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Thursday, 17 May 2012

Sobre o Movimento Estudantil (IV)


 [Salvador Correia/Mutu ya Kevela durante o ME: Nesta foto pode ver-se o Buca - primeiro de pe' do lado esquerdo e o Tirso, estudante da Escola Industrial - terceiro depois do Buca]*


"O Salvador Correia tornou‐se sede de convívio e dos plenários de Luanda. “(…) Os estudantes começaram a despertar para a vida associativa (…) em assembleias muito participadas, com muito entusiasmo (…). Vivia‐se um espaço de democracia pautada pelos intervenientes. Começou a esbater‐se a separação entre liceus e escolas comerciais e industriais. Foi um passo importante para acabar com a discriminação económica e social. E alguns começaram a participar. Por esta altura ou um pouco mais tarde começou a ser visível a africanização da sociedade angolana. Nesse sentido, a Pró‐AEESL decidiu substituir os nomes portugueses dos estabelecimentos de ensino por outros da História de Angola. Assim, o Liceu D. Guiomar de Lencastre, ou Liceu Feminino, passou a chamar‐se N’Zinga M’Bandi, o Liceu Salvador Correia ficou Mutu Ya Kevela, o Liceu Paulo Dias de Novais designou‐se por N’Gola Kiluanji, a Escola Industrial transformou‐se em Bula Matadi e a Comercial Vicente Ferreira ficou 1º de Maio."
[Entrevista a Timóteo Macedo]


[Liceu D. Guiomar de Lencastre/Nzinga Mbandi: novamente o Tirso, no centro, tendo ao seu lado e a sua frente as manas filhas da cantora Lily Tchiumba - com uma delas, a Paula, viria a partilhar algumas aventuras anos depois no eixo Lubango/Namibe; encostada ao pilar a Arlete Bolonhes - ela foi, comigo, uma das duas que representamos as alunas durante algum tempo no Conselho Directivo do Liceu; encontramo-nos nos ultimos anos na Africa do Sul, onde ela reside, tendo uma das ocasioes sido 'reportada' aqui - ela esta' em conversa comigo no canto inferior esquerdo da composicao fotografica]*


“(…) Escolhi o nome de uma rainha angolana. Tinha de ser mulher, a rainha N’Zinga M’Bandi que se tinha distinguido. Eu e outras alunas fomos à fachada do liceu para tentarmos arrancar as letras, mas eram num metal pesado, foi impossível. Depois mudaram e ficou N’Zinga M’Bandi (…)”.

[Entrevista a Maria Adelina Batista]


[foto: Buca Boavida, 1996]

COMENTARIO: Quem "deu" o nome Nzinga Mbandi ao "meu liceu"? Nao creio que tenha sido uma so' pessoa em particular. Mas ainda que assim o tenha sido, o importante naquela altura era nao so' "(re)nomea-lo" mas "faze-lo" Nzinga Mbandi. E quem melhor do que as "meninas de origem Africana" aqui referidas para o fazer? Como aqui afirmei: "O Liceu Feminino Produziu tanto Meninas Guiomares de Lencastres, protegidas na Sala das Professoras… Como Mulheres desprotegidas na Cerca, que o fizeram Nzinga Mbandi"... Porque nao, nao somos, nunca fomos "todas iguais"!

E fizemo-lo (e aqui nao posso deixar de fazer uma mencao especial 'a Mila') em varias frentes: organizando as nossas varias reunioes e RGAs, participando no Conselho Directivo, organizando e participando em actividades politico-culturais e desportivas, fazendo os nossos jornais murais, comecando a cultivar lavras de legumes no quintal traseiro do liceu,
 participando nas campanhas de producao e de alfabetizacao, etc., etc., etc....

Mas, acima de tudo, ficamos la' para o que desse e viesse (... no meu caso mesmo depois de a minha familia mais proxima ter tambem "bazado" para Portugal por razoes ponderosas!...) e, ao contrario do que ja' fui cavilosamente acusada de "nao ter sido capaz de fazer" por uma certa vulta de triste memoria, AGUENTAMOS A (nossa) DIPANDA e, pelo menos no meu caso, AGUENTAMOS ESTOICAMENTE TODAS AS INTEMPERIES DA 'UGGLY AFRIKA'!...


Et pourtant...

 Eramos da "Mocidade Portuguesa"!!!...


*[fotos propriedade da autora deste blog]


 [Salvador Correia/Mutu ya Kevela durante o ME: Nesta foto pode ver-se o Buca - primeiro de pe' do lado esquerdo e o Tirso, estudante da Escola Industrial - terceiro depois do Buca]*


"O Salvador Correia tornou‐se sede de convívio e dos plenários de Luanda. “(…) Os estudantes começaram a despertar para a vida associativa (…) em assembleias muito participadas, com muito entusiasmo (…). Vivia‐se um espaço de democracia pautada pelos intervenientes. Começou a esbater‐se a separação entre liceus e escolas comerciais e industriais. Foi um passo importante para acabar com a discriminação económica e social. E alguns começaram a participar. Por esta altura ou um pouco mais tarde começou a ser visível a africanização da sociedade angolana. Nesse sentido, a Pró‐AEESL decidiu substituir os nomes portugueses dos estabelecimentos de ensino por outros da História de Angola. Assim, o Liceu D. Guiomar de Lencastre, ou Liceu Feminino, passou a chamar‐se N’Zinga M’Bandi, o Liceu Salvador Correia ficou Mutu Ya Kevela, o Liceu Paulo Dias de Novais designou‐se por N’Gola Kiluanji, a Escola Industrial transformou‐se em Bula Matadi e a Comercial Vicente Ferreira ficou 1º de Maio."
[Entrevista a Timóteo Macedo]


[Liceu D. Guiomar de Lencastre/Nzinga Mbandi: novamente o Tirso, no centro, tendo ao seu lado e a sua frente as manas filhas da cantora Lily Tchiumba - com uma delas, a Paula, viria a partilhar algumas aventuras anos depois no eixo Lubango/Namibe; encostada ao pilar a Arlete Bolonhes - ela foi, comigo, uma das duas que representamos as alunas durante algum tempo no Conselho Directivo do Liceu; encontramo-nos nos ultimos anos na Africa do Sul, onde ela reside, tendo uma das ocasioes sido 'reportada' aqui - ela esta' em conversa comigo no canto inferior esquerdo da composicao fotografica]*


“(…) Escolhi o nome de uma rainha angolana. Tinha de ser mulher, a rainha N’Zinga M’Bandi que se tinha distinguido. Eu e outras alunas fomos à fachada do liceu para tentarmos arrancar as letras, mas eram num metal pesado, foi impossível. Depois mudaram e ficou N’Zinga M’Bandi (…)”.

[Entrevista a Maria Adelina Batista]


[foto: Buca Boavida, 1996]

COMENTARIO: Quem "deu" o nome Nzinga Mbandi ao "meu liceu"? Nao creio que tenha sido uma so' pessoa em particular. Mas ainda que assim o tenha sido, o importante naquela altura era nao so' "(re)nomea-lo" mas "faze-lo" Nzinga Mbandi. E quem melhor do que as "meninas de origem Africana" aqui referidas para o fazer? Como aqui afirmei: "O Liceu Feminino Produziu tanto Meninas Guiomares de Lencastres, protegidas na Sala das Professoras… Como Mulheres desprotegidas na Cerca, que o fizeram Nzinga Mbandi"... Porque nao, nao somos, nunca fomos "todas iguais"!

E fizemo-lo (e aqui nao posso deixar de fazer uma mencao especial 'a Mila') em varias frentes: organizando as nossas varias reunioes e RGAs, participando no Conselho Directivo, organizando e participando em actividades politico-culturais e desportivas, fazendo os nossos jornais murais, comecando a cultivar lavras de legumes no quintal traseiro do liceu,
 participando nas campanhas de producao e de alfabetizacao, etc., etc., etc....

Mas, acima de tudo, ficamos la' para o que desse e viesse (... no meu caso mesmo depois de a minha familia mais proxima ter tambem "bazado" para Portugal por razoes ponderosas!...) e, ao contrario do que ja' fui cavilosamente acusada de "nao ter sido capaz de fazer" por uma certa vulta de triste memoria, AGUENTAMOS A (nossa) DIPANDA e, pelo menos no meu caso, AGUENTAMOS ESTOICAMENTE TODAS AS INTEMPERIES DA 'UGGLY AFRIKA'!...


Et pourtant...

 Eramos da "Mocidade Portuguesa"!!!...


*[fotos propriedade da autora deste blog]

Thursday, 11 March 2010

Kinaxixi e seus amores

Entre a "Feira" da Maria da Fonte...

Uma mulher do Norte chegou ali. Vinha fazer uma guerra de armas de repetição e
carros de bois. Chamava-se Maria da Fonte (uma das sete, dizia-se) e montou ali
o seu kilombo. Kinaxixi meu amor falou, Kinaxixi Kiami aprendeu.
Um dia, olhou para trás e virou estátua, não de sal como a mulher da outra história (de amor, salvação, caminho de luz, fogo e cadela Minerva, a que morreu de
seus próprios partos), mas estátua de mármore, mulher e todos os membros do
kilombo mais as armas e peças de artilharia, tornados pedras no meio do
Kinaxixi, que é como quem diz no meio dos nossos corações e da cidade. Alguns
anos mais tarde, trezentas cargas de nitroglicerina transformaram o kilombo em
pedaços de pedra muito pequeninos. No chão nasceu erva de arranca pedras e chá,
outras histórias para contar.

Ana Paula Tavares, extracto
de "Kinaxixi, meu amor", in A Cabeça de Salomé - Editorial Nzila,
Luanda, 2004


...e o "Kilombo" da Nzinga Mbandi


Onde nao houve cargas de nitroglicerina - bastaram os pedacos de pedra muito pequeninos para fazerem a estatua virar sal de "mbakar" uteros e chao: nem partos de cadelas, nem gemidos de carros de bois (as armas de repeticao, essas ja' haviam sido caladas pela 'Maria do Blindado'); nem erva de arranca pedras, nem cha'... so' o vacuo, o nada e outras historias do meio do nosso coracao e da cidade para nao contar - Kinaxixi Kiami.
[Mas o olho d'agua da Kianda, esse continua la'...]


Obs.: Soube pelo amigo Augusto Nascimento, que a ela assistiu, da defesa de tese de doutoramento, no inicio desta semana em Lisboa, da Paula Tavares (de quem, ha' alguns meses, depois de muitos anos sem qualquer contacto, recebi uma bonita mensagem entitulada "Amizade", a que se seguiu uma interessante mutua "redescoberta": sobre este blog, nossas vidas, paradeiros, anseios, filhos, futuros...) - para ela os meus sinceros parabens!
Uma mulher do Norte chegou ali. Vinha fazer uma guerra de armas de repetição e
carros de bois. Chamava-se Maria da Fonte (uma das sete, dizia-se) e montou ali
o seu kilombo. Kinaxixi meu amor falou, Kinaxixi Kiami aprendeu.
Um dia, olhou para trás e virou estátua, não de sal como a mulher da outra história (de amor, salvação, caminho de luz, fogo e cadela Minerva, a que morreu de
seus próprios partos), mas estátua de mármore, mulher e todos os membros do
kilombo mais as armas e peças de artilharia, tornados pedras no meio do
Kinaxixi, que é como quem diz no meio dos nossos corações e da cidade. Alguns
anos mais tarde, trezentas cargas de nitroglicerina transformaram o kilombo em
pedaços de pedra muito pequeninos. No chão nasceu erva de arranca pedras e chá,
outras histórias para contar.

Ana Paula Tavares, extracto
de "Kinaxixi, meu amor", in A Cabeça de Salomé - Editorial Nzila,
Luanda, 2004


...e o "Kilombo" da Nzinga Mbandi


Onde nao houve cargas de nitroglicerina - bastaram os pedacos de pedra muito pequeninos para fazerem a estatua virar sal de "mbakar" uteros e chao: nem partos de cadelas, nem gemidos de carros de bois (as armas de repeticao, essas ja' haviam sido caladas pela 'Maria do Blindado'); nem erva de arranca pedras, nem cha'... so' o vacuo, o nada e outras historias do meio do nosso coracao e da cidade para nao contar - Kinaxixi Kiami.
[Mas o olho d'agua da Kianda, esse continua la'...]


Obs.: Soube pelo amigo Augusto Nascimento, que a ela assistiu, da defesa de tese de doutoramento, no inicio desta semana em Lisboa, da Paula Tavares (de quem, ha' alguns meses, depois de muitos anos sem qualquer contacto, recebi uma bonita mensagem entitulada "Amizade", a que se seguiu uma interessante mutua "redescoberta": sobre este blog, nossas vidas, paradeiros, anseios, filhos, futuros...) - para ela os meus sinceros parabens!

Tuesday, 9 March 2010

"Noticias do meu pais"...

Ha' ja' algum tempo que nao visitava o site de "O Pais", pelo que quando, em resultado de uma mensagem com sugestoes de leitura que recebi da minha mama Xiboa, a ele voltei para ler esta entrevista da Ministra da Cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva, fi-lo com um misto de apreensao e curiosidade...

Esta ultima, levou-me a le-la com a facilidade e conforto de quem nao esta' propriamente a tomar conhecimento de "grandes novidades" sobre os temas abordados - particularmente no que 'a historia de Mulheres Angolanas como Nzinga Mbandi ou Kimpa Vita diz respeito, embora nao possa ter deixado de me interrogar sobre o porque de nenhum dos especialistas por ela mencionados (alguns dos quais tambem por mim aqui referidos) ter estado presente no recente Coloquio Internacional sobre a primeira...

Quanto a apreensao, impoe-se-me referir aqui (um pouco a 'contra regra', mas justificadamente) que, tanto entrevistada como entrevistador, sao pessoas que conheci pessoalmente em circunstancias muito distintas (e distantes) das que ora se nos apresentam, mas que "as voltas que a vida da'", especialmente em Angola, me aconselham ("nao va' o diabo tece-las"...) a tratar com algum distanciamento (no primeiro caso, por razoes obvias, 'devido'; no segundo, nao tanto, mas ainda assim...)- quanto mais nao seja porque eles estao "dentro" e eu estou "fora"...

Bom, tudo isso para dizer algo tao simples como isto: sim, gostei de ler; gostei de saber de algumas curiosidades que desconhecia, mas... gostei menos de, entre outros assuntos supostamente "pertinentes" e do interesse publico, nao ver abordada a "maka do ultimo PNC em Literatura", ou onde para, finalmente, a estatua da Rainha Nzinga e porque?!

Sera' a isso que se referem alguns analistas, tambem "de dentro", quando falam de "uma unica forma de ver o pais" e de "um jornalismo light, pro-governamental"?

Fica a pergunta.
Ha' ja' algum tempo que nao visitava o site de "O Pais", pelo que quando, em resultado de uma mensagem com sugestoes de leitura que recebi da minha mama Xiboa, a ele voltei para ler esta entrevista da Ministra da Cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva, fi-lo com um misto de apreensao e curiosidade...

Esta ultima, levou-me a le-la com a facilidade e conforto de quem nao esta' propriamente a tomar conhecimento de "grandes novidades" sobre os temas abordados - particularmente no que 'a historia de Mulheres Angolanas como Nzinga Mbandi ou Kimpa Vita diz respeito, embora nao possa ter deixado de me interrogar sobre o porque de nenhum dos especialistas por ela mencionados (alguns dos quais tambem por mim aqui referidos) ter estado presente no recente Coloquio Internacional sobre a primeira...

Quanto a apreensao, impoe-se-me referir aqui (um pouco a 'contra regra', mas justificadamente) que, tanto entrevistada como entrevistador, sao pessoas que conheci pessoalmente em circunstancias muito distintas (e distantes) das que ora se nos apresentam, mas que "as voltas que a vida da'", especialmente em Angola, me aconselham ("nao va' o diabo tece-las"...) a tratar com algum distanciamento (no primeiro caso, por razoes obvias, 'devido'; no segundo, nao tanto, mas ainda assim...)- quanto mais nao seja porque eles estao "dentro" e eu estou "fora"...

Bom, tudo isso para dizer algo tao simples como isto: sim, gostei de ler; gostei de saber de algumas curiosidades que desconhecia, mas... gostei menos de, entre outros assuntos supostamente "pertinentes" e do interesse publico, nao ver abordada a "maka do ultimo PNC em Literatura", ou onde para, finalmente, a estatua da Rainha Nzinga e porque?!

Sera' a isso que se referem alguns analistas, tambem "de dentro", quando falam de "uma unica forma de ver o pais" e de "um jornalismo light, pro-governamental"?

Fica a pergunta.

Monday, 1 March 2010

Porque que "todo o mundo"...*

Hao-de desculpar-me comecar assim este "Marco Mulher"
(nao e', nem nunca foi, bem o meu estilo), mas...


Um Colóquio Internacional sobre “Nzinga Mbandi: heróica figura da resistência
angolana” vai realizar-se dias 2 e 3 de Março em Itália, numa iniciativa da
embaixada de Angola naquele país europeu, em saudação à jornada “Março Mulher”.

O colóquio tem como objectivo promover, em referência ao contexto
político-cultural do século XVII, uma reflexão sobre a dimensão histórica da
Rainha Nzinga Mbandi, a sua relação com o Padre Cavazzi da Montecuccolo,
missionário católico no Reino da Matamba, biógrafo e cronista dos feitos da
rainha e evidenciar as modernas contribuições culturais sobre o tema, a partir
dos mais diversos depoimentos e estudos que vão aparecendo, incluindo o romance histórico “Nzinga Mbandi" de Manuel Pedro Pacavira (Luanda, 1977).

Organizado em colaboração com o historiador Simão Souindoula,
vice-presidente do Comité Científico do Projecto Internacional da UNESCO “A Rota dos Escravos” e das associações de trabalhadores e estudantes angolanos
residentes em Itália, o colóquio internacional será aberto pelo vice-ministro da
Cultura, Cornélio Calei, seguido de intervenções sobre o simpósio por Pedro
Pacavira, embaixador da República de Angola em Itália, e Simão Souindoula,
vice-presidente do Comité Científico Internacional do Projecto “A Rota do
Escravo”.

Na primeira sessão de trabalhos do colóquio subordinada ao
tema “Rainha Nzinga Mbandi – Mãe, Guerrilheira e Heroína de resistência”, serão
apresentadas as comunicações “Revisitando a Rainha Nzinga Mbandi:
Historiografias e Identidades”, por Selma Pantoja (Universidade de Brasília,
Brasil); “Zingha, Reine d’Angola. Histoire Africaine de Jean Louis Castilhon
(1769)”, por Patrick Graile (Universidade de Vassor-Wesleyan Paris, França), e
“Rainha Nzinga, uma figura histórica particular”, por Sylvia Serbin (escritora
francesa).

Os temas “Reflexões linguísticas na “Storica, Descrizione d'e
tre regni, Congo, Matamba e Ngola” de Giovanni Antonio Cavazzi, por Maria Grazia Russo (Universidade de Viterbo, Itália); “Cavazzi, Conselheiro Diplomático da Rainha Nzinga”, por Mario Albano (jornalista e escritor Italiano), e “Nzinga no
Alvor da Diplomacia e Nacionalismo angolano”, por Moisés Malumbu (sociólogo e
escritor angolano) vão animar a segunda sessão de trabalhos com o tema “Padre
Cavazzi em relação com a Rainha Nzinga Mbandi”.

Para o segundo dia de trabalhos do colóquio está reservada a apresentação das comunicações “A Rainha Nzinga, uma figura lendária, património da Humanidade”, por Simão Souindoula; “O espírito da Rainha Nzinga Nbandi nas Américas e Caraíbas”, por Solange Barbosa, Universidade do Rio de Janeiro, Brasil; “Os principais Reis de Angola na luta de resistência contra o sistema colonial Português: os casos de Nzinga Mbandi e Ekwikui II”, por Cornélio Calei (vice ministro da Cultura de Angola) e “Rainha Nzinga Mbandi aspiração da mulher angolana”; por Américo Kunonoca (director do Museu de Antropologia de Angola).

