Monday, 27 February 2012
Tuesday, 8 November 2011
Etu Mudietu...
Julgo que a ultima vez que estive com Luandino Vieira tera' sido durante umas longinquas ferias minhas em Luanda a que aqui me referia.
Depois disso, enquanto estive em Portugal, apenas a ocasional correspondencia, directa ou por terceiros e, desde que ‘me mudei’ para a Inglaterra, apenas a distancia e o silencio (excepto pela dedicatoria deste livro, que tambem me chegou as maos por terceiros).
Agora, ha’ umas semanas, o amigo Zetho Goncalves teve a amabilidade de me enviar, por email, o rio sem margem com o qual acabou por me (re)abrir o livro dos rios do Luandino Vieira, que (me) levou a dele receber por snailmail uma prenda antecipada de Natal: o conjunto dos livros ate’ agora publicados pela sua nova ‘micro-editora’
“Nos Somos”.
Tenho assim a oportunidade (rara) de poder ler nos proximos tempos, para alem do excelente livro do Zetho, do qual faco uma breve apresentacao abaixo, os seguintes titulos recentes de autores angolanos:
MOMENTOS (1958-2011)
Arnaldo Santos
POESIA (1961-1976)
António Jacinto
NÃO SAIAS SEM MIM À RUA ESTA MANHÃ
José Luís Mendonça
AFRICALEMA
José Luís Mendonça
MARCAS DA GUERRA PERCEPÇÃO ÍNTIMA & OUTROS FONEMAS DOUTRINÁRIOS
J.A.S. Lopito Feijóo K.
Retribuir em poema a poesia que subjaz à literatura angolana da tradição oral já recolhida e trasladada para a língua portuguesa – alguma, pouquíssima dela, aqui convocada e exposta -, é a razão primacial e o fim a que se propõe e destina este
Rio sem Margem.
(da Nota do Autor)
A ÁGUA
[Tradição oral Umbundu, Angola]
Não se deixa amarrar
com um cordel,
nem se deixa apertar
com um cinto
- a água.
Dorme caminhando,
e mesmo parada, ela anda
- a água.
O SONHO
[Tradição oral Kwanyana, Angola]
Parece verdadeiro,
o sonho que sonhaste.
Branco e luzidio
como um chifre de boi
- o sonho que sonhaste.
MOTIVOS DE CONVERSA
[Tradição oral Kikongo, Angola]
O veado
sem pele
e sem cornos
- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?
- Quando chove,
rebentam os troncos,
cresce o capim.
No pássaro
de cabeça decepada,
mil pombas se alimentam.
O veado
sem pele
e sem cornos
- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?
“Em todas as formas escritas da poesia”, escreve Octavio Paz em A outra voz, “o signo gráfico está sempre em função do oral.” Ora, sendo este um livro de poemas e não um tratado académico – que utiliza na sua fractura o alfabeto latino e se destina primeiramente a um público de língua portuguesa -, entendeu-se ser mais correcto grafar como se grafou o vocábulo “Tchokwé’”, e não “Cokwé”, posto ninguém ler os vocábulos “Cutato”, “Cabinda” ou “coqueiro”, por exemplo, como “Tchutato”, “Tchabinda” ou “tchóqueiro”, respectivamente.
(da Nota Final - este extracto e' particularmente relevante para as discussoes travadas aqui e aqui ha' ja' uns anitos...)
Julgo que a ultima vez que estive com Luandino Vieira tera' sido durante umas longinquas ferias minhas em Luanda a que aqui me referia.
Depois disso, enquanto estive em Portugal, apenas a ocasional correspondencia, directa ou por terceiros e, desde que ‘me mudei’ para a Inglaterra, apenas a distancia e o silencio (excepto pela dedicatoria deste livro, que tambem me chegou as maos por terceiros).
Agora, ha’ umas semanas, o amigo Zetho Goncalves teve a amabilidade de me enviar, por email, o rio sem margem com o qual acabou por me (re)abrir o livro dos rios do Luandino Vieira, que (me) levou a dele receber por snailmail uma prenda antecipada de Natal: o conjunto dos livros ate’ agora publicados pela sua nova ‘micro-editora’
“Nos Somos”.
Tenho assim a oportunidade (rara) de poder ler nos proximos tempos, para alem do excelente livro do Zetho, do qual faco uma breve apresentacao abaixo, os seguintes titulos recentes de autores angolanos:
MOMENTOS (1958-2011)
Arnaldo Santos
POESIA (1961-1976)
António Jacinto
NÃO SAIAS SEM MIM À RUA ESTA MANHÃ
José Luís Mendonça
AFRICALEMA
José Luís Mendonça
MARCAS DA GUERRA PERCEPÇÃO ÍNTIMA & OUTROS FONEMAS DOUTRINÁRIOS
J.A.S. Lopito Feijóo K.
Retribuir em poema a poesia que subjaz à literatura angolana da tradição oral já recolhida e trasladada para a língua portuguesa – alguma, pouquíssima dela, aqui convocada e exposta -, é a razão primacial e o fim a que se propõe e destina este
Rio sem Margem.
(da Nota do Autor)
A ÁGUA
[Tradição oral Umbundu, Angola]
Não se deixa amarrar
com um cordel,
nem se deixa apertar
com um cinto
- a água.
Dorme caminhando,
e mesmo parada, ela anda
- a água.
O SONHO
[Tradição oral Kwanyana, Angola]
Parece verdadeiro,
o sonho que sonhaste.
Branco e luzidio
como um chifre de boi
- o sonho que sonhaste.
MOTIVOS DE CONVERSA
[Tradição oral Kikongo, Angola]
O veado
sem pele
e sem cornos
- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?
- Quando chove,
rebentam os troncos,
cresce o capim.
No pássaro
de cabeça decepada,
mil pombas se alimentam.
O veado
sem pele
e sem cornos
- quem o viu,
que ninguém se cala
com ele?
“Em todas as formas escritas da poesia”, escreve Octavio Paz em A outra voz, “o signo gráfico está sempre em função do oral.” Ora, sendo este um livro de poemas e não um tratado académico – que utiliza na sua fractura o alfabeto latino e se destina primeiramente a um público de língua portuguesa -, entendeu-se ser mais correcto grafar como se grafou o vocábulo “Tchokwé’”, e não “Cokwé”, posto ninguém ler os vocábulos “Cutato”, “Cabinda” ou “coqueiro”, por exemplo, como “Tchutato”, “Tchabinda” ou “tchóqueiro”, respectivamente.
(da Nota Final - este extracto e' particularmente relevante para as discussoes travadas aqui e aqui ha' ja' uns anitos...)
Friday, 30 September 2011
O Poder da Associação // The Power of Association
[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]
O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.
Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.
"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.

The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.
Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.
"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.
Posts Relacionados:
Reflectindo
Amizade, Amizade Para Que Te Quero?
Olhares Diversos VII
Um Passo em Frente?
A Proposito dos Monologos da Vagina
[Ou, "Amizade e Familia Para Que Vos Quero?"...]
O Poder da Associação é muito real: Quanto menos associar-se com algumas pessoas, mais a sua vida vai melhorar. Toda vez que você tolerar a mediocridade em outros, aumentará a sua mediocridade. Um atributo importante para as pessoas bem sucedidas é a sua impaciência com o pensamento negativo e pessoas agindo negativamente. À medida que você crescer, suas associações irão mudar. Alguns de seus amigos não querem que você melhore. Eles querem que você permaneça onde eles estão. Amigos que não o ajudam a subir vão ajuda-lo a descer. Seus amigos ou vão focar sua visão ou sufocar seu sonho. Aqueles que não aumentam nada a você, acabarão por diminuí-lo.
Considere isto: Nunca receba conselhos de pessoas improdutivas. Nunca discuta seus problemas com alguém incapaz de contribuir para a solução, porque aqueles que nunca tiveram sucesso são sempre os primeiros a dizer-lhe como fazer. Nem todo mundo tem o direito de falar da sua vida. Você tem certeza que obterá a pior barganha quando você trocar ideias com a pessoa errada. Não siga ninguém que não vá a lugar nenhum. Com algumas pessoas você vai passar uma noite: com outras pessoas você vai investir. Tenha cuidado onde você pára para perguntar por direcções ao longo da estrada da vida. Sábia é a pessoa que fortalece a sua vida com as amizades certas. Se você correr com lobos, você vai aprender a uivar, mas se você associar com as águias, você vai aprender a voar a grandes alturas.
"Um espelho reflecte a face de um homem, mas o que ele é realmente é evidenciado pelo tipo de amigos que ele escolhe. O simples facto, mas verdadeiro da vida é que você se torna como aqueles com quem você se associa intimamente - para o bem e para o mal. Nota: não se confundam. Isto é aplicável a família, bem como amigos".
-Colin Powell.

The Power of Association is too real: The less you associate with some people, the more your life will improve. Any time you tolerate mediocrity in others, it increases your mediocrity. An important attribute in successful people is their impatience with negative thinking and negative acting people. As you grow, your associates will change. Some of your friends will not want you to go on. They will want you to stay where they are. Friends that don't help you climb will want you to crawl. Your friends will stretch your vision or choke your dream. Those that don't increase you will eventually decrease you.
