Freeing ourselves from old mindsets will allow us to envision new kinds of gender relations as we look toward the future – both the future of Africa and the future of ourselves as Western (men and) women.

Post-Enlightenment (i.e. modern) thinkers have described women’s position in all ages and in all places according to their own androcentric models, models which subordinate women. In this way, concepts rooted in the time and space of the thinker him/herself have been universalized. At the moment, both in Western feminist thought and in Western feminist politics, the idea that women are the second sex and that they are universally subordinated is very strong indeed.

The argument in this paper is not that subordination of women does not take place. Of course it does, and increasingly so, and clearly, subordination and oppression of women should be fought against. The argument concerns lines of thinking and analysis: how and from which vantage points, in what kinds of theoretical/conceptual contexts, are women’s lives conceived and conceptualized? And what consequences do they have for strategy and politics?

[...]

The Female Body a Handicap

However much de Beauvoir is quoted for her opening sentence to book 2 of The Second Sex: “One is not born, but rather becomes, a woman,” her work is in contradiction with itself on exactly this issue. On one hand she believes – and shows – how the conditions of women are socially determined. When women are squeezed, torn, and suffering, it is not because of menstruation and menopause, but because of the ways that society deals with womanhood. This is her official and conscious position:

I am convinced that the greater part of the discomforts and maladies that overburden women are due to psychic causes, as gynaecologists, indeed, have told me. Women are constantly harassed to the limit of their strength because of the moral tension I have referred to, because of all the tasks they assume, because of the contradictions among which they struggle. This does not mean that their ills are imaginary: they are as real and destructive as the situation to which they give expression. But the situation does not depend on the body; the reverse is true.” (SdB 1949/1997: 706)

On the other hand there is her whole attitude to and description of the female body. Its capacity for pregnancy, childbirth, and lactation is never seen as a positive potential, as a source of pleasure or pride, but only and always as a curse, a drag, and a burden. Toril Moi (whose reading of The Second Sex at this point corresponds to my own) gives a poignant summary:

For Beauvoir women are the slaves of the species. Every biological process in the female body is a ‘crisis’ or a ‘trial’, and the result is always alienation. Her list of troubles and pains experienced during menstruation is impressive, to say the least, ranging from high blood pressure, impaired hearing and eyesight to unpleasant smells, destabilization of the central nervous system, abdominal pains, constipation and diarrhoea (Second Sex 61). But the discomfort of menstruation pales in comparison to the horrors of gestation. [...] Pregnancy, childbirth and breastfeeding all undermine the women’s health and even put her life at risk: “Childbirth itself is painful and dangerous [...] Nursing is also an exhausting obligation [servitude]; [...] the nursing mother feeds the newborn at the expense of her own strength” (Second Sex 62-63). (Moi 1994: 165)

The fact of the female enslavement to the species is a recurrent theme, especially of the first part of The Second Sex. The human male is free to create and transcend, whereas the female feels her enslavement more and more keenly, the conflict between her own interest and the reproductive forces is heightened. Parturition in cows and mares is much more painful and dangerous than it is in mice and rabbits [...] The woman is adapted to the needs of the egg rather than to her own requirements. From puberty to menopause woman is the theatre of a play that unfolds within her and in which she is not personally concerned. (SdB 1949/1997: 57, 60)

The idea conveyed here is “woman against her body”; from these descriptions it is abundantly clear that for women and their urge for transcendence the female body is a handicap. Obviously de Beauvoir cannot subscribe to Freud’s idea that “anatomy is destiny.” Thus she tries to convince herself that women’s situation does not depend on the body, and that the reverse is true — as indicated in the quote above. There is a shadow of doubt, however, as in the same context she confesses that “it is difficult to determine to what extent woman’s physical constitution handicaps her” (SdB 1949/1997: 706).

In my reading, de Beauvoir is insincere at this point. In her entire analysis, the female body remains a handicap which can only be overcome by minimizing it, which (fortunately) is increasingly possible thanks to (a) industrial development and suitable wage work opportunities for women, supplemented with child care facilities, and (b) contraceptives and other types of reproductive technology. If the contemporary possibilities of in vitro fertilization had been available, or even imaginable, in her time, I am sure that de Beauvoir would have embraced them as further steps on the road to female freedom. It is all contained within the logic of the female body as a handicap.

