Tuesday, 15 July 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (17)

Nesta edicao, oportunidade para repescar alguns artigos e entrevistas que ficaram ‘na gaveta’ durante as ultimas semanas.

Comecando pelas entrevistas:

Filipe Mukenga ao Novo Jornal (NJ)

Ao completar 45 anos de vida artística e 30 anos de parceria com Filipe Zau, Filipe Mukenga prepara o quarto e, talvez, último disco da sua carreira. Em entrevista ao Novo Jornal, o autor de "Angola no Coração" mostra-se desiludido com a falta de reconhecimento do seu trabalho pelos angolanos e aponta caminhos para o desenvolvimento da música nacional: mais formação, mais acesso a instrumentos e maior união entre os artistas.
(...)
Faço harmonias complicadas e opto por um conteúdo poético rico. Criei então o rótulo NMA (Nova Música de Angola), que sintetiza a minha filosofia enquanto músico.
(...)
O que podemos esperar do disco "Nós Somos Nós", que lançará em Setembro?
São 14 canções, muitas delas compostas por mim em parceria com o Filipe Zau. Com elas quero, acima de tudo, homenagear o nosso povo pela paz que conseguiu alcançar. Em termos musicais, pretendo mostrar a ligação entre o semba e o samba que são, de facto, ritmos irmãos. É um disco a pensar também no enorme mercado brasileiro.
[Aqui]

Rui Mangueira ao Semanario Angolense (SA)
Não se sabe quanto o Estado angolano arrecada de impostos do animado movimento de mercadorias entre o Dubai (capital económica dos Emirados Árabes Unidos) e Angola. Trata-se de um movimento que poderá crescer nos próximos meses, com a abertura, no passado dia 12, da rota comercial da TAAG, que vem encurtar a viagem que se fazia passando por Joanesburgo (África do Sul) e, mais recentemente, por Addis Abeba (Etiópia). (…) Desta conversa com Rui Mangueira, recentemente nomeado embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, pode perceber-se a importância que aquele país vai tendo nas trocas comerciais dos angolanos e as oportunidades que existem para o empresariado angolano, se este se organizar e sonhar com conquistar outros mercados.

Mari Alkatiri ao Cruzeiro do Sul

Governei o país durante quatro anos, com um orçamento anual inferior a 84 milhões de dólares. Este governo está a governar com um orçamento de 400 milhões por ano, e está já a propor um orçamento rectificativo de mais de 200 milhões de dólares.
Eles não têm programa, não têm plano, governam com bilhetinhos. O Xanana manda
bilhetinho para os ministros: faça isso, faça aquilo... (risos). Governa com bilhetinhos. Importa que Xanana Gusmão tenha a coragem de assumir que foi ele quem dividiu o país em leste e Oeste. Divisão esta que teve as consequências desastrosas: violência generalizada, implosão da Policia nacional de Timor-Leste…
[Aqui]

Passando aos artigos:

No SA exaltou-se a “coragem da China”
Quando Mao desencadeou a «longa marcha» que é já uma mitologia viva da revolução chinesa e até do século vinte, a China era um país pobre onde mesmo assim os pobres eram obrigados a pagar uma renda aos ricos em cereais, prática essa - a do pátio das rendas- que se imortaliza nas artes plásticas chinesas. Agora, imaginemos que Mao estaria a ver a China de hoje, a economia, as cidades, a cultura, a quase ausência de fome, a indústria, a construção civil, em suma, a grande marcha que transformou a China grande numa grande China como um sismo de progresso, que discute os mercados palmo a palmo com as grandes potências mundiais. Não muitas vezes a midia ocidental mostra as conquistas dos chineses, os novos edifícios e cidades, os estabelecimentos de ensino, os hospitais e o crescente empenho na cultura. Foi preciso vir a maka da chama olímpica e do Lama e, agora, a desgraça do sismo e suas réplicas, para vermos a China em tudo que é ecrã.
[Aqui]