Consider this: Never receive counsel from unproductive people. Never discuss your problems with someone incapable of contributing to the solution, because those who never succeed themselves are always first to tell you how. Not everyone has a right to speak into your life. You are certain to get the worst of the bargain when you exchange ideas with the wrong person. Don't follow anyone who is not going anywhere. With some people you spend an evening: with others you invest it. Be careful where you stop to inquire for directions along the road of life. Wise is the person who fortifies his life with the right friendships. If you run with wolves, you will learn how to howl, but if you associate with eagles, you will learn how to soar to great heights.
"A mirror reflects a man's face, but what he is really like is shown by the kind of friends he chooses. The simple but true fact of life is that you become like those with whom you closely associate - for the good and the bad. Note: Be not mistaken. This is applicable to family as well as friends".
-Colin Powell.
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Um Passo em Frente?
A Proposito dos Monologos da Vagina
Friday, 1 July 2011
Memoria de Uma Tarde de Verao

E’ verao no hemisferio Norte quando o cacimbo aperta no Sul. E’ verao, e por aqui (no Norte) sucedem-se as feiras da epoca: feiras de rua, de bairro, de cidade, de regiao, onde se (re)descobrem prazeres e sonhos de infancia, de adolescencia, de juventude, de vida. E’ verao em Londres (embora, para nao variar, com muita chuva e mau tempo, e este ano ate' com trovoadas, raios e coriscos pelo meio…) e e’ tempo de feiras locais.
Tantas feiras acabaram por me transportar de volta ‘a “minha decada maldita”: a de 80. Era talvez 84 e eu estava a passar umas ferias em Paris – a segunda vez que visitava a “cidade luz”. Fi-lo com o tipo de “reverencia” que parece apenas servir para nos demonstrar o quanto aquela cidade so’ pode ser completamente “enjoyable” para quem tenha (muito) dinheiro!... Enfim, Paris: uma cidade na verdade (muito) pouco “enjoyable”, “fraternal”, “igualitaria” ou “irma”, et pourtant, na realidade (muito) pouco “romantica”, apesar de toda a propaganda em contrario…
Mas houve uma tarde durante aquelas ferias, em que eu e uma mulher angolana decidimos encontrar-nos para irmos em busca de um pouco do tal “romantismo” que todos temos como a “marca registada” daquela cidade, numa feira de verao nos seus arredores. Foi uma inesperada longa viagem de trem para uma feira muito propagandeada atraves de posters na cidade central, mas que… acabou por se revelar a total flop! Uma completa perda de tempo: nao encontramos la’ nada que pudesse justificar o entusiasmo que ali nos levara e muito menos o nosso (pouco) dinheiro que inutilmente gastaramos para la’ ir! E, ainda por cima, chovia quando la' chegamos!...
Voltamos entao ao centro da cidade, com toda a expectativa que la’ nos levara transformada em frustracao. Mas nao sem antes termos passado por uma estacao de metro em que encontramos um stand de venda de flores aparentemente abandonado… Sem sequer trocarmos muitas palavras, decidimos (inocentemente!), para nos ressarcirmos do desencanto da jornada, levar de la’ um ramo de flores. Mas…. eis que o stand nao estava nada abandonado (o seu dono, ou empregado, estava apenas a alguma distancia) e, de repente, enquanto nos deliciavamos com a frescura, o cheiro e a beleza das flores, vimo-nos perseguidas por ele, ameacando-nos de chamar a policia!... Ja’ nao me lembro bem se acabamos por pagar pelo ramo de flores e levamo-lo, ou se por o devolver pura e simplesmente…
Mas, por entre entusiasmos, frustracoes, aventuras, irreverencias e perseguicoes, foi uma divertida e memoravel jornada – para mim e para uma Mulher a quem nos ultimos tempos me tenho vindo a dirigir como se “nao a conhecesse de parte nenhuma”… muito tempo sem nos vermos – de facto, desde aquele dia – um certo distanciamento das instituicoes e a "separacao das aguas" por que gosto de me pautar em relacao ao poder politico oblige! Mas nao creio que, apesar do tempo, da distancia e das circunstancias, me tenha estado a dirigir a uma pessoa completamente diferente daquela que conheci naquela tarde de verao, na decada de 80, em Paris…
Ja’ entao conhecia as suas irmas, que daqui saudo, e o seu irmao – na altura pos-graduando de Economia naquele pais e agora a bracos com esses sempre tremendos desafios do desenvolvimento em Angola – que, mais tarde, no inicio da decada de 90, durante uma reuniao de membros da sociedade civil e da comunidade Angolana em Portugal, durante a qual tive a oportunidade de apresentar o projecto de actividades em prol da PAZ E DEMOCRACIA no nosso pais pelo grupo de estudantes que representava, ele se demonstrara solidario com a nossa causa, nao tendo no entanto deixado de me advertir dos ‘perigos politicos’ em que incorria … nao me preparou, porem (nada, nem ninguem, o faria!), para as escutas, vigias, perseguicoes e ameacas de morte, que continuam ate’ hoje a determinar o curso da minha vida!
Mas, voltando a Paris, no espirito de “igualdade, irmandade e fraternidade” que nos guiou naquela tarde de verao: Ola’ Carolina!

E’ verao no hemisferio Norte quando o cacimbo aperta no Sul. E’ verao, e por aqui (no Norte) sucedem-se as feiras da epoca: feiras de rua, de bairro, de cidade, de regiao, onde se (re)descobrem prazeres e sonhos de infancia, de adolescencia, de juventude, de vida. E’ verao em Londres (embora, para nao variar, com muita chuva e mau tempo, e este ano ate' com trovoadas, raios e coriscos pelo meio…) e e’ tempo de feiras locais.
Tantas feiras acabaram por me transportar de volta ‘a “minha decada maldita”: a de 80. Era talvez 84 e eu estava a passar umas ferias em Paris – a segunda vez que visitava a “cidade luz”. Fi-lo com o tipo de “reverencia” que parece apenas servir para nos demonstrar o quanto aquela cidade so’ pode ser completamente “enjoyable” para quem tenha (muito) dinheiro!... Enfim, Paris: uma cidade na verdade (muito) pouco “enjoyable”, “fraternal”, “igualitaria” ou “irma”, et pourtant, na realidade (muito) pouco “romantica”, apesar de toda a propaganda em contrario…
Mas houve uma tarde durante aquelas ferias, em que eu e uma mulher angolana decidimos encontrar-nos para irmos em busca de um pouco do tal “romantismo” que todos temos como a “marca registada” daquela cidade, numa feira de verao nos seus arredores. Foi uma inesperada longa viagem de trem para uma feira muito propagandeada atraves de posters na cidade central, mas que… acabou por se revelar a total flop! Uma completa perda de tempo: nao encontramos la’ nada que pudesse justificar o entusiasmo que ali nos levara e muito menos o nosso (pouco) dinheiro que inutilmente gastaramos para la’ ir! E, ainda por cima, chovia quando la' chegamos!...
Voltamos entao ao centro da cidade, com toda a expectativa que la’ nos levara transformada em frustracao. Mas nao sem antes termos passado por uma estacao de metro em que encontramos um stand de venda de flores aparentemente abandonado… Sem sequer trocarmos muitas palavras, decidimos (inocentemente!), para nos ressarcirmos do desencanto da jornada, levar de la’ um ramo de flores. Mas…. eis que o stand nao estava nada abandonado (o seu dono, ou empregado, estava apenas a alguma distancia) e, de repente, enquanto nos deliciavamos com a frescura, o cheiro e a beleza das flores, vimo-nos perseguidas por ele, ameacando-nos de chamar a policia!... Ja’ nao me lembro bem se acabamos por pagar pelo ramo de flores e levamo-lo, ou se por o devolver pura e simplesmente…
Mas, por entre entusiasmos, frustracoes, aventuras, irreverencias e perseguicoes, foi uma divertida e memoravel jornada – para mim e para uma Mulher a quem nos ultimos tempos me tenho vindo a dirigir como se “nao a conhecesse de parte nenhuma”… muito tempo sem nos vermos – de facto, desde aquele dia – um certo distanciamento das instituicoes e a "separacao das aguas" por que gosto de me pautar em relacao ao poder politico oblige! Mas nao creio que, apesar do tempo, da distancia e das circunstancias, me tenha estado a dirigir a uma pessoa completamente diferente daquela que conheci naquela tarde de verao, na decada de 80, em Paris…
Ja’ entao conhecia as suas irmas, que daqui saudo, e o seu irmao – na altura pos-graduando de Economia naquele pais e agora a bracos com esses sempre tremendos desafios do desenvolvimento em Angola – que, mais tarde, no inicio da decada de 90, durante uma reuniao de membros da sociedade civil e da comunidade Angolana em Portugal, durante a qual tive a oportunidade de apresentar o projecto de actividades em prol da PAZ E DEMOCRACIA no nosso pais pelo grupo de estudantes que representava, ele se demonstrara solidario com a nossa causa, nao tendo no entanto deixado de me advertir dos ‘perigos politicos’ em que incorria … nao me preparou, porem (nada, nem ninguem, o faria!), para as escutas, vigias, perseguicoes e ameacas de morte, que continuam ate’ hoje a determinar o curso da minha vida!
Mas, voltando a Paris, no espirito de “igualdade, irmandade e fraternidade” que nos guiou naquela tarde de verao: Ola’ Carolina!
