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Saturday, 6 August 2011

Lolita...



Para os pervertidos, depravados, tarados e obcecados, entre os quais alguns oficiais de kampanha e minions sexagenarios retardados, fantasistas e muito assanhados (!), que, desde a Lolita seminal – que tinha 12 anos de idade –, continuam a expandir (... 'a medida da expansao das suas proprias idades, carecas e panças...) as idades das suas lolitas de imaginacao, fantasia, estimacao, fixacao e perdicao ate’ aos 22 anos e, aparentemente, em “casos extremos” ate’ aos 50, esta tem apenas 10...




[Imagens daqui]



Para os pervertidos, depravados, tarados e obcecados, entre os quais alguns oficiais de kampanha e minions sexagenarios retardados, fantasistas e muito assanhados (!), que, desde a
Lolita seminal – que tinha 12 anos de idade –, continuam a expandir (... 'a medida da expansao das suas proprias idades, carecas e panças...) as idades das suas lolitas de imaginacao, fantasia, estimacao, fixacao e perdicao ate’ aos 22 anos e, aparentemente, em “casos extremos” ate’ aos 50, esta tem apenas 10...




[Imagens daqui]

Friday, 26 November 2010

Reflectindo...



[Scramble for Afrika, by Yinka Shonibare]

Never act as clever as you are!
Don't be brilliant!
(...if you do nobody will like you...)
Always blend in!


Estas palavras, proferidas denunciatoriamente por uma das intervenientes (e nao, ela nao se parece nada com uma "intelectual" - quanto mais nao seja porque nao usa oculos, nao tem cabelos grizalhos, nem anda no ballet classico desde os oito anos de idade... - e muito menos se auto-entitula como tal: de facto, assemelha-se bastante a qualquer uma das nossas damas do kuduro que aki tentei de algum modo "defender"...) no documentario aqui apresentado, o qual apenas descobri na vespera de aqui o ter postado, conteem a chave de muito do que se tem passado com e neste blog... Veja-se, mais uma vez (... porque nunca sera' demais e porque espero que pelo menos algumas jovens negras angolanas - como as que me transmitiram o calor humano de que aqui falo e aquelas a quem aqui me dirijo - aprendam alguma coisa com isto...) esta campanha, que se sumariza nesta orgia e neste bacanal...

Efectivamente, por outras, mas equivalentes palavras, eu li exactamente o mesmo, mas apologeticamente, no NJ (e.g., entre varias outras, em particular por um certo minion , quaisquer coisas relacionadas com "esquecer a cultura dos ancestrais" - i.e. nao se prestar a ser uma "mulher submissa e subserviente" - e, em resultado disso, "ninguem na sociedade gostar", por entre "falas em ingles cursivo", "levar tanto tempo para fazer um curso", "ter conhecimentos mal adquiridos/digeridos que quando ganham alguma seguranca"... "e' chato para o Popper", para ja' nao mencionar o (in)famoso e sempre (in)conveniente, particularmente quando usado perversamente neste tipo de contexto, "so' sei que nada sei" de Socrates (... mais uma "boca", como dizia Herberto Helder, tirada de passagem a cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica...), como se alguem acreditasse que, tendo dito isso, no que apenas expressava o conceito filosofico de "duvida metodica", Socrates de facto "nao sabia", ou acreditava "nao saber nada"!... etc.,etc.,etc...) [*], no "O Pais" (..."no stars please!"...), no SA (... neste nao vale a pena sequer falar mais... ou talvez valha a pena repescar apenas as tristemente celebres "bocas intelectualoides" e uns certos "tem a mania do sabetudismo!" - este da autoria de um "miudo" nao-economista que, curiosamente, fez seguir essa 'boca' de uma "lecturacao" sobre "desenvolvimento economico"! - e "coloque-se no seu devido lugar!"...) e por ai afora (e.g., "achas mesmo que vales assim tanto? Olha as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, como estao muito bem e muito felizes"...; "tem a mania de se achar mais do que os outros"...)!

... Para que estudar tanto? (num habia nexexidade!)... E ainda por cima coisas que "qualquer mulher angolana sabe sem precisar de tirar cursos superiores"?... E ainda por cima tao longe e 'a revelia da "sacrossanta patria/familia lusofona"?... E ainda por cima para obter apenas "falsos diplomas" seguidos de "infiltracoes em reunioes de peritos"?!... Porque nao simplesmente estender a mao, manter-se "jovem", "elegante", "bem-cheirosa" e "disponivel para o sexo" (aparentemente seja la' com quem for, mesmo sendo certo que se esta' sujeita a logo em seguida ser-se insidiosa e difamatoriamente apelidada de "promiscua", "prostituta", "poluta" e "sem valores nem principios"...)?! [**] ...E mais ainda (veja-se, a este proposito, o que diz o academico Indiano entrevistado no documentario): porque nao colocar uma peruca ou tissagem loura como a Beyonce' e ser apenas "Tosca, mas nao a de Puccini" e conformar-se (invejar!) e submeter-se pura e simplesmente ao 'modelo de beleza' euro-caucasiano (vejam-se tambem as declaracoes do jornalista branco Irlandes (... supostamente uma 'figura' triste/patética a merecer histericos 'lols' a fartazana - e' so' fartar vilanagem!!!) sobre a Beyonce' no mesmo post sobre "shadeism"...) que "comeca na Venus de Milo e acaba na irresistivel Jessica Rabbit"?! [***]
Ou, melhor ainda do que tudo isso, porque nao "cometer um suicidio em grande estilo, antes que se seja esquartejada a catanada"?!

Enfim... para que OUSAR SER?!

... Por essas e por outras, ao longo da minha vida, sempre me vi forcada, tanto fisica, mental, psicologica e espiritualmente (... e o unico periodo em que fui capaz, porque esta sociedade mo tornou possivel, de nao o fazer foram os anos em que vivi em Londres sem qualquer contacto com o "mundo lusofono" - periodo em que, by the way, consegui praticamente deixar de fumar -, mas... de ha' uns anos a esta parte "deu-me" para retomar esse contacto e... os resultados estao a vista!...), a me auto-anular, auto-suprimir, auto-sabotar, auto-censurar, (e quando nao o faco, outros imediatamente se encarregam de obrigar-me a faze-lo, ou fazem-no "por mim"...), para nao parecer, e muito menos ser, "mais do que o(a)s outro(a)s" (o que quer que seja que isso signifique...) e, assim, acabar NAO SENDO NADA!

E porque esse processo (a que os Ingleses muito apta e concisamente apelidam de dumbing down) opera tanto nos fenomenos de racismo, como nos de sexismo e machismo (...ja' para nao falar nos ditos de "crispacao geracional", ou nos de suposta "solidariedade e coesao comunitaria", "politico-ideologica" e "patriotica", ou algo assim parecido...), nao so' e' frequente nele se formarem aliancas, por um lado, entre mulheres nao negras com homens negros e, por outro lado, entre homens negros com homens brancos, contra mulheres negras, como tambem sobre ele escreveram, a seu tempo e a seu modo, tanto Agostinho Neto, como Bessie Head, entre varios outros...


[Dysfunctional Family ,by Yinka Shonibare]


Mas, como tambem se diz logo no inicio do documentario, "tudo comeca na familia"... De facto, nunca me esqueco desta frase (ordem?) que me foi dirigida por alguem da minha familia mais proxima: "tens que deixar os outros existir!" (... nao que eu alguma vez tivesse tido a intencao, a pretensao ou, menos ainda, a capacidade de impedir "os outros de existir"... so, what that means in practice is: "tens que deixar de existir para que eu e a(o)s outra(o)s possamos existir!"...). E eu cresci a ouvir no seio da minha familia tanto strong statements sobre "direitos adquiridos" (e, ja' agora e a titulo de curiosidade, a ser cognominada por um amigo da familia - por sinal um arquitecto portugues de quem incluo um postal aqui e que, by the way, foi quem me ofereceu o meu primeiro disco dos Pink Floyd - desde os meus 15/16 anos como "a intelectual da familia", cognome tambem usado frequentemente pela minha mae... - o que, amarga ironia, se viria a revelar uma afiada espada de dois gumes ao longo da minha vida!...) este dito, aparentemente baseado num proverbio baKongo: "a orelha nunca pode crescer mais do que a cabeca"!

Trouble is... talvez 'a excepcao destes, toda(o)s nascemos com a (e pensamos pela) nossa propria cabeca!

[Em suma: alguem ja' tentou reflectir um pouco mais profundamente sobre de onde veem os famosos e famigerados "complexos de inferioridade" (tambem designados por outros de "complexos de colonizado") dos negros e, muito particularmente, das negras?... Ou das causas estruturais do aparentemente "cronico subdesenvolvimento" de Africa?!... I wonder...]





[*] E, ja' agora, alguem reparou como os ataques do minion no NJ (e.g. "quem disse que eu me estava a referir a ti", "como e' que vieste parar ao meu computador", "olha que eu ja' tenho 60 anos e sou antigo combatente"... para alem dos ja' acima referidos) comecaram (ou pelo menos deles pela primeira vez me apercebi) quando eu me referi a ele no contexto deste kibeto (num comentario ate' digamos que, para usar a palavra da moda, "afectuoso", mas entretanto retirado quando me vi confrontada com tais ataques - eu que nao tenho tido nenhum contacto com ele, nem via computador, e.g. email, nem por nenhuma outra via, desde a ultima vez que o vi em Lisboa ja' la' vao uns bons mais de 20 anos!... - e, ja' agora tambem, repararam como simultaneamente ele se atirou ao alvo do kibeto com "todas as armas disponiveis", por entre estorias de animais no "quintal do seu palacio"? ), tendo antes feito um comentario a este post, em que me referia a um "amigo-como irmao (por sinal branco) que estava connosco a quem pedi que me levasse imediatamente para casa"?

Pois o que eu nao disse na altura [porque continuei, pelo menos ate' agora - e, na verdade, ainda continuo - a resistir deixar-me afundar completamente na enxurrada de lama e pedras que a chusma liderada (telecomandada!) por ele (apenas porque para la' regressou depois de longos anos com 'ares afectados' de Paris...) - tal como ele e outros o foram e, por incrivel que pareca, continuam a ser (!) por um certo Incrivel Svengali (... e ainda se arrogam proclamar que "pensam pela sua propria cabeca"!...) - me tem atirado...) foi que ele acompanhou-me ate' a porta do meu predio onde assim que la' chegamos me comecei a despedir dele, mas ele com um ar muito estranho (por falta de melhor qualificacao) comecou a dizer-me "sinto-me bastante lisonjeado por me teres escolhido para te trazer para casa" e comecou a "avancar para mim"... Ao que eu apenas lhe lancei um ultimo olhar, disse-lhe muito obrigada, despedi-me mais uma vez, virei-lhe as costas, entrei no predio, fechei a porta e deixei-o ali com o seu "ar muito estranho"! Ora, fiquei agora a saber, passados mais de 20 anos, atraves dessas "bocas no NJ" que o individuo afinal nunca se conformou por eu o ter sempre tratado apenas como "amigo-como irmao", porque sempre quis ser "muito mais do que isso"!...