Vão igualmente apresentar comunicações, no segundo dia de trabalho do colóquio, a docente da Universidade Nova de Lisboa, Portugal,
Inocência da Mata,* o escritor português Pires Laranjeira (Universidade de Coimbra), a jornalista e escritora lusa Ana Maria de Mascarenhas e o escritor angolano Abreu Praxe (Membro da União dos Escritores Angolanos).

As sessões de trabalho do segundo dia do simpósio terão como
temas “Figura e espírito da Rainha Nzinga Mbandi”; “Narrações e Experiencias
sobre a Rainha Nzinga Mbandi” e “Crítica ao Nzinga Mbandi – Romance Histórico”.
[in Jornal de Angola, 25/02/10]



*... Tem (agora) uma palavra a dizer sobre a Rainha Nzinga?!
Sera' por "escreverem e falarem Italiano", serem "historiadoras da esquerda europeia", ou posarem como "feministas da negritude branca pos-colonial"?!
Ou apenas por "se poderem infiltrar em reunioes de peritos" por serem expatriadas da sua suave patria Luso-Saotomense e "acessoras culturais" e servidoras do poder da Angola Soberana - um pais que, manifestamente, nao tem gente suficientemente culta para tao eruditamente intelectuais eventos?!!!
Hao-de desculpar-me comecar assim este "Marco Mulher"
(nao e', nem nunca foi, bem o meu estilo), mas...


Um Colóquio Internacional sobre “Nzinga Mbandi: heróica figura da resistência
angolana” vai realizar-se dias 2 e 3 de Março em Itália, numa iniciativa da
embaixada de Angola naquele país europeu, em saudação à jornada “Março Mulher”.

O colóquio tem como objectivo promover, em referência ao contexto
político-cultural do século XVII, uma reflexão sobre a dimensão histórica da
Rainha Nzinga Mbandi, a sua relação com o Padre Cavazzi da Montecuccolo,
missionário católico no Reino da Matamba, biógrafo e cronista dos feitos da
rainha e evidenciar as modernas contribuições culturais sobre o tema, a partir
dos mais diversos depoimentos e estudos que vão aparecendo, incluindo o romance histórico “Nzinga Mbandi" de Manuel Pedro Pacavira (Luanda, 1977).

Organizado em colaboração com o historiador Simão Souindoula,
vice-presidente do Comité Científico do Projecto Internacional da UNESCO “A Rota dos Escravos” e das associações de trabalhadores e estudantes angolanos
residentes em Itália, o colóquio internacional será aberto pelo vice-ministro da
Cultura, Cornélio Calei, seguido de intervenções sobre o simpósio por Pedro
Pacavira, embaixador da República de Angola em Itália, e Simão Souindoula,
vice-presidente do Comité Científico Internacional do Projecto “A Rota do
Escravo”.

Na primeira sessão de trabalhos do colóquio subordinada ao
tema “Rainha Nzinga Mbandi – Mãe, Guerrilheira e Heroína de resistência”, serão
apresentadas as comunicações “Revisitando a Rainha Nzinga Mbandi:
Historiografias e Identidades”, por Selma Pantoja (Universidade de Brasília,
Brasil); “Zingha, Reine d’Angola. Histoire Africaine de Jean Louis Castilhon
(1769)”, por Patrick Graile (Universidade de Vassor-Wesleyan Paris, França), e
“Rainha Nzinga, uma figura histórica particular”, por Sylvia Serbin (escritora
francesa).

Os temas “Reflexões linguísticas na “Storica, Descrizione d'e
tre regni, Congo, Matamba e Ngola” de Giovanni Antonio Cavazzi, por Maria Grazia Russo (Universidade de Viterbo, Itália); “Cavazzi, Conselheiro Diplomático da Rainha Nzinga”, por Mario Albano (jornalista e escritor Italiano), e “Nzinga no
Alvor da Diplomacia e Nacionalismo angolano”, por Moisés Malumbu (sociólogo e
escritor angolano) vão animar a segunda sessão de trabalhos com o tema “Padre
Cavazzi em relação com a Rainha Nzinga Mbandi”.

Para o segundo dia de trabalhos do colóquio está reservada a apresentação das comunicações “A Rainha Nzinga, uma figura lendária, património da Humanidade”, por Simão Souindoula; “O espírito da Rainha Nzinga Nbandi nas Américas e Caraíbas”, por Solange Barbosa, Universidade do Rio de Janeiro, Brasil; “Os principais Reis de Angola na luta de resistência contra o sistema colonial Português: os casos de Nzinga Mbandi e Ekwikui II”, por Cornélio Calei (vice ministro da Cultura de Angola) e “Rainha Nzinga Mbandi aspiração da mulher angolana”; por Américo Kunonoca (director do Museu de Antropologia de Angola).

Vão igualmente apresentar comunicações, no segundo dia de trabalho do colóquio, a docente da Universidade Nova de Lisboa, Portugal,
Inocência da Mata,* o escritor português Pires Laranjeira (Universidade de Coimbra), a jornalista e escritora lusa Ana Maria de Mascarenhas e o escritor angolano Abreu Praxe (Membro da União dos Escritores Angolanos).

As sessões de trabalho do segundo dia do simpósio terão como
temas “Figura e espírito da Rainha Nzinga Mbandi”; “Narrações e Experiencias
sobre a Rainha Nzinga Mbandi” e “Crítica ao Nzinga Mbandi – Romance Histórico”.
[in Jornal de Angola, 25/02/10]


Sera' por "escreverem e falarem Italiano", serem "historiadoras da esquerda europeia", ou posarem como "feministas da negritude branca pos-colonial"?!
Ou apenas por "se poderem infiltrar em reunioes de peritos" por serem expatriadas da sua suave patria Luso-Saotomense e "acessoras culturais" e servidoras do poder da Angola Soberana - um pais que, manifestamente, nao tem gente suficientemente culta para tao eruditamente intelectuais eventos?!!!

Sunday, 7 February 2010

1960-2010: “The Year of Africa” 50 Years On (II)

"A RAZAO DA NOSSA LUTA" 50 ANOS DEPOIS...

Este historico texto (historico, tanto no sentido temporal – porque escrito em 1974; como no sentido reflexivo – na medida em que nos permite uma avaliacao, nao so’ dos seus fundamentos argumentativos a altura em que foi escrito, como da sua validade e relevancia actual) de M.M. de Brito Junior, serve-me de mote para o segundo take desta serie sobre a comemoracao dos 50 Anos do “Ano de Africa”.

Para tanto, dele extraio algumas passagens que me parecem ser merecedoras de uma viagem no tempo desde 1974 ate’ 2010, para servirem de base a algumas interrogacoes sobre a Angola “que estamos com ela” hoje, ou seja, a uma especie de “Estado da Nacao” cerca de 5 decadas desde o inicio da luta armada contra o colonialismo e mais de 3 decadas desde a independencia do pais:

A LUTA DOS COLONIZADORES E DOS COLONIZADOS

Existiram sempre duas posições definidas na vida politica de Angola. Uma, a dos colonizadores, constituída pelos Europeus e seus descendentes. Outra, a dos colonizados constituída pelos an-golanos, tradicionalmente considerados africanos, indígenas, nativos, assimilados.

- Sera’ esta formulacao ainda valida, num contexto em que, especialmente a luz das novas formulacoes ideologico-culturais de uma dita "nacao crioula", falar-se em “Africanos vs. Europeus e seus descendentes”, ou de “indigenas” e “nativos” pode ser considerado “crime de lesa patria”, incluindo por alguns “(ex?) anti-colonialistas”?

NÓS LUTAMOS CONTRA A OCUPAÇÃO

A verdadeira Historia de Angola narra os altos feitos dos angolanos na luta armada contra a ocupação portuguesa nos Dembos, no Congo, no Libolo, no Huambo, no Amboim, no Cuamato, na Lunda, enfim, em toda Angola. As chamadas «guerras de pacificação», durante as quais foram dizimados dezenas de (?) de milhares de angolanos, mostram bem que os indígenas angolanos, os colonizados, sempre lutaram de armas na mão contra o colonialismo, contra os colonizadores.

- Havera' hoje um consenso sobre o que/qual e' a "verdadeira Historia de Angola"?

- Como se contextualiza historica e politicamente essa luta, numa era em que a “recolonizacao” cada vez mais esta’ na ordem do dia?

NÓS LUTAMOS CONTRA O ANALFABETISMO

Noventa por cento do povo angolano (colonizado) é analfabeto. Sistematicamente fomos postos à margem no campo da instrução. Os governos colonizadores só construíram escolas onde hou-vesse europeus que ocupassem, pelo menos, 2/3 da sala. Mesmo existindo sanzalas com mais de 500 crianças indígenas em idade escolar o Estado não abria ai escolas. Estes só eram instruídos onde houvesse escolas das Missões. Os indígenas que podiam estudar nas escolas do Estado só eram aqueles cujos pais possuís-sem «atestado de assimilação» e bilhete de identidade.

- Como esta’ o acesso ao ensino para a maioria da populacao de hoje?

NÓS LUTAMOS CONTRA O CONTRATO

Uma das mais vergonhosas leis da opressão colonialista é o chamado «contrato indígena». Rusgados como animais, os indígenas eram mandados para as plantações (dos colonos), para as pescarias (dos colonos), para as salinas (dos colonos), para as minas ( dos imperialistas), onde sofriam todas as desumanidades do trabalho forçado.

- Ja’ nao ha’ sistema de contrato (pelo menos formalmente), mas nao haverao actualmente outras formas de trabalho igualmente desumanas no pais?

NÓS LUTAMOS CONTRA A HUMILHAÇÃO

Se hoje o indígena é capaz de levantar a cabeça é porque muita luta travámos contra a humilhação. Os colonizadores tratavam- nos como cães, humilharam-nos de todas as maneiras e feitios. Mesmo esbofeteados tínhamos que mostra um sorriso, porque se não apanhávamos mais. Um gesto de revolta contra um atitude injusta era motivo para severos castigos corporais, culpados de insubordinação e falta de respeito. Conhecemos um velho (Apolinário) que foi deportado três vezes, por períodos superiores a 3 anos, só porque respondia ás agressões e insultos dos colonizadores. Estes não admitiam que um indígena lhes tocasse na cara, mesmo em resposta a um agressão. Cão, moleque, miúdo, rapaz, chico macaco, sempre nos chamaram, com o intuito de nos humilhar. (…) Hoje levantamos as cabeças, bem alto, olhamos para a frente, para o futuro, já não baixamos os olhos para o chão quando falamos com um colonizador. Foi uma luta ingente e vencemos.

- Continuamos ainda de “cabecas levantadas”? Confesso que ha’ individuos hoje em Angola que so’ me merecem mesmo que lhes chame "caes, moleques, miudos e rapazes (quando nao sub-rapazes ou rapazitos)" – mas apenas e tao so’ porque, justamente, nao so’ vivem de lamber as botas aos seus novos “capatazes”, como entendem que eu e “todo o mundo” tambem o deve fazer, sob pena de, "sabendo sempre o que nos espera", bem entendido, sermos por eles linchados e literalmente pulverizados (armados que estao agora da "titularidade" de alguns dos principais orgaos formais do dito "quarto poder"...), mesmo e sobretudo quando reagindo a insultos gratuitos, ofensas e agressoes morais e materiais gravissimas, incluindo ameacas de morte (!), que nos sao infligidos, a nos e aos nossos ancestrais e descendentes, por alegadas “insubordinacao e falta de respeito”, hoje mais frequentemente designadas de “atrevimento (de pobres e insignificantes criaturas)”!

NÓS LUTAMOS CONTRA A DISCRIMINAÇÃO

Em Angola existe discriminação racial, embora não oficial. No campo salarial um indígena ganhava, geralmente, um terço do que ganhava um colonizador. Isto em todas as actividades do sector privado. Quando reclamássemos ouvíamos do patrão: «queres ganhar como um branco?». Podíamos saber mais da profissão do que um colonizador mas este era sempre o chefe, o encarregado. (…) Hoje fazemos greves e exigimos salários iguais. Continuaremos a luta.


- “Hoje fazemos greves e exigimos salários iguais”? Ou, ja' agora, "patrocinios" iguais?

- “Continuamos a luta?” Ou, antes, somos acusados por alguns dos “nossos irmaos” gratuita, infundada, insultuosa, irresponsavel e criminosamente, de a nossa dolorosa luta por uma formacao academica e tecnico-profissional reconhecida em qualquer parte do mundo nao ter produzido mais do que “falsos diplomas”, “mestrados em imitacao”, “infiltracoes em reunioes de peritos”, etc., etc., etc.???


Enquanto que, em se tratando de um Europeu ou seu/sua descendente pertencente precisamente aquele grupo de ex-colonizadores que enriqueceram exclusivamente a custa da "arvore das patacas" de Angola e que por isso conseguiu abrir todas as portas do mundo empresarial (especialmente o bancario) e/ou academico, passa a ser considerado/a, por exemplo, especialista em "macroeconomia a prova de balas" (sem que quem o afirma/escreve, por evidentemente nao fazer a minima ideia do que fala, sequer se aperceba da contradicao em termos que isso significa... em particular quando nao se tem qualquer track record de alguma pratica profissional em gestao macroeconomica!), ainda que, e ate' por "defeito de formacao" como publicamente assumido/as "neoclassico/as ou neoliberais", nao possam reclamar qualquer especialismo nessa area, por muito que o tenham noutras areas da economia, nomeadamente a econometria e, possivelmente, a microeconomia...

NÓS LUTAMOS CONTRA A USURPAÇÃO

Os colonizadores usurparam as nossas terras, as nossas riquezas, as nossas lavras, as nossas irmãs e nós sobrevivemos. Os mulatos resultantes da usurpação das nossas irmãs lutaram connosco contra os colonizadores. A reforma agrária contra os latifúndios e monopólios brevemente será levado a cabo por uma Angola Soberana. Lutámos contra todo este sistema de usurpação, durante séculos.

- Sera’ mesmo? “Todos os mulatos” (ou, ja’ agora, “todos os negros”) lutaram contra os colonizadores (ou tera’ sido, mais politicamente-correcto falando, contra o colonialismo?)?

- Nao estarao algumas dessas “irmas usurpadas” por alguns deles sendo “vendidas” ao desbarato por alguns dos “seus irmaos” a alguns dos seus “idolatrados patroes ex-colonizadores” leviana, difamatoria e ultrajantemente como "baratas" e "insuportaveis damas de sapato vermelho”?

- Nao estao agora os “novos engenheiros constitucionalistas da Angola Soberana” defendendo e proclamando que “os unicos donos originarios da nossa terra sao os Khoisan”?

- Nao andam por ai muitos “ex-colonizadores” se dizendo a boca cheia “mais Angolanos que a Angolanidade”?


NÓS LUTAMOS CONTRA A ALIENAÇÃO CULTURAL

Foi uma luta titânica Impingiram-nos os heróis, os reis, as tradições, os nomes, a geografia, a historia dos colonizadores. Falar em língua indígena era indigno para um «assimilado». Os nossos heróis eram selvagens, inimigos de Angola. Os colonizadores não queriam os nossos nomes nos registos e eram motivo de achincalhamento. Mas nós lutámos contra todo este sistema de alienação. Basta ver que conseguimos ainda falar e escrever em línguas indígenas, falar Ngola Kiluanje, Jinga, Ndunduma e outros heróis da luta contra a ocupação colonial. Comemos funje sem vergonha e sem medo de não nos darem o bilhete de identidade. Ainda usamos panos à moda indígena. No interior do nosso país ainda sobrevive a cultura tradicional indígena.

- O que se passa agora com a polemica a volta da estatua da Rainha Nzinga Mbandi vs. a da Maria da Fonte no Kinaxixe?

- Que tratamento se reserva a alguns de nos que, tendo sido vitimas do sistema assimilacionista, contra ele nos rebelamos e tentamos, ainda que um tanto “tardiamente” aprender ou aperfeicoar o nosso conhecimento das linguas dos nossos ancestrais (os quais, alias, tambem ja' passaram a "pertencer de pleno direito" a algun(ma)s ex-colonizadores Europeus e seus descendentes!) e adoptar os seus nomes? A resposta e’: mais frequentemente do que nao, acusam-nos perversamente de “complexos de colonizado”! Ao passo que se se tratar de um Europeu ou seu/sua descendente - em particular se exerce(u) historicamente um papel activo como agente de implementacao daquela mesma politica cultural assimilacionista - passa, mesmo sem o ser, a categoria de “antropologo/a” ou “investigador/a cientifico/a” e, por acumulo de funcoes, "premio nacional de cultura", "coreografa-em-chefe", "mae da danca contemporaneoa em Africa", etc, etc, etc!...

- “Comemos 'todos' funje sem vergonha e sem medo de nao nos darem o bilhete de identidade”? Quando eu tenho sido fustigada sem fim por mencionar, inclusive em artigos academicos, algumas das “minhas funjadas” em Angola? E, de resto, como aparentemente a Africa “sempre importou tudo, incluindo todos os ingredientes da sua culinaria tradicional” e’ melhor mesmo comecarmos a comer funje clandestinamente, porque senao nao nos dao o novo BI (sem racas - o qual, alias, nao tarda muito passara' a ser apenas B porque entretanto a palavra Identidade passou a ser uma 'blasfemia'...) sob a acusacao de sermos "estrangeiros importados" e "nao merecermos ser angolanos"!...

- “Lutamos contra todo este sistema de alienacao”?
Quando hoje isso e’ taxado por certos “clarividentes novo-jornaleiros a quem o quarto p(h)oder subiu a cabeca” de “monstro racial e tara tribal”? Quando hoje “temos que nos deixar dos semba, kizomba e kuduro, pois so’ assim progrediremos”? A este proposito, devo dizer que, nao sendo aderente incondicional ou acritica dos novos estilos musicais angolanos, como o kuduro, mesmo porque ainda nao os conheco suficientemente (e, ja' agora, tambem nunca ainda os dancei), entendo e valorizo a forma como alguns dos novos artistas de que aos poucos vou tomando conhecimento, os teem usado como musica de intervencao, protesto e afirmacao cultural nacional.

NÓS LUTAMOS PARA CONSTRUIR ANGOLA

Para a construção do que Angola é hoje os indígenas deram muito do seu suor e muitos a pró-pria vida. Nós construímos as estradas (no tempo em que éramos rusgados e obrigados a levar as nossas próprias enxadas e a nossa comida ficando verbas do Estado nos bolsos dos chefes de posto colonizadores). Nós construímos os prédios, com salários de miséria. Nós fizemos as grandes plantações de café, palmar e sisal, que enriqueceram os colonizadores, sob desumanidades sem fim. Nós cultivamos o algodão coercivamente para enriquecer as grandes companhias, abandonando as nossas culturas e passamos fome. Nós trabalhamos nas minas, para enriquecer os imperialistas, sofrendo desumanidades e descriminações sem fim. Nós cuidamos dos «meninos», filhos dos colonizadores, acompanhamo-los à escola, enquanto nós éramos mantidos na ignorância. Para construir Angola muito sofremos, muitos morremos. Lutá-mos contra tudo: sevicias, fome, discriminações, doenças, etc.,

- Sera’ que “todos” ainda hoje nos reconhecem esses meritos e nos concedem esses creditos?

EM SUMA

Os partidecos que surgiram depois do 25 de Abril dizem representar a maioria silenciosa, aque-les que não lutaram, aqueles que construíram Angola. Já verificamos que a maioria da população angolana é indígena e esta nunca esteve silenciosa. Manifestou-se sempre contra todas formas de opressão colonial. Esta maioria oprimida lutou de armas na mão contra os colonizadores; intermitentemente, é certo, mas lutou. O remate dessa luta intermitente culminou nos 14 anos de luta contínua dos nossos Movimento de Libertação, Movimentos estes saídos desta Angolana. Esta maioria construiu Angola chicoteada nas costas nuas, passando fome, seviciada, para tornar ricos os colonizadores, que por sinal pontificam naqueles partidecos. (…) Para eles Angola não é uma colónia, é sim um «El Dourado», à «árvore das patacas». Mas agora acabou ou vai acabar brevemente.