Wednesday, 6 April 2011
Ola’ Matadi!…
Este e’ um ola’ atirado “as cegas” ‘a cortina, por vezes de fumo, por vezes de ferro, que nos vai transformando cada vez mais em “surdos-mudos” (e “cegos”?), mesmo quando usamos meios, como este, inventados supostamente para “nos aproximar e facilitar-nos a comunicacao”…E’ um ola’ a um velho amigo que, ‘a falta de outra referencia mais recente, incluiria na minha Geracao R – uma geracao em que alguns interiorizaram de tal modo a “rejeicao” que, talvez por nao encontrarem outra saida, nela se 'perderam', enquanto outros, contra ventos, mares e calemas decidiram “rejeita-la” e passar ao largo dela para se afirmarem pessoal, cultural, social e profissionalmente como cidadaos dignos, responsaveis, validos e uteis a sociedade.
Mas creio que todos teremos passado, embora uns mais do que outros e cada um a seu modo, pelos dois lados da reaccao a tal “rejeicao”, e andamos por ai, com maior ou menor sucesso, fazendo a vida e tratando dela – menos os que ficaram pelo caminho e nos abandonaram neste mundo (como este nosso contemporaneo).
E’ um ola’ a um amigo, do que chamaria um pequeno circulo, embora nao exclusivo nem exclusivista e, em grande medida, precario e intermitente, que se manteve em contacto desde os tempos do movimento associativo estudantil de 74/75, se separou entretanto e se voltou a reencontrar, apenas brevemente em alguns casos, na primeira parte da decada de 80.
Ele era um dos poucos que me visitava regularmente sem constrangimentos no(s) meu(s) kubiko(s), quer no do predio da Novembro/Sociborda, quer no do Kinaxixi. Ficavamos a conversa um pouco sobre tudo e nada, ou jogavamos xadrez – demonstrando a nos proprios e a ‘todo o mundo’ que nisso pudesse estar interessado que e’ (sim!) possivel a Amizade e o Respeito Mutuo entre um Homem e uma Mulher sem que a sua relacao tenha forcosamente que envolver sexo e sem que por isso as suas respectivas masculinidade e feminilidade, ou mais precisamente a sua sexualidade, tenham que ser "questionadas"! … Mesmo quando “sozinhos em casa”… o que me lembra aqui, en passant, de uma outra grande amizade masculina nos mesmos moldes na minha vida, que “herdara” das amizades da minha mae, portanto de uma geracao que se separava da nossa por pelo menos uma decada: o Victor Simoes Alexandre (...que saudades…)!
[But, again, that's what separates de The Men from the boys and The Women from the girls!...]
Ja’ nao vejo o Matadi desde aqueles tempos, uns bons 25-30 anos, e apenas voltei a ouvir falar dele pela primeira vez brevemente quando o Buca, outro nosso contemporaneo, esteve comigo em Cape Town ha’ cerca de 5 anos e, mais recentemente, no ano passado, quando soube desta iniciativa dele e de outros seus colegas aquando da tragedia do Haiti. E agora, ha’ alguns dias, atraves desta entrevista, que, para alem de noticias da minha geracao, tambem me deu outras noticias do meu pais.
Mas talvez mais do que um ola’ a um contemporaneo, trata-se de um ola’ a um tempo de angustias ‘a mistura com esperancas; um tempo de desenganos e de busca de certezas…
Este e’ um ola’ atirado “as cegas” ‘a cortina, por vezes de fumo, por vezes de ferro, que nos vai transformando cada vez mais em “surdos-mudos” (e “cegos”?), mesmo quando usamos meios, como este, inventados supostamente para “nos aproximar e facilitar-nos a comunicacao”…E’ um ola’ a um velho amigo que, ‘a falta de outra referencia mais recente, incluiria na minha Geracao R – uma geracao em que alguns interiorizaram de tal modo a “rejeicao” que, talvez por nao encontrarem outra saida, nela se 'perderam', enquanto outros, contra ventos, mares e calemas decidiram “rejeita-la” e passar ao largo dela para se afirmarem pessoal, cultural, social e profissionalmente como cidadaos dignos, responsaveis, validos e uteis a sociedade.
Mas creio que todos teremos passado, embora uns mais do que outros e cada um a seu modo, pelos dois lados da reaccao a tal “rejeicao”, e andamos por ai, com maior ou menor sucesso, fazendo a vida e tratando dela – menos os que ficaram pelo caminho e nos abandonaram neste mundo (como este nosso contemporaneo).
E’ um ola’ a um amigo, do que chamaria um pequeno circulo, embora nao exclusivo nem exclusivista e, em grande medida, precario e intermitente, que se manteve em contacto desde os tempos do movimento associativo estudantil de 74/75, se separou entretanto e se voltou a reencontrar, apenas brevemente em alguns casos, na primeira parte da decada de 80.
Ele era um dos poucos que me visitava regularmente sem constrangimentos no(s) meu(s) kubiko(s), quer no do predio da Novembro/Sociborda, quer no do Kinaxixi. Ficavamos a conversa um pouco sobre tudo e nada, ou jogavamos xadrez – demonstrando a nos proprios e a ‘todo o mundo’ que nisso pudesse estar interessado que e’ (sim!) possivel a Amizade e o Respeito Mutuo entre um Homem e uma Mulher sem que a sua relacao tenha forcosamente que envolver sexo e sem que por isso as suas respectivas masculinidade e feminilidade, ou mais precisamente a sua sexualidade, tenham que ser "questionadas"! … Mesmo quando “sozinhos em casa”… o que me lembra aqui, en passant, de uma outra grande amizade masculina nos mesmos moldes na minha vida, que “herdara” das amizades da minha mae, portanto de uma geracao que se separava da nossa por pelo menos uma decada: o Victor Simoes Alexandre (...que saudades…)!
[But, again, that's what separates de The Men from the boys and The Women from the girls!...]
Ja’ nao vejo o Matadi desde aqueles tempos, uns bons 25-30 anos, e apenas voltei a ouvir falar dele pela primeira vez brevemente quando o Buca, outro nosso contemporaneo, esteve comigo em Cape Town ha’ cerca de 5 anos e, mais recentemente, no ano passado, quando soube desta iniciativa dele e de outros seus colegas aquando da tragedia do Haiti. E agora, ha’ alguns dias, atraves desta entrevista, que, para alem de noticias da minha geracao, tambem me deu outras noticias do meu pais.
Mas talvez mais do que um ola’ a um contemporaneo, trata-se de um ola’ a um tempo de angustias ‘a mistura com esperancas; um tempo de desenganos e de busca de certezas…
Thursday, 31 March 2011
Maria de Lourdes Bravo
Deixar passar completamente este Marco Mulher, num ano em que, por forca de si proprios ou por ‘imposicao’ de terceiros, me tenho visto compelida a fazer alguns balancos de vida, especialmente dos meus anos de Portugal, sem mencionar a Maria de Lourdes Bravo seria, no minimo, uma imperdoavel grosseria da minha parte. E digo apenas ‘mencionar’ porque nao creio que saberia como lhe prestar a ‘devida homenagem’…
E’ que a Lourdes e’ mesmo aquela Mulher na minha vida a quem dificilmente regatearia o direito de dizer que “aprendi muito com ela” ou que “lhe devo muito”, embora a saiba muito acima desse tipo de “cobrancas” e mais ainda de linguagem que inclua mencoes a “pratos em que se debicou”! ... E, mesmo que assim nao fosse, nao teria como lhe pagar porque nada do que sinto dever-lhe e' material.
Conheci-a, em Luanda, nos meus tenros-maduros 16 anos, mas foi anos mais tarde em Lisboa que viria a confirmar nela aquela pessoa que qualquer mulher gostaria de ter como amiga (especialmente se mais nova do que ela): alguem com quem partilhar tanto alegrias e cumplicidades, como duvidas, inquietacoes, frustracoes, enfim, os altos e baixos da vida e ter sempre a seguranca de que ela “nao nos deixara’ cair”… E, para alem de tudo o mais, ela e’ tambem minha comadre, madrinha do meu filho e… economista!
Nao nos vemos desde que sai de Lisboa ha’ ja’ quase 16 anos, mas temos mantido o contacto ao longo desse periodo de distanciamento.
Nao me sendo possivel de momento (algo que tentarei colmatar tao logo possa) ilustrar esta mukanda com uma foto dela, faco-o com essas fotos minhas, tiradas por ela em sua casa, numa daquelas tardes em que, por qualquer razao, entrava la’ toda jururu de coracao e mente pesados e saia com toda a joie-de-vivre recomposta por uma das sua sessoes de beauty theraphy and spirit uplifting sentindo a alma leve como uma andorinha… Enfim, eramos nos a fazermos e a vivermos a poesia da vida.
Sarava - amiga, colega, comadre, irma!
Deixar passar completamente este Marco Mulher, num ano em que, por forca de si proprios ou por ‘imposicao’ de terceiros, me tenho visto compelida a fazer alguns balancos de vida, especialmente dos meus anos de Portugal, sem mencionar a Maria de Lourdes Bravo seria, no minimo, uma imperdoavel grosseria da minha parte. E digo apenas ‘mencionar’ porque nao creio que saberia como lhe prestar a ‘devida homenagem’…
E’ que a Lourdes e’ mesmo aquela Mulher na minha vida a quem dificilmente regatearia o direito de dizer que “aprendi muito com ela” ou que “lhe devo muito”, embora a saiba muito acima desse tipo de “cobrancas” e mais ainda de linguagem que inclua mencoes a “pratos em que se debicou”! ... E, mesmo que assim nao fosse, nao teria como lhe pagar porque nada do que sinto dever-lhe e' material.
