Saturday, 12 July 2008

BE MY GUEST! (I - VERONICA BENESI)

Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.
Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.

Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,

Veronica

Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.


*****

ÁFRICA

(Aos manos Africanos)

África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

*****
Veronica blogs @ COM TODAS AS LETRAS





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Veronica - Virginia Rodrigues

[Read about the song Veronica, here]
Nós, brasileiros, temos muito de África no nosso dia-a-dia. África está muito presente nos quatro cantos deste país, seja na dança, na música, nas artes-plásticas, na culinária e, muito fortemente, ligados pela História e pela Língua. Eu até poderia, facilmente, parar por aqui e dizer que tudo isso me levou a escrever o “África”. Mas não seria uma verdade completa.
Todos sabem que a base do povo brasileiro é composta por africano, português e índio. Se fosse somente pelo aspecto histórico-cultural eu poderia ter escrito um poema dedicado a “Portugal” ou mesmo aos “Índios”...
A verdade é que desde bem pequena eu já gostava de tudo que se relacionava à África: as músicas que se tocava nos terreiros de Umbanda e Candomblé, embora eu tenha nascido no seio de uma família católica; a Capoeira é fascinante! A religião, os Orixás, as artes, o jeito exótico com que as mulheres se vestem. O Samba!!! (ritmo bom demais), que é também de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais daquele continente.
Ainda não pude pisar, infelizmente, o solo africano. Nunca estive em nenhum país da África. Mas já está nos meus planos uma visita aos “manos”. Gente admirável! tão forte, tão resistente às agruras sofridas no passado... E também no presente, com suas mazelas, que, guardadas as devidas proporções, são bem parecidas com as do Brasil.
Brasil e África estão “entrelaçados” por muitos pontos. E, embora geograficamente tão distantes, “entre” esses “laços” eu me posiciono: uma parte, sangue brasileiro; outra parte, africano.
Por todas essas razões (ou melhor, emoções) a motivação maior para escrever o poema “África” veio mesmo do coração.

Kandandos carinhosos da “mana” brasileira,

Veronica

Belo Horizonte, 10 de julho de 2008.


*****

ÁFRICA

(Aos manos Africanos)

África
O que fizeram de ti...
.
África Negra
De tantas riquezas
Quanto mal a ti
Fizeram
À tua gente
À tua beleza
.
África Incolor
- porque a alma
não tem cor -
O que fizeram a ti
Ao longo
Desse monstruoso
Holocausto
- que perdura! -
De opressão e de dor

África Mãe
O que fizeram a ti...
.
Alheios
Ao teu consentimento
Teus filhos
Foram arrancados
Do teu seio
E acorrentados
Passaram a viver
Suas Histórias de porão
Por mares
Nunca d’antes navegados
O mar da escuridão...

O mesmo mar
Que tuas lágrimas
Ajudaram a salgar
.
África Retinta
Teu tão extenso
Continente
Diz a toda a gente
Tu és Preta
Tu és Black
Tu és Negra
Tu és Branca
És Negra Assa
[1]
Tu és Fula[2]
És Mama-África
.
Estás em todos
Os lares
Em todos os Cantos
E recantos
Desses Mares
.
Mas não apenas
Os de Lusitanos ares
.
Também, aqui,
Na América do Sul
Há uma gente
Que de irmã te chama
Que é parte de ti
E do teu drama
.
Uma gente
Que se orgulha
De ter teu sangue
Nas veias
Corrente
Teus descendentes
.
Somos nós
Da Terra das Palmeiras
Onde canta o sabiá
Teus manos
De cá
Das terras Brasileiras
.
Hoje um oceano nos separa
Mas aqui deixaste
Uma herança de base
A tua fala
Estás cotidianamente
Presente
No “pirão”, na “quitanda”,
No “samba”, no “fubá”...
- “Oxalá”!
.
África Diáspora
Agora mais do que nunca
Levanta-te
Toca teu tambor
Mostra ao mundo
A Cor
Desse teu imenso
Valor
.
(Veronica Benesi)

Belo Horizonte, MG, Brasil, 02 de junho de 2008.

[1] Assa (A) — o negro albino
[2] Fula (A) — de cor parda e brilhante (filha de pessoa mulata e negra)

*****
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5 comments:

Kaluanda said...

Parabéns Veronica, nossa irmã brasileira!
Irmã com Maiúscula!
Parabéns pela beleza da escrita e da escritora!
Os manos Africanos te saúdam de braços abertos!

[Abraços também para a dona da casa!]

AR said...

Lindo!
E que bom seria se todos os manos brasileiros tivessem um coração tão grande como o da Verónica, em especial os que cá estão.
Um beijo grande para ela de uma mana em Angola,

AR

JUCA said...

Faço minhas as palavras da minha mana brasileira.
O poema tá lindo.
Um beijão pra vocês duas!

VERONICA BENESI said...

Irmã Koluki!

Acredito mesmo que os Londrinos tenham lá suas razões ao afirmarem que "God is a Londoner", pelo menos pela internet e em livros e revistas, posso ver a beleza que há na Inglaterra e sua Londres, que espero conhecer pessoalmente muito em breve. ;-)
Enquanto isso não acontece, fico na torcida para que você consiga vir à Belo Horizonte o quanto antes!
Este fim de semana tenho de estudar mais especificamente sobre a literatura de Angola, pois vou participar - na universidade - de um debate com a escritora angolana Luisa Coelho e, devo confessar, não sei muito sobre seu trabalho. Vou tentar achar algum de seus livros publicados...
Depois te conto.
Beijinhos pra você e aproveite bem o seu fim de semana!

Koluki said...

E’ verdade, Deus e’ Londrino, mas nem tudo aqui e’ ‘godly’… Ou seja, tambem ha’ muita obra do diabo… Mas, no geral, e’ uma cidade simpatica e agradavel onde a coisa mais desagravel e’ mesmo a chuva!
Folgo em saber dos planos de vir a Londres em breve, espero bem que seja numa altura em que eu ca’ esteja para podermos dar aquele abraco do tamanho do Corcovado!
Eu, por mim, tambem ja’ inclui na minha agenda uma visitinha a Belo Horizonte, mas infelizmente nao vai ser ainda este ano. Mas vou tentar faze-lo na primeira oportunidade que tiver!
Espero que o seu debate tenha corrido bem. Infelizmente, tambem nao conheco a Luisa Coelho - tambem ainda tenho muito 'catching-up' a fazer com as novas autoras angolanas.
Beijos tambem para voce, querida mana!