- Havera' alguma semelhanca/diferenca entre os partidecos de 1974 e "os de hoje"?

- “«El Dourado», a «arvore das patacas». Mas agora acabou ou vai acabar brevemente.”?

Quao brevemente?


"A RAZAO DA NOSSA LUTA" 50 ANOS DEPOIS...

Este historico texto (historico, tanto no sentido temporal – porque escrito em 1974; como no sentido reflexivo – na medida em que nos permite uma avaliacao, nao so’ dos seus fundamentos argumentativos a altura em que foi escrito, como da sua validade e relevancia actual) de M.M. de Brito Junior, serve-me de mote para o segundo take desta serie sobre a comemoracao dos 50 Anos do “Ano de Africa”.

Para tanto, dele extraio algumas passagens que me parecem ser merecedoras de uma viagem no tempo desde 1974 ate’ 2010, para servirem de base a algumas interrogacoes sobre a Angola “que estamos com ela” hoje, ou seja, a uma especie de “Estado da Nacao” cerca de 5 decadas desde o inicio da luta armada contra o colonialismo e mais de 3 decadas desde a independencia do pais:

A LUTA DOS COLONIZADORES E DOS COLONIZADOS

Existiram sempre duas posições definidas na vida politica de Angola. Uma, a dos colonizadores, constituída pelos Europeus e seus descendentes. Outra, a dos colonizados constituída pelos an-golanos, tradicionalmente considerados africanos, indígenas, nativos, assimilados.

- Sera’ esta formulacao ainda valida, num contexto em que, especialmente a luz das novas formulacoes ideologico-culturais de uma dita "nacao crioula", falar-se em “Africanos vs. Europeus e seus descendentes”, ou de “indigenas” e “nativos” pode ser considerado “crime de lesa patria”, incluindo por alguns “(ex?) anti-colonialistas”?

NÓS LUTAMOS CONTRA A OCUPAÇÃO

A verdadeira Historia de Angola narra os altos feitos dos angolanos na luta armada contra a ocupação portuguesa nos Dembos, no Congo, no Libolo, no Huambo, no Amboim, no Cuamato, na Lunda, enfim, em toda Angola. As chamadas «guerras de pacificação», durante as quais foram dizimados dezenas de (?) de milhares de angolanos, mostram bem que os indígenas angolanos, os colonizados, sempre lutaram de armas na mão contra o colonialismo, contra os colonizadores.

- Havera' hoje um consenso sobre o que/qual e' a "verdadeira Historia de Angola"?

- Como se contextualiza historica e politicamente essa luta, numa era em que a “recolonizacao” cada vez mais esta’ na ordem do dia?

NÓS LUTAMOS CONTRA O ANALFABETISMO

Noventa por cento do povo angolano (colonizado) é analfabeto. Sistematicamente fomos postos à margem no campo da instrução. Os governos colonizadores só construíram escolas onde hou-vesse europeus que ocupassem, pelo menos, 2/3 da sala. Mesmo existindo sanzalas com mais de 500 crianças indígenas em idade escolar o Estado não abria ai escolas. Estes só eram instruídos onde houvesse escolas das Missões. Os indígenas que podiam estudar nas escolas do Estado só eram aqueles cujos pais possuís-sem «atestado de assimilação» e bilhete de identidade.

- Como esta’ o acesso ao ensino para a maioria da populacao de hoje?

NÓS LUTAMOS CONTRA O CONTRATO

Uma das mais vergonhosas leis da opressão colonialista é o chamado «contrato indígena». Rusgados como animais, os indígenas eram mandados para as plantações (dos colonos), para as pescarias (dos colonos), para as salinas (dos colonos), para as minas ( dos imperialistas), onde sofriam todas as desumanidades do trabalho forçado.

- Ja’ nao ha’ sistema de contrato (pelo menos formalmente), mas nao haverao actualmente outras formas de trabalho igualmente desumanas no pais?

NÓS LUTAMOS CONTRA A HUMILHAÇÃO

Se hoje o indígena é capaz de levantar a cabeça é porque muita luta travámos contra a humilhação. Os colonizadores tratavam- nos como cães, humilharam-nos de todas as maneiras e feitios. Mesmo esbofeteados tínhamos que mostra um sorriso, porque se não apanhávamos mais. Um gesto de revolta contra um atitude injusta era motivo para severos castigos corporais, culpados de insubordinação e falta de respeito. Conhecemos um velho (Apolinário) que foi deportado três vezes, por períodos superiores a 3 anos, só porque respondia ás agressões e insultos dos colonizadores. Estes não admitiam que um indígena lhes tocasse na cara, mesmo em resposta a um agressão. Cão, moleque, miúdo, rapaz, chico macaco, sempre nos chamaram, com o intuito de nos humilhar. (…) Hoje levantamos as cabeças, bem alto, olhamos para a frente, para o futuro, já não baixamos os olhos para o chão quando falamos com um colonizador. Foi uma luta ingente e vencemos.

- Continuamos ainda de “cabecas levantadas”? Confesso que ha’ individuos hoje em Angola que so’ me merecem mesmo que lhes chame "caes, moleques, miudos e rapazes (quando nao sub-rapazes ou rapazitos)" – mas apenas e tao so’ porque, justamente, nao so’ vivem de lamber as botas aos seus novos “capatazes”, como entendem que eu e “todo o mundo” tambem o deve fazer, sob pena de, "sabendo sempre o que nos espera", bem entendido, sermos por eles linchados e literalmente pulverizados (armados que estao agora da "titularidade" de alguns dos principais orgaos formais do dito "quarto poder"...), mesmo e sobretudo quando reagindo a insultos gratuitos, ofensas e agressoes morais e materiais gravissimas, incluindo ameacas de morte (!), que nos sao infligidos, a nos e aos nossos ancestrais e descendentes, por alegadas “insubordinacao e falta de respeito”, hoje mais frequentemente designadas de “atrevimento (de pobres e insignificantes criaturas)”!

NÓS LUTAMOS CONTRA A DISCRIMINAÇÃO

Em Angola existe discriminação racial, embora não oficial. No campo salarial um indígena ganhava, geralmente, um terço do que ganhava um colonizador. Isto em todas as actividades do sector privado. Quando reclamássemos ouvíamos do patrão: «queres ganhar como um branco?». Podíamos saber mais da profissão do que um colonizador mas este era sempre o chefe, o encarregado. (…) Hoje fazemos greves e exigimos salários iguais. Continuaremos a luta.


- “Hoje fazemos greves e exigimos salários iguais”? Ou, ja' agora, "patrocinios" iguais?

- “Continuamos a luta?” Ou, antes, somos acusados por alguns dos “nossos irmaos” gratuita, infundada, insultuosa, irresponsavel e criminosamente, de a nossa dolorosa luta por uma formacao academica e tecnico-profissional reconhecida em qualquer parte do mundo nao ter produzido mais do que “falsos diplomas”, “mestrados em imitacao”, “infiltracoes em reunioes de peritos”, etc., etc., etc.???


Enquanto que, em se tratando de um Europeu ou seu/sua descendente pertencente precisamente aquele grupo de ex-colonizadores que enriqueceram exclusivamente a custa da "arvore das patacas" de Angola e que por isso conseguiu abrir todas as portas do mundo empresarial (especialmente o bancario) e/ou academico, passa a ser considerado/a, por exemplo, especialista em "macroeconomia a prova de balas" (sem que quem o afirma/escreve, por evidentemente nao fazer a minima ideia do que fala, sequer se aperceba da contradicao em termos que isso significa... em particular quando nao se tem qualquer track record de alguma pratica profissional em gestao macroeconomica!), ainda que, e ate' por "defeito de formacao" como publicamente assumido/as "neoclassico/as ou neoliberais", nao possam reclamar qualquer especialismo nessa area, por muito que o tenham noutras areas da economia, nomeadamente a econometria e, possivelmente, a microeconomia...

NÓS LUTAMOS CONTRA A USURPAÇÃO

Os colonizadores usurparam as nossas terras, as nossas riquezas, as nossas lavras, as nossas irmãs e nós sobrevivemos. Os mulatos resultantes da usurpação das nossas irmãs lutaram connosco contra os colonizadores. A reforma agrária contra os latifúndios e monopólios brevemente será levado a cabo por uma Angola Soberana. Lutámos contra todo este sistema de usurpação, durante séculos.

- Sera’ mesmo? “Todos os mulatos” (ou, ja’ agora, “todos os negros”) lutaram contra os colonizadores (ou tera’ sido, mais politicamente-correcto falando, contra o colonialismo?)?

- Nao estarao algumas dessas “irmas usurpadas” por alguns deles sendo “vendidas” ao desbarato por alguns dos “seus irmaos” a alguns dos seus “idolatrados patroes ex-colonizadores” leviana, difamatoria e ultrajantemente como "baratas" e "insuportaveis damas de sapato vermelho”?

- Nao estao agora os “novos engenheiros constitucionalistas da Angola Soberana” defendendo e proclamando que “os unicos donos originarios da nossa terra sao os Khoisan”?

- Nao andam por ai muitos “ex-colonizadores” se dizendo a boca cheia “mais Angolanos que a Angolanidade”?


NÓS LUTAMOS CONTRA A ALIENAÇÃO CULTURAL

Foi uma luta titânica Impingiram-nos os heróis, os reis, as tradições, os nomes, a geografia, a historia dos colonizadores. Falar em língua indígena era indigno para um «assimilado». Os nossos heróis eram selvagens, inimigos de Angola. Os colonizadores não queriam os nossos nomes nos registos e eram motivo de achincalhamento. Mas nós lutámos contra todo este sistema de alienação. Basta ver que conseguimos ainda falar e escrever em línguas indígenas, falar Ngola Kiluanje, Jinga, Ndunduma e outros heróis da luta contra a ocupação colonial. Comemos funje sem vergonha e sem medo de não nos darem o bilhete de identidade. Ainda usamos panos à moda indígena. No interior do nosso país ainda sobrevive a cultura tradicional indígena.

- O que se passa agora com a polemica a volta da estatua da Rainha Nzinga Mbandi vs. a da Maria da Fonte no Kinaxixe?

- Que tratamento se reserva a alguns de nos que, tendo sido vitimas do sistema assimilacionista, contra ele nos rebelamos e tentamos, ainda que um tanto “tardiamente” aprender ou aperfeicoar o nosso conhecimento das linguas dos nossos ancestrais (os quais, alias, tambem ja' passaram a "pertencer de pleno direito" a algun(ma)s ex-colonizadores Europeus e seus descendentes!) e adoptar os seus nomes? A resposta e’: mais frequentemente do que nao, acusam-nos perversamente de “complexos de colonizado”! Ao passo que se se tratar de um Europeu ou seu/sua descendente - em particular se exerce(u) historicamente um papel activo como agente de implementacao daquela mesma politica cultural assimilacionista - passa, mesmo sem o ser, a categoria de “antropologo/a” ou “investigador/a cientifico/a” e, por acumulo de funcoes, "premio nacional de cultura", "coreografa-em-chefe", "mae da danca contemporaneoa em Africa", etc, etc, etc!...

- “Comemos 'todos' funje sem vergonha e sem medo de nao nos darem o bilhete de identidade”? Quando eu tenho sido fustigada sem fim por mencionar, inclusive em artigos academicos, algumas das “minhas funjadas” em Angola? E, de resto, como aparentemente a Africa “sempre importou tudo, incluindo todos os ingredientes da sua culinaria tradicional” e’ melhor mesmo comecarmos a comer funje clandestinamente, porque senao nao nos dao o novo BI (sem racas - o qual, alias, nao tarda muito passara' a ser apenas B porque entretanto a palavra Identidade passou a ser uma 'blasfemia'...) sob a acusacao de sermos "estrangeiros importados" e "nao merecermos ser angolanos"!...

- “Lutamos contra todo este sistema de alienacao”?
Quando hoje isso e’ taxado por certos “clarividentes novo-jornaleiros a quem o quarto p(h)oder subiu a cabeca” de “monstro racial e tara tribal”? Quando hoje “temos que nos deixar dos semba, kizomba e kuduro, pois so’ assim progrediremos”? A este proposito, devo dizer que, nao sendo aderente incondicional ou acritica dos novos estilos musicais angolanos, como o kuduro, mesmo porque ainda nao os conheco suficientemente (e, ja' agora, tambem nunca ainda os dancei), entendo e valorizo a forma como alguns dos novos artistas de que aos poucos vou tomando conhecimento, os teem usado como musica de intervencao, protesto e afirmacao cultural nacional.

NÓS LUTAMOS PARA CONSTRUIR ANGOLA

Para a construção do que Angola é hoje os indígenas deram muito do seu suor e muitos a pró-pria vida. Nós construímos as estradas (no tempo em que éramos rusgados e obrigados a levar as nossas próprias enxadas e a nossa comida ficando verbas do Estado nos bolsos dos chefes de posto colonizadores). Nós construímos os prédios, com salários de miséria. Nós fizemos as grandes plantações de café, palmar e sisal, que enriqueceram os colonizadores, sob desumanidades sem fim. Nós cultivamos o algodão coercivamente para enriquecer as grandes companhias, abandonando as nossas culturas e passamos fome. Nós trabalhamos nas minas, para enriquecer os imperialistas, sofrendo desumanidades e descriminações sem fim. Nós cuidamos dos «meninos», filhos dos colonizadores, acompanhamo-los à escola, enquanto nós éramos mantidos na ignorância. Para construir Angola muito sofremos, muitos morremos. Lutá-mos contra tudo: sevicias, fome, discriminações, doenças, etc.,

- Sera’ que “todos” ainda hoje nos reconhecem esses meritos e nos concedem esses creditos?

EM SUMA

Os partidecos que surgiram depois do 25 de Abril dizem representar a maioria silenciosa, aque-les que não lutaram, aqueles que construíram Angola. Já verificamos que a maioria da população angolana é indígena e esta nunca esteve silenciosa. Manifestou-se sempre contra todas formas de opressão colonial. Esta maioria oprimida lutou de armas na mão contra os colonizadores; intermitentemente, é certo, mas lutou. O remate dessa luta intermitente culminou nos 14 anos de luta contínua dos nossos Movimento de Libertação, Movimentos estes saídos desta Angolana. Esta maioria construiu Angola chicoteada nas costas nuas, passando fome, seviciada, para tornar ricos os colonizadores, que por sinal pontificam naqueles partidecos. (…) Para eles Angola não é uma colónia, é sim um «El Dourado», à «árvore das patacas». Mas agora acabou ou vai acabar brevemente.


- Havera' alguma semelhanca/diferenca entre os partidecos de 1974 e "os de hoje"?

- “«El Dourado», a «arvore das patacas». Mas agora acabou ou vai acabar brevemente.”?

Quao brevemente?


Friday, 5 June 2009

NZINGA: “PRIMEIRA GOVERNADORA ANGOLANA DE LUANDA”

Apesar do vasto acervo bibliografico existente sobre a Rainha Nzinga, ha’ aspectos da sua vida e trajectoria politica menos conhecidos do grande publico, mesmo do angolano, entre o qual me incluo. Paralelamente a esse insuficiente conhecimento, verifica-se actualmente uma certa tendencia para o denegrimento do seu legado historico, na base da qual se teem desenvolvido alguns discursos que sistematicamente a pretendem retratar como “nada mais do que uma escravocrata negra, que vendeu o seu proprio povo aos europeus no trafico negreiro”. Tais discursos teem servido de suporte, entre outros posicionamentos politicos por alguns sectores da sociedade angolana, para a oposicao a colocacao da sua estatua no Largo do Kinaxixi, no centro de Luanda.

Sendo a Historia uma disciplina bastante susceptivel as motivacoes ideologicas, intencoes politicas, interpretacoes subjectivas e especulacoes varias, tanto de quem a le como de quem a escreve, parecem haver quase tantas versoes da vida de Nzinga quanto autores dessas mesmas versoes (isto ja’ colocando de parte as versoes romanceadas e as que sao puramente do dominio da fantasia e da lenda). E, sendo aparentemente precarias e pouco sistematizadas as fontes de literatura oral de origem angolana sobre a sua historia, as versoes tidas por mais fidedignas e usadas como “fontes primarias” pela maioria dos investigadores teem sido geralmente os relatos e correspondencia de missionarios ao servico da “evangelizacao” pela Igreja Catolica (dentre os quais se destacam os padres Antonio Brasio, Antonio de Gaeta e Geovanni Cavazzi), viajantes varios, administradores e embaixadores portugueses e holandeses residentes temporariamente ou enviados em missao a corte de Nzinga em varias ocasioes durante o seu reinado.

Sera’, portanto, apenas natural que tanto uns como outros (embora uns mais que outros) tenham enfatizado, sem contudo prestarem muita atencao a sua contextualizacao temporal, geografica, demografica ou cultural, nos seus relatos, “actos barbaricos” alegadamente praticados por Nzinga quando em alianca militar circunstancial com os chamados “jagas”, por um lado como suporte e vindicacao da sua “missao civilizadora” (“bem sucedida”, segundo algumas dessas fontes, com a conversao, e mais tarde reconversao, de Nzinga ao Catolicismo) e, por outro lado, como atenuante discursivo e justificativo moral para o trafico transatlantico de escravos pelos europeus que, segundo alguns, “apenas deu continuidade a uma pratica ja’ endemica na regiao” e da qual Nzinga seria uma “insaciavel adepta”.

Nao sendo especialista nessa materia, nao me proponho aqui dissecar tais versoes – tarefa a que, alias, varios competentes e renomados historiadores (tais como David Birmingham, Beatrix Heintze e John Thornton, entre outros) se venhem ha’ muito dedicando. Pareceu-me, porem, pertinente que o tema fosse abordado, ainda que sucintamente, neste blog, que, sendo dedicado a Luanda, tem apresentado a figura de Nzinga como uma referencia. E, com esse fito, das varias escolhas possiveis entre a diversa bibliografia existente sobre a Soberana Angolana, decidi traduzir e trazer para aqui uma versao sumarizada da biografia da Rainha Nzinga Mbandi (subtitulos e observacoes em italico de minha autoria), incluida na Encyclopedia of World Biography (2004), onde se pode ler algo muito pouco divulgado, a atribuir-se total credibilidade a essa fonte: ela tera’ sido a primeira Governadora Angolana de Luanda!

@ LUANDA AZUL - LUANDA BLUES
Apesar do vasto acervo bibliografico existente sobre a Rainha Nzinga, ha’ aspectos da sua vida e trajectoria politica menos conhecidos do grande publico, mesmo do angolano, entre o qual me incluo. Paralelamente a esse insuficiente conhecimento, verifica-se actualmente uma certa tendencia para o denegrimento do seu legado historico, na base da qual se teem desenvolvido alguns discursos que sistematicamente a pretendem retratar como “nada mais do que uma escravocrata negra, que vendeu o seu proprio povo aos europeus no trafico negreiro”. Tais discursos teem servido de suporte, entre outros posicionamentos politicos por alguns sectores da sociedade angolana, para a oposicao a colocacao da sua estatua no Largo do Kinaxixi, no centro de Luanda.

