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Saturday, 21 May 2011

Kwando a "Arte Kontemporanea"...




...Nao Tem...




"Kredenciais Akademicas"...




Nem...



..."Patrocinios do P(h)oder"!




[Imagens: Performance (e seu dramatico e brutal finale - ou de como "convem sabermos sempre o que nos espera"!...) de atrevido 'artista desconhecido' sobre estatua das 'heroinas desconhecidas', nas barbas do bando ! - Luanda, 2011]



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Wednesday, 6 April 2011

Ola’ Matadi!…



Este e’ um ola’ atirado “as cegas” ‘a cortina, por vezes de fumo, por vezes de ferro, que nos vai transformando cada vez mais em “surdos-mudos” (e “cegos”?), mesmo quando usamos meios, como este, inventados supostamente para “nos aproximar e facilitar-nos a comunicacao”…

E’ um ola’ a um velho amigo que, ‘a falta de outra referencia mais recente, incluiria na minha Geracao R – uma geracao em que alguns interiorizaram de tal modo a “rejeicao” que, talvez por nao encontrarem outra saida, nela se 'perderam', enquanto outros, contra ventos, mares e calemas decidiram “rejeita-la” e passar ao largo dela para se afirmarem pessoal, cultural, social e profissionalmente como cidadaos dignos, responsaveis, validos e uteis a sociedade.

Mas creio que todos teremos passado, embora uns mais do que outros e cada um a seu modo, pelos dois lados da reaccao a tal “rejeicao”, e andamos por ai, com maior ou menor sucesso, fazendo a vida e tratando dela – menos os que ficaram pelo caminho e nos abandonaram neste mundo (como este nosso contemporaneo).

E’ um ola’ a um amigo, do que chamaria um pequeno circulo, embora nao exclusivo nem exclusivista e, em grande medida, precario e intermitente, que se manteve em contacto desde os tempos do movimento associativo estudantil de 74/75, se separou entretanto e se voltou a reencontrar, apenas brevemente em alguns casos, na primeira parte da decada de 80.

Ele era um dos poucos que me visitava regularmente sem constrangimentos no(s) meu(s) kubiko(s), quer no do predio da Novembro/Sociborda, quer no do Kinaxixi. Ficavamos a conversa um pouco sobre tudo e nada, ou jogavamos xadrez – demonstrando a nos proprios e a ‘todo o mundo’ que nisso pudesse estar interessado que e’ (sim!) possivel a Amizade e o Respeito Mutuo entre um Homem e uma Mulher sem que a sua relacao tenha forcosamente que envolver sexo e sem que por isso as suas respectivas masculinidade e feminilidade, ou mais precisamente a sua sexualidade, tenham que ser "questionadas"! … Mesmo quando “sozinhos em casa”… o que me lembra aqui, en passant, de uma outra grande amizade masculina nos mesmos moldes na minha vida, que “herdara” das amizades da minha mae, portanto de uma geracao que se separava da nossa por pelo menos uma decada: o Victor Simoes Alexandre (...que saudades…)!

[But, again, that's what separates de The Men from the boys and The Women from the girls!...]

Ja’ nao vejo o Matadi desde aqueles tempos, uns bons 25-30 anos, e apenas voltei a ouvir falar dele pela primeira vez brevemente quando o Buca, outro nosso contemporaneo, esteve comigo em Cape Town ha’ cerca de 5 anos e, mais recentemente, no ano passado, quando soube desta iniciativa dele e de outros seus colegas aquando da tragedia do Haiti. E agora, ha’ alguns dias, atraves desta entrevista, que, para alem de noticias da minha geracao, tambem me deu outras noticias do meu pais.

Mas talvez mais do que um ola’ a um contemporaneo, trata-se de um ola’ a um tempo de angustias ‘a mistura com esperancas; um tempo de desenganos e de busca de certezas…



Este e’ um ola’ atirado “as cegas” ‘a cortina, por vezes de fumo, por vezes de ferro, que nos vai transformando cada vez mais em “surdos-mudos” (e “cegos”?), mesmo quando usamos meios, como este, inventados supostamente para “nos aproximar e facilitar-nos a comunicacao”…

E’ um ola’ a um velho amigo que, ‘a falta de outra referencia mais recente, incluiria na minha Geracao R – uma geracao em que alguns interiorizaram de tal modo a “rejeicao” que, talvez por nao encontrarem outra saida, nela se 'perderam', enquanto outros, contra ventos, mares e calemas decidiram “rejeita-la” e passar ao largo dela para se afirmarem pessoal, cultural, social e profissionalmente como cidadaos dignos, responsaveis, validos e uteis a sociedade.

Mas creio que todos teremos passado, embora uns mais do que outros e cada um a seu modo, pelos dois lados da reaccao a tal “rejeicao”, e andamos por ai, com maior ou menor sucesso, fazendo a vida e tratando dela – menos os que ficaram pelo caminho e nos abandonaram neste mundo (como este nosso contemporaneo).

E’ um ola’ a um amigo, do que chamaria um pequeno circulo, embora nao exclusivo nem exclusivista e, em grande medida, precario e intermitente, que se manteve em contacto desde os tempos do movimento associativo estudantil de 74/75, se separou entretanto e se voltou a reencontrar, apenas brevemente em alguns casos, na primeira parte da decada de 80.

Ele era um dos poucos que me visitava regularmente sem constrangimentos no(s) meu(s) kubiko(s), quer no do predio da Novembro/Sociborda, quer no do Kinaxixi. Ficavamos a conversa um pouco sobre tudo e nada, ou jogavamos xadrez – demonstrando a nos proprios e a ‘todo o mundo’ que nisso pudesse estar interessado que e’ (sim!) possivel a Amizade e o Respeito Mutuo entre um Homem e uma Mulher sem que a sua relacao tenha forcosamente que envolver sexo e sem que por isso as suas respectivas masculinidade e feminilidade, ou mais precisamente a sua sexualidade, tenham que ser "questionadas"! … Mesmo quando “sozinhos em casa”… o que me lembra aqui, en passant, de uma outra grande amizade masculina nos mesmos moldes na minha vida, que “herdara” das amizades da minha mae, portanto de uma geracao que se separava da nossa por pelo menos uma decada: o Victor Simoes Alexandre (...que saudades…)!

[But, again, that's what separates de The Men from the boys and The Women from the girls!...]

Ja’ nao vejo o Matadi desde aqueles tempos, uns bons 25-30 anos, e apenas voltei a ouvir falar dele pela primeira vez brevemente quando o Buca, outro nosso contemporaneo, esteve comigo em Cape Town ha’ cerca de 5 anos e, mais recentemente, no ano passado, quando soube desta iniciativa dele e de outros seus colegas aquando da tragedia do Haiti. E agora, ha’ alguns dias, atraves desta entrevista, que, para alem de noticias da minha geracao, tambem me deu outras noticias do meu pais.

Mas talvez mais do que um ola’ a um contemporaneo, trata-se de um ola’ a um tempo de angustias ‘a mistura com esperancas; um tempo de desenganos e de busca de certezas…

Sunday, 27 March 2011

Ao Nosso Carnaval… Voltemos Pois!



À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar

À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar


[Agostinho Neto - Havemos de Voltar]



“Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do Carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas.” Assim reza uma historia a qual voltarei mais tarde neste post.

Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?

Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.

E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...



Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar , ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!

E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginal novinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?



E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!



Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecos que me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.

Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!



Entretanto...



Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aqui expressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!



[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]


Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!

So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aqui se pode verificar... Ja' viram?!







Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia , "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."

Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...

Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.

Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:

Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!




A 'Tradicao'


“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias




Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.


[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]




Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.


[Amanha Vamos a Procura da Chave
- Uniao Mundo da Ilha]



A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.


[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]


[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]





Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.




Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aqui e aqui.

Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.

Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".

Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].

E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.

Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.



“Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do Carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas.” Assim reza uma historia a qual voltarei mais tarde neste post.

Mas, por agora, falemos de datas: 4 de Fevereiro, ou 15 de Marco? 2 de Marco, ou… outra data qualquer? 27 de Marco, “dia do aniversario da Vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas”, ou 25 de Maio (em 91), dia da assinatura do acordo de retirada das forcas cubanas na sequencia da batalha do Kuito Kwanavale?

Certo, certo, e porque o 4 de Abril parece que tambem ja’ mudou para o 5 de Marco, parece que as unicas datas certas do pos-Dipanda que temos, para alem do proprio 11 de Novembro, sao o 23 de Janeiro e o 27 de Maio… Essas datas, infelizmente, por muito que se as queira enterrar na 'bruma da memoria', de certeza que nunca poderao ser mudadas (mesmo porque ha' sempre alguem pronto a lembrar-nos delas ainda que "apenas por entre os dentes, em silencio"...), para o bem ou para o mal… E isso ao contrario do Carnaval, cuja data, de ha’ uns anos a esta parte, voltou a ser mudada para o dia que tradicionalmente lhe e' reservado.

E e’ essa palavra, “tradicionalmente”, que me faz voltar ao Carnaval depois de este ano o ter ja’ assinalado aqui. E tudo porque o Carnaval deste ano me deixou muito kafusa entre as nocoes de 'tradicao' e 'modernidade'...



Entao nao e’ que o vencedor do ano passado, o Unidos de Caxinde (UC), da Associacao Cha' de Caxinde dirigida por Jacques dos Santos, este ano ficou em oitavo lugar , ou seja, a um passo de ser relegado para o segundo escalao, e decidiu, na semana que ontem terminou, nao mais voltar a competir no Carnaval de Luanda?! Mas nao, desenganem-se os que comecaram ja’ a pensar em “mau perder”: aparentemente e’ tudo so’ mesmo em nome da 'modernidade' e… do 'respeito pelas instituicoes'! Mas o 'respeito pelas instituicoes' nao implica de algum modo o respeito pela 'tradicao' e suas instituicoes? Estou mesmo kafusa!

E pode la’ haver mais modernidade do que uma Segunda Marginal novinha em folha para inaugurar com o desfile de Carnaval, na data certa, no pos-Dipanda?



E mais kafusa ainda fico quando me dizem que e’ tudo por culpa da Delegacao Provincial da Cultura de Luanda de que aqui se fala… Mas, na altura nao os aplaudiram todos e todas (embora tenham feito vista grossa e assobiado pro lado perante certos corpos semi-nus e respectivas bundonas klassiko-kulturais sendo paradeados em publico exactamente naquela mesma altura...)? Ou estariam, em ambos os casos, so' a fingir? E o que e’ que eles fizeram ali senao proibir a "exibicao de bundas em publico"? E isso estara’ muito longe da "exibicao de mini-saias e ‘pernoes’" (... como cantava o Mestre Geraldo: oh mini-saia brinca na areia, mulher e' bessangana, mulher e' de respeito, brinca rebita...) que supostamente (tambem?) representariam a 'modernidade' do UC, em vez das damas com aquelas “saias compridas tipo varina” dos tempos do kaprandanda que “nao deixam ver nada” e os cavalheiros vestidos segundo a "estetica do pinguim" sob o sol escaldante?! Nao... estou mesmo kafusa!



Nao deixo, no entanto, de lamentar essa dramatica decisao, aparentemente in extremis , do UC. Nao necessariamente pela 'modernidade' em nome da qual se manifestam, uma vez que, como venho repetindo, estou bastante kafusa sobre o que isso possa significar no contexto do Carnaval Angolano, mas pela diversidade que, obviamente, se perde com a saida de um grupo que, pelos ecos que me vao chegando, se tornou tao proeminente no Carnaval de Luanda durante a ultima decada. E sentindo-me tao frequentemente entre os excluidos e rejeitados de toda a ordem e natureza, nao posso, em nome do conceito de cidadania e seus respectivos direitos, deixar de sentir simpatia por quem tambem assim se sinta em quaisquer circunstancias.

Porem, porque e’ (foi) Carnaval, espero que nao me levem a mal por sugerir aos membros do UC que 'sigam o leader' (a.k.a. Banda Desenhada) e vao paradear toda a sua 'modernidade' no Carnaval de Benguela… ou, ja' agora, em Portugal, onde abriram recentemente uma "delegacao"... ali e’ que talvez ninguem mesmo lhes vai levar a mal!



Entretanto...



Numa segunda abordagem, porem, talvez a principal razao de eu estar tao kafusa nao tenha bem a ver com a decisao dos UC, mas mais com o facto de eu ter pensado, como aqui expressei, que "progresso" (ou, se se preferir, "modernidade") em termos de "semba, kizomba e kuduro", especialmente se em comparacao com outras formas de expressao desses generos, poderia (tambem e por exemplo) significar o que ouve nesse Kamusekele do Dog Murras com o Kota Bonga, utilizando sons, ritmos e o espirito do Carnaval tradicional de Luanda... E nao e' que esse mesmo Kamusekele so' me trouxe bwerere' do bwe' do bwe' de makas de sanzala aki pro mo kubiku, com ameacas de morte e tudo?!



[Kamusekele - Dog Murras, feat. Bonga]


Mas afinale parece que, tal como a decisao dos UC, nem tudo o que parece nas reaccoes e atitudes intolerantes dos "absolutamente alergicos" ao kuduro (e... aparentemente, a este blog! - como se eu o tivesse inventado ou fosse a sua maior aficcionada e propagandista e, ultimamente, tambem dos tais de melindros, kambwas e sei eu la' mais o que!...) e': porque a maka deles parece ter tudo a ver, apenas e tao so', com a letra desse Kamusekele... a qual, quanto a mim, constitui, nada mais nada menos, do que um bom exemplo de "critica social" que, paradoxal e ironicamente, alguns dos seus maiores depredadores dizem praticar, apelidando-a de "musica sem conteudo"! Mas, e mais uma vez nao me levem a mal porque de Carnaval se trata, la' diz o ditado: "quem se ofendeu, carapuca lhe serviu"!

So' que, enquanto eu aqui sou bombardeada sem apelo nem agravo com obuses no meu quintal por causa da musica dele, o Dog Murras passou este Carnaval, bem como os dos ultimos anos, na maior la' pras bandas do Brasil, abrilhantando o Carnaval da Bahia com os sons do Carnaval de Luanda, como aqui se pode verificar... Ja' viram?!







Mas, voltando ao Carnaval de Luanda, uma coisa que gostei particularmente de saber foi do desfile dos kanukos, onde, segundo esta noticia , "o prémio correspondente à classe C (infantil) foi atribuído à canção “Defesa da tradição”, do grupo União Cassules dos Jovens da Cacimba, pelo carácter explícito das mensagens apelativas, aproximando o ritmo expressivo do Carnaval à tradição musical angolana, enaltecendo, desta forma, as origens sócio-culturais do Carnaval angolano."

Bom, o que eu e os ndengues do meu bairro (na altura B.O./Sao Paulo - o qual, alias, tanto quanto julgo saber, tambem foi, se e' que ja' nao e', o de Jacques dos Santos do UC acima mencionado...) nao dariamos para podermos ir tambem desfilar "oficialmente" na Marginal! ... Naqueles nossos tempos, nas vesperas do Carnaval, era um corre-corre para arranjarmos nas despensas das nossas maes 'massa estrelinha' e 'massa cotovelo', mais feijoes de varios tipos, cores e tamanhos e aquelas sementes vermelhas e castanhas que iamos coleccionando ao longo do ano quando iamos a praia da floresta da Ilha ou ao Mussulo, mais algumas missangas de varias cores que desenrascavamos no mercado de Sao Paulo para fazermos os nossos colares e pulseiras; mais saias feitas de rafia ou sacos de sarapilheira, desfiados da meia-perna para baixo e uns tops tambem do mesmo material ou de panos de cores garridas, com turbantes na cabeca a condizer e as caras pintadas das cores e geitos da nossa criatividade, com muito vermelho e branco a mistura...