E mais acrescento que apenas o tratava como tal devido ao meu relacionamento com a familia, incluindo a mae, dele e ao conteudo de alguns dos seus postais aqui incluidos!
Mas... o que o poder da imprensa e' capaz de fazer quando sobe 'a cabeca de um minion frustrado e complexado metido a "antigo combatente de ocasiao"! ... Sera' que ele esteve, ou teria alguma motivacao ou razao para estar nesta manifestacao, ou nesta, por exemplo?!




[**] E porque tambem nunca sera' demais (re)lembrar como "tudo isso" comecou, proponho uma reflexao sobre estas minhas afirmacoes, feitas aqui:


(...) E, já agora, “não gravaste nem filmaste porque não querias profanar aquele momento de intimidade tão único”…mas não te coibiste de o reproduzir aqui em detalhe, num espaço aberto ao mundo… será que as “mamãs” que tanta questão faziam que os homens “não vissem” não se importarão agora que qualquer homem no mundo as possa ver através dos teus olhos e comentar sobre o que viu?! Mas tu não tens culpa, és apenas o produto de um sistema político de apropriação cultural, também conhecido como “vulturismo cultural”, muito mal gerido ao longo destes 30 anos do pós-independência por elementos de um grupo social muito bem definido em Angola… e esse fenómeno há muito vem sendo estudado e debatido com muita seriedade, sobretudo fora do mundo lusófono. Mas, cedo ou tarde, esses debates e suas consequências chegarão a Angola…

... E estas, reproduzidas tambem no post em referencia sobre "shadeism":


There is a long history of sexualizing the black body with disastrous consequences - from lynchings in the South to the 'high-tech' lynchings of recent past. Collins looks at the ways African-American women's bodies have always been on display, from Josephine Baker to Destiny's Child, and the contradictory images of black masculinity from Michael Jackson to Michael Jordan.
(...)
In Black Sexual Politics, one of America's most influential writers on race and gender explores how images of Black sexuality have been used to maintain the color line and how they threaten to spread a new brand of racism around the world today. The ideal of pure white womanhood, Collins argues, required the invention of hot-blooded Latinas, exotic Suzy Wongs, and wanton jezebels...
(...)
In a book of sophisticated critical theory that could be used as a tool for antiracist political action, Collins (Charles Phelps Taft Professor of Sociology, Univ. of Cincinnati; Black Feminist Thought) asserts that "racism and sexism are deeply intertwined, and racism can never be solved without seeing and challenging sexism."




E para um pouco mais de leitura/analise comparativa, vejam-se os meus argumentos sobre o "debate dos feminismos" aqui, a luz deste artigo, tambem incluido no post sobre "shadeism"...





[***] E para completar o quadro, veja-se isto, por referencia ao que aqui afirmei (v. "How is it decided that this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?") e a forma como essa questao (representacao de modelos de beleza feminina nos media - veja-se, em particular, a reaccao da Angolana Muginga a capa de uma das revistas consideradas) e' abordada no documentario que tem servido de base a esta refexao - documentario que nao so' ilustra perfeitamente o meu "dialogo com uma sista" com que o 'entrelacei', como tambem confirma o que aqui dizia sobre essas questoes:

(...) Grupo “afro-americano” esse onde, nunca e’ demais repeti-lo, se incluem todos os nao-brancos desde que tenham uma gota de sangue negro. E, se e’ certo que o "one drop rule" foi inicialmente uma criacao do grupo dominante branco nos EUA com motivacoes racistas, nao e’ menos certo que ele foi apropriado, internalizado e socializado historicamente pelos “afro-americanos” que – ao contrario, nunca e’ demais nota-lo, do que se passou e em grande medida ainda se passa nas ex-colonias portuguesas onde se instituiu uma diferenciacao racica hierarquizante de acordo com os varios tons de pele entre negros e brancos – partilharam ao longo de seculos em condicoes de igualdade tanto a discriminacao racial contra si (vide o caso da 'cabrita' Rosa Parks), como as oportunidades sociais, politicas e economicas que souberam conquistar para si (vide o caso da 'negra' Oprah Winfrey) como um unico grupo racico, pesem embora as clivagens e friccoes que tambem existem no seu seio, originadas, directa ou indirectamente, pelos diferentes tons de pele entre si (particularmente entre as mulheres, como quem tenha ouvido atentamente uma celebre conversa entre mulheres “negras” no filme Jungle Fever de Spike Lee tera’ notado."



[Scramble for Afrika, by Yinka Shonibare]

Never act as clever as you are!
Don't be brilliant!
(...if you do nobody will like you...)
Always blend in!


Estas palavras, proferidas denunciatoriamente por uma das intervenientes (e nao, ela nao se parece nada com uma "intelectual" - quanto mais nao seja porque nao usa oculos, nao tem cabelos grizalhos, nem anda no ballet classico desde os oito anos de idade... - e muito menos se auto-entitula como tal: de facto, assemelha-se bastante a qualquer uma das nossas damas do kuduro que aki tentei de algum modo "defender"...) no documentario aqui apresentado, o qual apenas descobri na vespera de aqui o ter postado, conteem a chave de muito do que se tem passado com e neste blog... Veja-se, mais uma vez (... porque nunca sera' demais e porque espero que pelo menos algumas jovens negras angolanas - como as que me transmitiram o calor humano de que aqui falo e aquelas a quem aqui me dirijo - aprendam alguma coisa com isto...) esta campanha, que se sumariza nesta orgia e neste bacanal...

Efectivamente, por outras, mas equivalentes palavras, eu li exactamente o mesmo, mas apologeticamente, no NJ (e.g., entre varias outras, em particular por um certo minion , quaisquer coisas relacionadas com "esquecer a cultura dos ancestrais" - i.e. nao se prestar a ser uma "mulher submissa e subserviente" - e, em resultado disso, "ninguem na sociedade gostar", por entre "falas em ingles cursivo", "levar tanto tempo para fazer um curso", "ter conhecimentos mal adquiridos/digeridos que quando ganham alguma seguranca"... "e' chato para o Popper", para ja' nao mencionar o (in)famoso e sempre (in)conveniente, particularmente quando usado perversamente neste tipo de contexto, "so' sei que nada sei" de Socrates (... mais uma "boca", como dizia Herberto Helder, tirada de passagem a cultura para com seu uso desencadear a explosao mitica...), como se alguem acreditasse que, tendo dito isso, no que apenas expressava o conceito filosofico de "duvida metodica", Socrates de facto "nao sabia", ou acreditava "nao saber nada"!... etc.,etc.,etc...) [*], no "O Pais" (..."no stars please!"...), no SA (... neste nao vale a pena sequer falar mais... ou talvez valha a pena repescar apenas as tristemente celebres "bocas intelectualoides" e uns certos "tem a mania do sabetudismo!" - este da autoria de um "miudo" nao-economista que, curiosamente, fez seguir essa 'boca' de uma "lecturacao" sobre "desenvolvimento economico"! - e "coloque-se no seu devido lugar!"...) e por ai afora (e.g., "achas mesmo que vales assim tanto? Olha as nossas colegas mulheres aqui, sem tantas qualificacoes nem remuneracoes, como estao muito bem e muito felizes"...; "tem a mania de se achar mais do que os outros"...)!

... Para que estudar tanto? (num habia nexexidade!)... E ainda por cima coisas que "qualquer mulher angolana sabe sem precisar de tirar cursos superiores"?... E ainda por cima tao longe e 'a revelia da "sacrossanta patria/familia lusofona"?... E ainda por cima para obter apenas "falsos diplomas" seguidos de "infiltracoes em reunioes de peritos"?!... Porque nao simplesmente estender a mao, manter-se "jovem", "elegante", "bem-cheirosa" e "disponivel para o sexo" (aparentemente seja la' com quem for, mesmo sendo certo que se esta' sujeita a logo em seguida ser-se insidiosa e difamatoriamente apelidada de "promiscua", "prostituta", "poluta" e "sem valores nem principios"...)?! [**] ...E mais ainda (veja-se, a este proposito, o que diz o academico Indiano entrevistado no documentario): porque nao colocar uma peruca ou tissagem loura como a Beyonce' e ser apenas "Tosca, mas nao a de Puccini" e conformar-se (invejar!) e submeter-se pura e simplesmente ao 'modelo de beleza' euro-caucasiano (vejam-se tambem as declaracoes do jornalista branco Irlandes (... supostamente uma 'figura' triste/patética a merecer histericos 'lols' a fartazana - e' so' fartar vilanagem!!!) sobre a Beyonce' no mesmo post sobre "shadeism"...) que "comeca na Venus de Milo e acaba na irresistivel Jessica Rabbit"?! [***]
Ou, melhor ainda do que tudo isso, porque nao "cometer um suicidio em grande estilo, antes que se seja esquartejada a catanada"?!

Enfim... para que OUSAR SER?!

... Por essas e por outras, ao longo da minha vida, sempre me vi forcada, tanto fisica, mental, psicologica e espiritualmente (... e o unico periodo em que fui capaz, porque esta sociedade mo tornou possivel, de nao o fazer foram os anos em que vivi em Londres sem qualquer contacto com o "mundo lusofono" - periodo em que, by the way, consegui praticamente deixar de fumar -, mas... de ha' uns anos a esta parte "deu-me" para retomar esse contacto e... os resultados estao a vista!...), a me auto-anular, auto-suprimir, auto-sabotar, auto-censurar, (e quando nao o faco, outros imediatamente se encarregam de obrigar-me a faze-lo, ou fazem-no "por mim"...), para nao parecer, e muito menos ser, "mais do que o(a)s outro(a)s" (o que quer que seja que isso signifique...) e, assim, acabar NAO SENDO NADA!