Sendo a Historia uma disciplina bastante susceptivel as motivacoes ideologicas, intencoes politicas, interpretacoes subjectivas e especulacoes varias, tanto de quem a le como de quem a escreve, parecem haver quase tantas versoes da vida de Nzinga quanto autores dessas mesmas versoes (isto ja’ colocando de parte as versoes romanceadas e as que sao puramente do dominio da fantasia e da lenda). E, sendo aparentemente precarias e pouco sistematizadas as fontes de literatura oral de origem angolana sobre a sua historia, as versoes tidas por mais fidedignas e usadas como “fontes primarias” pela maioria dos investigadores teem sido geralmente os relatos e correspondencia de missionarios ao servico da “evangelizacao” pela Igreja Catolica (dentre os quais se destacam os padres Antonio Brasio, Antonio de Gaeta e Geovanni Cavazzi), viajantes varios, administradores e embaixadores portugueses e holandeses residentes temporariamente ou enviados em missao a corte de Nzinga em varias ocasioes durante o seu reinado.

Sera’, portanto, apenas natural que tanto uns como outros (embora uns mais que outros) tenham enfatizado, sem contudo prestarem muita atencao a sua contextualizacao temporal, geografica, demografica ou cultural, nos seus relatos, “actos barbaricos” alegadamente praticados por Nzinga quando em alianca militar circunstancial com os chamados “jagas”, por um lado como suporte e vindicacao da sua “missao civilizadora” (“bem sucedida”, segundo algumas dessas fontes, com a conversao, e mais tarde reconversao, de Nzinga ao Catolicismo) e, por outro lado, como atenuante discursivo e justificativo moral para o trafico transatlantico de escravos pelos europeus que, segundo alguns, “apenas deu continuidade a uma pratica ja’ endemica na regiao” e da qual Nzinga seria uma “insaciavel adepta”.

Nao sendo especialista nessa materia, nao me proponho aqui dissecar tais versoes – tarefa a que, alias, varios competentes e renomados historiadores (tais como David Birmingham, Beatrix Heintze e John Thornton, entre outros) se venhem ha’ muito dedicando. Pareceu-me, porem, pertinente que o tema fosse abordado, ainda que sucintamente, neste blog, que, sendo dedicado a Luanda, tem apresentado a figura de Nzinga como uma referencia. E, com esse fito, das varias escolhas possiveis entre a diversa bibliografia existente sobre a Soberana Angolana, decidi traduzir e trazer para aqui uma versao sumarizada da biografia da Rainha Nzinga Mbandi (subtitulos e observacoes em italico de minha autoria), incluida na
Encyclopedia of World Biography (2004), onde se pode ler algo muito pouco divulgado, a atribuir-se total credibilidade a essa fonte: ela tera’ sido a primeira Governadora Angolana de Luanda!

@ LUANDA AZUL - LUANDA BLUES

Monday, 22 December 2008

A RAINHA NZINGA MBANDI, URBI E ORBI – HA 345 ANOS, MORREU A “DIZONDA”

Rainha Nzinga Mbandi morreu há 345 anos

Por Simão Souindoula
Director do Museu da Escravatura de Angola e da Rede Internacional Bantulink


É a importante vertente que escolhemos analisar pela ocasião da passagem no dia 17 de Dezembro, data que marca a morte, em Santa Maria de Matamba - a tornada cristã - no ano de 1663, da “Dupla Soberana”.

Dia, surpreendemente, bem ordinário em Angola, apesar deste ter significado uma ruptura irreversível na evolução histórica de toda a parte ocidental da África central.

Tentaremos no quadro do presente exame, realçar os principais factos que provocaram o surgimento do mito da “Regina” do Ndongo e da Matamba, a sua gradual expansão na Europa e a perpetuação da tradição real que evoca esta “sacerdote” no além – Atlântico.
Apresentaremos, em seguida, os domínios que fixaram, nessas regiões ultra marinas, o mito da monarca, a importância das múltiplas iniciativas tomadas à volta desta figura e apreciação sobre a consideração que esta deve merecer.

Educação patriótica e Marcial

A singular estampilhagem da forte personalidade da futura heroína começa, desde a tenra idade, com o seu posicionamento parental visivelmente patrilinear.

Parece estar sob o cuidado particular do pai, que é, natural e duplamente, “Ngola” e “Kiluanji”, quer dizer, Líder Político e Chefe do Exército. A jovem, de forte corpulência física, será manifestamente marcada por uma educação muito patriótica e a adopção de uma conduta estritamente marcial. E inculcado a princesa, de temperamento já refractário, o espírito de bravura, o sentimento de honra, o sentido da diplomacia e da responsabilidade política e a intuição estratégica.

Esses traços de carácter serão perceptíveis durante toda a sua vida desta “ Nzinga Mbandi” que significa no Oriente do nosso pais, curiosas homofonia e homografia, “Homem-mulher”.

Com efeito, será necessário à futura e astuta Dona Anna de Sousa, todas essas características individuais para se impor junto dos seus irmãos, machistas convencidos, e demais familiares com espírito, naturalmente, conservador, cumprir as famosas duas missões diplomáticas, delicadas, efectuadas, corajosamente, e com brio, em 1622 e no ano seguinte, numa parte já ocupada do território do Ndongo, a muito desejada pela Coroa portuguesa, cidade - fortaleza de São Paulo de Loanda.

Parte da lenda da Embaixadora da ilha de Ndanji cristaliza-se a partir das referidas audiências, que decorreram num formato de conforto muito particular. Esses encontros, que envolveram as figuras dos Governadores da Colónia portuguesa, que tinham nem mais, nem menos, o título sintomático de Vice-Rei, cunharam definitivamente os espíritos na Colónia portuguesa e na metrópole sobre esta Princesa de ferro.

Marcaram igualmente as opiniões, o extraordinário domínio da língua portuguesa pela jovem diplomata vinda de Mbaka, se tivermos em conta o irrefragável testemunho do Padre italiano Cavazzi que confirma que a Regina “ …in idioma Portoghese nel quale era versatissima…”. A apreciação sobre o seu elevado grau de instrução sobre a língua e a civilização portuguesas e a sua viva inteligência estabeleceu, definitivamente, a sua auréola.

Outros factos erigirão, ao nível internacional, a lenda da “Federadora”, do proto – bantu sing- to attach, ligar.

Rainha Nzinga Mbandi morreu há 345 anos

Por Simão Souindoula
Director do Museu da Escravatura de Angola e da Rede Internacional Bantulink


É a importante vertente que escolhemos analisar pela ocasião da passagem no dia 17 de Dezembro, data que marca a morte, em Santa Maria de Matamba - a tornada cristã - no ano de 1663, da “Dupla Soberana”.

Dia, surpreendemente, bem ordinário em Angola, apesar deste ter significado uma ruptura irreversível na evolução histórica de toda a parte ocidental da África central.

Tentaremos no quadro do presente exame, realçar os principais factos que provocaram o surgimento do mito da “Regina” do Ndongo e da Matamba, a sua gradual expansão na Europa e a perpetuação da tradição real que evoca esta “sacerdote” no além – Atlântico.
Apresentaremos, em seguida, os domínios que fixaram, nessas regiões ultra marinas, o mito da monarca, a importância das múltiplas iniciativas tomadas à volta desta figura e apreciação sobre a consideração que esta deve merecer.

Educação patriótica e Marcial

A singular estampilhagem da forte personalidade da futura heroína começa, desde a tenra idade, com o seu posicionamento parental visivelmente patrilinear.

Parece estar sob o cuidado particular do pai, que é, natural e duplamente, “Ngola” e “Kiluanji”, quer dizer, Líder Político e Chefe do Exército. A jovem, de forte corpulência física, será manifestamente marcada por uma educação muito patriótica e a adopção de uma conduta estritamente marcial. E inculcado a princesa, de temperamento já refractário, o espírito de bravura, o sentimento de honra, o sentido da diplomacia e da responsabilidade política e a intuição estratégica.

Esses traços de carácter serão perceptíveis durante toda a sua vida desta “ Nzinga Mbandi” que significa no Oriente do nosso pais, curiosas homofonia e homografia, “Homem-mulher”.

Com efeito, será necessário à futura e astuta Dona Anna de Sousa, todas essas características individuais para se impor junto dos seus irmãos, machistas convencidos, e demais familiares com espírito, naturalmente, conservador, cumprir as famosas duas missões diplomáticas, delicadas, efectuadas, corajosamente, e com brio, em 1622 e no ano seguinte, numa parte já ocupada do território do Ndongo, a muito desejada pela Coroa portuguesa, cidade - fortaleza de São Paulo de Loanda.

Parte da lenda da Embaixadora da ilha de Ndanji cristaliza-se a partir das referidas audiências, que decorreram num formato de conforto muito particular. Esses encontros, que envolveram as figuras dos Governadores da Colónia portuguesa, que tinham nem mais, nem menos, o título sintomático de Vice-Rei, cunharam definitivamente os espíritos na Colónia portuguesa e na metrópole sobre esta Princesa de ferro.

Marcaram igualmente as opiniões, o extraordinário domínio da língua portuguesa pela jovem diplomata vinda de Mbaka, se tivermos em conta o irrefragável testemunho do Padre italiano Cavazzi que confirma que a Regina “ …in idioma Portoghese nel quale era versatissima…”. A apreciação sobre o seu elevado grau de instrução sobre a língua e a civilização portuguesas e a sua viva inteligência estabeleceu, definitivamente, a sua auréola.

Outros factos erigirão, ao nível internacional, a lenda da “Federadora”, do proto – bantu sing- to attach, ligar.

Thursday, 14 August 2008

KINAXIXE (R.I.P.)


Desde a minha ultima morada em Luanda, no Largo do Kinaxixi, tenho vivido, entre outros lugares, naquela que pode, seguramente, ser considerada a cidade mais conservadora do mundo: Londres. Uma das manifestacoes desse conservadorismo e’ a forma como o planeamento, a edificacao, a arquitectura e o ambiente construido ('the built environment’ e’ uma disciplina que aqui tem uma faculdade inteira de pelo menos uma universidade a ela dedicada) sao levados muito a serio. Esta e’ uma cidade tradicionalmente construida extensiva e horizontalmente (por oposicao a intensiva e verticalmente) e onde as normas de construcao, manutencao e reconstrucao dos edificios sao para ser respeitadas a risca, desde os materiais usados (por norma o tijolo de tons entre o ocre, o castanho e o vermelho), a altura (basicamente, pode dizer-se que qualquer proposta de construcao de um edificio mais alto que o Big Ben e’ severamente escrutinizada e muitissimo raramente aprovada), sob pena de os edificios infractores poderem vir a ser demolidos, por mais dispendiosos, vistosos ou funcionais que se apresentem e por mais famosos e conceituados que sejam os arquitectos ou engenheiros neles envolvidos. As excepcoes mais notorias a essas regras sao as torres de habitacao social construidas nas decadas de 60 e 70 do seculo XX, em varias areas da cidade, para suprir as necessidades habitacionais criadas pelo crescimento populacional provocado pelo baby boom do post-Segunda Guerra Mundial, muitas das quais, entretanto, ja’ foram demolidas ou estao em vias disso.

No entanto, e precisamente por ser levada tao a serio, a implementacao das politicas de manutencao da arquitectura tradicional da cidade nao e’ deixada simplesmente ao sabor dos ventos, mares e calemas, ou aos caprichos, interesses, fantasias e preconceitos politico-ideologicos dos que podem gritar mais alto. Pelo contrario, existem organismos centrais e locais especificamente encarregues de velar pelo respeito dessas politicas, as quais sao definidas por leis e regulamentos, entre os quais se destaca um sistema de listagem e graduacao de acordo com estritos criterios de localizacao, significacao historica e valencia cultural, que impede que determinados edificios sejam construidos em determinados locais ou que outros possam ser estruturalmente alterados ou demolidos. Mas, em ultima instancia, o sucesso da implementacao dessas politicas depende, como em qualquer outro caso, da presenca, ou ausencia, de determinados factores, quer de ordem endogena (e.g. a nao degradacao dos edificios para la’ de qualquer possibilidade de reabilitacao), quer de ordem exogena (e.g. a ausencia de catastrofes, sejam elas naturais, ou provocadas, como guerras).

A existencia e a defesa de tais politicas de conservacao nao impede, todavia, que a arquitectura da cidade se adapte a novas necessidades economicas, tendencias arquitectonicas e/ou realidades socio-culturais, pelo que projectos ineditos e inovadores sao ocasionalmente aprovados. Assim, embora dificilmente se venha a ver algo tao dramatico como a piramide de vidro adjacente ao Louvre, em Paris, ser construido nas imediacoes, digamos, do Buckingham Palace, ha’ alguns edificios, embora se possam contar praticamente pelos dedos de uma mao, que ao longo das ultimas decadas teem conseguido, com sucesso, quebrar os moldes do landscape londrino e impor-se como landmarks na skyline da cidade, e.g. o Centre Point (este embora, nos ultimos tempos, marcado para demolicao por ter deixado de se coadunar com os principios e valencias socio-culturais que inicialmente garantiram a sua edificacao), o Gherkhin, a BT Tower, ou o conjunto do Canary Wharf.

Mas, voltando ao Kinaxixe (refiro-me aqui ao edificio demolido nos ultimos dias e nao ao espaco geografico do Kinaxixi que historica e culturalmente lhe antecede), em texto que escrevi por altura do anuncio, ha’ cerca de quatro anos, dos planos da sua transformacao (texto esse de que ainda ando a procura e que o facto de ate’ agora nao o ter encontrado me sugere que talvez o tenha publicado como comentario num sitio como o Angonoticias, ou numa das networks ou foruns de discussao em que na altura ocasionalmente participava), manifestei duas preocupacoes fundamentais: uma com o futuro da/os vendedora/es que nele ganhavam a sua vida e outra com o destino que se lhe pretendia dar, ou seja, a sua transformacao num shopping centre. Em relacao a primeira, sugeria que, caso a/os vendedora/es tivessem mesmo que ser evacuados do mercado, que os compensassem devidamente, quer com locais alternativos para a continuacao dos seus negocios, quer financeiramente, para que pudessem, caso assim o decidissem, recorrer a outras formas de ganhar a sua vida. Em relacao a segunda, sugeria que o Kinaxixe fosse transformado num mercado como o Covent Garden de Londres.

O Covent Garden e’ um mercado tradicional londrino que, durante grande parte da sua historia de pelo menos 3 seculos, era exclusivamente um mercado de flores, frutas e vegetais mas, com a crescente tercializacao da economia, a transformacao do local em que se encontra numa zona menos residencial e mais de servicos e de lazer e a gradual satisfacao das necessidades alimentares dos residentes locais por super-mercados, restaurantes e lojas de conveniencia (onde, by the way, o bife de atum e’ consideravelmente mais caro e melhor apreciado do que o ‘outro bife’), foi-se diversificando para o comercio de outros produtos e a integracao de algumas das lojas de marca tipicas das principais high streets da cidade, isto e’, foi-se transformando organicamente num shopping center, sem contudo perder a sua traca arquitectonica original, nem a sua atmosfera de mercado tradicional. Para alem do mais, tal como o Covent Garden, que esta’ rodeado de museus e outros edificios historicos no centro de Londres, o Kinaxixe tambem esta’(va) rodeado de outros edificios historicos e museus no centro de Luanda… E essa, propunha eu, seria uma das alternativas de transformacao do Kinaxixe, sem a criacao de desnecessarios custos humanos, ambientais ou patrimoniais.

A outra alternativa, que parece ser a defendida por alguns, seria o status quo, ou seja, mante-lo como era e como estava. Ora, e deixando de lado a 'brilhante ideia' segundo a qual "Africa nao deve ter shopping centers" (...), ha’ aqui varias questoes a considerar. Em primeiro lugar, que politicas, leis e regulamentos existem para a garantia da manutencao de tal status quo? Nao tenho conhecimento de nenhuns, mas caso existam, que mecanismos institucionais e sociais existem para a garantia da sua implementacao? A julgar pelas vozes que, como a minha, desde o inicio se manifestaram contra as intencoes do grupo privado que se decidiu pela transformacao daquele mercado e, finalmente, pela sua demolicao, nenhuns. Evidentemente, ha’ que salvaguardar aqui o que parece ser um facto, do qual apenas tive conhecimento muito recentemente: a impossibilidade de recuperacao das estruturas do edificio, de acordo com os responsaveis pela obra.

Mas, independentemente desse facto aparentemente incontestavel e para alem das vozes e do tom ou intensidade com que porventura se tenham ou nao manifestado ao longo desse tempo, urge colocar algumas questoes mais criticas sobre esse evento: e.g. nos quatro anos (lembremo-nos que, em condicoes normais, esse e’ o tempo de duracao de uma legislatura), que mediaram o anuncio da decisao e o acto final a que se assistiu nos ultimos dias, tera’ algum partido da oposicao com assento parlamentar interpelado o governo sobre os planos em questao? Tera’ algum deputado, de qualquer partido, agindo independentemente ou em associacao com outros, tomado tal iniciativa? Tera’ alguma organizacao da sociedade civil activa e sistematicamente advogado essa causa e/ou agido no sentido de impedir o que acabou por acontecer? Tera’ algum cidadao, agindo individualmente ou em grupo, tomado qualquer iniciativa seria naquele sentido? Terao quaisquer representantes de grupos de interesses economicos, culturais (em especial os 'premios nacionais de cultura' e dentre estes muito particularmente alguem que nao perde uma oportunidade para se auto-proclamar "mais angolana que a Angolanidade!"...), politicos, ideologicos ou outros, considerados afectados, directa ou indirectamente, por aquela medida, submetido alguma peticao, ou pressionado de outro modo, as autoridades competentes para evitar a consumacao daquele acto?

Nao tenho noticia de que qualquer dessas perguntas possa ser respondida positiva e satisfatoriamente. Ou seja, ao contrario do que se passa no pais do Covent Garden, ha’ um vacuo institucional no nosso sistema de tomada, implementacao e contestacao de decisoes que, nao dando lugar a accoes concretas e construtivas no sentido de se impedir que tais decisoes produzam resultados socialmente adversos e insatisfatorios aos mais diversos niveis, acaba por ser preenchido por toda a sorte de irracionalidades, improperios, histerias, racismos, oportunismos, sensacionalismos e ataques pessoais depois dos factos consumados…

Dito tudo isso, devo dizer tambem que a minha oposicao inicial ao projecto de transformacao (na altura nem sequer se falava ainda em demolicao) do Kinaxixe, para alem de uma preocupacao objectiva de ordem etica e humanitaria em relacao aos futuros modos de sobrevivencia da/os vendedora/es e suas familias, se devia menos a factores objectivos do que afectivos, em resultado do meu sentimento de ‘pertenca’ ao local e ao habito de, desde a infancia, quando estudava na Escola 8, que fica ali muito perto, ver ali o mercado, ou de ocasionalmente ir la’ as compras com as mais velhas, ou, na altura do boicote aos exames no Sao Jose’ de Cluny, em 74/75, para la’ fugir dos tiros (para o ar...) da tropa portuguesa e, alguns anos mais tarde, de o ter mesmo ao lado do meu local de trabalho, na Angop… De outro modo, durante os varios anos que ali morei no Largo do Kinaxixi, depois da independencia, em termos objectivos, aquele mercado, ao contrario dos outros mercados existentes na cidade, ja’ nao satisfazia qualquer necessidade economica, cultural, ou social dos residentes locais ou do resto da cidade: praticamente nao se vendiam la’ ja’ quaisquer produtos alimentares e as lojas e outros espacos ainda com alguma serventia nao se dedicavam exactamente ao comercio de bens ou servicos indispensaveis a sobrevivencia dos seus utentes.