Mas ali nao havia bem competicao, nem juri: ganhava o grupo que conseguisse amealhar mais kitari dos mais-velhos pelas ruas em que desfilavamos - um pouco como fazem os miudos do ocidente no seu Halloween.

Entao, escolhiamos os nossos principe e princesa e saiamos em grupos pelo bairro afora pra brinkar o nosso karnaval, a bater os nossos batukitos bem aquecidos e as nossas latas e garrafas bem pintadas e decoradas, a soprar os nossos apitos e cornetas e a dikanzar os nossos bordoes bem trabalhados e os nossos chocalhos, todos bem ritmados e animados atras do Mayado, que era o nosso maskarado 'a Tchinganji ou Mukixi:

Tam-taram-tam-tam... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... mayado! Pao com gin-gu-ba... mayado! Tam-tam-taram-tam-tam... Mayado!!!




A 'Tradicao'


“O semba e’ uma adaptacao do kazukuta. O meu pai transpos os ritmos kimbundus para a viola. Tinha conhecimento das musicas portuguesas e brasileiras. Transpos muita coisa em tom menor.” - Carlitos Vieira Dias




Em Luanda e noutras cidades (Malange, Benguela) o Carnaval e’ desde o seculo XIX a festa popular por excelencia onde os africanos se mascaram de figuras portuguesas e dancam pantomimas alegoricas. Nos anos 40, nos grupos carnavalescos dos musseques, ganham forca as percussoes e a dikanza, ao lado da corneta, dos apitos e dos chocalhos. As dancas sao dizanda, varina, kabetula, cidralia, maringa, kazukuta, njimba. O carnaval foi proibido de 61 a 68.


[Na Rua de Sao Paulo - Kabokomeu]




Apos a independencia, o Estado passou a financiar os grupos e fixou a data do carnaval a 27 de Marco, dia do aniversario da vitoria (em 76) das FAPLA sobre as tropas sul-africanas. Uniao Operaria Kabokomeu foi fundado em Janeiro de 1952, por operarios do Sambizanga. Uniao Mundo da Ilha juntou em 1968 varios grupos da Ilha de Luanda. Na Rua de Sao Paulo e’ um kazukuta, danca baseada em pantomima. Amanha Vamos a Procura da Chave e’ uma varina. Se bem que gravadas em 1978, estas duas musicas sao representativas do carnaval dos anos 50-60. Mas as letras, no contexto politico do pos-independencia, expressam o apoio popular a Agostinho Neto, Presidente da Republica.


[Amanha Vamos a Procura da Chave
- Uniao Mundo da Ilha]



A rebita apareceu no final do seculo XIX nos saloes de uma elite negra e mulata das cidades (Luanda, Benguela). A danca de origem europeia (quadrille ou contre danse) foi africanizada. Toca-se com concerina e dikanza. As damas sao trajadas de panos africanos, com penteados kindumba, os cavalheiros de fato, a rigor, com chapeu de coco. Os apitos e as ordens (com algumas palavras em frances) do “comandante”, dao o sinal das viragens, acompanhadas de palmas e umbigadas. O nome tradicional e’ massemba, a palavra rebita aparece mais tarde. Mestre Geraldo, grande mestre de rebita e chefe de grupos carnavalescos, introduziu percussoes dos pescadores da Ilha de Luanda, tornando-a mais popular. Mini Saia, muito celebre, e’ uma mistura de varina e massemba.


[Mini Saia - Mestre Geraldo Morgado]


[Extractos de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 60’s – Buda Musique 1999]





Finalmente, se me e' permitido, gostaria de regressar ao meu Carnaval.




Como afirmei em algumas ocasioes (e.g. aqui), tenho por principio fundamental nao falar, menos ainda tentar explicar, (d)os meus poemas, mesmo quando confrontada, como tem sido norma desde a publicacao do meu primeiro, e ate' agora, unico livro, com a sua total deturpacao, manipulacao, ou indevida interpretacao/apropriacao - voluntaria e conscientemente ou nao. Dito isso, tenho vindo ultimamente a abrir algumas excepcoes, como foi o caso aqui, aqui, aqui e aqui.

Fa-lo-ei agora tambem um pouco em relacao a esse poema em que tentei recriar a atmosfera do Carnaval.

Sempre entendi o Carnaval (em qualquer parte do mundo) como uma manifestacao de algo assim como o "festival da carne" - uma festa pagã destinada inicialmente a dar vazao a tudo (ou quase) quanto era proibido pela religiao ao longo do resto do ano (dai o "prazer 'imedido' na exorcisao das teias do armario"); uma especie de "teatro do absurdo", uma expressao de "transgressao" daquilo que vai contra a norma estabelecida, "anormal" portanto (e.g. "despir o nu e agasalhar o mal vestido" - algo expresso na exuberancia das vestes de Carnaval mesmo pelos que durante o resto do ano mal teem com que se vestir, podendo para tanto chegar a "despir o nu" -, ou "qualquer ovo que se machuca e se espalha lentamente pelo corpo", ou ainda "um aperto de maos, de costas, para dar mais prazer"). Tudo isso, porem, com um prazo limitado de que os folioes nao se lembram "senao a despedida", i.e., apenas quando e' tempo de "varrer as cinzas".

Enfim, uma festa destinada a "chocar", a provocar "choque(s)" no sistema social - e, nessa medida, ele tera' evoluido do chocar com o sistema religioso ao chocar com o sistema politico, "entre a calma do ocio - o dolce fare niente, o nao trabalhar, dos dias de Carnaval, que e' tambem um acto contra a 'norma' - e o desprezo da revolta" [contra o(s) sistema(s)].

E tudo isso para que a norma, o(s) sistema(s), enfim, os "valores e principios" estabelecidos, se possam manter (e reproduzir-se) quando tudo regressa a normalidade do resto do ano - dai a "tempestade que nunca desabara'" apesar do "vento rasteiro, sibilino": Carnaval.

Mas o tema do Carnaval foi apenas um pretexto para escrever sobre outras coisas que na altura se estavam a passar na minha vida, ao regressar a Luanda com o meu filho de Lisboa, depois de ter passado pelo Carnaval do Rio com o falecido pai dele em 1983. Mas essas sao outras historias.

Tuesday, 22 March 2011

Amizade, Amizade... Para que te quero? [R]*





Ou de como a Loanda Kontemporanea vem fazendo neofitas amizades
(... dos "ancestrais", aos "compadres e amigos", passando pela "propria outra"... nao tarda muito e, a boa maneira Kalu, passamos a ser "todos familia do mesmo sangue" - nao obrigada!... too late for that, sorry! - Vultos eh?!... eheheheheh!!! )

... Ou de como a ocasiao faz o/a "..." oportunista!

Ou apenas ... (mais) uma peca de tragicomedia!


{... In any case, keep enjoying yourselves because
you're just showing your true colours ...}


Posts relacionados:




[Maria Cristina - Eliades Ochoa & Compay Segundo]

*[Postado inicialmente a 28/06/10 - Repostado hoje a proposito de... Marco Mulher]







Ou de como a Loanda Kontemporanea vem fazendo neofitas amizades
(... dos "ancestrais", aos "compadres e amigos", passando pela "propria outra"... nao tarda muito e, a boa maneira Kalu, passamos a ser "todos familia do mesmo sangue" - nao obrigada!... too late for that, sorry! - Vultos eh?!... eheheheheh!!! )

... Ou de como a ocasiao faz o/a "..." oportunista!

