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Wednesday, 22 December 2010

Just Poetry (XXXV)

NATAL

Mais um 25 de dezembro,
mais um Natal.
Mais um ano, Cristo,
que nós, teus irmãos,
comemoramos teu nascimento
de modo quase obsceno!

Porque é Natal,
em teu nome
há uma corrida louca
ao centro comercial
em busca de presentes
que trocamos com os amigos,
com os parentes.
Sendo que muita gente
o significado desse ato
desconhece.

Porque é Natal,
há também os comes e bebes,
mas nada de simples croquetes,
frango assado ou espaguete.
Pelo menos, o peru e o bacalhau
são esperados...

Mas é Natal
e nessa epifania,
católicos ou ateus,
poucos atinam
que é teu o dia.
E então é Natal.
Mais um ano, Jesus,
que nós, teus irmãos,
ao te ver na cruz,
dizemos com muito orgulho,
e pouca reflexão...
- Nasceu para salvar o mundo,
esse menino!
Mas nesse mundo sem razão,
mesmo para o Divino
é tarefa assaz difícil
comungar guerra, paz e pão.

Há um Cristo, Jesus,
em cada um de teus irmãos
que sofrem as mesmas injustiças,
maus-tratos, ciladas,
e tantos e variados enganos,
sem teto, sem nada.
Sem alimento para o corpo
ou para a alma
cada um carrega sua pesada cruz.

Mas é Natal, afinal!
Tentamos todos seguir,
sem muita convicção, devemos admitir,
Tua doutrina de ética e de redenção.

Teremos nós, teus irmãos, alguma salvação?


Veronica Benesi
NATAL

Mais um 25 de dezembro,
mais um Natal.
Mais um ano, Cristo,
que nós, teus irmãos,
comemoramos teu nascimento
de modo quase obsceno!

Porque é Natal,
em teu nome
há uma corrida louca
ao centro comercial
em busca de presentes
que trocamos com os amigos,
com os parentes.
Sendo que muita gente
o significado desse ato
desconhece.

Porque é Natal,
há também os comes e bebes,
mas nada de simples croquetes,
frango assado ou espaguete.
Pelo menos, o peru e o bacalhau
são esperados...

Mas é Natal
e nessa epifania,
católicos ou ateus,
poucos atinam
que é teu o dia.
E então é Natal.
Mais um ano, Jesus,
que nós, teus irmãos,
ao te ver na cruz,
dizemos com muito orgulho,
e pouca reflexão...
- Nasceu para salvar o mundo,
esse menino!
Mas nesse mundo sem razão,
mesmo para o Divino
é tarefa assaz difícil
comungar guerra, paz e pão.

Há um Cristo, Jesus,
em cada um de teus irmãos
que sofrem as mesmas injustiças,
maus-tratos, ciladas,
e tantos e variados enganos,
sem teto, sem nada.
Sem alimento para o corpo
ou para a alma
cada um carrega sua pesada cruz.

Mas é Natal, afinal!
Tentamos todos seguir,
sem muita convicção, devemos admitir,
Tua doutrina de ética e de redenção.

Teremos nós, teus irmãos, alguma salvação?


Veronica Benesi

Uma prenda de Natal com o selo da Amizade, Fraternidade e Solidariedade


Este selo foi-me dedicado aqui ha' tempos pelo amigo Navegador Solidario.

Ofereco-o hoje a minha amiga e irma Veronica Benesi.

Encontre a razao - principal, porque ha' outras, como a sua estimada e prestigiosa participacao neste blog o demonstra 'a saciedade... - aqui e aqui .

Este selo foi-me dedicado aqui ha' tempos pelo amigo Navegador Solidario.

Ofereco-o hoje a minha amiga e irma Veronica Benesi.

Encontre a razao - principal, porque ha' outras, como a sua estimada e prestigiosa participacao neste blog o demonstra 'a saciedade... - aqui e aqui .

Saturday, 12 July 2008

BE MY GUEST! (I - VERONICA BENESI)

Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.
Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.

Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,

Veronica

Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.


*****

ÁFRICA

(Aos manos Africanos)

África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

*****
Veronica blogs @ COM TODAS AS LETRAS





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Veronica - Virginia Rodrigues

[Read about the song Veronica, here]
Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.
Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.

Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,

Veronica

Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.


*****

ÁFRICA

(Aos manos Africanos)

África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

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