Diga-se tambem que, ao contrario do que tem sido veiculado por alguns sectores de opiniao, o Kinaxixe nunca foi um mercado verdadeiramente popular ou tradicional – populares e tradicionais eram e sao mercados como o Sao Paulo, os Kongolenses, ou o (antigo) Xamavu e, mais recentemente, o Roque Santeiro e tenho poucas duvidas de que, a excepcao deste ultimo, a demolicao de qualquer deles teria um impacto economico e socio-cultural na cidade bastante mais dramatico do que a do Kinaxixe. E’ do Sao Paulo, por exemplo, que trago referencias mais marcantes e consistentes ao longo da minha vida, desde ir la' apanhar ingredientes para cozinhar nas ‘brincadeiras de casa’ da minha infancia na Rua de Benguela, ao fascinio pelas colas, gengibres, missangas, pembas, takulas, xas de kaxinde e outros produtos da cultura tradicional Africana que la’ sempre se venderam e que eu saiba, 'por qualquer razao', nunca o foram no Kinaxixe, a cruzar-me com a Joana Maluka a caminho do mercado ou da igreja… E’ com o dos Kongolenses, por outro exemplo, que tenho as maiores afinidades culturais e afectivas: desde as cores dos panos do Kongo e dos cachos de dendem, ao cheiro dos micates a serem fritos, da banana a ser assada, do bagre fumado e da fuba de bombo branquinha, ao sabor da kikwanga, da kizaka ou da mwamba de ginguba acabadas de fazer... E tenho a certeza que esse tipo de relacao afectiva, cultural, historica e funcional com os mercados verdadeiramente populares, tradicionais e culturais de Luanda marca o imaginario e a vida quotidiana de bastantes mais cidadaos Angolanos do que aqueles agora objectiva ou subjectivamente afectados pela demolicao do Kinaxixe.

Em suma, o Kinaxixe – que sempre foi destinado a classe media-alta do centro da cidade, que nas ultimas decadas tambem passou a satisfazer as suas necessidades alimentares basicas naqueles mercados populares ou, mais recentemente, nas lojas de elite da baixa de Luanda, classe essa a qual tambem se destina o projectado novo shopping centre, pelo que nao ha’ conflitos socio-culturais fundamentais entre o status quo e a proposta alternativa (excepto, talvez, que a composicao dessa classe se tera’ alterado significativamente em tempos mais recentes…) – tornou-se ao longo das decadas desde a independencia, em grande medida, um edificio morto para todos os efeitos praticos, utilitarios e socio-culturais, preenchendo apenas um lugar no imaginario de uma parte dos Kaluandas (e, provavelmente, de outros que, por nunca terem realmente vivido a maior parte, ou sequer alguma parte significativa, das suas vidas em Luanda e, em qualquer caso, certamente nao no Kinaxixi, dele apenas teem imagens livrescas e confabuladas, memorias emprestadas e deturpadas e ate' mesmo completamente inventadas, para ja’ nao falar nos que nunca foram dados a frequentar quaisquer mercados porque sempre tiveram empregada/os que o fizessem por eles). Ora, acontece que o imaginario, e por isso mesmo ele tem esse nome, quando nao impedido disso por empecilhos como o racismo, a ideologia, a hipocrisia ou a esquizofrenia, tem as suas formas de criar, re-criar, adaptar-se e afeicoar-se a novas imagens: como essa do novo proposto edificio, contra o qual nao tenho objeccoes inconciliaveis, assumindo que os tecnicos que o projectaram saibam bem o que estao a fazer com tanta vidraca e que de facto o facam tao ‘verde’ quanto as imagens do prototipo sugerem.

Claro que me ocorrem possibilidades arquitectonicas mais consentaneas com a historia, arte e cultura locais, mas para isso, a falta de exemplos nacionais, teria que fazer uma outra digressao, nao ja' por Londres, mas por algumas das principais cidades Sul-Africanas e de outros paises da Africa Austral. E tais possibilidades ainda se podem vir a concretizar no vasto espaco geografico e populacional circundante ao centro da cidade, caso em que depois sera’ uma questao de competicao por gostos e preferencias esteticas, funcionalidades socio-economicas e valencias culturais entre tais possiveis novos espacos e propostas arquitectonicas e o que agora nos e’ apresentado em substituicao do Kinaxixe, competicao em resultado da qual este podera’ vir a ter a mesma sorte agora destinada ao Centre Point de Londres…

Terminada esta longa digressao pelos escombros do Kinaxixe, onde e’ que entram aqui argumentos de ‘nacionalismos racicos’ nao e’ exactamente uma questao que me escape… Mas essa e’ uma ‘peixeirada’ de um ‘mercado’ em que nao pretendo ir apanhar, nem comprar nada e nem sequer entrar, ate’ porque os seus participantes, vociferando histrionicamente contra o desaparecimento de um certo Quinachiche encimado por uma certa Maria da Fonte e de tudo quanto seja reminiscente do ‘tempo da outra senhora’, sao muito dados a ‘ameacas de morte’ e sao gente para se levar muito a serio nessas coisas: afinal eles estiveram envolvidos, directa ou indirectamente, na maior matanca a que a Historia contemporanea Angolana ja’ assistiu… E, mesmo sabendo e tendo experimentado os efeitos do seu “braco comprido”, continuo na minha: “estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura”!

O Kinaxixe morreu! Longa Vida ao Kinaxixi!!!

Desde a minha ultima morada em Luanda, no Largo do Kinaxixi, tenho vivido, entre outros lugares, naquela que pode, seguramente, ser considerada a cidade mais conservadora do mundo: Londres. Uma das manifestacoes desse conservadorismo e’ a forma como o planeamento, a edificacao, a arquitectura e o ambiente construido ('the built environment’ e’ uma disciplina que aqui tem uma faculdade inteira de pelo menos uma universidade a ela dedicada) sao levados muito a serio. Esta e’ uma cidade tradicionalmente construida extensiva e horizontalmente (por oposicao a intensiva e verticalmente) e onde as normas de construcao, manutencao e reconstrucao dos edificios sao para ser respeitadas a risca, desde os materiais usados (por norma o tijolo de tons entre o ocre, o castanho e o vermelho), a altura (basicamente, pode dizer-se que qualquer proposta de construcao de um edificio mais alto que o Big Ben e’ severamente escrutinizada e muitissimo raramente aprovada), sob pena de os edificios infractores poderem vir a ser demolidos, por mais dispendiosos, vistosos ou funcionais que se apresentem e por mais famosos e conceituados que sejam os arquitectos ou engenheiros neles envolvidos. As excepcoes mais notorias a essas regras sao as torres de habitacao social construidas nas decadas de 60 e 70 do seculo XX, em varias areas da cidade, para suprir as necessidades habitacionais criadas pelo crescimento populacional provocado pelo baby boom do post-Segunda Guerra Mundial, muitas das quais, entretanto, ja’ foram demolidas ou estao em vias disso.

No entanto, e precisamente por ser levada tao a serio, a implementacao das politicas de manutencao da arquitectura tradicional da cidade nao e’ deixada simplesmente ao sabor dos ventos, mares e calemas, ou aos caprichos, interesses, fantasias e preconceitos politico-ideologicos dos que podem gritar mais alto. Pelo contrario, existem organismos centrais e locais especificamente encarregues de velar pelo respeito dessas politicas, as quais sao definidas por leis e regulamentos, entre os quais se destaca um sistema de listagem e graduacao de acordo com estritos criterios de localizacao, significacao historica e valencia cultural, que impede que determinados edificios sejam construidos em determinados locais ou que outros possam ser estruturalmente alterados ou demolidos. Mas, em ultima instancia, o sucesso da implementacao dessas politicas depende, como em qualquer outro caso, da presenca, ou ausencia, de determinados factores, quer de ordem endogena (e.g. a nao degradacao dos edificios para la’ de qualquer possibilidade de reabilitacao), quer de ordem exogena (e.g. a ausencia de catastrofes, sejam elas naturais, ou provocadas, como guerras).

A existencia e a defesa de tais politicas de conservacao nao impede, todavia, que a arquitectura da cidade se adapte a novas necessidades economicas, tendencias arquitectonicas e/ou realidades socio-culturais, pelo que projectos ineditos e inovadores sao ocasionalmente aprovados. Assim, embora dificilmente se venha a ver algo tao dramatico como a piramide de vidro adjacente ao Louvre, em Paris, ser construido nas imediacoes, digamos, do Buckingham Palace, ha’ alguns edificios, embora se possam contar praticamente pelos dedos de uma mao, que ao longo das ultimas decadas teem conseguido, com sucesso, quebrar os moldes do landscape londrino e impor-se como landmarks na skyline da cidade, e.g. o Centre Point (este embora, nos ultimos tempos, marcado para demolicao por ter deixado de se coadunar com os principios e valencias socio-culturais que inicialmente garantiram a sua edificacao), o Gherkhin, a BT Tower, ou o conjunto do Canary Wharf.

Mas, voltando ao Kinaxixe (refiro-me aqui ao edificio demolido nos ultimos dias e nao ao espaco geografico do Kinaxixi que historica e culturalmente lhe antecede), em texto que escrevi por altura do anuncio, ha’ cerca de quatro anos, dos planos da sua transformacao (texto esse de que ainda ando a procura e que o facto de ate’ agora nao o ter encontrado me sugere que talvez o tenha publicado como comentario num sitio como o Angonoticias, ou numa das networks ou foruns de discussao em que na altura ocasionalmente participava), manifestei duas preocupacoes fundamentais: uma com o futuro da/os vendedora/es que nele ganhavam a sua vida e outra com o destino que se lhe pretendia dar, ou seja, a sua transformacao num shopping centre. Em relacao a primeira, sugeria que, caso a/os vendedora/es tivessem mesmo que ser evacuados do mercado, que os compensassem devidamente, quer com locais alternativos para a continuacao dos seus negocios, quer financeiramente, para que pudessem, caso assim o decidissem, recorrer a outras formas de ganhar a sua vida. Em relacao a segunda, sugeria que o Kinaxixe fosse transformado num mercado como o Covent Garden de Londres.

O Covent Garden e’ um mercado tradicional londrino que, durante grande parte da sua historia de pelo menos 3 seculos, era exclusivamente um mercado de flores, frutas e vegetais mas, com a crescente tercializacao da economia, a transformacao do local em que se encontra numa zona menos residencial e mais de servicos e de lazer e a gradual satisfacao das necessidades alimentares dos residentes locais por super-mercados, restaurantes e lojas de conveniencia (onde, by the way, o bife de atum e’ consideravelmente mais caro e melhor apreciado do que o ‘outro bife’), foi-se diversificando para o comercio de outros produtos e a integracao de algumas das lojas de marca tipicas das principais high streets da cidade, isto e’, foi-se transformando organicamente num shopping center, sem contudo perder a sua traca arquitectonica original, nem a sua atmosfera de mercado tradicional. Para alem do mais, tal como o Covent Garden, que esta’ rodeado de museus e outros edificios historicos no centro de Londres, o Kinaxixe tambem esta’(va) rodeado de outros edificios historicos e museus no centro de Luanda… E essa, propunha eu, seria uma das alternativas de transformacao do Kinaxixe, sem a criacao de desnecessarios custos humanos, ambientais ou patrimoniais.

A outra alternativa, que parece ser a defendida por alguns, seria o status quo, ou seja, mante-lo como era e como estava. Ora, e deixando de lado a 'brilhante ideia' segundo a qual "Africa nao deve ter shopping centers" (...), ha’ aqui varias questoes a considerar. Em primeiro lugar, que politicas, leis e regulamentos existem para a garantia da manutencao de tal status quo? Nao tenho conhecimento de nenhuns, mas caso existam, que mecanismos institucionais e sociais existem para a garantia da sua implementacao? A julgar pelas vozes que, como a minha, desde o inicio se manifestaram contra as intencoes do grupo privado que se decidiu pela transformacao daquele mercado e, finalmente, pela sua demolicao, nenhuns. Evidentemente, ha’ que salvaguardar aqui o que parece ser um facto, do qual apenas tive conhecimento muito recentemente: a impossibilidade de recuperacao das estruturas do edificio, de acordo com os responsaveis pela obra.

Mas, independentemente desse facto aparentemente incontestavel e para alem das vozes e do tom ou intensidade com que porventura se tenham ou nao manifestado ao longo desse tempo, urge colocar algumas questoes mais criticas sobre esse evento: e.g. nos quatro anos (lembremo-nos que, em condicoes normais, esse e’ o tempo de duracao de uma legislatura), que mediaram o anuncio da decisao e o acto final a que se assistiu nos ultimos dias, tera’ algum partido da oposicao com assento parlamentar interpelado o governo sobre os planos em questao? Tera’ algum deputado, de qualquer partido, agindo independentemente ou em associacao com outros, tomado tal iniciativa? Tera’ alguma organizacao da sociedade civil activa e sistematicamente advogado essa causa e/ou agido no sentido de impedir o que acabou por acontecer? Tera’ algum cidadao, agindo individualmente ou em grupo, tomado qualquer iniciativa seria naquele sentido? Terao quaisquer representantes de grupos de interesses economicos, culturais (em especial os 'premios nacionais de cultura' e dentre estes muito particularmente alguem que nao perde uma oportunidade para se auto-proclamar "mais angolana que a Angolanidade!"...), politicos, ideologicos ou outros, considerados afectados, directa ou indirectamente, por aquela medida, submetido alguma peticao, ou pressionado de outro modo, as autoridades competentes para evitar a consumacao daquele acto?

Nao tenho noticia de que qualquer dessas perguntas possa ser respondida positiva e satisfatoriamente. Ou seja, ao contrario do que se passa no pais do Covent Garden, ha’ um vacuo institucional no nosso sistema de tomada, implementacao e contestacao de decisoes que, nao dando lugar a accoes concretas e construtivas no sentido de se impedir que tais decisoes produzam resultados socialmente adversos e insatisfatorios aos mais diversos niveis, acaba por ser preenchido por toda a sorte de irracionalidades, improperios, histerias, racismos, oportunismos, sensacionalismos e ataques pessoais depois dos factos consumados…

Dito tudo isso, devo dizer tambem que a minha oposicao inicial ao projecto de transformacao (na altura nem sequer se falava ainda em demolicao) do Kinaxixe, para alem de uma preocupacao objectiva de ordem etica e humanitaria em relacao aos futuros modos de sobrevivencia da/os vendedora/es e suas familias, se devia menos a factores objectivos do que afectivos, em resultado do meu sentimento de ‘pertenca’ ao local e ao habito de, desde a infancia, quando estudava na Escola 8, que fica ali muito perto, ver ali o mercado, ou de ocasionalmente ir la’ as compras com as mais velhas, ou, na altura do boicote aos exames no Sao Jose’ de Cluny, em 74/75, para la’ fugir dos tiros (para o ar...) da tropa portuguesa e, alguns anos mais tarde, de o ter mesmo ao lado do meu local de trabalho, na Angop… De outro modo, durante os varios anos que ali morei no Largo do Kinaxixi, depois da independencia, em termos objectivos, aquele mercado, ao contrario dos outros mercados existentes na cidade, ja’ nao satisfazia qualquer necessidade economica, cultural, ou social dos residentes locais ou do resto da cidade: praticamente nao se vendiam la’ ja’ quaisquer produtos alimentares e as lojas e outros espacos ainda com alguma serventia nao se dedicavam exactamente ao comercio de bens ou servicos indispensaveis a sobrevivencia dos seus utentes.

Diga-se tambem que, ao contrario do que tem sido veiculado por alguns sectores de opiniao, o Kinaxixe nunca foi um mercado verdadeiramente popular ou tradicional – populares e tradicionais eram e sao mercados como o Sao Paulo, os Kongolenses, ou o (antigo) Xamavu e, mais recentemente, o Roque Santeiro e tenho poucas duvidas de que, a excepcao deste ultimo, a demolicao de qualquer deles teria um impacto economico e socio-cultural na cidade bastante mais dramatico do que a do Kinaxixe. E’ do Sao Paulo, por exemplo, que trago referencias mais marcantes e consistentes ao longo da minha vida, desde ir la' apanhar ingredientes para cozinhar nas ‘brincadeiras de casa’ da minha infancia na Rua de Benguela, ao fascinio pelas colas, gengibres, missangas, pembas, takulas, xas de kaxinde e outros produtos da cultura tradicional Africana que la’ sempre se venderam e que eu saiba, 'por qualquer razao', nunca o foram no Kinaxixe, a cruzar-me com a Joana Maluka a caminho do mercado ou da igreja… E’ com o dos Kongolenses, por outro exemplo, que tenho as maiores afinidades culturais e afectivas: desde as cores dos panos do Kongo e dos cachos de dendem, ao cheiro dos micates a serem fritos, da banana a ser assada, do bagre fumado e da fuba de bombo branquinha, ao sabor da kikwanga, da kizaka ou da mwamba de ginguba acabadas de fazer... E tenho a certeza que esse tipo de relacao afectiva, cultural, historica e funcional com os mercados verdadeiramente populares, tradicionais e culturais de Luanda marca o imaginario e a vida quotidiana de bastantes mais cidadaos Angolanos do que aqueles agora objectiva ou subjectivamente afectados pela demolicao do Kinaxixe.

Em suma, o Kinaxixe – que sempre foi destinado a classe media-alta do centro da cidade, que nas ultimas decadas tambem passou a satisfazer as suas necessidades alimentares basicas naqueles mercados populares ou, mais recentemente, nas lojas de elite da baixa de Luanda, classe essa a qual tambem se destina o projectado novo shopping centre, pelo que nao ha’ conflitos socio-culturais fundamentais entre o status quo e a proposta alternativa (excepto, talvez, que a composicao dessa classe se tera’ alterado significativamente em tempos mais recentes…) – tornou-se ao longo das decadas desde a independencia, em grande medida, um edificio morto para todos os efeitos praticos, utilitarios e socio-culturais, preenchendo apenas um lugar no imaginario de uma parte dos Kaluandas (e, provavelmente, de outros que, por nunca terem realmente vivido a maior parte, ou sequer alguma parte significativa, das suas vidas em Luanda e, em qualquer caso, certamente nao no Kinaxixi, dele apenas teem imagens livrescas e confabuladas, memorias emprestadas e deturpadas e ate' mesmo completamente inventadas, para ja’ nao falar nos que nunca foram dados a frequentar quaisquer mercados porque sempre tiveram empregada/os que o fizessem por eles). Ora, acontece que o imaginario, e por isso mesmo ele tem esse nome, quando nao impedido disso por empecilhos como o racismo, a ideologia, a hipocrisia ou a esquizofrenia, tem as suas formas de criar, re-criar, adaptar-se e afeicoar-se a novas imagens: como essa do novo proposto edificio, contra o qual nao tenho objeccoes inconciliaveis, assumindo que os tecnicos que o projectaram saibam bem o que estao a fazer com tanta vidraca e que de facto o facam tao ‘verde’ quanto as imagens do prototipo sugerem.

Claro que me ocorrem possibilidades arquitectonicas mais consentaneas com a historia, arte e cultura locais, mas para isso, a falta de exemplos nacionais, teria que fazer uma outra digressao, nao ja' por Londres, mas por algumas das principais cidades Sul-Africanas e de outros paises da Africa Austral. E tais possibilidades ainda se podem vir a concretizar no vasto espaco geografico e populacional circundante ao centro da cidade, caso em que depois sera’ uma questao de competicao por gostos e preferencias esteticas, funcionalidades socio-economicas e valencias culturais entre tais possiveis novos espacos e propostas arquitectonicas e o que agora nos e’ apresentado em substituicao do Kinaxixe, competicao em resultado da qual este podera’ vir a ter a mesma sorte agora destinada ao Centre Point de Londres…

Terminada esta longa digressao pelos escombros do Kinaxixe, onde e’ que entram aqui argumentos de ‘nacionalismos racicos’ nao e’ exactamente uma questao que me escape… Mas essa e’ uma ‘peixeirada’ de um ‘mercado’ em que nao pretendo ir apanhar, nem comprar nada e nem sequer entrar, ate’ porque os seus participantes, vociferando histrionicamente contra o desaparecimento de um certo Quinachiche encimado por uma certa Maria da Fonte e de tudo quanto seja reminiscente do ‘tempo da outra senhora’, sao muito dados a ‘ameacas de morte’ e sao gente para se levar muito a serio nessas coisas: afinal eles estiveram envolvidos, directa ou indirectamente, na maior matanca a que a Historia contemporanea Angolana ja’ assistiu… E, mesmo sabendo e tendo experimentado os efeitos do seu “braco comprido”, continuo na minha: “estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura”!