E porque esse processo (a que os Ingleses muito apta e concisamente apelidam de dumbing down) opera tanto nos fenomenos de racismo, como nos de sexismo e machismo (...ja' para nao falar nos ditos de "crispacao geracional", ou nos de suposta "solidariedade e coesao comunitaria", "politico-ideologica" e "patriotica", ou algo assim parecido...), nao so' e' frequente nele se formarem aliancas, por um lado, entre mulheres nao negras com homens negros e, por outro lado, entre homens negros com homens brancos, contra mulheres negras, como tambem sobre ele escreveram, a seu tempo e a seu modo, tanto Agostinho Neto, como Bessie Head, entre varios outros...


[Dysfunctional Family ,by Yinka Shonibare]


Mas, como tambem se diz logo no inicio do documentario, "tudo comeca na familia"... De facto, nunca me esqueco desta frase (ordem?) que me foi dirigida por alguem da minha familia mais proxima: "tens que deixar os outros existir!" (... nao que eu alguma vez tivesse tido a intencao, a pretensao ou, menos ainda, a capacidade de impedir "os outros de existir"... so, what that means in practice is: "tens que deixar de existir para que eu e a(o)s outra(o)s possamos existir!"...). E eu cresci a ouvir no seio da minha familia tanto strong statements sobre "direitos adquiridos" (e, ja' agora e a titulo de curiosidade, a ser cognominada por um amigo da familia - por sinal um arquitecto portugues de quem incluo um postal aqui e que, by the way, foi quem me ofereceu o meu primeiro disco dos Pink Floyd - desde os meus 15/16 anos como "a intelectual da familia", cognome tambem usado frequentemente pela minha mae... - o que, amarga ironia, se viria a revelar uma afiada espada de dois gumes ao longo da minha vida!...) este dito, aparentemente baseado num proverbio baKongo: "a orelha nunca pode crescer mais do que a cabeca"!

Trouble is... talvez 'a excepcao destes, toda(o)s nascemos com a (e pensamos pela) nossa propria cabeca!

[Em suma: alguem ja' tentou reflectir um pouco mais profundamente sobre de onde veem os famosos e famigerados "complexos de inferioridade" (tambem designados por outros de "complexos de colonizado") dos negros e, muito particularmente, das negras?... Ou das causas estruturais do aparentemente "cronico subdesenvolvimento" de Africa?!... I wonder...]





[*] E, ja' agora, alguem reparou como os ataques do minion no NJ (e.g. "quem disse que eu me estava a referir a ti", "como e' que vieste parar ao meu computador", "olha que eu ja' tenho 60 anos e sou antigo combatente"... para alem dos ja' acima referidos) comecaram (ou pelo menos deles pela primeira vez me apercebi) quando eu me referi a ele no contexto deste kibeto (num comentario ate' digamos que, para usar a palavra da moda, "afectuoso", mas entretanto retirado quando me vi confrontada com tais ataques - eu que nao tenho tido nenhum contacto com ele, nem via computador, e.g. email, nem por nenhuma outra via, desde a ultima vez que o vi em Lisboa ja' la' vao uns bons mais de 20 anos!... - e, ja' agora tambem, repararam como simultaneamente ele se atirou ao alvo do kibeto com "todas as armas disponiveis", por entre estorias de animais no "quintal do seu palacio"? ), tendo antes feito um comentario a este post, em que me referia a um "amigo-como irmao (por sinal branco) que estava connosco a quem pedi que me levasse imediatamente para casa"?

Pois o que eu nao disse na altura [porque continuei, pelo menos ate' agora - e, na verdade, ainda continuo - a resistir deixar-me afundar completamente na enxurrada de lama e pedras que a chusma liderada (telecomandada!) por ele (apenas porque para la' regressou depois de longos anos com 'ares afectados' de Paris...) - tal como ele e outros o foram e, por incrivel que pareca, continuam a ser (!) por um certo Incrivel Svengali (... e ainda se arrogam proclamar que "pensam pela sua propria cabeca"!...) - me tem atirado...) foi que ele acompanhou-me ate' a porta do meu predio onde assim que la' chegamos me comecei a despedir dele, mas ele com um ar muito estranho (por falta de melhor qualificacao) comecou a dizer-me "sinto-me bastante lisonjeado por me teres escolhido para te trazer para casa" e comecou a "avancar para mim"... Ao que eu apenas lhe lancei um ultimo olhar, disse-lhe muito obrigada, despedi-me mais uma vez, virei-lhe as costas, entrei no predio, fechei a porta e deixei-o ali com o seu "ar muito estranho"! Ora, fiquei agora a saber, passados mais de 20 anos, atraves dessas "bocas no NJ" que o individuo afinal nunca se conformou por eu o ter sempre tratado apenas como "amigo-como irmao", porque sempre quis ser "muito mais do que isso"!...

E mais acrescento que apenas o tratava como tal devido ao meu relacionamento com a familia, incluindo a mae, dele e ao conteudo de alguns dos seus postais aqui incluidos!
Mas... o que o poder da imprensa e' capaz de fazer quando sobe 'a cabeca de um minion frustrado e complexado metido a "antigo combatente de ocasiao"! ... Sera' que ele esteve, ou teria alguma motivacao ou razao para estar nesta manifestacao, ou nesta, por exemplo?!




[**] E porque tambem nunca sera' demais (re)lembrar como "tudo isso" comecou, proponho uma reflexao sobre estas minhas afirmacoes, feitas aqui:


(...) E, já agora, “não gravaste nem filmaste porque não querias profanar aquele momento de intimidade tão único”…mas não te coibiste de o reproduzir aqui em detalhe, num espaço aberto ao mundo… será que as “mamãs” que tanta questão faziam que os homens “não vissem” não se importarão agora que qualquer homem no mundo as possa ver através dos teus olhos e comentar sobre o que viu?! Mas tu não tens culpa, és apenas o produto de um sistema político de apropriação cultural, também conhecido como “vulturismo cultural”, muito mal gerido ao longo destes 30 anos do pós-independência por elementos de um grupo social muito bem definido em Angola… e esse fenómeno há muito vem sendo estudado e debatido com muita seriedade, sobretudo fora do mundo lusófono. Mas, cedo ou tarde, esses debates e suas consequências chegarão a Angola…

... E estas, reproduzidas tambem no post em referencia sobre "shadeism":


There is a long history of sexualizing the black body with disastrous consequences - from lynchings in the South to the 'high-tech' lynchings of recent past. Collins looks at the ways African-American women's bodies have always been on display, from Josephine Baker to Destiny's Child, and the contradictory images of black masculinity from Michael Jackson to Michael Jordan.
(...)
In Black Sexual Politics, one of America's most influential writers on race and gender explores how images of Black sexuality have been used to maintain the color line and how they threaten to spread a new brand of racism around the world today. The ideal of pure white womanhood, Collins argues, required the invention of hot-blooded Latinas, exotic Suzy Wongs, and wanton jezebels...
(...)
In a book of sophisticated critical theory that could be used as a tool for antiracist political action, Collins (Charles Phelps Taft Professor of Sociology, Univ. of Cincinnati; Black Feminist Thought) asserts that "racism and sexism are deeply intertwined, and racism can never be solved without seeing and challenging sexism."




E para um pouco mais de leitura/analise comparativa, vejam-se os meus argumentos sobre o "debate dos feminismos" aqui, a luz deste artigo, tambem incluido no post sobre "shadeism"...





[***] E para completar o quadro, veja-se isto, por referencia ao que aqui afirmei (v. "How is it decided that this criticism of the publication for the first time in the Portuguese market of a magazine directed at African women is “more interesting” than, say, the criticisms arising from this, or this?") e a forma como essa questao (representacao de modelos de beleza feminina nos media - veja-se, em particular, a reaccao da Angolana Muginga a capa de uma das revistas consideradas) e' abordada no documentario que tem servido de base a esta refexao - documentario que nao so' ilustra perfeitamente o meu "dialogo com uma sista" com que o 'entrelacei', como tambem confirma o que aqui dizia sobre essas questoes:

(...) Grupo “afro-americano” esse onde, nunca e’ demais repeti-lo, se incluem todos os nao-brancos desde que tenham uma gota de sangue negro. E, se e’ certo que o "one drop rule" foi inicialmente uma criacao do grupo dominante branco nos EUA com motivacoes racistas, nao e’ menos certo que ele foi apropriado, internalizado e socializado historicamente pelos “afro-americanos” que – ao contrario, nunca e’ demais nota-lo, do que se passou e em grande medida ainda se passa nas ex-colonias portuguesas onde se instituiu uma diferenciacao racica hierarquizante de acordo com os varios tons de pele entre negros e brancos – partilharam ao longo de seculos em condicoes de igualdade tanto a discriminacao racial contra si (vide o caso da 'cabrita' Rosa Parks), como as oportunidades sociais, politicas e economicas que souberam conquistar para si (vide o caso da 'negra' Oprah Winfrey) como um unico grupo racico, pesem embora as clivagens e friccoes que tambem existem no seu seio, originadas, directa ou indirectamente, pelos diferentes tons de pele entre si (particularmente entre as mulheres, como quem tenha ouvido atentamente uma celebre conversa entre mulheres “negras” no filme Jungle Fever de Spike Lee tera’ notado."

Friday, 12 November 2010

London Jazz Festival

This was supposed to be my London Jazz Festival 2010...


Hugh Masekela & The Mahotella Queens

...But: SOLD OUT!

[Parece incrivel, mas com tantas passagens e estadias na Africa do Sul e arredores, nunca tive uma oportunidade de ver este que e' um dos meus maiores idolos do Jazz Africano (depois do nosso eterno Manu Dibango) ao vivo... e, parece mentira, mas ainda nao foi desta!]




Sonny Rollins at 80

...But: SOLD OUT!

[Vi-o ao vivo ha' ja' alguns anos em Lisboa no Centro Cultural de Belem, numa noite absolutamente inesquecivel, com a Paula Tavares, a Luisa de Almeida, o Jean-Yves e a Zarito (esta, por quem tenho grande estima e que e' irma de um certo minion de triste memoria neste blog... Lembro-me de, por aqueles dias, enquanto tomavamos o pequeno almoco de domingo numa esplanada nos jardins de Belem, perante as minhas repetidas queixas sobre o comportamento - estupido, crapula e cabotino, para dizer o minimo - do seu irmao para comigo, ela me ter dito: "Porque que nao cortas com ele? Corta, Paula!"...