Ou apenas ... (mais) uma peca de tragicomedia!


{... In any case, keep enjoying yourselves because
you're just showing your true colours ...}


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[Maria Cristina - Eliades Ochoa & Compay Segundo]

*[Postado inicialmente a 28/06/10 - Repostado hoje a proposito de... Marco Mulher]



Sunday, 2 January 2011

Bêó...


Desta lista de "figuras do ano", chamou-me particularmente a atencao, com agrado e interesse (cujas razoes podem ser encontradas aqui), esta mencao:


IMPRENSA Jornal Bêó Ritmos do coração

A Imprensa angolana já teve, ao longo da sua história, momentos de grande esplendor mas também muitos baixos. No tempo em que vivemos, a situação não é das melhores mas começam a surgir sinais de que é possível retomar o rumo de um jornalismo com rigor, isenção e responsabilidade. Por isso, saudamos o aparecimento do Jornal Bêó, projecto liderado pelo repórter Paulo Mateta. O jornalismo tem uma vertente regional que não pode ser desprezada. E o Bairro Operário, pelo que significa sob o ponto de vista cultural e histórico, merece um jornal.



Enquanto procurava o jornal, ou outras mencoes a ele na net (sem qualquer sucesso nesse aspecto), encontrei essas fotos do B.O. e arredores aqui, onde tambem encontrei a foto abaixo... que me trouxe outras recordacoes de corridas atras do "carro do fumo" em tempos mais recuados da ndenguice la' para as bandas da Vila Alice...




Desta lista de "figuras do ano", chamou-me particularmente a atencao, com agrado e interesse (cujas razoes podem ser encontradas aqui), esta mencao:


IMPRENSA Jornal Bêó Ritmos do coração

A Imprensa angolana já teve, ao longo da sua história, momentos de grande esplendor mas também muitos baixos. No tempo em que vivemos, a situação não é das melhores mas começam a surgir sinais de que é possível retomar o rumo de um jornalismo com rigor, isenção e responsabilidade. Por isso, saudamos o aparecimento do Jornal Bêó, projecto liderado pelo repórter Paulo Mateta. O jornalismo tem uma vertente regional que não pode ser desprezada. E o Bairro Operário, pelo que significa sob o ponto de vista cultural e histórico, merece um jornal.



Enquanto procurava o jornal, ou outras mencoes a ele na net (sem qualquer sucesso nesse aspecto), encontrei essas fotos do B.O. e arredores aqui, onde tambem encontrei a foto abaixo... que me trouxe outras recordacoes de corridas atras do "carro do fumo" em tempos mais recuados da ndenguice la' para as bandas da Vila Alice...



Thursday, 16 December 2010

Uma estorieta infantil [actualizado]



It is not Where you live but How you live that matters most
Maya Angelou


Era uma vez...

Corriam os anos “de todas as certezas”, entre finais da decada de 60 e principios da de 70.

Era Luanda e moravamos entao nas, na altura brand new, urbanizacoes da Cuca – na verdade, aquilo era mais Precol do que Cuca, uma vez que a separar-nos havia apenas a linha ferrea. Tratava-se, para a epoca e para aquela zona da cidade, de um moderno complexo habitacional, construido por uma das entao maiores cooperativas habitacionais do pais, com casas suficientemente amenas e condignas, todas de dois andares e varios quartos, jardim com varanda a frente e quintal atras (... invocando um pouco a imagem da “batata no cu, batata na boca” dos casorios de entao...).

Os jardins eram o espaco de todas as competicoes entre os vizinhos (to 'keep up with the joneses', como dizem os ingleses): 'quem mantinha melhor a relva', 'quem tinha as plantas mais bonitas'... Mas o meu espaco de ser, estar e crescer era o quintal, onde cultivavamos uma horta e o meu pai exercia um dos seus maiores especialismos: fertilizar mamoeiros machos!




Outros dos seus especialismos eram ouvir religiosamente o Angola Combatente num radio antigo muito parecido com o da imagem, ler bastante (foi nos livros dele que bebi as minhas primeiras “leituras serias”), fumar cachimbo (para alem dos imprescindiveis ACs) e... escrever poesia!






Um dos seus poemas que ficou mais celebre na familia, escrito em elaborada caligrafia gotica, era dedicado a sua primeira filha, a quem tinha dado o nome Elinar (embora a tenham baptizado Elisa Bernarda, nomes, respectivamente das minhas avos materna e paterna - Elinar era a combinacao dos dois) de onde lhe vem o diminutivo Nanay com que e’ geralmente conhecida ate’ hoje. Poema esse que sempre associo a balada Fur Elise de Beethoven...


E havia os vizinhos: familias negras, brancas, mesticas, cabo-verdianas (estas, geralmente, apenas se distinguiam pelo seu crioulo - que entao se referia apenas a linguagem em que comunicavam entre si...), suponho que quase todos vivendo pela primeira vez a experiencia de partilhar as mesmas ruas e ruelas, becos e vielas, maximbombos e boleias, lojas e cantinas. Enfim, andavamos todos ali a negociar as nossas respectivas identidades e a ver se (... em portugues...) nos entendiamos...

Mas os desentendimentos eram frequentes entre “nos” e os “outros”... Os “nos”, no meu caso particular, eram todo/as com quem eu me entendia e que nao me faziam chorar, ou “perder a paciencia”! Os “outros” eram... os outros! Em particular uns miudos cabo-verdianos muito mais escuros do que nos, mas que quando perdiam em algum jogo ou se saiam mal em alguma brincadeira na rua, iam a correr para casa gritando: “mama, bim ka bie’ ke esta’ faze pretito”! ... Os “pretitos” eramos nos, alguns dos quais mais claros do que eles...

“Outros” eram tambem as miudas brancas da vizinhanca. Um grupinho delas, um belo dia, por entre chorrilhos de insultos racistas, comecou a atirar-nos pedras (... nao, nada parecido com “brincando na serra enquanto o lobo nao vem”...)! Mas nos nao batemos em retirada, nem lhes devolvemos os insultos (... nao sabiamos como – eramos um tanto "gentias", “matumbas” e "bantus" nesse aspecto ...), mas devolvemos-lhes as pedradas... ate’ que eu lhes atirei com uma que acertou em cheio no olho de uma delas!

Bom... a miuda viu estrelas, ficou sem saber de que terra era e... ia perdendo a vista! Por outras palavras, ia ficando aveugle que nem uma cegueta!

Mas o meu pai quando chegou a casa naquele dia e ouviu o relato dos “acontecimentos”, saiu calmamente com a sua caixa de enfermagem, foi pedir desculpas aos pais dela e, durante semanas, como bom enfermeiro que (tambem) era, tratou profissionalmente do olho da miuda ate’ recupera-lo completamente.[*]

Porem, educador firme que (tambem) era, mas tambem sempre cumplice com a minha “paciencia curta” para com racismos e injusticas outras, o meu pai em nenhum momento durante todo aquele episodio, ou depois dele, me dirigiu uma palavra de repreensao... [**]

[Aqueles eram (tambem) os tempos do Milhorro’...]

Mas pergunto, agora “afectuosamente”: o que sera’ feito de ti, oh miuda?...






For many are the pleasant forms which exist in
numerous sins,
and incontinencies,
and disgraceful passions
and fleeting pleasures,

which (men) embrace until they become
sober
and go up to their resting place

And they will find me there,
and they will live
and they will not die again.
 [Toni Morrison, introduction to Paradise]
 
***



Pai,

Aparentemente, eu matei o mulato (santo) deles.
Aparentemente, eu matei o branco (alheio) deles.
Aparentemente, so’ nao te matei a ti, pai.
Nem matei Cristo.
Mas, aparentemente, Cristo pode ressuscitar e pedir:
pai afasta de mim esse calice de vinho tinto de sangue.
Tu nao podes ressuscitar, pai.
Nao podes afastar de mim essas pedras com que me lapidam em Madalena,
nem essa lama com que tentam sujar o bom nome que me deste.
Tu nao podes pai, nunca pudeste.
Por isso nao tenho arrependimentos de Madalena,
nem sentimentos de culpa,
nem complexos de colonizado, pai…
So’ revolta e uma vontade grande de ter respostas!