O Kinaxixe morreu! Longa Vida ao Kinaxixi!!!

Sunday, 10 August 2008

OH XENTE!

O Kinaxixe…

Vai virar Quinaxixe!

Mas nao se xateiem muito nao (pelo menos nao mais do ke eu ja’ me xatiei desde ke esses planos foram anunciados ha’ varios anos – xaticia essa ke manifestei em eskrito publikado algures…) porke:

… assim ke dizem ke as novas torres a beira-mar plantadas, komo essa ai da Baia, vao ruir porke o mar gosta de reklamar o ke e’ seu, akela Kianda do Kinaxixi ke nunka ke ainda fez ruir nenhum predio ali no largo – nem o ‘meu’ ke fika mesmo ao lado da kacimba dela e onde ke ainda tem la’ mo kubiku ke me kassumbularam kum ele nuns tuga bue' malaikes e buerere' karrulas ainda por cima e ke agora dizem ke tem la’ uns xinokas (ja’ viram so’ o mo azar? Esses anos todos se eles me pagassem so' mbora mo kumbu essa hora eu ja’ ke podia subir tambem na torre da Baia, ne’? Pelo menos ate' ela ruir...); nem akele eskeleto ke lhe plantaram mesmo em cima da kacimba dela e ke por isso mesmo ela nunka ke deixou ke lhe kompletassem – num sei se ela vai deixar esse novo Quinaxixe dai vingar (ou sera’ Quinachiche?)… num sei nao!

Mas se kalhar essa e' uma maka pra Kianda e a Mma Nzinga resolverem la' no Kinaxixi delas, ne'?

[Mais dikas aki e aki]
O Kinaxixe…

Vai virar Quinaxixe!

Mas nao se xateiem muito nao (pelo menos nao mais do ke eu ja’ me xatiei desde ke esses planos foram anunciados ha’ varios anos – xaticia essa ke manifestei em eskrito publikado algures…) porke:

… assim ke dizem ke as novas torres a beira-mar plantadas, komo essa ai da Baia, vao ruir porke o mar gosta de reklamar o ke e’ seu, akela Kianda do Kinaxixi ke nunka ke ainda fez ruir nenhum predio ali no largo – nem o ‘meu’ ke fika mesmo ao lado da kacimba dela e onde ke ainda tem la’ mo kubiku ke me kassumbularam kum ele nuns tuga bue' malaikes e buerere' karrulas ainda por cima e ke agora dizem ke tem la’ uns xinokas (ja’ viram so’ o mo azar? Esses anos todos se eles me pagassem so' mbora mo kumbu essa hora eu ja’ ke podia subir tambem na torre da Baia, ne’? Pelo menos ate' ela ruir...); nem akele eskeleto ke lhe plantaram mesmo em cima da kacimba dela e ke por isso mesmo ela nunka ke deixou ke lhe kompletassem – num sei se ela vai deixar esse novo Quinaxixe dai vingar (ou sera’ Quinachiche?)… num sei nao!

Mas se kalhar essa e' uma maka pra Kianda e a Mma Nzinga resolverem la' no Kinaxixi delas, ne'?

[Mais dikas aki e aki]

Friday, 5 October 2007

O MEU LICEU...






D. Guiomar de Lencastre…
Produziu tanto Meninas Guiomares de Lencastres, protegidas na Sala das Professoras… Como Mulheres desprotegidas na Cerca, que o fizeram Nzinga Mbandi... .
… E talvez por isso as clarividentes alunas, que sempre tinham visto o meu nome no Quadro de Honra desde 1972, me elegeram a dada altura sua representante no Conselho Directivo
E talvez tambem por isso fiz parte do grupo de 4 alun(a)os que, entre centenas, passaram aquele ano de recuperacao em que nos impuseram exames obrigatorios (eu que estava habituada a dispensar de exames…), depois de termos – nos os que davamos a pele, o sangue, o couro, o cabelo e as ‘sokas’ de madeira a fugir dos tiros da tropa ainda colonial a tentar dispersar as nossas manifestacoes, mais infindaveis horas das nossas jovens vidas em RGAs, pela PATRIA que julgavamos se estava a construir – “desconstruido” o Geronimo Wanga… e transitei para o complementar no Mutu Ya Kevela, esse outro Liceu, a.k.a. Salvador Correia…
...Deixando para tras os entao novos tempos de miscigenacao generica num liceu ja’ ex-feminino em que a rigorosa hierarquia etaria e academica entre as alunas, antes estabelecida pelas diferentes cores do simbolo LGL nas batas brancas, entretanto caidas em desuso quais soutiens queimados nas ruas de Luanda, se comecava a desmoronar ate’ descambar na anarquia que hoje permite a certas fedelhas mal desmamadas e muito assanhadas, de quem nao me lembro ter alguma vez visto em nenhuma das nossas lutas, certas coragens, atrevimentos e descaramentos
Tais como, em vez de admitirem que chumbaram, apesar de todas as proteccoes e favoritismos das professoritas, ou talvez por isso mesmo, dizerem que “foram atrasadas um ano, para nivelar as coisas”…e que "nao se lembram de mais nada"… como convem as boas aprendizas de fiticera! Nivelar, they say! At what level?! Ainda nao viram que ate’ hoje continuam a tentar nivelar as coisas e continuam a desconseguir?!
A ele voltarei sempre como aluna… de Nzinga Mbandi!
Sobre ele, e sobre a PRO e sobre o SEDME (onde o representava), um dia escreverei de verdade … O MEU LICEU!








D. Guiomar de Lencastre…
Produziu tanto Meninas Guiomares de Lencastres, protegidas na Sala das Professoras… Como Mulheres desprotegidas na Cerca, que o fizeram Nzinga Mbandi... .
… E talvez por isso as clarividentes alunas, que sempre tinham visto o meu nome no Quadro de Honra desde 1972, me elegeram a dada altura sua representante no Conselho Directivo
E talvez tambem por isso fiz parte do grupo de 4 alun(a)os que, entre centenas, passaram aquele ano de recuperacao em que nos impuseram exames obrigatorios (eu que estava habituada a dispensar de exames…), depois de termos – nos os que davamos a pele, o sangue, o couro, o cabelo e as ‘sokas’ de madeira a fugir dos tiros da tropa ainda colonial a tentar dispersar as nossas manifestacoes, mais infindaveis horas das nossas jovens vidas em RGAs, pela PATRIA que julgavamos se estava a construir – “desconstruido” o Geronimo Wanga… e transitei para o complementar no Mutu Ya Kevela, esse outro Liceu, a.k.a. Salvador Correia…
...Deixando para tras os entao novos tempos de miscigenacao generica num liceu ja’ ex-feminino em que a rigorosa hierarquia etaria e academica entre as alunas, antes estabelecida pelas diferentes cores do simbolo LGL nas batas brancas, entretanto caidas em desuso quais soutiens queimados nas ruas de Luanda, se comecava a desmoronar ate’ descambar na anarquia que hoje permite a certas fedelhas mal desmamadas e muito assanhadas, de quem nao me lembro ter alguma vez visto em nenhuma das nossas lutas, certas coragens, atrevimentos e descaramentos
Tais como, em vez de admitirem que chumbaram, apesar de todas as proteccoes e favoritismos das professoritas, ou talvez por isso mesmo, dizerem que “foram atrasadas um ano, para nivelar as coisas”…e que "nao se lembram de mais nada"… como convem as boas aprendizas de fiticera! Nivelar, they say! At what level?! Ainda nao viram que ate’ hoje continuam a tentar nivelar as coisas e continuam a desconseguir?!
A ele voltarei sempre como aluna… de Nzinga Mbandi!
Sobre ele, e sobre a PRO e sobre o SEDME (onde o representava), um dia escreverei de verdade … O MEU LICEU!



Saturday, 8 September 2007

SALA SENTLÊ! - UM TRIBUTO AO BOTSWANA*

É verdade amigos, tenho que me despedir. Escrevo-vos de Gaborone, onde as tarefas que me esperam nos próximos tempos não me permitem continuar estas conversas quinzenais. Não posso deixar de agradecer ao Graça Campos por me ter convidado a participar e ao colectivo do Semanário Angolense por me ter deixado partilhar um pouco desta excitante empresa de construção de um espaço alternativo, forte e independente na imprensa nacional. Tenho também que agradecer profundamente a todos os amigos (conhecidos e desconhecidos) que me enviaram mensagens de felicitações e encorajamento. Estou certa de que este valioso espaço no SA será bem aproveitado e continuará a dar oportunidade a outros para expressarem as suas idéias sobre o que vai pela terra e pelo mundo.




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Mama Boregwe - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Deixei Londres, há cerca de três semanas, entregue à sua onda de greves e ao seu Tony Blair a tentar emular o machismo da Lady Thatcher e, ao mesmo tempo, articular uma boa razão para dispender na projectada guerra ao Iraque os fundos necessários à melhoria dos seus serviços públicos; aos seus muitos, quase diários, “celebrity and royal scandals”; à sua chuva miudinha e tempo cinzento e àquela sensação de estarmos parados no espaço, escrutinando o mundo a girar à nossa volta e o tempo a fugir de nós a toda a hora.


Neste meu regresso a Gabs, alguns meses depois de cá ter estado a trabalhar durante pouco mais de um ano, noto que ela continua a impressionar quem chega pela sua limpeza, cosmopolitismo e espírito empreendedor. Perdi a explosão púrpura dos jacarandás (diz-nos Alice Walker que Deus fica muito irritado – pior, fica “pissed off” – se a humanidade não repara na cor púrpura) que todos os Setembros prenuncia o início da época das chuvas, mas o vermelho das acácias e a profusão de cores das buganvílias continuam o seu perene, despudorado, romance com o dourado do sol. O imenso calor tende a fazer recolher os habitantes a espaços interiores durante a maior parte do tempo, deixando o exterior entregue quase exclusivamente a uma imensa variedade de répteis e insectos (que não perdem uma oportunidade para nos entrar pela casa adentro) e ao som do silêncio ou dos pássaros.




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Sombele - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Os Batswana continuam demasiado ocupados a dar à Àfrica algumas das suas poucas razões de orgulho para se permitirem desenvolver quaisquer complexos (muito menos o de “colonizado”, o que quer que seja que isso signifique). Embora esteja convencida de que ao Motswana médio escapará a relevância, ou mesmo o significado, que este tipo de questões assume em Angola, acredito que qualquer deles subscreverá a idéia de que muito mal está um país quando a mera sugestão da importância de uma clara definição de uma identidade cultural nacional, não necessáriamente tributária da situação política colonial, atrai sobre quem se atreva a fazê-lo a rasteira acusação de ser “complexado(a)”.

Aliás, suspeito que se Freud estivesse vivo, dedicaria o resto da sua vida à reinvenção total da Psicanálise, por forma a nela acomodar a vacuidade que a palavra “complexos” (sem qualquer indicação de em relação a quê, ou sobre se de inferioridade, de superioridade, de Édipo, ou de Electra…) parece ter assumido no léxico de alguns sectores da nossa sociedade.

Numa conjuntura histórica em que práticamente todos os sectores acadêmicos, técnicos e intelectuais internacionais começam a dar cada vez mais peso a factores culturais endógenos como variáveis explicativas de experiências de desenvolvimento sustentado em todo o mundo, o Botswana emerge como um “caso especial”: estamos perante um povo que construiu a sua cidade capital práticamente a partir do zero (Gaborone, que significa “nossa casa”, só começou a ser construída um ano antes da independência, obtida em 1966, quando o país já se encontrava sob um regime de auto-determinação); um povo que, a par do Inglês e de outras línguas locais, fala e escreve o seu principal idioma nacional, Setswana, em todas as instâncias da sua vida privada, social e profissional - desde os aviões da companhia aérea nacional, aos aeroportos, aos sinais de trânsito, aos painéis de publicidade, aos meios de comunicação social, às escolas e faculdades, ao parlamento, aos tribunais, às empresas, ou aos bancos.




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Fire - Wizards of the Desert (Khoisan Aristocracy)

Estamos perante um país cujo modo de governo é baseado no tradicional sistema de “Kgotla”, em que a autoridade suprema é investida numa legislatura que, compreendendo a Assembléia Nacional e o Presidente, age em mandatória consultação com a “Câmara dos Chefes Tradicionais”, a qual supervisiona e decide sobre todos os aspectos da acção governativa que afectem os valores, costumes e tradições nacionais. O próprio conceito de desenvolvimento inclusivo e harmonia social, “Kagisano”, que norteia a sua estratégia económica é derivado da cultura nacional - dele emanam os princípios de democracia, auto-suficiência e unidade que servem de contexto geral para a definição dos objectivos da nação.


Estamos perante um país que pôs no centro do seu programa de diversificação económica e desenvolvimento industrial o “empowerment” dos seus cidadãos, através de programas concretos, fundos específicos e mecanismos institucionais que promovem a sua efectiva implementação e o desenvolvimento de uma classe empresarial nacional em todos os sectores da economia, tendo-se o governo compromotido a estender as suas preferências a consultores nacionais e a comprar acções em empresas de proprietários locais que estejam a enfrentar dificuldades financeiras; um país cujo código de investimento estrangeiro estipula, por exemplo, que as empresas estrangeiras que envolvam accionistas locais podem beneficiar de uma diminuição do mínimo investimento que lhes é exigido para metade, ou um terço, dependendo do sector em que queiram investir, sendo que em alguns sectores as empresas estrangeiras são obrigadas a sub-contratar empresas locais, enquanto o governo se dispõe a reembolsar 50% dos custos de formação dos empregados locais e a pagar um montante entre 40 e 85%, dependendo da localização da empresa numa área urbana ou rural, dos custos de cada posto de trabalho criado na indústria manufactureira.




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Mama - Wizards of the Desert (Khoisan Aristocracy)


Perante tudo isso, não será certamente de espantar, especialmente aos olhos dos países ocidentais, que basearam as suas estratégias de crescimento económico nos direitos dos seus cidadãos e nas suas culturas e valores tradicionais (e que talvez partilhem com certos segmentos das elites urbanas angolanas um perfeito entendimento da importância fulcral da língua e da cultura como instrumentos de poder e dominação, bem como um indisfarçável nervosismo à simples menção do conceito de “identidade africana”), que o Botswana seja: o país com as taxas de crescimento mais impressivas e consistentes em África (cerca de 9% p.a. ao longo das últimas três décadas) e comparáveis às de “tigres asiáticos” como a Tailândia e a Coreia do Sul; o país com uma das políticas de combate ao SIDA mais coerentes e agressivas na região (a taxa de incidência sobre o seu comparativamente diminuto agregado populacional tem afectado negativamente o seu índice de desenvolvimento humano e constitui a maior ameaça ao futuro do país); o segundo país mais competitivo da SADC, depois das Maurícias; o país com as taxas de corrupção mais baixas em África e com uma melhor reputação nessa área do que países como França, Itália, Grécia ou Portugal; o país com taxas de juro reais comparáveis às dos principais mercados mundiais de capitais e até superiores, durante vários períodos, às do UK, EUA e África do Sul; ou o país com as melhores posições em África em termos de robustez económica e solvabilidade, acima da África do Sul ou de países como a Coreia do Sul e a Malásia.




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Ba Ntatola Ke Tshela - Franco (Ba Ntatola)

Complexo de colonizado? Definitivamente, esse é um conceito que não existe em nenhuma das línguas nacionais deste povo, mestre da estética da alma: pacato e de uma tocante cortezia e humildade, mas confiante, orgulhoso, soberano e internacionalmente respeitado. Despeço-me em Setswana: Sala Sentlê! (Fiquem Bem, na língua de Camões; Stay Well, na língua de Shakespeare).

P.S.: E que viva para sempre a memória da rainha NZinga – um dos expoentes maiores da nacionalidade Angolana!




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Issa - Franco (Ba Ntatola)


{*Cronica por mim publicada no SA ha' 5 anos (a ultima da serie “Factos e Ficcoes"). Foi parcialmente em resposta a um outro colunista do mesmo semanario que, embora nao citando o meu nome, mas de forma suficientemente directa e inequivoca, me acusava de ter "complexos de colonizado", ao mesmo tempo que invectivava contra a estatua da Rainha Nzinga…}




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Ma Africa - Franco (Ba Ntatola)



***
About the songs: these are some of the songs on Botswana airwaves’ top-10 in the last few years, with Franco invariably at number 1, lately closely followed by the Wizards. Except for ‘Mama Boregwe’, which conveys the sounds and voices of the Kalahari, with these choices I wanted to highlight a very interesting phenomenon in the country’s music trends, which can also be observed in almost all Sub-Saharan African countries these days: the adoption of Congolese sounds (soukous, rumba and that wild mix generally known as kwassa-kwassa), be it through remixes/covers – as in ‘Sombele’ or ‘Mama’ (remember Congolese Franco’s ‘Mario’?) or ‘legitimate appropriation’ – as in almost all Motswana Franco’s (Frank Lesokwane) music and his adopted name. The contagion is of such order that when I left the country about 2 years ago there was a public discussion going on whether the genre should be adopted as Botswana’s “national music”.


É verdade amigos, tenho que me despedir. Escrevo-vos de Gaborone, onde as tarefas que me esperam nos próximos tempos não me permitem continuar estas conversas quinzenais. Não posso deixar de agradecer ao Graça Campos por me ter convidado a participar e ao colectivo do Semanário Angolense por me ter deixado partilhar um pouco desta excitante empresa de construção de um espaço alternativo, forte e independente na imprensa nacional. Tenho também que agradecer profundamente a todos os amigos (conhecidos e desconhecidos) que me enviaram mensagens de felicitações e encorajamento. Estou certa de que este valioso espaço no SA será bem aproveitado e continuará a dar oportunidade a outros para expressarem as suas idéias sobre o que vai pela terra e pelo mundo.




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Mama Boregwe - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Deixei Londres, há cerca de três semanas, entregue à sua onda de greves e ao seu Tony Blair a tentar emular o machismo da Lady Thatcher e, ao mesmo tempo, articular uma boa razão para dispender na projectada guerra ao Iraque os fundos necessários à melhoria dos seus serviços públicos; aos seus muitos, quase diários, “celebrity and royal scandals”; à sua chuva miudinha e tempo cinzento e àquela sensação de estarmos parados no espaço, escrutinando o mundo a girar à nossa volta e o tempo a fugir de nós a toda a hora.


Neste meu regresso a Gabs, alguns meses depois de cá ter estado a trabalhar durante pouco mais de um ano, noto que ela continua a impressionar quem chega pela sua limpeza, cosmopolitismo e espírito empreendedor. Perdi a explosão púrpura dos jacarandás (diz-nos Alice Walker que Deus fica muito irritado – pior, fica “pissed off” – se a humanidade não repara na cor púrpura) que todos os Setembros prenuncia o início da época das chuvas, mas o vermelho das acácias e a profusão de cores das buganvílias continuam o seu perene, despudorado, romance com o dourado do sol. O imenso calor tende a fazer recolher os habitantes a espaços interiores durante a maior parte do tempo, deixando o exterior entregue quase exclusivamente a uma imensa variedade de répteis e insectos (que não perdem uma oportunidade para nos entrar pela casa adentro) e ao som do silêncio ou dos pássaros.




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Sombele - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Os Batswana continuam demasiado ocupados a dar à Àfrica algumas das suas poucas razões de orgulho para se permitirem desenvolver quaisquer complexos (muito menos o de “colonizado”, o que quer que seja que isso signifique). Embora esteja convencida de que ao Motswana médio escapará a relevância, ou mesmo o significado, que este tipo de questões assume em Angola, acredito que qualquer deles subscreverá a idéia de que muito mal está um país quando a mera sugestão da importância de uma clara definição de uma identidade cultural nacional, não necessáriamente tributária da situação política colonial, atrai sobre quem se atreva a fazê-lo a rasteira acusação de ser “complexado(a)”.