{Zarito e Jean-Yves no meu quintal de limoeiro, nespreira e roseiras-trepadeiras em Belem - algures na ponta final dos anos 80 ou no inicio dos 90 (a toalha de mesa ainda (r)existe after all these years...) - foto JEA}

... Pois, mas levou-me todos estes anos ate' ao ano passado - desde que, com a criacao deste blog, ele nao perdeu a primeira oportunidade para manifestar mais uma vez a sua pequenez incuravel, so' que desta vez atraves do tal de NJ de igualmente triste memoria neste blog - para que eu me decidisse definitivamente a acatar o sabio conselho da Zarito... O que tambem se deveu ao facto de nao ter tido qualquer contacto com ele durante estas ultimas quase duas decadas, excepto brevemente quando estive em Luanda em 2001, ocasiao que tambem nao me deixou particularmente boas memorias dele... (e, by the way, nessa ocasiao ainda tive a insensatez - na verdade na altura disse de mim para cumim: "isto e' perola para porco"... - de lhe oferecer como prenda de Natal um CD que e' uma verdadeira enciclopedia de vida, musica e cultura dos Khoisan, do que muito me haveria de arrepender porque nunca mais consegui encontrar e comprar outro para mim!...).
E' que, quando alguem, como eu, valoriza sobremaneira, ainda que frequentemente incompreendida, a amizade e a familia - por uma questao dos agora tao "badalados" valores e principios! -, esta' sujeito a engolir muitos sapos, porque familiares e amigos ha' que, perante a nossa aparentemente infinita compreensao e tolerancia, acabam por tornar-se absolutamente insuportaveis, ate' que... o "corte" se torna inevitavel!

Mas, nao pretendo, com esta triste recordacao, estragar completamente a memoria de uma noite inesquecivel ao som vibrante do Sonny Rollins com aqueles que naquela altura eram alguns dos meus amigos mais proximos em Lisboa. Portanto, que fique apenas registada a pena de nao o poder ver e ouvir mais uma vez nesta que talvez tenha sido a ultima oportunidade de o fazer - e' que ele esta' a celebrar os seus 80 anos...]




Herbie Hancock...

[Tambem o vi ao vivo em Lisboa no mesmo Coliseu em que vi o Miles Davis, com o meu filho, nos dois ultimos concertos que deu naquela cidade, em 1989 e 1991 (tendo sido este ultimo no mesmo ano em que, alguns meses mais tarde, ele deixaria este mundo e em que, como aqui se da' conta, se estaria a programar uma sua possivel ida a Angola: “Nós tínhamos combinado levá-lo a Angola, estávamos a tratar disso para 1992 porque tínhamos pessoas em Luanda que queriam. Era demais. Fantástico.”)

Gostava de ver Herbie mais uma vez (nao sei se ainda terei muitas oportunidades futuras para o fazer uma vez que ele tambem ja' esta' nos seus 70...), mas porque tinha em mente as 'prioridades' acima nao o pude, infelizmente, incluir no meu programa inicial... and now it's too late!
Mas ouvi-o ontem numa entrevista em directo para o programa Jazz on 3 da BBC Radio 3, que cobriu ao vivo o lancamento deste festival a partir do legendario Ronnie Scott's (tambem a celebrar os seus 50 anos): fiquei assim a saber que o Herbie, apesar da sua "idade avancada", continua "tao bem parecido, energetico e criativo como sempre" (segundo o entrevistador, obviamente...) , o que ele, por entre uma sonora gargalhada, atribui a "evitar o stress", e que a piece de resistance da sua participacao neste festival e' o seu Imagine Project, baseado na obra do John Lennon e em que ele integra piano snippets by Kongo traditional musicians - I can't wait to check it out on CD!]



So, I'm now looking forward to this one:

Terence Blanchard Band + Robert Glasper Trio


[Terence Blanchard: um nome incontornavel do Jazz Contemporaneo. Nunca o vi ao vivo e devo confessar que o meu maior interesse em ve-lo e ouvi-lo deve-se aos seus film scores para o Spike Lee e ao seu ultimo album, Choices, com a participacao do "meu amigo" Cornel West...

I can't wait to see him tomorrow in the same Barbican where I saw, over a decade ago, our eternal African Jazz legend, Manu Dibango, for the first time - the second was at the 2006 edition of the Cape Town International Jazz Festival pictured here]





THAT WAS GREAT!

After a sizzling warm-up at the FreeStage brought to us fresh from New Orleans by the Soul Rebels Brass Band, we had just about three hours of some of the best contemporary jazz - before us was what Terence Blanchard said is the future of jazz to his mind (although also adding something like "people speculate all the time about the future of jazz, but to me there's no point in that: the future of jazz will be what it's going to be"...): opening for him, The Robert Glasper Trio (Glasper – whose artistic world is said to be “where the iconic record label Blue Note gets back to the streets, marrying hip-hop with the free flow of a classic piano trio, merging jazz and contemporary sounds”, and who also served us Herbie Hancock's "I Have A Dream" and Nirvana's "Smells Like Teen Spirit" – on piano; Derrick Hodge on bass and Mark Colenburg on drums) and, then, alongside himself on trumpet and Bruce Wilson on tenor saxophone, the three young players on his own Quintet (Fabian Almazan on piano, Joshua Crumbly on bass and Kendrick Scott on drums).

[There was something funny in between the two group's performance: another drummer, Chris Dave, replaced Mark Colenburg and Terence Blanchard just came on the stage and started playing his thing unannounced with the Glasper's Trio for about 10-15 minutes until their time on stage was over... Many people became quite agitated thinking that it was all for the night and I started saying "these guys can only be joking!"... and they were: it was just the interval before the Blanchard real thing!]

Blanchard offered us parts of his most recent creation, ‘Choices’, where we could hear Cornel West’s voice talking about subjects such as political consciousness, music, love and humanity: from the hurricanes Katrina and Obama, through how Beethoven considered music to be deeper than philosophy, to the love that existed between Miles and Coltrane… in short, about the human condition.

Through and through (with a few jokes about some of his band members’ personal details in between: the pianist – "a very shy guy" from Cuba; the bassist – "a scared to death" recent graduate from the Juilliard (..."you know, there's some intelligent people up here... at least one of us!", he said...); the drummer – a record label owner from Texas "who makes no money with it"; the saxophonist “who came from where it all began: Toussaint, Arizona!” ... Well, this one led to a few other jokes about the first time we hear Arizona and Jazz on the same breath and the woman who approached him at the end of one concert to rebuke him for his 'downplaying' of jazz in Arizona and presenting herself as the president of the Toussaint Jazz Society, and then the pilot who one day popped into him and Herbie Hancock on a plane and introduced himself as the brother of the president of the Toussaint Jazz Society!...], the main man of the evening fulfilled the promise in the words he was presented to us:

“Terence Blanchard is one of the few contemporary horn players who can truly claim to inherit the legacy of jazz trumpet giants Miles Davis, Lee Morgan and Freddie Hubbard. Born in New Orleans, as a child he played alongside friend Wynton Marsalis in summer band camps – later in life Wynton was to recommend him to Art Blakey as his replacement in The Jazz Messengers, becoming its lead soloist and musical director. By the 1990s, Blanchard had become a leader in his own right and had embarked on a highly successful partnership with film maker Spike Lee, writing the scores for every one of his films since 1991, including Malcolm X, Clockers, and the Hurricane Katrina documentary When the Levees Broke for HBO.

His film credits are extensive with over 40 scores to his name. He maintains a regular studio presence, recording his own original music and has been nominated for 11 Grammys, winning four. He stretches himself stylistically, working with other musicians such as Stevie Wonder and Dr John. His last Concord album Choices is probably his most radical yet, with readings by philosopher Cornel West and vocals by neo-soul singer Bilal over a meld of speculative post-bop, experimental yet accessible song forms, and jazz-initiated atmospheres to create a compelling, instructive and uplifting work.”




OTHER FESTIVAL HIGHLIGHTS

Esperanza Spalding
The 26 years old rising star who counts Obama among her biggest fans...


Chucho Valdés & The Afro-Cuban Messengers + Ibrahim Maalouf


AfroCubism
Featuring Eliades Ochoa, Toumani Diabate, Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkora, Kasse Mady Diabate.



Charles Lloyd Quartet + Winstone/Gesing/Venier

This was supposed to be my London Jazz Festival 2010...


Hugh Masekela & The Mahotella Queens

...But: SOLD OUT!

[Parece incrivel, mas com tantas passagens e estadias na Africa do Sul e arredores, nunca tive uma oportunidade de ver este que e' um dos meus maiores idolos do Jazz Africano (depois do nosso eterno Manu Dibango) ao vivo... e, parece mentira, mas ainda nao foi desta!]




Sonny Rollins at 80

...But: SOLD OUT!

[Vi-o ao vivo ha' ja' alguns anos em Lisboa no Centro Cultural de Belem, numa noite absolutamente inesquecivel, com a Paula Tavares, a Luisa de Almeida, o Jean-Yves e a Zarito (esta, por quem tenho grande estima e que e' irma de um certo minion de triste memoria neste blog... Lembro-me de, por aqueles dias, enquanto tomavamos o pequeno almoco de domingo numa esplanada nos jardins de Belem, perante as minhas repetidas queixas sobre o comportamento - estupido, crapula e cabotino, para dizer o minimo - do seu irmao para comigo, ela me ter dito: "Porque que nao cortas com ele? Corta, Paula!"...

{Zarito e Jean-Yves no meu quintal de limoeiro, nespreira e roseiras-trepadeiras em Belem - algures na ponta final dos anos 80 ou no inicio dos 90 (a toalha de mesa ainda (r)existe after all these years...) - foto JEA}

... Pois, mas levou-me todos estes anos ate' ao ano passado - desde que, com a criacao deste blog, ele nao perdeu a primeira oportunidade para manifestar mais uma vez a sua pequenez incuravel, so' que desta vez atraves do tal de NJ de igualmente triste memoria neste blog - para que eu me decidisse definitivamente a acatar o sabio conselho da Zarito... O que tambem se deveu ao facto de nao ter tido qualquer contacto com ele durante estas ultimas quase duas decadas, excepto brevemente quando estive em Luanda em 2001, ocasiao que tambem nao me deixou particularmente boas memorias dele... (e, by the way, nessa ocasiao ainda tive a insensatez - na verdade na altura disse de mim para cumim: "isto e' perola para porco"... - de lhe oferecer como prenda de Natal um CD que e' uma verdadeira enciclopedia de vida, musica e cultura dos Khoisan, do que muito me haveria de arrepender porque nunca mais consegui encontrar e comprar outro para mim!...).
E' que, quando alguem, como eu, valoriza sobremaneira, ainda que frequentemente incompreendida, a amizade e a familia - por uma questao dos agora tao "badalados" valores e principios! -, esta' sujeito a engolir muitos sapos, porque familiares e amigos ha' que, perante a nossa aparentemente infinita compreensao e tolerancia, acabam por tornar-se absolutamente insuportaveis, ate' que... o "corte" se torna inevitavel!