P.




[*] E isto lembra-me de uma vez, muitos anos depois, em que o artista fez uma feia contusao no dedo grande do pe’ e comecou a ser tratado por uma medica amiga que era vizinha dele, mas passada mais de uma semana nao se notavam nenhumas melhoras, ate’ que eu comecei a trata-lo e... em cerca de 3 dias as melhoras eram notaveis, ate’ que o dedo sarou completamente. Ele veio depois dizer-me que a medica tinha mandado perguntar qual tinha sido o “meu segredo”... Eu na altura "fiz caixinha" so' por gozo, mas revelo-o agora: anos a fio a ver o meu pai trabalhar!


[**] O que me traz a memoria um outro episodio alguns anos antes, quando ainda moravamos na Rua de Benguela [que era separada em duas pela Rua de S. Paulo: para quem viesse da Igreja do mesmo nome - onde fui baptizada e fiz a primeira comunhao e o crisma -, a nossa Rua de Benguela ficava do lado esquerdo, ou seja, no Bairro Operario, vulgo B.O. (ou seja, o SOWETO - South West Township - Luandense), e era a ultima antes da Antonio Enes que separava o B.O. do Miramar]. O meu pai trabalhava, na altura, como enfermeiro da, tambem na altura brand new, fabrica de texteis Textang num turno das 7 da manha as 3 da tarde. Entao o almoco dele era separado e colocado na mesa a sua espera. Num certo dia, o almoco era cozido de bacalhau e eu, por fome ou apenas gulodice ou vontade de comer, fui destapar o prato dele, de onde retirei apenas o ovo, comi-o e voltei a tapar o prato.

Quando o meu pai chegou e alguem lhe disse quem e’ que tinha comido o ovo dele, ele chamou-me, mandou-me sentar a mesa e ordenou-me que comesse todo o resto do prato e que bebesse ao mesmo tempo um litro de agua!

Bem, foi um verdadeiro ordeal para mim que nao tinha estomago para tudo aquilo (especialmente para as batatas enormes!) ... mas que, por entre lagrimas, comi e bebi tudo, la’ isso comi e bebi! E nao vomitei, nem nunca mais me esqueci da licao (sem qualquer outra violencia... alias, nao me lembro de alguma vez o meu pai ter levantado uma mao para me bater!) ou me atrevi a voltar a tocar no prato do pai antes de ele regressar do trabalho.... Era assim que se educavam (algumas) criancas naqueles tempos!




It is not Where you live but How you live that matters most
Maya Angelou


Era uma vez...

Corriam os anos “de todas as certezas”, entre finais da decada de 60 e principios da de 70.

Era Luanda e moravamos entao nas, na altura brand new, urbanizacoes da Cuca – na verdade, aquilo era mais Precol do que Cuca, uma vez que a separar-nos havia apenas a linha ferrea. Tratava-se, para a epoca e para aquela zona da cidade, de um moderno complexo habitacional, construido por uma das entao maiores cooperativas habitacionais do pais, com casas suficientemente amenas e condignas, todas de dois andares e varios quartos, jardim com varanda a frente e quintal atras (... invocando um pouco a imagem da “batata no cu, batata na boca” dos casorios de entao...).

Os jardins eram o espaco de todas as competicoes entre os vizinhos (to 'keep up with the joneses', como dizem os ingleses): 'quem mantinha melhor a relva', 'quem tinha as plantas mais bonitas'... Mas o meu espaco de ser, estar e crescer era o quintal, onde cultivavamos uma horta e o meu pai exercia um dos seus maiores especialismos: fertilizar mamoeiros machos!




Outros dos seus especialismos eram ouvir religiosamente o Angola Combatente num radio antigo muito parecido com o da imagem, ler bastante (foi nos livros dele que bebi as minhas primeiras “leituras serias”), fumar cachimbo (para alem dos imprescindiveis ACs) e... escrever poesia!






Um dos seus poemas que ficou mais celebre na familia, escrito em elaborada caligrafia gotica, era dedicado a sua primeira filha, a quem tinha dado o nome Elinar (embora a tenham baptizado Elisa Bernarda, nomes, respectivamente das minhas avos materna e paterna - Elinar era a combinacao dos dois) de onde lhe vem o diminutivo Nanay com que e’ geralmente conhecida ate’ hoje. Poema esse que sempre associo a balada Fur Elise de Beethoven...


E havia os vizinhos: familias negras, brancas, mesticas, cabo-verdianas (estas, geralmente, apenas se distinguiam pelo seu crioulo - que entao se referia apenas a linguagem em que comunicavam entre si...), suponho que quase todos vivendo pela primeira vez a experiencia de partilhar as mesmas ruas e ruelas, becos e vielas, maximbombos e boleias, lojas e cantinas. Enfim, andavamos todos ali a negociar as nossas respectivas identidades e a ver se (... em portugues...) nos entendiamos...

Mas os desentendimentos eram frequentes entre “nos” e os “outros”... Os “nos”, no meu caso particular, eram todo/as com quem eu me entendia e que nao me faziam chorar, ou “perder a paciencia”! Os “outros” eram... os outros! Em particular uns miudos cabo-verdianos muito mais escuros do que nos, mas que quando perdiam em algum jogo ou se saiam mal em alguma brincadeira na rua, iam a correr para casa gritando: “mama, bim ka bie’ ke esta’ faze pretito”! ... Os “pretitos” eramos nos, alguns dos quais mais claros do que eles...

“Outros” eram tambem as miudas brancas da vizinhanca. Um grupinho delas, um belo dia, por entre chorrilhos de insultos racistas, comecou a atirar-nos pedras (... nao, nada parecido com “brincando na serra enquanto o lobo nao vem”...)! Mas nos nao batemos em retirada, nem lhes devolvemos os insultos (... nao sabiamos como – eramos um tanto "gentias", “matumbas” e "bantus" nesse aspecto ...), mas devolvemos-lhes as pedradas... ate’ que eu lhes atirei com uma que acertou em cheio no olho de uma delas!

Bom... a miuda viu estrelas, ficou sem saber de que terra era e... ia perdendo a vista! Por outras palavras, ia ficando aveugle que nem uma cegueta!

Mas o meu pai quando chegou a casa naquele dia e ouviu o relato dos “acontecimentos”, saiu calmamente com a sua caixa de enfermagem, foi pedir desculpas aos pais dela e, durante semanas, como bom enfermeiro que (tambem) era, tratou profissionalmente do olho da miuda ate’ recupera-lo completamente.[*]

Porem, educador firme que (tambem) era, mas tambem sempre cumplice com a minha “paciencia curta” para com racismos e injusticas outras, o meu pai em nenhum momento durante todo aquele episodio, ou depois dele, me dirigiu uma palavra de repreensao... [**]

[Aqueles eram (tambem) os tempos do Milhorro’...]

Mas pergunto, agora “afectuosamente”: o que sera’ feito de ti, oh miuda?...






For many are the pleasant forms which exist in
numerous sins,
and incontinencies,
and disgraceful passions
and fleeting pleasures,

which (men) embrace until they become
sober
and go up to their resting place

And they will find me there,
and they will live
and they will not die again.
 [Toni Morrison, introduction to Paradise]
 
***



Pai,

Aparentemente, eu matei o mulato (santo) deles.
Aparentemente, eu matei o branco (alheio) deles.
Aparentemente, so’ nao te matei a ti, pai.
Nem matei Cristo.
Mas, aparentemente, Cristo pode ressuscitar e pedir:
pai afasta de mim esse calice de vinho tinto de sangue.
Tu nao podes ressuscitar, pai.
Nao podes afastar de mim essas pedras com que me lapidam em Madalena,
nem essa lama com que tentam sujar o bom nome que me deste.
Tu nao podes pai, nunca pudeste.
Por isso nao tenho arrependimentos de Madalena,
nem sentimentos de culpa,
nem complexos de colonizado, pai…
So’ revolta e uma vontade grande de ter respostas!