Aliás, suspeito que se Freud estivesse vivo, dedicaria o resto da sua vida à reinvenção total da Psicanálise, por forma a nela acomodar a vacuidade que a palavra “complexos” (sem qualquer indicação de em relação a quê, ou sobre se de inferioridade, de superioridade, de Édipo, ou de Electra…) parece ter assumido no léxico de alguns sectores da nossa sociedade.

Numa conjuntura histórica em que práticamente todos os sectores acadêmicos, técnicos e intelectuais internacionais começam a dar cada vez mais peso a factores culturais endógenos como variáveis explicativas de experiências de desenvolvimento sustentado em todo o mundo, o Botswana emerge como um “caso especial”: estamos perante um povo que construiu a sua cidade capital práticamente a partir do zero (Gaborone, que significa “nossa casa”, só começou a ser construída um ano antes da independência, obtida em 1966, quando o país já se encontrava sob um regime de auto-determinação); um povo que, a par do Inglês e de outras línguas locais, fala e escreve o seu principal idioma nacional, Setswana, em todas as instâncias da sua vida privada, social e profissional - desde os aviões da companhia aérea nacional, aos aeroportos, aos sinais de trânsito, aos painéis de publicidade, aos meios de comunicação social, às escolas e faculdades, ao parlamento, aos tribunais, às empresas, ou aos bancos.




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Estamos perante um país cujo modo de governo é baseado no tradicional sistema de “Kgotla”, em que a autoridade suprema é investida numa legislatura que, compreendendo a Assembléia Nacional e o Presidente, age em mandatória consultação com a “Câmara dos Chefes Tradicionais”, a qual supervisiona e decide sobre todos os aspectos da acção governativa que afectem os valores, costumes e tradições nacionais. O próprio conceito de desenvolvimento inclusivo e harmonia social, “Kagisano”, que norteia a sua estratégia económica é derivado da cultura nacional - dele emanam os princípios de democracia, auto-suficiência e unidade que servem de contexto geral para a definição dos objectivos da nação.


Estamos perante um país que pôs no centro do seu programa de diversificação económica e desenvolvimento industrial o “empowerment” dos seus cidadãos, através de programas concretos, fundos específicos e mecanismos institucionais que promovem a sua efectiva implementação e o desenvolvimento de uma classe empresarial nacional em todos os sectores da economia, tendo-se o governo compromotido a estender as suas preferências a consultores nacionais e a comprar acções em empresas de proprietários locais que estejam a enfrentar dificuldades financeiras; um país cujo código de investimento estrangeiro estipula, por exemplo, que as empresas estrangeiras que envolvam accionistas locais podem beneficiar de uma diminuição do mínimo investimento que lhes é exigido para metade, ou um terço, dependendo do sector em que queiram investir, sendo que em alguns sectores as empresas estrangeiras são obrigadas a sub-contratar empresas locais, enquanto o governo se dispõe a reembolsar 50% dos custos de formação dos empregados locais e a pagar um montante entre 40 e 85%, dependendo da localização da empresa numa área urbana ou rural, dos custos de cada posto de trabalho criado na indústria manufactureira.




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Perante tudo isso, não será certamente de espantar, especialmente aos olhos dos países ocidentais, que basearam as suas estratégias de crescimento económico nos direitos dos seus cidadãos e nas suas culturas e valores tradicionais (e que talvez partilhem com certos segmentos das elites urbanas angolanas um perfeito entendimento da importância fulcral da língua e da cultura como instrumentos de poder e dominação, bem como um indisfarçável nervosismo à simples menção do conceito de “identidade africana”), que o Botswana seja: o país com as taxas de crescimento mais impressivas e consistentes em África (cerca de 9% p.a. ao longo das últimas três décadas) e comparáveis às de “tigres asiáticos” como a Tailândia e a Coreia do Sul; o país com uma das políticas de combate ao SIDA mais coerentes e agressivas na região (a taxa de incidência sobre o seu comparativamente diminuto agregado populacional tem afectado negativamente o seu índice de desenvolvimento humano e constitui a maior ameaça ao futuro do país); o segundo país mais competitivo da SADC, depois das Maurícias; o país com as taxas de corrupção mais baixas em África e com uma melhor reputação nessa área do que países como França, Itália, Grécia ou Portugal; o país com taxas de juro reais comparáveis às dos principais mercados mundiais de capitais e até superiores, durante vários períodos, às do UK, EUA e África do Sul; ou o país com as melhores posições em África em termos de robustez económica e solvabilidade, acima da África do Sul ou de países como a Coreia do Sul e a Malásia.




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Ba Ntatola Ke Tshela - Franco (Ba Ntatola)

Complexo de colonizado? Definitivamente, esse é um conceito que não existe em nenhuma das línguas nacionais deste povo, mestre da estética da alma: pacato e de uma tocante cortezia e humildade, mas confiante, orgulhoso, soberano e internacionalmente respeitado. Despeço-me em Setswana: Sala Sentlê! (Fiquem Bem, na língua de Camões; Stay Well, na língua de Shakespeare).

P.S.: E que viva para sempre a memória da rainha NZinga – um dos expoentes maiores da nacionalidade Angolana!




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Issa - Franco (Ba Ntatola)


{*Cronica por mim publicada no SA ha' 5 anos (a ultima da serie “Factos e Ficcoes"). Foi parcialmente em resposta a um outro colunista do mesmo semanario que, embora nao citando o meu nome, mas de forma suficientemente directa e inequivoca, me acusava de ter "complexos de colonizado", ao mesmo tempo que invectivava contra a estatua da Rainha Nzinga…}




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Ma Africa - Franco (Ba Ntatola)



***
About the songs: these are some of the songs on Botswana airwaves’ top-10 in the last few years, with Franco invariably at number 1, lately closely followed by the Wizards. Except for ‘Mama Boregwe’, which conveys the sounds and voices of the Kalahari, with these choices I wanted to highlight a very interesting phenomenon in the country’s music trends, which can also be observed in almost all Sub-Saharan African countries these days: the adoption of Congolese sounds (soukous, rumba and that wild mix generally known as kwassa-kwassa), be it through remixes/covers – as in ‘Sombele’ or ‘Mama’ (remember Congolese Franco’s ‘Mario’?) or ‘legitimate appropriation’ – as in almost all Motswana Franco’s (Frank Lesokwane) music and his adopted name. The contagion is of such order that when I left the country about 2 years ago there was a public discussion going on whether the genre should be adopted as Botswana’s “national music”.


Tuesday, 28 August 2007

"Significancias Lusosfericas" et Luanda's (G)Litterati's Top Fives



"SIGNIFICANCIAS LUSOSFERICAS"


"...Combater a pobreza?! Que mal e' que a pobreza fez a alguem para ser combatida?..." (MRM)

"...Eu e' que devia ser beneficiado pela 'accao afirmativa' porque sou parte da minoria..." (MC)

"...Compram arte africana, o que quer que isso seja..." (JEA)

"...O povo nao sabe o que e' bom..." (ACGM)




LUANDA'S (G)LITTERATI TOP-5 PET HATES

1. Substituicao das estatuas das Marias da Fonte e do Blindado pela da Rainha Nzinga (por esta alegadamente nao ter passado de uma "escravocrata" negra)

2. Transformacao do "Palacio/Casa de Escravos de D. Ana Joaquina" (que efectivamente nao passou de uma escravocrata mestica)

3. Registo da raca nos B.I.

4. Qualquer mencao a palavra "identidade"

5. "Complexos de colonizado" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 MUCH LOVES

1. Portugal (?)

2. Lusofonia (?)

3. Um certo Brasil (que exclui os seus Movimentos Negros reivindicativos)

4. Uma certa Africa do Sul, em particular Cape Town (que nao inclui as suas Townships)

5. "Pretos descomplexados" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INDIFFERENCES

1. Racismo praticado nos Bancos e outras empresas instaladas em Angola

2. Todas as causas da sociedade civil que nao constem dos seus top-5 pet hates

3. Qualquer abordagem do fenomeno corrupcao que nao se limite a ridicularizacao dos "sinais exteriores de riqueza" dos seus alvos criteriosamente seleccionados

4. A Diaspora Angolana pos-independencia em geral

5. Africa e os Africanos em geral

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INCOGNITAS

1. Qualquer abordagem socio-economica da relacao raca/classe social

2. Qualquer conceito de "identidade cultural" (incluindo a que os une a volta das mesmas causas)

3. O mundo pos-Guerra Fria

4. Comunidade Negra Norte-Americana (de facto, todas e quaisquer Comunidades Negras)

5. "Pretas complexa(da)s" - o que quer que isso seja

***

GLITTERING CONCLUSION:

Not All That Glitters Is Gold...



"SIGNIFICANCIAS LUSOSFERICAS"


"...Combater a pobreza?! Que mal e' que a pobreza fez a alguem para ser combatida?..." (MRM)

"...Eu e' que devia ser beneficiado pela 'accao afirmativa' porque sou parte da minoria..." (MC)

"...Compram arte africana, o que quer que isso seja..." (JEA)

"...O povo nao sabe o que e' bom..." (ACGM)




LUANDA'S (G)LITTERATI TOP-5 PET HATES

1. Substituicao das estatuas das Marias da Fonte e do Blindado pela da Rainha Nzinga (por esta alegadamente nao ter passado de uma "escravocrata" negra)

2. Transformacao do "Palacio/Casa de Escravos de D. Ana Joaquina" (que efectivamente nao passou de uma escravocrata mestica)

3. Registo da raca nos B.I.

4. Qualquer mencao a palavra "identidade"

5. "Complexos de colonizado" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 MUCH LOVES

1. Portugal (?)

2. Lusofonia (?)

3. Um certo Brasil (que exclui os seus Movimentos Negros reivindicativos)

4. Uma certa Africa do Sul, em particular Cape Town (que nao inclui as suas Townships)

5. "Pretos descomplexados" - o que quer que isso seja

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INDIFFERENCES

1. Racismo praticado nos Bancos e outras empresas instaladas em Angola

2. Todas as causas da sociedade civil que nao constem dos seus top-5 pet hates

3. Qualquer abordagem do fenomeno corrupcao que nao se limite a ridicularizacao dos "sinais exteriores de riqueza" dos seus alvos criteriosamente seleccionados

4. A Diaspora Angolana pos-independencia em geral

5. Africa e os Africanos em geral

***

SAME (G)LITTERATI TOP-5 INCOGNITAS

1. Qualquer abordagem socio-economica da relacao raca/classe social

2. Qualquer conceito de "identidade cultural" (incluindo a que os une a volta das mesmas causas)

3. O mundo pos-Guerra Fria

4. Comunidade Negra Norte-Americana (de facto, todas e quaisquer Comunidades Negras)

5. "Pretas complexa(da)s" - o que quer que isso seja

***

GLITTERING CONCLUSION:

Not All That Glitters Is Gold...

Friday, 6 April 2007

MAKA DE SANZALA!!!



N.B.: Considerando este assunto suficientemente esclarecido e esperando que a menina ACGM nunca mais se volte a esquecer das suas proprias palavras, e.g. “de ti jamais falarei!”, seja de que forma, sob que "nome", a que "pretexto", a que proposito, ou em que sitio for, voltarei a restringir o acesso a este blog a partir de amanha, 09/04/07, as 18H00.

Os meus agradecimentos a todo/as que, muito sensivelmente, preferiram nao fazer os seus comentarios aqui e me manifestaram suas solidariedades, pontos de vista e sugestoes por outras vias.

As minhas desculpas aqueles cujos comentarios decidi nao publicar. Fi-lo, nao porque contivessem algo que me fosse pessoalmente desfavoravel ou ofensivo, mas tao so’ por, ou conterem informacoes e nomes que prefiro nao envolver nesta questao, ou por conterem um tom demasiado exaltado que apenas iria contribuir para agravar uma situacao ja’ de si demasiado grave. De qualquer modo, o meu obrigada a todos!




Acabo de ver o meu nome citado no blog da Ana Clara Guerra Marques, auto-denominada 'Phwo', no espaco de comentarios a um post sobre o ultimo livro da Paula Tavares.

Entendamo-nos:

1. A primeira vez que tropecei naquele blog foi ha’ pouco mais de 3/4 meses, depois de ter criado o meu proprio blog e de, pela primeira vez, comecar a fazer digressoes pela blogosfera. Antes disso, nao tinha tido qualquer contacto com a blogosfera e os unicos blogs em que acidentalmente tinha antes entrado, ambos durante a segunda metade do ano passado, eram o Malambas e o Kitanda.

Serve isto para dizer que, ao contrario do que a menina Clara "pensa", eu nao sou quem ela "pensa"… isto e’, um ou outro dos varios Anonimos que, pelo que pude verificar nos arquivos do blog dela, ja’ ha’ muito tempo lhe venhem dizendo coisas sobre as quais ela sistematicamente exerce censura... Porque sera'???

2. A minha primeira intervencao naquele blog (e isto foi numa altura em que ela o tinha aberto a comentarios sem censura previa), como ‘Vulto’ (que usei por referencia ao termo vulturismo cultural – pratica da qual ela e’ o expoente maximo em Angola e que foi o tema dos meus dois primeiros comentarios), foi para lhe colocar algumas questoes legitimas a proposito de um post dela sobre um grupo de danca de mulheres do Lwena. Fi-lo de boa fe’ e respeitosamente, ainda imbuida do espirito aberto que caracteriza os espacos de debate intelectual a que estou habituada… Vejam-se, por exemplo, os debates em que tenho participado nos blogs do Africanpath...

Acontece, porem, que a menina imediatamente apagou os meus comentarios, accionou a "moderacao de comentarios" e, sem ter minimamente tentado responder as questoes que lhe coloquei, de pronto iniciou, numa infame e implacavel campanha de denegrimento sem qualquer precedente na minha vida, uma torrente de insultos pessoais contra mim, dizendo, entre outras coisas, saber muito bem quem eu era e que eu “nao era nada dificil de identificar”… Portanto, todos os insultos e agressoes pessoais que desde entao ela tem feito no seu e noutros blogs, directa ou indirectamente, aberta ou veladamente (como Phwo, Diamante, Lucia Matos (?), Margarida Fortes (?), Carlos Fonseca (?)... entre varios outros "pseudonimos"...), dirigidos a minha pessoa, tem-nos feito em plena consciencia de quem o “Vulto” era ... alias, ela confirmou-o a certa altura, quando se viu completamente abandonada pelos seus apoiantes habituais e a ter que recorrer a si propria com outros pseudonimos, para tentar justificar toda a sua agressidade e odio contra mim...

Respondi-lhe, num dos varios (mas nao tantos quanto ela quer fazer supor aos seus incautos leitores e certamente sem quaisquer insultos pessoais ou linguagem "grosseira" como ela hoje diz...) comentarios que ela nao publicou, que nao me preocupava absolutamente nada o facto de ela saber ou nao quem eu era, porque me dispunha a debater as questoes que eu tinha levantado em qualquer plataforma publica e que, ao contrario do que ela imediatamente assumiu e brandiu a saciedade desde entao, eu so’ nao me iria "identificar" no blog dela para evitar ter que pessoalizar as questoes e dar ao vexame que ela engendrou com base nos meus primeiros comentarios a dimensao de “escandalo” ou “maka de sanzala” que obviamente assumiria se eu me identificasse com o meu nome proprio ... isto, assumindo a hipotese patetica de que o nome proprio dela e' "Phwo"... alias, tenho para mim que o nome proprio dela e' e sempre foi Arrogancia Ignorante!

E devo dizer, ja' agora, que me esforcei por escrever os tais comentarios com acentos, nao por qualquer tentativa de dissimulacao, mas apenas e precisamente pelas razoes que acabo de referir. De resto, ha uma opcao nos blogs (que ela nao usa) que e’ a de nao se aceitar comentarios “anonimos”, ou ate', in extremis, nao se aceitarem comentarios de todo ou, como o fiz nos ultimos dias, restringir-se o acesso ao blog apenas a um grupo seleccionado de pessoas... e ha’ tambem a opcao por parte dos visitantes de se identificarem ou nao como anonimos, ou com os nomes que bem entenderem… portanto, ainda estou para perceber de onde e’ que lhe saiu a "conviccao inabalavel" que eu nao me “identifiquei” por “cobardia”...

... Ou que o que ela fez agora ao citar o meu nome constitui uma "denuncia"! Denuncia de que, posso saber? Das minhas opinioes e ideias? Que de resto nunca escondi de ninguem e que ate' fiz publicar em paginas impressas, muito antes da blogosfera sequer existir (como, por exemplo NESTE artigo datado de e publicado em 2002)?! Tal como nunca pretendi esconder o meu nome ou a minha cara, tanto neste blog como noutros espacos... E quem e' que ela pensa que, dentre os habituais frequentadores do blog dela e do meu, ainda nao tinha feito as obvias interligacoes sobre quem e o que estava em causa nesta saga?! Nao e' esse raciocinio tipico da mentalidade de "bofia stalinista" que, como tambem tive oportunidade de lhe dizer num dos comentarios que ela nao publicou, tao bem a caracteriza?! Quem e' que, e porque, se considera assim tao "intocavel" e acima do comum dos mortais que nao possa ser objecto de uma critica ou simples reparo, ou sequer que alguem "de fora" se lhe dirija? Nao sera' esta uma das manifestacoes mais evidentes da completa falta de nocao do ridiculo com que se tem notabilizado?!

3. Nao pretendo neste momento, a menos que ela a isso me obrigue no seguimento deste seu ultimo e insolito (inominavel?) ataque, recapitular aqui todos os episodios desta estorieta a que ela, no que e' apenas mais uma demonstracao do seu infinito auto-convencimento, chama uma “obsessao” da minha parte... so' me da' mesmo vontade de rir... como se nao fosse mais do que obvio, quanto mais nao seja a contar pelo numero de posts que ela fez usando os meus comentarios, ou motivados por eles, ou ainda "inspirados" por posts meus aqui no meu blog, ou ate' apenas movida pelo seu caracteristico abuso e atrevimento, como um em que me tenta "dar licoes" sobre o que fazer em Londres... quem e' que esta' obcecada e com uma dor de cotovelo que ate' doi a quem nao a tem, porque nao e' sequer possivel comparar a qualidade, a quantidade e a diversidade do conteudo sobre a cultura, a arte, a literatura, a musica, a gastronomia, a historia e a actualidade politica, social e economica angolanas e nao so' entre este e o blog dela...

Mas o que e’ mais do que evidente e’ que, completamente ao contrario do que ela diz, eu e’ que, por ter tido a “ousadia”, ou melhor, para usar a palavra dela, o "atrevimento", de me dirigir a ela (e diga-se que inicialmente ate' em termos favoraveis) num espaco aberto como a blogosfera fui vitima de toda a especie de insultos e ataques quer a minha pessoa, quer a minha obra como poeta, economista, ensaista e cronista, quer ao meu blog… Fe-lo persistentemente ao longo dos ultimos meses, inclusive usando comentarios meus que ela tinha antes apagado como temas para posts (portanto, a 'macaca' que me fez limitar o acesso a este blog nos ultimos dias nao foi a primeira a usar esse expediente... coincidencias?).

Essencialmente, ao que ela me submeteu foi a uma continua sessao de tortura e espancamento publicos em que tanto ela como os seus "amigos" no blog dela se dedicaram a saciedade a apedrejar-me e a cuspir-me para cima enquanto ela me tinha amarrada a um poste, sem qualquer possiblidade de defesa porque so’ publicava dos meus comentarios aqueles que melhor pudesse manipular para servir os seus mais do que sordidos objectivos. Nao teve, no entanto, porque nao lhe dei esse privilegio, qualquer resposta equivalente aqui no meu blog... ate' agora!