Mas, nao pretendo, com esta triste recordacao, estragar completamente a memoria de uma noite inesquecivel ao som vibrante do Sonny Rollins com aqueles que naquela altura eram alguns dos meus amigos mais proximos em Lisboa. Portanto, que fique apenas registada a pena de nao o poder ver e ouvir mais uma vez nesta que talvez tenha sido a ultima oportunidade de o fazer - e' que ele esta' a celebrar os seus 80 anos...]




Herbie Hancock...

[Tambem o vi ao vivo em Lisboa no mesmo Coliseu em que vi o Miles Davis, com o meu filho, nos dois ultimos concertos que deu naquela cidade, em 1989 e 1991 (tendo sido este ultimo no mesmo ano em que, alguns meses mais tarde, ele deixaria este mundo e em que, como aqui se da' conta, se estaria a programar uma sua possivel ida a Angola: “Nós tínhamos combinado levá-lo a Angola, estávamos a tratar disso para 1992 porque tínhamos pessoas em Luanda que queriam. Era demais. Fantástico.”)

Gostava de ver Herbie mais uma vez (nao sei se ainda terei muitas oportunidades futuras para o fazer uma vez que ele tambem ja' esta' nos seus 70...), mas porque tinha em mente as 'prioridades' acima nao o pude, infelizmente, incluir no meu programa inicial... and now it's too late!
Mas ouvi-o ontem numa entrevista em directo para o programa Jazz on 3 da BBC Radio 3, que cobriu ao vivo o lancamento deste festival a partir do legendario Ronnie Scott's (tambem a celebrar os seus 50 anos): fiquei assim a saber que o Herbie, apesar da sua "idade avancada", continua "tao bem parecido, energetico e criativo como sempre" (segundo o entrevistador, obviamente...) , o que ele, por entre uma sonora gargalhada, atribui a "evitar o stress", e que a piece de resistance da sua participacao neste festival e' o seu Imagine Project, baseado na obra do John Lennon e em que ele integra piano snippets by Kongo traditional musicians - I can't wait to check it out on CD!]



So, I'm now looking forward to this one:

Terence Blanchard Band + Robert Glasper Trio


[Terence Blanchard: um nome incontornavel do Jazz Contemporaneo. Nunca o vi ao vivo e devo confessar que o meu maior interesse em ve-lo e ouvi-lo deve-se aos seus film scores para o Spike Lee e ao seu ultimo album, Choices, com a participacao do "meu amigo" Cornel West...

I can't wait to see him tomorrow in the same Barbican where I saw, over a decade ago, our eternal African Jazz legend, Manu Dibango, for the first time - the second was at the 2006 edition of the Cape Town International Jazz Festival pictured here]





THAT WAS GREAT!

After a sizzling warm-up at the FreeStage brought to us fresh from New Orleans by the Soul Rebels Brass Band, we had just about three hours of some of the best contemporary jazz - before us was what Terence Blanchard said is the future of jazz to his mind (although also adding something like "people speculate all the time about the future of jazz, but to me there's no point in that: the future of jazz will be what it's going to be"...): opening for him, The Robert Glasper Trio (Glasper – whose artistic world is said to be “where the iconic record label Blue Note gets back to the streets, marrying hip-hop with the free flow of a classic piano trio, merging jazz and contemporary sounds”, and who also served us Herbie Hancock's "I Have A Dream" and Nirvana's "Smells Like Teen Spirit" – on piano; Derrick Hodge on bass and Mark Colenburg on drums) and, then, alongside himself on trumpet and Bruce Wilson on tenor saxophone, the three young players on his own Quintet (Fabian Almazan on piano, Joshua Crumbly on bass and Kendrick Scott on drums).

[There was something funny in between the two group's performance: another drummer, Chris Dave, replaced Mark Colenburg and Terence Blanchard just came on the stage and started playing his thing unannounced with the Glasper's Trio for about 10-15 minutes until their time on stage was over... Many people became quite agitated thinking that it was all for the night and I started saying "these guys can only be joking!"... and they were: it was just the interval before the Blanchard real thing!]

Blanchard offered us parts of his most recent creation, ‘Choices’, where we could hear Cornel West’s voice talking about subjects such as political consciousness, music, love and humanity: from the hurricanes Katrina and Obama, through how Beethoven considered music to be deeper than philosophy, to the love that existed between Miles and Coltrane… in short, about the human condition.

Through and through (with a few jokes about some of his band members’ personal details in between: the pianist – "a very shy guy" from Cuba; the bassist – "a scared to death" recent graduate from the Juilliard (..."you know, there's some intelligent people up here... at least one of us!", he said...); the drummer – a record label owner from Texas "who makes no money with it"; the saxophonist “who came from where it all began: Toussaint, Arizona!” ... Well, this one led to a few other jokes about the first time we hear Arizona and Jazz on the same breath and the woman who approached him at the end of one concert to rebuke him for his 'downplaying' of jazz in Arizona and presenting herself as the president of the Toussaint Jazz Society, and then the pilot who one day popped into him and Herbie Hancock on a plane and introduced himself as the brother of the president of the Toussaint Jazz Society!...], the main man of the evening fulfilled the promise in the words he was presented to us:

“Terence Blanchard is one of the few contemporary horn players who can truly claim to inherit the legacy of jazz trumpet giants Miles Davis, Lee Morgan and Freddie Hubbard. Born in New Orleans, as a child he played alongside friend Wynton Marsalis in summer band camps – later in life Wynton was to recommend him to Art Blakey as his replacement in The Jazz Messengers, becoming its lead soloist and musical director. By the 1990s, Blanchard had become a leader in his own right and had embarked on a highly successful partnership with film maker Spike Lee, writing the scores for every one of his films since 1991, including Malcolm X, Clockers, and the Hurricane Katrina documentary When the Levees Broke for HBO.

His film credits are extensive with over 40 scores to his name. He maintains a regular studio presence, recording his own original music and has been nominated for 11 Grammys, winning four. He stretches himself stylistically, working with other musicians such as Stevie Wonder and Dr John. His last Concord album Choices is probably his most radical yet, with readings by philosopher Cornel West and vocals by neo-soul singer Bilal over a meld of speculative post-bop, experimental yet accessible song forms, and jazz-initiated atmospheres to create a compelling, instructive and uplifting work.”




OTHER FESTIVAL HIGHLIGHTS

Esperanza Spalding
The 26 years old rising star who counts Obama among her biggest fans...


Chucho Valdés & The Afro-Cuban Messengers + Ibrahim Maalouf


AfroCubism
Featuring Eliades Ochoa, Toumani Diabate, Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkora, Kasse Mady Diabate.



Charles Lloyd Quartet + Winstone/Gesing/Venier

Monday, 5 January 2009

PERSONAGENS (I)





O "MINION"


(1)
Estava eu muito bem descansada no meu kubiko do Kinaxixi, quando me batem a porta. Era ele, com a filha. Vinha da casa da estranged wife, ali a dois passos, e dizia que procurava um pouco de paz... Arranjei-lhes um lugar confortavel para dormir na sala, ate’ que ele se sentiu suficientemente “pacificado” para ir a sua vida… Para meu supremo choque, boquiabertismo e asco, com base nesse episodio, ouvi-o uma vez dizer, ja’ nao sei a que proposito: “eu so’ nao fui para a cama contigo porque nao quis!”… Creio que, na altura, fiquei simplesmente sem palavras! Sobretudo porque o conheci como "amigo" deste personagem!...

(2)
Estava eu a preparar-me para o teste de Economia do Desenvolvimento (ED) que teria na semana seguinte (… nao podia simplesmente deixar os meus creditos por maos alheias – afinal eu era a melhor aluna do ano naquela cadeira, a tal onde se estuda(va) "macroeconomia a prova de balas", o que quer que isso seja...), quando ouco tocar a campanhia da minha casa em Lisboa. Vou abrir. Era ele, acompanhado da filha. Deixei-os entrar. Dizia que, “sendo eu a unica pessoa amiga que tinha, vinha pedir-me asilo para os dois porque ja’ nao aguentava aquela francesa…”.

Deixei-os entrar. Depois de o ouvir mais um pouco, disse-lhe terminantemente: “desculpa, mas vou levar-te a casa”. Coloquei a filha a dormir no quarto do meu filho, que tambem ja’ estava a dormir aquela hora avancada da noite, chamei um taxi (que paguei) e fui acompanha-lo ate’ a porta de casa. A francesa ouviu tocar, veio a porta, mas antes de a abrir perguntou quem era, ao que ele respondeu apenas por si. Ela: “tu viens pour me battre?!”. Eu retorqui por mim: “nao, eu estou aqui com ele”… Ela abriu, ele entrou, eu voltei para a minha casa. Mas ja’ nao consegui estudar naquela noite.
A filha foi retornada a casa no dia seguinte.
O teste de ED? Correu bem, gracas a Deus!
(Nao que ele me tivesse perguntado...)



(3)
Anos mais tarde, numa outra casa minha em Lisboa, ela bate-me a porta. Recebo-a com a maior das simpatias e afabilidades – afinal ele tinha-me confidenciado que ela tinha feito de mim os maiores elogios: “que eu era uma das mulheres que ela mais respeitava… que dentre todos os angolanos que tinha recebido em sua casa em Paris eu era a mais autentica”… Mas, a paginas tantas, ela comeca a rodear pela casa e, ao dar-se conta que havia uma outra entrada/saida pelo quintal, diz que “isto e’ optimo para deixar fugir amantes”… Coisa que nunca sequer me passara pela cabeca! Obviamente, tinha vindo apenas a procura do seu amavel mari, que por sinal eu ja’ nao via ha’ muito tempo… e que jamais tinha sido “meu amante”!
Fiquei, tambem dessa vez, sem palavras, mas continuei amavel ate' que ela se despediu e saiu... pela porta do quintal.