P.




[*] E isto lembra-me de uma vez, muitos anos depois, em que o artista fez uma feia contusao no dedo grande do pe’ e comecou a ser tratado por uma medica amiga que era vizinha dele, mas passada mais de uma semana nao se notavam nenhumas melhoras, ate’ que eu comecei a trata-lo e... em cerca de 3 dias as melhoras eram notaveis, ate’ que o dedo sarou completamente. Ele veio depois dizer-me que a medica tinha mandado perguntar qual tinha sido o “meu segredo”... Eu na altura "fiz caixinha" so' por gozo, mas revelo-o agora: anos a fio a ver o meu pai trabalhar!


[**] O que me traz a memoria um outro episodio alguns anos antes, quando ainda moravamos na Rua de Benguela [que era separada em duas pela Rua de S. Paulo: para quem viesse da Igreja do mesmo nome - onde fui baptizada e fiz a primeira comunhao e o crisma -, a nossa Rua de Benguela ficava do lado esquerdo, ou seja, no Bairro Operario, vulgo B.O. (ou seja, o SOWETO - South West Township - Luandense), e era a ultima antes da Antonio Enes que separava o B.O. do Miramar]. O meu pai trabalhava, na altura, como enfermeiro da, tambem na altura brand new, fabrica de texteis Textang num turno das 7 da manha as 3 da tarde. Entao o almoco dele era separado e colocado na mesa a sua espera. Num certo dia, o almoco era cozido de bacalhau e eu, por fome ou apenas gulodice ou vontade de comer, fui destapar o prato dele, de onde retirei apenas o ovo, comi-o e voltei a tapar o prato.

Quando o meu pai chegou e alguem lhe disse quem e’ que tinha comido o ovo dele, ele chamou-me, mandou-me sentar a mesa e ordenou-me que comesse todo o resto do prato e que bebesse ao mesmo tempo um litro de agua!

Bem, foi um verdadeiro ordeal para mim que nao tinha estomago para tudo aquilo (especialmente para as batatas enormes!) ... mas que, por entre lagrimas, comi e bebi tudo, la’ isso comi e bebi! E nao vomitei, nem nunca mais me esqueci da licao (sem qualquer outra violencia... alias, nao me lembro de alguma vez o meu pai ter levantado uma mao para me bater!) ou me atrevi a voltar a tocar no prato do pai antes de ele regressar do trabalho.... Era assim que se educavam (algumas) criancas naqueles tempos!


Saturday, 4 December 2010

Wednesday, 1 December 2010

UM FILME DE TERROR



[imagem daqui]


… O plot passa-se na Lua e comeca quando uma madame (por sinal, branca), ja’ de certa idade e com apelido castelhano, tentando por fim aos seus longos meses de solidao na sua alcova decide emitir uma “ordem de recrutamento” para um certo poeta errante, mais conhecido por Incrivel Svengali. Mas este, igualmente determinado a por fim aos seus proprios longos anos de solidao, responde-lhe que nao esta’ disponivel por se encontrar totalmente dedicado a sua recem-conquistada gazela

A madame, inconsolada, requisita entao ao Svengali, atraves de um certo minion, que lhe mande de encomenda urgente o seu mais proximo mestrando: um empregado de seguros que, nas horas vagas, se dedica ao oficio de 'pintor auto-didacta' e drug dealer. E se assim o requisitou, assim o obteve.

Mas, nao satisfeita com a aquisicao de um “second best”, a madame continua a sua caca pelo fruto, por si e por muitas outras intelectualoides e belles de jour locais, mais desejado: o Incrivel Svengali… Vai dai, um belo dia (ou melhor, uma bela noite…), o poeta errante e a gazela vao a caminho de casa vindos de uma festa, em que a gazela, unica negra presente – como sempre o era em todos os circulos que com ele frequentava (excepto quando ela o levava a alguns dos seus proprios circulos, como quando foram comer um funge de domingo a casa do seu tio-padrinho Pepe', a quem o poeta errante chamava tio Fefe'...) –, exalta animos (tanto bons, como perversos e maquiavelicos…) com as suas longas trancas africanas enfeitadas de missangas e a sua veste de cetim preto sobre o seu corpo juvenil… Eis entao que, sem saberem de onde, como, ou porque, sao “barrados”, ja’ bem perto de casa, por um carro conduzido por um certo mundele de apelido “Maluco”, que tras a seu lado a madame e no banco de tras dois outros esbirros

Bom, o que se seguiu foi pura e simplesmente para esquecer (… filme de terror, remember? ...), excepto que o poeta errante e a gazela foram salvos in extremis do 'holocausto' por um (k)night rider numa potente mota (Harley Davidson?) que, por acaso, morava no predio ao lado do deles…

Porem, mais anos passados, a madame ainda mais inconsolada com o desafecto do seu “second best” – que entretanto bazara para as meloias, onde se tornaria porteiro de uma galeria de arte ou coisa parecida – consegue contratar para os seus servicos, mais uma vez atraves do Incrivel Svengali, um outro mestrando deste, dessa vez negro, que se tornaria especialista em poemarios… e o resto… e’ historia!

Mas a gazela… essa, embora completamente refeita de todos os filmes de terror do Incrivel Svengali – para o que contou com o apoio de um certo artista , este entretanto "chamado a razao" perante o terror de perder a sua dama por causa da sua vida airada, vida essa em que era incentivado por essas mesmas madames e belles de jour locais mais alguns de seus esbirros agora metidos a campeoes dos "valores e principios"...–, continua, cerca de tres decadas depois, a tentar reconstituir o plot, porque lhe foram dadas dicas de que ele tera’ comecado verdadeiramente na festa de onde vinham naquela noite e em que tambem pontificava uma outra madame de quem por aqui se fala…

Filme de Terror… She said!



ADENDA



Ha', no entanto, duas palavras a dizer em favor tanto do poeta errante, como do artista:

(Paz as Suas Almas!)

- Varios anos depois desses "filmes" se terem passado, o artista levou a sua dama ao bar 'a esquina da sua galeria, frequentado por alguns literatti da praca, onde encontraram o poeta errante, tendo a dada altura colocado os bracos a volta deste e da dama, dizendo: "vamos la' fazer as pazes, eu gosto muito e tenho respeito por voces os dois..." (note-se que isso foi muito depois de uma certa "peleja publica", numa certa noite em que, by the way, tambem estava presente esta outra madame e durante a qual o poeta errante apenas gritava: "eu sempre respeitei a Paulinha!"...). De notar, apenas de passagem, que tambem la' se encontrava o mais velho escritor Raul David que dirigiu esta fala a dama: "sim senhora, uma mulher muito bem educada e que sabe estar"!

- Anos mais tarde ainda, o poeta errante e a gazela encontraram-se depois de varios anos sem se verem e ele falou-lhe um pouco da sua vida tendo-lhe dito que estava num relacionamento aparentemente duradouro, acrescentando: "olhe (sempre se haviam tratado por voce) consegui encontrar alguem com paciencia para me aturar... como a Paulinha deve imaginar, o merito nao e' meu..."!