4. Lamento que ela tenha finalmente conseguido o que desde o inicio pretendia: fazer-me chocar com a Paula Tavares, sobre quem nao direi, pelo menos por enquanto, mais nada para alem do que ja’ disse aqui ha’ umas semanas num outro blog e tambem aqui no meu proprio blog. O que me revolta profundamente e’ que uma professorita de danca, possuidora de uma arrogancia sem limites e de um racismo muito mal dissimulado por tras da mascara da “Phwo” (... tenho muito a dizer, por exemplo, das suas praticas de “seleccao” e das suas teorias indefensavelmente racistas, incultas e ignorantes sobre "o que e' a verdadeira danca e quem e' que e' realmente capaz de dancar" na Academia de Danca de Luanda - e nao eram certamente tecnicas de danca Tchokwe que ela la' ensinava, ou as filhas das mamas do Lwena que ela la' admitia como suas alunas - antes de descobrir que se podia “dar de Phwo” e se pretender mais angolana do que a propria Angolanidade e, certamente, mais angolana do que eu, que ela faz muita questao de dizer que “estou fora” enquanto ela "esta dentro"… Alias ha' indicios suficientes no blog dela de que ela nem sequer tenta dissimular o seu racismo, pelo que as vezes me pergunto em que ponto da linha entre a arrogancia e a ignorancia ela efectivamente se situa... bastante elucidativo e', so' para citar um exemplo, a serie de posts que ela fez sobre a Rainha Nzinga...), se sinta no direito e se de ao desplante de confabular estorias sobre as minhas motivacoes e “inquietacoes” e com base nelas criar uma situacao destas entre mim e alguem por quem sempre tive o maior respeito e amizade, apesar da distancia que nos separa ha’ muitos anos!

Por isso a unica coisa que aqui vou repetir e’ que tenho muita pena que a Paula Tavares esteja completamente entregue a bicharada representada por essa menina e por ela a ser abusivamente usada como arma de arremesso contra mim sem qualquer pudor ou consideracoes eticas e que tanto o seu como o meu nome tenham sido desta forma arrastados na lama por uma fedelha atrevida, pedante, petulante e arrogante ate' dizer basta (!), irresponsavel, intriguista, racista, invejosa, ciumenta, imatura, ignorante, inculta, ordinaria, complexada, pretensiosa, presumida, intelectualmente desonesta, incapaz de conter os seus instintos mais baixos e mesquinhos e simplesmente de mau caracter, nenhuma educacao e menos ainda formacao, que esta’ absolutamente convencida de que e’ “o expoente maximo da cultura angolana”…

Fiz o comentario que ela hoje publicou (Porque o tera’ feito? E porque tera' decidido "identificar-me", particularmente depois de ter proferido, logo no inicio desta saga, uma das suas celebres frases a mim dirigidas: "de ti jamais falarei!...". Nao tera' sido por pensar, muito cobardemente diga-se de passagem, que poderia agora reiniciar as suas sessoes de espancamento sobre o meu nome com total impunidade por saber que eu tinha o meu blog com o acesso restricto?), e mantenho tudo o que nele disse (e para que disso nao restem duvidas coloco-o aqui em anexo), pela simples razao de que com base no que se tem passado e em tudo quanto ela tem dito nos ultimos meses, aquele post nao se destinava a homenagear a Paula Tavares, ou a honrar o seu livro e a sua obra em geral: aquele post, tal como o anterior em que ela fala pela primeira vez desse livro, esta cheio de fel e odio e veneno de escorpiao, nao so’ contra mim, mas tambem contra TODAS AS POETAS ANGOLANAS!

E isso apenas porque como a cabeca dela so funciona na base da inveja, do despeito, do ressaibo, do racismo, da hipocrisia, da mesquinhez e do auto-convencimento, pensa que a cabeca de toda a gente funciona da mesma maneira... E pior do que isso, com o particular poema que ela seleccionou, pretende apenas, oportunistica e descaradamente colar-se, como “Phwo”, a obra da Paula Tavares (que ela acintosamente faz muita questao de pre-qualificar como "nossa"… nossa de quem?...).

E’ isto alguem que mereca um “Premio Nacional da Cultura Angolana”?! E ainda por cima a frente e por cima (!) de verdadeiros vultos legitimamente representativos da cultura angolana como, so' para citar este nome, esse Marito que aqui podemos ouvir no 'Muxima' dos Kiezos e que anda para ali aos caidos, ao passo que ela, enquanto responsavel do Ministerio da Cultura de Angola fala mal do Estado Angolano e, com a maior das vacuidades deste mundo, se diz "contra" um sistema que a produziu e que ela reproduz e de que faz parte ate' ao tutano (e e', alias, apenas isso que lhe permite a basofia de proclamar que "estou realmente dentro"!), ao mesmo tempo que se pavoneia pelo mundo como "educadora cultural angolana"???!

5. Estou disposta a debater civilizada, culta e inteligentemente, com quem estiver interessado, aqui ou em qualquer outra plataforma (que nao obviamente o blog da menininha), as questoes substantivas relativas a poesia, a arte e a cultura angolana em geral, que me moveram a dirigir-me inicialmente a professorita na maior das boas fes, mas que ela apenas soube transformar na pouca vergonha que culminou neste post, mas que se pode ‘cronicar’ atraves dos posts e comentarios no blog dela e das directas e indirectas que foi disseminando nos ultimos tempos pela blogosfera, nao para confrontar ou “derrotar” as minhas ideias mas apenas para “me aniquilar” como pessoa e como escritora! Porque sera', pergunto-me?!

In conclusion, Ana Clara Guerra Marques, a.k.a. "Phwo", just: WHO DO YOU THINK YOU ARE???!



N.B.: Considerando este assunto suficientemente esclarecido e esperando que a menina ACGM nunca mais se volte a esquecer das suas proprias palavras, e.g. “de ti jamais falarei!”, seja de que forma, sob que "nome", a que "pretexto", a que proposito, ou em que sitio for, voltarei a restringir o acesso a este blog a partir de amanha, 09/04/07, as 18H00.

Os meus agradecimentos a todo/as que, muito sensivelmente, preferiram nao fazer os seus comentarios aqui e me manifestaram suas solidariedades, pontos de vista e sugestoes por outras vias.

As minhas desculpas aqueles cujos comentarios decidi nao publicar. Fi-lo, nao porque contivessem algo que me fosse pessoalmente desfavoravel ou ofensivo, mas tao so’ por, ou conterem informacoes e nomes que prefiro nao envolver nesta questao, ou por conterem um tom demasiado exaltado que apenas iria contribuir para agravar uma situacao ja’ de si demasiado grave. De qualquer modo, o meu obrigada a todos!




Acabo de ver o meu nome citado no blog da Ana Clara Guerra Marques, auto-denominada 'Phwo', no espaco de comentarios a um post sobre o ultimo livro da Paula Tavares.

Entendamo-nos:

1. A primeira vez que tropecei naquele blog foi ha’ pouco mais de 3/4 meses, depois de ter criado o meu proprio blog e de, pela primeira vez, comecar a fazer digressoes pela blogosfera. Antes disso, nao tinha tido qualquer contacto com a blogosfera e os unicos blogs em que acidentalmente tinha antes entrado, ambos durante a segunda metade do ano passado, eram o Malambas e o Kitanda.

Serve isto para dizer que, ao contrario do que a menina Clara "pensa", eu nao sou quem ela "pensa"… isto e’, um ou outro dos varios Anonimos que, pelo que pude verificar nos arquivos do blog dela, ja’ ha’ muito tempo lhe venhem dizendo coisas sobre as quais ela sistematicamente exerce censura... Porque sera'???

2. A minha primeira intervencao naquele blog (e isto foi numa altura em que ela o tinha aberto a comentarios sem censura previa), como ‘Vulto’ (que usei por referencia ao termo vulturismo cultural – pratica da qual ela e’ o expoente maximo em Angola e que foi o tema dos meus dois primeiros comentarios), foi para lhe colocar algumas questoes legitimas a proposito de um post dela sobre um grupo de danca de mulheres do Lwena. Fi-lo de boa fe’ e respeitosamente, ainda imbuida do espirito aberto que caracteriza os espacos de debate intelectual a que estou habituada… Vejam-se, por exemplo, os debates em que tenho participado nos blogs do Africanpath...

Acontece, porem, que a menina imediatamente apagou os meus comentarios, accionou a "moderacao de comentarios" e, sem ter minimamente tentado responder as questoes que lhe coloquei, de pronto iniciou, numa infame e implacavel campanha de denegrimento sem qualquer precedente na minha vida, uma torrente de insultos pessoais contra mim, dizendo, entre outras coisas, saber muito bem quem eu era e que eu “nao era nada dificil de identificar”… Portanto, todos os insultos e agressoes pessoais que desde entao ela tem feito no seu e noutros blogs, directa ou indirectamente, aberta ou veladamente (como Phwo, Diamante, Lucia Matos (?), Margarida Fortes (?), Carlos Fonseca (?)... entre varios outros "pseudonimos"...), dirigidos a minha pessoa, tem-nos feito em plena consciencia de quem o “Vulto” era ... alias, ela confirmou-o a certa altura, quando se viu completamente abandonada pelos seus apoiantes habituais e a ter que recorrer a si propria com outros pseudonimos, para tentar justificar toda a sua agressidade e odio contra mim...

Respondi-lhe, num dos varios (mas nao tantos quanto ela quer fazer supor aos seus incautos leitores e certamente sem quaisquer insultos pessoais ou linguagem "grosseira" como ela hoje diz...) comentarios que ela nao publicou, que nao me preocupava absolutamente nada o facto de ela saber ou nao quem eu era, porque me dispunha a debater as questoes que eu tinha levantado em qualquer plataforma publica e que, ao contrario do que ela imediatamente assumiu e brandiu a saciedade desde entao, eu so’ nao me iria "identificar" no blog dela para evitar ter que pessoalizar as questoes e dar ao vexame que ela engendrou com base nos meus primeiros comentarios a dimensao de “escandalo” ou “maka de sanzala” que obviamente assumiria se eu me identificasse com o meu nome proprio ... isto, assumindo a hipotese patetica de que o nome proprio dela e' "Phwo"... alias, tenho para mim que o nome proprio dela e' e sempre foi Arrogancia Ignorante!

E devo dizer, ja' agora, que me esforcei por escrever os tais comentarios com acentos, nao por qualquer tentativa de dissimulacao, mas apenas e precisamente pelas razoes que acabo de referir. De resto, ha uma opcao nos blogs (que ela nao usa) que e’ a de nao se aceitar comentarios “anonimos”, ou ate', in extremis, nao se aceitarem comentarios de todo ou, como o fiz nos ultimos dias, restringir-se o acesso ao blog apenas a um grupo seleccionado de pessoas... e ha’ tambem a opcao por parte dos visitantes de se identificarem ou nao como anonimos, ou com os nomes que bem entenderem… portanto, ainda estou para perceber de onde e’ que lhe saiu a "conviccao inabalavel" que eu nao me “identifiquei” por “cobardia”...

... Ou que o que ela fez agora ao citar o meu nome constitui uma "denuncia"! Denuncia de que, posso saber? Das minhas opinioes e ideias? Que de resto nunca escondi de ninguem e que ate' fiz publicar em paginas impressas, muito antes da blogosfera sequer existir (como, por exemplo NESTE artigo datado de e publicado em 2002)?! Tal como nunca pretendi esconder o meu nome ou a minha cara, tanto neste blog como noutros espacos... E quem e' que ela pensa que, dentre os habituais frequentadores do blog dela e do meu, ainda nao tinha feito as obvias interligacoes sobre quem e o que estava em causa nesta saga?! Nao e' esse raciocinio tipico da mentalidade de "bofia stalinista" que, como tambem tive oportunidade de lhe dizer num dos comentarios que ela nao publicou, tao bem a caracteriza?! Quem e' que, e porque, se considera assim tao "intocavel" e acima do comum dos mortais que nao possa ser objecto de uma critica ou simples reparo, ou sequer que alguem "de fora" se lhe dirija? Nao sera' esta uma das manifestacoes mais evidentes da completa falta de nocao do ridiculo com que se tem notabilizado?!

3. Nao pretendo neste momento, a menos que ela a isso me obrigue no seguimento deste seu ultimo e insolito (inominavel?) ataque, recapitular aqui todos os episodios desta estorieta a que ela, no que e' apenas mais uma demonstracao do seu infinito auto-convencimento, chama uma “obsessao” da minha parte... so' me da' mesmo vontade de rir... como se nao fosse mais do que obvio, quanto mais nao seja a contar pelo numero de posts que ela fez usando os meus comentarios, ou motivados por eles, ou ainda "inspirados" por posts meus aqui no meu blog, ou ate' apenas movida pelo seu caracteristico abuso e atrevimento, como um em que me tenta "dar licoes" sobre o que fazer em Londres... quem e' que esta' obcecada e com uma dor de cotovelo que ate' doi a quem nao a tem, porque nao e' sequer possivel comparar a qualidade, a quantidade e a diversidade do conteudo sobre a cultura, a arte, a literatura, a musica, a gastronomia, a historia e a actualidade politica, social e economica angolanas e nao so' entre este e o blog dela...

Mas o que e’ mais do que evidente e’ que, completamente ao contrario do que ela diz, eu e’ que, por ter tido a “ousadia”, ou melhor, para usar a palavra dela, o "atrevimento", de me dirigir a ela (e diga-se que inicialmente ate' em termos favoraveis) num espaco aberto como a blogosfera fui vitima de toda a especie de insultos e ataques quer a minha pessoa, quer a minha obra como poeta, economista, ensaista e cronista, quer ao meu blog… Fe-lo persistentemente ao longo dos ultimos meses, inclusive usando comentarios meus que ela tinha antes apagado como temas para posts (portanto, a 'macaca' que me fez limitar o acesso a este blog nos ultimos dias nao foi a primeira a usar esse expediente... coincidencias?).

Essencialmente, ao que ela me submeteu foi a uma continua sessao de tortura e espancamento publicos em que tanto ela como os seus "amigos" no blog dela se dedicaram a saciedade a apedrejar-me e a cuspir-me para cima enquanto ela me tinha amarrada a um poste, sem qualquer possiblidade de defesa porque so’ publicava dos meus comentarios aqueles que melhor pudesse manipular para servir os seus mais do que sordidos objectivos. Nao teve, no entanto, porque nao lhe dei esse privilegio, qualquer resposta equivalente aqui no meu blog... ate' agora!

4. Lamento que ela tenha finalmente conseguido o que desde o inicio pretendia: fazer-me chocar com a Paula Tavares, sobre quem nao direi, pelo menos por enquanto, mais nada para alem do que ja’ disse aqui ha’ umas semanas num outro blog e tambem aqui no meu proprio blog. O que me revolta profundamente e’ que uma professorita de danca, possuidora de uma arrogancia sem limites e de um racismo muito mal dissimulado por tras da mascara da “Phwo” (... tenho muito a dizer, por exemplo, das suas praticas de “seleccao” e das suas teorias indefensavelmente racistas, incultas e ignorantes sobre "o que e' a verdadeira danca e quem e' que e' realmente capaz de dancar" na Academia de Danca de Luanda - e nao eram certamente tecnicas de danca Tchokwe que ela la' ensinava, ou as filhas das mamas do Lwena que ela la' admitia como suas alunas - antes de descobrir que se podia “dar de Phwo” e se pretender mais angolana do que a propria Angolanidade e, certamente, mais angolana do que eu, que ela faz muita questao de dizer que “estou fora” enquanto ela "esta dentro"… Alias ha' indicios suficientes no blog dela de que ela nem sequer tenta dissimular o seu racismo, pelo que as vezes me pergunto em que ponto da linha entre a arrogancia e a ignorancia ela efectivamente se situa... bastante elucidativo e', so' para citar um exemplo, a serie de posts que ela fez sobre a Rainha Nzinga...), se sinta no direito e se de ao desplante de confabular estorias sobre as minhas motivacoes e “inquietacoes” e com base nelas criar uma situacao destas entre mim e alguem por quem sempre tive o maior respeito e amizade, apesar da distancia que nos separa ha’ muitos anos!

Por isso a unica coisa que aqui vou repetir e’ que tenho muita pena que a Paula Tavares esteja completamente entregue a bicharada representada por essa menina e por ela a ser abusivamente usada como arma de arremesso contra mim sem qualquer pudor ou consideracoes eticas e que tanto o seu como o meu nome tenham sido desta forma arrastados na lama por uma fedelha atrevida, pedante, petulante e arrogante ate' dizer basta (!), irresponsavel, intriguista, racista, invejosa, ciumenta, imatura, ignorante, inculta, ordinaria, complexada, pretensiosa, presumida, intelectualmente desonesta, incapaz de conter os seus instintos mais baixos e mesquinhos e simplesmente de mau caracter, nenhuma educacao e menos ainda formacao, que esta’ absolutamente convencida de que e’ “o expoente maximo da cultura angolana”…

Fiz o comentario que ela hoje publicou (Porque o tera’ feito? E porque tera' decidido "identificar-me", particularmente depois de ter proferido, logo no inicio desta saga, uma das suas celebres frases a mim dirigidas: "de ti jamais falarei!...". Nao tera' sido por pensar, muito cobardemente diga-se de passagem, que poderia agora reiniciar as suas sessoes de espancamento sobre o meu nome com total impunidade por saber que eu tinha o meu blog com o acesso restricto?), e mantenho tudo o que nele disse (e para que disso nao restem duvidas coloco-o aqui em anexo), pela simples razao de que com base no que se tem passado e em tudo quanto ela tem dito nos ultimos meses, aquele post nao se destinava a homenagear a Paula Tavares, ou a honrar o seu livro e a sua obra em geral: aquele post, tal como o anterior em que ela fala pela primeira vez desse livro, esta cheio de fel e odio e veneno de escorpiao, nao so’ contra mim, mas tambem contra TODAS AS POETAS ANGOLANAS!

E isso apenas porque como a cabeca dela so funciona na base da inveja, do despeito, do ressaibo, do racismo, da hipocrisia, da mesquinhez e do auto-convencimento, pensa que a cabeca de toda a gente funciona da mesma maneira... E pior do que isso, com o particular poema que ela seleccionou, pretende apenas, oportunistica e descaradamente colar-se, como “Phwo”, a obra da Paula Tavares (que ela acintosamente faz muita questao de pre-qualificar como "nossa"… nossa de quem?...).

E’ isto alguem que mereca um “Premio Nacional da Cultura Angolana”?! E ainda por cima a frente e por cima (!) de verdadeiros vultos legitimamente representativos da cultura angolana como, so' para citar este nome, esse Marito que aqui podemos ouvir no 'Muxima' dos Kiezos e que anda para ali aos caidos, ao passo que ela, enquanto responsavel do Ministerio da Cultura de Angola fala mal do Estado Angolano e, com a maior das vacuidades deste mundo, se diz "contra" um sistema que a produziu e que ela reproduz e de que faz parte ate' ao tutano (e e', alias, apenas isso que lhe permite a basofia de proclamar que "estou realmente dentro"!), ao mesmo tempo que se pavoneia pelo mundo como "educadora cultural angolana"???!

5. Estou disposta a debater civilizada, culta e inteligentemente, com quem estiver interessado, aqui ou em qualquer outra plataforma (que nao obviamente o blog da menininha), as questoes substantivas relativas a poesia, a arte e a cultura angolana em geral, que me moveram a dirigir-me inicialmente a professorita na maior das boas fes, mas que ela apenas soube transformar na pouca vergonha que culminou neste post, mas que se pode ‘cronicar’ atraves dos posts e comentarios no blog dela e das directas e indirectas que foi disseminando nos ultimos tempos pela blogosfera, nao para confrontar ou “derrotar” as minhas ideias mas apenas para “me aniquilar” como pessoa e como escritora! Porque sera', pergunto-me?!

In conclusion, Ana Clara Guerra Marques, a.k.a. "Phwo", just: WHO DO YOU THINK YOU ARE???!