(4)
Alguns anos depois, ele aparece-me na mesma casa em Lisboa. Desta vez nao vinha com a filha, que creio ja’ se encontrava de volta a Luanda na altura. Vinha de Paris e dizia que tinha deixado a francesa com esta frase: “vou para casa das mulheres que te fazem mais ciumes: a CM em Paris e a (eu) em Lisboa!”… Nao foi exactamente a frase que me chocou, mas a realizacao de que nem sequer lhe passava pela cabeca (e se passava, ele estava-se pura e simplesmente nas tintas!) o quanto era ofensivo para mim saber-me usada para chantagens emocionais em conflitos domesticos com os quais nada tinha, nem nunca tive, ou quis ter, a haver…



Mas, mais uma vez, faltaram-me as palavras para expressar o ultraje. Nao o deixei, no entanto, ficar muito tempo. E, apesar de, enquanto la’ esteve, as vezes desfilar a minha frente de forma pateticamente provocadora de peito nu, nunca fui para a cama com ele! Nunca me atraiu a esse ponto, nunca foi um dos muito poucos a quem dei esse privilegio durante toda a minha vida… gracas a Deus!

E, ja' agora, aproveito para deixar aqui registado que nessa categoria se encontram todos os individuos a quem aqui me referi, por uma razao ou por outra, em algumas das notas de rodape' a serie "Ecos da Imprensa Angolana" - grande parte das quais decidi retirar para evitar mais mal-entendidos...

(5)
Mais recentemente, regressou a Luanda e, entre outras coisas, virou ‘colunista’ com ares mui afectados de Paris… Em pouco tempo, deu para ver que continua pateticamente hipocrita, machista, ridiculo, piquinininho, mesquinho, complexado, recalcado, intriguista, difamador, fantasista, pervertido, depravado e… a delirar com a ideia de que eu alguma vez possa ter sido uma mulher ao seu alcance. Mas a realidade, obviamente, acaba sempre por bater-lhe a porta e, frustrado com o esvair-se do seu sonho gravido de mentiras, vira cao raivoso que morde a mao que tantas vezes o amparou… seguindo os principios que os meus ancestrais me ensinaram, como mae, por pena da filha dele, de cuja mae era bastante amiga, apenas por isso.

Pois essa mao decidiu agora, ainda que apenas em pequenos e parciais snapshots como estes, enfiar-lhe um pouco da verdade pelos olhos adentro – a ver se eles nunca mais voltam a perde-la de vista!




POST RELACIONADO:

A "Minha Amiga"





O "MINION"


(1)
Estava eu muito bem descansada no meu kubiko do Kinaxixi, quando me batem a porta. Era ele, com a filha. Vinha da casa da estranged wife, ali a dois passos, e dizia que procurava um pouco de paz... Arranjei-lhes um lugar confortavel para dormir na sala, ate’ que ele se sentiu suficientemente “pacificado” para ir a sua vida… Para meu supremo choque, boquiabertismo e asco, com base nesse episodio, ouvi-o uma vez dizer, ja’ nao sei a que proposito: “eu so’ nao fui para a cama contigo porque nao quis!”… Creio que, na altura, fiquei simplesmente sem palavras! Sobretudo porque o conheci como "amigo" deste personagem!...

(2)
Estava eu a preparar-me para o teste de Economia do Desenvolvimento (ED) que teria na semana seguinte (… nao podia simplesmente deixar os meus creditos por maos alheias – afinal eu era a melhor aluna do ano naquela cadeira, a tal onde se estuda(va) "macroeconomia a prova de balas", o que quer que isso seja...), quando ouco tocar a campanhia da minha casa em Lisboa. Vou abrir. Era ele, acompanhado da filha. Deixei-os entrar. Dizia que, “sendo eu a unica pessoa amiga que tinha, vinha pedir-me asilo para os dois porque ja’ nao aguentava aquela francesa…”.

Deixei-os entrar. Depois de o ouvir mais um pouco, disse-lhe terminantemente: “desculpa, mas vou levar-te a casa”. Coloquei a filha a dormir no quarto do meu filho, que tambem ja’ estava a dormir aquela hora avancada da noite, chamei um taxi (que paguei) e fui acompanha-lo ate’ a porta de casa. A francesa ouviu tocar, veio a porta, mas antes de a abrir perguntou quem era, ao que ele respondeu apenas por si. Ela: “tu viens pour me battre?!”. Eu retorqui por mim: “nao, eu estou aqui com ele”… Ela abriu, ele entrou, eu voltei para a minha casa. Mas ja’ nao consegui estudar naquela noite.
A filha foi retornada a casa no dia seguinte.
O teste de ED? Correu bem, gracas a Deus!
(Nao que ele me tivesse perguntado...)



(3)
Anos mais tarde, numa outra casa minha em Lisboa, ela bate-me a porta. Recebo-a com a maior das simpatias e afabilidades – afinal ele tinha-me confidenciado que ela tinha feito de mim os maiores elogios: “que eu era uma das mulheres que ela mais respeitava… que dentre todos os angolanos que tinha recebido em sua casa em Paris eu era a mais autentica”… Mas, a paginas tantas, ela comeca a rodear pela casa e, ao dar-se conta que havia uma outra entrada/saida pelo quintal, diz que “isto e’ optimo para deixar fugir amantes”… Coisa que nunca sequer me passara pela cabeca! Obviamente, tinha vindo apenas a procura do seu amavel mari, que por sinal eu ja’ nao via ha’ muito tempo… e que jamais tinha sido “meu amante”!
Fiquei, tambem dessa vez, sem palavras, mas continuei amavel ate' que ela se despediu e saiu... pela porta do quintal.

(4)
Alguns anos depois, ele aparece-me na mesma casa em Lisboa. Desta vez nao vinha com a filha, que creio ja’ se encontrava de volta a Luanda na altura. Vinha de Paris e dizia que tinha deixado a francesa com esta frase: “vou para casa das mulheres que te fazem mais ciumes: a CM em Paris e a (eu) em Lisboa!”… Nao foi exactamente a frase que me chocou, mas a realizacao de que nem sequer lhe passava pela cabeca (e se passava, ele estava-se pura e simplesmente nas tintas!) o quanto era ofensivo para mim saber-me usada para chantagens emocionais em conflitos domesticos com os quais nada tinha, nem nunca tive, ou quis ter, a haver…



Mas, mais uma vez, faltaram-me as palavras para expressar o ultraje. Nao o deixei, no entanto, ficar muito tempo. E, apesar de, enquanto la’ esteve, as vezes desfilar a minha frente de forma pateticamente provocadora de peito nu, nunca fui para a cama com ele! Nunca me atraiu a esse ponto, nunca foi um dos muito poucos a quem dei esse privilegio durante toda a minha vida… gracas a Deus!

E, ja' agora, aproveito para deixar aqui registado que nessa categoria se encontram todos os individuos a quem aqui me referi, por uma razao ou por outra, em algumas das notas de rodape' a serie "Ecos da Imprensa Angolana" - grande parte das quais decidi retirar para evitar mais mal-entendidos...

(5)
Mais recentemente, regressou a Luanda e, entre outras coisas, virou ‘colunista’ com ares mui afectados de Paris… Em pouco tempo, deu para ver que continua pateticamente hipocrita, machista, ridiculo, piquinininho, mesquinho, complexado, recalcado, intriguista, difamador, fantasista, pervertido, depravado e… a delirar com a ideia de que eu alguma vez possa ter sido uma mulher ao seu alcance. Mas a realidade, obviamente, acaba sempre por bater-lhe a porta e, frustrado com o esvair-se do seu sonho gravido de mentiras, vira cao raivoso que morde a mao que tantas vezes o amparou… seguindo os principios que os meus ancestrais me ensinaram, como mae, por pena da filha dele, de cuja mae era bastante amiga, apenas por isso.

Pois essa mao decidiu agora, ainda que apenas em pequenos e parciais snapshots como estes, enfiar-lhe um pouco da verdade pelos olhos adentro – a ver se eles nunca mais voltam a perde-la de vista!




POST RELACIONADO:

A "Minha Amiga"

Friday, 5 December 2008

ANGOLA: PAIS XENOFOBO?






Aqui ha’ uns anos, ao final de uma apresentacao que fiz durante uma serie de workshops sobre implementacao de politicas que dirigi em Johanesburgo para uma assistencia multinacional (que, por sinal, incluia dois angolanos, quadros do Ministerio da Educacao de Angola), alguem, um jovem sul-africano, fez uma intervencao dizendo algo como “quando as politicas sao deficientes, criam-se mecanismos assepticos para as validar”, ou qualquer coisa assim parecida… Bom, o facto e’ que o jovem nao tinha inicialmente entendido ‘patavina’ do mecanismo de monitorizacao da implementacao de politicas que ali tinha apresentado, por ser uma absoluta novidade na regiao, mas acabou depois por ficar com pelo menos "uma ideia".

Vem esta estoria a proposito deste interessante artigo de Pepetela. Por duas razoes: primeiro, porque retive daquela tirada do jovem sul-africano a palavra “asseptico”, por ter sido a primeira vez que a ouvi usada num contexto de formulacao, implementacao, monitorizacao e avaliacao de politicas; segundo, porque me parece que ha’ algo de “asseptico” na forma como Pepetela trata a questao da imigracao em Angola – nao tanto assim como ela e’ tratada neste artigo, por exemplo, mas “asseptico” de todo o modo.

Porque “asseptico”? Por, na minha modesta opiniao, me parecerem haver substanciais diferencas qualitativas (independentemente dos numeros em questao, ou seja das diferencas quantitativas) entre aqueles fluxos em diferentes periodos historicos. Isto e’, nao me parece, por exemplo, que a ocupacao colonial, o comercio transatlantico de escravos, ou os mais recentes fluxos migratorios pelas mais variadas razoes, desde politicas, de guerra, de estudo, ou economicas, se possam colocar ao mesmo nivel das migracoes pre-coloniais Bantu. Sera’ que podem estas ser classificadas como “imigracoes”? Havia fronteiras claramente definidas na altura em que elas se verificaram? Havia estados estruturados em todas as regioes em que elas tiveram lugar? Eram anteriormente povoadas todas as regioes "ocupadas" pelos Bantu ao longo das suas migracoes? Sera’ irrelevante geografica, antropologica, cultural e politicamente que elas tenham ocorrido dentro, i.e. de e para, Africa, por povos de origem Africana? Sera’ irrelevante historica e sociologicamente o facto de elas terem ocorrido durante milenios, enquanto a ocupacao colonial decorreu durante ‘apenas’ seculos (e em varios casos, incluindo em vastas regioes de Angola, ‘apenas’ decadas) e a actual vaga imigratoria conta menos de uma decada? Nao me proponho, no entanto, com este post discutir todas essas questoes, pelo que acrescentarei apenas as seguintes observacoes:

i) Nao pretendendo negar a possivel existencia de xenofobia no pais, o que me parece estar em causa em Angola e’ muito mais uma questao de nao se ter ainda criado um ambiente suficientemente acolhedor e integrador para os proprios angolanos que regressam ou que o pretendem fazer, nem proporcionado garantias suficientes aos nacionais de forma geral de que a actual entrada em massa de estrangeiros, claramente por razoes economicas, nao constitui um crowding out das suas proprias oportunidades economicas, sociais, educacionais e culturais. Porque, quanto a mim, o que se passa neste momento em Angola e’ uma acerrima e desabrida competicao, respeitando poucas ou nenhumas regras, pelos recursos escassos que, apesar de todas as sugestoes em contrario, ainda constituem as oportunidades que acabo de referir no actual quadro institucional, politico, economico e social do pais.

ii) As minhas proprias experiencias a esse nivel, deixam-me muito poucas duvidas de que, a haver xenofobia, ela e’ virada de forma por vezes ainda mais violenta e intolerante (talvez apenas comparavel a que sempre foi dirigida aos chamados regressados do Congo...) contra nacionais, particularmente se de origem Bantu, que tenham saido do pais durante o periodo post-independencia, especialmente os que sairam para estudar e que, pelas mais variadas razoes, nao regressaram imediatamente apos os seus estudos, nos casos em que os tenham completado.