Regarding this model of female emancipation, socialism and liberalism by and large agree, as do large parts of the women’s movement that the notion that the female body is a handicap as persistent and pervasive as the idea of woman as the other. This idea is based of course on the assumption that the model body is male. But what if it isn’t? I assert, as do others with me, that it is time for feminist thought to overcome the phallocentric as well as the ethnocentric biases in this line of thinking.

[Extracts from a paper by Signe Arnfred]



[*] Yet, for some 'empirical evidence' on these issues, see, for example:


Poder no Feminino

The Great Wall of Feminism

Ciclos

Relendo Samora Pelo Pincel de Naguib (II)

SA (R.I.P.)?

A Menina que Nasceu em Cima da Arvore

Mais Uma Vez Revisitando Questoes de Genero

And...

"Porque que Todo o Mundo?"..., onde se pode ler: Ou, apenas, por "nao terem nascido mulheres", estarem agora, na terceira idade do 'segundo sexo', a tentar "fazer-se mulheres"?

Mulheres de Domingo, onde se pode ler:

(...) Onde andavam certas mulheres, quando... ou quando me lancei por minha conta e risco em busca do entendimento possivel das almas de Sylvia Plath, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Elsa Triolet ou Simone de Beauvoir… Ou ainda, quando, depois de todos os desencantos, descobri Noemia de Sousa, Maya Angelou, Julianne Malveaux, Alice Walker, Toni Morrison, Bessie Head ou Wangari Mathaai? (...)
It is one thing to honour de Beauvoir for her brave and pioneering work in 1949. It is quite another to exalt her as a model thinker and source of inspiration now, fifty years later, when so much has happened in the world and in the field of feminist thought, including the rich influx of non-Western feminist thinking.


In a recent interview, Toril Moi, a distinguished figure in the contemporary re-launching of Simone de Beauvoir, confirms that there are two major ideas in de Beauvoir’s The Second Sex. One idea is that “one is not born, but rather becomes, a woman.’ The other is that “in all known societies, woman has always been looked upon as the other” (Wenche Larsen 2000: 82). This paper sets out to question and investigate the second statement. Is it really so that in all known societies woman is and has always been looked upon as the other, the second sex? Looked upon – by whom? Does it have to be so forever? That “woman = the second sex” is a firmly grounded idea in the Western world is not up for discussion. But what about other parts of the world? What about Africa?

The point of the discussion is not empirical.[*] The point is not to show whether places do exist where this a priori othering of women does not occur. The point is to open the mind to different ways of thinking about gender, and for different ways of analyzing gender relations. Freeing ourselves from old mindsets will allow us to envision new kinds of gender relations as we look toward the future – both the future of Africa and the future of ourselves as Western (men and) women.

Post-Enlightenment (i.e. modern) thinkers have described women’s position in all ages and in all places according to their own androcentric models, models which subordinate women. In this way, concepts rooted in the time and space of the thinker him/herself have been universalized. At the moment, both in Western feminist thought and in Western feminist politics, the idea that women are the second sex and that they are universally subordinated is very strong indeed.

The argument in this paper is not that subordination of women does not take place. Of course it does, and increasingly so, and clearly, subordination and oppression of women should be fought against. The argument concerns lines of thinking and analysis: how and from which vantage points, in what kinds of theoretical/conceptual contexts, are women’s lives conceived and conceptualized? And what consequences do they have for strategy and politics?

[...]

The Female Body a Handicap

However much de Beauvoir is quoted for her opening sentence to book 2 of The Second Sex: “One is not born, but rather becomes, a woman,” her work is in contradiction with itself on exactly this issue. On one hand she believes – and shows – how the conditions of women are socially determined. When women are squeezed, torn, and suffering, it is not because of menstruation and menopause, but because of the ways that society deals with womanhood. This is her official and conscious position:

I am convinced that the greater part of the discomforts and maladies that overburden women are due to psychic causes, as gynaecologists, indeed, have told me. Women are constantly harassed to the limit of their strength because of the moral tension I have referred to, because of all the tasks they assume, because of the contradictions among which they struggle. This does not mean that their ills are imaginary: they are as real and destructive as the situation to which they give expression. But the situation does not depend on the body; the reverse is true.” (SdB 1949/1997: 706)