Conheci-a, em Luanda, nos meus tenros-maduros 16 anos, mas foi anos mais tarde em Lisboa que viria a confirmar nela aquela pessoa que qualquer mulher gostaria de ter como amiga (especialmente se mais nova do que ela): alguem com quem partilhar tanto alegrias e cumplicidades, como duvidas, inquietacoes, frustracoes, enfim, os altos e baixos da vida e ter sempre a seguranca de que ela “nao nos deixara’ cair”… E, para alem de tudo o mais, ela e’ tambem minha comadre, madrinha do meu filho e… economista!
Nao nos vemos desde que sai de Lisboa ha’ ja’ quase 16 anos, mas temos mantido o contacto ao longo desse periodo de distanciamento.
Nao me sendo possivel de momento (algo que tentarei colmatar tao logo possa) ilustrar esta mukanda com uma foto dela, faco-o com essas fotos minhas, tiradas por ela em sua casa, numa daquelas tardes em que, por qualquer razao, entrava la’ toda jururu de coracao e mente pesados e saia com toda a joie-de-vivre recomposta por uma das sua sessoes de beauty theraphy and spirit uplifting sentindo a alma leve como uma andorinha… Enfim, eramos nos a fazermos e a vivermos a poesia da vida.
Sarava - amiga, colega, comadre, irma!
Tuesday, 22 March 2011
Amizade, Amizade... Para que te quero? [R]*
... Ou de como a ocasiao faz o/a "..." oportunista!
Ou apenas ... (mais) uma peca de tragicomedia!
{... In any case, keep enjoying yourselves because
you're just showing your true colours ...}
Posts relacionados:

[Maria Cristina - Eliades Ochoa & Compay Segundo]
*[Postado inicialmente a 28/06/10 - Repostado hoje a proposito de... Marco Mulher]
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*[Postado inicialmente a 28/06/10 - Repostado hoje a proposito de... Marco Mulher]
Wednesday, 22 December 2010
Uma prenda de Natal com o selo da Amizade, Fraternidade e Solidariedade
Este selo foi-me dedicado aqui ha' tempos pelo amigo Navegador Solidario.
Ofereco-o hoje a minha amiga e irma Veronica Benesi.
Encontre a razao - principal, porque ha' outras, como a sua estimada e prestigiosa participacao neste blog o demonstra 'a saciedade... - aqui e aqui .
Monday, 6 December 2010
Como veias finas na terra [Updated]
Novo livro de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referentes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.
Assim publicitam os seus editores este novo livro de Ana Paula Tavares, a ser lancado amanha em Lisboa.
Trata-se de mais uma obra de uma Mulher serena, culta e madura, com personalidade e identidade proprias bem vincadas, que, recentemente, depois de longos anos sem nos vermos e sem termos tido qualquer contacto, por razoes alheias a vontade de ambas, muito profunda e agradavelmente me surpreendeu com uma mensagem por e-mail, a que se seguiu (como aqui ha' tempos referi de passagem) o retomar de uma Amizade que, malgre' tout, nunca se perdeu pelas vias finas na terra.
Aqui deixo, em sua homenagem e com a devida venia, um registo de algumas das palavras que me dirigiu nessa correspondencia:
Querida Ana,
Há muito que queria escrever-te, lembrar uma amizade antiga e
saudar-te pelo magnifico blog. Bem hajas por tão apurado trabalho e um abraço da
Ana paula tavares.
(...)
Vida de muitas voltas que terás que escrever
para os nossos filhos e para memória futura. a nossa terra tem uma tal
vitalidade que as coisas do Antigamente na vida tendem a esquecer-se depressa.
(...)
Mas acho que não andas longe da história e a tua formação será
contributo de primeira água.
(...)
Quanto a ti uma economista que gosta
e sabe a história é mais importante que o historiador preso nos seus papéis.
Acredita. Quanto à escrita entendo as tuas preocupações e sei que vai chegar o
momento. Ser contra a corrente é ser escritor a sério, é saber quando se fala e
quando se reune no silêncio a ciência certa da escrita. Um abraço da Ana paula
Enfim, como diria o Mais Velho Raul David, e eu subscreveria, "uma Mulher muito educada e que sabe estar"!
Bem Hajas, Ana Paula Tavares, porque, a seres "unica", es de facto a unica Mulher que respeito o suficiente para nao deixar de estimar e desejar todo o sucesso do mundo, mesmo quando, ocasionalmente, a natural divergencia de opinioes sobre questoes pontuais entre duas pessoas naturalmente diferentes e com trajectorias diferentes, mas com um "chao comum", nos parecem distanciar...
Ou quando quem nunca connosco partilhou esse "chao comum", por longinquo que agora possa parecer, nos tenta a todo o custo distanciar e "enclausurar-te" em seus, ainda que apenas psicopaticamente imaginarios, "circulos restritos", como aconteceu quando (... numa "estorieta infantil" que hoje, infelizmente, mais uma vez se repete...) me vi compelida a tecer este comentario (que sei que sabes bem que, em circunstancias normais, nao faria - certamente nao da forma, ou no local, em que o fiz...), muito anterior a correspondencia que hoje aqui decidi "ecoar" a bem, como referes, de uma memoria futura para os nossos filhos que seja, acima de tudo e de todos, verdadeira e saudavel.
Um abraco (sempre) amigo da (outra) Ana Paula.
[Mais detalhes sobre o lancamento do livro aqui]
ADENDA
No seguimento da minha resposta ao "Poeta Amigo", abaixo, decidi tecer aqui as seguintes observacoes adicionais:
Devo dizer que sempre aceitei TODO o tipo de criticas razoaveis ao meu trabalho, embora em alguns casos mais "duvidosos", como dizem os ingleses, “with a pinch of salt”... Isso porque, em primeiro lugar, nunca fui “auto-convencida” em relacao a minha poesia ao ponto de ignorar, ou mesmo deixar de solicitar, a opiniao de outros sobre ela e, em segundo lugar, porque, pelo menos ate’ muito recentemente, sempre me permiti ser “ingenua” o suficiente para acreditar que alguem que se de ao trabalho de ditar “sentencas lapidares” sobre algo sempre tao pessoal e delicado como a poesia, teria sensibilidade e sagacidade suficientes para nao se deixar cair no flagrante delito do ataque pessoal!
Mas a verdade e’ que, se a minha entrada na blogosfera teve algum merito, ele foi o de me abrir completa e definitivamente os olhos para o quao baixo certas pessoas sao capazes de descer, frequentemente movidas apenas pelo despeito e o ressaibo, ou pela inveja, o ciume e o odio, quando nao apenas pelo racismo puro e duro!... Ou, tao so’, para se “vingarem e ressarcirem” da sua incapacidade de defenderem coerente, congruente, racional e inteligentemente as 'suas ideias e posicionamentos' em debates abertos comigo sobre outras questoes (o tal de "convem sabermos sempre o que nos espera"!) ... E so’ tenho pena que muito desse “trash” acabe por passar por “critica construtiva e honesta”... Muita pena mesmo!
Mas, chegada a este estagio da minha vida, ja’ nao e’ por mim, nem pela minha poesia, que sinto pena, mas apenas por quem produz tal “trash” e por quem eventualmente o consuma... Ja’ para nao mencionar as outras poetas angolanas (...continuo a preferir “ignorar” aqui, em nome do conceito de “genero”, o masculino/feminino que continua a ter outra/os a tratar as mulheres que escrevem poesia como “poetisas”...) aparentemente “esquecidas” no meio de tudo isso.
Diria apenas que, quaisquer que sejam as “driving forces” por detras dos nossos respectivos processos criativos e por diversos que sejam os nossos “outputs” literarios, tanto qualitativa como quantitativamente, e quaisquer que tenham sido as motivacoes de quem decidiu publicar os nossos primeiros livros simultaneamente [*], creio ser certo e seguro que nem eu, nem a Paula Tavares, decidimos comecar (ou continuar, ou nao) a escrever para emular (certamente nao para “hostilizar” ou “eclipsar”) a outra e muito menos para que a nossa poesia fosse usada como "arma de arremesso" por outra(o)s em guerras intestinas, quentes ou frias, com motivacoes racicas que nada teem a ver com poesia (algo que, de resto, deixei aqui bem claro!) ... e mesmo que eu tambem tivesse publicado tanto quanto, ou mesmo mais do que ela, haveria sempre “gostos e desgostos para todos os gostos” em relacao a poesia de uma e de outra... e isto pressupondo um ambiente literario, cultural, social e politico circundante “sadio, calmo e tranquilo” e nao aquele que constitui o nosso “chao comum”, como aqui se pode constatar!
Anyway, creio nao valer a pena dizer muito mais sobre tudo isso, excepto talvez uma breve nota sobre a “credibilidade da critica literaria”: nos extractos que acima tomei a liberdade de transcrever, a Paula Tavares fala em “ciencia certa da escrita” – um conceito certamente nao pacifico (!), mas que aceito provisoriamente.