O que sistematicamente se omite, porem, nessas manifestacoes de intolerancia (que de certo modo confirmam o que aqui disse sobre o estado mental de pelo menos parte da actual sociedade angolana) [*] e’ que, na maior parte dos casos, aqueles estudantes foram “empurrados” para fora do pais [**], quando nao literalmente expulsos, por politicas de formacao de quadros no exterior, no melhor dos casos, deficientes, segregacionistas e discriminatorias e, no pior, completamente falhadas, persecutorias, atentatorias da sua mais minima dignidade pessoal e violadoras dos seus mais elementares direitos humanos![***]

O que se faz tudo por esquecer, escamotear e negar em tais soezes, cobardes e criminosos ataques, e’ que alguns desses estudantes tiveram que tomar por sua propria conta e risco, pessoal e financeiramente, trabalhando honestamente, o “refazer” das suas qualificacoes academicas, tecnicas e profissionais em condicoes totalmente competitivas no estrangeiro, sem qualquer respaldo do Estado Angolano, ou, ja' agora, de qualquer outra instituicao, nacional ou estrangeira, publica ou privada. Por essa razao, se ha’ algo que eles nao temem e’ a livre competicao com estrangeiros no seu proprio pais! Mas a questao e’ que essa competicao, a semelhanca daquela a que estao habituados, tem que ser justa, objectiva, transparente, regrada, regulada e monitorizada. Nao e’, infelizmente, o que se passa neste momento em Angola, o que apenas contribui para a depauperacao do ja’ pauperrimo stock de capital humano do pais. Infelizmente tambem, essa nao e’ uma realidade exclusiva de Angola (embora ela seja ai exacerbada, por um lado, por uma propensao, quica unica em Africa, para se associar "desenvolvimento" e "civilizacao" com "estrangeiro nao Bantu" e, por outro lado, pelas recentes elevadas taxas de crescimento a custa do petroleo e pelas ditas "imensas riquezas do pais"...), verificando-se tambem nos varios paises Africanos que, independentemente das ideologias subjacentes as politicas que adoptaram desde as respectivas independencias, se veem imersos em eternos ciclos viciosos de dependencia, pobreza e sub-desenvolvimento, como aqui bem o ilustra o academico Francis Njubi.

iii) Volto brevemente a Johanesburgo para sugerir que, por forma a precaverem-se, entre outros possiveis, efeitos secundarios negativos e manifestacoes reactivas como esta, se adopte em Angola uma clara politica de imigracao e um eficiente mecanismo de monitorizacao (nao “asseptico”) dos actuais fluxos migratorios do e para o pais, que podera’ ser assente, entre outros, nos numeros de que Pepetela fala. Idealmente, tal politica de imigracao devera’ ser complementada, a par de uma seria politica de emprego, por uma robusta politica de formacao, avaliacao e requalificacao, que valorize e dignifique os quadros nacionais, tenham-se eles formado dentro ou fora do pais, e que maximize o stock de capital humano da nacao. Mas, sobretudo, que nunca se perca de vista nesse processo que nenhuma grande economia, sociedade, ou civilizacao deste mundo foi feita exclusivamente por meia duzia de Professores Doutores politica e ideologicamente alinhados em 'comites da especialidade' ou arregimentados por NGOs financiadas pelo estrangeiro, Colunistas ad-hoc, Militares, Artistas, Escritores e ... Estrangeiros.

*****

[*] Movidas, nos casos mais perturbadores, por noveis ‘colunistas’ numa certa imprensa que, aparentemente ao servico das mais escusas e sordidas agendas pessoais, assim demonstrando a mais gritante falta de profissionalismo, ao mesmo tempo que nao se cansam de promover a ida rapidamente e em forca para Angola de estrangeiros cujas qualificacoes e motivacoes nao lhes passa pela cabeca questionar (como os bons complexados subservientes que se prezam de ser... indeed, 'o problema' (nao e' segredo nenhum!) esta' e sempre esteve na cabeca deles, ou seja, nos seus mediocres e piquinininhos cerebros... ja' para nao falar nos seus diminutos fisicos... a medida, imagem e semelhanca dos quais projectam o pais...), se parecem vir, arrogante e ignorantemente, ‘especializando’ e 'post-graduando' em ‘avaliar’ e ‘julgar’, sem quaisquer habilitacoes ou competencias para tal (a nao ser talvez a sua vocacao natural para “comissarios politicos” de ocasiao, ou oficiais subalternos de uma qualquer "inquisicao"), do alto das suas auto-instituidas catedras, alguns quadros nacionais.

Sendo ainda mais revoltante o facto de alguns desses ‘colunistas’ (que, ademais, nao se coibem de incluir nos seus nojentos, venenosos, irresponsaveis e desumanos vituperios os filhos de quadros no exterior que, tambem eles, se formaram exclusivamente a custa do seu proprio sacrificio e dos seus pais ou, como no meu caso, da sua mae…), terem tambem, e sem quaisquer razoes de forca maior, “emigrado” durante longos anos no post-independencia para la vie en rose noutras paragens, onde viveram sempre a custa de outrem - por sinal, mulheres... o que diz muito sobre a sua auto-proclamada macheza e tera' levado alguem que, de outro modo, lhes deveria o maximo respeito a cantar-lhes o refrao les hommes sont des couchons...-, sem nunca terem trabalhado ou estudado... e que recentemente regressaram a Angola como "empresarios" (...depois de terem fugido de outras 'pastagens' onde afundaram empresas que criaram com dinheiros publicos e que esbanjaram em proveito proprio...) e com estatutos de "herois" e "antigos combatentes" (isto e', passaram subita, oportunistica e novo-riquisticamente a ter tudo, incluindo "palacios", e a "ser tudo" numa sociedade em que a experiencia vivencial da generalidade dos antigos combatentes e' retratada pela frase "ate' voce ja' nao es nada"...) mas, contudo, sem qualquer valor acrescentado para oferecer ao pais, o que talvez justifique toda a sua sanha canina, raivosa e assassina…

[**] Em particular durante o consulado de um notabilissimo e bastante versatil embaixador/musico/atleta/recem-graduado em Cuba, de quem um dos tais 'colunistas' aqui referidos e' um dedicado pupilo (ou, talvez melhor dito, kaxiko!) de longa data e cujo "disco de ouro negro" foi 'prefaciado' por Pepetela - nao que umas coisas tenham necessariamente a ver com outras, trata-se apenas de assinalar aqui algumas notaveis coincidencias...

[***] O que faz com que esses afoitos noveis 'colunistas' novo-jornaleiros estejam a incorrer, no minimo, numa multipla violacao dos direitos humanos das suas vitimas (pela qual apenas nao sao imediatamente responsabilizados legalmente porque nao teem coragem suficiente, como despreziveis cobardes que sao, de desferir os seus vis ataques aberta e directamente...), porquanto assim reza a Declaracao Universal dos Direitos Humanos:

Artigo 12°- Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.

Artigo 13° - 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 19° - Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

... Isto em adicao a violacao de todas as politicas, disposicoes e declaracoes nacionais, regionais e internacionais respeitantes a promocao da Mulher e a defesa dos seus direitos, consagrados, entre outros documentos, na Declaracao de Beijing. O que apenas confirma tudo quanto aqui disse sobre um certo tipo de homem africano... sendo certo que muito mais ha' a dizer, em particular sobre um certo tipo de invertebrado angolano!

... Isto para nem sequer mencionar os mais elementares principios de educacao, cavalheirismo e civilidade (particularmente quando nao se conhece de parte alguma quem tao obcecada e apaixonadamente se tenta vitimar)!

... Isto para nem sequer falar na imoralidade em que incorrem...

Mas... como no fundo apenas me metem, como sempre me meteram, pena (muita pena mesmo!) ... e como, ao que dizem, teem um Ingles 'nao cursivo' (o que quer que isso seja...), dedico-lhes este poema. Desculpem-me ser da autoria de uma Mulher Negra...

[Crescam e Aparecam!]


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Aqui ha’ uns anos, ao final de uma apresentacao que fiz durante uma serie de workshops sobre implementacao de politicas que dirigi em Johanesburgo para uma assistencia multinacional (que, por sinal, incluia dois angolanos, quadros do Ministerio da Educacao de Angola), alguem, um jovem sul-africano, fez uma intervencao dizendo algo como “quando as politicas sao deficientes, criam-se mecanismos assepticos para as validar”, ou qualquer coisa assim parecida… Bom, o facto e’ que o jovem nao tinha inicialmente entendido ‘patavina’ do mecanismo de monitorizacao da implementacao de politicas que ali tinha apresentado, por ser uma absoluta novidade na regiao, mas acabou depois por ficar com pelo menos "uma ideia".

Vem esta estoria a proposito deste interessante artigo de Pepetela. Por duas razoes: primeiro, porque retive daquela tirada do jovem sul-africano a palavra “asseptico”, por ter sido a primeira vez que a ouvi usada num contexto de formulacao, implementacao, monitorizacao e avaliacao de politicas; segundo, porque me parece que ha’ algo de “asseptico” na forma como Pepetela trata a questao da imigracao em Angola – nao tanto assim como ela e’ tratada neste artigo, por exemplo, mas “asseptico” de todo o modo.