On the other hand there is her whole attitude to and description of the female body. Its capacity for pregnancy, childbirth, and lactation is never seen as a positive potential, as a source of pleasure or pride, but only and always as a curse, a drag, and a burden. Toril Moi (whose reading of The Second Sex at this point corresponds to my own) gives a poignant summary:

For Beauvoir women are the slaves of the species. Every biological process in the female body is a ‘crisis’ or a ‘trial’, and the result is always alienation. Her list of troubles and pains experienced during menstruation is impressive, to say the least, ranging from high blood pressure, impaired hearing and eyesight to unpleasant smells, destabilization of the central nervous system, abdominal pains, constipation and diarrhoea (Second Sex 61). But the discomfort of menstruation pales in comparison to the horrors of gestation. [...] Pregnancy, childbirth and breastfeeding all undermine the women’s health and even put her life at risk: “Childbirth itself is painful and dangerous [...] Nursing is also an exhausting obligation [servitude]; [...] the nursing mother feeds the newborn at the expense of her own strength” (Second Sex 62-63). (Moi 1994: 165)

The fact of the female enslavement to the species is a recurrent theme, especially of the first part of The Second Sex. The human male is free to create and transcend, whereas the female feels her enslavement more and more keenly, the conflict between her own interest and the reproductive forces is heightened. Parturition in cows and mares is much more painful and dangerous than it is in mice and rabbits [...] The woman is adapted to the needs of the egg rather than to her own requirements. From puberty to menopause woman is the theatre of a play that unfolds within her and in which she is not personally concerned. (SdB 1949/1997: 57, 60)

The idea conveyed here is “woman against her body”; from these descriptions it is abundantly clear that for women and their urge for transcendence the female body is a handicap. Obviously de Beauvoir cannot subscribe to Freud’s idea that “anatomy is destiny.” Thus she tries to convince herself that women’s situation does not depend on the body, and that the reverse is true — as indicated in the quote above. There is a shadow of doubt, however, as in the same context she confesses that “it is difficult to determine to what extent woman’s physical constitution handicaps her” (SdB 1949/1997: 706).

In my reading, de Beauvoir is insincere at this point. In her entire analysis, the female body remains a handicap which can only be overcome by minimizing it, which (fortunately) is increasingly possible thanks to (a) industrial development and suitable wage work opportunities for women, supplemented with child care facilities, and (b) contraceptives and other types of reproductive technology. If the contemporary possibilities of in vitro fertilization had been available, or even imaginable, in her time, I am sure that de Beauvoir would have embraced them as further steps on the road to female freedom. It is all contained within the logic of the female body as a handicap.

Regarding this model of female emancipation, socialism and liberalism by and large agree, as do large parts of the women’s movement that the notion that the female body is a handicap as persistent and pervasive as the idea of woman as the other. This idea is based of course on the assumption that the model body is male. But what if it isn’t? I assert, as do others with me, that it is time for feminist thought to overcome the phallocentric as well as the ethnocentric biases in this line of thinking.

[Extracts from a paper by Signe Arnfred]



[*] Yet, for some 'empirical evidence' on these issues, see, for example:


Poder no Feminino

The Great Wall of Feminism

Ciclos

Relendo Samora Pelo Pincel de Naguib (II)

SA (R.I.P.)?

A Menina que Nasceu em Cima da Arvore

Mais Uma Vez Revisitando Questoes de Genero

And...

"Porque que Todo o Mundo?"..., onde se pode ler: Ou, apenas, por "nao terem nascido mulheres", estarem agora, na terceira idade do 'segundo sexo', a tentar "fazer-se mulheres"?

Mulheres de Domingo, onde se pode ler:

(...) Onde andavam certas mulheres, quando... ou quando me lancei por minha conta e risco em busca do entendimento possivel das almas de Sylvia Plath, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Elsa Triolet ou Simone de Beauvoir… Ou ainda, quando, depois de todos os desencantos, descobri Noemia de Sousa, Maya Angelou, Julianne Malveaux, Alice Walker, Toni Morrison, Bessie Head ou Wangari Mathaai? (...)