Pois bem, em toda a ciencia, o criterio de validacao de qualquer “veredicto” e’ estabelecido pela objectividade e racionalidade dos seus fundamentos, os quais nao podem, em nenhuma circunstancia, ser baseados apenas em criterios de subjectividade pessoal (como a afectividade ou a amizade - e, a este proposito, recordo uma conhecida doutorada em letras/ critica literaria (?) que, numa cronica publicada no SA, se declarou abertamente suspeita por, juntamente com outra proeminente sua congenere brasileira, ser "amiga da Paula Tavares"...), preferencias esteticas individuais (como a cor da pele), ou conviccoes politico-ideologicas ou religiosas e muito menos em comparacoes e ilacoes aleatorias e arbitrarias completamente abstraidas do contexto especifico e das condicoes concretas em que a "ciencia" (neste caso a "escrita") se produz, condicoes essas em que se incluem factores historicos, sociais, culturais, psicologicos e etico-morais, entre outros (como os, mais obvios, "marcadores (etno)linguisticos e/ou geograficos") ...
Assim, o estabelecimento de qualquer veredicto sobre o que, ou quem, e’ “unico”, pressupoe a existencia, ou o estabelecimento, de um padrao, ou canone, igualmente “unico”, extremamente dificil (senao impossivel!) de estabelecer “cientificamente” em literatura e muito mais ainda em poesia... - uma questao, alias, amplamente evidenciada por este kibeto.
Mas, talvez mais determinante dalguns desses "veredictos" (e aqui refiro-me apenas aqueles que podem com propriedade reclamar alguma “objectividade e isencao” e, consequentemente, alguma "credibilidade"...) e’ que, como aqui recentemente observei, o “mundo lusofono” e’, sempre foi desde Camoes, um “mundo de poetas” (veja-se, por exemplo, o sucesso que fazem os blogs de poesia na lusosfera...), em que a ciencia sempre foi “subalternizada” relativamente a literatura, e em particular a poesia, e a pratica simultanea de ambas vista como "antagonica" (...mas, veja-se a este proposito o caso de Fernando Pessoa...), sendo, em particular, disciplinas/profissoes como a economia vistas geralmente como "frias e calculistas" ou "insensiveis e a-sociais" (algo reflectido de algum modo, embora nao explicitamente, aqui e aqui) ... Mas, sobre isso, lembro-me de, ha’ ja’ varios anos, ainda em Lisboa, ter concedido uma entrevista a uma jornalista/escritora brasileira em que lhe dizia algo como isto: “Os poetas (ou pelo menos alguns) teem o sonho de mudar o mundo para melhor, os economistas (ou pelo menos alguns) tambem (e o espirito do velho Marx por ai ainda paira para o provar) ... apenas com uma diferenca: estes podem faze-lo por outros (quica mais eficazes...) meios e metodos!”
E isso sem qualquer demerito para os poetas em geral, e menos ainda para a regularidade, a proficuidade e a qualidade da producao poetica da Paula Tavares – sobre a qual, devo aqui enfatizar, nunca teci qualquer comentario menos abonatorio: a referencia a “divergencias de opiniao” que faco acima prende-se a algumas questoes pontuais emanentes de algumas das suas cronicas - duas para ser mais precisa - sobre as quais comentei noutros posts aqui neste blog. O unico comentario um tanto “mais problematico” que fiz, e foi apenas a um dos seus poemas e, acrescente-se, “forcadamente”, foi ao seu uso da “sua mascara da Pwo”, mas o contexto em que o fiz revela claramente que nao o fiz por razoes estritamente poeticas, mas por razoes mais amplamente historicas e socio-culturais - as quais podem ser identificadas aqui...
Tendo dito tudo isso, resta-me apenas pedir, mais uma vez, desculpas a Ana Paula Tavares por ter assim “violado a nossa correspondencia”, que preferiria ter mantido, como deveria, privada – mas... como soi dizer-se, “para grandes males, grandes remedios!”
[*] Torna-se meu dever registar aqui que ouvi diversas vezes, por diversas pessoas e de diversas formas, que "eu so' fui 'promovida' para a UEA (... o tal "porque promover uns e nao outros?"...) e o meu livro publicado simultaneamente, numa especie de "accao afirmativa", para 'cobrir' o lancamento da Paula Tavares pela mesma UEA e 'precaver' as previsiveis acusacoes de racismo com que na altura aquela instituicao vivia cercada... Certo ou errado, o facto e' que, infelizmente, madames como esta e, mais recentemente, esta e estas, apenas teem corroborado essa versao... Mas, tambem sera' de notar que a mensagem de um dos postais, incluido aqui, que recebi de quem foi responsavel por tal lancamento simultaneo, Luandino Vieira, talvez possa sugerir algo diferente...
Uma outra nota digna de registo e' a seguinte: havia uma pessoa amiga a quem eu por vezes dava a ler os meus poemas e a reaccao dela era, quase sempre, zombar deles... ate' que no dia em que o Luandino me deu a ler os pareceres do painel que ele tinha consultado para avaliacao eu lhe contei do que tinha escrito Ndunduma ("... depois de Alda Lara, eis que surge Ana Santana...") e a reaccao imediata daquela pessoa foi: "nao... depois de Alda Lara e' a Paula Tavares"! E isso sem que ela conhecesse bem pessoalmente a Paula Tavares ou a sua poesia e muito antes de os nossos livros terem sido publicados...
ADENDA 2
Veem certamente a proposito as seguintes palavras de Paula Tavares, de que apenas tive conhecimento depois da publicacao deste post:
P- É normalmente apontada como a referência da poesia contemporânea angolana no feminino. O que significa isso, na verdade?
R - Não, não é verdade. Isso seria de uma injustiça extrema para com Ana de Santana, Liza Castel e Maria Alexandre Dáskalos, para só citar três nomes de criadoras intensas, originais no universo da poesia angolana. O número de títulos publicados não invalida outras contribuições de grande qualidade. Procuro um lugar no universo da poesia angolana, porque é de Angola a minha fala. Não sou muito dada a concursos, lugares cimeiros, comendas.
[Aqui]
Novo livro de uma das poetisas mais reconhecidas de Angola. Os referentes temáticos são africanos, mas são tratados de uma forma universal e intimista, através de uma escrita delicada, depurada, imagética.
Assim publicitam os seus editores este novo livro de Ana Paula Tavares, a ser lancado amanha em Lisboa.
Trata-se de mais uma obra de uma Mulher serena, culta e madura, com personalidade e identidade proprias bem vincadas, que, recentemente, depois de longos anos sem nos vermos e sem termos tido qualquer contacto, por razoes alheias a vontade de ambas, muito profunda e agradavelmente me surpreendeu com uma mensagem por e-mail, a que se seguiu (como aqui ha' tempos referi de passagem) o retomar de uma Amizade que, malgre' tout, nunca se perdeu pelas vias finas na terra.
Aqui deixo, em sua homenagem e com a devida venia, um registo de algumas das palavras que me dirigiu nessa correspondencia:
Querida Ana,
Há muito que queria escrever-te, lembrar uma amizade antiga e
saudar-te pelo magnifico blog. Bem hajas por tão apurado trabalho e um abraço da
Ana paula tavares.
(...)
Vida de muitas voltas que terás que escrever
para os nossos filhos e para memória futura. a nossa terra tem uma tal
vitalidade que as coisas do Antigamente na vida tendem a esquecer-se depressa.
(...)
Mas acho que não andas longe da história e a tua formação será
contributo de primeira água.
(...)
Quanto a ti uma economista que gosta
e sabe a história é mais importante que o historiador preso nos seus papéis.
Acredita. Quanto à escrita entendo as tuas preocupações e sei que vai chegar o
momento. Ser contra a corrente é ser escritor a sério, é saber quando se fala e
quando se reune no silêncio a ciência certa da escrita. Um abraço da Ana paula
Enfim, como diria o Mais Velho Raul David, e eu subscreveria, "uma Mulher muito educada e que sabe estar"!
Bem Hajas, Ana Paula Tavares, porque, a seres "unica", es de facto a unica Mulher que respeito o suficiente para nao deixar de estimar e desejar todo o sucesso do mundo, mesmo quando, ocasionalmente, a natural divergencia de opinioes sobre questoes pontuais entre duas pessoas naturalmente diferentes e com trajectorias diferentes, mas com um "chao comum", nos parecem distanciar...
Ou quando quem nunca connosco partilhou esse "chao comum", por longinquo que agora possa parecer, nos tenta a todo o custo distanciar e "enclausurar-te" em seus, ainda que apenas psicopaticamente imaginarios, "circulos restritos", como aconteceu quando (... numa "estorieta infantil" que hoje, infelizmente, mais uma vez se repete...) me vi compelida a tecer este comentario (que sei que sabes bem que, em circunstancias normais, nao faria - certamente nao da forma, ou no local, em que o fiz...), muito anterior a correspondencia que hoje aqui decidi "ecoar" a bem, como referes, de uma memoria futura para os nossos filhos que seja, acima de tudo e de todos, verdadeira e saudavel.
Um abraco (sempre) amigo da (outra) Ana Paula.
[Mais detalhes sobre o lancamento do livro aqui]
ADENDA
No seguimento da minha resposta ao "Poeta Amigo", abaixo, decidi tecer aqui as seguintes observacoes adicionais:
Devo dizer que sempre aceitei TODO o tipo de criticas razoaveis ao meu trabalho, embora em alguns casos mais "duvidosos", como dizem os ingleses, “with a pinch of salt”... Isso porque, em primeiro lugar, nunca fui “auto-convencida” em relacao a minha poesia ao ponto de ignorar, ou mesmo deixar de solicitar, a opiniao de outros sobre ela e, em segundo lugar, porque, pelo menos ate’ muito recentemente, sempre me permiti ser “ingenua” o suficiente para acreditar que alguem que se de ao trabalho de ditar “sentencas lapidares” sobre algo sempre tao pessoal e delicado como a poesia, teria sensibilidade e sagacidade suficientes para nao se deixar cair no flagrante delito do ataque pessoal!