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Uma Licao Sobre Psychos, Minions, Kabungados & Suas Damas



[imagem daqui]


… O plot passa-se na Lua e comeca quando uma madame (por sinal, branca), ja’ de certa idade e com apelido castelhano, tentando por fim aos seus longos meses de solidao na sua alcova decide emitir uma “ordem de recrutamento” para um certo poeta errante, mais conhecido por Incrivel Svengali. Mas este, igualmente determinado a por fim aos seus proprios longos anos de solidao, responde-lhe que nao esta’ disponivel por se encontrar totalmente dedicado a sua recem-conquistada gazela

A madame, inconsolada, requisita entao ao Svengali, atraves de um certo minion, que lhe mande de encomenda urgente o seu mais proximo mestrando: um empregado de seguros que, nas horas vagas, se dedica ao oficio de 'pintor auto-didacta' e drug dealer. E se assim o requisitou, assim o obteve.

Mas, nao satisfeita com a aquisicao de um “second best”, a madame continua a sua caca pelo fruto, por si e por muitas outras intelectualoides e belles de jour locais, mais desejado: o Incrivel Svengali… Vai dai, um belo dia (ou melhor, uma bela noite…), o poeta errante e a gazela vao a caminho de casa vindos de uma festa, em que a gazela, unica negra presente – como sempre o era em todos os circulos que com ele frequentava (excepto quando ela o levava a alguns dos seus proprios circulos, como quando foram comer um funge de domingo a casa do seu tio-padrinho Pepe', a quem o poeta errante chamava tio Fefe'...) –, exalta animos (tanto bons, como perversos e maquiavelicos…) com as suas longas trancas africanas enfeitadas de missangas e a sua veste de cetim preto sobre o seu corpo juvenil… Eis entao que, sem saberem de onde, como, ou porque, sao “barrados”, ja’ bem perto de casa, por um carro conduzido por um certo mundele de apelido “Maluco”, que tras a seu lado a madame e no banco de tras dois outros esbirros

Bom, o que se seguiu foi pura e simplesmente para esquecer (… filme de terror, remember? ...), excepto que o poeta errante e a gazela foram salvos in extremis do 'holocausto' por um (k)night rider numa potente mota (Harley Davidson?) que, por acaso, morava no predio ao lado do deles…

Porem, mais anos passados, a madame ainda mais inconsolada com o desafecto do seu “second best” – que entretanto bazara para as meloias, onde se tornaria porteiro de uma galeria de arte ou coisa parecida – consegue contratar para os seus servicos, mais uma vez atraves do Incrivel Svengali, um outro mestrando deste, dessa vez negro, que se tornaria especialista em poemarios… e o resto… e’ historia!

Mas a gazela… essa, embora completamente refeita de todos os filmes de terror do Incrivel Svengali – para o que contou com o apoio de um certo artista , este entretanto "chamado a razao" perante o terror de perder a sua dama por causa da sua vida airada, vida essa em que era incentivado por essas mesmas madames e belles de jour locais mais alguns de seus esbirros agora metidos a campeoes dos "valores e principios"...–, continua, cerca de tres decadas depois, a tentar reconstituir o plot, porque lhe foram dadas dicas de que ele tera’ comecado verdadeiramente na festa de onde vinham naquela noite e em que tambem pontificava uma outra madame de quem por aqui se fala…

Filme de Terror… She said!



ADENDA



Ha', no entanto, duas palavras a dizer em favor tanto do poeta errante, como do artista:

(Paz as Suas Almas!)

- Varios anos depois desses "filmes" se terem passado, o artista levou a sua dama ao bar 'a esquina da sua galeria, frequentado por alguns literatti da praca, onde encontraram o poeta errante, tendo a dada altura colocado os bracos a volta deste e da dama, dizendo: "vamos la' fazer as pazes, eu gosto muito e tenho respeito por voces os dois..." (note-se que isso foi muito depois de uma certa "peleja publica", numa certa noite em que, by the way, tambem estava presente esta outra madame e durante a qual o poeta errante apenas gritava: "eu sempre respeitei a Paulinha!"...). De notar, apenas de passagem, que tambem la' se encontrava o mais velho escritor Raul David que dirigiu esta fala a dama: "sim senhora, uma mulher muito bem educada e que sabe estar"!

- Anos mais tarde ainda, o poeta errante e a gazela encontraram-se depois de varios anos sem se verem e ele falou-lhe um pouco da sua vida tendo-lhe dito que estava num relacionamento aparentemente duradouro, acrescentando: "olhe (sempre se haviam tratado por voce) consegui encontrar alguem com paciencia para me aturar... como a Paulinha deve imaginar, o merito nao e' meu..."!




Post relacionado:


Uma Licao Sobre Psychos, Minions, Kabungados & Suas Damas

Sunday, 6 December 2009

MIGUEL PETCHKOVSKY

Uma daquelas pessoas que subitamente perdemos completamente de vista.
De vez em quando perguntamo-nos “que sera’ feito?”, “o que lhe tera’ acontecido?”, “por onde andara’?”…
Ao longo dos anos, por vezes parece-nos reconhecer as suas feicoes no rosto de um qualquer desconhecido, mas acabamos por nos resignar a sua “perca (perda?) de vista”.
Ate’ que um belo dia, por mero acaso, deparamo-nos com o seu nome numa website
Nao tinhamos bem a certeza de como se escrevia exactamente o seu sobrenome, mas 'soa-nos' muito proximo do que nos lembramos, e do nome nao temos duvidas.
Clikamos no link e 'damos de caras' com a foto… Sim, apesar do cabelo grisalho e o ar “mais velho”, reconhecemo-lo.


E’ mesmo ele. Esta’ vivo, esta’ no mundo!

E pelo que lemos e vemos no seu cv e portfolio, tem tido uma brilhante carreira artistica e profissional!

And he gets motivation from Walter Benjamin: "don't build on good old days but the bad new ones"...

Depois de cerca de 25 anos (um quarto de seculo!), ha’ cerca de 3 dias finalmente reencontramo-lo aqui!
Uma daquelas pessoas que subitamente perdemos completamente de vista.
De vez em quando perguntamo-nos “que sera’ feito?”, “o que lhe tera’ acontecido?”, “por onde andara’?”…
Ao longo dos anos, por vezes parece-nos reconhecer as suas feicoes no rosto de um qualquer desconhecido, mas acabamos por nos resignar a sua “perca (perda?) de vista”.
Ate’ que um belo dia, por mero acaso, deparamo-nos com o seu nome numa website
Nao tinhamos bem a certeza de como se escrevia exactamente o seu sobrenome, mas 'soa-nos' muito proximo do que nos lembramos, e do nome nao temos duvidas.
Clikamos no link e 'damos de caras' com a foto… Sim, apesar do cabelo grisalho e o ar “mais velho”, reconhecemo-lo.


E’ mesmo ele. Esta’ vivo, esta’ no mundo!

E pelo que lemos e vemos no seu cv e portfolio, tem tido uma brilhante carreira artistica e profissional!

And he gets motivation from Walter Benjamin: "don't build on good old days but the bad new ones"...

Depois de cerca de 25 anos (um quarto de seculo!), ha’ cerca de 3 dias finalmente reencontramo-lo aqui!

Saturday, 28 November 2009

“ RESTITUIÇÕES BANTU, VERSÕES ESCANDINAVAS “ (R)*

A PROPÓSITO DA EXPOSIÇÃO (NA GALERIA CELAMAR - ILHA DE LUANDA) DE "SONA, DESENHOS NA AREIA & ESCULTURA DE KIANA"

Por Simão SOUINDOULA
Historiador e Crítico de Arte Angolano

A presente exposição é organizada na sequência das pesquisas que resultaram na publicação da obra “ Sona, Desenhos na areia “ de Unni Skogen e Sonja Skaug e do concurso de artes plásticas, organizado em 2005, do qual derivou um magnífico calendário para 2006; tendo o conjunto desses programas beneficiado do apoio da empresa petrolífera Norueguesa Hydro, por ocasião da celebração do seu centenário. Ela reagrupa, num duo feminino inesperado, as obras de uma das autoras do livro, a Escandinava Skaug e uma das laureadas do concurso, a Bantu Kiana.