O NJ destacou os investimentos de Stanley Ho nos bio-combustiveis

A Geocapital, do magnata chinês Stanley Ho, prepara-se para entrar no mercado dos bio combustíveis, surgindo Angola entre os países incluídos na lista de um investimento que vai trazer para África cerca de 30 mil milhões de US dólares num prazo de 10 anos. A empresa, criada em 2005 em Macau para desenvolver projectos nos países lusófonos, tem mantido uma grande proximidade e afinidade com a Sonangol, como ficou demonstrado pela conjugação de esforços na recente crise no BCP (as duas empresas formam, em conjunto, o maior bloco accionista do maior banco privado português). A produção de bio combustíveis, além de Angola, vai também acontecer em Moçambique e na Guiné-Bissau, deverá iniciar-se até 2010 e atingir, a partir de 2020, uma produção de 14 milhões de toneladas/ano, cerca de 10 por cento da produção mundial.
[Aqui]

O A Capital deu-nos noticia do projecto de reconstrucao do Teatro Avenida

O velho Teatro Avenida dará lugar a um novo projecto arquitectónico que proporcionará melhores condições de trabalho aos artistas e maior comodidade aos cidadãos. Foi neste sentido, apontando os benefícios do projecto, que o escritor angolano Jacques Arlindo dos Santos apresentou o projecto. O Novo Teatro Avenida é uma iniciativa da empresa privada Dry Dock, em parceria com o GPL e o apoio institucional do Ministério da Cultura.
[Aqui]



O Angolense noticiou que a Sonangol esta’ em condicoes de ‘tomar conta’ da refinacao de petroleo no pais e que o novo edificio sede da empresa esta' concluido

Economistas perspectivam o aumento da capacidade interna de refinação do crude, nos próximos tempos, em Angola. Tal leitura é-lhes oferecida pelo novo cenário, criado na Fina Petróleos de Angola, com a cedência da participação do Estado à Sonangol. O cenário coloca a Sociedade Nacional de Combustíveis numa posição confortável, para gerir a refinaria com um Conselho de Administração único, o que facilitará a tomada de decisões, por representar interesses comuns.
(…)
A nova torre sede da Sonangol está concluída. O complexo edifício, obra da mais fina arquitectura moderna é presentemente o edifício mais notável da capital angolana e empresta beleza e uma nova imagem à baixa de Luanda. Com 23 andares, durou cerca de três anos e meio a ser construído e deu emprego a mais de duas mil pessoas.
[Aqui]

E para que tudo nao sejam apenas ‘aguas passadas’, um artigo de Luis Kandjimbo na corrente edicao do SA:

No texto publicado no passado dia 28 de Junho apresentámos em breves linhas, e entre outras, a proposta de periodização de Grégoire Biyogo cujas ideias continuaremos a analisar. Chamo por isso a atenção do leitor para as propostas de classificação das correntes filosóficas que presentemente dominam o pensamento africano, Segundo o filósofo gabonês. Autor de uma obra consagrada à História da Filosofi a Africana em quatro volumes, publicada em França com a chancela da editora L’Harmattan, Grégoire Biyogo é um dos filósofos da geração que se revela na década de 80, o período da afirmação da chamada filosofia moderna e contemporânea. Com uma formação eclética obtida na Universidade da Sorbonne (Paris I e Paris IV),tem desenvolvido a sua pesquisa nas áreas da egiptologia, da epistemologia e da teoria da literatura. Professor da Universidade Omar Bongo do Gabão, onde lecciona epistemologia da investigação, dirige igualmente seminários de doutoramento na Universidade de Paris XII, tendo sido fundador do Instituto Cheikh Anta Diop de Libreville.
[Aqui]
Nesta edicao, oportunidade para repescar alguns artigos e entrevistas que ficaram ‘na gaveta’ durante as ultimas semanas.

Comecando pelas entrevistas:

Filipe Mukenga ao Novo Jornal (NJ)

Ao completar 45 anos de vida artística e 30 anos de parceria com Filipe Zau, Filipe Mukenga prepara o quarto e, talvez, último disco da sua carreira. Em entrevista ao Novo Jornal, o autor de "Angola no Coração" mostra-se desiludido com a falta de reconhecimento do seu trabalho pelos angolanos e aponta caminhos para o desenvolvimento da música nacional: mais formação, mais acesso a instrumentos e maior união entre os artistas.
(...)
Faço harmonias complicadas e opto por um conteúdo poético rico. Criei então o rótulo NMA (Nova Música de Angola), que sintetiza a minha filosofia enquanto músico.
(...)
O que podemos esperar do disco "Nós Somos Nós", que lançará em Setembro?
São 14 canções, muitas delas compostas por mim em parceria com o Filipe Zau. Com elas quero, acima de tudo, homenagear o nosso povo pela paz que conseguiu alcançar. Em termos musicais, pretendo mostrar a ligação entre o semba e o samba que são, de facto, ritmos irmãos. É um disco a pensar também no enorme mercado brasileiro.
[Aqui]