Mas a verdade e’ que, se a minha entrada na blogosfera teve algum merito, ele foi o de me abrir completa e definitivamente os olhos para o quao baixo certas pessoas sao capazes de descer, frequentemente movidas apenas pelo despeito e o ressaibo, ou pela inveja, o ciume e o odio, quando nao apenas pelo racismo puro e duro!... Ou, tao so’, para se “vingarem e ressarcirem” da sua incapacidade de defenderem coerente, congruente, racional e inteligentemente as 'suas ideias e posicionamentos' em debates abertos comigo sobre outras questoes (o tal de "convem sabermos sempre o que nos espera"!) ... E so’ tenho pena que muito desse “trash” acabe por passar por “critica construtiva e honesta”... Muita pena mesmo!
Mas, chegada a este estagio da minha vida, ja’ nao e’ por mim, nem pela minha poesia, que sinto pena, mas apenas por quem produz tal “trash” e por quem eventualmente o consuma... Ja’ para nao mencionar as outras poetas angolanas (...continuo a preferir “ignorar” aqui, em nome do conceito de “genero”, o masculino/feminino que continua a ter outra/os a tratar as mulheres que escrevem poesia como “poetisas”...) aparentemente “esquecidas” no meio de tudo isso.
Diria apenas que, quaisquer que sejam as “driving forces” por detras dos nossos respectivos processos criativos e por diversos que sejam os nossos “outputs” literarios, tanto qualitativa como quantitativamente, e quaisquer que tenham sido as motivacoes de quem decidiu publicar os nossos primeiros livros simultaneamente [*], creio ser certo e seguro que nem eu, nem a Paula Tavares, decidimos comecar (ou continuar, ou nao) a escrever para emular (certamente nao para “hostilizar” ou “eclipsar”) a outra e muito menos para que a nossa poesia fosse usada como "arma de arremesso" por outra(o)s em guerras intestinas, quentes ou frias, com motivacoes racicas que nada teem a ver com poesia (algo que, de resto, deixei aqui bem claro!) ... e mesmo que eu tambem tivesse publicado tanto quanto, ou mesmo mais do que ela, haveria sempre “gostos e desgostos para todos os gostos” em relacao a poesia de uma e de outra... e isto pressupondo um ambiente literario, cultural, social e politico circundante “sadio, calmo e tranquilo” e nao aquele que constitui o nosso “chao comum”, como aqui se pode constatar!
Anyway, creio nao valer a pena dizer muito mais sobre tudo isso, excepto talvez uma breve nota sobre a “credibilidade da critica literaria”: nos extractos que acima tomei a liberdade de transcrever, a Paula Tavares fala em “ciencia certa da escrita” – um conceito certamente nao pacifico (!), mas que aceito provisoriamente.
Pois bem, em toda a ciencia, o criterio de validacao de qualquer “veredicto” e’ estabelecido pela objectividade e racionalidade dos seus fundamentos, os quais nao podem, em nenhuma circunstancia, ser baseados apenas em criterios de subjectividade pessoal (como a afectividade ou a amizade - e, a este proposito, recordo uma conhecida doutorada em letras/ critica literaria (?) que, numa cronica publicada no SA, se declarou abertamente suspeita por, juntamente com outra proeminente sua congenere brasileira, ser "amiga da Paula Tavares"...), preferencias esteticas individuais (como a cor da pele), ou conviccoes politico-ideologicas ou religiosas e muito menos em comparacoes e ilacoes aleatorias e arbitrarias completamente abstraidas do contexto especifico e das condicoes concretas em que a "ciencia" (neste caso a "escrita") se produz, condicoes essas em que se incluem factores historicos, sociais, culturais, psicologicos e etico-morais, entre outros (como os, mais obvios, "marcadores (etno)linguisticos e/ou geograficos") ...
Assim, o estabelecimento de qualquer veredicto sobre o que, ou quem, e’ “unico”, pressupoe a existencia, ou o estabelecimento, de um padrao, ou canone, igualmente “unico”, extremamente dificil (senao impossivel!) de estabelecer “cientificamente” em literatura e muito mais ainda em poesia... - uma questao, alias, amplamente evidenciada por este kibeto.
Mas, talvez mais determinante dalguns desses "veredictos" (e aqui refiro-me apenas aqueles que podem com propriedade reclamar alguma “objectividade e isencao” e, consequentemente, alguma "credibilidade"...) e’ que, como aqui recentemente observei, o “mundo lusofono” e’, sempre foi desde Camoes, um “mundo de poetas” (veja-se, por exemplo, o sucesso que fazem os blogs de poesia na lusosfera...), em que a ciencia sempre foi “subalternizada” relativamente a literatura, e em particular a poesia, e a pratica simultanea de ambas vista como "antagonica" (...mas, veja-se a este proposito o caso de Fernando Pessoa...), sendo, em particular, disciplinas/profissoes como a economia vistas geralmente como "frias e calculistas" ou "insensiveis e a-sociais" (algo reflectido de algum modo, embora nao explicitamente, aqui e aqui) ... Mas, sobre isso, lembro-me de, ha’ ja’ varios anos, ainda em Lisboa, ter concedido uma entrevista a uma jornalista/escritora brasileira em que lhe dizia algo como isto: “Os poetas (ou pelo menos alguns) teem o sonho de mudar o mundo para melhor, os economistas (ou pelo menos alguns) tambem (e o espirito do velho Marx por ai ainda paira para o provar) ... apenas com uma diferenca: estes podem faze-lo por outros (quica mais eficazes...) meios e metodos!”
E isso sem qualquer demerito para os poetas em geral, e menos ainda para a regularidade, a proficuidade e a qualidade da producao poetica da Paula Tavares – sobre a qual, devo aqui enfatizar, nunca teci qualquer comentario menos abonatorio: a referencia a “divergencias de opiniao” que faco acima prende-se a algumas questoes pontuais emanentes de algumas das suas cronicas - duas para ser mais precisa - sobre as quais comentei noutros posts aqui neste blog. O unico comentario um tanto “mais problematico” que fiz, e foi apenas a um dos seus poemas e, acrescente-se, “forcadamente”, foi ao seu uso da “sua mascara da Pwo”, mas o contexto em que o fiz revela claramente que nao o fiz por razoes estritamente poeticas, mas por razoes mais amplamente historicas e socio-culturais - as quais podem ser identificadas aqui...
Tendo dito tudo isso, resta-me apenas pedir, mais uma vez, desculpas a Ana Paula Tavares por ter assim “violado a nossa correspondencia”, que preferiria ter mantido, como deveria, privada – mas... como soi dizer-se, “para grandes males, grandes remedios!”
[*] Torna-se meu dever registar aqui que ouvi diversas vezes, por diversas pessoas e de diversas formas, que "eu so' fui 'promovida' para a UEA (... o tal "porque promover uns e nao outros?"...) e o meu livro publicado simultaneamente, numa especie de "accao afirmativa", para 'cobrir' o lancamento da Paula Tavares pela mesma UEA e 'precaver' as previsiveis acusacoes de racismo com que na altura aquela instituicao vivia cercada... Certo ou errado, o facto e' que, infelizmente, madames como esta e, mais recentemente, esta e estas, apenas teem corroborado essa versao... Mas, tambem sera' de notar que a mensagem de um dos postais, incluido aqui, que recebi de quem foi responsavel por tal lancamento simultaneo, Luandino Vieira, talvez possa sugerir algo diferente...
Uma outra nota digna de registo e' a seguinte: havia uma pessoa amiga a quem eu por vezes dava a ler os meus poemas e a reaccao dela era, quase sempre, zombar deles... ate' que no dia em que o Luandino me deu a ler os pareceres do painel que ele tinha consultado para avaliacao eu lhe contei do que tinha escrito Ndunduma ("... depois de Alda Lara, eis que surge Ana Santana...") e a reaccao imediata daquela pessoa foi: "nao... depois de Alda Lara e' a Paula Tavares"! E isso sem que ela conhecesse bem pessoalmente a Paula Tavares ou a sua poesia e muito antes de os nossos livros terem sido publicados...
ADENDA 2
Veem certamente a proposito as seguintes palavras de Paula Tavares, de que apenas tive conhecimento depois da publicacao deste post:
P- É normalmente apontada como a referência da poesia contemporânea angolana no feminino. O que significa isso, na verdade?
R - Não, não é verdade. Isso seria de uma injustiça extrema para com Ana de Santana, Liza Castel e Maria Alexandre Dáskalos, para só citar três nomes de criadoras intensas, originais no universo da poesia angolana. O número de títulos publicados não invalida outras contribuições de grande qualidade. Procuro um lugar no universo da poesia angolana, porque é de Angola a minha fala. Não sou muito dada a concursos, lugares cimeiros, comendas.
[Aqui]
Friday, 12 November 2010
London Jazz Festival
Hugh Masekela & The Mahotella Queens
...But: SOLD OUT!