Essas duas mãos hábeis recriam, naturalmente, uma e outra, as tradições Angolanas através da geométrica expressão dos famosos pictogramas do nordeste de Angola e exploram igualmente outros temas ligados a natureza, sob outras escritas plásticas.

Este encontro, ilustração do são diálogo que deve ser estabelecido entre as culturas do mundo, é, portanto, caracterizado por uma dupla complementaridade, temática, mas também, técnica. Com efeito, a artista vinda do norte da Europa propõe os seus desenhos e pinturas sobre porcelana enquanto Kiana apresenta as suas surpreendentes esculturas em cimento branco, usando como única tela de fundo as ricas tradições culturais Angolanas.

Reunidas na ilha das sereias, verdadeiras Deusas protectoras da terra dos Axiluanda, cidade das corajosas “kitandeiras “, das pacientes “ kinguilas “ e das tenazes “ zungueiras “, as obras desses dois talentos, provindos de espaços geográficamente tão distantes, contribuirão, sem dúvida, para uma evolução não marginal e identificável da arte contemporânea Angolana e para o reforço, neste domínio, da promoção do conceito de género.

(Os meus agradecimentos a Simão Souindoula por me ter enviado este texto sobre um exemplo tão eloquente de genuína partilha cultural e uma das últimas edições do 'Tantã Cultural', de onde a fotografia foi retirada)


*[First posted 03/03/07]


Post Relacionado:

"Sona, Desenhos na Areia"

"Claude Levi-Strauss Revisitado"

A PROPÓSITO DA EXPOSIÇÃO (NA GALERIA CELAMAR - ILHA DE LUANDA) DE "SONA, DESENHOS NA AREIA & ESCULTURA DE KIANA"

Por Simão SOUINDOULA
Historiador e Crítico de Arte Angolano

A presente exposição é organizada na sequência das pesquisas que resultaram na publicação da obra “ Sona, Desenhos na areia “ de Unni Skogen e Sonja Skaug e do concurso de artes plásticas, organizado em 2005, do qual derivou um magnífico calendário para 2006; tendo o conjunto desses programas beneficiado do apoio da empresa petrolífera Norueguesa Hydro, por ocasião da celebração do seu centenário. Ela reagrupa, num duo feminino inesperado, as obras de uma das autoras do livro, a Escandinava Skaug e uma das laureadas do concurso, a Bantu Kiana.

Essas duas mãos hábeis recriam, naturalmente, uma e outra, as tradições Angolanas através da geométrica expressão dos famosos pictogramas do nordeste de Angola e exploram igualmente outros temas ligados a natureza, sob outras escritas plásticas.

Este encontro, ilustração do são diálogo que deve ser estabelecido entre as culturas do mundo, é, portanto, caracterizado por uma dupla complementaridade, temática, mas também, técnica. Com efeito, a artista vinda do norte da Europa propõe os seus desenhos e pinturas sobre porcelana enquanto Kiana apresenta as suas surpreendentes esculturas em cimento branco, usando como única tela de fundo as ricas tradições culturais Angolanas.

Reunidas na ilha das sereias, verdadeiras Deusas protectoras da terra dos Axiluanda, cidade das corajosas “kitandeiras “, das pacientes “ kinguilas “ e das tenazes “ zungueiras “, as obras desses dois talentos, provindos de espaços geográficamente tão distantes, contribuirão, sem dúvida, para uma evolução não marginal e identificável da arte contemporânea Angolana e para o reforço, neste domínio, da promoção do conceito de género.

(Os meus agradecimentos a Simão Souindoula por me ter enviado este texto sobre um exemplo tão eloquente de genuína partilha cultural e uma das últimas edições do 'Tantã Cultural', de onde a fotografia foi retirada)


*[First posted 03/03/07]


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Monday, 15 June 2009

LUANDANDO (X)


Humbiumbi


&


Arredores


Humbiumbi


&


Arredores

Thursday, 21 May 2009

LUANDANDO (IX)

NANDO'S: A (UN)SUCCESSFUL BRAND IN ANGOLA

I grew up thinking that our Angolan flame-grilled chiken or, more precisely, o nosso churrasco, was something ‘very ours’ – we had invented it, no one else in the world had ever even thought about it!


Well, that was until I found Nando’s for the first time in Botswana, some years ago... then in South Africa... then in London. Then I started hearing about the brand’s success wherever it opened and particularly in African countries. So, I started wondering - especially looking at the majority of Nando's clientele either in Africa or Europe - whether this thing with our churrasco was that ‘very ours’ after all, coz it looked more like a ‘very black ting’ all over the world!


And even though, to my taste, Nando’s flavours all considered didn’t beat our very own Angolan churrasco, I was still convinced that, given a chance, it could be a big hit in Angola – after all the brand is all built around Portuguese mystique, themes and flavours.
But... surprise, surprise... it opened in the heart of Luanda and closed down soon afterwards! And with it went its South African sister brand Steers. Lack of interest from the locals, I was told. More than that: an affront to our very own churrasco! And so, it closed down.


The only other place where I know Nando’s didn’t stand a chance is the most European of South African towns: Stellenbosch. Equally for lack of interest from the locals, albeit for different reasons: apparently it was ‘too black a thing’ to exist in Stellenbosch. And so, it didn’t even ever open there!

But what you really might like to know about Nando’s today is this:

After the ANC Youth League threatened "militant action" against the chicken outlet for making the youth leader appear mathematically challenged, guess who the government hired to feed the masses at President Jacob Zuma's inauguration?

About 32 000 portions of idla nathi -- a Nando's quarter chicken, chips, roll and a cooldrink -- were distributed to amazed citizens who had assembled at the foot of Union Buildings to cheer the new prez on his big day.

NANDO'S: A (UN)SUCCESSFUL BRAND IN ANGOLA

I grew up thinking that our Angolan flame-grilled chiken or, more precisely, o nosso churrasco, was something ‘very ours’ – we had invented it, no one else in the world had ever even thought about it!


Well, that was until I found Nando’s for the first time in Botswana, some years ago... then in South Africa... then in London. Then I started hearing about the brand’s success wherever it opened and particularly in African countries. So, I started wondering - especially looking at the majority of Nando's clientele either in Africa or Europe - whether this thing with our churrasco was that ‘very ours’ after all, coz it looked more like a ‘very black ting’ all over the world!


And even though, to my taste, Nando’s flavours all considered didn’t beat our very own Angolan churrasco, I was still convinced that, given a chance, it could be a big hit in Angola – after all the brand is all built around Portuguese mystique, themes and flavours.
But... surprise, surprise... it opened in the heart of Luanda and closed down soon afterwards! And with it went its South African sister brand Steers. Lack of interest from the locals, I was told. More than that: an affront to our very own churrasco! And so, it closed down.


The only other place where I know Nando’s didn’t stand a chance is the most European of South African towns: Stellenbosch. Equally for lack of interest from the locals, albeit for different reasons: apparently it was ‘too black a thing’ to exist in Stellenbosch. And so, it didn’t even ever open there!

But what you really might like to know about Nando’s today is this:

After the ANC Youth League threatened "militant action" against the chicken outlet for making the youth leader appear mathematically challenged, guess who the government hired to feed the masses at President Jacob Zuma's inauguration?

About 32 000 portions of idla nathi -- a Nando's quarter chicken, chips, roll and a cooldrink -- were distributed to amazed citizens who had assembled at the foot of Union Buildings to cheer the new prez on his big day.

Friday, 8 May 2009

LUANDANDO (VIII)

VIAS DE EXTINCAO


OU

VIAS EXTINTAS

Luanda, Marco, 2009

Monday, 4 May 2009