Rui Mangueira ao Semanario Angolense (SA)
Não se sabe quanto o Estado angolano arrecada de impostos do animado movimento de mercadorias entre o Dubai (capital económica dos Emirados Árabes Unidos) e Angola. Trata-se de um movimento que poderá crescer nos próximos meses, com a abertura, no passado dia 12, da rota comercial da TAAG, que vem encurtar a viagem que se fazia passando por Joanesburgo (África do Sul) e, mais recentemente, por Addis Abeba (Etiópia). (…) Desta conversa com Rui Mangueira, recentemente nomeado embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, pode perceber-se a importância que aquele país vai tendo nas trocas comerciais dos angolanos e as oportunidades que existem para o empresariado angolano, se este se organizar e sonhar com conquistar outros mercados.

Mari Alkatiri ao Cruzeiro do Sul

Governei o país durante quatro anos, com um orçamento anual inferior a 84 milhões de dólares. Este governo está a governar com um orçamento de 400 milhões por ano, e está já a propor um orçamento rectificativo de mais de 200 milhões de dólares.
Eles não têm programa, não têm plano, governam com bilhetinhos. O Xanana manda
bilhetinho para os ministros: faça isso, faça aquilo... (risos). Governa com bilhetinhos. Importa que Xanana Gusmão tenha a coragem de assumir que foi ele quem dividiu o país em leste e Oeste. Divisão esta que teve as consequências desastrosas: violência generalizada, implosão da Policia nacional de Timor-Leste…
[Aqui]

Passando aos artigos:

No SA exaltou-se a “coragem da China”
Quando Mao desencadeou a «longa marcha» que é já uma mitologia viva da revolução chinesa e até do século vinte, a China era um país pobre onde mesmo assim os pobres eram obrigados a pagar uma renda aos ricos em cereais, prática essa - a do pátio das rendas- que se imortaliza nas artes plásticas chinesas. Agora, imaginemos que Mao estaria a ver a China de hoje, a economia, as cidades, a cultura, a quase ausência de fome, a indústria, a construção civil, em suma, a grande marcha que transformou a China grande numa grande China como um sismo de progresso, que discute os mercados palmo a palmo com as grandes potências mundiais. Não muitas vezes a midia ocidental mostra as conquistas dos chineses, os novos edifícios e cidades, os estabelecimentos de ensino, os hospitais e o crescente empenho na cultura. Foi preciso vir a maka da chama olímpica e do Lama e, agora, a desgraça do sismo e suas réplicas, para vermos a China em tudo que é ecrã.
[Aqui]

O NJ destacou os investimentos de Stanley Ho nos bio-combustiveis

A Geocapital, do magnata chinês Stanley Ho, prepara-se para entrar no mercado dos bio combustíveis, surgindo Angola entre os países incluídos na lista de um investimento que vai trazer para África cerca de 30 mil milhões de US dólares num prazo de 10 anos. A empresa, criada em 2005 em Macau para desenvolver projectos nos países lusófonos, tem mantido uma grande proximidade e afinidade com a Sonangol, como ficou demonstrado pela conjugação de esforços na recente crise no BCP (as duas empresas formam, em conjunto, o maior bloco accionista do maior banco privado português). A produção de bio combustíveis, além de Angola, vai também acontecer em Moçambique e na Guiné-Bissau, deverá iniciar-se até 2010 e atingir, a partir de 2020, uma produção de 14 milhões de toneladas/ano, cerca de 10 por cento da produção mundial.
[Aqui]