[Parece incrivel, mas com tantas passagens e estadias na Africa do Sul e arredores, nunca tive uma oportunidade de ver este que e' um dos meus maiores idolos do Jazz Africano (depois do nosso eterno Manu Dibango) ao vivo... e, parece mentira, mas ainda nao foi desta!]
...But: SOLD OUT!
[Vi-o ao vivo ha' ja' alguns anos em Lisboa no Centro Cultural de Belem, numa noite absolutamente inesquecivel, com a Paula Tavares, a Luisa de Almeida, o Jean-Yves e a Zarito (esta, por quem tenho grande estima e que e' irma de um certo minion de triste memoria neste blog... Lembro-me de, por aqueles dias, enquanto tomavamos o pequeno almoco de domingo numa esplanada nos jardins de Belem, perante as minhas repetidas queixas sobre o comportamento - estupido, crapula e cabotino, para dizer o minimo - do seu irmao para comigo, ela me ter dito: "Porque que nao cortas com ele? Corta, Paula!"...
{Zarito e Jean-Yves no meu quintal de limoeiro, nespreira e roseiras-trepadeiras em Belem - algures na ponta final dos anos 80 ou no inicio dos 90 (a toalha de mesa ainda (r)existe after all these years...) - foto JEA}
... Pois, mas levou-me todos estes anos ate' ao ano passado - desde que, com a criacao deste blog, ele nao perdeu a primeira oportunidade para manifestar mais uma vez a sua pequenez incuravel, so' que desta vez atraves do tal de NJ de igualmente triste memoria neste blog - para que eu me decidisse definitivamente a acatar o sabio conselho da Zarito... O que tambem se deveu ao facto de nao ter tido qualquer contacto com ele durante estas ultimas quase duas decadas, excepto brevemente quando estive em Luanda em 2001, ocasiao que tambem nao me deixou particularmente boas memorias dele... (e, by the way, nessa ocasiao ainda tive a insensatez - na verdade na altura disse de mim para cumim: "isto e' perola para porco"... - de lhe oferecer como prenda de Natal um CD que e' uma verdadeira enciclopedia de vida, musica e cultura dos Khoisan, do que muito me haveria de arrepender porque nunca mais consegui encontrar e comprar outro para mim!...).
E' que, quando alguem, como eu, valoriza sobremaneira, ainda que frequentemente incompreendida, a amizade e a familia - por uma questao dos agora tao "badalados" valores e principios! -, esta' sujeito a engolir muitos sapos, porque familiares e amigos ha' que, perante a nossa aparentemente infinita compreensao e tolerancia, acabam por tornar-se absolutamente insuportaveis, ate' que... o "corte" se torna inevitavel!
Mas, nao pretendo, com esta triste recordacao, estragar completamente a memoria de uma noite inesquecivel ao som vibrante do Sonny Rollins com aqueles que naquela altura eram alguns dos meus amigos mais proximos em Lisboa. Portanto, que fique apenas registada a pena de nao o poder ver e ouvir mais uma vez nesta que talvez tenha sido a ultima oportunidade de o fazer - e' que ele esta' a celebrar os seus 80 anos...]
Herbie Hancock...
[Tambem o vi ao vivo em Lisboa no mesmo Coliseu em que vi o Miles Davis, com o meu filho, nos dois ultimos concertos que deu naquela cidade, em 1989 e 1991 (tendo sido este ultimo no mesmo ano em que, alguns meses mais tarde, ele deixaria este mundo e em que, como aqui se da' conta, se estaria a programar uma sua possivel ida a Angola: “Nós tínhamos combinado levá-lo a Angola, estávamos a tratar disso para 1992 porque tínhamos pessoas em Luanda que queriam. Era demais. Fantástico.”)
Gostava de ver Herbie mais uma vez (nao sei se ainda terei muitas oportunidades futuras para o fazer uma vez que ele tambem ja' esta' nos seus 70...), mas porque tinha em mente as 'prioridades' acima nao o pude, infelizmente, incluir no meu programa inicial... and now it's too late!
Mas ouvi-o ontem numa entrevista em directo para o programa Jazz on 3 da BBC Radio 3, que cobriu ao vivo o lancamento deste festival a partir do legendario Ronnie Scott's (tambem a celebrar os seus 50 anos): fiquei assim a saber que o Herbie, apesar da sua "idade avancada", continua "tao bem parecido, energetico e criativo como sempre" (segundo o entrevistador, obviamente...) , o que ele, por entre uma sonora gargalhada, atribui a "evitar o stress", e que a piece de resistance da sua participacao neste festival e' o seu Imagine Project, baseado na obra do John Lennon e em que ele integra piano snippets by Kongo traditional musicians - I can't wait to check it out on CD!]
So, I'm now looking forward to this one:
Terence Blanchard Band + Robert Glasper Trio
[Terence Blanchard: um nome incontornavel do Jazz Contemporaneo. Nunca o vi ao vivo e devo confessar que o meu maior interesse em ve-lo e ouvi-lo deve-se aos seus film scores para o Spike Lee e ao seu ultimo album, Choices, com a participacao do "meu amigo" Cornel West...
I can't wait to see him tomorrow in the same Barbican where I saw, over a decade ago, our eternal African Jazz legend, Manu Dibango, for the first time - the second was at the 2006 edition of the Cape Town International Jazz Festival pictured here]
THAT WAS GREAT!
After a sizzling warm-up at the FreeStage brought to us fresh from New Orleans by the Soul Rebels Brass Band, we had just about three hours of some of the best contemporary jazz - before us was what Terence Blanchard said is the future of jazz to his mind (although also adding something like "people speculate all the time about the future of jazz, but to me there's no point in that: the future of jazz will be what it's going to be"...): opening for him, The Robert Glasper Trio (Glasper – whose artistic world is said to be “where the iconic record label Blue Note gets back to the streets, marrying hip-hop with the free flow of a classic piano trio, merging jazz and contemporary sounds”, and who also served us Herbie Hancock's "I Have A Dream" and Nirvana's "Smells Like Teen Spirit" – on piano; Derrick Hodge on bass and Mark Colenburg on drums) and, then, alongside himself on trumpet and Bruce Wilson on tenor saxophone, the three young players on his own Quintet (Fabian Almazan on piano, Joshua Crumbly on bass and Kendrick Scott on drums).
[There was something funny in between the two group's performance: another drummer, Chris Dave, replaced Mark Colenburg and Terence Blanchard just came on the stage and started playing his thing unannounced with the Glasper's Trio for about 10-15 minutes until their time on stage was over... Many people became quite agitated thinking that it was all for the night and I started saying "these guys can only be joking!"... and they were: it was just the interval before the Blanchard real thing!]
Blanchard offered us parts of his most recent creation, ‘Choices’, where we could hear Cornel West’s voice talking about subjects such as political consciousness, music, love and humanity: from the hurricanes Katrina and Obama, through how Beethoven considered music to be deeper than philosophy, to the love that existed between Miles and Coltrane… in short, about the human condition.
Through and through (with a few jokes about some of his band members’ personal details in between: the pianist – "a very shy guy" from Cuba; the bassist – "a scared to death" recent graduate from the Juilliard (..."you know, there's some intelligent people up here... at least one of us!", he said...); the drummer – a record label owner from Texas "who makes no money with it"; the saxophonist “who came from where it all began: Toussaint, Arizona!” ... Well, this one led to a few other jokes about the first time we hear Arizona and Jazz on the same breath and the woman who approached him at the end of one concert to rebuke him for his 'downplaying' of jazz in Arizona and presenting herself as the president of the Toussaint Jazz Society, and then the pilot who one day popped into him and Herbie Hancock on a plane and introduced himself as the brother of the president of the Toussaint Jazz Society!...], the main man of the evening fulfilled the promise in the words he was presented to us:
“Terence Blanchard is one of the few contemporary horn players who can truly claim to inherit the legacy of jazz trumpet giants Miles Davis, Lee Morgan and Freddie Hubbard. Born in New Orleans, as a child he played alongside friend Wynton Marsalis in summer band camps – later in life Wynton was to recommend him to Art Blakey as his replacement in The Jazz Messengers, becoming its lead soloist and musical director. By the 1990s, Blanchard had become a leader in his own right and had embarked on a highly successful partnership with film maker Spike Lee, writing the scores for every one of his films since 1991, including Malcolm X, Clockers, and the Hurricane Katrina documentary When the Levees Broke for HBO.
His film credits are extensive with over 40 scores to his name. He maintains a regular studio presence, recording his own original music and has been nominated for 11 Grammys, winning four. He stretches himself stylistically, working with other musicians such as Stevie Wonder and Dr John. His last Concord album Choices is probably his most radical yet, with readings by philosopher Cornel West and vocals by neo-soul singer Bilal over a meld of speculative post-bop, experimental yet accessible song forms, and jazz-initiated atmospheres to create a compelling, instructive and uplifting work.”
OTHER FESTIVAL HIGHLIGHTS
Esperanza Spalding
The 26 years old rising star who counts Obama among her biggest fans...
Chucho Valdés & The Afro-Cuban Messengers + Ibrahim Maalouf
AfroCubism
Featuring Eliades Ochoa, Toumani Diabate, Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkora, Kasse Mady Diabate.

Charles Lloyd Quartet + Winstone/Gesing/Venier
Hugh Masekela & The Mahotella Queens
...But: SOLD OUT!