Porque “asseptico”? Por, na minha modesta opiniao, me parecerem haver substanciais diferencas qualitativas (independentemente dos numeros em questao, ou seja das diferencas quantitativas) entre aqueles fluxos em diferentes periodos historicos. Isto e’, nao me parece, por exemplo, que a ocupacao colonial, o comercio transatlantico de escravos, ou os mais recentes fluxos migratorios pelas mais variadas razoes, desde politicas, de guerra, de estudo, ou economicas, se possam colocar ao mesmo nivel das migracoes pre-coloniais Bantu. Sera’ que podem estas ser classificadas como “imigracoes”? Havia fronteiras claramente definidas na altura em que elas se verificaram? Havia estados estruturados em todas as regioes em que elas tiveram lugar? Eram anteriormente povoadas todas as regioes "ocupadas" pelos Bantu ao longo das suas migracoes? Sera’ irrelevante geografica, antropologica, cultural e politicamente que elas tenham ocorrido dentro, i.e. de e para, Africa, por povos de origem Africana? Sera’ irrelevante historica e sociologicamente o facto de elas terem ocorrido durante milenios, enquanto a ocupacao colonial decorreu durante ‘apenas’ seculos (e em varios casos, incluindo em vastas regioes de Angola, ‘apenas’ decadas) e a actual vaga imigratoria conta menos de uma decada? Nao me proponho, no entanto, com este post discutir todas essas questoes, pelo que acrescentarei apenas as seguintes observacoes:

i) Nao pretendendo negar a possivel existencia de xenofobia no pais, o que me parece estar em causa em Angola e’ muito mais uma questao de nao se ter ainda criado um ambiente suficientemente acolhedor e integrador para os proprios angolanos que regressam ou que o pretendem fazer, nem proporcionado garantias suficientes aos nacionais de forma geral de que a actual entrada em massa de estrangeiros, claramente por razoes economicas, nao constitui um crowding out das suas proprias oportunidades economicas, sociais, educacionais e culturais. Porque, quanto a mim, o que se passa neste momento em Angola e’ uma acerrima e desabrida competicao, respeitando poucas ou nenhumas regras, pelos recursos escassos que, apesar de todas as sugestoes em contrario, ainda constituem as oportunidades que acabo de referir no actual quadro institucional, politico, economico e social do pais.

ii) As minhas proprias experiencias a esse nivel, deixam-me muito poucas duvidas de que, a haver xenofobia, ela e’ virada de forma por vezes ainda mais violenta e intolerante (talvez apenas comparavel a que sempre foi dirigida aos chamados regressados do Congo...) contra nacionais, particularmente se de origem Bantu, que tenham saido do pais durante o periodo post-independencia, especialmente os que sairam para estudar e que, pelas mais variadas razoes, nao regressaram imediatamente apos os seus estudos, nos casos em que os tenham completado.

O que sistematicamente se omite, porem, nessas manifestacoes de intolerancia (que de certo modo confirmam o que aqui disse sobre o estado mental de pelo menos parte da actual sociedade angolana) [*] e’ que, na maior parte dos casos, aqueles estudantes foram “empurrados” para fora do pais [**], quando nao literalmente expulsos, por politicas de formacao de quadros no exterior, no melhor dos casos, deficientes, segregacionistas e discriminatorias e, no pior, completamente falhadas, persecutorias, atentatorias da sua mais minima dignidade pessoal e violadoras dos seus mais elementares direitos humanos![***]

O que se faz tudo por esquecer, escamotear e negar em tais soezes, cobardes e criminosos ataques, e’ que alguns desses estudantes tiveram que tomar por sua propria conta e risco, pessoal e financeiramente, trabalhando honestamente, o “refazer” das suas qualificacoes academicas, tecnicas e profissionais em condicoes totalmente competitivas no estrangeiro, sem qualquer respaldo do Estado Angolano, ou, ja' agora, de qualquer outra instituicao, nacional ou estrangeira, publica ou privada. Por essa razao, se ha’ algo que eles nao temem e’ a livre competicao com estrangeiros no seu proprio pais! Mas a questao e’ que essa competicao, a semelhanca daquela a que estao habituados, tem que ser justa, objectiva, transparente, regrada, regulada e monitorizada. Nao e’, infelizmente, o que se passa neste momento em Angola, o que apenas contribui para a depauperacao do ja’ pauperrimo stock de capital humano do pais. Infelizmente tambem, essa nao e’ uma realidade exclusiva de Angola (embora ela seja ai exacerbada, por um lado, por uma propensao, quica unica em Africa, para se associar "desenvolvimento" e "civilizacao" com "estrangeiro nao Bantu" e, por outro lado, pelas recentes elevadas taxas de crescimento a custa do petroleo e pelas ditas "imensas riquezas do pais"...), verificando-se tambem nos varios paises Africanos que, independentemente das ideologias subjacentes as politicas que adoptaram desde as respectivas independencias, se veem imersos em eternos ciclos viciosos de dependencia, pobreza e sub-desenvolvimento, como aqui bem o ilustra o academico Francis Njubi.

iii) Volto brevemente a Johanesburgo para sugerir que, por forma a precaverem-se, entre outros possiveis, efeitos secundarios negativos e manifestacoes reactivas como esta, se adopte em Angola uma clara politica de imigracao e um eficiente mecanismo de monitorizacao (nao “asseptico”) dos actuais fluxos migratorios do e para o pais, que podera’ ser assente, entre outros, nos numeros de que Pepetela fala. Idealmente, tal politica de imigracao devera’ ser complementada, a par de uma seria politica de emprego, por uma robusta politica de formacao, avaliacao e requalificacao, que valorize e dignifique os quadros nacionais, tenham-se eles formado dentro ou fora do pais, e que maximize o stock de capital humano da nacao. Mas, sobretudo, que nunca se perca de vista nesse processo que nenhuma grande economia, sociedade, ou civilizacao deste mundo foi feita exclusivamente por meia duzia de Professores Doutores politica e ideologicamente alinhados em 'comites da especialidade' ou arregimentados por NGOs financiadas pelo estrangeiro, Colunistas ad-hoc, Militares, Artistas, Escritores e ... Estrangeiros.

*****

[*] Movidas, nos casos mais perturbadores, por noveis ‘colunistas’ numa certa imprensa que, aparentemente ao servico das mais escusas e sordidas agendas pessoais, assim demonstrando a mais gritante falta de profissionalismo, ao mesmo tempo que nao se cansam de promover a ida rapidamente e em forca para Angola de estrangeiros cujas qualificacoes e motivacoes nao lhes passa pela cabeca questionar (como os bons complexados subservientes que se prezam de ser... indeed, 'o problema' (nao e' segredo nenhum!) esta' e sempre esteve na cabeca deles, ou seja, nos seus mediocres e piquinininhos cerebros... ja' para nao falar nos seus diminutos fisicos... a medida, imagem e semelhanca dos quais projectam o pais...), se parecem vir, arrogante e ignorantemente, ‘especializando’ e 'post-graduando' em ‘avaliar’ e ‘julgar’, sem quaisquer habilitacoes ou competencias para tal (a nao ser talvez a sua vocacao natural para “comissarios politicos” de ocasiao, ou oficiais subalternos de uma qualquer "inquisicao"), do alto das suas auto-instituidas catedras, alguns quadros nacionais.

Sendo ainda mais revoltante o facto de alguns desses ‘colunistas’ (que, ademais, nao se coibem de incluir nos seus nojentos, venenosos, irresponsaveis e desumanos vituperios os filhos de quadros no exterior que, tambem eles, se formaram exclusivamente a custa do seu proprio sacrificio e dos seus pais ou, como no meu caso, da sua mae…), terem tambem, e sem quaisquer razoes de forca maior, “emigrado” durante longos anos no post-independencia para la vie en rose noutras paragens, onde viveram sempre a custa de outrem - por sinal, mulheres... o que diz muito sobre a sua auto-proclamada macheza e tera' levado alguem que, de outro modo, lhes deveria o maximo respeito a cantar-lhes o refrao les hommes sont des couchons...-, sem nunca terem trabalhado ou estudado... e que recentemente regressaram a Angola como "empresarios" (...depois de terem fugido de outras 'pastagens' onde afundaram empresas que criaram com dinheiros publicos e que esbanjaram em proveito proprio...) e com estatutos de "herois" e "antigos combatentes" (isto e', passaram subita, oportunistica e novo-riquisticamente a ter tudo, incluindo "palacios", e a "ser tudo" numa sociedade em que a experiencia vivencial da generalidade dos antigos combatentes e' retratada pela frase "ate' voce ja' nao es nada"...) mas, contudo, sem qualquer valor acrescentado para oferecer ao pais, o que talvez justifique toda a sua sanha canina, raivosa e assassina…

[**] Em particular durante o consulado de um notabilissimo e bastante versatil embaixador/musico/atleta/recem-graduado em Cuba, de quem um dos tais 'colunistas' aqui referidos e' um dedicado pupilo (ou, talvez melhor dito, kaxiko!) de longa data e cujo "disco de ouro negro" foi 'prefaciado' por Pepetela - nao que umas coisas tenham necessariamente a ver com outras, trata-se apenas de assinalar aqui algumas notaveis coincidencias...

[***] O que faz com que esses afoitos noveis 'colunistas' novo-jornaleiros estejam a incorrer, no minimo, numa multipla violacao dos direitos humanos das suas vitimas (pela qual apenas nao sao imediatamente responsabilizados legalmente porque nao teem coragem suficiente, como despreziveis cobardes que sao, de desferir os seus vis ataques aberta e directamente...), porquanto assim reza a Declaracao Universal dos Direitos Humanos:

Artigo 12°- Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.

Artigo 13° - 2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 19° - Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

... Isto em adicao a violacao de todas as politicas, disposicoes e declaracoes nacionais, regionais e internacionais respeitantes a promocao da Mulher e a defesa dos seus direitos, consagrados, entre outros documentos, na Declaracao de Beijing. O que apenas confirma tudo quanto aqui disse sobre um certo tipo de homem africano... sendo certo que muito mais ha' a dizer, em particular sobre um certo tipo de invertebrado angolano!

... Isto para nem sequer mencionar os mais elementares principios de educacao, cavalheirismo e civilidade (particularmente quando nao se conhece de parte alguma quem tao obcecada e apaixonadamente se tenta vitimar)!

... Isto para nem sequer falar na imoralidade em que incorrem...

Mas... como no fundo apenas me metem, como sempre me meteram, pena (muita pena mesmo!) ... e como, ao que dizem, teem um Ingles 'nao cursivo' (o que quer que isso seja...), dedico-lhes este poema. Desculpem-me ser da autoria de uma Mulher Negra...

[Crescam e Aparecam!]


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