O A Capital deu-nos noticia do projecto de reconstrucao do Teatro Avenida

O velho Teatro Avenida dará lugar a um novo projecto arquitectónico que proporcionará melhores condições de trabalho aos artistas e maior comodidade aos cidadãos. Foi neste sentido, apontando os benefícios do projecto, que o escritor angolano Jacques Arlindo dos Santos apresentou o projecto. O Novo Teatro Avenida é uma iniciativa da empresa privada Dry Dock, em parceria com o GPL e o apoio institucional do Ministério da Cultura.
[Aqui]



O Angolense noticiou que a Sonangol esta’ em condicoes de ‘tomar conta’ da refinacao de petroleo no pais e que o novo edificio sede da empresa esta' concluido

Economistas perspectivam o aumento da capacidade interna de refinação do crude, nos próximos tempos, em Angola. Tal leitura é-lhes oferecida pelo novo cenário, criado na Fina Petróleos de Angola, com a cedência da participação do Estado à Sonangol. O cenário coloca a Sociedade Nacional de Combustíveis numa posição confortável, para gerir a refinaria com um Conselho de Administração único, o que facilitará a tomada de decisões, por representar interesses comuns.
(…)
A nova torre sede da Sonangol está concluída. O complexo edifício, obra da mais fina arquitectura moderna é presentemente o edifício mais notável da capital angolana e empresta beleza e uma nova imagem à baixa de Luanda. Com 23 andares, durou cerca de três anos e meio a ser construído e deu emprego a mais de duas mil pessoas.
[Aqui]

E para que tudo nao sejam apenas ‘aguas passadas’, um artigo de Luis Kandjimbo na corrente edicao do SA:

No texto publicado no passado dia 28 de Junho apresentámos em breves linhas, e entre outras, a proposta de periodização de Grégoire Biyogo cujas ideias continuaremos a analisar. Chamo por isso a atenção do leitor para as propostas de classificação das correntes filosóficas que presentemente dominam o pensamento africano, Segundo o filósofo gabonês. Autor de uma obra consagrada à História da Filosofi a Africana em quatro volumes, publicada em França com a chancela da editora L’Harmattan, Grégoire Biyogo é um dos filósofos da geração que se revela na década de 80, o período da afirmação da chamada filosofia moderna e contemporânea. Com uma formação eclética obtida na Universidade da Sorbonne (Paris I e Paris IV),tem desenvolvido a sua pesquisa nas áreas da egiptologia, da epistemologia e da teoria da literatura. Professor da Universidade Omar Bongo do Gabão, onde lecciona epistemologia da investigação, dirige igualmente seminários de doutoramento na Universidade de Paris XII, tendo sido fundador do Instituto Cheikh Anta Diop de Libreville.
[Aqui]

4 comments:

KimdaMagna said...

Koluki!
é um prazer vir aqui e beber sempre deste mundo de informação que você coloca. Lhe agradeço mais uma vez e sem desfalecimento.
Agradecia sua ajuda no sentido de me indicar fontes etno-linguísticas do " nosso" Kuanza Sul.
Tou fazendo a licenciatura em Património cultural e depois de acabado, vou iniciar um estudo/pesquisa sobre os Sumbis/Sumbes?.
Claro que me fixarei preferencialmente na comuna do Sumbe para antropológicamente desenvolver o trabalho.
A escolha particular da comuna Sumbe é óbvia por reportar ao lugar onde eu nasci e cresci.
Tou sintetizando meu pedido para não maçá-la com os desenvolvimtos.
Básicamente terei que aprender a língua para uma pesquiza mais rica pois estou seguro que estará na oralidade a fonte do conhecimento e que me permitirá o verdadeiro exercício da alteridade.

Xaxuaxo

Koluki said...

Kim,

Tambem e' um prazer te-lo por ca'.
Se me quiser contactar por email creio que sera' a melhor forma de trocarmos informacao sobre o seu projecto.

Xaxuaxo

Koluki said...

‘Nota de Rodape’

Devo um poema ao Filipe Mukenga.
Bom, nao e’ que lhe tenha prometido um poema que nunca escrevi, mas escrevi um poema inspirado por um episodio em que ele esteve envolvido.
A estoria, que nunca antes tive oportunidade, ou vontade, de contar a alguem, foi assim: ha’ muitos, muitos anos, em Luanda, houve uma pequena tertulia em casa de uma das minhas irmas, em que o Filipe era o principal animador, com a sua guitarra e as suas cancoes. As tantas pediram-me que lesse um dos meus poemas. Acedi e li este, que tinha escrito por aqueles dias:

XICALA

Trazia o recorte
das tuas ancas
na mao
picotado

agua doce
pelo olho do coco,
foi-se o traco
na palma esquecida
pelo dentro da areia

enquanto o silencio nos olhos.