[Parece incrivel, mas com tantas passagens e estadias na Africa do Sul e arredores, nunca tive uma oportunidade de ver este que e' um dos meus maiores idolos do Jazz Africano (depois do nosso eterno Manu Dibango) ao vivo... e, parece mentira, mas ainda nao foi desta!]
...But: SOLD OUT!
[Vi-o ao vivo ha' ja' alguns anos em Lisboa no Centro Cultural de Belem, numa noite absolutamente inesquecivel, com a Paula Tavares, a Luisa de Almeida, o Jean-Yves e a Zarito (esta, por quem tenho grande estima e que e' irma de um certo minion de triste memoria neste blog... Lembro-me de, por aqueles dias, enquanto tomavamos o pequeno almoco de domingo numa esplanada nos jardins de Belem, perante as minhas repetidas queixas sobre o comportamento - estupido, crapula e cabotino, para dizer o minimo - do seu irmao para comigo, ela me ter dito: "Porque que nao cortas com ele? Corta, Paula!"...
{Zarito e Jean-Yves no meu quintal de limoeiro, nespreira e roseiras-trepadeiras em Belem - algures na ponta final dos anos 80 ou no inicio dos 90 (a toalha de mesa ainda (r)existe after all these years...) - foto JEA}
... Pois, mas levou-me todos estes anos ate' ao ano passado - desde que, com a criacao deste blog, ele nao perdeu a primeira oportunidade para manifestar mais uma vez a sua pequenez incuravel, so' que desta vez atraves do tal de NJ de igualmente triste memoria neste blog - para que eu me decidisse definitivamente a acatar o sabio conselho da Zarito... O que tambem se deveu ao facto de nao ter tido qualquer contacto com ele durante estas ultimas quase duas decadas, excepto brevemente quando estive em Luanda em 2001, ocasiao que tambem nao me deixou particularmente boas memorias dele... (e, by the way, nessa ocasiao ainda tive a insensatez - na verdade na altura disse de mim para cumim: "isto e' perola para porco"... - de lhe oferecer como prenda de Natal um CD que e' uma verdadeira enciclopedia de vida, musica e cultura dos Khoisan, do que muito me haveria de arrepender porque nunca mais consegui encontrar e comprar outro para mim!...).
E' que, quando alguem, como eu, valoriza sobremaneira, ainda que frequentemente incompreendida, a amizade e a familia - por uma questao dos agora tao "badalados" valores e principios! -, esta' sujeito a engolir muitos sapos, porque familiares e amigos ha' que, perante a nossa aparentemente infinita compreensao e tolerancia, acabam por tornar-se absolutamente insuportaveis, ate' que... o "corte" se torna inevitavel!
Mas, nao pretendo, com esta triste recordacao, estragar completamente a memoria de uma noite inesquecivel ao som vibrante do Sonny Rollins com aqueles que naquela altura eram alguns dos meus amigos mais proximos em Lisboa. Portanto, que fique apenas registada a pena de nao o poder ver e ouvir mais uma vez nesta que talvez tenha sido a ultima oportunidade de o fazer - e' que ele esta' a celebrar os seus 80 anos...]
Herbie Hancock...
[Tambem o vi ao vivo em Lisboa no mesmo Coliseu em que vi o Miles Davis, com o meu filho, nos dois ultimos concertos que deu naquela cidade, em 1989 e 1991 (tendo sido este ultimo no mesmo ano em que, alguns meses mais tarde, ele deixaria este mundo e em que, como aqui se da' conta, se estaria a programar uma sua possivel ida a Angola: “Nós tínhamos combinado levá-lo a Angola, estávamos a tratar disso para 1992 porque tínhamos pessoas em Luanda que queriam. Era demais. Fantástico.”)
Gostava de ver Herbie mais uma vez (nao sei se ainda terei muitas oportunidades futuras para o fazer uma vez que ele tambem ja' esta' nos seus 70...), mas porque tinha em mente as 'prioridades' acima nao o pude, infelizmente, incluir no meu programa inicial... and now it's too late!
Mas ouvi-o ontem numa entrevista em directo para o programa Jazz on 3 da BBC Radio 3, que cobriu ao vivo o lancamento deste festival a partir do legendario Ronnie Scott's (tambem a celebrar os seus 50 anos): fiquei assim a saber que o Herbie, apesar da sua "idade avancada", continua "tao bem parecido, energetico e criativo como sempre" (segundo o entrevistador, obviamente...) , o que ele, por entre uma sonora gargalhada, atribui a "evitar o stress", e que a piece de resistance da sua participacao neste festival e' o seu Imagine Project, baseado na obra do John Lennon e em que ele integra piano snippets by Kongo traditional musicians - I can't wait to check it out on CD!]
Terence Blanchard Band + Robert Glasper Trio
[Terence Blanchard: um nome incontornavel do Jazz Contemporaneo. Nunca o vi ao vivo e devo confessar que o meu maior interesse em ve-lo e ouvi-lo deve-se aos seus film scores para o Spike Lee e ao seu ultimo album, Choices, com a participacao do "meu amigo" Cornel West...
I can't wait to see him tomorrow in the same Barbican where I saw, over a decade ago, our eternal African Jazz legend, Manu Dibango, for the first time - the second was at the 2006 edition of the Cape Town International Jazz Festival pictured here]
THAT WAS GREAT!
After a sizzling warm-up at the FreeStage brought to us fresh from New Orleans by the Soul Rebels Brass Band, we had just about three hours of some of the best contemporary jazz - before us was what Terence Blanchard said is the future of jazz to his mind (although also adding something like "people speculate all the time about the future of jazz, but to me there's no point in that: the future of jazz will be what it's going to be"...): opening for him, The Robert Glasper Trio (Glasper – whose artistic world is said to be “where the iconic record label Blue Note gets back to the streets, marrying hip-hop with the free flow of a classic piano trio, merging jazz and contemporary sounds”, and who also served us Herbie Hancock's "I Have A Dream" and Nirvana's "Smells Like Teen Spirit" – on piano; Derrick Hodge on bass and Mark Colenburg on drums) and, then, alongside himself on trumpet and Bruce Wilson on tenor saxophone, the three young players on his own Quintet (Fabian Almazan on piano, Joshua Crumbly on bass and Kendrick Scott on drums).
[There was something funny in between the two group's performance: another drummer, Chris Dave, replaced Mark Colenburg and Terence Blanchard just came on the stage and started playing his thing unannounced with the Glasper's Trio for about 10-15 minutes until their time on stage was over... Many people became quite agitated thinking that it was all for the night and I started saying "these guys can only be joking!"... and they were: it was just the interval before the Blanchard real thing!]
Blanchard offered us parts of his most recent creation, ‘Choices’, where we could hear Cornel West’s voice talking about subjects such as political consciousness, music, love and humanity: from the hurricanes Katrina and Obama, through how Beethoven considered music to be deeper than philosophy, to the love that existed between Miles and Coltrane… in short, about the human condition.
Through and through (with a few jokes about some of his band members’ personal details in between: the pianist – "a very shy guy" from Cuba; the bassist – "a scared to death" recent graduate from the Juilliard (..."you know, there's some intelligent people up here... at least one of us!", he said...); the drummer – a record label owner from Texas "who makes no money with it"; the saxophonist “who came from where it all began: Toussaint, Arizona!” ... Well, this one led to a few other jokes about the first time we hear Arizona and Jazz on the same breath and the woman who approached him at the end of one concert to rebuke him for his 'downplaying' of jazz in Arizona and presenting herself as the president of the Toussaint Jazz Society, and then the pilot who one day popped into him and Herbie Hancock on a plane and introduced himself as the brother of the president of the Toussaint Jazz Society!...], the main man of the evening fulfilled the promise in the words he was presented to us:
“Terence Blanchard is one of the few contemporary horn players who can truly claim to inherit the legacy of jazz trumpet giants Miles Davis, Lee Morgan and Freddie Hubbard. Born in New Orleans, as a child he played alongside friend Wynton Marsalis in summer band camps – later in life Wynton was to recommend him to Art Blakey as his replacement in The Jazz Messengers, becoming its lead soloist and musical director. By the 1990s, Blanchard had become a leader in his own right and had embarked on a highly successful partnership with film maker Spike Lee, writing the scores for every one of his films since 1991, including Malcolm X, Clockers, and the Hurricane Katrina documentary When the Levees Broke for HBO.
His film credits are extensive with over 40 scores to his name. He maintains a regular studio presence, recording his own original music and has been nominated for 11 Grammys, winning four. He stretches himself stylistically, working with other musicians such as Stevie Wonder and Dr John. His last Concord album Choices is probably his most radical yet, with readings by philosopher Cornel West and vocals by neo-soul singer Bilal over a meld of speculative post-bop, experimental yet accessible song forms, and jazz-initiated atmospheres to create a compelling, instructive and uplifting work.”
OTHER FESTIVAL HIGHLIGHTS
Esperanza Spalding
The 26 years old rising star who counts Obama among her biggest fans...
Chucho Valdés & The Afro-Cuban Messengers + Ibrahim Maalouf
AfroCubism
Featuring Eliades Ochoa, Toumani Diabate, Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkora, Kasse Mady Diabate.
Monday, 8 November 2010
Wednesday, 8 September 2010
Abrindo a Caixa de Pandora (VII)
[P.S.: Aproveito para enderecar aqui os meus parabens ao Americo Goncalves pela merecida Homenagem que lhe foi prestada pelo Premio Maboque de Jornalismo 2010]