Restou a boca
aberta ao mufete
na ponta dos dedos
e
a lembranca
para o contar
das tuas conchas
ao vento

ainda o mar na pele.


Depois de o ler, parte da ‘audiencia’, passados breves momentos de ‘ponderacao’, comecou a sorrir, a seguir a rir nervosamente e depois a gargalhar ‘desbragadamente’… Fiquei realmente embaracada e completamente intrigada com aquela reaccao, ate’ que um meu cunhado disse algo como: “Oh minha irma… isso das ancas… do pelo dentro… isso e’ que foi inspiracao!”
Bom, deu para perceber que alguns tinham interpretado o poema de ‘uma certa forma’, ou de ‘todas as formas’, menos daquela a que o poema tao so’ e somente se referia: a um momento sobre mim em relacao com a ilha da Xicala – alias, o titulo original do poema era “Xicala (Minha)”…
Claro que nada de mal dali adviu (ou sera’ adveio? Nao, o Portugues e’ mesmo dificil...) e a tertulia continuou bastante animada, excepto que aquelas gargalhadas inspiraram-me, alguns dias depois, este outro poema:

AOS HOMENS DA NOITE

Queria dizer-vos
do melhor retrato que colhi
do vosso mais querido fantasma

Mas,
eis que o escarnio irrompe
de dentro das vossas braguilhas
descaradas

Vale-me a sensatez da musica
dizendo em ritmo de semba
da mulata cor muamba
e labios pitanga

e solta-se a minha gargalhada
na noite.


Bom, sobre as reaccoes a este poema sei apenas que houve quem tivesse gostado particularmente da mencao a “mulata cor muamba e labios pitanga” (que ‘colhi’ de uma das cancoes que o Filipe cantou naquela noite) e suponho que haja tambem quem, a semelhanca de pelo menos parte da minha ‘audiencia’ naquela noite de tertulia, tenha ‘imaginado’ as coisas mais ‘inimaginaveis’, tipo: “ai aquilo dos homens da noite… ai aquelas braguilhas descaradas…”!

Obviamente nao houve qualquer “escarnio”, nem “braguilhas descaradas”, naquela noite… Essas foram apenas expressoes com que pretendi retratar, com um ‘exagero poetico’ equivalente ao ‘exagero interpretativo’ com que pelo menos parte dos homens ali presentes me parece terem (des)entendido o meu poema “Xicala”: que para mim passou a ser, depois daquela noite, “o melhor retrato que colhi do vosso (dos homens) mais querido fantasma (a mulher, e porque nao dize-lo, em particular a ‘mulata’)”, no caso, sob a forma de uma ilha… fantasma esse que, tao sensatamente, em ritmo de semba e ‘sem kigila’, todos e todas cantamos naquela tertulia, sob a forma da “mulata cor muamba e labios pitanga”… Complicado? Nao acho.

Moral da estoria: desses e doutros pequenos “(des)entendimentos” (no caso, felizmente, sem quaisquer ressentimentos e com resultados posteriores bastante proficuos e criativos) se faz a minha pequena colectanea de poemas “Sabores, Odores & Sonho”!

Mas, a proposito dessa estoria, nao posso deixar de notar o meu maior ressentimento perante as transformacoes a que Luanda tem sido submetida nas ultimas decadas: a total destruicao da Xicala! Para mim esse e’ o maior crime ecologico (nem o Mussulo se lhe compara…) que aconteceu a minha intima terra nos ultimos 20 a 25 anos! Em minha opiniao, bastante mais merecedor de ‘manifes’ como as que se fizeram (teem-se feito) contra a ‘transformacao’ do dito palacio de D. Ana Joaquina e as novas ‘torres’ que se veem erigindo como cogumelos…
Mais… qu’est ce que peut on faire? C’est la vie, n’est pas?

Koluki said...

Ja' agora, era Este o poema da cancao do Mukenga.